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Pรกgina Fliporto JORNAL DA VII FESTA LITERรRIA INTERNACIONAL DE PERNAMBUCO 2011


Expediente

Edição e reportagem:  Ana Luiza Madeiro, Andréa Xavier, Antônio Tiné, Ariane Cruz, Brenda Coelho, Carolina Borba, Eduardo Sena, Iara Lima, Marília Carvalho, Michele Cruz, Tacy Viard. Fotografia: Ângela Tribuzi, Beto Figueirôa, Leandro Lima e Tom Cabral Assessoria de Imprensa: Dupla Comunicação www.duplacom.com.br (81) 3242.3207

Sumário temas

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novos olhares

04

tariq ali

05

joumana haddad

06

cine

07

cliques

08

lançamentos

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porto da poesia

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fliporteando

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Visões diferentes para a América Latina

Projeto Gráfico e Diagramação: Geovana Vieira

Equipe Fliporto 2011

Curadoria: Antônio Campos camposad@camposadvogados.com.br

Mundo árabe em transformação

Coordenação Executiva: Eduardo Côrtes cortesedu@uol.com.br Coordenação Literária: Mario Helio Gomes mariohelio@gmail.com Coordenação do Cine Fliporto: Alexandre Figueirôa alexfig@uol.com.b r Coordenação da Fliporto Nova Geração e Coordenação Literária da Fliporto Criança: Antonio Nunes (Tonton) prof_nunes@hotmail.com

Relações entre Oriente e Ocidente

A nova mulher árabe

Coordenação Executiva da Fliporto Criança: Pedro Ivo cialazer@companhiadolazer.com.br Coordenação da Fliporto Digital: Cláudia Cordeiro claudia@fliportodigital.net Coordenação Geral da EcoFliporto: Antônio Campos e Marcus Prado Coordenação Executiva da EcoFliporto: Leila Teixeira presidencia@imcbr.org.br Coordenação de Eventos e Produção Artística e Cultural: Monica Silveira monicasilveira.comunicacao@gmail.com

Obras literárias e o audiovisual

Pela liberdade de expressão

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Coordenação de Jornalismo: Ariane Cruz ariane@imcbr.org.br

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Coordenação de Publicidade: João Castelo Branco joaofliporto@gmail.com

Criadores e suas obras

Gerência Executiva: Veronika Zydowicz veronika@fliporto.net Produção Executiva: Karla Cybelle karla@fliporto.net Gerência Financeira: Tatiana Valente financeiro@editoracarpediem.com.br Assessoria Jurídica: José Arnaldo Moreira Guimarães Neto arnaldoguimaraes5@yahoo.com.br Programação do site Fliporto.net: Rodrigo Coutelo rcoutelo@yahoo.com.br

Pluralidade cultural na Fliporto


FOTO: BETO FIGUEIROA/Santo lima

temas

Visões passionais

sobre a América

Latina Um bloco continental e posições e impressões distintas dos escritores Fernando Morais,

Leandro Narloch e Samarone Lima. Mediados pelo jornalista Vandeck Santiago, os três escritores analisaram a “América Latina: para além do bem e do mal”, e com posições bastante adversas, promoveram uma das mais polêmicas mesas de debate durante a VII Fliporto. A escolha dos convidados não se deu por acaso: todos possuem uma relação estreita com o continente, principalmente, com a ilha de Cuba. Samarone Lima escreveu o livro "Viagem ao crepúsculo", a partir de impressões registradas em uma espécie de diário de viagem, no período em que passou na ilha, em 2007. Fernando Morais teve seu primeiro grande sucesso editorial com "A Ilha", sobre o regime castrista, e volta ao assunto em seu mais novo livro, "Os últimos soldados da Guerra Fria", que foi lançado durante a Fliporto. Já Leandro Narloch assina o "Guia politicamente incorreto da América Latina", onde se refere aos líderes políticos do país caribenho com frases polêmicas como "Fidel Castro foi capitalista" e "Che Guevara ordenava torturas".

