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INFORMATIVO OFICIAL DO MOVIMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO - MTG ECO DA TRADIÇÃO - ANO XVIII - Nº 211 - MARÇO DE 2019

Foto: Eduardo Rocha

ESPECIAL “DOSSIÊ” O Departamento Cultural é o coração e o motor de uma entidade tradicionalista. Constitui o farol que guia todas as atividades. O que funciona? O que precisa melhorar? Qual a filosofia de trabalho que está por trás de cada ação? Uma matéria completa sobre os departamentos culturais inaugura o especial “Dossiê”, que pretende, ao longo das edições do jornal, investigar a fundo a realidade das entidades.

Páginas 7, 8, 9 e 10

Os ensinamentos e reflexões proporcionados pela Carta de Princípios

Anunciados novos nomes para departamentos do Movimento Tradicionalista Gaúcho

Fortalecimento da música gaúcha depende de empenho diário, todos trabalhando juntos

Capital do Fandango está iniciando os preparativos para a Semana Farroupilha 2019

Páginas 12 e 13

Página 15

Página 16

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2 - ECO DA TRADIÇÃO

março de 2019

EDITORIAL

Busca incansável de um tradicionalismo para todos Ao longo do tempo em que estou mergulhado intensamente nas atividades do MTG, vou nutrindo a cada instante este sentimento da busca incansável por um tradicionalismo para todos, de oportunidades, do coletivo, aquele capaz de realmente fazer a diferença em nossa sociedade. Tenho alimentado esta vontade de buscar o simples, o tradicional, o verdadeiro, aquele que herdei de família, feito de forma solidaria sem interesses que manipulem vontades de grupos ou a imposição de poucos. Devemos cultivar a capacidade multiplicadora da descoberta de agentes com o poder de socializar o conhecimento. As transformações de nossa sociedade passam por esta capacidade de entendimento deste comportamento nas relações socioeducativas de nosso meio. Ao usarmos de artifícios das mídias sociais para exalar o fel do despreparo e a inveja, talvez sejam estes os nossos maiores problemas.

EXPEDIENTE

Movimento Tradicionalista Gaúcho Rua Guilherme Schell, 60, Porto Alegre/RS – CEP 90640-040

Este despreparo na maioria das vezes, e por quê não dizer em sua totalidade, não é a falta de conhecimento, mas a falta da grandeza de ser uma pessoa capaz de fazer o bem, sem saber a quem, esta é a questão. A inveja pode ser a capacidade de alguns em destruir, mentir, caluniar... As mudanças devem continuar. Toda e qualquer mudança é feita com coragem e acima de tudo com convicção, e gera estes sentimentos que cegam as pessoas e prejudicam de forma a causarem danos irreparáveis para a sociedade e instituições. O momento em que vivemos nos remete a uma profunda reflexão: Qual movimento nos desejamos para nossos filhos, nossas crianças? Um movimento engessado, que não permite o contraditório, que não permite escolhas que não sejam “As minhas”? Um movimento do Não, de imposição, da falta de espaço

janelas, oportunidades, sem interesses pessoais e de pequenos grupos, um movimento capaz de mostrar oportunidades iguais a todos, de mostrar a verdade e principalmente praticar a simplicidade e a tradicionalidade. No mês do dia internacional da mulher, onde estas guerreiras buscam seus espaços, buscam uma sociedade livre e igualitária, percebemos que esta semelhança das necessidades do movimento são as mesmas de nossas mulheres. Parabéns a todas que ajudam a construir um movimento tradicionalista de todos. Estas mulheres independentes e capazes de serem elas próprias em suas vontades, desejos e projetos. Nós, emparceirados destas mulheres guerreiras, seguimos lado a lado lutando e nutrindo esta esperança gigantesca de reafirmarmos este movimento de todos e para todos.

as futuras gerações? Ou aquele que nos mostra novos caminhos, que nos abre

Nairo Callegaro Presidente do MTG

Anuncie no

Telefone: 51 3223 5194 www.mtg.org.br Presidente: Nairo Callegaro; Vice-presidente de Administração e Finanças Carlos Alberto Moser Vice-presidente de Cultura: Mirelle Gonçalves de Faria Hugo Vice-presidente Campeiro: Vanderlei Eufrazio da Rosa Vice-presidente artístico: Rodrigo de Moura Vice-presidente de Esportes Campeiros: Martim Guterres Damasco

mande email para

Eco da Tradição Informativo Oficial do MTG www.ecodatradicao.com.br Editora e Jornalista responsável: Sandra Veroneze (Mtb 10.210) Contato: imprensa@mtg.org.br

imprensa@mtg.org.br


ano XVIII • edição 211

ECO DA TRADIÇÃO - 3

CONGRESSO TRADICIONALISTA

Quem são os novos vices-presidentes do Movimento Tradicionalista Gaúcho

Durante o 67º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado em São Borja no mês de janeiro, foi empossada a nova diretoria do Movimento Tradicionalista Gaúcho. A composição apresentava como novidades os nomes do vice-presidente de Administração e Finanças, Carlos Moser; de cultura, Mirelle Gonçalves de Faria Hugo, e campeiro, Vanderlei Eufrázio da Rosa, permanecendo como vice artístico Rodrigo de Moura e como vice de esportes campeiros Martim Guterres Damasco. Em fevereiro o vice artístico, Rodrigo de Moura, pediu afastamento do cargo e a pasta foi assumida por Valmir Böhmer. Vice-presidência de Administração e Finanças - Carlos Alberto Moser assumiu a Vice-presidência de Administração e Finanças do MTG. Sua trajetória tradicionalista iniciou no CTG Serigote, de Estância Velha. A entidade é a primeira e única casa tradicionalista, afirma. Mais tarde Moser assumiu como secretário da 30ª Região Tradicionalista, sendo eleito coordenador durante oito anos consecutivos, nos anos de 2011 a 2018.

Vice-presidência de Cultura - Mirelle Gonçalves de Faria Hugo é natural de Herval do Sul, casada, mãe de duas filhas, graduada como Tecnóloga em Processos Gerenciais e pós-graduanda em MBA de Gestão de Projetos. A vice-presidente de Cultura é a terceira geração de uma família que desde os primórdios do Movimento Tradicionalista Gaúcho foi ativa e participante. “Meu avô Adão Jorge Gonçalves foi precursor dos programas regionalistas em televisão e rádio no seu eterno Rodeio da Tradição e meus pais Roberto e

Vice-presidência de Administração e Finanças: Carlos Alberto Moser

Vice-presidência de Cultura: Mirelle Gonçalves de Faria Hugo

Vice-presidência campeira: Vanderlei Eufrázio da Rosa

Vice-presidência artística: Valmir Böhmer

Ione de Faria estiveram à frente de patronagens, coordenadorias, invernadas artísticas”.

tivamente na manutenção e divulgação de nossas raízes, preparando-me assim, para mais tarde assumir cargos como Diretora Cultural e Coordenadora Regional”, afirma.

Adquirir o gosto pelo tradicionalismo, segundo Mirelle, foi natural. “A Mirelle tradicionalista se descobriu através dos concursos culturais e na arte declamatória, mas foi quando, eleita em 1999, Diretora do Departamento Jovem Central do MTG/ RS, que ampliei significativamente meus horizontes, dimensionando então pra mim que poderia contribuir efe-

Vice-presidência artística - O tradicionalista Valmir Böhmer é o novo vice-presidente artístico do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Natural de Cruz Alta, Böhmer iniciou sua participação no Movimento Tradicionalista quando foi morar em Santa Maria, na 13ª Região Tradicionalista,

em 1980. Em sua trajetória, acumula diversos títulos na modalidade danças tradicionais representando o Centro de Pesquisas Folclóricas Piá do Sul. Ele também foi membro da delegação que representou no Rio Grande do Sul no Festival da Pátria Gaúcha, realizado na província de Taquarembó – República Orienta do Uruguai -, nos anos de 1998 e 1999, e foi o diretor responsável da delegação no ano de 2013. Também foi diretor responsável pela delegação que representou o Rio Grande do Sul no “Encuentro de Canto y Danza Latinoamericana 2013”, realizado no município de Mina Clavero, Província de Córdoba na Argentina. Diretor Artístico do CPF Piá do Sul nos anos de 2009 a 2012, também acumulou o cargo de Capataz Geral nos anos de 2011/2012, tornando-se Patrão da entidade nos anos de 2013/2014. Em 2011 a 2014 e de 2017 a 2018 atuou como assessor jurídico na 13ª RT. Em 2014 recebeu a Comenda João de Barro. Em 2017/2018 foi diretor artístico da RT e é conselheiro do MTG 2019/2020.

Vice-presidente campeiro - Vanderlei Eufrázio da Rosa assumiu como vice-presidente campeiro do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Em sua trajetória, tem passagens como patrão de CTG, diretor campeiro e também como coordenador da 22ª Região Tradicionalista. “Gosto de trabalhar em equipe e gestão de pessoas”, afirma. Sua meta, para 2019, é desenvolver um trabalho forte na proteção aos animais de rodeio. Por Sandra Veroneze


4 - ECO DA TRADIÇÃO

março de 2019

CALENDÁRIO DO MTG 2019

MARÇO

JANEIRO DATA

DIA

EVENTO

PROMOÇÃO

CIDADE

12 e 13

sáb e dom

67º CONGRESSO TRADICIONALISTA GAÚCHO

MTG

SÃO BORJA

dom

1ª REUNIÃO DE CONSELHEIROS

MTG

SÃO BORJA

dom

1ª REUNIÃO DE COORDENADORES REGIONAIS

MTG

SÃO BORJA

13 13

DATA

DIA

EVENTO

PROMOÇÃO

CIDADE

4

seg

PRAZO FINAL INSCRIÇÕES FECARS

MTG

PORTO ALEGRE

9

sáb

REUNIÃO DO CONSELHO DIRETOR

MTG

9

sáb

SEMINÁRIO ESTADUAL DE PRENDAS

MTG

12

ter

PRAZO FINAL - INSCRIÇÕES 31º ENTREVERO CULTURAL DE PEÕES - FASE ESTADUAL

14 a 17

qui a dom

16

sáb

DIA

EVENTO

PROMOÇÃO

CIDADE

4

sáb

3ª REUNIÃO DE COORDENADORES REGIONAIS E DIRETORES REGIONAIS

MTG

PORTO ALEGRE

11

sáb

3ª REUNIÃO DO CONSELHO DIRETOR

MTG

PORTO ALEGRE

16 a 18

qui a sáb

49ª CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS - FASE ESTADUAL

MTG + 24ª RT

LAJEADO

31ª FESTA CAMPEIRA DO RIO GRANDE DO SUL

28

ter

PRAZO FINAL - INSCRIÇÕES 50ª CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS - FASE REGIONAL

MTG

PORTO ALEGRE

SEMINÁRIO DA CULTURA CAMPEIRA

28

ter

PRAZO FINAL - INSCRIÇÕES 32º ENTREVERO CULTURAL DE PEÕES - FASE REGIONAL

MTG

PORTO ALEGRE

PORTO ALEGRE

MTG

FEVEREIRO DATA

DIA

EVENTO

sáb

2ª REUNIÃO DE COORDENADORES REGIONAIS, DIRETORES CAMPEIROS, CULTURAIS, ESPORTIVOS, ARTISTICOS

16

MAIO DATA

JUNHO

ABRIL PROMOÇÃO

DATA

DIA

EVENTO

MTG

25 a 27

qui a sáb qua

17

PROMOÇÃO

CIDADE

31º ENTREVERO CULTURAL DE PEÕES - FASE ESTADUAL

MTG + 6ªRT

RIO GRANDE

PRAZO FINAL - INSCRIÇÕES 49ª CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS - FASE ESTADUAL

MTG

PORTO ALEGRE

DATA

JULHO DATA

DIA

EVENTO

PROMOÇÃO

CIDADE

6

sáb

4ª REUNIÃO DE COORDENADORES REGIONAIS E DIRETORES REGIONAIS

MTG

PORTO ALEGRE

qui

PRAZO FINAL INSCRIÇÕES ENART 2018

MTG

25 27

sáb

87ª CONVENÇÃO TRADICIONALISTA

PORTO ALEGRE

MTG

6

EVENTO

TER

SORTEIO DA ORDEM DE APRESENTAÇÃO DAS INTERREGIONAIS DO ENART 2019

MTG

MTG + 20ª RT

16 e 17

sex e sáb

ACENDIMENTO E DISTRIBUIÇÃO DA CHAMA CRIOULA

24 e 25

sáb e dom

1ª INTERREGIONAL DO ENART

sáb

5ª REUNIÃO CONSELHO DIRETOR

31

PROMOÇÃO

MTG

CIDADE

PORTO ALEGRE

TENENTE PORTELA

PORTO ALEGRE

PROMOÇÃO

CIDADE

15

sáb

4ª REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHOR DIRETOR (Provas Ciranda e Entrevero Regional)

