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sta é a primeira edição da Revista Holofote Literário, criada por alunas do Jornalismo Comunitário do Colégio Visconde de Porto Seguro. Tal publicação tem como propósito mostrar as produções artísticas dos adolescentes participantes do Projeto Eco Livre e/ou de jovens que não têm muito espaço para a veiculação de suas obras. Periodicamente, publicaremos obras literárias dos mais diversos tipos. Nesta edição, os holofotes estarão voltados para os minicontos criados em 2009 por estudantes do primeiro ano do ensino médio da Escola da Comunidade. Segundo o escritor Marcelo Spalding, miniconto é um tipo de conto muito pequeno, com no máximo uma página (ou um parágrafo). Alguns dizem que ele é o primo mais novo do poema em prosa, outros apontam as fábulas chinesas como origem. Nos últimos anos este tipo de ficção ganhou muito espaço na literatura de diversos países. Nos Estados Unidos, antologias sucessivas foram lançadas com textos cada vez menores. A literatura latino-americana, responsável pela difusão inicial do gênero, não apresenta apenas antologias, como também estudos acadêmicos acerca do que eles chamam de “microrelato”. Os contos mínimos, é importante ressaltar, podem ser tanto cômicos quanto dramáticos, realistas ou românticos. O que realmente nos atrai nesses pequenos contos é a criatividade do autor, que pode elaborar histórias bem curtas, mas, ao mesmo tempo, brilhantes. Além dos “nossos” incríveis minicontos, apresentaremos também mais um pouco da criatividade desses jovens com dois contos e uma Entrevista fictícia. E, por último, faremos a divulgação de um novo projeto do site Eco Livre. Uma galeria de artes, na qual publicaremos desenhos e qualquer outro tipo de obra artística, seja dos alunos da escola ou de outras pessoas também. Não deixe de ler a 1° edição da Revista Holofote Literário, dando luz a novos talentos!


04 . Desmascarado . Espiadinha . Enroladinho . Confissão . Isolamento Oculto . Contramão . Cinismo . Companheiro

. Incêndio . Jardineira . Um segundo: Duas Torres . Coisa de Noiva . Arrependimento . Replay . Entre Cobras

19 . Lágrimas de uma menina tão bonita . A Brisa do Verão faz-me sentir melhor

Elisabeth Salazar

Edição e Visual Paloma Fraga

Edição de textos e Artes Visuais Gabriela Mendes

21 . O Som do Silêncio

23 Divulgação da mais nova Galeria de Artes do site Eco Livre!

Editora de Jornalismo


Descobriu! Brigaram! Disse que iria embora. Quando olhou pela janela, estava no mesmo lugar. Larissa Pacheco Borghetti

Holofote Literรกrio . 04


A vizinha de Carlos foi visitá-lo no hospital: - O que aconteceu? - Quebrei a perna. - Como? -Em pé na cadeira. - Fazendo o quê? - Te vendo. Flávio Mesquita

Holofote Literário . 05


Como se prepara o amor: duas pitadas de felicidade e uma xícara de paixão. Depois misture tudo e coloque no coração. Mas sirva quente, se não pode desandar. Gabriel Cunha dos Reis

Holofote Literário . 06


Para elevar a honra da família, ela subiu ao altar. Olhos e coração fixos no homem que amava enquanto caminhava na direção de um estranho. Cada batida do seu coração pulsava o pecado de seus pensamentos, mas desejou profundamente que aquela pulsação acabasse para sempre quando ouviu o homem que amava dizer: “Até que a morte os separe”. Izabel Sampaio Pereira

Holofote Literário . 07


A porta se abrindo, passos rangendo, coração disparado. Chegou a hora, fim de história. Entrou, fechou a porta, passou a chave. Escondido, está agora na mais profunda escuridão. Alexandra de Jesus Simões

Holofote Literário . 08


Festa no sábado, indecisão. Como se escolhe o batom, vestido, sandália...? Já sei, aquele modelo azul, com um salto e bastante maquiagem. Pronto, já é sábado. Entrei no carro, alta velocidade, muita ansiedade e um caminhão... na contramão. Erica Loiola Lima

Holofote Literário . 09


Parece até novidade que eu te amo. Fabrício dos Santos Monteiro

Holofote Literário . 10


Ela se levantou às seis horas da manhã. Escovou seus dentes, tomou café, se trocou, deu um beijo nas crianças, saiu. Trabalhou duramente o dia todo, mulher guerreira. Chegou em casa. E ele ainda estava em seu lugar do sofá. Karen Dognani

Holofote Literário . 11


Estรกvamos ali, eu e ela, perdidos naquele fogo, sem ter pra onde correr. O que fizemos? Fomos juntos no embalo e deixamos o fogo arder.

Robson Chaves

Holofote Literรกrio . 12


Sábado, 28 de fevereiro de 1897. -O que aconteceu? -Não sabemos... -Cadê minha mulher? -Só encontramos uma flor e marcas de sangue. Juliana Torres


No elevador, uma infinidade de botões. A viagem até meu escritório foi longa. 87º andar. Maleta sobre a escrivaninha. Fiquei olhando pela janela. O mundo lá do topo parecia pausado. No horizonte um avião se aproximava. Havia algo errado, estava perto demais. A velocidade da aeronave era infernal. Em meio ao barulho das turbinas, uma lágrima surgiu em meus olhos. Agora, o que faço? É o fim? Abri a janela. Saltei. Flutuei no ar... Então o choque. Atrás de mim houve a explosão. Um fogo se expandiu. Similar a um filme de ação, mas onde estavam as câmeras? Tentei esquecer de tudo, não consegui. Neste breve filme, lembrei-me dos negócios, da tristeza, da queda, do princípio. Javé Oliveira Valdevino

Holofote Literário . 14


Para as noivas se casarem, meu caro, só existe uma explicação, uma força muito forte que dispara o coração. Você aceita se casar com ele? “Sim!” - mas (no fundo) ela sabia que não. Assim ficou uma falta de entendimento que levou ao fim da relação. Um pequeno detalhe: ilusão.