Morais defendeu os índices sociais de Cuba e o desempenho esportivo dos atletas do país para exemplificar as conquistas da ilha socialista. "Muita gente me pergunta por que é que eu continuo sendo solidário com a Revolução Cubana. A União Soviética acabou há 20 anos, e como se mantém esse desempenho de Cuba no Panamericano?”, questionou, para pronto revide de Narloch: “Acho malufista esse argumento do Fernando", disse. A partir daí uma discussão extremamente voltada para legendas políticas tomou conta da mesa. Era um direitista (Narloch), um esquerdista (Samarone) e um socialista (Morais) defendendo posições antagônicas sobre uma mesma América Latina. “Che Guevara se sacrificava pelo ideal, mas não concordo com impor o seu ideal para o resto da população. Esse discurso de que é bom para os pobres... é muito ruim para os pobres. Eu acho que está na hora da gente pensar que está todo mundo no mesmo barco e parar de ver a história da América Latina como um conflito entre classes. Amadurecer para tornar o continente

mais próspero", ponderou Narloch, arrancando aplausos do público, para, em outro momento, levar vaias quando citou Nelson Rodrigues. “Quem não é socialista aos 20, não tem coração. Quem permanece aos 40, não tem cérebro”. Aliás, o escritor pernambucano Nelson Rodrigues foi bastante lembrando na palestra. Morais lembrou a célebre frase do dramaturgo carioca: “eu prefiro a liberdade ao pão”, citou, para depois completar, “vá perguntar para uma mãe que está enterrando um filho de cinco anos por falta de alimentos, para ver o que ela prefere”, provocou. Samarone Lima funcionava como um ponto de equilíbrio na discussão, sem desconsiderar as conquistas mencionadas por Morais nem a falta de liberdade comentada por Narloch. "Eu me preocupo com a discussão que é em cima de números. O esporte, em Cuba, é um fator de ascensão social, por isso tanta gente quer ser atleta. Fico triste quando se fala da liberdade como uma coisa 'en passant'. Para mim, é a coisa mais importante do ser humano. No meu livro, mudei os nomes de todas as pessoas com quem eu conversei, porque o grau de repressão é muito grande, eu vi isso lá. Você não sofre uma detenção provisória, são 20 anos de cadeia, com solitárias, com torturas", desabafou.

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Posições adversas, debate rico e polêmica na mesa “ América Latina: para além do bem e do mal”

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novos olhares

Uma primavera que varre o mundo Árabe

Abdel Bari Atwan - um dos 50 árabes mais influentes do mundo

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Nos últimos anos, assistiu-se a uma série de novos termos, olhares e valores asse-

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diando a sociedade contemporânea. A “Primavera Árabe”, como ficou conhecido o período dos protestos em países como Tunísia, Egito, Líbia e Síria, virou uma retranca, poética até, para rotular a onda revolucionária de manifestações que vêm ocorrendo no Oriente Médio e no Norte da África. As particularidades do tema foram discutidas na mesa “A Primavera Árabe: o que está certo, o que está errado e no que isso vai dar”, protagonizada pelo jornalista Abdel Bari Atwan - considerado um dos 50 árabes mais influentes do mundo, e que entrevistou longamente Osama Bin Laden - em conversa com o jornalista Geneton Moraes Neto. Em uma conferência recheada de colocações coerentes e que deixaram de lado ideologias e paixões, Abdel frisou a importância da “Primavera Árabe” para a evolução política da região, sobretudo no que tange a democracia. “Sem dúvida, essa é uma das melhores coisas que aconteceu nos últimos 100 anos no

mundo árabe, que estava impregnado de corrupção e ditadura, além de estar extremamente atrasado”. Comparou o fenômeno da Primavera às revoluções ocorridas na América Latina, que reestruturou sócio-economicamente esse bloco continental. “Estamos empenhados em mudar, desenvolver e levar o mundo árabe na direção certa. Nós mesmos, sem depender dos EUA, que têm um padrão hipócrita de mundo. Querem nos controlar, mas sem nos oferecer o que dá ao seu povo: democracia, direitos humanos e leis”, explicou. Segundo ele, os próprios árabes têm capacidade de promover essas revoluções e conduzir o avanço da região. “Em nosso mundo, existem dois modelos para gerar a democracia. A escola americana, pautada na guerra, em que se gasta um trilhão de dólares e se mata um milhão de pessoas, e o nosso modelo, barato, e com muito menos mortes”. Como exemplo, lembrou que

na Tunísia, findada a revolução com sucesso, morreram apenas 200 pessoas. “A Síria está a ponto de derrubar o regime através de meios pacíficos. Com a violência tenho certeza de que estamos fazendo as coisas da forma errada”. O editor da revista “Al Quds Al Arab” também contou de forma bem humorada todos os pormenores de sua entrevista e suas impressões do ex-líder do grupo Al Qaeda Osama Bin Laden durante sua estadia na caverna do terrorista em Bora Bora. “Dormi em uma cama que era feita com troncos de árvore, do lado dele, e o colchão era feito de granadas, mísseis, fuzis e um grande material bélico. Claro que não consegui dormir com aquilo tudo. Mas o que realmente me surpreendeu foi a candura de Bin Laden. Ao contrário de um estereótipo nervoso e impaciente que os terroristas têm, ele era calmo, educado, sutil, e gostava de ouvir o outro. Parecia um britânico”, lembrou.


