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OĂ SIS OCULTO O

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Do autor:

O Ăşltimo segredo do templo O oĂĄsis oculto

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OÁSIS OCULTO O

Pau l

S u ss m a n

Tradução Paulo Afonso

Rio de Janeiro | 2012

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2153 A.C. — E g d e s e r t o

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Quando iniciaram a jornada até os ermos longínquos do deshret, levaram consigo um açougueiro, que usou um cutelo para cortar-lhes a garganta em vez de uma adaga cerimonial. Empunhando o sinistro instrumento de sílex amarelo, afiado como navalha e tão longo quanto um braço, o açougueiro ia de sacerdote em sacerdote, pressionando habilmente a lâmina no macio tecido entre o pescoço e a clavícula. De olhos vidrados devido à mistura de shepen e shedeh que haviam bebido para amenizar a dor, e com gotas de água benta cintilando nas cabeças raspadas, os homens oravam a Atum-Rá, implorando a Ele que os conduzisse em segurança pelo Salão das Duas Verdades até os Campos Sagrados de Iaru. O açougueiro inclinava as cabeças para trás, com os rostos voltados para o céu alvorecente, e lhes seccionava as gargantas de orelha a orelha com um único movimento vigoroso. — Que ele caminhe em lindas estradas, que ele atravesse o firmamento celestial! — entoavam os sacerdotes remanescentes. — Que ele coma ao lado de Osíris todos os dias! Com o tronco e os braços cobertos de sangue, o açougueiro deitava cada homem no chão antes de passar ao sacerdote seguinte e repetir o processo. A fileira de corpos aumentava cada vez mais à medida que ele cumpria sua tarefa, impassível e com brutal eficiência. 13

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Do alto de uma duna nas proximidades, Imti-Khentika, Sumo Sacerdote de Iunu, Primeiro Profeta de Atum-Rá e Vidente-Mor, observava a carnificina coreografada. Estava triste, é claro, com a morte de tantos homens que considerava irmãos. Mas também satisfeito, pois haviam cumprido sua missão; todos sabiam, desde o início, que as coisas teriam de terminar assim para que nem mesmo um murmúrio sobre o que haviam feito chegasse ao exterior. Às suas costas, ele sentiu o primeiro calor do sol, Atum-Rá em Sua forma de Khepri, levando luz e vida para o mundo. Virando-se para leste, abaixou o capuz de pele de leopardo, abriu os braços e recitou: “Oh, Atum, que adquiriu vida em meio a chamas na colina da criação, Como o Pássaro Benu no santuário de Benben em Iunu!” Ergueu uma das mãos com os dedos espalmados, como se fosse agarrar a fina faixa magenta que despontava acima das dunas no horizonte. Em seguida, voltou-se novamente para oeste e olhou para os elevados penhascos que corriam de norte a sul a cem khet de distância, como uma extensa cortina posicionada sobre a extremidade do mundo. Em algum ponto na base dos penhascos, em meio à densa textura de sombras que a alvorada ainda não penetrara, estava o Divino Portal: re-en wesir, a Boca de Osíris. Era invisível da posição em que Imti se encontrava. E seria invisível até para um observador posicionado em frente à entrada, pois ele, o Sumo Sacerdote de Iunu, proferira os sortilégios de fechamento e ocultação. Ninguém notaria a presença do portal, exceto os que sabiam como olhar. Conhecido apenas por um pequeno e seleto grupo, o lugar de seus ancestrais, wehat er-djeru ta, o oásis no fim do mundo, guardara seus segredos ao longo de anos incontáveis. Não por acaso, era também chamado de wehat seshtat — o Oásis Oculto. A carga que eles haviam transportado estaria segura lá. Ninguém a encontraria. Descansaria em paz até a chegada de tempos mais tranquilos. 14

