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Alô, alô,

testando! Ferramentas para melhorar a usabilidade de seu site Por Tiago Bosco

Vídeo, gravação de voz, movimento do mouse, monitoramento… Várias são as possibilidades e ferramentas que, se bem utilizadas, podem fazer a diferença para o desenvolvimento do seu site. Confira nesta reportagem as dez principais, dentre elas as famosas ClickTale e Morae, grandes aliadas dos projetos bem-sucedidos. 24

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conceito de “teste”, recorrente no trabalho dos designers e dos desenvolvedores web, muitas vezes não é visto com a importância que ele realmente merece. Os profissionais podem alegar que não executam testes devido à correria do dia a dia, aos prazos cada vez mais apertados etc. Tal justificativa não pode ser desprezada. É um fato real no cenário em que vivemos. No entanto, o mundo contemporâneo também tem as suas vantagens. Uma delas, por exemplo, é a propagação de novos softwares que contribuem para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de um site. Para Eduardo Loureiro, especialista em Design de Interação pela PUC-Minas e cofundador da Voël (www.voel.in), existe uma diferença fundamental entre as várias ferramentas para estudos de usabilidade que surgiram nos últimos anos. “Os softwares desktop têm como objetivo estabelecer parâmetros e formalizar e tornar mais precisos os testes presenciais. São ferramentas que ajudam muito na análise por terem recursos como gravação de vídeo e de tela e contabilização de tempo, erros e acertos de tarefas etc. Já as ferramentas online, de maneira direta ou indireta permitem que os testes de usabilidade sejam remotos. Todos esses novos recursos têm duas vantagens principais: a redução de custos e a exploração de resultados inviáveis em testes presenciais”, explica. Mas, afinal, existe algum software que seja simples de usar e ao mesmo tempo eficaz para quem pretende lançar um site e deseja realizar testes de usabilidade com o protótipo? Juliana Gaiba, consultora de usabilidade e de design de interação e User Experience Lead da Huge (www.hugeinc.com) , acredita que a escolha da ferramenta dependerá muito do estágio de desenvolvimento do site. “A experiência em conhecer os diversos métodos disponíveis e o entendimento de como aplicá-los são muito importantes para garantir resultados confiáveis e satisfatórios. Além dessas variáveis, temos outras questões, como prazos e custos alocados para esses estudos no orçamento de um projeto. Vale lembrar que diversas ferramentas permitem a aplicação de testes em fases que precedem a definição da interface e a confecção do protótipo interativo. São excelentes ferramentas para aplicação de estudos de card sorting, em que é possível avaliar como os usuários organizam o conteúdo do seu site, serviço muito válido para construir uma arquitetura de informação mais intuitiva. Também existem ferramentas que permitem testar e validar a arquitetura de informação proposta, avaliando como usuários localizam informações a partir de uma árvore de conteúdo”, esclarece Juliana, opinião compartilhada por Frederick van Amstel, cofundador do Instituto Faber-Ludens de Design de Interação (www.faberludens.com.br). Para ele, o uso de softwares especiais em testes de usabilidade depende dos objetivos do

teste. “Se o objetivo é promover aprendizado sobre o comportamento do usuário para a equipe de design, não há a necessidade nem mesmo de gravar as sessões. Basta transmitir a tela do usuário para uma sala separada e deixar o pessoal discutindo. Porém, se o objetivo é fazer uma avaliação comparativa utilizando critérios objetivos, os softwares de registro de tela e inputs facilitam muito a análise estatística depois do teste”, diz. Antes da escolha das ferramentas, devem-se definir quais serão os principais objetivos dos testes, público-alvo, dados que precisarão ser coletados e quais serão as técnicas utilizadas. É o que diz Horácio Soares, consultor e pesquisador da Acesso Digital (www.acessodigital.net) e especialista em design, acessibilidade e usabilidade. “Nem todos os testes de usabilidade possuem ferramentas específicas, mas, na maioria dos casos, existe algum software que poderá, de alguma forma, auxiliar na coleta dos dados e na posterior análise. Um exemplo são os softwares que capturam os movimentos do usuário com mouse e teclado, que podem ser utilizados tanto nos testes tradicionais de usabilidade como nas técnicas de compreensão, que são indicadas para avaliar a usabilidade em conteúdos complexos, ou os testes do primeiro clique, que validam se os links da home page estão com bom funcionamento. Na maioria dos casos existe mais de um software disponível e, como quase todos possuem uma versão free ou trial, é recomendado que sejam testados ao menos dois desses softwares. O avaliador deverá escolher aquele que melhor se adapte às suas necessidades e gostos”, orienta. É importante ressaltar que, além dos dados qualitativos sobre a experiência do usuário, também deve-se levar em consideração a análise quantitativa. “É essencial, além de fácil e grátis, monitorar os dados de acesso do seu site por meio de uma ferramenta de web analytics, como o Google Analytics. Outra forma eficiente de testar interfaces é fazendo testes A/B com ferramentas como o Google Website Optmizer. É possível comparar a performance de diferentes versões da mesma tela e decidir pela que apresentou maiores índices de sucesso quando exposta aos usuários do site”, diz Juliana Gaiba.

