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AMOSTRA

CONEXÕES EM LÍNGUA PORTUGUESA Produção de texto WILTON ORMUNDO & MARA SCORSAFAVA

Professor, esta amostra apresenta trechos da obra Conexões em Língua Portuguesa – Produção de texto. Nela, você poderá conhecer a estrutura e o conteúdo programático do livro. Para interagir em diferentes esferas

Ensino Médio

CONEXÕES

EM LÍNGUA PORTUGUESA Produção de texto

comunicativas, o estudante precisa conhecer e compreender os diversos gêneros discursivos escritos ou orais. Esta obra prevê práticas leitoras, escritoras e de produção oral em um contexto público,

WILTON ORMUNDO & MARA SCORSAFAVA

auxiliando o aluno passo a passo.

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CONFIRA: Nossos consultores estão à sua disposição para fornecer mais informações sobre esta obra.

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www.moderna.com.br

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• Sumário da obra • Unidade 3, com 3 capítulos • Ferramenta de estudo: como elaborar um projeto de texto

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AMOSTRA Ensino Médio

CONEXÕES EM LÍNGUA PORTUGUESA

PRODUÇÃO DE TEXTO Volume único

Wilton Ormundo Mara Scorsafava

1a edição

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Wilton Ormundo Bacharel e licenciado em Letras (habilitações Português/Linguística) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Mestre em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Professor de português e diretor pedagógico em escolas de Ensino Médio em São Paulo por 19 anos.

Mara Scorsafava Licenciada em Língua e Literatura Portuguesas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Bacharel e licenciada em Língua e Literatura Francesas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora de português da rede particular de ensino em São Paulo por 35 anos.

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Apresentação Caro aluno: Há muitos anos os autores deste livro vêm trabalhando com adolescentes que, como você, refletem criticamente sobre as coisas da vida, têm opiniões, crises, sonhos, projetos e, acima de tudo, sentem-se capazes de transformar o mundo, por mais árido que ele se apresente em alguns momentos. Essa capacidade e essa força criadora dos jovens nos movem e nos incentivam a entrar nas salas de aula todos os anos, a pesquisar métodos de ensino-aprendizagem, a pensar em diferentes formas de dialogar com nossos alunos, a investigar novas tecnologias e a escrever obras como esta. Embora reconheçamos que todas as áreas do conhecimento são essenciais para a formação humana, consideramos que o trabalho com a linguagem é, de certo modo, especial. Como disse o poeta mexicano Octavio Paz, “A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade”. Acreditamos que é a palavra que nos possibilita inventar e reinventar o mundo; é ela que, quando transformada em arte, nos convida a outros universos e permite nosso acesso ao mais secreto e íntimo de nós mesmos por meio de outros “seres humanos”, os personagens das histórias que lemos; é a palavra que nos dá direito ao grito; é ela, finalmente, que expressa e organiza tudo aquilo que sentimos e somos. Esperamos que seu contato com os vários gêneros textuais explorados aqui, com as orientações a respeito de quando, como e por que fazer uso deles, constituam momentos de prazer e de — quem sabe — embate. Este livro pretende dar voz a você e não apenas ser um mero instrumento de consulta. Um abraço.

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Organização do livro A obra Conexões em língua portuguesa – Produção de texto está organizada em 20 capítulos, distribuídos em três partes, mais Questões do Enem e de vestibulares. Conheça alguns aspectos do livro. Percurso do capítulo

Introduz os assuntos que serão tratados.

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oertativ o diss tivo (II): t x e t a O ução ment -argu o da introd estudconclusão e da o pítul do ca urso perc -

Introdução

Apresenta textos e questões de análise que preparam os alunos para o estudo do gênero abordado no capítulo.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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Dando continuidade ao estudo do texto dissertativo-argumentativo, focalizaremos neste capítulo duas partes estruturais desse gênero textual: a introdução e a conclusão. Elas são importantes porque funcionam respectivamente como a apresentação da visão de mundo do enunciador e a confirmação desta. A construção de uma articulação coesa e coerente entre essas partes e o desenvolvimento (argumentação) colabora com a intenção persuasiva do texto.

A seguir, você lerá a proposta de redação da Fuvest em 2012 e a produção de texto de um de seus candidatos.

Proposta de redação Texto 1

Filhos da época Somos filhos da época e a época é política. Todas as tuas, nossas, vossas coisas diurnas e noturnas, são coisas políticas. Querendo ou não querendo, teus genes têm um passado político, tua pele, um matiz político, teus olhos, um aspecto político. O que você diz tem ressonância, o que silencia tem um eco de um jeito ou de outro, político. [...]

Imagem de abertura Os textos dissertativos-argumentativos são frequentemente utilizados nos exames de seleção.

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Dialoga com ideias que sugerem o assunto a ser explorado no capítulo.

Boxe Provocação

Como você pôde observar, alguns jornais trazem, na mesma folha de publicação do editorial, outros gêneros também opinativos: charges, artigos de opinião, um espaço dedicado a comentários e cartas de leitores, etc. Isso porque o leitor de um editorial é aquele que se interessa por diversas opiniões: não apenas a do editor-chefe, mas também a dos colunistas e a de outros leitores. O objetivo dessa página é, pois, possibilitar ao leitor o confronto de opiniões, para que este confirme, reveja e/ou forme a sua. Sendo a defesa de um ponto de vista o objetivo desse gênero, a construção da argumentação é muito importante. Vimos, no editorial “Universidade justa”, o emprego de três tipos de argumento: exemplificação, apresentação de dados e raciocínio lógico. A construção linguística da argumentação se apoia no emprego de conectivos (mas, porém, embora, se) e organizadores textuais (o primeiro ponto, outra opção) e na impessoalidade da linguagem; nela, ao contrário do que ocorre nos artigos de opinião, raramente há marcas de primeira pessoa ou outras que possam individualizar o produtor. O distanciamento provocado pelo uso da terceira pessoa reforça a carga argumentativa do texto. Quanto à estrutura, os editoriais seguem geralmente o mesmo padrão do exemplo estudado neste capítulo: parágrafo(s) introdutório(s) em que se apresenta o que vai ser discutido e, às vezes, também o ponto de vista que será defendido; parágrafos de desenvolvimento destinados à apresentação dos argumentos que embasam o posicionamento assumido; e um ou mais parágrafos conclusivos que retomam e/ou confirmam o posicionamento inicial.

EDINGER, Claudio; SÉ, Cinthia Sento. DNA Brasil: 50 brasileiros param para pensar a vocação do país. São Paulo: Instituto DNA Brasil, 2005. p. 105-108. (Fragmento).

SAIBA MAIS!

Às vezes, um debate é transcrito para ser publicado em um livro. Nesses casos, quem faz a transcrição geralmente elimina certas marcas típicas da oralidade, como hesitações (“hmmm...”, “é...”) e repetições ou omissões de palavras.

Estudo do gênero

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Releia as falas dos participantes do debate e sintetize oralmente a resposta de cada um deles à pergunta de Rubem Alves: “Quando se fala em educação, onde dói?”.

Ao ler o fragmento da transcrição do debate, você pôde observar que os debatedores expuseram livremente seu ponto de vista sobre a questão motivadora. Nas sociedades democráticas, é comum os cidadãos participarem de situações em que são solicitados a defender uma opinião sobre determinado assunto de interesse social, cultural, etc., por isso é importante que você estude como se realiza formalmente a argumentação oral. Focalizaremos, agora, especificamente o gênero argumentativo oral debate público regrado.

Editorial é um gênero textual argumentativo da esfera jornalística cuja intenção é defender um ponto de vista sobre determinado assunto em destaque no momento da produção. Não é assinado, pois não revela a opinião de um jornalista ou colaborador em particular, e sim a do órgão de imprensa como um todo. Por meio da leitura de um editorial, podemos identificar o posicionamento sociopolítico daquele jornal ou daquela revista.

A leitura de editoriais e outros gêneros opinativos nos ajuda a construir argumentos para as diversas situações em que temos de expressar nossa opinião.

Texto dissertativo-argumentativo

Há diferentes tipos de debate: o deliberativo, no qual os participantes trocam ideias com o objetivo de tomar uma decisão de interesse comum; o debate para resolução de problemas, em que se discutem hipóteses da solução de um problema; e o debate de opinião ou debate público regrado, em que se discutem opiniões controversas sem o compromisso de necessariamente chegar a um consenso.

O texto dissertativo-argumentativo, como já mencionamos, é um gênero particular da esfera escolar. Ao longo do ensino básico e, também, no vestibular de muitas universidades e no Exame do Ensino Médio (Enem), os alunos são avaliados por meio da produção desse gênero textual. Embora as propostas enfatizem normalmente a produção de textos dissertativos (aqueles que tratam de um assunto), exige-se também o posicionamento do candidato diante de uma questão — política, social, filosófica, etc. — e a construção de argumentos para sustentar tal posicionamento. Por isso, ampliaremos a denominação do gênero para dissertativo-argumentativo. Para se sair bem nessas produções, é preciso dominar algumas competências já esperadas dos estudantes ao final do Ensino Médio:

Debate público regrado é um gênero textual oral argumentativo em que os participantes, por meio de regras previamente acordadas, defendem um ponto de vista sobre determinado assunto e conhecem o ponto de vista alheio, tendo como objetivo último um maior conhecimento da questão.

Um debate público regrado se constrói em torno de uma questão polêmica, isto é, em função de um assunto que causa divergência de opiniões. A intenção de cada um dos debatedores é, por meio de argumentos consistentes, convencer os pares e o público de que seu ponto de vista é o mais adequado. Esse exercício argumentativo oral não admite, porém, conflitos desrespeitosos entre os participantes. Estes devem expor sua opinião, escutar a dos outros, refutar a posição contrária, podendo até mesmo reformular seu ponto de vista e, no fim, chegar a um consenso.

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Estudo do gênero

Marca o espaço destinado à exploração das características do gênero abordado no capítulo.

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Sistematiza conceitos tratados no capítulo.

Rosiska Darcy de Oliveira (ativista feminista): “Há discordância de que a escola deve ser para todos e de ótima qualidade?” Resposta geral: não. [...]

ProvocAÇÃO

Wislawa Szymborska. Poemas.

Texto 2

As instituições políticas vigentes (por exemplo, partidos políticos, parlamentos, governos) vivem hoje um processo de abandono ou diminuição do seu papel de criadoras de agenda de questões e opções relevantes e, também, do seu papel de propositoras de doutrinas. O que não significa que se amplia a liberdade de

Boxe de conceito

Extrapola o conteúdo do capítulo e convida ao debate de questões polêmicas ou instigantes.

E você, quando pensa em educação, “onde dói”? Qual dos debatedores expressou uma opinião mais parecida com a sua? Explique sua resposta.

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• de leitura (relacionar fatos, informações, opiniões, interpretar dados, etc.); • de construção de argumentos consistentes; • de reflexão sobre os problemas da realidade e de formulação de propostas de intervenção que respeitem os valores humanos; • de domínio das normas urbanas de prestígio na modalidade escrita.

Navegue

NAVEGUE Ler com frequência editoriais de diferentes publicações é um ótimo modo de apreender as características desse gênero. Nos links a seguir, você encontra novos editoriais a cada dia: <http://wp.clicrbs. com.br/opiniaozh/ category/editoriais/ ?topo=13,1,1,,,13>; <www.gazetadopovo. com.br/opiniao/>; <www1.folha.uol.com. br/fsp/opiniao/>.

pArA lEmbrAr

Tipos de argumentos • De prova concreta: exemplos, dados estatísticos, leis, etc. • Com base em raciocínio lógico: relações de causa e efeito, comparações, etc. • De autoridade: citação direta ou indireta de uma fonte autorizada. • De consenso: uma “verdade” universal, sobre a qual todos supostamente concordam (por exemplo, matar ou agredir é errado).

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capítu

em resumo

Dissertar: expor um assunto, explicar algo a um interlocutor. A r g u m e n t a r : de fender um ponto de vista por meio de argumentos consistentes. Texto dissertativo-argumentativo: busca expor um assunto com o objetivo de defender um ponto de vista sobre ele.

Indica sites confiáveis que permitem aprofundar conhecimentos sobre o tema tratado e obter material para pesquisas escolares.

Para lembrar

Recorda assuntos já vistos e recupera conceitos importantes que podem ser aproveitados na fixação do estudo ou na realização de exercícios.

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Boxe Em resumo

Sintetiza conceitos necessários à compreensão da teoria.

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Ferramenta de estudo

Produza seu texto

Apresenta importantes ferramentas para a produção de textos.

Oferece propostas de produção passo a passo. Produza seu texto dissertativo-argumentativo Nesta produção, você vai redigir um texto dissertativo-argumentativo para defender a ideia de que é possível ao morador das grandes cidades manter sua identidade, ou a de que isso não é possível, pois elas massificam a identidade das pessoas. Se possível, publique sua produção no blog da turma, para que todos os colegas possam lê-la e comentá-la. Siga as orientações abaixo para construir seu texto. • Releia a ferramenta “Como elaborar um projeto de texto”.

NAVEGUE

Ferramenta de estudo

Conheça o site “Banco de redações”, ligado ao portal UOL, onde você poderá acessar propostas de produção e ler textos enviados por internautas e comentados por especialistas: <http:// educacao.uol.com.br/ bancoderedacoes>.

1. Leitura atenta dos textos oferecidos na coletânea

• Para ativar seus conhecimentos prévios sobre o assunto, leia os textos apresentados a seguir e pesquise outros que possam enriquecer sua argumentação.

Normalmente, a solicitação de produção de um texto dissertativo-argumentativo vem acompanhada de uma coletânea de textos que deve ser utilizada na composição deste. Leia atentamente cada item da coletânea, buscando identificar: o tema comum a todos os textos; o posicionamento de cada autor; dados ou exemplos que possam servir de argumentos; o sentido conotativo e denotativo dos textos; etc. Seus conhecimentos prévios sobre o tema também devem ser ativados e integrados às informações da coletânea oferecida.

• Elabore o plano do texto e, depois de relê-lo e fazer as alterações necessárias, elabore seu texto dissertativo-argumentativo.

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A nova estratégia urbana A urbanização é um fenômeno que define este século, e o mundo em desenvolvimento é o local onde se dá esta transformação demográfica. A expectativa é que nos próximos 20 anos surjam mais dois bilhões de novos residentes urbanos, e que as populações do Sul da Ásia e da África dupliquem. Grande parte do crescimento urbano será observado nas cidades de pequeno e médio porte. Mesmo hoje em dia, mais da metade da população urbana mundial vive em cidades com menos de 500.000 habitantes, o que levanta questões sobre a gestão da urbanização [...].