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Imti observou os penhascos, meneando a cabeça em sinal de aprovação. Depois, olhou para o recurvado pináculo de pedra que irrompia das dunas a cerca de oito khet do paredão rochoso. Era um fenômeno natural marcante, que dominava a paisagem mesmo àquela distância: uma torre recurvada de rocha negra que se erguia a uma altura de quase vinte meh-nswt, rasgando a superfície do deserto como uma enorme lâmina de foice; ou, mais apropriadamente, como a perna dianteira de um gigantesco escaravelho emergindo do areal. Quantos viajantes, conjecturou Imti, teriam passado por aquela sentinela solitária sem perceber sua importância? Poucos, talvez nenhum, pensou ele, respondendo à própria pergunta, pois aquelas eram as terras vazias, as terras mortas, o domínio de Set; ninguém que prezasse a vida jamais pensaria em se aventurar. Somente aqueles que sabem da existência dos lugares esquecidos iriam tão longe naquele deserto escaldante. Somente ali a carga que eles haviam levado estaria a salvo, longe do alcance dos que fariam mau uso de seus terríveis poderes. Sim, concluiu ele, a decisão de transportá-la para oeste fora correta, apesar dos horrores da viagem. Definitivamente, a decisão correta. Fora tomada quatro luas antes por um comitê secreto formado pelas pessoas mais poderosas do país: a rainha Neit, o príncipe Merenré, o tjati Userkef, o general Rehu e ele, Imti-Khentika, Vidente-Mor. Apenas o próprio nisu, Neferkara Pepi, Senhor das Duas Terras, não estivera presente nem fora informado da decisão do comitê. Houvera um tempo em que Pepi fora um governante poderoso, no mesmo nível de Khasekhemui, Djoser e Queóps. Agora, no nonagésimo terceiro ano de seu reinado, três vezes o período de vida de um homem normal, seu poder e sua autoridade haviam desvanecido. Por todo o território, os nomarcas organizavam exércitos particulares e guerreavam entre si. Os Nove Arcos assediavam as fronteiras de norte a sul. Durante três dos últimos quatro anos, as enchentes não haviam ocorrido e as colheitas foram perdidas. O Kemet estava se desintegrando e a expectativa era de que as coisas só iriam piorar. Pepi podia ser filho de Rá, mas, naqueles tempos 15

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de crise, outros deviam assumir o controle para, em seu nome, tomar as grandes decisões de Estado. Então, o conselho falou: para sua própria proteção, e segurança de todos os homens, a iner-en sedjet teria de ser retirada de Iunu, onde estava depositada, e transportada através dos bancos de areia até a segurança do Oásis Oculto, de onde se originara. E a ele, Imti-Khentika, Sumo Sacerdote de Iunu, coubera a responsabilidade de liderar a expedição. — Levai-o pelo rio sinuoso, transportai-o para o lado leste do céu! Um novo coro de cânticos se ergueu abaixo, enquanto o açougueiro cortava mais uma garganta e deitava outro corpo no chão. Com este, já eram quinze, metade do número total. — Oh, Rá, permiti que ele chegue até vós! — bradou Imti, juntando-se ao coro. — Conduzi-o pelas estradas sagradas, fazei com que ele viva para sempre! O açougueiro se dirigiu ao próximo homem da fila. O ar reverberava com o assobio úmido das traqueias cortadas. Quando a faca foi acionada novamente, Imti desviou o olhar para o deserto, lembrando-se do pesadelo que fora a viagem que haviam acabado de empreender. Oitenta homens partiram no início do peret, quando o calor era menos inclemente. Com a carga envolta em camadas de linho e amarrada num trenó de madeira, eles rumaram para o sul. Primeiramente, foram de barco até Zawty; depois seguiram por terra até o oásis de Kenem. Descansaram lá durante uma semana antes de iniciar a última e mais assustadora etapa da missão — quarenta iteru através dos ermos bravios e abrasadores do deshret até os elevados penhascos do Oásis Oculto. Levaram sete longas semanas para vencer este último trecho, o pior que Imti jamais percorrera, pior do que qualquer coisa que pudesse imaginar. Antes que atingissem a metade do caminho, todos os bois de carga já estavam mortos. Os próprios homens tiveram que transportar a carga, vinte de cada vez, jungidos como gado, com os ombros ensanguentados pela fricção das cordas do trenó e os pés crestados pelas areias ardentes. 16

