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Nesta amostra, as primeiras página do 4º volume da colução SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS, Soluções Sustentáveis - Permacultura Urbana, de Lucia Legan.


Soluções Sustentáveis Permacultura Urbana Lucia Legan

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Legan, Lucia Soluções Sustentáveis - Permacultura Urbana/Lucia Legan. Pirenópolis, GO: Mais Calango Editora. Pirenópolis, GO: Ecocentro IPEC - Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, 2008. ISBN 978-85-60707-03-4 1. Agricultura e Tecnologias relacionadas 2. Desenvolvimento Sustentável 3. Educação ambiental

1ª Edição, Pirenópolis - Goiás, 2008

É proibida a duplicação ou reprodução desta publicação, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na internet e outros), sem permissão expressa da autora.

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Caixa Postal 45 Pirenópolis, GO CEP 72980-000

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Diagramação: Felipe Horst Ilustrações: Laila Soares, Felipe Horst Fotos: André Soares, Felipe Horst, Frederico Lenhardt, Laila Soares Revisão: Maurício Falleiros Capa: Felipe Horst Fotos de capa: Felipe Horst, Laila Soares, Lucia Legan


Índice Vida urbana Deixando sua casa em ordem Família orgânica Ar puro dentro de casa Estratégias da zona 1 Reciclando fora da cozinha Reciclando na cozinha Cobertura vegetal Hortas para seu pátio Canteiros elevados Jardins verticais Hortas de metro quadrado Espiral de ervas Cores Flores comestíveis Jardins perfumados Reciclando a sua água Água no jardim Pequenos animais Zona 5 Comunidades sustentáveis A rua é sua Agricultura comunitária Economia local e economia verde Pense antes de gastar Criando menos lixo Tecnologias sociais

4 6 8 11 12 16 20 22 23 27 29 32 35 37 38 39 40 42 43 45 50 52 53 54 57 58 60

Bibliografia

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Vida Urbana A cada dois segundos, uma pessoa se junta à crescente população urbana, e pela primeira vez na história da humanidade, a maioria da população mundial vive em áreas urbanas. O planejamento urbano enfrenta o surgimento de metrópoles numa escala nunca vista na história da humanidade. No ano de 1900, havia uma dúzia de cidades no mundo com população maior que um milhão (UNESCO). Hoje, 28 cidades excedem a marca de 8 milhões, que serve para definir uma “mega-cidade”. A necessidade de compreender o lugar das “megas-cidades” no sistema social, político e econômico mundial é fundamental uma vez que cada vez mais pessoas estão se transferindo para as cidades. Na mesma medida em que a expansão urbana aumenta rapidamente, problemas como planejamento urbano, gerenciamento do lixo, infra-estrutura coletiva e transportes estão criando uma pressão enorme sobre os recursos naturais. O crescimento da pobreza, a insegurança alimentar e subnutrição estão acompanhando a urbanização. Um círculo vicioso foi criado. Na medida em que os alimentos são trazidos para as cidades e distribuídos para as áreas de expansão urbana, há um aumento do número de caminhões que entram nas cidades, o que contribui para os congestionamentos e para a poluição do ar, tornando as cidades cada vez menos “amigas” do meio ambiente. No entanto, a segurança alimentar, o gerenciamento da água, do lixo, a energia, os transportes e o uso da terra podem ser planejados para tornar as cidades melhores para as pessoas e para o planeta. A permacultura urbana pode ser a solução para esse problema ao tornar-se a fonte de alimentos para muitas cidades. As cidades podem alinhar seu consumo com necessidades realísticas, produzir mais de sua energia e alimentos e usar mais o seu lixo. Havana em Cuba e Bogotá na Colômbia são exemplos de agricultura urbana.

