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Lumiar 2015

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A Revista do Choro é uma publicação da e-ditora]. Revista do Choro N. 2 abril 2016 ISBN: 978-85-69603-04-7 Editora Leonor Pelliccione Bianchi Projeto gráco, diagramação e revisão de texto Leonor Pelliccione Bianchi Produção de Conteúdo ImprensaBR Comunicação - Leonor Pelliccione Bianchi Foto da capa: Hermeto Pascoal fotografado por Aloizio Jordão Foto Waldir Azevedo recebendo o Disco de Ouro: http://www.waldirazevedo.com.br/ Todos os direitos desta publicação estão reservados à e-ditora]. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico), ou arquivada em qualquer sistema de banco de dados sem permissão da e-ditora]. Vendas do impresso e e-book da Revista do Choro www.portaldaeditora.com.br www.revistadochoro.com Assinatura da Revista do Choro www.revistadochoro.com/assine


A face chorona de Hermeto Pascoal

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Lumiar 2015


Foto Jordão Fotode deAloiso Aloízio Jordão


Sumário Especial Chorograa do Maranhão: O maior mapeamento de choro já feito no Brasil vai virar livro 9

Lançamentos Fonográcos Um dedo de prosa com Dinho Nogueira 19 Fabiano Borges e a união da música latino-americana em seu novo CD Latinoamérica 63 Lucas Félix: O primeiro violonista brasileiro a gravar Tolsa, no CD Meditación 79

Mulheres do Choro Brenna Freire em: ‘Filha de chorão cavaquinista é’ 33

Artigo Os dois lhos de Anacleto: 30 anos da menor big band do mundo. Por André Diniz e Diogo Cunha 41

Capa A face chorona de Hermeto Pascoal 47

Referências do Choro Serpentina, de Nelson Alves 89

Cinema e Choro Uma câmera na mão e um cavaquinho na cabeça: Documentário ‘Waldir Azevedo: um brasileirinho’ volta a ser gravado 91


Agnaldo Sete Cordas Foto de Rivanio Almeida

Chorograa do Maranhão: o maior mapeamento sobre choro já feito no Brasil vai virar livro Por Leonor Bianchi


A

o contrário do que muitos poderiam imaginar, não foi na cidade do Rio de Janeiro, local tido como berço do choro, o lugar de onde saiu o primeiro mapeamento do choro já feito até o momento no Brasil. A tarefa de elaborar o que podemos chamar de 'uma grande cartograa do choro' tem origem em São Luis, Maranhão, região Nordeste do Brasil, bem longe da cidade maravilhosa. A ideia de listar os nomes dos instrumentistas e compositores de choro do estado e entrevistá-los, delineando assim um esboço da história do choro e dos chorões do Maranhão, saiu da cabeça do sociólogo e radialista maranhense Ricarte Almeida Santos. Ao lado do jornalista Zema Ribeiro e do fotógrafo e irmão Rivanio Almeida Santos, Ricarte, que há 25 anos apresenta o programa Chorinhos e Chorões, na Rádio Universidade FM (106,9MHz) executou o projeto Chorograa do Maranhão nos últimos três anos, tendo entrevistado (em áudio) 52 chorões do Maranhão. Atenta à pauta desde que vi um artigo do Zema em seu site 'Homem de Vícios Antigos' (http://zemaribeiro.org/), em 2014, sobre o projeto, apenas agora, em janeiro de 2016, conheci virtualmente seu idealizador e tive a

oportunidade de entrevistá-lo para a Revista do Choro. E num momento propício ainda, já que este ano Ricarte está lançando um livro com as entrevistas que compõem o projeto Chorograa do Maranhão. Nossa entrevista aconteceu entre o estrondo da britadeira da obra na casa ao lado da redação e os tapas no corpo para espantar os mosquitos, que estão demais neste verão em Rio das Ostras. Sim, a redação está passando uma temporada na praia; saímos da serra lumiarense de Nova Friburgo para mergulhar nas águas de amaralina de Rio das Ostras, onde Caymmi compôs muitas canções nos anos de 1960 e 1970. Mas essa é outra pauta... Voltando a São Luís e aos mosquitos que invadiram o verão brasileiro... Durante a entrevista pude aprender e conhecer mais sobre a música nordestina e a íntima relação do choro com a tradição musical do instrumentista e do compositor maranhense. Uma relação que vem de muito tempo...

