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Capa w w w. re v i s t a o n l i n e . c o m . b r


EntrEviSta MitSuru HigucHi Yanaze Por Marcelus Casciano

ao alcancE dE todoS o marketing é um recurSo à diSpoSição de empreSaS doS maiS variadoS porteS, já que não exige grandeS inveStimentoS para aSSegurar o êxito, afirma eSpecialiSta

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objetivo de toda empresa é ter lucro, e o marketing surge como um eficiente meio para alcançar a meta. Porém, por sua aplicação generalizada e, muitas vezes, até inadequada, a imagem do marketing tem sofrido desgastes nos últimos anos. Segundo Mitsuru Higuchi Yanaze, professor da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), hoje em dia, a utilização mais comum do termo é focada nas vendas. “Mas, na realidade, vendas é apenas uma das

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ações em cadeia da estratégia de marketing, que é bem mais do que isso”, explica o professor. Para elucidar sobre a sua amplitude e aplicação, o professor lançou a 2a edição do livro Gestão de Marketing e Comunicação – Avanços e aplicações. Na obra, ele defende que marketing deve ser entendido como a definição e o conhecimento sobre determinado produto ou serviço e a forma como eles são elaborados e colocados no mercado. Yanaze é rigoroso quanto à criação de designações impróprias para o

marketing – para ele, elaboradas por autores dispostos a serem originais – que só confundem sua aplicação. “Vários microempresários nem cogitam o recurso por acharem que se trata de algo caro e complexo demais, viável apenas para as grandes empresas e multinacionais”, diz o autor. Nessa entrevista concedida à revista Meu Próprio Negócio, Yanaze resgata o autêntico significado do marketing e mostra como qualquer empresário de pequeno porte pode aplicá-lo com eficiência. Segundo o


autor: “o marketing está ao alcance de qualquer um”. Meu Próprio Negócio – Alguns donos de pequenos negócios ainda acham que o marketing pode ser aplicado apenas em grandes empresas? Mitsuru Higuchi Yanaze – Infelizmente, sim. Muitos ainda não entenderam o seu conceito. Marketing não é apenas o esforço de aparecer na mídia ou em eventos corporativos. Quem pensa assim, geralmente, acredita que não tem dinheiro para investir na área. Marketing consiste em saber qual o potencial da empresa, suas expectativas e necessidades, além de conhecer muito bem o produto ou serviço oferecido. MPN – Explique que tipo de conhecimento pode ajudar o empresário em suas ações de marketing?

MHY – É preciso avaliar o setor de atuação com o objetivo de descobrir seu potencial, suas necessidades e a forma de interagir com ele. O proprietário de uma confecção localizada no interior, por exemplo, deve ver como o mercado local se comporta, ou seja, descobrir quais as tendências, quem são os fornecedores, o públicoalvo, quais as ações realizadas pelas entidades de classe e até verificar se as pessoas fazem compras na capital porque não encontram na própria cidade as roupas desejadas. MPN – Qual o propósito de dispor desses conhecimentos? MHY – A ciência desses conhecimentos permite equilibrar a relação entre a empresa e o mercado, e criar ações que atendam o máximo possível à expectativa de ambos. Qual-

Quem conhece a fundo o perfil do seu setor e de sua empresa se posiciona com mais segurança. Afinal, marketing é o planejamento adequado da relação produtomercado e a ciência desses conhecimentos permite criar ações que atendam à expectativa de ambos quer empreendedor capaz de pôr em prática essas iniciativas a fim de conhecer muito bem o que faz já está fazendo marketing. MPN – Para ter acesso a tantas informações, não é necessário contratar empresas especializadas em pesquisa? MHY – Não necessariamente. Elas podem ser obtidas de maneira informal, com quem está envolvido no dia a dia do negócio. Funcionários, fornecedores, clientes e até concorrentes que conversam a respeito das dificuldades do segmento trazem informações relevantes. Existem várias ferramentas à disposição de quem pretende realmente inteirar-se sobre sua área. Entre os principais modelos há a análise swot. Trata-se de uma técnica baseada na análise dos pontos fortes, dos pontos fracos, das oportunidades e das ameaças ao negócio. w w w. re v i s t a o n l i n e . c o m . b r


gEStão agronegócio Por Monise radau

mercado em

ascensão com o agronegócio braSileiro vivendo um doS SeuS melhoreS momentoS, vale a pena para o pequeno empreSário do campo recorrer aoS avançoS tecnológicoS , novaS técnicaS de produção e SiStemaS de geStão a fim de Se manter cada vez maiS competitivo

