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e D I Ç Ão 4 | A N o I

pa r á AG R OMINERA l

NOVO ANO

PERSPECTIVAS PARA 2017 CABRAS E OVElHAS

PARÁ LIDERA EM REBANHO REGIONAL inSuMoS

Indústria inova o setor de alimentos

Produtos amazônicos industrializados rompem com a tendência econômica do Estado de apenas exportar as matérias-primas regionais e conquistam os principais mercados gastronômicos do Brasil e do exterior


RENASCIMENTO DO CHOCOLATE.

O cacau do Pará ganha o mundo com sabor e qualidade.

Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca

GRIFFO

Pela primeira vez, em 2015, o cacau paraense foi classificado para disputar prêmios de qualidade no Salão do Chocolate de Paris. Esse é um dos resultados do Programa de Desenvolvimento da Cacauicultura do Governo do Pará, que investe na melhoria do cacau e do processo produtivo, hoje em grande parte conduzido por agricultores familiares em sistemas agroflorestais, tornando a produção socialmente justa e ambientalmente correta. A expansão e qualificação da cacauicultura animam os produtores, geram emprego e renda e fazem com que a Europa redescubra o cacau e o chocolate da Amazônia.


AO lEItOR

produzir em tempos de crise econÔmicA

pa r á AG R OMI NE RA l DELTA PUBLICIDADE - RM GRAPH EDITORA EDIÇÃO Nº 4 ANO I Presidente LUCIDÉA BATISTA MAIORANA

O ano de 2017 se iniciou com a incerteza econômica herdada de 2016. Os indicadores financeiros do país apontaram, nos últimos anos, a piora da crise no Brasil com o Produto Interno Bruto (PIB) caindo 3,8% no final de 2015, o pior resultado em 25 anos, segundo o IBGE. E a estimativa para o ano que nos deixou é que o PIB apresente o recuo de 3,5%. Neste início de 2017, os setores da economia ainda veem com bastante cautela os investimentos no país, mas sabem que a produção não pode parar. É preciso movimentar o Brasil através da força do agronegócio. Um desses exemplos que seguem aquecidos, mesmo diante das adversidades, é setor industrial, principalmente o voltado para segmento alimentício. No Pará, as indústrias de pequeno, médio e grande porte que exportam produtos regionais beneficiados estão em alta no Brasil e no mundo. Com a industrialização dos alimentos regionais, o Estado deixa de ser visto como mero fornecedor de matéria-prima para se destacar ao lado de grandes exportadores do eixo Sul-Sudeste brasileiro.

Presidente Executivo ROMULO MAIORANA JR. Diretor Jurídico RONALDO MAIORANA Diretora Administrativa ROSÂNGELA MAIORANA KZAM Diretora Comercial ROSEMARY MAIORANA Diretor Industrial JOÃO POJUCAM DE MORAES FILHO Diretor JOSÉ LUIZ SÁ PEREIRA Conselho editorial RONALDO MAIORANA JOÃO POJUCAM DE MORAES FILHO LÁZARO MORAES REDAÇÃO Jornalista responsável e editor-chefe FELIPE JORGE DE MELO (SRTE-PA 1769) Divisão de Projetos Especiais JULIA MAIORANA MARTINS LUCIANA SARMANHO ERIVALDO FERREIRA FILHO Editor de arte FILIPE ALVES SANCHES (SRTE-PA 2196)

Felipe Jorge de Melo Editor-chefe fernando sette

Colaboraram para esta edição O Liberal, Agência Pará de Notícias, Universidade Federal do Pará, Universidade do Estado do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia, Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, Embrapa Amazônia Oriental, Sebrae-Pará, Imerys, The Nature Conservancy (acervo); Alinne Morais, Ana Paula Mesquita, João Cunha, Rodrigo Reis, Sávio Senna (reportagem); Fabrício Queiroz (produção); Akira Onuma, Carlos Borges, Everaldo Nascimento, Fernando Sette (fotos); Alexsandro Santos (tratamento de imagem). FOTO DA CAPA Fernando Sette O LIBERAL AGRONEGÓCIOS - PARÁ AGROMINERAL é editada por Delta Publicidade/ RM Graph Ltda. CNPJ (MF) 03.547.690/0001-91. Nire: 15.2.007.1152-3 Inscrição estadual: 158.028-9. Avenida Romulo Maiorana, 2473, Marco - Belém - Pará.

agronegocios@orm.com.br

PRODUÇÃO

REALIZAÇÃO

JANEIRO2017

made in pará

Produtos regionais ganham status de “industrializados” e conquistam o mercado brasileiro e estrangeiro AGRONEGÓCIOS O LIBERAL 3


BOI VERDE E SAUDÁVEL. Livre da aftosa, o gado paraense está pronto para conquistar mercados.

Em 2016, o Pará foi um dos estados brasileiros com maior cobertura vacinal contra a febre aftosa. Mais de 98% do rebanho paraense foi vacinado, ultrapassando a meta de 90%, exigida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Com este resultado, o Governo do Pará reforça o seu compromisso com o setor agropecuário, mantendo o rebanho livre da doença e garantindo mercado para o gado paraense. Isso significa produção de carne de qualidade para exportação e geração de mais emprego e renda para os paraenses.

GRIFFO


ÍNDICE

fernando sette

indÚstriA nA mesA

Pará se consolida como exportador de alimentos industrializados

plAntAções produção de hortaliças

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fertilizAntes caranguejo-uçá vira adubo 19 cenários perspectivas para 2017

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pisciculturA criação de pirarucu

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tecnologiA nova cultivar de bananeira

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solos prejuízo com queimadas no pará

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genÉticA pesquisas melhoram negócios 62 JANEIRO2017

fernando sette

SEçÕES

rebAnho de quAlidAde reconhecidA

estAdo deve ApostAr no incentivo rurAl

Estado lidera em criação de cabras e ovelhas

Ex-secretária da Sedap Eliana Zacca fala sobre avanços

páginA 48

páginA 28

everaldo nascimento

páginA 6

muito além de carneirinhos

Na Fazenda Cabanha Árabe, em Santa Bárbara do Pará, na região metropolitana de Belém, cabras e ovelhas são criadas sob forte rigor de qualidade técnica, ganhando destaque em feiras e leilões nacionais e internacionais

AGRONEGÓCIOS O LIBERAL 5


ENtREVIStA

A ex-secretária adjunta de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará Eliana Zacca diz que é preciso incentivar iniciativas no Estado que permitem o incremento de cadeias produtivas, como a do cacau, da mandioca e do açaí

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AGRONEGÓCIOS O LIBERAL

JANEIRO2017


ElIANA zACCA

incentivAr pArA produzir O governo do Pará investe em políticas públicas voltadas para o desenvolvimento e melhoria da qualidade e certificação dos produtos originários do setor agropecuário e de pesca do Estado texto Fabrício Queiroz fotos everaldo naSciMento

O Estado do Pará avança com uma série de ações estruturantes que devem dar uma nova formatação à economia local. Em meio aos bons números do agronegócio paraense, que hoje é responsável por movimentar mais de R$ 14,5 bilhões, a agricultura passa por um momento de construção de novas oportunidades para crescimento do setor. A ex-secretária adjunta de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Estado do Pará Eliana Zacca que até pouco tempo ocupava a pasta no governo, destaca algumas das iniciativas em execução no Estado que permitiram o incremento de cadeias como a do cacau e do açaí. Ela também adianta quais desafios devem ser enfrentados pelo Pró-Mandioca, uma proposta estratégica semelhante que hoje está em elaboração, contando com a colaboração de instituições de pesquisa e assistência e do setor produtivo. A ideia é estimular ações em tecnologia, assistência técnica e sistemas alternativos de produção para contribuir com essa tradicional cultura agrícola amazônida.

• A política agrícola do Estado tem apostado em ações estratégicas para culturas como a do cacau e do açaí. Como a senhora avalia o desenvolvimento desses dois setores a partir desse trabalho? Desde 2011, a Sagri (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento do Estado do Pará), agora Sedap (Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca), tem investido na edição de uma série de instrumentos de políticas públicas direcionados ao planejamento estratégico fundado, principalmente, no fomento à produção, ganhos de produtividade, melhoria da qualidade e certificação dos produtos originários do agronegócio paraense. Isso se inicia com o advento do Pró-Seringueira, passando pelo Pró-Cacau, o Pró-Açaí, e, neste momento, estamos concluindo a elaboração do Pró-Mandioca. Por outro lado, o Pará 2030, que é a vertente econômica do planejamento estratégico do governo, prioriza 12 cadeias produtivas como oportunidades de agregação de valor, das quais oito são do setor do agronegócio. No que concerne à cacauicultura, o PróCacau permitiu, dentre outras, que o Estado saísse de uma área plantada de 110 mil hectares, em 2011, JANEIRO2017

para 162 mil hectares, em 2016, e de uma produção de 68,4 mil toneladas para 117 mil no período considerado, ou seja, um crescimento médio anual de produção na ordem de 9%. Com isso, o Pará, que detinha uma participação de 27% na produção nacional, em 2016 eleva para 54,5%, assumindo o posto de primeiro produtor nacional. No que tange ao cultivo do açaí, a proposta é o enriquecimento e manejo de 40 mil hectares no ecossistema de várzea com predição de produtividade média em torno de 6 toneladas por hectare. Na terra firme, o programa prevê a implantação e manejo de 10 mil hectares de açaizeiros irrigados, com produtividade média de 12 toneladas por hectare, a partir do 7º ano de campo, quando a cultura atinge sua fase de estabilidade produtiva. A açaicultura, com a colheita e comercialização de 1 milhão de toneladas produzidas, é, sem dúvida, a joia da coroa do agronegócio.

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de reais, em média, foram

movimentados pela agricultura no Pará no último ano. Setor passa por um momento de construção de novas oportunidades para o crescimento na economia local.

• Hoje está em elaboração o Programa Estadual de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Mandioca. Como tem sido esse processo? Há a elaboração do Pró-Mandioca, com um grupo

“o pará 2030, vertente econômica do planejamento estratégico do governo, priorizA 12 cAdeiAs produtivAs como oportunidAdes de AgregAção de vAlor, dAs quAis oito são do setor do Agronegócio” AGRONEGÓCIOS O LIBERAL 7


ENtREVIStA nizar em todos as fases da produção primária, de farinha, de tucupi e de fécula; existe um quantitativo elevado de áreas antropizadas; a podridão das raízes inviabiliza a produção em alguns locais, algumas áreas já se ressentem da falta de madeira para aquecer o forno torrador da farinha; a falta de mão de obra disponível cria obstáculo ao crescimento das áreas em decorrência de políticas compensatórias de renda; a assistência técnica é deficiente; os sistemas de produção são de baixo nível tecnológico; a rede de intermediação forma o preço do produto; etc. Logo, há que se implementar ações que venham equacionar os principais gargalos identificados, que se constituem nas principais demandas do setor.

“na amazônia não basta apenas produzir, É necessário, tAmbÉm, que A produção sejA declArAdAmente proveniente de áreA de bAixíssimo impActo socioAmbientAl, de tecnologiA limpA, preço justo, relAção de trAbAlho legAlizAdA”

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AGRONEGÓCIOS O LIBERAL

formado por oito instituições. Inicialmente, o grupo de trabalho, analisando a estrutura da cadeia produtiva e a evolução da produção nos últimos dez anos, identificou uma grande dinâmica na movimentação de municípios produtores, pois alguns deles que, há pouco mais de cinco anos, figuravam entre os dez maiores, hoje não mais integram esse ranking. Aliado a esse fato, a grande maioria da literatura disponível sobre o assunto, foi editada há mais de dez anos. Diante desses fatos, concluiu-se pela necessidade da geração de informações que permitissem o entendimento desse processo. Daí, optou-se pela efetivação de “oficinas ZOPP” (sigla em alemão que significa “Planejamento de Projetos Orientado por Objetivos”), envolvendo representantes da cadeia produtiva nas regiões onde o processo se faz com maior dinamismo, a exemplo da região do Baixo Amazonas Paraense e Nordeste do Estado. Desta feita, levou-se a efeito duas oficinas, nos municípios de Santarém e Bragança. A fase atual é a de análise e tabulação dos dados e de elaboração dos capítulos introdutórios. Espera-se ter o Pró-Mandioca editado e lançado até o final do mês de janeiro.

• Até o momento, quais as principais demandas identificadas para o setor? Dentre as demandas prevalentes foram identificadas nas oficinas, que existe uma grande erosão genética na base dos materiais cultivados; o setor é extremamente desorganizado; a produção é majoritariamente artesanal e precisa se moder-

Por estarmos na região amazônica, existe a preocupação com a sustentabilidade das práticas econômicas. Como a Sedap coloca essa discussão em suas políticas? Na Amazônia não basta apenas produzir, é necessário, também, que a produção seja declaradamente proveniente de área de baixíssimo impacto socioambiental, de tecnologia limpa, preço justo, relação de trabalho legalizada. Daí a produção amazônida para ser comercializada no mercado, daqui em diante, carece de ter um selo ou certificação. Sujaram o meio ambiente e passaram a conta para o produtor rural regional. Contudo, só podemos utilizar 20% da propriedade rural, pois os outros 80% são considerados reserva legal, que deve ser mantida pelo produtor- não existe caso similar no mundo. O mercado de REDD (sigla em inglês para Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) segue inacessível para a maioria dos agricultores. Em termos de resposta efetiva à superação dos óbices, temos o Zoneamento Ecológico Econômico do Pará, que delimita em 35% da superfície territorial para fins de consolidação e expansão econômica. Registra-se, também, que o Estado possui 70% de seu território coberto por florestas primárias. O Programa Municípios Verdes tem avançado muito na direção da disseminação de uma consciência ambiental e na realização do Cadastro Ambiental Rural das propriedades rurais, a ponto de o Pará ser o Estado com maiores avanços nesse aspecto, registrando 70% das propriedades rurais com CAR já concluídos. O CAR é o centro do ordenamento ambiental e tem sido utilizado pelo setor público e privado para monitorar a regularidade ambiental das cadeias produtivas. A Sedap tem, também, executado e estimulado ações voltadas à disseminação de boas práticas agropecuárias em diversos segmentos da produção rural. O Plano Agricultura de Baixo Carbono – ABC, coordenado pela Sedap, que trata de tecnologias sustentáveis de produção é uma dessas ações, e que vem apresentado resultados muito satisfatórios. JANEIRO2017


ANÚNCIO 3


plANtAçãO

A vez dAs hortAliçAs

Agricultura familiar aumenta a cadeia produtiva no interior do Estado

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de reais devem ser investidos

na produção de hortaliças a partir do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), segundo o Plano Safra 2015/2016

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texto Sávio Senna foto carloS borgeS

Enquanto a agricultora Regiane Nunes caminhava pelos corredores dos pavilhões do Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, durante a oitava edição da Feira do Empreendedor, ouvia, de vez em quando, um comentário dos outros participantes do evento: “Quando vamos ter a macaxeira pré-cozida? Vai facilitar a nossa vida!”, pediam os passantes a “Regiane Macaxeira”, pioneira na distribuição da raiz embalada a vácuo, no Pará. De um lado dessa nova balança alimentar, temos a fome por melhores oportunidades na cadeia produtiva da agricultura familiar. Do outro, a vontade de comer de um mercado faminto por praticidade na alimentação à mesa. A empreendedora de Santa Izabel do Pará, distante 36 km de Belém, estava ali para tentar juntar as duas pontas, participando de palestras, workshops e rodadas de negociações,

