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CONSTRÓI-TE EX ALUNOTIAGO SOUSA

GOSTAS DE SOPA? FORA DA ESCOLA INÊS RAMOS


Cada palavra, cada gesto, cada experiência por que passamos na nossa vida, afeta-nos. Tudo nos acrescenta qualquer coisa. Boa ou má. Estamos em constante construção. A vida é uma escada em que não conseguimos ver o degrau que vem a seguir. E o que está no cimo é uma verdadeira incógnita que muitos tentam desvendar. Sem sucesso. Preocupam-se com o que estará no topo à sua espera mesmo antes de começarem a subir. Erro de quem procura a recompensa por algo que ainda não fez. Cada pessoa constrói uma escada diferente. E quem tenta imitar o outro, acaba por nem ao primeiro degrau chegar. Ninguém disse que seria fácil. Nem que seria sempre a subir. Por vezes, quando menos se espera, toda a escada se desmorona. E parecia estar tão estável. E agora? Desistes. Ou és forte o suficiente para construir tudo de novo. Mas melhor. E desta fez vais ter mais atenção ao que fazes. Só cai duas vezes quem quer. Na construção da nossa escada somos soberanos. Mas sozinho ninguém consegue. A menos que seja um Deus. Ou uma besta. A construção da escada é algo natural, não há como o evitar. Se tem de ser feito, então fá-lo da melhor maneira possível. De outra forma não valerá a pena. Só existe uma escada para cada pessoa. O que vem a seguir é um mistério que só será desvendado quando lá chegares. Mas não deixes que isso afete a tua construção. A tua escada é o teu reflexo. Não deixes nenhum degrau por construir. E sobe cada um como se fosse o último. Aproveita cada oportunidade ao máximo, para que nunca te possas arrepender por poderes ter feito melhor.

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04 TEMA 1 CONSTRÓI-TE 06 EX ALUNO TIAGO SOUSA 14 TEMA 2 TEXTO CRIATIVO 16 S.O.P.A ENTREVISTA AO PROFESSOR LUÍS SANTOS 20 imagem gerês 22 FORA DA ESCOLA INÊS RAMOS 28 CRíTICA DE CINEMA 32 TRABALHO DA ÁREA SÓCIO-CULTURAL tomás botelho 36 TRABALHO DA ÁREA TÉCNICA GUILHERME MARQUES VALENTE

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cons tr贸i-te 4


É

costume dizer que nos dias de hoje já

jogo de palavras é suficiente. O importante é

não se inventa nada. Será assim mesmo?

que te faças ouvir e não te deixares influen-

Claro que não. Inventar torna-se cada vez

ciar. A tua opinião conta. Os teus princípios

mais um desafio que parece impossível

fazem parte de ti. São parte importante da

mas não é. No mínimo inventamo-nos a

tua construção. Eleva a tua voz e luta por

nós mesmos. Parece estranho. As aparên-

aquilo em que acreditas. Não deixes que o

cias iludem.

poder controle a tua construção.

Cada vez mais a criatividade tem um pa-

Foi precisamente para proteger a sua

pel ativo nas nossas vidas. As pessoas

construção que o povo português saiu à

procuram constantemente por coisas no-

rua no passado dia 15 de setembro.

vas e aborrecem-se facilmente. Já muito

Foram milhares os que se uniram para lu-

se conhece, já muito se descobriu, e ape-

tar por um só objetivo. Portugal finalmente

nas o novo e o original chamam a atenção

saiu à rua e fez-se ouvir. O objetivo era só

das pessoas. Se queremos ser ouvidos te-

um, mas as formas como a mensagem foi

mos de ser criativos na forma como trans-

transmitida foram centenas no mínimo.

mitimos a nossa mensagem. Não é preciso

Umas mais cómicas outras mais sérias.

complicar muito. Na maior parte das vez-

Umas simples outras complexas. Umas

es, o mais simples resulta melhor.

explícitas outras implícitas, mas todas para

A nossa construção enquanto pessoas e

o mesmo fim.

cidadãos ativos numa sociedade passa

Isto leva-nos novamente para a criativi-

também por inventar e reinventar maneiras

dade e para o facto de nos inventarmos a

de nos expressarmos. Temos de usar a

nós mesmos. As mensagens mais originais

criatividade para inventarmos novas for-

foram as que ficaram na memória. A forma

mas de comunicar e partilhar os nossos

como nos expressamos diz muito sobre o

pontos de vista. Muitas vezes um simples

que nós somos. Ao inventarmos novas formas de transmitir os nossos ideais inventamo-nos a nós próprios. Constrói-te na criatividade e não te deixes silenciar pela sociedade. Artigo e fotografias por Daniela Ascensão (turma de Vídeo10-3ºano)

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tiago sousa ex-aluno

PORQUE É QUE ESCOLHESTE A EPI?

