Olhares que falem por si

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OLHARES QUE FALAM POR SI





OLHARES QUE FALAM POR SI


FICHA TÉCNICA AUTOR/EDIÇÃO: Núcleo da Região Autónoma da Madeira da EAPN-Portugal Avenida Luís de Camões Conjunto Habitacional do Hospital Bloco 13 R/C Frente 9000-168 Funchal T. 291 143 450 eapn.funchal@eapn.pt EDIÇÃO GRÁFICA: Raul Pina Design TIRAGEM: 40 exemplares DATA DE EDIÇÃO: 2020 ISBN: 978-989-8304-61-2 DEPÓSITO LEGAL: 477523/20


OLHARES QUE FALAM POR SI Um projeto do Núcleo da Região Autónoma da Madeira - EAPN Portugal


Construir uma Cidade com as Pessoas A política serve para ajudar a melhorar a vida das pessoas. Para que esse objetivo se consiga, acreditamos que tem de se envolver o maior número de pessoas nas decisões a tomar, contribuindo para que se conheça melhor a realidade em que se vive, empoderando a população e implementando ferramentas que potenciem os processos participativos na construção das soluções políticas mais adequadas a cada contexto. Quando se promove a participação, é necessário ter coragem para parar, para debater, para envolver, para conhecer os fenómenos da exclusão, reunindo contributos para a construção de uma estratégia que ajude a eliminar desigualdades, combatendo as discriminações e promovendo a democratização de espaços e serviços a toda a população. Este projeto desenvolvido pela EAPN em parceria com a autarquia e com várias instituições do Funchal tem este valor substantivo de empoderamento e capacitação individual de todos e de todas nós. Por um lado, estimula quem vive em situação de exclusão a ter uma consciência real da discriminação de que é vítima. Por outro, permite que cada um ou que cada uma de nós perceba como também podemos ser agentes inconscientes dessa ação discriminatória que não permite a concretização dos Direitos Humanos ou da democracia nos nossos territórios. Ter voz, sentir que a sua opinião foi tida em conta, ser visto como um ou uma agente importante na construção de uma intervenção social e política é uma forma de promover a cidadania e combater a pobreza e a exclusão social.


Porque acredita que uma cidade se constrói com as pessoas e não para as pessoas, a Câmara Municipal do Funchal tem implementado instrumentos de participação que possibilitam a intervenção individual ou coletiva de quem o desejar nas políticas e ações municipais. No 1º ciclo do ensino básico existe o programa “Crianças em participação”. No 2º e 3º ciclos temos o programa “Jovens em participação” (ex-Assembleia Municipal Jovem). A partir dos 16 anos a população é convidada a apresentar propostas através do Orçamento Participativo do Funchal. Em todas estas ações de participação, as pessoas são envolvidas nos processos de participação, monitorização e execução das propostas vencedoras. Em termos culturais optámos por organizar “Pontos de Escuta” em Juntas de freguesia e escolas, na busca da construção de uma estratégia cultural da cidade em que toda a gente se reveja e identifique. São formas de trabalhar e promover a cidadania e a democracia, em que acreditamos, tendo sempre em vista a construção de uma cidade onde os direitos humanos são respeitados e promovidos. Obrigada à EAPN pela parceria, pela capacitação e empoderamento da população e das organizações, nesta luta de combate à pobreza e à exclusão social. Madalena Sacramento Nunes Vereadora da Câmara Municipal do Funchal


