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edição 2 abril/maio de 2014

A revista de negócios, tecnologia e mercado do setor de alimentos e de bebidas

alimentação Empresas de food service na mira dos investidores

Edição 2 abril/maio de 2014

Bebidas Microcervejarias buscam parcerias para ampliar atuação

alimenta

vinicultura • bebidas • leite e derivados • agronegócio

leite e derivados Produtores trabalham para suprir a demanda interna agronegócio O grande desafio: alimentar 200 milhões de pessoas

melhor para o paladar Vinho brasileiro ganha destaque no mercado interno e externo, conquistando o consumidor com a sua qualidade e com ajuda de grandes investimentos, por parte das vinícolas, em tecnologia e em mão de obra especializada programação completa da envase brasil e da brasil alimenta 2014

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22 Alimentação

a l i m e n t a ç ã o

Empresas de food service, setor que cresce bem acima do PIB do País anualmente, estão na mira de investidores

eles têm

fome de merCado

Empresas de alimentação fora do lar brasileiro estão na mira de investidores, uma vez que o setor cresce anualmente três a quatro vezes mais que o PIB do País

edição 2 abril/maio de 2014

a revista de negócios, tecnologia e mercado do setor de alimentos e de bebidas edição 2 abril/maio de 2014

alimentação Empresas de food service na mira dos investidores bebidas Microcervejarias buscam parcerias para ampliar atuação leite e derivados Produtores trabalham para suprir a demanda interna

vinicultura • bebidas • leite e derivados • agronegócio

revista tem o objetivo de retratar a evolução da cadeia produtiva alimentar no Brasil. Nos artigos, entrevistas e reportagens desta edição, o leitor encontrará análises e informações sobre oportunidades de negócios e inovações nas áreas de tecnologia, logística e produção em quatro áreas fundamentais da economia nacional: o agronegócio, a produção de leite e derivados, o fornecimento de bebidas e a elaboração de vinhos.

alimenta

A

s u m á r i o

agronegócio O grande desafio: alimentar 200 milhões de pessoas

melhor para o paladar Vinho brasileiro ganha destaque no mercado interno e externo, conquistando o consumidor com a sua qualidade e com ajuda de grandes investimentos, por parte das vinícolas, em tecnologia e em mão de obra especializada programação completa da envase brasil e da brasil alimenta 2014

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Bebidas 28

Para atingir mais clientes, ávidos por novos tipos de cervejas, microcervejarias buscam parcerias para ampliar sua área de atuação

b e b i d a s

a

4 Editorial união faz a força

empenhadas em vencer o desafio de atingir números cada vez maiores de clientes ávidos por novos sabores de cerveja, as microcervejarias brasileiras e estrangeiras buscam parcerias para ampliar sua área de atuação

28

a g r o n e g Ó c i o

34 Agronegócio

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udo em família

De que maneira os milhares de produtores agrícolas familiares espalhados pelo País encaram o desafio de alimentar 200 milhões de pessoas

Como o produtor familiar, responsável por fornecer comida a todos os brasileiros, encara o desafio de alimentar 200 milhões de pessoas

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Leite e derivados 42

Além de cruzar as fronteiras para a exportação, produtores rurais trabalham para suprir a demanda do mercado interno

l e i t e

B

alde cheio

Produção de leite quer vencer o desafio de conseguir cruzar fronteiras rumo à exportação, enquanto, no campo, produtores trabalham para melhorar a qualidade e manter o equilíbrio da cadeia a fim de suprir a demanda interna

50 Evento

E

ons nEgócios do campo até a mEsa

spaço dE grandEs oportunidadEs

A Semana Internacional Brasil Alimenta, que será realizada em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, debaterá e apresentará soluções em tecnologia para as cadeias produtivas da uva e do vinho, bebidas em geral, agricultura e laticínios A envase Brasil e a Brasil Alimenta, realizadas em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, apresentarão neste ano diversas novidades em produtos, tecnologias, serviços e equipamentos para toda a cadeia produtiva de alimentos e de bebidas, como o vinho, da agricultura familiar e de laticínios e derivados

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Notícias do setor agroindustrial de alimentos e bebidas

8 Entrevista

Luiz Barretto, presidente do Sebrae

14 Capa

Investimentos das vinícolas em tecnologia e em mão de obra especializada fazem com que o vinho brasileiro dê um salto de qualidade e conquiste o mercado interno

e d e r i v a d o s

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E v E n t o

6 Fique por dentro

Brasil Alimenta 2014 e Envase Brasil trazem novidades em produtos, tecnologia e serviços para a cadeia produtiva de alimentos e de bebidas

59 Expositores

Todas as empresas que participam da Brasil Alimenta e da Envase Brasil

66 Artigo

Sílvia Barbosa, diretora da Simpli Inteligência em Gestão, fala dos desafios que a indústria enfrenta para garantir a segurança de alimentos

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e d i t o r i a l

Experiência e conhecimento arece que foi ontem. Quando fechamos a primeira edição da ALIMENTA, tivemos o sentimento de dever cumprido em um projeto que pretendia reunir abordagens diferenciadas sobre as cadeias de produção, de distribuição e de abastecimento dos setores de alimentos e de bebidas. Na ocasião, a repercussão da revista foi extremamente positiva, com muitas opiniões favoráveis sobre a nova publicação. O que nos permitiu abrir espaço para um alento maior. Rapidamente, o tempo passou e, agora, chegamos a mais uma edição desse projeto da EBC – Editora Brasileira do Comércio, que edita as revistas DISTRIBUIÇÃO E ABASTECIMENTO, além do Portal Newtrade. E assim, juntando a experiência e o conhecimento que adquirimos de duas publicações e um site especializado no trade, podemos esclarecer que a revista ALIMENTA pretende ser um instrumento para o desenvolvimento e a educação, contribuindo para um melhor desempenho dos setores de alimentos e de bebidas. A proposta consiste em levar essa experiência a todos esses importantes setores da economia, acompanhando seu destino comercial desde as informações sobre a propriedade agrícola empreendedora, passando pelos laticínios e seus derivados, bem como pela vinicultura, até o destino final dos alimentos e bebidas. Portanto, a ideia é oferecer ao leitor matérias que abordem toda uma gama de temas que almejam, entre outros, inovação, equipamentos, serviços, pro-

ricardo bakker

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Editora Brasileira do Comércio Rua Apeninos, 1.126 CEP: 04104-021 | São Paulo - SP Fones: (11) 5572-1221 (11) 5908-8390 Fax: (11) 5572-1221 ramal 235 ebc@ebceditora.com.br www.ebceditora.com.br

Diretora-Editorial Claudia Rivoiro claudiarivoiro@ebceditora.com.br

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Cristiano Eloi, editor

Editor Cristiano Eloi cristiano@ebceditora.com.br

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Gerência de Contas Especiais Jorge Rodrigues jorge@ebceditora.com.br

Redação redacao.db@ebceditora.com.br

Jornalista Responsável Cristiano Eloi – MTb 38.052

José Paulo Basílio jose.paulo@ebceditora.com.br

Repórter Rúbia Evangelinellis rubia@ebceditora.com.br

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Revisão Newton Roberval Eichemberg Diretor-Presidente Vicente Puerta vicente@ebceditora.com.br

dutos, relacionamentos, geração de oportunidades e tecnologia. E é com esse propósito que, neste segundo número, destacamos em nossa matéria de capa a melhoria da qualidade do vinho nacional, que, cada vez mais, atrai o consumidor brasileiro. Para isso, trazemos informações esclarecedoras sobre como está o mercado, o que mudou de uns anos para cá, o que as vinícolas fizeram e quais os investimentos que elas realizaram para que a bebida atingisse o nível em que se encontra atualmente. Além disso, mostramos que, para haver um crescente interesse do brasileiro por vinhos, é preciso que também haja profissionalização de mercados, e que as pessoas recebam capacitação desde a produção até a comercialização. Nessa toada, trazemos uma entrevista com Luiz Barretto, presidente do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que destaca a importância da capacitação para o desenvolvimento das empresas que atuam com alimentos e bebidas, a fim de melhorar e intensificar sua competitividade. Um setor cujo desenvolvimento se processa de vento em popa, principalmente na atividade de alimentação fora do lar, que cresce acima do Produto Interno Bruto, e que faz com que os fundos de investimento passem a olhar atentamente para as cadeias de restaurantes e de lanchonetes que atuam no Brasil. Boa leitura e até a nossa próxima edição!

Criação e Produção Criação Fábio Geríbola fabio@ebceditora.com.br Manoel Mendonça mano.mendonca@ebceditora.com.br

Marketing Jorge Brolio jorge.brolio@ebceditora.com.br Eventos Pedro Pires pedro@ebceditora.com.br

Representantes SP Interior: Tânia Nassif tania.nassif@ebceditora.com.br Brasília/DF: Paulo Tamanaha (61) 3034-3704 (61) 3034-3038 skype - paulo.tamanaha1 www.centrodeideiasenegocios.com.br

Relacionamento Leitores/assinaturas/circulação Fernando Mendes relacionamento@ebceditora.com.br Fale conosco: (11) 5572-1221 redacao.db@ebceditora.com.br Gerência Administrativa/ Financeira Simone Vargas simone@ebceditora.com.br Filiada ao

RJ/ES/PR/SC, Norte e Nordeste: comercial@ebceditora.com.br

Circulação: nacional - Tiragem: 10.000 exemplares - Distribuição dirigida e assinaturas - Impressão: Eskenazi Indústria Gráfica A revista é destinada a empresários, sócios, diretores, gestores, gerentes, compradores e profissionais das empresas dos setores de bebidas e alimentos

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a l i m e n t a

fique por dentro Fabricação brasileira Consumo

Leite de búfala

Com o aumento de interesse por produtos derivados de leite de búfala em capitais das Regiões Sul e Sudeste, o Iapar – Instituto Agronômico do Paraná anunciou que está conduzindo um projeto para ensinar os produtores, pois ainda há muita falta de informação sobre o assunto. De acordo com especialistas, o leite de búfala tem uma grande vantagem sobre o de vaca: seu maior rendimento queijeiro, graças ao elevado teor proteico.

Copo compostável A catarinense Minaplast começou a distribuir o primeiro copo descartável compostável de fabricação brasileira. O produto, chamado de Green by Minaplast, usa como matériaprima o ácido polilático (PLA), fabricado a partir de plantas como o milho, que, em usina, se decompõe totalmente em um período de 90 a 120 dias. Só no primeiro semestre deste ano serão produzidos 10 milhões de copos com capacidade para 200 ml e 300 ml.   

Hong Kong

Vinexpo

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O maior salão internacional de vinho e destilados terá sua edição asiática em Hong Kong, no período de 27 a 29 de maio. Criado em 1981 pela Câmara de Comércio e Indústria de Bordeaux, a exposição se estabeleceu, ao longo dos anos, como o principal evento para players internacionais do setor de vinho e destilados.

anos de fundação da Cooperativa Vinícola Aurora foram comemorados em fevereiro, quando ela previu para este ano que obteria um faturamento de 320 milhões de reais, sendo que o montante faturado em 2013 foi de 300 milhões de reais 

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China

Nova associação

Salton quer aumentar exportação

Envasadores de água mineral

Presente no mercado asiático há três anos, a Vinícola Salton entra em 2014 planejando aumentar as exportações para a China em 40% a mais do que no ano passado. O volume anual, de 60 mil garrafas, é composto por produtos de maior valor agregado, como as linhas Volpi, Talento e Desejo. A empresa apresentou em 2013, uma receita de 296 milhões de reais, um incremento de 5% sobre o ano anterior. Para este ano, a meta é alcançar um faturamento de 330 milhões de reais.

Foi inaugurada oficialmente, no fim de fevereiro, a Agedam – Associação Gaúcha de Envasadores de Água Mineral  em Porto Alegre/RS. “Vamos dar apoio aos envasadores e constituir os interesses desse setor, tornando-nos um órgão representativo frente ao cenário político”, ressaltou Manoel Dirceu Neto, diretor da Água Mineral Itati e presidente da nova entidade. No ano passado, foram envasados no Brasil cerca de 11,6 bilhões de litros de água mineral, o que corresponde a 55 litros de consumo por pessoa. Há 30 anos, o consumo anual era de apenas 100 milhões de litros. “Percebemos que o brasileiro começou a dar uma importância muito maior à água mineral, mas ainda é pouco. Consumimos muito menos em comparação com países como a Alemanha, os EUA e o México”, observou.

96%

foi a proporção em que aumentaram as exportações da Miolo Wine Group no mercado internacional em 2013, totalizando 5,1 milhões de reais, maior valor obtido desde o início dos trabalhos de prospecção internacional. Hoje, a marca pode ser encontrada em mais de 30 países, com destaque para os mercados da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Holanda, da China e do Japão

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Inovação é a chave da competitividade Por Rúbia Evangelinellis

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Luiz Barretto, presidente do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas nacional, acredita que o atual contexto econômico favorece os pequenos empreendedores do setor de alimentos e bebidas. O ex-ministro do Turismo e dirigente da entidade desde 2011 destaca, porém, a necessidade de esse setor intensificar a competitividade a fim de não perder espaço para a concorrência. “O aumento do nível de renda, o crescimento real do salário mínimo e, principalmente, o surgimento da nova classe média, incorporando mais de 100 milhões de brasileiros ao mercado interno, criaram melhores condições para promover empreendimentos. No entanto, com a concorrência acirrada, é preciso buscar a profissionalização da gestão por meio da redução de custos, da diferenciação de produtos e do atendimento ao público”, explica.

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fotos Viviane Zanella

O brasileiro tornou-se mais empreendedor nas cadeias produtivas de alimentos e bebidas?

A indústria de alimentos e bebidas e os elos de sua cadeia de valor, desde a fábrica até, por exemplo, o pequeno distribuidor e o dono de bar, têm demonstrado uma evolução muito vigorosa. Segundo a Abia – Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação, em 2012, o setor cresceu cerca de 13% e faturou mais de 400 bilhões de reais, contra 380 bilhões de reais apurados em 2011. Os pequenos negócios estão inseridos nessa cadeia e participam dessa expansão. É um bom momento para que invistam na qualificação e, desse modo, possam se manter no mercado.

Os micro e pequenos produtores do setor estão mais competitivos?

Em geral, a competitividade das micro e pequenas empresas tem aumentado ao longo dos últimos anos, como pode ser constatado pelo aumento das taxas de sobrevivência dessas pequenas companhias em seus primeiros dois anos de existência. Há uma década, apenas metade das empresas sobrevivia a esse período, considerado o mais crítico. Mas os dados atuais mostram que, em média, de cada 100 empresas, 70 ultrapassam 24 meses de atividades. A inovação é a chave para o aumento da competitividade. Só em 2013, o Sebrae atendeu mais de 145 mil pequenas empresas com soluções em inovação, inclusive com consultores que procuram ativamente essas empresas para lhes oferecer soluções. São os nossos Agentes Locais de Inovação, que chamamos de ALIs.

No esforço da empresa para ganhar competitividade, quais são os desafios prioritários com que ela se defronta?

São os que se empenham em obter uma gestão eficiente, em adotar inovações e tecnologias modernas, ações coletivas por meio de associações, cooperativas e outras organizações, e em focalizar – e se direcionar para – mercados que gerem lucros adequados ao tipo de atividade pretendida.

Só em 2013, o Sebrae atendeu mais de 145 mil pequenas empresas com soluções em inovação"

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Pode-se dizer que a gestão profissionalizada já é uma realidade no setor?

Os empresários do setor da indústria de alimentos e bebidas já estão procurando cada vez mais a gestão profissionalizada, principalmente por conta da grande demanda por produtos saudáveis e de qualidade. Por isso, tem-se investido em um grau cada vez maior em pesquisa, desenvolvimento e inovação de produtos e de processos. Porém, ainda é cedo para se afirmar que a gestão profissionalizada já é uma realidade para todo o setor. No entanto, países em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia e a China, já estão vivendo, nos últimos anos, um período de intenso crescimento econômico e de renda. Esse processo, associado à urbanização, intensifica e altera o perfil de consumo da população, com um incremento de preferência por produtos alimentícios mais elaborados e proteicos, em especial na indústria. Daí a necessidade de gestão profissionalizada. Quem não se adequar terá dificuldades para sobreviver.

O que o Sebrae oferece aos programas de qualificação e treinamento para pequenas empresas de agronegócios, para a produção de leite e derivados, fornecimento de bebidas e elaboração de vinhos?

Uma linha de apoio muito utilizada pelas pequenas empresas de agronegócio no Brasil é o Sebraetec. Nessa iniciativa, o Sebrae subsidia em até 80% as consultorias em serviços de tecnologia e inovação empenhadas na melhoria de processos e produtos e/ ou na introdução de inovações. Também trabalhamos com o PAS (Programa Alimento Seguro) Leite, do governo federal, que procura melhorar a qualidade e a segurança do leite produzido no País. O programa leva soluções de boas práticas a todos os atores da cadeia produtiva do leite, desde sua origem na propriedade rural, passando pelo seu transporte, até o seu processamento nos laticínios.

