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Título: Temos de Começar a Jantar à Mesa Autor: Alice Vieira Editora: Editorial Caminho Resumo: Carolina lembrou-se de Felicidade nesse dia, enquanto via uma telenovela mexicana com a avó, porque ela apresentava grandes semelhanças com uma das personagens, Abigaíl Gusmán. Nesse dia, a mãe colocara a melhor toalha e os melhores pratos, para o tão esperado momento. Coisa rara, naquela casa, tendo em conta que, há tempos atrás, a propósito das actividades diferentes e horários desencontrados do pai, da mãe, da Carolina e do Zé Pedro, se havia decidido que cada um aquecia o seu jantar, comendo-o depois em frente da televisão. A verdade é que muitas vezes o pai e mãe tentavam mudar este hábito mas no dia seguinte, essa ideia já havia sido esquecida. Porém, um dia, depois da habitual conversa em que os pais pretendiam fazer a família começar a comer à mesa, o pai anunciou que precisava de falar seriamente com todos. A estas palavras, o silêncio instalou-se e Carolina olhou rapidamente para o ecrã da televisão, onde se desenrolava uma cena com Abigaíl Gusmán. Zé Pedro e Carolina tentaram desculpar-se por atitudes passadas, mas o pai afirmou não ter nada a ver com nenhum deles, ouvindo-se ao fundo as palavras da personagem feminina da telenovela mexicana. A mãe começou então a preocupar-se perguntando-lhe pela sua saúde e pelo seu emprego. O pai negou ser essa a razão da conversa, e, procurando coragem, disselhes que tudo tinha acontecido quando tinha sido chamado à Junta de Freguesia uns dias antes, ao mesmo tempo que, na telenovela, Luís Fernando Montoya aparecia no ecrã. Então, o pai anunciou que tinha uma filha que o queria conhecer. Carolina tentou dizer algo, mas nada do que lhe passava pela cabeça lhe pareceu adequado. Quando olhou para a família, todos pareciam distraídos. Enquanto os pais gritavam no corredor, Zé Pedro estava no quarto a ouvir Carolina refilar sobre a maneira como imaginava a irmã e sobre o súbito aparecimento dela, resmungando da demora que a filha do pai tinha levado para o procurar, ao que o irmão tentou desculpar e explicar o que o pai tinha dito antes. E, de facto, o pai explicou que a filha mais velha tinha, recentemente, perdido a mãe, e, ao tratar de alguns papéis, havia descoberto que o pai ainda estava vivo, ao contrário do que lhe tinham dito. Quando a mãe soube, ficou assustada e o pai explicou-lhe imediatamente que na altura em que tinha namorado a Felicidade, ainda não a conhecia, o que a fez ficar muito mais descansada. Apesar disso, Carolina continuava descontente com a ideia de ter uma irmã mais velha. Ao mesmo tempo, no ecrã da televisão, Luís Fernando Montoya ameaçava Abigail Gusmán. Carolina recusou-se a ver o programa de televisão a que o pai tinha ido para se encontrar com a filha mais velha, sentindo desprezo e pensando que não conhecia aquela pessoa que era na realidade o seu pai, devido à forma como estava a reagir… Além de tudo o resto, tinha medo da reação dos colegas. No dia seguinte, Zé Pedro comentou com a irmã que até achava a irmã mais velha simpática, deixando Carolina muito indignada, pensando na infelicidade de ter uma irmã mais velha, que poderia mandar nela e tirar-lhe o lugar de “menina do papá”, lembrando-se de como o pai sempre a mimara e pensando porque razão o nome dela era Felicidade… No dia do tão esperado programa de televisão, Carolina pediu para ir passar a noite em casa da avó materna, que, pelo menos, pensava ela, não teria de partilhar com a nova irmã. Mas a avó também parecia entusiasmada com a chegada dela e, por isso, também ela decidiu assistir ao programa. Carolina estava envergonhada e desejava apenas que na escola ninguém gozasse com ela por causa de tudo isso. O pai estava irreconhecível na televisão, na opinião de Carolina, e tal como a mãe e o Zé Pedro, parecia bastante feliz. Carolina fartou-se da situação quando a avó comentou a parecença entre o pai e a filha mais velha, o que a deixou bastante desconfortável, e foi dormir. Nessa noite, sonhou com o pai abraçado a Abigail Gusmán e com as ameaças de Luís Fernando Montoya. No tão esperado dia, Carolina pensou desesperadamente em variadas maneiras de arruinar o jantar, mas acabou por desistir de o fazer, pois tinha medo que o pai lhe ralhasse à frente da irmã mais velha, o que a faria parecer uma criança. No dia do programa, o pai tinha prometido a Felicidade este jantar, dizendo-lhe que ainda podiam ser uma família, ao que a filha mais velha se mostrou hesitante, dizendo que já tinham passado muitos anos… Nessa altura, Carolina pensou que poderia passar a gostar de Felicidade, visto que era a única a conseguir ver as coisas da maneira que ela mesma via. A família recebeu, nessa noite, um ramo de flores com um bilhete de Felicidade, anunciando que não viria, agradecendo a oportunidade de conhecer o pai, mas justificando que já tinha passado demasiado tempo, mas que, apesar disso,


