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Tecnologia

Ensino de... Arte

Entrevista

Educação e tecnologia: uma parceria possível

Por que estudar na escola a arte de nosso tempo?

Com a palavra: Graziely Nunes

Projeto

Presente

Muito mais conteúdo para o professor.

Ano 1 | 2012 - Nº 1

Contextualizar e criar significados na escola. pág. 10

Confira sugestões de atividades exclusivas para todas as disciplinas.

Língua Portuguesa • Matemática • Ciências Naturais • História • Geografia • Arte COMPLETA-CS5.indd 1

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Projeto

Presente

PROJETO

PRESENTE ENSINO FUNDAMENTAL I

» As obras promovem o aprendizado como uma REDE DE CONEXÕES e significados, respeitando as necessidades de cada disciplina, para transformar informações em conhecimento.

» LÍNGUA PORTUGUESA » MATEMÁTICA » CIÊNCIAS NATURAIS » HISTÓRIA » GEOGRAFIA » ARTE

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Atividades visam SISTEMATIZAR o aprendizado, aplicando-o a novas situações. PRESENTE DIGITAL Além de materiais para lousa digital, recursos multimídia exploram histórias clássicas, a cultura brasileira, jogos, animações e muito mais.

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Caro Educador, E

stamos lançando para você a nova revista do Projeto Presente, totalmente reformulada, com um projeto gráfico atraente e novas seções, elaborada com todo capricho para servir como um importante instrumento de apoio pedagógico para o seu dia a dia em sala de aula. A partir de agora, a Revista Sempre Presente trará uma matéria central, que ilustrará sua capa e estará presente na seção Rede de Conhecimento. Nesta edição, o tema Contextualizar e criar significados na escola inspira inúmeras reflexões para o seu trabalho e remete a aplicações que são oferecidas nas matérias específicas de cada disciplina. Dessa forma, cada um dos autores apresenta diferentes sugestões de trabalho, levando em consideração a contextualização e a sistematização dos conhecimentos. Na seção Tecnologia, não poderíamos deixar de trazer as mais recentes reflexões sobre o uso das TICs para os alunos do primeiro segmento do Ensino Fundamental.

Além dela, a seção Ensino de... trará sempre novas perspectivas sobre a educação, a partir de uma disciplina diferente a cada nova edição da revista. Para começar, apresentamos as possibilidades com o trabalho em Arte, contemplando artes visuais, música, dança e teatro, o que possibilita aos alunos aprender sobre a arte criada na atualidade. Assim, eles podem atuar como leitores criativos das diversas formas de manifestação cultural de sua época e saber se expressar e comunicar por meio delas. Para finalizar, nós, autores do Projeto Presente, gostaríamos de expressar que tem sido um grande privilégio dividir com você, educador, o sucesso dessa parceria, em que compartilhamos cada fazer, cada descoberta, cada acerto. As realizações do seu trabalho representam, também, a nossa contribuição para uma educação melhor. Boa leitura.

Equipe Sempre Presente!

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Entrevista

Com a palavra: Graziely Nunes

10 Capa

Contextualizar e criar significados na escola

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Ciências Naturais

A alfabetização científica

Revista Sempre Presente! ANO 1 | 2012 - No1 Editora Moderna Ltda. Rua Padre Adelino, 758 CEP 03303-904 - São Paulo/SP Telefone: 0800 17 2002 www.moderna.com.br

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História

O que é literacia histórica e como desenvolvê-la?

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Geografia

A leitura de mundo e a Geografia

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Capa Luiz Lentini Conselho Editorial Neuza Sanchez Guelli Gisele Cruz Ivan Aguirra Assistência Editorial Flávio Mendes, Ivan Aguirra Edição de texto Ivan Aguirra

Língua Portuguesa

Projeto Gráfico Lucas Mattioli

Ensinar à luz de contextos significativos

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Matemática

A Matemática e o mundo das crianças

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Diagramação Lucas Mattioli Ilustração Alexandre Matos Guilherme Henrique Fernanda Simionato Luiz Lentini Antônio Marcos Honório

Arte

Arte em contexto

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Educação e tecnologia: uma parceria possível

Por que estudar na escola a arte de nosso tempo?

Confira dicas de leitura para levar para a sala de aula

Tecnologia

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Ensino de...

Estante

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Entrevista

! Com a palavra:

Graziely Nunes ”A contextualização e a sistematização dos conteúdos contribuirão muito para que os alunos transformem informação em conhecimento.“

N

esta entrevista, Graziely Nunes Teixeira S. Costa, diretora de Ensino do Colégio Guilherme Dumont Villares, em São Paulo, analisa os motivos que levaram sua escola a optar pela Coleção Conviver e opina sobre as novidades do Projeto Presente.

Quais os critérios do colégio na escolha do material didático utilizado pelos alunos do 1o ao 5o anos do Ensino Fundamental? Graziely - Nossa instituição entende que os princípios da concepção construtivista da aprendizagem devem nortear sequências didáticas específicas e pertinentes para efetivação da aprendizagem como construção pessoal do aluno, realizadas a partir da intervenção mediadora estabelecida pelo professor. Desta forma, buscamos um material que valorizasse a concepção do conhecimento como uma ”teia de significados“ e que abordasse os assuntos de forma dinâmica, favorecendo a autonomia do pensamento e a aprendizagem significativa. A coleção se torna enriquecedora para os alunos e professores quando segue uma ”linha de conexões“ entre conteúdos e conceitos, evidenciando uma abordagem interdisciplinar. Outro critério estabelecido por nós foi o da escolha de um material que contemplasse sequências didáticas enriquecedoras e que possibilitasse o desenvolvimento de habilidades e competências, além de oferecer caminhos para os alunos aplicarem o aprendizado de forma flexível e criativa. O que levou a escola a optar pela Coleção Conviver? Graziely - A Coleção Conviver atende aos principais focos de aprendizagem estabelecidos pela instituição, ressignificando o compreender e as interações ativas entre o aluno e o professor em todo processo de ensino-aprendizagem. Destaco, ainda, a qualidade do material, a competência técnica e pedagógica dos autores e o suporte oferecido pela Editora Moderna.

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e ue valorizass q l ia r te a m m “ Buscamos u conhecimento como do a concepção nificados, favorecendo sig a uma teia de pensamento e o d ia m o n a auto significativa.” em g a iz d en r p a As atividades apresentadas em Matemática ajudaram a desenvolver os quatro eixos dessa disciplina?

Como foi o trabalho com os gêneros textuais discursivos e as atividades permanentes, proposto em Língua Portuguesa? Graziely - O trabalho com os gêneros textuais contribui para ampliar o repertório literário e não literário dos alunos e possibilita explorar seus comportamentos como leitores e escritores. A diversidade de textos enriquece o trabalho de interpretação com atividades intertextuais e interdisciplinares. As propostas apresentadas no livro, ressaltando o trabalho com gêneros textuais discursivos, incentivam o gosto pela leitura a partir de textos de qualidade. Nesse processo, os alunos percebem a função social da leitura e da escrita. A reflexão sobre os recursos linguísticos escolhidos pelos autores leva os alunos a entenderem a Língua Portuguesa, apropriando-se de diferentes recursos para escrever seus próprios textos. Quando os alunos tornam-se pesquisadores da língua, aplicam suas descobertas em diferentes situações de aprendizagem. Nesse contexto, o trabalho com as atividades permanentes oferece situações didáticas com regularidade. Essas atividades têm como objetivo a construção de procedimentos, atitudes e hábitos, que permitem aos alunos explorar intensivamente um conteúdo, o que é fundamental no processo de aprendizagem.

Graziely - Com certeza. As atividades propostas por meio de uma criativa organização e de uma dinâmica exploração das unidades e tópicos promovem a abordagem dos quatro eixos, estimulando a postura ativa do aluno na construção dos conceitos matemáticos. A abordagem dos assuntos favorece a autonomia do pensamento, o desenvolvimento do raciocínio e a busca de soluções criativas para os problemas. Dessa forma, os alunos conseguem estabelecer relações entre as ideias matemáticas, a vivência das atividades e o cotidiano, o que possibilita que eles organizem o conhecimento com mais facilidade e consigam aplicá-lo em diversas situações com segurança. O trabalho com fontes históricas e diferentes interpretações contribuiu para desenvolver a consciência histórica dos alunos? Graziely - As contribuições são significativas. O caminho proposto é desafiador para alunos e professores, pois estimula a reflexão e possibilita explorar as diferentes formas de lidar com a temporalidade. Estabelecer a correspondência entre passado, presente e projeções futuras é abrir os horizontes dos alunos que passam a relacionar fatos, confrontar pontos de vista e consultar diferentes fontes de pesquisa. O trabalho com as fontes históricas é relevante neste processo de leitura contextualizada do passado – chamado de literacia histórica – e é visível perceber as contribuições do material para o desenvolvimento da consciência histórica dos alunos, além de evidenciar a satisfação dos professores pela busca de novas formas de ampliação do repertório cultural de nossos aprendizes. 7

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Como foi o trabalho com a alfabetização cartográfica e o estudo do espaço geográfico?

