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Como a leitura e a escrita representam instrumentos valiosos na formação de qualquer pessoa, a coleção apresenta uma obra renovada, mais completa e atual. Com o objetivo de favorecer a produção de textos, foram incluídas diferentes propostas e orientações que estimulam a criatividade dos alunos. Estão presentes nesta edição diversos conteúdos sobre tipos e gêneros textuais, além de conhecimentos sobre estilística, semântica, intertextualidade e variações linguísticas. Agora, cada livro vem acompanhado de um Caderno de Redação, para ajudar o aluno a manter o registro de suas produções em ordem.

amostra para degustação do professor

Professor, esta amostra apresenta alguns capítulos da coleção Oficina de Redação. Nela, você poderá conhecer a estrutura da coleção e o conteúdo programático desenvolvido para proporcionar aulas ainda mais dinâmicas e completas.

Ensino Fundamental II

OFICINA DE REDAÇÃO Leila lauar sarmento

OFICINA DE REDAÇÃO

OFICINA DE REDAÇÃO

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0800 17 2002

confira: • Sumário da obra • Uma seleção de conteúdos didáticos para análise do professor


Leila Lauar Sarmento Licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora na rede pública e em escolas particulares de Belo Horizonte por 35 anos. Coordenadora em escolas do Ensino Fundamental e Médio por 13 anos.

Oficina de

Redação

6 4a edição

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© Leila Lauar Sarmento, 2012

Coordenação editorial: Garagem Editorial Edição de texto: Henrique Félix Assistência editorial e preparação: Solange Scattolini Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico e capa: Mariza de Souza Porto Foto da capa: Detalhe da tira de Ziraldo “A separação”. Curta o Menino Maluquinho 3. Rio de Janeiro: Globo. 2007, p. 11. © Ziraldo Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Patricia Costa Edição de arte: Rodolpho de Souza Editoração eletrônica: Arbore Comunicação Empresarial e Design Ilustrações: Amanda Grazini, Fábio Eugênio, Rafael Cerveglieri, Rodval Matias, Rogério Coelho Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Maristela S. Carrasco, Olívia Y. Duarte Pesquisa iconográfica: Denise Durand Kremer, Luciano Baneza Gabarron As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Arleth Rodrigues, Fabio N. Precendo, Pix Art, Rubens M. Rodrigues, Wagner Lima Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Sarmento, Leila Lauar Oficina de redação / Leila Lauar Sarmento. – 4. ed. – São Paulo: Moderna, 2012 Obra em 4v. para alunos de 6o ao 9o ano do ensino fundamental de nove anos. Suplementado pelo livro do professor. Bibliografia. 1. Arte de escrever (Ensino fundamental) 2. Português - Redação (Ensino fundamental) 3. Textos (Ensino fundamental) I. Título. 12-10487

CDD-372.6

Índice para catálogo sistemático: 1. Arte de escrever : Português : Técnica de redação : Ensino fundamental 372.6 2. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6 3. Redação : Português : Literatura : Ensino fundamental 372.6 978-85-16-08209-3 (LA) 978-85-16-08210-9 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2012 Impresso no Brasil 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação O universo da comunicação vem se ampliando com maior dinamismo, nos últimos anos,

para atender à demanda de seus usuários, nas mais diferentes situações de interatividade. Nele estamos inseridos, exercitando nossa linguagem oral e escrita, até mesmo na área digital, por isso necessitamos sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com objetividade e competência. A construção do pensamento — e sua exposição de forma clara e persuasiva — constitui um dos objetivos mais perseguidos por todo aquele que almeja sucesso na vida profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que a interlocução comunicativa permite o entendimento, proporciona um maior intercâmbio de ideias e nos faz refletir e argumentar com maior propriedade em defesa de nossos direitos e deveres como cidadãos. A leitura e a escrita representam, sem dúvida, instrumentos valiosos na formação de qualquer pessoa, independentemente da área de atuação. Por isso nos preocupamos, nesta quarta edição, em apresentar a você um novo material, mais completo e atual, buscando tornar mais atraente e agradável o acesso ao domínio da expressão escrita e falada. Por exemplo, a aprendizagem da tipologia e dos gêneros textuais se tornou mais abrangente. Foram inseridos conhecimentos sobre semântica, estilística, atividades com oralidade e escrita e variações linguísticas. No estudo da textualização, privilegiou-se o trabalho com a coesão, a concisão e a coerência textuais. Também a intertextualidade e outros tópicos importantes completam o estudo, visando à construção adequada do texto. Quanto à tipologia, enfatizamos o ensino das características dos diversos tipos de texto e seus respectivos gêneros. Agregamos a essa aprendizagem um trabalho mais detalhado com textos artísticos e visuais e também uma interpretação e análise de textos literários, jornalísticos e poéticos, selecionados criteriosamente. No desenvolvimento do conteúdo dos livros do 8º e 9º anos, nós nos concentramos mais no estudo dos recursos da argumentação e textos argumentativos orais e escritos, por haver uma maior solicitação desse tipo no cotidiano e em exames. Com o objetivo de favorecer a produção textual, incluímos diferentes propostas e orientações que estimulam a imaginação e a criatividade do autor. As seções “Linguagem e contexto”, “Construção textual”, “Programe-se” e “Oficina de projetos”, entre outras, complementam esta obra, tornando o material variado e instigante para quem deseja adquirir uma formação como leitor crítico e um bom produtor de textos. É com esse intuito que entregamos esta nova coleção. Desejamos que você folheie com interesse estas páginas e que elas façam florescer uma nova conquista em seus estudos.

A autora

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Sumário

Unidade I

Gêneros e linguagens Capítulo 1 • A comunicação em textos....................................................................... 8 „„ Linguagem visual: O diário, de Norman Rockwell............................................................. 8 „„ Estudo de texto: A mensagem chega ao destino, de Moacyr Scliar........................... 11 „„ Gênero textual: Carta pessoal...................................................................................................... 14 „„ A construção textual: O parágrafo........................................................................................... 18 „„ Gênero textual: Diário..................................................................................................................... 23 „„ Letra de canção: Quero sim, de Paula Fernandes............................................................... 27 „„ Gênero textual: Cartão-postal..................................................................................................... 29 „„ Gênero textual: E-mail.................................................................................................................... 32

Capítulo 2 • Variações linguísticas...............................................................................

34

„„ Linguagem visual: O violeiro, de Almeida Júnior.............................................................. „„ Estudo de texto: Chico Mineiro, de Tonico e Francisco Ribeiro................................... „„ Variações linguísticas: Variedade padrão e variedade não padrão.......................... „„ A construção textual: Concisão................................................................................................. „„ Variações linguísticas: Adequação vocabular....................................................................

34 37 40 48 51

Oficina de projetos: Mostra de cartões-postais e cartas.................................................. 56 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites.................................................................... 58

Unidade II

A produção textual Capítulo 3 • Tipologia e gêneros textuais............................................................

60

„„ Linguagem visual: O sonho de Dom Quixote ....................................................................... „„ Estudo de texto: Aqui apresentamos Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes .................................................................................................................... „„ A construção textual: O que é texto? .................................................................................... „„ Gênero textual: Conceito e finalidades ................................................................................. „„ Tipologia textual: Tipos textuais...............................................................................................

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Capítulo 4 • Histórias contadas com magia .....................................................

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„„ Linguagem visual: O Homem de Ferro, de Stan Lee......................................................... „„ Estudo de texto: Hércules mata a águia, de Menelaos Stephanides......................... „„ Gênero textual: Conto maravilhoso.......................................................................................... „„ Gênero textual: Fábula...................................................................................................................

83 85 91 99

Oficina de projetos: Contando e recontando histórias.................................................. 104 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 108

Unidade III

A arte do humor e dos quadrinhos Capítulo 5 • A criação humorística ...........................................................................

110

„„ Linguagem visual: Cascão, de Mauricio de Sousa.......................................................... „„ Estudo de texto: Salsicha, sorvete e férias, de Walcyr Carrasco............................... „„ Gênero textual: Anedota............................................................................................................. „„ Gênero textual: Charge e cartum ..........................................................................................

110 113 123 128

Capítulo 6 • Quadrinhos: recursos e composição....................................

135

„„ Linguagem visual: Cebolinha, de Mauricio de Sousa.................................................... 135 „„ Estudo de texto: O selvagem, de Walcyr Carrasco.......................................................... 139 „„ Gênero textual: História em quadrinhos............................................................................. 143 Oficina de projetos: Produção de revista de histórias em quadrinhos.................. 162 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 164

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Unidade IV

Forma e tipologia textual Capítulo 7 • Textos em prosa e verso......................................................................

166

„„ Linguagem visual: O ensaio, de Vittorio Reggianini..................................................... „„ Estudo de texto: Meus tempos de menino, de João Antônio....................................... „„ Linguagem e contexto: Os sentidos das palavras – denotação e conotação..... „„ A construção textual: Prosa e verso.....................................................................................

166 168 173 180

Capítulo 8 • A tipologia textual.....................................................................................

195

„„ Linguagem visual: Calvin e Haroldo, de Bill Watterson.............................................. 195 „„ Estudo de texto: Lugar de criança é na internet, de Silvio Meira........................... 198 „„ Tipologia textual: Narração, descrição e dissertação................................................... 202 Oficina de projetos: Poesia e prosa......................................................................................... 219 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 223 Bibliografia.................................................................................................................................................... 224

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Unidade

The Bridgeman Art LIbrary/Glow Images

I

Gêneros e linguagens

Encontro I, de Evelyn Williams, 1996. Óleo sobre tela, 112 × 91 cm.

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capítulo

1

A comunicação em textos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Norman Rockwell Museum

Linguagem visual

O diário, de Norman Rockwell. Capa da revista Saturday Evening Post, 17 jun. 1933.

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Norman Percevel Rockwell foi um pintor e ilustrador americano que se tornou popular pelas ilustrações para capas de revistas, em especial, com cenas do cotidiano no interior de seu país. Além disso, pintou o retrato de vários presidentes dos Estados Unidos e de figuras importantes da época. Nasceu em Nova York em 1894 e, aos 14 anos, começou a estudar Arte. Em pouco tempo, seu valor artístico foi reconhecido e, aos 21 anos, se mudou para uma cidade do interior, New Rochelle, onde montou um estúdio. A partir de então, conquistou o público, ao ilustrar cerca de 320 capas para a mais famosa revista americana da época. Em 1960, um incêndio em seu estúdio destruiu muitos trabalhos do artista. Em 1977, já estabelecido em Stockbridge, recebeu um prêmio por destacar a vida do país com patriotismo e simplicidade. Morreu em 1978, com 84 anos.

akg – latinstock APberlim Photo/Glow Images

O autor e a obra

Norman Rockwell.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Leitura de imagem 1 Essa ilustração de Norman Rockwell intitula-se, em inglês, The diary (“O diário”) e foi capa da revista Saturday Evening Post, de 17 de junho de 1933. Ela faz parte de uma série de ilustrações que o artista produziu com imagens de adolescentes. Observe-a e identifique seu tema.

2 Na série de ilustrações que tem como tema a adolescência, Rockwell retratou o comportamento de jovens no cotidiano. a) Nessa imagem, quem seria a modelo do ilustrador? Justifique sua resposta.

b) Descreva a aparência da adolescente, ou seja, como ela está trajada e maquiada.

3 De acordo com a descrição feita e com o comportamento da jovem, por que ela estaria vestida dessa forma?

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4 Observe a atitude da adolescente na imagem, e explique por que ela não havia trocado de roupa ao chegar. 5 Imagine o que a adolescente teria anotado no diário, antes mesmo de trocar a roupa.

7 De que modo o autor conseguiu sugerir a ansiedade da jovem em escrever no diário?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

6 As pinturas e ilustrações de Rockwell são até hoje muito apreciadas pelos norte-americanos, porque mostram cenas que parecem reais, ocorridas em quartos de crianças, na sala de jantar de alguma família americana ou em consultórios médicos, lojas, parques e outros locais. Nessa imagem, em que lugar estaria a jovem? Esclareça sua resposta.

8 Apesar das diferenças de uma época para outra, os jovens sempre tiveram o hábito de anotar lembranças e segredos marcantes de sua vida em cadernos, diários, blogs ou outras formas de registro. a) Você é um desses adolescentes que se tornaram blogueiros assíduos ou ainda prefere um diário impresso? Justifique sua opção, mesmo se não se enquadrar em nenhuma das alternativas anteriores.

b) Qual teria sido o objetivo de Norman Rockwell, ao escolher esse tipo de tema para uma capa de revista da época?

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Estudo de texto

SHUTTERSTOCK

Vejamos outras formas de comunicação, lendo o texto a seguir.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A MENSAGEM CHEGA AO DESTINO “Sou um garoto de 14 anos e vivo na Bélgica. Não sei se você é uma criança, uma mulher ou um homem. Navego em um barco de 18 metros.” Assim o belga Olivier Vandevalle começou, em 1977, a escrever uma mensagem para colocá-la em uma garrafa, enquanto navegava pela costa sul da Inglaterra. Vandevalle passava as férias a bordo do barco de sua família quando teve a ideia de escrever o texto. Arrancou uma página de um livro de exercícios e achou uma garrafa de vinho que serviria para seu intento. Mais de três décadas depois, a britânica Lorraine Yates encontrou a garrafa na praia de Swanage, em Dorset, localizou o autor através do Facebook e com ele entrou em contato. Mundo, 2 de maio de 2010. Pacotes pelo correio era coisa que ele raramente recebia, sobretudo um pacote vindo de outro país e enviado por uma pessoa para ele desconhecida, uma mulher com nome inglês. Abriu-o, intrigado, e, de imediato, a emoção invadiu-lhe o coração: estava reconhecendo a velha e amarelada folha de papel que ali estava. Era a sua letra: uma criança que tinha escrito décadas antes, quando navegava com o pai num barco ao longo da costa europeia. Uma missiva sem destinatário específico, como essas que os náufragos muitas vezes enviam. Como os náufragos, tinha colocado a carta numa garrafa que jogara ao mar. Diferente dos náufragos, contudo, não o fizera movido pelo desespero; afinal, não estava numa ilha deserta, lutando pela sobrevivência; estava passeando com o pai e se divertindo bastante. Por que, então, escrevera aquele texto?

Relendo-o, deu-se conta: era, na verdade, uma carta escrita para o futuro, uma espécie de declaração de intenções, um plano de vida. Aos 14 anos, ele anunciava para seu desconhecido correspondente (“Não sei se você é uma criança, uma mulher ou um homem”) seus projetos para o futuro. E eram projetos muito ambiciosos, isso tinha de reconhecer. Naquela época fazia música, tocava guitarra elétrica e dirigia uma banda à frente da qual, disso estava certo, em breve conquistaria o mundo: o grupo seria o sucessor dos Beatles. Ficaria muito rico, teria um iate gigantesco (muito maior que o do pai) e percorreria os mares dando festas e jogando ao mar garrafas de caro champanhe — mas sem nenhuma mensagem dentro, claro. Infelizmente isso não tinha ocorrido. O grupo se desfizera; ele, desiludido, acabara por desistir da

• Missiva: carta, mensagem, correspondência.

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carreira musical. O pai, malsucedido nos negócios, não lhe deixara herança. Forçado a ganhar a vida, acabara por se tornar garçom, e era disso que vivia. A velhice se aproximava e ele já não tinha qualquer esperança de conquistar fama e fortuna. Em suma, a carta era o testemunho de seu fracasso. Que culminava com o último parágrafo, no qual falava da mulher de seus sonhos: loira, bonita, olhos claros, covinhas. Mas a moça com quem casara, e da qual estava separado, era muito diferente: morena, olhos escuros, sem covinhas. Com a carta, vinha uma foto da remetente. E aí de repente sentiu renascer o sonho de sua juventude. Porque era o retrato de uma moça loira, bonita, de olhos claros. Ah, sim, e tinha covinhas. Moacyr Scliar. Folha de S.Paulo. São Paulo, 10 maio 2010.

1 Nessa crônica, o escritor gaúcho Moacyr Scliar (1937-2011) se baseou em uma notícia publicada no jornal Folha de S.Paulo, em 2 de maio de 2010. a) Observe que o texto inicial, entre aspas, representa o trecho de uma carta. Em seguida, a notícia contextualiza a mensagem. Em sua opinião, por que o adolescente de 14 anos teria escrito essa carta?

b) Na notícia, os dados e as referências são verídicos. Quem é o remetente da carta e quem é o destinatário?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Análise da leitura

2 Moacyr Scliar imaginou como seria a reação de Olivier ao receber, depois de tantos anos, a carta que colocara na garrafa. a) Como reagiu Olivier, personagem da crônica, ao receber a carta?

b) A velha e amarelada folha de papel com sua letra trouxe lembranças à personagem. Eram recordações felizes?

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3 No texto, o cronista compara a atitude de Olivier com a dos náufragos. Isso porque: a) Olivier teve receio de ficar perdido em alto-mar como eles. b) Ele julgou mais emocionante agir como se fosse um náufrago. c) O jovem belga teve uma ideia semelhante à dos náufragos. d) Ele queria ser resgatado no mar como os náufragos. 4 Observe que a personagem procura se lembrar do motivo que a levou a escrever aquela carta.

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a) O que representa uma “carta escrita para o futuro”?

b) Em sua opinião, por que a personagem, ainda tão jovem, preocupou-se em narrar seu “plano de vida”?

5 Segundo o texto, a personagem sonhava com grandes conquistas, assim como a maioria dos adolescentes. a) Dentre os projetos de vida mencionados no texto, quais se parecem com os seus? Você já tem algum “plano de vida”? Qual seria?

b) O que você tem feito para realizar seus sonhos no futuro?

6 A personagem parecia percorrer o caminho certo para ter uma carreira como músico. No texto, o que explica o fato de esse sonho não ter se concretizado?

7 Além do sonho profissional, a personagem também pôde recordar, pela leitura da carta, que a mulher de seus sonhos era outra. Que relação há entre o título da crônica e o desfecho da narrativa?

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Carta pessoal Leia esta carta pessoal. bro (final de). Rio de Janeiro, novem Clara,

não somos a sua. Você tem razão: que car ta mais incrível as deles que vamos e não é usando as arm o, sm me ens hom aos iguais o, amor, compreensão. que nós temos? Intuiçã resolver alguma coisa. O Eles até hoje só nossas “ar mas”, não é? Acho que essas são as o e por tudo. fizeram guerrear: em tud po continuando, unto e ao mesmo tem Bem, mudando de ass a minha mala. Parece minhas “ar mas”, isto é, estou preparando as le do Pavão. Mas hecer finalmente o Va até mentira que vou con o levar. Faz frio? que tipo de roupa dev estou confusa: não sei á tão quente que fazia. É que no Rio est que , vez a um se, dis Você al tura do campeonato. um lugar frio a essa não consigo imaginar s calças jeans pra pras cachoeiras e dua Vou levar dois biquínis per to os veados, os o binóculo pra ver de colocar à noite. Ah, e onças. UAU! tinha — quero ver!) e as tucanos (você falou que não levo, vai ta, quer dizer, acho que Roupa de noite, de fes lquer coisa você me há luz por aí? Bem, qua ter festa onde, se não empresta!

VILHOSA DO A NOTÍCIA MAIS MARA Fui deixando pro final em tudo!!! (*) MOMENTO: eu passei em casa quando cara do pessoal aqui Você precisava ver a que danei de estudar Não sei o que me deu eu mostrei as notas. o é o máximo? triz, mas consegui. Nã um r po uei Fiq ui. seg e con los, no meio com o coração aos pu Bem, estou aqui então, na mala. Queria sem saber o que colocar de um mar de roupas dar aquele abraço de i pra me ajudar e me que você estivesse aqu

Você é capaz de reconhecer uma notícia, um conto de fadas, uma história em quadrinhos, uma receita culinária, etc., porque cada um desses textos tem estrutura, linguagem e conteúdos característicos. As cartas costumam começar com local e data e terminar com uma despedida; as notícias costumam ter título, usar linguagem formal, direta, e tratar de fatos reais; os contos de fadas costumam começar com a expressão “Era uma vez...” e falar sobre princesas, bruxas e castelos; e assim por diante. A cada um desses tipos de texto que apresentam estrutura, linguagem e conteúdo característicos chamamos gênero textual.

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Gênero textual

parabéns.

Me aguarde. B.

Ei, e a pra me esperar, tá? P.S.: Faz bolo de fubá ha pra me contar? surpresa que você tin tar. boletim, pra você acredi (*) Mando o xerox do

Roseana Murray; Suzana Vargas. Porta a porta. São Paulo: Saraiva, 1998. p. 75-76.

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1 A carta pessoal é um gênero textual utilizado na comunicação escrita entre pessoas, para o relato de experiências vividas. Uma das características é a presença do remetente e do destinatário. Identifique o remetente e o destinatário da carta em estudo.

2 Em geral, o local, a data e o vocativo (nome do destinatário) estão presentes no início das cartas pessoais. Identifique esses elementos na carta lida.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3 Outra característica da carta é o assunto. O que é relatado nesse texto?

4 Observe a despedida, no final da carta. De acordo com a intimidade entre as pessoas, a despedida pode ser mais formal e respeitosa ou mais informal e próxima. Por que nessa carta a despedida é informal e familiar?

5 Como a linguagem da carta é informal, que termos e expressões confirmam essa característica?

6 Às vezes, nos esquecemos de colocar algum fato importante na carta, mas é possível incluí-lo, após a despedida e a assinatura, com um P.S. (post scriptum, expressão latina que significa “depois do escrito”). a) O que a remetente se esqueceu de colocar no corpo da carta?

b) Ainda depois do P.S., a remetente acrescentou outra observação na carta, colocando antes dela um asterisco entre parênteses. Esse sinal já havia aparecido anteriormente no corpo do texto e se refere a um trecho específico da carta. Por que esse fato também era importante?

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Depois de pronta, a carta é geralmente enviada pelo correio em um envelope. Na frente desse envelope, deve-se colocar o nome e o endereço completo do destinatário, com seu CEP (código de endereçamento postal), constituído de oito algarismos que devem ser anotados nos quadrinhos, embaixo. Os dados do remetente com o CEP devem constar no verso do envelope. Observe estes modelos:

SELO

Clara Alves de Melo Rua Pouso Al to, 16 Vale do Pavão – MG 5

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Remetente: Bárbara Lopes de Sá Endereço: Rua Siqueira Campos, 512 Rio de Janeiro – RJ 7

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Carta pessoal é um tipo de correspondência utilizado na comunicação escrita com amigos e familiares. A carta é elaborada por um remetente e enviada a um destinatário. Costuma apresentar local, data, vocativo, texto, despedida e assinatura.

Você é o

autor

1a proposta – Produção de uma carta para o futuro Você leu o início da carta do jovem belga de 14 anos Olivier Vandevalle e a crônica “A mensagem chega ao destino”, que relata os projetos de vida da personagem inspirada no autor da carta. Você vai escrever uma carta semelhante, contando seus planos para o futuro. Siga as orientações.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

† Você pode escolher um correspondente imaginário ou secreto; portanto, crie um nome fictício para ele. Em seguida, organize o conteúdo do texto, fazendo um resumo das ideias que vai relatar. † Se quiser, imagine-se também em uma viagem marítima ou espacial, com a família ou outras pessoas. Você pode contar um pouco do que acontece durante a viagem e o motivo da carta. Lembre-se de que essa mensagem deve ser como uma declaração escrita para o futuro. Portanto, pense bem sobre seus sonhos mais importantes e relate-os para essa pessoa com quem você gostaria muito de partilhar seus pensamentos e emoções. † Empregue a linguagem adequada ao interlocutor que você escolheu. Pode ser uma linguagem formal, como no texto de Moacyr Scliar, ou uma linguagem informal, como na carta de Bárbara, se houver maior intimidade entre vocês. † Lembre-se de colocar os elementos que compõem uma carta. Num envelope, escreva todos os dados referentes ao destinatário (fictícios ou não).

Há dois tipos de linguagem mais utilizados: a linguagem informal ou coloquial, empregada quando há mais proximidade entre os interlocutores, e a linguagem formal, utilizada em situações de maior cerimônia.

Avalie e reescreva † Depois de reler o conteúdo da carta, verifique se ela apresenta todos os elementos necessários: se há local, data e vocativo, se o texto ficou bem desenvolvido, se você se lembrou da despedida e da assinatura. † Observe se a linguagem escolhida ficou adequada em relação ao interlocutor e à situação; se seria necessário acrescentar um P.S. sobre algo que deveria constar da carta. Verifique também se o envelope apresenta os dados completos do destinatário e do remetente, mesmo sendo inventados. † Refaça o que não ficou adequado e passe a carta a limpo em uma folha especial, na qual você pode desenhar, colorir ou ilustrar, de acordo com seu correspondente. † Insira a carta no envelope e cole-o. Caso você queira enviá-la pelo correio, vá até uma agência, compre os selos necessários, cole-os no envelope e mande a carta para seu destinatário.

2a proposta – Produção de uma carta a um amigo No livro Caixa Postal 1989, a personagem Laura está com a mãe no consultório de um dentista, quando lê em uma revista o seguinte anúncio: “Procura-se um amigo”. Logo abaixo, estes dados: Moreno, 17 anos. Gosto de poesias. Preciso de um amigo. Caixa Postal 1989. Laura decide responder. Veja: Rio, 15 de setembro de 1988 Oi! s e também gosto de poesia. Meu nome é Laura. Tenho 15 ano Não sei se sou morena. Sou um arco-íris. adoraria ter mais um. Não preciso de um amigo mas E você? Quem é? Laura

Angela Carneiro. Caixa Postal 1989. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997. p. 4.

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†† Suponha que você seja o autor do anúncio e responda à carta de Laura, contando quem é você, o que faz, do que mais gosta, por que gosta ou não de poesia, por que precisa de um amigo, quem são seus pais; se tem irmãos, conte como eles são; fale do lugar onde mora e de outros detalhes importantes para quem deseja criar laços de amizade com alguém e por isso precisa dizer com clareza quem é. †† Responda ao anúncio, como se você fosse a Laura e já tivesse amigos como ela, mas quisesse também conhecer alguém que possa se tornar um amigo especial. Relate melhor quem é você, suas características, certas preferências, como é sua convivência familiar e quem são os amigos na escola e fora dela. Pergunte algo semelhante ao correspondente e que tipo de amigo ele gostaria de ter. †† Faça um rascunho da carta, colocando as ideias que você deseja desenvolver. Empregue a linguagem informal, já que se trata de uma carta entre possíveis amigos. †† Coloque os elementos da carta de forma adequada. Releia o texto, depois altere o que for necessário, observando a sugestão de avaliação da proposta anterior. Passe a carta a limpo e, se for sorteado, leia-a para os colegas.

A construção textual O parágrafo

Ambientalistas pressionam Japão para não caçar baleias As expectativas para a 67a Reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB) estão concentradas na possibilidade de o Japão assumir o compromisso de extinguir totalmente a caça no Santuário Baleeiro do Oceano Austral, onde os japoneses ainda realizam expedições. A reunião ocorrerá entre os dias 21 e 25 de junho, em Agadir, Marrocos. “O Japão tem o maior peso na negociação”, resume Susan Lieberman, diretora de Política Internacional da ONG The Pew Whale Conservation Programme. Representantes do Greenpeace, WWF e The Pew Whale Conservation Programme afirmam que um acordo é o mínimo que se pode es-

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Leia o texto a seguir e observe sua estrutura.

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perar da reunião. “Delineamos seis pontos chave para que o acordo seja viável. O mais importante deles é a extinção total da caça no Santuário.” Outra questão crucial é a reforma do artigo 8o da Convenção Internacional para Regulação da Atividade Baleeira, que trata da caça para fins científicos. “O Japão vem se aproveitando da redação desse artigo para driblar a moratória imposta em 1986”, diz o comissário brasileiro na CIB, Fábio Pitaluga. A proposta que está em pauta estabelece que os únicos países que ainda caçam – Noruega, Islândia e Japão – poderiam continuar a fazê-lo ainda por dez anos. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 17 jun. 2010.

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Ao resumir o conteúdo de cada parágrafo, podemos observar que as ideias essenciais de cada um são estas:

• 1o parágrafo: Em nova reunião, ambientalistas querem que os japoneses acabem

totalmente com a caça às baleias. • 2o parágrafo: Organizadores da reunião vão expor suas exigências para um acordo. • 3o parágrafo: Há a necessidade de mudança num artigo, para evitar transgressões. • 4o parágrafo: Só três países que ainda caçam baleias têm permissão de continuar a fazê-lo por mais dez anos.

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1 Observe que o parágrafo é indicado por um pequeno recuo do texto na margem esquerda da folha, ao se iniciar uma nova ideia. Por que essa disposição do texto em parágrafos produz um efeito melhor, quando se faz uma leitura?

2 Em que parágrafo está a ideia principal do texto, chamada também ideia-chave? Justifique sua resposta.

3 Há várias formas de apresentação de um texto, tendo em vista seus objetivos. Por exemplo, a notícia em análise foi publicada em um jornal. Explique por que o texto apresenta essa disposição gráfica.

4 Além do aspecto visual, é importante definir, na construção dos parágrafos, o conteúdo de cada um. Pode-se fazer um esquema ou resumo das ideias (como no exemplo referente ao texto lido), para desenvolver cada parte relacionada à outra, de forma bem sequenciada. No texto em estudo, o conteúdo foi desenvolvido de forma coesa e apresenta as ideias interligadas? Por quê?

5 Deve-se estar atento ao fato de que não se abre outro parágrafo apenas por uma simples vontade de mudar de linha, ou por se julgar que o número de linhas já é suficiente naquele parágrafo. A criação de um novo parágrafo ocorre quando as informações do parágrafo anterior terminam, e novas informações se iniciam, dando continuidade ao que já foi desenvolvido. Escreva no caderno três parágrafos dando sua opinião sobre a caça às baleias. Escolha um título e faça antes um resumo de cada parte, interligando as ideias. 19

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oficina 1 O texto a seguir é uma lenda indígena. Leia-o.

Os velhos pajés das tribos da Amazônia contavam que a Lua, todas as vezes que desaparecia por detrás das serras, escolhia uma jovem índia, transformando-a em estrela, que passava a brilhar no céu. Naiá, moça indígena, filha de valente cacique, nascera branca como o leite, tendo bela cabeleira mais ruiva que as espigas de milho. Naiá desejava ardentemente ser escolhida por Jaci, a Lua, para ser transformada numa estrela cintilante. Mas a Lua não ouvia seus pedidos, e a moça, muito triste, começou a definhar. Os pajés tudo fizeram para curá-la, sem resultado. Todas as noites, a jovem índia saía de sua oca, caminhando até amanhecer o dia, na esperança de ser vista e escolhida por Jaci. Certa noite, quando já estava cansada de andar, Naiá, sentando-se à beira de um lago sereno, viu a imagem de Jaci refletida no espelho das águas. Atraída pela luz da Lua, a índia atirou-se ao lago, desaparecendo. Semanas inteiras a jovem foi procurada pela gente da tribo. Naiá, porém, não reapareceu. Jaci, a pedido dos peixes e das plantas do lago, transformou-a numa estrela, não para brilhar no céu, mas nas águas: a bela flor que abre suas longas pétalas à luz da Lua e que se chama vitória-régia. Henriqueta Lisboa. Literatura oral para a infância e a juventude: lendas, contos e fábulas populares no Brasil. São Paulo: Peirópolis, 2003. p. 65.

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A vitória-régia

a) O parágrafo pode ser formado por uma sequência de frases ou por apenas uma frase. Quantos são os parágrafos desse texto? Resuma cada um, dando-lhes um título.

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b) Em geral, o 1o parágrafo é menor e apresenta a ideia-chave do texto. Qual é a principal ideia que se desenvolve a partir do 1o parágrafo dessa lenda?

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Reprodução/Editora Globo

2 Leia o texto a seguir, publicado em uma revista.

Inara Chayamiti. Ilustrações de Alexandre Affonso. Galileu. São Paulo, nov. 2008. p. 31.

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a) Além do título, esse texto apresenta um subtítulo que praticamente sintetiza o conteúdo desenvolvido. Quantos parágrafos há no texto? Que ideias principais cada um desenvolve?

b) Muitos textos apresentam essa mesma estrutura em três parágrafos. Redija no caderno um texto com essa estrutura sobre o papel apagável produzido por uma empresa de máquinas copiadoras. Veja algumas informações: Ele se autoapaga em 24 horas. É composto de moléculas especiais que mudam de forma. Pode ser reutilizado até 100 vezes. Ainda não há previsão de sua chegada ao mercado.

Lembre-se do título e do subtítulo e também pesquise para apresentar novas ideias sobre esse assunto.

3 Leia esta nota jornalística que narra a última viagem do ônibus espacial americano Atlantis ao espaço.

“Missão concluída, Houston”, disse pelo rádio o capitão Christopher Ferguson ao Centro de Controle da Nasa, a agência espacial americana. Segundos antes, às 5h57 da última quinta-feira (horário local), a Atlantis pousava no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e punha fim aos 30 anos do programa de ônibus espaciais dos EUA. Essas naves realizaram 135 viagens ao espaço – só a Atlantis fez 33, totalizando 307 dias em órbita. Em sua última missão, de 13 dias, levou 3,5 toneladas de equipamentos para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Os EUA aposentaram o programa em meio a cortes no

Ônibus espacial Atlantis, 2011.

uPi/Joe marino-BiLL canTreLL/newscom/gLow images

Um tranquilo pouso de despedida

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• • • •

orçamento da Nasa. Agora, ao menos nos próximos anos, a missão de suprir a ISS caberá aos russos. Após o pouso da Atlantis, a agência espacial da Rússia, Roskosmos, disse que chegou a hora da “era Soyuz”, em referência ao nome das naves espaciais russas. Época. São Paulo, 25 jul. 2011. p. 16.

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a) Você observou que o texto apresenta apenas um parágrafo. Reescreva-o em três parágrafos, de acordo com o conteúdo. Observe, portanto, a mudança de ideias, para introduzir um novo parágrafo.

Gênero textual Diário ER IMAGES

O trecho do diário que você vai ler foi escrito por uma adolescente chamada Anne Frank. Ela havia ganhado um diário de presente, em seu aniversário de 13 anos, no dia 12 de julho de 1942. Nessa época, estava em curso a Segunda Guerra Mundial. Por ser judia, Anne Frank sofreu com a perseguição nazista e teve de viver escondida com sua família e alguns amigos no sótão de um prédio, em Amsterdã, na Holanda, para não ser capturada e enviada a um campo de extermínio. Foram cerca de dois anos e meio em que todos eles ficaram encarcerados, mas acabaram sendo descobertos pela Gestapo (polícia secreta alemã) e mortos, com exceção do pai de Anne, que publicou Anne Frank (1929-1945). o diário da filha, após a guerra. Agora leia o relato de um desses dias em que Anne Frank imaginou um destinatário, Kitty, para contar sua vida no esconderijo.

THE GRANGER COLLECTION/OTH

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b) Escreva um título para cada uma dessas três partes.

. Sexta-feira, 21 de agosto de 1942 Querida Kitty,

nou-se realmente secreto. Como Agora nosso Anexo Secreto tor idas, das em busca de bicicletas escond tantas casas estão sendo revista livros hor construirmos uma estante de o Sr. Kugler achou que seria mel trabalho esconderijo. O Sr. Voskuijl fez o na frente da entrada de nosso amos ficou sabendo que nós sete est de carpintaria. (O Sr. Voskuijl ) escondidos, e tem ajudado muito.

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no sótão.

Sua Anne Anne Frank. Tradução de Alves Calado. O diário de Anne Frank. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 39. (Fragmento).

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e descer, temos de nos abaixar Agora, sempre que queremos com galos ros três dias estávamos todos depois sal tar. Depois dos primei lchoou-o, eça no por tal. Depois, Peter aco na testa, de tanto bater a cab ajuda! cheia de serragem. Veremos se pregando no batente uma toalha ho de escola. Me dei fér ias até Não estou fazendo muito trabal s primeiro r começar a me dar aulas, ma setembro. É quando papai que os. teremos de comprar todos os livr vida aqui. O cabelo de Peter foi Há pouca mudança em nossa estamos de especial. O Sr. van Daan e eu lavado hoje, mas isso não é nada ê, o que e sempre me trata como um beb sempre nos desentendendo. Mamã ando. Não ao resto, as coisas vão melhor não consigo supor tar. Quanto que fica hor. Ele é um garoto antipático acho que Peter esteja ficando mel pouco de se levantando para fazer um na cama o dia inteiro, somente voltar ao cochilo. Que idiota! trabalho de carpintaria antes de . mões horrorosos hoje de manhã Mamãe me fez outro de seus ser ura; ele relação a tudo. Papai é uma doç Nós temos uma visão oposta com minutos. isso nunca demora mais de cinco pode ficar furioso comigo, mas a, bonito e quente, e a despeito Está fazendo um dia lindo lá for dobrável ximo o tempo deitando na cama de tudo nós aproveitamos ao má

1 O diário é um gênero textual cujo leitor, quase sempre, é o autor que relata seu próprio cotidiano. a) Com que objetivo Anne Frank teria escrito seu diário?

b) De que forma as pessoas, em especial os jovens, após a leitura do diário de Anne Frank, podem refletir sobre as atrocidades do nazismo e combatê-lo? (Para responder a esta questão, pesquise na internet ou converse com seu professor de História sobre a vida de Anne Frank.)

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2 Em geral, a página do diário apresenta data, mesmo quando o texto não é muito longo; e em seguida o vocativo, a quem o autor se dirige, que nem sempre é real, normalmente, é o próprio diário. a) Releia a data em que Anne Frank escreveu essa página do diário. O que nos chama a atenção?

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b) Pelo vocativo “Querida Kitty”, Anne se refere a um ser fictício inventado por ela. Explique por que a adolescente teria escolhido dar um nome a seu interlocutor.

3 Observe que no texto ou corpo do diário de Anne há o relato de fatos do cotidiano dos moradores do sótão. a) Que fatos Anne Frank registra na data apresentada?

b) Observe que, mesmo em situação bem adversa, Anne Frank nos passa uma lição de vida. Por quê?

4 Observe a linguagem empregada no texto e explique se ela está adequada à situação.

5 Em que tempo verbal foi escrito o diário? Por quê?

Diário é um texto narrativo de caráter pessoal, em que registramos fatos de nosso cotidiano, nossas ideias e emoções e, também, nossos segredos. 25

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Você é o

autor

1a proposta – Continuação de um diário Leia a seguir o trecho de um diário cujo autor é Marcos Vinícius, um adolescente que vive certos problemas familiares.

é bom a gente crever, acho que até es a i ce me co e qu a ... Agor tudo que quer sem de papel. Pode dizer ço da pe um m co conversar de coisas do e sai uma porção en rr co i va ta tin a , medo de levar bronca igo. E o mais ar nem pro maior am nt co de m ge ra co que não se tem tras como numa se ligando umas às ou o vã ias ide as e qu engraçado é se diário. al é esconder bem es ip inc pr O o. isã ev tel novela de Maria Alice do Nascimento e Silva Leuzinger. O diário de Marcos Vinícius. São Paulo: Clube do Livro, 1987. p. 9. (Fragmento).

Esse parágrafo poderia ser a introdução do diário. A partir desse início, você poderá contar fatos importantes ocorridos na vida de Marcos Vinícius, ou ainda relatar o cotidiano do jovem. Observe o tipo de linguagem e empregue a 1a pessoa. Se quiser, coloque outro título no diário, um vocativo depois da data e, no final, a assinatura.

2a proposta – Produção de uma página de diário Um diário pode refletir momentos pessoais, significativos para a avaliação de nossas experiências, as quais, muitas vezes, podem nos incomodar, por serem tristes, preocupantes, ou nos alegrar, por serem felizes. Redija uma página de diário contando alguns fatos importantes que aconteceram recentemente e lhe causaram grande felicidade ou tristeza. Se quiser, invente esses fatos ou relate acontecimentos mais antigos. Você pode contar, por exemplo, uma experiência marcante em sua vida, um relacionamento difícil ou prazeroso, uma viagem com muitas lembranças boas, um período de grandes mudanças na família ou em sua vida pessoal. Leia antes estas orientações.

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nícius O Diár io de Marcos Vi

† Observe a estrutura do diário (data, vocativo) e desenvolva o texto. Escreva na 1a pessoa e empregue a linguagem informal ou coloquial. Não se esqueça da assinatura. † Conte os fatos revelando suas opiniões e emoções, as causas e as consequências do ocorrido. Depois, releia o texto e escreva-o de novo, se for preciso. † Avalie a estrutura e a linguagem, se as ideias foram bem expressas e se estão interessantes. † Como o diário em geral é pessoal, você deve decidir se vai entregá-lo a algum colega para ler. Se quiser, entregue depois seu texto para o professor e troque ideias com ele.

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letra de canção Leia a letra de canção a seguir e depois cante a música, que é interpretada por uma das mais recentes revelações da música brasileira, Paula Fernandes.

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Quero sim Eu tô com saudades Da nossa amizade Do tempo em que a gente Amava se ver Eu não sou palavra Eu não sou poema Sou humana pequena A se arrepender Às vezes sou dia Às vezes sou nada Hoje lágrima caída Choro pela madrugada Às vezes sou fada Às vezes faísca Tô ligada na tomada Numa noite maldormida Se o teu amor for frágil e não resistir E essa mágoa então ficar eternamente aqui

Estou de volta à imensidão de um mar Que é feito de silêncio Se os teus olhos não refletem mais o nosso amor E a saudade me seguir pra sempre aonde eu for Fica claro que tentei lutar por esse sentimento Diga sim ouça o som Prove o sabor que tem o meu amor Cola em mim a tua cor Eu te quero sim, sem dor Diga sim ouça o som Prove o sabor que tem o meu amor Cola em mim a tua cor Eu te quero sim, sem dor Diga sim.

Paula Fernandes. CD Pássaro de fogo. Universal, 2010. Faixa 11.

1 O que a letra dessa canção representa? a) Um desabafo causado pelo abandono amoroso. b) Uma mensagem de reconciliação ao ser amado. c) Um pedido de perdão pelos erros passados. d) A resignação após um amor frustrado. 2 A canção é composta de partes chamadas estrofes, como nos poemas, e cada linha constitui um verso. De acordo com os primeiros versos dessa canção, o que significa a amizade?

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3 Explique por que o eu lírico ou eu poético (o “eu” que fala sobre seus sentimentos) se traduz desta forma:

“Eu não sou palavra Eu não sou poema Sou humana pequena A se arrepender”

4 Observe as palavras destacadas nos versos a seguir: a) “Às vezes sou dia Às vezes sou nada” b) “Às vezes sou fada Às vezes faísca” Que contraste ou oposição se percebe entre as palavras destacadas em cada dupla de versos?

5 Na terceira estrofe, o eu lírico finalmente revela certas consequências do amor desfeito. a) Explique por que ele parece temer a perda desse amor.

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A voz que “fala” em uma crônica, em um conto, em um poema, não é a voz do autor. É a voz de uma criação literária, que não está necessariamente relacionada com o autor. Na poesia (inclusive nas letras de música), isso é muito comum. Por exemplo, existem vários casos de compositores homens que, ao escrever, dão voz a figuras femininas. Podemos dizer que nos textos poéticos existe um “eu” que fala sobre seus sentimentos e que não é o “eu” do autor. Pode ser o “eu” de outra pessoa, de um animal, de um objeto, etc. Chamamos esse “outro eu” de eu lírico ou eu poético.

b) Que palavras-chave, nessa estrofe, definem o que pode restar desse relacionamento?

6 Depois da declaração de amor, o eu lírico ainda insiste e tem esperança na volta do ser amado. Como se percebe que ele continua a lutar?

7 O emprego repetido do refrão (“Diga sim ouça o som”) no início de estrofes e no final da letra confirma o desejo do eu lírico de recomeçar sua história de amor. Que relação há entre o título da canção e esse refrão?

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Gênero textual Cartão-postal Observe a imagem e leia o texto do cartão-postal. (RN).

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sar ricardo aZoury/PuL

imagens

tal Praia de Ponta Negra, Na

Olá , Ma rin a!

Que praias tem nosso Brasil! Estou com a fa mília e pr imos em Natal, e já rodamos pela costa, SELO qu e tem lugares ainda pouco con hecidos. A gente foi até João Pessoa, na Paraíba, onde aumentamos o gru po com novos amigos. O calor está uma barra, a gen te só vol ta para o apê de noite. Também é muita div ers ão , pô! É futebol na areia, passeios em bugres ou barcos, jogo de xadrez debaix o de um sol abençoa do, muita água de coco e banh os de mar em praias de águas transparentes e areia Ma rin a So uz a Pa es branca, branca. Ah! Vo cê precisa conhecer a hospitalidad e desse povo; nada com o provar Ru a Ri o Ve rd e, os saborosos sucos da 42 8 ter ra e os peixes fresq uin hos ... As falésias, riozinhos tipo lagoas, são outra maravilha Ni ter ói - RJ daqui. Tá com inveja? Te trago na próxima. Ab ra çã o, Na ta l, 16/ 1/2 011

Re na to

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• Falésia: rocha alta e muito inclinada à beira-mar.

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O cartão-postal é um gênero textual utilizado no cotidiano para a comunicação escrita com amigos ou familiares, especialmente em viagens. Como já vimos, a carta pessoal (ou familiar) também pode ser usada na comunicação entre amigos e familiares, assim como o bilhete, o convite, o e-mail e o telegrama. 1 Como já vimos anteriormente, nesses tipos de correspondência, quem envia a comunicação recebe o nome de remetente, e quem recebe o que é enviado chama-se destinatário. Identifique quem são o remetente e o destinatário no cartão-postal em estudo.