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Seu avanço se tornava cada dia mais lento, estorvado pelas dunas montanhosas, pelas ofuscantes tempestades de areia e, acima de tudo, pelo calor, que mesmo naquela estação supostamente fria os ressecava do alvorecer ao crepúsculo, como se o ar estivesse em chamas. Sede, doenças e exaustão, inexoravelmente, foram reduzindo o grupo. Quando a água acabou sem que surgisse nenhum sinal do ponto de destino, Imti chegou a temer que a missão estivesse fadada ao fracasso. Mas os homens continuaram sua penosa marcha, silenciosos, inflexíveis, indômitos, absortos em seus tormentos particulares. Até que, quarenta dias após terem deixado Kenem, os deuses recompensaram sua perseverança com a visão pela qual rezavam havia tanto tempo: uma esfumada faixa vermelha no horizonte ocidental, que assinalava os grandes penhascos e o fim da jornada. Ainda assim, o grupo levou mais três dias para alcançar e transpor a Boca de Osíris, desembocando em um desfiladeiro coberto de árvores. A essa altura, restavam apenas trinta homens. Eles levaram a carga até o templo que havia no centro do oásis, banharam-se nas fontes sagradas e, na mesma manhã, após recitar os sortilégios de fechamento e ocultação, e lançar as Duas Maldições, retornaram ao deserto, onde deram início ao ritual das gargantas cortadas. Um ruído alto despertou Imti de seus devaneios. O açougueiro, um surdo-mudo, batia com o cabo do cutelo em uma pedra, para atrair sua atenção. Vinte e oito corpos jaziam na areia. Só restavam dois homens vivos. Era o fim. — Dua-i-nak netjer seni-i — disse Imti, descendo da duna e pousando a mão sobre o ombro ensanguentado do açougueiro. — Obrigado, meu amigo. Depois de uma pausa, acrescentou: — Você quer beber shepen? O açougueiro negou com a cabeça e lhe entregou o cutelo, batendo com dois dedos na própria garganta para indicar onde Imti deveria 17

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cortar. Depois se ajoelhou diante dele. A lâmina era mais pesada do que Imti imaginara, difícil de controlar. Ele precisou de toda a sua força para erguê-la e seccionar a carne. Cortou o mais fundo que pôde, provocando uma explosão de sangue espumoso, que se espalhou pela areia. — Oh, Rá, abri as portas do firmamento para ele — arquejou, pousando no chão o corpo sem vida. — Permiti que ele vá até vós e viva para sempre. Após arrumar os braços do açougueiro ao longo do tronco e beijar sua testa, ele retornou com dificuldade ao topo da duna, mergulhado na areia até quase a altura dos joelhos e ainda segurando o cutelo. O sol estava a poucos momentos de se erguer completamente. Apenas uma fração do disco ainda se encontrava mergulhada na linha do horizonte, mas, mesmo tão cedo, seu calor já provocava reverberações no ar. Imti o observou de olhos semicerrados, como se calculasse o tempo que faltava para que o astro exibisse toda a circunferência. Em seguida, voltou-se para oeste, onde avultava o distante pináculo de pedra e, mais além, a sombria massa de penhascos. Um minuto se passou, depois dois, depois três. Subitamente, ele ergueu os braços para o céu e bradou: Oh, Khepri, oh, Khepri, Atum-Rá na madrugada, Vosso olho tudo vê! Guardai a iner-en sedjet, Acalentai-a em vosso regaço! Que os malfeitores sejam triturados pelas mandíbulas de Sobek E engolidos pela serpente Apep, Para que a iner-en sedjet possa repousar na paz e no silêncio Atrás da re-en wesir, no wehat seshtat! Virando-se novamente para o sol, ele recolocou a pele de leopardo sobre a cabeça e, ainda tendo dificuldades com o peso do cutelo, deslizou a lâmina sobre ambos os pulsos. 18

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Como era um homem idoso — sessenta anos ou mais —, suas forças se exauriram rapidamente, enquanto sua visão se turvava e uma confusa profusão de imagens toldava sua mente. Ele viu a garota de olhos verdes do vilarejo onde passara a juventude (oh, como a amara!), viu sua velha cadeira de vime no alto da Torre de Seshat, em Iunu, na qual costumava se sentar à noite para observar o movimento das estrelas e viu a tumba que construíra para si mesmo na Necrópole dos Videntes, que agora jamais abrigaria seu corpo. Mas ao menos a história de sua vida permaneceria, garantindo a sobrevivência de seu nome por toda a eternidade. As imagens rodopiavam em sua cabeça, entrelaçando-se, fundindo-se e tornando-se cada vez mais fragmentadas, até que finalmente se desvaneceram. Só restou o deserto, o céu, o sol e, em algum lugar nas proximidades, um suave adejar de asas. No início, ele achou que fosse um abutre, que fora devorar seu corpo, mas o som era delicado demais para uma criatura tão grande. Olhando atordoado ao redor, ficou surpreso ao perceber que um passarinho de peito amarelo, uma alvéloa, estava pousado em uma duna ao lado, com a cabeça inclinada para um dos lados. Ele não fazia ideia do que a avezinha estaria fazendo naquele deserto desolado, mas, embora debilitado, sorriu, pois fora como uma alvéloa que o grande Benu se manifestara pela primeira vez, empoleirado no alto da poderosa Pedra Benben enquanto anunciava o alvorecer da Criação. Sua presença ali, no fim de tudo, certamente confirmava que a missão deles era abençoada. — Que ele caminhe em lindas estradas — murmurou. — Que ele atravesse... Mas não conseguiu terminar a frase. Suas pernas se curvaram e ele caiu de bruços na areia, morto. Depois de saltitar por alguns momentos, a alvéloa voou e pousou em seu ombro. Erguendo a cabeça para o sol, começou a cantar.