Qual sua análise sobre a proposta para a área de Arte?

Graziely - Os alunos sentem-se motivados a realizar atividades que focam a linguagem cartográfica, visto que o trabalho proposto pela coleção é bem criterioso, explorando fotos, obras de arte, plantas e outros recursos visuais como facilitadores da compreensão da representação do espaço geográfico. Esse novo olhar para alfabetização cartográfica instiga também os professores a buscarem outras fontes documentais relacionadas à vivência e ao cotidiano dos alunos, enriquecendo a aprendizagem. Sentimos a diferença na realização da proposta.

Graziely - Acredito que o ensino de Arte deva oferecer condições para que o aluno vivencie um conjunto de experiências, articulando percepção, imaginação, sensibilidade, apreciação e produção. Nesse contexto, a proposta de Arte amplia o processo de aprendizagem dos alunos, dá sentido ao ”fazer artístico“, amplia o universo cultural e busca desenvolver potencialidades importantes para a vida.

sempre em ev d es d a id “As ativ dições para que o oferecer con cie um conjunto aluno vivenias, articulando de experiênc aginação, percepção, im ção e ia ec r p a e, d a sensibilid produção.”

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As atividades propostas em Ciências Naturais permitiram o desenvolvimento dos blocos temáticos dessa disciplina? Graziely - A organização em blocos temáticos permite que os conceitos fundamentais das Ciências Naturais sejam gradativamente aprofundados ao longo do Ensino Fundamental e possibilita que, à medida que aprendem, os alunos tenham condição de aplicar os princípios aprendidos a situações práticas. Tendo a oportunidade de experienciar e vivenciar o conhecimento científico, bem como apropriar-se dele, os alunos terão condição de analisar e atuar de forma crítica diante dos fatos que interferem, direta ou indiretamente, em sua vida.

Entrevista

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A reescrita da Coleção Conviver, que levou ao Projeto Presente, teve como foco a contextualização e a sistematização dos conhecimentos. Você considera esse foco adequado? Por quê? Graziely - Muito adequado. O processo de contextualização que leva em conta as experiências e vivências dos alunos é sempre muito rico e importante, pois os estimula a estabelecer relações entre as informações que possuem e o contexto no qual estão inseridos. Após cada etapa, os alunos devem organizar os saberes construídos, fazer generalizações e sistematizar o conhecimento, segundo seus próprios recursos e possibilidades. Acredito que a contextualização e a sistematização dos conhecimentos contribuirão muito para que os alunos transformem informação em conhecimento, desenvolvam sua autonomia intelectual e sejam, de fato, protagonistas do seu processo de aprendizagem.

ação e a “A contextualiz onhecimentos os c sistematização da que os alunos contribuem par sua autonomia desenvolvam -se protagonistas nem intelectual e tor aprendizagem.” de sua

Qual sua avaliação preliminar sobre as seções Desafio à vista! e Ligando os pontos, criadas nas áreas de História, Geografia e Ciências Naturais? Graziely - A seção Desafio à vista! lança a possibilidade do levantamento das hipóteses que os alunos possuem sobre o assunto. A partir dos desafios, os professores terão mais condições de saber quais informações os alunos já têm e como estas estão organizadas até o momento. Para enriquecer a proposta, a seção Ligando os pontos facilita a sistematização das ”informações“, já ampliadas durante o percurso, aplicando o conhecimento em diversas situações. Nos últimos anos foram lançadas muitas coleções didáticas que prometem um novo jeito de ensinar. Por que manter a linha de trabalho proposta no Projeto Presente? Graziely - Acreditamos que habilidades, competências e objetos de estudo a serem investigados não se fragmentam, mas interagem e permitem várias visões históricas, artísticas, científicas e culturais de uma mesma questão. Isso facilita o desenvolvimento de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais numa perspectiva interdisciplinar e contextualizada. Acompanhar a inovação é focar a real aprendizagem dos alunos e a forma como o material será explorado. Estamos muito felizes com o material escolhido.

Para entrar em contato Graziely Nunes Teixeira da Silva Costa graziely@gdv.com.br Para sua leitura SUASSUNA, Lívia. Escolha e uso do livro didático: implicações para a formação do professor. In Congresso Brasileiro de qualidade na Educação: formação de professores, Brasília: MEC/ SEF, 2002.

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Rede de

!

Conhecimento

Contextualizar e criar

significados na escola

Para promover uma aprendizagem significativa, o professor tem o papel de colher as experiências, dúvidas e opiniões dos alunos no momento de definir estratégias de abordagem dos conteúdos. Por: Luiz Márcio Imenes, Marcelo Lellis e Estela Milani

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Rede de Conhecimento

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m verbo recorrente no campo da educação é contextualizar. Podemos dizer que a contextualização é condição para tornar eficiente a transposição didática, para usar outro termo muito frequente. Entretanto, o que é a contextualização? Uma ideia aproximada é de que se trata de um processo para tornar os conteúdos ensinados mais compreensíveis e motivadores por meio de suas relações com a realidade, mas isso ainda não explica tudo, pois falta esclarecer o que se entende por realidade. Ainda assim, a necessidade de buscarmos maior compreensão e interesse no aprendizado torna-se importante, principalmente quando consideramos os muitos adultos, incluindo os professores, tão ligados à vida escolar, que frequentemente relembram diversas aulas que não lhes faziam sentido quando alunos, aulas que deixaram apenas a sensação de horas perdidas. Como já dizia uma profissional da área: ”Não lembro de que se tratava, mas tenho a impressão de que nunca me fez falta...“ Para ela, e para todos nós, os conteúdos rejeitados pela memória pareciam não ter significado porque não se relacionavam com nossa experiência de vida, isto é, por estarem descontextualizados. Embora a maior parte das recordações de falta de sentido se refiram à Matemática e à Gramática (e, no Ensino Médio, à Química), qualquer conteúdo escolar pode facilmente perder o significado. Por exemplo, em um voo São Paulo-Porto Alegre, uma aeromoça, quando um passageiro lhe perguntou o nome do grande rio que se observava naquele momento, afirmou tratar-se do São Francisco. A jovem, que seguramente passou pelo Ensino Médio, nunca deveria pôr o Velho Chico no Sul do país. Ao fazê-lo, evidenciou quão distante esteve das aulas de Geografia.

te escolar n ie b m a o r a g Enxer significados e d e ed r a m u como transforma is a o s es p s ia c n e experiê lunos com a s o d o ã ç a el r a s. os conhecimento

Significados Se o texto anterior nos convence da importância do contexto no ensino, devemos entender com mais profundidade o que é contextualização para saber implementá-la. Pensando nas origens do verbo contextualizar, percebemos que inclui o prefixo com e o substantivo texto; de fato, podemos entender contextualizar como pôr (algo) junto a um texto, o que faz sentido, pois sabemos que, na maior parte dos casos, ideias provenientes de um texto são mais compreensíveis quando apreendidas junto ao texto, em vez de isoladas. Esse significado é ampliado quando usamos o verbo no dia a dia, pois contextualizar um fato significa apresentá-lo relacionado às circunstâncias em que ele ocorreu. Na educação, ocorre certo deslocamento de sentido: como já foi dito, entende-se que contextualizamos ao abordar os conteúdos de ensino de maneira a evidenciar suas ligações com a realidade. Alguns professores simplificam essa noção e identificam contextualizar com apresentar exemplos de situações, fatos ou objetos do dia a dia. Entretanto, alguma reflexão mostra a insuficiência dessas noções. O propósito de exemplificar, ainda que seja correto e envolva contexto, pode ser inútil. Por exemplo, se partirmos de um campo conceitual inteiramente fora da experiência de vida dos alunos, mesmo que finalizemos com bons exemplos, o início desmotivador do conteúdo talvez leve a maioria dos alunos a não prestar a devida atenção na maior parte do tempo. Mesmo a abordagem ligada à realidade desde o início pode ser inútil porque nem toda realidade tem significado para os alunos. Por exemplo, uma tarefa de Matemática que consiste em calcular o valor da prestação (a) de um televisor de preço x, (b) de um aparelho de som de preço y, (c) de um refrigerador de preço z e outros objetos similares, apesar de seu contexto familiar e realista, dificilmente vai interessar a alunos de nove ou dez anos de idade e, ao contrário, pela repetição sistemática do tipo de raciocínio, torna-se entediante, afasta do aprendizado. As situações descritas acima envolvem contextualizações falsas ou inúteis, que são, ao menos parcialmente, consequência do entendimento simplista que descrevemos.

