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Mulheres, mitologia e melancias

sumรกrio

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Mulheres, mitologia e melancias

Introdução

Ela tem milhares de faces e milhares de nomes. Alguns a chamam de Oshun, do Rio Yoruba. Mãe das divindades que sentada à beira do rio, nas pedras cobertas de limo, segura um espelho em uma mão e um leque dourado na outra. Outros a chamam de Pele, a mulher da Montanha Ardente. Aquela que com sua energia vulcânica deu origem a novas massas de terra. Os Iroquis a chamam de Neoga dos Ventos do Sul. Controladora dos ventos de verão que caminha próxima ao Sol. Generosa e gentil, ela segue adiante com fortes intenções como a luz do amanhecer. Também a conhecem como Inanna, cuja lenda ajuda as mulheres a entrarem na vida adulta. A cada passo de seu caminho ela confronta-se com a última morte dos últimos dias da existência. Ela possui seu próprio poder, sua própria autoridade e abraça a todos. A deusa tem sido uma influência importante em nosso estilo de vida atual, um eterno arquétipo na psique humana, figurando-se desde os primórdios da civilização. Sua figura foi encontrada em grutas, túmulos e templos. A primeira imagem religiosa encontrada em formato humano tem hoje trinta mil anos e é conhecida como a Grande Mãe. Uma mulher: A Deusa Terra Willendorf. Primeira ancestral que deu à luz a toda a criação. A deusa tem sido nossa conexão com todas as coisas dinâmicas, abundantes e criativas. Grandes mitos a celebram. A verdade, é que muitos desses têm sido humilhados, minimizados e condenados a mudanças degradantes. Mas, ainda assim, têm sobrevivido. As principais religiões contemporâneas têm, equivocadamente, ignorado a grande deusa, considerando somente as divindades masculinas. Essa mudança gerou a interminável busca para manter a ordem e o controle, impôs máquinas e biocidas e tem resultado em paisagens artificiais.

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Mulheres, mitologia e melancias

Introdução

A mitologia da deusa nos oferece uma visão interior, atitude, paixão e, mais do que tudo, inspiração para mudar nossas vidas. Precisamos retornar a esses mitos antigos para adquirir coragem. É este impulso que Mulheres, Mitologias e Melancias pretende dar. Como disse Erica Jong: “Todos possuem talento. O que é raro é ter coragem para manter o talento pelos lugares obscuros por onde se passa”. Nós mulheres temos o poder de mudar o mundo. Somos a maioria da população do planeta e podemos criar ecossistemas equilibrados em nossos quintais. Espaços que nos colocam em harmonia com o ambiente natural.

Aqui nessas páginas pretendo estimular a criação desses habitats verdes. Trabalhar com a natureza através da criação de um habitat é um desafio excitante que pode ter um impacto positivo em nós mesmas, em nossas família e no planeta. Pela ética de cuidado com a Mãe Terra, cuidado com as pessoas e partilha de excedentes, as mulheres podem trabalhar para a restauração do planeta. Os quintais podem se tornar espaços especiais para rituais, proporcionando bons momentos com a família. Falo em ritual no contexto antigo, com a intenção de estimular atitudes - mesmo que pequenas - para criar um lugar especial para a natureza, a morada de uma deusa - você!

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A Deusa no Mito


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A Deusa no Mito Mitologia Grandes mitos contemplam as deusas. Já a palavra “mito” vem do grego e significa “verdade absoluta”. A essência dos mitos revela mistérios de uma outra realidade, e conforme eles são interpretados nos ajudam a viver de forma plena. Eles nos conectam ao mesmo tempo ao nosso futuro e passado e ainda nos remetem ao mundo sagrado. Esse mundo oferece sabedoria, auxiliando os humanos na busca de uma identidade espiritual que honra a verdade, os significados e revelações subentendidas. Os mitos ajudam a explicar a ordem cósmica e social, assim como as relações entre os humanos e as entidades divinas. São muitas as semelhanças entre os mitos surgidos na Índia, Oriente Médio, Europa, nas Américas, China e Japão. Através do mito todas essas sociedades foram capazes de narrar a unidade fundamental dos grupos sociais. Os mitos formam as bases da ordem social e ajudam na integração dos indivíduos ao grupo, reforçando o conceito de comunidade. Mas, mesmo semelhantes, os mitos encontrados em diferentes países tendem a variar em função, importância e qualidade conforme a tradição religiosa de cada região. Neste livro, diversos mitos são celebrados. É como um lembrete para as mulheres de que o espírito é forte, confiável, corajoso e feminino. Nós também temos, sim, o poder para transformar e mudar, assim como tiveram nossas mães e as mães delas.

