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FOTO: TOM CABRAL / O SANTO


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Dois dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa, Mia Couto e José Eduardo Agualusa, debatem o processo de construção de nações que marca suas obras. No Congresso Literário (Praça do Carmo), às 10h.

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A premiada escritora Maria Valéria Rezende realiza uma oficina de haikais para crianças. Na Fliporto Criança (Praça do Carmo), das 9h às 10h30, e das 10h30 às 12h.

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Favoritíssima do público jovem, a escritora Paula Pimenta conversa com o curador da Fliporto Nova Geração, Antonio Nunes, sobre a criação dos ofícios literários. Na Fliporto Nova Geração (Praça do Carmo), às 19h.

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Lançamento do E-Book Pernambuco, Jardim de Baobás, de Antônio Campos e Marcus Prado. Na Eco Fliporto (Clube Atlântico), às 19h30.

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Estreia do primeiro texto teatral do jornalista e escritor Edney Silvestre, com leitura dramática de Christiane Torloni. No Congresso Literário (Praça do Carmo), às 20h.

Coordenação de Jornalismo Ariane Cruz Schneider Carpeggiani Edição e Textos Dupla Comunicação Antônio Tiné Michele Cruz Iara Lima Anne Mendes Guilherme Vila Nova Tacyana Viard Rebeka Nascimento Fabiana Constantino Marcio Fabiano

Carolina Borba Fernando de Albuquerque Fotografia O Santo – Beto Figueiroa e Tom Cabral Leandro Lima Chico Ludermir Revisor Felipe Casado Design Gráfico Hallina Beltrão


A bonitinha de Nelson

Ao lado de Nelson Rodrigues Filho e de Braz Chediak, Lucélia Santos lembra-se dos conselhos que recebeu do homenageado da Fliporto 2012

FOTO: CHICO LUDERMIR

“Falta fazer Nelson Rodrigues em Pernambuco”. O comentário de Neville D’Almeida pareceu profético ao confessar que sonha filmar Senhora dos Afogados em terras pernambucanas durante o painel Nelson Rodrigues no cinema. O debate reuniu ainda Nelson Rodrigues Filho, o cineasta Braz Chediak e a atriz Lucélia Santos sob a mediação do curador da CineFliporto, Alexandre Figueiroa. O flerte entre Nelson e o cinema começou na década de 1950 e não parou mais. Até 2005, pelo menos 22 filmes inspirados em suas obras teatrais ou literárias que povoaram o imagético brasileiro. Entre elas, a segunda versão de Bonitinha, mas Ordinária (1980), dirigida por Braz Chediak e estrelada por Lucélia Santos em uma interpretação visceral da personagem Maria Cecília, um anjo-demônio com todas as nuances que o papel requer. Chediak confessou que possui uma relação afetiva com a película, pois foi através deste texto, em sua primeira montagem para os palcos, que ele conheceu a obra do autor. “Fiquei apaixonado pela peça. Ele revolucionou o teatro verticalmente, cortou as reticências, o ponto e vírgula e o cenário. Tive a sorte de ter a Lucélia no elenco. Me pergunto hoje como teria sido o filme sem ela. A cena da curra faz parte da nossa memória coletiva”, elogia o cineasta. A atriz, por sua vez, relembrou um Nelson quase paternal, que ligava para ela durante todos os dias das filmagens em busca de detalhes e ofertando conselhos: “Lembre-se, minha querida, que ela pagou pra ser currada. O ator tem que ter coragem de pular do último trampolim com os olhos vendados”, teria lhe dito o genial mestre. Ela seguiu à risca.

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Em nome do pai

FOTO: CHICO LUDERMIR

Músico de flamenco fala que o ritmo está acostumado a crises e aproveita sua passagem pelo Brasil para procurar seu pai desaparecido

Espanha e Portugal vivem uma crise econômica sem precedentes. A cada dia, acompanhamos pelo noticiário imagens de protesto dessas duas nações em crise. Na última quarta, trabalhadores portugueses e espanhóis iniciaram uma greve geral de 24 horas contra as medidas de austeridade que os governos adotaram para tentar aliviar a situação. Mas, para os manifestantes, o remédio acabou tendo um efeito de veneno: segundo eles, o governo acabou deixando o povo ainda mais pobre. O músico espanhol Ricardo Miño não se assusta muito com as notícias apocalípticas que agora acompanham o nome Espanha. “Eu sou um músico de flamenco, flamenco é um ritmo que está acostumado a crises. Estar em crise não é novo para nós”, comentou o artista, que se apresenta hoje, às 18h15, no Congresso de Escritores, ao lado de Manuel Lorente e Sonia Bartol. Ele apresentará o espetáculo Poesia e corpo em voz alta: flamenco falado e cantado. Poucos artistas podem falar tão bem sobre o que significa o flamenco (sobretudo em tempos de crise ou de eternas crises) quanto Miño. Desde os anos 1960, ele roda o mundo com nomes como Pepe Marchena e Manuela Vargas. Em 1971, ganhou o importante Prêmio Nacional Manolo de Huelva. Acostumado a rodar pelo mundo, Miño tem sempre uma sensação especial quando precisa se apresentar no Brasil: seu pai, Pedro Ricardo Miño, nasceu em São Paulo. E há mais de 40 anos não tem qualquer notícia dele ou de possíveis parentes. O músico chegou ao Recife com uma xérox da carteira de identidade paterna na esperança de alguma notícia. “É uma situação estranha, porque não sei nem como procurá-lo. Não sei a quem recorrer”, afirma.

