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Então, a pergunta é, como eu me meti nessa situação? Simples: o desespero. Quando você se depara entre ser um sem-teto com fome ou tirar a roupa por dinheiro, a escolha é mais fácil do que você imagina. Isso não se torna mais fácil, no entanto. Oh, não. Eu odeio isso, na verdade. Não há nada que eu gostaria mais do que parar e nunca ir para outro bar, nunca mais ouvir a batida techno pulsando em meus ouvidos, nunca mais sentir os olhares lascivos de homens com tesão novamente. Então, um dia, eu conheço um cara. Ele está no meu clube. Na minha frente e no centro. Ele observa-me fazer o meu número, e seu olhar está cheio de fome. Não é o tipo de desejo que eu estou acostumada. É algo diferente. Algo mais quente, mais profundo e mais possessivo. Eu sei quem ele é, é claro que eu sei. Todo mundo sabe quem Dawson Kellor é. Ele é o homem vivo mais sexy da revista People. Ele é o ator mais quente de Hollywood. Ele é o homem escolhido a dedo para o papel de Rhett Butler no remake de o Vento Levou. Ele é o tipo de homem que pode ter qualquer mulher no mundo inteiro apenas chamando-a com o dedo. Então por que ele está olhando para mim como se tivesse que me ter? E como faço para resistir a ele quando ele olha para mim com aqueles olhos intoxicantes, mutáveis e cheios de vivacidade? Eu sou virgem, e ele é o ícone americano da sexualidade masculina. Eu sou uma stripper, e ele é um homem acostumado a ter tudo e qualquer coisa que quer. E ele me quer. Eu sei que deveria dizer não, eu sei que ele é o pior tipo de jogador... mas o que a minha mente sabe, meu corpo e meu coração não. E então as coisas ficam complicadas.

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“Um amigo é como um bom sutiã: difícil de encontrar, confortável, solidário, sempre te levanta, faz você parecer melhor, nunca deixa você para baixo ou pendurado, e sempre está perto de seu coração.” — Autor desconhecido.

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Para Lia, Tara, e Nyree, por ser meus bons suti達s

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01 — Não, minha filha não se vai envolver com qualquer comportamento lascivo e pecador como a dança, — Papai me diz, seus olhos azuis brilhando. — É nojento e obsceno e totalmente sexual. Eu vi o tipo de dança que aquelas... aquelas prostitutas se envolvem, e que chamam de academia. Você não vai participar. Eu fechei meus olhos e contive a vontade de gritar e bater o pé. Tenho dezesseis anos e já sou grandinha. Bater o meu pé não me faz parecer uma adulta. Pelo menos, é o que minha mãe me contou. — Papai, por favor. Por favor. Eu não vou fazer nada disso. Vou ser discreta, eu prometo. Você pode ver cada dança, cada equipamento. Só... por favor. Favor, por favor, deixe-me dançar. — Eu fecho minhas mãos na minha frente e as mergulho na altura dos joelhos, dando-lhe os meus melhores olhos de cachorrinho. Ele está oscilando. Eu posso sentir isso nele. — Grey, eu não aprovo a dança. Deus não aprova a dança. Minha mãe vem para o meu resgate: — Erik, você sabe que não é isso o que as Escrituras dizem. Você está apenas sendo um velho ~6~


dinossauro rabugento, Davi dançou diante do Senhor. Os Salmos mencionam danças para honrar o Senhor em várias passagens... — Ela desliza para o lado e prensiona o braço de meu pai, descansando a mão sobre seu ombro. — A nossa filha sabe diferenciar o certo do errado, e você sabe disso. Ela só quer trazer glória a Deus usando os talentos que Ele lhe deu. — Por favor, papai. Eu não vou permitir qualquer coreografia vulgar ou sexual. — mal posso respirar a partir do peso que queima de esperança no meu peito. Ele olha de mim para minha mãe e para trás. Posso vê-lo mastigando-o em sua cabeça. — Eu vou permitir isso... por agora. Mas, ao primeiro sinal de qualquer coisa pecaminosa ou ímpia, vou retirá-la de lá tão rápido que você não vai ter tempo para sua cabeça girar. Você me ouve, criança? Eu o abraço, e grito de alegria. — Obrigada, obrigada, obrigada! — Não me dececione, Grey. Você é a filha de um pastor. Você tem que dar um exemplo adequado para toda a comunidade. — Eu vou, papai. Eu vou ser o melhor exemplo. Prometo, eu prometo. — giro longe dele e danço alguns passos que fluem, em seguida, estabeleço um arabesco, e eu seguro por um momento. Eu me viro de costas para ele. — Vêem? Nada de errado com isso, não é? Ele só aperta os olhos para mim. — Eu tenho que terminar de preparar o sermão de domingo. Papai é o fundador, executivo e pastor da Igreja Contemporânea Batista de Macon, uma das maiores igrejas em todo o estado da

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Georgia. Vovô Amundsen foi um dos melhores pregadores de uma pequena igreja batista reformada no sertão da Georgia, então papai cresceu como filho de um pastor, foi preparado para sucedê-lo toda a sua vida. Vovô era ainda mais rigoroso do que o papai, tão impossível quanto parece. Ele nem sequer me aprova vestindo calças ou shorts, assim como uma criança, mas meu pai me deixa usar, contanto que os shorts não sejam muito curtos ou as calças muito apertadas. Para vovô, as mulheres deveriam ficar na cozinha, usar vestidos, e eram vistas e não ouvidas. Ele é um pouco como um fóssil, meu avô. Ele nunca aprovou o fato de que o meu pai ensinava uma mais moderna e contemporânea teologia Batista. Eu estive dançando em segredo desde que tinha quinze anos, assisti a vídeos na internet para aprender, vendo ‗So You Think You Can Dance‘ no meu laptop e tentando imitar a coreografia. Minha mãe me ajudou um pouco no ano passado, levando-me para dançar em aulas nas manhãs de sábado, dizendo a papai que estavamos fazendo a manicure-pedicure. Ele não aprovava manicure-pedicure tanto quanto outras coisas, mas tinha dificuldade em dizer não para mim e mamãe, então ele nos deixava ir. Ele não precisava saber sobre as aulas de dança secretas, enquanto minha mãe estivesse me levando. Claro, mamãe e eu realmente íamos à manicure-pedicure após a dança, mas isso não vem ao caso . Eu sorri para o papai e danço fora de sua visão. Minha mãe está me esperando na cozinha. — Pronto, Grey. Agora você pode dançar tanto quanto quiser e não se preocupar com qualquer uma de nós ficar em apuros.

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Eu abraço minha mãe e dou-lhe um beijo na testa. — Obrigada, mãe. Eu sei que você não gostava de mentir para o papai... Ela me olha, me silencia com um dedo sobre os lábios. — Eu nunca menti. Nem uma vez. Ele perguntou se íamos fazer nossas unhas, e isso nós fizemos. Se ele não perguntou onde mais fomos, não estava mentindo. Se ele me perguntasse diretamente se eu a levava para aulas de dança, eu teria dito a ele . Você sabe disso. Eu não discuto com ela, e vou para o meu quarto mandar um e-mail a Sra. LeRoux dizendo que eu posso juntar-me oficialmente a trupe, eu me pergunto sobre as evasões de minha mãe. Não era mentira por omissão, não dizer ao papai o que estávamos fazendo? Ele não nos deixaria ir, se soubesse. Se ele descobrir agora, eu nunca vou ter a possibilidade de sair do meu quarto novamente. Eu não sei que tipo de problema uma esposa poderia entrar, mas sei que papai iria ficar com raiva de mãe por sua cumplicidade. Eu olho através dos vídeos que a Sra. LeRoux carregou no site desde a semana passada. Ela leva uma câmera de vídeo durante todas as aulas, e então, no final do dia, faz o upload do conteúdo no seu site. Ou melhor, ela tem sua filha, Catherine, para fazê-lo. Se nós não vamos para a aula, Catherine e Sra. LeRoux postam o vídeo do dia e cortam a maior parte dele, deixando em pedaços, que é supostamente para nos ensinar algo. Ninguém sabe disso, mas a Sra. LeRoux começou esta prática principalmente por minha causa. Viu algum tipo de potencial em mim na primeira aula que eu participei no início deste ano. Ela amava o jeito que eu dançava e aplaudia o fato de que tudo que eu fazia, tinha aprendido sozinha. Ela me deu uma bolsa de estudos para que eu pudesse participar de ~9~


forma gratuita. Como eu não podia assistir tantas aulas como todos os outros fizeram, ela começou a gravar as aulas, ensaios e práticas do grupo para que eu pudesse acompanhar. Outros estudantes começaram a observá-los e isso acabou sendo bom para todas. Quando a primeira aula de grupo no meio da semana acontecesse naquela quarta-feira, eu já teria praticado toda a coreografia, bem como a parte do solo que eu estava trabalhando. Papai tinha me visto praticar no porão, sentado na escada com os dedos apertados no corrimão, os olhos seguindo cada movimento meu. Foi estressante, honestamente. Ele estava me olhando só para ver se eu fracassava, para ver se isso era obsceno, ou se a extensão da perna exposta era impróprio ou sensual demais para mim. Na quarta-feira depois da escola, o treino é dividido em duas partes, 45 minutos cada. A primeira parte é o grupo da coreografia, passando por cima da peça com onze meninas que a Sra. L projetou, certificando-se que cada um de nós conhecesse nossos movimentos individuais e que toda a peça fluisse adequadamente. A segunda parte é a instrução, onde a Sra. L nos ensina um novo movimento ou técnica, demonstrando e fazendo com que cada um de nós experimentasse na frente da classe. Ela corrige, se necessário. Eu estou lutando um pouco com o trabalho em grupo, já que eu nunca dancei em um grupo antes de hoje. Eu continuo errando o pas de chat no meio, perdendo uma etapa e batendo em Devin, a garota ao meu lado. Por fim, a Sra. L para o treino e me traz para a frente, e todos os outros se alinham na barra ao longo de uma parede. — Grey, você está indo muito bem, minha querida, mas você precisa aprender essa ~ 10 ~


parte. Você pode fazer o pas de chat perfeitamente sozinha, mas por alguma razão, quando você faz com as outras meninas, você bagunça. Por que acha que isso acontece? Sra. LeRoux é uma mulher pequena, com 1,52m. De altura, com cabelos grisalhos e olhos cinzentos pálidos definidos em seu belo rosto. Ela é francesa, tendo se mudado para a Georgia há vinte anos com o marido, que morreu de repente, deixando-a com dívidas. Ela abriu um estúdio de dança com o último de seu dinheiro e abriu caminho para a prosperidade, uma lição de cada vez. Eu já a vi dançar antes, e ela não é um daqueles professores que não podem fazer o que eles ensinam. Sra. LeRoux pode te fazer chorar com uma rotina de dois minutos. Como professora, ela é ardente, feroz e exigente, mas justa e compassiva em todas as coisas. Ela nunca te critica, mas ela espera que você faça o seu melhor e se recusa a te deixar fugir com menos. Eu a amo muito. Fico na frente da classe e considero a questão da Sra. LeRoux. — Eu nunca tinha dançado em um grupo antes. — É o mesmo que dançar sozinha, minha querida. Você deve apenas ser mais consciente das pessoas ao seu redor. Este pas de chat é simples. Brincadeira de criança. Você é talentosa o suficiente para não ter nenhum problema. Tente novamente sozinha, por favor. — Ela faz um gesto com a mão para eu fazer o movimento. Eu respiro fundo, me ponho no agachamento, que leva para o pas de chat. É um movimento de balé, desde que o treinamento Sra. L é principalmente ballet, embora o estúdio também se concentra em dança contemporânea, jazz e moderno. Cada peça que ela coreografa tem uma tendência para o balé, eu descobri, o que é bom para mim. ~ 11 ~


Eu amo a naturalidade fluindo do ballet, mesmo eu não gostando da rigidez do mesmo. Eu danço para ser livre, para me expressar. Faço uma série de passos e saltos, e eu sei como acertá-los. Fazê-los sozinha nunca foi o problema. — Muito bom, Grey. Perfeito. Agora, Lisa, Anna, Devin, tomem suas posições ao redor dela. Eeee... comecem. — Sra. L acena para nós quatro executarmos a parte da rotina juntos. Eu passo os dois primeiros saltos sem problemas e, desta vez, concentro toda a minha atenção em Lisa à minha esquerda e Anna à minha direita, fazemos piruetas juntas e começamos a segunda série de saltos. Devin está atrás de mim no início da série, mas acaba na minha frente depois de uma pausa, reajustamos nossas linhas, piruetas, e saltamos novamente. Este momento, a pirueta, é onde estou tendo problemas. Eu estou muito perto de Devin, e meus braços batem contra o dela e nós giraramos em direções opostas, com Lisa e Anna girando para o outro lado de nós em direções opostas. É uma sequência bonita, ou pelo menos vai ser se eu conseguir acertar esse passo. Não é tecnicamente uma pirueta, de acordo com a definição do balé, uma vez que nossas mãos não estão arcadas em cúpula acima de nossas cabeças, mas estão afastadas para criar uma espécie de efeito vórtice no centro dos nossos quatro corpos. Se fosse uma pirueta de balé simples eu não teria nenhum problema, pois meus braços estariam contidos dentro da esfera dos meus cotovelos e joelhos, mas com os braços estendidos assim...

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Sinto a ponta do meu antebraço esquerdo encostar em Devin, e apesar de terminar a manobra, eu sei que estraguei tudo mais uma vez. — Está melhor, senhorita Amundsen, melhor. Mas agora novamente. Desta vez... foco. Observe Devin. Suas mãos devem passar por cima dela em cada rotação. Novamente, vai. — Sra. LeRoux aponta imperiosamente e dá passos para trás. Voltamos para a posição inicial, pulo, pulo, pulo... pausa, conjunto, giro ... Eu faço-o perfeitamente, sorrindo em exultação. A próxima série de saltos flui naturalmente, e com algum sinal da Sra. L, que eu não vejo, as outras garotas se juntam a nós sem um sussurro de interrupção. O resto da peça é fácil. Fazemos três vezes mais, e agora é suave como a seda deveria ser. O período de instrução é fácil. Aprendemos algumas tecnicas básicas de jazz. Depois que todos os movimentos ganham a satisfação da Sra. LeRoux, ela nos libera. Ela me chama de lado, enquanto eu reuno minhas coisas. — Grey, um momento? Larguei minha bolsa e fui ficar na frente dela. — Sim, senhora LeRoux? Ela sorri para mim. — Você esteve bem hoje. Estou orgulhosa de você. — Obrigada. — Como está seu solo? ~ 13 ~


Inclino a cabeça de lado, um movimento incerto. — Muito bem, eu acho, — eu digo. — Estou presa perto do fim, apesar de tudo. Não consigo fazer a transição suavemente de um lado para o outro. — Mostre-me. — Desde o início, ou ...? Ela acena a mão dela. — Sim, sim. Desde o início. Deixe-me vêlo. Eu chuto meu saco de roupas para a borda da sala com o meu pé, e em seguida, tomo posição no centro da sala. Eu faria melhor com a minha música tocando, mas não é assim que funciona com a Sra. LeRoux. Ela espera que você saiba todos os passos e os movimentos de cor, com ou sem música. Ela diz que a música deve adicionar alma e expressão para a peça, mas não deve ser uma muleta. Faço uma pausa por alguns momentos, afundando nesse local em minha mente, onde eu posso chamar o ritmo e deixá-lo passar por mim. Eu dobro os joelhos, estendo os braços para os lados, depois com as minhas mãos faço um círculo, deslizo um pé para fora e coloco o meu peso no outro pé. Minha perna estendida aumenta, meus braços à frente para me colocar em um arabesco de pés chatos. Eu mantenho, levanto para os meus dedos, e em seguida dobro na cintura e aponto meus dedos dos pés para o céu, deixando o momento me puxar para um spin diagonal, cabeça-pés-cabeça-pés. No final de três rotações, eu planto minhas mãos no chão e deixo a energia do giro me levar em mais uma parada de mão. Meu pé cai lentamente, e eu arco minhas costas até que estou fazendo a ponte, ~ 14 ~


pés plantados, com as mãos plantadas, coluna arqueada, cabeça entre os braços. Eu me abaixo até o chão e torço em meu estômago, arrastando para frente, tentando expressar o desespero. Esta é uma peça que se destina a falar da minha necessidade desesperada de liberdade, o meu senso de confinamento. Partes da peça são selvagens e enérgicas, girando os braços distantes, flutuando sobre o chão. Outras partes são contidas, membros juntos ao corpo, deslizando pelo chão em passos de tropeço. Eu estou quase no final da peça, chegando ao lugar onde minha coreografia está presa. Estou no centro da sala, de pé, saindo de uma pirueta, braços apertados contra o meu peito. Minhas mãos vão e empurram como se houvesse um muro, uma barreira invisível a minha frente. A barreira cede de repente e eu tombo para frente, tropeçando. — Este é o lugar onde eu estou presa, — eu digo, bufando para respirar no meio da pista de dança. — Originalmente, eu tinha a intenção de cair para frente, mas acho que ele simplesmente não fica bom. — Mostre-me o movimento original, por favor. Eu faço a pirueta novamente, empurrando contra a parede imaginária, tropeço deliberadamente para frente, e deixo cair para frente. Eu me levanto e limpo o suor do meu lábio superior. — Viu? Isso... Não ficou muito bom. Sra. LeRoux balança a cabeça, coçando a nuca. — Não, seus instintos estão corretos. Isso não está certo. — Ela me olha como se estivesse vendo-me em movimento, embora eu não esteja. Eu posso dizer que ela está trabalhando com a coreografia na cabeça dela. — ~ 15 ~


Ah, já sei. Ao invés de cair para frente, cambaleie, balançe e gire no lugar, mas com equilíbrio. Algo como isso, sim? — Ela demonstra o que ela quer que eu faça. — Através do resto da peça, você está lutando contra as forças que prendem você, lutando para encontrar o seu equilíbrio e sua liberdade. Então, aqui, no final, você deve ser vitoriosa. Este é o propósito desta peça, certo? É uma expressão do seu sentimento de aprisionamento. Vejo isso. Então, agora, você deve romper. A parede dá forma. Então, quando você termina a pirueta, que está muito bem feita por sinal, em vez de apenas empurrar contra ela, você age como se estivesse demolindo-a. Esmagando e caindo contra ela. Deixe sua raiva sangrar através disso. Você está se segurando no final, Grey. Você está terminando isso fracamente. Isso deve terminar com força. Você deve sentir o poder em si mesma, certo? Este poderia ser um avanço. Não apenas em sua dança, mas na sua cabeça. Em sua alma. Em si mesma. Bata contra a parede. Eu acho que entendo um pouco das lutas em sua vida. Lutei contra elas também. Meu pai era muito exigente. Ele me colocou no balé quando eu tinha apenas quatro anos de idade. Dancei todos os dias por toda a minha vida. Tive poucos amigos e poucas atividades sociais. Havia apenas o ballet. Só ballet. Então eu conheci Luc. Ele me envolveu. Ele era um dançarino, também. Ele era tão fluido, tão forte. Cada coisa que ele fazia era bonito. Nós nos conhecemos em um vinhedo em le Midi. Que eu não me lembro exatamente onde fica. Perto de Toulouse, talvez. — Ela olha a meia distância, lembrando-se. Ela sacode a si mesma. — Não importa. Entendo. Você deve se libertar, em si mesma. Nesta dança. Ela acena a mão dela em um gesto que significa novamente, mais um vez. ~ 16 ~


Eu corro através da parte de cima, e desta vez eu penso em cada regra que tenho que seguir, cada um dos meus amigos da escola que eu não posso ter, cada vez que me disseram que um par de jeans está muito apertado, ou uma blusa também, que estou usando muita maquiagem. Todas as expectativas sobre mim para ser uma perfeita garotinha do sul, a filha perfeita do pastor, a garota que eles esperam que venha a se casar com um homem de Deus que foi para o seminário, um homem jovem, chato, sem aspirações fora do púlpito e do rebanho. Eu coloco tudo isso na dança. Quando eu pulo, eu atiro-me nisso. Quando giro no lugar, deixo todos os meus músculos me puxarem para o giro com toda a minha energia. Quando eu rastejo pelo chão, eu arranho as tábuas de madeira polida, como se estivesse implorando pela minha vida. Quando eu começo a bater nas paredes que me cercam, eu vejo o rosto do meu pai, ouço a sua voz e suas fortes críticas, e suas rigorosas formas ditatoriais, exigindo a perfeição, eu giro e giro e giro para ele. Finalmente, eu sinto que as paredes dão forma e tropeço para frente, giro no lugar, batendo, intencionalmente fora de balanço, balançando, girando em torno do chão como se encontrasse a alegria na dança espontânea de passos livres. Acabo de pé com a cabeça pendurada, com as mãos soltas ao meu lado, arfando o peito com a falta de ar. Eu olho para avaliar a reação da Sra. LeRoux. Ela está encostada na parede, a mão cobrindo a boca, os olhos molhados. — Perfeito, Grey. Apenas... perfeito. Senti tudo. Perfeito. Seu olhar firme sobre meu ombro, e eu me viro para ver minha mãe me assistindo da entrada. Seus olhos refletem suas emoções, e ~ 17 ~


eu sei que ela viu tudo. Eu sei que ela viu o que eu senti naquela dança. Os cantos dos olhos estão apertados, a testa enrugada. Dirijome para longe dela, de volta para a Sra. LeRoux. — Você acha que foi bom? — pergunto. Ela acena com a cabeça. — Acho que foi um exemplo de seu potencial. Você pode ser uma magnífica dançarina, Grey. Você deve ser persistente e colocar todas as suas emoções em sua dança. Não se segure. Eu me curvo para pegar minha bolsa, procurando uma toalha. Uno-me a minha mãe na porta, enxugando o rosto com o algodão branco áspero. Saímos e nenhuma de nós fala enquanto minha mãe nos leva através de Macon para nossa casa nos subúrbios. Eu me viro para olhar para ela, confusa por seu silêncio incomum. Normalmente ela é tagarela como uma gralha azul, depois da aula de dança. Ela era uma dançarina, também, até que ela conheceu papai e me teve. Ela gosta de falar sobre o que eu estou aprendendo, as várias técnicas e tal. Falando muito, revivendo seus dias como uma dançarina. Agora, porém, ela olhava pela janela e estava dirigindo com uma mão. A outra mão está pressionada em sua testa. Seus olhos se estreitaram, seus traços apertados. — Você está bem, mamãe? — Eu pergunto. Ela me lança uma leve tentativa de um sorriso tranquilizador. — Eu estou bem, querida. Só tenho uma dor de cabeça. Eu dou de ombros e deixo que o silêncio se arraste.

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— A sua dança foi bonita, Grey. — Sua voz é calma, como se falar muito alto poderia causar ainda mais dor. — Obrigada, mãe. — O que ela significa? Eu não respondo imediatamente, eu não sei como. Eu dou de ombros. — Só... às vezes eu me sinto presa... Ela hesita neste momento. — Eu sei, querida. Ele só quer o melhor para você. — O melhor dele não é necessariamente o meu melhor. — Ele é o seu pai. — Isso não significa que o que ele acha que é certo para mim é sempre a única opção. Minha mãe esfrega em sua testa novamente, em seguida, estende a mão, sacudindo como se estivesse dormindo. — Eu não quero entrar nessa agora, Grey. Ele é o seu pai. Ele te ama, e ele só está fazendo o que ele acha que é certo. Você precisa ser respeitosa. — Ele não é respeitoso comigo. Ela me lança um olhar afiado de advertência. — Não, Grey. — Ela estremece, e depois vira os olhos para a estrada, piscando duro. — Meu Deus, esta é a pior, — ela murmura, mais para si do que para fora ruidosamente. — Pior? — Eu fico olhando para ela com preocupação. — Você tem tido muitas dessas dores de cabeça?

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— Aqui e ali. Nada muito ruim. Geralmente começam na parte da manhã, e elas geralmente desaparecem por conta própria. — Ela aperta a mão em um punho e solta, apertando novamente. Eu não tenho certeza do que dizer. Mamãe é forte. Ela nunca fica doente, e nas poucas vezes em que ficou, ela raramente reclamou e nunca teve tempo para descansar. Ela delegava poderes através dela até ficar melhor. Ela estar visivelmente com dor não é um bom sinal. Ela deve realmente estar doente. — Você deveria ver um médico? — Eu pergunto. Ela acena a mão. — É só uma dor de cabeça. — O que há de errado com a sua mão, então? — Eu não sei. Ela só... parece dormente. Está tudo bem agora. Estamos em casa neste momento, e ela para o BMW na garagem e está fora de sua porta e entra em casa antes mesmo de eu puxar minha mochila fora do banco de trás. Eu olho papai enquanto passo por seu escritório quando faço meu caminho para as escadas. Depois que eu tomei banho, eu vou até a cozinha, esperando encontrar mamãe fazendo o jantar, mas a cozinha está vazia. Papai ainda está em seu estudo, teclando em seu computador, preparando o sermão de domingo. — Onde está a mamãe? — pergunto. Ele olha por cima do aro dos óculos de leitura. — Ela está deitada. Ela tem uma enxaqueca, eu acho. — Ela está bem? Ela disse que anda tendo dores de cabeça. ~ 20 ~


Ele se inclina para trás em sua cadeira. — Eu sei. Se não parar logo, vou levá-la para ver um médico para saber, ela querendo ou não. — Vou fazer o jantar, então. — Obrigado, Grey. Quando você terminar, veja se sua mãe quer alguma coisa. Ela pode não querer. — Ele se volta para o computador. — Eu vou comer aqui. Eu vou para a cozinha e começo a fazer o jantar. Eu não sou tão extravagante como cozinheira como mamãe, mas posso fazer alguns bons pratos. Eu remexo na geladeira e vejo que ela reuniu os ingredientes para fazer frango cordon bleu, assim eu faço isso, levando para papai seu prato e uma lata de Diet Coke. Eu vou para cima para ver como minha mãe está, mas ela está dormindo com as cortinas fechadas contra a luz da noite. Mesmo durante o sono, a testa está enrugada com dor. Eu fico preocupada, mas eu a afasto. Deixo o prato de comida no caso dela querer isso mais tarde, levando meu prato e Coca-Cola para o meu quarto para comer enquanto termino o dever de casa. Exceto as dores de cabeça de mamãe, a vida é boa. Então, por que eu sinto uma sensação de mal-estar?

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02 O último do ano escolar passa sem incidentes. As dores de cabeça da mamãe diminuíram ou ela as esconde. Eu dancei em diversos recitais, com mamãe e papai no público. Papai ainda não chega a aprovar, e ele definitivamente lança olhares para as outras meninas — que fazem solos mais abertamente sensuais. Ele sabe que eu sou talentosa, porém, e isso lhe agrada. Eu danço durante o verão, e eu chego a conhecer Devin, Lisa e algumas outras garotas do estúdio. Papai me deixa sair com elas, enquanto eu respeito o checkin regularmente. Para a maior parte, nós não fazemos nada além de sair no shopping e assistir TV na casa de Devin. Alguns meninos vem algumas vezes, mas nenhum de nós diz nada para os adultos. Devin é um duende, mal tem um metro e meio e pesa cerca de 45kg. Ela tem cabelo castanho e olhos castanhos e é uma cabeça quente, ardente, enérgico e franca. Ela praticamente tem a casa só para ela desde que seus pais trabalham o tempo todo. Tanto quanto o papai sabe, é só eu, Devin e Lisa e um saco de queijo, e filmes como Flashdance, Footloose e Girls Just Wanna Have Fun.

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Ele não sabe sobre as ocasionais festas de Devin nos fins de semana enquanto seus pais estão em Atlanta ou em outro lugar para algum negócio. Em comparação com as histórias que eu ouço na Central High School, estas festas são geralmente muito dóceis, é basicamente o mesmo, mais ou menos vinte pessoas, algumas meninas do estúdio da Sra. LeRoux, alguns caras do time de futebol, e algumas meninas do programa de dança do Central. Alguns tomam um pouco de cerveja ou uísque, mas eu não. Papai sentiria cheiro de álcool em mim antes mesmo que eu entrasse em casa. Tentei beber cerveja uma vez, mas é desagradável. Tomei um pequeno gole de uísque e quase engasguei. Eu bebo Coca-Cola e me divirto assistindo os outros agirem como idiotas. Em uma dessas festas, perto do fim do verão, eu me vejo sentada no deck atrás da casa de Devin, observando como seis ou sete rapazes bêbados jogam uma partida turbulenta de futebol, meninas torcendo e ficando no caminho. Uma das meninas da Central de Dança está sem a sua camisa, o sutiã rosa brilhante no final da noite. Estou envergonhada por ela. Como ela poderia estar bem assim, seminua, sabendo que cada indivíduo daqui está olhando para ela? Quero cobri-la. Várias caras chegam a ela, tentam levá-la com eles para dentro, mas ela consegue sem esforço algum expulsálos sem ferir quaisquer sentimentos. Ela está claramente embriagada, dançando a música tocando nos alto-falantes portáteis do iPod de Devin. Ela tem as mãos em seu cabelo, junta-as na parte de trás de sua cabeça. Ela está contorcendo os quadris ao ritmo da música, rodando ao redor lentamente, girando os quadris, pele bronzeada piscando sob a luz da lua e o brilho amarelo pálido da casa. Todo mundo está olhando para ela. Todos. Ela é uma dançarina, ela sabe o ~ 23 ~


que está fazendo. Ela sabe que tem atenção. Ela desliza as mãos sobre a barriga, sobre seus quadris, empurrando o cós de sua calça jeans apertados. Sua dança assumiu uma vida própria, girando no lugar, jogando seu cabelo em volta, empurrando para fora e balançando os quadris. Cada movimento é provocativo. Os caras estão congelados, e eu vejo como os garotos estão ajeitando suas partes de baixo. Mesmo que eu esteja na escuridão, ainda estou corando. A voz baixa e rouca vem da minha esquerda. — Você pode dançar daquele jeito? Eu pulo, assustada. Procuro nas sombras e vejo um menino que vem com frequência as festas de Devin, um jogador de futebol chamado Craig. — Não, — eu disse, balançando a cabeça. — Definitivamente, não. Ele ri, apoiando-se no corrimão. — Claro que você pode. — Seus dedos tocam sobre meu ombro, e eu tremo. — Você deveria tentar. Você seria quente. Ela é bem bonita, mas você? Você é bonita pra caralho, garota. Eu coro tanto que meu rosto fico quente. E rio nervosamente. — Você é louco. — Não, eu não sou. Só sei o que eu gosto. — Seu tom indica que ele está se referindo a mim. Eu ainda não consigo vê-lo. Ele está nas sombras, na grama além do deck. Eu já o vi antes. Ele é alto e loiro, o tipo de cara que a maioria das meninas gaguejam ao falar com ele. Ele está vestindo uma blusa vermelha que mostra seus braços musculosos e um par de ~ 24 ~


shorts pendurados baixo. Ele é bonito, isso é certo. Meu estômago faz flip-flops. Ele gosta de mim. Ele está inclinando-se para me ver melhor, com os olhos pálidos e amplos na escuridão. Abruptamente, ele planta as mãos no corrimão do deck e ele está bem na minha frente. Eu dou um grito silencioso de surpresa e recuo para longe dele. Ele anda até mim. Ele é tão alto, e eu estou com medo do que eu vejo em seus olhos. Desejo. Fome. Eu não sei como lidar com isso, com ele. Este é um novo território. Sei que eu sou bonita, então os meninos estão sempre interessados. Eu sou alta para uma menina, de 1,72 m com os pés descalços. Tenho cabelo loiro-mel que é longo, fino e reto. Meus olhos são cinza, a cor de ferro escuro de uma tempestade que se aproxima, ou então é o que Devin diz. Eu tenho o corpo de uma dançarina: curvas, coxas poderosas, quadris mais largos do que eu gostaria, uma cintura bastante fina, e seios generosos. Por ―generoso‖, quero dizer que eles são enormes, mesmo para a minha altura e constituição, o que é uma espécie de desafio, quando eu estou dançando. Eu costumo usar sutiãs esportivos porque eles se balançam muito, mesmo quando eu não estou dançando. É lá que os olhos de Craig estão colados agora. Eu estou usando uma camiseta solta azul e uma saia até o chão cinza. Completamente conservadora. Sem pele a mostra, apenas meus braços e um aro fino acima da gola alta de minha camisa. Mesmo assim, Craig não pode tirar os olhos do meu peito. De repente estou irritada com isso. Mas, então, ele dá mais um passo, e ele está perto o suficiente para que eu possa sentir o cheiro da cerveja em seu hálito e ver a luxúria em seus olhos. ~ 25 ~


— Vamos lá, Grey, me mostre como você dança. — Ele coloca as mãos nos meus quadris, baixos, e se esfrega contra mim. Estou congelada, porque ninguém jamais me tocou assim. Devo reagir? Parte de mim gosta, mas essa parte é pecaminosa. A pecadora sensual em mim gosta. Com uma ingestão aguda de respiração, puxo-me para fora de seu aperto. — Acho que não, Craig. Ele apenas ri, como se eu estivesse jogando um jogo. Seguindome, ele pressiona seu corpo duro contra mim, ele não permite que uma polegada esteja entre nós. Antes que eu saiba o que está acontecendo, sua boca está na minha, a respiração azeda pela cerveja e seu odor corporal leve. É uma fração de segundo de contato, mas estou revoltada. Eu o afasto e tropeço para trás, em seguida, bato nele com força. Eu não me incomodo de falar, e vou para dentro da casa, fechando o vidro da porta do pátio atrás de mim. Através de uma janela aberta, ouço a voz de Devin o chamando para fora do quintal. — Ela não é assim, Craig. Você não pode vim com essa merda para cima de Grey Amundsen. Você não sabe quem é o pai dela? — Quem? Eu deveria saber? — Eu o ouço responder. —

Erik

Amundsen.

Pastor

Contemporânea. — Não é a enorme igreja na 75?

~ 26 ~

da

Igreja

Batista

Macon


— Sim. Esse é o seu pai. Ela é filha de um pastor, C. Ela não é o tipo de garota que vai fazer uma festa com você. Então, esqueça. Esqueça-a. — Puta merda, — Craig murmura. — Ela é quente como o inferno. — Bem, ela está fora dos limites. Vai dar em cima da Amanda. Craig ri. — Sim, certo. Cada indivíduo em Macon com idade inferior a vinte e cinco anos já deu em cima da Amanda. Eu não quero subir nesse trem. Devin ri com ele. — O que significa que ela é uma aposta certa, não é? — Aposta certa para herpes, você quer dizer. — Eu ouço uma mudança na voz de Craig. — E você, Dev? Que tipo de garota é você? Devin não responde imediatamente. Eu não posso acreditar que ela vai cair em uma cantada assim, mas sua voz é baixa e ofegante. — Pegue-me outra bebida, e você certamente poderia descobrir. Recuo para dentro da casa, sem querer ouvir mais nada. Eu pulo a próxima festa de Devin, e acho que ela percebe. Aquela conversa atravessa minha cabeça pelo resto do verão, no entanto. Eu sou a garota que está fora dos limites. Eu sou a filha do pastor. Não sou fora dos limites porque respeitam as minhas crenças sobre o casamento, ou por causa de quem eu sou, mas por causa do papai. Devin estava certa de que eu não sou esse tipo de garota, mas isso não significa que eu odiei totalmente o avanço de Craig, ao

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menos não até que ele me agrediu com a boca. Eu gostei de me sentir desejada.

***

Eu tomei um monte de aulas avançadas nos meus primeiros três anos do ensino médio, por isso meus horários no último ano tem algumas grandes janelas, onde eu posso pegar algumas optativas. Estou tentando escolher algumas aulas que me interessem, mas não há nada. Eu já fiz fotografia, teatro, jornalismo e dança. Eu não quero repetir nenhum deles, exceto talvez a aula de teatro. Foi divertido ficar em cima do palco, fingir, e agir. Foi ainda mais divertido assistir os outros. Nós ainda tivemos nossa própria cena, e foi onde eu brilhava. Resolvi por pegar uma aula de introdução ao cinema, ministrada pelo Sr. Rokowski, que havia trabalhado em Hollywood como cinegrafista durante a maior parte de sua vida antes de ir para Macon com sua esposa. Ele é um homem baixo, com uma barriga redonda e cabelo grisalho longo preso para trás em um rabo de cavalo. O semestre voa. A maioria das minhas aulas são chatas, difíceis e maçantes. Todas, exceto a de cinema. Nós assistimos filmes, estudamos, falamos sobre fotografia, ângulos de câmera, a razão para uma dúzia de tomadas para cada cena. Algo sobre o processo me prende. Ouvir o Sr. Rokowski falar sobre estar por trás da câmera durante as filmagens de filmes como Ghost ou Dirty Dancing, ser uma ~ 28 ~


parte de algo tão duradouro, tão icônico... Eu amo isso, eu amo cada história que ele conta. Gosto de ver as coisas diferentes que um filme pode fazer você sentir, apenas a música em segundo plano ou o ângulo de um close-up, ou como uma cena passa de um lugar para outro. A manipulação da luz, som e emoção. Cada filme é uma obra de magia. É como a dança é para mim. Quando eu danço, eu me perco. Eu posso ser qualquer pessoa, fazer qualquer coisa. Eu posso dizer o que penso, o que sinto. Com filmes, posso ficar perdida em um outro mundo, nas vidas de outras pessoas com problemas diferentes dos meus. No final do último dia do semestre, o Sr. Rokowski me puxa para o lado. — Grey, eu só queria dizer que foi um prazer tê-la em minha sala de aula neste semestre. Algumas raras vezes, esta aula trás algo de bom para um aluno, são por essas vezes que eu vivo. Leciono Cinema porque é o que eu sei e o que eu amo, mas quando sou capaz de mostrar a um estudante a magia nos filmes, essa é a melhor parte. — Ele puxa um folheto de sua pasta. — Eu ensino na The Film Connection. É um instituto de cinema com uma filial aqui em Macon. É um programa incrível que realmente ensina os truques da indústria. Você atravessa o processo de produção de seu próprio filme, e ainda se conecta com executivos de Hollywood. Acho que você pode ser uma grande candidata para o programa. É algo para se pensar. Você poderia até mesmo entrar como uma cooperada. E eu poderia fazer a recomendação para você. Eu sinto algo como esperança florescendo dentro de mim. — É um instituto de filme de verdade?

~ 29 ~


Absolutamente.

É

uma

ótima

maneira

de

adquirir

experiência e fazer alguns contatos na indústria. — Eu aprendendo a como realmente fazer um filme? Tipo, de verdade? — quero tanto isso que posso até sentir o gosto, até que eu me lembro de papai. — Meu pai não vai deixar. — ouço-me dizer ao Sr. Rokowski. — Por que não? Dou de ombros, pois não queria ter que explicar. — Ele é... muito rigoroso. Ele não aprova Hollywood. — Mas é isso o que você quer? Quero dizer, e se você conseguir uma

bolsa?

É

inteiramente

possível.

Conheço

pessoas.

Você

realmente mostrou uma paixão pelo cinema neste semestre, Grey. Acho que você poderia realmente chegar a algum lugar. Eu balancei minha cabeça. — Vou pensar sobre isso. Gostaria de poder, eu realmente gostaria. Mas... Eu conheço meu pai. Sr. Rokowski enxuga o rosto com a mão, os olhos castanhos olhando para mim e depois se distancia. — Seu relacionamento com seu pai é uma coisa que só você pode lidar. Basta pensar nisso, ok? Eu odiaria ver tanto talento indo para o lixo. Eu penso sobre isso... oh meu, eu queria tanto. Estou sentada na cozinha, girando um lápis em meus dedos. Estou trabalhando em uma ideia para um filme, escrevendo o roteiro e pensando sobre o script. Eu tento falar com a mamãe sobre isso, mas ela não acha que é uma ideia muito boa.

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— Você sabe como o seu pai é, Grey. Hollywood é imoral e toda a indústria do cinema está cheia de tubarões. Você ficaria exposta a tantas coisas impuras. É uma glorificação de tudo o que é pecaminoso sobre a nossa sociedade. Ela está falando por papai. — Eu não acho que você realmente pensou sobre o que estaria se metendo, querida. Continue com a dança. Encontre um homem bom e piedoso. — Você quer dizer um pastor, para que eu possa ser como você. — Há algo de errado com isso? — A voz da minha mãe é afiada. — Não, mas não é o que eu quero. Adoro filmes. Eu amo a dança,

e

eu

adoro

isso

para

mim.

Não

quero

dançar

profissionalmente, porque isso tiraria toda a diversão. Quero uma carreira no cinema. — Não quero ser a esposa de um pastor. Eu penso nisso, mas eu não digo. — Eu só não acho que isso é uma possibilidade, querida. — Ela empurra cuidadosamente o cabelo loiro do rosto. Dois dedos apertam a ponta do seu nariz, e ela respira lentamente. — Basta pensar sobre isso novamente, meu bem. Vale a pena fazer seu pai recuar novamente? Ele ficaria tão decepcionado. Ela tropeça, então, como se estivesse tonta ou desorientada. Eu salto fora do banco e a seguro contra mim. — Mãe? Você está bem? — Estou bem, querida. Acabei ficando tonta por um instante. Não tive muito apetite ultimamente, então eu só posso estar com fome. ~ 31 ~


Isso não faz qualquer sentido para mim. — Mãe, sério. Suas dores de cabeça voltaram? — Elas nunca realmente acabaram, honestamente. — Ela se inclina para trás contra o balcão da cozinha. — Eu vou ficar bem. Vou tomar um Tylenol, e vou ficar bem. Eu a deixo ir, mas a preocupação está de volta. Na semana seguinte, eu me aproximo de papai durante seu estudo. É uma terça-feira, o que significa que ele está apenas começando seu sermão para a semana, que é o melhor momento para falar com ele. Depois de quarta-feira ele fica irritado quando é interrompido. Eu me sento na cadeira de couro do lado oposto da mesa de carvalho enorme. — Oi, papai. Como está o sermão? Ele se senta novamente, tirando seus óculos. Ele passa a mão pelo cabelo. — Olá, Grey. Vai muito bem. É um discurso sobre praticar o bem em um mundo onde não há bondade. — Ele me olha. — Eu sinto um ―Pai, eu posso...?‖ chegando. Eu sorrio o mais encantadoramente possível. — Talvez. Ele sorri para mim e toma um gole de seu chá doce. O gelo bate no copo, e uma gota de suor escorre pelo lado do vidro, enquanto abaixa o copo. — Bem? Diga o que você quer. — Então, eu fiz uma aula de cinema neste último semestre. Eu realmente, realmente gostei, papai. Foi muito divertido. Aprendemos muito sobre filmes. O instrutor era um cameraman, e ele trabalhou em ‗Ghost‘, você sabe, o filme com Patrick Swayze e Demi Moore? ~ 32 ~


— Você quer dizer aquele sobre o homem que assombra sua esposa? Fantasmas são servos do diabo, Grey. Ferramentas do Maligno. Não é assunto para o entretenimento. — É romântico, papai. Ele a amava. Ele não queria deixá-la sozinha. — Ele não podia aceitar o plano de Deus para sua vida. Eu suspiro. — Bem, de qualquer maneira, eu gostei do filme, e amei as aulas. O Sr. Rokowski pensou que eu poderia ser uma boa candidata para o The Film Connection. Eu mostro-lhe o folheto e ele folheia-o lentamente, lê a explicação e os depoimentos. — Eu adoraria, adoraria, adoraria fazer isso. Seria uma oportunidade de realmente aprender sobre a indústria. O Sr. Rokowski acha que ele poderia até me ajudar a conseguir uma bolsa de estudos para que você não tenha que pagar muito, ou nada, para isso. Papai desliza os óculos e lê o folheto de frente para trás, em seguida, liga seu computador e digita o endereço do site. Sento-me em silêncio, esperançosa. Após longos minutos, em silêncio, ele tira os óculos novamente e se inclina para trás. — Você está falando sério? Concordo com a cabeça vigorosamente. Eu pensei muito sobre as melhores táticas para apresentar isso. Eu tinha que fazê-lo pensar que era sobre o ministério. Eu tinha que mostrar a ele como eu poderia fazer a diferença em Hollywood. — Absolutamente. Isso é o que eu quero fazer com a minha vida. Eu não quero ser uma atriz ou

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algo assim. Quero contar histórias. Há tantas maneiras de contar uma boa história, de mover as pessoas, e no cinema é uma dessas maneiras. Poderia ser a minha missão. Assim como Kirk Cameron em ‗Fireproof‘. Ele sopra um longo suspiro. — Eu esperava mais de você, Grey. — Sua voz de repente é dura, como um chicote, e eu recuo. — Eu realmente esperava. Escola de cinema? Isso é pior do que qualquer dança sensual. Você estaria trabalhando com a escória da terra. Pessoas que pensam que está tudo bem glorificar assassinato, desonestidade e perversão sexual. — Mas papai, não tem que ser assim... — Seria, no entanto. Eles iriam se aproveitar de você. Uma bela garota inocente como você em Hollywood? Eles vão comê-la viva. — Mas essa é a melhor parte sobre este programa. Ele está aqui em Macon. Eu não teria que me mudar para Los Angeles para fazer isso. Ele não responde por um longo momento. Quando ele faz, seus olhos são duros como pedra. — Essa conversa acabou. Você não vai ser uma parte dessa indústria. — Ele gira sua cadeira para longe de mim, em direção a tela de seu computador, me evitando com clareza. Eu puxo uma fungada. — Você não entende. — Eu entendo sim, muito bem, aliás. — Ele não está olhando para mim, agora. Ignorando-me. — Você é a única que não entende. Como as pessoas são, o que elas vão fazer. Eles vão perverter você. É

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o meu trabalho como seu pai te proteger, te manter longe desse caminho. Meus punhos apertam e tremem, minha garganta fecha como se bebesse água quente, sinto a raiva impotente. — Mas isso é tudo que você faz! Proterger-me! Você não me entende! Em nada. Você nunca tenta entender. Isto é o que eu quero. Só porque você é um pastor não significa que eu não posso viver minha própria vida com as minhas coisas. Nem tudo é pecaminoso, e é assim que você age, como se cada coisa que não é um estudo bíblico ou uma reunião de oração fosse pecado! Eu estou de pé, chorando e gritando. — Deus, você é tão... tão mente fechada sobre tudo! Vermelho de raiva, papai se levanta e derruba um porta canetas. — Não se atreva a tomar o nome do Senhor em vão dessa forma, Grey Leanne Amundsen. — Ele aponta o dedo para mim, e agora ele está em modo de pregador total. — Sou seu pai, e Deus me deu a responsabilidade de cuidar de você. Eu sou responsável por sua alma. — Não, você não é! Vou ter dezoito anos em breve. Posso tomar minhas próprias decisões. — Estou dividida entre o medo e o orgulho. Eu nunca, nunca respondi para papai antes. Neste momento tudo muda, de alguma forma. — Enquanto você morar em minha casa vai seguir as minhas regras e fazer o que eu digo. E eu digo que você não vai fazer esse programa. — Ele se senta e arruma o porta canetas. — Por sua

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atitude rebelde e por me responder, todos os privilégios de dança serão revogados. Eu afundo na cadeira. — Não, papai. Sinto muito... Farei uma apresentação na segunda-feira. Se eu não dançar, eles terão que reformular toda a peça. — Então, eles terão que reformulá-la. — Ele não olha para mim novamente depois disso. Deixo seu estudo em lágrimas, vou para o meu quarto. Eventualmente mamãe entra e se senta na cama. Eu olho em sua direção, e sento imediatamente. Ela parece pálida e magra, o rosto comprimido. — Mãe? Você está bem? Ela encolhe os ombros. — Eu estou bem, querida. — Ela acaricia minha mão. — Eu lhe disse para não pressioná-lo, querida. Vou falar com seu pai e ver se consigo convencê-lo a deixá-la se apresentar na segunda-feira. Mas... você realmente deve deixar de lado essa coisa de cinema. Sei... Eu sei que você pode não querer ser a esposa de um pastor, e eu entendo isso. Mas o cinema? Não é para você. Eu não respondo. Sei que ela não vai entender, nem mesmo a minha mãe. Quando está claro que eu terminei de falar com ela sobre isso, ela se levanta, batendo na minha mão novamente. — Eu vou falar com ele. Apenas... pense sobre suas escolhas, ok? Pense sobre o plano de Deus para sua vida. Será que esta súbita obsessão com filmes pecaminosos o glorificaram? Eu só suspiro, percebendo a futilidade de discutir com ela sobre a diferença entre as suas ideias do plano de Deus para minha ~ 36 ~


vida e o meu plano para a minha vida. Ela sai, e eu estou sozinha novamente. Eu deito na minha cama e olho para o teto, honestamente tentando pensar através dele. Eu poderia entender sua reação se eu dissesse que queria me mudar para Los Angeles e ser uma atriz, ou para Nashville para ser cantora. Mas eu estou propondo que eu fique perto de casa e em seu círculo de influência após o ensino médio. Papai só se preocupa com a sua própria ideia do que é certo e errado. Tudo é em preto e branco para ele, e a maioria das coisas são negras. Existe mais do que é pecaminoso e errado do que coisas boas. Eu me pergunto como ele sabe que Deus desaprova todas as minhas reivindicações. Eu sei que ele teria versículos da Bíblia para apoiar tudo o que ele acredita. Eu só... Eu simplesmente não posso deixar de me perguntar se isso não é manipular as Escrituras para encaixar o que ele não gosta ou não está disposto a entender. E, honestamente, ele nunca deixou a Georgia. Ele cresceu aqui em Macon, se formou em teologia pela Trinity Baptist Seminary, em Jackson, uma hora ao norte. Ele não pode saber tudo. Quanto mais penso nisso, mais furiosa eu fico. Começo a imaginar todos os argumentos inteligentes e espirituosos que eu poderia ter feito para o papai. Eu nunca vou dizer qualquer um deles, mas esse é o jeito que eu sou. Vou mastigar um argumento durante dias, pensando no que eu poderia ter dito, o que eu deveria ter feito, e como eu poderia ter feito para sair de forma diferente. Fico surpresa quando minha porta se abre e papai aparece. Eu esperava que fosse mamãe, mas ao invés disso ele está ali parecendo assustado. ~ 37 ~


— Papai? Que há de errado? — Sua mãe, ela... Ela desmaiou. Uma ambulância está a caminho. É essas dores de cabeça que ela está tendo. Ela apenas caiu, Grey. Bateu à beirada do fogão e quebrou o pulso. Ore por ela, Grey. Ore para que o Senhor a protega. Eu tremo, as lágrimas não derramadas fechando minha garganta. Isso é ruim. Muito ruim.

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03 Sento-me com as mãos cruzadas sobre meu colo, os olhos baixos. Eu não posso olhar para ela. A máquina emite um bip constantemente, monitorando algo. Meus olhos ardem, mas eles estão secos. Eu chorei todas as minhas lágrimas ao longo dos últimos meses. Ela ia de mal a pior, e agora ela está um esqueleto envolta de pele em uma cama de hospital. O cabelo dela está desaparecido. Suas bochechas são fundas, e seus ossos afiados estão aparecendo. Seus dedos estão moles, frágeis e pequenos. Ela mal está respirando. Eu chorei e chorei, e agora eu nem sei se posso chorar mais. Pedi a Deus para poupá-la. Eu fiquei acordada noite após noite, suplicando, de joelhos. E mesmo assim, Mama está morrendo. Mama. Eu não a chamei ou pensava nela como ―Mama‖ desde que eu tinha dez anos e Ally Henderson zombou de mim na frente de toda a classe. Ela tem sido ―Mãe‖ desde então. Mas agora... ela é ―Mama‖ novamente. Destemido, papai permanece firme em sua fé de que Deus tem um plano.

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Deus tem um plano. Essas quatro palavras poderosas que resolvem tudo por ele. Eu não acho que Ele tenha um plano. Acho que às vezes as pessoas simplesmente morrem. Mamãe está morrendo. Ela só tem mais alguns dias. Dois dias antes, eu estava fora do quarto do hospital, enquanto Dr. Pathak disse ao meu pai para se preparar para o pior. Papai apenas repetiu seu mantra. — A vontade do Senhor não pode ser subvertida. Dr. Pathak resmungou, irritado. — Eu respeito a sua fé, Sr. Amundsen. Eu realmente respeito. Eu também sou um homem de fé profunda, embora eu saiba que você não concorda com o que eu acredito. Então entendo a sua fé. Às vezes, temos de estar preparados para o plano de Deus, mesmo não sendo como gostaríamos que fosse. Talvez Deus não opere um milagre. Talvez sim. Espero por você e por sua filha que Ele faça um grande milagre e cure sua esposa como eu tenho visto acontecendo. Eu também oro, à minha maneira, milagres aconteçam. Mas às vezes não acontecem. Isso é simplesmente um fato da vida. Agora eu seguro a mão de minha mãe com a sua pele de papel de pergaminho na minha, e eu a vejo respirar. Cada respiração é um processo lento. Ela se esforça para sugar o ar durante longos segundos e, finalmente, ela solta tão lentamente quanto antes. Algo chacoalha no peito. Seu corpo está desistindo. Ela não, mas seu corpo

sim.

Mamãe

lutou.

Deus,

ela

lutou.

Quimioterapia,

radioterapia, cirurgia. Há cicatrizes e linhas de pontos em seu couro ~ 40 ~


cabeludo, onde foi perfurado e cortado. Ela queria que o tumor saísse. Ela queria viver. Para o papai. Para mim. Ela fez-me viver minha vida. Fez-me continuar indo para a escola, continuar estudando. Fez-me candidatar às faculdades. Ela até enviou um pedido para a USC, a University of Southern California. Uma das principais escolas de cinema do mundo. Ela me ajudou a conseguir bolsas de estudo. Ela manteve papai à par do meu caso e convenceu-o a deixar tudo ir. Ela não quer que a gente discuta, então não o fizemos. Papai nunca concordou, nunca aprovou. Mas quando recebi a carta de aceitação da USC e até mesmo quando fingi olhar para todas as outras faculdades, ele percebeu que era de verdade. Estava acontecendo. Talvez ele pensou que com Mama doente eu iria mudar de ideia. Talvez ele pensou que depois poderia apenas

colocar

meu

no

caminho

e

eu

desistiria,

independentemente do que eu queria. Eu não sei. Mas agora... ela está perdendo a luta. E tudo que eu sei é que eu estou indo para a USC. Mamãe entendeu minha paixão, antes que o câncer levasse sua alma. Eu usei a minha mesada para comprar uma câmera Flip e comecei a fazer meus próprios filmes, peças artísticas sobre mim, sobre a vida. Fiz amizade com um morador de rua que vive em Macon e fiz uma matéria sobre ele. O Sr. Rokowski me ajudou a editá-lo e colocar uma trilha sonora usando alguns programas profissionais. Eu mostrei para papai. Ele disse que minhas intenções eram boas, mas se eu fosse para Los Angeles, minhas intenções não importariam. Eu seria sugada para o estilo de vida pecaminoso de Los

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Angeles. Deixei ele reclamar, e depois se afastar. Cinema é minha arte, tanto quanto a dança. Eu não preciso de sua aprovação. Eu tenho filmado a luta de Mama contra o câncer. Ela me deixou filmar cada momento. Eu ignorei algumas aulas para ir filmar as sessões de quimioterapia dela. Ela disse que era o seu legado, que iria vencê-lo, e meu filme iria gravar sua vitória. Minha Flip está no tripé no canto, filmando-a morrer agora. Gravando luta para respirar. Ela gravou suas últimas palavras, há dois dias: ‗Eu te amo, Grey‘. Estou gravando cada bip da máquina que está monitorando seu batimento cardíaco. Eles disseram que ela vai morrer a qualquer momento. Eles não entendem por que ela ainda não desistiu. Eu sei, no entanto. Acho que ela ainda está lutando. Por nós. Papai foi tomar café e comer alguma coisa. Eu olho para a porta fechada, mas há uma rachadura que deixar uma fina corrente de luz fluorescente do corredor e do guincho ocasional de tênis. Há o grito distorcido nos alto-falantes: — Dr. Harris, sala sete... Dr. Harris, sala sete, por favor... Eu aperto delicadamente a mão de Mama. Ela aperta a minha mão de volta, com uma pressão mínima. Seus olhos vibram, mas não os abre. Ela está ouvindo. — Mama? — Eu fungo e luto para respirar. — Está tudo bem, mamãe. Vou ficar bem. Vou sentir saudades todos os dias. Mas... você lutou tanto. Eu sei que você lutou. Sei o quanto você me ama e à papai. Vou cuidar dele, ok? Você... Você pode ir agora. Está tudo bem. Você não tem que lutar mais. ~ 42 ~


Isso é uma mentira: eu não vou cuidar de papai. Mas ela precisa da mentira, por isso eu digo a ela. Um soluço se liberta dos meus lábios. Eu descanso meu rosto em seu peito frágil, ouço o fraco thumpthump... thumpthump, de seu coração batendo. — Eu te amo, mamãe. Eu te amo. Papai te ama. — Eu ouço a batida fraca parecer mais fraca, mais lenta. Poucos segundos entre as batidas, depois quase um minuto. — Eu te amo. Adeus, mamãe. Vá estar com Deus. Essas palavras são a pior mentira. Eu não acredito nelas. Eu não acredito em Deus. Não mais. Alguém está chorando alto, e eu percebo que sou eu. Eu engasgo. Eu tenho que ser forte para Mama. O barulho fraco de seu coração, o peito sobe... desce. Uma lufada de pressão na minha mão, uma, duas, uma terceira vez, com força. Então, nada. Silêncio por debaixo da minha orelha. Quietude. Eu desligo o monitor. Ele pisca ‗sem sinal‘. Uma equipe de enfermeiros entra em rajadas, começando a corrida de reanimação. — PAREM! — Eu grito no topo dos meus pulmões. Eu nem sequer levanto da minha cadeira. — Apenas... parem. Ela se foi. Por favor... deixe-a descansar. Ela se foi. Papai está na porta, um copo de isopor branco com café na mão. Ele vê a comoção, vê a linha reta no monitor, vê as lágrimas em meu rosto, e ouve as minhas palavras. O copo escorrega de seus

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dedos e bate no chão. Escaldante café salpica para cima das pernas da calça jeans caras e sapatos de couro brilhantes. — Leanne? — Sua voz rachas na última sílaba. Estou brava com ele ainda. Mas ele é meu pai e esta é a sua esposa, e ele está perdido agora. — Ela se foi, papai. — eu digo. — Não. — Ele balança a cabeça, empurra os enfermeiros em uniformes vermelhos. — Não. Ela não... Leanne? Amor? Não. Não. Não. — Ele distribui beijos em sua testa, também em seus lábios silenciosos. Ela não beija volta, e ele desaba. Escorrega para o chão de linóleo, segurando as barras de metal da grade cama. Seus ombros demostram em um terremoto, mas ele permanece em silêncio enquanto chora. Sua dor é terrível de testemunhar. Como se algo dentro dele tivesse quebrado. Despedaçado. Cortado em pedaços pela faca de um Deus indiferente. — Por que Ele a deixou morrer, papai? — Eu não posso parar as palavras que escapam dos meus lábios. São palavras cruéis, porque eu sei que ele não tem uma resposta. Eu sempre soube a realidade: seu Deus é uma farsa . Ele está de joelhos ao lado da cama. Os enfermeiros estão em silêncio e respeitosamente assistem. Esta é a ala de oncologia, e já viram essa cena uma e outra vez. — Deus... meu Deus, por que me abandonaste? Eli eli lama

sabachthani? — Ele se afasta de mim, cobre o rosto com as mãos. ~ 44 ~


Sério? Ele está falando em aramaico agora? Ele está fazendo esse show piedoso para os enfermeiros? Ele está realmente sofrendo, eu percebo isso. Mas por que ele tem que agir no modo malditamente santo o tempo todo? Dirijo-me para longe dele. Eu me inclino para Mama e beijo sua bochecha. — Adeus, mamãe. Eu te amo. — sussurro as palavras baixo o suficiente para que ninguém possa ouvir. Eu saio do quarto. É o número 1176. Eu poderia fazer o caminho até os elevadores de olhos fechados agora: vire à direita da sala 1176, pelo longo corredor até o beco sem saída. Vire à esquerda. Outro corredor longo. Passe o posto de enfermagem, através das portas que se abrem em direções opostas, uma oposta a você e a outra em direção a você. Os elevadores estão no final desse corredor curto, com portas duplas cor prata. O botão acende-se de cor amarela pálida, as setas para cima e para baixo desfocadas por causa dos milhares de polegares pressionados contra eles. Não observo o elevador descer, ou quando saio do hospital, apenas tropeço para fora na luz solar. É um lindo dia. Há uma ausência de nuvens, apenas agora, céu azul infinito e um sol amarelo brilhante e ar fresco de outubro. Como pode ser um belo dia quando minha mãe morreu? Devia ser um dia horrível, negro. Em vez disso, é o tipo de dia que eu deveria estar passeando no centro de Sebring no conversível de Devin, ouvindo Guster. Eu me encontro com minhas mãos e joelhos na grama, cercada pelos carros estacionados. Eu estou chorando. Pensei que tinha chorado todas as minhas lágrimas, mas não. Nem perto disso. ~ 45 ~


Sinto a presença do papai na grama ao meu lado. Pela primeira vez em toda a minha vida, ele é algo real. Ele se senta na grama ao meu lado, sem se importar com a umidade de uma hora atrás. É de manhã cedo, logo após o amanhecer. Eu estive ao lado de sua cama por 48 horas, esperando. Eu não tinha me movido, nem uma vez. Não comi, não bebi, não fiz xixi. Mama... Mama está morta. Eu ignoro o meu pai e choro. Eventualmente, ele me levanta da grama, me leva para o carro, e me põe no banco de trás de seu BMW, onde eu me deito. O cheiro de couro enche meu nariz, picante e úmido de minhas roupas. Ele dirige lentamente, e eu o ouço fungar e bufar. Eu ouço o barulho suave de sua mão passando sobre a barba de uma semana enquanto ele enxuga seu rosto, limpando as lágrimas, abrindo espaço para a próxima onda de tristeza salgada e quente. Eu não posso respirar sobre os soluços, o peso bruto do luto. Mamãe está morta. Ela era a única pessoa que me entendia. Ela era a intercessora entre mim e papai. Quando ele não queria ouvir, era ela quem falava com ele para mim. Às vezes me pergunto se meu pai ainda gosta de mim. Quero dizer, ele é o meu pai, então eu sei que ele sente a emoção patriarcal de amor protetor, mas ele gosta de mim? Do jeito que eu sou? Será que ele me conhece? Ele já tentou me conhecer? E agora a única pessoa que me entendia está morta. Se foi para sempre. — Pare, por favor. — estou lutando para ficar sentada, arranhando no botão da janela, na porta trancada. — Eu vou vomitar.

~ 46 ~


Ele abranda o suficiente para que eu possa saltar para fora do carro ainda em movimento e caio no capim na beira da estrada. Vômito derrama de mim como uma inundação quente, queimando minha

garganta,

convulsionando

meu

estômago.

Meus

olhos

lacrimejam onda após onda jorradas através de mim, e meu nariz pinga. Papai não me ajuda, não segura meu cabelo. Ele só me olha do banco do motorista, o motor em marcha lenta. A canção de Michael W. Smith toca suavemente nos alto-falantes, flutuando para mim pela porta aberta. ―A Entrega‖. Eu odeio essa música. Eu sempre odiei essa música. Ele sabe que eu odeio essa música. Eu me ajoelho no cascalho e na grama, arfando. Eu olho por cima do ombro dele. A dor em seus olhos são como facas. Mas é a dor solitária. Ele está em seu próprio mundo. Assim como eu. Eu cuspo bile, limpo o rosto na minha manga, e chuto a porta traseira. Eu deslizo para o banco do passageiro da frente, prendo meu cinto de segurança no local, e em seguida, com raiva desligo o rádio. — Grey, eu estava ouvindo isso. — Eu odeio essa música. Você sabe que eu odeio essa música. Ele calmamente liga o CD player novamente e aperta o botão de pular a música. — É o meu carro. Vou ouvir o que quiser. — Ele não pulou a música, ao que parece. Ele a voltou. Ela está começando de novo. Mesmo em meio à dor, ele ainda tem que estar totalmente no controle.

~ 47 ~


O carro ainda está parado, então eu solto meu cinto e abro a porta. — Tudo bem. Então eu vou a pé. — São mais de 8km, Grey. Entra... Algo explode dentro de mim. Viro-me para ele e grunhindo, é animalesco, gutural, rosno sem palavras. — Vá se foder. — eu digo. Ele realmente suspira. — Grey Leanne Amundsen. Eu o ignoro e começo a andar. Um carro passa com um alto assobio e uma rajada de vento frio tardio. Ele sai e grita seus comandos. Em seguida, ele tenta me arrastar para o carro. Seu braço gira em torno da minha cintura, e ele me arrasta para a porta do passageiro. Eu piso no peito do seu pé, me livrando de suas garras, e então antes que eu sabia o que pretendo fazer, eu soco sua mandíbula. Meu punho aperta e se conecta com sua bochecha. Ele tropeça para trás, mais surpreso do que ferido. Minha mão dói. Eu não me importo. — Qual é o plano de Deus agora, papai? Por quê? Por que Ele deixou isso acontecer? Diga-me, pai! Fala! — Estou batendo meus punhos nele. Ele pega as minhas mãos nas dele. — Pare, Grey. Pare. PARE! Não sei! Eu não... eu não sei. Basta entrar no carro e vamos falar sobre isso. Eu baixo minhas mãos livres. —Eu não quero falar sobre isso. Apenas me deixe em paz. — Eu digo isso com calma. Muita calma. — Só... me deixe em paz.

~ 48 ~


E... ele deixa. Ele vai embora, deixando-me ao lado de uma estrada, a quilômetros de qualquer lugar. Naquele momento, eu o odeio. Eu não achei que ele me deixaria aqui. Outro soluço escapa de mim,

e

depois

outro,

e

depois

estou

chorando

novamente.