tariq ali

Polêmico, forte e vigoroso

de tabuleiro de xadrez no qual os EUA definem os movimentos principais. “O Irã é cercado por países que detêm tecnologia nuclear como Israel, Paquistão, Índia, China e Coreia, então pra quê esta pressão sobre o arsenal nuclear do Irã, é legítimo que eles tenham um arsenal para sua própria defesa”, analisa Se nas nações de mundo árabe as questões passam pelo respeito a direitos básicos individuais, o autor analisa a crise ocidental, cujos sistemas se baseiam na ordem econômica. É o caso dos movimentos Occupy Wall Street (EUA), as greves na Grécia e a revolta dos imigrantes na Espanha e Itália. “É preciso que os governantes tomem medidas, os líderes dependentes das grandes finanças fazem com que a política se torne uma mercadoria, uma commodity”, defende Tariq Ali.

Realidade pode ser mais cruel que a ficção Ao receber o convite para escrever um livro ficcional, o correspondente internacional Silio Boccanera negou veementemente. Ao ser sondado uma segunda vez para redigir uma obra verídica, achou que seria por demais enfadonho fazer apologia a si mesmo. Em uma terceira tentativa, a editora propôs uma obra que mesclasse os dois estilos. Daí surgiu Jogo Duplo, lançado no final da década de 1990 e cuja narrativa gira em torno de um correspondente internacional que vivencia o sequestro do embaixador brasileiro no Líbano por um grupo de terroristas. O livro foi o fio condutor do tema do Painel ‘Terrorismo real e fictício, antes e depois do 11 de setembro’, que contou com a presença do próprio Boccanera e do jornalista Geneton Moraes Neto. Na obra, os terroristas explodem a ponte Rio-Niterói para pressionar o Governo Brasileiro a ceder às exigências. Ao ser sondado por um agente literário americano para transpor o livro para a realidade dos Estados Unidos, ele sugeriu que o atentado fosse ao Monumento a Washington, um obelisco de 170 metros de altura no coração da capital do país. A ideia foi descartada por ser considerada inverossímil. Os atentados de 11 de setembro, entretanto, provaram o contrário. No painel, Boccanera e Geneton partilharam suas experiências na cobertura internacional para situar a plateia no contexto sócio-político da realidade das nações fincadas no Oriente Médio. Geneton revelou que ao ter acesso a documentos oficiais do Governo americano o plano original seria muito pior: sequestrar 15 aviões. Mas Bin Laden achou radical demais. “O 11 de setembro nos provou que, às vezes, a realidade é bem mais cruel do que a ficção”, opinou Boccanera.

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captores que ficaria muito grato se passasse a noite sendo torturado desde que, pela manhã, ele estivesse falando espanhol fluentemente. Assim foi a maneira como o jornalista Silio Boccanera apresentou o caráter impetuoso e mordazmente crítico do escritor, jornalista, cineasta e militante paquistanês no painel “Paquistão-Afeganistão – equívocos na guerra ao terror”. O encontro promoveu uma visão clara das relações entre Oriente e Ocidente, temáticas sempre presentes nas obras de Tariq, militante de esquerda e ferrenho crítico dos sistemas neo-liberalistas que priorizam o poderio econômico em detrimento da construção de sociedades democráticas. Na palestra, ele criticou implacavelmente as grandes lideranças mundiais, sobretudo os Estados Unidos da América (EUA), pela pressão militar que exercem sobre o oriente. Para compreender melhor as necessidades dos países do Oriente, Tariq recomenda que as sociedades ocidentais aprendam a dissociar as pessoas dos governos que dirigem suas nações. “Os ocidentais desconhecem a realidade do Oriente e isso só tem piorado depois dos atentados de 11 de setembro. A ideia geral que se faz do Islã é aquela de um local onde homens barbudos matam pessoas com bombas. Se desumanizarmos os adversários, os líderes ocidentais podem fazer o que quiserem na medida em que as populações aceitam isso”, enfatizou. “O Afeganistão possui entre 24 e 26 milhões de pessoas que vivem em estado de guerra desde 1979. Isso é um período mais longo do que as guerras mundiais ou do que o conflito do Vietnã”, frisou. Ao ser questionado sobre o fato de Obama ter se tornado uma decepção, foi enfático ao responder que só o seria para os que acreditavam nele anteriormente. “Ele não fez promessas concretas no campo da política externa. Deu continuidade às ações de Bush em relação a intervenções no Afeganistão e não extinguiu a base de Guantánamo, liberando ainda menos presos políticos que seu antecessor”, disparou. Em relação à Primavera Árabe, o escritor crê que a derrubada de déspotas na Líbia, Egito e Tunísia abre um período de transição onde não há uma solução à vista, mas o início de um processo em que as pessoas descobriram que, atuando juntos, podem mudar a realidade. No fundo, a geopolítica do Oriente Médio se apresenta como um gran-