2 A imagem do cartão-postal retrata, em geral, um ponto turístico do lugar que o remetente está visitando. No verso da imagem, há dois espaços em branco.

b) E o espaço à direita, para que serve?

3 Denomina-se vocativo o chamamento inicial com o nome do destinatário (“Olá, Marina!”). No início da mensagem, também se costuma usar somente o nome do destinatário, seguido ou não de pontuação (vírgula, ponto-final ou dois-pontos). Se houver uma saudação, também se pode empregar o ponto de exclamação. a) Que elementos são usados no vocativo do cartão em estudo? Por quê?

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a) Qual é a finalidade do espaço à esquerda?

b) Que elementos há na parte final do cartão-postal lido?

4 Nem sempre a mensagem do cartão-postal apresenta o local, uma vez que muitos já trazem, impresso no verso, o nome do ponto turístico. Quanto à linguagem, que tipo foi empregado neste cartão? Explique por quê.

Cartão-postal é uma correspondência breve, em geral sobre impressões de viagem. Na frente do postal, há normalmente uma imagem do lugar visitado e, no verso, espaço para a mensagem e o endereço do destinatário. 30

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Você é o

autor

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1a proposta – Produção de cartão-postal † Escolha para quem você vai enviar o cartão-postal. Pode ser para um amigo ou parente que mora em outra cidade ou um ex-colega que está em outra escola. Verifique o endereço do destinatário. † Compre um cartão-postal com uma vista de sua cidade, ou produza um. Para fazer um cartão, corte um pedaço de cartolina com 10 centímetros de altura por 15 centímetros de largura. † Desenhe ou cole num dos lados da cartolina a foto de um ponto turístico de sua cidade ou de alguma outra, tirada de uma revista ou obtida pela internet. † Divida o verso da cartolina em duas metades, com um traço vertical. No lado esquerdo, deixe o espaço em branco, para o texto; no lado direito, faça linhas e escreva o endereço completo do destinatário. † Faça um rascunho do texto, antes de escrevê-lo no cartão-postal. Observe a imagem do lugar e conte suas impressões sobre ele, sem se alongar. Inclua notícias pessoais, relato sobre alguma festa, evento, show ou acontecimento importante na cidade, e convide o destinatário para uma visita. † Lembre-se de colocar o vocativo, a despedida, a assinatura, o local e a data. A linguagem deverá ser informal, se o destinatário for um amigo ou ex-colega, e mais formal, se for um parente não muito próximo.

Avalie e reescreva † Troque seu rascunho do texto com um colega. Verifique se a linguagem está adequada ao destinatário, se foi colocado o vocativo, se foi feito um bom desenvolvimento, se há a despedida e a assinatura no final. † Observe também, no outro espaço, se o nome e o endereço estão com os dados completos. Só então devolva o rascunho para o colega. † Passe a limpo seu texto no cartão-postal, depois de ter feito as alterações necessárias. Caso você queira enviar o postal pelo correio, vá até uma agência, compre os selos necessários, cole-os no verso do cartão e mande-o para seu destinatário. † Caso você receba resposta do cartão-postal enviado, seria interessante continuar essa correspondência.

2a proposta – Produção de cartão-postal no computador † Qual lugar do mundo você gostaria de conhecer? Procure fotos desse lugar na internet e selecione a que você achar melhor. † Num processador de texto, crie uma caixa de texto com o tamanho de um cartão-postal real (10 centímetros de altura × 15 centímetros de largura). Divida-a pelo meio com uma linha vertical.

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† Você vai enviar esse cartão-postal a um colega da classe. Escolha o colega e peça seu endereço. Coloque os dados dele no lado direito do cartão. No lado esquerdo, escreva como está sendo essa viagem e por que você sonhou em conhecer o lugar da foto. † Em outro documento, cole a imagem escolhida e formate-a até que fique com o mesmo tamanho do postal. † Antes de imprimir o trabalho, siga as instruções da seção “Avalie e reescreva” que aparece antes desta proposta. Depois, imprima os dois documentos e faça a colagem adequada. Pronto! Você já pode entregar o cartão ao colega escolhido.

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Gênero textual E-mail

Para: Assunto: Conta:

‘Luiza’ <luizapazinatto@uol.com.br> Foto para material de divulgação ‘Felipe’ <felipe_aires@lunare.com.br>

Enviada em: quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 15:49 Bom dia, Luiza Estamos finalizando os materiais de divulgação e precisamos com urgência de uma foto sua. Preciso saber se você virá para Curitiba nos próximos dias, até a primeira semana de fevereiro, para agendarmos uma foto aqui em nosso Estúdio. Caso contrário, gostaríamos que você enviasse uma foto de qualidade para podermos utilizar em fôlderes. Qualquer dúvida, por favor, entre em contato comigo.

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Leia este e-mail.

Aguardo um breve retorno. Muito obrigado. Felipe Aires Comunicação Comercial Lunare Editorial

1 O e-mail é um gênero textual utilizado para a troca de mensagens pela internet, com o objetivo de comunicar a alguém um assunto pessoal ou profissional. Observe a estrutura do e-mail lido e explique em que aspectos ele é semelhante à carta pessoal.

2 Qual é o assunto do e-mail e o objetivo da mensagem?

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3 Os endereços eletrônicos do remetente e o do destinatário vêm antes do vocativo, no cabeçalho do e-mail. Identifique-os.

4 Que tipo de linguagem foi empregada nesse e-mail? Por quê?

E-mail é uma mensagem enviada e recebida por intermédio de um sistema de correio eletrônico. A linguagem varia de acordo com a situação comunicativa: pode ser formal ou informal. Apresenta a estrutura-padrão da carta e, em geral, os parágrafos são curtos.

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Você é o

autor

O objetivo da produção de texto não é somente fazê-lo conhecer a estrutura de diferentes tipos de texto e saber quando e como produzi-los. Também é importante que você os crie para uma situação real. Leia as seguintes instruções. †† Com a orientação do professor, anote o e-mail de alguém com quem você possa se corresponder; por exemplo, um aluno de outra escola. †† Se quiser, escolha o e-mail de alguém que você conheça e com quem já troque mensagens na internet, ou o e-mail de um ex-colega, de um amigo que mudou de cidade, ou ainda de uma pessoa de sua escola com quem você conversa habitualmente. †† Depois de definido o destinatário, escolha um assunto de sua preferência, ou um dos sugeridos a seguir, desenvolvendo comentários sobre tal assunto. Por exemplo:

• indicação de algum filme, jogo ou revista que você aprecia e gostaria de sugerir

para alguém; • informações sobre blogs, páginas de redes sociais, letras de músicas e shows; • troca de ideias sobre alguma compra na internet; • convite para uma viagem ao sítio de um dos amigos, durante um feriado mais longo; • solicitação de alguns livros indicados na escola. †† Empregue a linguagem adequada à situação e ao interlocutor. Pode-se usar a linguagem informal, com gírias e abreviações, se houver proximidade entre os correspondentes. Avalie e reescreva †† Releia o e-mail, antes de enviá-lo, e modifique o que for necessário. †† Verifique se a linguagem empregada está de acordo com o interlocutor, e se a estrutura do e-mail apresenta todos os elementos: o vocativo, o texto bem desenvolvido, a despedida e a assinatura. †† Envie o e-mail, depois de pronto; se quiser, mantenha correspondência com o interlocutor.

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capítulo

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Variações linguísticas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Pinacoteca do Estado, SP

Linguagem visual

O violeiro, de Almeida Júnior, 1899. Óleo sobre tela, 141 x 172 cm.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899) nasceu na cidade paulista de Itu. Pintor e desenhista de muito talento, renovou a temática artística brasileira, em meados do século XIX. Opondo-se à cultura burguesa da época, Almeida Júnior procurou destacar em sua obra a imagem de personagens simples e desconhecidas do interior do Brasil. Retratou, com sensibilidade, a cultura caipira, demonstrando certa influência da escola realista e naturalista de grandes artistas franceses como o escritor Gustave Flaubert (1821-1880). Somente aos 19 anos, pôde estudar Arte no Rio de Janeiro, com a ajuda de amigos, e provou ser um brilhante artista. Após receber vários prêmios, voltou para Itu, onde abriu seu ateliê. D. Pedro II, ao conhecer o trabalho do pintor, financiou seus estudos na França (1876), para que ele pudesse se aperfeiçoar. A partir de 1882, já no Brasil, ele iniciou sua ascensão no cenário artístico brasileiro. Realizou então diversas exposições, com enorme sucesso. Destacam-se em sua obra, entre outros trabalhos: O descanso da modelo, Caipira picando fumo, A partida da monção.

akg berlim – latinstock Reprodução/Coleção Particular

O autor e a obra

Legenda da imagem.

Almeida Júnior.

Leitura de imagem 1 A viola é um símbolo da música sertaneja que, ainda hoje, continua presente na cultura brasileira. a) Em sua opinião, a música sertaneja ganhou maior força nos últimos anos? Por quê? O que você pensa sobre isso?

b) A arte de tocar viola é cultivada em todas as regiões do país? Pesquise.

2 Almeida Júnior se identificou com o povo humilde de sua época, talvez porque nascera no interior e era pobre, antes de se tornar um artista reconhecido mundialmente. a) Explique por que certos críticos dizem que, em sua obra, ele destacou a brasilidade, foi um “pintor nacional”. Pesquise e situe o período histórico em que ele viveu.

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b) Na análise de uma obra é essencial situá-la na época em que foi produzida. De que maneira informações a respeito da época em que foi produzida a pintura de Almeida Júnior poderiam ajudar na análise dessa obra?

4 Observe o quadro O violeiro: ele apresenta duas personagens que talvez fossem conhecidas do pintor. a) Que características físicas e comportamentais podem ser percebidas no violeiro e na mulher que o acompanha?

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3 Na Europa, a pintura já havia avançado muito nesse período; trabalhava-se a pintura moderna. Aqui se fazia a pintura realista, e vários artistas tinham como tema a nobreza e as pessoas da alta sociedade. Apesar desse contexto social, Almeida Júnior optou pela temática regionalista em grande parte de sua obra. Por que essa escolha, ainda assim, resultou em sua consagração como pintor?

b) Como você imagina o cenário onde acontece esse “momento musical”?

5 Segundo os críticos, Almeida Júnior foi um precursor da arte realista no Brasil, e seu desejo era retratar o cotidiano do homem do interior, sem a influência dos requintes da nobreza da época. Em sua opinião, o autor foi totalmente fiel à realidade nessa pintura? Justifique sua resposta.

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Estudo de texto Leia a letra de uma canção sertaneja da conhecida dupla caipira Tonico e Tinoco.

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Chico Mineiro Cada vez que me “alembro” do amigo Chico Mineiro, das viage que nois fazia era ele meu companheiro. Sinto uma tristeza, uma vontade de chorar, alembrando daqueles tempos que não hai mais de voltar. Apesar de ser patrão, eu tinha no coração o amigo Chico Mineiro, caboclo bom decidido, na viola era delorido e era o peão dos boiadeiro. Hoje porém com tristeza recordando das proeza da nossa viage motin, viajemo mais de dez ano, vendendo boiada e comprando, por esse rincão sem-fim. Caboclo de nada temia. Mas porém, chegou o dia que Chico apartou-se de mim.

Fizemo a úrtima viage Foi lá pro sertão de Goiai. Fui eu e o Chico Mineiro também foi o capatai. Viajemo muitos dia pra chega em Ouro Fino aonde nois passemo a noite numa festa do Divino. A festa tava tão boa mas ante não tivesse ido o Chico foi baleado por um home desconhecido. Larguei de compra boiada. Mataram meu cumpanheiro. Acabou o som da viola, Acabou seu Chico Mineiro. Despoi daquela tragédia fiquei mais aborrecido. Não sabia da nossa amizade. Por que nós dois era unido. Quando vi os seus documentos me cortou meu coração vim sabê que o Chico Mineiro era meu ligítimo irmão. Tonico; Francisco Ribeiro. Disponível em: <http://letras.terra.com.br/>. Acesso em: 25 mar. 2012.

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Análise da leitura 1 A letra da canção “Chico Mineiro”, interpretada pela dupla sertaneja Tonico e Tinoco, mostra um modo de falar típico de algumas regiões rurais do Brasil.

Narrador-personagem é aquele que, além de contar a história, participa dela. Quando o narrador também é personagem, a história é contada na 1a pessoa. Narrador-observador é aquele que apenas conta a história e não aparece nela como personagem. Quando o narrador é somente observador, a história é contada na 3a pessoa.

b) Quem conta os fatos é um narrador-personagem ou um narrador-observador? Esclareça sua resposta.

2 Os versos iniciais da letra contam a tristeza e a saudade do patrão pela perda do amigo. Releia estes versos:

“na viola era delorido e era o peão dos boiadeiro.” a) Explique por que Chico Mineiro era “dolorido na viola”.

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a) Esse texto é uma narrativa em versos. Qual é o conteúdo da história relatada?

b) O que significa ser o “peão dos boiadeiros”?

3 No estudo do quadro O violeiro, de Almeida Júnior, apresentado na introdução deste capítulo, você pôde perceber a importância da viola em certas regiões do país. a) Além da admiração que Chico Mineiro despertava por tocar bem a viola, que outras qualidades o faziam respeitado?

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b) Explique por que o narrador diz que Chico Mineiro “apartou-se” (separou-se) dele, em vez de dizer que Chico morreu.

4 De acordo com o texto, Chico Mineiro e o patrão viajaram vários dias para chegar ao sertão de Goiás. Por que essa viagem era tão importante? Procure saber o que representa a festa do Divino no sertão brasileiro e escreva sobre ela.

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5 Releia os seguintes versos:

“Acabou o som da viola, Acabou seu Chico Mineiro.”

Explique por que esses dois fatos estão interligados.

6 Nos versos “Não sabia da nossa amizade. / Por que nós dois era unido.”, o narrador quer dizer que: a) Desconfiava que a amizade entre ele e Chico Mineiro ia terminar. b) Achava que as pessoas não entendiam sua amizade com Chico. c) Nunca entendeu o motivo do bom relacionamento entre eles. d) Pensava que a união entre os dois despertou inveja nas pessoas. 7 No desfecho, ou seja, nos últimos versos da canção, o narrador se surpreende ao constatar que Chico Mineiro era seu irmão. Essa conclusão, que aumenta a tristeza do narrador, confirma uma característica quase sempre presente nas canções sertanejas. Que característica é essa?

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Variações linguísticas Variedade padrão e variedade não padrão Leia esta tirinha de Mauricio de Sousa, com as personagens Chico Bento e sua namorada, Rosinha. Mauricio de Sousa Produções Ltda

Turma da Mônica Mauricio de Sousa

1 Como a maioria dos namorados, Chico Bento conversa com Rosinha e faz planos para o futuro. a) No 1o quadrinho, o que se pode perceber quanto à reação dela?

b) No 2o quadrinho, como se explicam as palavras de Rosinha ao eletricista?

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Mauricio de Sousa. Turma da Mônica. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 8 jul. 2011.

c) Como o quadrinista construiu o humor nessa tirinha?

2 As variedades linguísticas surgem e se desenvolvem de acordo com cada região, grupo social ou situação. Tanto na letra da canção “Chico Mineiro” como nos quadrinhos, vimos que as personagens empregam o dialeto caipira, linguagem típica de determinadas regiões do interior do Brasil. a) Assim como as personagens da canção “Chico Mineiro”, em que tipo de lugar vivem pessoas como Chico Bento e Rosinha? Observe os quadrinhos. b) Como uma pessoa que estivesse usando a linguagem formal diria as palavras de Chico Bento e Rosinha?

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3 Apesar de existirem diferenças nas variantes empregadas por falantes de diferentes regiões, você percebeu que é possível entender o que é dito. Que diferenças podem ser observadas entre as falas de Chico Bento e Rosinha e as falas que você reescreveu na questão anterior?

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Você é o

leitor

Toda língua falada ou escrita apresenta variações. É o caso do português do Brasil, cuja expressiva diversidade se deve, em parte, à grande extensão do território brasileiro, que produz diferenças regionais. Além desse fator, há outros que também contribuem para a existência de diferentes formas de expressão em nosso país, entre eles: o nível socioeconômico, a escolaridade, a faixa etária e a origem (rural ou urbana) dos falantes. Podemos dizer, então, que em um mesmo idioma existem diversas variações linguísticas. Como todas elas cumprem sua função – permitir que as pessoas se comuniquem e se entendam –, não podemos dizer que uma seja mais “correta” do que a outra. No entanto, sempre existe uma variedade de maior prestígio social, que chamamos de variedade padrão, língua padrão ou norma culta. Ela é a mais falada no rádio e na televisão e em situações formais, como uma entrevista de emprego, uma reunião de negócios, um discurso, etc. Também é a forma mais empregada na escrita e a registrada em gramáticas normativas. No entanto, para que possamos utilizar a língua de forma adequada, ou seja, de acordo com a situação e o interlocutor, é necessário que conheçamos outras variedades linguísticas. As formas de expressão diferentes da variedade padrão constituem a variedade não padrão. A língua empregada na letra da canção “Chico Mineiro” e nos quadrinhos da personagem Chico Bento, por exemplo, constitui uma variedade não padrão. Segundo a Linguística moderna, todas as variedades são legítimas e funcionais, e permitem que as pessoas interajam e sejam produtivas.

Variações linguísticas são as variações de uma língua em função da origem social, regional e cultural dos falantes, e da situação de comunicação. Variedade padrão, língua padrão ou norma culta é a variedade linguística de maior prestígio social usada numa comunidade. Variedade não padrão, língua não padrão ou norma popular abrange todas as variedades linguísticas diferentes da variedade padrão, como as variedades regionais.

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oficina

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1 Leia a seguir a sinopse ou comentário crítico sobre um livro.

• Slogan: frase curta e persuasiva, usada em campanhas políticas, publicitárias, etc.

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Pense globalmente, aja localmente. O famoso slogan dos ambientalistas não é só uma frase de efeito, mas quase um programa de ação. Transformar palavras em ato é que são elas. É mais ou menos isso que o Guia Prático do Estilo de Vida Natural tenta ensinar. De forma didática (às vezes, demais), mas sem perder o charme. O formato “guia visual” facilita a execução das propostas de ações saudáveis — seja plantar verduras orgânicas, seja fazer produtos de limpeza e cosméticos em casa. As fotos também ajudam a entrar no clima “eco is beautiful”. Até o coletor para aproveitamento de água da chuva fica atraente. E a sequência dos capítulos, passando de uma aula de como se tornar um ativista para a ótima ideia do churrasco no vaso, faz a passagem para um estilo de vida mais natural parecer um caminho suave.

reProdução

No estilo “natureba”, mas sem chatice

NA PRÁTICA Várias propostas são difíceis de se colocar em prática — imagine abrir mão de fralda descartável e viagens de avião ou plantar uma árvore de mirtilo em uma cidade como São Paulo. Outras, porém, podem atrair até quem não dá a mínima para a ecologia. As receitas de azeites aromatizados, de sucos coloridos e saudáveis ou de óleos perfumados para banho dispensam atestado ideológico e são mostradas de forma deliciosa e fácil de fazer. Iara Biderman. Folha de S.Paulo. São Paulo, 15 mar. 2011. Equilíbrio. © Folhapress.

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a) O texto apresenta opiniões sobre o livro Guia prático do estilo de vida natural. O que significa o slogan dos ambientalistas: “Pense globalmente, aja localmente”?

b) Releia esta frase: “Transformar palavras em ato é que são elas”. Observe que a expressão destacada não corresponde à variedade padrão. Reescreva a frase nessa variedade linguística.

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c) Releia este trecho: “De forma didática (às vezes, demais), mas sem perder o charme”. Qual é a crítica feita à linguagem empregada no guia?

d) Explique por que o crítico destacou o problema da linguagem na obra.

e) Nesse caso, que tipo de variedade linguística o autor empregou no guia? Por quê?

f) De acordo com o texto, o guia tem “charme”, apesar da linguagem às vezes didática demais. Que recursos utilizados tornaram o livro atraente, segundo o crítico?

g) Nos dois últimos parágrafos (subtítulo “Na prática”), que expressões empregadas são próprias da variedade não padrão? Como seriam escritas na variedade padrão?

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h) Após a leitura do texto, explique o sentido do título e reescreva-o em outra variante linguística.

2 Leia os quadrinhos a seguir.

Caco Galhardo. Chico Bacon. Folha de S.Paulo. São Paulo, 3 set. 2010.

a) A personagem que utiliza o balão de fala é uma muriçoca. É difícil entender o que ela diz, devido à linguagem muito rebuscada. O que você conseguiu entender no 1o quadrinho?

b) A seu ver, que tipo de variante linguística o autor empregou nos quadrinhos?

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Caco Galhardo

Chico Bacon Caco Galhardo

c) Em que consiste o humor criado pelo quadrinista?

d) Quem seria a outra personagem que se sente incomodada com a presença do inseto?

e) Qual é a palavra que reproduz o som da muriçoca sendo abatida? Como se classifica esse tipo de palavra?

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f) O objetivo do autor foi apenas divertir o leitor, ou existe outra intenção nesse texto?

3 O texto a seguir apresenta uma narrativa. Leia-o, observando a linguagem. Causos de Rolando Boldrin

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Eita caboclo unha de fome Lá pras bandas da minha terra, vivia um capiau que, em matéria de mão de vaquismo, estava sozinho. Certo dia, um cumpadi dele foi visitá-lo perto da hora do almoço, que na roça é bem mais cedo do que na cidade. Estavam o cumpadi miserável, a cumadi e um caboclinho de uns oito anos. Conversa vai, conversa vem, é chegada a hora da comida. Foram servidas umas cumbuquinhas com um tiquinho de feijão, outro tiquinho de arroz, e mais nada. A cumadi, como é de costume pras bandas do interior, ficava na cozinha, e os dois comendo na salinha estreita. Eis que, de repente, surge o filho do casal. Menino — Ô pai, a mãe mandô priguntá se já pode trazê a galinha. Pai — Inda não, fio. Num é hora. O visitante só pensava no pão-durismo do cumpadi, que devia estar pensando em empanturrar a visita de arroz com feijão pra ver se sobrava mais galinha na panela. Resolveu então comer bem devagarinho, fazendo hora pra esperar a tal galinha. Quando já não aguentava mais tanta demora, volta o menino: Menino — Ô pai, a mãe mandô priguntá di novo se já pode trazê a galinha. Pai — Já falei que não, diacho! Quando fô pra trazê a galinha, eu aviso, ué! Até que o cumpadi visitante não aguentou mais aquela cena. Eita caboclo unha de fome! Visita — Deixa, cumpadi. Num precisa trazê galinha nenhuma mais não. Eu num quero mais cumê galinha de vancê. Ocê é um miserável! Pai — E quem foi que falou que ocê ia cumê galinha? É a galinha que vai cumê os grão de arroz que ocê derrubou no chão da sala! Rolando Boldrin. Brasil: Almanaque da Cultura Popular. São Paulo: Andreato Comunicação e Cultura, fev. 2011, ano 12, n. 142, p. 34.

• Capiau: caipira, roceiro.

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a) Esse é um dos muitos “causos” relatados em regiões do interior por contadores de histórias ou pessoas do povo. Quem são o narrador e as personagens?

b) De que modo o narrador situa o tempo e o lugar em que os fatos ocorreram?

d) O que o desfecho da história comprova, e como o narrador conferiu sentido humorístico ao texto?

e) Já a partir do título, observa-se que o narrador empregou uma determinada variedade linguística. Identifique-a e justifique sua resposta.

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c) Qual é o conteúdo desenvolvido na narração dos fatos?

f) Que palavras ou expressões no texto equivalem a “unha de fome”?

Discurso direto é aquele em que a personagem fala com suas próprias palavras. Discurso indireto, por sua vez, é aquele em que o narrador conta o que a personagem disse.

g) No desenvolvimento da narrativa, observa-se o emprego do discurso direto nos diálogos, mas de forma diferente: identifica-se o falante antes da fala, como nos textos teatrais e nos roteiros de cinema. Reescreva, na variedade padrão, o segundo diálogo entre o menino e o pai e, depois, entre a visita e o pai.

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h) No 1o parágrafo do texto, identifique expressões ou frases comuns na variedade não padrão e passe-as para a variedade padrão.

i) O uso de abreviações, de diminutivos e de certas interjeições pode tornar a linguagem informal. Identifique algumas palavras ou expressões do texto que servem de exemplo para essa afirmação.

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4 Leia esta nota jornalística.

Estudo confirma existência de mancha de plástico no Atlântico Cientistas confirmaram a existência de altas concentrações de plástico flutuando no oeste do Oceano Atlântico, comparáveis à grande mancha de plástico identificada no Pacífico. Trata-se da primeira estimativa, com rigor científico, sobre as concentrações de plástico nos oceanos. O estudo foi publicado na revista científica Science. De acordo com a autora do estudo, Kara

Lavender Law, equipes da Associação de Estudos do Mar (SEA), do Instituto Oceanográfico Woods Hole (Whoi) e da Universidade do Havaí analisaram milhares de fragmentos de plástico, recolhidos manualmente por estudantes em mais de 6,1 mil pontos, entre 1986 e 2008. Segundo Kara, a cada ano são recolhidos mais de 64 mil pedaços de plástico, encontrados à deriva nos oceanos. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 20 ago. 2010.

a) O fato relatado causa preocupação entre cientistas e ambientalistas. Explique por quê.

b) Observe a linguagem empregada nesse texto. Compare-a com a linguagem dos outros três textos desta Oficina e explique as diferenças.

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c) Observe onde foi publicado o texto em estudo e justifique o tipo de linguagem nele empregada.

a construção textual

Na construção de um texto, não devemos estender em excesso o que desejamos dizer, para não torná-lo cansativo e pouco atraente. Um texto muito curto também pode apresentar maior dificuldade de compreensão, devido às lacunas no conteúdo. Nesse caso, a escolha adequada das palavras é fundamental. Outro cuidado necessário é evitar a repetição de informações e palavras, o que compromete a compreensão das ideias. Portanto, é importante sempre reler o texto depois de escrevê-lo, para substituir termos e eliminar explicações ou elementos desnecessários. Dessa forma, será possível a produção de um texto enxuto, objetivo e claro, que não tenha um conteúdo extenso, cheio de rodeios e termos complicados. Ou seja, um texto que se caracterize pela concisão ou síntese das ideias. Leia o texto de Luis Fernando Verissimo e observe como o autor escreve de forma concisa e breve, ao usar poucas palavras para dizer muito.

Pai não entende nada

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Concisão

— Um biquíni novo? — É, pai. — Você comprou um no ano passado! — Não serve mais, pai. Eu cresci. — Como não serve? No ano passado você tinha 14 anos, este ano tem 15. Não cresceu tanto assim. — Não serve, pai. — Está bem, está bem. Toma o dinheiro. Compra um biquíni maior. — Maior não, pai. Menor. Aquele pai, também, não entendia nada. Luis Fernando Verissimo. Pai não entende nada.. Porto Alegre: L&PM, 1997. p. 26. © by Luis Fernando Verissimo.

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1 Escreva no caderno um texto semelhante, conciso e em forma de diálogo. O diálogo pode ser também entre pai e filho, e deve se basear em alguma reivindicação ou pedido que o pai não entenderia. Evite repetições, palavras complicadas, muita informação e selecione bem as palavras-chave. 2 Vamos trabalhar a concisão substituindo as expressões destacadas por uma única palavra equivalente. Veja o modelo: O líder do grupo mostrou-se sem decisão. O líder do grupo mostrou-se indeciso.

a) Esse escritor manauense é uma pessoa com imaginação. b) Suas palavras pareceram-me sem coerência.

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c) O médico era um profissional de destaque. d) Com a seca, a região poderia ficar sem produção. e) A adolescente tinha um olhar de contemplação. f) Após o temporal, os aeroportos ficaram sem operação.

3 Resuma as expressões em uma só palavra, fazendo as adaptações necessárias. Veja o modelo: Hortência foi uma atleta que venceu nas quadras. Hortência foi uma atleta vencedora nas quadras.

a) A empresa que se responsabilizou pelo acidente será processada. b) Meu irmão tem um amigo que supervisiona obras públicas. c) O aparelho que recebia as imagens estragou de novo. d) O texto que ainda não fora publicado gerou curiosidade. e) Apresentei-lhe o jovem que nos guiou na última viagem.

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4 Observe o modelo e substitua as expressões destacadas por uma única palavra de sentido equivalente. Veja o modelo: A toalha de praia era de várias cores. A toalha de praia era colorida.

a) Minha prima é uma jovem de muitos amigos. b) O candidato ao cargo pareceu-me ter pouca constância. c) Minha mãe sempre foi uma mulher de muita determinação.

e) Havia na enorme sala uma janela com vidros.

5 Reescreva o trecho a seguir, substituindo as palavras repetidas por outras equivalentes e eliminando as que forem desnecessárias. A história dos gigantes deixou a todos sem sono, com vontade de ficar acordados, por isso decidimos improvisar de repente um teatro de marionetes. Lembro-me de que eu era ainda muito pequena, mas meus irmãos deixavam que eu participasse, segurando algum boneco. E me lembro de que, por minha causa, a brincadeira ficava ainda mais engraçada. Muitas vezes, meus pais tinham saído, e minha irmã mais velha comandava o espetáculo. Organizávamos o palco que tinha uma cortina improvisada; acho que era um lençol esticado e comprido. Os movimentos e as falas dos bonecos eram inventados a cada espetáculo e tinham como inspiração as brigas e brincadeiras do cotidiano, ou as manias de alguns conhecidos ou amigos.

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d) Paula provou ser uma pessoa cheia de vontade.

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Variações linguísticas Adequação vocabular 1 Leia a tira a seguir. Angeli angeli

MOska

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Angeli. Chiclete com Banana. Folha de S.Paulo. São Paulo, 5 set. 2011.

2 Observe o tipo de linguagem empregada pelas personagens nessa tira. Quando criamos a fala de uma personagem, precisamos escolher palavras adequadas às características dele. a) Em sua opinião, o quadrinista Angeli escolheu palavras que soam naturais na fala dos DJs?

b) Nesse caso, houve o emprego da linguagem formal ou da linguagem informal? Por quê?

c) No texto, há o emprego de gírias, isto é, expressões típicas da linguagem informal que muitas vezes identificam um grupo social. Que palavras na tira podem ser consideradas gírias?

3 Imagine que os interlocutores dessa tirinha fossem um músico e seu empresário. Escreva um diálogo em linguagem formal, empregando o discurso direto.

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leitor

Observamos que as línguas podem apresentar variações de acordo com os falantes e a situação comunicativa. Existem situações em que o mais adequado é usar a linguagem informal (ou um registro informal), rica em termos coloquiais, gírias e recursos expressivos próprios da oralidade. A linguagem informal pode ser usada quando há intimidade entre os interlocutores. Autores de textos de ficção muitas vezes fazem com que suas personagens usem a linguagem informal para mostrar que elas são próximas, que entre elas existe certo grau de intimidade, como fez Angeli na tira que você leu. Fora da ficção, a linguagem informal pode ser empregada em anúncios publicitários, em conversas familiares, em certos programas de televisão, etc. Existem, entretanto, situações em que o mais adequado é usar a linguagem formal (ou um registro formal), com maior objetividade e obediência à gramática normativa. Nesse caso, devem ser evitadas expressões coloquiais e gírias; se elas forem usadas na escrita, o ideal é colocá-las entre aspas. Toda língua apresenta variedades associadas a diversos aspectos. Na língua portuguesa, existem as variedades regionais (como as já estudadas neste capítulo) e as sociais. Ambas geram inúmeras variações linguísticas dentro de nosso idioma. A partir da observação dessas variações, podemos determinar a origem, a faixa etária, a família, o grupo social, o nível de estudos e outras características dos interlocutores. É importante conhecer todas as variedades linguísticas, para que possamos utilizá-las de forma adequada, na comunicação com diversas pessoas, de diferentes regiões e formações culturais.

oficina 1 Leia este texto de Tutty Vasques, que emprega gírias em sua linguagem humorística.

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Você é o

Febeapá: do bafo ao caô! A gíria caiu em desuso. Ninguém mais fala “bafo”, no sentido de mentira, conversa fiada, cascata... Mas, nem tanto tempo assim faz, pegava superbem empregar o termo para resumir o descontentamento geral com tudo isso que aí está. O Aurélio define bem que época é essa na citação de Stanislaw Ponte Preta, em Febeapá 2: “Quando eles fizeram aí essa revolução e falaram tudo aquilo, que iam salvar o País, que iam prender tudo que é safado, que isso, que aquilo, eu cheguei a ter uma esperançazinha. Palavra de honra! Mas logo depois eu vi que era tudo bafo”.

Sérgio Porto não viveu para ver mas, quando acabou a ditadura, falaram tudo aquilo de novo, que iam salvar o País, que iam prender tudo que é safado, que isso, que aquilo... Continuaram até hoje insistindo no mesmo bafo! Na tecla SAP das novas gerações, “tudo caô!”. [...] Neste pleito, em particular, o bafo dos políticos atinge níveis alarmantes. Como ninguém tem mais a menor responsabilidade sobre o que diz e multar, simplesmente, não está surtindo efeito, talvez seja hora de submeter os candidatos em campanha ao teste do bafômetro. Bafômetro a garotada sabe o que é, né?

Tutty Vasques. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 24 jul. 2010. (Fragmento).

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a) No texto, o autor emprega elementos da linguagem informal? Quais?

b) Em sua opinião, o autor utilizou a linguagem adequada na produção do texto? Justifique sua resposta.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

c) O autor questiona o fato de as pessoas não usarem mais a gíria “bafo” hoje em dia. Por que o desaparecimento de gírias normalmente acontece na língua?

d) O texto faz referência ao escritor e jornalista carioca Stanislaw Ponte Preta, cujo nome verdadeiro era Sérgio Porto. Em uma de suas obras, Febeapá 2 (abreviação de “Festival de besteira que assola o país”), de conteúdo humorístico, o cronista produziu críticas sobre os problemas sociais da época. Explique por que ele foi mencionado.

e) Segundo o texto, atualmente os jovens substituíram a gíria “bafo” por outra: caô, que também significa “mentira, papo furado”. Você emprega gírias como essa? Em que situações? Dê exemplos em frases.

f) No último parágrafo do texto, o autor sugere que os políticos sejam submetidos ao teste do bafômetro, fazendo uma espécie de trocadilho com a palavra bafo. Explique esse trocadilho e a ironia da sugestão feita pelo autor.

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2 Leia os quadrinhos a seguir: Adão Iturrusgarai Adão Iturrusgarai

MUNDO MONSTRO

Adão Iturrusgarai. Mundo Monstro. Folha de S.Paulo. São Paulo, 11 fev. 2011.

b) Por que Grifo não entendeu o que a personagem disse?

c) Nesse caso, não houve uma interação verbal, ou seja, a intenção comunicativa não ocorreu. Apesar disso, a personagem não ficou frustrada. Por quê?

3 O trecho a seguir faz parte de uma crônica de Carlos Eduardo Novaes. Leia-o, observando a linguagem.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a) No texto, a personagem diz a Grifo, o pássaro: “Tenho a impressão de que vai me levar às nuvens!”. O que significam as palavras em negrito?

A idade da pedra A juventude parece ter descoberto algo de que sempre desconfiei: a vida é um recreio. Como disse uma gatinha de 17 anos entrevistada por um semanário, “só há duas coisas na vida: som e patins”. Sendo assim, a juventude Zona Sul vai em frente exibindo o seu invejável realce existencial. “O mundo seria muito mais saudável”, afirma outra gatinha, “se os nossos governantes andassem de tênis e camiseta”. Infelizmente, porém, a terra dos adultos continua sendo aquela coisa árida, sinistra e plúmbea. E é nesta praia que a garotada vai acabar desembarcando quando terminar a pilha da juventude. Tenho certeza de que esse é o momento mais difícil na vida de um jovem de hoje: atravessar a fronteira da juventude para a idade adulta, duas terras que nunca estiveram tão distantes. Sei que a experiência é traumatizante porque tenho

• Plúmbeo: cor de chumbo; em sentido figurado, escuro, sombrio, tristonho, melancólico.

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um amigo que a viveu com seu filho de 20 anos. O garotão, Otávio, tinha trancado matrícula na faculdade havia dois anos e não queria nem saber: vivia na dele, curtindo adoidado um rock, praia, windsurf, patinação, gatinha, invariavelmente metido dentro do uniforme oficial dos gatões, jeans, camisetas e tênis. O mundo para ele era do tamanho de uma lantejoula. No dia em que fez 21 anos, o pai o chamou para uma conversa. — Escuta, filho, nós precisamos conversar. O garotão deslizava na sala de um lado para o outro experimentando seus novos patins. Nem era com ele. — Escuta, filho — repetia o pai, falando como se assistisse a um jogo de tênis: cabeça pra lá, cabeça pra cá —, nós precisamos ter uma conversinha. Você afinal está fazendo 21 anos e... Otávio continuava patinando como se estivesse sozinho na sala.

• Lantejoula: pequena lâmina circular cintilante, usada para enfeitar tecidos.

Carlos Eduardo Novaes. A cadeira do dentista e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1995. p. 32. (Coleção Para Gostar de Ler, 15). (Fragmento).

a) Nesse texto, o cronista desenvolve comparações entre a vida dos jovens e a dos adultos. Indique-as.

b) Com base no texto, explique por que a “travessia” da juventude para a vida adulta pode ser complicada. c) Observe a linguagem empregada no texto, em que se encontram frases como esta: “a vida é um recreio”. Há o emprego de termos que pertencem à variedade não padrão? Justifique.

d) Como se explica a opção do cronista por esse tipo de linguagem?

e) Nesse caso, a linguagem empregada na crônica foi adequada? Esclareça sua resposta.

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Oficina de projetos

Mostra de cartões-postais e cartas Nesta unidade, você produziu alguns textos utilizados em correspondências, como cartão-postal e carta pessoal. Também trabalhou com diário e e-mail. A seguir, são propostas duas atividades, entre as quais você poderá escolher uma e produzir um trabalho em dupla ou em grupo. Uma parte da classe vai organizar uma mostra de cartões-postais, e a outra, uma exposição de cartas, seguindo as orientações do professor. No dia combinado, cada grupo ou dupla deverá trazer o trabalho pronto.

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Projeto 1 – Galeria de cartões-postais

† A equipe deverá fazer um cartão-postal. Observem os cartões-postais

encontrados em bancas de jornal e em livrarias. Vejam também o trabalho que já fizeram sobre esse assunto, no capítulo 1 desta unidade.

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†† Cortem um pedaço de cartolina ou papel-

-cartão com 10 centímetros de altura e 15 centímetros de largura. †† Procurem uma foto ou gravura bem bonita em revistas como Viagem e Turismo, National Geographic, Terra, Horizonte Geográfico ou em guias turísticos. Se quiserem, desenhem um ponto turístico de sua cidade ou algo da preferência de vocês. †† Colem a gravura recortada de um lado da cartolina. No verso, dividam o espaço em duas metades, com um traço vertical. No lado esquerdo, deixem o espaço em branco, para a mensagem; no lado direito, façam linhas para escrever o endereço do destinatário. Escolham o destinatário e verifiquem se o nome dele está certo e o endereço, completo. †† Antes de redigir a mensagem no cartão, façam um rascunho do texto. Lembrem-se de que a linguagem deve estar adequada ao interlocutor, podendo ser formal ou informal. Não se esqueçam de colocar o vocativo e a despedida. †† Depois da avaliação do texto, escolham um dos colegas para passar a mensagem a limpo no cartão-postal. Peçam sugestões ao professor de Educação Artística e acrescentem algum detalhe em volta do texto ou da imagem, se quiserem. †† Organizem a mostra de postais, no dia combinado com os outros grupos e sob a orientação do professor. Exponham os trabalhos afixando-os numa parede ou corredor da escola, sob o título “Galeria de cartões-postais”. Vocês podem incluir também os cartões-postais produzidos na atividade proposta na seção “Você é o autor”, no capítulo 1 desta unidade. †† Divulguem a apresentação da mostra, convidando colegas de outras classes, professores, funcionários da escola, familiares e amigos.

Projeto 2 – Galeria de cartas †† A equipe deverá escrever uma carta a uma

autoridade do governo com poderes para fazer algo importante pelos jovens brasileiros

na área da educação, da saúde, dos esportes, da assistência social ou do trabalho. Pode ser uma carta para o prefeito de sua cidade, o governador de seu estado, o ministro da área escolhida ou ainda para a Presidente da República. †† Conversem e decidam para quem vocês vão endereçar a carta e que solicitação querem fazer. Pode ser, por exemplo, um pedido de verba para a compra de livros para a biblioteca, ou então para a construção de uma praça de esportes em sua escola. Nesses dois casos, o destinatário poderá ser, respectivamente, o Ministro da Educação ou o Ministro dos Esportes. †† Se quiserem, peçam uma maior assistência para os meninos de rua ou melhores condições de vida e acesso aos estudos para aqueles que não têm recursos. †† Escolhido o assunto da carta e o destinatário, verifiquem qual é a forma de tratamento adequada (consultando uma gramática, se necessário) e empreguem a linguagem formal. †† Anotem o nome completo e o endereço do destinatário. Se for preciso, peçam auxílio ao professor. †† Façam um rascunho do texto e leiam a carta várias vezes, avaliando a adequação da linguagem, o conteúdo e o tratamento. Também verifiquem se colocaram local, data e vocativo, no início, e uma despedida cerimoniosa, com a assinatura, no final. †† Passem a carta a limpo numa folha de caderno ou numa folha de papel de carta. Preencham o envelope com os dados do destinatário e do remetente. †† Junto com os colegas que optaram pela produção de cartões-postais, organizem uma mostra sob o título “Galeria de cartas e cartões-postais”. Afixem as cartas abertas, para que as pessoas possam ler o texto. †† Depois da mostra, peçam orientações ao professor e enviem a carta ao destinatário. Aguardem a resposta; se necessário, insistam na solicitação. 57

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programe-se Filmes † Resgate abaixo de zero. Direção de Frank Marshall. EUA, 2006. Aventura. † Os Rugrats e os Thornberrys vão aprontar. Direção de John Eng e Norman Virgien. EUA, 2003. † † † †

Livros † Classificados poéticos, de Roseana Murray. Belo Horizonte: Moderna, 2010. † Ana e Pedro: cartas, de Vivina de Assis Viana e Ronald Claver. São Paulo: Atual, 2009. † O gênio do crime, de João Carlos Marinho. São Paulo: Global, 2009. † O mistério da ilha, de Ana Maria Machado. São Paulo: Ática, 2002.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

reProduções

†

Animação. Náufrago. Direção de Robert Zemeckis. EUA, 2001. Aventura e drama. Mensagem para você. Direção de Nora Ephron. EUA, 1998. Comédia romântica. Coração de dragão. Direção de Rob Cohen. EUA, 1996. Aventura. O jardim secreto. Direção de Agnieszka Holland. EUA, 1993. Drama. O diário de Anne Frank. Direção de George Stevens. EUA, 1959. Drama.

† Porta a porta, de Roseana Murray e Suzana Vargas. São Paulo: Saraiva, 1998. (Coleção Jabuti). † Os pequenos jangadeiros, de Aristides Fraga Lima. São Paulo: Ática, 1998. † O diário de Marcus Vinícius, de Maria Alice do Nascimento e Silva Leuzinger. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira, 1985.

Sites † http://www.almanaquebrasil.com.br – site do Almanaque Brasil de Cultura Popular. † http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/ – site da Enciclopédia Itaú

Cultural de Artes Visuais, com muitas informações sobre a obra de Almeida Júnior. † http://www.monica.com.br/personag/turma/chicoben.htm – link no Portal da Turma da Mônica para informações sobre o personagem Chico Bento.

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Leila Lauar Sarmento Licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora na rede pública e em escolas particulares de Belo Horizonte por 35 anos. Coordenadora em escolas do Ensino Fundamental e Médio por 13 anos.