Quilômetros passam debaixo dos meus pés lentamente, muito lentamente. Eventualmente eu ligo para Devin, minha melhor amiga, e ela vem me pegar. Ela é minha melhor amiga, depois de mamãe. Que está morta. A realidade me bate mais uma vez. Eu deslizo no carro de Devin e caio para frente contra o painel. — Ela... Ela se foi, Devin. Ela morreu. Mama morreu. — Sinto muito, querida. Sinto muito, Grey. — Ela liga o rádio e se afasta do meu ombro, voltando para a rodovia para onde vivemos, ficando cada vez mais longe do Centro Médico da Georgia. Devin me deixa chorar por um longo tempo antes de falar. — Por que você estava andando na beira da estrada? — Devin tem o perfeito sotaque do sul. Ela o cultiva, eu acho. Estou sempre tentando soar menos como uma caipira da Georgia, mas o sotaque se insinua às vezes. — Eu entrei em uma briga com meu pai. Ele... ele sempre tem que estar no comando. Sabe? Sobre tudo, o tempo todo. Eu não aguento mais. Eu não posso. Tudo é da conta dele. Mesmo quando estávamos brigando, ele tinha que controlar o que eu fazia, o que eu dizia e o que eu sentia. — Eu fungo. — Eu... eu acho que o odeio, Dev. Eu realmente acho. Sei que ele é meu pai e eu deveria amá-lo, mas ele é... ele é um idiota. ~ 49 ~


— Eu não sei o que te dizer, Grey. Por tudo que você me conta, ele é mesmo uma espécie de idiota. — Ela olha por cima do ombro enquanto muda de faixa, e me lança um sorriso simpático. — Você quer ficar comigo por um tempo? Mamãe e papai não vão se importar. — Posso? — Vamos pegar as suas coisas. — Devin diz, tentando ser alegre. Papai está em sua sala de estudo com a porta fechada. O que me diz muito, papai nunca, nunca fecha a porta, a menos que ele esteja realmente chateado, ou profundamente em uma oração. Eu carrego um monte de roupas e os meus produtos de higiene pessoal em um saco, pego minha mochila que levo para as aulas de dança, meu estoque de dinheiro da gaveta da minha mesa. Eu olho em volta do meu quarto, e sinto como se fosse a última vez. Num impulso, eu pego o meu iPod da mesa, juntamente com o carregador do meu telefone. Eu volto para o meu armário e enfio todas as minhas roupas na mala, sutiãs, calcinhas, vestidos, saias, blusas, saltos, sandálias, tudo isso empurrado até que está tudo transbordando, e eu tenho que sentar-me sobre ela para obtê-la fechada. Eu tinha planejado embalar tudo mais cuidadosamente, mas por algum motivo, eu apenas sei. É isso. O fim. Olho para os cartazes de vários bailarinos em minhas paredes, os playbills Broadway da viagem que fiz aos dezesseis com mamãe para Nova York... tudo parece juvenil. O quarto de uma criança. Uma garotinha. Há até uma prateleira em um canto cheia de bonecas da minha infância, todas vestidas e sentadas em uma fileira. ~ 50 ~


Um último olhar. Minha foto emoldurada de mamãe e eu na Times Square vai na minha bolsa. Ela parecia tão feliz lá, e assim eu também. Essa viagem é o que inspirou o meu amor pela dança. Meu saco de dança está pendurado no meu ombro enquanto eu puxo a mala pelas escadas. As rodas fazem baques passo a passo até que eu esteja no patamar. A porta da frente está diante de mim e as portas francesas fechadas do estudo de papai à minha esquerda. Uma delas se abre e papai enche o espaço, com os olhos avermelhados, rosto desfigurado. — Onde você está indo, Grey? — Sua voz é rouca. — Devin. — Eu ergo a carta de aceitação para USC, o envelope onde explica onde é o meu dormitório, informações sobre minha colega de quarto, check-in. — E depois LA. Estou indo para a faculdade na próxima semana. — Não, você não está. Nós somos uma família. Precisamos ficar juntos durante este momento difícil. — Ele tenta dar um passo mais perto de mim, e eu recuo. — Sua mãe acaba de morrer, Grey. Você não pode sair agora. Eu dou uma risada incrédula. — Eu sei que ela morreu. Eu estava lá! Eu a vi morrer. Tenho que ir, tenho que sair daqui. Eu não posso ficar aqui. Não pertenço a este lugar. — Grey. Você é minha filha. Eu te amo. Por favor... Não vá. — Seus olhos estão molhados. Vê-lo chorar dói, mas não muda o fato de que eu o odeio.

~ 51 ~


— Se você me ama tanto, por que me deixou na rodovia sozinha? — Eu sei que não é justo, mas não me importo. — Você se recusou a entrar no carro! O que eu deveria fazer? Você me deu um soco! — Ele cai para o lado contra a porta fechada, descansando a cabeça na madeira. Uma lágrima desliza para baixo de sua bochecha. — Ela era minha esposa, Grey. Estive com ela desde que eu tinha dezessete anos. Perdi a minha esposa. Eu jogo a cabeça para trás, tentando não chorar. — Eu sei, papai. Eu entendo. — Então fique. Por favor, fique. — Eu... não posso. Simplesmente não posso. — Eu seguro a alça da minha bolsa roxa com estampas Vera Bradley em minhas mãos e torço. — Por que não? Eu balanço minha cabeça. — Eu simplesmente não posso. Você não me entende. Você não sabe nada sobre mim. Sei que ela era sua esposa, e eu sei que você está sofrendo tanto quanto eu. Mas... sem ela, eu não sei o que fazer. Era ela que fazia esta família funcionar. Sem ela... nós somos apenas duas pessoas que não se conhecem. Ele parece tão confuso. — Mas... Grey... você é minha filha. Claro que eu te conheço. — Então por que eu gosto de dançar? Ele parece intrigado com a pergunta. — Porque você é uma menina. Meninas gostam de dançar. É apenas uma fase.

~ 52 ~


Eu tenho que rir em voz alta. — Deus, papai. Você é um idiota. Porque eu sou uma garota. Sério? — Eu gemo em desgosto e coloco meu saco de dança de volta no meu ombro. — Isso é exatamente o que quero dizer. Você não conhece nada sobre mim. Eu sou exatamente como mamãe costumava ser antes de casar com você. Você sabe disso. E é isso que te incomoda sobre mim. Ela era uma dançarina, livre, então ela se casou com você e mudou por você e eu não vou fazer isso. Essa foi a escolha dela, e tudo bem. Ela é quem quis. Mas não é a minha escolha. Eu não quero ser a esposa de um pastor, pai. Eu não quero ir para a reunião de oração toda quartafeira, dois cultos nas manhãs de domingo e pequenos grupos às segundas-feiras e estudo da Bíblia das mulheres às quintas-feiras. Essa não é a minha vida. Eu nem mesmo gosto de ir à igreja. Nunca gostei. — Eu respiro e então solto a verdadeira bomba: — Eu não acredito em Deus. Os lábios de papai caem em horror. — Grey, você não sabe o que está dizendo. Você está chateada. É compreensível, mas você não pode dizer essas coisas. Eu quero gritar em frustração. — Papai, sim, eu estou chateada, mas eu sei exatamente o que estou dizendo. Isso é uma coisa que eu queria dizer há anos. Só não disse antes porque não queria aborrecer a mamãe. Eu não quero brigar. Sou basicamente uma adulta agora, e eu... eu não tenho mais nada a perder. — Grey, você tem dezoito anos. Você acha que você é adulta, mas não é. Você nunca trabalhou um dia em sua vida. Suas roupas, suas

manicures,

as

aulas

de

dança,

tudo,

tudo

pago

pela

generosidade da congregação... A igreja que eu construí sozinho. ~ 53 ~


Comecei com seis pessoas na parte de trás de um restaurante em 1975. Você não duraria um dia por conta própria. Coisa errada a dizer. — Vamos ver se não. — Eu pego minha mala e estendo o punho, puxo a mala sobre suas rodas, grunhindo como o peso que quase me tomba. Papai se move em frente da porta. — Você não está indo embora, Grey. — Saia do caminho, papai. — Não. — Ele cruza os braços sobre o peito. Ponho a mala na posição vertical e esfrego a testa com as costas de meu pulso. — Apenas me deixe ir. — Não. — Ele parece inchar, tomando força para me desafiar. — Você não está indo para a Babilônia. Los Angeles é a casa de... de... prostitutas e homossexuais. Você não vai lá. Você não está indo embora. — Papai, seja razoável. — Eu tento o método de persuasão. — Por favor. Você sabe que eu queria isso antes de Mama ficar doente. — Você não vai e ponto final. Eu grito em seguida, um uivo furioso. — Deus. Você é um filho da puta teimoso! — Eu quero chocá-lo com a minha vulgaridade, eu não gosto de palavrões, mas quero fazê-lo ficar com raiva. — Basta sair do meu caminho!

~ 54 ~


Eu o empurro e ele se move. Eu sou uma garota alta, forte por causa da dança. Ele tropeça para o lado e eu escancaro a porta com tanta força que ela bate na parede, quebra o gesso e derruba um retrato de mamãe e papai quando eles eram jovens, antes de mim. Ele pega o quadro da porta da frente aberta, e o aperta contra ele. — Grey... por favor. Não me deixe. Eu quero amá-lo. Eu quero que ele seja o pai que eu preciso, o tipo que me abraça e me segura. O tipo que me conforta. Minha mãe, sua esposa, está morta. Nós dois perdemos. Mas em vez de nos unir, isto nos quebra. Devin está lá horrorizada, do lado de fora da porta. Ela pega a minha mala e corre para o carro, ergue a mala preta pesada e a põe no carro. Sigo atrás dela, parando quando estou na porta aberta, entro e olho de volta para o meu pai sobre o tecido azul do teto conversível. Ele fica na porta, parecendo perdido. Eu quase volto. Quase. — Adeus, papai. — É a última tentativa. Ele dá um passo em minha direção, endurecendo seus olhos. — Grey, por favor. Não nos quebre assim. Não faça isso com a gente. — Como você pode virar o jogo para mim desse jeito? Eu não estou indo embora para sempre. Estou indo para a faculdade, papai. Eu... Eu só estou fazendo o que é certo para mim. Por favor, tente entender. — Se você deixar esta casa, você já fez a sua escolha. Se você sair, você vai deliberadamente escolher o pecado.

~ 55 ~


— Não é pecado! É a minha vida. Por que você não pode ser razoável? Ele cerra os punhos, endireita as costas. — Eu estou sendo razoável. Volte e vamos discutir as suas opções. — Tenho que ir, pai. Eu tenho. — volto, fico na frente dele. — Eu te amo. Sei... eu sei que temos nossas diferenças, mas... Eu te amo. — Você vai ficar, então? — Ele pega a minha mão, a dureza em seu olhar suavizando ligeiramente. Puxo minha mão. — Não. Eu tenho que ir. — Então, você já fez a sua escolha. Adeus, Grey. — Ele se afasta de mim e fecha a porta sem olhar para trás. E assim, eu estou sozinha no mundo.

~ 56 ~


04 Eu vou para o funeral. Claro que sim. Devin me leva. Ela segura minha mão, envolve seu minúsculo braço em volta da minha cintura, e me segura quando baixam o caixão no chão. Durante a celebração me sento com Devin, longe do meu pai. Ele não olha para mim. Nem uma vez. Ele parece tão forte, como se ele fosse um dos pilares da fé divina e perfeita. Eu o odeio. Eu choro novamente. Pensei que eu ia perder todas as minhas lágrimas, mas elas nunca param de sair. Eu puxo minha câmera flip da minha bolsa e filmo a primeira pá de terra atingir o topo em madeira de carvalho do caixão de Mama. Pessoas engasgam com minha ousadia. Eu não me importo. É a última cena de seu filme, a gravação final da vida de Leanne Beth Amundsen. Quando tudo acabou, eu me agarro ao braço de Devin e tento respirar enquanto nós escolhemos o nosso caminho cuidadosamente através da grama e entre as lápides. Meus saltos fincam no chão molhado de uma chuva recente. — Grey, espere! — Eu ouço a voz do meu pai. ~ 57 ~


Eu paro e viro. Concordo com a cabeça para Dev, assim ela continua até seu carro. Eu espero por papai correr até mim. Ele está lutando contra as lágrimas enquanto para a minha frente. Ele limpa o rosto com a palma da mão. — Eu odeio a maneira como as coisas estão. Você é tudo que me resta. Seus pais morreram quando eu tinha nove anos, e os pais de Mama morreram antes de eu nascer. Ele é tudo que eu tenho também. — Eu odeio a maneira como as coisas estão também, papai. — Então você vai ficar? — Ele soa tão esperançoso. Eu rio/choro. — Não, eu não vou ficar. Eu poderia ficar se você pudesse me aceitar como eu sou. Apoiar as minhas decisões, mesmo que você não concorde com elas. — Você realmente vai se mudar para Los Angeles, eu querendo ou não? — Sim, papai. Estou indo para Los Angeles, não importa o quê. Você é o meu pai, e eu quero te amar. Eu quero ter um relacionamento com você. Mas se você não consegue entender que eu vou viver a minha vida do meu jeito, por que se preocupar? Você nunca me entendeu e nunca quis tentar. Você nunca aprovou qualquer coisa que eu faça, qualquer coisa que eu gosto. Você não entende por que eu danço. Você não entende por que eu quero fazer filmes. E o pior é que você não tenta entender. — Eu mudo minha bolsa no meu ombro e encontro seus olhos, suplicando-lhe uma última vez.

~ 58 ~


Ele só olha para mim. — Grey, não podemos nos comprometer um pouco? — Nos comprometer como? Quer que eu desista da escola de cinema para fazer você feliz? Ele revira os ombros em dá um meio-encolher de ombros. — Bem... não desistir do que você quer, apenas me encontrar no meio. — Não há meio-termo nisso, papai. Vou, de uma maneira ou de outra. Não termos uma relação quando eu for, é com você. Nosso relacionamento é com você. Seus olhos endurecem, e mexe as mãos no bolso. — Tudo bem, então. Seja um pródigo. Eu rio. — Deus, você é tão dramático. Eu não sou um filho pródigo, eu estou fazendo o que é certo para mim. Você simplesmente não pode aceitar isso. — Eu endireito as costas e endureço meu coração. — Adeus, papai. — Adeus, Grey. Nenhum de nós diz ‗Eu te amo‘. Não há abraços. Esperava que ele mudasse de ideia. Ele não faz. Eu me viro então, entro no carro de Devin, no banco passageiro. Devin pergunta: — Você está... — Estou bem. — aperto meu queixo para não chorar de novo. — Bem, isso é uma besteira, mas se isso te ajuda. — Devin olha para mim, os olhos preocupados.

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— Ele não... ele só não consegue perder o controle. Nunca vai conseguir. — esfrego os olhos com as palmas das minhas mãos, tentando afastar a ardência. — Ele não vai aceitar o que eu quero fazer, e eu não vou deixá-lo ditar minha vida. As lágrimas vêm em seguida. Eu não posso segurar. Apenas algumas escorrem, e eu não me incomodo de limpar. Eu não me importo se minha maquiagem está borrando. — E agora? — Devin pergunta. Eu dou de ombros. — Agora? Eu vou para L.A. — Sozinha? Concordo com a cabeça. — Eu acho que sim. O resto da viagem para a casa de Devin é tranquila. Ela não sabe o que dizer, e nem eu.

***

Devin me leva até o portão de segurança no aeroporto. Tudo o que tenho se encaixa em uma mala e uma mochila, que foram verificadas por dentro. Eu voei apenas uma vez antes, há dois anos, para a minha doce viagem de dezesseis para Nova York com Mama. Ela me ajudou com o processo. Eu abraço Devin, digo-lhe adeus. Estou sozinha agora. Viro-me e aceno uma última vez para Devin, e depois me concentro na segurança. Um homem mais velho com óculos de lentes ~ 60 ~


grossas está sentado em uma mesa, a camisa do uniforme azul brilhante. Na minha mão eu tenho o cartão de embarque impresso pelo pai de Devin para mim. — Carteira de motorista? — ele diz, sem olhar para mim. Eu vasculho minha bolsa, encontro a minha licença, e a mostro para ele. Ele olha para mim, para a identidade, rabisca algo no meu cartão de embarque, e , em seguida, me manda seguir. Ao meu redor , as pessoas parecem saber o que estão fazendo. Eu não. Eu assisto a mulher antes de mim sair de seus saltos, puxar um laptop preto grosso de sua bagagem de mão e colocar isso em um recipiente branco. Em outro recepiente separado passa a bolsa, carteira, cartão de embarque, e sapatos. Eu sigo o exemplo dela, saindo de minhas sapatilhas de dança e as coloco em um recipiente com meus outros pertences. Eu espero a minha vez de entrar em uma coisa que se parece com algo de Star Trek, uma parede girando em uma caixa de vidro circular. Disseram-me para levantar os braços acima da minha cabeça, e a máquina girou em torno de mim . E se eles quiserem me revistar? Eu não tenho nada a esconder, mas eu estou ansiosa mesmo assim. Eles me passam sem um segundo olhar, e eu recupero minhas coisas. Todo o processo parece... embaraçoso, estranhamente íntimo. Empresários de terno caminham vestindo meias, as mulheres com os pés descalços, fazendo malabarismo com seus pertences e tentam juntar suas coisas, e ao mesmo tempo, homens e as mulheres com uniformes da Segurança os assistem apaticamente, gritando instruções e olhando para todos.

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Acho meu portão de embarque depois de passar por livrarias, lojas duty-free, restaurantes e grupos de viajantes com mochilas e fones de ouvido, rolando a bagagem de mão com os punhos estendidos. Todo mundo está com outra pessoa. Eu vejo um outro viajante solitário no meu portão, um homem na casa dos trinta, com um cavanhaque cuidadosamente aparado e uma maleta de aparência cara. Ele tem três telefones celulares em seu cinto e o casaco do terno caído sobre seu braço, e está lendo um New York Times precisamente dobrado. Ele olha para mim, mas logo me ignora. Ninguém mais parece me ver. Eu nunca na minha vida me senti tão sozinha. Eu tenho o meu iPod e uma cópia Breath, Eyes, Memory que Devin me deu. Eu não sei por que ela pensou que eu precisava deste livro, mas é algo para passar o tempo. Para a hora que eu espero, deixo de lado minha vida e perco-me na luta de outras pessoas. O vôo é longo e chato. Eu termino o livro no meio do vôo e então eu estou presa sem nada para fazer, mas escuto meu iPod em ―repeat‖. Eu folheio um catálogo SkyMall. O pouso é áspero e com solavancos, e estou no enorme e confuso aeroporto de LA. Ainda sinto como se fosse um sonho, como se eu pudesse acordar em minha cama, em casa, e mamãe estaria lá, viva, e ela me faria o almoço. Por fim, acho a sala para pegar bagagem e espero por minhas malas. Há um novo rasgo do lado da minha mochila. Eu sigo as indicações para a saída, e quando as portas de vidro se abrem, sou recebida por uma onda de calor seco. De repente, tudo parece mais real. Eu tenho quatrocentos dólares em minha bolsa, metade disso é meu, que guardei da minha mesada. O resto é um

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presente dos pais de Devin. É tudo o que tenho. Quatrocentos dólares. Uma corrida de táxi do aeroporto LAX para USC custa $ 40, e eu fico com $ 360 dólares. Eu não comi desde que deixei a casa de Devin, então meu estômago ronca. Estou muito nervosa e com medo de comer. O motorista de táxi é um grande e corpulento homem negro, silencioso, com dreadlocks finos pendurados nos ombros. Ele não diz uma palavra. Quando chegamos a USC, ele simplesmente aponta para o medidor de tarifa e aguarda. Eu pago, me desfazendo do dinheiro com relutância. A USC é enorme. Eu sigo as outras pessoas de aparência jovem da minha idade, alguns igualmente tão assustados. A maioria deles tem suas mães ou pais com eles, alguns tem ambos. Ninguém me percebe. Eu sigo a multidão para um escritório cheio de pessoas. Há uma orientação, uma visita ao campus. Os mapas são entregues junto com dia-planejado. Meu quarto é uma coisinha pequena com um beliche de um lado, um pequeno armário, e uma pequena mesa de computador, que eu suponho que pertence a minha companheira de quarto. É tudo branco, e há uma janela fina em um canto com cortinas brancas sujas inclinadas para um lado, deixando entrar um brilho opaco de fora. Minha companheira de quarto já está lá, sentada na cama de baixo, folheando uma edição da revista Vanity Fair. Ela é alguns centímetros mais baixa do que eu, vários tamanhos menores, e linda. Sua maquiagem está perfeita. Seu cabelo loiro platinado é elegante e polido e perfeitamente penteado em um toque francês. Suas roupas são caras, e perfeitas. Suas unhas são bem cuidadas, e uma bolsa Dooney & Burke está na cama perto dela, um iPhone espreita para

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fora. Ela sorri para mim, olha em minha roupa, sem marca, saia na altura do joelho, uma modesta T-shirt com decote em V, e sapatilhas de dança muito desgastados. Seu sorriso ofusca um pouco. Ela está claramente impressionada. — Então, você é uma atriz? — Ela pergunta. Ela soa como uma das garotinhas ricas da versão cinematográfica de ―The Valley‖. — Não. Eu estou indo para a produção. — Oh, tipo aquelas pessoas por trás das câmeras? — Ela exala desdém quando diz isso. — Sim, eu acho. — Você é do Sul. — ressalta. — Sim. Eu sou de Macon. — É no Alabama? Eu fico olhando para ela, e eu me pergunto se ela está brincando. — Não, é na Georgia. — Oh. Eu sou Lizzie Davis. — Ela não oferece um aperto de mão. — Grey Amundsen. — Grey1. Assim como a cor? — Sim, bem... exceto que é escrito com um 'e '. G- R- E- Y. — Oh. Como em Cinquenta tons2.

1

Gray é cinza em inglês. Grey e Gray têm a mesma pronúncia.

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Eu dou de ombros, não querendo admitir que eu não sei do que ela está falando. Ela sorri hipocritamente e volta a dedilhar seu violão. Seu telefone toca, e ela baixa o violão de lado, cruzando as pernas e tocando seu telefone. Isso acontece o tempo todo que eu estou desfazendo minha mala. Eu não tenho cartazes, nem nenhuma decoração, exceto a fotografia de Mama e eu em Nova Iorque. Eu não tenho um laptop ou um telefone. Eu vejo um laptop sobre a mesa de Lizzie, um grande MacBook prata. Quando eu estou desarrumando, me sinto perdida. Lizzie ainda está mandando mensagens de texto ou o que quer que ela esteja fazendo. São quatro horas da tarde de quarta-feira, e as aulas não começam até sexta-feira, e depois temos o fim de semana antes do semestre começar realmente. Subo a escada, em seguida, deito de lado e olho para a parede, sentindo falta da minha mãe. Ela me diria para parar de ficar deprimida e encontrar algo para fazer. Explorar a cidade, dançar. Fazer um filme. Em vez disso, eu deito na cama de cima e me pergunto se eu cometi um erro vindo aqui.

2

Nome original do livro é Fifty Shades of Grey, em que o personagem masculino principal se chama Christian Grey.

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05 O ronco do meu estômago é uma constante ao longo do ano seguinte. O valor da minha bolsa para viver é minúsculo, apenas o suficiente para as refeições na cafeteria, que geralmente são horríveis e distantes umas das outras. Minhas aulas ocupam a maior parte do meu dia de manhã à noite, e muitas vezes eu só tenho tempo para um bagel de manhã e algo rápido e desagradável à noite. Eu tiro boas notas, um 4,0 para o primeiro semestre, 3,9 para o segundo. Eu estudo cinema, e eu danço. Meu refúgio, meu santuário longe de tudo, é uma sala silenciosa no andar de cima de uma das minhas salas de aula. Eu nunca vi ninguém ali, já que o piso é principalmente de escritórios da faculdade. O cômodo é grande o suficiente para os meus propósitos, e vazio, exceto por um armário solitário em um canto, para que eu possa dançar livremente. Há uma janela que deixa entrar a luz do dia, e uma tomada perto do chão onde eu posso ligar o meu auto-falante portátil para iPod. Eu me retiro para lá entre as aulas, mantendo a música baixa e a porta trancada. Acho uma música que me bate no lugar onde mora o movimento, e eu me deixo ir. Só me movo, apenas deixo meu corpo ~ 66 ~


fluir. Não há nenhuma coreografia, sem regras, sem expectativas, sem fome ou horários ou lição de casa ou solidão. Apenas a extensão, o salto, o giro, a pirueta e o poder das minhas pernas, a tensão no meu núcleo. Eu posso ser totalmente eu ali. Meu primeiro ano vai bem. Eu tirei um monte de cursos com pré-requisito para fora do caminho, o Inglês e a química e dois semestres de língua estrangeira. Meu segundo ano começa com os meus primeiros cursos de nível médio e algumas aulas de produção cinematográfica introdutórias. A falta de fundos significa que raramente deixo o campus. Eu passo meus dias na aula, tomando notas, ou no meu quarto fazendo lição de casa. Lizzie está desaparecida na maioria das vezes, sempre voltando a qualquer hora, cheirando a álcool. Ela me convidou para uma festa uma vez, mas eu recusei. Eu não estou interessada. Meu pai nunca entra em contato. Meu vigésimo aniversário passa despercebido. Eu gasto-o escrevendo um ensaio para Metropolis sobre o uso de ângulos de câmera e comprimento de tiro. Eu não estou fazendo amigos. Eu não saberia como fazer isso. A única coisa que me mantém sã durante todo este processo é a escola. Para a maioria das pessoas, a faculdade é trabalho. É algo que tem que percorrer para seguir com as suas vidas, para mim, esta é a minha vida. Para mim, não é apenas participar de palestras e escrever redações, é sobre a aprendizagem de um ofício, uma profissão. Estou absorvendo tudo o que posso sobre filmes, sobre o processo de formar de uma ideia através de algumas notas rabiscadas em um bloco de notas para um filme em uma tela grande. Eu assisto ~ 67 ~


filmes a cada momento livre, e disseco-os. Eu levo minha câmera flip em todos os lugares que vou, fazendo curtas-metragens sobre tudo e qualquer coisa. A maioria dessas peças são vinhetas, fatias apenas momentâneas de vida com música. Elas são tanto expressivas para mim quanto a dança. Eu estou no meio do meu segundo ano, quando sou convocada ao escritório de ajuda financeira. Isso vem por meio de uma carta escrita em linguagem vaga dizendo que há um problema com o meu status. Ou algo assim. Eu mal leio. Eu me dirijo para o escritório com piso cinza, telha e pilares cinza e pufes de couro vermelho em cubículs de escritórios parciais. Depois de trinta minutos de espera, eu sou convocada por uma mulher de trinta e poucos anos com a pele jambo e cabelo preto curto, pixaim. — Olá, Grey. Estou Anya Miller. — Olá, Sra. Miller. Recebi um aviso deste escritório sobre o meu problema financeiro. — Me chame de Anya, por favor. — Ela pega meu cartão de identificação do aluno e traz o meu arquivo, lê-o com uma expressão cada vez mais branca, o tipo de olhar que diz que tem notícias que não vou gostar. — Bem, Grey. Suas bolsas foram cobrindo quase toda a sua matrícula e os custos de livros, bem como alojamento e alimentação. Infelizmente, você já usou a maior parte dos fundos da bolsa. Você tem o suficiente para terminar este ano, totalmente coberto. Ou você pode esticá-la e ele vai cobrir algumas de suas mensalidades,

mas

não

todas.

Você

está

listada

como

um

independente, o que significa que você é capaz de sustentar a si mesma. Se você fosse listada como um dependente de seus pais e seu ~ 68 ~


rendimento fosse baixo o suficiente, você se qualificaria para uma ajuda financeira. Mas já que você é uma independente, você pode trabalhar para se sustentar. — Como pode simplesmente ter esgotado? Eu pensei que era um empréstimo? Tipo, apenas continuaria acumulando? Quero dizer... o que eu devo fazer? Anya só me dá um olhar simpático que diz que ela não tem muitas respostas. — Foi uma concessão, e foi uma quantidade finita de dinheiro. Isto deveria ter sido explicado a você. Você pode se qualificar para um programa de estudo e trabalho, mas a feira de emprego foi realizada há uma semana, e as posições estão todas cheias, receio. Quanto a ficar no campus? A maioria dos estudantes em sua posição acaba encontrando um emprego de algum tipo para pagar as coisas. — Ela diz isso como se isso devesse ser muito óbvio. Acho que isso foi explicado para mim, ou para mamãe, mas eu estava tão absorvida pela luta de Mama com câncer que eu não prestei muita atenção. E eu acho que deveria ter sido óbvio, mas nunca tive um emprego antes. Não tenho ideia de como fazer para encontrar um. Eu distraidamente agradeço Anya Miller e deixo o escritório de ajuda financeira em transe. Passei o resto do meu tempo entre as aulas pedindo trabalho pelo campus, mas não há vagas. Mesmo as lavanderias estão totalmente completas. Eu recebo uma carta oficial da universidade demonstrando quanto dinheiro da bolsa que me resta, que define a taxa de matrícula exata, e quanto eu vou ter que pagar a cada semestre, se eu usar a minha bolsa para pagar a metade. É uma quantidade extraordinária de dinheiro. Eu tenho trinta dólares em meu nome. ~ 69 ~


Eu começo a preencher fichas após fichas para restaurantes e bares nas proximidades, lojas e lojas e boutiques, e ninguém está contratando. A semana passa, e depois duas. Pego um mapa das rotas de ônibus de Los Angeles e começo a preencher as fichas cada vez mais longe da universidade. Talvez eu não esteja respondendo corretamente as perguntas, ou talvez todos os trabalhos realmente estão cheios, mas eu tenho zero de sorte. Eu acho que tem uma chance de um emprego em um bar, mas então o gerente conduz a entrevista e descobre que eu não tenho nenhuma experiência. O semestre está se encerrando. Se eu não conseguir um emprego em breve, não vou ter onde morar, e minha razão de estar em L.A. – minha graduação em cinema – não vai acontecer. Eu pego a linha de ônibus cada vez mais longe, pedindo em qualquer lugar e em todos os lugares, se eles estão contratando. Ninguém está. E então eu vejo uma placa de ―ESTAMOS CONTRATANDO!‖. Meu estômago afunda quando vejo o nome do estabelecimento: Exotic Nights - Clube para Homens. O anúncio diz: ―Contratação de dançarinas exóticas. Informe-se aqui para mais detalhes‖. Posso ser a ingênua filha de pastor e uma caipira de Macon, Georgia, mas eu sei o que um clube de homens é, e o que significa dança exótica. Eu continuo andando de ônibus. Eu paro em um drive-tru de tacos e pergunto sobre empregos, sem sorte. Eu até encontro um

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estúdio de dança, faço um teste e pergunto sobre trabalhar lá, mas o proprietário apenas ri. Semanas passam. O final do semestre se aproxima. O anúncio da contratação me assombra. Eu sonho com isso. É um trabalho. É renda. É a capacidade de permanecer no campus. Mas... é um clube de homens. Um bar de strip. Isso significa tirar a roupa em troca de dinheiro. Eu fico mal do estômago só de pensar nisso. Eu nunca usei um biquíni antes. Ninguém viu o meu corpo nu desde que comecei a tomar banho sozinha, com a idade de nove anos. Eu não posso. Eu simplesmente não posso. Posso? Eu não posso pedir dinheiro ao papai. Eu não posso voltar para a Georgia. Eu não durmo, não como. Eu perdi aula, e fui mal em um teste. Eu recebo um comunicado que o meu financiamento do dormitório acabou. Uma semana depois, recebo a carta reiterando o quanto que eu vou ter que pagar de taxa de matrícula para o próximo semestre, assumindo uma carga horária em tempo integral de pelo menos 12 horas de crédito. Os livros são extras. Eu choro sozinha até dormir à noite. Coloco moedas em um surrado telefone público grafite e disco o número de Papai, ouço tocar uma vez, duas vezes. Eu desligo antes de tocar pela terceira vez.

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Em seguida, um descanso. Eu consigo um emprego como recepcionista de um restaurante italiano. É um trabalho. Eu fico tempo suficiente para puxar dois contracheques cheios, e isso é o suficiente para me fazer perceber que recepcionista não chega nem perto de pagar taxa de matrícula. Peço-lhes para me dar mais horas, deixe-me atender mesas, qualquer coisa, mas o gerente me barra, apontando a minha falta de experiência. Em poucos meses, eu poderia ser capaz de começar a atender mesas, mas ainda não. Não é o suficiente. Eu não tenho meses, eu preciso de renda agora. Eu mantenho a recepção, e continuo procurando por algo melhor remunerado. Uma e outra vez o clube dos homens está em meus pensamentos. Eu sei o suficiente para saber que eu ia fazer um bom dinheiro. Finalmente, o semestre acaba e eu tenho duas semanas para chegar à sala de aula, e entrar. É uma quantidade impressionante de dinheiro. Milhares e milhares de dólares. Hora de decidir. Eu pego minha bolsa, enterro a náusea e entro no ônibus. É um dos novos vermelhos de aparência futurista. Eu uso os meus fones de ouvido, e eu estou ouvindo Macklemore, ―Ten Thousand Hours‖, uma canção que me deparei on-line por acidente. Eu balanço minha cabeça com a batida e me concentro nas palavras, o fluxo apaixonado de seu ritmo e a beleza das letras. Eu tento não pensar sobre o que eu estou prestes a fazer.

~ 72 ~


Estou

quase

bem

sucedida

em

fingir

que

estou

me

candidatando para qualquer outro trabalho. Mas, em seguida, o ônibus ronca em uma parada e eu saio, entrando no calor escaldante. Meus sapatos altos Mary Jane fazem barulho na calçada rachada, e eu sigo os três quarteirões até a porta do clube. É um prédio baixo de tijolos vermelhos com um toldo branco desbotado. O nome escrito através das janelas escurecidas em tubos de néon amarelo: Exotic Nights Club, e ao lado, está o aviso de contratação. Não há nenhum número de telefone listado, sem endereço, sem aviso prévio de horas de funcionamento. Apenas uma única porta, através da qual é visível um pequeno corredor / hall de entrada. É plena luz do dia, e o pequeno estacionamento na esquerda está vazio, exceto por um único carro, um branco do início da década de noventa, o teto aberto. Minhas mãos tremem enquanto eu agarro o metal aquecido pelo sol da maçaneta da porta. Eu sinto gosto de bile, mas forço-a para baixo. Não há nenhum sinal sonoro quando a porta se abre. O corredor, com quase o comprimento de dez passos, termina em outra porta, esta de madeira preta básica com uma maçaneta de latão redonda, que range quando eu giro-a. Eu mal posso respirar, dou o primeiro passo para o clube, para o primeiro e único bar que eu já estive dentro. As luzes estão todas acesas, iluminando cinquenta ou mais mesas pretas redondas e pequenas, agrupadas em torno de um palco semi-circular. Um poste de metal prateado se estende do palco para o teto, e um banco de luzes, atualmente desligado, no centro do palco. Um bar fica na extensão de um lado do clube, e há cabines ao longo da outra parede, couro vermelho rachado e brega com suportes de guardanapos de metal e saleiro e porta pimenta.

~ 73 ~


Um homem está sentado no bar, em frente a ele um copo curto cheio de líquido âmbar e gelo, apesar do fato de ser quase três horas da tarde. Ele é baixo, mesmo sentado, e tem cabelo preto penteado para trás, ao estilo mafioso de filme. Ele está vestindo uma camisa havaiana

de

abotoar

incrivelmente

brilhante

e

calças

pretas

apertadas. Ele me ouve entrar e se vira para mim, falando um superficial, — Estamos fechados... — Mas depois ele me vê e interrompe, se levantando. Meus olhos são atraídos para os sapatos de pele de cobra com bico fino, e então a barriga saliente visível sob a camisa e, em seguida, os anéis de ouro em seis de seus dez dedos. Ele tem um ar desalinhado, barbicha rala, um rosto redondo e olhos castanhos rápidos. — Bem, hey, querida. Que posso fazer por você? — Sua voz é estridente, mas suave e sugestiva. Seu olhar viaja descaradamente do meu rosto até meus seios, demorando-se ali por um longo tempo, e, em seguida, movendo-se para os meus quadris e retornando. Estou vestida como eu normalmente me visto, em um par de jeans ajustados, mas não colados e uma blusa sem mangas verde com botões baixos. Minha voz não funciona. Eu não posso fazer as palavras saírem. Eu respiro fundo e forço-as. — Eu vi o anúncio... e eu, eu preciso de um emprego. — O sotaque sulista na minha voz nunca foi mais evidente.

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O homem vem à frente e aperta minha mão. Sua palma é úmida, os dedos grossos e seu aperto fraco. — Sou Timothy van Dutton. Eu sou o gerente. Porque você não vem sentar aqui? — Ele dá um tapinha nas costas da cadeira giratória ao lado dele. — Posso pegar algo para beber? — Só um pouco de água gelada, por favor. — Tento suavizar o sotaque, mas não funciona. Estou muito nervosa. Ele anda ao redor do bar, escava um pouco de gelo em um copo e aciona o jato de água em uma pistola de soda, em seguida, desliza ao longo do bar para mim antes de voltar ao redor e tomar sua cadeira mais uma vez. — Então. Qual é o seu nome? — Grey. Grey Amundsen. — Grey. Esse é um nome bonito. — Obrigado. — Então, Grey Amundsen. Você está aqui para o trabalho? Concordo com a cabeça. — Sim. Eu... eu estou na USC, e eu... Eu preciso de um emprego. Ele esfrega o bigode sobre o lábio superior e queixo, examinando meu corpo mais uma vez. — Alguma vez você já dançou? — Se eu dancei? Pensei... Eu pensei que este era um... você sabe. Um clube de strip. — sussurro as duas últimas palavras, apenas capaz de fazê-las sairem. Timothy ri. — A maioria das minhas meninas prefere o termo 'dançarina exótica'. Então, eu provavelmente posso seguramente assumir que ~ 75 ~


você nunca dançou antes. — Eu realmente preciso deste emprego, então é melhor eu fazer algum esforço para consegui-lo. Tenho que fazê-lo pensar que eu posso fazer, mesmo que eu não esteja de todo certa de que posso. — Eu sou dançarina. Fui treinada em ballet, jazz e dança contemporânea. Então... Sou dançarina. Eu só... Nunca dancei assim antes. — mostro o palco, o mastro. — Entendo. Então, por que você iria querer fazer isso? Não é para todos. Leva... um certo tipo de habilidade. Você não pode simplesmente chegar lá e tirar suas roupas. Não funciona assim. Você tem que fazê-los querer você. — Os olhos de Tim realmente não deixam meus seios todo o tempo que ele está falando comigo. Eu ignoro. — Eu sei como fazer. Já fiz vários recitais antes. Então... eu sei como fazer. Ele ri. — Este é um tipo totalmente diferente de performance, querida. Agora, não me leve a mal, mas parece que você está a ponto de se chatear. Então, por que não ser honesta comigo? — Eu realmente preciso deste emprego. — fico olhando para o mastro pegajoso, recusando-me a encontrar os olhos de Timothy Van Dutton. — Pode não ter sido a minha primeira escolha de emprego, mas... Eu vou aprender. Timothy não respondeu imediatamente. Ele levanta o copo aos lábios e toma um gole, sibilando um pouco após ele engole o que está no vidro. Seu olhar varre cima e para baixo me novamente.

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— Levante-se. Eu obedeço, e ele gira o dedo em um círculo. É o mesmo gesto usado pela Sra. LeRoux para que façamos uma pirueta, então eu faço uma. — Isso foi muito bonito, mas faça de forma mais lenta. Viro-me lentamente, arqueando as costas, empurrando meu peito para fora. Eu sinto seus olhos em mim, e minha carne formiga. — Desabotoe alguns botões para mim. Eu paro de frente para ele e o encaro. — O quê? — Sai como um sussurro horrorizado. — Sua camisa. Desabotoe alguns botões. Preciso ver um pouco de pele. — Hesito, e ele se inclina para frente, estreitando os olhos. — Ouça, meu amor. Você está se candidatando para um trabalho como dançarina exótica. Isso significa que você tem que tirar a roupa. Servimos álcool aqui, então este é um clube semi-nu, o que significa que não será completamente nu, mas você tem que se sentir confortável em sua própria pele. Ok? Então, ou desabotoa sua camisa ou sai. Ele está certo, então eu engulo em seco, mesmo que prefira chutar com força entre as pernas dele. Eu fecho meus olhos por um instante e, em seguida, levanto a mão direita para a minha camisa, aperto o botão de plástico transparente, hesito novamente, e então passo o botão através do buraco. Sinto camadas de inocência sendo arrancadas conforme cada botão desliza através do furo no tecido da minha camisa. Eu faço isso de novo, e depois uma terceira vez.

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Isto não é como eu imaginava que sentiria me despindo para um homem pela primeira vez. Estou enjoada, com medo e com nojo. Meu decote está derramando sobre a parte superior da camisa agora, e aparecem as pontas do meu sutiã preto. Eu estou respirando com dificuldade, e cada respiração faz com que os meus seios inchem. Os olhos de Timothy estão colados no meu peito. Ele levanta uma sobrancelha e levanta um dedo para mim, que eu entendo como mais um botão. Eu faço isso e sinto as lágrimas pinicarem meus olhos. Eu pisco e mantenho o meu olhar baixo. Uma lágrima escorre para a ponta do meu nariz e bate no meu dedão do pé, rapidamente acompanhada por uma terceira. Eu pisco forte e respiro fundo e me concentro em conter a onda de soluços na minha garganta. Seu rosto torce com clara luxúria. Eu resvalo um olhar para ele sob meus cílios, e vejo-o enfiar a mão no bolso. Ele se ajeita, e meu soluço aumenta. Eu posso ser uma virgem, mas eu sei o básico. Eu sei por que ele teve de se ajeitar. Eu engulo de volta, amargo, ácido e queima. — Bom. Muito bom. Você tem um ótimo corpo, e o ar de inocência que você tem farão os caras enlouquecerem — Timothy finalmente diz. Ele

está

falando

para

mim sobre

mim.

É estranho

e

desconcertante. Quero desesperadamente fechar minha camisa, mas eu não faço. Timothy está certo, eu vou ter que aprender a ficar confortável sendo observada. E isso é o mínimo que eu vou ter que fazer se conseguir esse emprego. Eu não tenho a menor ideia de quanto eu receberia, mas tenho a ideia de que strippers ganham muito. Tudo que eu sei é que preciso desesperadamente de um ~ 78 ~


emprego, e se eu vou ficar nua na frente de homens durante toda a noite, é melhor que valha a pena. — Além disso, — Tim continua — Você tem esse sotaque sulista sexy. Você vai fazer um inferno com a multidão. — Então, eu consegui o emprego? — Não há alegria, não há entusiasmo. Só desgosto misturado com horror e alívio. — Você tem o trabalho. — Quanto... quanto é que pagam ? Timothy encolhe os ombros. — Depende. Tenho uma sensação de que você vai causar um enorme desejo, o que trabalha em seu favor. Se você fizer quartos particulares, você vai fazer uma matança. A coisa funciona assim, basicamente. O clube em si não lhe paga diretamente. Você é paga com gorjetas, e dá ao clube uma porcentagem disso. Não muito, apenas quinze por cento, que é a média da indústria. Você pode fazer duas ou três sequências de música no palco. A maioria das meninas faz algo entre cinquenta e cem por sequência. Se os caras gostarem de você, você pode fazer três, quatro ou cinco sequências em uma noite. Entre as séries no palco você vai trabalhar nas mesas, que é dez dólares cada mesa, e os caras vão te dar gorjetas acima disso. Então, há sala VIP nos fundos, quatro delas. A maioria das meninas ganha, tipo, duzentos ou trezentos por visita VIP. Você iria trabalhar três noites, no mínimo, mas estamos abertos sete dias por semana. Obviamente, fins de semana dão mais dinheiro. — Ele levanta uma sobrancelha. — Já que você nunca fez isso antes, eu vou te dizer. A maioria das meninas complementa o que elas ganham aqui no clube fazendo festas ~ 79 ~


particulares, aniversários e despedidas de solteiro, merdas assim. Elas não têm que nos pagar por isso, então elas ficam com tudo. — O que... — Minha voz falha, e eu tenho que tentar novamente. — O que quer dizer, fazendo festas particulares? Timothy ri. — Significa apenas o que você faz aqui, mas para uma festa particular. Veja, você define as regras para as festas privadas. No mínimo, você faz danças eróticas e outras coisas, talvez um striptease para o grupo. — Ele pisca para mim. — Eu sei o que você está pensando, e não é assim. Ao menos que você queira, é claro. Mas isso é com você. Isso não tem nada a ver com o clube. Caras vão perguntar se você faz festas privadas, e você precisa decidir se você faz ou não. Eu tenho que tomar algumas respirações profundas. — Okay. Okay. Posso fazer isso. Timothy ri novamente, uma risada baixa e divertida. — Você quer me convercer ou se convencer? — Ambos, eu acho. — admito. — Por que você não vem aqui amanhã à noite, lá pelas sete ou oito, e nós vamos fazer uma dança para você. Minha melhor dançarina, Candy, vai estar aqui, e ela vai ajudá-la. Te dar algumas dicas e coisas assim. — Ele se levanta, joga de volta o uísque ou o que quer que seja, e, em seguida, estende a mão para mim, e nós apertamos as mãos. — Bem vinda ao Exotic Nights, Grey. Ah, e você pode querer um nome artístico.

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Ele sai, e no ato de me abrir a porta, a mão dele roça minha bunda. Não é acidental, porque eu sinto sua mão apertar ao longo do caminho. Eu fujo para frente, fora de seu alcance e volto para encarálo. Ele apenas acena para mim. Eu tenho oficialmente um emprego. O alívio é moderado pelo meu horror nauseante pelo o que o trabalho é. Eu não fiz nada ainda, o que significa que não é tarde demais para voltar atrás. Eu simplesmente posso não aparecer e esperar que outra coisa aconteça. Eu abotoo minha camisa novamente assim que saio do clube e me encaminho de volta para o ponto de ônibus. Uma vez que eu chego ao campus, estou mais consciente do que nunca de que tem gente me olhando, ao voltar para o dormitório. Eu não sou uma garota que não vai admitir que é bonita. Estou acostumado a ter olhares aonde quer que eu vá, eu só não ligo pra eles. Mas agora... depois de suportar a leitura atenta de Timothy e a ajeitada na virilha, eu não quero os olhos dos homens em mim, mas cada par que eu passo parecem estar olhando para mim. Minhas calças jeans parecem mais apertadas do que estavam quando eu coloquei-as esta manhã, e de repente minha blusa é mais reveladora do que eu imaginava. Eu gostaria de ter um par de calças de moletom e um casaco com capuz agora. Eu vou para meu quarto e para minha cama no beliche superior antes de eu me deixar chorar. As lágrimas vêm em uma inundação quente, juntamente com a vergonha, a culpa, horror, náusea e dúvida. Papai estava certo. Ele disse que eu ia cair em uma vida de pecado, e eu caí. Eu acabei de arrumar um emprego como stripper. Eu não vou glorificá-lo, chamando de dançarina exótica. ~ 81 ~


Eu não quero nem saber o que Mama diria. Mas vou fazer mesmo assim. Eu não vou entrar rastejando de volta para Macon, Georgia. Eu simplesmente não vou. Eu vou terminar a minha graduação. Eu tenho trabalhado para caramba para conseguir um estágio no Fourth Dimension Film, então eu editei a peça sobre a minha mãe e mostrei a Sra. Adams, minha conselheira de programação de filme. Ela viu o potencial real no meu trabalho, e Fourth Dimension é um dos maiores estúdios de produção privados em LA. Conseguir um estágio seria um enorme pé na porta. Mas para isso, eu não posso ser uma sem-teto. Eu tenho que ficar na escola e ter um lugar para morar. Preciso de um guarda-roupa profissional. Em suma, eu preciso de um emprego, e esta é a única oportunidade que eu encontrei nos meses de procura. Ainda assim, eu choro sozinha para dormir. Lizzie não volta antes das três, e ela tem um cara com ela. Eles rolam em sua cama, e eu ouço barulhos que me mantêm acordada por horas - gemidos, grunhidos e risos.

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06 Eu aperto meus olhos e rezo, mas depois me sinto culpada por isso, Deus não aprovaria o que estou prestes a fazer, isso é certo. Eu cerro os punhos para impedi-los de tremer, mas tremem como folhas em uma tempestade na Georgia. — Gracie, você estará no palco em cinco minutos. — Timothy enfia a cabeça na porta do camarim, e eu certamente não perco o jeito que ele olha para mim. Minha carne pinica e eu quero dizer a ele, mas não posso. Afinal, eu estou prestes a percorrer um pedaço muito maior em cerca de cinco minutos. Eu mal estou vestida, pelo menos pelo que eu estou acostumada. Eu cresci com vestidos até os tornozelos e saias com camisetas largas. Nada decotada, nada acima do joelho. Nada revelador ou obsceno. Nada sexy ou sensual. Nada descrente ou irreverente. Agora, eu tenho um par de shorts de brim, as bainhas desfiadas em fios brancos. Em Macon, eles teriam chamado estes

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shorts de Daisy Dukes3, uma vez que está cortado tão curto que a popa da minha bunda está para fora. Quero dizer, literalmente. Minha bunda está realmente saindo dos shorts. São apertados, muito, apertando as coxas grossas de dançarina como se fosse uma lycra. Eu estou vestindo uma camisa de flanela, mas não está... Sério, ela não faz nada para melhorar o meu estado. Está desabotoada até meu decote, que não é contido por nada. Há apenas quatro botões fechados, e meus seios esticam pelos quatro botões a ponto de estourar. Esse é o ponto, afinal de contas. Os botões devem aparecer. Há toda uma linha de camisas semelhantes a esta no canto do camarim, uma vez que parte do ato é para estourar os botões quando eu rasgar abrindo a camisa. É para ser sexy, Timothy diz. — Eles vão ficar selvagens. — Ele é o especialista, eu acho. O resto da camisa de flanela está amarrado na frente logo abaixo dos meus seios, por isso a maior parte da minha barriga está aparecendo. O último pedaço da roupa, - da fantasia, - é um cinto de couro grosso com uma grande fivela brilhante, e um par de botas de cano alto. Botas de puta, eu ouvi chamarem assim. Parece apropriado, eu acho, já que papai diria o que eu estou prestes a fazer é prostituir-me. São botas de camurça, o material solto e deformado, com um salto agulha fino de três polegadas que me faz ficar com um total de 1,82 metros de altura, já que tenho 1,79 metros sem saltos. Meu cabelo loiro está escovado com um brilho tão lustroso, que Candy me perguntou se eu estava usando uma peruca. Meu rosto 3

Uma personagem do seriado The Dukes of Hazzard, onde havia uma personagem que usava shorts curtíssimos com as pontas desfiadas.

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está endurecido com uma quantidade extravagante de maquiagem. Pintura de prostituta, meu avô diria. Eu nunca usei mais do que um pouco de gloss e um pouco de sombra para os olhos, então toda a base, batom, rímel e tudo aquilo parecem uma máscara. O que ajuda, de certa forma, como se a máscara de maquiagem pudesse me esconder. Eu respiro fundo e me forço para fora da cadeira, balançando nos saltos desconhecidos. Timothy empurra a porta e a segura para mim, mas não é por ser um cavalheiro. Ele fica na porta para que eu tenha que me pressionar nele no caminho. Eu sufoco o desejo de bater quando ele ‗acidentalmente‘ apalpa meu traseiro. — Não faça isso, Tim. — eu disse, orgulhosa do quão firme e calma minha voz está. Não é a primeira vez que eu pedi para não me tocar. — Fazer o quê? Eu o olho fixamente com o brilho que aprendi com o papai, o que faz com que a maioria dos homens tremam nas botas. Ou, no caso do Tim, sapatos de pele de cobra de bico fino. — Só porque eu estou fazendo isso não significa que você pode me tocar quando quiser, Timothy Van Dutton. Mantenha suas patas pequenas e viscosas longe de mim. — Eu odeio o sotaque, mas eu estou nervosa e chateada, e é parte da minha prsonagem ‗Gracie‘. Tim olha maliciosamente para mim. — Ouça você, Gracie. Você parece como uma belle do sul. Adoro. Mantenha essa atitude, é bom material. Agora chegue lá e faça o que eu estou pagando para você fazer. ~ 85 ~


— Você não me paga, os clientes o fazem — Eu replico. Seus olhos endurecem e sua voz continua baixa. — Você não vai falar comigo desse jeito de novo ou eu vou demiti-la. — Ele me dá um tapa na parte de trás com tanta força que os meus olhos se enchem de água, mas eu não lhe dou a satisfação de uma resposta. Pode ser assédio sexual, mas eu preciso muito do trabalho para discutir. Ele caminha atrás de mim, deixando-me reunir o meu juízo e minha coragem. Quando ele está fora de vista, eu esfrego minha bunda onde ele bateu, percebendo com consternação que ele pode muito bem me demitir se ele quiser. Então, eu estaria em um riacho sem remo. Eu sigo através da área de bastidores, subo os três degraus pequenos para o palco, e fico atrás da cortina. Meu coração está batendo como uma britadeira, minha garganta se fechou tão apertado que eu mal posso respirar, e eu estou à beira das lágrimas. Eu não quero fazer isso. O meu treino com Candy foi estranho e horrível. Pendurar-me ao redor do mastro é muito mais difícil do que parece. Eu caí várias vezes antes que eu pegasse o jeito de envolver com meu joelho todo o metal frio e girar em torno dele. Não havia ninguém assistindo, além de Candy, mas eu ainda chorava quando tirei minha camisa pela primeira vez. Candy viu minhas lágrimas, mas não disse nada. Ela só criticou

a

forma

como

eu

rebolava

apresentação.

~ 86 ~

no

mastro

no

final

da


Eu não tenho uma escolha, no entanto. Não, se eu quero terminar meu curso e conseguir o emprego dos sonhos como produtora de cinema. Eu consegui o estágio, e eu começo na próxima semana, mas preciso de roupas apropriadas. A música pop genérica desaparece dos alto-falantes da casa, e o zumbido da conversa se acalma. Certamente a multidão de homens do outro lado da cortina pode ouvir meu coração, uma vez que está batendo tão alto. — Senhores, vocês estão prontos? — Ecos da voz de Tim no sistema PA, esganiçada, ofegante e sugestiva. — Eu tenho uma surpresa muito, muito especial para vocês hoje à noite. Um novo ato. Ela está fresquinha, veio direto de Macon, na Georgia, uma verdadeira menina do sul alimentada com milho, e meninos... ela... é... quente. Vaias e assobios aumentam um barulho ensurdecedor, até que Tim acalma-os. — Permita-me apresentar... Gracie! Pelo menos Tim tinha me feito usar um nome artístico. A garota que está de costas para a stripper pole, o qualdril para um lado, com as mãos estendidas ao redor do metal frio acima da cabeça... essa menina é Gracie, uma performer. Uma stripper. Ela não sou eu. Meu nome é Grey Amundsen. Mas Grey, ela não existe aqui, nesta viscosa névoa de sexo. Aqui, está Gracie.

~ 87 ~


A cortina abre, cegando-me com o brilho das luzes do palco, branco, vermelho e roxo, e tão quente que eu suo imediatamente. Eu não me movo em primeiro lugar. Eu deixo-os olhar. É por isso que estão aqui, antes de qualquer coisa. Para olharem para mim. Olharem para mim... me desejarem. Eu tenho certeza de que eles não podem me tocar, mas isso é pouco consolo. Nunca ninguém me quis, ninguém. Papai sempre desejou que eu fosse homem, para que pudesse jogar futebol e ir para o seminário como ele fez. Se eu fosse um filho, poderia ter assumido o púlpito da Igreja Batista Comtemporânea de Macon. Mas nasceu uma menina, então eu não podia fazer nada disso, apenas uma criança. Disseramme para ser vista e não ouvida, a sentar-se corretamente e ser recatada. Seja uma mulher, seja adequada. Sente-se direito, tenha boas maneiras, e obedeça aos mais velhos. Sem rock, sem maquiagem, sem meninos. Esse último conselho foi em que ele se concentrou mais rigorosamente. Eu nunca estive em um encontro, nunca foi beijada (exceto por Craig, e ele não conta). Mas, por alguma razão, Timothy van Dutton pensa que eu tenho algum tipo de sensualidade inata, que deixa os homens loucos, e ele me contratou. Talvez ele só sentisse o desespero em mim. Os homens na platéia saem de seu choque e começam a assobiar e aplaudir e uivar. — Tira! — um homem em uma mesa perto do palco grita.

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Eu circulo o mastro, seguro-o com uma mão, demorando, contando passos, passos de dançarina da Broadway, passos de modelo de passarela. Mostro-lhes as pernas, deixo-os ver que eu tenho estilo. Eu não estou indo só tirar a minha roupa e balançar em torno do mastro. Não, se eu vou fazer isso, eu vou fazê-lo com algum estilo. Candy me ajudou a coreografar a minha rotina. Candy é uma garota esbelta, de cabelos pretos, alguns anos mais velha do que eu, mas com uma dureza de rua que eu nunca vou ter. Ela não é exatamente bonita, nem perto, mas com bastante maquiagem e o corpo que ela tem, você pensaria que ela era. Além disso, ela pode fazer truques no mastro que deixam os caras loucos. Eu já vi. Não me atrevo a tentar as coisas que ela faz, giros e rodopios complicados de baixo pra cima. Candy foi brusca e profissional quando me mostrou como mover-me, como balançar e dançar, como girar em torno do mastro e deslizar para baixo. Ela e Tim me viram praticar a rotina antes de as portas se abriram esta noite. Eu vi a prova do meu sucesso com seu zíper saliente. Eu salto no ar e balanço o meu corpo em torno do mastro, enganchando meu joelho direito em torno dele, inclinando a cabeça para trás para que o meu cabelo loiro grosso caia atrás de mim. Meu coração martela como um tambor e eu giro em torno do pólo várias vezes, e, em seguida, coloco os pés no chão, o outro ainda envolto em torno do mastro. Sinto-me balançando e saltando na roupa diminuta. Estou lutando contra as lágrimas de culpa, vergonha e embaraço, mas eu não só tenho que não só mantê-las afastadas, como também

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exibir um sorriso falso. Eu fico mais perto de vomitar com cada movimento. Eu coreografei a dança para me manter vestida o maior tempo possível, mas chegará o momento muito em breve. Eu balanço e penduro de cabeça para baixo e para trás, eu deslizo minha espinha para baixo no mastro, então eu estou agachada, com os joelhos bem abertos, dando-lhes uma pequena amostra da minha virilha. Agora... Agora eu tenho que começar realmente o ―descascamento‖. Eu engulo em seco, disfarçando meus nervos com um balanço em torno do mastro, e depois pouso para ficar como eu estava quando a cortina se abriu: as minhas costas para o mastro, pernas abertas na largura dos ombros, com as mãos sobre a minha cabeça. Depois, com os dedos trêmulos, eu deslizo o botão de cima pelo buraco, passo da frente para o meio do palco, desato o nó na parte inferior. Agora, a camisa está solta, e o interior do meu decote está exposto. Então, só para provocá-los, eu abotoo os botões inferiores. Um homem geme e se inclina para frente, e eu posso ver a fome e desejo no seu olhar malicioso. Então, quando a música do clube sobe em um crescente, eu agarro a gola da camisa e rasgo-a abrindo, espalhando botões com um gesto dramático. Meus seios saltam livres, e eu fico de topless na frente de cento e cinquenta homens. Uma lágrima escorre livre para se misturar com o suor do meu lábio superior. Eu sou oficialmente uma stripper. ~ 90 ~


07 Eu estou vestida com uma fina saia lápis azul marinho, uma camisa básica de marfim de botões, e um par de sapatos de salto para combinar com a camisa. Meu cabelo está amarrado em um coque, e eu uso maquiagem mínima. Nunca usei um monte de maquiagem, mas eu uso muito menos agora desde que eu comecei a dançar no clube. Dançar. Sim, eu já comecei a pensar nisso dessa forma. Estou lá há três meses, e eu sou a dançarina mais popular, de longe. Todos os quartos VIP solicitam-me. Eu faço cinco apresentações numa noite, e eu sempre consigo pelo menos cem dólares por set. Cobro vinte por dança em mesa, cinco para danças eróticas e salas VIP começam em cento e cinquenta. Ainda me sinto mal antes de cada performance, e eu ainda choro sozinha até dormir algumas noites. Eu odeio ser uma stripper. Uma dançarina exótica. Não é dança, é provocação lasciva. É feita ~ 91 ~


para os homens te cobiçarem. Fui apalpada mais vezes do que eu gostaria de contar, e abordada ainda mais. Já me ofereceram mil dólares para entreter uma celebridade em privado durante uma hora. Eu recusei. Agora estou indo para minha primeira missão real no estágio na Fourth Dimension. Fui aprendendo as regras até o momento, preenchendo documentos, trabalhando no escritório, fazendo ditados, seguindo os verdadeiros produtores por aí. Eu trabalhei para caramba para conseguir o estágio, e eu trabalhei ainda mais para a Fourth Dimension como auxiliar de escritório, com a esperança de ser notada e trabalhar em um projeto real. Aparentemente funcionou. John Kazantzidis é um importante produtor, conhecido por ter um bom olho para scripts convincentes e fortes. Ele trabalhou em alguns dos filmes mais vendidos dos últimos dez anos, incluindo a recente adaptação cinematográfica de sucesso de O Sol Também se Levanta. Ele sempre foi educado comigo, e parece me levar a sério como uma estudante de produção. Ele é um sócio do estúdio, trabalhar diretamente com ele é um grande negócio. Meus colegas estão loucos de inveja. Espero fora de seu escritório até que Leslie, sua secretária, atenda o interfone e mande-me passar. O Sr. Kazantzidis, ou Kaz, como ele gosta de ser chamado, é alto e largo, com cabelos negros e olhos castanhos escuros. Ele exala autoridade, poder e riqueza, embora não seja ostentador. Para um homem mais velho, ele é muito atraente e encantador. Ele acena na cadeira de couro na frente de sua mesa, um telefone encostado ao ouvido. Ele ouve por alguns momentos e, em ~ 92 ~


seguida interrompe em grego antes de desligar. — Minhas desculpas, Grey. Essa foi a minha mãe. — Ele sorri para mim, mostrando os dentes brancos. — Não tem problema, senhor. Acho que é bom que você fale com sua mãe. Ele acena com a cabeça. — As mães são importantes. Você vê a sua família, afinal? Eu dou de ombros. Eu tento evitar falar sobre mim ou minha família. — Não, na verdade. Minha mãe faleceu e meu pai e eu... bem, nós realmente não nos damos bem, infelizmente. Kaz franze o cenho. — Eu sinto muito em ouvir sobre sua mãe. Como ela faleceu? — Um tumor no cérebro. — Eu tiro o iPad da empresa da minha bolsa e abro páginas, pronta para tomar notas. — Qual é a minha tarefa, senhor? Kaz se inclina para trás e mexe com uma caneta. — Você pode colocar isso de lado. — Ele acena para o iPad. — É muito simples. Você vai trabalhar como elo de ligação direta entre a Fourth Dimension e o ator principal em nosso mais novo filme. Somos parceiros no remake de O Vento Levou, e eu sei que não preciso lhe dizer o quão importante é esse projeto. O original é uma parte emblemática da cultura americana. — Sim, senhor. — Eu deslizo o tablet de volta na minha bolsa e cruzo a perna por cima do meu joelho, ouvindo atentamente.

~ 93 ~


— Eu já enviei todos os arquivos pertinentes sobre o filme, incluindo a biografia em sua atribuição. Antes de vir amanhã, estude todos os aspectos do projeto. As filmagens começam no mês que vem, então não haverá muito a fazer até então, mas a sua missão começa a partir de agora. — Kaz se inclina para frente e deixa a caneta de lado. — Grey, você já provou suas qualidades até o momento. Gosto de você. Se você fizer bem essa tarefa, eu vou mantê-la a bordo em tempo integral quando se formar. Até então, você vai receber salário de nível de base. Eu tento não gritar. Este tem sido um estágio não remunerado até agora. Se eu for paga, eu posso parar de me despir. — Obrigada, senhor, não vou te decepcionar, eu prometo. — Eu não posso deixar de sorrir. — Eu sei que você não vai, Grey. — Ele se inclina para trás e desliza seu telefone do bolso do blazer, tocando uma mensagem. — Eu acredito que Leslie tem alguns papéis para você arquivar, e então você pode ir. A papelada para a atribuição leva apenas alguns minutos, o que é bom, já que eu tenho que voltar ao meu dormitório, terminar um trabalho para a minha aula de literatura, e, em seguida, ir para o trabalho esta noite. Este estágio é uma dádiva de Deus, mas ele me manteve ocupada mais do que nunca. Eu trabalho quatro noites por semana, além das cinco matérias cada semestre e 30 horas por semana no estágio. Eu como mal, durmo mal, e não tive tempo de dançar para o meu próprio prazer em semanas.

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Tudo vai valer a pena se eu conseguir ser contratada em tempo integral pelo estúdio. Eu volto para o meu dormitório e termino o trabalho o mais rápido possível. Eu começo a me debruçar nos arquivos que Kaz me enviou. O Fourth Dimension é o estúdio de produção primária para o projeto, juntamente com o Orbit Sky Films e o Long Acre Productions. Jeremy Allan Erskine está dirigindo, e eu passo o resto do meu tempo de estudo repassando as notas de Kaz sobre o corpo de trabalho do Sr. Erskine e suas ideias gerais para o projeto. Ele é mais conhecido por Red Sky, um drama pós-apocaliptico que ganhou seis Oscars, incluindo Melhor Filme. Ele trabalhou com a Fourth Dimension e meu chefe Kaz em O Sol Também se Levanta, portanto, uma adaptação para o cinema não é novidade para ele. A intenção com este remake, de acordo com as notas de Sr. Erskine no meu arquivo, é manter-se fiel ao romance e homenagear o filme de 1939, enquanto rejuvenesce com uma estética mais moderna. Kaz não está me tratando apenas como uma assistente, porque eu sei que não é normal para um humilde estagiário-assistente de um ator ter esse tipo de arquivo de projeto. Ele realmente entende a minha paixão pelo cinema, e espero que esteja me preparando para trabalhar com ele em projetos futuros. Ainda assim, ele tem que responder ao objetivo do estágio, o que significa um baixo nível de atribuições de assistente para completar a graduação. Eu não tenho tempo para ver a lista de elenco antes de ter que sair. Eu tiro minha saia e blusa, coloco um par de calças de yoga e uma camiseta, e saio para pegar o ônibus para o clube. Uma vez lá, eu mudo a minha roupa: shorts curtos e camisa de flanela. Eu faço a ~ 95 ~


maquiagem, destrincho meu cabelo em ondas cor de mel brilhante e verifico no espelho. Como sempre, eu quase não me reconheço. Meu cabelo é enorme, caindo até o meio das minhas costas e escovado para o volume máximo. A maquiagem transforma meus olhos cinzentos de tempestade e, admito que, parecem hipnóticos. Batom vermelho brilhante, blush, base pesada, rímel... Eu deveria ter esperado perder peso, como raramente eu como e quanto estou correndo, mas ainda sou eu. Eu ainda sou grande nos quadris e busto. Eu vejo meu corpo de forma diferente agora. Eu não sou apenas uma mulher com roupas. Eu vejo o corpo sob a roupa, que eu nunca olhava antes. Não realmente. Eu não sou apenas uma pessoa, como qualquer outra pessoa. Eu sou um objeto, uma coisa a desejar. Eu estou ciente de meus seios e traseiro e do fato de que os homens desfrutam essas partes minhas. Eu suspiro, eu afrouxo um pouco o nó da camisa, ajusto meus seios e refaço o nó para meu decote ficar mais acentuado. Eu esfrego alguma base sobre o meu quadril, onde topei com a mesa no meu quarto. Eles não querem ver machucados. Estou atrasada. Eu sempre demoro. Eu nunca quero sair do camarim. Eu pensei que iria me acostumar com isso, mas não. Meu coração ainda martela e eu ainda me sinto envergonhada, ainda sinto náuseas. Quando chega o momento que tenho que tirar a minha camisa e mostrar meus seios, eu sempre quero cavar um buraco e puxar a sujeira para cima de mim. Eu odeio os olhares lascivos e as mãos apalpando-me, os assobios e as sugestões.

