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Introdução Nunca se sabe quando, como e em que circunstâncias uma pequena “semente” pode dar os seus frutos. Rui Castro, ilustrador do livro - Gato Preto & Passarinhos Azuis explicou e demonstrou às turmas da Escola de Torreira qual é o seu trabalho, o que faz, como faz e disse: “A mim dão-me as histórias e eu tenho que as ilustrar, ou seja faço tantos desenhos que têm de ir ao encontro da ideia do autor, agora eu dou-vos este desenho e vocês têm de inventar uma história”. Aceitamos o desafio. Inverteram-se as tarefas. A turma 1ªA começou por dar um nome à boneca feita pelo ilustrador e, diariamente, através da expressão oral a história ia crescendo, havendo claro está, necessidade de ser a professora a registar. Estava a história a construir-se quando recebemos na escola a equipa do Topas e da Tupilde, personagens inseridas no projecto ”Mil Águas, Mil Escolas” no qual participamos com o tema “ A Água, os Rios e Nós - A Água e a Sustentabilidade na Educação dos Novos Cidadãos“ com o apoio da empresa Águas do Douro e Paiva. Com um grupo tão grande, tantas actividades e tão amigos do ambiente partimos para a campanha “Vamos limpar Portugal”. Avançando, recuando, a história cresceu com a equipa 1A a trabalhar activamente. Assim começou esta pequena história deste grupo de crianças que neste ano lectivo 2009-2010, deram os primeiros passos na aprendizagem da leitura e da escrita. A professora


No dia 1 de Março chegou à escola de Torreira uma menina transferida ninguém sabia de onde para o 1ºano. Ela ali estava. Um pouco tímida, triste, mas muito fofinha e muito bem vestida. Na mão segurava uma mala azul, um azul a lembrar o céu no Verão com um vestido e um chapéu carregadinhos de estrelas cor - de - laranja. Vimo-la junto à Mariana que é uma menina muito sossegadinha e foi por ela que soubemos que se chamava Caracolita. Na hora do recreio a Raquel, a Joana Maria, a Mariana e a Beatriz repararam que a Caracolita, não queria brincar, parecia que fugia das meninas. Tocou a campainha e o António que é um menino muito atento e amigo de todos os colegas foi ter com o Paulo, o Telmo e a Joana Marisa. Chamou-os para junto do fogão, que no momento estava quase a apagar-se e perguntou-lhes se algum deles sabia o que se passava com a menina Caracolita. A Joana que é toda despachada, mandou-o ter calma e explicou-lhe que todas as crianças que chegam a uma escola de novo têm momentos de tristeza, pois têm saudades dos colegas que deixaram. O Adriano e a Diana entraram ainda a namorar na sala de aula e passaram a mão nos cabelos de Caracolita, mas esta nem sorriu.


Sentados a ouvir o que a professora dizia o Pedro, o Simão e o Luís, entre eles faziam sinais para olharem para a menina de lindos caracóis ruivos com um vestido às estrelas laranjas, com umas bochechas rosadas, mas com uns olhos tristes de preocupada. O Ernesto que está sempre pronto a fazer queixas de alguns colegas disse: - Professora, aqueles meninos estão distraídos. A professora olhou e perguntou o que se passava. O Pedro com um ar um pouco zangado coçou os seus caracóis louros, sorriu como que a pedir desculpa e pediu para falar: - Eu e os meus colegas no recreio vimos Caracolita tão triste que combinamos olhar muito bem para ela e tentar descobrir o porquê do ar preocupado da nova colega. - Eu acho que sei bem o que se passa. - Respondeu o António muito calmamente. - Não se preocupem, isto daqui por uns dias está tudo resolvido. Eu vou falar com a menina a sós. Com estas palavras a professora descansou toda a turma. Falou, sorriu, mas a Caracolita tinha os seus pensamentos fora da sala de aula. Estavamos a corrigir uns trabalhos de casa quando o João Pedro disse: - Ó professora, eu não fiz os trabalhos porque a minha mãe disse-me que não eram para se fazer. Eu queria fazê-los e a mãe quase me acertava, por eu ser teimoso. Todos se riram, pois a mãe do menino é sempre a culpada da falta de alguns trabalhos.


