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Jorev Luterano - Março - 2012

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Editorial

O Sínodo Rio dos Sinos

Missão Urbana,

D

esde a edição de março de 2011, pelas próximas sete edições, vamos trazer nas Editorias Ministério, Presbitério, Mulheres e Gente Luterana representantes do mesmo Sínodo, de forma a mostrar a grande diversidade presente na nossa IECLB, proporcionando uma rica troca de experiências entre os Sínodos, com o objetivo principal de compartilhar informações e testemunhos que serão fonte de inspiração para todos os interessados no cumprimento da missão da IECLB no Brasil e no mundo.

Nesta edição, dedicada ao Sínodo Rio dos Sinos, o P. Eloir Enio Weber e as lideranças Daniel Alexandre Möller, Doraci Knevitz Bartholdy, Helmut Fertsch e Neila Trindade Silva Horn contam um pouco sobre a sua trajetória pessoal, a caminhada na IECLB, além de metas, dificuldades e sonhos envolvidos em ser IECLB na região. O Sínodo Rio dos Sinos, com sede em São Leopoldo/RS, formado por 39 Paróquias e/ou Comunidades com

Gestão Comunitária, Comunicação, Diaconia, Acompanhamento Pastoral, Educação Formal e Evangelização

funções paroquiais e mais de 52 mil membros, cuja ênfase missionária é Missão Urbana, Formação e Articulação Comunitária (formação de líderes), Gestão Comunitária, Comunicação, Diaconia, Acompanhamento Pastoral, Educação Formal e Evangelização, tem como Pastor Sinodal o P. Ms. Edson Edilio Streck. O Jorev de março também apresenta, nas páginas centrais, Editoria Unidade, o segundo artigo da Série Lutero - Reforma: 500 anos, nesta edição

tendo como enfoque Somente Cristo, um texto assinado pelo P. Dr. Martin Norberto Dreher. A Editoria Fé Luterana, de maneira a estimular a reflexão sobre a confessionalidade luterana e os ensinamentos da Bíblia, traz dois textos de Ministros Pastores sobre a temática Oração. Formação teológica continuada e formação funcional com vistas ao Ministério ganharam destaque na Editoria Comportamento. Boa leitura!

Da esq. p/ dir., a Diretoria do Conselho Sinodal: Ingo Ronald Brust (Presidente), Carlos Roberto Mees (1º Tesoureiro), Elisabetha Kannenberg (Vice-Presidente), P. Carlos Eduardo Müller Bock (Pastor Vice Sinodal), Doraci Knevitz Bartholdy (Secretária), Diác. em. Vera Schrader (2ª Secretária), P. Ms. Edson Edilio Streck (Pastor Sinodal) e P. Cláudio Kupka (representante do Sínodo no Conselho da Igreja)

Atendimento ao leitor Mariana Mattos Paim Fone: (51) 3284.5400 - Fax: (51) 3284.5419

jorevluterano@jorevluterano.com.br

Este espaço é seu! A sua opinião é fundamental no nosso trabalho. Conhecer as suas preferências, ouvir as suas dicas de pauta, as suas sugestões para o jornal e os seus comentários sobre as matérias é muito importante para que possamos sempre oferecer um Jorev melhor para você.

Alimento para a fé

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Obrigado, Norberto Petry

Pastor Presidente P. Dr. Nestor Friedrich

O Jornal Evangélico Luterano alimenta e enriquece a minha vida de fé. Sou um grande apreciador dos testemunhos das irmãs e dos irmãos da nossa IECLB por esse imenso Brasil.

Secretária Geral Diác. Ingrit Vogt Jornalista Letícia Montanet

Reg. Prof. 10925

Administrativo Mariana Mattos Paim

Madrigal Felicidade Parabéns pela edição de janeiro/fevereiro do Jorev Luterano! Ontem, recebi o Jorev, já li e gostei muito de todas as entrevistas com as lideranças do Sínodo Paranapanema, a minha em especial (Gente Luterana). Obrigada! No texto, vocês foram fiéis à entrevista. Apenas gostaria de fazer uma ressalva: Coral e Madrigal são a mesma coisa, ou seja, um conjunto de cantores, e a diferença está no número de cantores e no repertório. Capa Parte do cartaz do Tema (Comunidade jovem - Igreja viva) e Lema (Antes que eu te formasse no ventre, te conheci - Jeremias 1.5a) do Ano 2012 da IECLB. Leia matéria especial sobre o Tema do Ano e conheça o cartaz na Editoria Atualidade, página 4.

Abraços, Cora Bollmann de Bruns

ISSN 2179-4898 Cartas - Sugestões de pauta - Artigos - Anúncios

Rua Senhor dos Passos, 202/4º - 90.020-180 - Porto Alegre/RS

Fone: (51) 3284.5400 - Fax: (51) 3284.5419 E-mail: jorevluterano@jorevluterano.com.br

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Jorev Luterano - Março - 2012

Curtas

Cuidando do que sofre Realizou-se, nos dia 24 a 26 de outubro de 2011, em Florianópolis/SC, o XII Congresso Brasileiro Ecumênico de Assistência Espiritual Hospitalar. O evento foi promovido pela Associação Cristã de Assistentes Espirituais Hospitalares do Brasil (ACAEHB) em parceria com a Associação Amigos do Hospital Universitário, da Universidade Federal de Santa Catarina, sob o tema Cuidando do ferido e do que sofre e com a participação de 178 pessoas provenientes de várias regiões do Brasil e uma do Equador. Além de momentos devocionais, houve oficinas temáticas, debates, mesa redonda, a palavra de especialistas nas áreas de Medicina, Enfermagem, Psicologia e Teologia, os depoimentos de voluntários de pastoral e outros serviços interdisciplinares comprometidos com a promoção da qualidade de vida.

Acessibilidade na Bom Pastor Contando com a presença de quase 300 pessoas, a Comunidade Bom Pastor, de Novo Hamburgo/RS, no dia 30 de outubro de 2011, realizou a inauguração de uma rampa de acessibilidade. Na Comunidade, há, pelo menos, oito pessoas com deficiência e também os idosos precisam de cuidados especiais. Conduzida pela Diác. Angela Lenke, a abertura com laço vermelho foi feita por Ivar Schneider, responsável pela manutenção do patrimônio na Comunidade e que trabalhou na construção da rampa, e Beatriz Cardoso, viúva de José Cardoso, deficiente, que apoiou a obra e faleceu pouco antes do término da construção.

Natal com crianças e jovens Muito tempo antes do Natal, jovens, crianças, adultos e Orientadores reuniram-se para programar as atividades natalinas nas cinco Comunidades que compõem a Paróquia de Domingos Martins/ ES. Os dias e horários das apresentações foram diversos e todas tiveram muito entusiasmo e alegria, contando com a participação de grande público. A Paróquia incentiva que todas as faixas etárias continuem se preparando, ano após ano, para encenar esta linda mensagem de Natal em forma de jogral, poesia e teatro, pois a participação pode parecer pequena, mas deixa marcas especiais na vida de todos.

Comunicação virtual A comunicação virtual tem transformado a interação entre as pessoas. Nesse sentido, a Paróquia do Salvador, em Porto Alegre/RS, viveu uma experiência inédita: o culto do dia 11 de dezembro de 2011, domingo, foi transmitido ao vivo e na íntegra, via Internet, para Portugal. O casal Luis Fernando e Catia, membros da Paróquia, mas residindo em Portugal, recebeu a Bênção Matrimonial no dia 23 de dezembro. No entanto, Luis Fernando e Catia só voltaram ao Brasil quatro dias antes do casamento, de tal forma que não haveria tempo para realizar o Culto de Proclama com a presença física dos noivos. Via Internet, o casal participou e interagiu com o P. Eloir Weber durante a celebração. “Nada deve substituir a presença física, mas é necessário estarmos abertos a esta ferramenta de comunicação”, comentou o P. Eloir.

Paz na Criação Ao longo de 2011, as crianças do Culto Infantil da Paróquia de Itoupava Central, em Blumenau/SC, trabalharam de forma criativa o Tema do Ano. Uma árvore foi plantada no jardim da Comunidade para motivar o cuidado com a Criação e as crianças montaram um painel com a imagem de uma árvore que ganhava vida à medida que, a cada encontro, as crianças enfeitavam os seus galhos com folhas, pássaros e flores. No encerramento, foi utilizado um livro gigante de material reciclado para contar a fábula das três árvores, cuja mensagem é: podemos sonhar e realizar junto com Deus - algo maior do que os nossos sonhos.