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Estou prestes a abrir a porta do camarim, quando Timothy entra. — Grey. Fico feliz que você está aqui mais cedo. — Emoção brilha em seus olhos, me preocupa. — Hoje a noite é sua noite de sorte, Grey. Algum ator figurão alugou todo o clube! E adivinhe? Ele quer uma dança particular na sala VIP com apenas você e ele. Disselhe que não faz nada extra, então você não tem que se preocupar com isso. Mas isso é grande, Grey. Grande, muito dinheiro. Concordo com a cabeça e tento acalmar meus nervos. É apenas mais uma noite. Eu fiz celebridades na sala VIP antes. Somos um pequeno clube fora da badalação, e a maioria dos nossos clientes são homens de trabalho de classe média baixa, e às vezes alguns tipos de Hollywood fora do foco. Mas de vez em quando, um ator ou um astro do esporte aparece, na esperança de obter uma noite longe dos paparazzi. Uma coisa que Timothy é inflexível é sobre ter fotógrafos e jornalistas. Não, nunca. Eu retoco a minha maquiagem um pouco, verifico novamente o nó na minha camisa, e certifico-me que meu decote está certo, e então eu vou lá fora. Lydia está no palco, no momento, dançando uma música de Ludacris. Ela é uma pequena menina iraquiana, de seios grandes que trilhou o seu caminho na escola de enfermagem. Lydia é doce e uma boa dançarina, e como eu, ela se recusa a fazer festas privadas fora do clube, e nunca faz acréscimos de qualquer tipo. Eu ando no clube, avaliando os caras. São todos de Hollywood, elegantes, atraentes, polidos e falsos encantadores. A maioria já está bêbado, e eu faço meia dúzia de danças eróticas antes que eu mesma vá de um lado do clube para o outro. Eu não vi o ator que alugou o lugar ainda, mas ele está em uma sala VIP. Estes são apenas os

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puxa-saco, os bajuladores e os assistentes. Eu faço algumas mesas, em seguida, é a minha vez no palco. Parte do meu papel é que a única vez que estou realmente em topless é durante as danças. Eu faço as mesas e danço com a minha fantasia. Os caras entram na minha, eu acho. Eles gostam do mistério. Claro, a camisa de flanela é aberta o suficiente para que eu esteja basicamente de topless, por isso os caras ficam loucos. Eu faço a minha rotina básica, girando e girando em torno do mastro, provocando ao desabotoar a camisa, mas não os deixo ver nada, então reabotoo e arrebento os botões. Na parte com o topless, eu quase estou insensível. Quase. Ou seja, eu realmente não começo a chorar até que tenha que tirar os shorts e que é o próximo passo. Como eles

são apertados, é realmente uma façanha tirá-los

graciosamente. Então eu estou dançando em apenas uma calcinha minuscula. Estou quase chorando o tempo todo. Eles podem ver minha bunda, todo ela. O fio dental é pouco mais que um triângulo minúsculo sobre minha privacidade, e eu nem sei se poderia dizer que ela deixa algo privativo. Quando eu danço e me movimento no palco, eles podem ver tudo. Eu termino o palco e retiro-me para a área de bastidores para voltar a acalmar os meus nervos. Os caras no clube são da pesada, e eles estão dão gorjetas como uns loucos. Eu ganho cento e cinquenta desde o primeiro set no palco, e eu tenho outros oitenta das danças eróticas e mesa. E eu nem sequer fui às salas VIP ainda. Mas o número do palco... oh, Deus. Os assobios e as cantadas estavam piores do que nunca. As mãos, o que é tecnicamente contra as regras ~ 98 ~


do clube, mas vai realmente de cada dançarina desencorajar... eles me agarram e me tocam e tentam retirar o fio dental. Eles me pedem para ir para casa com eles. Eles gritam em detalhe o que eles fariam comigo. Eu coro quando eles gritam essas coisas. Eu não posso evitar. Eu não acho que eles possam ver o vermelho embaixo da minha maquiagem, mas ele está lá. Eu coro, me encolho e golpeio afastando as brincadeiras com as mãos, mas com firmeza, e eu evito os seus olhos. Quando estou no backstage e Inês entra no palco, eu sinto meu estômago revoltado. Corro para o camarim e para o pequeno banheiro, onde eu esvazio meu estômago. As lágrimas se misturam livremente com o suor do meu rosto. Quando eu termino levantando, eu caio no chão frio e descanso meu rosto contra a porcelana fria, e eu choro por um momento. Desejo estar em casa, em Macon. Eu não posso deixar de imaginar o rosto de mamãe se ela pudesse ver o que eu estou fazendo para sobreviver. Punhos batem na porta, e então ela se abre. — Grey, porra, você não tem tempo para isso! — Timothy está me puxando para longe do banheiro e enxugando a minha boca com uma toalha de papel. — Eles querem você na sala VIP. Agora. Sala três. Escove os dentes e, vá!— Ele não parece ter sentimentos e me empurra para a pia e, uma vez que eu estou pronta, fora do camarim e através da porta que leva para as salas VIP. Eu recupero o meu equilíbrio e minha respiração, e então mando Timothy embora. Meu coração está batendo forte e minha pele está arrepiada, formigando. Eu estou fora da sala três com a mão na maçaneta, mas ~ 99 ~


eu hesito. Algo dentro de mim está se rebelando, me dizendo para correr, para voltar, para ir embora. Mas eu não posso. Eu vou perder o emprego, e não estou garantida em tempo integral na Fourth Dimension, ainda não. Eu torço a maçaneta e empurro a porta. Um sofá de couro escarlate posicionado em semicírculo ao redor da sala, que é iluminada por um par de lâmpadas com tons para combinar com o sofá. As paredes são em preto fosco, e mesas laterais nas extremidades do sofá. Uma garrafa de Johnny Walker Blue Label está em uma mesa de canto, cercada por garrafas de Coors e Bud Light, algumas vazias, algumas cheias. O quarto está nebuloso com a fumaça do cigarro, e sob isso, o cheiro acre de maconha. Uma das mesas tem um monte de pó branco sobre ela, com algumas linhas grossas divididas. Existem quatro homens na sala. Três deles são incrivelmente lindos. O quarto? Ele é um deus do cinema. Os três homens estão de um lado, perto da pilha de cocaína. Eu reconheço todos eles. Um deles é Armand Larochelle, que ganhou Melhor Ator por seu papel em Name of Heaven. Armand é alto e magro, com cabelos loiros na altura dos ombros e características esculpidas. O segundo é Adam Trenton, um ator e ator coadjuvante em filmes de ação. Recentemente, ele fez um papel em uma ação de aventura sci-fi na qual ele conseguiu seu primeiro papel principal. O terceiro é Nate Breckner, conhecido principalmente por fazer comédia romântica, mas ele vem fazendo papéis para tirá-lo desse tipo de produção. ~ 100 ~


O quarto homem é Dawson Kellor. Meu coração pára, a respiração trava. Eu vi fotos dele, eu o vi em seus últimos filmes. Mas nenhum deles lhe faz justiça. Nem perto disso. Na tela ele é de tirar o fôlego. Características nítidas, penetrantes olhos castanhos, cabelo escuro em algum lugar entre o marrom e o preto. Alto e ridiculamente lindo, com os braços esculpidos e, um peito duro largo. Ele é uma mistura de Brad Pitt e Henry Cavill e Josh Duhamel e muito mais. É assim que ele parece na tela. Em pessoa... ele é além da perfeição. Eu não posso olhar para longe dele, mas a sua beleza me queima, como olhar para o sol. E agora ele está no meu clube, e ele está olhando para mim com expectativa, e eu não posso me mover. Seus olhos são mercúrio, uma avelã mutável. Ele é muito bonito para por em palavras, e eu não sei o que fazer. Meu corpo não vai funcionar. Batidas da música nos alto-falantes, uma canção de Jay-Z. Armand está me olhando, um pequeno tubo em seus dedos, a cabeça balançando ao som da música. Os outros dois homens têm cervejas nas mãos e estão olhando para seus telefones. Eles parcem bêbados. Eles olham para mim e depois me repudiam, olhando para longe. — Você vai dançar ou o quê? — Dawson pergunta. Sua voz é obscura, profunda e envolvente. A música termina, e uma batida de dança techno começa. Eu não posso tirar meus olhos de Dawson, mas eu forço meus quadris se moverem. Eu deixei a música assumir e fluir através de mim. Eu me perco em seus olhos, que parecem escurecer conforme eu balanço mais perto dele. Eu sei que existem outros homens na sala, mas tudo ~ 101 ~


o que posso fazer é me concentrar em Dawson Kellor e esperar sobreviver a esta noite. Eu estou na frente dele agora, aproximando-me dele. Seus joelhos afastados, e suas mãos repousam em meus quadris, suas palmas escovando a pele nua acima do jeans dos meus shorts. Eu nunca deixei um cliente me tocar antes, mas eu não consigo encontrar a força para empurrar as mãos. Minha pele arde onde ele me toca. Seus olhos estão sobre os meus, apesar do meu decote na cara dele. Eu estou dançando com a música, leve, pequena vibração nos meus quadris, o suficiente para os meus seios saltarem. Meus braços estão sobre a minha cabeça, naquela posição estranha que os homens parecem amar. Seu olhar oscila até meus seios sacudindo e depois se voltam para os meus olhos. Eu não posso ler sua expressão. Os homens sempre mostram o desejo na cara, em seus olhos. Dawson não. Mas suas mãos estão enroladas em volta da minha cintura, possessivo. Devo fazê-lo me soltar, mas eu não faço. Eu nunca fui tocada assim, nunca tiveram mãos de um homem no meu corpo, em qualquer lugar. Não desse jeito. Sempre foram toques roubados, passadas de mão no meu traseiro ou toque de dedos em meus seios enquanto eu danço no palco. Isso... é uma conexão. Suas mãos me tocam e me prendem, e eu não sou uma stripper, por um momento. Eu estou vestida, e ele está olhando para mim. Para mim. Quase como se ele estivesse vendo Grey, em vez de Gracie, mesmo que ele não possa saber a diferença.

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A música muda para Just Give Me a Reason, de Pink e Nate Ruess. Eu não sei por que a musica filtra através de minha consciência. Eu me forço para fora de seu alcance e para o centro da sala. Eu danço, e eu me vejo dançando mais como uma dançarina que uma stripper. Eu sei que tenho que tirar a roupa. Eu não posso fugir apenas dançando. Isso não é o meu trabalho. Mas agora, mais do que nunca, eu não quero fazer isso. Eu quero falar com esse homem. Não é porque ele é uma celebridade. Não porque ele era o homem mais sexy vivo ano passado. Não é porque ele foi eleito o Homem Vivo Mais Sexy da Terra do ano passado pela People, embora ele seja. Há algo em seus olhos que está me puxando. Eu faço os meus dedos desabotoarem o primeiro botão da minha camisa, e eu vejo Armand e os outros se ajeitarem no sofá. Eu ignoro-os e giro no lugar, dobro na cintura de costas para eles, fico de pé, viro novamente, desato o nó e desabotoo meus shorts. Dawson nunca desvia dos meus olhos. Eu me pergunto o que ele vê em meu olhar. Náuseas explodem através de mim, conforme eu deixo outro botão de camisa livre. Eu odeio essa parte. Meu coração bate com a sensação familiar de vergonha. Agora, a camisa está aberta, e meus movimentos são sinuosos, serpenteando sedosamente. Eu giro meus ombros, e a flanela desliza, mergulhando baixo de um lado. O outro dança e agita nos meus ombros, e a camisa cai nas minhas costas. Meus braços fixam a camisa no lugar, mas os topos dos meus seios são descobertos, os meus braços cruzados cobrindo meus mamilos. Meus quadris balançam e sacodem ao som da música.

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Estou presa em seu olhar de novo, e tudo desaparece, exceto os olhos. E então eu forço meus braços para longe, deixo a flanela cair no chão. Armand toma uma respiração profunda, e eu ouço um dos outros homens gemer em apreço. Dawson não se move, e sua expressão não muda, exceto pela abertura de seus olhos. Seu olhar varre sobre mim, então, da cabeça aos pés e nas costas. Eu volto para dançar, acentuando o balanço dos meus seios, passando minhas mãos sobre eles, levantando-os e fazendo poses, todas as coisas que eu aprendi para ganhar gorjetas. Isso é mais difícil do que as danças de palco, mais difícil do que as danças eróticas ou outros trabalhos na sala VIP. Isto é pessoal. Outros homens olham para mim e claramente me querem, mas algo no olhar de Dawson fala mais do que desejo. Há possessividade em seus olhos. Eu brinco com o zíper da minha bermuda, olhando para a minha frente, para trás e para Dawson, o olhar tímido calculado que eu não sinto. Eu abaixo o zíper e puxo as bordas, mostrando o triângulo de tecido vermelho e a pele pálida embaixo. Lembro então, sem motivo algum, Candy, no meu primeiro dia, me dizendo que eu tinha que ter minhas partes íntimas depilada. Doeu, e eu quase morri de vergonha. A música muda também para outro ritmo de dança sem nome, e eu começo a balançar o que leva a minha bermuda a descer. Antes que eu possa terminar de puxar o cós do, a voz de Dawson enche a sala. ~ 104 ~


— Tudo bem, rapazes. Fora. — Ah, vamos lá, Dawson. Agora que está ficando bom. — diz Nate. Dawson não responde, ele só lança um longo olhar duro em Nate, que suspira de frustração. — Foda-se. Tudo bem. — Ele se levanta, e os outros dois homens vão com ele. Quando a porta se fecha atrás deles, Dawson se levanta lentamente. É como assistir a um leão levantar da grama, todo envolto poder e graça sedosa. Ele se move em direção a mim, os olhos quentes e escuros, quase da mesma cor tempestuosa que os meus, de alguma forma. Ele agarra meus pulsos, mãos poderosas enormes. — Deixe-o aí. Eu não luto com seu aperto, e eu não estou dançando. Toda vez que eu estou no trabalho, estou dançando. Cada movimento é uma dança. De mesa em mesa, uma cabine para outra, no palco e fora do palco, é uma dança. Mesmo que seja apenas a influência exagerada dos meus quadris e do salto, é uma dança. Eu nunca estou parada. Mas agora eu estou congelada pelo calor nos olhos de Dawson quando ele olha para mim. Eu estou nas botas de salto alto que me fazem com 1,82 metros de altura, mas Dawson fica facilmente dez centímetros mais alto que eu. — Por quê? — pergunto. Os homens sempre querem que eu tire tudo. E eu sou uma stripper, então eu faço. Mas este homem está me parando, e eu não

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entendo. Não me atrevo a pensar na força bruta em seus olhos, a força em suas mãos, a possessividade em seu toque. Dawson não responde. Ele apenas coloca suas mãos sobre meus quadris e me deixa seguir a batida. Ele se move comigo. Ele está dançando comigo, balançando com o ritmo. Eu deixo. Eu não deveria, mas eu faço. Algo na vibração de sua presença apaga a minha capacidade de resistir a ele. Então suas mãos empurram o jeans, e o medo bate em mim como uma tonelada de tijolos. — Não, você não pode — Eu gaguejo. Em meus nervos, o sotaque da Georgia é grosso. — Sim, eu posso. Você quer. — Sua voz me envolve, desliza para cima de mim como água quente. Eu balanço minha cabeça. Nós ainda estamos dançando juntos, nos movendo ao som da música. Estou olhando para ele, perdida. — Eu não... Eu não faço extras. Você não pode me tocar. — No entanto, aqui estou eu, te tocando. — As mãos dele deslizam até a minha cintura, cobrindo o espaço entre os seios e jeans. Suas mãos são enormes, poderosas, mas incrivelmente gentis. Seu toque é fogo. Estou trêmula. Eu suspiro quando as palmas das mãos deslizam para baixo novamente, e então seus dedos engancham nos suportes do cinto e puxam para baixo. Ele puxa o jeans, arranca novamente, e então eles estão fora e encolhidos em torno de meus tornozelos. Saio deles e tento respirar. Suas palmas deslizam como lava ao redor da minha cintura e em meus quadris nus, e eu estou tremendo, assustada, apavorada.

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Consumida. Ele está me tocando. Ninguém jamais me tocou assim. Ver desejo nos olhos de um homem é uma coisa. Sentir o desejo na força bruta e seu controle sobre a minha pele, é outra coisa. O toque de Dawson é o hipnotismo encarnado. Eu não posso resistir. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas está me aterrorizando. Eu não quero querer isso, mas ele está certo. Eu quero. Estou devorada por suas mãos em meus quadris. Ele não tocou na minha bunda, não tocou meus seios. Apenas a minha cintura e os quadris. E Deus me ajude, algo está corroendo dentro de mim, atiçando algum tipo de necessidade desesperada em mim. Eu não sei o que é que eu preciso, a não ser que tem algo a ver com esse homem na minha frente, que tem arrancado minha roupa, minha força e minha confiança em um movimento suave. Estou nua na frente dele. O fio dental não é cobertura. Não para o modo como seus olhos vêem através de mim. — Não tenha medo. — Sua voz é calorosa. Quase doce. Eu dou de ombros. — Eu não vou... Quer dizer, eu não tenho. Ele ri, uma única bufo. — É mentira, Gracie. — Do que eu tenho medo, então? — Acho a minha voz de alguma forma, e finjo a indiferença que eu não sinto. — De mim, — Ele acaricia os meus quadris. — Disso. Eu tomo um longo, profundo suspiro. — Não me toque. Por favor. Apenas deixe-me dançar. Ele se afasta, deixando cair suas mãos e cai no sofá, agarrando a garrafa de uísque e puxando-o. — Então, dance. ~ 107 ~


Então eu danço. Nua, com medo, e humilhada de alguma forma, cheia de algum tipo de desejo que não entendo, eu danço. Não como uma stripper. Não para provocar luxúria. Eu danço. Como Grey, eu danço. Todo movimento, poder e confiança, eu danço. Eu me perco, na música e movimento, sem me importar com o meu corpo à mostra. Quando eu paro, Dawson ainda está no sofá, a garrafa esquecida. Seus olhos são escuros e conflituosos, mas a protuberância no zíper de sua calça jeans apertada, caras calças jeans, me mostram o efeito da minha dança. Ele coloca a garrafa no chão e se levanta. Eu resisto ao desejo de afastar-me dele, mas ele não me toca de novo, embora me alcance. — Você não pertence a este lugar. — Ele cautelosamente estende a mão, afasta uma mecha de cabelo da minha boca. É um gesto suave, e isso me confunde, me assusta. Bate em algum lugar dentro de mim. Sua boca desce para a minha, e seus lábios devoram os meus quente, úmido e macio. Eu não estou respirando. Como eu poderia? Ele está me beijando. Por quê? Meu coração está congelado. Meu sangue é um rio escaldante de fogo em minhas veias, e eu estou me tremendo toda. A seda negra de sua camisa de botão está esticada sobre o peito, e quando ele me beija, me puxa contra ele. A seda é fria contra a minha carne, pecaminosa contra a pele macia e esfrega meus mamilos nus, fazendo-os rígidos. Sua língua desliza até um canto da minha boca e seus dedos enrolam em um músculo das minhas costas, enviando calor através de mim. Dura um mero momento, e depois acaba. ~ 108 ~


Ele gira abruptamente, sai com uma batida da porta, e eu fico mole. Vazia de tudo, ofegante e tremendo. O que aconteceu? Eu colapso contra o sofรก e luto para respirar. Quando eu volto para o piso principal do clube, ele se foi. E eu estou mudada, totalmente.

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08 Eu chego em casa depois das três da manhã, então eu não tenho tempo para voltar para os arquivos do projeto antes das aulas no dia seguinte. Minha primeira aula é às oito, e já que eu tenho que estar no escritório da Fourth Dimension imediatamente depois da aula, visto minha roupa de trabalho antes de eu sair do dormitório. Não há tempo entre as aulas para nada, mas me apresso para a próxima aula. Eu nem sequer tenho tempo para almoçar, como a maioria dos dias. Desde o momento que deixo a minha aula de História da Europa desde 1700, meu estômago fica rosnando por horas. Eu carrego minha mochila cheia de livros e cadernos, lanço a minha bolsa no meu corpo, e ando em meus saltos de oito centrímetos para o ponto de ônibus. Meu estômago está uma bagunça, agitando e rosnando, entre fome e náuseas. Hoje é o primeiro dia que a equipe da Fourth Dimension se encontrará com o elenco do filme. O projeto passou por desenvolvimento e pré-produção, e agora estamos nos preparando para começar realmente a filmagem. Eu não sei o que esperar. Eu deveria, mas não sei. Eu deveria ter todos os aspectos do projeto ~ 110 ~


memorizados agora, mas eu nem mesmo sei quem é o líder. Estou nervosa, animada, e com medo. Nas minhas aulas de cinema eu já passei por todo o processo de fazer cinema em miniatura, desde o desenvolvimento de som e elétrica, câmera de audições até a pósprodução. Mas isso tudo foi em maquetes na aula. Isto é real. Eu vou trabalhar com um ator de verdade, ser praticamente uma assistente pessoal dele e vários outros requisitos. O estacionamento da Fourth Dimension está cheio de carros caros. Há uma Ferrari, um Bentley, uma limusine, e uma variedade de Mercedes e BMW. E então, na parte de trás, está um carro esportivo de prata-cromado que é quase um espelho. O carro parece que vale mais do que todos os outros carros no estacionamento juntos, embora eu não poderia dizer de que marca é. E aqui estou eu, chegando a pé da parada de ônibus. Eu entro no banheiro feminino antes de ir para a sala de conferência. Eu trouxe uma nova blusa para trocar, sabendo que eu iria suar com o que estou vestindo. Coloco desodorante, minha blusa nova, retoco a maquiagem e arrumo meu cabelo. Eu estou vestida com minha roupa mais conservadora. É uma saia de linho cinza claro que vai até o tornozelo, um par de sapatos de salto pretos, e uma blusa branca não reveladora. Eu pareço profissional, como uma empresária. Não há um nada sexy na minha aparência, e isso é exatamente como eu quero. Eu pego o elevador e sigo o som de vozes para a sala de conferência. A reunião está em pleno andamento, mas Kaz sabe que eu venho direito da aula. Faço uma pausa fora da porta, fora da vista, e tomo uma respiração profunda, seguro o ar e conto até dez. Através ~ 111 ~


dessa porta sentam alguns dos homens e mulheres mais poderosos e influentes de Hollywood. E depois vem eu, a filha problemática de um pastor da Georgia, uma estudante de cinema cursando o seu caminho na faculdade. Eu não sei por que este pensamento me atinge agora. Ninguém sabe o que eu faço. Lizzie mal reconhece a minha presença, Kaz acha que trabalho em um bar (que é uma espécie de verdade), e não há ninguém que se importa. Eu não sou amiga de qualquer um dos meus colegas de classe. Devin está ocupada com a sua própria vida em Auburn, e meu pai não quer saber se eu estou viva. É melhor assim. Eu não estou sozinha, eu estou muito ocupada para os amigos. Então, por que eu pisco evitando o borrão, o sal molhado em meus olhos? O tapete bege liso sob meus pés se movimenta. Respirações profundas, longas e lentas, e firmeza. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso. Eu pisco forte, cavo um lenço de papel da bolsa, e enxugo os olhos, em seguida, verifico a minha maquiagem em um espelho compacto. Eu empurro a porta, com um sorriso apertado no meu rosto. Uma dúzia de cabeças se volta para mim. Kaz sorri para mim de seu lugar na cabeceira da mesa oval de comprimento e com um aceno me indica a mesa. Ele aponta para eu sentar em uma cadeira vazia. Estou muito nervosa para registrar quem está na sala. Eu tomo o assento e me concentro em respirar. Ouço Kaz falando no meu ouvido, e percebo que ele está me apresentando. Perco vários nomes, ~ 112 ~


mas eu sei a maioria deles. Eu reconheço Bill Henderson, o diretor de áudio; Francine James, a diretora de elenco; Ollie Muniz, o diretor da unidade. Alguns outros nomes, eu perco, mas está listado nos arquivos. Eu forço minha atenção em Kaz. —... Erskine, nosso diretor. Atrás de você, Grey, é Rose Garret, que será Scarlett. Ao lado de Rose é Carrie Dawes, fazendo Melanie. Armand Larochelle à sua esquerda, que será Ashley Wilkes... — Minha respiração pega dolorosamente no meu peito quando eu ouço o nome de Armand. Ele está me olhando atentamente, um pequeno sorriso em seus lábios. Mas Kaz não terminou com as apresentações ainda. — E, por último, mas não menos importante, na cabeceira da mesa é Dawson Kellor, que tem o papel de Rhett. Estou tonta, o mundo está girando, meu coração arrebentando no meu peito. Não. De jeito nenhum. Eu forço meus olhos até Dawson. Seu rosto está vazio e cuidadosamente inexpressivo, mas sua boca está voltada para baixo um pouco, apertado nos cantos. Kaz está claramente alheio à tensão súbita. — Eu tenho certeza que você está familiarizada com o trabalho de Dawson, Grey. Você vai ser sua assistente durante o filme. Qualquer coisa que ele precisar, você irá proporcionar. Qualquer coisa. — Os olhos de Kaz estalam nos meus, e me obrigo a respirar antes que eu desmaie. Kaz aborda Dawson. — Grey é a melhor estagiária que eu já tive, Sr. Kellor. Tenho total confiança em suas habilidades. Dawson esfrega o lábio superior com o dedo. — Grey, não é? Você tem um sobrenome, Senhorita Grey? Eu engulo em seco. — Sou... Amundsen. Grey Amundsen. ~ 113 ~


Estou a dois assentos de distância de Dawson, mas parecemos ser as duas únicas pessoas na sala. Ele está me

olhando

atentamente, como se pudesse ver os meus segredos através dos meus olhos. Só que, ele já sabe o meu segredo. Eu relembro a noite anterior, o seu olhar quente no meu, suas mãos na minha pele, os olhos investigando o meu corpo nu. Eu sinto seus lábios contra os meus. Eu tropeço em meus pés e me encaminho para a porta. — Desculpe-me, — eu murmuro para Kaz. — Eu não estou... Eu não estou me sentindo bem. Alguma coisa... que eu comi. — coloco minha mão sobre a minha boca e corro para o banheiro feminino, onde me curvo em um vaso sanitário e vomito, uma inundação ácida que queima. Isso não pode estar acontecendo. Não é real. Eu sei que é fato que Kaz vai me demitir num piscar de olhos, se descobrir que eu sou uma stripper. Eu o vi demitir uma secretária-assistente quando ele descobriu que ela tinha feito striptease na faculdade. Ele a demitiu, não por ter sido uma stripper, mas por ter mentido sobre isso. Eu menti sobre isso. Não diretamente, mas por omissão. É o suficiente. Eu não posso trabalhar com Dawson. Agora não. Ele sabe o meu segredo. Ele tem poder sobre mim. Não importa tudo isso. Dawson é mesmo o problema. A maneira como ele olha para mim, do jeito que ele me toca. Mesmo no ambiente de negócios em público na sala de conferências, seus olhos ardiam nos meus, mercúrio cinza e hipnótico. Sua mera presença faz o meu sangue correr e meu corpo tremer.

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Eu ouvi a porta do banheiro abrir e um par de saltos andar em todo o azulejo. Carrie Dawes empurra a porta do box aberta e toca minhas costas, em seguida, afasta meu cabelo. — Grey? Você está bem? — Carrie é jovem e bonita, com o cabelo naturalmente vermelho e pele clara, e ela ganhou muita atenção recentemente por seus papéis principais em alguns dos filmes dramáticos de melhor avaliação dos últimos três anos. Concordo com a cabeça e me forço a ficar de pé. — Sim, eu estou bem. — Eu limpo minha boca e passo por Carrie em direção à pia. — Obrigada. Algo que eu comi não me fez bem. Carrie se inclina para trás contra o balcão, e eu a vejo em dúvida. — Uh-huh. Parece que você viu um fantasma. — Eu tive uma noite longa e alguns alimentos ruins. Estou bem. — tenho uma garrafa de enxaguante bucal na minha bolsa, e eu lavo a boca com ele. Carrie revira os olhos. — Se você diz. — Ela sai, então, e eu estou sozinha mais uma vez. Ligo a torneira e molho as minhas mãos em concha sob a água fria, enxáguo a boca e cuspo várias vezes para tirar o gosto de bile da minha boca. Retoco meu lábio manchado quando a porta do banheiro se abre. Dawson passa pela porta, e eu não posso respirar de novo. Ele está vestido com calça de brim azul escura e uma blusa cinza apertada que parece mais suave do que nuvens. Seu cabelo escuro está artisticamente despenteado, e uma sombra de barba cobre o queixo áspero. Seus olhos combinam com sua camisa, a cor

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de um céu nublado. Ele não para e atravessa o banheiro para ficar apenas a um centímetro de distância. Eu não posso encontrar seus olhos. Minhas bochechas se sentem como se tivessem sido incendiadas. — Sr. Kellor. O que posso fazer por você? — Você pode se explicar. — Sua voz é como um terremoto sentido a quilômetros de distância, um ruído surdo. Eu me afasto para longe dele, mas eu ainda posso sentir o calor que emana do seu corpo, duro, enorme, como se ele fosse uma fornalha. Eu dou de ombros, giro um ombro. — Não há nada para explicar, senhor. — Pare com isso. Mesmo se você fosse apenas uma estagiáriaassistente, não me chame de senhor. Como você chegou aqui? — Eu tomei um ônibus. Dawson grunhe em irritação e esfrega as mãos sobre o rosto. — Não seja estúpida. Tento respirar, mas eu não posso. Eu vejo o seu reflexo no espelho, e a realidade ofuscante de sua presença na minha frente. Ele é muito lindo para palavras. Muito homem para ser real. Suas bochechas são altas e afiadas, sua mandíbula é como uma escultura de mármore. Seus braços são grossos, longos e ondulados com músculos. A camisa é uma segunda pele sobre os músculos. A calça jeans recebe as coxas e o traseiro, e eu simplesmente não posso olhar para longe dele. Eu fecho meus olhos e tento respirar. Estou enjoada novamente.

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— Eu vou fazer isso ser fácil. — Dawson diz. — Você estava no clube na noite passada. Você é a Gracie. Agora você está aqui, e você é Grey. Sinto uma onda de pânico, e ela sai como raiva. — Não há nada para explicar! Você já sabe de tudo, não é? Você viu o que eu faço. Que mais você quer que eu diga? Eu me afasto do balcão, mas os meus pés deslizam. E eu não gosto. Braços fortes me pegam e me seguram, me colocam de pé. — Não me toque. — eu agarro, empurrando para longe dele. — Grey, está tudo bem. Eu não me importo. — Não está tudo bem. Eu me importo. — Eu estou encarando a porta, com Dawson atrás de mim. Seus dedos tocam meu ombro e facilmente me giram. Eu abaixo minha cabeça para evitar seus olhos, porque seu olhar é muito objetivo, parecem saber tudo. Apenas o toque de seus dedos no meu ombro é suficiente para deixar o meu coração batendo. Eu estava saindo, eu estava indo para fora, mas eu não posso me mover. Eu não posso me afastar. Ele está me sugando para a órbita de sua intensidade. Seu toque é uma correnteza. Ele me suga. É um catalisador, acendendo o fogo de necessidade. Eu preciso. Dele, do seu toque, algo assim. Qualquer coisa. Eu nem ao menos sei. Só ele. Eu entro em pânico e corro para longe dele. — Eu tenho que ir. — Para onde? — Embora. Eu não sei. — Eu escancaro a porta, mas sua mão pega meu pulso e me para. Eu reclamo que me solte. — Eu disse, não ~ 117 ~


me toque! Isso não vai funcionar, Sr. Kellor. Pedirei para Kaz... Quero dizer, o Sr. Kazantzidis, atribuir outro estagiário para você. — Eu acho que não. Eu não respondo. Argumentar é inútil. Não posso fazer isso. Ele é demais. Ele sabe. Trabalhar com ele profissionalmente, quando ele sabe o que eu sou... não. Eu não posso. Volto para a sala de conferências, e todo mundo pergunta se eu estou bem. — Estou bem. — eu digo. — Kaz, podemos ter uma palavra em particular? Ele franze a testa, mas acompanha-me ao seu escritório. Sentome na cadeira de couro profundo na frente de sua mesa e espero que ele se sente. — Está tudo bem, Grey? Balancei minha cabeça em uma negativa. — Não, senhor. Eu... Eu não posso aceitar esta missão. — Grey, eu não entendo. Isso é de vital importância. Isso é potencialmente o maior filme que o estúdio já trabalhou. Poderia arrecadar bilhões. Qual é o problema? Eu não sei o que dizer, como explicar sem explicar tudo. — Eu só... Eu não posso trabalhar com Dawson Kellor. Kaz se recosta na cadeira. — Deus. Eu estava me perguntando se isso seria um problema. — Ele suspira e mexe com sua caneta, girando-a em entre seus dedos. — Eu sei que Dawson tem uma certa... reputação. Mas tenho certeza de que o seu tempo longe de Hollywood o amadureceu.

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Eu não tenho nenhuma ideia do que ele está falando no começo, mas depois eu lembro de ter lido uma série de artigos em várias revistas sobre Dawson. Ele tinha uma reputação como um festeiro e playboy mulherengo. Houve um escândalo envolvendo uma assistente casada, e depois outro com uma atriz famosa, também já casada. E nem se fala no desfile interminável de namoradas com que ele tinha sido fotografado. Ele tinha uma mulher diferente em seu braço em cada fotografia, várias das quais venderam histórias para a mídia sobre suas predileções no quarto. Ele gostava de sexo selvagem, de acordo com as histórias. E muito. Os escândalos montavam e giravam em torno dele como um furacão, mas apesar de tudo ele continuava atuando, e cada papel era melhor que o anterior, por isso ele continuou ganhando papéis. Em seguida, houve uma acusação de estupro, e foi quando Dawson desapareceu dos olhos do público nos últimos anos. Este papel de Rhett Butler vai ser seu grande retorno, o ‗começar de novo‘ da sua carreira e sua imagem. — Ele deu em cima de você? — Kaz pergunta. Eu quero dizer que sim. Quero colocar a culpa toda em Dawson, deixar sua reputação vencer a luta para mim. Mas eu não posso. Eu balancei minha cabeça. — Não, não é isso. — Bem, então, eu confesso que não entendo. Qual é o problema? Estou à beira das lágrimas. Eu respiro e tento me concentrar. — É... eu não posso, Kaz. Sinto muito. Eu só... não posso. Kaz aperta a ponta de seu nariz. — Grey, eu gosto de você. Você é trabalhadora, é inteligente e realmente parece amar tudo isso. ~ 119 ~


Quero contratá-la em tempo integral. Eu realmente quero. Acho que você poderia ir longe. Mas... se você recusar isso, minhas mãos estão atadas, a menos que tenha as acusações contra Dawson, você precisa fazer isso. Esta é a maior oportunidade de sua vida. Poderia fazer a sua carreira, mas se não fizer, vai quebrá-la. Estou sendo honesto com você. Eu não choro, então, algumas lágrimas vazam. — Eu entendo. — Por que você não vai para casa e pensa sobre isso? Concordo com a cabeça. — Eu vou, senhor. Obrigada. Levantando nos pés instáveis, deixo seu escritório, pego o elevador descendo, e ando duas quadras e meia até o ponto de ônibus. Eu não percebi que ele estava atrás de mim, até que fosse tarde demais. — Onde você está indo? — Sua voz está bem atrás de mim, intimamente zumbindo no meu ouvido. Eu pulo, e então curvo para a frente, para longe dele, longe da sua presença intensa. — Casa. — Do que você tem medo... Gracie? Eu giro no lugar e tenho que conter meu impulso de esbofeteálo. — Esse não é meu nome. Não me chame assim, e não me toque. Eu dou um passo para trás. Se ele me tocar, estou perdida. Alguma coisa ruim vai acontecer. Eu sei o que vai acontecer. Ele diminui o espaço entre nós e, apesar do calor escaldante no início da noite, ele está perfeitamente calmo. Seu cabelo é perfeito, ~ 120 ~


suas roupas estão secas. Minhas axilas estão suadas e minha testa está cheia de humidade e minhas mãos estão tremendo. É depois das sete da noite, e eu não comi desde as seis da manhã e estou ficando tonta. Mas tudo isso é irrelevante em comparação ao efeito da sua proximidade. Ele não está nem mesmo a centímetros de distância. Meus seios estão raspando em seu peito. Lembro-me de como seus olhos olham para mim, como ele me devorava com os olhos. Ele me queria. Mas ele me viu, também. Viu a mim, por dentro. Você não pertence a este lugar, ele disse. E então ele me beijou. Ele está tão perto de novo, e eu estou me afogando. Se ele pressionar sua boca na minha, eu não vou ser capaz de detê-lo. Meu estômago ronca, e uma onda de vertigem me esmaga. Eu balanço sobre os meus pés, e eu cairia se não fosse por um braço de ferro em torno da minha cintura me segurando. — Quando foi a última vez que comeu? Eu me mexo para me libertar. — Eu estou bem. Só preciso voltar para o meu dormitório. — tropeço novamente, ao tentar ficar longe dele. Eu me inclino contra o sinal de parada de ônibus, e luto pela estabilidade e pela respiração. — Você não está bem. Deixe-me levá-la para casa — ele diz. Eu queria que fosse para casa. É apenas um dormitório, que não é estar em casa. Eu não tenho uma casa. Eu balanço minha cabeça e agarro o sinal.

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Ele olha para mim, parecendo ofendido pela minha teimosia. — Você vai desmaiar. — Eu vou ficar bem. Ele balança a cabeça e gira sobre os calcanhares. Eu ouvi-lo murmurar baixinho: — Garota idiota. — Eu ouvi isso. — murmuro. Ele não responde, apenas dá passos para longe. Não posso deixar de observá-lo, ele se move como um predador, como uma pantera espreita através da grama. Eu cerro os olhos. Algo nele fala comigo, me chama. Não é só porque ele é tão bonito. É algo nele. Algo magnético em seus olhos e sua presença me arrastando para ele. Pneus guincham e o carro prata e elegante, o que eu tinha visto no estacionamento, ruge em direção a mim. Não. Eu tenho que resistir. Ele derrapa até parar no meio da pista junto ao meio-fio, escancara a porta e sai, sem se importar com o tráfego se acumulando atrás dele, sem se importar com as buzinas e os gritos. Quando ele se move em direção a mim, seus olhos estão diferentes. Azul-cinza agora, e com raiva. Ele abre a porta do passageiro com um empurrão, envolve um braço em volta da minha cintura, e com facilidade e não gentilmente me empurra para dentro do carro. A porta se fecha, e então ele preenche o lado do motorista, e eu sou agredida por seu perfume, colônia e suor. O carro é legal, ar condicionado explodindo. Rock retumba nos alto-falantes, algo forte e pesado. Estou tonta, tão tonta. O mundo gira, e tudo o que eu vejo é Dawson ao meu lado, uma gota de suor escorrendo de seu pescoço ~ 122 ~


bronzeado e sob o colarinho da camisa. Tudo o que eu sei é o movimento de balanço de condução de Dawson ao som dos tambores batendo do heavy metal. Estou ciente do poder deste veículo, a velocidade sem esforço. Eu olho para o painel de instrumentos, e ele está fazendo sessenta, costura através do tráfego com habilidade louca e irresponsável. Eu me lembro de que ele fez um filme no qual ele interpretou um motorista, e os rumores eram de que ele fez, o próprio, quase toda a condução perigosa. Eu fecho meus olhos ao passar através de um cruzamento, passando um sinal vermelho e quase causando um acidente atrás de nós. Estou pressionada contra o assento, lutando para respirar. Este carro vale mais do que eu vou ver na minha vida, e ele está dirigindo com um absoluto desprezo por ele e nossa segurança. Sou arremessada para frente como se derrapando até parar. Minha porta está aberta, e o cinto que eu não me lembro de ter prendido é destravado. Sou levantada do carro com os braços poderosos de Dawson. Eu sinto o cheiro dele, algum tipo fraco, mas inebriante perfume de suor e do homem.. Eu reconheço o modo como meu corpo reage à sua presença. Eu o empurro. — Ponha-me no chão. — Não. Eu olho ao meu redor. Estamos no campus da USC, e todo o corpo discente está assistindo, pelo menos é o que parece. Eu ouço sussurros. Eu vejo as pessoas segurando celulares e tirando fotos. — Que prédio? — Sua voz é sedosa e íntima, quase gentil. Quase. ~ 123 ~


Eu aponto, e ele faz um caminho mais curto para lá. Eu não sou nada em seus braços. Ele se move com desembaraço. — Por favor. Ponha-me no chão. Posso caminhar. — Não. — Ele abre a porta e faz uma pausa. — Segundo andar. Duzentos e dezesseis. A notícia se espalhou, e as portas estão se abrindo à medida que subimos. Eu ouço sussurros, ouço o clique eletrônico de câmeras de telefones celulares. Eu ouço o grito de uma voz feminina. — É Dawson Kellor! Ah, meu Deus, é Dawson! Pode me dar o seu autógrafo! Por favor? Você quer entrar? Ele a ignora, passa bruscamente. — Não agora, moças. Vou assinar alguns autógrafos quando eu sair. — Algo em sua voz não deixa argumentos. Ele está na minha porta, de alguma forma torcendo a maçaneta sem me largar. Eu ouço os gemidos reveladores de Lizzie e seu último namorado. Brinquedinhos, como ela chama. Ela é um brinquedo para eles também, ela troca meninos mais rápido do que troca de roupa. A porta bate aberta, contra a porta e estremecendo ruidosamente conforme ela volta para o portal. — Oh meu Deus, que porra...? — Ouço Lizzie começar, e, em seguida, ela reconhece quem está se intrometendo. — Dawson Kellor? Oh Meu Deus, você é ainda mais lindo em pessoa, Sr. Kellor! Grey, o que está acontecendo? O que ele está fazendo aqui?

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Eu sinto Dawson tenso ao meu redor, com as mãos virando-se permanecerem ao redor dos meus ombros e debaixo dos meus joelhos. — Não agora, Lizzie. Eu não estou me sentindo bem. Você pode me dar um minuto? — Sai. Agora. — Dawson rosna, e o som é pura ameaça. Estou torcendo nos braços de Dawson por ver Lizzie desastrada sob o lençol para pegar a calcinha ao lado da cama. Seu atual garoto faz o mesmo, mas ele acidentalmente chuta para longe o lençol, e eles ficam nus. Lizzie guincha, bate no braço dele, e se enfia em sua calcinha, cobrindo os seios com um braço. Dawson não me coloca no chão, e mesmo que eu tenha sólidos 63kg, ele me segura com ausência de esforço completo. Ele apenas espera impassível enquanto Lizzie se enfia em suas roupas. O menino, - que realmente não se passa de um menino, um calouro loiro bem apessoado, com uma grande construção que não foi inteiramente finalizada, - enfia os pés em seus jeans e pula com sua camisa em uma mão e tênis Adidas esportivos na outra. É uma dança estranha que ele faz com familiaridade suficiente para me fazer pensar que ele já fez isso muitas vezes. Quando eles se foram, Dawson olha ao redor da sala procurando um lugar para me colocar. Eu chuto meus pés, e ele relutantemente me coloca de pé, mas suas mãos não deixam meus braços. Eu saio de suas garras e afastar-me para se sentar na minha cadeira. — Eu estou bem, Dawson. Sério. — Meu estômago ronca novamente, e sua testa enrugada.

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— Quando foi a última vez que você comeu? — Ele exige novamente. Eu dou de ombros. — Eu não sei. Esta manhã? — Eu não minto bem, ou com facilidade, e Dawson apenas levanta uma sobrancelha para mim. Eu suspiro e murmuro. — Antes da aula. Seis? O rosto de Dawson se contorce. — Você não comeu em 12 horas? E você andou quantos blocos para o escritório? Eu cavo uma barra energética de minha mesa e a desembrulho, segurando pelo invólucro. — Eu estou bem, veja. Jantar. Está tudo bem. Estou bem. Estou acostumada a isso. — Acostumada? Isso significa que você costuma ficar 12 horas sem comer? — Quando eu simplesmente dou de ombros novamente, ele rosna. — Isso não é saudável. Barra energética não é jantar. Ele vasculha o frigobar, mas eu impeço-o. — Isso é da Lizzie. Nada aí é meu. — Abro minha gaveta de lanche na minha mesa, onde guardo barra energética, barras de granola, um saco de rosquinhas, e alguns chips. Dawson apenas olha para mim. — Onde está o resto? — O resto do que? — Pergunto entre mordidas. — Sua comida. O que você come? Eu dou de ombros novamente, e, em seguida, decido não fazê-lo novamente. Dei de ombros muitas vezes com Dawson, e eu só conheço há duas horas, se tanto. — Eu como. Só que não aqui. Como uma rosquinha na parte da manhã, e às vezes tomo um lanche em ~ 126 ~


uma máquina de venda automática entre as aulas. Eu janto no trabalho. — E o almoço? Estou ficando irritada. Eu amasso a embalagem e lanço-a no pequeno lixo branco, em minha mesa, que está cheia dessas mesmas embalagens. — Por que você está tão interessado em meus hábitos alimentares? Dawson apenas olha para mim. Seus olhos eram de um tom claro de azul, quando ele estava com raiva, na rua. Agora eles estão de volta para um avelã silencioso. Eu não consigo desviar o olhar, não posso tirar os olhos de seus olhos. Longe dele. Sua mandíbula se desloca, e eu percebo que ele está rangendo os dentes, pensando. Ele cava o telefone celular do bolso, e eu fico perplexa ao perceber que é um iPhone. Depois do carro esporte caro, eu esperava que ele tivesse algum tipo de aparelho da era espacial de um filme de sci-fi, e não um iPhone 5 preto básico. Ele bate nele algumas vezes e, em seguida, leva-o ao ouvido. — Ei, Greg. Sim, olha eu estou no campus da USC, e eu preciso de um pouco de comida entregue. — Ele se vira para olhar para mim. — Você é vegetariana ou algo estranho? Eu balancei minha cabeça. — Não, mas... Ele olha para longe de mim e fala ao telefone mais uma vez. — Só um pouco de comida, eu acho. Sanduíches, hambúrgueres, qualquer coisa. Sim, no campus, nos dormitórios. — Ele dá orientações básicas para meu dormitório. — Oh, e Greg, traga o Rover

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e o conjunto de chaves de reserva. Vou te dar uma carona de volta no Bugatti. Legal, tchau. Bugatti. Esse deve ser o carro prata espelhado. Ele enfia o telefone no bolso de trás e despenca na cadeira de Lizzie. Antes de eu saber o que está acontecendo, ele tira meus sapatos e coloca minhas pernas sobre seus joelhos. Suas mãos e dedos massageiam meu pé direito. É chocantemente íntimo, sensual, e nem um pouco assustador. Eu quero ter o meu pé de volta, mas ele não vai soltar. Ele segura meu pé pelo tornozelo e cava o arco do meu pé com o polegar. É tão bom. Eu não posso evitar que um gemido escape. É um som alto, constrangedor, eu coloco a minha mão sobre a minha boca. Dawson apenas sorri, e o pequeno sorriso satisfeito nos lábios faz dele tão bonito que minha respiração falta em meus pulmões. Seu toque no meu pé é... É pecaminoso. Isso me faz sentir coisas que eu não entendo, faz com que meu estômago turve, faz as coisas virarem e torcerem. Alguma coisa acontece lá em baixo, perto do meu centro. Eu não sei se esta é uma reação incomum para uma massagem nos pés ou não. Talvez eu tenha pés sensíveis. Talvez ele seja simplesmente fantástico esfregando pés. Eu não posso evitar em relaxar na minha cadeira enquanto ele massageia meu pé. E então eu percebo que estive sobre meus pés o dia todo, e eles provavelmente fedem. Eu puxo meus pés para longe e enfio-os embaixo da minha perna, mantendo o tecido da minha saia modestamente estendido sobre os joelhos. — Não gosta de massagens nos pés? — Ele parece se divertir.

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— Não, eu só... eles fedem. Isso é nojento. — Seus pés não fedem. — Ele se inclina para frente e agarra meu pé. Sua mão está sobre minha coxa, perto da minha bunda, quando ele puxa os meus pés de volta. — Agora, me dá aqui. Não acabei. — Por quê? — Por quê, o quê? — Ele retoma a sua lenta massagem profunda do meu pé direito. Eu começo a dar de ombros novamente e, em seguida, paro, o que acaba em um movimento estranho do meu ombro. — Por que você está aqui? Por que você... Por que está fazendo tudo isso? Seus olhos são intensos, ficando escuros e tempestuosos conforme ele me prepara e considera a sua resposta. — Porque eu quero. — Mas por quê? Ele não respondeu, mas em vez retorna com sua própria pergunta. — Por que você está questionando isso? — Porque você não deveria. Você não deveria estar aqui. Você não deveria massagear meu pé. Você deveria apenas ir para casa e me deixar em paz. — Mas isso não é o que você quer. E não é o que eu quero. Droga, ele está certo. Eu o quero aqui. Eu quero essa massagem nos pés. Sua presença é... inebriante. Eu estou tonta com

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sua proximidade. Isso tudo é um sonho do qual vou acordar, eu tenho certeza. Mas eu não quero. — Você não sabe o que eu quero. — digo. É uma mentira, e eu sou uma péssima mentirosa. Ele não responde mais uma vez, apenas coloca meu pé direito para baixo em sua coxa e pega o esquerdo, e seus dedos deslizaram ao longo da minha panturrilha, o polegar rola no meu arco, arrancando outro gemido. E então seus dedos deslizar um pouco mais alto, em direção a parte inferior do meu joelho, e é muito, muito íntimo. É sensual demais. Eu puxo meu pé e ele não solta, mas o movimento traz a minha perna longe de seu toque. — Não, Dawson. — Por quê? — Porque... por favor, não. Ele só me olha e, agora, o único contato é a mão em volta do meu tendão de Aquiles e seu polegar no meu arco e os dedos um pouco acima dos meus dedos. O silêncio reina quando eu luto comigo mesma. Eu quero levar o meu pé para trás e pedir-lhe para sair. Ele vê muito, seus olhos perfuram minha alma e veem o que eu quero, quando eu não sei nem por mim mesma. Mas eu também quero deslizar da minha cadeira e ir para seu colo, e eu quero beijá-lo novamente. O pensamento me assusta. Eu não deveria querê-lo. Ele é... errado. Querer ele é errado. O sexo é errado. Foi gravado em mim desde que eu era uma menina pequena. Casamento acontece na

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castidade, no amor divino, e as crianças nascem de algum tipo de ato puro e santo. Mas isso que eu quero e é pecaminoso e sexual. Está uma guerra dentro de mim, e isso me congela em silêncio. Eu assisto seus braços flexionarem em sua camisa cinza apertada, vejo seus olhos mudarem e vagarem. Minha saia vai até os joelhos e as pernas estão pressionadas justas para apresentar uma visão modesta da panturrilha e nada mais, mas eu sinto que seus olhos vêem através das minhas roupas. Ele olha para mim como se me visse assim como na sala VIP do Exotic Nights. — Dawson, ouça... — Eu começo. — Não faça isso. Agora não. Discutiremos isso mais tarde. Greg vai estar aqui com a comida em um minuto. — Isso não é necessário. Eu não estou com fome — eu digo, bem quando o meu estômago ronca, mostrando a minha mentira. Ele apenas balança a cabeça, confuso. Eu fecho meus olhos e inclino a cabeça para trás para descansar em minha mesa, minhas pernas esticadas na cadeira e no colo de Dawson. Estou tão cansada de repente. O aperto e o esfregar das mãos sobre os meus pés é suave, incrível, relaxante. Sinto-me à deriva e não posso detê-lo. O telefone de Dawson toca, e, em seguida, a porta se abre. Eu me esforço para manter a sanidade, forço-me a sentar e pisco o sono para longe. Um homem de meia-idade, que eu assumo que é Greg, entra no meu quarto, com a cabeça raspada com a suavidade de um ovo. Ele é largo e corpulento, com os pés de galinha ao redor seus olhos castanhos escuros e acentuadamente inteligentes. Seus braços esticam as mangas de sua camiseta com gola da Lacoste, e ele tem ~ 131 ~


um telefone celular preso a um cinto de couro preto fino. Ele traz uma pilha de recipientes, que ele coloca em cima da mesa na minha frente. O cheiro de hambúrgueres grelhados e batatas fritas quebram a minha decisão e eu abro rasgando o recipiente superior. Dou três mordidas no gigante cheeseburger com bacon antes de eu perceber nem Greg nem Dawson se moveram. Eles estão apenas me assistindo comer. — O quê? Dawson apenas limpa o seu sorriso com a palma da mão, em seguida, pega o recipiente por baixo do que eu estou comendo. — Nada. Apenas... esta é LA. Você não costuma ver as meninas comerem um hambúrguer assim por aqui. Eu engulo, subitamente tomada pelo constrangimento. Eu estava me dando conta de como eu estava faminta. — Oh. Eu... oh. Estou com fome. Eu só... Sinto muito. Dawson franze o cenho. —Não se desculpe. É refrescante. Eu me forço a dar pequenas mordidas. Eu não comi um hambúrguer tão bom desde que eu me mudei para Los Angeles, e é delicioso. Quero devorá-lo, mas desacelero, ao invés. Eu não quero que Dawson me veja como um caipira. Olho para o homem que trouxe a comida. — Obrigada... Greg, certo? — Greg concorda. — Obrigada. — Não há de quê. — Sua voz é rouca, grossa de um fumante. Ele tem uma tatuagem em seu pescoço, ―Não pise em mim‖ serpenteia do lado da sua garganta. Eu vejo mais bordas de tatuagens

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espreitarem debaixo de sua camisa, em seguida, a miríade de cicatrizes nos braços e no rosto e marcas de socos. De repente, eu estou vendo Greg de verdade, e eu estou percebendo que ele é um grande, forte e ameaçador homem, algo como um Anjo do inferno misturado com um motocilista, em roupas de negócios casuais. Ele é um guarda-costas, evidenciado na forma como ele se move para ficar de costas para a porta, com as mãos cruzadas na frente que apenas seguranças fazem e não parecem estúpidos. Dawson está devorando um sanduíche de carne e sinto-me melhor sobre o meu próprio apetite. Ele lança um olhar para Greg e diz: — Por que você não espera lá fora? Vamos sair em um minuto. — Você tem um jantar de negócios com Uri Ivanovich em meia hora. — Greg diz. Dawson franze o cenho. —Eu tenho? Sobre o quê? —Ele quer lançar um script para você. É um thriller, eu acho. — Eu não me lembro de concordar com isso. Os lábios de Greg se apertam em uma sombra de um sorriso. — Eu não estou surpreso. Você se encontrou com ele na outra noite. Você estava muito atordoado naquela hora. — Cancele. — Dawson diz. Greg levanta uma sobrancelha. — Tem certeza? Coisas com Uri tem muito dinheiro na jogada. Ele não entra em scripts de merda. — Basta enviar-lhe as minhas desculpas e que ele envie o script pelo correio para mim. Vou lê-lo depois. Eu não irei jantar, apesar disso. — Dawson mastiga e engole, e continua. — Eu não ~ 133 ~


tenho certeza se quero fazer um filme de suspense, para ser honesto com você. Minha mente de negócios aparece. — Eu não acho que um filme de suspense seria uma boa jogada para você. — eu digo, antes que possa repensar minhas intenções. — Você quer reinventar sua imagem, então precisa ficar com papéis dramáticos mais profundos. Uri Ivanovich faz os scripts de muito dinheiro, mas eles são blockbusters de verão, não projetos profundos para o Oscar. Dawson franze a testa para mim. — Verdade. — Não é uma pergunta, mas seus olhos me convidam para continuar. — Antes de você deixar Hollywood, a maioria de seus papéis foram em suspense e ação, algumas comédias aqui e ali. O Vento Levou é o papel de um grande retorno para você. Ele envia a mensagem de que você está falando sério. — Sério sobre o quê?— Dawson pergunta. — Rejuvenescer a sua imagem. Sua reputação. — O que você sabe sobre a minha imagem e reputação? — É um desafio. Eu dou de ombros. — Só o que tem sido escrito sobre você. — Só porque eles escreveram... — Dawson corta, mas eu falo sobre ele. — Se é verdade ou não é irrelevante. Os escândalos sozinhos, merecido ou não, deram-lhe uma imagem negativa. E sim, eu sei o que eles dizem sobre a publicidade negativa ser melhor do que nada,

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mas eu não sei o quão correto isso é. Para um retorno, é preciso que você se apresente mais maduro. Eu preciso de uma distração para me impedir de cair pelo quão sexy ele é. Pensamentos que eu não deveria ter. Mesmo comendo, ele é lindo. Robusto e divino. Seus mandíbula se move, aperta, e brilha na luz da noite enquanto ele mastiga. Ele lambe o lábio por fora, e lembro-me da maneira que seus lábios tocaram os meus, o modo como sua língua traçou meu lábio inferior. Eu me livro desse pensamento e foco o meu hambúrguer, meio comido, foco no grão da madeira falsa da minha mesa, foco em qualquer coisa, menos nele. Greg desliza para fora, e eu ouço vozes conversando do lado de fora, vejo alguns flashes de câmeras, e seu rosnado baixo quando ele empurra a multidão para trás. Dawson lança um olhar tenso na porta. Uma multidão está esperando por Dawson sair. Ele está aqui comigo, comendo sanduíches, e lá fora, estão dezenas de pessoas esperando, clamando por um mero vislumbre dele. Minha cabeça gira um pouco. Eu termino o hambúrguer, abafo um arroto embaraçoso, que faz um sorriso em Dawson, e eu limpo minha boca com um guardanapo. As vozes do lado de fora crescem em volume, e a expressão de Dawson fica séria mais uma vez. — Sinto muito — eu digo, apontando para a porta e, por extensão, a multidão além dela. — Agora você tem que lidar com isso. — Eu fiz a escolha. Isso faz parte do negócio. — Ele dá de ombros, agindo indiferente. — Não se preocupe. ~ 135 ~


Eu franzo a testa. — Eles vão escrever sobre mim? — Provavelmente. Eles vão inventar mentiras. Apenas ignoreos. Eles vão embora. Possibilidades e potenciais ramificações voam pela minha cabeça, e o pânico começa a se definir — Mas... e se eles me seguirem? Dawson dá de ombros. — Não responda. Faça o que tem que fazer e ignore-os. Ele não entende. — Eu não sou uma atriz famosa, Dawson. Eu sou uma estudante. Uma estagiária. — Eu mantenho meus olhos baixos. — Você sabe onde eu trabalho. Que eu faço. E se me seguirem até lá? As pessoas vão descobrir. Dawson fecha a tampa de isopor e enxuga as mãos e a boca, então ele coloca meus pés de volta no chão, se inclina para frente e leva as minhas mãos nas dele. — E isso é um problema? — Sim! — Você tem vergonha do que você faz? Eu não respondo, não olho para ele. Eu só puxo minhas mãos livres e me levanto. — Você deveria ir. Ele se levanta, também, mas apenas para ficar acima de mim, o corpo perto do meu. Seu dedo indicador toca no meu queixo e me obriga a olhar para ele. Eu faço, e eu estou sem fôlego. Seus olhos são o cinza-azulado de chateado agora, intenso e conflituoso. ~ 136 ~


— Grey. — O quê? — É uma respiração, um sussurro. — Por que você faz isso, se você sente vergonha? — Seu olhar queima dentro de mim, e sei que ele pode ver os meus segredos, ver a minha vergonha, ver a minha necessidade e meu medo. Seu dedo polegar segurar suavemente o queixo, então não posso me afastar. Eu me recuso a responder. — Por favor, apenas vá. — Tudo bem. — Libera o meu queixo e vira em direção à porta. Minha pele queima, onde ele me tocou. — Vejo você no escritório amanhã. — Não. Ele para e volta. — O quê? Não, o quê? — Eu não posso fazer isso. — Grey, do que você está falando? — Ele franze a testa para mim. — Eu não posso trabalhar com você. Eu apenas não posso fazer isso. — Eu tive a impressão de que você tem que fazer isso, se quiser terminar o estágio. — Ele coça a mandíbula. — Eu não sei do que você tem tanto medo. Apesar da minha reputação, eu não sou tão ruim assim. Eu balancei minha cabeça. — Não é isso. — Então o quê? Explique-se.

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— Você não entenderia. Você não poderia. — Você ficaria surpresa com o que eu posso entender. — Dawson diz. Seus olhos atentos nos meus, não vacilam, desafiandome a olhar para longe, o que é claro que eu não posso fazer. — Você sabe. — eu sussurro. — Você me viu. Você viu Gracie. Você nunca vai me enxergar como nada além disso agora. — Eu estou te tratando como uma stripper? — Ele diz a palavra casualmente, como se ouvir isso a cada vez não abrisse um buraco em mim. — Não. — Eu mal posso sussurrar a resposta. — Você acha que é a primeira menina a sobrevivar na faculdade desta forma? Você está incrivelmente bem, Grey. Você merece. Isso não te define. — Define sim. — Então esse é o seu problema. Você vai deixá-lo arruinar a sua carreira antes mesmo de começar? Sério? Se é grande coisa, eu não vou contar a ninguém. E eu vou falar com Armand e certificar-me de que ele não conte também. Adam e Nate estavam acabados, e eu duvido que seriam capazes de reconhcer você. Basta vir trabalhar amanhã. — Apenas... vá. Por favor. — Estou quase chorando, segurandoas de volta desesperadamente. Dawson balança a cabeça lentamente, como se estivesse confuso e irritado. — Droga, Grey. Apenas deixe-me...

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— Deixe o quê? O que você vai fazer? Mudar a realidade? Ele suspira, exasperado. — Porra, tudo bem. Que seja assim. — Ele se vira para a porta e coloca a mão na maçaneta, depois para, como se lembrando de algo. Puxando um conjunto de chaves do bolso, ele atravessa o pequeno cômodo com dois passos, pega a minha mão na sua, e coloca as chaves na minha mão. — Aqui. Você não deveria estar andando por todos os lugares sozinha. Eu olho para baixo e vejo um emblema da Land Rover, a chave dobrada dentro de um oval de prata no plástico preto com as letras verdes da assinatura. —O quê? Eu não posso, quero dizer... o quê? — É o meu Rover. Está lá fora. Essas são as chaves. Quero que o dirija. — Mas... não. Quer dizer, você não me conhece. Nós nos encontramos duas vezes. Eu não posso dirigir o seu carro. — Sim, você pode. E você vai. Você é a minha assistente para este projeto, o que significa que você tem que fazer o que eu lhe digo. Seu trabalho é manter-me feliz. Então, dirija meu carro. — Mas... e se eu bater? Ele bufa. — Amor, eu sou Dawson Kellor. Eu poderia comprar uma dúzia deles com o meu cartão de débito. Eu não poderia me importar menos se você batê-lo, exceto por você se machucar, é claro. — Você tem um cartão de débito? — pergunto. Parece uma coisa tão comum para uma celebridade do calibre de Dawson ter. Ele parece confuso. — Eu tenho uma conta bancária, portanto, sim, eu tenho um cartão de débito. Também tenho cartões de crédito. ~ 139 ~


E uma carteira de motorista. — Seu tom de voz muda para provocação. — Você sabe o que mais? Eu sou um cara. Faço xixi e vou ao banheiro. Faço merdas. Como cheeseburgers. Vejo baseball e bebo cerveja. Eu olho para ele. — Isso não é... Quer dizer, eu só... Ele ri, e esfrega um dedo sobre as linhas de expressão na testa. — Relaxe. Estou brincando com você. Meu ponto é, eu sou apenas um cara. — Você não é, apesar de tudo. Você até mesmo disse. Você é Dawson Kellor. — Será que isso a intimida? — Ele está se aproximando, e sua boca está a centímetros da minha, sua respiração no meu rosto e os olhos fazendo buracos em mim. Ele poderia estalar os dedos, e qualquer mulher no mundo saltaria para fazer o que ele quisesse. No entanto, aqui ele está, no meu atarracado dormitório, agindo como se gostasse de mim, como se ele visse algo de especial em mim, além do fato de que eu sou bonita o suficiente. Isso não é vaidade, mas mais sobre saber quem eu sou. Eu não sou o tipo de garota que ele está acostumado. Eu não sou uma garota de LA. Eu não sou uma atriz ou alguém sexy, confiante e segura de quem eu sou. Eu sou uma bagunça. Uma confusa, envergonhada, bagunça vergonhosa. E ele é o deus de Hollywood. Ele é o rosto de Caim Riley, herói da trilogia Mark of Hell, uma série de paranormal/ação/aventura de livros de romance que vendeu

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tanto quanto Harry Potter e Crepúsculo. Esses filmes fizeram a carreira de Dawson. Seu rosto está nos livros agora. Há uma marca de Mark of Hell na Universal Studios, com o rosto de Dawson estampado por toda parte. Há brinquedos com sua aparência, fãclubes e trajes de cosplay, paródias e esquetes do Saturday Night Live tirando sarro dele. Seu retrato de Caim era sombriamente sexual, o encontro de James Bond com Batman. Mulheres desmaiam sobre Caim Riley, fantasiam sobre ele. O que torna Dawson ainda mais famoso é o fato de que ele parece imitar na própria vida o personagem que interpretou no filme. As mulheres não apenas desmaiam sobre Caim Riley, o personagem fictício, mas sobre o Dawson Kellor, o muito real e selvagem, sexy jovem afável Playboy com mais dinheiro do que Deus. Eu vejo esse escuro e sexual Dawson Kellor na forma em que seus olhos me devoram. Eles estão queimando como uma tempestade cinza agora, e eu percebo que a cor do seu olhar é uma coisa mutável, mudando com suas emoções e suas roupas. Suas mãos param em minha cintura, e eu não estou respirando, incapaz de desviar o olhar de seus olhos. Eu sinto sua respiração em meus lábios, sinto o poder de suas mãos na minha pele, e eu me lembro do gosto de seu beijo, o hipnotismo encarnado de sua boca na minha. Meus pulmões queimam com a respiração presa, meus olhos vacilam e borram, e o calor de seu corpo irradia contra a minha pele e eu o quero. Eu quero beijá-lo de novo, eu quero ficar perdida em seu toque, como eu fiquei naquele momento no clube. Naquele breve instante de tempo, eu era apenas uma mulher sendo beijada, uma menina experimentando seu

~ 141 ~


primeiro encontro com a paixão, nada mais importava, nada existia, exceto Dawson, sua boca, suas mãos, seus olhos, seu calor e seu amplo e duro corpo musculoso. Eu realmente o quero neste momento. Eu tenho que parar com isso. Eu tenho que me afastar. Beijá-lo seria um erro. Se eu tiver que trabalhar com ele, eu não posso beijálo. Eu não posso pensar sobre aquela noite no clube, camisa de seda contra a minha pele nua e com as mãos em minhas costas, me possuindo. Só que eu quero que ele me possua. Eu quero que ele faça o que ele quer. Quero ceder a minha própria necessidade e trêmulo desejo. Eu quero que ele me mostre o que eu nunca conheci. Seus lábios são macios e molhados contra o meu, e eu estou respirando

o

fôlego,

agarrando

sua

camisa

e

segurando

desesperadamente pela sua vida, deixando-me beijar novamente. O beijo... Meu Deus, o beijo. Eu me repreendo por dizer o nome do Senhor em vão, e então eu me lembro de que eu não me importo mais com isso, e então ele desliza a língua entre os meus lábios e arranhando meus dentes, toca a minha língua com um sabor arrebatador. Eu não posso respirar, não posso começar a pensar, não posso fazer nada, mas pego sua blusa em meus punhos e beijo-o, mudo a minha boca contra a dele e toco sua língua com a minha. E agora eu nunca vou voltar deste lugar, pois eu sei o gosto da tentação. Eu pequei, eu caí. Os lábios dele se afastam, e eu sou deixada no vazio. Eu cedo para frente e descanso minha cabeça contra seu peito, e então os ~ 142 ~


soluços

me

ultrapassam,

me

mandando

espasmos

trêmulos,

afastando, empurrando, tendo soluços. — Grey? Jesus, que há de errado? — Sua voz é claramente confusa. — Vá. Apenas... vá. Por favor, vá. — Eu mal posso falar. — Por que você está chorando? Foi tão ruim o beijo? — Ele está fazendo piada, mas não funciona. O estremecimento em seu rosto mostra que ele sabe disso. Só posso sacudir a cabeça. Eu tropeço para longe de seu calor hipnótico, longe do seu toque, seus lábios. — Vá! Deus... Por favor, me deixe em paz. Eu não posso... eu não posso, eu não posso fazer isso com você. Você tem que ir. — Subo minha escada para o beliche superior, sentindo-me como uma criança tentando se esconder de punição. Eu sinto-o ali, me assistindo. Eu estou de costas para ele, por isso tudo o que posso ver é a curva da minha cintura, meus quadris e a extensão tensa da minha parte traseira. Minha saia de linho cinza está enrolada embaixo de mim, esticada em meus quadris, e eu sinto seu olhar em meu corpo. Eu quero mudar e ajustar a saia, mas eu estou muito consciente de seus olhos em mim para me mover. Eu ouço um tilintar de chaves e depois o som de metal em madeira como ele coloca-as na minha mesa. Eu ouço colocando os recipientes vazios dentro do saco de papel, e em seguida, o som do giro da maçaneta. Vozes excitadas crescem mais alto quando a porta se abre. Greg rosna uma liminar para se acalmarem.