Da esquerda para a direita: Ricarte Almeida, Rivanio Almeida e Zema Ribeiro

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Delineando o mapa Segundo Ricarte, a proposta do projeto é resguardar a trajetória dos músicos maranhenses que atuaram próximos ao choro direta ou indiretamente. Sempre embasado em estudos, pesquisas, ele tinha noção da contribuição de antigos músicos maranhenses na cena do choro, mas além de não ter mais como conversar com alguns que já se foram, seu objetivo neste projeto foi justamente não deixar com que a história dos chorões vivos casse sem registro. “Minha ideia é ver como o choro entra na construção da música brasileira e como ele se insere na cultura maranhense. O choro, embora digam, nasceu no Rio de Janeiro, é um gênero de presença nacional; do Rio Grande do Sul ao

Pará; de Roraima à Paraíba... Tem choro sendo praticado em todos os lugares do Brasil, embora em cada um desses lugares com um sotaque próprio e um jeito próprio de ser tocado. Tem a ver com as identidades locais, com as transformações musicais, os ritmos locais. É como falar português; em cada lugar a gente fala de um jeito: o carioca fala de um jeito, o maranhense fala de outro e o gaúcho de outro. Como o nosso recorte era trabalhar com chorões que estavam praticando choro no Maranhão, tanto os nascidos no estado ou radicados, mapeamos os diferentes grupamentos chorísticos e convidamos seus integrantes para fazer parte da pesquisa. Também ouvimos outras pessoas que diziam conhecer chorões que não estavam mais em atividade, mas que tinham acervos importantes, ou tiveram atuação no choro em tempos passados”, conta Ricarte.

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E qual é o sotaque do choro maranhense? ara o pesquisador e proponente do projeto Chorograa do Maranhão, o sotaque do choro maranhense leva as informações da cultura popular.

diferente aqui. Às vezes, os instrumentos que são usados na percussão do choro aqui no Maranhão não são os mesmos usados no Rio de Janeiro. A batida do pandeiro aqui tem a ver com a pulsação 'boieira', por exemplo” observa o pesquisador, que segue: “O Maranhão é um estado com 400 anos de história; com uma cultura rítmica fantástica; de tradição afro com forte inuência da percussão: Tambor de Crioula, Cacuriá, Tambor de Mina, Bumba Meu Boi... É claro que essas manifestações que têm a ver com as identidades da gente vão acabar entrando no pensamento rítmico de quem toca samba e choro no Maranhão.

“O jeito de bater o pandeiro que se bate no choro é

Catullo da Paixão Cearense (1915). Coleção Luiz Antônio de Almeida. 12 | Revista do Choro


A batucada daqui é diferente da batucada carioca. Não estou dizendo que isso seja bom ou ruim. Isso é fantástico, ou seja, o carioca ter seu jeito de tocar e o maranhense ter outro. É como o frevo no samba e no choro pernambucano; como o baião na Paraíba... Cada lugar tem um sotaque próprio; o que torna esse gênero ainda mais rico, com identidades regionais, e ao mesmo tempo com uma identidade nacional”, destaca o sociólogo. Há 25 anos pesquisando o choro e dedicando-se a realizar em seu estado diversos projetos que privilegiam o gênero, Ricarte conta que desde sempre o choro esteve relacionado à música e aos músicos do Maranhão. “O Maranhão está presente na história do choro desde o começo. O autor da letra de Flor Amorosa, de Joaquim Callado, é um maranhense: Catulo da Paixão Cearense.

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A tradição do choro no Maranhão


Na pesquisa de Maurício Carrilho, “Choro Carioca, Música Brasileira”, ele detectou peças de chorões maranhenses já no século XIX que estão no acervo do padre João Mohana, fonte de sua pesquisa. Então, tem choro sendo praticado aqui desde o século XIX e isso permaneceu pelos séculos XX e agora no XXI.

obra dessas guras é impregnada de inuências chorísticas; no sotaque, na linha melódica, na estruturação da música. Então, o choro está presente na obra dos grandes compositores do Maranhão", destaca Ricarte.