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Os russos estavam atrasados para o encontro, e a oportunidade climática adequada já se perdera. Grossas camadas de nuvens se dirigiam para leste, atravessando os montes Sar e escurecendo o céu no fim da tarde. Quando a limusine finalmente cruzou os portões do aeródromo, os primeiros flocos de neve começavam a cair. Nos dois minutos que o veículo levou para chegar ao Antonov AN-24 que estava à espera e parar diante da escada de embarque na traseira do avião, os flocos já haviam se transformado em uma nevasca, polvilhando o chão de branco. — Verfluchte Scheiße! — resmungou Reiter, dando uma tragada no cigarro e contemplando pela janela da cabine a tempestade que se adensava. — Schwanzlutschende Russen. Russos escrotos. A porta da cabine se abriu atrás dele e surgiu um homem alto, de pele escura, que vestia um terno aparentemente caro. Tinha os cabelos molhados e penteados para trás e exalava um forte odor de loção pós-barba. — Eles estão aqui — disse o homem, falando em inglês. — Liguem os motores. A porta se fechou outra vez. Reiter deu mais uma tragada no cigarro e começou a acionar os controles. Seus dedos manchados de nicotina se moviam com surpreendente agilidade sobre os painéis em frente e acima dele. — Schwanzlutschende Ägypter — vociferou ele. — Egípcios escrotos. À sua direita, o copiloto deu uma risada. Era mais jovem que Reiter, louro e bem-apessoado, exceto por uma grossa cicatriz no queixo, paralela ao lábio inferior. — Você espalha alegria e bondade onde quer que vá, Kurt — disse ele, virando-se no assento e olhando pela janela lateral da cabine. — Me pergunto como é possível caber tanto amor em um homem. 20

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Reiter soltou um grunhido, mas não disse nada. — Você acha que vamos conseguir decolar com essa nevasca? — perguntou o navegador, que folheava seus planos de voo atrás dele. — Não parece nada bom. Reiter deu de ombros, enquanto seus dedos ainda dançavam sobre os painéis de instrumentos. — Depende do tempo que o Omar Sharif gaste passeando lá fora. Mais quinze minutos, a pista vai ficar soterrada. — E se ficar? — Então vamos ter de passar a noite neste fim de mundo. Vamos torcer para que Omar se prepare logo. Ele acionou os botões de partida. Com um estrépito e um gemido, os dois motores Ivchenko ganharam vida, e suas hélices começaram a cortar o ar enevoado, enquanto a fuselagem tremia. — Que horas são, Rudi? O copiloto olhou para o relógio, um Rolex Explorer de aço que já estivera em melhores condições. — Quase cinco. — Eles têm até cinco e dez, depois eu vou desligar os motores — disse Reiter, inclinando-se para o lado e espetando a guimba do cigarro em um cinzeiro no chão. — Cinco e dez, e é só. O copiloto espichou o pescoço para fora da janela e avistou o homem de terno descendo a escada de embarque com uma volumosa mala na mão, seguido por um que usava cachecol e vestia um pesado sobretudo. A porta traseira da limusine se abriu para recebê-los, e o homem de terno desapareceu no interior do veículo. Seu acompanhante ficou parado ao pé da escada. — Então, qual é o negócio aqui, Kurt? — perguntou o copiloto, ainda olhando para fora. — Drogas? Armas? Reiter acendeu mais um cigarro e girou a cabeça, fazendo as vértebras estalarem. 21