FOTO: ANGELA TRIBUZI

Ao ser preso por suspeita de se tratar de um espião cubano, Tariq Ali teria respondido aos

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FOTOs: TOM CABRAL/Santo lima

joumana haddad

Subversões em tons de rosa

O pós-feminismo árabe de Joumana

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Haddad

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“Um dos melhores critérios para mensurar como um país leva em consideração o respeito aos direitos humanos é

averiguar a forma como ele trata suas mulheres.” O conceito é da escritora, tradutora, poeta e jornalista libanesa Joumana Haddad, que incendiou o pavilhão do congresso Literário na noite de ontem (14) no painel “Quem é a nova mulher árabe”, em conversa com o jornalista Silio Boccanera. Joumana foge a quaisquer estereótipos clichês acerca da figura e papel da mulher no Oriente da atualidade e é autora do elogiado livro ‘Eu matei Sherazade – confissões de uma árabe

enfurecida’, recém-lançado no Brasil e no qual ela refuta o papel submisso delegado às mulheres do oriente perpetuados pela figura da contadora de histórias que delega ao sultão Xariar o poder sobre sua própria vida. “Ela pula de uma caixa de Pandora a cada vez que uma escritora árabe é citada no mundo”, desabafa a autora. O discurso enfurecido de Joumana é definido pela própria como um pós-feminismo. “Não condeno os homens, mas o sistema do patriarcalismo. Condeno, sim, homens e mulheres que apoiam o sistema patriarcal”, exemplifica. “Conheço mulheres que criam seus filhos de uma forma e as filhas apenas para aspirar a um casamento. Eis o motivo pelo qual a educação é tão importante”, opina. A “Primavera Árabe” – tema frequente nas mesas de discussões da Fliporto – ganhou cores ainda menos

coloridas pela perspectiva de Joumana. A escritora libanesa não se considera pessimista em relação aos movimentos pós-revoltas nos países árabes, mas puramente realista por não acreditar que a situação para as mulheres de países como Síria e Egito vá mudar nem tão cedo. “Estou orgulhosa do que aconteceu, mas após os primeiros momentos, estas mulheres que apoiaram os movimentos revoltosos simplesmente sumiram. É como se elas tivessem sido usadas apenas para dar credibilidade ao movimento”, pontuou. Em uma leitura apoteótica do trecho final de seu livro ela revela que – por tudo que a personagem representa - matou Sherazade em todo o seu inconsciente juntamente com a ajuda das mãos das modelos Calvin Klein, todas as namoradas de James Bond e toda mulher “tratada como um delicioso pedaço de carne”. Arrebatou o público - que a aplaudiu de pé - ao ratificar sua militância perante a vida: “Há uma mulher árabe insubmissa em mim. Ela tem suas próprias histórias, cuja moral não é a negociação, ela tem sua liberdade e sua vida, que não lhe foram concedidas por ninguém”.


cine

É muito tênue a divisória entre as obras literárias e suas adaptações para o audiovi-

sual - seja no suporte cinematográfico ou televisivo. A relação é considerada antiga e remonta aos princípios do surgimento do cinema, até então um filho do teatro. Os responsáveis pela reflexão sobre esta relação foram os cineastas Guel Arraes, Tizuka Yamasaki e Guel Arraes, sob a mediação do curador do CineFliporto, Alexandre Figueiroa, responsável pela condução das conversas no painel “Como o Cinema e a TV reescrevem a literatura”. A escolha dos painelistas ampliou o foco de discussões e atraiu um grande público ao local. Enquanto Tizuka Yamasaki prefere trabalhar a partir de textos documentais de pesquisa e