Só para o projeto Chorograa do Maranhão entrevistei 52 chorões; todos na capital. E olha que ainda não entramos no interior com nossa pesquisa!”, conta Ricarte, que planeja viajar pelo interior do Maranhão numa segunda etapa do projeto, logo em breve.

Entrevistas foram publicadas em jornal do Maranhão

O que a gente percebeu é que o choro está presente na produção musical do Maranhão o tempo todo. Muitos grandes músicos de bandas, dos grupos de samba, das bandas pop, vêm do choro. Estudam choro e têm o choro como base em sua formação. Se a gente pegar os grandes compositores maranhenses, como, por exemplo, o Chico Maranhão, que foi gravado por grandes nomes, como MPB 4, Cristina Buarque...; o Josias Sobrinho, também gravado por muita gente; o Cesar Teixeira; o Joãozinho Ribeiro; o Chico Saldanha, seu Antônio Vieira, compositor das antigas que morreu recentemente, há uns cinco anos, a

Como forma de tornar público o seu registro, Ricarte fez uma parceria com um jornal de São Luís e publicou, ao longo de dois anos e meio, todas as 52 entrevistas realizadas durante o projeto Chorograa do Maranhão no jornal O Imparcial. “Nossa ideia era constituir um marco documental e imagético do choro e dos mestres do choro do Maranhão. Nosso estado está presente na história do choro desde sempre, mas não há nada registrado. Não fosse esse trabalho do Maurício Carrilho e o acervo padre João Mohana, ninguém saberia quem eram os praticantes do choro por aqui, antigamente, por isso, queríamos garantir o registro dos que estão vivos para que estes tenham sua história contada, documentada, registrada.

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Registramos as entrevistas em áudio e publicamos em um jornal de grande circulação local, a cada 15 dias, como matéria especial, no jornal O Imparcial”, disse Ricarte. Para organizar como seria feito o trabalho de campo, ele estruturou um roteiro com a ajuda do parceiro de outros projetos sobre choro que já realizara, o jornalista Zema Ribeiro, e contou ainda com a participação do fotógrafo Rivanio, que acompanhou todas as entrevistas, precisando ausentar-se em apenas uma delas, como nos conta Zema: “Tivemos a participação do jornalista e compositor Cesar Teixeira, que nos ajudou a entrevistar o Zeca do Cavaco. Em outra, quem colaborou foi Murilo Santos porque o Rivanio não pode participar. Foi a entrevista com os irmãos Gomes: Biné do Cavaco, Zequinha do Sax, e Bastico, violonista. Os três são lhos do Mestre Nuna Gomes, saudoso mestre do choro aqui no Maranhão; compositor e instrumentista importante no estado. Com a impossibilidade do Rivanio, o Murilo assumiu a câmera e clicou esse registro pra gente”, comentou Zema Ribeiro.

E quem foi mapeado? Quem são os chorões maranhenses?

Segundo Zema, “foram muitos instrumentistas, entre violonistas, cavaquinistas, bandolinistas, pandeiristas, saxofonistas, sanfoneiros, percussionistas dos mais diversos grupos de choro; desde o Tira Teima, que é o mais antigo grupo de choro do Maranhão, cuja fundação remonta à década de 1970, tendo participado do antológico 'Lances de Agora', um disco de Chico Maranhão, registrado por Marcus Pereira, em 1978; até os chorões mais novos, que surgiram e passaram a se dedicar ao choro em função do projeto Clube do Choro Recebe, produzido pelo Ricarte, há uns anos. Podemos citar entre esses novos instrumentistas, como o Lee Sousa, João Eudes e Wendell Cosme, que hoje são artistas de destaque no cenário maranhense, e de algum modo no cenário nacional, mas que ali, em 2009, 2010 estavam começando, às vezes o estudo de música, às vezes a prática do choro. A gente percebia com certa preocupação que muitos mestres partiram sem deixar registro. Ao longo das entrevistas, perdemos o Léo Capiba (depois de registrá-lo para o projeto), que era um cearense do Crato radicado há muito tempo no Maranhão; pandeirista, compositor, dono do mais largo sorrido da paróquia, como costumávamos brincar com

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ele, e ano passado perdemos Agnaldo 7 Cordas, que foi nosso segundo entrevistado no projeto», conta o jornalista.

afastando-se dos palcos para nunca mais tocar em lugares públicos. Ele é um colecionar voraz de discos; tem sete bandolins!