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— Não sei nem quero saber. Nós trouxemos Omar de Munique até aqui. Ele vai fazer o que tiver de fazer. Depois, o levaremos até Cartum. Sem perguntas. — No último trabalho sem perguntas que fiz, um pilantra tentou me abrir uma boca nova com uma faca — murmurou o copiloto, tocando a cicatriz abaixo do lábio inferior e fitando Reiter por cima do ombro. — Só espero que eles estejam pagando bem. Voltando a olhar pela janela, ele observou o capô da limusine submergir lentamente sob uma fina camada de neve. Cinco minutos se passaram. A porta do carro voltou a se abrir e o homem de terno desceu. A mala desaparecera. Ele agora carregava uma grande caixa metálica, que parecia pesada, a julgar pelo esforço que fazia. Ele a entregou ao acompanhante, e outra caixa lhe foi passada. Com dificuldade, os dois homens subiram a escada de embarque e entraram no Antonov. Saíram logo depois e recolheram mais duas caixas antes de voltar para a aeronave. Antes que a porta fosse fechada e o veículo partisse, o copiloto teve uma visão fugaz de um homem dentro da limusine, envolto até os tornozelos no que parecia um sobretudo de couro preto. — Ok, eles terminaram — informou. — Feche a porta, Jerry. Enquanto o navegador saía da cabine para recolher a escada e trancar a porta do avião, os dois pilotos colocaram os fones de ouvido e fizeram as verificações finais. O egípcio de terno surgiu à porta da cabine, com a cabeça e os ombros salpicados de neve. — O tempo não vai nos impedir de decolar. Era mais uma declaração que uma pergunta. — Deixe que eu decida isso — rosnou Reiter, com o cigarro entre os dentes. — Se a neve na pista estiver dura demais, nós vamos parar e esperar. — O sr. Girgis está nos aguardando em Cartum hoje à noite — disse o egípcio. — Vamos decolar conforme o planejado. 22

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— Se os seus amigos russos não tivessem se atrasado, não estaria havendo nenhum problema, porra — vociferou Reiter. — Agora, volte para o seu assento. Jerry, ponha os cintos de segurança neles! Estendendo a mão para baixo, ele soltou os freios, acionou o corretor altimétrico e os manetes de aceleração. O ronco do motor se transformou em rugido. O avião começou a se mover. — O tempo não vai nos impedir de decolar! — repetiu o egípcio atrás deles. — O sr. Girgis nos espera em Cartum hoje à noite! — Não enche meu saco, turco — murmurou Reiter, taxiando até o fim da pista e virando o avião. O navegador voltou para a cabine, fechou a porta e sentou-se, afivelando o cinto. — O que você acha? — perguntou ele, indicando o lado de fora, onde a nevasca começava a piorar. Reiter se limitou a puxar o manete para trás, lançando um breve olhar para a neve turbilhonante. Murmurou então um “foda-se!” e empurrou o manete para a frente, segurando a coluna de controle com a outra mão. — Se segurem, meninos — disse ele. — Vai haver solavancos. Rapidamente, o avião ganhou velocidade, chacoalhando e guinando na superfície irregular. Os pés de Reiter lutavam com os pedais do leme, enquanto ele tentava contrabalançar os ventos desencontrados que fustigavam o aeródromo. À velocidade de oitenta nós, o nariz do Antonov se levantou, apenas para tombar outra vez. Com o fim da pista cada vez mais próximo, o navegador gritou para que Reiter abortasse a decolagem. O piloto o ignorou e manteve firme o avião, aumentando a velocidade para noventa nós, depois para cem, depois para cento e dez. No último minuto, quando o velocímetro estava indicando cento e quinze nós e o fim da pista desapareceu embaixo da aeronave, ele puxou a coluna de controle. No exato momento em que as rodas atingiram a grama, o nariz do avião guinou para cima e o Antonov se ergueu preguiçosamente no ar. — Jesus Cristo! — arquejou o navegador. — Seu maluco de merda... 23

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Reiter soltou uma risadinha e acendeu outro cigarro, enquanto o avião atravessava as nuvens e alcançava o céu claro, acima. — Tranquilo — disse ele. Eles reabasteceram em Bengási, na costa norte-africana, antes de rumar para sudoeste, sobrevoando o Saara a uma altitude de cinco mil metros, com o piloto automático acionado. O deserto abaixo brilhava à luz da Lua como se feito de prata fosca. Após noventa minutos de voo, os tripulantes dividiram o café morno de uma garrafa térmica e alguns sanduíches. Uma hora depois, abriram uma garrafa de vodca. O navegador abriu a porta da cabine e olhou o compartimento de passageiros. — Dormiram — disse ele, fechando a porta novamente. — Os dois. Chapados. — Talvez seja bom a gente dar uma olhada numa das caixas — disse o copiloto, dando um trago na garrafa de vodca e passando-a para Reiter. — Enquanto eles ainda estão apagados. — Não é uma boa ideia — disse o navegador. — Eles estão armados. Omar, pelo menos, está. Embaixo do paletó. Vi quando estava afivelando o cinto de segurança dele. Uma Glock, eu acho, ou uma Browning. Não deu para olhar direito. O copiloto acenou negativamente com a cabeça. — Estou com um mau pressentimento. Desde o início. Uma sensação muito ruim. Ele se levantou, esticou as pernas e foi até o armário no fundo da cabine, de onde retirou uma sacola de lona. Sentou-se de volta e começou a remexer em seu conteúdo. — Vai bater uma foto do meu pau? — perguntou Reiter, ao ver que o copiloto estava segurando uma câmera fotográfica. — Desculpe, Kurt, mas minha câmera não tem lente de aumento. O navegador se inclinou para a frente. 24