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• Depois de ter revisado seu texto, poste-o no blog da classe ou troque-o com os colegas. Texto 1

Como elaborar um projeto de texto

Neste capítulo e no 17, aprofundamos nossos estudos sobre o gênero textual dissertativo-argumentativo. E observamos, nos exemplos analisados, o quanto é importante desenvolver um projeto de texto para garantir a articulação plena de suas partes e, consequentemente, a clareza e a coerência de sua argumentação. Acompanhe os passos a seguir para o desenvolvimento de um projeto de texto dissertativo-argumentativo.

2. Elaboração da introdução Você pode optar por uma das variações de introdução estudadas neste capítulo. Geralmente, essa parte da estrutura dissertativa-argumentativa é constituída por: • contextualização do tema de maneira a atrair a atenção do leitor (citação, relato de exemplo, referências históricas, etc.) ou justificativa da pertinência de abordá-lo; • apresentação da tese e “mapeamento” do percurso argumentativo a ser adotado no texto.

3. O desenvolvimento da argumentação Essa parte constitui o “coração” do texto dissertativo-argumentativo. É preciso, portanto, ficar atento: ao tipo de argumento empregado; à ordem de apresentação dos argumentos; à relação que se estabelece entre eles e as demais partes da estrutura dissertativo-argumentativa; e aos recursos linguísticos empregados (conectivos, organizadores textuais). A ordem dos argumentos em um texto dissertativo-argumentativo busca a adesão do interlocutor à tese defendida. Tendo em vista essa finalidade, geralmente se deixa por último o argumento mais convincente e/ou aquele que apresenta maior força expressiva.

BANCO MUNDIAL. Sistemas de cidades: usando a urbanização em prol do crescimento e da mitigação da pobreza. 2009. p. 3. Disponível em: <http://siteresources.worldbank.org/ INTURBANDEVELOPMENT/Resources/336387-1269651121606/ UrbanStrategy_web_Portuguese.pdf>. Acesso em: 1o dez. 2012. (Fragmento).

4. A conclusão: encerramento da argumentação

Texto 2

Nessa parte do texto, encerra-se a argumentação e busca-se, em última instância, a adesão do leitor à tese por meio da:

Respeite e valorize o patrimônio cultural e histórico do seu lugar

• confirmação da tese e síntese dos argumentos expostos; • apresentação de um novo aspecto da tese que possa aprofundar a reflexão do leitor sobre o tema discutido;

O que torna um lugar especial? É sua história, seu ambiente natural, a cultura do povo que vive e trabalha lá? São todas essas coisas. As cidades precisam crescer e se transformar. Elas têm que acomodar uma população urbana crescente, satisfazer suas necessidades e desejos, e adaptar-se às mudanças históricas trazidas pelas transformações econômicas, sociais, climáticas e outras. A identidade do lugar, e o modo de vida de seus moradores, devem ser preservados e realçados; não destruídos ou deslocados.

• proposta de uma solução para os problemas discutidos; • inserção de um elemento-surpresa, como uma citação, um comentário irônico, etc. Como já estudamos, a conclusão deve ser prevista na introdução e decorre naturalmente da argumentação. Geralmente, ela é introduzida por expressões que indicam para o leitor que o texto está se encerrando (portanto, dessa forma, etc.).

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Revisão e reescrita

Orienta a revisão e a reescrita do texto. A preservação tem uma função, além da consagração de monumentos isolados e pontos turísticos. Bairros antigos com edifícios modestos são símbolos da memória coletiva da cidade. Rios antigos, canais e vias sobre os quais a cidade foi construída, árvores que sombrearam gerações, postes de luz que iluminaram as noites da infância; tudo isso constitui ativos valiosos e insubstituíveis. Quando acabam, eles não podem ser ressuscitados. O valor das características próprias do lugar certamente vai aumentar ao longo do tempo uma vez que a globalização torna as cidades mais iguais entre si. [...]

Há uma série de histórias de um longo trabalho de ativistas, sindicatos e até clubes de futebol que tiveram um papel importante na Tunísia e no Egito, os Ultras. O ativismo pan-arábico é algo novo e potencializado pela web. [...] [...] Mas a censura na China, no Irã e em Cuba não mostra que a web é mais ameaçadora para esses regimes que para os civis? Pessoas censuram por um motivo. Porque têm medo ou querem ter mais poder. Normalmente, eles querem manter o poder. O Irã censura porque teme que iranianos sejam influenciados por material de fora do país. [...] Mas acho saudável que governos tenham medo das pessoas. É ótimo que a China esteja com medo do que sua população pense. A China baniu o WikiLeaks em 2007. Pelo que sabemos, foi o primeiro país a bani-lo. [...]

ITDP (Institute for Transportation & Development Policy) e Gehl Architects. As cidades somos nós: 10 princípios para a mobilidade urbana. 2010. p. 38. Disponível em: <http://terra-geog.lemig2.umontreal.ca/donnees/Projet%20Bresil/ urbanisation/as-cidades-somos-nos.pdf>. Acesso em: 1o dez. 2012. (Fragmento).

Apresenta propostas de reflexão e estimula o trabalho interdisciplinar.

Quais as consequências da Primavera Árabe?

O Estado de S. Paulo, 3 fev. 2013, A12 — Internacional. (Fragmento).

Texto 2

[...] A questão, pois, é saber em que condições a cidade pode aparecer como um lugar que possa ser definido por seu caráter identificador; um lugar que permita que seus habitantes se reconheçam e se definam por meio dele, que, por seu caráter relacional, permita a leitura da relação que os habitantes mantêm entre si, e que, por seu caráter histórico, possibilite que os habitantes reencontrem os vestígios de antigas implantações, seus sinais de filiação. [...]

Entenda o Marco Civil da Internet e como ele muda sua rotina na web Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Texto 3

Boxe Investigue em

Investigue em

• História • Geografia • Sociologia

JODELET, Denise. A cidade e a memória. Conferência transcrita e traduzida por Walkirya Coppola e Cristiane Rose Duarte. In: DEL RIO, Vicente; DUARTE, Cristiane Rose; REINGANTAZ, Paulo Afonso (Orgs.). Projeto do lugar: colaboração entre psicologia, arquitetura e urbanismo. 1. ed. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2002. p. 33. (Fragmento).

Revisão e reescrita Acesse o blog da classe para ler a produção de um colega ou troque a sua com a dele. Depois, comente por escrito as questões a seguir. • O texto atende à proposta, isto é, trata-se de um texto dissertativo-argumentativo, adequado a um leitor genérico imaginado, em que se identificam o posicionamento do produtor do texto e os argumentos que o embasam? • É possível identificar a menção, ainda que indireta, a algum(ns) dos textos da coletânea? • A conclusão decorre naturalmente da introdução e dos argumentos expostos? • Os argumentos são consistentes e coerentes? • Os conectivos argumentativos relacionam os argumentos adequadamente, “traçando” a linha de raciocínio desde a introdução até a conclusão?

Entenda o que é o projeto de lei e o que ele pode mudar na sua rotina diária pela web: O que é o Marco Civil da Internet? O Marco Civil tem a intenção de reunir os princípios que vão guiar as leis e futuras decisões envolvendo a internet no Brasil, o que inclui uma série de princípios fundamentais. De acordo com o Ministério da Justiça, o projeto “estabelece direitos e responsabilidades de usuários, provedores e poder público no uso da internet”. “O principal ponto é que ele regula as questões básicas da internet. Ele vem fazer uma fundação, para depois haver a criação de projetos específicos. Guardadas as devidas proporções, é como se fosse uma constituição da internet”, explica Marcio Cots, advogado especialista em Direito Digital da Cots advogados. Segundo ele, serão criados alguns princípios básicos, como a não intervenção do Estado na internet, que seja um ambiente livre e democrático. A proposta foi elaborada em conjunto com a população, que pode fazer observações no texto por meio da internet. O ministério afirma que foram recebidos mais de 2,3 mil comentários, que resultaram no texto enviado ao poder executivo no congresso em 2011. [...] Quais são os pontos mais polêmicos do projeto, como ele é hoje? O ponto mais polêmico, segundo os advogados consultados pelo G1, é a questão de retirada de conteúdos da internet. “Isso envolve questões como a liberdade de expressão e o julgamento do que deve sair do ar”, explica Cots. Renato Ópice Blum, advogado especializado em direito digital, conta que o artigo 15 do projeto que foi submetido à comissão diz que os provedores de conteúdo só serão responsabilizados pela não retirada de um conteúdo do ar se a vítima tiver obtido uma ordem judicial para a remoção. “Hoje em dia, você manda um e-mail na hora que você tem o conhecimento do conteúdo prejudicial. O provedor recebe e retira, porque ele sabe que a jurisprudência diz que ele tem que agir assim que souber, ou pagará indenização”, explica Ópice Blum. Para ele, o maior problema da necessidade da ordem judicial é o tempo: “Na melhor das hipóteses, isso leva de dois a três dias”. Na internet, o conteúdo se espalha em poucos minutos.

• Os organizadores textuais deixam clara a sequência dos argumentos?

O QUE VOCÊ APRENDEU NO PERCURSO DESTE CAPÍTULO O texto dissertativo-argumentativo é estruturado por introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução deve despertar o interesse do leitor, informar o posicionamento do produtor em relação à questão temática e indicar o percurso argumentativo que o texto seguirá. Há diferentes formas de introduzir um texto dissertativo-argumentativo: apresentando vertentes contrastantes do tema, fazendo uma pergunta retórica, uma citação ou, ainda, uma breve narrativa ou relato, entre outras possibilidades. A conclusão deve decorrer naturalmente dos argumentos expostos; em geral, ela retoma a tese e faz uma síntese dos argumentos expostos.

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O que você aprendeu no percurso deste capítulo Seção que retoma o percurso apresentado no início do capítulo e avalia o que foi aprendido.

O Suplemento para o professor detalha a organização da obra, expõe os pressupostos teórico-metodológicos e traz as respostas de todas as atividades desenvolvidas no livro.

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Sumário Parte 1 Capítulo 1

Introdução aos gêneros textuais

Gêneros textuais Os atores do processo de interação verbal O suporte As esferas da atividade humana A temática Os recursos linguísticos Intergenericidade: o diálogo entre gêneros Produza um quadro de análise e uma breve exposição oral sobre gêneros Avaliação da produção Capítulo 2

O relato pessoal: compartilhando experiências

Estudo do gênero A linguagem do gênero Marcas de subjetividade Tempos verbais Marcadores temporais: quando? A localização espacial: onde? Registro Estrutura

Produza seu relato pessoal Revisão e reescrita Capítulo 3

A carta e o e-mail pessoais: comunicar-se é preciso

Estudo dos gêneros A linguagem dos gêneros Marcas de interatividade Registro (formal ou coloquial)

Produza seu e-mail ou carta pessoal Revisão e reescrita Capítulo 4

A notícia: o relato de fatos relevantes

Estudo do gênero Valores ideológicos nas notícias Estrutura da notícia As fotos e as legendas no jornalismo

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A primeira página do jornal Os jornais eletrônicos A linguagem do gênero Produza sua notícia Revisão e reescrita Capítulo 5

Seminário: pesquisar, refletir e expor

Estudo do gênero A linguagem do gênero Produza seu seminário Avaliação da produção Capítulo 6

Artigo de opinião: a análise crítica dos fatos

Estudo do gênero A tese (ponto de vista) A construção dos argumentos A estrutura do artigo de opinião A linguagem do gênero Alguns operadores argumentativos Alguns modalizadores

Produza seu artigo de opinião Revisão e reescrita Capítulo 7

Poema: sons, palavras e novos sentidos

Um modo especial de expressão do “eu” Poema é literatura Estudo do gênero O tempo no poema e na poesia A linguagem do gênero Verso e estrofe Ritmo e métrica Rima Recorrências Figuras sonoras

Produza seu poema Revisão e reescrita

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Parte 2 Capítulo 8

Crônica: um gênero entre o jornalismo e a literatura

Estudo do gênero A linguagem do gênero Figuras de linguagem e outros recursos estilísticos Registro linguístico e marcas de interlocução Coesão textual e progressão temática

Produza sua crônica Revisão e reescrita Capítulo 9

Conto I: tecendo histórias

Estudo do gênero Elementos básicos do conto Personagens: seres do universo ficcional Foco narrativo: os diversos tipos de narrador O tempo na ficção A linguagem do gênero Vozes da narrativa

Produza seu conto Revisão e reescrita Capítulo 10

Conto II: tecendo histórias fantásticas

Estudo do gênero O narrador e as vozes na narrativa O tempo no conto fantástico moderno O espaço: lugar onde se desenrolam os fatos narrativos A linguagem do gênero Verbos no imperfeito Modalizadores Pontuação

Narre oralmente um conto fantástico Avaliação da produção Capítulo 11

Entrevista: uma conversa bem preparada

Estudo do gênero A linguagem do gênero

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Produza sua entrevista Revisão e reescrita Capítulo 12

A reportagem: muito além dos fatos

Estudo do gênero “Gancho” e pauta Fontes Contextualização Estrutura A linguagem do gênero Registro linguístico Vozes

O infográfico Ferramenta de estudo: como tomar notas Produza sua reportagem Revisão e reescrita Capítulo 13

Resenha: avaliando um objeto cultural

Estudo do gênero A linguagem do gênero Marcas de subjetividade Diálogo com o texto resenhado e com outras “vozes” Operadores argumentativos Registro Estrutura Ferramenta de estudo: como resumir um texto Produza sua resenha Revisão e reescrita Capítulo 14

Teatro: a arte da ação

Estudo do gênero A estrutura do texto teatral Tempo e espaço cênicos A linguagem do gênero Produza seu espetáculo teatral Adaptação de textos para o teatro Avaliação da produção

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Sumário

Parte 3 Capítulo 15

Artigo de divulgação científica: a transmissão de saberes

Estudo do gênero Estrutura Introdução Intertítulos Conclusão Argumentação com base na autoridade citada A linguagem do gênero Definições e comparações Tempo verbal Pessoa do discurso Coesão e progressão textual Léxico científico Ferramenta de estudo: como construir uma paráfrase Produza sua paráfrase de um artigo de divulgação científica Revisão e reescrita Capítulo 16

O anúncio publicitário: “vendem-se” ideias

Publicidade ou propaganda? Estudo do gênero A linguagem do gênero Ferramenta de estudo: como se constrói o sentido de um texto Produza seu anúncio publicitário Revisão e reescrita Capítulo 17

O editorial e o texto dissertativo-argumentativo I

Estudo do gênero O editorial Texto dissertativo-argumentativo A linguagem do gênero Marcas de impessoalidade Tempos verbais Substantivos abstratos Registro O emprego de conectivos como estratégia argumentativa

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Organizadores textuais

Produza seu texto dissertativo-argumentativo a partir de uma introdução Revisão e reescrita Capítulo 18

O texto dissertativo-argumentativo (II): estudo da introdução e da conclusão

Estudo do gênero A introdução: “captura” do leitor A conclusão: fechamento do raciocínio iniciado na introdução A conclusão-síntese A conclusão-proposta A conclusão-surpresa

Ferramenta de estudo: como elaborar um projeto de texto Produza seu texto dissertativo-argumentativo Revisão e reescrita Capítulo 19

Carta aberta: manifestação de cidadania

Estudo do gênero Argumentação e contra-argumentação: as estratégias persuasivas da carta aberta A estrutura flexível da carta aberta A linguagem do gênero Registro linguístico Marcas de interlocução Emprego de pronomes de tratamento

Produza sua carta aberta Revisão e reescrita Capítulo 20

Debate público regrado: pesquisar, tomar posição e defender uma ideia

Estudo do gênero A linguagem do gênero Produza seu debate regrado público Avaliação da produção Apêndice Bibliografia

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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Os textos dissertativo-argumentativos são frequentemente utilizados nos exames de seleção.