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De fato, se nos aprofundarmos no significado de contextualizar, pesquisando um pouco mais sobre a palavra texto, encontramos o verbo latino texere (aqui grafado sem os acentos latinos) que significa tecer, entrelaçar, além de escrever textos. Essa nova abertura nos remete em educação ao conceito de que é preciso tecer em torno das ideias, entrelaçá-las, conectá-las com outras noções, criando uma teia de significados ao redor do que é apreendido. Parece-nos que aqui reside a essência de contextualizar, isto é, a produção de significados em torno dos conteúdos ensinados por meio de uma rede de conexões. Note-se que esse procedimento não ocorreu nas situações que descrevemos anteriormente: na primeira, o foco esteve sobre o conteúdo, e as relações (exemplos) só vieram no final; na segunda, o contexto existia, mas era tão pobre e sem conexões que se revelou inútil.

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Agora que alcançamos uma noção mais clara e ampla de contextualização, convém tornar mais precisos dois aspectos básicos. Como toda ação educativa sempre tem a finalidade de levar ao aprendizado, as conexões que compõem o contexto, ainda que interessantes por si mesmas, precisam, na maior parte dos casos, ser significativas do ponto de vista dos alunos. Nunca se deve esquecer que nem sempre a realidade concreta tem significado para eles, devido à sua pouca experiência de vida (especialmente as crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental). Considerando a infinidade de conexões e contextos possíveis, o professor deve fazer escolhas levando em conta a relevância das noções a ensinar, seja em termos do campo de conhecimento que aborda no momento, seja em termos da demanda social e da vida futura dos alunos.

Rede de Conhecimento

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! Complexidade e liberdade Os últimos parágrafos devem ter deixado claro que contextualizar envolve certa complexidade, mas isso não deve desanimar ninguém. Existe a necessidade de encontrar contextos ricos e abrangentes, ponderando sempre a significatividade do ponto de vista do aluno e a relevância para a disciplina e para o processo educativo, mas o professor não está sozinho nessa tarefa. Bons textos didáticos nunca deixam de lado a contextualização e se convertem em apoio útil para o trabalho em sala de aula. Em geral, são obras originárias da experiência escolar, enriquecidas por discussões do(s) autor(es) com colegas professores, que já englobam uma reflexão amadurecida sobre a relevância e a adequação dos contextos apresentados. Quando o professor se põe de acordo com a linha pedagógica da obra, concretizam-se abordagens ricas e significativas. Além disso, a complexidade da noção de contextualização traz como contrapartida elementos de criatividade e liberdade para o trabalho escolar. Tendo claro que contextos não se limitam ao que é ”concreto“ ou ao que é ”prático“, porque até nossos desejos pessoais constituem parte da realidade em que vivemos, o professor tem amplas possibilidades de criar situações de aprendizado atraentes, trabalhando com jogos, dramatizações, pesquisas bibliográficas, projetos de estudo, enquetes estatísticas, envolvendo tanto o universo físico quanto o mundo adulto e até mesmo as fantasias infantis. Uma condição básica é manter um constante diálogo com sua turma, visando encontrar os tópicos mais significativos para os alunos.

reu, porém, que embora abordando o fato de maneira atraente, faltaram elos na cadeia de significados a seu redor. Por exemplo, um estudo do modo de vida dos personagens envolvidos nessa aventura de exploração marítima permitiria que os alunos percebessem que tudo havia acontecido séculos atrás, bem antes do nascimento do autor. Percebemos nesse episódio que, ao lidar com alunos tão jovens, cuja experiência de vida ainda é pequena e distante da nossa, aumentam as dificuldades para prever os desdobramentos da ação didática. Essa é uma das razões que justificam manter um constante diálogo com nossos alunos para entender suas dúvidas, nem sempre conscientes, e respondê-las ampliando as conexões da teia de significados. Como as possibilidades de conexões são praticamente infinitas, concluímos que contextualizar funciona como meta, nunca alcançada, mas que buscamos a cada dia na sala de aula.

Contextualização como meta Um episódio de sala de aula parece-nos adequado para encerrar esta conversa. A professora havia planejado uma aula para crianças de nove e dez anos sobre a chegada da esquadra de Cabral ao Brasil. Foi convocado o melhor depoimento possível, a famosa carta de Pero Vaz de Caminha, lida e discutida; houve dramatização de alguns momentos do evento. No final, porém, uma das crianças perguntou a um dos autores do Projeto Presente, que prazerosamente assistia à aula, se ele já havia nascido naquele tempo. A questão causa estranheza porque nossa vivência escolar garante que nessa faixa etária não é difícil compreender o significado desse fato histórico, percebendo sua distância temporal, bem como algumas de suas implicações para nossa vida presente. Ocor13

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Ciências Naturais

! A alfabetização

científica

Um aluno cientificamente alfabetizado torna-se capaz de atuar de forma crítica, tomando decisões com responsabilidade para resolver problemas do dia a dia. Por: Lilian Bacich, Célia R. Carone e Edilson A. Pichiliani

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estudo de Ciências Naturais nas séries iniciais deve ter como objetivo a promoção da alfabetização científica. Mas o que significa ser cientificamente alfabetizado? Compreender os conceitos é um dos requisitos, porém as características de uma pessoa cientificamente instruída não são ensinadas diretamente. Tais características são desenvolvidas por meio do trabalho proposto em Ciências Naturais, principalmente quando os alunos são estimulados a solucionar problemas, a realizar investigações e a desenvolver projetos e estudos do meio. Essas atividades estão envolvidas em um trabalho contextualizado de Ciências Naturais em que, mais do que aprender ou ”decorar“ conceitos, o aluno seja estimulado a pensar sobre eles, compreendendo e expressando opiniões sobre assuntos de caráter científico. A alfabetização científica está relacionada com a prática, uma vez que capacita o estudante a tirar conclusões importantes para resolver problemas do dia a dia. Isso ocorre quando, por exemplo, ao comprar um produto, opta-se por aquele que produzirá menos lixo, ou ainda, ao analisar os rótulos das embalagens de alimentos, são feitas opções saudáveis. Apesar de não pensar nas questões científicas que estão por trás dessas ações, o estudante as realiza como opção para sua necessidade imediata de adquirir um produto, demonstrando conseguir utilizar de forma ”prática“ algo que aprendeu teoricamente.

Tendo a oportunidade de experienciar, vivenciar e apropriar-se do conhecimento científico, o aluno pode analisar e atuar de forma crítica perante os fatos que interferem, direta ou indiretamente, em sua vida, demonstrando estar em processo constante de alfabetização científica. A alfabetização científica por meio de projetos Desenvolver projetos com os alunos do Ensino Fundamental é uma forma de trabalhar com a alfabetização científica. Os projetos podem ocorrer paralelamente ao trabalho com o livro didático, uma vez que possibilitam uma busca de inter-relações entre diferentes fontes e problemas que se conectam de forma espiral em torno de estruturas de conhecimento trabalhadas em cada disciplina escolar. As estruturas de conhecimento são acionadas no momento em que o aluno resolve um problema de forma reflexiva. Dessa forma, um mesmo projeto pode ser desenvolvido por turmas de idades diferentes pois, em cada caso, o nível de complexidade dos resultados obtidos será diferente.

Ler os rótulos das embalagens de alimentos e fazer uma escolha saudável, ou mesmo optar por consumir o produto que produza menos lixo, são atitudes típicas dos cidadãos cientificamente alfabetizados.

