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O OÁSIS OCULTO

devorando a distância que ainda os separava. Reiter começou a inclinar o avião a bombordo, enquanto gotas de suor começavam a luzir em sua testa. — Se pelo menos pudermos contornar essa nuvem, nós devemos... Um estrondo alto no lado de fora, a estibordo, não o deixou terminar a frase. O avião guinou subitamente e iniciou uma rotação com o nariz para baixo, enquanto os avisos de alerta começaram a piscar como as luzes de uma árvore de Natal. — Oh, Deus! — gritou o navegador. — Meu Jesus Cristo! Reiter estava lutando para estabilizar a aeronave, enquanto o ângulo de descida se tornava cada vez mais íngreme. A cabine estava inclinada para o lado em um ângulo de quase quarenta graus. Alguns equipamentos caíram do armário atrás deles. A garrafa de vodca rolou pelo chão e se espatifou contra a fuselagem a bombordo. — Fogo no motor de estibordo! — berrou o copiloto, olhando pela janela. — Porra, Kurt, fogo pra caralho. — Merda, merda, merda — sibilou Reiter. — Pressão do combustível caindo. Pressão do óleo caindo. Altitude de seis mil e quinhentos, e caindo. Giroscópio... Meu Deus, fogo por toda parte! — Cale a boca e pegue o extintor! — gritou Reiter. — Jerry, eu preciso saber onde nós estamos. Rápido. Enquanto o navegador se esforçava para localizar a posição e o copiloto furiosamente apertava botões, Reiter continuou a lutar com os controles. O avião não parava de perder altitude, espiralando para baixo em uma série de círculos amplos, enquanto a tempestade se aproximava cada vez mais, avultando diante da janela da cabine como um gigantesco penhasco. — Seis mil metros — gritou o copiloto. — Cinco mil e setecentos... e seiscentos... e quinhentos. Você tem que levantar esse nariz e fazer a volta, Kurt! 27

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O oásis oculto - Trecho  

Paul Sussman, falecido precocemente aos 45 anos em 2012, era considerado pela crítica um dos escritores de thriller mais inteligentes do séc...