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onde apresentou um aperitivo do negócio em questão, a macaxeira, servida frita. “Eu acordo às seis da manhã para entrar contato com transportadora, depois falo com a fornecedora de embalagens, passo para os pedidos e ainda checo o pagamento de funcionários. Minha parte é essa, a burocrática, enquanto meu esposo e meu irmão trabalham na área da roça e também vão para Belém entregar nossa macaxeira”, conta Regiane, durante uma pausa à frente do galpão, enquanto aguarda mais um carregamento de mandioca. Regiane ocupa um papel decisivo no sistema agrícola que abastece o mercado brasileiro. Ela faz parte da fração de 87%, percentual que corresponde à mandioca produzida pela agricultura familiar na economia nacional. Além disso, hoje, 70% dos alimentos que chegam às mesas são produzidos a partir da janeiro2017


agricultura familiar, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. É um mercado que busca ampliação, principalmente após o Plano Safra 2015/2016, que prevê investimentos de R$ 28,9 bilhões, a partir do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Recursos que precisam ser atraídos para terras das comunidades como a de Areia Branca, em Santa Izabel do Pará, desenvolvendo a atividades agrícolas empreendedoras como a Regiane Macaxeira, hoje devidamente registrada na Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). “Nós já produzíamos hortaliças para dois supermercados de Belém. Mas até que um dia, meu primo ofereceu uma máquina de embalar a vácuo, porque ele não ia dar conta. Aí eu negociei porque vi ali uma oportunidade de crescimento. Comecei a trabalhar com meu esposo no fundo do quintal de casa, na varanda do meu pai e no galpão do irmão, durante um ano sem ter lucro, apenas com capital de giro, que a gente ia mexendo na fábrica e organizando. Mandamos mercadoria para Belém, cerca 3 mil kg de macaxeira por mês. Dois anos depois, nós fornecemos 18 mil kg por mês, em 18 supermercados”, conta Regiane, que atualmente conta com dez funcionários no negócio. Segundo a agricultora, a expectativa agora é construir mais um galpão de higienização e embalamento, duplicar a contratação de pessoal e atender ao pedido feito a ela na Feira do Empreendedor, que é a distribuição da macaxeira pré-cozida, feita a partir da compra de tachos de cozimento, além de passar a oferecer o produto também moído. Regiane diz que ainda enfrenta dificuldades para a compra do material para embalagem, que vem de Curitiba, no Paraná. “No início nós não tivemos nenhum apoio municipal, mas corremos atrás e agora temos uma parceria com Adepará, que nos auxilia com o registro e legalização e com o Sebrae, nos cursos de capacitação para nos especializar. Meu planejamento é construir uma grande fábrica aqui, dar mais oportunidade de emprego para comunidade da Areia Branca, que necessita muito. Nós queremos crescer junto com a comunidade”, deseja Regiane, que após a Feira já fechou parceria com novos clientes, como restaurantes e fruteiras, e também iniciou um projeto de exportação do produto para o Caribe, na América Central. janeiro2017

prosperidade no campo

Agricultores de comunidades, como a de Areia Branca, em Santa Izabel do Pará, projetam bons negócios em 2017. O produtor Evandro Souza (no alto) investe em sua plantação de cebolinha, cheiro-verde, couve e maxixe.

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plANtAçãO

A mandioca da Areia Branca também foi decisiva no crescimento da Família Souza. O pai de Evandro Souza saiu de Santo Antônio do Tauá, no nordeste paraense, para trabalhar com roçado em Santa Izabel do Pará. Ao chegar ao campo, teve contato com japoneses instalados na região, com quem aprendeu sobre o cultivo de hortaliças. Foi do pai que Evandro herdou o conhecimento do plantio e passou a cultivar hortas junto com os irmãos. No início, eles dependiam do transporte público para ir até São Brás, de lá pegavam mais um carreto para chegar à Feira do Ver-o-Peso e vender cebolinha, cheiroverde, couve e maxixe. “Antes era só papai, meu irmão e meus primos. Era familiar mesmo, mas a gente dava nosso jeito. Só que o negócio foi ficando maior e mais sério porque começamos a fornecer para o supermercado, que foi inaugurando outras lojas, aí a gente foi crescendo junto. Dezenove anos depois meu pai, que já tem 69 anos, não se envolve tanto. Nossa irmã mais velha casou e a mais nova também, então ficamos só eu e meu irmão e a gente que tem que se virar, tirar nota fiscal, conversar com fornecedores, correr atrás de preços”, explica Evandro, que agora tem sete promotores nos supermercados e dois motoristas, que distribuem hortaliças em direção ao bairros de Batista Campos, Condor, Parque Verde e Distrito de Icoaraci. Evandro Souza também reclama que precisa importar embalagens de Minas Gerais e bandejas de Manaus para distribuir a produção, além da falta de apoio municipal, que não oferece suporte técnico aos agricultores da comunidade de Areia Branca. Por isso, junto do irmão, precisam evoluir estudando técnicas de adubação, embalamento e acondicionamento da produção. “Os mais velhos são menos flexíveis a mudanças, mas a gente observa muito o que estão fazendo em São Paulo. Por isso é que agora a agroindústria quer a entrega de uma bandeja pronta para o consumo. Ou seja, querem que tu chegues em casa, abra a embalagem, coloque a alface no prato e come. Para gente, é um processo mais artesanal, que precisa passar pela lavagem na água sanitária, lavagem novamente, lacre e depois refrigeração. Eu vejo como uma evolução natural do consumo”, diz o fornecedor, que acredita que esse futuro próximo já está chegando às mesas paraenses.

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AGRONEGÓCIOS O LIBERAL

raízes da economia

A agricultora Regiane Nunes, conhecida como “Regiane Macaxeira”, tem marca própria do produto e, além de cultivar a mandioca, faz palestras e workshops sobre o empreendimento familiar.

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marcelo seaBra / arquivo o liBeral

NOtÍCIAS

lArAnjA e AbAcAxi são os mAis contAminAdos por Agrotóxicos A laranja e abacaxi estão entre os alimentos mais contaminados com resíduos de agrotóxicos que representam risco à saúde, aponta levantamento da Agência Nacional de vigilância sanitária (Anvisa). Foram analisadas 12.051 amostras de 25 tipos de cereais, leguminosas, frutas, hortaliças e raízes. em média, apenas 1,1% do material estudado apresentou venenos em níveis perigosos para o consumidor. A laranja teve o maior índice de amostras com risco para a saúde: 12,1%. em seguida, estava o abacaxi, com 5%. Nos dois casos, porém, a casca não é comestível e tem alto grau de impermeabilidade, o que diminui a concentração de resíduos na polpa, ponderou o estudo. todos os alimentos, monitorados nos 26 estados e no distrito Federal, foram considerados por inteiro, incluindo partes não aproveitadas no consumo. Com 2,6% de amostras contaminadas e inteiramente comestíveis, a couve está em terceiro lugar do ranking. Uvas (2,2%) e alface (1,3%) vêm em seguida. 14

AGRONEGÓCIOS O LIBERAL

O restante tem menos de 1% de amostras com riscos agudos de intoxicação, incluindo mamão, morango, entre outros. Os itens escolhidos para o monitoramento representam mais de 70% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira.

riscO Na lavOUra

veja o comparativo dos alimentos contaminados, segundo a Anvisa*. laranja 12,1% Abacaxi 5,0% Couve 2,6% Uva 2,2% Alface 1,3% mamão 0,8% morango 0,6% manga 0,5% Pepino 0,4% Feijão 0,3% goiaba 0,2% repolho 0,2% maçã 0,1% total 1,11% *Amostra com potência de risco agudo

CUltUrA dA mANdiOCA é temA de livrO lANçAdO PelA emBrAPA

Organizado pelos pesquisadores moisés de souza modesto Júnior e raimundo Nonato Brabo Alves, o livro “Cultura da mandioca - Aspectos socioeconômicos, melhoramento genético, sistemas de cultivo, manejo de pragas e doenças e agroindústria” acaba de ser lançado pela embrapa Amazônia Oriental e está disponível para acesso gratuito no site da instituição (https://www.embrapa.br/ amazonia-oriental). A publicação é dividida em 14 capítulos, reunindo 16 autores, entre pesquisadores da embrapa e parceiros como a emater e a Universidade estadual de Carolina do Norte (eUA). O livro integra ainda as articulações para o Congresso mundial da mandioca que será realizado em Belém no final de 2017.

eUA sãO grANdes COmPetidOres dO BrAsil NO AgrONegóCiO Os estados Unidos se mostram fortes competidores no setor do agronegócio. O agronegócio brasileiro, com esse forte competidor, precisa se manter alerta. A prioridade para esse novo cenário será o crédito rural e outros recursos para desburocratizar e assim melhorar a competitividade com os estados Unidos. Brasil e Argentina reunidos têm um imenso poder no agronegócio mundial, além de dominarem a produção de alimentos desde a faixa equatorial do planeta até a ponta mais gelada do mundo, na Patagônia. da Amazônia a Patagônia, segurança global de alimentos para um mundo em profunda insegurança e transformação. O dólar está subindo. Bom para o agronegócio brasileiro, que exporta, ruim para o que importa e para os custos da produção. Assim, é urgente um plano de segurança da ciência e tecnologia brasileira tropicalizada. JANEIRO2017


carlos sodré / agência pará

ONU gera metas para agricUltUra sUsteNtável NO plaNeta

empresas poderiam ganhar centenas de bilhões de dólares por ano até 2030 ao investirem em melhorias na agricultura e em alimentação, desde microirrigação de lavouras a redução de desperdícios, como mostrou um estudo internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). Uma comissão, que inclui presidentes da Unilever e Aviva, acadêmicos e grupos da sociedade civil concluíram que companhias poderiam explorar os planos da ONU de erradicar a pobreza e a fome e proteger o planeta até 2030. A Comissão, lançada em janeiro, constatou que negócios poderiam liberar cerca de 2,3 trilhões de dólares por ano nos setores de alimentos e agricultura, ao investirem 360 bilhões de dólares por ano para ajudar a atingir as metas de desenvolvimento sustentável da ONU até 2030.

PArAgOmiNAs é exemPlO de PreservAçãO AmBieNtAl O agronegócio é um dos setores importantes para o crescimento do país, porém, algumas técnicas ainda agridem ao meio ambiente. Não precisa ser assim. Com compromisso político, incentivos bem alocados e participação social é possível conciliar os progressos do setor com ganhos socioambientais e econômicos efetivos. Um dos exemplos para essa transformação sustentável está o município de Paragominas, no Pará, que é a prova de que fazer a transição de uma economia baseada na destruição de florestas para uma fundamentada na preservação é possível. A transformação começou de baixo, a partir de um pacto social para persuadir os agricultores de que preservar também dá dinheiro. Paragominas resolveu ser o primeiro município do Pará a monitorar e fiscalizar o desmatamento, e também a pagar pelos serviços ambientais fornecidos pelas florestas. janeiro2017

brAsil tem quedA de 18,7% nA exportAção de suco de lArAnjA A receita total com exportação de suco de laranja do Brasil caiu 18,72%, em novembro, na comparação com o mesmo período de 2015: de Us$ 193,4 milhões para Us$ 157,2 milhões, informou o ministério da indústria, Comércio exterior e serviços (mdiC). em relação a outubro de 2016, houve uma alta de 37,9% sobre os Us$ 114 milhões registrados na-

AgrOPeCUáriA teNde A CresCer NA PróximA déCAdA Nos próximos dez anos, a taxa de crescimento apresentada na última década, em relação à p ro d u ç ã o e à s e xp o r ta ç õ e s d a s p rin c ip a is c u ltu ra s, se re p e tirá . O d e p a r ta m e n to d e Ag ro n e g ó c io (d e a g ro ) d a Fe d e ra ç ã o d a s in d ú stria s d o esta d o d e s ão Pa u lo (F ie sp ) fe z u m leva n ta m e n to c o m d ia g n ó stic o s e p ro je ç õ e s d o setor para a próxima década, em termos de produção, produtividade,

quele mês. O volume de suco de laranja exportado no mês passado foi de 184,7 mil toneladas, 26,16% maior do que as 146,4 mil toneladas embarcadas em outubro e 4,5% inferior ao total de 193,4 mil toneladas de novembro de 2015. Com o resultado de novembro, as vendas acumuladas de suco nos primeiros onze meses de 2016 alcançaram 2,113 milhão de toneladas, 14,15% a mais que o total de 1,851 milhão de toneladas em igual período de 2015. A receita acumulada soma Us$ 1,737 bilhão, 3,9% abaixo do Us$ 1,807 bilhão registrado de janeiro a novembro do ano passado.

consumo doméstico e exportações. O cenário projetado para a carne bovina aponta para um crescimento anual das exportações de 4,5%, com sua fatia do mercado internacional se elevando para 18% na próxima década, marcando uma melhora em relação ao desempenho registrado entre 2005-2015 (0,3% e 15% para crescimento e fatia do mercado mundial, respectivamente). No entanto, a abertura recíproca entre Brasil e eUA para o produto sinaliza, no médio prazo, a possibilidade de acesso a novos mercados, mais exigentes e que remuneram melhor o produto brasileiro, o que poderá resultar em números ainda mais positivos.

AGRONEGÓCIOS O LIBERAL 15


agência pará

NOtÍCIAS

segUrO dA AgriCUltUrA FAmiliAr tem AmPlA COBertUrA desde 1º de janeiro deste ano, o leque de culturas atendidas pelo seguro da Agricultura Familiar (seaf), instituído no âmbito do Proagro mais, foi ampliado. A medida foi aprovada pelo Conselho monetário Nacional (CmN), no último dia 21 de dezembro, por meio da resolução 4547. Com a nova medida, todas as operações de custeio agrícola do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) serão amparadas pelo Proagro mais, do governo federal. tarso sarraf / arquivo o liBeral

pesquisA ibge prevÊ sAfrA mAior em 2017 no brAsil O prognóstico para a safra de 2017 aponta uma produção de cereais, leguminosas e oleaginosas de 210,1 milhões de toneladas, 14,2% acima da safra de 2016. este aumento deve-se às maiores produções previstas para todas as regiões: Norte (5,1%), Nordeste (53,9%), sudeste (8,3%), sul (5,4%), Centro-Oeste (20,1%). A 11ª estimativa para a safra de 2016 totalizou 183,9 milhões de toneladas, com queda de 12,3% em relação a 2015 (209,7 milhões de toneladas). A área a ser colhida (57,2 milhões de hectares) é 0,8% menor que a do ano anterior. O arroz, o milho e a soja, três principais produtos deste grupo, representam 92,4% da estimativa da produção e responderam 87,9% da área a ser colhida. em relação ao ano anterior, houve acréscimo de 2,8% na área da soja e reduções de 1,5% na área do milho e de 10,1% na área de arroz. quanto à produção em relação a 2015, as três avaliações foram negativas: -1,5% para a soja, -15,5% para o arroz e -25,5% para o milho. 16

AGRONEGÓCIOS O LIBERAL

NÚmerOs agrícOlas

Compare o desempenho da safra no país estimativa de novembro para 2016 183,9 milhões de toneladas variação outubro/novembro 2016 0,0% (+ 72,1 mil ton.) variação safra de 2015/2016 -12,3% (-25,8 milhões de ton.) segundo prognóstico safra 2017 +14,2% (+26,2 milhões de ton.) produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no país em novembro de 2016 Centro-oeste 40,8% sul 39,7% Nordeste 5,3% sudeste 10,7% norte 3,5% FONte: iBge

vOlUme emBArCAdO de etANOl CAiU 39% em NOvemBrO

o Brasil exportou 40,4 milhões de litros de etanol em novembro, volume 38,8% inferior ao de 66 milhões de litros de outubro. na comparação com novembro de 2015, quando foram embarcados 194,3 milhões de litros, os embarques do produto ao exterior caíram 79,2%. os dados foram divulgados pelo ministério da indústria, comércio exterior e serviços (mdic). a receita cambial com a venda do biocombustível diminuiu 37,4% de outubro para novembro, passando de us$ 39,6 milhões para us$ 24,8 milhões. em relação a novembro do ano passado, quando as vendas externas renderam us$ 82,9 milhões, houve recuo de 69,9%. no acumulado de 2016, as exportações alcançam 1,723 bilhão de litros (mais 9,4%), com receita de us$ 851,7 milhões (mais 12,8%).