Oficina de

Redação

7 4a edição

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© Leila Lauar Sarmento, 2012

Coordenação editorial: Garagem Editorial Edição de texto: Henrique Félix Assistência editorial e preparação: Solange Scattolini Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico e capa: Mariza de Souza Porto Fotos da capa: Detalhe do título da matéria “Polícia mexicana multa menino de 6 anos por batida”. Da Associated Press, publicada pela Folha de S.Paulo, 14 jan. 2012. © Reprodução. Detalhe do título da matéria “Emoção em boa dose, sem açúcar em excesso”. De Luiz Zanin Oricchio. Em O Estado de S. Paulo, 23 jan. 2012. © Reprodução/Agência Estado Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Patricia Costa Edição de arte: Renata Susana Rechberger Ilustrações: Carlos Bourdiel, Dave Santana, Estúdio Kiwi, Fél Franco, Maria Valentina, Rafa Anton Editoração eletrônica: APIS design integrado Coordenação de revisão: Elaine C. del Nero Revisão: Ana Paula Luccisano, Márcia Leme Eireli, São Sebastião Serviços Editoriais Pesquisa iconográfica: Denise Durand Kremer, Luciano Baneza Gabarron As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Arleth Rodrigues, Rubens M. Rodrigues, Wagner Lima Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Sarmento, Leila Lauar Oficina de redação / Leila Lauar Sarmento. – 4. ed. – São Paulo: Moderna, 2012 Obra em 4v. para alunos de 6o ao 9o ano do ensino fundamental de nove anos. Suplementado pelo livro do professor. Bibliografia. 1. Arte de escrever (Ensino fundamental) 2. Português - Redação (Ensino fundamental) 3. Textos (Ensino fundamental) I. Título. 12-10487

CDD-372.6

Índices para catálogo sistemático: 1. Arte de escrever : Português : Técnica de redação : Ensino fundamental 372.6 2. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6 3. Redação : Português : Literatura : Ensino fundamental 372.6 978-85-16-08211-6 (LA) 978-85-16-08212-3 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2012 Impresso no Brasil 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação O universo da comunicação vem se ampliando com maior dinamismo, nos últimos anos,

para atender à demanda de seus usuários, nas mais diferentes situações de interatividade. Nele estamos inseridos, exercitando nossa linguagem oral e escrita, até mesmo na área digital, por isso necessitamos sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com objetividade e competência. A construção do pensamento — e sua exposição de forma clara e persuasiva — constitui um dos objetivos mais perseguidos por todo aquele que almeja sucesso na vida profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que a interlocução comunicativa permite o entendimento, proporciona um maior intercâmbio de ideias e nos faz refletir e argumentar com maior propriedade em defesa de nossos direitos e deveres como cidadãos. A leitura e a escrita representam, sem dúvida, instrumentos valiosos na formação de qualquer pessoa, independentemente da área de atuação. Por isso nos preocupamos, nesta quarta edição, em apresentar a você um novo material, mais completo e atual, buscando tornar bem atraente e agradável o acesso ao domínio da expressão escrita e falada. Por exemplo, a aprendizagem da tipologia e dos gêneros textuais se tornou mais abrangente. Foram inseridos conhecimentos sobre semântica, estilística, atividades com oralidade e escrita e variações linguísticas. No estudo da textualização privilegiou-se o trabalho com a coesão, a concisão e a coerência textuais. Também a intertextualidade e outros tópicos importantes completam o estudo, visando à construção adequada do texto. Quanto à tipologia, enfatizamos o ensino das características dos diversos tipos de texto e seus respectivos gêneros. Agregamos a essa aprendizagem um trabalho mais detalhado com textos artísticos e visuais e também uma interpretação e análise de textos literários, jornalísticos e poéticos, selecionados criteriosamente. No desenvolvimento do conteúdo dos livros do 8º e 9º anos, nós nos concentramos mais no estudo dos recursos da argumentação e textos argumentativos orais e escritos, por haver uma maior solicitação desse tipo no cotidiano e em exames. Com o objetivo de favorecer a produção textual, incluímos diferentes propostas e orientações que estimulam a imaginação e a criatividade do autor. As seções “Linguagem e contexto”, “Construção textual”, “Programe-se” e “Oficina de projetos”, entre outras, complementam esta obra, tornando o material variado e instigante para quem deseja adquirir uma formação como leitor crítico e um bom produtor de textos. É com esse intuito que entregamos esta nova coleção. Desejamos que você folheie com interesse estas páginas e que elas façam florescer uma nova conquista em seus estudos.

A autora

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Sumário

Unidade I

A narração e os gêneros Capítulo 1 • O texto narrativo................................................................................................ 8 „„ Linguagem visual: Robôs humanoides..................................................................................... 8 „„ Estudo de texto: O mundo em transformação, de Walcyr Carrasco........................... 10 „„ Tipologia textual: Narração......................................................................................................... 15 Elementos da narrativa .................................................................................................................... 15 As vozes que aparecem na notícia................................................................................................ 20 Narrador-personagem ....................................................................................................................... 26 Monólogo.................................................................................................................................................. 32

Capítulo 2 • Gêneros que narram histórias.......................................................

39

„„ Linguagem visual: E.T. — o extraterrestre, de Steven Spielberg .............................. 39 „„ Estudo de texto: Eles estão entre nós?, Superinteressante............................................ 42 „„ Gênero textual: Narrativa mítica ............................................................................................. 45 Deuses e magos mitológicos.............................................................................................................45 „„ A construção textual: Discurso direto e discurso indireto — o diálogo................. 53 „„ Gênero textual: Narrativa de aventura ................................................................................. 57 Heróis fictícios e reais..........................................................................................................................57 Oficina de projetos: Inventando e recontando histórias................................................. 66 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites .................................................................. 70

Unidade II

A linguagem jornalística Capítulo 3 • Os gêneros jornalísticos (1a parte)...........................................

72

„„ Linguagem visual: Meninos em fuga, de Norman Rockwell........................................ „„ Estudo de texto: Capitães da Areia, de Jorge Amado....................................................... „„ Gênero textual: Notícia.................................................................................................................. „„ Gênero textual: Crônica literária............................................................................................... „„ Linguagem e contexto: Emprego de palavras e expressões.........................................

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Capítulo 4 • Os gêneros jornalísticos (2a parte)...........................................

95

„„ Linguagem visual: Dias felizes, de Edward Henry Potthast ....................................... 95 „„ Estudo de texto: Menino de ilha, de Vinicius de Moraes................................................ 98 „„ Gênero textual: Reportagem ................................................................................................... 102 „„ A construção textual: Linguagem formal e linguagem informal.......................... 110 „„ Gênero textual: Entrevista......................................................................................................... 113 Oficina de projetos: Organização e apresentação de um telejornal........................ 120 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................... 122

Unidade III

Humor e poesia Capítulo 5 • O texto humorístico..................................................................................

124

„„ Linguagem visual: Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa................................... „„ Estudo de texto: Controle remoto, de Moacyr Scliar...................................................... „„ Gênero textual: História em quadrinhos ........................................................................... Balões especiais.................................................................................................................................. Emprego de onomatopeias, interjeições e legendas ........................................................ „„ Gênero textual: Crônica humorística....................................................................................

124 127 131 137 141 144

Capítulo 6 • O texto poético.................................................................................................

152

„„ Linguagem visual: O teto paternal, de Louis Janmot................................................... „„ Estudo de texto: A casa materna, de Vinicius de Moraes........................................... „„ Gênero textual: Poema ............................................................................................................... Verso e estrofe, ritmo e rima........................................................................................................ „„ A construção textual: Textos em prosa e em verso...................................................... Oficina de projetos: Produção de uma revista — O fanzine....................................... Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites.................................................................

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Unidade IV

Texto e linguagens Capítulo 7 • Contar e descrever......................................................................................

178

„„ Linguagem visual: Frenesi do consumo, IstoÉ ................................................................ 178 „„ Estudo de texto: Consumo — Quando o desejo de comprar vira doença, de Carina Rabelo .............. 180 „„ Tipologia textual: A objetividade e a subjetividade no texto narrativo ............. 184 Narração objetiva................................................................................................................................ 184 Narração subjetiva............................................................................................................................. 188 „„ Tipologia textual: A objetividade e a subjetividade no texto descritivo ............ 194 Descrição objetiva ............................................................................................................................ 194 Descrição subjetiva............................................................................................................................ 199

Capítulo 8 • A linguagem argumentativa........................................................

204

„„ Linguagem visual: A água, de Giuseppe Arcimboldo................................................... „„ Estudo de texto: Escassez de água potável, de Caroline Faria . ............................... „„ Gênero textual: Resenha crítica — filmes.......................................................................... „„ Letra de canção: Acima do sol, de Chico Amaral e Samuel Rosa............................. „„ Gênero textual: Resenha crítica — livros ......................................................................... Oficina de projetos: Criação de livro e exposição “Jovens escritores”.................... Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites ...............................................................

204 207 211 215 217 221 223

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Unidade

The Bridgeman Art Library/Glow Images

III

Humor e poesia

Músico e bobo da corte dançando. Gravura do século XIX.

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capítulo

5

O texto humorístico

Linguagem visual Mauricio de Sousa Produções Ltda

turma da mônica Mauricio de Sousa

Mauricio de Sousa. Turma da Mônica. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 24 jul. 2010.

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Mauricio Araújo de Sousa (1935), considerado o maior cartunista brasileiro, iniciou sua carreira no jornalismo como repórter policial, mas seu grande sonho era criar e produzir uma revista. No decorrer de mais de 50 anos de carreira, ele se tornou autor e empresário, publicando histórias de suas personagens em todos os continentes. Segundo Mauricio, entre seus leitores incluem-se as crianças que estão aprendendo a ler, as que já dominam a leitura, os adolescentes que apreciam a Turma da Mônica Jovem e os adultos, que compram as revistas para os filhos por terem sido seus leitores na infância. Um dos segredos da consagração do trabalho do cartunista se deve à linguagem, que sempre acompanha a faixa etária do leitor. Como autor, Mauricio argumenta que a infância não está ficando mais curta: o que ocorre é que a criança está aprendendo mais rápido; por isso, muitas vezes, chega logo à adolescência, muito bem informada, mas imatura.

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O autor e a obra

Mauricio de Sousa.

Leitura de imagem 1 A personagem Cebolinha foi criada por Mauricio de Sousa em 1960, mas somente em 1973 ganhou a própria revista. a) Onde se passam os fatos dessa história em quadrinhos?

b) Em que parte do dia ocorrem os fatos da história? Esclareça sua resposta.

2 Mauricio de Sousa criou a personagem Cebolinha inspirado em um amigo de infância, que tinha esse apelido por causa dos cabelos espetados. No texto, Cebolinha parece se divertir com um amigo. Como o autor sugere a ideia de movimento em cada quadrinho?

3 Observe que algumas das diversões de Cebolinha e de seu amigo não se parecem muito com o modo como as crianças de hoje costumam brincar. a) Quais dessas brincadeiras você imagina que ainda sejam praticadas pelas crianças que vivem em cidades menores ou no campo?

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b) Entre as brincadeiras apresentadas no texto, quais são praticadas por crianças que vivem em cidades grandes?

c) Quais dessas brincadeiras já fizeram parte de sua vida? De qual você mais gostava? Por quê? Com quem você costumava brincar?

d) De que modo os jovens como você costumam se divertir atualmente? Converse e troque ideias com os colegas.

4 Essa história em quadrinhos utiliza, em especial, recursos da linguagem visual ou não verbal. Os recursos verbais são menos usados, mas também são importantes. De que modo são representados os sons no texto? Como se chama esse recurso?

5 O emprego dos balões ocorre somente nos dois últimos quadrinhos. O que você observa no balão do 7o quadrinho? O que esse balão sugere?

6 No 8o e último quadrinho, concentra-se o humor da história. a) O que acontece nesse momento que dá conotação humorística ao texto?

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b) O que comprova que o pai e o menino que brincava com Cebolinha eram a mesma pessoa?

7 Observe o balão de fala do 8o quadrinho. a) Explique por que as palavras de Cebolinha ao pai parecem soar como verdadeiras.

b) Com que objetivo Mauricio de Sousa teria produzido esses quadrinhos?

Estudo de texto Leia a seguir uma crônica de Moacyr Scliar, em que o autor se mostra bastante imaginativo.

Controle remoto Ah, se os filhos da gente tivessem controle remoto, suspirou o homem que veio lá em casa consertar a televisão, e eu entendi bem o que pretendia dizer: se conhecêssemos tão bem a infância e a adolescência quanto conhecemos os aparelhos que usamos, e se pudéssemos controlar estas difíceis fases da vida por um sistema previamente codificado — aí, sim, seríamos felizes. Seríamos? Tenho minhas dúvidas. Imaginemos que pudéssemos controlar as manifestações de nossos filhos, da mesma maneira que mudamos os canais do televisor. Sintonizamos, por exemplo, um noticiário. Boas notícias? Duvido. “Pai, estou precisando de um tênis novo.” “Mãe, resolvi que vou morar com o Pedrinho”, “Pai e mãe, descobri que vocês me educam errado”. Mudamos rapidamente de canal. E ali estão os nossos filhos num filme. Que filme? De terror, obviamente: O pesadelo dos pais — Parte 5. Sinopse: filhos revoltados descobrem um jeito de reduzir os genitores a dimensões minúsculas. Prisioneiros numa garrafa, os pais veem os filhos... etc. Outro canal: filme daqueles com correria de automóvel. Melhor nem olhar.

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• Fast forward: avanço rápido.

Outro: um programa de debates. Ali estão os filhos, falando sobre as limitações dos pais e das mães de hoje: “Eles têm de ser totalmente recondicionados. Mostram-se completamente incapazes de compreender o que se passa na cabeça da gente”. Voltamos para o primeiro canal: Acredite, se quiser. Este, não queremos nem olhar. O que não farão dos pais num programa como este? Mas talvez controle remoto de vídeo, então, permitindo dar-lhes um stop quando necessário, um play quando temos vontade, voltar para trás quando nos assalta a nostalgia. Sim, mas não suportaremos o fast forward, que nos projetará irremediavelmente em direção ao futuro em que eles, os filhos, serão pais, e nós, os pais, seremos — o quê? — nem é bom pensar. Não, controle remoto, não. Afinal, nem tudo que é progresso é benéfico. Principalmente quando se trata de algo tão antigo quanto a arte de criar filhos. Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar (e outras crônicas). Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 74-75.

Análise da leitura 1 A crônica é uma narrativa curta de um fato do cotidiano, real ou imaginário. a) Que acontecimento do dia a dia é focalizado nessa crônica?

b) Elementos de ficção foram misturados a esse acontecimento. Que elementos seriam esses?

2 O texto em estudo é uma crônica humorística, cujo tema é tratado de forma leve e engraçada. a) Observe que o cronista usa uma linguagem divertida e que o conteúdo do texto também é engraçado. Por quê?

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b) Que situação provoca a reflexão desenvolvida pelo narrador?

c) Que tipo de narrador aparece nesse texto? Esclareça sua resposta.

3 Segundo o texto, o narrador logo compreende o comentário do técnico da televisão, ao sonhar com um controle remoto para os filhos. a) Em sua opinião, por que teria havido uma sintonia tão rápida entre eles?

b) De acordo com o 1o parágrafo, o que seria necessário para que pais e filhos fossem felizes?

4 O narrador introduz o 2o parágrafo com uma interrogação, estabelecendo uma coesão com o parágrafo anterior. Explique por que ele considera ineficiente a ideia do controle remoto de TV para a educação dos filhos.

5 Do 2o ao 5o parágrafo, o narrador traça um quadro negativo sobre o hipotético uso do controle remoto. De que modo ele tornou humorísticas algumas passagens desse trecho?

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6 A conjunção mas, que inicia o 6o parágrafo, introduz uma ideia contrária ao que foi dito antes. Que ideia é essa? Justifique sua resposta.

7 No penúltimo parágrafo, o narrador conclui que o controle remoto de vídeo também não seria recomendável, porque permitiria acelerar o tempo e mostrar a relação entre pais e filhos no futuro. a) O que o narrador parece sugerir como solução?

b) Nessa crônica, é possível identificar: • a exposição de opiniões sobre a convivência entre pais e filhos. • o relato de um fato polêmico de forma original. • a produção de humor por meio de uma narrativa curta e leve. • o desejo de fazer o leitor refletir sobre um assunto interessante. 8 Observe a linguagem empregada no texto. a) Que tipo de variedade linguística é empregada no texto? Justifique sua resposta.

b) Explique por que o cronista empregou um termo classificado como estrangeirismo no penúltimo parágrafo.

9 Na leitura da HQ que inicia esta unidade, você pôde acompanhar o relacionamento amistoso entre pai e filho. Compare o conteúdo desse texto ao da crônica de Moacyr Scliar, que aborda o mesmo assunto — o relacionamento entre pais e filhos.

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Gênero textual História em quadrinhos

1992 Watterson / Dist. by Universal Uclick

Leia a história em quadrinhos a seguir.

Bill Watterson. Os dias estão simplesmente lotados: um livro de Calvin e Haroldo. São Paulo: Best News, 1995. p. 45. v. 1.

1 O cartunista norte-americano Bill Watterson criou as personagens Calvin e Haroldo em 1985. a) Calvin é um menino de 6 anos que sempre tem argumento para iniciar uma discussão, e suas opiniões são, no mínimo, polêmicas. Nesses quadrinhos, quem ele questiona e por quê?

b) O que o faz imaginar que os elementos da natureza estão contra ele?

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2 Em geral, a história em quadrinhos é composta por quadros, também conhecidos como vinhetas. Explique como o cartunista dispôs as vinhetas nessa história.

3 Os quadrinhos retangulares estão em posições e tamanhos também variados. Relacione esse fato ao conteúdo que eles apresentam.

4 As histórias em quadrinhos também são chamadas de arte sequencial e quase sempre apresentam dois elementos de comunicação: o desenho (imagem) e o texto. a) Nessa história, quais são os tipos de linguagem empregados? b) Observe os desenhos e explique como o cartunista nos mostra que Calvin fica cada vez mais furioso.

5 A história em quadrinhos é um gênero narrativo e apresenta sempre uma sequência de fatos que se encadeiam de acordo com uma relação de causa e efeito (consequência). Por exemplo: começa a chover (causa) e Calvin se irrita (consequência). a) Na história, Calvin entende as mudanças no fluxo da chuva como respostas aos seus desafios. Com base nessa afirmação, explique a fala dele ao ouvir o trovão no 4o quadrinho. b) Que atitude ele decide tomar em resposta ao trovão e à intensificação da chuva? c) Uma mudança na chuva faz com que Calvin acredite que a natureza respondeu aos seus desafios. Que mudança seria essa? d) Por que Clavin decide se render e voltar para casa?

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e) A fala de Calvin no último quadrinho sugere que ele de fato entendeu as mudanças sofridas pela chuva como respostas aos seus desafios. Por quê?

6 A história em quadrinhos apresenta: fatos, personagens, tempo e espaço. a) A personalidade forte de Calvin é que torna a chuva um fato interessante nessa narrativa. Como se percebe essa personalidade no texto?

b) Calvin é a personagem principal ou protagonista da narrativa. Quem são as personagens secundárias ou coadjuvantes?

c) Toda história acontece em um determinado tempo. Observe a aparência, a atitude e as roupas das personagens. Em que época você acha que essa história se passa?

d) Em que momento do dia os fatos parecem acontecer? Esclareça sua resposta.

e) Os fatos mostrados na história tiveram uma certa duração. Você acha que eles levaram muito tempo ou não? Por quê?

f) Em que espaço ou ambiente essa história se passa?

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7 Numa história em quadrinhos, o texto pode estar dentro de balões ou de legendas (também chamadas letreiros). O balão é um recurso gráfico usado nas HQs para indicar a fala ou o pensamento de determinada personagem. O balão é ligado à personagem por meio de um apêndice, chamado rabicho. a) Observe que algumas falas da história não estão dentro de balões e, portanto, não têm rabicho. Em sua opinião, por que o cartunista fez essa opção em dois quadros da história?

b) Explique por que o 8o quadrinho apresenta um contorno todo cheio de pontas, diferente dos demais.

c) Como são escritas as palavras nos balões?

8 Além dos recursos já analisados, o autor também explora certas palavras que expressam sentimentos ou sensações — as interjeições. Que interjeições foram utilizadas nesse texto e que sentido expressam?

9 Releia a HQ e indique de que maneira a presença e a fala da mãe contribuem para a construção do humor.

10 Nas histórias em quadrinhos, é comum usar certas palavras para imitar sons ou ruídos. Essas palavras são conhecidas como onomatopeias. a) Qual é a onomatopeia presente no texto e o que ela representa? b) A linguagem dos quadrinhos é, na maioria das vezes, informal ou coloquial. Essa é a linguagem do texto? Por quê?

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autor

1a proposta — Recontagem de história em quadrinhos

CASCÃO

Mauricio de Sousa

A história em quadrinhos a seguir apresenta uma narrativa em que predomina a linguagem não verbal ou visual. Observe com atenção as imagens e leia o texto.

Mauricio de Sousa Produções Ltda

Você é o

Mauricio de Sousa. Cascão. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 9 jul. 2011. †† Observe a sequência dos fatos, os gestos e a expressão do rosto de Cascão e das outras personagens. Fique atento aos sinais que indicam movimento ou expressam inquietação, surpresa, medo e outras reações diante da situação. †† Reconte essa história, empregando apenas a linguagem verbal. No texto, há poucos balões, mas a interpretação de seu conteúdo, assim como do sentido das interjeições e da onomatopeia, é importante para melhor compreensão dos fatos que ocorrem nos quadrinhos. †† Além de narrar os acontecimentos, descreva o comportamento das personagens. Inicialmente, imagine o início da história: onde Cascão estava, de onde estava vindo, o que estaria pensando, etc. Desenvolva os fatos de acordo com cada quadrinho, contando quando, onde, como e por quê o fogo começou. Explique como os bombeiros foram acionados e também a atitude de Cascão, após eles chegarem. Procure manter no seu texto o efeito de humor produzido pelo cartunista. †† Empregue a variedade não padrão da língua e escolha um título para o texto. Reproduza a fala de Cascão ao telefone, colocando a pontuação adequada (travessão). †† Releia sua narrativa e altere o que for necessário, antes de trocar seu texto com um colega. Comparem as ideias e observem como cada um entendeu a história e o humor.

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2a proposta — Continuação de uma história em quadrinhos Leia a tira a seguir.

Folhapress

Preto no branco Allan Sieber

Allan Sieber. Preto no Branco. Folha de S.Paulo. São Paulo, 19 dez. 2009.

Agora siga estas orientações. †† Você vai dar continuidade a essa história em quadrinhos. Faça uma cópia dessa tira e cole-a em uma folha à parte ou no seu caderno. †† Trace na folha seis ou nove quadrinhos, logo abaixo da tira de Allan Sieber. Os quadros devem ser do tamanho dos quadros da tira, pois o espaço precisa ser suficiente para os desenhos e os balões. †† Releia a tira com atenção, observando a legenda, e imagine a continuação dessa história. Pense como vão ocorrer os próximos encontros entre essas personagens e os diálogos entre elas. Faça um rascunho desses diálogos e releia-os várias vezes, modificando o que for necessário. †† Antes de desenhar as personagens e criar os balões com os diálogos, faça um rascunho escrito de todo o trabalho. Não se esqueça de dar um novo título à história, se julgar conveniente. †† Nos diálogos, assim como fez o autor da tira, você pode empregar outros tipos de balão. Use interjeições para expressar os sentimentos e as reações das personagens. Se necessário, utilize também onomatopeias, para representar ruídos. Lembre-se de que as letras nos balões devem ser de forma, maiúsculas e escritas à mão. †† Você pode colorir as personagens e o fundo dos quadrinhos de acordo com o cenário, para mostrar se os fatos ocorrem de dia ou à noite. Como exemplo, observe os quadrinhos apresentados neste livro. O final da história pode conter humor ou não. †† Confira a produção, quando estiver pronta, e passe-a a limpo na folha definitiva. Sob a orientação do professor, faça com seus colegas um mural de tiras, expondo-o na sala de aula ou na biblioteca da escola. Guardem o trabalho para uma próxima atividade na “Oficina de projetos”.

Use o caderno de redação para registrar a sua produção.

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Balões especiais Além das falas, os balões podem conter desenhos, onomatopeias e interjeições que representem emoções e pensamentos das personagens, e também certos sinais gráficos, como pontos de interrogação e de exclamação. O tamanho, o formato e a cor dos balões podem variar, para traduzir expressões ou situações diferentes, como um tom de voz mais alto ou mais baixo. Veja alguns exemplos de balões e letras diferentes. Jim Davis © 2010 Paws, Inc. All Rights Reserved / Dist. Universal Uclick

GARFIELD

Jim Davis. Garfield. Folha de S.Paulo. São Paulo, 1o jun. 2010. Mauricio de Sousa Mauricio de Sousa Produções Ltda

TURMA DA MÔNICA

Mauricio de Sousa. Turma da Mônica. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 13 jan. 2012. Mauricio de Sousa Mauricio de Sousa Produções Ltda

TURMA DA MÔNICA

Mauricio de Sousa. Mônica tem uma novidade! Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 7.

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Você é o

autor

1a proposta — Interpretação de HQs Como você já conhece os principais elementos que compõem uma história em quadrinhos, pode agora interpretá-las com mais facilidade. Leia as tiras a seguir e observe bem os recursos gráficos, desenhos e conteúdos dos balões. Veja também os sinais que indicam movimentos e as reações das personagens em cada história. Tira 1 Greg & Mort Walker © 2012 King Features Syndicate/Ipress

RECRUTA ZERO

Mort Walker. Recruta Zero. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 14 dez. 2011.

1 O que representam os sinais gráficos no 1o balão de fala? Por que eles foram usados na tira?

2 Como o cartunista explorou as palavras e as imagens para a criação do humor na tira?

Tira 2 Mauricio de Sousa Mauricio de Sousa Produções Ltda

TURMA DA MÔNICA

Mauricio de Sousa. Turma da Mônica. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 26 nov. 2010.

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3 Nessa tira, os balões apresentam somente imagens ou desenhos; não há palavras ou texto dentro deles. Observe as expressões, o comportamento e as reações das personagens. Agora, responda às questões a seguir. a) Quem são as personagens dessa tira? b) O que significa o desenho da lâmpada, no interior do balão, no 1o quadrinho? c) E o que representa a lâmpada no balão do último quadrinho? Justifique sua resposta.

d) Explique por que Cebolinha foi à mercearia comprar uma lâmpada.

4 Você acha que o autor da tira teria transformado a própria falta de inspiração em um novo tema? Tira 3 Charles M. Schulz © Peanuts Worldwide LLC. / Dist. by Universal Uclick

MINDUIM

Charles M. Schulz. Minduim. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 12 mar. 2010.

5 Observe que a personagem Patty Pimentinha não consegue convencer Charlie Brown (Minduim, no Brasil) a jogar bola. Como o cartunista sugere ao leitor que o menino tinha razão?

6 De que forma o autor tornou essa história humorística?

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2a proposta — Criação de balões

© 1992 Watterson / Dist. by Universal Uclick

Leia a história em quadrinhos a seguir.

Bill Watterson. Os dias estão simplesmente lotados: um livro de Calvin e Haroldo. São Paulo: Best News, 1995. p. 37. v. 1.

†† Na produção dessa HQ, o cartunista não criou balões para a personagem Calvin. Você deverá criá-los. †† Inicialmente, observe com atenção as expressões, reações e atitudes das personagens em cada quadrinho. †† De acordo com o comportamento das personagens, especialmente de Calvin, desenhe balões para ele e o pai e escreva o texto. Imagine o diálogo entre eles, com base no conteúdo da história e nas imagens. Antes, faça um rascunho. †† Lembre-se de que você conhece vários tipos de balões e já sabe como usá-los. Portanto, seja criativo. Calvin é um menino contestador, como você pôde observar em outra atividade. Crie frases que sejam adequadas ao perfil da personagem. †† Empregue frases curtas e a linguagem informal, de acordo com o texto do cartunista. Escreva as falas em letras de forma maiúsculas. Procure criar humor no final da história, com um pensamento de Calvin, por exemplo. †† Troque seu trabalho com um colega. Com a turma, discuta as ideias que tiveram e verifiquem se as produções ficaram interessantes e criativas. Guarde seu texto; você vai precisar dele na “Oficina de projetos”.

Use o caderno de redação para registrar a sua produção.

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Emprego de onomatopeias, interjeições e legendas As onomatopeias são empregadas nas histórias em quadrinhos para representar o som de ações e conferir movimento às cenas. São comuns as que reproduzem ruídos — atchim (espirro), chuá (água), bam (tiro), chuac (beijo), blim-blom (campainha), buá (choro), toc-toc (batida na porta), zzzzz (sono) — e vozes de animais — cocoricó (galo), mu (vaca), au-au (cachorro). Outro recurso utilizado pelos quadrinistas são as interjeições, que servem para expressar emoções, sentimentos e sensações. Veja alguns exemplos de interjeição: opa (espanto), alô (apelo ou chamamento), credo (surpresa), tomara (desejo), ui (dor ou medo), ora (reprovação ou desacordo), ufa (alívio), hum (dúvida ou desconfiança), vamos (ânimo). As legendas apresentam, em geral, formato retangular, o que as diferencia dos diversos tipos de balão. Sua localização no texto ocorre, na maioria das vezes, no canto superior do quadrinho, antes da fala das personagens. Há casos em que a legenda aparece na parte inferior do quadrinho. A legenda registra o discurso do narrador da história. Se ele for um narrador-observador (onisciente ou não), os verbos devem ser empregados na 3a pessoa. Se ele for um narrador-personagem, os verbos devem ser usados na 1a pessoa. Veja a seguir tirinhas que apresentam legendas em diferentes posições. Tira 1 Adão Iturrusgarai Adão Iturrusgarai

MUNDO MONSTRO

Tira 2

Adão Iturrusgarai Adão Iturrusgarai

MUNDO MONSTRO

Adão Iturrusgarai. Mundo Monstro. Folha de S.Paulo. São Paulo, 16 dez. 2011.

Adão Iturrusgarai. Mundo Monstro. Folha de S.Paulo. São Paulo, 29 abr. 2011.

Na tira 1, a legenda está no início e na lateral do texto, antes das falas das personagens. A tira 2 apresenta a legenda depois das falas, na parte inferior do 2o quadrinho. Repare que o título da tira está no último quadrinho. 141

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Você é o

autor

1a proposta — Criação de balões e de recursos gráficos Observe as tiras a seguir. Tira 1 Mauricio de Sousa MAURICIO DE SOUSA PRODUÇÕES LTDA.

TURMA DA MÔNICA

M  S. Turma da Mônica. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 24 out. 2010. Tira 1 Angeli ANGELI

CHICLETE COM BANANA

A. Chiclete com banana. Folha de S.Paulo. São Paulo, 15 dez. 2010.

Agora, faça o seguinte: † Na tira 1, no 1o quadrinho, crie balões de fala ou de pensamento para Chico Bento. Lembre-se de que a personagem usa uma fala regional. Se necessário, leia outras tiras em que ele é o protagonista. As frases devem ser curtas. † No 2o quadrinho, escreva onomatopeias, para expressar o som do burro em disparada, e as interjeições ditas por Chico Bento, que expressem sua aflição diante da situação. Você também pode criar uma legenda para o conteúdo do texto; escolha bem o lugar da tira onde ela será colocada. Na tira 2, as personagens tocam instrumentos musicais bem variados. Pesquise e escreva na própria tira a onomatopeia referente a cada tipo de som, ou invente uma onomatopeia para cada um. † Se necessário, tire uma cópia ampliada das duas tiras para realizar a atividade. Nesse caso, seria interessante colorir as personagens e o cenário.

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Observe as personagens desta história e o ambiente onde os fatos acontecem.

Mauricio de Sousa Produções Ltda.

2a proposta — Preenchimento de balões

Mauricio de Sousa. Turma da Mônica. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 14 nov. 2009. (Adaptado).

†† Siga estas orientações. †† Faça um rascunho no caderno. Preencha cada balão da HQ com o conteúdo correspondente ao que você entendeu da narrativa sem texto. Indique também as onomatopeias, nos lugares onde elas forem necessárias. Escreva os textos, de acordo com o que acontece em cada quadro e a expressão das personagens. †† Observe a personagem Mônica, no 1o quadrinho. Imagine como ela está se sentindo e para onde estaria indo. Escreva, nos balões, o que a menina estaria falando para si mesma. †† No 2o e 3o quadros, Mônica tropeça e cai. Escreva a interjeição e a onomatopeia correspondentes a cada cena. No 4o e 5o quadrinhos, escreva a fala de Mônica nos balões, após a inesperada queda. Observe bem as expressões da personagem e os sinais gráficos sobre sua cabeça. No 6o, 7o e 8o quadrinhos, empregue interjeições e onomatopeias. No 9o e 10o, escreva a fala de Cebolinha nos balões. Não se esqueça de que, ao falar, a personagem troca o som do r pelo som do l, em determinadas sílabas. †† As letras que compõem o texto devem ser de forma e maiúsculas. Elas variam de tamanho dependendo do tom de fala de cada personagem.

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† Releia os textos no rascunho, modifique o que não ficou adequado e escreva-os em cada balão. No último balão de fala, não se esqueça de criar humor, imaginando o que Cebolinha teria dito ao ver a “fantasia” de Mônica. † Mostre seu texto a um colega. Troquem ideias sobre o trabalho produzido. Combine com o professor a possibilidade de expor as histórias na própria sala de aula, para todos poderem ler as produções. Depois, guarde seu trabalho.

USE O CADERNO DE REDAÇÃO PARA REGISTRAR A SUA PRODUÇÃO.

Gênero textual Crônica humorística Leia esta crônica humorística de Luis Fernando Verissimo, escritor contemporâneo que se caracteriza pela linguagem comunicativa, marcada pelo humor.

Discriminação Acho uma odiosa discriminação nós, motoristas, sermos obrigados a preencher requisitos cada vez mais complicados para ganhar uma licença para dirigir enquanto que nada sequer parecido é exigido do pedestre. E é um fato comprovado que, por exemplo, em cerca de oitenta por cento dos atropelamentos há um pedestre envolvido. (Cachorros vêm em segundo lugar.) Por que esse privilégio? O pedestre é parte atuante do trânsito de uma cidade, existe em muito maior quantidade do que carros, e no entanto não há uma única lei regulando a sua movimentação e as suas obrigações. Qualquer pessoa, literalmente, pode ser pedestre! Basta sair na rua. Até quando as autoridades fecharão os olhos a esse inexplicável favoritismo? Agora mesmo, formam-se filas intermináveis de automóveis esperando sua vez de serem vistoriados no Departamento de Trânsito, para poderem renovar suas licenças. É um espetáculo doloroso. Seus motoristas, não raro, são alvo de cruéis manifestações de desprezo por parte de pedestres insensíveis, que passam arrogantemente, certos dos seus privilégios. E por que não exigir vistoria de pedestres, também? Tem gente circulando por aí sem as mínimas condições para tal, com problemas que vão desde o calo e o pé chato até o daltonismo e a ausência de um ou mais membros. A falta de uma minúscula lâmpada pode ser fatal para o motorista na vistoria, mas o pedestre vai onde quer, impunemente, às escuras, sem qualquer tipo de sinalização. E até de uma carroça se exige, no mínimo, uma lanterna! Um automóvel, para passar na vistoria, precisa ter pneu sobressalente em bom estado, extintor de incêndio regulamentar, o diabo. Que equipamento precisa ter um pedestre? Nem sequer um par de sapatos de reserva. Nem cordão sobressalente para o sapato! É intolerável isto. 144

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Um exame psicotécnico bem aplicado eliminaria, seguramente, metade dos pedestres das nossas ruas. E cada pedestre, para ser licenciado, deveria passar por um exame de habilidade igual ao que é feito para o aspirante a motorista. O exame consistiria de testes de rapidez, flexibilidade, jogo de pernas e travessia da Farrapos (os feridos tentariam de novo depois da convalescença, os mortos seriam automaticamente desclassificados). Grande parte dos atropelamentos se deve à imperícia ou à falta de preparo físico do pedestre. Quanta valiosa lataria de automóvel ainda precisará ser sacrificada contra o corpo de maus pedestres até que as autoridades se movimentem contra esta iniquidade? Uma campanha publicitária para conscientizar o pedestre do perigo que ele representa (“Não faça do seu corpo uma arma, a vítima pode ser um Mercedes”) não estaria fora de propósito. O fato é que severas providências se impõem. Surgem cada vez mais pedestres no mercado, consumindo cada vez mais oxigênio, e nossas cidades simplesmente não estão preparadas para recebê-los. Qualquer dia não haverá mais lugar para um automóvel se mexer! Luis Fernando Verissimo. A grande mulher nua. Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 58-59. © by Luis Fernando Verissimo.

• Daltonismo: incapacidade de diferenciar as cores.

• Farrapos: movimentada avenida da cidade de Porto Alegre.

• Iniquidade: injustiça, desigualdade.

1 Você já leu outras crônicas nesta obra que apresentam características semelhantes a essa, mas diferem na linguagem. Na crônica de Verissimo, a linguagem é: • formal e direta.

• subjetiva e informal.

• objetiva e impessoal.

• formal e pessoal.

2 A crônica é uma narrativa curta que focaliza um flagrante da vida cotidiana, real ou imaginário. a) Em que fato do cotidiano o cronista se inspirou para a criação de seu texto?

b) Há elementos de ficção no tratamento dado a esse assunto? Esclareça sua resposta.

c) Explique por que o cronista optou por focalizar esse assunto numa perspectiva diferente.

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d) Que tipo de crônica o autor escreveria, se tivesse escolhido uma abordagem real e objetiva dos fatos, expondo suas opiniões sobre o assunto? Justifique sua resposta. • reflexiva

• argumentativa

• poética

3 Em geral, as crônicas são veiculadas em jornais, revistas ou sites e muitas são depois reunidas e publicadas em livros. a) Nessa crônica o narrador é personagem ou observador? Esclareça sua resposta.

b) Há crônicas em que a história se desenvolve a partir de diálogos entre as personagens, e o narrador se mantém ausente. Na crônica em estudo, o narrador está sempre presente? Justifique sua resposta.

4 Em geral, as crônicas apresentam poucas personagens, e a ação é curta e rápida. a) De que trata a crônica?

b) Explique por que essa crônica nos surpreende já no primeiro parágrafo.

5 No início deste capítulo, estudamos a crônica humorística intitulada “Controle remoto”, de Moacyr Scliar. Nela, o tema era a dificuldade dos pais em criar os filhos. Compare a forma como foi produzido o humor naquele texto e nesta crônica de Verissimo.

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6 No 1o parágrafo da crônica, o narrador apresenta uma opinião e, em seguida, relata fatos que a comprovam. a) Explique como, já na abertura do texto, o narrador introduz a ideia principal da crônica.

b) Em diversos momentos, nota-se a linguagem irônica do narrador, ao apresentar os fatos de maneira cômica. Identifique trechos com essa característica.

7 Ao registrar uma situação do cotidiano de forma simples, coloquial e breve, o narrador não só produziu humor como também fez uma crítica social. De que modo isso ocorreu?

8 Assinale o(s) possível(eis) objetivo(s) com que pode ter sido escrita essa crônica. • Divertir ou entreter o leitor. • Alertar as autoridades sobre a situação enfocada. • Defender os motoristas de injustiças. • Fazer o leitor refletir criticamente sobre um fato. 9 A crônica apresenta, quase sempre, um desfecho inesperado. Nessa crônica, a conclusão surpreende o leitor? Por quê?

Crônica humorística é uma narrativa curta e leve, baseada em fatos do cotidiano, reais ou imaginários, cujo objetivo é divertir o leitor e fazê-lo refletir. 147

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Você é o

leitor

A crônica é uma narrativa condensada, que focaliza um flagrante da vida cotidiana, pitoresco e atual, real ou imaginário, com ampla variedade temática. Normalmente veiculada em jornais ou revistas, a crônica está na fronteira entre o texto literário e o jornalístico. Sua linguagem costuma ser subjetiva e coloquial, e suas ações, rápidas e sintéticas. Suas personagens, se comparadas com as do conto, têm menor densidade e características psicológicas mais superficiais. Embora predominem as sequências narrativas, a crônica também pode apresentar trechos dissertativos. Inspirada num fato real tratado de forma ficcional e inusitada, a crônica de Luis Fernando Verissimo apresenta as características típicas do gênero, além de misturar humor à crítica social. A linguagem é fluente, coloquial, e o enredo, rápido e simples. A crônica costuma surpreender pelo desprendimento com que são tratados os fatos, em geral relacionados ao cotidiano e a temas atuais. Dentre nossos melhores cronistas, temos, além de Luis Fernando Verissimo: Affonso Romano de Sant’Anna, Fernando Sabino, Lourenço Diaféria, Rubem Braga, Moacyr Scliar, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Cecília Meireles e muitos outros.

Você é o

autor

1a proposta — Continuação de crônica humorística Leia o início da crônica humorística a seguir e escreva a continuação.

O homem trocado O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. — Tudo perfeito — diz a enfermeira, sorrindo. — Eu estava com medo desta operação... — Por quê? Não havia risco nenhum. — Comigo, sempre há riscos. Minha vida tem sido uma série de enganos... E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. 148

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Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês. — E o meu nome? Outro engano. — Seu nome não é Lírio? — Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e... Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista. [...] Luis Fernando Verissimo. In: Ana Maria Machado (Org.). Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 27-28. (Fragmento). © by Luis Fernando Verissimo.

Siga estas orientações. † Desenvolva a história com conteúdo humorístico e crie um desfecho inesperado, que também desperte humor. † Continue a conversa entre a enfermeira e o paciente, usando o discurso direto. Imagine outros enganos divertidos que tenham ocorrido com o protagonista. † Defina se você tem como objetivo somente divertir o leitor ou também fazê-lo refletir sobre o tema abordado. † Empregue a variedade padrão da língua, com uma linguagem simples, subjetiva e coloquial. Se quiser, modifique o título da crônica escolhida. † Avalie sua crônica humorística de acordo com a estrutura e as características do gênero. Observe se a linguagem ficou leve e interessante e se o foco narrativo está adequado. Verifique também se você usou o discurso direto no desenvolvimento do texto, se a crônica apresenta humor, se foram empregados os elementos narrativos e como ficou o desfecho. † Releia o texto, altere o que julgar conveniente e passe-o a limpo. Se possível, leia sua narração para os colegas.

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2a proposta — Produção de crônica humorística Você vai produzir uma crônica humorística com base na notícia a seguir. Leia-a.

POLÍCIA MEXICANA MULTA MENINO DE 6 ANOS POR BATIDA FoLhaPress

‘Velozinho e furioso’ teve sua motocicleta apreendida; autoridades retiraram punição

A

polícia de Ciudad Juárez, no norte do México, multou um menino de seis anos por condução perigosa, dirigir sem licença e não ter o veículo registrado. As penalidades foram aplicadas após o garoto ter batido sua motocicleta de brinquedo em um SUV (grande veículo de passeio) no dia 27 do mês passado, em um condomínio residencial privado. Após o caso ganhar notoriedade na mídia, contudo, as autoridades voltaram atrás na decisão. A mãe do garoto, Karla Noriega, disse que a polícia chegou a apreender o brinquedo, movido a gasolina, que o filho ganhou no Natal.

Noriega decidiu recorrer aos meios de comunicação e tornar o caso público quando descobriu que teria que desembolsar o equivalente a R$ 327 para ter a motocicleta de volta. O secretário da Prefeitura de Ciudad Juárez, Héctor Arcelus, afirmou ontem que as multas foram canceladas, que o brinquedo foi devolvido e que os policiais responsáveis serão punidos por conduta imprópria. Gael, o garoto que bateu na SUV, ficou feliz por ter sua minimotocicleta de volta, mas disse que ela não funciona mais após o acidente. Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 jan. 2012.

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Oriente-se por estas sugestões. † Como você já sabe, a crônica se baseia geralmente em fatos do cotidiano, muitas vezes lidos em jornais e recontados com humor, ironia ou poesia pelo cronista. † A notícia que você leu já apresenta certo humor, pelas personagens envolvidas, suas ações e consequências. Observe que o narrador relata os fatos de forma breve, objetiva, e usa linguagem simples, clara. † Escreva uma crônica humorística, apresentando sua opinião sobre o acontecimento, já na abertura do texto. Depois, desenvolva a narrativa, confirmando sua argumentação, assim como fez Luis Fernando Verissimo, no texto “Discriminação”. † Você também pode desenvolver a crônica apresentando, inicialmente, as personagens, suas ações, o tempo e o lugar em que os fatos ocorreram. Só não se esqueça de que o tratamento dado aos acontecimentos deve ser humorístico. † Crie um texto divertido e envolvente. Imagine como seriam esse menino e seus pais, bem como a reação deles ao ver o filho punido. Observe a imagem que ilustra a notícia e apresente sua visão pessoal, subjetiva. Sua crônica pode apenas divertir o leitor ou também fazê-lo refletir sobre o fato. † Empregue a variedade não padrão ou informal. Conte a história na 3a pessoa, como narrador-observador, ou na 1a pessoa, como narrador-personagem, participando da cena. Se quiser, empregue o discurso direto e o discurso indireto, para dar maior dinamismo aos fatos e criar humor, com a fala do menino, por exemplo, explicando o acidente ao policial. † Releia o texto e crie um desfecho bem cômico para a história, com a ocorrência de um novo fato. Ou então imagine uma atitude engraçada do menino, que altere a conclusão da crônica. Dê um título ao texto que desperte o interesse do leitor. Avalie sua crônica de acordo com a 1a proposta. † Sob a orientação do professor, organize com os colegas um mural de crônicas, afixando-as nas paredes da sala de aula, para que todos possam ler os textos. Com os colegas, avalie e escolha as crônicas mais criativas. Guarde sua produção, para um novo trabalho.

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capítulo

6

O texto poético

René-Gabriel Ojéda/RMN/Glowimages

Linguagem visual

O teto paternal, de Louis Janmot. 1854. Óleo sobre tela, 113 x 143 cm.