MTG

PORTO ALEGRE

29

sáb

50ª CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS - FASE REGIONAL

MTG

RTs

29

sáb

32º ENTREVERO CULTURAL DE PEÕES FASE REGIONAL

MTG

RTs

SETEMBRO DATA

DIA

14 a 20

EVENTO

PROMOÇÃO

CIDADE

28 e 29

semana

SEMANA FARROUPILHA

MTG + RTs

RS

sáb e dom

2ª INTER-REGIONAL DO ENART

DATA

DIA

EVENTO

PROMOÇÃO

09 e 10

sáb e dom

28º ABERTO DE ESPORTES - 4º ENECAMP

MTG +

9

sáb

REUNIÃO DO CONSELHO DIRETOR

MTG

PORTO ALEGRE

15 a 17

sex a dom

FINAL ENART 2019 ENCONTRO DE ARTE E TRADIÇÃO GAÚCHA

MTG + 5ª RT

SANTA CRUZ DO SUL

OUTUBRO

DIA

EVENTO

NOVEMBRO

AGOSTO DATA

DIA

DATA

CIDADE

DEZEMBRO

DIA

EVENTO

PROMOÇÃO

12

sáb

XVII ACAMPAMENTO ESTADUAL DA JUVENTUDE GAÚCHA

MTG

12

sáb

XXVIII TCHENCONTRO ESTADUAL DA JUVENTUDE GAÚCHA

MTG

12 e 13

sáb e dom

FEGADAN/FEGACHULA

MTG

19 e 20

sáb e dom

3ª INTER-REGIONAL ENART

26

sáb

53º ANIVERSÁRIO DO MTG / ORCAV

MTG +

29

ter

SORTEIO DA ORDEM DE APRESENTAÇÃO DA FINAL DO ENART 2018

MTG

CIDADE

DATA

DIA

EVENTO

PROMOÇÃO

CIDADE

5

qui

PRAZO FINAL - ELEIÇÕES COORDENADORIAS REGIONAIS

MTG

RTs

7

sáb

REUNIÃO DE ENCERRAMENTO CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA

MTG +

qua

PRAZO FINAL - APRESENTAÇÃO PROPOSIÇÕES PARA O 66º CONGRESSO TRADICIONALISTA GAÚCHO

MTG

11

RTs

PORTO ALEGRE

JANEIRO 2020 DATA

DIA

EVENTO

10 a 12

sáb e dom

68º CONGRESSO TRADICIONALISTA GAÚCHO

• SUJEITO A ALTERAÇÕES DE DATAS.


ano XVIII • edição 211

ECO DA TRADIÇÃO - 5

CURSOS

MTG divulga Calendário de Cursos de 2019 O Departamento de Formação Tradicionalista do Movimento Tradicionalista Gaúcho, coordenado por Sayonara de Ávila Daniel, divulgou o calendário de cursos de 2019. As atividades se estendem de março a agosto, tanto na sede da entidade, em Porto Alegre, como no interior. Calendário Março - Nos dias 23 e 24 de março acontecerá o Curso de Avaliadores da Ciranda Cultural de Prendas e Entrevero Cultural de Peões, fase estadual, em Porto Alegre. Abril – Nos dias 06 e 07 acontece o Curso de Avaliadores da Ciranda Cultural de Prendas e Entrevero Cultural de Peões, fase regional, em Canoas. No dia 20 acontece Cfor Básico em São Jerônimo, na 2ª Região Tradicionalista. Maio – Nos dias 04 e 05 acontece encontro sobre Indumentária Gaúcha, com Marina Paixão Côrtes, no CTG Tiarayú, em Porto Alegre. No dia 11 acontece Cfor Básico em Rio Grande, na 6ª Região Tradicionalista. Nos dias 25 e 26 acontece Capacitação para Novos Instrutores de Danças Tradicionais Gaúchas, no MTG, em Porto Alegre. Junho – Para os dias 23 e 24 está previsto Curso de Gestão de CTGs, no MTG, em Porto Alegre. Julho – Nos dias 13 e 14 acontece Curso de Juiz de Provas Campeiras, no MTG, em Porto Alegre; e nos dias 20 e 21 acontece Formação de Posteiros Artísticos, no MTG, em Porto Alegre.

Aprendizado: calendário proporciona capacitação e aperfeiçoamento em diversas áreas do tradicionalismo gaúcho

Agosto – Nos dias 2 e 3 acontece mais uma edição do curso Cfor Avançado, no MTG, em Porto Setembro – Nos dias 7 e 8 acontece Capacitação para Novos Instrutores de Danças Gaúchas de Salão, no MTG, em Porto Alegre.

Custos - As inscrições são gratuitas para os cursos de Gestão de CTGs, Cforzinho, Cfor Jovem, Preparação de Avaliadores Regionais de Danças Tradicionais Gaúchas – Voluntários, Formação de Posteiros Artísticos e Capacitação para Avaliadores de Ciranda de Prendas e Entrevero de Peões. A inscrição para o Cfor Básico na sede do MTG custa R$ 80,00 e no interior, R$ 65,00. A inscrição para o Cfor Patronagem custa R$ 80,00; de Juiz de Prova Campeira, R$ 150,00; e Cfor Avançado, R$ 250,00. A inscrição para a Capacitação para Novos Instrutores de Danças Tradicionais custa R$ 250,00 e a Capacitação para Novos Instrutores de Danças Gaúchas de Salão também R$ 250,00.

Frequência e postura - Os inscritos nas capacitações devem cumprir os horários estabelecidos para cada evento, sendo obrigatória a presença em 75% das aulas para ter direito ao Certificado. Os alunos devem comparecer pilchados para as aulas, admitidas exceções previamente autorizadas pelo Departamento de Formação Tradicionalista e Aperfeiçoamento.

R$

80

,00

R$

Inscrições - Os detalhes sobre como realizar as inscrições, idades mínimas para cada curso e outros detalhes foram divulgados na Nota de Instrução, que está disponível no site do MTG. Departamento de Formação Tradicionalista e Aperfeiçoamento - Cabe ao Departamento de Formação Tradicionalista e Aperfeiçoamento programar, planejar, organizar, promover, divulgar e desenvolver cursos de formação tradicionalista para os públicos interno e externo. Seu trabalho está em direta interlocução com a vice-presidência de cultura, à qual é submetido. Por Sandra Veroneze

50

,00

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45,00


6 - ECO DA TRADIÇÃO

março de 2019

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O que é e o que significa ser mulher gaúcha, prenda tradicionalista, nos tempos atuais?

No dia 08 de março comemoramos o Dia Internacional da Mulher. A data marca a busca por igualdade em uma sociedade considerada patriarcal e machista. Dados estatísticos, principalmente relacionados à jornada de trabalho, demonstram um tratamento diferenciado a partir de gênero. Mulheres tendem a ter salários menores que homens para mesmas funções e tendem a acumular funções na distribuição de tarefas no casal. No tradicionalismo gaúcho, a prenda sintetiza as virtudes da mulher gaúcha. Anualmente, o Movimento Tradicionalista Gaúcho realiza um concurso, o Ciranda de Prendas, para escolher, a partir de provas em diversas áreas, as representantes deste ideal da mulher gaúcha. Conversamos com a Gestão de Prendas 2018/2019 sobre como é ser Prenda. Jessica Herrera, 1ª Prenda do RS - “Ser prenda é se apropriar da responsabilidade de representatividade da essência da cultura gaúcha, sendo solícita através do voluntariado e dando voz aos anseios das mulheres do Rio Grande tradicionalista. Em suma, é ser pensante e ativa, colocando em marcha a tradição gaúcha e garantir o repasse dos nossos valores através das gerações”.

Ana Maria, 2ª Prenda do RS “Ser prenda tradicionalista é preservar e valorizar todas as conquistas e reconhecer a importância desse trabalho para que as gerações continuem a cultuar nossos valores e legados. Vai muito além de participar ou ajudar em eventos. É representar em sua estampa a mulher que no passado tanto fez em prol da tradição, da família e das gerações, ao mesmo tempo estudar, mostrar e repassar o folclore, os usos e costumes e a cultura do Rio Grande do Sul, de forma simples, um legado contínuo de preservação da nossa história.” Tamara Trentini Rigo, 3ª Prenda do RS - “Ser prenda é preservar o tradicionalismo na sua essência,

Gestão Estadual de Prendas: Ciranda Cultural de Prendas escolhe as representantes da mulher gaúcha

auxiliando na manutenção do mesmo. É cultuar as tradições gaúchas, preservando e transmitindo, também, valores fundamentais, como a humildade em nossas ações, comprometimento com a causa tradicionalista e o respeito com o próximo e entre as gerações. É dizer sim à causa que amamos e defendemos!” Cristina Kunzler Diemer, 1ª Prenda Juvenil do RS - “Ser Prenda Tradicionalista é assumir o importante desafio de difundir e propagar a nossa cultura, escolhendo comprometer-se com o Movimento Tradicionalista Gaúcho e com os legados que nos foram transmitidos - tendo na estampa de Prenda todo um símbolo da mulher gaúcha, manifestando a história, os valores, os usos e costumes de gerações. Somos com orgulho Prendas Tradicionalistas que reafirmam as conquistas das mulheres deste Estado.” Nathália Yasmin, 2ª Prenda Juvenil RS - “Ser Prenda Tradicionalista é trazer consigo a essência e a coragem das mulheres de outrora, tendo consciência do papel ativo a ser desempenhado enquanto re-

presentante deste legado. É prezar pela fomentação do tradicionalismo, atuando tanto nas entidades tradicionalistas quanto na sociedade, de modo a preservar a altivez de nosso núcleo cultural.” Tayline Alves Manganeli, 3ª Prenda Juvenil do RS - “Ser uma verdadeira prenda tradicionalista vai muito além do que podemos imaginar. Nós somos, sentimos e vivemos a tradição. Somos, acima de tudo, soldadas do Movimento e lutamos dia a dia em defesa do mesmo. Somos nós as responsáveis por representar todas as mulheres deste chão, somos nós as encarregadas de preservar a imagem das inúmeras heroínas que outrora não só ajudaram a escrever a nossa história, mas sim fizeram a história. É nossa a incumbência zelar pelos princípios deste tradicionalismo que é de todos nós, garantindo assim uma maior difusão de valores. E tudo isso fizemos pelo amor que sentimos pelo nosso Rio Grande, fizemos por termos inúmeras mulheres dentro de nós! Portanto, ser Prenda é amor, é sonho, é paixão!”

Letícia Sorriano, 1ª Prenda Mirim RS - “Ser prenda tradicionalista é representar a mulher gaúcha em sua essência, valorizando a nossa cultura rio-grandense e preservando os usos e costumes de nossa tradição.” Antônia Arend, 2ª Prenda Mirim RS - “Como prenda procuro sempre ajudar a divulgar as raízes gaúchas, incentivando a cultura do nosso pago, da terra onde nasci. Entendo que somos exemplos para muitas crianças e jovens. Nós precisamos ter muita dedicação e amor pelo Rio Grande. Sou grata em poder viver tantas experiências como prenda que me engrandecem como pessoa e como tradicionalista.” Ester Belegante Nervo, 3ª Prenda Mirim do RS - “É representar a imagem e filosofia da história da mulher gaúcha, na sociedade moderna, baseando-se nos valores e princípios daquelas mulheres que construíram a cultura de nosso Estado”. Por Sandra Veroneze


ano XVIII • edição 211

ECO DA TRADIÇÃO - 7

CBTG

CBTG divulga calendário do Projeto Desafios Culturais para 2019

Vamos aprender juntos? - é o convite.

Com iniciativa do prendado da CBTG (gestão 2017-2019), o Projeto “Desafios Culturais da CBTG” objetiva gerar ações em todo o Brasil em torno de um tema abrangente relacionado à cultura gaúcha, ao tradicionalismo ou à atuação social do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Os temas são lançados mensalmente e sua escolha se dá com base em datas comemorativas, tendo relação com assuntos em discussão no âmbito tradicionalista e no âmbito social. São temas abrangentes que permitem diferentes apropriações, abordagens e formatos e conforme a comissão organizadora não tem um jeito certo de se cumprir os desafios! Vale ressaltar que o projeto não objetiva a competição entre entidades, pessoas ou mesmo federações. “Queremos promover, em cada pessoa tocada pelas ações, uma reflexão sobre os temas, a busca por novos conhecimentos e a geração de interesse em debater e aprender sobre os temas lançados, afirmam os organizadores. Por isso, não é um problema se determinada entidade só consegue cumprir alguns dos desafios, ou então quando se extrapola o período do mês para realizar ações da temática do mês anterior. Tudo é permitido, já que gostaríamos de trabalhar juntos em prol dos objetivos do Departamento Cultural!”, explica Danielli Oliveira, 3ª Prenda Veterana da CBTG.

