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nº36 Novembro/Dezembro 2009

O QUE VAI VESTIR? QUAL O TEMA DE HOJE? EM QUEM VAI VOTAR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES? O QUE VAI COMPRAR QUANDO FOR ÀS COMPRAS? SÃO PERGUNTAS QUE A TELEVISÃO NOS RESPONDE TODOS OS DIAS DE FORMA DISSIMULADA. E SE DUVIDA DO QUE LHE DIZEMOS ENTÃO PARE PARA PENSAR UM POUCO E ANALISE BEM AQUELA CAIXA QUE TEM EM SUA CASA E QUE ESTÁ SEMPRE A COMUNICAR CONSIGO.


FICHA TÉCNICA Director Fernando Parreira Rosa Presidente da FENACOOP Secretário Geral José Luís Cabrita Conselho Editorial João Machado, António Joaquim Neto, Paulo Jorge Giga, José Jerónimo Teixeira, José Inácio Costa, João Nuno Sequeira, Aldemiro José Dionisio, Jorge Manuel Santana

Destaques desta edição PÁGINAS

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Redacção Cláudio Delicado, Rui Nobre Colunistas Ana Coelho, Armando Dias, Carla Espada, Chaleira Damas, Faustino Cordeiro, João Pedro Nobre, Joaquim Judas, José Augusto Paixão, Maria João Lima, Patrícia Gomes, Raquel Santos, Rodrigo Gouveia, Carlos Pena

Redacção E Serviços Administrativos Avª. António Sérgio - Terroa 2910-404 Setúbal Tel.: 265 799 000 Fax: 265 799 009 E-mail: ecoop@consumo-pt.coop Propriedade Fenacoop – Federação Nacional das Cooperativas de Consumidores, FCRL Avenida Santos Dumont, 57, 2º. Esqº., 1050-202 Lisboa Telef.: (351) 218 123 525 (351) 265 799 059 Fax: (351) 265 701 159 E-Mail: fenacoop@consumo-pt.coop Web Site: www.consumo-pt.coop

A Nossa Terra «Cartão Social Mor Solidário» valoriza o papel da cooperativa na vida local

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Impressão Tipografia Belgráfica Ldª Rua da Corça - Quinta de São Pedro 2860-051 Alhos Vedros Depósito Legal: 11843/97 N.º Contribuinte: 500 82 10 70

Com o apoio de: IC - Instituto do Consumidor

www.consumo-pt.coop

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O «Cartão Social Mor Solidário» criado pela Câmara Municipal de Montemor-o-Novo visa o apoio directo a unidades familiares que carecem de apoio social, serão cerca de 2000 pessoas que irão beneficiar dos apoios sociais. O projecto conta com as cooperativas de Consumo de Montemor-o-Novo como parceiros estratégicos na sua implementação.

Grafismo Alexandra Antunes xana.antunes@gmail.com

Tiragem 15.000 exemplares Impressão em papel 100% reciclado Preço de capa: 1 Euro

A Actividade Reguladora é possível em Portugal? Em Portugal, os passos dados para uma real independência da maioria das entidades que exercem um poder regulatório, deixam-nas longe ainda desse objectivo. E os organismos, ditos “reguladores”, mas que exercem essa função, real e praticamente sobre tutela do poder político, também não têm previsto, no seu funcionamento, uma participação activa das organizações que representam os consumidores.

Editor António Sousa Pereira

Relações Públicas Natacha Costa

Nós os consumidores

Consultório Tabagismo - Um problema de saúde com solução Os fumadores regulares perdem, em média, 10 anos de esperança de vida em relação aos não fumadores. Cerca de metade dos fumadores regulares morrem devido a doenças provocadas pelo consumo do tabaco, sendo que, em cerca de um quarto deles, a morte ocorre entre os 25 e os 69 anos.

Manual Coop Cooperativismo e voluntariado - duas faces da solidariedade Cooperativismo e Voluntariado são duas designações que se cruzam, expressando a ideia de entreajuda e solidariedade. Quando pensamos em alguém voluntário pensamos em alguém que se oferece, motivado pela sua própria vontade, para servir uma causa. Fiéis à sua identidade, as Cooperativas de Consumidores preservaram espaços de participação democrática e voluntária, considerando como enriquecedores os contributos vindos de fora da estrutura profissional.

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Cooperativas - uma força de promoção da cidadania

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nos momentos de crises e dificuldades que, muitas vezes, são geradas as condições que permitem uma reflexão e uma acção conjunta na procura de soluções. Se olharmos para trás, para o nosso passado recente, na prática da nossa acção cooperativa, verificamos que foram os desafios que abriram as portas para o caminho que temos vindo a percorrer, um caminho que não tem sido fácil, mas que, na realidade, permitiu que o nosso imenso património, um legado de sonhos e esperanças de muitas gerações, continue a estar activo e ao serviço das comunidades. Se pensarmos nas nossas vivências, facilmente compreendemos que superámos todas as dificuldades, tendo como linha de força o desenvolvimento de acções integradas, na vida associativa e na vida empresarial, assumindo uma cultura cooperativa, marcada por duas dinâmicas essênciais – consolidar a vida empresarial, mantendo e reforçando a unidade do grupo COOP; agindo nas comunidades através da nossa acção associativa, quer ao nível da defesa dos direitos dos consumidores, quer intervindo como agentes de dinâmicas locais e regionais. Vivemos a nossa cultura cooperativa com transparência, estabelecendo parcerias com autarquias, com associações locais, valorizando sempre a importân-

cia de uma economia social, onde acima de tudo, está sempre presente a responsabilidade social das cooperativas, como força de promoção da cidadania. O nosso projecto tem sido ele mesmo uma lição de vida, de partilha de experiências, de gestão rigorosa, apostada na modernização, na valorização dos direitos dos trabalhadores, na implementação de propostas de acção cultural, de defesa do ambiente, de defesa dos consumidores, apostando sempre na construção de uma sociedade sustentável. Vivemos tempos de crise. Que fazer? Cruzar os braços? Perder a confiança no nosso projecto? Criar culpados? Evitar o debate dos problemas e recusar a procura de soluções, como se vivêssemos num beco sem saída? Não ! A hora é de, à nossa maneira, à nossa forma de estar e ser cooperativistas, temos que unir esforços, avaliar os resultados, repensar as experiências, travar um debate aberto livre, porque, todos nós, nas cooperativas sabemos que somos cidadãos livres, porque aderimos de forma voluntária a um projecto com valores e com princípios. Sabemos o que queremos. Sabemos para onde vamos. Temos que discutir. Mas feita a discussão temos que realizar. Se ficarmos a vida a pensar como vivemos e como devíamos ter feito, amanhã podemos apenas estar a pensar naquilo que devíamos ter feito e não fizemos no momento próprio. Na nossa experiência comum temos essa lição, sempre que adiámos deci-

sões, perdemos tempo para construir o futuro. Este é um tempo de motivação. A crise a nível mundial diz bem que as cooperativas são um exemplo para a humanidade, ainda este mês, no Congresso Mundial da ACI, onde tive a honra de participar, as cooperativas demonstraram que são um exemplo de cultura humanista e de gestão rigorosa. Pela nossa proximidade com a vida. Pelas energias que somos portadores. Pela herança que temos nas mãos, recebida de homens e mulheres que acreditaram num mundo melhor e mais justo, este é um tempo que nos exige – trabalho colectivo, promoção da entreajuda e uma motivação acrescida. Criar estabilidade para o desenvolvimento do projecto cooperativo é sermos capazes de perceber que, na verdade, só juntos é que somos a força dos consumidores. Temos ideias. Temos projecto. Temos valores. Temos cultura empresarial de qualidade. Temos uma energia associativa única e exemplar na acção que mantemos nas comunidades. O que falta? Continuarmos de forma solidária e exigirmos do poder político que respeite a nossa acção e que crie condições para que as cooperativas não sejam discriminadas de forma negativa. É hora de prosseguirmos de forma activa, responsável e solidária. Fernando Parreira Presidente da FENACOOP

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EU TV

O QUE VAI VESTIR? QUAL O TEMA DE HOJE? EM QUEM VAI VOTAR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES? O QUE VAI COMPRAR QUANDO FOR ÀS COMPRAS? SÃO PERGUNTAS QUE A TELEVISÃO NOS RESPONDE TODOS OS DIAS DE FORMA DISSIMULADA. E SE DUVIDA DO QUE LHE DIZEMOS ENTÃO PARE PARA PENSAR UM POUCO E ANALISE BEM AQUELA CAIXA QUE TEM EM SUA CASA E QUE ESTÁ SEMPRE A COMUNICAR CONSIGO.

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ierre Bourdieu, um sociólogo francês, publicou em 1996 o livro “Sobre a Televisão” onde procurou, através de uma análise crítica, comparar os parâmetros que regem o jornalismo televisivo relacionando-o com a procura incessante das televisões pela mais ampla audiência, assim como as consequências desta determinação na manipulação dos telespectadores. Não podemos, de forma alguma, ignorar que essa manipulação inicia-se na própria estrutura do jornalismo televisivo, desde

o director da emissora, aos editores, aos publicitários, aos jornalistas e aos apresentadores. Todos eles têm por base um sólido sistema que é sensível a influências: políticas, económicas e sociais e que são sujeitas a fortes exigências do mercado. A informação não é altruísta, pelo menos aquela que nos chega todos os dias. Ela tem como base a procura dos melhores e maiores índices de audiência e tabelas de ‘share’ às quais a população desconhece o sentido. Desta forma, todos os programas televi-

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sivos estão sujeitos a fortes pressões dos anunciantes, pois são esses que controlam o mercado. Quantas vezes pensou que o separador da publicidade é demasiado extenso? E quantas vezes se repetiu o mesmo anúncio durante o tempo destinado à publicidade? Já reparou na larga utilização de bens e serviços de consumo que as séries juvenis publicitam enquanto que o seu carácter principal é de entretenimento e não de publicidade? Tornar todos os comportamentos homogéneos é sem dúvida um dos objectivos da nossa sociedade de consumo. Se todos consumirmos o mesmo significa que há bens e serviços que atingem vendas exuberantes. Assim como “calha mesmo bem” todos pensarmos o mesmo e esquecermos todos, ao mesmo tempo, assuntos que não interessam aos altos cargos de chefias de um país. É seguindo este pensamento que extraímos o conceito de homogeneização do pensamento e para exemplificá-lo temos a tendência das estações televisivas para copiar programas que obtiveram muitas audiências, principalmente em emissoras estrangeiras, e que muitas vezes acabam por não obter sucesso no nosso país. A televisão é o meio de comunicação que mais atinge a população e que difunde maneiras de ver e pensar. Quando carrega no botão da sua televisão e pára para ver um programa, independentemente do seu conteúdo, é influenciado por ele, pois nada do que é divulgado na tela é ao acaso. Muito se debate sobre o papel da televisão nas várias áreas do conhecimento e o risco na manipulação de comportamentos que colocam em causa a própria democracia. A TV que deveria ser para informar toma assim um papel de construtor de realidades e produção simbólica que incentiva ao espírito acrítico (aquele que não questiona). A sociedade de consumo, onde vivemos hoje em dia, permite aos mass media a selecção de informação baseada no sensacionalismo e desta forma os jornalistas estão constantemente pressionados pelo “furo jornalístico” mesmo que este não seja positivo. É a caixinha mágica que tem menos de 50 anos de existência que marca a agenda de acontecimentos. Só depois de ser lançado na televisão é que é notícia. Ana Coelho


OS USOS E ABUSOS DA TV PODEM SER CRITICADOS? Como começa a ser compreendido por uma opinião pública mais esclarecida a televisão é hoje um crescente instrumento de manipulação, ao serviço de interesses económicos e políticos. Como cidadãos esperaríamos que aquilo que são as rádios e televisão públicas estivessem sempre numa linha diferente e a prestar realmente um serviço à comunidade. Lamentavelmente isso nem sempre está acontecer.