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Anne-François-Louis Janmot (1814-1892) nasceu em Lyon, na França. Além de pintor, era poeta. O fato de os pais serem extremamente católicos influenciou bastante sua arte. Em 1831, começou a estudar na Escola de Belas-Artes de sua cidade natal. Passado apenas um ano, recebeu o maior prêmio concedido pela instituição, o Laurel de Ouro. Dois anos depois, Janmot foi para Paris, onde estudou pintura com Dominique Ingres, conhecido artista da época. Ao voltar a Lyon, em 1836, sua obra já havia conquistado os críticos de arte. Em 1845, foi prestigiado por grandes artistas franceses, como o poeta Charles Baudelaire e o escritor Théophile Gautier. Casou-se em 1855 com Leonie Saint-Paulet, com quem teve sete filhos. Pouco tempo depois, foi nomeado professor da Escola de Belas-Artes. Mudou-se para Paris em 1861, quando enfrentava problemas familiares e financeiros. Estabeleceu-se na cidade de Bagneux, onde produziu diversos trabalhos, entre eles, vários retratos da família. Após perder a esposa, em 1870, aceitou o cargo de professor em uma escola dominicana. Viveu com a família em Toulon por um tempo, dedicou-se à pintura de paisagens e retornou a Lyon. Dentre suas obras se destacam: Raios de sol, A primavera Louis Janmot. e Flor dos campos.

Coleção Particular akg berlim – latinstock

O autor e a obra

Leitura de imagem 1 Observe com atenção a imagem das pessoas reunidas em uma sala. a) De acordo com o título da pintura, o que parece ter sido representado nesse quadro?

b) Que papel parecem representar as pessoas que aparecem nessa cena?

2 O pintor francês retratou nessa cena familiar um ambiente de época. O que se pode observar nesse lugar? Descreva-o.

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3 Janmot é considerado um artista de transição entre o estilo romântico, que explorou o sentimento, e o simbolismo, inspirado em sons, luzes e cores. De que forma é possível perceber, nesse quadro, a presença desses dois estilos?

4 Nessa imagem, o pai se destaca, mesmo estando ao fundo e em um canto do quadro. a) Explique o que chama a atenção na expressão e na postura da personagem.

b) Situe a época em que esse trabalho de Janmot foi realizado e explique qual seria o papel do pai nessa família.

5 O título dessa obra é bem significativo: O teto paternal. a) Relacione esse título à cena apresentada.

b) Observe que todas as pessoas dessa pintura estão entretidas com algo, somente o pai parece não se distrair com nada. Por quê?

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6 Janmot pintou uma série de 34 obras e escreveu um poema que as acompanha. Faz parte dessa série, chamada “O poema da alma”, a pintura O teto paternal. O poema trata do nascimento de um garoto que é acompanhado por uma menina. Os dois crescem juntos até que deixam a família e enfrentam o mundo. a) A pintura que abre esta unidade representa a partida da casa paterna. Considerando as informações acima, tente identificar no quadro as personagens das duas crianças mencionadas no poema.

b) Relacione o fato de a pintura representar a partida da casa paterna à postura das personagens que você identificou.

c) Essa ideia de sair da casa pa terna e conhecer o mundo faz parte do processo de tornar-se adulto, de deixar a infância para trás. Como você imagina que as personagens poderiam se sentir diante dessa possibilidade?

d) Como você se sentiria no lugar delas?

Estudo de texto O texto a seguir é de Vinicius de Moraes, chamado de “O poetinha”. Vinicius se destacou também como cantor, compositor de música bossa-nova e escritor. Leia um de seus textos em prosa.

A casa materna Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se oculta num lugar que só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e úmido que os demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias que a mão filial, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste. É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem. Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de 155

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• Bibelô: pequeno objeto decorativo.

• Puído: desgastado pela fricção constante.

• Untuoso: gorduroso.

• Votivo: ofertado em promessa.

outras primaveras. As coisas vivem como em prece, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando as mãos maternas careciam sonhar. A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que o olhar filial admirava ao tempo em que tudo era belo: o licoreiro magro, a bandeja triste, o absurdo bibelô. E tem um corredor à escuta, de cujo teto à noite pende uma luz morta, com negras aberturas para quartos cheios de sombra. Na estante junto à escada há um Tesouro da juventude com o dorso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial primeiro viu a forma gráfica de algo que passaria a ser para ele a forma suprema da beleza: o verso. Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos maternos a presença dos passos filiais. Pois a casa materna se divide em dois mundos: o térreo, onde se processa a vida presente, e o de cima, onde vive a memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa: roquefort amassado, ovos frescos, mangas-espadas, untuosas compotas, bolos de chocolate, biscoitos de araruta — pois não há lugar mais propício do que a casa materna para uma boa ceia noturna. E, porque é uma casa velha, há sempre uma barata que aparece e é morta com uma repugnância que vem de longe. Em cima ficam os guardados antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno oratório em frente ao qual ninguém, a não ser a figura materna, sabe por que queima às vezes uma vela votiva. E a cama onde a figura paterna repousava de sua agitação diurna. Hoje, vazia. A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu violão dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como que se marca ainda na velha poltrona da sala e como que se pode ouvir ainda o brando ronco de sua sesta dominical. Ausente para sempre da casa materna, a figura paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos maternas se fazem mais lentas e as mãos filiais mais unidas em torno à grande mesa, onde já agora vibram também vozes infantis. Vinicius de Moraes. Vinicius menino. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 9-11. Os direitos relativos ao uso do texto de autoria de Vinicius de Moraes foram autorizados pela VM Empreendimentos Artísticos e Culturais Ltda., além de: © VM e © Cia. das Letras (Editora Schwarcz).

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Análise da leitura 1 No 1o parágrafo se observa um sentimento de saudosismo do narrador em relação à casa materna. a) Segundo o texto, o que provoca essa reação, quando ele entra na casa materna? E o que sugere essa reação?

b) Quem seria o narrador dos acontecimentos relatados e descritos com tantos detalhes? Justifique sua resposta.

c) Quem seriam as personagens mencionadas nessa história e que parecem retornar à casa onde viveram juntos?

2 De acordo com o 2o parágrafo, há uma enorme quietude na casa materna, mesmo agora, quando os filhos se reúnem aos domingos. Explique por quê.

3 O silêncio estende-se por toda a casa materna, cheia de imagens do passado. Nesta frase: “As coisas vivem como em prece [...]”, o significado é: • Os problemas começam a se resolver com tranquilidade. • Os fatos vão acontecendo pouco a pouco, sem atropelos. • Com o passar do tempo, tudo se modifica rápido. • A vida parece igual, tudo continua da mesma forma. 4 O passado parece ressurgir com as lembranças do convívio familiar. a) Explique por que existe nas salas da casa materna “um dorido repouso em suas poltronas”. Releia o texto, se necessário.

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b) O que representa a casa materna para os filhos que, mesmo marcados pela dor da saudade, retornam aos domingos para reviver o passado?

5 Assim como as pessoas, também os objetos da casa materna agora sentiam os efeitos da passagem do tempo. a) Observe que alguns desses objetos aparecem personificados. Explique o sentido que os adjetivos empregados junto aos substantivos licoreiro, bandeja e bibelô expressam.

b) O que o “piano fechado” representa nesse contexto de silêncio e quietude na casa materna?

6 O corredor é visto como personagem dos fatos que ocorreram na casa materna. a) Explique por que ele se mantém atento às conversas.

b) De quem seria o “olhar filial” que já demonstrava o gosto pela leitura ainda na infância? Justifique sua resposta.

7 Segundo o narrador, a casa apresenta dois espaços diferentes: o térreo e o andar de cima. a) Explique por que térreo ainda representa a “vida presente”, e em cima simboliza a “memória”.

b) Em que passagem do texto é possível entender que a mãe, já idosa, ainda continua na casa e que o pai havia falecido?

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c) Com base nessa resposta, explique por que o título do texto é “A casa materna” e não “A casa paterna”.

8 No último parágrafo, ocorre o desfecho da história, quando a família parece novamente reunida, sem a presença do pai. a) Explique o que significam estas palavras finais: “[...] as mãos maternas se fazem mais lentas e as mãos filiais mais unidas em torno à grande mesa, onde já agora vibram também vozes infantis”.

b) Assim como no texto em estudo, também no quadro de Louis Janmot, O teto paterno, a família aparece reunida. O sentimento pela família expresso na pintura é semelhante ao sentimento expresso no texto? Justifique sua resposta.

Gênero textual Poema

Verso e estrofe, ritmo e rima Leia a seguir um poema de Fernando Pessoa (1888-1935), um dos maiores poetas portugueses.

Na ribeira deste rio Na ribeira deste rio ou na ribeira daquele passam meus dias a fio. Nada me impede, me impele, me dá calor ou dá frio.

Vou vendo e vou meditando não bem no rio que passa mas só no que estou pensando, porque o bem dele é que faça eu não ver que vai passando.

Vou vendo o que o rio faz quando o rio não faz nada. Vejo os rastros que ele traz, numa sequência arrastada, do que ficou para trás.

Vou na ribeira do rio que está aqui ou ali, e do seu curso me fio, porque, se o vi ou não vi, ele passa e eu confio.

Fernando Pessoa. In: eucanaã Ferraz (Org.). A lua no cinema e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 82.

• Ribeira: terreno baixo junto às margens de um rio, geralmente banhado por ele.

• A fio: sem interrupção.

• Fiar-se: acreditar, confiar.

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1 O texto em estudo foi escrito em versos. Trata-se, portanto, de um poema. Os versos constituem cada linha da composição poética. Eles podem ou não apresentar a mesma extensão. Cada conjunto de versos constitui uma estrofe, que é separada da seguinte por um espaço em branco. a) Quantos versos e quantas estrofes tem o poema? b) Os versos têm a mesma extensão?

c) Quando as estrofes de um poema têm o mesmo número de versos são chamadas regulares. Do contrário, são chamadas irregulares. No poema lido, como se classificam as estrofes quanto ao número de versos?

2 O poeta é o autor do texto. A voz que “fala” no poema é o eu lírico. a) Que ideias o eu lírico desenvolve nos versos do poema?

b) Como o eu lírico parece se sentir às margens desse rio? Esclareça sua resposta com base no poema.

3 As estrofes de cinco versos, como as do poema, chamam-se quintetos. Com base na leitura do 1o quinteto, responda às questões a seguir. a) Releia os dois primeiros versos da 1a estrofe: “Na ribeira deste rio / ou na ribeira daquele”. Explique o sentido que os pronomes demonstrativos destacados conferem ao contexto. Releia o poema, se necessário.

b) Observe o sentido da expressão destacada neste verso da 1a estrofe: “passam meus dias a fio”. Interprete esse verso.

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c) No 4o e 5o versos da 1a estrofe, como se comporta o eu lírico em relação a tudo o que o cerca?

d) Ainda na 1a estrofe, observe as palavras destacadas neste verso: “Nada me impede, me impele”. Elas apresentam ideias contrárias, que se opõem. Por isso, ocorre um recurso ou figura de linguagem que se chama antítese. Em que outros versos desse poema se empregou a antítese?

4 Na 2a estrofe, o eu lírico continua às margens do rio, apreciando sua passagem. a) Que ideias ele desenvolve nesses versos, ao falar sobre o rio?

b) Pode-se dizer que o eu lírico parece comparar a passagem lenta do rio à passagem da vida. Explique por quê, baseando-se na 2a estrofe.

5 O eu lírico inicia a 3a estrofe relatando o que faz na ribeira do rio. a) Tanto na 2a estrofe como na 3a, ele diz que está “vendo” o rio, mas, ao mesmo tempo, medita e pensa e afirma “não ver que [o rio] vai passando”. Que sentido apresenta o verbo ver, nesse caso?

b) Na 3a estrofe, o eu lírico afirma que olha o rio passando, mas não pensa nisso. De acordo com o texto, no que ele estaria meditando?

c) Observe o emprego da palavra bem na 3a estrofe, com dois sentidos diferentes. O que ela significa nos dois casos?

d) Explique o que o eu lírico quis dizer no 4o e 5o versos da 3a estrofe.

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e) De acordo com o texto, o rio é personificado, pois apresenta ações próprias de um ser humano e é tratado como tal. Em que versos se observa essa personificação?

6 Na 4a estrofe, o eu lírico prossegue na ribeira do rio, sem se importar em qual rio está. a) Explique por que ele diz que o rio “está aqui ou ali”.

b) No poema, observa-se o emprego da expressão a fio e da forma verbal fio, do verbo fiar. Que sentido apresenta esse verbo no texto? Interprete os três últimos versos.

7 O conceito de poema está relacionado à forma como o texto é apresentado, ou seja, em versos e ao ritmo imposto pela escolha de palavras. Já o conceito de poesia se refere ao conteúdo, relativo à exploração dos sentimentos, emoções e reflexões, isto é, da subjetividade. De acordo com esses critérios, o poema de Fernando Pessoa também tem um conteúdo poético? Por quê?

8 Além da subjetividade, o poema pode explorar a sonoridade das palavras de várias maneiras. Uma delas é a rima. A rima ocorre quando há identidade ou semelhança de sons no fim ou no meio dos versos. Observe as rimas da 1a estrofe:

“Na ribeira deste rio (a) ou na ribeira daquele (b) passam meus dias a fio. (a) Nada me impede, me impele, (b) me dá calor ou dá frio.” (a) A palavra rio, no 1o verso, rima com as palavras fio e frio, no 3o e 5o versos, respectivamente, assim como a palavra daquele, no 2o verso, rima com impele, no 4o verso.

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Trata-se, portanto, de rimas no final dos versos. A rima no meio dos versos ocorre entre as palavras impede e impele, no 4o verso (rima imperfeita). Identifique os demais casos de rima no poema.

9 Nesse poema, nem sempre as palavras que rimam apresentam terminações com a mesma grafia. Quais palavras do poema têm terminações escritas com letras diferentes, mas apresentam sons idênticos, que resultam em rimas consideradas perfeitas?

10 A sonoridade das palavras pode ser explorada também a partir do ritmo do poema. O ritmo é criado pela alternância entre versos longos e curtos ou entre sílabas átonas (mais fracas) e tônicas (mais fortes). Veja a marcação do ritmo, com as sílabas tônicas destacadas em negrito, na 1a estrofe do poema:

“Na ribeira deste rio ou na ribeira daquele passam meus dias a fio. Nada me impede, me impele, me dá calor ou dá frio.” Identifique o ritmo na 4a estrofe do poema.

11 Além da rima e do ritmo, há outros recursos para a exploração da sonoridade. Leia estes versos:

“Nada me impede, me impele, me dá calor ou dá frio.” a) Quais as semelhanças entre as palavras impede e impele?

b) Identifique, nesses versos, outros casos de exploração da sonoridade das palavras, porém não na forma de rimas.

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Podemos concluir que:

Poema é um texto construído em versos. O conceito de poema está ligado à forma do texto. Verso é a linha poética; o conjunto de versos constitui a estrofe. Poesia é o texto literário em que se explora a sonoridade e em que pode haver ritmo, rima e imagens. O conceito de poesia está ligado ao conteúdo. Pode haver poesia no poema e na prosa. A sonoridade é trabalhada de várias maneiras: com repetições, ritmo, rima, etc. Ritmo é a alternância entre sílabas átonas e tônicas ou entre versos de tamanhos diferentes. Rima é a identidade ou semelhança de sons no fim ou, mais raramente, no meio dos versos. Rima perfeita é aquela em que há identidade total de som no fim das palavras que a formam. Rima imperfeita é aquela em que há apenas semelhança de som no fim das palavras que a formam. Versos brancos ou soltos são aqueles que não apresentam rima. Poeta é o autor do poema. Eu lírico é a “voz” que fala no poema; pode apresentar características bem diferentes das do poeta.

Você é o

autor

Construção de rimas Antes de ver as propostas de produção, você vai realizar em exercício de construção de rimas. No poema a seguir, algumas palavras foram propositalmente retiradas. São vozes de animais às quais correspondem onomatopeias. Leia o texto.

Novas onomatopeias Uma alegre bicharada, Que andava entediada, Enjoada de brigar, Resolveu tudo mudar. Reunidos na clareira, Numa tarde alvissareira, Discutiram a maneira Como revolucionar: Mudar tudo, pra variar.

E entraram em ação Pra fazer revolução, Com ideias tão atrozes Como a de trocar de vozes! E os gatinhos, muito arteiros, Começaram, os primeiros: — Não queremos, como gatos, mais miar. Só queremos, como sapos, coaxar! Croac! Croac! Croac!

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— Nós porquinhos não queremos mais grunhir. Quais cachorros, nós queremos só _________! Au! Au! Au! — Nós patinhos não queremos mais grasnar. Só queremos, como grilos, _________! Cri! Cri! Cri! Leõezinhos já não querem mais rugir: — Como vacas, nós queremos só _________! Muu! Muu! Muu! Camelinhos já não querem blaterar: — Como gatos, nós queremos __________! Rrron! Rrron! Rrron!

As cabrinhas já não querem mais silvar: Quais pombinhos, elas querem ________! Prrr! Prrr! Prrr! Os ursinhos já não querem mais urrar: Como cabras, eles querem é _________! Mée! Mée! Mée! Cachorrinhos já não querem mais ganir: Como porcos, eles querem é ________! Crrrim! Crrrim! Crrrim! Os burrinhos já não querem mais zurrar: Quais pintinhos, eles querem só ______! Piu! Piu! Piu! Tatiana Belinky. Um caldeirão de poemas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2007. p. 24-25. (Adaptado).

• Alvissareiro:

• Atroz:

que anuncia boas-novas, promissor.

cruel, horrível.

Leia estas orientações. †† Observe as rimas desse poema. A maioria dos versos rima em dupla (aa). Você vai escrever o verbo que representa a voz de cada animal mencionado, rimando-o com o do verso anterior (destacado em negrito). †† Os dois primeiros verbos, que expressam, respectivamente, a voz dos gatos e dos sapos, já foram colocados, para você entender como funciona o esquema de rimas. Se necessário, pesquise em gramáticas, dicionários ou na internet as vozes de animais que você não conhece. Observe também as onomatopeias que representam as vozes dos animais no final de cada estrofe. †† Você pode fazer essa atividade individualmente ou em dupla. Releia o texto e altere o que não ficou adequado. Leia o poema para os colegas, veja se eles empregaram os mesmos verbos que você e troque ideias com eles.

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Agora leia as propostas de produção e escolha uma delas.

1a proposta — Continuação de um poema Leia o poema a seguir e dê continuidade ao texto.

Avenidas Os homens perdem seu contorno, sua humana substância e viram máquinas de ir e vir, de dobrar a esquina e desaparecer.

No meio das ferragens, debaixo dos viadutos, no murmurinho das grandes avenidas.

Roseana Murray. Paisagens. Belo Horizonte: Lê, 1997. p. 29. (Coleção Adolescer).

Siga estas orientações. †† Pense em como vivem as pessoas nas grandes cidades, a influência das máquinas sobre elas, como agem e em que se transformam. Escreva mais uma ou duas estrofes complementando as que você leu. †† Os versos e as estrofes podem ter extensão irregular e não apresentarem rimas, como no poema. Explore também a sonoridade, se possível, criando ritmo e rima. A linguagem deve ser bem poética.

Avalie e reescreva †† Releia seu texto antes de trocá-lo com um colega. Veja se o poema apresenta versos e estrofes, se a linguagem ficou poética, se há comparações, ritmo, rima e recursos sonoros. †† Leia com atenção as sugestões do colega, modifique o que julgar conveniente e passe seu poema a limpo. †† Lembre-se de que seus textos devem ser guardados para um trabalho na “Oficina de projetos”. Se quiser, coloque o poema no mural da classe para que os colegas o leiam e, depois, guarde-o.

2a proposta — Releitura de um poema Assim como os poemas, todos os textos escritos apresentam marcas ou influências de outros. É comum nos basearmos em alguma leitura já feita para escrever um texto. O texto 1, a seguir, foi escrito por Casimiro de Abreu, poeta do Romantismo brasileiro, no século XIX, e representa um dos poemas mais revisitados para a produção de outros textos. Chico Buarque, autor contemporâneo, inspirado em “Meus oito anos”, produziu o texto 2, “Doze anos”, fazendo uma releitura pessoal do poema romântico.

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Leia um trecho do poema de Casimiro e do texto de Chico Buarque. Texto 1

Meus oito anos Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! — Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é lago sereno, O céu — um manto azulado, O mundo — um sonho dourado, A vida — um hino d’amor! [...] Oh! Dias da minha infância! Oh! Meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, Da camisa aberto o peito, — Pés descalços, braços nus — Correndo pelas campinas À roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis!

Casimiro de Abreu. In: Vera Aguiar; Simone Assumpção; Sissa Jacoby (Coords.). Poesia fora da estante. Porto Alegre: Projeto, 2010. v. 2. p. 103-104. (Fragmento). • Fagueiro: meigo, carinhoso, ameno, suave.

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Texto 2

Doze anos Ai, que saudades que eu tenho Dos meus doze anos Que saudade ingrata Dar banda por aí Fazendo grandes planos E chutando lata Trocando figurinha [...] Jogando muito botão Rodopiando pião [...]

Ai, que saudades que eu tenho Duma travessura O futebol de rua Sair pulando muro [...] Comendo fruta no pé Chupando picolé Pé de moleque, paçoca E, disputando troféu Guerra de pipa no céu Concurso de pipoca

C B. CD Chico 50 anos: O malandro. Polygram, s.d. Faixa 6. (Fragmento).

Agora leia estas orientações. † Você observou que a linguagem, a estrutura e o conteúdo dos dois poemas são diferentes. Mas o tema é o mesmo, ou seja, ambos falam das lembranças da infância. No 1o verso dos dois poemas há certas construções e ritmo semelhantes. † No poema de Casimiro de Abreu existe um saudosismo romântico expresso pela linguagem subjetiva. Observa-se o uso de imagens, como comparações e metáforas, na exaltação da natureza e também dos sentimentos. A infância aos 8 anos aparece cercada pela tranquilidade e pelo amor familiar. † No texto 2, Chico Buarque evoca a infância um pouco mais tarde, aos 12 anos. Observe que ele conta suas travessuras e brincadeiras de uma forma mais objetiva e com uma linguagem coloquial. † Você vai produzir seu texto com base nos dois poemas ou, se quiser, somente em um deles. Verifique como o autor explorou a linguagem e estruturou os versos. Defina qual será o conteúdo do poema e a fase da infância que lhe deixou mais lembranças. † Faça um esquema, organizando as ideias a serem desenvolvidas em cada estrofe, de acordo com os fatos que serão relatados. Pense antes no número de estrofes e de versos do poema a ser escrito e no tipo de linguagem a ser usada. † Verifique se uns versos serão mais longos e outros mais curtos para a criação do ritmo e se o poema terá rima. Se quiser, você pode construir seu texto de acordo com um dos poemas lidos. † Lembre-se de empregar alguns versos e certas palavras do poema de Casimiro de Abreu em seu texto. Esse diálogo entre textos, que é tão comum, chama-se intertextualidade. Coloque também um título em seu poema. Avalie-o de acordo com as sugestões da 1a proposta.

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a construção textual Textos em prosa e em verso Você já sabe que os textos em versos recebem o nome de poemas. Esses textos apresentam, quase sempre, sonoridade, ritmo, rima e imagens, pois são textos poéticos. O poema é uma das formas literárias, a outra é a prosa. Leia o texto em prosa a seguir.

Antônio Antônio chegou de uniforme novo: calça de brim azul-marinho, camisa de fustão branco com bolso, trazendo na sacola de pano o estojo, apontador, caderno, caixa de lápis de cor. Com suas irmãs sentadas em outras mesas, Antônio se sentiu sozinho e com medo. Sua mãe estava sempre lhe dizendo: você vai crescer, entrar na escola, estudar muito, para nunca precisar ser igual ao seu pai. E Antônio, que gostava tanto dele, de sua força, de seu tamanho, de sua barba, de seu caminhão nas estradas, só queria ser como ele. Tanto queria, que já não tomava banho pelado perto de ninguém. E, quando sonhava que estava caindo em pirambeiras e a mãe dizia que era sinal que estava crescendo, ficava contente. Desejava sonhar mais e mais, para ficar depressa do tamanho do pai. E quando andava junto do pai, ele estava sempre medindo o tamanho das sombras. Era silencioso esse desejo, mas era forte. Sem saber o que aconteceria ali na escola, além de aprender a ler, escrever e fazer conta de cabeça, o menino sentia um medo que lhe doía também no corpo inteiro. Bartolomeu Campos de Queirós. Indez. Belo Horizonte: Miguilim, 1998. p. 72. (Fragmento).

Agora leia este texto em versos.

XXIII Cidadezinha cheia de graça... Tão pequenina que até causa dó! Com seus burricos a pastar na praça... Sua igrejinha de uma torre só... Nuvens que venham, nuvens e asas, Não param nunca nem um segundo... E fica a torre, sobre as velhas casas, Fica cismando como é vasto o mundo!...

Eu que de longe venho perdido, Sem pouso fixo (a triste sina!) Ah, quem me dera ter lá nascido! Lá toda a vida poder morar! Cidadezinha... Tão pequenina Que toda cabe num só olhar... Mario Quintana. 80 anos de poesia. São Paulo: Globo, 1998. p. 19. © by Elena Quintana.

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1 Observe com atenção a forma ou a composição dos dois textos. Compare a extensão das linhas e o modo como elas estão dispostas.

2 Os dois textos apresentam também conteúdo diferente. Qual é o tema desenvolvido em cada um deles?

3 No 1o texto, a mãe diz a Antônio que ele iria estudar para não ser igual ao pai. a) A que fato ela se referia e o que o filho entendeu?

b) Interprete esta frase do 1o texto, relendo-a no contexto: “Era silencioso esse desejo, mas era forte.”.

4 No 2o texto, a cidade é descrita a partir de uma linguagem subjetiva e poética. a) No poema, ocorre o emprego de palavras no diminutivo. Que efeito esse uso produz no contexto?

b) Em que verso do poema essa ideia de pequenez da cidade é sugerida? Identifique-o. c) Nesse texto ocorrem imagens, em que se observa o emprego da personificação. Em que versos se encontra esse recurso literário?

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d) Observe o emprego das reticências em vários versos desse poema de Mario Quintana. Que sentido elas expressam no poema?

5 Os dois textos apresentam diferenças e semelhanças. Determine-as, identificando as características de cada um. Características

1o texto

2o texto

Os fatos se passam no presente. O texto fala de sonhos pessoais. O narrador-observador conta os fatos A linguagem é objetiva e formal. Apresenta descrições. O texto apresenta rima e ritmo. A história é narrada no passado. O texto é poético. A linguagem é figurada e formal. O eu lírico se expressa no texto.

6 Observe o texto em versos. a) Explique como ocorrem as rimas nas estrofes.

b) As rimas no final dos versos são perfeitas ou imperfeitas? Justifique sua resposta.

Prosa é a apresentação do texto em linhas contínuas, organizadas em sequência, com parágrafos e pontuação. Tanto textos literários como textos não literários podem ser escritos em prosa. Poesia é o texto que se caracteriza pela sonoridade, ritmo, rima, emprego de imagens e, quanto ao conteúdo, trabalha com emoções e sentimentos. Em geral, é construído em versos, isto é, em forma de poema.

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autor

Você é o

1a proposta — Produção de texto em prosa

TECNOLOGIA

As impressoras contra-atacam

sHutteRstOck

Leia o texto a seguir.

cORtesia beRG/www.beRGclOud.cOM

Equipamento leva conteúdo da internet para o papel e permite que você tenha um jornal só seu

Desde o surgimento da internet o mundo assiste a uma migração do formato do papel para o digital. Documentos, jornais e livros estão entre as “vítimas” desta revolução, que agora parece ter encontrado desafiantes. Na mesma onda das impressoras 3D, que transportam partes do mundo virtual para o real, e seguindo a tendência de conteúdo personalizado, chega ao mercado em 2012 a Little Printer.

Criada pelo estúdio inglês de design Berg, a mini-impressora usa um sistema térmico em que a tinta é fixada no papel pelo calor, o mesmo das máquinas de cartão de crédito. A ideia é estimular as pessoas a imprimir da internet notícias e lembretes. O conteúdo ainda é limitado, mas inclui as listas de afazeres do Google, notícias e sudoku (quebra-cabeça japonês bastante popular na Europa) do jornal britânico The Guardian e informações e listas de aniversário da rede social Foursquare. O usuário configura primeiro por celular as informações que quer receber. Depois, basta apertar o botão para imprimir a cada vez um jornalzinho personalizado. “Nós amamos coisas impressas”, diz Matt Webb, um dos responsáveis pelo projeto, justificando por que ir contra o digital. “Papel é como uma tela que nunca se apaga.” Alexandre Rodrigues. Galileu. São Paulo, fev. 2012, p. 14.

Siga estas orientações. † Como você observou, trata-se de um texto em prosa. Faça uma pesquisa sobre os últimos avanços da tecnologia digital e a respeito das discussões sobre o que é realmente importante imprimir. Verifique os recursos da mini-impressora mencionada no texto. † Amplie sua pesquisa sobre esse assunto. Busque informações a respeito de aparelhos e máquinas feitos para leitura em meio digital ou para impressão.

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†† Atualmente, os movimentos para salvar as florestas e conscientizar as pessoas † quanto ao uso de papel para impressões desnecessárias têm se fortalecido. † Se preferir, pesquise e relacione argumentos contra a manutenção do uso † do papel para a leitura. †† Desenvolva seu texto em parágrafos, como no texto lido. Escreva a introdução, † o desenvolvimento e a conclusão. †† Relate os fatos em 3a pessoa. Empregue a variedade padrão da língua. Se quiser, faça um roteiro antes de começar a escrever e organize suas ideias. †† Releia seu texto e avalie-o de acordo com as instruções, depois troque-o com um colega e discutam as ideias.

2a proposta — Produção de poema Leia as estrofes de um poema em que o eu lírico saúda a vida. Trata-se de versos † sem rima, mas observe a expressividade desses versos de extensões diferentes.

Bom dia, vida! A luz da manhã despiu seu cobertor de neblina. Bom dia, vida! O meu corpo amanheceu com uma alegria menina! Bom dia, bom dia! Abro a janela ao convite de um coral de passarinhos.

Um sol cor de riso me veste da cabeça até os pés. Respiro aroma de terra, cheiro de orvalho e café. Bom dia, bom dia! Dia bom de colher flores e um ramalhete de amores... Bom dia, vida, bom dia!

Ilka Brunhilde Laurito. Brincando de poesia. São Paulo: Moderna, 2003. p. 6.

†† Você vai desenvolver esse poema em mais estrofes, de acordo com o sentido do texto. Continue saudando a vida, como se estivesse despertando em uma bela manhã e cheio de planos para esse dia tão especial. †† Não é necessário criar rimas; alterne versos longos com versos mais curtos, para dar ritmo ao poema. Empregue algumas imagens, como comparação e personificação. Observe o emprego de imagens no poema e crie uma linguagem poética e subjetiva; explorando suas emoções diante da vida. †† Releia seu poema várias vezes, alterando o que não ficou adequado. Observe se o poema tem ritmo, imagens e subjetividade; se o conteúdo apresenta as ideias iniciais do texto. Em seguida, passe-o a limpo e leia-o para os colegas. Guarde-o para utilizá-lo na “Oficina de projetos”.

Use o caderno de redação para registrar a sua produção. 173

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oficina de projetos

Produção de uma revista — O fanzine Fanzine é uma revista amadora, em geral produzida de maneira coletiva, artesanal e sem fins lucrativos. A ideia básica dos fanzines é serem feitos por e para fãs de determinado artista, gênero literário, musical, etc. — daí o termo em inglês fan (fã) + zine (abreviatura de magazine, revista), ou seja, revista de fãs. Há fanzines sobre quadrinhos, rock ou ficção científica, por exemplo. Os autores-leitores publicam notícias relacionadas ao assunto que lhes interessa ou produções próprias. E essa é a melhor parte do fanzine: cada leitor pode publicar seus próprios quadrinhos, poemas, contos... Nesta oficina, sua classe vai produzir um fanzine de quadrinhos e poesia. Se gostarem da ideia, vocês podem transformá-lo num projeto cultural permanente. Reúna-se em grupo e observem as instruções a seguir.

1. Produção de quadrinhos † Cada grupo vai criar uma história em quadrinhos ou algumas tiras de

humor para o fanzine da classe. Discuta com seu grupo quem serão as personagens e qual será o enredo. Deem atenção especial ao desfecho, que deve ser engraçado e surpreendente. † Definido o conteúdo, façam um rascunho. Desenhem um esboço das personagens ou cortem gravuras de revistas velhas. Façam os balões e escrevam as falas e pensamentos. Usem também legendas, interjeições e onomatopeias, de acordo com o que estudaram. Empreguem a linguagem informal. Criem traços e sinais que expressem ideia de movimento, de aflição, etc. † Avaliem o esboço e refaçam o que for necessário. Em seguida, passem a história a limpo em folhas do mesmo tamanho (combinem com os outros grupos qual tamanho de folha será usado na montagem do fanzine). † Se quiserem, usem cores para identificar se os fatos ocorrem de dia ou à noite ou para criar outros efeitos. Escrevam o título no início da história ou de cada tira. Não se esqueçam de incluir o nome dos autores.

2. Seleção de poemas † Nesta unidade, cada membro do grupo produziu vários textos em forma

de quadrinhos e de poema. Agora, vocês vão selecionar esses textos para o fanzine da classe.

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† Releiam nos portfólios o material produzido, troquem os textos entre si e deem opiniões

sobre os quadrinhos e poemas dos colegas. Depois, refaçam o que for preciso ou até escrevam novos poemas, se quiserem. Passem os textos a limpo ou os digitem. Coloquem o nome do autor logo abaixo do título ou no fim dos quadrinhos e dos poemas. † Um ou mais colegas do grupo podem ilustrar os poemas à mão ou selecionar fotos e figuras na internet para decorá-los. Nesse último caso, não se esqueçam de mencionar, em letras pequenas no fim da página, de qual site copiaram a figura (vocês podem usar notas de rodapé).

3. Outros materiais † Sob a orientação do professor, decidam o que mais pode ser acrescentado ao fanzine.

Vocês podem, por exemplo: redigir notícias da escola ou do mundo dos quadrinhos e da poesia; dar dicas aos colegas sobre livros, filmes e músicas; adaptar e incluir produções feitas nas unidades anteriores ou mesmo em outras matérias.

4. Montagem do fanzine † Reúnam os quadrinhos (histórias ou tiras), poemas e †

†

† †

†

outros materiais apresentados por todos os grupos. Coloquem as HQs ou tiras na sequência. Se sobrarem espaços em branco entre os quadrinhos de um grupo e de outro, preencham-nos com desenhos, poemas ou qualquer outro texto que julgarem adequado. Em seguida, organizem os poemas dos grupos. Se necessário, preencham criativamente os espaços em branco entre um bloco de poemas e outro. Se houver espaço, acrescentem outros materiais ao fanzine. Numerem as páginas. Insiram uma folha no início e escrevam (ou imprimam) nela o sumário, com os conteúdos e a página em que se encontram. Usem uma folha mais espessa (de cartão ou cartolina) para fazer a capa. Escolham um nome bem criativo para o fanzine e ilustrem com uma imagem, desenhada à mão ou colada. Se quiserem, acrescentem uma chamada que dê uma ideia ao leitor do que se trata o fanzine, por exemplo: “Fanzine de quadrinhos e poesia”.

5. Divulgação † Em data e local previamente combinados com o professor, apresentem o fanzine aos

colegas de outras turmas e também para pessoas convidadas, como amigos e familiares. † Se possível, façam cópias da revistinha e as distribuam. Deixem pelo menos uma cópia na biblioteca da escola ou do bairro, para que mais pessoas possam conhecer o trabalho de vocês. 175

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programe-se Filmes † Homens de preto 3. Direção de Barry Sonnenfeld. EUA, 2012. Ficção científica, ação, comédia. † Batman: o cavaleiro das trevas ressurge. Direção de Christopher Nolan. EUA, 2012.

RePROduçÕes

Aventura, ação. † Orgulho e preconceito. Direção de Joe Wright. França e Reino Unido, 2005. Romance. † Doce novembro. Direção de Pat O’Connor. EUA, 2001. Romance. † O patriota. Direção de Roland Emmerich. EUA, 2000. Drama.

Livros † Maluquinho por bichos, de Ziraldo. São Paulo: Globo, 2011. † Contos e crônicas para ler na escola, de Moacyr Scliar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. † Poesia fora da estante, de Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby (Coords.).

Porto Alegre: Projeto, 2010. v. 2. † Ninguém sabe o que é um poema, de Ricardo Azevedo. São Paulo: Ática, 2005. † Prosa e verso, de Mario Quintana. São Paulo: Globo, 2005.

Sites † http://www.guiadosquadrinhos.com/ — este site traz capas e informações sobre dezenas

de histórias em quadrinhos, artistas e personagens. Traz também monografias que alunos de universidade escreveram sobre o mundo dos gibis. † http://www.monica.com.br/comics/seriadas.htm — neste site você encontra diversas histórias em quadrinhos seriadas com as personagens da Turma da Mônica. Vale conferir. † http://www.poesiaspoemaseversos.com.br — este site apresenta uma seleção cuidadosa de poemas dos grandes escritores brasileiros.

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Leila Lauar Sarmento Licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora na rede pública e em escolas particulares de Belo Horizonte por 35 anos. Coordenadora em escolas do Ensino Fundamental e Médio por 13 anos.

Oficina de

Redação

8 4a edição

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© Leila Lauar Sarmento, 2012

Coordenação editorial: Garagem Editorial Edição de texto: Henrique Félix Assistência editorial e preparação: Solange Scattolini Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico e capa: Mariza de Souza Porto Foto da capa: Detalhe de cartaz da ProAnima – Associação Protetora de Animais do DF. © ProAnima – Associação Protetora dos Animais do DF Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Patricia Costa Edição de arte: Rodolpho de Souza Editoração eletrônica: Arbore Comunicação Empresarial e Design Ilustrações: Amanda Grazini, Fábio Eugênio, Rafael Calça, Rogério Coelho Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Fernanda A. Umile, Márcia Leme Eireli, Olívia Y. Duarte, Sandra G. Cortés Pesquisa iconográfica: Denise Durand Kremer, Luciano Baneza Gabarron As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Arleth Rodrigues, Bureau São Paulo, Marina M. Buzzinaro, Pix Art Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Sarmento, Leila Lauar Oficina de redação / Leila Lauar Sarmento. – 4. ed. – São Paulo: Moderna, 2012 Obra em 4v. para alunos de 6o ao 9o ano do ensino fundamental de nove anos. Suplementado pelo livro do professor. Bibliografia. 1. Arte de escrever (Ensino fundamental) 2. Português - Redação (Ensino fundamental) 3. Textos (Ensino fundamental) I. Título. 12-10487

CDD-372.6

Índices para catálogo sistemático: 1. Arte de escrever : Português : Técnica de redação : Ensino fundamental 372.6 2. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6 3. Redação : Português : Literatura : Ensino fundamental 372.6 978-85-16-08213-0 (LA) 978-85-16-08214-7 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2012 Impresso no Brasil 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação O universo da comunicação vem se ampliando com maior dinamismo, nos últimos anos,

para atender à demanda de seus usuários, nas mais diferentes situações de interatividade. Nele estamos inseridos, exercitando nossa linguagem oral e escrita, até mesmo na área digital, por isso necessitamos sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com objetividade e competência. A construção do pensamento — e sua exposição de forma clara e persuasiva — constitui um dos objetivos mais perseguidos por todo aquele que almeja sucesso na vida profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que a interlocução comunicativa permite o entendimento, proporciona um maior intercâmbio de ideias e nos faz refletir e argumentar com maior propriedade em defesa de nossos direitos e deveres como cidadãos. A leitura e a escrita representam, sem dúvida, instrumentos valiosos na formação de qualquer pessoa, independentemente da área de atuação. Por isso nos preocupamos, nesta quarta edição, em apresentar a você um novo material, mais completo e atual, buscando tornar bem atraente e agradável o acesso ao domínio da expressão escrita e falada. Por exemplo, a aprendizagem da tipologia e dos gêneros textuais se tornou mais abrangente. Foram inseridos conhecimentos sobre semântica, estilística, atividades com oralidade e escrita e variações linguísticas. No estudo da textualização privilegiou-se o trabalho com a coesão, a concisão e a coerência textuais. Também a intertextualidade e outros tópicos importantes completam o estudo, visando à construção adequada do texto. Quanto à tipologia, enfatizamos o ensino das características dos diversos tipos de texto e seus respectivos gêneros. Agregamos a essa aprendizagem um trabalho mais detalhado com textos artísticos e visuais e também uma interpretação e análise de textos literários, jornalísticos e poéticos, selecionados criteriosamente. No desenvolvimento do conteúdo dos livros do 8º e 9º anos, nós nos concentramos mais no estudo dos recursos da argumentação e textos argumentativos orais e escritos, por haver uma maior solicitação desse tipo no cotidiano e em exames. Com o objetivo de favorecer a produção textual, incluímos diferentes propostas e orientações que estimulam a imaginação e a criatividade do autor. As seções “Linguagem e contexto”, “Construção textual”, “Programe-se” e “Oficina de projetos”, entre outras, complementam esta obra, tornando o material variado e instigante para quem deseja adquirir uma formação como leitor crítico e um bom produtor de textos. É com esse intuito que entregamos esta nova coleção. Desejamos que você folheie com interesse estas páginas e que elas façam florescer uma nova conquista em seus estudos.

A autora

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Sumário

Unidade I

Textos persuasivos e narrativos Capítulo 1 • Textos que influenciam............................................................................. 8 „„ Linguagem visual: O baile do Moulin de la Galette, de Renoir..................................... 8 „„ Estudo de texto: Quanto custa ser feliz, de Felipe Pontes e Guilherme Pavarin. 11 „„ Gênero textual: Anúncio publicitário...................................................................................... 16 „„ Linguagem e contexto: Elementos de persuasão.............................................................. 21 „„ Gênero textual: Cartaz.................................................................................................................... 28

Capítulo 2 • Textos que relatam.......................................................................................

35

„„ Linguagem visual: Desastres climáticos............................................................................... „„ Estudo de texto: Sinais de mudanças climáticas a olho nu, de O Estado de S. Paulo...................................................................................................................... „„ Gênero textual: Narrativa de enigma .................................................................................... „„ Gênero textual: Relato pessoal....................................................................................................

35 37 42 52

Oficina de projetos: Meio ambiente em cartaz.................................................................... 59 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites.................................................................... 62

Unidade II

A expressão de argumentos Capítulo 3 • O texto dissertativo e o texto dissertativo-argumentativo................................................................................................... „„ Linguagem visual: Crianças brincando e Futebol, de Candido Portinari................ „„ Estudo de texto: Passagem pela adolescência, de Rosely Sayão................................. „„ Tipologia textual: O texto dissertativo – estrutura e características....................... „„ Tipologia textual: O texto dissertativo-argumentativo – estrutura e características................................................................................................................

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64 64 67 72 82

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Capítulo 4 • A argumentação em textos

............................................................. 92

„„ Linguagem visual: Cenas de Matrix e Eu, robô................................................................... 92 „„ Estudo de texto: A tribo que mais cresce entre nós, de Zuenir Ventura................... 94 „„ Gênero textual: Crônica argumentativa.............................................................................. 100 „„ A construção textual: Coesão textual.................................................................................. 106 „„ Gênero textual: Carta aberta..................................................................................................... 112 Oficina de projetos: Mesa-redonda......................................................................................... 117 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 120

Unidade III

Opiniões e argumentos Capítulo 5 • A defesa do ponto de vista .............................................................

122

„„ Linguagem visual: O doutor, de Samuel Luke Fildes................................................... „„ Estudo de texto: Ciência sem segredo, da Folha de S.Paulo........................................ „„ Gênero textual: Artigo de opinião.......................................................................................... „„ A construção textual: Construções inadequadas no texto........................................ „„ Gênero textual: Texto de campanha comunitária..........................................................

122 125 129 134 143

Capítulo 6 • Opiniões em conflito................................................................................

149

„„ Linguagem visual: As meninas, de Diego Velásquez..................................................... „„ Estudo de texto: O dilema dos pais, de Moacyr Scliar.................................................. „„ Gênero textual: Carta do leitor................................................................................................. „„ Linguagem e contexto: Palavras homônimas e parônimas...................................... „„ Gênero textual: Texto de opinião............................................................................................

149 152 156 165 168

Oficina de projetos: Organização de uma campanha de doações............................ 174 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 176

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Unidade IV

A linguagem dos textos Capítulo 7 • Texto poético e texto em prosa..................................................

178

„„ Linguagem visual: As três idades da mulher, de Gustav Klimt............................... „„ Estudo de texto: Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, de José Saramago............................................................................................................................... „„ Linguagem e contexto: Figuras de linguagem................................................................ „„ Tipologia textual: Formas e conteúdos de um texto..................................................... „„ Poesia e poema.......................................................................................................................... „„ Prosa................................................................................................................................................. „„ Linguagem e contexto: Sentidos da linguagem.............................................................

178 182 187 192 192 194 202

Capítulo 8 • Texto dramático............................................................................................

205

„„ Linguagem visual: A dura lição, de William-Adolphe Bouguereau, e As duas irmãs, de Renoir............................................................................................................ „„ Estudo de texto: A origem da desigualdade, de José Márcio Camargo................. „„ A construção textual: Uniformidade de tratamento.................................................... „„ Gênero textual: Texto dramático............................................................................................. „„ O roteiro teatral....................................................................................................................... „„ Linguagem e contexto: Linguagem e comunicação.....................................................

205 209 213 216 223 226

Oficina de projetos: Verso e prosa em cena........................................................................ 228 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 231 Bibliografia ....................................................................................................................................................... 232

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Unidade

The Bridgeman art library/glow images

I

Textos persuasivos e narrativos

O vendedor de ostras, de Edmund Blampied, 1942. Ă&#x201C;leo sobre tela, 43,5 x 53 cm.

