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PÁGINAS AZUIS

FERNANDO DI GIORGI fernando.dg@gmail.com

Especialista em E-commerce, Fernando Di Giorgi tem mais de 30 anos de experiência administrativa e gerencial em empresas de desenvolvimento de sistemas e logística, e é especialista em e-commerce. É reconhecido por sua experiência na concepção e desenvolvimento de sistemas para comércio eletrônico de grande porte no Brasil, além de palestrante e conferencista de eventos na área de e-commerce e logística. O executivo é graduado em Matemática pelo IME-USP, mestre em Economia pela PUCSP e doutorando em Economia pela UFPR.

DO VAREJO À EMPRESA DIGITAL: AS CONSEQUÊNCIAS PARA LOJISTAS

O novo modelo A base do novo modelo é monetizar o tráfego conseguido por meios de investimentos já realizados na marca e nos ativos tecnológicos, cuja receita deve superar a venda de mercadoria própria. Para tanto, atuando como “loja que opera lojas”, a loja âncora deve privilegiar a comunicação e o relacionamento com os consumidores, tornando-os crescentemente mais próximos dos 42

ECBR

vendedores e “evitar a sobreposição de investimentos”; dessa forma, justifica-se a comissão paga por eles como um conjunto de serviços indispensáveis à realização e ao crescimento de suas vendas. As bases do novo modelo Os argumentos mostrados em defesa do novo modelo operacional dos marketplaces centraram-se nas vantagens das partes envolvidas: prestador de serviços e vendedores. Sob a ótica dos vendedores (sellers), os benefícios seriam, além do aumento da visibilidade de oferta: a redução de investimentos em armazenagem, tecnologia de informação, publicidade e transporte, a defesa do mercado regional e a melhoria das práticas administrativas dos vendedores de mercadorias. Sob a ótica do marketplace, os serviços prestados devem ser mais eficientes e mais baratos do que se estivessem a cargo dos vendedores. Tal objetivo depende diretamente da ampliação da base de vendedores e da diversidade da oferta, elevando ao máximo o volume de transações. Como consequência, os investimentos do marketplace devem se concentrar em tecnologia da informação, em propaganda, em logística (interna e externa), nos serviços que antecedem a aprovação dos pedidos e no atendimento pós-venda. Segue abaixo a análise dos argumentos acima citados, tendo como diretriz “evitar a sobreposição de investimentos em infraestrutura”.

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Numa palestra recente, o responsável por um dos maiores marketplaces do País declarou, muito sinceramente, que o modelo vigente no varejo eletrônico brasileiro não é sustentável; em outros termos, tem dado prejuízos contínuos. Grandes mudanças devem ser realizadas para que o grande varejo eletrônico deixe de ser uma promessa de lucros para dar retornos positivos aos seus proprietários. Para atingir esse objetivo, segundo o palestrante, as lojas que ancoram os marketplaces deverão reduzir substancialmente a venda de mercadorias próprias e se orientarem para a venda de serviços comerciais, aproveitando-se do seu patrimônio digital. A intenção deste artigo é estender a discussão sobre a perda de rentabilidade do modelo seguido até 2014 pelas grandes lojas do varejo e sobre o novo modelo, cópia do sucesso da Amazon e Alibaba, pelo qual elas perdem seu caráter varejista para se transformarem em empresas digitais, e, especialmente, o significado dessa mudança de rumo para os pequenos e médios lojistas.

O e-commerce conquistou a indústria!  
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