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EU PERTENÇO A VOCÊ JAS SILVA


Copyright © 2015 Jas Silva

Capa: Natyelle Pinho Revisão e Copidesque: Carla Santos Diagramação Digital: Carla Santos

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.

Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa.

Todos os direitos reservados. É proibido o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios — tangível ou intangível — sem o consentimento escrito da autora.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei n°. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

Criado no Brasil.


SUMÁRIO

PRÓLOGO CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 2 CAPÍTULO 3 CAPÍTULO 4 CAPÍTULO 5 CAPÍTULO 6 CAPÍTULO 7 CAPÍTULO 8 CAPÍTULO 9 CAPÍTULO 10 CAPÍTULO 11 CAPÍTULO 12 CAPÍTULO 13 CAPÍTULO 14 CAPÍTULO 15 CAPÍTULO 16 CAPÍTULO 17 CAPÍTULO 18 CAPÍTULO 19 CAPÍTULO 20 CAPÍTULO 21 CAPÍTULO 22 CAPÍTULO 23 CAPÍTULO 24 CAPÍTULO 25 CAPÍTULO 26 CAPÍTULO 27 CAPÍTULO 28


CAPÍTULO 29 CAPÍTULO 30 CAPÍTULO 31 CAPÍTULO 32 CAPÍTULO 33 CAPÍTULO 34 CAPÍTULO 35 CAPÍTULO 36 CAPÍTULO 37 CAPÍTULO 38 CAPÍTULO 39 CAPÍTULO 40 CAPÍTULO 41 CAPÍTULO 42 CAPÍTULO 43 CAPÍTULO 44 EPÍLOGO


PRÓLOGO

Matheus Olhei irritado para a Jéssica no fundo da sala, porque dessa vez ela realmente tinha feito uma bagunça na minha sala. Ontem à noite, quando me pediu para trabalhar aqui, eu pensei que ela fosse trabalhar e não colocar esse lugar de cabeça para baixo. Eu estava há quatro meses em Manhattan e agora que montei o meu estúdio, eu tinha muito trabalho pela frente. Quando decidi passar algumas semanas com o meu pai, eu não esperava ter essa vontade louca de recomeçar a minha vida em Nova Iorque, pois eu era renomado em Londres. Era contratado para fazer várias campanhas publicitárias e a minha amizade com as modelos com quem trabalhava me rendiam ótimos contratos, além de algumas boas horas de diversão. No começo, eu só quis vir à Nova Iorque para poder conhecer a tal da assistente pessoal que o meu pai elogiava tanto. Confesso que cheguei a pensar que ela era uma aproveitadora querendo passar a perna nele, mas depois que a conheci percebi que tudo não passava de uma relação de carinho verdadeiro; o único idiota tinha sido eu, que fiquei afetado assim que coloquei meus olhos em cima dela. Não é como se ela fosse tão diferente, conheci muitas mulheres bonitas como ela e algumas até mais; o que me atraiu foi além disso, Helena tinha uma pureza, um jeito doce de olhar e um sorriso que me conquistou de imediato. Uma pena que eu era um daqueles homens acostumados a querer o que não podia ter. Até tentei ser paciente, mas depois percebi que, além de uma perda de tempo, eu nunca conseguiria lhe dar o que queria. — Eu vou arrumar isso, Matheus — Jéssica falou, rindo da minha cara. Que baixinha petulante! Eu não entendia como ela podia ser tão talentosa sendo tão desorganizada e maluca. Jéssica era minha assistente e eu sabia que ela tinha um futuro brilhante pela frente. Quando a entrevistei para trabalhar comigo, fiquei impressionado com a sua criatividade, tanto é que nem cheguei a entrevistar ninguém depois, pois ela era a melhor. Uma pena que era uma garota tão volúvel. Um dia, ela estava com um ótimo humor; e no outro, só faltava me mandar à merda se eu pedisse a sua ajuda. Ela quase sempre parecia estar prestes a explodir e eu ficava maluco com a confusão que fazia ao meu redor. — É o que eu espero, Jéssica. — Passei por ela e fui separar as lentes que usaria mais tarde, porque tínhamos uma sessão de fotos para um editorial agendada para mais tarde. Eu trabalhava de forma independente e a maioria dos meus contratos eram feitos por meio de alguma agência de publicidade. Por sorte meu portfólio era excelente e eu não precisei correr atrás de cliente algum. — O que você aprontou aqui ontem à noite? — Ela tinha ficado até tarde editando algumas fotos. — O de sempre — ela respondeu, dando de ombros.


Eu não fazia a menor ideia do que era o de sempre. Ela trabalhava para mim, mas isso não impedia que ela fizesse alguns trabalhos por fora. Eu tentei dar ao meu estúdio um ar mais intimista e, além da Jéssica, eu tinha apenas uma recepcionista e dois editores de imagem. — Eu vou precisar de você hoje, Jéssica. — Sério? — perguntou. — Sério. Às vezes, eu acho que você se esquece de que trabalha para mim, não é? — Ela ficou sem graça no momento em que falei. — Tudo bem, eu só não vou poder fazer hora extra, chefinho, porque eu tenho um compromisso muito importante essa noite. — Ela me deu as costas e eu fiquei pasmo com a sua audácia. Eu precisaria dela porque eu não gostava de fotografar modelos seminuas sozinho; essas garotas eram muito espertas e faziam jogos perigosos, então eu preferia deixar a parte da sedução para depois do trabalho. E assim seria com Ellen, a modelo de hoje, que era uma morena de olhos verdes e boca carnuda que me daria um bom momento. Depois do ensaio, acabei levando Ellen na Zinco, uma boate que costumava frequentar com o meu amigo Leo sempre que pretendíamos estender a noite. Eu conhecia o Leonardo da minha época de faculdade e, depois de um divórcio conturbado, ele se mudou para Nova Iorque e abriu outra filial da sua agência. Enquanto Ellen contava sobre a sua vida e sua carreira no Brasil, eu fingia estar prestando atenção, porque todas essas modelos eram iguais e eu sentia até pena. O mundo da moda era muito competitivo e elas eram jogadas tão novas nesse meio que acabavam se tornando cópias umas das outras, todas lindas, mas sem personalidade e conteúdo. — Matheus, pega uma água com gás para mim, por favor? — ela pediu manhosa, só isso já tinha feito o meu tesão por ela desaparecer. Eu gostava de mulheres decididas, que sabiam o que queriam e que tomassem a iniciativa. Costumava passar longe dessas que faziam manhas e birras. — Eu já volto. Afastei-me, já pensando se valeria a pena levá-la ou não para a minha cama, porque eu estava em dúvida se ela conseguiria satisfazer minha ânsia e não tinha certeza se a garota entenderia que se tratava apenas de sexo. — Uma cerveja e uma água com gás, por favor — pedi ao barman e me virei para observar a pista de dança, já que era ali que ficavam as garotas mais quentes. Se desistisse da Ellen, eu poderia garantir um pouco de diversão por aqui mesmo. Senti meu sangue esquentar quando meus olhos bateram na garota que dançava despreocupadamente no meio da pista junto com uma amiga. Nunca me senti atraído por mulheres baixinhas e ela, definitivamente, não era o meu tipo. Com um vestido preto justo e botas de cano curto sem salto, ela se destacava no meio de tanta mulher alta e loira. Espera aí, eu conhecia aquele par de botas... Que merda que a Jéssica estava fazendo aqui?! E que vestido era esse? Esse era o compromisso dessa maluca? Fiquei ali paralisado, não sei por quanto tempo, mas só a observando dançar. Eu não devia estar fazendo isso, eu sei, mas não é que a maluca sabia dançar? Eu nunca tinha reparado em suas pernas e


muito menos nos seus seios. Para falar a verdade, eu nunca passei muito tempo reparando em nada sobre ela que não fosse o seu trabalho. Jéssica era baixa, com o cabelo castanho comprido e com uma franja lateral na testa. Se não soubesse que ela tinha 22 anos, poderia jurar que ela era uma pirralha. Para completar o seu estilo "eu não estou nem aí para o que você pensa", às vezes, ela usava aqueles óculos de grau com armação retro que a fazia parecer fofa, só que fofa era a última palavra que eu usaria para descrevê-la. Eu nunca a tinha visto sem aquelas saias, shorts rasgados e suas camisetas politicamente corretas, fora essas botas que ela teimava em usar. Só que essa noite ela estava diferente, o vestido justo fazia com que suas curvas se tornassem visíveis. Meu Deus, ela tinha curvas! Fiquei envergonhado por estar aqui a observando, mas não queria parar porque precisava saber o que existia por trás daquela garota irritante que trabalhava comigo todos os dias. Senti uma vontade absurda de ir até lá e tirá-la do meio da pista, ela não podia dançar assim com tanto homem em volta olhando, eu não era o único e, pela forma que ela e a amiga estavam se tocando e mexendo, aposto que o showzinho iria atrair muito mais atenção. Depois que peguei as bebidas, saí de lá apressado. Se eu ficasse um minuto a mais, não sei o que seria capaz de fazer. — Você demorou, Matheus. Eu até perdi a vontade de beber água — Ellen falou emburrada. Era só o que me faltava! Sentei-me ao seu lado, mas não consegui me concentrar em mais nada e, assim que o Leo falou que iria para casa, pedi que ele a levasse até o seu hotel. Se ele quisesse, poderia ficar com ela; e eu não me importaria. Voltei ao bar e pedi outra bebida, eu só queria ver se a Jéssica ainda estava por aqui e depois disso eu iria embora. Demorei a encontrá-la e, quando meus olhos focaram nela, eu senti meu pau apertar dentro da minha calça. Que merda era essa que estava acontecendo comigo?! Sem entender o que eu estava fazendo eu fui até lá, caminhando devagar e admirando a forma como parecia alheia aos homens que a olhavam, sua amiga já não estava mais por perto e ela dançava sozinha. Quando eu já estava bem perto, Jéssica se virou e ficou de costas para mim me dando uma visão privilegiada do seu bumbum dentro daquele vestido justo. Eu tinha um fraco por bumbuns e o dela definitivamente era dos bons. Assim que cheguei por trás, coloquei as minhas mãos em sua cintura e a puxei contra a minha ereção. Eu não sabia qual seria a sua reação, mas eu queria que ela soubesse que tinha mexido comigo. — Isso é por sua causa — falei em seu ouvido. Jéssica estava com o corpo quente e suado, o que só me deixou mais excitado. Ela tentou se virar assim que falei, mas não deixei. Eu queria ficar assim roçando o meu pau nela por trás e senti-la rebolando do jeitinho que ela estava antes. — Não para, Jéssica. Eu quero que você continue dançando. — Eu tinha certeza de que ela já sabia quem eu era. Eu não falei que ela era louca? Jéssica rebolou ainda mais e a cada mexida era uma tortura para o meu pau, ela sabia que estava me deixando louco e se aproveitou disso. Segurei sua cintura com mais


força a cada batida da música. Enquanto ela dançava, eu beijava o seu pescoço e a sua nuca, ouvi seus gemidos baixinhos. Pela forma com que ela permitia que sua amiga passasse a mão em seu corpo, percebi que ela era bem desinibida e que não parecia ser o tipo de garota contida na hora do sexo. — Vem para casa comigo? — perguntei e a virei para que me olhasse. Porém, percebi uma dúvida em seu olhar e tratei de tirá-la rapidinho. — Eu garanto que você não vai se arrepender — falei e lhe dei um sorriso. Sua boca estava entreaberta e sua respiração um pouco ofegante. Era bom saber que eu também tinha mexido com ela. A safada sorriu e lambeu o lábio inferior; se ela soubesse o que eu pretendia fazer com essa boca mais tarde, ela não me provocaria assim. Saímos da boate e, assim que entramos no carro, eu a agarrei e a puxei para o meu colo. Eu não precisava de uma cama para fazer o que eu tinha em mente, eu só precisava do seu corpo quente e gostoso. Suas coxas envolveram o meu quadril e senti o momento em que ela pressionou a sua boceta contra o meu pau, seu vestido já tinha subido e eu aproveitei para tirá-lo logo porque queria ver todo o seu corpo. Me surpreendi com a sua entrega, porque, em momento algum, Jéssica questionou a gravidade do que estávamos fazendo e, muito menos, fez joguinho como as mulheres costumavam fazer. Assim que seu vestido saiu, eu me recostei no banco do carro e a admirei; eu não podia acreditar que aquela Jéssica que trabalhava comigo usava esse tipo de lingerie: seu sutiã era pink, todo rendado; e sua calcinha de uma renda tão fina e pequena, que eu nem precisaria de força para rasgá-la do seu corpo. — Você gosta disso, não é, chefinho? — ela perguntou maliciosa, e meu pau latejou ainda mais quando a ouvi me chamando de chefinho. Essa garota era definitivamente uma safada. Puxei-a pela cintura e a beijei. Eu não queria pensar em mais nada, só sentir o seu gosto. Eu não me lembrava da última vez que tinha ficado tão excitado assim. A boca da Jéssica tinha um gosto diferente que me lembrava canela; e, a partir de agora, eu seria fã de canela porque, puta que pariu, como essa garota beijava bem. Ela tinha a boca cheinha, mas pequena e seus lábios eram macios e a cada mordidinha que eu dava neles ela soltava um gemido. — Você geme como uma gatinha... — falei ainda com a minha boca na sua e ela riu. — Eu estou longe de ser uma gatinha, Matheus, e eu acho que você vai descobrir isso hoje. — Ah, eu queria descobrir. Queria tudo que ela tinha para me dar. Desabotoei seu sutiã e seus seios durinhos me deram boas-vindas, abocanhei um deles com vontade e, se nós estivéssemos em uma cama, eu iria fazer com que ela implorasse para que eu a fodesse, mas aqui nesse carro quem estava quase implorando era eu. Enquanto chupava e lambia um de seus seios, ela foi abrindo a minha calça e colocando meu membro para fora; quando senti a sua mão pequena envolvendo-o, eu bati com a cabeça no banco. Eu não entendia como o meu corpo podia reagir assim ao seu toque. — Jéssica... — gemi quando ela começou a me masturbar. Desse jeito eu não iria aguentar muito. — Para. — Eu a afastei e com as duas mãos rasguei sua calcinha. Eu parecia um menino querendo ir logo para os finalmente, mas eu precisava de um alívio. — Camisinha — ela falou, mas nem precisava; assim que coloquei o preservativo, puxei o seu quadril e encaixei o meu pau na sua entrada. Impaciente, ela sentou de uma vez só e eu quase gozei quando a ouvi gemer e senti sua vagina pressionando o meu membro. Ela era tão apertadinha que...


— Porra, Jéssica! Você não é virgem, é?


CAPÍTULO 1

Matheus — Agora eu acho que não sou mais. — Olhei para ela assustado e a peguei sorrindo. — Você deveria ter me contado — tentei falar, mas a safada começou a se mexer e eu não aguentei. Fui surpreendido quando ela me beijou cortando o assunto. Em vez de me preocupar, eu me deixei levar, porque eu nunca tinha tirado a virgindade de nenhuma garota antes. Segurei em sua cintura enquanto ela se contorcia em cima de mim e gemia gostoso. Sua respiração abafada e o gosto da sua boca me tiraram a razão. Meu membro latejava dentro dela, sua vagina era muito apertada e a sensação era muito foda. Será que ela sabia a tortura que estava sendo para mim? — Jess... — Ela colocou um dedo na minha boca para que eu me calasse. Olhei para ela ainda atordoado com a sua ousadia. — Não fala nada, chefinho... — ela falou com a voz rouca e baixinha em meu ouvido; e eu quase perdi o controle. Eu já estive com muitas garotas gostosas, sexo tinha que ser sempre fantástico comigo, quando não existia essa química, eu dispensava a garota na mesma hora, mas a sensação de estar com a Jéssica era muito mais intensa. Desde o momento em que eu a vi dançar naquela pista, meu corpo reclamou desejando o dela. Agora, se era isso que ela queria que eu fizesse, eu faria até ela implorar para que eu parasse. Eu ia dar uma lição nessa garota. — Ahhh — ela gemeu quando eu chupei o bico do seu seio. Ela era deliciosa! Quando eu vi que ela estava começando a perder a noção da realidade, a puxei mais forte; eu queria me enterrar fundo dentro dela e a cada estocada sentia mais a sua entrega. Logo, logo ela estaria gozando. — Você é uma safada, Jess — sussurrei e seu corpo estremeceu em meus braços. — Matheus... eu... — tentou falar, e até gozando ela era perfeita; a safada saiu arranhando as minhas costas fora a fora e eu gemi em um misto de dor e prazer enquanto era torturado. Depois que senti seu corpo se acalmando, a encostei contra o volante e a observei; eu ainda não tinha gozado, porque estava me segurando para dar todo o prazer a ela antes disso acontecer. — Você ainda quer ser fodida? — perguntei fazendo com que se surpreendesse. Ela ainda estava com os olhos fechados e os abriu no mesmo instante. Sua boquinha estava pedindo para ser beijada. — Quero. — Sorri satisfeito quando ela falou. — Vem cá, Jess. — A aproximei novamente, enquanto ela ainda estava encaixada em mim. A abracei apertado e a beijei enquanto metia com força dentro dela, seus gemidos recomeçaram e, aos


poucos, fui perdendo o controle do meu próprio corpo. — Sua bocetinha é muito gostosa, sua safada — falei em seu ouvido e ela se arrepiou toda, minhas costas ainda queimavam de seus arranhões e, antes que ela o fizesse novamente, eu me encostei contra o banco. Ela já tinha feito estrago demais. — Isso é tão bom... — ela falou e jogou a cabeça em meu ombro. Antes de gozar, eu mordi o seu pescoço e a escutei gemer daquele jeitinho que estava começando a me deixar maluco. Jéssica podia negar o que fosse, mas que ela parecia uma gata no cio parecia, porque minhas costas eram a prova viva disso. Estoquei mais algumas vezes e voltei a senti-la apertando meu membro, eu adorava quando elas eram sensíveis assim. Não tinha nada mais gostoso do que fazer uma mulher gozar e ver sua expressão de prazer logo depois. Isso fazia com que eu ficasse ainda mais excitado. Modéstia à parte, eu era muito bom nisso e as mulheres nunca tiveram do que reclamar comigo, eu sempre fui generoso na hora do sexo. — Jess, eu vou gozar — murmurei, e ela veio junto comigo. Puxei seu cabelo enquanto eu tinha fortes espasmos de prazer. Ouvi quando ela deu um pequeno grito e a beijei duramente na boca, eu nunca mais conseguiria olhar essa boquinha e não pensar no gosto que ela tinha. Com Jess ainda em meu colo esperei que nossa respiração voltasse ao normal e a levei ao meu apartamento para continuar a nossa noite. Eu ainda não estava saciado e não tinha feito metade do que eu gostaria com ela. Estacionei meu carro na garagem e abri a porta do carro para que ela saísse. Incrível como Jéssica não parecia nem um pouco tímida com essa situação, viemos conversando sobre o trabalho que ela estava fazendo para uma amiga e em momento algum houve constrangimento. Enquanto ela me contava sobre o seu trabalho, eu pensava como uma garota igual a ela se manteve virgem até hoje. Ela parecia liberal demais para ter reservas quanto a sexo. Vi sua expressão de surpresa ao entrar em minha casa. Quando decidi me mudar para Nova Iorque, foi praticamente por dois motivos: o primeiro, era porque eu queria ficar mais próximo do meu pai; e o segundo, porque eu estava ficando entediado em Londres. Esse sempre foi um dos meus maiores problemas, eu me cansava rápido demais de tudo e tinha que me manter em constante movimento. Caso contrário, tudo perdia a graça. Isso acontecia também com as mulheres. Eu nunca namorei sério, e dificilmente conseguia passar mais do que algumas semanas com uma. Quando eu percebia que elas queriam mais do que eu estava disposto a dar, eu caía fora. Isso não quer dizer que eu saía ficando com todas ao mesmo tempo. Enquanto eu estava saindo com alguém, eu tentava me manter fiel e exigia o mesmo, eu odiava dividir o que era meu. Na medida do possível, eu era sincero com a garota. Elas sempre entravam nessa sabendo que não duraria. Se elas esperavam um romance de conto de fadas e um final feliz estavam com o cara errado, porque eu nunca me prenderia dessa forma. O engraçado disso tudo é que quando eu abria o jogo, sempre era questionado sobre minhas desilusões e sobre minha família, como se o fato de eu não gostar de me prender a um relacionamento tivesse que ter algum motivo oculto. Além de rir, eu tentava explicar que eu não tinha nenhum problema emocional, meus pais foram felizes até quando foi possível, e eu nunca tive nenhuma desilusão amorosa e pretendia continuar assim. Eu gostava de ser livre, gostava de saber que amanhã ou depois, se eu quisesse largar tudo e recomeçar do outro lado do mundo, eu não teria ninguém para me impedir. — Gostou? — A casa era impressionante. Eu morava no mesmo condomínio que o meu pai, pois as


coisas funcionavam melhor assim. — É legal, eu acho que não tem muito a ver com você, mas é legal — ela falou ainda observando os detalhes. Engraçado ela falar que não tinha nada a ver comigo, essa foi a primeira coisa que eu reparei quando entrei nessa casa pela primeira vez. Só que eu não me importei muito, eu estava cansado de deixar os lugares do meu jeito e decidir me mudar logo depois. Para não prolongar muito, segurei em sua cintura e a trouxe para perto. — Eu já te fodi, Jéssica, agora eu vou cuidar de você. — Ela me olhou espantada, mas não falou nada. Subimos para o quarto e assim que entramos seu rosto enrubesceu. Esse era um quarto para fazer sexo, nem mais e nem menos, acho que ela percebeu isso no mesmo instante. Achei graça quando ela encarou tudo boquiaberta, não que esse fosse um quarto da dor e todas as outras definições muito comuns por aí nos dias de hoje. Esse aqui se encaixava mais no quarto do prazer, era onde eu terminava a noite depois de um encontro, isso me livrava do incômodo de tê-las xeretando o meu próprio quarto e invadindo o meu espaço. Fui até ela e pedi que tirasse o seu vestido. Ela estava apenas de sutiã, já que eu tinha rasgado sua calcinha, por isso fiz questão de desabotoá-lo e liberar aqueles seios perfeitos. Jéssica me olhava com expectativa a todo instante e quando a encarei, me dei conta de que ela também tinha olhos lindos. Como eu nunca reparei nesses detalhes antes? Ah, é claro, provavelmente porque ela era mal-humorada, desorganizada e irritante que achava que podia mandar no meu estúdio e na minha sala. Admirei seu corpo nu e gostei quando seus pelinhos eriçaram, respirei fundo tentando acalmar o meu próprio desejo. Sentei-me na cama e a puxei, deixando-a em pé de frente para mim. Sua respiração balançou e, sem tirar os olhos dela, eu aproveitei para passar minha mão delicadamente por ela. — Eu te machuquei? — perguntei preocupado. Eu fui um pouco bruto com ela no carro, mas eu não consegui me controlar, porque eu estava muito excitado para ter segurado o meu desejo. — Não — ela deixou escapar. — Bom — Continuei brincando com ela devagarzinho, rodeava seu clitóris com meus dedos e ela suspirava. Levantei-me e fiz com que me olhasse. —, agora eu vou provar você. — Pedi que ela se sentasse com as pernas abertas e o pé apoiado na beirada da cama. Fiquei com água na boca quando a olhei, ela estava muito molhada. Continuei passando meus dedos, sem penetrá-la, eu só queria deixá-la com vontade. — Jess, você já foi chupada? — perguntei curioso, e ela acenou com a cabeça afirmativamente. Então, o cara tinha chupado ela, mas não transado? Eu estava interessado em saber o porquê dela ter permanecido virgem até hoje, mas descobriria isso outra hora. — E você gostou? — Sim... — Dei um sorriso de canto. Se ela tinha gostado antes, agora ela iria amar. Comecei a dar leves beijinhos em sua perna e virilha, e quando cheguei à sua vulva, eu lambi e chupei seu clitóris, Jess arqueou o corpo nesse momento e eu aproveitei para aumentar a pressão da lambida. Quanto mais eu chupava, mais ela pressionava contra o meu rosto, seu cheiro e gosto eram tudo que eu conseguia sentir. Jess era gostosa de todas as formas e isso iria ferrar comigo, eu achei que tinha ficado viciado em seu beijo, mas sua boceta tinha um gosto muito mais inebriante. — Ahhh, Matheus... Por favor... — ela suplicou.


— Por favor, o quê, sua safada? — perguntei enquanto a olhava. — Por favor, eu quero gozar... — E você vai, Jess, você vai gozar com a minha língua dentro de você. Comecei a acariciá-la de novo e a dar chupões em sua vagina, seu corpo tremia e eu não conseguia segurar a minha vontade, afundei meu rosto e continuei a sugar cada pedacinho dela. — Merda... — Ela segurou o lençol com força e jogou a cabeça para trás, adorei vê-la tão desesperada. Segurei seu bumbum trazendo-a para mais perto, Jéssica gozou na minha boca e o gemido que ela deu não iria sair da minha cabeça tão cedo, era muito foda de se ouvir. Assim que gozou, ela se jogou na cama, ficando de pernas abertas, me levantei e a observei enquanto passava a mão pela minha ereção já imaginando a forma como eu a pegaria agora. Coloquei Jess de quatro, eu sabia que ela tinha perdido a virgindade hoje, mas eu era louco por essa posição, sabe-se lá quando eu teria a chance de estar com ela novamente. Acho que no final ela estava exausta, porque depois que gozamos se deitou na cama ofegante e sem forças. Deitei-me ao seu lado pensando se deveria ou não levá-la para o meu verdadeiro quarto. Acordei no dia seguinte e procurei seu corpo ao lado do meu, mas a cama estava vazia. Ontem, antes de dormir, eu acabei a levando para o meu quarto, era o mínimo que ela merecia depois da noite que tivemos. Olhei para o lado em que ela dormiu e encontrei um bilhete. “Bom dia, chefinho. Tinha um compromisso essa manhã, por isso não quis te acordar. Espero que não se importe, mas tive que assaltar a sua geladeira, tudo bem? Acordei com muita, muita fome... Ah, e você me deve uma calcinha, afinal você rasgou a minha preferida! Beijos, Jéssica.” Merda! Eu adorava fazer sexo pela manhã, fui dormir ontem pensando no quanto seria bom transar com ela antes de ir para o trabalho. Levantei-me contrariado e fui tomar um banho frio, eu ainda estava um pouco duro e lembrar o que fizemos ontem não estava me ajudando. Tomei logo meu café da manhã e fui para o estúdio. Assim que cheguei, não encontrei ninguém, e fui direto para a sala de equipamentos. Eu tinha levado um material para casa e queria guardar antes de ir para a minha sala. Hoje seria um dia tranquilo, as fotos com a Ellen ontem tinham saído perfeitas e não precisaria de outra sessão, graças a Deus, porque eu não queria saber dela tão cedo. Guardei o equipamento e fui para a minha sala, Jéssica sempre ficava trabalhando nela até tarde e, pelo visto, tinha decidido madrugar aqui hoje, pois percebi isso quando encontrei algumas fotos pelo chão e a mesa de centro fora do lugar. — Chegou cedo, Matheus — ela falou e passou por mim segurando um café do Starbucks dos grandes. — Sim. — Olhei para a sua bagunça normal e, antes que ela voltasse a trabalhar, tirei o copo de


café da sua mão e a puxei. — Você me deve uma foda, Jess, e eu não aceito um não como resposta — falei, e ela me olhou confusa. Até parece que eu ia perder uma chance dessas, nós ainda estávamos sozinhos. — Você quer fazer aqui? — Quero — falei e fui logo afastando os papéis da minha mesa e a pressionando contra ela. Jess usava um jeans rasgado e uma camiseta de alguma banda que eu definitivamente não conhecia. Tirei sua calça e... essa garota ia acabar me deixando maluco. Ela estava usando uma calcinha minúscula branca de seda. Ahhh, isso era provocação! — Eu vou ter que rasgar outra, Jess? — Ela sorriu e balançou a cabeça. Se estava devendo uma, eu deveria duas, porque rasgaria essa também, e estava começando a gostar disso. Ela se assustou quando eu a puxei dela, olhei em seus olhos e percebi sua excitação. Dessa vez ela estava sem as lentes e de óculos, os tirei e passei a mão pelo seu rosto, meus dedos chegaram até a sua boca e apertei seus lábios levemente. — Você ainda não sabe, mas eu morro de tesão logo pela manhã — falei e fui surpreendido quando ela me beijou. Tudo pareceu desmoronar ao meu redor nesse momento, eu me perdi nela, me afundei em seu corpo e gozei intensamente. Quando dei por mim, nós dois estávamos ofegantes e saciados. A observei enquanto ela abotoava seu jeans, eu não conseguiria passar o dia inteiro imaginando-a sem calcinha, isso ia me enlouquecer. — Jéssica, isso foi quente — falei e vi um sorriso sacana se formar em seu rosto. — Eu sei, chefinho, esse foi o melhor sexo no trabalho que eu já tive. — Olhei para ela achando graça. — Esse foi o seu primeiro sexo no trabalho, Jess. — Eu sei, por isso mesmo foi o melhor... até agora — a safada disse e saiu me deixando ali. Eu não podia acreditar que já estava duro de novo. Merda! Isso não iria dar certo.


CAPÍTULO 2

Jéssica Assim que saí da casa do Matheus essa manhã, eu corri para o meu apartamento, Anny deveria estar louca de preocupação comigo. Eu nunca dormia fora de casa e provavelmente a cabecinha dela estaria pensando coisas mirabolantes. Eu ainda não estava preparada para conversar com ela sobre o que aconteceu ontem antes de eu sair para a Zinco com a Katie. Ela, melhor do que ninguém, tinha que entender como fiquei abalada com a notícia que escutei da sua mãe. Anny e eu éramos amigas desde pequenas e nossos pais sempre foram muito próximos. Depois que meus pais decidiram se mudar e morar perto da minha avó, eu fiquei em Nova Iorque com eles e, assim que completamos 18 anos e entramos na faculdade, alugamos um pequeno apartamento para morarmos sozinhas. Ela ainda estava em seu último ano da faculdade enquanto eu tinha me formado há apenas seis meses. Confesso que dei muita sorte em ser logo contratada pelo Matheus, seu trabalho era incrível e mesmo não pretendendo ficar na área em que trabalhava atualmente, o dinheiro que eu ganhava e os truques que aprendia valiam a pena. Lá no fundo, meu sonho sempre foi conseguir uma vaga de trainee na Travel, uma revista que era referência no mundo editorial e de turismo, e que todos os anos abria seleção para recém-formados que estavam dispostos a viajar pelo mundo com os maiores fotógrafos da área. Cheguei ao meu prédio, abri a porta do apartamento e dei de cara com uma Anny muito zangada. Eu já até podia imaginar o que teria que ouvir. — Você ficou louca, Jéssica? Por que não me avisou que não voltaria? — ela falou nervosa. — Eu me esqueci, Anny. Uma vez na vida, eu me esqueci, então não comece, por favor. — Ela era como uma irmã para mim, mas às vezes pensava que podia me controlar. Diferente de mim, Anny era racional e equilibrada, nós sempre fomos inseparáveis mesmo sendo tão diferentes uma da outra. — Jéssica. — O quê? Ela me olhou preocupada e eu meio que consegui ler seus pensamentos, mas não iria me deixar levar por ela dessa vez. Perdi muito tempo ouvindo “seus conselhos” e onde isso tinha me levado? — Você não fez o que eu acho que fez, não é? — Ela sabia que eu era virgem e, o pior, sabia muito bem o porquê de eu nunca ter transado com ninguém; só que para mim, essa história já tinha dado, eu não


iria ficar me guardando eternamente para alguém que nunca me deu valor. — Eu vou deixar você tirar suas próprias conclusões, Anny. E se depois de ontem, você ainda achar que eu estou errada em querer viver a minha vida, eu não sei se vamos conseguir continuar sendo amigas — fiz um pouco de drama e fui para o meu quarto me aprontar. Eu tinha que chegar cedo ao estúdio para terminar de editar algumas fotos para Katie. Depois da Anny, ela era a minha melhor amiga, sem dúvida. Aliás, era com ela que eu estava na boate ontem. Depois de ouvir meu chororô, ela achou melhor termos uma noite de meninas com tudo que eu tinha direito, e isso incluía perder a minha virgindade, se bem que não teria tido coragem de fazer isso caso o Matheus não tivesse aparecido. Eu dei graças a Deus que tinha sido com alguém que eu, pelo menos, conhecia, mesmo tendo noção da quantidade de modelos com quem ele se envolvia. Só que para mim nada disso importava muito, eu não queria compromisso com ninguém e muito menos com ele. Eu só queria tirar esse peso das costas. Saber que passei tanto tempo acreditando que um dia as coisas se ajeitariam e que eu perderia a minha virgindade com o garoto que eu amava, me fazia ter vergonha de mim mesma. Como pude ser tão idiota? Assim que cheguei ao estúdio, corri para a sala do Matheus. Eu adorava esse cantinho. Por mais que tivesse o meu, eu preferia mil vezes o dele. Uma pena que ele insistia em reclamar toda vez que eu invadia e me instalava por ali. Separei as fotos e comecei a trabalhar, quando dei por mim já eram nove horas e eu estava morrendo de vontade de tomar um café, fui até o Starbucks da esquina e comprei um café duplo com todo o creme que eu tinha direito. Enquanto esperava na fila, me lembrei da noite passada. Nunca pensei que sexo fosse assim, eu já tinha ficado com alguns carinhas depois que terminei com o meu ex, mas com nenhum deles foi do jeito que foi com o Matheus. Ele era muito... intenso. Acho que essa era a palavra, porque tudo que fizemos foi incrível e me surpreendeu o fato de ter conseguido ter um orgasmo na minha primeira vez. Fiquei exausta e surpresa comigo mesma, porque eu idealizei esse dia e sempre desejei que fosse perfeito. E bem, até que foi... Só não foi com o cara que eu planejei a minha vida inteira. Tentei afastar esses pensamentos da cabeça, não queria pensar no que eu perdi e muito menos no sexo maravilhoso que eu tive com o meu chefe, eu precisava me concentrar e fazer de tudo para que o Matheus não se sentisse incomodado para não correr o risco de ser dispensada. Voltei e Matheus já estava na sala. Passei por ele e fui até a sua mesa. — Chegou cedo, Matheus. — Sim. — Ele observou a bagunça que eu tinha feito, isso o deixava louco e eu adorava deixá-lo irritado. Isso me divertia tanto. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele me puxou e tirou o copo de café da minha mão. — Você me deve uma foda, Jess, e eu não aceito um não como resposta. Sério que ele ainda queria transar? Olhei surpresa para ele, porque eu pensei que ele fosse me ignorar depois da noite que passamos juntos. — Você quer fazer aqui? — Se ele queria, não seria eu que o impediria. Matheus era muito gostoso, por que eu não poderia aproveitar o momento? — Quero. — Sorri quando ele falou. Eu o vi limpando a mesa e logo depois fui pressionada contra ela. Ele tirou meus jeans e pareceu gostar da calcinha que eu usava.


— Eu vou ter que rasgar outra, Jess? — Ele poderia rasgar quantas quisesse, desde que me pegasse como da última vez, por mim estava ótimo. Era uma troca justa, uma calcinha por um orgasmo. Tomei um susto quando ele rasgou o pequeno tecido. Eu já estava excitada e ansiosa pelo que faríamos, suas mãos passando pelo meu corpo pareciam queimar e só de imaginá-lo dentro de mim... Ai, meu Deus! — Você ainda não sabe, mas eu morro de tesão logo pela manhã — ele sussurrou e eu o beijei deixando que ele tomasse o controle do meu corpo. Eu não falei que ele era intenso? Até uma rapidinha na mesa da sua sala me enlouqueceu. Gozamos juntos e ele parecia meio perdido quando se recuperou. Bom, eu também não estava tão tranquila assim. Como eu iria trabalhar o dia inteiro com esse homem sabendo o que fizemos nessa mesa? — Jéssica, isso foi quente — ele falou. — Eu sei, chefinho. Esse foi o melhor sexo no trabalho que eu já tive. — Ele me olhou confuso. — Esse foi o seu primeiro sexo no trabalho, Jess. — Eu sei, por isso mesmo foi o melhor... até agora. — Se ele quisesse repetir a dose, eu não me importaria mesmo. Acho que o corpo do Matheus tinha acabado de se tornar o meu novo vício, ele era muito mais gostoso do que todo chocolate do mundo. Quando deu 18h, eu me apressei e saí. Matheus estava em uma reunião e eu sabia que não iria mais precisar de mim, fui em direção ao restaurante italiano que ficava na mesma avenida que o estúdio. Eu precisava pegar algo para comer antes de ir para casa. Depois que comprei meu jantar e o da Anny, voltei pela mesma rua e passei em frente ao estúdio já que era o meu caminho e me surpreendi quando vi o carro do Matheus ao meu lado, diminuindo a velocidade. Vi quando ele abaixou a janela do carro e sorriu. — Entre, que eu te deixo em casa. — “Hum, isso não era uma boa ideia”, pensei. — Acho melhor não, Matheus, quem sabe outro dia? — Eu tinha adorado todo o sexo que tínhamos feito, mas não estava preparada para ter mais ainda. — Entre, Jéssica. — Merda! Ele estava atrapalhando o trânsito. Entrei antes que os carros começassem a buzinar. — Eu moro no Chelsea, fica na contramão para você. — Passe a noite na minha casa, Jéssica. — O quê? Esse cara não cansava, não? Pelo amor de Deus! — Hoje não dá, eu fiquei de levar o jantar essa noite e minha amiga deve estar me esperando. — Então, eu te levo. — Tudo bem — falei, e para me distrair, liguei o som do seu carro. Eu estava cansada hoje. Depois da noite de ontem e dessa manhã, eu acho que não o aguentaria tão cedo. — Então, você mora sozinha com a sua amiga? — Sim. — E os seus pais?


— Moram na Flórida. — Um pouco longe, não é? — Sim, minha avó mora lá e eles queriam ficar por perto. — Você não tem ninguém aqui em Nova Iorque? — ele perguntou e eu estranhei a sua curiosidade. — Isso é algum tipo de entrevista? Você costuma fazer isso com as garotas que leva para cama ou é só comigo? — eu perguntei, e ele começou a dar risada. — Acho que é só com você, garota. Continuamos a conversar e ele me contou um pouco sobre seu pai, mas nada muito importante. Eu percebia a forma como ele sempre tentava não se aprofundar nos assuntos, Matheus era escorregadio. — Eu moro aqui — falei e ele parou o carro. Antes que eu pudesse me despedir e sair, Matheus puxou meu rosto e me beijou. Não foi um beijinho, foi “O” beijo. Se ele queria me deixar excitada, tinha conseguido. Suspirei quando mordeu meus lábios. Nosso olhar se encontrou e eu senti o desejo percorrer o meu corpo de novo. Merda! Beijamo-nos, e nossas mãos não paravam quietas. O corpo dele era perfeito, e assim que passei a minha mão pela sua ereção, ele gemeu rouco. Matheus puxou meu cabelo forçando ainda mais o nosso beijo e seus dedos me procuraram novamente. Antes que as coisas esquentassem demais, eu me afastei respirando pesado. Pelo visto, eu teria sonhos bem quentes essa noite. — Eu tenho que subir — falei ainda com a voz trêmula. — Eu sei — ele falou e se recostou no banco. Se não tivesse marcado com a Anny, eu até iria para a casa dele, mas nós já tínhamos transado o quê? Umas três vezes em menos de 24 horas? Despedi-me e saí do seu carro. Assim que entrei no apartamento, vi minha amiga sentada no sofá da sala. — Desculpe, Anny, acabei me atrasando um pouco — falei, mas ela parecia mais concentrada em seus livros. — Eu ainda estou meio perdida aqui. O último ano da faculdade era complicado e eu entendia a correria em que estava. Antes de jantar, aproveitei para tomar uma longa ducha, porque eu estava com o cheiro do Matheus em mim e isso estava me deixando maluca. ***

Matheus Alguns dias se passaram desde o dia em que eu fiquei com a Jéssica pela primeira vez e eu ainda não tinha conseguido abrir mão dela. Todo o tempo que tínhamos livre durante o dia, eu a puxava para o meu estúdio. Poderia ser exagero, mas eu a queria a todo o momento.


Conheci um pouco mais a respeito dela nos últimos dias, Jess era uma baixinha intrometida, mas também divertida. Nada a incomodava e ela sempre levava tudo na brincadeira. Em alguns momentos, eu percebia certa angústia nela, mas esse já não era um assunto que era da minha conta, porque o que nós tínhamos era apenas sexo, um sexo muito foda, mas era só isso. Eu estava escolhendo o vinho que tomaríamos essa noite, quando ela chegou. Consegui convencê-la a jantar aqui em casa e depois passaríamos a noite juntos. — Oi — falei e lhe dei um beijo rápido assim que ela entrou. — Oi — ela falou animada, e observei sua roupa. Jess usava uma blusa cropped e uma saia justa do mesmo tecido, olhei suas botas curtas e sorri, porque até tinha me acostumado com essa sua mania. — Você está muito gostosa, garota. — A abracei por trás e sussurrei em seu ouvido. Eu não sentia vergonha por desejá-la tanto assim, porque percebia que ela também me queria da mesma forma. — Você ainda não viu nada, Matheus. — Ela se desvencilhou dos meus braços e andou na minha frente. Essa garota era maluca. Ontem, enquanto a esperava na recepção para levá-la para casa, Jéssica me puxou e acabamos transando no toalete mesmo. Eu meio que gostava desse seu atrevimento. Depois do jantar fomos para a lareira e ficamos no sofá debaixo do cobertor conversando e nos beijando. Essa vontade de estar ao seu lado e fazer programas comuns me deixava surpreso, não era algo que eu costumava fazer. Posso contar na mão a quantidade de garotas para quem eu já cozinhei, fora que ela era a primeira que eu deixava dormir em minha cama. Tive medo de que isso tudo a fizesse ter ideias erradas e por isso decidi ter uma conversa séria com ela essa noite. — Jess, eu tenho que explicar uma coisa. — Queria que ela soubesse onde estava se metendo. — Hum? — ela soltou. — Eu quero continuar saindo com você. — Ela me olhou atentamente. — Mas eu quero que você saiba que isso que está acontecendo entre a gente é só um caso, eu não tenho relacionamentos. Isso é apenas sexo, você sabe disso, não é? — Como fui seu primeiro e não conhecia nada sobre sua vida amorosa, teria que ter cuidado para que ela não se apaixonasse por mim. — Eu sei disso, Matheus — ela falou e ia me beijar novamente quando eu a segurei. — Você sabe mesmo? — Hum-hum. — Ela balançou a cabeça e sorriu. — Eu também não tenho relacionamentos Matheus, então eu acho que entendo o que você quer dizer. — Como assim, ela não tinha relacionamentos? — Você nunca namorou? — Já, mas faz muito tempo. Só tive um namorado e, depois da forma como tudo terminou, eu acho que não pretendo repetir o mesmo erro tão cedo. — O que aconteceu? — Eu não deveria estar curioso, mas estava. Eu queria entender a cabeça da Jess, saber o que a irritava e o que a agradava. Enquanto ela estivesse comigo, eu queria fazê-la feliz. — História loongaaaa. — Mas eu quero saber, Jess. — Ela me olhou, acho que avaliando se me contava ou não.


— Se o que nós temos é só sexo eu não tenho porque me abrir com você, esse é um assunto pessoal. — Ela sorriu maliciosamente. — Eu acho que a gente tem coisas muito mais interessantes para fazer do que perder tempo com o passado — ela falou e começou a arranhar levemente o meu peito. Essa garota ia acabar me matando qualquer dia desses. — Como o quê? — Jéssica sussurrou em meu ouvido o que queria e eu não me fiz de rogado, abri o zíper da sua saia e me desfiz de sua blusa. Deixei-a apenas com sua lingerie e enquanto nos beijávamos ela se esfregou maldosamente em mim, roçando a sua boceta gostosa em minha virilha. — Você me tira do sério, sua safada! — Parti para cima e cobri seu corpo com o meu enquanto ela abria minha calça. — É isso que você quer? — Ela acenou com a cabeça e eu voltei a beijá-la, só que dessa vez faminto. Era impossível me controlar quando se tratava dela. Depois que transamos, aninhei-a em meu colo e ficamos abraçados, Jess parecia satisfeita e eu gostei da sensação de tê-la assim tão perto de mim. Eu estava abrindo mão de algumas pequenas regras que eu tinha no meu dia a dia por ela. No fundo, eu me sentia responsável e não queria ser visto como um insensível, eu queria que o tempo que passássemos juntos fosse bom para nós dois. ***

Jéssica Acordei no meio da noite; e, enquanto observava Matheus dormir, comecei a pensar na mensagem que tinha recebido do Aaron, meu ex-namorado e irmão da Anny. Tinha mais de um mês que ele não dava notícias e quando sua mãe me ligou na semana passada e me contou a novidade eu entendi o porquê do seu sumiço. Eu pensei que ele já tinha me magoado o suficiente durante os últimos anos, mas pelo visto eu estava enganada. Quase desisti de vir à casa do Matheus por causa disso, só não mudei de ideia porque eu sabia que era isso que a Anny queria, ela sempre ficou do lado do irmão e ainda tinha a esperança de que, um dia, nós dois voltaríamos a ficar juntos. Admito que até alguns dias atrás eu também tinha essa esperança, só que a perdi no mesmo dia em que deixei de ser virgem. Recriminei-me por perder meu tempo pensando nisso, isso não mudaria nada mesmo. Por sorte Matheus conseguiu me manter bem ocupada nos últimos dias e isso me ajudou. Nós dois queríamos a mesma coisa, fugir de uma relação. Então, por que não continuar apenas com o sexo? No dia seguinte, enquanto ele preparava nosso café, eu falei o que tinha em mente. — Matheus, eu andei pensando no que conversamos ontem. — Sim? — Ele estava fazendo ovos mexidos e parou no mesmo momento. — Eu quero continuar com você desde que isso não prejudique a nossa relação profissional. — Eu era capaz de lidar com isso, mas não sei se ele conseguiria. — Eu nunca deixaria isso acontecer. — Certo, então temos um acordo? Continuamos a sair e, quando o primeiro se cansar, ele abre o


jogo com o outro. — Matheus estudou a minha reação. Será que ele achou que eu não seria capaz disso? — Com uma condição — ele falou. — Qual? — perguntei curiosa. — Você será só minha, não pode haver mais ninguém. — Hum, eu não conhecia esse lado dele. — Isso vale para você também? — Sim. — Então, tudo bem. — Sorri e ele voltou a preparar nosso café, as noites com o Matheus sempre me deixavam faminta.


CAPÍTULO 3

Matheus Observei Jéssica apoiada na sacada do nosso quarto de hotel e sorri ao lembrar-me de como ela aproveitou bem essa viagem. Assim que soube que teria que vir à Carolina do Sul, eu decidi trazê-la comigo. A expressão de felicidade que vi em seu rosto quando a convidei foi melhor do que eu esperava. Jess e eu já estávamos juntos há mais ou menos dois meses e cada dia que passava eu ficava mais encantado com ela, com seu jeito de menina, seu sorriso bobo quando ficava contente, as caretas engraçadas que fazia durante o dia, tudo isso tornava o meu dia mais leve e me deixava ainda mais satisfeito com o nosso acordo, principalmente porque eu confiava nela, e isso refletia em nossa ligação profissional, Jess controlava meu estúdio com toda a naturalidade do mundo e sempre resolvia os problemas dos quais eu não tinha a menor paciência para lidar, ela era incrível — Vai ficar a noite toda aqui? — falei enquanto ia em sua direção e a abraçava por trás. Nós tínhamos passado o dia fotografando para uma campanha de uma linha de roupas de praia e depois do jantar tínhamos decidido ficar no quarto em vez de sair, como fizemos nas últimas noites. — Eu não quero ir embora, Matheus, você me deixa ficar? — ela falou distraída enquanto admirava a vista. A equipe da agência que me contratou tinha nos colocado no melhor hotel de Myrtle Beach e tudo era incrível, incluindo a praia que ficava de frente para o nosso quarto. — Você não é nem louca, eu preciso de você ao meu lado. — Só tomei consciência das palavras depois que as soltei e ela me olhou interrogativamente. Bem, não foi dessa forma que eu quis dizer. Eu falei no sentido profissional. — Você é um chefe ruim, Matheus. Eu seria muito mais feliz aqui. — Um sorriso lindo tomou conta do seu rosto e eu tentei controlar a minha vontade de arrastá-la para dentro. Ela sabia como eu ficava quando ela me chamava de chefe ou chefinho. Ontem mesmo ela me provocou e soltou um “chefinho” na frente do pessoal da agência. Quando fui chamar sua atenção, ela teve a coragem de rir da minha cara e me dar as costas. — Entre comigo, Jess — sussurrei em seu ouvido. Nesse momento, ela se virou e ficamos um de frente para o outro, Jess ficou na pontinha do pé e me beijou. Minha mão passou pela sua cintura e a mantive firme contra a sacada. Pressionei minha ereção em seu corpo e o som que ela fez foi toda a confirmação que eu queria. — Eu quero aqui, Matheus — ela falou quando afastou sua boca da minha. — Você quer o quê aqui? — perguntei confuso, eu estava muito excitado para me tocar logo de cara o que ela queria fazer. — Eu quero você aqui, eu e você... — Sorri quando ela não conseguiu terminar, Jéssica não era


tímida. — É por isso que você é a minha safada, Jess — falei e voltei a beijá-la, só que dessa vez mais profundamente. Comecei a abrir os botões da camisa que ela usava, que por sinal era minha. Eu adorava fazer isso, só para não encontrá-la usando nada por baixo. — Você ainda vai me enlouquecer, garota — falei quando vi seu corpo nu todinho para mim. Virei-a de costas e pedi que se apoiasse na quina da sacada. — Eu vou te foder duro, Jess, mas se você gritar, eu paro — Ela sempre dizia que era uma tortura querer que ela não gritasse, mas eu gostava de vê-la tentando se controlar. Seu orgasmo era ainda mais intenso quando fazíamos isso. — Não, Matheus... — Sim, você quer ser fodida ou não? — perguntei em seu ouvido. — Isso não é justo. — Você quer ou não, Jess? — Quero. — Então, faz o que eu estou pedindo. — Passei a mão pelo seu cabelo e o enrolei em minha mão, puxando levemente para trás. Ela estava perfeita assim, com o bumbum empinado e pronta para me receber, os seios durinhos e arrepiados recebendo o sopro do mar enquanto seu pescoço estava livre para que eu pudesse deixar minha marca ali quando eu gozasse. — Não demora, Math, eu preciso de você — ela falou baixinho. Jess era sempre tão ávida, sempre querendo, sempre me entregando tudo dela. Isso me tornava insaciável. Peguei a camisinha no bolso de trás da minha calça jeans e rasguei a embalagem com a boca. Em se tratando da Jéssica, era melhor sempre ter uma por perto. Coloquei-a em meu comprimento com uma mão e continuei segurando seu cabelo com a outra. Senti quando ela tentou aliviar a pressão, o que só me fez puxar ainda mais sua cabeça para trás. — Você está com pressa, por quê? — perguntei enquanto abria suas pernas para que ela pudesse me receber. — Hummm... — ela não me respondeu, mas gemeu quando a cabeça do meu membro pressionou sua entrada. — Você quer isso, não é? Aposto que passou o dia todo querendo ser minha — falei baixo, e ela suspirou forçando seu corpo para trás, a safada estava louca para me ter dentro dela. — Eu vou dar o que você quer, Jess, vou dar porque eu amo te foder . — Nesse momento, ela forçou seu corpo contra o meu totalmente e eu senti meu membro a invadindo de uma vez só. Porra! — Puta que pariu, Jess! — rosnei em seu ouvido e puxei seu cabelo com força. — Me fode, Matheus, por favor. — Eu gosto quando você implora. — Aumentei o ritmo das estocadas e virei seu rosto de uma forma que eu teria acesso total à sua boca, beijei, mordisquei e a fiz gemer e se contorcer enquanto entrava e saía de dentro dela. — Aiiiii — ela deu um gritinho e eu comecei a sentir sua vagina se contraindo e me apertando descontroladamente. Me afastei na mesma hora e a virei de frente para mim.


— Você gritou. — Olhei em seus olhos e vi o desejo e a frustração que ela estava sentindo. — Não gritei, não! — falou desesperada. — Gritou. — Se ela podia me deixar maluco, eu também a deixaria. O que ela fazia comigo não era normal, eu estava ficando viciado em nosso sexo, no seu corpo e, principalmente, na sensação de tê-la saciada em meus braços logo depois. — Math, por favor. — Ela colocou a mão em meu peito e fez como se fosse me beijar, mas eu recuei. — Eu quero essa sua boca em outro lugar. — O fogo queimou em seus olhos assim que eu falei, e ela me provocou envolvendo a mão em minha ereção movimentando lentamente enquanto eu gemia em antecipação. Ela já tinha descoberto o quanto eu me descontrolava quando sentia a sua boca em torno de mim. Jess se ajoelhou sem deixar de me encarar por um só momento, lambeu os lábios e chupou. Ela era foda! Quando não estava mais aguentando a tortura, peguei-a no colo e a levei para a cama, eu seria um hipócrita de privá-la do que eu também estava louco para ter. Afundei-me nela duramente, eu já tinha segurado por muito tempo e meu corpo estava pedindo uma liberação com urgência. Quando ela começou a gemer e se contrair, eu me deixei levar, fui bruto enquanto seu corpo arqueava por causa do seu orgasmo. — Você é deliciosa — murmurei. Toda vez era assim, e por mais que eu me sentisse assustado com a química perfeita que tínhamos, eu não pretendia parar, ainda não era a hora de afastá-la. ***

Jéssica — Acorda, Matheus, eu não quero perder o café da manhã. — Pulei ao lado dele na cama, tentando fazer com que ele se levantasse, mas nada. Fui ignorada e ele continuou fingindo que estava dormindo. — Matheeeus. — Tentei de novo. — Eu sei que você já acordou. — Por que não pede o café da manhã no quarto? — ele falou e tapou o rosto com o braço, me dando total visão do seu peito definido, dos seus gominhos e principalmente do V marcado em seu abdômen, que era praticamente um caminho para a perdição. Ignorei meu desejo por ele. Se Math percebesse que eu estava excitada, ele não me deixaria sair dessa cama hoje. — Eu quero comer no restaurante. — Então, vai na frente. Daqui a pouco eu desço — ele falou e se virou para continuar dormindo. — Se você demorar não vai ter mais café, Matheus, aí já vai estar na hora do almoço. — Saí da cama e fui pegar minhas coisas para descer, se ele não queria ir, eu tomaria sozinha então. Eu não ficaria nesse quarto perdendo o dia lindo que estava fazendo lá fora. Mais tarde nós teríamos que ir embora para Nova Iorque e eu queria aproveitar os últimos momentos.


Entrei no restaurante do hotel e encontrei os meninos da agência tomando o café. Esse não era o primeiro trabalho que fazíamos para eles e eu os recebia direto para alguma reunião que tinham com o Matheus, por isso eu os conhecia bem o suficiente. Aproveitei que eles ainda estavam aqui e fui me sentar com eles. Comer sozinha seria o fim porque, pelo visto, o Matheus só acordaria mais tarde. Os três foram enviados juntos com a gente para acompanhar o trabalho fotográfico e, para a minha sorte, todos eram jovens, com quase a minha idade. — Conseguiu se livrar do Matheus hoje? — Jason perguntou. Ele era o mais bonitinho dos três, tinha um jeito meio nerd que me agradava. — Ele que se livrou de mim — respondi, eles não sabiam que eu e o Matheus estávamos saindo e nem dividindo o mesmo quarto, então preferi não me aprofundar muito. — Isso é bom — ele falou todo engraçadinho e me olhava curioso. Pedi meu café e começamos a conversar sobre as fotos e a cidade. Jason era diretor de arte e ficaria encarregado de criar a campanha depois que o trabalho do Matheus estivesse finalizado. Nos vinte minutos que passei ao seu lado, descobri que ele tinha 24 anos e que não tinha nenhuma namorada, não que eu tivesse perguntado. Essa foi uma informação que ele fez questão de me passar. Acabei descolando um convite para ir comer frutos do mar em um restaurante próximo ao hotel. Será que o Matheus se importaria se eu fosse? — Eu vou ver e depois te dou uma resposta, Jason. — Sorri para ele, que pareceu feliz. — Vai ver o quê, Jéssica? — Todos da mesa olharam para trás. Quando eu me virei, dei de cara com Matheus olhando seriamente para o Jason. É, acho que ele se importaria se eu fosse... — Se eu almoço ou não com o Jason, Matheus. — Ele se sentou ao meu lado deixando Jason sem graça. — Infelizmente não vai dar, nós temos outros planos. — Temos? — Olhei para ele surpresa, que tinha me garantido que eu teria a tarde para poder fazer o que quisesse. — Sim — ele falou e fez sinal para que trouxessem o menu. Jason não falou comigo depois disso e parecia intimidado com a presença do Matheus. Também pudera, Math fez questão de deixar claro que alguma coisa estava acontecendo entre a gente, desde a forma em que ele me olhava até a insistência em pegar na minha mão. Essa era a primeira vez que ele agia assim. — Você prometeu, Matheus — falei assim que entramos no elevador, ele sorriu e cruzou os braços no peito me olhando divertido, eu não sei do que ele estava achando graça. — Jess, relaxe. — Mas achei que eu pudesse me divertir um pouco mais — falei e não consegui impedir minha cara emburrada. — E você vai. Só que comigo. — Ele me puxou para ele. — Eu vou fazer tudo o que você quiser, pode decidir que hoje é você quem comanda. — Sério? Então, eu iria aproveitar cada momento, estar ao lado dele deixava tudo mais interessante, se é que vocês me entendem. Eu estava louca para ir a Ocean Boulevard, uma rua com calçadão de deck que tinha vários barzinhos com música ao vivo e um parque de diversões. Fiquei louca pela roda-gigante e acabei


convencendo o Matheus a ir comigo. Ele foi contrariado, mas foi. De que adiantaria vir em um lugar tão lindo e não aproveitar nada? No final, eu acho que ele acabou gostando. A vista lá de cima era perfeita e eu aproveitei para tirar algumas fotos. Dificilmente você encontra um fotógrafo sem uma câmera, essa era a minha maior paixão, tanto é que se tornou minha profissão. No final da tarde, eu estava exausta. Depois que saímos do parque, ele me arrastou até um barzinho e ficamos jogando conversa fora e bebendo um pouco. Ríamos da banda que tocava no fundo, não fazia muito o nosso estilo, mas no final tivemos bons momentos e, para a minha felicidade, consegui tirar algumas fotos muito boas do Matheus. Essas eu guardaria para mim para que eu sempre me lembrasse dele. — Jess — chamou assim que vestiu sua camisa, porque tinha acabado de sair do banho, seu cabelo ainda estava molhado e ele parecia muito gostoso no jeans que usava. — Hum? — murmurei enquanto revia as fotos que tinha tirado no dia. — Adorei a viagem — ele falou e tirou a câmera da minha mão, me puxando para si. Matheus passou a mão em meu cabelo, ajeitando uma mecha atrás da minha orelha. Ele me matava quando dizia coisas assim. Eu não sei se tinha consciência do quanto era carinhoso comigo. Quando fizemos aquele acordo, eu nunca pensei que teríamos uma relação tão íntima assim. — Eu também gostei... — Ele passou os dedos pela minha boca e parecia um pouco perdido em seus pensamentos. Coloquei meus braços em torno do seu pescoço e o beijei, Math correspondeu e senti sua respiração já entrecortada. Nesse instante, ele me afastou e sorriu sacana. — Nós temos que ir, sua safada. — Ele estava certo. Tínhamos menos de uma hora para chegar até o aeroporto. Por mim ficaríamos mais alguns dias, mas a vida real nos esperava. Subi apressada a escada do meu prédio. Matheus tinha acabado de me deixar em casa e eu estava precisando muito de um bom descanso. Ele até insistiu para que passasse a noite com ele, mas dessa vez eu recusei. Eu tinha que passar um tempo com a Anny, caso contrário ela me mataria. Assim que a vi dei um abraço forte nela e fui deixando minhas malas pelo caminho. Anny sorriu pela bagunça. Esse era um ponto em que ela e o Matheus definitivamente concordariam, eles odiavam minha desordem. — Como foi a viagem? — ela me perguntou. Minha amiga ainda não tinha aceitado o meu “rolo” com o Matheus e sempre dava um jeito de deixar isso claro. Eu preferia ignorar o que ela falava e tentava não levar tão a sério. No fundo, ela só estava cuidando de mim. — Foi ótima, Anny, Myrtle Beach é uma cidade linda. Um dia, eu quero que ir com você. Tenho certeza de que vai amar — falei empolgada. — E o Matheus? — ela perguntou, preocupada. — Está bem — falei, mudando logo de assunto. Continuamos conversando e depois tratei de ir descansar, por sorte amanhã seria domingo e eu não precisaria acordar cedo. Fui dormir pensando em como tudo tinha sido perfeito. Matheus tinha esse jeito todo vaidoso "ah, eu não tenho namoradas", mas no fundo, eu acho que ele tinha era medo de se envolver com alguém. Quando relaxava, eu conseguia ver o quanto era amoroso e protetor, e confesso que estava


começando a gostar desse seu lado. Fui acordada no domingo com o som do meu telefone tocando, nem olhei para ver quem era, na minha cabeça seria o Matheus ou a Katie, então fui logo atendendo. Ainda sem conseguir abrir os olhos direito falei: — Alô. — Amor. — Eu não podia acreditar. Aaron? Eu ainda não estava preparada para falar com ele. — Amor, fale comigo. Eu sei que você está me ouvindo. — Sua voz soou do outra lado da linha e eu meio que acordei. — O que você quer? — Eu não falava com ele há meses. Ele não podia simplesmente me ligar assim do nada. — Preciso falar com você, Jéssica. Tenho que te contar que... — Eu não quero saber, Aaron, me desculpe! — falei e desliguei na sua cara. Irritada, enxuguei as lágrimas que desciam pelo meu rosto. Pensei que ele tinha perdido o poder de me afetar, mas pelo visto eu estava enganada. Assim como a Anny, Aaron e eu crescemos juntos. Ele era um ano mais velho do que eu e sempre fez de tudo por mim. Nós éramos inseparáveis. Desde criança nós sabíamos que terminaríamos juntos. Ele fazia questão de dizer que um dia eu seria a sua namorada e a mãe dos seus filhos; e eu, ingênua, acreditei em em cada palavra e promessa que ele me fez ao longo dos anos. Que tola! Puxei meu cobertor e fiquei ali quietinha relembrando os últimos momentos que tivemos e esperando essa dor sufocante passar... — Qual é o seu problema hoje, Jéssica? — Matheus gritou comigo. Essa era a segunda vez que ele se descontrolava. Nós estávamos no meio de um ensaio fotográfico e eu juro que estava tentando me concentrar, mas não conseguia. Eu ainda estava nervosa por causa da ligação de ontem. — Querido, por que você não dá uma folga a ela? Pede que ela saia e nós continuamos sozinhos — Caroline falou e me olhou da cabeça aos pés. Eu também estava irritada com a forma como ela agia com o Matheus. Pelo que percebi, os dois já tinham trabalhado juntos antes. Ela era uma modelo bem conhecida e totalmente insuportável. Para melhorar, ela deixou “escapar” que eles tiveram um pequeno caso há alguns anos. — Jess, vai dar um tempo lá fora, sim? Se você derrubar mais uma lente, eu sou capaz de... — Saí cuspindo fogo do estúdio. Eu sabia que não deveria ter deixado três lentes caírem, mas eu estava nervosa, poxa! Aproveitei que fui dispensada e fui tomar um café no Starbucks. Aquela loira irritante estava me incomodando. Toda cheia de beijinhos e abraços para o lado do Matheus. E o pior é que ele a tratava como se eles fossem os melhores amigos do mundo. Ouvi meu telefone tocar e atendi quando vi quem era. — Fala. — Traga um café para mim, Jess, e me desculpe se eu gritei com você. É que só hoje você já danificou uma lente e quase quebrou a outra. — Era por isso que nunca ligava para os gritos dele, ele sempre se desculpava depois. O Matheus profissional era muito diferente do meu Matheus. Pelo amor de


Deus, de onde eu tirei o MEU Matheus? — Eu vou levar. — Tem certeza de que está tudo bem com você? — Ele passou o dia inteiro me olhando preocupado. — Tenho sim, daqui a pouco eu estou de volta — falei e desliguei. Claro que eu não estava bem hoje. Aaron não saía da minha cabeça. Eu não quis ouvir o que ele tinha para falar ontem e agora isso estava me atormentando. Demorei mais tempo do que o normal e quando voltei, Matheus me olhou de esguelha. Ignorei-o e voltei a trabalhar. Eu queria que ele terminasse logo esse ensaio para poder ficar bem longe dessa tal de Caroline. — Matheus, você vai me pegar a que horas mesmo? — Caroline soltou enquanto terminava de se arrumar. Math estava guardando o equipamento e percebi quando desviou seu olhar do meu. Alguma coisa dentro de mim não gostou de saber que eles sairiam juntos. Pior ainda foi a sensação de estar sendo enganada. Mas aí a razão bateu, enganada por que, se o que tínhamos era apenas sexo? — Às 20h, Carol — ele falou e saiu da sala sem olhar um só momento em minha direção. Fiquei ali um pouco desesperada, meu dia tinha sido uma merda do início ao fim. Quando deu meu horário, fui embora sem me despedir dele. Nós estávamos juntos há quase dois meses e nesse tempo eu não o vi olhar com segundas intenções para nenhuma modelo. Ele sempre me respeitou e me mantinha por perto quando alguma era insistente demais. — Cadê você, Jéssica? — ele falou assim que atendi sua ligação. Eu sempre voltava para casa com ele, que fazia questão de me dar uma carona. — Eu saí mais cedo, Matheus — falei ríspida. — E se esqueceu de me avisar? — Eu achei que estaria ocupado ou atrasado, sei lá. Você não tem um encontro esta noite? — Argh! Odiei a forma como isso soou. — Jéssica, isso é ciúme? — perguntou preocupado e eu não soube o que responder. — Você se lembra do nosso acordo, não é? — Sim. — Então, deve saber que eu não pretendo ficar com ninguém enquanto estiver com você, mas ciúme é um sentimento que definitivamente não faz parte do que combinamos — ele falou um pouco mais sério que o normal. — Eu sei. — Caroline é uma amiga, Jéssica, e é por isso que eu vou sair com ela esta noite. Mas amanhã nós precisamos conversar, tudo bem? — ele disse e desligou logo depois. Por que eu sentia como se o estivesse perdendo?