OFERTAS NACIONAIS 11 de março 3º Domingo na Quaresma Trabalho com jovens na IECLB Comunidade jovem - Igreja viva, este é o Tema do Ano de 2012. Durante este ano, vamos refletir sobre a participação dos jovens na Igreja, a sua contribuição na Comunidade e no mundo. A Igreja, como corpo de Cristo (1Co 12.12-31) é composta por muitos membros e o jovem é parte deste corpo. Os jovens tornam a Igreja mais alegre. Eles querem construir um mundo mais justo e inclusivo, têm algo a dizer e colaboram fortalecendo a unidade da IECLB. Nesse sentido, o ano de 2012 é uma oportunidade para a própria Comunidade avaliar o que é ser jovem e não parar no tempo, renovando-se constantemente para continuar a ser lugar para todos e todas. Assim, também Deus nos chama e nos faz profetas e profetisas, independente da nossa idade, para uma tarefa muito importante: semear o amor de Deus na Igreja e no mundo. As ofertas destinam-se aos trabalhos com jovens da IECLB, possibilitando a articulação e o desenvolvimento de atividades com grupos de jovens na IECLB e nos trabalhos do Conselho Nacional da Juventude Evangélica (Conaje), a elaboração de materiais a serem usados pelos grupos de jovens nas Comunidades, na formação de lideranças, nos temas ‘inclusão’ e ‘ecumenismo’, bem como nos cursos de Educação Cristã Comunitária. Os trabalhos realizados proporcionam momentos de comunhão, troca de conhecimentos e testemunho do Evangelho, como o 21° Congrenaje e o 7° Fest’Art, que acontecerão em julho deste ano, e o Mês de Missão da JE, em setembro.

INDICADORES FINANCEIROS UPM Janeiro/2012

2,8290

Índice Dezembro/2011 0,40% Acumulado 2011

6,63%

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Atualidade

Comunidade jovem - Igreja viva P. DR. ONEIDE BOBSIN Reitor da Faculdades EST

Água da vida O sentido de dádiva O acesso à água desencadeará as grandes guerras do século – esta foi a mensagem deixada pelo Sociólogo Boaventura de Sousa Santos em um Seminário que aconteceu no âmbito do Fórum Social Temático, na grande Porto Alegre/RS, no final de janeiro. A frase repercutiu de forma contundente, pois o Prefeito de São Leopoldo/RS havia dito que, no auge da seca nos Estados do sul, o órgão público encarregado de abastecer a cidade transformou lodo em água. Evidentemente, não podemos atribuir a situação somente às secas ou às estiagens, fenômenos naturais que exigem adaptação da coletividade e maior respeito à natureza. Precisamos conviver com a Criação, não dominá-la. Logo, nem tudo é natural. O aumento do consumo e a falta de cuidado com a água, além da irresponsabilidade humana, que fez dos rios depósitos de dejetos não tratados, lixo e produtos químicos usados na produção, são frutos da nossa ação dominadora. Diante deste quadro alarmante, outros processos agravam as ameaças e o maior deles diz respeito à transformação da água em mercadoria. Por esta razão, o referido Sociólogo afirmou que, quem controla a água, controla a vida. Daí a possibilidade das guerras pelo petróleo do século XX poderem ser substituídas por guerras para controlar a água, que será vendida para quem puder pagar por ela. Desta forma, continua ele, a água deixará de ser considerada um bem comum vinculado à história das comunidades e à sua espiritualidade. Ao ser transformada em mercadoria, como quer o Banco Mundial, a água perde o sentido de dádiva. O chamamento para que todas as forças sociais comunitárias reajam a esta tendência mercantilizante de um bem natural e dádiva divina também inclui as comunidades de fé, que, certamente, terão na Palavra de Deus motivação para lutarem contra a mercantilização das dádivas, que transformará a água da vida em água da morte e morte das águas. Na visão de João a respeito dos novos céus e da nova terra, conforme Apocalipse 22, há um rio da água da vida, claro como um cristal, que nasce do trono de Deus. Às margens deste rio, nascerão árvores cujas folhas são para a saúde das nações.

Convivendo com a Criação

Antes que eu te formasse no ventre, te conheci

“A

cada novo ano, a IECLB convida os seus membros para refletirem, em conjunto, sobre um determinado tema. Para 2012, o Tema do Ano é Comunidade jovem - Igreja viva e o Lema, alicerçado em Jeremias 1.5a, é Antes que eu te formasse no ventre, te conheci. Um mesmo Tema sendo discutido em diferentes contextos da IECLB promove e contribui para a unidade de toda a Igreja em âmbito local, sinodal e nacional. Esta unidade também está expressa na arte escolhida para este ano”, afirma a Cat. Débora Raquel Klesener Conrad, Secretária de Formação e Coordenadora Geral da Campanha Tema do Ano, que, em 2012, tem lançamento previsto para o dia 4 de março. Sobre a arte, o Guia de Estudos do Tema do Ano explica que, no cartaz, que simboliza o Tema e o Lema do Ano, não somente jovens, mas mulheres e homens interagem por meio de uma rede social, a Rede Luterana, que têm à frente a IECLB. A Comunidade pode visualizar uma interação calorosa e aberta à convivência não virtual entre membros, que utilizam a Internet para expandir a sua comunicação e estreitar laços reais, dispostos ao acolhimento de grupos e pessoas que desejarem fazer parte desta comum+unidade, vivendo de forma integrada, harmônica e zelando pela sua Igreja, pelos seus valores e pelos seus integrantes. O texto motivacional da Presidência da Igreja para o Tema 2012 explica que o foco deste ano é a juventude no contexto da comunidade cristã, mas há um detalhe a observar: não será assim que toda a IECLB vai se “ocupar” com a juventude, que juventude será tema no sentido restrito. Não! Será assim que a IECLB como um todo vai se avaliar pela ótica da juventude, assumindo o que ela é por natureza: uma comunidade jovem. Em 2012, os jovens recebem um convite especial para ocuparem o seu lugar na Comu-

nidade. O Tema do Ano quer aprofundar a consciência de ser e viver Comunidade Evangélica de Confissão Luterana onde todas as gerações são igualmente importantes. O Tema desafia jovens e todas as instâncias da Igreja para a construção conjunta de novos espaços de participação e convida o jovem a conhecer os espaços já existentes. O ano de 2012 é uma oportunidade para a própria comunidade avaliar o que é ser jovem e não parar no tempo, renovando-se constantemente para continuar a ser lugar para todos e todas. Essa renovação tem como pedra fundamental o próprio Cristo Ele mantém o edifício todo bem firme e faz com que cresça como um templo dedicado ao Senhor. Assim vocês também, unidos com Cristo, estão sendo construídos, junto com os outros, para se tornarem uma casa onde Deus vive por meio do seu Espírito (Ef 2.21-22). O Lema do Ano aponta para um Deus amoroso que nos conhece muito antes de nascermos. Foi este Deus que chamou o jovem Jeremias para ser seu profeta em uma época marcada pela corrupção, pelo mau governo e pelo sofrimento do povo. Jeremias relutou e usou o argumento da sua juventude, dizendo ser muito jovem e incapaz para a missão dada por Deus. No entanto, Deus o encoraja e não o abandona diante dos desafios encontrados no caminho. Assim, também Deus nos chama e nos faz profetas e profetisas, independente da nossa idade, para uma tarefa muito importante: semear o amor de Deus na Igreja e no mundo. Para isso, Deus nos dá força, assim como deu ao profeta Jeremias. O profeta Jeremias teve alegrias, tristezas e medo, mas sabia que Deus estaria sempre ao seu lado. A certeza de Jeremias também é a nossa certeza e isso nos enche de alegria e esperança.