Guel Arraes transpõe obras não só para o cinema, mas para a TV, Nelson Pereira dos Santos é considerado um dos maiores intérpretes da literatura nacional através da releitura de obras de Graciliano Ramos, Nelson Rodrigues, Jorge Amado e Guimarães Rosa. Se um filme, antes e a despeito de qualquer coisa, é texto antes de virar imagem através do roteiro, os cineastas divergiram sobre a condução deste processo de transposição. Para Guel, “uma boa adaptação não é uma tradução, mas parceria, pois você pede ‘licença’ ao autor para as modificações necessárias”. Tizuka, por sua vez, se confessou uma “covarde” neste aspecto. “Confesso que sempre peço ajuda a roteiristas, tenho dificuldade em contar uma história em ordem cronológica

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(re)leituras literárias

FOTO: LEANDRO LIMA

Cinema e

e numa narrativa linear, talvez por isso eu tenha optado por trabalhar com pesquisas”, esclareceu. Entretanto, foi Nelson quem arrancou gargalhadas do público ao revelar que seu processo de roteirização é variado, pois em Vidas Secas, as filmagens das cenas quase não contaram com roteiro físico, mas com o seguimento à risca da obra literária. “Já em Tenda dos Milagres, trabalhei em conjunto com Jorge Amado no roteiro, mas ele me pedia alterações que eu simplesmente ignorava. Na década seguinte, quando filmei Jubiabá, o próprio Jorge Amado me disse que não queria saber do roteiro, que eu mostrasse a ele o filme já pronto”, contou. A releitura de obras literárias mostra ainda outra faceta polêmica. Enquanto os leitores das obras tendem a fazer comparações inevitáveis (e muitas vezes negativas sobre os filmes) por conhecer a fundo os detalhes do livro em si, Nelson Pereira acrescentou que o audiovisual é uma maneira de atrair novos leitores, estimulando e fomentando a aquisição de conhecimento acerca dos livros que deram origem às obras cinematográficas. Guel, por sua vez, defendeu a posição de que, mesmo que não venham a ler os livros originais, os espectadores de plataformas audiovisuais, como cinema ou televisão, terão uma experiência literária ao assistir aos filmes e seriados.

Literatura na tela grande e na tela pequena

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cliques

Literária Internacional de Pernambuco estiveram juntos em uma tarde de bate-papo e boa gastronomia organizada pela Souza Cruz. A série “Liberdade de Expressão”, da escritora Gabriela Javier, foi lançada no evento. Confira os cliques:

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FOTO: BETO FIGUEIROA/Santo lima

Pela Liberdade de Expressão

Organizadores, convidados e patrocinadores da VII Festa

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FOTO: LEANDRO LIMA

FOTO: TOM CABRAL/Santo lima

FOTO: TOM CABRAL/Santo lima

FOTO: LEANDRO LIMA

lançamentos

O público, os criadores e as criações

Novos

Dentro da Fliporto, a Tenda de Autógrafos, localizada na Feira do Livro, foi cenário de importantes lançamentos da cena literária brasileira e internacional. O que se viu foram enormes filas para prestigiar os escritores. Passaram por lá nomes como Gonçalo M. Tavares, Fernando Morais, Frei Betto, Maria Paula, Nelson Motta, Antônio Campos e Leandro Narloch. O premiado escritor angolano radicado em Portugal, Gonçalo M. Tavares, trouxe para a Fliporto o novíssimo Uma viagem à Índia, uma epopeia ao clássico Os Lusíadas de Camões, com cenário indiano. Já o mineiro Fernando Morais lançou Os últimos soldados da Guerra Fria, obra que narra a aventura dos espiões cubanos em ter-

ritório americano, revelando os tentáculos de uma rede terrorista com sede na Flórida e ramificações na América Central. O curador geral da Fliporto, Antônio Campos, apresentou a sua mais recente publicação: A reinvenção do livro, uma abordagem das novas plataformas possíveis e tecnológicas da literatura. A ex-casseta Maria Paula também aproveitou a efervescência literária da Festa e lançou Liberdade Crônica. Uma compilação de histórias e crônicas que falam sobre atitude, alegria e caráter. Ao longo de seus textos, a autora aborda questões sócio-políticas, analisando certos aspectos ideológicos da sociedade. Em sua nova biografia, o carioca Nelson Motta traz, na obra A Prima-

vera do Dragão, a história do cineasta e precursor do Cinema Novo no Brasil, Glauber Rocha. Trata-se de um relato ágil sobre a juventude inquietante do cineasta baiano. O humanista Frei Betto em uma fase menos engajada e mais ficcional apresentou o seu romance histórico Minas de Ouro, contando a atribulada saga da família Arienim, carregada de tragédias e aventuras, procurando por metais preciosos pelo território brasileiro. Já o polêmico jornalista Leandro Narloch trouxe aos leitores o irreverente e ácido Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, obra que derruba mitos populares com versões menos polidas da história do país.