Já Ricarte lembra de outros nomes de destaque que foram entrevistados para o projeto e que estarão no livro:

Conhecemos, ainda durante o projeto, o Biné do Banjo, um compositor das antigas, que compôs muita coisa e hoje está cego e anda com muita diculdade.

“Turíbio Santos, Ignez Perdigão, João Pedro Borges e Joaquim Santos. Estes dois últimos participaram da Camerata Carioca com Radamés Gnattali; isso é um capítulo importante na história do choro maranhense contemporâneo. Entrevistamos ainda o Ubiratan Sousa, grande violonista maranhense, radicado em São Paulo, os integrantes do importante grupo de choro que tem mais de 20 anos em atividade, o Instrumental Pixinguinha, vinculado à Escola de Música do Maranhão; além do Chorando Callado, um grupo de jovens chorões; o Choro Pungado, o grupo Um a Zero... Também conversamos com o maestro Nonato, um cego que tocava choro e dirigiu muita gente em gravações de disco; o bandolinista César Jansen, que participou de um show antológico no Teatro Arthur Azevedo, onde tocaram a Suíte Retratos de Radamés, mas depois se frustrou com a atitude dos companheiros,

Foi muito importante entrevistar essas pessoas que já ultrapassaram os 75, 80 anos", enfatiza Ricarte.

Prefácio de Luciana Rabello As 52 entrevistas com os chorões feitas em dois anos e meio de trabalho agora irão compor um livro ilustrado com fotos coloridas e cerca de 500 páginas. Publicado pela editora Pitomba, o livro tem prefácio da cavaquinhista Luciana Rabello, que na apresentação fala um pouco sobre a presença do Maranhão na história do choro. A expectativa de Ricarte é de que o livro seja lançado em junho deste ano, mas para colocar os 1.000 exemplares do volume na rua, ele precisa de R$ 35 mil reais, dos quais, conseguiu captar R$ 15 mil até o momento, através do apoio garantido por edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Cientíco do Maranhão (Fapema). O livro sairá em parceria com a Universidade Federal do

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Maranhão e o desejo de Ricarte é de que parte da tiragem seja doada para centros educacionais, bibliotecas... “Se não conseguirmos captar os 20 mil reais que ainda faltam, vamos ter de vender o livro para poder garantir a impressão. Se conseguirmos, o livro será distribuído entre os pesquisadores, os parceiros da empreitada, bibliotecas públicas... Pretendo fazer o lançamento do livro em quatro capitais: Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Recife, em casas de choro. A ideia é levar um grupo de choro diferente para fazer os lançamentos nesses lugares, e para isso estou submetendo o projeto à Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão. Quero lançar o livro até o meio do ano, na Feira de Livro do Maranhão, que acontece no segundo semestre”, pontua Ricarte.

Captação de recursos através de campanha de nanciamento coletivo

Organizadores A relação dos organizadores do livro vem de outros projetos de choro que ambos já desenvolveram juntos no Maranhão. “Já gostava de choro, mas Ricarte foi o responsável por minha aproximação com o gênero e por me apresentar a diversos nomes do choro aqui no Maranhão. Tivemos a oportunidade de trabalhar juntos em alguns projetos, ele como produtor e eu como assessor de comunicação. Fizemos o 'Clube do Choro Recebe', que provocou o diálogo do choro com os ritmos da cultura popular do Maranhão; o Chorando na Praça, que levava choro para a periferia de São Luís; e mais recentemente, ao longo do segundo semestre de 2015, o RicoChoro ComVida, com a mesma proposta do diálogo do choro com ritmos da cultura popular do Maranhão, só que inserindo também DJs convidados”, conta Zema.