Como a política de investimentos e de financiamentos está operando?

O Sebrae não atua com financiamentos e empréstimos. Em vez disso, desenvolvemos parcerias e cooperação técnica com instituições de microcrédito e bancárias para democratizar e viabilizar o acesso dos pequenos negócios a financiamentos. Temos o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas, que oferece garantia de até 80% para as operações. 

Existem áreas com mais chances de realizar negócios nesses quatros campos de atuação?

Temos constatado a ocorrência de um crescimento muito significativo em alguns segmentos específicos, como cafeterias e varejo especializado em vinhos e espumantes, além de cervejas artesanais. Essa evolução ocorre não apenas nos grandes centros urbanos, mas também em cidades médias.

Em que nível está o índice de sobrevivência das pequenas empresas do setor?

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O Sebrae não atua com financiamentos e empréstimos. Em vez disso, desenvolvemos parcerias e cooperação técnica com instituições de microcrédito e bancárias"

O índice de sobrevivência das micro e pequenas empresas brasileiras é de 76% nos dois primeiros anos, que são os mais críticos. É um índice muito alto, inclusive quando o comparamos com os de outros países. Sempre haverá um percentual de mortalidade, pois empreender envolve risco. Qualquer taxa de sobrevivência acima de 70% pode ser considerada muito positiva. Há dez anos, esse índice era de 50%.

O trabalho desenvolvido pelo Sebrae no setor tem como foco a economia local?

Temos convênios com a Abip – Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria e com

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a Abiepan – Associação Brasileira das Indústrias de Equipamento, Ingredientes e Acessórios para Alimentos para desenvolver as indústrias do setor de alimentos e bebidas no âmbito desses segmentos. No agronegócio, vários projetos também são realizados em parceria com instituições representativas, como associações e cooperativas, e também com empresas públicas e privadas.

Há  no Rio Grande do Sul algum trabalho focado no desenvolvimento da produção de frutas de frio, agricultura familiar e atividades do setor de viticultura?

Temos ações para desenvolver a fruticultura com base no plano de trabalho regional. As orientações são realizadas conforme a demanda dos produtores organizados, das associações ou das cooperativas de produção.  Na vitivinicultura, por exemplo, há uma parceria com o Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho, instituição que promove a elevação da competitividade do setor, atuando junto aos produtores rurais e às vinícolas de vários portes econômicos, e também promovendo, desse modo, uma integração das ações do Sebrae com os seus parceiros.

Como é possível detectar os avanços das pequenas empresas das cadeias produtivas de alimentos e bebidas?

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Um dos avanços pode ser reconhecido nas certificações. Cada vez mais, as empresas estão preocupadas em atuar com diferenciais de competitividade que agreguem valor e caracterizem seus produtos para nichos especiais, que, na maioria das vezes, são atingidos graças ao reconhecimento das certificações. Na lógica de se trabalhar na cadeia produtiva, esforçamo-nos por entender a demanda das grandes empresas-âncoras de cada setor trabalhado e por capacitar os pequenos negócios para que ofereçam produtos e serviços que respondam melhor às necessidades dos clientes. Dessa forma, ganham os donos de microempresas e empresas de pequeno porte em qualidade, produtividade e faturamento. Nos setores em que o Sebrae atua com projetos nacionais de encadeamento produtivo, como o de panificação, é nítido o avanço dos pequenos negócios em seu esforço para conquistar novos mercados, aumentar seu faturamento e melhorar a oferta de emprego. Os resultados são medidos no fim de todos os ciclos de cada projeto. Para os que não se enquadram nessas categorias, o Sebrae oferece capacitações como o Na Medida (para microempresas) e o Sebrae Mais (para as pequenas empresas), que se empenham em atender os empresários com consultoria e aprimoramento em áreas da gestão. 

Temos ações para desenvolver a fruticultura com base no plano de trabalho regional. As orientações são realizadas conforme a demanda" De que maneira o Sebrae colabora no sentido de estimular e promover a agricultura familiar?

A agricultura familiar é tratada de maneira especial e, por isso, há um acordo de cooperação com o MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário no qual nos comprometemos a trabalhar em parceria, e a nos esforçar pela busca de agregação de valor e de melhorias nas condições de vida desse público. Temos alguns projetos, entre os quais se destaca Talentos do Brasil Rural, que insere produtos e serviços da agricultura familiar em hotéis, bares e restaurantes das 12 cidades-sede da Copa do Mundo, e a solução educacional No Campo, que trata dos temas de gestão, comercialização, empreendedorismo, associativismo e liderança.

Como o senhor avalia a agricultura orgânica? 

Os produtos orgânicos tornaram-se uma realidade de mercado que não volta atrás. O Sebrae patrocina e apoia eventos ligados ao orgânico e, por meio de parcerias diversas, tem implantado várias unidades do Sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável. Só em 2013, implantou mais de mil unidades em nove Estados.

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A qualidade do

vinho brasileiro em destaque As vinícolas do País apostam nos investimentos em tecnologia, na especialização da mão de obra e em uma boa divulgação para que os vinhos brasileiros conquistem seu merecido lugar nas prateleiras do Brasil e dos outros países por Giane Laurentino

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FOTOLIA

Solo brasileiro ĂŠ excelente para o cultivo das videiras, o que colabora para a melhoria da qualidade das uvas

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presença de parreirais que se estendem em longas e retas avenidas, tomando conta de amplas áreas férteis, não deixa dúvidas: tanto terreno investido na produção de tantas variedades de uvas dá uma justa medida da grande proporção em que os vinhos brasileiros conquistaram seu espaço no mercado, e prosseguem nessa conquista de vento em popa, encaminhando-se para fora do Brasil. Porém, garantir o seu lugar entre os rótulos internacionais está sendo um caminho construído aos poucos. A vitivinicultura depende de boas uvas, bons investimentos, embalagens, marketing e profissionais qualificados para produzir o líquido que, além de tudo, faz parte de tantos mitos, culturas e narrativas vindas de todos os povos e culturas. Inicialmente, o vinho brasileiro era produzido por imigrantes italianos no sul do País. Era uma produção simples, artesanal, sem os requintes dos vinhos produzidos em outras partes do mundo. O produto brasileiro ainda não era exportado, nem tinha outro objetivo que o de servir a um consumo local e imediato. Mas, com o passar do tempo, “a qualidade aumentou significativamente na produção, na tecnologia e no desempenho comercial”, comenta Andreia Gentilini Milan, diretora de Promoção do Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho. O melhoramento da qualidade se reflete no aumento do consumo do vinho nacional. Segundo a Ibravin, as vendas dos vinhos produzidos no Rio Grande do Sul, que representam cerca de 90% de todo o mercado nacional, cresceram 9,82% em 2013. O setor comercializou 388,3 milhões de litros de vinhos, espumantes, sucos e derivados de uva. A venda dos espumantes se mantém em alta, com 7,73% de crescimento e 15,8 milhões de litros comercializados. O suco de uva teve alta de 40,12% na categoria 100% natural e pronto para consumo, com 78 milhões de litros. Não é por acaso que os rótulos nacionais tiveram 77,6% de participação na categoria vinho no mercado interno, pois a preocupação com a produção, tanto pelo seu lado quantitativo como qualitativo, é constante, principalmente no que se refere à matéria-prima. “Nós primamos pela produção de uma uva de qualidade, pois sem ela não há como produzir um bom vinho”, conta Antônio Miolo, diretor da Vinícola Miolo. E para produzir a melhor uva, a empresa busca profissionais qualificados e investimentos constantes em novos equipamentos. Em dez anos, foram investidos 120 milhões de reais em expansão da produção, tecnologia, mudas importadas, instalações e equipamentos.

A

Antônio Miolo, da Miolo, investiu 120 milhões de reais em dez anos em diversas áreas da vinícola@

Presente em quatro regiões vitivinícolas do País – Vale dos Vinhedos, Campanha e Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, e Vale do São Francisco, na Bahia – a Vinícola Miolo busca o que o mercado que se relaciona à produção de vinhos oferece. “Ficamos atentos ao que o mercado sinaliza e acompanhamos as novidades tanto de maquinário como de produção da uva”, comenta Miolo. O cuidado com a qualidade do que é produzido em suas vinícolas justifica o fato de a empresa exportar para 28 países. Nas vinícolas menores, os investimentos também são necessários. Garantir a qualidade do vinho produzido é um compromisso dos produtores brasileiros. Com 15 hectares e elaborando 90 mil litros de vinho, a vinícola Don Laurindo qualifica sua produção, em parte, graças a investimentos em equipamentos e na matéria-prima. “Fizemos investimentos nos vinhedos e na forma de condução, e reduzimos a quantidade por hectare, também adquirindo maquinário para melhor fazer os tratamentos fitossanitários”, afirma Ademir Brandelli, diretor e enólogo da vinícola. A família Brandelli, proprietária da Don Laurindo, começou a plantar uvas em 1887, mas foi em 1991 que Ademir deu início a produção de vinhos com a marca Don Laurindo, nome dado em homenagem ao pai. O diretor acredita que a qualidade dos vinhos vem aumentando significativamente. “Somos a primeira Denominação de Origem de Vinhos do Brasil, esta

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divulgação

Exportações em crescimento Um maior grau de maturidade de algumas vinícolas em negociar com o mercado externo impactaram positivamente as exportações brasileiras de vinhos engarrafados em 2013. Além disso, a consolidação de ações de construção de imagem e de promoção comercial pelo Wines of Brasil, projeto realizado pelo Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho em parceria com a Apex-Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, fez com que, em relação ao ano anterior, o resultado fosse 17,8% maior em volume, com a venda de 1,51 milhão de litros. Em valores, as exportações aumentam 23,1%, totalizando 5,3 milhões de dólares. Os principais destinos foram: EUA, Paraguai, Japão, Colômbia, Reino Unido, Alemanha, Finlândia, China, Holanda e Canadá, e das 40 vinícolas associadas, 23 efetivaram vendas no mercado internacional, quando foram 15 as registradas em 2012. Contando com os Estados Unidos, as exportações cresceram em cinco dos oito mercados-alvos do Wines of Brasil, sendo eles Alemanha, Canadá, China (Hong Kong) e Suécia. Tiveram recuos no Reino Unido, Países Baixos e na Polônia. As vendas pelas empresas integrantes do projeto também representaram, em 2013, 80% do volume total exportado pelo País. Para 2014, os resultados deverão superar 2013 graças ao fechamento de contratos com grupos e redes varejistas dos Estados Unidos e da Europa com os quais foi realizado um bom trabalho de aproximação e relacionamento no ano passado.

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é a comprovação da evolução dos nossos vinhos (do Vale dos Vinhedos)”, comenta. A intenção do empresário é qualificar os produtos que a vinícola comercializa hoje. Jovem no mercado de vinhos, a vinícola Alma Única se preocupa com todo o processo que vai desde a seleção da uva até a comercialização do produto. “Não medimos esforços para investir no melhor, com seleção manual das uvas e barricas de carvalho novas francesas e norte-americanas”, esclarece Magda Brandelli Zandoná, diretora-executiva da vinícola Alma Única. A propriedade possui 6,5 mil pés por hectare, o que lhe garante a maior densidade de plantio do País e um produção controlada de dois quilos de fruta por planta. Isso proporciona ao vinho maior concentração de açúcares, compostos aromáticos, taninos e antocianas, e baixa acidez. “A tecnologia garante maior controle no processo produtivo e no uso de técnicas adequadas para cada produto”, conta Magda. A diretora acredita que as vinícolas do País têm focado na qualidade dos produtos, mas que o melhoramento do padrão dos vinhos brasileiros demanda grandes investimentos.

Conhecer para apreciar

Para aparecer em um mercado tão tradicional e fechado como o do vinho, é preciso mais do que investimento na produção e na mão de obra. Fazer com que o consumidor conheça e aprecie o que vem sendo produzido nas vinícolas espalhadas pelo País (veja Mapa) é um trabalho diário. “O vinho ainda é menos consumido que a cerveja”, lembra Andreia. O brasileiro consome dois litros de vinho per capita por ano contra 60 litros de cerveja. Apesar de o consumo da bebida ainda ser muito baixo, os números do mercado interno mostram que consumidor está aberto para experimentar o produto nacional. “Os consumidores estão mais bem informados e os produtores brasileiros estão participando de eventos que comprovam a qualidade do vinho nacional”, comenta Andreia. A diretora conta que a participação dos vinhos nacionais em degustações às cegas, em feiras especializadas, vem trazendo reconhecimento ao vinho nacional. O vinho é uma bebida ligada ao status, mas essa primeira impressão está sendo desmistificada, tornando a bebida mais democrática sem perder o requinte. “A Ibravin trabalha com a intenção de unir os setores que lidam com o vinho e procuram torná-lo cada vez mais reconhecido”, diz Andreia. O instituto dialoga com o setor atacadista e com o trade com a intenção de levar os produtos da vitivinicultura às prateleiras do varejo.

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No mercado externo, o foco é a construção da imagem dos vinhos brasileiros. A Ibravin mantém uma parceria de dez anos com a Apex – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, que prioriza a exportação do vinho certo para o país onde ele terá maior aceitação. A estratégia vem dando resultados e, hoje, 40 vinícolas já estão exportando seus produtos. “A intenção é ter o vinho certo no lugar certo e, assim, conquistar os outros países.”

Da videira até a mesa

Desde o início de sua produção, o vinho exige que o homem aplique a força de sua intenção (e não apenas a sua força física) para que da uva seja extraído o que ela tem de melhor. Antes, os imigrantes usavam essa vontade para colher e esmagar as uvas, mas, com o passar dos anos e com a abertura econômica do País, criou-se a necessidade de se especializar a mão de obra que trabalha nas vinícolas brasileiras. “Com a oferta dos cursos disponíveis atualmente, é possível suprir as necessidades de todas as áreas relacionadas com o vinho”, diz Gisele Gugel, enóloga e membro da diretoria da ABE – Associação Brasileira de Enologia. Atividades como produção, controle de qualidade, comercialização, serviço do vinho, enoturismo e marketing fazem parte do dia a

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dia desse mercado. “É a maior demanda do mercado de trabalho voltada para as áreas ligadas aos consumidores”, conta Gisele. Muitos são os profissionais que podem ter sua carreira atrelada ao mercado da vitivinicultura, mas três deles lidam diariamente com a bebida: os cantineiros, os enólogos e os sommeliers. Os primeiros se dedicam às atividades práticas da produção de uma vinícola, sob orientação de um enólogo, que gerencia e coordena o processo produtivo de vinhos e derivados. Por último, o sommelier é o profissional que executa o serviço do vinho, orienta a escolha e faz a harmonização com os alimentos que têm afinidade com ele, podendo, por isso, atuar em restaurantes, lojas especializadas, importadoras, etc. Ao longo das últimas décadas, foram criados cursos para suprir a demanda por profissionais qualificados. Em 1959, foi criado o primeiro curso técnico de enologia no País, no IFRS – Instituto Federal do Rio Grande do Sul, no campus Bento Gonçalves. Do fim da década de 1950 até o fim do milênio, a dinâmica do mercado exigiu que a vitivinicultura se especializasse ainda mais, e assim foi criado o curso superior de enologia, “por causa das exigências mercadológicas para o aperfeiçoamento e a qualificação da indústria de vinhos no Brasil”, comenta Gisele. Na mesma época, surgiram associações de sommeliers em vários locais do País.

Produto brasileiro tenta se adequar a todos os tipos de paladares e a todos os bolsos de clientes

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Mapa brasileiro da vinicultura Áreas de cultivo de videiras e de elaboração de sucos e espumantes

Vinho fino

Uva de mesa Vinho de mesa/ Suco de uva

MT

Vale do São Francisco

BA

Nova Mutum GO

Santa Helena

Norte de Minas Região Serrana do Espírito Santo

ES

MG

Noroeste de São Paulo

SP

Norte do Paraná

Sul de Minas Leste de São Paulo

PR

Oeste do Paraná

Grande Curitiba Vale do Rio Tijucas

SC RS

Vale do Rio do Peixe Litoral Sul Alto Uruguai Planalto Catarinense Serra Gaúcha

Campanha

Campos de Cima da Serra

Região Central Serra do Sudeste Fonte: Ibravin / Wines of Brasil

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Depois da criação do curso superior de enologia, o técnico passa a cumprir a parte mais operacional do processo de produção do vinho, ficando a cargo do enólogo a parte mais administrativa e mercadológica. Outros cursos foram criados com a intenção de suprir as necessidades de mão de obra qualificada, por exemplo, o curso de cantineiro, que cuida da parte mais operacional da vinícola. Categorias como as do enoturismo e do sommelier também receberam cursos, além de formações específicas de pós-graduação nas áreas de Marketing e Negócios do Vinho.