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— Leica? — perguntou. — M6. Comprei umas duas semanas atrás. Pensei em tirar algumas fotos de Cartum. Nunca estive lá. Reiter bufou com menosprezo e, depois de tomar uma boa golada de vodca, passou a garrafa por sobre o ombro para o navegador. O copiloto estava entretido com a câmera, revirando-a nas mãos. — Ei, sabem aquela garota que eu estou comendo? — Qual, aquela da bunda grande? — disse o navegador. O copiloto sorriu maliciosamente e balançou a câmera. — Tirei umas fotos dela antes de a gente partir. Reiter se virou, subitamente interessado. — Que tipo de fotos? — Mais ou menos artísticas — respondeu o copiloto. — O que isso quer dizer? — Você sabe, Kurt, artísticas. — Não sei, porra. — Artísticas. De bom gosto. Meias longas, ligas, pernas em volta do pescoço, banana enfiada na... Os olhos de Reiter se arregalaram, e ele contraiu os lábios na forma de um beijo lascivo. Atrás de ambos, o navegador sorriu e começou a cantarolar “Fat Bottomed Girls” [Meninas de bumbum grande], do Queen. O copiloto o acompanhou, e depois Reiter. Os três começaram a cantar juntos, elevando a voz no refrão e batendo com as mãos nos braços das poltronas, para marcar o ritmo. Entoaram a canção uma vez, duas, e já estavam iniciando a terceira rodada, quando Reiter subitamente ficou em silêncio. Inclinado para a frente, perscrutava a janela da cabine. O copiloto e o navegador cantaram mais algumas estrofes, mas acabaram se calando ao perceberem que Reiter deixara de acompanhá-los. — Que foi? — perguntou o navegador. Reiter apenas acenou com a cabeça, indicando o que parecia uma enorme montanha, que surgira de repente diante do avião — uma densa 25

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e gigantesca massa escura que se elevava do chão do deserto até o céu, e se estendia pelo horizonte. Embora fosse difícil afirmar com certeza, parecia estar se movendo em direção a eles. — O que é aquilo? — perguntou o navegador. — Nevoeiro? Reiter não disse nada, apenas olhou de olhos semicerrados para a massa escura, que se aproximava resolutamente. — Tempestade de areia — disse por fim. — Deus do Céu — gemeu o copiloto. — Olhem só para isso. Reiter agarrou a alavanca da coluna de controle e começou a puxá-la para trás. — Precisamos subir mais. O avião subiu até cinco mil metros e depois a seis mil, enquanto a tempestade avançava inexoravelmente na direção deles, devorando o chão, obscurecendo-o. — Que merda, ela está se movendo rápido! — exclamou Reiter. Eles subiram mais alto, até o teto operacional, em torno de sete mil metros. A parede de sombras já estava perto o bastante para que discernissem seus contornos — grandes ondas de poeira que se curvavam e mergulhavam umas nas outras, desabando em silêncio sobre a paisagem. O avião começou a chacoalhar e tremer. — Acho que não vamos conseguir passar por cima dela — disse o copiloto. Os solavancos se tornaram mais acentuados, e um som sibilante repercutiu na cabine quando os grãos de areia e outros fragmentos atingiram as janelas e a fuselagem. — Se um deles entrar nos motores... — ...estamos fodidos — murmurou Reiter, terminando a frase do copiloto. — Vamos ter que dar meia-volta e tentar contornar esse negócio. A tempestade parecia ganhar velocidade. Como se percebesse as intenções deles e estivesse ansiosa para capturá-los antes que pudessem dar meia-volta, o paredão se projetou para a frente como um maremoto, 26