***

Matheus Eu não queria ter perdido a paciência com a Jess hoje, eu odiava brigar com ela. Nós éramos tão bons juntos, na cama e fora dela. Ela parecia entender tudo que eu queria e antes mesmo de ter que pedir, ela já tinha tudo pronto. Eu não sei como as coisas ficariam quando nós terminássemos. Aos poucos, ela foi se tornando essencial em minha vida. Fiquei chateado quando percebi que estava sentindo ciúmes. Era disso que eu fugia. Por esse motivo eu preferia não ter relacionamentos. Iríamos fazer dois meses juntos e confesso que era tempo demais com uma garota só. Não que eu estivesse com vontade de ficar com outra, isso ainda não tinha acontecido, nem mesmo quando coloquei os olhos na Caroline essa manhã. Eu e ela tínhamos tido um caso há alguns anos e eu posso garantir que ela tinha sido uma das minhas melhores transas. Só perdia para a Jess. Tanto é que dei um jeito de continuarmos amigos depois que terminamos. Caroline era linda, loira, alta, com os olhos verdes e o corpo perfeito. Mulheres assim eram boas de se ter por perto quando a oportunidade surgisse. Uma das coisas que eu sempre gostei foi de fotografá-la, e hoje não tinha sido diferente. Mas essa era a primeira vez que eu não sentia desejo ao vê-la. Acho que ter a Jess ali ao meu lado me ajudou a controlar. Quer dizer, mudou meu foco, porque era só ver aquela baixinha emburrada andando para lá e para cá que eu morria de vontade de pegá-la no colo e fodê-la contra a parede, como tínhamos feito tantas vezes. Não tinha um canto do meu estúdio que eu não tenha transado com ela e lembrar esses momentos era um gatilho para o meu tesão. Desliguei o telefone e fui me arrumar para me encontrar com a Caroline. Eu realmente não pretendia fazer nada mais do que jantar. Eu não era do tipo que enganava ninguém, porque, quando eu estava com alguém, essa pessoa era a única. A noite acabou sendo melhor do que eu esperava. Caroline tinha um humor um tanto irônico que me divertia muito. Acabei relaxando ao seu lado e deixando as minhas preocupações de lado. Quando fui deixá-la em seu hotel, recusei o convite para subir e vi a expressão de decepção em seu rosto. Incrível como nada disso me afetou, seus sorrisos sedutores e seus joguinhos não funcionaram comigo essa noite. Acho que enquanto eu estivesse com a Jess, eu estaria imune a ela. Depois que deixei Caroline no hotel, eu fui logo para casa. Até pensei em ir atrás da Jéssica e chamá-la para passar a noite comigo, mas era nesses momentos que eu percebia que estava passando dos limites na nossa relação. Era óbvio para mim que eu nunca desejei tanto estar ao lado de alguém como eu desejava estar ao lado dela. Só que, infelizmente, isso teria que parar, ou a gente iria acabar confundindo os sentimentos e magoando um ao outro.


CAPÍTULO 4

Matheus Andei de um lado para o outro da minha sala, Jéssica estava atrasada. Eu tinha planejado ter a nossa conversa essa manhã, antes da reunião começar. Passei a noite toda "quebrando a cabeça" e cheguei à conclusão de que a melhor coisa a se fazer seria dar um tempo no que estava acontecendo antes que as coisas saíssem do controle. O ciúme dela foi apenas a ponta do iceberg, depois disso viriam as cobranças, as brigas e todo o resto de drama do qual eu sempre fugi. Confesso que estava inquieto, ansioso não sei dizer, mas era só um fim, não era? Por que isso estava me deixando tão nervoso? Eu acreditava na maturidade da Jéssica a ponto de saber que não teríamos problemas quanto a nossa relação profissional, então eu não deveria estar preocupado. Sentei-me na cadeira, apreensivo. Será que eu estava tomando a decisão certa? Lembrei-me da forma como ficávamos bem juntos, como nosso sexo era gostoso e sem-vergonha. Eu sentiria falta principalmente dessa parte, mas não podia me deixar levar apenas pela nossa química, nossa relação tinha praticamente se tornado um namoro. Olhei o relógio, mais uma vez, faltavam cinco minutos para começar a reunião, os meninos da redação e do planejamento já tinham chegado, pelo visto só estavam faltando ela e o Jason. — Michelle, a Jéssica avisou se chegaria atrasada? — Liguei para o ramal da minha secretária e perguntei. — Não, Matheus. Eu até liguei para o seu celular, mas só cai na caixa postal. — Puta que pariu! — xinguei. ***

Jéssica Acordei totalmente atrasada, perdi a carona com a Anny, perdi meus sapatos, perdi tudo, só não perdi a cabeça porque não tinha como. Fui dormir tarde a noite passada, temendo a conversa que teria com o Matheus, ele soou tão diferente ao telefone ontem que eu até estranhei. Eu sabia que o nosso acordo era de que não haveria nada mais do que sexo, só que nós dois já tínhamos passado disso há muito tempo, nos finais de semana a gente não se desgrudava, e ultimamente eu dormia em sua casa mais do que na minha. Quando tinha que fazer compras, me arrastava junto; quando queria assistir um filme era a mim que recorria. Às vezes, durante o expediente, com cada um em sua sala, Matheus me ligava só para perguntar


o que eu queria jantar, já que era ele quem cozinhava. Isso não era mais só sexo, só ele que não tinha percebido ainda. Tudo que estava acontecendo me deixava um pouco confusa, eu não podia me envolver dessa forma com ninguém, sempre tive isso bem claro na minha cabeça, só que a maneira como eu o enxergava e o que sentia por ele tinham mudado. Eu não sei dizer ao certo, mas eu acho que estava começando a gostar do Matheus, só um pouquinho, sabe? Ele podia até não perceber, mas era perfeito, sempre carinhoso e gentil, além de muito impetuoso. Como ele foi o meu primeiro, eu não sabia se as coisas eram sempre tão incríveis como eram com a gente. Cheguei até a perguntar a Katie, mas ela riu e falou que eu tinha era que agradecer a sorte que estava tendo. Por mais que passássemos a maior parte do tempo na cama, eu sentia que existia mais entre a gente, eu só não sabia exatamente o quê. Saí do meu prédio e, antes de atravessar a rua, ouvi alguém chamar meu nome. Virei-me e encontrei Jason acenando, pela hora já era para ele estar na reunião com o Matheus. — Você está atrasado, Jason — falei séria, porque eu não era tão necessária quanto ele era hoje. — Eu sei, eu tive que dar uma carona para uma amiga e... — Amiga? Sei. — Ok — falei achando divertido a forma como ele ficou sem graça. — Eu serei sua carona agora, se apresse porque eu tenho certeza de que o Matheus vai nos matar. — Ele sorriu e me levou até o seu carro, Jason era um fofo e eu aproveitei para provocá-lo sobre a sua amiga, foi engraçado vê-lo tentando explicar que ela não era o que eu estava pensando. ***

Matheus Comecei a reunião sem o Jason e a Jéssica, falar que eu estava puto da vida era pouco, ela nunca tinha me deixado na mão e logo hoje que eu estava apreensivo tinha que ser a primeira vez. Saí da sala de reuniões e fui pegar as cópias do material impresso que pedi para a Michelle preparar quando escutei a risada descarada da Jess no corredor. Jason e ela riam como dois bobos e assim que me viram se calaram rapidamente, ela ficou séria e ele pareceu decepcionado. — Posso saber qual é a graça? — perguntei olhando diretamente para ela, enquanto ignorava o Jason. — É que aconteceu uma coincidência enorme, Math — ela disse rindo e olhou cúmplice para ele. — O Jason foi levar uma amiga que morava no prédio ao lado do meu e... — A história deve ser incrível mesmo Jéssica, mas se você puder se adiantar e fazer o seu trabalho, eu agradeço — soei um pouco mais irritado do que eu queria. Além de atrasada, ela tinha pegado carona logo com o Jason? Desde a nossa viagem, eu estava de olho nele, que não fazia mais a menor questão de esconder seu interesse por ela; eu relevei até agora, mas hoje eu chamaria a atenção da Jess sobre seu comportamento com ele.


Quando voltei para a sala, os dois estavam sentados um ao lado do outro, tentei me concentrar e voltar minha atenção para a reunião, mas ele parecia mais interessado em admirá-la do que em me escutar. Assim que terminou, saí pisando duro e fui para a minha própria sala, os sorrisinhos que eles trocaram o tempo todo me atormentaram a reunião inteira, passei o tempo todo com a ideia absurda de afastá-lo e dizer que ela me pertencia. E é aí que estava o problema, a Jéssica não era minha, e o pouco que tínhamos acabaria hoje, então, por que eu me sentia tão irritado por vê-los juntos? Assim que entrei na minha sala, Jess veio atrás. — Está tudo bem, Matheus? — ela perguntou receosa. — Sim. — Observei cada passo que ela deu em minha direção, eu poderia estar calmo por fora, mas por dentro eu estava em um turbilhão de emoções, cheio de dúvidas e morrendo de desejo ao mesmo tempo. Toda a certeza de que eu tinha essa manhã tinha desaparecido. — Você disse que queria falar comigo, então... — Ela estava apreensiva, muito diferente de como estava há poucos minutos com o Jason. Isso me fez repensar a minha decisão, se eu terminasse com ela agora, eu estaria deixando o caminho livre para aquele nerd, e não era isso que eu queria. — Não era tão importante assim, esquece — falei, e ela sorriu alegre. Com a Jess nunca tinha meio termo e nem fingimento, isso era o que eu mais admirava nela. Apoiei-me na beirada da mesa e a puxei para que ela se encaixasse entre as minhas pernas. Subi seu queixo e fiz com que ela me olhasse. — Desculpe-me pela forma que falei com você mais cedo, Jéssica. — Desculpo, mas você foi um grosso sem necessidade — ela falou e fez bico, mas eu sabia que já estávamos bem. — Você se atrasou, e para piorar chegou com o Jason — deixei escapar e logo me arrependi. — O que tem o Jason? — Ela tentou se afastar dos meus braços, mas a impedi. — Você jura que não sabe? — Talvez eu saiba, mas isso não quer dizer que eu quero o mesmo que ele — ela falou emburrada. — A questão aqui é que você parece que dá corda a ele e eu não gosto disso. — Eu nunca tinha faltado com respeito a ela e exigiria o mesmo. — Isso por acaso é ciúmes, Matheus? — ela perguntou debochada e com um sorriso sacana no rosto. Fiquei puto e a soltei dos meus braços, isso não era ciúme, eu só não queria os dois juntos. Será que era tão difícil entender? — Enquanto estiver comigo, eu não quero que você fique sozinha com ele, e muito menos pegando carona — falei enquanto rodeava a mesa e me sentava em meu lugar. — Então, depois que terminarmos, eu posso? — ela provocou e eu perdi a paciência. — Eu tenho que fazer uma ligação, Jess, e quero ficar sozinho. Sai, por favor. — Ela me olhou confusa pela forma repentina com que mudei de humor e me deu as costas sem falar nada, mas mostrou seu desgosto quando bateu minha porta com força.


O que foi isso? Odiava a forma como estava me sentindo, eu nunca fiz o tipo possessivo, isso não era da minha natureza. Sempre me orgulhei disso, e achava ridículo quando meus amigos demonstravam ciúmes de suas namoradas. Sempre tive a cabeça aberta em se tratando de relacionamentos, só que quando vi a Jess e o Jason juntos, rindo e parecendo tão cúmplices, eu desisti de tudo. Talvez eu ainda não estivesse preparado para deixá-la, essa era a verdade. No final da tarde fui até a sua sala e a encontrei sentada no largo tapete que ela tinha me pedido que eu colocasse, tudo aqui tinha a sua personalidade. Almofadas coloridas estavam sob o tapete, várias fotos das suas viagens pela parede e prateleiras, fora a bagunça que ela fazia. Tanto é que quando ela precisava receber algum cliente, ela corria para a minha sala. Eu não sei como, mas eu não me importava com nada do que ela fazia, Jess tinha uma forma meio silenciosa de invadir o meu espaço, e quando dei por mim ela já tinha tomado conta do meu estúdio, do meu carro e até das minhas vontades. E isso me assustava como o inferno! Entrei e por um momento ela desviou sua atenção do laptop, que estava em seu colo, e me olhou. Ela ainda estava magoada e com toda a razão, eu tinha me descontrolado mais cedo, mas não queria que isso continuasse. — Eu já terminei por hoje. Quer uma carona? — falei enquanto me sentava na poltrona. — Não, eu vou ficar mais um pouco — respondeu enquanto se levantava, mas em nenhum momento me olhou. Fui até ela e a puxei para que se sentasse no meu colo. — Dorme hoje comigo, Jess — murmurei em seu ouvido e senti seu perfume. — Não posso, eu tenho que terminar de editar essas fotos. — Quase me esqueci de que ela tinha que entregar esse trabalho ainda essa semana, sua amiga Katie a deixou encarregada de tirá-las no último lançamento da galeria em que trabalhava e eu fiquei orgulhoso. — Se você for para casa comigo, eu te ajudo. — Arranquei um sorriso dela. — Chantagista, você sabe que pode fazer isso com a metade do tempo que eu levo. — Eu sei — murmurei e dei um beijinho em seu pescoço e fui subindo até chegar à sua boca. Seus olhos encontraram os meus nesse momento e um frisson eletrizante percorreu meu corpo, isso não era normal. Tomei seus lábios com vontade, quase que esfomeado enquanto a pressionava mais contra o meu corpo. Eu a queria entrelaçada comigo, queria a confusão que nossos corpos faziam quando estávamos juntos, eu queria ela entregue e necessitada, só assim eu me acalmaria, só assim essa vontade de marcá-la como minha desapareceria. — Math, não. — Ela afastou sua boca da minha e eu encarei aqueles olhos azuis tão transparentes que agora pegavam fogo. — Não? — perguntei, ela nunca tinha dito não para mim. — Eu... eu realmente tenho que terminar a edição e prefiro fazer isso aqui. — Observei-a falar, e vi quando enrubesceu. — Tudo bem. — Tirei-a do meu colo e me levantei desconfortável por causa da ereção que estava pressionando em minha calça. Fiquei envergonhado por desejá-la tanto e me xinguei mentalmente de


idiota. Acordei essa manhã querendo afastá-la e agora iria dormir morrendo de vontade de tê-la em meus braços, se essa não era uma merda de uma ironia, eu não sabia o que era. ***

Jéssica Quando saí do estúdio do Matheus, já eram mais de 21h, eu acabei me empolgando e nem percebi o tempo passar. Enquanto trabalhava eu me entregava totalmente, esquecendo tudo ao meu redor, e era disso que eu precisava hoje, meu dia não tinha sido um dos melhores e eu não queria pensar em nada que me deixasse pior. — Chegou tarde — Anny falou assim que entrei no apartamento. Ela estava sentada no sofá e eu aproveitei para me jogar ao seu lado. — O que aconteceu? — Ela sabia quando eu não estava bem, acho que ninguém conseguia me “ler” tão bem quanto ela. — Nada, só tive um dia difícil. — Puxei o saco de pipoca da sua mão e comecei a comer, eu estava com fome e não tinha pegado nada pelo caminho. — Matheus te trouxe? — Não, eu tive que terminar o trabalho da Katie e acabei ficando no estúdio. — Ela ia falar alguma coisa, mas seu celular tocou e ela correu para atender em seu quarto. Das duas uma: ou era o Aaron ou algum garoto novo que eu não conhecia. O mais provável era a primeira opção, ela sempre atendia as ligações do irmão bem longe de mim. Levantei-me e fui para o quarto, não queria ter que ouvir seus comentários depois a respeito da conversa, tudo que eu queria era dormir em paz por algumas horas. ***

Matheus Dias depois... — Vem cá. — Aproximei seu corpo do meu, e deixei que sua respiração voltasse ao normal, Jess estava quente e ainda trêmula do orgasmo que tinha acabado de ter. Apesar da sua pouca experiência, ela era uma safada, sempre querendo experimentar coisas novas e me instigando. Eu gostava da forma como ela se entregava e não resistia, tomava tudo dela ao mesmo tempo que a ensinava o que eu gostava na cama. Podia até parecer machismo da minha parte, mas o sexo ficava ainda melhor sabendo que eu era o único homem com quem ela tinha ido para cama. — Você é foda, Math — ela murmurou e eu sorri. Minha safada estava de volta. Passei os últimos dias tenso com a distância que ela estava colocando entre a gente, questionei-a


milhões de vezes se ela estava bem, se eu tinha feito alguma coisa errada, mas ela desconversava e se afastava. Foi assim até hoje, quando já desesperado eu a convenci a vir para a minha casa. Para a minha surpresa, ela não esperou nem que subíssemos para o quarto e ainda no hall de entrada me beijou e me pediu para tê-la ali mesmo. A fodi contra a parede, e me segurei para não deixar que o desejo acumulado não estragasse a nossa diversão, seus gemidos ressoaram pela casa, sua boceta me recebia de forma gulosa. Saber que Jess estava tão faminta quanto eu, me deixava em desespero. Ela era tudo que eu queria e precisava nesse momento, eu só queria me afundar dentro dela e me perder em seu corpo, mais uma vez. Eu não sabia do que a Jess estava fugindo, mas não deixaria ela me afastar, pois enquanto esse desejo existisse, ela ficaria comigo. Isso era o máximo que eu poderia admitir por agora. — Eu nunca conheci uma baixinha tão implicante como você, garota — falei e sorri ao mesmo tempo, Jéssica estava irritada com as garotas da mesa ao lado que não paravam de olhar para gente. Depois que acordamos essa manhã, preparei nosso café e decidi trazê-la para almoçar no Ping's Seafood comigo, um restaurante que ficava localizado em Chinatown e era um dos meus preferidos em se tratando de comida asiática. Eu queria aproveitar o dia com ela e curtir um pouco a minha Harley. Achei que ela fosse surtar quando percebesse que não iríamos de carro, mas a safada gostou e ficou ainda mais animada quando colocou os olhos na moto. — Promete que você vai me ensinar? — Ela ignorou a minha provocação e voltou a pedir que eu a ensinasse a pilotar. Eu nunca faria isso, Jess até podia ter essa pose de garota independente e forte, mas no fundo era delicada demais para que eu a deixasse se arriscar assim. — Não. — Poxa, Matheus, eu não sou mais criança. Se você me ensinar, eu posso comprar uma para mim e parar de andar de carona e metrô. — Sorri ainda mais, achando graça. — Você quer uma Harley Davidson? — Quero. — Você tem noção do quanto custa uma, Jéssica? — Sim, quer dizer mais ou menos. — Ela sorriu boba. — Eu nunca deixaria você comprar uma moto assim. Quer um carro? Eu te dou um, agora moto? Pode esquecer. — Eu não preciso que você me dê nada, Matheus — ela falou chateada. Eu não queria ter parecido pretensioso, era só que eu tinha mais do que conseguia gastar. Tirando a moto, o carro e as viagens que eu não abria mão, eu não tinha muitos gastos e só morava em Carnegie Hill porque eu queria me reaproximar do meu pai, caso contrário eu estaria na área mais “agitada” de Manhattan. Meu pai era contra essa minha mania de querer me misturar, mas eu não gostava dessa babaquice dos ricos no meio em que fui criado. Eu era muito pé no chão e isso sempre o irritou. Seu desejo sempre foi que eu assumisse o seu legado, mas eu fugi desse encargo e batalhei para ser reconhecido pelo meu talento e não pelo sobrenome que eu levava. — Eu sei que não, Jess. — Pisquei para ela e peguei em sua mão. Ela ficou sem graça com a demonstração de carinho e afastou sua mão da minha.


— Sabe o que eu acho, Matheus? — Hum? — Eu acho que você gosta de mim — falou divertida. Olhei sério para ela e me recriminei por toda essa confusão, eu estava dando corda para que ela imaginasse coisas, mas enquanto Jason estivesse por perto eu não a deixaria. — Mas eu gosto, Jess, principalmente quando você está na minha cama gemendo feito uma gata e me arranhando todo — respondi baixo para que ninguém ouvisse e ela enrubesceu na hora. — Idiota! — Ela desviou seu olhar do meu. — Terminou? — Eu estava doido para sair desse restaurante e ir dar uma volta com ela, talvez assim o clima ficasse menos tenso entre a gente. Ela balançou a cabeça afirmativamente, e continuou olhando para outra direção. Birrenta! ***

Jéssica O que eu ainda estava fazendo aqui? Eu me perguntei enquanto tomava banho no quarto do Matheus, eu deveria ter ido para a minha casa isso sim. Depois que chegamos, ele pediu que eu passasse a noite e eu acabei aceitando, porque dormir sem ele já não era tão bom quanto antes. — Baixinha, vai demorar muito? — Matheus entrou já perguntando, ele tinha tomado banho antes de mim e desceu para preparar alguma coisa para nós comermos. — Vou. — A água estava gostosa, eu não queria sair daqui tão cedo. — Eu vou ter que arrastar você à força desse chuveiro, Jess? — Ele me olhou sério, mas eu não tinha medo das suas ameaças. — Duvido que você tenha coragem — falei enquanto terminava de enxaguar meu cabelo. Matheus abriu o boxe e entrou, ele estava usando só uma calça moletom que eu adorava. — Não, Math! — gritei quando ele me pegou no colo. Merda, eu nem tinha terminado de lavar o cabelo. — Você é um idiota! — falei e ele me jogou na cama. Sim, ele realmente me jogou e, para piorar, ainda me prendeu com o seu corpo. — Já é a segunda vez que você me chama de idiota hoje, garota. Sabe o que você merece? — Balancei a cabeça, eu não sabia o que eu merecia, mas sabia o que eu queria e acho que ele queria o mesmo, porque senti quando ele pressionou sua ereção contra a minha barriga. — Você merece umas palmadas, Jess. — Olhei para ele assustada, ele não era nem louco. — Não — falei enfática. — Sim, fica de quatro. — Ele mandou autoritário. Não sei se eu gostava da forma como soou, mas senti um formigamento pelo corpo.


— Rápido, Jéssica. — Matheus puxou meu quadril para baixo e eu me virei a contragosto. Eu ainda estava molhada e começando a sentir frio, mas não podia negar que estava excitada, ele nunca tinha falado assim comigo. — Eu amo esse bumbum empinado, sua safada. Sempre tive vontade de dar uns tapas nele e agora eu tenho um bom motivo para isso — ele falou e meu corpo reagiu estremecendo em antecipação. Matheus puxou meu cabelo, o que fez com que meu corpo ficasse curvado e no momento em que ele sussurrou em meu ouvido, recebi o primeiro tapa. — Da próxima vez que você me chamar de idiota vai ser pior, Jess, porque eu vou querer pegar você por trás e garanto que não vou ser carinhoso, pois eu vou te deixar toda fodida. — Oh meu Deus, ele deu outro tapa e eu gemi. — Você gosta, não é? — ele falou e pressionou seu membro ainda dentro da calça em meu bumbum. Nesse momento mordi meus lábios, tentando me controlar. Era possível ter um orgasmo assim? Ele continuou e eu fui sentindo a minha excitação escorrer entre as minhas pernas. No sexto tapa ele parou, se afastando e me deixando com uma sensação de vazio e frustração. Eu queria que ele continuasse. — Vista alguma coisa Jess, nosso jantar está pronto. — Um sorriso sacana surgiu em seu rosto. Ele tinha feito isso de propósito! Pensei em chamá-lo de idiota novamente, mas seria provocação demais, além disso, eu não estava preparada para o que ele falou que faria comigo. Coloquei uma das suas camisas e uma calcinha que eu deixava em sua gaveta para emergências. Desci e senti o cheirinho maravilhoso do frango tailandês que ele tinha preparado, Matheus me ganhava na cama e na cozinha, eu estava definitivamente ferrada com esse homem! Depois de ter passado o sábado e o domingo na casa do Math, essa noite eu iria finalmente para o meu apartamento. Passei o dia de hoje cuidando dos detalhes para a viagem dele a Miami, que seria dentro de alguns dias. Não sei como ele se virava antes de mim, mas eu desconfio que ele lidava com os problemas em cima da hora, porque aparentemente ele não planejava nada. — Baixinha — chamou entrando em sua sala, eu tinha aproveitado sua saída para poder ficar aqui. — Oi — falei e sorri. — Vai fazer o que essa noite? — Ficar com a Anny, ela falou que tem uma novidade para me contar. — O que era estranho, ela sempre me atualizava de tudo por telefone, não entendi porque todo o mistério. — Por quê? — Ele sabia o que eu fazia nas noites de segunda, não entendi a sua pergunta. — Queria você na minha cama hoje de novo. — Math era um sacana, e eu sabia que ele teria fôlego suficiente para me entreter a noite inteira, pena que eu precisava descansar. Nem só de sexo maravilhoso, incrível e gostoso vive uma mulher. Quando deu o fim do expediente, saí apressada e louca de curiosidade para saber o que a Anny queria. Matheus tinha um jantar na casa de seu pai e por isso fui de metrô para casa. Passei antes em um supermercado para comprar algumas besteiras para a gente, porque nós sempre víamos algum filme e fofocávamos na noite de segunda. Assim que cheguei ao meu prédio, subi as escadas, graças a Deus que eu morava no terceiro andar.


Ainda carregando algumas sacolas na mão, comecei a procurar as chaves em minha bolsa. Já no corredor nem notei que tinha alguém parado em minha porta, foi só quando olhei para cima que eu vi a última pessoa que eu esperava encontrar aqui. Eu ia matar a Anny, melhor, eu ia esganá-la até a morte e depois... — Amor — ele falou e abriu um sorriso. Quase tive um treco, mas me segurei para ser forte e não demonstrar o quanto ele ainda me afetava. — O que você está fazendo aqui, Aaron?


CAPÍTULO 5

Jéssica Odiei a forma como ele me olhou, como também o seu sorriso e o fato dele parecer ainda mais bonito e, principalmente, a forma como meu coração disparou e doeu ao vê-lo. Engoli em seco quando ele se aproximou, e me forcei a não chorar. Muita coisa tinha acontecido entre a gente e eu não estava preparada para lidar com o meu passado ainda. — Eu senti saudades, amor — falou tranquilo e com aquele sorriso de canto. Eu juro que não sabia se o xingava ou se corria para os seus braços. Só me segurei porque eu jurei que nunca mais deixaria ele interferir em minha vida. — Cadê a Fernanda? — perguntei e sua expressão ficou tensa. Eu sabia que era injusto jogar a culpa de tudo que passei em cima dela, mas eu não conseguia separar isso em minha cabeça. Eu não a suportava. — Eu tenho que conversar com você, Jéssica. Podemos entrar? — Ele tirou as sacolas da minha mão e eu fiquei ali sem saber direito o que fazer. Assim que consegui parar de tremer e abrir a porta, nós entramos. Eu estava muito nervosa, tinha muito tempo que não ficávamos sozinhos. Confusa, eu fiquei parada o olhando enquanto ele checava o apartamento. — Eu achei que tivesse deixado claro que não queria você perto de mim, Aaron — falei quando consegui raciocinar novamente. — Jéssica — Seu olhar cruzou com o meu. —, eu e a Fernanda não estamos mais juntos. — Esperei tanto tempo para ouvir essas palavras, mas quando eu decidi pôr um fim na nossa história, ele simplesmente voltou? — Mas... e o bebê? — minha voz soou embargada. — Ela perdeu — ele falou como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Não vi dor e nem tristeza em seus olhos, e isso me incomodou. Aaron e eu começamos a namorar quando fiz 16 anos, nós sempre fomos apaixonados um pelo outro e era óbvio para todo mundo que um dia ficaríamos juntos. Namoramos por quase dois anos até ele ir para a faculdade do outro lado do país. Ele tinha conseguido uma bolsa integral na Universidade da Califórnia. Se eu soubesse que esse seria o primeiro passo para o nosso fim, eu não teria ficado tão feliz como fiquei na época. Depois de um tempo sem nos ver decidi ir visitá-lo, já que ele sempre inventava uma desculpa para não voltar para casa. Fui surpreendida quando ele terminou tudo comigo alegando que não conseguiria manter um namoro à distância sem ser infiel. Ele falou que me amava muito para me enganar e que


preferia ser sincero a me magoar. Antes de voltar ele me pediu para ser paciente e me prometeu que eu sempre seria a única para ele. Eu acreditei, mas nada disso fez com que a dor diminuísse. Saí de lá arrasada, e sem perceber entrei em um estado de choque tão grande que já não sentia mais fome e nem tinha vontade de sair de casa, a única pessoa com quem conversava era a Anny. Na época eu morava com os seus pais, que sempre foram uma segunda família para mim. Mas minha amiga era a única que sabia pelo que eu estava passando, tentei esconder de todo mundo o quão ruim eu fiquei, e consegui. Alguns meses depois recebi a notícia de que Aaron voltaria para a Ação de Graças, e pela primeira vez em semanas eu me senti feliz novamente. Achei que fosse conseguir convencê-lo a voltar para mim, que talvez se conversássemos melhor as coisas mudariam. Desisti de ir visitar meus pais e passei o feriado em casa, esperando ansiosa por ele. Quando chegou e me viu parada o esperando seu rosto congelou, olhei para a garota ao seu lado e finalmente entendi porque ele quis terminar comigo. Fui apresentada a sua namorada e fiz o meu melhor para esconder a decepção que sentia. Seus pais e a Anny me olhavam preocupados e com pena. Não aguentei a pressão e assim que pude fugi para o meu quarto. Depois disso, tudo virou um borrão, eu sei que o que fiz aquela noite foi errado, mas não suportei e fiquei desesperada em saber que nada do que ele me prometeu era verdade. Cometi um erro do qual eu sempre me arrependeria, por causa dele eu quase perdi tudo. Os meses se passaram, meus pais e os pais da Anny me perdoaram, e tudo estava voltando quase ao normal. Eu e ela iríamos morar juntas e começar a faculdade. Eu ainda não sabia como me sentia em relação ao Aaron, ele meio que passou a me ligar todas as semanas como se ainda fôssemos namorados. Em uma dessas conversas, ele admitiu que ainda me amava, disse o quanto sofreu com tudo o que aconteceu comigo e pediu que eu esperasse por ele, que as coisas se acertariam. Eu era uma garota de 18 anos, que ainda estava apaixonada. O que eu poderia fazer além de acreditar em suas palavras e ter esperanças? Passei meses, que depois se tornaram anos, e tudo continuava o mesmo. Aaron não gostava quando eu me envolvia com alguém, suas ligações ficavam mais frequentes, Anny pegava ainda mais no meu pé e tudo voltava à estaca zero. Eu ficava sozinha esperando por ele, enquanto ele se divertia com sua namorada. Eu precisei de um empurrão para cair na real e perceber que estava sendo manipulada. Só percebi isso quando sua mãe me ligou e contou sobre a gravidez da Fernanda. Até esse dia eu ainda tinha esperanças de que voltaríamos a ser um casal, de que ele seria o meu primeiro e que tudo se resolveria. Bem, essa tinha sido a última vez que eu deixaria que ele influenciasse em minhas decisões, nesse mesmo dia eu me livrei da única prova do meu amor por ele. Eu perdi a minha virgindade. — Eu voltei por você, Jéssica, acho que já passou da hora da gente se acertar. — Por mais irritada que eu estivesse, suas palavras me tiraram do chão. — Jura? E você acha o quê, Aaron? Que eu vou voltar só porque você decidiu que chegou o momento? — perguntei tentando ignorar a pontadinha de dor que estava sentindo. — Não estou entendendo a sua raiva, Jéssica. Não era isso que você queria? Que eu largasse tudo e voltasse para você? — Eu nunca quis que você largasse nada, Aaron. Eu só queria que você tivesse sido homem o suficiente para ter ficado comigo — falei e vi seu rosto se contrair de raiva. Acho que eu exagerei na provocação.


— Você tem garras agora? — ele falou alterado. — Anny me contou sobre esse seu casinho, Jéssica. — Senti o desprezo em suas palavras. — Só que agora eu estou de volta e acho melhor você se livrar desse babaca logo. — Desviei meu olhar do dele, magoada. Eu a fiz jurar que dessa vez ela não se meteria nesse assunto. — Aaron, eu não sei o que a sua irmã te falou, mas eu... — Não minta, Jéssica. Eu não sei quem é esse cara e o que ele significa para você, mas acabou. — Você não manda em mim. Se eu decidir ficar com ele, eu vou! — Ele me calou com um beijo, sua mão foi para a minha nuca enquanto sua boca me forçava. Tentei me afastar, mas não consegui. Ele estava determinado a me manter em seus braços, só que no momento que me lembrei do Matheus me senti culpada e o empurrei. — Nunca mais faça isso! — gritei para ele, inconformada. Não nos falávamos há meses, e ele não tinha mais esse direito. — Pare de gritar Jéssica, achei que a essa altura você já estivesse mais sensata. — Suas palavras me atingiram em cheio. Se ele queria me ferir, ele conseguiu. Virei o rosto para esconder as lágrimas que caíam. — Adorei esse lugar, acho que nós dois ainda vamos nos divertir muito aqui. — Você não vai passar tempo suficiente aqui, Aaron. — Ah, eu vou, começando por hoje. — Ele piscou. — Você não vai dormir aqui, eu não vou deixar. — Seu sorriso se abriu ainda mais. — Pelo visto a Anny não te contou, não é? — Contou o quê? — Eu vou ficar aqui com vocês por algumas semanas, isso não é ótimo? — Ótimo? Isso era um pesadelo. Fiquei tão irritada que preferi ignorá-lo indo guardar as compras na cozinha. Nós morávamos em um apartamento confortável no Chelsea e eu não queria ser perturbada com a presença dele. Anny não podia ter me escondido isso, eu sabia o quanto ela se preocupava comigo e que tudo que ela fazia era para o meu bem, mas eu não era mais uma criança. Eu amadureci e aprendi muito com tudo que fiz, ela e o Aaron teriam que entender isso, mais cedo ou mais tarde. — Amor... — Ouvi sua voz e senti quando ele colocou a mão em minha cintura e apoiou seu queixo em meu ombro. — Aaron, desse jeito não dá. Se afaste. — Volta para mim — ele sussurrou. — Não! — Eu não vou ficar implorando por uma coisa que eu sei que você quer. — Eu não quero mais. — Virei e fiquei de frente para ele, só para perceber que isso não ia dar certo. Seu olhar estava deixando bem claro suas intenções.


— Duvido — ele falou e enxugou as lágrimas do meu rosto. Não, não e não! — Eu não quero que você encoste em mim, Aaron. Eu sou capaz de chutar as suas bolas se você voltar a fazer isso! — falei nervosa. — Eu me esqueci do quanto você era divertida. — Vi quando ele tirou o celular do bolso e discou para alguém. Pela conversa era com a Anny que ele estava falando. Quando ele se despediu, seu sorriso era enorme e eu sabia que estava ferrada. — Pronto, a menos que você me deixe dormir em sua cama, eu vou ficar no quarto de visitas. — Por mim você dormiria na rua, que eu não me importaria — falei e cruzei os braços emburrada. — Você tem medo de ficar perto de mim, é isso? — Desviei meu olhar do seu, porque no fundo era verdade. — Não mesmo. Eu já superei você, Aaron. — Ah amor, você nunca foi boa em mentir para mim. — Fui cercada por ele novamente. — Vai. À. Merda! — falei pausadamente para ver se dessa vez ele entendia. — Eu poderia ficar a noite toda vendo o quanto eu deixo você nervosa e me divertindo, mas estou cansado. A viagem foi longa e eu realmente preciso de algumas horas de sono. — O quarto de visitas é o primeiro à direita. — Esperei ele sair e fui para o meu também, eu já tinha perdido toda a vontade de comer e assistir algum filme. Joguei-me na cama e chorei, chorei por tudo que poderíamos ter sido e não fomos. Isso não podia estar acontecendo, não agora. Na manhã do dia seguinte, acordei cedo e a primeira pessoa que encontrei na cozinha foi a Anny. Eu não fazia a menor ideia de que horas ela tinha chegado a noite passada e podia apostar que ela fez o possível para adiar esse momento. — Adivinha o que eu fiz para gente? — Dei de ombros e preparei um cereal para comer. — Jéssica, não adianta você ficar irritada comigo — ela falou enquanto terminava de tirar alguns biscoitos do forno. — Você não tinha esse direito. — Dessa vez eu estava morrendo de raiva dela. — Amiga, eu nunca faria nada para o seu mal, eu me preocupo com você. Veja pelo lado bom, agora vocês podem ficar juntos. Ele te ama. — E se eu não amá-lo mais, vocês dois já pensaram nisso? — Ela me analisou, e eu esperei que minhas dúvidas não fossem tão visíveis. — É por isso que eu estou preocupada, você nem conhece o Matheus direito e se acontecer a mesma coisa, e se ele terminar tudo e você... — Isso não vai acontecer de novo, eu nem gosto dele tanto assim. — Eu não queria que nenhum dos dois percebessem o quanto eu estava envolvida com ele. Isso era um assunto meu e de mais ninguém. — Então, por que você não volta para o Aaron? — Porque seu irmão quase me destruiu... — Aaron, Anny e todo esse assunto me faziam perder o


apetite. — Você sabe que a culpa não foi só dele, não é? Ele nunca achou que você faria o que fez, Jéssica. — Como a Anny podia falar algo assim? Ela, melhor do que ninguém, viu como eu sofri ao longo dos anos. Aposto que o idiota do Aaron já tinha feito a cabeça dela contra mim, ele era um manipulador, filho da puta. — Eu não acredito que você falou isso Anny, sério... — Me levantei chateada, acho que o melhor era ir trabalhar antes que eu perdesse a paciência. Antes de sair, perguntei: — Quanto tempo o Aaron vai ficar aqui? — Ela me olhou e ficou sem graça. — Eu ainda não sei. — Argh! — Da próxima vez, Anny, não se esqueça de me contar porque sou tão dona desse apartamento quanto você. Não quero mais falar sobre esse assunto, mas eu espero que entenda que dessa vez você realmente fez merda.


CAPÍTULO 6

Matheus Cheguei ao estúdio essa manhã com a esperança de que minha baixinha já estivesse por aqui, mas nada. Tentei esconder minha decepção quando Michelle falou que ela ainda não havia chegado, então fui tentar organizar minha agenda e alguns compromissos que teria durante o resto da semana. Em quatro dias eu teria que viajar para Miami e, pela primeira vez, eu não estava animado. Liguei para um velho amigo e combinei de nos encontrarmos, enquanto eu estivesse por lá, teria que recorrer a ele para sair já que estaria sem a Jéssica comigo. Trabalhei um pouco, editei algumas fotos da sessão do dia anterior e enviei para a agência aprovar. Grande parte do trabalho que eu estava fazendo, poderia ser feito pelos meus editores de imagem, mas eu gostava de participar de todo o processo e cada detalhe teria que ter a minha aprovação de qualquer maneira. Enquanto respondia ao e-mail da Caroline, recebi uma mensagem do Leo marcando um encontro para essa noite na Zinco. A princípio pensei em recusar, porque tinha planejado de levar a Jéssica para minha casa, mas Leo era meu amigo e andei desmarcando muitos convites dele nas últimas semanas. Percebi quando Jess chegou e estranhei o fato de ela não ter parado em minha sala, já que sempre vinha me dar bom-dia. Assim que tive um tempo fui até ela. Foda-se se eu estava parecendo um idiota correndo atrás dela, porque eu me importava cada vez menos com a forma como agia ao seu redor. Eu a desejava e admitir isso não era vergonha. Passei pela sua sala e nada, só fui encontrá-la no estúdio onde ficavam os equipamentos e enquanto ela guardava o material a observei, essa garota me tinha em suas mãos e não tinha percebido ainda. Quando se virou, vi seu rosto abatido e fiquei preocupado, nunca tinha visto a Jéssica triste desde que começamos a sair. Já a tinha visto irritada, isso sim, mas triste? Mesmo que tenha ficado impressionado com sua personalidade quando nos conhecemos, em momento algum pensei que poderíamos ter essa ligação tão forte e esse desejo que parecia que nunca era saciado, não a olhava com esses olhos e, apesar de já ter 22 anos, eu a considerava uma pirralha. Então, eu meio que fui pego desprevenido com tudo que ela significava para mim agora. Jess tinha alguma coisa que me prendia, que me fazia querer marcá-la como minha e isso era totalmente contra as minhas regras. — O que aconteceu, minha baixinha? — Fui até ela e passei a mão pelo seu rosto, seus olhos estavam vermelhos e inchados. — Nada — ela falou sem me olhar. — Você andou chorando? — perguntei aflito. — Não, Matheus — falou irritada, pelo visto estava mal-humorada também.


— Vai me fazer te obrigar a falar? — Pela primeira vez ela me encarou e sua expressão foi de surpresa. — Nem pense. — Duvida de mim, Jess? — Matheus! — Sua voz soou baixa como um aviso para que eu não me aproximasse, mas não me importei e a beijei. Tinha aprendido a ler as reações da Jéssica há muito tempo, e sabia que alguma coisa a estava perturbando. Seu beijo foi reticente, seco e eu desisti. Afastei-me e o olhar que ela me lançou cortou meu coração. Por que ela estava chorando? — Jéssica? — Fui abraçado por ela. Eu queria saber o que estava acontecendo para poder ajudá-la. Retribuí o abraço e a deixei chorar. Naquele momento eu percebi que faria qualquer coisa para não vê-la sofrer. Nunca senti tanta vontade de proteger alguém assim, queria ser capaz de evitar o que a perturbava e afastar qualquer tristeza que pudesse estar sentindo. — Desculpe-me — ela falou e se distanciou. — Me conte o que aconteceu, baixinha, me deixe te ajudar. — Não aconteceu nada. — Vai continuar mentindo? — Torci para que ela me contasse o que estava acontecendo, não queria ficar preocupado sem saber o que fazer. — É só TPM, Matheus — disse e me deu um sorriso falso. — Tudo bem, mas me deixe te falar duas coisas. — Seu olhar foi hesitante. — A primeira é que eu odeio mentira, e a segunda é que eu sei quando você mente. Se não quer me contar eu não vou insistir, mas não finja que não é nada. Eu nunca te vi chorar, Jéssica. Como você acha que eu fico te vendo assim? — Ela tentou limpar as lágrimas que caíam. — Eu só preciso de um tempo. — Olha, eu posso até soar estúpido com o que eu vou te dizer agora, mas eu quero que você saiba. — Ela me fitou com intensidade, e eu só conseguia pensar no motivo para ela estar tão abalada assim. — Eu seria capaz de tudo para te deixar feliz agora, para fazer você esquecer o que está te incomodando. Não sei como ou porquê, só sei que me machuca te ver assim. Eu me sinto um idiota falando essas coisas, mas é a verdade. — Ela me deu um pequeno sorriso. — Você não é idiota. — Não? Por que, então, eu me sinto como um? — E me sentia mesmo, eu estava me deixando levar por ela e ficando cada vez mais dominado. Jess sorriu e eu fiquei aliviado, não iria pressioná-la agora, mas ela teria que me contar o que estava acontecendo. — Tenho que pegar um contrato em casa, vem comigo? — perguntei e ela pareceu feliz. — Vou. — Dei um beijo em sua testa. — Você sabe que pode confiar em mim, não é? — Ela acenou com a cabeça, mas não falou mais nada. Minha intenção não era convidar a Jéssica para ir pra casa comigo, eu sabia que essa era uma desculpa perfeita para acabarmos na cama, mas eu queria que ela se distraísse um pouco do que a estava


chateando. Enquanto dirigia, senti Jess com a cabeça longe, apenas concordando com uma ou outra coisa que eu falava e me dando um pequeno sorriso quando necessário. Ignorei a insegurança que estava sentindo, porque admitir isso me faria ter que repensar muitos outros sentimentos que eu ainda não estava preparado para assumir. Chegamos em casa, fui direto para o escritório e ela veio logo atrás calada. Decidi enviar o contrato por e-mail e até pensei em preparar alguma coisa para almoçarmos em vez de levá-la a algum restaurante onde não teríamos privacidade para conversar. Tirei o olhar do computador na minha frente e a encontrei me analisando. Quando viu que tinha minha atenção, ela sorriu e se levantou. Fiquei confuso quando ela veio até onde eu estava e se sentou em meu colo, passando a mão pela minha nuca. — Já terminou? — Sim — respondi enquanto acariciava sua pele. — Eu pensei que nós poderíamos nos divertir um pouco. — Como ela tinha passado de triste para excitada eu não sabia, mas não queria que ela se sentisse forçada a nada. — Eu não te trouxe aqui para isso, Jéssica. — Eu sei, mas eu quero, chefinho — ela falou e passou a mão por dentro da minha camisa me provocando. Jéssica me beijou e não consegui esconder o quão duro eu estava por ela, a safada sorriu quando percebeu o que estava fazendo comigo e as carícias esquentaram. Aproveitei que ela estava de vestido e arranquei sua calcinha, explorei seu corpo com minhas mãos e ela gemeu baixinho em meu ouvido. Tentei não apressar as coisas, queria prová-la lentamente para lhe dar todo prazer que ela merecia. — Você me enlouquece, Jess, sua boca, sua voz, seu cheiro... tudo me deixa louco. Não posso encostar um dedo em você que já fico duro, pronto para te pegar de jeito — murmurei em seu ouvido e a segurei apertado em meus braços. Meu desejo estava incontrolável, parecia que quanto mais ela recuava em nossa relação, mais necessitado eu ficava. Não sei se foi a minha preocupação, ou a vulnerabilidade que ela demonstrou ter, mas nosso sexo foi diferente. Além de quente e suado, foi carinhoso, quase apaixonado. Venerei cada pedacinho do seu corpo, chupei, mordi, lambi e a deixei desesperada. Assim como eu estava, Jess implorou, estremeceu e gritou me levando ao êxtase junto com ela. Com ela aninhada em meus braços no sofá do escritório alguns minutos depois, ouvi quando seu telefone tocou. Na posição que estávamos eu teria que apenas esticar a mão e alcançar o celular para poder lhe entregar. Mas não quis fazer isso, não queria perder esse contato. A observei e percebi quando ela se aconchegou ainda mais ignorando a chamada em um primeiro momento, mas logo depois de muita insistência acabou não resistindo. — Pega meu celular, Matheus, só pode ser a Katie — ela falou enquanto se levantava do meu colo. Fiz como pediu e o peguei, mas não pude deixar de dar uma olhada no visor antes de lhe entregar. Fiquei confuso quando vi que era uma ligação do Aaron. Há algumas semanas Jéssica me contou a respeito dele, disse que ele tinha sido seu primeiro e único namorado, mas que o fim foi traumático o suficiente para que eles não tivessem mais contato. Até tentei perguntar, saber mais sobre essa história, mas ela foi irredutível e não voltou a tocar no assunto.


— Não vai atender? — perguntei quando ela percebeu de quem era a ligação, mas não tomou nenhuma atitude. — Não — ela falou enfática. — O que esse cara quer, Jéssica? — Ela se levantou e começou a juntar suas roupas espalhadas pelo chão. — Eu não sei — mentiu de novo. — Eu tenho que ir, Matheus — disse enquanto se vestia. — Combinei de passar na galeria para me despedir da Katie antes que ela viaje e eu estou atrasada. — Será que ela me subestimava tanto assim? — Tudo bem — falei e deixei que ela se arrumasse enquanto engolia a vontade de voltar e exigir uma explicação. Fui até a cozinha preparar alguma coisa para comer, nós dois tínhamos pulado essa parte e ido direto para o sexo e agora eu estava faminto. — Mais vinte minutos e eu consigo te levar, Jéssica. Tem como esperar? — perguntei quando ela saiu do escritório apressada terminando de calçar seus sapatos. — Não vai dar. — Forçou um sorriso. Observei sua expressão e fiquei decepcionado com sua atitude. Ela estava fugindo como se o que tivéssemos feito fosse algo errado. Senti-me mal com o seu comportamento, saber que alguma coisa estava acontecendo e que ela não iria se abrir comigo me deixava preocupado. Fui com ela até a porta para poder me despedir e a senti distante novamente, sua cabeça parecia estar em outro lugar e eu precisava saber aonde exatamente antes que fosse tarde demais. Mesmo que ela nunca tivesse me dado motivo para desconfiança, meu instinto me dizia para ficar em alerta. — Jéssica? — Ela se virou e me encarou. — Eu não sei o que está te perturbando, percebi que você também não quer me contar, mas eu me sinto no direito de pelo menos esperar que seja honesta comigo porque eu tenho sido sincero com você desde que fizemos aquele acordo, acho que até mais do que deveria. — Não está acontecendo nada — ela falou suplicante, mas não me convenceu. A garota que eu conhecia não ficaria tão agitada assim “por nada”. — O que nós temos é único, Jess, não estrague tudo com mentiras. — A deixei ainda mais acuada, mas eu estava sendo atormentado pela maldita ligação daquele tal de Aaron. Por que ela não tinha atendido? E há quanto tempo isso vinha acontecendo? — Eu tenho que ir, Matheus, me desculpe. — Jéssica me deu as costas e saiu sem me dar sequer um beijo. Junto com a irritação, veio a insegurança e isso me incomodou. ***

Jéssica Merda! Merda! Acho que meti os pés pelas mãos dessa vez, mas como eu iria explicar que o motivo


do meu choro era por causa do Aaron? Pior, como eu explicaria a ligação e a mensagem que eu tinha acabado de receber dele? Desde que me envolvi com o Matheus, eu achei que finalmente tivesse conseguido virar a página, superar o passado. Só que o sofrimento ainda persistia, as lembranças magoavam e Aaron me afetava de uma forma inexplicável. Eu o odiava com todas as minhas forças, mas vê-lo novamente me fez voltar a ser aquela garota ingênua que acreditava em todas as suas promessas. Quando Matheus me passou o telefone e eu vi que a ligação era do Aaron, eu quase surtei, piorei ainda mais depois que vi a mensagem que ele já tinha deixado. Não sei o que Aaron pretendia, mas se ele achava que eu iria aceitar sua grosseria ele estava muito enganado. Eu não queria nem devia ter saído daquela forma da casa do Math, mas não queria envolvê-lo no meu passado, aquele era um “lugar” estritamente proibido para ele. No caminho para casa, li pelo menos umas cinco vezes a mensagem absurda que Aaron me mandou. Ele só podia estar ficando louco porque não tinha cabimento. Meu medo era de que ele fizesse alguma loucura, eu sabia que ele não jogava limpo, sempre foi mimado e acostumado a ter tudo. Ele não aceitaria meu “não” tão facilmente assim e era isso que me preocupava. Assim que o táxi estacionou em frente ao apartamento, eu entrei já temendo o confronto que teríamos. Anny não estava em casa a essa hora e por isso mesmo eu tentaria ser o mais breve possível. — Onde você esteve? — Aaron perguntou nervoso assim que passei pela porta. — No trabalho, onde mais eu estaria? — falei à altura, não o deixaria me intimidar. Só que ele não pareceu impressionado e me desafiou. — Não sou burro, amor, liguei para o estúdio e adivinha? Aparentemente a minha namorada saiu com o chefe sem hora para voltar. — Que intrometido! — E qual o problema? Ele é o meu chefe, Aaron. — Aaron se aproximou e eu tremi na base, seu olhar desceu para o meu pescoço e eu fiquei envergonhada ao lembrar das mordidas e dos chupões que levei. Tentei disfarçar e coloquei a mão com o intuito de esconder, mas já era tarde demais. — Isso é coisa de vagabunda, Jéssica! — ele rosnou, recuei antes que ele inventasse de encostar a mão em mim. — E isso não é problema seu e eu só vim até aqui por causa da mensagem louca que você me mandou. O que você tem na cabeça? — o desgraçado tinha tido a coragem de me lembrar dos nossos últimos momentos antes que ele terminasse tudo. Engoli em seco quando, sem ter para onde correr, ele me cercou entre o sofá e a parede. — Você me prometeu, Jéssica. Você disse que iria me esperar — ele disse com uma falsa calma que me deixou em alerta. — Você fodeu com ele, não foi? — Sua voz saiu amargurada e seu olhar firme. O que eu falaria para ele? Anny foi esperta até nisso, ela sabia que Aaron iria ficar louco quando descobrisse que eu fui para a cama com alguém que não fosse ele, por isso ela “esqueceu” essa parte. — Estou esperando a maldita resposta, amor. — Eu não sou mais seu amor, Aaron, acabou! — Isso só vai acabar quando eu disser Jéssica, antes disso não!


CAPÍTULO 7

Jéssica Eu conhecia Aaron muito bem para saber que ele estava falando sério. Desde que éramos crianças, ele fazia questão de impor sua vontade e ficava louco quando era contrariado. Não sei como eu faria isso, mas tinha que enfiar na cabeça dele de uma vez por todas que eu não o queria mais em minha vida. — Você só pode estar brincando comigo, quem você pensa que é para me dizer o que fazer? Eu não tenho medo das suas ameaças! — Ele deu um sorriso cínico. — Mas deveria. E quer saber o que mais me surpreende nessa história toda? O fato da garota fresca com quem eu namorei ter acabado na cama do próprio chefe. Isso tudo foi apenas para me irritar, não foi? Se a intenção era me deixar puto você conseguiu! — Eu só queria me libertar do que tínhamos quando decidi perder a virgindade, em nenhum momento pretendi usar isso contra ele. — Eu não fiz isso para te provocar. Fiz porque eu quis. Você não me controla mais, Aaron. — Tanta birra para nada. Eu não sei o que você está pensando, Jéssica, mas eu não vou deixar um playboy de merda te foder . — Franzi o cenho. — Eu vou fode com quem eu quiser e o único merda aqui é você! — Seu rosto endureceu e ele avançou. Nunca tive medo das suas reações, era comum quando namorávamos e ele não gostava de algo que eu fazia, mas agora ele meio que estava me assustando. — Me solte! — Não vou soltar! — Ficamos apenas a alguns centímetros de distância. Tentei afastá-lo, mas ele impediu me segurando pelo pulso. — Você acha que esse seu chefe vai continuar querendo te levar para cama depois de descobrir o que você fez? A primeira coisa que ele vai fazer é correr de você, amor. — Não se atreva, Aaron! — gritei irritada. Eu morreria de vergonha se Matheus descobrisse o que eu fiz, e sim, eu tinha certeza de que ele me deixaria na mesma hora. — Então, não me faça contar a ele, Jéssica. Termine tudo e fique comigo. — Ignorei sua ameaça e perguntei o real motivo das suas mensagens e ligações. — Quando foi que você se tornou esse idiota? Você pode esquecer porque eu nunca vou trocar ele por você — falei isso tudo com um lindo sorriso no rosto, até parece! — Você não sabe a vontade que estou de calar essa sua boca, amor. — Não voltei a olhá-lo, mas senti nojo quando sua mão desceu pelo meu corpo. Me encolhi com o seu toque, e mordi meus lábios com força, me segurando para não demonstrar o quanto ele estava me deixando perturbada. — Odeio quando me toca! — falei e ele não gostou do que ouviu. A maioria de nossas brigas quando éramos namorados eram por causa dos avanços dele. Seus carinhos nem sempre me deixavam


excitada e, às vezes, me faziam sentir pressionada, o que não me deixava relaxar e curtir o momento. Aaron apertou meu queixo com força e me fez olhar em sua direção. Fechei meus olhos para contrariá-lo e ouvi quando sussurrou bem próximo de mim. — Eu acho que você gosta e não quer admitir. — Ele me encarava e sua raiva era óbvia. Como eu iria morar com ele e aguentar toda essa pressão? Será que a Anny não percebia isso? Consegui me desvencilhar dele e corri para o meu quarto, tranquei a porta e fiquei quietinha na cama. Nossa discussão me deixou transtornada e eu não sabia se iria conseguir voltar para o estúdio essa tarde. Matheus, com certeza, iria perceber o meu estado e eu não queria ter que mentir novamente para ele. Mais tarde quando eu estivesse mais calma, eu pensaria no que fazer, agora eu só queria esquecer que Aaron existia e, principalmente, da ameaça que me fez. ***

Matheus Depois que a Jéssica saiu da minha casa não consegui evitar de pensar em como estava me sentindo. Há semanas tenho tentado negar a mim mesmo o que já era óbvio para qualquer pessoa: eu estava apaixonado. Admitir isso assim, sem máscaras e dúvidas, não era nada agradável. Eu era um homem experiente, conhecia muito bem as mulheres, seus jogos e truques baratos. Sabia lidar com o previsível, com a carência e os desejos delas, mas não sei se saberia lidar com a Jéssica. Por mais aventureiro que fosse, eu não estava preparado para alguém como ela. Jess virou meu mundo de pernas para o ar, eu me perdia tentando entendê-la, tentando achar algum sentido em todas as suas atitudes. Ela não era comum, longe disso. Nunca pediu mais do que eu era capaz de dar, não fazia esforço para agradar e muito menos tentava me manipular, ela era limpa, transparente e clara como a água. E foi exatamente por isso que eu logo percebi sua mentira, pois seu nervosismo a entregou e eu sabia que alguma coisa séria deveria estar acontecendo. Daí o motivo do meu tormento, eu só conseguia pensar que poderia ter alguma coisa a ver com o seu ex-namorado e isso me deixava de cabeça quente. — Quem é ela, Matheus? — Leo me perguntou. Nós estávamos em um bar que costumávamos frequentar, como ficava perto da Zinco sempre dávamos uma esticada depois. Só que hoje, mesmo precisando arejar a cabeça, eu não estava no ânimo para a farra. Eu estava preocupado e ao mesmo tempo irritado, o telefone da Jéssica ficou desligado a tarde inteira e a única notícia que tive foi através da minha secretária que recebeu uma ligação dela avisando que estava passando mal. — Não existe nenhuma “ela”, Leo — falei e tomei um gole da minha cerveja. Eu queria que fosse verdade, porque hoje tive a prova de que estava nessa sozinho. — Cara, eu te conheço. Vai esconder isso de mim? Conheci Leo na universidade e desde então nos tornamos amigos. Aprontávamos muito juntos até o dia que ele cometeu o erro de se casar. Sei o que ele passou com um divórcio conturbado e que ele


apenas usava essas garotas com quem saía, nunca o julguei, porque eu não era muito diferente. A única coisa que nos distanciava era que eu ficava com várias mulheres porque não conseguia me envolver, e ele porque não queria se envolver. — É complicado — falei sem muita vontade de contar toda a história. — As melhores sempre são. — Rimos desse fato. — Eu a conheço? — ele emendou. — De vista, acho que você se lembra da minha assistente, não é? — Sério que é ela? — Sério. — Mas a garota é um bebê, Matheus, como ela pode estar te dando trabalho? — Exatamente, como a Jéssica poderia estar tomando tanto o controle da minha vida? — Não sei, cara, sinceramente não sei. — Olhei para o Leo balançando a cabeça e me recusei a fazer papel de otário, se Jess queria desligar a porcaria do seu celular e se esconder de mim eu não esquentaria minha cabeça, eu iria até a Zinco e tentaria parar de remoer toda essa confusão que foi o dia de hoje. Fui chegar em casa por volta das duas da manhã. Estacionei o carro e peguei o celular que tinha deixado no porta-luvas. Quando olhei tinham quatro ligações perdidas da Jéssica. Respirei fundo tentando controlar a preocupação que me abateu, sua última ligação tinha sido à meia-noite. Será que tinha acontecido alguma coisa? Subi a escada e fui para o segundo andar confuso, não me lembrava de ter deixado a casa com tantas luzes acesas, só fazia isso quando a Jéssica dormia aqui, porque sabia que ela tinha medo. Estranhei o abajur do meu quarto ainda ligado e só quando fui apagar que percebi Jess deitada em minha cama. Eu já tinha lhe dado a chave da minha casa e essa era a primeira vez que ela usava. Tirei a camisa e o restante da minha roupa e, quando ela se mexeu, eu me sentei na cama ao seu lado. — Você demorou... — ela falou sonolenta. — O que você está fazendo aqui, Jéssica? — Dormindo, Matheus. — E para provocar ela estava nua, mas engoli em seco e tratei de controlar minhas reações. — Eu percebi, mas por que aqui? — Sua cama é mais gostosa. — Vi que não adiantaria tentar conversar, ela estava quase dormindo novamente e eu precisava de um banho. Dei um beijo em sua testa e me levantei, amanhã Jéssica poderia espernear e gritar o quanto quisesse que eu não a deixaria escapar da conversa que teríamos. Porém, se ela não se abrisse comigo de uma vez por todas, eu desistiria dela. ***

Jéssica


Matheus me olhava atentamente enquanto eu tomava meu café da manhã. Ele não tinha falado nada comigo e quando acordei, eu já estava sozinha na cama. Observei sua expressão e percebi que alguma coisa o perturbava, ele era sempre tão bem-humorado e disposto que estranhei seu olhar inquiridor logo cedo. — O que foi, Matheus? — perguntei porque ele não parava de me encarar e isso era chato. — Nós precisamos conversar — falou e eu comecei a pensar várias coisas. A principal delas era onde ele tinha estado que só chegou de madrugada. Deixei meu cereal de lado porque meu estômago embrulhou com o nervosismo e pensei que talvez não tivesse tomado a decisão certa vindo para sua casa. Ontem, depois que acordei, me deparei com Anny irritada por causa da briga que tive com Aaron. Como a minha melhor amiga podia estar com raiva de mim, sendo que eu não tinha culpa nenhuma? Nós duas discutimos e eu decidi vir para a casa do Matheus. Eu sabia que ele sairia com seu amigo e que eu tinha carta branca para fazer o que eu quisesse na sua ausência. Como o porteiro do seu condomínio já me conhecia, foi fácil entrar, além disso eu tinha as chaves que ele mesmo tinha me entregado para alguma emergência. Cheguei e fui direto para o seu quarto. Até tentei esperar por ele, mas acabei pegando no sono antes que ele voltasse. — Sobre o quê? — Tomei um gole do suco tentando ganhar tempo e já temendo o tal assunto da conversa. Torci para que não tivesse nada a ver com meu comportamento de ontem e muito menos com a ligação do Aaron. Porque, infelizmente, eu ainda não sabia o que dizer a respeito disso. — Sobre você e o que aconteceu ontem. Não entendi ainda por que você fugiu. — Respirei profundamente quando ouvi suas palavras tentando ganhar tempo. — Eu não fugi. — Ele não pareceu contente com minha resposta e logo emendei. — Eu tive um problema com a Anny ontem, por isso eu passei o dia um pouco chateada e acabei vindo dormir aqui, eu só não esperava que você fosse chegar tão tarde — falei pensando se ele me contaria o que tinha feito até de madrugada na rua. — E o Aaron, Jéssica? Por que ele te ligou e do nada você sumiu a tarde inteira? Você poderia, pelo menos, ter me ligado e avisado que estava passando mal. — Era difícil ver Matheus irritado, mas eu acho que consegui deixá-lo no limite dessa vez. — É que... eu meio que esqueci de um pequeno detalhe quando falei dele para você — falei receosa, não queria contar, mas tinha que dar uma explicação coerente ou o Matheus não iria acreditar em mim. — Esqueceu? — ele perguntou com sarcasmo. — Aaron é irmão da Anny, ele... Ele ficou preocupado com a briga que nós duas tivemos e me ligou para saber o que tinha acontecido — falei rezando para que ele ficasse satisfeito com a resposta. No fundo essa era uma meia verdade, não era? — Você esqueceu? — perguntou com a voz alterada. — E o que mais você esqueceu de me contar, Jéssica? Pense bem porque eu não quero ter surpresas desagradáveis lá na frente. — Engoli em seco, eu deveria contar a ele sobre Aaron ter que passar alguns dias lá em casa, mas simplesmente não saía. — Eu não esqueci mais nada — falei e vi quando seus dedos bateram na bancada de mármore. — Por que a briga, afinal? — Ele mudou de assunto, e eu me dei conta de que ainda não tinha


pensado nisso. — Assunto de mulher — disse um pouco mais leve, aliviada por ele não me pressionar. — O que eu sei, Jéssica, é que não acredito em você. Não sei porquê, mas nada do que você está falando me parece verdade. — Está me chamando de mentirosa? — Era só o que me faltava. — Não. Só estou dizendo que dessa vez eu não acredito em você. — Olhei para ele reticente. — Eu juro, Matheus, eu não estou mentindo. Só que não posso contar o motivo da briga. É pessoal. — Por um momento ele pareceu entender, mas o que veio a seguir me deixou em choque. — Talvez fosse melhor darmos um tempo. — Como ele soltava algo assim de uma hora para outra? A única coisa que eu fiz foi ir embora apressada, mais nada. — Eu não vou fugir de novo, eu prometo — falei com medo. — Esquece, Jéssica, já tomei minha decisão. Não dá mais, percebi que eu não confio em você e, para o nosso acordo funcionar, isso é imprescindível. Para piorar, desde ontem, parece que cada palavra que sai da sua boca é uma mentira, e eu acho que já deixei claro que não suporto isso, não é? — Fiquei meio sem reação desde o momento em que ouvi que ele já tinha tomado sua decisão. Pela primeira vez, desde que começamos a ficar, eu percebi a intensidade do que sentia por ele e fiquei assustada. Isso não podia estar acontecendo, e se eu não aguentasse de novo? Eu não queria ser abandonada... — Não estou te entendendo, Matheus, achei que nosso acordo se tratasse de sexo e não de confiança — falei nervosa. Tudo bem que eu não pensava que o que tínhamos era apenas sexo, mas ele me irritou com toda essa coisa de tempo. — Você me surpreende, sabia? — Seu tom de voz foi frio e eu fiquei acuada. — Só acho que a gente não precisa terminar por causa de uma besteira. — Besteira seria continuar com alguém que eu tenho certeza que está me escondendo alguma coisa — ele falou e me deu as costas. Merda! — Matheus, me escuta, eu... — Ele entrou em seu quarto e começou a tirar sua roupa, primeiro foi o moletom, depois a regata, ficou apenas de boxer. — Math... — Fui ignorada enquanto ele entrava no banheiro comigo logo atrás. Essa conversa não tinha terminado ainda. Abri a porta do boxe e seu olhar encontrou o meu, eu ainda estava vestindo uma de suas camisas. Se ele não iria me ouvir, eu apelaria. Tirei a camisa e entrei no boxe ficando de frente para ele. Matheus balançou a cabeça negativamente, mas não desisti e me aproximei dele deixando nossos corpos quase colados. — Eu não vou fugir. — Passei a mão em seu peito, arranhando levemente todo o caminho até sua virilha. Ele suspirou quando envolvi seu membro com uma de minhas mãos. O acariciei até deixá-lo ávido. Quando perdeu a paciência, ele me forçou contra o vidro do boxe e me segurou pelo bumbum, Matheus gemeu rouco em meu ouvido, desesperado e faminto quando sua ereção se posicionou na minha entrada. Arranhei seu ombro, agora com força, enquanto ele me segurava e se afundava dentro de mim profundamente. Math foi bruto, duro, e eu gostei. A cada estocada, eu gemia mais e mais alto. — Porra! Eu sou louco por você, sua safada. — Estremeci por causa da sua reação e no mesmo momento em que me olhou rendido, sua boca veio voraz ao encontro da minha. Nunca o senti tão exigente


assim. Não queria nem pensar o que essa transa significava para gente. Quando gozamos, estávamos ofegantes e perdidos, cada um com seus pensamentos e dúvidas. Ele me colocou no chão e eu fiquei na ponta dos pés para beijá-lo, suas mãos vieram e afastaram o cabelo molhado do meu rosto. Quando nos olhamos, sussurrei: — Não me deixe, Matheus. — Ele não respondeu e percebi que estava travando uma batalha consigo mesmo. Não sei o que ele estava sentindo, mas o medo de perdê-lo aumentou. ***

Matheus Olhei para Jéssica ainda sem conseguir entender o que estava sentindo, eu acabei de ter um dos sexos mais fodas dos últimos tempos e tudo o que passava pela minha cabeça era o quanto eu estava ferrado. Percebi isso no instante em que ela me pediu para não deixá-la e eu fraquejei. Quando a encontrei deitada em minha cama ontem fiquei surpreso, mas confesso que também balançado. A ideia de tê-la em minha cama todas as noites ao meu lado era tentadora, porém, totalmente inviável. Até tentei relevar esse seu jeito, mas não tinha como negar a imaturidade emocional dela e muito menos amenizar os estragos da sua impulsividade. Só que hoje ela jogou sujo comigo entrando nua no boxe, eu vacilei quando vi seu corpo molhado e percebi que essa era a primeira vez que ela jogava. Se antes eu tinha dúvidas sobre o seu controle sobre mim, agora eu já não tinha mais nenhuma. E acho que nem ela, porque a safada soube me fazer mudar de ideia direitinho. Saímos do banho e ela ficou ali passeando na minha frente de um lado para o outro, tudo parecia tão normal, já era hábito tê-la em minha casa assim tão à vontade. — Se você não se vestir, eu não vou te deixar sair dessa cama hoje, Jéssica — falei e desviei o olhar do seu corpo. Eu tinha que terminar de me arrumar para ir para o estúdio. — Não me apresse, eu trouxe pouca roupa e não estou gostando de nada que tem aqui. — Ela revirou algumas roupas dentro da sua mala. — Sei. — Se ela olhasse em meu closet veria as roupas que ela esquece pela casa. — Eu posso dormir aqui de novo, Math? — ela perguntou distraída enquanto vestia sua calcinha. — A briga foi tão ruim assim? — a questionei. — Foi horrível! — Olhei em sua direção e ela sorriu. — Eu deixei meus óculos por aqui, não foi? Não quero ter que usar lente o dia inteiro. — Está na sua gaveta — respondi e fui terminar de me arrumar. — Baixinha, estou indo almoçar, ok? — falei ainda na porta da sua sala. Hoje eu teria um almoço com meu pai e se chegasse atrasado seria bombardeado com suas reclamações e cobranças.