...e no Caos Ela nos Guiou pela Mão. Muitos dos mitos da criação - como são chamadas as histórias sagradas que pertencem ao início dos tempos - permitem aos humanos aceitar símbolos profundos. Com freqüência, eles explicam a estrutura do universo, as origens humanas, a morte e o alimento. Dão sentido e beleza às explicações do que seria o princípio de tudo. O mito babilônico, por exemplo, nos conta que antes da criação do mundo existia apenas Tiamat: o dragão das águas amargas e nascentes doces. Foi da total escuridão que Tiamat deu origem à luz, e depois, a todas as coisas. Da divisão de seu corpo, surgiram o céu, a terra, a água e o ar.

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A Deusa no Mito

Já os antigos egípcios explicavam a origem da vida a partir das divindades femininas. Nua e curvada sobre a terra, a formidável Nut, deusa dos céus, personificava o oceano que, para eles, seria o começo de tudo. Segundo o mito, todos os dias ao entardecer, Nut engolia o sol e assumia a forma de uma vaca estampada nas estrelas. Na religião Hindu também existem diversas deusas poderosas. Algumas são temidas até hoje pelos habitantes dos vilarejos, que para evitar desgraças, sacrificam búfalos em rituais de oferenda. Cáli Mahadevi é uma delas. Deusa controladora de demônios ameaçadores da ordem cósmica, ela é freqüentemente vista como uma bruxa que usa colar de caveiras embebeda-se com sangue.

Cáli é a poderosa deusa da trindade: criação, preservação e transformação radical. Ela é o instinto feminino puro, sempre em mudança. Ela se abre por completo para dar a luz à realidade. E se fecha totalmente para acolher tudo em sua escuridão, o estado de semente. Nesse constante e interminável ciclo de abrir e fechar, Cáli traz a existência universal.

O mito dos nativos norte americanos conta como a Mulher-Aranha teceu as primeiras teias douradas de seu próprio corpo. Quando terminou, ela sentou-se no centro do universo e cantou com profunda e delicada voz. Enquanto cantava, deu à luz à duas filhas, que a ajudaram a criar o povo do sol, da terra e das estrelas. Conta o mito, que do barro vermelho a mulher aranha criou toda a humanidade. Amostra para financiadores. Contato: felipe@ecocentro.org / (62) 3331.2111 / 3331.1568

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A Deusa no Mito Símbolos e Padrões da Deusa Terra Na natureza encontramos muitos padrões e símbolos que nos ensinam aspectos da realidade. Desde minúsculas partículas até o grande cosmos, esses aspectos definem a vida e seu funcionamento. Observar fases, ciclos e estações é uma maneira desafiadora de ver o mundo sob constante mudança. Não é à toa que usamos a expressão: a natureza é sábia. Muitos padrões e símbolos são sagrados para a deusa. A lua, as tríades, as espirais e os lírios são alguns deles, foram herdados de tempos antigos. Símbolos como serpentes, pombas e o machado duplo, também vieram de nossos antepassados. Eles foram encontrados em desenhos e esculturas nas cavernas e se perpetuaram. Os povos tradicionais acreditam que os símbolos ajudam os seres humanos a cumprirem seus propósitos nessa vida. Para as sociedades indígenas os padrões da natureza revelavam uma sábia ciência. Por isso, o ato de esculpir essas imagens e tatuar o corpo é, na verdade, um pedido de proteção. Foram os padrões que tornam as coisas reconhecíveis e previsíveis. É como se a natureza oferecesse ao homem a lógica da vida. O rachado da terra seca, a ramificação dos rios e das árvores e o lobular dos fetos e sementes são alguns exemplos. Não podemos esquecer dos espiralados das galáxias e dos círculos, tão íntimos das pessoas.