Confira, o cronograma de desafios para que todos tenham a oportunidade de se preparar! Não esqueçam de publicar as fotos e a descrição das ações nas redes sociais, com a hashtag #DesafioCulturalCBTG. Esperamos a participação de todos.

Fevereiro: Indumentária Gaúcha; Março: A Mulher e sua Importância no Tradicionalismo Gaúcho e na Sociedade; Abril: Esta Terra Tem Dono: o Índio e o Gauchismo; Iniciativa: Projeto é do prendado da CBTG (gestão 2017-2019)

Maio: Gaúcho e Campesino: Lida Campeira; Junho: Mude a Vida de Alguém; Julho: Identidade e Origens: Resgate de Histórias; Agosto: Lendas do Folclore Gaúcho e Regional; Setembro: Revolução Farroupilha: Ideais e Legado; Outubro: Curas Populares e Benzimentos: Medicina Campeira; Novembro: Negros e Gaúchos: a Influência da Cultura Afro no Gauchismo.

Pautas: os temas são lançados mensalmente e sua escolha se dá com base em datas comemorativas, tendo relação com assuntos em discussão no âmbito tradicionalista e no âmbito social

Aline Kraemer e Aline Jasper Assessoria de Imprensa CBTG


8 - ECO DA TRADIÇÃO

março de 2019

DOSSIÊ DEPARTAMENTO CULTURAL

O Departamento Cultural como coração, motor e farol das entidades tradicionalistas O departamento cultural é denominado por muitos como o “coração” das entidades tradicionalistas. E não é por menos que recebe o apelido. A Coletânea da Legislação Tradicionalista prevê que todas as instituições associadas, sejam elas de participação plena, parcial ou especial, comportem um núcleo voltado à cultura. E mais que isso: é passível de suspenção e até de eliminação do Movimento Tradicionalista Gaúcho as entidades que mantiverem inativos seu departamento pelo período de um ou dois anos. Com o intuito de conhecer um pouco mais sobre a rotina, desafios e funcionamento do cargo, conversamos com diversos diretores de departamentos culturais das entidades. Confira, aqui, suas experiências: Márcio Roberto Avozani Albrecht - “35” CTG – 1ª RT - “É importante destacar que a ‘vida’ dos Departamentos Culturais das entidades tradicionalistas depende muito do apoio e do entendimento de sua importância por parte de seus líderes, os patrões. Há cerca de seis anos estou à frente do Departamento Cultural do “35” CTG e foi pelo entendimento destas lideranças que por lá passaram, de que o Departamento Cultural é fundamental para a existência das entidades tradicionalistas, que o trabalho ao longo deste tempo tem sido regado de muitas conquistas e de realizações. No que tange à participação de nossas prendas e peões em Cirandas e Entreveros Regionais e Estaduais, buscamos continuamente o aperfeiçoamento e a busca de metodologias capazes de prepará-los com eficiência e, principalmente, que estes adquiram o conhecimento necessário para que depois de passados os concursos possam contribuir efetivamente com a entidade tradicionalista, no auxílio e na preparação de novos concorrentes, ou então nos auxiliando na realização de novas ativi-

Carolina Amaral Ehlert - CTG Querência Crioula - 3ª RT

Diego Joel Schuh – ACTG Portal da Serra – 30ª RT

Janaína Ferreira dos Santos – CPF Terra Gaúcha – 19ª RT

dades culturais. Quanto à realização dos eventos culturais é importante destacar que todos eles, independentemente de sua abrangência, devem ser sempre pensados com carinho e se possível tratados de forma única, onde possa se buscar a qualidade em todos os detalhes. Por último, destaco que, como lideranças dos Departamentos Culturais, devemos buscar constantemente nos aprimorar, ou seja, não podemos entrar em uma ‘zona de conforto’ e realizar sempre as mesmas atividades. Devemos buscar novas alternativas nos adaptando à realidade dos jovens e da sociedade para que, assim, possamos sempre estar desenvolvendo e fortalecendo o principal papel do Departamento Cultural em nossas entidades. Mas, claro, sem nunca perder a autenticidade e o resgate dos verdadeiros valores culturais do tradicionalismo gaúcho.”

mesmo adultos para que compreendam a importância desse departamento. Precisamos saber de onde viemos para podermos definir para onde iremos. Graças ao trabalho de anos nossa entidade já é conhecida em nível regional e estadual pela sua participação em Cirandas, Entreveros e demais eventos culturais. E para que isso continue ocorrendo, precisamos que as crianças continuem se sentindo motivados a participar não apenas dos concursos, mas também a estudarem e conhecerem nossa cultura.”

difundir nossa Tradição e a preservação do nosso patrimônio sociológico. Todos os anos, quando da escolha de prendas e peões, o Departamento Cultural monta a estrutura necessária para que este seja um momento de crescimento dentro das suas entidades. Artístico, social, campeiro, esportivo, são todos difusores da cultura, cujo conhecimento advém do Departamento Cultural. Aí está o desafio na atualidade: montar um cultural forte e com boa aceitação entre os demais departamentos.”

Carolina Amaral Ehlert - CTG Querência Crioula - 3ª RT - “Acreditando que precisava retribuir para minha entidade todo carinho e apoio recebido durante toda minha caminhada enquanto prenda dela, da região e do Rio Grande do Sul. Resolvi aceitar esse desafio de ser diretora cultural de meu CTG. O principal condutor desse trabalho será conquistar cada dia mais crianças, jovens e até

Marisa Dal’Osto Rossa – CTG Lanceiros de Santa Cruz – 5ª RT - “Estar à frente e representar o Departamento Cultural de nossas entidades dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho requer, no meu ponto de vista, o desenvolvimento de um olhar atento às necessidades, tanto da entidade quando dos jovens que participam do nosso movimento. As exigências do cargo são muitas e variadas. Primeiro porque representar nossa cultura exige muito estudo e uma construção de conhecimento e, também, porque este Departamento é o cerne de qualquer Entidade Tradicionalista que bem quer representar os princípios básicos de nossa Carta, através dos seus artigos II e VI, onde se descreve a importância do cultuar e

Roselaine Dias Louzada – CCN Sentinela do Rio Grande – 6ª RT “Faço parte do Departamento Cultural há alguns anos. Atualmente sou a diretora da entidade e tenho um trabalho com uma equipe que nos auxilia com a parte de projetos, relatórios e estudos. Aqui no CCN trabalhamos sempre em conjunto com ex-prendas e ex-peões, pois assim os valorizamos e trocamos experiências. Geralmente, trabalhamos com a evolução das mídias e reuniões mensais. Temos total apoio da patronagem em nosso trabalho e realização dos eventos, alguns, inclusive, já são tradição na nossa entidade, como a Roda do Mate doce, Natal Gaúcho, Cavalgada do Jovem Sentinela, e o Seminário das Prendas e Peões. PosContinua na próxima página

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Leia o Eco da Tradição


ano XVIII • edição 211

ECO DA TRADIÇÃO - 9

DOSSIÊ DEPARTAMENTO CULTURAL

Lília Sichmann Heiffig del Aguila - União Gaúcha João Simões Lopes Neto – 26ª RT

Jéssica Villar – CTG Prenda Minha, 18ª RT

José Anildo Brum da Silva – CTG Guido Mombelli – 14ª RT

Márcio Roberto Avozani Albrecht - “35” CTG – 1ª RT

suímos uma biblioteca comunitária, onde temos toda a bibliografia dos concursos para que todos tenham acesso ao material necessário, além de ajuda dos departamentos campeiro, artístico e esporte. As dificuldades que encontramos são realmente na parte financeira, pois para participarmos ativamente e termos uma boa preparação precisamos investir. Mas sempre arrumamos um jeito de ajudar a todos, através de rifas, jantas, shows de prêmios. Também tenho um trabalho novo que começou ano passado, que é a escolinha da tradição Paixão Côrtes, onde auxiliamos os titulados a trabalhar oratória e projetos. Já vivenciei inúmeras experiências e emoções, pois meus dois filhos sempre participaram desde pequenos. No ano de 2010 fomos agraciados com o título de Guri Farroupilha do RS com o Felipe Louzada e ano passado com o título de Peão Farroupilha do RS do Mateus Louzada. Sempre acompanhei nossos titulados e foram muitas experiências inesquecíveis, com filhas e filhos do coração que ganhamos no CTG.”

turais que envolvem uma entidade tradicionalista, por isso trabalhamos em conjunto com os departamentos artístico, campeiro, esportes, entre outros, alicerçados e apoiados com toda patronagem. Preparar prendas e peões para seus concursos, organizar um calendário cultural, estar atento ao calendário regional e estadual para levar os jovens e a própria patronagem para cursos, seminários e palestras são alguns dos desafios a serem cumpridos. A maior dificuldade enfrentada é a de conseguir recursos para criação de galerias, acervo para compor um museu destinado a contar a história da entidade e a criação de grupos de estudo. Enfim, despertar interesse para que novos jovens desejem ser voluntários desta causa tão nobre. Afinal, é essencial que todos percebam a importância do Departamento Cultural em todas entidades tradicionalistas, pelo simples fato de que uma cultura só pode ser cultuada se houver pessoas dispostas a isto.”

a 1ª Chinoca, Sandra Santos. Atualmente a gestão de prendas e peões está se preparando novamente para o concurso regional. Criamos um grupo de estudos, temos preparação para prova artística. Mas participar do Departamento Cultural é um desafio constante. Passaram pessoas com intuito apenas de buscar a faixa para aparências e outras que se dedicam ao máximo e fazem sua história na entidade. Nossa entidade é formada por um pequeno grupo. Sequer sede própria temos, mas procuramos fazer um ótimo trabalho. Realizamos mensalmente uma tertúlia, chamada tertúlia de galpão, com a finalidade de investir na cultura gaúcha através da dança, declamação, canto. Nesse ano quero colocar a mostra cultural como uma das avaliações do concurso interno, além de desenvolver oficinas como indumentária, truco, nós de lenço e ações sociais.”

as, não somente no tradicionalismo, mas também para as adversidades da vida.”. Em 1996 foi nomeada primeira diretora das prendas do CPF Piá do Sul. Também possui uma passagem de sete anos como diretora cultural do DT Querência das Dores. Em 2018, retornou ao cargo de diretora cultural do Piá do Sul. “Temos, também, várias campanhas em andamento, uma delas; em parceria com amigos do HUSM de Santa maria arrecadação de tampinhas para serem doadas e vendidas; nossa finalidade é auxiliar os pacientes que tem dificuldades financeiras, para manterem seu tratamento.” Sobre as dificuldades, Rose enfatiza: “Às vezes é complicado trabalhar com um departamento onde o custo para os jovens é elevado. Talvez algumas entidades não se preocupem e nem mesmo sabem tudo que eles passam, nossa política é de defender, entender o valor que é representar uma entidade em todas as fases. Sou feliz por conhecer várias famílias, legítimos apoiadores de seus filhos, percebem a evolução deles, levando para a vida pessoal o aprendizado, se tornando grandes profissionais.”