O QUE FOI PARA TI MAIS IMPORTANTE

Na altura tinha uma certa curiosidade pelo

NA TUA FORMAÇÃO ESCOLAR?

meio audiovisual e uma percepção muito

Vou dizer algo muito politicamente incor-

clara de que o sistema normal do secun-

recto: foram os colegas, sem dúvida. O

dário não me apelava em nenhum sentido.

facto de estar no meio de pessoas mais

Achei que num curso mais virado para as

velhas (entrei na EPI apenas com 17 anos

artes me iria sentir melhor. Confesso que

e uma mentalidade muito pueril) trouxe-me

na altura não tinha ainda grande consciên-

enormes desafios e deu-me imensos im-

cia sobre o que queria ao certo mas acho

pulsos. Claro que também conheci profes-

que fiz uma boa opção.

sores que me marcaram e algumas matérias que me interessaram mas sempre fui um aluno mediano. Nunca me destaquei verdadeiramente em nenhuma vertente.

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COMO FOI O TEU PERCURSO PROFIS-

meu gosto pela música, e determinado a

SIONAL A SEGUIR À ESCOLA?

não seguir um percurso académico, achei

Foi completamente oposto ao que estudei.

que seria um caminho para encontrar uma

Quando acabei o curso senti que o mun-

voz própria.

do profissional que me esperava não era exactamente algo que me faria feliz. An-

GOSTAVA QUE FALASSES UM POUCO

dei, por isso, durante uns anos à procura

ACERCA DA MERZBAU. QUAIS FORAM

do que seria isso. Fiz um pouco de tudo,

ALGUNS DOS MOMENTOS MAIS MAR-

desde call centers, a trabalhar num bar de

CANTES DESTE PROJETO?

praia, a actividades de tempos livres com

A Merzbau foi uma netlabel, ou seja editava

crianças, a produção em festivais de mú-

essencialmente música on line e de forma

sica ou numa produtora de audiovisuais.

gratuita. Ainda se encontra disponível todo

Acabei por fundar uma importante netlabel

o seu conteúdo. Na altura sinto que foi um

chamada Merzbau, que lançou os primei-

grande impulso para aquela geração de

ros registos de nomes hoje incontornáveis

músicos, como houve outros. Respondia

como Lobster, B Fachada, Noiserv ou Walter

a uma necessidade muito básica que se

Benjamin. Tenho estado muito ligado ao

prendia com a urgência de colocar músi-

OUT.FEST Festival Internacional de Músi-

ca nas mãos das pessoas, utilizando os

ca Exploratória do Barreiro e ultimamente te-

meios que estavam ao nosso dispor, e com

nho estado focado na minha carreira musical

isso desenvolvendo embriões que nalguns

em nome próprio.

casos levaram a carreiras de maior mediatização. Tínhamos como ideia Música Livre

TENS UM PERCURSO SÓLIDO NA MÚ-

pensando que através da partilha podía-

SICA. COMO É QUE DESENVOLVESTE

mos desprender-nos das exigências do

ESSE INTERESSE E QUAIS FORAM AS

mercado e desafiar o público. Ao mesmo

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS QUE MARCA-

tempo, encontrar um espaço para crescer

RAM A LINHA QUE TENS SEGUIDO NA

enquanto músicos e criadores.

TUA CARREIRA ARTÍSTICA? A música esteve sempre presente na minha vida. Desde pequeno que convivo intimamente com ela, dado a minha avó ser professora de piano e deu-me aulas quando era pequeno. Na adolescência estive mais voltado para o universo do rock e a da música independente e só mais tarde, quando estava à procura de me definir e de encontrar a minha personalidade, voltei para o piano. Sendo a base de todo o

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QUEM SÃO OS MÚSICOS QUE SEGUES

QUAL ACHAS QUE DEVE SER A ATITUDE

COM MAIS ATENÇÃO DA GERAÇÃO QUE

DE QUEM SE LANÇA NO MERCADO DE

ESTÁ AGORA A DAR OS PRIMEIROS

TRABALHO?

PASSOS?