deveriam tentar conhecer-se melhor sem apressar as coisas. Então, a mãe disse a toda a família que era hora de cada um preparar o seu tabuleiro e assim fizeram. Carolina disse ao pai que Felicidade um dia voltaria, para o animar. O pai disse-lhe, sorrindo, que a felicidade sempre lá estivera, ao mesmo tempo que Manfredo Loriente matou Luís Fernando Montoya. Comentário: Esta história foi especialmente do meu agrado. É uma história que nos conta a vida de uma família que não tem o hábito de jantar à mesa. Toda a história é contada em torno de um acontecimento que lhes mudou a vida: a descoberta de que o pai tinha uma filha mais velha, que o procurava. Todas as personagens são fortes e possuem características muito próprias, que as diferenciam umas das outras. Nos primeiros capítulos são-nos apresentadas todas as personagens de maior destaque: a Carolina, a avó Eduarda, a mãe, o pai e o Zé Pedro. Ao mesmo tempo que a ação se desenrola, uma telenovela vai acompanhando todos os momentos importantes da vida da família, em que Abigaíl Gusmán, Luís Fernando Montoya e Manfredo Loriente constituem as principais personagens. No início do primeiro capítulo, aparece a primeira referência à telenovela, em que Carolina compara Felicidade (a filha mais velha do pai) a Abigail Gusmán. Também neste primeiro capítulo é descrito parte do que aconteceu no dia em que se deu o jantar com Felicidade. Mais tarde, no segundo capítulo, que, curiosamente, relativamente ao tempo em que decorre, aconteceu antes do primeiro, conta-nos a altura em que o pai comunica a todos a bombástica notícia de que tem uma filha mais velha. Neste momento, aparecem em variadas vezes as referências à telenovela, nomeadamente, no momento em que o pai anuncia que precisa de conversar com todos, Abigail Gusmán é ameaçada por um homem na televisão, entre outras situações do género. Um aspeto muito interessante relativamente a esta relação entre a realidade e a telenovela é a forma como as falas são apresentadas, tendo em conta que as falas das personagens da realidade são introduzidas por um travessão e as falas das personagens da telenovela são colocadas entre aspas. Carolina, quando soube da novidade, não ficou minimamente contente. Podemos comprová-lo quando ela resmunga que só naquela altura lhe tinham dado as saudades. Além disso, Carolina também sente muitos ciúmes pela filha mais velha, porque sempre tinha sido a “menina do seu pai” e tinha medo que Felicidade interferisse na sua relação com o pai. Podemos ainda comprovar um aspeto muito importante, que já referi anteriormente, a telenovela. A verdade é que, ao longo de toda a ação, a televisão (principalmente a telenovela) é muito influente na vida de Carolina, porque ela própria admite que, de vez em quando, apenas lhe vêm à cabeça ideias disparatadas, e culpa a televisão por causa disso. No capítulo 5, Carolina tem um sonho, em que o pai está a abraçar Abigail Gusmán e Luís Fernando Montoya ameaça todas as pessoas que se atravessarem no seu caminho. No meu entender, esse sonho representa uma associação que a Carolina faz entre aquilo que se está a passar na sua vida e aquilo que acontece na telenovela. Segundo o texto, no 6º capítulo, podemos comprovar que Carolina não quis ir ao programa que tinha como objetivo dar a conhecer Felicidade à família do pai, e fazer com que todos se tornassem uma família. Carolina, embora zangada com a situação, assistiu ao programa, mas decidiu ir deitar-se quando o apresentador do programa tentou convencer Felicidade de que o tempo passado nada importava, e que ainda estavam a tempo de se tornarem uma família, ao que ela respondeu apenas que já tinham passado vinte e cinco anos, e que isso era muito tempo. Carolina foi deitar-se exatamente porque, naquele momento, se apercebeu de que talvez pudesse vir a simpatizar com a irmã mais velha, porque ela parecia ser a única que tinha a mesma ideia acerca da situação que ela, o que a deixou particularmente irritada. Ainda no mesmo capítulo, a certa altura, Carolina pensa em arruinar o jantar e a conjunção “ou” é utilizada numerosas vezes para introduzir as ideias que lhe passaram pela cabeça. A conjunção “mas”, no sexto parágrafo, é utilizada para dar a ideia que, ainda que arruinar o jantar lhe desse muito prazer, Carolina não o podia fazer, pois sabia que o pai iria ralhar com ela em frente de Felicidade e isso iria humilha-la. No sétimo capítulo, Carolina sentiu especialmente culpa. O diálogo final entre a Carolina e o pai é muito importante, porque é aí que, para o animar, Carolina diz ao pai que Felicidade um dia irá voltar e, com um sorriso, ele responde-lhe que a felicidade sempre lá estivera, o que significa que o pai sempre fora feliz com aquela família, e que Felicidade nunca iria mudar isso.


Esta história termina com Manfredo Loriente a espetar uma faca na barriga de Fernando Montoya, o que na minha opinião, é uma boa opção, pois, na telenovela, Luís Fernando Montoya representava, de certa forma, o mal para Abigail Gusmán e, por isso, a sua morte foi como a ausência de Felicidade. Na minha opinião, a televisão é muito importante para todas as pessoas por variadas razões. Eu, por exemplo, não passo muito tempo em frente da televisão, mas dedico-lhe algum tempo diariamente, a ver coisas de que gosto. A televisão traz, na minha opinião, muitos benefícios, porque é uma forma acessível de aprender e informar. Por outro lado, também pode trazer malefícios, como por exemplo a dependência, os problemas de visão, entre outros.

Leonor Ferreira, nº 15, 8ºA

"Temos de começar a Jantar à Mesa" - Ficha de leitura  

Atividade desenvolvida no âmbito do estudo do conto «Temos de começar a jantar à mesa» (de Alice Vieira; do livro Trisavó de Pistola à Cinta...

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