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e Abastecimento (Mapa), Marcelo Fernandes Guimarães, durante videoconferência realizada pelo Sebrae Nacional no início de agosto de 2011. Fabrício Gandra, economista da MBK Vermont Investimentos, endossa as informações. Segundo ele, hoje, o agronegócio representa 22,34% do PIB nacional, sendo que, desse montante, 70,46% são referentes à agricultura e 29,54% à pecuária. O faturamento total fica na casa dos R$ 821 bilhões ao ano, um crescimento de 33,59% desde o início da última década. “Analisando a evolução de preços desde 2006, percebemos uma forte alta nas principais commodities produzidas em nosso mercado. Boi, café e soja apresentaram valorização superior a 60% desde então. Outros destaques são a boa evolução nos preços do milho (58,39%), açúcar (43,61%) e trigo (35,42%)”, lista.

Saiba se valer dos avanços

Paulo Araripe, diretor da Projepec, empresa focada em projetos e consultoria agropecuária, afirma que nesse cenário positivo, há pequenos empresários do agronegócio se destacando. Mas, para obter sucesso, é preciso ir além do conhecimento operacional. O empreendedor precisa também se conscientizar da necessidade de conhecer detalhes técnicos e, até mesmo, econômicos, que envolvem a atividade e o setor como um todo. Segundo o especialista, as principais dificuldades encontradas pelo pequeno empresário no momento de gerir um agronegócio são a qualidade da mão de obra no campo, a falta de conhecimento da atividade desenvolvida e a necessidade de ganho em escala, normalmente comum nas pequenas produções. Araripe divide os empresários do campo em duas categorias: aqueles que utilizam mão de obra familiar e moram na propriedade rural, e aqueles que moram na cidade e têm empregados que tocam o negócio. Segundo ele, o primeiro grupo, geralmente, não consegue acompanhar as novas técnicas e tecnologias que chegam ao mercado periodicamente. “Os canais de comunicação mais utilizados atualmente, como internet, redes sociais e institutos de pesquisa, não são acessados pela maioria e, quando se informam sobre as novidades tecnológicas, muitas vezes, elas estão ultrapassadas”, pontua. Já o segundo grupo citado pelo dire-

Foto: Divulgação

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agronegócio brasileiro vive um dos seus melhores momentos. A tendência é que o cenário permaneça positivo pelos próximos anos, com crescimento na casa dos 2,7% ao ano – índice acima da média de países como Rússia e China. A informação foi divulgada pelo coordenador geral de Estudos e Informações Agropecuárias da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura Pecuária

Atento às novidades do setor, Julio Cesar Veroneze, produtor de uvas de Louveira (SP), migrou do sistema tradicional de plantio para o chamado “sistema Y”, o que facilita a colocação de coberturas para proteção

tor da Projepec tem acesso amplo aos principais canais de comunicação e, portanto, a todas as novidades. “Mas isso não quer dizer que estejam utilizando as melhores alternativas para o seu negócio. É bastante comum ver empreendedores rurais embarcando em tecnologias que não foram feitas para o seu tipo de atividade, ou não estão adaptadas para a pequena escala”, pontua. Araripe ressalta que as pessoas estão preocupadas em utilizar as mais modernas e recentes tecnologias para produção e gerenciamento, porém se esquecem do básico, dos processos já consolidados há anos pela pesquisa e extensão. No agronegócio, são diversos os passos essenciais para obtenção de bons índices produtivos e econômicos, de acordo com cada atividade específica. Soluções simples, antigas e fundamentais para o sucesso do empreendimento. “O fato de não queimar etapas para usar tecnologias mais recentes faz a diferença entre lucro e prejuízo, viabilidade e fracasso”, garante.