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Em áreas urbanas, muitas pessoas deixam o sonho de lado, pois acreditam não ser possível ter um jardim ou horta no espaço onde vivem. Não é verdade! Onde haja sol, as plantas irão crescer, dentro de uma jardineira na janela, em uma sacada ou em um telhado. É possível, sim, construir um espaço verde em pequenas áreas urbanas. Existem várias estratégias para isso. Com um planejamento cuidadoso, você pode criar um jardim comestível ou, se o espaço permitir, até um lugar para as crianças brincarem. Um jardim é um jardim, não importa o seu tamanho. Se você tem um problema, procure como você pode transformá-lo em algo positivo. Desenvolva novas idéias, lembre-se das palavras de Albert Einstein: “no meio das dificuldades estão as oportunidades” Sustentabilidade urbana é fundamental para criar equilíbrio e igualdade social em nosso planeta. Ela é a verdadeira evolução. Os princípios da sustentabilidade contemplam o profundo compromisso de justiça e nãoexploração, com respeito à vida de todas as criaturas. A chave para um futuro sustentável deve incluir a promoção do cuidado com o planeta, o cuidado com as pessoas e a divisão justa dos recursos. Todos os seres humanos, quer vivam em meio urbano ou rural, têm uma pegada ecológica. Para sobreviver, nós consumimos o que a natureza oferece, e todas as ações têm impacto no ecossistema do planeta. Este fato não seria importante se os seres humanos usassem apenas o que o planeta pode renovar. No entanto, a maioria usa mais que o necessário, portanto deixamos uma pegada ecológica. Ao medir a pegada ecológica de uma pessoa, uma cidade ou uma nação, nós podemos calcular os bens e os danos ecológicos que estamos causando ao planeta. Conhecer nossa pegada ecológica nos permite mobilizar ações individuais e coletivas de apoio a um mundo onde a Humanidade viva dentro das possibilidades do planeta. Visite www.myfootprint.org e clique em Brasil. Descubra quantos planetas seriam necessários para manter uma população do tamanho da atual, todos vivendo com o mesmo estilo de vida que você. Quanto mais responsabilidades assumimos, maior é o controle que temos das nossas vidas. Quanto maior o nosso controle, mais independentes nos tornamos e, portanto, menores são as demandas que fazemos ao sistema.

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Deixando Sua Casa Em Ordem Muitas pessoas que vivem em áreas urbanas deixam uma pegada ecológica maior que seus vizinhos que vivem no campo. Portanto, colocar sua casa em ordem deve ser o primeiro passo que você deve tomar. Passe mais tempo pensando nas entradas e saídas da sua casa. Qual a quantidade do que entra na sua casa e do que sai dela?

ENTRADAS

SAÍDAS

Água, Energia, Comida, Embalagens, Pessoas.

Energia dispersada, Calor, gás, Restos de comida, Produtos não degradáveis, Urina, fezes, Excesso de energia gerada, Águas cinzas, Águas sanitárias.

Agora analise este uso de recursos. O que é realmente necessário? Como você pode reutilizar, reciclar ou reduzir o que sai? E como pode reduzir ou aproveitar melhor o que entra? Um projeto de permacultura por zoneamento refere-se a um método que garante que os elementos introduzidos em sua casa serão bem localizados. Em permacultura, as zonas são numeradas de 0 a 5 e podem ser pensadas como uma série de anéis concêntricos movendo-se para fora do ponto central, onde a atividade humana e a necessidade de atenção está mais concentrada, até o ponto onde não há nenhuma necessidade de intervenção.