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eja qual for o país da União Europeia, constata-se que as televisões, propriedade de grandes grupos económicos, orientam as suas emissões não segundo directivas de prestação de serviço público, mas principalmente para a obtenção duma mais elevada percentagem de telespectadores. Evidentemente que isso se destina a fazer passar uma crescente publicidade de produtos, muitas vezes sem obedecer às regras estabelecidas pelos códigos de publicidade. Em Portugal, isso é mais que evidente nas emissões das empresas privadas. E na televisão pública? Na verdade, em princípio a televisão pública deveria “apresentar uma programação que promova a formação cultural e cívica dos telespectadores, garantindo o acesso de todos à informação, à educação e ao entretenimento de qualidade”, é o que diz expressamente o

art.º 51.º da Lei da Televisão em vigor. Mas basta seguir a programação da RTP, nos dois canais livres, para ver que nem sempre tal acontece. E porquê? Porque muitas vezes há uma preocupação abusiva de obter a maior classificação na percentagem de telespectadores e, por isso, esquecem-se as regras legais… E o Conselho de Opinião? Bem, como é sabido, quer a RDP quer a RTP tiveram Conselhos de Opinião que assumiam um papel importante na crítica à Administração e influíam mesmo na sua composição. Com o andar dos tempos, os poderes políticos resolveram diminuir o controlo da chamada Sociedade Civil. Primeiro, para salvar da crise financeira a RTP, juntaram a RDP e a RTP e criaram a chamada “Rádio e Televisão de Portugal”, alienando o rico património da primeira.

Quanto a Conselhos de Opinião passou a existir só um e no final da reestruturação da nova “RTP”, efectuada em Fevereiro de 2007, na nova composição desse Conselho foi diminuída a presença dos representantes da Sociedade Civil e aumentada a participação dos representantes dos orgãos políticos. E, pior ainda: as cooperativas e associações foram excluídas (ver ECOOP n.º 23, de Junho de 2007). Restou, felizmente, uma medida que nesse período transição tinha sido conseguida: a criação dos Provedores, do Ouvinte e do Telespectador. Estes são agora a melhor via, senão a única, com alguma eficácia, para lançar o nosso protesto contra os usos e abusos da rádio e da TV públicas. Quanto às privadas… bem, há uma entidade reguladora… mas alguém dá conta disso? Faustino Cordeiro

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Vereador João Marques, Câmara Municipal de Montemor-o-Novo

Ser solidário na solidariedade é afinal a grande dimensão do Programa «Mor Solidário» O concelho de Montemor-o-Novo tem uma população na ordem dos 18 mil habitantes, os índices de pobreza estão dentro das metas de âmbito nacional, embora se venha a registar um ligeiro aumento, assim como um aumento dos índices de desemprego.

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Câmara Municipal de Montemoro-Novo atenta ao evoluir da situação, quer prevenir e no seu programa de acção social, implementou, recentemente o «Cartão Social Solidário», um projecto para o qual contou com a parceria das cooperativas de consumo. Estratégia de intervenção na área social O vereador João Marques, da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, responsável pelo pelouro dos Assuntos Sociais, referiu a ECOOP, que a autarquia, desde há alguns anos tem desenvolvido programas de intervenção na área social. Recentemente a autarquia iniciou o Programa «Mor Solidário», uma iniciativa que procura encontrar respostas, no dia a dia, ao evoluir de situações sociais resultantes da crise financeira que afecta o mundo e Portugal. O vereador João Marques, sublinhou que a acção desenvolvida em torno do Programa «Mor Solidário» é dinamizada em diversos eixos de intervenção, nomeadamente na procura de contenção do aumento do desemprego, na implementação da habitação social, na recuperação de habitação degradada, ou até, na acção social escolar. “O Programa «Mor Solidário» visa sistematizar a estratégia de intervenção na área social que nós desenvolvemos há

diversos anos” – sublinhou o Vereador João Marques. «Cartão Social Mor Solidário» No âmbito do Programa Integrado de Apoio Social «Mor Solidário» foi criado o «Cartão Social Mor Solidário», que, segundo salienta o Vereador João Marques - “visa o apoio directo a unidades familiares, no seu contexto global, que carecem de apoio social”. “A Câmara presta um conjunto de serviços que pode beneficiar os munícipes que possuem este cartão social, as taxas, acesso a programas do município, acesso a equipamentos, mas, obviamente, nós pretendemos que não seja só a Câmara a intervir, e, nesse sentido, apelámos a sectores da comunidade, quer na área do comércio, quer na área de oferta de pro-

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dutos, que também possam, de alguma forma, ser solidários com estas famílias carenciadas, beneficiando-as com base em contratos que possam ser estabelecidos com a Câmara” – sublinha o Vereador João Marques. Cooperativas sector estratégico A Câmara Municipal de Montemor-oNovo apresentou o programa do «Cartão Social Mor Solidário» a diversas instituições do concelho. As Cooperativas de Consumo foram dos primeiros parceiros a integrar o Programa – “há sectores que são estratégicos e, obviamente, as primeiras necessidades são uma prioridade, naturalmente, neste caso, estamos a falar dos produtos de consumo, como a alimentação ou a saúde” – refere o Vereador João Marques, acrescentando - “por


esta razão as cooperativas são um parceiro privilegiado, quer pela sua acção junto aos cooperantes, quer pela sua proximidade às comunidades onde estão inseridas, até, pela capacidade de gerirem a sua participação neste programa”. Cooperativas são solidárias O autarca salienta que as cooperativas de consumo, no concelho de Montemor-oNovo, desenvolvem uma importante actividade social e de ligação às populações. “A lógica de acção cooperativa cada vez tem mais importância na vida das comunidades, pelos serviços que prestam, pelo seu envolvimento e pela justiça social que dinamizam com a sua actividade social” – salientou o Vereador João Marques. O autarca refere que as Cooperativas são um parceiro importante neste programa no apoio às famílias. “Nós acordámos com as cooperativas o fornecimento de bens às famílias, os quais a Câmara paga, mas, dentro daquilo que a autarquia deve pagar, com um preço justo, nós apelamos à solidariedade da coopera-

tiva, dentro das suas capacidades, expressam a sua solidariedade, estabelecendo uma margem de desconto, que é, de certa forma, uma maneira das cooperativas também contribuírem neste programa de solidariedade” – sublinhou o Vereador João Marques. Apoio a cerca de 2000 pessoas O programa está em marcha, uma iniciativa que conta com o apoio e cooperação das cooperativas de consumo de Montemor-o-Novo. Igualmente as Farmácias do concelho estão a participar no programa. “O objectivo é alargar o programa aos mais diversos tipos de entidades. Para nós será importante estabelecer parcerias com produtores locais” – sublinhou o autarca. Pelos estudos elaborados, refere o vereador João Marques serão cerca de 2000 pessoas que irão beneficiar dos apoios que venham a ser atribuídos pelo «Cartão Social Mor Solidário». A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo no seu orçamento conta com verbas superiores a 1 milhão e 600 mil euros, verba

que se destina a apoiar os diversos eixos de apoio, desde a acção social escolar, passando pelo apoio à habitação e para a implementação do «Cartão Social Mor Solidário». Ser solidário na solidariedade é afinal a grande dimensão do Programa «Mor Solidário» que visa o desenvolvimento de uma acção integrada e solidária, envolvendo agentes locais em parceria com a Câmara Municipal. E, neste tempo complexo, as Cooperativas de Consumo em Montemor, estão na linha da frente, sendo das primeiras entidades a expressar o apoio solidário. António Sousa Pereira

Aldemiro Dionísio, presidente da Direcção da Cooperativa Popular de Consumo do Concelho de Montemor-o-Novo

Valorizar o papel da cooperativa na vida local Dar forma à acção cooperativa

Esta iniciativa da Câmara veio mesmo ao encontro de dar forma à nossa acção associativa, no apoio à comunidade, valorizando o papel da cooperativa na vida local.” – sublinha Aldemiro Dionisio, presidente da Direcção da Cooperativa Popular de Consumo do Concelho de Montemor-o-Novo.

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ldemiro Dionísio, presidente da Direcção da Cooperativa Popular de Consumo do Concelho de Montemor-o-Novo, em conversa com ECOOP, sublinha a sua satisfação pelo facto das cooperativas de consumo serem parceiras no programa «Mor Solidário». “Nós, as sete cooperativas do concelho de Montemor, somos os primeiros a participar neste programa que é importante, quer para ajudar as famílias, quer para trazer as pessoas ao encon-

tro das cooperativas – refere Aldemiro Dionísio. As cooperativas vão fazer a recepção de vales de compras que são atribuídos pela Câmara Municipal de Montemoro-Novo às famílias que são abrangidas pelo «Cartão Social Mor Solidário». “A cooperativa como forma de participar no programa decidiu atribuir um desconto de 3%, em produtos de primeira necessidade, que irá beneficiar as famílias abrangidas pelo cartão” – salienta Aldemiro Dionisio.

No concelho de Montemor-o-Novo existem actualmente 8 cooperativas de consumo, com 9 lojas, envolvendo 3.600 cooperantes, pela sua proximidade e distribuição geográfica pelo concelho, são parceiros privilegiados na implementação de um programa social, inédito e que pode ser uma referência a nível nacional. “Nós procuramos desenvolver acções na sociedade. Esta é uma forma que as cooperativas podem utilizar, para, na prática, divulgarem os seus princípios e valores pelos quais regem a sua actividade. Esta iniciativa da Câmara veio mesmo ao encontro de dar forma à nossa acção associativa, no apoio à comunidade, valorizando o papel da cooperativa na vida local.” – sublinha Aldemiro Dionisio. S.P.

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COOPLISBOA

– 25 anos a encurtar distâncias A COOPLISBOA foi fundada pelas Cooperativas de Consumidores há 25 anos, fruto da necessidade de em conjunto poderem comprar os produtos e assim abastecerem as suas lojas. Após um quarto de século a COOPLISBOA continua, dia após dia, a trabalhar para levar mercadorias a mais de uma centena de lojas de Norte a Sul do país. Foi num dia que se diz normal que a Revista Ecoop acompanhou uma das rotas dos camiões COOP até ao interior do Alentejo.

