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Dez 2015 \ Jan 2016

5 A colunista colaboradora é Psicóloga, Artista Plástica, formada em Desenho e Pintura pelo Instituto de Belas Artes, Escritora, Pós-graduada em Literatura Infantojuvenil pela UFRJ. Diretora da Academia Brasileira de Belas Artes, Membro da Société Académique D’Éducation et D’Encouragement de France - Arts-Science-Lettres, Comendadora Grande Mestre da Associação Brasileira de Desenho e Artes Visuais e Acadêmica das mais importantes Academias de Letras e Artes do Brasil. Contatos: isis.renault@terra.com.br

IMPRESSÕES

Por Isis Berlinck Renault *

"Encontrando Marseille"

N

ão importa a idade que se tenha, a vida sempre nos surpreenderá. Emoções novas, descobertas, despertar de conhecimentos ou sentimentos esquecidos, reviver... E viver intensamente momentos da mais pura emoção. Não importa a idade que se tenha. Sempre viajei muito. Posso dizer que conheço bastante desse mundo em que vivemos. Por influência de meu marido, que tinha ascendência francesa, nosso país preferido era a França. Nossas viagens - não importava para que país - sempre começavam e terminavam na França. Não é que, quando pensava já ter visto e sentido tudo que a França me poderia oferecer, a vida me reserva uma emoção a mais? Recapitulando: no mês de outubro deste ano, fiz uma viagem com meus filhos, noras e neta, um sobrinho com esposa e filho e minha irmã Iris. Éramos dez pessoas. Em dois carros alugados, passeamos por Espanha e Portugal. Ao término dos vinte dias, nossos companheiros de viagens voltaram para o Brasil e minha irmã e eu viajamos para Gênova, onde embarcamos no navio Lírica da MSC, com destino ao Rio de Janeiro. Mais uma vez passando pela França... Saindo de Gênova, o primeiro porto foi Marseille. Estranhamente eu não conhecia Marseille. Talvez por opção, porque conhecendo bastante a região da Provence, já havia estado em cidades vizinhas como Axe-en-Provence, Arles, etc., nunca chegara até ela. Conhecia um pouco de sua história e de sua importância. Sabia, por exemplo, que Napoleão III havia morado no Palais de Pharo que, depois da morte de sua esposa, ele o doara à cidade e que, atualmente, abriga órgãos públicos do Governo. Sabia da importância da fé religiosa do povo. Principalmente a dos pescadores fervorosos a Notre Dame de la Garde, porque os guarda sãos e salvos de suas viagens pesqueiras. Sabia da influência que a literatura teve na divulgação de Marseille depois que Alexandre Dumas lançou o livro O Conde de Monte Cristo que tem seu décor na prisão de Castel D’If, localizada numa ilha nas costas de Marseille. Tinha conhecimento do que me esperava. Só não esperava a emoção que me tomou conta.

Divulgação

Esta colunista no Palácio de Pharo de Napoleão III, em Marselhesa.

Já no primeiro contacto com a cidade, ela me emocionou. Um sentimento profundo de completa aceitação da atmosfera que me envolvia. Era algo no ar que eu não sabia explicar. Me deixei envolver... A emoção se concretizou quando da nossa visita à Igreja de Notre Dame de la Garde. Uma jovem parisiense que nos abordou gentilmente e nos convidou a ir com ela até a capela da Virgem. Muito piedosa, nos contou que há cinco anos trocou Paris por Marseille para estar mais perto da Virgem e que se impôs como opção propagar sua bem-aventurança e que ficaria muito feliz se nós a acompanhasse. Contou-nos ainda que fiéis de tudo mundo quando veem rezar à Virgem, escrevem bilhetes à Ela, agradecendo, fazendo pedidos ou, simplesmente, cumprimentando-a e colocam os bilhetes em uma urna própria. Todos os dias, durante as missas, os bilhetes são colocados em uma salva de prata que fica no altar. Três bilhetes são retirados e seus assinantes recebem preces privilegiadas. Escrevi um bilhete de agradecimento e o depositei na urna. Michelle aguardava. Fizemos uma oração juntas e nos despedimos com muita emoção. Emoção que me acompanhou. Sentamos, minha irmã e eu, em um bar com mesas e cadeiras na calçada, numa bela rua de pedestres. Ficamos por longo tempo no doce balanço da vida olhando as pessoas passando, as crianças brincando, a vida acontecendo. Pensei: “Porque será que nunca estive aqui?” Eu mesma me respondi: “Porque a vida não quis. Porque agora era o momento certo.” concordei comigo: “É verdade! Tudo no vida tem seu momento certo.”. E me entreguei inteiramente ao meu momento. PS. Escrevi esta crônica a bordo do navio, ainda sob a emoção que senti quando visitei Marseille. Agora, dias depois, escrevo este adendum sob forte comoção - não mais a emoção - pelo que aconteceu na barbárie na França. Da emoção à comoção! A vida é bela. Os homens é que a tornam feia, quando permitem que o amor se vá e deixam de amar os seus semelhantes.

