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lóbulos: frontal, parietal, temporal e occipital. Divide-se ademais em uma camada externa e uma interna, conhecidas como os córtices cerebral e cerebelar, que correspondem, respectivamente, às massas cinzenta e branca.[ 107 ] Enfiado embaixo dos lóbulos occipitais, próximo à parte traseira da cabeça, reside o cerebelo ou “pequeno cérebro”, que os darwinistas tendem a ver como representando o cérebro de nossos ancestrais mamíferos distantes. Além do telencéfalo e do cerebelo, há, parcialmente escondido dentro da cavidade central que fica abaixo do telencéfalo, um grande grupo de componentes cerebrais, conhecido como sistema límbico, que abarca o hipocampo, o tálamo, o hipotálamo e a amídala. Embaixo dessas formações, repousa o tronco cerebral, o qual se assemelha em alguma medida ao cérebro dos répteis e geralmente se crê ter evoluído “mais de 500 milhões de anos atrás”. Há ainda outros componentes − até a retina, hoje em dia, é considerada como parte do cérebro −, mas, para os nossos propósitos, isso basta. Parece que, além de suas divisões anatômicas, o cérebro admite também divisões funcionais. Para ser mais preciso: existem módulos funcionais que podem ser localizados anatomicamente, ao menos de forma aproximativa. Isso equivale a dizer, basicamente, que as diferentes partes do cérebro fazem coisas diferentes. Os neurocientistas, compreensivelmente, têm trabalhado duro para determinar “onde se faz o que”, empreitada que, às vezes, é nomeada mapeamento do cérebro. Correndo o risco de uma leve digressão, começarei este breve exame com uma referência a Franz Josef Gall, o fundador da frenologia, o qual, duzentos anos atrás, tentou mapear o cérebro, com ingenuidade extraordinária, pelo mapeamento do crânio; o resultado foi um tipo de atlas cranial classificado segundo termos funcionais. Como se poderia esperar, havia uma região que correspondia à Amabilidade e outra associada à Combatividade, zona essa que Gall identificara com base em sua pequenez na “maioria dos hindus e cingaleses”! Parece que, ocasionalmente, o bom doutor teve sorte; por exemplo, quando estipulou a localização da região referente à alegria dentro da têmpora esquerda. Dois séculos depois, cirurgiões do Centro Médico da UCLA, sondando o córtex cerebral de uma paciente por meio de estímulos elétricos localizados, foram surpreendidos quando a jovem mulher (que estava inteiramente consciente), de súbito, irrompeu em acessos de riso: parece que, de fato, os cirurgiões tinham acertado uma “região da alegria” no lóbulo frontal esquerdo! Indagada acerca da causa de sua alegria, a mulher respondeu: “Vocês são tão engraçados − assim, em pé”. Esse é exatamente o tipo de resposta que os cientistas do mapeamento do cérebro desejavam ouvir. Antes do advento da tecnologia médica moderna, o principal meio científico de mapear o cérebro era correlacionar perdas de funções com lesões cerebrais, cuja localização podia ser determinada postumamente, por intermédio de autópsias. Há o famoso caso de Phineas Gage, um jovem trabalhador de Vermont que, no ano 1848, teve uma barra de ferro de 91 centímetros de comprimento atravessada em seu cérebro por conta de uma explosão. Fantasticamente, Gage sobreviveu e, com efeito, podia viver uma vida biologicamente normal; o que lhe falta, porém, era a habilidade de controlar seus impulsos e direcionar suas ações no sentido de objetivos normais. Parece que os centros associados a essas funções “superiores” se localizavam nas porções de seus lóbulos frontais que haviam sido permanentemente destruídas. Outro exemplo precoce de localização funcional foi a descoberta feita por Pierre Broca e Carl Wernicke acerca das áreas de linguagem, que até hoje levam seus nomes. Ambas normalmente se localizam no hemisfério cerebral esquerdo; a área de Broca tem a ver com a formação da fala e se situa no lóbulo formal; a área de Wernicke tem a ver com a compreensão da fala e se situa no lóbulo temporal.

Ciencia e mito wolfgang smith  

Ciencia

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