Willian Defendi Minozzo – CTG Pousada do Imigrante – 11ª RT - “O Departamento Cultural é o coração de uma entidade tradicionalista. Dessa forma, é ele o responsável por preparar e promover o conhecimento de nossos jovens e fazê-los atuantes no presente e no futuro. Dificilmente encontramos um posteiro para este departamento que conheça todos os ambientes cul-

Lia Cristiane Ereno dos Santos GPF Aldebarã – 12ª RT - “É a primeira vez que sou diretora do Departamento Cultural. Iniciei minhas atividades em dezembro de 2018, com a posse da nova patronagem. Anteriormente sempre dava apoio de uma maneira ou de outra. O fortalecimento do Departamento Cultural ocorreu em 2017. Nesse ano foi realizado o concurso de peões e prendas e então classificaram-se para região a 2ª prenda juvenil, Amanda Michelotti, e

Rose Mari da Luz Feltrim – CPF Piá do Sul – 13ª RT - Participando desde criança de entidades tradicionalistas, viu sua irmã, Ana Claudia Feltrim, ser 1ª Prenda Juvenil do RS, em 1986. Foi entre as décadas de 70 e 90 que desenvolveu o interesse pelo trabalho no CTG e em lidar com prendas e peões foram sua escolha. “Participei da conquista de muitos títulos regionais e estaduais, juntamente com minha mãe.”. Ela conta que essa dedicação era feita de forma voluntária e por amor às tradições gaúchas. “Acredito que desta forma eu possa ajudar a transformar e desenvolver pesso-

José Anildo Brum da Silva – CTG Guido Mombelli – 14ª RT - “Nestes dois anos que estou à frente no Departamento Cultural aprendi muito e continuo aprendendo. Cada gestão de prendas e peões é diferente, um novo caminho a ser trilhado, com a Continua na próxima página

Anuncie no mande email para imprensa@mtg.org.br


10 - ECO DA TRADIÇÃO

março de 2019

DOSSIÊ DEPARTAMENTO CULTURAL

Rose Mari da Luz Feltrim – CPF Piá do Sul – 13ª RT

Roselaine Dias Louzada – CCN Sentinela do Rio Grande – 6ª RT

Willian Defendi Minozzo – CTG Pousada do Imigrante – 11ª RT

Lia Cristiane Ereno dos Santos - GPF Aldebarã – 12ª RT

entidade incentivando a concorrerem na fase regional e da mesma forma auxiliando no que for preciso. O concurso da entidade segue o modelo do MTG, pois acreditamos que os títulos conquistados são uma realização pessoal com grande importância no meio tradicionalista. Antes do concurso interno, convidamos os pais e concorrentes para uma charla na entidade, a fim de tirar dúvidas, falar sobre o que é ser uma prenda de faixa, um peão de crachá, e o peso que tem na sociedade como um todo. O prendado é responsável por cuidar da biblioteca cultural, sempre sendo auxiliado por mim ou pela patroa da entidade. Mantemos o acervo de fotos que estão nas paredes da sede, conseguimos montar uma oficina de declamação que atualmente conta com nove declamadores. Nessa oficina trabalhamos técnicas de dicção, jogos teatrais. Queremos incentivar mais integrantes a participarem. Da mesma forma, montamos um grupo de intérprete vocal. Os que desenvolvem as oficinas são voluntários e integrantes dos grupos de dança. Para 2019 vamos iniciar no grupo pré-mirim um momento cultural, dentro dos temas do concurso interno: símbolos, hinos, traje, entre outros, a fim de ensinar e incentivar para serem futuros representantes da entidade. Acredito que cada departamento é muito importante para um bom funcionamento e estes devem trabalhar em harmonia com a patronagem. As dificuldades são inúmeras: a primeira é fazer com que os integrantes dos grupos de dança e da campeira percebam a importância do Departamento Cultural e participem dos eventos. Percebo que não só na minha entidade, mas também em outras que conheço, há um descaso nos departamentos,

não só o qual estou à frente, mas também com os demais. Por vezes, existe o departamento só no papel. Atualmente me sinto um pouco mais preparado para o cargo, pois aprendi muito nesses dois anos. Além disso, fui Peão Farroupilha da 14ª RT, o que possibilitou conhecer pessoas sempre dispostas a me ajudar.”

outros departamentos. Ademais, estamos sempre buscando que todos compreendam o Movimento Tradicionalista além das práticas que exercem (artísticas ou campeiras, por exemplo). Entre as oportunidades que o departamento fornece, destaco o fazer com que o maior número de pessoas possível, especialmente nossas prendas e peões, compreendam e sejam disseminadores, através de diálogos, eventos, palestras e projetos que promovem e ainda irão promover, do verdadeiro tradicionalismo, disseminadores de um tradicionalismo consciente.”

Bandoleiros; Natal de Bombacha e a encenação do nascimento do piazito Jesus, entre outros; Fundação de um grupo chamado “Tropeiros Birivas”, onde resgatamos as danças Birivas folclóricas e danças coreográficas para espetáculos como: dança dos facões, dança do Chiquinho do Porrete, dança dos Facões, dança coreográfica das Guerreiras Pampeanas, Chula na lança incandescente e as Boleadeiras de fogo; Curta metragem contando a história de Carlos Mantovani, fundador do primeiro colégio de Erechim e da história de Hugo Ramires, primeiro diretor do colégio e o tradicionalista que fez história no nosso estado, introduzindo as invernadas e os grupos de danças nas escolas.”

Jéssica Villar – CTG Prenda Minha – 18ª RT - “Acredito que minha experiência com a gestão de prendas e peões foi, de certa forma, facilitada por eu ter sido prenda por bastante tempo. Torna-se fácil compreender e sanar dúvidas que já tivemos. Acho importante relatar que os participantes de ‘primeira viagem’ precisam de um olhar atento e de muitos esclarecimentos. É fundamental, por exemplo, conversar sobre a importância da participação real em eventos e no desenvolvimento de projetos concretos; não somente para cumprir as normas da montagem de um relatório, mas sim porque são atividades importantes para o aprendizado e crescimento de cada um que as realiza. Mesmo com o esforço ou as abdicações que a preparação para um concurso exige, deve ser algo prazeroso, saudável e consciente. Em minha entidade, temos um bom relacionamento com a patronagem enquanto Departamento de Cultura. Penso que isso aconteça porque temos um diálogo aberto, esclarecemos o que se pretende realizar e debatemos sobre o que pode ser melhorado. Acho importante que o trabalho do diretor e vice-diretor seja coeso. E certamente, mesmo organizando as responsabilidades e tendo apoio, temos muito o que aprender e modificar. Acredito que uma das dificuldades está em trabalhar a parte cultural junto aos

Janaína Ferreira dos Santos – CPF Terra Gaúcha – 19ª RT - “Sempre me identifiquei com a dança, mas minha visão sempre foi além delas. Minha convicção de que o Departamento Cultural é o coração da entidade veio desde muito cedo e foi isso que fez me encantar por esse departamento, que carinhosamente intitulo em qualquer trabalho idealizado, realizado e/ou executado como #CulturalQueAmo. Já tive a oportunidade de organizar e ministrar diversos trabalhos artísticos e culturais dentro de meu Departamento, como Cirandas e Entreveros (internos); Projeções que contam fatos históricos da História do RS, dentre elas – A Casa das Sete Mulheres e a Despedida dos Homens da Guerra Farroupilha; A Batalha do Pulador na Revolução Federalista; A lenda do Negrinho do Pastoreio, numa visão de valorização etnográfica; Amores de Guerra – O amor entre Giuseppe e Anita Garibaldi; Tratado de Paz entre Maragatos e Chimangos; A importância do Guasqueiro na história Rio-grandense; As mulheres que fizeram história na formação do Rio Grande do Sul; A história dos

Lília Sichmann Heiffig del Aguila - União Gaúcha João Simões Lopes Neto – 26ª RT - “O meu papel como diretora cultural é fomentar, semear e cultivar a história, a cultura e a tradição gaúcha. O tradicionalismo faz com que a história e a cultura do Rio Grande do Sul se mantenham vivas, faz com que os costumes não se percam entre gerações, mas que, sim, se fortaleçam. Assim, o Departamento Cultural da União Gaúcha tem por finalidade orientar e coordenar ações culturais e apoiar as ações da patronagem, dos departamentos artístico, jovem e campeiro. Cabe a este departamento a programação cultural da Semana Farroupilha; Concursos internos de Prendas e Peões; participação de prendas e peões nos eventos; organizar e realizar encontros, seminários, projetos, estudos que visem difundir e aprimorar conhecimentos sobre a história, folclore, tradição, arte, artesanato, indumentária e outras manifesContinua na próxima página


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ECO DA TRADIÇÃO - 11

DOSSIÊ DEPARTAMENTO CULTURAL desde os seis anos de idade, participando principalmente das invernadas artísticas. Acreditamos e torcemos para que as competições deixem de ser tão acirradas e que o resultado não seja sempre o mais importante e sim a aprendizagem e os momentos que vivemos com amigos e família.”

Marisa Dal’Osto Rossa – CTG Lanceiros de Santa Cruz – 5ª RT

Katia Walkiria Borges de Lemos - CTG Piquete da Querência – 29ª RT

tações culturais do Rio Grande do Sul; manutenção e cuidado da Biblioteca, do Museu e do acervo cultural da entidade. O Departamento Cultural tem a responsabilidade de auxiliar no fomento e fortalecimento da cultura gaúcha, divulgando-a e mantendo cada vez mais viva. Ser diretora cultural é empolgante e desafiador. Embora esteja lidando com a história e o passado, temos de estar sempre lendo, buscando e atualizando conhecimentos, pois nunca temos conhecimento total de tudo. Lidamos com costumes passados de geração a geração, o que muitas vezes não é a realidade do adolescente e do jovem, principalmente daqueles que buscam as entidades tradicionalistas mais pelo atrativo das invernadas artísticas. Com o trabalho feito por nós em conjunto com a patronagem, vermos uma criança brincando uma brincadeira antiga e tradicional; um adolescente trocando o celular pelo canto tradicionalista e pela declamação; um jovem pesquisando e ensinando a tradição na comunidade; um casal adulto trazendo seus filhos para a tradição; os mais velhos ali nos eventos juntos com os mais novos – num mesmo ambiente, uns ensinando aos outros um pouco mais da tradição. Estes são alguns dos momentos que vivenciamos e que realmente emocionantes e recompensadores. Estamos iniciando um mandato,

o de comemoração dos 120 anos da União Gaúcha, e para este ano de 2019 estamos reorganizando o acervo bibliográfico; reativando o museu, inclusive com visitas de escolas em alusão ao Dia do Museu; pretendemos reativar o Departamento Jovem; promover uma série de eventos internos e externos sempre divulgando a história e cultura tradicionalista, assim como da entidade, junto à comunidade interna e da cidade; iremos fomentar a participação não só dos peões e prendas titulados, mas também dos demais, em eventos promovidos pela 26ª Região e outras entidades tradicionalistas; promover o Concurso Interno de Prendas e Peões e estimular a participação dos titulados no concurso da região. Além destas, iremos organizar uma ampla programação para a Semana Farroupilha e Aniversário de 120 anos da União Gaúcha.” Jeferson Lodéa – CTG Querência – 27ª RT - “Juntamente com minha esposa, Mábia Nunes Lodéa, atuamos ativamente na parte cultural da entidade, na organização de eventos artísticos e culturais, chamados carinhosamente de noites gaúchas, que ocorrem uma vez por mês. Também atuamos na elaboração e organização de cirandas e entreveros, assim como na realização dos eventos dos peões e prendas... Integro o CTG Querência

Katia Walkiria Borges de Lemos - CTG Piquete da Querência – 29ª RT - Assumiu o cargo de primeira diretora cultural da entidade, tendo em vista que inicialmente a pasta era coordenada pelo departamento artístico. Permaneceu por 5 anos no cargo. “Durante este período, promovemos inúmeros eventos, cursos, concursos, oficinas, encontros; trouxemos para o nosso município e região várias pessoas importantes dentro do tradicionalismo organizado, para palestrar, ministrar cursos, trazer conhecimento. Obtivemos resultado importantes, com gestões de prendas e peões que se tornaram referência em nossa região tradicionalista. Auxiliamos na formação de tradicionalistas comprometidos com a causa e propagadores da nossa cultura, bem como novas lideranças, que estão ativas e contribuindo com o tradicionalismo.” Katia destaca que conquistaram dois títulos de prendas estaduais, 3ª Prenda Juvenil e 2ª Prenda Adulta, sendo até o momento as únicas prendas da região a terem realizado tal feito. “O início do nosso departamento não foi fácil, enfrentamos resistência dentro da nossa entidade, tivemos que batalhar para mostrar nossos objetivos, conquistar nosso espaço e mostrar que nosso trabalho era em prol do tradicionalismo e levando sempre a bandeira da nossa entidade. Com o passar dos anos, conquistamos nosso lugar, agregamos conhecimento, contribuímos com a cultura do nosso estado, propagamos o tradicionalismo e firmamos os laços com os departamentos da nossa entidade. Hoje, trabalhamos

em parceria, auxiliamos o departamento artístico e a patronagem e somos apoiados por eles.” Diego Joel Schuh – ACTG Portal da Serra – 30ª RT - “De modo geral, a centralidade das ações do Departamento Cultural baseia-se na formação de prendas e peões para concorrerem nas Cirandas e Entreveros culturais, mas além deste trabalho, que é muito importante, precisamos promover ações que gerem conhecimento e sentido sobre o Ser gaúcho e tradicionalista, auxiliando na formação da identidade de todos os membros das nossas Entidades. Somos uma Entidade que optou por uma formação baseada nos ensinamentos de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa e isso nos faz comprometidos com uma formação que busca nos primórdios, na vida de antigamente e na cultura popular, a sustentação para o tradicionalismo que acreditamos. Por isso os estudos sobre a obra destes ícones fazem parte de nosso cotidiano. No ano passado realizamos um Seminário denominado “Trajares gauchescos” e pudemos absorver uma série de orientações sobre os modos de se vestir antigamente. Temos certeza que eventos como este podem nos auxiliar a construir um tradicionalismo forte e comprometido com os ideais de 47 e quem sabe fomentar a criação de um grupo de pesquisas dentro de nossa Entidade. Outra ação que consideramos importante é a participação da ACTG Portal da Serra no Conselho Municipal de Cultura, uma vez que passamos a auxiliar o Estado na elaboração de diretrizes e promoção de ações no âmbito das políticas públicas para a cultura. Desta forma, ocorreu uma aproximação entre o CTG e o Município e a relação se potencializou e a cultura gaúcha passou a ganhar mais espaço no cenário cultural da cidade.” Por Tuanny Prado