Exportação brasileira de vinhos e espumantes engarrafados em 2013

O criador de vinhos

VOLUME (litros)

VALOR USD/ FOB

Estados Unidos

277.103

$ 1.035.789,00

Paraguai

412.299

$ 696.711,00

Japão

106.914

$ 508.959,00

Colômbia

191.902

$ 469.070,00

Reino Unido

73.061

$ 378.946,00

Alemanha

67.508

$ 296.439,00

Finlândia

37.375

$ 292.670,00

China

40.466

$ 286.303,00

Holanda

59.614

$ 265.690,00

Canadá

35.700

$ 211.452,00

Dinamarca

21.056

$ 118.543,00

17.474

$ 107.524,00

Austrália

Fonte: Mdic e Secex – Sistema Aliceweb, elaborado pelo Ibravin

divulgação

A responsabilidade de um enólogo vai além da que o define como um criador do vinho. O profissional formado em um curso superior de enologia estará preparado para exercer as diversas funções que o mercado do vinho oferece. Com um currículo que vai desde disciplinas técnicas até noções de marketing, gestão e economia, o curso superior em enologia pode ser feito, em Bento Gonçalves/ RS, no IFRS, ou em Pelotas/RS, na Universidade Federal de Pelotas, em Dom Pedrito, ou pela Unipampa. No Nordeste, em Petrolina/PE, o Instituto Federal de Pernambuco também oferece o curso de formação superior na área.

PAíS

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Ademir Brandelli, da Don Laurindo: qualidade da produção resulta de diversos investimentos

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O IFRS, primeira instituição a criar um curso voltado para a área, estabeleceu um curso superior em enologia em 1995. “O enólogo gerencia os técnicos e executa outras tarefas na vinícola, além da operacional”, conta Larissa Dias de Ávila, coordenadora do curso de Tecnologia em Viticultura e Enologia do IFRS. Esse curso tem duração de três anos e atualmente conta com 150 alunos matriculados. Os candidatos são selecionados por meio de vestibular, onde disputam uma vaga com oito candidatos. Há 30 vagas por ano e o curso recebeu “conceito 4” na última avaliação pelo Ministério da Educação. Misturando a prática com a teoria, as aulas no IFRS têm como prioridade suprir a demanda de profissionais da região. “Mais de 90% dos alunos saem empregados e cerca de 50% dos alunos já estão empregados enquanto fazem o curso. Muitos têm uma propriedade ou estão trabalhando no varejo de uma vinícola”, afirma Larissa. A coordenadora acredita que a importância atribuída à qualificação e também as mudanças econômicas influenciaram diretamente a qualidade do vinho no País. “Não foi só o ensino que fez com que a qualidade melhorasse, pois também tivemos uma melhora econômica e os nossos alunos participaram diretamente desse processo”, comenta. Na região, muitos dos atuais alunos da instituição já trabalhavam em vinícolas e decidiram aprimorar seus conhecimentos. A instituição tem planos para criar um curso de especialização, pois há demanda para isso na região. Desde 2005, o IF Sertão-PE – Instituto Federal do Sertão de Pernambuco oferece um curso superior de viticultura e enologia. Há 28 anos, a região do Vale do São Francisco iniciou a produção de uvas, mas foi no início da década de 2000 que a produção de vinho começou a se modernizar. Por esse motivo, houve a necessidade de se criar espaço para o aperfeiçoamento dos profissionais que trabalham no ramo. “A nossa produção de uva é exclusiva, e precisamos de técnicos que tenham conhecimento da uva produzida aqui”, conta Francisco Amorim, professor do IF Sertão-PE. Com três anos de formação, atualmente o curso tem 40 alunos matriculados e as vagas são abertas todos os anos. O Instituto serve de base para a realização de pesquisas na região. “Temos uma unidade de produção e de pesquisa chamada Escola do Vinho, na qual colocamos em prática o que foi dito no Instituto”, conta Amorim. Além do curso superior, o Instituto disponibiliza o curso de operador de vinificação, que é destinado aos que vão atuar com a parte mais operacional da vinícola, e tem duração de 160 horas.

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A Verallia aposta em recipientes que agreguem valor e realcem a apresentação da bebida

A embalagem que faz a diferença Não é apenas o vinho que precisa ser aperfeiçoado para conquistar o mercado, mas até mesmo o recipiente que o contém. As garrafas onde o líquido é armazenado precisam evoluir para servir melhor aos seus propósitos: acondicionar com eficiência e chamar a atenção do consumidor. “É necessário acompanhar os mercados dos nossos clientes para podermos sempre oferecer o que há de melhor na elaboração de embalagens de vidro”, afirma Catarina Peres, coordenadora de Marketing da Verallia. Segundo a coordenadora, a atual preocupação com a fabricação de embalagens está ligada à sustentabilidade. Na linha Ecova, por exemplo, os produtos são 30% mais leves que os tradicionais, e têm a mesma qualidade. A empresa oferece a opção de os clientes criarem garrafas personalizadas. “A qualidade da embalagem está diretamente ligada à comercialização e à decisão de compra. Por isso, trabalhamos com produtos de altíssima qualidade, evitando assim problemas em suas linhas de envase, ou até mesmo nas gôndolas”, conta Catarina. Com uma de suas três fábricas instalada em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, a empresa tem a intenção de estar mais perto de clientes como Salton, Perini, Valduga, Aurora, Miolo, Fante e Chandon. Além de estar próxima de uma região produtora, a Verallia procura marcar presença nos eventos do setor.

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Eles têm

fome de mercado

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Com um cotidiano mais agitado, os brasileiros passaram a se alimentar mais fora de casa

Empresas de alimentação fora do lar brasileiro estão na mira de investidores, uma vez que o setor cresce anualmente três a quatro vezes mais que o PIB do País

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Por Daniela Guiraldelli

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ouco afetado pelo crescimento “tímido” da economia – em 2013, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro fechou em 2,3% –, o setor da alimentação fora do lar continua a viver dias positivos. Esse bom momento pelo qual estão passando as empresas que operam nas três vertentes do segmento – os operadores (que abrangem, por exemplo, as redes de restaurantes, as empresas de fast food, os hotéis e as pizzarias), os fornecedores (indústrias de alimentos e bebidas), e os distribuidores, que fazem a ponte entre a fabricante e o varejo – está despertando o interesse de investidores, assim como de fundos de investimentos, mas principalmente das instituições que realizam o private equity (ver box na página 27). “Esses três tipos de empresas têm chamado a atenção de investidores, uma vez que o mercado de alimentação fora de lar cresceu, nos últimos dez anos, com taxas que ficaram em torno de 15%, enquanto no Brasil o PIB cresce em torno de 2% a 3% ao ano”, afirma Enzo Donna, consultor da ECD Consultoria em Food Service. A última crise europeia, seguida pelo período de instabilidade vivido pelos Estados Unidos, também passou a direcionar investidores para o mercado brasileiro nos últimos anos. Ao nos voltarmos para o mercado interno, constatamos que a nova realidade econômica tem feito crescer extraordinariamente o consumo de alimentos. “Sabemos que mais de 30% dos gastos com alimentação são feitos fora de casa, de acordo com dados obtidos pela

P

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Redes de lanchonetes são alvos constantes de assédio pelos investidores

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POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) em 2012/2009. Esses gastos com alimentos subiram nove pontos percentuais nesse período, levando-se em consideração as características das relações que estabelecem, por exemplo, a maior participação da mulher no mercado de trabalho, mais membros da família trabalhando, e aumento do mercado single. Isso tem elevado o potencial do mercado”, analisa Cláudio Felisoni de Angelo, presidente do Conselho do Provar (Programa de Administração de Varejo) e do Ibevar – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo. Há algum tempo, os três setores de food service estão sendo sondados, embora com diferentes intensidades, pelo mercado financeiro. No caso dos operadores, um dos exemplos mais conhecidos é o da Rede Fogo de Chão (ver box na página 26). Inicialmente, 35% do seu negócio foi absorvido pelo GP Investments e coinvestidores, e depois esse negócio foi vendido para um grupo norte-americano. Outro exemplo é o do China in Box/Gendai, que, no fim de 2012, vendeu uma participação no negócio – o porcentual não foi divulgado – ao fundo norte-americano Laço Management, também dono da rede de hamburguerias Fifties, negócio que deu fôlego financeiro à empresa para crescer. Outro caso conhecido é o da rede de restaurantes de estrada Frango Assado, comprada em 2008 pela holding IMC – International Meal Company, formada em 2006 por um fundo de private equity, o Advent International. A IMC, um ano antes de realizar esse negócio, havia adquirido no Brasil a Rede de Restaurantes Viena (ver box na página 25). “Depois de efetuar essa transação, o crescimento da Rede Viena mudou. Antes, havia restaurantes apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Depois de fechar o negócio, o grupo ganhou escala, abrindo lojas no sul do País e em Estados de outras regiões do Brasil. A marca teve crescimento graças à injeção de investimentos pelo grupo que a adquiriu e expandiu. Nesse processo, conservaram os níveis de atendimento e de qualidade”, afirma Joaquim Saraiva de Almeida, presidente da Abrasel-SP – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo e diretor da associação nacional. Entre os fornecedores do mercado de alimentação fora do lar, algumas empresas também têm sido objeto de estudos por parte de grupos de investimentos. Alguns casos mais conhecidos são o do Bom Sabor e o do Forno de Minas. Esta última empresa tem participação de 71% da MK Empreendimentos e Participações Ltda., grupo que pertence aos sócios Hélder Couto Mendonça, Hélida Mendonça,

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A expansão do Viena

Maria Dalva Couto Mendonça e Vicenti Camiloti. Os outros 29% pertencem à Bozano Investimentos. Na indústria, o mercado financeiro já opera algumas empresas e está trazendo benefícios da governança e recursos para expansão. Por último, o mercado de distribuidores também começa a ser observado, mas por grupos de distribuição internacionais. Neste caso, não propriamente pelo mercado financeiro. Mas isso não significa que essa realidade não possa mudar. Em 2013, de acordo com informações de mercado, fundos de investimento já iniciaram prospecção nesse setor. Para o consultor da ECD, o mercado da alimentação fora do lar (nos três níveis), percebendo o intenso interesse por parte do mercado financeiro, está vendo com “bons olhos” essa aproximação, pois ela, obviamente, traz recursos para seus projetos de expansão e crescimento. “Está havendo uma corrida para melhorar a governança das empresas, assim como uma vigorosa e firme orientação no sentido de se fixar metas sobre indicadores de desempenho e de se melhorar a transparência e a eficácia organizacional, a fim de tornar a companhia mais eficiente. Todas as empresas que operam no food service sofrerão intensas transformações nos próximos dez anos. No entanto, como também acontece em outros setores, poderemos observar processos de concentração neste mercado”, acredita Donna.

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fotos: divulgação

Atualmente, a rede Viena emprega cerca de 2.600 funcionários em suas mais de 115 unidades distribuídas por São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Brasília, com foco nos segmentos de casual dining (à la carte) e quick casual (por quilo). A partir de sua aquisição pela holding IMC – International Meal Company, o conceito de refeições foi reformulado e houve expansão para outros Estados. O Viena foi fundado em 1975, com um pequeno quiosque de comida rápida no Conjunto Nacional, em São Paulo. No ano seguinte, apostando no sucesso dos shopping centers, foi aberto o primeiro restaurante da rede: o Viena Delicatessen, no Shopping Ibirapuera, oferecendo menu à la carte com saladas e pratos quentes, salgados e sanduíches. Na década de 1980, foram inauguradas doze unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Motivos de investimento

“São investidos anualmente no País cerca de 10 bilhões de reais. Entre 10% e 20% desse valor é destinado à indústria alimentícia” Clóvis Meurer, presidente da ABVCAP

As mudanças que ocorrem no perfil das famílias, com as mulheres ganhando o mercado de trabalho e as pessoas respondendo, no nível do consumo, ao aumento do nível de renda em todas as esferas sociais, geram oportunidades para quem trabalha com alimentação. O maior número de pessoas empregadas leva naturalmente ao aumento da demanda pela alimentação fora do lar, assim como o aumento do número de restaurantes. Este momento vivido pelo setor o torna atraente, em primeiro lugar, para o investidor de private equity, uma vez que ele procura oportunidades de investimentos em áreas cuja demanda cresce, em sua busca por um investimento seguro. Tantas oportunidades têm feito com que o setor de alimentos, de maneira geral, receba participação importante no volume de dinheiro investido no Brasil. Nesse jogo, há dois lados, o da empresa, que quer receber um investimento para se desenvolver, e o do investidor, que quer investir. “São investidos anualmente no País cerca de 10 bilhões de reais. Entre 10% e 20% desse valor é destinado à indústria alimentícia, na qual incluímos o mercado da alimentação fora do lar. O dinheiro vai do campo à mesa do consumidor”, afirma Clóvis Meurer, presidente da ABVCAP – Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital.

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a l i m No que se refere aos critérios levados em cone sideração pelos investidores de privaty equity e n venture capital, geralmente são escolhidas emque mostrem inovação ou criatividade. Ter t presas uma gestão qualificada ou uma boa governança a também é uma condição importante, embora não ç seja decisiva. É comum encontrar empresas que se mas “cuja administração é bagunçada”. ã destacam, Neste caso, o investidor, além de colocar dinheiro, o também melhora o sistema de informação, governança, etc. Seu objetivo é buscar maior margem e aumentar a rentabilidade do negócio a fim de obter retorno do investimento. De maneira geral, basta mostrar potencial para receber investidores, ser empreendedor e aceitar sócios. Em empresas pequenas, essa intervenção é geralmente feita por meio de fundos menores – os venture capital –, cujos investidores ajudam na organização da companhia. Ao receber investimentos e uma nova gestão, a companhia passa a se voltar mais para metas e resultados. Geralmente, a governança se estabelece com foco nos indicadores de desempenho. Esses fundos também trazem mais racionalidade para a gestão, promovendo a profissionalização e a capitalização das companhias. Esse negócio geralmente impulsiona a qualidade do mercado, influenciando principalmente a operação das companhias independentes.

“O mercado de alimentação fora do lar cresceu, nos últimos dez anos, com taxas que ficaram em torno de 15%” Enzo Donna, consultor da ECD Consultoria

Em geral, ao operar com food service, a companhia apresenta margens de rentabilidade superior à obtida pelas empresas que trabalham no varejo alimentar, o que a torna atrativa para receber investimentos. Em segundo plano, esse tipo de transação torna mais justa a concorrência no setor, pois esses grupos não praticam preços abaixo do custo no mercado. Outro aspecto positivo é o crescimento orgânico, em razão da rápida abertura de novas lojas. Todo esse movimento gera mais emprego e mão de obra qualificada, solucionando um dos principais “gargalos” do setor. “A mão de obra qualificada ainda não passa de uma esperança e vai demorar um pouco até que consigamos qualificar o pessoal. Esses grupos ajudam nesse desafio”, diz Almeida. Mas, por outro lado, há sinais de melhora, pois também se pode constatar que o mercado começa a ser estimulado por uma tendência de padronização e de formalização, o que permitirá melhorar a qualidade do serviço oferecido ao consumidor. Ocorrerá igualmente um desenvolvimento de todos os elos da cadeia, principalmente o dos fornecedores. “É um pouco do que o McDonald’s fez quando chegou aqui. Impôs uma padronização, assim como o Viena também impôs. Você sabe exatamente o que vai encontrar nesses dois lugares. A padronização ajuda a ganhar o cliente”, analisa Maurício Morgado, pesquisador da FGV – Fundação Getulio Vargas.

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Sabor brasileiro no exterior A Fogo de Chão, com sede no Texas, Estados Unidos, é uma operadora de churrascarias com experiência gastronômica brasileira. Fundada em 1979, abriu seu primeiro restaurante nos EUA em 1997. Em 2006, tinha nove restaurantes quando a GP Investments e coinvestidores adquiriram uma fatia de 35% da rede. Em 2011, a GP e sócios adquiriram os 65% restantes. A GP viu uma oportunidade para a Fogo de Chão expandir sua estratégia de crescimento no Brasil e nos Estados Unidos. Ajudou a profissionalizar a gestão e o negócio, e a acelerar o ritmo de crescimento. A abertura de novos restaurantes saltou de um por ano para cinco por ano. Desde o investimento inicial, a rede aumentou o número de restaurantes no Brasil de três para sete e nos Estados Unidos de seis para 18. Em 2012, a GP anunciou a venda de 100% da Fogo de Chão a Thomas H. Lee Partners, L.P., um fundo de private equity com sede nos EUA.