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A Deusa no Mito Observando Padrões Para criamos um jardim a primeira lição é imitar alguns padrões da natureza, que, há milhares de anos, busca harmonia e produção. Um bom design pode reduzir a necessidade de manutenção e aumentar o espaço útil. Você verá que usamos espirais no plantio de ervas, recorremos ao círculo nos jardins mandala e seguimos as curvas da Terra para facilitar o caminho da água em plantações. Estes são apenas alguns exemplos do que aprendemos com a natureza.

Observamos que um dos padrões da natureza está na transição entre ambientes. Entre um campo e um rio, por exemplo, há a margem, área de transição. No design de um jardim, também podemos criar essas áreas, que chamaremos de bordas. Elas são sistemas complexos, potencialmente ricos para o planejamento, e que combinam elementos de dois ecossistemas. Isto pode ser observado na margem de um rio, divisa entre a água e a terra, onde os peixes são abundantes e diversos. Ou mesmo entre a floresta e o rio, onde encontramos animais variados. A diversidade nas bordas é maior do que em qualquer um dos lados, pois temos espécies de ambos, além das que vivem exclusivamente neste espaço.

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A Deusa no Mito Mandala A palavra mandala vem do sânscrito e significa círculo sagrado, santo ou mágico. É por isso que esse formato sempre foi usado pela humanidade. O calendário Maia e a Stone Henge, roda da medicina dos índios norte-americanos, são símbolos que têm por origem a mandala. As espirais celtas e a roda da vida tibetana também. A mandala simboliza o todo, os ciclos coordenados de tempo e espaço que unem os caminhos do céu e da terra, ativando nosso poder interior de cura, amor e paz. O círculo, que tem na mandala uma de suas ricas representações, é um outro padrão da natureza. Reconhecemos seu desenho no Sol, na Lua cheia, na aurora e no arco-íris, por exemplo. Sua forma arredondada, uma das mais abundantes na natureza, representa o infinito. Sugere que a vida está sempre começando. A jardinagem em círculos traz muitos benefícios. A irrigação fácil e econômica e a área de cultivo maior e mais bonita, são alguns deles. Jardins circulares podem ser criados sob diversos temas, como um jardim italiano com orégano, manjericão, tomates, pimentas e alecrim. Ou um jardim medicinal, repleto de ervas para chás. Um jardim em mandala é desenhado ao redor de uma peça central, que pode ser uma espiral de ervas, um laguinho, um espantalho ou uma árvore.

Arya Tara, conhecida por todos os tibetanos, abraça seu companheiro tântrico e representa a atividade de Buda, o ar e a energia. Ela, representando a introspecção e a bondade, enaltece àqueles em necessidade. Seu peito redondo e rosto em forma de lua sorriem com compaixão.

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A Deusa no Mito Mãos à Horta Você pode fazer uma horta mandala numa área com 9 metros de diâmetro. Se a área for maior, a horta pode ter 12 metros de diâmetro. Com ajuda de um amigo, marque um círculo usando um barbante de 4,5 metros. Fique no centro com uma das pontas enquanto o outro roda com a outra e marca o círculo usando cinza ou cal. Do centro, marque também um circulo interior com um barbante de 1 metro. Este será o meio da sua mandala. Escolha um recipiente para um tanquinho ou um elemento bonito para ser a peça central. Agora marque outro círculo de 1,80 m, formando então um caminho de 80 cm de largura. Este será o padrão para a marcação dos canteiros, conhecidos por “buracos de fechadura”. São eles que permitem acesso fácil às verduras sem que seja necessário pisar dentro do canteiro. Divida o grande círculo em seis partes iguais. Estas linhas indicam os caminhos por onde você vai andar. Dois deles serão abertos para acesso ao centro. Os outros quatro serão fechados, para aproveitar melhor o terreno. Esses darão o formato de “buracos de fechadura”. Nos canteiros plantamos espécies rasteiras, algumas arbustivas e outras mais altas. Plante as ervas de corte próximas aos caminhos. Reserve um lado dos caminhos para os vegetais de colheita constante e as áreas mais largas para aquelas de produção lenta. Uma excelente barreira para invasoras é o confrei com o capim santo. Essa combinação ajuda a manter o mato indesejado fora dos canteiros. Depois de plantar use folhas, palha seca e serragem como cobertura vegetal para proteger as plantas de sol e animais. Amostra para financiadores. Contato: felipe@ecocentro.org / (62) 3331.2111 / 3331.1568