JANEIRO2017


ascom emater / agência pará

UNiãO eUrOpeia estUda acOrdO agrícOla cOm O mercOsUl Pesquisa da União europeia aponta que o mercosul seria o bloco que mais ganharia em termos de vendas de bens agrícolas. O estudo foi preparado para informar aos governos do bloco europeu sobre as consequências de doze tratados bilaterais e regionais que Bruxelas está negociando com diversos parceiros, entre eles o mercosul. O levantamento foi solicitado por governos, liderado pela França, que querem uma interrupção de qualquer iniciativa que possa significar a abertura de seu mercado para a concorrência externa no setor agrícola. A estimativa aponta que, até 2025, os europeus ampliariam em 29 bilhões de euros suas compras de produtos agrícolas de países envolvidos em acordos comerciais com Bruxelas. Um dos principais ganhos viria do setor de carnes.

BrAsil e méxiCO AUmeNtAm As relAções AgrOCOmerCiAis O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo maggi, estreitou o diálogo e pediu abertura para a carne bovina brasileira para José Calzada rovirosa, ministro da Agricultura, Pecuária e desenvolvimento rural, Pesca e Alimentação do méxico. Blairo disse que nos últimos 30 anos, o rebanho brasileiro aumentou, enquanto diminuiu a área de pastagem graças ao melhoramento genético. rovirosa demonstrou interesse em vir ao Brasil para ampliar as parcerias comerciais, principalmente de grãos. Há especial atenção dos mexicanos em relação à embrapa, nos que se refere ao extencionismo e tecnologia agrícola, alcançando melhoramento do café, por exemplo. O méxico também tem interesse em vender aos brasileiros material genético da raça Angus e atum, fazendo intercâmbio na área de pesca. janeiro2017

ministério dA AgriculturA proíbe uso de Antibióticos em rAção AnimAl

A medida para proibir o antibiótico colistina na ração animal foi publicada na edição de dezembro do “diário Oficial da União”. de acordo com a instrução Normativa 45/2016, será proibido, em todo território nacional, fabricar e importar essa substância, com a finalidade de aditivo zootécni-

UNB deseNvOlve PrOJetO sOBre remiNerAlizAçãO dO sOlO NO PAís A remineralização do solo pode ser uma solução para a recuperação, de acordo com a pesquisadora e doutora em solos e engenheira agrônoma Cláudia goergen, da Universidade de Brasília (UnB). esse processo favorece a recuperação de solos desgastados, contribuindo para o rejuvenescimento e a produção de nutrientes

co melhorador de desempenho na alimentação animal. O ministério só permitirá o uso, a comercialização e a fabricação da substância quando a empresa ou produtor comprovar que mantém estoques de matéria-prima para fabricação por no máximo um ano, ou que estoca a ração para comercialização por no máximo dois anos. Ainda segundo a pasta da Agricultura, a instrução normativa está alinhada com um movimento de combate à resistência de substâncias antimicrobianas em rações ou medicamentos veterinários.

essenciais ao cultivo de plantas. A engenheira agrônoma alerta que o procedimento ainda está em fase inicial e que a remineralização é um processo único para cada região, devido às especificidades de solo, mas que já apresenta bons resultados nas áreas onde foi aplicado. Para o chefe da divisão de Agricultura Conservacionista do mapa, maurício Carvalho de Oliveira, o novo conceito de recuperação e enriquecimento de solos contribuirá, na agricultura, com redução de custos para o produtor e com a qualidade ambiental, uma vez que resíduos de mineradoras também podem ser reutilizados no processo.

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igor mota / arquivo o liBeral

NOtÍCIAS

setOr PesqUeirO dO BrAsil é destAqUe em FeirA NOs estAdOs UNidOs O pescado brasileiro vai estar presente na 37ª seafood expo North America em Boston, estados Unidos. O evento é a mais tradicional feira da pesca no mundo. é uma feira estratégica para o pescado nacional, com mais de 1200 expositores de 50 países e mais de 20 mil visitantes. O ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (mapa) levará empresas da área para promoção e comercialização da pesca e aquicultura brasileira no mercado mundial.

O preço médio da carne de frango, comparativamente ao mês anterior, ficou praticamente estável, apresentando ligeira redução (-0,14%). Porém, aumentou 3,5% em relação a novembro do ano passado. O aumento no volume embarcado e a estabilidade no preço médio permitiram que a receita cambial aumentasse perto de 6% em comparação ao que foi registrado no último outubro. mas como, em relação a novembro de 2015, a queda no volume embarcado foi significativa, a breve melhora do preço

estimAtivA de déFiCit de CACAU NO PeríOdO 2015-2016 A Organização internacional do Cacau (iCCO, na sigla em inglês) apresentou sua estimativa para o déficit global da commodity na temporada 2015-2016, de 212 mil para 150 mil toneladas. segundo a iCCO, a revisão foi motivada por um aumento da es18

AGRONEGÓCIOS O LIBERAL

médio não foi suficiente para gerar aumento de receita, que ficou quase 12% aquém da alcançada um ano antes. Completados os 11 primeiros meses do ano, as exportações de carne de frango in natura somam 3,634 milhões de toneladas e registram aumento de 3% sobre o mesmo período de 2015. Já os embarques dos últimos 12 meses ficaram próximos dos 4 milhões de toneladas (mais exatamente, 3.996.361 toneladas), sendo 4,12% superiores aos dos 12 meses anteriores.

timativa de produção, que passou de 3,988 milhões para 4,031 milhões de toneladas. segundo a organização, a produção mundial em 2015 e 2016 diminuiu de 5% em relação à temporada anterior. Na áfrica, responsável por 73% do cacau consumido no mundo, a produção caiu 4%, para 2,494 milhões de toneladas. A Costa do marfim produziu 1,581 milhão de toneladas, quase 12% menos do que no ciclo anterior. O resultado foi atribuído principalmente a uma queda de 40% na safra intermediária.

divulgação

exportAção de cArne de frAngo continuA em bAixA

StartupS apoStam no agronegócio

o mundo das startups vive de ciclos: depois dos sites de comércio eletrônico, da digitalização de serviços como táxi e entrega de comida e das fintechs, agora é a vez do campo. com ajuda de tecnologias como sensores inteligentes, Big data e imagens de satélite, startups apostam que o agronegócio e no empreendedorismo tecnológico no Brasil. segundo a associação Brasileira de startups (aBstartups), hoje há 72 empresas no país no setor conhecido como agtech ou agritech. a área teve crescimento de 70% em relação ao ano passado e a previsão da associação é que esse número triplique até o final de 2017. “o Brasil é uma potência do agronegócio. Hoje, o agricultor é um cara high tech, mas ainda carente da inovação das startups”, diz maikon schiessl, que coordena o comitê de agtech da aBstartups.

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fERtIlIzANtES

do mAngue à terrA

fotos: mayra ramos

Sobras de caranguejo-uçá são usadas como adubo evitando o acúmulo de lixo no meio ambiente texto renata paeS

Ele mora na lama, anda de ladinho. A tradição diz que deve começar a ser comido pelas patas. Chupar a carne é um procedimento que exige paciência e é normal para quem aprecia comer caranguejo. Dos 144 municípios do Pará, 28 vivem da atividade de extrativismo do caranguejo-uçá. Em média, 25 mil pessoas trabalham com a extração do crustáceo e dependem da atividade para a sobrevivência e para que ele chegue as mesas da população.

uma boa sacada

A mestranda em Ciências Ambientais da Uepa Mayra Ramos desenvolveu um projeto que converte resíduos de caranguejo-uçá em adubo orgânico

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Após ser consumido, 80% do caranguejo-uçá geram resíduos poluentes devido à decomposição das vísceras e da carapaça. Se descartadas ao léu, podem trazer prejuízos e poluição ao meio ambiente, ao alterar as características físico-químicas do solo, poluir as águas pelo líquido gerado e até emitir gases naturais da massa de lixo. Para evitar mais uma frente de degradação ambiental, a mestranda em Ciências Ambientais da Universidade

do Estado do Pará (Uepa) Mayra Ramos desenvolveu um projeto com a finalidade de transformar os resíduos do caranguejo em adubo orgânico. O que era lixo passa a ser fertilizante. “Estudos comprovaram a grande utilidade do resíduo do caranguejo-uçá como adubo orgânico, e que possuem maior quantidade de macronutrientes, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, e matéria orgânica, quando comparados com o esterco de gado, elementos importantíssimos para o crescimento das plantas”, explica Mayra. Sob orientação da professora da Uepa Suezilde da Conceição Amaral Ribeiro, dos professores do Instituto Federal do Pará (IFPA) Cícero Paulo Ferreira e Antonio Elson Cunha Cavalcante, e do professor Patrick Heleno dos Santos Passos, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), a acadêmica realizou testes para comprovar a qualidade da compostagem orgânica

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fERtIlIzANtES

com resíduos do caranguejo-uçá. Foram preparados no setor de oleiricultura do IFPA campus Castanhal oito tipos de compostos orgânicos. Quatro continham esterco bovino, folhas secas e resíduo de caranguejo, e os outros quatro possuíam folhas da leguminosa gliricídia, folhas secas e resíduo do crustáceo. Em seguida, plantou-se o coentro com diferentes dosagens dos compostos orgânicos, para que fosse possível realizar a comparação dos reais resultados que a utilização dos resíduos de caranguejo trariam à planta. Após 45 dias, o coentro foi colhido e concluiuse que as plantas que receberam o composto orgânico formado por gliricídias, folhas secas e resíduos do caranguejo apresentaram melhor desempenho agronômico. Elas eram mais altas, com folhas mais pesadas e mais verdes. A pesquisa também constatou que os adubados com os resíduos do animal apresentaram maiores teores de cálcio, magnésio e pH alcalino, vindo do próprio animal. O adubo apresenta excelente fonte de cálcio, melhora e corrige o solo. O alto teor de cálcio também auxilia na diminuição da concentração elevada de sódio no solo. “Os parâmetros analisados no composto orgânico mostram que a adição do resíduo contribui para o desenvolvimento de plantas sadias e sem problemas causados pela carência ou toxicidade dos nutrientes. Dessa forma, o estudo conseguiu revelar a viabilidade do aproveitamento dos resíduos de caranguejo -uçá como um fertilizante orgânico alternativo sugerindo uma alternativa ecologicamente viável para esses resíduos orgânicos, além de contribuir para o aumento da vida útil dos aterros sanitários, lixões e redução dos impactos ambientais”, enfatiza Mayra Ramos. 20

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fotos: mayra ramos

alternativa na plantação

De acordo com o estudo de Mayra Ramos, o adubo obtido com as sobras de caranguejo-uçá apresenta excelente fonte de cálcio, melhora e corrige o solo. O alto teor do mineral também auxilia na diminuição da concentração elevada de sódio nos terrenos.

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CENáRIOS

será preciso sAir dA crise Em 2017, o setor agropecuário paraense terá que criar estratégias para enfrentar as adversidades econômicas enfrentadas em todo o País texto Fabrício Queiroz

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carlos Borges / arquivo agronegócios

Nos últimos anos, os indicadores apontaram o agravamento da crise econômica no Brasil com o Produto Interno Bruto (PIB) caindo 3,8% no final de 2015, o pior resultado em 25 anos como apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto isso, a estimativa do Ministério da Fazenda é que o PIB de 2016 apresente o recuo de 3,5%. Apesar deste contexto, a agropecuária alcançou um crescimento de 1,8% em 2015 e, no último ano, a produção registrou valor bruto estimado de R$ 516 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Dados que demonstram a importância do setor mesmo em uma situação adversa. Com a persistência do cenário de recessão econômica, o setor rural,

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como outros vetores produtivos, mantém uma perspectiva de baixo crescimento e postura de cautela em relação a novos investimentos. Isso porque o agronegócio paraense observa a necessidade de resolução de fatores internos que prejudicam sua dinâmica, como a restrição da exportação de gado em pé no Porto de Vila do Conde, em Barcarena, onde hoje há limitações para o embarque dos animais, além dos históricos problemas fundiários do Estado que ainda inspiram insegurança em muitos produtores. Para enfrentar as incertezas do momento, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), uma das principais instituições de apoio ao empreendedorismo e ao incremento da economia rural sugere a aposta na inovação e no cooperativismo. Em outra linha de atuação, o governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), coloca à disposição uma nova ferramen-

ta que deve desburocratizar aspectos da legislação ambiental e estimular a gestão adequada das propriedades paraenses. A expectativa é que instrumentos de gestão mais profissionais aliado às previsões de atração de investimentos para o único Estado onde não foi registrada recessão no último período, possam indicar os caminhos mais rápidos para a saída da crise. As estratégias para o enfrentamento das adversidades econômicas, as práticas de sustentabilidade no Pará, o contexto atual da agropecuária e o potencial para seu desenvolvimento são alguns tópicos tratados sob o ponto de vista do pecuarista João Bueno, do diretor-superintendente do Sebrae-Pará, Fabrizio Guaglianone, do titular da Semas, Luiz Fernandes, e do diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), Luciano Guedes, que abordam um panorama de perspectivas para o agronegócio paraense neste novo ano.

plantar para colher

Apesar do contexto de crise econômica, a agropecuária alcançou um crescimento de 1,8% em 2015 e, no último ano, a produção registrou valor bruto estimado de R$ 516 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Números que provam a importância do setor mesmo em uma situação adversa, como a qual o país atravessa.

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CENáRIOS

em defesA dA AgropecuáriA Enquanto a indústria, comércio e serviços sentiram os maiores impactos da crise econômica, a tradicional produção do campo se manteve um bom desempenho no PIB do Brasil. De acordo com a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), no balanço final de 2016, a agropecuária deve apresentar um índice de crescimento entre 2,5% e 3%, colocando -a como atividade responsável por 23% todas as riquezas geradas no país. Já para este ano, a CNA estima um avanço de 2% no PIB do agronegócio, reflexo das baixas expectativas para as agroindústrias, mas também das boas perspectivas para as safras e os indicadores do câmbio. As projeções também são boas para a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), órgão que atua diretamente com cerca de 108 mil produtores, acompanhando e garantindo a qualidade da produção do campo paraense. No ano passado, por exemplo, a atuação da Adepará fez o Estado alcançar 97,21% de certificação de 13.782 produtos de origem vegetal e mais de mil eventos de educação sanitária. Neste ano, a Agência observa o aumento da participação e importância da cultura de grãos e pecuária bovina, que preveem superávit; e o potencial de crescimento na produção de cacau, açaí, mandioca, abacaxi e cítricos, bem como de atividades relacionadas à madeira reflorestada, piscicultura e avicultura. Todas essas atividades são acompanhadas por mais de 40 programas em plena execução e novos a serem implantados, como o que deve garantir que a região de Capitão Poço seja uma área livre de pragas, possibilitando, assim, que os citros paraenses cheguem a novos mercados nacionais e internacionais. Além disso, o diretor geral da Adepará, Luciano Guedes, também considera que a defesa agropecuária pode ter um papel importante para a melhoria dos indicadores sociais e econômicos do Pará. “Este ano, estamos apostando também na agricultura familiar, certificando a produção dos pequenos agricultores que decidiram empreender e fazem seus produtos a partir da sua produção. Isso é de uma importância social imensa. Estamos trabalhando para que mais produtos tenham

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o selo da Adepará, garantindo emprego e renda para a nossa gente”. Otimista, Luciano Guedes ressalta as vantagens competitivas do Pará, como a localização geográfica estratégica, o clima favorável e o avanço da qualificação técnica da produção e da mão de obra local, além de uma série de investimentos e parcerias público-privadas que devem ser viabilizadas por meio do programa Pará 2030. Para ele, esses fatores dão condições para o desenvolvimento do setor no futuro imediato e a longo prazo. “O Estado ainda não desenvolveu completamente suas potencialidades produtivas. Ainda há muito que produzir e crescer. Os outros estados não apresentam as condições que o Pará apresenta hoje. A crise econômica quebrou alguns estados, que não têm mais capacidade de investimento, trazendo incertezas. As indústrias e o setor produtivo vão buscar alternativas viáveis para manter as suas atividades e o Pará é, sem dúvida, uma das melhores. Seguramente, nós vamos receber investimentos de capital nacional e internacional, ou seja, há muito que se fazer e a investir. O Pará é a bola da vez e o agronegócio é a atividade econômica que reúne as melhores condições para promover o desenvolvimento econômico e social do Estado”, afirma.