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Um prato cheio de oportunidades

15% é a proporção em que vem crescendo anualmente o mercado da alimentação fora do lar nos últimos dez anos 

10 bilhões de reais é o valor investido anualmente no País por meio de fundos ou investidores estrangeiros (dados ABVCAP) Desse valor total, entre 10% e 20% são destinados à indústria alimentícia, que inclui o mercado de alimentação (dados ABVCAP)

Em 2015 o brasileiro deverá gastar 38% de suas despesas com alimentação fora do lar (dados ECD)

1.800.000 é o número de refeições por dia que serão servidas pelos operadores, principalmente restaurantes, durante o período dos eventos esportivos

De olho nos restaurantes do País O que são os fundos que investem nesta área

Private equity Tipo de atividade financeira realizada por instituições que investem em empresas que ainda não estão listadas em bolsas de valores com o objetivo de alavancar seu desenvolvimento. Esses investimentos são realizados por meio de Fundos de Private Equity, que são adotados, na maior parte das vezes, em empresas emergentes, de maior porte e com grande potencial. Em sua maioria, essas atividades são constituídas em acordos contratuais privados entre investidores e gestores, não sendo oferecidos abertamente ao mercado, mas sim, por meio de colocação privada. Principais formas de atuação Venture capital Investimento aplicado na fundação de uma empresa nova ou na expansão de uma empresa pequena. Buy-out Aquisição de parte significativa ou até mesmo do controle total de uma empresa mais madura em seu estágio de desenvolvimento. Situações extraordinárias Investimento em empresas que passam por dificuldades financeiras ou que sofrem mudanças impactantes, tais como mudanças regulatórias, ou que respondem a tendências do mercado.

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O mercado de food service é um grande comprador de equipamentos. Como não há no Brasil normas técnicas para equipamentos profissionais, havendo regulamentações apenas para o setor da panificação, essa mudança na gestão também impulsiona a qualidade das indústrias e dos equipamentos fabricados para o setor. “Redes norte-americanas como o McDonald’s, ou mesmo a Fogo de Chão, não usam equipamentos de má qualidade, e isso acaba forçando os fabricantes nacionais a seguirem um padrão. Em consequência, o fornecimento para essas redes exige que os produtos fornecidos tenham qualidade”, afirma João Peres, presidente do Sindal – Sindicato dos Fabricantes de Equipamentos e das Empresas Fornecedoras de Produtos e Serviços de Cozinhas do Estado de São Paulo.

Concentração

No caso da aquisição de empresas por grupos estrangeiros, um dos aspectos negativos é a perda do controle nacional. Outro risco é o de a concentração de redes ou empresas ficar nas mãos de um único investidor. “No mercado de food service, essa questão da concentração é mais difícil, mas se alguém apresentar, por exemplo, o modelo do Giraffas, em que o consumidor sabe exatamente o que vai encontrar, por que não? Temos hoje, como exemplo, o setor de farmácias, no qual a atuação das redes predomina”, acredita Morgado. A boa notícia para os investidores é que o mercado da alimentação fora do lar deverá prosseguir em seu crescimento em 2014, entre 11%  e 12%, de acordo com dados fornecidos pela ECD Consultoria. Nesse ritmo, até o fim de 2015, projeta-se que o brasileiro gastará 38% de suas despesas com alimentação fora do lar. “A principal região do Brasil, a Sudeste, gastará 46%, um número próximo ao do padrão norte-americano de consumo alimentício fora do lar, que equivale a 48%”, ressalta Donna. Eventos como a Copa do Mundo de Futebol neste ano e as Olimpíadas, no Estado do Rio de Janeiro, em 2016, deverão trazer cerca de 600 mil turistas estrangeiros ao País neste ano e nos próximos anos. Isso significa que um milhão e oitocentas refeições por dia a mais serão servidas pelos operadores, principalmente restaurantes, durante o período dos eventos esportivos. “No caso das Olimpíadas, o impacto será no Estado do Rio de Janeiro, onde, independentemente de eventos, se gasta, percentualmente, mais em alimentação fora de casa, 41%, enquanto São Paulo gasta 39%. Não devemos nos esquecer de que esses eventos duram apenas entre 30 e 45 dias, mas o ano tem 365 dias”, alerta Donna.

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união faz a força

Empenhadas em vencer o desafio de atingir números cada vez maiores de clientes ávidos por novos sabores de cerveja, as microcervejarias brasileiras e estrangeiras buscam parcerias para ampliar sua área de atuação Por Giane Laurentino

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Grande variedade de r贸tulos nas prateleiras dos supermercados procura atender a novos gostos dos clientes

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gua, malte e lúpulo são os ingredientes de uma receita que dá origem à bebida mais consumida no Brasil: a cerveja. Com o surgimento, nos últimos anos, de várias cervejarias artesanais, essa bebida tão popular ganhou o status de gourmet e tem frequentado as rodas de fim de semana com os mais variados rótulos. Como as pequenas empresas vêm enfrentando o desafio de distribuir o seu produto em um País com um território tão grande quanto o nosso? O Brasil produziu 13,4 bilhões de litros de cerveja em 2013, de acordo com dados fornecidos pelo Sicobe – Sistema de Controle de Produção de Bebidas. A Abrabe – Associação Brasileira de Bebidas estima que há 200 microcervejarias no País, concentradas principalmente nas Regiões Sul e Sudeste. Dentro do mercado total de cervejas, as especiais representam menos de 1%, mas com perspectiva de crescimento para os próximos anos. Segundo a Abrabe, tal tendência é motivada especialmente pela melhoria do nível de renda da população brasileira, bem como pelas mudanças nos seus hábitos de consumo. Para atender à demanda por mais rótulos nacionais e importados, empórios, pubs, bares e varejos em geral precisam ficar atentos ao mercado especializado de distribuidores e fabricantes. Com 700 rótulos de cerveja, o Empório Alto dos Pinheiros, localizado em São Paulo, trabalha há seis anos com o produto. O local é ponto de encontro para os que apreciam o sabor de cervejas produzidas em diferentes lugares do mundo. “Acompanhei o crescimento das microcervejarias no País”, afirma Paulo Almeida, proprietário do local. Ao constatar como crescia e se avolumava o mercado para as cervejas importadas, bem como para as nacionais de menor porte, Almeida também se tornou um apreciador da bebida. “Fui contaminado por esse mercado, pois, quando busco cervejas para colocar no empório, acabo conhecendo a história delas”, conta. A fim de obter os 700 rótulos presentes na loja, Almeida precisou buscá-las em diferentes fontes. Os primeiros itens vieram de importadores, principalmente alemães. Como apreciador do produto, Almeida procurou na internet referências para adquirir novas marcas e conhecer ainda mais sobre cervejas. No início do empório, precisou pagar por toda a logística a fim de receber algumas marcas. “Hoje, somos um ponto de referência e algumas empresas nos oferecem seus produtos, mas ainda existem algumas dificuldades”, diz

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Limite de espaço em sua produção atrapalha a distribuição da Abadessa além do Estado gaúcho

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Alexandre Cassis (à direita) com Alexandre Bazzo, dono da cervejaria Bamberg

Empório Alto dos Pinheiros, em São Paulo, tem 700 rótulos e 33 tipos de chopes para consumo imediato

Almeida. Segundo ele, a terceirização da entrega feita pelas empresas de logística colaborou para a profissionalização no processo de entrega. “As opções que tínhamos eram as importadoras e distribuidoras, muitas delas sediadas em outros Estados. Ainda há muita troca de distribuição, mas a profissionalização e a qualidade melhoram muito”, comenta.

Mercado em desenvolvimento

Com um mercado jovem e em ascensão, as fabricantes, distribuidoras e operadoras ainda encontram entraves e desafios para levar seus produtos aos seus muitos clientes no Brasil. Chegar ao consumidor não é só uma questão logística, pois o problema também envolve a capacidade produtiva – que pode estar no limite –, além do tempo necessário para se abrir novas frentes nos diferentes pontos do País. A cerveja Abadessa, que começou a ser comercializada em 2006, encontra dificuldades para atender os clientes por causa da limitação do espaço no qual a cerveja é produzida. “Tenho uma lista de espera de 40 bares clientes só em Porto Alegre, pois a cervejaria tem limites”, conta Herbert Schumacher, diretor da Abadessa. Hoje, a empresa distribui no Rio Grande do Sul, Estado onde a cervejaria está localizada, e em São Paulo, onde firmaram parceria com a distribuidora Abadessa São Paulo.

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Mais que um consumidor O mercado de cervejas artesanais cresce à medida que cada vez mais consumidores trocam as cervejas populares pela qualidade das artesanais. Alexandre Eduardo Cassis, coordenador de Sistema de Gestão Integrado do Grupo MPE, faz parte da lista dos frequentadores assíduos dos bares que comercializam cervejas especiais de São Paulo. “Meu interesse começou por volta de 2007, quando tive a oportunidade de experimentar algumas cervejas feitas em Votorantim e uma de Cunha, em São Paulo”, conta. Desde essa ocasião, Cassis permanece mais atento aos locais que frequenta e às cartas de bebidas que eles oferecem. Ele dá preferência à qualidade e à variedade de sabores proporcionados por esses produtos que só podem ser encontrados nas pequenas cervejarias. Para Cassis, que acompanha o surgimento desse mercado desde o início, ocorreu uma mudança significativa para o consumidor. “Pude perceber a abertura de bares especializados em cerveja e o aparecimento de rótulos novos.” Marcas que antes eram encontradas com dificuldade e em locais muito específicos passaram a ter uma distribuição mais eficiente e chegam hoje a um maior número de bares. “Atualmente, cervejas como a Abadessa e a Coruja são encontradas em São Paulo com certa facilidade”, explica. Mesmo que Cassis não seja o único, ainda há um longo caminho a ser trilhado até que as cervejas artesanais conquistem um maior mercado. “O consumidor de cerveja artesanal é, com certeza, mais exigente, mas é uma pena que no mercado como um todo nós não façamos diferença”, opina. No entanto, apesar de não atingir grandes públicos, como é o objetivo das grandes marcas, as microcervejarias vêm conquistando um consumidor tão fiel quanto os apreciadores de vinho. Cassis, por exemplo, lê livros sobre cervejas, participa de degustações e pretende aprender a fazer cerveja em casa.

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Com uma capacidade de 12 mil litros por mês, a Abadessa produz a chamada cerveja viva, que necessita de refrigeração para o transporte. “Quando se trabalha com produto artesanal, nada é simples, pois ele estraga muito depressa, é como um iogurte fora da geladeira”, conta Schumacher. Quando o transporte é realizado localmente, as entregas podem ser feitas com maior agilidade, mas no caso de São Paulo a carga chega a cada 15 dias. Segundo Schumacher, as dificuldades de infraestrutura também prejudicam o transporte da cerveja viva para locais mais distantes. “As nossas estradas são de má qualidade, o que agita muito a carga, e isso, quimicamente falando, é muito ruim para a cerveja”, afirma. Lançada no mercado brasileiro há dois anos, a cerveja especial Duff era originalmente fabricada apenas na Bélgica, mas hoje tem fábricas na Colômbia, no Brasil e no Chile. “A Duff é mais encorpada, tem mais volume, não é leve e deve ser consumida em pequenas doses”, afirma Conrado Kaczynski, sócio-diretor da Duff Brasil. Segundo Kaczynski, a Duff pode ser colocada lado a lado com as cervejas especiais produzidas no Brasil. Atualmente, a cervejaria produz 200 mil garrafas por mês. A cervejaria adotou como estratégia a distribuição exclusiva em bares, pubs, restaurantes, empórios de cervejas especiais e redes de supermercados que contam com espaço específico para o produto. “Se a colocássemos no varejo alimentar comum, perderíamos o controle da marca”, comenta Kaczynski. Atualmente, temos três mil pontos de distribuição em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catariana e Rio Grande do Sul. Para que sua presença seja efetiva em todo o Brasil, a cervejaria pretende buscar distribuidores que procurem se adequar ao modelo de distribuição ao qual ela se propõe: entregas ágeis que possam ser realizadas em pequenas quantidades. “As cervejas mais caras precisam ter uma distribuição no mesmo nível”, afirma Kaczynski. Entender as necessidades logísticas de cada fabricante é tarefa para um operador logístico especializado. A empresa Santa Rita Logística viu, há um ano, uma oportunidade no mercado de cervejas especiais e choperias. “Percebemos a carência que há nesse mercado e, hoje, armazenamos cervejas e as distribuímos para bares, empórios e varejos”, conta Carla Jorge Butoni Levi, diretora-comercial. A empresa, especializada em distribuir e armazenar produtos para grandes

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Duff, cerveja belga, preferida do personagem de desenho animado Homer Simpson, ocupa um merecido lugar lado a lado com as especiais

varejos, também passou a atender fabricantes de cerveja que tenham necessidade de um distribuidor ciente das peculiaridades do negócio. Além disso, a empresa faz logística em eventos, trabalhando em conjunto com a organização. A diretora-comercial destaca a importância da especialização da equipe que irá trabalhar distribuindo cervejas especiais. “Como é um produto delicado, trabalhamos com uma equipe bem treinada, que entenda todo o processo de separação e entrega”, comenta. A necessidade de manter funcionários que saibam dos pormenores de cada marca pode ser a chave para uma boa distribuição.

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A produção da Razen, cervejaria gaúcha, é de 50 mil litros por mês, mas com capacidade para duplicar

Curiosidade Lei da pureza da cerveja

Em 1516, Guilherme IV da Baviera instituiu a lei Reinheitsgebot ou Lei da Pureza, que restringia a fabricação de cerveja a três ingredientes: malte, lúpulo e água. Ela pretendia apenas garantir a qualidade da cerveja, mas passou a ser utilizada pelos fabricantes de cervejas artesanais para atestar o diferencial e a qualidade do que é produzido nas microcervejarias

Fabricação em família A cervejaria Rasen surgiu de uma pesquisa feita pelos irmãos Augusto e Guilherme Schwingel Luz, em 2006, sobre cervejas especiais. Na época, o mercado ainda era incipiente, mas com potencial de crescimento, o que se tornou uma motivação para que, em 2008, a Rasen fizesse suas primeiras experiências lançando o chope, em Gramado, no Rio Grande do Sul. “Houve uma grande aceitação na região, o que criou o serviço de tele-entrega de barris de chope para eventos e churrascos”, conta Sandro Markowski, gerente de Marketing da Rasen. O serviço de delivery é mantido até hoje em Gramado e no litoral gaúcho. Depois de realizar experiências bem-sucedidas com a comercialização de chope, a cervejaria

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lançou a Rasen Pilsen, a Rasen Dunkel e a garrafa de cerâmica para chope Pilsen, em 2009, seguidas pela Âmbar e pela Weizen nos anos seguintes. Os irmãos também investiram em edições limitadas e rótulos personalizados. Hoje, a capacidade da fábrica é de cerca de 50 mil litros por mês, podendo duplicar a produção se isso se fizer necessário. A Rasen é distribuída em cerca de 400 pontos de venda no Rio Grande do Sul. As cervejas Rasen chegam a 20 Estados por meio de um conjunto de distribuidora própria e terceirizadas. Em 2013, com o objetivo de atender os 100 pontos de venda localizados em São Paulo, a cervejaria instalou uma distribuidora própria no Estado.

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udo em famĂ­lia

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Em geral, 70% de todos os alimentos produzidos no País vêm da agricultura familiar

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Como o produtor familiar, responsável por fornecer comida a todos os brasileiros, encara o desafio de alimentar 200 milhões de pessoas Por Giane Laurentino

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cena do homem do campo acordando cedo, arando a terra e cultivando plantas que estarão na mesa de quem mora na cidade é uma constante no imaginário coletivo. A presença dessa cena na imaginação dos brasileiros não ocorre por acaso: o agricultor familiar, aquele que se levanta ao nascer do Sol, é o responsável por 70% dos alimentos produzidos em todo o território nacional. Portanto, ele é um dos principais protagonistas da cadeia de produção e enfrenta desafios diários para mantê-la em atividade. Sem ele, a indústria alimentícia nacional não teria matéria-prima e, consequentemente, os brasileiros não teriam alimentos em suas mesas. Segundo dados do Censo Agropecuário 2006, obtidos pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a agricultura familiar brasileira representa 84% de todos os estabelecimentos agropecuários do País e ocupa diretamente mais de 12 milhões de pessoas, o que significa 74% da mão de obra no campo. Apesar de os agricultores familiares trabalharem com apenas 24% da área agrícola do País, eles respondem por 33% do valor total da produção. Esses números mostram a importância

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que o setor tem para o desenvolvimento do País e trazem à tona indagações sobre as necessidades dos produtores rurais. “Um dos principais desafios que o agricultor enfrenta, além do de obter financiamento, é o de introduzir inovações”, afirma Zilma Borges de Souza, professora da Eaesp – Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV – Fundação Getulio Vargas. Ela explica que há diferenças entre os agricultores familiares das muitas regiões do País. “Em alguns locais, o governo precisou fazer inclusão social, mas em outros a necessidade era apenas de melhoria nas condições de produção.” Ela acredita que o financiamento, principal limitação para a agricultura familiar, deveria ser responsabilidade dos governos federal, estadual e municipal.