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Há de voltar Sebastianismo marca conversa de Ariano Suassuna com o escritor português Almeida Faria

ele construiu um ideário de sonho e realização para a humanidade através da literatura. “O homem é o único animal que possui o senso ético do bem e do mal, que é inerente à sua humanidade. O homem vive do sonho de ser mais e de se elevar a si mesmo”, disse o mestre armorial sob o aplauso da plateia. Ambos citaram poetas e escritores célebres da língua portuguesa, como Carlos Pena Filho, Euclides da Cunha, Padre Antônio Vieira e Camões. Este último é quem teria influenciado “de forma negativa” a empreitada do Rei de Portugal na conquista das terras mouras. “Isso é o que dá quando poetas acabam se metendo em política”, disse Farias. Ariano sonhou ainda mais alto, quando afirmou o sonho de ver unidos Portugal, Brasil e África: “O Brasil não é nada sem Portugal; Portugal não é nada sem o Brasil. E os dois não são nada sem a África. Juntos eles formariam o que eu chamo de rainha do meio-dia.”

FOTO: BETO FIGUEIROA/ O SANTO

Sebastianistas confessos e voluntariosos, o português Almeida Faria e o meio pernambucano meio paraibano Ariano Suassuna inspiraram os participantes do Congresso Literário da Fliporto 2012, no início da noite desta sextafeira, 16 de novembro. De frente para uma plateia lotada, os escritores reafirmaram a crença no mito de Dom Sebastião e na formação de uma nação verdadeiramente ideológica, vinculada à plena justiça, liberdade e a igualdade. “O mito sebastianístico nos oferta a formação de um império não da força, mas do espírito”, disse Almeida Faria, em seus primeiros cinco minutos de fala. No seu novo romance O Conquistador, Farias foi quatro séculos à frente do mito e construiu um Dom Sebastião moderno. Seu personagem nasce de forma sobrenatural e começa a crer que é o rei de Portugal reencarnado. Já Ariano foi fundo em suas raízes cristãs e familiares. No ethos do sertanejo,

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FOTO: CHICO LUDERMIR

FOTO: BETO FIGUEROA/ O SANTO

Educação sentimental Com as palavras que Maria abriu a Fliporto 2012

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Caetano Veloso contrariou o triste folclore do exílio e lançou alguns dos seus álbuns mais perfurantes quando precisou deixar o Brasil no começo da década de 1970. O repertório desse período não fala apenas de uma saudade paralisante, também de desejo, perdas & danos. “Todos sabem que nossas cidades foram erguidas para serem destruídas”, canta em Maria Bethânia, cartão postal em formato de música no qual implora Bethânia à irmã notícias de que dias melhores estão chegando. Só Bethânia poderia encontrar as palavras certas para confortar seu isolamento. Caetano confiava nas palavras de Bethânia. Não estava sozinho. Desde os anos 1960, nós confiamos nas palavras dos outros que a cantora toma para si – sejam elas do mano Caetano, de Fernando Pessoa, de Drummond ou de Guimarães Rosa. A palavra original pode até ser deles, mas a final é dela. Foi essa sensação de posse que conferimos na abertura da Fliporto, quinta à noite, no espetáculo Bethânia e as Palavras. Durante pouco mais de uma hora, o público que lotou a tenda do Congresso Literário (isso sem falar na multidão que acompanhou a apresentação por um telão montado do lado de fora) viu a cantora encontrar a ênfase certa para o melhor do nosso legado modernista: Carlos Drummond de Andrade,