Na prática

Julio Cesar Veroneze, produtor de uvas de Louveira (SP), faz parte do grupo w w w. re v i s t a o n l i n e . c o m . b r


gEStão tecnoLogia e inforMação – redeS SociaiS Por thais Ceriotti

negócios

mais

sociais ainda viStaS por muitoS como brincadeira de adoleScente, aS redeS SociaiS Surgem como um novo meio para Se comunicar maiS e melhor com oS clienteS – e impulSionar aS vendaS

Foto: Divulgação

Carlos Bertolazzi se valeu de seu gosto pessoal pelas novidades tecnológicas para colocar as redes sociais a favor da imagem e dos negócios do seu restaurante italiano Zena Caffé

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enos de um ano depois de abrir o Zena Caffé – restaurante italiano localizado nos Jardins, em São Paulo (SP) –, Carlos Bertolazzi já usava as redes sociais para interagir com os frequentadores. Era o segundo semestre de 2009 e tanto seu perfil pessoal no Twitter quanto a fan page do restaurante (inaugurado em janeiro do mesmo ano) no Facebook já atraíam seguidores de todo o País. Tanto que o Zena Caffé chegou, na época, a ser uma das 20 maiores marcas no Facebook. “Fomos um dos pioneiros em nosso segmento, pois sempre estivemos ligados nas novidades tecnológicas”, conta Bertolazzi que, formado em administração de empresas, atuou profissionalmente na área de internet no início da década de 2000. No ano seguinte, ao participar do NRA Show, uma das principais feiras do setor de restaurantes nos Estados Unidos, Bertolazzi percebeu o quanto ainda poderia crescer no uso das redes sociais. “Muitas palestras no evento eram sobre esse assunto, e isso me ajudou a ver como todas as empresas, mesmo nos EUA, estavam engatinhando nesse tema. Percebi que eu podia acelerar tudo isso”, lembra. Hoje Bertolazzi conversa com os clientes (e com os fãs) do Zena Caffé por meio de diversas redes sociais, entre as quais, Foursquare, Instagram, Twitter e Facebook. Nesta última, a fan page do restaurante conta com mais de 12 mil fãs. Mais que isso, seu restaurante foi o primeiro do mundo a oferecer aos clientes a possibilidade de fazer reservas diretamente pela página do Facebook, utilizando um aplicativo desenvolvido pela brasileira Full Squad (leia mais no box). “Pensamos: por que não ir aonde as pessoas estão? Afinal, os clientes estão lá, é muito mais fácil”, revela. A estratégia tem dado certo. Segundo o chef, metade das reservas realizadas para o Dia dos Namorados veio pela rede social. Ele conta que a estratégia de uso de mídias sociais do Zena Caffé não foi fruto de estudos, não contou com consultoria externa nem mesmo com o apoio de uma agência especializada. “Tudo é muito natural, sou 100% espontâneo”, afirma Bertolazzi, que cuida pessoalmente de todas as interações do restaurante nas redes. Para Bertolazzi, cuidar pessoalmente das redes vem ao encontro da ideia de criar uma relação de proximidade com os clientes. Por isso também, no Twitter, o chef optou por não criar um perfil para a casa e usar sua conta pessoal para interagir. “Entendo que as pessoas não falam com a empresa, elas falam com outras pessoas. Além disso, queria dar a minha cara mesmo, que é a cara do restaurante”, explica. Os resultados alcançados pelo Zena Caffé devem-se, em grande parte, a esse interesse e dedicação de Bertolazzi à internet. Mas são reflexo, também, do crescimento exponencial pelo qual as novas mídias vêm passando no Brasil, em especial nos últimos dois anos. Hoje, com mais de 43,5 milhões de usuários de internet, o País tem a maior audiência online da América Latina e a oitava maior do mundo. De todos os internautas, 86% usam redes sociais – número significativamente superior à média mundial, de 70%. Em julho deste ano, o Facebook possuía 24,9 milhões de usuários brasileiros, o que representa 32,8% de penetração na popuw w w. re v i s t a o n l i n e . c o m . b r


caPa vareJo Por Nani soares

É hora de

Vender muito!

em meio a tanta concorrência, e não importa o Segmento, o lojiSta não pode abrir mão de eStratégiaS certeiraS para fomentar SuaS vendaS. ainda maiS no final do ano, tradicionalmente a melhor época para o comércio. confira aS dicaS a Seguir e prepare-Se para vender muito! 52