— Tudo bem, a Katie vai passar aqui daqui a pouco e eu saio. Tentava manter uma rotina com meu pai, passei anos demais longe e acho que uma reaproximação seria importante. Só fui entender como ele se sentia sozinho aqui em Nova Iorque quando conheci a Helena e vi o carinho que ele tinha por ela. Eu estive ausente boa parte do tempo desde a morte da minha mãe e ele acabou procurando atenção em outra pessoa. A minha sorte é que ela não era nada do que eu imaginei, e além de ser honesta ela realmente gostava do meu pai. Durante o almoço recebi uma indireta aqui e outra ali sobre o desejo dele de que eu me casasse logo, Louis era apaixonado pelos filhos da Helena, mas acho que ele estava querendo ter seus próprios netos agora. — E aquela mocinha que trabalha para você? — Eu os apresentei quando ele visitou o estúdio. — Está ótima, por quê a pergunta? — Por nada. É que ela me parece ser uma garota bem interessante. — Não sabia o que ele estava querendo insinuar ou qual a intenção dessa conversa. — Você parece gostar dela. — Será que eu estava sendo tão óbvio assim? — E gosto, Jéssica é uma excelente fotógrafa, pai, admiro muito o seu trabalho. Ela tem futuro. — E você pretende ajudá-la? — Eu estou fazendo o meu melhor para isso. — E era verdade. Ela já participava mais ativamente e eu a recomendava sempre quando não podia aceitar determinado ensaio ou campanha. Fizemos nossos pedidos e continuamos a conversar, percebi meu pai mais cansado do que o normal e me preocupei. Daria um jeito de ir visitá-lo antes da minha viagem na sexta-feira, não estava animado por ficar tantos dias fora, mas a proposta era ótima e Caroline implorou para que eu aceitasse fechar parceria com a revista. — E quando você volta, Matheus? — ele perguntou. — Acho que em seis dias. — Ele acenou e pedimos a conta, voltei a pé já que o restaurante ficava a apenas um quarteirão. Perguntei-me se estaria tudo bem com o Louis, se ele me contaria se alguma coisa estivesse errada. O senti saudoso demais, tocou no nome da minha mãe pelo menos umas três vezes, coisa que ele evitava fazer a todo custo. Horas mais tarde, eu estava prestes a mandar Jéssica estacionar o carro em qualquer calçada e me deixar pegar no volante antes que ela causasse um desastre. — Onde você aprendeu a dirigir, pelo amor de Deus? — perguntei assustado, Jéssica era louca no trânsito e uma hora meu carro iria sofrer nas mãos dela. — Eu nunca bati, Matheus. Não seja exagerado. — Nunca bateu, mas se continuar assim não vai demorar muito. Juro que tenho até medo de viajar e saber que você vai andar sozinha por aí com meu carro, Jess. — Ela me olhou séria enquanto terminava de estacionar em minha garagem, mas eu estava falando a verdade. — Baixinha... — A trouxe para os meus braços depois que saímos do carro. — Promete que vai ter mais atenção? Não falo isso para o seu mal. É só que eu realmente fiquei assustado agora. — Vou tentar — ela falou e saiu na minha frente indo em direção à escada.


— Você tem quarenta minutos, garota, não se atrase. — Leo tinha me ligado essa tarde me convidando para o jogo dos Jets e como tinha ingressos extras decidi levá-la comigo. [1]

Fui me arrumar e depois fiquei na sala esperando ela descer, só que quando a vi eu praticamente surtei. — Essa é a minha camisa? — perguntei e ela acenou concordando. Tudo bem que eu não a usava, mas ela tinha dado um nó nela fazendo com que uma pequena parte da sua barriga ficasse à mostra. Para piorar, vestiu um short que definitivamente faria com que muitos homens a olhassem, principalmente o meu amigo. Olhei o relógio e vi que ainda tínhamos tempo. — Sobe e coloque uma calça, Jéssica, você vai sentir frio. — Não mesmo, eu achei que ficou ótimo desse jeito. — E estava, esse era o problema. Ela estava muito sexy, e isso me incomodava. Não queria Leo jogando piadinhas desnecessárias durante a noite. Nunca tivemos problemas quanto a mulheres, e até já fizemos algumas trocas, principalmente na época da faculdade, mas Jéssica era intocável para ele. ***

Jéssica Meu telefone passou o dia inteiro desligado e só o liguei quando cheguei na casa do Matheus à noite. Enquanto me arrumava, dava uma olhada nas mensagens que recebi. Eu não tinha avisado à Anny onde eu dormiria, mas quando ela ligou para o estúdio hoje, falei que não iria para casa de novo. Aaron, ao contrário da irmã, foi chato de tão insistente e eu gelei quando vi sua última mensagem. Acho que já passou da hora desse seu chefe descobrir o que você fez, amor. Argh! Idiota. Ignorei e fui atrás da camisa do Matheus, ele nunca a usava, então eu faria bom proveito dela. Terminei de me maquiar e quando fui pegar meu celular tinha outra mensagem, dessa vez preferi não ler, voltei a desligar meu telefone e o deixei em casa. Chegamos ao estádio e Matheus me apresentou ao seu amigo, fui logo com a cara dele e não pude deixar de achar graça das piadas que contava. Fui colocada entre os dois na arquibancada, mas me senti um pouco desconfortável com alguns olhares que recebi e me arrependi de não ter dado ouvidos ao Math. Tirando isso, a noite foi ótima. Leo e ele eram muito amigos e quase morri de rir ouvindo as histórias da época de faculdade deles. Para a nossa surpresa, enquanto descíamos as escadas da arquibancada, fomos abordados pela Caroline, a xinguei de todos os nomes possíveis em minha cabeça e quando ela pegou no braço do Matheus o afastando de mim eu tive que me controlar. Leo sorriu e observou minha reação. — Consegui fazer reservas no mesmo hotel que o seu, Matheus, meu agente confirmou comigo essa manhã. — Oi? — Que bom Carol. — Ele deu um sorriso sem graça, não acredito que ele não ia me contar isso.


— Vai ser tão divertido, poderíamos ir naquele restaurante perfeito que fomos da última vez, o que você acha? — Cruzei os braços e olhei para o Matheus esperando sua resposta. — Claro, seria ótimo. — Seria? Ele voltou a segurar minha mão e se despediu do Leo e daquela cobra anoréxica. — Vai ficar calada? — perguntou no caminho de volta para casa. — Perdi a vontade de falar — disse seca. — Que pena. — Ele sorriu ironicamente. — Você realmente vai se encontrar com aquela sonsa, Matheus? — Não consegui mais ficar quieta. — Vou. — E em nenhum momento pensou em me contar? — Acho que me esqueci, Jéssica. — Okay! Virei o rosto e voltei a ficar calada, ele estava fazendo isso de propósito.


CAPÍTULO 8

Matheus Olhei, mais uma vez, as fotos na minha frente, Jéssica conseguiu me deixar realmente sem palavras. Eu ainda não tinha visto o material que ela conseguiu da nossa viagem a Myrtle Beach, e fiquei impressionado com a qualidade. Eu já tinha noção de que ela não pretendia passar a vida inteira trabalhando em campanhas publicitárias e editoriais de moda, e que nesse momento tudo que ela queria era trabalhar para a Travel, uma revista de turismo e viagens que uma vez por ano selecionava trainees para a equipe deles. Jéssica tinha talento para isso, seria fácil. — Ficaram perfeitas, não é? — ela falou convencida. — Ficaram. — Eu torcia por ela, mas seu sucesso nesse projeto me faria perdê-la como assistente. — Eu pensei em mandá-las para a Travel. O que você acha? — Essas aqui vão te colocar lá dentro com certeza. — Eu conhecia o editor-chefe da revista e, apesar de não aguentar o seu ego monstruoso, eu sabia que ele ficaria impressionado com o talento da Jéssica. — Eu sei. — Ela sorriu animada enquanto ajeitava seus óculos no rosto. — Você sabe que eu tenho que passar por várias entrevistas, não é? Eu nunca saí do país, e se isso me prejudicar? — Você não precisa viajar para fora, Jéssica. A equipe que trabalha aqui está sempre fazendo trabalhos bem legais. — Fomos interrompidos no mesmo instante pelo toque do meu celular. Ela fez como se fosse sair, mas acenei para que voltasse a se sentar. Antes de atender, vi que a ligação era da Caroline. Ontem, quando nos esbarramos, realmente tinha sido uma coincidência, e não me surpreendi ao vê-la com um dos patrocinadores do jogo. O fato de ela ficar no mesmo hotel foi que me surpreendeu. Jéssica tinha ficado encarregada de resolver esses detalhes para mim, mas pelo que conhecia do seu agente, ele deve ter rodado a cidade inteira só para satisfazê-la. Eu tinha sido contratado para fotografar para a Cosmo, que faria um editorial com as principais modelos do momento e Caroline era uma delas. — Bom dia, Carol. — Assim que falei seu nome, Jess me olhou surpresa. — Meu voo está marcado para às 21h. Não... não vou conseguir adiar. Claro... não sei se vou ter tempo, Caroline. Ligue-me amanhã... — Terminei a ligação e voltei a minha atenção para a Jéssica, que me olhava emburrada. — O que ela quer agora? — perguntou. — Tomar o café da manhã comigo.


— E a bonequinha come? Achei que ela vivesse de vento. — Em vez de me incomodar, sua implicância me divertiu. Eu não queria vê-la com ciúmes da Caroline, mas era meio que inevitável. — Esquece a Carol, Jéssica, e se concentre no que estávamos falando. — Eu só queria te mostrar as fotos, vou mandá-las hoje. Ignorei sua birra e continuei a contar o que sabia sobre o editor e sobre a revista e rapidamente seu bom humor voltou. Quando a contratei sabia que ela não ficaria comigo por muito tempo, o foco do meu trabalho não tinha nada a ver com ela, mas agora que já tínhamos nos envolvido tanto, eu não queria tê-la fora do meu alcance. Saímos para almoçar e logo depois fomos para a minha casa, já que ela insistiu para que aproveitássemos a tarde juntos. Jess até podia ser inexperiente, mas era uma safada que sabia direitinho dizer o que queria fora e dentro da cama. E eu, é claro, não via nenhum problema em fazer todas as suas vontades, eu era viciado naquele corpo gostoso que ela tinha. Desmarquei todos os nossos compromissos e a mantive em meu quarto pelo resto da tarde, se sua intenção era me deixar sem fôlego ela tinha conseguido. Eu passaria os próximos seis dias com a lembrança do que fizemos em minha cabeça e duvido que isso seria suficiente. A observei dormir enquanto terminava de arrumar minha última mala, Jéssica tinha praticamente capotado depois que transamos e achei melhor deixá-la descansar. Os últimos dias tinham sido um pouco tensos, e eu sabia que ela e a Anny ainda estavam estranhas uma com a outra. O que me fazia pensar que essa era a brecha perfeita para que aquele tal do seu ex voltasse a entrar em contato com ela. Merda! Tudo que eu não precisava era viajar preocupado com o que a Jéssica faria enquanto eu estivesse fora. ***

Jéssica Deixei Matheus no aeroporto e logo me senti estranha. Ainda não conhecia a sensação de não tê-lo por perto, nós sempre estávamos fazendo alguma coisa juntos e quase não nos desgrudávamos mesmo que, às vezes, tivéssemos que dormir separados. Se bem que ultimamente eu me sentia mais à vontade na casa dele do que no meu próprio apartamento. Sorri ao lembrar-me das advertências que Math me deu antes de embarcar, além de pedir para que eu tomasse muito cuidado com o seu carro, ele pediu para que não bebesse e que sempre atendesse as suas ligações. Ele não pareceu muito animado quando falei que talvez fosse sair com a Katie para alguma balada essa noite, mas fiz questão de deixá-lo tranquilo. Eu ainda não tinha jogado as cartas na mesa com ele a respeito do nosso relacionamento, mas Math era o único que eu desejava nesse momento, a volta do Aaron só serviu para confirmar ainda mais esse fato. O que me fez pensar sobre como nosso convívio seria afetado caso eu conseguisse a vaga de trainee na revista. Claro que eu poderia ser escolhida para trabalhar aqui mesmo em Nova Iorque, como também


poderia ter a incrível sorte de ter que trabalhar viajando pelo país e para o exterior. Essa era a minha chance de ser reconhecida e eu não a desperdiçaria de jeito nenhum. Estacionei o carro em frente ao meu prédio, eu não podia ir para a casa da Katie sem antes pegar algumas roupas, iria passar o final de semana com ela e queria estar preparada. Subi as escadas lentamente. Eu não tinha voltado aqui desde o dia em que briguei com a Anny e isso me chateava, porque, apesar de tudo, eu a tinha como uma irmã. Cresci com ela, fomos criadas juntas, sempre cuidando uma da outra. Não queria ter que tirá-la da minha vida a essa altura. Entrei no apartamento e não vi nenhum dos dois, corri para o meu quarto e peguei algumas blusas, jeans e uns dois vestidos. Procurei meu iPod que tinha esquecido em casa, mas não o encontrei, provavelmente estaria no quarto dela. Peguei também algumas roupas íntimas que queria deixar na casa do Matheus e, quando fui guardá-las em minha mala, percebi Aaron parado no vão da porta me observando. — Eu vim pedir desculpas. — Era só o que me faltava. — Não precisa — falei para ver se me deixava sozinha logo, mas ele fez o contrário. Aaron entrou no meu quarto e fechou a porta atrás dele. Fiquei parada como uma estátua, minha respiração ficou agitada ao perceber que ele vinha em minha direção. — O que eu preciso fazer para que você esqueça tudo o que aconteceu, Jéssica? A única coisa que eu quero é que você me desculpe e que a gente possa recomeçar, eu sei que posso te fazer feliz. — Até parece que eu iria cair nessa sua conversa. Não confiava nele e já tinha deixado isso bem claro. — Não quero saber Aaron, não vou te dar outra chance e muito menos deixá-lo me manipular novamente. Se é perdão que você procura, está perdoado. Agora saia do meu quarto — falei sem encarálo e continuei a separar minhas roupas. Aaron foi persistente e em vez de me ouvir e se afastar, ele se aproximou e envolveu algumas mechas do meu cabelo em suas mãos. Eu odiava essa mania que ele tinha de invadir meu espaço, de achar que era meu dono, que podia ficar me tocando sempre que quisesse. Fiquei aflita com sua proximidade e fiz o meu melhor para controlar meu nervosismo. Não vou negar que quando era adolescente, Aaron significava tudo para mim. Fiz o possível e o impossível para agradá-lo e sempre deixei que me controlasse de certa forma. A única coisa em que nunca o deixei interferir foi na minha decisão de continuar virgem. Por mais que fôssemos apaixonados e que vivêssemos na mesma casa, eu não conseguia me sentir segura para me entregar dessa maneira. E hoje eu me sinto aliviada por não ter incluído o sexo em nosso namoro, tenho certeza que teria sido muito mais doloroso e traumático caso isso tivesse acontecido. — Você está fugindo e eu entendo. Eu faria o mesmo se estivesse em seu lugar, mas prometo que nunca mais vou te magoar, Jéssica. Eu te amo. — Ele estava tão próximo que conseguia sentir sua respiração quente e sua boca quase tocando a minha, ele sussurrava cada palavra e eu não soube o que fazer. Me sentia como se ainda fosse aquela menina ingênua, sem voz e sem nenhuma coragem para impor a minha vontade. Só eu sei o quanto lutei para mudar ao longo dos anos, o quanto trabalhei em cima dos meus medos e inseguranças para me tornar o que eu era hoje. Depois de um susto e de ter que passar quase um ano fazendo acompanhamento com um psicólogo, eu tinha finalmente aprendido a enxergar as coisas sem a falsa nuvem que Aaron colocava em meus olhos. Ninguém sabia que grande parte dos meus


problemas emocionais existiam por causa dele; e, hoje, mesmo depois de tanto tempo, eu ainda tinha minhas recaídas. E por incrível que pareça a única pessoa que esteve ao meu lado esse tempo todo foi a Anny, foi ela quem me fez lutar pelos meus sonhos, me ajudou nos primeiros meses da faculdade e me deu forças para que eu superasse e lidasse com as consequências do que tinha feito. Era por isso que era tão difícil entender porque ela estava defendendo seu irmão em vez de me proteger dele. — Olha para mim, amor. Me diz que você não sente mais nada por mim, que você já esqueceu o que tivemos, e tudo o que eu signifiquei para você. — Sua mão desceu pelo meu rosto e eu mordi meus lábios com força. — Nós sempre fomos perfeitos juntos, Jéssica. Seus beijos, seus carinhos. Não tem nada que eu queira mais do que provar você, eu tenho que provar você. — Olhei em seus olhos e me arrependi, porque foi o único sinal que Aaron precisava. Senti exatamente o momento em que seus lábios tocaram os meus e sua língua invadiu minha boca ansiosa, desejando mais, implorando por mais. Seus dedos entrelaçaram meu cabelo e fui puxada contra o seu corpo. Aaron gemeu rouco com a boca ainda colada à minha e eu senti o sinal da sua excitação me pressionando. Eu estava rendida. Sua mão segurou firme a minha cintura, não me deixando escapar. Nosso beijo foi afoito e bruto. Aaron parecia em agonia e eu podia jurar que quando ele mordeu meu lábio inferior tinha sido por maldade, com intenção de me machucar e o pior deixar sua marca. Ele me envolveu em seus braços de uma forma dura, quase agressiva e eu não gostei. Sempre foi assim com a gente, ele forçava e eu recuava. — Minha — ele sussurrou e eu aproveitei para tentar me libertar de suas mãos. — Nem pense em me desprezar, Jéssica. — Quando me afastei não pude deixar de passar a mão em minha boca, o idiota realmente tinha me machucado. — Que merda, Aaron! — A vontade que eu tinha era de xingá-lo de todos os nomes possíveis, mas sua expressão me fez pensar melhor. Saí de sua frente e fechei minha mala antes que ele fizesse alguma outra besteira. — Aonde você vai? — ele perguntou bruto. — Não te interessa, agora sai da minha frente! — gritei. — Você só pode estar brincando, não vou deixar você sair daqui com a porra de uma mala. — O quê? Eu ouvi bem o que você disse? — Sério, esses ataques já eram loucura. Saí de sua frente com a intenção de passar por ele, achei que Aaron fosse me impedir, mas me enganei. — Pensando bem... — Ele fez uma pausa cínica. — Acho melhor que aproveite bem esses dias fora, mais cedo ou mais tarde você vai ter que voltar para casa, não vai? — Foi a última coisa que ouvi antes de fechar a porta do quarto atrás de mim. Não me importei que ele ficasse lá dentro, para falar a verdade não me importei com nada. Só queria sair desse apartamento e correr para a Katie. Não percebi o quanto estava agitada e nervosa até que passei por um cruzamento com o sinal fechado. Por pouco não fui atingida na lateral do jipe do Matheus, tive que frear bruscamente para evitar uma colisão e quase perdi o controle. Fiquei tão assustada no momento que demorei a perceber quando o motorista do outro carro bateu em minha janela. — A senhorita está bem? — “Nem um pouco”, pensei enquanto abaixava o vidro.


— Estou sim — falei com a voz tremida e depois que viu que eu não estava machucada ele me olhou furioso. — Você furou o sinal moça, você poderia ter causado um acidente grave aqui. — Eu sei. — Eu tinha noção do que tinha acabado de fazer. — Preste mais atenção e evite andar nessa velocidade, tudo bem? — Acenei com a cabeça e controlei o impulso de descontar minha raiva nele. Coitado, ele não merecia até porque a culpa disso tudo era do Aaron e da sua arrogância idiota. — Se arrume que nós vamos sair, Jéssica — Katie falou e eu resmunguei ainda nervosa. Assim que cheguei, contei tudo que tinha acontecido e ela surtou. Tive que acalmá-la, caso contrário, tenho certeza que ela iria até meu apartamento enfrentar o Aaron. Katie sabia toda a história desde o início, e acho que conseguia ter mais ódio dele do que eu. — Não — falei, eu estava sentada em sua enorme poltrona girando de um lado para o outro enquanto ela fazia suas ligações. — Não vou deixar você enfurnada nessa casa, e muito menos ficar fazendo papel de coitadinha. — Nisso ela tinha razão. Fazer papel de coitada definitivamente não era uma coisa da qual eu me orgulhasse. — Ok — falei, eu e ela tínhamos feito vários planos para esses dias em que Matheus ficaria fora. Minha amiga estava morrendo de saudades de quando eu podia sair com ela praticamente todas as noites e eu queria recompensá-la pela minha ausência. Não que ela me cobrasse, Katie era tão louca que fazia questão de falar na minha cara que, se tivesse um homem como Matheus ao seu lado, ela nem sairia da cama. — Oba! — ela falou animada. — Agora liga logo para o seu amorzinho e diz que vamos sair, anda garota. — Olhei o relógio, a essa hora ele já deveria estar no hotel. — Já está com saudades? — Matheus perguntou do outro lado da linha. — Eu queria estar aí com você. — Fui sincera, além de saudades eu sentia que precisava dele por perto. — Acabei de tomar uma ducha, então eu acho que você deve imaginar a vontade que eu estou de você, não é? Não sei se vou aguentar ficar tanto tempo sem sua bocetinha, minha safada. — Que horror, Matheus! Vai sentir saudades só disso? — falei e ele riu do outro lado da linha. — Principalmente disso. — Ele deu uma pausa. — Já percebi que só te tenho completamente quando está na minha cama, Jéssica. — Ok! Isso realmente mexeu comigo, fora que fiquei com uma vontade absurda dele. — Ficou muda? — ele perguntou em um tom divertido. — Não, só estou pensando no que gostaria de fazer com você... — Assim que ele falou que tinha acabado de tomar banho, várias imagens dele nu passaram pela minha cabeça. — Porra, Jess, assim eu não vou aguentar. — Sua voz saiu rouca. — Vai sim, chefinho, é só pensar em mim — falei e pressionei minhas pernas uma contra a outra tentando aliviar a vontade que eu estava de sentir suas mãos tocando meu corpo.


Matheus continuou falando sacanagens e me instigando, senti que fiquei molhada e me segurei para não acabar com a tortura sozinha. Ele achou graça quando implorei para ele parar e logo mudou de assunto. Aproveitei o momento para contar que sairia com a Katie essa noite. — Não sei se acho uma boa ideia você sair hoje, Jéssica, já está tarde. Por que vocês não saem amanhã? — Tarde? Era 22h40, para a balada que íamos ainda estava cedo. — Matheus, nós combinamos... — Eu sei, baixinha, é só que eu não gosto de estar aqui sabendo que você vai estar solta por aí. — Ao mesmo tempo que me senti incomodada, gostei de saber que ele tinha ciúmes e que eu não era a única a sentir isso. — Acho que tem alguém com ciúmes. — Seria um problema se eu estivesse? — ele falou sério e senti um frio gostoso na barriga. — Depende. Desde que você não queira me impedir de fazer o que eu gosto, não tem problema nenhum — falei mais como alerta do que tudo. Não precisava de outro Aaron na minha vida e muito menos de alguém que quisesse me controlar. — Eu nunca faria isso com você, prezo muito a minha liberdade para poder tirar a sua. — Katie bateu na porta e eu me despedi, só que antes de desligar Matheus soltou algo que me deixou chocada. — Juízo, Jéssica, odeio dividir o que é meu. — “Eu era dele?”, pensei. A ideia de pertencer a ele era tentadora. Voltei para a sala com as bochechas vermelhas e ainda abalada com o que ele tinha acabado de me dizer. — Matheus te liberou? — Katie perguntou assim que me viu. — Liberou — murmurei com a cabeça longe, Matheus nunca demonstrou ser um homem possessivo, desses primitivos. Confusa, sentei-me novamente em sua poltrona e abracei meus joelhos. — O que aconteceu, amiga? — O Aaron aconteceu, no fundo eu sabia que ele iria estragar tudo a qualquer momento. Ficava nervosa só de imaginar o que ele poderia fazer. — Aaron, Katie, e se ele contar sobre os beijos? — perguntei preocupada. — Math não vai me perdoar se ele descobrir, nós temos um acordo e eu prometi que... — Você gostou do beijo, Jéssica? — Claro que não! — Então, conte ao Matheus antes que o Aaron faça, seja esperta. — Contar tudo? — Aí ele vai não vai me perdoar, porque eu menti — falei desanimada. — Sério, pode parar com esse drama. Você tem tempo para pensar no que fazer, amiga, tome uma decisão antes que aquele desgraçado do seu ex interfira na relação de vocês. — Ela sentou-se ao meu lado na poltrona e me abraçou. — Eu vou resolver isso, Katie... — Eu não fazia a menor ideia de como faria isso, mas daria um jeito de Aaron ficar quieto. Era isso ou contar a verdade para o Matheus, o que estava fora de questão. Meu passado era


passado e nĂŁo o traria de volta por nada nesse mundo.


CAPÍTULO 9

Matheus Andava de um lado para o outro inquieto, agitado, e, o pior, com uma aborrecida ereção que me incomodava desde o momento em que escutei a voz da Jéssica ao telefone. Mas, absurdo mesmo, era me dar conta do efeito devastador que ela tinha sobre o meu corpo, cada nervo e veia reagiu ao som de suas palavras e daquela sua risada gostosa. Imagens daquela boca pequena me assolaram de tal maneira que eu quase pensei em acabar com a minha tortura sozinho, só que me dei conta de que se fizesse isso meu desejo por ela provavelmente aumentaria e não o contrário. Enrolei até não poder mais, e depois de horas desperto, pensando não só na minha safada como também no planejamento para o trabalho que teria que realizar amanhã, decidi ir dormir. Caroline me esperaria logo cedo e por sorte seria a primeira modelo a ser fotografada, eu já conhecia seu corpo e seus melhores ângulos, então não seria tão difícil trabalhar com ela novamente. No dia seguinte, acordei e me enfiei embaixo do chuveiro gelado para aliviar a tensão da noite anterior. Pensei em meu trabalho, no quanto eu gostava do que fazia, mas nos momentos como os de hoje eu tinha que ser extremamente profissional já que seria obrigado a estar com mulheres lindas e todas andando de um lado para o outro o dia inteiro na minha frente. O ensaio para a Cosmo iria reunir as dez modelos mais belas do momento e meu trabalho seria retratá-las da maneira como vieram ao mundo, ou seja, completamente nuas. Desci até o saguão do hotel, observando cada detalhe. Eu nunca tinha me hospedado aqui, porque foi a Jéssica que ficou encarregada dessa escolha e, como sempre, ela me surpreendeu. O hotel não era um dos mais elegantes e caros da cidade, mas era aconchegante e intimista na medida certa. Caminhei até o restaurante e gostei do ambiente, que era aquecido por uma pequena lareira, e o clima rústico ficava reforçado por conta dos móveis de madeira bruta e marfim. Avistei Caroline e seu agente em uma mesa no saguão onde era servido o café da manhã e quando me aproximei, seu agente, mais do que depressa, se levantou e nos deixou sozinhos. Era típico dela criar esse tipo de situações constrangedoras. Conversamos tranquilamente, Carol era esperta e tinha boas ideias a respeito de como queria as fotos do seu ensaio, seus palpites sempre eram certeiros e ela sempre soube como usar seu corpo e beleza em frente a uma câmera. — Nunca pensei que você se interessasse por garotinhas, Matheus, achei que seu lance fosse mulheres de verdade. — Primeira alfinetada do dia, eu sabia que não iria demorar até ela começar a detonar a Jéssica. Carol tinha 28 anos e realmente fazia o estilo de mulher do qual eu gostava. Independe, madura, séria e sem nenhum tipo de problema emocional. Fora que era uma leoa na cama. Jéssica só perdia para ela na questão de maturidade. Quando conheci Carol, ela era só um ano mais velha do que a Jess é hoje e tinha uma maneira de agir bem mais adulta. As duas não poderiam ser mais


diferentes uma da outra, e a comparação era inevitável porque antes de dela entrar na minha vida Caroline tinha sido a única que tinha me feito perder a cabeça, de uma forma totalmente sexual, mas tinha. — Não comece, Caroline. Eu nunca critiquei os homens com quem você se envolve. — Ela vai te decepcionar, Matheus, e isso é tão óbvio — disse secamente. — O que você acha que uma garota como ela espera de uma relação? Meninas dessa idade só querem se divertir, e nesse caso em especial, eu aposto que você está sendo usado como estopim para a sua carreira, ou vai me dizer que você não tem feito de tudo para ajudá-la? — Você não a conhece, Caroline, e mesmo assim não é como se você não tivesse feito o mesmo para chegar onde está, não é? — Peguei em seu ponto fraco e ela se calou, terminamos nosso café trocando apenas algumas palavras e passei o restante do dia sendo alvo do seu mau humor, por mim ela que ficasse assim o restante da viagem era melhor do que ser alvo dos seus joguinhos. Em vez de me abalar com o desgosto que estava estampado em seu rosto para quem quisesse ver, aproveitei e usei isso a meu favor. Mulheres bravas tinham seu charme, me atiçavam e consegui passar isso para as fotos. Ela estava nua, irritada com todas as suas forças e... muito sexy. Terminei o ensaio e dispensei Caroline, um dos colunistas da Cosmo estava planejando um pequeno happy hour em um barzinho no centro da cidade e eu não a queria por perto. Eu precisava relaxar um pouco, meu dia tinha sido tenso, não só por causa dela, mas também porque Jéssica tinha me avisado logo cedo que sairia novamente com a Katie essa noite. Não vou mentir, eu estava odiando deixá-la solta pela cidade enquanto eu estava longe. E por não conhecer Katie direito, não podia prever o que essas duas estariam aprontando, mas se dependesse do show que as vi protagonizando na boate aquela noite, eu podia apostar que coisa boa não era. A noite passou rapidamente, assim como o dia seguinte. Depois de mais um dia intenso de trabalho, cheguei ao hotel e a primeira coisa que fiz foi ligar para a Jéssica. — Você vai o quê? — perguntei a e ela, que estava do outro lado da linha. Essa garota iria acabar comigo antes mesmo que eu fizesse 30 anos. [2]

— Katie conseguiu alguns convites para o Pacha e eu não quero perder Matheus. — Eu estava começando a ficar preocupado, porque em três dias de viagem ela não tinha passado uma noite sequer em casa, eu sabia que ela precisava de um tempo longe da Anny e que não queria ficar sozinha no meu condomínio, mas custava fazer qualquer outro tipo de programa? Nesses momentos em que ficava claro que sua diversão independia da minha presença, eu mesmo me recriminava pela estupidez dos meus pensamentos. Eu não me tornaria esse tipo de homem que tinha ciúmes até da própria sombra, isso era um absurdo. Sempre tive a cabeça aberta, acreditava na igualdade dos sexos, na busca do prazer e, principalmente, em deixar as pessoas livres para que elas pudessem agir da forma que achassem corretas. Condicionar alguém a fazer o que se quer não era uma atitude saudável e muito menos aceitável em minha opinião. Bem, pelo menos era assim que eu acreditava até certa baixinha de pavio curto bagunçar todo o meu mundo. — Não gosto dessa boate, Jéssica, pois conheço alguns amigos que frequentam e não escuto coisas boas. — Sexo, drogas e nada de segurança eram só o começo. — É uma pena, porque eu vou! — A essa altura eu já estava acostumado com sua petulância e teimosia, mas se estivéssemos cara a cara, eu lhe daria uma lição.


— Pode ir se preparando para o seu castigo, Jéssica, porque quando voltar pretendo dar uns tapas tão bem dados nessa sua bunda que você nunca mais vai falar desse jeito comigo. — Essa era uma ameaça verdadeira, eu adorava ver aquele bumbum gostoso marcado pelas minhas mãos. — Sabe, Math, castigo é quando a pessoa tem que fazer algo que não quer ou não gosta, e eu pensei que já tivesse deixado claro para você que eu gosto de uns tapinhas... — Puta que pariu! Desse jeito não teria como, se não estivesse logo com ela, eu seria obrigado a tomar as rédeas da situação, ou seja, me dar o próprio alívio. — Vou pedir a Michelle para te liberar amanhã, Jéssica. Quero você aqui comigo. — Ficou louco? Você me deixou com tanto trabalho que eu não sei nem se vou dar conta. — Claro que ela daria, e aposto que tão bem quanto eu. — Se está com tanto trabalho, por que não fica em casa e descansa essa noite? — Ela deu uma gargalhada do outro lado, pelo menos alguém estava feliz com essa situação. — Muito engraçado você, mas não caio nessa — falou achando graça. “Merda de viagem!”, pensei. Estava sendo difícil admitir, mas eu estava me tornando um chato de primeira. Essa garota tinha esse efeito em mim, me deixava louco com apenas um olhar e até Caroline já tinha percebido a minha mudança. Estava cada dia mais óbvio para todos que eu estava apaixonado, só Jéssica parecia não se dar conta. ***

Jéssica Terminei de me arrumar correndo para que a Katie parasse de falar em meu ouvido. Ela estava nervosa porque eu tinha me atrasado por estar em uma ligação com o Matheus, mas era claro que todo tempo que podia ter com ele eu aproveitaria. Achei que seria mais fácil ficar sem ele, mas estava enganada. Math me fazia falta em todos os momentos, nós dois tínhamos chegado a um ponto que nossa relação tinha amadurecido para além do que estávamos preparados. Eu não sabia até quando ele pretendia manter o nosso acordo, ou se ainda tínhamos um acordo, para falar a verdade. Fora que ultimamente eu não andava confortável com nossa relação do jeito que estava, eu meio que gostaria de significar mais para ele, sabe? — Vai demorar muito, Jéssica? — Katie me tirou dos meus devaneios, ela estava louca para chegar até a Pacha e encontrar com seu amigo que tinha nos arrumado alguns convites. Era óbvio que estava rolando uma azaração entre eles, Katie sempre foi péssima em esconder seu interesse. — Ele não vai sumir se você se atrasar, sabia? — falei brincando. — E outra, homem não gosta de mulher ansiosa. — Eu estava adorando vê-la assim toda nervosinha por causa de alguém. — Como se você fosse a tranquilidade em pessoa, sua chata. — A tranquilidade era tediosa, e nisso Matheus e eu concordávamos totalmente. Chegamos a Pacha e consegui entender o receio dele. Esse lugar era um antro para a perdição:


música alta, batida forte, corpos suados na pista de dança e, pelo pouco que eu tinha visto, os frequentadores não pareciam ter nenhuma prudência ou bom senso. Olhei para Katie, que deu de ombros, e me arrastou até o local onde seu amigo estaria. Ele parecia tranquilo, mas fiquei incomodada depois de vê-lo passando alguns comprimidos para um estranho que havia se aproximado da nossa mesa o procurando. Evitei beber qualquer coisa que ele me ofereceu depois disso e fiquei de olho na Katie, tudo bem que ela o conhecia há mais tempo e nunca chegou a comentar que ele fizesse algo errado, mas preferi prestar atenção no que acontecia. Para minha sorte, ela inventou de ir dançar e eu fui atrás dela. — Você vai para casa com ele? — O som estava bem alto e praticamente tive que gritar. — Talvez. — Ela balançou a cabeça e fez como se eu tivesse lhe perguntado algo de outro mundo. A interrompi e, antes que falasse mais alguma coisa, a arrastei comigo até o outro salão, porque tocava West Coast, da Lana Del Rey. Sabendo como eu era apaixonada por essa música ela não reclamou. Confesso que sentia falta desses momentos com ela e sabia que a culpa por não termos mais nossas noites agitadas era toda minha. Eu fui a única a me afastar, passei a sugar tudo que podia do Matheus, cada tempo, cada minuto e segundo e acabei esquecendo todo o resto, principalmente do pequeno detalhe de não me envolver. Tonta! Vários minutos depois, eu estava morrendo de sede. Fui até o bar e a incentivei a ir atrás do seu amigo. Eu sabia me cuidar muito bem sozinha e depois daria um jeito de achá-los por aí. Pedi minha água ao barman e, enquanto esperava, dei de cara com o Jason. O cumprimentei e, como sempre fazia quando Matheus não estava por perto, o abracei. — A última pessoa que eu esperava encontrar aqui era você — ele falou bem próximo, a música realmente estava alta. — É a minha primeira vez. — Ele sorriu pela piada de duplo sentido. — E está gostando? — Muito. — Ele pegou a água que o barman lhe entregou e me passou. Quanto à boate, eu realmente estava gostando, era diferente de qualquer outra que eu e Katie tínhamos nos arriscado a ir, e olha que antes do Matheus eu e ela saíamos praticamente todos os dias. — Matheus também veio? — ele perguntou olhando ao redor. Desde o dia em que me deu carona, os dois andavam se estranhando. — Não, eu vim com uma amiga. — Jason sorriu pela resposta e me chamou para dançar. Não recusei porque, afinal, esse era o meu intuito quando decidi sair, não era? — Você é cheirosa — ele falou, de repente, nós dois estávamos próximos e não deixei que suas mãos tocassem outra parte do meu corpo que não a minha cintura. — Gostou? — brinquei com ele, que acenou a cabeça afirmativamente. Eu nunca falava a sério e acho que ele sabia disso. — Se eu te fizer uma pergunta pessoal, você me responde? — Depende — falei, mas já imaginava o que poderia ser. — Você e o Matheus ainda estão juntos?


— Estamos. — Eu espero que ele saiba a sorte que tem. — Senti vontade de dizer o quão fofo ele era, mas podia apostar que ficaria chateado. Homem nenhum gostava de ser considerado fofo... — Eu acho que ele sabe — falei com certeza, disso eu nunca tive do que reclamar. Matheus era tudo que uma mulher poderia querer em um homem e, acima de tudo, era carinhoso e dedicado. — Achou sua amiga? — Katie tinha simplesmente desaparecido com o Fred e deixado apenas uma mensagem, que eu só fui ler agora e que dizia que eu poderia voltar para o apartamento dela sozinha. — Foi embora. — Dei de ombros enquanto me dirigia à saída com Jason logo atrás de mim. — Eu te levo. — Sério? — Ele acenou com a cabeça e saímos da boate. Assim que entrei em seu carro, dei um jeito de tirar minhas sandálias e fui fazendo um coque em meu cabelo suado. Quando dei por mim, Jason me olhava de uma forma bem diferente da qual eu estava acostumada. — Nem pense nisso, Jason. Eu tenho dono — brinquei com ele, que arqueou sobrancelha com o que eu falei. — Matheus é seu dono? — Praticamente — disse para provocá-lo. Jason era um dos poucos homens que eu conhecia que ainda ficavam envergonhados e eu achava fofo. Apesar de alto, ele não era tão bem estruturado quanto o Math e seu cabelo era castanho assim como seus olhos. — Onde você acha que ficaria melhor? — Voltei ao assunto que estávamos conversando quando estávamos lá dentro. — Melhor o quê? — Eu estava querendo uma opinião sobre onde ficaria melhor a tatuagem que pretendia fazer. — A tatuagem. — Bom, eu gosto de tatuagens femininas nas costas, bem perto do cóccix. — Isso me parece algum tipo de fetiche seu, Jason. — Nós dois rimos. Ele tinha que gostar logo no cóccix? Eu já sabia o que iria fazer, era simples e ficaria em uma parte do corpo onde poucas pessoas veriam, esse seria meu pequeno lembrete para os dias difíceis. E Jason me ajudaria a desenhar a arte, como ele era design eu queria o seu toque pessoal para torná-la única. — Então, você tem um admirador — Katie falou, eu tinha acordado cedo e só estava esperando Jason chegar para me levar até o estúdio de tatuagem. Avisei ao Matheus que passaria o dia fora, mas não entrei em detalhes. Assim que voltasse, eu teria que lhe contar sobre a tatuagem de qualquer maneira. — Coisa da sua cabeça — falei enquanto preparava meu cereal. — Não mesmo, o garoto está louco por você. — Uma pena, porque eu sou louca pelo Matheus. — Enruguei o nariz para ela e fiz uma careta.


— E você já falou isso para ele? — Não, pelo menos não da maneira correta. O que me fez pensar que talvez fosse a hora de me abrir com ele, contar o que eu realmente estava sentindo e quem sabe isso me daria coragem para contar todo o resto? Lembrar do resto me fez imaginar o motivo pelo qual Aaron não tinha me mandado nenhuma outra mensagem e isso não era um bom sinal. Mas se sua intenção era me deixar nervosa quando Matheus estivesse comigo, não tinha necessidade de me ameaçar agora, não era? Evitei pensar muito nisso por agora, não queria estragar um dia que tinha tudo para ser bom. Terminei meu café da manhã e joguei conversa fora com a Katie, ela me contou sobre a sua noite, inclusive os detalhes mais picantes e acabamos rindo muito. Meia hora depois, Jason apareceu no apartamento dela e me levou até o estúdio de tatuagem, fui apresentada ao seu amigo e ele me garantiu que eu estava nas mãos do melhor tatuador da cidade. Eu não estava nervosa, tinha anos que eu tinha esse desejo. Tudo o que eu precisava era de um bom incentivo para fazê-la e nada melhor do que a volta do Aaron para isso. — Já escolheu o que vai fazer? — Sim — respondi ao tatuador. Jason me olhava de esguelha, acho que estava morrendo de curiosidade sobre onde eu colocaria a tatuagem. Mostrei a ele o esboço que Jason tinha feito e ele acenou com a cabeça. — Já sabe o local? — Na costela. — Ficaria na lateral, nada muito grande. Jason fez como se fosse sair, mas eu pedi que ficasse. Não queria passar por isso sozinha e também não tinha porque ele ficar sem graça, eu não estaria mostrando nada além da costela e barriga. Depois de cerca de 40 minutos agonizantes pude ver o resultado e fiquei satisfeita. A mensagem era única e direta, e ficaria marcada para sempre em minha pele, assim como o meu passado. ”Never Give Up”, que significa “Nunca Desista”. ***

Matheus Dois dias depois... Estava quase tudo pronto para a minha volta, avisei Michelle que meu avião pousaria às 16h, em Nova Iorque, e pedi que não contasse nada a Jéssica. Eu tinha planos para lhe fazer uma surpresa, já que meu trabalho estava finalizado e, enquanto terminava de separar meu equipamento, senti a mão da Caroline em meu ombro. Não precisei nem olhar para reconhecê-la, seu perfume doce e enjoativo a entregavam. — O que essa garota fez com você, querido? Eu não te reconheço mais, Matheus. — Ela estava


indignada porque eu voltaria dois dias antes do combinado. Eu tinha sido convidado a passar os próximos dias na casa de um dos sócios da Cosmo e Caroline e outras modelos também iriam, mas recusei. A mulher que eu queria e precisava nesse momento estava em Manhattan, provavelmente andando de um lado para o outro na minha sala e distraindo meus editores com sua desordem e piadinhas. — Você não entenderia, Carol — falei paciente. Minha cabeça estava nos planejamentos que tinha que fazer assim que chegasse, eu pretendia levar Jess para jantar e depois passaria a noite saciando todo o meu desejo. — Você pode não acreditar no que eu vou te dizer agora, mas essa garota vai te quebrar, Matheus. E quando isso acontecer eu vou estar de camarote assistindo a sua queda. — Ignorei, isso não passava de mágoa por eu estar envolvido com a Jéssica, que para o seu desespero era bem mais jovem do que ela. Horas mais tarde, meu avião pousou e assim que saí do aeroporto fui direto para o meu condomínio. Tomei um banho, confirmei as reservas que tinha pedido a Michelle e dei uma olhada na casa. Jéssica não tinha estado aqui, isso era óbvio pela ordem em que tudo estava. Escutei minha caixa de mensagens e me deparei com alguns convites, eventos e compromissos de trabalho. Depois resolveria isso com calma com a ajuda da Jess, olhei o relógio e percebi que tinha menos de vinte minutos para chegar até o estúdio e surpreendê-la. Aproveitei que ela estava com meu jipe e tirei minha Harley da garagem, tinha um bom tempo que não a pilotava mais, precisamente desde aquele dia em que a levei para comer comida asiática em Chinatown. Por sorte o trânsito estava tranquilo. O que não era nem um pouco comum nessa área e horário. Desci da moto e assim que tirei o capacete a avistei, Jess tinha ficado encarregada de fechar o estúdio na minha ausência e pelo visto tinha sido a última a sair. Não consegui impedir a pontada de satisfação ao vê-la e muito menos que meu corpo reagisse, mas tratei logo de controlar essa segunda parte. Eu voltei disposto a provar que o que tínhamos era muito mais do que sexo e era isso o que faria. Jéssica demorou a se dar conta que eu a esperava, mas assim que me viu abriu o maior sorriso do mundo. Porra, me diga se eu não era um fodido quando se tratava dela? Para minha surpresa, ela correu e me abraçou, foi um alívio saber que eu não era o único com saudades aqui. — Math. — Retribuí o abraço e o perfume do seu cabelo e pele mexeram com meus instintos da maneira mais vergonhosa possível. Eu estava em uma calçada, às 18h, duro por causa dessa baixinha. — Oi, minha linda. — Seu cabelo estava solto e ajeitei algumas mechas enquanto a admirava. — Eu senti tanto a sua falta. — Seus braços agora estavam em volta do meu pescoço e ela estava na ponta dos pés pronta para me beijar. — Bom saber disso. — Ela sorriu novamente, e minha atenção desviou para a sua boca. Seu beijo foi guloso, assim como ela era na cama. Era uma maldade ter uma boca tão gostosa e com um sabor tão bom que eu não tinha culpa por não querer largá-la. Melhor que seus beijos eram... — Calma. — Ela se afastou rindo, seus lábios já estavam vermelhos e comecei a pensar besteiras. Essa noite essa boca iria fazer um estrago em mim e eu morreria por isso. — Eu estou calmo. — Ajeitei meu jeans desconfortável e ela olhou para a minha ereção marcada em meu jeans com água na boca, Jess riu do meu problema e mordeu os lábios com a intenção de me


provocar. Safada! — Fiz reservas no August, Jéssica — mudei de assunto, porque eu queria uma noite romântica ao seu lado, talvez em um restaurante aconchegante onde pudéssemos conversar. Com velas, um bom vinho e o que mais fosse necessário. Não voltei antes apenas para levá-la para a minha cama. Eu voltei porque sentia falta dela, da sua companhia pela manhã, dos seus sorrisos descarados e da forma como ela me fazia sentir. Sempre fui um homem inquieto, sou dos que preferem ação e movimento a calmaria. Mas Jess me aquietou, me fez menos desesperado e, por mais absurdo que fosse, me fazia sentir como se estivesse finalmente onde deveria estar. Depois de viajar para tantos países, mudar para várias cidades e ter muitas mulheres, eu gostava de pensar que tinha encontrado a que me faria ficar num lugar só. Jéssica me disse que teria passar na Katie antes, e segui com ela até o apartamento da sua amiga. Esperei que se arrumasse e quando coloquei os olhos nela tive certeza de que cada minuto valeu a pena. Se não estivéssemos atrasados e eu não tivesse prometido me segurar, eu a pegaria em pé mesmo, subiria aquele vestido, rasgaria sua calcinha e a foderia duro. Observei seu caminhar até onde eu estava sentado de queixo caído. Seu vestido vermelho justo realçou seu quadril, acompanhei cada passo, o som dos seus saltos tocando o porcelanato frio, suas pernas, coxas... Porra! — Você gostou, não é, chefinho? — Sério que essa garota ia pagar por cada provocação que estava me fazendo. Dentro de algumas horas, ela estaria rendida em minha cama e pronta para me receber. — Você está incrível, Jéssica. — Incrível e gostosa. Chegamos ao August e fomos levados pelo maître até nossa mesa. Esse era um ótimo restaurante e me atraía o fato de ser pequeno e reservado. Depois de tantos dias fora, tudo que eu desejava eram algumas horas na companhia da Jess e ouvir suas histórias e risadas. Escolhi o vinho e ela pediu que a surpreendesse com a escolha do que comeríamos, escolhi um prato diferente do que costumava pedir porque sabia o quanto ela se divertia descobrindo novos sabores e experimentando todo tipo de comida exótica, isso meio que me deixava orgulhoso, nada me irritava mais do que mulher fresca e ela definitivamente não era assim. — Conte-me o que você fez nos últimos dias, Jéssica. — Nós conversávamos à noite por telefone, antes de ela sair com Katie e eu capotar em minha cama do hotel, mas mesmo assim era pouco. Eu queria saber tudo. — Trabalhei durante o dia e me diverti à noite — ela disse despreocupada. — E você? — Muito trabalho e pouca diversão. — Coitadinho de você, Math, mas não se preocupe que essa noite você vai ter toda a diversão que não teve nos últimos dias — ela falou e deu um gole em seu vinho. — Acho que você já me provocou demais, Jéssica. ***

Jéssica


Matheus não tinha nem ideia do que o aguardava, eu não esperava ter que fazer o que planejei até pelo menos daqui a dois dias, onde eu estaria menos nervosa e mais preparada. Katie me ajudou nos pequenos detalhes durante a semana, escolhemos uma lingerie sexy e a música perfeita. Cara de pau para fazer um striptease eu tinha, e Math já tinha deixado claro que o fez com que ele se aproximasse de mim aquele dia na boate tinha sido a forma como eu dançava, então seria fácil. Hoje, quando ele apareceu em frente ao estúdio de surpresa eu fiquei tão feliz que não pude deixar de correr até ele e abraçá-lo. Eu estava morrendo de saudades, Matheus era meu parceiro em tudo e essa distância, além de ter feito minha ficha cair, fez com que eu quisesse valorizar cada minuto que teria com ele daqui para frente. O observei a noite inteira, enquanto ele me contava a respeito dos ensaios. Eu estava tentando não ficar enciumada com o fato de que ele esteve com aquelas modelos nuas o tempo inteiro, principalmente a Caroline. Mesmo confiando no Matheus, eu me perguntava se ele ainda sentia algum desejo por ela, porque estava na cara que ela ainda era interessada nele. Tivemos um jantar divertido, conversamos, rimos e quando ele pediu a conta comecei a sentir um friozinho na barriga em antecipação. A tensão sexual era palpável e ele permaneceu calado boa parte do caminho até seu condomínio. Tive vontade de perguntar o que ele tanto pensava, mas em vez disso me concentrei no showzinho que faria para ele daqui a pouco. Matheus abriu a porta do carro para mim, e agradeci. Poucos homens nos dias de hoje eram tão cavalheiros como ele. Subimos a escada da garagem que nos levaria direto ao hall da sua casa e no último degrau fui pega de surpresa quando ele me pressionou contra a parede. Suas mãos ficaram apoiadas na parede atrás de mim, cada uma de um lado me deixando presa. Seu olhar faiscava e me mostrava que ele estava tão excitado quanto eu. Esperei por um beijo, nós já estávamos próximos um do outro, mas ele me torturou. Roçou seus lábios e nariz em meu rosto sentindo o perfume da minha pele, desceu pelo meu pescoço e inalou profundamente soltando um pequeno gemido rouco no final. Senti a umidade entre as minhas pernas e rezei para que ele me tocasse logo. — Seu cheiro me faz querer sexo, Jess. Sexo duro e suado. — Ai meu Deus! Não queria nem imaginar como eu ficaria quando seus dedos começassem a me explorar. Eu já estava pegando fogo aqui. — Lá em cima, Matheus. Eu quero você lá em cima — falei baixo tentando controlar minha respiração e ansiedade. Se ele começasse a me provocar agora eu cederia aqui mesmo, porque só pelo roçar do seu membro no meu ventre eu já tive um vislumbre do que me esperava, ele estava muito, muito duro. — Sobe então. — Math deixou que eu passasse por ele na escada e apressei o passo. O jogo começaria comigo essa noite, e enquanto não o fizesse perder a cabeça eu não ficaria satisfeita. Cheguei ao seu quarto e fui até o seu closet pegar uma de suas gravatas, ele iria me matar quando descobrisse o que eu pretendia fazer. Dei uma olhada no imenso espelho posicionado no centro e tomei coragem. Era agora ou nunca. Matheus desabotoava sua camisa enquanto me encarava, o observei tirar botão por botão. Eu estava com água na boca de imaginar minha língua percorrendo cada pedacinho dele. Voltei a olhá-lo nos olhos


e o fogo que vi neles me desestabilizou, eu já estava dolorida por dentro sem nem senti-lo em mim. Caminhei até ele calmamente, suas mãos estavam em seu cinto agora e a gravata que eu segurava chamou sua atenção. Sorri sacana para ele, que parecia não entender nada. Quando cheguei na sua frente, a passei pela sua nuca e o puxei para um beijo que me deixou de pernas bambas. — Para que essa gravata? — Ele pegou em minha cintura com força e me afastou. — Você já vai saber, chefinho — falei e voltei a beijá-lo. Eu estava adiando o momento de propósito. Impaciente, ele tentou me arrastar até a cama, mas eu me neguei a ir. Pedi que se sentasse sozinho e me esperasse, ele estranhou, mas fez direitinho o que eu havia pedido. Fui até ele e amarrei seus pulsos levemente com a gravata, minha intenção não era machucá-lo, longe disso. Não sei por que não me questionou ou me impediu de fazer isso, mas quando seu olhar cruzou com o meu novamente ele estava duro e intenso. Fui até seu dock, conectei meu iPhone e o som da música Edge Of The World, da banda de rock Faith No More, ressoou pelo quarto e eu entrei no clima. A música era perfeita, tinha uma batida gostosa e eu sabia que ele gostava. Fiquei em pé na sua frente, Matheus ainda estava vestindo sua calça jeans, porém aberta. Afastei suas pernas para que eu pudesse ficar entre elas. Seu olhar era de raiva quando eu comecei a rebolar e a me mexer sensualmente tão próxima assim a ele. Virei-me de costas e fui descendo o zíper do meu vestido até que ficasse um pouco abaixo da minha cintura. Eu tinha escolhido uma lingerie vermelha rendada bem diferente do estilo que costumava usar com ele. Desci até seu colo e subi várias vezes acompanhando o ritmo da música, ele se contorcia toda vez que me sentia pressionar contra seu membro. Além de excitado, ele estava impaciente e isso era bom, certo? — Acho melhor você me desamarrar. — Sua voz soou ameaçadora, mas não soltei e aproveitei para tirar o restante do vestido ficando apenas de calcinha e salto alto. Matheus quase rosnou quando aproximei meus seios da sua boca, podia apostar que ele estava louco para abocanhá-los e chupá-los e foi o que o deixei fazer. Quando sua língua roçou o bico, eu me estremeci por inteiro, eu estava quente e o contato úmido da sua boca foi como um choque se espalhando por todo o meu corpo. — Assim, chefinho... — O incentivei e ele se mexeu, mais uma vez, tentando desfazer o nó dos seus pulsos. — Se você for bonzinho, eu desamarro antes do final — falei ao pé do seu ouvido. — Porra, Jéssica! Pode ir se preparando porque, quando eu me soltar, eu vou acabar com você — ele esbravejou. Eu não estava facilitando em nada para ele essa noite, coitado. — Math, não quero promessas, eu quero ação — falei enquanto minha calcinha descia pelas minhas pernas. Ele encarou meu centro com a respiração pesada, desci meus próprios dedos até meu clitóris, afastando os grandes lábios e lhe dando toda a visão que ele precisava ter. Comecei a me acariciar e a me mexer, só que dessa vez em um ritmo mais lento. Gemi pelo prazer que estava sentindo e pela excitação do momento de vê-lo lamber os próprios lábios enquanto me assistia. — Já chega, porra! — Se continuar nervoso, eu não vou deixar você me tocar essa noite — sussurrei e lambuzei meus dedos com a minha própria excitação. Ah, isso era tão divertido. — Chupe! — ordenei e passei meus dedos pelos seus lábios. Matheus sugou, provando o meu sabor e gemendo. Observei tudo já morrendo com o desejo, eu o queria dentro de mim do jeitinho que ele falou, forte e duro.


Desamarrei suas mãos e gritei quando ele me pegou e jogou na cama me cobrindo com o seu corpo. Não sei como, mas ele abaixou seu jeans e seu membro pulou para fora. Eu estava nua com um homem desesperado, louco para me foder e tudo que eu podia pensar era em como desejava o mesmo, só que mais, muito mais intenso. — Abra as pernas! — ele mandou e eu abri, em questão de segundos Math estava enterrado dentro de mim e eu gemendo descontroladamente. Ele tinha sido provocado e agora estava retribuindo o favor, me fodendo sem a menor compaixão. Cravei minhas unhas nele enquanto ele socava fundo, seu membro latejava em meu interior enquanto eu me contorcia embaixo dele. — Que boceta apertada... — ele murmurou e mordeu meu pescoço, me fazendo gritar. De repente, Matheus me virou e eu fiquei de quatro. As estocadas recomeçaram e meu cabelo foi puxado agressivamente, ele começou a morder meu ombro com força me fazendo sentir dor e prazer ao mesmo tempo. Eu estava muito perto do orgasmo e pela respiração do Math podia apostar que ele também. — Goza comigo, minha safada! — ele pediu e eu estremeci, meu pescoço estava arqueado para trás lhe dando acesso ao pedaço de pele que ele gostava de marcar sempre que gozava. Gemi alto quando comecei a sentir seus espasmos e ser preenchida pelo seu gozo que logo estaria escorrendo pelas minhas pernas. Matheus inclinou minha cabeça para baixo, deixando meu bumbum para o alto e dando dois tapas bem fortes em cada lado. Ele pareceu admirar a cena por alguns instantes enquanto massageava a pele que tinha ficado marcada pelas suas mãos. — Você é perfeita, Jess — ele murmurou e fez com que deitasse com a cabeça em seu ombro. Eu estava cansada com toda a nossa diversão, depois de uma noite em claro ontem eu tinha passado o dia inteiro à base de energético hoje. Acho que agora as noites mal dormidas estavam começando a cobrar seu preço. Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que ele tomou a iniciativa e perguntou: — Explique-me a tatuagem, Jéssica. Hum, tinha que ser agora? — Estou com sono, Math. — Ele acariciou meu cabelo tentando colocá-lo em ordem. — Never give up — ele murmurou enquanto passava o dedo carinhosamente por ela contornando os traços delicados. — Significa alguma coisa para você? — Eu poderia dizer que não, que tinha sido apenas uma frase aleatória entre tantas outras. Mas prometi a mim mesma que quando ele voltasse eu tentaria ser sempre sincera. — Significa... — falei insegura. — É meio que um lembrete para que eu continue vivendo Matheus, para que eu não desista nunca, entende? — Fui envolvida em seus braços e fechei os olhos. Eu estava feliz por ele estar aqui comigo e relaxei. Em questões de minutos, eu já tinha adormecido. ***

Matheus


Acordei sozinho na cama, nenhum sinal da Jéssica e isso me preocupou. Ela quase nunca acordava antes de mim, me levantei e desci para encontrá-la. Dentro de algumas horas eu tinha que estar no estúdio para receber o material do ensaio que havia feito para a Cosmo. Quando já estava no último degrau ouvi um barulho e um grito vindo da cozinha. Merda, Jéssica e a minha cozinha não se entendiam de jeito nenhum. Tinha perdido a conta de quantos pratos e copos ela quebrou só no último mês. Entrei ansioso e a avistei lambendo o dedo com cara de dor. Até aí tudo bem, ela deve ter cortado o dedo com os estilhaços do vidro, isso era comum aqui em casa. O único problema nessa história era que a safada estava usando apenas uma calcinha. — Você só pode estar de brincadeira comigo. — Fui até ela e peguei seu dedo para dar uma olhada, era um corte pequeno para um grito tão alto. Fiz o curativo e percebi que ela tinha acordado feliz porque tinha um sorriso alegre estampado em seu rosto. — Já falei para você ter mais cuidado, minha baixinha, até o dia que você se machucar de verdade. — Foi sem querer, eu estava fazendo o nosso café da manhã e o copo deslizou da bancada. — Desde quando ela preparava nosso café? — Por que não me acordou? Eu teria descido. — Ela balançou a cabeça ainda sorrindo. — Não, eu queria fazer uma surpresa. — Quer melhor surpresa do que descer e encontrar sua mulher quase nua na cozinha? — Você é a minha surpresa mais gostosa, Jéssica. Agora suba e me espere na cama. Preparei um café, e descartei o que ela estava fazendo antes. Jéssica podia ser uma ótima fotógrafa criativa, divertida e possuir outras tantas qualidades, mas na cozinha era péssima. Coloquei suco, café, torradas, algumas frutas e uma omelete na bandeja e subi. Gostei de encontrá-la sentada em minha cama me esperando, nos servi e ela me contou os planos que tinha para o dia. Antes de viajar a deixei encarregada de um cliente bem exigente e ela disse que estava prestes a surtar com a pressão que estava sentindo. Expliquei a ela que, quanto mais cedo aprendesse a lidar com contratos assim, melhor para a sua experiência profissional. Eu, como fotógrafo, muitas vezes tive que deixar meu gosto de lado para satisfazer o do cliente e isso nem sempre me deixava feliz. Depois que tomamos nosso café, fomos para o banheiro juntos e acabamos transando mais uma vez. Perdemos a hora pela demora que levou para que ela se arrumasse e assim que terminou fomos para o estúdio. Eu passaria a manhã trabalhando e ajeitando minha agenda, para conseguir almoçar com o Leo mais tarde. Eu precisava conversar com ele e pedir seus conselhos sobre alguns assuntos, inclusive sobre a Jéssica. — Então... — Leo falou, ele estava esperando que eu começasse a contar o que tanto me atormentava, eu já tinha o atualizado a respeito da minha viagem e agora, enquanto esperávamos nossa comida, tomávamos uma cerveja no pub perto da sua agência. — Eu quero algo mais sério com a Jéssica. — Não seria necessariamente um namoro, mas seria melhor do que o acordo que tínhamos. Ele pareceu analisar o que tinha acabado de ouvir. — Cara, isso é meio arriscado. Por que ela? A garota não viveu nada ainda, Matheus. Daqui a


pouco você vai querer casar, ter mulher e filhos e uma menina como ela não está preparada para isso ainda. — Eu não queria pedi-la em casamento, só a queria comigo dormindo na minha casa, estando ao meu lado nos eventos, conhecendo meu pai e meus amigos. Era só isso. — Gostei dela e entendi o que deixou você tão maluco ao ponto de querer enfiar a cara em uma relação, mas vai com calma. — É um pouco tarde para isso, amigo — falei por fim, se continuasse com esse acordo de ”apenas sexo”, mais cedo ou mais tarde eu a perderia. A conversa continuou, pedimos outra cerveja e não voltei a tocar no nome da Jéssica. Eu já tinha tomado a minha decisão e estava ansioso para contar a ela. Jess seria minha, nada de acordo e restrições bestas. Eu a desejava ao meu lado em todos os momentos e assim seria. Despedi-me do Leo e, antes de voltar para o trabalho, passei em uma joalheria. Essa noite seria a ocasião perfeita para que eu a presenteasse com uma joia que há tempos eu tinha vontade de lhe dar. Fui recebido pela gerente, que já me conhecia, e disse a ela o que queria. Escolhi uma pulseira com aros de ouro branco e couro entrelaçados e acrescentei um único pingente que simbolizava tudo para a nossa relação. Conheci Jess por causa da sua paixão pela fotografia e, assim como eu, ela amava o que fazia. No caminho eu estava pensando que provavelmente Jéssica iria preferir um jantar mais íntimo em casa a ter que ir a outro restaurante. Essa noite eu abriria o jogo com ela e confessaria que não queria apenas um acordo, que ela significava muito para mim e a queria ao meu lado. Entrei no estúdio e não encontrei Michelle na recepção, apenas um rapaz aparentemente nervoso. Aproximei-me com o intuito de ajudar, não me lembrava de ter algum cliente ou reunião marcada. — Posso te ajudar em alguma coisa? — perguntei. — Não, obrigado. Estou apenas esperando minha namorada. — Bom, só tinha duas mulheres que trabalhavam para mim aqui no estúdio. Michelle, que tinha seus trinta e poucos anos, e a Jéssica. — Ela trabalha aqui? — Sim, a Jéssica. Você conhece? — Que merda estava acontecendo aqui? Eu nunca tinha visto esse cara na minha vida. Quem ele pensava que era para chegar aqui e fazer uma brincadeira como essa? — Quem é você, afinal? — foi a única coisa que consegui perguntar. — Prazer. — Ele estendeu a mão para que eu o cumprimentasse. — Eu me chamo Aaron.


