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2153 A.C. — E g d e s e r t o

i t o

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o c i d e n t a l

Quando iniciaram a jornada até os ermos longínquos do deshret, levaram consigo um açougueiro, que usou um cutelo para cortar-lhes a garganta em vez de uma adaga cerimonial. Empunhando o sinistro instrumento de sílex amarelo, afiado como navalha e tão longo quanto um braço, o açougueiro ia de sacerdote em sacerdote, pressionando habilmente a lâmina no macio tecido entre o pescoço e a clavícula. De olhos vidrados devido à mistura de shepen e shedeh que haviam bebido para amenizar a dor, e com gotas de água benta cintilando nas cabeças raspadas, os homens oravam a Atum-Rá, implorando a Ele que os conduzisse em segurança pelo Salão das Duas Verdades até os Campos Sagrados de Iaru. O açougueiro inclinava as cabeças para trás, com os rostos voltados para o céu alvorecente, e lhes seccionava as gargantas de orelha a orelha com um único movimento vigoroso. — Que ele caminhe em lindas estradas, que ele atravesse o firmamento celestial! — entoavam os sacerdotes remanescentes. — Que ele coma ao lado de Osíris todos os dias! Com o tronco e os braços cobertos de sangue, o açougueiro deitava cada homem no chão antes de passar ao sacerdote seguinte e repetir o processo. A fileira de corpos aumentava cada vez mais à medida que ele cumpria sua tarefa, impassível e com brutal eficiência. 13

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O oásis oculto - Trecho  
O oásis oculto - Trecho  

Paul Sussman, falecido precocemente aos 45 anos em 2012, era considerado pela crítica um dos escritores de thriller mais inteligentes do séc...