FOTO: LEANDRO LIMA

FOTO: TOM CABRAL/ O SANTO

Ascenso Ferreira, o Guimarães Rosa de um sertão onde até Deus precisa estar armado e Mario de Andrade. E foi justamente num texto de Mario de Andrade que Bethânia mostrou o quanto continua sabendo nos dizer que as coisas podem melhorar, tal e qual um dia fez aquele Caetano do exílio: “Que bobagem falar que é nas grandes ocasiões que se conhece os amigos! Nas grandes ocasiões é que não faltam amigos. Principalmente neste Brasil de coração mole e escorrendo. E a compaixão, a piedade, a pena se confundem com amizade. Por isso tenho horror das grandes ocasiões. Prefiro as quartas-feiras.” Quando a cantora enfatizou “quartas-feiras”, a plateia ficou literalmente aos seus pés. A apresentação de Bethânia e as Palavras, na Fliporto, foi uma exceção. O espetáculo foi montado para ser apresentado em instituições de ensino, num esforço quase messiânico da artista. A cantora fez questão de frisar que foi aluna de escolas públicas (ou melhor: de ótimas escolas públicas) e chegou até a ler um poema de um mestre dos tempos do ginásio (Bethânia sabe mexer com o nosso afeto de ontem e usa expressões como “ginásio”). E talvez tão possuída por essas lembranças, na hora de se despedir, tomou nos braços sua pasta de poemas e fez uma pose clássica de professora, mas de uma professora que tem a certeza de que foi ouvida. O que não é fácil nestes tempos de poucos silêncios. Bethânia sabe disso.

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Uma loba em Olinda

FOTO: LEANDRO LIMA

IO Solar da Marquesa, espaço da Fliporto dedicado à reunião de atores, escritores e poetas para manifestações artísticas diversas, teve sua inauguração, ontem, com destaque para o lançamento do livro O Lobo e a Loba, da atriz Christiane Torloni, com direito a uma pequena performance e sessão de autógrafos. A atriz recitou versos do livro Violenta, de Eduardo Ruiz. O Lobo e a Loba conta a história dos espetáculos Lobo de Ray-ban e Loba de Ray-ban, vividos, respectivamente, por Raul Cortez, em 1988, e Christiane Torloni em 2010. “Na verdade, esse livro seria um capítulo de minha biografia, mas vimos que era uma parte tão rica que resolvemos transformar em uma obra única”, explicou. O Solar da Marquesa também foi palco para o lançamento da 2ª Edição da ArtFliporto, revista quadrimestral de ensaios e crônicas. A programação no Marquesa segue hoje com concertos musicais, serestas, interpretações e performances artísticas e literárias. O espaço fica localizado próximo ao Mercado Eufrásio Barbosa, no bairro do Varadouro, em Olinda.

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Para os fetichistas do livro Mais de 500 mil obras estão recepcionando os visitantes da Fliporto. O volume de títulos faz jus ao público que não para de prestigiar os lançamentos e de ocupar os estandes da 3ª Feira do Livro. Logo na tarde do primeiro dia, Suzana Guimarães Farias apresentou o seu livro de prosa Natureza Sem Fim. No mesmo dia, André Torreta lançou o seu E Agora, Vai?. Na tarde de ontem, três novidades movimentaram o espaço. O poeta Cleberton Santos lançou seu terceiro título, abordando elementos da cultura popular brasileira. Mais tarde, Cyl Galindo ocupou a cadeira da sala de bate-papo e, falando um pouco sobre Manuel Bandeira, revelou o objeto da sua publicação em conjunto com Maria do Carmo Barreto e Waldemar Lopes: BANDEIRA no Telescópio de Três Amigos do Recife. Para encerrar o dia de novidades, Pedro Fernandes Neto apresentou Expresso VienaBudapeste, obra que conta a aventureira viagem de trem de um casal pela Europa. Hoje, serão lançados Perfume dos Laranjais, de Sada Ali, Varal, de Maria Vilani e Orondu, de Beto Bezerra.


FOTO: CHICO LUDERMIR

Quando as cores e as palavras se misturam ...

O caminho para mudança  

Imaginação, criatividade, cores e palavras. Tudo isso reunido em um único lugar. A Fliporto Criança, localizada no coração da festa literária, aposta na mistura de cores e palavras para atrair as crianças e despertar ainda mais o interesse pelos livros. Ontem, o burburinho foi em torno do livro O Duende que perdeu seu pote de ouro. As crianças conheceram de perto a história da família Gusmão, que resolveu escrever um livro para homenagear a sua matriarca, Maria do Céu Gusmão. Envolvendo as três gerações, a obra, que demorou apenas seis meses para ficar pronta, deixou a criatividade falar mais alto e reuniu as histórias mais incríveis imaginadas por 12 membros do clã.  Além de palestras, lançamentos e oficinas, o espaço proporciona o primeiro contato de bebês com os livros na Biblioteca dos Bebês, novidade desta edição. Lá, crianças de 0 a 4 anos são envolvidas pelo universo lúdico criado para despertar a atenção delas, desenvolver o raciocínio e provocar o interesse e o hábito da leitura.