CAPÍTULO 10

Matheus Aaron? O único Aaron que conhecia era o ex-namorado da Jéssica. E eu não tinha a menor ideia do que tinha acontecido entre eles ou porque terminaram, Jess nunca fez questão de contar e era visível que o assunto a incomodava. Respeitei sua privacidade e não pressionei, por mais curioso que fosse em relação ao seu único namorado, eu também temia não gostar do que descobrisse. Algum motivo deveria existir para ela nunca ter se envolvido com alguém por todos esses anos e eu podia apostar que estava relacionado ao fim deles. Analisei o garoto à minha frente ainda sem entender o que ele estava fazendo aqui atrás dela. — Você é o ex da Jéssica, certo? — fiz questão de frisar bem o ex. Seu queixo se contraiu e sua falsa calma o entregou. — Pelo visto ela não te contou, não é? Nós estamos morando juntos. — Com as mãos no bolso, ele deu de ombros e percebi que ele era o único que parecia estar se divertindo aqui. O cara não passava de um moleque querendo tirar banca de homem. Mas não comigo! — Morando juntos? — “Impossível”, pensei. Jess não seria maluca de esconder algo assim de mim. — E você deve ser o Matheus, certo? — perguntou de forma irônica. Engoli em seco e a raiva entalou em minha garganta. Se ele sabia quem eu era, então... — Eu sou o chefe da Jess. — Me apresentei. — Jéssica. — Sua expressão ficou dura. — O nome dela é Jéssica. — Babaca! Pouco me importava, eu a chamava de Jess e pronto. Eu conhecia esse cara há o quê? Dez minutos e já estava puto com ele? Não sei quem ele pensava que era, mas esse era o meu estúdio e ele já não era bem-vindo. — Para mim é Jess. — Dessa vez fui eu quem dei de ombros em resposta. Ele não parecia feliz e eu também não estava, eu tinha voltado mais cedo com o intuito de passar um tempo com a Jéssica e uma discussão com esse moleque definitivamente não fazia parte dos meus planos. Alguma coisa chamou sua atenção logo atrás de mim, e ele sorriu. Virei-me e encontrei Jess paralisada no corredor. Não gostei da sua reação, ela parecia assustada e o pior, culpada! — Matheus... — Sua voz morreu quando viu Aaron tentar passar por mim. Esbarrei nele e o impedi. Ele não chegaria nem a meio metro de distância dela até eu entender o que estava acontecendo aqui. — Você se esqueceu de contar a ele que nós estamos morando juntos, amor? — ele a questionou e Jéssica me surpreendeu passando por mim e indo em direção a ele bem irritada.


— Sai daqui, Aaron, sai agora! — Ela o empurrou, essa garota tinha perdido o juízo? Ele não recuou e também não se incomodou, o otário ria enquanto ela avançava nervosa sobre ele. — Agora que comecei, eu vou até o final. Ele vai saber de tudo, Jéssica. Eu pedi a você que tomasse uma decisão, não foi? — Fui obrigado a afastá-la antes que se machucasse, um empurrão dele e ela cairia no chão. — Por favor... — Jéssica suplicou e arrancou minhas mãos que a seguravam nesse momento. — Eu imploro, Aaron, vai embora. Eu juro que depois nós conversamos. — Não entendia seu comportamento e muito menos esse medo de que ele falasse alguma coisa. A menos, é claro, que houvesse alguma coisa a ser escondida. — Aaron...— ela gemeu e em questão de segundos fechei os punhos e parti para cima dele quando o vi segurar Jess pelo braço com força e a sacudir violentamente. Ela tentou se soltar sem muito sucesso, em um impulso de raiva o puxei pela jaqueta e o imprensei contra a parede. — Se você voltar a encostar um dedo nela, eu mesmo quebro essa sua maldita cara! — E quebraria com gosto. — Você não sabe nada sobre ela, seu idiota, mas eu vou contar... — NÃO! — Não podia acreditar que ela ia insistir nisso. — Eu odeio você Aaron, odeio! — ela gritou desesperada. — Não pareceu quando estava me beijando. — Não consegui me segurar e dei um soco bem na cara do filho da puta, que ainda estava preso contra a parede. Aaron tentou revidar e por pouco não acertou meu queixo, o joguei no chão e ele urrou de dor. Se ele abrisse a boca para falar mais alguma merda, eu o quebraria. — Matheus, pare... — Jess intercedeu, olhei para ela decepcionado por toda essa confusão. Eu já tinha entrado em muitas brigas, nunca fui santo. Mas no meu local de trabalho? Nunca! — Eu quero você fora, agora! — gritei assim que desviei meu olhar do dela. Quanto antes ele saísse melhor, eu o queria longe antes que partisse para cima dele novamente. Aaron se reergueu, mas sua arrogância continuava lá por trás da sua frieza. — E você — falei para ela que continuava calada. —, para o meu escritório. — Evitei encará-la, porque a vontade que eu tinha era de gritar e perguntar que merda ela tinha na cabeça por achar que podia me enganar assim. E eu faria isso, só precisava desse babaca longe primeiro. Aaron esperou Jéssica sair em direção a minha sala enquanto a olhava de forma estranha, ele não tinha dado mais nem um pio, mas alguma coisa me dizia que isso ainda não tinha acabado, ele era sinônimo de problemas. Antes de me dar as costas e sair do meu estúdio, ele fez questão de me irritar ainda mais. — Jéssica só está com você para se vingar do que eu lhe fiz. Por que você acha que ela se manteve virgem por tantos anos e, de repente, transou com o primeiro que apareceu? Ela te usou e ainda usa, você é apenas um intruso nessa história, cara. Puxei o ar, tentando manter o controle, e a paciência. Se tudo isso fosse verdade, e eu acreditava que era, eu tinha feito papel de idiota por todos esses meses. Deixei Jéssica me fazer de gato e sapato enquanto ela se divertia com esse otário bem debaixo do meu nariz. Porra! Esse era o motivo pelo qual me mantinha afastado de relacionamentos, e o mais foda era que quando eu decidi finalmente tentar ter um


tipo de envolvimento eu quebrei a cara. Ironia filha da puta! Fui tão complacente, que mesmo que minha intuição me alertasse de que alguma coisa estava errada com ela, eu preferi ignorar. Jess sempre foi escorregadia, mas nos últimos tempos também ficou tensa, preocupada. No começo achei que pudesse ser besteira, talvez ela estivesse apenas cansada do nosso acordo e quisesse mais, mas nunca a escutei fazendo nenhum tipo de exigência ou reclamando do que tínhamos, muito pelo contrário. ***

Jéssica Eu estava com o coração quase pulando pela boca, Aaron tinha acabado de destruir tudo, mais uma vez, por causa do seu egoísmo. Minhas pernas não paravam de tremer enquanto esperava impaciente Matheus entrar por aquela porta. Eu só conseguia pensar nas mentiras que contei e em tudo o que tinha deixado de falar. Como ele aceitaria me ouvir agora? Math nunca confiaria em mim novamente, e eu era a única culpada por isso. Sem conseguir ficar parada, andei de um lado para o outro na tentativa de me acalmar. Claro que não adiantou nada e, quando ele entrou em sua sala eu comecei a me sentir sufocada. Não, isso não podia estar acontecendo de novo. Fui até ele antes que me sentisse pior. — Eu posso explicar... — minha voz saiu falha. — Pode mesmo? Porque, enquanto eu não ouvir tudo, e tiver todas as explicações que preciso, você não vai sair desta sala — ele falava enquanto rodeava sua mesa inquieto. Matheus já tinha pedido que eu me sentasse, mas com ele assim nervoso eu só queria acalmá-lo. Não queria que nada disso estivesse acontecendo, algo dentro de mim dizia que se eu o perdesse doeria bem mais do que quando perdi Aaron. — Matheus... — Tentei ir até onde ele estava, mas parei quando o ouvi. — Nem pense. — Seu tom de voz foi frio e isso me deixou gelada por dentro. Minha única certeza nesse momento era que eu iria perder o Matheus. — Pense muito bem antes de abrir essa sua boca, Jéssica. Se eu escutar mais alguma mentira vinda de você, eu não sei do que sou capaz. — Matheus nunca tinha falado assim comigo antes, até quando brigamos por causa da ligação do Aaron ele tinha conseguido se controlar. Mas agora? Agora ele parecia um leão enjaulado prestes a atacar. — Foi apenas um beijo, eu juro e... — A porra de um beijo me parece muito, Jéssica. — Ele se virou de costas e não pude ver sua expressão. — Mas não significou nada para mim, é com você que eu quero ficar, eu estou... — Seu olhar duro me fez parar. Por que eu não podia simplesmente dizer o que estava sentindo? Eu era apaixonada por ele, mas não conseguia dizer. Acho que no fundo eu tinha medo que, quando isso se tornasse real, eu não fosse dar conta. — Merda, Jess! — Ele deu um soco na mesa e me encolhi na cadeira em que estava sentada. Eu confiava no Math, sabia que ele nunca me machucaria fisicamente, mas eu estava mais preocupada com


ele do que comigo agora. Era o sofrimento dele que eu queria evitar. — Aaron é passado, Matheus. Eu não sei o que ele veio fazer aqui, eu não o convidei e nós não temos esse tipo de relação que ele insinuou — tentei soar calma, mas meu nervosismo me entregou. — Como ele sabia sobre mim, então? Como ele sabia onde você trabalha, Jéssica? E o pior, por que raios vocês se beijaram, se já não existe mais nada? — Como eu responderia isso tudo? — Se for para ficar calada me olhando assim é melhor que saia, o único motivo pelo qual ainda está aqui é para que me dê uma explicação e ainda não a escutei. — Tudo bem que ele tinha o direito de estar agindo assim, mas isso machucava. — Lembra da minha briga com a Anny? Ele foi o motivo, foi por causa dele que eu não queria dormir em casa. Eu não sabia que ele estava voltando, Math, e quando ela me pediu que o aceitasse lá em casa, eu não achei que isso fosse dar certo. — Por quê? Você ainda o ama? — ele perguntou me pegando desprevenida e eu apenas balancei a cabeça. Eu não o amava, agora mais do que nunca eu o odiava. — Porque foi isso que aquele filho da puta me disse, que você o ama, Jéssica, e que só está comigo para se vingar dele. — Isso é mentira! — respondi alterada. — Eu nunca faria isso, você me conhece, Matheus. — Eu te conheço? Você só pode estar brincando comigo, eu não sei nada sobre você. E depois de hoje, eu posso apostar que o pouco que sei, deve ser mentira também. — Não exagera... — falei irritada e, quando ia me levantar da cadeira, ele pediu que me sentasse de novo. Merda! Eu estava agitada demais para ficar parada. — Por que vocês terminaram? — Ele terminou tudo quando foi para a faculdade. — Só isso? — “Sem mentiras dessa vez, Jéssica”, pensei. — Ele terminou, eu entrei em depressão e meses depois ele apareceu em casa com sua nova namorada. —Desviei meu olhar do dele, eu não queria sua pena e nem que me achasse louca. — Depressão? — Sobre isso eu não falo — disse por fim. Além da dor era vergonhoso me lembrar. Matheus bufou impaciente e sentou-se de frente para mim sem deixar de me olhar. — Você o amava? — O encarei pelo tom de voz que escutei. Ele estava com receio de perguntar isso? — Não sei se o que senti por ele foi amor, mas na minha cabeça eu o amei. — Não ama mais? — A única coisa que sinto por ele agora é ódio, Matheus — disse irritada. — Ódio por quê? Por que ele foi sincero e você não? — Eu estou sendo sincera agora... — Tarde demais, nós dois já tínhamos conversado sobre isso. Relevei uma vez e não pretendo fazer


o mesmo novamente. E é sobre isso que nós temos que conversar. Foda-se se você gostou ou não do beijo, isso já não me importa... — Eu não gostei! — Eu posso ter ficado confusa na hora, mas eu não gostei. — Não foi o que ele disse. — Aaron é louco, Matheus. Ele vai fazer de tudo para que a gente termine e eu volte para ele. Você tem que acreditar em mim, por favor. — Que motivo você teria para se vingar dele? — Que saco! — A namorada dele engravidou. — Quando foi isso? E por que você só iria se vingar agora? — Eu não estou me vingando! — Quando Jéssica? — Há alguns meses. — Antes ou depois de mim? — Antes. — Foi por isso que você transou comigo, não foi? — Math... — Porra, Jéssica! — ele deu mais um grito. — Não foi assim que as coisas aconteceram, eu transei com você porque eu queria me libertar, deixar meu passado para trás, só isso... Eu nunca seria capaz de ir para a cama com alguém por vingança! — falei me segurando para não chorar. — Você deveria ter me contado, Jéssica. Eu te dei chances e mais chances para que se abrisse comigo e mesmo assim você preferiu mentir. Eu não sei o que pensar de toda essa história, não sei nem o que pensar sobre você, a única coisa que eu vou te pedir agora é que respeite a minha decisão e me escute. — Por favor, Deus, não deixe que ele termine comigo. Por favor! — Eu nunca tive que lidar com esse tipo de situação, você trabalha para mim e tenho certeza que no começo vai ser difícil. — Ele deu uma pausa buscando a melhor forma de falar. — O que eu estou querendo dizer é que a partir de agora eu quero a Jéssica profissional. Se você quiser continuar trabalhando aqui, ótimo! Eu gosto do seu trabalho e você sabe. Mas é só isso... — Observei enquanto ele dizia palavra por palavra, porque eu estava estática, muda e sentia como se não conseguisse respirar. Sintoma típico dos ataques que tinha logo depois de toda a merda que aconteceu por causa do Aaron. — Você me escutou, Jéssica? — Claro que eu tinha escutado, eu só não estava conseguindo absorver o que ele tinha dito. — Me dê mais uma chance, Math, por favor! — implorei. — Eu ia te contar tudo, eu só estava esperando o momento certo. — Matheus evitou me olhar, virou o rosto e se levantou. — Tire o restante do dia de folga e pense sobre o que eu te falei, se for o caso de você querer continuar trabalhando aqui, eu te espero amanhã — ele disse ignorando o meu pedido e indo em direção à


porta. Levantei-me e fui até ele envergonhada, ele estava praticamente me expulsando da sua sala e da sua vida. — Eu nunca quis magoar você, eu juro — disse parada em frente a ele que permanecia duro e frio. Eu estava adiando o momento de sair porque sabia que assim que o deixasse tudo estaria terminado. Eu estava com medo, já tinha sofrido antes, mas a dor agora era tão maior, tão mais real. Era como se eu estivesse perdendo uma parte de mim. A parte mais importante... — Isso já não importa. — Para completar ainda mais as loucuras do dia, tentei beijá-lo ficando na ponta dos pés e me apoiando em seu peito. Eu precisava provar a ele que o que tínhamos era especial. — Vai embora, Jéssica... — Ele segurou meus braços, suas mãos frias me afastaram e eu saí sem olhar para trás, não tinha mais nada que eu pudesse fazer, afinal. ***

Matheus Jéssica só podia estar de brincadeira comigo, tentar me beijar depois de tudo que escutei dela? Estava na cara que ela tinha se envolvido comigo por todos os motivos errados, e mesmo que hoje eu soubesse que o que existia entre a gente significava muito, não só para ela como para mim, eu não poderia perdoá-la. Eu dei a oportunidade para que ela fosse sincera, eu fui sincero! Me dediquei a ela como nunca antes me dediquei a alguém, eu era louco pela Jess e estava perdido sem saber o que fazer com toda essa loucura agora. A única coisa que eu sabia era que tê-la por perto trabalhando ao meu lado seria uma tortura. Mas queria ficar de olho, sentia que Aaron não desistiria tão cedo e se o que ela disse fosse verdade, com o fim da nossa relação ele tentaria com mais afinco voltar para ela. E era isso que eu precisava descobrir. Eu estava deixando o caminho livre para que ela escolhesse o que fosse melhor, e se fosse o Aaron só me restaria aceitar. Peguei a pequena embalagem que continha a pulseira que daria a ela essa noite e joguei no lixo. Foda-se! Não queria guardar nenhuma prova do quão fundo eu tinha chegado. Passei horas, minutos, perdi a noção do tempo ali sentado em meu escritório. Não atendi nenhuma ligação, nem e-mails e muito menos as mensagens persistentes da Caroline que queria saber como tinha sido meu regresso. O que eu responderia? ***

Jéssica


Subi as escadas do meu prédio furiosa, Aaron ia me pagar. Entrei e o vi conversando com a Anny, melhor ainda. Fui em direção ao quarto onde ele estava dormindo e nenhum dos dois falou nada, não cheguei a ver se eles me seguiram, mas pouco me importava. Tirei tudo dos cabides, peguei a mala guardada e joguei tudo lá dentro de qualquer jeito. Essa seria sua última noite aqui e nada que Anny me dissesse mudaria minha opinião. Aaron entrou no quarto e ao ver o que eu estava fazendo começou a gritar comigo. — Que merda você está fazendo? — Eu estou te tirando da minha vida, coisa que eu deveria ter feito há muito tempo, seu idiota. — Continuei a desocupar as gavetas, mas ele me puxou. — Pode parar. Eu não vou sair daqui. — Vai! — Deixa de ser burra, Jéssica! Vai me largar por um cara que só quer sexo com você? Anny me contou do acordo de vocês. — Senti a dor me consumindo. Não era física, mas sim emocional. Nada disso era para estar acontecendo. Se não fosse por ele e a sua língua grande, Matheus nunca teria me deixado. — Cala a boca e saia da minha casa, Aaron. Eu quero você na rua, que é o lugar onde você merece estar! — Ele pegou meu pulso com força e me fez olhar para ele. — Eu já conversei com a Anny e contei tudo o que aconteceu, e ela está do meu lado, Jéssica. Por que não nos escuta e para de fazer birra de uma vez por todas? — O empurrei com a outra mão e ele não soltou meu pulso. Onde estava a sonsa da Anny nessas horas? — Você é um covarde, Aaron, jogou sujo comigo. Eu nunca vou voltar para você, suas mãos nunca vão me tocar como o Matheus me toca, o que ele tem nunca vai ser seu. Eu sou dele, e não é porque terminamos que isso vai mudar. — Me contorci com o seu aperto. — Cadela! — Ele me empurrou contra a sua cômoda fazendo com que o frasco de perfume, o copo e outros objetos mais caíssem no chão, me desequilibrei com o impacto e caí logo depois com minha mão indo direto em cima dos estilhaços de vidro. — Que merda, Aaron! — gritei de dor enquanto olhava o corte profundo na palma da minha mão e o dia que parecia ruim piorou. Anny se desesperou quando viu o que tinha acontecido e se prontificou a me levar até o pronto socorro, temendo que eu pudesse fazer algo contra o Aaron, como, por exemplo, denunciá-lo. Só que não era o que eu faria, eu nunca magoaria seus pais dessa forma. Eu só o queria fora do meu apartamento e do meu caminho. E foi o que aconteceu. Quando voltei, ele já não estava mais lá e essa acabou sendo a única coisa positiva em todo o meu dia. Na manhã do dia seguinte, eu me recusei a ficar em casa e fui até o estúdio. Eu precisava fazer alguma coisa, tirar o dia anterior da minha mente e me ocupar com algo que gostasse, caso contrário acabaria me rendendo a dor. — O que aconteceu? — foi a primeira coisa que Matheus perguntou quando viu minha mão enfaixada. — Nada — respondi mal-humorada. Ele não tinha me deixado? Por que se preocupar comigo agora,


então? Matheus não falou nada e saiu em direção a sua sala batendo a porta com força. Todo mundo que estava na recepção se assustou. Michelle me deu um pequeno sorriso sem graça e eu segui apressada para a minha própria sala. O dia transcorreu tranquilo, Michelle me passou uma nova agenda que impedia qualquer ”encontro” com o Matheus, pelo visto ele tinha pensado em tudo. Eu fui retirada dos ensaios em que o ajudaria e tinha pegado pequenos clientes onde ele não precisaria me acompanhar também. No final do dia, recostei-me contra a poltrona da minha sala, minha mão latejava de dor pelo esforço que tinha feito hoje, mas não queria me afastar agora, além disso eu me sentia mais segura aqui do que em casa. — Posso entrar? — Olhei na direção da porta e vi Matheus ali olhando diretamente para a minha mão. Michelle tinha me perguntado mais cedo o que tinha acontecido e eu falei que tinha sofrido um acidente na cozinha. Como sabia que ela lhe contaria, tinha certeza de que ele acreditaria. — Pode. — Vim perguntar se tem alguma dúvida quanto a sua nova agenda. — Era isso? Escondi a decepção e tentei não parecer afetada. — Nenhuma dúvida, mas, mesmo assim, obrigada. — Dei-lhe um sorriso falso. — Ótimo. — Ele me olhou uma última vez e, quando pensei que fosse dizer mais alguma coisa, se virou e saiu. Não perguntou sobre minha mão nem nada. Recusei-me a chorar, recusei-me a pensar sobre isso. Pensar significava sofrer e sofrer me levaria ao mesmo lugar do qual que tinha passado meses tentando sair. ***

Matheus Acordei sobressaltado com meu celular tocando insistentemente. Eu não andava dormindo bem nos últimos dias, mais precisamente desde o dia em que terminei tudo com a Jéssica. E cada dia que passava, eu me preocupava mais com ela, Jess parecia ter entrado em um mundo paralelo longe de tudo e todos. Entendo que deveria estar sendo difícil para ela como estava sendo para mim, mas vê-la agindo assim acabava comigo, eu não a via discutir ou brincar com qualquer um dos meus editores, fora que sua mão continuava a perturbá-la, Michelle tinha ficado encarregada de observá-la para mim e sempre me contava como ela estava. Quando coloquei um fim em tudo, não imaginei que seria tão doloroso assim. Ficar longe, me fez ter certeza absoluta do que eu queria para a minha vida, eu só não tinha conseguido driblar minha razão para poder ir atrás dela ainda. Meu corpo a desejava, dia e noite, mas minha mente insistia que eu deveria me manter longe, que ela era um perigo, um erro do qual eu me arrependeria. O conflito dentro de mim era maior do que a vontade de me manter afastado. — Porra, Leo! Você sabe que horas são? — disse assim que atendi. O que ele poderia querer comigo às três da madrugada? — Cara, é a Jéssica. Se eu fosse você levantaria essa sua bunda da cama e viria até aqui. —


Jéssica? Essa garota iria me enlouquecer se continuasse a me perturbar desse jeito. — O que aconteceu? — Escutei o que ele me dizia do outro lado da linha, incrédulo. A música no fundo estava alta e, pelo que tinha entendido, Jéssica estava no meio da bagunça. — Merda!


CAPÍTULO 11

Matheus Estacionei meu jipe em frente a Pacha e fui atrás do Leo, ele tinha ficado de me encontrar para que pudesse me levar até onde Jéssica estava. Era final de madrugada, mas a boate continuava lotada e tudo que já tinha escutado sobre esse lugar tinha se confirmado logo no primeiro momento. Lembrei que tentei alertar Jéssica há alguns dias, mas adiantava tentar colocar alguma coisa na sua cabeça? Foi só eu virar as costas que ela tinha voltado a se enfiar aqui. Assim que o encontrei procurei logo saber alguma coisa sobre ela, pelo que tinha me contado ao telefone Jéssica não estava nada bem e, antes que fizesse alguma coisa da qual pudesse se arrepender, ele achou melhor me ligar. — Cara, primeiro você tem que me prometer que não vai fazer nenhuma besteira. — Leo tinha permanecido calado até agora, o que só me deixou mais preocupado. Olhei para ele desconfiado e já temendo o pior. O que essa garota tinha aprontado para deixá-lo alarmado desse jeito? — Só me leve até ela, Leo — falei impaciente, a música ainda estava bem alta e a iluminação incomodava. — O que você veio fazer aqui, afinal? — perguntei a ele, Leo não gostava de lugares assim tanto quanto eu. Sempre que queríamos ir a alguma boate íamos a Zinco, que era um pouco mais conservadora. — Conheci uma mulher muito louca, Matheus. Ela insistiu para que viéssemos encontrar alguns amigos e eu vim apenas por diversão. E foi aí que eu encontrei sua “namoradinha” alterada no meio da pista de dança — ele falou receoso e não fiz nem questão de corrigir seu erro, já que eu tinha contado apenas parte do que tinha acontecido a ele. — Só achei que você deveria saber. — Valeu, cara! — Nesse momento Leo parou e acenou para um canto da boate, que estava escuro e eu tive que me aproximar para ver o que acontecia. Quando consegui identificá-la, quase não acreditei que se tratava da Jéssica. Essa garota tinha perdido todo o seu juízo, só pode. — Matheus... — Leo chamou logo atrás de mim. Que merda ela tinha na cabeça? Era a única coisa que eu conseguia pensar. Jéssica estava entre dois caras que se movimentavam ao mesmo tempo que passavam a mão pelo seu corpo. Engoli duro minha raiva e preferi acreditar que ela não estava consciente do que estava fazendo, que o álcool provavelmente estava influenciando sua atitude. — Foi assim a noite inteira? — perguntei irritado. — Pior... — Olhei para o meu amigo, nunca a tinha visto tão bêbada assim. Ela, pelo menos, conhecia algum desses caras com quem dançava?


Sem conseguir engolir a cena, decidi acabar de uma vez por todas com essa palhaçada. Pouco me importava agora se ela sabia ou não a merda que estava fazendo, eu a tiraria daqui à força se fosse preciso. Essa situação já tinha passado de todos os limites e, mais uma vez, minha paciência tinha se esgotado. Conforme me aproximava, vi seu corpo marcado pelo vestido justo preto que usava. O corpo que era meu, que me pertencia e que ela estava deixando que qualquer um tocasse. Mantive-me firme, não iria perder a cabeça agora, mas quando chegássemos em casa ela teria que me escutar. — Dou um minuto para que vocês tirem as mãos de cima dela — rosnei. Jéssica pareceu sair do seu mundinho e abriu os olhos me olhando surpresa. Antes que qualquer um dos dois levantasse a voz, Leo se aproximou e os covardes preferiram se afastar. Foi melhor assim até porque meu problema não era com eles, era com ela. Jéssica foi impertinente e ainda tentou me dar as costas e sair do meu campo de visão. — Pode voltar, porque você vai embora comigo! — esbravejei enquanto a puxava e ela me lançou um olhar de raiva. — Eu não quero ir embora! — Eu só a estava segurando pelo braço, mas era o suficiente para ver o quanto seu corpo estava quente. — Não estou te dando uma escolha, Jéssica — falei sério, não estava com a menor vontade de discutir. — E você não manda em mim! — Jess tentou se soltar e se desequilibrou. Leo me olhou preocupado, estava claro agora que ela tinha bebido, e não tinha sido pouco. — Estou tentando ser paciente aqui, então, ou você arrasta essa sua bunda para o meu carro agora ou eu vou te levar à força. — Teimosa, ela balançou a cabeça e riu debochada. — Para a merda com essa sua paciência, Matheus! — soltou e tentou passar, mais uma vez, por nós dois sem sorte. Ignorei sua má vontade de ir por bem e a arrastei até a saída. Jéssica gritou e me xingou o caminho inteiro e, quando chegamos até meu carro, não consegui ficar calado. — Já chega, Jéssica! — disse enquanto a ajudava a se sentar no banco e passava seu cinto. — Essa é a última vez que movo um dedo para te ajudar, pois acabei de perceber que não vale a pena! — Isso deve tê-la atingido porque se calou quase que imediatamente. Sua imaturidade estava começando a me deixar preocupado, claro que isso em alguns momentos poderia ser divertido, mas não sempre e não quando ela se colocava em risco agindo dessa forma. — Vai me explicar o que aconteceu ou vai me esconder tudo, mais uma vez? A resposta demorou a vir e pensei que fosse jogar duro comigo apenas para me irritar, mas, por fim, falou: — Eu só estava dançando. — Aquilo estava longe de ser uma dança. Você já pensou no que poderia ter acontecido? — perguntei irritado e ela virou o rosto. — Como você pode querer que eu confie em você depois de tudo isso, Jéssica? — A culpa é toda sua! — gritou. — Você foi o único que me abandonou! — Era a cara dela fazer


isso. A ignorei antes que eu chegasse a falar algo pesado que não teria volta. Dei um maldito soco no volante e xinguei. Como eu tinha deixado as coisas chegarem a esse ponto? Eu estava no limite com ela. Jéssica não voltou a me olhar durante o trajeto e nem chegou a abrir a boca para reclamar do que fosse. Sei que ela estava chateada pela forma como a estava tratando, mas descobri na marra que essa era a única maneira de fazê-la me escutar. Chegamos a minha casa e quase achei que teria que pegá-la no colo. Quando segurei sua mão para apoiá-la ela gemeu, só aí que me dei conta que Jess não estava mais com a mão enfaixada e a única coisa que cobria o corte era um pequeno curativo. Eu ainda não tinha entendido como ela tinha se machucado a ponto de precisar de pontos, a história do copo quebrado na cozinha não tinha colado. — Eu vou dormir com você? — perguntou visivelmente alterada. — Não! — Então, por que me trouxe? Ainda não cansou de me ver sofrer? — Jess tentou se desvencilhar dos meus braços enquanto me olhava ferida. — Você está sofrendo? — explodi. — Como, se estava em uma boate completamente bêbada e deixando dois idiotas se esfregarem em você? — Só queria tirar você da minha cabeça! — ela gritou. — Eu não aguento mais ficar sem você, Math. Eu não aguento... — Odiava vê-la vulnerável assim, mas Jéssica procurou isso sozinha quando decidiu mentir para mim. Subi com ela até o quarto de hóspedes ainda em dúvida se a deixaria realmente dormir sozinha. Claro que eu ficaria preocupado por não estar ao seu lado, mas do jeito que eu estava, a melhor coisa seria me manter afastado. Quando viu onde passaria a noite, ela me olhou inconformada. — Eu não vou dormir aqui. — Imaginei que não iria querer mesmo. — É aí ou no sofá, você escolhe. — Eu prefiro seu quarto de foda a este aqui — ela falou para me provocar, e eu odiava quando ela se referia àquele quarto dessa maneira. Jess esteve nele apenas uma vez e nunca pensei em usá-lo com ela novamente. O lugar dela sempre foi na minha cama, ao meu lado. — Exatamente, aquele é um quarto para foda e eu não pretendo foder você — retruquei, mas sabia que era desnecessário, isso só a deixaria mais brava. — Eu quero ir embora, Matheus! — Ela foi em direção à porta, mas a impedi. Jéssica foi tinhosa e insistiu. — Você não pode me obrigar a ficar aqui, eu não quero ficar! — ela gritava irritada e eu comecei a me perguntar se era só o álcool que a estava deixando assim. Impaciente, a arrastei até o boxe, Jéssica ainda estava vestida, nem suas sandálias ela tinha tirado, mas mesmo assim a enfiei debaixo da água gelada. Isso a ajudaria a acordar e talvez fosse um bom castigo pela merda que estava me fazendo passar. — Não, Matheus! — A segurei enquanto a água escorria pelo seu corpo. — Está frio, me deixe sair! — ela disse com os lábios tremendo, me amaldiçoei por estar me deixando afetar até em um momento como este. Seu cabelo molhado cobria seu ombro e costas, seu vestido tomara que caia parecia ainda mais justo em seu corpo e o maldito pareceu encolher apenas para mexer ainda mais comigo. Sua pele se


arrepiou e sua boca gostosa parecia implorar por um beijo enquanto meu membro era torturado por essa cena. — Que merda você tem na cabeça, Jéssica? Às vezes parece que eu estou cuidando de uma criança de 10 anos! — Ela jogou a cabeça para trás e a apoiou no vidro do boxe. — Eu estou cansado de toda essa confusão e mentiras que vem com você. Não é nada disso que eu quis para gente, nunca foi! — Vi que ela engoliu em seco e soltou um pequeno soluço de choro. — Eu quero sair, Matheus, me deixe sair —pediu baixinho. — Não, até você me escutar! — Eu estou com frio... — murmurou tremendo e eu tive que me segurar para não ceder. Em outro momento, eu seria o primeiro a esquentá-la; em outro momento ela já estaria envolvida em meus braços e eu estaria bem fundo dentro dela. — A maldita imagem de você com aqueles dois não sai da minha cabeça, Jéssica. Isso vai me torturar a noite inteira. — A pressionei contra o vidro e fiquei diretamente embaixo da água, meu corpo cobria praticamente tudo e isso aliviaria um pouco o frio que sentia. — Por que você os deixou tocá-la? Não consigo entender. — Eu precisava... — ela soltou com lágrimas nos olhos. — Precisava? — Esperei que respondesse. — Jéssica? — Eu queria esquecer você, nem que fosse apenas por uma noite... — ela murmurou e isso me quebrou. — Não quero mais sofrer, Math! — A sorte dela era que eu tinha chegado antes então, porque eu nunca a perdoaria se ela fosse para a cama com outro homem apenas por esse motivo. — Aqueles dois poderiam ter te machucado, Jess! — falei tentando aparentar uma calma que eu não tinha. Fui surpreendido quando ela apoiou sua cabeça em meu peito e segurou em minha camisa toda encolhida. A abracei e senti seu corpo termer ainda mais, na mesma hora desliguei o chuveiro atrás dela e puxei uma toalha para que pudesse cobri-la. — Meu vestido. — Ela se virou para que eu o descesse e foi o que eu fiz, deslizei o ziper lentamente me torturando com o que veria assim que ele estivesse fora. Quando chegou ao seu quadril, meus dedos roçaram sem querer na sua pele e ela estremeceu. Fechei os olhos e respirei fundo para me acalmar. Assim que o tirei completamente, Jess se remexeu e deixou que sua calcinha caísse no chão. Provocadora! Ela estava jogando comigo e com o desejo que sabia que eu sentia. Envolvi seu corpo com a toalha e a levei para o quarto. Jéssica se sentou na cama e tirei suas sandálias enquanto ela observava tudo. Dessa vez eu estava precisando ser mais forte do que de costume para resistir a ela e isso não era bom. — Me perdoe, Math,... — murmurou de repente. — Não me deixe passar por isso de novo, por favor... — ela suplicou e eu a ignorei. Sua pele toda estava fria e eu só conseguia pensar em deixá-la quente novamente, cobri-la com meu corpo e fazer amor com ela... Porra! Eu estava perdendo o controle aqui. — Quer que eu traga alguma coisa para comer? — mudei de assunto enquanto me levantava. Jéssica apenas balançou a cabeça sem desviar seu olhar do meu. — Vou pegar uma roupa limpa para você, então, tudo bem? — Não importava o motivo, eu só


precisava me afastar, além disso não a deixaria dormir nua. Peguei uma das minhas camisas que sabia que ela gostava de usar. Grande parte das suas coisas ainda permaneciam na minha casa e eu estava adiando o momento que teria que tirá-las daqui, tudo iria parecer definitivo quando chegasse a esse ponto. Voltei ao quarto e a encontrei deitada, nua, com apenas a toalha em volta do seu corpo. Não sabia se tinha adormecido ou se estava tentando. Sentei-me ao seu lado e puxei seu cabelo molhado para trás para que não a incomodasse tanto. A palma da sua mão machucada estava para cima, agora sem o curativo, e consegui analisar o corte detalhadamente, ele era mais profundo do que eu tinha imaginado e tinha levado pontos demais para ser “apenas” um corte como ela tinha dado a entender. — Dói, Jéssica? — perguntei preocupado. — Um pouco — murmurou sonolenta. Observando assim, estava claro que ela deveria ter tirado um ou dois dias para se recuperar melhor. Fora que nos últimos dias ela vinha se esforçando mais do que de costume e desse jeito nunca ficaria boa. Me levantei para poder sair e ela segurou meu braço. — Fica, por favor — ela pediu. — Jéssica! — Afastei sua mão e me levantei. — Não quero ficar aqui sozinha. — Cortava meu coração vê-la assim, mas não tinha nada que pudesse fazer nesse momento. — Você não vai ficar, eu vou estar no quarto ao lado. — Não, Math... — ela choramingou, mas não cedi. Essa garota precisava amadurecer de uma vez por todas e isso ela teria que aprender sozinha. A observei enquanto ela vestia a camisa ao mesmo tempo que tentava limpar as lágrimas do rosto. Nós tínhamos muito o que conversar, mas mesmo que tentasse não iria adiantar enquanto estivesse bêbada. E antes de qualquer coisa eu precisava colocar minha cabeça no lugar e pensar em tudo que estava acontecendo, porque do jeito que estava não dava para continuar. Saí do seu quarto e fui até a garagem pegar os documentos e o celular que tinha deixado no carro, peguei também a pequena bolsa que ela parecia ter esquecido e voltei. Passei o restante da madrugada acordado, me recriminando por ter deixado essa situação chegar a esse ponto. Eu deveria ter protegido Jéssica disso tudo, dessa relação e, principalmente, dessas loucuras que ela andava fazendo. No dia seguinte, depois de ter dormido apenas algumas horas, levantei e fui ver como ela estava. Tive medo que passasse mal enquanto dormia e acabei não pregando o olho o restante da madrugada. Não sei como, mas ela dormia tranquilamente e estava praticamente na mesma posição em que a tinha deixado. Um pouco mais aliviado desci para preparar alguma coisa para o café e, mesmo que fosse pelos motivos errados, era bom tê-la em casa. Quando passei pela sala, ouvi o som do celular da Jéssica tocando e pensei seriamente em ignorar, só que o som insistente de mensagens chegando me deixou intrigado.


“Onde você se enfiou, Jéssica?” (Aaron - 8h35) ”Eu sei que você não dormiu em casa. Cadê você?” (Aaron - 8h33) “Por que não me responde? Você sabe que eu não quis te machucar, amor. Como sua mão está?” (Aaron - 1h) ”Preciso ver você.” (Aaron - 23h) ”Eu sou o único que te ama, Jéssica. Você sabe disso, não é?” (Aaron - 22h20) ”Anny me falou que você não vai prestar queixa, por isso que eu amo você.” (Aaron - 3 dias atrás) Eu sabia que tinha alguma coisa estranha com o acidente dela. Só não entendia como esse babaca tinha sido capaz de machucá-la e Jess ter decidido ficar quieta. O telefone vibrou mais uma vez... ”Sua sorte é que sou paciente, amor. Mas na hora certa, você vai aprender a não me ignorar.” (Aaron - 8h38) Que filho da puta!


CAPÍTULO 12

Jéssica — Idiota! — murmurei irritada ao me lembrar da noite anterior. Eu estava de frente para o espelho do banheiro matutando cada besteira que tinha dito ao Matheus ontem, tentei ignorar meu estômago que reclamava de fome e me concentrei no emaranhado de nós que tinha se tornado meu cabelo e na minha maquiagem borrada. Limpei meu rosto e fiz uma trança lateral só para não parecer uma louca, porque, por mais impossível que fosse, eu tinha acordado com um propósito que era o de convencer Matheus a me escutar. Desci as escadas ainda vestindo sua camisa e me surpreendi com a disposição em que tinha acordado, eu nunca tinha bebido tanto quanto ontem e se eu disser que lembrava de tudo que fiz vou estar mentindo. Claro que conseguia me lembrar do Matheus me arrastando e me enfiando debaixo da água fria, lembrava também da dança na boate, mas não fazia a menor ideia com quem dançava. Eu estava tão alterada que tinha esquecido até de avisar a Katie que estava indo embora. Fiz um lembrete mental para que, assim que encontrasse meu celular, ligasse para ela para não deixá-la preocupada, Katie sabia das mensagens que eu vinha recebendo do Aaron e isso a deixava puta da vida. Cheguei à cozinha e fiquei decepcionada ao não encontrar o Matheus. Como o café da manhã estava na bancada principal, me atrevi a pegar algo para comer enquanto o esperava. Ele poderia estar com raiva, mas não me negaria comida, não é? Senti um pontadinha de felicidade ao ver meu cereal na mesa, ele sabia o quanto eu gostava e desde que eu tinha começado a frequentar sua casa ele mantinha um estoque a minha disposição. Servi-me de um copo bem grande de leite e me sentei, já que em algum momento ele teria que aparecer. Comi, mas no fundo eu estava tensa repassando minha noite vergonhosa, mais uma vez, em minha cabeça. De tão distraída, demorei a perceber quando ele entrou na cozinha. Matheus me olhou da mesma forma como vinha fazendo nos últimos dias, como se eu não significasse nada para ele e isso me deixou nervosa. — Como acordou? — perguntou e se virou para pegar alguma coisa em uma das gavetas da cozinha. — Bem — respondi preocupada, ele parecia estar mais distante do que o normal. — Tome esses dois comprimidos. Um é para aliviar os sintomas da ressaca e o outro é para a dor da sua mão. — Eu deveria estar feliz por ele estar se preocupando comigo, não deveria? Mas a única coisa que eu sentia era medo que isso fosse tudo que teria dele daqui para frente. — Obrigada. — Os tomei e, sem aguentar de curiosidade, perguntei: — Onde você estava? — Matheus estava recostado na bancada atrás dele, me esperando terminar o café da manhã. — Meu pai acordou se sentindo mal e sua governanta pediu que eu fosse vê-lo.


— Mas ele está bem? — Agora entendia sua expressão. Eu sabia que dois estavam tentando se reaproximar depois de tanto tempo distantes. Matheus passou grande parte dos últimos anos viajando e isso acabou criando uma barreira entre eles, não que os dois não se dessem bem, o senhor Louis parecia aceitar a escolha dele de batalhar seu próprio espaço sem o sobrenome Hudson e nas poucas vezes que o vi percebi que era um bom homem. — O médico acabou de sair de lá e pediu que ele ficasse em casa por alguns dias. — Ele cruzou os braços e continuou a falar. — Meu pai controla aquela empresa desde que tinha 30 anos, aquilo é a vida dele, não sei se vai aguentar ficar afastado. — Incrível como vê-lo triste me deixava abalada também, levantei-me da mesa e me aproximei dele. Eu queria abraçá-lo, sabe? Só que Matheus segurou meu braço antes que eu fizesse o que tinha em mente. — A gente precisa conversa primeiro, Jéssica. — Sua voz rude foi um banho de água fria, dessa vez metaforicamente falando, é claro. Afastei-me e voltei a pegar o meu copo. Se nós iríamos brigar que, pelo menos, eu estivesse bem satisfeita. Matheus me observava o tempo todo e eu não sabia se ele estava preocupado com o pai ou chateado comigo. “Provavelmente os dois”, concluí. — Ele vai ficar bem, Matheus — disse e ele apenas acenou com a cabeça me dando um sorriso sem graça. Comi o último pedacinho de bolo e me levantei. — Terminei. — Ótimo. — Ele pareceu pegar algo no bolso. — Acho que agora você pode me explicar o que significam essas mensagens, não é? — Matheus me entregou meu celular e tudo que encontrei foram mais mensagens do Aaron. Cada uma pior que a outra e a última tinha me deixado nauseada. Katie já tinha me alertado sobre isso, pediu que eu tivesse mais cuidado e evitasse ficar perto dele, mas ainda não conseguia aceitar esse lado do Aaron, porque o garoto que eu conhecia seria incapaz de me machucar. — O que você quer que eu explique? Que ele é louco? — Não! — ele falou impaciente. — Quero saber por que você não o denunciou, Jéssica? Foi ele quem te machucou e você não fez nada? — Não quero magoar os pais dele dessa forma. Eles não merecem, Matheus. — E você merece passar por isso? — ele perguntou de forma definitiva. — Não. — Me rendi, essas mensagens vinham mesmo me deixando incomodada. Estavam ficando cada vez mais agressivas e frequentes. — Quando eu penso que você já fez de tudo... — ele começou a falar, mas o interrompi nervosa. — Eu não tive culpa se ele me empurrou, vai me recriminar por isso também? — Cruzei meus braços e bati o pé. — Talvez disso não, mas e sobre ontem? Você tem ideia do que poderia ter acontecido com você? Estou até agora tentando entender o porquê beber tanto. — Você realmente não sabe? — O que eu sei é que você tem que parar de agir feito uma criança porque eu não tenho paciência para isso. — Eu não pedi para você ir atrás de mim! — respondi malcriada e ele me olhou furioso, tentei lhe


dar as costas, mas não consegui e fui puxada. — Você sabe o que teria acontecido se eu não tivesse ido? — Eu sabia... E no fundo era muito, muito grata a ele por ele ter interferido. — Mas não aconteceu. — Sorte a sua! — Nós dois ficamos em silêncio, e eu comecei a perder as esperanças. Não aguentava mais brigar com ele, só queria que tudo voltasse ao que era antes. — Eu sei que eu errei. Tudo bem? Sei que fiz uma besteira ontem e que poderia ter feito uma ainda pior se você não tivesse me tirado de lá, então obrigada. Só que, Matheus, você tem que entender o meu lado, porque está sendo difícil para mim. — Ele pareceu surpreso com o meu desabafo. — Você me tirou da sua vida e eu fiquei sem saber o que fazer, talvez eu tenha me descontrolado, mas eu precisava de um alívio. Tem sido tanta coisa na minha cabeça que eu não sei se consigo aguentar. — Eu tinha que lidar com o fim do nosso relacionamento, com o Aaron, Anny... E tudo ao mesmo tempo. — O que você sente por mim, afinal, Jéssica? — Sua expressão ficou menos rígida e ele se aproximou me pegando totalmente desprevenida. — Você ao menos sabe? — Engoli em seco, não só por estarmos tão próximos, mas também pela pergunta. — Math... — Merda, Jéssica! Não empaca agora. — Como eu posso rotular se eu não sei exatamente o que é? A única coisa que eu tenho certeza é de que nunca me senti assim. Querer tanto alguém a ponto de perder noites de sono significa o quê? Porque é isso que tem acontecido comigo, essa noite foi a primeira noite que eu consegui dormir desde que você me deixou, Matheus. — Meu coração parecia que ia pular pela boca de não nervosa que eu estava. — E eu passei tanto tempo acreditando que o que eu sentia pelo Aaron fosse amor e no final eu me enganei tanto... Não quero fazer isso de novo. Então, eu não sei, entende? Só sei que é forte e intenso... Tão intenso que me controla. Assim que terminei de falar me senti aliviada, imensamente aliviada. Eu tinha tirado um peso das costas e, pelo menos, não sofreria mais por não estar sendo sincera em relação ao que eu sentia. Será que Matheus já tinha percebido o quanto eu era dependente dele emocionalmente? — Você tem noção do que faz comigo? — ele murmurou e me puxou pela cintura. — Da merda que foi ver outro homem te tocar? — Eu acho que podia imaginar. — Nunca mais, Jéssica, e eu estou falando sério, eu nunca mais quero saber do Aaron perto de você novamente e muito menos de você enfurnada naquele lixo de boate! — Matheus... — Não queria estar falando nada disso assim, mas é bom que eu coloque todas as cartas na mesa. — Ele ainda me mantinha próxima a ele, suas mãos não me soltavam e eu gostava da sensação. — Nosso acordo acabou, não acho que o que temos seja apenas sexo e ficou inviável continuar com ele. — Isso eu já sabia há muito tempo. — E outra, a partir de agora eu quero você fora daquele apartamento, não confio no Aaron e acho que ele não vai te deixar em paz tão cedo. — Balancei a cabeça de acordo com o que ouvia. — Não tenho medo dele... — Deveria, tanto que se quiser ficar comigo você vai ter que denunciá-lo, Jéssica. — Não posso fazer isso! — respondi direta.


— Essa escolha é sua. — Matheus me soltou e eu sabia que ele estava jogando duro para conseguir o que queria. — Só sei que eu não vou ficar parado assistindo-o te intimidar sem tomar nenhuma providência. — Você sabe que não vai acontecer nada, não é? Ele vai ser intimado, e depois? Isso só vai piorar, Matheus. Vai virar uma bola de neve e... — Não vou deixar que vire, por isso quero você morando comigo. Aaron não vai conseguir chegar perto de você se depender de mim Jéssica, fora que ninguém entra nesse condomínio sem autorização. Por que todo mundo parecia mais preocupado com ele do que eu? Eu só conseguia pensar no quanto seus pais ficariam chateados, eles estiveram ao meu lado quando eu precisei e agora eu sentia como se traísse a confiança deles. — Ele nunca me machucou antes, Matheus, e... — Nem pense em dar desculpas para o que aquele otário fez! — Eu não estou dando, só estava tentando explicar os meus motivos — falei sem esperança de que ele fosse me entender. Matheus balançou a cabeça e passou a mão pelo meu rosto. — Eu quero você protegida — murmurou com a voz baixa e rouca. Era bom saber que ele me queria bem e de volta, porque eu senti tanta falta dele e a culpa me corroía por saber que, sozinha, eu tinha estragado tudo. Então, contra a minha vontade, eu denunciaria o Aaron, mas podia apostar que isso só pioraria a situação. — Tem que ser hoje? —perguntei tentando adiar o momento. — Tem. — Ele segurou em meu queixo e fez com que o olhasse. Matheus podia dizer tanta coisa só pela forma como me olhava, mas dessa vez foi indecifrável. Surpreendi-me quando seus lábios roçaram os meus levemente e fiquei na ponta dos pés para que pudéssemos nos beijar. Só que, ao contrário do que imaginei, ele me pegou pelo bumbum e me colocou sentada na bancada se encaixando entre minhas pernas. — Jéssica... — Seu olhar me consumiu, ele parecia analisar cada pedacinho meu enquanto acariciava meu cabelo com uma mão e minha perna com a outra. Senti leves arrepios com a força com que ele apertava minha coxa, subindo e descendo, me fazendo desejar que ele fosse um pouquinho mais além. — Hum... — foi a única coisa que consegui murmurar. — Sem mentiras dessa vez — ele falou mais como um aviso do que tudo. Concordei apenas para que ele continuasse a me tocar, eu sabia que tinha muita coisa a ser dita, só não sabia se ele estava preparado para ouvir. Para me provocar, seu polegar entreabriu meus lábios e eu o chupei. Math pareceu gostar e o aprofundou dentro da minha boca, contraí minhas pernas em seu quadril tentando controlar o formigamento que sentia nesse momento, mas foi impossível. Era mais forte, meu corpo respondia à sua presença sem a menor vergonha e ele sabia disso. — Que boca gostosa... — murmurou sem tirar os olhos dos meus lábios, Matheus colocou outro


dedo e eu repeti, o lambendo e deixando-o úmido. A situação toda era tão excitante que comecei a desejar que fosse seu pau dentro da minha boca. Parecendo impaciente, ele puxou a camiseta que eu vestia só para me encontrar completamente nua por baixo. — Porra, Jéssica! Sem calcinha? — Acenei com a cabeça e ele levou os dedos que eu tinha acabado de chupar direto à minha vulva. Math os penetrou dentro de mim, me fazendo arfar e gemer. Rebolei um pouco enquanto ele os metia, se ele soubesse como eu estava excitada não estaria me provocando assim. — Mais, Matheus, mais.... — Está com pressa, não é, gatinha? — ele sussurrou me provocando e o que fez depois não me surpreendeu nem um pouco, eu duvidava muito que ele teria paciência para preliminares depois desses últimos dias. Matheus se livrou da sua calça e liberou seu membro me deixando com água na boca, ele voltou a me tocar e dessa vez usou minha lubrificação para lambuzar o topo da sua ereção. Observei ele se masturbar na minha frente com a respiração já ofegante e o meu corpo latejando de vontade de senti-lo. — Diz para mim o que você quer, minha safada, diz... — Sua voz rouca e grossa fazia loucuras comigo nesses momentos. Mordi meus lábios e mostrei a ele onde eu o queria, abri meus grandes lábios para recebê-lo lhe dando todo o incentivo que precisava. — Foda! Você é foda! — Matheus não esperou por outro sinal e me penetrou em uma só estocada. Eu sempre gemia de dor quando ele fazia isso, uma dor gostosa, eu admito, mas mesmo assim... Ele foi paciente dessa vez e esperou que meu corpo o acomodasse completamente, quando relaxei fui invadida pelas sensações que provocava em mim e ele começou o vai e vem que eu tanto gostava. Continuei apoiada na bancada, só que dessa vez com apenas uma mão, enquanto a outra segurava sua nuca. Matheus parecia mais perdido do que eu e não tirava os olhos de mim, observando todas as minhas reações. — Mathhhh... — sussurrei seu nome quase em súplica, eu queria mais rápido e devagar ao mesmo tempo, eu queria gozar e prolongar o prazer. Eu estava perdendo a sanidade aos poucos, e tudo que conseguia pensar era nele, aqui e agora. Cravei minhas unhas em suas costas quando ele me pegou no colo, minhas pernas envolveram seu quadril e eu fiquei sem suporte, Math passou a controlar toda a situação me deixando sem fôlego, desesperada por um orgasmo. — Eu não vou aguentar, Math, eu preciso gozar... — Joguei minha cabeça para trás e em vez de ter dó de mim e continuar me fodendo, ele me pressionou contra a porta da cozinha e me encarou. O silêncio foi grande, apenas ouvia o som descompassado das nossas respirações e nem quando eu tentei me mexer sobre o seu pau ele deixou. Suas mãos apertavam meu bumbum me mantendo agarrada a ele, que nesse momento estava completamente dentro de mim. — Você é minha! — Matheus rosnou em meu ouvido, e eu quebrei em mil pedacinhos enquanto ele continuava a me foder de forma possessiva. Foi forte, senti meu corpo dar um salto e voltar. Agarrei-me a ele, eu queria tudo, queria Math por inteiro. Minhas pernas estavam bambas e ele parecia faminto tamanha a intensidade com que me beijava, senti quando seu pau começou a dar espasmos fortes dentro de mim e ele rosnou como um animal necessitado.


Sua respiração foi se acalmando aos poucos, a dureza do seu olhar desapareceu e eu fui colocada no chão com cuidado, Matheus me deu um beijo carinhoso na testa e sussurrou: — Sobe, porque eu ainda não terminei com você. — Oh, meu pai! ***

Matheus Demorei mais do que o esperado para ir atrás da Jéssica, eu tinha pedido que ela fosse na frente para que eu pudesse ligar para a Helena e ver como meu pai estava. Quando deixei a casa dele ela essa manhã, ela tinha acabado de chegar e iria passar o dia ao lado dele junto com a pequena Cecília. Saí sabendo que o deixaria em boas mãos, eles se adoravam e o carinho que ela sentia por ele era tão verdadeiro que eu chegava a me sentir culpado por algum dia ter desconfiado das suas boas intenções. Terminei a ligação um pouco mais aliviado e prometi passar lá mais tarde quando fosse levar Jéssica à delegacia. Quando entrei no quarto, a encontrei deitada de bruços com as mãos embaixo do rosto e os olhos fechados. Lembrei-me do que tinha dito mais cedo sobre não ter dormido direito, eu a entendia porque eu também não tive as melhores noites de sono sem ela. Deitei-me ao seu lado e sussurrei em seu ouvido: — Cansou, minha safada? — Jess se mexeu como uma gatinha, só faltou ronronar para mim. — Um pouco... — ela falou, mas sorriu, aproveitei a posição em que estava e tracei com os dedos a linha da sua costela até chegar ao seu cóccix. Fiz isso várias vezes com ela sempre se contorcendo. Sua pele agora vermelha, marcada pelas minhas mãos que a tinham apertado toda, estava arrepiada. Comecei a deixar beijos por toda sua pele e dar leves chupões a fazendo gemer. Segui o caminho da sua nuca até o seu bumbum e quando cheguei não resisti e a chupei. O cansaço dela pareceu desaparecer em um segundo e seu corpo me recebeu mais uma vez. Não tinha nada que me deixasse mais louco do que Jéssica na cama. Seus gemidos e pequenos gritinhos de prazer quando gozava, sua boceta apertada, e toda as safadezas que ela gostava de fazer e falar eram a minha perdição. Jéssica toda era a minha perdição, a única mulher que tinha o controle do meu corpo e a capacidade de me quebrar. — Matheus, você está acordado? — Eu estava tentando descansar um pouco, mas a preocupação com meu pai e aquele filho da puta do Aaron ainda me perturbavam. — Sim. — Eu tenho mesmo que vir morar com você? — Ela começou. — Sim. — É tipo uma regra, ordem... ou o quê?


— É uma escolha. Quero você por perto e aqui eu posso te proteger. — Já falei que não acho que ele vai ter coragem de me machucar de novo. — Como foi a relação de vocês, Jéssica? Para você achar que o que sentia por ele era amor deve ter sido boa, não é? — perguntei um pouco irritado. O idiota a tinha machucado e ela ainda o defendia? Jess demorou a responder e se encolheu em meus braços. — Aaron e eu crescemos juntos, isso você já sabe. — Acenei com a cabeça. — Ele sempre esteve ao meu lado, cuidando de mim e, apesar de mandão, sempre me respeitou muito. Não vou mentir, eu era feliz com ele e nunca tive dúvidas de que o que tínhamos fosse especial, por isso quando... — Quando? — Quando ele me apresentou sua nova namorada eu desabei, não aguentei... — Apertei sua cintura, isso ainda a abalava. — E depois? — Jéssica escondeu o rosto no travesseiro. — Está tudo bem, Jéssica? — Ela estava chorando por causa dele aqui na minha cama? Sua respiração começou a ficar agitada e eu me preocupei. — Jess... — Passei a mão pelo seu cabelo carinhosamente. A raiva que eu tinha por aquele bastardo aumentava a cada hora. — Não gosto de ver você assim, minha baixinha. — Eu fiz uma besteira, Matheus... Eu... — Ela soluçou em prantos, se eu soubesse que ficaria desse jeito não teria nem tocado nesse assunto. — Me promete que não vai me achar louca ou nada do tipo? Eu quero te contar, mas... — Eu não estou aqui para te julgar, Jéssica. — Ela se aconchegou em mim, seu rosto molhado pelas lágrimas ficaram em meu peito. — Eu fui fraca, achava que tinha perdido o amor da minha vida. Ele era tudo para mim, e eu sofri tanto... que no dia que os vi juntos, eu tentei me... — Para. — Eu não ia aguentar ouvir o resto. Eu já sabia o que ela tinha tentado. Doía saber que ela tinha feito isso por ele, e eu me questionei se ela já o tinha esquecido realmente. — Eu já entendi, não precisa continuar. — Não queria vê-la sofrendo assim nunca mais. Um silêncio tomou conta do quarto, tudo que eu conseguia ouvir era o seu choro baixinho. Como uma garota linda, cheia de vida e de personalidade como ela poderia ter caído tão fundo? Era impossível entender algo assim. — Eu me arrependo tanto, Matheus. Não queria ter feito meus pais sofrerem... Eles nunca conseguiram me perdoar pelo que eu fiz. — Jess... para — pedi mais uma vez, eu já sabia o suficiente. Não a queria relembrando nada do que aconteceu. Como aquele babaca podia jogar com ela desse jeito sabendo por tudo que ela passou? Ela tentou se afastar dos meus braços, acho que magoada, mas não deixei. — Esquece tudo isso, minha baixinha, eu não deveria nem ter tocado nesse assunto, esquece. — Beijei seu rosto vermelho por causa do choro, seus olhos estavam tristes me deixando mal. — É por isso que eu quero você morando comigo, para que eu possa te proteger. — Jéssica levantou o rosto e me beijou. A segurei firme enquanto sentia o gosto da sua boca. Em todos os meus 27 anos essa era a


primeira vez que eu tinha medo de perder alguém. ***

Jéssica Eu odiava lembrar o meu passado, odiava! Mas sabia que se não contasse ao Matheus, Aaron faria isso da pior maneira possível. Ele já tinha me ameaçado antes e eu não duvidava mais das suas palavras. A reação do Matheus foi muito diferente do que eu imaginei que teria, eu pensei que ele ficaria irritado, que fosse jogar na minha cara o quanto eu era idiota ou louca, mas não, o que ele fez me deixou surpresa. Matheus me acolheu em seus braços, sussurrou palavras carinhosas e me confortou. — Está melhor? — ele perguntou enquanto eu saía do chuveiro. — Sim — falei e fui separar alguma roupa para vestir. Matheus não tinha mudado de ideia quanto à denúncia e ainda me convidou para passar na casa do seu pai antes de irmos. Depois de todas as emoções do dia, eu só queria ficar agarrada a ele, mas essa era uma das condições para que ele me aceitasse de volta. — Seu pai sabe sobre a gente? — perguntei. — Desconfia, mas agora vai ter certeza. — Ele piscou e sorriu. Vesti um jeans e um suéter que tinha esquecido na casa dele, deixei meu cabelo solto e quase nada de maquiagem. Matheus não gostava de exageros, ele sempre dizia que preferia a beleza natural de uma mulher, ironia ele falar isso quando a maioria das mulheres com quem saía antes de mim eram aquelas modelos montadas e esqueléticas. Chegamos a casa do seu pai, que ficava no mesmo condomínio e subimos. Ao entrar na sala onde ele estava acomodado, dei de cara com uma loira alta, linda e sorridente. Matheus pareceu um pouco desconcertado ao meu lado e eu me perguntei o motivo. — Como o senhor está? — ele perguntou e foi em direção ao pai. Ouvi o som de um bebê chorando e me virei só para ver a governanta segurando uma pequena loirinha, a coisa mais linda do mundo. Ela sorriu banguelinha quando me viu e eu não resisti. — Qual seu nome, fofinha? — Acho que ela deveria ter pouco mais de um ano, e com a maior cara de pau pedi para pegá-la. — Eu posso segurar ela um pouquinho? — pedi animada. — Pode sim — a loira respondeu. Por que raios Matheus não tinha me apresentado a ela? — E o nome dessa sapequinha é Cecília. — complementou. Peguei-a no colo e suas mãozinhas foram direto para o meu cabelo, brinquei com ela enquanto Matheus conversava com o Sr. Hudson e, quando dei por mim, o peguei me encarando, sério. Hummm! Não demorou muito e ele me tirou de lá, me despedi da Helena, que tinha se apresentado e descobri que ela era amiga do Louis, que já tinha inclusive trabalhado para ele. Matheus permaneceu calado o tempo todo e, quando chegamos ao carro, ele soltou: — Você ainda está usando anticoncepcional, não é? — Era por isso sua cara brava?


— O que você acha? — Não sei, você pode ter esquecido... Os últimos dias não foram fáceis. — Eu não esqueci — respondi séria. — Bom. — Sorri por causa do seu nervosismo. Tudo isso era medo de ser pai? ***

Matheus Dias depois... Era noite de terça e eu tinha saído para ir assistir uma partida de futebol no pub com o Leo. Jéssica tinha me prometido que ficaria em casa, então pude ir tranquilo. Nunca pensei que conviver com ela diariamente na mesma casa pudesse ser tão... agitado. Adorava os dias que ela acordava animada, alegre, mas tinhas dias que ela implicava até com a minha sombra. Não que isso fosse ruim, eu amava ver a sua presença pela casa, suas coisas espalhadas por todo o canto e a felicidade que esbanjava. Aaron ainda não tinha me mandado nenhuma mensagem, e eu sabia disso porque olhava seu telefone regularmente. Jéssica se irritava e dizia que era falta de confiança... mas, no caso dela, a confiança tinha que ser conquistada. Entrei pela sala e não encontrei nada fora do normal, nem era tão tarde ainda e estranhei que tudo estivesse tão calmo. Passei pelo corredor e tudo estava escuro, subi preocupado já que ela nunca deixava a casa escura quando ficava sozinha. Fui encontrá-la deitada na minha cama com... Merda! Tinha um cachorro na minha cama? — Jéssica? — a chamei e ela continuou a fingir que dormia. — Pode parar que eu sei que você não dorme cedo, o que essa coisa está fazendo aqui? — Ela abriu os olhos parecendo nervosa, eu sabia... — Ele não é uma coisa, é um cachorro. — Eu sei, e...? — E que agora ele é meu, eu o encontrei e ele vai se mudar para cá. — Sério?


CAPÍTULO 13

Jéssica — Um cachorro, Jéssica? — Ele não vai dar trabalho, Matheus, eu prometo. — Fiz a melhor cara de boa moça que consegui, mas sabia que não seria nada fácil convencê-lo. — Onde você o encontrou? — Perto do estúdio e sem nenhuma identificação, até o levei ao veterinário. — Foi a primeira coisa que fiz quando percebi que ele estava perdido. — E aposto que se não fosse por mim nesse momento o coitadinho estaria passando fome e morrendo de frio. — Matheus olhou para o filhote gorducho de oito meses todo esparramado na sua cama e contraiu o rosto. — Não exagera, Jéssica! — Você vai deixar ele ficar? — Por um minuto pensei que sua resposta seria não, a expressão dele não era nem um pouco animadora. — Tenho medo de que se eu disser sim para esse, você transforme a minha casa em um abrigo. — Ele achava que eu era louca por acaso? — Agora quem está exagerando é você. — Fiz uma careta, mas ainda tinha esperança. — Ele fica ou não? — Eu tenho escolha? — Ahhh, Matheus, seja bonzinho, que mal esse gorduchinho pode fazer? — Passei a mão pelo filhote que logo ficou serelepe querendo brincar. Matheus não falou mais nada e observei quando passou por mim indo em direção ao banheiro. Esperei alguns minutos e fui atrás, comecei a tirar minha roupa enquanto ele observava cada movimento meu através do vidro que nos separava. Eu daria um jeito nesse mau humor rapidinho. — O que você quer? — Até parece que ele não sabia. — Pensei em agradecer a você por deixá-lo ficar... — falei e escrevi no vidro embaçado do boxe o que eu tinha em mente. — Vem. — Ele me deixou entrar e, assim que passei por ele, me deu um belo de um tapa no bumbum. — Você é uma safada mesmo, não é?