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Dando continuidade ao estudo do texto dissertativo-argumentativo, focalizaremos neste capítulo duas partes estruturais desse gênero textual: a introdução e a conclusão. Elas são importantes porque funcionam respectivamente como a apresentação da visão de mundo do enunciador e a confirmação desta. A construção de uma articulação coesa e coerente entre essas partes e o desenvolvimento (argumentação) colabora com a intenção persuasiva do texto.

A seguir, você lerá a proposta de redação da Fuvest em 2012 e a produção de texto de um de seus candidatos.

Proposta de redação Texto 1

Filhos da época Somos filhos da época e a época é política. Todas as tuas, nossas, vossas coisas diurnas e noturnas, são coisas políticas. Querendo ou não querendo, teus genes têm um passado político, tua pele, um matiz político, teus olhos, um aspecto político. O que você diz tem ressonância, o que silencia tem um eco de um jeito ou de outro, político. [...]

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ução d o r t In

Wislawa Szymborska. Poemas.

Texto 2

As instituições políticas vigentes (por exemplo, partidos políticos, parlamentos, governos) vivem hoje um processo de abandono ou diminuição do seu papel de criadoras de agenda de questões e opções relevantes e, também, do seu papel de propositoras de doutrinas. O que não significa que se amplia a

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liberdade de opção individual. Significa apenas que essas funções estão sendo decididamente transferidas das instituições políticas (isto é, eleitas e, em princípio, controladas) para forças essencialmente não políticas — primordialmente as do mercado financeiro e do consumo. A agenda de opções mais importantes dificilmente pode ser construída politicamente nas atuais condições. Assim esvaziada, a política perde interesse. Zygmunt Bauman. Em busca da política. Adaptado.

Texto 3

A ciência mais imperativa e predominante sobre tudo é a ciência política, pois esta determina quais são as demais ciências que devem ser estudadas na pólis. Nessa medida, a ciência política inclui a finalidade das demais, e, então, essa finalidade deve ser o bem do homem. Aristóteles. Adaptado.

O termo “idiota” aparece em comentários indignados, cada vez mais frequentes no Brasil, como “política é coisa de idiota”. O que podemos constatar é que acabou se invertendo o conceito original de idiota, pois a palavra idiótes, em grego, significa aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política. Talvez devêssemos retomar esse conceito de idiota como aquele que vive fechado dentro de si e só se interessa pela vida no âmbito pessoal. Sua expressão generalizada é: “Não me meto em política”. M. S. Cortella e R. J. Ribeiro. Política — para não ser idiota. Adaptado.

Texto 5 MUNDO MONSTRO

Adão aDÃo iturrusGarai

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Texto 4

Os textos aqui reproduzidos falam de política, seja para enfatizar sua necessidade, seja para indicar suas limitações e impasses no mundo atual. Reflita sobre esses textos e redija uma dissertação em prosa, na qual você discuta as ideias neles apresentadas, argumentando de modo a deixar claro o seu ponto de vista sobre o tema Participação política: indispensável ou superada? Instruções: • A redação deve obedecer à norma-padrão da língua portuguesa. • Escreva, no mínimo, 20 e, no máximo, 30 linhas, com letra legível. • Dê um título a sua redação. Disponível em: <http://www.fuvest.br/vest2012/bestred/temared.html>. Acesso em: 20 nov. 2012.

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Leia, a seguir, a produção do candidato.

O surgimento da ciência política remonta à época da Antiguidade, ainda quando os gregos se organizavam em torno da pólis e começavam a definir os primeiros conceitos de cidadania que, posteriormente, difundir-se-iam pelo mundo. É indiscutível a importância da política para a, então, formação da sociedade tal como é conhecida na contemporaneidade. A partir dela, foram definidos direitos e deveres e, ainda mais relevante, tornou-se possível a participação do povo nas decisões que dizem respeito à vida em comunidade. Nota-se que a desenvoltura das relações políticas, ao longo da história, foi, substancialmente importante para que os acontecimentos tomassem o rumo que lhes foi dado. Na pós-modernidade, porém trava-se uma problemática notória em torno dessas relações: trata-se do descaso que se tem conferido à finalidade política. Ideias errôneas como “política é coisa de idiota”, ou ainda, “eles são todos corruptos”, são, constantemente, difundidas pela população, que alienada pelas generalizações e pelo ócio, vê-se cômoda a ponto de se esquecer de que a política não depende apenas de um “líder”, mas também de um “organismo vivo”, denominado sociedade. Discutir os papéis da política na pós-modernidade, entretanto, torna-se uma tarefa árdua, perante a dinamicidade adquirida em detrimento da globalização. Com o desenvolvimento da liquidez capitalista e das ideias econômicas fundamentadas no neoliberalismo, nota-se que a função da política tem sido, constantemente, reduzida, em especial no âmbito da economia. A primeira “regra” do mercado — a não intervenção estatal na economia — já deixa explícito que, nesse aspecto, a política tem sido apagada, dando lugar ao comando dos grandes blocos econômicos e da Organização Mundial do Comércio. Observa-se, pois, que, no contexto das relações modernas e do comodismo exacerbado, tem-se dado pouco valor à política, que, por assim dizer, representa a porta de entrada de mudanças benéficas e justas. Dizer ser “apolítico” significa, antes de mais nada, fugir de obrigações éticas e morais, deixando-se a identidade da cidadania e afirmando-se o egocentrismo, característica típica da fugacidade egoísta contemporânea. A participação política é, portanto, indispensável para que seja construído o alicerce de uma sociedade digna e produtiva, na qual o interesse individualista seja substituído pela coletividade. A despreocupação e o descaso são, apenas, fortes motivos para que a injustiça, a corrupção e a imoralidade continuem a ser aspectos frequentes e aparentes. A atuação do homem como cidadão é essencial para que se elevem os valores referentes ao desenvolvimento explícito de uma vida sadia em comunidade. Disponível em: <www.fuvest.br/vest2012/bestred/127112.html>. Acesso em: 15 nov. 2012.

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A participação política na dinâmica pós-moderna: comodismo e descaso

Em detrimento (de): em prejuízo de, contrariamente aos interesses de. Neoliberalismo: doutrina desenvolvida a partir da década de 1970 que defende a total liberdade do mercado, com intervenções mínimas do Estado. Fugacidade: atributo do que é fugaz, isto é, transitório, efêmero.

A proposta de redação solicitou aos candidatos que, após a leitura da coletânea, discutissem as ideias ali presentes sobre o tema “participação política”, argumentando se esta é indispensável ou já se encontra superada no contexto atual.

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Responda às questões oralmente:

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O candidato cujo texto você acabou de ler obedeceu à proposta solicitada? Justifique sua resposta.

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O texto do candidato aproveita dados da coletânea para refletir sobre o tema proposto? Justifique sua resposta.

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Que parágrafos compõem a introdução desse texto? Explique como você chegou a essa conclusão.

4

Como os dois parágrafos subsequentes se articulam com o posicionamento do produtor do texto?

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O último parágrafo funciona como o encerramento do texto? Ele reúne as principais ideias discutidas nos parágrafos anteriores e as confronta com o posicionamento do produtor do texto? Justifique sua resposta.

Neste capítulo, estudaremos como, por meio da introdução do texto dissertativo-argumentativo, se pode capturar a atenção do leitor e também como a conclusão encerra a argumentação e confirma o posicionamento do produtor do texto.

Estudo do gênero A introdução: “captura” do leitor Podemos iniciar um texto dissertativo-argumentativo de diferentes formas, mas, seja qual for a abordagem escolhida, é preciso capturar o interesse do leitor, garantindo que este compreenda a tese e a maneira como ela será desenvolvida no decorrer do texto. A introdução do texto dissertativo-argumentativo “mapeia”, de certa forma, como os argumentos serão articulados para confirmar a tese assumida pelo produtor do texto. Leia as diferentes introduções a seguir e, em seu caderno, explique como elas são construídas, transcrevendo o posicionamento do produtor do texto. A primeira delas foi uma das que receberam nota máxima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011, em que o tema da redação foi “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”. Introdução 1

A crescente popularização do uso da internet em grande parte do globo terrestre é uma das principais características do século XXI. Tal popularização apresenta grande relevância e gera impactos sociais, políticos e econômicos na sociedade atual. Um importante questionamento em relação a esse expressivo uso da internet é o fato de existir uma linha tênue entre o público e privado nas redes sociais. Estas, constantemente são utilizadas para propagar ideias, divulgar o talento de pessoas até então anônimas, manter e criar vínculos afetivos, mas, em contrapartida também podem expor indivíduos mais do que o necessário, em alguns casos agredindo a sua privacidade. [...] Disponível em: <http://download.uol.com.br/educacao/ enem2012_guiaredacao.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2013. (Fragmento).

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Essa introdução é constituída por dois parágrafos. O primeiro contextualiza para o leitor o tema abordado no texto: a popularização da internet e seus impactos na sociedade. Releia o segundo parágrafo e responda às questões no caderno.

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Qual é o posicionamento da produtora do texto sobre o tema?

Agora, leia a introdução 2.

Como será desenvolvida a argumentação desse posicionamento? Que indicativos da introdução permitem essa conclusão?

Em 1750, quando Portugal devolveu Sacramento à Espanha e em troca se apossou das terras à oeste de Tordesilhas, a parte majoritária da fronteira brasileira se definiu. Outro tratado de relevância, além do supracitado Tratado de Madri, é o de Petrópolis, o qual nos rendeu o Acre. Hoje, em grito retumbante, bradamos a extensa fronteira em que vinga a soberania nacional. Ironicamente, nesta época de fronteiras definidas, uma operadora de telefonia adota o slogan “viver sem fronteiras”. A que superação o aforismo remete? [...] Disponível em: <www.fuvest.br/vest2009/bestred/508707.stm>. Acesso em: 20 nov. 2012. (Fragmento).

a) Explique como o candidato buscou atrair a atenção do leitor nesse parágrafo inicial. b) Levante hipóteses sobre o que será abordado no desenvolvimento do texto, apresentado no vestibular da Fuvest em 2009. O tema naquele ano eram as fronteiras, tanto as físicas (geográficas) quanto as imateriais (psicológicas, ideológicas, etc.). SAIBA MAIS!

Damos o nome de pergunta retórica àquela que o enunciador faz sem esperar uma resposta, pois ele próprio pretende respondê-la. Se usado com pertinência e moderação, esse tipo de pergunta pode ser uma boa maneira de despertar o interesse do interlocutor.

Aforismo: frase que busca sintetizar um princípio moral ou filosófico.

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Introdução 2

Leia a seguir a terceira introdução. Ela pertence a texto dissertativo-argumentativo produzido para o vestibular de 2011 da Fuvest. O tema era “O altruísmo e o pensamento a longo prazo ainda têm lugar no mundo contemporâneo?”. Introdução 3

Protagonizado por Will Smith, o filme “Sete Vidas” retrata o esforço de um homem para se redimir de um erro: após provocar um acidente em que sete pessoas morreram, busca pessoas merecedoras nas listas de espera de transplantes para que recebam seus órgãos após se suicidar. Embora ficção, o filme é apenas uma dentre as várias histórias criadas para que o Homem reflita sobre o papel que tem como integrante da sociedade. Por fazer parte de um conjunto, cada mínima ação tende a refletir no todo mesmo que demore. [...] Disponível em: <www.fuvest.br/vest2011/bestred/119347.html>. Acesso em: 21 nov. 2012. (Fragmento).

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a) Qual estratégia o candidato empregou para iniciar a abordagem ao tema? b) Na sua opinião, como o texto se desenvolverá a partir dessa introdução? Iniciar o texto com um exemplo ou o relato de um episódio relacionado ao assunto é uma forma de chamar a atenção do leitor, pois a lembrança de uma situação conhecida costuma criar empatia nele, aproximando-o do texto. Entretanto, esse tipo de introdução exige atenção a dois aspectos: primeiramente, a narrativa ou o relato deve propiciar o encaixamento da tese; depois, não deve ser extensa demais, senão pode prejudicar o desenvolvimento da argumentação. Conheça outro tipo de introdução também comum nos textos dissertativo-argumentativos, aquela baseada em uma citação. A redação foi apresentada no vestibular da Unicamp em 2002, em que o tema era “Trabalho: fator de promoção ou de degradação”. Introdução 4

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“O trabalho é a força que movimenta o homem.” Essa máxima seria lida, pelo homem contemporâneo, da seguinte forma: “o trabalho proporciona o desenvolvimento ECONÔMICO ao homem”. Mas nem sempre a paráfrase foi válida. Nas sociedades “primitivas”, o trabalho tinha todo um significado simbólico. [...] Disponível em: <http://www.comvest.unicamp.br/vest_anteriores/2003/download/comentadas/ CadernoQuestoes2003_fase1.pdf>. Acesso em: 22 nov. 2012. (Fragmento).