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! SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 1o, 2o E 3o ANOS Projeto Animais Retome com os alunos alguns dos conteúdos estudados sobre animais e solicite que cada um diga o nome de um animal sobre o qual gostaria de saber mais. Podem ser listadas, na lousa, todas as escolhas e, depois disso, ser feita uma votação. Os cinco animais mais votados serão pesquisados por toda a turma. Pergunte aos alunos o que gostariam de saber sobre esses animais. É possível que questionem sobre sua alimentação, o local em que vivem, como nascem seus filhotes e outras curiosidades. Organize as questões que serão pesquisadas e, então, selecione as fontes de pesquisas: livros, internet e entrevistas com veterinários, por exemplo. Alguns museus de zoologia emprestam materiais para pesquisas escolares; verifique em sites de busca aqueles que realizam essa ação em sua cidade. Após encerrada a pesquisa, as informações obtidas sobre os animais podem ser apresentadas a convidados de outras salas de aula ou aos familiares. Para a exposição, podem ser feitos cartazes, maquetes ou outra forma de apresentação combinada com a turma.

Exercite a alfabetização científica com seus alunos e ajude a formar cidadãos autônomos e conscientes. SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 4o E 5o ANOS Projeto Lixo Solicite que os alunos pesquisem uma notícia sobre a situação do lixo na cidade em que vivem. Após a apresentação da notícia para a turma, converse sobre as consequências do acúmulo de lixo nas grandes cidades. Levante com os alunos dúvidas sobre o assunto. Elas podem estar relacionadas a diferentes questões como, por exemplo, o destino do lixo. Verifique as fontes de pesquisa, que podem envolver livros, internet, entre outras. Em algumas cidades há estações de tratamento de lixo que podem ser visitadas pelos estudantes; é possível verificar em sites de busca se existe alguma próxima da escola. Para finalizar, podem ser distribuídos cartazes ou folhetos (preferencialmente reaproveitando o verso de cartolinas usadas) com as informações obtidas pelo grupo. 16

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História

O que é literacia histórica e como

desenvolvê-la? A análise dos mais variados tipos de fontes históricas e a contextualização dos fatos estudados são a base para este importante desenvolvimento. Por: Ricardo Dreguer e Cássia Marconi

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m dos principais objetivos do ensino de História é desenvolver com os alunos a leitura contextualizada do passado, isto é, a literacia histórica. Para isso, é necessário relacionar os fatos aos sujeitos históricos, ou seja, aos agentes da ação social, como indivíduos, grupos ou classes sociais. Para que essa contextualização ganhe concretude para as crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental, é necessário explorar o modo de vida dos sujeitos históricos em determinado tempo: suas formas de morar, de se vestir, de se alimentar, de se organizar para produzir e para escolher os governantes. Essa exploração, que permite a construção da noção de tempo histórico, deve ser realizada por meio da análise de diversas fontes históricas escritas (poemas, textos jornalísticos e trechos de diários), visuais (caricaturas, pinturas e gravuras), materiais (utensílios domésticos, instrumentos de trabalho e roupas) e orais (depoimentos e entrevistas). Assim, por meio de diferentes estratégias de contextualização, o aluno construirá gradualmente uma leitura do passado que permita entender o presente e criar projetos para o futuro. Uma das estratégias que pode auxiliar na construção da literacia histórica é a técnica da dramatização, isto é, a representação de situações, possibilitando aos alunos interpretar os fatos históricos e ter maior compreensão dos sujeitos históricos. A dramatização envolve uma fase de preparação, em que os alunos devem listar os sujeitos e fatos históricos que serão representados. Envolve, também, a criação de cenários e de figurinos que permitem aos alunos trabalhar com as formas de morar e de vestir dos personagens destacados em uma determinada época. Estes elementos garantem ao estudante uma imagem mental do tempo histórico, permitindo a contextualização dos fatos representados. Por outro lado, a dramatização possibilita o desenvolvimento de procedimentos e atitudes de trabalho em grupo, como a divisão de tarefas e o respeito às opiniões dos colegas. Por fim, a apresentação e posterior avaliação coletiva das dramatizações permitem aos alunos uma metacognição de todo o processo vivido, incluindo os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais.

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chave A contextualização é aistór ia para um ensino de H iniciais eficiente para os anos de aprendizagem.

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! SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 1o, 2o E 3o ANOS

SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 4o E 5o ANOS

No tempo dos bisavós

No tempo da monarquia

Oriente os alunos a retomarem os conteúdos estudados em História, listando algumas características da vida no tempo em que os bisavós deles eram crianças: • Como eram as roupas das crianças naquele tempo? • Quais os materiais dos brinquedos e os locais de brincar das crianças? • Quais as festas e tradições mais comuns nessa época? • A quantidade de filhos por família era maior ou menor que a atual? • Como era o calçamento e a iluminação das ruas? • Havia coleta de lixo todos os dias? E rede de abastecimento de água encanada e esgoto? • Quais os meios de transporte e de comunicação mais utilizados naquele tempo? A partir dessa listagem, os alunos deverão criar um roteiro para a dramatização, incluindo diálogos entre os personagens. Em seguida, deverão dividir os papéis entre eles e escolher os responsáveis pelo trabalho de criação de cenários e das vestimentas que poderão ser utilizadas como figurinos pelos personagens. Os alunos poderão elaborar convites para os colegas de outras classes e convidarem também os pais para assistirem à dramatização. Após a apresentação, oriente uma conversa com os alunos sobre todo o processo, avaliando o que foi aprendido em termos de conceitos, procedimentos e atitudes de trabalho.

Oriente os alunos a retomarem os conteúdos estudados em História, listando algumas características da vida dos brasileiros no tempo da monarquia brasileira (1822-1889): • Como era a vestimenta das pessoas nessa época? • Como era a rotina de trabalho dos escravos nas fazendas de café? • Quais as estratégias de resistência que eles utilizavam? • Que fatos levaram à abolição da escravidão? • Como era a divisão de poderes no período da monarquia? • Quais eram os principais partidos políticos e quais as diferenças entre eles? • Qual a principal revolta contra o governo central? A partir dessa listagem, os alunos deverão criar um roteiro para a dramatização, incluindo diálogos entre os personagens. Em seguida, deverão dividir os papéis entre eles e escolher os responsáveis pelo trabalho de criação de cenários e das vestimentas que poderão ser utilizadas como figurinos pelos personagens. Os alunos poderão elaborar convites para os colegas de outras classes e convidarem também os pais para assistirem à dramatização. Após a apresentação, oriente uma conversa com os alunos sobre todo o processo, avaliando o que foi aprendido em termos de conceitos, procedimentos e atitudes de trabalho.

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Geografia

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A leitura de mundo e

a Geografia

A observação do espaço em que o aluno está inserido é o início de um trabalho de reflexão sobre a cultura, a economia, a sociedade e o ambiente. Por: Neuza Sanchez Guelli e Allyson Lino

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a atualidade, o ensino de Geografia para os anos iniciais do Ensino Fundamental deve permitir ao aluno raciocinar geograficamente em diferentes escalas, tendo em vista as dimensões cultural, econômica, social e ambiental. Dessa forma, o aluno inicia a leitura do cotidiano, do lugar de vivência, para então entender a realidade, comparando as paisagens e percebendo as diferenças e semelhanças entre elas, a partir da realidade local até a global e vice-versa. Compartilhamos com Helena Coppetti Callai na afirmação de que a leitura de mundo é fundamental para que todos nós que vivemos em sociedade possamos exercitar nossa cidadania: ”Ler o mundo da vida, ler o espaço e compreender que as paisagens que podemos ver são resultado da vida em sociedade, dos homens na busca da sobrevivência e da satisfação de suas necessidades. Em linhas gerais, esse é o papel da Geografia na escola. Ao refletir sobre as possibilidades que representa, no processo de alfabetização, o ensino de Geografia passa a ser importante para pensar, entender e propor a Geografia como um componente curricular significativo.“ No processo de alfabetização geográfica para leitura de mundo, o trabalho com os conceitos geográficos, como espaço, paisagem, lugar, região e território, são norteadores, pois permitem ao aluno articular os procedimentos e atitudes sobre o espaço e seu entorno.

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Em nosso trabalho, são criadas possibilidades para que os alunos apliquem os conceitos geográficos, construindo, assim, uma aprendizagem significativa e desenvolvendo as habilidades de ler, escrever, observar, comparar, identificar, relacionar e fazer suposições, entre outras, contribuindo, dessa forma, para a alfabetização geográfica, para ler e descrever o espaço geográfico. A alfabetização geográfica por meio das imagens A utilização de imagens como recurso para leitura e apreensão da paisagem torna-se um poderoso instrumento didático que poderá apresentar resultados significativos para a aprendizagem em Geografia. Pois, se utilizada corretamente em sala de aula, a imagem eterniza uma paisagem, transformando-a num objeto de estudo de aprendizagem. O uso de imagens como desenhos, plantas, croquis, mapas, maquetes, imagens de satélite e fotos como recurso didático desenvolve no aluno sua percepção visual sobre o espaço retratado.