Dias depois... Era manhã de domingo e eu tinha acordado disposta a terminar de pegar todas as minhas coisas no apartamento que agora era só da Anny e, provavelmente, do Aaron muito em breve. Grande parte já estava na casa do Matheus, mas acabei deixando algumas caixas e objetos para trás e não podia mais adiar. Eu sabia que, assim que colocasse o pé lá dentro, eu seria bombardeada por ela que a essa altura já devia estar sabendo da denúncia contra o Aaron, os dois sempre foram tão unidos que eu tinha certeza de que ela estaria puta comigo. Eu sentia tanta falta de quando a nossa relação não era complicada assim e eu podia contar com ela para tudo, nunca houve segredos entre a gente e agora, mesmo tendo a Katie, eu sentia falta dos nossos momentos juntas. Só que o que mais me entristecia nessa história era que Anny vinha rejeitando todas as minhas tentativas de aproximação e eu estava começando a pensar que deveria desistir de uma vez por todas. Insatisfeita, eu não tinha a menor intenção de demorar até porque tínhamos muito pouco a dizer uma a outra, ela não gostou quando descobriu que eu iria morar com o Matheus e só faltou rogar alguma praga quando contei. O outro motivo para que eu fosse rápida era que eu não tinha dito ao Matheus onde eu estaria essa manhã, e provavelmente levaria uma bronca quando tivesse que contar. Entrei e, pelo som da música alta que vinha do quarto dela, eu sabia que teríamos que conversar. Fiz a primeira viagem até o carro e subi novamente para pegar o restante das coisas. Quando ia saindo do quarto com a caixa na mão, a vi parada na sala com os braços cruzados. — Você tem muita cara de pau de aparecer aqui de novo. — Ela queria que eu fizesse o quê? Abandonasse as minhas coisas? — Não tive muita escolha, além disso a gente precisa conversar. — muito, eu só queria esclarecer umas dúvidas que andavam me perturbando nos últimos dias. — Agora você quer conversar? Depois da burrice que fez? Agora é tarde, Jéssica. — Aaron está me assustando Anny, você não vê isso? — Eu estava cansada de tentar colocar isso na cabeça dela. — Você prometeu que não o denunciaria. Tem noção de como ele está? — Eu tinha, e isso era o que mais vinha me preocupando. Eu só o denunciei porque Matheus insistiu, caso contrário eu nunca criaria esse atrito entre nossas famílias. Porque eu sabia que no momento em que meus pais descobrissem toda a história eles iriam querer interferir novamente na minha vida. — Incrível como você não se importa se eu estou bem ou não, se ele me machucou ou não. Eu pensei que nós fôssemos amigas! — falei magoada por não conseguir entender o que estava acontecendo com a gente. — E eu pensei que você fosse um pouquinho mais esperta. — O que eu te fiz, afinal, Anny? Acho que eu sou a única que não entendeu ainda. — O que você fez? Você quer que eu comece por onde? — ela falou irritada. — Em como eu tive que aguentar você por todos os anos sendo a queridinha dos meus pais e do meu irmão? Ser obrigada a ver você se fazendo de coitadinha e de vítima só porque foi trocada e agora que todo mundo sente


peninha, você quer fazer Aaron sair como o vilão da história. Está vendo? O que não me faltam são motivos! — Não conseguia acreditar que ela estava jogando tudo isso na minha cara, nada disso aconteceu porque eu quis e ela sabia disso muito bem. — Cansei, Jéssica, de ver todos preocupadinhos com a pobre menina depressiva que gosta de ser o centro das atenções. — Você sabe que nunca foi assim. — Foi horrível quando a máscara do Aaron caiu, mas eu nunca imaginei que isso aconteceria com a Anny também. Como pude ser amiga e amar uma pessoa que só parecia ter ódio de mim? — Não me importa mais, Jéssica, meu irmão tem todos os motivos para estar com raiva de você e eu não me responsabilizo... — Seu irmão é louco! Como você pode ficar do lado dele? — O único erro dele é amar você! — Quando ela ia entender que ele não me amava? Isso que ele sentia não podia ser amor... — Quer saber? Eu quero mais é que você e seu irmão desapareçam, sumam da minha vida! Para a merda vocês dois! — Saí de lá me sentindo a maior idiota do mundo. Respirei fundo antes de entrar no carro, a mágoa que sentia estava começando a me deixar doente, uma coisa era ter sido enganada pelo Aaron, outra muito diferente era ser enganada pela Anny. Ela esteve presente em todas as minhas lembranças, cada conquista e cada decepção foi ela quem esteve ao meu lado. Esquecer dela seria o mesmo que apagar tudo que eu já vivi. Sempre desconfiei que seu comportamento estranho fosse apenas manipulação do Aaron, que, um dia, ela perceberia como ele estava jogando com nós duas e a usando contra mim. Aaron era esperto, e sabia que a partir do momento que nossos pais se envolvessem eu não teria coragem de fazer nada contra ele. Mas o maior choque foi descobrir que ela sempre se sentiu assim, que teve raiva esse tempo todo em que eu, ingênua, pensei que fôssemos amigas. Angustiada liguei para a Katie e combinei de nos encontrarmos para um café, não queria voltar para a casa desse jeito e correr o risco de ser pega pelo Matheus. — Eu estou preocupada com você, Jéssica — Katie falou depois que contei a ela tudo que tinha escutado da Anny. As duas nunca se entenderam, eu tentei torná-las amigas, mas foi praticamente impossível. — Eu já falei que vou ficar bem, o que mais eu posso fazer? — Não é sobre a Anny, é sobre o Aaron — falou sėria, eu não aguentava mais esse assunto. — Você também não, por favor, Matheus não pode nem ouvir o nome dele que já fica nervoso. — Katie me recriminou com o olhar, ela e Matheus estavam ficando craques em fazer isso. — Certo, e como vocês dois estão? — Katie sabia como Aaron me deixava chateada e mudou de assunto. — Melhor impossível... é tão fácil, sabe? Sei que pode parecer besteira, mas eu acho que nunca vou encontrar alguém que me entenda como ele. — Dei um sorriso bobo. — Matheus é perfeito em todos os sentidos, amiga, e eu tenho sorte porque ele é todinho meu!


— E você faz essa carinha de garota apaixonada quando está com ele? — Ela riu de mim. — Não implica! — disse e verifiquei meu celular para ver se tinha recebido alguma mensagem dele, só que a única coisa que encontrei foram duas não lidas do Aaron que não tinha percebido. Até ver seu nome no visor me fazia mal... — O que foi, Jéssica? — Eu só posso ter ficado pálida, porque conseguia sentir perfeitamente meu sangue esvaindo do meu corpo e meu coração prestes a parar de bater... Sem perceber, Katie tirou o meu telefone da mão e viu a mensagem. — Canalha! — ela xingou. Ignorei a reação das pessoas que estavam sentadas em volta da nossa mesa, pouco me importava o que eles pensavam nesse momento. — Por que ele está fazendo isso, Katie? Eu só queria que me deixasse em paz... — murmurei ainda em choque. — Ele vai continuar até você ceder, ou pior, amiga. — Pior? Ela me devolveu o celular e eu voltei a ver as imagens que Aaron tinha me enviado, o idiota sabia como me atingir. Elas tinham sido tiradas hoje enquanto eu guardava as caixas no carro. — Jéssica... — Olhei para cima só para vê-la ainda mais preocupada. — Ele só quer te assustar, não deixe que isso te atinja, por favor. — Como eu não me sentiria atingida por isso? — Eu vou embora! — Perdi a fome, o humor que já estava escasso e, provavelmente, muito em breve perderia a sanidade se Aaron continuasse com isso. Katie fez questão de ir comigo até o condomínio e depois pediu um táxi de volta, subi para o meu quarto e desabei. Quando ele iria perceber que isso machucava? ***

Matheus Reuni a equipe de editores que trabalhavam comigo e o Jason em pleno domingo com a tentativa de adiantar o trabalho e conseguir cumprir o prazo. Nós tínhamos tido um problema com a agenda dos modelos e isso acabou atrasando todo o restante da campanha. Liberei Jéssica das horas extras e, principalmente, porque não a queria perto do Jason, eu sabia da amizade dos dois e não estava com a menor paciência para lidar com isso hoje. Eu já tinha problemas demais com os quais me preocupar no momento, meu pai e o Aaron lideravam o topo das minhas preocupações e isso já era suficiente. Para começar, a saúde do Louis estava cada dia mais debilitada e o pedido do seu médico para que ele se afastasse da Minerallis e começasse a pensar em um sucessor estava me atormentando. Meu pai passou anos preparando seus sócios para que o substituíssem quando chegasse a hora e sabia que para ele era um desgosto não me ver assumindo a presidência ou trabalhando ao seu lado. Logo nos primeiros anos tinha sido complicado convencê-lo de que o que ele planejou não era o que eu queria para mim. Demorou até ele entender e, no momento que estávamos tentando uma reaproximação, isso acontecia.


Para piorar, a situação mal resolvida com o Aaron andava me tirando o sono. Eu realmente temia que ele tentasse alguma coisa e acabasse machucando a Jéssica. Lembro-me muito bem do olhar que ele deu a ela no dia em que nos conhecemos e não conseguia entender como ela parecia tão tranquila em relação a ele, estava mais do que claro que o cara era louco. A única coisa boa nisso tudo era que agora eu tinha a Jéssica e, definitivamente, não abriria mão dela ao meu lado e dentro da minha casa que era o lugar onde ela pertencia. Eu bem que tentei entender e lutar contra as mudanças que vinham acontecendo em minha cabeça desde que ela entrou na minha vida, e só consegui chegar à conclusão de que pouco me importava se estava me transformando em um homem ciumento e completamente dominado, eu seria capaz de tudo por aquela garota e isso sim que era motivo de aflição. No final da tarde, com a edição já praticamente concluída, dispensei minha equipe e voltei ao condomínio. Eu tinha planos para essa noite, já que a safada tinha me feito prometer que a levaria até o pub que eu costumava frequentar com os amigos. Só concordei com essa ideia absurda porque na hora que ela pediu eu estava em desvantagem. Que homem consegue dizer não a uma mulher montada em cima de você prestes a te fazer gozar? Não vi nenhum sinal dela e nem do Ozzy quando cheguei. O que só podia significar que ela não estava em casa, aquele pestinha tinha se tornado a sombra da Jess e eu dificilmente os via separados. Acabei me acostumando em tê-lo por perto e o mais incrível era que ele me dava menos trabalho que a própria dona. Tentei relaxar antes que ela chegasse, tomei um banho e logo desci para comer alguma coisa. Eu estava em pé na cozinha quando escutei os latidos do Oz que surgiu correndo com Jéssica logo atrás. — Onde vocês dois estavam? — Tinha que incluí-lo porque ela vinha me acusando de ferir os sentimentos dele sempre que o colocava para fora do nosso quarto. Jess me deu um sorriso calmo, que não me convenceu e eu percebi que tinha chorado. Seus olhos e seu rosto corado a denunciavam. — Seu pai ligou e me convidou para ir vê-lo, ele queria conhecer o Ozzy — falou despreocupada. — Você está brincando, não é? — Por que eu brincaria sobre isso? Ele ainda disse que toda vez que eu estiver sozinha nessa casa é para eu ir lhe fazer companhia. — Pela forma como ela falava parecia que eu nunca parava em casa. — Você já não é nem um pouco dramática, e se juntar ao meu pai aí que vou estar ferrado mesmo. — Seu pai me adorou, Matheus, tenho certeza de que vamos ser grandes amigos. — Dessa vez ela sorriu de verdade. — Aposto que sim — disse enquanto a puxava para mim. Eu ainda estava enrolado na toalha e Jéssica vestia apenas um vestido solto e mais curto do que eu gostaria de vê-la usando. Como sempre ela ficou na ponta dos pés e me beijou, seu gosto continuava sendo minha perdição e só me afastei porque Oz começou a rosnar. Ele sabia o momento exato para interromper momentos assim, mas dessa vez eu tinha que agradecer. Se começássemos a nos beijar não teria conversa, não teria jantar e muito menos pub. — O que você fez o dia todo? — Ela mordeu o lábio inferior e sua expressão de dúvida a entregou. Jess parecia uma menina acuada quando não sabia o que dizer.


— Você não vai gostar de saber. — Ela se afastou e deu de ombros. — Só pela sua cara eu sei que não vou, Jéssica. — Olha... Você sabia que eu tinha que ir até meu apartamento para pegar o restante das minhas coisas, então não pode brigar comigo agora. — Falta juízo aí na sua cabeça, não falta? — falei mais preocupado do que nervoso e ela riu. — Falta juízo, mas sobram outras coisas que eu sei que você gosta. — Ela ia passar a mão pelo meu peito, mas impedi. — Eu estou falando sério aqui, já pensou se aquele babaca estivesse por lá? — Ele não estava, quem estava era a Anny e a gente meio que brigou. — Por isso, então, que ela parecia ter chorado? — Por causa dele? — Mais ou menos... Ela descobriu sobre a denúncia, disse que ele estava irritado e eu acabei mandando os dois irem à merda, Matheus, não me segurei. — Mandar à merda era pouco perto do que eu queria fazer com o Aaron. — Vem cá —a chamei e ela veio prontamente. — Sua missão de vida é me enlouquecer? — Não! — Então, pare de fazer as coisas sem pensar. E se a Anny não estivesse em casa, já imaginou? — Você se preocupa muito. — E você se preocupa pouco! — respondi nervoso. — Hummm... — ela murmurou e voltou a se desvencilhar dos meus braços. — Volte aqui. — A puxei pela cintura e a coloquei de frente para mim. — Por que você andou chorando? — Se eu contar isso, vai estragar a nossa noite? — Pela forma como ela agia com esse assunto eu tinha medo que quando ela se tocasse que aquele idiota era maluco fosse ser tarde demais. Já estava mais do que na hora de ela tomar consciência do que acontecia ao seu redor. — Depende. — Aaron me mandou algumas fotos bem assustadoras. — Assustadoras como? — Eu acho que ele me seguiu, Math... — ela sussurrou e eu não consegui me controlar, acabei xingando alto. — Porra Jéssica! — Eu estava irritado e com todos os motivos. — Eu juro que você pede... — Parei de falar quando a vi se afastar. — Aonde você vai? — Vou subir e esperar você se acalmar, quando você não estiver querendo me matar ou gritar comigo eu desço. — Ela deixou seu celular na mesa antes de sair para que eu visse as fotos.


— Desgraçado, filho da puta! — Ela já conseguiu te irritar? — Leo perguntou logo depois que Jéssica se afastou para pegar uma bebida no bar. Eu não pretendia trazê-la aqui depois do que aconteceu hoje cedo, eu estava puto com o Aaron e puto com ela por ser tão imprudente. Mas Jess insistiu, disse que precisava se distrair um pouco e eu cedi. — Essa garota me leva até o limite, Leo. — Ele caiu na risada. Era fácil para ele achar graça ao me ver assim, não era ele que estava ficando maluco por causa de uma mulher. — Isso fazem todas, cara, pode ir se acostumando. Sua sorte é que ela é... — Cala a boca! — o interrompi antes que ele falasse qualquer coisa que fosse me deixar ainda mais irritado. Recostei-me na cadeira e olhei na direção em que Jéssica tinha ido. — Aquele não é o Jason? — Leo perguntou. — É o que parece. — Jason estava com a mão na cintura dela enquanto a cumprimentava, os dois se afastaram, mas a mão permaneceu em seu corpo. — Ela já é sua, cara. Relaxa! — ele brincou só que eu não estava achando nada disso engraçado. Levantei-me e fui até onde eles estavam. Nenhum dos dois pareceu perceber minha aproximação e quando cheguei por trás dela a envolvi pela cintura. — Demorou, meu amor. — Ela se assustou quando a toquei, mas relaxou ao ouvir minha voz. — Eu encontrei o Jason, Math. — Jess sorriu e Jason apenas acenou com a cabeça, já não bastava ter passado o dia inteiro sendo obrigado a olhar para a cara dele, ele tinha que vir aqui e estragar a minha noite? — Estou vendo — respondi e ignorei o olhar dele em cima dela. — Você já pegou sua bebida? — Hum-hum... — Jess respondeu, mas cerrou os olhos com a minha falta de educação. — Acho que podemos voltar então, não é? — Despedi-me do Jason e peguei em sua mão para que voltássemos até a mesa. Jéssica foi relutante e antes de se afastar teve o desaforo de abraçá-lo. — Mal-educado — ela falou baixinho para me provocar, a mantive ao meu lado o restante da noite e mesmo quando Jason passou em nossa mesa para se despedir eu não tirei as mãos de cima dela. ***

Jéssica — Então, agora eu sou o seu amor? — perguntei achando divertido ver o que o ciúme fazia com ele. Todo mundo na mesa tinha percebido o quão “protetor” ele tinha ficado e até o seu amigo Leo o zoou. — Gostei de como isso soou, Matheus. — Acha que dessa vez ele entendeu o recado?


— Totalmente! — concordei com a cabeça. — Acho que agora eu perco ele para sempre. — Fiz um biquinho e me assustei quando ele me pegou no colo e envolveu minhas pernas em sua cintura. — Provocadora! — ele sussurrou e me levou para o quarto. Eu não o provocava por mal, mas achava que nosso sexo ficava ainda mais gostoso depois de uma discussão ou climinha assim. Deitei-me e deixei que fizesse tudo com o meu corpo, essa noite eu queria que ele tivesse o controle. Math uma vez me disse que eu tinha poder sobre ele, mas não era bem assim que as coisas funcionavam. Era ele quem me dominava, quem sugava tudo de mim e era tão fácil ceder que, quando eu fui perceber, eu já era totalmente dele. Sem a menor chance de volta... Matheus tirou peça por peça me deixando nua, ele não tinha pressa e, para falar a verdade, eu também não. A forma como suas mãos passeavam por cada pedacinho meu, como seus dedos pressionavam os meus seios e a sensação maravilhosa da sua boca quente deixando rastros de lambidas eram quase o suficiente. Seu corpo me cobriu quando ele veio por cima de mim e acabei ficando atordoada pela forma como estava me encarando. Seu olhar foi intenso, cheio de promessas, e meu coração fraquejou. — Eu quero ser chamada de amor, Math... — sussurrei e lá no fundo desejei que eu pudesse ser amada também.


CAPÍTULO 14

Jéssica — Está atrasada, Jéssica — Matheus falou quando eu entrei em sua sala no dia seguinte. Ele só podia estar de brincadeira comigo, não foi ele quem teve que cuidar do Ozzy antes de sair. — É lamentável, Jéssica. — Ele balançou a cabeça e permaneceu sério. — A Travel&NY ligou e pediu para que você entrasse em contato com eles. — Jura? — perguntei animada e com um friozinho na barriga. Isso só podia significar uma coisa... — Você acha que eu consegui uma entrevista? — Quase certeza. — Fui até ele e me sentei em seu colo. — Esse é o meu sonho, você sabe, não é? — Eu sei e entendo Jéssica, não quero que fique preocupada. Quando te contratei, eu sabia que você não iria ficar comigo por muito tempo. Você tem talento e eu seria um idiota de não deixar você viver isso. — Eu vou ligar, então. — Continuei onde estava e usei o seu telefone, eu estava um pouco nervosa, mas não tinha como dar nada errado. Eu entreguei o meu melhor material a eles, fiz tudo certinho e confiava na qualidade do meu trabalho. A recepcionista me atendeu e repassou para o Josh O’Ryan, o editor da revista. Matheus estava com as mãos passeando pela minha perna enquanto eu o ouvia dizer que gostaria de me ver amanhã cedo. — E então? — Eu tenho que estar lá, às 10h. — Math envolveu minha cintura com suas mãos me fazendo ficar ainda mais próxima. Ele disse o quanto estava feliz e que acreditava em mim, mesmo assim não conseguiu disfarçar uma certa preocupação. — Eu estava, inclusive, pensando em pedir ao meu chefe o restante do dia de folga, sabe? Do jeito que eu estou ansiosa, eu não vou conseguir trabalhar. — Ele riu com a piada, era claro que ele não me daria folga. — Vai trabalhar, sua safada. — Dei um beijinho nele e me levantei. Calma Jéssica, calma! Repeti isso dentro do elevador. Eu estava uma pilha de nervos essa manhã, esse sempre foi o meu sonho e eu estava muito perto de realizá-lo. Nunca tive condições de viajar para fora do país e conhecer os lugares que eu queria, então, quando percebi que poderia ganhar dinheiro com a minha paixão, eu tratei de correr atrás de um caminho que pudesse me proporcionar tudo isso. Ainda no ensino médio meu professor apostou no meu talento, me colocando em concursos e foi ele quem me apresentou a Travel&NY. Desde então eu tenho lutado para ser boa o suficiente para eles.


O elevador parou no último andar, e passei por um corredor que me levou até a recepcionista. Para minha surpresa, a mulher com quem tinha falado era uma senhora e foi super gentil comigo. Conversei muito com o Matheus ontem e ele me contou sobre o ego inflado e a fama de ditador que esse Josh O’Ryan tinha no meio editorial. Não que essa fosse uma preocupação, eu podia lidar com um pouco de pressão e admirava o trabalho dele desde que assumiu o cargo de editor-chefe da revista. Ele conseguiu inovar o trabalho que sua família vinha fazendo há décadas e tornou a Travel&NY uma referência no setor. Eu estava tentando ser delicada quanto a esse assunto com o Matheus, que desde ontem andava distante. Saímos para jantar porque ele queria comemorar de certa forma, mas não foi a mesma coisa. Percebi isso quando chegamos em casa. Nosso sexo foi desesperado, possessivo e ele me manteve em seus braços a noite inteira, não me soltou nem quando resmunguei. Essa manhã, antes de sair ele me acordou para me desejar boa sorte. Não sei se a intenção dele era que eu saísse dolorida de casa, mas eu estava sentindo perfeitamente meu bumbum ardendo por causa dos tapas e meu ventre por causa da força com que ele me fodeu. Por pouco Matheus não me deixou marcas no pescoço, seria bem desagradável conhecer meu futuro chefe com chupões pelo corpo. Depois que saiu, fui escolher uma roupa para vestir, tudo que eu tinha parecia menininha demais para uma entrevista tão importante. Fucei e coloquei tudo para fora até que encontrei minha saia evasê de couro preta e completei com um suéter branco. Eu tinha feito um rabo de cavalo e coloquei botas de salto baixo. Matheus implicava com essa minha mania, mas essas em especial me davam sorte. — Senhorita, o Sr. O’Ryan a espera. — Ai meu Deus! Segui arás dela um pouco nervosa e fiquei impressionada quando entrei em seu escritório, Várias edições das revistas cobriam uma das paredes da sala. As capas se misturavam com fotografias do Josh com algumas celebridades e em premiações. Quando olhei para trás o encontrei parado me observando seriamente. — Josh O’Ryan — Jéssica Collins. — Apertei a mão que ele estendeu para mim e esperei que dissesse alguma coisa. Seu aperto foi forte e ele apenas pediu que me sentasse. — Assim como eu imaginei, jovem demais. — Foi a primeira coisa que ele falou, depois me algum tempo em silêncio. — Não sabia que vocês tinham limite de idade — tentei não soar malcriada, mas foi impossível — Teoricamente não temos, eu que mantenho um critério de não contratar pessoas tão novas. Por isso minha revista não tem processos de estágios, apenas de trainee. — Ele batia a ponta da caneta impacientemente na mesa enquanto me olhava. Josh deveria ter uns 40 anos e até podia ser considerado charmoso, mas pelo visto era um esnobe insuportável. — Abri mão dessa vez porque alguns funcionários dessa revista ficaram impressionados com o seu talento e eu me achei na obrigação de te dar uma chance. — Obrigação? — Agradeço pela oportunidade, Sr. O’Ryan. — Dei-lhe um sorriso falso, agora sim eu tinha motivo para estar nervosa, comecei a apertar meus dedos tentando me manter calma, mas estava difícil. — Você trabalha para o Sr. Hudson, certo? — Se ele soubesse que Matheus odiava quando o chamavam assim. Ele usava o sobrenome Milles, que era da sua mãe apenas para não ter ligação nenhuma com o legado do seu pai.


— Sim. — Ouvi um pouco sobre o burburinho a respeito do relacionamento de vocês dois. Vocês estão morando juntos, certo? — Isso não era assunto para entrevista, era? — É um pouco recente. — Eu sei que é. Conheço bem a reputação do Matheus e me perguntava o que ele faria com uma garota tão jovem como você trabalhando ao lado dele, foi aí que eu descobri sobre... — ele falou com descaso. — o caso de vocês dois. — Por que eu sentia certo cinismo vindo dele? — Mas não quero que fique preocupada, esse seria um ótimo motivo para não contratá-la que, na verdade, era exatamente o que eu pretendia. Mas preciso de alguém com ideias inovadoras, jovem o suficiente para entender como funciona a mente dos meus novos leitores e acho que você conseguiu captar isso com suas fotos. Não vou te dar a vaga de trainee agora, o que eu vou te oferecer é bem melhor. Eu preciso de uma assistente de produção, que me dê ideias, participe das edições e que seja o suporte dos meus fotógrafos. — Sua assistente? — Basicamente, claro que vou exigir mais de você do que o Matheus. Não temos a desvantagem de ter um relacionamento e não pretendo cobrir suas falhas. — Eu estava sem palavras. Totalmente sem palavras. Feliz por ele estar me dando uma oportunidade como esta e irritada pela forma como ele estava falando comigo. — O Sr. Milles nunca precisou cobrir falha alguma minha. — Sério? Melhor ainda, não tenho tempo para te ensinar nada, aqui ou você aprende as coisas na marra ou fica para trás — ele falou e não me deu oportunidade de dizer mais nada, Josh ligou para a recepcionista e pediu que ela trouxesse o contrato. Li atentamente enquanto, impaciente, ele ainda olhava para mim, pelo que entendi eu tinha 15 dias para finalizar as pendências que tivesse com o Matheus e cumprir aviso prévio. Meu salário dobraria e eu teria que estar disponível para viagens sempre que fosse preciso. Demorei a perceber o toque do meu celular na bolsa e fiquei desconfortável com o olhar insatisfeito que me deu. O cara parecia ser o maior idiota do mundo, e felizmente ou infelizmente, agora ele era o meu novo chefe. Josh me apresentou o restante da revista, conheci os fotógrafos com quem trabalharia e gostei do clima do ambiente. Tirando a sala dele, todo o restante parecia exatamente como eu tinha imaginado. Não queria parecer deslumbrada, eu tinha a pequena impressão de que ele era avesso a qualquer sentimento de admiração ou puxa-saquismo. Depois de quase duas horas, eu consegui sair da Travel, eu estava morrendo de felicidade e louca de vontade de contar para o Matheus a novidade. Nós dois tínhamos combinado de nos encontrar em um restaurante próximo daqui assim que minha entrevista terminasse. Peguei meu telefone para ligar para ele e vi cinco mensagens da Anny. Cada uma mais desesperadora que a outra. Pelo que entendi ela tinha brigado com o Aaron e estava chateada, precisando me ver e conversar. Pensei seriamente em ignorar, mas não consegui. Deixei o almoço com o Matheus de lado e fui atrás dela, eu estava preocupada que o idiota do Aaron tivesse feito alguma coisa séria. No caminho Matheus me ligou, mas achei melhor não atender. Ele nunca entenderia minha decisão, só quando estacionei o carro em frente ao apartamento da Anny que mandei uma mensagem para ele


avisando que não poderíamos almoçar juntos, expliquei por alto o que tinha acontecido, mas não dei a entender onde eu estava. Do jeito que ele andava nos últimos dias, eu podia apostar que Matheus apareceria aqui e me levaria para casa assim que soubesse. Como eu ainda tinha as chaves, subi e fui logo entrando. Ignorei a sensação de que tinha alguma coisa errada, todo esse silêncio e calmaria estavam me deixando assustada. Fui em direção ao quarto dela e quase desisti no meio do caminho... E se eu fui precipitada? Quando não a encontrei, peguei meu telefone para ligar para ela enquanto voltava para a sala. — Merda! — O susto foi tão grande que deixei meu celular cair no chão. Aaron estava parado com as chaves em sua mão. Ele sorriu quando viu minha expressão de medo, recuei com a intenção de ir até o meu quarto e me trancar, mas o bastardo foi mais esperto e quando tentei correr, ele me agarrou por trás. — Nããoo, Aaron, por favor! — Pode gritar e espernear porquê dessa vez não tem como você fugir — ele sussurrou no meu ouvido e eu tremi com o tom da sua voz.


CAPÍTULO 15

Jéssica Eu não podia acreditar que isso estava acontecendo, fechei meus olhos na tentativa de apagar tudo da minha mente. Aaron me segurava com força, enquanto sussurrava coisas nojentas ao meu ouvido. Tentei me desvencilhar dele assim que me agarrou, mas isso só serviu para que me apertasse ainda mais. — Abra os olhos, Jéssica! — ele me sacudiu. — Eu quero que você olhe para mim quando eu estiver... — Nããoo! — gritei aflita. — Você realmente pensou que fosse a Anny, Jéssica? Tem horas que eu acho que você gosta de ser enganada. — Aaron sorriu maliciosamente e meu estômago embrulhou. Nojo, eu só conseguia sentir nojo dele e do seu toque. — Por que você está fazendo isso comigo? Se você me ama você deveria querer me ver feliz Aaron... — tentei distraí-lo na tentativa de adiar o que ele planejava. — Você não pode me acusar de não ter tentado, eu tenho sido paciente! — Você tem sido é louco! — Aaron se distraiu e tentei correr novamente só que dessa vez fui puxada pelo suéter que vestia. Já tinha percebido que ele não estava para brincadeira, se eu não arrumasse um jeito de me proteger dos seus ataques eu sairia machucada. — Quanto mais você lutar, mais divertido vai ser. — Olhei com ódio para ele sem conseguir me conformar com a minha ingenuidade. Em nenhum momento, eu cogitei a hipótese de que pudesse ser ele. — Você vai se arrepender do que está fazendo, eu juro! — Ele não deu a mínima para a minha ameaça vazia e me jogou no chão. Caí sentada e me encolhi, gelei quando Aaron começou a tirar a camisa e desabotoar o cinto. Meu coração parecia que ia parar a qualquer momento, tremendo eu tentei pensar em alguma coisa, qualquer coisa que não o que estava prestes a acontecer. ***

Matheus — Merda, Jéssica! — esbravejei irritado assim que terminei de ler sua mensagem. Que história era essa de ir socorrer a Anny? Pior ainda era não ter me dito onde estava indo. Preocupado, liguei várias vezes e nada dela atender. Sem outra alternativa acabei chamando a Katie, talvez ela tivesse alguma


notícia a respeito das duas. — Katie, aqui é o Matheus... — expliquei o que estava acontecendo e ela me contou que não tinha falado com a Jéssica hoje e que definitivamente não confiava na Anny. Fiquei ainda mais preocupado quando admitiu também temer o comportamento do Aaron em relação à Jess. Desliguei disposto a fazer uma coisa que deveria ter feito desde o começo. Peguei a Quinta Avenida que a essa hora tinha um pequeno congestionamento e que de qualquer forma era o caminho mais rápido para chegar até Chelsea, que era onde ficava o antigo apartamento da Jéssica. Levei mais do que os vinte os minutos habituais e no caminho ainda tentei ligar novamente, só que dessa vez ao invés de chamar, o celular dela caiu direto na caixa postal. — Puta que pariu! ***

Jéssica Aproveitei que Aaron tinha se afastado para pegar meu celular, que não parava de tocar um segundo. Eu comecei a procurar algum objeto que pudesse usar para mantê-lo longe de mim. Ajoelhada, a primeira coisa que consegui pegar na mesinha foi um pequeno peso de papel, que, por ironia, tinha sido presente dele quando nos mudamos para esse apartamento. Pensei em esconder antes que ele voltasse, mas Aaron percebeu e o tirou da minha mão enquanto se ajoelhava bem na minha frente. — Não me faça tornar isso ainda mais difícil, Jéssica, porque eu realmente quero que você goste. — Ele passou as mãos pelas minhas pernas. — Então, por que não cede? Vai me livrar de um grande problema e eu aposto que posso te dar mais prazer do que você imagina. — Tentei me manter afastada dele, que nesse momento me segurava pela canela. — Eu deveria ter feito isso há anos, nada disso precisaria estar acontecendo agora... Você deveria ter sido minha, mas não tem problema. Eu não fui o seu primeiro, mas pretendo ser o último. — Um arrepio percorreu minha espinha ao ouvir suas palavras. Puxei minha perna, mas em vez de me liberar ele avançou. Debati-me quando suas mãos tentaram tirar meu suéter, comecei a respirar de forma irregular e a me sentir sufocada, eu não podia desmaiar em um momento como esse. Eu tinha que me manter acordada e segura. — Por favor, Aaron — pedi. Sem paciência ele forçou tanto que acabou rasgando a parte de cima do meu suéter sem se importar com o meu pedido. Quando tentou tirar meu sutiã, eu gritei. Pedi socorro, tentei chutá-lo, mas nada. Aaron me deu uma mordida forte no pescoço e eu o empurrei ao mesmo tempo que gemia de dor. — Fica quieta, merda! — Não, Aaron. Por favor, me escuta. Você não pode fazer isso... não pode — implorei. — Eu posso... — Cuspi na cara dele quando o desgraçado tentou me beijar... Levei um tapa forte no rosto e sem conseguir segurar mais desabei, não aguentei a dor, a humilhação e todo o medo que estava sentindo e comecei a chorar. Eu só queria que ele parasse, que me deixasse livre, mas tudo isso só serviu


para me deixar mais exposta. Aaron limpou o rosto irritado e me xingou, tentei tapar meus ouvidos para que não escutasse nada, mas ele não deixou. Aaron me virou de frente para ele e abriu minhas pernas, não tive coragem de olhar em seu rosto e pedi a Deus que não deixasse nada acontecer. — Sabe há quanto tempo eu te desejo? — Matheus vai acabar com você! — gritei exasperada, essa era a minha última tentativa. — Porra nenhuma, é agora que eu vou provar o quanto você é insignificante para o idiota. Ou você acha que ele vai te querer depois que eu terminar? — Com a mão tapando minha boca ele desceu a outra, quis empurrá-lo, bater nele e pedir que parasse, mas a força do seu corpo contra o meu me deixava impossibilitada de agir. — Isso não está acontecendo! Isso não está acontecendo! Repeti o tempo todo com a esperança de que fosse acordar de um maldito pesadelo. Aaron me dizia o quanto me queria enquanto mantinha minha boca tapada e sua mão entre as minhas pernas. As lágrimas não paravam de descer e ele não parecia se importar com o meu sofrimento, muito pelo contrário parecia se divertir. — Você vai gostar, Jéssica. Eu sei que vai... — Ouvimos as batidas na porta e a campainha tocando ao mesmo tempo. Olhei para o Aaron, que parecia irritado pela intromissão. — Jéssica, abre essa porta. — Matheus? Meu coração deu um pulo. Aaron reconheceu a voz e me afastou da porta segurando meu cabelo com força em suas mãos. — Aaron, por favor, abre a porta... Deixe-me sair, por favor! — Quieta — ele pediu. — Se abrir a merda da boca, eu vou te machucar Jéssica e eu não quero fazer isso. — Quando as batidas pararam, eu me desesperei. Se Matheus tivesse desistido de mim, eu estaria perdida. Aaron esperou alguns minutos e andou de um lado para o outro nervoso. Observei tudo quieta, enquanto tapava meu corpo da maneira que podia. Mesmo que estivesse com a saia e o sutiã eu me sentia exposta, não queria seu olhar em mim. Fui me arrastando ainda sentada até que bati na parede atrás de mim, eu sabia o que estava por vir e comecei a me desesperar. Aaron sorriu ao ver meu nervosismo e balançou a cabeça. — Eu não te disse que mais cedo ou mais tarde você seria minha? — Você me dá nojo! — gritei. Nesse momento não iria adiantar de nada mesmo, mas eu precisava gritar. A raiva estava engasgada em minha garganta e eu sabia que não tinha mais volta. Aaron me puxou e se deitou sobre mim, senti uma ânsia de vômito tão forte, pois até o cheiro dele estava me fazendo mal e meu corpo todo tremia. — Por que você não fica quietinha, Jéssica? — Escutamos um som estranho. Foi uma, duas, três vezes até que Matheus conseguiu arrombar a porta. Sem forças, não lutei contra a pressão que Aaron fazia contra o meu pescoço e apenas me deixei levar, aliviada por ele ter chegado antes que fosse tarde demais. — Seu desgraçado! — Matheus tirou Aaron de cima de mim, não vi mais nada depois disso. Apenas me virei para o lado oposto, eu não queria ver o olhar do Matheus, não queria ver a pena e nem a raiva


que ele provavelmente estaria sentindo. Tudo que eu queria era sair daqui. Escutei o som dos socos, da cabeça de alguém batendo no chão. Encolhida e com os olhos fechados, eu senti calafrios em todo o corpo e um mal-estar ainda mais forte. — Matheus, eu estou passando mal — disse baixo um pouco sufocada. — Math... ***

Matheus Escutei o grito da Jéssica e arrombei a porta e fiquei completamente transtornado quando encontrei o desgraçado em cima da Jéssica. Em questão de segundos, o puxei e o joguei no chão, soquei a cara do maldito tão forte que achei que ele tivesse desmaiado. — Você vai me pagar, seu bastardo! — Aaron não revidou, estava tonto e os socos continuavam, eu estava descontando nele toda a raiva que senti, ele tinha tocado e machucado a mulher da minha vida. Se não fosse pelos gemidos de dor da Jess, eu não sei se teria conseguido parar, Aaron merecia muito mais do que tinha recebido e eu cuidaria para que ele pagasse por todo o sofrimento que estava causando a ela. Saí de cima dele sabendo que agora sim estava desacordado. Olhei para a Jéssica encolhida no canto da sala me perguntando como ele pôde ter feito algo assim, já não bastava o que tinha acontecido no passado? — Baixinha... — Estava sendo difícil vê-la, saber que ele tinha tocado nela me deixava furioso. — Me tira daqui, Matheus — ela pediu e segurou minha mão com força quando a toquei. — Eu tenho que chamar a polícia, Jess, não vou deixar... — Não! — Jéssica... — Só me tira daqui! — ela suplicou. Eu fiz o que pediu, mas não sem antes chamar a polícia. Esperei o máximo que pude e logo depois que eles chegaram, a levei ao hospital. Em choque, ela não conseguiria dar seu depoimento e eles sabiam disso, um policial nos acompanhou e assim que ela foi examinada tomou seu depoimento. Não me afastei quando contou ainda com a voz trêmula tudo que tinha acontecido, Jess estava abalada e assim que terminou a levei para casa. Eu a queria em um lugar seguro e calmo, liguei para a Katie e pedi que passasse o restante da tarde ao seu lado. Eu ainda tinha que me explicar pela situação em que tinha deixado a cara do Aaron, sei que o estrago foi grande, mas o policial que nos acompanhou me garantiu que ele não precisaria ficar internado nem nada. Uns pontos aqui, e outros ali, seriam o suficiente.


Saí da delegacia mais tarde do que pretendia, enquanto não me confirmassem que Aaron permaneceria preso não sosseguei. Claro que seu caso seria julgado, mas não conseguia acreditar que um merda como ele poderia ser solto. E foi isso que eu disse para a tal da Anny, que, por incrível que pareça, tentou defender o irmão. Ela contou que seu celular havia ficado em casa, que não teve nada a ver com o plano absurdo dele, mas teve o absurdo de insinuar que a Jéssica vinha provocando seu irmão. Claro que não acreditei, nada que saía da boca daquela garota me parecia verdade, eu só esperava que quem fosse julgar esse bastardo também pensasse assim. Cheguei em casa ansioso para ver a Jéssica, quando a deixei com a Katie ela ainda estava quieta e com aquele olhar assustado. Entrei no quarto e encontrei as duas na cama, enquanto Jess dormia de um lado, Katie a observava do outro. Assim que me viu, ela se levantou e saímos do quarto para conversar. — Como ela está? — Abalada, chamou por você até que dormiu. — Senti remorso por não ter ficado, só que não conseguiria me acalmar até ter certeza de que Aaron ficaria preso. — Eu ainda não acredito que isso está acontecendo... Eu avisei tanto a ela, Matheus. — E você acha que eu não? Eu cansei de tentar colocar alguma coisa na cabeça dela, Katie, cansei! — Quantas vezes eu pedi para a Jess tomar jeito, amadurecer e pensar um pouco mais antes de tomar suas decisões? Só que ela era teimosa, sempre achando que nada de ruim iria acontecer... — Ele vai ficar preso? — Se depender de mim, vai. — Advogados não faltariam para cuidar disso. Pedi um táxi para a Katie e esperei que fosse embora, assim que ela saiu, eu subi e tomei um banho, mas nem a água fria foi capaz de aliviar a minha tensão. Eu sabia que não descansaria essa noite e preferi sentar-me na poltrona e vigiar o sono da Jess. Minha cabeça girava, e toda a merda que tinha acontecido me atormentava. Não cheguei a ver as mordidas que ele tinha dado nela, mas vi as marcas em seu braço e isso para mim era o suficiente para querer vê-lo definhando em alguma prisão qualquer. Acabei dormindo na poltrona sem perceber e no dia seguinte fui acordado pelo som do chuveiro, não vi Jéssica na cama e corri até o banheiro para ver se estava tudo bem com ela. Fui encontrá-la sentada dentro do boxe com a água escorrendo e a cabeça entre os joelhos abaixada. — Jess... — Ela deu um soluço de choro, mas não me olhou. — Vou te levar para cama. Tudo bem? — Peguei-a no colo e voltei para o quarto. — Me desculpe, Matheus — murmurou contra o meu peito. — Não foi sua culpa. — A enxuguei e coloquei na cama, em questão de segundos, ela já tinha adormecido novamente. Para o meu desespero, ela acabou dormindo o dia inteiro. Até tentei acordá-la para que pelo menos comesse alguma coisa, mas ela também não estava com fome. Eu a deixaria quieta hoje, sem pressões e cobranças, mas amanhã eu queria Jess fora dessa cama e se alimentando normalmente. Sem cabeça, claro que não havia ido trabalhar. Preferi passar o dia cuidando dela, desmarquei alguns clientes que tinha deixado sob sua responsabilidade para os próximos dias e reprogramei minha agenda para ficar o maior tempo possível ao seu lado. Avisei ao Leo o que tinha acontecido, ele era o único em quem eu confiava para um assunto como esse e, no final da tarde, depois do expediente, ele


acabou aparecendo. — E agora? — perguntou depois de ouvir toda a história. — Agora ele está preso e eu espero que permaneça assim. — Ele a machucou muito? — Um pouco, minha maior preocupação é com a cabeça dela, Leo. Jéssica não tem maturidade para lidar com nada disso, no fundo ela não passa de uma garota assustada. — E era verdade. Eu admirava sua independência, sua personalidade forte, suas manias e gostos, mas era óbvio que ela não tinha maturidade emocional para enfrentar nada disso. Conversamos um pouco e logo ele se despediu. Estava na minha cara o cansaço que estava sentindo, a noite tinha sido complicada e eu não preguei o olho uma vez sequer durante o dia. Voltei ao quarto e encontrei Jéssica sentada na cama, me senti aliviado quando ela me deu um pequeno sorriso forçado. — Como você está? — Com fome. — Ótimo, porque eu também estava. Preparei alguns sanduíches, suco e, por via das dúvidas, o seu cereal. Comemos em silêncio, ela realmente parecia faminta e eu era tão babão quando se tratava dela que gostava até de vê-la se alimentando. — Jess... — a chamei depois que terminamos. — Não fale sobre isso hoje, só me deixa esquecer, Math... — Seu olhar desviou do meu. — Eu estou preocupado com você. — Hoje não! — ela me alertou, mais uma vez. Não queria forçar a barra, mas era necessário. Eu precisava que ela soubesse que podia contar comigo, que eu não a culpava e, principalmente, que soubesse o quanto eu fiquei desesperado quando a encontrei naquele estado. — Só me dê um tempo. — Tudo bem. — Minha baixinha voltou a se deitar e eu aproveitei para descer e guardar as coisas. — Você vai voltar? — ela perguntou antes que eu saísse do quarto. — Vou — enrolei, lavei os pratos, coloquei comida para o Ozzy, que parecia tão mal quanto a Jess, e tentei acalmar os sentimentos perturbados dentro de mim. Voltei e ela já parecia estar dormindo, sem a menor vontade de ficar mais uma vez na poltrona dura, me deitei ao seu lado. Jess percebeu minha aproximação e se aconchegou. — Faz amor comigo, Math? — seu pedido foi inesperado, ela não podia estar falando sério. — Me faz esquecer o Aaron, toda vez que eu fecho os olhos eu só consigo lembrar... — Puta que pariu! — Você está acabando comigo assim, Jéssica. — E era verdade, se eu já estava mal antes, agora que ouvi isso dela eu estava me sentindo um merda. Eu sabia que não tinha como ter impedido nada, mas eu me sentia culpado porque era a minha obrigação cuidar dela. — Por favor... — a forma como ela me pediu era quase impossível de dizer não, mas resisti. — Não posso fazer isso. — Pelo menos, não hoje. Ela tinha passado a maior parte do tempo dormindo desde ontem e eu não me sentiria bem fazendo algo assim com ela tão fragilizada. — Eu sou louco por você, minha baixinha, mas não vou fazer isso.


Continuei com ela em meus braços, e Jess apenas se mexeu um pouco. Esperei até que adormecesse para que eu pudesse descansar também. — Eu te amo, Math — ela sussurrou, de repente, não sei se tinha se dado conta do que tinha dito, minha vontade era de dizer que eu também a amava. Eu tinha certeza já há algum tempo, mas tinha medo que ela não estivesse pronta para lidar com algo assim ainda. Não é exagero quando eu digo que ela vinha me dando muito mais trabalho do que todo o restante dos meus problemas. Fico louco com ela, com as coisas que apronta e que não me conta, com a bagunça que faz e com a forma como me seduz apenas para que eu concorde com ela. Eu estou disposto a passar por cima de tudo isso e arriscar ter um relacionamento que eu nunca tive com nenhuma outra mulher e só queria ter a certeza de que ela está preparada para suportar tudo o que vinha junto com o meu amor. — Dorme bem. ***

Jéssica Saí irritada da consulta. Matheus tinha me obrigado a ir a um psicólogo dias depois do incidente, coisa que eu jurei que nunca mais faria. Não tinha paciência nem saco para alguém que era pago para ouvir minhas lamúrias. Os típicos: "Você acha que pode ter provocado isso?" ou "Me conte um pouco mais a respeito de como se sente" e todo o blá-blá-blá comum me cansavam e me deixavam sempre mais confusa do que quando eu entrava. Foi assim antes e tinha sido assim agora. Eu não precisava de um psicólogo, a única coisa que eu precisava era de paz. O que estava sendo um pouco difícil... Quando meus pais descobriram o que tinha acontecido comigo, eles logo vieram me visitar e confesso que sofri com a pressão que colocaram em cima do Matheus. Eles jogaram toda a responsabilidade de cuidar de mim para ele e isso não me surpreendeu nem um pouco, porque não seria a primeira vez que agiam assim. Enquanto isso, a mãe do Aaron, que sempre me tratou como uma filha, até tentou conversar e pedir perdão, mas eu ainda não estava preparada para contar tudo a ela e muito menos tinha vontade de ver a Anny novamente. Por mais que tivesse jurado que não tinha nada a ver com o que o irmão dela fez, eu preferia manter distância por um tempo. Fui chegar em casa um pouco mais tarde do que o habitual, eu não sabia se Matheus já tinha voltado do estúdio e não estava com a menor vontade de vê-lo me olhar com aquele ar de preocupação bem comum no rosto dele nos últimos dias. Entrei em casa e Oz veio correndo me receber, ultimamente ele era o único que não me tratava como se eu fosse quebrar a qualquer momento. Deixei minha bolsa no sofá e o peguei no colo. Perdi um pouco a noção do tempo e quando vi que já estava quase na hora do Math aparecer, subi correndo e fui me arrumar para o jantar que teríamos com o seu pai essa noite. Quando chegou, a primeira coisa que fez foi me procurar, eu estava terminando de me vestir e o Oz


se encontrava esparramado no imenso tapete ao pé da cama. — Como foi a consulta? — ele perguntou sorrateiro. — Horrível, não me faça voltar lá, Matheus, eu não consigo! — falei enquanto ia em direção ao closet e fugia do seu olhar. — Não me venha você com esse papo, você precisa conversar com alguém, Jéssica! — Eu não preciso conversar com ninguém, eu estou ótima, não vê? — Até quando você vai continuar agindo assim? Eu estou esgotado! — Então, pare de se preocupar com a minha vida, você não sai de cima de mim, Matheus. Parece que eu sou uma criança prestes a fazer alguma besteira. — Mas você é! Eu fico louco só de imaginar o que você pode aprontar ainda — ele falou nervoso. — Eu só quero o seu bem." — Eu sei o que é melhor para mim! — disse com ênfase e chateada por ele não confiar em mim. Poxa, eu podia fazer uma ou outra coisinha, mas nunca era por maldade e com a intenção de deixá-lo louco. — É claro que sabe... Como eu pude me esquecer que você é a sensatez em pessoa? — Ele estava sendo irônico comigo? — Você é um idiota! — Dei as costas a ele ainda mais irritada. — Percebi — ele falou calmo, mas eu o conhecia. Math estava fervendo por dentro. — Só sendo um grande idiota mesmo para ter colocado você dentro da minha casa! — Ele realmente tinha falado o que eu escutei? Recuei chocada enquanto via Matheus sair do quarto e bater a porta com força. Fui obrigada a me sentar por alguns minutos, nós nunca tínhamos brigado assim. Ainda chateada, tentei terminar de me arrumar totalmente desanimada, eu sabia que ele não iria desmarcar o jantar com seu pai e desapontá-lo dessa maneira. Desci e o encontrei pronto, Matheus não me olhou e, quando se deu conta que eu tinha chegado, seguiu na minha frente. Permanecemos em silêncio o caminho inteiro e só quando chegamos que ele pediu que eu tentasse agir normalmente pelo bem da saúde do Louis. A noite poderia ter sido ótima, O Sr. Hudson realmente era engraçado e me lembrava muito o Matheus em alguns momentos. Tentei parecer normal como ele pediu, mas não sei se fui convincente e no final do jantar, quando eles começaram a falar sobre negócios, eu pedi para ir embora. Minha cabeça doía e não queria ter que ficar e ser alvo do olhar irritado do Math em cima de mim. Apesar de morarem no mesmo condomínio, a distância entre uma casa e outra era considerável e acabei fazendo uma pequena caminhada. Eu precisava espairecer um pouco, tentar digerir as palavras que tinha escutado do Matheus mais cedo e que ainda me magoavam. ***

Matheus


Passei a noite sendo sendo obrigado a fingir que estava calmo, porém, meu pai deve ter percebido meu descontentamento. Ele me conhecia melhor do que ninguém e não parava de tentar fazer Jéssica sorrir. Só que qualquer um podia ver que seu sorriso era falso, que ela não estava bem. Meu humor estava péssimo e eu sabia que tinha exagerado ao dizer tudo aquilo, mas Jéssica realmente tinha me tirado do sério. Por causa da sua teimosia eu acabei perdendo a paciência hoje, com apenas uma consulta Jéssica já não queria voltar ao psicólogo, mas ela não entendia que eu ficava em cima dela porque me preocupava, porque queria vê-la bem. Desde o incidente com o Aaron, seu comportamento estava aos poucos se normalizando. No início ela ainda parecia um pouco perdida, mas depois toda sua energia e alegria tinham voltado. Jess estava bem animada por causa do seu emprego na Travel e isso a distraía bastante, mesmo assim eu sentia que em alguns momentos ela fraquejava, e que provavelmente a lembrança a atingia e ela não aguentava. Eu não a culpava por nada do que tinha acontecido, mas não ia cruzar os braços e vê-la prestes a desmoronar sem fazer nada. Eu queria e ainda quero que ela tenha um acompanhamento médico. Aaron tinha conseguido mexer com a cabeça dela de uma forma profunda e tinha medo de que futuramente isso pudesse afetar a nossa relação. — Tenho te achado preocupado, meu filho. — Louis me surpreendeu, eu tinha ficado para conversar alguns assuntos sobre a Minerallis com ele. — Impressão sua. — Ele se colocou ao meu lado. — Eu sou velho, mas não sou idiota, Matheus. — Olhei para ele. — Eu gosto dela, você sabe, não é? — Claro que eu sabia. — Mas? — Não tem nenhum “mas” dessa vez, tentei controlar sua vida por tantos anos que agora, a essa altura, eu só quero que você encontre o seu caminho. — Eu já encontrei, pai. — E quanto a ela? — Ela está comigo, não está? — Não queria entrar nesses detalhes hoje. Jéssica era assunto meu e eu não o queria interferindo na minha vida. — Sim, mas até quando? — Depois da briga que tive, preferi ignorar o que ele tinha dito. Saí de lá e não fui direto para a casa. Eu sabia que se chegasse e ela estivesse acordada nós brigaríamos de novo. Antes eu precisava pensar, organizar as ideias em minha cabeça, me acalmar e pensar no que fazer daqui para frente. Não tinha dúvidas de que a queria em minha vida, mas para isso ela teria que mudar. Já quase de madrugada, peguei meu carro e voltei, entrei me sentindo mal por tê-la deixado sozinha. Talvez eu devesse ter ficado em casa e tentado conversar, sabia que a tinha magoado muito e que ela não estava bem quando saiu da casa do meu pai.


Subi pela garagem e não precisei nem acender a luz da sala, Jess estava sentada no sofá abraçando os joelhos meio sonolenta com Ozzy deitado ao seu lado, pelo visto os dois estavam me esperando. Diferente do que fazia com a Jess, ele não veio me receber e ficou alerta quando me aproximei dela. Esse era definitivamente o cão mais ciumento que eu conhecia. Jéssica abiu os olhos assustada quando se deu conta da minha presença. Eu não queria mais brigar, eu era um babaca por ser tão fraco, mas eu preferia sofrer a vê-la sofrendo. — Me desculpe, Jess — falei enquanto tirava seu cabelo do rosto, ela me abraçou tão forte e me dei conta de todo o medo que sentia. Minha baixinha estava quebrada e eu teria que ser muito paciente até que se recuperasse totalmente. — Eu estava nervoso, eu sinto muito. — Não quero mais brigar, Math, não quero. — Não vamos. — Limpei as lágrimas que caíam. — Prometo que não vamos. — Segurei seu rosto com as duas mãos e me aproximei, rocei meus lábios nos dela. Nós dois nos olhávamos enquanto eu sentia lentamente o gosto da sua boca. Aprofundei o beijo, sem nenhuma malícia porque eu queria apenas senti-la minha, ter a confirmação de que o que existia entre a gente era forte o suficiente para que desse certo. Ela se enroscou em mim como uma gatinha e subiu no meu colo, ficando de frente. Observei seus olhos azuis intensos me encarando, Jess parecia tão indefesa que eu só pensava em protegê-la. — Eu vou cuidar de você, minha baixinha, vou amar você e nada de ruim vai voltar a acontecer — murmurei. — Ela apoiou a cabeça em meu ombro e ficou quietinha, enquanto eu afagava seu cabelo. Sussurrei ao pé do seu ouvido, quase como se a estivesse ninando. I won't give up on us God knows I'm tough, he knows We got a lot to learn God knows we're worth it I won't give up on us Even if the skies get rough [3]

I'm giving you all my love.

— Você é um péssimo cantor, Math... — ela falou ainda com voz de choro. — Sério? — brinquei e Jess me deu um pequeno sorriso. — Mas eu amo essa música... — Eu sei. — Conhecia os gostos dela muito bem, ela adorava Jason Mraz. — E eu também amo você! — Isso era tudo que eu precisava ouvir dela hoje.


CAPÍTULO 16

Jéssica — Se eu fosse você trocava esse biquíni — Katie falou enquanto terminava de se arrumar. Nós tínhamos viajado para comemorar o aniversário do Leo em Fort Laudale onde ele tinha uma casa incrível de frente para a praia Las Olas. A cidade ficava na Flórida e definitivamente não era a opção para simples mortais como eu, nos canais do rio New River ficavam iates luxuosos ancorados em frente à mansões ainda mais caras. Me surpreendi que logo o Leo, que parecia ser tão despreocupado com tudo, pudesse manter um lugar como esse guardado a sete chaves. E mesmo que muita coisa tivesse acontecido nos últimos três meses, a que mais me chocou foi esse romance inesperado entre a Katie e o Leo, eles vinham saindo juntos já há algumas semanas e eu estava adorando ver minha amiga toda serelepe por causa dele. Quanto a mim e ao Matheus, eu não tinha nada do que reclamar, muito pelo contrário. Nossa relação estava mais estável e a cada dia que passava era mais difícil ficarmos longe um do outro. Eu gostava de me sentir amada, mimada e cuidada por ele. Nada me fazia mais feliz do que saber que eu podia dividir minha vida, sonhos e desejos com alguém por quem eu era completamente apaixonada. Matheus me dava todo o carinho que eu precisava e por mais que fosse duro em relação às minhas falhas eu vinha tentando aceitar que toda sua interferência era para o meu bem. E assim como ele pediu, eu ainda mantinha o acompanhamento psicológico, só que agora com menos frequência. As primeiras consultas foram as mais difíceis, eu odiava reviver meu passado e, principalmente, lembrar do ataque do Aaron. Essas situações ainda mexiam comigo me deixando um pouco abalada, acabava que eu chegava em casa e só queria correr para os braços dele e esquecer tudo. Matheus foi paciente, me ajudou em todos os momentos e nunca deixou de dizer o quanto eu era importante para ele e o quanto me amava. Quanto ao meu novo emprego, eu só podia dizer que, apesar da correria e da pressão que Josh colocava em cima de mim, eu estava realizada. Não entendia porque ele exigia tanto e porque sempre arrumava um jeito de me provocar e instigar a dar o meu melhor. Coisa que, para falar a verdade, eu fazia com o maior gosto. Quanto mais ele dificultava, mais vontade eu tinha de provar que eu merecia aquele emprego e sua confiança. Tinha dias que eu admito, ele passava um pouco dos limites e chegava a me irritar com seu mau humor, seu jeito autoritário e orgulhoso. O homem era um verdadeiro carrasco e, se não estivesse tão decidida a conseguir uma vaga definitiva na sua equipe, eu já teria pensado em jogar tudo para o alto. Matheus se mantinha neutro em relação a isso, mas sempre que eu chegava desanimada ou querendo esganar meu novo chefe ele arrumava um jeito de me colocar para cima e me animar. — Por que eu deveria trocar? — perguntei a ela distraída.


— A menos que você queira que Matheus tenha um enfarto amiga, coloque outro. — Ri da sua preocupação. Quando comprei o biquíni, eu estava pensando exatamente nele e no quanto ele iria gostar, meu erro foi não ter imaginado que teríamos tantos amigos dele e do Leo passando o final de semana com a gente. — Só trouxe ele, Katie, e duvido que Matheus não goste. — Pisquei para ela, que apenas balançou a cabeça. Que mal podia ter um biquíni, meu Deus? Tudo bem que ele era cavado, o comprei em uma loja brasileira que vendiam biquínis lindos e me apaixonei pela estampa. Eu nunca tinha ido ao Rio, mas reconheci a paisagem assim que coloquei os olhos na peça, não cheguei nem a pensar no tamanho. — O seu também não é nada comportado, Katie. — Revirei os olhos para ela. Katie era alta e magra, tinha o cabelo loiro bem platinado e os olhos com uma cor meio indefinida que podia variar entre o verde e o azul. — Mas eu não sou praticamente casada, Jéssica, Leo não faz a menor ideia do que quer comigo — ignorei o praticamente casada, eu só tinha 22 anos e não estava preparada para nada disso ainda. Eu gostava muito da forma como eu e Matheus vivíamos, sem pressões. Nós não tínhamos nomeado nossa relação e não fazíamos tantas cobranças, apesar de que um morria de ciúmes um do outro. Era intenso, sexualmente falando, mas era uma relação leve, gostosa e eu queria que continuasse assim. Fiz uma trança no meu cabelo e descemos, Matheus tinha acordado cedo essa manhã para andar de jet ski e eu preferi dormir mais um pouquinho. Nós tínhamos chegado ontem à noite a Fort Lauderdale para que pudéssemos aproveitar melhor o final de semana e mesmo assim eu precisava de umas boas horas na cama, minha semana desde que comecei a trabalhar na Travel era mais puxada que o normal. Encontramos o primeiro andar da casa cheio e, pelo que ela me contou, Leo tinha chamado a maioria dos seus amigos e conhecidos para a festa que teria mais tarde. Saímos da casa e fomos em direção à piscina, eu estava louca por um pouco de sol. Fazia muito frio nessa época do ano em Nova Iorque e eu estava precisando de um pouco de cor para o vestido que tinha comprado para usar essa noite. — Hummm... — Katie murmurou ao meu lado. Entendi o seu “Hummm” e logo me perguntei o que aquela anoréxica estava fazendo aqui. — Leo a convidou? — Acho que sim. — Deu de ombros. — Ele falou que tinha algumas amigas que teria que convidar, mas nunca imaginei que fossem amigos. Katie respondeu e eu não conseguia tirar os olhos da Caroline que estava bem próxima ao Matheus. Ele não parecia nem um pouco desconfortável e só quando me viu que sua expressão fechou. Carol aproveitou para dizer alguma coisa enquanto me fuzilava com o olhar. — Eu avisei. — Olhei brava para Katie, que ria da situação. Ignorei a cena patética e me sentei na beirada da piscina com ela ao meu lado. Começamos a conversar sobre os detalhes da festa, já que ela tinha ajudado Leo a preparar e me distraí a ponto de não perceber quando o Matheus se abaixou atrás de mim. Ele estava com uma toalha e usou para me cobrir. — Seu biquíni é foda, meu amor, mas eu quero que você o troque — ele sussurrou ao meu ouvido. — Aqui? — brinquei com ele, que não achou a menor graça.


— Não me provoque, Jéssica. — Meu amor, eu não vou trocar porque só trouxe ele e eu achei que você fosse gostar. — Esse é o problema, eu gostei, mas acho que vários amigos meus também e isso está me irritando. — Sei que não deveria, mas eu gostava quando ele sentia ciúmes de mim. Dei de ombros porque realmente não tinha muito o que fazer no momento, eu queria tomar sol e ele era o único que eu tinha. Tirei a toalha que me tapava e caí na piscina. Matheus se levantou parecendo contrariado e voltou para onde Caroline estava, os dois continuaram conversando e ele não tirou os olhos de cima de mim. Não que precisasse, Katie ficou comigo o tempo inteiro e só saiu quando Leo a chamou. Nesse momento eu me levantei e fui até ele, me sentei em seu colo e ignorei o olhar bravo da sua ”amiguinha”. Mesmo sendo linda, eu não me sentia nem um pouco intimidada pela sua beleza. Se ela significasse algo para o Math, ele estaria com ela e não comigo. Por mais que negasse, ele era um ciumento de primeira e Caroline dificilmente aparecia com o mesmo homem por mais de uma noite. Fiquei sentada em seu colo enquanto a escutava dizer que precisava da ajuda dele em um trabalho importantíssimo para a carreira dela. Matheus, como sempre, foi educado, mas não parecia tão interessado no assunto quanto deveria. Ele parecia mais preocupado em não me tocar, e toda vez que eu me mexia ficava tenso. Ficamos ali mais alguns minutos e ele logo inventou uma desculpa para entrar comigo. A casa era imensa e ele parecia conhecer bem porque me levou ao que provavelmente era uma sala de jogos, com o chão todo encarpetado e uma mesa de sinuca bem no centro. Percebi o que queria assim que trancou a porta atrás da gente. — Às vezes, eu acho que você gosta de me ver perdendo o controle... — Ele segurou meu rosto e me beijou ávido. Suas mãos foram imediatamente até meus seios e ele logo tratou de tirar meu biquíni fora. Ainda com a boca colada na dele, fui empurrada até a mesa e assim que senti a madeira atrás de mim Matheus me virou, me deixando apoiada e com um bumbum arrebitado para ele. Eu ainda estava com a parte de baixo do biquíni e ele desceu deixando um rastro de lambidas pela minha nuca, pescoço e costas... — Eu amo o cheiro da sua pele... — murmurou e meu corpo todo se arrepiou com o toque gelado da sua boca por causa da cerveja que tinha tomado. — Eu amo o gosto de mulher que você tem... — Nesse momento seus lábios já estavam em meu bumbum e acabei deixando escapar pequenos gritinhos quando ele começou a me morder e chupar com vontade. Sua mão me manteve apoiada com os seios contra a mesa fria e eu fiquei totalmente exposta ao seu olhar. Sentindo minhas pernas bambas, enlouqueci quando ele afastou a popa do meu bumbum e me lambeu, sua língua ia e vinha tortuosamente enquanto eu me segurava para não gemer de maneira escandalosa. Ele era ciente do que fazia comigo quando me chupava assim e do quão fácil era me fazer gozar com sua boca. — Toda melada... — ele sussurrou com a boca ainda me provocando e o som rouco da sua voz foi o estopim para o meu orgasmo. Movi meu corpo contra o seu rosto buscando por mais, só que em vez disso Math se deitou contra mim e voltou a lamber meu pescoço, nuca até que chegou ao meu ouvido. — Nunca provei uma boceta tão gostosa.


Enquanto meu corpo se recuperava, não pude deixar de pensar na facilidade em que eu respondia ao seu toque, em como eu ficava excitada só em tê-lo por perto e em como cada momento entre a gente era incrível. Fui colocada de pé novamente e confesso que estava morrendo de vontade de sentir o meu gosto em sua boca e beijá-lo até não poder mais. Matheus pareceu adivinhar meu pensamento e me colocou sentada em cima da mesa se apossando da minha boca no mesmo instante. Perdi a noção do tempo, enquanto era beijada com urgência e sentia o toque dos seus dedos percorrer todo o meu corpo. Quando tentei abrir o zíper da sua bermuda, ele não deixou e afastou minha mão. — Agora não — ele falou e logo depois Leó nos interrompeu batendo na porta e brincando, dizendo que se quiséssemos transar era melhor que fôssemos para o quarto. Matheus o mandou à merda e me ajudou a amarrar o biquíni. — Veste a minha camisa. — Ele me passou, mas até parece que eu a usaria. — Não. Eu acho que sim, seu bumbum está vermelho, Jess. Qualquer um vai saber que andei te mordendo. — Olhei emburrada para ele e vesti a camisa contrariada. — Você fez de propósito? — Não, mas veja pelo lado bom, minha safada... Você gozou, não foi? — ele me provocou e me deu um tapinha quando passei por ele. Merda, agora eu não poderia nem tomar sol. Voltamos à área da piscina e parecia que todo mundo sabia o que tinha acontecido lá dentro, cheguei a ficar envergonhada o que era bem raro de acontecer. Ao contrário, Matheus estava se divertindo com a situação e quando viu meu desconforto porque estava incomodada com os olhares, ele me tirou de lá e me levou até a praia que ficava em frente à casa. Acabei aceitando o convite dele para andar de jet ski, mas eu estava começando achar que a vontade dele hoje era de me enlouquecer em todos os sentidos. — Você é louco? — perguntei quando ele parou o jet próximo ao deck. — Foi divertido! — Pra você, porque eu quase morri... — disse enquanto aceitava sua mão para que me ajudasse a descer. Math apenas riu do meu exagero, mas eu estava completamente encharcada e aterrorizada por causa das curvas bruscas que ele tinha feito. Em vez de voltar pelo deck, nos jogamos no mar e, assim que chegamos na beirada, ele começou a jogar água em mim feito uma criança. — Cresce Matheus! — falei e saí na sua frente só que, como de costume, ele me puxou. Matheus deveria achar que só por que eu era pequena ele podia sair me puxando para cá e para lá como se eu fosse uma boneca. — Tô com uma vontade de te comer aqui. — Já estava entardecendo e a proposta até que não era ruim, eu nunca tinha feito nada assim dentro do mar... — Porra, Jéssica, sabia que essa sua cabecinha iria começar a maquinar, mas nem sonhando que eu vou dar um show para aqueles idiotas lá em cima. — Olhei na direção que ele apontou e vi um grupo de amigos dele nos observando. — Não quero nenhuma


plateia para ver o que eu vou fazer com você quando eu te pegar. Dessa vez eu que tive que jogar água nele. Matheus passou o dia inteiro me atiçando e para mexer com sua cabeça puxei a camisa que eu vestia e fiquei apenas com o biquíni. Claro que ele não gostou e fechou a cara, chegamos à piscina e ele me obrigou a ficar sentadinha ao seu lado. Era isso ou vestir a camisa novamente. Não me importei, não tinha outro lugar que eu gostaria mais de estar do que ali.