Como você já estudou, a citação é um recurso argumentativo denominado argumento de autoridade. Ela vem sempre entre aspas, e sua presença confere credibilidade às afirmações do texto. Na introdução em estudo, a citação não tem autoria definida; é uma máxima, isto é, um princípio com o qual todos em tese concordam. Em seguida à citação, o candidato afirma que a interpretação contemporânea dessa máxima seria “o trabalho proporciona o desenvolvimento ECONÔMICO ao homem”, o que lhe possibilita dar início à apresentação da tese: “Mas nem sempre a paráfrase foi válida”. A partir dessa estrutura, o leitor supõe que o desenvolvimento do texto vai se dar por meio de uma revisão dos momentos históricos em que o trabalho, contrariamente ao que afirma a interpretação atual, não significava desenvolvimento econômico. EM RESUMO

Algumas formas de construir a introdução de um texto dissertativo-argumentativo: por meio da apresentação de vertentes contrastantes do tema, as quais serão exploradas ao longo do desenvolvimento; por meio de uma pergunta retórica; pelo relato de um exemplo ou episódio relacionado ao tema; por meio de uma citação.

A conclusão: fechamento do raciocínio iniciado na introdução Todas as partes de um texto devem estar articuladas. Assim, uma introdução bem-elaborada, com uma tese clara, encaminha o leitor para uma argumentação consistente e coerente. E, como uma decorrência natural dessa argumentação, ele deve encontrar a conclusão, isto é, o fechamento do raciocínio seguido pelo produtor do texto. Ao escrever a introdução, o produtor do texto já deve ter em mente a conclusão a que pretende chegar. Leia o texto a seguir, apresentado por um candidato do vestibular 2011 da Unicamp, em que o tema era o conflito entre gerações, e observe como a conclusão se articula com as demais partes do texto.

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Embora sua intensidade seja exacerbada nos dias atuais, o choque de gerações é tão antigo quanto o conceito de geração, e é fundamental à manutenção da sociedade e do conhecimento. Em antigos relatos gregos já é possível identificar conflitos entre gerações próximas, como pais e filhos; se fossem maléficos, tais questionamentos e rupturas não teriam permitido à humanidade chegar ao século XXI. A verdade é que a diversidade de paradigmas e conceitos sociais é fonte de inovação. Os bancos talvez sejam um dos melhores exemplos dessa convivência pacífica: buscam nos mais velhos a segurança, a confiabilidade, a experiência e, nos mais novos, a audácia, a rapidez e a inovação tecnológica. Este relacionamento reflete-se até em suas campanhas publicitárias, onde um senhor muito elegante, ao lado de uma jovem despojada, dizem: tradição e modernidade. Não é fácil fundir paradigmas. Ambos precisam saber ceder e, principalmente, ouvir. Todos podem acrescentar na construção dessa nova sociedade, sem tornar crítica uma forma latente de preconceito: o de geração. Mesmo as interações mais simples podem se beneficiar de novos conceitos. A geração tecnológica pode mostrar as vantagens de uma comunicação eletrônica rápida e eficaz; já os amantes do papel ensinaram a intimidade, o conteúdo e a eficiência de uma carta ou poema manuscrito. O grande desafio é mostrar que não há melhores ou piores; os portais de comunicação e notícia podem coexistir perfeitamente com os cadernos e livros. Estes trazem notícias estruturadas, com maior análise e argumentação, mas que demandam tempo e experiência para serem elaboradas; aqueles trazem as manchetes quase em tempo real, com diversos recursos multimídia, mas carecem, muitas vezes, de uma análise crítica. A sociedade, ao aceitar ambas as gerações, beneficia-se de dois, às vezes até mais, pontos de vista e formas de pensar e expressar. Os não adeptos às novas tecnologias podem alegar, por exemplo, que a internet isolou-nos em vídeo-games, salas de bate-papo e tocadores de música digital, mas foi esta mesma internet que possibilitou a criação de imensas comunidades de software livre que tanto contribuem, gratuita e altruisticamente, para a sociedade e para o conhecimento. Mais do que nunca, todas as gerações: pós-internet, pós-guerra, hippie, baby-boom, jovens empreendedores, de pais divorciados, entre tantas outras, devem conhecer suas singularidades e seus conceitos, e saber que eles não se encaixam em todas as situações e todos os momentos; devem desenvolver a mais sutil e fundamental habilidade: empatia. Somente ela permite mesclar o melhor de todas as gerações sem levar à autodestruição. Disponível em: <www.comvest.unicamp.br/vest_anteriores/ 2011/download/comentadas/redacao.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2013.

Após a leitura integral da produção, observe a conclusão e sua relação com o título do texto. Podemos afirmar que ela retoma o título? Explique.

A conclusão também retoma a tese?

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Um conflito necessário

Altruisticamente: desinteressadamente, sem esperar nada em troca. Baby-boom (inglês): nome que se dá à geração nascida após a Segunda Guerra Mundial em alguns dos países que estiveram diretamente ligados ao conflito, em especial os Estados Unidos, a Inglaterra e a França.

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Como já afirmamos, a conclusão deve decorrer naturalmente do posicionamento do produtor e, consequentemente, de sua argumentação. Observe, no quadro a seguir, como os argumentos expostos no texto conduzem à sua conclusão. Trechos do desenvolvimento

Ideia retomada na conclusão

“[...] se fossem maléficos, tais questionamentos e rupturas [entre pais e filhos] não teriam permitido à humanidade chegar ao século XXI.”

“[...] mesclar o melhor de todas as gerações sem levar à autodestruição.”

Parágrafo 3

“A verdade é que a diversidade de paradigmas e conceitos sociais é fonte de inovação. [...]”

“[as gerações] devem desenvolver a mais sutil e fundamental habilidade: empatia. Somente ela permite mesclar o melhor de todas as gerações [...].”

Parágrafo 4

“Não é fácil fundir paradigmas. Ambos precisam saber ceder e, principalmente, ouvir. Todos podem acrescentar na construção dessa nova sociedade [...].”

“[as diferentes gerações] devem conhecer suas singularidades e seus conceitos, e saber que eles não se encaixam em todas as situações e todos os momentos; devem desenvolver a mais sutil e fundamental habilidade: empatia.”

Parágrafo 6

“[...] A sociedade, ao aceitar ambas as gerações, beneficia-se de dois, às vezes até mais, pontos de vista e formas de pensar e expressar.”

“[as gerações] devem desenvolver a mais sutil e fundamental habilidade: empatia.”

Parágrafos 5 e 7

Esses parágrafos têm a função de confirmar, por meio de exemplos, as afirmações feitas em cada um dos parágrafos que os antecedem.

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Parágrafo 2

Em um texto bem-planejado, como o que estamos estudando, a conclusão confirma o ponto de vista do produtor explicitado na tese e comprovado pela argumentação. Há vários tipos de conclusões; estudaremos aqui os mais recorrentes. • A conclusão-síntese Na conclusão do tipo síntese, o produtor retoma a tese e sintetiza os argumentos empregados. Nessas conclusões, é comum o emprego de operadores argumentativos como dessa forma, assim, em suma, etc. Um exemplo desse tipo de conclusão encontra-se no primeiro texto trabalhado neste capítulo:

“A participação política é, portanto, indispensável para que seja construído o alicerce de uma sociedade digna e produtiva, na qual o interesse individualista seja substituído pela coletividade. A despreocupação e o descaso são, apenas, fortes motivos para que a injustiça, a corrupção e a imoralidade continuem a ser aspectos frequentes e aparentes. A atuação do homem como cidadão é essencial para que se elevem os valores referentes ao desenvolvimento explícito de uma vida sadia em comunidade.” Nessa conclusão, o produtor reafirma seu posicionamento quanto à importância da participação política de todos para o desenvolvimento da comunidade e confirma também sua crítica à postura descompromissada de alguns.

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• A conclusão-proposta Esse tipo de conclusão apresenta uma proposta de mitigação ou solução para o(s) problema(s) discutido(s) no texto. Leia, como exemplo disso, a conclusão correspondente à introdução 1:

[...] Analisando situações semelhantes às citadas anteriormente, conclui-se que é necessário que haja uma conscientização por parte dos internautas de que aquilo que for uma utilidade pública ou algo que não agrida ou exponha um indivíduo pode e deve ser divulgado. Já o que for privado e extremamente pessoal deve ser preservado e distanciado do mundo virtual, que compartilha informações para um grande número de pessoas em um curto intervalo de tempo. Dessa forma, situações realmente desagradáveis no incrível universo da internet serão evitadas.

• Observe, no trecho em destaque, como o produtor do texto orienta o leitor para o início da conclusão. Em seguida, explique a proposta feita pela estudante para solucionar o problema discutido. É importante observar que esse texto foi produzido em uma prova do Enem. Nesse exame, cabe ao candidato sugerir uma proposta de intervenção social, solicitação a que a autora do texto atende de maneira clara e coerente. • A conclusão-surpresa Como a classificação já indica, essa forma de encerramento de um texto dissertativo-argumentativo causa algum tipo de impacto no leitor, seja pelo uso de uma citação original ou por um comentário irônico que enfatize ainda mais o posicionamento assumido. Um exemplo de conclusão-surpresa é o parágrafo final do texto iniciado pela introdução 3. Leia-o a seguir:

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Disponível em: <http://download.uol.com.br/educacao/enem2012_guiaredacao.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2013. (Fragmento).

[...] A humanidade é heterogênea como qualquer agrupamento, com individualistas e coletivistas, imediatistas e planejadores. Com tantas divergências, deve-se buscar um equilíbrio e seguir valores morais e éticos pensando em um “nós” futuro sem abandono do “eu” presente e sem a limitação do senso comum de que sozinho não se consegue mudar nada. Afinal, como disse o mineiro Chico Xavier, “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Disponível em: <www.fuvest.br/vest2011/bestred/119347.html>. Acesso em: 21 nov. 2012. (Fragmento).

Essa conclusão apresenta, além de uma sugestão para a solução do problema apresentado na introdução (a necessidade de o ser humano refletir sobre “o papel que tem como integrante da sociedade”), uma citação do conhecido médium Chico Xavier. Esta enfatiza ainda mais a solução proposta, estimulando o interlocutor a repensar as consequências de suas atitudes futuras.

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Ferramenta de estudo

Como elaborar um projeto de texto

Neste capítulo e no 17, aprofundamos nossos estudos sobre o gênero textual dissertativo-argumentativo. E observamos, nos exemplos analisados, o quanto é importante desenvolver um projeto de texto para garantir a articulação plena de suas partes e, consequentemente, a clareza e a coerência de sua argumentação. Acompanhe os passos a seguir para o desenvolvimento de um projeto de texto dissertativo-argumentativo.

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1. Leitura atenta dos textos oferecidos na coletânea Normalmente, a solicitação de produção de um texto dissertativo-argumentativo vem acompanhada de uma coletânea de textos que deve ser utilizada na composição deste. Leia atentamente cada item da coletânea, buscando identificar: o tema comum a todos os textos; o posicionamento de cada autor; dados ou exemplos que possam servir de argumentos; o sentido conotativo e denotativo dos textos; etc. Seus conhecimentos prévios sobre o tema também devem ser ativados e integrados às informações da coletânea oferecida.

2. Elaboração da introdução Você pode optar por uma das variações de introdução estudadas neste capítulo. Geralmente, essa parte da estrutura dissertativa-argumentativa é constituída por: • contextualização do tema de maneira a atrair a atenção do leitor (citação, relato de exemplo, referências históricas, etc.) ou justificativa da pertinência de abordá-lo; • apresentação da tese e “mapeamento” do percurso argumentativo a ser adotado no texto.

3. O desenvolvimento da argumentação Essa parte constitui o “coração” do texto dissertativo-argumentativo. É preciso, portanto, ficar atento: ao tipo de argumento empregado; à ordem de apresentação dos argumentos; à relação que se estabelece entre eles e as demais partes da estrutura dissertativo-argumentativa; e aos recursos linguísticos empregados (conectivos, organizadores textuais). A ordem dos argumentos em um texto dissertativo-argumentativo busca a adesão do interlocutor à tese defendida. Tendo em vista essa finalidade, geralmente se deixa por último o argumento mais convincente e/ou aquele que apresenta maior força expressiva.

4. A conclusão: encerramento da argumentação Nessa parte do texto, encerra-se a argumentação e busca-se, em última instância, a adesão do leitor à tese por meio da: • confirmação da tese e síntese dos argumentos expostos; • apresentação de um novo aspecto da tese que possa aprofundar a reflexão do leitor sobre o tema discutido; • proposta de uma solução para os problemas discutidos; • inserção de um elemento-surpresa, como uma citação, um comentário irônico, etc. Como já estudamos, a conclusão deve ser prevista na introdução e decorre naturalmente da argumentação. Geralmente, ela é introduzida por expressões que indicam para o leitor que o texto está se encerrando (portanto, dessa forma, etc.).

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Produza seu texto dissertativo-argumentativo Nesta produção, você vai redigir um texto dissertativo-argumentativo para defender a ideia de que é possível ao morador das grandes cidades manter sua identidade, ou a de que isso não é possível, pois elas massificam a identidade das pessoas. Se possível, publique sua produção no blog da turma, para que todos os colegas possam lê-la e comentá-la. Siga as orientações abaixo para construir seu texto. • Releia a ferramenta “Como elaborar um projeto de texto”.

NAVEGUE Conheça o site “Banco de redações”, ligado ao portal UOL, onde você poderá acessar propostas de produção e ler textos enviados por internautas e comentados por especialistas: <http:// educacao.uol.com.br/ bancoderedacoes>.

• Para ativar seus conhecimentos prévios sobre o assunto, leia os textos apresentados a seguir e pesquise outros que possam enriquecer sua argumentação. • Elabore o plano do texto e, depois de relê-lo e fazer as alterações necessárias, elabore seu texto dissertativo-argumentativo.

Texto 1

A nova estratégia urbana A urbanização é um fenômeno que define este século, e o mundo em desenvolvimento é o local onde se dá esta transformação demográfica. A expectativa é que nos próximos 20 anos surjam mais dois bilhões de novos residentes urbanos, e que as populações do Sul da Ásia e da África dupliquem. Grande parte do crescimento urbano será observado nas cidades de pequeno e médio porte. Mesmo hoje em dia, mais da metade da população urbana mundial vive em cidades com menos de 500.000 habitantes, o que levanta questões sobre a gestão da urbanização [...].

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• Depois de ter revisado seu texto, poste-o no blog da classe ou troque-o com os colegas.

BANCO MUNDIAL. Sistemas de cidades: usando a urbanização em prol do crescimento e da mitigação da pobreza. 2009. p. 3. Disponível em: <http://siteresources.worldbank.org/ INTURBANDEVELOPMENT/Resources/336387-1269651121606/ UrbanStrategy_web_Portuguese.pdf>. Acesso em: 1o dez. 2012. (Fragmento).