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Presidência

Antes que eu te formasse no ventre, te conheci

Comunidade jovem - Igreja viva

Q

uero convidar vocês para refletirmos com muito carinho acerca do Tema do Ano para 2012: Comunidade jovem - Igreja viva. O Lema bíblico é Antes que eu te formasse no ventre, te conheci (Jeremias 1.5a). O Tema enfoca a importância da comunidade para o jovem e do jovem para a comunidade permanecer jovem. O Lema enfoca a espiritualidade do jovem e da comunidade jovem: Deus nos conhece desde o ventre materno, nos abraça com sua graça para, com liberdade, servir-lhe e responder ao seu amor revelado em Cristo. À luz deste Tema e deste Lema, queremos ressaltar que os jovens são parte integrante da comunidade cristã e que a vida comunitária é espaço qualificado pa-

ra ajudá-los na construção da sua identidade, a partir de valores, práticas e significados de vida, onde podem encontrar amparo em sua angústia, seus medos e suas dúvidas (1Co 12.26). Cremos que jovens tendem a renovar e enriquecer a vida comunitária com a sua capacidade de oferecer novas formas de participação. Nesta perspectiva, quero destacar que: - comunidade jovem é aquela que constrói e reconstrói espaços para a vivência da espiritualidade de todos os seus integrantes: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Nessa comunidade, os jovens não precisam reivindicar espaço. - comunidade jovem protege o jovem, mostra os valores que defende, a fim de servir de guia para a construção da identidade dos seus integrantes jovens e

Março 1/3 - Palestra GEELNH Novo Hamburgo/RS P. Nestor Friedrich

Na sua 28º edição, o Acampamento Repartir Juntos (ARJ) do Sínodo Rio Paraná, que, neste ano, foi realizado de 17 a 21 de fevereiro, em Cascavel/PR, teve a presença do Pastor Presidente da IECLB, P. Dr. Nestor Friedrich, que palestrou no domingo, dia 19, pela manhã. O ARJ costuma reunir em torno de 250 jovens vindos de diferentes Comunidades do Sínodo. Organizado por uma Comissão que conta com Ministros da IECLB e jovens que representam os grupos de jovens do Sínodo, o objetivo do Acampamento é proporcionar aos jovens da IECLB, durante o período de Carnaval, um espaço no qual possam celebrar e conviver em um ambiente de fé, olhando para a sua vida e para o mundo com os olhos da fé, em uma postura que busca conciliar esta fé com a responsabilidade para com as outras pessoas, a Comunidade, a cidade e o mundo. O tema do ARJ 2012 foi o mesmo do Congresso Nacional da Juventude Evangélica (Congrenaje), que acontecerá, em julho, na cidade de Pelotas/RS: Conectados com Deus - Protagonistas no mundo, acompanhado do lema bíblico Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (1Timóteo 4.12).

P. NESTOR FRIEDRICH Pastor Presidente da IECLB

Parceria entre Igrejas Evangélicas alemã e brasileira

ARJ 2012

Seja um exemplo

dá a eles parâmetros para lidar com os riscos a que estão expostos na sociedade atual e com as adversidades da vida. - comunidade jovem vive a fé a partir da confiança no Deus presente em todas as horas, o Deus que não teme questionamentos, o Deus amoroso, cuja graça é maior que qualquer medo. - comunidade jovem ajuda o jovem a encarar a realidade, a enxergar as suas potencialidades por meio da confessionalidade, mostrando-lhe o tamanho da graça de Deus e como ela o ajuda a lidar com a sua ansiedade e os seus medos. - comunidade jovem respeita a Criação de Deus, entende o ser humano como parte da Criação, não como proprietário, mas, como cuidador, por isso comunidade jovem é cuidadora, responsável.

4/3 - manhã - Instalação da nova Coordenação da PPL e Lançamento do Tema do Ano 2012 Ibirama/SC P. Nestor Friedrich noite - Ordenação Marceli Winkel Presidente Getúlio/SC P. Nestor Friedrich Ordenação Márcio Simões da Costa Petrópolis/RJ P. Carlos Möller Ordenação Maria Gressler Bom Retiro do Sul/RS Pa. Silvia Genz 9/3 - Conselho Curador do Conic Brasília/DF P. Nestor Friedrich 11/03 - Sesquicent. Paróq. Igrejinha Igrejinha/RS P. Nestor Friedrich 13-16/03 - Encontro Pres. + PPSS Curitiba/PR P. Nestor Friedrich P. Carlos Möller Pa. Silvia Genz 18/03 - Ordenação Tatiane Stele Baixo Guandu/ES P. Nestor Friedrich Ordenação Ivanda Keller Schreiber Rolim de Moura/RO P. Carlos Möller 23-24/03 - Reunião do CI São Leopoldo/RS P. Nestor Friedrich P. Carlos Möller Pa. Silvia Genz 25/03 - Ordenação Jonas Beier Porto Alegre/RS P. Nestor Friedrich 27/03 - Conferência de Ministros Sínodo Norte Catarinense São Bento do Sul/SC P. Nestor Friedrich 31/03 - Ordenação Cirlene Dreissig Espigão do Oeste/RO P. Nestor Friedrich

Desde o início do século 19, imigrantes alemães vieram para o Brasil em busca de uma nova vida e logo se uniram em Comunidades para celebrar cultos e orar. Em 1968, estas Comunidades formaram a IECLB, mas as relações com a Alemanha foram mantidas e a IECLB também se entende como a Igreja dos cristãos evangélicos: descendentes de alemães, alemães que visitam o Brasil e alemães que vivem na Alemanha, por isso não há um trabalho comunitário específico para estrangeiros, pois a hospitalidade das Comunidades da IECLB supre esta necessidade. Nesse sentido, o Pastor Presidente da IECLB, Pastor Dr. Nestor Friedrich, destaca que A IECLB tem estreito vínculo com a Igreja Evangélica na Alemanha (EKD). Há uma forte relação de parceria em todos os níveis da vida eclesial. Comunidades e Paróquias fazem visitas recíprocas, Teólogos trocam experiências. Pastores do Brasil são enviados a Comunidades na Alemanha e vice-versa, jovens vêm ao Brasil por meio do programa ´Weltwärts´ do Governo alemão e viagens de estudo oferecem experiências conjuntas. Ficamos felizes quando visitantes da Alemanha participam da nossa vida comunitária, com visitas individuais e de grupos, com uma caminhada conjunta com aqueles que moram por algum tempo no Brasil, com todos que nos lembram das nossas raízes e que conosco constroem a relação viva com a Alemanha.

Visita ao Norte Catarinense No sábado, dia 4 de fevereiro, o Pastor Presidente da IECLB, P. Dr. Nestor Friedrich, visitou o Sínodo Norte Catarinense. Pela manhã, o Pastor Presidente presidiu a Ordenação ao Ministério Pastoral de Everton Luiz Knaul, em culto celebrado na Paróquia Bom Jesus, em Joinville/SC. À tarde, o P. Nestor esteve na sede sinodal e, em diálogo com o Pastor Sinodal, P. Inácio Lemke, confirmou presença na Conferência dos Ministros e Ministras, que será realizada no dia 27 de março, no Lar Filadélfia, em São Bento do Sul/SC, e na Assembleia do Sínodo, que acontecerá nos dias 2 e 3 de junho, na Paróquia de Rio Cerro, em Jaraguá do Sul/SC.

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Ministério

Como ser Igreja Luterana em

contexto urbano?

Quando descobriu a sua vocação para o Ministério Pastoral? Desde a infância, lembro que desejava ser Pastor. Passada a adolescência, comecei a frequentar o grupo de jovens, assumindo funções de liderança. Posteriormente, participei do Conselho da Juventude na III Região Eclesiástica. Aos 22 anos, ingressei na Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, para estudar Teologia. Um marco importante na minha formação teológica foi o intercâmbio de estudos realizado em Moçambique, na África. O estágio, em Horizontina/ RS, confirmou a minha vocação. O Período Prático de Habilitação ao Ministério aconteceu em Estrela/RS. Depois, atuei durante seis anos na Paróquia em Igrejinha/RS e, há seis anos, estou na Paróquia do Salvador, em Porto Alegre/RS.

Na Paróquia do Salvador, quais são as suas atividades? Inserida em um contexto de metrópole e localizada na região que mais cresce na cidade, a Paróquia do Salvador é muito dinâmica e pode ser reconhecida pelas suas três linhas de atuação: a missão na Paróquia em si, o Colégio Sinodal do Salvador (localizado no pátio do templo e que atende quase 700 estudantes) e o Centro Infantil Eugênia Conte (um projeto diaconal que acolhe mais de 200 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social). Qual é a sua ligação com o tema ‘Missão urbana’? Nasci no interior e imaginava a minha atuação em cidades pequenas, especialmente com Agricultores, mas Deus indicou outro caminho e o meu

Luterprev Responde

ajudando a planejar o seu futuro Neste ano, o Programa de Educação Financeira Luterprev (PEF) completa dez anos de existência. Para marcar a data, a organização prepara o lançamento de um livro comemorativo, no qual serão relatadas histórias, experiências e resultados da iniciativa. Paulo Ricardo Dienstamnn, Diretor de Gestão Mercadológica da Luterprev e Coordenador Executivo do PEF, explica o que o programa representa para a entidade. Por que a Luterprev criou o PEF? Trabalhamos com o futuro das pessoas e sabemos que a qualidade desse porvir depende de planejamento e que só planeja quem tem compreensão da cultura financeira. Nessa equação, vimos a possibilidade de prestar um serviço à comunidade, iniciando pela base, que são as crian-

ças. O PEF foi pioneiro e, hoje, está em andamento em todos os níveis de ensino, do infantil ao superior, sempre patrocinado pela Luterprev, que também retribui à IECLB e à Rede Sinodal de Educação todo o apoio recebido quando da sua própria criação. Nesses dez anos, quais foram os resultados práticos do PEF? Foram muitos, junto a alunos, Professores e familiares. As lições e os exercícios de economia, cidadania, solidariedade e responsabilidade se multiplicaram. Atividades em sala de aula envolvendo economia doméstica, como, por exemplo, acompanhar o consumo de água e de energia elétrica da família, relacionando-o com ecologia e sustentabilidade, repercutem em casa. As ações são sempre realizadas com o

primeiro pré-estágio na graduação foi em uma área de invasão da capital gaúcha. Desde então, me acompanha a questão Como ser Igreja Luterana em contexto urbano? Realizei Pós-graduação em Missão Urbana, o que mudou o meu conceito de missão e, em especial, o meu olhar para a cidade. Atualmente, faço parte do Conselho Assessor de Missão Urbana e Evangelização no Sínodo Rio dos Sinos, que definiu a Missão urbana como tema central do seu Planejamento Estratégico. Um dos resultados das discussões do grupo, foi a formatação de um curso para atender a necessidade da formação de Ministros e lideranças comunitárias.