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A permacultura trata da conservação de energia, a sua e a energia renovável. Então, faz sentido planejar o projeto de acordo com o número de vezes que você utiliza os elementos, e com que freqüência necessita trabalhar neles. Na permacultura, a posição relativa dos elementos é conhecida como zoneamento. Zona 0 – O centro de atividades usualmente é uma casa ou um núcleo de casas. Neste ponto, os princípios da permacultura são aplicados no sentido de reduzir a necessidade de energia e água, aproveitando os recursos naturais como a luz solar e criando um ambiente harmonioso e sustentável no qual podemos viver, trabalhar e relaxar. Zona 01 – É a área mais próxima da casa, a localização dos elementos do sistema que necessitam de atenção mais freqüente, ou a necessidade de visitar com freqüência. Exemplos: horta, ervas, viveiro, adubo feito de restos de cozinha e animais pequenos. Zona 02 – Esta área é usada para plantas perenes que precisam de menos manutenção, como o controle de ervas daninhas. Essa área inclui o pomar. Essa zona também é um bom local para colméias de abelhas, um local maior para fazer adubo, estufa, cercas vivas e tanques de água. Zona 03 – É a área onde crescem as principais plantas, tanto para uso doméstico quanto para o comércio. Usa o mínimo de energia no estabelecimento e na manutenção usando cobertura e adubação verde. Área para criar barreiras para o fogo. Zona 04 – É uma área semi-controlada onde é desenvolvida a silvicultura, onde estão localizados os poços, moinhos e valas de infiltração, barragens e para animais maiores. Essa área também é utilizada para produção de madeira como matas de corte controlado Zona 05 – Não sofre intervenção humana, exceto, é claro, da observação do ecossistema e dos ciclos. Aqui é onde aprendemos as lições mais importantes do primeiro princípio da permacultura que é trabalhar junto e não contra a natureza.

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Família Orgânica Sessenta anos atrás, os alimentos orgânicos não eram um assunto importante. Era simplesmente a maneira pela qual muitos alimentos eram produzidos. Mas a demanda pós-guerra por grandes volumes de alimento barato, junto com o desenvolvimento dos pesticidas (que surgem de pesquisas bélicas), colocou a produção de alimentos em uma nova direção. Indústrias de produtos químicos, a mídia e até alguns governos sugeriram que havia, com produtos químicos, uma solução para qualquer problema. Três gerações depois, existe farta evidência de que o meio ambiente, os animais de fazenda e a saúde humana estão pagando um alto preço pelo alimento barato e o despejamento químico de pesticidas e fertilizantes. Estamos rodeados de más notícias sobre o meio ambiente, e nossos esforços podem parecer pequenos em comparação a problemas esmagadores. Mas como disse Margaret Mead: “Um pequeno grupo de pessoas comprometidas pode mudar o mundo. De fato é a única coisa que já o fez”. É muito importante que saibamos a origem dos alimentos, tanto animais quanto vegetais. As verduras e frutas contêm muitas vitaminas essenciais para nosso organismo, mas se forem cultivadas com veneno podem fazer mais mal do que bem. Da mesma maneira com a carne, leite, ovos: se forem de origem duvidosa, é melhor evitá-los. Consumindo produtos industrializados, além de prejudicarmos a nossa saúde, nós contribuímos para enriquecer ainda mais um número reduzido de indivíduos que estão por trás das grandes indústrias alimentícias, visando apenas lucro. Cuidar de nossos corpos e da Mãe Terra não é tão difícil quanto pode parecer. As soluções estão muito perto de casa. De fato, na cozinha! 1. Produtores eco-orgânicos não destrõem o solo, eles criam solo. Em fazendas ecológicas, o esterco é usado para naturalmente fertilizar o solo ou criar composto. Fazendas industrializadas produzem tanto lixo que pode afetar até a nossa saúde.

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2. Fazendas eco-orgânicas criam habitats para diversificação da vida selvagem. A maioria das fazendas convencionais usa pesticidas que, além das pragas, matam borboletas, libélulas, pássaros e pererecas. Tratamentos fungicidas atingem o solo e matam minhocas e outros organismos do solo. Jardins orgânicos são refúgios para a vida selvagem. 3. Produtos orgânicos não são cobertos por coquetéis químicos. O método convencional de cultivo de tomates usa 30 diferentes tipos de veneno e devido à pele fina e absorvente e o seu uso em diversos tipos de comidas, vale a pena comprar tomates orgânicos. 4. Comer orgânicos é a única forma de evitar produtos transgênicos em sua alimentação. Quando você compra alimentos orgânicos, você demonstra sua desaprovação ao cultivo de transgênicos. 5. Produtos orgânicos frescos possuem até 50% a mais de vitaminas, minerais, enzimas e outros micro-nutrientes do que os produzidos na agricultura convencional. 6. Produtos orgânicos são melhores para sua saúde, a saúde de seus filhos e de seus tataranetos. Vire um ecoorgânico, por seu amor pelo nosso planeta! 7. Produtos orgânicos simplesmente são mais saborosos. Frutas e verdurars são cheias de polpa, cor e sabor. Experimente hoje!