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devorando a distância que ainda os separava. Reiter começou a inclinar o avião a bombordo, enquanto gotas de suor começavam a luzir em sua testa. — Se pelo menos pudermos contornar essa nuvem, nós devemos... Um estrondo alto no lado de fora, a estibordo, não o deixou terminar a frase. O avião guinou subitamente e iniciou uma rotação com o nariz para baixo, enquanto os avisos de alerta começaram a piscar como as luzes de uma árvore de Natal. — Oh, Deus! — gritou o navegador. — Meu Jesus Cristo! Reiter estava lutando para estabilizar a aeronave, enquanto o ângulo de descida se tornava cada vez mais íngreme. A cabine estava inclinada para o lado em um ângulo de quase quarenta graus. Alguns equipamentos caíram do armário atrás deles. A garrafa de vodca rolou pelo chão e se espatifou contra a fuselagem a bombordo. — Fogo no motor de estibordo! — berrou o copiloto, olhando pela janela. — Porra, Kurt, fogo pra caralho. — Merda, merda, merda — sibilou Reiter. — Pressão do combustível caindo. Pressão do óleo caindo. Altitude de seis mil e quinhentos, e caindo. Giroscópio... Meu Deus, fogo por toda parte! — Cale a boca e pegue o extintor! — gritou Reiter. — Jerry, eu preciso saber onde nós estamos. Rápido. Enquanto o navegador se esforçava para localizar a posição e o copiloto furiosamente apertava botões, Reiter continuou a lutar com os controles. O avião não parava de perder altitude, espiralando para baixo em uma série de círculos amplos, enquanto a tempestade se aproximava cada vez mais, avultando diante da janela da cabine como um gigantesco penhasco. — Seis mil metros — gritou o copiloto. — Cinco mil e setecentos... e seiscentos... e quinhentos. Você tem que levantar esse nariz e fazer a volta, Kurt! 27

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— Me diga alguma coisa que eu ainda não saiba, porra! — Havia uma ponta de pânico na voz de Kurt. — Jerry? — Vinte e três graus e trinta minutos norte — informou o navegador. — Vinte e cinco graus e dezoito minutos leste. — Onde é o campo de pouso mais próximo? — Que diabos você está falando? Nós estamos no meio da porra do Saara! Não há nenhum campo de pouso! Dakhla está a trezentos e cinquenta quilômetros, Kufra está... A porta da cabine se abriu e o egípcio de terno entrou aos trambolhões, agarrando a poltrona do navegador para se firmar, enquanto o avião corcoveava e rodopiava. — O que está acontecendo? — gritou ele. — Me digam o que está acontecendo! — Deus do céu, porra! — rugiu Reiter. — Volte para a sua poltrona, seu egípcio malu... Ele não completou a frase, pois no mesmo instante a tempestade precipitou-se e os engolfou, sacudindo o Antonov para cima e para baixo como se o avião fosse uma balsa. O egípcio foi arremessado contra o braço da poltrona de Reiter, abrindo um talho na cabeça. O motor de bombordo rateou, engasgou e morreu. — Enviem um Mayday! — gritou Reiter. — Não! — arquejou o egípcio, esfregando a cabeça ferida. — Nada de rádio. Nós combinamos que... — Faça o chamado, Rudi! O copiloto já ligara o rádio. — Mayday, Mayday. Victor Papa Charlie Mike Tango quatro sete três. Mayday, Mayday. Os dois motores pararam. Repito, os dois motores pararam. Posição... O navegador repetiu as coordenadas e o copiloto as retransmitiu em seu microfone, enviando a mensagem sem parar, enquanto Reiter lutava com os controles. Sem energia e com a tempestade golpeando a aeronave 28

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por todos os lados, era uma batalha perdida; eles continuavam a perder altitude. A agulha do altímetro girava implacavelmente no sentido antihorário, passando pelos cinco mil metros, depois quatro mil, três mil, dois mil. Quanto mais penetravam no olho da tempestade, mais alto era o uivo do vento e mais violenta era a turbulência. — Estamos caindo! — gritou Reiter, ao atingirem mil e quinhentos metros. — Ponham Omar em segurança. O navegador arriou a cadeira dobrável atrás do assento do copiloto, sentou nela seu passageiro ensanguentado e afivelou o cinto de segurança, antes de retornar à própria poltrona. — Estana! — murmurou o egípcio para o companheiro que estava no compartimento de passageiros. — Ehna hanoaa! Echahd! Eles estavam a menos de mil metros. Reiter acionou os flapes de aterrissagem e ativou os spoilers das asas, em uma tentativa desesperada de reduzir a velocidade. — Abaixo o trem de aterrissagem? — gritou o copiloto com a voz quase abafada pelo uivo do vento e pelo martelar da areia contra a fuselagem do avião. — Não podemos arriscar! — berrou Reiter. — Se o terreno for pedregoso, vamos capotar. — Chances? — Alguma coisa ao sul de zero. Ele continuou a puxar a coluna de controle, enquanto o copiloto e o navegador observavam, com aterrorizada fascinação, o altímetro zunir rumo às últimas centenas de metros. Um cântico de “Allah-u-Akhbar!” começou a ecoar atrás deles. — Se escaparmos dessa você vai ter que me mostrar essas fotos, Rudi! — gritou Reiter, no último momento. — Está ouvindo? Vou querer ver os peitos e a bunda dessa mulher! O altímetro chegou a zero. Reiter deu um último puxão na alavanca. Por milagre, o avião respondeu e levantou o nariz. Embora eles atingissem 29