É necessário conjugar leveza e profundidade, caso contrário a comunicação da Igreja na cidade não alcança as pessoas

Onde encontra motivação e tempo para se envolver com as áreas de liturgia, diaconia, escola, comunicação e cursos de formação teológica? É necessário conjugar leveza e profundidade, caso contrário a comunicação da Igreja na cidade não alcança as pessoas. Exerço o meu Ministério com muito carinho. Gosto do que faço e me sinto plenamente realizado. Nesse sentido, uma das minhas ‘meninas dos olhos’ no trabalho pastoral voltado à missão urbana é o Seminário de Formação Contínua Passos na Fé, um curso de formação teológica para membros da Paróquia. Já na sua 5ª edição, o curso forma lideranças mais atentas e preparadas a dar respostas diante da multiplicidade teológica de uma metrópole, pois é necessário conhecer-se para poder dialogar com o outro.

acompanhamento da Coordenação Pedagógica do programa, com o apoio técnico do Conselho Regional de Economia/RS e, a partir deste ano, da Fundação Luterana de Diaconia. Por que a comemoração se dará por meio de um livro? Para que tenhamos um registro detalhado e autoral dessa primeira década do PEF, já que boa parte do seu conteúdo é formada por relatos de Professores. Também esperamos que ele possa servir de exemplo, incentivando novas iniciativas nessa área tão importante para a sociedade como um todo.

Paulo Ricardo Dienstamnn Diretor de Gestão Mercadológica da Luterprev e Coordenador Executivo do PEF

Visite o site da Luterprev (www.luterprev.com.br) e faça uma simulação para a sua aposentadoria complementar. No site, você também encontra um link para encaminhar a sua pergunta à coluna. Se preferir, envie diretamente para luterprev@luterprev.com.br, com o assunto Jorev Luterano.


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Presbitério

Não é a nossa vontade que conta, mas a vontade do Senhor É no dia a dia que devemos refletir o caráter e a luz de Cristo neste mundo

No seu cotidiano, qual é o espaço para a fé? A fé é muito mais que um ‘manual de conduta’, pois é no dia a dia que devemos refletir o caráter e a luz de Cristo neste mundo. Às vezes, somos surpreendidos por quedas, fraquezas e temos dificuldade para entender a vontade de Deus na nossa vida, mas sabemos que podemos confiar e temos com quem contar (Sl 37.5). Qual é a sua caminhada na IECLB? Os meus pais, Jorge e Atemia, foram cativados a servir na IECLB quando a Comunidade de Novo Hamburgo acolheu o Pastor americano John Amott e o seu trabalho missionário. Pastores e lideranças locais se dedicaram a levar a mensagem do Evangelho além e a outras pessoas nos bairros. Pelos testemunhos dos meus pais e amigos, muitas vidas foram tocadas e transformadas naqueles dias. Então, posso dizer que vim a conhecer a Deus como fruto desse trabalho. A partir dali, os meus pais foram desafiados a seguir na fé na Comunidade do bairro Rincão, onde cresci. Nesta trajetória, fui Instrutor de Culto Infantil, liderança e membro do Conselho Distrital da JE, além de Presbítero (Vogal e Vice-Presidente de Comunidade). Atualmente, sou integrante do Grupo Aleluia, membro do Conselho da Rádio União FM/RS e Presidente da Comunidade da Redenção.

Como funciona o formato ‘compartilhado’ de atuação no Presbitério? O que gostaríamos de ver nos nossos políticos, temos a oportunidade de pôr em prática na liderança que ocupamos na Comunidade. Estamos ali temporariamente, representando a coletividade e em favor do corpo, por isso não é bom que uma liderança de Comunidade seja autoritária, centralizadora ou se perpetue no papel. Há que se permitir e estimular a participação e o desenvolvimento dos membros. Em uma Comunidade, como em qualquer agrupamento, lidamos com vontades e individualidades. Com alegria, posso dizer que se entregar, atender e executar segundo a vontade da maioria, mesmo quando contrária à minha posição, muitas vezes foi melhor para a Comunidade. Não é a nossa vontade

que conta, mas a vontade do Senhor. Que importância a música tem na vida da Igreja e da Comunidade? A música veio cedo na minha vida. Ainda criança, com o primeiro violão, presente do meu pai, treinava e cantava com ele músicas caipiras e hinos da Igreja. Na juventude, Luis Kayser, puxador do louvor que tocava violão para os cânticos do hinário amarelo Cantarei para Sempre, passou os acordes das músicas que ele tocava. Ainda tenho o meu hinário com os acordes copiados a caneta do hinário dele, que repartiu o seu dom. Descobri que, por meio da música, eu poderia louvar a Deus. Essa é a importância e a razão de ser da música na Igreja e na Comunidade, quando ela é um instrumento para o louvor e a manifestação da fé.

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10 Mulheres

Sirvam uns aos outros conforme os seus dons

Qual é a sua história na IECLB? Sou de uma família que sempre levou muito a sério o ‘servir’. Fui educada praticamente pelos meus avós maternos, pois, quando eu tinha 9 anos de idade, o meu pai faleceu, vítima de meningite. A minha irmã, Noêmia, e eu, aprendemos, desde cedo, a ler a Bíblia e a cantar hinos do hinário na Língua Alemã com o nosso avô. O meu avô, Otto Albino Schmitt, durante muitos anos, foi Presidente da Comunidade de Padilha, em Taquara/RS, onde fui batizada, confirmada e recebi a Bênção Matrimonial da minha primeira união (Doraci foi casada com Ary Guilherme Bartholdy, falecido em 1993, e com Heinz Gideon

Schrader, falecido em 2006). Uma das irmãs da minha mãe era Diaconisa, a Schwester Lucy, e, junto com o Pastor Fischer, idealizou o Lar OASE, em Taquara, dedicando parte da sua vida aos Asilos de Taquari. Como foi a sua atuação profissional? Em 1956, prestei Exame de Admissão para a então Escola Normal Evangélica (ENE), em São Leopoldo/RS. Em dezembro de 1961, portanto há 50 anos, nos formamos e fomos jogados no ‘servir’. No ano seguinte, iniciei o meu trabalho como Professora, em Três de Maio/RS, no Instituto Educacional São Paulo. Depois, trabalhei no então Colégio Evangélico Augusto

Pestana, em Ijuí/RS. Em 1976, fui para Porto Alegre/RS atuar no Colégio Pastor Dohms e, na sequência, para Hamburgo Velho/RS, exercer o Magistério na Instituição Evangélica de Novo Hamburgo. A minha formação universitária foi em Letras - Língua Portuguesa, realizada na Unijuí. Durante quase 30 anos lecionei Língua Portuguesa, além de atuar na área da Coordenação Pedagógica nas escolas. Em 1981, participei de um curso de especialização para Professores de Língua Alemã, em Stuttgart, na Alemanha. Dez anos mais tarde, a atulização foi em Köln, uma valiosa oportunidade para a atuação como Professora de Língua Alemã em empresas e escolas. Que atividades desenvolve atualmente na Igreja? Represento a Comunidade no Conselho Sinodal, sou Secretária da Diretoria do Conselho Sinodal, VicePresidente da OASE da Comunidade e coordeno o Departamento de Assistência aos Necessitados. Também participo dos Seminários e cursos realizados na Comunidade. Sirvam uns aos outros, cada qual conforme o dom que recebeu (1Pedro 4.10) é o versículo que norteia a minha vida, pedindo sempre que Deus conduza as caminhadas e que sirvamos ao Senhor com alegria.