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a disputa pelo cliente, alguns pontos são fundamentais na hora de conquistá-lo. Entre eles está investir em vitrines atraentes e atendimento personalizado e eficiente. Isso, sem falar em outros tantos cuidados pertinentes ao comércio virtual. Embora a importância desses aspectos já seja familiar aos lojistas, alguns ainda têm dificuldade na hora de colocar em prática muitas dessas tarefas. Para ajudá-lo a montar a vitrine perfeita, oferecer o atendimento que o seu cliente espera – em tempos de consumidores cada vez mais exigentes – e saber tirar o melhor proveito das ferramentas à disposição do varejo, falamos com especialistas e profissionais com experiências campeãs na área a fim de reunir dicas que assegurem ao seu comércio vender muito e até ultrapassar as metas.


práticas promissoras

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Para o professor José G. Lupoli Junior, especialista no setor e sócio da Lupoli Jr. & Consultores Associados, nenhum segmento exige tanta capacitação dos executivos como o varejo, e é justamente por isso que o lojista precisa ficar atento às técnicas de gestão específicas, além de estar atualizado com as evoluções que permeiam a atividade. “Visitar lojas e conhecer as abordagens praticadas por outros comerciantes, mesmo que de diferentes setores, é importante. Atenção e carinho com sua loja e seus clientes nunca é demais”, orienta.

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Apesar de o período do Natal ser o mais favorável em termos de vendas, a competitividade também é mais acirrada. Afinal, o consumidor está com dinheiro na mão, mas pode estar em dúvida entre um eletrodoméstico sofisticado, roupas de grife, ou mesmo com gastos direcionados a viagem de férias. Por isso, independentemente do setor de atuação, o primeiro passo para se destacar da concorrência é a exposição correta. Saber compor um mix de produtos atraentes, de acordo com o giro das suas mercadorias e do público que frequenta a loja, levando em conta seus interesses, suas necessidades e expectativas, é de suma importância.

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caPa vareJo

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Definido bem o mix de produtos é hora de promover o tráfego dentro da loja. “Procure colocar produtos de maior rentabilidade nos espaços de destaque e explore a complementaridade (cremes dentais e escovas juntos, por exemplo) são ações muito válidas. Para ter sucesso com essas estratégias, o planejamento é determinante”, assegura Lupoli.

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Um aspecto importante para o varejista considerar é que o shopper (comprador) não vai à loja apenas para comprar, há muitas formas de adquirir um produto sem necessariamente visitar uma loja f ísica. Por esse motivo, o lojista deve saber que o shopper entra na sua loja em busca de entretenimento, suporte consultivo e informações sobre as novidades. Loja bem estruturada, chamativa, equipe bem treinada (nada de vendedor mal-educado ou que não sorri), principalmente na hora de assessorar o cliente na busca de soluções, são fundamentais.

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No caso das pequenas empresas, estratégias simples e baratas, típicas do chamado “marketing de guerrilha” são boas alternativas. Serviços personalizados, com os quais, geralmente, os grandes varejistas têm dificuldade, podem ser incorporados mais facilmente pelas pequenas. Comunicação publicitária adequada (incluindo fôlderes e mala-direta), compras casadas, programas de fidelização e promoções de prêmios, além de não serem iniciativas onerosas, podem garantir retornos interessantes. Quem nunca entrou em uma loja seduzido pelo “30% Off ou pague 1 e leve 2”? O cliente precisa sentir que está fazendo um bom negócio, e é uma vantagem efetuar a compra.

