Page 44

GESTÃO

Custos logísticos e centralização dos estoques O argumento alardeado pelo marketplace se baseia na disjunção entre a circulação monetária (mudança de propriedade da mercadoria) e a circulação da mercadoria ao centralizar o estoque no elo mais próximo do consumidor neste último caso, nos depósitos do marketplace responsável pelo fulfillment. Há pesadas condições necessárias para que esse modelo operacional seja viável para ambas as partes. Entre as mais importantes, uma numerosa rede de depósitos centralizadores estrategicamente localizados e um altíssimo volume de transações. 44

ECBR

O estoque distribuído tem a vantagem de encurtar a distância (por decorrência, o tempo de entrega) entre a mercadoria e o consumidor4 e a desvantagem de aumentar o estoque médio5. Dessa forma, o sucesso desse modelo depende diretamente da redução de custos operacionais do marketplace. Tal redução somente pode ser realizada em decorrência do ganho de escala, visto que os custos logísticos externos reagem fracamente ao investimento tecnológico. Tal característica explica o caráter inexoravelmente monopolista desse mercado. A principal estratégia de expansão desse mercado combina investimentos em tecnologia e em logística (fulfillment). No Brasil, ocorre o contrário: os marketplaces se autodefinem como “empresas digitais” e, assim, reduzem a diversidade de categorias e estão operando com ociosidade de armazenagem. O mercado brasileiro de comercio eletrônico, em que pese sua crescente expansão às 4

As transferências entre depósitos lotam veículos com percur-

so sem paradas, cabendo ao depósito de destino o fracionamento das entregas aos consumidores, operação com ampla vantagem em relação à entrega fracionada a partir de um único depósito. 5

O desconhecimento da demanda implica a manutenção de

estoque em vários depósitos a fim de se ter a vantagem da minimização do custo da entrega fracionada.

foto - shutterstock -voy ager

inclusive o próprio produtor. No entanto, essa possibilidade esbarra em vários obstáculos, entre eles: (i) a pequena participação da venda não presencial no comércio global, gerando conflito entre canais, (ii) a inexperiência mercadológica, logística e tecnológica nos processos associados à venda ultrafracionada amplamente distribuída e (iii) o aumento da complexidade administrativa advinda da agregação de novas funções. Embora restritos, há vários exemplos de venda direta pelo produtor. Vale a pena fazer referência a uma iniciativa de um marketplace em abrir uma filial dentro das dependências de um produtor. A partir dessa filial, o marketplace passa a vender a mercadoria antes de comprá-la e a expede diretamente ao consumidor final por meio de uma linha de checkout de seu sistema instalada in loco. Claramente, essa modalidade de eliminação de um elo da cadeia de distribuição não é favorável aos interesses dos vendedores, tendo em vista a redução da margem deles ao concorrerem com o marketplace.

O e-commerce conquistou a indústria!  
O e-commerce conquistou a indústria!  
Advertisement