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CARTA DE PRINCÍPIOS

Os ensinamentos e reflexões proporcionados pelo Quinto Item da Carta de Princípios Dando continuidade ao especial sobre a Carta de Princípios, o Eco da Tradição de março conversou com tradicionalistas a respeito de seus itens 5 e 6. O documento máximo do tradicionalismo, aprovado no 8º Congresso Tradicionalista, na cidade de Taquara, e de autoria de Glaucus Saraiva, apresenta nesses artigos integrantes dos aspectos filosóficos e culturais. Artigo V – Criar barreiras aos fatores e ideias que nos vêm pelos veículos normais de propaganda e que sejam diametralmente opostos ou antagônicos aos costumes e pendores naturais do nosso povo. É o primeiro dos aspectos filosóficos da Carta de Princípios. Segundo o livro 1º Fórum Tradicionalista, esse grupo é caracterizado por ser dotado de princípios e causas. Para Júlio Bartzen de Araújo, Capataz Cultural do CTG O Fogão Gaúcho, justamente local onde de aprovação da Carta, este item pede para que seja criado um filtro com relação a tudo aquilo que se é pregado pelos meios de comunicação comuns, e que acaba indo contra os nossos costumes e valores. Na opinião de Gabriela Sarturi Rigão, 1ª Prenda da 13ª RT, esse item evidencia a preservação dos nossos costumes e nossos pendores frente às diversas influências culturais, uma vez que estamos imersos em um mundo globalizado e tecnológico. “Precisamos lembrar dos primórdios do tradicionalismo, a preocupação do grupo de jovens percursores com a cultura norte-americana que se difundia em veículos de propaganda: na época eles identificaram um risco de esses costumes modernos serem tomados como ideais, levando as tradições gaúchas ao menosprezo e esquecimento.” Luana Gonçalves, 1ª Prenda da 10ª RT, vê nesse artigo a solicitação pela preservação da nossa cultura. “Estamos sempre em contato com os veículos de comunicação, temos o poder de nos contrapor aos fenômenos opostos ao tradicionalismo e defender os objetivos da Carta. Sua importância retrata a garra do povo gaúcho em resguardar seu legado”, afirma. Já Eduarda Amaral Ehlert, 3ª Prenda e também Diretora Cultural da 3ª RT, o assunto tratado é de relevante importância e de grande reflexão para os dias atuais. “Acredito que os tradicionalistas em geral buscam colocar em prática este item, porém, em

Gabriela Sarturi Rigão

Júlio Bartzen de Araújo

Luana Gonçalves

Eduarda Amaral Ehlert

uma sociedade altamente informatizada, é complexo ‘criar barreira’, visto que os meios de comunicação estão com seus acessos cada vez mais facilitados.”

Segundo Luana, essa facilidade na circulação de informação deve ser utilizada a favor do Movimento, com o uso dos veículos de comunicação por pessoas diretamente ligadas ao tradicionalismo, auxiliando na divulgação da nossa cultura para os que desconhecem sua essência. Também aponta que projetos desenvolvidos por prendas e peões auxiliam na divulgação da cultura, não de forma tecnológica, mas aqui empregando o sistema de boca a boca. “Porém, se a Prenda não possuir conhecimento elaborado sobre nossos costumes, acaba criando uma propaganda oposta aos pendores naturais de nosso povo. Cabe ao jovem tradicionalista ampliar a rede de comunicação para sanar dúvidas, propor debates, criar ideias novas e compatíveis com nossa cultura.” Gabriela vê nos departamentos culturais o engajamento desse item, ao propagarem conhecimentos e barrarem as influências. “Considero que o conhecimento, o diálogo, o bom senso são as mais simples e mais importantes formas de fazer-se cumprir o artigo V. Mas, por vezes, vemos nas entidades tradicionalistas a presença de elementos opostos aos tradicionais. Muito se vê, por exemplo, os jantares com cardápios que trazem como carro carro-chefe o ‘strogonoff’, encontros culturais com ‘hot-dog’, festividades de invernadas com a temática de ‘halloween’ no próprio CTG.” Para a prenda, deve-se retomar a consciência de viver no tradiciona-

Eduarda aponta que essa facilidade ao acesso apresenta dois caminhos: “o uso dos meios de comunicação para integrar o tradicionalismo com a sociedade onde está inserido e o seu uso para a depreciação da cultura e seus variados aspectos”. Segundo ela, não é aconselhável desvalorizar esses meios, tendo em vista que eles possuem papel fundamental na divulgação do tradicionalismo, mas reafirma que os tradicionalistas devem sim opor-se a tudo o que não condiz com o que cultuamos. Para Gabriela, os dias de hoje proporcionam que tenhamos mais contato com a diversidade cultural, e isso deve ser visto de forma positiva, pois pode-se assim conhecer as expressões artísticas e culturais do resto do Brasil, inclusive para igualmente respeitá-las. “Nós, tradicionalistas, estamos em um movimento que visa a preservação de costumes e pendores, evitar que fatores opostos a eles sejam agregados aos nossos meios de cultura faz parte do nosso dever, mas não conseguimos sempre. Muitas vezes a influência externa é tão significativa que é preciso criar espaços de debate para esclarecer, ou até mesmo regras para impedir que um fator proveniente a outra cultura seja erroneamente incorporado como natural dentro dos Centros de Tradições Gaúchas.”

lismo a cultura gaúcha em seus diversos elementos naturais, buscando a preservação da culinária, música, folguedos que são formadores do Rio Grande do Sul. “Para tal, propor espaços de diálogo sobre os elementos que estão ultrapassando as barreiras, buscando alternativas autênticas para preencher as lacunas que foram ocupadas pelas influências externas, estar presente nas diversas mídias para difundir e fortalecer os costumes gaúchos, promovendo reflexões acerca de nossas atitudes tradicionalistas.” Luana fala que por ostentar uma faixa e também por carregar o tradicionalismo no coração, procura sempre priorizar a valorização da história do Rio Grande do Sul, ao fomentar a participação dos jovens em sua região. “O intuito é de plantar ou até mesmo cultivar a semente de nossas origens, firmar as raízes que ainda sustentam nossa identidade cultural e obter maior número de participantes envolvidos na preservação de nosso legado.” Os jovens poderiam sim ser um meio de alcançar o fim do artigo, porém Eduarda destaca que ainda é comum vermos grandes movimentações de tradicionalistas quando circulam notícias que desacreditam o tradicionalismo ou que trazem grandes inovações que, segundo ela, fogem do natural. “Mas não há como proibir esse tipo de circulação. Com a tecnologia, cada vez fica mais difícil impedir algo, por isso fica a reflexão: como cria-se barreiras na sociedade atual?” Júlio talvez tenha a resposta para essa pergunta. “Sentarmos com nossos amigos dentro de um galpão, para tomar nosso chimarrão. A melhor rede social ainda é a roda de mate. Criamos barreiras automaticamente ao cultuar o tradicionalismo através de eventos presenciais de recreação, rodas de conversas etc.”. Afirma que os meios de comunicação se utilizam dos meios globais de massa, e que os tradicionalistas conseguem propagar a cultura através do convívio sadio entre diversas gerações e famílias existentes nas entidades, o que facilita a formação e também transmissão de valores entre as gerações. “Mas esse método só continuará ‘combatendo’ os fatores externos se prosseguirmos conscientizando os tradicionalistas de que é necessário cuidar do bem estar coletivo da sociedade, em oposição ao individualismo pregado pela mídia”, pontua. Texto: Tuanny Prado Fotos: Acervo particular


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CARTA DE PRINCÍPIOS

Os ensinamentos e reflexões proporcionados pelo Sexto Item da Carta de Princípios culinária, e assim consecutivamente.”. Mas compactua com a ideia de Aline: “Ainda pecamos em muitos aspectos que vão em contramão a esse item, como por exemplo quando utilizamos uma indumentária incorreta durante eventos ou até mesmo quando utilizamos linguajares que não são nossos para divulgar eventos tradicionalistas (baile ao invés de fandango, convite ao invés de chasque).”

Dando continuidade ao especial sobre o documento máximo do Movimento Tradicionalista Gaúcho, conversamos com tradicionalistas sobre o item VI, suas aplicações e importância no meio.

Artigo 6 – Preservar nosso patrimônio sociológico representado, principalmente, pelo linguajar, vestimenta, arte culinária, formas de lide e artes populares. Integrante do grupo de aspectos culturais, esse item é voltado o que o livro do 1º Fórum Tradicionalista classifica como o sentido objetivo: “refere-se a todo o conjunto de criações pelas quais o espírito humano criou presença na história”, (p. 18). Victória Luisa da Rosa Ribeiro, 1ª Prenda Juvenil da 9ª RT, destaca que o tradicionalismo é a arte de colocar em movimento a tradição, o patrimônio sociológico do povo gaúcho e o estado de consciência na busca da preservação dos nossos costumes, sem haver conflito com o progresso, por culto e vivências. “Assim é o nosso dever como tradicionalistas: preservar este patrimônio principalmente quando se diz respeito às nossas tradições em geral.” Para Cezar Augusto Bertani Gomes, 1º Guri Farroupilha do RS, esse artigo é de fundamental importância, pois conduz os tradicionalistas a prezarem de maneira tradicional os seus costumes. Maria Eduarda Müller Franco, 1ª Prenda Juvenil da 25ª RT, ressalta que este item não compete estar apenas na Carta de Princípios, e sim, ser de responsabilidade de cada tradicionalista, pois ele direciona exatamente para a preservação do patrimônio. “Em minha opinião, é uma das coisas mais preciosas para se manter viva: a tradição gaúcha, os seus usos e costumes, seja na vestimenta, linguajar.” Aline Almeida de Souza, Coordenadora da Indumentária e Responsável pelos protocolos do MTG em

Aline Almeida de Souza

Cezar Augusto Bertani Gomes

Victória Luisa da Rosa Ribeiro

Maria Eduarda Müller Franco

2019, vê essa cláusula como tendo grande relevância, justamente por se tratar da manutenção daquilo que é nosso. Para ela, a preservação dos costumes já identifica o povo gaúcho como aquele que tem orgulho de sua terra. “Ao longo da formação do nosso estado sofremos inúmeras influências de outras etnias e assim formamos uma identidade única, seja pelo linguajar, vestimenta, artes culinárias e manifestações espontâneas.”

ao entendimento do que estamos representando, seja no trajar, no dançar ou nas provas e nas lides.” Justifica sua opinião, exemplificando que quando é escolhida uma indumentária é necessário sempre entender o período histórico o qual está se tentando representar, para deixá-la da forma mais fidedigna possível. “É necessário que existam atividades que estimulem e oportunizem maior conhecimento sobre os nossos costumes, garantindo assim uma continuidade e valorização da nossa cultura.”

Victória complementa essa ideia, apontando que essa intensa miscigenação cultural do povo gaúcho influenciou diretamente na forma com que cultuamos nossas tradições na atualidade. Segundo Aline, os tradicionalistas colocam em prática o artigo de forma natural. “Contudo, devemos sempre ter o cuidado com relação

Para Victória, em grande parte dos eventos desenvolvidos no Movimento, esse artigo é posto em prática de forma espontânea. “Ao participarmos do Enart estaremos preservando as nossas artes populares; ao realizarmos jantares em nossas entidades para a comunidade estaremos preservando a arte

Cezar ressalta a necessidade de trabalhos desenvolvidos pelos departamentos culturais. “Hoje conseguimos ver que muitos indivíduos não seguem de maneira fiel este artigo, sendo desvinculados do tradicional em razão de modismos culturais. Porém, percebe-se que os departamentos culturais se esforçam para repudiar estas influências estrangeiras.” Para ele, para se conscientizar as pessoas deve-se orientá-las a representar o patrimônio sociológico de forma correta. Maria Eduarda aponta que o item é colocado em prática sempre que os usos e costumes do gaúcho são preservados, desde o churrasco feito no almoço de domingo até na utilização da pilcha. “São atos que dão continuidade à nossa cultura e isso é essencial para o nosso Movimento manter sempre viva a chama de 1947, não importando a forma como ela é representada, mas sim o sentimento que existe dentro de cada um de nós: o amor e o orgulho de sermos gaúchos!” Victória conclui que deve-se começar dentro das entidades a busca para manter a prática desse artigo: “Buscar valorizar através da vivência e dos eventos promovidos a divulgação das nossas tradições não só para os tradicionalistas, mas também para toda a comunidade na qual estão inseridas.”. Segundo a prenda, apenas desta forma estaremos perpetuando o nosso patrimônio sociológico, não só no meio tradicionalista, como também em toda a sociedade. Texto: Tuanny Prado Fotos: Acervo Pessoal


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março de 2019

O SEGREDO DAS LONGEVAS

Minuano CTG, 70 anos de dedicação ao tradicionalismo gaúcho

tinha varandas, na frente e nos fundos, no centro um amplo espaço para a realização de festividades. Com o passar dos tempos essas varandas foram fechadas e incluídas ao prédio principal, que já estava ficando pequeno. O telhado no modelo de quatro águas (telhado de copiar) que cobre toda a extensão do prédio e no pátio ranchos (galpões) onde são realizados os acampamentos para a Semana Farroupilha até os dias atuais;

Era ano de 1949, mais precisamente 14 de março, quando um grupo de pessoas liderado pelo médico Tito Fernandes Guerra se reuniu no hoje extinto Cassino Guarani, em Iraí. Sua ideia, formalizar como entidade aqueles que já faziam parte do grupo artístico que realizava apresentações das danças resgatadas por Paixão Cortes e Barbosa Lessa e também reunir tradicionalistas.