1) Conselho de Articulação Comunitária 2) Brechó em prol da Assistência 3) Doraci com as suas filhas

Levanta-te! O mês de março é marcado por encontros de mulheres. Há festas, passeios, marchas, palestras e celebrações. O tema da violência contra a mulher faz parte das discussões, mas pouco se fala na violência teológica ou religiosa. Esta violência acontece quando aspectos teológicos são utilizados para submeter as mulheres ao poder dos homens e impedi-las de participar com os seus dons na comunidade de fé. A violência religiosa também acontece quando a Bíblia é utilizada para culpar as mulheres pelos males do mundo e para torná-las invisíveis. A celebração do Dia Internacio-

nal da Mulher acontece em plena época de Quaresma. Não acredito que seja mera coincidência. Durante a Quaresma, relembramos o sofrimento de Jesus e a caminhada que o levou à morte. Nas celebrações em

torno do dia 8 de março, relembramos todas aquelas mulheres que sofreram e foram ‘crucificadas’ (e continuam sendo) por serem mulheres e por desejarem vida plena. Muitas mulheres perguntam ‘Pode a Teologia luterana ser libertadora também para as mulheres?’ A resposta, sem dúvida, é sim! Cristo nos libertou para a vida e continua dizendo para todas e todos nós Levanta-te! (Lc 8.54). É hora de viver, é hora de lutar, é hora de dizer não para todo o tipo de violência e discriminação. Muito já foi conquistado, mas ainda há muito por conquistar.

Pa. Ms. Marcia Blasi São Leopoldo/RS


Jorev Luterano - Março - 2012

Fé Luterana 11

Oração Como devemos fazer uma oração Desde criança, aprendemos que orar é pura e simplesmente conversar com Deus. Trata-se daquele momento especial em que, em algum lugar, juntamos as mãos, fechamos os olhos, inclinamos a cabeça e, com toda a sinceridade e a confiança, colocamos diante de Deus aquilo que está em nosso coração. É como se, a partir daquele momento, entregássemos o controle remoto da nossa vida nas mãos de Deus, na esperança de que aconteça sempre o melhor. Conversar com Deus não deveria se resumir a momentos, talvez, mais formais, agendados, com palavras, postura e jeitos específicos. Conversar com Deus pode e deve também ser algo natural, que vem do fundo coração e que acontece a qualquer momento, em qualquer lugar e por quanto tempo for necessário. Lutero dizia que a oração deve ser a nossa primeira atividade logo pela manhã e a última ao findar o dia. Ele também dizia Eu oro duas horas por dia, exceto em dias ocupados. Nesses dias, eu oro três horas. Ao orar, nós podemos agradecer, pedir, louvar, questionar, desabafar, chorar. Deus nos ouve o tempo todo! Às vezes, pode parecer que nada aconteceu ou que Deus não levou em consideração as nossas palavras e os nossos sentimentos. Aqui estão as nossas grandes dificuldades: em primeiro lugar, entender que Deus nem sempre nos dá o que queremos, mas aquilo que precisamos e, em segundo lugar, perceber/ouvir a resposta

de Deus. Nesse sentido, um autor desconhecido, certa vez, escreveu ‘devemos orar sempre; não até Deus nos ouvir, mas até que nós possamos ouvir Deus´. Desde fevereiro de 2011, tenho estado à frente do Projeto de Capelania Hospitalar do Sínodo Mato Grosso e cerca de 90% do projeto acontecem em um Hospital de Câncer. Confesso que nunca havia conversado tanto com Deus. Na presença sincera e solidária de um Ministro religioso e na oração ao final da visita, pacientes e familiares encontram novamente sentido e força para lidar com um tempo difícil. Diante do leito de um hospital, conversar com Deus tem sido algo muito significativo. Até mesmo faz lembrar o que Jesus sugere quando formos orar: entrar no quarto, fechar a porta, em voz baixa... Está enganado quem acredita ser apenas uma cura física a grande busca destas pessoas. Uma vida, ou o restante dela, com sentido e dignidade, pautada em uma esperança que vai para além da nossa compreensão, talvez seja o maior anseio. Ao orar, lembremos o que disse um Pastor americano, falecido recentemente, chamado Louis H. Evans: O homem que se ajoelha diante de Deus pode resistir de pé a qualquer outra coisa. Resta-nos dizer: Amém!

P. Deolindo Feltz, graduado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, exerceu o Ministério Pastoral na Paróquia em Tangará da Serra/MT. Atua como Capelão Hospitalar em Cuiabá/MT, no Projeto de Capelania Hospitalar do Sínodo Mato Grosso

Para refletir, leia Mateus 6.5-13

Orai sem cessar

Pa. Ana Paula Genehr, graduada em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Atua como Capelã no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba/PR e, como Pastora, na Comunidade e Pastoral da Consolação, no Sínodo Paranapanema

A oração é fundamental na vida da pessoa cristã. Ela nutre a nossa fé no Deus Trino. Lutero dizia ‘É preciso orar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse de nós’. Por meio da oração, mostramos a total dependência no Deus da vida e podemos ter a certeza que Ele cuida de nós. Oramos ao Deus Criador e Mantenedor da nossa vida, que ouve a nossa oração e nos atende no tempo certo e determinado por Ele, ou seja, a vontade de Deus é feita na nossa vida. Oramos a Jesus Cristo, que nos ensinou a orar o Pai Nosso. Jesus recomenda sair da agitação, do meio das pessoas e ir a um lugar calmo e sossegado onde é possível falar com Deus. Jesus praticou o que disse: após a multiplicação de pães e peixes, Jesus despediu as multidões e foi orar sozinho no alto do monte. Em Marcos 1.35, lemos que Jesus levantou durante a madrugada e foi para um lugar deserto orar. Lucas 6.12 nos revela que, antes da escolha dos doze discípulos, Jesus retirou-se para o monte para orar. Antes de ser preso, no jardim do Getsêmani, Jesus retirou-se sozinho para orar a Deus. Jesus procurava lugares de silêncio, paz e sossego para orar a Deus. Oramos ao Espírito Santo, que nos assiste em nossa fraqueza, pois não sabemos como convém orar, e intercede por nós e nos apoia. Há muitas formas de oração. São as maneiras de expressão: Ação de graças, intercessão, lamentação, adoração, louvor, confissão, súplica, silenciosa, etc.

Por meio da oração, podemos falar com Deus, abrir o nosso coração e apresentar a Deus aquilo que nos causa angústia, preocupação e dar graças pelas dádivas recebidas. Orar é falar continuamente sobre a nossa vida para Deus. Para que isto possa acontecer, a oração precisa ser prática constante. A pessoa que ora age em sintonia com aquele que invoca, que a escuta. A oração origina-se da mais íntima necessidade do ser humano. Por meio da oração, pode-se falar Meu Deus e ouvir Meu filho, minha filha. Segundo Dalferth, a oração pode ser breve, mas com frequência e intensidade. Deus não se preocupa pela extensão e duração da oração, mas, sim, se é boa e se vem do coração. O coração se volta para Deus e é despertado para louvá-lo e agradecer-lhe, nele buscando refúgio nas aflições e dele esperando ajuda. Jesus Cristo diz Vosso Pai Celeste sabe do que precisais antes mesmo de pedirdes. Deus já sabe o que necessitamos antes mesmo de pedirmos. Quando Ele nos atende e concede algo, concede acima do que podemos entender e esperar, por isso, como nos diz o apóstolo Paulo, Orai sem cessar.

Para refletir, leia 1Tessalonicenses 5.17


Jorev Luterano - Março - 2012

12 Geral P. Edson Plaster, Ministro na Paróquia em Alta Floresta d’Oeste/RO, no Sínodo da Amazônia

Educação cristã vivendo, aprendendo e ensinando

A Educação Cristã Contínua no Sínodo da Amazônia - A Educação Cristã Contínua (ECC) é algo muito mais amplo do que imaginamos. Ela inicia no contexto familiar, quando pais e mães, de forma afetiva, contam histórias bíblicas para filhos e filhas e os ensinam a agradecer pelos alimentos que recebem. Na verdade, esta é uma herança muito antiga, quando, por meio da tradição oral, o povo de Deus contava histórias que perpassavam gerações. O Sínodo da Amazônia abrange uma realidade completamente distinta dos demais contextos na IECLB. As grandes distâncias tornam o trabalho da ECC diferenciado. Há dificuldades a serem enfrentadas para que a formação de lideranças aconteça. No entanto, mesmo diante desse desafio, a Educação Cristã Contínua está se fortalecendo no Sínodo da Amazônia e já é uma realidade.