EstrAtéGiAs dos shoPPiNGs Em 2010, com uma estratégia que envolveu campanha promocional e a decoração de Natal denominada “Natal Pop Colorido”, que teve como principal característica o uso de cores inusitadas, como verde-limão, amarelo-ouro, azul-turquesa e pink, além de muitos elementos feitos artesanalmente, o Shopping Ibirapuera, em São Paulo (SP), teve crescimento de 12% nas vendas 8% no público e recebeu cerca de 710 mil pessoas só na semana que antecedeu o dia 24 de dezembro daquele ano. Os segmentos que lideraram as vendas foram eletrônicos e cosméticos, seguidos por acessórios de vestuário. Para 2011, as novidades incluem uma decoração inédita que deve focar o universo infantil, arrematada por muita interação e diversão junto ao público, informa Ricardo Portela, gerente de marketing do shopping, que prefere não revelar mais detalhes. Apesar do mistério, ele diz que haverá uma campanha de Natal que trará o sorteio de prêmios, enquanto a decoração natalina terá um apelo social, com a “Árvore da Solidariedade”. “Em vez de enfeites, serão colocados na árvore 500 nomes e idades de crianças carentes de um programa apoiado pela fundação Abrinq. Lá o interessado escolhe sua criança, compra um brinquedo novo e o entrega a uma de nossas assistentes. Cada nome que sai da árvore ganha um enfeite. A ideia é que próximo ao Natal a árvore esteja totalmente decorada”, explica. Como os shoppings conseguem reunir fatores como infraestrutura, comodidade, facilidade e serviços diferenciados em um mesmo lugar, eles têm diferencial competitivo garantido. Mesmo assim, Portela admite que é preciso saber atrair o cliente, especialmente em virtude da quantidade de shoppings no País e, em particular, em São Paulo. Além de se esforçar para agradar o cliente durante todo o ano, é no Natal que isso ganha proporções de peso: sorteio de prêmios, a própria decoração e outras ações de marketing, como dicas de presentes, consultoria de moda no site, email marketing e atividades infantis, entre outras, fortalecem a imagem desses centros de compra e atraem ainda mais consumidores.

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Foto: Divulgação

Confira o que eles têm a ensinar

ricardo Portela, gerente de marketing do shopping, diz que o esforço do varejista para agradar o cliente deve acontecer durante todo o ano, mas é no Natal que isso ganha proporções de peso


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De uma forma geral, todas as estratégias que projetam a loja como uma plataforma de soluções para as necessidades do cliente ajudam a alavancar as vendas. “Lembrando que o que a maioria dos empreendedores acredita ser valor agregado não passa de custos agregados. Mas, de fato, o valor não se resume ao preço, mas a um conjunto de iniciativas que levem o cliente a gastar em sua loja em detrimento a da loja dos concorrentes”, explica o professor.

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O atendimento, considerado por muitos consumidores como determinante na hora da compra, é um ponto que deve ser avaliado com cuidado, já que o que agrada um certo cliente pode não satisfazer a outro. Lupoli classifica a própria palavra “atendimento” como genérica e diz que ela pode ter inúmeros significados. Pode significar agilidade, simpatia, cordialidade ou ainda conhecimento sobre a loja e/ou os produtos. O mais importante, no entanto, é que ele corresponda ao que o público que frequenta a loja espera. “O atendimento deve responder a pergunta: o que meu cliente espera da minha equipe de vendedores? No entanto, é o atendimento consultivo que cada vez mais satisfaz o cliente. Ainda mais quando a maioria dos produtos está cada vez mais carregada de tecnologia”, afirma.

a vitrine perfeita

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Quem nunca entrou numa loja seduzido por uma bela vitrine? Pesquisas do Provar/FIA mostram que mais de 80% das pessoas que circulam em shoppings caminham olhando as vitrines e, quando a vitrine chama a atenção, mais de 90% entram na loja. O comportamento se repete nas lojas de rua, deixando claro o que todo mundo já sabe: as vitrines são uma das ferramentas mais poderosas do varejo.

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Poder das vitrines Circulação em shopping

80% passeiam olhando as vitrines 90% entram na loja quando atraídos por elas

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Durante o período de Natal, os consumidores estão com mais dinheiro, é o momento ideal para impulsionar as vendas, levando-o para perto dos produtos. Cada loja deve recorrer ao diferencial mais pertinente a seu momento e perfil. Pode ser desde uma promoção relâmpago a um lançamento. O lojista deve usar esse diferencial para crescer perante os concorrentes. Para isso, ele precisa expor na vitrine seus melhores preços, lançamentos, enfim, suas principais qualidades que, muitas vezes, podem ter ficado ocultas aos olhos do cliente durante o resto do ano.

“Nessa época, não se deve sobrecarregar na decoração das vitrines, e sim escolher uma temática que remeta à data sem deixar que os produtos fiquem em segundo plano. Também é preciso tomar os devidos cuidados para não colocar na vitrine tudo o que o estabelecimento tem para vender, pois isso transmite uma sensação de desespero para o cliente.