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capítulo

1

Textos que influenciam

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Musée D’Orsay, Paris, França.

Linguagem visual

O baile no Moulin de la Galette, de Renoir, 1876. Óleo sobre tela, 131 x 175 cm.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Considerado o “pintor da felicidade”, Pierre-Auguste Renoir nasceu em Limoges (1841), no interior da França. Era o sexto filho de uma família humilde e, desde cedo, demonstrou talento musical e também aptidão para o desenho. Em 1844, sua família mudou-se para Paris. Durante quatro anos, Renoir aprendeu a pintar porcelanas e seu trabalho despertou admiração. Somente em 1861, começou seus estudos em um ateliê, onde conheceu alguns dos pintores que, Autorretrato, de Pierre-Auguste Renoir, 1899. Óleo sobre tela. mais tarde, tornaram-se famosos como ele. Dentre eles estavam Claude Monet e Fréderic Bazille, que eram avessos ao estilo oficial e defendiam uma pintura “ao ar livre”, priorizando os tons claros e a luminosidade. Um ano depois, Renoir entrou para a Escola de Belas-Artes de Paris. Após um período de dificuldades, Renoir começou a apresentar sua obra nos Salões de Arte de Paris, onde antes era rejeitado. Os críticos passaram a apreciar seu trabalho e, a partir desse momento, teve início sua fama como pintor impressionista. A nova escola artística, o Impressionismo, que surgia na França, dominaria o mundo como estilo de época. Entre suas obras, destacam-se: O almoço dos remadores (1880), Os guarda-chuvas (1881), Dança na cidade (1882), Duas meninas ao piano (1892), Gabrielle e Jean (1895) e Dançarina com castanholas (1909). Renoir faleceu em 1919, na cidade de Cagnes-sur-Mer.

Leitura de imagem 1 O quadro de Renoir que você vê na página anterior é um de seus trabalhos mais admirados e o consagrou como um dos grandes pintores do movimento impressionista. O que o artista retratou nesse célebre quadro?

Sterling and Francine Clark Art Institute, EUA

O autor e a obra

O Impressionismo foi um movimento artístico da pintura europeia surgido no final do século XIX, em contraposição aos preceitos acadêmicos e realistas. Os pintores impressionistas não se interessavam pelas temáticas nobres ou pelo retrato fiel da realidade. Dedicaram-se a pesquisar os efeitos fugazes da luz e do movimento, utilizando pinceladas soltas, despreocupadas com os contornos precisos das formas, e experimentando ângulos de observação e enquadramentos originais. O nome do movimento é derivado da obra Impressão, nascer do sol (1872), de Claude Monet.

2 Era comum, nessa época, a realização de festas públicas em jardins, praças e moinhos. Observe novamente o quadro de Renoir e explique por que ele ficou conhecido como “pintor da felicidade”.

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3 Renoir e o pintor Claude Monet, além de grandes amigos, eram apaixonados pela arte e desenvolveram juntos o Impressionismo, um novo estilo pictórico (1869-1882). O estilo impressionista caracteriza-se pelos jogos de luz e sombra, por pinceladas em toques leves e personagens apenas esboçadas. É possível identificar essas características no quadro em estudo? Justifique.

5 Além de ter retratado, nesse trabalho, parte de um grupo numeroso de amigos, Renoir se incluiu na cena. Ele aparece de cartola preta, sentado à mesa. Nessa pintura, o artista ressaltou as emoções das personagens por meio da expressividade dos olhos. Como Renoir parece se sentir?

6 De acordo com pesquisadores, Renoir teria alugado um ateliê ao lado do Moulin de la Galette para realizar essa obra. No local, famílias de classes populares se reuniam para se divertir e dançar ao ar livre. Em sua opinião, os protagonistas dessa cena parecem estar em uma festa popular? Por quê?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

4 Segundo os críticos, essa obra se baseia no contraste entre dois momentos: o baile (à esquerda e no centro) e o repouso (em primeiro plano e à direita). Que elementos se destacam nessa composição, dando equilíbrio e harmonia à pintura?

7 Renoir retratava o que amava, mesmo em seus momentos de dificuldade. São palavras dele: “Para mim, um quadro deve ser algo amável, alegre e belo, sim, belo. Já existem muitas coisas desagradáveis na vida. Para que inventarmos mais?”. a) A seu ver, ele conseguiu imprimir, nesse trabalho, a beleza e a alegria da vida? Exponha suas opiniões.

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b) Você concorda com o argumento de Renoir, ao expor sua preferência por temas que retratam momentos felizes da vida? Justifique sua resposta.

Estudo de texto

Quanto custa ser feliz O que faz você feliz? Responda rápido. Vamos. Se pudesse escolher a melhor coisa para acontecer com você agora, provavelmente diria que era ganhar na loteria, certo? Aí poderia comprar um carro novo, aquela casa dos sonhos, fazer uma viagem luxuosa, parar de trabalhar. E seria muito mais feliz. Pode até ser verdade, mas essa sensação não duraria muito. Após décadas pesquisando o assunto, psicólogos, neurocientistas e economistas chegaram à conclusão de que o dinheiro traz felicidade, sim, mas não tanto quanto imaginamos. E quem gasta muito acaba prejudicado na hora de aproveitar pequenos prazeres essenciais à boa vida, como jantar fora na companhia dos amigos ou saborear lentamente uma barra de chocolate.

Pesquisas recentes mostram que nosso cérebro se engana quando sonha que uma casa na praia, um carro novo ou uma grande paixão nos deixariam mais satisfeitos. Mesmo sem nada disso, dizem os cientistas, estamos fadados à felicidade As mais recentes descobertas no campo da ciência não se voltaram contra o dinheiro. Elas propõem, na verdade, uma relação diferente com o saldo bancário e uma

nova maneira de distribuir os gastos do mês. Indicam que devemos priorizar investimentos que trazem boas experiências e relacionamentos em vez de grandes tacadas. ELINAG/SHUTTERSTOCK

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Leia a reportagem a seguir, que expõe o resultado de pesquisas sobre o conceito de felicidade.

O maior shopping do mundo, em Dubai.

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to mais retorno para a construO estudo leva a crer que a ção da felicidade duradoura, simples referência à grana popois nos ajudam a estabelecer deria diminuir a habilidade de se usufruir de coisas simples. conexões pessoais. “Acreditamos que, ao ver figuras Alegria em parcelas de dinheiro, as pessoas sentem No mês passado, pesquisacomo se tivessem acesso a tudo dores de quatro universidades, que querem. O que, por sua entre elas a de Liège, na Bélgica, vez, reduz o prazer com as petestaram a influência do dinheiquenas coisas”, diz Quoidbach. ro no bem-estar de um grupo “Mas nem é preciso ter dinheiro. de pessoas. “A relação entre Basta pensar em notas e cifrões felicidade e pequenos praze- para isso acontecer.” O pesquires é três vezes maior do que sador não é a favor dos votos de entre felicidade e riqueza”, diz pobreza, e seu estudo vai muio psicólogo Jordi Quoidbach, to além da ideia de adotarmos que conduziu o estudo. Em um estilo de vida semelhante um campus da faculdade, pes- ao da população do Butão. O quisadores pediam aos tran- minúsculo país budista, localizaseuntes que provassem uma do entre China e Índia, ganhou barra de chocolate. Antes, eles fama nos anos 1980 por lançar precisavam preencher um for- o conceito de FIB, sigla para Femulário. Em metade deles, foi licidade Interna Bruta. Com um colocada a imagem de uma cé- nível mínimo de consumo, os dula de dólar. Na outra meta- butaneses seriam um exemplo de, uma figura neutra. Os pes- de felicidade para o mundo. Mas quisadores observaram que as a atitude sugerida por Quoidpessoas que viram a nota senti- bach é diferente. “Não é que se ram menos prazer ao degustar deva ter menos dinheiro. É que o chocolate na sequência. Fato precisamos apreciar melhor os mensurado, por exemplo, pelo pequenos prazeres”. tempo curto que gastavam para apreciar a guloseima e pe- Felipe Pontes; Guilherme Pavarin. Galileu. São Paulo, set. 2010, las parcas expressões de prazer. p. 41-43. Attila Jandi/Shutterstock

Em junho, pesquisadores das universidades de Harvard e de Virginia, nos Estados Unidos, e de British Columbia, no Canadá, divulgaram um estudo com o sugestivo nome: “Se o dinheiro não te faz feliz, então você não está gastando direito”. Eles questionam o fato de que, se grana traz essa alegria toda, por que é que os milionários não estão mais felizes do que a média da população mundial? A resposta é que a maioria de nós não faz ideia de quais são os gastos que realmente trarão o contentamento que esperamos. “Recentemente comprei um par de botas de R$ 3 mil”, diz a estudante Mayara Turquetti, 23 anos, que nunca teve que se preocupar em comparar preços, ao descrever uma tarde de compras comum em seu dia a dia. “Depois de algum tempo, as botas já estavam encostadas no fundo do armário, junto com tantas outras que tenho. E eu não estava mais feliz”, afirma. “É legal entrar em uma loja sem olhar o preço, mas no final das contas o que me faz melhor hoje é passar tempo com as pessoas de que gosto.” Mayara concluiu, sozinha, o que os pesquisadores estão tentando nos mostrar. Gastos exorbitantes não tornam ninguém mais feliz no longo prazo. Ao contrário, dizem os cientistas, pagar por uma refeição especial, cursos de idiomas ou viagens curtas trariam mui-

Butão, país que lançou em 1980 o conceito de Felicidade Interna Bruta.

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Análise da leitura 1 Observe que, ao lado da manchete ou título principal, o texto apresenta um título auxiliar, também chamado de olho no jornalismo. Após a leitura da reportagem, pode-se dizer que o título auxiliar complementa a manchete? Por quê?

2 No 2o parágrafo, há algumas suposições sobre o que, em geral, constitui o sonho de felicidade da maioria das pessoas.

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a) Por que os pesquisadores dizem que ganhar na loteria não nos garante uma felicidade prolongada? Esclareça sua resposta.

b) Ainda assim, acertar na loteria simboliza o maior desejo de grande parte das pessoas. Explique por quê.

3 O 1o parágrafo da reportagem apresenta o lide, trecho com as principais informações desenvolvidas ao longo do texto. a) De acordo com o lide, o que os pesquisadores afirmam a respeito do nosso cérebro?

b) Portanto, o que é possível concluir quanto à maneira de lidar com o dinheiro e ser feliz?

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4 Leia novamente o 1o parágrafo. a) De acordo com os cientistas, o que acontece com quem gasta muito?

b) Quais argumentos presentes no 2o parágrafo confirmam a ideia de que dinheiro demais não é o que determina a felicidade?

6 Ainda no corpo da reportagem, a partir do 2o parágrafo, os cientistas não só expõem os fatos, mas também sugerem como agir em busca da felicidade. a) Entre essas sugestões, quais mais lhe agradariam realizar? Por quê? Troque ideias com os colegas.

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5 Em geral, a reportagem é um gênero textual que aborda um assunto principal, e que usa como recurso a apresentação de pesquisas e depoimentos sobre o tema abordado. Explique por que o depoimento da estudante, mencionado no 2o parágrafo, enriqueceu o texto.

b) De acordo com os pesquisadores, o que é de fato importante quando realizamos qualquer uma das atividades sugeridas? Explique por quê.

7 No 3o parágrafo, as novas pesquisas realizadas na Bélgica sobre o mesmo assunto revelam resultados idênticos. Ou seja, a felicidade depende menos de dinheiro do que de pequenas satisfações pessoais. O que fez com que os pesquisadores belgas chegassem a essa conclusão?

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8 No último parágrafo do texto, os cientistas tentam explicar o comportamento das pessoas diante da visão do dinheiro. a) De acordo com eles, o que causaria nas pessoas o desinteresse pela barra de chocolate?

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b) Quais seriam as consequências dessa sensação de poder econômico que o dinheiro projeta nas pessoas?

9 No final da reportagem, há um esclarecimento do coordenador do estudo realizado na Bélgica. Explique por que ele apresenta uma argumentação contrária à que é adotada pelos cidadãos do Butão com relação à felicidade.

10 No estudo do quadro de Renoir, no início deste capítulo, você trabalhou o conceito de felicidade e pôde saber o que a felicidade representava para o pintor. Compare as opiniões dos pesquisadores dessa reportagem com as de Renoir sobre o assunto.

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Gênero textual Anúncio publicitário

Foz do Iguaçu concentra algumas das atrações turísticas mais espetaculares do mundo. Tão espetaculares, que este ano receberam importantes premiações nacionais e internacionais. Itaipu, a maior geradora de energia limpa e renovável do planeta, sente orgulho de fazer parte destas atrações. Mais do que isso, sente orgulho de trabalhar pela preservação e pelo desenvolvimento sustentável do turismo regional. Visite Foz do Iguaçu e conheça de perto esse destino.

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Reprodução/Agência Competence

Leia o anúncio a seguir e observe a imagem.

Foz do Iguaçu. Tam nas nuvens, ano 3, n. 25, jan. 2010.

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1 O anúncio publicitário é um texto persuasivo, ou seja, um texto que tem o objetivo de influenciar o comportamento do interlocutor. Para tanto, explora os valores e as emoções desse interlocutor, por meio da linguagem e dos estímulos visuais. a) Assinale as afirmações que melhor caracterizam a linguagem do anúncio em estudo.

• • • •

É breve, clara e direta. Emprega a variedade padrão. Emprega a variedade não padrão. Estabelece comunicação imediata com o leitor.

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b) Que papel as imagens desempenham nesse anúncio?

c) Como o anunciante explorou o sentimento e a emoção do interlocutor?

2 O objetivo do anúncio é convencer o interlocutor a consumir determinado produto, serviço ou até mesmo uma ideia ou um comportamento. a) O que é anunciado no texto?

b) Qual é o anunciante desse texto publicitário em questão?

c) Qual é o consumidor ou público-alvo?

3 Além de apelar às emoções do interlocutor, o anúncio publicitário normalmente usa argumentos para convencê-lo. Quais argumentos são utilizados para persuadir o leitor a visitar Foz do Iguaçu?

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4 No anúncio publicitário há, quase sempre, os seguintes elementos: título, imagem, corpo do texto, identificação do produto (ou marca) e slogan. a) O título é composto de uma ou mais frases, curtas e persuasivas. Qual é o título do anúncio lido?

5 O corpo do texto compreende o desenvolvimento da ideia sugerida pelo título, com frases curtas e objetivas. O que o corpo destaca no anúncio em estudo?

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b) A imagem pode ser um desenho, uma montagem, uma fotografia, etc. Seu objetivo é atrair e envolver o consumidor. Descreva as imagens utilizadas pelo anunciante.

6 A identificação do produto ou marca funciona como uma assinatura do anunciante. Que identificação do anunciante aparece no texto?

Logotipo é um desenho que caracteriza uma empresa ou entidade qualquer.

7 O slogan é uma frase, com ou sem verbo, que define um produto ou uma marca e sempre acompanha seu nome. Em geral, aparece perto do logotipo ou do nome do produto. Qual é o slogan que aparece no anúncio?

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8 Em geral, nos anúncios publicitários, há o emprego de verbos no Imperativo. a) Nesse anúncio, em qual frase os verbos estão no Imperativo? b) Qual é o efeito do uso desse modo verbal no contexto?

Você é o

autor

1a proposta – Produção de anúncio de destino turístico /Shutterstock

Observe as imagens a seguir. Cristo Redentor e Pão de Açúcar, Rio de Janeiro (RJ).

Vinicius Tupinamba/S

hutterstock

Endless Traveller

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Anúncio publicitário é um gênero persuasivo, normalmente composto de imagens e texto verbal, cuja finalidade é promover e estimular a venda ou aceitação de um produto, serviço, ideia ou comportamento.

Farol da Barra, em Salvador (BA).

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il Imagens

Rogério Reis/Pulsar Image

ns

Marcos André/Opção Bras

Arquipélago de Anavilhanas, localizado no rio Amazonas (AM).

†† Escolha uma das imagens e crie um anúncio publicitário de incentivo ao turismo. Suponha que você trabalhe numa agência de publicidade e tenha sido convidado pela Secretaria de Turismo para fazer o anúncio. †† Informe-se sobre o lugar, caso você não o conheça. Com base nessas informações, crie um título bem sugestivo e persuasivo, capaz de despertar o interesse do leitor. †† Escreva o corpo do texto, com frases curtas e objetivas, destacando o ponto turístico visto na imagem. Invente um slogan para a cidade e, se quiser, um logotipo. †† Empregue a variedade padrão da língua, sem muito formalismo, e os verbos, de preferência, no Imperativo. Use uma linguagem clara, concisa e direta. Seja criativo e persuasivo. †† Para avaliar seu anúncio, releia-o e verifique se você seguiu as características, a linguagem e os recursos próprios do gênero. Guarde seu texto.

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Praia da Pipa, Natal (RN).

2a proposta – Produção de anúncio no computador †† Procure na internet a fotografia de um produto ou de um lugar que lhe agrade e salve numa das pastas do computador (por exemplo, em “Minhas imagens”). Depois, cole essa imagem num documento e o salve também. †† Escreva um título atraente, com letras grandes e coloridas. Depois, escreva o texto em corpo menor, ressaltando as qualidades do produto ou as belezas turísticas do lugar. Invente o nome da empresa ou instituição responsável pelo anúncio, bem como um logotipo e um slogan. Empregue a variedade padrão da língua e use os verbos, de preferência, no Imperativo. †† Releia o anúncio, altere o que julgar necessário e depois o imprima. Sob a orientação do professor e com os colegas, faça um painel de anúncios publicitários e exponha o trabalho na biblioteca da escola ou na própria sala de aula. Guarde seu texto.

USE O CADERNO DE REDAÇÃO PARA REGISTRAR A SUA PRODUÇÃO.

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Linguagem e contexto Elementos de persuasão

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Reproducão

Leia o anúncio a seguir.

Veja. São Paulo, 16 nov. 2011, p. 161.

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Você estudou algumas características de um texto persuasivo, ao trabalhar o anúncio publicitário. Agora, vai entender melhor os recursos utilizados na linguagem persuasiva. O texto anterior também é um anúncio publicitário. Vamos analisar o emprego da linguagem persuasiva na produção. 1 Observe as imagens utilizadas no anúncio. O anunciante explorou mais a linguagem verbal do que a linguagem não verbal. a) Explique por que ele empregou a imagem de uma lâmpada na parte superior do texto. Relacione-a ao título do anúncio.

2 A maior parte do anúncio apresenta a linguagem verbal, com conotação bem persuasiva. a) O título, por exemplo, parece expressar: • pedido. • conselho. • súplica. • ordem. b) Justifique sua resposta ao item a.

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b) No logotipo “Emagrece, Brasil!”, há uma vinheta que representa uma pessoa correndo na esteira. Essa figura foi empregada no anúncio com que finalidade?

3 No corpo do anúncio, são desenvolvidas as ideias essenciais do texto. a) De que forma o anunciante tenta persuadir o leitor a fazer o que ele deseja?

b) Que elementos de persuasão ele emprega no texto para atingir esse objetivo?

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4 Na conclusão do corpo do anúncio, lê-se este período: “Lembre-se disso e saia do sofá”. Em que modo estão os verbos destacados e que sentido eles expressam na parte final do corpo do anúncio?

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5 O emprego dos verbos no modo Imperativo é um recurso persuasivo encontrado com frequência em anúncios publicitários, como já vimos. Em que outras frases do texto, o anunciante explorou esse recurso? Identifique-as.

6 Observe que, no slogan “Emagrece, Brasil!”, a cor azul do verbo tem um efeito sugestivo. Veja, com atenção, o traçado e a cor das letras desse verbo e explique o que isso sugere.

7 Várias entidades participaram da produção desse anúncio, tanto na realização e no patrocínio, como na parceria. E ainda houve o apoio de três ministérios do governo brasileiro. O que levaria tantos órgãos a se unirem na elaboração desse anúncio publicitário?

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8 Além das imagens, da linguagem persuasiva empregada no texto verbal e do uso de verbos no Imperativo, que outros elementos de persuasão foram utilizados nesse anúncio?

Você é o

leitor

Persuasão é a arte de conseguir influenciar as pessoas com suas ideias, tornando-as adeptas de seus conceitos. Por isso, é essencial escolher uma linguagem adequada à comunicação, de acordo com o público-alvo. É preciso empregar os recursos expressivos da linguagem persuasiva, presentes em determinados gêneros textuais, como o anúncio publicitário, o manual de instruções, a receita culinária, os regulamentos, as regras de jogo, entre outros. Como você pôde observar, nos textos publicitários, o principal objetivo é convencer o leitor a fazer (ou deixar de fazer) algo. Por exemplo, no anúncio analisado, o que se deseja é que os brasileiros obesos emagreçam e, assim, preservem sua memória; para isso, devem deixar de se alimentar mal, em excesso, e também precisam sair do sofá. Para alcançar tal objetivo, o anunciante concentra-se no interlocutor, apelando para sua sensibilidade ou suas emoções: “contribui para resguardar as lembranças”; “e protege a massa cinzenta”; “As recordações acabam apagadas”. Como vimos, é frequente o uso do modo Imperativo, que exprime ordem, pedido, conselho ou incitação: “Veja mais no site”, “Acesse www”. Quando o enunciado visa o interlocutor, tentando influenciar seu comportamento, como ocorre no anúncio, é empregada a função apelativa da linguagem. Mas você pôde ver que há também argumentações racionais nesse anúncio, como os esclarecimentos sobre os benefícios do emagrecimento e os riscos do excesso de gordura no corpo. Observe que a linguagem empregada pelo anunciante gera um efeito de atração e de persuasão, principalmente porque utiliza determinadas características voltadas ao interlocutor-alvo, nesse caso, o povo brasileiro.

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9 Releia este trecho do anúncio: “Caso seu celular não seja compatível, digite a URL: http://abr.io/16Xv”. Em sua opinião, o anunciante se mostrou persuasivo ao acrescentar esse trecho? Esclareça sua resposta.

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Oficina

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Reprodução/Editora Abril

1 Leia este manual de instruções e observe o emprego da linguagem persuasiva.

Superinteressante. São Paulo, dez. 2007, p. 98.

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†† Como você pôde observar, o manual é um texto produzido com o objetivo de instruir o leitor a realizar procedimentos de variados tipos. No manual † apresentado, o autor dá orientações sobre ações que promovam mudanças † positivas na sociedade. Em geral, os procedimentos recomendados são † numerados ou identificados por letras, para facilitar a leitura e a execução † das instruções. †† Reúna-se em dupla com um colega e, juntos, analisem os elementos de persuasão empregados no manual, de acordo com as questões a seguir.

b) Na segunda parte (Vá para a rua), observem as imagens utilizadas no texto e expliquem de que modo cada uma funciona como elemento de persuasão, incentivando o leitor a organizar um movimento que provoque uma mudança positiva na sociedade.

c) O manual de instruções também apresenta elementos de persuasão, assim como o anúncio publicitário. Explique como foi utilizada a linguagem persuasiva no texto. Exemplifique.

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a) Segundo o manual, a atuação dos participantes de qualquer movimento deve se pautar por dois momentos básicos: o planejamento e a ação. Na primeira parte (Planeje), de que maneira o manual instruiu o leitor a planejar suas ações?

2 Os anúncios publicitários fazem parte de nosso cotidiano, mas às vezes nem percebemos isso. Organizem-se em grupo e façam, primeiramente, a análise de um anúncio escolhido por vocês. Em seguida, produzam um anúncio, explorando os elementos persuasivos.

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1a parte – Análise de um anúncio publicitário † Escolham um pequeno vídeo que apresente um trabalho com propagandas e definam qual delas vocês vão analisar. Se quiserem, selecionem um anúncio publicitário interessante de revista, jornal ou internet. † Identifiquem e registrem as marcas publicitárias, ou seja, os elementos característicos dos textos que pertencem a esse gênero textual, como foi trabalhado no primeiro anúncio deste capítulo. † Verifiquem e escrevam o que está sendo anunciado, como e por quê. E também qual é o público-alvo a que o anúncio se destina. † Analisem as imagens e o texto escrito, isto é, a linguagem não verbal e a verbal, respectivamente, de acordo com a atividade 1. Comentem o uso dos elementos de persuasão. † Após essa atividade, reúnam-se com outro grupo sob a orientação do professor e troquem os trabalhos. Cada grupo deve ler a propaganda escolhida pelo outro e avaliar o texto produzido. Em seguida, vai apresentar as sugestões e apreciações, já anotadas, para os colegas do outro grupo. Troquem ideias e alterem o que julgarem necessário. † Combinem com o professor e apresentem o trabalho para os outros grupos na sala de aula. Façam uma avaliação final dos textos, relacionando-os às propagandas, com a participação do professor.

2a parte – Produção de um anúncio com elementos persuasivos † Reúna-se em dupla com um colega e criem um anúncio publicitário. Se quiserem, procurem imagens bem sugestivas, tiradas de revista ou da internet, e colem numa folha apropriada. Vocês também podem desenhar e colorir uma imagem, de acordo com o assunto escolhido para o anúncio. † Observem o que vocês vão anunciar, como, por quê e para que público-alvo o texto será produzido. Escolham o tipo de linguagem a ser usada: formal ou informal, de acordo com o leitor. † Façam um rascunho do texto verbal. Releiam os anúncios trabalhados e outros publicados. Observem bem as imagens, antes de redigirem o corpo do anúncio. † Lembrem-se de que o assunto escolhido, as imagens e a linguagem devem ser trabalhados, explorando a persuasão. Empreguem, portanto, imagens sugestivas relacionadas ao texto verbal, que deve apresentar frases persuasivas e verbos no Imperativo. † Releiam o texto e troquem-no com outra dupla. Vejam as sugestões e modifiquem o que for necessário; depois redijam seu anúncio na folha com as imagens. Observem bem o título, que deve ser atraente, e a disposição de cada elemento no anúncio. † Combinem com o professor uma exposição dos anúncios na biblioteca da escola. Depois, guardem o trabalho.

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Gênero textual Cartaz Leia os cartazes a seguir.

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Denatran/Ministério das Cidades

Cartaz 1

Campanha de Carnaval – Bebida e direção. Pule fora dessa.

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Denatran/Ministério das Cidades

Cartaz 2

Campanha de Carnaval – Bebida e direção. Pule fora dessa.

1 Os cartazes em questão tanto informam quanto incentivam as pessoas a tomar uma atitude. a) Sobre qual assunto eles informam o leitor? b) E qual atitude os cartazes incentivam o leitor a tomar?

2 Você acha esses cartazes convincentes? Por quê?

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3 A principal característica dos cartazes é que eles são feitos para ser fixados em paredes ou outro suporte qualquer, em locais de grande circulação de pessoas. Eles não têm, portanto, um leitor específico. Todos que passarem perto do cartaz devem ser capazes de entendê-lo. Levando isso em conta, descreva a linguagem dos cartazes e explique por que foi usado esse tipo de linguagem.

5 Nos cartazes, entidades responsáveis pela mensagem podem ser identificadas por um logotipo, um nome ou ambos. a) Identifique os nomes e os logotipos dos órgãos que patrocinaram a campanha.

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4 Como o cartaz fica num lugar onde as pessoas estão, normalmente, só de passagem, ele precisa atrair a atenção delas. Nesse caso, como os cartazes apresentados atraem a atenção do leitor?

b) Explique por que, na parte inferior dos dois cartazes, aparece a frase “Bebida e direção. Pule fora dessa”.

c) A quem esse cartaz é endereçado, ou seja, qual é o público-alvo?

6 O logotipo que aparece na parte superior dos cartazes representa um convite a uma mudança de atitude. Que atitude é essa?

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Cartaz é um gênero textual que serve para informar ou convencer as pessoas sobre determinado assunto. É produzido para ser fixado em paredes ou outros suportes, em locais de grande circulação de pessoas. Apresenta, em geral, imagem, título e texto, com uma linguagem simples, direta e atraente.

Você é o

autor

1a proposta – Produção de cartaz a partir de outro

Reproducão/ProAnima - Associação Protetora de Animais do DF

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Reúna-se em grupo com alguns colegas e observem o cartaz a seguir.

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†† O assunto do cartaz é a adoção de cães. Aproveitem as ideias do texto e criem um cartaz que incentive os leitores a:

• proteger os cães e adotar animais de qualquer raça; • amar esses animais, que são amigos do homem; • divulgar essas ideias, para sensibilizar as pessoas. †† Depois de definir as ideias, discutam a composição do cartaz. Verifiquem se vão usar as imagens do cartaz apresentado ou outras; ou, ainda, se vão desenhar novas imagens. Pensem no título do cartaz e nos assuntos que serão abordados nele. Decidam, também, se vocês vão fazer o trabalho à mão ou no computador.

†† Os textos podem dar orientações e sugestões ao leitor (“Quer adotar?”, por exemplo) e estar acompanhados de ilustrações, como vocês observaram no cartaz apresentado. †† Lembrem-se de que a linguagem deve ser adequada aos interlocutores. Nesse caso, para atingir todo o público, utilizem uma linguagem simples e direta. Empreguem verbos no Imperativo (faça, proteja, cuide, etc.). †† Inventem um nome para representar seu grupo (“Amigos dos animais”, por exemplo) e um logotipo. †† Por fim, discutam como todos os elementos serão dispostos no cartaz e elaborem um rascunho dele.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

†† Lembrem-se de que a imagem do cartaz deve chamar a atenção, assim como o título. Quanto mais criativo for o cartaz, mais atenção ele chamará.

Avalie e reescreva †† Avaliem o rascunho do cartaz. Primeiro, releiam o texto verbal e o título, modificando o que não ficou adequado. †† Observem se a linguagem ficou atraente, persuasiva, e se as imagens selecionadas ou os desenhos feitos estão apropriados ao texto. †† Depois de feitas as correções necessárias, passem o trabalho a limpo numa folha de cartolina. Ou o imprimam, caso tenham feito o cartaz no computador. †† Com a orientação do professor, exponham os cartazes na biblioteca ou no pátio da escola. Convidem professores e colegas de outras turmas para assistir à exposição.

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Gabo Morales/Folhapress

2a proposta – Produção de cartaz com base em uma placa

Folha de S.Paulo, São Paulo, 5 jan. 2012.

†† A placa que você vê na foto surgiu porque, em Jurerê, na cidade de Florianópolis, em um bairro que era inteiramente residencial, foram inaugurados alguns bares. A chegada desses bares trouxe excesso de barulho. A placa foi um dos recursos empregados pelos moradores do local para combater esse problema. †† Em grupo, você e seus colegas vão criar um cartaz. Imaginem-se como representantes dos moradores de um local onde ocorre um problema semelhante ao que aconteceu em Jurerê. †† Inspirem-se nos dizeres da placa e acrescentem outras ideias. Vocês podem apontar que a falta de tranquilidade compromete a qualidade de vida em um local que oferecia maior segurança e lazer às famílias, que agora são importunadas pela poluição sonora até altas horas da noite. Criem outros argumentos convincentes, empregando a persuasão. †† Façam um rascunho do cartaz. Escolham um título atraente e escrevam o texto verbal usando linguagem adequada aos interlocutores, ou seja, o público em geral. Sejam bem persuasivos na criação das frases. Enfatizem a importância do silêncio na região, à noite. Especifiquem o local onde ocorre o barulho e o período em que essa situação se agrava. †† Escolham imagens, ilustrações ou fotografias bem interessantes para enriquecer o trabalho. Num canto do cartaz, escrevam o nome que inventaram para seu grupo ou simplesmente o ano escolar e a turma à qual pertencem. Se quiserem, criem também um logotipo para o grupo.

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†† Avaliem todo o material e passem o trabalho a limpo numa folha de cartolina. †† Juntem-se aos colegas dos outros grupos e divulguem os cartazes, com a orientação do professor, na escola ou num local onde haja problemas de poluição sonora.

Reprodução/Agência DM9DDB

†† Reúnam-se em dupla e façam um cartaz motivacional, empregando como título frases semelhantes às da imagem ao lado, criadas por uma agência de publicidade para motivar seus funcionários. †† Suponham que vocês também trabalhem numa agência de publicidade e tenham sido encarregados de elaborar um cartaz sobre a importância da criatividade na vida profissional dos jovens. Vocês vão destacar as qualidades de um profissional criativo, com base nas frases elaboradas. †† Façam um rascunho do texto verbal, empregando a variedade padrão da língua. Escrevam frases bem persuasivas. Utilizem a imagem de um objeto que seja adequado às frases que vocês criaram. Inventem um logotipo com o nome da agência e escolham o melhor lugar no cartaz para colocá-lo. †† Avaliem o trabalho, de acordo com as sugestões da 1a proposta.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3a proposta – Cartaz para uma mudança de atitude

Top of Mind, 26 out. 2011, p. 43.

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capítulo

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Textos que relatam

Rafael Andrade/Folhapress

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Nicole Alayne HAMMERMEISTER/AFP/Glow Images

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Michael Probst/AP/Glow Images

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Agência O Globo

Linguagem visual

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1. Enchente no Rio de Janeiro, em 24/1/1967. 2. Deslizamento de terra no Rio de Janeiro, em 6/4/2010. 3. Enchente na Alemanha, em 9/1/2011. 4. Enchente na Austrália, em 10/1/2011.

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Leitura de imagem 1 Mudanças climáticas têm ocorrido em todo o mundo. Segundo pesquisadores, as ações do homem na natureza vêm contribuindo para que isso aconteça. Em sua opinião, que ações são essas?

3 Há vários anos, regiões brasileiras como a do Rio de Janeiro sofrem violentas enchentes e deslizamentos de terra, que deixam mortos e desabrigados. Na foto 2, o fato ocorreu no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro. Por que o risco é ainda maior em locais como esse?

4 Em sua opinião, o que poderia ser feito para que os efeitos dessas enchentes não fossem tão devastadores?

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2 As fotos 1 e 2 são de catástrofes que aconteceram no estado do Rio de Janeiro e se repetem a cada ano. Observe a atitude do policial, na primeira imagem. Quem são, em geral, os grandes heróis dessas tragédias? Por quê?

5 Nas fotos 3 e 4, percebe-se que o quadro não é tão diferente. Também a Europa, a Oceania e outros continentes enfrentam problemas em relação ao clima. Segundo os especialistas, essa grande quantidade de eventos climáticos no mundo se deve, principalmente, ao excesso de concreto, que retém mais calor do que a vegetação, e ao aquecimento global. Pesquise e verifique se, este ano, já ocorreram fatos como esses no Brasil e no mundo, relatando-os para os colegas. Se possível, mostre imagens ou vídeos que ilustrem seu relato. 36

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6 Observe que as cidades alagadas na Alemanha e na Austrália poderiam ser uma de nossas cidades. Alagamentos como esses atingem muitos países. Como os países mais desenvolvidos lidam com fenômenos naturais desse tipo? Se necessário, consulte seu professor de Geografia, ou pesquise na internet.

Estudo de texto

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Sinais de mudanças climáticas a olho nu Herton Escobar/AE

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Leia a reportagem a seguir, que aborda também questões relacionadas à sustentabilidade e às variações climáticas.

Parque Nacional de Langtang.

“Isso não era para estar assim”, comenta o guia nepalês Nara Bhujel, olhando incomodado para a névoa que encobre nossa trilha a

caminho do Monte Everest, no Parque Nacional do Sagarmatha, no Nepal. “Nessa época, já era para o céu estar limpo.” É 12 de novem-

bro e estamos passando por uma floresta de cascatas semicongeladas entre as vilas de Khunde e Dhole, a quase 4 mil metros de altitude. Felizmente, foi um dos poucos dias de tempo fechado que tivemos nas duas semanas de caminhada até o Acampamento-base do Everest. Nos outros dias, céu azul e sol forte o tempo todo, com quase nenhuma nuvem no céu e paisagens incríveis despontando a cada curva. O que também não deixa de ser estranho. Tantos dias seguidos de tempo bom não costuma ser a regra. 37

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céu pode continuar a mesma, mas a periodicidade com que ela cai deverá ficar mais concentrada e esporádica, produzindo mais tempestades e menos chuvas periódicas — do tipo que os plantadores de batata precisam. Os ventos também têm dado sinais de “loucura” em Langtang. No último inverno, moradores relatam que um vento “forte e rodopiante”, parecido com um tornado, baixou sobre a vila, arrancando os telhados de várias casas. Piemba Cho Tine, de 35 anos, conta que foi sugada de dentro de sua residência e jogada a uns 20 metros de distância. Ela, felizmente, não se machucou, mas seu marido e seu filho mais novo, de 1 ano, não tiveram a mesma sorte. Ambos morreram esmagados, debaixo de uma

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mandu, a história é bem semelhante. Tão semelhante que os moradores parecem ter combinado suas falas. “Quando a gente planta, não chove nada. E depois que a gente colhe, chove um montão”, relata Tensing Lama, da vila de Langtang, um enclave de agricultores e mochileiros espremido entre duas fileiras de picos nevados no centro do parque, a 3,5 mil metros de altitude. O resultado prático é que as plantações de batata — item básico de sobrevivência na dieta das montanhas — não se desenvolvem. E os agricultores sofrem. “Está tudo ao contrário”, afirma Lama, confuso. “Eles não sabem necessariamente associar o que está acontecendo ao aquecimento global. Mas basta você explicar que tudo se encaixa”, diz Roshan Sherchan, da organização WWF Nepal, que desenvolve projetos sociais de adaptação às mudanças climáticas na região. A imprevisibilidade das chuvas se encaixa com perfeição nos modelos de mudança climática, que preveem distorções temporais nos padrões de precipitação em todo o planeta. A quantidade de água que cai do

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Pode ter sido sorte. Pode ter sido o aquecimento global. Na paisagem iluminada pelo Sol, os sinais de mudança climática se tornam evidentes. “As montanhas costumavam ter muito mais neve. Não tinha tanta rocha exposta”, diz a guia da expedição, Andrea Cardona, que já fez a trilha até o Everest 14 vezes nos últimos anos. Um comentário que eu ouvi de vários moradores locais, ao longo de um mês caminhando pelas trilhas montanhosas do Nepal. A impressão geral entre os povos tradicionais das montanhas é de que o clima “enlouqueceu” de uns dez anos para cá. Os invernos não são mais tão frios como costumavam ser. A quantidade de neve diminuiu. A chuva não cai mais quando costumava cair. As plantas estão florescendo fora de época. E várias nascentes estão secando. “Antes, na minha vila, a neve vinha até aqui. Agora, só vem até aqui”, afirma Bhujel, apontando primeiro para o seu joelho e, depois, para o seu tornozelo. “Está tudo errado”, resume o colega Dorji Tamang, que trabalha com expedições na região há mais de dez anos. “Não dá para prever mais nada.” No Parque Nacional de Langtang, ao norte de Kat38

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Menos neve, menos gelo A algumas horas de caminhada dali, na vila de Kianjin Gumba, as bordas das geleiras que descem do Lang-

tang Lirung, o pico mais alto do parque (7.227 metros), recuam visivelmente montanha acima. Ao olhar para elas, pensei: “Quando voltar para Katmandu, vou procurar um pesquisador que possa me explicar o que está acontecendo aqui”. Mas não foi preciso. Tshering Lama, proprietária de uma das pousadas mais antigas da vila, me deu uma explicação tão boa e convincente quanto a de qualquer cientista. “Antes, nevava no inverno, quando a terra e o ar estão mais frios, então a neve acumulava e virava gelo. Agora, neva mais tarde, quando a terra e o ar já não estão tão frios, então a neve derrete mais rápido e não vira gelo. Por isso as geleiras estão encolhendo.” O “normal”, segundo Tshering, era nevar em dezembro e janeiro. Agora, só

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cama, quando o vento derrubou uma parede de pedras sobre eles. “Tinha muita neve descendo da montanha, com pedras e pedaços de coisas rodopiando pelo ar”, conta Piemba, que agora sobrevive das doações de turistas e da pequena plantação de batatas que cultiva com a ajuda de seus três filhos sobreviventes, de 7, 8 e 9 anos. “Nunca vi uma coisa dessas.” Assim como muitos moradores mais simples das montanhas, sem acesso a televisão, rádio ou internet, Piemba nunca ouviu falar de aquecimento global. Mas acha muito estranho o que anda acontecendo com o clima ultimamente.

neva em fevereiro e março. Diferenças pequenas no calendário, mas que podem ser desastrosas para as geleiras e para a agricultura tradicional das montanhas. “A capacidade de adaptação dessas comunidades é muito limitada”, diz o pesquisador Arun Shrestha, do Icimod. “Pequenas alterações podem trazer grandes impactos.” Enquanto prepara uma sopa de macarrão e batatas para o almoço, Tshering aponta para a face rochosa do Langtang Lirung, preenchendo quase toda a vista da janela da cozinha, e comenta, sem ser perguntada: “Quando eu era menina, ela era toda branca, sempre. Não dava para ver nada dessas rochas pretas embaixo”. É como se ela e Andrea tivessem combinado suas falas. Pode ser coincidência. Pode ser o aquecimento global.

Herton Escobar. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 27 nov. 2011. Vida.

Análise da leitura 1 No texto, o repórter Herton Escobar, que realizou uma viagem ao Nepal para a produção da reportagem, também participa dos fatos e dá depoimentos de suas experiências na região. Explique por que ele se surpreendeu com o clima, logo no início da subida ao Monte Everest.

2 Essa reportagem faz parte de uma série especial sobre preservação ambiental realizada pelo Grupo Estado, ao qual pertence o jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com o 1o parágrafo, que mudanças no clima foram observadas pelo guia que acompanha o repórter?

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3 Viajando pela região do Nepal por um mês, o repórter pôde colher depoimentos de moradores locais. a) Explique por que as declarações deles sobre o clima da região eram bem parecidas.

4 Com base nos depoimentos das pessoas da região, pode-se concluir que todos percebiam praticamente o mesmo sobre o clima. Só um dos depoimentos difere dos demais. Identifique-o. a) “‘As montanhas costumavam ter muito mais neve. Não tinha tanta rocha exposta’.” b) “‘Quando a gente planta, não chove nada. E depois que a gente colhe, chove um montão’.” c) “O resultado prático é que as plantações de batata [...] não se desenvolvem. E os agricultores sofrem. ‘Está tudo ao contrário’, afirma Lama, confuso.” d) “‘Antes, na minha vila, a neve vinha até aqui. Agora, só vem até aqui’, afirma Bhujel, apontando primeiro para o seu joelho e, depois, para o seu tornozelo.”

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b) O que representa a “loucura” do tempo, segundo as pessoas do lugar?

5 As mudanças climáticas na região do Monte Everest, no Nepal, vêm provocando uma série de problemas na vida das pessoas. Que consequência proveniente do aquecimento global é mencionada no 7o parágrafo?

6 Um dos fatores resultantes das mudanças no clima foi o desequilíbrio nos períodos de chuva. Explique o que vem ocorrendo com as chuvas não só no Nepal, mas em quase todo o mundo.

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7 Assim como as chuvas, também os ventos vêm causando grandes estragos e pondo em risco a vida das pessoas da região. a) No texto, como os moradores parecem se sentir em relação à ação do vento?

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b) Por que esses fenômenos climáticos se tornam ainda mais assustadores para essas pessoas?

8 O repórter surpreendeu-se ao ver, a olho nu, que as bordas das geleiras diminuíam, à medida que o gelo subia a montanha. Explique, com suas palavras, por que as geleiras estão se reduzindo, pouco a pouco.

9 Na verdade, na região visitada pelo repórter, o frio intenso começa após dezembro e janeiro, período que corresponde ao inverno nessa região; por isso, a situação se torna dramática para as pessoas dessa vila. Além dos danos causados às geleiras e à agricultura, que outros prejuízos o aquecimento global tem causado no mundo?

10 As imagens de alguns desastres climáticos, apresentadas no início deste capítulo, confirmam os efeitos do aquecimento global. De que forma as pessoas poderiam evitar situações como as mostradas nas imagens e na reportagem?

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Gênero textual

A narrativa a seguir faz parte da obra O mistério do 5 estrelas, de Marcos Rey. Esse livro conta a história de Leo, um menino humilde que resolve denunciar a ação de contrabandistas experientes e ricos, sem ter provas. Ele perde o emprego, e a polícia passa a procurá-lo, mas é inocentado e, com a ajuda de amigos, consegue colocar os bandidos na prisão. Antes de ler o texto, é preciso saber o que aconteceu no início da história: o personagem Leo, um bellboy, isto é, mensageiro de um luxuoso hotel, o Emperor Park Hotel, é enviado para atender ao chamado de um hóspede, um Barão. Leo percebe que o Barão estava recebendo uma visita, um homem pequeno com aparência de índio. E, ao voltar com os jornais solicitados pelo hóspede do apartamento 222, ouve um barulho. O Barão entreabre a porta, bem pálido, e, mal recebe os jornais, deixa-os cair. Nesse instante, Leo abaixa-se para pegá-los e vê, sob a cama, dois pés calçados. Também nota manchas de sangue no robe do Barão e deduz que havia ocorrido um crime naquele lugar. Apesar dos conselhos dos amigos, o rapaz decide investigar o fato e começa pelo porão do hotel, onde é atingido na cabeça e desmaia. Leia o capítulo a seguir, que narra as ações de Leo depois desse ataque e os acontecimentos em torno do enigma que se forma.

