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33l Quinta-feira, 30 de setembro de 2010 l Jornal de Brasília

Clica

CULTURA

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Cinema

Editor: Guilherme Lobão [globao@jornaldebrasilia.com.br]. Redatora: Anna Beatriz Lisbôa [anna.lisboa@jornaldebrasilia.com.br] Fone: 3343-8059

PERFIL

Ícone pop da literatura G Marina Bártholo marina.bartholo@jornaldebrasilia.com.br

om mais de 60 mil seguidores no Twitter, três blogs, canal no YouTube e agenda lotada com palestras, cursos, debates e lançamentos em todo o Brasil, Fabrício Carpinejar tem tudo para ser um ícone literário brasileiro nesses tem-

C

pos em que o real e o virtual estão interligados. No entanto, o principal tema de sua literatura está calcado em uma das mais antigas aspirações humanas: o amor. Mas um amor que vai além do romantismo e tem que lidar com as agruras dos relacionamentos pós-modernos. Os textos deste cronista poético abordam impasses e soluções de histórias amorosas que viveu – ou não – em seu cotidiano. "Crônicas são biográficas, o sonho da literatura é ser biografia. Mas ninguém nunca vai saber o que realmente aconteceu, o que eu exagerei ou o que eu imaginei. A maior parte da minha memória é imaginação", declara Carpinejar, que esteve em Brasília na terça-feira, quando realizou palestra no Espaço Cultural Mosaico. Excêntrico, conservador, inquieto, pop, sentimental, voraz e paciente são alguns dos adjetivos irrefutáveis de Carpinejar que o fazem conquistar um público cativo e variado em idade, mas nem tanto em gênero. A

SAIBA

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Atípico que é, Carpinejar carrega um visual muito particular. Ele pinta as unhas da mão esquerda de preto, usa óculos coloridos e enormes e traz sempre um "desenho" diferente no cabelo, feito por sua namorada. Também carrega algumas tatuagens. A mais visível é um escorpião, símbolo

maior parte dele é formado por mulheres. "Mulheres tiveram um peso muito grande em minha formação. A começar pela minha mãe e pela minha irmã mais velha, que foi muito presente", esclarece. ALMA FEMININA Em muitos de seus textos, Fabrício adentra a alma feminina. O maior exemplo desta dedicação é seu livro mais recente, o Mulher Perdigueira (Bertrand Brasil). Com três meses de lançado, alcançou a terceira edição na semana passada. Este lançamento, que marca sua ascensão em reconhecimento e fama, é dedicado a compreender e valorizar o ciúme feminino.

LAI SSA REI S/D IVU LGA ÇÃ O

Antenado em mídias sociais, Fabrício Carpinejar tem um público cativo

de seu signo. Filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, as primeiras publicações de Fabrício foram poemas. Encontre Carpinejar: Twitter @CARPINEJAR; blogs, carpinejar.blogspot.com, bloglog.globo.com/ fabriciocarpinejar e rolocompressor.zip.net.

"Porque amar não é um vexame. Escândalo mesmo é a indiferença", como diz na contracapa de seu livro. Esta publicação de crônicas dialoga, de certa forma, com a anterior, o Canalha!. "O Canalha! lida com meu passado. Vem de um casamento que acabou, com a Ana. Fala de que nenhuma mulher expulsa um homem de casa e de sua vida enquanto o chamar de canalha. O Mulher Perdigueira lida com meu presente, meu relacionamento com a Cynthia. Aborda como somos egoístas e não nos colocamos no lugar do outro", compara. Carpinejar se considera um pouco destes dois "personagens". "Todos nós somos um pouco perdigueiros,

um pouco canalhas", analisa. Carpinejar tem dois filhos, Vicente e Mariana Carpi Nejar. Ela, a mais velha, de 16 anos de idade, mora em Brasília há quatro anos. "Ele é meu ídolo. Instiga minha criatividade e tento sempre fazer coisas à altura dele", afirma Mariana. "Ela supera. É dona de uma sensibilidade rara", replica Fabrício, que sempre inclui os filhos em seus textos, além de lhes dedicar o livro Meu Filho, Minha Filha (Bertrand Brasil). De todas as cidades por onde passou ao longo de sua carreira, Carpinejar destaca Brasília. "Todos nós nutrimos uma paixão por outra cidade. Eu adoro Brasília, gosto do contato com os brasilienses. O público aqui é afetuoso de uma maneira diferente, e a cada vez que venho isso é mais intenso", revela o escritor, cujo última vinda havia sido em maio, para debates em escolas. Por outro lado, o gaúcho Carpinejar afirma que em nenhuma outra região escritores são tão populares quanto no Rio Grande do Sul. "Lá somos tratados como rock stars. No metrô, no supermercado, na rua, as pessoas param para pedir autógrafos e fotos", descreve. E muitas de suas principais influências literárias são conterrâneas, como Mário Quintana e Luís Fernando Veríssimo. "Nós, gaúchos, formamos uma máfia literária."


Jornal de Brasília - 30/09/2010