“o estado ainda não desenvolveu completamente suas potencialidades produtivas. AindA há muito que produzir e crescer. os outros estAdos não ApresentAm As condições que o pArá ApresentA hoje.” (luciAno guedes - AdepArá)

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retomAdA do crescimento Os reflexos da crise estão em todos os setores da economia. Mesmo a agropecuária que apresentou os únicos resultados positivos no cenário de recessão enfrenta dificuldades ocasionadas por uma série de fatores que envolvem, por exemplo, a diminuição da demanda proveniente do mercado internacional, além de desafios locais que também dificultam o melhor desempenho do setor. Elementos que afetam até empreendimentos sólidos do Estado, como a Mafripar, indústria integrante do Grupo Mercúrio, de propriedade do empresário e pecuarista João Bueno, que prevê que este ano ainda é um momento de precaução. As unidades de processamento localizadas nos municípios de Xinguara e Castanhal, ao lado da distribuidora de alimentos instalada em Ananindeua são apenas a parte mais evidente de uma proposta que conquistou os mercados nacional e internacional. Hoje, são mais de 360 mil cabeças de gado processadas pela Mafripar nessas plantas industriais. No entanto, João Bueno considera que o ano passado ficou aquém do potencial. “Para a indústria, aquele ano foi muito difícil. A situação do país está muito ruim, as vendas estão difíceis e a exportação, com o dólar em baixa, não valoriza o nosso produto. A pecuária também está passando por um ciclo nesse ano 2016-2017, é um período de muita oferta e com a paralisação do porto (Vila do Conde), limitando a exportação dos bois vivos para só cinco mil cabeças, isso acaba dando em uma superoferta de gado e é ruim para a pecuária porque não tem venda”, avalia. Para o pecuarista, a situação em particular que envolve a retomada das exportações de gado, que tem como um dos principais mercados o Oriente Médio, deve mobilizar mais a atuação do poder público. “Essa exportação

do boi em pé era muito grande, com essa restrição fica limitado e deixa de ser atrativo. Nós temos navios capacitados para exportar até 20 mil bois, a gente põe cinco mil e a venda fica muito parada. Isso é uma situação que o poder público tinha que resolver porque deixa a pecuária em uma situação muito difícil”, comenta Bueno. A relevância do mercado internacional é grande para o Grupo Mercúrio, mas ao longo de quase 20 anos construiu uma linha de negócios diversificada no Pará, indo da criação até a verticalização. Com isso, o Estado e outras regiões brasileiras hoje têm os produtos do complexo empresarial como referência. Em um caso como esse em que a evidência fica para o mercado interno, a estratégia de João Bueno se mostra acertada e promissora. “A Mafripar tem hoje uma posição diferenciada, por termos a nossa produção própria, e também por sermos já uma indústria consolidada, com outros produtos, como almôndegas, hambúrgueres e produtos novos. Tudo isso ajuda muito”, diz.

para a indústria, aquele ano foi muito difícil. A situAção do pAís está muito ruim, As vendAs estão difíceis e A exportAção, com o dólAr em bAixA, não vAlorizA o nosso produto. (joão bueno - mAfripAr)


CENáRIOS

AdotAr medidAs de estímulo Para economistas e instituições do mercado financeiro, a superação da crise no Brasil envolve a adoção de medidas de estímulo, atração de investimentos e corte de gastos no ambiente das políticas públicas, porém os produtores rurais também devem assumir uma nova postura de profissionalização do negócio, atentando especialmente para as práticas de gestão, como orienta o Sebrae. “Identificamos em nossos atendimentos ao produtor rural que uma das grandes dificuldades é o gestão do empreendimento, são poucos os que realizam planejamento, controle dos custos ou qualquer outra prática gerencial. É imprescindível a adoção práticas de gestão para profissionalizar a atividade, tomar decisões estratégicas em seu empreendimento. Não basta conhecer sua produtividade, mas também quais são os seus custos e riscos para que possam competir e conquistar mercados”, assegura Fabrizio Guaglianone, diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Pará. Para incentivar esse tipo de prática, o Sebrae atua com o projeto Parceiros no Campo, que oferece um conjunto de soluções por meio de consultorias, oficinas e cursos para que os produtores rurais conheçam diferentes práticas de administração e estratégias para melhorar a venda de seus produtos. Fabrizio Guaglianone exemplifica comentando as vantagens competitivas que o cooperativismo e o associativismo podem trazer para pequenos e médios produtores, que em parceria podem diminuir os custos de insumos e matérias -primas, fortalecer marcas e aumentar a oferta de produtos. O Sebrae atua ainda em projetos coletivos e atendimento individuais a projetos em cadeias como a fruticultura, a piscicultura e a ostreicultura, que possibilitam a agregação de valor,

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a competitividade e a geração de novos negócios. Um dos trabalhos que vem avançando nesse sentido é o apoio a conquista do registro de indicação geográfica (IG) para produtos como a farinha de Bragança. Com essa certificação ganham tanto os produtores quanto os consumidores. “Ela reconhece e protege a qualidade diferenciada, além de valorizar o patrimônio cultural e desenvolver a região, com a possibilidade de ampliação do mercado, pois proporciona a satisfação do comprador em saber que incentiva uma produção eficiente, cultural e justa”, afirma Fabrizio, que ressalta o compromisso de continuidade dos projetos do Sebrae para fortalecimento do agronegócio. “Em 2017, atuaremos no fortalecimento do projeto Parceiros No Campo, realizando ações alinhadas com as instituições Agro do Estado, otimizando recursos e esforços, proporcionando um atendimento imediato e completo para os produtores do Pará. Também atenderemos setores prioritários, atuando com as oportunidades mercadológicas. Um reconhecimento das potencialidades e as vocações locais, que permitirão ampliar o acesso a novos mercados”, diz.

em 2017, atuaremos no fortalecimento do projeto pArceiros no cAmpo, reAlizAndo Ações AlinhAdAs com As instituições Agro do estAdo, otimizAndo recursos e esforços. (fAbrizio guAgliAnone - sebrAe-pA)

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pArceriAs AmbientAis A flexibilização de processos pode contribuir com a retomada do crescimento. Com menos burocracia, a gestão é otimizada e a instalação de novos empreendimentos que geram emprego e renda também são facilitados. Com um novo procedimento de Licenciamento Ambiental Simplificado, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) deve ampliar sua rede de defesa da política ambiental com o apoio dos municípios ao mesmo tempo que dá sua parcela de contribuição para a dinamização das atividades econômicas do Pará. Oficializado no último mês de novembro, o Licenciamento Ambiental Simplificado permite que em um único momento empresas ou atividades de baixo impacto ambiental consigam suas licenças prévias, de instalação, operação ou de atividade rural e comecem a operar de forma mais rápida. O sistema é integrado à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), que disponibiliza um processo eletrônico e autodeclaratório de regularização ambiental. A medida deve beneficiar atividades de ciclo longo ou curto, como o cultivo de frutas, a hotelaria e a bovinocultura. “Todos os empreendedores que vão abrir uma nova empresa no Estado agora entram direto no site do Redesim, acessam os termos de referência e fazem o pedido do licenciamento para a Semas, que irá avaliar se o processo está dentro das exigências ao licenciamento simplificado”, explica o secretário de meio ambiente e sustentabilidade, Luiz Fernandes, que ressalta que com essa ferramenta é possível descentralizar a gestão ambiental do Pará. “Um dos pontos importantes, que estabelecemos e concretizamos, é a descentralização da gestão ambiental. O objetivo do Estado sempre foi dar

total apoio ao município e, para isso, fortaleceu a gestão local. Hoje, dos 144 municípios, o Pará conta com 107 habilitados para licenciar atividades de impacto local. Nos casos em que os municípios declarem impossibilidade de exercer a gestão ambiental local, plena ou parcial, de determinadas atividades, o estado assume o licenciamento. A Semas fortalece suas unidades regionais e simplifica a tramitação de processos dentro do órgão ambiental”, afirma. O licenciamento simplificado já está disponível e deve atender um grande espectro de negócios diretamente relacionados ao perfil do Pará na agropecuária e na produção industrial. Por exemplo, cultivos de frutas e cereais, viveiros florestais ou produção de mudas, e pesquisa mineral de ferro, metálicos não ferrosos e não metálicos executados em áreas que variam de 2 mil a 10 mil hectares podem ser beneficiados pelo novo sistema. Para Luiz Fernandes, o Redesim e outros avanços da Semas na política ambiental do Pará indicam o relacionamento profissional que a secretaria tem com os empreendedores e o compromisso do Estado com a modernização das medidas de controle ambiental.

um dos pontos importantes é a descentralização dA gestão AmbientAl. o objetivo do estAdo sempre foi dAr totAl Apoio Ao município e, pArA isso, fortAleceu A gestão locAl. (luiz fernAndes - semAs)

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CApA

novo toque ao paladar

A geleia de pimenta que acompanha esse prato de camarões regionais é resultado do beneficiamento industrial do produto na região

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joão ramid

INSUMOS

pArá à mesA

Indústrias paraenses investem no beneficiamento de alimentos e bebidas típicas, rompendo com a tendência econômica do Estado de apenas exportar as matérias-primas regionais texto João cunha fotos Fernando Sette

Seja em Belo Horizonte, Rio Branco ou Bombaim, não importa. Nas salas de embarque, rodoviárias e portos mundo afora, é quase certo encontrar a prosaica figura do turista paraense. Persona que beira o onipresente, ela é facilmente reconhecível na multidão. Não é pelo “s” chiado da fala, por alguma roupa ou adereço imitando a bandeira estadual e sim por um elemento que ele carrega inseparável nas viagens de qualquer distância: o isopor a tiracolo, transportando um semfim de coisas da terra, todas elas de se comer. Açaí, peixes e camarão congelados, jambu e farinha de tapioca ou d’água estão entre os preferidos da lista. À base do “boca a boca” de nativos, chefs de cozinha e outros entusiastas, a culinária do Pará, com sua combinação singular de cores, aromas e sabores, conquistou fãs e prestígio. Em 2015, o reconhecimento ganhou tarimba, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) deu a Belém o título de “Cidade Criativa da Gastronomia”. À medida da fama, os isopores que saem do Estado aumentaram em peso, tamanho e quantidade. O ponto de virada dessa relação alimento-consumidor externo está no

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acesso e, mais do que tudo, na forma com que nossos produtos chegam às mesas e prateleiras do resto do planeta. Iniciativas do setor produtivo paraense projetam o crescimento das exportações de mercadorias industrializadas, ou seja, que passam por fases de processamento e melhoria de propriedades, agregando valor ao produto final, sem perder a qualidade do in natura. O Plano Pará 2030, planejamento estratégico do governo do Estado para os próximos 14 anos, aponta a verticalização de insumos da floresta como uma das diretrizes para o crescimento econômico e sustentável da região. Há tempos, algumas indústrias apostam no beneficiamento de produtos alimentícios e de bebidas em solo paraense e adotam estratégias para se reinventarem no cenário atual da economia, lado a lado de novas empresas do ramo que já nasceram de olho nos mercados estrangeiros. Esses empreendimentos ganham reforço com o apoio do “Pará Food Export”, projeto recém-lançado por um grupo de representantes do segmento que buscam, de forma cooperada, fazer negócios internacionais, tornando conhecidos e competitivos não apenas os produtos, mas também as marcas da nossa região.

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CApA

sabor típico da amazônia

inovAção misturA o Amor pelA cozinhA pArAense

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joão ramid

Oficialmente criada em 2014, a Manioca tem mais história do que seu registro de pessoa jurídica pode indicar. A ideia de uma empresa de exportação de ingredientes da culinária paraense, além das matérias-primas tradicionais, mas reinventando receitas e técnicas, veio bem antes, dos bastidores do icônico restaurante “Lá em Casa”. Foi vendo de perto e trabalhando junto à cozinheira Anna Maria Martins e ao chef Paulo Martins (respectivamente, avó e pai), no trato e divulgação dos temperos e sabores que só existem no Pará, que a hoje empresária Joanna Martins decidiu dar continuidade a esse legado. “Eu cresci observando tudo isso, a repercussão da nossa culinária. No cenário da gastronomia brasileira, a maioria dos chefs conhece a comida paraense, mas o grande público não. Tirando os que já vieram aqui, as pessoas não têm acesso ao ingrediente, onde comprar. E é essa a grande proposta da Manioca. A gente quis criar uma empresa voltada para o consumidor final, para tornar esse produto acessível”, diz. O cardápio enxuto da Manioca conta com 14 produtos, partindo do clássico, vide a renomada farinha d´água do município de Bragança, até as experimentações, como as geleias de priprioca (erva aromática usada na perfurmaria) e o açúcar cumaru (semente amazônica apreciada em receitas doces). Nessa última vertente é que Joanna centraliza os esforços, na busca de expandir o leque de alimentos beneficiados. “Isso também nos diferencia, o olhar mais criativo para o alimento. Lançamos produtos que até então são inéditos, como a geleia de jambu. O tucupi preto, por outro lado, é um produto tradicional, mas que pouco se usava. Ressignificando, a gente o tornou menos pastoso e mais líquido em substituição ao (molho) shoyu. São formas diferentes do que a gente está acostumado a comer aqui, para introduzir esses ingredientes em outros mercados”, afirma.

À frente da empresa Manioca, Joanna Martins centraliza esforços, para expandir o leque de 14 alimentos beneficiados pela empresa, entre farinhas, grãos, sementes, molhos e geleias (página ao lado)

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A Manioca está presente em supermercados, empórios, bares, restaurantes e hotéis em Belém, Rio de Janeiro, São Paulo e, mais recentemente, São Luís e Fortaleza. “A demanda está crescendo bastante. Em dois anos, tivemos um aumento de 500% nas vendas. Nossa expectativa é que, em 2017, consigamos atingir um crescimento maior, porque acabamos de fechar um contrato com uma rede de varejo nacional e devemos estar em pelo menos 50 lojas. Já temos interesses de revendedores de outras capitais, de Manaus a Curitiba”, contabiliza Joanna Martins. “Estamos fortalecendo nosso setor comercial, treinando os vendedores com informações sobre os produtos. A nossa filosofia não é vender por vender, é vender compartilhando nosso conhecimento”, complementa. Joanna vê com otimismo o atual momento do mercado culinário no Pará e o incentivo do governo do Estado. “Valorizar esses ativos da Amazônia é incentivar a floresta a ficar em pé e também replantar a Amazônia, tanto na cadeia da perfumaria, da farmácia e da gastronomia. Quantas pessoas não estão cultivando pés de açaí, com o sucesso do fruto mundo afora? É muito bom que o governo do Pará dê prioridade e atraía investimentos para esse tipo de cadeia produtiva, e mais salutar para região”, comenta. Com o impulso da gastronomia paraense, a expectativa é de que o Estado receba R$ 3,1 bilhões de impacto positivo até 2030, segundo o Plano Pará 2030.

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“Tanto faz o recipiente, o tamanho ou o corte do palmito, o importante é que ele seja Palma, a qualidade é a mesma”, assegura o empresário Vespaziano Motta, em um misto de brincadeira e orgulho, e com a confiança de quem lida há mais de 40 anos com o substrato da palmeira do açaí. É mais ou menos esse o tempo que o mineiro de Itanhomi se mudou de vez para o Pará, onde se consolidou no cultivo e preparação do palmito extraído do famoso e abundante pé de açaí. Eram idos de 1970, tempo em que o produto era praticamente um desconhecido nos cardápios do Brasil. “Eu saía da32

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qui e ia de porta em porta, nos melhores hotéis e restaurantes de Rio de Janeiro e São Paulo, oferecendo caixas do palmito. Quem não gostasse, não precisava pagar, porque tinha segurança na qualidade do meu produto. E assim fui formando meus primeiros clientes, que se mantêm até hoje”, conta Vespaziano. A “Palmito Palma” hoje abastece uma cadeia estabelecimentos alimentícios pelo Brasil, com foco nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Internamente, o palmito de açaí pode ser encontrado em duas redes de supermercado em Belém e municípios vizinhos. O verão é a época do ano em que o produto é mais procurado para fazer parte de receitas de saladas e pratos frios, e as caixas saem das fábricas da Palma na ordem de 5 mil por semana. É em um endereço da zona portuária na capital paraense que fica a central de logística e distribuição da empresa. A fonte de coleta e beneficiamento do palmito do açaí, no entanto, está no arquipélago

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pAlmito do mArAjó nAs prAteleirAs de todo o pAís

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abastecimento marajoara

O empresário Vespaziano Motta (à esquerda) começou a investir no setor palmito do Marajó ainda na década de 1970. Hoje, a qualidade do produto é reconhecida em todo país, afirma Sandra Guimarães, diretora da empresa.

entre A trAdição e A modernidAde AgrícolA A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (C.A.M.T.A.) é outra veterana no mercado de alimentos e bebidas no Pará. Colonos japoneses, os primeiros a chegar à Amazônia, formaram o grupo de cooperados que, durante anos, se notabilizou por ser o maior exportador de pimenta-do-reino do Brasil. Pela pujança na economia da época, o município paraense de Tomé-Açu, onde o fruto era cultivado, recebeu a alcunha de “diamante-negro”. “Exportar sempre foi o nosso negócio, desde o início”, diz o atual diretor-gerente da cooperativa, Ivan Hitoshi.

