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FAINA DE CARGA

FAINA DE CARGA 1. INTRODUÇÃO A Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) recebe carga embarcada entre os meses de novembro e março (período de verão), por meio do Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Ary Rongel (H-44) e o Navio Polar (NPo) Almirante Maximiano (H-41). A Operação Antártica (OPERANTAR) se inicia quando esses meios Figura 1 – NApOc Ary Rongel e NPo Almirante Maximiano suspendem do Rio de Janeiro trazendo material destinado à manutenção da vida operativa da Estação. Essa carga varia desde sobressalentes, material de pesquisa, marfinites pessoais, cilindros de gás de cozinha, acetileno e oxigênio, quadriciclos e motos de neve, viaturas reparadas/compradas, gêneros secos e perecíveis, bebidas, material necessário para os serviços previstos para serem executados pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), como chapas, cantoneiras, vigas, isolantes, pisos, material de carpintaria etc. 2. PROPÓSITO Esta Folha de Informações (FI) tem como propósito informar dados relevantes referentes às fainas de carga. 3. PREPARAÇÃO O preparo da praia para a faina de carga consiste em limpar e deixar plana a área em frente à EACF, compreendida entre os tanques de combustível e o heliponto, com o propósito de facilitar o deslocamento das viaturas, bem como dos esquis de carga, durante a faina. A praia pode ser dividida em dois grandes setores: Área de Concentração de Contêineres e Área de Concentração de Volumes-Padrão (VP pequenos contêineres bastante utilizados para transportar material, projetados especialmente para a acomodação no H44). Devem-se manter, no interior da EACF, áreas a serem utilizadas para o escoamento da carga até o seu destino Figura 2 – Trator D-6 na preparação das vias de acesso final (Incumbências, Paiol Central e ORIGINAL-OUT/2010

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oficinas). As áreas de Estacionamento de Carga deverão estar limpas e preparadas para o armazenamento provisório das respectivas cargas. Essas áreas são as seguintes: Ferrazão (espaço em frente ao Centro de Documentação do AMRJ – CDOC) e a Garagem Antiga (espaço entre a Carpintaria e a Praça de Máquinas), onde são colocados as marfinites, os Figura 3 – Vista aérea das vias de acesso sobressalentes, os gêneros e o material de pesquisa, Carpintaria, onde é depositado o material do AMRJ e área da Churrasqueira para gêneros frigorificados.

Figura 4 – Vista aérea da faina de retirada de volumes do esqui

4. CARGA Normalmente, o material proveniente do Brasil vem acondicionado em contêineres que podem ser de 10 (também chamado contêiner baby) ou de 20 pés, além dos VP, tendo o Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) um número de cinquenta unidades disponíveis.

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Figura 5 – Volume-Padrão (VP)

Figura 6 – Diversos tipos de carga no porão do H-44

Figura 7 – Embarque de carga no H-44

5. PLANEJAMENTO Analisar o perfil da maré é fundamental para se estabelecer o melhor horário para o início da faina de carga. Entre a baixa-mar e a preamar, a praia nos arredores da EACF chega a ter uma variação vertical de 2 metros de maré, o que significa até 30 metros de variação horizontal nas marés de sizígia. Nesse contexto, há registros de atrasos e complicações em fainas realizadas quando o momento de encalhe da balsa ocorre próximo ao estofo de baixa-mar das marés mais acentuadas. Nesses horários, as balsas podem encalhar muito distantes da praia, dificultando o seu arrasto e colocando a balsa em risco, uma vez que ela pode se apoiar em pedras desconhecidas e perigosas para a estanqueidade da embarcação. Mesmo assim, ainda que se consiga encalhar a balsa na baixa-mar, há um esforço bem grande em mantê-la em solo seco, pois, considerando o início da enchente, há que se reposicioná-la ORIGINAL-OUT/2010