É fundamental que escolas e professores criem possibilidades para que os alunos apliquem os conceitos geográficos no cotidiano. Ela não substitui textos ou outras fontes de informação geográfica, mas agrega-se a esses recursos como possibilidade de obtermos aulas mais dinâmicas e prazerosas. No entanto, será necessário superar alguns paradigmas quanto ao uso de imagens no aprendizado de Geografia. Afinal, sua utilização não deve estar relacionada à mera ilustração em materiais didáticos ou como suporte lúdico de métodos tradicionais de aprendizado que dão ênfase à memorização.

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! SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 1o, 2o E 3o ANOS Exposição fotográfica Retome com os alunos alguns dos conteúdos estudados sobre as diferentes paisagens e solicite que, em grupos, escolham um lugar que eles gostariam de visitar e fotografar. Posteriormente, combine com a equipe uma data para que todos os grupos tragam seus painéis para uma grande exposição. Solicite aos alunos que registrem em forma de desenho ou texto o painel que mais chamou a atenção deles. Pode ser usada ainda a estratégia de criar uma ficha técnica a ser preenchida pelos alunos sobre o painel que eles mais gostaram com perguntas como: quem foram os fotógrafos, quais os elementos da paisagem encontrados nas fotos, qual a foto de que mais gostou? SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 4o E 5o ANOS Leitura de desenhos, plantas e croquis Um dos grandes desafios da Geografia é justamente aproximar o aluno da leitura de desenhos, plantas e croquis do lugar de vivência. Para tanto, é preciso que esta leitura seja feita por

meio de imagens próximas à sua realidade, como um desenho, um croqui, uma planta de rua, folhetos de lançamentos imobiliários (que são entregues nos semáforos de várias cidades brasileiras) e também aparecem em jornais e revistas. E é com base nesses folhetos que propomos a atividade: Na fase preliminar do trabalho, os alunos deverão trazer alguns desses folhetos coletados para a sala de aula e, em seguida, faça um levantamento prévio de como são feitos esses folhetos (suas informações básicas, noções de orientação, valorizações, rua onde se localiza o imóvel, as ruas próximas, pontos comerciais, referências de endereço e até mesmo a valorização de áreas verdes próximas ao local). Cumprida essa etapa, organize a criação de uma lista de informações que os alunos consideraram mais importantes nos folhetos. Finalmente, os alunos deverão, com o auxílio das mídias e de seus recursos tecnológicos, produzir o seu próprio folheto, com título e promoção que acharem viáveis e reproduzindo os pontos mais importantes que existam no lugar determinado. Organize uma exposição em forma de uma feira de imóveis em que os alunos deverão apresentar seus folhetos e mostrar seu trabalho, para que eles brinquem com o seu espírito empreendedor.

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Ensinar à luz de

Língua Portuguesa

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contextos significativos Estudar a língua e a linguagem e planejar situações didáticas que permitam aos estudantes tornarem-se progressivamente usuários mais competentes de uma língua viva é a principal tarefa do professor. Por: Débora Vaz, Elody Nunes Moraes, Rosângela Veliago e assessoria pedagógica de Maria José Nóbrega

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ensino de Língua Portuguesa tem, nas últimas décadas, enfrentado o enorme desafio de formar leitores e escritores que experimentem, já nas práticas escolares, as múltiplas situações comunicativas vivenciadas fora da escola. O desafio colocado é o de planejar atividades em que os alunos possam colocar em cena diferentes propósitos comunicativos envolvidos nas práticas de compreensão oral e de leitura, de produção de textos orais ou escritos. Isso implica planejar situações didáticas em que as crianças possam encenar papéis discursivos próximos aos vividos nas diferentes esferas discursivas como a cotidiana, jornalística, literária etc. Ao escrever uma notícia, a criança representa o papel de um jornalista: como esse profissional trabalha, como é o texto que produz, em que suporte circula, a quem se dirige? Ao escrever um artigo de divulgação científica, representa o papel de um especialista, alguém que domina determinado assunto, mas se preocupa, além de fornecer informações confiáveis, em tornálas acessíveis a um leitor, em geral, curioso, mas leigo. Considerar os vários contextos comunicativos no trabalho escolar significa permitir que a construção de sentidos possa se efetivar a partir do reconhecimento do conjunto de circunstâncias – o cenário, o lugar social ocupado pelos interlocutores, o gênero, o suporte de circulação, as normas de interação etc. – em que aquela determinada atividade social acontece. Tal concepção impõe que se considere o texto como uma unidade interativa de comunicação, isto é, construída na interlocução. Portanto, os significados não repousam nas linhas do texto, mas são atualizados em uma determinada situação, fundamentam-se também no contexto, já que qualquer texto resulta de uma série de operações de referência a um mundo extralinguístico que pode ou não ser compartilhado pelos sujeitos.

Implica também outros parâmetros para o tratamento da gramática. Uma boa análise da língua precisa ter como referência a situação comunicativa inteira, seu contexto discursivo. Por essa razão, estudam-se as regras que orientam o uso das expressões linguísticas e os efeitos de sentido que produzem. Não se perde tempo com a memorização de terminologia e definições pouco produtivas. Quanto maior as experiências de nossos alunos e alunas com esses vários contextos de produção, maiores serão suas condições de se tornarem leitores críticos e escritores que produzam textos que possam encantar, emocionar, informar ou defender um ponto de vista. Esse conhecimento da língua e da linguagem não se dá por transmissão passiva de informações, mas pela encenação dos papéis discursivos próprios das variadas atividades sociais e pela reflexão a respeito das regularidades próprias de cada tipo textual.

O conhecimento da língua e da o linguagem não se dá por transmissã passiva de informações, mas pela encenação dos papéis discursivos próprios das variadas atividades sociais e pela reflexão a respeito das regularidades próprias de cada tipo textual. 24

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! SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 1o, 2o E 3o ANOS

SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 4o E 5o ANOS

Organizando um sarau de poemas

O papel do jornalista

Propor que os alunos declamem poemas em público cria a necessidade de que memorizem, aprendam a fazer entonações e a dar ritmo à fala de modo adequado ao contexto de comunicação. Organizar um sarau torna-se, então, uma oportunidade de se aproximar de uma prática social e aprender suas formas e usos.

A fim de reconhecer a língua em uma situação comunicativa, os alunos podem experimentar como é ser um jornalista, vivenciando como é o trabalho desse profissional. A atividade consiste em conhecer como um jornalista faz o seu trabalho e depois organizar a cobertura de algum evento cultural ocorrido na escola.

1o momento: Selecione um repertório de poemas adequados à faixa etária e liste, também, os que já são conhecidos pelos alunos. Leia os poemas, compartilhando informações importantes sobre os portadores deste gênero (livros, CDs etc.) Converse sobre a apresentação do sarau e defina junto com a turma quem será o público.

1o momento: Recolha informações sobre o trabalho de um jornalista. Para realizar essa tarefa, os alunos podem obter as informações em fontes variadas: como conversar com algum jornalista da própria comunidade. Além disso, podem assistir a programas televisivos como o Profissão Repórter, em que é possível observar o trabalho de um jornalista em ação.

2o momento: Assista com as crianças a situações de declamação e escute poemas gravados no CD que acompanha o livro didático, levantando as características próprias desta situação de comunicação (ritmo da fala, entonação etc.) Selecione os poemas que serão declamados e ensaie com os alunos. Sugestão de apreciação de um poema declamado: Pedro Bandeira declama ”Mais respeito, eu sou criança!“ h t t p : / /rev i s t a e s co l a . a b r i l . co m . b r /e d u c a c a o infantil/4-a-6-anos/pedro-bandeira-declama-maisrespeito-eu-sou-crianca-568074.shtml 3o momento: Produza, junto com a classe, o convite, defina o lugar onde a apresentação acontecerá, organize o espaço e realize um último ensaio antes da apresentação.

2o momento: Aproveite um evento da escola, como festas, comemorações e estudos do meio para que os alunos façam a cobertura jornalística: um grupo fotografa, outro entrevista os presentes etc. 3o momento: Por fim, é possível sistematizar as informações recolhidas, publicando-as em forma de texto ou vídeo no jornal ou site da escola. Há mais orientações de como conduzir a produção de notícias orais ou escritas na Unidade 2 do livro de Língua Portuguesa do 5o ano.