Texto 2

Respeite e valorize o patrimônio cultural e histórico do seu lugar O que torna um lugar especial? É sua história, seu ambiente natural, a cultura do povo que vive e trabalha lá? São todas essas coisas. As cidades precisam crescer e se transformar. Elas têm que acomodar uma população urbana crescente, satisfazer suas necessidades e desejos, e adaptar-se às mudanças históricas trazidas pelas transformações econômicas, sociais, climáticas e outras. A identidade do lugar, e o modo de vida de seus moradores, devem ser preservados e realçados; não destruídos ou deslocados.

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A preservação tem uma função, além da consagração de monumentos isolados e pontos turísticos. Bairros antigos com edifícios modestos são símbolos da memória coletiva da cidade. Rios antigos, canais e vias sobre os quais a cidade foi construída, árvores que sombrearam gerações, postes de luz que iluminaram as noites da infância; tudo isso constitui ativos valiosos e insubstituíveis. Quando acabam, eles não podem ser ressuscitados. O valor das características próprias do lugar certamente vai aumentar ao longo do tempo uma vez que a globalização torna as cidades mais iguais entre si. [...] ITDP (Institute for Transportation & Development Policy) e Gehl Architects. As cidades somos nós: 10 princípios para a mobilidade urbana. 2010. p. 38. Disponível em: <http://terra-geog.lemig2.umontreal.ca/donnees/Projet%20Bresil/ urbanisation/as-cidades-somos-nos.pdf>. Acesso em: 1o dez. 2012. (Fragmento).

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Texto 3

[...] A questão, pois, é saber em que condições a cidade pode aparecer como um lugar que possa ser definido por seu caráter identificador; um lugar que permita que seus habitantes se reconheçam e se definam por meio dele, que, por seu caráter relacional, permita a leitura da relação que os habitantes mantêm entre si, e que, por seu caráter histórico, possibilite que os habitantes reencontrem os vestígios de antigas implantações, seus sinais de filiação. [...] JODELET, Denise. A cidade e a memória. Conferência transcrita e traduzida por Walkirya Coppola e Cristiane Rose Duarte. In: DEL RIO, Vicente; DUARTE, Cristiane Rose; REINGANTAZ, Paulo Afonso (Orgs.). Projeto do lugar: colaboração entre psicologia, arquitetura e urbanismo. 1. ed. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2002. p. 33. (Fragmento).

Revisão e reescrita Acesse o blog da classe para ler a produção de um colega ou troque a sua com a dele. Depois, comente por escrito as questões a seguir. • O texto atende à proposta, isto é, trata-se de um texto dissertativo-argumentativo, adequado a um leitor genérico imaginado, em que se identificam o posicionamento do produtor do texto e os argumentos que o embasam? • É possível identificar a menção, ainda que indireta, a algum(ns) dos textos da coletânea? • A conclusão decorre naturalmente da introdução e dos argumentos expostos? • Os argumentos são consistentes e coerentes? • Os conectivos argumentativos relacionam os argumentos adequadamente, “traçando” a linha de raciocínio desde a introdução até a conclusão? • Os organizadores textuais deixam clara a sequência dos argumentos?

o Que VocÊ apreNdeu No percurso deste capítulo O texto dissertativo-argumentativo é estruturado por introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução deve despertar o interesse do leitor, informar o posicionamento do produtor em relação à questão temática e indicar o percurso argumentativo que o texto seguirá. Há diferentes formas de introduzir um texto dissertativo-argumentativo: apresentando vertentes contrastantes do tema, fazendo uma pergunta retórica, uma citação ou, ainda, uma breve narrativa ou relato, entre outras possibilidades. A conclusão deve decorrer naturalmente dos argumentos expostos; em geral, ela retoma a tese e faz uma síntese dos argumentos expostos.

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capítu

Manifestar ideias de interesse coletivo de maneira organizada e exigir o respeito aos direitos do cidadão são atitudes possíveis nas sociedades livres. A carta aberta é um dos instrumentos por meio dos quais podemos expressar nosso pensamento e garantir nossos direitos. Na foto, estudantes protestam, em São Paulo, contra a anulação das provas do Enem (2010).

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ução d o r t In Nas sociedades democráticas, os cidadãos podem expressar livremente sua opinião sobre os fatos e interferir nas decisões dos governantes. Essas manifestações de cidadania organizam-se a partir de gêneros textuais específicos. Neste capítulo, você estudará a carta aberta — gênero textual por meio do qual poderá, em grupo ou individualmente, agir de maneira organizada e cidadã na sociedade a que pertence. Leia a carta escrita em nome da diretoria da Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games (Acigames) a respeito de um projeto em tramitação no Senado brasileiro.

Carta aberta contra o projeto de lei ANTIGAMES do Senado Publicada em 17 de fevereiro de 2012 por Acigames A Acigames, Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games, vem manifestar-se publicamente a respeito da tramitação e votação do projeto de lei 170/06, de autoria do senador Valdir Raupp. A proposta do ilustre senador, que vem tramitando no Senado Federal há vários anos, pretende tipificar como crime os atos de “fabricar, importar, distribuir, manter em depósito ou comercializar jogos de videogames ofensivos aos costumes, às tradições, cultos, credos, religiões e símbolos”, com base no artigo 20 da lei 7.716/89, que classifica como crimes passíveis de punição atitudes relacionadas a preconceito de raça ou cor. Ainda que a proposta tenha a intenção louvável de proteger grupos étnicos, religiosos e outros, da qual trata a referida lei, a Acigames entende que o projeto acabe por se realizar de forma falsamente moralizadora sem atingir os [fins] educativos pretensamente desejados. A ausência de conceitos fundamentados que possam embasar a ideia, a falta de definições claras para terminologias intangíveis como “ofensivo”, “tradições” ou “cultos” e a não realização de um amplo debate com a sociedade civil, demonstram a incongruência da premissa e a falta de intimidade do referido projeto com as novas formas de interação e entretenimento digital. A Acigames não é complacente com delitos e, especialmente, com preconceitos de qualquer espécie. No entanto, cumpre afirmar que não é possível admitir um precedente penal onde praticamente quaisquer formas de expressões presentes em um jogo eletrô-

Tipificar: caracterizar. Incongruência: inadequação, incoerência. Premissa: base a partir da qual se constrói um raciocínio. Complacente: condescendente, tolerante. Precedente: no Direito, uma decisão que serve como parâmetro para que sejam tomadas decisões em situações semelhantes, no futuro.

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Disponível em: <www.acigames.com.br/2012/02/carta-aberta-contra-o-projeto -de-lei-anti-games-do-senado/>. Acesso em: 12 dez. 2012.

1

O que motivou a diretoria da Acigames a produzir essa carta? Por que a entidade está interessada nesse assunto?

2

Para embasar sua argumentação contrária ao projeto de lei, o produtor da carta relacionou uma série de argumentos. Liste-os, indique os dois que lhe parecem mais convincentes e justifique sua escolha.

3

Você concorda que a variação linguística empregada nessa carta também pode ser considerada um argumento para convencer os interlocutores? Explique seu posicionamento.

4

Embora o texto estudado seja uma carta, ele difere de uma carta pessoal, cujo assunto interessa apenas ao remetente e ao destinatário. Releia-o e observe as diferenças ao responder às perguntas seguintes. a) Essa carta destina-se apenas aos senadores? Justifique sua resposta. b) Por meio da carta, que tipo de relação se estabelece entre a Acigames e os senadores — pessoal ou institucional? Por quê?

5

Essa carta foi veiculada não apenas no site da Acigames, como também em inúmeros outros sites de tecnologia. Levante hipóteses: a) Em que outros suportes seria interessante publicá-la? b) Por que, em sua opinião, é importante para o produtor desse tipo de carta que ela atinja um grande número de pessoas?

Princípio da taxatividade: princípio segundo o qual a lei penal deve ser precisa, específica, sem dar margem a múltiplas interpretações.

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nico podem se encaixar em princípios abstratos como “costumes” e “símbolos”, entre outros, violando o elementar princípio da taxatividade, consagrado em nosso Direito Penal. Ainda, impõe o modelo de projeto verdadeira censura aos jogos eletrônicos, um produto de cunho cultural reconhecido pelo Estado brasileiro. Como produto cultural, não cabe à lei restringir a forma como este recurso é expresso, mas orientar o adequado consumo da referida produção, para obtenção de uma experiência salutar e prazerosa. Tal orientação, sob a forma de lei, constitui verdadeira violação à liberdade de expressão constitucionalmente protegida. Para estabelecer os parâmetros necessários ao consumo apropriado dos bens culturais, a população já se serve da Classificação Indicativa do Ministério da Justiça, que cumpre com eficácia este papel educativo. Paralelamente, os representantes do Senado parecem não considerar o impacto econômico fatalmente decorrente desta iniciativa e o crescimento exponencial incalculável do mercado negro, hoje já expressivo no meio, em virtude da facilidade de distribuição informal e do anseio popular pelo acesso a conteúdos que serão considerados “proibidos” a partir da vigência da lei como se propõe. A Acigames posiciona-se contrária às intenções do projeto de lei sobretudo por entender que a proposta sobrepõe-se inadequadamente à liberdade de expressão, constitucionalmente estabelecida, ao livre comércio e à já observada Classificação Indicativa, recurso aplicável à comercialização formal dentro dos parâmetros legais ora vigentes, mas certamente incapaz de atuar com eficácia contra o mercado paralelo e as novas formas de distribuição digital. A DIRETORIA

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ProvocAÇÃO Você acredita que classificações indicativas para games são suficientes para orientar o consumidor? Ou seria necessário proibir certos tipos de game? Fundamente sua opinião com argumentos consistentes.

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O texto da Acigames representa um gênero textual argumentativo denominado carta aberta. Nesse tipo de correspondência, a relação que se estabelece entre o destinatário e o remetente não é pessoal, mas institucional. Em geral há um destinatário específico: os senadores, o prefeito da cidade, um órgão público, etc. Porém, como a carta é aberta e circula em vários meios de comunicação, os interlocutores imaginados são, na verdade, todas as pessoas interessadas na questão discutida. A carta é organizada por sequências argumentativas, pois sua intenção é convencer todos esses interlocutores a respeito de determinado ponto de vista. Neste capítulo, estudaremos como se constrói a argumentação desse gênero textual e constataremos a importância da carta aberta como instrumento de exercício da cidadania.

Estudo do gênero Em uma carta aberta, como você estudou na introdução deste capítulo, um cidadão ou um grupo de cidadãos dirige-se a um destinatário específico e, indiretamente, à sociedade em geral, para discutir uma questão de interesse coletivo. Essa discussão se organiza por meio de uma sequência de argumentos e contra-argumentos. Carta aberta é um gênero textual argumentativo por meio do qual uma pessoa ou um grupo de pessoas expõe, em geral a um interlocutor específico e, também, à sociedade como um todo, seu ponto de vista sobre determinado tema de interesse público e/ou faz uma solicitação a respeito do problema discutido.

Para aprofundar seus estudos sobre esse gênero textual, leia a seguir uma carta aberta publicada pela Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) e responda oralmente às questões propostas.

São Paulo (SP), 3 de dezembro de 2012

Carta Aberta às Senadoras e Senadores da CCJ A favor da garantia dos direitos dos adolescentes Nesta próxima quarta-feira, dia 5 de dezembro, as senhoras e senhores, excelentíssimas senadoras e senadores, poderão votar a Proposta de Emenda Constitucional no 33 de 2012, que altera a redação dos artigos 129 e 228 da Constituição Federal, que prevê a possibilidade de desconsideração da inimputabilidade penal de maiores de 16 anos e menores de 18 anos, por lei complementar. Nós, da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, acreditamos que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, isto é, gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da

CCJ: Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, uma comissão permanente do Senado Federal pela qual todas as propostas de emenda à Constituição precisam passar. Inimputabilidade: estado daquele que não pode ser responsabilizado por um crime, devido à sua presumida incapacidade de compreender que o ato praticado é ilícito.

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proteção integral de que trata a Lei no 8.069 de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). A adolescência é uma fase da vida de grande oportunidade para aprendizagem, socialização e desenvolvimento. Atos infracionais cometidos por adolescentes, por sua vez, são ou, pelo menos, deveriam ser vistos apenas como circunstâncias de vida que podem ser transformadas e não como algo inerente ao gene ou identidade da pessoa. No Brasil, temos uma população de adolescentes de 20.666.575 e 18.107 estão restritos e privados de liberdade. Ou seja, temos uma proporção de 8,8 para cada 10 mil adolescentes, segundo Levantamento Nacional do Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei de 2010. Ao mesmo tempo em que este índice nos preocupa, muito mais grave é o número de crianças e adolescentes que são mortos de forma violenta como o demonstrado no Mapa da Violência 2012, divulgado no último dia 29 de novembro, onde há cidades como Lauro de Freitas e Simões Filho, municípios com 20 mil crianças e adolescentes, ambas localizadas no Estado da Bahia, onde temos uma taxa de homicídios extremamente alta de 94,6 e 134,4 (para 100 mil), respectivamente. Ou seja, temos muito mais crianças e adolescentes sendo mortos de forma violenta do que em situação de conflito com a lei. Além disso, segundo o “Panorama Nacional: A Execução das Medidas Socioeducativas de Internação” do Programa Justiça ao Jovem, do Conselho Nacional de Justiça, datado de 2012, 57% dos jovens declararam que não frequentavam a escola antes de ingressar nas unidades de internação, sendo que 86% dos entrevistados mencionaram que a última série cursada estava englobada no ensino fundamental. E, no que diz respeito à relação com entorpecentes, 75% faziam uso de drogas ilícitas. Com esses dados queremos dizer que é preciso mais investimentos em educação e fortalecimento da permanência na escola por esses jovens, além do incremento em equipamentos culturais e na estruturação de projetos de vida que tragam perspectivas distintas daquelas vividas até o presente momento da internação. O sentimento de insegurança que acomete a população brasileira em razão da violência faz com que se busque uma solução imediata e daí surge a ideia de que enclausurar é a melhor solução. A justificativa de que se valem os legisladores afetos à redução da maioridade penal segue no sentido de que o adolescente da atualidade é diferente do adolescente de outrora. Evidente que tal assertiva não considera a situação crítica em que se encontram, atualmente, os sistemas penal e carcerário. As tentativas de se reduzir a maioridade penal partem do pressuposto de que o adolescente moderno já possui bastante maturidade para compreender os próprios atos. Todavia, não se pode negar sua condição de pessoa em formação e, em decorrência disso, não devemos desistir de sua ressocialização. Por isso, não podemos nos agarrar a soluções simplistas, posto que problemas complexos necessitam de soluções sistemáticas e, dessa forma, há que se implementar políticas voltadas à criança e ao adolescente. Vemos esta PEC como uma medida de criminalização da adolescência em conflito com a lei, não trazendo como pressuposto os avanços que o SINASE — Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo — propõe efetivamente, se aplicado dentro dos parâmetros constitucionais previstos na Lei no 12.594 de janeiro de 2012. Para nós, o SINASE é uma dessas possibilidades legais para que o adolescente em conflito com a lei torne-se um sujeito de direito efetivamente e a promulgação da Emenda Constitucional no 33/2012 é um retrocesso nos avanços propostos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pela Lei recém-promulgada. Estamos de acordo com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, no que se refere à natureza do trabalho socioeducativo, isto é, uma natureza transversal, intersetorial, complexa e especializada, que envolve diversos poderes, efetivando-se nas três esferas de governo.