I

am altas as horas e a cidade ainda estava longe de despertar. A natureza dormia, tudo era silêncio decorado a um gelo nocturno. Já no interior do Armazém da COOPLISBOA a azáfama era grande: ultimavam-se os preparativos para a saída dos camiões, muitos deles iriam rumar a paragens distantes como o interior Alentejano para aí abastecer Lojas COOP.

03H45 DA MANHÃ Preparar para partir, últimas mercadorias a entrar no camião da COOP

Lojas de todos os tamanhos e feitios, algumas de dimensão reduzida, quase caricata quando comparadas com as das grandes cidades, mas onde as populações dependem da sua Cooperativa para o abastecimento diário dos produtos essenciais, das frutas e legumes ao peixe, ou dos mais básicos produtos de higiene.

07H00 DA MANHÃ Abastecimento da loja

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Pelas estradas Saímos do Pinhal Novo, onde se encontra o Armazém da COOPLISBOA, pouco passava das quatro horas da madrugada de Quinta-Feira. Um dia diferente para nós, mas normal para quem anda diariamente nestas andanças. O nosso objectivo era chegar à Loja COOP de Orada, que reabria nesse dia

07H10 DA MANHÃ Carregar mercadorias para dentro da loja


depois de obras de remodelação e serve aqui como exemplo das centenas de lojas que um pouco por todo o território nacional gravitam em torno da COOPLISBOA, que é mais do que uma plataforma logística é também produto da vontade colectiva das Cooperativas de Consumo que pretendem assim assegurar o serviço às populações onde estão inseridas. O contributo da União ao desenvolvimento das Cooperativas vai hoje para além do armazenamento e distribuição das mercadorias. Actualmente os serviços que a COOPLISBOA presta às suas associadas passa pelas soluções informáticas, pela contabilidade, pela gestão de recursos humanos, ou pelo apoio técnico à construção e remodelação de lojas. A distribuição é sem dúvida a face mais visível deste processo e é assegurada por uma frota que diariamente cruza as estradas para, em igualdade de circunstâncias, levar as mercadorias. Um sentimento de pertença Sobre um céu aveludado que o Sol envergonhado começava a romper, numa cidade ainda meio adormecida fez-se a primeira paragem para abastecer a Loja do Redondo, onde o responsável de loja veio ajudar a descarregar as mercadorias. Loja restabelecida eis que o camião da COOP arranca para uma nova paragem. Entre estradas, curvas e pontes, faziam-se já notar os primeiros raios da manhã e quando chegamos ao nosso destino já

08H15 DA MANHÃ Produtos prontos para serem vendidos

as duas trabalhadoras se desdobravam em esforços para arrumar e limpar os 60 m2 da loja, onde agora brilha o branco das paredes, os equipamentos de linhas modernas funcionam na perfeição e os produtos alinhados nas prateleiras enchem a vista. Para elas aquilo era mais de que um dever: era uma missão e apesar do cansaço e de algum nervosismo, as trabalhadoras não conseguiam esconder a satisfação pela renovação do espaço e aguardavam orgulhosamente a reabertura. A opinião dos seus consumidores era o que mais ambicionavam. Consumidores de todos os dias que, apesar de há muito reclamarem melhores condições para a sua loja, sempre foram fiéis à cooperativa. Este sentimento de pertença é, de resto, o que diferencia a Cooperativa de outros espaços comerciais. Os trabalhadores sentem que estão a prestar um serviço útil aos consumidores e que devem gerir o seu posto de trabalho de acordo com esse objectivo. O trabalho deve ser desenvolvido de forma empenhada chegando por vezes a ser voluntarioso pois existe um grande envolvimento na realização das tarefas. Os Cooperadores, por seu lado, não são meros consumidores pois a sua ligação com a cooperativa não se resume ao acto da compra. São eles que gerem, de forma democrática, a cooperativa, são eles a sua razão de existir. Ao reabrir as portas Eis que chega o momento. O camião da

09H30 DA MANHÃ Chegada dos consumidores

COOP já se fez à estrada para outra paragem, os produtos estão nas estantes, alinhados e prontos a serem levados para casa. Agora só falta esperar pelos consumidores. «Já abriu?» ia-se ouvindo depois de sorrateiras espreitadelas por entre as cortinas. Depois de algumas palavras de boas vindas por parte do Presidente da cooperativa, Fernando Parreira, foram-se ouvindo, de quem entrava, os parabéns pela obra realizada e os votos de longevidade à actividade da Cooperativa. Uma referência na vida das populações Com esta experiência por terras Alentejanas podemos constatar que as Cooperativas são ainda hoje uma referência em muitas localidades. Uma referência do ponto de vista económico pelo preço justo que pratica, mas sobretudo uma referência do ponto de vista social em que a sua actividade se confunde com a vida dos habitantes locais e se entranha nas suas rotinas diárias. Ao contrário de outras cadeias de distribuição as Cooperativas estão junto daquelas populações, tantas vezes esquecidas pela “modernidade” dos grandes centros urbanos. Não poderia ser de outra forma pois as Cooperativas nasceram do desejo da vontade e do trabalho colectivo das comunidades que as criaram. Texto: Rui Nobre e Ana Coelho Fotos: Ana Coelho

10H05 DA MANHÃ A cooperativa faz parte da comunidade onde se encontra inserida

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Chaleira Damas, Director Geral da COOPLISBOA

A crise financeira mundial demonstrou que o individualismo não tem nada a ver com cooperativismo . Devia haver uma linha de crédito para as cooperativas “A crise financeira actual colocou aos consumidores um conjunto de problemas, mas, também, colocou a necessidade de perceberem que as cooperativas são essenciais na defesa dos interesses dos consumidores.” - salientou Chaleira Damas Director Geral da COOPLISBOA. As cooperativas não são cooperativas porque eu sou cooperativista, as cooperativas são cooperativas porque existem os seus associados, e, todos devem estar envolvidos numa onda de cooperativismo.” – sublinhou

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a conversa com ECOOP Chaleira Damas, começou por recordar todo o processo de evolução e desenvolvimento da COOPLISBOA, referindo que enquanto União de Cooperativas, o seu estatuto prevê que faça a coordenação das actividades económicas das cooperativas associadas. “A adesão à COOPLISBOA é livre. A adesão pressupõe o conhecimento e cumprimentos dos estatutos.” – sublinhou. Percorrendo as memórias de 25 anos de vida da COOPLISBOA, referiu que inicialmente esta funcionava como a estrutura onde se concentravam algumas compras, de um número reduzido de produtos, evoluindo, nos tempos de hoje, para outro tipo de estrutura, com a ambição de cobrir todas as necessidades das cooperativas em termos de compra, mas, também, em todos os serviços que, a todas, são comuns. COOPLISBOA armazém das cooperativas “A COOPLISBOA é o grande armazém das cooperativas estando, este objectivo, qua-

se conseguido, dado que, se estima, apenas uma percentagem de 10 %, na ordem de 10 milhões de euros de compras, ainda estarão fora. Mas, devemos admitir, a centralização das compras foi conseguida.” – salienta Chaleira Damas. Recorda, ainda, que nos tempos actuais a COOPLISBOA deixou de ser uma estrutura que só se preocupa com os produtos de grande rotação e com os preços desses produtos, para procurar ter, os produtos que as cooperativas necessitam, tendo, por isso, uma oferta alargada, que é uma vantagem concorrencial. “Esta mudança foi importante e só foi possível concretizar com a construção da plataforma da Salgueirinha em 1994, a qual teve uma ampliação em 2000, existindo desde então um impedimento técnico na ampliação da 3ª fase. A COOPLISBOA passou a ter infraestruturas físicas que permitem comprar, armazenar e

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fornecer às cooperativas toda a gama de produtos e de serviços que precisavam, sendo dispensáveis outros fornecedores.” – refere Chaleira Damas. Centralização das compras e vendas Sublinha o Director Geral da COOPLISBOA que a cooperativa desenvolve, actualmente, outro tipo de actividades, como a prestação de serviços, nas várias áreas, as quais incidem sobre as necessidades de serviços comuns, a titulo de exemplo, referiu a contabilidade utilizada por 70% das cooperativas associadas, as tecnologias de comunicação, ou projectos na gestão de Recursos Humanos. Mais recentemente, novas necessidades, fruto da legislação, a COOPLISBOA desenvolveu as áreas de Higiene e Segurança no Trabalho, e, a Higiene e Segurança Alimentar.


“Esta crise, na minha opinião, como acontece, sempre na vida, pode ser a origem de uma oportunidade.” dação da cooperativa, na sua instalação ou no seu desenvolvimento. Faltam regulamentos que operacionalizem os apoios às cooperativas.” – salienta o Director Geral da COOPLISBOA.

Coordenar a actividade das Lojas Recorda, Chaleira Damas, que na continuidade do desenvolvimento de projectos, de gestão comum, a COOPLISBOA - “aventurou-se na gestão e coordenação da actividade das Lojas, de cada uma das cooperativas associadas, procurando dar unidade de gestão ao conjunto das cooperativas e integrar a função comercial, desde a compra da mercadoria ao fornecedor, até à sua entrega aos Cooperadores/Consumidores”. Entre o comprar e o vender há um conjunto de acções a dinamizar e coordenar, que, já sendo concretizada ao nível da compra é lógico, e, indispensável, que venha a ser também ao nível da venda.” A COOPLISBOA estruturou-se, portanto, para dinamizar e coordenar a gestão de um conjunto de Lojas, dando unidade e dimensão empresarial ao Grupo, criando o Departamento de Vendas e Merchandising. Coordenação da actividade financeira Chaleira Damas, fala com emoção e forma apaixonada, percorrendo as memórias de um processo que, sente-se, pulsa no seu quotidiano. Refere que, de igual modo, é necessário avançar para uma nova fase da actividade pelo que, a COOPLISBOA, “aventurou-se a coordenar a actividade financeira”. Tal como todas as áreas que, hoje, já estão centralizadas, de igual modo, os meios financeiros deverão ser geridos de uma forma centralizada, mas sempre pertença de cada cooperativa”. Sublinha Chaleira Damas que, enquanto Director Geral, procura coordenar todas estas actividades e dar suporte ao conteúdo desta dinâmica empresarial, afirmando - “faço as pontes políticas entre a Direcção da COOPLISBOA e as actividades operacionais”. Apoio político de todas as cooperativas Chaleira Damas, expressou as suas inquietações sobre a crise actual – “num sistema capitalista que não funciona de uma forma ética, nem séria, e, onde nada é regulado pelos consumidores ou na defesa dos seus interesses.” Sublinha que a actual situação de crise financeira mundial exige que – “ o modelo de gestão cooperativa tenha o apoio político de todas as cooperativas, para conseguirmos, mais facilmente, superar os problemas do mercado”. Crise transformar-se numa oportunidade “Esta crise, na minha opinião, como acontece, sempre na vida, pode ser a origem de uma oportunidade. Penso que é isso que vai acontecer. As coope-