“Todos esses novos recursos têm duas vantagens principais: a redução de custos e a exploração de resultados inviáveis em testes presenciais” Eduardo Loureiro 85 > CRIAÇÃO | WIDE |

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Para os testes de usabilidade, Juliana Gaiba esclarece algumas questões que vão impactar diretamente na escolha do método e da ferramenta. Confira. Estágio de desenvolvimento: Em que fase do projeto você está? Vale a pena fazer um protótipo em HTML ou no papel? Você ainda não sabe como estruturar seu conteúdo? Essas questões são fundamentais para escolher qual método empregar. Custo: Quanto você pode comprometer do seu orçamento nesse tipo de pesquisa? Uma dica: mais vale investir em pequenos testes (com amostras menores, por exemplo) ao longo do desenvolvimento do que comprometer todo o orçamento em apenas um teste. Vale lembrar que testar sempre é muito mais eficiente: permite que a evolução da sua interface seja constante, aprimorada a cada etapa. Teste, implemente e teste de novo. É um ciclo e independe de ferramentas para que ocorra com sucesso. Prazo: Quanto tempo você pode dispor para executar esses testes? Quantas pessoas da equipe podem ser alocadas para isso? Existem empresas que costumam investir em testes de usabilidade que demoram para gerar resultados concretos por dependerem da entrega de um relatório formal com resultados consolidados. Isso pode reduzir sua agilidade para implementar as modificações. Lembrese: você está inserido em um ambiente dinâmico e seus concorrentes podem estar investindo em diferenciais que podem deixar o seu site para trás. Ficar parado é sempre a pior estratégia. Fronteiras geográficas ou limitações de deslocamento: Os seus usuários estão dispersos geograficamente? Existe alguma outra limitação para levá-los ao laboratório de usabilidade ou para deslocar sua equipe até esses usuários? Essa questão é importante para avaliar se o mais adequado é utilizar uma ferramenta que permita aplicar os testes de forma remota.

Principais ferramentas (softwares) Confira, a seguir, dez importantes ferramentas responsáveis por auxiliar, de maneira eficaz, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de um site. ClickTale www.clicktale.com

Permite rastrear o movimento do mouse e os cliques. O ClickTale é especialmente útil por gravar vídeos de sessões únicas dos usuários, permitindo ao desenvolvedor assistir à forma como um usuário específico navegou pelo site, destacando o cursor do mouse. Também é possível gerar relatórios que agregam dados de várias sessões, em formato de mapa de calor. O mapa de calor mostra quais são as áreas “quentes” e “frias” do seu site: as regiões em vermelho e laranja mostram onde os usuários ficam mais tempo com o mouse; já as áreas em azul ou cinza são as que apresentam menor tempo de permanência. Além disso, o ClickTale também permite avaliar o preenchimento de formulários, mostrando o tempo de preenchimento dos campos, quais campos levam ao maior índice de abandono do formulário e quais apresentam maior índice de erros. Tal funcionalidade é especialmente crítica quando uma das etapas do fluxo de conversão do seu site é composta por um formulário, permitindo otimizar o funil de conversão. Estágio de desenvolvimento:

É muito poderoso para a fase de manutenção, pois permite acompanhar a performance “ao vivo”, quando o site já está implementado e “no ar”, e identificar pontos de melhora. Custo:

Disponível em três planos, iniciando em U$ 99 até U$ 990 mensais. Prós:

• Permite observar a navegação de forma remota; • A possibilidade de analisar dados em forma de mapa de calor; •A ferramenta de analytics para formulários é especialmente importante para sites de conversão. Contras:

• Por não existir moderação presencial, o desenvolvedor não recebe o feedback dos participantes sobre suas motivações/ dúvidas enquanto executam as tarefas; • Exige algum conhecimento técnico para implementação de código nas páginas; • O custo ainda é salgado para algumas empresas.