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Também deve-se ter muito cuidado com a limpeza do espaço. Nenhum cliente gosta de observar um produto, objeto de desejo, em meio à poeira e sujeira. w w w. re v i s t a o n l i n e . c o m . b r


SuStEntE o PlanEta financiaMento Por fabiana franzolin

uma

ideia,

muitas transFormações um banco que ajuda jovenS de baixa renda é realidade no interior de São paulo

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sabel Cristina Cardoso Neves Ferreira tinha uma renda mensal de aproximadamente R$ 110. Em 2009, a jovem moradora da região de Sorocaba (SP) foi a primeira cliente do Banco Pérola – uma instituição financeira criada para viabilizar projetos de jovens empreendedores de baixa renda da região. Na época, ela conseguiu um empréstimo de R$ 400, empregado na compra de suprimentos e reforma de um carrinho de cachorro quente. Hoje, graças a ajuda, a empreendedora fatura cerca de R$ 2 mil mensais. Ela é uma das 56 jovens da região que a financeira já ajudou a tornar-se empreendedor. Isso só foi possível graças a Alessandra França, idealizadora do banco Pérola que, desde que adotou a frase “todos nós somos capazes de transformar” como lema de vida, tem minimizado, ao menos em Sorocaba, o peso da diferença social que assola o País. Desde 2009, ela se dedica a consolidação de um banco criado para viabilizar projetos de jovens que não têm acesso aos serviços financeiros tradicionais. “Enquanto trabalhava no Pérola, uma ONG que forma jovens cidadãos, em Sorocaba e região, percebi que muitos tinham o sonho de empreender, mas faltava capital para isso ou como obter crédito nas instituições tradicionais. Assim, surgiu a ideia do Banco Pérola, criado com o intuito de 40

viabilizar negócios idealizados por jovens de baixa renda”, explica. A inspiração de Alessandra para criar o banco veio do livro O Banqueiro dos Pobres, escrito por Muhammad Yunus, fundador do banco popular Grameen, em Bangladesh, a primeira instituição financeira a emprestar dinheiro para as camadas marginalizadas. “Li o livro aos 16 anos e fiquei encantada”, lembra. Para executar sua ideia, Alessandra foi atrás de parceiros. Ela descobriu a empresa Artemisia, organização pioneira em negócios sociais no Brasil, que busca atrair e formar pessoas qualificadas para atuar na criação e no desenvolvimento de novos projetos, que contribuam com a redução das desigualdades sociais e econômicas.


Banco Pérola

taxa de abertura de crédito (taC): 3% prazo de pagamento: de um a sete meses índice de inadimplência: 2% ao mês Empréstimos até julho de 2011: R$ 74 mil

Critérios e processos

Em busca de recursos para tirar o banco social do papel, a jovem empreendedora apresentou sua ideia a Artemísia. “O processo foi longo. Participei de uma criteriosa seleção, passei por inúmeras entrevistas e dinâmicas, até que o projeto foi selecionado e recebi R$ 40 mil para concretizar a ideia do Banco Pérola”, lembra. Ela informa que, além do capital inicial, a Artemisia também ajudou oferecendo suporte técnico e apoio de consultores da área econômica, o que foi fundamental para o sucesso da investida. Assim, o Banco Pérola virou uma realidade e passou a financiar a criação de salões de beleza, lojas comerciais, confecções de roupas entre outros empreendimentos na região.

Para conseguir um microcrédito na instituição é preciso ter entre 18 e 35 anos, pertencer às classes C, D ou E, ter um negócio ou um projeto que tenha por finalidade a geração de renda, além de seu idealizador ter de passar por uma dinâmica que aponte um comportamento empreendedor, alinhado aos valores da organização. Alessandra explica que a instituição é fundamentada na questão social e oferece microcrédito tanto a empreendedores do setor formal quanto informal. “A meta é dar crédito a jovens que queiram empreender em projetos que gerem emprego e renda para si e para sua comunidade e que não teriam condições de conseguir o recurso necessário junto aos bancos comerciais”, explica. Para isso, foi desenvolvida uma metodologia, que tem dado certo. O empreendedor interessado em obter o recurso precisa reunir outras pessoas que também possam ser responsáveis por honrar o empréstimo. “O grupo deve ter no mínimo três responsáveis e no máximo cinco. Os integrantes podem atuar em diferentes ramos de atividades, não podem ter vínculo de renda, ou seja, dependência financeira entre si e também não podem ter parentesco de primeiro grau. Além disso, pelo menos uma pessoa do grupo deverá ter o nome livre de restrições cadastrais”, explica Alessandra. A partir daí, o grupo consegue pegar um empréstimo de, no máximo, R$ 15 mil, a ser dividido entre os integrantes – lembrando que cada empreendedor pode receber, no máximo, R$ 5 mil. “Atualmente, a média de crédito está em R$ 1,5 mil por pessoa, com juros de 4% ao mês. Essa taxa é menor que a pratica pelos bancos tradicionais, que trabalham com percentagem maiores de 7%. Não é preciso comprovar renda e a equipe do banco irá apenas colher informações que demonstrem que o jovem tem condições de honrar com o empréstimo. Como não existe um avalista, todos do grupo deverão se comprometer solidariamente a pagar integralmente a dívida, na prática, quando um dos empreendedores não w w w. re v i s t a o n l i n e . c o m . b r