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Matemática

A Matemática e

o mundo das crianças

Para despertar o interesse das crianças para o mundo da Matemática, torna-se fundamental valorizar contextos ricos em significados. Por: Luiz Márcio Imenes, Marcelo Lellis e Estela Milani

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m recurso essencial para promover a aprendizagem da Matemática nos anos iniciais da escolarização consiste em partir da realidade vivida pelas crianças para mostrar a necessidade de certas noções matemáticas e, então, passar a construí-las. Entretanto, a realidade não deve ser concebida de forma estreita, pois as crianças também participam do mundo da fantasia e do faz-de-conta, bem como têm em alto grau o espírito de busca e descoberta. Essas características, comuns a todo ser humano, são bastante acentuadas na infância e tornam significativos e atraentes os contextos que as aproveitam, mesmo quando distantes do dia a dia. Vamos ver como aproveitar essas ideias.

Podemos esperar que as crianças criem formas de superar a dificuldade. Em todo caso, a solução já é conhecida para nós, adultos. Para resolver o problema, os irmãos passaram a formar pares. O 1 se reuniu com o 0 para indicar dez; depois, o 1 se reuniu com ele mesmo indicando onze. Veja:

SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 1o E 2o ANOS A fantasia como contexto Para 1o ou 2o ano, podemos lançar mão de histórias infantis clássicas, ou criar histórias similares, visando a aprendizagem da Matemática. A seguinte história dos dez irmãos é um exemplo. Era uma vez dez irmãos chamados 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9, cujo trabalho era indicar quantidades. A maior dessas quantidades era indicada pelo 9. Veja:

Mas indicar quantidades até nove é pouco. Temos mais de nove dedos na mão. Além disso, pedindo emprestada a mão de alguém, podemos levantar bem mais que nove dedos. Como indicar essas quantidades? Todos os dez irmãos já tinham função, nenhum poderia indicar dez dedos ou onze dedos e assim por diante. Que problemão, não é?

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Podemos aumentar a quantidade de dedos. Mas os dez irmãos sempre conseguirão indicar as novas quantidades. Depois de 11, o 1 forma par com o 2, aparecendo 12; depois, forma par com 3, surgindo 13 e assim continua até o 19. E depois do 19, termina a história? Provavelmente, as crianças responderão que de jeito nenhum a história termina! Como o 1 já formou par com todos os irmãos, é hora do 2 começar a formar pares. Depois de 19, vem o 20, depois, o 21, e assim continua. Depois que o 2 formar par com todos os irmãos, será a vez do 3, depois a do 4 etc. Apesar de ingênua, essa história transmite uma maravilhosa característica de nosso sistema de numeração: o fato de usarmos apenas dez símbolos, mas combiná-los de tal maneira que podemos representar milhões, bilhões, na verdade infinitos números. Depois que se esgotam os pares de ”irmãos“ com 99, seguem os trios com 100, 101, 102 e depois as quadras, e tudo isso pode prosseguir para sempre. Há um padrão nessas combinações, isto é, uma forma de organização que nos permite sempre descobrir qual será a combinação seguinte, e a história transmite isso também, ainda que nas entrelinhas. Haveria muito mais para explorar na história. Contentamo-nos em indicar que, como as fantasias clássicas, ela tem muitas interpretações e ensina muito, especialmente Matemática.

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! SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 4o E 5o ANOS A curiosidade tornando significativo um contexto Agora, vamos dar um exemplo adequado ao 4o e 5o anos, que poderia ser ainda facilitado para o 3o ano. Há um contexto sobre o qual formulamos problemas relativamente fáceis, mas significativos para os alunos. Imaginemos um jogo: 1o Você lança dois dados e calcula a diferença entre os resultados. 2o Você lança um terceiro dado e multiplica o resultado pela diferença obtida antes. 3o Assim você calcula a quantidade de pontos obtida em cada rodada. Podemos convidar duas crianças para virem à frente da sala e jogarem algumas rodadas, deixando as regras claras para toda a turma, ou a turma toda pode jogar em duplas. Depois disso, proporemos problemas sobre o jogo.

No problema 1, basta o cálculo: 4 – 1 = 3 e 3 × 6 = 18. Já o problema 2 exige observação. A menor diferença é zero, obtida quando os resultados são 6 e 6, ou 5 e 5 etc. Zero multiplicado por qualquer número dá zero. Portanto, essa é a menor quantidade de pontos. No problema 3, a maior quantidade de pontos é 30, resultado de (6 – 1) × 6. O problema 4 exige observação e procura, até chegarmos à descoberta; há três maneiras de obter 20, isto é, (6 – 2) × 5; (5 – 1) × 5 e (6 – 1) × 4. No problema 5, por mais que procuremos, não encontraremos maneira de fazer 14 pontos. Reparem que, neste exemplo, o contexto é o jogo! É pouco realista e até pobre, mas contamos com o espírito de busca e descoberta das crianças para tornar significativos os problemas sobre o jogo. Nossa experiência de sala de aula mostra que isso ocorre com muita frequência, as crianças buscando tenazmente as soluções, desenvolvendo raciocínio, análise de possibilidades e cálculo mental. Por que problemas desse tipo se tornam significativos para as crianças? Provavelmente porque pedem observação e procura como parte do caminho que leva ao prazer da descoberta.

Segue uma amostra. 1. Calcule quantos pontos se obtêm com os resultados abaixo.

2. Qual é a menor quantidade de pontos que se obtém numa rodada? Dê um exemplo de como obtê-la. 3. Qual é a maior quantidade de pontos que pode ser obtida? 4. Que resultados devem ocorrer para fazermos 20 pontos? 5. Que resultados devem ocorrer para fazermos 14 pontos?

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Arte

Arte em

contexto

Desde os primeiros anos do aprendizado, os alunos precisam se familiarizar com todas as representações artísticas e culturais. Por: Rosa Iavelberg e Tarcísio Tatit Sapienza

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contextualização em Arte deve ser trabalhada por meio de ações de aprendizagem que integrem o apreciar, o refletir e o fazer. A leitura das produções artísticas, o diálogo sobre seus significados e o fazer artístico propiciam a reflexão sobre a arte enquanto objeto social e histórico. Trabalhando a criação tanto no fazer como no conhecer arte, é possível habilitar o aluno a seguir aprendendo de maneira autoral. O estudo das produções de artes visuais, música, dança e teatro precisa ser contextualizado por informações significativas, de modo a permitir ao aluno refletir sobre essas manifestações e relacioná-las à sua vida.

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Propostas de aprendizagem que apresentam dados pertinentes sobre o artista e seu contexto promovem a interação entre a experiência cotidiana dos alunos e os conteúdos aprendidos no diálogo com as obras dos artistas.

os Criar contextos significativas e lúdicos permite às criançm o conectar o aprendizado co mundo.

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! Contextualizando o trabalho de Mônica Nador Mônica Nador é uma artista brasileira contemporânea que trabalha pensando a relação da arte com a comunidade. Ela levou suas propostas de pintura às paredes da periferia da cidade de São Paulo, criando um espaço comunitário dedicado à arte, o Jardim Miriam Arte Clube (Jamac).

SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 1o E 2o ANOS Apresente à classe as imagens do trabalho de Mônica Nador e pergunte se conhecem outras artistas mulheres. Na leitura das imagens, peça que observem a repetição de formas no mural criado para a Bienal de São Paulo e converse sobre a realização de trabalhos de arte em equipe. Proponha aos alunos trabalhar em grupo usando carimbos de batata em papéis de grande formato. SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA 3o, 4o E 5o ANOS

Foto de Mônica Nador.

A partir da leitura das imagens, apresente informações sobre o trabalho de Mônica Nador e a proposta Jamac. Promova uma discussão sobre os lugares onde a arte é feita ou apresentada em sua cidade e depois peça aos alunos que escrevam sobre a importância da arte estar presente nos espaços públicos da cidade. Proponha que realizem em grupos projetos de murais para a escola, criados com o uso de estêncil.