Ui.. acho que perguntas isso à pessoa er-

Confesso que ando um bocado afastado

rada. Porque foi precisamente a fugir do

da actual cena. Tenho estado mais próxi-

mercado de trabalho que me tornei músi-

mo de malta que anda a fazer música no

co. Claro que hoje continuo a tentar entrar

espectro do jazz mais criativo ou da mú-

no circuito de música, dentro e fora de por-

sica contemporânea não-académica, mas

tas, para garantir alguma sobrevivência ao

nem todos são propriamente novos. Falo

mesmo tempo que faço alguns trabalhos

de Rodrigo Amado, Gabriel Ferrandini, Pedro

dentro da área. Mas na realidade não me

Sousa, Hernani Faustino ou Joana Sá, en-

sinto integrado e portanto não poderei dar

tre outros. Não sei se ando enganado mas

grandes conselhos sobre como ingressar

parece-me que os últimos anos têm tido

só posso dizer o que acho sobre como fugir.

um abrandamento do que foi o boom dos anos zero.

QUE PLANOS/AMBIÇÕES TENS PARA O FUTURO?

ATÉ QUE PONTO É QUE AS RELAÇÕES

Poder continuar a escrever mais e melhor

QUE CRIASTE NA ESCOLA COM ALU-

música. Sempre com um intuito de cresci-

NOS/PROFESSORES, FORAM IMPORTAN-

mento pessoal. Transformar-me numa pes-

TES PARA A TUA CARREIRA?

soa melhor, ou seja mais coerente com as

Algumas mantiveram-se. Outras pessoas,

ansiedades que tenho e as necessidades

vim a encontrar mais tarde depois de lhes

que tenho. Essencialmente é isto.

perder o rasto. Mas confesso que perdi o rumo de muita gente. Alguns professores como o Vítor Joaquim, o Paulo Abelho ou o Alexandre Cortez vou encontrando por motivos profissionais e sim acaba sempre por ser uma mais valia.


O QUE É PARA TI O SUCESSO? Para mim o sucesso seria uma casa na serra com um Petrov de cauda. Viajar pelo mundo e conhecer pessoas interessantes e desafiantes. O QUE FAZES NO TEU TEMPO LIVRE? Leio. Vejo filmes. Estou com os amigos. Coisas banais… HÁ ALGUMA MENSAGEM QUE GOSTASSES DE PASSAR AOS ALUNOS? Não consigo lembrar-me de nada que não seja uma banalidade. Portanto cada um que ponha aqui a sua mensagem favorita. Vera Marmelo, Fotografia

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“ – Então? Não precisavas do computador?” “ – Ainda não, espera. Não consigo fazer tudo ao mesmo tempo… Ainda não sou mãe”. Tive de voltar para o quarto com esta bomba que deixei cair em mim própria. Encontro-me então em comparações ridículas entre polvos e humanos. Oito tentáculos, ótima visão e inteligência para o ser que são, e, mesmo assim, opto por dois braços e uma senhora com óculos de graduação francamente elevada; opto guiar-me por dois bracinhos, por um corpo que, de um modo bastante objetivo e desinteressado

(chegando

até

a

ser injusto) me conta uma história. Que me interessa… essa história interessa-me tanto e mesmo assim, a coragem parece nunca ausentar-se do fundo do mar (e eu que gosto tanto do mar, meu amigo).

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“Qualquer dia carrego-te eu. Foi assim que me fizeste. E é assim que te vou querer também.”


Chego a ausentar-me também, por

Não dou muitos abraços à minha

preferir a solitária companhia

mãe, nem todos os genes e tra-

desse

líquido

ços que ela possui eu consegui

que nada me diz, que em nada me

mundo

em

adquirir mas, o que tenho dela,

toca; que me conhece, no entan-

chega-me bem.

to, como veludo.

Adquiri um grau de teimosia as-

É difícil, de muito difícil ad-

sustadoramente

missão dizer-vos que, depois de

nível de orgulho que, só não é

umas boas horas passadas em fren-

assustadoramente

te àquele horizonte (nada) infi-

que Ela é sábia e eu ainda não;

nito, acabo sempre por preferir

um grau de responsabilidade que

a

desassossegada

(muitas

de

margem para dúvida.

verbalização

escondida

atrás

estado

uma

ligei-

das

semelhante; igual,

vezes)

não

um por-

deixa

ra zanga. De um braço levantado

E tudo por causa de uma senhora

que, consequentemente, me mostra

que me carregou no seu corpo in-

o dedo indicador em sinal de uma

finito (porque este sim, é Infi-

quase

mais

nito). Por causa de uma senhora

é senão o tal desassossego que

acusação

(que

nada

infinita, incansável, que me faz

provém do amor incondicional).

sempre querer voltar à estupidez

Nada é mais pacífico do que saber

de criança para poder saltar-lhe

que não há polvos atrás daquela

para o colo. Só mais uma vez!

porta branca. Apenas dois bra-

“Qualquer dia carrego-te eu. Foi

cinhos, uns óculos de graduação

assim que me fizeste. E é assim

francamente elevada e um corpo.

que te vou querer também.”