Assertiva: afirmação.

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Solicitamos de vossas excelências que não votem favoravelmente a esta Proposta de Emenda Constitucional e que se abram discussões mais aprofundadas com a sociedade civil a fim de se criar melhorias significativas junto a esse público em específico. FUNDAÇÃO ABRINQ PELOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Disponível em: <www.inesc.org.br/noticias/noticias-gerais/2012-1/dezembro/carta-aberta-afavor-da-garantia-dos-direitos-dos-adolescentes-1>. Acesso em: 24 dez. 2012.

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1

A produção de uma carta aberta geralmente é motivada por um fato social e/ou político. a) Que fato motivou a produção da carta lida? b) Em sua opinião, uma carta aberta de uma entidade como a Fundação Abrinq poderia interferir no julgamento dos senadores da CCJ? Por quê? Se necessário, pesquise sobre essa entidade antes de responder.

2

O conhecimento dessa carta não ficou restrito aos senadores da CCJ. Levante hipóteses: em que suportes ela deve ter circulado para atingir a sociedade brasileira?

3

Qual a intenção da Fundação Abrinq ao tornar pública essa carta?

NAVEGUE Assista a esta reportagem com mais informações sobre a questão da maioridade penal no Brasil: <http:// tvcultura.cmais.com. br/jornaldacultura/ maioridade-penal>.

Argumentação e contra-argumentação: as estratégias persuasivas da carta aberta

1

Para persuadir os senadores a não aprovarem a emenda, o produtor da carta emprega diferentes tipos de argumento. a) No terceiro parágrafo, podemos afirmar que o produtor do texto teve a preocupação de destacar opiniões com as quais certamente o interlocutor concordasse? Justifique sua resposta. b) Em seguida, o produtor apresenta argumentos de prova concreta. Que função têm na carta os dados apresentados como argumentos? c) Antes de finalizar a carta, o produtor apresenta um argumento de autoridade. Por que esse argumento é eficaz no contexto?

Ao escrever uma carta aberta, além de encadear argumentos diversos e consistentes, o produtor do texto deve prever os argumentos do interlocutor. Nessa carta, encontra-se esse outro importante recurso argumentativo: a contra-argumentação, ou seja, a estratégia de prever argumentos contrários à tese defendida para em seguida refutá-los. Observe como essa estratégia funciona na carta da Abrinq: Contra-argumentos dos legisladores favoráveis à redução da maioridade penal

Refutação (contestação) dos contra-argumentos

“[...] o adolescente da atualidade é diferente do adolescente de outrora.”

“Evidente que tal assertiva não considera a situação crítica em que se encontram, atualmente, os sistemas penal e carcerário.”

“[...] o adolescente moderno já possui bastante maturidade para compreender os próprios atos.”

“Todavia, não se pode negar sua condição de pessoa em formação e, em decorrência disso, não devemos desistir de sua ressocialização.”

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2

Esse recurso também foi empregado na carta aberta que inicia o capítulo. Retome a carta da Acigames e transcreva um contra-argumento e sua respectiva refutação.

3

Em sua opinião, a estratégia de apresentar uma contra-argumentação para depois refutá-la ajuda a convencer o interlocutor? Por quê?

Outra estratégia argumentativa empregada nessa carta está na comparação que o produtor faz entre os objetivos da Emenda Constitucional n o 33 e a proposta do Sinase em relação ao futuro do adolescente em conflito.

4

Segundo a Abrinq, em que ponto o recém-implantado Sinase e a Emenda Constitucional no 33 contrastam?

5

Que crítica da Abrinq ao sistema prisional é possível inferir com a leitura da carta?

Mesmo tendo suas peculiaridades, a carta aberta não deixa de ser uma carta, e isso fica evidente quando analisamos sua estrutura.

1

Que elementos estruturais dos textos analisados neste capítulo são comuns às cartas em geral?

2

Algumas características, contudo, são próprias das cartas abertas. Observe que as cartas estudadas aqui apresentam um título. Qual é a função desse título?

3

Em geral, o primeiro parágrafo da carta aberta tem como função apresentar o remetente e o motivo pelo qual ele está se manifestando. Releia o início das duas cartas e confirme se isso ocorre.

4

Nas duas cartas, o último parágrafo representa a conclusão. Explique como a conclusão de cada uma delas está organizada.

A linguagem do gênero

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A estrutura flexível da carta aberta

Registro linguístico Como você observou ao analisar as duas cartas abertas deste capítulo, o registro linguístico desse gênero quase sempre é formal, pois não existe intimidade entre o produtor e o interlocutor. Além disso, um registro formal, com observância estrita das normas urbanas de prestígio, contribui para dar credibilidade à argumentação.

Marcas de interlocução Embora a carta aberta apresente linguagem objetiva e impessoal, há, muitas vezes, marcas de interlocução, ou seja, o produtor dirige-se ao interlocutor com o intuito de se aproximar mais deste. Leia o fragmento inicial de uma carta aberta assinada por Ennio Candotti, diretor do Museu da Amazônia e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e Vera Silva, conselheira do Museu da Amazônia, e dirigida a Omar Azis, então governador do estado do Amazonas, e aos ministros, na época, da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Meio Ambiente e da Saúde.

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Excelentíssimo Sr. Omar Aziz Governador do Estado do Amazonas Manaus, 2 de julho de 2012

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Temos notícia que através de resolução 011-2012 da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável está sendo autorizado, sob condições restritivas, o uso do mercúrio nos garimpos de ouro. Alega-se em defesa da regulamentação que a manipulação do mercúrio não poderá ocorrer com perdas de substância para o meio ambiente ou de inalação de gases pelos garimpeiros. Promete-se, na resolução, uma fiscalização severa. Desejamos alertá-lo, Sr. Governador, que o mercúrio é considerado metal extremamente tóxico — fato que não é mencionado na resolução 011 — seu uso tem sido reduzido na maioria dos países e, em muitos, a restrição é total. A Organização Mundial da Saúde e a Organização Mundial do Trabalho determinaram índices de tolerância para sua presença nos organismos humanos e severas normas que limitam o seu uso e manipulação. [...] Disponível em: <http://www.ecoamazonia.org.br/2012/07/utilizacao-mercurio-garimpos-ouroliberacao-amazonas-preocupa-cientistas/>. Acesso em: 10 dez. 2012.

• Em que trecho você reconhece uma marca de interlocução? Qual a função dessa marca no contexto?

Emprego de pronomes de tratamento Por se tratar de uma correspondência formal, a relação entre os interlocutores da carta aberta também é formal, marcada pela polidez; portanto, o remetente deve empregar os pronomes de tratamento adequados ao dirigir-se ao destinatário direto da carta. No vocativo inicial, devem constar pronomes de tratamento como os do quadro a seguir, de acordo com a posição social do interlocutor. Excelentíssimo(a) Senhor(a): para referir-se ao presidente da República, aos ministros, deputados, senadores, governadores, etc. Vossa Senhoria ou senhor(a): para pessoas em geral.

No desenvolvimento da carta, é possível empregar o pronome senhor(a) e o nome do cargo que o interlocutor exerce para estabelecer a interlocução, como Ennio Candotti e Vera Silva fizeram em sua carta ao governador:

“Desejamos alertá-lo, Sr. Governador, que o mercúrio é considerado [...]”.

EM RESUMO

Nas cartas abertas, o registro linguístico é formal e pode haver marcas de interlocução. Nelas, inclusive no vocativo inicial, empregam-se pronomes de tratamento adequados à posição social ou ao cargo do interlocutor.

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Produza sua carta aberta A seguir, você encontrará textos que abordam uma questão bastante polêmica: a proibição ou o controle da publicidade destinada a crianças e adolescentes. Em duplas ou trios, leiam os textos da coletânea e sigam as instruções abaixo para produzir uma carta aberta. • Identifiquem o posicionamento do autor de cada texto da coletânea a respeito do controle e/ou da proibição da publicidade dirigida a crianças e adolescentes e os argumentos que essa pessoa utilizou para sustentar seu ponto de vista.

• Pensem em quem seria um destinatário direto adequado à carta aberta que escreverão para expressar seu ponto de vista. Pesquisem na internet se, no momento, há algum projeto de lei sobre o assunto sendo discutido na Câmara dos Deputados e/ou no Senado; se houver, vocês podem escrever aos membros dessas instituições legislativas. Outra opção é enviar a carta a um órgão público ou entidade que tenha um posicionamento oposto ao de vocês; por exemplo, se vocês são a favor da proibição da publicidade destinada a crianças e adolescentes, podem buscar expor seus argumentos à Associação Brasileira de Agências de Publicidade, que é contrária a ela. • Iniciem o texto indicando o local e a data. Incluam um título, para que o público em geral identifique o assunto, e depois dirijam-se polidamente aos destinatários específicos. Deixem claro, no(s) primeiro(s) parágrafo(s), quem são vocês (estudantes do Ensino Médio) e por que estão escrevendo a carta. • No desenvolvimento do texto, explicitem o ponto de vista escolhido por vocês e defendam-no com argumentos de tipos diversos. Além disso, prevejam argumentos contrários à tese defendida (contra-argumentação) e procurem refutá-los. • Na conclusão, vocês podem fazer uma síntese do que foi exposto ou solicitar medidas concretas do destinatário. Não se esqueçam de assinar a carta. • Como a carta é aberta, além de enviá-la diretamente aos destinatários, vocês devem buscar meios para que ela atinja o maior número possível de interessados. Vocês podem, por exemplo, postá-la no blog da classe, afixá-la nos murais da escola, enviá-la a jornais locais, etc.

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• Com base nessa análise e, se possível, na leitura de outros textos pesquisados por vocês, troquem ideias e formem uma opinião sobre a questão.

Texto 1

A publicidade deve ser proibida para crianças? [...] Sim As crianças não têm maturidade suficiente para se proteger da persuasão exercida pela publicidade, sendo facilmente seduzidas para o consumo. O Estado tem a obrigação de interferir para defender o público infantil dessa lavagem cerebral publicitária. Ainda mais quando esse estímulo é feito por meio de uma concessão, que é a televisão. Os abusos da publicidade contribuem para a obesidade infantil. Pesquisas comprovam a relação entre os comerciais de alimentos e o sobrepeso infantil. Um estudo do National Bureau of Economic Research, nos EUA, mostrou que, se os anúncios de redes de fast food fossem eliminados, o número de crianças gordinhas seria quase 20% menor. Com campanhas milionárias, repetidas à exaustão, a publicidade acaba anulando a autoridade dos pais, que ficam reféns das demandas consumistas criadas nos filhos. O resultado são crianças frustradas e em conflito com a figura paterna. A necessidade de regulamentar a publicidade infantil é um consenso mundial. [...]

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Não Não se pode privar um jovem de informação, seja de que tipo for. Ele só terá maturidade se for educado para ter uma visão crítica sobre tudo com o que entra em contato, como uma propaganda. Nesse sentido, a solução para controlar o consumismo infantil é a educação, e não a restrição. Se o mal fosse a exposição de produtos, deveríamos proibir também as vitrines em lojas. A obesidade não é causada pela propaganda, mas, sim, por uma série de fatores, desde socioculturais até genéticos. O que falta é uma boa educação alimentar. Não adianta impedir a publicidade de alimentos gordurosos se, em casa, a galera vê os pais enchendo a pança de frituras. Em um sistema democrático, não pode ser delegado ao Estado o poder de decidir sobre os hábitos de consumo de um indivíduo. A conscientização de uma criança nasce da boa orientação passada pelos pais, e não de uma norma imposta por decreto. [...] Ninguém questiona que as propagandas abusivas devam ser controladas. A questão é que já há mecanismos eficientes para isso no Brasil. O Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) tem uma resolução que trata do cuidado com o público infantil, e nosso Código de Defesa do Consumidor é um dos mais avançados do mundo. [...] Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/a-publicidade-deve-ser-proibida-para-criancas>. Acesso em: 20 dez. 2012. (Fragmento).

Texto 2

Liberdade, dignidade e publicidade Comecemos pelo belo conceito de liberdade perguntando-nos se tal princípio — que confere ao ser humano o direito de não ser coagido e também o dever de não coagir as demais pessoas — é absoluto ou relativo. Se for absoluto, não haverá situação na qual será correto privar alguém de alguma forma de liberdade. Se for relativo, haverá situações nas quais, por mais raras que sejam, a ausência de liberdade será legítima. Ora, é claro que o princípio da liberdade é relativo, pois depende do setor de atividade ao qual se aplica. Por exemplo, não temos a liberdade de matar nossos desafetos, nem de humilhá-los. Qual, então, é o princípio que limita o exercício da liberdade? É o princípio da dignidade, que confere ao ser humano o direito à integridade física e psicológica e ao respeito. [...] sublinhemos que a publicidade com objetivos de vender produtos ou serviços é uma forma de expressão bem particular. Logo, a ela não se aplica a liberdade de expressão concebida como direito de exprimir opiniões ideológicas, políticas, religiosas e outras. A publicidade da qual estamos falando não veicula opiniões, mas sim discursos que visam convencer os indivíduos a comprar. O alvo da publicidade não é o “bem” do consumidor potencial, mas sim o benefício da empresa que produz produtos ou oferece serviços. Logo, evocar a liberdade de expressão para justificar a ausência de limites para o discurso publicitário é tomar confortável e suspeita carona num valor essencial à democracia. Se a publicidade presta algum favor, é à economia de mercado e não à democracia. Yves de La Taille é professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e conselheiro do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. Autor de “Moral e ética – dimensões educacionais e afetivas” (Prêmio Jabuti 2007), atualmente ministra aulas de Psicologia do Desenvolvimento e desenvolve pesquisa na área de Psicologia Moral. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/economia/liberdade-dignidade-e-publicidade/> Acesso em: 20 dez. 2012.