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quase de forma contínua, utilizando-se o “caçador” do trator (guincho), gerando trabalho e atrasos desnecessários. Portanto, nas marés de forte amplitude, recomenda-se iniciar a faina de carga com o encalhe da balsa entre o estofo de preamar e o de baixa-mar (maré vazante), em amplitude igual à metade da diferença entre elas (interpolação). Ex: No dia 05 de novembro de 2010, Figura 8 – Balsa de carga encalhada na praia tem-se uma preamar de 2,0 m, às 05h19min e uma baixa-mar de 0,2 m, às 11h58min. Poder-se-ia, portanto, iniciar a faina de encalhe da balsa, normalmente, às 09h00m, em uma amplitude próxima de 0,9 m, lançando-se a balsa de carga, em direção ao navio, 2 horas antes, ou seja, às 07h00m. As fainas são complexas e perigosas, sendo aconselhável realizar, previamente, uma reunião de coordenação para se estabelecer horários e se discutir o plano de desembarque com o navio (Subchefe da EACF, Coordenador Embarcado, Imediato, Cheope e Encarregado da Carga). Na noite anterior do primeiro dia e no final de cada faina diária, deve-se ter atenção à correta amarração das balsas (entre si e nos cabeços) a fim de evitar que elas se movimentem com a variação de marés e a força dos ventos. È necessária uma inspeção diária para se verificar a estanqueidade da balsa, verificando os tanques compartimentados e os peak-tanques. Para a preparação para o inverno, o motor elétrico da bomba de óleo da balsa deve ser retirado para manutenção e sua própria proteção.

6. EXECUÇÃO A faina de carga da OPERANTAR se inicia com o envio da balsa de carga para a descarga do material nos navios. Para essa execução, utilizam-se os tratores D-4, D-5 e D-6 (utilizados para auxiliar o encalhe da balsa de carga), a MADAL (guindaste sobre rodas), as mini-carregadeiras tipo Bobcat, a balsa de carga e os esquis (utilizados para o recebimento de carga em cima da balsa). Para colocar um esqui vazio em cima da balsa recomenda-se utilizar o D-4, por causa do menor tamanho de sua lâmina, que facilita a passagem pela rampa. Após o desencalhe e a balsa encontrar-se totalmente livre e flutuando, os dois botes dos navios (tipo MK V - NPo Alte Maximiano e tipo F580 EOD - NApOc Ary Rongel) ou o empurrador (NApOc Ary Rongel) fazem o deslocamento da balsa, da praia até a contrabordo do navio para receber a carga. Após o esqui ter sido carregado, os botes/empurrador fazem o deslocamento da balsa até a praia onde ela é novamente encalhada, utilizando-se os tratores D-5 ou D-6. ORIGINAL-OUT/2010

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Figura 9 – Trator D-6 lançando a balsa de carga com auxílio dos botes do navio

Depois de encalhada, a balsa terá sua rampa arriada e o esqui de carga será rebocado pelo guincho (caçador) dos tratores D-5 e D-6. No tocante ao fator segurança, especial atenção deverá ser dispensada nessa operação, uma vez que o cabo de aço sofre grande tensão, podendo se partir. Assim que a balsa estiver disponível, coloca-se um novo esqui vazio e inicia-se a preparação para lançá-la novamente. Primeiramente, deve-se buscar lançar a balsa de carga com o esqui vazio para, depois, se preocupar em liberar o material do esqui carregado. Além disso, no momento de movimentação das balsas, deve-se ter atenção para deixar as rampas com uma elevação suficiente para que elas não toquem a água. Assim, para empurrar a balsa, o trator encosta na rampa que, neste momento, deve estar na horizontal. Outras precauções de segurança são: verificar a integridade dos pinos do eixo das rampas e verificar a manivela do carretel do cabo de aço, que suspende e arria a rampa, pois ela deve sempre ser desconectada durante a faina de embarque do esqui, uma vez que o mesmo pode danificá-la, já que que ela fica disparada para o centro da balsa. Enfatiza-se que, durante as fainas de carga e descarga na praia, as rampas da balsa ficam arriadas. A EACF também recebe carga de material embarcada nos botes dos navios. Dependendo do peso, utiliza-se o D-5 e o seu implemento traseiro do guindaste para retirar o material do bote e colocá-lo na praia ou nas mini-carregadeiras. Para a preparação de inverno, os cabos de aço e os aparelhos de força são retirados, engraxados e guardados no Paiol do Mestre (embaixo do heliponto) para que não sofram com a ação dos elementos do tempo (vento, sal, gelo etc). A balsa deve ser puxada o mais afastado do mar possível a fim de evitar que a maré a desloque, danificando a sua estrutura. A carga acondicionada no esqui poderá estar em um contêiner, em marfinites ou em caixas de papelão/madeira. De acordo com suas características, são adotados os seguintes procedimentos: - Carga em Contêiner – reboca-se o esqui até a Área de Estacionamento de Contêineres, retira-se o mesmo, posicionando-o no solo com o auxílio da MADAL. Imediatamente após ter sido retirado o contêiner, o esqui vazio deverá ser reposicionado ORIGINAL-OUT/2010