O cadáver desaparece mais uma vez Leo acordou. Estava no chão, junto à parede, coberto por um lençol. Sua primeira preocupação foi descobrir se sangrava. Não. Apalpou o corpo todo: estava inteiro. Pôs-se de pé, ao lado do carrinho que só tinha duas fronhas. O corpo do homem de cara de índio desaparecera. Procurou manchas de sangue nas fronhas porque ia precisar de provas: não encontrou. Saiu da saleta às pressas, seguindo pelo corredor. No corredor Leo viu um funcionário da lavanderia, mas não lhe disse nada. Aquele era caso para a gerência. Subindo pelas escadas, sem paciência para esperar pelo elevador, foi para o saguão. Percival, o gerente, na portaria, telefonava. Fez um sinal descontrolado para o Guima e foi ao seu encontro. O porteiro notou que algo estranho se passava. — Guima, encontrei o corpo. — Que corpo? — ele perguntou, com a mesma descrença da véspera. — Lá embaixo, numa das saletas. Estava num dos carrinhos da lavanderia coberto por lençóis. — Vamos lá. — Mas ele desapareceu. — Desapareceu, como?

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Narrativa de enigma

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— Alguém me deu uma pancada na cabeça, caí, desmaiado, e quando acordei o corpo tinha sumido. — Quem lhe deu a pancada? — Não vi. Ponha a mão na minha cabeça. Deve ter um galo. Guima apalpou a cabeça de Leo. — Não há nenhum galo. — Guima, vamos falar com o Percival. A ausência do galo esfriara o porteiro. — Pensou bem no que vai fazer? — Guima, tem um cadáver lá embaixo, escondido em algum lugar. A gente precisa achar ele. — Não posso sair daqui agora. — Peça ao Percival. — Venha comigo. Mas me deixe falar com o gerente. Fique calado você. Percival, que já desligara o telefone, viu Guima e o bellboy aproximarem-se, ambos hesitantes e nervosos. Por que Guima não estava na porta e o mensageiro atendendo aos chamados? — Aconteceu alguma coisa? — Sim — disse o porteiro. — Leonardo julga ter visto alguma irregularidade na lavanderia. Queria lhe pedir licença para acompanhá-lo até lá. — Que irregularidade? — Pode ter sido engano... — Mas o que ele viu lá? — Bem, ele não viu, ele supõe... O telefone tocou, era para o gerente, que atendeu e começou a falar inglês. Como o telefonema parecia importante, despachou o porteiro e o bellboy com um movimento de mão. Leo e Guima desceram em seguida para a lavanderia, o primeiro apressado, o segundo mais lento e com receio de se envolver em encrencas. Logo chegaram à saleta onde o rapaz vira o cadáver do homem de cara de índio. — Foi aqui que encontrei o corpo. — A porta está arrombada. — Eu arrombei. — Por quê? — Estava fechada a chave. — Onde viu o corpo? — Neste carrinho. — Um homem cabe nisso aí? — Era pequeno, mais baixo que eu, e muito magro. — Mas ele não está aqui. — Deve estar noutra parte. Vamos procurar. [...] 43

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— Leo, ninguém pode esconder um cadáver no bolso. E deixe por minha conta. Digo ao Percival que você sofreu uma ilusão de ótica, ou coisa assim, e nem toco na porta arrombada. E, por favor, esqueça o assunto. — Não será fácil, Guima. — Faça força, garoto. — Está certo, mas que vi um cadáver naquela sala, vi. E era o mesmo homem que estava no apartamento do Barão. — Não mencione o Barão para o Percival. Isso complica tudo. — Guima, para você não importa se houve assassinato aqui no hotel? Guima parou para dizer exatamente o que pensava: — Há muitos anos que me importo só comigo mesmo. E com as gorjetas. Para mim um assassino que dê boas gorjetas quando chamo um táxi é um ótimo camarada. Vamos subir. E boca fechada. Ao voltar ao saguão, Leo já decidira definitivamente pôr uma pedra naquela história. Guima, experiente, dera-lhe o melhor conselho. O importante era continuar trabalhando no Park, numa boa, sem complicações. Guima, cumprindo com o prometido, foi falar com o Percival. — O rapazinho se enganou... Estava escuro e ele teve a impressão de ver qualquer coisa estranha na lavanderia. Nem soube explicar o quê. — Por favor, mande ele ir ao meu escritório. [...] Leo, imaginando que o gerente já soubesse de alguma coisa sobre o assassinato, dirigiu-se ao escritório, esperançoso. Sentado, diante duma escrivaninha, Percival o aguardava fumando. — Feche a porta — ordenou. O rapaz obedeceu, subitamente nervoso. — Às ordens. Tudo parecia se resumir numa pergunta: — Você esteve ontem à tarde no 222? — Fui levar jornais. — Quero saber depois, quando o hóspede já não estava no apartamento. — Estive, sim, com o Guima. A camareira fazia a arrumação. — Pode me dizer o que foi fazer lá? Leo não pretendia mais abordar o assunto. A pergunta, porém, tão direta, obrigava-o a contar tudo. Chegou a pensar em retardar a resposta, mas o olhar firme e insistente de Percival não permitiu. — Eu fui... fui... 44

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— Pare de gaguejar e fale duma vez. — Bem, quando fui levar os jornais para o Barão, vi os pés duma pessoa debaixo da cama. — Que história é essa, garoto? — Isso mesmo: vi os pés dum homem e o Barão estava com uma mancha de sangue no robe. Aí desci e falei com o Guima. Depois que ele saiu do apartamento, nós dois voltamos. — Mas não encontraram ninguém debaixo da cama. — Não encontramos, mas agora cedo, fui à lavanderia, e encontrei um cadáver numa das saletas. — Interessante! — Mas me deram uma pancada na cabeça e eu desmaiei. — Então você chamou o Guima outra vez. — Chamei. — Desceram para a lavanderia e não viram mais o cadáver. — É verdade. Tinha desaparecido. — E agora pensa que vou acreditar nisso? Leo já sentira que o caso, contado, parecia falso. Nenhum cadáver desaparece duas vezes. Ele próprio não acreditaria se lhe contassem aquela história. — Seu Percival, é tudo verdade. — Pois eu vou lhe dizer o que você foi fazer no apartamento do Barão. Voltou para pegar uma coisa que realmente viu debaixo da cama. E usou o pobre Guima apenas para acobertar o seu roubo. Leo estremeceu. — Roubo? Não roubei nada. — E deve ter roubado outras vezes. Sabíamos que havia algum larápio entre os funcionários e agora sabemos quem ele é. — Eu não sou ladrão. Voltei ao apartamento à procura do cadáver. — Essa é uma invenção ridícula. — Posso até descrever esse homem para o senhor. Eu o vi no apartamento do Barão e agora na lavanderia. Houve um crime aqui no hotel. No 222. Nesse instante, a porta abriu-se e entrou o Barão com um ar de amargura e decepção. Olhou o mensageiro como se lhe tivesse uma profunda pena. — Por favor, Percival, não despeça o rapaz por causa disso. Dê-lhe outra oportunidade. — Eu não fiz nada — replicou Leo. — Devolva o objeto — pediu o gerente. — Que objeto? — perguntou o mensageiro, indignado. O Barão, com uma voz paternal, explicou-lhe: — Se não fosse algo de estimação eu permitiria que ficasse com ele. Não é pelo seu valor, é pelo que representa sentimentalmente. — Mas não sei do que estão falando. — Sabe, sim — garantiu Percival —, falamos do isqueiro. — Isqueiro. O que ia fazer com um isqueiro se não fumo? 45

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M R. O mistério do 5 estrelas. São Paulo: Global, 2005. p. 22-29. (Fragmento).

1

Nesse livro, Marcos Rey apresenta uma narrativa de enigma, pois a história se desenvolve a partir de um crime, e o leitor acompanha os fatos relatados segundo a ótica do narrador.

a) Qual é o tipo de narrador e de que ponto de vista ele narra os acontecimentos?

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— Era de ouro e prata. A falsa acusação causou um alívio no bellboy, que chegou a esboçar um sorriso. — Não vi isqueiro algum em seu apartamento. — Deixei cair embaixo da cama — disse o Barão. — Nada tenho a ver com isso — protestou Leo, tentando pôr fim à conversa. Percival levantou-se: — Posso revistá-lo? — Não é necessário — opôs-se o Gordo. — Vamos acreditar na palavra dele. O mensageiro repeliu a generosidade do Barão: — Pode me revistar, sim — bradou, em desafio. — Quem não deve não teme. O gerente foi enfiando as mãos no bolso de Leo até que o rapaz observou uma reação em seu rosto, logo transmitida afirmativamente ao Barão. — É este? — perguntou Percival, exibindo um belíssimo isqueiro ao hóspede. O Barão confirmou com um curto movimento de cabeça, como se sentisse o maior pesar em incriminar o bellboy.

b) De acordo com o 1o parágrafo, por que Leo estava no porão do hotel?

2 Ao sair da lavanderia, o bellboy se dirige ao saguão do hotel para relatar o crime do apartamento 222 ao gerente. Como o gerente estava ocupado, Leo chama Guima, porteiro e seu amigo. Qual é a reação do funcionário, após o jovem lhe contar o ocorrido?

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3 O narrador desenvolve o relato dos fatos a partir de diálogos entre as personagens, recurso bastante utilizado em narrações. a) Que efeito produz nessa narrativa o emprego de diálogos? Eles têm influência no ritmo dos acontecimentos?

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b) No texto, as personagens utilizam o discurso direto ou o discurso indireto? Esclareça sua resposta.

c) Reescreva em discurso indireto o seguinte diálogo que está em discurso direto:

“O porteiro notou que algo estranho se passava. — Guima, encontrei o corpo. — Que corpo? — ele perguntou, com a mesma descrença da véspera. — Lá embaixo, numa das saletas. Estava num dos carrinhos da lavanderia coberto por lençóis.”

4 Guima ajuda Leo a procurar o tal cadáver, apesar de ter ainda dúvidas quanto à veracidade dos fatos. a) Explique por que Guima temia que Leo envolvesse o Barão na história do assassinato.

b) Exponha sua opinião sobre a resposta de Guima, quando Leo lhe pergunta se ele não se importava com o fato de que havia ocorrido um assassinato no hotel.

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5 Guima sabia que Leo poderia perder o emprego, devido ao comportamento estranho apresentado nos últimos dias. Por isso, o porteiro procura o gerente para avisar que o jovem havia se enganado. a) Que atitude de Percival, na conversa com o porteiro, nos faz perceber que a situação de Leo se complicava?

b) O que se pode dizer da postura de Leo, ao ser interrogado pelo gerente sobre o que estava ocorrendo?

6 O gerente também não acreditou em Leo e, pior ainda, acusou-o de roubo.

b) Que palavras do narrador confirmam a trama entre o gerente e o Barão?

c) Que ações do gerente também sugerem que ele e o Barão tinham um acordo?

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a) A entrada do Barão no escritório, logo após as palavras de Percival, nos faz imaginar que algo estava sendo tramado entre os dois. O que poderia ser?

7 O Barão parecia ser uma pessoa experiente e perigosa, que sabia trapacear. a) Como o narrador descreve o comportamento pouco confiável dessa personagem? Confirme sua resposta com base no texto.

b) Identifique uma frase do texto em que o Barão usa ironia, ao falar aparentemente o contrário do que realmente pensa a respeito do rapaz.

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8 Em geral, a narrativa de enigma apresenta como personagens: o criminoso, a vítima, os suspeitos e o detetive. Quais dessas personagens participam do trecho em estudo? Identifique-os no texto.

9 No texto, o narrador parece ser amigo ou simpatizar com Leo, que age como detetive e é um garoto humilde, trabalhador e de bons princípios. a) Explique como é caracterizada a personagem que parece ser o criminoso da história.

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b) Que fatos ajudam na criação de um enigma na narrativa?

10 Na narrativa de enigma, há geralmente todos os elementos de um texto narrativo, como: enredo, personagens, narrador, tempo e lugar. Identifique esses elementos no texto lido.

11 Observe a linguagem empregada na narrativa. Trata-se de linguagem formal ou informal? Esclareça sua resposta.

Pode-se dizer, portanto, que:

Narrativa de enigma é o relato de acontecimentos que se desenvolvem a partir de um crime e que, em geral, apresenta como protagonista uma personagem que investiga todos os fatos na tentativa de elucidar o mistério. 49

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Você é o

autor

1a proposta – Continuação de uma narrativa de enigma Leia o início de uma narrativa que conta a história de uma família que se muda para uma casa bem estranha.

O casal mudara-se para aquela casa velha havia dois meses e nunca soubera antes que a casa tivesse fama de mal-assombrada. Se soubesse, talvez não tivesse alugado o imóvel, mesmo porque o casal não era inglês, que é tarado por fantasma. Na Inglaterra, um castelo mal-assombrado é sempre alugado mais caro, porque lá é “bem” o chamado contato social com espectros. A casa [...], no entanto, era em Brás de Pina, onde fantasma tem menos cartaz que o time do Canto do Rio. Mas [...] talvez os novos inquilinos não tivessem alugado o imóvel. Não que o casal acreditasse nessa besteira de assombração; tanto o distinto como a esposa (que ele, no mau gosto inerente à plebe ignara, chamava de “minha patroa”) eram pessoas de certa idade. [...] Mas havia a filha, mocinha de 20 anos, muito nervosa e que, quando soube que a casa tinha fama de abrigar figurinhas fantasmais, ficou mais nervosa ainda. Os pais não sabiam que havia fantasma em Brás de Pina, porque quem já morou em Brás de Pina nunca mais quer voltar e, muito menos, depois que já morreu. Vai daí, foram morar na casa. Stanıslaw Ponte Preta. O melhor de Stanislaw Ponte Preta. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 101. (Fragmento).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O mistério da casa mal-assombrada

Agora, siga as orientações. † Reúna-se em dupla com um colega e continuem a narrativa. Contem, nos parágrafos seguintes, como fatos inexplicáveis começaram a acontecer na casa alugada pelo casal, até o momento em que um corpo aparece em um dos quartos da casa. † Imaginem a reação da família e narrem como o corpo foi encontrado, por quem, em que momento e quando se dá a chegada da polícia. † Descrevam a cena do crime e o detetive responsável pelo caso; relatem a participação de policiais e as investigações realizadas, inclusive com moradores da vizinhança. † Contem também os testemunhos de algumas pessoas que conheciam os antigos donos da casa, o que o detetive apurou sobre a vítima e quem eram os suspeitos. † Se quiserem, criem uma trama envolvendo uma quadrilha de assaltantes que utilizavam uma das dependências do sobrado para esconder mercadorias ou pessoas sequestradas.

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†† Relatem como o detetive consegue desvendar o crime, por que motivo ele foi cometido, quem era o assassino e como ele foi preso. †† Desenvolvam o texto, contando a história do ponto de vista de um narrador- -observador. Portanto, usem os verbos e pronomes na 3a pessoa. †† Empreguem a linguagem informal e, se possível, com certo humor, como foi feito no texto que você leu, dando continuidade aos fatos. Evitem repetições, usem a ordem direta e frases curtas, para maior clareza. Façam uma conclusão criativa. Se quiserem, escolham outro título para a narrativa.

Avalie e reescreva

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

†† Releiam o texto, verifiquem a criatividade e a sequência das ideias em cada parágrafo. Observem o emprego da 3a pessoa, se há um narrador-observador e se a linguagem é informal. †† Troquem a narrativa com outra dupla e, depois, verifiquem suas sugestões. Modifiquem o que for necessário, passem o texto a limpo e leiam-no para os colegas. Depois, guardem a produção para outra atividade ao final desta unidade.

2a proposta – Produção de uma narrativa de enigma Leia estas sugestões e escreva uma narrativa de enigma. †† Escolha o assunto a ser abordado. Por exemplo, você pode se basear em um filme de terror ou de suspense, como as histórias de Harry Potter, entre elas, Harry Potter e o enigma do príncipe. Ou, ainda, se inspirar em alguma narrativa do famoso detetive inglês Sherlock Holmes, criado pelo escritor Conan Doyle, ou em histórias da escritora inglesa Agatha Christie. Se quiser, invente os fatos de sua narrativa, baseando-se em alguma notícia ou num caso que você leu ou que alguém contou. †† Faça um rascunho do enredo da história, ou seja, escreva os fatos principais de cada parágrafo. Lembre-se de que esse tipo de narrativa tem como personagens o criminoso, a vítima, o(s) suspeito(s) e o detetive, que investiga todas as pistas e se mantém firme e controlado em qualquer situação. Imagine e descreva as características físicas e psicológicas das personagens incluídas na história. †† Em geral, o narrador-observador em 3a pessoa acompanha o desenrolar dos acontecimentos como se estivesse ao lado do detetive, querendo que ele desvende o mistério. Por isso, ele fica sabendo dos fatos, mas, aos poucos, o que cria maior suspense. Se preferir, o narrador pode ser também um repórter ou jornalista curioso que acompanha a história, para produzir um “furo de reportagem”. Nesse caso, empregue a variedade padrão formal da língua. †† Defina quando e onde os fatos acontecem, isto é, o tempo da narrativa e o lugar. Escolha um local adequado aos fatos que serão relatados. Dê um título interessante à narrativa, que desperte a curiosidade do leitor. †† Siga as orientações da seção “Avalie e reescreva” da 1a proposta, ao reler seu texto. Combine com os colegas e, sob a orientação do professor, organizem, depois, um painel com as narrativas de enigma e exponham na biblioteca da escola, para que todos possam ler. Guarde seu texto na pasta para outra atividade.

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Gênero textual Relato pessoal

• Pulsão: impulso interno que direciona o comportamento das pessoas.

O primogênito paga o preço de nossa inexperiência, insegurança e burrada

Hoje tenho dois filhos de ida- nossos corpos, não morra — de des, feições e mães diferentes. E medo, fome, frio ou sarampo. Esse os amo por igual. Pedro, o caçula, papo pode soar estranho, mas é prestes a trocar suas fraldas como funcionam as pulsões básipor cuecas, é de uma ticas graças às quais nossa espécie midez cativante. Pausobreviveu enquanto tantas oulo, por sua vez, o mais tras desapareciam. velho, é o adolescente O primogênito é também padrão: hormônios, innosso maior laboratório de acerconstância, doçura, antos e burradas. Paulo não fugiu à siedade... Cada um sina. Foi meu órgão de choque; é um, mas, repia cobaia involuntária de meus to, eu os amo avanços e retrocessos na vida. por igual. Se Absorveu meus deslizes, mitivesse, ponhas fantasias e mágoas. Foi um rém, de dizer bravo! qual deles mais me Outro detalhe, aos meus enternece, escolheria olhos paternos, o torna um heo primogênito. rói. Como a maioria dos garotos A razão? Bem, ande sua idade, Paulo integra a tes de mais nada, por primeira geração pós-divórcio. ter sido ele o primeiro. Com pai e mãe apartados, teve Paulo levantou o véu. de se habituar a ver a vida por Fez de mim um pai. O um prisma bifocal. No início, primogênito desperta brigou feito um leão para em nós um impulso darmanter seu mundinho intacwinista: o de zelar para to — e seus pais, juntos. Deque essa criatura, um canpois, vencido, resignou-se. didato a cidadão geraPergunto-me se eu, criando com a fricção de ça, teria sido tão forte.

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Pedro e Paulo

shutterstOck

Leia a seguir o relato de um pai, jornalista e historiador, que conta sua experiência com os filhos.

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teou o maninho com duas Ferraris em miniatura que eu mesmo lhe dera anos antes. Que quarto, aquele... Kurt Cobain num canto. Buzz Lightyear no outro. Vi, enfim, que Paulo crescera — e aquilo pedia uma comemoração. No Carnaval viajamos, só nós dois, para a Itália. No Al Ceppo, um delicioso restaurante romano, eu lhe propus duas coisas: que tomássemos juntos um copo de vinho (talvez seu primeiro) e que ele fosse padrinho do irmão. Quando crescer, Pedro provavelmente abençoará essa escolha — se, como eu, perceber que, em muitos aspectos, foi graças ao brother que lhe coube a fatia mais doce desse bolo chamado paternidade.

Shutterstock

Por vários anos após a separação, mantive com ele uma relação delicada: cobranças, projeções, carências de parte a parte... Na festa de meu segundo casamento, vi claramente a satisfação e o desalento se misturarem em seus olhos azuis. A primeira devia-se ao fato de me ver feliz. O segundo, à constatação de que, naquele instante, a cisão de seu mundo se sacramentara de vez. Aquele seu olhar marejado me perseguiu silenciosamente durante a gestação de Pedro. Como reagiria Paulo? Pois ele foi o primeiro a chegar à maternidade na manhã em que seu irmão nasceria. Mais tarde, longe de exasperar-se por ter de dividir o quarto na casa paterna com um bebê, presen-

José Ruy Gandra. Folha de S.Paulo, São Paulo, 2 ago. 2011. © Folhapress.

1 O relato pessoal é um gênero textual oral ou escrito em que são relatadas experiências que já foram ou estão sendo vividas pelo autor. Releia estes trechos do relato apresentado e observe as palavras destacadas.

“Cada um é um, mas, repito, eu os amo por igual.” “Pergunto-me se eu, criança, teria sido tão forte.” a) Em que tempo estão os verbos destacados? Por quê?

b) Os verbos e os pronomes destacados foram empregados em que pessoa? c) Em todo o texto, os fatos são relatados no momento presente? Esclareça sua resposta.

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2 Que aspectos da experiência do autor estão destacados no texto?

3 O trecho apresentado faz parte do livro Coração de pai, em que o autor relata, entre outros fatos, como foi seu relacionamento com o filho mais velho, o primogênito, que faleceu aos 28 anos.

b) Explique por que o autor inicia o relato, no 1o parágrafo, situando os fatos no momento presente.

c) O que significam as palavras do pai, ao dizer que o primogênito é “o adolescente padrão”?

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a) A linguagem pode variar conforme o perfil de quem relata, de seus interlocutores e do lugar onde circulará o texto. Que tipo de linguagem o texto apresenta? Por quê?

d) Observe que, ainda no 1o parágrafo, o autor deixa claro o fato principal abordado no relato. Defina qual é esse fato e justifique sua resposta.

4 Observe que, a partir do 1o parágrafo, o autor utiliza a maioria dos verbos no passado. Explique por quê.

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5 Paulo foi, portanto, uma espécie de “cobaia” para o pai, que aprendeu a criar filhos, como a maioria dos pais, com erros e acertos, ao educar o primogênito. Além da inexperiência paterna, que acontecimento familiar pode ter influenciado o amadurecimento de Paulo? Por quê?

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6 De acordo com o relato do pai, a separação foi difícil para ambos. Como se percebe a preocupação do autor em relação ao filho?

7 A reação de Paulo, que foi afetuoso com Pedro, surpreendeu o pai. Como você analisa o comportamento do irmão mais velho, que trata o irmão mais novo com atenção e carinho?

8 Em todo o relato se percebe a admiração do pai pelo filho primogênito. O que se pode concluir quando ele pede a Paulo que seja padrinho do irmão?

Portanto: Relato pessoal é um gênero textual em que alguém conta fatos de sua vida. Sua função é registrar as experiências individuais, de maneira que sirvam como testemunho, fonte de consulta ou aprendizado para outras pessoas.

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Você é o

autor

shutterstOck

Depois de quase 100 anos de seu descobrimento, a cidade perdida dos A violência das águas do rio Urubamba incas ainda se encontra longe da civi- destruiu a linha de trem que leva a Cuzco. lização. Desde o domingo passado, a ferrovia que dá acesso ao povoado de Machu Picchu, no Peru, foi destruída pelas águas do violento rio Urubamba, que desce 1.500 metros de montanha desde a principal cidade da região, Cuzco, a famosa capital do império inca. O povoado de Machu Picchu, pouco abaixo do sítio arqueológico mais famoso do país, vive dias de incerteza, frio e fome. Mais de 250 brasileiros estão entre os quase 2 mil turistas que estenderam suas férias involuntariamente devido às intempéries da natureza — e, em parte, à irresponsabilidade das autoridades peruanas. Eu e dois amigos chegamos aqui no domingo de manhã. Por conta das chuvas, o trajeto não podia ser feito de trem desde Cuzco. Mesmo assim, a companhia ferroviária Peru Rail nos levou de ônibus até o povoado de Ollantaytambo, de onde continuaríamos de trem. A ferrovia beira a água durante todo o trajeto, e a violência do rio surpreendia os turistas. Apesar das chuvas, conseguimos chegar à cidade perdida dos incas. Nosso plano era voltar ao Brasil na segunda-feira. Reservado só para uma noite, o albergue de paredes mofadas estava sem água e sem luz quando acordamos na manhã que deveria ser a de nosso regresso. Na recepção, a notícia: estávamos ilhados. Começava nossa saga. Até escrever este relato, foram cinco dias com a mesma roupa, sem tomar banho, dormindo com frio num vagão de trem e comendo pão seco com chá de folha de coca. Uma vez ou outra, o pão vinha com uma fatia de presunto e outra de queijo. Saímos do albergue para buscar notícias na pequena cidade que nem carro tem. A praça já estava cheia de gente. O rio Urubamba havia engolido a trilha que leva ao sítio arqueológico e a um hotel que fica numa das margens. Por sorte, ele fora evacuado antes de ruir.

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Meu inferno em Machu Picchu

rs/lAtinstOck MAriAnA bAZO/reute

Em fevereiro de 2010, vários brasileiros haviam viajado em férias para conhecer um dos locais turísticos mais visitados na América Latina – Machu Picchu, a cidade perdida dos incas, no Peru. Leia parte do relato de um repórter da revista Época, contando os imprevistos dessa viagem.

Vıctor Ferreıra. Época. São Paulo, 1o fev. 2010, p. 72. (Fragmento).

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Agora leia as instruções a seguir e escolha uma das duas primeiras propostas para dar continuidade ao relato.

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1a proposta – Continuação de um relato de viagem †† Você observou que, no 1o parágrafo, o repórter Victor Ferreira faz uma breve descrição da situação do povoado de Machu Picchu e dos turistas. A partir do 2o parágrafo, ele inicia o relato sobre os fatos ocorridos. †† Nos dois parágrafos seguintes, após o parágrafo introdutório, observe que o autor está viajando com dois amigos, que também participam dos fatos. Por isso os verbos estão na 1a pessoa do plural: “Eu e dois amigos chegamos aqui no domingo de manhã”. †† Os fatos são relatados no passado. No 2o parágrafo, o autor conta as dificuldades encontradas por eles na tentativa de viajar até Cuzco, devido às enchentes na região; a intenção de regressarem ao Brasil, no dia seguinte; a situação precária do albergue onde estavam instalados; e, por fim, o isolamento inesperado no lugar, na manhã seguinte. †† No 3o parágrafo, o repórter passa a relatar os problemas que vão surgindo no cotidiano: falta de banho, de água, de alimento, de informações, de transporte que os tirasse dali, totalizando cinco dias de isolamento. Ele relata também a violência das águas que destruíram a linha de trem que os levaria de volta a Cuzco. †† Continue contando outros fatos que poderiam ter ocorrido nessa viagem, como se fosse o repórter. Por exemplo: o pedido de ajuda à embaixada do Brasil em Lima; o encontro com outros brasileiros; o fato de que a maioria estava com pouco dinheiro; a preocupação com as bagagens que haviam ficado no hotel de Cuzco. E, ainda, a dura realidade enfrentada: muitos dormiam em vagões de trem, e todos esperavam com ansiedade o resgate, pois passaram a ficar sem alimento e água. †† Conte quando e como aconteceu o resgate, quem o iniciou e quanto tempo durou, já que havia cerca de 2.000 turistas ilhados, entre eles, cerca de 250 brasileiros. Também havia idosos e crianças, e alguns turistas já estavam enfermos. Relate como a embaixada brasileira, em Lima, prestou assistência aos brasileiros, informando como e quando você e seus dois amigos conseguiriam regressar ao Brasil. †† Você pode seguir estas sugestões, mas, se quiser, altere os fatos ou acrescente outros. Lembre-se, porém, de empregar a variedade padrão da língua, de acordo com os parágrafos anteriores, e os verbos no passado e na 1a pessoa do plural. Avalie seu texto, revendo as sugestões de produção; depois, passe-o a limpo. Se for solicitado, leia o relato para os colegas.

2a proposta – Produção de um relato de viagem Leia estas orientações e faça seu relato com base na leitura do texto “Meu inferno em Machu Picchu”. †† Lembre-se de uma viagem interessante que você tenha feito. Faça um rascunho: defina os fatos a ser relatados, as pessoas que serão mencionadas, situe o tempo e o lugar dos acontecimentos.

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† No 1o parágrafo, relate o início da viagem, dizendo para onde você viajou e se foi com alguém. Conte também algo interessante que tenha acontecido antes ou durante a viagem. Fale da chegada ao lugar e do que viu inicialmente. † Relate como era o local onde se hospedou, descreva as pessoas, os lugares e os passeios. Empregue os verbos e pronomes na 1a pessoa e conte os fatos no passado. † A partir de determinado momento da história, introduza um acontecimento que tenha marcado essa experiência. Esse incidente pode ter alterado todo o curso da viagem. Faça uma conclusão e dê um título sugestivo ao texto.

Avalie e reescreva † Releia seu texto e altere o que não ficou adequado. Troque-o com um colega e avalie se a linguagem está adequada ao contexto e ao público. † Verifique se os verbos estão, em geral, no passado e na 1a pessoa. Depois, leia as sugestões de seu colega e, se necessário, reescreva o texto, passando-o a limpo.

Você já deve ter presenciado alguma situação que o deixou emocionado ou assustado. Talvez alguém tenha lhe contado alguma história fantástica, ou você tenha lido uma notícia impressionante. Siga estas orientações e relate esse fato ou história que o surpreendeu. † Tente se lembrar dos detalhes da história: anote tudo o que vier a sua memória e o ajude a desenvolver os fatos. Por exemplo, quem eram as pessoas envolvidas, o que elas faziam, e também onde e quando se iniciou o fato. † Faça um rascunho do enredo e das ideias a serem desenvolvidas em cada parágrafo. Ao relatar a história, você é o autor, por isso empregue os verbos e pronomes na 1a pessoa. Conte os fatos no passado e empregue a variedade padrão informal da língua. † Você pode descrever as características das pessoas, dos lugares e objetos. É importante que você relate suas reações e, se havia mais pessoas presentes, contar como elas reagiram e o que foi feito após os acontecimentos. Conte como você participou dos fatos, por que ficou tão impressionado, o que mais marcou esse momento e como você se sentiu por um período, após essa experiência. † Lembre-se de elaborar uma conclusão e um título atraente para o relato. Avalie seu texto, de acordo com a seção “Avalie e reescreva”, que está depois da 2a proposta.

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3a proposta – Relato de um fato surpreendente

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oficina de projetos

Meio ambiente em cartaz

dO estAdO dO MeiO AMbiente ecretAriA de rePrOduÇÃO/s

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PArAnÁ.

Nos textos lidos nesta unidade, vimos alguns problemas ambientais que o planeta enfrenta atualmente e que só será possível reverter a situação se todos se conscientizarem da importância de preservar o meio ambiente. Alguns órgãos do governo e da sociedade civil já fazem campanhas para orientar a população sobre como cuidar melhor do meio ambiente. Veja, agora, cartazes produzidos em algumas dessas campanhas. Vocês também podem divulgar tudo o que aprenderam a amigos, familiares e à comunidade. Uma das melhores maneiras de fazer isso é com cartazes, que transmitem a mensagem de maneira rápida e marcante.

Este cartaz critica, com bom humor, o péssimo hábito que muitas pessoas têm de atirar lixo ao mar.

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rePrOduÇÃO/secretAriA de MeiO AMbiente de VOtOrAntin, sP.

Criação de cartazes

† Reúnam-se em grupos e escolham um dos

temas a seguir para a confecção de dois ou três cartazes. • O aquecimento global • Reciclagem de lixo • Água – uma fonte esgotável • A poluição no planeta • O desmatamento na Amazônia • Animais em extinção

† Depois de escolhido o tema, organizem-se e pes-

quisem informações em revistas, jornais, livros e na internet. Leiam os textos, discutam as ideias e façam resumos. Atenção: fazer resumo não significa copiar trechos do original. Vocês precisam identificar as ideias principais e escrever um novo texto, com suas próprias palavras. Selecionem também imagens relacionadas ao assunto.

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Alguns cartazes são mais objetivos, como este, que informa sobre as graves consequências das queimadas e como evitá-las.

† Quando tiverem lido e resumido informações

suficientes, planejem a confecção dos cartazes. Primeiro, observem os três modelos oferecidos. Percebam que eles combinam imagens e texto de maneira criativa, a fim de chamar a atenção do leitor. Reparem também que os textos são diretos e usam verbos no Imperativo (não queime, proteja, preserve), pois visam mudar o comportamento do leitor. Por fim, notem que todos os cartazes contêm um título, em letras grandes e chamativas, e um texto relacionado a ele. Esse texto pode ser bem curto, composto de apenas algumas frases, como no cartaz sobre lixo no mar; ou mais longo e informativo, como no cartaz sobre as queimadas. Decidam qual tipo de cartaz vão fazer, de acordo com o tema escolhido.

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rePrOduÇÃO/secretAriA de MeiO AMbiente de AdAMAntinA, sP

Para conquistar a simpatia do leitor, os cartazes podem usar desenhos em vez de fotografias.

† Os trabalhos devem incen-

tivar as pessoas a avaliar os problemas ambientais e ter uma postura cidadã; portanto, apresentem propostas de mudança de comportamento.

Apresentação dos cartazes

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† Cada componente do gru-

† Na parte superior de uma cartolina, escrevam

o nome da campanha: MEIO AMBIENTE EM CARTAZ. Abaixo, coloquem o título do cartaz, que deve ser criativo e estar vinculado à(s) imagem(ns) escolhida(s). † Com base nos resumos feitos, criem um texto curto, claro e direto. Vocês podem dar orientações objetivas ou bem-humoradas. † Disponham as imagens estrategicamente pela folha de cartolina, a fim de criar um visual agradável e atrair a atenção do leitor. De acordo com o tema, coloquem também tabelas ou gráficos sobre a questão pesquisada.

po ficará responsável por apresentar uma parte do trabalho. A apresentação poderá ser feita na própria sala de aula, na biblioteca ou no pátio da escola. † Ensaiem individualmente e em grupo, falando sobre a pesquisa, as informações que descobriram, o que aprenderam e quais mensagens pretendem transmitir com a campanha. Sejam claros e objetivos e estejam preparados para explicar qualquer informação ou imagem dos cartazes. Se quiserem, preparem um texto de apoio, não para ser lido, mas para ajudá-los a lembrar os detalhes. Não se esqueçam de convidar os colegas de outras turmas e também professores e funcionários da escola. † Combinem com o professor o dia da apresentação dos cartazes. Cada grupo deve organizar os cartazes no local determinado, afixando-o em murais ou na parede, para que os visitantes possam ler os textos e observar melhor as imagens. Se quiserem, coloquem também, sobre carteiras ou mesas, revistas, jornais e livros que abordem o assunto; assim, todos terão oportunidade de aprender mais sobre o meio ambiente. 61

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programe-se Filmes † O artista. Direção de Michel Hazanavicius. França e Bélgica, 2012. Comédia e drama. † Tão forte e tão perto. Direção de Stephen Daldry. EUA, 2011. Drama. † Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1. Direção de David Yates. EUA, 2010. Aventura. † Wall Street: o dinheiro nunca dorme. Direção de Oliver Stone. EUA, 2010. Drama. † À procura da felicidade. Direção de Gabriele Muccino. EUA, 2004. Comédia dramática, biografia.

Livros † Capitães da areia, de Jorge Amado. São Paulo: Companhia de Bolso, 2009. † Vidas secas, de Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Record, 2006. † Ana Terra, de Erico Verissimo. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. † O grande mentecapto, de Fernando Sabino. Rio de Janeiro: Record, 1998. † Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

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rePrOduÇÕes

† Uma mente brilhante. Direção de Ron Howard. EUA, 2001. Drama biográfico.

Sites † http://www.sosmatatlantica.org.br/ – SOS Mata Atlântica é uma organização não † † † †

governamental que promove ações para a preservação da Mata Atlântica. http://www.brasilescola.com/biologia/reciclagem.htm – este site traz informações sobre assuntos variados, como reciclagem de materiais e muitos outros. http://lixoeletronico.org – este site traz informações sobre reciclagem de eletrônicos. http://www.museu-goeldi.br/ – Museu Emilio Goeldi é uma instituição que reúne objetos, estudos e pesquisas sobre a Amazônia. http://www.care.org.br/ – Care é uma organização não governamental que combate a pobreza e desenvolve estudos sobre proteção ambiental e uso racional dos recursos naturais, entre outras ações.

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Leila Lauar Sarmento Licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora na rede pública e em escolas particulares de Belo Horizonte por 35 anos. Coordenadora em escolas do Ensino Fundamental e Médio por 13 anos.

Oficina de

Redação

9 4a edição

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© Leila Lauar Sarmento, 2012

Coordenação editorial: Garagem Editorial Edição de texto: Henrique Félix Assistência editorial e preparação: Solange Scattolini Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico e capa: Mariza de Souza Porto Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Patricia Costa Edição de arte: Rodolpho de Souza Editoração eletrônica: Apis Design Integrado Ilustrações: Dave Santana, Fábio Eugênio, Marcelo Castro, Marcos Guilherme, Rafa Anton, Rogério Coelho Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Ana Paula Luccisano, Dirce Yamamoto, Márcia Leme Pesquisa iconográfica: Denise Durand Kremer, Luciano Baneza Gabarron As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de bureau: Américo Jesus Tratamento de imagens: Fabio N. Precendo, Pix Art, Rubens M. Rodrigues Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Sarmento, Leila Lauar Oficina de redação / Leila Lauar Sarmento. – 4. ed. – São Paulo: Moderna, 2012 Obra em 4v. para alunos de 6o ao 9o ano do ensino fundamental de nove anos. Suplementado pelo livro do professor. Bibliografia. 1. Arte de escrever (Ensino fundamental) 2. Português - Redação (Ensino fundamental) 3. Textos (Ensino fundamental) I. Título. 12-10487

CDD-372.6

Índices para catálogo sistemático: 1. Arte de escrever : Português : Técnica de redação : Ensino fundamental 372.6 2. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6 3. Redação : Português : Literatura : Ensino fundamental 372.6 978-85-16-08215-4 (LA) 978-85-16-08216-1 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2012 Impresso no Brasil 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação

A comunicação promove o encontro das pessoas com o mundo, renova ideias e

amplia conhecimentos por meio da linguagem oral e escrita. Por isso quem articula bem as palavras consegue mais facilmente se expressar e se conectar nessa aldeia globalizada. No cotidiano, as pessoas estão em contato com os mais variados tipos de texto, como o cartão-postal, a carta, o e-mail; também textos que divertem, como as charges, as anedotas e os quadrinhos; textos que informam, como a notícia, a reportagem, a entrevista; que expõem opiniões a partir de artigos, crônicas e cartas argumentativas, ou visam instruir, como no caso das receitas, dos manuais e das bulas. Há textos que favorecem o exercício da cidadania, por meio de debates, seminários, manifestos ou carta aberta. E ainda há aqueles que tentam persuadir, como o anúncio publicitário e a campanha comunitária, e que exigem um eficiente manejo das palavras. Mas os textos que geralmente mais encantam são os que narram histórias fantásticas, com personagens que se imortalizaram em contos, lendas ou fábulas, ou emocionam pela poesia dos versos, como os poemas. A assimilação das idéias que nascem da realidade ou da fantasia desses e de outros textos representa uma conquista que precisa ser cultivada com a leitura e com o exercício da escrita, que possibilitam a aprendizagem de cada tipo de texto. Aos poucos este livro oferece o conhecimento das características dos mais diferentes gêneros textuais, propondo atividades que privilegiam a oralidade e a escrita e que visam a uma produção de texto criativa e de qualidade. A interpretação de textos visuais, artísticos ou humorísticos como também a análise de textos verbais têm como objetivo despertar a sensibilidade e a observação crítica do leitor. Nas Oficinas de Projetos, os textos produzidos têm sua aplicabilidade, com trabalhos dinâmicos e em grupo, que favorecem a interação e a divulgação de obras e autores. Com esse novo material, desejamos tornar a produção de textos um momento prazeroso que incentive a criatividade, o gosto pela leitura, e proporcione o sucesso no uso da fala e da escrita.

A autora

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Sumário

Unidade I

Tipologia e gêneros textuais Capítulo 1 • O texto expositivo............................................................................................. 8 „„ Linguagem visual: Esportes radicais......................................................................................... 8 „„ Estudo de texto: Você não precisa de seus gadgets, de Paul Atchley....................... 11 „„ Gênero textual: Texto de divulgação científica................................................................... 15 „„ Variações linguísticas: Gírias..................................................................................................... 21 „„ Gênero textual: Seminário............................................................................................................ 27 „„ Letra de canção: Planeta Água, de Guilherme Arantes................................................... 33

Capítulo 2 • O texto narrativo.............................................................................................

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„„ Linguagem visual: A lavadeira, de Honoré Daumier....................................................... „„ Estudo de texto: O abismo ficou menor, de Tatiana Gianini......................................... „„ Linguagem e contexto: Expressões e significados........................................................... „„ Gênero textual: Conto fantástico...............................................................................................

36 39 45 46

Oficina de projetos: Seminário e exposição “Vai faltar água no mundo”................ 61 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites.................................................................... 64

Unidade II

Dissertação e argumentação Capítulo 3 • O texto dissertativo-argumentativo (1a parte)........

66

„„ Linguagem visual: Aeroporto de Cumbica, Guarulhos (SP).......................................... „„ Estudo de texto: Para que o otimismo do brasileiro seja duradouro, de Fernando Abrucio........................................................................................................................... „„ A construção textual: O parágrafo no texto dissertativo-argumentativo............. „„ A construção textual: A coesão e os argumentos............................................................. „„ Tipologia textual: Estrutura do texto dissertativo-argumentativo........................... „„ Gênero textual: Carta de reclamação.......................................................................................

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Capítulo 4 • O texto dissertativo-argumentativo (2a parte) .......

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„„ Linguagem visual: A classe C, de Nani................................................................................... 94 „„ Estudo de texto: Consumismo jovem, de Maria Inês Dolci............................................. 97 „„ Tipologia textual: Escolha dos argumentos e a contra-argumentação no texto dissertativo-argumentativo.......................................................................................................... 101 Contra-argumentação...................................................................................................................... 103 „„ Gênero textual: Debate................................................................................................................ 111 Oficina de projetos: Exposição e debate sobre o crescimento da classe C brasileira.... 120 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 124

Unidade III

Tipologia argumentativa Capítulo 5 • A expressão de opiniões ....................................................................

126

„„ Linguagem visual: Cartum de Mauricio Rett................................................................... „„ Estudo de texto: Liberado para menores, de Guilherme Genestreti e Juliana Vines.................................................................................................................................... „„ Linguagem e contexto: Sentidos da linguagem............................................................. „„ Gênero textual: Editorial ........................................................................................................... „„ A construção textual: Coerência textual .......................................................................... „„ Gênero textual: Análise crítica................................................................................................

126 128 131 134 139 144

Capítulo 6 • A linguagem argumentativa ........................................................

149

„„ Linguagem visual: O piquenique, de James Tissot......................................................... „„ Estudo de texto: Escuto-me, logo existo, de Anna Veronica Mautner.................... „„ Gênero textual: Manifesto ........................................................................................................ „„ Gênero textual: Carta de solicitação..................................................................................... „„ Variações linguísticas: Regionalismos...............................................................................

149 152 156 161 163

Oficina de projetos: Pesquisas.................................................................................................. 169 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 170

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Unidade IV

Imagens poéticas e prosa Capítulo 7 • A criação da poesia....................................................................................

172

„„ Linguagem visual: O bibliotecário, de Giuseppe Arcimboldo.................................... „„ Estudo de texto: Um mundo mais especial, de Danuza Leão..................................... „„ Linguagem e contexto: Linguagem denotativa e linguagem conotativa........... „„ Tipologia textual: O texto literário e o texto não literário......................................... „„ A construção textual: Noções de versificação................................................................. Verso......................................................................................................................................................... Estrofe..................................................................................................................................................... Metro........................................................................................................................................................ Rima.........................................................................................................................................................

172 175 180 185 191 193 194 194 195

Capítulo 8 • Textos em verso e em prosa..........................................................

200

„„ Linguagem visual: O beijo, de Gustav Klimt..................................................................... „„ Estudo de texto: Amar, de Carlos Drummond de Andrade........................................ „„ Linguagem e contexto: Figuras de linguagem................................................................ Figuras de palavras........................................................................................................................... Figuras de construção...................................................................................................................... „„ Tipologia textual: Prosa poética............................................................................................. „„ Linguagem e contexto: Intertextualidade – o diálogo entre textos......................

200 203 206 207 209 212 215

Oficina de projetos: Do poema à prosa poética................................................................ 222 Programe-se: Sugestões de filmes, livros e sites................................................................. 223 Bibliografia.............................................................................................................................................. 224

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Unidade

The Bridgeman Art Library/Keystone

I

Tipologia e gêneros textuais

Juventude ociosa, de Willie Rodger, 2009. Óleo sobre tela, 39,3 x 39,3 cm.

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7 3 Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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Greg Epperson/Shutterstock

Rechitan Sorin/Shutterstock

Gines Romero/Shutterstock

Greg Epperson/Shutterstock

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Dima Fadeev/Shutterstock

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capítulo

O texto expositivo

Linguagem visual

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Esportes radicais.

