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BOLETIM DE NOTÍCIAS Nº 2 | 27 de setembro 2013 | www.tecnologianaeducacao.com.br

CONFERENCISTAS DEFENDEM BRINCADEIRAS E CURIOSIDADE PARA DESENVOLVER O SABER A tarde de ontem do XI Congresso Internacional de Tecnologia na Educação foi marcada pelas conferências internacionais de dois dos mais renomados estudiosos da educação no mundo: a argentina Alicia Fernandéz e o italiano Mauro Maldonato. Principal referência em psicopedagogia na América Latina, Alicia apresentou a teoria de que brincar e aprender nos permitem fazer dos sonhos e desejos textos possíveis e visíveis. “No brincar nasce a primeira experiência de autoria. Aprender pressupõe um processo construtivo de um EU autobiográfico, que vai criando sua história e se construindo como sujeito”, afirmou ela. Em tempos modernos, a infância e a adolescência trazem muitas mudanças e desafios, mas também novas oportunidades. Em vez do chão, da terra, do papel, a superfície em que as crianças e adolescentes passaram a escrever tem variado, e muito rápido, criando novos contextos. Mas o brincar continua sendo universal. Mudou-se a forma das escritas e modificouse o modo de representações, mas não se deixou de brincar. “Os adultos de hoje esperam uma subjetividade pedagógica, a atenção focalizada, e deparam-se com jovens com atenção flutuante, volátil, dispersa, necessitados de um espaço para serem escutados e onde o aprender não exija deixar o corpo e a atenção encapsulados”, finalizou Alicia. Já Mauro Maldonato, que foi professor visitante da USP e da PUC-SP e teve publicado no Brasil seu livro “Passagens de Tempo”, completou sua palestra feita durante a manhã, quando indagou sobre a inovação. Na conferência da tarde, ele

abordou os mecanismos que antecedem a inovação, o significado da descoberta e o papel primordial do pesquisador. “Ele é o explorador do desconhecido, tem fascínio pelas coisas da natureza e senso de mistério. O homem que não se comove e não se curva ao mistério para no tempo e não abre caminho para o conhecimento”, disse. Para ele, é na pesquisa que está o amor pelo o que estamos querendo descobrir e não na descoberta em si. A pesquisa é a ponte entre a imaginação e a realidade e essa é uma das premissas da educação: a de formar pessoas em vez de apenas informar, a de educar e não deseducar, sufocando os alunos pela burocracia, imposições e obrigações desvinculadas do processo de conhecimento e do saber.


PROGRAMAÇÃO 27 SET 2013

TEREZINHA FERRAZ LANÇA LIVRO SOBRE A POLÍTICA DE GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA

Com aspectos que abordam o funcionamento da política dos cursos superiores em tecnologia, a diretora da Faculdade Senac, Terezinha Ferraz, lançou o livro “A política da educação superior e a docência nos cursos de graduação em tecnologia”, no estande da Faculdade Senac, no XI Congresso Internacional de Tecnologia na Educação. O livro trata de como os cursos tecnólogos têm, em pouco tempo, a função de dinamizar o ensino e a pesquisa para propiciar ao aluno um olhar crítico, exploratório e mercadológico, formando um cidadão que atue positivamente no meio em que vive. Os conteúdos curriculares oferecidos aos graduandos pelos cursos de curta duração proporcionam um novo desafio: unir a praticidade que o mercado exige com o ensino, pesquisa e extensão da academia. “É necessário que o aluno dê continuidade aos estudos através da pesquisa para que, além de profissional, ele possa ser crítico e ter propriedade na área em que desenvolve”, diz. A autora ainda destacou a importância do interesse em aprimorar os conhecimentos, aprofundando a curiosidade na área de atuação em que o aluno se encontra.

ENTRE CONVENÇÕES E VALORES MORAIS O caminho para a formação de sujeitos autônomos foi o tema abordado pela professora paulista Luciene Togneta, no XI Congresso Internacional de Tecnologia na Educação. A educadora destacou a necessidade do professor pensar junto com os alunos a necessidade das regras, que não devem ser impostas, mas baseadas em desafios reais. “Para formar com autonomia não há outro caminho a não ser a auto-regulação. O estudante precisa aprender a tomar decisões a partir de valores morais, em detrimento de regras convencionais”, diz. Para discutir a questão, a palestrante amparou-se em exemplos práticos de vivências em sala de aula. “Como vamos proibir o uso do boné se não temos nenhuma explicação convincente para essa regra? Gastamos tempo com normas mais convencionais do que morais”. Ela advertiu que isso não significa o fim das regras escolares e da autoridade do professor. A autoridade é legitimada quando é baseada na confiança que o aluno tem no educador. “Será que nossas ações têm ajudado nossas crianças a pensar por si?”, questionou.