Fator de limitação

Tal qual Aquiles, um dos heróis da mitologia grega, os agricultores têm um ponto fraco. Encontrar maneiras de financiar sua atividade produtiva ainda é a principal limitação para o pequeno produtor. “Hoje, o governo tem programas que ajudam o produtor rural não apenas com financiamentos

“O governo tem programas que ajudam o produtor rural não apenas com financiamentos para a produção, mas também com subsídios para o escoamento dessa produção” Argileu Martins da Silva, diretor do Dater

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Tipos de auxílio

Programas do governo federal que oferecem ajuda ao produtor rural para a produção, mas também com subsídios para o escoamento dessa produção”, afirma Argileu Martins da Silva, diretor do Dater – Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural da SAF – Secretaria da Agricultura Familiar do MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário. Hoje, o governo oferece um total de 18 programas que ajudam o agricultor familiar a cultivar, melhorar e comercializar os produtos obtidos por ele. Na safra 2013-2014, foram investidos cerca de dois milhões de reais em benefícios. Para se inscrever nos programas, o produtor precisa possuir a DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar)), documento que lhe garante acesso aos programas do governo federal. Atualmente, 4,7 milhões de agricultores têm a inscrição, enquanto outras 2.800 entidades ligadas aos agricultores familiares contam com a DAP Pessoa Jurídica. Depois de cadastrado, o agricultor precisa procurar bancos e operadoras de crédito cadastradas junto ao governo federal para pleitearem o benefício. Apesar de o governo, aparentemente, dar pleno apoio à produção familiar, o investimento federal

Agroindústrias Alimentação Escolar Assistência Técnica Biodiesel Crédito Rural - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Diversificação Econômica Garantia-Safra Mais Alimentos Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) Política Setorial do Leite, Projetos Especiais Redes Temáticas de Ater Seguro da Agricultura Familiar (Seaf) Selo da Agricultura Familiar (Sipaf) Sociobiodiversidade Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) Talentos do Brasil

Diversidade no prato Principais culturas produzidas no Brasil

Introduzir inovações em suas plantações e ter acesso a determinados tipos de financiamentos são alguns dos principais desafios do produtor rural

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Produto

Participação

Mandioca Feijão Milho Café Arroz Leite Suínos Aves Bovinos Trigo

87% 70% 46% 38% 34% 58% 59% 50% 30% 21%

Fonte: Censo Agropecuário de 2006 do IBGE

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não chega a abranger todas as propriedades e nem sempre contempla todas as necessidades de uma comunidade rural. “O governo federal criou muitas políticas que beneficiam a produção familiar. A principal dificuldade está na articulação nos Estados e municípios, que é necessária para se ajustar essas políticas umas às outras”, comenta Zilma. A professora esclarece que, apesar de as iniciativas do governo serem positivas, ainda falta boa vontade por parte das administrações públicas locais para incluir mais produtores nos programas do governo.

Painel da agricultura

Regiões divididas por número de estabelecimentos familiares

10% 50%

Esforço em conjunto

Muitos produtores se sentem sozinhos em seu esforço para manter sua propriedade. Capitalizar recursos em conjunto com outros produtores pode ser a melhor escolha. Assim, surgem as associações e cooperativas, que lhes dão suporte em sua procura por crédito, qualificação técnica e escoamento da produção. “Acredito que a cooperativa dá ao produtor espaço para desenvolvimento e qualificação profissional”, afirma Roberto Tebaldi, presidente da Cooperlate – Cooperativa dos Produtores de Leite de Serafina Corrêa, no Rio Grande do Sul. Além do leite, a Cooperlate conta com uma unidade de recebimento de grãos para ração de gado. Para Tebaldi, o cooperativismo traz segurança ao produtor, dando-lhe suporte na qualificação. “Na Cooperlate, promovemos eventos que valorizam a produção, como seminários e exposições”, diz.

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“Um dos principais desafios que o agricultor enfrenta, além do de obter financiamento, é o de introduzir inovações” Zilma Borges de Souza, professora da Eaesp

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A Cooperlate, em Serafina Corrêa/RS, oferece suporte para crédito, qualificação técnica e escoamento da produção aos cooperativados

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Além disso, a sede inclui uma área demonstrativa e dá assistência técnica e veterinária aos associados. “Há necessidade de se sair do isolamento”, afirma Zilma. Para ela, organizar redes, cooperativas e associações será uma atividade cada vez mais necessária. A participação do agricultor familiar em conselhos e na elaboração de políticas públicas de incentivo também é uma tendência que se consolidará nos próximos anos. “Acredito que o Brasil está dando mais valor ao campo, pois é perceptível a mudança do discurso do pequeno agricultor.”

Maurício Carvalho tem planos que incluem a agronomia e a veterinária para continuar a tradição familiar de cultivar a terra

Jovens no campo

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Fazendo da terra um lar

Fotos: divulgação

Uma mudança cultural também se faz necessária, pois um desafio tão grande quanto o de obter o financiamento necessário é o de conseguir manter os jovens no campo. Em uma sociedade que privilegia a importância das cidades e constrói suas referências na população urbana, há pouco, ou não há nenhum, espaço para o morador das áreas rurais. Muitos jovens ainda acreditam que precisam deixar a terra onde nasceram para ganhar seu sustento nas grandes metrópoles, mesmo que tal atitude não seja incentivada pelo governo. “Um cidadão que mora no campo custa 22% menos para o Estado”, afirma Silva. Para o diretor, um dos maiores desafios com que o governo se defronta é o de criar, junto com os jovens, alternativas para que eles permaneçam nas propriedades de seus pais. “Hoje, alguns programas do governo têm feito recortes específicos para a juventude”, conta. O Pronaf jovem, por exemplo, direciona recursos para jovens que queiram desenvolver seus projetos no campo.   Outra iniciativa dos governos estaduais é a criação das EFAs – Escolas Família Agrícola, que fazem uso da pedagogia da alternância, por meio da qual os jovens ficam uma semana na escola e outra com suas famílias, aplicando os aprendizados e realizando práticas e pesquisas de campo junto às suas famílias. Criadas exclusivamente para filhos e filhas de produtores rurais, as EFAs formam estudantes no ensino médio e técnico agrícola, proporcionando-lhes uma perspectiva nova da sua vivência no meio rural. “Dos jovens que vêm para a EFA de Santa Cruz, grande parte deles começa dizendo que não quer continuar na agricultura, mas depois de passarem anos pesquisando e estudando seu ambiente natal, começam a se enxergar como sujeitos capazes de modificar a realidade em que vivem”, conta Adair Pozzebon, secretário-executivo da Agefa – Associação Gaúcha Pró Escolas Famílias Agrícolas.

O Vale do Sol é um município que tem pouco mais de 10 mil habitantes, localizado na região central do Rio Grande do Sul. É lá que mora Maurício Carvalho, 17 anos, estudante do último ano da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul. A realidade dessa região, onde o principal produto é o fumo, parece pouco promissora para os adolescentes, que buscam uma vida diferente da dos seus pais. “A maioria dos meus colegas, antes de entrar na Escola Agrícola, queria sair daqui”, afirma. O próprio Maurício não queria permanecer nas terras da família, mas os anos de estudo transcorridos na escola agrícola fizeram com que o jovem percebesse o verdadeiro potencial que está entesourado sob seus pés.

“Com o incentivo recebido nas aulas, desenvolvi um projeto de criação de codornas e o apliquei na fazenda”, conta. As aves têm duas finalidades: a produção de ovos e a venda dos filhotes. Antes de Maurício entrar na escola técnica, a família produzia fumo. Atualmente, com o incentivo do adolescente, a fazenda começou a produzir mandioca e batata, e a criar gado de leite. A comercialização do que cresce na propriedade é variada: o fumo é vendido para as empresas locais, os legumes são expostos na Associação Casa do Produtor Vale-Solense e o leite é vendido para uma cooperativa, que processa laticínios. “Pretendo me especializar mais para aplicar meus conhecimentos aqui na fazenda”, diz.

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notícias Produção

Dificuldade de escoar O grande desafio com que o agronegócio se defrontará em 2014 é a infraestrutura logística, disse à Agência Brasil a economista Daniela Rocha, do IBE – Instituto Brasileiro de Economia da FGV – Fundação Getulio Vargas. “A produção tem aumentado por causa dos avanços tecnológicos, mas estamos com dificuldade para escoar”, disse Daniela. O Brasil apresentou produtividade elevada em todos os produtos no ano passado, e a melhoria vai continuar neste ano em quantidade. No entanto, não haverá aumento de área plantada; as melhorias resultaram, em parte, dos avanços tecnológicos implantados.

Cana-de-açúcar

Preços melhores

A safra global 2014-2015 de cana-de-açúcar deverá terminar, em 30 de setembro do ano que vem, com um déficit de 1,6 milhão de toneladas de açúcar, estimou a Datagro. Plínio Nastari, presidente da consultoria, informa que esta será a primeira vez, em cinco temporadas, que a demanda irá superar a oferta. “Isso ocorrerá por causa de uma redução da produção no Brasil e na Índia”, enfatiza. Nastari também lembra que o centro-sul brasileiro passa por uma estiagem fora de época e que isso terá impacto sobre a produção da commodity no País neste ano.

A expectativa de preços melhores para os diversos produtos pesquisados e de um maior investimento em insumos ajudou a elevar em 4% a confiança dos produtores rurais brasileiros. Este é um dos sinais apontados pela rodada de janeiro do Índice de Confiança dos Produtores Rurais Brasileiros (ICPRural), levantamento feito pelo Programa de Pesquisa em Agronegócio da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (AgroFEA) de Ribeirão Preto da USP – Universidade de São Paulo. O índice subiu de 89,8 pontos em outubro de 2013 para 93 pontos em janeiro de 2014. Por sua vez, o Índice de Confiança dos Produtores de Soja (ICPSoja) se manteve inalterado.

Demanda supera oferta

Produtores rurais confiantes

Pesquisa inédita descobriu o que o brasileiro sabe sobre a cultura

Soja

Pesquisa inédita A soja foi o foco de uma pesquisa inédita encomendada pela Syngenta para descobrir o que o brasileiro sabe sobre essa cultura. Foram realizadas 1.400 entrevistas em sete importantes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande e Brasília. Os resultados mostram que o grão, apesar de não ser visualmente muito conhecido (apenas um terço dos pesquisados conseguiu identificar uma planta de soja), tem uma imagem muito positiva: 75% das pessoas entrevistadas afirmaram que a soja é importante ou muito importante em seu dia a dia e 44% afirmaram consumir produtos à base de soja diariamente.

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Seguro Rural

Mudanças no custo

As novas medidas já foram definidas pelo CGSR – Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural e deverão ser anunciadas em breve. Iniciado no fim de 2005, o PSR (Prêmio do Seguro Rural) permite uma redução entre 30% e 70% do custo do seguro para os produtores. A primeira mudança consistiu em criar, como um projeto piloto destinado já para a atual safra de inverno, um “gatilho” para a cobertura da produção de soja.

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alde cheio

Produção de leite quer vencer o desafio de conseguir cruzar fronteiras rumo à exportação, enquanto, no campo, produtores trabalham para melhorar a qualidade e manter o equilíbrio da cadeia a fim de suprir a demanda interna Por Daniela Guiraldelli

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divulgação

É no café da manhã que o leite é mais consumido pelos brasileiros

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pecuária leiteira ocupa a terceira posição como atividade mais rentável da produção rural brasileira, e colabora com 34,3 bilhões de reais para o PIB da pecuária do País. O comando da cadeia está, em sua quase totalidade, nas mãos de médios e pequenos produtores, que representam 70% das propriedades, seguidos por 30% de produtores médios e grandes. Isso acontece porque a atividade leiteira, pelas suas características de fácil mobilidade do capital investido em animais, bem como do fluxo de caixa, é um tipo de produção atraente para produtores que contam com a ajuda de suas famílias no desempenho das práticas produtivas. Uma parcela de 98% de todo o leite produzido aqui é consumida aqui mesmo, e 2% dele é exportado. Quanto ao número de produtores existentes no País, ele é incerto. Enquanto a Embrapa Gado de Leite trabalha com um número inferior a um milhão de propriedades, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estima que há 1,35 milhão de estabelecimentos produtores. Desse total, 69% comercializa a produção, enquanto as fazendas com produção de até 50 litros/dia representam 80% do total, correspondendo a apenas 26% da produção nacional. Em relação aos laticínios, cerca de 60% do leite inspecionado é coletado por indústrias privadas, não cooperativadas. Pouco concentradas, apesar de

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terem ocorrido recentemente grandes fusões e aquisições, as treze maiores indústrias do setor representam apenas 37,6% do leite inspecionado do País: em 2012, elas produziram juntas cerca de 14,3 bilhões de litros. O Brasil fechou 2012 com a produção de 32,3 bilhões de litros. Segundo as previsões, em 2013, esse número cresceu para 33,5 bilhões – um aumento de 3% –, dado que só será confirmado no fim de 2014. “As instabilidades climáticas deverão se refletir na produção. Precisamos da selagem de milho, de capim, etc. O milho que foi plantado lá atrás e que já deveria estar sendo colhido, está morrendo, mas, em compensação, o Brasil, estatisticamente, vai bater o recorde na produção de soja”, analisa Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil-Associação Brasileira dos Produtores de Leite. O período em que o leite é mais consumido pelos brasileiros é o do café da manhã, mesmo que ele faça parte de uma série de receitas culinárias. Entre os tipos mais consumidos, o longa vida lidera a preferência. O consumo de leite é universalmente difundido por toda a humanidade, atingindo pessoas de todas as idades e classes sociais, embora ingresse em maior quantidade em lares de famílias com filhos pequenos e com adultos acima de 50 anos. “O leite longa vida é o mais consumido, abrangendo cerca de 60% do volume total, seguido pelo leite em pó e pelo pas-

Ranking das campeãs Maiores Empresas do Brasil (ano 2012) Laticínio

Produção

1o DPA 2o LBR-Lácteos Brasil 3o Itambé 4o Italac 5o Laticínios Bela Vista 6o Embaré 7o Coops Castrolanda e Batavo 8o Danone 9o Jussara 10o Confepar 11o Centroleite 12o Vigor 13o Frimesa

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1.958.500 1.576.800 955.000 936.901 635.066 468.682 428.580 363.000 308.135 266.102 245.827 220.840 189.314

Fontes: Leite Brasil, CNA, OCB, CBCL e Embrapa Gado de Leite

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Unidade láctea trabalha para garantir o consumo

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(em bilhões de litros)

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Produção mundial teurizado. Levando em consideração apenas o leite fluido (líquido), o longa vida detém mais de 85% do consumo no País. Da quantidade total de leite produzida em 2012, mais de 10 bilhões de litros foram destinados ao consumo como leite branco (pó e fluido),  sendo o longa vida responsável por mais de 6 bilhões desse volume. Só o mercado do longa vida nacional movimentou em 2013 cerca de 12 bilhões de reais”, afirma Messias Castro, gerente de Marketing da Laticínios Jussara. Mesmo assim, o leite em pó, bem como o pasteurizado, ainda encontra espaço no mercado. Podemos dizer que 2013 foi o ano do leite no Brasil, uma vez que nesse ano toda a cadeia se sentiu valorizada. Os produtores foram bem remunerados e a indústria vendeu bem, alavancando a fabricação de lácteos e deixando satisfeito o varejo. Para 2014, as atividades de garantir o abastecimento, manter aquecido o mercado de lácteos e derivados e intensificar a atuação no campo da exportação constituem conjuntamente o grande desafio que o setor está enfrentando, o qual, além disso, deverá se esforçar para melhorar a qualidade do leite produzido. “No ano passado, todos os ministérios falaram sobre o leite, estimulando os produtores. O Ministério da Agricultura, em particular, está lançando o programa “Mais Pecuária”, que se empenha em promover a produção e o

Em 2013, a melhoria no preço do leite fez com que os principais países produtores aumentassem sua produção a partir do segundo semestre. A tendência é no sentido de essa elevação se manter até o início de 2014. Os sete principais mercados lácteos deverão apresentar um crescimento de cerca de 3%, sendo que a média histórica está perto de 2%, segundo o Rabobank. “Nesse primeiro momento, os baixos estoques mundiais e a demanda aquecida garantirão um bom preço às commodities lácteas. No entanto, dependendo da intensidade da oferta, esse cenário poderá ser alterado ao longo do ano”, analisa Rodrigo Alvim, da FAEMG – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais. O aumento da produção de leite será positivo para a maioria dos principais países produtores. Nos Estados Unidos, a oferta favorável de milho contribuirá para um incremento de 1,4% na produção de leite, valor que pode ser considerado elevado, uma vez que os EUA são o maior produtor do mundo. Na Oceania, segundo o periódico Dairy Australian, a Nova Zelândia elevará sua produção entre 4% e 5%, e a Austrália entre 1% e 3%. Na Europa e na Argentina, o aumento não será significativo, podendo até mesmo ser negativo, diferentemente do Uruguai, que apresentará bons resultados em função do aumento das exportações para a China e a Venezuela.