~ 143 ~


— Grey, Eu... — Pela primeira vez desde que eu o conheci, Dawson parece inseguro. Eu quase me viro para olhá-lo, mas não o faço. Então a voz arrogante está de volta. — Esteja lá amanhã. Dirigindo o carro. Ele sai, então, e o clamor quando ele emerge do meu quarto é ensurdecedor. Há gritos e gritos. Eu ouço uma voz feminina dizer a Dawson que ela quer ter seus bebês. Outra pergunta a ele se quer se casar com ela. Um coro de vozes pede autógrafos e fotos, e eu ouço Dawson dizendo que vai assinar autógrafos durante dez minutos, e então ele tem que ir. Acalma o ruído, e eu posso ouvir o murmúrio da voz de Dawson quando ele fala com as mulheres que está autografando. Eventualmente, o barulho morre, e ao longe ouço o ronco gutural de seu carro. Lizzie vem depois de alguns minutos. — Puta merda, Grey! — Ela sobe e está pendurada na escada. — Você sabe quem era? Por que ele estava aqui? Você transou com ele? Eu quero ignorá-la, mas não posso, porque ela é muito alta, muito entrona e desagradável. Eu rolo, e eu não tenho que fingir a expressão atormentada no rosto. — Ele é meu chefe, Lizzie. Ele é a minha missão para o meu estágio. Então, sim, eu sei quem ele é. E não, nós não... Quer dizer, eu... Não. — Oh Meu Deus, por que não? — Ela agarra meu braço e me sacode. — Ele é o pedaço mais quente de homem em todo o planeta, porra! Como você pode não fazer! ~ 144 ~


Eu não sei o que dizer. Acabei de dar de ombros. — Eu trabalho para ele. Eu não poderia... Quero dizer, minha nota, o meu estágio, minha carreira, tudo está ligado a este assunto. — É a verdade nua e crua e por que eu não posso deixar que nada aconteça. Por que eu tenho que resistir a atração hipnótica. — Jesus, Grey. Ele é a porra do Dawson Kellor. Ele é Caim Riley, pelo amor de Deus! É um crime contra todas as mulheres heterossexuais não pegar um pedaço dele. E você não pode me dizer que ele não está interessado. Vi o modo como ele segurava você. Eu estouro, só um pouco. — Deus, Lizzie, você ouve a si mesma? Ele não é um pedaço de carne. Ele não é um objeto para eu pegar um pedaço. Ele é um homem. Uma pessoa. Eu... E ele não me segurou de nenhuma forma. Ele me carregou porque eu desmaiei. Isso é tudo. — Eu não sei por que estou mentindo para ela. Bem, eu sei sim. Lizzie franze a testa com a minha explosão. — Você é mais burra do que eu pensava. Mande-o para mim, se você não está interessada. — Ela desaparece de volta para a porta em seguida, e eu estou finalmente em paz. Eu tento dormir, e não por muito tempo. Quando eu caio no sono, eu sonho com Dawson. Eles são sonhos eróticos, sonhos torturantes, no qual ele me toca em lugares que me fazem suar e se contorcer na calça. Ele me beija nos sonhos, e eu o deixo, e eu beijo-o de volta, e torna-se mais que um beijo. Torna-se algo que me faz ter dor entre minhas pernas.

~ 145 ~


Eu acordo em um emaranhado suado de lençol e olho para o teto,

incapaz

de

esquecer

os

sonhos.

Eu

caio

no

sono

e,

imediatamente, os sonhos começam novamente. As mãos de Dawson na minha cintura, deslizando nos meus quadris. Curvando-se sobre a o meu traseiro. Roçando embaixo dos meus seios. Investindo para baixo, para baixo e para baixo entre as minhas pernas me tocando da forma mais pecaminosa. Eu vejo seus olhos, azul acinzentado, como um raio, - atado a nuvens de tempestade, e eu ouço sua voz sussurrando para mim — Você não pode resistir a mim, Grey. Você é minha, Grey. Eu acordo de novo de madrugada, ouvindo suas palavras sussurradas no sonho, e dividida entre desejar que eles fossem verdadeiros e estar aterrorizada de que eles sejam.

~ 146 ~


09 Eu faço muito dinheiro no clube, mas financeiramente, ainda é pouco. Minhas gorgetas apenas cobrem meu custo de ensino, alojamento, alimentação e livros. Só. Eu tenho que economizar para comer e comprar novos equipamentos para o estágio. De qualquer maneira se eu saio do campus, eu ando tanto quanto possível. Até a tarifa de ônibus é muito cara e eu preciso de cada centavo. Eu odeio isso, porém, porque USC fica em um bairro ruim, e uma menina sozinha, mesmo em plena luz do dia – não é seguro . Eu estou de pé no estacionamento fora do meu dormitório, olhando

para um

Range

Rover

novo.

É

branco

com

vidros

escurecidos. As chaves estão na minha mão, e eu estou em guerra comigo mesma. Eu tenho minha carteira de motorista, mas eu não dirigi desde que deixei a Georgia. Eu pesquisei os Range Rovers no Google, e este modelo na minha frente custa algo em torno de 137 mil dólares. Eu simplesmente não consigo compreender essa quantidade de dinheiro. E ele deixou aqui no estacionamento da universidade, por um capricho, para eu dirigir. E, em seguida, alegou que ele poderia comprar uma dúzia deles, se quisesse. Ler ou ouvir sobre ~ 147 ~


transações de vinte milhões de dólares no cinema é uma coisa, mas a compreensão da realidade de um homem realmente ter esse tipo de dinheiro, vendo a evidência disto, é outra coisa. Este Range Rover SUV, estes 137 mil dólares, é troco para ele. Mesmo a Bugatti, o que provavelmente custa algo perto de dois milhões de dólares, não é nada. Dawson fez quatro milhões no primeiro filme de Mark of Hell e mais dezesseis entre os outros dois. Ele fez outros quatro filmes de grande orçamento, desde então, nenhum dos quais ele ganhou menos de dez milhões de dólares cada. Está extraordinariamente quente lá fora hoje, e eu estou suando só estando aqui, debatendo comigo mesmo. Seria prudente dirigir o Rover. Eu clico no botão ―unlock‖ e abro a porta. Eu deslizo para o banco do motorista, ofegante, no calor escaldante do couro marron sob minhas pernas e nas minhas costas. Eu ligo o motor, que cantarola para a vida com um ronronar baixo e poderoso. Em poucos segundos, o ar condicionado explode o ar fresco. Eu inspiro e, em seguida expiro com cuidado. Estou com medo este carro. Estou com medo de que isso significa que eu estou realmente fazendo o que ele me disse para fazer. Eu vou terminar o estágio, e eu vou passar os próximos meses de trabalho com Dawson profissionalmente. Ele me viu nua. Ele tocou a minha pele nua. Ele me beijou, duas vezes. Meu corpo responde a ele de uma forma que eu nem comecei a entender. Atrasando o momento de realmente ter que conduzir este veículo, eu mexo com o infotainment center4 até que ligue. Uma 4

Infotainment Center – Acessório que une tanto informação com entretenimento. Composto de GPS e sistema de som do carro;

~ 148 ~


explosão de heavy metal tão alto que o carro treme. Eu luto para abaixar, então consigo mudar para o rádio. Eu mudo as estações até que eu encontro a 102,7 FM, a estação pop. ―Can‘t Hold Us‖ — do Macklemore toca, e eu aumento um pouco. Nem perto de ser tão alto quanto Dawson, mas o suficiente para me dar confiança, danço no meu lugar. Eu respiro fundo e coloco o SUV em marcha ré, me retirando do local lentamente. O caminho até o escritório é horrível. Eu sou uma péssima motorista. Eu também estou indo muito devagar e sendo buzinada, ou eu estou esquecendo o quão poderoso é o Rover e indo vinte acima do limite. Quando eu mudei de faixa, eu cortei a frente de várias pessoas e depois eu quase perdi onde eu tinha que dobrar, me forçando a cortar várias faixas do tráfego. Eu quase causei dois acidentes. No momento em que eu estou sentada em uma vaga de estacionamento em frente ao prédio do escritório, meus nervos estão disparados, deixando-me tremendo e quase chorando. E agora eu tenho que ir e enfrentar Dawson. Sua Bugatti está estacionada

paralelamente

a

três

vagas,

no

fundo

do

estacionamaento. Deixei o motor em ponto morto enquanto tento me recompor. Estou quase calma quando a porta do passageiro se abre e Dawson desliza para dentro. Ele está vestindo uma camisa desbotada Billabong laranja e bermuda cargo cáqui com chinelos preto Old Navy. Um par de óculos Ray-Ban cobrem seus olhos, e seu cabelo está espetado com gel, parecendo espinhoso e duro. Sua mandíbula está com a barba crescida, espessa e escura, quase uma barba de verdade. Quero passar minhas mãos sobre o seu rosto, sentir a barba fazer cócegas em minhas mãos.

~ 149 ~


Eu cerro os punhos ao redor do couro do volante e tento respirar pela necessidade de tocá-lo. — Você parece tensa. — Ele inclina-se contra a porta do carro, com as pernas esticadas para na frente dele. Ele está calmo e totalmente composto. Um pequeno sorriso adorna a sua bela boca expressiva. Eu lambo meus lábios e moou as minhas mãos em torno da direção. — Eu estou bem. Ele bufa. — Amor, não minta para mim. — Não me chame assim. Eu não sou seu amor. Eu não sou o amor de ninguém. — Vê? Tensa. É apenas uma palavra. — Ele arrasta o cinto de segurança em seu torso e trava. Ele aponta para o norte. — Temos negócios. Conduza. — Para onde? — Eu olho para Dawson, que tem seu nariz enterrado em seu telefone. — Em primeiro lugar, voltar para a minha casa. Temos que pegar o meu script. Que eu esqueci. Então temos um encontro com uma das empresas de produção secundária... uh... Orbit alguma coisa. — Sky Orbit. — eu completo. — Sim, eles. E depois de volta aqui. Jeremy quer revisar algumas coisas comigo e Rose. Já que você é a minha assistente para este projeto, você está comigo.

~ 150 ~


— Então, nós estamos indo para os escritórios da Sky Orbit? — Eu pergunto. Ele balança a cabeça. — Não, é um jantar de negócios. Spago. Até eu sei o que é Spago, um restaurante chique em Beverly Hills. — Eu estou vestida para isso? — Eu dou uma olhada a Dawson. — E você? Ele encolhe os ombros. — Será que isso importa? Você está ótima. Nós estamos parando na minha casa, então eu vou colocar um jeans ou algo assim. Não que eles vão me dizer que eu não posso entrar, você sabe. — Então, onde você mora? — Apenas diriga em direção a Beverly Hills — ele diz, sem levantar os olhos de seu telefone. Quando eu hesito, ele olha para mim. — O quê? — Eu nunca... Eu nunca dirigi por aqui. Ou... em qualquer lugar, na verdade, antes de hoje. — Você o quê? — Dawson franze a testa para mim. — Como é que você nunca dirigiu antes? Você tem licença, certo? Concordo com a cabeça . — Sim, eu tenho licença, mas eu nunca dirigi. Nunca precisei. Minha mãe ou pai me levavam onde eu tinha que ir. Aqui eu pego o ônibus, ou eu ando . Dawson parece que está lutando riso. — E eu lhe dei um Range Rover Autobiography? — Um o quê? ~ 151 ~


Ele ri então. Seus dentes são brancos, e o riso transforma seu rosto, faz o que já é bonito quase insuportável. — Isto? Esta é uma Range Rover Autobiography 2013. É... — Ele suspira e balança a cabeça. — Você sabe o quê? Não importa. É apenas um carro. Vamos. Ele sobe por cima de mim e puxa as chaves da ignição. Seu antebraço pincela meu peito, e eletricidade passa rapidamente através de mim com o contato. Ele não percebe, apenas desliza para fora do carro anda a passos largos em direção ao seu Bugatti. Eu pesquisei o carro esta manhã durante a aula. É um Bugatti Veyron 16.4 Grand Vitesse, e por todas as contas, é o carro mais caro do mundo, especialmente desde que ele pediu algum tipo de características especiais que a tornam único. Havia toda uma matéria de revista do fato de que Dawson comprou um, e houve também um artigo sobre seus outros carros, já que ele aparentemente tem vários carros superesportivos de luxo , incluindo um Aston Martin Vanquish, um Bentley e um Maserati. Eu tive que olhar o que cada um deles era. Eu pego minha bolsa e o sigo até o carro dele. Ele está esperando por mim, segurando a porta. Eu deslizo para o banco de couro, e ele fecha a porta atrás de mim. É um gesto de cavalheirismo que me confunde. Eu coloco o cinto de segurança e agarro a minha bolsa no meu colo, recusando-me a olhar para Dawson quando ele dobra seu corpo no assento e traz o carro para a vida. Nós partimos com um guincho de pneus e uma guinada do meu estômago . Ele tece o carro através de tráfego, desrespeitando as leis de trânsito a torto e direito. Ele avança pelo menos um sinal vermelho, talhando o volante para a direita para evitar por pouco um caminhhão. Estou sem fôlego, aterrorizada.

~ 152 ~


Eu pareço passar muito tempo com medo em torno deste homem. Ele aperta o carro entre as pistas, encaixando-se em espaços que não teria acreditado que um carro poderia ir. Tendo acabado de navegar pelas ruas de LA.

Eu mesma

percebo o domínio que ele tem sobre o seu veículo. Ele faz com que pareça

fácil,

como

se

abrir

caminho

em

meio

ao

trânsito

congestionado de Hollywood a noventa quilômetros por hora é totalmente normal. Seu telefone toca e ele a puxa e o joga para mim. — Você pode ver quem é? Eu seguro o telefone desconhecido na minha mão e olho para ele. Eu não tenho um telefone celular, já que não posso pagar e não tenho ninguém para ligar. Eu tenho um iPad que eu uso para o estágio, no entanto, é exatamente igual. Eu deslizo o ícone verde através da tela. — É... Ashley M. — Eu começo a ler o texto em voz alta. — Ela diz, 'Você deveria vir hoje à noite. Tenho eight-ball e alguns Blue Label. Seu rosto se contorce. — Merda. Achei que era de Jeremy. — Quem é Ashley M? — Um pensamento me atinge. — E por que apenas a primeira letra do seu sobrenome? Conhece tantas Ashleys que você tem que diferenciar entre elas? — Merda. — ele diz novamente. — Ela é... uma amiga minha. ~ 153 ~


— Uma amiga. — Não é realmente uma pergunta. Ele pega o telefone sem olhar para mim e o empurra entre suas coxas. — Sim. Uma amiga. E sim, eu conheço muitas Ashleys. E muitas Jens. Sobrenomes... geralmente não são necessários. — Então, eu deveria respondê-la para você? — Eu sei exatamente o que a mensagem queria dizer. Bem, talvez eu não sei o que é um eight-ball é, mas Blue Label é whisky de muitos anos. Estou imaginado que um eight-ball são algum tipo de droga, o que significa sexo. Ashley M é provavelmente deslumbrate, linda, sofisticada e sabe como agradá-lo de maneira que eu não possa. O meu coração aperta. Eu me forço a lembrar que ele é o meu chefe. Eu trabalho para ele. Ele pode se drogar, beber e fazer sexo com quem que ele quiser. Isso não tem nada a ver comigo. Ele muda as marchas e pega o telefone, girando-o entre o polegar e o indicador. Então, ele joga para mim. — Sim. Responda para mim. Eu pego o telefone e clico na mensagem de Ashley M. — O que você quer que eu diga? — Basta dizer que não, obrigado, que eu já tenho planos. Eu digito a mensagem em seu telefone e a envio, e em poucos segundos, a resposta aparece na tela cinza. — Ela disse, ‗Awww, você tem certeza?...‘ — Eu engasgo um pouco e coloco o telefone em seu colo. — Eu não vou ler o resto.

~ 154 ~


Meu coração aperta, e meu estômago vira. Não é da minha conta. Eu não me importo. Eu não me importo. Mas... tanto quanto falo para eu não me importar, eu me importo. Eu não deveria, e eu não deveria ter nenhum sentimento possessivo sobre Dawson, mas eu tenho. O restante da mensagem dizia: “Se você vier, você pode colocar na minha bunda de novo.” Meu olhos borram. Dawson puxa o carro para uma parada em um sinal vermelho, e por impulso eu tiro o meu cinto de segurança, empurro a porta aberta, e saio. Eu estou usando saltos, então eu não posso correr, mas eu bato a porta atrás de mim e começo a andar tão rápido quanto o meu senso de equilíbrio precário permite. Eu não estou olhando para onde eu vou, e eu não sei onde estou. Não importa. Eu ouço a voz irada de Dawson atrás de mim, chamando meu nome. Eu não sei o que estou sentindo. Irritada, mal do estômago, com ciúmes, confusa. Perdida. Fracassada, como se um senso de possibilidade foi tirado de mim. Ele gosta de sexo anal. Ele tem mulheres aleatórias, cujos sobrenomes ele nem sequer se preocupa ou sabe, mandam mensagens de texto para ele para uma noite de sexo sem sentido, drogas e álcool. Ele é uma estrela. Uma celebridade. Ele vive uma vida de celebridade, e eu não sei nada sobre isso. Ouço buzina e gritos atrás de mim, e eu o ignoro. Eu continuo caminhando, lutando contra as lágrimas estúpidas e perdidas. Eu nem sei por que estou tão chateada com isso. Eu sou levantada do chão, girada no lugar, e presa contra a janela de vidro da fachada de uma loja. Os braços de Dawson estão em torno de mim, em meu traseiro. Uma de suas mãos está na minha ~ 155 ~


bochecha, forçando meu rosto para o dele. Ele está respirando com dificuldade, o suor pontilham a testa e o lábio superior. Seus olhos são azul-cinza, a cor da sua ira. — Droga, Grey. Não é o que você pensa. Eu me contorço em seu aperto. É demais, assim. Eu estou enrolada nele, mantida no lugar por ele. Eu não posso fugir, não posso me mover, não posso respirar nada, execeto seu cheiro e sua força. — Me solta. — Não. — Por quê? — Porque você não entende. — Não há nada para entender, — eu sussurro. — Você pode fazer o que quiser, com quem quiser. E é exatamente o que eu penso. — Ela... — Ela quer você para sexo. É simples. — tomo uma respiração profunda, fecho os olhos para bloqueá-lo. Ele me coloca para baixo e eu o empurro com força. — Eu sou uma estagiária. Isso é tudo. Você não me deve nenhuma explicação. — Mas e se eu quiser... — Não importa! — Estou gritando, e eu ainda estou chorando por ele... Ou por algum motivo. Eu me esforço para manter a calma, especialmente porque uma multidão está se reunindo. — Apenas... Deus, pare, Dawson. Basta parar. ~ 156 ~


— Eu não posso. Sinto muito que você leia isso, mas... olha, você está certa, não importa. Eu terminei com ela. Era uma coisa de uma vez. Só isso. Eu começo a andar novamente, e ele me alcançou. Nós estamos sendo seguido, clicantes e piscantes câmeras. — Eu não sei o que você está tentando me convencer. Isso não importa. — Você continua dizendo isso, mas é a que está chorando por isso. Sua mão pega a minha e a outra enrola a minha cintura, me puxando para ele. Mais uma vez, com um simples toque, eu sinto como se eu pertencesse a ele. É errado, e ele está certo, e é confuso. — Pare de correr. — Eu não estou. Ele ri. — Você é uma mentirosa de merda, Grey. Eu o afasto e tento me libertar de seu aperto. Eu estou lutando contra mim mesma, já que eu gosto de como me sinto ao ser segurada por ele. Estou perdida, desorientada. Por que eu estou lutando contra isso? Ele me quer claramente em algum sentido. Mas eu não sei o que ele quer, e eu não sei o que fazer com o seu desejo, ou como ele se sente, ou o que eu me sinto. Tudo o que sei é sobre sobrevivência, trabalho e escola. Eu não conheço os homens. Eu me afasto e caminho de volta do jeito que vim, mas paro fatalmente no meu caminho pela multidão de paparazzi. Há dezenas deles, e eles estão me fotografando. ~ 157 ~


— Senhorita Amundsen, você e Dawson são um casal? Há quanto tempo vocês estão juntos? Será que você o pegou com outra mulher? — Um homem de meia-idade, com cabelos castanhos e óculos quadrados emoldurados empurra um gravador de voz para mim e grita um trem de perguntas. Como eles sabem o meu nome? Isso me assusta mais do que qualquer outra coisa. Uma mulher vara pau com características magras e de cabelo loiro acinzetando crespo fala sobre ele. — Senhorita Amundsen, por que Dawson a levou para o seu dormitório ontem? Você é uma estudante da USC? É verdade que você e Dawson viram a sua companheira de quarto fazendo sexo? O que Dawson gosta na cama? A minha boca abre e fecha. Sinto-me obrigada a responder suas perguntas. Fui criada para ser educada, falar quando alguém fala com você. Eu não sei o que dizer. Eu não quero ser notícia. — Eu... eu... estamos não, um ... Eu não.. — Você pode comentar sobre seu relacionamento com Dawson Kellor? — Quantos anos você tem? Você tem um marido? — Grey, você já pensou sobre ser modelo? — Olhe para cá, Grey! — Grey, aqui! — Grey, Dawson nunca lhe pediu para fazer algo na cama que você não quer?

~ 158 ~


Estou olhando de uma voz para outra, batendo a boca aberta e fechada, piscando para os flashes. Eu sinto o braço de Dawson ir ao redor da minha cintura, me puxando de volta, e então ele está em pé na minha frente, me protegendo. — Grey não tem qualquer comentário no momento, rapazes. — Ele dá um passo para frente um pouco, e eu o senti mudar, o senti tornar-se rígido e formal, como se estivesse colocando uma armadura. — Que tal se eu respondesse algumas perguntas sobre o filme? O homem que fez a primeira pergunta se empurra para frente, brigando por posição. — Dawson, todos nós temos ouvido rumores que você está em um remake de O Vento Levou. Você pode confirmar isso? Dawson muda sua atenção para o homem. — Ei, Bill, como você está? Sim, posso confirmar. Estou interpretando Rhett. Estamos prestes a começar a filmar no próximo mês. Estamos quase terminando com a pré-produção e desenvolvimento. — Grey é parte do projeto? — Eu não posso ver quem pergunta isso. — Ela é uma estagiária que trabalha para John Kazantzidis na Fourth Dimension. — O que vocês estavam discutindo? Isso não soa como uma discussão relacionado com o trabalho para mim. Vocês dois estão envolvidos? Os ombros de Dawson flexionam e tensionam. — Eu não vou comentar sobre isso, além de dizer, não, nós não estamos envolvidos,

~ 159 ~


e nunca estivemos. Ela é estagiária no projeto. Foi uma discussão relacionada a negócios. A mesma voz fala, uma voz masculina nova sonoridade. — Com certeza não pareceu assim, Dawson, e todos nós sabemos a sua história com estagiárias e assistentes. Vamos, cara, nos dá alguma coisa. A voz de Dawson fica áspera. — Eu estou dando-lhe alguma coisa. Não seja um babaca, Tom. Deixe Grey fora disso. Vou comentar sobre o filme, mas é isso. Mais alguma pergunta sobre Grey, e isso acabou. Tudo o que posso ver é a ampla costas de Dawson, a camiseta laranja que se estende sobre os ombros, e a parte traseira de sua cabeça, o cabelo enrola ao redor da base de seu pescoço. Ele precisa de um corte em torno do seu pescoço. Quero passar minhas mãos sobre a extensão de seus ombros, mas eu não passo. — Por que você a protege, se você não está envolvido? — A mesma voz, que havia chamado Tom Dawson. — Ela nunca lidou com vocês antes. Vocês são umas porras de uns barracudas5. Tom novamente. — Então você não vai comentar sobre ela? Ela é quente, Dawson. Vocês ficam muito bem juntos. Dawson enrola o braço em volta dos meus ombros, me puxa para perto e nos empurra no meio da multidão, ignorando os flashes cegantes e a enxurrada de perguntas. Ele não fala e tudo o que posso 5

Um grande peixe com dentes afiados.

~ 160 ~


fazer é trotar nos meus sapatos de salto alto para manter-me com ele. Seu braço é uma armadura platônica em torno do meu ombro, um show para os jornalistas, paparazzi, sejam eles quais forem. Meu coração está batendo forte. Eles já compreenderam o fato de que há algo acontecendo. Eles sabem quem eu sou. Eles vão descobrir que eu sou uma stripper. Kaz vai descobrir, e ele vai me demitir. Todo mundo vai saber que eu sou uma stripper, e isso é tudo que eu serei para qualquer um. A garota que está disposta a tirar a roupa. Passamos três blocos e ainda não estamos de volta ao cruzamento onde eu pulei do carro de Dawson. Eu não tinha ideia do tanto que eu tinha corrido até agora. Depois de mais uma metade de um quarteirão, vemos que uma multidão se reuniu em torno de um policial, e um caminhão de reboque preparando para carregar o carro de Dawson. Dawson xinga sob sua respiração. — Ei, você não precisa rebocá-lo. O policial se vira, reconhece Dawson e em seguida, parece intimidado. — Desculpe, Sr. Kellor. Você não pode deixar o seu carro estacionado no meio da rua desse jeito. — Não mesmo. Mas eu estou aqui agora, por isso está ok. — Mas... — O policial parece perturbado. Dawson dá alguns passos mais perto do policial, que é um homem mais velho com uma barriga arredondada e cabelos grisalhos. — Você tem uma filha, Oficial... O'Hare? — Eu... sim, mas...

~ 161 ~


Dawson pega a multa do bloco do oficial e puxa uma Sharpie preta grossa do bolso cargo de sua bermuda . — Qual é o nome dela, oficial O'Hare? — Jill, mas que... Dawson atira no homem um gentil sorriso desarmante e escreve horizontalmente no bloco. Eu li o que ele escreveu: Para Jill, porque seu pai é um herói. Seu amigo, Dawson Kellor. O nome é escrito em

um

rabisco

inclinado

dramático,

a

inscrição

impresso

ordenadamente. Ele entrega o bloco de volta para o policial e reembolsa o marcador, em seguida, bate no ombro do homem mais velho. — Ouça, O'Hare. Foi uma pequena emergência. Isso não vai acontecer novamente. Tenho certeza que você entende. — Dawson está caminhando na rua, me puxando pela mão. O oficial é atraído junto como que por um ímã, cuspindo e ventando. — Sr. Kellor, eu aprecio o autógrafo, porque minha filha é uma grande fã, mas eu não posso te deixar ir embora. Dawson abre a porta do passageiro e me ajuda, em seguida, atravessa para o lado do motorista, corre, empurrando o botão de arranque sem chave assim que o motor ruge para a vida. Ele dispara o pedal do acelerador para as rotações do motor. — Então me multe. Não há nenhum ponto em tentar rebocá-lo, desde que eu estou aqui agora. Multe-me para o que quiser. Basta fazer isso rápido, se puder. Tenho uma reunião importante com os meus produtores em uma hora.

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O'Hare está claramente confuso. Seus olhos estão chicoteando da multidão, para Dawson, para mim, o carro que vale mais do que ele vai ganhar em toda a sua vida. Ele está hesitando, e Dawson está dando um ar de impaciência desarmante. Ele cava um cartão de sua carteira e entrega para o oficial. — Que tal isso? Eu realmente tenho que ir. Aqui está o cartão do meu advogado. Você pode enviar um bilhete ou uma multa ou qualquer outra coisa para ele, se quiser. — Estou chocada com o sua irritação. — Eu acho que eu poderia, quero dizer... — Oficial O'Hare olha para a multidão, e depois de volta para mim por algum motivo. Estou sentada calmamente no banco do passageiro, com o cinto, esperando, tentando ser invisível. — Deus. Ainda bem que acertamos isso. — Dawson bate a porta fechada, manobra o Bugatti dentro de uma polegada do carro da polícia estacionado na diagonal para trás, e, em seguida, arranca no tráfego em torno do caminhão de reboque, cortando um Bentley branco conversível. Ele sopra através do sinal amarelo e tem o carro que vai de zero a cem em poucos segundos, movendo rapidamente em torno do tráfego lento, pisando nos freios quando ele não consegue encontrar um caminho em volta. Em um ponto ele até mesmo atravessa as linhas duplas amarelas do meio da pista e desvia em torno de um caminhão na contramão. Estou sem fôlego, agarrando o descanço do braço do banco com os nós dos dedos brancos enquanto Dawson pisa no acelador, pressionando-me contra o banco enquanto o poderoso carro dispara a mais de cento e sessenta quilômetros por hora, e então eu sou jogada para a esquerda quando Dawson corta ~ 163 ~


para a pista da direita, freia e faz alguma coisa com as marchas para fazer o carro diminuir drasticamente. A cena do incidente com o policial já está a vários quilômetros atrás de nós, e só deixamos o meio fio a pouco minutos antes. Meu coração está tamborilando no meu peito, e não apenas da insana habilidade de dirigir de Dawson. Na mudança entre as marchas, sua mão repousa sobre minha perna, o dedo traçando padrões indolentes no meu joelho. Eu fico olhando para sua mão. É enorme e bronzeada, forte, as pontas de seus dedos calejados e ásperos na minha pele. — Você sempre dirige assim? — Eu me viro para perguntar. —Sim. — Ele olha para mim com um sorriso rápido. — Por quê? — É assustador. Quer nos matar? — Nós não vamos morrer. — Mas como você sabe? — Porque eu sei o que estou fazendo. Eu não sou apenas um idiota rico com um carro rápido. — Então o que você é? — Eu pergunto. — Hum. Um monte de coisas. Antes de ficar sério como ator, eu era um corredor de rua. Você já viu Velozes e Furiosos? Um pouco como aquilo. Só que não eram gangues e crianças de rua. Éramos moleques ricos e privilegiados com muito dinheiro e ninguém para nos dizer para não ser estúpido. Nós nos arrastávamos para cima e para baixo na Sunset à meia noite, ou nas áreas mais pobres, onde os policiais não gostam de ir. Nós levamos as Ferraris e Lamborghinis de ~ 164 ~


nossos pais para uma área deserta e corríamos. Nós íamos para cima e corríamos nas curvas nas montanhas. Então dirigir foi o que eu fiz de qualquer maneira. Então eu peguei o papel de Anderson em Redlight Gods, e eles queriam que eu tomasse aulas de corrida de carro, como curso de condução ofensiva e defensiva com os caras e merdas da NASCAR. A parte mais engraçada foi quando eles queriam que eu tivesse aulas particulares com um professor de corridas de rua com algum piloto supostamente reformado que decidiu tornar-se um consultor de Hollywood ou algo. E acontece que ele era um cara que eu corri e bati meia-dúzia de vezes ao longo dos anos. — Ele está falando enquanto dirige, e eu noto que ele abrandou e está dirigindo mais sensatamente. Por minha causa? — Então, sim, eu sei como dirigir. Você não tem que se preocupar. — Você já esteve em um acidente? Dawson ri. — Claro. Você não faz corrida de rua e não bate. Eu dei perda total em um NSX que eu tinha. Quero dizer, PT mesmo. Foi o tipo de acidente que não se esperava que alguém fosse viver, mas eu saí sem um arranhão. Eu estava estourando os limites da South Central contra esse cara chamado Johnny Liu. Acho que seu pai era Triad, na verdade, mas eu nunca soube com certeza. Era como se, três horas da manhã e tinhamos sidos colocados para fora na corrida. Era

uma

coisa

programada,

um

circuito

grande

de

quatro

quilômetros. Eu estava na liderança, a ponto de fazer a grande vitória. Estava com isso preso na graganta, você sabe? Pneus fumando, motor uivando. Johnny estava atrás de mim e se aproximando rápido. Ele tinha um Charger 68 preto e vermelho assassino maldito. Estava tão para trás. Eu estava dirigindo meu Acura NSX, que é um carro

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japonês, e

esse

garoto

asiático

estava

dirigindo

um

clássico

americano. Então, eu estava à correndo pela pista esquerda da Washington. Eu nem sei o que aconteceu, só que de repente, meu carro estava no ar, sendo lançado. Tipo, eu devo ter virado trinta vezes. Acho que o carro dele bateu no meu lado do passageiro. Deus, doeu pra caralho. Capotei, capotei e capotei, e eu acho que eu tive sorte que eu não atingi um poste ou um prédio ou algo assim. Tive a sorte de qualquer modo se você pensar sobre isso, na verdade. Eu não tenho nenhuma ideia de como eu não me machuquei. Quer dizer, o carro era uma bola amassada de merda, e eu apenas me arrastei para fora dele, machucado, mas ileso. — Você disse que, antes de você ficar sério como ator. O que isso quer isso dizer? Ele verifica os seus espelhos, e então, sem aviso, cortou todo o tráfego para uma rua lateral, movendo rápido para esquerda e para a direita, de repente volta à condução louca, rápido e irregular. Eu estou segurando o braço de novo e prendendo a respiração enquanto ele movia-se em alta velocidade por ruas laterais a noventa quilômetros por hora, e depois para a estrada principal novamente, entalhando em todas as faixas de tráfego e para a auto-estrada. Estamos acima de cento e quarenta, evitando os destroços após a destruição, em seguida, saimos em um ritmo mais normal. — O que foi isso? — Eu respiro. Dawson sorri para mim. — Tinha um Tira atrás de mim. Os despitei. — Tira? ~ 166 ~


— Polícia? Policial de trânsito? Eu enrrugo a testa para ele. — Quem realmente diz ‗tira‘? — Eu, ao que parece. — Então você só evitou um policial? — Sim, — Ele está olhando para trás enquanto dirige, mas parece confiante de que perdeu o policial. Seus olhos trancam com os meus enquanto nós nos sentamos no sinal vermelho. — Então. O que você pensa sobre o seu primeiro encontro com o pop? — Pop? — Eu pergunto. — Paparazzi. — Oh, — eu digo. — Foi... assustador. Eles não têm medo de perguntar qualquer coisa, não é? Ele ri. — Não. E eles são implacáveis. Você percebe que, apesar de não responder a todas as suas perguntas sobre você e que dissemos que não estamos juntos, eles ainda vão imprimir o que eles acham que vai vender exemplares. Isto é provavelmente um daqueles ―não olhe para baixo‖, mas eu não recomendo a leitura quaisquer jornal de fofocas. Você não vai gostar. Eu não sei o que pensar ou dizer. Provavelmente, vou ir e olhar meu nome online agora. Sento-me em silêncio por longos minutos, evitando seus olhos, mantendo os joelhos para o lado para que ele não possa me tocar. Seu toque me faz perder o meu sentido. Eu não posso continuar sendo sugado em sua órbita.

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Paramos em um condomínio de Beverly Hills, passando por propriedades gigantescas no valor de dezenas de milhões de dólares, extensões ondulantes de grama verde e arbustos esculpidos e calçadas curvas e largas.

À medida que rolamos a um ritmo

surpreendentemente tranquilo pelo bairro, eu vejo uma atriz bem conhecida recebendo seu correio, e em seguida, um jogador de basquete de L.A. lavando um carro esportivo. Dawson olha para mim como se para avaliar a minha reação ao bairro. — Você está dirigindo como uma pessoa normal, — eu observo. Ele encolhe os ombros. — Esta é a minha comunidade. Conheço essas pessoas. Eles têm filhos. — Ele acena em direção L.A. em geral. — Lá fora? É uma zona de guerra. Eu nasci e cresci em Los Angeles, e eu conheço esta cidade de trás para frente. Eu conheço os seus padrões de tráfego, eu sei onde os radares de velocidade estão, e onde o bairro realmente perigoso é. Aqui? Eu moro aqui. Eu não vou dirigir como um idiota aqui. — Você não respondeu minha pergunta. Você disse antes que ficou a sério sobre atuar. Como você entrou nisso? Ele não responde. Ele puxa o Bugatti para baixo um caminho longo e sob um arco em um pátio. A casa é uma enorme mansão de estilo espanhol rústico, com varandas com vista para o pátio, no centro da qual é uma fonte de água. De um lado do pátio está uma parede expansiva de portas de garagem, alguns dos quais estão abertos, mostrando a traseira de vários tipos de carros. A Bugatti está estacionado perto da porta da frente, por trás de um conversível vermelho-cereja clássico. Eu quero dizer que é um Ford Mustang, mas eu não tenho certeza. ~ 168 ~


Dawson me vê olhando para ele. — Esse é um 1969 Ford Mustang Boss 429. — Eu preciso parecer perplexa. — É muito raro, em termos do ano e estilo em particular. — Você o reformou? Ele acena com a cabeça. —Sim. Bem, reconstruir é mais preciso. Eu comprei o chassis de um cara em Mendocino, e, em seguida, encontrei um motor Boss 429 e o limpei. Ele tem o rádio original, assentos de couro, o todo interior está perfeito quase inteiramente original. — Sua expressão se acende quando ele fala sobre o carro, e eu saio e sigo até lá. É um carro bonito, eu acho. Mais masculino. Ele se encaixa perfeitamente para Dawson. Se eu imaginá-lo dirigindo, seria neste carro. O Bugatti é um símbolo de status, eu acho. Ele está com o capô aberto, e ele está apontando para várias partes do motor, despejando fatos, números e nomes, e não posso fazê-lo parar ou entender nada do que está falando, mas Deus é bonito vê-lo ficar animado. Ele é um Dawson totalmente diferente, falando sobre seu carro. Seus olhos estão esverdeados, agora, uma sombra luminosa de líquen em pedra. E então eu percebi que ele ainda não respondeu minha pergunta. Parece que está fugindo dela. Eu o deixo e o vejo falar, ouvindo e tentando não ser atraída para a órbita novamente. É uma batalha constante. Seu rosto está animado e infantil e, Deus, tão bonito. As linhas e ângulos de seu rosto são esculpidos como por um artista. Eu não acredito mais em Deus, mas se acreditasse, Dawson seria prova de Sua obra. Eventualmente Dawson percebe que eu não estou realmente seguindo tudo o que ele está dizendo e para no meio da frase, ~ 169 ~


corando. Ele esfrega a parte de trás do seu pescoço e sorri timidamente para mim. — Merda, eu só fiquei todo no modo ‗Garoto e seus brinquedos‘ com você, não foi? — Ele fecha o capô, me pega pela mão e me puxa em direção à porta da frente. — Sinto muito. Carros são coisa minha, e eu sou um pouco nerd quando eu falo sobre eles. Eu não posso deixar de sorrir para ele. — Foi bonitinho. — Ótimo. “Foi bonitinho”. Esse é o beijo da morte para um homem. — O que é que isso quer dizer? Foi bonitinho. Isto não é uma coisa ruim. — Eu o segui pela porta da frente em um foyer que reverberva com um falsos lustre de vela elaborado. — Grey, nenhum homem nunca gosta de ser chamado de ―bonitinho‖. Bonito é completamente oposto de sexy. Eu me sinto corar furiosamente, e ele me dá esse olhar de novo, aquele que diz que não entende como eu não sei o que está falando. — Você cora facilmente, você sabe disso? — Ele toca o meu rosto com a ponta do dedo, e minha pele queima, onde ele me toca. Eu quero me afastar, mas eu não posso. Meu desconforto claro o diverte ainda mais. — Onde você cresceu que te deixou tão inocente? Eu suspiro. — Eu cresci em Macon, Georgia. — Ele me dá uma... olhar de ―e?‖

Me dirijo para longe dele e me mantenho

ocupada em examinar uma armadura que fica entre as duas alas da escadaria curva. — Eu fui super protegida, ok? Apenas... apenas deixe por isso mesmo. — Estou longe de lhe contar sobre a minha educação.

~ 170 ~


— Super protegida, huh? — Ele se move para ficar atrás de mim, e mesmo que eu não possa vê-lo ou até mesmo senti-lo, quando ele não me toca, eu posso sentir a sua presença como um inferno. — Então, como você vai de uma menina super protegida em Macon para uma stripper em LA? Eu quase consegui esquecer, por uma fração de segundo, como eu ganho a minha vida. É quinta-feira, o último dos meus três dias de folga, eu trabalho de sexta a segunda-feira. Na terça-feira, estou aliviada que eu não estou trabalhando, que eu só posso ser eu e não tem que dançar. Na quarta-feira, o fato terrível do que eu faço tem diminuído um pouco, desaparecendo na parte de trás da minha mente enquanto me concentro na faculdade e no estágio. Na quintafeira eu quase posso esquecer. Eu quase posso fingir que eu sou apenas Grey, uma estudante universitária normal. E então sexta-feira rola ao redor, e eu sou forçada a voltar para a realidade: Eu sou um stripper. Eu tiro a roupa por dinheiro, para a fantasia sexual dos homens e desejo. Quinta-feira é meu dia de ouro. É o meu único dia para ser Grey, apenas Grey. E agora Dawson tem que vir e me lembrar. Estou cheia de uma raiva irracional. Eu giro e grito: — O desespero, ok? — empurrando-o para trás, para não o machucar, exceto com raiva crua e frustração. — Eu não tive escolha! Foi o único trabalho que eu pude encontrar, e procurei por meses. Meses!

Eu

não tinha nenhuma experiência de trabalhar em qualquer coisa. Eu não consegui... Eu não tenho ninguém para pedir ajuda. Eu tenho... Eu não tenho para onde ir. Eu não posso e não vou voltar para a Georgia. Minhas bolsas acabaram, e elas cobriam tudo, das aulas ao ~ 171 ~


alojamento, alimentação e livros. Eu odeio isso. odeio. odeio... Eu odeio aquilo! — Na minha angustia, o sotaque da Georgia aparecia. Eu estou chorando, e não posso parar. Dirijo-me para longe dele novamente, tropeçando afundo no chão de mármore frio. Tudo irrompe, todas as emoções que eu mantive engarrafadas há meses. A solidão, a saudade, a vergonha e a culpa. E não sai com palavras, mas com feridas e soluços irregulares. Eu o senti ajoelhar-se ao meu lado, senti seus braços ir ao meu redor. Eu o empurro, mas não tenho força e ele é muito forte e muito quente e reconfortante. — Você não está mais sozinha, Grey. — Isso é a pior coisa possível que ele pode dizer para mim. Se eu estava chorando antes, se transforma em uma tempestade de lágrimas, para o que vem depois de soluçar. Ele não disse mais nada. Ele só me tem em um abraço, lá no chão de sua sala de estar, e me deixa chorar. Eu gostaria de poder dizer que este desabafo é catártico, mas não é. É apenas necessário. A crise de autopiedade. Isso não ajuda. Isso não muda nada. — Me solta. — eu digo, lutando contra ele. — Não. — Sua voz é suave, mas firme, e os seus braços implacavelmente fortes. — Por favor. Apenas me solta. Estou bem. — Besteira. — O que você quer de mim? — Eu desisto de lutar e fico mole, mas tensa. ~ 172 ~


— A verdade sobre você? É a única coisa que eu não posso dar, não vou dar. Eu não sei qual é a verdade, e mesmo que eu soubesse, Dawson não é alguém que eu poderia explicar. Ele é Dawson Kellor, estrela de cinema de Hollywood. Sou apenas Grey de Macon, Georgia. Seu telefone toca no seu bolso, e mesmo que ele não se mova para atender, é um lembrete da realidade. Seus braços estão em volta de mim, quentes e reconfortantes e eu quero ficar aqui para sempre, assim como estou, porque eu posso quase... quase esquecer quem eu sou e quem ele é e a realidade que está à espera de mim. Quase. Seus lábios passam pela minha orelha e eu tremo, chocada com a ternura e a intimidade do momento. Mas eu não posso me dar ao luxo de me deixar pensar que isso significa alguma coisa. Essa mensagem de texto de Ashley M me lembrou de um fato importante: Dawson Kellor e eu viemos de dois mundos drasticamente diferentes. Eu fui sugada e hipnotizada pela intensidade e encanto da áspera beleza masculina que é Dawson. Mas então, eu não estou sozinha nessa, estou? Ele pagou milhões de dólares para ser assim. Ele encanta na tela grande e dá performances dignas de Oscar por causa da sua capacidade de sedução inata. É dele, uma parte dele. Ele seduz sem tentar. Ele é um pesadelo acidental. Seus olhos mercúrio atraem você, um momento avelã, um cinza-verde-azul enlameado e sereno, e então ele fica excitado e eles estão esverdeados, ou ele está com raiva e eles são azuis. Seu corpo seduz, também, os ângulos de seus ombros e a linha da mandíbula, ~ 173 ~


as suas maçãs proeminentes no rosto, o poder de suas mãos e a vasta extensão de seus ombros e a dureza cônica de sua cintura. Sua graça ágil e letal é hipnótica, também, na forma como ele se move como um leopardo na grama Africana, mesmo que esteja apenas caminhando por uma calçada. Eu fui sugada para dentro de tudo isso, mas não posso dar ao luxo de deixar que isso aconteça novamente. Ele não me conhece, nem eu a ele. Nós não somos amigos. Nós não somos amantes. Ele me beijou, mas isso não significa nada. Para um homem como Dawson, um beijo não é mais do que um aperto de mão. Ele está acostumado a uma noite de sexo e em seguida, um rápido adeus. É uma troca de prazer para ele. Nada mais. Para mim, o sexo é um mistério. Uma fantasia. Um sonho. O futuro. É sempre o futuro. Algum dia eu vou encontrar o cara certo, essa era a minha filosofia de adolescente. Agora, eu só quero me formar e conseguir um emprego e ser capaz de parar de trabalhar no Exotic Nights. Quero parar de fazer striper. Eu não penso no futuro, exceto por uma vaga ideia de esperança de que ele vai ficar melhor. Dawson não é o futuro. Ele é o meu presente, e ele não é nada para mim. Nem eu para ele. Eu não sou um objeto de desejo, a não ser porque ele me viu nua e me quer para que uma noite de prazer. E eu quero mais. Eu quero um futuro. Eu me soltei então respirei profundamente. Quando estabeleci um senso de equilíbrio, eu me levantei, e agora Dawson me solta. Eu sinto seus olhos em mim, quando arrumo minha saia e aperto meu rabo de cavalo. — Obrigada.

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Ele se levanta e suas mãos vão para a minha cintura. Eu nem sequer penso nisso por alguns segundos, porque só sinto tão... certo. Mas então eu me lembro e me afasto. — Você está bem? — ele pergunta. Seus olhos estão de volta ao avelã silenciado, mas sua expressão demonstra sua preocupação. Concordo com a cabeça. — Eu estou bem. — Você é uma mulher. ―Bem‖ tem um monte de significados. Um relógio soa em algum lugar, marcando que faltava meiahora. — Eu estou bem. Estou bem. Sinto muito por ter me descontrolado assim, — eu digo com profissionalismo forçado. — O encontro é em meia hora. Você deveria se trocar. — Grey... — Ele chega para mim. Eu puxo a barra da minha camisa. — Onde é o banheiro? Devo me limpar se vamos para o Spago. — Eu não me importo com a reunião. Tome uma bebida comigo. Fale comigo. — Falar sobre o quê? — encontro seus olhos brevemente. — Não é nada para você se preocupar. — Mas eu me preocupo com isso. — ele diz e posso dizer que ele está sendo sincero. — Bem... não se preocupe. Isso não importa. — Eu viro e me movo entrando mais para dentro de casa, achando que vou encontrar

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um banheiro sozinha. Eu tenho que ficar longe dele. É muito fácil acreditar que ele realmente se importa. — Merda, Grey. Basta parar. Eu não sou estúpido. É óbvio que você não está bem. — Ele ainda está de pé no foyer perto da armadura. Acho um lavabo e paro na porta, olho para ele e sorrio. É falso, e ele sabe disso. — Talvez não, mas não é seu problema. Eu sou apenas a estagiária. Minha vida particular não é parte do trabalho. — Você não é apenas um trabalho. E eu não te conheci como Grey, a estagiária. Eu te conheci como Gracie, a stripper. Mas isso não é você, e você não pertence lá. — Ele se move em direção a mim, volumoso e intimidante, seus olhos me congelam no lugar. — Eu sabia naquele momento e eu sei disso agora. Eu não posso... Eu não posso nem imaginar você lá. Você é muito mais do que esse clube de merda. — Mas esta é a minha realidade. Isso é tudo que existe. Você... nós mal nos conhecemos. Apenas, pare de me confundir, ok? Por favor? — Estou encolhendo para longe dele, recuando para o banheiro. Não importa que ele está perto, apenas alguns centímetros de distância, com os olhos em mim, escuros e inescrutáveis, eu não posso pensar e não consigo me lembrar por que eu deveria ficar longe dele . — Confundir você? Como estou confundindo você? — Você acabou de fazer. Tudo sobre você. Você fala comigo e age como se me conhecesse. Tipo... como se nós fôssemos alguma

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coisa. — Meu traseiro bate na pia, e ele está ali e não tenho para onde ir. — Por que isso te confunde? — Porque não é verdade...? — Eu odeio que isso sai como uma pergunta, como uma dúvida. — Mas e se fosse? E se eu te conhecesse? E se fôssemos alguma coisa... ou podéssemos ser? — Suas mãos sobem para descansar em meus quadris, e eu sinto-me ser atraída de volta para ele, cada vez mais perto. A boca dele se aproxima, os olhos a centímetros dos meus. Não, isso não pode acontecer novamente. Perco mais de mim cada vez que ele me beija. Mas isso não é verdade. É o que me parece que deve ser verdade. A realidade é que eu ganho mais de mim quando ele me beija. Como se camadas de mentiras, confusão e vergonha caíssem e tudo que restasse era só ele e eu, e nossas bocas e a sensação de seu beijo. Isso acontece. Seus lábios tocam os meus e tudo mais desmorona. Estou possuída por ele. Ele me beija com a mesma maestria e esforço que dirige seu carro. Ele tira um gemido de mim, puxa o meu corpo contra o dele, me molda nele e me orienta para um lugar de aquiescência, apenas com a boca e as mãos. Eu não estou deixando ele me beijar, eu estou beijando-o de volta. Minha boca se move, os meus lábios provam os dele, minhas mãos se assentam em seu peito entre nós e enrolam em sua camisa e

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eu estou pressionando contra ele, esmagando minhas curvas contra os seus ângulos. Eu estou participando, estou incentivando. Sua mão desliza da minha barriga para o meu quadril para baixo e volta para agarrar minha bunda, e uma faísca está acesa dentro de mim. É um toque proibido, um possessivo e erótico gesto familiar, provocante. É um passo em direção a mais. Um beijo é só um beijo, mas a mão na minha bunda, me segurando e me possuindo assim... é mais. Eu gosto disso. Calor constrói na minha barriga com o seu aperto no meu traseiro. Uma mão, e então, e quando não o paro... duas. Ambas as mãos na minha bunda. Apenas segurando em primeiro lugar. Em seguida, explorando e acariciando devagar em grandes círculos. Seus dedos em garra, cavam no músculo, apertam com força, relaxam e pegam novamente. Acariciam gentilmente, círculam e esperam. Ele me levanta mais. Eu sinto o seu desejo. Eu lamento em seu beijo. Ele levanta mais e eu estou sentada na beira da pia. Por sua própria vontade, as minhas pernas traidoras enrolam ao redor de sua cintura. Suas mãos me erguem, e sua boca está devorando a minha. Estou me perdendo. Ele me coloca de volta no balcão e a beira da pia bate no meu cóccix, despertando-me do meu transe. Eu quebro o beijo, o empurro levemente. — Não, pare. Pare. Eu não posso... não podemos. Ele não se solta, e nem eu.

~ 178 ~


— Por quê? — ele pergunta, com a voz dura, um

áspero

sussurro. — Eu não posso. Nós não podemos. — Eu não sei como formular um motivo porque não me lembro o motivo. Eu não sei o que está além do beijo. Intelectualmente, eu sei o que está além e é o sexo. Mas isso é uma terra desconhecida. Um mito. Uma ideia irreal. A ideia assustadora de corpos nus e de intrusão, vulnerabilidade e gravidez. Pecado. E eu não estou pronta para isso, mas eu não posso dizer isso a Dawson. Eu não sei como formular nada disso em palavras. — Nós não somos... isto não é... — Eu agarro a qualquer coisa para lhe dizer, mesmo a meias-verdades baratas que não são as verdadeiras razões. — Somos de mundos diferentes. Isto não vai funcionar. E eu sou sua empregada. Ele se afasta , e eu vejo o conhecimento de minhas mentiras em seu rosto, na dureza de seus olhos. — Sim. Ok. „Não é você, sou eu‟. „Nós somos muito diferentes‟. — Ele gira sobre o calcanhar. — Seja o que for. E então ele se foi e eu estou parcialmente em cima da pia, um pé do sapato pendurado sobre o chão de mármore, o joelho da minha outra perna inclinada sobre o balcão. Viro-me e pego um vislumbre de mim

mesma

no

espelho,

minha

maquiagem

está

borrada

e

escorrendo, meu cabelo está amassado, minhas roupas amassadas e fora do lugar. Meus olhos estão tristes, e os meus lábios inchados. ~ 179 ~


Eu pareço perdida. Exatamente como eu me sinto. Eu me forço a passar uma limpeza e em seguida, Dawson sai fora do banheiro, vestido com uma calça caqui apertada e uma camisa pólo branca. — Vamos, senhorita Amundsen. Hora para trabalhar. Estamos atrasados. — Seu tom é duro e formal. Eu sigo, tendo conseguido o que eu pedi. Ele não diz uma palavra por todo o caminho até o restaurante.

~ 180 ~


10 Eu não posso respirar. Eu estou atrás da cortina do Exotic Nights, esperando para ir para a minha primeira dança de sexta à noite. Meu coração está palpitando, batendo tão forte. Eu juro que posso vê-lo batendo em minha pele. Meu estômago está agitado com náuseas, tão forte que eu não tenho certeza que vou fazer este número sem vômitos. Eu forço uma respiração profunda. Eu posso fazer isso. Nada mudou. Nada é diferente. Mas isso é uma mentira. Uma grande mentira. Tudo é diferente. Eu estou diferente. A respiração profunda transforma-se em um choramingo baixo na parte de trás da minha garganta. Candy está terminando sua dança e, agora, Timothy está me apresentando. A multidão de homens enlouquece. Eu até ouvi algumas vozes femininas. Eu continuo a achar estranho que as mulheres visitam clubes de strip como este. — Por favor, ajudem-me a dar boas-vindas... Gracie! — Timothy grita no microfone. ~ 181 ~


Minha deixa. Eu corro minhas mãos sobre minha barriga, como se isso fosse resolver, e depois para baixo em meus quadris. Eu tenho que forçar meus pés para se mover, me forçar para o palco. Os assobios, aplausos e gritos obscenos aumentam em um crescente. Luzes do palco me cegam. Eu tenho que piscar várias vezes, eu perscruto o mar de rostos. Não vejo ninguém que eu conheço, graças a Deus. Eu fecho meus olhos, faço o meu melhor para esvaziar meus nervos, e, em seguida, começo a minha rotina. Abro os olhos e olho para para longe, sem olhar para qualquer rosto. Como de costume, no final, eu tenho mais de uma centena de dólares, cinco, e alguns dez. As lágrimas se misturam com o suor do meu rosto. Corro de volta para o camarim e para o banheiro minúsculo, deixando o punhado de notas sobre o balcão quando eu passo. Eu fecho a tampa do vaso e me sento, deixando as lágrimas cair. O rosto de Dawson surge em minha mente. Você não pertence aqui. Você é muito mais do que esse clube de merda. Tudo o que posso ver, porém, é a dureza de seus olhos quando nós nos sentamos do início ao fim do jantar de negócios. Tomei notas, entrei na conversa com algumas ideias, e fingi que não vi a dor persistente por trás expressão fechada de Dawson. Ele pediu para Greg me levar para casa e me conduzir até minha porta. Antes de sair, Greg me entregou um cartão de visita. — Se você precisar de alguma coisa, me chame. — Ele enxugou a testa com os nós dos dedos. — Isso é de mim, não dele. ~ 182 ~


Quando me levantei na manhã seguinte, a Rover estava de volta ao estacionamento, e as chaves estavam na minha caixa de correio com um bilhete. Tinha duas palavras: Se Cuida. Era assinado com uma letra casualmente dramática ―D‖ e nada mais. Eu ainda andava para as aula, mas dirigia para o trabalho, grata pela sua consideração, mesmo em face da nossa situação embaraçosa. Batidas na porta do camarim. — Vamos lá, Grey, — Timothy grita. — Hora de trabalhar no chão. É uma sexta-feira movimentada, não temos tempo para suas besteiras emocionais. Eu jogo água no meu rosto, retoco a minha maquiagem, e trabalho no chão. Eu odeio essa parte, tanto quanto dançar no palco. Eu estou cara a cara com a luxúria crua. Eu fui muito bem, o que é bom, pois as aulas acabam em breve. O final do meu turno se aproxima, e o clube começa a esvaziar. Eu faço mais dois números de palco, e eu choro após cada um. Eu deixo o palco depois da minha última dança, choro, retoco a minha maquiagem, e vou para o chão para algumas última mesa e danças individuais. São quase três horas da manhã, e o clube está quase vazio, exceto por algumas caras sozinhos espalhados ou em pequenos grupos. Estou prestes a ir embora, quando um homem faz um gesto para mim. Ele é jovem e de boa aparência, vestindo o que era um traje elegante, só que agora sem o casaco, e sua camisa está desabotoada e a sem gravata. Seu torso está nu entre as bordas de sua camisa cara, bronzeado e duro olhar, ondulando com o músculo. Seus olhos estão vidrados e sem foco, ele está suando e sua mão ~ 183 ~


segurando a cerveja tremendo levemente. Ele me olha com avidez, o olhar persistente no meu peito e quadris. Eu inconscientemente reforço o nó na minha camisa e me certifico de que meus seios permanecem no local, seu olhar estreita com o gesto. Eu paro a poucos metros de distância dele. — Cinco dólares para uma dança na mesa, dez para uma dança individual para mim, no meu colo. Ele pega uma nota de vinte, dobrado em quartos, e estende-o entre o indicador e o dedo médio. — Dança só para mim. Venha até aqui. — Suas palavras são arrastadas, mas seu olhar é nítido e de aparência perigosa. Um arrepio corre pela minha espinha, quando eu me forço para mais perto dele. Eu sugo oxigênio e me faço dançar um pouco. Ele observa, levantando a garrafa de cerveja aos lábios em intervalos frequentes. Eu faço mais sexy, balançando os quadris, dobrando na cintura para dar uma olhada no meu decote. Eu me forço mais perto, e ele sorri. —Vire-se. — ele ordena. Eu me viro e agito meu traseiro para ele no tempo da batida da música pop nos alto-falantes da casa. Eu arqueio minhas costas e inclino para frente, empurrando minha bunda na cara dele. Eu sinto suas mãos me tocando, e eu me afasto dele. — Não, não. Sem toques. Ele não responde, apenas sorri com uma onda maliciosa de seu lábio. — Tire a camisa, querida.

~ 184 ~


Eu sorrio de volta para ele. — Isso é só nas danças do palco. Isso é o que você ganha no chão. Você quer isso, eu posso trazer Candy ou o Monica para você. Ele escava em seu bolso e traz um maço de notas de cem dólares e conta dez. Ele o enrola e o enfia no bolso de trás do meu short, enfiando o maço de volta no bolso da sua calça. — Eu disse... tira. — Ele sussurra a última parte clara e lúcida, e minha pele se arrasta com a ameaça de violência no som de sua voz, na cólera de seu olhar. Eu retiro o rolo de dinheiro e o entrego de volta para ele. — Sinto muito, senhor, mas não é isso que eu faço. Ele zomba de mim, então tira o maço de dinheiro novo. Ele empurra tudo para mim. — Você é gulosa, hein, prostituta? Gastei quase quatro mil aí. Agora. Mostre-me suas tetas. Eu me afasto dele. — Eu acho que não. — deixei minha voz endurecer e olho ao redor para Hank, o segurança. Ele está assistindo na cadeira ao lado da entrada e se levanta quando eu agito meus dedos para ele. O cliente olha para Hank ficando em seus pés, todo os seus metro e oitenta de altura , e depois de volta para mim. — Que tipo de stripper é você, sua prostituta? Não vai mesmo tirar sua camisa para uma dança? Merda. Você não pode nem tirar sua camisa para uma dança no meu colo? Merda. Não é como se te pedisse para me chupar ou qualquer merda. Venho a um bar de strip esperando para ver alguns peitos. Você vai recusar quatro mil para fazer o que você faz de qualquer maneira? Cadela estúpida. — Ele levanta cambaleando ~ 185 ~


sobre seus pés, drena sua cerveja. Ele se atrapalha com o maço de dinheiro, então amaldiçoa em voz baixa e o joga em cima da mesa. — Foda-se. Foda-se e foda-se. — Ele tropeça em direção à porta, com Hank arrastando atrás dele. Ele para na porta, vacila, se volta e olha para mim, e algo em seu olhar que me dá medo. Hank dá-lhe um pequeno empurrão para fora da porta, e então ele se foi. Percebi o maço de dinheiro em cima da mesa e o conto, tem 3.900 dólares em cem e cinquenta. Eu olho para Candy, Monica, e Iris, que estão contando as suas próprias gorjetas no bar e bebendo margaritas. Candy ainda está nua, exceto por sua calcinha, seus seios enormes pintados com glitter de algum tipo. Monica e Iris estão com robes abertos nos seus umbigos. Eu sou a única das meninas que trabalha no clube que permanece vestida... exceto quando eu estou dançando no palco. Não que a camisa conta como vestido, necessariamente, uma vez que meus seios estão, basicamente, à mostra. Todas as três mulheres fingem não me ver. Candy está trabalhando para manter um teto sobre sua cabeça e de seu filho adolescente,

Monica

tem

um

filho

severamente

autista

com

necessidades médicas especiais e Iris é como eu, trabalhando o seu caminho através da faculdade. Todas elas são tão desesperadas por dinheiro como eu sou. Eu conto o dinheiro, acrescentando uma centena das minhas gorjetas, dividindo-a uniformemente em quatro maneiras, em seguida, deposito as pilhas de mil dólares na frente de cada uma das outras meninas. — Eu realmente não fiz nada para ganhar isso, — eu digo. — É justo que eu divida. ~ 186 ~


Candy me lança um olhar agradecido. — Você não tem que fazer isso, querida. Era sua mesa. Eu dou de ombros. — Está tudo bem. Ele realmente não quis deixar, ele estava muito bêbado para colocá-lo de volta em seu bolso. A meninas riem, como se tivesse visto homens bêbado demais para sequer saber os seus próprios nomes. Normalmente, porém, eles não deixam milhares de dólares por aí. As garotas me abraçam como agradecimento, terminam as suas bebidas, e dividem as suas gorjetas. Sento-me no bar, Brad me traz uma Sprite, ele sabe que eu não bebo. Com o grande extra, eu puxei mais de $ 1.500, esta noite, o que significa que eu vou ter o suficiente para pagar a universidade e ainda comprar o novo par de sapatos de salto que eu estava precisando para o estágio. Tim tinha saido em torno de meia-noite, deixando Brad e Hank para fechar. As meninas saem antes de mim, então o Explore do Brad, a F350 do Hank, e meu Rover emprestado são os únicos carros no estacionamento. Eu me visto em calças de yoga, chinelos, e uma camiseta rosa solta que desliza para fora de um ombro. Eu sou grata por ter um sutiã novo, como passar tantas horas sem um é desconfortável, devido ao tamanho e peso dos meus seios. Hank me acompanha porque

eu

estou

estacionada

perto

da

parte

de

trás

do

estacionamento. Ele percebeu na metade quando atravessavamos que ele tinha esquecido as chaves e voltou. O estacionamento está vazio e eu estou apenas a seis metros de onde eu estacionei, então eu não espero. Uma lâmpada de rua lança luz laranja fraca na beira do estacionamento, lançando longas sombras profundas. Já fiz isso dezenas de vezes, mas por algum motivo, minha pele arrepia. Eu paro ~ 187 ~


no centro do estacionamento, pensando em voltar e esperar por Hank para me acompanhar até meu carro, mas o meu carro está logo ali. Eu clico no botão ―unlock‖ na chave do Rover e as luzes piscam e ligam. Quando eu me aproximo, a parte de trás do meu cabelo do meu pescoço eriça. Meu coração de repente martela. Eu perscruto as sombras, segurando as chaves até meus dedos ficarem brancos. Digo a mim mesma que não há nada a temer. Então, quando eu alcanço a maçaneta da porta do carro, eu percebo que há algo a temer. Uma mão fria e úmida fecha no meu pulso e me empurra para trás em um peito masculino duro. A respiração quente em meu ouvido cheira a cerveja. Dedos cruéis cavam minhas costelas, aperta para cima, segura o meu peito esquerdo com força suficiente para roubar o fôlego. — Agora... agora você vai tirá-la. — Sua voz é um murmúrio no meu ouvido. Ele agarra a gola da minha camisa onde paira sobre meu ombro e a puxa, quase suavemente a princípio, depois com força crescente até que ele começa a rasgar e puxar meu pescoço. Ele solta meu pulso para colocar uma mão sobre a minha boca. Sua outra mão vai para a frente da minha blusa. Seus dedos afundam em meu peito, apertando e amassando. Eu choramingo e em seguida encontro a minha determinação. Eu levanto o meu pé e esmago para baixo no seu peito do pé. Ele não me libera, mas pula em um pé, praguejando. Eu não tenho tempo para chutá-lo novamente antes de sua mão sai da minha boca e curvar em torno de minha garganta com força brutal. Meu suprimento de ar é cortado, e eu não posso gritar. Ele me empurra para frente contra a porta do carro frio, a mão em volta do ~ 188 ~


meu pescoço. Sua outra mão puxa as minhas calças de yoga, empurrando-as para baixo de um lado, depois o outro. Minha calcinha vai com elas. Eu chuto e bato, mas eu estou presa e não consigo respirar. Seu domínio sobre a minha garganta aperta. Eu ouço o zzzzzrrrhhriiip de seu zíper indo para baixo, e em seguida, algo duro mas macio e quente cutuca as minhas cochas. Eu não posso respirar. Minha visão obscurece. Eu sinto a coisa tocar minha cocha. Eu tento gritar e me debater ainda mais forte, o pânico brota em mim. Seu domínio sobre a minha garganta implacável. Estou vendo manchas, escuridão dança nos meus olhos. — Você quer isso. — Ele sussurra no meu ouvido, seu hálito quente e sujo. — Eu sei que você quer. Um pensamento lúcido parece-me: Eu estou sendo estuprada. Outro pensamento: Eu vou morrer. Sua mão rasga a minha camisa, e ela cai. Ele rasga o meu sutiã, liberando meus seios. Ele está segurando em meus seios, esmagando-os, duramente, um ato grosseiro a minha pele estimula e pica, e eu estou tentando gritar, tentando lutar contra , mas eu estou tonta e não consiguo respirar. Minhas calças estão em torno de meus joelhos, e uma coxa vai entre as minhas, forçando os joelhos separados. Não. Não. Não. Eu não posso impedir que isso aconteça. ~ 189 ~


E então ele se foi, assim de repente, desapareceu, e eu estou fora de equilíbrio, sugando o ar doce e fresco, tropeçando. Eu caio, tropeço em minhas calças emaranhadas. Eu bato com a cabeça na porta do carro com tanta força que eu vejo estrelas. Ouço sons atrás de mim. Socos. Pancadas molhadas, gemidos. Rosnados de dor. Carne na carne. Eu só posso contorcer em agonia e tentar respirar, vejo estrelas, cabeça latejando. Uma voz em cima de mim: — Porra. Porra! Grey? — É Dawson. Eu não posso nem gemer. Estou ofegante, minha garganta ferida e latejante. Eu tenho um ataque de tosse e tento puxar oxigênio. Eu sinto as mãos suaves de Dawson me tocando. Ele puxa minha calça, puxando-as para cima. Mesmo que seja ele, eu encolho longe de seu toque. — Ssshh. Está tudo bem. Sou eu. É Dawson. Estou aqui. Você está bem. — Ele coloca a mão debaixo da minhas costas e me levanta um pouco fora do chão, puxando minhas calças no lugar. — Eu tenho você. Vou colocar minha camisa em você, ok? Ele faz alguma coisa, e os restos do meu sutiã , que eu percebi que foi rasgado de alguma forma, caem. Eu soluço de novo, a inspiração estremecendo e palma da mão de Dawson alisa pelo meu rosto, enxugando as lágrimas que eu percebo estão escorrendo. — Está tudo bem, Grey. Você está bem.