INTRODUÇÃO

A participação social das pessoas em situação de pobreza e/ ou exclusão social é um princípio que se inscreve nas ações da EAPN Portugal e que se vai concretizando no seu trabalho em rede. Sempre fiel a este princípio, esta organização tem vindo a promover a cidadania e a participação das pessoas que vivenciam ou já vivenciaram situações de pobreza e/ou exclusão social através de movimentos de cidadania, quer a nível distrital – Conselhos Locais de Cidadãos – quer a nível nacional - Conselho Nacional de Cidadãos -, e ainda a nível europeu, com a participação no Encontro Europeu de Pessoas em Situação de Pobreza que se desenvolve desde 2001. O Conselho Nacional, assim como os respetivos Conselhos Locais, são resultado de um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido desde 2002, altura em que se auscultou pela primeira vez, de forma participada, cidadãos que auferiam do então Rendimento Mínimo Garantido. Desde 2009 este trabalho foi assumido como uma prioridade da instituição no cumprimento da sua missão, através da constituição de 18 conselhos locais de cidadãos (um conselho em cada distrito). Por seu turno, o Núcleo da Região Autónoma da Madeira iniciou a sua atividade no dia 3 de Dezembro de 2018 e desde então tem vindo a trabalhar no sentido de contribuir para uma sociedade mais justa e solidária, em que todos sejam co-responsáveis na garantia do acesso dos cidadãos a uma vida digna, baseada no respeito pelos Direitos Humanos e no exercício pleno de uma cidadania informada, participada e inclusiva. Com o objetivo de promover o exercício de uma cidadania ativa através da partilha de experiências e de conhecimentos e atuando em conjunto por um objetivo comum, no ano de 2019


surgiu o projeto Ativar a Participação. Este Projeto procurou “dar voz” às pessoas que vivem em situações de risco social e promover o seu empowerment e participação. Recorrendo à metodologia de Photovoice, quinze (a)utores foram desafiados a responder, através da fotografia e do texto, às seguintes perguntas: Quando é que eu me senti/sinto excluída/o? Quando é que eu me senti/sinto incluída/o? O que é que eu mudava para promover a inclusão? O resultado desta ação materializa-se na Exposição Fotográfica “Olhares Que Falam Por Si”, uma exposição que retrata as narrativas pessoais dos participantes, que de forma simples e sem bloqueios, expressaram a sua voz, o seu ponto de vista, a sua visão. Promovido pelo Núcleo Regional da Madeira da EAPN Portugal, com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, o Projeto contou também com a colaboração da Associação Conversa Amiga, da Associação de Solidariedade Social Monte de Amigos, da Casa de Saúde de São João de Deus – Funchal e da Sociohabitafunchal- Empresa Municipal. A produção deste livro associado à exposição vai para além da finalidade de ser mais um livro de fotografia sobre a pobreza, querendo sobretudo, chegar a mais pessoas e desempenhar um papel pedagógico junto de um público mais alargado, procurando sensibilizar para a promoção da participação social das pessoas em situação de pobreza e/ou exclusão social, dando voz efetiva aos verdadeiros protagonistas destas situações.



“Penso que a minha mensagem foi bem expressa nas fotografias, expressa aquilo que sinto, que é a minha vida e, por isso, sinto que fui ouvido pelas pessoas que me ajudaram a realizar este projeto.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDA/O?


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

VIVENDO DEBAIXO DA PEDRA “O significado desta furna remete-me para o passado, para os 4 anos em que vivi numa furna. Sentia também algum desprezo por parte dos vizinhos, pelas condições miseráveis em que vivia. Sentia isso muitas vezes quando tinha de cortar caminho para ir buscar água ao poço, passando por vários vizinhos que me olhavam com indiferença.”

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“Por outro lado, a nível de eletricidade, era um candeeiro a petróleo, a casa de banho era um buraco e os cozinhados eram a lenha. Foram tempos difíceis…”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

VIDAS PASSADAS

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“Quando precisei de ir ao lixo buscar roupas e outras peças que eu via que me iriam servir na casa onde morava!”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA “Esta fotografia retrata uma situação que vivo há anos… Trabalho alguns meses, e acabo sempre por voltar para o desemprego. E como todos nós sabemos, sem trabalho não há dinheiro. E acabamos por andar uns atrás dos outros a “discutir” por dinheiro ou pela falta dele.” “A verdade é que uns têm muito, outros nem tanto. Não invejo, mas custa.”

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“Por outro lado, muitas das ofertas de emprego que aparecem nos jornais não são de acordo com a minha formação e/ou capacidade.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

RESPONSABILIDADE

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“Hoje tenho uma doença mental devido ao meu passado. Senti a falta da presença do meu pai, quando ele ia beber com os amigos e nos excluía, a mim e aos meus irmãos na sua vida social. Senti que nessa altura tinha de cuidar dos meus irmãos, pois ele não conseguia assumir na integridade essa responsabilidade, preferindo sempre os amigos.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

QUEM SOU EU?

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“Sinto que não faço parte desta sociedade”



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?


TRISTEZA “Entristece-me ver uma casa abandonada, quando eu e muitos outros encontramo-nos sem um lar.�


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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?