Há uma Coordenação Sinodal de ECC formada por um grupo de pessoas que representa todas as áreas do Sínodo. Uma das grandes funções desta Coordenação Sinodal está pautada pela análise, pelo estudo e pela criação de possibilidades e alternativas para que todas as ações de Educação Cristã sejam realizadas de acordo com o Plano de Educação Cristã Continua (PECC) e que também este seja amplamente divulgado e estudado no Sínodo. Nesse sentido, anualmente, são previstos três Seminários Sinodais para a formação. No mês de outubro do ano passado, foi realizado um Seminário para a apreciação do PECC e para a formação de lideranças que trabalham com crianças até a pré-adolescência. Esta formação contou com a presença de pessoas de diversas Paróquias do Sínodo da Amazônia. As Paróquias mais distantes, como Apuí,

Jovem também é Comunidade Martina Wrasse Scherer Sínodo Centro-Campanha-Sul

Colniza, Juruena, Manaus e Boa Vista, enviaram um representante e as Paróquias mais próximas da Sede Sinodal enviaram três participantes, que terão a importante tarefa de multiplicar o que aprenderam. Desta forma, o Sínodo da Amazônia tem fortalecido as suas ações na área da Educação Cristã. Estas ações têm como base as palavras de envio do próprio Jesus: Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos (Mateus 28.19-20).

Projetos Missionários 2012 A Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem é uma das formas pelas quais a IECLB cuida dos projetos missionários e de todas as pessoas que, envolvidas nessa comunhão, expressam a sua fé, a sua espiritualidade e agem! A Vai e Vem é viabilizada por meio das ofertas de dons, tempo e recursos financeiros. Com motivação, ânimo, criatividade e esperança, é possível que irmãos e irmãs ofertem para que novas Comunidades e trabalhos missionários e diaconais surjam e sejam apoiados por este Brasil afora, proporcionando o anúncio do Evangelho com o jeito luterano de ser e viver. Em 2011, superando os valores dos anos anteriores, a Vai e Vem, na sua quarta edição, arrecadou R$ 726.105,96 (para conhecer a arrecadação nos Sínodos e as doações individuais, acesse a edição de janeiro-fevereiro/2012 do Jorev Luterano).

Para 2012, a Campanha promete maior fortalecimento para as doações online (via Portal Luteranos), reafirma a importância do novo Portal Luteranos como instrumento de missão e vai apoiar nacionalmente os seguintes projetos missionários, já aprovados pelo Conselho da Igreja: Projeto Sínodo Biguaçu Centro-Sul Catarinense Ceilândia Brasil Central Chapada Planalto Rio-grandense Mathias velho Rio dos Sinos Norte Fluminense Sudeste Petrolina Brasil Central Rurópolis Mato Grosso Sul do Pará Mato Grosso Veranópolis Nordeste Gaúcho Vila Rica Mato Grosso Fundo Solidário a Paróquias e Comunidades Parabéns a todos e todas que agem e, na condição de instrumentos nas mãos de Deus, fazem a missão acontecer!

Certa vez, li no jornal da minha cidade, em uma coluna assinada por um Ministro de outra denominação religiosa, uma crítica aos jovens. O tema era a velha questão que aflige muitas Paróquias Onde estão os jovens, que não os vemos na Igreja? Em minha Comunidade, isso nunca foi problema: alguns jovens sempre marcam presença nos cultos e em outras atividades. No entanto, a ausência dos jovens é uma realidade em muitos locais. Talvez a pergunta não esteja correta ou completa. Além de (ou em vez de) perguntar Onde está o jovem?, também é preciso questionar Como Comunidade, acolhemos este jovem e o aceitamos? Estamos dispostos a ouvi-lo? Ouvir as suas tristezas, as suas alegrias e aprender com ele? Pela falta de apoio, o jovem se afasta da Igreja e sai à procura de outros locais, com outros atrativos, com acolhimento! Depois, não adianta ficar perguntando pelos jovens, pois será difícil tê-los de volta. Sem dúvida, muitos jovens ainda desconhecem o trabalho da sua Igreja e vários jovens de outras manifestações religiosas não conhecem o trabalho com jovens realizado na IECLB. É aí que entra a Comunidade, que deve amparar esse jovem e acolhê-lo. É importante lembrar que novos integrantes chegam, na maioria das vezes, pelo convite dos próprios jovens, por isso deve-se, acima de tudo, valorizar o grupo de JE já existente, pois dali podem sair tesouros valiosíssimos, como membros ativos e competentes lideranças de Comunidade. Quem sabe, um dia, a relação Jovem x Comunidade não precisará ser mais escrita assim, passando a ser Jovem é Comunidade.


Jorev Luterano - Março - 2012

Comportamento 13

Ser do Ministério

P. Breno Carlos Willrich, graduado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, exerceu o Ministério Pastoral em Humaitá/RS e Blumenau - Paróquia Centro/SC. Atualmente, é Pastor Sinodal do Sínodo Vale do Itajaí, com sede em Blumenau/SC

O que é o Ministério ordenado? Há Comunidades que tendem a considerar o Ministro um empregado. Há o perigo de se transformar o Ministério em uma profissão. Há Ministros que, na tentativa de reconquistar a autoridade, tornam-se dominadores das Comunidades. Ao lado disso, a prática distorcida de alguns grupos religiosos e dos seus Pastores traz uma carga imensa de preconceito em relação ao Ministério. A autoridade ministerial sadia, oriunda da ordenação para a pregação da Palavra e do conhecimento teológico, ficou abalada. A compreensão a respeito do Ministério na Igreja está confusa. Qual é o papel do Ministério com Ordenação em relação ao sacerdócio de todos os crentes? No que consiste a autoridade ministerial? Qual é a relação entre ‘vocação’ e ‘profissão’? São perguntas que devem estar presentes desde o chamado, ao longo da formação e por toda a vida do Ministro. Em 1983, quando cheguei ao Morro do Espelho, em São Leopoldo/RS, para prestar Exame de Admissão na Faculdade de Teologia, um colega candidato entregou-me, em mãos, uma carta do meu Padrinho, Pastor da IECLB. Na carta, este se dizia surpreso com a minha decisão e, ao mesmo tempo, feliz com ela, mas alertou ‘A Teologia não pode ser simplesmente mais uma opção, é necessário que ela seja a opção’. O alerta me ajudou a entender, desde então, o quanto o Ministério compromete todo o viver de quem aceitou o chamado para nele servir e lançou um questionamento do por que desejo servir como Pastor e o que isto significa. Peço que Deus mantenha vivo em mim este alerta e questionamento. É necessário garantir que aqueles que aspiram ao Ministério sejam confrontados com estas questões, mesmo

A Teologia não pode ser simplesmente mais uma opção

que nos Centros de Formação estudem pessoas que não aspiram ao Ministério. A formação de um Ministro não depende somente de um bom conhecimento teológico e da instrumentalização para o trabalho, mas necessita estar ligada ao chamado, à espiritualidade e à consagração. No Sínodo Vale do Itajaí, temos refletido, nas Conferências, a respeito do tema ‘autoridade ministerial’. Também no acompanhamento aos estudantes de Teologia, aos que estão no Período Prático de Habilitação ao Ministério (PPHM) e aos estagiários, as citadas temáticas têm sido trabalhadas. Contextos A nossa IECLB é multifacetada. Cada uma das nossas Comunidades tem a sua história. Somos uma só Igreja, mas com muita diversidade na forma de expressar a espiritualidade. As

nossas diferenças culturais, sociais, econômicas e ideológicas são enormes. As necessidades dos nossos membros diferem de Sínodo para Sínodo. Também os nossos estudantes de Teologia, os nossos Ministros e os nossos Centros de Formação têm ênfases, histórias e pensares diversos. A formação com vistas ao Ministério deverá promover o ensaio do respeito aos diferentes contextos e pensares. Os que aspiram ao Ministério deverão estar preparados para exercer a função com respeito e criticidade, sem impor a Comunidades e membros o seu jeito de pensar. Assim como no PPHM os candidatos são desafiados a conhecerem realidades diferentes, a Direção da Igreja deve encontrar meios para garantir que, já nos Centros de Formação, seja incentivada a inserção comunitária em novas realidades. Pensar em contexto também aponta para a necessidade de encontrarmos novos caminhos para sermos Igreja em uma realidade cada vez mais urbana, na qual as nossas Comunidades estão inseridas. Em 2011, buscando valorizar a nossa história, a atualização teológica no Sínodo Vale do Itajaí teve como tema o centenário de fundação do Sínodo Evangélico de Santa Catarina. A data da fundação também foi celebrada em culto. O planejamento estratégico do Sínodo agendou para 2012 uma consulta da Pastoral Urbana e uma atualização teológica sobre o tema. Entender que somos chamados por Deus para exercermos o Ministério e estarmos preparados para pregar o Evangelho, com respeito, nos diferentes contextos da nossa IECLB são temas que devem estar presentes na capacitação para o Ministério e na formação continuada dos nossos Ministros.