De acordo com os registros do MTG, a origem do surgimento dos CTGs se deu a partir da criação do 35 CTG de Porto Alegre, alardeando e fazendo com que o movimento se espalhasse pelo interior do Estado. O segundo Centro a ser criado foi o CTG O Fogão Gaúcho, do município de Taquara, e o terceiro viria então para a região de Palmeira das Missões, pois necessitava crescer e uma das estratégias era criar Centros Tradicionalistas nos limites do Estado. Como Iraí estava em seu apogeu financeiro e organizacional, com fortes e influentes políticos, foi então o local escolhido para o terceiro Centro de Tradições Gaúchas do Estado, o Minuano CTG. “O CTG, ao longo de sua história, se fortaleceu e continua sendo marca forte do tradicionalismo no Norte do RS com participação e execução de atividades culturais e campeiras, o principal deles é o Remanso Festival da Canção Gaúcha e Nativista, que mostra para a região Norte do RS e Oeste catarinense o espírito e o amor ao cancioneiro típico de nosso Estado”, afirma o patrão João Arlindo Rembold. O coordenador da 17ª Região Tradicionalista (RT), da qual o Minuano CTG já fazia parte antes da criação da 28ª RT, Evandro Martins Otero salienta que é um orgulho poder ajudar a contar essa história tão bonita do tradicionalismo. “Te-

MTG: Federação dos Centros de Tradições Gaúchas e Entidades Afins

mos uma gratidão enorme e é um privilégio para a 17ª ter o Minuano CTG, terceira entidade a ser fundada no Estado e também ao 35 CTG de Palmeira das Missões que é o quarto, seguindo os passos de Iraí. Sendo do Minuano o papel de difundir nossa cultura e o gosto pelo tradicionalismo. Hoje, são 29 municípios e aproximadamente 50 entidades, da 17ª e 28ª, que surgiram a partir do Minuano. São 70 anos do CTG e 30 da 28ª RT e eu gostaria de parabenizar essas duas entidades pelo importante papel que desempenham”, conclui. Já o coordenador da 28ª RT, Rodrigo Bordignon, salienta que a entidade teve papel fundamental inclusive para o fortalecimento e desmembramento da região, aproximando as gestões e possibilitando uma melhor organização. “O Minuano CTG de Iraí tem grande importância para o tradicionalismo regional e estadual, sendo um dos primeiros do estado e o primeiro em nossa região ajudando a difundir o tradicionalismo e fortalecê-lo por aqui e em todo o oeste catarinense, nós como coordenadoria nos sentimos muito orgulho do Minuano CTG por todas as suas façanhas”, disse.

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Curiosidades relacionadas ao Minuano CTG • 20 anos antes de 20 de setembro ser feriado no Rio Grande do Sul, um dos fundadores do Minuano CTG e prefeito de Iraí, em 29/12/1951, Israel Farrapo Machado, declarou feriado municipal pela nº 133 de 1951, considerando a data magna do Rio Grande do Sul e uma homenagem aos bravos homens da gloriosa Epopeia Farroupilha; • Nas primeiras atividades do Minuano, a comunidade recebia os convites por meio de cartas, sempre endereçadas ao provedor da família (homem da casa), porém as mulheres também participavam da organização e execução das tarefas na entidade; • Algumas prendas do Minuano CTG participaram do Concurso da Mais Linda Prenda do Rio Grande do Sul; • Assinada pelo arquiteto Moacir Moojen Marques da capital gaúcha, a sede do Minuano foi inaugurada em 22 de junho de 1963. O modelo, uma típica estância gaúcha, tanto que por anos o CTG era conhecido como Estância do Minuano. A “casa”

• Na Invernada Hípica do Minuano aconteciam “carreiradas” de cancha reta, jogos típicos gaúcho e rinhas de galo, reunindo apostadores de diversas regiões do país e até países vizinhos; • Desde 1984 o CTG realiza e promove Semanas Farroupilhas no município; • O Minuano serve como abrigo para muitas pessoas desalojadas, durante as enchentes do rio Uruguai; • Por um tempo a sede da entidade serviu de capela para os moradores da Vila Militar; • No ano de 2001 o Minuano e a 28ª RT promovem na cidade de Iraí a 54ª Convenção Tradicionalista; • Em outubro de 2016 o CTG recebeu a medalha de Mérito Tradicionalista Barbosa Lessa, a mais alta condecoração do Movimento tradicionalista do RS, pelos relevantes serviços prestados ao tradicionalismo gaúcho. • Em 2018 o CTG recebeu e teve Iraí como palco da cerimônia de geração e distribuição da 71ª Chama Crioula. Por Heloísa Santi Folha do Noroeste


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INSTITUCIONAL

Anunciados novos nomes para departamentos do Movimento Tradicionalista Gaúcho

Durante o mês de fevereiro foram anunciados três novos nomes para coordenação de departamentos do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Fabiano Vencato assumiu o Departamento de Eventos; Luis Afonso Ovalhe Torres assumiu o Departamento de Danças Tradicionais e Sayonara de Avila Daniel assumiu o Departamento de Formação Tradicionalista.

Departamento de Eventos - O tradicionalista Fabiano Vencato assumiu a Diretoria de Eventos do Movimento Tradicionalista Gaúcho. O setor é responsável pela promoção dos eventos oficiais da instituição, como Fecars – Festa Campeira do Rio Grande do Sul, Entrevero de Peões, Ciranda de Prendas, Acendimento da Chama Crioula, Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, Fegadan – Festival de Danças Gaúchas e Enart – Encontro de Artes e Tradição do Rio Grande do Sul. Vencato, que também é coordenador da 12ª Região Tradicionalista, participa do tradicionalismo gaúcho desde 1992. Em sua trajetória, acumula experiência como Diretor do Departamento Jovem da RT, Diretor Cultural da RT, Peão Farroupilha da RT, Diretor Artístico da RT, avaliador de diversos concursos regionais, e patrão do CPCG Gerciliano Alves de Oliveira. Vencato também é autor do tema dos Festejos Farroupilhas de 2015: “O campeirismo gaúcho e sua importância cultural e social”. Para 2019, Vencato pretende trabalhar fortemente na padronização dos eventos, fazendo com que as dificuldades e problemas sejam sanados antes da realização. Algumas atividades pontuais serão o auxílio às Regiões Tradicionalistas na estruturação de seus eventos e auxílio às vice-presidências do MTG. “Pretendo desenvolver um trabalho colaborativo. Queremos aumentar o número de voluntários nos eventos do MTG, qualificar equipe, e estruturar a Diretoria, proporcionando que os trabalhos sejam realizados com antecedência e a colaboração de todos”, afirma.

sência e identidade regional, conforme os estudos desenvolvidos pelos pesquisadores.

Fabiano Vencato: Departamento de Eventos

Luis Afonso Ovalhe Torres: Departamento de Danças Tradicionais

Departamento de Formação Tradicionalista - A trajetória tradicionalista de Sayonara iniciou no Piquete Sinuelo dos Pampas, em Balneário Cassino, na 6ª RT, como diretora cultural, responsável em agregar jovens para formar um prendado e levando crianças para concurso. Em 2011 integrou-se à patronagem do CTG Guapos da Querência, sendo em 2016 eleita para o cargo de patroa, que exerce até hoje. Como meta para 2019 Sayonara tem levar o conhecimento da cultura e o tradicionalismo a todos os cantos do Rio Grande, desmistificando e aproximando o Movimento das pessoas e usando a tecnologia a favor do conhecimento. Um de seus objetivos é formar multiplicadores e oportunizar o acesso menos dispendioso à cultura gaúcha.

Sayonara de Avila Daniel: Departamento de Formação Tradicionalista

Departamento de Danças Tradicionais - Luis Afonso Ovalhe Torres é natural de Porto Alegre e iniciou no tradicionalismo aos sete anos de idade, dançando e declamando. Amante da arte de interpretar, diz trazer consigo a seriedade e a disciplina como ponto fundamental para alcançar êxito em qualquer manifestação artística, desenvolvida ao longo de 30 anos dedicados ao Movimento Tradicionalista Gaúcho. Em sua trajetória, participou de inúmeros festivais de dança e poesia, uma união que, na sua opinião, foi fundamental para novas descobertas e desafios que o levaram a desenvolver trabalhos ligados à dança em diversos Centros de Tradições Gaúchas pelo estado e fora dele, valorizando a cultura gaúcha.

Willian Varela: Departamento de Música

Ovalhe Torres também atuou como avaliador em diversas ocasiões e eventos do MTG e por último ocupou o cargo de Diretor das Manifestações Individuais e espontâneas do MTG Gestão 2017/2018. Tem como filosofia de trabalho manter a ética, o respeito e a união, através de uma equipe bem preparada, pois, garante, é de fundamental importância esse elo de confiança entre todos, para que se possa desenvolver um trabalho sério e com qualidade. Como meta, para o decorrer do ano de 2019, tem atender as necessidades, administrando, orientando e conduzindo os trabalhos de avaliação com transparência e respeito junto aos envolvidos da arte de dançar e bailar, preservando a es-

Departamento de Música - O tradicionalista Willian Varela é o novo diretor do Departamento de Música do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Gestão 2019. À frente do departamento de música, pretende aproximar as diferentes linguagens musicais que formam o regionalismo gaúcho, tendo como desafio trazer para o tradicionalismo algumas estéticas que foram ignoradas ao longo da história do Movimento. “Quero aproximar o nativismo do tradicionalismo e facilitar a comunicação entre os artistas, uma vez que, esses “dois mundos” produzem e consomem arte um do outro, por isso precisamos andar abraçados”. Para 2019, segundo Varela, a meta é despertar o gosto e a apreciação de crianças e jovens para a cultura e música gaúchas e, para isso, os concursos individuais serão prioritários no trabalho da equipe.

Por Sandra Veroneze


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MÚSICA

Fortalecimento da música gaúcha depende de empenho diário, todos trabalhando juntos ca gaúcha para as rádios. Você acredita que a música gaúcha possa ter, por exemplo, o destaque nacional que hoje tem a música sertaneja? Como você vê a integração, em alguns eventos, destes dois estilos?

Joca Martins é um dos principais nomes da música regional gaúcha. Com mais de 30 anos de carreira, coleciona sucessos e é um dos defensores da ideia de que onde houver um palco aberto para a música gaúcha lá deve estar o artista. Nesta entrevista, fala um pouco de sua trajetória, sobre a rotina de uma família musical e também sobre o potencial da música gaúcha ocupar um cenário nacional, a exemplo da música sertaneja. Fale um pouco de sua trajetória. Comecei em 1985 nos festivais do Rio Grande do Sul, tocando bombo leguero com os grupos Cancioneiro e Ontonte. No ano seguinte comecei a cantar em festivais. A minha trajetória é completamente influenciada pelo convívio familiar, principalmente meu avô, que era músico exímio, tocava vários instrumentos. Nos finais de semana, na chácara da família, fazíamos rodas musicias. Sempre tive o gosto e o amor pelo campo e foi natural a escolha pela música do Rio Grande do Sul. Qual sua filosofia de trabalho, como artista? Penso que precisamos estar em todos os espaços que permitam a presença da música gaúcha. Mesmo que sejam eventos com outro cunho, se nos convidam, acredito que precisamos estar lá. Ocupar os espaços que nos são oferecidos e também abrir outros mais. Ao longo de sua trajetória, quais suas maiores conquistas? Graças a Deus são muitas. Destaco a conquista de dois discos de ouro (Cavalo Crioulo e Clássicos da Terra Gaúcha). Também tive a felicidade de conquistar o troféu Vitor Mateus Teixeira de melhor cantor. Tenho um Troféu Açorianos de música. É muito importante também o Troféu Guri, da RBS. São prêmios importantes e fico muito feliz em ter, por eles, o reconhecimento. Quais suas metas para os próximos anos? Quero muito consolidar os espaços já conquistados, os palcos em que já cantei, e conquistar novos palcos, não importando onde eles estão. Tenho o projeto Bailanta do Joca, que é bastante abrangente, mais voltado pra música de baile.