~ 190 ~


Minha cabeça lateja, e há algo molhado e pegajoso na parte de trás da minha cabeça. — Cabeça... — Eu gemido. — Eu acho... sangrando. Dawson amaldiçoa, e eu ouço farfalhar de tecido, e, em seguida, algo macio que cheira a Dawson é colocado sobre a minha cabeça. Ele pega a minha mão na sua e orienta suavemente meu braço pelo buraco, como se eu fosse uma criança, faz a mesma coisa para o outro lado. Eu estou vestida, agora, coberta, e isso acalma o terror que bate no meu intestino. Dawson me salvou. Eu soluço depois, e a mão de Dawson toca minha testa, escova as lágrimas. Dedos ternos envolvem sob meu pescoço e me ajudam a sentar-me, e eu ouço um sussurro ―Porra‖ de Dawson quando ele vê o sangue. Eu o vejo pegar o fragmento rasgado da minha camiseta rosa e o pressione para a parte de trás da minha cabeça, e depois o braço passa sob minhas pernas e ele me levanta facilmente. A porta de seu Mustang está aberta, o motor em ponto morto, o barulho como um ronco de um animal. Ele me põe no banco do passageiro, inclina-se sobre mim para desligar o rádio, que está tocando heavy metal que eu acostumei a associar com Dawson. Estou tonta, vendo em dobro e eu estou cansada. Eu olho para fora, para o estacionamento, e eu vejo um caroço no asfalto, calças escuras e uma camisa branca manchada de vermelho. Um conjunto de cintilações de líquidos escuros em torno de uma extremidade da forma. É ele, o estuprador. Ele não está se movendo. Dawson tem o telefone no ouvido e ele está murmurando para ele. — ... Merda ... Sim, ele está fodido.... Eu não sei , talvez? Apenas tome cuidado com isso, ok? Entendi. Tchau. ~ 191 ~


Ele empurra o telefone no bolso e se aproxima de volta para o Mustang, dobrando sua estrutura alta para o banco do motorista. Um olhar para o rosto dele me assusta. Ele está perdido em uma fúria assassina, seus olhos com a pupila dilatada, a mandíbula apertada e o rangendo o dente, todo determinado e com raiva. Seus olhos pegam os meus e acalmam. Ele olha pela janela, avista meu atacante, e bate a marcha em marcha à ré, dispara o motor, e nós giramos em torno de um círculo para trás. Outro empurrão violento da marcha, e nós estamos subindo para frente para fora do estacionamento e para a rua deserta. Eu me pergunto se sou o motivo de sua raiva. Ele teve que me salvar, às três da manhã, quando eu o rejeitei. Ele está dirigindo com precisão, com raiva, batendo mais de cento e quarenta, cento e sesssenta quilômetros por hora nas retas de estrada, soprando através dos sinais vermelhos e fazendo curvas largas, abrindo, gritando nas curvas. Luzes vermelhas e azuis piscando atrás de nós, mas Dawson não presta atenção. Ele nos empurra através de uma série estonteante de esquerdas e direitas em uma subdivisão aleatória, guinchos para uma parada, e inverte de repente em um beco estreito, desliga os faróis . O carro da polícia voa, sirene uivando. Eu só posso apertar o banco, os nós dos dedos brancos e tento respirar. Dawson ainda está fervendo, sua respiração vindo em longos suspiros profundos, como se ele estivesse tentando se conter e mal conseguindo. — Dawson, eu sinto muito. — não consigo olhar para ele. — Você pode me levar para casa agora. Estou bem. — pressiono a camisa para a parte de trás da minha cabeça, e a pressão dói, mas ~ 192 ~


quando eu puxar o algodão fora, está apenas levemente manchado com sangue. Eu pressiono novamente, e ele sai limpo. Ele olha para mim em confusão. — Desculpe? O quê? — Ele olha para mim por um longo momento antes de compreender. — Oh, Jesus. Você acha que estou bravo com você? Dou de ombros. — Eu acho. Quer dizer... Eu não sei. Você está me assustando, apesar de tudo. Ele chega e coloca a mão no meu joelho. — Amor, eu estou louco por você, não por causa de você. — Eu não ... Eu não entendo. Ele franze a testa e em seguida suspira. — Vou levá-la para casa. Minha casa. Vamos falar lá. — Mas... eu estou bem. Prefiro ir para o meu dormitório. — É uma pena. — Ele puxa o Mustang para fora do beco e para a estrada principal, e de lá para a rodovia. Uma vez que estamos na estrada, ele coloca o clássico carro através de seus passos, acelerando de forma constante, mas uniformemente até que a irritação está enterrada. Indo a cem ou mais em um Bugatti é como estar em um jato, a sensação de velocidade é contida e atenuado pelos tremores de um carro caro e tudo o mais. Indo a cento e vinte em um carro clássico de 1960 é aterrorizante. Você sente cada pedacinho da velocidade. Você se sente mais perto da estrada, como se estivesse preso a um foguete que poderia oscilar fora de curso a qualquer momento. — Você pode ir um pouco mais devagar, por favor? — Eu peço. ~ 193 ~


Ele me atira uma olhada por uma fração de segundo, talvez vendo que minhas mãos estão freneticamente agarrando o banco e no painel

de

instrumentos.

Eu

o

senti

recuar

no

acelerador

imediatamente. — Sinto muito. Eu posso sentir as perguntas dele. Eu tenho muito das minhas. Eu quero minha cama. Eu quero que o ambiente familiar do meu dormitório. Não é muito, mas é tudo que tenho. Ele não vai me levar lá, no entanto. Estamos puxando até o portão e Dawson acena para um guarda uniformizado de meia idade na guarita, e então estamos sob o arco e diminui suavemente até parar na frente de suas portas. Eu mal tenho tempo para registrar que paramos antes que o carro está desligado e Dawson ao meu lado me desafivelando e me levantando do carro. Eu deveria protestar, mas eu estou tonta, e meu pescoço não vai apoiar minha cabeça. Eu estou tão cansada. Eu coloco minha cabeça no ombro dele e deixo meus olhos se fecharem. Dawson olha para mim, e então sua voz me desperta. — Grey, não. Você tem que ficar acordada por mim, ok? Você pode ter uma concussão. Você não pode dormir ainda, ok? — Ele me coloca para baixo brevemente, e eu balanço contra ele enquanto abre a porta da frente e a empurra aberta, então me levanta novamente através da entrada e chuta a porta fechada. Eu nunca fui além do corredor com o lavabo da última vez que estive aqui. Seus passos ecoam sobre o mármore do hall de entrada, e eu vejo através das fendas das pálpebras que estamos passando por uma cozinha aberta e ampla, uma sala de estar, mas de parência confortável. Ele me coloca suavemente em um sofá de couro. ~ 194 ~


Não posso deixar de olhar para ele enquanto paira sobre mim. Sua mandíbula está com uma barba crescida escura, fazendo-o parecer um pouco mais velho e um pouco mais duro. Percebo que ele tem pontos de vermelho incrustados na testa, as maçãs do rosto e em sua camisa. Eu alcanço sem pensar e raspo o sangue em sua bochecha com a unha do meu dedo polegar. Dawson empurra longe, esfregando o rosto e olhando para o lado, para os flocos de sangue seco. — Merda. Tenho o sangue daquele cara em mim. — Ele está... Dawson me interrompe. — Ele não é da sua conta. — Ele se move para a cozinha e volta com uma garrafa de água oxigenada, um chumaço de papel toalha e um saco de gelo. Ele examina a minha cabeça com algo parecido com ternura profissional, enxugando o corte com uma toalha de papel umedecido com peróxido. Estremeço com a picada, mas dura apenas um momento. — O que Greg vai fazer com ele? Dawson dá de ombros. —Isso não é uma pergunta que eu quero saber a resposta. Contratei Greg porque ele me assusta pra caralho. Ele era chefe de uma gangue de motoqueiros que faz Anjos do inferno parecem um bando de vaginas bebericando chá. Exceto que Greg também tem um diploma em negócios de Brown. Então, sim, não o irrite. Eu tenho que perguntar. — Você acha que ele está morto? O cara que tentou... Que me atacou?

~ 195 ~


— Você se importa? Eu dou de ombros. — Eu não sei. Eu só... — Ouça, meu bem. Ele tentou estuprá-la. Ele teria matado você. Ele quase fez, e você tem os machucados em seu pescoço para provar isso. Não pense sobre aquele pedaço de merda mais, ok? Ele se foi, e ele não vai te machucar ou qualquer outra pessoa nunca mais. Isso é tudo que importa. Seu sangue está em mim e em Greg, não em você. — Mas você não pode simplesmente... — Grey. — Dawson move-se para sentar-se ao meu lado, e eu quero me enrolar nele. Deixar que ele me segure. Eu fico quieta e tento manter os meus sentimentos turbulentos em cheque. — Pare de se preocupar com essa maldita pilha de escória. Ok? Por favor? Ele não merece sua piedade. Se ele está morto, isso é muito bom para ele. Ele merece sofrer. — A veemência em sua voz e em seus olhos me faz tremer. Eu olho para longe e concentro-me em respirar, dentro e fora. Dawson é uma grande, quente, confusa presença ao meu lado, e eu estou cheia de memórias sensoriais de seus braços em volta de mim e seus lábios em mim... e então a memória muda abruptamente, e eu sinto novamente um aperto de mão sobre a minha boca e ouço o silvo de sua voz, e eu vomito. Dawson me puxa para o seu colo enquanto eu começo a tremer e soluçar, com os braços enrolando em volta de mim. Eu fico tensa, inicialmente, certa de que o sentimento de braços masculinos me

~ 196 ~


segurando irá acionar o horror novamente, mas isso não acontece. Sinto-me segura com Dawson. Ele me protegeu. — Está tudo bem, Grey. Você está segura. — Sua boca está ao lado de minha orelha, sussurrando. Então, algo de estranho acontece: Dawson pressiona um beijo suave ao meu têmpora. É... terno. É um beijo projetado para acalmar, para confortar. Não para inflamar o desejo ou paixão. Isso me confunde, e isso me faz sentir... amada. Cuidada. E isso é algo que eu não possa lidar. Meu instinto é fugir, mas eu não posso me mover. Eu simplesmente não posso me fazer deixar o casulo protetor do abraço de Dawson, e eu não quero. Minha confusão e medo não são fortes o suficiente para empurrar-me para fora de seus braços. É um sonho ruim, um pesadelo, e está desaparecendo rapidamente. Eu paro de chorar depois de um tempo, e eu deixei-me estar segura nos braços de Dawson. Sua boca encontra a minha têmpora novamente, e então a curva de minha orelha. Ele coloca um cobertor em torno de mim, e suas mãos patinam para cima e para baixo dos meus braços, nas minhas costas e ombros, mantendo-me calma e quente. Eu bocejo e Dawson se move debaixo de mim, embala os braços sob os meus joelhos e sobre os meus ombros, levanta-se comigo. Estou com sono, emocionalmente, mentalmente e fisicamente exausta. A camisa de Dawson é de algodão macio e cheira a ele. Ele é quente, e seus músculos se deslocam sob minhas mãos enquanto eu me agarro a ele, como pedras sob a seda. Eu deixo minha cabeça se ~ 197 ~


contentar contra seu peito e absorver a sensação de conforto, de ser cuidada. É muito estranho. Desde que Mama morreu, eu me sinto sozinha. Não amada, não notada. Ele me leva até as escadas, por um longo corredor e até mais três degraus, através de um par de portas francesas abertas e em um quarto principal. A cama é o único móvel além de uma enorme tela plana na parede oposta e um par de mesas de cabeceira de cada lado da cama. Ele me leva para a cama, inclina-se contra ela, e me estabelece. Meu coração para, e minha respiração para na minha garganta. Estou toda tensa. E agora aqui está Dawson, esse deus, essa estrela de filme, esse homem todo homem real, e ele está prestando atenção em mim. Como se eu quizesse dizer algo para ele. Como se ele quisesse alguma coisa de mim que eu não sei como dar. Eu nem sei o que ele quer, honestamente. Bem, isso não é verdade. Eu sei. Ele quer sexo. Eu sei disto. Eu vejo e sinto. É na forma como ele me toca, no caminho ele me beija. Eu sei, porque é isso que os homens querem de mim. É o que ele quer de mim. E eu não sei como dar a ele. Mas tenho a sensação de que ele também pode querer algo mais de mim. Algo mais. Mas esse não é seu estilo. Nada que eu já ouvi sobre ele disse que quer qualquer coisa com uma mulher que está envolvido, exceto sexo. Tudo isso corre pela minha cabeça enquanto ele pega a pilha de almofadas dispostas ordenadamente na cama e as joga para o chão dois de cada vez. Então ele chega sob os travesseiros e puxa o ~ 198 ~


cobertor para baixo até que ele está parado perto do meu corpo. — Deslize para dentro. — ele diz. Eu dobro minhas pernas debaixo do cobertor e me deito nos travesseiro, observando Dawson como um falcão. É aqui que isso vai acontecer? Agora? Em seu quarto? Meu coração está batendo, mas eu ainda estou mal respirando. Meus dedos agarram na borda do cobertor. Dawson se move pela sala em direção a um par de portas francesas fechadas, que se abre para revelar um armário maior do que dois dos quartos do dormitório da USC juntos. Há uma ilha no centro com uma bancada de mármore e uma área de estar verdadeiramente completa, com uma cadeira de couro. Dawson tira a camisa e a joga em um cesto nas proximidades, e então sua bermuda. Ele está em nada além de um par de apertadas cuecas boxer preta. Minha garganta aperta, e os meus dedos curvam em punhos ao vê-lo. Ele é... nada menos do que glorioso. Os músculos das costas são claramente definidos, ondulando quando ele se move. Seus ombros são como lajes de granito, e os seus braços grossos e abaulados com o músculo. Eu simplesmente não consigo tirar os olhos de cima dele quando ele abre uma gaveta, pega um par de shorts de ginástica e vira-se para mim enquanto empurra um pé e depois o outro. Ele puxa o calção para cima, mas não antes de eu ter um vislumbre da frente dele. Da protuberância em sua cueca. Meus olhos são atraídos para lá, quase instintivamente. Eu coro e desvio o olhar rapidamente, mas ele me viu olhando. O canto de sua boca se inclina e aperta em um pequeno e peculiar sorriso que rapidamente desaparece. Ele se move em direção a mim, e eu estou tensa, mais uma vez, olhando para o campo sulcadas de seu

~ 199 ~


abdômen e na coluna estreita de sua cintura, o corte para dentro do músculo, onde os quadris seguem para dentro guiando para a sua virilha. Minha boca está seca quando ele se aproxima. Eu não estou respirando, nem me mexendo, nem pensando. Estou totalmente em pânico. Ele vê isso na minha cara, e levanta as mãos. — Relaxe, Grey. — Sua voz é baixa, um burburinho suave. — Você precisa dormir. Eu só vou segurá-la. Se você preferir que não, posso dormir em um dos quartos vazios. Só vai me segurar. Eu nunca dormi em uma cama com um homem antes. Nunca, em toda a minha vida. Meu pai costumava me colocar na cama como uma menina, mas parou em torno de nove ou dez anos. Eu não sei o que dizer, o que pensar, o que querer. Estou com medo, exausta e nervosa. — Eu não quero ficar sozinha, — murmuro. É a única coisa verdadeira que eu sei agora Ele cuidadosamente desliza na cama ao meu lado, então amaldiçoa quando ele percebe que a luz do teto está ligada. Ele se levanta e desliga, e o quarto está envolto em sombras repentinas. Um pedaço fino e menor de escuridão esculpe o outro lado da sala, da porta, mas todo o resto é escuro como breu. Eu não tenho medo do escuro, eu tenho medo das minhas tumultuosas e confusas emoções em relação a este homem. A cama afunda e eu sinto o calor da sua proximidade. Eu o ouço respirar. Sua mão toca a minha e nossos dedos se entrelaçam. — Você está bem? — ele pergunta. — De verdade? ~ 200 ~


Eu não respondo imediatamente. É uma pergunta séria. — Eu não sei. Eu não sei o que sentir. Foi... aterrorizante, e tão repentino. Ele estava no clube. Ele era o último cliente lá, e ele pediu por mim. Ele estava... tão bêbado. Talvez drogas. Eu não sei. Ele era assustador. Ele queria uma dança, e ele ficou todo louco quando eu não iria tirar a minha camisa. Eu não costumo fazer isso, você sabe. Se estou no chão, estou vestindo a camisa. Só tiro quando faço danças de palco, essa camisa é basicamente nada, por isso meio que faz com que os clientes ajam como loucos. Tipo, eles podem ver, mas não totalmente, e isso é diferente. — Eu não sei por que eu estou dizendo isso, mas as palavras estão saindo, e eu não posso impedilas. — Eu não poderia fazer, ficar totalmente em topless durante toda a noite. Odeio o suficiente como é, mas... toda a coisa? Ugh. Eu não posso. Eu simplesmente não consigo. Os clientes gostam do mistério, assim Timothy me permite usá-lo. É uma coisa minha, e eu a aplico. Eu só tiro a roupa no palco ou nas salas VIP. Não que isso me faz ser uma stripper melhor, mas... isso ajuda, eu acho. Fica mais fácil que eu não posso vê-lo, que ele não pode ver como isso é difícil para eu falar, embora eu tenho certeza que ele pode ouvir na minha voz . — Então você odeia? Ser uma stripper? — Deus, sim. Toda a coisa. Toda... a cada vez que eu faço isso, eu odeio isso. — Tremo, e seus dedos apertam os meus. — Eu vomito depois de cada dança palco. — Você vomitou depois que eu saí, a primeira vez que nos encontramos?

~ 201 ~


Eu balancei minha cabeça, em seguida, percebi que ele não podia ver o gesto. — Não. Você... era diferente de alguma forma. Eu não sei por quê. Ele não disse nada por um longo tempo. — Então ele ficou com raiva que você não iria tirar a roupa para ele, e depois mais para frente e esperou do lado de fora por você? — Eu acho que sim. Hank o fez sair quando ele ficou muito chateado. Eu pensei que ele tinha ido embora. Fui para o meu carro... seu carro, quero dizer. — Tremo só de novo, lembrando. — Eu deveria... Eu deveria ter escutado meu instinto. Tive essa sensação ruim, mas eu ignorei. Eu não queria parecer tola. — Ouça o seu intinto, — Dawson me diz. — Sempre ouça esses sentimentos. Um silêncio constrangedor se segue. Eu não quero falar sobre o que aconteceu mais, eu só quero esquecer. — Por que você estava lá? — Eu pergunto. — Quero dizer, como você fez para estar lá, na hora certa, então? Mais uma vez, Dawson pausa antes de responder. — Eu queria falar com você. Eu percebi que eu poderia pegá-la depois do seu turno. — O que você queria falar? Percebo agora , talvez tardiamente, que a breve pausa antes de responder é uma coisa Dawson. Ele pensa antes de responder, reúne seus pensamentos e como ele vai dizer-lhes. — Você me confunde.

~ 202 ~


Isso não é o que eu esperava que ele dissesse. — Eu... o quê? O que quer dizer, eu o confundo? — Você é uma contradição, Grey. Eu não posso entender você. — Ele rola para mim, e meus olhos se ajustaram o suficiente para a escuridão que eu mal posso ver as suas características e o brilho dos seus olhos. Seus dedos traçam minha mão, meu pulso, carícias suaves e exploração

lenta.

Eu

mal

noto

como

seu

toque

desliza

cuidadosamente até meu braço, apenas notar como ele move para perto de mim a cada respiração. — Eu não sou tão difícil de entender, eu sussurro. Ele ri. — Para você, talvez. Você é você. Você sabe tudo sobre você. Mas, para mim, é uma contradição completa. Você me confunde. — Ele está roçando meu bíceps e agora meu ombro sobre a camiseta, esfregando minhas costas. Eu gosto disso. Muito. Eu não conseguiria pará-lo se eu tentasse. — Você parece... inocente de alguma forma. Você mencionou crescer super protegida, mas se fechou quando eu perguntei sobre isso. Você exala sensualidade sem esforço, mas é... Eu não sei, não é sexual, de alguma forma. Tipo, deveria ser, considerando o que você faz, mas não é. É sensual, essa mistura estranha de inocência e beleza crua. Eu só... Eu não estou explicando direito. Mas então, você é uma stripper, e você odeia. Eu podia ver. Você não pertence a esse clube sujo... e você e eu. Essa é a parte mais confusa. Eu não sei como lidar com você. Eu te quero, isso não é segredo neste ponto eu acho, que eu te quero tanto. Eu posso provar isso. Posso provar sua pele. Eu vi você, e eu comecei essas pequenas provocações de tocar em você. Mas... Eu quero tudo de ~ 203 ~


você. Ainda assim à medida que se aproximam de coisas acontecendo, você foge. Sua mão amassa os músculos das minhas costas, por volta de minha coluna, até a minha cintura. Meu coração começa a bater e bater loucamente quando seu toque se aproxima do das minhas costas e continua para baixo. — Você é um mistério — ele diz, avançando seu corpo perto do meu. Eu posso sentir o cheiro dele, eu posso sentir sua respiração em mim, íntimo. — Eu acho que você me quer, mas eu não posso dizer com certeza. E se você me quiser, fico com a sensação de que você não quer me querer. E não pareço arrogante ou qualquer coisa, mas provavelmente há milhões de mulheres que gostariam de ficar pelo menos cinco minutos comigo, mas você sempre foge. Eu não sei o que você quer, e eu não sei como encontrar o que quer, porque você está fechada, sensível e não responde a perguntas. — Ele diz tudo isso com cuidado, como se pudesse me ofender. E, honestamente, não é difícil . — Eu não estou tentando ser difícil, eu... — Diga-me uma coisa verdadeira. — Eu quero você, e você está certo de que eu não quero te querer. Você me assusta. — Por quê? — Porque você é... muito. Você é Dawson Kellor. Você é... você é Caim Riley. É o homem que cada mulher na América quer. Você é o homem que todo homem na América deseja ser. — Estou muito feliz ~ 204 ~


com a escuridão. Eu posso falar a verdade na escuridão. — Eu te quero, e isso me assusta, porque não sei o que fazer com isso. Como lidar com isso. E eu não sei como estar perto de você. — Basta ser você. — Não é tão fácil assim. Eu não... eu não sei quem eu sou. Eu não sei o que sou. — Minha voz alcança, e eu engulo em seco. Eu chorei muito, e eu não vou fazer isso de novo. Eu me recuso. Dawson não responde, mas isso não é uma pausa, este é o silêncio de um homem que não sabe nada, ele diz que faz bem, para que ele não diga nada. Ele é perfeito. Depois de um longo momento, ele puxa-me para perto e murmura: — Deixe-me te abraçar. Eu ainda estou, totalmente tensa agora. — Me abraçar? — Sim. Apenas segurar você. Nenhuma pressão. Isso não vai a lugar nenhum. Basta estar no momento comigo. — Tudo bem... — Eu não sei o que ele quer dizer. Eu nunca tinha sido abraçada, exceto quando ele estava me consolando enquanto eu chorava. Que, ao que parece, é que a maioria do nosso relacionamento até agora. Eu o senti sorrir, de alguma forma eu sinto sua diversão na minha hesitação. Ele desliza seu braço debaixo de mim, me puxa para mais perto, e agora estou embalada contra seu peito quente e nu. Minha cabeça está apoiada no seu peito, e eu posso vagamente ouvir seu coração batendo , e sua mão está patinando sobre meus ombros e para baixo para o fosso onde a sua camiseta de grandes dimensões ~ 205 ~


enrugou a pele nua em volta. Estou pressionada ao longo de todo o comprimento do seu corpo. Encontro-me traçando os sulcos dos seus músculos abdominais com um dedo, e eu estou apenas respirando. Eu não estou pensando, tentando não chorar, não me preocupando com as contas, não fazer lição de casa, não tirar minhas roupas. Eu estou apenas... aqui. É o céu absoluto. Meus olhos piscam e meu peito contrai, mas eu respiro através disso. — Isso é bom, certo?— ele murmura em meu cabelo. Concordo com a cabeça. Eu não consigo colocar as palavras para fora, então eu não me importo em tentar. Estou dominada pela paz que eu sinto. Ele me sustenta, e não tenta me beijar ou me tocar. O sono me leva, e é o melhor que eu já dormi desde que minha mãe morreu.

~ 206 ~


11 O cheiro do café me acorda. A luz solar é brilhante em minhas pálpebras fechadas, e eu estou aquecida. Em paz. Eu adormeci no conforto. Não há nenhuma preocupação. Eu não sou ninguém, apenas uma mancha de calor flutuando no nada. Suspensa no tempo onde nada importa. E então flutua o perfume do café sobre mim, e eu vou voltando para a sanidade, para a conscientização. Finalmente eu abro meus olhos e vejo o espaço em branco do quarto de Dawson, a tela preta de sua TV de trilhões de polegadas, uma longa porta de correr de vidro com persianas abertas deixando entrar gloriosamente o brilhante dia e uma vista de Los Angeles de parar o fôlego. E então a visão mais gloriosa de todas: Dawson em nada além de um par de shorts de ginástica. Suas panturrilhas são musculosas com uma cicatriz correndo diagonalmente na panturrilha esquerda, a linha enrugada da pele mais clara. A cicatriz o humaniza de alguma forma. Ele não é polido em uma pedra preciosa perfeita. Deus, eu tive um vislumbre de seu corpo na noite passada, mas agora ele está se ~ 207 ~


movendo com graça felina através de seu quarto com uma enorme caneca de café na mão, e seu corpo ondula com cada movimento. Há uma ligeira camada de cabelo escuro em seu peito, e uma trilha mais grossa de cabelo preto que leva de seu umbigo para debaixo de seus calções. A visão de seu corpo quase nu envia arrepios correndo por mim, envia trêmulas lanças de calor em minha barriga. Faz-me sentir...

quente,

no

meu

interior.

Faz-me

sentir

inteiramente

feminina. Dawson se senta na cama perto do meu joelho e sorri. Ele tem um prato na outra mão, um pão torrado com uma generosa camada de creme de queijo. Sento-me, e meu estômago ronca quando eu sinto o cheiro do pão. Ele me trouxe café da manhã. Na cama. E ele fez isso sem camisa. Mulheres da América, fiquem com ciúmes. Eu arrebato metade do bagel do prato e cheiro, misturando-o com goles de café. Eu queimo a minha língua, mas não registro. Eu queimo minha língua com meu café todos os dias. Dawson está observando com uma expressão um pouco atordoada e confusa. — Está com pressa? Eu assentei o bagel lentamente, limpo o canto do meu lábio com o polegar, e depois lambo o creme de queijo do meu polegar. Eu pego Dawson olhando para a minha boca, e eu coro.

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— Não, — eu digo, lutando contra o constrangimento. — Eu apenas... Eu sempre como assim, eu acho. Especialmente na parte da manhã. — É bonito. Você age como se o bagel fosse fugir de você. — Ele ri ainda mais do constrangimento. — Não se desacelere por minha conta. Apenas relaxe. — Relaxar? — É um conceito estranho. — Sim. — Ele pega a caneca de mim e dá alguns goles de café, em seguida, a entrega de volta. — Apenas... relaxe. Pegue o dia de hoje e gaste comigo. Faça o que quiser. Basta relaxar. Estou desorientada. — Que dia é hoje? — É sábado. É um pouco depois das onze. Ambos dormimos. Normalmente eu levanto as seis, mas eu dormi hoje. Eu suspiro. — Onze? — não dormi assim nos últimos sete anos. — Não pode ser onze. Tenho um trabalho para terminar antes do trabalho hoje à noite. Seus olhos escurecem e endurecem. Eles tinham sido de um suave avelã, prova de seu humor, e eles instantaneamente mudaram para o tempestuoso quase-azul, com a raiva construindo. — Para quando é o trabalho? — Terça-feira. Mas eu tenho outro trabalho para quarta-feira, e um teste na segunda-feira, e eu trabalho o fim de semana, então eu tenho como fazê-lo... Ele em silêncio empurra a outra metade do bagel na minha boca. ~ 209 ~


— Pois é... Não. Você não trabalha mais lá. — Sua voz tem um tom de comando que me arrepiou. — O quê? O que quer dizer, eu não trabalho mais lá? — estou falando com a boca cheia de bagel, e eu o engulo e ponho de lado o resto. — Eu não gosto, mas não tenho uma escolha na questão. Esse é o meu trabalho. É como eu sobrevivo. Se este estágio der certo, Kaz vai me contratar em tempo integral, mas não posso desistir até então. Tenho aula para pagar... quarta-feira, na verdade, juntamente com hospedagem e alimentação para o meu dormitório e plano alimentar. Eu não posso... eu não posso desistir. — Sim, você pode. Que tal tornar isso uma condição do estágio? Será que fica mais fácil? — Não! — Eu me arrasto fora da cama, longe dele, colocando a enorme cama Califórnia king entre nós. Eu sou uma confusão de emoções que não posso começar a resolvê-la, não com ele ali mesmo, me olhando, calmo, quieto, determinado, bonito, e todo homem. Ele me distrai da minha própria raiva. — Você não pode simplesmente exigir que deixe o meu emprego. Isto não funciona dessa maneira. Você vai pagar minhas contas até o final do estágio, e depois? E se as coisas na Fourth Dimension não funcionarem? Eu deveria só... só depender de você? Eu não penso assim, Dawson. Não. — Você não quer sair? — Ele está irritantemente calmo. — Sim. Mais do que você jamais poderia compreender. Mas eu não posso. — Isso sai engasgado, — Não posso. — Claro que você pode. Você pode fazer a escolha de confiar em mim. Deixar alguém ajudá-la. ~ 210 ~


— Eu não sou um caso de caridade. Posso cuidar de mim mesma. Ele se levanta e se afasta. Mesmo suas costas é sexy, sedutor e hipnótico. — Eu sei, Grey. Maldição. Estou apenas tentando... — O quê? Me amarrar a você? Me fazer uma das suas chamadas para sexo? Ele gira, e antes que eu pudesse piscar, ele está do outro lado da sala, em volta da cama, e me prende à parede com seu corpo. Seus olhos são azuis, com raiva, quente. Seu corpo é duro, enorme e ele está respirando com dificuldade, e suas mãos estão nos meus braços e sua boca está à centímetros de distância. — Eu estou tentando ser gentil. — Ele sussurra as palavras. — Isso é chamado de generosidade. Você odeia o que faz, e eu odeio que tenha que fazê-lo. Posso tirar os seus problemas, Grey. Você só tem que me deixar. — Eu não posso. — tenho que olhar para longe dele. Eu não posso suportar encontrar seus olhos, não posso tomar a intensidade. Só que eu olho para a sua boca, seus lábios, a ponta rosa de sua língua correndo sobre seu lábio inferior e eu sei como é a sensação de ter aqueles lábios nos meus, o gosto , e eu... eu quero isso de novo. Mesmo no meio da minha febre banhada de emoções, eu não posso segurar o desejo confuso que sinto por ele. — Você pode. Você simplesmente não quer. Grande diferença, amor. — Não... não me chame de ―amor‖. — eu digo. — Eu não sou seu amor.

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— Você poderia ser. — Ele deixa cair a bomba com calma. — Eu... o quê? — Meus olhos chicoteiam nos dele, atordoados. — Eu disse: Você poderia ser. — O que significa isso? — Eu gostaria de ter a coragem de me afastar dele, do seu abraço, longe do seu toque. Eu não consigo. Ele olha para mim, dentro de mim. — Eu tenho que soletrar? — Sim. — Seja minha. Fique comigo. — Ele está sussurrando. Suas mãos estão firmes, mas seus olhos chicoteiam para trás e para frente, o único sinal de nervosismo. — Ter relações sexuais com você, você quer dizer. Ter um caso de uma noite, você quer dizer. Ele rosna. —Não. Porra. Não. Grey. Quero dizer, sim, eu quero estar com você. Mas... em todos os sentidos. Com você. — Ele passa as mãos pelos meus braços, na minha cintura, meus quadris, e ele me levanta. Minhas pernas instintivamente vão ao redor de sua cintura e suas mãos estão no meu traseiro, e eu o sinto ao meu redor, assim, tão perto. — Eu quero te beijar sempre que quiser. Eu quero dizer quando você está sendo ridícula. Eu quero fazer amor com você. Eu quero transar com você. Eu quero te abraçar. Quero ser seu. Eu não te conheço, nem um pouco, mas eu quero tudo isso. É uma loucura total. Sinto que eu deveria ser aceito por dizer isso a você. Porra, eu deveria ter o meu cartão masculino revogado por ser todo

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emocional e menininha por te dizer meus sentimentos. Mas... eu não sou nada se não for honesto. Então é isso. Eu não posso respirar. Eu não vou hiperventilar, na verdade, é exatamente o oposto disso. Meus pulmões estão queimando porque eu literalmente não estou respirando. Estou olhando em seus olhos e ouvindo suas palavras e completamente perdida. Eu não posso acreditar nisso. — Diga alguma coisa, Grey. Jesus. Acabei de colocar meu maldito coração para fora para você, e você não está dizendo nada. — Sua voz é um sussurro áspero. — Você quer isso? — engulo. — Comigo? Mas... você não sabe coisas sobre mim. Você não... não faz coisas desse tipo. Você não tem namoradas. Ele franze a testa . — Não, eu.... sim, eu tive uma porrada de namoradas. Namoradas são um centavo em uma dúzia. Que eu poderia estalar os dedos e ter seis namoradas, uma para cada dia da semana e domingo de folga. Eu não quero isso. Eu tive isso. Isso é chato. Eu quero você. — Seus olhos vão de nuvem de tempestade cinzento, escuro, ameaçador. — Eu não sei nada sobre você, mas esse é o ponto: eu quero saber. Tudo que eu posso fazer é beijá-lo. É necessário, mais do que respirar. Ele me beijou de volta hesitante, como se não certo de que estou realmente fazendo isso. Mas eu estou. Estou beijando-o, porque é a única resposta que eu tenho. Minhas pernas apertam em torno de sua cintura, e as minhas mãos passam pelo seu cabelo e agarram

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parte traseira de sua cabeça e o puxo para mim, e eu estou além desesperada. Este homem me quer. Ele gira no lugar e de repente eu estou na cama com Dawson em cima de mim. É tão certo assim. Ele é delicioso. Ele tem gosto de café, bagel e um leve traço de pasta de dente. Sua língua desliza entre meus lábios e meus dentes e toca a minha língua. Eu o estou segurando pela minha vida e o beijando com tudo o que tenho, deixando-o capturar a minha boca com a dele, deixando-o possuir minha língua. Ele se afasta delicadamente, e eu estou perdida brevemente, em um espiral com a necessidade de ter o seu beijo, e em seguida, os dentes pegam o meu lábio inferior, dá mordidinhas, e então meu lábio está em sua boca e ele está deslocando seu peso. Suas mãos escovam meu cabelo longe do meu rosto, e seus olhos são mil tons de cinza, azul, verde e marrom, indefinível, indescritível e ele está olhando para mim como se eu tivesse a resposta para todas as perguntas em sua mente. Sua palma pincela para baixo do meu pescoço, e seu polegar patina sobre meu queixo e depois eu baixo meu braço até sua cintura. Sua camisa está enrolada sob meus seios, mostrando mais da minha barriga, ele toca o meu quadril, a mão quente, forte e calejada contra a minha pele macia, branca. Eu sugo uma respiração quando ele se atreve a ir para cima, tocando minhas costelas. Seus dedos deslizam pela parte inferior do meu seio direito, e eu deixei meus olhos se fecharem, mas ele não leva o meu peito em sua mão. Ele só empurra a camisa um pouco, e olha para mim. Meus olhos estão fechados, mas eu sinto seu olhar. Eu o deixo olhar. Não é

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como no palco, porém, seu olhar é terno. É muito, e eu tenho que beijá-lo novamente, antes que eu me perca completamente nele. Ele me beija e depois se afasta e abaixa a boca para um beijo entre os meus seios. Eu estou apavorada, meu coração martelando. Sua boca é quente e úmida na minha pele e agora ele está se movendo seu beijo lento descendo a encosta de um peito e meu coração bate violentamente contra as minhas costelas, - certamente ele pode senti-lo batendo? - Mas ele não mostra nenhum sinal que percebe o meu terror, ele apenas lentamente e com cuidado continua seus pequenos beijos lentos por todo o meu seio direito, até que ele está tocando meu mamilo com beijos. Meu mamilo ereto, duro, quase como se pedindo-lhe para dar um beijo lá. E então ele dá, e o gemido que irrompe de mim é alto, ofegante e erótico. Eu me sinto corar, ao gemer, mas não tenho tempo ou espaço de pensar para mais nada, ele suga meu mamilo forte, amassando-o. Eu gemo novamente, ofegando, retorcendo-me debaixo dele.

Eu

nunca,

nunca

senti

nada

parecido

com

isso.

É

impressionante, a Terra treme. Eu agarro a parte de trás de sua cabeça enquanto ele libera meu mamilo com um pop e pincela com sua língua, roça com os dentes. Calor e a pressão aumenta dentro de mim, centrado baixo na minha barriga, no meu sexo. É uma pressão desesperada, uma necessidade vulcânica e eu não sei o que fazer. Enquanto sua boca está ocupada com o meu mamilo direito, com a mão esquerda está fazendo coisas semelhantes ao meu peito esquerdo e eu estou ofegante e sem fôlego, fazendo todos os tipos de ruídos embaraçosos. Eu sei, dentro de mim, que não deveria estar fazendo isso. A culpa da filha do pastor está retrocedendo me dizendo ~ 215 ~


que eu estou pecando com este homem. Eu faço o meu melhor para ignorar aquela voz, que assombra as sementes de vergonha. Ele move a boca para meu mamilo esquerdo e sua mão direita esculpe sobre minhas costelas, sobre a minha barriga, o meu quadril e seus dedos deslizam sob o cós das calças de yoga, e depois para, os olhos nos meus. Eu assumo por ele, empurrando minhas calças para baixo, enrolando-as. Eu estou perdida. Eu não tenho nenhuma vontade, nenhuma capacidade de resistir ao seu toque, sem capacidade de parar com isso. Eu sei que deveria, mas não posso. Estou tão fraca. Tão fraca. Ele está em cima de mim, beijando minha boca, beijando meu pescoço, beliscando meus mamilos com os dedos, mantendo-me sem fôlego, inquieta e me contorcendo, e a pressão está aumentando dentro de mim, no meu sexo. Estou úmida lá, e lisa. Eu pressiono minhas coxas juntos em uma vã tentativa de aliviar a pressão, mas não faz nada. Minhas apertadas calças pretas de yoga foram roladas longe o suficiente para que o topo da minha calcinha estar a mostra, uma faixa de algodão vermelho. Meus olhos estão fechando e abrindo, absorvendo o rosto de Dawson, seus olhos quando ele olha para mim, sua boca enquanto ele chupa o meu mamilo e o estica, me fazendo gemer e contorcer-me, arfando com o calor e a pressão aumentando à um nível insuportável. E então seus dedos roçam a linha elástica da minha calcinha e fazem uma pausa. Estou completamente à sua mercê. Eu sei que não deveria deixar isso acontecer, que estou cruzando alguma linha que não deveria cruzar, mas eu não vou

~ 216 ~


parar. Ele está me tocando, ele me possui. Ele sabe exatamente o que eu preciso, o que eu quero, mesmo que eu não saiba. E agora, Oh Deus. Seus dedos, apenas seu dedo médio e anelar estão escorregando sob o elástico para tocar a pele depilada, lisa e eu estou tremendo toda. Eu quero isso. Eu quero que ele me toque. Eu nunca me toquei lá. Nunca. Era um pecado silencioso, vergonhoso e repugnante. E então, quando uma adulta, eu não tinha nenhuma razão ou tempo. Eu nunca conheci o desejo, nunca conheci a necessidade de me tocar como ele está me tocando. Seus olhos estão esverdeados agora, uma cor que eu nunca tinha visto nele antes. Ele está me observando enquanto move o seu toque, - Oh gradativamente, cuidadosamente, - para baixo. Minhas coxas estão apertados juntas, mas se soltam para acolher seu toque, como se o meu corpo quisesse isso, mesmo que minha mente, coração e alma estão em guerra. Meu corpo responde. Seu dedo médio longo está se aproximando do topo da minha abertura e em seguida, a ponta de seu dedo está deslizando dentro de mim. Eu choramingo, um barulho de necessidade e medo. — Diga- me para parar. — ele murmura. Seus olhos estão sobre mim, e eu sei que ele está lendo as minhas emoções. Abro minha boca, mas as palavras não saem. Eu só encontrei os seus olhos e então minhas costas se elevam e meus quadris sobem e mais uma vez o meu corpo faz a minha decisão para mim. Seu dedo médio afunda mais dentro de mim e agora, finalmente, uma palavra escapa dos meus lábios.

~ 217 ~


Seu nome. — Dawson... — É uma súplica sussurrada, mas eu não sei se estou pedindo mais ou implorando-lhe para parar. Estou tremendo toda. Meus joelhos tremem, minhas mãos tremem. Meus lábios tremem e meus olhos não consegue focar. Sinto o dedo entre meus lábios, um sentimento estranho, uma plenitude e então ele está aprofundando. Sua mão se curva e seu dedo se move mais profundo ainda. E então seu dedo me toca de uma certa maneira e um raio me atinge. Um gemido rasga da minha garganta com o prazer cru através de mim. Ele está me observando e vejo ele me assistir. Ele está deitado parcialmente ao meu lado e minha camisa está amarrota sobre os meus seios, que estão pesados e caindo para os lados do meu corpo, meus ossos do quadril são visíveis quando eu arqueio fora da cama sob seu toque. Eu não posso me conter e gemo quando ele me toca igual novamente e o calor e a pressão dentro de mim aumenta, aumenta e aumenta em algo insustentável, algo violento e sobre o fio da navalha da detonação. Algo tinha que quebrar. — Oh, Deus, Dawson! — Eu ouço as palavras deixarem meus lábios, e eu nunca, nunca soei tão carente, tão eroticamente ofegante e feminina. — Grey... Deus, Grey. Você é tão linda. Você é perfeita. — Sua voz é um sopro no meu ouvido. E então o seu toque se move suavemente circulando em torno desse ponto e eu estou levantando meus quadris ao ritmo de seu toque e estou corando com o modo como meu corpo está respondendo, mas não posso me conter. Nunca, jamais me senti ~ 218 ~


assim e eu não posso parar com isso e eu não quero, mesmo que seja errado. Sua boca desce para chupar meu mamilo esquerdo em sua boca e a explosão de prazer abrem a catraca, torna-se uma dispersão pulsante, uma série de explosões em meu peito, meu clitóris e meu coração é um selvagem tambor tribal em meu peito e minha respiração é toda gemidos e suspiros, e seu nome sussurrado. Seus dedos estão se movendo rapidamente agora e as detonações dentro de mim estão sendo levantadas e eu não sei o que fazer. Eu vou desmoronar, eu vou perder-me nisso, estou perdida no furacão de sensações, mas isso não cedia. Ele morde meu mamilo e eu ouço-me fazer um barulho que é quase um grito, e então seus dedos dentro de mim acham o local perfeito e sua boca suga o meu outro mamilo entre os lábios e e agora eu estou indo ... Tudo dentro de mim se desfaz. Estou gritando, guinchando, na verdade, quando lanças ardentes de bruto ecstasy espetam através de mim. Estou quebrada, convulsionando, completamente incapaz de parar a forma como os meus quadris levantam para fora da cama, em busca de seu toque, precisando de mais, e ele me dá mais, muito mais. Ele me beija na minha boca enquanto me despedaço sob seu toque e sua língua está dentro da minha boca e os lábios possuem os meus. Eu estou agarrando-o, agarrando-o com meus músculos apertando e soltando. Minha cabeça gira e minha respiração sai errática. Eu ouço os meus próprios gemidos de pura sensualidade e desespero erótico.

~ 219 ~


Suas mãos se afastam e sua boca pressiona contra minha bochecha, e ele me mantém contra ele enquanto eu tremo incontrolavelmente. Quando eu sou capaz de falar, eu levanto a cabeça para encontrar seus olhos. — O que... o que você fez para mim? Ele não percebe que eu estou falando sério. — Eu dei-lhe uma prova, amor. Não escapou a nenhum de nós que eu não protestei contra a palavra. — Uma prova de quê? — Eu me pergunto se devo dizer-lhe que nunca fiz nada nem remotamente parecido com isso antes. Se seus dedos tivessem ido mais fundo dentro de mim, ele teria sentido as provas da minha inocência. — Uma prova de nós. Eu não sei o que dizer. Parte de mim espera que ele me peça para fazer alguma coisa por ele, porque inexperiente como eu sou, eu sei alguma coisa de como as coisas funcionam. Mas ele não faz. Ele apenas me abraça até o tremor diminuir. É então que o sentimento de vergonha e culpa me ultrapassa. Tecnicamente, eu ainda sou virgem, mas eu lhe dei mais de mim do que qualquer um já teve. E eu ainda não sei o que é isso ou onde está indo. Eu sei o que ele disse, que ele me quer, mas... ele não teria dito isso para as outras? Houve dezenas antes de mim. Dezenas de mulheres e elas sabiam o que dar a ele, como tocá-lo, como

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agradá-lo e elas sabiam o que esperar. Será que ele sussurrou as mesmas palavras que sussurrou para mim? Eu só sei que uma coisa é certa: eu quero mais. O que ele fez para mim... Eu preciso de mais. Eu vejo o grande negócio agora, isso era apenas uma prova do que poderíamos ser. Eu nunca vou ser capaz de obter o suficiente, mas não posso ter mais. Eu não posso. Porque eu preciso de mais dele. Eu sei que meus sentimentos por ele estão saindo do controle. Sei onde eles estão me levando. E eu não posso dar ao luxo de me apaixonar por ele. Como posso deixar isso acontecer? Como posso confiar nele? Como eu posso me dar a ele quando só o conhecia por alguns dias, e se eu me apaixonar, e então o que? Eu moro com ele? Será que ele se casaria comigo? Eu quero casar? Ele quer? É onde isso vai dar? Não para ele, com certeza. E o que dizer de seus filmes? Eles têm sexo neles. Ou seja, ele tem sexo, com atrizes, na tela para milhões de pessoas ver. E ainda assim ele chegaria em casa para mim e eu o beijaria e o tocaria, mesmo sabendo que outra mulher acabou de fazer tudo isso, mesmo que fosse para um filme e não com real emoção? Mesmo sem emoção, seria beijos reais, sexo real. Estou ofegante como estes pensamentos me socam a mil por hora. Eu deixei ele me tocar. Eu deixei ele me dar um orgasmo. Seus dedos estavam dentro de mim. Sua boca estava nos meus mamilos. Basicamente, eu fiz sexo com ele, e eu mal o conheço. Ele pode me

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demitir e eu tenho certeza que eu nunca vou trabalhar em Hollywood novamente. Ele pode fazer tudo o que quer e sair impune. Ele me tocou. Ele me beijou. Ele me fez sentir tanto, tanto. Lágrimas escoam para baixo, lágrimas de confusão crua, desespero e medo. Ele as vê. — Grey? Que... o que está errado? — Eu... eu sinto muito. Eu não... eu não posso... — Eu me arrasto para longe dele, fora da cama e no banheiro. Meu estômago se ergue, o turbilhão de emoções voltando para náusea, como sempre faz . Eu não vomito, no entanto. Eu sinto a bile, combato. Dawson está do outro lado da porta fechada, eu o sinto lá. Eu sei que tenho que enfrentá-lo. Abro a porta e lá está ele, enorme, lindo e claramente chateado. — Grey, o que está errado? Pensei que nós... Eu balancei minha cabeça. — Dawson, eu sou... Deus, estou confusa. — quero seus braços ao redor de mim, porque mesmo quando ele é o único que me perturba, ele me conforta. Eu não posso deixar que isso aconteça, porque eu vou ficar perdida em seu toque de novo. — Eu estou tão confusa e eu não sei o que é isso, o que nós somos... Eu não sei de nada. — Você não... Não quer ficar comigo? — Eu não sei! Você torna difícil pensar! Você me toca e eu não posso fazer sentido à qualquer coisa. Você poderia ter qualquer pessoa ou várias pessoas, e eu não posso competir com isso. E é um astro de cinema. Vai estar em O Vento Levou, e vai beijar Rose. Ou ~ 222 ~


sabendo como Jeremy dirige, você vai ter uma cena de amor com ela. Então o que dizer de nós? Devo estar bem com isso? Onde isso vai parar? E o que nós fizemos... foi... incrível, mas eu não podia parar. Está tudo muito, muito rápido, eu não sabia que podia... — Você está dizendo que eu te forcei, de alguma forma? — Há uma borda afiada na sua voz. — Não, eu estou dizendo que era eu... eu queria, mas não deveria ter... Não era... — Eu não quero que admitir que sou virgem. Não sei como ele vai reagir ou o que vai dizer ou fazer. O que isso significaria para nós, isto é, o que quer que exista entre Dawson e eu. Eu o empurro passando por ele, ajustando minhas roupas. — Apenas... Eu preciso ir para casa. Preciso pensar. Isso tudo está acontecendo tão rápido e eu estou tão confusa... — Você está fugindo de novo. — Ele está igualmente irritado, resignado e triste. — Não! — Então do que você chama isso? — Seus olhos são azul-cinza e ele está andando para longe de mim. — Eu não sei. Só estou dizendo que preciso de algum tempo. — Tempo para quê? Ou você me quer ou não. — Não é tão simples assim, Dawson — Então explique-me. — Ele se vira para mim e fica em cima de mim e olha para baixo em mim, em minha alma. — Diga-me uma coisa verdadeira.

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— Eu te quero tanto que me assusta. — não posso olhar para ele. — Por que isso assusta tanto? — Porque é muito e eu não sei como lidar com isso. Eu não sei o que é isso entre nós. — É um relacionamento romântico, Grey. Isso não é tão complicado. Eu gosto de você, você gosta de mim, vamos passar algum tempo juntos. Nós faremos amor. Nós diremos um ao outro coisas verdadeiras sobre nós mesmos. — Então, me diga uma coisa verdadeira sobre você. Ele esfrega a mão sobre o rosto e em seguida, através de seu cabelo. — Tudo bem, tudo bem. Você ainda não me disse nada real, nada profundo. Eu sei que você está com medo, isso não é segredo. Mas eu vou te mostrar o que eu quero dizer quando digo “uma coisa verdadeira”. Eu sou o filho de Jimmy Kellor. Minha mãe é Amy Lipmann. Você está no cinema, então você tem que saber os nomes. Eu sabia. Claro que eu sabia. Dawson ser filho de Jimmy era de conhecimento público. Mas de alguma forma eu nunca pensei o efeito que teria sobre Dawson. Jimmy Kellor foi - e ainda é - uma dos mais amados diretores de todos os tempos. Ele era notoriamente difícil de se trabalhar, exigente e peculiar, mas ele era brilhante. Ele está sobretudo aposentado agora e está notoriamente recluso. Ninguém sabe onde ele mora, mas às vezes ele é consultor em um filme, se puder fazer isso de sua casa, via e-mail e telefone. Amy Lipmann era

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uma atriz de romance dos anos setenta e oitenta. Ela tinha uma reputação de moça selvagem e seu relacionamento com Jimmy Kellor foi um enorme escândalo na época, já que ele tinha mais de quarenta anos, casado e com filhos. Amy tinha apenas vinte e um anos. Jimmy deixou a esposa e filhos por Amy e os dois ficaram juntos por quase vinte anos tumultuados. Tablóides registraram cada acusação de traição por parte de Jimmy e cada visita de Amy na reabilitação. Eventualmente, Amy morreu de overdose de cocaína na metade dos anos noventa. O último filme de Jimmy foi no ano que Amy morreu e ele não tem dirigido desde então. Dawson suspira. — Então, sim. Eu cresci em torno de Hollywood. Eu fiz pontas nos filmes do meu pai a partir de quatro anos de idade. Ele me deu meu primeiro papel de verdade quando eu tinha seis anos. Montain on the Moon. Depois disso, eu consegui meus próprios papéis. Mamãe e papai me gerenciavam. — Seus olhos vão escuros, marrom com dor, com a lembrança. — Você quer outra verdade? Eu encontrei minha mãe. Quando ela teve uma overdose, eu quero dizer. Ela estava em seu banheiro. Estava nua em sua banheira. A banheira estava vazia, não estava cheia de água. Ela estava deitada nela, coberta de vômito. E eu era apenas um garoto. Foi em 96, então eu tinha... oito, eu acho. O vômito estava todo ensanguentado. Eu não falei por seis meses depois disso. Estava no meio das filmagens de meu segundo filme, quando eu desliguei, eles tiveram que reformular e refazer. Eu coloquei minha mão sobre a minha boca, tentando imaginar o que deve ter sido para um menino. Eu não posso.

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— Minha mãe morreu de câncer. Quando eu estava no último ano do ensino médio. — Estou quase sussurrando. — Ela era minha melhor amiga. Meu tudo. Ela era a única pessoa que me entendia ou me apoiava. Meu pai... Eu nunca tive isso com ele. Vamos deixar por isso mesmo. Então ela morreu e eu vi isso acontecer. Dia após dia, eu assisti sua luta, mas ela perdeu e morreu e... ela, ela me deixou! Ela morreu e me deixou sozinha e Deus não parou isso. Dawson envolve seus braços em volta de mim e eu me afundo nele, absorvo seu aroma, a sensação de sua pele contra a minha bochecha. Estou me perdendo nele, pouco a pouco. Eu me afastei. — Preciso ir para casa, — eu digo, enxugando as lágrimas dos meus olhos. — Eu não posso lidar com tudo isso. — Grey... — Eu não estou fugindo de você, Dawson. Eu só... Eu estou sobrecarregada. — a verdade é que eu estou fugindo, e ele sabe disso. — Ok. Bem. Que Seja. — Dawson esfrega o queixo com os nós dos dedos. — Greg trouxe o Rover de volta para você. Está na garagem. Na verdade, espera um pouco. Ele desaparece e eu sento na cama e tomo café, agora morno. Ele volta depois de alguns minutos com um pedaço de papel, uma caneta, e minha bolsa. — O que é isso? — pergunto. — Você tem algum dinheiro? — ele pergunta do nada. — Hum, sim. Por quê? — Pego minha bolsa e cavo um maço de notas. ~ 226 ~


— Dê-me uma de cinco. — Eu entrego-lhe uma nota de cinco e ele vira o pedaço de papel em volta para me encarar. É o documento para o Range Rover. — Assine aqui e coloque a data. — Ele aponta para uma linha. — Dawson... — Apenas faça isso. Por favor. — Ele não está olhando para mim. Eu suspiro. — Eu não estou pegando o seu carro. Que vale tipo 140.000 doláres. — Grey, o dinheiro não significa nada para mim. Nunca significou. Você quer o Bugatti? Eu vou te dar o Bugatti. Foda-se. Posso comprar outro. — Eu não quero nenhum de seus carros. Eu não quero a sua caridade. Ele joga a caneta e o documento na cama ao meu lado. — Porra, Grey. Não é uma porra de caridade. — Você não tem que praguejar comigo. Ele desmorona, esfregando a parte de trás do seu pescoço. — Eu sinto muito, eu só... Deus, Grey. Basta assinar o documento. Leve o carro. Faça isso por mim. Eu fico olhando para ele, e então eu pego. Eu assino o título onde ele apontou, coloco a data. — Obrigada.

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— Leve-a ao DMV6 na segunda-feira. Vou adicioná-lo à minha apólice de seguro. — Dawson, você não está adicionando... — Você já ganhou algum destes argumentos até agora? — Ele olha para mim com uma sobrancelha arqueada. Eu balanço minha cabeça e suspiro, em seguida, dobro o documento e o coloco na minha bolsa e começo a deixar o quarto. Sinto a mão de Dawson fechar em torno de meu pulso. — Eu não quero que você vá. — Estou indo para casa um pouquinho. Preciso de um banho. Preciso de roupas. Eu tenho que fazer lição de casa. — Mas você não está indo para o trabalho. — Isto não é um pedido, a julgar pelo seu tom de voz. — Eu tenho que... — Não. Você. Não. Tem. — Eu tenho que pagar a mensalidade. Tenho... — Quanto é que você ganharia neste fim este semana? Hoje à noite e domingo à noite? Em média. — Você não vai tentar... Ele me olha, me cortando. — Quanto? — Uns mil, talvez? Dawson gira no lugar, vai até seu armário, e abre um cofre na parede. Ele pega um envelope e conta algumas notas, devolve o 6

DMV - Department of Motor Vehicles (Departamento de Veículos Motorizados)

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envelope, e fecha o cofre. Sua expressão é triste e dura. — Aqui. Cinco mil dólares. Tome a semana de folga. — Você não pode me comprar, Dawson. — Estou tanto tocada como insultada. — Porra, como você é teimosa. — ele rosna. — Eu não estou te comprando. Estou te dando a chance de ter algum tempo de folga. — Se eu tirar uma folga, eu nunca vou voltar. — Bom. — Não! Não é bom! Você não pode bancar o meu pai, Dawson. Sou uma stripper, não uma prostituta. — E eu não quero que você seja isso também! Não estou pedindo que você faça qualquer coisa por dinheiro, porra! — Ele está gritando, e eu me encolho longe. Ele estremece ao meu óbvio medo e imediatamente se acalma. — Sinto muito. Deus, eu sinto muito. Você só está me deixando louco. Eu não... Eu entendo como você pensaria isso. Eu entendo. Mas... é um presente. O Rover é um presente. Você não vai ficar comigo, e tudo bem. Ou não, não está tudo bem. É uma merda maldida, na verdade. Mas pelo menos deixe-me ajudá-la, não é muito, mas vai me fazer sentir melhor. — Sentir-se melhor? Sobre o quê? — Você não entendeu? Sério? Você não vê o que eu estou sentindo. O que você está fazendo comigo? Como isso é difícil para mim? — Eu não respondo, e ele joga o maço de notas de 100 dólares na cama ao meu lado. Ele fica em cima de mim, encarando a nossa meia distância. — Basta ir, então. Pegue, não pegue. Tanto faz, porra. ~ 229 ~


— Ele se move por mim, ao redor da cama e empurra aberta a porta de sua varanda. Eu o assisti ficar com as mãos no parapeito de pedra ornamentado, olhando sobre Los Angeles. Sua postura reflete o conflito, derrota, cólera e raiva. Seus ombros estão caídos, sua cabeça baixa, sua respiração lenta e uniforme. Parece que ele está tentando esmagar o corrimão em pó de pedra pela força bruta. Ele parece capaz disso. Eu quero dizer algo, confortá-lo, mas eu não posso. Não tenho respostas para mim, muito menos ele. Eu lentamente levanto e em seguida, paro e olho para a espessa pilha de dinheiro, e eu considero. No final, eu não posso pegá-la. Mas eu quero. Quero não ter que trabalhar, não ter que tirar a roupa. Mas eu não posso pegar mais alguma coisa de Dawson. Isso me deixa ainda mais depentende dele, e eu já estou me perdendo nele, perdendo a noção de quem eu era e quem eu sou e de onde isso para e começa. Eu chego em casa e tomo banho e visto roupas limpas. Eu tateio meu caminho através de um ensaio sobre o uso de iluminação em A Lista de Schindler. É um ensaio ruim, meus pensamentos estão dispersos na melhor das hipóteses. Finalmente, eu desisto e fecho o barato laptop, que foi montado de peças usadas. Eu deveria ter pegado o dinheiro. Sinceramente estou com medo de voltar para o clube agora. Vou saltar a cada sombra, ver um estuprador em cada cliente. O horror do que eu experimentei foi afogado e enterrado pela intensidade crua que é Dawson, mas agora que estou sozinha, está correndo de volta.

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Coloquei um filme e tento vê-lo, tento me distrair, mas mesmo com uma comédia estupidamente brilhante como Black Sheep não consigo manter meus pensamentos longe da voz horrível, o aço cruel das mãos me despindo, esmagando o ar de meus pulmões. O pânico torna-se histeria, o que por sua vez torna-se hiperventilação. Eu abaixo a minha cabeça entre os joelhos e tento me concentrar em respirações longas e profundas. Eu estou no chão, suando, tremendo e chorando. Lizzie me encontra assim. — Você está bem, Grey? Quando a pergunta vem, é uma pouco idiota. Quer dizer, eu claramente não estou bem. Mas isso é Lizzie, e ela não é a faca mais afiada na gaveta. Mas sua presença força uma camada de calma sobre meu pânico e eu sou capaz de trabalhar o meu caminho de volta para o sofá, limpando o meu rosto e fungando. — Sim. Estou bem. Ela franze a testa brevemente, então percebe o filme passando na TV, a tela plana de tamanho médio que Lizzie comprou de Natal no ano passado. — Oh, legal. Eu amo este filme. Chris Farley é histérica. — Ela deita ao meu lado, absorta. Nós assistimos o resto do filme em silêncio constrangedor. Bem, estranho para mim. Lizzie passa a maior parte do filme mandando mensagens de texto. Eu deveria estar me preparando para o trabalho agora. Mas, ainda assim, eu não estou. Eu nunca me atrasei, nunca faltei um dia, nunca fiquei doente, mesmo quando eu estava gripada. Quando o filme acaba, Lizzie trabalha sem entusiasmo sobre algum tipo de lição de casa de ciência, e eu termino meu ensaio. Lizzie não ~ 231 ~


percebe que eu não estou indo para o trabalho. Eu sinto como se Timothy vai estourar na minha porta a qualquer momento e procurar saber onde eu estou. Ou alguém da universidade vai bater na minha porta e exigir que eu volte para a Georgia. A noite rola lentamente, e eu estou uma bagunça. Estou nervosa, com fome, confusa. Tenho saudades Dawson. Eu estou preocupada que o afastei para sempre. Estou preocupada que ele nunca vai desistir de mim e algo vai acontecer que eu não vou ser capaz de desfazer. Eventualmente, eu vou para a cama mais cedo do que alguma vez fui na minha adolescência e vida adulta. Eu deito na cama, vestida com uma camisa comprida da USC e calcinha, e não consigo dormir. Eu falho, porque penso em Dawson. Eu não penso em seus olhos angustiados quando recusei a ajuda dele, ou sua pose de raiva no balcão. Eu não penso na sua forma de dirigir cheia de violência. Eu não penso em sua forma quase nua quando ele se trocou para um par de shorts. Eu penso em suas mãos, percorrendo no meu corpo. Eu penso nos seus dedos dentro de mim, criando prazer que eu nem sabia que existia. Sob o meu cobertor fino, eu deslizo minha mão entre as coxas, debaixo da minha calcinha, e eu me toco. Pela primeira vez na minha vida, eu me toco para encontrar o prazer. Mas o meu toque é frio e sem vida, em comparação com a memória de suas mãos quentes e fortes em mim, e dentro de mim. Eu desisto e tento me lembrar de como me senti.

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Eu sonho com Dawson quando eu finalmente adormeço. Os sonhos me levam a lugares que me fazem suar no meu sono. Eu acordei pulsando entre as minhas coxas e ofegante, com uma imagem de Dawson totalmente nu rastejando através da cama para mim. Sombras obscurecem as partes dele que eu nunca vi, mas no sonho, na memória deo meu inconsciente, eu posso muito bem imaginar seus lábios no meu peito e as mãos nos meus quadris. Por mais que que seja errado, o sonho me deixa querendo desesperadamente que isso seja real.

