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Essa nova teoria, proposta em 1976, é chamada de supergravidade, denominação em que o prefixo se refere a “um tipo de simetria que a teoria possui, chamada de supersimetria”, que implica que “as forças e as partículas de matéria (e, assim, as forças e a matéria), são, na verdade, apenas duas facetas de uma mesma coisa. Falando praticamente, isso significa que cada partícula de matéria, como, por exemplo, um quark, deve ter uma partícula parceira que seja uma partícula de força, e cada partícula de força, como um fóton, deve ter uma partícula parceira que seja uma partícula de matéria” (114). O problema é que, até agora, “não se observou nenhuma tal partícula parceira” (115), talvez devido ao fato de que essas partículas, supostamente, são mil vezes mais pesadas do que um próton; “mas há esperança de que tais partículas sejam criadas, algum dia, no grande Colisor de Hádrons, em Genebra”. Ocorre, ademais, que a idéia de supersimetria antecede a teoria da supergravidade, uma vez que teve sua origem nas teorias de cordas ou de “supercordas”. O que é mais saliente em todo esse conglomerado de teorias é o fato de que a supersimetria exige, no mínimo, dez dimensões espaçotempo “em vez das quatro habituais”: como, então, passa-se de dez ou mais para quatro? “Na teoria de cordas, as dimensões adicionais são condensadas no que se chama de espaço interno, em oposição ao espaço tridimensional que experimentamos na vida cotidiana. Conforme veremos, esses estados internos não são apenas dimensões ocultas que foram varridas para baixo do tapete − eles têm importante significância física” (116). O que é de suma importância, semelhantemente, é o fato de que “as teorias de cordas estão hoje convencidas de que as teorias de cordas e a supergravidade são apenas aproximações diferentes a uma teoria mais fundamental, cada qual possuindo validade em diferentes situações”; e, como já poderíamos esperar, “essa teoria mais fundamental é chamada teoria M [...]” (117).. É aqui, precisamente, que Hawking propõe sua inovação radical: “Talvez”, ele nos diz, “a expectativa tradicional dos físicos quanto a uma teoria única da natureza seja insustentável, e não existe nenhuma formulação de uma tal teoria”. Seu argumento é que uma família de teorias ou “modelos” que “concordem em suas previsões sempre que elas coincidam” pode servir igualmente bem. Hawking admite que não sabe ao certo se a teoria M, no fim, não pode acabar se revelando “clássica”, embora evidentemente considere isso improvável. De qualquer modo, conhecemos, com efeito, alguns fatos: “Em primeiro lugar, a teoria M tem onze dimensões, e não dez”. Ademais, sabe-se que “a teoria M pode conter não apenas cordas, como também pontos materiais, membranas bidimensionais, bolhas tridimensionais e outros objetos que são mais difíceis de imaginar e que ocupam ainda mais dimensões, chegando até à nona” (118). E, o que é mais importante, sabemos que a constituição do espaço interno determina tanto “os valores das constantes físicas, como qual é a carga de um elétron, quanto a natureza das interações entre partículas elementares. Em outras palavras, ela determina as leis aparentes da natureza”, isto é, as leis que descobrimos por meios empíricos. “Porém, as leis mais fundamentais são as da teoria M”. Com efeito: “As leis da teoria M, por conseguinte, possibilitam diferentes universos com leis aparentes diferentes, dependendo de como se dobra o espaço interno. A teoria M apresenta soluções que possibilitam muitos espaços internos diferentes, chegando talvez ao número de 10500, o que significa que ela possibilita 10500 universos diferentes, cada qual com suas próprias leis”. Isso nos traz ao capítulo 6, intitulado “Escolhendo nosso Universo”. Esse capítulo começa com um relato acerca da teoria do big bang, rastreando as etapas principais de seu desenvolvimento, desde as primeiras contribuições de Einstein, Hubble e Friedmann passando pelas várias etapas até chegar

Ciencia e mito wolfgang smith  

Ciencia

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