Com a queda na produção de pimenta-de-reino, em meados da década de 1970, os agricultores introduziram outras culturas de frutíferas na plantação, caso do cacau. Era o começo da vertente de negócios de maior destaque da cooperativa: as polpas congeladas de frutas. São doze tipos de polpa comercializados, com foco nas espécies regionais, como o cupuaçu, o taperebá e o muruci. Os sabores mais tradicionais também fazem sucesso no exterior, a exemplo do maracujá. “Para atender a um mercado mais amplo, tivemos que fazer reformas dentro da fábrica e se adequar dentro das exigências internacionais e continuamos em transformação para acompanhar esse século 21, em que as mudanças são constantes”, reflete Ivan. O complexo agrícola e fabril da C.A.M.T.A. gera cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos. Atende pedidos de países como os Estados Unidos e Japão, além de diversas regiões

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do Marajó, em Afuá, a uma distância de 36 horas de barco da matriz. Lá estão localizadas as três fábricas da Palma, duas em pleno funcionamento e a última em fase de finalização. Toda produção é proveniente da região, comprada diretamente de cerca de 200 famílias ribeirinhas, no período da entressafra da colheita do fruto do açaí. O incentivo da agricultura familiar permite a continuidade do trabalho desenvolvido há mais de trinta anos no mesmo lugar. P róx ima d e c o mpl et a r 5 0 a n o s d e a t i vida d e , a Pa l ma Pa lmi t o fo c a a go r a na expa ns ã o na c io nal d e s u a m a rc a , c i ent e d e que , me s mo co m t a nt a h i s t ó r i a , a i nd a t em mu ito c h ã o à frent e p a r a c o nc o rrer d i a nt e de o u t ras produtoras no país. Um caminho que, para Sandra Guimarães, diretora-executiva da empres a, deve ser feito em parceria com outras empresas paraenses do ramo. “Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, em todo o Brasil, a gente briga com outras empresas e tipos de palmito, então se a gente tiver uma qualidade e um grupo forte, melhor para todos”, resume.

dedicação e empreendimento

Fundada por colonos japoneses no pará, a cooperativa agrícola mista de tomé-açu (c.a.m.t.a.) é referência na exportação de alimentos e bebidas do estado

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qualidade reconhecida

a industrialização de polpas de frutas regionais é o carro-chefe dos negócios da c.a.m.t.a. há muitos anos. agora, a cooperativa busca inovar.

brasileiras, com uma capacidade em torno de 6 mil toneladas anuais e demanda que chega a 5,5 mil toneladas por ano. Desse total, cerca de 50% é destinado à exportação e a outra metade ao mercado interno. Depois de décadas trabalhando a polpa como carro-chefe das vendas, a C.A.M.T.A. está preparando um novo salto, a partir da verticalização dos produtos da terra. “Não queremos mais apenas oferecer matéria-prima, como estamos fazendo. Por isso, a partir de 2017, estamos lançando novas linhas de produtos”. São os liofilizados, produtos que passam por um refinado processo de secagem a frio, como o açaí em pó, e os clarificados, uma técnica de concentração de sucos e outros líquidos. A cooperativa também vai vender sorbets e está desenvolvendo um tipo de chocolate meio amargo, a partir do cacau plantado em Tomé-Açu. “A nossa meta daqui pra frente é essa, vender produtos acabados e semiacabados para o consumo direto” informa o diretor-gerente da cooperativa. Para dialogar com um público mais jovem e ávido por novidades, Ivan Hitoshi também promete mudanças no visual da C.A.M.T.A., a começar pela antiga logomarca. “Agora é tudo repaginado”, garante, porém, sem deixar os costumes nipônicos e identidade amazônica da cooperativa. 34

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qualidade na criação

Os patos regionais têm, em média, peso de 4,5 kg quando vivo. Abatido, ele chega a 3,9 kg, o que atrai o interesse de fornecedores e donos de restaurantes.

expansão paraense

Os produtos da Mariza Alimentos estão na Guiana Francesa, Estados Unidos, nos Emirados Árabes e na França, em um sistema de distribuição exclusiva

versAtilidAde pArA ir mAis longe nos mercAdos Quem percorre habitualmente a BR316 talvez não se dê conta que à margem daquela rodovia, nas imediações do centro urbano de Castanhal, está localizada uma das maiores indústrias de alimentos das regiões norte e nordeste do Brasil. De aparência discreta, o parque fabril da Mariza Alimentos guarda uma potência, produzindo mais de 500 itens para consumo, de chá em pó a massas para bolo, passando por pão de queijo, azeite de oliva e canjica. Além disso, o lugar abrange mais duas empresas do grupo, a C5 Logística, que cuida da distribuição e transporte, e a Plásticos Koury, responsável pelas embajaneiro2017

lagens. Ao todo, são mais de mil funcionários empregados. Toda essa história começou, há mais de três décadas, no singular. Um homem e um único tipo de produto. O empresário Flávio Costa acreditava no potencial do seu colorífico ou colorau, tempero tipicamente brasileiro, e saiu a vendê-lo, em cima de uma bicicleta, na Castanhal dos anos 1980. O lucro do pequeno negócio, ele investiu na criação da Mariza Alimentos. Aos poucos, a Mariza foi multiplicando, em itens de vendas e de presença. De um município a outro e depois em quase todo o Pará. Nos últimos anos, a empresa deu início a um processo de expansão nacional. “Primeiro, nos estados do Norte, como Amapá, Amazonas, Roraima e Tocantins, e, em seguida, a região Nordeste. Hoje, nós temos representantes no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. No Centro-Oeste, em Brasília e Goiás. E na região Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro. Esse é o alcance da Mariza, com planos de chegar a todos os estados do

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CApA

Brasil”, explica André Guedes, gerente de Novos Negócios da Mariza. Desde 2016, de acordo com o gerente, a empresa começou a executar os planos de internacionalização da marca, um anseio antigo da direção da Mariza. “Nós queremos atingir praças no mundo todo, exportando um portfólio de itens. Nossos produtos são industrializados aqui, gerando empregos na região e melhorando não só o processo industrial, mas a qualificação de pessoas e tudo isso é importante pra quem quer entrar no mercado externo”, considera. Os produtos da Mariza Alimentos estão na Guiana Francesa, Estados Unidos, nos Emirados Árabes e na França, em um sistema de distribuição exclusiva. A empresa recebeu propostas e está em negociação para expandir rumo a Angola, Moçambique, Portugal e região do Caribe no biênio 2017/2018. “Essa procura é uma tendência de mercado pela nossa comida regional, principalmente: os molhos de pimenta, que são um dos fortes da Mariza, goma e farinha de tapioca, a castanha-do-pará. São insumos muito visados e que agora estamos agregando valor pelo beneficiamento dos produtos”, afirma o gerente de Novos Negócios. 36

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crescimento nos negócios

Para o gerente de Novos Negócios da Mariza Alimentos, André Guedes, a empresa vai chegar em todos os estados brasileiros nos próximos anos

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crescendo Além dAs fronteirAs do estAdo As trajetórias, sonhos e metas de projeção de algumas empresas nesta reportagem convergiram no Pará Food Export. Formado, até o momento, por seis representantes de indústrias locais do setor de comidas e bebidas, dentre elas a Manioca, a Mariza Alimentos e a C.A.M.T.A., a ideia do coletivo é unir recursos e esforços para crescer juntos em mercados nacionais e internacionais. As tra ta tiva s ent re o s emp res á ri o s para v ia b iliza r o p ro jet o c o meç a r a m p o r vo lta d e 20 14 . O l a nç a men t o o f i c i a l d a i ni ci a tiva a c o nte c eu em a b r i l d e 2 0 1 6 , na se d e d a S e c re t a r i a d e Es t a d o d e D esenvo lv ime n to M i nera ç ã o e En er gi a (S edeme) , e m Be lé m. “A gastronomia paraense tem um apelo crescente no mundo, isso é um fato, mas para vender lá fora, não basta colocar o produto na prateleira. É preciso de estudos de mercado, bons revendedores, marketing, proteção de marca, logística, transporte. É muito trabalho, que pode ser facilitado se agirmos em parceria”, explica André Guedes, representante da Mariza e um dos organizadores do Pará Food Export. “É mais estratégico e benéfico para todos, se apresentar no cenário internacional como um conjunto forte e organizado de empresas, com marcas que convivem no mercado, sem deixar de competir. Lado a lado, o molho de pimenta da Mariza, a polpa de fruta da C.A.M.T.A., as geleias regionais da Manioca, o açaí da Frutali e assim vai”, continua. A Federação de Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) fomentou o grupo com os serviços de seu Centro Internacional de Negócios (CIN). O CIN apoia a internacionalização de micro e pequenas empresas e para a empreitada do Pará Food Export disponibilizou todo um portfólio de procedimentos técnicos e operacionais para possibilitar a entrada dessas empresas nos mercados estrangeiros. “Nó s p re s ta mos c o ns u l t o r i a s , d i a gnó stico s e m p re s a r i a i s , mel h o r i a s em pro ce s s o s d e p rod u ç ã o e a p res ent a ç ã o de pro d u to s , p rop r i ed a d e i nt el ec t u a l, patente s e ta mb é m c a p a c i t a ç õ es , p es qui sas e a ná l is e s d e merc a d o a es s a s emJANEIRO2017

apostando alto no pará

O gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação de Indústrias do Estado do Pará, Raul Tavares, acredita que o Pará Food Export vai alavancar a visibilidade das indústrias regionais

p re sas c om inte re sse s e m c omum e e m b usc a de se inte rnac ionaliz ar”, lista o ge re nte do CIN/ Fie pa, Raul Tavare s. As feira latino-americanas e mundiais de negócios também são um método fundamental para conhecer e prospectar clientes em outros países. “Nas feiras e convenções de negócios, nós levamos representantes de empresas do Pará Food Export com sua mostra de produtos até possíveis compradores. Desse contato, já surgiram negociações e inclusive arranjos de vendas, com duas empresas dividindo os custos de transporte por container. Esse é o espírito do coletivo empresarial. Mais do que produtos, nós queremos in-

ternacionalizar marcas”, assegura Raul. A empresária da Manioca, Joanna Martins, analisa o panorama de negócios para a indústria alimentar paraense e a ação do Pará Food Export e afirma que “a cozinha paraense é um produto de potencial enorme para se estabelecer no Brasil e em todo mundo, agora isso só vai acontecer se trabalharmos integrados. Todo mundo junto: o produtor, o pesquisador, o governo e as empresas. É uma cadeia longa e que precisa de incentivo, e o papel maior do governo talvez seja esse, de incentivar, mostrar o potencial e conectar esses elos, através de ações e investimentos para que esse crescimento ocorra”.

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pISCICUltURA

divulgação

produção em crescimento

Cadeia produtiva do pirarucu ganha fôlego com ações estruturantes no Pará

5

mi

de reais já foram investidos

no Projeto Pirarucu da Amazônia em nove anos de atuação, com o objetivo de aperfeiçoar a tecnologia na atividade.

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De ameaça à extinção ao status de maior potencial produtivo na piscicultura de água doce em nível mundial. Estamos falando do pirarucu, peixe altamente valorizado na gastronomia amazônica, cuja produção teve um ganho muito importante com o incentivo à pesquisa e com a geração de conhecimentos, que tornaram o cultivo dessa espécie uma opção lucrativa aos piscicultores de toda a região amazônica, ações implementadas a partir do projeto do Sebrae em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo setor produtivo, em todos os sete estados da região Norte. Em nove anos, mais de R$ 5 milhões foram investidos no Projeto Pirarucu da Amazônia, com o objetivo de desenvolver atividades de pesquisa e transferência de tecnologia em Unidades de Observação para a engorda e reprodução do pescado, tendo como meta oferecer tecnologias para o aperfeiçoamento da atividade. “Ajudando a estrutu-

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rar e consolidar a cadeia produtiva do peixe, permitimos aos produtores terem um negócio rentável e colaboramos com a preservação dessa espécie, para que nós e as futuras gerações possamos sempre apreciar o sabor único do pirarucu”, ressalta Fabrizio Guaglianone, diretor-superintendente do Sebrae no Pará. Como resultado, dois mil piscicultores de toda a região Norte foram beneficiados, sendo cerca de 200 no Pará. “Antes do projeto estruturante, mais de 90% dos produtores do Estado não sabiam nem como regularizar seu plantel junto aos órgãos ambientais e tinham seu processo produtivo conduzido de maneira totalmente amadora. Hoje, quase todos fazem acompanhamento de dados e adotam boas práticas tecnológicas, que se tornaram essenciais para a sustentabilidade do negócio”, diz Keyla Reis, gerente de Mercado do Sebrae no Pará.

Formação de piscicultores

Os avanço s co nqui s t ado s co m o pro je t o fo ram apre s e nt ado s no

S emin á r io Na c iona l d o P ir a r uc u d a A ma zônia , rea liza d o nos d ia s 9 e 1 0 d e novembro d o a n o p a s s a d o, em Br a s íl ia , q u a nd o for a m a p res enta d os os res u l ta d os d a s p es q u is a s e o la n ç a mento d a s d u a s ú l tima s p u blic a ç ões : Ma n ua is d e Ma nejo d a Rep rod u ç ã o d o P ira r u c u e d e Ma nejo d a P rod u ç ã o d o P ir a r u c u na Fa s e d e Eng ord a . Ta mbém for a m p u bl ic a d os ma n ua is d e boa s p r á tic a s d e p rod u ç ã o e rep rod u ç ã o d o P ir a r u c u em Ca tiveiro, a l ém d e u m es tu d o d e merc a d o c ons u mid or d e p ir a r u c u . Walber Melo, produtor de Abaetetuba, apostou na criação de alevinos de pirarucu (filhotes do peixe) desde 2012 e, desde então, sua produção cresce a cada ano. Em 2015, a produção foi de 10 mil peixes e em 2016 esperava dobrar esse número. “Quando comecei, perdi todos os meus peixes reprodutores e, então, percebi que havia algo errado. Procurei o Sebrae para obter orientação e tudo passou a dar certo. Hoje, após participar dos seminários, conheço todas as etapas para reprodução janeiro2017


e engorda e repasso os conhecimentos aos demais produtores da região e clientes”, comenta o produtor. Além de atuar no levantamento de dados sobre o mercado, o projeto estruturante também promoveu mostras gastronômicas para valorizar o pirarucu como peixe nobre na culinária brasileira. “Temos, agora, o desafio de conquistar o Brasil com base na qualidade dessa peixe, de forma que a produção em escala não só preserve a espécie, mas que também alimente todo o povo, introduzindo o pirarucu no hábito de consumo brasileiro”, destacou o presidente do Sebrae, Guilherme Afif. Realizada em três estados diferentes, as mostras apresentaram diferentes formas de trabalhar o peixe, técnicas de cozimento, preparação e apresentações de prato, com a participação de chefs renomados de todos os estados da região Norte. Na mostra de 2016, ocorrida em Brasília junto com o Seminário do Pirarucu, o Pará foi representado pela chef Prazeres Quaresma, do restaurante Saldosa Maloca, com o prato “Pirarucu Pai d’Égua”.

divulgação

leonardo Bittencourt

representante pai d’égua

O Sebrae realizou eventos em três estados para difundir a cultura do pirarucu, como seu uso na gastronomia paraense

saiBa mais Todas as publicações do projeto estruturante Pirarucu da Amazônia estão disponíveis para download, gratuitamente, no site seminariopirarucu.com.br JANEIRO2017

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tECNOlOGIA

bAnAnAs de quAlidAde

fotos: ronaldo rosa / emBrapa

Nova cultivar de bananeira resistente a doenças pode mudar a produção no Pará

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ton.

por hectare é a produção média

de bananas no Estado. O montante ainda é abaixo da média nacional, segundo dados do IBGE.