Chalkmark www.optimalworkshop.com/chalkmark

O Chalkmark permite o compartilhamento de uma imagem da sua interface com os usuários. O teste funciona assim: os usuários são expostos a essa interface e devem indicar onde clicariam para resolver uma tarefa. Por exemplo, você está projetando um site de e-commerce e quer saber se o botão “Comprar” da página de produto está bem localizado. Nesse teste, os participantes recebem uma tarefa na qual devem indicar onde

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clicariam para adicionar o produto ao carrinho de compras. É como se fosse um “card sorting reverso”, em que a navegação é avaliada para garantir que os usuários saibam por onde navegar para finalizar uma tarefa. Recomenda-se acessar o site oficial do serviço, que possibilita ver a ferramenta em ação e usá-la por um período trial — pode-se criar uma pesquisa demo com dez participantes e três tarefas.

Plain Frame www.plainframe.com

O Plain Frame também é similar ao YouEye, mas permite apenas a gravação de cliques e movimentos do mouse enquanto os participantes realizam as tarefas.

Morae www.techsmith.com/morae

TreeJack www.optimalworkshop.com/treejack

O TreeJack, que é da mesma empresa do Chalkmark, é mais específico ainda e tem como objetivo testar a arquitetura de informação enquanto em estágio de site map. É uma ferramenta interessante para se validar o entendimento sobre a organização do conteúdo do futuro site.

CrazyEgg

A grande vantagem do Morae é poder realizar anotações em outro computador que ficarão sincronizadas com o vídeo após o teste. Isso agiliza muito a análise posterior porque permite encontrar os trechos de vídeo rapidamente. Os arquivos sincronizam rosto, voz e movimentos do mouse, bem como captura os tempos de execução. O relatório resultante é rico em informações e é valioso para convencer o cliente sobre mudanças requeridas. A qualidade da ferramenta é proporcional ao seu alto custo, superior a mil dólares.

www.crazyegg.com

O CrazyEgg foi uma das primeiras ferramentas online de usabilidade. Ele gera um mapa de calor sobre o site, que mostra onde os usuários estão clicando. É uma ferramenta interessante, que pode proporcionar insights sobre os pontos de maior interesse dos usuários. No entanto, talvez seja preciso ter certo cuidado, pois os cliques podem não corresponder ao real desejo dos usuários. Dessa forma, é uma ferramenta complementar e deve ser usada em paralelo com outras formas de registro do comportamento dos usuários. Com o tempo, foram surgindo outras ferramentas similares ao Crazy Egg, como o Click Density (www.clickdensity.com) e o Mouse Flow (www.mouseflow.com), que fazem basicamente a mesma coisa.

Five Second Test www.fivesecondtest.com

O Five Second Test tem uma lógica própria, na qual os participantes têm que responder às perguntas estipuladas pelo pesquisador em cinco segundos, enquanto olham o site ou o seu protótipo. É uma variação da metodologia tradicional, que pode se mostrar interessante com tarefas específicas para captação da percepção macro das pessoas.

UserTesting www.usertesting.com

Ao usar essa ferramenta você pode contar com um painel de participantes. O recrutamento e a bonificação dos testadores é inteiramente feita pela UserTesting, tornando o processo rápido e ágil, porém esse aspecto da ferramenta não é tão útil para quem quer testar com usuários fora dos EUA ou do Canadá, onde há a maior concentração dos participantes. No entanto, é possível testar usando uma amostra própria quando se quer filtros mais específicos (a UserTesting faz uma segmentação com foco mais demográfico dos participantes) ou participantes de outros países, porém com a facilidade de contar com o painel existente. Cada sessão resulta em um arquivo de vídeo, assim é possível avaliar a interação dos participantes. Para conduzir o teste, o analista deve definir os filtros para a amostra (sexo, idade, renda e experiência com computador). Além dessa definição, o analista deve determinar quais são as tarefas que o participante deverá executar durante a navegação. Fontes: Amyris Fernandez, Eduardo Loureiro, Frederick van Amstel, Horácio Soares e Juliana Gaiba.

Loop11 www.loop11.com

O Loop11 é onde o desenvolvedor cadastra as tarefas para que os participantes façam o teste sozinho em seus próprios computadores. Os resultados das tarefas são coletados pelas ferramentas e exibidos em um relatório. É um modelo de teste de usabilidade não moderado, pois não tem a presença do pesquisador.

YouEye www.youeye.com

O YouEye tem a mesma lógica do Loop11, porém permite a gravação de movimentos do mouse, cliques em forma de vídeo e de áudio. Com isso, é possível coletar mais dados além do resultado da tarefa em si, o que tornam os resultados muito mais ricos.

“Nem todos os testes de usabilidade possuem ferramentas específicas, mas, na maioria dos casos, existe algum software que poderá, de alguma forma, auxiliar na coleta dos dados e na posterior análise” Horácio Soares 85 > CRIAÇÃO | WIDE |

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Alô, alô, testando! Ferramentas para melhorar a usabilidade de seu site  

Entrevista concedida para a edição 85 (julho-agosto/2011) da Revista Wide.

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