Endividamento bancário é reduzido

rativas estão a aperceber-se a realidade e irão unir esforços. A maior parte das cooperativas querem trabalhar com a COOPLISBOA, precisam da COOPLISBOA, porque a COOPLISBOA faz parte e dá suporte técnico às suas actividades e sendo assim a relação da COOPLISBOA com a esmagadora das cooperativas suas associadas é complementar, séria e muito boa.” – sublinha Chaleira Damas. Tem que existir um rumo estratégico “Quando se coloca a perspectiva de rumos diferentes deve ficar claro que nas cooperativas não podem haver rumos, mas antes um rumo estratégico que resulta de decisões tomadas pelas cooperativas em sede própria, nomeadamente nos seus Congressos e, por isso, a presença das cooperativas na COOPLISBOA é natural, faz parte dos princípios Cooperativos pois neles se afirma que, para atingirem os seus fins e servirem os seus membros, as Cooperativas devem trabalhar em conjunto. Esta crise mundial, na prática, veio demonstrar que as cooperativas têm um grande potencial, mas, também, clarificou que esse potencial deve estar concentrado, desde as compras, às vendas, aos serviços e ao dinheiro.” – sublinhou Chaleira Damas. “Esta crise financeira mundial, colocou em evidência que o individualismo, nada tem que ver com o cooperativismo.” – disse. Estado não apoia as cooperativas “Na verdade, não faz nenhum sentido que as cooperativas de consumo, que são equiparadas a associações de consumidores, não tenham um quadro legal de prerrogativas, devendo sendo tratadas forma diferente, porque as Cooperativas, na verdade, são empresas/associações de pessoas, onde trabalham pessoas para servir as pessoas. Na prática os apoios que Lei 24/96 previa com sendo responsabilidade do Estado, das Regiões Autónomas e das Autarquias, estes são, na maioria dos casos, simplesmente teóricos, não se concretizando apoios nem nos processos na fun-

Sublinha Chaleira Damas que – “as cooperativas sempre foram austeras no seu funcionamento, sempre criaram riqueza, pois nasceram do nada e paulatinamente foram realizando riqueza visível nos patrimónios que foram constituindo, no pressuposto que, perante a necessidade, estes poderiam servir de garantia a empréstimos e ajudar a resolver os problemas pontuais. As cooperativas de consumo têm um grande valor patrimonial muito, superior ao seu endividamento global, sendo o endividamento bancário de reduzido valor. Estamos a falar de cooperativas que têm 100 milhões de euros de vendas, enquanto o endividamento bancário não excede 15 milhões de euros, em diferentes formas e repartido por várias cooperativas.” O Estado devia intervir Salienta Chaleira Damas que, o problema real é que nos dias de hoje “o património deixou de valer. Temos a nossa riqueza toda em património construído valioso, mas de repente esse património quebrou no seu valor. As cooperativas têm património excedentário e disponível para vender, tendo o seu valor baixado no mercado. Nesta situação, o Estado devia intervir, porque nós não queremos que o Estado nos dê nada, mas, antes que este crie condições e valorize a importância das cooperativas na criação e manutenção de empregos, na dinamização dos centros urbanos, no apoio à vida sociocultural de cada localidade, no abastecimento a preço justo e perto da residência dos consumidores. Que reconheça, pois, que as cooperativas são entidades de fins não lucrativos e que contribuem regular os preços nas comunidades.” Linha de crédito para as cooperativas Refere o Director Geral da COOPLISBOA que - “O Estado devia valorizar o papel das cooperativas e influenciar os bancos e em concreto a Caixa Geral de Depósitos, para que desenvolva uma estratégia de apoio à actividade das cooperativas, nomeadamente nos seus investimentos, e no apoio às suas tesourarias. Se as cooperativas têm riqueza expressa em bens próprios, porque motivo não podem haver linhas de crédito especificas para as cooperativas, as quais poderiam ajudar-se mútua e solidariamente.” Investimento não é nenhuma abstracção

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nanciados, as cooperativas passavam a dispor de recursos e, assim, o Estado cumpria o que escreve nas Leis, ao mesmo tempo, contribuía para o desenvolvimento do movimento cooperativo, assim como para a criação efectiva de emprego estável.” – sublinha. Uma discriminação negativa

“Prevemos 26 milhões de euros de investimentos, em dez anos. Este número não é nenhuma abstracção. É um investimento, já apresentado ao Governo, que corresponde a um conjunto de projectos concretos que pretendemos desenvolver, cooperativa a cooperativa, localidade a localidade, com estimativa de valores para cada um dos investimentos, que dão a real dimensão das cooperativas de consumo no país.” – refere Chaleira Damas. “Neste momento estamos impedidos de fazer projectos de remodelação ou de novas lojas porque não temos garantias de financiamento, apesar de, para todos os investimentos, ser possível darmos garantias hipotecárias. Se estes projectos de investimentos fossem fi-

Recorda que – “as cooperativas que se uniram deixaram num plano de integração deixaram de ser consideradas nos programas de apoio à modernização do comércio uma vez que passaram a ser consideradas como grandes empresas, ou seja, a reestruturação em vez de ser fomentada é segregada e abandonada. Este é mais um sinal que o Estado não olha para as cooperativas de acordo com aquilo que escreve nas Leis. As cooperativas não são empresas , mas as leis de apoio à modernização comercial só falam em empresas e em particular em micro e PME,s esquecendo-se de enquadrar as cooperativas com as suas particularidades, sendo o mais evidente o facto das cooperativas serem associações de pessoas que organizadamente intervém na economia e não empresas de capitais. Assim, as cooperativas são arrastadas para o sec-

“Na prática os apoios que Lei 24/96 previa com sendo responsabilidade do Estado, das Regiões Autónomas e das Autarquias, estes são, na maioria dos casos, simplesmente teóricos”

tor privado e isto é uma discriminação negativa, porque contraria a lei e não valoriza o sector cooperativo e social.” – salienta Chaleira Damas. Mudanças e novas tecnologias Os trabalhadores da cooperativa como vivem estes problemas? – perguntámos “Os trabalhadores das cooperativas, como todos os outros trabalhadores, vão acompanhando estas evoluções e, penso, que se vão adaptando bem às novas realidades tecnológicas, pois nos últimos anos revolucionámos a forma de comunicar dentro das nossas cooperativas. Há dez anos não tínhamos e-mails. Hoje faz-se uma reunião, elabora-se um texto com as decisões que, de imediato, chega aos respectivos destinatários.” – refere, sentindo-se o entusiasmo com que fala do pulsar quotidiano das cooperativas. “Mas, isto não é uma tarefa fácil, pois o grupo etário ronda os 43 anos, e, é maioritariamente constituído por pessoas que na sua formação escolar de base não adquiriram conhecimentos nas novas tecnologias. No entanto, penso que os nossos trabalhadores adaptaram-se bem às mudanças e às novas tecnologias. Isto representa um grande salto qualitativo na nossa organização cooperativa.” – salienta. “Sempre que fazemos uma remodelação de loja as pessoas sentem orgulho. Os trabalhadores percebem a lógica e a importância de estar e, também, de trabalhar em grupo” – sublinha. “As cooperativas sentem que em muitas localidades são um exemplo, são um projecto de quali-

ATENDIMENTO NAS LOJAS COOP

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“A EuromadiPort em Portugal, a Euromadi em Espanha, e, a EMD na Europa, constituem um grande grupo, no qual admitimos poder encontrar soluções para diversificar a linha de produtos, remodelar a linha de produtos de marca própria, ter melhores contratos comerciais e financeiros com os fornecedores.” – sublinhou. Cooperativas têm futuro como cooperativas

“O Estado devia intervir, porque nós não queremos que o Estado nos dê nada, mas, antes que este crie condições e valorize a importância das cooperativas na criação e manutenção de empregos, na dinamização dos centros urbanos, no apoio à vida sociocultural de cada localidade, no abastecimento a preço justo e perto da residência dos consumidores.” dade e os trabalhadores e dirigentes sentem orgulho dessa realidade.” – refere o Director Geral da COOPLISBOA. Envolver as pessoas “Ser Director Geral é ser a Direcção no intervalo em que a Direcção não está reunida. É ficar imbuído das orientações estratégicas e, no dia a dia, fazer andar as coisas, envolver as pessoas, para que se sintam sintonizados com as orientações produzidas por quem dirige, mas, ponderadas com com os conhecimentos técnicos de quem gere. Eu posso ser o Director Geral da COOPLISBOA mas, naturalmente, não posso ser o Director Geral de 45 cooperativas. Assim, para funcionar em grupo é preciso uma solução de governação que seja aceite e que contribua para motivar as pessoas investidas nas funções, permitindo, assim, desenvolver o movimento cooperativo de consumo, que está presente num mercado altamente desenvolvido, tendo condições de competição ao nível do que de melhor existe na Europa e no mundo.” – salienta. “Para isso as cooperativas têm que delegar na COOPLISBOA competências permitindo que a acção do Director Geral e de toda a equipa se possa repercutir nas 45 cooperativas.” “As cooperativas deviam valorizar a importância e o papel da COOPLISBOA e não se sentirem diminuídas pela sua acção, quando esta é mais activa em cada loja, ou em cada local.” – refere.

Importância da FENACOOP Sobre as relações da FENACOOP com a COOPLISBOA, Chaleira Damas, sublinhou que “a relação é boa, as direcções são protagonizadas pelas mesmas pessoas e por isso não podia ser melhor.” Referiu a importância da FENACOOP como factor de promoção de temas que estão em grande reflexão na Europa e no Mundo cooperativo e nesse sentido, os cooperativistas portugueses não podem passar ao lado destas questões. Chaleira Damas sublinhou o importante papel que teve e deve ter a FENACOOP na valorização da acção associativa das cooperativas e no envolvimento dos cooperadores na vida local de cada cooperativa. Parceria Ibérica No final de conversa, uma longa conversa, Chaleira Damas, referenciou o facto de as cooperativas portuguesas não terem dimensão económica, nem quadro legal para se associarem a cooperativas da Europa, ou mesmo de Espanha. Referiu que a COOPLISBOA está associada a uma grande central Ibérica, com sucursal em Portugal, que não tendo estatuto Cooperativo é para todos os efeitos uma ACE, não tem fins lucrativos, pois os meios libertos são entregues aos seus membros, visando rentabilizar as suas actividades.