Um corpo que conta uma história;

Obrigada.

uma história da qual nós fazemos parte.

Só mais um cigarro Alice PTM09

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GO

STA

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SD E ?


Se até agora éramos nós quem decidia o

está a ser negociado, com o objetivo de

que fazer com a sopa, agora é a SOPA que

estabelecer padrões internacionais para o

decide o que fazer connosco. SOPA é a si-

cumprimento da legislação de proprieda-

gla para Stop Online Piracy Act e trata-se

de intelectual entre os países participan-

de um projeto-lei criado nos Estados Uni-

tes. Surge como resposta “ao aumento da

dos da América, com o intuito de proteger

circulação global de bens falsificados e

a propriedade intelectual e os seus direitos

da pirataria de obras protegidas por direi-

autorais de pirataria, roubo e contrafação.

tos”. Em Portugal, é proposto pelo Partido

Este projeto-lei

Socialista o

pretende autorizar

projeto-lei

o

118. Com a

da

Departamento dos

a p ro v a ç ã o

Estados Unidos e

Justiça

desta lei, ao

os detentores de

preço

direitos autorais a

dispositivos

obter ordens judi-

de

ciais contra sites

zenamento

não cumpridores.

será acres-

Esta provisão con-

cida

cede também à

dos arma-

uma

taxa por GB,

justiça o direito de banir qualquer site, rede

cujo valor difere consoante o equipamento

de publicidade e até redes de pagamento,

em questão. Por exemplo, um disco rígido

como o PayPal, por manter negócios com

externo de 1TB custaria mais 20,48; um te-

sites que utilizam pirataria. Poderá isto ser

lemóvel com 64GB mais 32€; e um disco

uma tentativa de “Inquisição do séc.XXI”?

multimédia poderia duplicar de preço.

Mas não é só nos Estados Unidos que há

Para nos esclarecer melhor quanto ao

SOPA. A “receita” recebe um outro nome

impacto social, cultural e também econó-

para o resto do Mundo: ACTA. Em portu-

mico, caso estas leis sejam aprovadas, a

guês, Acordo Comercial de Contrafação,

E_Magazine entrevistou Luís Santos, pro-

é um tratado comercial internacional que

fessor de Filosofia na EPI.

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E_MAGAZINE: A liberdade de expressão

E_MAG: No caso específico do projeto-lei

pode ficar comprometida, caso estas leis

118, procura-se um incentivo à economia

sejam aprovadas?

nacional, mas muitas pessoas acabam por comprar online noutros países, através de

LUÍS SANTOS: Antes de responder um

sites como o Amazon. Tendo isto em conta,

simples sim ou não, quero deixar claro que

quais as vantagens para a economia na-

a evolução do direito apoia-se em tentati-

cional?

va-erro, e que toda e qualquer idealização de algo corre sempre o risco de que a sua

L.S.: Esta questão carece ainda mais de

prática (pela má interpretação ou má fé in-

esclarecimento fora do senso comum.

dividual) defraude o próprio ideal.

Quando falamos de consumir algo para

Desta forma, penso ser necessário perce-

proveito próprio, sem fins lucrativos com

ber/compreender alguns dos conceitos em

terceiros, então claro que não sou a favor

causa: liberdade de expressão, pirataria,

de aplicação de taxa alguma, ou de algu-

direitos de autor e autoria.

ma forma de regulamentação.