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Com o apoio da tecnologia, o Estado do Pará deu mais um passo rumo à autossuficiência na produção de banana - um dos frutos mais consumidos no país - com a aquisição de uma nova cultivar (variedade de planta produzida por meio de técnicas de cultivo, normalmente não encontrada em estado silvestre ) de bananeira, a BRS Pacoua, lançada pela Embrapa e desenvolvida especialmente para região. Foram dois eventos realizados nos dias 24 e 25 de novembro, sendo um técnico em Belém, na sede da Embrapa Amazônia Oriental, e um dia de campo, em área de produtor no município de Santo Antônio do Tauá, nordeste do Estado, reunindo mais de 300 pessoas, a maioria produtores rurais interessados no plantio do fruto. Resistente às principais pragas e doenças que atacam os bananais paraenses, a BRS da banana do tipo prata é fruto de melhoramento genético feito pela Embrapa Mandioca e Fruticultura da Bahia em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental e se destaca por apresentar maior produtividade e resistência a sigatoka-negra e sigatoka-amarela (doenças que destroem as bananeiras), quando comparada à banana Pacovan, uma das mais produzidas na região. A nova cultivar já demonstra produtividade superior à média na-

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cional nas plantações do Pará e estará disponível à comercialização de mudas nos próximos meses. O Pará é o quinto produtor de banana do Brasil, mas esteve no auge do ranking nacional em meados dos anos 2000, desde então acumulou perdas, muito em razão de doenças e pragas que acometem a bananicultura. Em 2015, a produção anual atingiu cerca 600 mil toneladas, mas ainda assim o Estado precisou importar 30% do fruto para abastecer o mercado interno. Na Região Metropolitana de Belém o volume de importação pode chegar a três vezes mais, pois, segundo dados das Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa), das quase 41 mil toneladas comercializadas em 2015, em torno de 90% foram provenientes de outros estados. De acordo com o Geraldo Tavares, gerente de fruticultura da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), do montante de bananas comercializadas na Ceasa em 2015, quase 37 mil toneladas vieram de outros estados, movimentando algo em torno de R$ 92 milhões, recurso que poderia ter ficado no Pará, caso a produção fosse local. “Esse valor é muito significativo e poderia ter gerando renda a toda uma cadeia próxima à capital, movimentando a economia regional e gerando divisas para o Estado”, analisou Tavares. janeiro2017


desenvolvimento local

A BRS Pacoua, se cultivada com tecnologias e manejo adequados, pode produzir até 40 toneladas por hectare (ton/ha) a partir do segundo ciclo, mais que o dobro da média nacional, que é de 14 (ton/ ha) (IBGE/2015). Essa produção tiraria o Pará da dependência externa do fruto e pode significar uma redução de até 30% do valor da fruta comercializada na Grande Belém, conforme avaliou o pesquisador Urano de Carvalho, especialista em frutíferas da Embrapa Amazônia Oriental. Outra vantagem da banana Pacoua sobre as atuais plantas cultivadas no Pará é a resistência à sigatoka-negra e à sigatoka -amarela, o que garante ao produtor e ao consumidor final, um fruto com menor incidência de agrotóxicos, além de menor índice de despencamento, o que confere à banana maior tempo de prateleira e agregação de valor. Produzida majoritariamente pela agricultura familiar, a produção estadual está em torno de 13 toneladas por hectare, segundo o IBGE, um pouco abaixo da média nacional, e a baixa tecnologia empregada na produção se reflete em frutos de menor qualidade e consequente, menor valor de mercado. A adoção da nova bananeira pela agricultura familiar paraense, além de produtos mais saudáveis, pode representar um complemento na fonte de renda, garantindo segurança alimentar e melhoria de qualidade de vida às famílias, conforme explica o engenheiro agrônomo Antônio Menezes, analista da Embrapa Amazônia Oriental e um dos responsáveis pela condução dos experimentos com a BRS no Pará. Foram quase duas décadas de pesquisas e experimentos instalados em áreas de produtores em todas as regiões do Pará para se chegar ao produto lançado em novembro. A banana é muito utilizada em consórcios, sejam em sistemas agroflorestais (SAFs) ou junto a plantações de açaí e cacau. “A banana produz em um ano e ajuda o agricultor a conseguir um retorno rápido do investimento, pois o açaí leva em média quatro anos para produzir por exemplo. Além da renda com venda da banana, as folhas e restos do manejo do bananal servem de adubo e armazenamento de água para a plantação de açaí, reduzindo os custos de manejo”, explicou Menezes. janeiro2017

experimento satisfatório

A BRS Pacoua do tipo prata foi lançada pela Embrapa e desenvolvida especialmente para região. Nova cultivar é resistente às principais pragas e doenças que atacam os bananais paraenses.

O LIBERAL 41


tECNOlOGIA

A BRS Pacoua é uma cultivar, um híbrido que foi desenvolvido pela Embrapa que tem como parental feminino a cultivar Pacovan, diz o melhorista Edson Perito de Amorim, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA). Segundo o pesquisador, o fruto é do tipo prata, que tem preferência de mercado no Norte e Nordeste do Pará, mas que embora seja semelhante em aparência e sabor às comercializadas na região (Pacovan), a grande diferença diz respeito a questões associadas com resistência às doenças. “Nós temos três doenças principais que acometem a bananicultura nacional, são a sigatoka-amarela, sigatoka-negra e o mal-do-panamá. A Pacoua é resistente a essas doenças”, afirma o melhorista. O híbrido é produto do cruzamento iniciado nos anos 90 e desde então foram implantados diversos ensaios nacionais de genótipos promissores, incluindo o Pará, para onde a cultivar é recomendada. Essas características habilitam à nova bananeira também aos cultivos orgânicos ou agroecológicos, pois dispensam do uso de agrotóxicos e outros defensivos para o manejo, conforme reforçou Edson Amorim. A banana é o segundo fruto mais produzido no Pará, ficando atrás somente do açaí, mas em se tratando em consumo, assume a liderança em disparada. Essa predileção pelo fruto cria um mercado potencial à adesão da BRS Pacoua pelos produtores paraenses, em especial, na região do nordeste paraense, que possui grande dependência externa do produto. O agrônomo da Embrapa Antônio Menezes lembrou que entre anos de 1998 e 2000, o Pará foi o maior produtor de banana do Brasil, título perdido após a entrada da sigatoka-amarela na região, e que, com essa nova cultivar, pode elevar novamente o estado para o topo do ranking. Essa também é a aposta do produtor Mario Antônio Sarkis Peixoto, que possuiu 30 hectares da BRS Pacoua consorciada com açaí no município de São Caetano de Odivelas, nordeste paraense. Ele disse que planta a cultivar há pelo menos 12 anos, juntamente com a Embrapa, e que está bastante satisfeito com os resultados. “A produtividade dela é muito boa, principalmente, se consorciada com outras frutas como o açaí, mas o

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Bananeira Brs pacoua

ameaça à produção

O agrônomo da Embrapa Antônio Menezes lembra que entre 1998 e 2000, o Pará foi o maior produtor de banana do Brasil, título perdido após a entrada da sigatoka-amarela na região

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que me conquistou mesmo foi o sabor da fruta que é adocicada e superior as pratas que já provei”, enfatizou o produtor. Ainda para o produtor, a nova cultivar pode se tornar um grande aliado aos produtores do nordeste paraense, movimentando toda a economia regional e quem sabe ate barateando o preço ao consumidor final. “A banana de Belém e do nordeste paraense vem de outros estados, o que deixa ela muito cara. Essa nova cultivar pode baratear o preço e ainda gerar mais renda aos produtores locais”, analisa. Esse potencial de produtividade e a redução de custos e riscos com a resistência às doenças também atraiu o produtor Raimundo Xavier Araújo, dono do sítio Dois Irmãos, em Santo Antônio do Tauá, local no qual a Embrapa realizou o dia de campo para demonstrar o potencial e competitividade do fruto. Ele conta que recebeu as primeiras mudas da Embrapa há cerca de 10 anos e desde então só tem aumentado sua satisfação com o bananal. “A banana é de fácil manejo, tem boa aceitação de mercado e produz bem até no período de seca”, comentou. Ele disse que espera ampliar a área plantada dos atuais seis para dez ha e investir em irrigação para aumentar a produção durante a estiagem. “Os custos com a irrigação são elevados, mas acredito recuperar o investimento em pouco tempo, pois o fruto tem mercado garantido”, avaliou com otimismo o produtor.

comercialização e produção de mudas

As mudas da nova cultivar de bananeira da Embrapa só devem chegar ao mercado daqui a seis meses, diz Geraldo Teixeira, representante da Campo Biotecnologia, empresa responsável pela reprodução e comercialização da BRS Pacoua. Segundo informações da Campo Biotecnologia, as mudas serão produzidas sob condições controladas de temperatura, umidade, luminosidade e radiação, através da micro propagação por indução de ciclos de multiplicação in vitro, a partir de tecidos meristemáticos extraídos de plantas matrizes, rigorosamente selecionadas e testadas em relação às viroses. Essa forma de produção garante aos produtores interessados no plantio, maior sanidade e qualidade das mudas. As mudas devem ser solicitadas diretamente com a Campo Biotecnologia no site: http:// www.campo.com.br/biotecnologia/


SOlOS

A contA chegou

A prática das queimadas para limpar os terrenos já reduziu em 78% a biodiversidade total da região Norte, comprovando que o barato sai caro texto victor Furtado

As queimadas são o tipo de expansão com maior prejuízo econômico e ambiental. É o que apontou estudo da Rede Amazônia Sustentável (RAS) - um coletivo de pesquisadores e instituições -, que passou sete anos estudando as peculiaridades do desmatamento no Pará, nos municípios de Paragominas, Santarém e Belterra. Os resultados foram claros: o fogo pode ter um investimento mais baixo, mas lidar com as conse-

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quências pode ser desastroso. E uma das razões para que essa técnica ainda seja tão utilizada é a falta de investimento em pequenos e médios produtores, que praticamente nunca tiveram contato com o poder público, a não ser o braço repressivo após uma queimada. Atualmente, 56% dos produtores paraenses não conseguem arcar com outras técnicas. As queimadas provocam alto grau de degradação e com grau de renta-

bilidade quase nulo e com nenhum benefício, tanto para a natureza quanto para quem provoca os incêndios florestais. O fogo pode alterar, permanentemente, uma paisagem local, emitir enormes quantidades de carbono e gerar acidentes com pessoas e animais. Ainda não se sabe, cientificamente, quanto tempo uma área queimada precisa para se recuperar. Em 25 anos não se recupera.

janeiro2017


fotos: adam ronan / ecofor

O fogo usado na expansão da agricultura e da pecuária na Amazônia tem sido economicamente inviável, já que muitas vezes a rentabilidade da área não compensa, então se desmatou por desmatar. Numa área desmatada de 750 mil km², a Amazônia responde por 14,5% do PIB agrícola nacional. São Paulo, com área de 193 mil km², representa 11,3%. As queimadas levaram a graves alterações: perda de 78% da biodiversidade total - 94% das espécies de árvores, 86% das espécies de besouros e 54% das espécies de aves - e de 40% do potencial de sequestro de carbono. Com menos árvores, o vento circula mais facilmente e espalha as chamas. Enquanto houver material combustível, como galhos, folhas e tocos no chão, as chamas continuam. E aí fica de difícil a quase impossível combater o incêndio, algo que é caro e paliativo. Muitos pequenos produtores alugam maquinário de produtores vizinhos de maior porte. Quase nunca o equipamento é obtido por políticas de incentivo. Os órgãos e instituições de apoio também têm capacidade limitada para alcançar todos os produtores. Neste quesito, falta aproximação do poder público e da sociedade e metodologias de atendimento mais específicas e personalizadas. Propriedades acima de 500 hectares têm bem mais uso de maquinário. Nas localidades com menos de 100 hectares, o fogo é a principal medida economicamente viável para preparo da terra. Os prejuízos materiais às próprias propriedades são perceptíveis por vários produtores que já abandonaram as queimadas. Mais da metade dos produtores entrevistados pelos pesquisadores da rede janeiro2017

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SOlOS reportaram danos às próprias pastagens; 46% reclamaram de danos nas cercas; outros 36% relataram danos às plantações; e 5% apontaram danos a benfeitorias nas propriedades. “Os 86% dos casos de incêndio vieram de outras propriedades e muitos eram acidentais. O proprietário usou o fogo para algo simples, como preparar o terreno e logo saiu do controle”, destaca Erika Berenguer, doutora em impactos do fogo e extração madeireira não-sustentável. Ela é pesquisadora das universidades de Lancaster e Oxford e membro da RAS. Os danos chegam à destruição das casas, estruturas de produção e até equipamentos. E há uma preocupação: 93% dos produtores que fazem queimadas, fazem nos períodos mais quentes, o que contribui para o avanço do incêndio. O ano passado foi muito seco, com estiagem longa. Para os próximos anos, a previsão é de piorar. Logo, medidas precisam ser tomadas para desencorajar as queimadas e dar alternativas viáveis.

amazônia em chamas

Erika Berenguer, doutora em impactos do fogo e extração madeireira não-sustentável (abaixo, à esquerda), alerta para o risco das queimadas na preparação do pasto

Por outro lado, há situações muitos específicas em que maquinário não chega a ser o ideal para a expansão, pois o acesso às propriedades não é bom e criar rotas pode contribuir para o desmatamento desnecessário e impactos colaterais ainda maiores. A abertura de estradas de terra, segundo a pesquisa da RAS, é uma das maiores ameaças aos igarapés e biodiversidade que neles existe, por exemplo. Os aceiros, delimitação do espaço a ser queimado, limpando todo e qualquer tipo de material que possa servir de combustível para a propagação das chamas, são uma necessidade. Essa técnica é usada por 91% dos produtores. As comunidades rurais, inclusive, são muito unidas na preparação de aceiros. Erika Berenguer lembra que os pesquisadores presenciaram um caso em que uma queimada saiu do controle e a comunidade se uniu para criar aceiros o mais rápido possível. “Essa unidade comunitária podia ser trabalhada. Se temos a figura do agente comunitário de saúde, que dá super certo, por que não um agente rural? Seria mais especializado, geraria emprego, preveniria problemas maiores e gasto de recursos, além de legitimar o processo com pessoas das comunidades, que se misturam entre pequenos, médios e grandes produtores”, cita a pesquisadora. Outras soluções são o cultivo de perenes e campanhas preventivas. Contudo, os órgãos que lidam com essas campanhas precisam ser fortalecidos e não ter recursos ceifados, como ocorreu com o programa PrevFogo, do Ibama, que não teve mais como dar continuidade às fiscalizações e campanhas.