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8. O mal da Vaca Louca nunca foi achado em vacas que se alimentavam em pasto eco-orgânico. Hoje, muitos pecuaristas convencionais usam soja transgênica. O senso comum diz que alimentos orgânicos são mais seguros. 9. Animais eco-orgânicos são criados de forma livre. Indústrias de galinhas tratam os animais como objetos, confinados em gaiolas pequenas e apertadas, sem qualquer forma de movimento. 10. Produtores orgânicos trabalham para um mundo mais saudável e feliz. Cultivos convencionais podem destruir a saúde do agricultor. Pesquisas demonstram que há um índice maior de câncer, problemas respiratórios e outras doenças em agricultores convencionais. O ideal é produzirmos nosso próprio alimento, assim não há dúvida de sua origem, e ainda podemos consumi-los muito frescos, aumentando ainda mais seu valor nutricional. Inclua alimentos orgânicos em sua cozinha. Dê exemplo. Se você cuida do meio ambiente, suas crianças receberão uma poderosa mensagem, que é a maneira correta de se comportarem. Sua família será mais feliz e saudável com alimentos nutritivos. Acredite que você pode fazer a diferença para o futuro de suas crianças. Isto lhes dá esperança. Compartilhe as maravilhas da natureza. Aprenda a observar a natureza através dos olhos de uma criança. Todas as crianças são seus filhos. Pense globalmente. Suas ações fazem a diferença!

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Ar Puro Dentro De Casa Melhore o ar dentro de casa. O estresse da vida urbana está presente nas nossas casas. Pesquisas mostram que as alergias estão aumentando, assim como outras doenças mal explicadas. A maioria dos profissionais de saúde concorda que a poluição dos nossos lares é o maior problema. Nós temos toxinas como o álcool, acetonas, tricloroetileno, benzina e formaldeídos nas nossas cozinhas, salas e quartos. Cientistas estão agora descobrindo o que jardineiros já sabiam há décadas: que as plantas ajudam a aliviar o estresse. Em 1980, o Centro Espacial da NASA descobriu que plantas domésticas comuns podem remover produtos químicos orgânicos voláteis do ar. De acordo com cientistas, duas plantas de sombra em vasos de 35 a 40 cm podem limpar o ar em um espaço de 10 metros quadrados. As plantas domésticas não são mais um luxo, elas são essenciais para a nossa saúde. Abaixo listamos algumas plantas estudadas pela NASA por seu benefício ecológico de purificação do ar.

Lírio-da-paz (Spathiphyllum sp) tem alto índice de transpiração e é excelente para a retirada de álcoois, acetonas, tricloroetileno, benzina e formaldeídos.

Areca palma (Chrysalidocarpus lutescens), Coqueiro-de-vênus (Dracaena fragrans), Lírio-da-paz (Spathiphyllum sp.), Jibóia (Scindapsus aureus), Gérgera (Gerbera jamesonii), Imbé (Philodendron erubescens), Singônio (Synogonium podophyllum).