“Hoje, é preciso acreditar no modelo de gestão cooperativo. Hoje é preciso que as direcções o os trabalhadores acreditem no projecto e no cooperativismo.” – salientou Chaleira Damas. “Esta crise mundial veio provar na prática que as cooperativas têm futuro e que o seu modelo de gestão empresarial é adequado ao procurar a rentabilidade económica, no envolvimento dos trabalhadores e no respeito pelos seus direitos, tendo ainda preocupações socioculturais e de contenção do consumo, indispensável à preservação ambiental. Para isso, as cooperativas nunca podem deixar os seus princípios e valores, pois só como empresas não têm futuro, mas como cooperativas, acredito que o terão, afirmando, no dia a dia, as boas práticas, a confiança mútua e o trabalho colectivo. Acredito que juntos valemos mais, mas esta afirmação obriga ao exercício quotidiano e não à mera retórica.” – sublinhou. Uma onda de cooperativismo “Os cooperativistas têm que ter uma sólida formação cooperativa e humanista para defenderem a cooperativa nas suas terras. É preciso, que exista, cada vez mais consciência política cooperativa, e, também, incutir os valores do cooperativismo na formação de base, ou seja na escola. A crise actual colocou aos consumidores um conjunto de problemas, mas, também, colocou a necessidade de perceberem que as cooperativas são essenciais na defesa dos interesses dos consumidores.” - salientou Chaleira Damas. “Há uma coisa que me parece fundamental. As cooperativas existem para os seus membros. Os seus membros são os consumidores. É necessário que os seus membros estejam, cada vez mais, ligados à cooperativa. É preciso que vivam a cooperativa em toda a sua dimensão para que percebam o que esta pode dar melhor do que os concorrentes, e, só assim, será possível valorizar o papel e a importância da cooperativa em cada comunidade. As cooperativas não são cooperativas porque eu sou cooperativista, as cooperativas são cooperativas porque existem os seus associados, e, todos devem estar envolvidos numa onda de cooperativismo.” – sublinhou a finalizar. António Sousa Pereira

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Escola de Outono visão alternativa CJ A Escola de Outono do Espaço por um Comércio justo realizouse na cidade de Almada, entre os dias 8 e 11 de Outubro e teve a participação de 16 organizações nacionais e internacionais: Portugal, Equador, Brasil, França e Espanha.

O

Espaço por um Comércio Justo é uma rede de 30 organizações europeias que defendem uma visão alternativa e global do Comércio Justo desde o produtor ao consumidor, ligada às lutas pela soberania alimentar e contra as políticas comerciais da globalização neoliberal. Com os objectivos de fortalecer o trabalho em rede e aprofundar os debates actuais do movimento do Comércio Justo (CJ), na Escola de Outono debateu-se como um dos principais temas o problema da comercialização dos produtos de Comércio Justo em época de crise económica. Por outro lado, foi também manifestada a necessidade de se diferenciar melhor as mensagens das entidades do “Espaço” das outras organizações de CJ menos críticas com o modelo de comércio imperante e denunciar a utilização do CJ por empresas multinacionais de distribuição que se servem de selos como o da FLO para certificar os seus próprios produtos.

No decorrer desta iniciativa foram dadas a conhecer as redes de colaboração solidária, através da experiência do Professor brasileiro Euclides Mance, assim como, também foram apresentados o trabalho da rede MINGA de França, que através da participação de Michel Besson falou do processo de certificação participativa que a MINGA vem implantando em França, como oposição ao modelo excludente promovido pelo governo francês e

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o trabalho da organização indígena e camponesa UNORCAC, de Cotacachi, Equador, que realiza nas comunidades no âmbito da soberania alimentar. Durante a reunião posterior à Escola de Outono, decidiu-se pela participação do Espaço por um Comércio Justo na Aliança pela Soberania Alimentar dos Povos (ASAP). Ana Coelho


Conexão solidária no Brasil “À medida que se organiza e se integra, a Economia Solidária contribui para construir uma sociedade sem classes, cujo desenvolvimento é, necessariamente, includente (…)” . I Conferência Nacional de Economia Solidária, 2006

S

ão Paulo foi a cidade brasileira escolhida para se realizar entre, 28 a 31 de Outubro, a primeira mostra brasileira de produtos e serviços da Economia Solidária (ES), denominado “Conexão Solidária”, onde participaram mais de uma centena de empreendimentos da Economia Solidária que tiveram a oportunidade de divulgar o fruto do seu trabalho materializado no artesanato, mobiliário, vestuário, alimentação e bebidas, maquinaria, produtos de higiene e limpeza. Após um levantamento completo sobre a ES, realizado em 2007 pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) do Brasil, apurou-se, entre outros dados, a existência de quase 22 mil empreendimentos económicos solidários (EES) que envolvem a participação de mais de 1600 trabalhadores e que movimentam cerca de 192 milhões de reais por ano em actividades económicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito. A ES compreende uma diversidade de actividades económicas de produção de bens e serviços, distribuição, consumo e finanças, realizadas de acordo com princípios de cooperação, autogestão e solidariedade. São iniciativas económicas, rurais e urbanas, em que os trabalhadores estão organizados colectivamente, como associações e grupos de produtores ou consumidores, cooperativas de agricultura familiar, cooperativas de prestação de serviços, empresas recuperadas que foram assumidas por trabalhadores em sistema de autogestão, redes de produção, comercialização e consumo, instituições de finanças solidárias, clubes de trocas; entre outras. Inerente ao desenvolvimento deste importante movimento social e suas forças

produtivas surgiu a necessidade de se regulamentar um sistema que, atendendo às especificidades do Brasil, salvaguardasse a soberania de todos os elos da cadeia, da produção ao consumo e a diversidade diante das tentativas de apropriação pelo mercado capitalista e imposições “standarizantes” por parte das grandes organizações internacionais do Comércio Justo (CJ), principalmente no que toca ao sistema de certificação por terceira parte que tem como grande expoente actual a FLO. Neste contexto, a SENAES realizou o I Seminário Internacional do Sistema Nacional do Comércio Justo e Solidário (SCJS), para apresentar e discutir com importantes actores brasileiros e internacionais do movimento mundial de promoção do CJ a iniciativa brasileira de regulamentação e fomento das actividades relacionadas ao tema. Estiveram presentes representantes de organizações ou redes de Economia Solidária e CJ provenientes da Bolívia, Uruguai, Argentina, Colômbia, Peru, Equador, Paraguai, Nicarágua, Guatemala, México, Canadá e Portugal. Mó de Vida teve a honra de ser a organização portuguesa convidada, pelo SENAES do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, a participar na mesa que debateu os sistemas de garantia e criação de confiança. A lei que regulamenta o sistema brasileiro de CJ e que está à espera ser promulgada pelo

Presidente Lula é fruto de um debate com cerca de 8 anos que salvaguarda a diversidade de possibilidades de “certificação” e inclui os Sistemas Participativos de Garantia (SPGs), que apresentam um custo muito mais baixo para os produtores e, principalmente, utilizam metodologias muitos mais democráticas e transparentes se comparadas aos sistemas de certificação por terceira parte que, neste momento, no CJ Internacional são quem fica com a “grande fatia” de toda a cadeia. O Sistema Nacional do Comércio Justo e Solidário do Brasil, segundo o que consta nos seus termos de referência, apresenta um conjunto de parâmetros: conceitos, princípios, critérios, actores, instâncias de controlo e gestão, organizados numa estratégia única de afirmação e promoção do Comércio Justo e Solidário no Brasil. Carlos Gomes

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Cooperativas promovem vida mais saudável Ao assinalar o Dia da Alimentação as Cooperativas procuram chamar a atenção para a importância da adopção de estilos de vida mais saudáveis.

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azer escolhas informadas

Num tempo em que somos frequentemente confrontados com notícias que apontam para problemas de saúde devido a uma alimentação desequilibrada e ao sedentarismo, é oportuno pensarmos de que forma as nossas acções diárias podem afectar a nossa saúde. «Não nos podemos esquecer que as opções sobre a nossa alimentação começam no supermercado» referiu Patrícia Gomes do Gabinete de Defesa do Consumidor da FENACOOP, que acrescentou «se não tivermos o cuidado de planear bem as compras, as nossas escolhas serão certamente menos conscientes e mais influenciadas pela publicidade. Sobretudo, se tivermos pouco tempo ou se estivermos numa superfície onde a oferta, apesar de parecer mais variada, poder levar-nos mais facilmente a cair em “tentação”». As Cooperativas de Consumidores têm desenvolvido um importante trabalho como Organizações de Consumidores, promovendo acções que visam a prevenção das doenças ligadas à má nutrição, ajudando os cooperadores, e os consumidores em geral, na correcção de maus hábitos alimentares. Patrícia Gomes refere, que as cooperativas estão empenhadas em «disponibilizar aos consumidores informação sobre a importância de uma alimentação saudável; promover o exercício físico; promover o consumerismo; promover a educação nutricional, em suma, contribuir para a formação dos cidadãos e esse é o interesse das cooperativas e é por isso que a Cooperativa não

se limita a vender a carne o peixe os ovos e o pão». Combater a obesidade Infantil Diversos estudos indicam que as crianças são o primeiro motor das compras no supermercado e que se têm vindo a registar um número significativo de doenças ligadas à nutrição entre as crianças - Portugal é o segundo país europeu com maior prevalência de excesso de peso e obesidade em crianças. Neste sentido as Cooperativas têm proposto à população escolar a reflexão sobre este tema através do Concurso “O Jovem Consumidor”. “Alimentação para o futuro”, “Da semente nasce a vida - Os alimentos, da origem ao prato” ou “Viver com saúde naturalmente” , foram alguns dos lemas que deram o mote para a discussão do tema. Na edição deste ano (2009/2010) a questão volta a ser abordada sob o lema “A comer e a aprender”. Exemplo desta preocupação foi também a acção desenvolvida pela Cooperativa Proletário Alentejano que ofereceu, de forma símbólica, uma maçã a cada crian-

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ça que no dia 16 de Outubro – Dia Mundial da Alimentação - acompanhou os adultos às compras. Apelo ao exercício físico A falta de exercício físico é apontada como sendo outro dos factores que estão na origem da obesidade em todas as idades e, também aqui, Portugal tem o dobro da média europeia de pessoas que não praticam nenhuma actividade física. Não vale a pena intervir só no acto da compra e depois continuarmos a ser sedentários. Assim, a Cooperativa apela à prática da actividade física adequada à idade e condição física de cada indivíduo. As Cooperativas dispõem de núcleos em diversas localidades onde é possível a prática de actividades como o cicloturismo, BTT, o futebol de salão entre outras e ao longo do tempo têm promovido e apoiado diversas iniciativas de carácter desportivo. Rui Nobre ecoop@consumo-pt.coop


Loja Coop reabriu em Palmela A população de Palmela voltou a poder abastecer-se na sua loja de proximidade, a Loja Coop, situada no centro histórico da vila, beneficiando assim de um acesso rápido e cómodo aos bens de primeira necessidade.

«Estou muito contente pois esta Loja está muito melhor e faz muita falta aqui em Palmela» - referiu José Broco um dos fundadores da COOPAL

Cooperativa. A COOPAL, hoje integrada na PLURICOOP, nasceu em Palmela após o 25 de Abril e iniciou a sua actividade comercial na, já então desactivada, Igreja de S. João em Palmela.