***

Matheus

Passei o dia todo me segurando para realmente não arrastar a Jéssica até o quarto e pedir para ela tirar aquele biquíni. Aquele pedaço de pano não tapava nada e mesmo sendo pequena ela tinha muito o que mostrar. Se sua intenção era me deixar louco ela conseguiu, eu estava morrendo de ciúmes e de desejo... Admito que era bom vê-la feliz como esteve hoje, mas isso não significava que eu aceitaria tudo que ela jogava para cima de mim. Jéssica sempre dava um jeitinho de aprontar das suas, quietinha, sem que eu percebesse e eu tinha que ficar de olho bem aberto com ela. Depois do que aconteceu há três meses, nós dois passamos por alguns momentos bem difíceis. Era complicado vê-la sofrendo, e eu sabia que ela só estava indo às consultas porque eu pedia. Jéssica podia se negar a enxergar e eu não sentia a menor culpa por obrigá-la, mas essa era uma responsabilidade que eu queria que tivesse, um momento que fosse só dela e que a ajudasse a lidar com todo o seu passado. Não demorou até que ela disse que iria subir, a observei sair e, assim que voltei minha atenção à conversa, peguei Caroline me analisando. Ela, melhor do que ninguém, percebia o quanto eu estava envolvido, eu mesmo tinha dito a ela e explicado com todas as letras que não poderia acontecer mais nada entre a gente e que era melhor que perdesse as esperanças para o seu próprio bem. Demorei um pouco mais do que pretendia lá embaixo e quando fui para o quarto encontrei Jess sentada com uma barra de chocolate na mão e seu telefone na outra. — Algum problema? — Ela balançou a cabeça e sorriu. — Só o meu chefe que marcou uma reunião para às oito da manhã na segunda. — Estava demorando. Eu tinha decidido não me meter nesse assunto, queria que Jéssica descobrisse por si mesma que trabalhar para ele seria puxado. Entendia que esse era o seu sonho, mas haviam inúmeras formas dela alcançar o sucesso na sua área, não gostava da ideia de vê-la presa ao lado de um ditador egocêntrico que usaria todo o seu talento a favor dele. Enquanto ela confirmava a reunião, fui tomar um banho, quando terminei e entrei no quarto ela já estava vestida e terminando de se maquiar. — Gostou? — Eu ainda não tinha visto seu vestido de frente, mas a julgar pela parte de trás podia


apostar que não iria gostar. Mesmo que tenha ficado pouco tempo no sol, ela estava bronzeada e o tecido dourado que usava tinha lhe caído malditamente bem. Só que para o meu desespero, o decote dele seguia toda a linha da sua costela e parava um pouco acima do seu cóccix. Engoli em seco ao imaginar o que tinha por baixo desse do vestido. — Me diz que você está usando calcinha, Jéssica — pedi e a descarada riu. — Não tinha como, Matheus, iria marcar tudo se usasse. — Ela me olhou com a maior cara inocente. Se eu já não soubesse como ela era, cairia no seu papo facilmente. Fiquei quieto meio sem reação, se eu pedisse para ela trocar de roupa eu estaria, mais uma vez, demonstrando o quanto eu era ciumento quando se tratava dela. Era estranho sentir como se ela fosse minha posse, mas toda vez que a olhava eu tinha certeza de que Jess me pertencia e que nada mudaria isso. Tudo nela me fascinava e eu amava cada detalhe da sua personalidade, suas gracinhas, birras, implicâncias e provocações. Não entendia como alguém podia ser tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. Porque mesmo tendo passado por tudo, minha baixinha era forte, pois ela tinha uma vontade de viver e eu sabia que em parte era por culpa do que tinha feito. — Você não vai sair de perto de mim. — Ela me abraçou e me deu um beijo no rosto agradecida por não ter reclamado. Descemos e vários amigos do Leo já estavam no salão organizado, todos os anos ele comemorava seu aniversário aqui e esse não seria diferente. Avistei-o com Katie ao seu lado, e confesso que ainda ficava surpreso toda vez em que os via juntos. Meu amigo tinha jurado nunca mais se deixar levar por uma mulher desde o fracasso do seu casamento e, pelo que eu estava vendo, Katie e ele estavam cada vez mais envolvidos. Com o braço em volta da cintura da Jéssica, fui até ele e cumprimentei alguns dos seus clientes. Caroline observava minha baixinha de longe, como uma águia prestes a atacar e, apesar de moleca, eu tinha certeza de que ela saberia muito bem se defender, caso Carol decidisse colocar as garras para fora. — Eu vou pegar uma bebida, Math — ela falou e já ia se afastando, só que a impedi. — O que nós combinamos? — Eu não me importaria que ela fosse pegar sua própria bebida em qualquer outro dia, só que hoje o que me incomodava era o caminho que ela faria até chegar ao barman e a atenção que receberia. — Eu achei que você estivesse brincando — falou baixinho. — Não estava não. — Nesse momento Katie nos olhou e sorriu e pude ver que nem mesmo o vestido da Caroline era tão insinuante quanto o da Jéssica. Ela estava linda, mas essa seria a primeira e última vez que o usava, deixei-a com a Katie e saí para pegar bebidas para as duas. No momento em que voltei com as bebidas, não a encontrei. Só me dei conta de onde estava quando avistei Jason. Claro que o moleque estaria aqui, a agência do Leonardo era associada a agência que ele trabalhava e seria praticamente impossível fugir da obrigação de convidá-lo. Pensei em ir até onde os dois estavam, mas Caroline e o seu agente me impediram. Jéssica não esperou que eu fosse atrás e assim que me viu se despediu dele e veio sorrindo em minha direção. Como alguém conseguiria ficar irritado com ela? Me peguei olhando, mais uma vez, o vestido em volta do seu corpo e pensei comigo que essa era uma das poucas vezes em que a tinha visto realmente vestida como uma mulher... Normalmente Jess não passava de uma garota.


— Oi — ela falou e retribuí. Aproximei-me e dei um pequeno beijo em seus lábios ao mesmo tempo que entregava sua bebida. — Não me canso de admirar você, sabia?

— O que foi? — perguntei a ela algumas horas mais tarde, nós tínhamos acabado de fazer amor e eu a estava mantendo em meus braços. — Você não vai me soltar não? — perguntou e me olhou contrariada. Por mim não, eu dormiria abraçado com ela assim a noite inteira. Nossos corpos colados e a sensação de tê-la em cima de mim definitivamente me agradava. — Não. — Mas eu estou ficando sufocada... — ela fez drama, só porque eu a estava mantendo quieta. — Sem dramas, baixinha, feche os olhos que já, já, você dorme. — Ela voltou a colocar sua cabeça em meu peito e em poucos segundos adormeceu. Ficamos assim boa parte da noite e quase de madrugada a virei para que mudássemos de posição. “Ela era, sem dúvida nenhuma, a mulher da minha vida”, pensei.

***

Jéssica

Acordei no dia seguinte toda quebrada, Matheus acabava comigo quando resolvia que eu tinha que dormir em seus braços. Ele não tinha noção de que durante a noite me apertava completamente, mas mesmo que fosse desconfortável eu gostava. Aproveitei que ele estava dormindo e corri até a minha bolsa, peguei uma caneta que tinha guardada e voltei para a cama, Matheus estava nu com o lençol cobrindo apenas o necessário. Sentei-me em cima dele e comecei a escrever a frase que tinha na minha cabeça. Quando a caneta tocou sua pele pela segunda vez ele acordou e abriu os olhos sorrindo daquele jeito que me deixava com as pernas bambas. — Bom dia — falei animada enquanto Matheus passava as mãos pelas minhas pernas, uma de cada lado do seu quadril. — Assim você me mata, garota. — Ele olhou meu corpo meio nu, porque eu estava apenas de calcinha que tinha vestido essa manhã, e jogou a cabeça de volta no travesseiro. — Fica quietinho que eu ainda não terminei. — Voltei a escrever e quando me viu tapar a caneta, Matheus me pegou pela cintura e me jogou na cama. — Acordei com vontade de você essa manhã. — Mas você sempre acorda. — Ele me deu um beijo no pescoço.


— O que você escreveu? — Leia. — Você é o meu paraíso — sussurrou as palavras. — O que eu faço com você, baixinha? Aproveitamos toda a manhã na cama e quando descemos Katie e Leo já nos esperavam. Tiramos a tarde inteira para que ele nos apresentasse a cidade e os principais pontos turísticos. Não desgrudei da minha câmera e Matheus me deixou livre para fotografar tudo o que eu quisesse. No caminho ele foi me contando que Fort Lauderdale era conhecida como a Veneza Americana por causa dos canais só que em vez de barquinhos românticos, aqui a gente se deparava com uma variedade exorbitante de iates luxuosos, lanchas e navios de cruzeiro. — Leonardo e eu sempre passávamos as férias da faculdade aqui. — Podia apostar que sim, passamos pela praia antes de vir para o calçadão e o que não faltavam era mulheres de topless. — Aproveitou muito? — Muito — enfatizou só para me provocar. — Safado. — E você não é não? — Mas eu sou sua safada, é diferente. Vai saber com quantas mulheres você já não foi para cama. — Adianta se eu disser que nenhuma delas significou nada para mim? — Acho que no fundo eu nem precisava ouvir isso dele, eu já sabia o que Matheus sentia por mim, era uma via de mão dupla. Eu o amava e ele me amava, nada poderia dar errado.

Na segunda de manhã eu tentei, juro que tentei não me atrasar. Mas foi impossível, o final de semana tinha sido maravilhoso, mas eu estava morta de cansaço. Avião, iate, jet ski e mais um bocado de sexo me deixaram completamente sem energia. Entrei no edifício onde ficava a Travel e rezei para que o elevador subisse direto. Só que o infeliz parou andar por andar. Para o meu desespero Josh já tinha me mandado uma mensagem perguntando onde eu estava, isso quando eu ainda não tinha nem cinco minutos de atraso. Pelo visto seu final de semana ao lado da namorada não deve ter sido tão bom para ele estar com esse mau humor logo pela manhã. Apertei a papelada contra o meu peito, eu tinha várias cópias de fotografias que ele tinha pedido que eu analisasse no final de semana. Entre uma coisa e outra, eu olhei todas e não queria nem ver a reação dele quando eu dissesse que tinha odiado tudo. Mesmo sendo chato, Josh ouvia algumas das minhas ideias. Passei pela recepcionista, que apenas balançou a cabeça sorrindo, ela sempre me cobria e me protegia do mau humor dele. Entrei sem bater e só depois me dei conta de que essa não era a sala do Matheus, onde eu entrava e saía a hora que queria. — Desculpe-me — falei, mas logo percebi que ele estava em uma ligação e que estava disposto a me ignorar. — Impontual, sem educação e atrevida — Josh disse assim que desligou o telefone. — Qual a sua


desculpa hoje? — Perdi a hora. — Ele não pareceu me ouvir e voltou sua atenção aos papeis à sua frente. — Coloque as fotos aqui. — Ele apontou para uma pasta. — E se sente que nós precisamos conversar. Hummm... — Surgiu um imprevisto, e o fotógrafo que eu tinha deixado encarregado das matérias no exterior esse semestre vai ter que se ausentar e só deve voltar daqui a alguns meses. Digamos que eu não tenha o mesmo talento que vocês dois possuem — ele falava calmamente, mas eu estava nervosa. — Então, depois de muito analisar, eu pensei que, com a minha supervisão, você poderia assumir seu lugar. — Eu não estava acreditando que estava escutando isso, eu iria substituir o melhor fotógrafo dessa revista? — São seis meses, Jéssica — ele completou. —, viajando e cobrindo todas as matérias que eu precisar. Eu consigo comandar a Travel de qualquer lugar do mundo e acho que poderia aproveitar esse período para entender bem como sua cabeça funciona. O que você acha? — Você está falando sério? — Esse trabalho era a oportunidade da minha vida e ele ainda perguntava o que eu achava? Eu viajaria por seis meses, conheceria novas culturas, viveria tudo que sempre quis e ainda trabalharia fazendo algo que eu amava? — Estou, você me mostrou que é tão talentosa e competente quanto ele e tudo que precisa é de supervisão, como eu falei antes. Só que eu preciso de comprometimento, Jéssica, total dedicação e foco. — Eu tenho que pensar. — Eu queria dizer a ele que sim, claro que eu aceitaria, afinal isso era tudo que eu desejei por todos esses anos. Mas pensei no Matheus e sabia que ele nunca aceitaria algo assim. Seriam seis longos meses... Olhei para o Josh à minha frente, confusa. O que eu faria agora? — Não deixe que um caso como o que você tem com o Matheus destrua a maior chance da sua carreira, Jéssica. Essa é a oportunidade de provar que você não chegou até aqui porque dormiu com ele. Você sabe que é isso que a maioria dos funcionários dessa revista pensam, não é? — Odiei ouvir isso. Josh tinha como princípio ser direto, mas não percebia que acabava sendo grosseiro na maioria das vezes. — Me dê um dia... — pedi. — Eu quero a resposta agora. O que não faltam fora dessa sala são funcionários que matariam por uma oportunidade como esta! — Eu sabia que era verdade. — Então?


CAPÍTULO 17

Jéssica — Então, Jéssica, eu não tenho o dia todo — Josh resmungou com uma expressão mal-humorada. — Me desculpe, mas você não pode querer que eu te dê uma resposta assim, Josh. Eu preciso pensar, conversar com o Matheus antes. — Essa é uma decisão sua e eu estou apostando as minhas fichas em você. Colocando em suas mãos a melhor oportunidade da sua vida e você ainda quer pensar? — Ele estava certo, eu sabia que estava. Fora que não era isso que eu busquei a vida inteira? Essa era a recompensa por tudo o que fiz ao longo dos anos para chegar até aqui. Melhor aluna, melhores notas, gastei o dinheiro que eu não tinha para me manter em Manhattan, me desdobrei para conciliar trabalho com faculdade e agora que eu tinha essa chance na minha frente, eu não sabia se aceitava. Profissionalmente falando, eu estava preparada, ele não era o primeiro e nem seria o último a elogiar meu trabalho e eu tinha consciência que quanto mais cedo eu conseguisse alcançar todos os meus objetivos, mais valorizada eu ficaria. A única coisa que me perturbava nisso tudo era o que Matheus pensaria, eu sabia que não seria fácil ficar tantos meses afastados quando éramos acostumados a ficar todos os dias juntos. — Diga sim, Jéssica, e eu posso garantir que dentro de um ano você vai estar entre as melhores fotógrafas da área em Nova Iorque e vai poder escolher apenas o trabalho que desejar. O que são seis meses, afinal? — Eu não era tão idiota assim e sabia que ele falaria qualquer coisa para me convencer. Mas, e aí? Eu diria não quando eu queria dizer sim? — Quando seria essa viagem? — perguntei e ele pareceu um pouco mais aliviado. — Rápido, como eu disse se trata de um imprevisto. Quinze dias é o máximo que posso adiar para você, nem um dia a mais. — Quinze dias não era nada, rezei para que estivesse tomando a decisão certa e para que Matheus entendesse o meu lado. Josh aproveitou para me explicar alguns detalhes a respeito da viagem e me informou que o primeiro país em nosso itinerário seria em Antália, na Turquia. Como sempre fazia perto dele, tentei me controlar, ele odiava tudo que era excessivo e isso incluía a maioria das reações que eu tinha. Mesmo que soubesse que tudo que ele falou era importante, quase não prestei atenção. No fundo eu estava muito mais ansiosa para falar com o Matheus. Acabou que passei o restante da manhã inquieta, esperando que ele respondesse minhas mensagens, mas nada, Math parecia que tinha desaparecido da face da terra. No final do expediente, Josh me segurou até depois do horário alegando que precisava da minha


ajuda. Fui obrigada a ficar, o que só aumentou meu nervosismo. — Concentração, Jéssica. — O encarei irritada. Eu queria ir embora para casa será que ele não entendia isso? — E, pelo amor de Deus, pare de olhar para esse relógio. — Ignorei, ele podia gritar comigo agora, que eu não me importaria desde que me liberasse. Quase duas horas depois, eu seguia pela Quinta Avenida em direção à casa do Matheus, não precisava nem dizer que a velocidade em que dirigia era alta o suficiente para que levasse uma bronca dele, caso descobrisse. Minha sorte era que o trânsito estava tranquilo e em menos de 20 minutos eu já estava estacionando o carro na garagem. Como sempre fazia, Ozzy veio me receber todo feliz e eu o peguei no colo. Essa bolinha de pelos fazia a minha vida muito especial e, pensar que dentro de alguns dias eu teria que ficar sem ele, me deixava triste. — Não se preocupe, meu bebê, que o Math vai cuidar direitinho de você — murmurei para ele, que ficou ainda mais agitado em meus braços. Quando entrei na sala encontrei Matheus sentado no sofá parecendo preocupado. — Amor? — Cheguei perto e aí, sim, tive certeza de que ele não estava bem. — O que aconteceu, Math? — perguntei preocupada. — Meu pai foi internado, Jéssica. Passou o dia inteiro sentindo uma dor forte no peito, que só piorou — ele disse angustiado. Nos últimos meses, eu e o Louis tínhamos nos aproximado bastante e sempre fiquei muito preocupada com essas dores dele, que por sinal ele fazia questão de tentar esconder do filho. — Ele está bem, não está? — engoli em seco, eu estava com medo de que não estivesse. — Está — ele respondeu, mas não me convenceu muito. Matheus tinha o péssimo hábito de querer me proteger de situações como estas. — Eu só estava esperando você chegar para poder passar a noite com ele, sua governanta insistiu que ficaria, mas pedi que fosse e descansasse um pouco. Você vai ficar bem? — Tentaria. — Vou — tentei soar calma, para não deixá-lo preocupado. Se antes do incidente com o Aaron eu já odiava dormir sozinha, depois, então, era assustador. Mesmo sabendo que ele permanecia preso esperando o julgamento, eu não conseguia relaxar e as imagens de tudo me perturbavam principalmente à noite. Passei a mão pelo seu cabelo molhado, enquanto ficava de frente para ele, que permanecia sentado e consegui sentir sua tensão, era óbvio que ele estava aflito. — Dorme cedo hoje, Jéssica, você tem dormido mal e isso não é bom — ele pediu e encostou a cabeça em meu peito. Odiava vê-lo assim, eu queria cuidar dele tão bem quanto ele cuidava de mim. — Seu pai é forte, meu amor, vai dar tudo certo... — Tinha que dar, Louis não podia fazer isso com a gente. Sem a menor vontade de comer, depois que ele saiu, eu subi com o Oz e em minutos já estava jogada na imensa cama. Fiquei tão preocupada com o que tinha acontecido que acabei esquecendo de contar a ele a respeito da viagem. Eu sabia que esse não era o melhor momento para jogar isso em cima dele, mas não queria esconder nada. Não dessa vez. Prestes a cair no sono, mandei uma mensagem.


— Eu te amo.

Corri até o hospital no dia seguinte para poder ver como o Louis estava, Matheus já tinha me dito que não iria trabalhar e que, assim que falasse com o médico, tentaria ir para casa descansar um pouco. Nos encontramos na cafeteria do hospital e o achei ainda mais cansado do que ontem. — Como ele está, Matheus? — Seu quadro é estável, mas seu médico me disse que se o atendimento tivesse demorado um pouco mais, ele poderia não ter aguentado. — Tive uma sensação ruim, eu não queria que nada de ruim acontecesse a ele. Matheus não ia aguentar um sofrimento como esse logo agora que os dois estavam recuperando o tempo perdido. Conversamos um pouco mais e ele me disse que só iria para casa de tarde, eu não podia demorar tanto e pedi que me deixasse ver seu pai antes de ter que ir trabalhar. — Você não está atrasada, não? — ele perguntou. — Um pouco, mas já avisei ao Josh — disse simplesmente, tudo bem que ele tinha gritado comigo do outro lado da linha algo sobre responsabilidade e comprometimento, mas não me preocupei nem um pouco. Matheus me levou até o quarto e nos deixou a sós, aparentemente Louis estava bem. Falando, rindo e consciente, apesar de ter que passar por uma bateria de exames, provavelmente dentro de dois ou três dias ele voltaria para a casa. Fui recebida por um sorriso imenso e, mesmo doente, parecia estar com um ótimo humor. Sentei-me na beiradinha da cama para não incomodá-lo e dei um beijinho em sua testa. — Eu estava me perguntando qual das minhas duas meninas favoritas iria aparecer primeiro. — A outra menina favorita dele era a Helena, claro. — Não me assuste assim de novo, Louis, não vou mais deixar você sossegado depois que sair desse hospital — falei, mas senti minha garganta secar ao perceber que não poderia estar com ele pelos próximos meses. Deixei que me contasse sobre o que tinha acontecido e fiquei mais aliviada em ver com os meus próprios olhos que ele estava realmente bem. Ignorei os minutos passando e aproveitei ao máximo a sua companhia, o atualizei sobre o meu trabalho e ele reclamou da minha falta de visitas. O assunto chegou até o Matheus e senti que ele não gostava de saber que deixava o filho tão preocupado assim, tentei convencê-lo de que ele não podia esconder nada disso da gente, que era importante que se cuidasse. — Você é uma surpresa boa, menina, nunca achei que fosse aprovar a mulher que Matheus escolheria. Nós sempre tivemos objetivos tão diferentes. — ele falou de forma carinhosa. — Olhando para você, eu sei que ele não poderia ter escolhido uma companheira melhor. — Sorri emocionada ao ouvir isso, era bom ter a aprovação dele e saber que ele me considerava tanto quanto eu o considerava. — Eu amo o seu filho, Louis — disse, e ele segurou uma das minhas mãos. — Não o faça sofrer então, minha menina, essa é a primeira vez que vejo ele se envolver de verdade com alguém. Eu sei que você é uma ótima garota, mas ainda é tão jovem e tudo que vou te pedir


é que valorize o que realmente é importante para você. — Por que ele estava falando isso tudo para mim? — Não desejo a nenhum de vocês o sofrimento que eu passei quando perdi minha esposa, então aproveitem esse sentimento que eu sei que vocês têm um pelo outro e sejam felizes. — Eu nunca o faria sofrer de propósito. — Isso era certo. — Eu sei que não. — Louis acenou com a cabeça, mas continuei encanada. Quando eu ia perguntar a ele por que tinha me dito tudo aquilo, a enfermeira entrou no quarto e avisou que o horário para visitas tinha acabado. Me despedi dele, e logo depois do Matheus. Tudo que eu precisava era chegar até a Travel e tentar consertar isso. — Ele está aí? — perguntei à recepcionista que acenou afirmativamente, mas só de olhar sua expressão podia apostar que hoje era o dia. — Ele não está de bom humor... — não esperei que ela terminasse de falar, fui até a sua sala e bati. Josh pediu que eu entrasse e eu quase desisti quando o vi vermelho de raiva, bom dessa vez a culpa não era nem minha. — Fala logo, Jéssica, porque eu estou cheio de problemas hoje. — Demorei um pouco até encontrar a coragem. — Eu não posso ir, Josh. — Ele riu quando falei e apoiou as mãos na mesa. — Impossível. — Eu sei que dei a minha palavra, mas eu não posso. — Se você voltar atrás, pode dar adeus ao seu emprego. — O quê? — Eu estou indo contra todos os meus princípios para te fazer crescer e mostrar ao mundo o seu talento e você diz que não pode? — Perdida, olhei para ele buscando alguma resposta para todas as minhas dúvidas. Ir ou não ir... — Você não entende, não tem ideia do quanto eu quero isso, Josh, esse é o meu sonho! — falei me sentindo completamente dividida. — Então, por que desistir? — Não queria entrar nesses detalhes com ele. Dar essa liberdade seria permitir que ele fosse ainda mais grosseiro comigo. — Só não quero decepcionar ninguém. — Ele respirou fundo, buscando se acalmar e agradeci por não estar gritando nesse momento. — Onde você se imagina daqui a dez anos? — perguntou friamente. — Aqui — soltei, eu me via aqui. Sempre foi assim. — Você já tem isso, sabe que dificilmente te demitiria depois desses seis meses. Você tem essa revista praticamente em suas mãos. — Ele rodeou a mesa e ficou atrás de onde eu estava sentada. — Então aproveite, se dedique e, principalmente, não dê as costas ao seu sonho porque hoje você está apaixonada. — Eu não estava apaixonada, eu estava amando. Matheus significava tudo para mim e, depois da conversa que tive com o seu pai essa manhã, eu comecei a pensar se eu tinha tomado a melhor decisão. Mesmo sabendo que Matheus nunca me impediria de fazer essa viagem, eu tinha certo receio de que esse tempo separados nos prejudicasse. Caroline vinha rondando ele mais do que de costume e, apesar


de ter certeza do que sentíamos um pelo outro, eu estava insegura. — Confie em mim, Jéssica, você não vai se arrepender. Já acertei suas passagens, hospedagem e equipamento, não tem como voltar atrás agora. Esse seu medo é justificável, mas se Matheus te ama ele vai entender a sua decisão, não é mesmo? — Eu espero que sim. — Você já contou a ele? — Não tive como contar ainda — respondi chateada. Por que eu não podia simplesmente ficar feliz pela oportunidade que eu tinha? Josh tentou me convencer de que estava fazendo o melhor para mim e pediu que eu não voltasse a agir por impulso novamente. Segundo ele, isso me fazia passar uma imagem de insegurança e poderia me prejudicar profissionalmente no futuro. Saí do seu escritório sem o alívio que queria e com ainda mais dúvidas. Quando cheguei em casa tentei preparar alguma coisa para o jantar. Eu era péssima na cozinha, mas precisava de algum tipo de distração para melhorar o meu humor. Matheus tinha me avisado que viria direto para a casa depois do hospital e que provavelmente seu pai estaria em casa dentro de um ou dois dias. Nervosa, deixei queimar a tentativa inútil de preparar pelo menos um macarrão sem que acontecesse algum desastre. Fiquei tão frustrada que xinguei alto e até o Oz saiu de perto de mim. Inconformada, fui arrumar a bagunça que tinha feito enquanto pensava o que pediria para comer daqui a pouco. — Queimou o que dessa vez, Jess? — Dei um sobressalto quando Matheus entrou pela porta. — Quer me matar de susto? — falei irritada, mas logo me arrependi. Ele não tinha nada a ver com o fato de eu ser uma idiota e péssima cozinheira. Olhei os pacotes em sua mão e não podia acreditar que ele tinha pensado em mim. — Peguei nosso jantar no caminho. — Math deu de ombros e sorriu satisfeito. Seu rosto estava menos tenso do que essa manhã, mas o cansaço permanecia ali. — Obrigada — disse enquanto o abraçava apertado. Perguntei sobre seu pai e ele contou que a alta era certa, que apesar de ter sido um grande susto, seu quadro clínico tinha se estabilizado e que só saberíamos se ele precisaria passar por algum tipo de cirurgia depois que seus exames saíssem. — Eu tenho que conversar com você, Matheus — soltei de repente. — Pode ser amanhã, minha baixinha? Prometo que, assim que a gente acordar, conversamos. Tudo que eu preciso agora é comer alguma coisa e dormir por algumas horas. — Merda! Eu queria falar isso com ele hoje, amanhã eu poderia acordar sem coragem. — Podemos sim. — Jantamos praticamente em silêncio, Matheus parecia perdido em seus pensamentos e eu nos meus problemas. Ele estava preocupado com o seu pai e era normal seu comportamento, não quis forçar a barra e parecer uma chata, então deixei que ficasse quieto. Já no quarto, Matheus caiu no sono rapidamente e eu até tentei fazer o mesmo, mas não tive a mesma sorte. No meio da madrugada, já cansada de rolar de um lado para o outro, me levantei, peguei meu telefone e fui para a sacada que ficava em nosso quarto.


Revi algumas das nossas fotos que eu tinha guardadas no celular e pensei em como eu tinha sorte por tê-lo na minha vida. Nossa relação tinha sido tão fácil desde o começo, tudo parecia tão certo quando estávamos juntos... Em questão de segundos, senti as lágrimas molhando o meu rosto. Sei que estava sendo difícil entender a confusão dentro da minha cabeça, só que eu nunca fui tão pressionada na vida. Eu não queria abrir mão de nada, nem da viagem e nem dele no meu dia a dia. Voltei a pensar na conversa que tive com seu pai essa manhã, a forma como ele falou comigo me deixou assustada. Me fez repensar a minha escolha, mas o que isso iria adiantar? Minha decisão já estava tomada, Josh não me deixaria desistir e agora só me restava abrir o jogo e esperar que tudo desse certo.

***

Matheus

Tinha dois dias que eu não sabia o que era dormir direito, depois de um final de semana agitado ter que começar a semana com um susto como esse que meu pai tinha me dado não foi fácil. Acordado já há algumas horas, observei o sono inquieto da Jéssica. Eu percebi quando ela acordou de madrugada e foi para a sacada, mas de tão exausto deixei. Assim que tudo se resolvesse com o Louis eu conversaria melhor com ela, sabia que minha baixinha tinha alguma coisa a incomodando e o medo que vi em seus olhos quando contei a ela sobre meu pai cortou meu coração. Os dois se gostavam muito e Louis tinha passado o dia inteiro pedindo que eu cuidasse bem da Jéssica, que fosse paciente e não fizesse tantas cobranças. Como se eu já não estivesse tentando fazer tudo isso, cada dia ao seu lado era uma batalha porque eu nunca sabia o que viria pela frente. Por isso era tão óbvio quando alguma coisa a perturbava. Jess tinha um coração mole, quando sofria, sofria demais e vice-versa. Nada dela era pela metade, ou era exagero ou não era nada. Adiantei-me e a deixei dormir essa manhã, acho que ela não precisaria estar tão cedo no trabalho e queria que descansasse. Meu dia, mais uma vez, seria cheio, hospital, reuniões que adiei e prazos atrasados. Eu tinha contratado um novo assistente, mas não se comparava a Jéssica, acho que ninguém nunca tomaria o seu lugar naquele estúdio. — Eu tenho que ir, amor — murmurei em seu ouvido. — A gente tem que conversar... — ela falou ainda sonolenta, mas era quase impossível porque eu estava atrasado. — Nós vamos, mas não agora. Se eu perder alguma reunião hoje meu trabalho vai acumular, Jéssica. Não se esqueça de que eu não tenho mais você para resolver nada disso — falei brincando e ela resmungou baixinho ainda sem abrir os olhos. Antes de chegar ao estúdio, liguei para o Leo. Eu tinha um assunto sério que queria conversar com ele. Poderia até estar ficando maluco, mas tinha uma ideia martelando minha cabeça desde antes da viagem que fizemos para o Fort e queria sua opinião o quanto antes.


Meu pai já estava em casa há dois dias, Jéssica parecia estar fugindo de mim e eu estava totalmente impaciente à espera do Leo, que tinha ficado de me encontrar no pub essa noite. Depois de tanta correria só consegui marcar com ele hoje, já que Jess tinha ido passar a noite na casa da Katie adiando, mais uma vez, a conversa que queria ter comigo. Não insisti, eu sabia que ela funcionava no seu próprio tempo e desde que continuasse sendo sincera nada mais me incomodava. Pensei no sexo gostoso que tínhamos feito ontem à noite, essa garota me virava do avesso de uma maneira inimaginável. Eu parecia um garoto bobo quando ela inventava de me usar para descobrir coisas novas. Minha baixinha era curiosa e eu gostava disso nela, fazer amor com ela era divertido, intenso e me deixava completamente esgotado. — Peguei um trânsito... — Leo começou a se explicar assim que se aproximou da mesa. — Não sei por que, mas sempre que você diz que precisa conversar, eu penso que vêm bomba por aí — ele falou logo depois de pedir outra cerveja. — Quase isso. — Nem eu acreditava que estava prestes a contar a ele o que pretendia fazer, mas nada me tirava da cabeça que era a decisão mais certa que faria em toda a minha vida. — Sua cara está me assustando, Matheus. — Eu quero pedir a Jéssica em casamento — falei e sua reação foi exatamente a que eu imaginei que teria, Leo tinha certo trauma em relação a esse assunto. — Eu sou louco por ela Leo e, pela primeira vez, não tenho dúvidas. Sei que você deve estar achando isso tudo um absurdo, mas é a única coisa que eu consigo pensar toda vez que olho para ela, que ela tem que ser minha em todos os sentidos, entende? — Jéssica era única, e me mostrou isso desde o começo. Eu era um homem de 28 anos, apaixonado e que poderia fazê-la feliz. Por que adiar uma coisa que, mais cedo ou mais tarde, teria mesmo que acontecer? — Você só pode estar brincando, Matheus. — Não mesmo. — Eu nunca brincaria com isso, ela é a mulher da minha vida, cara. — Leo me olhava como se não me reconhecesse. Para falar a verdade, nem eu estava me reconhecendo, mas era só nisso que eu conseguia pensar já há algum tempo. Nós não tínhamos nem um ano juntos ainda, mas isso não significava nada, pelo menos não quando se tratava dela. — Boa sorte, amigo!


CAPÍTULO 18

Jéssica — Vai contar a ele quando? — Katie perguntou enquanto tomávamos nosso café da manhã. Ontem à noite eu tive que pedir socorro a ela e corri para o seu apartamento, precisava desabafar com alguém e ter uma segunda opinião sobre tudo o que estava acontecendo. Toda vez que eu olhava para o Matheus, eu me sentia a pior pessoa do mundo, pois era como se eu estivesse prestes a cometer a maior besteira da minha vida, mas eu me conhecia, eu não sossegaria enquanto não fosse lá e descobrisse por mim mesma se era ou não aquilo que eu queria para mim. Eu estaria arriscando a coisa mais importante da minha vida, colocando à prova o amor que ele dizia sentir por mim, mas era necessário. Sonhos não desaparecem simplesmente porque a gente não sabe como lidar com eles. E ao contrário do que imaginei, Katie não ficou contra mim e, muito menos, contra a minha decisão. Ela prometeu estar ao meu lado em todos os momentos, independente do que acontecesse e eu era grata. — Acho que essa noite, ele acabou de me mandar uma mensagem perguntando se eu gostaria de jantar no August. — Com a saúde do seu pai estável, Matheus estava tranquilo novamente e isso me deixava aliviada, eu não aguentava vê-lo angustiado pelos cantos. Katie apenas me olhou, acho que no fundo ela estava tão apreensiva quanto eu. Era quase impossível prever qual seria a sua reação quando eu contasse... — Eu estou com medo, Katie — falei com o coração apertadinho, ela apenas sorriu e me abraçou. Eu estava sentindo um maldito friozinho na barriga, nervosismo era pouco. — Vai dar tudo certo, amiga. — E se não desse?

***

Matheus

Dormir sem a Jéssica me deixava inquieto, era estranho, vazio. Acordar sem ela, então, era pior ainda, não ter aquela travessa pulando na cama logo cedo, ou andando nua para lá e para cá me deixando fissurado logo de manhã era muito ruim. Depois que cheguei do pub ontem à noite, eu fui dormir pensando como faria o pedido, Leo demorou a entender os meus motivos, mas no final disse ter certeza de que eu tinha feito a melhor escolha. Vindo dele, isso era o máximo que teria. Se duvidasse, nem no meu casamento ele compareceria, eu não sei exatamente o que tinha acontecido entre ele e sua ex-esposa, mas sabia que tinha sido sério o


suficiente para ele não querer repetir nada daquilo novamente. Enviei uma mensagem para a Jess perguntando se ela gostaria de ir jantar comigo no August, eu sabia que ela precisava falar comigo e usei isso como desculpa. Como ela adorava esse restaurante e sempre que tínhamos algo que comemorar íamos nele, achei que fosse a melhor escolha. Enquanto terminava de me barbear, comecei a pensar que, se alguém tivesse me dito meses atrás que hoje eu estaria apaixonado por uma pirralha de 22 anos que iria transformar completamente a forma como eu lidava com relacionamentos, eu riria da cara dessa pessoa e diria impossível. Mas aqui estava eu, pensando em comprar uma aliança e lhe fazer uma surpresa. Logo que comecei a pensar sobre isso tive certo receio, achei que ela pudesse não estar preparada ainda, mas com o dia a dia eu vi o quanto ela foi se esforçando, indo para as consultas, pensando um pouco mais antes de agir e ficando mais responsável. Passei a confiar nela novamente e, principalmente, no que ela dizia sentir por mim... Então, por que não? Saí de casa, fiz uma visita rápida ao meu pai e passei o restante da manhã tentando resolver as pendências do estúdio. Depois que Jéssica saiu, eu não consegui mantê-lo funcionando como antes, confesso que tinha ficado mal acostumado a tê-la por perto trabalhando em tudo que eu não gostava ou não queria. — Posso entrar? — Sorri ao ver apenas o seu rosto pela porta. — Desde quando você pede? — falei e ela veio até mim, estranhei seu sorriso sem graça, mas esperei ela falar alguma coisa antes de perguntar. — Consegui escapar do Josh e vim te ver rapidinho. — Garota esperta. — Me levantei e a beijei carinhosamente. Jéssica me abraçou, e deixou sua cabeça em meu peito enquanto eu afagava seu cabelo. — Depois dessa noite, tão cedo você não vai voltar a dormir fora, meu amor. — Seu aperto ficou mais forte. — Eu amo você — ela disse. Segurei seu rosto e voltei a beijá-la, senti Jéssica se entregar aos poucos e gemendo baixinho, por isso eu era louco por essa garota. Ela cruzou os braços na minha nuca, me olhou intensamente e disse: — Você é meu, Matheus, só meu... — Eu não iria nem discordar, qualquer um sabia que eu era dela, de corpo e alma. Jéssica passou o horário do almoço comigo, e assim que recebeu uma mensagem do Josh correu para a revista. O que me fez lembrar que eu precisava urgentemente comprar um carro para ela ou comprar outro para mim. Ela tinha se apossado do meu jipe me fazendo ter que usar a Harley todos os dias, o que não era tão bom assim. Eu mantinha minha moto apenas para os momentos que queria sair sem rumo, mudar a rotina e viajar aqui por perto. Horas depois, caminhei até a joalheria que ficava próxima ao estúdio, a mesma onde eu tinha comprado aquela pulseira que teria dado a ela caso o otário do seu ex-namorado não tivesse aparecido aquele dia. Afastei a lembrança da minha mente e me concentrei no que faria hoje. Disse a vendedora o que eu procurava e ela me levou até o mostruário. Pelo que eu conhecia da Jéssica e dos seus gostos procurei pela peça que tivesse a sua personalidade e assim que bati os olhos em uma considerável pedra de rubi com pequenos diamantes brancos em volta sorri satisfeito. Poderia ser loucura, mas o rubi me lembrou o fogo que minha baixinha tinha, fora que ele definitivamente não era comum.


— É esse. — Ótima escolha senhor, sua noiva é uma mulher de sorte. — Ignorei o olhar que recebi, em outro momento a beleza dela me atrairia. Ruiva, olhos de cor caramelo, sexy... Mas eu era fascinado pela beleza pura da Jéssica, sem maquiagem, sem nada artificial. Ela podia dormir e acordar que permanecia a mesma, aqueles olhos azuis que brilhavam mais do que tudo, aquela boca vermelha gostosa... Fechei a venda e, na saída da joalheria, dei de cara com o chefe da Jéssica. Nós já tínhamos nos encontrado outras vezes, mas nunca fomos particularmente um com a cara do outro. A fama de ser um carrasco de ego inflado percorria todos os grupos no meu meio e me incomodava saber que ela queria se enfiar logo na toca do lobo. Não falei nada e nunca a desmotivei a seguir ao lado dele, se era isso que ela queria eu entenderia. Eu via o esforço que vinha fazendo, via a forma como ela chegava exausta em casa alguns dias e em como ele sugava quase todo o seu tempo. Isso me irritava profundamente, mas jurei que não interferiria. — Que coincidência Matheus, acabei de falar com sua... — Ele fez uma pausa proposital, Jéssica e eu não tínhamos feito questão de nos nomear... ainda. — Namorada. — Isso... — Ele direcionou o olhar para a embalagem que eu segurava. — E aposto que das duas uma, ou você a chateou ou está tentando impedir que ela viaje, não é mesmo?" — Não entendi, O’Ryan. — Homens como nós, só presenteiam uma mulher com dois objetivos: para conseguir alguma coisa, ou para pedir perdão por alguma merda que tenhamos feito, como é o meu caso agora. — Ele deu de ombros e eu continuei me sentindo perdido com essa maldita conversa. — Mas acredito que no seu caso, seja a primeira opção. Imagino até a sua cabeça ao saber que a sua garotinha vai passar seis meses ao meu lado, viajando pelo mundo... — O quê? Quem iria viajar por seis meses? Torci para que não fosse o que eu estava imaginando, eu seria capaz de torcer o pescoço da Jéssica se ela tomasse uma decisão como essa sem me consultar. — Que viagem? — perguntei nervoso. Eu não deveria estar tendo que fazer essa pergunta a ele, merda, isso era humilhação demais. Era comigo que ela dormia e eu não sabia dessa porra de viagem?! — Não acredito que ela não te contou, eu sinto muito que você tenha ficado sabendo assim Milles. Mas há alguns dias propus a Jéssica a oportunidade dela viajar ao meu lado cobrindo o fotógrafo principal da Travel. Achei realmente que você soubesse, até porque viajaremos dentro de alguns dias. — Ele fez cara de confuso, e eu não podia acreditar que essa garota estava me fazendo de idiota de novo. Que merda eu tinha na cabeça? Engoli toda a minha raiva e saí da joalheria puto da vida. Foda-se se ele agora iria me achar o babaca do ano. Voltei para o estúdio cuspindo fogo, a vontade que eu tinha era de ligar para ela e questioná-la sobre tudo. O quão idiota ela pensava que eu era? Eu a amava, porra! Como ela pôde tomar uma decisão dessas e não me contar? Como ela pôde aceitar viajar assim sem nem pensar duas vezes?

***


Jéssica

— Respira... respira... — repeti várias vezes enquanto dirigia até o restaurante, eu tinha ido em casa apenas para me arrumar. Achei que Matheus me buscaria para virmos juntos, mas ele me mandou uma mensagem no final da tarde pedindo que eu o encontrasse lá porque tinha acontecido um imprevisto. De tão nervosa que estava acabei passando mal a tarde inteira. Katie pediu, pelo amor de Deus, que eu parasse de me preocupar e fosse arrumar algum trabalho para fazer, mas até o Josh tinha me deixado em paz hoje. Ele parecia mais preocupado com a sua namorada do que em atazanar a minha vida. Estacionei o carro e segui até o restaurante, nem o tempo parecia ajudar a melhorar o meu estado e uma pequena garoa caía. Mesmo que eu estivesse usando um vestido de manga comprida e meia calça grossa ainda não era suficiente para amenizar o frio que eu estava sentindo. Coloquei meu casaco enquanto caminhava até o restaurante e assim que entrei fui levada até a mesa onde ele me esperava. Matheus estava de costas e conforme fui me aproximando da mesa, comecei a sentir minhas pernas bambeando. Merda de covardia, Jéssica! Rodeei a mesa e estranhei quando ele não se levantou para puxar a cadeira e muito menos me cumprimentou. Matheus se manteve olhando para o nada, e só quando me sentei em sua frente e que seu olhar encontrou o meu, na mesma hora vi que ele estava irritado. — Matheus... — engoli em seco já temendo o pior. — Quando você ia me contar? — Sua voz saiu dura e eu comecei a me sentir mal novamente, era só ficar nervosa que isso acontecia. Como ele tinha descoberto? — Eu tentei te contar antes, mas não consegui. Seu pai passou mal... — Você já tinha decidido, Jéssica. Porra! — ele falou alterado, várias pessoas à nossa volta começaram a prestar atenção e eu me encolhi. Não de medo, mas de ódio de mim mesma por não ter contado antes. Burra! — Será que em nenhum momento, você pensou em me ligar e perguntar antes de aceitar? — O Josh.. — O problema não foi o Josh, não foi o meu pai. O problema é você. Você é quem não tem maturidade, que continua agindo feito uma criança egoísta. Não jogue a culpa dos seus erros nos outros, já passou da hora de você arcar sozinha com as consequências do que faz. — Pare de gritar, Matheus, por favor — pedi envergonhada, eu queria conversar, mas não na frente de todas essas pessoas nos observando. — Você não pensou em mim, Jéssica, só pensou em você — ele falou angustiado, como se aquilo o tivesse ferido realmente. Eu nunca tinha visto tanta raiva em seus olhos antes e isso me preocupou. — Isso não é verdade — tentei me explicar, mas ele não parecia disposto a me ouvir e me interrompeu. — Seis meses fora... e você ia me contar quando? No dia que tivesse que pegar o avião?


— Não... eu ia te contar essa noite. — Tarde demais. — Me deixe explicar, Matheus — supliquei. — Pegue as suas explicações, as suas desculpas e mentiras... Pegue toda essa merda e saia da minha vida, Jéssica. Não tenho paciência para lidar com mais nada, não tenho vontade. Acabou. Não existe a menor possibilidade de eu amar alguém como você. — Balancei a cabeça, não querendo acreditar no que estava ouvindo. Ele não podia estar terminando tudo comigo assim, eu o amava! Chocada, eu pensei em várias coisas que queria falar, implorar a ele... — Por favor, Matheus. — Tentei pegar em uma de suas mãos, mas ele a afastou e tirou do bolso uma pequena caixa que jogou de forma grosseira na mesa. — Faça o que quiser com essa porcaria, mas não me faça olhar para isso novamente. — Ele se levantou e foi em direção à saída sem olhar para trás. Eu ainda estava atordoada pelo que tinha acabado de acontecer, nunca senti tanta dor na minha vida. Nem nos piores momentos do passado, Matheus era tudo pra mim. Abri a pequena caixinha e meu coração não aguentou, eu desabei ali na frente de todas aquelas pessoas. Devo ter chorado feito uma criança, eu não podia acreditar que ele iria me pedir em casamento. Perdi a conta dos minutos que passei sentada, sozinha naquele restaurante. Olhei a minha volta e peguei um ou outro cliente me observando, isso não era para ser assim, pensei, e chorei ainda mais. — Senhorita, o senhor que a acompanhava pediu que te servisse e qualquer coisa que pedir vai diretamente para a conta dele. — Olhei estupefata para o garçom. Ele realmente achava que eu iria pedir alguma coisa depois de ficar ali chorando todo esse tempo? Levantei-me sem dizer nada, guardei o anel no bolso do meu casaco e saí. Fui surpreendida pela chuva que caía do lado de fora e instantaneamente fiquei encharcada. Deixei que a água me molhasse, que se misturasse com as minhas lágrimas e dor. Eu só desejava voltar no tempo e fazer tudo certo dessa vez e não ver o olhar de decepção do Matheus. Quando cheguei em casa, só tive forças para tirar a roupa molhada e me enfiar embaixo das cobertas, a moto dele não estava na garagem e a tempestade tinha aumentado. Só que dessa vez, a tempestade estava longe de ser apenas lá fora. Ela estava dentro de mim, me atormentando e machucando, peguei o celular e tentei ligar para ele, nas duas primeiras vezes chamou até cair, nas outras tentativas ia diretamente para a caixa postal. — Você ligou para Matheus Milles, após o sinal... — Math, por favor... volta para casa, vamos conversar. Me perdoa, meu amor. — Não consegui impedir os soluços de choro. — Eu desisto de tudo por você.


CAPÍTULO 19

Jéssica Desde ontem eu não conseguia fazer outra coisa se não chorar, eu já não aguentava as lágrimas que insistiam em cair e muito menos suportar o arrependimento que eu estava sentindo. A vontade que eu tinha era de gritar, gritar até fazer todos esses sentimentos ruins desaparecerem de dentro de mim. Fui dormir em uma tentativa inútil de esquecer o que tinha acontecido, mas toda vez que fechava os olhos, o rosto do Matheus me vinha à mente, a decepção em seu olhar, suas palavras duras... o anel. O segurei em minha mão e me recriminei, mais uma vez, por ser tão estúpida. Eu tinha magoado a pessoa mais importante da minha vida, o homem que eu sabia que amava e que amaria para sempre. E agora eu não tinha a menor ideia do que fazer para consertar nada disso, ele não me atendia, não respondia as minhas mensagens e conforme os minutos iam passando a hora de eu ter que me levantar e ir trabalhar chegavam. Como eu conseguiria suportar um dia inteiro me sentindo quebrada, eu não sabia, mas eu tentaria. Por mais que estivesse errada eu jurei anos atrás que nunca voltaria ao estado em que fiquei quando Aaron me deixou. Eu já caí uma vez no fundo do poço e conhecia muito bem os sintomas, por isso me forcei a sair da cama, tomei um banho, dei comida ao Oz, respirei fundo umas trocentas vezes tentando controlar o choro e fui trabalhar. No meio do expediente eu daria um jeito de ir até o estúdio conversar com o Matheus, ele tinha que me ouvir. Eu sabia que nosso amor era verdadeiro e que não iria morrer assim de uma hora para outra, era impossível. Eu queria essa viagem e todas as oportunidades que ela me traria, mas agora eu sabia que queria ainda mais era estar ao lado dele Se ele me pedisse para desistir eu desistiria, eu faria tudo para que ele me perdoasse. Matheus só precisava escutar o que eu tinha para dizer. Cheguei a Travel e a recepcionista me avisou que Josh me esperava, todas as manhãs eram assim. Ele me enchia de trabalhos e advertências já nas primeiras horas do dia, fui direto a sua sala e rezei para que meu rosto não denunciasse a noite mal dormida e o choro. — Vejo que foi pontual hoje. — ele falou sem nem ao menos me dirigir a atenção. Com o iPad em mãos me sentei na sua frente e esperei que ele começasse a dizer o que eu teria que fazer hoje, não consegui encará-lo abertamente e olhei para o chão enquanto esperava. — Gostou da joia que Matheus comprou para você? — Imediatamente meu olhar encontrou o dele e não pude acreditar que não tinha cogitado essa possibilidade antes. As únicas pessoas que sabiam dessa viagem eram ele e a Katie, e eu duvidava muito que algum outro funcionário dessa revista tivesse a coragem de fazer uma maldade dessas comigo.


— Foi você que contou a ele, não foi? — perguntei já sentindo um aperto no peito. — Não me olhe assim, porque era a sua obrigação ter contado. Como eu ia imaginar que você estava escondendo isso dele? — Me lembrei das palavras do Matheus dizendo que eu sempre jogava a culpa em alguém e me calei. — Espero que tudo tenha ficado bem, porque ele parecia bem contente ontem, odiaria saber que atrapalhei os seus planos. — Por que tudo que saía da boca dele parecia veneno sendo destilado? — Você não estragou nada — falei seca, não daria esse gostinho a ele de saber que eu estava sofrendo. — Que ótimo, odiaria ver você triste pelos cantos quando se tem tanto trabalho a fazer. Tire essa cara de choro do rosto agora e leve esses papéis até a sala de reuniões. Nós vamos ficar por lá hoje e se prepare porque temos muita coisa para resolver antes da viagem. Fiquei o dia inteiro ao lado do Josh que estava fechando as matérias para as próximas edições da revista, aprovando os ensaios e passando para os fotógrafos o cronograma que ele queria que fosse seguido na sua ausência. Não consegui comer nada e a única mensagem que recebi o dia inteiro tinha sido da Katie que não consegui responder, caso contrário voltaria a chorar. — Prestou atenção, Jéssica? — Josh me tirou dos meus pensamentos. Neguei com a cabeça, porque eu não fazia a menor idéia do que ele tinha me perguntado agora. — Eu falei que nossa viagem vai ser antecipada, dentro de três dias partiremos e quero que prepare tudo o quanto antes. — Eu estava começando a achar que esse cara era louco, ele não podia estar falando serio! Eu nunca conseguiria convencer Matheus a me perdoar em três dias. — Ótimo! — falei com o mesmo sarcasmo que ele usava comigo e saí da sala inconformada. Quando Josh me dispensou horas depois corri até o estúdio com a esperança de que fosse encontrar Matheus terminando o expediente. Fiquei sem graça quando Michelle pediu que eu esperasse e logo depois disse que ele não poderia me atender. Sei que deveria tê-la escutado, mas não consegui. Eu estava tão desesperada que tinha que falar com ele, não sossegaria enquanto não fizesse isso, passei por ela e fui até a sua sala. Encontrei Matheus terminando uma ligação e tranquei a porta atrás de mim. No mesmo instante, ele se levantou irritado e se apressou em desligar o telefone. — Sai Jéssica. — Doeu vê-lo, e doeu ainda mais saber que eu não podia correr para os seus braços e acalmar o meu coração. — Não até você me escutar. — Matheus veio até onde eu estava parada e pegou o meu braço me levando até a porta. Tentei soltar, mas não consegui. Eu tinha que pensar em alguma coisa para que ele não me colocasse para fora. — Eu... — ele começou a falar, mas fui mais rápida e cruzei meus braços em volta do seu pescoço e agarrei forte ficando na ponta dos pés, eu não o soltaria até ele me ouvir. Se era uma atitude infantil? Totalmente, mas era melhor do que não tentar. — Me solte, Jéssica. — Matheus tentou tirar meus braços, mas forcei ainda mais. — Me escuta... — pedi e tentei ignorar suas tentativas. — Eu desisto dessa viagem, eu desisto de tudo, só me não me deixe. Eu amo você Math, não quero te perder... — supliquei.


Matheus conseguiu me afastar sem me machucar, mas em vez de me soltar ele me imprensou delicadamente contra a porta e colocou as duas mãos em volta do meu rosto me fazendo olhar para ele. Sua expressão definitivamente não era de alguém que parecia feliz, Math parecia confuso. — Eu amo você... — ele disse sem desviar seu olhar do meu. — E eu sei que não vou conseguir sentir nada assim de novo por nenhuma outra mulher. Você foi a melhor coisa que já me aconteceu, baixinha, mas eu tenho pagado um preço muito alto para ter você ao meu lado e não pretendo continuar fazendo papel de idiota enquanto você faz hora com a minha cara. — Não era isso que eu esperava ouvir, eu só queria que ele dissesse que me perdoava, que me deixava ficar em sua casa... na sua vida. Sua mão afagou meu cabelo e eu fechei os olhos para sentir seu toque enquanto sentia uma lágrima rolar pelo meu rosto. — Eu quero que você viaje, quero que aproveite essa oportunidade e se descubra. Não vou deixar que desista de nada por mim, eu nunca pediria algo assim a você, a única coisa que eu pedi em todos os momentos foi sinceridade e você me mostrou que não pode me dar. — Me recusei a ouvir, balancei a cabeça negativamente enquanto ele dizia cada palavra. Tentei me soltar, mas foi inútil, Matheus não deixou e senti como se a qualquer momento meu coração pudesse se estraçalhar em milhões de pedacinhos, assim como um vidro quando cai no chão. — O meu amor por você é sincero... — murmurei, mas ele ignorou. — Eu sei o quanto você pode ser teimosa, mas dessa vez eu quero que entenda porque eu só vou falar uma vez. Acabou Jéssica, eu desisto porque quero que você seja feliz. — Não faz isso com a gente... — pedi com lágrimas nos olhos. — Só mais essa chance, eu preciso só dessa, Math. — O que mais me magoava era saber que ele estava sofrendo tanto quanto eu e que mesmo assim não daria o braço a torcer. — Quantas chances mais você vai pedir até que o meu amor acabe? Até que nossa relação se desgaste? Não vou deixar chegar a esse ponto — ele sussurrou baixinho, seu nariz roçou o meu rosto e cabelo e ele inspirou forte tentando se controlar. Olhei em seus olhos buscando um conforto, o seu amor, qualquer sinal de que as coisas voltariam a ficar bem entre a gente. Sem esperar, seus lábios tocaram os meus por questão de segundos e suspirei angustiada quando o beijo não aconteceu. — Não dá. — Ele se afastou e me apoiei na porta sem acreditar. — Me deixe sozinho, Jéssica, eu realmente tenho muita coisa para resolver. — Você vai para casa? — perguntei com a voz trêmula. — Não, eu tenho que passar lá para pegar algumas coisas, mas ainda não sei quando. Por enquanto eu pretendo ficar em um hotel até que você viaje. — Odiava que ele estivesse sendo legal comigo, mas não esperaria menos dele. Se ele soubesse que isso ia acontecer antes do que imaginava... Olhei uma última vez para ele antes de sair da sua sala. Pensar em tudo o que eu estava perdendo quase me matava de tanta culpa. Eu tinha passado o dia com a esperança de que fosse conseguir convencê-lo a me perdoar e agora saía daqui pior do que quando tinha chegado. Não consegui ir para casa, tudo ali me lembrava os momentos que passamos juntos, os beijos, os lugares em que fizemos amor... Como eu conseguiria esquecer tudo isso? — Você é uma idiota, Jéssica! — gritei em prantos enquanto dirigia sem rumo. Cansada e querendo colo, fui até o apartamento da Katie. Eu não tinha explicado a ela nada do que tinha acontecido e suas mensagens não paravam de chegar. Quando me viu, ela me abraçou forte e, como


de costume, preparou um chá, que dessa vez eu recusei. Passei o dia inteiro sem conseguir engolir ou beber qualquer coisa, e não começaria com essas bebidas loucas que ela gostava de me fazer tomar. — Foi ruim, não foi? — Foi horrível, ele não me quer mais. Acabou... desistiu de tudo, desistiu de mim... — falei limpando a porcaria das lágrimas. Será que isso não secava nunca? Eu já não tinha mais de onde tirar tantas assim. Katie me aninhou em seu colo e me deixou chorar. E eu que tinha pensado que já tinha passado pela pior parte. — Não quero perdê-lo, Katie, eu não quero! — Amiga, aquele homem te ama. Você não vai perder, só dê um tempo a ele. — Mas ele quer que eu viaje... — E é isso que você vai fazer. Você ainda é tão menina, Jéssica, tem tanta coisa para conhecer e aprender. — Menina, criança egoísta... era assim que todo mundo me via? — Eu adoro o Matheus, e acho lindo o que vocês sentem um pelo outro, mas, às vezes, eu penso que você não está preparada para uma relação como a que ele deseja. — Ele ia me pedir em casamento. — Isso em tudo era o que mais me machucava. Dessa vez Katie ficou sem palavras e eu me dei conta, mais uma vez, da burrada que tinha feito. Pensar que nesse exato momento eu poderia estar noiva dele acabava comigo. — Pode não parecer agora, mas eu garanto que tudo vai ficar bem — ela falou enquanto afagava o meu cabelo carinhosamente. Eu não tinha mais nada para dizer, só queria conseguir esquecer as últimas 24 horas.

***

Matheus

Depois que Jéssica saiu do estúdio essa tarde eu não aguentei, tive que dar um tempo. Eu tinha passado o dia inteiro trabalhando, procurando alguma coisa com o que me ocupar para não pensar nela. Não iria cair em seu jogo novamente, já tinha perdoado antes, não só uma, mas duas vezes. E o que mudou? Nada, Jéssica mais uma vez mentiu, me enganou e como bônus me fez passar por idiota na frente do seu próprio chefe. Eu iria sofrer como o inferno, mas não a perdoaria. Claro que não podia deixar de pensar se não estava exagerando ou me precipitando. Arrancá-la da minha vida de uma hora para outra assim não seria fácil, não quando ela estava impregnada em mim, no meu corpo, na minha cama e na minha vida. Era por isso que a queria longe, quanto mais insistisse, mas tentado a ceder eu ficaria. Eu me conhecia e a conhecia da mesma forma, não suportava vê-la sofrendo e me tornava um fraco quando ela vinha com as suas manhas e provocações. Nada disso precisaria estar acontecendo se ela tivesse conversado comigo, me contado sobre a proposta e, pelo menos, me perguntado o que eu pensava a respeito. Eu nunca teria lhe negado essa oportunidade. Eu a teria apoiado de todas as formas possíveis e faria o possível e o impossível para


estar sempre ao seu lado. Eu só precisava que ela tivesse confiado em mim, era pedir muito? Por causa dela, eu estava engolindo o meu orgulho com muito custo, Jéssica não fazia a menor ideia do quanto doeu ter feito planos e, mais uma vez, vê-los jogados no lixo por causa do seu egoísmo e imaturidade. Por isso, por mais que a amasse, decidi deixá-la livre. Ela que fosse atrás dos seus sonhos, que aprendesse a curar suas próprias feridas e crescesse de uma vez por todas.

***

Tinha dois dias que eu não tinha nenhuma notícia da Jéssica, dois dias que passei me obrigando a tirá-la da cabeça e ignorando esse sentimento de que eu deveria ir atrás dela. Caminhei de um lado para o outro preso na minha sala, meu humor hoje não era dos melhores. Minha cabeça parecia que iria explodir e faltava pouco para que eu jogasse tudo para o alto e desaparecesse dessa cidade. — Matheus. — Michelle chamou. — Acabaram de deixar isso na recepção — ela falou e me entregou um pequeno envelope. Esperei até que estivesse fora da minha sala e o abri, eu reconhecia a letra, reconhecia o perfume e imediatamente senti todo o controle que vinha tentando manter, desmoronar. Não vou negar que pensei duas vezes antes de ler o que tinha escrito, porque eu sabia que, independente do que fosse, me deixaria angustiado.

Não desistirei de nós Deus sabe que sou forte, ele sabe Temos muito a aprender Deus sabe que somos dignos Não desistirei de nós Mesmo que os céus fiquem violentos Estou lhe dando todo meu amor

Eu acreditei em você, Math...

Essa era a sua despedida? Reli o bilhete pelo menos um milhão de vezes, essa era a música que eu tinha sussurrado em seu ouvido após uma briga. A primeira coisa que me veio à cabeça foi ir atrás dela, não tinha pensado no que diria e nem no que faria, eu só precisava vê-la. Peguei as chaves da minha moto e saí, tinha dias que eu não voltava para casa e estava torcendo para que ela estivesse por lá. Cheguei e Ozzy me seguiu por todos os cômodos provavelmente procurando a mesma pessoa que eu estava, olhei um por um atrás de qualquer sinal de que ela ainda pudesse estar aqui.


Fiquei desesperado quando percebi que não tinha nada, suas fotos tinham desaparecido, suas bagunças, os livros que lia já não estavam mais na minha sala... Subi e só encontrei mais vazio. Sem roupas, sem suas coisas no meu banheiro e sem seus sapatos espalhados pelo chão do closet. Até o seu cheiro tinha desaparecido desse maldito quarto, me sentei na cama automaticamente, sem entender a confusão que se passava dentro de mim. Eu sabia que a tinha expulsado da minha vida, só que nunca imaginei que me sentiria tão sem chão quando ela partisse. — Porra, baixinha!

***

Jéssica

Era isso, eu estava prestes a embarcar no avião e deixar tudo para trás. E, ao contrário do que imaginei, eu não estava nem um pouco feliz. Até o último minuto mantive uma esperança boba de que talvez Matheus fosse me pedir para ficar. Me recusei a ir atrás dele novamente, não por orgulho, mas por que ele tinha me pedido isso com todas as letras. Não sei como eu aguentaria passar tanto tempo longe dele depois de tudo que vivemos, mas eu tentaria tirar proveito de cada minuto para que, pelo menos, o sofrimento rendesse algum fruto. Katie tentou fazer com que eu entendesse que no fundo sua atitude tinha sido altruísta, que desistindo de mim ele estava me fazendo ir atrás do meu sonho. Queria entender e acreditar que tivesse sido realmente assim, mas suas palavras foram duras demais para que fossem apenas para o meu bem. Olhei Josh sentado ao meu lado esperando o voo enquanto trabalhava em seu iPad, ele passou a manhã inteira me tratando como se eu fosse um brinquedinho. Disse que tinha que terminar de acertar os últimos detalhes da edição da Travel desse mês e que era para que eu ficasse quietinha e sentada ao seu lado. Bufei brava, porque toda a equipe que viajaria com a gente estava reunida na sala de espera, menos nós dois. Além disso, sua ironia me irritou... E eu realmente comecei a pedir com todas as minhas forças que nossa convivência melhorasse com o tempo, porque nesse exato momento eu o odiava. Alguns minutos depois escutei o chamado de embarque e senti um friozinho na barriga, Josh apenas me olhou e se levantou impaciente na minha frente. Fiquei ali parada pensando que, se eu quisesse jogar tudo para o alto, essa era a minha chance. Busquei entre as pessoas alguém que me fizesse ficar, assim como nos filmes. Eu só queria ser salva e ter o meu final feliz. — Isso definitivamente não vai acontecer, Jéssica — Josh falou enquanto via o meu olhar perdido na multidão.


Eu sabia que nĂŁo iria...


CAPÍTULO 20

Matheus Não sei onde eu estava com a cabeça quando aceitei o convite do Leonardo de vir até a Zinco essa noite. Minha semana estava muito tumultuada e, mesmo que estivesse precisando de uma folga, o último lugar que eu gostaria de estar era um que me lembrasse da Jéssica. Entendia a intenção dele em querer me arrastar para cá, mas não concordava. Ele vinha se esforçando nas últimas semanas em tentar fazer com que eu a tirasse da minha cabeça, que saísse com outras mulheres e que parasse de ficar me remoendo pela forma como tudo acabou. Porque era isso que eu vinha fazendo, não tinha um dia que eu não pensava que tudo poderia ter sido diferente. Eu poderia ter sido menos cabeça-dura, poderia ter tentado lhe escutar, mas fiquei tão puto quando descobri que não consegui raciocinar direito, a única coisa que conseguia pensar naquele momento era em como seu comportamento, a forma como ela enfrentava os problemas me deixava decepcionado e me afetavam, ela querendo ou não. Eu estava colocando tudo em suas mãos e não estava recebendo nem metade do que dava de volta. Tentei me convencer de que tinha feito o melhor para ela ao afastá-la, só não imaginei que as noites sem a Jéssica ao meu lado seriam tão difíceis, minha cama parecia vazia, desconfortável e por diversas vezes eu acordava no meio da noite desejando encontrá-la aconchegada em meus braços, que era onde eu queria que fosse sempre o seu lugar. Leo e Caroline eram os únicos que sabiam o quanto eu estava fodido, não dormia bem, andava irritado, de mau humor e parei de fazer praticamente tudo que me fizesse lembrar dela. Leo era contra o fato de eu ter deixado Carol se reaproximar, mas tinha dias que eu simplesmente só precisava de uma companhia para sair, fazer qualquer coisa que me ajudasse a diminuir a solidão e a inquietação que sentia. Não vou mentir e dizer que não cogitei a ideia de levá-la para cama, Carol sempre deixava claro que só dependia de mim. Só que meu corpo não sentia nada ao vê-la, não existia tesão ou desejo. E quando a saudade incomodava demais e eu me sentia atormentado com a sua ausência, a primeira coisa que pensava em fazer era pegar todas as minhas coisas e recomeçar em qualquer outro lugar do mundo. Fugir das lembranças e desse maldito amor que estava acabando comigo aos poucos. No final das contas aprendi uma lição muito importante com a Jéssica e que levaria para o resto da vida: nenhum amor é o bastante para manter uma relação em que apenas um se dedica e se preocupa, para que dê certo é preciso que os dois estejam envolvidos e dispostos a se sacrificar da mesma maneira, coisa que percebi que Jess ainda não estava. — Já são três meses, Matheus, até quando eu vou ter que fingir que não estou vendo a merda que está acontecendo com você? — Leo falou finalmente.