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Leitura de imagem

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 Hoje, existem muitos tipos de esportes radicais, porém, para praticá-los, é necessário que a pessoa receba treinamento adequado e seja bem orientada. Nas fotos apresentadas, quais são os tipos de esportes radicais praticados? Descreva cada um.

2 Os esportes radicais observados nas imagens podem oferecer maior risco se praticados com imprudência, sem os equipamentos de proteção, ou se os veículos estiverem em alta velocidade. a) Qual desses esportes você considera mais arriscado? Por quê?

b) Algumas pessoas tornam-se quase dependentes da sensação de perigo provocada por esportes como esses. Você acha isso saudável? Dê sua opinião.

3 Os esportes apresentados nas fotos 7 e 8 também são considerados radicais. Explique por quê.

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4 Além desses esportes radicais, há inúmeros outros, alguns de alto risco. O que torna um esporte radical perigoso?

5 Entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, surgiu a definição de “esportes de aventura” para designar determinados esportes próprios para adultos. a) Que outros esportes radicais você conhece?

6 No cotidiano, em geral, quais são os esportes radicais mais praticados como atividade recreativa?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) Descreva as características deles, trocando ideias com os colegas sobre os que são mais apreciados.

7 Os esportes radicais, quando praticados adequadamente e com segurança, aprimoram a forma física e desenvolvem o senso de responsabilidade e disciplina, criando a oportunidade de o adolescente competir em grupo ou individualmente. Por que é difícil para os jovens a prática desses esportes, que exigem um treinamento maior?

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Estudo de texto

Você não precisa de seus gadgets

Há alguns meses participei de uma experiência interessante. Um grupo de empresários e profissionais de ponta em suas áreas aceitou passar uma semana em um lugar remoto do estado americano de Utah. Sem telefones, tablets ou notebooks — eles não teriam sinal de qualquer maneira. Cinco pesquisadores, eu entre eles, acompanharam a pesquisa, que tinha o objetivo de verificar a que ponto o uso contínuo de tecnologia causa danos semelhantes aos observados em dependentes de álcool ou drogas. Percebemos que, sim, chegamos a um ponto em que criamos uma relação patológica com os aparelhos que nos cercam. A cada dia, mais pessoas começam a acreditar que as amizades, os contatos de trabalho e os relacionamentos amorosos dependem deles. É claro que não passamos tão mal sem os gadgets quanto um viciado em crack, mas não conseguimos mais viver sem eles. Nem percebemos mais que, em última análise, não são tão necessários. ANGELA WAYE/SHUTTERSTOCK

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Tecnologia é inútil para nossa sobrevivência. Ela sempre foi, e continuará sendo, apenas um instrumento para alcançar nossos objetivos. Não o objetivo em si.

SHUTTERSTOCK

Leia o texto a seguir, que discute o papel da tecnologia na atualidade.

Não estou sugerindo que o melhor é abandonar seu iPhone 4 ou cortar a internet. Evidentemente, é mais fácil dirigir com um GPS no carro. O importante é lembrar que podemos muito bem viver sem nenhum desses aparelhos. Para a nossa sobrevivência, a tecnologia é inútil. E ela já nos atrapalha mais do que ajuda. De acordo com um estudo da Universidade de Glasgow, existem três maneiras de lidar com a tecnologia: relaxada, pressionada ou estressada. E 64% das pessoas estão no terceiro grupo. Mais: sabemos que os usuários compulsivos de tecnologias voltadas à comunicação estão sobrecarregando o funcionamento do lóbulo frontal, a última área do cérebro a se desenvolver e a primeira a se degradar com a idade. É o mesmo que acontece com quem sofre mal de Alzheimer. Por sobrecarregar o lóbulo frontal, uma pessoa que dirige falando ao celular tem mais chances de bater o carro do que um motorista alcoolizado, por exemplo. Tecnologia, segundo a definição mais aceita, é qualquer objeto que não faz parte do nosso corpo e facilita nossa vida. Há tecnologia em armas, roupas, carros. Mas ela sempre foi um instrumento, e não um fim em si. Nossa obsessão por novos aparelhos não pode nos fazer esquecer disso. P A. Galileu. São Paulo, jun. 2011, p. 95.

• Gadgets: aparelhos eletrônicos portáteis.

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Análise da leitura 1 Como você já sabe, há textos que são produzidos com a finalidade de convencer as pessoas e influenciá-las em suas opiniões. a) Com que intenção foi produzido o artigo em estudo?

2 O artigo de opinião nem sempre apresenta uma estrutura predeterminada, ou específica. Em geral, há: o título e, às vezes, logo abaixo, o olho, que traz uma frase em destaque; a tese ou o ponto de vista do autor, na introdução; sua defesa, com base em uma argumentação bem fundamentada no desenvolvimento; e a conclusão, que pode retornar à tese inicial para reforçá-la. a) Muitas vezes, o título já revela a tese defendida no artigo. Com que objetivo o autor optou por apresentar uma opinião pessoal polêmica no título?

b) Observe que, no olho, o articulista pode destacar outras opiniões sobre o assunto abordado. Para que serve o olho?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) A que conclusão os pesquisadores chegaram após a experiência mencionada no artigo?

3 A tese ou o ponto de vista aparece, quase sempre, no 1o parágrafo. a) No caso do artigo em estudo, qual é o ponto de vista defendido pelo autor?

b) No 1o parágrafo, que fato, constatado pelos pesquisadores, explica a preocupação deles com o uso constante de gadgets?

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4 No desenvolvimento do assunto, apresentado do 2o ao 4o parágrafo, o articulista expõe seus argumentos de forma convincente. a) Que opiniões ele desenvolve, tendo em vista o resultado da experiência?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) O autor mostra-se radicalmente contra a utilização dos gadgets? Esclareça sua resposta.

5 No início do 4o parágrafo, o pesquisador expõe uma argumentação bastante polêmica. a) Em sua opinião, a “tecnologia é inútil” para nossa sobrevivência?

b) Em seu caso, você acha que a tecnologia “já nos atrapalha mais do que ajuda”? Troque ideias com os colegas e o professor, e exponham suas opiniões sobre o assunto.

6 Segundo o artigo, a tecnologia já atrapalha mais do que ajuda. Identifique os argumentos apresentados no texto para fundamentar essa afirmação.

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7 Na conclusão, o autor deixa claro o que a tecnologia representa. a) De que modo a tecnologia se faz presente em “armas, roupas e carros”?

8 A linguagem empregada no artigo é definida pelo contexto de circulação. a) Que variedade linguística foi utilizada no artigo? Por quê?

b) Qual é a pessoa verbal mais utilizada no texto em estudo? Dê exemplos e explique o efeito produzido por esse emprego.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) Explique o que o articulista quis dizer nesta frase: “Mas ela [a tecnologia] sempre foi um instrumento, e não um fim em si”.

9 Na abertura deste capítulo, você refletiu a respeito de esportes radicais e do perigo que podem representar. O artigo em estudo, por sua vez, defende a ideia de que a tecnologia deve ser usada com equilíbrio. Dê sua opinião sobre quais podem ser as consequências de se tornar dependente de emoções como o perigo ou de artefatos como os gadgets? Antes de responder, debata essa questão com os colegas.

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Gênero textual Texto de divulgação científica

Delivery genético O combate ao câncer e a doenças autoimunes, como diabetes e esclerose múltipla, deve ganhar um pequeno aliado que fará grande diferença na chance de cura. Estudiosos do Instituto de Pesquisas Biofísicas de Harvard estão desenvolvendo um nanorrobô feito de DNA dobrado que será capaz de transportar anticorpos até as células doentes do corpo e, assim, estimular sua autodestruição. Os pesquisadores usam uma nova tecnologia batizada de origami de DNA. Assim como a dobradura japonesa, fitas de nosso código genético são quimicamente combinadas de mo do a formar um nanorrobô em formato de concha. Dentro dele, são colocados anticorpos que viajam pela corrente sanguínea. Ao se deparar com uma célula danificada, a concha se

abre, liberando anticorpos previamente selecionados de acordo com o tipo de doença que se quer atingir. Uma das vantagens do tratamento é não matar células saudáveis. “As chances de sucesso são maiores e os efeitos colaterais quase inexistentes”, diz Shawn Douglas, um dos coordenadores da pesquisa. Futuramente, os robôs também poderão transportar medicamentos até as células doentes. Mas há pelo menos 10 anos de estudos à frente até que a tecnologia chegue ao mercado. “Nosso maior desafio é evitar que o organismo se defenda e combata o nanorrobô”, diz Douglas. Se tudo der certo, em vez de químicos pesados, nosso próprio sistema imunológico poderá nos defender. Não contavam com sua astúcia. corTesia harvard universiTy

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Robôs de DNA irão transportar anticorpos para células doentes

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Leia o texto a seguir.

Shawn Douglas, 2012.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

MANÁ E.D.T./EDITORA GLOBO

Origami de DNA.

A B. Galileu, São Paulo, maio 2012, p. 17.

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1 O texto de divulgação científica apresenta as características de um texto expositivo, pois divulga informações sobre pesquisas e estudos científicos. a) Qual é a finalidade ou o objetivo da autora na exposição dos fatos?

b) Explique qual é a principal ideia exposta no texto em estudo.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

2 A estrutura desse tipo de texto apresenta, em geral, uma introdução, na qual se encontra a ideia principal, que pode estar presente no 1o ou no 2o parágrafo. Em que parte desse texto se situa a ideia mais importante e como a autora a apresenta?

3 Após a introdução, vem o desenvolvimento do texto no 2o e 3o parágrafos. Que informações contidas no 2o parágrafo dão continuidade às ideias da introdução?

4 No 3o parágrafo, a autora apresenta argumentos que comprovam o grande valor dessa pesquisa. Que fato transforma essa descoberta num grande avanço? Justifique sua resposta.

5 Na conclusão, presente no último parágrafo, a autora confirma a ideia inicial e a fundamenta com novos argumentos. a) Exponha os argumentos que se destacam de forma convincente nesse parágrafo.

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b) Por que os pesquisadores julgam possível a reação do nosso organismo contra os nanorrobôs?

c) Releia a última frase do texto e explique seu sentido no contexto.

“Não contavam com sua astúcia.”

a) Como se percebe a intenção de se manter uma exposição impessoal dos fatos no texto em estudo?

b) Pode-se dizer que a autora conseguiu se colocar de forma impessoal em toda a exposição dos fatos? Justifique sua resposta.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

6 A linguagem empregada no texto de divulgação científica é quase sempre impessoal, em razão dos assuntos abordados.

7 O texto de divulgação científica circula, em geral, em seções específicas de jornais e revistas ou em publicações que apresentam versões simplificadas desses estudos, para atender ao leitor comum. Qual é a variação linguística, o tempo e o modo verbais predominantes nele? Exemplifique.

Texto de divulgação científica é um gênero textual do tipo expositivo, cujo objetivo é fornecer informações científicas ao público leigo, de forma clara e acessível. Os textos de divulgação científica também podem apresentar argumentações para fundamentar os fatos expostos. 18

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Você é o

autor

1a proposta — Produção de texto de divulgação científica com base em informações

Shutterstock

Leia o texto a seguir.

Cientistas descobrem os maiores buracos negros Cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, encontraram os dois maiores buracos negros conhecidos até agora. Cada um deles tem aproximadamente 10 bilhões de vezes o tamanho do Sol. O maior buraco negro conhecido até então media cerca de 6 bilhões de Sóis.

A descoberta dos buracos negros, que estão a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra — uma distância relativamente pequena, em termos galácticos —, foi descrita na revista Nature. No artigo, os astrônomos sugerem que esses buracos negros podem ser resquícios de quasares — núcleos de galáxias, com grandes quantidades de energia. Para identificá-los, eles usaram telescópios terrestres e também o Telescópio Espacial Hubble, além de supercomputadores localizados no Texas. Um dos novos buracos negros descobertos tem 9,7 bilhões de vezes o tamanho do Sol. O outro, um pouco mais distante da Terra, é tão grande quanto o primeiro ou ainda maior. Um novo buraco negro é formado pelo colapso de uma estrela de grandes proporções. É uma região da qual nada — nem a luz — escapa. Acredita-se que a maioria das galáxias — talvez todas —

Gemini Observatory, AURA/Lynette Cook via Nature/AP/GLOW IMAGES

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Astrônomos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, calculam que os dois recordistas têm cerca de 10 bilhões de vezes o tamanho do Sol

Estrelas rodeando um enorme buraco negro.

tenha buracos negros em seu centro. E, aparentemente, quanto maior a galáxia, maiores os seus buracos negros. Diferenças. Os pesquisadores afirmam que suas descobertas sugerem que os buracos negros podem se desenvolver de maneiras distintas, dependendo do tamanho da galáxia da qual fazem parte. Para o astrofísico Chung-Pei Ma, integrante da equipe baseada em Berkeley, os buracos negros podem ter ficado escondidos por tanto tempo porque eles estariam vivendo uma espécie de “aposentadoria tranquila”. “Para um astrônomo, achar esses buracos negros é como finalmente encontrar pessoas de 3 metros, cuja altura só podia ser inferida com base em ossos fossilizados”, afirmou. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 6 dez. 2011. Vida.

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†† Reúna-se com um colega e, em dupla, façam uma pesquisa sobre esse assunto em livros, jornais, revistas e internet. †† Leiam todas as informações encontradas e anotem o que for mais importante. Discutam as ideias e planejem o título, a ideia principal e os argumentos. Estes devem se basear em dados estatísticos, exemplos, comparações, etc. Decidam também se vai haver conclusão. †† Pensem que tipo de público vocês desejam atingir. Empreguem uma linguagem clara, objetiva, impessoal, e a variedade padrão da língua, no registro formal ou informal, conforme o público a ser atingido. Lembrem-se de que os verbos devem estar, quase sempre, no presente do Indicativo. †† Releiam o texto e avaliem se as informações estão claras, se a linguagem está adequada ao público ao qual o texto é endereçado e se a estrutura está de acordo com as orientações. †† Passem o texto a limpo; um de vocês poderá ler o trabalho para a classe. Façam, com os colegas e sob a orientação do professor, um debate a respeito do assunto. Afixem o texto no mural da sala, mas guardem uma cópia para outra atividade.

2a proposta — Produção de texto de divulgação científica com base em temas †† Em grupo, façam uma pesquisa sobre um destes assuntos em livros, jornais, revistas e na internet.

• A utilização de robôs em cirurgias. • O avanço nos estudos das células-tronco. • A produção de alimentos transgênicos. • O efeito do cigarro para a saúde.

†† Depois de escolhido o tema e realizada a pesquisa, leiam as informações obtidas e anotem o que julgarem necessário e mais importante. Discutam as ideias e façam um rascunho do conteúdo da introdução, do desenvolvimento e da conclusão. Escolham o título e lembrem-se de utilizar dados estatísticos, comparações, etc., fundamentando- -os com argumentos. †† Empreguem a linguagem formal, ou seja, a variedade padrão da língua, levando em conta que o trabalho poderá vir a ser publicado num jornal. Portanto, escrevam com objetividade, clareza e impessoalidade. †† O tempo e modo verbais devem estar, de preferência, no presente do Indicativo e na 3a pessoa. †† Avaliem o texto, relendo-o mais de uma vez e modificando o que não ficou adequado. Verifiquem se as informações foram expostas com clareza nas três partes que compõem o texto. Observem se foi empregada a variedade padrão, o presente do Indicativo e a 3a pessoa verbal. †† Troquem o texto com outro grupo e leiam as sugestões, antes de passá-lo a limpo. Um dos integrantes do grupo poderá ler a produção para a classe. Depois, sob a orientação do professor, escolham os textos que poderiam ser enviados a um jornal. Guardem uma cópia para outra atividade.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Com base nas informações do texto, escreva no caderno um texto de divulgação científica sobre “A descoberta dos maiores buracos negros já encontrados”. Siga estas orientações.

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Variações linguísticas Gírias Leia o trecho narrativo a seguir.

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O diário de Muzema Muzema é um bairrozinho pequeno e pacato, ali pelas bandas da Barra da Tijuca. Pertence à jurisdição da 32a Delegacia Distrital e nunca dá bronca. Ou melhor, minto... não dava bronca porque esta que deu agora foi fogo. Diz que o delegado da 32a estava em sua mesa de soneca tirando uma pestana, feliz com o sossego, quando um bando de perto de 200 pessoas invadiu a delegacia, carregando no ar um coitado baixote e magrinho, com a cara mais amassada que para-choque de ônibus de subúrbio. E a turba fazia um barulho de acordar prontidão. O delegado, que era o Levi, deu um pulo da cadeira e berrou: — Chamem a Polícia!!! — mas aí percebeu que ele mesmo é que era a Polícia e perguntou que diabo era aquilo. Logo todo mundo começou a berrar ao mesmo tempo, o que obrigou o Dr. Levi a berrar mais alto ainda, ordenando: — Um de cada vez, pombas! Aí um dos que carregavam o pequenino, ordenou que os companheiros pusessem “aquele rato” no chão (a expressão é lá do cara) e começou a explicar: — Nós somos moradores do bairro de Muzema, doutor Delegado. — Sim. E esse pequenino aí? — Pois é, doutor. Nós somos todos de lá e esse cretino aí também é. Imagine o senhor que ele tem um caderno grosso, que ele chama de “Meu Diário”, onde escreve as maiores sujeiras sobre a gente. — Como é que é? — estranhou o delegado. Começou todo mundo a berrar outra vez e, enquanto um guarda dava um copo de água para o diarista arrebentado, o delegado viu-se outra vez a berrar mais alto: — Calem-se! Um só de cada vez! Foi aí que deram a palavra pro dono do caderno: — É o seguinte, doutor: eu tenho um diário. Ando muito lá pela Muzema e ninguém nunca repara em mim. Assim eu posso ver o que os outros fazem sem ser importunado. Mas acontece que eu não sou fofoqueiro. Eu vejo cada coisa de arrepiar. [...] O pequenino pigarreou e prosseguiu: — Como eu dizia, eu tenho o meu diário e anoto nele tudo que vejo. Não faço fofoca com ninguém. Tudo que está escrito aqui é verídico. — Como é o seu nome? Onde você mora?

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— Edson Soares. Moro lá mesmo na Muzema. Lote “A”, casa 18. [...] O Delegado Levi tossiu, embaraçado, e quis saber como é que os personagens daquele diário tinham descoberto o que estava escrito ali. O pequenino foi sincero: — Eu dei azar, doutor. Eu esqueci o diário num banco da pracinha e fui jantar. Quando eu voltei estava todo mundo em volta desse garoto aí (e apontou um garoto sorridente, que se divertia com o bafafá), e o miserável do garoto lendo em volta alta. [...] Stanislaw Ponte Preta. O melhor de Stanislaw Ponte Preta. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976. p. 158-159. (Fragmento).

2 Quem são as personagens que participam dos acontecimentos?

3 De acordo com o texto, em que tempo e lugar os fatos acontecem?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 Qual é o fato principal ou o fio narrativo da história desenvolvido nesse trecho?

4 Qual é o ponto de vista do narrador ao relatar os acontecimentos? Esclareça sua resposta.

5 Que tipo de linguagem foi empregada no texto: a linguagem formal ou informal? Ela está adequada à narrativa? Por quê?

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6 Em que passagens da narrativa aparece o emprego dessa linguagem? Dê exemplos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

7 Observe que, em meio à linguagem informal, ocorre o emprego de gírias que são palavras ou expressões com sentido ou forma alterada em relação à variedade padrão. Que gírias podem ser identificadas nessa narrativa?

Você é o

leitor

As gírias nascem na comunicação oral, para dar maior expressividade à mensagem. Na linguagem escrita, podemos usá-las em situações comunicativas informais, ou quando estivermos reproduzindo a maneira de falar de determinado grupo. Se o texto é mais formal, elas costumam vir entre aspas. A gíria é também conhecida como jargão, quando se refere à linguagem de pessoas que exercem determinada profissão. Leia alguns exemplos de gírias e seus respectivos sentidos:

• • • • • •

parceiro, brother: amigo irado: muito legal! paia: chato mina: menina rolé: dar uma volta zoar: fazer bagunça

• • • • • •

maneiro: legal! treta: problema animal: muito bom azaração: paquera MP: mente poluída bolado: chateado

Em geral, os adolescentes gostam de andar em grupos de amigos e criam um vocabulário pessoal com gírias, para se entenderem melhor. Também uma novela ou um filme podem originar o uso de certas gírias. Os sites de relacionamento e a comunicação em tempo real proporcionam a divulgação de novas gírias. Por isso, as gírias mudam facilmente e são diferentes em cada região do país. Há gírias que surgem e permanecem por um tempo maior, outras caem logo no esquecimento. É comum, entre os adolescentes, a necessidade de empregar sempre novas gírias, que outras tribos ainda não usam. Portanto, pode-se dizer que:

Gíria é a palavra ou expressão da linguagem informal de um determinado grupo social, caracterizada pela alteração do sentido ou da forma em relação à variedade padrão.

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Oficina 1 Leia a tira a seguir: Angeli

Chiclete com banana Angeli

a) A história em quadrinhos também constitui uma narrativa. Observe que o protagonista é um disc jockey que está à procura de uma divulgadora. Explique por que a personagem Tomiko Filipeta não quis falar com Moska, naquele momento.

b) No diálogo ao telefone, as personagens empregam que tipo de linguagem: a variedade padrão formal ou a variedade não padrão informal? Justifique sua resposta.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Angeli. Chiclete com banana. Folha de S.Paulo. São Paulo, 13 nov. 2011.

c) Que sentidos podem ter as gírias utilizadas na tira?

2 Você vai ler um trecho da obra Os pássaros selvagens, em que um adolescente, Marcos, narra sua vida familiar, fala dos amigos, de seus sentimentos e da escola. Nesta passagem, ele conta um pouco do que ocorreu em um dia de aula, após o professor de Literatura ter dito que os alunos poderiam escolher se iriam ou não à aula dele. Veja o que acontece com um dos alunos. 24

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Abelardo Com esse papo de quem quisesse vir à aula que viesse, a gente pensou que o cara era um sujeito meio bandalho e que ia deixar tudo correr frouxo, desse tipo de quem dá nota só pra não ter aporrinhação e todo mundo acha que ele é bonzinho, mas quebramos a cara. Eu vou contar como. Na minha turma tinha um cara chamado Abelardo, um sujeito folgadão e meio turista. Vinha à aula, respondia chamada e se mandava pro pátio ou pra cantina. Quando o Abelardo soube que esse novo professor nem fazia chamada, deitou e rolou, quase não veio a uma aula. Tudo bem, o professor não falou nada, ficou na dele. Quando veio a prova o cara tirou um em Literatura, mas nem ligou, continuou na dele; segundo bimestre: zero. Quando ele viu que ia ser reprovado, veio à aula e falou com o professor: “Mestre, o senhor falou que não era preciso vir a sua aula, que o senhor não fazia chamada nem fazia questão de presença, aí eu pensei...”. O professor, muito calmo, falou com ele: “Tudo bem, Abelardo, você foi livre para vir ou não vir à minha aula. Nunca exigi que você viesse nem nunca quis punir você ou outro qualquer aluno por isso. Você fez uso desta liberdade como bem entendeu. Agora está com um problema. Por certo vai ser reprovado, mas tem que assumir isso. Um homem não é homem apenas porque tem coragem de tomar atitudes, mas principalmente por assumir as consequências destas atitudes, sejam quais forem”. O Abelardo ficou na dele e foi reprovado; mas, com aquilo, nós aprendemos um pouco mais sobre o professor de Literatura. Eu acho que o professor de Literatura deveria dar aula para os outros professores. José Carlos Leal. Os pássaros selvagens. Belo Horizonte: Lê, 1986. p. 40-41. (Fragmento).

• Bandalho: pessoa desprezível, sem brio nem dignidade.

a) No trecho há um narrador-personagem (Marcos) que conta a história participando dos fatos. Por que Marcos e os colegas desconfiaram do professor de Literatura quando ele deu liberdade de escolha aos alunos, para assistirem ou não às aulas?

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b) O professor de Literatura era recém-chegado à escola, por isso os alunos não o conheciam bem. Explique o que a turma pensou, inicialmente, quanto a essa atitude do professor.

d) De acordo com Marcos, personagem e narrador dos fatos, Abelardo era um “sujeito folgadão e meio turista”. O que se pode imaginar quanto às características de Marcos como aluno, tendo em vista essa afirmação?

e) Qual é sua opinião sobre a conduta de Abelardo, no início, quando o professor deu maior abertura aos alunos, e depois, ao sofrer as consequências de seu comportamento?

f) Ao ser procurado por Abelardo, o professor procura esclarecer o que ele esperava dos alunos, ao dar-lhes maior liberdade. Explique por que o professor foi liberal com a turma.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

c) Segundo o texto, Marcos conta que ele e os colegas “quebraram a cara”. O que significa essa expressão dentro do contexto narrativo?

g) Apesar da reprovação de Abelardo, a maneira de agir do professor foi positiva? Por quê?

h) Você observou a linguagem empregada pelo narrador, no relato dos acontecimentos? Que variação linguística foi empregada? Ela foi adequada ao tipo de situação? Por quê?

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i) Dê exemplos de palavras, expressões e frases próprias da linguagem informal ou coloquial presentes no texto, e também exemplos do emprego de gírias.

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Gênero textual Seminário Leia este texto que apresenta os principais argumentos expostos em um seminário sobre a água. www.crq4.org.br/default.php?p=informativo_mat.php&id=1043

Seminário comemora o Dia Mundial da Água Com o tema Água — Química da Vida, a Comissão Técnica de Meio Ambiente do CRQ-IV organizou um seminário no dia 22 de março para comemorar o Dia Mundial da Água. Realizado no auditório da Fundação Armando Álvares Penteado, na capital paulista, o evento reuniu especialistas, professores, estudantes e convidados. Cerca de 100 pessoas assistiram às apresentações feitas ao longo das 13 horas de duração. O encontro teve o apoio da Faculdade de Engenharia e do Centro de Estudos de Energia e Sustentabilidade, ambos da FAAP, e do Sindicato dos Químicos, Químicos Industriais e Engenheiros Químicos de São Paulo (Sinquisp). Ao fazer a abertura do seminário, o presidente do CRQ-IV, Manlio de Augustinis, lembrou que a data era especial, pois comemorava exatos 20 anos da divulgação, pela Organização das Nações Unidas (ONU), da Declaração Universal dos Direitos da Água. Segundo avaliou, trata-se de um documento que estimula a sociedade e os governantes a “refletirem e adotarem medidas efetivas em defesa desse precioso bem natural”. Augustinis afirmou que, dentro dos objetivos idealizados pela ONU, há anos o CRQ-IV tem dedicado o dia 22 de março para debater o tema. Também discursaram o diretor da Faculdade de Engenharia da FAAP, Francisco Carlos Paletta, e Aelson Guaita, presidente do Sinquisp. 27

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O engenheiro civil Paulo Massato Yoshimoto, Diretor Metropolitano da Sabesp, falou de questões relativas ao fornecimento de água e tratamento de esgotos na Grande São Paulo, explicando como a estatal tem direcionado seus investimentos para atender à crescente demanda por água à medida que a mancha urbana se amplia. Yoshimoto comentou sobre o programa de redução de perdas que está sendo desenvolvido pela empresa e das ações destinadas a reduzir o consumo. Citou, ainda, dados sobre o programa de reúso da água, que tem como principais clientes as prefeituras de Santo André, São Caetano, São Paulo e Barueri.

• CRQ-IV: Conselho Regional de Química 4ª Região.

• Pegada hídrica: indicador da quantidade de água gasta na fabricação de produtos e consumida pelas pessoas de forma direta ou indireta.

• Química verde: utilização de técnicas químicas e metodologias que reduzem ou eliminam o uso e a geração de produtos nocivos à saúde humana ou ao ambiente.

“Água: Acesso Decrescente e Importância Crescente” foi o tema da palestra do Bacharel em Química, professor da Faculdade de Engenharia da FAAP e pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, Afonso Rodrigues de Aquino. Ele abordou questões como os problemas na captação de água, as mudanças no regime de chuvas e a complexidade crescente dos parâmetros regulamentadores das normas de qualidade da água. Aquino lembrou que o maior consumo de água não é o direto, ou seja, o da água usada pelas pessoas para beber e fins de higiene, mas sim nos processos produtivos. A produção de um quilo de arroz demanda 1.500 litros de água, exemplificou.

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A desembargadora federal Consuelo Yoshida, do Tribunal Regional Federal da 3a Região, abordou o tema “Governança e Política de Recursos Hídricos”. Ela citou a legislação brasileira sobre o assunto, aspectos da Constituição que tratam de sustentabilidade e o estudo do procurador federal Alexandre Camanho relatando as preocupantes lacunas existentes na definição de políticas de uso dos recursos hídricos no País. A desembargadora afirmou que São Paulo é o estado brasileiro mais avançado em relação à questão dos recursos hídricos, tendo leis específicas para esta área desde 1991.

Conflitos — “A água vai ser em breve o insumo mais importante deste planeta, vai superar todos os outros, dada sua relevância para todos os processos, não só os produtivos, mas também os de geração de energia, além de ser um bem essencial para a vida humana”, afirmou Aquino. Ele considerou o seminário muito importante porque reuniu três atores fundamentais: a educação, representada pela FAAP, o órgão regulador da profissão, representado pelo CRQ-IV, e o que congrega os profissionais, que é o sindicato. O pesquisador destacou como pontos mais relevantes do encontro a discussão de conceitos novos, como a pegada hídrica e a química verde. “Também discutimos as políticas na área ambiental e a atuação de órgãos estatais, como a Sabesp.”

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Na opinião dele, o seminário trouxe à luz as preocupações e uma visão global da questão da água não só do País, mas do mundo, e antecipou situações: “a gestão da água tem que ser muito bem conduzida, porque ela pode redundar em graves conflitos: entre municípios, entre povos, entre nações e pode gerar um grupo de excluídos, que seriam os sem-água”, alertou o especialista. [...] O seminário foi encerrado pouco antes das 22 horas, após o debate “Potabilidade e Emergências Ambientais”, conduzido pela Comissão Técnica de Meio Ambiente do CRQ-IV. Disponível em: <http://www.crq4.org.br/default.php?p=informativo_mat. php&id=1043>. Acesso em: 22 jun. 2012.

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Você é o

leitor

Como você observou no texto em estudo, o seminário é um gênero expositivo oral, em que os participantes expõem e debatem um tema. Apresenta como características principais: uma certa formalidade, a exploração de diversas fontes de informação, a seleção dessas informações em função do tema e a elaboração de um esquema destinado a auxiliar a apresentação oral. Seu objetivo principal é a transmissão de conhecimentos específicos de determinada área científica ou técnica. Portanto:

Seminário é a exposição oral de um tema, com a apresentação de argumentos por um ou mais oradores, seguida de debate entre os participantes.

Oficina Seminário Vejamos como elaborar um seminário.

Planejamento do seminário O planejamento de um seminário envolve etapas. †† Definição do tema e dos participantes do grupo, caso o trabalho seja coletivo. †† Escolha da linguagem e da abordagem, tendo em vista o público-alvo. Deve-se observar,

portanto, a faixa etária e o nível de interesse do público. †† Seleção das informações obtidas com pesquisas em livros, jornais, revistas e na internet. A inclusão de estatísticas, citações e exemplos enriquece o material. 29

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†† Organização de um roteiro escrito com base nas anotações feitas durante a pesquisa.

Nele, colocam-se os dados essenciais, numa sequência, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Faz-se em seguida a distribuição de cada parte da exposição para cada componente do grupo. Esse roteiro pode ser consultado durante a apresentação, mas não deve ser lido.

†† Escolha de recursos audiovisuais, como retroprojetor, slides, cartazes, filmes, microfone,

etc. Uma pessoa deve se responsabilizar pela aquisição e pelo manuseio dos equipamentos.

†† Elaboração de um resumo para ser entregue ao público, a fim de que as pessoas possam

acompanhar melhor a exposição oral.

†† Ensaio da apresentação para verificar, entre outras coisas, o tempo reservado a cada

participante. Seria interessante gravar o ensaio, para avaliação e alterações necessárias.

Preparação para o seminário isso, estude o assunto, inclusive o que será exposto pelos colegas; dessa forma, você poderá ajudá-los, caso seja necessário. Lembre-se de que é importante responder às perguntas feitas pelo público; portanto, esteja preparado.

†† Ensaie sua parte oralmente, até dominar bem o assunto; assim você poderá marcar

seu tempo e aperfeiçoar sua fala. Treine bastante e peça a um colega que lhe faça perguntas e avalie seu desempenho. Você pode gravar seu ensaio e corrigir o que não ficou adequado.

Apresentação do seminário Observe como se realiza um seminário. †† Introdução — um dos componentes do grupo cumprimenta o público, esclarece qual

é o tema, justifica a escolha e diz como será a apresentação e o tempo de duração do seminário.

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†† É necessário que os participantes se preparem bem para obter sucesso no trabalho. Para

†† Desenvolvimento — cada componente expõe sua parte, numa sequência lógica, dando

continuidade à fala do colega anterior, e mantendo a coesão e a coerência das ideias.

†† Conclusão — deve ser feita por um dos apresentadores, a partir de um resumo das

principais ideias expostas e do destaque do ponto de vista do grupo. Em seguida, deve-se agradecer a participação da plateia e oferecer o espaço para perguntas a serem respondidas.

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Você é o

autor

1a proposta — Produção de um seminário com base em dados †† Reúna-se com seu grupo e organizem um seminário tendo como tema a “Sustentabilidade ambiental”. Esse seminário deverá ter como eixo principal os seguintes pontos: a) consequência da poluição dos ambientes aquáticos, tanto no meio urbano como no rural;

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b) degradação das florestas e queimadas; c) tráfico de animais silvestres; d) pesca predatória; e) descarte do lixo no Brasil. †† Façam uma pesquisa sobre esses assuntos e releiam as orientações sobre planejamento e apresentação de seminário. Depois de realizada a pesquisa, elaborem um roteiro escrito. Além de expositivo, o seminário é também argumentativo, portanto, desenvolvam opiniões pessoais sobre o assunto a ser abordado. †† Planejem a exposição do trabalho e dividam as tarefas entre os componentes do grupo. †† Elaborem um resumo para distribuir à plateia. Ensaiem a apresentação mais de uma vez. Preparem-se bem para responder às perguntas. †† Apresentem o seminário para sua turma, que será o público-alvo. Durante a exposição, não usem gírias nem palavrões. No fim, abram espaço para que os colegas façam perguntas. †† Após o trabalho, a turma comentará oralmente a apresentação e o desenvolvimento do tema escolhido, avaliando o que achou interessante e o que não ficou muito claro. É importante justificar os comentários.

2a proposta — Seminário com base em tema †† Com seu grupo, organizem um seminário sobre um destes temas:

• O Brasil e a Copa do Mundo de 2014 • O problema da violência urbana • O crescimento do turismo brasileiro • Qualificação, emprego e mercado de trabalho • A impunidade e a corrupção †† Releiam as orientações sobre o planejamento e a apresentação de um seminário. Elaborem um roteiro escrito depois de realizada a pesquisa. †† Planejem a exposição do trabalho e dividam as tarefas entre os participantes do grupo. Façam um resumo e distribuam para o público. Ensaiem o texto várias vezes, apresentem para a classe e respondam às perguntas. †† Feita a apresentação, a classe avaliará os trabalhos sob a orientação do professor, justificando os comentários.

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3a proposta — Seminário com tema livre

†† Planeje as tarefas, que deverão ser divididas entre os componentes do grupo, numa sequência lógica e progressiva para que o desenvolvimento do assunto seja coerente. †† Pesquise o tema escolhido na internet, em livros, jornais, revistas, enciclopédias e vídeos. Converse também com professores e outras pessoas que possam dar informações sobre o assunto. †† Anote o resultado da pesquisa e, se for o caso, reescreva seus textos para que sejam expostos na apresentação. É importante lembrar que seu texto escrito também servirá de base para a exposição oral. †† Reúna-se novamente com o grupo para confrontar os resultados da pesquisa de cada um. Montem o texto final do seminário. †† Prepare com o grupo a apresentação, com a definição de como será o seminário, a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Verifique a ideia essencial e as secundárias a serem abordadas, como serão apresentados alguns dados (por meio de gráficos, estatísticas, tabelas) e qual suporte será utilizado (cartazes, transparências, etc.). O seminário será mais motivador para o público se forem usados recursos audiovisuais na apresentação. †† Elabore com o grupo um esquema (roteiro) do seminário, com a indicação dos pontos mais importantes do conteúdo. Esses pontos serão destacados no início da apresentação. †† Treine o que você vai falar na exposição do seminário. Cada componente do grupo deve fazer a mesma coisa. Esse recurso ajuda a saber o que deve ser melhorado durante a apresentação e o tempo que cada um utilizará. †† Apresente o seminário: cada participante deverá expor oralmente uma parte do trabalho. Por isso, antes da apresentação, prepare-se. Estude bem seu texto, para que a exposição seja clara, envolvente, e você mostre domínio do tema. Durante a apresentação, se for preciso, consulte o esquema. Não se esqueça de utilizar o material de apoio para enfatizar os pontos principais do trabalho. †† Reserve um tempo para o público fazer perguntas e pedir esclarecimentos sobre o que possa não ter ficado claro. As perguntas podem ser feitas durante a apresentação ou após o término do seminário.

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Uma vez definido o tema com seu grupo, vocês deverão pensar no público-alvo para quem será apresentado o seminário.

Avalie e reescreva †† Antes de expor o seminário para a classe, apresente-o a outro grupo e peça sugestões. Os colegas podem fazer perguntas e críticas. †† O grupo pode não perceber certos problemas, como leitura ou fala não pausada, tom inadequado de voz ou repetição de certos termos. Os colegas poderão mostrar o que não está bem no trabalho apresentado, para que se ajuste o texto e a apresentação. Você e seu grupo poderão se preparar melhor para as prováveis perguntas do público. †† Se quiser, grave a apresentação e, ao ouvi-la, faça uma autocrítica do trabalho, antes de marcar o dia da apresentação final.

Use o caderno de redação para registrar o texto que serviu de base para o seminário.

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letra de canção Leia ou cante a letra desta canção, composta por Guilherme Arantes, que nos faz lembrar a importância da água em nossa vida.

Planeta Água

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Água que nasce na fonte serena do mundo E que abre um profundo grotão Água que faz inocente riacho e deságua Na corrente do ribeirão Águas escuras dos rios Que levam a fertilidade ao sertão Águas que banham aldeias E matam a sede da população Águas que caem das pedras No véu das cascatas, ronco de trovão E depois dormem tranquilas No leito dos lagos, no leito dos lagos Água dos igarapés, onde Iara, a mãe-d’água, É misteriosa canção Água que o sol evapora, pro céu vai embora Virar nuvens de algodão Gotas de água da chuva Alegre arco-íris sobre a plantação Gotas de água da chuva Tão tristes, são lágrimas na inundação Águas que movem moinhos São as mesmas águas que encharcam o chão E sempre voltam humildes Pro fundo da terra, pro fundo da terra Terra, planeta Água Terra, planeta Água Terra, planeta Água Guilherme Arantes.. CD Guilherme Arantes – Ao Vivo. Sony, 2001.

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1 Na composição da letra, é feita uma espécie de saudação à água. Explique por quê.

2 Na 1a estrofe, o autor fala do nascimento da água. a) De acordo com a letra, como a água surge e em que se transforma?

b) Explique por que a água é um “inocente riacho” que se lança num ribeirão.

4 Observe o emprego da linguagem figurada ou conotativa na 3a estrofe. a) Identifique quais são as figuras de linguagem destacadas nestes versos:

“No véu das cascatas, ronco de trovão E depois dormem tranquilas”

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3 Na 2a estrofe, a canção destaca certos bens que a água nos concede. Que benefícios ela nos presta, segundo a letra da canção?

b) Interprete a linguagem figurada desses dois versos.

c) Na expressão “leito dos lagos”, ocorre também uma figura de linguagem chamada catacrese. Nesse caso, usa-se uma palavra (leito) para designar outra coisa, por não haver para ela um termo próprio, como nestes exemplos: pé da mesa, asa do bule, braço do rio. Dê outros exemplos de catacrese.

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5 Na 4a estrofe, o compositor dá continuidade a sua exaltação à água. a) Explique por que a Iara, mãe-d’água, canta de forma misteriosa nos igarapés. Pesquise o assunto.

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b) Nessa estrofe, há também uma metáfora. Identifique-a e interprete a imagem que ela simboliza.

6 Somente na 5a estrofe, as águas dão lugar a gotas de chuva. Observe que, nessa estrofe, o autor criou uma antítese, ou seja, uma oposição de ideias. Indique-a e explique por que essa figura de linguagem foi empregada.

7 A 6a estrofe afirma que as águas não mudam e estão em toda parte, mas exercem ações diferentes. a) Nos dois primeiros versos dessa estrofe, o que o compositor quis dizer?

b) Com que objetivo o autor personifica as águas nessa estrofe?

8 Explique por que, na última estrofe, o compositor repete a mesma frase:

“Terra, planeta Água”.

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capítulo

2

O texto narrativo

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The Bridgeman Art Library/Keystone - Musée d’Orsay, Paris

Linguagem visual

A lavadeira, de Honoré Daumier. 1863. Óleo sobre madeira, 49 x 33,5 cm.

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O caricaturista, chargista, pintor e ilustrador francês Honoré Daumier nasceu em Marselha, no ano de 1808, e ficou conhecido como o Michelangelo da caricatura. Hoje, é reconhecido como um dos mestres da litografia. Daumier destacou-se como caricaturista, com litografias de sátira política, social e de costumes, trabalhando em revistas políticas. Sua caricatura Gargântua, de 1831, custou-lhe seis meses de prisão: nela ridicularizava o rei Luís Filipe, como a célebre personagem de Rabelais, que era considerada obscena, rude e vulgar. Ao todo, produziu cerca de 4 mil litografias. Destacam-se em sua obra Vagão de terceira classe (1862), em que retrata uma família proletária, A liberdade da imprensa (1832) e outros trabalhos que mostram sua tendência realista e satírica. O artista faleceu em Valdomois, na França, em 1879.

Félix Nadar

O autor e a obra

Honoré Daumier.

Leitura de imagem 1 Uma das características do estilo realista era o destaque que os artistas davam a temas relacionados à condição humana. Como Honoré Daumier explorou esse tema em A lavadeira, uma de suas obras mais importantes?

2 Nessa obra, assim como em Vagão de terceira classe, da mesma época, Daumier não destacou a pobreza com o objetivo de despertar emoção simplesmente. De que modo ele conseguiu conferir dignidade a essa lavadeira?

3 Apesar do trabalho difícil e pesado que a personagem de Daumier realiza, ela não inspira piedade ou comiseração. Explique por quê.

4 Pode-se dizer que esse quadro representa uma exaltação da mulher trabalhadora e, ao mesmo tempo, da mãe dedicada? Justifique sua resposta.

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5 Observe com atenção a imagem da mulher, com uma trouxa de roupa em uma das mãos e a criança pequena na outra. a) Sabendo que, na época em que o quadro foi pintado, as lavadeiras lavavam as roupas na beira dos rios, responda: em que lugar estaria a escada que a criança sobe, sob os olhos atentos da mãe?

c) De acordo com o quadro, em que momento do dia essa cena teria ocorrido? Justifique sua resposta.

6 O estilo realista caracterizou-se pelo interesse dos artistas em retratar a vida real, ao contrário do estilo romântico, que idealizava o mundo. A obra de Daumier representa um importante documento, de motivação realista, sobre a vida na França naquele período.

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b) De onde a lavadeira estaria voltando com a criança, que traz uma pazinha na mão e parece cansada?

a) O que sugere, politicamente, o fato de o pintor ter sido preso por causa de sua obra Gargântua?

b) Pesquise e informe-se sobre a situação política e econômica da França, na época.

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7 As obras dos pintores realistas franceses, como Daumier, François Millet e Coubert, denunciaram esse momento histórico. No período do segundo império na França, uma grande parte do povo vivia na miséria. Em sua opinião, essa participação social vista em obras de artistas e escritores é importante? Por quê?

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8 A partir de 1860, Daumier dedicou-se também ao desenho, à pintura a óleo e à aquarela. Suas obras, porém, eram simples, pouco coloridas e com muitos contrastes de luz e sombra, características que agradavam mais aos que entendiam de arte. Talvez, por causa disso, em determinada fase da vida, Daumier tenha enfrentado dificuldades financeiras, chegando a receber ajuda de outros artistas. Como esse fato se refletiu nesse seu trabalho?

9 No quadro A lavadeira, o pintor utilizou traços fortes, jogos de luz entre o claro e o escuro e a expressividade da cena; não explorou a miséria, mas o trabalho humilde e honrado de uma pessoa do povo. Apesar de a obra pertencer à época realista, sua temática está distante da realidade atual no mundo? Exponha suas ideias.

Estudo de texto

O abismo ficou menor Nenhuma outra grande economia reduziu a desigualdade de renda como o Brasil nas últimas duas décadas — mérito do bom e velho capitalismo A disparidade de renda entre indivíduos existe ou existiu em todas as sociedades, sejam as pré-industriais, caso do Império Romano, sejam as economias de mercado ou socialistas modernas. A diferença é a possibilidade de mover-se, pelo próprio esforço,

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Leia o texto a seguir.

de um espectro social baixo para outro mais alto. Nisso, o capitalismo é imbatível. O termo desigualdade social aparece no discurso de esquerda associado à tese da luta de classes, com os pobres no papel de injustiçados e os ricos no de exploradores. Um certo grau 39

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de desigualdade, no entanto, é natural e saudável, pois isso dá ao ser humano a perspectiva de uma vida melhor. A esperança conforta e dá impulso e coragem para inovar e correr riscos, as molas do progresso. A desigualdade em excesso é danosa. Há algo de muito errado quando uma parcela expressiva da população é privada das condições básicas da vida, enquanto uma pequena elite vive na mais nababesca abundância. O Brasil está se tornando menos desigual graças ao bom e velho capitalismo. No conjunto dos países desenvolvidos e das principais economias emergentes, nenhuma outra nação reduziu tanto a diferença entre ricos e pobres nas últimas duas décadas quanto o Brasil. [...]