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ma aposta no desenvolvimento

Esta remodelação foi um investimento avultado, tendo em conta a crise actual, contudo os responsáveis da PLURICOOP estão confiantes de que a população de Palmela, em conjunto com os trabalhadores saberão acolher da melhor forma esta Loja. O esforço, de desenvolvimento da Loja COOP, foi bem recebido a julgar pelas opiniões das várias dezenas de pessoas que encheram a loja no dia da reabertura, o que muito orgulha e honra a

«Fizeram um bom trabalho. A loja tem um aspecto mais moderno e até parece maior» - Eduardo Teixeira ex-Director

A qualidade de sempre e algumas novidades Ao percorrer a Loja podemos encontrar as secções que já existiam, agora modernizadas, de onde se destaca a habitual qualidade dos produtos mas também se podem encontrar algumas novidades como a padaria, com pão quente a todas as horas e pastelaria diversa. Logo na entrada da loja podemos encontrar outra novidade: uma agradável cafetaria. Também na entrada continua o balcão de seguros que complementa os serviços aos associados.

«Está muito bonita e muito mais prática. Agora temos (os Cooperadores) que continuar a dar força à Cooperativa para que ela continue a servir-nos» - Ricardina Prado

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TABAGISMO

Um problema de saúde com solução

A

Lei 37/2007, de 14 de Agosto, aplica em Portugal, desde 1 de Janeiro de 2008, a Convenção da Organização Mundial da Saúde para controlo do tabaco. As suas normas visam proteger os cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e definir medidas que possam conduzir à redução do seu consumo. Um estudo estatístico realizado no segundo semestre de 2008, no âmbito de aplicação da Lei 37/2007, aponta para que 16,4% da população com mais de 15 anos é fumadora. Este valor representa uma diminuição significativa em relação ao encontrado no Inquérito Nacional de Saúde de 2005/2006, que apontava para a existência de 20,6% de fumadores com mais de 15 anos. Ainda de acordo com o estudo de 2008, eram fumadores com mais de 15 anos, 24,5% dos homens e 9,5% das mulheres, sendo que os homens fumavam, em média, 18 cigarros diários e as mulheres 13. O estudo concluiu que 54% dos fumadores o faziam em casa e que 15% da população portuguesa não fumadora estava exposta ao fumo em casa. Os fumadores regulares perdem, em média, 10 anos de esperança de vida em relação aos não fumadores. Cerca de metade dos fumadores regulares morrem devido a doenças provocadas pelo consumo do tabaco, sendo que, em cerca de um quarto deles, a morte ocorre entre os 25 e os 69 anos. Em relação à população não fu-

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TESTE DE FAGERSTRÖM Quanto tempo depois de se levantar fuma o 1º cigarro? 5 minutos (3) De 6 a 30 minutos (2) De 31 a 60 minutos (1) Mais de 60 minutos (0)

Tem dificuldade em não fumar nos locais onde é proibido? Sim (1) Não (0) Qual o cigarro que vai ter mais dificuldade em deixar? O 1º da manhã (1) Qualquer outro (0) Quantos cigarros fuma por dia? Menos de 10 (0) De 11 a 20 (1) De 21 a 30 (2) Mais de 30 (3) Fuma mais no começo do dia? Sim (1) Não (0) Fuma mesmo quando está doente? Sim (1) Não (0) INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS:

madora, o risco de contrair cancro do pulmão é, 23,3 vezes maior nos homens fumadores e 12,7 vezes maior nas mulheres fumadoras; no cancro da laringe, é 14,6% maior nos homens e 13 vezes maior nas mulheres; no cancro do lábio, boca e faringe, 10,9 vezes maior nos homens e 5,1 vezes maior nas mulheres; no esófago, 6,8 vezes maior nos homens e 7,8 vezes maior nas mulheres. Um risco significativamente superior existe também para cancro da bexiga, rim, pâncreas e estômago, entre muitos outros. Nos fumadores o risco para obstrução crónica das vias respiratórias é 10,6 vezes maior nos homens e 13,1 vezes maior nas mulheres. O risco para doença coronária é 2,8 vezes maior nos homens e 3,1 vezes maior nas mulheres. O risco de doença cérebro vascular é 3,3 vezes maior nos homens e 4 vezes maior nas mulheres. O tabagismo tem tratamento, sendo tanto mais possível reduzir ou anular as suas consequências para a saúde quando mais cedo se verificar a cessação da exposição ao fumo.

O consumo compulsivo do tabaco é reflexo da acção da nicotina sobre o sistema nervoso central e da dependência que, por esse efeito, gera no fumador. A terapêutica deve por isso ter em conta o grau de dependência do fumador. O grau de dependência física da nicotina pode ser avaliada pelo teste de Fagerstrom (em anexo). De acordo com a OMS, os sistemas de saúde devem proporcionar três tipos principais de intervenção: Básica, proporcionada pelos profissionais de saúde no âmbito da sua actividade clínica. Intensiva, conduzida por especialistas em cessação tabágica. Tratamento farmacológico, que duplica as taxas de sucesso e que pode ter lugar no âmbito dos dois tipos de intervenção já referidos. Em Portugal, as dificuldades de acesso aos serviços médicos e a reduzida ou nula comparticipação pelo Estado do custo dos fármacos indicados são obstáculos para terapêutica da cessação tabágica.

Dependência Baixa: Menos de 4 Dependência Moderada: De 4 a 7 Dependência Elevada: Mais de 7

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A actividade reguladora é possível em Portugal? Na perspectiva social e política que tem sido seguida em Portugal e se integra numa linha semelhante à quase totalidade dos países membros da União Europeia, a maior parte dos serviços de interesse geral têm deixado de ser públicos e passado a ser exercidos por empresas privadas em regime de concorrência. Em teoria, o controlo da qualidade e eficiência do serviço prestado pelas empresas, passará a ser exercido por entidades reguladoras, que devem ser eficazes e independentes na sua actuação mesmo que o poder político central mude. Em Portugal, esta situação está longe de ser clara.

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a linha seguida há muitos anos, os serviços que eram prestados por departamentos ou empresas estatais, têm sido progressivamente privatizados, no todo ou em parte. Recordemos alguns: abastecimento de energia eléctrica, telefones, serviços bancários, etc. e até mesmo nos Serviços de Saúde é crescente o papel do


sector privado. Recordemos que muitas dessas actividades já estavam sobre supervisão de departamentos estatais especializados que faziam um papel limitado de “entidade reguladora”. Por exemplo, as empresas de seguros estavam - e continuam a estar - sobre supervisão de um instituto e as empresas de electricidade ou gás estavam sob a alçada de uma direcção-geral de energia, antes da criação da ERSE. Todavia, a independência, nomeadamente, em relação ao poder político corrente, era, e continua a ser, nesses casos, sempre inexistente A regulação e os consumidores A existência de entidades reguladoras

independentes num mercado concorrencial, pressupõe sempre um sistema em que o consumidor ou utente tenha os seus direitos garantidos (qualidade de serviço, informação acessível e clara, etc.). E isso só é possível quando estão preenchidas duas regras essenciais: - a existência de entidades reguladoras efectivamente independentes investidas de poderes claramente definidos e com o direito a sancionar as empresas sobre que exercem o poder regulatório; - a representação e participação activa dos consumidores junto dessas entidades reguladoras (por exemplo, em conselhos consultivos cujo parecer seja obrigatoriamente analisado aquando das decisões fundamentais da entidade reguladora). A realidade portuguesa Na verdade, em Portugal, os passos dados para uma real independência da maioria das entidades que exercem um poder regulatório, deixam-nas longe ainda desse objectivo. E os organismos, ditos “reguladores”, mas que exercem essa função, real e praticamente sobre tutela do poder político, também não têm previsto, no seu funcionamento, uma participação activa das organizações que representam os consumidores. Resta-lhes somente a reclamação individual com recurso ao apoio da organização onde estiverem filiados (DECO, FENACOOP, por exemplo). Mas a estas realmente, só em poucos casos, é dada a oportunidade de fazer ouvir a voz colectiva desses consumidores ou utentes seus filiados. Com alguma possibilidade de erro nosso, julgamos que só na ERSE-Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e na ANACOM, foi até agora dado o direito de participarem organizações de consumidores em conselhos consultivos, previstos estaturariamente, de modo a que os respectivos pareceres reflictam a sua opinião. Uma reunião anual confirmativa Recentemente, realizou-se em Coimbra,

por iniciativa do Centro de Estudos do Direito Público e Regulação, da Universidade de Coimbra e pela 9.ª vez, um fórum onde as “entidades reguladoras”, puderam apresentar a sua informação sobre as actividades dos respectivos sectores. Como a FENACOOP tem sido a única organização de consumidores convidada a participar, e temos sido encarregados de a representar, é-nos possível dar aqui um breve apontamento confirmador do que atrás escrevemos. Na verdade, o que foi patente nas quatro reuniões em que participámos, ao ouvirmos os depoimentos de mais de uma dezena de representantes dos organismos, é que o estatuto de real independência ainda está longe de ser conseguido. As dificuldades são inúmeras, mas as limitações legislativas, as limitações financeiras e a ausência de poderes sancionatórios, foram as mais salientes. Como alguém disse: os governantes nem sempre compreendem o papel dos reguladores e a necessidade de serem independentes. Esquecem muitas vezes que a regulação é uma função económica baseada em critérios técnicos e não políticos. Por isso, devem ser independentes como são os Tribunais. Conclusão Como escrevemos nesta revista há quatro anos atrás, a propósito das dificuldades levantadas à única entidade que estava próxima de ser um regulador independente, a ERSE, pode perguntar-se se ao abrirem um regime de mercado aberto e concorrencial em serviços essenciais ao cidadão, estão os responsáveis pelo Poder a aceitar claramente que os reguladores respectivos são independentes e obrigados a encontrar um justo equilíbrio entre os interesses das empresas e dos consumidores e utentes? Por agora, estamos longe de uma resposta satisfatória. Faustino Cordeiro

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Call Center’s têm novas regras

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eceber chamadas fora de horas, esperar longos minutos “pendurado” ao telefone ou ser confrontado com informações pouco claras são algumas das situações que a nova lei dos Call Center’s pretende regular, a partir do próximo dia 30 de Novembro. A nova lei proíbe que os consumidores tenham de esperar em linha para serem atendidos mais do que 60 segundos e as empresas ficam impedidas de contactá-los, por exemplo para fins de telemarketing, depois das 22h00, devendo respeitar os horários de descanso.

Banco de equipamentos usados

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que fazer aos televisores e aos “monos” electrónicos que temos em casa ou no escritório, mas que já não usamos? Desde 2008 que os consumidores podem entregar os equipamentos eléctricos e electrónicos usados no Banco de Equipamentos, criado pela associação Entre-Ajuda. Os equipamentos serão analisados e se ainda funcionarem ou puderem ser reparados são reutilizados e distribuídos por associações de solidariedade social, que depois os fazem chegar a famílias e pessoas carenciadas de ajuda.