Não apenas despertar o hábito da leitura, mas utilizar o mundo das letras como ferramenta de mudança. Por isso, a Fliporto Nova Geração abriu espaço para o Livro Para Todos. Realizado pela Fundação Carlos Chagas, o programa foi apresentado pela primeira vez em Olinda, no painel Formação de Mediadores de Leitura, para professores de escolas públicas e bibliotecários. “O objetivo foi conscientizar esses profissionais do papel deles na inserção de crianças, jovens e adultos no mundo literário, criando intimidade com as páginas e renovando a estima deles”, conta a gestora de projetos socioambientais da organização, Mariana Reimberg. São os multiplicadores que têm a missão de levar esses leitores para as bibliotecas por meio da contação de histórias e oficinas que utilizam técnicas musicais e artísticas. E são esses os caminhos percorridos pelo Livro Para Todos. Em dois anos de execução, a iniciativa apadrinhou 30 bibliotecas comunitárias de Pernambuco, Alagoas e São Paulo, com treinamentos, doações de livros e aporte financeiro. páginaf liporto

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Apelo de Nelson é imortal Adaptações de Nelson Rodrigues para o cinema ainda mexem com o imaginário do público na Fliporto 2012. O Cine Fliporto, com exibições no auditório da FOCA, reuniu, só no primeiro dia de exibições, cerca de 300 pessoas para assistir Oca de Ouro, A Falecida e Engraçadinha. No sábado, foi a vez de Os Sete Gatinhos e A Dama do Lotação, baseados em títulos de Nelson. A mostra recebeu, ainda, o premiado Silêncio na Neve, do diretor Gerardo Herrero, e Estrela Oculta do Sertão, documentário dirigido pela fotógrafa Elaine Eiger e pela jornalista Luize Valente. Neste último, o tema central é a prática judaica mantida por algumas famílias no alto sertão nordestino. A expectativa é que o público continue prestigiando as exibições, sobretudo para rever Nelson.

FOTO: LEANDRO LIMA

Trio vencedor

FOTO: TOM CABRAL/O SANTO

Pela memória de Burle Marx

Foram mais de 2500 poemas concorrentes de cinco países com um total de 500 inUm espaço onde se respira arte e cultura de scrições. Estes foram os resultados da forma sustentável. É desta forma que a Eco terceira edição do prêmio TOC 140, que Fliporto – espaço dentro da Festa Literária Inselecionou os 100 melhores poemas proternacional de Pernambuco, criado para disduzidos via twitter e que foram publicados cutir questões socioambientais, abre a sua 2ª no livro TOC140, da Editora Carpe Diem. edição na Fliporto. Com recorde de público O pernambucano Ednaldo Francisco foi o em todos os minicursos e oficinas desta quinvencedor do concurso, e garante que valeu ta-feira, esta foi, sem dúvidas, uma das áreas muito a pena participar. “Eu já fazia poesias mais procuradas pelos visitantes do evento. desde sempre. Quando descobri o concurLocalizada no Clube Atlântico, a Eco Fliporto so resolvi me inscrever e fiquei muito sureste ano homenageia Burle Marx. preso quando vi que fui o primeiro lugar”, disse. O segundo lugar foi o paranaense Gustavo Stresser e o terceiro ficou com a potiguar Marina Rabelo. O trio é convidado vip da Fliporto.

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FOTO: BETO FIGUEIROA/ O SANTO

Barry Miles

Mia Couto

FOTO: LEANDRO LIMA

FOTO: BETO FIGUEIROA/ O SANTO

Multidão assistindo ao espetáculo de Maria Bethânia no telão

FOTO: BETO FIGUEIROA/ O SANTO

Silio Boccanera

FOTO: BETO FIGUEIROA/ O SANTO

Artistas populares roubam a cena

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Curadoria Antônio Campos

Coordenação de Publicidade João Castelo Branco

Coordenador Executivo Eduardo Côrtes

Coordenação Executiva e Financeira Maria Galliza

Coordenação Literária Mario Helio Gomes Coordenação da Fliporto Nova Geração e da Fliporto Criança Antonio Nunes Coordenação da E-Porto Party Lívio Meirelles, Cláudia Cordeiro e Julio Silveira Coordenação do CineFliporto Alexandre Figueirôa Coordenação Geral da EcoFliporto Antônio Campos e Marcus Prado Coordenação Executiva da EcoFliporto Leila Teixeira Coordenação da Feira do Livro Lívio Meirelles Coordenação de Jornalismo Ariane Cruz e Schneider Carpeggiani

Coordenação Administrativa Veronika Zydowicz Coordenação Artística e Cultural/ Porto da Poesia Monica Silveira Produção Executiva Vanessa Guedes e Tatiana Valente Assessoria Jurídica José Arnaldo Moreira Guimarães Neto Coordenação do Ambiente Virtual Cláudia Cordeiro Assessoria de Imprensa Dupla Comunicação

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Página Fliporto - 2012

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