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o solo a quase quatrocentos quilômetros por hora, pelo menos estavam nivelados. O impacto foi feroz, esmagador: o egípcio foi arrancado de sua cadeira e atirado contra o teto da cabine, depois, contra a parede traseira. Seu pescoço se partiu como um graveto. O avião foi projetado novamente no ar e voltou a cair. As luzes da cabine se apagaram e a janela de bombordo explodiu para dentro, ceifando metade do rosto de Reiter como se fosse um bisturi. Seus gritos histéricos foram quase abafados pelo rugido da tempestade, uma nuvem sufocante de areia e entulho que entrava pela abertura onde antes estivera o vidro. O avião deslizou por cerca de mil metros sobre terreno plano, corcoveando e chacoalhando, mas mantendo uma linha reta. Até que atingiu algum obstáculo invisível. Então, o Antonov de catorze toneladas rodopiou no ar como uma folha ao vento. Um extintor de incêndio se soltou do suporte e colidiu violentamente contra as costelas do navegador, estilhaçando-as como se fossem de porcelana; a porta do armário se desprendeu das dobradiças e triturou a parte de trás da cabeça de Reiter. O avião continuou a se mover, mas na escuridão abafada da cabine era impossível avaliar sua velocidade e direção, pois tudo se transformara em um borrão caleidoscópico e caótico. Depois de momentos que pareceram séculos, mas talvez não fossem mais que segundos, o avião começou a reduzir a velocidade, suas rotações começando a enfraquecer à medida que a superfície do deserto atritava contra a parte de baixo da fuselagem. Então, finalmente parou, com o nariz apontado para cima em um ângulo precário, como se estivesse na beirada de uma colina íngreme. Por um instante, tudo ficou imóvel. A tempestade continuou a martelar a fuselagem e as janelas. Um fedor pungente de metal superaquecido dominava a cabine. Atordoado, o copiloto se mexeu na poltrona. — Kurt? — chamou ele. — Jerry? Não houve resposta. Ao estender a mão, seus dedos tocaram em alguma coisa morna e úmida. Ele começou a desafivelar o cinto. Ao fazê-lo, o avião adernou. Ele se deteve e esperou alguns momentos. Depois, 30

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retirou os fones de ouvido e começou a se erguer da poltrona. O nariz do avião se moveu para cima e para baixo, como se fosse uma gangorra. O copiloto ficou imóvel, tentando entender o que estava acontecendo, perscrutando a escuridão. O avião tornou a se mover, emitindo um rangido. Seu nariz se levantou novamente e, dessa vez, continuou o movimento. O Antonov ficou quase na vertical e começou a deslizar para trás. Foi bloqueado por alguma coisa e parou. Mas logo se projetou em espaço aberto. A tempestade cessou de repente e as janelas clarearam, revelando paredões rochosos de ambos os lados, como se o avião estivesse caindo numa espécie de desfiladeiro. Com um solavanco e um estrondo ensurdecedor, o Antonov aterrissou de barriga em um denso aglomerado de árvores. Durante alguns momentos, ouviram-se apenas os estalos e silvos do metal sendo massacrado. Então, pouco a pouco, outros sons começaram a aparecer: um farfalhar de folhas, um distante borbulhar de água e, suavemente a princípio, mas aumentando até encher a noite, um chilrear de passarinhos assustados. — Kurt? — gemeu uma voz entre os destroços. — Jerry?

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— Obrigado a todos por terem vindo. Peço desculpas por trazer vocês aqui tão em cima da hora, mas uma coisa... aconteceu. O orador deu uma tragada profunda no cigarro, abanou a mão para dispersar a fumaça e olhou atentamente para os sete homens e uma mulher que estavam com ele à mesa. A sala não tinha janelas e era pouco mobiliada, desinteressante, como centenas de outros escritórios na apertada catacumba do Pentágono. O único traço que a distinguia era um grande mapa da África e do Oriente Médio, que cobria a maior parte de uma parede; além do fato de que a única iluminação ambiente provinha 31

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O oásis oculto - Trecho