Distribuição gratuita de frutas e hortícolas nas escolas

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s escolas públicas do primeiro ciclo vão distribuir, durante o ano lectivo 2009-2010, frutas e produtos hortícolas gratuitos aos alunos, ao abrigo de uma Portaria publicada em Outubro, com o fim de incutir hábitos alimentares saudáveis entre as crianças, bem como combater a obesidade infantil. O programa exige ainda que as escolas promovam medidas de acompanhamento, tais como a organização de visitas a quintas, mercados e centrais hortofrutícolas, o cultivo de canteiros e o fornecimento de folhetos e materiais didácticos aos alunos e professores. Durante este ano lectivo, serão distribuídas maçãs, pêras, clementinas, tangerinas, bananas, cenouras e tomates. NOVEMBRO/DEZEMBRO 2009 |REVISTA ECOOP | 23


Cooperativismo e voluntariado Duas faces da solidariedade sem imaginar os seus fundadores. Tornou-se então imprescindível a criação de uma estrutura profissional que desse resposta à nova dimensão das Cooperativas e às exigências de um mercado cada vez mais competitivo e cada vez mais dominado por grupos económicos com uma lógica de funcionamento contrária ao espírito e aos valores da Cooperação. Contudo, fiéis à sua identidade, as Cooperativas de Consumidores preservaram espaços de participação democrática e voluntária, considerando como enriquecedores os contributos vindos de fora da estrutura profissional.

As Delegações Locais desenvolvem um trabalho que permite aproximar a Cooperativa das comunidades

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ooperativismo e Voluntariado são duas designações que se cruzam, expressando a ideia de entreajuda e solidariedade. Quando pensamos em alguém voluntário pensamos em alguém que se oferece, motivado pela sua própria vontade, para servir uma causa. Uma vez que o Cooperativismo nasce da vontade de construir, colectivamente, algo para a satisfação do bem comum, não é de espantar que ao contemplarmos a obra deixada pelos fundadores das Cooperativas que hoje conhecemos, constatamos que ela foi construida por pessoas que, de forma voluntária, foram pondo ao serviço desta causa, o seu tempo, o seu trabalho, a sua inteligência.

Nas Cooperativas de consumidores é frequente encontrarmos relatos desta realidade. Depois de terem construido os edifícios foi de forma voluntária que os próprios Cooperadores geriram a actividade comercial. Era depois de sairem dos seus empregos que se juntavam para organizar a contabilidade, comprar e preparar os produtos para venderem a outros cooperadores. Uns cediam o seu tempo, outros cediam espaços, outros quantias monetárias, todos com o mesmo objectivo: desenvolver o projecto Cooperativo. O projecto desenvolveu-se, crescendo mais do que talvez pudes-

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Desde logo as Direcções escolhidas (através de eleição) de entre os Cooperadores que se dispõem assim, de forma voluntária, a zelar pelos destinos da Cooperativa em representação dos restantes, em conjunto com as equipas profissionais. Se no inicio, na lógica de: uma cooperativa, uma loja - as Cooperativas se relacionavam naturalmente com a comunidade local, a sua expansão geográfica trouxe novos desafios ao cumprimento do 7º principio cooperativo: Interesse pela comunidade - que implica um trabalho em prol do desenvolvimento sustentado das localidades onde estão inseridas. Em cooperativas de maior dimensão foram encontradas soluções como as delegações locais. Estes núcleos locais de Cooperadores, à semelhan-


ça da Direcção, procuram aprofundar ligações à comunidade, quer pelo relacionamento com o associativismo e poder local, quer pela realização de acções de cariz associativo, cultural, ou desportivo. Um dos frutos deste trabalho tem sido o reconhecimento por parte de diversas autarquias que encontram nas cooperativas um parceiro privilegiado para a realização de projectos sociais. Também nas estruturas de grau superior existem cooperativistas que desenvolvem um trabalho de apoio aos profissionais e directores. A representação da Federação em diversos foruns e conselhos de opinião onde têm assento as organizações de consumidores, é uma das funções desempenhadas por estes voluntários, permitindo, desta forma, libertar a restante equipa para outras tarefas.

A Revista Ecoop conta entre a sua redacção com contributos de voluntários do Movimento Cooperativo.

A responsabilidade desta tarefa exige conhecimento dos assuntos em discussão e também um “sentir” de Cooperativista. Assim, é natural encontrarmos, a desempenhar este papel Cooperativistas com um longo percurso de acção Cooperativa e de acompanhamento de diversas matérias, nomeadamente nas áreas de defesa do Consumidor e protecção do ambiente. Os contributos dos voluntários estendem-se também à nossa Revista Ecoop, onde para além de profissionais, contam-se entre a redacção contributos destes cooperativistas que com a sua experiência de vida e trabalho nas Cooperativas trazem uma nova visão às matérias a tratar em cada edição. Para afirmar na prática os valores cooperativos, numa gestão cooperativa que se quer equilibrada entre o económico e o social é necessário que se criem e fomentem espaços de partici-

Compostas por cooperadores, as Direcções procuram o desenvolvimento das Cooperativas no respeito pelos princípios Cooperativos e no cumprimento das decisões dos restantes Cooperadores.

pação democrática e voluntária onde possam participar todos aqueles que entendem ou procuram descobrir as vantagens da cooperação. A terminar será ainda justo sublinhar que existem muitos trabalhadores que,

para além das suas obrigações laborais, desempenham tarefas que demonstram um entendimento da importância deste projecto solidário. Rui Nobre ecoop@consumo-pt.coop

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Faustino Cordeiro, ex-dirigente cooperativo, desenvolve um trabalho, em regime de voluntariado na FENACOOP que passa pela representação institucional da Federação em conselhos consultivos e de opinião de entidades públicas e colabora na Revista Ecoop. Aqui ficam as respostas às questões colocadas a este histórico do Movimento Cooperativo de Consumo sobre voluntariado nas Cooperativas. 1. Sendo que hoje existe nas Cooperativas de Consumidores uma larga equipa de profissionais, qual é, na sua opinião a importância

dos voluntários e que contributo poderão dar? F.C. - Uma cooperativa sem  participação dos seus membros nas suas actividades, não é verdadeiramente uma cooperativa. Evidentemente que o trabalho quotidiano da cooperativa, como empresa, terá de ser assegurado por profissionais, mas a cooperativa não é só uma empresa é uma associação que deverá ter inúmeras actividades (culturais, desportivas, de solidariedade, etc.) na sua relação com a comunidade, onde está inserida. E essas actividades deverão ter a participação acentuada dos membros da cooperativa em trabalho voluntário. 2. Porque acha que os jovens não estão hoje envolvidos/motivados a prestar um trabalho voluntário nas Cooperativas? que formas de inverter a situação. F.C. - Será que o sistema actual algu-

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ma vez prepara os jovens para o trabalho em sistema cooperativo? Em quantas escolas os jovens ouviram falar de cooperativas ou do Sector Cooperativo e Social, referido pela Constituição? Para inverter a situação é óbvio que era preciso que, a todos os níveis de ensino, se incluisse  o Cooperativismo e, em vez de suscitar somente a competição individualista, se praticassem exercícios em que a cooperação seria  elemento fundamental. Os jogos de cooperação, a história do Cooperativismo, o estudo das experiências cooperativas  locais e estrangeiras, poderiam ser formas de fazer descobrir que o trabalho voluntário em cooperativas  é interessante e motivador. Caberá também às cooperativas existentes o importante papel de se disponibilizarem  para uma relação estreita com as escolas da comunidade, seja qual for o seu grau.


FENACOOP na luta contra o sobreendividamento Sobreendividar “Endividar ou endividar-se em excesso ou acima da capacidade de pagar as dívidas” Priberam Dicionário Online

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FENACOOP disponibiliza a todos os consumidores, desde 2008, um serviço de Apoio ao Sobreendividado através do GACOOP – Gabinete de Apoio ao Consumidor e Defesa do Meio Ambiente. Esta iniciativa tem como objectivo apoiar as famílias que numa altura das suas vidas contraíram empréstimos e que agora estão com dificuldades em pagar, e já se encontram em incumprimento. Considera-se que um consumidor está em sobreendividamento quando está impossibilitado de cumprir com os seus compromissos financeiros, e já está em risco a subsistência do agregado familiar. Incluem-se nesta definição as situações de insolvência (falência) das famílias com origem em causas diversas, tais como desemprego ou divórcio. Por telefone, por carta e por correio electrónico são os veículos encontrados para que os consumidores possam chegar até esta ajuda. O serviço tem passado de boca-em-boca e até já tem o contributo da Segurança Social que reencaminha os seus casos para que o GACOOP possa analisar e tentar arranjar uma solução, que por vezes é bastante complicada de obter. Chegam ao GACOOP todos os meses, consumidores que estão “no fim da linha”, pois assumir que se está sobreendividado ainda é uma questão de orgulho para muitos cidadãos. A procura de soluções não deve ser iniciada quando já se está em incumprimento, que é o que acontece na maioria dos casos e que complica a sua resolução. Deprimidos e frustrados os consumidores tentam de alguma forma não perder património e chegam ao GACOOP a pedir “socorro”. Numa estatística realizada, entre Janeiro e Novembro de 2009, pelo próprio gabinete, chega-se à conclusão que a maior parte dos sobreendividados que recorrem a esta ajuda são mulheres,

representando 65 por cento do bolo de pedidos de apoio e que na sua grande maioria realizaram empréstimos como forma de ajuda a terceiros. Os pedidos de ajuda são recebidos pelos técnicos de consumo que entram em contacto imediato como os consumidores. Normalmente, há sempre um técnico que se desloca à Cooperativa mais próxima da zona de residência do consumidor para que seja estabelecido um primeiro contacto com estes. Desta forma, os técnicos podem perceber o actual ponto da situação daquela família, ou seja conhecer o valor dos empréstimos e o motivo que os levou a contraí-los. De seguida o GACOOP estabelece contacto com as entidades credoras para que consiga estabelecer um acordo entre as duas partes, para que o consumidor possa eventualmente cumprir, de uma forma mais leve, as obrigações a que ficou sujeito. Na verdade esta experiência não é fácil de concretizar. Em todos os processos de apoio a FENACOOP tem vindo a encontrar várias dificuldades em negociar com as instituições de crédito, tais como acordar planos de pagamento comportáveis das várias dívidas. Para além disto, ainda se junta a falta de legitimidade que estas instituições atribuem às organizações de consumidores exigindo muitas das vezes procurações e dados que são difíceis de obter, como por exemplo a entidade patronal dos consumidores. O problema do sobreendividamento vai muito além de uma crise económica. A maior parte dos consumidores em vias de falência encontram-se psicologicamente debilitados, que se resume a um desleixo na sua atitude em relação ao seu problema. Páre e procure ajuda, não deixe de abrir a correspondência. Ana Coelho e Carla Espada