Neste sentido, sou obrigado a afirmar que

No entanto, o que me parece que está

o projeto SOPA não retira ao indivíduo

ou deveria estar a ser perguntado é se

consumidor a sua liberdade de se expres-

a SOPA irá intervir a nível pessoal (o que

sar, antes pelo contrário, a liberdade de

seria uma violação, e muito mais que uma

expressão ganha-se pelo respeito e pelo

privação de liberdade de expressão). No

cumprimento de regras de sociedade

entanto, não penso que seja este o objetivo

aceites por todos. Mesmo os que são con-

da SOPA mas antes regular a malícia co-

tra, são parte do sistema.

mercial de terceiros contra a propriedade

Mas também o autor deve ser respeitado

intelectual.

na sua atividade de livre criação e conse-

Assim sendo, se ditos sites se apoiam em

quente autoria. Neste sentido, quando se

formas pouco claras, ou mesmo ilegais de

trata de autoria e direitos de autor, todo o

pirataria comercial, penso que deverão ser

indivíduo que se encontre nesta situação

reguladas independentemente de serem

deverá, e quererá, ver a sua propriedade

nacionais ou internacionais - se a econo-

intelectual protegida. Desta forma, penso

mia nacional sofre com isto, imagine-se o

que ambos devem ser respeitados e li-

que sofre o detentor da sua propriedade

vres, sendo que o papel de autor vem em

intelectual. Todo o tipo de violação comer-

primeiro lugar, não de importância, mas

cial que terceiros poderão querer fazer, lu-

de relação justa. Ou seja, a questão toda

crar, e defraudar, com as obras do próprio

coloca-se porque há autores e autoria, o

autor, deverão ser punidas por lei.

consumir é um momento segundo, não menos importante, mas segundo. Liberdade de expressão sempre, mas com regras.

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E_MAG: Também as redes sociais, como Facebook e Twitter, ficariam em risco com a aprovação destas leis. De que forma a relação intercultural, bem como a globalidade, seriam afetadas? L.S.: Penso que a questão aqui é precisamente a mesma, mudámos apenas de rede social. No entanto, e não querendo ser radical afirmando que isto é um mal necessário, penso que sim, de forma global a noção de rede social (troca de objetos com autoria) sairá afetada. Este é de facto um dos problemas do capitalismo do século XXI, que merece uma atenção cuidada antes de partirmos para afirmações ‘sim’ ou ‘não’. Prefiro acreditar que as preocupações deste nível estão a ser postas em cima da mesa de forma a não penalizar o consumidor e o autor - público privado. Logo, mantendo o laço da partilha intertrans e multicultural. Deixemos de lado a ideia de George Orwell em “1984” (excelente livro) – The E_MAG: A nível sociocultural, que impac-

Big brother is watching you” :)

to pode ter a remoção de sites broadcast, como o Youtube?

A especulação ao nível destas leis é muita, sendo muito incerto o que virá a seguir.

L.S.: Esta questão remete, pela forma como

Contudo, ainda nada está decidido. As ne-

está a ser perguntada, para um afirmar que

gociações ainda estão a decorrer entre os

a SOPA irá fazer isso indiscriminadamente. No-

vários países, para que algumas questões

vamente não me parece que seja esse o

sejam resolvidas, de modo a criar uma lei

intuito. Penso sim que, como indica o pro-

que possa ser aplicada sem, como referiu

jeto-lei, todo e qualquer site ou plataforma

o professor Luís Santos, intervir a nível pes-

que contenha momentos de publicidade,

soal. Até lá, sopa só ao jantar.

links, parcerias ou formas de pirataria, deverá ser regulamentado e, caso se venha a

Daniela Ascensão VI10

verificar a pirataria ativa, sofrer uma pena.

Patrícia Faria, Fotografia

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1, 2, 3 chegĂĄmos ao GerĂŞs fotografia por Patricia Faria 21


22


inĂŞs ramos

fora da escola

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QUANDO É QUE COMEÇASTE A

houve uma altura em que tínhamos espec-

DANÇAR?

táculos todos os fins-de-semana e mais

Eu comecei a dançar no primeiro ano, tinha

recentemente ganhámos um concurso de

6-7 anos. Comecei pelo ballet, pratiquei

um grupo profissional e vamos fazer um

durante 4 anos e mais tarde passei para a

workshop pago por eles, o que eu penso

contemporânea.

que permitirá mais um salto no nosso crescimento.

COMO SURGIU O INTERESSE PELA DANÇA CONTEMPORÂNEA?

O QUE É PARA TI DANÇA?

Não sei bem, no início não foi uma questão

A dança é outra maneira de me expressar.

de interesse. Como eu era uma rapariga

Muitas vezes aquilo que não consigo dizer

muita mexida a minha mãe meteu-me na

no dia-a-dia, consigo pôr na dança. Quan-

natação, mas como eu tinha muitos proble-

do me sinto triste danço para me acalmar,

mas de saúde acabou por me tirar. A es-

tal como as pessoas que fumam. A dança,

colha dela foi pôr-me na dança porque ela

tal como o teatro, permite-me expressar

sempre disse que gostava de ser bailarina

o que tenho dentro de mim e dizer aquilo

e acabou por projectar isso nas filhas.

que não consigo dizer às pessoas.