LISTAS DE ESPERA HOSPITALARES “Sinto-me excluída pelo facto de estar há anos à espera por uma pequena cirurgia, ter de esperar três anos e tal por uma ressonância magnética e ainda, senti-me muito mais excluída, quando em 2007 tive de sair da minha terra-natal e ter de me ausentar do seio familiar com o fim de fazer tratamentos de radioterapia no Porto.”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

AUTO-EXCLUSÃO “Quando pensamos que está tudo bem e que finalmente, depois de tantos anos de trabalho podemos aproveitar para descansar e viajar (como tanto gosto!), a vida prega-nos partidas que deixam marcas para o resto da vida.” “- Tumor maligno. Estádio 4?- Perguntei eu a mim mesma, desabando todo o meu interior naquele momento.

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“- Porquê eu? Porquê nós? – Quantas lágrimas silenciosas, quantos sorrisos esboçados para não mostrar a minha fraqueza?”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

DESMORONAMENTO “Ao longo de vários anos, construi o meu pequeno império, o que me permitia viver, com um certo conforto económico. Com o surgir da crise económica no país, assisti ao desmoronamento deste meu pequeno império, desta forma perdendo empresa, casa, carro, rendimento e acesso a movimento bancário.

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Apesar de ter envidado todos os esforços, na procura de uma solução, tudo me foi negado, razão essa que me levou a sentir completamente excluída.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

AGREDIDO

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“Quando sou agredido pelas forças de segurança.”



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?


ESMOLA “Sou rejeitado pela minha família e não tenho dinheiro.”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

AS PALAVRAS TÊM PESO

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“Sinto-me excluído quando fazem comentários negativos sobre a minha situação de sem-abrigo.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

TRISTEZA

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“Com a idade que tenho ainda me sinto útil, mas para o trabalho não. É algo que não percebo. Não estou a ser produtiva e as contas chegam no fim do mês igual”.



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?


ISOLAMENTO “Quando passo na rua junto a um carro com o vidro aberto, algumas pessoas fecham logo o vidro. Sinto-me como se fosse um monte de lixo, qualquer coisa com a qual as pessoas não querem comunicar. Quem vê caras, não vê corações.”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O EXCLUÍDO/A?

FARTURA

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“Faz-me lembrar quando queria comer e não tinha. As poucas palavras dizem tudo, há que saber usá-las”.




“A diversidade de situações que foram registadas e retratadas ao longo desta caminhada permitiram uma reflexão pessoal e coletiva, de situações muito concretas do nosso quotidiano, mas que impõem um contínuo repensar a nível interior e exterior!”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDA/O?


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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?


PAZ “Quando estou em casa a sentir-me triste o meu destino é o Jardim. Sento-me no banco e faço uma retrospetiva do passado, penso no presente e no futuro. Sinto-me aliviado, livre…”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

O BOM SAMARITANO

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“Uma das primeiras instituições que olhou para mim. Graças a um voluntário desta casa passei a receber pão todas as semanas.”



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?


OPORTUNIDADE “Sinto-me incluída e ouvida quando me chamam para uma entrevista de trabalho, naquele momento não me sinto discriminada”.


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

LAR, NOVO LAR “Comecei a me sentir incluída e melhor foi aqui, quando vim para os apartamentos do Palheiro Ferreiro. Senti-me mais querida, passei a ter mais convívio com os vizinhos, fui muito ajudada por eles, o que não acontecia no tempo em que vivia nas furnas.”

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“No passado não tinha nada, era só uma cama no chão. Ao conseguir uma habitação no Conjunto Habitacional do Palheiro Ferreiro, passei a ter quartos de dormir, casa de banho, cozinha, bem como luz, água e gás. No diz respeito ao “tratar de mim”, passei a vestir-me melhor do que me vestia na altura. “



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?


RECOMEÇANDO “Quando me deram um apartamento para morar, foi uma alegria muito grande. Finalmente tinha uma casa com condições e que não chovia lá dentro!”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

DIVERSÃO = INCLUSÃO “Sinto-me extremamente incluída e útil, aquando dos desfiles das Marchas Populares, promovidas pelo Centro Comunitário. Gosto mesmo muito, sinto-me feliz da vida.”