Caracolita, nem sinais de um pequeno sorriso deu. O Miguel Ângelo voltou a dizer: - Professora, enganei-me. A professora perguntou-lhe: - Quem te mandou? A gargalhada foi geral e Caracolita nada. A Inês mais uma vez pediu para ir ao quarto de banho mal chegou do recreio e os meninos disseram em coro: - Já?!! E nada. Não falou, não sorriu até pareceu que nem ouviu. A aula de Matemática estava quase a terminar, a hora do almoço a chegar e foi preciso dizer quem eram os meninos a registar o comportamento da cantina. Ficou a Marta a responsável, pois ela é muito despachada a dar as “bolas” azuis, verdes, amarelas e vermelhas do comportamento e justifica-as com coragem e justiça. A professora recomendou que ajudassem Caracolita na cantina, pois tudo para ela era desconhecido. Voluntários não faltaram. Tocou a campainha. Levantaram-se, foram buscar os casacos e todos repararam que a menina apressadamente pegou na mala azul, colocou o chapéu na cabeça, um pouco esquisito, mas como chuviscava pensamos todos que seria moda lá da terra de onde ela vinha. Neste momento a cara bochechuda rasgou um breve sorriso. Seria apetite para o almoço e quando chegasse falaria? Seria alguma satisfação ao ver meninos tão simpáticos? O que se passava com Caracolita?! Treze horas e trinta minutos. Entrámos e Caracolita levantou o dedo pedindo para falar, pois tinha-se apercebido


que todos queriam saber coisas dela. Porque usava um chapéu tão fora de vulgar, de onde vinha, o que tinha na mala, porque usava tantas estrelas no vestido e chapéu, para que servia uma antena no alto da cabeça… Explicou: - Eu ando muito triste e muito preocupada com o meu Planeta. O Planeta Azul está a ficar sem a sua cor, está ferido e eu não tenho capacidade para o curar. A televisão mostrou o terramoto no Haiti, o terramoto no Chile, a tragédia da ilha da Madeira, grandes lixeiras na Serra da Estrela a poluir as águas, rios sem águas transparentes... Andei a ver os rios e os mares cheios de esgotos, as lixeiras a aumentar e quero que isto tudo mude. Quero o nosso Planeta em paz com o Homem e não em guerra. Sou uma menina especial com uma mala carregada de um pó mágico. Vim parar à Torreira pois conheço um ribeiro que por aqui passa e as pessoas descarregam para lá muito lixo, os esgotos sem tratamento e, é daqui que eu vou partir e espalhar o pó “ trimagicumpumpum” que mudará tudo e todos. Eu com o meu pó e vocês com o vosso projecto “Mil Escolas…Mil Águas” vamos transformar o mundo, eu hei-de voltar e ver que tudo e todos mudaram, pois a mudança começa em cada um de nós. Caracolita, sorriu, apertou bem a gola do vestido que mais parecia uma asa, ligou a hélice do chapéu, tocou em todas as estrelas do vestido que imediatamente começaram a brilhar e subiu no espaço dizendo adeus a todos os meninos.


Houve meninos que sentiram o “trimagicumpumpum“ em cima das suas cabeças e logo começaram a ser mais organizados, limpinhos nos trabalhos diários e no arranjo do recreio, colocando os restos dos lanches nos caixotes do lixo. Caracolita prometeu voltar e nós vamos esperar. Passaram dias, a Primavera estava quase a chegar. Um dia estava a professora a estacionar o carro e da rede do recreio o Adriano, o Miguel Ângelo e o António que estão sempre a vigiar quando a professora chega, estavam num berreiro. A professora saiu do carro e ouviu o Adriano: - Professora, professora, a Beatriz e a Joana Maria viram ontem à noite a Caracolita a brilhar perto da RTA. - Adriano, tu estás totó. - Apontando para a cabeça. - É verdaaaaade. Gritavam em coro os três amigos. Junto aos baloiços havia um grupo de meninas e dois meninos. Aperceberam-se que a professora tinha chegado correram para junto dela. O Miguel Ângelo saltou-lhe para o pescoço e nunca mais a largava. Os colegas começaram a puxá-lo e a falar ao mesmo tempo, mas nada se percebia. A professora soltou o Miguel com umas cócegas, levantou as mãos, pediu calma e disse: - Dedo no ar, fala um de cada vez. O João levantou o dedo e falou apressadamente:


-Professora, eu estava quase a adormecer, a minha prima Beatriz bateu a porta do quarto com força, acordou-me e tive um grande susto. Olhei para a janela do meu quarto e pareceu-me ver a hélice do chapéu da Caracolita. Peguei no meu homem-aranha para me defender, encostei o nariz à janela e a Caracolita sorriu muito. Fez-me sinal para abrir a janela. Chovia muito, a chuva ao bater na hélice molhava-me a cara e ouvi assim: - João Pedro, João sou a Caracolita, não tenhas medo. A medo abri e ouvi: - João, já fui a casa do Paulo que mora aqui perto, mas ele estava a ressonar tanto que não acordou com o barulho da hélice, disse adeus à Beatriz e à Joana Maria e tenho um recado para te dar. O João com a cara molhada ouviu a mãe dizer: - Que barulho esquisito ouço aqui no prédio! Um pouco assustado pediu que a menina fosse rápida, pois a mãe podia descobri-los. Então Caracolita começou: - Amanhã, vai chegar à escola a equipa do Topas e da Tupilde, com os monitores João, Rui, Loli, Nuno e a Margarida. Esta equipa vai ajudar-nos a salvar o tom azul do Planeta. Avisa todos. Ouviram o João atentamente Ninguém queria acreditar. O Luís duvidava. Abanou a cabeça e desligou, foi meter lenha no fogão. A turma dividia-se, uns acreditavam outros não, mas de repente. Truz, truz, truz….


Alguém batia à porta. Abriu-se. Era a professora Flora a avisar que no dia 19 o Projecto ” Mil Escolas” estava em acção todo o dia na escola de Torreira. Olharam uns para os outros, ficaram em silêncio só o canário Quico o interrompeu com o seu belo cantar. Afinal tudo era verdade! Caracolita também conhecia os projectos da nossa escola e do “Mil Águas, Mil Escolas”. Esse dia chegou, com dois amigos, o Topas e a Tupilde a contarem-nos as suas aventuras para defender o ambiente. As actividades foram imensas, a alegria constante, tinham terminado numa nave espacial prontos para rumarem ao futuro e acabaram todos a dizer “adorámos”. A nave espacial ficou completa. Cada um levou consigo aquilo que mais desejava, o lugar de Caracolita lá estava o do Topas e da Tupilde. Mas, tinham acabado de entrar na nave espacial um novo trabalho apareceu ” Vamos limpar Portugal”. Logo no dia 20, quase a chegar a Primavera, os guardiões do nosso futuro começaram por limpar a freguesia de Fregim. A Inês, a Diana, o Simão, o Pedro, o Miguel e o António apanharam muitos frascos plásticos, grades de ferro e latas de sumos. A Joana Maria, a Joana Marisa foram com o Topas ver o rio e chamaram o Telmo, o Ernesto, o João, o Paulo, a Beatriz e a Raquel. Com as pás e engaços puxaram pneus, redes, muita lenha da poda e limparam o rio, mas o Luís, o Adriano, a Mariana, a Marta foram para a Capela de Santa Cruz com a Tupilde e aí as coisas estavam muito mal. Tanto lixo!


Móveis velhos, frigoríficos, máquinas de lavar, restos de obras, pneus, grades de refrigerantes… Chamaram Caracolita que chegou com a mala de “trimagicumpumpum “ e toda a equipa dos guardiões do futuro trabalhou arduamente deixando o ambiente mais limpo, recolhendo e separando os lixos. O Monte de Santa Cruz e a Ribeira do Rio ficaram lindos e muito limpos. Em alguns sítios do monte os guardiões colocaram cartazes com a mensagem “ Diga sim à Natureza, não ao lixo”. Bravo guardiões do futuro.


Coordenação Professora Eugénia Teixeira

Autores Todos os alunos do 1º ano A da E.B. de Torreira, da turma do ano lectivo 2009/2010. Adriano, António, Beatriz, Ernesto, Diana, Inês, Joana Marisa, Joana Maria, João Pedro, Luís, Mariana, Marta, Miguel, Paulo, Pedro, Raquel, Simão, Telmo

Impressão Papel Branco – artes gráficas - Amarante

Data Junho 2010

A Aventura da Turma A  

Trabalho do 1º A

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