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em folha

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FOTOs: beto figueiroa/SANTO LIMA

porto da poesia

Tudo isso é cultura. Tudo isso é Fliporto

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destinado às apresentações musicais, armado na Praça do Fortim do Queijo, recebeu mais de 20 mil pessoas, durante o evento, para ver e curtir os shows de Jorge Ben Jor, Taryn Spilzman, Maestro Spok, e dos grupos performáticos de literatura Literatrupe e Vozes Femininas. O espaço foi aberto na noite da sexta-feira (11) com o Maracatu Estrela Brilhante, fazendo uma grande ode à cultura local. Em seguida, subiu ao palco o grupo Vozes Femininas, formado pelas poetisas Cida Pedrosa, Susana Morais, Mariane Bigio e Silvana Menezes, que recitaram poesias autorais e universais, que iam de Gilberto Freyre, à Manuel Bandeira e Carlos Pena Filho. Mas a atração mais esperada da noite foi a cantora revelação do último Rock in Rio Taryn Spilzman. Na apresentação uma mescla da música americana com influências brasileiras. Taryn fez uma apresentação impecável que uniu o melhor do rock, jazz e blues com arranjos tropicais. No repertório, canções consagradas nas vozes de Janis Joplin, Muddy Waters, Aretha Franklin e Ângela Rô Rô. Já no sábado (12), as atenções se voltaram para o carioca-sangue-bom, Jorge Ben Jor. O público cantou em coro todos os seus hits. No programa, os clássicos País Tropical, Fio Maravilha, Magnólia e Ive Brussel, só para falar de alguns. Pro-

Pluralidade cultural FOTO: LEANDRO LIMA

Nem só de livros e palestras se faz a VII Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto). O Palco das Artes,

gramado para cantar apenas uma hora, Jorge extrapolou, e cantou 40 minutos além do previsto. Passava da 1h da madrugada do domingo (13), quando Maestro Spok e Orquestra subiu ao palco para um público incansável (e que resistiu à chuva), evocando a música que é a cara de Olinda, o frevo. Teatralizando a literatura – Para animar ainda mais o público da Fliporto, o grupo performático Literatrupe trouxe para a Festa Literária a fusão de elementos armoriais e circenses em declamações poéticas. Ascenso Ferreira, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto foram alguns dos poetas que tiveram suas obras recitadas aos visitantes enquanto o grupo percorria a rua da Cidade das Letras.

As poesias ganharam corpo e som, com os personagens Índia Mãe da Lua (Cintia Ribeiro), Trovador Literário Mesk Morato (Carlos Mesquita), Poeta Rabequeiro (Thiago Martins) e Trovador Falcão (Marinho Falcão), que além de recitar, tocaram instrumentos exóticos e étnicos como cuenco tibetano, japuru (flauta indígena), chocalho, zabumba e rabeca. A alegria circense do quarteto arrancou sorrisos de crianças e adultos que interagiam por meio de palmas, sugerindo temas para poemas inventados na hora ou completando frases ditas pelos atores. Por onde passava, a Literatrupe ia ganhando novos adeptos num cortejo que percorreu toda a Praça do Carmo, em Olinda.


FOTO: beto figueiroa/Santo lima

FOTO: beto figueiroa/Santo lima

FOTO: ANGELA TRIBUZI

fliporteando

FOTO: TOM CABRAL/Santo lima

Tizuka YamaSaki - a cara do oriente

Samarone Lima - “Viagem ao Crepúsculo” em segunda edição

FOTO: TOM CABRAL/Santo lima

FOTO: TOM CABRAL/Santo lima

Gonçalo M.Tavares nas ruas de Olinda

Walmir Chagas e o seu pequeno na Fliporto Criança

Guel Arraes no Sítio de Seu Reis

FOTO: TOM CABRAL/Santo lima

Geneton Moraes Neto voltando às raízes

FOTO: beto figueiroa/Santo lima

Cidade das letras

Cláudio Ferrário conferiu como o cinema e a TV reescrevem a literatura

João Signorelli debateu com as “Mulheres Alfa”

e também do Teatro, da TV, do Cinema ...

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FOTO: LEANDRO LIMA

Nelson Pereira dos Santos na Mostra Gilberto Freyre

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