A má educação na Irlanda… M a r i e -T h e r e s e , Tom Hayes e Paddy Doyle estão entre os milhares de vítimas de abusos nas escolas industriais geridas por religiosos na Irlanda do Século XX e exigem mais 600 milhões em indemnizações das congregações da Igreja. Isto numa altura em que o país se prepara para um segundo relatório sobre abusos a crianças, depois da divulgação em Maio, do “Relatório Ryan”. Diário de Notícias

Índia: queixas contra bancos por depósito de notas falsas O Reserve Bank of Índia (RBI) apresentou queixa policial contra o gestor e pessoal dum banco público por alegadamente terem aceite e depois depositado notas falsas. O Director do Reserve Bank of Índia, com sede em Kanpur, V. P. Singh, afirmou na sua queixa que a gestão do Punjab National Bank na cidade de Shamli tinha depositado notas falsas no RBI. Indicou ainda que tinha apresentado queixas idênticas contra gestores de mais oito bancos indianos. Indian express.com

Na Europa há uma deficiente investigação sobre a tuberculose e isso custa muitas vidas A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em relatório mostra que todos os países europeus estudados, com excepção da Suécia, não conseguiram fazer da luta contra a tuberculose uma prioridade, e contribuem assim para o seu subfinanciamento mundial, enquanto 1,7 milhões de pessoas morrem de tuberculose em cada ano ( 55 pessoas são contaminadas em cada hora). msf.org

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Fernando Carmo «O peixe não é como a batata» Fernando Carmo foi o responsável pelo desenvolvimento da actividade centralizada de comercialização de peixe na COOPLISBOA. No primeiro dia depois de se aposentar, a Revista Ecoop falou com um homem com um profundo conhecimento sobre o peixe, conhecimento esse que colocou ao serviço do Movimento Cooperativo.

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ernando José Rocha do Carmo, nasceu em Setúbal a 27 de Setembro de 1944 no bairro de Tróino, um dos mais tradicionais de Setúbal com fortes tradições piscatórias. «O meu pai dizia que o maior desgosto que tinha era ver os filhos andar ao mar e lembro-me do meu tio dizer que o bacalhau é bom mas é no prato» recordou Fernando Carmo acrescentando «a vida do mar é muito dura como muita gente nem sequer imagina». Respeitando a vontade do pai, só mais tarde, depois do seu falecimento, iria ligar-se à faina do mar tendo sido forçado pelas circunstâncias, como ele próprio nos contou «eu estava a trabalhar na IMA e tive que comprar umas vacinas para a alergia da minha filha e como a situação na fábrica não estava boa tive que pedir duas semanas para me dedicar ao mar e conseguir dinheiro para as vacinas». Depois deste episódio, Fernando Carmo nunca mais iria perder a sua ligação ao trabalho com o peixe e algum tempo depois começou a trabalhar na lota de Setúbal de onde após várias saídas e entra-

das sairia definitivamente para colocar os seus, já largos, conhecimentos ao serviço da Cooperativa. Por essa altura João Silva era o responsável da Loja Coop da Azeda próximo da sua residência e sabendo das suas qualidades, trouxe-o para a Cooperativa, em 1989, numa altura em que a Loja da Terroa estava ainda em inicio de actividade. Contudo a sua ligação à Cooperativa não era nova «quando eu ainda trabalhava na fábrica ajudei a pintar a Loja da Azeda e nunca imaginava que viria a trabalhar aqui». Aceitar os desafios «Quando me perguntaram se eu tinha disponibilidade eu disse que sim e que a única coisa que precisava era uma motorizada, dessas de três rodas». Foi assim que começou a desenvolver a actividade da peixaria nas três Lojas da PLURICOOP (então COOTSET) em Setúbal. O abastecimento das lojas era feito durante todo o dia «o horário da lota era diferente isso fazia com que eu fosse várias vezes de manhã e à tarde. Comprava à medida

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das necessidades das lojas e muitas vezes para termos algumas reservas e conseguir melhor preço». Esta experiência foi-se desenvolvendo e foi abrangendo um número cada vez maior de Lojas e foi então que foi lançado um novo desafio a Fernando Carmo «o Engº Chaleira Damas foi ter comigo e disse que eu tinha que tirar a carta e eu nunca imaginei que o poderia fazer pois não tinha posses mas com esta proposta eu mostrei vontade e depois foi-me atribuída uma carrinha Renault Trafic». Fernando Carmo recordou também o inicio da actividade na COOPLISBOA «quando passei para a COOPLISBOA, já o Quim Zé trabalhava comigo e fomos organizando as coisas pois foram aparecendo lojas atrás de lojas. Ainda estivemos algum tempo a trabalhar na Cooperativa Agrícola União Novense em Pinhal Novo antes de passarmos para o actual armazém». O peixe é uma matéria muito extensa (...) é necessário ter vontade de aprender Relativamente à actividade das peixarias fez o seguinte comentário «quer queiramos, quer não, hoje o mercado de trabalho é muito diferente e existe muita falta de pessoas com formação para trabalhar nas peixarias. Ao dizer isto, eu não estou a passar nenhum atestado de incompetência a ninguém mas as pessoas devem estar dispostas a aprender e terem gosto no trabalho que fazem, nós estamos sempre a aprender durante toda a vida». “O cliente tem sempre razão” apesar de reconhecer a velha máxima comercial, o nosso entrevistado alerta para o facto de ser necessário educar os consumidores, «a maioria dos consumidores, quando vai a uma peixaria desconhece as características dos peixes que estão a ser vendidos, até porque cada espécie de peixe


tem certas características que por sua vez também são influenciadas, por exemplo, pela forma como o peixe foi capturado. Eu quando compro o peixe na Lota sei como é que ele foi pescado porque tem características diferentes. O peixe é uma matéria muito extensa. Além disso nas cooperativas devemos também ser sinceros e não enganar os clientes» O peixe não é como a batata... Para definir as particularidades do trabalho desenvolvido na área do pescado, Fernando Carmo costuma utilizar a expressão «o peixe não é como a batata» e explica «muitas vezes as pessoas das lojas

pediam-me certas qualidades de peixe mas eu dizia sempre que: o peixe não é como a batata ou seja se o peixe não tiver sido capturado, por alguma razão, não podemos mandar para a loja. Porque o peixe não há sempre». A terminar a nossa conversa deixou uma mensagem «eu saio mas as Cooperativas ficam bem servidas pois o Quim Zé foi uma pessoa que sempre teve vontade de aprender. Desejo também que as pessoas que trabalham na peixaria tenham vontade de aprender e gostem daquilo que fazem». Rui Nobre ecoop@consumo-pt.coop

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Paula Tavares

Os teus valores seguem vivos em nós

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“guerra civil” que se trava nas estradas portuguesas arrancou do nosso convívio Paula Tavares. Bióloga brilhante do Instituto Superior Técnico, activista da defesa do ambiente, cooperativista e presidente da mesa da Assembleia-geral da Cooperativa Mó de Vida foi, há sete anos atrás, a primeira pessoa, habitante do Pragal, a visitar este espaço cedido pela Pluricoop quando ainda fazíamos obras, manifestando a sua imensa alegria por termos vindo para aqui. Daí para a frente a sua actuação como cooperadora da Mó de Vida pautou-se sempre pela honestidade nas relações e no debate, por vezes acalorado, de ideias e ideais. Não fugia aos desafios e a sua genero-

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sidade na defesa da justiça e da vida transformou em sementeira a sua curtíssima estadia entre nós. Neste momento de extremas saudades da Paula vem-nos à memória um trecho de poesia tradicional alentejana, de uma recolha feita por Grabato Dias, …”a terra me está devendo, a terra paga-me em vida, eu pago à terra em morrendo”… Contudo as ideias não morrem sempre que haja quem as defenda e a memória da Paula entre nós será honrada enquanto formos capazes de seguir a luta pela transformação social alicerçada em valores de solidariedade, equidade, respeito pelos ecossistemas. pela Mó de Vida


Pagar para pagar por Multibanco

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Governo transpôs uma Directiva Comunitária que dava o direito aos governos de cada país de decidirem se os consumidores iriam ser obrigados ou não a pagar uma taxa nos pagamentos que efectuam com cartão de débito (multibanco) ou de crédito. O Governo português foi o único, entre os 27 Estados-Membros, a escolher a obrigação do pagamento desta taxa a partir do dia 01 de Novembro. Na prática, a lei vem permitir que os comerciantes possam optar cobrar aos

consumidores, directamente, os encargos bancários a que estão sujeitos pela disponibilização do pagamento por cartão. Todavia, o consumidor deve ser informado da cobrança desta taxa antes de emitir a ordem de pagamento, sob pena de o comerciante cometer um ilícito contra-ordenacional e ficar sujeito ao pagamento de uma coima. Sendo assim, logo após o pagamento, o comerciante fica obrigado a entregar ao consumidor, um talão do banco prestador do serviço de pagamento, contendo uma referência que lhe per-

PREVINA-SE Antes de pagar as suas compras com multibanco ou a crédito confirme junto do comerciante se este cobra taxas pela utilização desse meio de pagamento; Ao serem-lhe cobrado taxas sem ser previamente informado apresente imediatamente queixa no livro de reclamações do comerciante ou da empresa, para que o mesmo seja sancionado pelas autoridades competentes; Cabe ao seu banco reembolsá-lo imediatamente pelos pagamentos não autorizados; Num débito directo o consumidor pode anular a ordem de pagamento até ao final do dia útil anterior.

Caso tenha alguma questão a colocar ou algum caso a relatar escreva, telefone ou envie uma mensagem. Contactos: FENACOOP Federação Nacional das Cooperativas de Consumidores AVENIDA SANTOS DUMONT, 57, 2º. Esqº., 1050-202 LISBOA Tel.: (351) 218 123 525 (351) 265 799 059 Fax: (351) 265 701 159 E-Mail: fenacoop@consumo-pt.coop Web Site: www.consumo-pt.coop

mita identificar a operação. Este talão deve conter a identificação do comerciante, bem como a discriminação dos encargos associados ao pagamento, separados do valor da operação e a data de recepção da ordem de pagamento. A FENACOOP considera que esta medida, tomada pelo Governo, vem penalizar fortemente os consumidores. Num período de forte recessão económica esta medida vem aumentar os encargos exigidos às famílias portuguesas, que na sua grande maioria estão endividadas ou sobreendividadas, esquece que os consumidores já são obrigados a pagar comissões de anuidade dos vários cartões e um extenso rol de encargos bancários. Quanto aos comerciantes as vantagens também não são visíveis porque continuam sujeitos a taxas elevadas, por vezes, discriminatórias que são cobradas pelos bancos prestadores do serviço de pagamento. Para além de passarem a fazer parte de uma “triagem” por parte dos consumidores que não pretendem pagar esse valor e assim perderem clientela. Legislação aplicável: Decreto-Lei n.º 317/2009, de 30 de Outubro Ilustração de Ana Coelho

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Ecoop nº36 Novembro/Dezembro 2009