Joca Martins: mais de 30 anos de carreira

Você tem 30 anos de estrada. Como você analisa a evolução da música gaúcha ao longo desse tempo? Nestes 32 anos de estrada muitas coisas aconteceram. A música gaúcha sofreu uma série de modificações. Temos diversas vertentes da música gaúcha que desembocam no mesmo rio. Temos as músicas de festivais, a galponeira, a de bailes. Eu entendo que, apesar de todas essas vertentes, a música gaúcha é uma só. Elas cantam o nosso pago, cada uma ao seu jeito, com seu sotaque, arranjo, estilo e estética. Por um tempo a música gaúcha ficou elitizada, principalmente a dos festivais. Hoje vemos uma chegada maior dos músicos junto ao público. Músicos lançando clipes, singles. É a linguagem da música do mundo, hoje, também chegando à música gaúcha. Você se sente mais à vontade compondo ou interpretando? Confesso que me sinto muito à vontade tanto compondo quanto interpretando. Pra mim o momento da criação é único e mágico. É um momento valioso, instigante, e que desafia muito. E a interpretação igualmente tem sua beleza. É o momento em que estamos junto com o público, no palco, vivenciando o poema, a melodia. Quais suas canções preferidas? Essa pergunta é difícil. Porque as canções fazem parte de momentos. Em alguns momentos eu prefiro cantar algo bem alegre para animar e em outros eu gosto de cantar uma

música que emocione mais. Dessa trajetória tenho momentos incríveis. Domingueiro, Recuerdos da 28 e Sou bagual, por exemplo, são músicas muito especiais, por conta desses tantos momentos. Como é a rotina de uma “família musical”? A rotina de uma família musical, minha e da Juliana (Spavanello), é bastante comum. A gente divide muito as tarefas na parte burocrática e cuida de cada coisa em seu momento. O momento mais musical é nas viagens. Vamos ouvindo música, cantarolando, tomando um mate. A Maria Laura (filha) já tem suas preferências musicais e participa. Em casa, por incrível que pareça, raramente a gente ouve música. E quando ensaiamos, geralmente, é separado, com exceção das músicas que interpretamos juntos. Você é bastante ativo nas mídias sociais. É estratégia, gosto pessoal, marketing? Em primeiro lugar é um gosto. Eu sou uma pessoa comunicativa e até gostaria de me comunicar mais e melhor. Ter uma live diária, por exemplo. Hoje a tecnologia e as mídias sociais permitem isso. Aliado a esse gosto, claro, tem também uma preocupação com a divulgação, com o marketing, que também é necessário. Quando estou lançando um trabalho, e para anunciar shows, comunico mais. Posso dizer que me relaciono bem com esta ferramenta. Você integra o Projeto Vozes, que tem por objetivo levar a músi-

O projeto Vozes Gaúchas é um projeto de divulgação. Um profissional leva os lançamentos de um grupo de músicos para as rádios. Essa é uma atividade muito importante. Precisamos ir até as rádios, estar disponíveis para os veículos de comunicação. São as rádios, juntamente com as mídias sociais, que vão fazer com que uma música seja ou não sucesso. Quanto à música gaúcha ter destaque como a sertaneja tem, eu não acredito. A música sertaneja tem um outro patamar de investimento e organização empresarial e profissional, com volumes muito maiores que os nossos, da música gaúcha. E é um produto musical que naturalmente já tem grande popularidade. Nós temos outras características e não me parece que devamos pensar em nível nacional. O meu foco sempre foi regional. Qual sua opinião sobre a integração da música gaúcha com outros estilos? Vejo com naturalidade. O mundo é globalizado e essa integração é salutar pra música gaúcha. Penso que devemos estar em todos os lugares onde nos chamam. Que iniciativas você sugere para o fortalecimento da música gaúcha? Muitas coisas precisam ser feitas. Penso que é necessário um maior esforço e empenho por parte de músicos, por parte de quem aprecia a música gaúcha e também por parte da indústria de eventos, da música. Precisamos fomentar mais internamente e juntos valorizar o que é nosso. Temos coisas maravilhosas sendo feitas e que precisam ser mostradas, não só na música gaúcha, como na cultura gaúcha como um todo. Ah, e muito importante, temos que parar de briga. Quando os irmãos peleiam entre eles os de fora dão risada e ocupam o espaço. Temos que estar mais ‘hermanados’, abraçados. Entrevista para Sandra Veroneze


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TRADIÇÃO

Capital do Fandango está iniciando os preparativos para a Semana Farroupilha 2019 Localizada a 600 quilômetros de Porto Alegre e integrante da 3ª Região Tradicionalista, São Borja, o primeiro dos Sete Povos Missioneiros, conhecida há muito tempo como a “Terra dos Presidentes”, atualmente ganhou uma nova denominação: Capital do Fandango. Sua alcunha original deve-se ao fato de dois presidentes do Brasil terem nascido por lá: Getúlio Vargas e João Goulart. Já o novo título, ao fato da grande quantidade de bailes lotados que a cidade oferece. Íbaro Rodrigues, secretário de Cultura e Turismo do município, ressalta que a região possui uma marca política muito forte, uma vez, que além dos presidentes, também originou três dos governadores do Rio Grande do Sul: Getúlio Vargas, Ernesto Dornelles e Tarso Genro.

Sucesso: em 2018 os ingressos começaram a ser comercializados em março e em abril estavam esgotados

Segundo Laudelino Ferreira, assessor de tradicionalismo da cidade, a nova denominação surgiu após uma visita do Repórter Farroupilha, Giovani Grizotti, em 2014. Devido a suas andanças pelo Estado para divulgar os acontecimentos e festividades, em setembro daquele ano veiculou uma matéria na qual apresentava um pouco de como eram os fandangos em algumas entidades são-borjenses. Nessa reportagem, acabou apelidando o município de Capital do Fandango.

Esse aumento considerável no turismo fez com que não só as entidades tradicionalistas tivessem mais venda em seus ingressos, como toda a economia local também aumentasse. “Foi incrementada a questão do comércio, lojas de indumentária, lembranças, a rede hoteleira, bares restaurantes. Sem contar as visitações a museus, nossos locais públicos”, comenta o assessor.

E foi a partir dessa história, que o vereador Élvio Feltrin criou um projeto, posteriormente aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores, para que São Borja assumisse o apelido. Após esse ato, a proposta foi encaminhada à Assembleia Legislativa, que com o apoio do então deputado estadual, Lucas Redecker, também recebeu aprovação, tornando oficial a localidade como “Capital Gaúcha do Fandango”. Laudelino frisa que mesmo antes da denominação já eram bastante conhecidos os bailes promovidos na região, mas a partir do novo título passou-se a trabalhar os eventos em nível estadual. “Com certeza cada CTG teve o seu público de fora, tanto do Estado, quanto de fora dele.”. Segundo Laudelino, as entidades estão buscando se adequar para receberem ainda mais turistas nos próximos anos. Íbaro relata que existem algumas com espaço para três mil lugares, o que possibilita a

recepção de grande quantidade de visitantes. Em média, cada fandango possui um público estimado de duas mil pessoas.

Íbaro especifica que a cidade teve um aumento de em torno de 40% em relação ao turismo e que esse número ainda vai aumentar. “Isso é muito bom para São Borja. Ajudou inclusive na construção de mais hotéis. A gastronomia aumenta cada dia que passa.” Por essa razão, os preparativos para a Semana Farroupilha 2019 iniciaram cedo. “As entidades já estão com os grupos contratados para os bailes. E, diga-se de passagem, são os grupos de ponta da região sul”, relata o secretário. O plano são as entidades CN Boitatá, CFTG Farroupilha, CTG Tropilha Crioula e PTG João Manoel desenvolverem nove fandangos esse ano. Além disso, existem em média 40 piquetes, o que a prefeitura estima gerar uma média de 100 fandangos ao longo da Semana Farroupilha. E para quem tem interesse em participar de algum desses bailes, é melhor se apressar na compra do

Escolha dos casais fandangueiros: público acompanha as provas

convite. As vendas iniciam no mês de março e o secretário garante que em 2018, em abril, não havia mais ingressos para os fandangos realizados no mês de setembro. Casais Fandangueiros Mas não haveria fandango sem os pares dançando pelo salão. E assim, para comemorar as festividades, no mês de agosto de cada ano é promovido o “Dia de Campo”, no Parque Esportivo General Vargas, onde é realizado o concurso para escolher os casais fandangueiros. A competição é divida nas categorias mirim, juvenil e adulta. No ano passado, 40 casais participaram, entre integrantes de entidades de São Borja. Mas o plano é abrir a disputa para casais de todo o Rio Grande do Sul participarem. Entre os que saíram vencedores em 2018 estão o casal juvenil Isadora Leal Corim e Welington Trindade Sant’anna, representantes do CFTG Farroupilha. Eles contam que

o regulamento do concurso segue o manual de Danças Gaúchas de Salão do MTG, ou seja, os competidores devem apresentar ritmos entre polca, bugio, vaneira, chote, entre outros. Primeiramente ocorre o sorteio da dança que deverá ser apresentada. Os melhores dançarinos vão se classificando em etapas, até serem revelados os campeões. Além dessa competição, o evento todo é voltado para o tradicionalismo, com realização de oficinas temáticas de culinária, tiro de laço, chimarrão e objetos típicos da cultura gaúcha. E na oportunidade as entidades tradicionalistas também são avaliadas, conforme a quantidade de pessoas pilchadas que participam do evento e também as atividades que desenvolvem ao logo dos dois dias. Texto: Tuanny Prado Fotos: Prefeitura de São Borja


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FALA TCHÊ

O Movimento Tradicionalista Gaúcho é para todos? O Movimento Tradicionalista, que deu seus primeiros passos lá nos idos de 1947, iniciou-se sendo basicamente um levante masculino. De primeira, apenas os homens participavam das reuniões e decisões. Somente dois anos depois, em 1949, ocorreria a primeira reunião da invernada das prendas. Por essa época também, geralmente mais no interior, as entidades tradicionalistas não eram de todo receptivas. Existiam em algumas cidades o CTG dos “brancos” e o dos “negros”, onde um não poderia entrar no do outro. Com o passar dos anos, a sociedade como um todo passou a ser mais tolerante, e essas divisões deixaram de ser tão evidentes. Dentro do Movimento, podemos encontrar patrões, patroas, de diversas descendências, pois o Rio Grande do Sul foi criado a partir da colonização de diversos povos que para aqui vieram (com os mais variados objetivos). Na atualidade em que vivemos, tendo uma pluralidade tão grande de pessoas, com distintas raças, credos, orientações sexuais, e até mesmo aquelas com algum tipo de deficiência, o Fala Tchê quis saber: o MTG é para todos? José Valdir Correa Junior – CTG Tríplice Aliança - 4ª RT - 3º Peão Farroupilha do RS 2018/2019 “Antes de responder essa pergunta precisamos organizar alguns pontos. Basicamente o tradicionalismo perpetua-se até hoje devido ao Movimento Tradicionalista Gaúcho - MTG, sendo este uma instituição associativa com o intuito de preservar, divulgar e cultuar as nossas tradições. E o MTG se mantém e se manterá por muitos anos em virtude dos seus filiados e de todos nós tradicionalistas que fizemos parte desse grande movimento. Dessa forma, quando falamos do MTG enquanto federação, atos de discriminação, intolerância e preconceito são práticas que não são aprovadas e apoiadas. Porém, assim como na sociedade, o MTG faz parte desta como uma parcela, então as coisas que acontecem lá fora com certeza se refletem dentro do movimento, pois afinal de contas ele é formado por pessoas e que infelizmente perante o século XXI ainda existem manifestações discriminatórias e que estão longe de se findar. Sendo assim, ao perguntar se o tradicionalismo é para todos, eu tenho certeza que sim, pois assim como eu, temos tradicionalistas que lutam por esta causa e que ao longo do tempo estamos caminhando para poder abraçar todo o tipo de inclusão e aceitação em toda sua plu-

Micheline Fetter da Silva - CTG Pedro Serrano - 30ªRT

José Valdir Correa Junior – CTG Tríplice Aliança - 4ª RT - 3º Peão Farroupilha

Juliane Cardozo Rigão - CTG Sentinela da Querência - 13ª RT

ralidade. Entendo que a caminhada é longa, mas o que não podemos é parar e deixarmos de evoluirmos. Precisamos ser otimistas e ser o exemplo para cada vez mais agregarmos pessoas para dentro do nosso movimento e assim fortalecê-lo. Pois quaisquer atitudes de discriminação são referentes a alguns tradicionalistas e não à instituição, e essas pessoas não representam nosso tradicionalismo, que é fundamentado com princípios e valores, dos quais o respeito é um dos de maior valor. Sabemos que o MTG possui regras, regulamentos, documentos que o acompanham por muito tempo, e esses são aprovados em Congressos e Convenções Tradicionalistas onde todos que fazem parte podem participar e contribuir debatendo e analisando as proposições, então devemos respeitá-las e cumpri-las. O que não podemos permitir é que em nosso meio seja um espaço onde pensamentos diferentes, a liberdade de expressão e as diferenças entre as pessoas seja algo a desvirtuar o nosso movimento; pelo contrário tem muito a engrandecer. Pois não é a sexualidade, cor da pele, gênero, religião ou a limitação de uma pessoa que vai defini-la enquanto sua personalidade ou caráter. Precisamos de um MTG mais plural, mais negro, mais feminino, mais para todos. Vivemos em uma sociedade culturalmente machista, heteronormativa e eurocêntrica, não podemos ser mais um ambiente que cultua essas características. Sejamos mais humanos e tolerantes para realmente trabalharmos e nos aproximarmos da sociedade como agentes transformadores, diminuindo os conflitos e oportunizando um ambiente agregador que abraça as diferenças, sem a necessidade de abrirmos mãos de nossos princípios e valores

fundamentais. Ponhamos em prática nossos preceitos como nossa Carta de Princípios menciona em uns dos seus itens: “I - Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo”; “IX - Lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade e Humanidade”, e não permanecemos apenas em palavras, discursos ou folhas de papel. Vamos caminhar para um bem coletivo, onde todos que acreditam e lutam por um verdadeiro MTG para todos possam contribuir e continuar fazendo a nossa história. Vamos olhar para o lado, nos darmos as mãos e continuar na luta, ninguém solta.”