COMO BAILARINA ACOMPANHASTE O

O QUE SENTES QUANDO DANÇAS?

CRESCIMENTO DO TEU GRUPO DE

Sinto-me livre, sinto-me leve. Quando dan-

DANÇA. COMO É QUE ACONTECEU ESTE

ço estou concentrada e a fazer aquilo de

DESENVOLVIMENTO?

que gosto.

O meu grupo de dança começou por ser apenas uma actividade extracurricular do colégio onde andava. Entretanto o meu professor decidiu que precisávamos de ir mais longe, que não podia haver só actuações para os pais no colégio e criou um grupo, o Grupo Reticências (https://www. facebook.com/gdreticencias), que apesar de ser exterior ao colégio tem o seu apoio e recebe tantos alunos internos como externos. Ao longo dos anos fomos crescendo como grupo: começámos por actuações muito simples em sociedades do Seixal, à medida que íamos actuando as pessoas foram-se interessando pelo nosso trabalho e hoje já temos muitos espectáculos;

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O QUE ACHAS MAIS IMPORTANTE? DAN-

acontece o mesmo, se não estivermos a

QUE OUTROS CAMINHOS, PARA ALÉM

ÇAR BEM OU DANÇAR COM EMOÇÃO?

sentir o que estamos a dançar, a música

DA CONTEMPORÂNEA, GOSTARIAS DE

Dançar com sentimento é mais importan-

ou o que queremos expressar, não vai che-

PERCORRER?

te porque há muitas pessoas que dançam

gar nada ao público. E para mim isto não é

Gosto muito de danças de salão e ado-

bem e que fazem os passos correctos,

dançar, é fazer passos.

raria experimentar. Na verdade, gosto de

mas como não há sentimento, não conseguem transmitir nada ao público.

todo o tipo de dança. Gosto do ballet e da ACHAS QUE A DANÇA AJUDA-TE NO

sua exigência porque puxa por mim e aju-

TRABALHO DE ACTRIZ?

da-me a ser mais disciplinada. Gosto da

O QUE DISTINGUE A DANÇA CONTEM-

Sim, a dança ajuda-me a desenvolver a

contemporânea porque posso fazer o que

PORÂNEA DOS OUTROS GÉNEROS DE

minha corporalidade que pode ser útil em

quero. E gosto das danças de salão por-

DANÇA?

personagens, por exemplo nas formas de

que é um género mais divertido, alegre e

A dança contemporânea é uma dança

andar, e que me permite fazer coisas que

sensual. Só ainda não explorei este género

mais teatral. Por exemplo o ballet é um tipo

sem esta preparação poderiam não ser

de dança porque tem sido complicado a

de dança muito rígido, tem aqueles passos

possíveis. A dança trata-se também de co-

nível de tempo.

que têm que ser feitos na perfeição e da-

ordenação que é precisa em teatro.

quela maneira. Já a dança contemporânea

Entrevista por Catarina Ferreira da Graça

é uma coisa mais tua, não conseguimos

HÁ ALGUMA PREPARAÇÃO VINDA DA

INTP10 (Interpretação-3ºano)

ver bailarinas contemporâneas a dançar

DANÇA NO QUE TRATA A EMOÇÕES?

Fotografia por:

da mesma forma, os movimentos apesar

Desde que entrei no curso evoluí muito.

Patricia Faria (Fotografia 10) e

de serem os mesmos têm sempre uma as-

Antes era preguiçosa, gostava de dançar

Paulo Carrasqueira

sinatura. Como é uma dança mais teatral

e fazer os passos mas não transmitia nada

Foto Sorriso

dá-me mais liberdade para interpretar da

ao público e não tinha o prazer de dançar

www.fotosorriso.com

minha maneira.

ou de me exprimir. A dança e o teatro completaram-se, juntos

AO LONGO DO CURSO DE INTERPRETAÇÃO TIVESTE A OPORTUNIDADE DE EXPERIMENTAR OUTROS GÉNEROS DE DANÇA. A CONTEMPORÂNEA CONTINUA A SER A ELEITA? Sim, sem qualquer dúvida. QUE PONTOS UNEM A CONTEMPORÂNEA AO TEATRO? Tal como disse há pouco, temos que transmitir algo ao público. No teatro temos que sentir aquilo que estamos a dizer e aquilo que estamos a fazer, para transmitir algum sentimento. Na dança contemporânea

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ajudaram-me a dar um grande salto.