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“Quando estou envolvida nos desfiles, acabo por esquecer os problemas da minha vida, naquelas horas esqueço tudo. Sinto que sou elogiada pelas pessoas e isso deixame muito contente. Adoro arranjarme e de me mostrar, até porque, nunca sei quando posso aparecer na televisão.”



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?


A MINHA NOVA FAMÍLIA “Com a ajuda da Casa de Saúde S. João de Deus, hoje vivo numa residência e aqui encontrei a família que sempre quis ter.”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

ALEGRIA

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“Aqui voltei a viver, pois voltei a crer e a confiar de novo nas pessoas!”



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?


ENCONTREI-ME “Conquistei o meu lugar na sociedade, faço aquilo que gosto, trabalho nas oficinas da Casa de Saúde S. João de Deus.”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

SOBRIEDADE

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“Sinto-me incluído quando estou sério e sem beber. Lembro-me do sítio para onde não quero voltar.”



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QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?


CONVERSA “Sinto-me confortável quando estou a conviver com os outros.”


QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

(COM)VIVER

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“Quando estou à conversa com os outros, sinto-me bem.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

VOLUNTARIADO HOSPITALAR “No voluntariado sinto-me extremamente incluída. Em 2010, altura em que nasceu o Movimento Hospitalar Presença Amiga, fui convidada a fazer parte deste Movimento. A minha resposta, nessa altura, foi que não podia porque estava a dar apoio à minha neta com poucos meses de vida, com um grave problema oncológico. Infelizmente após nove meses e meio partiu para o céu.

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Desde então, ou seja, início de 2019, passei a fazer parte deste Movimento. Sempre que saio do voluntariado, saio com o pensamento de dever cumprido. Saio com o coração feliz porque deixei muitos sorrisos e esperanças nos rostos de muitos utentes, ou porque fiz companhia por alguns minutos a alguém que, por razões de solidão ou abandono, está “preso” a uma cama do hospital.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

A MÃE NATUREZA

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“A natureza tem uma força capaz de nos transformar. Em toda a minha vida enfrentei os problemas e contei sempre com a luz do céu, o quente do sol e o cristalino do mar. A explosão presente na foto representa o renascer, o reaprender a viver emocionalmente e o ganhar forças para outras batalhas que possam surgir.”



QUANDO É QUE EU ME SENTI/O INCLUÍDO/A?

IMPERFEIÇÃO “Perfeita nunca serei, mas sei que a imperfeição é a fórmula de buscar sempre o melhor, mesmo que a cada passo seja acompanhada de destemperos.

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Sou sábia no sentir e penso o suficiente, para entender que todo o ser humano, nasceu, com o sagrado direito de AMAR, SONHAR, CRIAR E SER LIVRE.”




“Durante todo o processo, foi um aprendizado, conhecimento de diversas associações e apoios. Um reavivar de memórias, num presente/futuro incerto, dando o meu melhor. Ouvir e sentir que cada um ao longo do seu percurso, com diversos graus de dificuldade, desejam o mesmo, sentir e viver a vida de uma forma digna. Grata pela oportunidade.”



M UD AV A EU E QU É E QU O

PARA PROMOVER A INCLUSÃO?


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O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?


COMPREENSÃO “Dar mais oportunidades às pessoas em situação de sem-abrigo.”


O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

DIGNIDADE

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“Melhorava as condições de segurança e local para dormir dos sem-abrigo.”



O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

UMA MÃO AMIGA

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“Dar mais oportunidades de confiança às pessoas em situação de sem-abrigo.”



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O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?


ORGULHO “Hoje sou a prova disso e gostaria de mostrar às pessoas que é sempre possível mudar, independentemente do lugar onde nascemos.”


O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

AGORA SOU FELIZ

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“Luto todos os dias para que o estigma acabe e que ninguém se sinta de parte como eu me senti. Todos os dias temos um papel importante na sociedade. Agora sou feliz.”



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O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?


ESPERANÇA “Tenho esperança de um dia ter uma casa minha no Bairro Social.”


O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

DESAFIO

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“Vontade de aprender coisas novas, para ter oportunidade de trabalho. Então o que eu mudava era mais formação para maiores de 40 anos”.



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O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?