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Texto 3

Disponível em: <www.cartacapital.com.br/sociedade/a-publicidade-infantil-em-debate/>. Acesso em: 20 dez. 2012. (Fragmento).

Revisão e reescrita Troquem o texto com outra dupla ou trio e comentem por escrito as questões abaixo. • A carta aberta apresenta um interlocutor específico e permite identificar o posicionamento dos remetentes? • Os argumentos são sólidos e estão articulados de modo coerente? • Há contra-argumentação e refutação? • O registro linguístico é formal, com obediência às normas urbanas de prestígio? • A estrutura da carta aberta foi observada: local, data, título, introdução (apresentação do produtor do texto e justificativa da apresentação da carta), desenvolvimento com argumentos, conclusão com síntese ou proposta para o interlocutor e assinatura dos remetentes?

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[...] A campanha “Somos Todos Responsáveis”, promovida pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade, trata a proibição como ineficaz. “Basta proibir sumariamente a propaganda dirigida para crianças de até 12 anos para protegê-las das tentações do consumo e de outros supostos riscos. Mas será que é mesmo simples assim? As crianças também deverão ser proibidas de ver as vitrines nos shoppings? Serão impedidas de mostrar o tênis e a mochila novos aos colegas de classe para evitar desejos consumistas?”, escreve a entidade na página oficial da campanha. Durante a audiência, o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, criticou a interferência do Estado nesse tema. “Esse projeto de lei não tem consenso. O Estado não pode desligar a internet ou proibir a viagem de crianças ao exterior. Vai acabar criando um sistema de castas, onde há aqueles com informação e aqueles sem”, disse. Costa afirmou ainda que são as mães que compram 70% dos brinquedos no Brasil. “A mãe sabe muito bem o que está fazendo. Eu prefiro confiar na mãe do que na ação do Estado para regular o que a família deve fazer. Eu prefiro o respeito à família brasileira”, destacou. [...]

O QUE VOCÊ APRENDEU NO PERCURSO DESTE CAPÍTULO A carta aberta é um gênero textual argumentativo por meio do qual um cidadão ou grupo de cidadãos expõe sua opinião a um interlocutor específico sobre determinado assunto de interesse público. As cartas abertas circulam em jornais, revistas, sites, blogs e em outros suportes variados, de modo que atinjam um grande número de pessoas interessadas no assunto. Na introdução, o produtor se apresenta e deixa claro o que provocou a produção da carta aberta, assim como seu posicionamento sobre o tema. A conclusão pode apresentar uma síntese do que foi exposto e/ou uma solicitação de medidas a serem tomadas pelo interlocutor. Diferentemente de cartas pessoais, a carta aberta tem título. O emprego de argumentos consistentes, a contra-argumentação e a refutação são fundamentais para realizar a intenção persuasiva desse gênero textual.

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Debatemos, entre outras razões, para trocar opiniões, para analisar um fato ou para solucionar um problema. Mas, antes, é preciso preparar e organizar o debate. Foto de 2011.

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São comuns situações de interação oral em que precisamos convencer nossos interlocutores de determinado ponto de vista. Em tais momentos, além de dominar o assunto discutido, temos de utilizar argumentos sólidos e coerentes. Neste capítulo, estudaremos o gênero textual oral debate público regrado, a fim de auxiliá-lo a participar de situações formais em que você seja solicitado a defender um ponto de vista ou justificar uma escolha. Em 2004, cinquenta brasileiros que se destacam em diferentes áreas reuniram-se para pensar o futuro do país, em um evento organizado pelo Instituto DNA Brasil, centro de estudos que propõe reflexões sobre vários problemas políticos, sociais e econômicos do país. Os debates foram divididos em plenárias e salas temáticas, mediadas por jornalistas ou convidados especiais. Leia a seguir a transcrição de um fragmento do debate de uma das salas temáticas: “Educação para quê?”. Na parte da manhã, o jornalista Paulo Markun foi o moderador desse debate, que se iniciou com a seguinte questão, proposta por um dos participantes, o educador e escritor Rubem Alves: “Quando se fala em educação, onde dói?”. As falas dos participantes estão na sequência de pronunciamento.

Rubem Alves (escritor e poeta): “Eu digo que o corpo carrega duas caixas. A mão direita, da destreza, carrega a caixa das ferramentas: todas as coisas que nós precisamos saber, que são operacionais, desde somar, diminuir, multiplicar, ler, que me dão competência para realizar o que tenho que fazer. Esse aprendizado está, sistematicamente, ligado ao entorno. Mas apenas isso — ter operacionalidade e, portanto, arranjar emprego — é algo pobre demais, porque a condição humana tem outra caixinha, que é a dos brinquedos. São coisas que não servem para nada, mas que dão felicidade. Por exemplo, ler a poesia de Adélia Prado, ler o Fernando Pessoa, aprender a gostar de música... São coisas banidas das nossas escolas porque não caem no maldito vestibular! [...] Desde o primeiro ano, tem-se que colocar as crianças em uma ‘escola forte’. E o que acontece: não tem tempo para teatro, música, literatura, pintura, porque essas coisas não caem no vestibular. [...]” Regina Casé (atriz) concordando com o escritor: “Fiquei horrorizada a ponto de tirá-la do colégio. Ela [a filha da atriz] não tem mais tempo para nenhuma das atividades que tinha anteriormente, porque está no colégio de manhã e à tarde. [...] A adolescência se transforma em uma época de preparação para o que

Em um debate público regrado, participante responsável por conduzir o evento e zelar pelo cumprimento das regras previamente acordadas.

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NAVEGUE Caso tenha interesse em conhecer um pouco mais desse encontro, acesse o link <www. ralstonsemler.org.br/ Fundacao/2010/?page_ id=23> e assista ao vídeo que fornece um panorama do evento com pequenas participações dos diferentes convidados.

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você vai ser no futuro. [...] E tem que escolher rápido e se preparar naqueles três anos para isso. Eu acho que é o período mais grave, em que a ausência de presença é absoluta. E de felicidade também.” Adélia Prado (poeta): “Desde o primário [fundamental I], o menino tem aquela mochila imensa, muito maior que as costinhas dele e ele tem que dar conta de carregar. São deveres e obrigações, e o menino fica alienado da própria vida em função da escola. Há falta de carga simbólica na educação. Essa carga tem relação com o sentido da vida. Para mim, a escola tem que ter uma unidade de sentido, onde o interesse maior fosse a vida (matemática para a vida, ciência para a vida, técnica para a vida) e a humanização do ensino (ensino para o homem). [...]” Rosiska Darcy de Oliveira (ativista feminista): “Primeiro sobre a empregabilidade: formar para quê? As profissões do futuro ninguém sabe quais serão, porque a combustão dos conhecimentos e a aceleração tecnológica são de tal ordem que não se sabe o que vai ser o mundo de amanhã. Então, existe uma margem de incerteza imensa no que concerne aos currículos. Segunda coisa: há uma hipótese de que haverá cada vez menos emprego. O emprego vai, se não desaparecer, diminuir de maneira extremamente ameaçadora. Nesse caso, a educação não estaria voltada necessariamente para o primeiro emprego, mas para uma vida plena. A terceira questão é: a educação será permanente ou não será educação. Se assim é, em que momento ela vai acontecer com as pessoas tão sobrecarregadas no trabalho, nas questões familiares... E, finalmente, qual o papel real da escola — feita para instruir, mas não necessariamente para educar. Essas coisas são nebulosas e, por isso, é difícil pensar não só a educação como um todo, mas a própria escola. Edna Roland (ativista contra a discriminação racial): “Todos os recursos produzidos por toda a sociedade são destinados a uma pequena parcela da população. Concordo com as críticas feitas ao vestibular e ele tem sido a barreira utilizada para que aqueles que recebem maior investimento, seja da sociedade, seja da sua própria família, possam entrar na universidade a partir de um instrumento que seria legítimo de definição do mérito. O vestibular serve para definir quem vai ocupar o lugar de poder na sociedade e quem vai ficar fora dos espaços de poder. A universidade pode não servir para muitas outras coisas, mas ela serve para demarcar lugares sociais. Se nós pensarmos em todos os cargos públicos, nos quais o termo ‘diploma universitário’ é o que legitima o funcionário, podemos ver para que o vestibular serve.” Isis Lima Soares (estudante): “Acho importante não esquecer dos movimentos da sociedade civil que constituem parte da educação não formal tão significativa. Acabei, por causa do maldito vestibular, entrando no cursinho [preparatório para os exames vestibulares] e nunca aprendi tanto na minha vida. [...] As aulas me dão uma visão geral das coisas, muito ampla, que me permitem entender muito, inclusive, do que estou ouvindo por aqui. Nesse sentido, acho importante passar por uma educação básica. [...] todos somos formados, desde pequenos, desde a barriga da mãe, pela televisão, pelo rádio, que estão em contato direto com a gente.” Fernando de Almeida (educador): “Meio de comunicação, partido político, cultura, teatro, está todo mundo educando e é preciso entender e assumir a função educadora de cada uma dessas entidades. De outro lado, tem a escola — na qual o Brasil ainda vai precisar ter qualidade para poder fazer o seu processo civilizatório. Ou cometeríamos o engano de jogar fora, nesse momento, o único instrumento que a maioria da população brasileira tem. No entanto, eu acho que a questão de qualidade dessa escola tem que ser desenvolvida para grandes quantidades. Qualidade para poucos é privilégio. Eu quero qualidade para todos. É possível. É só reverter a lógica da pedagogia de butique, que diz que só é possível ter qualidade para pouca gente. A escola tem uma função específica que é desenvolvimento do conhecimento científico, da ruptura, da arte, da poesia, das humanidades. A sociedade tem que reconhecer sua parte na educação.”

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Rosiska Darcy de Oliveira (ativista feminista): “Há discordância de que a escola deve ser para todos e de ótima qualidade?” Resposta geral: não. [...] EDINGER, Claudio; SÉ, Cinthia Sento. DNA Brasil: 50 brasileiros param para pensar a vocação do país. São Paulo: Instituto DNA Brasil, 2005. p. 105-108. (Fragmento).

SAIBA MAIS!

Às vezes, um debate é transcrito para ser publicado em um livro. Nesses casos, quem faz a transcrição geralmente elimina certas marcas típicas da oralidade, como hesitações (“hmmm...”, “é...”) e repetições ou omissões de palavras.

• Releia as falas dos participantes do debate e sintetize oralmente a resposta de cada um deles à pergunta de Rubem Alves: “Quando se fala em educação, onde dói?”.

E você, quando pensa em educação, “onde dói”? Qual dos debatedores expressou uma opinião mais parecida com a sua? Explique sua resposta.

Ao ler o fragmento da transcrição do debate, você pôde observar que os debatedores expuseram livremente seu ponto de vista sobre a questão motivadora. Nas sociedades democráticas, é comum os cidadãos participarem de situações em que são solicitados a defender uma opinião sobre determinado assunto de interesse social, cultural, etc., por isso é importante que você estude como se realiza formalmente a argumentação oral. Focalizaremos, agora, especificamente o gênero argumentativo oral debate público regrado.

Estudo do gênero

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ProvocAÇÃO

Há diferentes tipos de debate: o deliberativo, no qual os participantes trocam ideias com o objetivo de tomar uma decisão de interesse comum; o debate para resolução de problemas, em que se discutem hipóteses da solução de um problema; e o debate de opinião ou debate público regrado, em que se discutem opiniões controversas sem o compromisso de necessariamente chegar a um consenso. Debate público regrado é um gênero textual oral argumentativo em que os participantes, por meio de regras previamente acordadas, defendem um ponto de vista sobre determinado assunto e conhecem o ponto de vista alheio, tendo como objetivo último um maior conhecimento da questão.

Um debate público regrado se constrói em torno de uma questão polêmica, isto é, em função de um assunto que causa divergência de opiniões. A intenção de cada um dos debatedores é, por meio de argumentos consistentes, convencer os pares e o público de que seu ponto de vista é o mais adequado. Esse exercício argumentativo oral não admite, porém, conflitos desrespeitosos entre os participantes. Estes devem expor sua opinião, escutar a dos outros, refutar a posição contrária, podendo até mesmo reformular seu ponto de vista e, no fim, chegar a um consenso.

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Observe que, no fragmento lido, os participantes do debate apresentam algumas discordâncias e as defendem com argumentos: Edna Roland, por exemplo, diz que, embora concorde com as críticas feitas ao vestibular, acredita que ele seja uma forma de acesso ao poder. Como exemplo disso, ela recorda que, para exercer alguns cargos públicos, os candidatos necessitam de “diploma universitário”. Responda às questões em seu caderno.

Volte ao fragmento e transcreva outros exemplos utilizados pelos participantes para reforçar sua argumentação.

Nesse debate, os participantes chegam a um consenso. Qual é ele?

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Para ter uma participação que interesse à plateia e seja bastante informativa, cada debatedor precisa se preparar muito bem. Primeiramente, ele deve buscar saber quem serão os outros debatedores e também o perfil da plateia; em seguida, pesquisar sobre o assunto que será debatido, organizar as informações e, conforme a situação, preparar recursos audiovisuais (cartazes, slides, vídeos, etc.) para acompanhar sua fala. E, como debater é defender um ponto de vista, o participante deve estar atento aos recursos linguísticos que contribuem para uma boa argumentação.

A linguagem do gênero Durante o debate, os debatedores e o moderador empregam alguns procedimentos linguísticos para organizar o conteúdo a ser exposto ou para deixá-lo mais claro, ou ainda para passar a palavra a outro participante. Alguns mecanismos linguísticos que você estudou ao analisar gêneros argumentativos escritos são usados também no debate. Vamos retomá-los e conhecer outros mais específicos desse gênero. • Organizadores textuais Releia a fala da ativista feminista Rosiska Darcy de Oliveira e observe como ela emprega os organizadores textuais:

“Primeiro sobre a empregabilidade: formar para quê? [...] Segunda coisa: há uma hipótese de que haverá cada vez menos emprego. [...] A terceira questão é: a educação será permanente ou não será educação. [...] E, finalmente, qual o papel real da escola? [...]”.