Exportação brasileira por item Produto

Participação em 2013/2012 (em dólares)

Principais países destino em 2013

Leite UHT

0,0%/0,2%

Venezuela (18,3%)

Leite em pó

5,3%/0,6%

Angola (10,2%)

Creme de leite

14%/15,4%

Arábia Saudita (10,1%)

Leite condensado

44,5%/45,7%

Colômbia (6,1%)

Iogurte

2,3%/3,3%

Chile (6,0%)

Manteiga

2,8%/2,2%

Equador (5,6%)

Queijos

11,2%/9,6%

Filipinas (5,4%)

Leite modificado

19,4%/22,1%

Emirados Árabes (5,3%)

Doce de leite

0,4%/0,4%

Paraguai (4,5%)

Fonte: Secex, Leite Brasil

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processamento do leite e da carne. Ele propõe, entre outros aspectos, melhoramentos genéticos e incorporação de tecnologias. O objetivo é aumentar sustentavelmente a pecuária leiteira e melhorar a qualidade do nosso produto”, ressalta Duarte Vilela, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite. Entre os BRICs, grupo político de países em desenvolvimento que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brasil é um dos maiores produtores por propriedade, mesmo que a taxa por ele obtida seja de menos de cem litros de leite por dia. Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Argentina, a média de produção fica acima de mil litros por propriedade por dia, chegando a três mil litros por dia nos Estados Unidos. Entre os Estados brasileiros, o maior produtor é Minas Gerais, com 27,6% da produção. Quem vem se destacando são os Estados da Região Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), que deram um salto na produção nos últimos anos. “Os três Estados são responsáveis por mais de 30% de toda a produção brasileira. Minas não diminuiu sua produção. Foi a participação da Região Sul que aumentou. Juntos, os três Estados produzem mais que a Argentina, que é um grande exportador de lácteos, e, individualmente, mais que o Uruguai”, afirma Carlos Humberto Mendes de Carvalho, presidente do Sindleite – Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de São Paulo. A Pecuária de Leite tem grande importância como atividade social e econômica no Brasil. O se-

tor emprega cerca de quatro milhões de pessoas, que correspondem, em média, a três envolvidos por estabelecimento, os quais totalizam 1,35 milhão de vagas, segundo o Censo Agropecuário de 2006 realizado pelo IBGE. A atividade leiteira abrange 552 microrregiões, representação geográfica que pode explicar a heterogeneidade do sistema de produção do leite. “Segundo dados obtidos pela FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o Brasil é o quarto maior produtor de leite do mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos, da Índia e da China”, afirma Rodrigo Alvim, diretor da FAEMG – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais.

“Segundo dados obtidos pela FAO, o Brasil é o quarto maior Produtor e indústria produtor de De acordo com Rubez, a realidade vivida atualleite do mundo, mente pelo produtor ainda é de “empate entre desficando atrás pesas e lucros”, apesar de ele estar recebendo mais do que no ano passado ou em 2012, se tomarmos como apenas de Estados Unidos, base a inflação brasileira. As propriedades não estão tendo prejuízo, mas também não estão ganhando. da Índia e da Em relação a 2013 e a 2012, o produtor, ao mesmo China” Rodrigo Alvim, diretor da FAEMG

tempo em que perdeu dinheiro, também gastou mais para produzir do que conseguiu vender. Em resumo, o custo da produção foi alto. “Desse modo, com exceção dos três primeiros meses de 2014, que são críticos para o produtor – pois fatores como as férias derrubam o consumo de leite, uma vez que as pessoas mudam seus hábitos alimentares nesse período –, o preço no varejo cai porque tem leite sobrando

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Há espaço garantido para o aumento do consumo de lácteos, contanto que a situação econômica o permita, fato que, realmente, tem ocorrido nos últimos anos

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no mercado. O produtor está remunerado quanto ao custo de produção, mas não está tendo lucro exacerbado, como todo mundo pensa. O elo mais fraco da cadeia ainda somos nós”, afirma. O ano de 2012 foi ruim para a indústria que produzia commodities no setor (leite UHT e leite em pó), pois, tradicionalmente, o setor industrial tenta melhorar o preço desses produtos ao consumidor a partir de fevereiro. Segundo Carvalho, nesse ano, a indústria vinha remunerando melhor o preço ao produtor, mas não conseguia repassá-lo ao varejo. Foi um período muito ruim para a indústria do leite, embora melhor para queijos, iogurtes e derivados de maneira geral. A indústria demorou para obter os repasses na ponta. “No fim desse ano, tivemos uma seca prolongada e faltaram produtos de outubro a novembro. A indústria aumentou o preço ao produtor rural, e continuou aumentando no decorrer de 2013, de maneira tal que, quando o ano passado chegou ao fim, o produtor recebeu o melhor preço. A partir de outubro de 2013, começou a queda, até o início deste ano”, ressalta. Atualmente, uma boa notícia é que o setor já está exportando leite em pó desde dezembro. A produção de leite neste momento ainda é maior do que a demanda, mas os laticínios esperam que a partir de abril e maio essa oferta fique mais estável, tanto para quem fabrica como para quem compra. “A indústria, neste primeiro trimestre, principalmente a de UHT, começou a operar com prejuízo. Ainda está pagando caro ao produtor e não conseguiu repassar ao varejista”, afirma Carvalho.

Entraves do mercado

Um dos maiores problemas vividos pela pecuária de leite no Brasil está hoje no fato de a produção depender exclusivamente do mercado interno. Levar o leite para fora do País ainda é um desafio a ser superado. A falta de mão de obra é outra dificuldade, enquanto, no setor industrial, a produção de lácteos é impactada pelo alto custo. Para resolver essas questões, a tecnologia, aperfeiçoando a automação do processo, deverá ganhar cada vez mais espaço na produção. “Estamos vendo que não há outro caminho a não ser contar com a automação da produção de leite. A automação poderá ajudar o setor, e futuramente será usada até a robotização, que consiste em robôs programados pelo homem. Com mais empresas brasileiras adquirindo tecnologia, a produção e o processamento do leite ficarão mais acessíveis a todos”, afirma Vilela. No cenário da exportação, o setor ainda está engatinhando. Enquanto o Brasil importou 1,21 bilhão de litros em 2012, ele exportou apenas 284

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Da quantidade total de leite produzida em 2012, mais de 10 bilhões de litros foram destinados ao consumo como leite branco

“O mercado do longa vida nacional movimentou em 2013 cerca de 12 bilhões de reais” Messias Castro, gerente de Marketing da Laticínios Jussara milhões de litros. “Hoje, o mercado externo nos ajuda como o outro prato da balança. Faltou leite, você pega um pouco mais, sobrou leite, você pega um pouco menos. Essa saída é melhor do que você não ter o que fazer com o leite, caso ele sobre. Se você produzir mais do que é consumido, você joga o preço pra baixo”, analisa Rubez. Com tantas melhorias pelas quais tem passado a pecuária de leite no Brasil, para Vilela, daqui a dez anos o Brasil exportará 1,5 bilhão de litros para

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o mundo, e a demanda pelo mercado de lácteos também aumentará. “Em 2014, a produção de leite deverá ficar entre 46 e 47 bilhões de litros, em um cenário otimista. Temos de aumentar o consumo de lácteos. Consumimos hoje 175 litros de leite por habitante, quando a OMS – Organização Mundial da Saúde recomenda 210 litros por pessoa. O poder aquisitivo da classe media aumentou e, por isso, também tem aumentado o consumo de lácteos”, afirma Vilela. Outro aspecto que afeta o desempenho do setor é o leite informal, que se caracteriza por não ser inspecionado e por representar um percentual importante do que é produzido pelas propriedades. Produzido em fazendas, ele não recebe qualquer tipo de tratamento. Geralmente, é usado no consumo da família que o produz, mas também, muitas vezes, é vendido de porta a porta em cidades e bairros mais afastados ou periféricos. “Essa informalidade já foi maior, e temos aí um aspecto exclusivamente cultural. O leite que chega ao varejo é inspecionado. A normativa IN162, que está sendo republicada, deverá exercer um impacto ainda maior na qualidade de toda a cadeia, dificultando a informalidade”, explica Carvalho.

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Divulgação

Lácteos e queijos

“O produtor não está tendo lucro exacerbado, como todo mundo pensa. O elo mais fraco da cadeia ainda somos nós” Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil

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A melhoria do nível de renda das famílias, em especial as da classe média, tem estimulado o consumo de lácteos. O consumo de queijos também aumentou em volume, em 7,1%, de 2008 a 2012, enquanto o do leite fermentado aumentou 8,1% no mesmo período, segundo dados fornecidos pelo Rabobank, banco que opera com foco no agronegócio. Entre os derivados, o queijo é o que mais consome matéria-prima. “Esse setor traz uma série de oportunidades para a indústria e o varejo. Estamos no século do lazer e do prazer. Há uma tendência de queda no consumo das commodities – leite branco UHT, pasteurizado e em pó. Por outro lado, a demanda, pelo consumidor, de queijos, iogurtes, sorvetes, achocolatados, entre outros derivados de leite, está aumentando”, afirma Carvalho. Quando se trata de queijos, no Brasil há queijarias familiares que fabricam o produto para seu próprio consumo, ao lado de laticínios pequenos, médios, grandes e muito grandes. Estima-se que a produção brasileira de queijos em 2013, em empresas com SIF (inspeção federal), tenha chegado à casa de um milhão de toneladas, segundo estimativas prognosticadas pela Abiq – Associação Brasileira dos Produtores de Queijos. Pesquisa recente realizada pela Mintel com 2.500 consumidores brasileiros demonstrou que 88% deles consomem com mais frequência a mussarela, mesmo já existindo uma sofisticação no consumo. “Processar queijo é a forma natural de preservar

fotos: divulgação

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A fazenda da Agrindus, no interior de São Paulo, tem a expectativa de produzir 22 milhões de litros de leite até o ano que vem

o leite. Em geral, as queijarias pequenas têm distribuição regional e produzem queijos com tecnologia mais simples. As maiores processam mais litros de leite por dia, pois contam com mais tecnologia e distribuição nacional. Felizmente, estamos observando que o brasileiro está comendo em maior quantidade todos os tipos de queijos”, explica Luiz Fernando Esteves Martins, presidente da Abiq. Há espaço garantido para o aumento do consumo de lácteos, contanto que a situação econômica o permita, fato que, realmente, tem ocorrido nos últimos anos. “Para este ano, estima-se que ocorrerá uma ampliação de consumo da ordem de 5%. De fato, apesar da dependência com relação a uma série de fatores climáticos e de mercado, que poderiam prejudicar a ampliação da produção, o cenário econômico nacional deverá ser o principal agente, que poderá exercer maior influência sobre a intensificação do consumo pela população”, afirma Castro.

IN62: O que vai mudar?

A Normativa 62, que substituirá a IN51 e que começará a valer a partir de primeiro de julho, irá definir com precisão o que caracteriza a produção do leite na fazenda, bem como fatores de importância fundamental, como a quantidade de bactérias que se pode

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Potência do campo

ter em células somáticas e no leite de vacas sadias, e que não tenham registro de infecções da glândula mamária. Essa quantidade é encontrada em um “pequeno” número de células somáticas, geralmente menor que 50.000 por ml. Alguns especialistas, porém, consideram que o leite de uma vaca sadia pode conter até 250.000 células somáticas por ml, baseando-se, para isso, no fato de que há 80% de probabilidade de existência de infecção na glândula mamária quando a contagem de células somáticas (CCS) no leite é de aproximadamente 280.000 por ml. É importante salientar que os motivos que exigiram a substituição da IN51 pela IN62 vão muito além da falta de conhecimento dos produtores. Há deficiências relacionadas à infraestrutura e à logística, às legislações federal, estadual e municipal, à falta de padronização nos serviços prestados pelos laboratórios, e à baixa capacitação dos transportadores, entre outros fatores. Essa normativa exercerá um vigoroso impacto sobre a cadeia e irá alavancar a qualidade no setor. “Para todo o País, é importante estabelecer normas para o setor. Precisamos estar inseridos no padrão internacional a fim de conseguirmos atingir os níveis internacionais de qualidade do leite exigidos. Para isso foi criada a 62. Ela delimitará novos patamares para as células somáticas”, analisa Vilela.

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“Se as taxas de impostos fossem menores, o Brasil poderia se equiparar, na qualidade, aos melhores no padrão mundial” Roberto Jank Júnior, diretor da Agrindus

A Agrindus é um exemplo de produtor que também é indústria. Toda a estrutura da empresa está em Descalvado/SP e em Paraíso/ MS. Ela investe na produção de leite tipo A, em lácteos e derivados, e em produtos da marca Letti, de iogurtes e creme fresco, os quais são revendidos no varejo em 60 cidades do Estado paulista. A empresa atua em seis atividades relacionadas ao campo (corte, leite, citros, agricultura, avicultura e indústria de lácteos). Quase todos os 220 funcionários residem nas fazendas, que produzem leite desde 1945. Sua produção é de 50 mil litros por dia. A média do rebanho equivale a 11.400 kg por vaca ao ano, em 337 dias de lactação, 36 funcionários trabalham na produção leiteira, e cada um deles é responsável por 1.400 litros por dia. Com rebanho 100% registrado e controlado, a empresa produziu, entre 1997 e 2012, 201 milhões de litros. Em 2012, a produção foi de 17 milhões de litros, e em 2013, de 18 milhões de litros. Para os próximos dois anos, a Agrindus tem a expectativa de saltar para 22 milhões de litros. Entre as dificuldades apontadas por Roberto Jank Júnior, diretor-presidente da empresa, destacam-se a alta taxa de câmbio, os custos da mão de obra e a carga tributária dos investimentos em tecnologia. “Uma teteira [insuflador de borracha para ordenha mecânica], tecnologia básica para a produção de leite de qualidade, produto em que o Brasil é tão carente, paga 40% de impostos, que incluem taxa de importação, IPI e ICMS. É um absurdo para um País que quer se equiparar, na qualidade do seu leite, aos padrões mundiais. Para outros países de primeiro mundo, essas taxas são iguais a zero”, afirma.

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ons negócios do campo até a mesa

spaço de grandes oportunidades

A Semana Internacional Brasil Alimenta, que será realizada em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, debaterá e apresentará soluções em tecnologia para as cadeias produtivas da uva e do vinho, bebidas em geral, agricultura e laticínios Da redação A Envase Brasil e a Brasil Alimenta, realizadas em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, apresentarão neste ano diversas novidades em produtos, tecnologias, serviços e equipamentos para toda a cadeia produtiva de alimentos e de bebidas, como o vinho, da agricultura familiar e de laticínios e derivados Da Redação

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Fotos: gustavo bottega

De 8 a 11 de abril, as feiras estimam receber 12 mil visitantes e gerar 60 milh玫es de d贸lares em neg贸cios

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“Brasil Alimenta e Envase Brasil nasceram da necessidade de aproximar o setor vitivinícola brasileiro da tecnologia mundial sem a necessidade de se deslocar para outros países” Vicente Puerta, presidente da Brasil Alimenta e Envase Brasil

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m evento composto das duas feiras, com quatro salões de tecnologia e dois grandes eventos paralelos, cuja programação temática contempla uma ampla gama de atividades de produção, que abrange toda a cadeia da vitivinicultura, e vai da agricultura familiar, cobrindo toda a área de produção de laticínios e derivados, a toda a indústria de bebidas. Assim é a Brasil Alimenta e a Envase Brasil, que, em sua 11a edição, apresenta novidades de posicionamento, matérias-primas, maquinário, serviços, pesquisas, palestras e eventos para uma grande parcela das cadeias de alimentos e bebidas. Com uma história baseada na construção conjunta de parcerias, negócios e resultados, os dois eventos ocorrem simultaneamente, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves/RS, do dia 8 ao dia 11 de abril deste ano. Juntas, as feiras ocuparão mais de 14 mil metros quadrados e deverão reunir cerca de 250 expositores de vários países, atraindo um público profissional superior a 12 mil pessoas em uma geração de negócios da ordem de 60 milhões de dólares. “Brasil Alimenta e Envase Brasil nasceram da necessidade de aproximar o setor vitivinícola brasileiro da tecnologia mundial sem a necessidade de se deslocar para outros países. Hoje mais maduro, o evento também consegue favorecer os setores de microcervejarias, laticínios e derivados, assim como várias áreas de alimentos”, destaca Vicente Puerta, presidente da Brasil Alimenta e Envase Brasil. A Envase Brasil está voltada para o setor de bebidas em geral, com destaque para os vinhos, cervejas, águas, refrigerantes e leites. Para isso, integram a programação os salões Vinotech, Techlac e Techbeer, que contemplam tecnologias e soluções, maquinários e serviços para envase e processamento de bebidas. Além disso, também será realizado neste ano o Envase Experience, um ciclo de palestras e debates em torno do envase de bebidas, o qual apresentará e discutirá inovações e as últimas informações sobre o mercado e as pesquisas para o setor. Uma dessas palestras será proferida por um químico e cervejeiro de grande renome, Samuel Christophe Cavalcanti, proprietário da premiada Bodebrawn, de Curitiba, que em apenas cinco anos de existência coleciona premiações e reconhecimento no Brasil e no exterior. Ao desenvolver o tema “O Renascimento da Cerveja Artesanal no Brasil”, sua apresentação deverá abranger vários dos seus aspectos, incluindo

economia, tendências e valores da produção artesanal. Durante a palestra, Cavalcanti deverá abordar aspectos marcantes da história da produção de cervejas artesanais no Brasil e no mundo. “Vamos trabalhar a importância do artesão. Há um mundo de produção em larga escala que faz parte do mercado. Mas também há o mundo do artesão, que é o responsável por manter a cultura e transmitir o conhecimento produtivo. Felizmente, há uma intensa abertura no mercado para o desenvolvimento desse tipo de produto e por isso vivemos o renascimento da cerveja artesanal”, destaca Cavalcanti.