UNIÃO “É preciso comunicação. É preciso que as Instituições comuniquem entre si. A Segurança Social tem de ser o polo central do cruzamento da informação de todas as instituições que combatem a pobreza”


O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

FUTURO

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“Temos que educar as crianças para melhorá-las para o futuro. O principal é o futuro”.



O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO? 102

TACHOS” NA FUNÇÃO PÚBLICA Para que se pudesse canalizar mais verbas para a área da Saúde e da Educação, começava por reduzir o número de Secretarias, frota automóvel e os “chauffeurs”. “Todos os Secretários, excluindo o Presidente da República, Presidente do Governo e Primeiro- Ministro, para se dirigirem aos seus postos de trabalho teriam de se deslocar pelos seus próprios meios ou transportes públicos como o resto dos cidadãos. Baixava as remunerações, ou seja, implementava um teto máximo remuneratório, nunca superior ao ordenado do Presidente da República, para Administradores Públicos e outros cargos políticos. Acabava com as pensões vitalícias dos deputados e ainda criava programas de formação para quem beneficia do rendimento mínimo, a fim de lhes dar formação adequada para integrá-los no meio laboral para justificar o rendimento, em vez de se criar mais vícios para satisfazer desejos pessoais.”



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O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?


FORMAÇÃO/QUALIFICAÇÃO “Mudaria, em grande parte, as políticas de apoio social à inclusão. Apostando numa vertente de mais e melhor formação, qualificação e reabilitação, desta forma proporcionando às pessoas ou grupos, que por qualquer razão foram excluídas, a possibilidade de desempenhar um papel de pleno direito nas suas comunidades, devolvendo a sua independência e garantindo a sua segurança económica.”


O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

POR UM FUTURO MELHOR

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“Quem sabe se não poderia ir para a universidade, já que tive de abandonar os estudos!”



O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

APROXIMAR E CONVIVER PARA INCLUIR

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“Eu acho que podemos promover a inclusão tendo uma atitude de compreensão para com as outras pessoas. Gostaria que houvesse mais convívios com outras pessoas, por exemplo, convívios com as pessoas de outros centros comunitários como acontece nas marchas e no carnaval. Isto porque eu acho que as pessoas estão muito afastadas umas das outras. Assim, é neste sentido, que apelo que os centros comunitários se reúnam mais, promovendo mais convívios, atividades diferentes, entre outros…”



O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA “Na minha opinião, devíamos ter mais convívio com os idosos. Isto porque tem pessoas fechadas em casa que não saem e que precisam que alguém as faça ver que o estão a fazer não é muito saudável. Deviam frequentar mais o Centro Comunitário para se sentir melhor, ter mais convívio com os utentes e vizinhos, participar nas atividades desportivas, tal como os cursos de costura, artes plásticas entre outros.” “Eu por exemplo, a partir do momento em que eu entrei nas marchas, gostei muito e vou continuar a participar até não ter forças para continuar. Ao participar nas marchas acabo por passar menos tempo em casa. Sinto-me muito mais à vontade pelo ambiente e pelas pessoas que frequentam, e pelos responsáveis do centro. Sempre adorei o Centro Comunitário, e sempre frequentei-o desde que abriu.

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Devo também dizer que o Centro Comunitário ajuda-me imenso na alimentação, e em compensação, não que seja obrigada, gosto de ajudar nas arrumações e limpeza do centro.”



O QUE É QUE EU MUDAVA PARA PROMOVER A INCLUSÃO?

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

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“O desporto é uma forma de nos incluirmos. E porquê? Com os problemas da vida, cada vez mais precisamos de momentos de descontração, de partilha, de solidariedade e de convivência.”



TESTEMUNHOS / EXPERIÊNCIAS

“Pudemos expressar as nossas inquietudes e as nossas esperanças, então ficamos um pouco mais próximos dos outros e, assim, nos sentirmos mais incluídos.” “Adorei fazer parte deste projeto e desta equipa, uma vez que proporcionou não só um conhecimento aprofundado acerca desta metodologia de intervenção, como também o facto de ter conhecido pessoas fantásticas com uma experiência de vida tão rica, com tanto para partilhar! Foi muito enriquecedor todo este processo criativo, poder refletir acerca das diferentes realidades sociais que estas pessoas estão inseridas e, de uma forma ou de outra, verificar que este projeto conseguiu dar voz às pessoas, promovendo a coesão social e grupal. A vida é feita de desafios e, ter o prazer de fazer parte desta experiência foi dos desafios mais gratificantes da minha vida, não só a nível pessoal como a nível profissional.” “Penso que a minha mensagem foi bem expressa nas fotografias, expressa aquilo que sinto, que é a minha vida e, por isso, sinto que fui ouvido pelas pessoas que me ajudaram a realizar este projeto .”