Para ajudar no orçamento e poder publicar o livro sem ter que vendê-lo depois de impresso, os organizadores recorreram ao sistema de nanciamento coletivo pela internet. 17 | Revista do Choro

João Pedro Borges


Do berço, segundo Ricarte, contando que o pai colocava discos de choro para ele e o irmão ouvirem desde quando eram pequenininhos. Foi essa memória da infância, que mais tarde aoraria na juventude, quando ele, na faculdade, começou a apresentar um dos mais antigos programas radiofônicos sobre choro que existem no Brasil. “Em 2005 fundamos o Clube do Choro do Maranhão. Só o meu programa tem 25 anos, o Chorinhos e Chorões; comecei em 1991. O programa existia há três anos antes de eu assumir. Sem desmerecer, antes de mim, ele era apenas um programa que tocava músicas, e só. Quando assumi, comecei a pesquisar e a produzir programas com temas, falar sobre a história do choro e dos chorões; fazia lançamentos de discos novos... Tentava fazer um programa que pudesse dialogar com a atualidade e com os acontecimentos chorísticos do Maranhão. E aí comecei a articular o choro no Maranhão e a criar momentos onde pudéssemos ouvir, praticar e estudar um pouco de música e de choro por aqui.

Mas minha relação com o choro começou ainda na infância, com meu pai, através do vinil. Ele era farmacêutico no interior do Maranhão, numa comunidade onde não existia nem energia elétrica; Santa Tereza do Paruá e lá já colocava choro para a gente ouvir. Ele fazia a gente dormir e acordar escutando choro. Colocava um lado do vinil à noite e o outro de manhã, de forma que a gente já acordava escutando aquela música. Eu nem percebi que gostava dessa música. Quando vim para São Luís estudar é que senti necessidade de me manter perto do meu pai através da música e comecei a fazer o programa logo no segundo período de Sociologia”, conclui Ricarte.

E... de onde vem essa relação com o choro?

O autista Serrinha

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Um dedo de prosa com o chorão mineiro Dinho Nogueira sobre seu primeiro CD, 'Amanhecer de Minas’

Por Leonor Bianchi


Nascido em Poços de Caldas, mas morando há alguns anos em São Paulo em função dos estudos de música e do trabalho, Dinho Nogueira, violonista, compositor, arranjador e que gosta também de explorar a experiência musical em outros instrumentos - o bandolim é um deles -, mantém suas raízes culturais (e as da alma) ncadas no interior e no gosto pelo que é simples; no cheiro da mata, da terra, do ar puro e no sabor do cafezinho com rapadura. Lançando seu primeiro disco, que tem ninguém menos que o gigante Heraldo do Monte como produtor e parceiro em duas músicas, Dinho conversou sobre o CD 'Amanhecer de Minas' com a Revista do Choro, e contou um pouco sobre este belo trabalho que já nasce abençoado. Além da produção, que contou com um dos maiores guitarristas brasileiros, o Heraldo, o disco ganhou a arte gráca da capa de presente do cenógrafo José de Anchieta Costa, e textos do encarte do renomado jornalista Eduardo Magossi. O disco conta com a participação dos músicos Fabio Leal, Alessandro Penezzi, Carlinhos Antunes, Eduardo Sueitt, Rafael Abdalla e Heraldo do Monte. Leia agora como foi esse agradável 'dedim' de prosa que tivemos com essa alma pura e genial do choro moderno brasileiro.

Revista do Choro: Como surgiu a ideia de gravar o disco Amanhecer de Minas, e como foi o processo de produção do CD e a participação do Heraldo do Monte no projeto?

Dinho Nogueira: Em 2014 comecei a frequentar a casa do Heraldo toda semana para fazer uma espécie de aula, mas a coisa acabou virando mais um encontro do que uma aula propriamente dita, até porque eu já tinha estudado bastante... E na verdade o que a gente busca quando está na companhia desses grandes ídolos é poder conviver com eles, tocar com eles... não essas questões teóricas, porque isso a gente resolve facilmente nos conservatórios,

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Leia as 20 primeiras páginas da Revista do Choro N. 2 e ditora]  

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