Formação e vocação Antes que te formaste no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saíste da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações (Jr 1.5). Destas palavras, proferidas por Deus ao profeta Jeremias, brota o Lema bíblico para o ano de 2012 na IECLB. Uma palavra de vocação. É certo que vocação é um tema muito mais amplo que somente o chamado ao Ministério eclesiástico. Deus chama pessoas para serem bons profissionais em todas as áreas, bons pais e mães de família e bons líderes. Cristãos são chamados para servir a Deus com ética, responsabilidade e alegria em todas as ações. Por outro lado, o Lema do Ano nos desafia a pensarmos nas vocações aos Ministérios ordenados na IECLB. Falam em ‘crise de vocações’. Parece que o chamado não alcança os ouvidos e os corações dos ´nossos jovens Jeremias´. Ao lado da crise nas vocações, percebem-se muitas crises no próprio Ministério. Ministros desmotivados, que não demonstram alegria em seu servir,

Antes que eu te formasse no ventre, te conheci

terão dificuldades para motivar jovens a ouvirem e a aceitarem o chamado e a animar as Comunidades a viverem para servir ao Senhor. A pergunta que nos move aqui é Como deve acontecer a formação funcional com vistas ao Ministério e a formação teológica contínua dos nossos Ministros para preparar bem os que aceitaram o chamado e para manter viva a paixão naqueles que têm dedicado a sua vida ao serviço da pregação, do ensino, da diaconia e da missão?


Jorev Luterano - Março - 2012

14 Deutsche Seite

Gemeinsam als Christen leben Menschen sind unterschiedlich, denn sie wurden einzigartig von Gott geschaffen. Aber auch wenn jeder Mensch seine eigene Lebensart hat, braucht er den Kontakt zu anderen. Es ist eben menschlich, nicht allein sein zu wollen. Aber das Zusammenleben von verschiedenen Personen kann zu Konflikten führen, sei es in der Familie, in der Arbeit oder in der Kirchengemeinde. Manchmal wollen wir nicht mehr in der Nähe von anderen Menschen sein. Doch kaum sind wir weg, merken wir, dass die anderen uns fehlen. Über eine solche Situation handelt ein Märchen von Arthur Schopenhauer:

Im Wald war es kalt. Unter einem Baumstamm kamen einige Stachelschweine zusammen, um sich gegenseitig zu wärmen. Es waren große und kleine, ältere und jüngere Tiere. Jedes dachte: „Mir ist es kalt! Ich wärme mich bei den anderen.“ Und wenn sie es versuchten, den anderen näher zu kommen, piekten sie sich mit ihren Stacheln gegenseitig und verletzten sich. Das tat weh! So entfernten sie sich wieder voneinander. Aber getrennt zu sein war ihnen zu kalt und sie würden bestimmt sterben. Deswegen kamen sie wieder näher zueinander, aber diesmal ganz langsam und vorsichtig. Schließlich hatten die Stachelschweine die Distanz gefunden, die sie gegenseitig ertragen konnten. Sie verletzen sich nicht mehr und gleichzeitig war jeder mit der Wärme in der Gruppe zufrieden. So überstanden sie den Winter zusammen.

Schon bei den ersten Christen war das gemeinsame Leben wichtig – die Liebe zu Gott und zu dem Nächsten – wie es im 2. Kapitel der Apostelgeschichte beschrieben wird.

Sie blieben aber beständig in der Lehre der Apostel und in der Gemeinschaft und im Brotbrechen und im Gebet. Alle waren beieinander und hatten alle Dinge gemeinsam. Sie verkauften Güter und Habe und teilten sie aus unter alle, je nachdem es einer nötig hatte. Und sie waren täglich einmütig beieinander im Tempel und brachen das Brot hier und dort in den Häusern, hielten die Mahlzeiten mit Freude und lauterem Herzen.

Ein schönes Bild, wie damals Gemeinschaft gelebt wurde. Aber wie ist es unter Christen heute? Der deutsche Pfarrer Hans Zeller hat eine Woche lang eine Kirchengemeinde besucht, um dort Vorträge zu halten. Dabei hat er auch beobachtet, wie es oft im Gemeindeleben aussieht: Unterschiede werden deutlich,

Es ist besser, ein kleines Licht anzuzünden, als über die Dunkelheit zu klagen

Theologe Jaime Jung

Konflikte, Neidgefühle werden angesprochen. Über diese Gemeinde schreibt Pfarrer Zeller: „Sehr aktiv ist sie, diese Gemeinde – so hat man mir gesagt. Als offen ist sie bekannt. Viele innovative Projekte hat sie schon durchgeführt. Neben den verschiedenen Gottesdienstformen gibt es zahlreiche Angebote für die Kranken, die älteren Gemeindeglieder und diejenigen, die persönliche Probleme im Beruf und im Privatleben haben. Die Mahnung des Paulus ‚Einer trage des anderen Last, so werdet ihr das Gesetz Christi erfüllen‘ scheint in der Gemeinde wirklich Bedeutung zu haben.“ An einem Abend wurde dann in kleinen Gruppen die Gemeinde von ihren Mitgliedern analysiert: „Es stellt sich heraus, dass in der Tat sehr viele Aktivitäten stattfinden. Sie sind auch geprägt von dem guten Willen der einzelnen Teilnehmenden. Mit den besten Vorsätzen engagieren sich diejenigen, die es zeitlich realisieren können. Ein Netz von Mitarbeitenden ist tätig. Aber schnell wird deutlich, die Stimmung untereinander ist nicht besonders gut. Viele sehen ihre Tätigkeit als eine Pflichterfüllung. Manche sind der Meinung, dass die anderen mehr tun sollten. Andere wiederum fühlen sich überfordert. Die Gruppen untereinander rivalisieren. Jede will die beste sein. Manche möchten mehr wahrgenommen werden.“ Wie können nun Christen zeigen, dass sie im Umgang mit Konflikten doch anders als die anderen Gruppen in unserer Gesellschaft sein können? Wenn Gott im Mittelpunkt steht und die Menschen liebevoll miteinander umgehen, ist das Gemeindeleben, wie es in der Bibel beschrieben wird, auch heute möglich. „Doch trotz alledem entsteht dabei ein Raum, in dem offen über Probleme und Verletzungen geredet wird. Damit löst sich eine Spannung, die in der Gemeinde vorher für Manche bis zur Unerträglichkeit geherrscht hat. Zum Schluss feiern wir gemeinsam Abendmahl. Die vorher Zerstrittenen reichen einander die Hand: ‚Friede sei mit Dir! ‘. Sie teilen Brot und Wein miteinander. ‚Brot des Lebens. Kelch des Heils. Zur Vergebung der Sünden.‘ Ganz neu entsteht eine versöhnte Gemeinschaft unter ihnen, die bereit ist ihre Unterschiede und Konflikte anzunehmen. Sie sind eine Gemeinde, eine Gemeinschaft. Trotz aller Verschiedenheit hat Gott sie zusammengestellt.“


Jorev Luterano - Março - 2012

Compartilhar 15 Neste espaço, a Comunidade pode compartilhar os momentos significativos da vida cristã, como Nascimento, Batismo, Confirmação, Bênção Matrimonial, Encontros Familiares, Bodas e Sepultamento.

Entre em contato conosco!