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A Deusa no Mito Quando observamos atentamente os padrões podemos perceber que o desenho da Mãe Natureza é feito com precisão inimaginável. Um exemplo encontrado com frequência na natureza, é o padrão que gera espirais que se preenchem, uma posicionada em direção oposta a outra. O girassol é uma manifestação elegante disso. Suas sementes, no centro, se unem em espirais de forma harmoniosa. Utilizando os padrões naturais podemos criar um habitat verde muito rico. A sobreposição de padrões é o segredo do design, conectando elementos de forma integrada e em harmonia com a natureza. Uma espiral de ervas além de ser um lindo jardim, traz para a sua casa a sabedoria da natureza. À medida que a espiral sobe, os espaços internos aumentam criando diferentes micro climas. Com pedras, tocos de madeira ou telhas marque uma base circular de 1,6m de diâmetro. Antes que o círculo se complete comece a formar uma espiral para dentro, empilhando as pedras e subindo à medida que chega ao centro. Para ganhar altura introduza mais pedras cuidadosamente enquanto enche a espiral com solo.

Plante as ervas considerando as necessidades de cada uma e a variação de solo. O topo da espiral tende a ser mais seco e a base mais úmida, ou mesmo pantanosa. Enquanto houver bastante sol em um dos lados, haverá sombra no outro. É importante conhecer as ervas antes de plantá-las, assim você poderá posicioná-las no local mais adequado, o que chamamos de micro clima ideal, um local onde o clima se difere das áreas em volta. Pode ser mais seco, úmido, quente ou frio.

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Espirais e a “Feminina” A espiral tem sido o símbolo da deusa ambígua por séculos. Simboliza o poder feminino de regeneração e renascimento. O movimento da espiral que se enrola para dentro e para fora representa a sabedoria que existe entre o consciente e o inconsciente feminino. Ariadne, deusa de Creta, é um exemplo. Ela teve a premonição de uma aranha e, ao entrar em um labirinto, desenrolou um fio marcando o caminho para a saída. A deusa morre anualmente para trazer a fertilidade da primavera, uma espiral continua de nascimento, morte, e regeneração. Metáforas para a espiral tripla são conhecidas na maioria das antigas culturas matriarcais. A deusa tripla aparece como três diferentes criaturas ou como uma simples deidade que representa três aspectos As Augralids, por exemplo, foram as deusas triplas da terra, veneradas pelos povos pré-Helênicos de Ática. Já os Celtas adoravam Brighid, com suas três facetas de ferreira, curandeira, e poeta. No ocidente a tríplice mais famosa está nas deusas do paraíso: Lilith, Ishah, e Eva. Todas as mulheres trazem em si, em suas etapas de vida, os aspectos da deusa tripla. São donzelas, mães e anciãs. A donzela representa a promessa de um novo começo, jovem e instigante. A mãe é a fertilidade, estabilidade e poder. A anciã representa a sabedoria, compaixão e morte. Todas nós, mulheres, somos caridosas e no mesmo tempo cruéis, somos cheias de visões ainda que às vezes nos recusemos de ter efeito sobre elas. A deusa tripla possui dentro dela todas as polaridades, assim como as mulheres.