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Estratégias Da Zona 1 Zona 1 é a área mais próxima de onde está a energia – perto da porta dos fundos e pelas trilhas, calçadas, caminhos pelos quais passamos todos os dias. O local dos elementos no sistema que precisam de atenção ou visita freqüentes. A estratégia para a Zona 1 inclui: • começar pequeno • marcar seus caminhos • planejar estruturas permanentes • jardins “intensivos”

• “efeito borda” • observar padrões • acrescentar um elemento de água

Se você mora em uma área urbana, a Zona 1 é espaço precioso. Não use o espaço para armazenar coisas. Coloque aquela pilha empoeirada de revistas em algum lugar em que não possam ser vista; recicle as garrafas vazias e comece o seu projeto. Começando pequeno Quando você está pronto para criar a Zona 1, começar pela porta dos fundos é desenvolver primeiro o que estiver mais próximo. Tenha essa área sob controle para então continuar crescendo. Crie sistemas em pequena escala e desenvolva permanência para produtividade intensiva. Marcar seus caminhos Pequenos jardins ficam melhores com caminhos permanentes de cascalho, tijolos, ladrilhos, madeira ou concreto. O cascalho e as pedras claras refletem a luz, permitem a drenagem e são duráveis. Para suavizar o visual, plante dentede-leão ou tufos de grama entre o calçamento. Caminhos tortuosos despertam o interesse das pessoas pelo jardim. As curvas oferecem diferentes paisagens e lugares interessantes para a contemplação. Para tornar o ambiente mais acolhedor, crie pontes e coloque vasos onde houver linhas retas. Você também pode perfumar os caminhos se plantar ervas aromáticas, flores comestíveis e plantas medicinais ao longo das trilhas.

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Planeje estruturas permanentes A premissa básica da permacultura é que os elementos que você põe na Zona 1 devem servir para pelo menos três funções. A colocação desses elementos no projeto deve minimizar a sua energia e a da natureza. Isso vai economizar o seu tempo e o seu dinheiro e auxilia no planejamento de onde serão colocadas as estruturas permanentes. Por exemplo, a composteira recicla restos de comida da cozinha para alimentar as minhocas que serão colocadas na horta. Portanto, faz sentido colocar a composteira próxima da passagem da cozinha e próxima do minhocário, o que economiza muito tempo de planejamento.

Jardins Intensivos Esta casa urbana ilustra a colocação do jardim o mais próximo possível da casa. Se os jardins são colocados muito distantes, você não vai ser tão diligente em manter ou até mesmo colher sua produção na época certa. É melhor que você possa, da sua casa, ver a horta. Plantas perenes economizam tempo e energia. São plantas que vivem vários anos, são mais rústicas e precisam menos cuidado. Experimente com açafrão, aspargos, batata doce, cará, cebolinha, chuchu, espinafre, feijão, guandu, mandioca, pimentão, taioba, capuchinha e muitas ervas.

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Linguagem de padrões A maior parte da inspiração da permacultura vem de compreender os padrões de desenho ocorrentes na natureza. Observá-la silenciosamente nos desvenda estes padrões. O padrão: • do lóbulo é encontrado nos feijões e nas nossas orelhas. • circular representa a Lua, o Sol e a Terra. • do desenho dos galhos é encontrado nos riachos, nos galhos e folhas das árvores e até mesmo nas nossas veias. • de espiral é encontrado na galáxia, nos girassóis, nas conchas e no vento. • hexagonal pode ser encontrado nas colméias, cristais e no solo rachado do deserto. Romper com as linhas retas pode acrescentar interesse visual para o seu jardim ao mesmo tempo em que economiza espaço e água, reduz o trabalho e aumenta o habitat para animais. Jardins convencionais seguem linhas retas. No entanto, as fileiras necessitam de vários caminhos enquanto um jardim projetado como um buraco de fechadura necessita de apenas um caminho entre as fileiras. O desenho na forma de buraco de fechadura proporcionará um acesso fácil a áreas de muito uso. Utilizando este canteiro você maximiza as bordas, e desta forma mais plantas podem ser cultivadas. Este formato, além de bonito, também protegerá as plantas, economizará tempo, energia e espaço. Brincando com padrões da natureza, você pode criar mistério no seu jardim e acentuar os recantos, de forma que os detalhes sejam imperceptíveis à primeira vista. Inclua esculturas que atraiam o olhar. A luz do sol pode ser usada para destacar uma fonte ou uma peça artística durante o dia. Mas tenha sempre luminárias, velas ou tochas, para garantir o charme noturno.