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fotos: adam ronan / ecofor

mas é preciso eXpandir


CRIAçÕES

entre cAbrAs e ovelhAs

Fazenda no Pará tem reconhecimento internacional em feiras e leilões do segmento texto rodrigo reiS fotos Fernando Sette

A criação de ovelhas e cabras cresce em todo o Brasil. Dados do último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que o rebanho nacional de caprinos em 2014 alcançou 8,8 milhões de cabeças, enquanto de ovinos passou de 17 milhões. Hoje, no Pará, essas criações chegam a pouco mais de 200 mil cabeças. Isso quer dizer que os criadores paraenses têm um grande desafio pela frente: produzir mais e melhor. No ramo há 18 anos, o pecuarista Joel Bitar, proprietário da Fazenda Cabanha Árabe, em Santa Bárbara do Pará, na Região Metropolitana de Belém, trabalha com a proposta de cunho genético de ovinos e caprinos, ou seja, não abate os animais, mas sim vende por meio de leilões para outros produtores obterem animais com maior qualidade e

mais adaptados à região. O carro-chefe é a raça Texel, conhecida como a mais reprodutiva do mundo. É uma carne de tipo nobre, com pouca gordura, além de produzir uma lã de ótima qualidade. “O que a gente quer e os compradores procuram é um pernil bom, grande, e com muita carne. Além, claro, de uma boa cobertura de costela. E a raça Texel proporciona tudo isso”, conta Joel Bitar, que também é presidente da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Estado do Pará (Accopa). Único produtor do Pará que possui estrutura necessária para esse tipo de trabalho, Bitar comenta que a comercialização dos animais inicia a partir de um ano e meio de vida. Os principais compradores são do Ceará, e de municípios paraenses como Marabá

8,8

mi

de cabeças de caprinos é a pro-

dução nacional, segundo o IBGE. De ovinos, chega 17 milhões.

criação especial

O pecuarista Joel Bitar, proprietário da Fazenda Cabanha Árabe, em Santa Bárbara do Pará, na Região Metropolitana de Belém, investe no melhoramento genético de ovinos e caprinos. Os animais são vendidos para outros produtores em leilões e feiras do Brasil e exterior.

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e Parauapebas. Em 2016, a procura foi tão grande que to da a p roduç ão foi vendida em ma io . O pe cuarista c omerc ializ a c erca d e 70 ca b e ça s a o ano. “Eu tr a b a l h o co m o melhor. Por isso o cu i da do é re do b r ado. Na faz enda não se tem re g istro , h á mais de c inc o anos, da d oença de ca sco . Não tem p ulga, mosca, muito me no s c arrap ato. A verminose é co ntro l a da . Ex terminamos todo e qu alque r tipo de p roblema que venha a d i fi cul ta r a pro duç ão. Por isso que os produto re s no s proc uram, p orque sabem qu e vã o e nco ntr a r o melhor, já que tamb ém l e va m o q ue c omp ram p ara c ruz ar com o s q ue tê m p ara terem um animal ai nd a ma is re sistente e melhor”, diz . E e sse é o o b je tivo: ter semp re uma raç a me lh o r, e m t odos os asp ec tos. Um exem plo disso é q ue o p ec uarista p ossui ov i no s fr uto s de melhoramento genétic o e qu e sã o muito resistentes a doenç as. Es ses ov ino s sã o p arec idos c om os da raç a K a r a k ul , co nhec ido p or sua rustici d ad e . S e g undo Jo e l Bitar, é um ovino de tamanho mé dio , re lativamente p ouc o p esad o e v ig o ro so . “ O interessante desse ani ma l é que e l e tem uma reserva de gord u ra que se r ve co mo água e alimentaç ão, ou s e ja , o a nima l c onsegue fic ar até 20 d i as se m co me r e beber, justam ente p or conta de ssa re se rva. A lém disso, tem u ma re sistê ncia maior a doenç as de c ascos e ve r mino se ”, ex plic a. A mé dia de co merc ializ aç ão de ovinos e c a pr ino s na fa z enda C abanha Á rabe vari a e ntre R $ 3 mil a R $ 4 mil, mas Joel Bi tar co nta que já c hegou a vender num lei lão um ca r ne iro a R $ 23 mil. “ Os c omprad o re s g e r a l me nte levam o mac ho, outros co mpr a m o s dois. Lá, eles c ruz am para te re m um a nimal c om uma genétic a melh o r. É um tr a balho c ontínuo”. O pe cua r ista conta que já realiz ou, ao tod o , 24 l e il õ e s no Estado. A inda assim, ele d iz que nã o olha o c arneiro c omo fator co m e rcia l . “ Estou a mais de 18 anos tr a b a lh a ndo c om isso. E p roc urei trab alh a r co m ov inos e c ap rinos p orque v i qu e nã o h av ia um c uidado, uma seleção , um me l h o ramento genétic o p ara tal. Fo i e ntã o q ue dec idi entrar no ram o. O re to r no é pe ssoal. Os c omp radores me pro cur a m e falam que deu c erto c om eles, e q ue q ue re m m ais. Isso, sem dúvid a, é a minh a ma ior rec omp ensa” c onta com sa tisfa çã o . janeiro2017

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CRIAçÕES

produção em alta

Em 2016, a procura na Fazenda Cabanha Árabe foi tão grande que toda a produção foi vendida em maio. O pecuarista Joel Bitar comercializa cerca de 70 cabeças ao ano.

levantamento GloBal

No último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) realizado em 2014, apontou que o rebanho mundial de caprinos era de pouco mais de 1 bilhão de cabeças. Os caprinos estão distribuídos por todos os continentes do planeta, no entanto, percebe-se uma maior concentração desses animais em países em desenvolvimento, como o Brasil. Se comparado à evolução do rebanho caprino mundial nos últimos cinco anos, é possível observar uma taxa de crescimento anual da ordem de 1%, apontando para pequenas mudanças deste cenário em 2016. O Brasil aparece como o 22º rebanho mundial de caprinos com 8,8 milhões de cabeças. Na região Norte, o maior rebanho pertence ao Pará.

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dois irmãos

Compare as diferenças entre as raças na Fazenda Cabanha Árabe

texel

Ovino de tamanho médio, tendendo para grande, muito compacto, com massas musculares volumosas e arredondadas, constituição robusta, evidenciando vigor, vivacidade e uma aptidão predominantemente carniceira. Atualmente é considerada uma raça de carne e lã, pois a par de uma carcaça de ótima qualidade e peso produz ainda apreciável quantidade de lã. A ovelha Texel apresenta altos índices de produtividade, adaptando-se muito bem tanto em áreas baixas e úmidas, como em regiões altas e pedregosas. Boa produtora de leite, a ovelha possibilita um ganho de peso diário dos cordeiros de 250g (nascidos de parto duplo) e 350g (nascidos de parto simples), durante o período de aleitamento. Já o carneiro Texel, no primeiro cruzamento, imprime suas características raciais, produzindo um cordeiro com ótima qualidade de carcaça. Os cordeiros Texel apresentam também carcaças pesadas, bem conformadas e farta massa muscular, proporcionando alto rendimento.

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KArAKul

Embora a raça Karakul seja conhecida pela sua produção de peles, principalmente as de cordeiros novos, este animal é também uma fonte de leite, carne, gordura e lã. As condições adversas sob as quais evoluiu a raça Karakul, deram a estes animais força e longevidade. Na fazenda Cabanha Árabe há raça parecida com esta, que foi fruto justamente de um melhoramento genético. São animais mais resistentes aos parasitas e ao apodrecimento dos cascos. Se tiverem acesso a uma alta disponibilidade de forragens, são capazes de armazenar energia, principalmente através de sua cauda gorda, para sobreviverem a longos períodos de falta de alimentos, situação em que outras raças não aguentariam. Sendo uma raça adaptada a áreas inóspitas e marginais, o instinto de proteção ao cordeiro é muito forte, e mesmo com condições nutricionais restritivas é boa produtora de leite.

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CERtIfICAçãO

boAs práticAs no cAmpo

fotos: rafael araújo / tnc

Fazendas de São Félix do Xingu alcançaram elevados graus de produtividade de alimentos A The Nature Conservancy (TNC), a maior organização ambiental do mundo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e parceiros entregaram Certificados de Adequação às Boas Práticas Agropecuárias (BPA), em São Félix do Xingu, no sudeste paraense, para fazendas da região que atingiram elevados graus de produtividade de alimentos e que conseguiram desenvolver um sistema de produção sustentável de acordo com o Manual de Boas Práticas da Embrapa. As propriedades rurais foram as primeiras do município a receberem essa certidão. Das 16 fazendas que adotaram as diretrizes do programa Do Campo à Mesa – que restaura trechos de floresta em áreas onde antes só havia pasto degradado –, duas foram certificadas e as demais receberam menções honrosas sobre os avanços registrados. “Como segundo maior exportador de carne bovina do mundo, o Brasil

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atinge mercados importantes e estratégicos, que exigem alimentos seguros, de qualidade reconhecida e proveniente de sistemas de produção sustentáveis. A certificação oficializa o grau de adequação de uma determinada produção aos parâmetros e demandas de uma pecuária sustentável, dando visibilidade e maior confiança aos produtores que seguem as melhores práticas”, diz Francisco Fonseca, coordenador de Produção Sustentável da TNC. O administrador de empresas Manoel Carlos Gomes Lemos foi um dos produtores que receberam a certificação. Para ele, esse é o reconhecimento de três anos de trabalho para alcançar adequação social, ambiental e econômica, de forma a garantir altos padrões ambientais no campo. Lemos acrescenta que as unidades demonstrativas comprovaram que ainda houve um aumento de produtividade. “O certificado

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fazendas em são félix do xingu se

comprometeram em restaurar trechos de floresta em áreas onde antes só havia pasto degradado

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gado e sustentabilidade reforça a tendência do mercado, que está procurando por produtos cada vez mais sustentáveis. Esses são os consumidores que estamos atendendo”, conclui Lemos. A TNC apoia a estruturação dos Planos de BPA das fazendas e oferece treinamentos teóricos e práticos para produtores rurais que queiram participar do programa. Fonseca acrescenta que o Manual de BPA promove uma evolução continua até o alcance de todos os itens obrigatórios e recomendados. “Em cada fase de adoção dos itens, já se percebe avanços e vitórias. Nesta etapa, foram certificadas aquelas fazendas que já atingiram mais de 80% das recomendações contidas na lista de avaliação do BPA. As demais estão seguindo o mesmo processo e devem obter seus certificados na próxima rodada de avaliações da Embrapa, em 2017”, explica Fonseca. A iniciativa Carne Sustentável: Do Campo à Mesa foi lançada em 2013 como parte de um processo de mudanças ambientais profundas em São Félix do Xingu. Liderado pela TNC, em conjunto com a empresa de alimentos Marfrig e a rede de supermercados Walmart, o projeto já elevou em 54% a produtividade das fazendas incluídas na iniciativa e atingiu um nível inédito de rastreabilidade no Brasil, já que ele estende o monitoramento não apenas aos participantes da iniciativa, que são os fornecedores diretos das duas empresas, mas também os indiretos – os produtores pequenos que vendem o gado ainda jovem para outros produtores maiores. Ainda como parte do projeto, as empresas lançaram a linha de carnes Rebanho Xingu, que está à venda nas lojas do Walmart e oferece uma opção de compra responsável aos consumidores da rede. Em 2017, a iniciativa deve se expandir para outras regiões do Pará e para Mato Grosso, com previsão de alcançar pelo menos 200 produtores.

O Certificado de Adequação às Boas Práticas Agropecuárias oficializa o grau de adaptação de uma determinada produção aos parâmetros e demandas de uma pecuária sustentável

investimentos e apoio técnico

No início do projeto, a TNC e o Sindicato dos Produtores Rurais de São Félix do Xingu selecionaram 20 produtores rurais para participarem de uma experiência-piloto. Especialistas da ONG levaram apoio técnico e investimento a essas propriedades, de diferentes tamanhos e configurações, com o objetivo de criar modelos de melhorias que possam ser replicadas facilmente por todos os produtores do município. janeiro2017

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CERtIfICAçãO

erik lopes / tnc

O caminho para se chegar aos 54% de aumento de produtividade foi a adoção de técnicas relativamente simples, como a rotação de pastos – rodízio entre as áreas de pastagem, para que o solo possa descansar e produzir mais alimento para o gado. Os participantes também se comprometeram a não desmatar mais nenhuma área e a recuperar a floresta nos trechos degradados. Dezesseis produtores conseguiram cumprir todos os critérios e chegaram ao fim da primeira etapa do projeto. Ao mesmo tempo, as empresas participantes se empenharam em aperfeiçoar suas práticas. Marfrig e Walmart compartilharam informações dos produtores que comercializam a marca Rebanho Xingu e apoiaram testes de adoção de “brincos” com chips nos animais dos fornecedores. Atualmente, elas estão aperfeiçoando, em conjunto com a TNC, um sistema que permite identificar se as fazendas que vendem animais para os frigoríficos compraram gado somente de outras propriedades que também respeitam a legislação ambiental, de forma a evitar que o desmatamento seja “transferido” de uma fazenda para a outra, durante o ciclo de vida do animal, um desafio antigo do setor de carnes. A expectativa é aumentar cada vez mais o volume da carne comercializada pelas empresas sob a marca Rebanho Xingu, pela crescente adoção de novos produtores às Boas Práticas Agropecuárias e com rastreabilidade desde a fase de cria.

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práticas conscientes

O caminho para se chegar aos 54% de aumento de produtividade foi a adoção de técnicas relativamente simples, como a rotação de pastos – rodízio entre as áreas de pastagem, para que o solo possa descansar e produzir mais alimento para o gado.

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EQUINOS

o Amor pelos cAvAlos

Competidores se encontram em haras no Acará para uma disputa que envolve respeito pelos animais texto rodrigo reiS foto Fernando Sette

Amantes da cultura equestre se reuniram pelo sétimo ano consecutivo no Haras São Francisco, município de Acará, nordeste paraense, para mais uma edição do torneio de tambor e baliza. Nos dias 10, 11 e 12 de dezembro de 2016, os competidores puderam mostrar suas habilidades nesta que já é considerada uma das mais importantes competições do Norte e Nordeste do país. O torneio, regulamentado pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) e homologado pela Associação de Tambor e Baliza do Estado do Pará (ATBPA), foi auditado pelo SGP Sistemas, e ofertou R$ 130 mil em prêmios. Teve a participação de 183 cavalos de fora, 751 inscrições e um publico de cerca de 1.000 pessoas. “O evento movimenta muito o meio equestre em nosso Estado, pois, além de reforçar o ape-

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go com os animais de competição, gera a movimentação de dinheiro para o Estado, criando empregos diretos e indiretos. E o efeito disso é a inserção cada vez mais de adeptos de todas as idades as modalidades”, diz Thiago Pereira, proprietário do Haras. O perfil de competidores é variado, já que há categorias para crianças de 8 a 14 e de jovens de 15 a 18 anos, além da categoria amadora, onde só competem os proprietários de animais com mais de 19 anos. Há também a categoria feminina, além da aberta, que é direcionada a todos que quiserem competir. E um desses competidores foi o pequeno Thalyson Henrique, de 9 anos, que saiu com a família do município de Parauapebas, no sudeste do Pará, para o Acará. Ele conta que começou a competir cedo, com quatro anos. “Desde

1

mil

pessoas participaram de evento no Haras São Francisco, no Acará, em dezembro. Competição já é tradicional no município e atrai cavaleiros e amazonas de todo o Estado.