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“Sinto-me apoiado na instituição, no exterior não me sinto contente. Senti-me ouvido quando estive a fazer o meu projeto, as monitoras ajudaram-me a expor como me sentia. Eu gostei de participar.”


“Foi um projeto, para mim, fantástico e adorei fazer parte desta iniciativa. Espero que todas as ideias apresentadas sirvam de incentivo para que possamos mudar o mundo. Adorei tudo, apesar de alguns dos trabalhos apresentados terem mexido um pouco com episódios da minha infância. Apesar de me ter emocionado, acho que consegui dar voz e demonstrei o que achei sobre os temas que escolhi.” “Durante todo o processo, foi um aprendizado, conhecimento de diversas associações e apoios. Um reavivar de memórias, num presente/futuro incerto, dando o meu melhor. Ouvir e sentir que cada um ao longo do seu percurso, com diversos graus de dificuldade, desejam o mesmo, sentir e viver a vida de uma forma digna. Grata pela oportunidade.” “Experiência enriquecedora e gratificante em diversos níveis, não só pelo facto de ser uma metodologia que desconhecia até então, como também pelos resultados surpreendentes que se produziram! A diversidade de situações que foram registadas e retratadas ao longo desta caminhada permitiram uma reflexão pessoal e coletiva, de situações muito concretas do nosso quotidiano, mas que impõem um contínuo repensar a nível interior e exterior!”


TESTEMUNHOS / EXPERIÊNCIAS

“Fui apanhado de surpresa, mas gostei da ação. Recebi esta proposta como uma maneira de me abrir, para não estar só comigo próprio, como é o meu hábito. Pensei para mim que era um caso importante. Durante a atividade senti um certo alívio comigo próprio, porque penso muito no passado e fecho-me comigo próprio. Foi difícil fazer a atividade porque nunca tinha feito nada assim. Gostei muito, foi uma ideia boa, acho que deviam de repetir, uma pessoa assim abre-se a si própria, daquilo que sente. Acho muito bem as pessoas lerem os nossos testemunhos e tirarem as suas ilações disso.”

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“Quanto à atividade em si, o photovoice, foi desafiador estimular os utentes para este nível de participação tão direto. Se no início possa ter parecido um pouco estranho, não obstante, o empenho e envolvência dos mesmos foi admirável. Durante a realização da mesma surgiram dúvidas e questões, as quais foram atendidas, tendo havido sempre a atenção em nunca se perder o foco da individualidade e opinião pessoal de cada um. Enquanto técnica, foi gratificante observar o desenrolar de toda a atividade e como cada um, de diferente forma, deu a sua voz.”


“A princípio me senti envergonhada de dar voz da minha situação, mas tive coragem e firmeza de que a minha voz vai ser escutada e tomada em conta. Me senti otimista e corajosa de dar minha opinião sobre a exclusão. Também me senti um pouco revoltada e deprimida a escolher as fotos, mas tive de ter força e coragem para enfrentar a minha própria realidade.” “Gostei muito da atividade, gostei de tirar as fotos. Nunca tinha feito nada parecido, foi algo diferente. Eu nem tenho um telemóvel daqueles que tira fotos, por isso, foi uma atividade engraçada. Ao longo deste projeto e desta iniciativa, confesso que não me senti muito bem, pois as fotos foram tiradas onde eu vivia e vivia mal. Vivia sem condições, o que ao lembrar-me disso, deixa-me um pouco triste e nostálgica. Do passado para agora, totalmente diferente e melhor e com muito melhores condições, em termos de luz, água, condições dentro de casa. Apesar de não me dar com toda a vizinhança, dou-me bem com muita gente. E por isso, aqui e agora, sou Feliz.”




um projeto do Núcleo da Região Autónoma da Madeira da EAPN Portugal em parceria com a Câmara Municipal do Funchal

com a colaboração de:


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