“dança e o teatro completaram-se, juntos ajudaram-me a dar um grande salto.â€?

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Fitzcarraldo (1982) Obsessão, insanidade, doença, dor, e até mesmo a morte acompanharam Werner Herzog na perturbadora produção de Fiztcarraldo para poder mostrar uma visão única com as maiores das verosimilhanças. Apaixonado pela ópera Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) um homem determinado pretende construir uma casa de ópera no meio da selvas (Iquitos, Perú) e o seu plano passa por içar um grande barco a vapor sobre um desfiladeiro para um pedaço de terra isolado. Herzog chegou a filmar no interior profundo das selvas o Peru e do Equador, lidando diretamente com todos os perigos, mosquitos, doenças, enxurradas de lama e possíveis confrontos entre os nativos. Para filmar o barco a vapor a ser arrastado sobre as montanhas nas mais perigosas correntes do Peru em Pongo de Manique Herzog pegou na sua equipa e fez precisamente esse percurso que retratou o esforço com um verosimilhança quase documental. “Fitzcarraldo” (Brian Fitzgerald) assim chamado pelos indígenas é ajudado por eles a concretizar o seu sonho e à medida que o barco a vapor e carregado encosta acima ele permanece à proa enquanto o gramofone toca a voz de Enrico Caruso.

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Zelig (1983) Zelig é provavelmente o trabalho mais original de Woody Allen em que nos conta a história é como se fosse um documentário sobre um homem que se transforma e age como quem quer que esteja próximo dele e conhece várias pessoas famosas. Woody Allen e Gordon Willis fizeram um trabalho magistral na fotografia a preto e branco e no uso da sua técnica de planos desfocados e outros muito tremidos, que para conseguirem uma proeza mais realista de um documentário utilizaram várias câmaras e lentes dos anos 20 e 30 e chegaram a danificar os negativos do filme para dar um aspecto antigo. Woody Allen recorreu à técnica “chroma key” para se poder pôr ao lado do Papa Pio XI. Entre vários convidados famosos numa festa de Scott Fitzgerald está Leonard Zelig (interpretado por Woody Allen) e até mesmo para se por ao lado de Adolf Hitler. Esta comédia fantasiada de Woody Allen conta ainda com Mia Farrow uma psicanalista que pretende ajudar Zelig a curar-se do estranho distúrbio a que todos chamam de “O Homem Camaleão”.

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Last Year at Marienbad (1961) O Último Ano em Marienbad não é um filme totalmente da imaginação de Alain Resnais, na verdade a sua grandeza nasce do “confuso” argumento de Alain Robbe-Grillet. A história desenrola-se num luxuoso hotel e mostra-nos um jogo de sedução entre dois homens e uma mulher. No argumento as personagens são anónimas e são identificadas por letras, “X” (Giorgio Albertazzi), “A” (Delphine Seyrig) e “M” (Sacha Pitöef). O filme gira em torno da personagem “X” que tenta fazer com que a personagem “A” se lembre de que se conheceram o ano passado naquele mesmo hotel e que teriam combinado o actual encontro em Marienbad, mas cada vez que “X” conta o que teria acontecido no ano passado “A” nega os factos apresentados por “X”. O personagem “M” que aparentemente é o marido de “A” intervém em várias sequências do filme interrompendo o diálogo e a acção da sua mulher com “X” Sacha Pitöef é memorável como “M” no seu épico jogo em que defronta várias pessoas do hotel inclusive “X” em que diz “Posso perder, mas ganho sempre”. Com um realização soberba de Alain Resnais e uma fotografia majestosa em ecrã largo de Sacha Vierny O Ultimo Ano em Marienbad é um marco do cinema modernista.

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AS NOVAS EXPRESSÕES DA

arte urbana ÁREA SÓCIO CULTURAL

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Trabalho foi apresentado pelo aluno Tomás Botelho do 1º ano do curso Design Gráfico no âmb i t o d a disciplina de integração, lecionada pela docente Dina Mª Santos. O tema é “Globalização da cultura- As novas formas de expressão artística/ plástica na cultura urbana”

INTRODUÇÃO A Arte Urbana È o fruto da liberdade de expresãoo de cada artista que aplica a mesma na rua.