SuStEntE o PlanEta financiaMento

honra seus compromissos, os outros membros deverão assumi-los”, informa. A Taxa de Abertura de Crédito (TAC) é de 3% e o prazo de pagamento é de um a sete meses. Até agora a inadimplência é de apenas 2% ao mês e o banco já emprestou R$ 74 mil. Atualmente, a instituição conta com seis funcionários – incluindo a própria Alessandra: “Somos em cinco mulheres e um homem, sendo que sou a mais velha do grupo” – Alessandra tem 25 anos.

nanceira, pedagógica, informática, até chegar na coordenação geral. Foi nesse momento que decidi me inscrever no processo seletivo da Artemisia para tentar viabilizar minha ideia de criar uma banco com viés social”. Com o projeto, até a família de Alessandra decidiu investir no empreendedorismo. Sua irmã, Aline Gonçalves de França conseguiu um financiamento junto ao Banco Pérola e, com a ajuda de sua mãe, montou uma confecção. Com o empréstimo, Aline comprou três máquinas de costura industrial e pode dar início a produção. Ela conta que os desafios foram muitos. A começar pela legalização do comércio, passando pela contratação de costureiras competentes, compra de matéria-prima, montagem de um espaço apropriado para produção em

Alessandra França veio de uma família simples. Filha de um caminhoneiro e de uma dona de casa, sempre estudou em escolas públicas. “Meus pais me incentivaram a estudar. Em 2001, entrei no Projeto Pérola para aprender informática. Como era uma boa aluna, acabei ganhando uma bolsa para fazer o colegial em uma escola particular. Então eu estudava e frequentava o Pérola. Terminei o curso de informática e continuei trabalhando na instituição, onde ganhava ajuda de custo. Assim, fui passando por todas as áreas do Pérola – fi-

Crédito PArA MiCroEMPrEENdEdor O Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, que atende empreendedores com faturamento anual de no máximo R$ 120 mil, acaba de ganhar a adesão da Caixa Econômica Federal. Até 2013 o programa estima ajudar cerca de 3,4 milhões de empreendedores, que serão acompanhados e orientados por agentes de microcrédito para assegurar que os beneficiados aproveitem bem a oportunidade. Mais informações podem ser obtidas no site do Ministério do Trabalho ou na página da Caixa no Facebook . na modalidade capital de giro Financiamento até r$ 15 mil Tem taxas de juros anual de 8%

Alessandra frança criou o Banco Pérola, em Sorocaba (SP) e abriu a oportunidade para os jovens da região obterem financiamento para projetos empreendedores

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Foto: Divulgação

Como tudo começou

larga escala, além do estabelecimento de uma parceira com uma estamparia. “Assim, conseguimos o apoio do Pérola para assumir a tarefa de produzir cinco mil camisetas. Virava a noite trabalhando, pois o processo é complexo. Precisava cortar o pano, costurar, etiquetar, estampar e embalar. Nesse momento, toda a família ajudou, inclusive meu pai, que costurou e cortou muito”, conta Aline, que sonha em um futuro breve cursar uma faculdade de moda e ter sua própria loja. $

Colaboraram: Projeto Pérola, site: www.perola.org.br. Tel: (15) 3222-1234. Banco Pérola, site: www. bancoperola.org.br. Tel: (15) 3033-2388.


Meu Próprio Negócio 105