Academia Carioca de Letras recebe Fernanda Montenegro Por Dyandreia Portugal

O

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Jornal Sem Fronteiras vem, ao longo do tempo, graças aos seus colunistas, parceiros e apoiadores, chegando cada vez mais às mãos dos grandes nomes de nossa cultura. Um exemplo disso foi a entrega de um exemplar para a consagrada atriz Fernanda Montenegro, que recebeu um exemplar das mãos das Colunistas da publicação, Maria Araújo e Messody Benoliel. Messody teve a oportunidade de explicar a Fernanda, o projeto editorial Sem Fronteiras, que busca divulgar o movimento das Academias e Associações e o faz sem qualquer forma de patrocínio ou apoio formal, mas que, a cada ano, está indo mais longe, amadurecendo e se aperfeiçoando. Mas, esse encontro só foi possível graças às atividades que a Academia Carioca de Letras vem desenvolvendo, ao longo do último mandato, estreitando a distância dos nomes consagrados da cultura, daqueles que procuram se aperfeiçoar a cada dia, através de Ciclos de Palestras “Fórum Carioca de Cultura” que a referida Academia oferece. As palestras, que contam com o apoio cultural do SESC e o patrocínio da Bradesco Seguros, acontecem sempre às segundas-feiras, no Auditório da sede da Academia, à Rua Teixeira de Freitas, 5, Sala 306 – Lapa, Rio de Janeiro (no Prédio do IHGB). Fernanda Montenegro foi recebida no dia 5 de outubro para uma mesa redonda, com os Acadêmicos Miriam Halfim e Sérgio Fonta, sobre o tema: “Uma luz sobre o Acadêmico Paschoal Carlos Magno: o teatro e o mecenato”. Durante o ano de 2015, Marcelo Caleiro, Heloisa Buarque de Holanda, Affonso Romano Sant’Anna, Marina Colassanti, Dom Orani Tempesta, Ziraldo, Haroldo Costa L&M Fotografias: (21) 2232-0277

Sanny Soares

Messody Benoliel explica o projeto editorial do Jornal Sem Fronteiras a Fernanda Montenegro.

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As Colunistas Maria Araújo e Messody Benoliel com Fernanda Montenegro e Sérgio Fonta.

Fernanda Montenegro aprecia o evento, ao lado do Presidente da Academia Carioca de Letras, Ricardo Cravo Albin.

e muitos outros importantes nomes circularam no auditório da Academia Carioca de Letras, ao lado de experientes Acadêmicos, em ciclos de palestras, debates e mesas redondas. O "Fórum Carioca de Cultura", esse ano, celebrou os 450 anos do Rio de Janeiro. Na última edição do ano do Fórum, realizada no dia 23 de novembro, a Academia recebeu Ruy Castro, que palestrou sobre o tema: 150 anos do carioca Olavo Bilac: preconceitos e resgate. Além disso, aconteceu a apresentação dos cantores da peça Ora, direis ouvir estrelas! Na ocasião, o Presidente Ricardo Cravo Albin anunciou o nome de Ruy Castro como vencedor do Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro. Ruy Castro foi o

finalista ao lado de Sérgio Sant’Anna e Alexei Bueno, numa disputa que começou com 17 candidatos. Fundada em 8 de abril de 1926, a Academia Carioca de Letras, constituída como Associação de Cultura Literária do Estado do Rio de Janeiro, tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional. Compõe-se de 40 membros titulares e adota os mesmos critérios tradicionais das demais academias brasileiras. O Jornal Sem Fronteiras parabeniza a Academia Carioca de Letras na pessoa de seu Presidente, Ricardo Cravo Albin, e faz votos que esta Diretoria seja reeleita para que nossos leitores possam continuar acompanhando tal desenvoltura bem-sucedida.

Messody Benoliel entrega um exemplar a também competente Miriam Halfim.

Serviço: http://www.academiacariocadeletras.org.br/ academia@academiacariocadeletras.org.br.html

www.redesemfronteiras.com.br | contato@redesemfronteiras.com.br

Jornal Sem Fronteiras - Edição Dezembro-15/Janeiro-16  
Jornal Sem Fronteiras - Edição Dezembro-15/Janeiro-16  

Jornal Sem Fronteiras - Edição Dezembro/15-Janeiro/16, uma produção da Rede Mídia de Comunicação Sem Fronteiras, da jornalista Dyandreia Por...

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