Hoje em dia encontra-se arte urbana um pouco por todo o lado e em todo o tipo de suporte que esteja na rua, tanto legalmente em paredes como em comboios e outros suportes ilegais.

A Arte Urbana existe desde sempre, as cavernas foram provavelmente o primeiro suporte utilizado. No entanto as mais recentes expressões desta arte começaram a surgir por todo o mundo durante o movimento contracultural de Paris em 1968.

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AS MANEIRAS MAIS USUAIS CONCLUSÃO DOS ARTISTAS URBANOS EX- Com este trabalho espero ter consePRESSAREM A SUA ARTE SÃO: guido dar a conhecer algumas das noO GRAFFITI TRADICIONAL (Á MÃO LIVRE)

usando apenas sprays ou pinceis e rolos para aplicar a tinta; O STENCIL

usando os mesmos materiais que o Graffiti tradicional mas com uma técnica diferente que consiste em preencher com tinta o espaço envolvente de um molde aplicado no suporte.

vas expressões da arte urbana, sendo que com o mesmo consegui concluir que estão constantemente a nascer novas vertentes na Arte Urbana e que isso apenas depende da imaginação do artista.

BIBLIOGRAFIA: IMAGENS: HTTP://WWW.FOTOLOG.COM/DZERONE/61674880

É PRINCIPALMENTE NESTAS DUAS FORMAS DE EXPRESSÃO QUE ENCONTRAMOS OS CONCEITOS DE

HTTP://WWW.FLICKR.COM/PHOTOS/

BOMBING E HALL OF FAME.

POMO/2474977577/

O HALL OF FAME

HTTP://ALEXANDREFARTO.COM/

. pinturas bastante trabalhadas; . normalmente legais. . pormenor.

HTTP://WWW.FOTOLOG.COM/SARCHOPHAGI

O BOMBING

. pinturas pouco trabalhadas; . normalmente ilegais; . simplicidade e design. EXISTEM OUTRAS MANEIRAS MAIS ALTERNATIVAS DE ARTE URBANA TAIS COMO: STICKER (AUTOCOLANTE) POSTER EXPLODIR A SUPERFÍCIE LIMPAR A PAREDE

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LEGENDA DAS IMAGENS: 1 BOMBING :: DEXA, PORTO 2 EXPLODIR A SUPERFÍCIE :: ALEXANDRE FARTO, LONDRES 3 GRAFFITI TRADICIONAL 4 POSTER :: OBEY, THE GIANT 5 LIMPAR A PAREDE 6 STICKER 7 STENCIL 8 HALL OF FAME :: SEYR, LISBOA


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área técnica NO CONTEXTO DA PROVA DE APTIDÃO PROFISSIONAL, O ALUNO DA EPI, GUILHERME MARQUES VALENTE DE DESIGN DE INTERIORES E EXTERIORES (DIE09) CRIOU A MARCA GV HANDMADE, DE ROUPA DE AUTOR FEITA POR MEDIDA PARA A QUAL ELE DESENVOLVEU NÃO SÓ A IMAGEM DA MARCA, UMA LINHA DE ROUPA E TAMBÉM UMA VIRTUALIZAÇÃO DA LOJA QUE FOI PENSADA PARA UM ESPAÇO NA CIDADE DE LONDRES. AQUI FICAM ALGUMAS IMAGENS DESTE PROJETO.

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ficha técnica e_MAGAZINE

DIREÇÃO DE ARTe

DIREÇÃO

PRODUÇÃO EXECUTIVA

revista mensal

Dr. José Pacífico Gonçalo Barreiros

PROPRIEDADE

ETIC escola técnica de imagem e comunicação Rua D. Luís I, nº3 1200-151 LISBOA

Ana Abrantes

Daniela Ascensão Gonçalo Barreiros Patrícia Faria Rute Novais Telma Silvestre

Agradecimentos

Júlio Pimentel Manuela Barrenho (capa)

EDIÇÃO

Daniela Ascensão Gonçalo Barreiros

FOTOGRAFIA

Patrícia Faria

REDAÇÃO E REVISÃO

Catarina Ferreira da Graça Carolina de Lemos Daniela Ascensão Flávio Magalhães Gonçalo Barreiros Telma Silvestre

DIREÇÃO CRIATIVA Rute Novais

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e_MAGAZINE#5  

A e_MAGAZINE é um projeto da epi_ que pretende revelar o património cultural e social da escola através de trabalhos de alunos, ex-alunos e...