Micheline Fetter da Silva - CTG Pedro Serrano - 30ªRT

Juliane Cardozo Rigão - CTG Sentinela da Querência - 13ª RT “Em tese o tradicionalismo é para todos, porém incluir todas as pessoas é uma tarefa que demanda muito além de teoria. Na realidade o Movimento Tradicionalista caminha, a passos lentos, em busca de um ambiente inclusivo, pois quem inclui e quem é incluído ainda convive com quem exclui. É visível que ainda há exclusão de várias pessoas, como mulheres, negros, homossexuais, deficientes etc., principalmente por parte da comunidade mais experiente e que na maioria das entidades são os tomadores de decisão. Cabe aos jovens o maior engajamento não apenas em questões culturais, mas também nas questões que digam respeito ao convívio em sociedade em geral e no dia a dia das suas entidades, pois mentes inclusivas fazendo parte da tomada de decisão auxiliam na transformação de uma sociedade que ainda é exclusiva. A inclusão não pode ser um diferencial do tradicionalista, deve ser tratada como um traço da personalidade do mesmo, assim como tantos outros traços.”

“O tradicionalismo inclusivo se fundamenta no reconhecimento, valorização e de lutarmos pelos nossos direitos humanos de liberdade, igualdade e humanidade, como está no artigo 9º da nossa Carta de Princípios, sendo uma característica certa à constituição de qualquer sociedade. Partindo desse princípio, falar de inclusão social é remeter ao seu inverso, a exclusão social, o dever de garantir o acesso e a participação de todos, a todos as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada um. O paradigma é que ainda encontramos muitas dificuldades e desafios a enfrentar, como acesso aos CTG e eventos, temas a serem trabalhados, cargos preenchidos, diferenças históricas e sociais, formas de adaptação para portadores de deficiência em variadas atividades, entre outros. Precisamos unir esforços, romper as barreiras do preconceito e democratizar os diferentes espaços para aqueles que não possuem acesso direito a eles. Buscar a harmonia social, criando a consciência do valor coletivo, conforme artigo 4º da Carta de Princípios. Pois tradicionalismo serve-se do respeito, da educação, dos valores morais, da diversidade, do amor, do bem coletivo, da voz de movimentos feministas, raciais, grupos homossexuais, de religiões, portadores de necessidade especiais etc. Alguns trabalhos vêm sendo realizados nesses últimos anos, novas temáticas e questões vêm sendo levantadas dentro do tradicionalismo com o intuito de envolver e torná-lo para todos. Porém, é preciso avançar ainda mais.”

Por Tuanny Prado


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CBTG

Mato Grosso do Sul institui Semana Farroupilha como evento oficial do Estado

Molas (1º Peão da CBTG 2015-2017 e Diretor Artístico do MTG-MS); PC: Rafaela Fontana Klein (1ª Prenda Mirim da CBTG 2015-2017); SP: Luciana Gazolla (Adjunta do Departamento Cultural do MTG-SP e 2ª Prenda Adulta do MTG-SP 2015-2017); PR: Aline Jasper (2ª Prenda da CBTG 20152017 e Diretora Cultural do MTG-PR) e Danielli Oliveira (3ª Prenda Veterana da CBTG e Coordenadora Cultural da 1ª RT – MTG-PR); SC: Edineia Pereira da Silva, Danubia Kulba, Elis Regina Burgel Xavier – Primeiras Prendas do MTG-SC e da CBTG; RS: Roberta R. Jacinto (1ª Prenda do Rio Grande do Sul 2016-2017 e atual Diretora de Concursos do MTG-RS) e Gelson Descovi Vargas (Coordenador Artístico da 30ª RT do MTG-RS); 18h: Homenagem aos Peões e Prendas que já representaram a CBTG; 19h: Intervalo; 20h30: Jantar; 21h: Encerramento, dança de integração e baile de confraternização com Fabio Soares.

Semana Farroupilha foi instituída, por Lei Estadual, no calendário oficial de eventos do Estado do MS

Por meio da Lei nº 5.230, do ex-deputado estadual Enelvo Felini, a Semana Farroupilha agora faz parte do Calendário Oficial de Eventos do Estado do Mato Grosso do Sul. O MTG-MS apresentou a instituição da Lei Estadual por meio de uma solenidade realizada no dia 3 de fevereiro, no CTG Tropeiros da Querência, em Campo Grande, capital do Estado. O Presidente da CBTG, João Ermelino de Mello, participou e entregou, juntamente com o Prendado e Patronagem do CTG, uma honraria ao ex parlamentar. “Os gaúchos contribuem para o desenvolvimento do Estado, se destacando na agricultura, comércio e indústria. Instituir a Semana Farroupilha é uma forma do Estado reconhecer essa importância dos irmãos e gaúchos desbravadores”, ressaltou Enelvo Felini.

Enjut: evento acontece em março

Prendado da CBTG visita entidades tradicionalistas para divulgação do ENJUT O prendado da CBTG está se esforçando para visitar diversos CTGs da região do oeste catarinense com intuito de convidar e divulgar o Encontro Nacional da Juventude Tradicionalista 2019 (ENJUT). Participam das visitas a 1ª Prenda da CBTG, Natália Lorenzi, o 1º Peão Tradicionalista, Victor Parmeggiani, a 2ª Prenda, Ana Carla Batista, o 1º Peão Veterano, Elizandro Tonatto, a 3ª Prenda Juvenil, Thays Lilian, e o 3º Peão Juvenil, João Vinícius Batista. Confira as novidades, palestrantes, oficinas e toda a programação por meio de nossas redes sociais e site da CBTG. Programação: Sábado - 6 de março: 8h: Recepção, credenciamento e café da manhã; Exposição dos MTGs: espaço reservado para que cada MTG coloque em exposição seus projetos e ações desenvolvidos. Essa exposição permanecerá no local durante todo o evento; Abertura do Mapa de Oportunidades; 9h: Solenidade de Abertura; 10h: Palestra “História da CBTG”, com João Ermelino de Mello (Presidente da CBTG); 10h30: Painel “Qual o papel dos MTGs na formação de novas lideranças? O que cada MTG está fazendo a respeito desta renovação? – com

Semana Farroupilha instituída em lei estadual: comemoração

Domingo - 7 de março: 8h30: Café da manhã e Roda de Prosa sobre o Mapa de Oportunidades e Painéis; 9h30: Passeio Turístico “Conhecendo a capital do oeste catarinense”; 13h: Almoço. CTG entrega kits escolares para crianças carentes em Cuiabá-MT

Entrega de kits: incentivo à educação

relatos dos Presidentes e Representantes dos MTGs. Mediador: Anderson Hartmann; 12h30: Intervalo/Almoço; 13h30: Gincana “Caminho de Tropas” - temática relativa aos Desafios Culturais da CBTG. Realização: Prendado Juvenil da CBTG; Local: salão principal do CTG; Oficina “Formulação de Projetos e Arrecadação de Verbas: Como submeter um projeto a avaliação financeira por órgãos públicos? (Lei Rouanet e afins)”, com Fernanda Ben (museóloga e historiadora – parceira do SEBRAE); Local: salão secundário do CTG; 14h: Reunião Di-

retoria da CBTG; Local: galpão anexo ao CTG; 14h30: Palestra “Liderança Jovem e Ética”, com Roberta Jacinto, Diretora de Concursos do MTG-RS; 15h30: Intervalo/Coffee Break; 16h: Painel “Juventude Ativa pelo Brasil: as realidades e dificuldades de ser/ formar jovens líderes tradicionalistas Brasil afora”, com representantes de todos os MTGs; Representantes: MT: Joao Malinski (Diretor Cultural do MTG-MT), Felipe Cardoso (1º Peão Juvenil da CBTG); MS: Daiane Pereira (3ª Prenda da CBTG 2015-2017 e Diretora Cultural do MTG-MS), Farid

O Projeto “Escrevendo o Futuro”, proposto pela 3ª Prenda do MTG-MT, Laysa Ferro Pereira, resultou na entrega de 100 kits escolares para crianças do Projeto Social “Menino Chico”, em Várzea Grande. O projeto foi realizado com o apoio do 2º peão de Cuiabá em conjunto com o CTG Velha Querência, Loja Maçônica Acácia da Independência 50, e os Demolays do Capítulo Conquista e Integração. Além do material escolar, também foram arrecadados alimentos e roupas. “A ideia desse projeto surgiu em uma conversa no dia em que fomos entregar os brinquedos da campanha do Dia das Crianças do ano passado. Desta forma demos vida ao projeto e hoje o realizamos”, explicou Laysa. Durante a entrega, além dos parceiros do projeto, estiveram presentes o Patrão Amarildo, membros da patronagem, o 1º Peão Osmar Urbano F. Júnior o 2º Peão Pedro Henrique. Por Aline Jasper e Aline Kraemer Confederação Brasileira de Tradição Gaúcha


ECO DA TRADIÇÃO

março de 2019

SOCIEDADE

Prendas arrecadam doações e montam kit escolar para crianças carentes em Lucas do Rio Verde Um projeto desenvolvido desde dezembro de 2018 tem buscado arrecadar materiais escolares para a distribuição de kits às crianças carentes cadastradas na Pastoral da Criança da Igreja Católica. A arrecadação das Prendas atingiu cerca de 150 crianças carentes que estudam nas instituições públicas de Lucas do Rio Verde. A previsão é que as doações de kits escolares continuem caso haja mais colaboradores que desejem doar em prol do projeto. De acordo com a 2ª Prenda Veterana do MTG-MT, Cintia Marcolan Lucas, a ação, que visa beneficiar alunos carentes que estudam em instituições públicas do município, já vem sendo desenvolvida em outros anos em parceria com a Paróquia Nossa Senhora Mística, através da Pastoral da Criança. “Nós realizamos a ação dentro do CTG e na sociedade, mobilizando para que realizem as doações tanto em material quanto em dinheiro, e depois realizamos a compra e por fim passamos a pastoral, que através de uma lista de crianças, nos convida para que juntos possamos realizar a entrega” diz Cintia. “Não temos renda para ajudar estas crianças, mas com a realização desta ação, onde tudo é na base da doação, conseguimos dar a oportunidade à várias crianças em aprender e lutar pelo seu futuro, deixando a elas a preocupação apenas em tirar as melhores notas na escola” Comenta.

Também fez parte do projeto a 2ª Prenda Mirim do MTG-MT, Lívia Marcolan Lucas. Envolvimento social - Para o tradicionalismo gaúcho, o envolvimento social é um valor inegável. O primeiro item da Carta de Princípios, documento balizador da entidade, defende a ideia de auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo. O quarto item diz que deve ser prática do tradicionalista facilitar e cooperar com a evolução e o progresso, buscando a harmonia social, criando a consciência do valor coletivo, combatendo o enfraquecimento da cultura comum e a desagregação que daí resulta. Outro item inspirador é o nono: lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade e Humanidade. Tema quinquenal - O voluntariado é o tema quinquenal do MTG, para formar uma consciência coletiva do verdadeiro trabalho voluntário, criando ferramentas, condições e oportunidades de resgate ao trabalho social. Ao se trabalhar esse tema, tem-se por objetivo fazer o despertar deste sentimento de colaboração que já foi o grande norte e que ao passar dos anos, das influências do quadro apresentado de nossa sociedade se perdeu. O MTG, com este tema, tem por objetivo construir um modelo de capacitação ao longo dos anos de voluntariado em nosso meio, possibilitando o despertar de um novo tempo.

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Eco da Tradição #212, de Março de 2019  

Eco da Tradição #212, de Março de 2019  

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