~ 233 ~


12 — O quê? — Minha voz está mais do que um pouco histérica. Vários alunos do Escritório de Serviços Financeiros que estavam na sala de espera levantaram suas cabeças de seus telefones e notebooks para olhar para mim com curiosidade. — O que você quer dizer, que foi pago? A mulher do outro lado do balcão, olhou para mim como se eu pudesse ser um pouco lenta. — Quero dizer... o saldo foi pago. — Ela bate no seu teclado, em seguida, olhou para mim. — Na verdade, a taxa de matrícula, bem como alojamento e alimentação foram pagos. Você tem um saldo zero. Uma conta poupança foi estabelecida, sendo isso, o que parece. — Ela é uma pequena mulher de trinta e poucos anos, bonita de um jeito rigido e apressado de ser. — Uma o quê? Ela franze a testa para mim. — Uma conta poupança. Isso significa que há mais dinheiro disponível, dispostos e organizado para débito automático, para o restante do seu curso. Para os custos de dormitório e seu plano alimentar, é o que parece. Eu não sabia que ~ 234 ~


essas coisas existiam, sinceramente. — Ela me deu um pequeno, sorriso apertado. — Alguém gosta de você, Senhorita Amundsen. — Eu não ... Eu não entendo. — É muito simples, realmente. Alguém pagou o resto da sua educação. — Desculpe-me se se estou agindo estupidamente, eu... eu não entendo quem seria, quem poderia... — Eu me cortei, porque sei. Eu fecho meus olhos lentamente e tento não chorar ou explodir. — Obrigada. — sussurro as palavras e viro nos meus calcanhares para sair do escritório. Uma vez fora, eu apenas sento no Rover. O couro é frio sob minhas pernas, e rajadas de ar frio no meu rosto. É quente como algo exterior, mas o Rover fica gelado em instantes. O Rover tem rádio via satélite, e eu estou viciada. Musicalmente, eu gosto de tudo, até mesmo hip-hop e pop, mas as minhas raízes sulistas vieram através do meu amor pela música country. “More than Miles‖, de Brantley Gilbert começa a tocar. Esta canção, Deus, é como estar em casa, meu lar como era antes. Eu tenho uma memória de andar no banco da frente da BMW da mamãe, janelas abertas e o vento enrolando o cabelo enquanto Tim McGraw explodia nos alto-falantes. Mamãe adorava Tim. Pai não aprovava já que não era Steve Green e Michael W. Smith e Steven Curtis Chapman, mas foi sempre o nosso segredo, a caminho de casa da aula de dança ou durante nossos passeios em torno da cidade. A canção termina, e um DJ do sexo feminino vem, vibra momentaneamente e, em seguida, parte meu coração. — Vontando no

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tempo com este. Este é o sempre delicioso Tim McGraw, com: ―Don‘t take the girl‖. A música favorita da mamãe. Eu choro descontroladamente, e eu me deixei sentir falta dela, sinto falta dela, pela primeira vez em meses. Quando cansei de chorar, eu tinha que fazer alguma coisa, ou eu iria desmoronar. Se eu ainda tiver um emprego depois de não ligar e nao aparecer no sábado e ontem, meu turno vai começar em cerca de vinte minutos. Se eu não for, Dawson ganha. Ele pagou as minhas aulas, plano alimentar e basicamente me deixando sem nenhuma razão para trabalhar. Eu nunca disse que não era teimosa. Eu não paro para pensar nisso. Eu só viro o caro SUV para o Exotic Nights e fico maravilhada com o quão rápido eu cheguei a me sentir

confortável

neste

veículo.

Quando

eu

puxo

para

o

estacionamento, no entanto, eu não posso acreditar nos meus olhos. Não há carros no estacionamento. Claro que em uma tarde de segunda-feira não há muitas pessoas, apenas Timothy e alguns dos frequentadores

ferrenhos,

mas

geralmente

alguém.

O

estacionamento está vazio. Eu estaciono o Rover e vou para a porta da frente, e meu coração para. Há um pedaço de papel impresso pendurado no interior da porta, com uma mensagem curta e simple impressa em uma fonte imensa.

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FECHADO

PERMANENTEMENTE.

Futuro

lar

de

BOB'S

BOOZE CAVE. . Isso é uma piada? Eu puxo a maçaneta da porta, mas ele só chocalha, bloqueado. Eu vou para o lado, para a porta que leva à área dos bastidores e os camarins. Ela está trancada também, mas isso não é surpreendente, uma vez que está sempre trancada para lado de fora. O clube foi vendido? O quê? Eu fico no estacionamento, assando no calor do final da tarde, o suor escorrendo entre meus ombros, minha cabeça girando. Como poderia ter sido vendido a uma loja de bebidas? Pode não ter sido um Club de muito sucesso como o Deja Vu, ou um lugar sofisticado, como o Skin ou Spearmint Rhino, mas ainda dava um bom lucro. Nós servíamos bebidas de baixa qualidade para homens-de-pouca-sorte e homens-de-classe-baixa. Mas... uma loja de bebidas? BOB'S BOOZE CAVE? Sério? Minha cabeça está prestes a explodir. Então... a moeda cai. Não. Não. Claro que não. Ele não fez isso. Eu giro sobre os calcanhares e tempestivamente de volta para o carro. Eu afundo no assento de couro da Rover... Que eu realmente

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comecei a pensar como em meu Rover... e tentei decidir se eu iria gritar, chorar, rir, ou todos os três. Ele fez isso. Eu sei que ele está por trás disso. Ele tem dinheiro para queimar, e ele mesmo disse que o dinheiro não significa nada para ele. Mas será que ele jogou, eu nem sei quanto... vários milhões de dólares? Apenas para certificar de que eu não volte a me despir? Só ele poderia ter feito isso. Na verdade... Eu sei que ele faria exatamente isso. Corro o Rover pelas ruas de Los Angeles em direção a Beverly Hills, a uma velocidade imprudência que teria feito Dawson orgulhoso. Em 30 minutos estou na porta do seu bairro, e o guarda apenas acena para passar. Como é que ele me conhece? Será que ele recenhece esse carro? Será que Dawson disse a todos os guardas quem eu sou? Eu resisto ao impulso de gritar os pneus abaixo da rua larga para sua casa. É um bairro depois de tudo. Eu puxo para a calçada em um ritmo calmo e paro sob o arco. Sua Bugatti está estacionada na garagem aberta. Uma caminhonete vermelha surrada está na garagem, a máquina é uma coisa enorme, os pneus gigantes levantados com mola, fazendo a caminhonete parecer ainda mais alta. Ela está toda suja, e eu ouço o motor ligado quando estou passando por ela. Não parece ser muito o tipo de Dawson, esta caminhonete toda machona, mas, novamente, ele é assim. Eu bato na porta da frente com meu punho, agarrando minha alça da bolsa no meu ombro com a outra mão. Estou tremendo toda, mesmo depois de uma meia hora para me acalmar.

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Dawson atende a porta envolto em uma pequena toalha branca, com o cabelo molhado e colado à cabeça, gotas de água escorrendo pelo seu peito esculpido. Ele tem uma escova de dentes na boca e um pouco de espuma do creme dental no queixo. Ele empurra a porta aberta e segura, e eu avanço passando por dele. Ele tem um cheiro delicioso,

como

algo

cítrico

em

camadas

sobre

shampoo

e

desodorante. Minha mão se move por conta própria, alcançando para tirar a pasta de dente do queixo com o polegar. Eu estou de pé perto dele, e eu sinto o calor ondulando fora dele. Eu momentaneamente esqueço por que estou com raiva dele. Ele tem a escova de dentes preso entre os molares do lado direito de sua boca, e está encostado na porta. Sua toalha parece perigosamente perto de cair, mas ele a agarra com uma mão, puxando a escova de dentes da boca com a outra. — Eu estava me perguntando se eu ia receber uma visita sua. — Sua voz é fria e divertida, mas seus olhos são tempestuoso e nublado-cinza, sua cor para pensamentos tulmutuosos e emoção fervente. — Você... você... — Eu não consigo falar. Ele está nu tanto quanto um homem pode ficar sem estar realmente nu, e é muito perturbador, porque eu tenho visões correndo pela minha cabeça, de lamber as gotas de água em seu peito. Eu fisicamente me impeço de realmente fazê-lo, agarrando no batente da porta. — Eu estava no chuveiro, — ele acaba por mim. — E você está suada o suficiente para que pudesse tomar um você também. — Ele ~ 239 ~


se inclina sobre mim e cheira. — Mas você cheira bem. Você cheiraria ainda melhor se fosse o meu suor em sua pele. — Sua voz vibra no meu ouvido, íntimo e sugestivo. Que novo jogo diabólico é esse? O que ele está fazendo comigo? Eu estou presa no lugar. Ele está baixando o pedaço de toalha, apenas ligeiramente. Eu posso ver o V de seus músculos da virilha, e agora uma sombra de cabelos pretos aparados. Ele vai deixá-lo cair, aqui em seu foyer. Ele está tentando me distrair de estar zangada com ele. E definitivamente está funcionando. Eu me viro e coloco minha cara na porta. — Droga, Dawson... — Você acabou de xingar? Eu não tenho certeza de que alguma vez já xingou. — Sua voz está em meu ouvido, tão perto. Por que ele não pode me deixar em paz? E por que eu realmente não quero que ele deixe? — Você pagou minhas mensalidades. — E o seu alojamento e alimentação. Não se esqueça disso. — E o clube? — Eu sussurro. Outra tendência minha quando eu estou lidando com Dawson. — Oh, isso? — Ele parece satisfeito consigo mesmo. Não me atrevo a olhar para ver sua expressão presunçosa. Posso imaginá-lo bem o suficiente. — Meu amigo Avi estava no mercado para uma nova propriedade, então eu fiz uma oferta para aquele verme de merda, o Tim, que ele não podia recusar. — Ele diz que esta última parte de uma razoável atuação de Marlon Brando, mas eu estou tão chocada e

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irritada que até mesmo a sua citação de Godfather não me impressiona. — Tim? Timothy van Dutton? — Sim, aquele pequeno filho da puta. Ele não queria vender, mas todo mundo tem um preço. Acontece que o preço de seu amigo Tim era de dois milhões. — Ele diz que isso casualmente. Eu não posso deixar de me perguntar o que Candy e as outras vão fazer agora que o clube está acabado. — Você gastou dois milhões de dólares para fechar o clube, só para que eu não trabalhasse mais lá? — Eu roubei um olhar sobre Dawson, o que é um erro, porque ele está segurando frouxamente a toalha ao redor da cintura, me provocando com vislumbres do que se encontra abaixo dela. Ele apenas deu de ombros. — Sim. Era uma merda imunda de qualquer maneira, e Tim era um verme. Você não pode honestamente dizer que está brava por isso, não é? Eu andei longe dele, lutando para respirar e pelas as palavras. — É... mas, minhas aulas e tudo isso. Deve ter sido... — Nem sequer cinquenta mil. — Ele faz um gesto de desprezo. — Fichinha. Mas não é sobre o dinheiro. É sobre você. Cinquenta mil. Fichinha. Minha cabeça gira. — Eu não entendo. Ele me alcança com uma mão no meu braço e puxa suavemente minhas costas contra seu peito. Ele está molhada ainda, e minha camisa gruda em seu peito. — É simples, Grey. Eu sou uma criança mimada. Eu sempre consigo o que eu quero. Sempre. E eu ~ 241 ~


quero você só para mim. Eu não quero que você trabalhe mais lá, e eu sabia que você ia lutar sobre isso, por isso, apenas tornei a luta impossível. Eu não me importo quanto custa, eu tenho que ter você só para mim. — Isso é trapaça. — Onde está o livro de regras para isso? — O que é que está dizendo? — Tudo é justo no amor e na guerra, não é? — O que é isso? Amor? Ou guerra? — Ambos. Nenhum. É o que você quiser, amor. — Sua voz ressoa no seu peito, vibrando contra a minha espinha. Sua mão está em meu braço, o outro preso entre nós, mantendo a toalha no lugar. Oh, Deus. Oh, Senhor, ajude-me. Eu posso senti-lo, tudo dele, pressionado contra o meu traseiro. — Dawson, por que você está fazendo isso? — Por que você está lutando? — Porque, tudo isso é muito. Você é... você é demais. — Eu sou apenas um cara. Eu balancei minha cabeça. Meu cabelo se apega às contas de água em seu peito. Estou super consciente de como meus seios balançam. Ele me faz consciente de mim mesma, do meu corpo. — Não, você é mais. Você é muito mais. Você é... isso, essa experiência.

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Eu estou muito longe de você, quando estou perto. Eu me perco quando eu estou com você. Isto o acerta. Eu o sinto tenso com as minhas palavras. — Você tem alguma ideia do efeito que tem sobre mim? — Ele riu suavemente. — Você me vira do avesso. Eu nunca... Eu nunca me importei antes. Não tanto. Com ninguém. Depois que minha mãe morreu, eu meio que desliguei, e nunca me recuperei. Meu pai sempre foi estranho, peculiar e recluso, mas quando ela morreu, ele apenas desapareceu. basicamente, eu me levantei... bem, Vickers, o mordomo, estava lá para mim. E Betty, a governanta. Eu não posso deixar de rir. — Você tinha um mordomo chamado Vickers? — Cale a boca. — Ele riu. — Eu não sabia o nome do cara. E 'mordomo' é apenas um tipo de palavra. Pense em Alfred, de Batman. Ele fez tudo para Bruce, sabe? Isso é como Vickers era. Administrava a casa, mantinha o controle de tudo. Fez com que eu fosse para a escola e merdas assim. Ele não era o tipo 'abraços à noite', mas ele me socorreu de alguns arranhões ao longo dos anos. Ele fez uma pausa, respirou, seu peito inchou nas minhas costas, e expirou profundamente. Ele está afastando memórias. Eu sei um pouco sobre isso. — De qualquer forma. Você e eu. O que você faz para mim. Você não pode me distrair com isso. Você precisa saber. — Ele se inclina para mais perto e sua proximidade faz minha pele formigar e meus mamilos endurecer. Traidores. Eu sinto o pulsar quente, já familiar no fundo. — Você me faz sentir as coisas. E tem que saber o grande ~ 243 ~


negócio que isto é para mim. Eu comecei a atuar, realmente atuar, sabe? Levando isso a sério e fazer papéis que eu escolhi, porque eu queria sentir. Tive de agir na tela, porque eu não conseguia sentir nada quando eu era apenas Dawson. Nada, exceto este tipo vago de solidão que eu estava acostumado, porque eu cresci sozinho. Vickers era estóico e britânico, e Betty foi apenas uma senhora com seus próprios filhos para se preocupar. Então eu parei de sentir as coisas, porque era mais fácil. Estar em Hollywood, você cresce em torno da vida, você amadurece lá, como eu fiz. Drogas e a bebida alcoólica são apenas coisas normais. Eu tive a minha primeira linha de coca quando eu tinha doze anos... Aprendi a festejar muito cedo. Isso meio que preencheu os buracos. Então, quando atingi a puberdade, as meninas eram parte dela. Eu sempre estive cercado delas, sabe? Sempre. Isso era apenas fácil. Elas enchiam os espaços em mim também. Mas... tudo isso foi passageiro. Era minha vida. Meninas, drogas, bebidas, festas, filmando ao redor do mundo. Sendo uma estrela. Era maravilhoso, era a vida que todos sonham. Mas era sempre apenas eu. Sozinho, após a festa acabar e as meninas irem para casa. Nenhuma dessas meninas significava nada. Todas bagunçadas. Um trem cheio de putas que usei para distração. Elas não podiam fazer nada para mim quando era algo que importava. Tentei me virar em seus braços, mas ele não me deixou. Ele está falando para o meu cabelo, encostado no topo da minha cabeça, seu hálito quente no meu couro cabeludo. Eu fiquei quieta e deixei que ele falesse, tendo estas revelações. Cada palavra faz Dawson cada vez mais real, e muito mais abrangente, envolvente, intenso.

~ 244 ~


— Eu estava trabalhando no último filme de Caim Riley. Nós estávamos filmando dentro de... Praga? Yeah, Praga. Últimas duas semanas de filmagens. Eu estava festejando como uma porra de uma estrela do rock por dias, indo para as filmagens estragado. Mas eu conseguia arrasar nas cenas. Caim era esse tipo sombrio de personagem, todas as arestas duras, valentão. Assim, aquela coisa de ‗eu não dou a mínima‘ e olhar desdenhoso que eu mostrei no filme, eram realmente meus. Acabou que serviu muito bem ao personagem. Eu estava tão perdido. E então um dia acordei na parte de trás de um clube na desagradável de Praga. Eu desmaiei, e eles fecharam o lugar, só para mim, para que eu pudesse desmaiar. Como se eu fosse me importar que a festa estava selvagem ou qualquer coisa do tipo enquanto eu estava desmaiado. Tanto faz. Eu acordei, e eu tinha sangue no meu rosto, debaixo do meu nariz e queixo. Havia vômito por toda parte. Eles só... me deixaram lá. Deixaram-me vomitar. tornou-se

tão

comum

para mim

desmaiar

que

eles

não

se

preocuparam em verificar, porque eu sempre estava bem. Tire algumas fotos, fale uma frase, beba um pouco de café. Vamos para a próxima cena. Dawson inclina a cabeça para trás, afastando-se na memória. — E eu percebi, sabe, que eles não se importavam. Enquanto eu fizesse boas cenas, eles não se importariam. E eu ia acabar como a minha mãe. Foi pura sorte que eu não morri naquela noite, no clube, que eu não tive uma overose, igualzinho à minha mãe. Então eu tentei ficar sóbrio por conta própria e passar pelo resto das cenas, tentando não acabar como ela, então... Eu terminei de filmar Veiled Threats

e

entrei

em reabilitação. Foi

~ 245 ~

quando eu

desapareci.


Reabilitação era mais para eu me manter longe, sabe? Quero dizer, merda, sim, eu tinha um problema, mas não foi o vício às drogas. Foi o vício aos sentimentos. Senti coisas quando eu estava selvagem, quando eu estava viciado naqueles sentimentos. Era bom. Mas eram coisas vazias, entende? Talvez não. Talvez você sinta muito, sente tudo tanto que pode não fazer qualquer sentido para você. Isso é o que eu acho que o problema é. Você sente muito. E então eu estou completamente cativada, ele apoia o queixo na minha cabeça e continua a falar, com um braço em volta de mim, me segurando no lugar. — Eu não sinto o bastante. Nunca senti. Então eu conheci você. Naquele clube idiota. E você era essa... essa criatura gloriosa. Você era como um anjo, preso no inferno. Você não poderia estar mais fora do lugar, nem se tentasse. Eu te vi no chão, sabe. E depois a dança no palco. Você... capturou-me. Todos aqueles pobres, suados e gordurosos idiotas miseráveis. Você era tão diferente das outras strippers com olhos vazios e apáticas que você vê em clubes assim. Onde os sorrisos não atingem os olhos. Onde a sexualidade é afetada, apenas... de plástico, falso... mas você... você era toda sensualidade, e você nem sabe disso, e é como uma droga para pessoas como eu. Eu posso ter mais dinheiro e sofisticação do que os outros caras, mas eu sou igual a eles. Procurando uma emoção barata, uma fuga rápida. E você é um barato que jamais poderíamos conseguir em outro lugar. Assistindo você dançar? A maneira como você se move? Do jeito que você espera até o último segundo, para tirar as roupas? É enlouquecedor. Você não sabe mesmo. Você não pode. Há algo dentro de você, além do que inocência. Veja, é... Porra, é brilhante como o sol do caralho, mas é escondido, porque você está triste. ~ 246 ~


Estou me contorcendo, rasgando, suando seu calor e pelo jeito que ele está falando de mim, mas não posso escapar do seu aperto, e eu tenho que ouvir suas palavras. Eu tenho que continuar ouvindo. Ele está rasgando isso diretamente de sua alma e dando a mim. É um dom inestimável, e eu estou acumulando no meu coração. — E eu te conheci, — ele continua. — E você me fez sentir algo. Eu não estava bêbado. Posso beber, você sabe. Eu não sou e nunca fui um alcoólatra. É apenas... um Band-Aid na ferida. Enfim, eu te vi e então você veio para a sala VIP e foi... tão brilhante. Mas com tanto medo. E você fez algo em mim que... Acabou com tudo dentro de mim. E eu tive uma epifânia, sabe? Como se eu apenas soubesse. Eu tinha que te conhecer, tinha que prendê-la e tocá-la e dizer-lhe tudo, mas você continuava correndo. E você me beija e me deixa duro para caralho, mas depois você foge e deixa-me doido, sozinho e esgotado. Sabia que eu ganhei, tipo, quinze quilos de massa muscular desde que te conheci? Porque você me deixa excitado e então eu não posso fazer nada por mim, porque me sinto mal, e eu preciso deixar isso sair, então eu malho muito. Você me excita apenas respirando. Você me faz sentir como se eu fosse alguém, e não porque eu sou a porra do Dawson Kellor. Ele se afasta de mim, e eu ponho meus braços ao redor de seus ombros, as palmas que adere a sua pele quente e úmida. Ele se acalma, e olha para mim enquanto continua. — Mas isso não importa para você. Você foge mesmo assim, talvez por causa disso. E eu não consigo te entender. Você me confunde, e isso é um sentimento. Conheço mulheres, sabe? Eu realmente conheço. Eu achava que sabia como as mulheres pensam, ~ 247 ~


mas você? Eu não te entendo. Você nunca reage como eu acho que vai. Um segundo, é como se você não pudesse se cansar de mim e vou te fazer explodir de desejo, e então o próximo você está prestes a hiperventilar e ter um colapso nervoso, porque não pode nem ao menos estar perto de mim ou algo assim. Ele vai a mil por hora, e eu nunca o ouvi dizer tanta coisa, nunca ouvi ninguém dizer isto de uma vez. É como um discursovômito, em que ele está despejando a si mesmo. — Você me faz te querer. Você. Não só querer te foder. Isso parece meio sujo demais. Você não é o tipo de mulher que fode. Você é mais do que isso. Mas ‗fodas‘ são tudo que eu conhecia até hoje, e você vale mais. E isso é uma sensação estranha para mim. Eu sou esse tipo terrível e desagradável de pessoa que sempre teve tudo que quis e se acha a merda do Dono do Mundo, ok? Mas eu não te tenho. Você eu preciso merecer, e eu não consigo nem mesmo merecer informações sobre de onde você veio, do que você gosta, o que aconteceu para te fazer ficar assim... Nada. Você não me dá nada. E isso é enlouquecedor. Mas, de qualquer forma, é um sentimento. Te querer, precisar de você, estar confuso, louco, frustado, zangado, precisando encontrar uma libertação de algo que eu nem sei o que é e nem consigo encontrar. Eu fico querendo até mesmo ficar segurando sua mão, como um maldito adolescente sentimental. Mas de novo, é um sentimento. E é isso que me faz sentir vivo de uma maneira que eu nunca tinha conhecido antes, eu estou finalmente sentindo. Ele finalmente parou o dilúvio de palavras. Ele me vira em seus braços, e suas mãos vão para o meu rosto. Eu prendo a toalha no lugar com minhas mãos enquanto ele escova meu cabelo do meu ~ 248 ~


rosto, tira uma mecha de cabelo loiro da minha boca com o dedo indicador. Seus olhos são de todas as cores e nenhuma cor ao mesmo tempo, a perfeita cor de avelã que é a sua própria sombra de Dawson. E então ele fala de novo, com uma voz que é pura magia. E suas palavras... Elas me derrubam. — Você me faz sentir vivo, Grey. E... Eu amo essa sensação. — Você sente tudo isso? Por mim? — Ele apenas balança a cabeça. — Eu não... Eu não sou... Quero dizer, sou apenas Grey. Eu sou a filha de um pastor da Georgia. Minha mãe morreu, eu lhe disse isso. Ela era tudo que eu tinha, realmente, e meu sonho era estar aqui, por isso vim aqui. Tive de ganhar dinheiro quando minha bolsa acabou, e eu não conseguia encontrar um emprego, então peguei o único trabalho que encontrei. — Há muito mais sobre você do que isso, Grey. — Como o quê? Eu honestamente não sei. Eu sinto que isso é tudo o que existe. — Fluidez, graça, beleza, inteligência, talento, potencial, ternura, sensualidade inata. — Ele me toca embaixo do meu queixo, e eu não posso olhar para longe dele. — Diga-me uma coisa verdadeira. — Eu sou uma dançarina. — não hesito. — Não... Não como danço ultimamente, não desse jeito. Mas a dança real. Jazz, moderno e ballet. — Dança para mim? — O quê, tipo agora?

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Ele balança a cabeça, beija minha bochecha, e se afasta de mim, deixando a toalha em minhas mãos. Estou atordoada, e é impossível desviar o olhar de seu traseiro enquanto ele sobe as escadas, nu. Eu quero que ele se vire, mas também estou feliz que ele não fez. Ele volta em um par de shorts, e pega a minha mão. Me conduz através da sua cavernosa casa palaciana que ele vive sozinho, a um enorme ginásio. Há todos os tipos de máquinas de peso em um canto, um saco de pancadas pendurado no teto, um daqueles grande e pesado que você chuta e soca, e, em seguida, uma área de espaço aberto. Ele aponta para a área aberta. — Faço tai chi. É do caralho, e é calmante. Me dá a possibilidade de concentrar em uma coisa que eu sou apenas... Nada. Exceto o fato de estar em movimento. Eu vou até o centro do espaço aberto, um piso levemente acolchoada sob os meus pés. Eu salto suavemente, e eu percebo quanto tempo passou desde que eu dançava para mim, só pelo prazer de dançar. — Você pode colocar um pouco de música? — coloquei a minha bolsa para um lado e desabotei a camisa, atirei-a na minha bolsa. Eu estou vestindo uma blusa de botão sobre uma regata, e um par de capris. Bom o suficiente para dançar. Estou animada com a ideia, mas nervosa. Dawson puxa o celular do bolso e mexe nele um pouco, em seguida, o liga em um som em uma das paredes. A música incha através do espaço, e é o tipo de música perfeita para dançar. Eu nunca ouvi isso antes, mas é todo Dawson. É sinfônica, orquestra, mas com fortes tons góticos, guitarras e bateria em camadas através

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dela, dando-lhe um tom duro. As letras são pensativas, escuras e vagamente religioso. Eu não posso evitar, exceto me mover. Não há nenhuma técnica para isso, é apenas puro movimento. Meus fluxos do corpo, alongamentos, torções e me torno uma extensão da música. Eu pulo, e dobro, jeté e giros, e piruetas, e não há nada, exceto a música e meu corpo em movimento. Essa pureza na expressão obriga coisas dentro de mim saírem. Eu tinha esquecido de como me sentia com a dança. Eu esqueci por causa do trabalho e das aulas. Não percebi como sentia falta disso. Desse pedaço de mim, e agora... Dawson deu-me de volta. Eu danço e danço. Outra música da mesma banda vem, e eu continuo a dançar. Eu sinto que ele me observava, e eu não me importo. Não, isso não é verdade. Eu me importo. Muito. Eu sinto seu olhar, e eu me empenho mais em dançar para ele. Eu quero que ele me veja como eu sou. Ele me pediu várias vezes para lhe dizer uma coisa verdadeira, e por isso agora eu faço. Digo-lhe uma coisa verdadeira, não com palavras, mas com algo mais tangível, algo que vem do mais profundo dentro de mim. As palavras podem mentir. As palavras podem enganar, iludir, esconder e evitar. Mas as coisas que você faz, quando você se move, como você toca, essas coisas não mentem. Quando a música acaba, eu fico ofegante, arfando, suando. Dawson está de pé com os braços cruzados, com uma expressão no rosto que eu não consigo decifrar. Eu recupero o fôlego e espero. Ele vem em minha direção, os olhos são quentes, verde-cinza, a cor do

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desejo. Ele chega para mim, o suor em braços, escova o cabelo do meu rosto, infinitamente gentil, me toca com desejo reprimido. Ele hesita um instante, e depois me beija. E agora eu estou toda perdida de novo. Deus, seu beijo me devora. Me suga abaixo com a força de sua correnteza de energia, sexualidade e dominação. Até o sabor suave de creme dental em seus lábios é sensual. Eu inalo o cheiro de shampoo no cabelo dele e o também o cheiro cítrico de loção pós-barba ou o que quer que seja. Suas mãos me acariciam, me tocam e me apertam, e incitam a necessidade dentro de mim. Ele me beija, me beija e me beija. E eu beijo de volta. Eu estou livre. Eu me dou completamente.

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13 Ele é tudo que existe. É para sempre. Eu estou me apaixonando por toda a eternidade, e seu toque é a construção desse para sempre. Seu beijo é a substância do infinito. Esses pensamentos não fazem sentido mesmo à minha própria mente, mas eles permanecem fiéis de uma forma estranha. Seus braços são como barras de uma prisão que não tenho nenhum desejo de escapar. Ele tem todas as contradições, duro, porém suave, doce e salgado, perfeito e imperfeito. Minhas mãos estão enroladas contra seu peito nu, as unhas arranhando sua pele enquanto nossas bocas se fundem. Meus mamilos são pedras contra o peito dele, duro através do material do meu sutiã e a parte superior do top de algodão fino. Seus shorts são uma pequena camada de ceda escorregadia, e eu sinto a dura e grossa, intrusão quente de sua masculinidade contra a minha barriga, a evidência física de como eu faco ele se sentir. Essa presença, essa espessura contra o meu estômago é o que me assusta. É enorme e duro como pedra, e... Eu quero vê-lo. Eu quero tocá-lo.

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Eu quero senti-lo... e prová-lo. Eu me sinto pecaminosa e errada só de pensar nisso, mas então, Deus me ajude, mas é a verdade. Eu quero provar tudo dele. Eu quero sentir tudo dele. Eu quero dar-lhe tudo de mim. Mas ele precisa saber que seria o primeiro, o único. Eu tento fazer as palavras sairem, mas ao invés disso, eu o beijo. Estou levantada em seus braços, e nosso beijo não quebra quando ele me carrega por sua casa. Minhas mãos agarram seus ombros e pescoço, e eu suspiro o ar dentro de sua boca, ofegante, os olhos fechados, lutando pela clareza, lucidez e incapaz de ser qualquer coisa, exceto arrastada pela necessidade. Estamos no quarto dele. Minhas costas em sua cama. Eu puxo seus lábios até a minha boca gulosa. Dedos fortes e insistentes tiram a minha camisa e a jogam de lado. Meu sutiã é preto e básico, seguro nas costas por três ganchos. Eu arco minhas costas, e ele é rápido e eficiente para abri-los, puxando-o de mim e jogando-o de lado. Cruzo os braços sobre o peito, e ele me permite. Ele paira perto de mim e olha nos meus olhos. — Deixe-me te ver, amor. Eu aperto meus olhos e abano a cabeça. Ele ri, e traça um padrão ocioso na minha barriga com o dedo indicador, preguiçosos círculos se encaminhando para baixo, para minhas capris cáqui. Seus olhos estão sobre mim, e eu forço minhas pálpebras a abrir, forço o meu olhar para o seu, e fico quieta ainda quando ele aperta as bordas da minha cintura e libera o fecho. Não me movo quando ele desliza lentamente, mostrando um pedaço de

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renda preta para combinar com o meu sutiã. Eu continuo a minha aquiescência quando ele se separa de mim e pega o cós da minha calça em suas mãos trabalhando-os sobre os meus generosos quadris. Eu não ajudo, mas eu não atrapalho, e logo eu estou nua, exceto para a minha roupa interior. Me despir é um ato familiar para mim, mas eu nunca me senti mais vulnerável. Seus olhos ardem em um verde-marrom-acinzentado, um pouco azul nas bordas. Desejo absoluto e fogo abrasador em seu olhar.

Uma

mão

na

minha

barriga,

então

um

único

dedo

mergulhando sob o elástico preto, debaixo da Victoria Secret impresso na etiqueta rosa. Eu pisco, duas vezes, e engulo o nó pulsante de medo. Esse dedo, o dedo indicador direito, desliza ao redor do cós e, novamente, puxa suavemente para baixo. Eu não levanto meus quadris, eu mantenho meus olhos sobre ele para deixá-lo tirar. Ele já me deixou nua. Agora ele está apenas completando a tarefa. Ele viu tudo, e agora ele vai me ver completamente nua. Mas ele pára quando a calcinha está apenas mal cobrindo o topo da minha fenda. — Você a tira. Se você quiser isso, tire você. Esta é a minha última chance, eu vejo isso. Se eu negar agora, ele vai saber que eu estou com muito medo. Eu estou? Eu não estou enjoada, não estou hiperventilando, não estou fazendo qualquer uma das coisas que normalmente acompanham as

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minhas mais fortes emoções. Estou apavorada porque eu sinto as três palavras de verdade borbulhando em meus lábios. Bem, existem duas verdades que disputam a vez de falar. E ambas vêm em frases de três palavras. Vou para o mais fácil. — Eu sou virgem. Ele não responde nada. Só me olha por um longo e silencioso momento. Nós nem respiramos. Então ele junta as sobrancelha. — Isso explica muita coisa. — Ele lambe os lábios e, nesse minúsculo movimento, os nervos são revelados. — Mas como? Quero dizer, como você pode ser virgem e uma stripper? Isso não... não faz qualquer sentido do caralho. Eu engulo em seco e tento não sentir a distância crescente entre nós. — Simplesmente aconteceu. Eu disse que meu pai era um pastor. Eu cresci numa casa estritamente conservadora. Até você, eu só tinha beijado um outro rapaz, e ele roubou o beijo que eu nem queria dar, e não durou nem sequer um meio segundo, por isso nem realmente conta. Ninguém... Ninguém nunca me tocou como você, olhou para mim como você, me abraçou ou beijou ou qualquer coisa, ninguém nunca me quis, e... e, mais importante, eu nunca quis ninguém antes de você. Eu não... Eu não sei o que estou fazendo, estou com medo disso tudo, de você... de tudo. Meus braços cruzados estão cobrindo o meu peito, e eu me forço a continuar. Organizei minhas ideias e consegui dizer a ele a verdade, agora eu me sinto pronta para mergulhar nisso. — Eu quero isso. Eu quero. Eu quero você. Mas... tudo que me resta da minha família, do meu pai, do que eu costumava acreditar, é que isso tem ~ 256 ~


que significar alguma coisa. Tem que ser real. Ele tem que ser... talvez não para sempre, mas... tem que ser mais do que apenas agora. E esperei muito tempo. Estive sozinha, assustada e desesperada por muito tempo para que isso seja uma só vez... Dawson abre a boca para falar, protestar, mas eu o beijo para acalmá-lo, só me afasto, quase violentamente, antes de me perder nele. E então eu continuo: — Você tem um poder sobre mim, Dawson. Algo como necessidade. Eu preciso de você. Você me fez mudar todas as minhas ideias sobre quem eu pensava que era ou quem eu costumava ser e agora, eu sou... Eu sou sua. Não sei como isso aconteceu, mas aconteceu. Mas... se isto não, se não é assim para você, então eu vou estar totalmente perdida. Isso faz algum sentido? Se eu te der este último pedaço de quem eu sou, eu não vou ter mais nada, e se você parar de me querer, se você não... — Eu paro, não querendo usar a palavra de três letras e deixar tudo pesado entre nós. Ele toca minha boca com os dedos, mas eu já tinha terminado de falar. — Meu bem. Amor. Grey. Eu não vou parar. Eu quero te dizer o que isso significa para mim, mas tenho medo de que eu fizer isso você só vai pensar que estou dizendo para conseguir o que eu quero. — Ele fecha os olhos por alguns instantes, em seguida, abreos. — Eu não posso acreditar que você é virgem. Mas, bem, eu posso. O quarto é frio, e eu estou quase nua. Eu tremo, e Dawson vê. Ele

se

abaixa

e

desdobra

a

colcha

de

retalhos

dobrado

longitudinalmente ao longo da borda da cama, e a puxa sobre mim.

~ 257 ~


— Diga- me, como foi que eu te fiz mudar seus conceitos sobre quem você costumava ser? Explique isso. — Eu pensei que você estava indo dizer-me... — Tem que ser no meu tempo. E eu preciso entender isso. Porque quero que você seja você. Não quero te fazer mudar quem é. — Não é assim. Ou talvez seja. É difícil de explicar. — Aperto o cobertor debaixo do meu queixo e rolo para ele. Ele pega um travesseiro e o enfia sob nossas cabeças, puxando-me em seus braços, e eu deixo isso sair. — Eu era a filha de um pastor. Durante muito tempo, por toda a minha vida, essa foi a minha identidade. Eu era a menininha da mamãe. Essa era outra parte. Mas então mamãe morreu, e eu fugi para a USC para ir para a faculdade de cinema, e meu pai me deserdou por isso. Eu não falei com ele, telefone, sms, carta, e-mail, nada, desde que deixei Macon mais de dois anos atrás. Eu nunca mais vou, eu acho. Eu escolhi meu caminho. Escolhi o pecado. E ele fez a escolha dele também. E então eu deixei de ser a filha de um pastor, órfã de mãe, para estar sozinha em LA, sozinha na USC. Eu realmente nunca tive nenhum amigo. Estava... muito ocupada com a escola, e, em seguida, a bolsa de estudos se perdeu e eu tive que encontrar um trabalho para ficar aqui, porque eu não tenho outro lugar para ir, nada para fazer com a minha vida, então o fracasso não é uma opção… Depois disso, eu já estava envergonhada demais pelo que eu faço... — Fazia! — Dawson exclama, com força. — Sim, fazia. — concordo. — E eu só... Eu nunca fiz amigos com facilidade. Tive uma amiga de verdade em Macon, Devin, uma ~ 258 ~


dançarina no estúdio onde eu tive lições. Mas eu vim para cá e ela foi para Auburn, e perdemos contato. Nós ainda enviamos e-mail de vez em quando, mas não é a mesma coisa. Eu não posso... eu não posso dizer as coisas dela. Então, nunca mais fiz amigos. Tudo o que eu era, tudo o que sou, é a faculdade… e a danca exótica. Mas, agora, a danca exótica se foi, e a faculdade não é o suficiente. Então, você apareceu. Eu só costumava viver um dia de cada dia, basicamente sobrevivendo. Não dançava mais, algo que fazia parte da minha identidade e que agora você me deu de volta. E quando eu estou com você, sinto que... Que sou uma pessoa de novo, e não apenas este ser passando pela vida, indo de aula em aula, teste em teste, dança do palco para dança no colo. E isso, estar aqui com você, isso parece como... Como se eu estivesse em casa. — sussurro a palavra, e é uma única sílaba quebrada. Dawson está respirando com dificuldade, como se tivesse levantado mil quilos. Ele está tremendo todo. Eu torço meu pescoço em seu ombro para olhar para ele, e seus olhos estão fechados, como se estivesse tentando chamar alguma coisa de dentro. Ou lutando contra a emoção. — Casa. — Ele pronuncia a palavra, como eu fiz, quase uma reverência, moldando uma palavra que não tem significado por si só. Seus olhos abertos, e ele encontra o meu olhar. Uma lágrima aponta em um canto do meu olho e ele a beija. — Então... — Eu luto para a coragem de dizer isso na próxima parte. — Então, se isso, se eu e você... Se isso não for real, então por favor, não jogue comigo. Não comigo, Dawson. Se não é real para você, então me diga e eu vou... ~ 259 ~


— Eu te amo, Grey. — Ele fala, me interrompendo, cortando-me com três palavras afiadas. Pensei que eu iria chorar quando eu finalmente ouvisse essas palavras dirigidas a mim novamente, mas não. Eu enterrei meu nariz no oco de sua garganta e respiro o cheiro dele, e sinto minha tensão ser drenada. Eu me prendo em sua nuca e apenas respiro ele. E ele me deixa. Ele não exige nada de mim. Ele só me abraça, respira profundamente no meu cabelo e acaricia as minhas costas sobre a colcha. — Minha mãe fez esta colcha, — ele diz do nada. — Na reabilitação. É realmente tudo o que eu tenho dela. Sabe, ela nunca disse que me amava. Nem meu pai. O mais próximo que eu já ouvi alguém falando de amor para mim foi de Vickers, uma vez. Ele tinha acabado de me buscar na cadeia por causa de excesso de velocidade e conduta imprudente enquando eu dirigia a Ferrari do meu pai. E ele apenas olhou para mim, Vickers, eu quero dizer, e me disse em seu perfeito sotaque britânico; ‗O Senhor te ama, meu querido. Este seu jeito selvagem vai ser a sua morte ainda‘. — Ninguém? Nunca? Ele balança a cabeça, em seguida, encolhe os ombros em um movimento estranho. — Bem, eu quero dizer, eu já ouvi isso antes. Mas não de qualquer um que realmente quis dizer isso. No calor do momento, garotas de uma noite só não contam. Eu cresci sabendo que eu era amada. Mama me amava. Completamente.

Papai

também,

à

sua

maneira,

mas

não

incondicionalmente. Não era suficiente. Mas eu sabia, até meus ~ 260 ~


átomos sabiam, que mamãe me amava por dentro e por fora. Se ela estivesse viva, ela ainda me amaria, eu sendo stripper e tudo. E Dawson... ele nunca teve isso. Nunca. Eu convoco toda a minha coragem, e eu rolo, assim, eu estou em cima dele. Meus seios esmagam contra seu peito, e a colcha que eu entendo ser a única evidência que Dawson tem de afeto maternal, desliza para baixo em torno de meus quadris. Eu esquivo e me contorço contra ele, me mexendo até que eu estou pressionada inteiramente nele, cada centímetro de mim contra cada centímetro dele. Minha perna é jogada sobre seus quadris, e eu sinto algo espesso e crescente contra a minha coxa. Eu sei que isto é verdade, então eu digo, porque ele precisa, mais desesperadamente do que eu, eu acho, - ouvi-lo: — Eu te amo. — Eu não enfeitei com o seu nome, ou qualquer outra coisa. Só deixei a verdade flutuar para fora. E segurei minha respiração por sua reação. Seus olhos estão fechados apertados. Suas mãos estão enroladas em tornos em meus quadris, me segurando contra ele. — Diga... diga novamente. Por favor. Eu nunca ouvi tal vulnerabilidade em um homem. Em qualquer um. Ele está apenas completamente aberto, nu para mim. Eu vejo as terminações nervosas de seu coração, sua necessidade interior, a pele grossa, resistente desfeita, para mostrar a ternura que não deveria ser vista. Eu me contorço mais perto, me pressionando contra ele, embalando-me a ele. Eu escovo meus lábios sobre sua mandíbula, em ~ 261 ~


seguida, belisco o lóbulo da orelha enquanto eu proferi as palavras mais uma vez, um sussurro tão silencioso que quase não conta como discurso, mas eu sei que ele ouve como um grito de megafone. Ele se encolhe a cada fonema, cada letra. — Eu. Te. Amo. Dawson estremece debaixo de mim, tremendo, e sei que ele está tão envolvido como eu por este momento. Todo o mundo está em silêncio e imóvel. O sol não se moveu em seu arco no céu. Partículas de poeira suspensas no sol, congelado. Há apenas ele, seu coração batendo contra o meu, a batida lenta dele em mim, e eu nele. Seus olhos abrem, e eles estão de todas as cores em uma fusão quente. Ele não tem que me pedir para fazê-lo. Chego para baixo por minha própria vontade e afasto a colcha, rolo de costas, e tiro minha calcinha. Estou nua, mas não mais vulnerável. Estou protegida no casulo de Dawson, do seu amor, da sua necessidade. Seus olhos me analisam, me tomam. Me cobrem. Rosto, bochechas, lábios, olhos e nariz, a curva delicada e oca da minha garganta. Ele passa pelas ondas pesadas de meus seios, os mamilos eretos, minhas costelas e barriga esticadas, quadris generosos, minhas coxas fortes, o pedaço de um espaço entre eles, joelhos e panturrilhas e nos pés, e depois de volta para cima, para o meu sexo liso, que foi apertado e tocado somente por sua mão. E a minha, uma vez, por alguns instantes. Meu cabelo é um emaranhado espalhado por todo o edredon branco puro. A minha pele um bronzeado natural em contraste com os lençóis brancos. E depois há ele. Perfeição masculina. Evidência da obra de Deus. Eu acredito Nele quando estou olhando para Dawson. O cabelo ~ 262 ~


escuro que não é marrom, nem preto, nem loiro escuro. É uma cor como seus olhos, quase preto quando molhado, mas agora está secando e iluminado com cores, acabando em uma espécie de castanho. Desarrumado, despenteado, livre de gel, sem estilo e perfeitamente imperfeito. Aparados perto do couro cabeludo na parte de trás e em volta das orelhas, mas longo o suficiente para ter aquela aparência bagunçada artisticamente, ou em um estilo clássico jogado para o lado, levemente sofisticado. A beleza mutável de seus olhos, mas tecnicamente avelã acastanhados quando ele está se sentindo gentil e suave, quase azul quando ele está com raiva, desaparecendo em verde-musgo, quando ele está primitivo com a luxúria, sempre em algum lugar no meio disso, nunca escuro. Maçãs do rosto altas, uma mandíbula como granito lascado, lábios que pode enrolar em um sorriso ou um olhar malicioso e ainda fazer as mulheres desmaiarem. Seu peito é massa muscular com tanquinho que se propagam até a cintura. Musculosos braços fortes me rodeiam. Sua pele quase morena escura, uma fina camada de cabelo no centro do peito, uma trilha mais grossa de cabelo em sua barriga. Eu preciso ver. Eu lambo meus lábios e passo minhas mãos sobre o peito, e ele os flexiona. Minhas mãos e achatam contra seu estômago, e, em seguida, meus dedos se seguem em direção aos seus dedos dos pés. Eu deslizo minhas mãos até os quadris. Não me atrevo a tirar o meu olhar do dele, quando eu engulo meus nervos, medo e o oceano fervente de desejo. Os shorts estão soltos em sua cintura, um cordão desamarrado paira sobre o cós de elástico. Eu lentamente e muito gentilmente puxo sua cueca para baixo, para baixo. Sua respiração pega, e meus olhos estão agora inexoravelmente atraídos

~ 263 ~


para sua masculinidade ereta enquanto vou libertando-o, centímetro por centímetro. Uma ampla cabeça cor-de-rosa, um sulco correndo debaixo de onde ele é circuncisado. Veias e pele bem desenhadas, com aparência esticada sobre tanta masculinidade. Eu não estou respirando. Meu lábio dói e eu percebo que estou o mastigando, e o libero. Mas eu não paro minhas mãos enquanto tiro seus shorts, ele libera uma perna, depois a outra, e agora estamos ambos nus. Estou na cama, nua, com um homem. Mas eu o amo, e ele me ama. Então, isso é bom. Certo? Eu não posso e não vou parar, mesmo se não estiver. Ele rola comigo, coloca as mãos em cada lado do meu rosto, ajoelhando-se ao meu lado. Seus lábios inferiores nos meus, e agora eu não apenas me perco em seu beijo, mas me jogo ativamente nisto. Eu mergulho profundo, me afogo. Eu chupo o lábio entre os dentes e lambo, e eu seguro seu rosto com as duas mãos e, em seguida acaricio seu pescoço e ombros com uma mão, enquanto busco o cume duro de seu queixo com a outra. Então minhas mãos exploraram mais. Oh, senhor, oh, Deus. Há tanto para explorar, tanto desse homem para conhecer. Ele me beija sem pressa e deixa-me conhecêlo. Minhas mãos seguem em seu peito, costelas, debaixo dos braços, ao longo das costas e na espinha. Hesito, em seguida, as

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palmas das mãos se aproximam, agarraram suas costas com as duas mãos. Frio, duro e firme. Eu exploro a plenitude de sua parte traseira e, em seguida, para baixo de suas coxas. Eu curvo minhas mãos sobre os quadríceps e os quadris, e então ele está entrando em colapso para um lado e de costas. Agora é a minha vez de pairar sobre ele, apoio meu peso em uma mão ao lado de seu ombro. Meus seios estão pesados e balançam livremente, e então eles estão presos em suas mãos, e eu engasgo com o calor e a força do seu toque. Seus polegares passam sobre meus mamilos sensíveis, e eles ficam duros como diamantes. Está na hora. Eu vejo a minha mão enquanto ela viaja para passar perto de sua ereção. Dawson está prendendo a respiração, os olhos apertados, vendo minha mão também. Meus dedos se enrolam em um punho em torno dele, agarrando-o com cautela. Ele expulsa o fôlego em um longo e lento suspiro. Eu fico apenas segurando por um momento, maravilhada com a forma em que minha mão está envolvida em sua enorme masculinidade. Eu amo a sensação de ter ele na minha mão. Não é nada como eu pensei que seria. Ele é duro e quente, mas também é macio e elástico, o que disfarça bastante sua incrível rigidez. Tento respirar e sou parcialmente bem-sucedida, e então deslizo minha mão para baixo, sentindo seus sulcos e veias contra a palma da minha mão, embalando-o. Eu estou até meio perdida sobre que palavra usar para me referiar a... Ele. Seu cabelo ali está aparado. E então eu ondulo minha mão para baixo e para cima. E isso me ascina. Há um pequeno buraco no topo e abaixo dele, parece

~ 265 ~


uma casinha de cogumelo. Ela parece ser macia e então eu esfrego meu polegar ali, para comprovar. Dawson transformaram

está

tenso

por

toda

parte,

seus

ombros

se

em pedras, e as suas mãos estão soltas em meus

seios. Eu olho para ele, para o olhar estreito com concentração. Eu não posso imaginar seus pensamentos. — Eu estou... isso é certo? — pergunto. — Eu só... Eu quero te ver, te sentir. Ele sorri para mim, e sua expressão é afetuosa. — Claro, amor. Qualquer coisa, tudo. Tão lento como você quiser. Mas ele está se esforçando, ao que parece. Com o que, contra o que, eu não posso saber. Eu acariciei-o com a minha mão e depois estou ajoelhada ao lado dele, fora de seu alcance. Ele cruza as mãos sob a cabeça e me olha quando eu o toco. Não apenas sua ereção, mas seu peito, estômago e as coxas tembém. Eu ainda quero saboreá-lo. Eu sei que isso é algo que as mulheres fazem com os homens, porque os homens no clube me perguntaram se eu topava fazer isso, às vezes oferecendo quantias exorbitantes de dinheiro se fizesse. Eu nunca pensei que iria realmente fazê-lo, no entanto. Hoje eu vou. Eu o seguro em uma das mãos, e depois com as duas, abrangendo a maior parte do comprimento. Sua ponta e um pedaço ainda apareciam acima, e eu me curvei, baixei minha boca para ele. Eu beijei a ponta pela primeira vez. Um beijo real, mas isso não parece certo. Então, eu estendo minha língua e provo o sulco. Ele é salgado e macio. Eu coloquei ~ 266 ~


meus lábios em torno dele, e eu provei algo atraente e salgado na minha língua, e então eu movi minha mão para baixo e abaixei minha boca um pouco. Dawson geme e aperta as costas em arcos. Eu tomo mais dele, pensando que isso é o que eu deveria fazer. E, na verdade, eu gosto da maneira que eu me sinto fazendo isso, e também do gosto que ele tem. Meus lábios se esticam e meu queixo é forçado a abrir mais um pouco quando eu tomo a sua largura total em minha boca, e agora a ponta dele está tocando o céu da boca e empurrando a parte de trás da minha garganta, então eu puxo meus lábios longe, lentamente. — Grey... Jesus, Grey. — Ele toma o meu rosto nas mãos. — Você tem que parar com isso agora. Eu não estou pronto para isso, e eu realmente não acho que você está. — Pronto para quê? — Mas então, sim, eu sei a mecânica de como o sexo funciona, é claro, e eu percebo o que vai acontecer se eu continuar a tocá-lo, a manter a boca nele. E não, eu não estou pronta para isso. Algum dia eu vou experimentar, mas ele está certo. Agora não. — Sim, você está certo, — eu digo, e deito-me sobre ele, coloco meus seios em seu peito e minha boca na sua boca, e sua ereção está dura entre nós, contra o meu quadril. Ele deve ver a questão em mim, porque ele responde antes que eu possa formar as palavras. — As coisas que você faz comigo, Grey. Deus. É tudo o que posso fazer para segurar agora. Você é tão perfeita. O jeito que você me toca... — Ele enterra seus dedos no meu cabelo, apertando contra o meu couro cabeludo, e me interrompe com ~ 267 ~


um beijo ardente. — Você me faz sentir... tão bem. Nunca me senti assim antes. E então eu estou de costa, de repente, e ele está acima de mim, e isto é estar em casa, como eu nunca tinha experimentado antes. Eu envolvo meus braços ao redor do pescoço dele e o puxo para baixo para um beijo, e estamos perdidos por um momento atemporal. Mas isso não dura, porque ele está se afastando. Eu emaranho meus dedos em seu cabelo enquanto ele beija a minha garganta, o oco do meu pescoço. A borda do meu seio direito, ao redor da aréola, a pele enrugada, e então o meu mamilo está na sua boca e há um puxão entre as minhas coxas, uma pressão que queima. Sua mão alisa sobre a minha barriga, sobre minhas coxas. É de bom grado que abro minhas pernas para seu toque, pecaminosamente e arbitrária espalho minhas coxas, enquanto seus dedos mergulham profundamente. Então, seu toque está alisando a minha fenda me masturbando por dentro, todos os meus nervos sensitivos ali se acordaram. Meus quadris levantam alto para fora da cama enquanto ele me para a beira da explosão e em seguida diminui seu toque e me deixa dolorosamente de volta à consciência, mas a pressão não se desistegra, só aumenta a um ritmo que eu não posso suportar. Ele não me oferece alívio e eu não encontro a fala para lhe pedir isso, porque todas as palavras me foram roubadas. Eu tenho uma identidade neste momento, neste tempo: seu toque. Meu clímax é quem eu sou. Sua boca nos meus seios e seus dedos dentro de mim é quem eu sou. E então, e então... seus beijos descem no meu peito e descendo mais longe, por cima do meu ventre, então a língua sobre meu monte ~ 268 ~


liso. Eu estou balançando minha cabeça acenando não, não, mas é claro que eu não quero dizer, na verdade, eu só quero perguntar se ele realmente vai fazer isso... e ele faz. Seus lábios tocam meu clitóris, e eu estremeço. É um beijo questionador, hesitante. Eu levanto os meus quadris em um encorajamento silencioso. Eu estou perdida com essa experiência, e eu quero tudo o que ele pode me dar. Ele olha para mim, a pergunta em seus olhos. Ele não quer me apressar. Eu não tenho nenhuma vergonha sobrando. — Por favor... por favor, sim. — Minhas palavras são inaudíveis e ofegante, mas ele ouve. Ele pega meus tornozelos e meus joelhos sobre seus ombros, levanta-me e, sem qualquer aviso, lança sua língua em mim. Eu agarro a cama com um barulho em algum lugar entre um gemido/grito ou um grito/gemido. Em vez da cama, eu decido agarralo. Minhas mãos em seu cabelo bagunçado, enrolando em seus fios escuros enquanto ele usa seus dedos para espalhar meus lábios separados e me beijar profundamente. É um beijo também. Seus lábios se movem sobre minhas partes internas lisas, e sua língua me explora, assim como a forma que ele beija a minha boca. Nunca houve na minha vida esse prazer tão intenso antes. Nunca. Só agora eu sei o significado da verdadeira bem-aventurança celestial. Eu não tento esconder ou abafar os sons embaraçosos que saem de mim. Na verdade, enquanto seus lábios me sugam, eu começo a achar meus próprios ruídos excitantes. Estou totalmente ~ 269 ~


abandonada a isso. Eu não tenho nenhuma razão para o controle por mais tempo, e estou completamente à sua mercê. Deixei-me gemer mais alto do que achei que minha voz poderia alcançar, e tanto quanto eu gemo, Dawson redobra a intensidade de sua atenção oral. Quanto mais erótico meus gemidos, mais descontroladamente sua língua lança em mim, mais eu me permito gritar o seu nome, mais rapidamente ele chupa e faz círculos com a língua, e agora eu sou toda ruídos e quadris tremendo. Eu tranco minhas pernas em volta de sua cabeça e o mantenho enrolado contra mim, e agora seus dedos estão escorregando para dentro de mim também, dois dedos na minha fenda, investigando e deslizando para fora, e se movem de vazio para cheio, para vazio que me faz lamentar alto na minha garganta, então ele faz isso de novo, mas mais completamente, e eu jogo a cabeça para trás e arqueio minhas costas e me quebro debaixo dele, gritando e perdendo o fôlego e, em seguida, grito novamente quando onda após onda do orgasmo me bate. Eu não tenho nenhuma habilidade de parar o jeito que eu me movo contra sua boca, em sua língua. Nem se eu quisesse, pois suas mãos me seguram firme no lugar, não cedendo quando o orgasmo me bate, mas me empurrando para além dela em um êxtase impotente de um fôlego congelado para fogo libertado. E então eu volto à mim, tonta, e eu gemo de desespero enquanto ele se move para longe de mim, quando ele sai de mim, e eu ouvi algo rasgar. Eu abro meus olhos para vê-lo rolar alguma coisa fina e clara sobre sua ereção. Eu sei o que está próximo, um momento de medo, mas depois eu não tenho tempo para isso tomar conta de mim porque Dawson está de volta comigo, me beijando.

~ 270 ~


Eu sinto o meu gosto em sua boca e língua, almíscar picante e decididamente feminina vagamente salgado, o meu cheiro como um gosto. Seu beijo é desesperado, e eu sei que ele está se preparando para me enlouquecer. Está lá dentro de mim, o pânico, mas o nego. Eu o beijo e deleito-me com o peso de seu corpo contra mim, e a força de seus braços em volta de mim, e eu sei que quero isso. Eu beijo com tudo o que tenho, e eu enrolo uma mão ao redor da parte de trás do seu pescoço. — Grey, você não... não temos que fazer, se você não estiver pronta. — Eu nunca vou estar pronta. Mas eu nunca quis qualquer coisa mais que isso. — Mas devo-lhe toda a verdade dentro de mim. — Mas eu vou surtar em algum ponto. Eu sei que vou. Estou perdida em você, perdida nisto, em nós, mas eu vou pirar. Você deveria saber disso. Mas você também deve saber que eu quero isso. Muito. Por favor, faça isso por mim. Sua barriga é dura e quente contra o meu estômago , e eu sinto a ponta dele no interior da minha coxa, enorme e duro. Seus braços são fortes barras agora familiar de ambos os lados do meu rosto. Seus olhos me procuram. Coloquei meus lábios nos dele, e eu o deixo saborear as palavras que eu digo a ele: — Eu te amo, Dawson. — Eu o sinto inchar, vejo seus olhos se encherem de emoção, sinto-o expandir o peito, e até mesmo sua ereção cresce mais forte e mais grossa contra mim. — Grey... Eu te amo. Deus, eu te amo. ~ 271 ~


Eu tenho que perguntar a ele. Eu tenho que dizer as palavras. — Faça amor comigo, Dawson. Por favor, faça amor comigo. — Com todo o meu coração, sim. — Mas ele não empurra para dentro de mim. Em vez disso, ele desce entre nós e encontra o meu lugar doce com os dedos, acha o meu peito com a boca e ele, pacientemente e lentamente, leva-me a contorcer com excitação. Quando eu chego à beira do orgasmo, ele me beija, e eu abro meus olhos para olhar em seus olhos de todas as cores. Ele não abranda os dedos no meu centro, ele cutuca a minha vagina com a ponta de sua ereção. É apenas uma ligeira pressão no início, apenas uma pequena parte dele está dentro de mim, e eu deixo minhas pernas desmoronar porque senão eu vou apertá-las fechadas. Estou em pânico um pouco. Meu coração está batendo tanto com medo como prazer, e ele sabe disso, porque ele me deixa prestes a um orgasmo, e desliza um pouco mais, deixando-me sentir o alongamento dele me enchendo, e eu suspiro e lágrimas começam nos cantos dos meus olhos, porque ele é tão grande dentro de mim, enchendo-me, passando da minha capacidade de tomá-lo. Mas eu o tomo e ele fica quieto, e eu começo a entender a plenitude, começamos a entender o quanto eu vou adorar isto, mas ainda há dor no caminho, então eu ainda não amo, mas eu vou. E então ele acelera seus dedos dentro de mim e belisca acentuadamente no meu peito com os dentes e me traz para a beira de um furioso orgasmo, e desta vez ele continua indo, deslizando um pouco mais com cada círculo de seus dedos, e então eu estou estourando e ofegando e gemendo, e os olhos de Dawson travam em mim, ~ 272 ~


silenciosamente implorando-me para observar seus olhos, manter o olhar, então eu faço, e ele empurra uma vez, forte, e há um instante de dor cegante, mas está enterrado sob um tsunami de prazer misturado com dor. Ele fica enterrado, dedos e boca me dando prazer como o desaparecimento da dor latejante. E então eu estou completamente preenchida por ele. Ele está em mim. Quadris com quadris, boca com boca. Nossos dedos enredados. Nossas línguas juntas, lábios e dentes, e ele é enorme dentro de mim, me estica comprimindo uma dor que sangra em prazer. E então... ele se move. Ele lentamente desliza para fora de mim, e eu estou vazia e perdida, sem essa plenitude. Eu enterro meu rosto em seu pescoço, sentindo o pulso em meus cílios. Ele desliza de volta para mim em movimento infinitamente lento, e eu agarro em sua parte traseira, porque a felicidade que me permeia é o céu, além do céu, é pura maravilha, tudo o que é bom no universo explodindo dentro de mim. É a presença do amor brotando dentro de mim. Eu estou chorando, mas eu estou sorrindo, e ele vê isso, e ele beija as lágrimas, beija minhas bochechas, minhas pálpebras, meu queixo, minha boca e meu pescoço, e todo o tempo que ele está tirando e empurrando dentro, mas lentamente. Então, lentamente. Então, gentilmente. Amorosamente. Um sinuoso e suave deslizamento para dentro, quebrando toda noção de plenitude com cada entrada. E, em seguida, e eu estou choramingando com a perda, mas faz o resplendor de sua ereção de volta muito melhor. Estou arqueada, coluna curvada, e então eu levanto minha bunda e meus quadris para encontrar o dele, e eu solto uma mão para cravar minhas unhas nas suas costas e agarrar seu traseiro ~ 273 ~


enquanto ele desliza para dentro, e eu estou fazendo um som que não tem uma só palavra. É um grito erótico, respiração ofegante, gemido de seu nome. — Dawson... Eu repito a cada onda de seu pênis dentro de mim. Quero ter as palavras para lhe dizer como eu estou me sentindo, o quanto eu amo isso, o quão perfeito é isso, mas não tenho. Tudo que posso fazer é tentar me comunicar com os meus gemidos e suspiros, com as minhas declarações sussurradas de seu nome. Ele continua seu ritmo lento, mas levanta sobre um cotovelo e escova os emaranhados de cabelo dos meus olhos. — Me monta. — ele diz. — O quê? — Eu mal posso falar ainda que uma sílaba claramente. — Eu quero você em cima. Me monta. Tome o seu prazer. Deixe ir. Eu abri minha boca para falar, porque eu gostaria de um momento para pensar sobre isso. Eu gosto dele estar no controle. Eu gosto de ser capaz de mergulhar dentro dele e não pensar ou fazer nada, exceto sintir. Mas ele rola comigo, enterrado dentro de mim, e agora estou montando-o, agarrada ao seu peito, rosto contra seu pescoço, apertando-o com medo como se tivesse medo de cair de uma grande altura. Ele se acalma, e eu estou cheia dele, mas eu preciso deslizar, movimentar. Eu encontro seu olhar.

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— Tome seu tempo nisso. — ele diz. — Eu já acabei com a parte dolorosa, certo? E agora eu quero que você tome, ao invés de dar. Ele escova meu cabelo para longe, enterra seus dedos nas raízes do meu cabelo atrás da minha orelha esquerda, a outra mão apoiada no meu quadril. Sento-me aos poucos, lentamente, até que minhas pernas estão dobradas na altura do joelho, com as minhas panturrilhas quase paralelas às minhas coxas. Acho o meu equilíbrio, o balanço e me firmo com as palmas das mãos sobre o seu peito. Nossos olhos estão travados, e suas mãos acariciam a linha das minhas costelas, o polegar debaixo do meu peito e, em seguida, através de meus mamilos, de volta para agarrar meus quadris, em seguida, ele começa um circuito mais uma vez. No começo eu tento um movimento de balanço simples, com meus quadris. Eu suspiro e fecho os olhos, em seguida, faço novamente. E mais uma vez, e meu grito se transforma em um gemido de boca aberta. Dawson não se move, apenas detém meus quadris e me observa. Eu me inclino para a frente e levanto com os meus quadris, levando-o quase todo o caminho, faço uma pausa com ele pairando na ponta das dobras da minha fenda, e depois eu o enterro lá no fundo, rápido. Eu gemo alto, os olhos fechados e a boca aberta ofegante, e então eu o tiro de novo, quase todo para fora, pauso e me afundo em cima dele. E então eu tento outra coisa. Eu quero sentir tudo. Eu levanto meu sexo e os quadris para que ele deslize parcialmente para fora, e depois afundo um pouco e tiro um pouco, estocadas rasas para que ele nunca esteja totalmente fora ou totalmente dentro. Este ~ 275 ~


tipo de movimento está me deixando louca. Cada vez que eu choramingo e gemo e me recuso a deixar-me afundar profundamente ele começa a gemer comigo. Eu não estou em busca do orgasmo, só estou me encontrando com ele, me encontrando, encontrando o nosso jeito. Estou explorando essa coisa, esse ato chamado sexo. É muito além de surpreendente que eu não posso compreendêlo. Eu pressiono minha boca aberta, tremendo em seu peito suado e continuo os golpes superficiais por alguns momentos, e então eu sinto Dawson tenso debaixo de mim. Seus peitorais duros como pedra, seus braços duros como pedra, seu rosto congelado, sua mandíbula apertada. — Dawson. O que há de errado? — Eu pergunto. — Estou... me segurando. Sei que ele está em uma vantagem, sobre o orgasmo. — Se solte, então. — Não. Eu quero gozar com você. — Ele se inclina e me beija, com a intenção que seja um beijo rápido antes de voltar, mas eu o sigo e devoro sua boca com a minha. — Então vamos. — eu digo. Ele geme quando eu deslizo por todo o caminho, e eu adoro, quase mais do que qualquer outra coisa, ouvi-lo fazer ruídos involuntários. Eu o tiro quase todo para fora e, em seguida, o afundo dentro de mim rapidamente. Nosso gemidos se fundem aos nossos corpos. Eu começo um ritmo de golpes profundos, segurando seu pescoço, movendo apenas os meus quadris. Ele me levanta e pega um

~ 276 ~


bico na boca, e eu gemo mais alto do que nunca, e eu sinto a crista do orgasmo se aproximando. Ele está todo duro, cada músculo tenso, e depois qaundo meus movimentos tornam-se mais erráticos e meus gemidos sem palavras tornam-se o seu nome uma e outra vez, ele começa a se mexer comigo, e eu não tenho nenhum controle, nenhum ritmo. Estou desesperadamente mergulhada em cima dele, me enchendo com ele. — Oh, oh, Deus, — eu digo, quando me sinto perdendo o controle também. — Xingue. — ele resmunga. Ele vê a confusão momentânea sobre o meu rosto, e ele elabora. — Goze, amor. Quero ouvir você xingar. Goze para mim, Grey. Goze forte, e não se detenha. Eu estou segurando. Eu cubro meus braços ao redor de seu pescoço e deito, todo o meu peso sobre ele, e comprimo meus quadris contra o dele e gozo. Os gritos são abafados pela sua carne, e agora eu entro em erupção, e seu nome é o único som em meus lábios, gritado uma e outra vez quando o céu troveja aberto dentro de mim. Estou caindo, quadris loucamente mergulhando e mãos agarrando em sua pele. — Dawson. — Eu suspiro, e então eu me lembro o que ele disse, e eu quebro a última camada de controle, e tudo o que posso fazer é agarrar-me a ele qaundo as palavras estão em queda livre. — Oh, porra, Dawson! Deus, oh, Deus, oh, porra... goze comigo, goze agora... O mundo acaba naquele momento. Luzes em flash e toda a minha existência muda, e então eu estou me movendo. Ele está acima ~ 277 ~


de mim, graças a Deus, e ele é selvagem, descontrolado, mergulhando em mim, e eu amo cada toque, cada batida, e eu o ouço gemer, e espero ouvi-lo xingar como eu fiz, mas ele me surpreende. — Grey. — É um sussurro, um contraste louco para suas investidas selvagem. — Oh, Grey, doce Grey... minha Grey... — E ele goza por último. Eu sinto isso aconteçer, um estiramento seguido pelo calor e ele gozou, sem palavras, apenas a sua respiração na minha pele e nossos corpos tão perto quanto podem estar, e eu sinto sua alma ao meu lado, dentro de mim e em minha volta. Entrelaçadas. Nós dois ainda estamos quietos, respirando, e seu peso sobre mim. Ele tentou se mover, mas eu o impedi. — Fique. Gosto do seu peso sobre mim. Gosto de sentir isso. — Grey? — Hmm? — Eu te amo. — Sua voz é tão suave como seda, uma carícia verbal. Nada pode ser tão doce como a sua voz naquele momento. Eu me movi ligeiramente, e ele se moveu comigo, e agora seu rosto está embalado no meu peito, entre os meus seios, minhas mãos em seu cabelo e agora traçando a forma de sua orelha e o pequeno lugar onde a mandíbula encontra seu ouvido. — Eu também te amo. — Eu respiro, e ele sorri contra a minha pele. Nós adormecemos assim, nesse momento em que a tarde se transforma em noite.