• Expressões de esclarecimento O educador Fernando de Almeida, ao emitir sua opinião, explica que a escola brasileira não deve se contentar com uma “pedagogia de butique”. Observe como ele se vale de uma oração subordinada adjetiva explicativa para esclarecer esse conceito aos interlocutores:

“É só reverter a lógica da pedagogia de butique, que diz que só é possível ter qualidade para pouca gente. [...]” Além desses recursos, é comum nos debates o emprego de algumas expressões modalizadoras, isto é, que reforçam ou atenuam o ponto de vista do produtor: • advérbios: talvez, felizmente, certamente; • predicados cristalizados: é preciso, é necessário, é certo.

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Ainda convém ressaltar que, geralmente, os debatedores devem empregar um registro mais formal, a fim de conferir maior credibilidade à sua participação.

Não há dúvida quanto à revolução tecnológica decorrente do advento da internet, nem quanto ao poder dessa ferramenta e às transformações sociais que ela provoca. Os governantes de todos os países estão cientes disso, e muitos, como os do Brasil, buscam regulamentar seu uso. Outros, inseguros com os efeitos que essa ferramenta possa causar, controlam o acesso dos usuários à rede. Para refletir sobre esse assunto tão significativo que envolve toda a sociedade, você e seus colegas vão debater a seguinte questão: “A internet deve ser livre ou é preciso regulá-la?”. Nos textos a seguir, você encontrará informações e argumentos para se posicionar a favor ou contra o controle da internet. Após a leitura, assuma uma posição sobre o assunto e integre o grupo dos colegas que fizeram a mesma opção. O debate pode ser apresentado para toda a comunidade escolar: professores, diretor, serventes, bibliotecário e outros funcionários, além dos pais dos alunos envolvidos. Se isso não for possível, você e seus colegas poderão dispor as carteiras da classe ou da biblioteca em forma de “U” para que os debatedores de cada grupo fiquem bem visíveis à plateia.

Texto 1

“É bom que os governos tenham medo das pessoas” Há sete meses refugiado na Embaixada do Equador em Londres, [o] ativista [Julian Assange, fundador do WikiLeaks, organização não governamental responsável pela publicação de documentos governamentais sem autorização] fala ao “Estado” sobre internet e liberdade de expressão. [...] A web está numa encruzilhada? Tecnologia produz poder, a ponto de a história da civilização humana ser a história do desenvolvimento de diferentes armas de diferentes tipos. [...] Todas as sociedades que têm qualquer desenvolvimento tecnológico, que são as sociedades influentes, se fundiram com a internet. A internet é hoje o alicerce da sociedade que conecta os Estados além das fronteiras. Conhecimento é poder. Outras coisas também são poder, mas ela deu muito poder a pessoas que antes não tinham. Agindo contra essa força está a vigilância em massa criada por parte do Estado.

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Produza seu debate regrado público

De que forma ocorre essa vigilância? [...] Colocamos nossos pensamentos mais íntimos na internet, detalhes, como o diálogo entre marido e mulher e até nossa posição geográfica. Enfim tudo é exposto na internet. Isso significa que grupos envolvidos na vigilância em massa realizam uma apropriação enorme desse conhecimento. [...] Na África do Sul, há um sistema desenhado para gravar de forma permanente todas as ligações que entram e saem do país e as estocam por apenas US$ 10 milhões ao ano. [...] Muitos acreditam que a Primavera Árabe [onda popular de revoltas que eclodiu em 2011 em vários países árabes contra governos ditatoriais] só ocorreu graças à internet. O que o sr. acha?

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Há uma série de histórias de um longo trabalho de ativistas, sindicatos e até clubes de futebol que tiveram um papel importante na Tunísia e no Egito, os Ultras. O ativismo pan-arábico é algo novo e potencializado pela web. [...] [...] Mas a censura na China, no Irã e em Cuba não mostra que a web é mais ameaçadora para esses regimes que para os civis? Pessoas censuram por um motivo. Porque têm medo ou querem ter mais poder. Normalmente, eles querem manter o poder. O Irã censura porque teme que iranianos sejam influenciados por material de fora do país. [...] Mas acho saudável que governos tenham medo das pessoas. É ótimo que a China esteja com medo do que sua população pense. A China baniu o WikiLeaks em 2007. Pelo que sabemos, foi o primeiro país a bani-lo. [...]

Investigue em

• História • Geografia • Sociologia Quais foram as consequências da Primavera Árabe?

O Estado de S. Paulo, 3 fev. 2013, A12 — Internacional. (Fragmento).

Texto 2

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Entenda o Marco Civil da Internet e como ele muda sua rotina na web Entenda o que é o projeto de lei e o que ele pode mudar na sua rotina diária pela web: O que é o Marco Civil da Internet?
 O Marco Civil tem a intenção de reunir os princípios que vão guiar as leis e futuras decisões envolvendo a internet no Brasil, o que inclui uma série de princípios fundamentais. De acordo com o Ministério da Justiça, o projeto “estabelece direitos e responsabilidades de usuários, provedores e poder público no uso da internet”. “O principal ponto é que ele regula as questões básicas da internet. Ele vem fazer uma fundação, para depois haver a criação de projetos específicos. Guardadas as devidas proporções, é como se fosse uma constituição da internet”, explica Marcio Cots, advogado especialista em Direito Digital da Cots advogados. Segundo ele, serão criados alguns princípios básicos, como a não intervenção do Estado na internet, que seja um ambiente livre e democrático. A proposta foi elaborada em conjunto com a população, que pode fazer observações no texto por meio da internet. O ministério afirma que foram recebidos mais de 2,3 mil comentários, que resultaram no texto enviado ao poder executivo no congresso em 2011. [...] Quais são os pontos mais polêmicos do projeto, como ele é hoje?
 O ponto mais polêmico, segundo os advogados consultados pelo G1, é a questão de retirada de conteúdos da internet. “Isso envolve questões como a liberdade de expressão e o julgamento do que deve sair do ar”, explica Cots. Renato Ópice Blum, advogado especializado em direito digital, conta que o artigo 15 do projeto que foi submetido à comissão diz que os provedores de conteúdo só serão responsabilizados pela não retirada de um conteúdo do ar se a vítima tiver obtido uma ordem judicial para a remoção. “Hoje em dia, você manda um e-mail na hora que você tem o conhecimento do conteúdo prejudicial. O provedor recebe e retira, porque ele sabe que a jurisprudência diz que ele tem que agir assim que souber, ou pagará indenização”, explica Ópice Blum. Para ele, o maior problema da necessidade da ordem judicial é o tempo: “Na melhor das hipóteses, isso leva de dois a três dias”. Na internet, o conteúdo se espalha em poucos minutos.

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Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/ 2012/07/entenda-o-marco-civil-da-internet-e-como-ele-mudasua-rotina-na-web.html>. Acesso em: 13 fev. 2013. (Fragmento).

Texto 3

3 de dezembro de 2012 • 14h40 • atualizado às 14h56

Dilma sanciona “lei Carolina Dieckmann”, que pune crimes na web A presidente da República, Dilma Rousseff, sancionou a lei que tipifica os crimes cometidos pela internet. A lei pune com multa a até três meses a um ano de prisão. A presidente não vetou nenhum artigo do texto. A presidente aprovou o texto sem vetos na sexta-feira, e a publicação no Diário Oficial da União aconteceu nesta segunda-feira. A lei foi apelidada de Carolina Dieckmann já que a repercussão do vazamento de fotos íntimas da atriz, após a invasão de seu computador, em maio, acelerou a aprovação do projeto. O assunto era discutido no Congresso há mais de uma década. Pelo projeto aprovado, fica configurado como crime invadir o computador, celular, tablet e qualquer outro equipamento de terceiros, conectados ou não à internet, para obter, destruir ou divulgar dados sem a autorização do dono do aparelho. As penas para o crime variam de multa a até um ano de prisão. Também serão punidos aqueles que produzirem programas de computador para permitir a invasão dos equipamentos. Caso a invasão do equipamento resulte em divulgação de dados privados, segredos comerciais e industriais e informações sigilosas, a pena aumenta para seis meses a dois anos de prisão, além da multa. Se o crime for cometido contra autoridades como presidente e vice do Executivo, Legislativo e Judiciário, governadores, prefeitos ou presidentes e diretores de órgãos públicos, a pena aumenta em 50%. [...]

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Cots afirma que a justiça como um todo vai dar uma resposta do que é razoável ou não diante do Marco. Ópice Blum também vê uma polêmica em o que diz ser uma contradição no artigo 5 do projeto. “O legislador definiu o que é um registro de conexão (o número de IP da máquina) e um registro de acesso, que é guardado por aplicações como o Facebook ou o Twitter. Mas, no lugar de fazer duas definições distintas, houve um erro na redação e ficou tudo a mesma coisa”, explica. Ele afirma que espera que o erro técnico seja resolvido. O advogado também conta que o Marco estipula que os provedores de internet (a Net e o Speedy, por exemplo) guardem dados dos usuários por um ano, enquanto os provedores de aplicações (o Facebook e o Orkut, por exemplo) só podem manter as informações se o usuário concordar com isso. “Você acha que alguém que está fazendo algo errado vai deixar que o Facebook guarde suas informações?”, questiona. [...]

Disponível em: <http://tecnologia.terra.com.br/internet/ dilma-sanciona-quotlei-carolina-dieckmannquot-que-punecrimes-na-web,f3181ff7ed58b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>. Acesso em: 13 fev. 2013. (Fragmento).

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Texto 4

À caça da internet [...] O fim da neutralidade ameaçaria ainda uma das características marcantes do universo virtual, a criatividade. A internet desenvolveu-se e chegou ao que é por ser livre, sem exigir permissão para pesquisar novos códigos, propor serviços, publicar conteúdos. “Posso ler e replicar, isso proporciona a capacidade comunicativa das pessoas, permite a democratização da cultura, essa é a grande revolução da internet”, afirma o procurador da República Marcio Schusterschitz, do Grupo de Trabalho Tecnologias da Informação e da Comunicação. [...] Carta Capital, ano XVIII, n. 735, 13 fev. 2013, p. 21. (Fragmento).

Etapas na preparação para o debate Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1. Pesquisa sobre o assunto escolhido • Antes de juntar-se ao grupo com o qual compartilha sua opinião, pesquise mais sobre o assunto em fontes diversas: jornais, revistas, livros, internet (lembre-se de, nesse caso, buscar sites confiáveis, como os de órgãos oficiais, universidades, veículos de imprensa, etc.). • Destaque as informações mais importantes encontradas e formule paráfrases. • Procure dados estatísticos, depoimentos, citações que possam ajudar você a construir sua argumentação e anote-os. 2. Ensaio • Depois de se prepararem individualmente, organizem-se em grupos segundo a posição assumida. Troquem ideias e coloquem por escrito o ponto de vista (tese) que o grupo pretende defender e os principais argumentos que fundamentarão esse ponto de vista. Nesse momento, é importante que todos participem recorrendo à pesquisa que fizeram previamente. • Decidam quais de vocês participarão efetivamente do debate. Cada grupo pode, por exemplo, escolher três ou quatro debatedores, conforme a orientação do professor. • Realizem alguns ensaios e, se possível, gravem-nos para avaliar o desempenho dos debatedores. • Lembrem-se de que ensaiar um debate é diferente de ensaiar um seminário; assim, durante o ensaio, os outros elementos do grupo devem escutar a defesa dos debatedores escolhidos e refutar seu posicionamento com contra-argumentos, para que eles exercitem sua argumentação. • Verifiquem se os debatedores se expressam com clareza, fundamentam bem sua opinião e se empregam os recursos linguísticos adequados. 3. Escolha e preparação do moderador Sob a coordenação do professor, escolham um ou mais moderadores para o debate. No dia do evento, o(s) moderador(es) deverá(ão): • de início, cumprimentar o público e apresentar (rem) -se e aos participantes; • comunicar as regras do debate: a ordem da participação, de quanto tempo cada debatedor disporá, o momento e as formas de participação da plateia;

PARA LEMBRAR

Alguns operadores argumentativos que introduzem: • conclusão: logo, portanto, por conseguinte, então, etc. • argumentos que levam a conclusões diferentes ou opostas: ou, ou então, seja... seja etc. • ideias contrárias: mas, porém, todavia, embora, apesar de, ainda que, etc.

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• durante o debate, interferir (se combinado) na discussão para deixar mais clara ao público a argumentação dos debatedores ou para pedir ao debatedor que esclareça alguma terminologia ou conceito empregados; • ao final da discussão, sintetizar os posicionamentos assumidos e, se for o caso, o consenso a que se chegou; • encaminhar as perguntas do público para os debatedores; • finalizar o evento, agradecendo pela participação de todos e pela atenção da plateia. 4. Realização do debate • No dia e horário combinados, cheguem ao local da apresentação do debate com antecedência. Verifiquem se os lugares para os debatedores, o moderador e a plateia estão organizados e se a localização permite a visualização de todos. • Todos os membros do grupo devem estar atentos ao debate a fim de auxiliar os colegas sempre que necessário.

Avaliação da produção Depois da realização do debate, é essencial que você e seus colegas façam uma autoavaliação sobre a produção do grupo. Esse momento é tão importante quanto os anteriores, pois as reflexões sobre o trabalho garantirão que sua participação em futuros debates seja ainda melhor. Na avaliação, considerem os critérios a seguir. 1. Sobre a organização do trabalho • Foram feitas leituras para o debate? • O grupo procurou informações em outras fontes além das fornecidas pelo professor? • As tarefas ficaram prontas nas datas estipuladas? 2. Em relação ao debate • Os argumentos empregados pelos debatedores foram claros e coerentes?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Caso a plateia seja grande, os participantes devem ficar em pé e dirigir-se a ela durante o debate. Lembrem-se de que alguns gestos mantêm a atenção do público, mas o excesso deles prejudica o foco do assunto exposto. Nada deve desviar a atenção do auditório.

• Os debatedores tinham clareza dos argumentos a serem empregados no debate? • Os debatedores fizeram uso dos recursos linguísticos estudados? • Os debatedores responderam às questões da plateia com adequação e segurança? • O tom de voz e a expressão gestual adotados contribuíram para a clareza da apre- sentação?

O QUE VOCÊ APRENDEU NO PERCURSO DESTE CAPÍTULO Debate regrado público é um gênero oral por meio do qual se discute uma questão polêmica com vistas a conhecer melhor o tema discutido. A intenção comunicativa dos debatedores é convencer os demais participantes e também a plateia de que seu ponto de vista é o mais adequado. Para que essa intenção se realize, é necessário que o debatedor empregue argumentos consistentes e bem-formulados. Durante a apresentação dos argumentos, o debatedor faz uso de organizadores textuais e expressões esclarecedoras; e, além disso, faz referência à fala dos outros participantes. O moderador tem a função de conduzir o debate e zelar para que suas regras sejam cumpridas.

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