— Cara, eu não estou com a menor paciência para esse assunto essa noite — disse e tomei um gole da cerveja, tudo que eu não precisava hoje era pensar nela, voltar para casa e encontrar a nossa cama vazia. — Katie conversou comigo, ela... — Parecia que ninguém entendia que eu não gostava de tocar no nome dela, que quanto menos eu me lembrasse mais fácil seria de esquecê-la. — Porra, Leo, já falei que nada do que a Katie saiba a respeito da Jéssica me interessa — disse irritado, sabia que as duas mantinham contato quase que diariamente, mas nunca em nenhum momento perguntei qualquer coisa. Lembrei-me do dia em que recebi aquele bilhete e fui atrás dela em minha casa e para a minha decepção, não só descobri que sua viagem tinha sido antecipada, como também descobri que ela não teve nem a capacidade de se despedir do meu pai corretamente. Louis me disse ter recebido apenas uma carta que não fez a menor questão de me mostrar. Tentei explicar um pouco sobre os motivos do nosso fim, mas meu pai não pareceu interessado em me escutar também. Eu tinha noção do quanto eles se gostavam, por isso cada vez que pensava nisso entendia menos o seu comportamento. — Foda-se, só acho que já passou da hora de você tomar uma atitude. Que merda é essa de deixar a mulher que você ama livre? Se fosse a Katie que estivesse longe, não importa onde, eu a arrastaria de volta, ela querendo ou não. — Não tinha a menor dúvida de que ele faria algo assim, mas eu tinha muito a perder se fizesse. — Eu fiz o melhor para ela. — Você realmente acredita nisso? A garota está sofrendo tanto quanto você, eu ouço Katie conversando com ela. Matheus, acorda, ela só está lá porque você a expulsou da sua vida. Apenas por isso. Me recusei a ouvir, não era essa a decisão que ela mesmo tinha tomado antes mesmo que eu descobrisse? Então, de repente, ela já não quer mais estar lá? Mudei de assunto com a tentativa de amenizar a tensão que tinha se instalado e evitei a todo custo pensar no fato de que também estaria sendo difícil para ela, Jéssica podia até discordar, mas não passava de uma menina frágil e amedrontada. Toda essa pose de garota independente e bem-resolvida era apenas fachada.

***

Jéssica

Holanda - Amsterdã.

Essa semana tinha sido horrível, a pior de todas até agora. Foram os três piores meses da minha vida e Josh vinha como uma pequena cereja bem amarga no topo do bolo. Tinha dias que eu simplesmente não aguentava sua grosseria e mau humor, a vontade que me dava era de mandá-lo à merda com todas as letras possíveis.


Meu único alívio, se é que isso podia ser chamado de alívio, era que ele parecia agir assim com todos os seus funcionários. Só que agora, depois de todas essas semanas, eu simplesmente me sentia esgotada. Foram quatro países diferentes, várias cidades e cobranças em cima de mim quase que diariamente, principalmente quando ele percebia que eu estava tendo um dia complicado por causa de todo o sofrimento pelo qual eu estava passando. As primeiras noites quase me fizeram desistir, eu chorava quase todas as vezes que me via sozinha no quarto de hotel. Meu trabalho demorou a render e Josh vinha como uma fera para cima de mim, o problema todo era que ninguém tinha coragem de dizer o quão carrasco ele era. Todos meio que já tinham aprendido a lidar com suas crises e usavam isso a seu favor, mas eu ainda não tinha conseguido amansálo e sabia que hoje seria uma merda. — Todas horríveis, Jéssica, onde você anda com essa sua cabeça? — Eu ia dizer já, já, onde a minha cabeça andava... Olhei irritada para ele, que parecia realmente nervoso. Nesse momento a jornalista e o seu assistente, que estavam na equipe, saíram da sala me deixando sozinha com ele. Josh vinha improvisando nosso ambiente de trabalho nos quartos de hotéis, já que os que ele ficava hospedado eram os presidenciais, enormes e na maioria das vezes com sala e escritórios próprios. — Você foi o único que não gostou. — Cruzei os braços na minha frente. — Quer que eu diga por que não gostei? Falta criatividade, emoção, eu vejo essas imagens e não sinto a menor vontade de conhecer esse local. O que eu vejo aqui, eu encontro em qualquer revistinha ou jornal inferior à Travel. — Ele jogou as fotos em cima da mesa. — E que eu me lembre, não te contratei para fazer mais do mesmo, se fosse assim eu mesmo ia naquele maldito lago e tirava as fotos. — Às vezes, eu acho que você pensa que eu não sou humana, sabe, que eu não tenho sentimentos — falei inconformada. Como ele podia me tratar assim? — Seria melhor se não os tivesse, seu trabalho não seria prejudicado se fosse assim. — Engoli em seco e não consegui me controlar. — O seu problema, afinal, é comigo ou com o Matheus? Eu não consigo entender porque você me trata dessa maneira. — Desabafei. — Com você. Para ser respeitada, não só nesse meio, mas em todos os outros, você deveria ter pensado mil vezes antes de se deitar com o seu próprio chefe. — Essa conversa de novo? Eu odiava quando ele jogava isso na minha cara, ele fazia parecer sujo, impróprio quando, na verdade, foi o sentimento mais forte e verdadeiro que já tive. — Você me cobra demais, me pressiona, me trata mal. Juro que estou tentando, mas está ficando difícil. — Ele balançou a cabeça impaciente. — Não sei e nem pretendo trabalhar de outra forma. Todos ao meu redor devem dar o seu melhor, principalmente você. Quero que as pessoas olhem para você e não vejam apenas um rosto bonitinho, Jéssica. Quero que eles valorizem o seu trabalho. Não tenho ninguém na minha equipe que não atinja todas as minhas expectativas e exigências, só tenho os melhores trabalhando na minha revista, por isso te dei essa oportunidade. Acredito que tudo seja uma questão de tempo, você só precisa ser lapidada. — Mas a que custo, Josh? — disse insatisfeita, eu odiava bater de frente com ele. O restante da equipe se mantinha neutra quando via e, por incrível que pareça, cheguei até a ouvir de alguns que eu era


a preferida dele, tive que rir nesse dia, porque definitivamente isso não podia ser verdade. Fui dispensada logo depois da minha crise de raiva que, no final das contas, me rendeu um dia inteiro de trabalho de campo ao seu lado amanhã. Ele iria monitorar e descobrir a merda que eu andava fazendo de errado. Saí de lá irritada e com a dor em meu estômago atacada novamente. Isso estava ficando cada vez mais frequente, e eu estava começando a me preocupar. Tudo bem que eu andava comendo pouco, dormindo mal e passando o dia todo à base de café e energético. Minha rotina era maluca e minha vida toda estava uma bagunça... Algumas horas depois, eu me via deitada em minha cama encarando o teto atordoada. Não estava com fome, não queria sair e a única vontade que tinha era de pegar o telefone, ligar para o Math e pedir que ele me deixasse voltar para casa. Queria dizer o quanto eu sentia sua falta e estava arrependida, mas sempre que pensava em fazer isso eu desistia no ultimo minuto sem coragem e com medo de que ele fosse me tratar mal novamente. Puxei a fina corrente que mantinha sempre comigo e olhei pela milésima vez o anel que eu guardava pendurado nela. Eu gostava de tê-lo comigo porque eu sabia que quando Matheus o escolheu tinha sido com amor, pensando em mim. Claro que nem sempre era fácil, mas em dias como o de hoje isso me fazia ter esperanças de que em algum momento tudo voltaria a ser como antes. — Eu sinto tanto a sua falta... — murmurei sozinha enquanto apertava com força o anel e me deitava na cama. Essa seria mais uma noite solitária em que eu passaria trancada nesse quarto. Isso vinha me matando aos poucos, e cada hora que passava eu me sentia mais presa e sufocada, tudo que eu desejava nesses momentos eram os braços do Matheus me envolvendo com força e suas promessas sussurradas me dizendo que tudo ficaria bem. Fechei os olhos para impedir que o inevitável acontecesse, não queria chorar essa noite. Eu só queria voltar para casa e ficar ao lado do que homem que eu amava.

Um mês depois...

Canadá - Ottawa

Saí do táxi apressada, hoje tinha sido meu dia de folga e para aproveitar passei ele inteirinho longe do Josh, saí para almoçar e conhecer um pouco mais a cidade sozinha. Comprei alguns souvenires, tirei fotos para o meu portfólio e visitei alguns museus. Não que eu fosse fã de museus, fui apenas para não ficar enfurnada naquele hotel. Passei os últimos quatro meses tentando ser forte e aprendendo a me virar sozinha. E, pela primeira vez na vida, eu me sentia completamente livre. Nesses momentos eu engolia o choro e escondia a saudade que sentia de casa e seguia em frente. O incrível era que sempre que pensava em casa, eu pensava nos braços do Matheus. Esse era o lugar para o qual eu gostaria de voltar, mas não podia. Acho que se não fosse pelo fato de estarmos separados, na primeira oportunidade que tivesse eu teria voltado correndo para ele, que com certeza me acolheria e cuidaria de mim.


Só que sem Matheus, eu estava sendo obrigada a aguentar mesmo morrendo de ódio de tudo que o Josh jogava em cima de mim. Eu sabia que ele admirava o meu trabalho, caso contrário já teria me mandado embora há muito tempo, principalmente depois que perdi o controle e o mandei à merda finalmente. Para a minha surpresa, ele não brigou comigo, apenas riu e disse preferir minhas explosões ao meu silêncio. Enquanto entrava pelo saguão, escutei meu celular tocando e vi que era a Katie, nós duas nos falávamos quase todos os dias, mas nunca a essa hora e nunca sobre o Matheus. Ele parecia ter se tornado um assunto proibido entre a gente e ela me pediu que enquanto eu estivesse aqui tentasse viver a minha vida e não me preocupar com o que acontecia por lá. Era fácil para ela me pedir isso, Katie não fazia a menor ideia de como estava sendo difícil, do quanto eu estava sofrendo. Decidi não contar para não preocupá-la, mas não tinha um dia que eu conseguia ir dormir em paz. Atendi sua ligação e ela perguntou se eu já sabia se conseguiria estar em seu aniversário. Queria tanto dizer que sim, mas Josh já tinha deixado claro que não me liberaria. O foda era que eu sabia que era por maldade, Canadá fazia fronteira com os Estados Unidos e em questão de um ou dois dias eu faria tudo, o voo nem era tão longo assim. — Acho que não Katie, Josh está insuportável esses últimos dias. — Desde que nos conhecemos essa seria a primeira vez que passaríamos separadas. Tentei convencê-lo, conversar com ele, mas parecia que algum problema sério tinha acontecido em Nova Iorque e ele não quis nem me escutar. Terminei a ligação e corri para encontrá-lo, Josh tinha me mandado uma mensagem mais cedo dizendo que precisava conversar comigo e que assim que chegasse era para ir até ele. Não fazia a menor ideia do que poderia ser, mas rezei para que não tivesse nada a ver com o meu trabalho. Fiquei sem graça quando atendeu a porta apenas de roupão e me mandou entrar, o esperei na sala do seu quarto enquanto ele se trocava. Sabia que gostava de me ver perturbada e estava se divertindo às minhas custas, fui até a sua mesa, como de costume, para folhear as revistas que ele recebia mensalmente da editora. Senti todo o meu corpo gelar quando vi a capa de uma dessas revistas sensacionalistas. Matheus e Caroline estavam saindo de um evento e ele era apontado como o seu novo affair. Abri na página e vi várias imagens dos dois juntos, ainda tinha um comentário ridículo daquela anoréxica declarando que os dois eram apenas bons amigos, que tinham uma relação especial e nada mais, no final ela pediu que os jornalistas respeitassem sua privacidade e não se intrometessem em seus romances. Eu já estava desconfiada da ligação da Katie fora de hora, e agora eu tinha certeza de que só estava sondando o que eu sabia ou não. Senti que ela estava preocupada, mas pensei que fosse por causa do seu aniversário que aconteceria dentro de alguns dias. Chateada, não percebi a aproximação do Josh. — Essa garota é esperta, dificilmente não consegue o que quer. — Desviei a atenção da revista e olhei para ele. Na mesma hora pensei na possibilidade de ele ter deixado essa merda aqui de propósito, foi a primeira revista que vi e era a que estava no topo da mesa. Josh era capaz de fazer algo assim com a justificativa de sempre, para que eu apenas “acordasse para a vida”. — Você fez isso de propósito, não foi? — perguntei desesperada, já não bastava descobrir isso dessa forma, mas saber que meu chefe fazia de tudo para infernizar a minha vida era desgastante.


— Nada do que faço é sem querer, Jéssica, mas não é sobre isso que quero conversar com você. — Por que você gosta tanto de me ver sofrendo? Sente prazer com isso? — o desafiei. — Já falei que só quero que dê o seu melhor. — Eu já dei tudo o que tinha, Josh, perdi tudo por causa dessa maldita viagem, então eu não tenho mais de onde tirar o que você tanto quer — falei e me levantei da sua mesa me esforçando para não desabar bem aqui na sua frente. E antes que eu saísse ele soltou a última coisa que eu esperava ouvir. — Nós vamos voltar, o fotógrafo inicial vai continuar daqui. Era isso que eu queria te contar desde cedo. — Engoli em seco. Voltar agora? — Pode ficar feliz, porque a maldita viagem acabou. — Josh se sentou em frente à mesa e pediu que eu o deixasse sozinho. Saí do seu quarto confusa, eu queria voltar, mas não sabendo que Matheus poderia estar saindo com a Caroline. Isso seria uma tortura e eu não aguentaria vê-los juntos de nenhuma maneira.

***

Matheus

Não podia acreditar que Caroline tinha aprontado isso comigo, essas revistas deveriam estar rodando o país inteiro agora e podia apostar que todo mundo nesse exato momento deveria estar pensando que eu era o novo idiota que a sustentava. Conhecia as artimanhas dela, já vi isso acontecer com seus antigos amantes, homens muitas vezes casados e agora tinha chegado a minha vez. Observei pela janela enquanto ela estacionava em frente à minha garagem. Eu a obriguei a vir até aqui essa manhã para me explicar o que realmente estava acontecendo. Ela teria que se virar e desmentir toda essa porcaria, caso contrário podia esquecer que eu existia. Em outro momento eu não me importaria, mas eu não precisava de uma fofoca como essa rondando as conversas e muito menos deixar que isso chegasse até a Jéssica. — Dê um jeito de consertar isso o quanto antes, Carol — falei quando abri a porta para que entrasse. — Eu não controlo o que sai nas revistas, Matheus, infelizmente ainda não tenho esse poder — disse debochada e isso só me deixou ainda mais furioso. Eu sabia muito bem como a cabeça esperta dela funcionava e não iria acreditar que tinha sido sem querer. — Não sou esses idiotas com quem você sai e me recuso a ser usado — disse sério. — Vou te dar 24 horas para desmentir toda essa merda, ou eu mesmo faço isso e posso garantir que você não vai gostar do que vou contar a imprensa. — Sabia que o seu medo era que aquela egoísta descobrisse. A garota foi embora, Matheus. Te deixou aqui sozinho e você ainda se importa com o que ela pensa ou deixa de pensar? Você deveria estar feliz porque a essa hora todo mundo deve pensar que estamos juntos. — Caroline envolveu seus braços em torno do meu pescoço, mas continuei imóvel. Pouco me importava suas tentativas, eu não mudaria de


ideia quanto ao que ela queria. Todas as noites quando sentia o tesão me atormentando, eu juro que pensava em abandonar o meu orgulho, esquecer a minha raiva e decepção e ir atrás da Jéssica para trazê-la de volta para a casa. Se fosse para ficar puto, que, pelo menos, fosse em algum lugar onde eu poderia manter meus olhos sobre ela, que soubesse que estava bem e protegida. Só não tinha tomado essa atitude ainda, porque sabia que, mais uma vez, acabaria fazendo todas as suas vontades e ficando em suas mãos. E eu me recusava a passar por isso novamente, por mais que a amasse. — Não me faça perder a paciência com você, Caroline. — Sua mão desceu até a minha camisa e ela mordeu o lábio vermelho. — Queria de verdade que você perdesse e fizesse o que eu estou com vontade, Matheus, não me importo que seja com raiva, acho até mais gostoso. — Sua voz sedutora não teve efeito nenhum, simplesmente tirei suas mãos e me afastei. Carol poderia ficar nua em pelo aqui na minha frente que eu não sentiria porra nenhuma, a única mulher que eu desejava era a minha. — Você ouviu o que eu disse? — perguntei nervoso e desviei o olhar do bico que fez. Ela tinha vindo preparada, seu decote e saltos eram a prova disso. Mas mesmo desesperado por sexo como eu estava nos últimos dias, eu não me renderia ao seu jogo.

***

Jéssica

Desde o dia em que Josh me avisou que voltaríamos, eu não conseguia deixar de sofrer por causa da ansiedade. Eu estava nervosa, com medo e louca de vontade de rever a Katie. Vinha evitando pensar no Matheus, porque estava sendo mais fácil assim e doía menos. Depois que vi aquelas fotos, liguei para a Katie e ela me garantiu que não fazia a menor ideia do que estava acontecendo entre eles, por isso nunca havia me contado nada. Contou também que Matheus ainda sofria, mas que estava sendo orgulhoso demais para admitir que sentia a minha falta. Isso tudo, segundo ela, eram palavras do Leo. Não queria nem imaginar o que faria se fosse verdade o que a revista e os sites estavam dizendo, sabia que iria doer, que eu ficaria arrasada, mas não desistiria dele. Essa era a única certeza que eu tinha. Nosso avião pousaria dentro de alguns minutos e eu estava me esforçando para não deixar transparecer toda a minha inquietação. Josh estava realmente tendo alguns problemas e iria direto para a sede da revista. Eu estava feliz, apenas pelo fato de ele não ter exigido que eu o acompanhasse, caso contrário meus planos para essa noite iriam por água abaixo. Como sempre, nossa poltrona ficava lado a lado e eu me virei para vê-lo ainda mais inquieto do que eu estava.


— Está tudo bem, Josh? — perguntei porque ele quase nunca ficava tão perturbado assim. — Eu pareço bem? Acabo de descobrir que tive um desfalque milionário por causa de má administração daqueles incompetentes e você acha que eu estou bem? Não me faça perguntas idiotas, Jéssica. — Babaca! Voltei a ficar quietinha no meu canto. Se ele me achava tão idiota assim, por que me mantinha sempre por perto? Nossos quartos de hotéis nunca ficavam longe, viajávamos sempre um ao lado do outro e ele dificilmente me deixava trabalhar sozinha. Era irritante, chato e me incomodava, mas isso finalmente tinha acabado. — Desculpe-me — ele falou após alguns minutos e eu fiquei chocada. — O quê? — perguntei, porque eu acho que não tinha escutado bem, pois Josh nunca pedia desculpas por nada que fazia. — Eu pedi desculpas, tudo bem? Estou nervoso, cheio de problemas e não queria ter descontado em você. — Esse definitivamente não era o seu comportamento normal. Fiquei preocupada com ele, mesmo não sendo sua maior fã. Posso ter passado por muitos momentos ruins nos últimos meses por causa dele, mas aprendi muito também. E toda essa grosseria e irritação só me mostrou que se eu podia lidar com ele, eu podia lidar com qualquer coisa que estivesse por vir. Não respondi nada, esse não era o momento para desafiá-lo e comecei a pensar no que usaria essa noite na festa da minha amiga. Ninguém sabia que eu estava voltando e eu esperava realmente que fosse uma boa surpresa...


CAPÍTULO 21

Jéssica Olhei-me no espelho uma última vez antes de sair e gostei do que vi. Eu não tinha nenhuma garantia de que o Matheus estaria por lá, mas preferia acreditar que ele iria, já que a festa seria na casa do Leo. Nervosa, eu estava temendo encontrar Caroline por lá e tentando a todo custo não me preocupar com isso até que chegasse o momento. Agora eu só precisava de coragem para dar a cara a tapa e ir atrás do que era meu. Depois de revirar todas as minhas malas, acabei escolhendo um vestido branco que decidi usar com uma jaqueta de couro preta curta e um par de ankle boots que quase me deixaram falida. Eu tinha aproveitado as minhas economias e os mercadinhos das cidades em que estive para comprar muita coisa, tudo sempre dentro do meu orçamento, mas quando coloquei os olhos nessa bota eu me apaixonei imediatamente. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto e caprichei na maquiagem, passei os últimos meses sem poder usar a maioria das roupas que eu gostava. Josh sempre queria dar palpite na forma como eu me vestia ou me comportava na frente das pessoas e para não ter que ficar ouvindo-o chamar a minha atenção o todo tempo, eu evitava contrariá-lo. Mas agora eu podia voltar a usar tudo que quisesse que não teria absolutamente ninguém me dizendo o que fazer. Saí do hotel em que eu estava hospedada e onde permaneceria até conseguir encontrar um apartamento para morar e chamei um táxi. Em cerca de 15 minutos, o carro estacionou em frente à casa do Leo, passei pela portaria facilmente já que alguns funcionários me conheciam e subi. Eu era apaixonada pela arquitetura dessa casa, e enquanto subia a escadaria que ficava na entrada principal encontrei vários convidados conversando do lado de fora, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o som alto que vinha lá de dentro. Quando me contou a respeito da festa, não imaginei que Katie convidaria tanta gente. Ela era uma sortuda, seus pais eram donos de uma galeria de arte que ficava próxima ao estúdio do Matheus e agora, depois de formada, era ela quem comandava praticamente tudo. Eu realmente não tinha a menor ideia do que seria de mim sem a sua amizade, depois de tantas decepções acho que ela era a única pessoa que eu tinha certeza de que nunca me abandonaria. Me recriminei por estar pensando nisso logo hoje e sorri sozinha quando escutei a música Burn, da Ellie Goulding tocando, porque essa era uma das músicas que Katie e eu mais gostávamos.

"We, we don't have to worry about nothing 'Cause we got the fire


And we're burning one hell of a something They, they gonna see us from outer space, outer space Light it up"

[4]

Caminhei fascinada com toda a decoração enquanto a procurava e tentava descobrir se Matheus tinha ou não aparecido, respirei fundo e fui me deixando levar pelas batidas da música, isso sempre me acalmava. Comecei a pensar na reação louca que minha amiga teria quando me visse e acabei a encontrando ao lado do Leo. Ele foi o primeiro a me ver e seu susto ficou tão aparente que Katie se virou automaticamente e assim que me viu correu para me abraçar. — Sua louca! — Ela praticamente gritou e voltou a me abraçar. — Como você me esconde algo assim, Jéssica? — Leo se aproximou calado e, por um momento, achei que ele parecia não ter gostado da minha surpresa. Eu entendia a sua reação e reconhecia que grande parte da culpa pela forma como tudo terminou era minha. No lugar dele, eu agiria até pior. — Eu queria te fazer uma surpresa — falei um pouco sem graça e voltei minha atenção a ela. — Foi a melhor, amiga. Fico tão feliz que esteja aqui comigo hoje. — Aposto que ficaria ainda mais quando soubesse que eu finalmente tinha voltado, mas esse não era o melhor momento para colocar nossa conversa em dia, ainda mais com o Leo me olhando de canto da maneira como estava. Em poucos minutos estava sendo puxada para a bagunça, tentei ouvir o que ela dizia, mas foi quase impossível por causa do som alto, fora que ela estava animada demais para ficar parada. Aos poucos fui me envolvendo pela música e percebi que estava perto de ficar louca longe disso tudo. Eu tinha um propósito para essa noite, mas também queria aproveitar e extravasar tudo que tive que reprimir por todos esses meses por causa do Josh. Fiquei pasma com as escolhas musicais da Katie quando tocou We can't Stop ela deu um grito e me fez rebolar como ela. Katie podia ser séria, muito mais centrada do que eu, mas era só colocá-la em uma pista de dança que ela perdia o controle.

"It’s our party, we can do what we want It’s our party, we can say what we want It’s our party, we can love who we want..."

[5]

Como sempre fazíamos quando dançávamos, ignoramos os olhares e nos divertimos. Era difícil um cara se aproximar quando nos via dançar juntas, não sei exatamente o que eles pensavam, mas por vezes fizemos isso exatamente para que nenhum deles nos perturbasse nas baladas que frequentávamos. Por alguns ou vários minutos, esqueci de tudo. Do motivo pelo qual eu estava ali e do medo que eu estava sentindo de descobrir que Matheus poderia realmente estar com a Caroline. Fechei os olhos enquanto sentia o corpo da Katie se mexer junto com o meu. — Jéssica, ele está aqui. — Saí do transe em que estava quando ela sussurrou ao meu ouvido, enquanto o DJ tocava Diamonds. Meu coração acelerou forte ao saber que era ele... Me virei


imediatamente e a primeira coisa que vi foram seus olhos em cima de mim.

"You're a shooting star I see A vision of ecstasy When you hold me, I'm alive..."

[6]

Senti os arrepios característicos percorrer todo o meu corpo, senti a dor da saudade e aquela vontade louca de ir até ele e não soltar nunca mais. Juro que se Matheus deixasse, essa noite eu me entregaria totalmente, e eu não via problema nenhum se precisasse implorar... Seus olhos desceram pelo meu corpo lentamente, analisando pedacinho por pedacinho. Queria que ele soubesse que eu ainda era aquela garota apaixonada, completamente rendida, acho que isso nunca mudaria. Essa viagem só serviu para reafirmar o que eu já sabia; e eu nunca voltaria a deixá-lo em segundo plano na minha vida. Se Matheus deixasse, eu provaria isso a ele. Trêmula, quase surtei pela maneira com que ele estava me olhando. Seu olhar era faminto, cheio de promessas e desejo... — Juro, amiga, que se ele transa com você da mesma forma com que te olha, você é uma sortuda filha da puta. — Escutei Katie murmurar logo atrás de mim, mas não me virei para não perder o contato.

“We're like diamonds in the sky I knew that we'd become one right away Oh, right away At first sight I felt the energy of sun rays I saw the life inside your eyes"

[7]

Agitada, eu não sabia se ia até ele ou se recuava. No momento que dei um passo à frente, levei um esbarrão, sendo obrigada a desviar o olhar e esse foi o momento que o perdi de vista. — Eu preciso de uma bebida, Katie. — Não iria beber nada alcoólico, só queria uma água bem gelada para acalmar todo o calor que estava sentindo dentro de mim. Afastei-me da pista de dança e fui até a cozinha. Fechei a porta e relaxei com o silêncio que se formou, adorei a sensação gostosa da água gelada descendo pela minha garganta e mesmo sem conseguir tirá-lo da minha cabeça, consegui controlar um pouco a agitação que sentia. Levantei o rosto quando escutei alguém entrando e me deparei com Matheus, que tratou logo de trancar a porta atrás dele. Permaneci parada enquanto o via se aproximar passo a passo de onde eu estava. Nenhum dos dois falou nada e acho que nem precisava, pelo menos não nesse momento. Ele tirou o copo da minha mão e me empurrou até a mesa imprensando seu corpo contra o meu.


Não foi surpresa nenhuma que ele já estivesse duro e lá no fundinho senti prazer ao saber que eu ainda tinha o poder de mexer com ele dessa forma. Matheus me encarou de forma possessiva e segurou meu rosto puxando em direção ao seu até que nossas bocas se tornassem uma só, suada e quente comecei a gemer contra a sua boca conforme ele ia apertando todo o meu corpo impacientemente... Seios, bumbum, cintura... — Math — o chamei baixinho, eu estava ficando sem fôlego. — Shhh... — ele murmurou e soltou o meu cabelo, que caiu em minhas costas e ombros. Matheus o enrolou em sua mão e puxou para trás. — Tem ideia do quando eu senti a sua falta? — sussurrou com a voz rouca me deixando com as pernas bambas. Merda! Eu estava perdendo a linha de raciocínio com a intensidade dos beijos, meu corpo ardia de desejo e Matheus percebeu o meu desespero quando me colocou sentada em cima da mesa. Me agarrei a ele, aproximando mais nossos corpos e deixei uma leve mordida em seu pescoço quando sua ereção roçou o meio das minhas pernas. Escutei seu gemido e me contorci toda ao sentir o atrito do vai e vem do jeans grosso contra a minha calcinha fina. Seus dedos desceram até o pequeno tecido e ele sorriu ao sentir a umidade entre as minhas pernas, só que em vez de me tocar e acabar com essa tortura, Matheus, envolveu toda a mão em minha vulva e apertou com força... Mordi os lábios tentando não gritar, eu estava completamente desesperada para sentir o toque dos seus dedos bem fundo dentro de mim, — Me faz gozar, Math, por favor — pedi baixinho e abri ainda mais as minhas pernas mostrando a ele o que eu queria, só que nesse momento nós dois olhamos juntos para a direção da porta onde aparentemente alguém forçava a entrada. — Merda, Matheus, abre essa porta! — Leo gritou do lado de fora. Matheus encostou sua testa na minha com a respiração descompassada e eu entrelacei meus braços em sua nuca, não querendo que me soltasse. — Porra! — esbravejou frustrado por causa da intromissão. — Ignore — pedi desesperada. — Não me deixe assim, Math, eu preciso gozar — sussurrei sabendo que isso o deixaria ainda mais afetado. — Merda, baixinha — ele falou tentando se controlar, só que sem deixar de me tocar. Seu aperto foi firme em minhas coxas e eu joguei a cabeça para trás frustrada. — Juro que se vocês estiverem fazendo sexo na minha cozinha... —Matheus não aguentou mais e se afastou. Gemi contrariada e vendo o estado em que eu estava, ele voltou a me beijar. Tive vontade de ficar nua e deixá-lo tomar o meu corpo ali mesmo na cozinha do seu amigo, só que antes que pudesse colocar a ideia em prática ele me tirou da mesa e pediu para que eu me acalmasse. Desconcertada, arrumei meu vestido e tentei dar um jeito no meu cabelo completamente despenteado. Matheus não chegou a falar nada, apenas me observou enquanto eu tentava não parecer tão culpada. Quando entrou, Leo estava nervoso e acabei escapulindo deixando os dois conversando sozinhos. Completamente sem graça, fui atrás da Katie que me socorreu e me levou até o banheiro do quarto de cima para que eu refizesse o meu rabo de cavalo enquanto contava o que tinha acontecido a ela. Katie disse estar surpresa pelo fato do Matheus ter se deixado levar tão facilmente assim, mas eu só conseguia ficar feliz pelo que tinha acabado de acontecer, talvez não fosse ser tão difícil assim tê-lo de


volta em minha vida como imaginei. Descemos juntas e ela me levou até onde Leo e mais alguns amigos dele estavam, procurei pelo Matheus e comecei a ficar preocupada quando não o encontrei. Ansiosa, acabei recorrendo ao Leo. — Você viu o Matheus? — perguntei com Katie ao meu lado. — Foi embora há alguns minutos — ele respondeu dando de ombros. Na hora eu fiquei confusa, achei que o que tinha acontecido fosse um sinal positivo de que tudo se acertaria, pensei que Matheus fosse ao menos me levar até o hotel no final da noite, mas me dei conta que ele tinha acabado de fugir de mim. — Vem Jéssica! — Katie falou e me tirou dali, ela tinha percebido que eu estava chateada. Qualquer um perceberia... Voltamos a pista de dança e me esforcei para sorrir e me divertir, essa noite era toda dela e eu não queria estragá-la com os meus problemas.

No dia seguinte corri para o apê da Katie com um jornal e o nosso café da manhã. Ela tinha passado a noite com o Leo, mas tínhamos combinado de nos encontrar em sua casa para que ela me ajudasse a encontrar logo um lugar para morar. Eu tinha exatos quatro dias para resolver isso já que na segunda de manhã teria que estar de volta a Travel. — Esse não, Katie, eu quero um lugar em que o Ozzy possa brincar — falei e ela me olhou surpresa. — Você realmente acha que o Matheus vai abrir mão dele por que você voltou? — Dei de ombros, o cachorro era meu. Eu que o encontrei, Matheus não seria nem louco de me impedir de levar o Ozzy para morar comigo. Continuamos procurando, mas nada me agradava. Eu estava idealizando um lugar que nunca encontraria, até porque meu maior desejo era voltar a morar com o Matheus. Era tão absurdo assim achar que aquela era a minha casa? Distraída acabei perdendo uma mensagem do Josh e quando fui ver era um pedido para que eu ligasse para ele o quanto antes. Saí da sala já esperando o pior e liguei. Por favor, que não fosse nenhum pedido absurdo para que eu tivesse trabalhar, ele tinha me dado alguns dias de folga, mas sabia que para me irritar ele poderia mudar de ideia. — Preciso que me acompanhe essa noite, Jéssica. Será um jantar beneficente da editora e minha namorada não está na cidade. — Eu tinha virado acompanhante agora, por acaso? — Você está me pedindo isso como meu chefe ou por que simplesmente quer um favor? — Dependendo da sua resposta eu diria não sem a menor culpa. — Seu chefe, até porque pretendo te apresentar a algumas pessoas bem influentes no meio, falei muito bem do seu trabalho e eles ficaram curiosos. — Eu já tinha escutado falar sobre esse evento beneficente que a editora da revista dele promovia todos os anos, mas estava em dúvida se aceitava ou não. — Não sei, Josh... Eu... — Vou te pegar às 20h e, por favor, não use nada preto, Jéssica — ele falou e desligou o telefone na minha cara. Voltei irritada para a sala e Katie quase surtou quando contei aonde eu iria essa noite, ela


ficou tão animada que prometeu ajudar a encontrar um vestido e me arrumar. Passamos a manhã marcando algumas visitas a propensos apartamentos, almoçamos juntas e depois ficamos a tarde toda de pernas para o ar, apenas curtindo uma a outra.

***

Matheus

— Você prometeu que iria comigo, Matheus. — Ouvi a voz estridente da Caroline me perturbando logo pela manhã. Ozzy não parava de latir para ela que andava de um lado para o outro, apenas o deixando mais irritado. Aposto que se Jess visse a forma como ele repudiava a Caroline, ela o recompensaria. Ignorei o falatório e me concentrei no que tinha acontecido ontem à noite, eu podia jurar que ainda sentia aquele sabor gostoso da Jéssica em minha boca. Mesmo depois de me afastar e sair da festa foi possível sentir o cheiro da sua excitação impregnado em mim. Não preciso nem dizer que foi uma luta dormir depois, passei a madrugada inteira me remoendo por não tê-la tirado de lá e trazido para casa comigo. Não vou negar, todas as barreiras que passei meses construindo desmoronaram assim que a vi, meu corpo reagiu a ela quase que imediatamente e quando me olhou sabia que eu era um homem perdido. Aquela garota era a minha dona em todos os sentidos, e eu não fazia a menor ideia se teria ou não autocontrole suficiente para mantê-la longe. — Está me ouvindo, Matheus? — Era óbvio que eu não teria um dia tranquilo, Caroline na minha casa a essa hora era um mau presságio. — Ouvi e sinto muito, mas não estou com a menor vontade de ir a esse jantar, Caroline — falei, porque era a verdade. Eu estava mais preocupado em saber o que a Jéssica estava fazendo na cidade. Será que ela tinha vindo apenas para a festa da Katie? Será que já tinha ido embora? — Você não pode fazer isso comigo, eu garanti que iríamos juntos — ela falou irritada, mas viu que eu não cederia e mudou de tática. — Por favor, não me deixe ir sozinha, o que as pessoas irão falar? E a minha imagem, Matheus? Fiz o que você pediu e deixei claro para todo mundo que somos amigos, então, por favor... — implorou e eu sabia que estava cometendo um erro ao aceitar, mas se isso fosse me garantir um dia calmo eu não me importava.

***

Jéssica


— Você está incrível! — Josh murmurou ao meu ouvido assim que me ajudou a sair do carro e eu o olhei estranhando o seu comportamento. Ele nunca tinha elogiado nada que não fosse o meu trabalho, fora que vivia repetindo o quanto eu era indisciplinada, distraída, desorganizada e imatura. Não agradeci, não queria seus elogios tanto quanto queria suas grosserias. Eu quase estava arrependida pelo vestido que Katie tinha me feito usar essa noite, longo, vermelho, justo e com saltos altíssimos. Entramos no salão e tentei não ficar sem graça ao seu lado, a todo o momento ele parava para cumprimentar pessoas que eu nunca tinha visto na minha vida. Josh me apresentava como a sua ”nova descoberta”, alguns sorriam educados e outros me olhavam com desconfiança. Lembrei-me do que ele falou sobre ser respeitada e não ser vista apenas como um rostinho bonito, e essa noite consegui entender o seu ponto. Pelo visto eu ainda tinha muito que provar a todas essas pessoas até ser respeitada... — Está inquieta, por quê? — Josh perguntou impaciente ao perceber que eu não estava confortável com nada disso. — Esses seus amigos me deixaram um pouco nervosa. — Ele sorriu de canto, como se dissesse “eu te avisei” e me ignorou. Pedi para ficar na mesa reservada a ele, mas Josh não deixou e continuou me arrastando de um lado ao outro. Em certo momento da noite, senti sua mão indo direto à minha cintura de forma ousada, não gostei da sua iniciativa e me afastei. Virei o rosto na tentativa de não demonstrar minha raiva e fui surpreendida ao ver Matheus parado olhando em nossa direção, só que dessa vez com Caroline ao seu lado sorrindo satisfeita. Segurei o braço do Josh com força, quase como um pedido de socorro. Eu não podia acreditar no que estava vendo, nós dois quase tínhamos transado ontem e agora ele aparecia aqui com essa anoréxica dissimulada? — Jéssica... — Josh chamou meu nome, mas minha atenção estava no rosto debochado da Caroline e no olhar feroz do Matheus. — Você deveria ter me avisado que ele estaria aqui — falei nervosa sem conseguir esconder a dor que senti ao descobrir que tudo que li nos sites e naquelas revistas idiotas eram verdade. Percebendo que eu estava abalada, ele me afastou dos olhares dos dois e eu agradeci quando consegui me acalmar. — Acredite em mim, se ele não tomar uma decisão em relação a você essa noite, ele não toma mais. — A vontade que eu tinha era de perguntar se ele tinha certeza do que estava falando, porque se isso tivesse efeito contrário eu não aguentaria. Esse era o amor que ele dizia sentir por mim? “Vai passar, Jéssica. Vai passar...”, repeti para mim mesma enquanto Josh me observava calado. Levei alguns minutos até ter coragem de voltar ao salão e, para a minha surpresa, não precisei ser apresentada a mais ninguém, Josh me levou diretamente à mesa reservada e não insistiu mais. Permaneci ao seu lado o restante da noite e evitei a todo custo me afastar; para piorar, a todo o momento, o olhar do Matheus cruzava com o meu me deixando apreensiva. Ele estava irritado, mas eu não tinha feito nada de errado dessa vez. Faltou bem pouco para que eu me levantasse e fosse até ele perguntar o que tinham significado todos aqueles beijos e a sua falta de controle na noite passada, afinal... Virei o rosto, mais uma vez, e tentei ouvir o que os organizadores falavam, Josh se manteve seco depois do incidente e me dirigiu a palavra apenas para perguntar uma ou outra coisinha. Não me importei, não queria aguentar suas grosserias essa noite.


Horas depois, fui deixada no hotel. Josh não agradeceu e nem nada, apenas me desejou uma boanoite da maneira mais fria possível. Até aí tudo bem porque essa era a forma normal com que ele me tratava. Desci do carro e uma fina garoa caía, fiquei arrepiada com o frio e apressei o passo para entrar no hotel. Enquanto subia, fui respondendo as mensagens que Katie tinha me mandado durante o jantar, cheguei ao meu andar e confesso que tremi na base quando encontrei Matheus encostado à porta do meu quarto me esperando. Continuei andando e tentando fingir que a sua presença não estava mexendo comigo, quando, na verdade, estava... e muito! Parei na sua frente e reprimi a centelha de esperança de que ele estaria aqui para se desculpar e me dar alguma explicação. Nós tínhamos tanto o que conversar, mas no momento em que ele abriu a boca, eu percebi que essa seria uma longa noite. — É com ele que você está dormindo agora?


CAPÍTULO 22

Jéssica Parei assim que escutei as palavras saindo da sua boca, era isso que ele pensava de mim? — Adoraria estar, Matheus, só para esfregar na sua cara — falei irritada. — Aliás, você acaba de me dar uma excelente ideia, vou ligar para ele agora e fazer uma proposta — respondi malcriada enquanto discava um número qualquer em meu telefone. Matheus podia ter dito qualquer outra coisa, mas nunca duvidar da minha fidelidade a ele, porque, mesmo separados, eu não teria conseguido ficar com ninguém. — Que merda, Jéssica! — Ele arrancou o telefone da minha mão bruscamente e o guardou no bolso enquanto ficava frente a frente comigo. — Nem pense... — Tremi de raiva e não consegui ficar quieta. — Por que não? Você não está fodendo aquela anoréxica? Além disso, nós dois não temos mais nada — o provoquei de propósito. — Tem certeza disso? — Matheus pegou em meu braço e me olhou sério. Sempre gostei de vê-lo com ciúmes, mas não queria nada disso essa noite. — Não quero brigar, Matheus. Se foi por isso que você veio, eu acho melhor ir embora. — Tentei soar decidida, quando, na verdade, estava prestes a fraquejar. — Eu não vim por isso — falou firme sem me soltar. — Só que não saio daqui até que você me explique o que está acontecendo entre vocês dois. — Eu não tenho que te explicar nada! — Puxei meu braço e tirei o cartão do quarto de dentro da bolsa que eu carregava. — E se você acha que eu teria a coragem de dormir com o Josh, então você não me conhece. Sinto dizer, mas eu não sou igual a sua amiguinha que transa com um homem diferente a cada noite. — Poderia até ser um absurdo, mas eu não conseguia nem pensar na hipótese de ser tocada por outro homem, pois Math sempre seria o único. — Podemos ao menos ter essa conversa lá dentro? — ele pediu depois de se dar conta do quanto eu estava magoada. — Não! — Meu medo era entrar e deixar acontecer o mesmo que houve ontem à noite, nós iríamos acabar transando e esquecendo o mais importante, que era a nossa conversa. — Quanto mais adiarmos, pior essa situação ficará Jéssica, e você sabe que temos muito que explicar um ao outro. — Abri a porta contrariada, e só aí lembrei a bagunça espalhada por todo o quarto. Matheus não pareceu surpreso e a primeira coisa que fez foi pegar o sutiã jogado em cima da cama. — Isso é meu! — O tirei da sua mão e ele apenas balançou a cabeça reprimindo um daqueles


sorrisos safados que eu tanto gostava. Segurei minha emoção e pedi que esperasse enquanto eu trocava minha roupa e saía desses saltos desconfortáveis. Entrei no banheiro e tranquei a porta, eu estava nervosa não só pela conversa que teríamos, mas porque tinha medo de perdê-lo definitivamente. Sabia que se depois de hoje não conseguíssemos entrar em um acordo as coisas só iriam piorar. Lembrei da Caroline ancorada em seu braço a noite inteirinha e me xinguei por ser tão idiota. Eu tinha muito pelo que me desculpar, mas se tudo que diziam fosse verdade eu não sei se o perdoaria. Desfiz-me do vestido, lavei o meu rosto e fiz um coque, coloquei um blusão que usava para dormir quando estava frio demais e saí do quarto. Matheus estava sentado em minha cama com a expressão preocupada e, provavelmente, pensando a mesma coisa que eu. — Vem cá — ele falou com a voz cansada me deixando surpresa. Pensei duas vezes antes de sair do lugar, mas no final cedi. Math me colocou sentada em seu colo e ignorei suas mãos em volta da minha cintura. — Não quis ser grosso com você, mas tente entender o meu lado, Jéssica, ele passou a noite inteira agindo como se você fosse dele. — Você fez o mesmo com a Caroline. — Aquela sonsa tinha ficado o tempo todo me provocando, dando pequenos sorrisos sarcásticos e o alisando. — Não, e você viu muito bem que eu não encostei um só dedo nela a noite inteira, muito diferente do seu chefe. Fora que já tinha explicado a você que o que aconteceu entre mim e a Caroline foi há muito tempo. — E todas aquelas revistas dizendo o contrário? Eu vi as fotos, Matheus, e não vou aceitar que minta para mim — falei nervosa e tentei me levantar, mas ele não deixou. — Fique quieta! — pediu. — E me diga o que eu ia ganhar mentindo para você? Eu sou louco por você, garota. Você tem alguma noção do inferno que foi a minha vida nesses últimos meses? — Por que, então, ele não me ligou e pediu que eu voltasse? Só fiquei esse tempo todo longe porque achei que ele não me queria por perto. — Por que tudo isso, então, Matheus? Por que você estava com ela? — Essa é a mesma pergunta que eu te faço. — Josh me convidou hoje cedo, disse que me apresentaria a alguns amigos que trabalham com fotografia... — Não tinha outra explicação para dar. Foi isso que fiz a noite inteira, conhecer aquelas pessoas preconceituosas e que me olharam torto o tempo todo. — E eu prometi a Caroline que iria, porque já não estava mais aguentando ela enchendo o meu saco por causa desse jantar. Apesar de tudo, e eu sei que você não vai gostar do que vou falar agora, ela foi uma boa amiga, Jéssica. Teria sido muito pior passar por tudo isso sem o apoio que ela me deu. — Esse apoio incluiu sexo? — perguntei aflita. Ele poderia ter feito qualquer coisa, menos isso. — Não. — Jura? — A insegurança me dominou, duvidava muito que ela não tenha tentado nada em todos esses meses. — Juro, baixinha. — Seu tom de voz foi carinhoso e isso me acalmou um pouco.


— Eu não gosto dela, Matheus. — Engraçado, porque eu acho que também não gosto do seu chefe. — Ficamos em silêncio e já que ele não iria me soltar, encostei a cabeça em seu ombro. Matheus me aninhou em seu colo e eu sorri, se ele soubesse como eu senti saudades desses momentos. — Eu sinto tanto pela forma como as coisas terminaram entre a gente — sussurrei e ele endureceu o corpo. — Eu gostaria de ter feito tudo diferente, de não ter causado tanta dor. — Afastei meu rosto do seu ombro e olhei para ele. — Eu te amo, Math, e nunca mais quero fazer você sofrer... Me deixa voltar para a sua vida? — pedi e limpei uma pequena lágrima antes que ela caísse. Fiquei apreensiva com o seu silêncio, e o que eu estava tentando evitar aconteceu. Elas foram descendo uma atrás da outra, molhando o meu rosto. — Você tem noção do que está me pedindo? — Eu tinha. — Não sou mais nenhum garoto, Jéssica, e tenho medo de voltar a te pressionar, criar expectativas e descobrir que você não está preparada para um relacionamento como eu busco. — Eu posso provar que estou... — falei, tentando convencê-lo. A primeira coisa que eu fiz quando coloquei o pé no país, foi prometer a mim mesma que o amaria com todas as minhas forças e o faria feliz, ele só tinha que me aceitar de volta. — Não pode não, você tem que parar de responder a tudo impulsivamente, Jéssica. Você, pelo menos, pensou sobre o que eu acabei de falar? — Engoli em seco e fiquei em silêncio. — Está vendo? — Ele afastou a mecha de cabelo do meu rosto. — Juro que até ficar com você, eu não fazia a menor ideia do que queria para a minha vida, mas agora que eu sei, não vou aceitar menos do que mereço. Queria muito acreditar que você está pronta, mas... — Tapei a boca dele com a palma da mão para impedi-lo de continuar falando. — Eu estou aqui, não estou? E juro que trocaria cada experiência da qual eu vivi por uma chance de voltar no tempo e consertar tudo. Meus dias foram uma tortura Math, não teve uma só noite que não adormeci sem chorar pela gente — disse quase desesperada. — Se dar valor a você era o que eu tinha que aprender, eu aprendi. Então, por favor, não me peça para ir embora da sua vida de novo... Matheus afastou a minha mão e eu reconheci seu olhar. Odiei saber que estava em dúvida, pensando demais em uma coisa que não precisava ser pensada. Nós nos amávamos, ele não conseguiria esconder nem se quisesse um sentimento assim, então por que lutar contra? Ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro inquieto, enquanto eu o observava calada. — O foda é que desde o primeiro momento eu sabia que teria problemas por sua causa... — Cruzei os braços e o escutei. — Você me atinge de uma forma que ninguém nunca conseguiu, me deixa completamente sem razão, Jéssica. Sei que cometi muitos erros, principalmente nas vezes em que fui complacente com suas atitudes. — Ele me encarou e continuou: — Mas mesmo assim eu quero você ao meu lado, quero que viva e divida tudo comigo. Não quero ser simplesmente o homem com quem você vai para a cama e se diverte. Se for para ficar, eu quero que se entregue por inteiro, você entende isso? — Meu coração quase pulou pela boca. —Sim — murmurei um pouco afetada. — Vai confiar em mim? — Vou.


— Eu quero te fazer a mulher mais feliz desse mundo Jess, e eu sei que consigo. — Math me fez olhar para ele e sussurrou: — Mas quero que entenda que, a partir do momento que voltar para dentro da minha casa, vai ser do meu jeito. — O que isso significava? — Matheus... — Ele me calou com um beijo antes que eu pudesse perguntar, puxou minha blusa por cima e me deitou na cama me deixando apenas de calcinha. Apoiei-me em meus braços e o observei desabotoar sua camisa, desci meu olhar pelos gominhos do seu abdômen, e quando ele começou a desafivelar o cinto engoli em seco. — Você gosta, não é? — Assim que tirou seu membro para fora da cueca, Matheus me provocou enquanto se masturbava na minha frente, salivei vendo a cabeça do seu pau ficar cada vez mais inchada. Desci meu dedo até o meu centro e me acariciei por cima da calcinha, eu não iria deixar ele se divertir enquanto eu morria de desejo aqui. Enfiei um dedo dentro de mim e gemi, a sensação de vê-lo me observar ao mesmo tempo em que eu fazia o mesmo com ele era foda. Enfiei outro e ele deu um passo à frente sem soltar seu pau. Tremi com o olhar que me lançou e arqueei meu corpo quando pequenos espasmos começaram a tomar conta de mim... Eu ainda não tinha gozado, mas estava quase lá. — Porra Jess, fica de quatro agora — ele rosnou sem deixar de me encarar. Fiz o que pediu e me arrastei até o centro da cama, deixando meu bumbum empinado para ele, Matheus se ajoelhou e puxou meu quadril, senti o primeiro tapa e gritei. — Math... — O segundo veio ainda mais forte, ouvi o seu gemido rouco atrás de mim e o puxão de cabelo me fazendo curvar o corpo. Ofegante, me contorci inteira quando ele enterrou seu membro de uma só vez dentro do meu corpo. Segurei com força os lençóis tentando me controlar, meu bumbum estava dolorido e eu muito perto... — Você vai esconder alguma coisa de mim novamente? — ele murmurou. Seu pau latejava me deixando ainda mais louca, mexi meu quadril forçando-o a tomar alguma iniciativa, mas ele permaneceu parado. — Não. — Ele saiu de uma só vez e meteu fundo novamente me fazendo gritar. Eu não estava aguentando, pelo amor de Deus, ou ele me fodia logo ou parava com essa tortura. — Vai mentir, Jéssica? — Senti outro tapa e me contraí em volta do seu membro, mas dessa vez foi ele quem arfou. — Não Math, eu não vou. Mas, por favor... — Ia pedir para que me fizesse gozar, mas ele repetiu o processo, enterrando fundo e saindo repetidas vezes, comecei a sentir minha umidade escorrer entre as minhas pernas... Merda! — Vai deixar com que o idiota do seu chefe toque em você? — Houve outro tapa, outra metida... — Nããoo! — gritei sem forças enquanto era controlada por um intenso orgasmo. Matheus tirou seu pau ainda duro de dentro de mim e me deitou na cama de bruços. Ele beijou minha nuca suada, meu ombro e costas, quando chegou até meu bumbum vermelho foi deixando leves lambidas e chupões alternando entre dor e prazer. — Cada pedaço desse corpo gostoso tem dono, Jéssica — murmurou enquanto eu gemia com o seu toque. — Nunca se esqueça disso. — Hum-hum... — murmurei esgotada do sexo que tínhamos acabado de fazer. Eu sabia que ele ainda


não tinha gozado e estava apenas esperando o momento certo, respirei profundamente enquanto tentava fazer meu corpo se acalmar. Tudo em mim estava pegando fogo. — Eu te machuquei? — perguntou preocupado ao ver minha expressão. — Não — respondi e sorri para tranquilizá-lo. Meu bumbum até podia estar dolorido, mas o que me incomodava não era a dor, era a intensidade de tudo que fizemos. A necessidade que o meu corpo tinha do dele me deixava assustada. — É que foi intenso... — Ele sorriu satisfeito e deixou um beijinho em minha testa. Math acariciou meu corpo até que eu estivesse pronta para ele novamente. Dessa vez tudo foi mais carinhoso e lento, fizemos amor sem deixar de nos olhar e foi perfeito, ele ficou preocupado ao ver minhas lágrimas quando gozei, mas eu disse que todas eram de felicidade. Felicidade por poder voltar para a casa e para ele. Aconcheguei-me em seus braços e, antes de adormecer, pensei na sorte que eu tinha por tê-lo ao meu lado. Matheus superava todas as minhas expectativas: ele era doce, carinhoso, protetor, mas tinha um lado que ele pouco deixava aflorar que eu adorava também. Se ele soubesse o quanto eu gostava desses tapinhas e sexo selvagem, ele perderia o controle bem mais frequentemente. Acordei no dia seguinte antes do Matheus e comecei a amadurecer a ideia absurda que tinha tido ontem, sabia que estaria correndo um risco e que ele poderia me achar uma louca. Mas eu queria dar esse passo por nós dois, o meu maior arrependimento na noite em que terminamos foi não ter tido a oportunidade de dizer “sim” a ele. Pedi nosso café da manhã à recepção do hotel, tomei um banho bem quente e voltei para a cama completamente nua e com os cabelos molhados. Matheus já estava acordado e parecendo pensar na vida quando eu entrei no quarto, mas assim que me viu ele deu aquele sorriso que eu tanto gostava pela manhã. Fui para a cama e me sentei em cima dele apoiando minhas mãos em seu peito. — Bom dia, minha safada — ele murmurou. — Tinha me esquecido de como é bom ver você andando nua por aí. — Aproveitei o seu bom humor e tomei coragem. — Matheus — falei um pouco mais séria, eu estava morrendo de medo e nervosismo. — Você quer cuidar de mim para o resto da sua vida? — perguntei baixinho. — Você sabe que sim. Engoli em seco. Bom, sua primeira resposta foi positiva, então, continuei: — Eu quero amar você e te fazer feliz por todos os dias enquanto eu viver... — falei e ele pareceu confuso, ou atordoado, não sei bem. — Você é o homem da minha vida, Math... Quer se casar comigo? — Eu não acredito que você acabou de fazer isso... — Achei que não tivesse gostado, mas logo depois ele começou a rir, achando graça. — Estou falando sério, Matheus. — Eu sei, meu amor, o pior é que eu sei. — Não consegui esconder minha decepção por ele estar rindo e estragando um momento como este. Quando ia sair de cima dele, irritada, Matheus me jogou na cama e segurou meu rosto. — Se você tivesse esperado até o final do dia, quem estaria tendo que responder a essa pergunta


seria você, minha baixinha... — Ai meu Deus! Tremi na base ao escutar isso. Matheus acariciou meu rosto e me deu um beijo apaixonado me deixando completamente sem reação. — Mas já que você se adiantou, a resposta é sim.


CAPÍTULO 23

Jéssica Enquanto eu observava a costa de Stonington, Matheus dirigia ao meu lado mais concentrado do que o normal. Ontem à noite ele tinha decidido que passaríamos os meus últimos dois dias de folga isolados do mundo, adorei a ideia no exato momento em que falou. Seria bom fugir um pouco de tudo a nossa volta e nos concentrar um pouco mais na gente. Estava sendo estranho pensar que agora nós dois estávamos noivos, quando eu o pedi em casamento não tinha parado para pensar em todos os preparativos e tempo que isso exigiria. A única coisa que passava pela minha cabeça quando me imaginava casada com ele era em levar a nossa vida do jeitinho que tínhamos conseguido antes, apenas ele, eu e o Ozzy. Havíamos passado todo o dia anterior praticamente trancados no hotel e quando decidimos sair, o primeiro lugar que ele me levou foi até a casa do seu pai. Nunca pensei que Louis ficaria tão feliz ao me ver, principalmente depois da carta que escrevi antes de viajar, só que, como sempre, ele foi um amor. Chorei feito uma criança quando ele disse que era bom que eu tivesse finalmente voltado para casa. Eu tinha uma péssima mania de me apegar às pessoas que me davam carinho, mas Louis era tão amoroso comigo que era impossível não me apaixonar por ele. Quando contei a respeito do casamento, ele ficou imensamente feliz e prometeu que faria o possível e o impossível para que eu tivesse o casamento dos meus sonhos. O abracei forte quando ele disse isso e ao mesmo tempo pensei que provavelmente nem meus pais fariam isso por mim. Eu sabia que eles me amavam, mas os dois pareciam achar que, porque eu já era adulta, não precisava mais deles, mero engano. — No que você está pensando? — Matheus perguntou me tirando dos meus devaneios, nós estávamos desde cedo na estrada e eu não fazia a menor ideia dos planos que ele tinha em mente. A única coisa que eu sabia era que estávamos em uma pequena cidade litorânea de Connecticut que ficava aproximadamente duas horas de Manhattan. O lugar era perfeito, eu amava praia e ele sabia disso melhor do que ninguém. — Em você, em mim, um pouco de cada coisa eu acho — respondi. — Eu tenho medo quando essa sua cabecinha começa a pensar demais. — Ri ainda mais porque ele estava certo em ter medo. Pensando ou não, eu sempre arranjava alguma confusão para a sua vida. — Matheus... — Hum? — Você vê filhos no nosso futuro? — Ele arregalou os olhos parecendo assustado, sabia que a


pergunta era inesperada, mas era que Louis disse que não queria esperar por netos, só que eu não me sentia nem um pouco preparada para um passo como esse ainda e foi aí que me lembrei de que eu e ele nunca tínhamos conversado sobre bebês, qual era a sua vontade ou se ele queria ser pai logo. — Vejo... mas não agora — ele falou firme e fiquei aliviada. — Acho que fiquei um pouco egoísta depois que te conheci, não sei se estou preparado para te dividir ainda. — Fiquei toda boba com as suas palavras e no fundo eu me sentia da mesma forma, eu queria ser a única para ele por um bom tempo. A viagem durou mais uma meia hora e conversamos sobre tudo, inclusive, sobre o nosso casamento. Matheus disse preferir algo pequeno, mas sabia que seria praticamente impossível por causa do seu trabalho e família. Eu não me importava e, para falar a verdade, tudo o que eu queria era me tornar sua esposa. — Chegamos. — Ele reduziu a velocidade e entrou por uma pequena estrada, parecia uma propriedade particular e bem afastada da cidade. Assim que entramos pude ver melhor, a estrada ficava na margem de várias árvores sombreando o caminho e no final tinha uma pequena casa. Surtei ao ver a praia completamente deserta e assim que ele estacionou saí do carro apressada. O dia estava lindo, e se seriamos apenas nós dois eu queria começar a aproveitar agora mesmo. Olhei para trás e o peguei saindo do carro. — Eu quero entrar. — Agora? — Sabia que a gente tinha que descarregar o carro, tínhamos feito algumas compras para esses dois dias e ainda tínhamos as malas. Mas poderíamos fazer tudo isso depois, sem o menor problema. — Hum-hum... — Puxei meu vestido, tirei meu tênis e fiquei apenas de biquíni. — E você vem comigo. — O arrastei até a areia. Matheus arrancou sua camisa e eu acabei entrando na sua frente, enquanto ele pensava se vinha atrás de mim ou não, por fim tirou sua bermuda ficando apenas de boxer para o meu total desespero. — Vem logo, Matheus. Cadê sua coragem? — o provoquei, tentando esconder o quão arrepiada eu estava por causa da água gelada. Ele entrou e assim que chegou perto o abracei forte. — Você está tremendo, Jess — ele disse enquanto segurava em minha cintura carinhosamente. — Me esquenta? — pedi já passando meus braços em volta da sua nuca. Matheus demorou a me beijar, ele parecia mais interessado em me decifrar, seu olhar estava atento em meu rosto e vi quando desceu até a corrente que eu usava. Eu passei semanas usando esse colar e essa manhã tinha colocado mais por hábito do que tudo. — Você o guardou? — Ele pegou o colar nas mãos. — Sim. — Não quero que use isso novamente — Matheus disse parecendo nervoso, só que eu não queria me desfazer do anel. Eu o tinha como um amuleto, algo que me ligasse a ele. — Math... — Essa merda só me traz recordações ruins, Jéssica. — O segurei e pensei duas vezes antes de tirálo. Quando fiz, lhe entreguei e fiquei completamente chocada com a sua atitude. Matheus jogou o meu


colar com o anel ainda pendurado longe. Bom, o dinheiro que ele estava jogando fora era o dele, mas achei desnecessária a sua reação. — Você é louco! — Por você sim... — ele sussurrou e sua boca tomou a minha quase que imediatamente, exigindo a minha entrega, coisa que fiz sem pestanejar. Seus dedos tocaram a fina tira da calcinha do meu biquíni e ele enfiou sua mão por dentro apertando com força o meu bumbum e me pressionando contra a sua ereção. — Parou de tremer rapidinho, não foi? — Só o som da sua voz já fazia loucuras comigo, esse sussurro rouco bem ao pé do meu ouvido me deixava ansiando por mais.

***

Matheus

Odiei ver aquele anel pendurado na corrente que a Jess usava no pescoço e sabia que tinha feito o certo ao jogá-lo fora. Eu não queria ser confrontado com nada que me fizesse relembrar o motivo da nossa separação, não quando eu já tinha decidido deixar tudo para trás. Quando percebi que não aguentaria mais, achei melhor tirá-la da água. Jéssica tinha voltado a sentir frio e sua pele estava totalmente arrepiada, ela até tentou me convencer de que era porque estava excitada, mas não queria arriscar e vê-la passando mal depois por um descuido bobo. Descarregamos o carro e, enquanto ela subia com as nossas malas para o quarto onde iríamos dormir, eu guardava as compras na cozinha. Acabei estranhando o silêncio da casa e fui atrás para ver o que estava aprontando. Já tinha um tempo que Jess tinha subido e não tinha escutado nenhum sinal dela pela casa. Fui encontrá-la, para a minha surpresa, na sala olhando alguns discos e CDs antigos que eu tinha guardado por aqui. Eu tinha essa casa há alguns anos e só a comprei porque, quando era moleque, gostava de surfar e o mar nessa região era propício para isso. Sentei-me ao seu lado e puxei suas pernas para o meu colo, a safada ainda estava só de biquíni e começou a brincar com o pé em cima da minha coxa só para me provocar. — Você tem um sério problema com roupas, não tem? — falei e ela continuou com a tortura. Acabei perdendo a paciência, segurei seu pé e comecei a massageá-lo, gostei da carinha de prazer que ela fez e continuei. — Isso é gostoso... — Porra, a gostosa aqui era ela! Jéssica fechou os olhos e eu senti meu membro ficando duro dentro da bermuda. Me coloquei entre as suas pernas e vi o fogo acender em seus olhos quando ela pressionou seu quadril contra o meu e sentiu a minha ereção. Eu gostava do fato dela ficar completamente impaciente quando ficava excitada, Jess nunca passou vontade por vergonha de pedir o que queria e eu ficava louco com isso.


— Eu não vejo a hora de você se tornar a minha mulher... — falei com ênfase no minha, porque, puta merda, eu morria de ciúmes dessa garota. Só de lembrar a sensação ruim que foi vê-la com o O’Ryan aquela noite, meu sangue fervia. — Eu já me sinto sua mulher, Math — ela disse e me puxou em sua direção, suas pernas me pressionaram uma de cada lado e ficou ainda mais claro o quão ansiosa ela estava. Fizemos amor ali naquele sofá e seus gemidos, como sempre, mexeram com a minha cabeça. Eles eram como um incentivo e quanto mais eu a escutava mais fundo eu metia. Suas unhas arranharam minhas costas fora a fora e devo ter mordido seu lábio com força quando senti a dor das unhadas porque ela se contorceu desesperada embaixo de mim. — Shhh, meu amor. — Tentei acalmá-la só para me perder na intensidade com que aqueles olhos azuis me encaravam. Minha baixinha estava perto de gozar e era foda perceber isso apenas a observando. Sua pele estava suada, seu olhar suplicante, seus seios subindo e descendo enquanto acompanhava sua respiração irregular... Ofegante, Jéssica jogou a cabeça para trás e se segurou em meu ombro. Deixei uma lambida que ia da linha entre os seus seios até o seu queixo e dei uma breve mordida a fazendo segurar um gemido. — Eu amo você, garota — murmurei abalado enquanto a encarava. Essa garota significava tudo para mim e ainda era difícil admitir que eu era completamente dependente dela. Do seu cheiro de fêmea, do seu corpo, seu toque e prazer... Ela era pior do que qualquer outra droga e eu tinha me tornado o pior tipo de viciado: daqueles que definitivamente não querem se ver livres do que os alucina. — Eu sei... — Jess me abraçou contra ela, deixando nossos corpos ainda mais colados um ao outro. Meu pau latejou e depois de mais algumas estocadas bem intensas a senti me apertando gostoso. Minha safada gozou e gemeu baixinho dessa vez, voltei a beijá-la enquanto ia sentindo seus espasmos em volta do meu membro, não demorou muito e gozei dentro daquela bocetinha apertada. Para não machucá-la, a coloquei por cima de mim e a abracei. Sua respiração ainda estava irregular e, para ser sincero, eu não queria fazer outra coisa do que passar a tarde com ela em meus braços, exatamente do jeito que estávamos agora.