O Brasil vive hoje um fenômeno conhecido dos estudiosos de desigualdade. Quando uma nação pobre abre sua economia, há uma fase inicial de valorização dos profissionais com nível superior. Conforme o país se desenvolve, investe-se mais em formação educacional e essa demanda é suprida. Em um segundo momento, começam a faltar trabalhadores com baixa qualificação, e os seus salários sobem. [...] “No Brasil, a renda dos pobres aumentou em níveis chineses, e a dos ricos, no mesmo ritmo de um país europeu estagnado”, diz o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas. “Mais vinte anos assim e teremos um índice de desigualdade parecido com o dos americanos.” A diminuição da desigualdade ocorreu concomitantemente à ascensão de uma nova classe de milionários no país. Em 2010, os brasileiros com mais de 1 milhão de dólares disponíveis para gastar somavam 155.000 pessoas, um aumento de 6% em relação ao ano anterior. No grupo dos bilionários, a revista americana Forbes registrou em 2003 um total de dezenove brasileiros. Hoje, eles já somam trinta. Juntos, possuem uma renda de 130 bilhões de dólares, o equivalente a 6% do PIB do país. São valores impactantes se comparados com a renda de menos de 751 reais mensais com a qual sobrevivem quase 25 milhões de cidadãos, mas essa

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concentração de riqueza na mão dos super-ricos, semelhante à da Alemanha, não é nada comparada à de outros países emergentes. Na Índia, os trinta homens mais ricos têm o equivalente a 13% do PIB. Na Rússia, eles possuem 21%. A redução da disparidade social no Brasil tomou forma em 1994, com a chegada do Plano Real. Na década anterior, a de 80, a inflação impedia as pessoas de renda muito baixa de ter acesso ao banco, enquanto as mais abastadas possuíam contas-correntes com indexadores para evitar a desvalorização do dinheiro aplicado. O abismo entre as classes sociais era quase institucionalizado. Quando a inflação foi subjugada, pedreiros, operários, empregadas domésticas e costureiras viram o valor de seu salário manter-se estável em relação aos preços dos produtos, as agências bancárias abriram as portas e eles puderam planejar o futuro. A tranquilidade macroeconômica também permitiu a sucessivos governos concentrar esforços na educação — a mais efetiva e reconhecida ferramenta de ascensão social. [...] Segundo o senso comum, nas sociedades pré-industriais, assim como nos países comunistas, os níveis de desigualdade de renda eram menores. De fato, o índice de Gini do Império Romano era equivalente ao dos Estados Unidos hoje. A estatística, porém, é perni-

ciosa, pois leva a uma conclusão falsa. Em Roma praticamente não existia uma classe intermediária. Havia uma grande massa de miseráveis e uma pequena parcela, de menos de 1% da população, de pessoas com um bom padrão de vida. Ou seja, a igualdade se dava na pobreza. O mesmo ocorre em países comunistas como a Coreia do Norte e Cuba. No mundo moderno, a igualdade almejada é a da classe média, situada entre ricos e pobres. Pela primeira vez, esse grupo intermediário representa mais da metade da população do Brasil. Justiça social se consegue com uma boa dose de capitalismo. T G. Veja. São Paulo, 7 mar. 2012, p. 90-93. (Fragmento).

• Nababesco: relativo a nababo, indivíduo muito rico que vive cercado de luxo.

• Índice de Gini: escala de 0 a 1 que mede o nível de desigualdade social de um país.

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Análise da leitura 1 Esse texto é uma reportagem, pois apresenta informações e também resultados de pesquisas e estudos sobre um determinado assunto. a) Após a leitura do título principal ou manchete, como o título auxiliar nos faz entender melhor o assunto que será abordado?

b) Explique por que, no título auxiliar, percebe-se certa ironia da jornalista.

3 Quais são as “molas do progresso” mencionadas no texto? Por que elas são importantes?

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2 No 1o parágrafo do texto, a desigualdade social é considerada, em parte, um fator positivo. Esclareça essa afirmação.

4 Como diz o texto, sempre houve desigualdade social no mundo e diferenças entre ricos e pobres. a) Exponha suas opiniões sobre esta afirmação da autora:

“A desigualdade em excesso é danosa.”

b) O que se observa hoje, no Brasil, com a redução do abismo entre ricos e pobres?

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5 Explique por que, em determinado momento da ascensão econômica, o mercado brasileiro necessitou de profissionais qualificados.

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6 De que forma as classes menos favorecidas conseguiram avançar, economicamente, reduzindo a desigualdade de renda?

7 As distorções entre os salários tornaram-se menos graves, com a renda dos pobres crescendo em “níveis chineses”. O que isso significa?

8 No 3o parágrafo, a autora apresenta outras informações sobre a queda da desigualdade. Apesar desse declínio, o número de milionários brasileiros aumentou de forma expressiva, principalmente, ao ser comparado com o salário de boa parte de nossa população. Em sua opinião, essa situação precisa se modificar no Brasil? Por quê?

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9 Segundo o texto, em 1994, o Plano Real iniciou as mudanças na economia ao dominar aos poucos a inflação. a) O que representou a “tranquilidade macroeconômica” naquela época?

10 No 5o parágrafo, a autora conclui que a desigualdade de renda era menor nas sociedades antigas e nos países comunistas, porque a igualdade ocorria entre os mais pobres. De que forma ela justifica essa argumentação, ao mostrar o problema da desigualdade de renda em momentos e situações diferentes?

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b) De que modo a estabilidade financeira proporcionou o crescimento na área da educação?

11 Na leitura da imagem A lavadeira, de Honoré Daumier, você pôde perceber a questão da desigualdade de renda na sociedade francesa do século XIX. Após a análise do texto jornalístico, pode-se dizer que esse quadro também retrata a desigualdade social no século XXI? Exponha suas ideias e converse com os colegas, depois de refletir sobre o assunto. Converse também com seus professores de Português e História.

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Linguagem e contexto Expressões e significados

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Todas as línguas possuem as chamadas expressões idiomáticas. São locuções ou frases de sentido figurado, consagradas pelo uso, cujo significado, portanto, não pode ser entendido ao pé da letra. As expressões idiomáticas variam de época para época e de região para região. Por causa disso, traduzi-las para outras línguas é uma tarefa difícil. Cada expressão idiomática apresenta um significado e um histórico. Por exemplo, a expressão pagar mico significa “dar vexame, passar vergonha por algum motivo”. Ela se originou de um jogo de cartas infantil: o jogo do mico, em que o perdedor é aquele que estiver com a carta do mico na mão, ao final. Outra expressão comum é chutar o pau da barraca, que corresponde a “deixar de medir as consequências dos atos” ou “desistir de um projeto”. A frase “O mar não está para peixe” também é um exemplo de expressão idiomática e significa “A situação não está boa. Cuidado!”. Veja outros casos. 1 Leia as expressões destacadas nas frases a seguir e escreva o sentido que elas apresentam no contexto. a) Não disse nada novo: ficou ali só chovendo no molhado. b) Seria bom você não cutucar a onça com vara curta. c) Deixe de cascata pelo menos desta vez, Rodrigo! d) A cliente disse cobras e lagartos ao gerente da loja. e) Você mais uma vez dormiu no ponto, meu caro. f) Miguel livrou a cara de seu melhor amigo, sem hesitar. g) Se você não se empenhar, vai acabar morrendo na praia.

2 Pesquise os sentidos das expressões a seguir e empregue-as em frases. a) Não se dar por achado. b) Pagar na mesma moeda. c) Pôr os pingos nos is. d) Tempestade em copo d’água. 45

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Gênero textual Conto fantástico Leia o conto “As formigas”, de Lygia Fagundes Telles.

• Adunco: em forma de gancho, recurvado, aquilino.

Quando minha prima e eu descemos do táxi já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles vazado por uma pedrada. Descansei a mala no chão e apertei o braço da prima. — É sinistro. Ela me impeliu na direção da porta. Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um preço melhor a duas pobres estudantes com liberdade de usar o fogareiro no quarto, a dona nos avisara por telefone que podíamos fazer refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada velhíssima, cheirando a creolina. — Pelo menos não vi sinal de barata — disse minha prima. A dona era uma velha balofa, de peruca mais negra do que a asa da graúna. Vestia um desbotado pijama de seda japonesa e tinha as unhas aduncas recobertas por uma crosta de esmalte vermelho-escuro descascado nas pontas encardidas. Acendeu um charutinho. — É você que estuda medicina? — perguntou soprando a fumaça na minha direção. — Estudo direito. Medicina é ela. A mulher nos examinou com indiferença. Devia estar pensando em outra coisa quando soltou uma baforada tão densa que precisei desviar a cara. A saleta era escura, atulhada de móveis velhos, desparelhados. No sofá de palhinha furada no assento, duas almofadas que pareciam ter sido feitas com os restos de um antigo vestido, os bordados salpicados de vidrilho. — Vou mostrar o quarto, fica no sótão — disse ela em meio a um acesso de tosse. Fez um sinal para que a seguíssemos. — O inquilino antes de vocês também estudava medicina, tinha um caixotinho de ossos que esqueceu aqui, estava sempre mexendo neles. Minha prima voltou-se: — Um caixote de ossos?

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A mulher não respondeu, concentrada no esforço de subir a estreita escada de caracol que ia dar no quarto. Acendeu a luz. O quarto não podia ser menor, com o teto em declive tão acentuado que nesse trecho teríamos que entrar de gatinhas. Duas camas, dois armários e uma cadeira de palhinha pintada de dourado. No ângulo onde o teto quase se encontrava com o assoalho, estava um caixotinho coberto com um pedaço de plástico. Minha prima largou a mala e, pondo-se de joelhos, puxou o caixotinho pela alça de corda. Levantou o plástico. Parecia fascinada. — Mas que ossos tão miudinhos! São de criança? — Ele disse que eram de adulto. De um anão. — De um anão? É mesmo, a gente vê que já estão formados… Mas que maravilha, é raro à beça esqueleto de anão. E tão limpo, olha aí — admirou-se ela. Trouxe na ponta dos dedos um pequeno crânio de uma brancura de cal. — Tão perfeito, todos os dentinhos! — Eu ia jogar tudo no lixo, mas se você se interessa pode ficar com ele. O banheiro é aqui ao lado, só vocês é que vão usar, tenho o meu lá embaixo. Banho quente extra. Telefone também. Café das sete às nove, deixo a mesa posta na cozinha com a garrafa térmica, fechem bem a garrafa — recomendou coçando a cabeça. A peruca se deslocou ligeiramente. Soltou uma baforada final: — Não deixem a porta aberta senão meu gato foge. Ficamos nos olhando e rindo enquanto ouvíamos o barulho dos seus chinelos de salto na escada. E a tosse encatarrada. Esvaziei a mala, dependurei a blusa amarrotada num cabide que enfiei num vão da veneziana, prendi na parede, com durex, uma gravura de Grassmann e sentei meu urso de pelúcia em cima do travesseiro. Fiquei vendo minha prima subir na cadeira, desatarraxar a lâmpada fraquíssima que pendia de um fio solitário no meio do teto e no lugar atarraxar uma lâmpada de duzentas velas que tirou da sacola. O quarto ficou mais alegre. Em compensação, agora a gente podia ver que a roupa de cama não era tão alva assim, alva era a pequena tíbia que ela tirou de dentro do caixotinho. Examinou-a. Tirou uma vértebra e olhou pelo buraco tão reduzido como o aro de um anel. Guardou-as com a delicadeza com que se amontoam ovos numa caixa. — Um anão. Raríssimo, entende? E acho que não falta nenhum ossinho, vou trazer as ligaduras, quero ver se no fim da semana começo a montar ele.

• Grassmann: Marcello Grassmann (1925), desenhista e gravador brasileiro.

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Abrimos uma lata de sardinha que comemos com pão, minha prima tinha sempre alguma lata escondida, costumava estudar até a madrugada e depois fazia sua ceia. Quando acabou o pão, abriu um pacote de bolacha Maria. — De onde vem esse cheiro? — perguntei farejando. Fui até o caixotinho, voltei, cheirei o assoalho. — Você não está sentindo um cheiro meio ardido? — É de bolor. A casa inteira cheira assim — ela disse. E puxou o caixotinho para debaixo da cama. No sonho, um anão louro de colete xadrez e cabelo repartido no meio entrou no quarto fumando charuto. Sentou-se na cama da minha prima, cruzou as perninhas e ali ficou muito sério, vendo-a dormir. Eu quis gritar, tem um anão no quarto! mas acordei antes. A luz estava acesa. Ajoelhada no chão, ainda vestida, minha prima olhava fixamente algum ponto do assoalho. — Que é que você está fazendo aí? — perguntei. — Essas formigas. Apareceram de repente, já enturmadas. Tão decididas, está vendo? Levantei e dei com as formigas pequenas e ruivas que entravam em trilha espessa pela fresta debaixo da porta, atravessavam o quarto, subiam pela parede do caixotinho de ossos e desembocavam lá dentro, disciplinadas como um exército em marcha exemplar. — São milhares, nunca vi tanta formiga assim. E não tem trilha de volta, só de ida — estranhei. — Só de ida. Contei-lhe meu pesadelo com o anão sentado em sua cama. — Está debaixo dela — disse minha prima e puxou para fora o caixotinho. — Levantou o plástico. — Preto de formiga! Me dá o vidro de álcool. — Deve ter sobrado alguma coisa aí nesses ossos e elas descobriram, formiga descobre tudo. Se eu fosse você, levava isso lá pra fora. — Mas os ossos estão completamente limpos, eu já disse. Não ficou nem um fiapo de cartilagem, limpíssimos. Queria saber o que essas bandidas vêm fuçar aqui. Respingou fartamente o álcool em todo o caixote. Em seguida, calçou os sapatos e, como uma equilibrista andando no fio de arame, foi pisando firme, um pé diante do outro na trilha de formigas. Foi e voltou duas vezes. Apagou o cigarro. Puxou a cadeira. E ficou olhando dentro do caixotinho.

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— Esquisito. Muito esquisito. — O quê? — Me lembro que botei o crânio em cima da pilha, me lembro que até calcei ele com as omoplatas para não rolar. E agora ele está aí no chão do caixote, com uma omoplata de cada lado. Por acaso você mexeu aqui? — Deus me livre, tenho nojo de osso! Ainda mais de anão. Ela cobriu o caixotinho com o plástico, empurrou-o com o pé e levou o fogareiro para a mesa, era a hora do seu chá. No chão, a trilha de formigas mortas era agora uma fita escura que encolheu. Uma formiguinha que escapou da matança passou perto do meu pé, já ia esmagá-la quando vi que levava as mãos à cabeça, como uma pessoa desesperada. Deixei-a sumir numa fresta do assoalho. Voltei a sonhar aflitivamente, mas dessa vez foi o antigo pesadelo com os exames, o professor fazendo uma pergunta atrás da outra e eu muda diante do único ponto que não tinha estudado. Às seis horas o despertador disparou veementemente. Travei a campainha. Minha prima dormia com a cabeça coberta. No banheiro, olhei com atenção para as paredes, para o chão de cimento, à procura delas. Não vi nenhuma. Voltei pisando na ponta dos pés e então entreabri as folhas da veneziana. O cheiro suspeito da noite tinha desaparecido. Olhei para o chão: desaparecera também a trilha do exército massacrado. Espiei debaixo da cama e não vi o menor movimento de formigas no caixotinho coberto. Quando cheguei por volta das sete da noite, minha prima já estava no quarto. Achei-a tão abatida que carreguei no sal da omelete, tinha a pressão baixa. Comemos num silêncio voraz. Então me lembrei. — E as formigas? — Até agora, nenhuma. — Você varreu as mortas? Ela ficou me olhando. — Não varri nada, estava exausta. Não foi você que varreu? — Eu?! Quando acordei, não tinha nem sinal de formiga nesse chão, estava certa que antes de deitar você juntou tudo… Mas, então, quem?! Ela apertou os olhos estrábicos, ficava estrábica quando se preocupava.

• Omoplata: escápula, osso que compõe a articulação do ombro.

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— Muito esquisito mesmo. Esquisitíssimo. Fui buscar o tablete de chocolate e perto da porta senti de novo o cheiro, mas seria bolor? Não me parecia um cheiro assim inocente, quis chamar a atenção da minha prima para esse aspecto, mas ela estava tão deprimida que achei melhor ficar quieta. Espargi água-de-colônia flor de maçã por todo o quarto (e se ele cheirasse como um pomar?) e fui deitar cedo. Tive o segundo tipo de sonho que competia nas repetições com o tal sonho da prova oral: nele, eu marcava encontro com dois namorados ao mesmo tempo. E no mesmo lugar. Chegava o primeiro e minha aflição era levá-lo embora dali antes que chegasse o segundo. O segundo, desta vez, era o anão. Quando só restou o oco de silêncio e sombra, a voz da minha prima me fisgou e me trouxe para a superfície. Abri os olhos com esforço. Ela estava sentada na beira da minha cama, de pijama e completamente estrábica. — Elas voltaram. — Quem? — As formigas. Só atacam de noite, antes da madrugada. Estão todas aí de novo. A trilha da véspera, intensa, fechada, seguia o antigo percurso da porta até o caixotinho de ossos por onde subia na mesma formação até desformigar lá dentro. Sem caminho de volta. — E os ossos? Ela se enrolou no cobertor, estava tremendo. — Aí é que está o mistério. Aconteceu uma coisa, não entendo mais nada! Acordei pra fazer pipi, devia ser umas três horas. Na volta senti que no quarto tinha algo mais, está me entendendo? Olhei pro chão e vi a fila dura de formiga, você lembra? não tinha nenhuma quando chegamos. Fui ver o caixotinho, todas trançando lá dentro, lógico, mas não foi isso o que quase me fez cair pra trás, tem uma coisa mais grave: é que os ossos estão mesmo mudando de posição, eu já desconfiava mas agora estou certa, pouco a pouco eles estão… estão se organizando. — Como, organizando? Ela ficou pensativa. Comecei a tremer de frio, peguei uma ponta do seu cobertor. Cobri meu urso com o lençol. — Você lembra, o crânio entre as omoplatas, não deixei ele assim. Agora é a coluna vertebral que já está quase formada, uma vértebra atrás da outra, cada ossinho tomando o seu lugar, alguém do ramo está montando o esqueleto, mais um pouco e… Venha ver! — Credo, não quero ver nada. Estão colando o anão, é isso?

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Ficamos olhando a trilha rapidíssima, tão apertada que nela não caberia sequer um grão de poeira. Pulei-a com o maior cuidado quando fui esquentar o chá. Uma formiguinha desgarrada (a mesma daquela noite?) sacudia a cabeça entre as mãos. Comecei a rir e tanto que, se o chão não estivesse ocupado, rolaria por ali de tanto rir. Dormimos juntas na minha cama. Ela dormia ainda quando saí para a primeira aula. No chão, nem sombra de formiga, mortas e vivas, desapareciam com a luz do dia. Voltei tarde essa noite, um colega tinha se casado e teve festa. Vim animada, com vontade de cantar, passei da conta. Só na escada é que me lembrei: o anão. Minha prima arrastara a mesa para a porta e estudava com o bule fumegando no fogareiro. — Hoje não vou dormir, quero ficar de vigia — ela avisou. O assoalho ainda estava limpo. Me abracei ao urso. — Estou com medo. Ela foi buscar uma pílula para atenuar minha ressaca, me fez engolir a pílula com um gole de chá e ajudou a me despir. — Fico vigiando, pode dormir sossegada. Por enquanto não apareceu nenhuma, não está na hora delas, é daqui a pouco que começa. Examinei com a lupa debaixo da porta, sabe que não consigo descobrir de onde brotam? Tombei na cama, acho que nem respondi. No topo da escada o anão me agarrou pelos pulsos e rodopiou comigo até o quarto, acorda, acorda! Demorei para reconhecer minha prima que me segurava pelos cotovelos. Estava lívida. E vesga. — Voltaram — ela disse. Apertei entre as mãos a cabeça dolorida. — Estão aí? Ela falava num tom miúdo como se uma formiguinha falasse com sua voz. — Acabei dormindo em cima da mesa, estava exausta. Quando acordei, a trilha já estava em plena movimentação. Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava… — O que foi? Fala depressa, o que foi? Ela firmou o olhar oblíquo no caixotinho debaixo da cama. — Estão mesmo montando ele. E rapidamente, entende? O esqueleto está inteiro, só falta o fêmur. E os ossinhos da mão esquerda, fazem isso num instante. Vamos embora daqui. — Você está falando sério? — Vamos embora, já arrumei as malas. A mesa estava limpa e vazios os armários escancarados. 51

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L F T. Venha ver o pôr do sol e outros contos. São Paulo: Ática, 1997. p. 35-42.

1

O texto em estudo é um conto fantástico, pois os fatos narrados despertam no leitor perplexidade e dúvida, entre uma explicação racional, diante do inusitado, e uma explicação com base no sobrenatural.

a) Nesse conto, os fatos inexplicáveis não começam a ocorrer subitamente, pois antes há indícios bem claros de que algo estranho acontecia. Identifique esses indícios.

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— Mas sair assim, de madrugada? Podemos sair assim? — Imediatamente, melhor não esperar que a bruxa acorde. Vamos, levanta! — E para onde a gente vai? — Não interessa, depois a gente vê. Vamos, vista isto, temos que sair antes que o anão fique pronto. Olhei de longe a trilha: nunca elas me pareceram tão rápidas. Calcei os sapatos, descolei a gravura da parede, enfiei o urso no bolso da japona e fomos arrastando as malas pelas escadas, mais intenso o cheiro que vinha do quarto, deixamos a porta aberta. Foi o gato que miou comprido ou foi um grito? No céu, as últimas estrelas já empalideciam. Quando encarei a casa, só a janela vazada nos via, o outro olho era penumbra.

b) Observe que, mesmo impressionadas com os acontecimentos, as jovens mantêm-se presas ao mundo real. No início, que explicação racional uma das jovens apresenta para o aparecimento das formigas?

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c) Que fatos acontecem depois que as formigas são mortas e as jovens começam a imaginar que algo inusitado estava se passando?

2 O conto adentra cada vez mais no plano do insólito, em que as personagens buscam entender os fatos, mas se sentem incapazes de encontrar uma explicação lógica para eles.

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a) Quando as formigas surgem à noite, pela segunda vez, a estudante de medicina parece desorientada. Explique por quê.

b) Que frases ditas por ela, nessa passagem, sugerem que se tratava de algo sobrenatural?

3 À medida que o conto avança, aumenta o suspense. a) As formigas pareciam surgir do nada, o que deixava as jovens mais assustadas. Na terceira investida das formigas, o que acontece?

b) As jovens reclamavam do cheiro no quarto, quando a noite chegava, mas, de manhã, ele desaparecia. Em sua opinião, o que produzia esse cheiro?

c) A seu ver, por que a estudante de medicina afirma que elas tinham que sair antes que o anão ficasse pronto?

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4 Em geral, o conto apresenta em sua estrutura uma situação inicial, um conflito, um clímax e um desfecho. a) Qual é a situação inicial do conto em estudo?

b) Como se desenvolve a complicação ou o conflito central do conto?

d) De que forma a autora criou um desfecho que ainda mantém o leitor imerso no mundo ficcional?

5 O conto caracteriza-se pela narrativa condensada, pois apresenta um número reduzido de personagens e de ações, que se desenvolvem num tempo e num espaço simplificados.

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c) Identifique o clímax, isto é, o ponto máximo de tensão da narrativa.

a) Quem são as personagens que participam dessa história?

b) Quais são as características principais das duas personagens centrais do conto?

c) No conto, há sempre um protagonista, ou personagem principal, e um antagonista, ou vilão, que interfere de forma negativa na vida do protagonista. Que personagens representam o protagonista e o antagonista nesse conto?

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6 Como em toda narrativa, no conto há um narrador que conta a história. a) Quem é o narrador nesse conto, e em que pessoa ou foco narrativo a história se desenvolve? Justifique sua resposta.

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b) Como na maioria das narrativas, o conto apresenta vários trechos descritivos. Identifique um deles.

7 No texto narrativo, a ação se desenvolve num espaço, que pode influenciar o comportamento das personagens ou ser alterado em função delas. No conto em estudo, como o espaço contribui para a construção do clima da história?

8 O tempo na narrativa pode ser cronológico ou psicológico. O tempo cronológico apresenta os fatos em ordem linear ou natural, de acordo com o enredo, e pode ser medido em horas, meses, etc. Já o tempo psicológico se processa em função da memória ou da imaginação do narrador ou da personagem, por isso, os fatos ocorrem em ordem não linear. a) O tempo dessa narrativa é cronológico ou psicológico? Justifique sua resposta.

b) Identifique no texto indícios que comprovem que as personagens passaram três noites na casa.

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c) Qual é o tempo verbal predominante utilizado nessa narrativa?

9 O conto é uma narrativa curta de ficção, ambientada num universo próprio, que pode ou não ser parecido com o nosso. a) O universo em que se passa esse conto é igual àquele em que vivemos? Por quê?

10 A narrativa literária não precisa ter veracidade (qualidade do que é verdadeiro), mas sim verossimilhança. Ou, em outras palavras: os fatos narrados precisam ser aceitáveis, dentro do contexto construído pela própria narrativa. Nesse caso, o conto em estudo é inverossímil? Isto é, há algo incoerente dentro do universo criado pela autora? Justifique sua resposta.

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b) Em que momento do conto os fatos começam a se tornar improváveis, no mundo real?

11 No texto, há o emprego de certas figuras de linguagem, como a personificação (as formigas agem como se fossem pessoas) e a comparação. a) No início da narrativa, que personificação aparece e é retomada na conclusão? Interprete-a.

b) Interprete esta comparação, situando-a no contexto:

“[...] disciplinadas como um exército em marcha exemplar.”

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c) Observe o emprego do adjetivo inocente, em sentido figurado, referindo-se ao cheiro do quarto, e interprete a frase:

“Não me parecia um cheiro assim inocente.”

12 Observe que a narrativa se desenvolve não só por meio da fala do narrador.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a) Que outro recurso é utilizado para contar a história?

b) Que tipo de linguagem foi empregada: a variedade padrão ou a variedade não padrão? Justifique sua resposta com um exemplo.

Conto fantástico é uma narrativa de ficção condensada, em que ocorre uma oposição entre a realidade e a fantasia, de tal modo que as causas dos fatos não têm uma explicação lógica. O enredo apresenta, em geral, um único conflito, tempo e espaço reduzidos, poucas personagens e ação rápida e enxuta.

Você é o

leitor

O conto é uma narrativa ficcional curta, cujo enredo apresenta uma sequência de fatos que mantêm entre si uma relação de causa e efeito. Em geral, observa-se em sua estrutura uma situação inicial, um conflito, um clímax e um desfecho. O elemento principal do conto é o conflito, porque ele cria uma situação antagônica entre os fatos que compõem a história, despertando o interesse do leitor. Entre outras características, o conto apresenta um número reduzido de personagens e poucas ações; tanto o tempo como o espaço do conto são simplificados. O tempo pode ser cronológico, quando os fatos acontecem em uma ordem natural ou linear, de acordo com o relógio e o calendário. No tempo psicológico, os fatos desenvolvem-se fora da ordem natural, ou seja, de maneira não linear, de acordo com a vontade ou a memória da personagem ou do narrador.

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No conto fantástico, há uma oposição entre o mundo real e o mundo ficcional, nem sempre totalmente clara. Por isso, o leitor se surpreende diante de fatos estranhos e misteriosos, hesitando entre uma explicação racional e uma justificativa sobrenatural para os acontecimentos. No entanto, como se pôde observar no conto estudado, as causas dos fatos geralmente não têm uma motivação lógica, deixando o sentido final da narrativa aberto para a interpretação pessoal de cada leitor.

Você é o

autor

Proposta — Desenvolvimento de um conto fantástico

Texto 1

O homem cuja orelha cresceu Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam à cintura. Finas, compridas, como fitas de carne, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado. Quando chegou na pensão, a orelha saía pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco. Incapaz de pensar, dormiu de desespero.

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Leia o início de dois contos e escolha um deles para desenvolver seu próprio conto fantástico.

Ignácio De Loyola Brandão. Os melhores contos. Seleção de Deonísio da Silva. São Paulo: Global, 1993. p. 135. (Fragmento).

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Texto 2

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Apto. 606 Não poderia dizer, foi na semana passada. Nem foi isto ou aquilo. Mas a partir de um momento impreciso alguma coisa se modificava no seu apartamento. Sensação talvez de diferença que não sabia bem definir. Depois os livros começaram a cair da estante. E à noite percebeu que a luz desenhava um ângulo diferente sobre o quadro. Observou bem, mediu. Fez marcas no chão, tornou a medir. Sim, seu apartamento encolhia. Temeu por sua segurança. Mas à medida que as paredes se contraíam expulsando-o, percebeu que num supremo esforço de vontade e concentração podia adaptar-se, aos poucos também reduzindo suas medidas. Diminuíam agora em idêntico ritmo. Menores os cômodos, menor o seu ocupante. Abandonadas as roupas enormes, envolto em tiras, viu aproximar-se o momento de lutar por sua sobrevivência. Quando o sofá rangeu e as madeiras rasgaram panos em lamentos de navio, ele escondeu-se atrás da televisão. Quando a televisão estilhaçou-se entre centelhas, protegeu-se atrás do pote de plantas. Quando o bojo de cerâmica partiu-se esboroando terras e raízes, defendeu-se com um caco. E quando finalmente parede encontrou parede aniquilando espaços, deixou-se escorregar junto ao piso, na fenda entre dois tacos. Estranha arquitetura. Alturas góticas, escuridão de gruta, um ar secreto que chegava. Ali seria sua nova casa. E tratou de instalar-se.

Marina Colasanti. A morada do ser — contos. Rio de Janeiro: Record, 2004. p. 79-80. (Fragmento).

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†† Reúna-se com um colega e definam o conto ao qual vocês vão dar continuidade. Escolhido o conto, imaginem que o trecho lido é a situação inicial. Continuem a história, desenvolvendo o conflito, isto é, o acontecimento que vai ter grande impacto na vida das personagens e gerar várias consequências. †† Lembrem-se de que vocês devem desenvolver o conto fantástico com base no conteúdo insólito já relatado pelo autor. Aproveitem as ideias apresentadas e, depois do conflito, criem o clímax e o desfecho. Se necessário, façam um rascunho de cada parte e discutam as ideias antes de desenvolvê-las. †† Sejam criativos; portanto, imaginem situações inusitadas que tornem o leitor perplexo e hesitante em manter uma explicação racional dos fatos ou justificá-los com base no sobrenatural. †† O conto fantástico deve ter protagonista e antagonista, como toda narrativa. Não se esqueçam de que as personagens e as ações são poucas, e o tempo e o espaço, reduzidos. Narrem o desenrolar dos fatos e criem o desfecho ou a conclusão, que pode apresentar uma solução do conflito, uma revelação ou uma interrogação, isto é, uma explicação em aberto, que vai depender da interpretação de cada leitor. †† Empreguem os verbos no pretérito e na 3a pessoa, como nos contos lidos. Usem a variedade padrão e alterem o título, se desejarem.

Avalie e reescreva †† Releiam o conto várias vezes e o reescrevam, alterando o que for necessário. Troquem então o texto com outra dupla. †† Observem se vocês deram continuidade aos fatos insólitos criados pelo autor no início do conto. †† Verifiquem se o texto é uma narrativa ficcional curta, se o número de personagens, as ações, o tempo e o espaço continuam limitados, se foi empregada a variedade padrão da língua e o pretérito na 3a pessoa. Passem o texto a limpo e entreguem-no ao professor para uma avaliação final. †† Depois de receber o conto com as sugestões do professor, cada dupla vai passá-lo a limpo em folhas do mesmo tamanho. †† A classe vai reunir todos os contos produzidos num livro, organizando um sumário com o título de cada história e o número da página em que ela se encontra. †† Façam uma capa, com o título Livro de contos do 9º ano ou outro que escolherem. Se possível, mandem encadernar o volume. Se não, grampeiem as folhas todas juntas na lateral. Antes de encaminhar o livro à biblioteca, os alunos que quiserem podem levá-lo emprestado para casa; assim, poderão ler as histórias dos colegas e mostrá-las também a familiares e amigos.

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Siga estas orientações.

Use o caderno de redação para registrar a sua produção.

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oficina de projetos

Seminário e exposição “Vai faltar água no mundo”

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Nesta unidade, abordamos algumas questões referentes à água que, segundo especialistas, será bem disputada entre os países, em um futuro próximo. Algumas regiões do planeta já apresentam carência de água. Leia os textos a seguir e informe-se mais um pouco sobre esse assunto.

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Texto 1

VAI FALTAR ÁGUA BOA PARA O CONSUMO Com o tema “Água Limpa para um Mundo Saudável”, ONU alerta para a contaminação no Dia Mundial da Água O consumo mundial de água está aumentando — mesmo em países onde a população cresce pouco — e as reservas de água boa estão cada vez mais ameaçadas pelas atividades humanas. Esse é o diagnóstico de dez entre dez especialistas. “O aumento do consumo está conectado ao crescimento econômico dos países. Quanto maior o PIB, maior o consumo”, afirma Eduardo Mendiondo, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal de São Carlos. Mendiondo trabalha com um indicador chamado “pegada hidrológica”, que mede o consumo total de água per capita ao ano — incluindo a água embutida nos produtos que consumimos. Ele acaba de fazer o cálculo para a realidade do País: “A pegada hidrológica de um brasileiro médio é de 1.340 m³ per capita ao ano. A de um norte-americano é de 2.500”. O cálculo faz sentido já que, segundo dados da ONU, o consumo em países desenvolvidos é em média seis vezes maior do que nos países em desenvolvimento.

Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso a fontes confiáveis de água no mundo. Em 2025, boa parte do planeta estará em situação de stress hídrico, ou seja: a água disponível não será suficiente para os diferentes usos que o homem faz do recurso, como a agricultura, que é, de longe, a atividade que mais consome água. Até lá, 3 bilhões de pessoas sofrerão com escassez de água, segundo a ONU.

Saneamento Na América Latina e na África, a ameaça ainda é o lançamento de esgoto sem tratamento nos rios. Isso inclui o Brasil, onde apenas 48% do esgoto doméstico é tratado, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA). No final do ano passado, durante a 1a Conferência Nacional de Saúde Ambiental, o governo lançou o Compromisso pelo Saneamento Básico, que prevê o aumento de 80% do volume de esgotos tratados no País até 2020, e de 45% no total da população atendida com coleta de esgoto.

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Esse cenário preocupante ganha mais atenção no dia de hoje, data escolhida pela ONU para celebrar o Dia Mundial da Água.

Karina Ninni. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 22 mar. 2010. Planeta.

Texto 2

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ABUNDÂNCIA PROBLEMÁTICA

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À medida que a água doce disponível sofre com a degradação pela poluição, cresce o desafio de garantir acesso ao recurso para a população. Isso porque, excluindo a água congelada dos polos, a água doce representa apenas 0,6% do total disponível no planeta. Destes, 98% estão contidos em aquíferos e apenas 2% nos rios e lagos.

Estação das Docas vista da baía do Guajará, Belém do Pará. 15 set. 2005.

Em Belém (PA), a rede de abastecimento de água chega a 80% dos domicílios, mas apenas 4,5% estão conectados à rede coletora de esgoto. O restante joga seus dejetos diretamente nas 14 bacias que cortam a cidade. “São esgotos a céu aberto. Onze dessas bacias deságuam no rio Guamá, que banha a cidade, e de onde vem 75% da água que é tratada para distribuição”, afirma a pesquisadora Vera Braz, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no Pará.

Os dois lagos de tratamento de água da cidade ficam a poucos quilômetros do aterro sanitário de Belém, o aterro do Aurá. “Há um igarapé ao lado do aterro, que corre também para o rio Guamá e leva muita sujeira para lá”, revela o pesquisador Haroldo Bezerra, da UFPA. Com a ampliação da estação de tratamento, a cidade está pulando de uma produção de 4 m³ de água por segundo para 8 m³. “Ou seja: vai produzir mais do que o necessário,” diz Bezerra.

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Acontece que a rede é comprometida. Em primeiro lugar, a pressão é pequena. “A água não tem força para chegar nas baixadas, onde mora a população pobre, mesmo nos domicílios servidos pela rede”, explica Vera Braz. Outro problema é o tráfego intenso de veículos. “O tráfego arrebenta a rede, que não pode ser muito profunda, porque é tudo várzea.” Essas particularidades, mais os “gatos” feitos na rede para furto, tornam perigoso o trajeto da água até a casa do cidadão. “Ela sai potável da estação de tratamento, mas no caminho tem grandes chances de se contaminar”, diz Vera, acrescentando que a ri-

queza de água na Amazônia é, ao mesmo tempo, um bem e um mal. “A cultura da abundância é péssima. As pessoas acham que aquilo não vai acabar nunca, que não vai poluir nunca.” Há alguns anos foi finalizado um projeto de macrodrenagem feito na bacia do rio Una, uma das mais comprometidas da cidade. Mas, ao invés de conectar as casas à rede coletora de esgoto, o projeto construiu fossas nas residências. “Na questão do saneamento, o projeto deixou a desejar”, critica Vera. Karina Ninni. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 22 mar. 2010. Planeta.

Você percebeu que todos nós, como cidadãos, temos um compromisso social: preservar e poupar a água para o bem comum. Vamos fazer uma pesquisa mais ampla sobre o assunto, para aprender como é possível nossa participação nessa história. O resultado dessa pesquisa será um seminário, para a classe, das informações coletadas e organizadas em grupo, seguido de uma exposição de cartazes. Siga estas orientações. † Reúna-se com seu grupo. Solicitem aos professores de Geografia e de Ciências

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sugestões bibliográficas e consultem também a internet. Dividam as tarefas, formando duplas. Cada dupla fará uma pesquisa sobre um destes temas relacionados à água: poluição do ar e da água, desertificação do solo, aumento do consumo de água. O grupo deve marcar uma reunião e ler os textos pesquisados. Discutam as ideias de cada um, selecionem os melhores e, baseados neles, redijam os próprios textos. Escolham ilustrações interessantes, de acordo com o tema pesquisado. Reúnam-se novamente em grupo, analisem os textos e selecionem as ilustrações. Cada grupo deverá fazer um cartaz com o texto e as ilustrações. Não se esqueçam de dar um título sugestivo ao cartaz. Treinem com o grupo a apresentação do trabalho, em sequência: leiam as ideias pesquisadas ou falem sobre elas. Combinem com o professor a apresentação. No dia marcado, exponham o trabalho com clareza. O grupo deve mostrar os cartazes e responder às perguntas dos colegas, que farão a avaliação de cada pesquisa. Um debate deverá ser realizado, com a participação do professor. Os cartazes produzidos pela classe serão expostos na sala de aula, na biblioteca ou num outro espaço da escola, sob o nome de Exposição “Vai faltar água no mundo”. 63

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programe-se Filmes † Thor. Direção de Kenneth Branagh. EUA, 2011. Aventura, ação e ficção. † O fim da escuridão. Direção de Martin Campbell. EUA/Reino Unido, 2010. Suspense. † O mistério da libélula. Direção de Tom Shadyac. EUA, 2002. Mistério e suspense. † Erin Brockovich, uma mulher de talento. Direção de Steven Soderbergh. EUA, 2000. Drama. † Nenhum a menos. Direção de Zhang Yimou. China, 1999. Drama.

Livros † A revolução dos bichos, de George Orwell. São Paulo: Publifolha, 2003. † Conto de escola, de Machado de Assis. São Paulo: Cosac Naify, 2002. † Histórias fantásticas, de José J. Veiga. São Paulo: Bertrand Brasil, 2002. † O homem do furo na mão, de Ignácio de Loyola Brandão. São Paulo: Ática, 1998. † As palavras que ninguém diz, de Carlos Drummond de Andrade.

São Paulo: Bertrand Brasil, 1997. v. 3. † Contos para ler na escola, de Miguel Sanches Neto (Org.). Rio de Janeiro: Record, 1987.

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reProduÇÕes

† Sociedade dos poetas mortos. Direção de Peter Weir. EUA, 1989. Drama.

Sites † http://www.comciencia.br/comciencia/ — ComCiência é uma revista eletrônica de

jornalismo científico. Você pode ler gratuitamente artigos, entrevistas, notícias e textos de divulgação científica. Há até uma seção de humor relacionado à ciência. † http://cienciahoje.uol.com.br/ — aqui você encontrará várias matérias das revistas Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças. † http://www.klickeducacao.com.br/conteudo/pagina/0,6313,POR-158-704-,00.html — nesse link do Portal Klick Educação, você encontra dicas rápidas e objetivas de como dar um bom seminário. † http://www.camarabrasileira.com/contosfantasticos16.htm — nesse site da Câmara Brasileira de Jovens Escritores, você tem acesso a antologias de contos fantásticos escritos por autores jovens.

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Caderno de Redação

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© Leila Lauar Sarmento, 2012

Coordenação editorial: Garagem Editorial Edição de texto: Henrique Félix Assistência editorial e preparação: Solange Scattolini Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico e capa: Mariza de Souza Porto Foto da capa: Detalhe da tira de Ziraldo “A separação”. Curta o Menino Maluquinho 3. Rio de Janeiro: Globo. 2007, p. 11. © Ziraldo Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Coordenação de arte: Patricia Costa Edição de arte: Rodolpho de Souza Editoração eletrônica: Arbore Comunicação Empresarial e Design Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero Revisão: Maristela S. Carrasco, Olívia Y. Duarte Coordenação de bureau: Américo Jesus Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira Silva, Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Sarmento, Leila Lauar Oficina de redação / Leila Lauar Sarmento. – 4. ed. – São Paulo: Moderna, 2012 Obra em 4v. para alunos de 6o ao 9o ano do ensino fundamental de nove anos. Suplementado pelo livro do professor. Bibliografia. 1. Arte de escrever (Ensino fundamental) 2. Português - Redação (Ensino fundamental) 3. Textos (Ensino fundamental) I. Título. 12-10487

CDD-372.6

Índices para catálogo sistemático: 1. Arte de escrever : Português : Técnica de redação : Ensino fundamental 372.6 2. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6 3. Redação : Português : Literatura : Ensino fundamental 372.6 978-85-16-08209-3 (LA) 978-85-16-08210-9 (LP) Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados EDITORA MODERNA LTDA. Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510 Fax (0_ _11) 2790-1501 www.moderna.com.br 2012 Impresso no Brasil 1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação

Este Caderno foi elaborado para ajudar você a manter um registro de suas produções e a conseguir acompanhar a evolução de seu aprendizado. Ele pode ser usado de duas maneiras, dependendo do que o professor considerar mais adequado: 1. Você pode fazer as produções neste Caderno e o professor pode fazer a correção no próprio Caderno. 2. Você pode fazer a produção em folha à parte e registrar neste Caderno somente o texto já reescrito. Ao final de cada folha, há uma ficha para que você possa anotar o que já aprendeu a respeito do gênero produzido e do modo de organização. Nessa ficha, você também poderá anotar o que percebeu a respeito da construção da coesão e da coerência, da ortografia e da acentuação, e as dificuldades que ainda sente em relação a esses aspectos. Na base da ficha, você e/ou o professor poderá escrever a nota obtida em cada trabalho, para que você possa ter um registro de seu desenvolvimento na produção textual. Esperamos que este Caderno seja uma boa companhia em suas aulas de produção!

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Escola: Nome: Ano:

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Oficina de Redação 6 • Unidade I • Capítulo 1 Assinale a proposta que você irá produzir: Carta para o futuro

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Carta a um amigo

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O que aprendi Gênero textual Modo de organização Coesão e coerência Ortografia e acentuação Avaliação da produção

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Oficina de Redação 6 • Unidade I • Capítulo 1 Assinale a proposta que você irá produzir: Continuação de um diário

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O que aprendi Gênero textual Modo de organização Coesão e coerência Ortografia e acentuação Avaliação da produção

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Como a leitura e a escrita representam instrumentos valiosos na formação de qualquer pessoa, a coleção apresenta uma obra renovada, mais completa e atual. Com o objetivo de favorecer a produção de textos, foram incluídas diferentes propostas e orientações que estimulam a criatividade dos alunos. Estão presentes nesta edição diversos conteúdos sobre tipos e gêneros textuais, além de conhecimentos sobre estilística, semântica, intertextualidade e variações linguísticas. Agora, cada livro vem acompanhado de um Caderno de Redação, para ajudar o aluno a manter o registro de suas produções em ordem.

amostra para degustação do professor

Professor, esta amostra apresenta alguns capítulos da coleção Oficina de Redação. Nela, você poderá conhecer a estrutura da coleção e o conteúdo programático desenvolvido para proporcionar aulas ainda mais dinâmicas e completas.

Ensino Fundamental II

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confira: • Sumário da obra • Uma seleção de conteúdos didáticos para análise do professor

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