Produção de alimentos

Na Brasil Alimenta, a ênfase recairá sobre o agronegócio. Dessa maneira, o salão Multiagro evidenciará a vocação gaúcha para a produção de alimentos, apresentando máquinas, equipamentos, tecnologia e matérias-primas para a indústria da área, englobando setores como conservas, embutidos, laticínios, doces e massas. O “Encon-

Novidades em produtos e serviços para as indústrias de bebidas estarão no evento

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“A feira cresce a cada edição, com novos estandes, e na próxima edição, em 2016, esperamos usar um espaço de exposição ainda maior, com grandes empresas de todas as cadeias produtivas de alimentos e de bebidas” Joaquim Puerta, diretor-comercial da Envase Brasil e Brasil Alimenta

Feira terá máquinários e implementos agrícolas

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tro Produtor”, tradicional momento dedicado à agricultura familiar, contará, na edição 2014, com dois temas centrais. Assim, o II Encontro Estadual dos Produtores de Frutas de Caroço abordará a produção de ameixas, pêssegos e nectarinas, que têm presença muito intensa na região. Outro destaque é “O Brasil Vitivinícola”, encontro que aborda a produção de uvas e vinhos nas várias regiões produtoras do País. O evento, além de possibilitar oportunos contatos com o que há de mais moderno em tecnologia, também oferece uma intensa programação paralela, com a realização de palestras, painéis e mesas-redondas em torno de temas atuais relacionados às áreas envolvidas. Com isso, o público poderá, além de concretizar excelentes negócios nos salões, aproveitar para se reciclar nos eventos paralelos, que acontecerão diariamente. Na edição passada, mais de 1.800 profissionais assistiram a palestras gratuitas. “Apostamos em uma programação muito ampla, extensa e atrativa para o nosso visitante. Além de bons negócios, aos quais se aliam serviços e produtos inovadores, queremos que as feiras sejam um local onde o desenvolvimento de ideias e a gestão das cadeias produtivas de alimentos e bebidas germinem e promovam a geração de um desenvolvimento concreto. Por isso, apostamos em quatro eventos, acompanhados de palestras e workshops que prometem marcar para sempre a vida de agricultores e empreendedores. Esse perfil de evento reforça o compromisso que temos com o desenvolvimento dos setores envolvidos”, afirma Osmar Bottega, diretor-executivo da Brasil Alimenta e Envase Brasil. Diferencial competitivo da maior importância na atualidade, a segurança dos alimentos também fará parte da Brasil Alimenta 2014 durante a I Conferência Internacional de Segurança de Alimentos, evento que será realizado em 9 de abril. A conferência começará às 14h30min desse dia e os temas que apresentará incluem: “Como Ganhar Competitividade Atendendo Todo o Mercado com a ISO 22000 e a FSSC 22000”, “Desenho Sanitário de Equipamentos para Alimentos e Bebidas”, “Sistema de Rastreabilidade e Recolhimento da Carne do Uruguai – Experiência Única no Mundo”, “Gestão de Crises e Defesa de Alimentos: Apresentação de Cases e Degustações de Produtos do Setor”. Sílvia Kuhn Berenguer Barbosa, diretora da Simpli Inteligência em Gestão, que será uma das palestrantes do evento, afirma: “Garantir qualidade, segurança e credibilidade à gestão dos

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alimentos é o desafio atual que a indústria de alimentos e bebidas está enfrentando.” Promovida pela Brasil Alimenta 2014, a I Conferência Internacional de Segurança de Alimentos chega para incrementar conhecimentos e debater tendências. Para isso, o comitê técnico conta com a participação de representantes do SIA – Sindicato das Indústrias de Alimentação do Rio Grande do Sul, da Florestal Alimentos, da Conservas Oderich, da Simpli Innteligência de Gestão, da Ritter Alimentos e do Consans – Conselho Municipal de Segurança Alimentar Nutricional e Sustentável de Porto Alegre.

Visitantes encontrarão novas tecnologias que os ajudarão a obter maior produtividade no dia a dia

Arena de eventos

Uma das novidades da edição de 2014 da Brasil Alimenta é a Arena Dinâmica Show. Trata-se de uma arena montada dentro da feira para receber um grande número de eventos de lançamento de produtos, serviços e publicações, incluindo workshops e demonstrações. O espaço concretizará uma programação que foi estabelecida para os quatro dias de feira. A fim de abrir a programação na Arena, um nome de peso na viticultura nacional apresentará seu novo livro. É o pesquisador e autor Eduardo Giovaninni, que lançará seu Manual de Viticultura. A obra aborda todos os aspectos da produção de uvas, tanto para consumo in natura como para industrialização, desde a escolha do local onde instalar o vinhedo até a maturação e a colheita dos frutos. Nela são abordados os tópicos que envolvem todo o processo produtivo em viticultura, o que possibilitará ao leitor a iniciação na prática da produção de uvas. O espaço também ficará aberto à realização de workshops promovidos pela Seapa – Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócios e pela Epamig – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, que abordará temas ligados à cadeia do leite, sob a coordenação da equipe do Centro Tecnológico do ILCT – Instituto de Laticínios Cândido Tostes, de Juiz de Fora. Outro destaque é a oficina técnica de pulverização em fruticultura, apresentada pelo Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Vencedora do Prêmio Nacional de Inovação, entregue pela CNI – Confederação Nacional da Indústria em 2013, a Kranz Technology, de Treze Tílias/SC, será a responsável pela apresentação de uma série de produtos inovadores no espaço. Assim, a empresa apresentará inova-

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“Nosso visitante contará com eventos acompanhados de palestras e workshops que prometem marcar para sempre a vida de agricultores e empreendedores” Osmar Bottega, diretor-executivo da Brasil Alimenta e Envase Brasil

ções introduzidas pelas austríacas Voran (fabricante de prensas de sintas para a produção de sucos) e WFY Vin Pilot (que fornece hardware e software para controle de produção de vinhos), pela alemã Speidel (fabricante de equipamentos gourmets para a elaboração caseira de sucos, cervejas e vinhos) e pela francesa Demptos (maior fabricante mundial de barris de carvalho), que trará para o evento o dr. Nicolas Vivas, um dos maiores especialistas mundiais no assunto. Fecham a programação workshops sobre novas tendências em impressão de rótulos especiais, da Brazicolor, oficinas promovidas pelo Sebrae – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e o workshop Enobrasil. Na edição anterior, realizada em 2012, ainda com o nome de Semana Internacional Brasil Alimenta, as feiras tiveram mais de 12 mil visitantes e contaram com uma geração de negócios da ordem de 67,2 milhões de dólares. Entre as delegações presentes, havia profissionais de 14 países e de 13 Estados brasileiros. “A feira cresce a cada edição, com novos expositores, e na próxima edição, em 2016, esperamos usar um espaço de exposição ainda maior, com grandes empresas de todas as cadeias produtivas de alimentos e de bebidas", diz Joaquim Puerta, diretor-comercial da Envase Brasil e Brasil Alimenta.

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Programação Envase Brasil e Brasil Alimenta 2014 8 a 11 de abril – visitação das 14h às 21h 8/4 – terça-feira

10/4 – quinta-feira

AUDITÓRIO CENTRAL 14:00 Abertura do pavilhão para visita Recepção aos vitivinicultores dos polos produtivos brasileiros (Vale do São Francisco, São Roque/Jundiaí, Goiás, Planalto Catarinense, Campos de Cima da Serra, Serra Gaúcha, Alto Uruguai, Serra do Sudeste, Campanha) 14:30 Cerimônia de abertura da Envase Brasil e Brasil Alimenta 15:40 Visitação oficial à feira 16:00 Abertura do Encontro Produtor – O Brasil Vitivinícola Mesa-redonda: “Impacto das Novas Políticas Setoriais – Modervitis e Lei do Vinho Artesanal” – Coordenação: dr. José Fernando da Silva Protas Debatedores: RS (Olir Schiavenin), SC (Celso Testolin), PR (Walter Bianchini), SP ( José Antônio Boschini), ES (Eudayr Alves Moreira Júnior)

AUDITÓRIO 1 15:00 Palestra com Samuel Cavalcanti, diretor da BodeBrown – Tema: “O Renascimento da Cerveja Artesanal” 16:00 Palestra com Walter Faria, presidente do Grupo Petrópolis - “O Case Cervejaria Petrópolis – Itaipava 100%” 17:00 Palestra com Geovane Krug de Borba, vice-presidente-comercial da Brasil Kirin – “O Case Brasil Kirin – Schin Porque Sim!”

9/4 – quarta-feira AUDITÓRIO 1 2o Encontro do Pêssego, Nectarina e Ameixa do Rio Grande do Sul 9:00 Manhã de campo – recepção às caravanas de produtores de frutas de caroço em Pinto Bandeira 9:30 Estação de manhã de campo na propriedade do sr. Adélio Longo, produtor de Pinto Bandeira, onde técnicos da Emater abordarão os temas “Cobertura do Solo”, “Manejo de Plantas” e “Tratamento de inverno” 13:30 Traslado dos produtores para o Parque de Eventos de Bento Gonçalves e recepção das suas caravanas 14:30 “Inovação e Mercado: Case Hortifruti” – Palestrante: Fábio Antônio Hertel, diretor de Comunicação e Novos Negócios na Hortifruti 15:45 Palestra: “Raleio Químico do Pessegueiro” Apresentação: dr. Danilo Cabrera 16:45 Palestra: “Combatendo a Mosca da Fruta” Apresentação: dr. Marcos Botton e dr. Dori Edson Nava AUDITÓRIO 2 1a Conferência Internacional de Segurança de Alimentos 14:00 Abertura do Evento 14:30 Como ganhar competitividade atendendo todo o mercado com a ISO 22000 e a FSSC 22000 15:00 Muraro e Cia.: Case ISO 22000 e FSSC 22000 15:30 Desenho sanitário de equipamento para alimentos e bebidas 16:00 NSF Bioensaios 17:00 Sistema de rastreabilidade e recolhimento da carne do Uruguai – Experiência única no mundo 17:30 Gestão de crises e defesa de alimentos – Os grandes eventos fazem do Brasil a bola da vez? 18:00 Sorvebom: “Dormindo tranquilo com a ISO 22000” 18:30 É Friboi? Tony responde. Como tirar proveito da segurança de alimentos na comunicação com o mercado consumidor ARENA DINÂMICA 14:30 Workshop da Epamig, pelo Centro Tecnológico do Instituto de Laticínios Cândido Tostes de Juiz de Fora/MG 16:00 Senar – apresentando oficina técnica sobre pulverização em fruticultura 17:00 Sebrae – Workshop 18:00 Workshop Voran/Áustria – Palestrante: Christoph Weidinger – diretorcomercial da Kranz Technology – Treze Tílias/SC - Palestrante: Walter Melik Kranz, CEO – Case – Empresa vencedora do Prêmio Nacional de Inovação/Indústria 2012 19:30 Workshop “Enobrasil” – Palestrante: Charles Edgar Bocchese, abordando o assunto: “Baco Premium Software” para vinícolas e integração com hardware nos processos de produção

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AUDITÓRIO 2 Quality Wine 14:15 Alimentação fora do lar e valorização da gastronomia brasileira: oportunidade para alavancar o consumo dos vinhos brazucas Ricardo Castilho, diretor-editorial da revista Prazeres da Mesa 15:15 Case Aprazível e o sucesso da sua carta de vinhos brasileiros Rodrigo Albuquerque, sommelier do restaurante Aprazível 16:30 “Case Wine: Perspectivas e Oportunidades para o Vinho Brasileiro no E-Commerce” – Anselmo Endlich, diretor-executivo da Wine ARENA DINÂMICA 14:30 “Dedo de Prosa” – Workshop da Epamig, pelo Centro Tecnológico do Instituto de Laticínios Cândido Tostes 16:00 Senar – apresentando oficina técnica sobre pulverização em fruticultura 17:00 Workshop “Brazicolor, Tendências para Rótulos Especiais” – Palestrante: Verônica Jardel, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Wine & Spirits – Avery Dennison – South America 18:00 Workshop “Speidel”/Alemanha – Palestrante: Alexander Haupt – diretortécnico 19:30 Workshop “Enobrasil” – “Nova válvula ‘única’ eletropneumática Gai: A Grande Novidade no Envase de Espumante, Vinho e Cerveja” – Palestrante: Gianpaolo Dogliani, da Gai Macchine Imbottigliatrici

11/4 – sexta-feira

AUDITÓRIO 1 14:30 “A Influência dos Equipamentos no Rendimento dos Produtos Lácteos” – Mário Augusto Passos de Paula, mestre queijeiro e gerente sênior da Bela Vista Produtos Enzimáticos Ltda. 15:30 “As Vantagens da Barrica, Bases Físico-Químicas da Relação Madeira/Vinho” - dr. Nicolas Vivas/Itália, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Tanoaria Demptos 16:30 “O Case Natique/Osborne” – Luís Henrique Munhoz, presidente da Natique/Osborne AUDITÓRIO 2 Quality Wine 15:30 “O Case Cavalera, a Experiência Além do Produto” – Alberto Hiar, “o turco loco”, diretor criativo e proprietário da Cavalera 16:30 “A Experiência do Vinho no Ambiente Digital” – Sebastian Torres, fundador da Wineducation Marketing Online e Social Business 16:30 “Conquistando o Novo Consumidor, Estratégias, Ferramentas e Resultados” – Jael Lena, diretor de Marketing da Wineducation Marketing Online e Social Business ARENA DINÂMICA 15:00 “Dedo de Prosa” – Palestra técnica ministrada pelos profissionais da Epamig, pelo CT/Instituto de Laticínios Cândido Tostes 16:00 Senar – apresentando oficina técnica sobre pulverização em fruticultura 17:00 Workshop “Toneleria Demptos”/França – Palestrante: Jerôme Marty, diretorcomercial para Espanha e América Latina 18:00 Workshop “WFT–VIN Pilot”/Áustria – Palestrante: Klaus Deschka, sócioproprietário

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p r o d u t o s

lançamentos Top de linha

Vinícola Aurora lança o sétimo Millésime A Vinícola Aurora lançará este mês o seu vinho ícone, o top de linha Aurora Millésime Cabernet Sauvignon da safra 2011. Trata-se de um vinho elaborado exclusivamente em anos em que a safra se mostre de qualidade excepcional. Dessa safra, a Vinícola seleciona os melhores lotes da uva Cabernet Sauvignon para a elaboração desse vinho. Nos 83 anos de história da Aurora, este é o sétimo Millésime. Os anteriores foram elaborados nas safras 1991, 1999, 2004, 2005, 2008 e 2009.

Safra 2014

Gamay chega este mês ao mercado Miolo Gamay, primeiro vinho tinto da safra 2014, será apresentado pela Miolo Wine Group em abril. A companhia é uma das poucas vinícolas que elaboram o Gamay na América do Sul, seguindo o conceito francês “beaujolais nouveau”, que marca na França e em mais de 200 países a chegada da nova safra. O vinho é elaborado pelo processo tradicional de maceração carbônica, no qual as uvas fermentam inteiras (nos próprios cachos) nos tanques. A faixa de temperatura ideal para seu consumo é de 10oC a 12oC. A vinícola investe tradicionalmente na criatividade dos rótulos. Por isso, aquele que estampa a garrafa do Gamay elegeu a mais importante obra da artista Tarsila do Amaral para ilustrar seu rótulo: “Abaporu.” A novidade também assina o contrarrótulo do Gamay 2014. Foi desenvolvido um QR Code interativo, que, quando escaneado, oferece as opções de leitura em português, espanhol e inglês.