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(com o auxílio do D-4) nas proximidades da Área de Encalhe, para que, oportunamente, seja embarcado em uma das balsas e transportado ao navio para recebimento de nova carga. - Carga em Marfinites e/ou Caixas de Papelão ou Madeira – reboca-se o esqui até a Área de Descarga de Esqui, onde terá sua carga desembarcada e transportada para a respectiva Área de Estacionamento. Imediatamente depois da retirada da carga, o esqui será reposicionado nas proximidades da Área de Encalhe. Dependendo de suas características (peso, volume, acondicionamento) a carga poderá ser transportada para a respectiva Área de Estacionamento, com o auxílio da viatura mais apropriada para ocasião. Caso a carga seja transportada por aeronave, a mesma desembarcará no heliponto e removida para Área de Estacionamento, também com o auxílio da viatura mais apropriada para ocasião.

Figura 10 – Exemplos de fainas de desembarque de carga

Após a chegada das cargas às suas respectivas áreas de estacionamento (Garagem Antiga, Carpintaria, Ferrazão e Área da Churrasqueira), a Equipe de Conferentes inicia a conferência da carga recebida, tomando como referência o Manifesto de Carga, registra, detalhadamente, todos os itens recebidos para facilitar o seu cadastro e, finalmente, acondiciona a carga, de forma organizada, nos respectivos paióis e frigoríficas. 7. SAÚDE Em função da longa duração da faina, todo o pessoal deverá estar devidamente protegido, portando o Equipamento de Proteção Individual (EPI), que são botas, luvas de couro e óculos com proteção ultravioleta (UV). Recomenda-se, também, a utilização de protetor solar nas partes expostas do corpo. Quaisquer sintomas de hipotermia, ferimentos e contusões, ainda que leves, deverão ser imediatamente reportados ao mais antigo presente e o militar deve se ausentar da faina para que seja atendido pelo médico. 8. SERVIÇO Durante a faina de carga, é interessante que o Cozinheiro apronte bebidas quentes, como chocolate e café e que o horário das refeições seja estabelecido em comum acordo pelos integrantes da faina de carga (EACF e navio).

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9. COORDENAÇÃO E COMUNICAÇÕES

Todo o pessoal do GB deve estar portando rádio. Os canais utilizados são o 12, para comunicação no âmbito da EACF e o M1, para comunicação entre o Navio e a Estação. Os celulares poderão eventualmente ser utilizados. 10. EQUIPES Função/Atividade Coordenador Geral Planejamento/Contato com o navio Encarregado das Áreas de Encalhe e Estacionamento de Carga (Coordenação da Praia) Auxiliar do Encarregado das Áreas de Encalhe, Estacionamento de Carga Operadores de Viaturas Leves e Médias (D4, D5, D6, MADAL, SKIDOOZER e BOBCAT Equipe de Conferentes

Responsável (eis) Chefe Subchefe ESG DOC EG1 e EG2 GB

O organograma abaixo apresenta a distribuição simplificada do Grupo-Base: Coordenação Geral CHEFE

Coordenação Praia

Planejamento/Contato com navio SUBCHEFE

ESG

Operação de Trator

Encalhe da balsa

EG1/EG2

MR

Apoio médico Fainas Gerais

Conferência de Material

Rancho

ESG/DOC

CO

DOC

Acondicionamento do material GB

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