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Criando Seu Jardim Habitat


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Criando Seu Jardim Habitat Permacultura No final da década de 70, Bill Mollison, um ex-professor universitário australiano, consolidou, por meio de observação atenta à natureza, um conjunto de práticas para a criação de estruturas estáveis, altamente produtivas e capazes de recuperar ecossistemas locais. Nascia assim a permacultura, hoje reconhecida internacionalmente por alcançar uma cultura sustentável. Por esse trabalho, Mollison recebeu o prêmio Right Livelihood Award, considerado um Nobel alternativo, a medalha Vavilov, da Academia Soviética de Ciências e foi declaro o Ecologista do Século na Austrália. Isso porque ele nos ensinou que podemos criar ambientes produtivos, sustentáveis e ecológicos a partir de um sistema de design que pressupõe a imitação dos processos naturais. Para tanto, a prática permacultural alia a sabedoria tradicional ao conhecimento científico moderno. Como resultado temos comunidades sustentáveis e a garantia da diversidade na natureza. Um exemplo dessa prática está na utilização de métodos orgânicos de cultivo da terra e processamento dos alimentos. As pragas e ervas daninhas são controladas por meio do uso de práticas saudáveis e que sustentam o equilíbrio do planeta. Permacultura, ou cultura permanente, é, sobretudo, um conceito orientado para a ação. Ela nos incentiva a ser auto-suficientes pois qualquer um pode praticá-la. Podemos utilizar seus ensinamentos em qualquer lugar, seja em um apartamento na cidade, numa casa, sítio, propriedades rurais, espaços comunitários, pátios industriais ou escolas.

Por que Plantar Orgânicos? 1. Para sua saúde! O cultivo orgânico reduz as toxicidade em nossos corpos. E, sobretudo, tem mais saber, o sabor real dos alimentos. 2. Para a saúde do planeta! O uso de pesticidas, fungicidas e fertilizantes sintéticos intoxica o solo, o ar e a água. Produzir ou comprar produtos orgânicos é uma contribuição positiva para o mundo, pois reduz o contínuo envenenamento do planeta. 3. Ao comprar produtos orgânicos você dá vida a esse mercado. Quanto maior o consumo e a demanda, maior a disponibilidade e o interesse por esses alimentos.

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Criando Seu Jardim Habitat Design Você pode transformar a área que possui no que quiser. O caminho para isso começa com a elaboração do design para o seu jardim. Crie espaços harmoniosos imitando os padrões naturais. Integre as espirais, redemoinhos e círculos em seu projeto na terra e nos sistemas aquáticos. Alguns princípios importantes podem ajudar você a desenhar um jardim e a posicionar os elementos no design. É fundamental manter uma postura positiva diante de dificuldades. Para a permacultura, problemas são oportunidades que auxiliam o progresso de seu design. Use a imaginação quando planejar um jardim. Observe a natureza para encontrar as soluções ideais. Não tenha medo de experimentar, pois o conhecimento adquirido poupará tempo e esforço nessa caminhada. Um dos princípios básicos é sempre lembrar que tudo está conectado. Para imitar os processos naturais é necessário observar as relações que existem entre as plantas, os animais, as pessoas e o local, de forma que as necessidades de um elemento sejam supridas por outro. Faz sentido planejar de acordo com o número de vezes que você utiliza cada elemento, bem como considerar a freqüência com que o elemento necessita de você. O que é de consumo diário, deve estar mais próximo, assim como o que precisa ser regado todos os dias. A isso chamamos zoneamento. O posicionamento correto auxilia no gerenciamento do seu tempo. E cada elemento (plantas, animais ou tecnologias) deve realizar várias funções. Por exemplo as plantas podem: • atuar como treliças para outras plantas • sombrear e proteger outras plantas • prover alimento para outras plantas ou animais • rejeitar ou aceitar outras plantas • conectar-se através de enxertos com outras plantas