Palestras Simultâneas (PS) Manhã - 8h15 às 9h45 PS 11 – Criança que desenha não passa a infância em branco - Daniel Azulay / SP PS 12 – Tecnologia X Metodologia: inovações para uma nova escola - Nilbo Nogueira / SP PS 13 – O desenvolvimento do cérebro na infância: a base para uma vida melhor - Sophie Eickman / PE PS 14 – Valores, trabalho e educação profissional Jarbas Novelino / RJ PS 15 – Ferramentas psicossociais: a mais importante inovação pedagógica atual para mobilização de grupos e aprendizado efetivo - Marcelo Pelizzoli / PE Manhã - 10h30 às 12h PS 16 – Pedagogia dos projetos na era virtual - Nilbo Nogueira / SP PS 17 – Desafios da educação para crianças na era digital - Daniel Azulay / SP PS 18 – A escola enquanto comunidade de aprendizagem - José Pacheco / Portugal PS 19 – Os novos desafios da educação empreendedora - Ana Regina Ribeiro / PE PS 20 – O papel da escola no desenvolvimento das competências para o mercado de trabalho Márcio Gomes / PE Minicursos (MC) Manhã – 8h15 às 9h45 MC 09 – Educação sem distância: realidade aumentada e games na prática - Romero Tori / SP

BULLYING TEM SOLUÇÃO

MC 10 – Prática pedagógica em artes: planejamento, conteúdos e avaliação - Roberto Lúcio / PE

Fenômeno comportamental, global e resultado de ações violentas, o bullying, de acordo com o educador pernambucano Walevski Lima, tem solução. A maioria das pessoas interpreta o assunto como a prática de atribuir apelidos pejorativos às pessoas, mas o conceito é mais amplo. “O bullying é algo agressivo, negativo e intencional. É executado repetidamente até provocar um desequilíbrio emocional entre as partes envolvidas”, completa. Para ele, autores de agressão são pessoas que passam por problemas que os pais e/ou a sociedade não querem enxergar. Os dados do IBGE mostram que um em cada três estudantes (de 14 anos) sofre bullying. Em determinado momento, Lima, emocionado, comoveu a plateia ao compartilhar o suicídio de um exaluno seu por sofrer agressões. Já existem estudos de leis que condenam essas práticas violentas, mas ainda estão em processo de regulamentação. Existem, também, projetos como Proibido Bullying, que devem ser adotados pelas escolas com a finalidade de cessar as práticas violentas.

MC 11 – A matemática dos problemas ou o problema da matemática - Marcelo Câmara / PE MC 12 – Voz, corpo e comunicação em sala de aula Carla Brito / PE Manhã – 10h30 às 12h MC 13 – O uso da inovação e da tecnologia na gestão escolar - Rejane Maia / PE MC 14 – As relações interpessoais e sua dinâmica no ambiente escolar - Conceição Cavalcanti / PE MC 15 – Gestão da sala de aula como espaço de aprendizagem / construção do conhecimento Dalva Steil / PR MC 16 – Análise do contexto, crescimento e qualidade dos cursos superiores de tecnologia - Roberto Sarquis/RS Conferências 13h45 às 15h15 Um Brasil da educação, que talvez o próprio Brasil desconheça - José Pacheco / Portugal 15h45 às 17h15 Da oportunidade ao êxito: mudar é complicado? Acomodar é perecer - Mário Sérgio Cortella / SP 17h15 às 17h45 Sorteio de brindes / Encerramento

Expediente

Jornalista responsável: Antonio Tiné (DRT 2132) - Dupla Comunicação Projeto gráfico e diagramação: Dune Estúdio Colaboração: Guilherme Vila Nova, Karina Veiga e Nathalia Pereira Fotos: Agência Rodrigo Moreira Impressão: Gráfica Flamar


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