Mônica Nador pinta mural com integrante do JAMAC na 27a Bienal de São Paulo. 31

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Tecnologia

! Educação e tecnologia:

uma parceria possível

A cada dia fica mais claro que a mediação do professor é a chave para o sucesso dessa parceria. Sua atuação traz sentido para a interação com a tecnologia dentro da escola. Por: Lilian Bacich, Célia R. Carone e Edilson A. Pichiliani

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tecnologia deve estar a serviço da educação; a escola deve explorar a tecnologia. Frequentemente nos deparamos com frases como essas e, antes de tudo, é importante deixar claro sobre qual tipo de tecnologia estamos falando. Tecnologia pode ser definida como um conjunto de conhecimentos que se aplicam à construção, ao planejamento, à utilização de um equipamento ou de uma atividade que facilite a vida das pessoas. O desenvolvimento de equipamentos como uma caneta, giz, apagador, cadernos e muitos outros recursos materiais utilizados na escola é decorrente de estudos aplicados, portanto, são exemplos de tecnologia. Somam-se a eles o computador, o tablet, o notebook, o data show, novas tecnologias presentes no dia a dia da escola atual. As Tecnologias de Informação e Comunicação, conhecidas como TICs, são o novo desafio do professor e da escola como um todo. Desafio porque são ferramentas que possibilitam o acesso a uma infinidade de recursos que transformam a vida em sociedade, estabelecendo novas formas de contatos sociais, novas formas de relacionamento com diferentes instituições e, consequentemente, novas formas de aprender. O uso educacional das TICs é, por um lado, uma ferramenta educacional a serviço do aluno e do professor que delas se utilizam para representar conhecimentos construídos, para apresentar os resultados de seu trabalho e, principalmente, e esse é o maior desafio, construir conhecimentos. A comunicação pode ser facilitada de diferentes formas: entre professores de uma mesma instituição, entre professores de diferentes instituições, entre alunos e instituições, entre alunos de diferentes instituições, além de outras possibilidades. Dessa forma, a comunicação pode ser ampliada, favorecendo o intercâmbio entre escolas de diferentes regiões e, até mesmo, de diferentes países. 32

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r esponsável pov r é r o s s fe o r p O e produti o te n ie c s n o c o s u fazer formação e in e d s ia g lo o n c das te comunicação.

Outra vantagem é possibilitar que o aluno se expresse. O ambiente virtual favorece a expressão por meio da leitura e da escrita, além de colaborar com a manifestação de alguns alunos que não se sentem à vontade em grandes grupos. A participação em fóruns ou salas de bate-papo, quando organizados com o fim de compartilhar informações sobre um determinado assunto, é uma oportunidade de expressão de conhecimentos construídos sobre o tema. Os recursos podem ser explorados nas diferentes disciplinas: • Ciências Naturais: revistas de divulgação científica com conteúdo apropriado às crianças, como a Revista Ciência Hoje das Crianças, podem ser consultadas e vários textos podem ser trabalhados com os alunos, muitos deles sem a necessidade de adaptação da linguagem. • Arte: é possível que o aluno conheça e discuta sobre obras de diferentes artistas, disponíveis em sites de busca de imagens. • Geografia: o uso de mapas virtuais amplia o estudo da cartografia, uma vez que pode mostrar todos os lugares do planeta em versão cartográfica, imagens de satélite, e até mesmo fotos em 3D, em que é possível visualizar detalhes de uma paisagem. • História: é possível realizar visitas virtuais a museus e obter imagens que mostram instrumentos e ferramentas utilizados por nossos antepassados, além de conhecer mais sobre o estilo de vida de diferentes culturas. • Língua Portuguesa: além da leitura e interpretação é possível revisar textos individuais e coletivos produzidos com o auxílio de editores de texto. • Matemática: além da montagem de gráficos, é possível a contextualização de problemas por meio da busca de dados numéricos atuais em sites como o do IBGE (www.ibge.gov.br), por exemplo. A escola, porém, deve ser um contraponto real, possibilitando que os alunos socializem as informações do ambiente virtual no ambiente real. O grande desafio é a contribuição das TICs como mediadoras nos processos de aprendizagem, modificando-o no sentido de oferecer uma qualidade maior ou diferenciada. De forma alguma o papel do professor como mediador é desvalorizado, pelo contrário: ele é o responsável por fazer uso consciente e produtivo das tecnologias de informação e comunicação.

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Como começar? Se você, professor, ainda não embarcou na onda tecnológica, não há problema. Sempre é tempo de começar. Inicie conversando com seus colegas; a troca entre pares pode ser a primeira opção para que você comece a se arriscar nas novidades oferecidas pela máquina. Agora, analise o que você já conhece sobre as ferramentas mais simples, como a criação de slides para sua aula. Os slides podem ser criados no seu computador e salvos em um pen drive. Depois, é só projetar em uma tela branca, usando um data show. Comece por eles e lembre-se de pedir ajuda sempre que precisar. Apesar de aparentar ser algo solitário, o contato com as ferramentas tecnológicas precisa ser mediado por essas trocas, até você se sentir seguro para as próximas etapas. Aprender a aprender. Esse é o momento em que você começará a pesquisar, vai verificar o retorno dos alunos após suas aulas com os slides e começará a procurar pequenos vídeos para apresentar a eles, por exemplo. Você pode buscar tutoriais que ensinam o passo a passo de diferentes estratégias, como a montagem de um blog, de slides animados, entre outras ideias. Finalmente, você começará a planejar suas aulas pensando nesses recursos e, gradualmente, sua metodologia será reformulada. Aquilo que deu certo, você certamente manterá e as novidades serão gradativamente incorporadas. Boa sorte!

Como pesquisar na internet Na hora da pesquisa, a maioria dos alunos já sabe o que fazer: digita o título ou algumas palavras-chave em um site de busca. Em seguida, clica no primeiro site que é indicado pelo buscador. Acessa as informações disponíveis e, na maioria das vezes, ”copia e cola“. Mas, será que as informações encontradas são ”confiáveis“? Trabalhar essa questão com os alunos é muito importante, porque eles precisam aprender a selecionar os sites que contêm as informações buscadas, mas, para isso, precisam conhecer algumas regras. Explique aos alunos que os sites que terminam com ”.com“ referem-se a instituições comerciais, os que terminam com ”.gov“ são sites do governo, os que terminam com ”.edu“ estão relacionados com instituições educacionais e os que terminam com ”.org“ são de organizações não governamentais. Essa é uma informação importante, mas o site mais confiável vai depender do que está sendo pesquisado. Se a pesquisa é sobre vacinas, os sites mais indicados são aqueles que fazem pesquisa sobre esse assunto, como o Instituto Butantan, por exemplo. Já em uma pesquisa sobre dados numéricos de uma população, sites que fazem um levantamento dessas informações, como o IBGE, são os mais confiáveis. Além disso, é fundamental explicar aos alunos que ao ”copiar e colar“ uma informação, não estarão aprendendo sobre o assunto e toda a pesquisa terá sido desnecessária.

gia em seu Explorar a tecnorlomais simples cotidiano pode se que você e interessante do ente seguir imagina. Experim as dicas acima!

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Escritores, roteiristas, tecnologia a cineastas... Explore artilhar para viver e comp m co novas experiências seus alunos. Criando um blog Agora o assunto ficou mais interessante: já pensou em publicar a evolução dos seus alunos? E comparar as produções que eles faziam no início do ano e o que já são capazes de fazer próximo do término do ano letivo? Criar um blog pode parecer algo complicado, mas pesquisando na rede você encontrará tutoriais que ensinam o passo a passo de criação. Você não precisa começar pelo blog mais complicado, comece pelo mais simples e amplie, gradativamente, os recursos, deixando-o cada vez mais atraente. Divulgue o endereço entre seus alunos e rapidamente você terá o retorno das famílias que, certamente, será positivo. Mas, atenção: não é indicado expor, na rede, fotos das crianças. Por isso, procure apresentar os trabalhos, produções e outros materiais por eles produzidos. Existem cartilhas que orientam o uso seguro da internet que você pode consultar e divulgar aos seus alunos. Dessa forma, você os protege de qualquer situação complicada.

Montando um filme em stop motion Ao propor para a turma a montagem de um filme em stop motion, principalmente para os alunos do 4o e 5o anos, as reações serão as mais variadas. Alguns conhecem detalhadamente a técnica, e até já fizeram em casa, outros nunca ouviram falar... Mas, afinal, o que é um filme em stop motion? A tradução literal seria ”movimento parado“. Nessa proposta, muito utilizada em alguns filmes como ”Noiva Cadáver“ e ”Wallace e Gromit“, os alunos devem fazer seus personagens utilizando massinha. Em seguida, montar uma cena com os personagens e fotografá-los. Manter a máquina fotográfica, o celular ou o tablet fixos, apoiados em algum lugar para que as imagens sejam tiradas sempre do mesmo local. Modificar um pouco a posição dos personagens e fotografar novamente. Fazer isso várias vezes. Depois, é só transferir essas fotos para o computador e passá-las rapidamente. Fácil, não é? Então, preparar, câmera e ação!