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fonte de lazer e renda

o proprietário do haras, thiago Pereira, afirma que as competições equestres movimentam a economia do setor no estado

pequeno fui incentivado pelos meus pais, mas a minha maior incentivadora foi minha irmã, que me mostrou muito sobre a cultura equestre. Desde então, não parei mais. Sou apaixonado por cavalos. Tenho uma relação muita boa com o meu cavalo. Nós nos entendemos muito”, conta, que já se prepara para uma nova competição, dessa vez no Estado do Maranhão. No Haras São Francisco Thalyson disputou na prova de tambor, e ganhou uma premiação de R$ 200. Mas, para que o pequeno cavaleiro consiga ter sucesso nas provas, ele conta com um apoio muito importante: seu treinador. Genilson Martins, 29, é quem tem a missão de preparar Thalyson para os torneios. Ele conta que, por ser criança, o cuidado é redobrado. “A segurança vem em primeiro


EQUINOS

lugar. Tenho todo o cuidado para que ele possa treinar tranquilo, sem incidentes. O profissional deve ser especializado, para evitar qualquer tipo de problema. Sem falar nos pais, que devem sempre acompanhar os filhos nos treinamentos e provas”. Além de Thalyson, o treinador orienta mais 70 crianças em sua escolinha, em Parauapebas. Ele conta também que os cavalos precisam de cuidados, como uma boa alimentação e abrigos limpos, tudo para garantir que se sintam sempre protegidos e preparados para as competições. O principal efeito do treinamento no cavalo deve ser um aprendizado psicológico, com condicionamento físico gradual, ensinando ao cavalo o que, quando e como fazer. “Antes do treinamento, a doma deve se bem feita e

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iniciada após os 36 meses de idade, quando as estruturas do cavalo já estão bem consolidadas. Temos que conquistar o cavalo aos poucos para criar vínculo e ter uma boa relação”. O torneio no Haras São Francisco atrai muitos visitantes. Leandro Machado, de 18 anos, veio do município de Mãe do Rio, nordeste paraense, para acompanhar as provas do torneio. Apreciador do esporte, ele diz que um dia pretende tomar coragem para subir em um cavalo. “Por enquanto apenas assisto, mas quem sabe no futuro eu possa competir também. É uma possibilidade”. Ele comenta também que tem um cavalo em seu sítio no mesmo município. Sobre a competição, Leandro disse que ficou encantado. “São pessoas muito prepa-

tratamento de primeira

No Haras São Francisco, os cavalos são bem tratatados e recebem todo tipo de atendimento antes das competições

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criação de cavalos

O Haras São Francisco, no Acará, atrai visitantes de todas as partes do Pará

cAvAlgAr

Conheças os tipos de provas disputadas no torneio do Haras São Francisco

prova de três tamBores:

prova de seis Balizas

A prova de Três Tambores é uma modalidade onde se compete mulheres e homens, sem discriminação de idade, conta com grande participação de crianças. Prova de velocidade, na qual cavalo e cavaleiro percorrem um percurso onde estão dispostos, de forma triangular, três tambores. Quando o focinho do cavalo cruza a fotocélula, os competidores partem em direção ao primeiro tambor, que pode ser da esquerda para a direita, contornando os três tambores sempre perfazendo um ângulo de 360º. Cada tambor derrubado acrescenta cinco segundos ao tempo final do competidor. Vence a prova quem fizer o percurso no menor tempo.

Agilidade e velocidade são fundamentais nesta prova. É uma disputa aberta a participação de homens, mulheres e crianças. O percurso consiste na colocação sequencial de seis balizas, distantes 6,5 metros uma da outra. Cavalo e cavaleiro têm que partir em linha reta até a primeira baliza e contorná-la, passando a costurar as demais balizas em alta velocidade até a última, retornar fazendo o mesmo movimento até a primeira baliza, contorná-la e voltar em linha reta paralela às balizas em direção ao ponto de partida, finalizando a prova. Cada baliza derrubada acrescenta cinco segundos ao tempo final do competidor. Vence quem fizer o percurso da prova no menor tempo.

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EQUINOS radas para esse tipo de prova. É muito bonito de ser ver. A gente percebe que são bem treinados, sem falar no respeito mútuo entre o cavalo e o competidor. É de se admirar. Todos estão de parabéns”, elogia.

treinamento é a alma do neGÓcio

O proprietário do haras, Thiago Pereira, explica que o processo de treinamento dos cavaleiros, amazonas e animais, precisa, acima de tudo, de dedicação e respeito. “Os cavaleiros e amazonas no início de seu treinamento aprendem os fundamentos da equitação básica, a partir daí passam a ter contato com os princípios básicos das modalidades, aprendendo primeiramente as técnicas e correções de postura nos movimentos, para então começarem a imprimir velocidade nos treinos”. Em relação aos animais, Thiago comenta que eles iniciam seu treinamento aos dois anos de idade e aos três já começam a participar de categorias com um baixo grau de competitividade para não exigir do animal. Dos quatro anos em diante já estão competindo em alto nível. O Haras São Francisco conta com uma estrutura completa, que proporciona boas condições de treinamento para os cavalos, incluindo pista coberta com 7.400 metros quadrados, um redondel coberto, um exercitador eletrônico com capacidade de receber animais por vez, 42 baias de alvenaria, além de cerca de 30 piquetes de grama e um lago artificial para nadar e exercitar os animais. Para o público que vem para participar da prova a estrutura conta com 42 apartamentos, e um restaurante completo com estrutura de banheiros e lavanderia. Sobre a importância do Haras para a formação de equipes e competidores para esse tipo de torneio, Thiago explica que, no processo de crescimento e maturação do esporte, cada estrutura, independente do seu tamanho e capacidade, possui um alto grau de importância para a pulverização e fomentação das modalidades. “Por exemplo, em cinco anos da ATBPA, já surgiram cerca de 30 novos haras, fazendas e centros de treinamento voltados para o esporte, o que contribuem para o crescimento e profissionalismo do campeonato, além de fomentar essa fatia da economia como um todo”, diz.

mestre e aprendiz

O treinador Genilson Martins (acima) acompanha o pequeno cavaleiro Thalyson Henrique em competições pelo Pará

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GENétICA

excelente resultAdo

fotos: mário guerrero / emBrapa

Melhoramento genético de bovinos e bubalinos no Brasil é referência mundial para o agronegócio

25

%

do rebanho bubalino no

no Pará pode ser fertilizado em um curto período de tempo, afirma pesquisa conjunta da Ufra e UFPA

62

texto alinne MoraiS

O melhoramento genético na pecuária tem sido um aliado fundamental para o produtor rural. Nos últimos anos os avanços científicos nessa área tem conseguido excelentes resultados e no Pará não é diferente. Após a implantação de diversas técnicas de reprodução que aceleram a criação de rebanhos de bois e búfalos o Estado conta agora com uma nova tecnologia que vai desenvolver ainda mais a pecuária da região: a Fertilização In Vitro. Os primeiros “Búfalos de Proveta” devem nascer entre o fim de abril e o início de maio. A nova técnica foi desenvolvida em conjunto por pesquisadores da Universidade Federal Rural

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da Amazônia (Ufra) e da Universidade Federal do Pará (UFPA). O resultado chega depois de dois anos e meio de estudos com FIV em bubalinos. “Esse é um resultado positivo para os avanços genéticos no campo da bubalinocultura e da pecuária”, explica o professor Sebastião Rolim, um dos médicos veterinários que coordenam as pesquisas pela Ufra. O professor Haroldo Francisco Lobato, que também integra a pesquisa, explica que com a nova técnica 25% do rebanho bubalino pode ser fertilizado em um curto período de tempo. Segundo ele, com esses avanços o produtor rural tem uma série de benefícios, espe-

cialmente no campo econômico. “Com essa tecnologia e com as outras que já existem os animais se reproduzem mais rapidamente”, explica. “Por meio dessas técnicas também é possível gerar animais mais saudáveis e produtivos”, destaca o pesquisador. Com o uso das técnicas genéticas os produtores conseguem, segundo os pesquisadores, acelerar a produção. Haroldo explica que no comércio de bubalinos, o aceleramento da criação melhora a produção de leite de búfala e a venda da carne do animal. O pesquisador explica que em média os búfalos da região produzem cerca de três litros de leite por dia e, com as janeiro2017


Os primeiros estudos para descobrir novas técnicas de genéticas que aceleravam a reprodução dos animais iniciaram em meados da década de 70 com o professor Willian Gomes Vaz. A primeira técnica usada pelos profissionais foi o congelamento de sêmen de búfalo e os primeiros animais gerados por inseminação nasceram na década de 80. “De lá para cá tivemos muitos avanços”, afirma Sebastião. Logo depois os pesquisadores locais começaram a trabalhar a inseminação artificial com observação de cio. Sebastião explica que com esse método era necessário observar o período fértil dos animais para poder inseminar. “Com essa técnica existia uma grande dificuldade de se usar essas biotecnologias porque as pessoas que lidam com a búfala tem uma certa dificuldade de observar o cio dela”, explica. “Com isso os fazendeiros perdiam o cio e ficavam com dificuldade de inseminar”, conta o professor. Para tentar melhorar esse quadro Sebastião Rolim explica que novas pesquisas foram desenvolvidas e em 1995 os profissionais passaram a trabalhar com a inseminação artificial sem observação de cio. Nessa nova técnica os animais são estimulados a entrar no cio por meio de diversos hormônios reprodutivos. “Com a fertilização por hormônio os resultados foram melhores e quando essa técnica é usada mais JANEIRO2017

divulgação

técnicas em reprodução

da metade das búfalas ficam prenhas no período de uma semana”, diz o pesquisador. Segundo ele, essa é uma tecnologia viável que hoje já é usada em uma boa parte das fazendas no Pará e no Brasil. Sebastião Rolim explica que aliado à técnica está à orientação. Segundo ele, sempre que a tecnologia de inseminação artificial vai ser aplicada em uma propriedade uma equipe de profissionais que atuam nesse meio buscam orientar os vaqueiros e os produtores em relação aos benefícios e ao uso da técnica. “Se você não demonstrar o beneficio dessa técnica eles não acreditam”, comenta. Durante a orientação os profissionais ministram cursos e ensinam a técnica de inseminação para que a mão de obra possa ser mais qualificada. “Assim eles aprendem e desenvolvem seu rebanho”, afirma. Além de conscientizar os profissionais também acompanham os animais fertilizados para saber se a inseminação deu certo. Se o resultado for positivo, eles realizam novos exames e esperam o nascimento do novo animal.

novas descoBertas

Agora, com os primeiros usos da técnica de fertilização In Vitro os pesquisadores da Ufra esperam fazer novas descobertas para facilitar a vida dos produtores locais. “Esse feito é extremamente importante porque abre as portas para novas tecnologias como clonagem, transgênicos, estudos na área da genômica, entre outros”, diz Sebastião Rolim. Segundo ele, a expectativa é de que em breve a produção excedente de embriões passe a ser comercializada dentro e fora do país para pequenos, médios e grandes produtores. Além de Sebastião Rolim e o professor Haroldo Ribeiro (Ufra), estão à frente do projeto os professores Otávio Ohashi (UFPA) e o Dr. Henry Manrique (Bubras). A equipe também é composta por médicos veterinários residentes da UFRA, mestrandos, doutorandos e bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) de ambas as universidades, veterinários da Bubras, vaqueiros e proprietários da fazenda.

divulgação

técnicas de genética, é possível gerar novos animais que produzem mais de oito litros. “Nós selecionamos aqueles reprodutores que produzem uma quantidade melhor de leite para gerar esses novos animais que vão produzir muito mais”, explica ele. Além do leite, a genética também melhora a qualidade da carne de búfalo. Haroldo explica que antes a maioria dos produtores rurais esperavam os animais envelhecerem para vender a carne, o que levava para um mercado um produto de baixa qualidade. Agora, com a aceleração na reprodução, as carnes vendidas são mais novas e macias, o que causa uma valorização do produto.

criação aguardada

Os primeiros “Búfalos de Proveta” devem nascer no fim de abril início de maio de 2017. A nova técnica foi desenvolvida em conjunto por pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e da Universidade Federal do Pará (UFPA). AGRONEGÓCIOS O LIBERAL 63


MINERAçãO

negócios em expAnsão

divulgação

Empresas investem em novos mercados e informação

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AGRONEGÓCIOS O LIBERAL

tos feitos com excelente matéria-prima, vinda de uma empresa que tem padrão de qualidade”, explica Fátima Chamma, diretora executiva da Chamma. A parceria com a perfumaria está diretamente relacionada a busca por novos mercados. De acordo com Marcelo Gullo, gerente de Novos Negócios da Imerys, a área é estratégica para o cenário econômico atual. “Com a dinâmica do mercado avaliou-se que é importante para a Imerys diversificar os mercados onde atuamos com o caulim, e assim, estarmos menos dependentes de um ou outro mercado apenas”. Atuando nas comunidades no entorno das suas operações, o programa “Aqui Tem Caulim” também está sendo

levado para as escolas do município de Barcarena. “Queremos promover conhecimento sobre o setor mineral para os jovens. Para isso, visitamos diversas escolas de Barcarena ao longo do ano com uma palestra sobre a Imerys e o caulim”, conta Juliana Carvalho, coordenadora de Comunicação & Relações com a Comunidade da empresa. Em 2016, nove escolas foram contempladas pelo projeto, totalizando mais de 1,8 mil alunos atendidos, entre ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos. Além da palestra, os alunos assistem a vídeos e participam de dinâmicas para fixar o conteúdo e assim tornarem-se multiplicadores da informação que receberam. divulgação

O desenvolvimento sustentável visando o acesso a novos mercados vem sendo uma das metas de muitas empresas nos últimos anos. A diversificação da cartela de negócios para investir traz renovação e modernização para a empresa. A Imerys, mineradora que atua com caulim nos municípios de Ipixuna do Pará e Barcarena, vem constantemente investindo na disseminação dos mais diversos usos do minério que extrai e beneficia. “O caulim está presente na vida das pessoas: no creme dental, na xícara do café da manhã, no lápis de cor da escola, no papel dos livros, nas tintas das construções, em medicamentos, em produtos de higiene pessoal e em cosméticos, por exemplo”, enumera o gerente geral de caulim da América do Sul da Imerys, Marcos Moreira. Essa versatilidade que o minério oferece tornou-se tema de uma campanha da empresa, chamada “Aqui Tem Caulim”. Através de diversas ações, a Imerys promove o produto que comercializa, a exemplo da parceria com a Chamma da Amazônia. A perfumaria, que foi reconhecida como uma das 50 empresas mais inovadoras do país, junta o caulim a produtos regionais como o açaí e buriti, resultando em cosméticos extremamente benéficos para a pele. “Valorizamos a qualidade e o que é da Amazônia, essa parceria é a garantia de que os consumidores têm produ-

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GRIFFO

VAMOS CUIDAR DO QUE É NOSSO.

O

açaí é uma das maiores riquezas do Pará. Uma atividade que movimenta quase dois bilhões de reais a cada ano e envolve

mais de 300 mil pessoas. Maior produtor nacional do fruto, com o mercado em franca expansão, o Pará investe no aprimoramento da produção com o Programa Estadual de Qualidade do Açaí. O Programa reúne 14 instituições públicas e privadas que trabalham em parceria para garantir um nível de excelência do produto, com a introdução de boas práticas em toda a cadeia produtiva, da coleta do fruto à comercialização. Tudo isso para que o nosso açaí seja cada vez mais pai d’égua.

Secretaria de

Secretaria de Desenvolvimento Saúde Públic Pública Agropecuário e da Pesca


REtRAtO

fernando sette

AprendizAdo nA fAzendA

Luiz Queiroz começou a trabalhar na Fazenda Cabanha Árabe há 16 anos. Ele exerce a função de serviços gerais e sabe como ninguém o dia a dia do funcionamento de todos os setores do lugar. Sobre sua relação com as cabras e ovelhas do lugar, Luiz é enfático: “É saudável. Eu aprendo muito com elas”. 66

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Em defesa da Amazônia. E dos paraenses.

ANÚNCIO 11

responsabilidade do Pará com a preservação da Amazônia é tão grande quanto a sua força na região. Maior em população, na economia, segundo maior em território, o Pará é o que tem dado passos mais efetivos no controle do desmatamento e na defesa do patrimônio natural. A Assembleia Legislativa participa desse esforço, debatendo com a sociedade e aprovando leis de interesse de toda a coletividade.Já são 35 leis e resoluções, a mais recente criou a Taxa de Recursos Hídricos e o cadastro de controle e fiscalização da exploração de recursos hídricos, permitindo a estruturação de uma política efetiva de gestão desses recursos, estimulando o uso mais consciente e eficiente da água, principalmente nos processos industriais e energéticos. A nova lei reforça uma tendência que inclui também a Taxa Mineral, que ajudou a intensificar o controle da atividade mineral e a buscar compensações financeiras em benefício de todos os paraenses. Com o Programa Municípios Verdes, transformado em lei, o Pará avançou de forma inédita no Brasil no desenvolvimento sustentável. É assim, equilibrando a defesa da natureza e dos paraenses, que a Assembleia Legislativa cumpre o seu verdadeiro papel.

GRIFFO

Agronegócios - Edição 4 - Ano I  
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