*** ~ 278 ~


Eu acordo com a boca no meu peito e seus dedos no ápice das minhas coxas, e rapidamente meus olhos estão abertos. Eu estou espalhando

as

minhas

pernas

por

seu

toque

e

respiração

acentuadamente em felicidade e êxtase, e eu gozo mais uma vez em poucos minutos. Mas eu quero alguma coisa, quero sentir alguma coisa. Eu tive um gosto dele quando fizemos amor, mas eu o quero mais plenamente. Eu o empurro em suas costas e o levo em minhas mãos, acariciando o comprimento e a espessura dele. Eu movo meu rosto em seu peito e barriga, um beijo na ponta. — Grey? — É uma pergunta hesitante. — Eu quero isso. Quero tentar. Ele escovas meu cabelo longe nesse gesto familiar, e eu o tomo em minha boca. Só um pouco no início. Ele geme de imediato, e eu sei que ele gosta disso. Esse gemido é o que eu quero. Uma parte do que eu quero, pelo menos. Eu passo meu punho em torno dele e agora seus quadris se movem ao meu ritmo, e ele geme, então eu acompanho esse ritmo com a minha boca nele. E então eu me lembro de um cliente no clube me pedindo para chupá-lo, e eu penso sobre isso. Então eu chupo, levando-o mais profundo e chupando tão duro quanto eu posso, e ele levanta os quadris para fora da cama e geme alto, com as mãos enredando no meu cabelo como se lutando para não me puxar contra ele, e seus quadris vibram, como se tentasse não empurrar.

~ 279 ~


Eu o tiro da minha boca, e ele geme em desespero. — Goze. — eu digo a ele. Ele levanta e olha para mim, e eu dobro para mais perto dele, esfregando meus seios nele, ele tomba na cama e em seguida levanta a cabeça para ver de novo como eu envolvo meus lábios em torno dele e chupo mais profundamente em minha boca, perto de minha garganta. E agora eu sugo ao ritmo do meu punho em seu comprimento, e seus quadris correspondem ao ritmo, empurrando sem restrição. Eu combino o seu movimento, de modo que eu não me engasgue, e eu chupo mais, afastando e levando-o profundamente com cada impulso e cada chupada, e agora ele está gemendo sem parar. — Grey, Grey, oh, Deus... — Seus dedos apertam no meu cabelo, e ele está me puxando para baixo suavemente. Eu não me importo, e eu sigo sua insistência, indo mais fundo. Eu não quero ir tão fundo para me sentir engasgada, mas quase, e agora ele está arqueando as costas e levantando seus quadris, mas eu não vou depressa. — Oh, porra, Grey... Eu vou... — É um aviso, mas eu não tenho tempo para pensar sobre o que vou fazer, porque ele está em erupção na minha boca. Eu sinto o gosto dele, grosso, quente, salgado e nada como eu esperava. Eu engulo e sigo em frente, porque ele ainda está gemendo e empurrando, então eu acompanhei o seu ritmo frenético com o meu punho e minha boca, e ele jorra de novo, e de novo, e eu estou sobrecarregada. Seu gemido é descontrolado e espasmódico, e seus ~ 280 ~


olhos estão vibrando em sua cabeça e ele está louco de prazer, e é isso que eu queria, dar-lhe tanto prazer a ponto que ele perdesse o controle, assim como fez comigo. Quando eu tenho certeza que gozou o suficiente, eu levo a minha boca fora dele, mas ele ainda está meio duro, e eu adoro a sensação de sua ereção na minha mão, então eu seguro e continuo acariciando-o suavemente. Ele estremece com cada toque, como se estivesse hipersensível. Meu rosto está em sua barriga, e eu estou favorecida para uma olhada de perto para ele, sua masculinidade. É uma coisa linda. Eu já ouvi meninas, incluindo minha companheira de quarto Lizzie, falar sobre eles... Dizendo que, apesar de que eles fazem com que as mulheres se sintam bem, as partes privadas dos homens são feias. Embora eles usassem a palavra ―pau‖, o que me faz estremecer só de pensar, mas não tenho certeza de qual outra palavra posso usar. Eu não concordo com essas meninas. Dawson é belo por toda parte, cada pedacinho dele. Eventualmente, ele me chama até o peito, no recanto do seu ombro, e dormimos novamente. A próxima vez que eu acordo, é devagar, aos poucos. É ou cedo ou mais tarde, em algum lugar nas horas escuras da noite ou de manhã. Há um toque de cinza no horizonte, fazendo-me pensar que é cedo. Eu nunca dormi nua com um homem antes, obviamente. Seu braço está estendido sobre meu quadril, com o rosto enterrado nas minhas costas, sua respiração profunda e regular. Nós dois estamos ainda nus, cobertos agora pelo cobertor e lençol. Eu amo essa sensação. Estou protegida, segura, abrigada. Ele me ama, ele me segura perto dele, mesmo durante o sono. ~ 281 ~


E então eu me torno ciente de uma coisa: sua masculinidade... seu pau... está aninhado contra mim. Está duro, totalmente ereto e grosso. Ele se levantou em algum momento depois que fizemos amor pela primeira vez para descartar o preservativo, e agora, sob a luz fraca da madrugada, eu vejo outro quadrado na mesa de cabeceira perto de mim. Eu sinto seu... - acho que me sinto um pouco mais a vontade de falar a palavra agora, mas eu encaro isso com um pouco de culpa, - ... Seu pau entre os lados da minha bunda e me sinto ansiosa por isso. Eu quero ser preenchida novamente por ele. Eu preciso disso. Eu estou tão desesperada por isso que não consigo pensar em mais nada. Eu alcanço o preservativo e isso faz muito barulho para um quarto completamente em silêncio. Eu o examino, um quadrado cinza de plástico, Trojan, escrito em letras brancas. Eu rasgo para abrir e retirar o que está dentro. É um círculo de borracha escorregadio, ou látex, na verdade, um cume mais grosso em torno do látex transparente tão fino a ponto de ser quase invisível. É o que eu acho, pelo menos. Eu desenrolo um pouco, e então percebo que a respiração de Dawson mudou. Ele está acordado. Eu rolo no lugar, e encontro o seu olhar sonolento. Ele apenas sorri para mim, levanta a mão pesada, e esfrega o polegar em toda a minha bochecha. Eu olho para baixo entre nós e encaixo o preservativo sobre a ponta dele, então agarro-o perto da base e seguro-o, desenrolando o látex sobre ele lentamente com uma mão em primeiro lugar, em seguida, as duas, de mão em mão até que a borda ~ 282 ~


estriada está nivelada contra sua pélvis. Dawson chega para baixo e aperta a ponta um pouco, deixando um espaço perto da ponta. Ele me alcança, começa a se mover, mas eu balanço minha cabeça. Dirijo-me no lugar de novo, e pressiono as costas à sua frente. Eu me enconto a ele, e contorço meus quadris até a sua espessura estar enterrada onde estava originalmente. Dawson agarra meu quadril em sua mão e pressiona um beijo carinhoso ao meu ombro. Eu espero até o desespero dentro de mim não poder ser contido e então eu o alcanço entre nós e oriento a cabeça dura dele dentro de mim. Eu estou molhada lá embaixo, úmida, quente e escorregadia. Ele desliza profundamente em meu sexo. Ele está profundamente em mim. Está em casa. Nenhum de nós se move por um longo momento, e então ele rola seus quadris e eu gemo, e ele geme em conjunto comigo. E então, oh, Deus, seus dedos mergulharam até o ápice da minha fenda e deslizaram, e eu pressiono meus quadris para fora para permitir-lhe o acesso, e ele está pressionando com o dedo médio, e nós estamos nos movendo juntos. Eu movo meus quadris para longe, e ele puxa sua ereção, e então nós nos empurramos juntos. É desajeitado no início, mas depois encontramos um ritmo, e seus dedos... oh, Deus, a maneira como ele me toca me faz desmoronar antes que eu mesmo acaricie uma dúzia de vezes contra ele, e eu estou tremendo e ofegando com a minha boca aberta num grito silencioso, e depois de alguns momentos mais tarde isso acontece novamente, e eu estou sem fôlego e ele está desesperado contra mim, movendo-se como se não tivese o suficiente. Dawson se move, e eu estou deitada de costas em cima dele. Oh... Uau. Uma mão está no meu clitóris, dando-me orgasmo depois

~ 283 ~


de orgasmo, e a outra está no meu peito. Ele pega a minha mão na sua, e nós trabalhamos meus mamilos juntos, e ele está esmagandoos e dentro de mim, e ele está tão, tão, tão profundo que quase não posso tomá-lo, mas eu posso e eu adoro e eu preciso disso. E então ele me desafia novamente. Ele move minha mão, enredado na sua, ao meu clitóris, e nós estimulamos lá juntos, e isso é a coisa mais erótica que eu posso imaginar, até que ele pega sua mão e me observa. Ambas as mãos estão ajustadas e beliscando meus mamilos, e eu estou gemendo, e agora eu oh... oh... me toco e com ele enterrado posso me tocar de uma forma que nem mesmo ele pode. E sinto um ritmo dentro de mim, corresponde a um padrão nebuloso dentro de mim, um ritmo lento a rápido todo próprio, que não tenho muito fôlego para gritar, com a voz rouca gemendo e arqueando-se para a frente, e eu sinto que Dawson está assistindo eu me masturbando e eu sei que estou deixando-o louco, então eu me toco ainda mais vigorosamente. Eu não me reconheço. Eu estou em cima de um homem que só conheco por uma questão de semanas, e eu estou apaixonada por ele, e ele está apaixonado por mim, e seu pênis está enterrado até o punho dentro de mim, e eu estou me tocando quando ele rola meus mamilos rosa entre o polegar e o indicador. Estou gritando seu nome e ele está murmurando o meu, e estamos perdidos um no outro. É o céu... ... mas eu não me reconheço.

~ 284 ~


Ele explode. Dawson chama meu nome, grita meu nome, e eu chamo o dele, e ele goza. E eu gozo de novo. Suas mãos agarram meus seios, e, em seguida, uma mão está no meu quadril, me esmagando contra ele com cada impulso desesperado, e as nossas vozes são uma música juntos, nossos corpos se movem em uma bela dança sincronizada, movimentos perfeitos. Quem é essa mulher fazendo isso? Fazer amor com tanta sensualidade selvagem e desesperada? Eu quase posso ver-nos, como se eu estivesse fora disso. Meus seios saltando e balançando com cada impulso do homem debaixo de mim. Suas mãos agarram em mim, e eu empulsiono meu peito para seu toque, porque eu amo seu toque. E eu... a minha própria mão está entre as minhas coxas, tocando minhas partes íntimas. Minha outra mão está atrás de mim, segurando o rosto e o pescoço de Dawson. Seus olhos me veem, vejo a minha mão em movimento, vejo os meus seios saltando. — Deus, eu te amo. — ele sussurra quando goza. Quem sou eu? Quem é a mulher que este homem ama? Eu não sou uma estudante de cinema, eu não sou uma stripper, eu não sou uma dançarina, eu não sou ninguém. Eu sou apenas Grey Amundsen. Mas este homem glorioso... ele me ama. Por quê? O que eu sou, que ele sente tão fortemente sobre mim? O que posso oferecer? Eu não sei a resposta para isso, mas eu sei que ele ama. ~ 285 ~


Então, por que não posso perguntar? Porque minha garganta se fecha e doi. Ele poderia ver o pânico em meu rosto, mas ele está atrás de mim, rolando de um lado, ainda enterrado, ainda espesso, ainda pulsando com os tremores. Eu ainda estou

tremendo

também,

ainda

tremendo

e

tremendo

incontrolavelmente em onda após onda de terremotos pós-orgasmo. Alguns dos tremores são de pânico, apesar de tudo. Ele não vê. Ele desliza para fora de mim, fora da cama e no banheiro. Ouço-o lavar as mãos, e então ele volta e ele insinua-se atrás de mim e aperta contra mim. Sua masculinidade ainda está um pouco inchada e logo se enterra novamente entre o meu traseiro. Mesmo em meu pânico, eu adoro essa sensação. E amar isso me deixa com mais pânico. Eu pequei. Eu fiz sexo com um homem. Três vezes, eu tive relações sexuais com ele. Bem, duas vezes. Eu não tenho certeza se fazendo-o ter orgasmo com a minha boca conta como sexo, mas definitivamente conta como pecado. E deixá-lo fazer o mesmo, mais vezes do que posso contar? Ele me fez gozar tantas vezes. Eu nunca sequer me preocupei em contar. Será que isso multiplica o meu pecado? Eu não estou casada com ele. Não estamo nem mesmo noivos. Eu não estou nem certa de qual é o seu nome do meio. Eu não sei qual escola ele fez o colegial. Na escuridão da madrugada, é fácil sentir a condenação. Eu não pensei em meu pai, naõ realmente, em meses. Mas agora eu me lembro dele me dizendo que eu ia cair em uma vida de pecado. E eu ~ 286 ~


caí. Olhe para a vida que tenho vivido. Ele estava certo. Oh. Oh, Deus. Deus, me perdoe. Ele estava certo. Eu ouço e sinto Dawson voltar a dormir, e assim ele perde o único soluço que me escapa. Tremo, e seu braço aperta em mim, escondido logo abaixo os meus seios. Eu não posso respirar. Não posso... respirar. O que eu fiz ? O que foi que eu deixei acontecer? Exatamente o que eu sabia que iria acontecer, desde o primeiro momento que o vi. Eu sabia que eu iria me apaixonar e me perder nele, e eu fiz. Eu me apaixonei, caí em pecado. Tento racionalizar o meu jeito de evitar isso: não é pecado. Eu o amo. Ele me ama. E eu nem sequer realmente acredito em nada disso mais, não é? Não. Eu não sei. Eu apenas não tive relações sexuais, eu certamente não fodi. Eu fiz amor, amor mútuo, com um bom homem. Um homem maravilhoso que nunca fez nada, exceto tentar cuidar de mim, me proteger e me dar tudo. Eu não sou mais a filha de um pastor. Eu não vou à igreja. Eu não acredito em Deus. Então, eu não pequei. Eu pequei? Ou não importa se eu acredito? Certa vez ouvi meu pai dizer a um homem em sua congregação que foi apanhado em adultério que não importa se você acredita em Deus

ou

em

pecado.

Ele

acredita

em

você,

e

irá

julgá-lo,

independentemente de você optar por acreditar ou não. Minha cabeça está girando loucamente, girando, pulsando. Outras partes de mim pulsam, também.

~ 287 ~


Eu faço minha saída do aperto de Dawson, deixando-o na cama, segurando um espaço agora vazio. Ele está tão calmo, tão bonito. Eu não posso evitar, exceto apenas olhar para ele, e por um breve momento, as minhas preocupações desaparecem sob o peso da beleza masculina, do robusto e puro homem, e da tumultuada tempestade de emoções que ele incita em mim. Então, eles estão de volta com uma vingança. Eu ando até o banheiro, embora mancando é uma palavra mais apropriada. Minhas partes privadas latejam dor e remorso. Minhas coxas tremem. Tudo ali dói, mas a memória de como essa dor surgiu é doce. Mesmo através da minha culpa, eu não posso me arrepender de fazê-lo. Lamento a minha culpa, me lamento de que eu não posso simplesmente desfrutar do amor de Dawson. Deus, eu estou tão confusa. Estou sobrecarregada ao ponto de sufocar pela culpa e vergonha do que eu fiz, mas ao mesmo tempo uma parte de mim está contente, satisfeita, orgulhosa e em êxtase total. A culpa, a vergonha, diz-me que satisfação presunçosa é a semente do pecado. Depois de usar o banheiro, lavar as mãos, e encontrar minhas roupas na escuridão. Eu me visto em silêncio, de costas para Dawson. Até o meu sutiã em atrito com meus mamilos agora parece sensual, excitante porque me lembra de dedos e lábios de Dawson lá. E minha calcinha também traz Dawson à mente, a forma como a língua espetou em minhas pregas... Eu quase caio e me afogo na memória arrebatadora, mas Dawson mexe e eu estou em movimento.

~ 288 ~


Eu estou rastejando para fora, assistindo Dawson para dormir, e, em seguida, descendo as escadas, a porta da frente com minha bolsa sobre meu ombro e as chaves do Rover na minha mão. Eu não sei para onde estou indo, com exceção de que é para longe. Estou muito confusa, e eu não consigo pensar perto de Dawson, porque eu vou querê-lo de novo... Eu já o quero. Mesmo ferida e dolorida, cada passo faz meu clitóris pulsar, eu quero ele. Eu quero mais. Deixo o bairro, navegando cuidadosamente longe da grandeza exagerada de Beverly Hills. Eu me encontro no estacionamento do LAX, no balcão da Delta. Eu não sei nem para onde o bilhete que eu comprei vai me levar, e eu não me importo. Nada na minha consciência. Eu estou no piloto automático, lutando contra a corrente de culpa, contra a tempestade de pensamentos, necessidades, medos, culpas, desejos. Eu não deveria amá-lo. Mas eu amo. E por que não? Foi o pecado. Foi o maior prazer que eu já conheci, e eu vou passar todos os momentos do resto da minha vida querendo e precisando de mais. Ele me ama. Mas ele mal me conhece, e se ele encontrar alguém? Alguém mais bonita? Alguém mais experiente? E se ele tiver que fazer uma cena de amor e eu não puder lidar com isso? Não há um se nisso, eu sei que não vou aguentar. Isso me arruinaria. Mas eu já estou arruinada. Não sou mais virgem. ~ 289 ~


Isso não é a ruína, isso é a beleza. A dor entre as minhas coxas é um lembrete do amor. Do fervor de seu desejo. Minha luta interna é executada em um loop contínuo e isso me deixa tonta. Eu faço o meu caminho desorientado a um portão em algum lugar nas profundezas do LAX. Eu realmente não estou ouvindo ou vendo nada. Eu ouço os anúncios, avisos de embarque, avisos. E então as pessoas na sala de espera ao redor do meu portão se levantam e começam a se dirigir ao redor do balcão, canalizando para o portão de embarque. Acho que vi o cabelo escuro de Dawson e ombros largos, mas não é ele. Ele está em casa, em sua casa dormindo. Ele nem sabe que eu o deixei. Eu encontro o meu caminho para um assento por uma janela na parte de trás da aeronave. Eu odeio voar, e eu deveria estar com medo, mas eu não tenho espaço para nada, exceto o vórtice de culpa, vergonha e amor. Eu fugi de Dawson novamente. Ele provavelmente não vai vir atrás de mim neste momento. Eu o perdi. Eu nunca deveria tê-lo. Depois de um tempo, a voz do piloto aparece nos alto falantes. Algo que ele está dizendo quebra a em meio à neblina: — ... O terceiro na linha para decolar, então devemos estar nos movendo logo. Temos um bom vento de cauda, por isso, devemos aterrizar em Atlanta em apenas algumas horas, a partir de agora. Obrigado. Atlanta? Eu comprei uma passagem de volta para a Georgia ?

~ 290 ~


Oh, Deus. Oh, Deus. Deus me ajude, o que eu estou fazendo? Por que eu estou indo de volta para a Georgia? Uma resposta possível parece se levantar: Eu vou voltar para Macon para me encontrar. Eu perdi quem eu sou em LA ou talvez eu nunca soube quem eu era, e LA apenas me confundiu mais. É tarde demais para sair agora.

~ 291 ~


14 Eu aterrisei em Atlanta às 10:40 da manhã depois de uma escala em Houston. Meu estômago salta quando as rodas tocam com um salto suave, e depois de um longo caminho, chego até a passarela. As pessoas ao redor reunem seus pertences, bolsas e laptops, eu não tenho nada, apenas minha bolsa. Eu cheiro a sexo e suor. Meu cabelo está em um coque bagunçado, o que eu fiz no banheiro do avião uma hora antes do pouso, depois de ter percebido que parecia exatamente como se estivesse fugindo de alguém, com o cabelo despenteado e sem escovar. Eu cheiro a Dawson. Eu cheiro a sua essência, seu toque. Eu sinto-o em volta de mim, em mim. O que é um absurdo, mas não posso afastar a sensação. Eu avanço ao longo do corredor para a passarela, juntamente com os outros viajantes, e eu me odeio a cada passo. Dawson me amou, e eu fugi dele. Deixei-o de madrugada, e estou correndo de volta para o lugar que eu jurei que nunca iria voltar. Posso apenas imaginar sua expressão com o coração partido ~ 292 ~


quando ele acordar, mais ou penos por agora, talvez esteja procurando por mim, à minha caça na monstruosidade palaciana de sua casa, e não me encontrando. Eu nem sequer deixei uma nota. Eu sigo a multidão para fora do aeroporto, e o barulho das conversas e agitação passam sobre mim. Paro a poucos passos da porta, o coração doendo de culpa, uma alma apaixonada cortada em mil pedaços. Fiz sexo fora do casamento com um homem que mal conheço e eu o deixei sem uma nota de adeus. Eu não tenho um telefone celular. Eu não trouxe meu laptop ou iPad dados pela Fourth Dimension. Ele não tem como saber onde eu estou, mesmo com seus dotes de perseguição. Eu tropeço para longe da porta, ouvindo o sotaque familiar da Georgia. Eu sinto meu próprio sotaque voltando e não digo uma palavra. Eu tive quatro horas e meia para pensar, e eu não estou mais perto de saber o que é certo ou porque eu estou de volta na Georgia. Tudo o que sei é que quero ir para casa, ir para a casa do meu pai, tomar um banho e dormir para sempre. E então... Eu sinto o formigamento muito familiar na minha pele, o arrepio dos meus sentidos e a guinada na minha barriga. Quentes, fortes, implacáveis mãos fecham em torno de meus quadris e me puxam para trás. Eu sinto seu peito em minhas costas. Não viro para reconhecê-lo, eu me jogo contra ele e abafo meus soluços com as mãos.

~ 293 ~


— Você não pode fugir de mim, Grey. — Sua voz é suave, poderosa e íntima. — Como ... como você sabia? Ele ri. — Eu senti você levantar. Ouvi você chorar. Eu sabia que você estava em pânico, e eu sabia o que tinha que fazer. Que eu tinha de deixá-la ir, e eu te segui. Eu estava bem atrás de você a cada passo do caminho. Sentei-me na primeira classe, e você nunca me viu. Mas eu vi você chorar sozinha. Eu vi você agonizar. — Dawson, eu... eu sinto muito. — Meu sotaque, que eu trabalhei tão duro para erradicar, estava de volta com força total, tão forte como quando eu era uma ignorante feliz de quinze anos de idade. Eu dei uma fungada e uma risada depreciativa. — Deus, me escute. Pareço uma caipira de novo, e eu só estou aqui por cinco minutos. — Eu amo seu sotaque. Deixe sair. Basta ser você. Ser Grey Amundsen. Nós não nos movemos, e as pessoas estavam em redemoinho em torno de nós como a água do rio barrento, formando redemoinhos em volta de uma rocha, como um desvio. — Eu não sei quem sou, — eu digo, deixando minha cabeça descansar contra seu peito firme. Ele enfia uma mecha de cabelo loiro-mel para trás da minha orelha.

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— Sim, você sabe. Você é você. Você é Grey. Uma estudante de cinema. Filha de um pastor de Macon, Georgia. É a mulher mais bonita que eu já conheci, e é a mulher mais perigosamente sensual que eu já conheci. É irremediavelmente inocente, um pouco ingênua, muito teimosa, e absurdamente bonita quando está com raiva. Você deixa meu pau duro como pedra com um único olhar, e não tem ideia de que você faz isso. Você me deu o melhor dia de toda a minha vida, e então fugiu para longe dele, como eu sabia que você faria. — Ele está sussurrando isso no meu ouvido, eu não estou respirando enquanto ele fala. — Você me ama. E eu te amo. Não é um pecado. Ou se é, eu não me importo. E você sente a falta de seu pai. É por isso que voltou. — Eu o quê? Ele pega minha mão e me leva para longe. — Nós estamos indo ver o seu pai. Você sente falta dele, e você quer ele de volta em sua vida. E você vai apresentá-lo para o seu namorado, o famoso ator, estrela de cinema. — Eu irei? Eu vou apresentá-lo? — Estou trotando ao lado dele enquanto ele dá passos longos e propositais. — Sim. — Oh!! — Eu considero tudo o que ele disse enquanto ele aluga um carro. Ele habilmente ignora os olhares e sussurros de pessoas que o reconhecem, e eu estou tentando fazer o mesmo.

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Nós

encontramos

o

nosso

carro

alugado,

um

Corvette

conversível vermelho. Ele desliza para o banco do motorista e se vira para mim. — Endereço? Eu falo sem pensar. — 16543 Maple Grove Avenue. — Eu pisco pela minha confusão. — Espere. Estamos realmente indo para a casa de meu pai? Ele desiste e sai da garagem, antes de responder, colocando o endereço que eu lhe dei em seu telefone, um aplicativo de GPS, o mais provável. Quando estamos caminhando em direção ao bairro de meu pai, ele apenas sorri para mim. — Grey, apenas respire. Eu te amo. Ao menos que você possa me dizer, sem mentir, que você não me ama de volta, então tudo vai ficar bem. — Eu te amo. Sabe que eu amo. — Eu sussurro, e as palavras se perdem no vento que ruge. Ele ouve de qualquer maneira, ou ele lê os meus lábios, ou ele apenas sabe a verdade. — Bom. Então isso vai ficar bem. Você me ama. Eu te amo. Nós vamos trabalhar o resto. — Ele me dá um olhar afiado. — Você se arrepende do que fizemos? O que temos? Eu balancei minha cabeça com veemência. — Não, eu não... eu não me arrependo. Parecia... parecia que a Terra tremeu. Está tudo... tudo misturado. Eu não sei em que acreditar. ~ 296 ~


— Acredite em mim. Acredite no fato de que eu te amo. — Ele sorri para mim. — E acredite no fato de que, uma vez que temos as coisas um pouco mais resolvidas, eu vou fazer você gozar tantas vezes você não será capaz de andar por dias depois. — Eu já mal consigo andar. — admito. — Estou dolorida. Ele apenas sorri. — Isso foi apenas um aquecimento, amor. Eu não comecei a destruir o seu mundo. Pode acreditar nisso. Eu tremo com o calor, a fome em seus olhos, e eu acredito nele. Eu ainda estou confusa, mas Dawson está aqui, ao meu lado, me amando mesmo que eu tenha fugido. Tento respirar, e eu tento imaginar o que dizer para o papai. Eu nem sei por onde começar. Depois de uma hora e meia estressante de carro, o caminho de Atlanta para Macon, puxamos até o colonial de tijolos vermelhos de dois andares em que eu cresci. Há um sinal de ―Vende-se‖ no gramado da frente, com um marcador de ―vendido‖ em vermelho na parte superior. Meu estômago dá uma guinada. A porta da garagem está fechada, sem carros na garagem. Papai sempre estaciona na garagem para que os membros de sua congregação sempre saibam que ele estava em casa e acessível. Eu saí do Corvette, com Dawson atrás de mim e puxando a porta da frente. Ela está trancada. Eu pego meu chaveiro da bolsa, a muito não utilizado, e tento a chave da casa que eu nunca me livrei. Ela não funciona, as fechaduras foram mudadas.

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— Ele mudou-se... — Estou atordoada. — Merda. E agora? Você sabe o número dele? Ou de algum lugar você pode encontrá-lo? — Dawson está ao meu lado, e minha mão está na sua. Eu não me lembro de ter entrelaçado os dedos na sua, mas acalma-me o suficiente para que eu possa respirar. Eu vou para longe da porta, tropeço os três passos para a calçada, e ele me ajuda a entrar no carro. Sento-me no banco de couro marfim e sugo o ar quente da Georgia em meus pulmões. — A Igreja. Ele vai estar na igreja. Volte para a estrada principal e vire à direita. Vinte minutos depois, estamos no estacionamento quase vazio da Igreja Batista Contemporânea de Macon. É um grande edifício, amplo, com uma torre imponente, tradicional sobre o santuário principal, todos os blocos de pedra branca e pilares de madeira escura em torno dos lados. Há um velho-modelo vermelho Ford Taurus no estacionamento perto da entrada do escritório. O carro pertence a Louise, a secretária do papai. Ao lado do Taurus, um antigo F-150, que costumava ser verde, mas agora é todo ferrugem e lama vermelha e sujeira, que pertence a Jim, o zelador. Há um outro carro pertencente a Doug, o pastor assistente, e alguns outros que eu não reconheço de imediato. Alguns pontos longe desses carros está a BMW prata do papai, de três anos de idade. Ele está aqui. É claro que ele está aqui. Eu não posso respirar de novo. Estou de repente com doze anos de novo e à espera de papai para sair. Noite de domingo, após o segundo serviço e da reunião de oração pessoal. Eu me sentava no

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estacionamento, no banco de trás do carro, lendo um livro, à espera da mamãe e do papai para me levar para casa. — Está tudo bem, Grey. Estou aqui. — A voz de Dawson é um ronco baixo, rompendo minha memória distorcida. Eu balancei minha cabeça, respirei fundo e voltei ao presente. Dawson está aqui. Ele é... o meu namorado. Ele é meu. Eu sou sua. Ele vai me ajudar a enfrentar o papai. Eu não deveria precisar de ajuda, mas eu preciso. Eu limpo minhas mãos úmidas em minhas coxas e depois vou para fora do carro, colocando minha bolsa no ombro. Dawson bate a porta do carro atrás dele e fica ao meu lado, segurando minha mão. Hesito fora da porta de vidro que dá para a ala do escritório da igreja. A alça de metal preto é quente em minha mão, e através do vidro vejo Louise andar longe da porta, no corredor principal, com uma caixa em seus braços rechonchudos. Abro a porta, e ela ouve abrindo, vira, e me vê. Seu rosto fica momentaneamente em branco. E então a hospitalidade do sul entra em ação, e ela se ilumina. Louise coloca a caixa no chão e corre para mim, os braços estendidos para me abraçar. Dawson me deixa ir e está com as mãos nos bolsos enquanto eu abraço Louise. Ela é a mesma de sempre, estatura média, levando a maior parte do peso extra em seus quadris, o cabelo preto

grisalho

penteado

em

um

grosso

capacete

de

cabelos

pulverizado a perfeição. De repente, estou ciente de como eu devo parecer, como eu devo estar cheirando. Tenho certeza de que Louise pode sentir o cheiro do sexo em mim, vê-lo no ninho de rato no meu cabelo. Eu

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gostaria de ter tido tempo para tomar banho, mas não há nada a ser feito agora. — Grey, como você está querida? Porque eu não vi você um tempão! Pensei que você nunca mais voltaria a ver-nos! Você não parece apenas bonita, e meu, oh meu, quem é essa beleza? — Louise vibra sem parar, seu sotaque como lodo e vibrando como uma corda de violão depenado. Então ela realmente vê Dawson, e ela o reconhece. — Oh. Oh. Oh meu... mas você... oh. Ela segura seu rosto com uma mão, e seu generoso peito arfa, os olhos arregalados. Ela olha para mim, e então seus olhos se arregalaram ainda mais quando Dawson faz um show de envolver o braço em volta da minha cintura, baixo, quase no meu traseiro. Eu me inclino para ele, descanso minha cabeça contra seu peito, e não é um show. Preciso de sua proximidade, eu preciso tirar força dele. Louise se recupera um pouco de seu equilíbrio. — Isso é realmente o que eu penso que é? Concordo com a cabeça. — Louise Eldritch, este é Dawson Kellor. Meu namorado. — Eu nunca apresentei qualquer pessoa usando essas duas palavras antes. Eu estava um pouco tonta. Louise ri nervosamente enquanto aperta a mão estendida de Dawson. — Minhas terras, Grey! Quando você o conheceu ? Ele é ainda mais bonito pessoalmente do que em seus filmes!

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Eu franzi a testa. — Ora, Louise, você quer me dizer que você já viu seus filmes? Eu não teria te imaginado vendo esses tipos de filmes. Louise fica escarlate e acena sua mão com desdém. — Bem, você vê, Eu... minha Iris queria ir ver os filmes que eram tão populares, aqueles sobre a magia. Então é claro que eu tinha que vêlos para me certificar de que eles eram adequados para a minha filha. Eu não deixei ela ver. Eles eram muito cheio de violência desnecessária e sexualidade, e bem, sem ofensa, Mr. Kellor, mas não aprovo esse tipo de comportamento. Dawson sorri uniformemente. — Não é uma ofensa, Sra. Eldritch. Sei que alguns de meus filmes não são para todos. Se eu tivesse uma filha, eu certamente não iria deixá-la ver muito do meu trabalho até que ela tenha idade suficiente para compreender e ser madura. Louise acena com a cabeça seriamente, e depois se vira para mim. — Então, Grey. O que a traz de volta à cidade? Fiquei com a impressão de que você se mudou para Los Angeles mais ou menos permanente. O que era maneira de dizer que ela sabia sobre a minha briga com o meu pai, e queria saber mais. — Papai está em seu escritório ? Eu gostaria de vê-lo. — Ele está, você sabe que ele está. Ele apenas... bem, eu vou deixar ele te dizer. — O afável e a gentileza exteriores desaparece, e eu tenho uma visão da mulher muito inteligente, protetora, e de bom julgamento. — As coisas não têm sido as mesmas desde que você ~ 301 ~


partiu, Grey. Devo dizer. E seu pai... bem... ele mudou. A morte de sua pobre mãe mudou-o, e não para melhor. E quando você o deixou. Ele não ficou bem, você sabe. Mas eu já falei demais é a sua história para contar. Venha, querida. Vou levá-los a ele. Ela leva Dawson e a mim através do labirinto de corredores e escritórios interligados ao escritório expansivo do papai. Sua porta está fechada, e Louise bate uma vez, superficialmente, e depois abre. Ela entra, e eu a sigo atrás. O que eu vejo me choca. Papai está sentado no chão de seu escritório, pilhas de livros de referência empilhados ao redor dele entre as caixas vazias. As prateleiras

internas

estão

vazias,

e

uma

pilha

de

caixas

cuidadosamente dispostas em um canto, gravadas, fechadas e rotuladas com a letra do papai. Ele tem quatro ou cinco livros grossos em seu colo, e está folheando um outro, que então deixa de lado em uma pilha menor, pega um do seu colo, verifica a coluna, folheia, e coloca em uma pilha diferente. Ele não nos ouviu bater ou entrar. A música toca alta de um pequeno deck para iPod Bose: ―Hibernia‖, de Michael W. Smith. O coro de piano distinto e belo, com o apoio orquestral lava em cima de mim, me afunda. Esta foi uma das poucas canções dele que eu realmente gostei, principalmente porque não havia palavras. Eu assisto papai virar através de um outro livro de referência. Ele está diferente. Ele está mais magro, muito mais magro. Seu cabelo é mais prata do que loiro e o um círculo careca no topo da cabeça, ampliou significativamente. Ele parece... velho. E frágil. Louise curva-se mais perto dele e sussurra em seu ouvido. Sua cabeça levanta, e seus olhos fecham em mim. ~ 302 ~


Eu engulo em seco no turbilhão de emoções que eu vejo em seu olhar. Eu deveria ter ligado. Eu deveria ter verificado-o. Há tanta coisa entre nós, e não tenho nenhuma ideia do que ele vai dizer, como ele vai reagir ao meu retorno inesperado. Ele levanta de joelhos, e depois para os seus pés. Louise pega seu cotovelo e o ajuda, e eu vejo alguma coisa na maneira como eles se olham brevemente, na maneira como ela o ajuda a ficar de pé. Louise é uma viúva, também, seu marido morreu de um ataque cardíaco cerca de três anos antes que Mama morreu. Eu estou congelada no lugar quando coloco dois e dois juntos. Papai escova suas mãos para baixo na frente de suas calças Dockers, alisando as rugas e, em seguida, dá três passos hesitantes em direção a mim. Ele move-se lentamente, como se estivesse rígido. — Grey? — Sua voz mantém-se inalterada, ainda profunda, poderosa e retumbante. — Você voltou? Eu olho para Dawson, que apenas sorri encorajador para mim. Eu olho para trás para o papai, e dou um passo em sua direção. Estamos separados por alguns metros ainda, mas eu posso ver seus recursos de trabalho, seus olhos me tomando, me procurando. — Eu... Eu só, eu queria, quero dizer... — Eu não tenho ideia do que dizer. Eu não tinha a intenção de voltar. O rosto do papai enruga, e ele corre para mim, envolve seus braços em volta de mim, e me segura. Ele está chorando alto. — Eu sinto muito, Grey. Sinto muito. Fui tão teimoso. Eu deveria ter... Eu deveria... eu te amo. Eu nunca pensei que eu iria vê-

~ 303 ~


la novamente. Sinto muito, Grey. — Ele dá um passo para trás e enxuga o rosto com a mão. — Perdoe-me, Grey. Eu nunca, jamais esperava isso dele. — Eu... é claro, papai. Ele fecha os olhos e cai, tropeçando para o lado de Louise. Ela segura-o e dá um tapinha no ombro. — Eu nunca... Eu pensei que tinha perdido você para sempre. Tenho tantas saudades suas. Eu olho para as pilhas de livros, as caixas, a mesa limpa de papéis e canetas e o computador. — O que está acontecendo? Por que você está arrumando o escritório? E a casa. Você vendeu? Papai se endireita, e então se move para trás do balcão, se fortalecendo visívelmente e reassumindo um pouco de sua antiga autoridade. Ele clica fora o aparelho de som Bose, cortando o ―Hibernia‖, uma vez que começa a repetir, e então ele abre uma gaveta, encontra um chaveiro com uma etiqueta circular e uma chave. — Sim, eu estou. Eu me aposentei. Doug está assumindo como pastor executivo em tempo integral. Ainda vou fazer algumas pregações aqui e ali, mas... sim. Quanto à casa... Mudei há alguns meses atrás, em um condomínio a poucos minutos daqui. A casa era... era muito difícil de viver lá… era muito grande, muito vazia. Ele olha para baixo e esfrega a superfície da mesa com um polegar. — Havia muitas memórias. Guardei todas as suas coisas, no entanto. Seus pertences, junto com o que eu não trouxe para o ~ 304 ~


condomínio, estão em uma unidade de armazenamento a um par de quilômetros do condomínio. Esta é a chave. — Ele entrega a chave para mim, e eu a peguei. Louise ainda está na sala, pairando na porta. — Você está bem, Erik? Ele balança a cabeça e sorri ternamente para Louise. — Sim, eu estou bem, não precisa se preocupar. Pareceu-me que ele ia dizer ―querida‖. Ele deve ter visto minha expressão questionando com um olhar de papai para Louise e para trás, perguntando. Ele estremece. — Louise e Eu... nós estamos, o que eu quero dizer é, nós... Eu interrompo. — Papai, isso é coisa sua. — Eu só não quero que você pense que eu… — Eu não estou pronta para essa conversa. Eu apenas não estou. Ele acena com a cabeça. — Sim. Eu vejo. Talvez você tenha razão. — Ele olha de mim para Dawson, que está encostado na porta com o telefone na mão, braços cruzados verificando e-mails ou algo assim. — Quem é esse rapaz? Dawson avança imediatamente, empurrando o telefone no bolso e estendendo a mão. Eu vejo papai examinando Dawson, e eu vejo quando

bate

reconhecimento,

segundos

apresentar. — Dawson Kellor, senhor. ~ 305 ~

antes

de

Dawson

se


— Erik Amundsen. — Papai pega a mão de Dawson, e os dois homens se cumprimentam. — Como você conheceu a minha filha? — Nós estamos trabalhando em um filme juntos. — Meu coração salta quando Dawson aparentemente rejeita a nossa relação, mas ele continua. — É assim que nos conhecemos, pelo menos. Eu amo a sua filha, senhor. Grey é a pessoa mais incrível que eu conheço. Papai pigarreia. — Prazer em conhecê-lo. — Ele tem um milhão de perguntas, e ele não gosta da situação, e meu velho pai provavelmente ainda está lá, mas ele está se controlando É uma melhoria, é um começo, e eu vou aceitar.

~ 306 ~


15 — ... E o Oscar de Melhor Ator vai para... Dawson Kellor! — Channing Tatum bate palmas, o som muito alto no microfone, as mãos batendo no envelope. Ao lado dele está Emma Stone, segurando um sorriso enquanto Dawson se levanta e faz o seu caminho até o altar. Quando ele me passa, ele se inclina e sussurra: Eu te amo, no meu ouvido, me beijando rapidamente. Ele vai para o palco, Emma dá um abraço suave, e depois da um abraço de homem com Channing. Meu coração está batendo, e eu estou de pé, gritando e aplaudindo quando Dawson aceita a estátua de ouro. Estou muito excitada, mas isso não é nada novo. Tom Hanks está algumas fileiras atrás, Ted Danson está no fim da minha fila, e Jay-Z, Beyonce, e vários de seus amigos sentam-se em frente de mim. Eu vejo rostos famosos onde quer que eu olhe. E depois há eu. Tudo em O Vento Levou foi um sucesso de bilheteria, empatando com Avatar para o filme de maior bilheteria de todos os tempos. Eu nem estava nos créditos, mas eu não poderia me importar ~ 307 ~


menos. Eu trabalhei nele, ajudei a fazê-lo. Sentei-me ao lado de Jeremy Allen Erskine durante a maior parte das filmagens e vi, ouvi e aprendi. Mandei recados para Dawson, Kaz e Jeremy, e tomei muitas notas. Por tudo isso, Dawson e eu trabalhamos as coisas. Ele não propôs ainda. Eu tento dizer a mim mesma que eu não estou com pressa. Eu o amo, e isso é tudo o que importa, mas, no fundo, tenho dúvidas. E se ele não o fizer? E se ele mudou de ideia sobre se casar comigo? Ele teve seu contrato alterado quando voltamos para Los Angeles a partir de nossa viagem para Macon. Ele beijava Rose, mas ele não faria nenhuma cena de amor explícita, e o que também foi muito a seu favor. Assim, mesmo que o remake foi muito mais escuro, mais corajosos e mais gráfico, incluindo uma cena de sexo que quase nos levou uma classificação de 17 anos, era quase inteiramente um dublê de corpo e efeitos de computador, após o beijo inicial. E aquele beijo entre Dawson e Rose? Eu me mantive firme, apesar do meu estômago pensar o contrário. Eu tive que vê-lo, uma e outra vez, tomada após tomada, até que Jeremy estava finalmente satisfeito. Dawson estava tão chateado com isso como eu estava, o que foi um alívio para mim. Se ele tem outras funções que exigem um beijo, eu poderia ter de tomar um tempo de férias e não ver o filme. Só que isso provavelmente irá acontecer em todos os seus filmes. Tudo isso passa por minha cabeça enquanto Dawson muda seu peso na frente do pódio, ajusta o microfone, e pigarreia. — Deus, isso é incrível! Obrigado a todos, a academia, obviamente, Jeremy, Rose, Armand, Carrie: Você é a melhor co-estrela. Eu agradeço ao papai, ~ 308 ~


por me colocar em filmes quando tinha quatro anos. — Ele levanta a estátua, e meu coração está na minha garganta. Será que ele vai falar de mim? — Hum, então... Eu sei que eu não tenho muito tempo, mas eu tenho outra coisa a dizer, e vocês terão que ajustar a agenda, porque eu tenho o microfone. — As pessoas riem com isso, e ele lambe os lábios, um sinal de nervosismo. O que ele está fazendo? Ele encontra-me, seus olhos travando no meu. — Grey? Levante-se aqui, amor. — Eu balancei minha cabeça, mas eu não posso negá-lo. Eu me levanto, sacudo a saia do meu vestido solto, e me aproximo dele. Ele vem para as escadas e me dá as mãos, em seguida, toma o seu lugar no microfone, minha mão ainda na sua. Ele escava a mão livre no bolso, e seus olhos ardem no meu. — Grey, amor. Você provavelmente vai ficar com raiva de mim por isso, mas... eu estou fazendo isso de qualquer maneira. Eu te amo. Muito. Você me deu minha vida de volta. A multidão está conversando, sussurrando, rindo. Eu ouço, mas eu não tenho conhecimento deles, exceto como um ruído de fundo. Eu percebo o que está por vir. Não posso me mover, não posso falar, não posso respirar. Eu só posso observar quando Dawson puxa uma caixa-preta do bolso da calça, abre, e me mostra um enorme e brilhante anel de diamante. Tem que ser pelo menos quatro quilates, mas até mesmo o brilho do anel não pode tirar meu olhar de Dawson. — Grey? Aceita se casar comigo? — Ele diz que as palavras, então afunda a um joelho, segurando a caixa para mim.

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Eu fico olhando para o anel, depois para Dawson. Há apenas uma resposta, é claro. — Sim. — Digo isso em silêncio, e minha voz rachada no final. Eu tento de novo, mais alto, inclinando-se para o microfone. — Sim, sim! Dawson... você é louco, mas sim, eu vou me casar com você. Ouço gritos e aplausos do público, e pela primeira vez eu olho para eles. É um erro. Há milhares de pessoas, pessoas famosas, pessoas importantes, todos me observando. Eu nunca estive na frente de uma multidão como esta, e meus joelhos se dobram. Dawson me pega quando eu tropeço, e ele ri quando eu olho para ele em choque perplexo. A realidade do que ele fez, o que aconteceu, está entrando. Ele apenas me pediu em casamento durante seu discurso de aceitação do Oscar. Ele só me pediu em casamento. Na cerimônia do Oscar. A maioria do mundo está assistindo. Ao vivo. Eu começo a hiperventilar. E, em seguida, algo quente e forte toca minha boca molhada, e eu me entrego para o beijo, a boca de Dawson tomando a minha, me dando o meu fôlego. Eu o seguro, com seus ombros largos que são difíceis sob o paletó de seda. Ele quebra o beijo, desliza o anel no meu dedo. E, em seguida, Morgan Freeman está ao nosso lado, alto e imponente, falando com Dawson com aquela voz incrível dele. — Bem, John Travolta e Rachel McAdams deveriam ser os próximos apresentadores, mas você e sua nova noiva aqui podem muito bem fazer as honras da casa.

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O braço de Dawson está ao meu lado, e eu me inclino contra ele, tentando não olhar para a multidão ou as câmeras. Dawson lê o prompter, introduzindo o próximo prêmio de Melhor Atriz. Minha cabeça está girando e girando, então eu hesito quando Dawson me cutuca com a mão. Então eu percebo que ele quer que eu leia a lista de nomes. Eu limpo minha garganta e leio as palavras sobre o prompter, os nomes das atrizes e os filmes em que estavam, que inclui Rose por seu papel como Scarlett. Estou orgulhosa de mim mesma por conseguir fazer a apresentação, sem tropeçar em minhas palavras, e, em seguida, Dawson está pegando o envelope de uma mão no palco vestido de preto com um fone de ouvido. Ele a rasga aberta, vira a aba voltada para cima, e lê. — O Oscar de melhor atriz vai para ... Rose Garret! — Ele sorri e aponta com o Oscar de Rose enquanto ela sobe em seu assento. — Rose, você é incrível. Você merece. E agora, eu vou finalmente sair do palco. Vocês podem ter o programa de volta. — Todo mundo ri dele, e então ele me puxa para fora do palco para a escuridão da área de backstage. Estamos em um canto distante de volta debaixo de um sinal de saída vermelho iluminado, e suas feições são banhadas pelo brilho. Ele está delirantemente feliz. E assim estou eu. — Você está louco? Ele sussurra para mim, sua voz no meu ouvido, baixa e íntima. Deixei que ele me pressionasse contra a porta, e eu planto um beijo suave em sua mandíbula. — Não, eu não sou louco. ~ 311 ~


Eu sussurro: — Fiquei surpreendida. Eu estava começando a me perguntar se você iria recuar. — Eu queria que fosse algo que você nunca vai esquecer. — Eu não acho que algma vez já tenha existido uma proposta como essa. — Eu riu enquanto sua boca desce para o meu pescoço, a cavidade da minha garganta, e, em seguida, para o meu decote. Eu o impesso ali, no entanto. — Não aqui. — Não? — Ele olha ao nosso redor, para a agitação nas entradas para o palco, os ajudantes vestidos de preto correndo para trás e para frente, sussurros silenciosos em fones de ouvido. Estamos isolados aqui, mas ainda visível. Eu balancei minha cabeça. — Não. Muito público.— Sua boca não deixa a minha pele, e eu estou quase fora de seu controle, rindo. — Vamos lá, Dawson. Aqui não. Leve-me a algum lugar mais privado, e você pode fazer o que quiser comigo. — Tudo o que eu quero? — Há uma borda escura em sua voz. Eu tomo o desafio. —Tudo o que você quiser. Ele beija a inclinação do meu decote mais uma vez e depois se endireita, puxando o casaco de volta no lugar e repara sua gravata. Eu ajusto meu vestido, mudando meus seios e empurrando os fios soltos do meu cabelo. Quando nós dois estamos apresentável, ele me leva para fora e para trás na área do foyer, que está repleta de jornalistas, homens e mulheres com câmeras e microfones. Somos agredidos imediatamente por uma enxurrada de flashes e perguntas. Eu seguro Dawson e sorrio, os deixo ver o anel, e tento não entrar em

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pânico. Estas situações fazem-me sempre um pouco louca, e normalmente é tudo o que posso fazer para manter a calma e deixar Dawson falar. Se fosse só eu, eu surtaria e tentaria correr, mas Dawson é sempre calmo e sob controle. E então alguém me faz uma pergunta direta. — Grey, aqui, Grey. Você ficou surpresa com a proposta de Dawson? Você se sentiu pressionada a dizer que sim por que era muito público? Dawson começa a responder, mas para quando ele vê que eu estou respondendo. — Eu estava surpresa? Sim, claramente. Quer dizer, você viu minha reação. Se eu me senti pressionada? Não, não. Eu sabia que ele ia me pedir, eu só não esperava que fosse no meio do Oscar. — Eu ri com isso, e a multidão de repórteres ri comigo. — Eu disse que sim porque eu o amo e quero me casar com ele. Não houve pressão. Exceto, quero dizer, ter milhões de pessoas assistindo você em uma situação como essa é sempre assustador. E, em seguida, Dawson está fechando as perguntas e me puxando para um passeio em nossa limusine. Greg está atrás do volante, e eu não sei mesmo como Greg sabia que era para nos pegar, mas ele está aqui, e eu estou deslizando em todo o lugar tão graciosamente quanto é possível entrar em uma limusine rebaixada em um vestido de noite. É um passeio tranquilo por LA, com a mão de Dawson em minha perna, nossos dedos entrelaçados. Eu esperava que ele fosse fazer a sua jogada na limusine, mas ele não faz. Estou tensa, querendo saber o que ele vai fazer comigo, mas é uma tensão animadora. Eu quero ele. Eu queria que ele me tomasse nos

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bastidores, mas eu não sou corajosa o suficiente para esse tipo de exibição pública. A proposta foi pública o suficiente. Dawson remexe em um console, encontra um cabo de algum tipo, e o conecta em seu telefone , em seguida, empurra alguns botões no console. Depois de um momento, a música vem ao longo dos altofalantes. Eu rio quando ouço a música : ―Marry Me‖, de Train. — Sério? Bonito, Dawson. — Originalmente, eu só ia tocar essa música enquanto estivéssemos dirigindo por aí, eu encostaria e te pediria em casamento no carro. Mas então eu percebi que não era bom o suficiente. Você merece tudo. Todo o mundo. Certamente você merece uma proposta de parar um show. — Ele levanta a mão esquerda e examina o anel. — Foi um risco fazê-lo publicamente. Eu não tinha certeza de como você reagiria. Quer dizer, eu tinha 99,9% de certeza que você diria que sim, mas... — Você é uma pessoa pública. — eu digo — Então, se eu não estivesse disposta a ser vista por todo o mundo, eu não estaria com você. Foi assustador, mas... Eu acho que uma proposta clichê em um restaurante chique, não teria sido você. — Você quer dizer o anel no fundo de um copo de champanhe, essas coisas? — Eu riu, e ele dá de ombros, parecendo quase envergonhado. — Eu quase fiz isso também, na verdade. Passei tantos meses tentando descobrir a melhor maneira de pedir-lhe que se transformou em uma bola de neve. Eu estava pirando. Sem mentira. Então, quando recebi a nomeação de o melhor Ator, eu sabia

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que era o momento certo. Eu só não tinha certeza como você reagiria, como, desmaiar ou algo assim. Eu ri, lembrando muito vividamente quão perto eu estive. — Eu quase cai! Seu olhar se volta para mim. — Eu nunca te deixaria cair. — Eu sei. Beijou-me, então, e, como sempre, eu me perdi, caí de bom grado para a felicidade de sua boca na minha. E então nós estamos sob o arco e Greg está abrindo a porta para nós. Dawson me tira do chão, em seus braços, e Greg vai na frente para destrancar a porta e nos deixa. Ouço a porta fechar e a limosine se afastando. Meu coração está batendo mais uma vez, porque ele está olhando para mim com olhos de musgo e cascas, com fome, olhos quentes. Ele me carrega por toda a casa, até a porta que leva a sua, - a nossa, - garagem. Eu fico parada e me pergunto, espere. Ele lambe os lábios quando passamos de carro após carro. Velho, novo, brilhante, em vários estágios de conclusão. Chegamos ao final, o Bugatti. O acabamento espelhado reflete o suave brilho branco das luzes do teto, e as nossas formas de nos aproximarmos. Ele me coloca em meus pés, no final capô do carro. Eu olho para ele, esperando e expectante. Eu aprendi sobre ele, em relação ao ano passado. Ele nunca está satisfeito, nunca saciado. Ele sempre me quer. Ele me quer

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segundos depois que ele termina dentro de mim. Ele me quer em seu sono, no chuveiro, em seu escritorio, nas filmagens. E ele me tinha na maioria desses lugares. Incluindo no set de Tara, durante as filmagens de E o Vento Levou. Ele me trouxe de lá tarde da noite, para a varanda da frente da casa da fazenda em tamanho real construído no campo, perto de Atlanta. Ele me tomou ali na varanda, deitado sobre um cobertor que ele tinha trazido com ele, estrelas brilhando e sapos cantando na noite quente de outono. Eu estava no controle de natalidade, enquanto estávamos em Macon, e eu aprendi a amar o sentimento dele nu dentro de mim, não havendo nada entre nós. — Qualquer coisa? — ele pergunta novamente. Eu não hesito. — Qualquer coisa. Há apenas uma coisa que nós não fizemos. Eu ainda não estou confortável com qualquer um dos termos normais para as coisas, e Dawson acha que meu discurso limpo e adequado é bonito. Eu estou disposta a deixá-lo fazer isso, mas eu não tenho certeza se ele está me levando para a garagem para isso. Ele sorri, um predador, um brilho erótico em seus olhos. Ele tira uma mecha de cabelo para longe dos meus olhos, e então as mãos deslizam sobre os meus ombros, em torno de minhas costas. Estou usando um vestido de Givenchy Couture com que Dawson me surpreendeu hoje. É tanto modesto e sensual, mostrando minhas curvas enquanto não revela demais a pele. Desde que eu parei de ser uma stripper, eu encontrei o meu próprio estilo, um meio termo entre

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sensualidade e bom gosto. Estou aos poucos descobrindo quem eu sou. Eu sou Grey Amundsen, e sou desejada. Suas mãos vão para o zíper entre meus ombros, que é puxado para baixo muito lentamente, eu tremo quando os nós dos dedos escovam minha pele entre a abertura cada vez maior. Ele desliza as alças finas dos meus ombros com um movimento de suas mãos, e o vestido vai com um assobio suave para o chão, envolvendo, lentamente, meus pés em uma pilha de rendas e chiffon. Minha surpresa para Dawson é revelada: Eu não estou usando nada por baixo do vestido. Sua respiração deixa ele em um suspiro lento, e ele rói o lábio superior enquanto bebe em meu corpo. Em vez de me tocar, ele se afasta, voltando-se no último segundo para a parede onde um iPhone está localizado. Essas docas de alto-falante estão em todos os cômodos da casa, incluindo o banheiro. Ele coloca o telefone no banco, percorre suas músicas até encontrar a que ele quer. A batida eletrônica rápida enche a garagem, e eu imediatamente reconheço a música. É ‗Palladio‘ de Silent Nick, uma das músicas favoritas de Dawson para malhar, e uma das minhas músicas favoritas para dançar. Ele se aproxima de mim com um balanço de seus quadris, um salto em sua etapa. Claro, ele pode dançar. Ele pode fazer praticamente qualquer coisa. Ele pega meus quadris nus em suas mãos e move meu corpo com o seu, uma contorção sensual dos nossos corpos ao som da música. No ritmo da música, eu puxo a gravata preta fina, em volta do meu pescoço, e em seguida, deslizo o seu casaco. Eu deixo seus botões livres, um por um, soltando-os com a batida enquanto nós ~ 317 ~


dançamos juntos, e em seguida, atiro a camisa no chão em cima de seu casaco. À medida que avançamos, as mãos deslizam nos meus lados,

segura

minhas

costelas

logo

abaixo

dos

meus

seios

balançando. Seus olhos ficam lá, então eu acentuo o movimento do meu corpo, tornando-os a sacudir e balançar ainda mais, e seus lábios curvam em um sorriso. Eu desato o cinto, o atiro de lado, longe do carro, e então lentamente deixo a calça aberta. Suas ondulações do corpo no tempo da música, seus esculpidos abdominais deslocamse e enrijecem quando ele dança comigo, tocando meu traseiro, enredando os dedos no meu cabelo, traçando a curva da minha barriga para quadris. Eu deixei a calça cair no chão, e ele sai delas. Ele está com nada mais que suas cuecas boxer, algodão marrom escuro moldando seu bumbum. Há um ponto de umidade onde sua ponta toca o tecido. Eu corro meus dedos ao redor do elástico cinza, trabalhando gradualmente os quadris ao ritmo da música, balançando os quadris, balançando-me para ele, inclinandome para roubar um beijo rápido, e então eu fico impaciente e tiro a cueca dele e ele a chuta para fora. E agora estamos nus na garagem, dançando, nossos corpos refletidos no espelho do acabamento do seu Bugatti, sua mistura de pele mais escura com a minha. A música mudou, outra fascinante, canção com rápida batida. Mantemos-nos balançando, continuamos dançando, nossos corpos mais perto. Meus seios escovam o peito dele, e ele mergulha na altura dos joelhos para tomar um mamilo na boca. Eu suspiro, e ele chupa até meus os joelhos flexionarem e, em seguida, ele está de volta em pé, dançando peito a peito comigo. Ele coloca a mão entre nossos corpos e eu abro minhas pernas para

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deixá-lo entrar. Ao final da canção meu rosto é pressionado para o dele e eu estou ofegante enquanto nós balançamos juntos, perdendo o ritmo, enquanto eu desmorono sob seu toque. Dawson me vira em seus braços quando eu gozo. Ele ainda está se movendo com a música e tudo o que posso fazer é deixá-lo me segurar enquanto ondas de choque me atravessam. Ele me inclina para a frente sobre o capô do carro, sua ereção dura contra o meu traseiro. Estou antecipando-o dentro de mim, mas eu ainda não tenho certeza de qual é o seu plano. — Eu queria fazer isso desde o primeiro dia em que te conheci, — ele rosna no meu ouvido. — Fazer o quê? — Fazer amor com você sobre o capô do carro. — Meu corpo é pressionado contra a superfície fria do exaustor. — Abra os olhos, — ele ordena. — Olhe para nós. Veja-nos. Tão

perto,

nossos

reflexos

não

são

distorcidos.

Minha

respiração se embaçada na superfície espelhada, onde meu rosto foi pressionado para o metal, mas eu posso vê-lo atrás de mim, todo musculoso, estômago e ombros maciços e braços grossos, e minha respiração se perde como sempre quando vejo quão perfeito ele é. Ao me ver, meu rosto ficou vermelho, meu cabelo se soltando do pentado de Luisa, minha estilista. Fios grossos em torno de minhas bochechas e boca. Meus olhos estão arregalados e meu pescoço está curvado para nos assistir, e o reflexo os meus seios se fundem com a minha carne quando eu estou inclinada sobre o capô.

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Suas mãos estão sobre os meus ombros, e seus olhos encontram os meus no reflexo. Ele acaricia minhas costas, minha coluna, meus ombros, minhas costelas, meus quadris. Ele estabelece o controle sobre meus quadris e me puxa com força contra ele, e eu não posso deixar de ir de encontro a ele, precisando dele dentro de mim agora. Eu preciso disso. Eu sou tão insaciável como ele é. Eu nunca assumi a liderança, no entanto, não até que estejamos no momento juntos. Quando eu o sento próximo de gozar, é quando eu assumo e o levo ao clímax. Caso contrário, eu o deixo me levar com ele, deixo que ele decida como ele me quer. Eu amo o mistério, porque ele é sempre inventivo, criativo e sempre pensa em meu prazer antes do dele. Ele nunca gozou antes de mim, isso é, desde que eu não esteja usando a minha boca sobre ele. Então agora eu ainda estou esperando. Mas eu preciso dele, tanto, que mexer meus quadris é a minha maneira de dizer a ele para se apressar. Ele solta dos meus quadris e segura a bolha generosa de minha bunda com as duas mãos e, em seguida, o dedo médio de sua mão direita, desliza para dentro do vinco e encontra minha entrada traseira. Eu tremo, suspiro e tremo, certa de que ele vai fazer agora, e não é totalmente certo que eu estou pronta para isso. Eu quero, eu realmente quero, mas eu não tenho certeza que estou pronta. Seu dedo desliza em cima de mim, lá atrás, e eu recuo. — Eu quero você, aqui. — Agora? — Eu suspiro a questão. — Não, amor. Ainda não. Você não está pronta. — Mesmo quando ele diz isso, pressiona seus dedos um pouco, aplicando suavemente mais pressão. ~ 320 ~


— Eu não estou? — Não. — Ele ri, mas então rapidamente seus olhos estreitam. — Você parece... quase desapontada. Você quer isso? Um pouco mais de pressão, e eu estou tentando não me esquivar, mas a pressão é suave e implacável, e agora há uma ligeira intrusão, e eu estou sem fôlego. — Eu estou... oh... Deus... estou curiosa. — Você vai adorar. Eu sei que você vai. Você é tão perfeita, tão sensual. Tão sensível. — Eu sou forte. — Um pouco mais, e essas duas palavras são tudo o que eu posso controlar. Eu não posso acreditar que eu estou deixando ele fazer isso, mas então, sim, eu posso, porque eu amo tudo e qualquer coisa a ver com ele, e eu confio nele. E ele se sente... tão bom. — Eu amo isso em você. Eu amo que eu posso fazer você gritar. É um jogo que eu jogo comigo mesmo. Para ver o quão alto eu posso fazer você gritar. Quando eu te foder na bunda, eu terei que fazê-lo em algum lugar distante das pessoas, porque, amor, você vai gritar. Eu gemo quando a intrusão se torna presente, e meus quadris empurram para trás, só um pouco, com vontade própria. Meus olhos estão fechados, e eu sinto sua outra mão encontrar a minha fenda e meu clitóris, e eu sou incapaz de parar o pequeno grito de êxtase quando ele me leva ao clímax novamente. Estou sem paciência agora. Eu levanto-me em meus dedos e esfrego minhas pregas contra sua dureza, pedindo-lhe silêncio.

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Ele devagar e gentilmente retira o seu dedo. — Você está pronta, amor? — Sua voz é de seda deslizando sobre mim, sua boca contra a minha orelha, o peito contra as minhas costas. — Sim... — Eu respiro. — Agora. — Isso é uma ordem? — Sua voz é divertida. Concordo com a cabeça, meu rosto contra o capô frio da Bugatti. Eu endureço a minha voz e coloco todo o comando que eu posso esticando o pescoço para encontrar seu olhar avelã quente sobre o meu ombro. — Agora, Dawson. Ele

literalmente

rosna,

e

suas

pupilas

dilatam.

Sua

masculinidade engrossa. — Porra, isso é quente. Você deve pedir-me com mais frequência. Gostaria, mas ele tem sua ereção em sua mão e ele está brincando com meu clitóris com ele. Seus dedos roçam minhas coxas quando ele se move, e eu estou forçando a quietude, esperando que ele deslize em minhas dobras. Ele faz, mas é muito devaaaagggaaar, uma fusão oh... Tão gradual dos corpos. — Eu não posso esperar até que você seja a minha esposa, — ele murmura, inclina sobre mim para sussurrar no meu ouvido. Eu gemo, tanto por suas palavras quando com sua entrada em mim. — Eu também. Mas... você já é meu marido, nós apenas não dissemos as palavras ainda.