Edição limitada

Espumante homenageia líderes da família Dando continuidade ao projeto Salton Gerações, a vinícola lançou o espumante nature José “Bepi” Salton, feito com as variedades Pinot Noir (50%) e Chardonnay (50%). Elaborado pelo método Champenoise, o item, do qual foram produzidas 13 mil unidades, permaneceu durante quatro anos em contato com as leveduras. O Projeto Gerações, que estreou em 2012, tem por base o conceito "o melhor da vida é passado de geração para geração", e tem como foco a qualidade final dos produtos. O terceiro item da linha homenageia o visionário “Bepi”, integrante da família que viu em São Paulo o local ideal para a implantação de uma unidade da empresa. Trabalhador empenhado em ajudar o próximo, foi responsável pela expansão da marca no Brasil.

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Novo alvo

Aposta em vinhos finos A Cereseer, uma das principais fabricantes brasileiras de bebidas, investiu 2,5 milhões de reais na produção de novos rótulos da marca Massimiliano, em parceria estratégica com a Cooperativa Vinícola São João, de Farroupilha/ RS, com tradição de mais de 80 anos na elaboração de vinhos finos. Entre as novidades, estão os varietais (produzidos com um único tipo de uva vinífera) Massimiliano Cabernet Sauvignon e Massimiliano Chardonnay, além dos espumantes Massimiliano Brut Charmat e Massimiliano Demi-Sec.

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p r o d u t o s

lançamentos Sabor tropical

Sucos prontos de Graviola e Acerola Líder de mercado no Grande Rio em vendas de sucos concentrados, segundo pesquisa realizada pela Nielsen, a Bela Ischia lançou, no fim de março, dois sabores tropicais de suco pronto: Acerola e Graviola, em embalagens Tetra Pak de um litro. A empresa investiu no funcionamento de um novo maquinário para a fabricação de produtos Tetra Pak, em 2013. Para os lançamentos, a marca optou por embalagens de um litro. Segundo Renata Tilli, diretora de Marketing, a empresa investiu aproximadamente 400 mil reais no lançamento dos dois produtos. “Escolhemos os sucos prontos de graviola e acerola porque essas frutas tropicais, além de refrescantes, são ricas em vitamina C”, disse.

Padrão mundial

Colhedoras de amendoim A KBM Equipamentos Agrícolas, empresa de Dumont/SP, criada a partir da fusão das empresas BM Dumont e da norte-americana KMC (Kelley Manufacturing Company), apresenta, nesta Agrishow, que vai de 28 de abril a 2 de maio, o equipamento mais esperado dessa parceria: o lançamento das Colhedoras de Amendoim modelo KBM3384BR, que colhe quatro linhas, e o modelo KBM3386BR, que colhe seis linhas. A máquina já está consolidada há vários anos no mercado norte-americano e em outros países, sendo que suas principais características são o alto rendimento e o baixíssimo índice de perdas. “Além dessas características, o equipamento é muito robusto, com excelente disponibilidade mecânica, e baixíssimo custo de manutenção. Todos esses atributos fazem dessa colhedora o sonho de consumo de todo produtor”, afirma Marco Antônio Martins, diretor-superintendente da KBM.

Estilo de vida

Rótulos traduzem diferentes perfis Pensando em consumidores que têm estilos de vida diferentes, mas apreciam uma bebida versátil e de qualidade, e que serve para todos os momentos de descontração, a Kadov lança a edição especial Black & White. A série traz a vodca tridestilada e sete vezes filtrada em duas versões de embalagem. Com elementos gráficos no centro sobre o fundo preto, a Kadov Black é inspirada em pessoas para quem a vida deve ser vivida com intensidade. E a Kadov White, com o mesmo layout, porém de fundo branco, reflete o estilode quem desfruta a vida com alegria e leveza. A edição, que é limitada, contará com uma produção total de 36 mil garrafas.

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Guia de expositores

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e x p o s i t o r e s

RICEFER METALÚRGICA Rodovia RST 470, Km 222 – Tamandaré – Garibaldi/RS – 5720-000 – comercial@ricefer.com.br – (54) 3463-8466 – www.ricefer.com.br ROTA CANTINAS HISTÓRICAS Rodovia RS 431, Km 6, s/n – Distrito de Faria Lemos – Bento Gonçalves/RS– 95710-000 – contato@cantinashistoricas.com.br – (54) 3439-1242 ROTA INOX Rodovia RST 453, Km 54 – 14.086 – Caixa Postal 94 – Teutônia/RS – 95890-000 – muriel@rotainox.com.br – (51) 3762-4666 – www.rotainox.com.br ROTA RURAL ENCANTOS DE EULÁLIA Rua Joaquim Toniolo, s/n – Distrito Linha Eulália – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – contato@encantosdeeulalia.com.br – (54) 8100-1054 SAHAVE Avenida Pernambuco, 2.623 – Navegantes – Porto Alegre/RS – 90240005 – samir@sahave.com.br – (51) 3026-6812 – www.sahave.com.br SAVA Rua Antonio Martinelli, 571– Licorsul – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – sava@savaequipamentos.com. br – (54) 3451-1693 – www.savaequipamentos.com.br – Máquinas e Equipamentos para Engarrafamento, Monoblocos, Lavadoras, Tapadoras, Rolhadoras, Capsuladoras, Enchedoras SCHOLLE PACKAGING Via Vêneto, 151 – Colina de Flores – Flores da Cunha/RS – 95270-000 – veneto@venetomercantil.com.br – (54) 3297-6200 – www.venetomercantil.com.br SEBRAE Sgas, 605 – Conj A – Asa Sul – Brasilia/DF – 70200-904 – carolina. melles@sebrae.com.br – (61) 3348-7253 – www.sebrae.com.br – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SECRETARIA DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO RS Avenida Getúlio Vargas, 1.384 – Centro – Porto Alegre/RS – 90150-900 – carlos-andrade@agricultura.rs.gov.br – (51) 3288-6363 SEC. MUNICIPAL DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO BENTO GONÇALVES Rua Cândido Costa, 24 – Sala 302 – Centro – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – economico@bentogoncalves.rs.gov.br – (54) 3055-3778

SECRETARIA MUNICIPAL DO DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA Rua Marechal Deodoro, 70 – Centro – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – agricultura@bentogoncalves.rs.gov.br – (54) 3055-7107 SECRETARIA MUNICIPAL DO TURISMO – SEMTUR Rua Marechal Deodoro, 70 – Centro – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – turismo@bentogoncalves.rs.gov.br – (54) 3055-7130 SENAR Praça Professor Saint-Pastous, 125 – 3o Andar – Cidade Baixa – Porto Alegre/RS – 90050-390 – saulo@senar–rs.com.br – (51) 3255-9771 – www.senarrs.com.br SERRA INOX Travessa Carazinho, 50 – Cidade Alta – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – comercial@serrainox.com.br – (54) 2621-5005 – www.serrainox.com.br SEY EMBALAGENS Rua João Antônio Covolan, 136 – Santa Catarina – Caxias do Sul/RS – 95030-410 – evandro@enobrasil.com.br – (54) 3226-5068 – www.seyembalagens.com.br SEW – EURODRIVE Avenida Madrid, 168 – Navegantes – Porto Alegre/RS – 90240-560 – filial.rs@sew.com.br – (51) 3025-1825 – www.sew-eurodrive.com.br SIMPLI Rua Carlos Dreher Filho, 404 – Centro – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – silvia.berenguer@gmail.com – (54) 2621-5027– facebook.com/simpliconsultoria – Serviços de Treinamento, Consultoria e auditoria em sistemas de gestão com base em normas ISO e outras. SINDAL – SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO BENTO GONÇALVES Alameda Fenavinho, 481 – Fenavinho – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – sindalbg@terra.com.br – (54) 3454-5734 SPEIDEL Rua dos Pioneiros, 220 – Centro – Treze Tílias/SC – 89650-000 – walter@grupokranz.com.br – (49) 3537-1225 – www.vinicolakranz.com.br SULJETT DO BRASIL Rua Dona Celanira Nunes, 60 – Aberta dos Morros – Porto Alegre/RS – 91787-593 – alex@suljett.com – (51) 3242-2506 – www.suljett.com

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TECNOVIN Rua João Antônio Covolan, 136 – Santa Catarina – Caxias do Sul/RS – 95030-410 – evandro@enobrasil. com.br – (54) 3226-5068 – www.tecnovin.com.ar

VENETO MERCANTIL Via Vêneto, 151 – Colina de Flores – Flores da Cunha/ RS – 95270-000 – veneto@venetomercantil.com.br – (54) 3297-6200 – www.venetomercantil.com.br

TECNOMAX DUE Rua Adamo Facchin, 300 – Tamandaré – Garibaldi/RS – 5720-000 – vendas@facchin.com.br – (54) 3464-7084 – www.tecnomax-due.it

VERALLIA Avenida Santa Marina, 482 – 2o andar – Água Branca – São Paulo/SP – 05036-903 – verallia.br.marketing@ saint–gobain.com – (11) 2246-7214 – www.verallia.com.br

TONELERIA DEMPTOS Rua dos Pioneiros, 220 – Centro – Treze Tílias/SC – 89650-000 – walter@grupokranz.com.br – (49) 3537-1225 – www.vinicolakranz.com.br TONELERIA MAGRENÃN Rua Adamo Facchin, 300 – Tamandaré – Garibaldi/RS – 95720-000 – vendas@facchin.com.br – (54) 3464-7084 – www.magrenan.es TRANSFERTEC Rua Humberto A. Castelo Branco, 943 – Sala 7 – Licorsul – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – engenharia@transfertec. com.br – (54) 3055-4404 – www.transfertec.com.br TRATOR SERRA Rodovia Rota do Sol, Km 153 – São Ciro – Caxias do Sul/RS – 95058-300 – carlos.corte@globalmac–inc.com – (54) 9666-6588 – www.globalmacbrasil.com TROPICAL FOOD MACHINERY Av. das Quaresmeiras, 201 – Distrito Industrial – Pouso Alegre/MG – 37550-000 – tropical@tropicalfood.com.br – (35) 2102-4300 – www.tropicalfood.com.br – Linha completa para processamento de frutas tropicais UNIRONS Rua Willy Teichmann, 150 – Distrito Industrial – Cachoeirinha/RS – 94930-635 – reinaldo@unirons.com. br – (51) 3470-1260 – www.unirons.com.br – Correntes em aço Inox UNYTERRA MÁQUINAS AGRÍCOLAS Rodovia BR 116, 17.043 – Km 148 – Sagrada Família – Caxias do Sul/RS – 95054-780 – gerente@unyterra.com. br – (54) 3238-8800 – Máquinas e Implementos Agrícolas URPINAS Rua Antonio Martinelli, 571– Licorsul – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – sava@savaequipamentos.com.br – (54) 3451-1693 – www.urpinas.es

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VERTEC CODIFICADORAS Rua Lagoinha, 52 – Petrópolis – Porto Alegre/RS – 90690-360 – andre@verteccodificadoras.com.br – (51) 3012-9907 – www.verteccodificadoras.com.br VETRI SPECIALI Rua Adamo Facchin, 300 – Tamandaré – Garibaldi/RS – 95720-000 vendas@facchin.com.br – (54) 3464-7084 – www.vetrispeciali.com VOESTALPINE MEINCOL Rua Abel Postali, 539 – Cidade Nova – Distrito Industrial – Caxias do Sul/RS – 95112-255 – anelise.borges@meincol.com.br – (54) 3220 9062 – www.meincol.com.br VIVEIROS WEBER Zona Weber, s/n – Crissiumal/RS – 98640-000 viveirosweber@viveirosweber.com.br – (55) 3524-1227 VORAN Rua dos Pioneiros, 220 – Centro – Treze Tílias/SC – 89650-000 walter@grupokranz.com.br – (49) 3537-1225 – www.vinicolakranz.com.br WFT VIN PILOT Rua dos Pioneiros, 220 – Centro – Treze Tílias/SC – 89650-000 – walter@grupokranz.com.br – (49) 3537-1225 – www.vinicolakranz.com.br ZEGLA INDúSTRIA DE MÁQUINAS PARA BEBIDAS Travessa José Serafin Fedatto, 277 – Borgo – Bento Gonçalves/RS – 95700-000 – vendas@zegla.com.br – (54) 3455-3868 – www.zegla.com.br – Máquinas e Equipamentos para Bebidas, Rinser–enchedora, Tampadoras, Lavadoras, Empacotadoras, Envolvedoras, Transportes, Tanques, Filtros, Bombas Centrífugas, Carbonatador, Unimix, Encaixotadora, Desencaixotadora e Paletização

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A r t i g o

Os desafios com que se defronta a gestão da segurança dos alimentos na indústria brasileira Sílvia Kuhn Berenguer Barbosa*

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omo garantir qualidade, segurança e credibilidade à gestão dos alimentos? Esse é o desafio atual que a indústria de alimentos e bebidas está enfrentando. Para atender aos requisitos de qualidade e de segurança desses produtos, há normas de sistema de gestão nas quais as organizações podem se basear. A credibilidade, porém, passa obrigatoriamente pela certificação. Implementar um sistema de gestão e não certificá-lo é o mesmo que construir uma estrada e não pavimentá-la. Logo o tempo e o dinheiro investidos estarão perdidos e todo o trabalho precisará ser refeito. Quanto à gestão da qualidade, ninguém tem dúvidas: deve-se aplicar a ISO 9001. Porém, no que se refere à segurança dos alimentos, a escolha da norma gera muitas dúvidas por parte das organizações. Em 2000, havia muitas normas privadas e nacionais disponíveis, e a indústria mundial de alimentos solicitou à ISO para que elaborasse um padrão internacional de sistema de gestão de segurança de alimentos. Foi assim que, em 2005, surgiu a ISO 22000, que imediatamente substituiu a maioria das normas nacionais existentes. Mesmo assim, ainda persiste um grande número de normas privadas, como a BRC Global Standards, a Global GAP, a SQF, a Canadá GAP, a GRMS, a IFS, e a FSSC 22000. Contudo, há clientes que pressionam o fornecedor para que ele implemente normas diferentes. Isso, porém, gera custos sem contribuir efetivamente para melhorar a segurança dos alimentos. Hoje, a melhor estratégia para atender o mercado, seja no que se refere ao fornecimento de produtos de marca própria, seja para satisfazer outras exigências, é a seguinte: basta o

divulgação

Questão primordial

fornecedor certificar-se na ISO 22000 integrada com outra norma privada equivalente. Por exemplo, se o fornecedor faz parte do elo da indústria, basta que ele aplique a ISO 22000 integrada com a FSSC 22000. E tanto a consultoria como a certificação não exigem o desembolso de um único centavo a mais. Mas – você poderia perguntar – por que usar normas de sistema de gestão? Porque não precisamos reinventar a roda. As normas garantem um modelo eficaz, envolvendo a alta direção, e alinhando a segurança dos alimentos aos objetivos do negócio. E por que uma ISO? Porque é o padrão internacional, ou seja, é o mesmo que falar inglês, o idioma universal. Um padrão único reduz custos e facilita o comércio. Atualmente, não basta adotar boas práticas e nem mesmo uma boa APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle). A obtenção de um ambiente seguro por meio de boas práticas é um prérequisito para que as portas se abram ao mercado. E sem uma boa APPCC, não há gestão eficaz dos riscos na produção, e nem o fornecedor pode garantir o controle dos perigos. No entanto, mesmo a adoção de boas práticas e de uma adequada APPCC não se mantém sem um sistema de gestão. Além da adoção de boas práticas e de uma boa APPCC, há temas emergentes para serem atendidos na gestão de segurança dos alimentos, frutos de novas necessidades do mercado. Esses temas incluem: defesa de alimentos e gestão de crises, os quais se desenvolveram após a ocorrência dos diversos atentados terroristas em todo o mundo, gestão de alergênicos, desenho sanitário de equipamentos – que se torna um critério para a aquisição de máquinas e equipamentos –, e maior rigor na gestão de fornecedores. Enfim, acreditamos que a ISO 22000 é o melhor caminho, pois fornece uma estrutura adequada para se enfrentar e vencer todos esses desafios, gerando muitos benefícios para as organizações.

* Diretora da Simpli Inteligência em Gestão, consultora, auditora e instrutora das normas ISO 22000 e ISO 9001

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BASEADO NA HISTÓRIA REAL DE

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