Para aprofundar esse tema, consulte: www.internetresponsavel.com.br Guia para o uso responsável da internet, com textos para os alunos, os professores e pais ou responsáveis. Tecnologias para transformar a educação, de Juana María Sancho e Fernando Hernández. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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Por que estudar na escola a arte de

nosso tempo? O ensino da arte contemporânea nas escolas permite aos alunos refletir sobre a sociedade e as dinâmicas do mundo em que vivem. Por: Rosa Iavelberg e Tarcísio Tatit Sapienza

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rte é área de conhecimento curricular com conteúdos próprios, estruturada nas modalidades artes visuais, dança, música e teatro. Como exemplo da amplitude e diversidade do conhecimento a trabalhar nesta área, observamos que as artes visuais incluem: desenho, pintura, gravura, escultura, arquitetura, design, fotografia, vídeo e manifestações multimídias. Nas propostas criadas atualmente, é comum que as fronteiras entre as diferentes linguagens da arte sejam ultrapassadas. É importante que a escola possibilite aos alunos aprender sobre as criações artísticas da atualidade para que possam ser leitores criativos das diversas formas de manifestação cultural de sua época e saibam se expressar e comunicar por meio da arte. As possibilidades de participação social de cada estudante ampliam-se no diálogo com as manifestações artísticas contemporâneas que estudam e atribuem significado, podendo assim criticá-las, situá-las e reformulá-las.

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Arte contemporânea? As palavras ”contemporâneo“, ”moderno“ e ”atual“ podem ser tomadas como sinônimos por sua definição nos dicionários de Língua Portuguesa. Nesse sentido mais amplo, estudar arte contemporânea implica considerar toda a arte criada na época em que vivemos. Além da produção de todos os profissionais dedicados às artes, podemos incluir também as manifestações artísticas tradicionais de diferentes culturas ainda realizadas em nossa época. No estudo de arte, os termos ”moderno“ e ”contemporâneo“ são empregados para tratar de períodos distintos da História da Arte, caracterizados por diferentes concepções de manifestação artística. Nesse sentido específico, o termo ”arte contemporânea“ é usado pelos especialistas para designar as propostas de artistas realizadas a partir do final da Segunda Guerra Mundial, que discutem a própria ideia de arte e a aproximam da vida ao integrar nela várias áreas de conhecimento. A arte contemporânea questiona o que pode ser classificado ou não como arte, por exemplo: a proposição poética do artista pode ser um acontecimento (happening)) que depende da interação do público. Estudar arte contemporânea – no sentido mais amplo e também no sentido específico que destacamos acima – é uma indicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que propõem a ”valorização do ensino de conteúdos básicos de arte necessário à formação do cidadão, considerando ao longo dos anos de escolaridade, manifestações artísticas de povos e culturas de diferentes épocas, incluindo a contemporaneidade.“ [Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte, 1a a 4a séries. Brasília: MEC/SEF, 1997. p. 56].

Por que incluir a Arte de nosso tempo no currículo? O currículo de Arte expressa que indivíduo a escola quer formar. Na tomada de decisões a respeito de sua estruturação, é necessário considerar que concepções artísticas e de educação adotar. Na seleção dos conteúdos é importante a inclusão de temas do desejo dos alunos, afeitos a seus interesses, às suas particularidades e às culturas que trazem consigo. Os artistas contemporâneos, por viverem e produzirem em nosso tempo, tematizam e revelam questões que propiciam a reflexão sobre a vida e a arte da atualidade. Suas poéticas estão em consonância com a época dos estudantes. O ensino da Arte contemporânea na escola é importante por oferecer conteúdos que interessam aos alunos. Mobilizados pelo estudo dessas manifestações, eles podem aprender mais sobre si mesmos ao estabelecer conexões entre esse conhecimento e suas próprias vidas.

iou-se Marcel Duchamp apropr omoveu de um mictório e o pr a obra de arte.

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Ensino de... Arte

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Arte no Projeto Presente Para que os alunos possam conhecer produções artísticas contemporâneas de qualidade e compreender a arte na sociedade atual em suas diferentes linguagens, selecionamos para os livros de Arte dessa coleção realizações significativas de diversos artistas contemporâneos. Os temas que estruturam as unidades dos livros propõem conexões entre as produções dos artistas selecionados, ampliando seu significado e relacionando suas criações com as de artistas de outras épocas. Os alunos conhecerão os artistas por meio de seus trabalhos. Os textos do Livro do aluno e do Guia do professor apresentam dados pertinentes sobre a biografia do artista e seu contexto histórico, geográfico, político e social. As propostas de aprendizagem promovem a interação entre os conteúdos aprendidos no diálogo com essas obras e a experiência cotidiana dos alunos. A reflexão sobre a arte enquanto objeto social e histórico é realizada por meio da leitura das produções artísticas, do diálogo sobre seus significados, da escrita de textos e do fazer artístico. Apreciar, refletir e fazer são propostos como ações de aprendizagem integradas.

eos Os grafiteiros Osgem a nas étic apresentam sua po dades. ruas de diferentes ci Por exemplo, a leitura de imagens do músico Hermeto Pascoal tocando piano em uma chaleira permite despertar a curiosidade dos alunos e promover o diálogo sobre sua concepção de música, ampliada na realização de uma atividade de tocar garrafas preenchidas com água. Apresentamos conteúdos da arte contemporânea em propostas didáticas que têm como objetivo despertar o interesse dos alunos e promover o gosto por frequentar instituições culturais. Ao aprender a dialogar de maneira informada com a arte presente em seu cotidiano, reconhecendo e valorizando diferentes padrões artísticos e estéticos, os alunos habilitam-se a exercer seu direito de desfrutar do patrimônio cultural e conquistam novas possibilidades de participação em sua cultura.

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Cadê o super-herói? Por: Walcyr Carrasco

Tomé adora os super-heróis. Tanto que se transforma em Super-Tomé, mas a turma não acredita que ele possa voar. Quando os super-heróis da televisão vêm visitar o Brasil, ele consegue encontrá-los. Daí... Tema transversal: Pluralidade Cultural

Do campo à mesa O caminho dos alimentos Por: Teddy Chu

Do plantio à colheita, da criação de animais à distribuição dos alimentos, este livro mostra que o alimento não cai do céu, custa dinheiro e depende do trabalho de muitas pessoas. E aproveita para passar algumas receitas, mostrando que cozinhar pode ser divertido. Temas transversais: Saúde, Pluralidade Cultural e Meio Ambiente

Chiclete

e os tênis mais fedorentos do mundo Por: Megan McDonald

Chiclete vai ao Museu de Ciências e visita a exposição ”Ai, que nojo!“. Ali ele conhece a Máquina do Vômito, o Medidor de Arrotos e os Puns Musicais. É quando ele descobre que seu nariz tem uma capacidade incrível de perceber cheiros! Então, ele mergulha numa porção de coisas fedorentas e compete com sua melhor amiga, Sofia, pelo prêmio no concurso ”Os Tênis mais Fedorentos do Mundo“.

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Confira dicas de leitura para levar para a sala de aula, propostas pelos autores do Projeto Presente.

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Perdidos na mata

Explorando os cinco sentidos Por: Ricardo Dreguer

Júlia é uma menina de sete anos que não enxerga, mas que utiliza o tato, o paladar e a audição, para ”ver“. Gabriela, Danilo e Fábio são seus colegas de sala. Juntos vão vivenciar uma experiência repleta de aventura no meio da mata. O livro propõe descobertas sobre os cincos sentidos e explora o respeito às diferenças e o trabalho em equipe. Temas transversais: Cidadania, Respeito à Diversidade, Ética e Meio Ambiente

Os bichos que tive Memórias zoológicas Por: Sylvia Orthof

Rã, coelho, gato, cachorro e até bicho-de-pé. Todos eles já foram ”animais de estimação“ da menina Sylvia. Ao recordar sua infância, a autora relata as alegrias, os problemas e muitas surpresas na convivência diária com alguns ”bichinhos“. Até mesmo um ser imaginário, o bicho-papão, ganha uma história só para ele.

Camilão, o comilão Por: Ana Maria Machado

Conheça Camilo, um simpático leitão, amigo de todos, mas um grande comilão! Gosta de comer, mas não de trabalhar. Por isso, tudo o que come, prefere ganhar. Preguiçoso, mas tem bom coração. É impossível não amar nosso Camilão!

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