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Ele desliza totalmente em mim, quadris contra quadris, flexionando fundo. — É verdade. Isso é tudo o que ele diz, porque as palavras estão fora de nós, então, por um momento. Ele se retira, e desliza para dentro. Meu gemido é uma respiração tranquila contra o capô. E então ele está tomando meus quadris em suas mãos grandes e puxando-os, me levantando. Eu empurro para cima minhas mãos e em meus pés, coluna arqueada para baixo, inclino-me totalmente. Ele empurra fundo, e eu estou gritando em silêncio, de boca aberta. — Veja-nos, querida. Eu forço meus olhos abertos e para baixo para o nosso reflexo. Meus seios pendurados baixo, balançando com o nosso ritmo acelerado, e sua forma está em cima de mim, enorme, e minha pele está corada por toda parte, e depois eu passo o meu olhar para baixo, e eu estou hipnotizada pela visão de nossa união. Eu posso ver tudo no reflexo do capô, seu grosso membro deslizando para fora, minhas pregas tensa e esticadas para tirar tudo dele, e então ele se move e eu vejo

como

ele

entra

em

mim,

e

meu

sangue

bombeia

descontroladamente, luxúria fluindo através de mim com a visão erótica de nos mover juntos. Eu aperto com os músculos da minha vagina, e ele geme quando minhas paredes reprimem em torno de sua ereção, e eu o sinto inchar, e eu sei que ele está perto, sei que minha vez está chegando. Ele está perdendo o ritmo, seus movimentos cada vez mais errático. Ele agarra meu quadril em uma mão e me empurra contra ~ 323 ~


ele. Eu gosto da rugosidade. Eu amo isso. É uma coisa contraintuitiva. A aspereza de seu ardor faz eu amar o nosso sexo ainda mais, quando ele está fora de controle. Sua mão pega um dos seios balançando e aperta, amassa, aperta, polegares no mamilo e os belisca e ele está se perdendo, seus olhos estão se fechando e suor está cobrindo sua testa e ele está se movendo mais rápido e mais rápido. Agora. Agora é a minha vez. Eu levanto no meu pé, apertando para baixo com as minhas paredes, e quebrando contra ele. Ele geme, e faz novamente. Eu começo a me mover contra ele, em seus impulsos. Onde antes eu estava movendo-me com ele, em sincronia com ele, agora eu me encontro com seus golpes com os meus próprios, cada vez mais forte. — Toque-se, — ele ordena, sem fôlego. Ele está assistindo. Eu tombo minha cabeça no meu antebraço sobre o capô do Bugatti, levantando meus dedos. Suas mãos, ambas vão para os meus quadris, e ele me levanta, então eu não estou tocando o chão com os pés, minha cabeça e meu peito no capô, e ele entra em mim enquanto eu deslizo meus dedos contra a minha carne lisa. Eu começo a gozar, e ele se move mais forte, me puxando para seus golpes, e eu estou gritando, fora de controle, e então eu o sinto começar a tremer, e eu perco a minha respiração, lembro-me o que ele disse sobre eu lhe dando comandos.

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— Diga meu nome quando você gozar. — digo a ele. Também sei que ele gosta quando eu xingo, o que eu não costumo fazer, por isso dou-lhe agora também. — Diga meu nome quando você me foder. Ele grita, um rugido de animalidade bruta, e ele empurra profundamente em mim. — Grey! ... Oh Deus... Grey, meu amor. — Ele se desfaz em seguida, sem ritmo, sem um padrão, apenas movimento e desespero. — Eu te amo, porra! Eu te amo pra caralho. Ele me preenche. Eu sinto seu gozo, um espasmo de umidade e calor dentro de mim. Ele me fode então. Fora de controle e forte, e eu o encontro com a porra de um ritmo de minha autoria, ordenho a sua liberação, e depois eu volto, sentindo outro espasmo dele quando eu colapso contra o carro e rodo os quadris para ele, nossos corpos retardando, amolecendo e suavisando mais uma vez. Eu

estou

mole

contra

o

prata espelhado da Bugatti,

abençoadamente fresco contra minha carne por sexo quente. Sua masculinidade amolece dentro de mim, tremores balançam nós dois, calafiros me fazem tremer, impulsos espasmódicos dele me fazem tremer mais uma vez. Ele está sem fôlego, ofegante, mas ele se puxa para fora de mim, me coloca para cima e depois para trás contra o seu peito e beija o topo da minha testa, mordisca minha orelha em seguida, até a minha mandíbula e no ombro. Nossa pele fica lisa, quente e suada, e estamos ambos respirando com dificuldade, e eu nunca na minha vida fui mais feliz do que nesse momento. Sinto-me levada por uma verdadeira alegria profunda. Ele a deu para mim, tanto a alegria, como o seu amor. Eu descanso minha cabeça em seu ombro, e ele se

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contorce para beijar meus lábios, deixando-nos sem fôlego mais do que nunca. Ele levanta-me em seus braços, sem esforço, e me leva para dentro da casa, deixando seu telefone e a música tocar com a porta da garagem aberta. Na sala, ele me coloca gentilmente no sofá, abre a tampa de um pufe, e puxa um cobertor macio. Ele desliza sobre o sofá atrás de mim, sua coluna vertebral contra o encosto do sofá. Estamos suados e pegajosos, e eu adoro isso. Sua masculinidade amolecida está contra meu traseiro, e nós cochilamos assim, pensamentos de ele transar comigo de novo estão correndo pela minha cabeça. Eu quero. Eu deixei flutuar o pensamento sujo na minha cabeça: eu quero seu pau na minha bunda. Eu quase ri em voz alta do sujo, sórdido pensamento sensual, mas é muito erótico para rir, e eu estou mais adormecida, à deriva e durmo com a sua mão distraidamente colocada em um peito, o outro preso entre nós e a almofada do sofá. Quando acordar, eu vou tê-lo me tomando dessa maneira. Ou talvez, já que seu aniversário está chegando na próxima semana, eu vou esperar até seu aniversário, e eu vou fazer um evento especial para ele. Ele se desloca em seu sono, movendo-se contra minha bunda, e eu me pergunto, quando o sono o leva, como seria sentir isso. Como tudo o que ele faz, incrível, eu tenho certeza. Eu vou ser sua esposa. ~ 326 ~


16 São quatro horas de uma tarde de terça-feira. Dawson está fazendo a leitura para uma peça, ele atingiu o nível onde ele raramente tem audição, mas, aparentemente, as pessoas do elenco e o diretor tem alguns grandes nomes em mente para o papel, e eles precisam ver quem tem o perfil para isso. Estou em Rodeo Drive, fazendo compras para o seu aniversário surpresa amanhã à noite. Claro, há uma grande festa hoje à noite, uma coisa chamativa ostentosa criada pelo seu empresário, Audrey. É um grande negócio, uma vez que o quem-é-quem da lista de participantes pode ser lida como uma questão da OK Magazine. Vai ser divertido. Eu tenho feito algumas aparições com Dawson, nenhuma tão grande ou dramática como o Oscar, obviamente, e a cada vez, eu sinto que eu tenho que ser a versão glamorosa, confiante, me entreter. Tenho que usar vestidos caros e jóias deslumbrantes e apertar as mãos de pessoas como Cameron Crowe, Adam Carolla e Jennifer Lawrence. Sim, é emocionante, mas um pouco estressante. Especialmente desde que eu estou no negócio, um pequenino peixe em um grande oceano, perigoso. E os vestidos? Eu gasto meu tempo me preocupando sobre

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potencialmente rasgar ou manchar um vestido que custa tanto quanto ou mais do que as casas da maioria das pessoas. Eu comecei a manicure e pedicure já, e depois que eu terminar as compras, Luisa está vindo para fazer meu cabelo e maquiagem. Ter uma personal stylist é minha parte favorita de estar com alguém tão rico como Dawson. É superficial e horrível, eu sei, mas é apenas a mais pura verdade. A menina em mim, adora ter alguém enfeitando e alisando meu cabelo até que está perfeito, e fazer a minha maquiagem de uma maneira que eu nunca poderia. Luisa tem esta técnica que deixa os meus olhos esfumaçados apenas o suficiente para ser sexy, mas não tanto que eu pareço com alguém de Jersey Shore7, que é o que acontece se eu fazer isso sozinha. Luisa tentou me ensinar, mas eu nunca entendi direito. A manicure a cada semana é bom também. Eu não vou nem mencionar o massagista pessoal. Estou apenas dizendo. Eu passo na loja de lingerie Agent Provocateur, e meu coração está na minha garganta. Eu sempre comprei a minha calcinha de algum lugar como Kohl, ou se eu tenho algum dinheiro extra, Victoria Secret. E é sempre apenas roupa interior básica e sutiã. Eu nunca experimentei lingerie real. A roupa mais ousada que eu possuo é um sutiã sem alças, que eu comprei para minha primeira grande noite com Dawson, onde eu sabia que ia ser fotografada.

7

Seriado produzido pela MTV.

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A mulher que me cumprimenta é polida e sofisticada, a imagem da Rodeo Drive. Ela é alta, ágil e loira platinada. Ela se apresenta como Violet, que é a coisa mais certa eu posso imaginar. — Posso ajudá-la a encontrar alguma coisa? — Sua voz é como a seda. — Eu... bem ... — Minha garganta está seca, e eu não tenho ideia do que pedir. Eu nem sei por onde começar. Decido ir com a honestidade, estou envergonhando-me de qualquer maneira. Eu provavelmente nunca vou ser capaz de visitar esta loja novamente. — Eu nunca comprei... lingerie antes. É meu namora… bem amanhã é o aniversário do meu noivo, e eu quero vestir algo para surpreendê-lo. Ela acena com a cabeça de maneira uniforme, e sua expressão não muda, embora eu quase posso sentir o cheiro do desprezo vindo dela. — Eu entendo. Comprar-lhe algo extra para desembrulhar, hein? — Algo assim. Ele já tem praticamente tudo, então tudo o que posso realmente dar-lhe que ele vai querer é... bem, eu. — Eu coro quando digo isso, mas é verdade. Eu vejo sua expressão mudar um pouco, e eu percebo que ela me reconhece, mas não sabe dizer de onde exatamente. É estranho ser reconhecida. — Ah , eu entendo, — ela diz, olhando-me de cima a baixo, avaliando. — Você é muito alta. Constituição muito... generosa, também. Você é provavelmente um corpo M, mas não mais do que um trinta e dois ou quatro. — Ela anda para o lado e examina a minha bunda. É estranho ser tão exaustivamente analisada por uma

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mulher. — A calcinha quatro, mais provável. — Ela diz isso de uma maneira quase em desaprovação. Eu percebo, um pouco tardiamente, que ela está acostumada a ver mulheres pequenas de um tamanho muito particular que custumam

vir

aqui, e

eu

não

sou

isso.

Não

nenhuma

condescendência óbvia em sua voz, ela é muito profissional para isso, mas há um claro julgamento. Finjo não notar. Ela me mede, e depois me mostra vários tipos de lingerie, algumas que são de corpo inteiro que deixam mais de mim nua, outros que são pouco mais do que conjuntos de sutiã e calcinha complicadas e renda. O que chama o meu interesse, porém, são os espartilhos. Há todos os tipos de números interessantes e sexy nesta seção, corpetes, espartilhos, alguns que são lisos, alguns opaco, tudo fornecendo levantamento e modelagem. Não é que eu preciso de levantamento ou modelagem, mas ainda assim. Esse é o ponto de lingerie, não é? Para acentuar e acelerar o que você já tem? Sei que o dimensionamento aqui é estranho. Eu sou um tamanho quatro em roupas íntimas, quando, normalmente, a cada outra loja que eu já comprei, eu sou mais uma criança de oito ou dez anos. Tento várias opções diferentes, e me contento em um item que Violet chama de ‗Leah corset‘. É cor de carne, pregas de tecido macio enrolam e amarram na parte de trás, elevando e apertando e todo o glamour em torno de fornecer o suficiente para que até eu posso dizer que estou bem. Dawson vai entrar em combustão. Depois de Violet tem todos os laços puxados, apertados e preso, eu me examino no espelho, e imagino a reação dele. Ele é... oh, meu.

~ 330 ~


Ele terá aquele olhar em seus olhos, o quente, um perigoso, as pupilas dilatadas e o brilho voraz de luxúria e amor. — Eu vou levar, para presente. — Digo. Eu me visto e espero pelo registo enquanto ela envolve a lingerie para mim. Eu não tinha olhado para a etiqueta, então minha garganta fecha quando vejo o número na tela de cadastro: $ 1,709.25. Eu tenho que me lembrar de respirar, digo a mim mesma que isso é bom. Eu posso permitir isso. Eu entrego-lhe o cartão Chase Bank que Dawson abriu para mim. Está no meu nome, compartilhando a conta. Isso é que é amor e confiança. Dar para uma menina um cartão de débito com acesso a milhões de dólares? Bom para ele que eu não sou uma garota material. Eu nunca iria gastar um monte de dinheiro em diamantes, roupas e sapatos. Eu tenho o que eu preciso, e se há algo que eu quero, é mais divertido contar a Dawson e deixá-lo comprar para mim. Não me interpretem mal, eu gosto de fazer compras, tanto quanto qualquer garota, mas eu gosto de receber presentes de meu amante mais do que comprar coisas para mim. É mais gratificante. Além disso, eu posso agradecê-lo da maneira que tanto gosta. É por isso que esta lingerie que estou comprando é realmente para nós dois. Eu nunca usaria o espartilho para mim. É duro, desconfortável e confinante. Eu me sinto sexy como o pecado nisso, mas é para ele. É para fazer com que ele precise meu corpo mais do que ele já faz, o que não deve ser fisiologicamente possível. E não é para mim, pois depois que ele olhar, ele vai tirá-lo de cima de mim e me fazer gritar até que os vizinhos vão pensar que eu estou sendo assassinada. ~ 331 ~


Eu tremo só de pensar o que eu vou pedir para ele fazer para mim. Eu estou perdida em pensamentos de seu toque e beijo quando eu saiu da loja, e eu não vejo o paparazzi até que seja tarde demais. — Grey, Grey, aqui, Grey! O que você comprou na Agent Provocateur, você pode nos mostrar? — Grey, como você se sente sobre a proposta de Dawson? — O que você está dando a Dawson para o seu aniversário ? É isso o que tem na bolsa? — Existem crianças no futuro para você e Dawson? Eu pisco quando o flash sai, tento respirar, manter a calma e ignorar a enxurrada de perguntas. E então a pergunta que gritam que me faz entrar em pânico. Ele vem de um homem na casa dos trinta, com um longo rabo de cavalo loiro sujo e uma testa alta e espinha, afiados olhos castanhos cruéis, e uma barriga de cerveja. — Grey, é verdade que você costumava ser uma stripper? Não posso deixar de reagir. Eu sei que não deveria, que reagir dá credibilidade à pergunta, mas eu não sou Dawson. Meus olhos são atraídos para o repórter que fez a pergunta. — Sem... sem comentários. — Eu fico fraca com o pânico. Vai estourar agora, e vai arruinar a carreira de Dawson. E a minha.

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— Vamos lá, Grey, nós dois sabemos a verdade. Temos um amigo em comum, você vê. Um certo Sr. Timothy van Dutton. Ele me disse que você era a melhor dançarina. — Sem comentários. — Eu tento empurrar forte, mas eles não me deixam passar. Seu sorriso é lascivo, alegre. — Sobre isso, se é verdade, dizer 'sem comentários' novamente não vai ajudar. Quer dizer, não há nenhum sentido negar isso. Ele me contou tudo sobre você. Você não fica de topless exceto no palco. — Ele lambe os lábios e seus olhos inferior com luxúria óbvio para o meu decote. — Sinto muito por ter perdido a chance de vê-la dançar. Eu não respondo. Saio para a rua, por pouco evito ser esmagada

por um Mercedes

prateado.

Eles

me

seguem,

me

bombardeando com perguntas. — Grey! Isso é verdade? Você era uma stripper? — Grey, volte! Onde você dança? Como você conseguiu o emprego? — Você pode nos dar uma pequena amostra de sua dança? — Olhe para mim, Grey! Quanto tempo você ficou como stripper? Alguma vez você realizou serviços sexuais? Eu não estou chorando ainda, mas quase. Eu quero fugir, mas correndo, eu sei que isso é equivalente a confirmá-la, mas não posso evitá-lo. Eu estou finalmente em meu Rover, quase um quarteirão de distância da loja, e eles estão aglomerando em volta de mim, repetindo suas perguntas, câmeras piscando, mantidas sobre suas ~ 333 ~


cabeças para obter uma foto, microfones, gravadores e câmeras capturando minha face corada, olhos lacrimejantes, e as mãos trêmulas. Eu sei que pelo menos uma das câmeras clicando captura a única lágrima que cai do meu olho quando eu ligo a Rover. E o segundo em que ligo, sem me importar com eles, saio correndo. Pela primeira vez, eu entendo a raiva com que algumas celebridades respondem a situações como esta. Estou ofegante, cada respiração ofegante e rápida. Eu estou tonta, mas não me atrevo a parar. Buzinas me dizem que eu estou dirigindo de forma irregular, e ouço gritos, pneus e freios, mas eu continuo dirigindo, deixando o piloto automático me levar para casa. Dawson não está em casa. Eu gostaria que ele estivesse. Eu preciso dele. Eu acabo no ginásio, sentada no meio da pista de dança, soluçando. Eu ouvi a porta da frente abrir em algum momento, e a rigidez dos meus músculos me diz que tem sido um longo tempo que eu estive aqui no chão, chorando. — Amor, o que aconteceu? — Ele me apanha e se senta comigo no colo. Eu enterro meu rosto em seu peito e tento respirar. Eu começo a chorar de novo. — Eles... eles encontraram... Eles descobriram. — Quem? Sobre o quê? — Os repórteres. Os paparazzi. Eles descobriram... que eu era uma stripper. — Eu engasgo com a palavra.

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— Quem descobriu? — Eu descrevo o repórter que fez a pergunta, e o que ele disse. Dawson soltou maldições. — Porra Larry Tominski. Esse cara é um merda. — Eu tentei ficar com 'sem comentários' como você me disse, mas... Eu fiquei tão chateada. — Você verbalmente confirmou? — Sua voz é suave, mas nítida. Eu balancei minha cabeça negativo. — Não, claro que não. Mas o fato de que eu estava tão chateada... Eu corri, e eu estava chorando. É uma confirmação dizendo que sim. Ele me aperta. — Você fez muito bem, amor. Eles são uns abutres. Não havia nada que você pudesse ter feito diferente. Tudo vai ficar bem. — Não, Dawson. Isso não é bom. — Eu me levanto, e ele se move para me puxar para um abraço, os lábios no meu queixo. — Todo mundo vai saber. Eles vão acreditar, e ninguém vai me contratar. Eles vão dizer coisas sobre mim, sobre você. Sobre nós. Isso vai afetar sua carreira. É o meu fim. Ele suspira. — Grey, por favor, me escuta. Eu sabia desde o começo que iam descobrir. Era inevitável. Neste negócio, não há segredos, não para qualquer um. — Você sabia que eles iam descobrir? Ele acena com a cabeça. — Claro. Você pensou que ninguém jamais saberia? Você acha que Kaz não sabe o que você fazia? — Ele soa quase divertido. — Kaz sabia, querida. Você nunca mencionou isso, por isso nem ele. E nem eu. E, quanto as nossas carreiras... não ~ 335 ~


importa. Você acha que é a única aluna que teve que tirar a roupa para poder pagar a faculdade? Isso não é nada. Não neste negócio. Ele não seria grande coisa nem mesmo se fosse uma prostituda. Neste negócio, mulheres fodem para conseguir serem vistas o tempo todo. Neste negócio e em outros. Ninguém é inocente. Não na vida, e certamente não em Hollywood. Vamos ignorar os artigos e rumores e, eventualmente, vão morrer. Não responda às perguntas, e você vai ficar bem. Eu fico mole contra ele. — Eu não quero que eles saibam. Tenho vergonha disso. Eu não... eu quero fingir que nunca aconteceu. Ele me aperta, me apoia com os braços em volta da minha cintura. — Mas aconteceu, amor. — Ele toca meu queixo, e eu olho para ele. — Não tenha vergonha de si mesma, Grey. Você sobreviveu. Você cuidou de si mesma. Eu tenho orgulho de você. — Eu me sinto tão... enojada. Quando eu penso sobre isso, eu quero vomitar tudo de novo. Odeio saber que eu fiz isso. Que eu era... que eu deixei homens... — Agora acabou. Você nunca vai ter que fazê-lo novamente. — Suas palavras são uma respiração no meu ouvido. — Eu sempre vou cuidar de você. E eu nunca vou deixar ninguém falar mal de você, ou fazer você se sentir menos. Você é minha senhora, Grey. Minha. E isso significa que ninguém nunca vai conseguir dizer nada de merda sobre você, ou te fazer sentir uma merda. Ninguém, nem nunca. Eu incluso. — Sinto muito, Dawson. Eu só… — Você não tem nada que se desculpar. ~ 336 ~


— Mas é o seu aniversário, e eu estou uma bagunça. Ele ri, escovando meu cabelo do meu rosto. — Eu não me importo, amor. A festa não começa por algumas horas, no entanto, e mesmo se tivéssemos uma casa cheia de gente, eu não dou a mínima. Você é a minha prioridade. Se você está chateada, todo o resto está fodido e eu tenho que fazê-la feliz novamente. — Você me faz feliz. — Então sorria e me beije. Nessa ordem. Eu tento sorrir, e quase sou bem-sucedida. As memórias ainda estão andando de bicicleta pela minha cabeça, no entanto. Os olhos em mim, as luzes se banhando cada centímetro do meu corpo, o pulsar da música no fundo, as mãos estendidas para mim. Mãos cheias de gordurosas notas de dólar na minha tanga. Hey, baby. Vou lhe dar uma centena de dólares para chupar o meu pau. Tenho mil dólares para você se voltar para casa comigo. Os sussurros não tão sutis de um amigo para outro. Ei, Mike, confira a bunda. Eu poderia foder essa merda por horas, mano. E isso era totalmente normal, esperado. Eu não tinha o direito de reclamar. Eu pedi por isso, desde que eu coloquei o meu corpo à mostra para eles. — Você não está mais lá. — A voz de Dawson me traz de volta ao presente. — Você não está mais lá. Você é minha agora. Só minha.

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— Só sua. — Esta verdade é como uma onda de luz erradicando as sombras. Eu não consigo sorrir ainda, mas eu posso olhar para ele, encontrar o seu olhar avelã macio. — Promete? — Você está usando meu anel? — ele pergunta, meio que sabendo a resposta. Eu achato minha mão em seu peito e olho para o anel. Ele absorve a luz e refrata como um sol branco reluzente. — Então sim. Mas eu ainda preciso ver você sorrir. Eu finjo um sorriso, e Dawson revira os olhos. Eu bato no seu peito com a palma da mão. — Não é como se eu só pudesse... ser feliz. É difícil. É perturbador. São memórias que eu sempre vou ter e que eu desejo que não tivesse. Ele só pisca para mim, depois se inclina e toca um pequeno beijo no canto da minha boca. — Então eu vou ter que encontrar uma maneira de animá-la. Fazer você esquecer. — Você é muito mais. Um pouco mais para a esquerda, — eu respiro. Ele sorri contra minha bochecha e beija o lábio superior, sugando-o na boca. — Perto. Inferior. — Ele desliza sua boca até a sugestão de clivagem acima de minha camisa, beijos e beijos. — Isso é longe. Mas... poderia funcionar. Continue indo. — Para cima? Ou para baixo? — Tanto faz... vai funcionar. — Ele pega minha camisa e beija minha barriga logo abaixo do meu sutiã.

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Ele está puxando o meu sutiã para baixo quando a porta do ginásio abre e Luisa enfia a cabeça dentro — Oh, desculpe, desculpe. Eu... eu vou voltar outra hora, então. Desculpe. Dawson

descansa

sua

cabeça

contra

meus

seios.

Traumatizamos a estilista. — Ele estica e puxa minha camisa para baixo. — Você deveria ir ficar estilosa agora, não é? Eu balancei minha cabeça. — Não, eu preciso de você. — Eu esmago minha boca na dele, pego a mão dele na minha, e oriento o seu toque para baixo, para baixo. Ele reúne o tecido da minha saia de algodão solto em suas mãos e rela em minhas partes privadas. — O que você precisa, amor? Diga-me para que eu possa dar a você. Eu não vou dizer, e ele sabe disso. Ele está sempre tentando me fazer falar sujo, mas não vou a menos que eu estou pega no calor do momento. Eu posso mostrar-lhe, no entanto. Eu entrelaço nossos dedos e juntos empurramos o elástico da minha calcinha, então seus dedos estão dentro de mim enquanto minha testa descansa eem seu peito e eu estou respirando com dificuldade. Ele desliza minha saia para fora, empurra minha calcinha para baixo e eu saio delas. Enquanto ele me toca, me traz cada vez mais perto do clímax, eu estou rasgando seu cinto e seus botões voam, liberando sua ereção e deslizando minhas mãos em volta dele, e ele está duro, enorme e vazando na ponta. Aprendi a ver quando ele está perto, e eu acaricio seu

comprimento

lento

e

suavemente

até

que

ele

está

lá.

Normalmente, ele teria me tomado e afundado em mim e me feito ir junto, mas ele apenas entra no clima do que eu estou fazendo neste

~ 339 ~


momento. Quando ele está no limite, eu pressiono meus lábios em seu ouvido e falo sobre a minha mortificação. — Agora. Me tome agora. — Oh, porra, obrigado. — ele rosna. Ele desliza suas mãos entre as minhas coxas e me levanta pelo meu traseiro. Eu levo minhas pernas em volta de sua cintura e beijo sua testa enquanto, ele me leva a passos largos para a parede. Sinto minhas costas contra a parede, e ele está dentro de mim. Ele me deixou à beira do orgasmo todo esse tempo, por isso estou desesperada. Eu me apego a seus ombros e levanto, afundo, levanto, afundo, me dirigindo em sua dureza, ofegando quando cada impulso nos aproxima. E então o dedo médio procura o vinco da minha parte traseira, e encontra quente o centro apertado, e pressiona dentro, eu mordo seu ombro e gemo, raspando em seu comprimento e, em seguida, de volta para baixo. Seu dedo desliza para dentro de mim lentamente, e eu estou tão apertada que sinto sua primeira junta, uma vez que entra em mim, e eu estou rosnando agora, baixos ruídos no fundo da minha garganta, ruídos embaraçosamente selvagens. — Eu quero você aqui, — ele sussurra. — Em breve, amor. Sorrio um sorriso secreto em seu ombro. Ele não tem ideia de quão breve é. Os pensamentos não são possíveis, então, quando nós chegamos ao ponto sem retorno, a borda de um orgasmo. Ele está explodindo dentro de mim, desencadeando uma onda molhada

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dentro de mim, e eu estou apertando ao redor dele com cada músculo, movendo-me com ele. Quando nós dois puxamos a respiração, ele se afasta e olha para mim. Eu estou sorrindo de orelha a orelha, um sorriso brilhante de felicidade saciada. — E aqui está o sorriso que eu estava procurando. E eu o obtive da melhor maneira. — Ele beija cada canto da minha boca virada para cima, e o sorriso que ele me dá é tão brilhante e tão lindo que estou sem fôlego, lembro como tenho sorte de ter esse homem, o amor deste homem. Ele me coloca para baixo, e nós dois gememos quando ele desliza para fora de mim. Percebi minha calcinha na minha mão e inclino para um beijo longo e lento. — Obrigada, — eu digo. — Por quê? — Me amar. Me animar. Ser meu. Por ser você. — Eu deveria ser o único agradecendo por isso. — Eu te venci nisso. — eu digo, em seguida, viro e deixo o ginásio, dando meus quadris um balanço extra para seu benefício. Eu sinto seu olhar colado ao meu traseiro quando eu saio. Todos os pensamentos negativos são banidos pela força do amor de Dawson. Eu tomo um banho rápido e, em seguida, envio um texto a Luisa para me encontrar no banheiro. Sim, eu tenho um celular agora. Isso era uma espécie inegociável para Dawson. Luisa não encontra meus olhos enquanto faz o meu cabelo e maquiagem.

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A festa é longa e intensa. Armando está lá, charmoso como sempre, e Kaz . Eu chamo Kaz num canto em torno da meia-noite. — Você sabia? — A pergunta sai sem corte, quase com raiva. Ele sorri para mim e bebe seu uísque. — É claro, Grey. É o meu negócio saber sobre meus estagiários e funcionários em potencial. — Mas, Nina, você demitiu... — Eu a despedi por ser uma prostituta e estar mentindo sobre isso. Ela não era uma stripper, Grey. Era uma acompanhante. — Ele bebe seu uísque novamente, e tira um longo e grosso charuto fora do bolso interno do blazer, ele acende em baforadas espessas de fumaça acre e, em seguida olha para mim através do nevoeiro. — Você estava fazendo o que tinha que fazer para sobreviver. Você estava tranquila sobre isso, discreta. Nina? Ela, basicamente, exibia o que ela fazia. Descobri que ela estava usando o meu banco de dados de clientes para conseguir os seus próprios clientes. Descobri, porque um deles ligou para meu escritório para solicitar seus serviços novamente. Quando eu confrontei ela sobre isso, ela negou. Eu poderia deixar pra lá se ela fosse discreta, mas eu não posso e não vou tolerar mentirosos. Ele pegou um copo de vinho branco da bandeja de um garçom que passava e deu para mim. Eu dou um gole cuidadosamente, lentamente, eu ainda raramente bebia, e nunca o suficiente para me embebedar. — Eu estava preocupado que você iria me demitir se soubesse. Eu nunca te disse, e eu estava com medo, se você descobrisse, você iria me demitir por não ter dito.

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Kaz riu, mas risada divertida. — Oh, Grey. Tão ingênua. — Ele envolve o braço em volta do meu ombro, seu charuto fumegando perto do meu rosto, fazendo meus olhos lacrimejarem e minha garganta faz cócegas. — Eu não teria demitido você. Mas eu tenho que dizer que estou feliz que não está fazendo isso. Isso não combina com você. Você é muito... boa... para esse estilo de vida. Kaz é roubado em seguida, por um jovem roteirista de aparência nervosa que trabalhou em E o Vento Levou, provavelmente esperando para lançar uma ideia. Eu flutuo de um nó de convidados para o outro, conversando, sorrindo e tentando agir como uma anfitriã. Eu me sinto como uma impostora, às vezes. Como se alguém fosse ver através de meu disfarce e apontar para mim e rir, e dizer: Ela não pertence aqui! Ela é apenas um caipira da Georgia! Isso nunca acontece, é claro, porque é tudo na minha cabeça. Eu estou no meu terceiro copo de vinho, o máximo que eu já bebi em toda minha vida. Eu estou um pouco tonta, um pouco solta. Eu tive conversas incríveis com algumas das pessoas mais famosas do mundo. Shaquille O'Neal está aqui, por algum motivo que não consigo entender. Ele é bom. Jack Nicholson é muito melhor do que eu pensei que ele seria, com base na maioria dos papéis que eu vi ele interpretar. Encontro-me no quintal, à beira da piscina, cercado por uma multidão de jovens produtores e alguns rapazes de som, e eles estão falando sobre algum projeto que todos eles trabalharam juntos, e eu sou capaz de descobrir qual filme baseado no contexto, o que me faz sentir muito inteligente. Estou ouvindo e aprendendo, e estou farta de vinho. Eu gosto desse sentimento, este lento e simples zumbindo na ~ 343 ~


minha cabeça. Conversa vem fácil, e os caras em volta de mim escutam quando eu falo e respondem às minhas perguntas, sem condescendência. Sinto-me como se eu fosse parte do negócio. Eu sou, e eu me sinto muito bem. Uma mão toma o copo de vinho vazio e pressiona um copo cheio de cubos de gelo cintilantes e âmbar líquido na minha mão. Eu pego o copo e olho para ele, sem compreender. Por que eu iria beber isso? Eu não tomo bebidas alcoólicas. Eu mal bebo vinho. Eu inclino minha cabeça para olhar para a pessoa que me deu. Ele é muito alto e magro, de boa aparência em um tipo moderno. Ele está vestindo jeans pretos apertados e uma camisa branca para fora da calça botão para baixo debaixo de uma camisa. A gravata levemente atada completa o visual. Seu cabelo é longo e despenteado, e seus olhos estão vidrados em mim. Eu acho que ele pode ser um agente, ou talvez um técnico de efeitos. Eu já o vi antes em algum lugar, mas eu não sei de onde. Isso me incomoda. Entrego a taça de volta para ele. — Eu prefiro ter vinho, obrigada. Ele empurra de volta para mim. — É Blue Label, querida. Alguns dos melhores uísque que existe. Basta experimentá-lo. Essas duas palavras: Blue Label, trouxe de volta a memória confusa, que eu forcei distância. — Não, realmente. Eu não gosto dessas coisas. — Mas eu estou tomando ele de qualquer maneira, por algum motivo. Eu tossi, mas a maneira que queima depois de eu ter ingerido não é desagradável. Eu tomo um gole.

~ 344 ~


Ele sorri feliz. — Vê? Não é tão ruim. Eu sou Pavel, por falar nisso. Eu aperto sua mão, e ele não a solta imediatamente. — Olá, Pavel. Eu... — Oh, eu sei quem você é, Gracie. — Ele segura a minha mão, aparentemente alheio às minhas tentativas de retirá-la. Seu sorriso muda. Escurece, de alguma forma. Meu burburinho morre. Preciso sair dessa conversa, agora. Mas ele ainda está segurando a minha mão. Eu puxo, mas ele não me deixar ir. Eu olho em volta de mim, mas o grupo que eu estava falando se dispersou, e Pavel e eu estamos sozinhos na piscina. Há pessoas do outro lado, perto da casa, mas estamos do outro lado, obscurecidos da vista da casa por um grande grupo de árvores. — Eu não sei o que você acha que já ouviu falar, mas meu nome é Grey. Sou noiva de Dawson. Ele solta da minha mão, mas a palma da mão envolve minhas costas e me força contra ele. Eu me esforço para me soltar e ele apenas ri. — Oh, vamos lá. Nós dois sabemos o que você realmente é. Eu te vi, sabe. No Exotic Nights. Eu era um regular. Adorava te ver dançar. E então você desapareceu e o clube fechou... mas agora aqui está você. Dance para mim, Gracie. Eu levanto o meu joelho e dou um pontapé tão duro quanto eu posso em sua virilha, e ele tropeça para trás, tossindo. Ele deixa cair o copo que está segurando e isso bate no chão, espirrando uísque em minhas sandálias.

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Ele cambaleia, em seguida tropeça, olha para mim com ódio em seus olhos. — Sua vadia! Você é uma stripper. Isso é tudo o que você é. Esses vestidos caros de merda não podem esconder. — Ele dá um passo em minha direção. Eu deixo cair o vidro enquanto corro de volta para longe dele, e, em seguida, mãos enormes estão em volta dos meus ombros, me puxando para longe. Eu me esforço para fugir quando percebo que as enormes patas pertencem a Greg. Há um flash de movimento e, em seguida, Pavel está voando. Ele bate em uma árvore e, em seguida Dawson está lá, segurando-o no chão com uma mão em torno de sua garganta. Pavel chuta, faz um ruído ofegante estrangulado. Seus pés estão a três centímetros do chão, e Dawson o mantem no ar com uma mão. — Dawson. — Kaz diz calmamente enquanto está caminhando com o seu uísque e charuto na mesma mão. Ele põe a mão livre no ombro de Dawson. — Não faça isso. Greg vai acompanhá-lo, e eu vou colocar ele na lista negra. Pavel

balança

a

cabeça,

mais

horrorizado

com

o

pronunciamento do que o pensamento de ser brutalizado em hambúrguer sangrento por Dawson. Dawson solta e se afasta. Pavel cai no chão, tosse, inclina-se sobre as mãos, ofegando. Eu acho está tudo acabado, Pavel abre a boca, provavelmente, para pleitear sua carreira, mas, em seguida, Dawson gira de volta e com o punho como um martelo e bate no rosto de Pavel. Ele vai para o lado, e Dawson está prestes a balançar novamente antes de eu capturar o braço. Eu coloquei minhas mãos no rosto de Dawson e seus braços vão ao meu redor. ~ 346 ~


— Não. Não mais. Estou bem. Acabou. — Tomo sua mão e esfrego os dedos com os meus polegares. Dawson está fora ainda, sua raiva fazendo-o maior e mais forte, com um brilho violento em seus olhos quando ele olha para baixo, para Pavel. — Grey, ele... — Ele não é nada. É seu aniversário. Apenas faça com que ele saia. — Eu encontro os olhos de Dawson, e deixo-o ver que eu estou bem. E realmente, eu estou. Em um aspecto, Pavel estava certo. Os vestidos extravagantes e jóias caras não podem esconder quem eu era, o que eu costumava fazer. Mas é passado. Eu não sou mais aquela pessoa, não mais do que eu sou a filha inocente e ingênua do pastor, que se mudou para Los Angeles, mas ambos são uma parte de quem eu sou e quem eu costumava ser, mas não estão mais comigo. Também me senti muito bem ao dar uma joelhada nas bolas do bastardo. Eu ri com o pensamento incomum, e a expressão de Dawson muda de raiva à confusão. — O que é engraçado? — Apenas... Eu estava pensando como foi bom acertar o joelho nas bolas do bastardo. Dawson começa a rir e, em seguida, assim faz Kaz e Greg . — Só não faça isso para mim. Eu desco e alcanço entre as pernas. — Eu nunca faria alfo assim. Eu os amo muito. — Kaz e Greg tossem e afastam-se, e eu

~ 347 ~


percebo que eu poderia estar um pouco tonta ainda, se eu realmente disse e fiz isso na frente deles. Dawson fica chocado e sem palavras por um momento. — Droga, Grey. Deveria beber mais frequentemente se é assim que você fica. Você é sexy quando está embriagada. Deixei Dawson levar-me para dentro, e nós nos sentamos na sala de estar no sofá. Eu perco a conta de quantos copos de vinho eu bebo enquanto falamos com nossos amigos. A sala se desvanece até que há apenas sete ou oito de nós no sofá e poltronas de couro, conversando a noite toda, e eu fico tonta e tonta até Dawson ser um pilar me segurando, e ele está me olhando, me medindo, e me deixando fazer o que eu quero. Kaz acende um charuto e dá para Dawson, que traga e, em seguida, com um sorriso peculiar, coloca-o em meus lábios. Eu tomo um pequeno sopro e tusso, engasgo. Todos os homens riem, então eu pego de Dawson e tento de novo, e talvez seja apenas o vinho, mas eu me sinto sexy o segurando e fumando a nele, como uma atriz dos anos 40, sentada em um piano em um vestido colante. Dawson balança a cabeça para mim, mas seus olhos brilham. Eu me levanto cambaleando, e depois tenho de sentar. Dawson ri. — Precisa de ajuda, amor? Concordo com a cabeça. — Eu tenho que fazer xixi. — meu sotaque da Georgia é mais evidente do que nunca, e eu percebo que estive lentamente recuperando o sotaque durante a noite toda, desde o incidente com Pavel, que era horas e horas atrás neste ponto. O

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relogio diz que é 3:26. Eu não posso acreditar que eu ainda estou de pé. Eu sinto algo acontecendo nos meus pés, e eu olho para baixo, para ver Dawson tirando as sandálias de salto alto que estou usando, deslizando um fora, e depois o outro. Eu assisto-o e deixo-o fazer isso, e então ele me leva ao banheiro. Estou encostada nele, meu braço em volta de sua cintura. Eu definitivamente cairia se ele não estivesse aqui, mas ele está, então eu estou bem. Ele me segue até o banheiro, mas não me solta. Ele me segura pelos ombros enquanto eu desajeitadamente me concentro em tirar meu vestido e minha calcinha, e em me sentar para fazer xixi. Há dois dele, por alguma razão. Mais sexy para olhar, então está tudo bem. Ele tem um sorriso divertido no rosto, nós dois. — O quê? — pergunto. — Você está bêbada. Eu aceno. — Definitivamente bêbada. É engraçado? Ele ri e me ajuda a ficar de pé quando eu volto a vestir-me e lavar as mãos. — Sim, meu amor, é. Muito engraçado. Um pensamento que me ocorre, e eu começo a franzir a testa para ele, ou qualquer um dele que seja o real. Eu fecho um olho, e só há um. Eu cuidadosamente enuncio as minhas palavras. — Eu não estou te envergonhando na frente de seus amigos, estou? — Bem, isso foi muito arrastado. A expressão de Dawson não tem preço, divertida e terna ao mesmo tempo. — Não, amor. Nem um pouco. Todos nós já estivemos

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bêbados antes. Você é linda e é perfeita. Apenas se divirta e relaxe. Eu vou cuidar de você. — Mas... é o seu aniversário. Você deveria estar se divertindo e se embriagando, não eu. Ele escova meu cabelo para longe com o polegar. — Esta é a melhor festa de aniversário que eu já tive, apesar do imbecil do Pavel. E eu estou muito bêbado, amor. É quase quatro da manhã e eu estou bebendo desde as sete. Eu fico olhando para ele, tipo de impressionado. — Mas... você não parece bêbado. Ele ri abertamente nisso. — Eu tive muita e muita prática. Concordo com a cabeça. Isso faz todo o sentido. Eu penso em qualquer outra coisa que eu tenho para lhe dizer. — Eu sei... Eu sei que toda a gente lhe deu presente hoje, e eu não. Mas eu tenho um presente para você. Eu não posso dar a você até amanhã. Ou hoje. Que seja. É uma surpresa. Dawson me dá esse olhar divertido ainda maior. — Você é o presente, querida. É tudo que eu preciso de você. Eu sorrio. — Oh, eu tenho certeza que você vai gostar disso. Mas é uma surpresa. — Acho que já disse isso, mas eu não me lembro. De repente, eu me sinto mais bêbada do que nunca, e muito cansada. Dawson vê, e me levanta daquela maneira fácil dele. — Você está pronta para a cama, não é? — Concordo com a cabeça , e ele me beija suavemente. — Descanse, então. — Eu adormeço, e sinto que ~ 350 ~


ele me coloca em nossa cama, me cobre. Ele aperta meu ombro, e eu acordo. Ele aperta um copo de água em minha mão, e um par de pílulas na outra. — Isso vai ajudá-la a não ter tanta ressaca de manhã. Durma, meu amor. Eu te amo. Depois que eu tomei a aspirina, eu o olhei com um olho. — Você é a melhor coisa que já me aconteceu, Dawson Kellor. — É o último pensamento lúcido que eu pude expressar. — Idem, amor. — Ele me beija, e eu quero beijá-lo de volta, mas eu estou indo para baixo. — Acho que somos a melhor coisa que aconteceu um para o outro. Isso é verdade, tão verdadeiro. Mas eu estou totalmente insensível, agradavelmente solta. A sala está girando, a cama está inclinando debaixo de mim. Abro os olhos, mas o quarto é o meu ainda, e eu percebo que é na minha cabeça. Eu deixo, e deslizo sob as ondas do sono. Sinto uma mão em volta da minha cintura, e ele está atrás de mim. O tempo passou, e os pássaros estão cantando no céu cinzento, e então eu estou de volta com ele.

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17 Luisa veio fazer meu cabelo, maquiagem e me ajudar a apertar o corset. Ela tem sido minha estilista por um tempo agora, e ela está se transformando em uma amiga, e mesmo assim ela é a única pessoa que eu me sentiria à vontade para pedir para apertar um espartilho para mim. Ela amarra o nó e, em seguida, se movimenta em frente de mim e me dá um olhar avaliador. — Droga, Grey. Isso é... você está parecendo muito bem, garota. — Ela sorri para mim. — Isso deve ser uma surpresa de aniversário para Dawson, hein? Concordo com a cabeça, sorrindo nervosamente. — Yeah. Eu não tinha certeza do que fazer com ele, já que ele, você sabe, tem tudo que você poderia pensar. Parece ok? Nunca usei nada parecido com isso antes. — Eu não acho que 'ok' é a palavra certa, querida. — Ela levanta as sobrancelhas sugestivamente. — Eu acho que o homem vai

~ 352 ~


ter um tempo difícil decidindo se ele quer você com essa roupa ou fora dela. Ele vai ficar uma bagunça, sabe o que eu quero dizer? Eu ri com ela, tranquilizada, mas ainda nervosa. Coloquei um roupão que comprei para esta ocasião, uma coisa leve de seda que mal cobre as minhas coxas. Eu o amarrei frouxamente em torno de mim, então ele vai ser capaz de obter um bom olhar para meu decote, sem revelar o que estou vestindo por baixo. Luisa sai depois de me abraçar,

cuidando

para

não

bagunçar

meu

cabelo.

Está

cuidadosamente fixado acima do meu pescoço, mas ela colocou os grampos de modo que Dawson será capaz de tirá-los facilmente. Ele gosta do meu cabelo para baixo. Um homem mais velho que lembra vagamente Michael Caine me atende no topo das escadas. — Tudo está pronto lá embaixo. Agradeço a ele, e as funcionárias da empresa. Eu pensei em tentar fazer a coisa toda do jantar por mim, mas eu não tenho exatamente muita experiência de cozinhar jantares extravagantes. Eu fui para a sala de jantar, e estou atordoada. Eles não apenas trouxeram comida, eles transformaram a sala de jantar em um completo jantar romântico para dois, com velas e buquês de rosas. O efeito é elegante, mas não muito feminino. É seu aniversário, depois de tudo. Ele está fora, jogando golfe com Armando e alguns outros de seus amigos, o que foi a minha sugestão. Eu precisava dele fora da casa para que pudesse arrumar isso tudo e me preparar. Bem na hora, eu o ouvi entrar pela garagem. Eu me sentei na cadeira ao lado da mesa, deixando o lugar definido na cabeceira da mesa para ele. Eu estou esperando, meu coração

~ 353 ~

na boca,


literalmente. Eu nunca fiz nada parecido com isso, e eu estou esperando desesperadamente que lhe faça feliz. — Grey? — Eu o ouvi colocando as chaves e um chick enquanto ele conecta seu telefone. — Na sala de jantar, — eu chamo. Ele para na porta, e seus olhos se arregalam para as flores e velas, candelabro pouca luz e todos os seus pratos favoritos, e eu. Principalmente, ele olha para mim. — Puta merda, amor. O que é tudo isso? Eu levanto e ando em direção a ele, sentindo-me sensual. — Feliz aniversário, meu amor. — Eu não uso um monte de palavras de carinho, não como ele faz, então quando eu uso um, ele toma nota. — O que está sob o robe? — Ele pergunta com um sorriso, alcançando o laço. Eu paro suas mãos. — Seu presente. Mas você não pode vê-lo até depois que comemos. Seus olhos escurecem com luxúria. — Deus, querida. Você está me matando. Você está... Está tão gostosa que eu prefiro comer você. — Logo, logo. — eu prometo. — Mas, primeiro, sente-se. Ele vai até a cadeira e senta. Um cara garrafa de seu vinho branco favorito está aberta em um balde de gelo. Sirvo-lhe um copo e coloco na frente dele. Ele me observa, curioso. Normalmente, ele faz essas coisas. Para o meu aniversário há alguns meses atrás, ele alugou todo um restaurante, tinha a comida feita, mas serviu-me ele mesmo. Mesmo com empregados todos os dias, ele faz as coisas para ~ 354 ~


mim. Faz-me lanches, serve o meu vinho, cuida de mim. Então agora é a minha vez de cuidar dele. Ele bebe o vinho, e eu deslizo meu corpo entre os joelhos e a mesa. Ele segura o copo de vinho na mão e olha para mim. — O que você está fazendo, amor? Não estou nervosa, não realmente. Eu não faço isso muitas vezes, mas é algo que quero lhe dar. Eu afundo de joelhos, descanso as mãos sobre as coxas, e sorriu para ele. — Isso. Ele está usando as roupas estúpidas que homens usam no golfe, mas ele parece quente mesmo em um par de calças quase brancas e uma camisa de colarinho pastel-laranja. Eu desfaço suas calças, e seus olhos estão bem abertos com a compreensão. — Grey, amor... Eu dou-lhe outra coisa que ele gosta: Eu bancando a dominadora. — Cale a boca e beba o seu vinho. Ele sorri e bebe seu vinho, então levanta os quadris para eu puxar as calças para baixo o suficiente para o que vou fazer a seguir. Ele já está duro, e eu o agarro com ambas as mãos, acaricio meus punhos para cima e para baixo pela sua considerável extensão, rolo a palma da mão sobre a sua cabeça e, em seguida, esfrego a ponta dele com o meu polegar. Ele fecha os olhos por alguns instantes e, em seguida bebe o vinho novamente, encontrando meus olhos. Eu seguro o seu olhar, enquanto abaixo a minha boca para sua ereção e envolvo meus lábios em torno de sua espessura. Ele ofega em voz alta quando eu levo-o até que ele esteja na minha garganta, e depois recuou. Ele acaricia a curva do meu pescoço com a mão livre enquanto eu o ~ 355 ~


chupo em um frenesi, e então me afasto e deixo ele diminuir um pouco. Eu lambo a ponta dele, corro minha boca para o lado antes de envolver meus lábios em torno dele novamente. Eu acaricio suas bolas com uma mão e com a outra bombeio de sua base até que ele está gemendo. Quando eu sinto que ele começa a perder o controle, eu deslizo minha mão para cima e para baixo o mais rápido e mais rápido, movendo-se a minha boca sobre ele lentamente, em contraste com a velocidade da minha mão. — Deus, estou... — Mas ele não tem tempo para dar mais de um aviso antes que ele se perdesse gemendo na bem-aventurança. Eu sei que está chegando, então um aviso não é necessário. Eu não paro quando ele explode na minha boca. Eu continuo indo, mantenho em movimento e chupando, e seus gemidos são tão desesperadamente cheio do prazer que eu gemo, também, e nem o som ou a sensação da minha voz vibrante faz com que ele volte, ainda mais duro, e eu continuo indo até ele ofegar e me puxar para levantar. Ele puxa suas calças de volta quando eu me levanto, e depois me puxa contra ele, e eu passo a beijá-lo. — Isso foi a primeira parte do seu presente, — eu digo. Seus olhos procuram os meus. — Amor, isso foi... Deus, foi bom pra caralho. Obrigado. Ele me serve um copo de vinho, e eu sento e saboreio. Ele pega os pratos de comida para nós dois antes que eu faça, e eu deixo, porque eu acho que é apenas sua natureza fazer as coisas para mim. Falamos enquanto comemos um longo e luxuoso jantar. Ele ~ 356 ~


conseguiu o papel que estava fazendo o teste, para um drama contemporâneo sobre um homem lidando com a morte lenta de seu pai, ao mesmo tempo em que descobre que sua esposa era infiel. Isso o afasta da ação, do sexo e do romance, e eu acho que vai ser um bom papel para ele. Quando nós terminamos com a sobremesa, eu o conduzo pela mão até o nosso quarto. Ele traz os nossos copos de vinho e uma segunda garrafa gelada. Tomo um gole de meu, e, em seguida, coloco-a na mesa enquanto me preparo mentalmente para a próxima parte de minha surpresa para Dawson. — Sente-se na cama. — eu digo a ele. Ele se senta na beira da cama e eu fico na frente dele, de frente para ele. Hesito com minhas mãos sobre o laço do meu robe. — E agora é a segunda parte. — eu digo. — Quantas presentes você preparou? — Três. Eu afrouxo o nó, deixo as extremidades do laço em queda livre, e depois, lentamente, abro o robe. Seus olhos se arregalam quando o robe se abre, e, em seguida, ele se desloca no lugar que eu deixei cair meus ombros. Ele toma um gole ocasional de seu vinho, mas seu olhar não é nada indiferente. Ele não disse nada, mas ele não olhou para longe de mim, também. Sua respiração é profunda, e em seus olhos dá para ver como está abalado. Eu fico parada quando ele se levanta, coloca seu copo sobre a mesa de cabeceira, e depois vem para ficar um metro de distância de mim. — Jesus, meu bem. — Suas mãos traçam a curva de minha cintura, vêm descansar em meus quadris. — Eu não sei se rasgo essa ~ 357 ~


coisa de você tão rápido quanto eu posso, ou deixo para que eu possa olhar para você. Eu riu. — Isso é exatamente o que Luisa disse que sua reação seria, quando ela me ajudou a amarrá-lo. — Mulher inteligente. — Você realmente gosta? Suas mãos correm até a parte de trás de minhas coxas, pega meu traseiro. Fogo aquece meu núcleo em seu toque. — Deus... Caramba, Grey. Se gostei? Você está tão gloriosamente linda que eu literalmente não posso suportar isso. Estou tendo que me lembrar de continuar respirando, porque você tira meu fôlego. — Ele beija o lado do meu pescoço, meu ombro, a inclinação do meu peito. — Jesus. Eu nem tenho palavras. Você merece um poema épico ou algo assim. Um hino. Ou não, isso não está certo. Eu não sei, porra... você é minha deusa, Grey Amundsen, e eu vou te adorar. — Você quer saber qual é a terceira parte? — pergunto. Ele balança a cabeça. — Ainda não, ainda estou apreciando a parte dois. — Ele está me tocando toda parte, me elogiando com as mãos. Dawson toca cada centímetro de mim, da cabeça aos pés, e depois começa tudo de novo com a boca, prestando homenagem com beijos molhados e quentes. Eu nunca na minha vida me senti tão poderosa, querida, tão amada. Quando ele me beijou, ele estava de pé atrás de mim. Ele desata o nó, em seguida, solta tão lentamente as cordas até que o ~ 358 ~


espartilho está pronto para ser retirado. Ele tira, e eu estou usando nada, exceto as calcinhas com a pequena curva na parte superior, e esses são tirados em seguida. Estou em suas mãos agora, em sua misericórdia. Ele ainda totalmente vestido, mas eu vou cuidar disso em algum momento. Primeiro, eu vou deixá-lo fazer o que quiser. Algo que envolve ele ajoelhado na minha frente, espalhando a minha posição com toques suaves de suas mãos, e pressionando beijos delicados na parte interna das minhas coxas para cima, e me lambendo e chupando em um clímax gemendo. Quando eu gozei, estava tremendo e gritando alto, eu o atrai e tirei sua camisa, acaricei sua barriga, peito e ombros, beijando-o todo como ele me fez, então o ajudo a tirar suas calças e cuecas. Quando estamos nus, eu subo na cama, chego na gaveta de minha mesa de cabeceira, e trago para fora a embalagem de lubrificante. Os olhos de Dawson fixam sobre ele, em seguida, mudam para a mim. — Essa é a terceira parte. — eu digo. Ele se move na cama comigo e pega o lubrificante, olhando para ele. Sua expressão é hesitante e esperançoso. — O que é a terceira parte? Subo para o seu colo, esfregando meu sexo úmido contra ele, e sussurro em seu ouvido. — Eu quero que você me foda na bunda.

~ 359 ~


Ele respira fundo, descansando a cabeça no meu ombro. — Grey, querida. Não diga isso só porque você acha que é o que eu quero... — É o que eu quero. — digo-lhe, rebolando contra ele, pronta para mais dele, precisando mais dele. — Eu disse isso dessa forma para você porque gosta quando eu falo assim, mas... eu quero que você faça isso. Quando coloca o dedo dentro de mim desse jeito, é bom, e eu quero mais. Ele está me acariciando, as palmas das mãos patinando em um círculo sobre os meus ombros e minhas costas, para os meus quadris, coxas. — Você tem certeza? — Completamente. Eu confio em você, e eu quero você. — Então eu vou ter que te fazer gozar de novo. — Oh, droga, — eu digo, sorrindo em sua boca. Ele ri, e então estamos perdidos num beijo. Dawson chega e puxa um grampo do meu cabelo, libertando alguns deles, e depois outro grampo, e outro, e então todo o meu cabelo é solto em torno de meus ombros em uma onda de ouro em cascata. Ele se inclina para a frente e me coloca para baixo nas minhas costas, não quebro o beijo, sua mão encontra a minha fenda, me acaricia, mergulha dentro de mim e roda em volta do meu clitóris. Seu beijo se movimenta da minha boca para o meu mamilo, e, em seguida, ele está mais para baixo novamente, e dois dedos dentro de mim e o dedo médio da outra mão está buscando minha entrada apertada. Ele é mais lento para me trazer ao clímax, desta vez, e seu dedo está deslizando para dentro

e

para

fora

de

mim.

Estou

~ 360 ~

ofegante

e

contrariada,


necessitando de uma liberação que ele não me deixa encontrar. Ele me leva até a borda e, em seguida, desacelera, e eu fico louca com a necessidade. Fico desolada quando ele tira seu dedo, e então eu sinto algo molhado e frio espalhado sobre mim, e, em seguida, novamente. E então, novamente, e ele está empurrando com o dedo, empurrando e puxando para fora, e então eu sinto uma sensação de que está sendo esticada, e eu percebo que ele está adicionado dois dedos, e... oh Deus... é intenso demais para palavras, e eu estou querendo saber como eu vou sobreviver com resto do corpo, mas é tão intenso, tão bom, tão incrível, e eu não posso nem formar palavras. Deixei meus joelhos cair para o lado e silenciosamente o encorajei, em seguida, seus dedos me deixam e ele está empurrando o quadril. Eu sei o que isso significa, o que ele quer. Eu rolo no meu estômago, e ele levanta suavemente meus quadris, pega um travesseiro e enfia debaixo de mim, em seguida, aplica mais lubrificante e ouço uma embalagem de camisinha, eu viro a cabeça por cima do ombro para ver, e eu estou ainda mais louca com a visão de sua mão ao redor de seu eixo grosso. Oh. Oh, Deus. Ele está tocando a ponta do seu pênis na minha bunda, e até mesmo no auge da excitação nervosa, estou absurdamente orgulhosa de mim mesma para usar essas palavras em meus pensamentos. Ele está usando a outra mão, a que ele usou para me tocar, para me trazer para o clímax, inclinou-se sobre mim e chegou entre as minhas pernas para me acariciar, encontrar meu clitóris com os dedos e esfregando até que eu estou balançando em minhas mãos e joelhos ~ 361 ~


em seu toque, e ele usa esse movimento, pressionando a cabeça de sua ereção na minha bunda, e então eu me sinto esticada e muito muito, muito cheia, e dói um pouco, mas ele está esperando, segurando ainda, e vou lentamente me acostumando a isso. E então ele se move, só um pouco. — Dawson, oh, deus, Dawson... — Tudo bem, amor? — Ele faz a pergunta com preocupação predominante em sua voz. Eu só posso balançar a cabeça e mover meus quadris um pouco. Seus dedos estão dentro de mim de novo, três dedos deslizando em meu centro, enquanto Dawson geme, e eu estou no auge e me desfazendo, e então ele desliza um pouco mais e eu gemo alto, mordendo o travesseiro e gemendo baixo na minha garganta, um barulho tão feroz. Eu não posso acreditar que está vindo de mim. Isso faz Dawson selvagem, um grunhido animal, e ele lentamente enterrase o resto do caminho. Por alguma razão, a sensação de seu corpo vindo para descansar contra a minha bunda, sabendo que ele está enterrado naquele lugar, é erótico além de todos os meus sonhos. Ele tinha-me por trás, é claro, mas isso é diferente. Eu não posso acreditar que ele tem toda a sua ereção enorme dentro de mim sem doer. Há uma ponta de dor, mas não o suficiente para sequer ser uma sombra no ecstasy. E então ele puxa para fora, muito lentamente, dolorosamente lento, eu quero tudo de novo, cada músculo tremendo em resposta, e isso faz com que algo dentro de mim doa, pulsar e virar fogo, um pulsar de cegueira tão intensa que eu não posso respirar em torno ~ 362 ~


dele. Ele desliza um pouco, e depois volta para fora, e eu estou em silêncio, mas logo começo a gritar, e isso se transforma em um grito real, estridente e sem fôlego quando ele desliza para dentro. Ele faz isso assim, as retiradas lentas e pressões cuidadosas, até que eu não posso suportar a lentidão mais e eu sou a única a empurrar minha bunda em seu próximo golpe, e mais duro, e depois mais outra vez. Com cada impulso, a dor estremecendo em meu núcleo aumenta, e eu percebo que é um orgasmo sendo construído, mas um diferente de tudo que eu já senti antes. Vai ser tão intenso que eu estou quase com medo disso. Suas mãos acariciam minhas costas, ambos correndo sobre minha pele macia, e então como os nossos corpos se encontram em um impulso, ele toma meus quadris com as mãos, os dedos cavando na pele e puxando-me. Oh, eu gosto disso. Eu amo a sensação de suas

mãos

em

mim

assim,

me

incentivando,

me

puxando

desesperadamente. Ele está se perdendo, rosnando, o ritmo vacilante enquanto seus impulsos se tornam mais duros e mais irregular, e eu estou perdida junto a ele. Estamos gemendo juntos, e eu não tenho nenhum controle sobre os sons que faço, meus gritos são cada vez mais alto e mais ofegante, mais frenético. O pulsar dentro de mim, um abismo, uma pressão esmagadora. E então isso se rompe, e eu fico cega, surda, varrida pela onda de foguetes e um terremoto sacode com intensidade caótica. Eu não posso contê-lo, e eu sei que meus gritos devem ser ensurdecedor.

~ 363 ~


Ouço

Dawson

gemendo,

e

meu

orgasmo

tremendo

e

desaparecendo, mas eu não o gozando. Ele cuidadosamente e lentamente se retira quando o clímax me deixa com tremores, e quando ele escapa completamente, eu realmente choramingo ao sentir a perda. Mas ele não me deixa. Ele me levanta e me rola nas minhas costas, e eu vejo através de olhos embaçados como ele retira o preservativo para fora. Ele está mais duro e maior do que eu já vi, e todos os músculos do seu corpo está tenso. Ele se ajoelha sobre mim, beija seu caminho até o meu corpo, minha boca, e então ele está dentro de mim, nu dentro de mim, e eu estou chorando de prazer ao senti-lo ali, a felicidade familiar dele deslizando onde ele pertence. — Grey, oh, Deus... Eu estou lá de novo, à beira do clímax com ele, mas este parece mais como um orgasmo emocional, um sentimento de tal detonação, esmagador, o amor, a alma de Dawson, que todo o meu ser está agitando com ele. — Dawson... — Eu sussurro, e então ele me segura perto, quase inerte em cima de mim, exceto um pouco de seu peso apoiado nos antebraços, o resto de seu corpo, a pele sobre a minha, e eu coloco minhas pernas em torno de sua cintura e os meus braços em torno de seu pescoço e esmago os meus lábios em sua orelha e deixo palavras sairem. — Dawson, eu te amo. Oh... porra... eu te amo. Eu quero que você sinta, que você goze agora. Goze para mim, meu amor. Ele, na verdade, choraminga na parte de trás de sua garganta e goza. Quando eu digo as palavras ‗meu amor‘, ele vem descolado, vai completamente espástico e frenético, cada estocada uma explosão de tremores quando sua semente sai para dentro mim, e ele está ~ 364 ~


sussurrando meu nome, e um ofegante Eu te amo entrecortado no meu ouvido, e eu gozo com ele, respirando com ele, cada respiração sincronizada com a sua, cada suspiro juntos, as únicas palavras pronunciadas são os nomes um do outro e Eu te amo. Nunca houve nada além disso. O mundo, tempo, história, amor, eternidade, tudo se resume a Dawson aqui, dentro de mim, acima de mim, comigo, nós dois juntos. Eu pressiono meus lábios ao ouvido. — Feliz aniversário, Dawson. Ele apenas ri e rola comigo, me coloca no canto de seu braço. Algum tempo depois, fazemos amor de novo, devagar, sem dizer uma palavra.

~ 365 ~


Epílogo Um casamento de celebridade é uma coisa ridícula. Gastamos tanto dinheiro, convidamos muitas pessoas. Há cobertura da mídia, semanas de jornal e revista, especulação, artigo após artigo. Havia até mesmo um especial de TV, fizemos entrevistas e deixamos as câmeras andarem em nossa volta durante o planejamento do casamento. Agora eu estou tentando não chorar enquanto eu caminho até o altar com a minha mão sobre o braço do meu pai. Um véu pendurado nas minhas costas para fundir-se com a cauda do meu vestido, que custou algo em torno de US $100.000. Ridículo, sinceramente, considerando que eu vou usá-lo por algumas horas, no máximo. Mas Dawson insistiu. Um vestido com esse preço é esperado para um casamento desta escala. Há centenas de flores, todas bancas e espalhadas no chão. É um casamento tradicional, para todos é uma questão de celebridade. Com exceção ao meu pai, Dawson teve certeza disso. Eu

estou

olhando

para

Dawson,

observando

seu

rosto

enquanto ele trabalha para conter suas emoções com a visão de mim. Ele nunca esteve mais atraente do que está neste momento, vestido com um smoking vintage sob medida, seu cabelo penteado em uma parte que faz parecer que poderia ter saído de um filme de Clark Gable. Seu smoking é projetado para melhorar essa aparência, e ~ 366 ~


assim é o meu vestido. Todo o casamento, na verdade, é vintage, inspirado nos anos 30, até o carro, cheguei com um Rolls Royce Phantom 1937. Meu pai me entrega para Dawson, mas antes que ele faça, ele se inclina e sussurra para mim, — Eu te amo, Grey. Estou muito orgulhoso de quem você é. — Meus olhos lacrimejam quando ouço as palavras que eu desejava a minha vida inteira. Papai funga e pisca duro. — Vai casar com ele. Ele é um bom homem. Eu vou até Dawson e pego suas mãos. Eu mal conseguia ouvir o pastor, mas quando chega a hora, repito os votos. — Eu aceito. — Duas palavras que possuem muito significado. Eu era dele, eu sempre fui dele, e ele é meu. Desde o primeiro dia que o vi na sala VIP daquele lugar horrível, nós pertenciamos um ao outro. Mas agora, agora estamos completamente e oficialmente unidos, amarrados e ligados, permanentemente. A recepção é um borrão feliz. Estou nas nuvens, superarada e oprimida pela alegria. E então chega a hora da primeira dança. Um foco de luz brilha na beira da pista de dança, banhando uma única figura: Lindsey Stirling. Ela levanta um violino no ombro, faz uma pausa e, em seguida, toca ―Elements‖. Dawson e eu estamos fora com a música, dançando um tango coreografado e ensaiado. Uma

dança

lenta,

velha,

chata

casamento, afinal de contas.

~ 367 ~

não

ia

combinar

com


Eu nunca dancei tão bem em toda a minha vida, a dança vem de dentro, e por dentro, eu estou iluminada de pura felicidade. Eu tenho tudo o que eu poderia pedir, e ainda mais.

FIM.

~ 368 ~


Tradução

Revisão

Lili Costa

Nathalia Mattos, Fernanda Richa, Juliana Pompeo, Thais Cristina, Ariel

Lud e Nathy

~ 369 ~


Stripped (Jasinda wilder)  
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