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Criando Seu Jardim Habitat Análise Quando começar um design procure errar antes no papel, para evitar os enganos com a enxada! Como já dissemos, observação é uma das estratégias essenciais para um jardim permacultural bem sucedido. A primeira decisão é trabalhar com a natureza e não contra ela. Isso significa ter tempo para observar o local e perceber como a natureza está realizando os ciclos. Se você começou em uma área sem vegetação, é melhor observar os jardins da vizinhança. Na medida em que você for analisando a área, reflita sobre estas regras. Elas ajudam a decidir o que plantar. 1. Plante o que gosta de comer. 2. Plante o que gosta de cheirar. 3. Plante o que gosta de olhar. Seguindo isso, você estará sempre satisfeito com sua horta. Tenha em mente que seu jardim deve expressar sua criatividade enquanto provê seu alimento. Portanto, desfrute cada etapa, a começar pela escolha das sementes.

Mapeamento Caminhe pela área onde planeja transformar em habitat e desenhe um mapa do espaço em escala apropriada. Assim é mais fácil estabelecer um plano realista. Desenhe também tudo que é permanente como os muros, construções, encanamentos, cercas e galpões. Marque a vegetação existente, anote as direções do vento e as áreas de sombra. Utilize a lista de “ Análise dos Setores” (próxima seção) para coletar informação adequada ao seu plano. Quando tiver informação suficiente, inicie o design. Essa é a hora de criar. Planeje para plantar o máximo de alimentos possíveis, lembrando de utilizar os cantos sombreados e os lugares expostos ao sol apropriadamente. Pense sobre incluir no design espaço para um minhocário e uma composteira - para produzir adubo orgânico - eles podem ser bem úteis no futuro.

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Criando Seu Jardim Habitat Lista para Análise de Setores • Encontre o norte e marque no seu mapa. Indique as árvores existentes. Elas crescem em terreno pedregoso? Seco, úmido, ensolarado ou sombreado? Anote tudo. • Marque qualquer edificação existente. Desenhe as estruturas permanentes, como muros, canos ou cercas. • Observe a topografia do local. Indique declive e outros aspectos naturais que sejam proeminentes. • Observe como e para onde a água flui no terreno? Qual o sentido das chuvas? Como a água escorre sobre a superfície? • Existem ventos fortes? Qual o efeito na vegetação? Os ventos mudam conforme a hora do dia? • Repare se existe alguma evidencia de incêndios. De que direção viria o fogo? Existem espécies resistentes ao fogo na propriedade? • Como a luz se comporta na propriedade? Há excesso de sol ou sombra em certos locais e horários do dia? • Existem evidências de animais? Repare se existem caminhos feitos por animais. Quais são as fontes de alimentação e abrigo que eles têm? • Note a cor e a textura do solo. Há insetos, minhocas?

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Criando Seu Jardim Habitat Micro climas Os Iroquois chamam de Neoga a Deusa do vento sul. Ela orienta os ventos do verão, lado a lado com o sol. Doce e gentil, segue sempre em frente, irresoluta como os primeiros raios de luz da manhã. A criação de micro climas no jardim é uma questão de observação e planejamento. Micro climas são usados para equilibrar o jardim e, por exemplo, aumentar ou diminuir a temperatura do solo, minimizar as variações entre o dia e a noite ou estender os períodos de luz. Para criar áreas quentes, você pode usar os muros que ficam voltados para o sol, paredes de pedras, vegetação ou lagos. Para criar áreas frias use espaços expostos ao vento e à sombra.

Observando cuidadosamente é possível usarmos nossas plantas favoritas para criar micro climas. Uma planta com folhagem densa, por exemplo, bloqueia a luz do sol, resfriando o solo ao seu redor. E a noite, a mesma folhagem evita que o calor escape rapidamente. Assim, naquela área as temperaturas são mais amenas. É por isso que na jardinagem com micro climas podemos ampliar as estações produtivas. As cores também criam micro climas. Uma parede escura absorve calor, enquanto que as cores claras refletem mais luz. As paredes e muros também podem ser usados para bloquear o movimento do ar, criando áreas mais quentes em climas frios.

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