Bodas de Ouro No dia 5 de novembro de 2010, festejaram 50 anos de vida matrimonial

BRUNHILDA e ALMO SCHNEIDER A cerimônia aconteceu no CTG Querência de Rio Verde, em Goiás, e foi celebrada pelo Pastor Valdir Hobus, na presença de familiares e muitos amigos queridos. O casal agradece a todos que partilharam deste momento especial, repleto de alegrias, mas também de saudades, pela ausência do filho Elton Edson Schneider (2.5.1961 - 25.9.2004). O amor é paciente, é benigno, se alegra com a verdade. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 1Coríntios 13

Bodas de Ouro Sob a graça de Deus, no dia 14 de outubro de 2011, comemoraram 50 anos de vida matrimonial

NOEMIA e ROMEU BAUM A celebração religiosa foi oficiada pela Pastora Dimuht Marize Bauchspiess e pela PPHMista Daiane Mariléia Baade no Ipanema Festas e Eventos, em Campo Verde/MT, seguida por uma animada confraternização, que contou com a presença da família e dos amigos. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba. 1Coríntios 13.7-8 Que Deus continue abençoando essa linda união e que o casal tenha mais felicidades ainda! Homenagem dos filhos, da nora e dos netos

Bodas de Ouro Com gratidão a Deus, no dia 26 de fevereiro de 2011, na Sociedade Germânia, em Porto Alegre/RS, celebraram 50 anos de união matrimonial,

SENY LOURDES DOCKHORN TESCHE e CASSILDO TESCHE Na presença dos filhos, Tatiana e Rubens, do genro, Odorico, da nora, Cristine, dos netos, Kaoê, Gabriel, Yasmin e Filipe, e abraçados a familiares, amigos, além de Pastores e Pastoras, a celebração religiosa de Seny e Cassildo foi oficiada pelo Pastor Werner Kiefer, Ministro muito estimado pela família, da Paróquia Matriz, em Porto Alegre/RS, cujas palavras emocionaram a todos: Em 1961, Seny e Cassildo disseram ‘sim’ à vida conjugal, na Igreja Matriz São Paulo de Três de Maio/RS. Seny e Cassildo têm marcado as Comunidades nas quais têm residido, em função dos serviços prestados à Igreja, às escolas e à sociedade. Dr. Cassildo, 48 anos de atuação como Dentista em Dr. Maurício Cardoso/RS, onde doou o seu consultório para o Posto de Saúde no Hospital, de maneira que muitos continuassem a ter um belo sorriso, participou dos Presbitérios na Comunidade distrital e local, em atividades cívico-culturais, recebendo o título de Cidadão Mauriciense. A Professora Seny lecionou Educação Artística, Direito e Legislação e Direito de Família na Universidade, durante mais de 25 anos foi Secretária da OASE da Região III, também participou do Conselho Nacional e na elaboração do Roteiro da OASE e, pela sua persistência, se formou e fez Pós-Graduação em Direito, exercendo atividades no Grupo de Trabalho de Direitos Humanos na Unijuí. O casal passou por dificuldades, mas nelas a presença de Deus foi sentida como Aquele que dá a força e a sabedoria para administrar, que faz ver a vida como um conjunto e não apenas uma cena. Na expressão do casal, ‘diante dos limões que a vida nos deu, aprendemos a fazer uma gostosa limonada’. ‘Somos anjos de uma asa só, mas, abraçados, podemos voar’. Com estas palavras, o casal se harmoniza e continua a viver a vida com fé, esperança, alegria e gratidão pelas bênçãos recebidas! Buscai, pois em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mateus 6.33

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ESPÍRITO da

época

Técnico em Eletrônica e Programador aposentado, Helmut relata “Estudei no Instituto PréTeológico, em São Leopoldo/RS, e, na empresa em que trabalhava, a Varig, pude dialogar muito sobre fé com colegas das mais diversas crenças, inclusive não-cristãs, o que foi bastante desafiador, mas amadureceu e fortaleceu ainda mais a minha fé cristã”. Helmut começou a participar mais ativamente na IECLB a partir do Coral e da Juventude Evangélica. Também integrou os encontros de treinamento de leitores (pregadores leigos) nos tempos da ‘Academia Evangélica’, com o P. Lützow, “Tive o privilégio de ter sido membro e Orientador da Juventude local, suplente leigo na Comissão Teológica da IECLB, representante da Comunidade Niterói no Conselho Sinodal do Sínodo Rio dos Sinos, bem como no Conselho Sinodal de Música, Regente do Coral da Comunidade de Niterói, Conselheiro, Vice-Secretário, Vice-Tesoureiro, Vice-Presidente e membro do Conselho Fiscal na Comunidade de Niterói, integrante do Conselho Fiscal da Obra Gustavo Adolfo (OGA) e de subcomissões de Avaliação de Ministros e

AMOR

Neila Trindade da Silva Horn, 70 anos, nascida em Santa Maria/RS, Farmacêutica-bioquímica aposentada, casada com Geraldo Odilon Horn e mãe de Alex e Alan, é membro na Comunidade em Capão da Canoa/RS, no Sínodo Rio dos Sinos “Para explicar como se processa a fé no meu dia a dia, cito um pensamento da Escritora e Poetisa chilena Gabriela Mistral ‘Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço’”.

FIDELIDADE À FÉ CRISTÃ E TESTEMUNHO COM CREDIBILIDADE Campos de Atividade Ministerial”. Desde janeiro de 2012, Helmut é Presidente da Comunidade de Niterói. Como os grandes temas do Sínodo Rio dos Sinos, o Presbítero destaca Missão urbana e evangelização, formação e gestão comunitária, diaconia e comunicação. Os desafios de ser IECLB na região são a fidelidade à fé cristã e o testemunho com credibilidade em um cenário que oferece uma grande variedade de opções religiosas por um lado e, por outro, a indiferença e o ateísmo. O que poderia ser melhor na IECLB? “Que Ministros e Educadores saibam discernir melhor o espírito da época (Zeitgeist), não se conformando com o presente século (Romanos 12.2). Por exemplo, nas questões comportamentais, gênero, modismos, etc., ser testemunha e sal da terra implica em ser bom exemplo ético e moral em todas as áreas”, acredita Helmut Fertsch, que sonha que as diversas linhas teológicas ou movimentos da IECLB se concentrem no Evangelho e na Teologia luterana, possibilitando maior aproximação e diálogo entre eles e viabilizando o crescimento da nossa Igreja.

ao próximo

Farmacêutica-bioquímica aposentada, Neila sempre procurou trabalhar com ética, respeito e dedicação, buscando agregar valores religiosos “Exerci plenamente a fé e os ensinamentos do Evangelho em trabalhos voluntários na Federação de Bandeirantes do Brasil, pois fui integrante de diversas equipes regionais e nacionais de espiritualidade. A filosofia de Baden Powell, fundador do Bandeirantismo e do Escotismo, está sempre presente nas minhas atividades: o dever para com Deus não consiste unicamente em inclinar-se diante da sua infinita bondade, mas em executar a sua vontade pela prática do amor aos nossos semelhantes. A caminhada de Neila na IECLB tem cerca de dez anos. Membro da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, quando se aposentou e mudou para o litoral, devido à ausência da sua Igreja, aproximou-se da IECLB, aprofundou-se nos ensinamentos do luteranismo e aconselhou-se com o Bispo Primaz da Igreja Anglicana, que a encorajou a continuar a sua caminhada de fé na IECLB. Há oito anos, Neila fez a sua Profissão de Fé e, desde então, participa ativamente nos trabalhos da IECLB, inclusive tendo cursado, no sistema EaD da Faculdades EST, Visitação, Confessionalidade Luterana e Batismo. Atualmente, Neila não ocupa cargos no Presbité-

Helmut Fertsch, 75 anos, nascido em Panambi/RS, Técnico em Eletrônica e Programador aposentado, casado com Edith Goelzer e pai de Rugart e Claudia, é membro na Comunidade de Niterói, em Canoas/RS, no Sínodo Rio dos Sinos “Procuro viver o que aprendi por meio da Educação Cristã, desde pequeno, na Igreja e na escola. Sou luterano de berço e por convicção!”.

O EVANGELHO COMO INSTRUMENTO DE FÉ rio, mas já foi Primeira-Secretária e Presidente de Comunidade, integrou o Grupo de Danças Sênior e da Terceira Idade, além de ter feito parte do Conselho Escolar do Colégio Pastor Dohms - Capão da Canoa. Na Presidência da Comunidade em Capão da Canoa, Neila como Presidente e o esposo como Secretário, o casal promoveu regularizações nos registros de patrimônios e membros, além de melhorias nas instalações, ações fundamentais na vida da Comunidade. Como o grande tema do Sínodo Rio dos Sinos, Neila elege Missão Urbana e Evangelização. Os desafios de ser IECLB na região, tendo em vista que o Sínodo possui, principalmente, Paróquias urbanas, são chegar às áreas rurais e, também, dar subsídios para a formação de grupos atuantes de visitação e evangelização. O que poderia ser melhor na IECLB? ”Aproximação entre IECLB e IELB, para que a ‘missão cristã luterana’ tenha maior credibilidade, exposição da IECLB na mídia, preparação continuada de lideranças para a atuação nas Comunidades, além do reavivamento no Evangelho baseado nos ensinamentos de Lutero”, enumera Neila Trindade da Silva Horn, que sonha com uma Igreja que vá ao encontro do próximo, sempre comprometida com o Evangelho como instrumento de fé.


Jorev Luterano - 03/2012