Jefferson Manoel da Rocha

Holofote Literário . 15


Lutei contra ele. Ele se foi. Agora todos os dias eu vou à rodoviária. Espero, espero e nada. Ele nunca vem. Disse-lhe que não sentiria saudades. E é contra ela que eu luto todos os dias! Jéssica Almeida

Holofote Literário . 16


Ela conhece toda a história, domina o início e o clímax, sabe que vai sofrer, mas quer pagar pra ver. Marília Martins

Holofote Literário . 17


Estava terminando de me arrumar quando o telefone tocou: Triiiimmm! -Alô, quem fala? É a naja? -Não, é sua sogra! - Ah, grande diferença! Deborah Gomes

Holofote Literário . 18


Ele veio me visitar...Era sempre a mesma coisa; ela gritava, ele gritava, eu corria para o quarto, achava tudo aquilo ridículo. Ela falava muitas coisas, eu só ouvia uma: - Estou cansada, maldita hora em que eu pensei duas vezes antes de te pôr na justiça! Você nunca dá nada para as meninas! A forma de despedida era exatamente igual todas as vezes, o estrondo do portão anunciava que ele já foi embora. Ele voltará... Antes mesmo que o barulho cessasse, eu já estava ajoelhada, diante de suas pernas, à barra de sua saia encontravam-se duas mãozinhas que a contraiam com desespero... - Não prende meu pai mãe! Por favor! - ela me abraçava e dizia que ele não merecia as lágrimas de uma menina tão bonita. Ele voltou. Nesse dia, as coisas foram diferentes, a gritaria começou, eu não corri para o quarto, ele estava alterado, ela estava fria, indiferente. Ele chegou perto, ela fechou os olhos, eu levantei, fiquei de pé em cima da mesa, fixei o olhar, raivoso sobre ele, parado, olhou-me, se afastou. Ela deixou cair uma lágrima, mas não a queria. Ele saiu sem dizer nada, parou diante do portão; olhei-o como quem não quisesse sua volta; encostou o portão e foi... Ela chorou naquela noite, e eu que tão menina, a consolei; me senti mãe de quem foi a minha tantas vezes...Abracei-a e disse: - Ele não merece as lágrimas de uma menina tão bonita... Ela sorriu, logo depois, dormia.

Paloma Fraga

Holofote Literário . 19


O

vento batia nos cabelos dela, mas não esvoaçavam como nos filmes. Ficaram feios, desordenados. Ela olhava fixamente para baixo, onde haviam filas de carros presos no trânsito caótico. Algumas pessoas que passaram por ela a olhavam com o canto dos olhos. “Será que ela está pensando em pular?” pensavam enquanto afastavam-se. Do alto da ponte, eu observava a menina de olhar desesperado e expressão vazia. E muitas pessoas passavam e olhavam-na , mas ninguém lhe disse nada. Apenas eu a observava sem pausa, aflita. Parecia que faria algo precipitado. Mas eu estava constrangida de tomar alguma atitude. E ela parecia cada vez mais desesperada, seu olhar arregalado olhando para o chão onde ela queria que seu corpo se encontrasse. Um arrepio a sacudiu. Assustei-me. Olhei ao redor para ver se alguém iria ajudá -la, mas alguns passavam e fingiam não vê-la, ou então olhavam para trás, mas já estavam longe. Seria possível que todo mundo pensaria que não era consigo? Por que era tão bom pensar “não posso fazer nada” ou “não tenho nada a ver com isso”? E a menina lá, olhando para baixo, os pés cada vez menos fixos. O olhar dela ergueu-se e as pálpebras tremiam. Olhei mais uma vez e ninguém pareceu querer ajudá-la. Talvez... eu fosse a única que pudesse fazer algo por ela. Meu coração acelerou e minhas mãos suadas apertaram o parapeito da ponte. Ninguém a ajudaria, dependeria de mim. Eu tremia. Fui temerosa soltando as mãos. A menina continuava desesperada e já notara que agora não havia mais ninguém por ela. Eu deveria mesmo fazer alguma coisa? Estava difícil respirar de tão forte que meu coração batia. E, de súbito, decidi salvar-lhe a vida. Virei de costas e, confesso, meio cambaleante, me afastei. Depressa, com os cabelos desordenados, corri e me afastei da ponte. Só mesmo eu poderia ajudá-la. Acabara de salvar minha vida.

Izabel Sampaio Pereira Holofote Literário . 20


Holofote Literรกrio . 21


Holofote Literรกrio . 22


Arte em foco

Paloma Fraga

Liberte. Holofote Literรกrio . 23


Paloma Fraga Holofote Literรกrio . 24


Paloma Fraga

Holofote Literรกrio . 25


Jefferson C. Salazar Holofote Literรกrio . 26


Jefferson C. Salazar Holofote Literรกrio . 27


www.portoseguro.org.br

www.ecolivre.com.br

Holofote Literário  

Revista literária com o intuito de mostrar os grandes talentos de jovens adolescentes.

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