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Acrescente um elemento de água Todo jardim precisa de uma fonte de água. A água contribui para a beleza, a diversidade natural e o micro-clima da paisagem. Há muitas maneiras de acrescentar água no jardim, como laguinhos de ferrocimento, laguinhos de pneus ou, simplesmente, um pote de água no jardim da sacada. A água traz vida para qualquer jardim criando um habitat para sapos, pássaros e insetos benéficos. Não conte apenas com uma fonte de água, tente a criar o máximo de fontes possíveis, podendo a fonte ser um laguinho, um tanque ou um açude.

Efeito borda O efeito borda é o efeito de contrastar ambientes em um ecossistema. Esse termo é usado comumente em conjunção com o limite entre os habitat naturais, especialmente florestas, o oceano, em terra desenvolvida ou modificada. Estudos mostram que existe mais vida na borda, onde dois sistemas se sobrepõem, somando os recursos de ambos. Quando você estiver trabalhando com qualquer uma das zonas, utilize o efeito borda e outros padrões naturais de desenho observados para criar o melhor habitat possível. Por exemplo, um laguinho circular tem uma borda. No entanto, se você criar um laguinho com bordas rasas e profundas, você terá aumentado a diversidade em muitas vezes. As bordas dão aos peixes um local para procriar, para plantas crescerem, o que, por sua vez, fornece alimento para os peixes e, assim, criar um habitat.

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Reciclando Fora Da Cozinha O solo é crítico para a vida neste planeta porque forma a base de quase todas as cadeias alimentares. A maior parte do que nossos corpos necessitam vem do solo. A saúde humana depende de alimentação saudável, e isto pode vir somente de solos férteis e produtivos. O solo, diretamente, supre 98% do alimento mundial. A maioria das pessoas vive fundamentalmente de grãos como arroz, milho e trigo. Nós ainda dependemos do solo, mas nós destruímos muito mais do que a natureza pode criar. Isto pode levar a um desastre ambiental enorme. A boa notícia: podemos dar uma mão para a Mãe Natureza criando solo em nossas casas. Então pergunte: o que isso tem a ver com vida urbana? Qualquer sistema de permacultura intenta chegar a sua sustentabilidade em termos de comida. É a nossa responsabilidade cultivar nossa comida, ter uma horta, não importa quão pequena, ou ter espécies em potes, floreiras e vasos nas cidades. Só apalpando a nossa terra, vamos apreciar verdadeiramente a comida que ela nos oferece. Recicle na cozinha, aproveitando o máximo dos alimentos, cuidando do lixo que produz para que seja o menos agressivo possível ao meio e dando-lhe o destino adequado. Com as sobras da cozinha, você pode fazer um ótimo composto para utilizar na sua horta! Na cozinha temos uma grande quantidade de matéria orgânica que são resíduos de alimento. Este material poderá ser processado através de metodos de compostagem para ser transformado em solo. Isto economiza tempo e dinheiro na cozinha e na horta. Dentro ou fora de casa, qualquer um pode fazer adubo. Se você não tem um jardim, um pequeno espaço na garagem é suficiente, ou na sacada, ou até mesmo debaixo da pia da cozinha.

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Adubo no apartamento ou na sacada Para fazer adubo no seu apartamento ou na sua sacada, você vai precisar de dois recipientes. Um recipiente de adubo é para iniciar o processo; quando o primeiro estiver cheio, você começa a encher o segundo. E quando o segundo estiver cheio, o outro já estará pronto para ser usado e pode ser esvaziado. Lembre-se sempre: antes de colocar qualquer coisa pesada na sua sacada, confira se a estrutura suporta o peso. Sozinhos, os restos de cozinha são muito molhados para fazer o adubo. Você precisa acrescentar palha, folhas secas, pedaços de jornal (sem tinta colorida ou papel brilhante), papel cartão ou casca de coco. Você também pode usar serragem (de madeira não tratada). Tenha uma balde de materiais secos ao lado do seu recipiente. Acrescente uma mão cheia de terra (coletada na base de uma árvore saudável) em cada camada. Isso vai ajudar à acrescentar micróbios benéficos.

Balde de plástico de 40 a 80 litros com tampa. Coloque estrados debaixo do balde, para que haja aeração. Coloque uma bandeja embaixo, para coletar o excesso de água. Use essa água nas plantas. Fure uns 10 ou 12 buracos na base.

Acrescente terra e assim por diante... Uma camada de material seco. Uma camada de material molhado. Uma camada de material seco.

Primeiro, ponha alguns centímetros de materiais secos no fundo do recipiente. Jogue os restos de cozinha do dia por cima, cubra os restos com a mesma quantidade de materiais secos. Jogue um pouco de terra por cima e um pouco de cal ou cinza de madeira. Continue o processo até o recipiente estar cheio.

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Quando a composteira está cheia, deixe por alguns dias. Vire a pilha freqüentemente, para permitir a entrada de ar (mais ou menos uma vez por semana). Misture o conteúdo a cada semana com uma pá de adubo ou um pequeno revolvedor de adubo. O modelo ao lado é movido por um pequeno motor que revolve o adubo. O composto vai estar pronto em aproximadamente 45 a 60 dias. Não acrescente em sua lata de compostagem: Não é uma boa idéia acrescentar alimentos tais como carne, frango e peixe, nem fezes de gato e cachorro na sua lata de compostagem urbana, uma vez que estes liberam odores fortes e que atraem ratos. Não coloque fraldas descartáveis, que têm plástico, nem papel brilhante de revistas, pois este tipo de papel libera toxinas.

manoplas para movimentação

pás rotoras

Recipientes urbanos de compostagem mantêm a compostagem organizada.

Acrescente em sua lata de compostagem: Restos de frutas e vegetais, incluindo cascas de banana e de cebola, flores, batata, e outros itens: ovos, pó de café e papel filtro usados, cinza ou serragem, papelão, caixas de ovos, cabelos, fósforos, pão velho, leite, cascas de nozes, queijo mofado, yogurt, arroz e penas.

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O segredo para o sucesso na compostagem é ter uma boa mistura de materiais e uma dose adequada de umidade. Se você fizer um monte de compostagem muito úmido, você vai terminar com um lodo fedorento. Se você tem um montão de coisas molhadas, como restos de cozinha, misture-os com material seco, como, por exemplo, caixas de ovo, papel cartão (sem cor) em pedaços ou folhas secas. Envelopes velhos são ótimos para a mistura. Se o monte de compostagem estiver muito seco, a compostagem vai levar muito tempo. Acrescente água e cubra com folhas para reter a umidade. Agora, você está pronto para fazer compostagem. Lembre-se de acrescentar três vezes mais materiais secos, como folhas e grama cortada do que lixo fresco, como os restos de comida. Jogue um pouco de água a cada poucas camadas para manter a umidade. Para apressar o processo de compostagem, simplesmente, corte em pedaços os materiais antes de colocá-los na lata de compostagem. Lata de compostagem rotatória A lata de compostagem rotatória é perfeita para as pequenas hortas urbanas. As sobras de cozinha, palha ou folhas são colocadas dentro de um barril com uma pequena quantidade de água. Ao invés de virar a compostagem com um garfo, você gira o barril. A compostagem pode ser feita rapidamente (em menos de um mês). O conteúdo de uma semana do seu lixinho de cozinha pode ser acrescentado pela portinhola na lateral do barril. Feche a portinhola e vire a manivela.

Este tipo de lata de compostagem é basicamente um tambor montado em um apoio com uma manivela na lateral. A lata é pintada de preto, furada para permitir a saída de água em excesso e a manivela ajuda a girar o barril.

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Livro Soluções Sustentáveis - Permacultura Urbana, 4º volume da coleção SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS.

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