***

Jéssica

Algumas horas depois desci as escadas atrás do Math, nós tínhamos acabado de tomar um banho juntos, mas ele insistiu em descer na minha frente para começar a preparar o nosso jantar. Depois do dia que tivemos, eu estava faminta. Fizemos amor pelo menos umas três vezes e ele ainda insistiu para que fôssemos dar uma caminhada na praia ao entardecer. Entrei na cozinha e o encontrei concentrado no que fazia, acho que esse mito de que homens que cozinham são bons de cama era absolutamente verdade. Matheus era incrível nas duas situações e eu o teria à minha disposição sempre me amando e mimando.


— Que cheiro gostoso, Math. — Confesso que estava com saudades da comida dele, andei me alimentando mal e estava adorando a ideia de uma comidinha mais caseira. Peguei duas cervejas na geladeira e me sentei no banco do balcão de frente para ele, que cortava alguns temperos. — Quer ajuda? — perguntei e ele negou com a cabeça imediatamente. — Acho melhor não, Jéssica. Nada de copos quebrados e comida queimada essa noite. — Fiz uma careta para ele, eu sempre tive boa vontade e pedia para ajudá-lo, mas Matheus nunca me deixava participar. Tomei um gole da minha cerveja e ele enrugou a testa. — Tem suco na geladeira. — Eu sabia que tinha, mas eu queria uma cerveja. — Eu sei. — Dei de ombros e continuei tomando enquanto o observava cozinhar, de vez em quando ele me fazia experimentar o bendito molho o que só aumentava ainda mais a minha fome. Dei a ideia de jantarmos no deque da varanda, a vista era linda e seria muito mais romântico. Math nos serviu vinho e eu me dei conta de que não seria nada bom misturar uma bebida com outra, ele pareceu pensar a mesma coisa e não voltou a encher a minha taça. Assim que experimentei o camarão ao molho branco que ele tinha preparado quase gemi. Vendo a minha reação, ele sorriu e continuou a falar sobre alguns detalhes a respeito do nosso casamento, Matheus me contou que não gostaria de ter um noivado longo e que pretendia se casar comigo em menos de seis meses. Não me importei com o prazo, a única coisa que me preocupava era como eu planejaria tudo, eu não fazia a menor ideia por onde começar, o que fazer primeiro e assim que lembrei-me de que nem a Anny e nem a sua família poderiam estar presentes, me senti um pouco mal. Por anos nós tínhamos feito planos para quando esse dia chegasse, Anny seria a minha madrinha, me ajudaria em tudo já que ela era bem mais organizada do que eu e tudo seria perfeito. Mas agora eu teria que me virar, sei que Katie me ajudaria no que fosse possível, mas ela era bem mais ocupada e desligada nesses assuntos de casamento do que eu. — Então, como foi a sua viagem? — Matheus perguntou do nada me pegando completamente desprevenida. Eu achei que ele iria enterrar esse assunto também, mas, pelo visto, só tinha esperado o momento certo para me questionar. — Boa. — Só isso, boa? Você deixou tudo para trás para ter uma viagem apenas boa? — ele não falou com grosseria, mas fiquei chateada com a forma como soou. — Foi uma viagem a trabalho, Matheus. — Eu sei que foi, mas quero saber o que fez nas suas folgas, quantas pessoas tinham na equipe, onde se hospedaram... — Por que isso agora? — Curiosidade. — Ele tentou parecer despreocupado, mas ficou claro que estava forçando. — Primeiro, tive poucas folgas e sempre que dava ia bater perna nas cidades em que estava, eu gostava desse tempo livre longe da pressão do Josh e todo o resto. Quanto à equipe éramos em seis pessoas... — Só você de mulher? — me interrompeu.


— Não, tinha uma jornalista nos acompanhando também. E, por último, todos ficávamos hospedados no mesmo hotel, funcionava melhor assim. — Quando terminei de falar, Matheus se recostou na cadeira e me observou. Será que ele achava que eu estava mentindo para ele? — Não perguntei por mal, Jéssica, só queria saber como foi. Foram quatro meses sem nenhuma notícia, sem saber nada a seu respeito. — Eu sei que foram, mas posso garantir que passei a maior parte do meu tempo trabalhando. — Isso parecia mais um interrogatório do que uma conversa. — É só isso? — perguntei magoada. — Sim. — Passamos o restante do jantar conversando apenas amenidades, nada que pudesse gerar algum outro clima tenso entre a gente. Quando terminamos, ele se sentou na espreguiçadeira do deque e me puxou deixando-me bem no meio das suas pernas, enquanto suas mãos alisavam minha cintura e barriga por baixo da minha blusa. Eu entendia todas as questões que ele tinha na cabeça. Acho que no seu lugar eu estaria agindo da mesma forma. O que não estava gostando é que eu sabia que lá no fundo tinha alguma coisa o incomodando. — Eu sinto muito — ele sussurrou ao meu ouvido. — Eu acho que você vai ter que ter um pouco de paciência comigo, meu amor. — Não respondi nada e me aconcheguei ainda mais em seus braços, eu só queria ficar ali quietinha sem pensar em nada. Fechei os olhos e senti o seu toque gostoso pelo meu corpo e em questão de minutos adormeci.

***

Matheus

Coloquei Jéssica na cama e me sentei ao seu lado observando o seu sono. Eu quase tinha estragado a nossa noite por causa do meu interrogatório, mas esse era um assunto que teria que ser conversado, mais dia menos dia, porque para mim estava bem claro que o O’Ryan tinha segundas intenções e meu medo era de que ele usasse a sua posição para manipulá-la ou provocá-la de alguma forma. Pelo que conhecia da Jess, ela provavelmente não tinha se dado conta do seu interesse, e se fosse o caso de ter notado, com certeza me esconderia. Eu estava tentando não pressioná-la quanto a isso ainda até porque tínhamos acabado de voltar e não queria interferências na nossa relação, mas cada vez que a escutava falar a seu respeito, mais eu tinha certeza de que ele seria uma grande dor de cabeça na minha vida. — O que você tem, Math? — Olhei para ela deitada de lado e com os olhos abertos me encarando preocupada. — Nada. — Acariciei seu cabelo e sorri ao ver sua expressão ainda meio sonolenta. Evitei falar qualquer coisa para não magoá-la por causa das merdas que eu estava pensando. — Eu nunca mais vou deixar você sair da minha vida, Jess — murmurei e ela me deu um sorriso lindo. — Acho bom mesmo — sussurrou baixinho e voltou a dormir.


***

Jéssica

Depois de dois dias incríveis longe do mundo real, eu estava voltando à minha rotina e nada melhor do que começar a semana sendo pontual. Acordei antes do Matheus essa manhã e corri para a revista, Josh tinha deixado milhões de mensagens de voz para mim durante a minha escapulida e todas praticamente exigindo que eu estivesse bem cedo em sua sala hoje. Eu estava morta de ansiedade, não me lembrava de nada tão importante assim que tivesse que ser conversado entre a gente e ele não tinha me dado nenhuma pista. Saí do elevador, cumprimentei a secretária dele e fui direto para a sua sala. — Você tem alguma ideia da importância de um celular nos dias atuais? — Eu sabia que teria que ouvir, mas, poxa, eu estava de folga ele não podia me cobrar pelo tempo que eu passava longe dessa revista. — O lugar onde eu estava não tinha sinal. — Isso era verdade, Matheus soube escolher bem o destino da nossa viagem. — Você viajou? — Ele arqueou a sobrancelha e eu comecei a ficar desconfortável. — Sim. — Sozinha? — Neguei e ele ficou quieto, tomei a iniciativa e mudei de assunto. Perguntei o motivo da reunião de urgência e ele me explicou me deixando completamente surpresa. Eu nunca pensei que ele fosse chegar a fazer isso por mim, porque depois da nossa viagem eu juro que achei que ele fosse me deixar definhando como sua “faz-tudo” até que eu desistisse dessa ideia louca de trabalhar para ele. Mas Josh estava colocando nas minhas mãos o sonho de toda uma vida. Segundo ele, depois de conversar com seus sócios e alguns funcionários, foi decidido que eu seria contratada em definitivo e faria parte da principal equipe de fotógrafos da revista. Eu quase pulei em cima dele quando me disse, quer dizer, eu meio que fiz isso. Fiquei tão feliz que o abracei, só para me sentir completamente sem graça depois. Josh me afastou de forma grosseira e eu percebi que talvez tenha passado dos limites... Não fiz por mal, fiz por estar realmente contente. — Não exagera, Jéssica — ele soou irritado e continuou a falar. — Espero que entenda a importância dessa oportunidade que eu estou te dando, eu posso fazer de você a melhor fotógrafa dessa revista, só depende única e exclusivamente do seu comportamento. — Sorri feito uma boba, morrendo de vontade de contar ao Matheus a novidade. Tive que passar o dia inteiro fora com o Josh, ele tinha uma reunião e depois iria escolher pessoalmente os cenários para uma matéria sobre Nova Iorque. No começo não entendi o motivo para que eu fosse com ele, mas no final do dia, quando eu já estava exausta, Josh me contou que eu ficaria encarregada de produzir essas fotos sozinha. Por incrível que pareça, ele sorriu quando viu a minha animação; se ele não tivesse sido tão grosso comigo mais cedo, eu acho que o abraçaria de novo. Apesar do seu repentino bom humor, ele fez questão


de deixar bem claro que queria total dedicação, pensei em contar a respeito do meu noivado, mas queria conversar com o Matheus antes sobre tudo isso que estava acontecendo.

***

Matheus

Meu dia deveria ter começado bem, mas foi de mal a pior conforme as horas iam passando. Acordei e Jéssica já tinha ido trabalhar, achei engraçado o recado que deixou do seu lado da cama, mas nem isso me acalmou. Fora que fui bombardeado por vários imprevistos no decorrer do dia, minha prioridade sempre foi a Jéssica e nunca me importei em deixar de lado alguns trabalhos por causa dela, mas isso estava começando a virar uma bola de neve. Por sorte, a maioria dos meus clientes eram velhos amigos e confiavam no meu trabalho e profissionalismo, mas em dias como o de hoje isso me deixava com a cabeça quente. No final da tarde, eu já estava com uma puta dor de cabeça, louco para ir para a casa e relaxar um pouco até que fosse a hora de sair para encontrar o Leo e a Katie, ele tinha me convidado para a inauguração de um novo pub que aconteceria essa noite. Cheguei em casa esperando que, pelo menos, a Jess estivesse por ali, pela hora em que saiu essa manhã ela já deveria ter chegado há muito tempo. Saí do banho e meu telefone tocou, cheguei a pensar se atendia ou não, mas sabia que se fosse ignorar a Caroline, ela apenas se tornaria mais insistente. — Estou ocupado — respondi assim que ela começou a falar meio que descontrolada. — Você esteve com ela, não esteve? — Já conversamos sobre isso... — disse impaciente. — Eu sei, Matheus, só estou querendo abrir os seus olhos — falou preocupada. — Essa menina é mais esperta do que imaginei, querido, aposto que esse tal de O’Ryan já deve estar comendo nas mãos dela. — Eu sabia que Caroline iria jogar isso na minha cara, e o pior era que, mesmo tendo acreditado nas explicações da Jéssica, eu ainda estava sendo atormentado pelo ciúme. Essa era a primeira vez que eu realmente estava perdendo a cabeça por causa desse sentimento, eu já tinha pegado implicância com Jason uma vez e fiquei louco quando descobri que ela tinha beijado o babaca do seu ex-namorado, mas dessa vez era muito pior porque Josh já não era nenhum moleque. — Eu tenho que desligar, Carol — falei assim que escutei o som do jipe estacionando na garagem. Terminei de me vestir e assim que a vi entrar no quarto estranhei o seu sorriso de todo o tamanho. Será que ela já tinha se dado conta de que estávamos atrasados? — Eu sei que estou atrasada, prometo que vou ser rápida — falou enquanto se desfazia da sua roupa bem na minha frente, isso só nos atrasaria ainda mais. — É que... eu tenho uma ótima novidade. — Observei ela tirando sua calcinha... — Olha para o meu rosto, Matheus! — pediu sorrindo. — Novidade?


— Sim, Josh me promoveu essa manhã, agora eu realmente sou a nova fotógrafa da Travel. — Eu poderia estar sendo o maior idiota do mundo, mas isso caiu como um balde de água fria em cima de mim. Tudo que eu conseguia pensar era na conversa fiada da Caroline e no fato de que talvez ela pudesse estar certa. — Isso não é ótimo? — falou e me abraçou completamente nua. Jéssica não esperou que eu respondesse, me deu um beijo rápido no rosto e foi tomar o seu banho. Merda! Eu tinha que ficar feliz por saber que provavelmente seu chefe queria ir para a cama com ela?


CAPÍTULO 24

Jéssica — O que aconteceu, Jéssica? — Katie me perguntou assim que entramos no banheiro do tal pub. Mas o que eu iria responder se nem eu sabia o que estava perturbando o Matheus essa noite, desde antes de sairmos de casa ele estava com esse mau humor. — Eu não sei. — Eu não estava com cabeça para falar sobre nada disso, tudo que eu queria era ter uma noite divertida sem assuntos sérios e preocupações, eu já tinha aguentado muito disso durante todo o dia. Katie se aproximou e colocou a mão no meu ombro preocupada, eu sabia que minha cara estava péssima e nem adiantaria tentar fingir porque ela me conhecia bem demais. — Matheus sofreu muito quando você foi embora, Jéssica. Eu vi o quanto o Leo ficou preocupado com ele. Eu não sei o que está te deixando chateada, mas tenha um pouco de paciência. Vocês acabaram de voltar, é normal que tudo esteja um pouco tumultuado. — Engraçado porque ele tinha me pedido a mesma coisa: paciência. Sorri para que ela não se preocupasse ainda mais e esperei enquanto ela terminava de retocar a sua maquiagem para que pudéssemos voltar até a nossa mesa. Assim que me sentei ao lado do Matheus fui puxada para os seus braços, não entendi sua mudança repentina de comportamento e fiquei confusa. Vendo a minha expressão, Katie logo deu um jeito de tirar o Leo da mesa nos deixando sozinhos. — Eu fiz alguma coisa de errado? — perguntei inconformada. — Não — disse simplesmente. — Então, por que você está me tratando assim? — Aposto que se ele continuasse dessa forma até o final da noite eu estaria chorando. — Eu sei que estou sendo um idiota, é só que... — Esperei por uma explicação, eu só queria que ficássemos bem. A nossa viagem tinha sido tão incrível, eu estava tão feliz pelo noivado e agora pela minha promoção... Mas nem isso teria graça se ele continuasse a me torturar dessa maneira. — Não sei se esse é o melhor lugar para conversávamos sobre isso. — Eu não me importo que seja aqui, Math, só não aguento a forma como você está agindo comigo — falei angustiada. Vendo o quanto eu estava mexida, ele me beijou, sua boca tocou a minha de forma tão carinhosa, como se estivesse com medo de me quebrar. Fui pressionada contra o banco de couro e suas mãos logo seguraram o meu rosto, uma de cada lado. Nosso beijo foi cálido, mexeu com cada milímetro do meu corpo e meu coração parecia que ia saltar pela boca a qualquer momento. Eu o amava tanto que só de pensar que poderia perdê-lo já ficava desesperada. Me esqueci de tudo enquanto era acariciada e devorada por ele, esse não era o melhor lugar


para fazermos isso, mas eu não me importava, eu queria senti-lo da maneira que fosse possível até que me sentisse segura novamente. — Eu te amo tanto, Math — sussurrei com a voz abafada entre um beijo e outro, sua mão a essa altura pressionava a minha coxa e a outra estava prestes a...


CAPÍTULO 25

Josh — É ela, não é? — Camille perguntou e virou seu drink de uma só vez enquanto olhava o casal apaixonado à nossa frente. Eu estava prestes a acabar com essa maldita noite quando vi a última pessoa que eu esperava encontrar nesse lixo de bar. “Era só o que me faltava”, pensei irritado enquanto tentava controlar a minha raiva. Camille sabia que eu odiava lugares como estes, não tinha mais paciência e as mulheres que encontrávamos nesses pubs que ela insistia em me arrastar nunca valiam a pena. Então, dar de cara com a Jéssica não era a melhor forma de terminar o dia. Cam me olhou curiosa, analisando cada reação minha de forma descarada. Quando cogitei a ideia de contratar a Jéssica era porque seu trabalho realmente tinha me deixado impressionado, coisa que quase nunca acontecia. Só que assim que a conheci pensei na possibilidade de voltar atrás na minha decisão. Ela era imatura, sem nenhum controle emocional e uma verdadeira tentação. Contei a Camille a respeito dela, passei dias observando suas atitudes, mas depois que percebi que o seu relacionamento com o Hudson era sério, eu recuei. A garota era talentosa demais e seria um risco desnecessário envolvê-la no nosso jogo. Fora que se eu tivesse chegado a tomar alguma iniciativa, eu teria que me assegurar de que Camille não fizesse nenhuma besteira, lidar com a intensidade dela era muito diferente do que lidar comigo. Cam se jogava de cabeça em todas essas relações vazias e por vezes eu tinha que obrigá-la a parar. Desviei meu olhar do casal e pedi um Martini, a vadia riu ao meu lado e pediu uma dose dupla para ela. Cam e eu nos conhecíamos basicamente desde os seus 17 anos, claro que na época eu só a via como uma menina irritante protegida pelo pai. Anos se passaram, ela cresceu, eu assumi o comando da Travel e nós voltamos a nos encontrar. Não a reconheci de imediato, Cam esperou que a merda já estivesse feita até dizer quem ela era. Só que eu gostei, gostei da sua arrogância, safadeza, superioridade. gostei de cada defeito irreparável dela, principalmente pelo fato de ela gostar de dividir mulheres comigo. Nós nos divertíamos com esse jogo, podia até ser perigoso, mas era excitante ver Cam se apaixonando constantemente por mulheres que ela nunca poderia ter por muito tempo. Fazia parte do nosso trato, até porque nós dois tínhamos planos bem maiores para o nosso futuro. — Já disse que ela está fora. — Ignorei seu olhar ferino e lhe lembrei do que já tinha sido conversado antes. Eu tinha que ter bom senso por nós dois, caso contrário ela colocaria tudo a perder. — Sim, você disse, mas é que eu me interessei por ela.


— Escolhe outra — falei impaciente. — Você é tão mau, Josh, eu quero ela. — Está surda? — A piranha estava me provocando de propósito e isso não era bom, não quando eu estava aqui me remoendo pela cena ridícula que tinha acabado de presenciar. — Você está tão chato desde que voltou. Eu só espero que... — Cala a boca Camille e escolha logo qualquer uma que eu quero sair desse lugar. — Era isso que me deixava louco por ela, Cam não se sentia intimidada por nada, muito menos por mim. Era desafiador levá-la para a cama porque nunca era igual, seu humor mudava constantemente. Eu podia dormir com uma puta e correr o risco de acordar ao lado de uma mulher egocêntrica no dia seguinte. — Estou em dúvida esta noite, loira ou morena? — ela perguntou e eu só pude rir dá sua indecisão, eu sabia que o que fazíamos era uma merda, mexia com a cabeça das garotas com quem nos envolvíamos, mas isso funcionava tão bem para nós dois. — Morena. — Deixe-me adivinhar... de olhos azuis? — “De preferência”, pensei. Mas evitei fazer qualquer outro comentário. A boca carnuda da Camille pintada de um vermelho escuro e seu cabelo minimamente feito para parecer despenteado chamaram a minha atenção, eu adorava esse lado sacana dela, porque sabia que perto do seu pai e amigos ela não passava de uma mentirosa. Cam não tinha vergonha na cara, fingir era tão fácil para ela quanto mandar era para mim. — Escolhe logo! — A apressei, mas essa noite qualquer uma serviria. Pouco me importava no final se seria loira ou morena, não iria passar de sexo de qualquer maneira. Cam chegou a mostrar algumas opções, mas nenhuma delas me pareciam apetitosas ou intensas o suficiente para o que eu tinha em mente. — Não vou passar a noite toda esperando você escolher uma puta, Josh, tira logo essa garota da cabeça e se concentre. — Como sempre, direta ao ponto. Seu rosto mostrava a sua insatisfação, mas convenhamos que eu também não estava muito contente com toda essa situação. Nós dois olhamos ao mesmo tempo para o casal que se levantava da mesa e saía do bar. — Até ela vai ter uma boa trepada agora e eu aqui, esperando você se decidir. — Suas merdas já nem me incomodavam mais. Como eu disse antes, tudo não passava de fingimento. — Pegue a primeira que encontrar, pouco me importa desde que ela saiba obedecer. — Saí sem me importar com o que Cam faria ou quem ela traria para a nossa cama essa noite...

***

Matheus


Nada me deixava mais desestabilizado do que ver a Jéssica mal, pior ainda era saber que eu era o único culpado por isso. Não me segurei e quando ela voltou junto com a Katie eu meio que deixei de lado o que estava me incomodando e a envolvi em meus braços. Falei para ela que tínhamos que conversar, mas achei melhor fazer isso em casa, não queria envolver Leo nessa história. Não demorou muito e nos despedimos deles, Jéssica estava vermelha, não sei se por causa dos nossos beijos ou se por nervosismo, mas achei melhor levá-la para casa e resolver logo esse assunto. — Nós já estamos sozinhos, Matheus, eu quero saber o que está acontecendo — ela disse assim que entramos no carro, olhei para ela sem saber como admitir o que estava me perturbando. — Eu quero que você seja sincera, Jéssica, Josh já demonstrou ter algum interesse em você? — De novo não, Matheus.... Pelo amor de Deus. Eu já não te expliquei que não existe nada? — Não foi isso que eu te perguntei. — Ela se recostou no banco impaciente e olhou para a frente. — A minha relação com o Josh é estritamente profissional, eu nunca o vi com outros olhos e se isso aconteceu da parte dele eu juro que não percebi. —ela falou quase em súplica, passamos o restante do caminho em silêncio, eu por estar me sentindo um babaca e ela tentando esconder as suas lágrimas. Assim que estacionei, saímos do carro e quando ela ia passar na minha frente eu a segurei. — Vem cá. — A trouxe para os meus braços e limpei seu rosto molhado por causa do seu choro. — Me desculpe por ter estragado a sua noite, eu estou feliz pela sua conquista, Jess, eu sei o quanto você lutou para chegar até aqui. Mas eu sou completamente louco por você, não vou aguentar te perder de novo. — Porra, a forma como ela me olhou quase acabou comigo. Jess negou com a cabeça e tentou falar, mas seu choro só aumentou. — Eu não entendo... isso é motivo para me tratar assim? — Eu perdi a cabeça, meu amor, pensei merda e deixei que isso... — Eu não queria dizer a ela nada do que pensei, pois sabia que só iria piorar as coisas. — Ou você confia em mim ou não confia, Matheus. Eu posso até meter os pés pelas mãos de vez em quando, mas eu nunca trairia você — ela falou nervosa, toquei seu rosto enxugando as suas últimas lágrimas consciente de que eu a tinha magoado. — Isso não vai voltar a acontecer... — Você jura? — não pude deixar de sorrir ao ver a forma como ela me pediu, era em momentos como esses que eu tinha certeza de que Jéssica tinha entrado na minha vida para que eu cuidasse dela e a protegesse. — Eu juro, meu amor.


CAPÍTULO 26

Jéssica Alguns dias depois...

Entrei em casa correndo e duas coisas logo me chamaram a atenção: a primeira, era que Ozzy não tinha vindo me receber como de costume; e a segunda, era que as luzes estavam apagadas, apenas alguns abajures iluminavam o ambiente e isso era estranho. Preocupada fui até a cozinha, que aparentemente era o único cômodo aceso e tomei o maior susto do mundo quando Matheus me pegou por trás. — Eu tenho uma surpresa para você — ele murmurou e eu quase fiquei tonta. Math estava muito cheiroso, uma mistura gostosa do seu perfume amadeirado com o da sua loção pós-barba que era impossível não me fazer ter nenhuma reação. Era esse cheiro que ficava em minha pele depois que fazíamos amor, eu podia sentir nos travesseiros, lençóis... — Não sei se eu gosto de surpresas, Math — falei e senti um friozinho na barriga quando suas mãos taparam meus olhos. Essa manhã ele tinha me ligado pedindo que eu não me atrasasse porque tínhamos um jantar na casa do seu pai, por isso cheguei apressada em casa. — Desta você vai. — Oh meu Deus! Só pela sua voz eu conseguia perceber que ele estava cheio de segundas intenções. Respirei fundo e deixei que ele me levasse até onde estaria a minha surpresa. — Pode abrir, meu amor. — Matheus tirou a mão que tapava meus olhos e eu quase caí para trás. A nossa sala de jantar estava decorada com velas espalhadas por todo o ambiente, a mesa posta e flores lindas completavam todo o resto. — Gostou? — ele murmurou atrás de mim. Como eu podia não gostar? Estava tudo perfeito... Math era perfeito. — Eu amei, isso é tão romântico. — Era uma das coisas mais incríveis que ele tinha feito por mim, se bem que eu já tinha perdido a conta de quantas coisas incríveis ele fazia quase que diariamente. — O que nós estamos comemorando? — perguntei por que, além de cheiroso, ele estava gostoso. Matheus vestia um suéter cinza escuro e jeans e o seu cabelo ainda estava molhado do banho. Ele riu vendo que eu o observava e, como de costume, me puxou para os seus braços. Eu não tinha sossego com esse homem, ou estava sendo abraçada, ou puxada, ou beijada... Mas eu adorava a forma carinhosa com que ele me tratava. — Essa noite eu estou comemorando o fato de ter encontrado a mulher da minha vida. — Ah não, isso era demais para mim! O que esse homem tinha hoje? Olhei para ele assustada quando o vi tirar do bolso uma caixinha, senti um déjà vu e fiquei tensa na hora me esforçando para não pensar na noite que ele iria me pedir em casamento e tudo deu errado. — Você ainda quer se casar comigo, não é? — ele


perguntou em tom de brincadeira enquanto ia encaixando o anel em meu dedo. — Porque eu odiaria ter que jogar esse no mar também. — A ficha demorou a cair e, quando olhei em seus olhos, eu só podia pensar no quanto eu o amava. — Math... — O abracei apertado. — Por que você faz essas coisas comigo? — Eu já estava chorando. — E é claro que eu quero me casar com você, é o que eu mais quero nessa vida. — Não chora, amor. — Ele passou a mão pelas minhas costas. — Tenho planos bem melhores para nós essa noite. — Sabia que ele estava falando de sacanagem. — Safado — falei e dei um soco nele de brincadeira. Passamos o jantar inteiro rindo e conversando, Matheus tinha cuidado de tudo, inclusive dos pequenos detalhes. A comida estava deliciosa, a sobremesa, então, nem se fale. Desse jeito, logo, logo, eu recuperaria o peso que tinha perdido durante a minha viagem. Ele foi romântico o tempo inteiro, o que só o deixou ainda mais irresistível. Quando terminamos, subi rapidinho para tomar um banho enquanto ele me esperava na sala da lareira, era uma das partes dessa casa que eu mais gostava, adorava ler meus livros sossegada com Oz ao meu redor. Caprichei na lingerie e vesti um baby-doll novo que ele ainda não tinha me visto usando. Voltei e Matheus me olhou dos pés a cabeça, o safado tinha colocado para tocar Bon Jovi comprovando o que eu já imaginava. Acabamos fazendo amor no tapete da sua sala, e ele foi tão carinhoso. Math me beijou por longos minutos até que eu estivesse perto de implorar e, quando tomou meu corpo, a única coisa que passava pela minha cabeça era que eu queria que esse momento durasse para sempre. Ele não parou de sussurrar coisas lindas ao meu ouvido, disse o quanto me amava, o quanto era louco por mim... Esse tinha sido o sexo mais doce e romântico que tínhamos tido até hoje.

***

— Acorda dorminhoca. — Mas já? Eu tinha ido dormir às três da manhã e ele já queria que eu estivesse de pé? — Não, você me deixou acordada a noite toda, Matheus, isso não se faz — falei meio sonolenta e voltei a tapar meu rosto com o travesseiro. Hoje era sábado, eu só queria dormir mais um pouquinho. — Você dorme quando voltar, Jéssica, agora acorda que a Katie já está lá embaixo te esperando. — Não acredito que eu tinha me esquecido, ela disse que me levaria a um cerimonialista essa manhã. Eu não estava muito animada com a ideia, fazia tudo parecer tão pomposo. — Isso não é justo, sabe? Enquanto isso você vai ficar em casa fazendo o quê? — perguntei enquanto tentava me levantar da cama. Só que Matheus me segurou e me jogou na cama novamente. — Primeiro você vai me dar bom-dia, sua mal-humorada — ele falou achando graça da minha cara. Mas, por que, afinal, eram as mulheres que tinham que resolver tudo? — Bom dia — falei contrariada.


— E segundo, você vai dizer que me ama. — Eu te amo. — Ele me deu um beijinho rápido, sussurrou que também me amava e me deixou levantar. — Agora sim você pode se levantar e colocar um sorriso nesse rosto. — Saí da cama e corri para o banheiro, Math ficou no vão da porta me olhando tomar banho e se eu já não estivesse tão acostumada com suas olhadas eu teria ficado muito sem graça. — Leo convidou alguns amigos para ir à sua casa, eu devo dar uma passada na casa do meu pai antes e depois correr para lá. Olhei para ele, não me conformando. Eu trocaria esse encontro para poder ter um dia divertido com eles. Leo tinha voltado ao normal comigo e isso era um alívio, afinal, ele era o melhor amigo do Matheus e o namorado da minha melhor amiga, e seria chato se ele continuasse me tratando como se eu fosse um problema. — Ainda emburrada? — Não — falei e saí do boxe. Matheus continuou ali enquanto eu me secava e me arrumava. Como já estava atrasada coloquei um jeans e um casaco, dei um beijo nele e desci para me encontrar com a Katie. No caminho para o cerimonial contei a ela da noite perfeita que tinha tido, mostrei o anel e ela ficou eufórica. Katie me perguntou como eu imaginava a festa e tudo mais. Tentei explicar por alto o que eu tinha em mente e ela achou a ideia ótima. Disse que também não conseguia me ver casando em uma igreja de forma tradicional. Chegamos, e eu fiquei desanimada, a rua em que estávamos fazia parte de uma grande galeria de lojas chiques e famosas e, diferente dela, eu nunca tinha entrado em nenhuma antes. — Amiga, o Matheus pode até ser um cara “aparentemente” simples, mas os convidados não serão. Esse cerimonialista é um dos mais procurados, minha mãe foi quem me indicou e... — Ela achou graça da minha cara, nós duas sabíamos que a mãe dela era um pouco exagerada. — O Sr. Hudson dificilmente vai aceitar que você tenha menos do que o melhor, é o único filho dele que estará se casando... — Quanto mais ela falava, mais eu me dava conta da responsabilidade nas minhas costas. — Eu entendo, mas se ele não concordar com a minha ideia nós vamos embora Katie. — Pelos meus pais pouco importava onde eu me casaria, eu tinha contado a eles na semana passada e eles ficaram felizes e só. Entramos no cerimonial e fui apresentada ao tal cerimonialista, odiei que a primeira pergunta que me fez foi com quem eu estaria me casando e, assim que falei o sobrenome do Matheus, ele ficou serelepe, deu pulinhos de alegria e eu fiquei assustada. — Você é uma garota de muita sorte, então — disse sorridente enquanto me olhava dos pés a cabeça. Escutei todas as besteiras que ele falou, dos casamentos que já tinha organizado, do seu prestígio e de como ele me ajudaria a ter o casamento mais incrível de toda Nova Iorque. Sorri sem graça para ele, eu não queria que fosse incrível para a cidade inteira, eu só queria que fosse perfeito para mim e para o Matheus. — Eu pensei em uma cerimônia na praia — fui direto ao ponto e não sei se eu tinha falado algum absurdo, mas ele me olhou espantado e eu olhei para a Katie pedindo socorro. — Não, não e não! Isso não está mais na moda, querida, os nova-iorquinos querem algo mais requintado... e blá-blá-blá, parei de escutá-lo no mesmo momento. Katie logo tratou de dizer que ligaríamos caso fôssemos escolher o seu cerimonial, colocamos o pé na rua e ela começou a rir muito. O


homem era um louco. Caminhamos na avenida e fiquei apaixonada por alguns vestidos nas vitrines, acho que essa seria a parte mais divertida no final das contas. Só que quando íamos entrar na loja para que eu experimentasse alguns, demos de cara com a Caroline. Pensei que ela fingiria não ter me visto, ou algo do tipo, mas me enganei. — Se eu fosse você não chegaria a ponto de comprar um vestido ainda, nunca se sabe o que pode acontecer, não é? — Katie tentou puxar o meu braço e pediu que eu não caísse na dela. — Não tenho medo, Caroline, e se eu fosse você — disse no mesmo tom de voz que ela usou. — ficaria bem longe do Matheus, ele é meu! — Ela sorriu debochada. — Eu juro que ainda não entendi o seu jogo, garota, ou você é uma ingênua coitada ou se faz de sonsa para viver. — Pelo menos, eu não sou uma vadia — falei no impulso e seu rosto ficou vermelho de raiva, Katie me arrastou de lá antes que a anoréxica revidasse ou fizesse algo pior. Olhei para trás e vi que ela continuava parada no meio da calçada sem reação. — Você é louca, Jéssica? — Ela me provocou. — Minha amiga apenas balançou a cabeça mas no final acabou achando bem feito. Eu sabia que ela teria agido da mesma forma. Como o Matheus ainda estava na casa do Leo, nós decidimos passar a tarde juntas e assistir a algumas séries e filmes, tinha tanto tempo que não ficávamos a tarde à toa que seria bom ter um momento só para gente. Fizemos brigadeiro, comemos outras porcarias e no final do dia eu já nem me lembrava do que tinha acontecido mais cedo. Katie só foi embora quando Matheus chegou. — Como foi o seu dia? — ele perguntou e eu contei a ele o que tinha acontecido no cerimonial, falei que tinha odiado as propostas e que queria algo um pouco mais informal. E assim como eu pensei, ele adorou a ideia de um casamento na praia, mas reforçou o fato de que não poderíamos fugir da quantidade de convidados. Fiquei feliz só pelo fato de ele não ter achado bobeira da minha parte, a escolha até podia ser clichê, mas era um dos poucos lugares onde eu conseguia me imaginar vestida de noiva. Uma praia ao entardecer, um vestido longo, flores no cabelo... Matheus vestido de branco, os convidados mais à vontade e a nossa música de fundo. Era só isso que eu queria. Ignorei os acontecimentos chatos e em nenhum momento toquei no nome daquela anoréxica, não queria estragar o nosso final de semana por causa da sua maluquice e também porque sabia que ela não seria nem louca de contar qualquer coisa a ele, seria como dar um tiro no próprio pé. No domingo almoçamos na casa do Louis, que também tinha convidado a Helena e os seus filhos. Contei a eles sobre os planos para o casamento e ela se ofereceu para me ajudar no que fosse preciso, conversamos um pouco mais depois do almoço e ela disse que não teve a oportunidade de planejar nada no seu e que a sua sogra era quem tinha organizado tudo. Fiquei surpresa com o fato de termos quase a mesma idade e sermos tão diferentes, Helena parecia tão apaixonada pelo seu marido e seus filhos eram a coisa mais fofa do mundo. Perguntei se em algum momento ela chegou a se arrepender de se casar tão cedo e ela me contou que tinha sido uma das


melhores decisões da sua vida, que ela era feliz e que não poderia ter pedido uma família melhor. Realmente a família dela era perfeita e eu comecei a pensar que eu queria o mesmo para mim, principalmente a parte dos filhos, eu como filha única sempre tive vontade de ter uma casa cheia. Pedi a Helena e levei os três pequenos para conhecer o Ozzy, eles fizeram uma festa lá em casa e Oz ficou feliz por ter alguém, além de mim, com disposição para brincar com ele. Quando acordei na segunda, eu estava esgotada do final de semana, mas completamente feliz. Pulei da cama e fui me arrumar para não perder a hora, e enquanto terminava de tomar o meu café tentava colocar a ração do Ozzy, Math deveria estar no chuveiro ainda e quando a campainha tocou eu corri para atender. — Bom dia, eu gostaria de falar com a senhorita Jéssica Collins. — Ele se apresentou como um oficial de justiça e me entregou uma intimação de comparecimento. Assinei a folha comprovando que tinha recebido e, assim que ele saiu, tranquei a porta da casa e olhei bem o papel à minha frente. Aaron iria a julgamento em três semanas e isso me deixou nervosa, eu não queria ter que vê-lo de novo. Fui obrigada a me sentar por causa do desespero em que fiquei, eu tinha conseguido aguentar até agora porque me esforcei para apagar completamente aquele dia da minha memória, eu me recusava a pensar nele e em tudo que aconteceu. Depois do incidente acabei jogando tudo que me lembrasse dele fora, nossas fotos, os presentes, as cartas. Tirei tudo da minha vida porque só de lembrar me fazia sentir mal. — Quem era, amor? — Olhei para ele e na mesma hora ele percebeu que tinha alguma coisa errada. — Baixinha? — Ele entrou no meu campo de visão e se abaixou, Matheus tirou a folha da minha mão e leu. — Eu não quero ter que falar sobre isso na frente de todos, Math. — Aaron iria ser ou não condenado por um júri, então imagina quantas pessoas estariam ali para ouvir toda a história. — Jéssica, você precisa. — Não quero vê-lo, Math, eu não vou conseguir. — Me levantei e ele me fez um cafuné enquanto apoiava meu rosto em seu peito. — Você não vai precisar ficar frente a frente com ele, amor. Os advogados irão tomar providências a esse respeito. — E se ele for solto? — Eu não sabia quais eram as chances, depois do incidente eu tinha deixado Matheus resolver tudo com os advogados. Por mim eu nunca mais lembraria que ele existia. — Eu vou cuidar para que não seja, Jéssica. — Me deixei ser afagada, Oz gemeu ao meu lado, meu bebê sempre ficava preocupado comigo e eu juro que ele morria de ciúmes quando Math me abraçava assim. Matheus não me deixou sair de casa até que eu estivesse bem, ele acabou me trazendo de carro para a Travel porque não queria me ver dirigindo abalada do jeito que eu estava. A minha sorte, era que Josh ficaria o dia inteiro em reuniões, ou seja, não precisaria ter que aguentar sua grosseria tão cedo. Só fui perceber que tinha passado a manhã toda amuada na minha sala quando a secretária dele veio me perguntar se estava tudo bem comigo. Além dela, também tive que tranquilizar o Matheus, que me ligou várias vezes preocupado durante o


dia, disse a ele que estava me sentindo melhor porque não o queria tenso por minha causa. Merda, eu só queria esquecer isso tudo... — O que aconteceu com você? — Levei um susto quando Josh entrou na minha sala, eu estava separando algumas fotos para o ensaio sobre Nova Iorque que queria mostrar a ele e realmente estava distraída. Olhei o relógio e vi que já estava quase no fim do expediente, teria sido um dia e tanto se eu não tivesse que lidar com ele agora. — Nada. — Era estranho eu ser a única fotógrafa que ficava no mesmo andar que ele enquanto os outros tinham uma área no andar inferior. — Você não saiu dessa sala hoje, Jéssica. — “Que secretária fofoqueira”, pensei. — Eu só não estou me sentindo bem, nada de mais. — Ele se aproximou da minha mesa e acho que deve ter visto a aliança em meu dedo, pois ficou calado por alguns segundos. — Josh, eu separei algumas fotos e... — tentei mudar o foco, eu não queria falar sobre nada que tivesse a ver com a minha vida pessoal. Pensei que ele fosse perguntar alguma coisa, mas sua cara foi impassível. — Se está doente era melhor que tivesse ficado em casa. — Ele estava preocupado ou me recriminando? — Seria exagero, como eu disse não é nada de mais. — Josh não insistiu muito, deu algumas ordens como de costume e saiu da minha sala. Abaixei a cabeça na minha mesa e fechei os olhos, eu não precisava nem dizer que minha dor de estômago tinha voltado, não é? Fiquei encolhida até que desse a hora de ir para casa e fiquei matutando por que essas coisas tinham que acontecer logo comigo? Por que o Matheus e eu não podíamos ter só um pouco de paz... Uma hora depois eu estava em frente ao elevador, morrendo de dor e contando os minutos para ver o Matheus. Ele prometeu que cuidaria de mim essa noite, como se ele já não cuidasse todos os dias... Bati o pé impaciente e respirei fundo quando o elevador parou no meu andar. Entrei e apertei o botão do saguão, na mesma hora recebi a mensagem de que ele já estava lá embaixo me esperando. Guardei meu celular na bolsa e antes que o elevador descesse Josh impediu colocando a mão para que as portas não se fechassem e entrou. Merda, o Matheus não ia gostar nem um pouco disso...


CAPÍTULO 27

Jéssica Assim que as portas se fecharam fiquei nervosa, realmente queria que fosse coisa da minha cabeça essa tensão que eu senti se instalar, porque pelo visto eu era a única desconfortável. Para melhorar toda a situação, eu estava bem no meio de uma das minhas piores crises de dor e me esforçando miseravelmente para esconder isso do Josh. Não queria perguntas, não queria nada nesse momento, eu estava aqui quietinha apenas rezando para que essa merda de elevador chegasse logo ao térreo e eu pudesse ficar longe dele antes que Matheus pensasse besteira. Uma pontada aguda me incomodou, senti uma lágrima de dor no canto do meu olho e meio que me curvei, isso sempre aliviava um pouco, mas... — Qual é o problema com você, afinal? — Josh me assustou ao perguntar quando se deu conta do meu mal-estar e instintivamente me apoiou contra a placa fria atrás de mim, não recuei porque a dor era forte o suficiente para que eu não pensasse em mais nada. — Dor — gemi, me senti um pouco sufocada com a proximidade que ele estava tomando. — Porra, Jéssica, isso eu sei. O que eu quero saber é aonde? — Por que ele estava irritado? Passei os braços pelo meu estômago tentando encontrar algum alívio, mas Josh os afastou e pressionou sua mão na área em que doía. Fiquei confusa, agitada, não sei, e logo desviei o meu olhar do dele. — Você foi ao médico? — Neguei com a cabeça, Josh já tinha presenciado uma ou duas crises dessas quando estávamos fora do país e, mesmo dizendo que não passava de frescura minha, ele me aconselhou a procurar um médico, assim como Matheus também já tinha feito. — Você é estúpida ou o quê? — Não gostei do seu tom de voz e muito menos de ser chamada de estúpida, Josh estava mais perto de mim do que em qualquer outro momento. A única vez que estivemos assim foi quando eu o abracei logo após receber a notícia da promoção e ele me afastou imediatamente. — Não tenho culpa de estar sentindo dor. — Ele balançou a cabeça impaciente, apoiou a mão na parede atrás de mim e com a outra continuou a pressionar a área que doía. — Você faz qualquer um perder a paciência, sabia? — ele disse baixo de forma rude e no mesmo instante se afastou recuperando a compostura. Coisa que eu ainda não tinha feito. Eu permaneci apoiada contra o elevador um pouco ofegante por causa da dor e juro que estava confusa com tudo que tinha acontecido aqui. As portas se abriram e Josh ainda me olhava, eu não sabia onde estava com a cabeça ao ter deixado ele me tocar, tudo bem que tinha sido para aliviar a minha dor, mas, putz, tinha sido mais íntimo do que eu esperava. — Eu já tenho problemas demais para ter que me preocupar com você, Jéssica, então me faça um


favor e não apareça aqui até que tenha melhorado — Josh disse e saiu me deixando para trás perplexa, e eu fiz uma careta. Idiota, eu não estava pedindo que ele se preocupasse comigo, muito pelo contrário. — Jéssica? — Tive um sobressalto quando escutei a voz do Matheus. “Eu ainda estava dentro do elevador fazendo o quê?”, perguntei a mim mesma. — O que aconteceu aqui? — Math me olhou dos pés a cabeça e deve ter percebido o quão apoiada eu estava e o pior, meu Deus, a minha blusa estava completamente fora do lugar. Só percebi isso porque quando ele voltou a me olhar nos olhos vi que parecia furioso. Tentei sair calmamente, não tinha acontecido nada, não era? Então, por que eu estava nervosa? Por que eu me sentia mal? — As dores no estômago... — eu ia explicar, mas antes mesmo que tentasse, ele já balançava a cabeça incrédulo. Odiava quando ele desconfiava de mim, odiava! — Só tinha você e o O’Ryan nesse maldito prédio hoje? — Não... eu não ia aceitar isso. — Você só pode estar brincando, não é? Eu acabo de dizer que estou morrendo de dor e a única coisa que você consegue se preocupar é com quem eu estava no elevador? — Achei que ele fosse recuperar o bom senso, mas em vez disso ele sussurrou: — Às vezes, eu acho que a Caroline tem razão, você só pode se fazer de sonsa, Jéssica, porque qualquer cego vê o que está acontecendo, menos você... — E desde quando ele e aquela anoréxica conversavam sobre mim? Matheus saiu na minha frente em direção ao estacionamento sem nem ao menos perguntar algo a respeito da minha dor. Será que ele não se importava nem um pouco? Caminhei devagar logo atrás dele, porque se ele não estava preocupado ou interessado, eu também não suplicaria sua atenção. Não depois de um dia de merda que eu tive. Entrei no carro com dificuldade e permaneci com o rosto virado o tempo inteiro. Não chorei, ignorei a dor não só do estômago como também a que se instalou em meu peito e me concentrei em qualquer outra coisa. Matheus ligou o som para preencher o silêncio frio entre nós dois e isso quase me fez desmoronar. Comecei a me perguntar porquê isso tudo tinha que estar acontecendo, nós já tínhamos conversado antes e eu já tinha explicado tudo... Troquei a música, não queria ouvir essa merda. Nesse momento a única coisa que eu queria era ficar longe dele, nem que fosse só um pouquinho até colocar todas as coisas dentro da minha cabeça no lugar. Chegamos em casa e corri à minha maneira para o quarto, joguei minha bolsa na cama e me tranquei no banheiro. Liguei o chuveiro com a esperança de que a água quente fosse me dar algum alívio, acabei perdendo a noção de quanto tempo eu fiquei ali em pé com os braços em volta do meu corpo enquanto sentia a água escorrer. Essa era a primeira vez que não conseguia chorar, eu estava com um nó entalado na garganta. Estava com ódio das desconfianças do Matheus, da sua frieza e, principalmente, do fato de ele concordar com aquela anoréxica filha da mãe. Pensei no Josh... Será que eu era tão cega assim? Eu nunca tive nenhuma prova ou indício de que ele pudesse querer algo comigo, mas hoje foi diferente... A forma como ele me olhou, as coisas que me disse. Matheus iria odiar saber que eu deixei que ele me tocasse, eu já podia até imaginar a confusão que seria. Escutei quando Math forçou a maçaneta, eu nunca trancava a porta, mas hoje foi necessário. Eu precisava de descanso, precisava de um pouco de paz e sabia que ele não me daria isso, que ele viria


com todas aquelas perguntas quando decidisse não me ignorar mais, que tentaria fazer tudo ficar bem com sexo e eu, mais uma vez, acreditaria nele. — Me deixa entrar, Jéssica. — Não, eu não queria. — Não, eu quero ficar sozinha! — falei com a voz abafada. Pensei que ele fosse insistir, mas não voltei a escutar sua voz.

***

Matheus

Quase soquei a maldita porta. Fiquei louco ao encontrá-la trancada, Jéssica nunca tinha me impedido de nada antes e tudo que eu queria era entrar embaixo daquele chuveiro com ela e dizer o quanto eu sentia. Queria cuidar dela como prometi que faria hoje, mas estraguei tudo sendo um idiota. Minha intenção não era ter tido uma crise de ciúme, não hoje, pelo menos. Sua manhã tinha sido tensa o suficiente, só que o O’Ryan me provocou. Vi em seus olhos e na risada cínica que deu que ele estava gostando desse maldito jogo. — Ela está lá dentro se recuperando — ele disse enquanto arrumava a gravata e passava por mim. “Se recuperando do quê?”, foi a primeira coisa que me perguntei e quando vi a forma como ela estava, enrubescida, curvada e com a maldita blusa fora do lugar eu pensei o pior. Recuei meus pensamentos quando ela falou que estava com dor, mas mesmo assim tive absoluta certeza essa noite de que ele a queria e isso ia ser foda de digerir. Estava com raiva porque ela parecia não entender o que estava se passando, acabei tocando no nome da Caroline mesmo que tenha me arrependido no mesmo instante. Ali eu soube que tinha passado de todos os limites e quase voltei atrás quando vi sua reação de choque pelo que tinha acabado de sair da minha boca. Acho que no fundo o que eu esperava dela era que ela confirmasse as dúvidas que eu tinha, que chegasse e dissesse que eu estava certo e, principalmente, que tomaria alguma providência. Era isso que eu esperava dela, uma atitude madura o suficiente para me passar confiança. Saí do quarto irritado, esperei mais uma hora e nada dela sair daquele banheiro. Escutei meu telefone tocar e xinguei quando vi que era Caroline, seu timing era perfeito, para não dizer o contrário. Ela ligou mais umas duas vezes até que silenciei meu celular, me recostei no sofá e passei a mão pelo meu cabelo inquieto. Não demorou muito, peguei as chaves da Harley e saí de casa, uma conversa hoje apenas pioraria as coisas.

***


Jéssica

Vesti uma das camisetas do Matheus, tomei um analgésico forte e me deitei. Eu sabia que esses remédios já não faziam tanto efeito, por isso os tomava em último caso. Deitei-me e pensei que em algum momento fosse sentir a presença do Math ao meu lado, mas adormeci antes que isso acontecesse. Parecendo perceber que eu dormiria sem ele, Ozzy se aconchegou na cama e eu agradeci por não ter que passar a noite completamente sozinha. Só acordei no dia seguinte, porque o barulho do meu despertador me irritou. Dei uma olhada ao redor do quarto e não encontrei nenhum sinal do Matheus, ainda um pouco triste abracei o Oz ao meu lado, e ele pareceu feliz. Meu bebê era um amor por ter ficado a noite toda comigo. Antes de tomar meu café da manhã procurei pelo Math por toda a casa, ou por algum indício de que ele tivesse dormido aqui, comecei a pensar um monte de coisas que definitivamente não iam me deixar ter paz. Quando escutei o som da sua moto parando na garagem, corri para a cozinha e fiquei quieta, fingindo tomar meu café. Ouvi os passos irritados pela escada e só quando me dei conta de que ele estava lá em cima, eu saí e levei Oz para dar a sua caminhada matinal. Eu tinha noção de que estávamos fugindo um do outro em vez de sentar e colocar tudo na mesa, mas o que eu iria falar? ”Matheus,, você tem razão, eu acho que o Josh me quer e... ah, eu o deixei tocar em meu corpo...”. Ele iria me matar, isso sim. Subi para o quarto sentindo um friozinho na barriga, Matheus já tinha saído do banho e estava apenas com um jeans e o cabelo molhado. Afastei as ideias sacanas da minha cabeça e tentei controlar o meu desejo, mesmo irritada eu poderia fácil, fácil, esquecer tudo em seus braços. Enquanto o via se arrumar, me sentei na poltrona e cruzei as pernas com a esperança de que em algum momento ele fosse me dar um pouco de atenção. — Onde você dormiu essa noite? — perguntei quase como um murmúrio, ele estava disposto a me ignorar pelo visto. — No estúdio — ele demorou a responder e quando o fez não senti segurança. — Vamos conversar, Matheus... — falei e nesse momento ele me olhou, sorte que eu estava sentada porque senão teria corrido para ele e pedido, por favor, para que me ouvisse e que ficássemos bem logo. — Agora não dá, eu já estou atrasado. — Atrasado? Eu sempre saía antes dele. Por que ele estava atrasado? Achei que fosse me dar mais alguma explicação, mas ele apenas pegou uma camisa e desceu. Segurei a minha decepção e não me deixei ficar sofrendo. Sabia que Josh não me queria por perto hoje também, mas mesmo assim decidi ir para a Travel, pois qualquer coisa era melhor do que ficar me martirizando em casa. Trabalhei o dia todo feito uma louca, acho que consegui inclusive adiantar muito trabalho, passei o dia na rua cobrindo os lugares que Josh queria que as fotos fossem tiradas e a raiva deve ter me ajudado porque o material final ficou muito bom. Eu amava Nova Iorque, mesmo em dias como o de hoje. A diversidade, a agitação... tudo parecia tão incrível. Lembro-me de que logo que mudei para a cidade


fiquei deslumbrada e agora, anos depois, ela ainda tinha o poder de me deixar fascinada. Voltei à revista quase no final do meu expediente de propósito, descarreguei as fotos e comecei a trabalhar nelas, mais por tédio do que por necessidade. Eu não estava com a menor vontade de ir para casa, eu ainda estava magoada com a forma como o Matheus estava me tratando. A minha sorte era que hoje eu não tinha tido nenhuma crise de dor e isso era o melhor que eu poderia esperar. Dei outra olhada em meu celular que estava em cima da mesa e, mais uma vez, o encontrei sem nenhuma chamada ou mensagem do Math, isso acabava comigo. Essa distância que ele estava colocando entre a gente, esse ciúme idiota... Será que ele não via o quanto isso estava nos fazendo mal? Não me importei com o fato de que estava ali, além do meu expediente, eu imaginei que a essa hora tudo estaria vazio nesse andar e que todo mundo já teria ido embora. — Eu não pretendo te pagar por hora extra. Você sabe disso, não é? — Josh disse e entrou na minha sala, eu achei que ele já tivesse ido embora, por isso tinha ficado tão tranquila por todo esse tempo. — Eu... eu só precisava me distrair um pouco, não estou pedindo que me pague a mais. — Fiquei sem reação quando ele se sentou à minha frente e dobrou a camisa social que vestia. Vi quando pegou o telefone e desmarcou um jantar que teria. — Problemas no paraíso? — ele perguntou e não consegui decifrar se estava sendo sarcástico apenas para me provocar. Dei de ombros, sem dizer sim ou não, ele que pensasse o que quisesse. Continuei meu trabalho e ele continuou me observando, perguntando uma coisa ou outra a respeito da minha vida, perguntou sobre minha família, faculdade, foi praticamente um interrogatório e quando perguntei o porquê de tantas perguntas ele falou que era porque estava entediado. Continuamos a conversar, ele, inclusive, me contou um pouco sobre a sua namorada, não senti nenhum sinal de amor ou paixão ao escutá-lo falando sobre ela, senti cinismo e pensei se ele a tratava da mesma forma que me tratava. Gelei um pouco ao perceber que estava sendo minimamente observada, eu acho que tudo que ele estava fazendo era apenas para me deixar nervosa, para mostrar o quanto ele podia me afetar mesmo que de uma maneira ruim. Não vou negar e dizer que não estava reconhecendo o seu olhar e nem suas intenções, o problema era que eu preferia não ter que admitir isso, porque isso exigiria de mim uma atitude ou decisão que eu não queria tomar. Eu amava o meu trabalho, só queria que as coisas fossem mais simples. — Eu tenho que ir — falei assustada assim que me dei conta da hora que marcava no relógio, me xinguei mentalmente e por um segundo cheguei a pensar que poderia ter feito isso de propósito apenas para irritar o Matheus por não ter dormido em casa, mas eu não era uma pessoa vingativa. A única coisa que me manteve na revista até agora era o fato de que eu não queria ir para casa e enfrentar a realidade. Cheguei e, para o meu total desespero, a casa estava vazia, seu carro ainda não estava na garagem e me senti uma idiota por ter me preocupado tanto por ter atrasado um pouco. Acendi todas as luzes e subi para o meu quarto. Não demorou e acabei caindo no sono, mais uma vez, sem o Matheus ao meu lado.

***

Matheus


Parado no vão da porta eu não sabia se entrava ou não no meu próprio quarto. Jéssica estava deitada em minha cama e por alguns instantes observei seu sono me perguntando se ela estaria nua por baixo daquele lençol, há praticamente dois dias que a gente não se tocava e essa tensão toda só estava me deixando ainda mais louco para fazer amor com ela. Fiz merda dormindo fora e mais merda ainda ao ter atendido a ligação insistente da Carol depois que saí de casa. Por isso aceitei tomar uma cerveja com o Leo essa noite, eu precisava espairecer e pedir alguns conselhos. Tentei colocar as ideias na cabeça, reconheci que estava exagerando e até mesmo o Leo disse que o fato do O’Ryan estar ou não interessado na Jéssica não mudaria nada, era comigo que ela estava agora. Admiti que ele estava certo, eu sabia o quanto a minha baixinha me amava, mas certas inseguranças são difíceis de ignorar. Por isso eu queria que esse casamento acontecesse o mais rápido possível, antes que outra proposta de viagem surgisse e, principalmente, antes que o idiota do chefe dela começasse a jogar sujo. Jess se mexeu na cama e deu um resmungo fofo e quase fui até ela só que sentia como se tivesse um muro entre a gente. Essa noite eu só queria me perder em seu corpo, sentir o seu amor e me desculpar pelo meu comportamento. Desisti e acabei dormindo no quarto de hóspedes. No dia seguinte, depois de ter tomado uma ducha, fui até o meu quarto pegar alguma roupa para vestir e a encontrei terminando de se arrumar. Seu rosto estava abatido e eu me dei conta do quanto estava sendo babaca. Será que ela ainda estava se sentindo mal? Aproximei-me por trás enquanto ela terminava de passar o seu batom, não resisti e segurei em sua cintura, afundei meu rosto em seu cabelo e senti o perfume que tanto mexia comigo. — Você está melhor? — sussurrei e seu corpo endureceu. — Estou — respondeu friamente, o que me só me fez apertá-la ainda mais em minhas mãos. — A gente precisa conversar, Jéssica. — Não — ela falou irritada fazendo bico, a virei para que me olhasse e ficássemos frente a frente. — Vai querer continuar assim? — Não fui eu quem me ignorou, quem dormiu fora de casa e quem chegou sabe-se lá que horas ontem, Matheus. Você jurou que não voltaria a fazer essas cenas... Eu... — Calei a boca dela com um beijo. Merda, eu já sabia disso tudo. Sabia que estava errado, mas queria que ela entendesse o meu lado. Jess tentou me empurrar com os braços, mas acabou cedendo passando as mãos pela minha nuca e ficando na ponta dos pés. Sei que só tinha dois dias que estávamos brigados, mas parecia muito mais. O desejo que eu estava do seu corpo, a saudade que eu tinha dessa sua boca atrevida... A beijei sem dó, suguei sua língua, pressionei seu rosto contra o meu e afundei minha mão em seu cabelo. Assim como eu, ela parecia faminta, intensifiquei nosso beijo, sua língua lutando contra a minha, sua respiração pesada e eu louco por mais. Meu membro já estava duro por baixo da toalha, suas unhas já estava prestes a fazer um estrago em minhas costas e, quando ia pegá-la no colo, ela se afastou.


— Você é um idiota! — ela falou ressentida por causa da sua própria fraqueza. Atordoado, eu só conseguia prestar atenção naquela boca vermelha e inchada, no rubor do seu rosto e no quanto eu a queria. — Eu sei que te devo um pedido de desculpas... — Ela negou com a cabeça e tentou sair da minha frente. — Não, não quero ouvir porque eu não vou te perdoar dessa vez, você me deixou nessa casa sozinha, você desconfiou de mim, mais uma vez... — Deixei que ela desabafasse, não tinha muito como me explicar mesmo. A única coisa que eu ainda podia fazer era conversar com ela sobre como eu me sentia. — Você falou que iria cuidar de mim e não cuidou, me deixou passando mal e se não fosse pelo Oz... — Segurei um sorriso por causa do que ela tinha acabado de dizer. O Ozzy lá sabia cuidar de alguém? — Terminou, Jéssica? — Ela me olhou brava, mas eu não me importei. Minha baixinha estava era carente, isso sim. — Eu sei disso tudo, sei que fiz uma merda atrás de outra. Sei que deveria ter ficado e cuidado de você, mas não queria brigar. Eu estava nervoso, Jess. — Ela desviou o olhar do meu, mas a fiz me olhar de novo. — Eu só não quis descontar em você a raiva que estava sentindo, sabia que me arrependeria depois. — Isso não melhora nada. Eu estou cansada, Matheus. Nós vamos nos casar. Como você acha que isso vai dar certo, se você não confia em mim? — Avancei e voltei a beijá-la, só que dessa vez de forma mais carinhosa. — Você não confia em mim, não é?— ela perguntou com a voz abafada entre um beijo e outro. Olhei em seus olhos e vi o medo dela e queria poder dizer que confiava, mas não dava. Eu realmente acreditava que ela seria incapaz de me trair, mas toda vez que eu pensava sobre isso eu me lembrava da forma como escondeu a viagem de mim, da decisão que ela tinha tomado sem me consultar, das mentiras sobre o Aaron... — Eu estou tentando, Jéssica. — Está tentando muito mal. — Ela me afastou de vez. — Não vou ficar aqui aguentando suas desconfianças, ou isso para ou eu desisto desse casamento." O quê? — É assim que vai ser agora? — perguntei a desafiando. — Eu só não quero que desconfie de mim, Matheus, não quero que me olhe como se não acreditasse no que te digo. Pouco me importa o que o Josh quer comigo, eu só quero você. É tão difícil assim entender isso? — A forma como ela falou me afetou, porque esse não era o tipo de relação que eu queria para nós. Com uma briga atrás da outra, desconfianças... Nada disso me agradava. Eu era o único que precisava mudar. — Me desculpe, amor — pedi com ela em meus braços, afastei seu cabelo do seu rosto e tomei sua boca novamente. Eu não a deixaria ir trabalhar até que saciasse, pelo menos, uma parte do meu desejo. Jess retribuiu prontamente e sabia que tinha se rendido. Subi sua saia e arranquei sua calcinha enquanto me ajoelhava na sua frente, afastei suas pernas e a


admirei. Eu adorava a visão da sua boceta sem nenhum pelo, adorava meter minha língua no seu calor e sentir o seu gosto. Jess era, sem dúvida alguma, a mulher mais gostosa que eu já tinha provado. Abri seus grandes lábios e toquei seu clitóris, suas pernas bambearam e eu continuei. Lambi a dobra da sua virilha, mordi sua coxa e vi quando ela apoiou suas mãos na penteadeira logo atrás dela. Perfeito. Chupei aquela bocetinha pequena e apertada enquanto a escutava gemer como uma gatinha safada. Ela já estava se contorcendo contra a minha boca, pressionando ainda mais para que eu a chupasse. Enfiei minha língua dentro dela e Jess gritou exatamente do jeito que eu gostava. Adorava vê-la perdendo a razão... — Porra, Math! — A escutei e suas coxas apertaram meu rosto com força, ela ficava tão gostosa quando gozava. Enfiei ainda mais a minha língua entre as suas pernas enquanto ela estremecia. Achei que conseguiria parar por aqui, mas meu corpo era egoísta demais, só conseguia pensar no tesão que sentiria ao enterrar meu membro dentro daquela boceta toda melada. Tomamos outro banho e a tive ali mesmo, nem o fato de estarmos atrasados atrapalhou nossa manhã, minhas costas ardiam por causa da intensidade dos seus arranhões e meu ombro doía pela mordida forte que me deu ao gozar. Com a alma lavada e o corpo saciado, não esperei escutar o que saiu da sua boca. — Isso foi só sexo, Math, porque eu ainda não te perdoei — ela disse enquanto terminava de se vestir, mas estava claro que era mentira, suas palavras não passavam de birra. Nós tínhamos acabado de fazer amor, isso sim. — Repita isso, mais uma vez, que eu te faço voltar para debaixo daquele chuveiro e mostro a você o que é “só sexo” Jéssica — falei e tive a reação que esperava. Minha baixinha arregalou os olhos e voltou a me chamar de idiota, mas dessa vez ela estava sorrindo. Eu queria poder passar o dia inteiro com ela na cama à minha disposição, mas hoje seria praticamente impossível. — Vai trabalhar, meu amor, à noite eu prometo que faço você esquecer tudo isso — murmurei e dei um último beijo antes de deixá-la ir. Um pouco culpado, esperei até que estivesse fora de casa e peguei meu celular, eu tinha um assunto sério para resolver antes que Caroline estragasse tudo. Não fiquei surpreso ao ver que já tinha uma mensagem sua a essa hora... Como eu pude achar que aceitar seu convite não me traria consequências?

"Adorei o nosso jantar Matheus. Senti tanto a sua falta, quando vamos repetir?"


CAPÍTULO 28

Matheus Poderia ser apenas o sentimento de culpa falando mais alto, mas eu estava prestes a explodir hoje. Até a Michelle, para quem eu nunca levantei a voz antes, estava sofrendo com o meu mau humor. Depois da conversa inútil que tive com a Caroline essa manhã, eu acabei ficando ainda mais nervoso. Ela jurou que seria incapaz de contar qualquer coisa para a Jéssica, que era fiel a mim e que não perderia minha amizade por algo tão insignificante. Só que para mim as coisas não eram tão simples assim, eu nāo confiava nela e meu erro foi, além de aceitar jantar em seu flat, que me deixei ser seduzido pelo seu encanto de costume mesmo sabendo que suas investidas não levariam a nada. Eu sempre me orgulhei de ser um homem fiel em todas as minhas relações e não seria agora que iria dar as costas ao que eu acreditava ser certo. Porém, não sei em que momento ou como aconteceu, a única coisa que eu me lembro era que em um segundo estávamos conversando e no outro ela estava praticamente seminua em cima de mim forçando uma situação que eu não almejei. Fui obrigado a afastá-la, mas Caroline parecia determinada a causar uma cena e, antes que a arrancasse do meu colo, ela me beijou pressionando seu corpo diretamente à minha virilha e seus seios em meu peito. Segurei seus pulsos e percebi a merda da situação em que tinha me metido quando vi um sorriso satisfeito em seu rosto. Lembro-me de ter gritado com ela, de ter falado que aquilo tinha sido um erro, Carol me escutou calada enquanto descia a barra do seu vestido e arrumava o seu decote. Nada do que ela tinha a me oferecer me deixou excitado, seu corpo esguio e seios grandes sempre foram o meu fraco, mas isso tinha deixado de me afetar há um bom tempo. Essa merda toda pelo menos serviu para que mostrasse o quão importante era a relação que eu e a Jéssica estávamos construindo, foram muitas as noites em que dormi com ela em meus braços e pensei no nosso futuro... Talvez um ou dois filhos, o Ozzy... Fora que eu ainda tinha a esperança de que depois de alguns anos ela decidisse voltar a trabalhar comigo e tudo se encaixaria de vez. Sem O’Ryan, sem Caroline e ninguém que pudesse interferir. Saí do flat desesperado e sabendo que não iria conseguir encará-la acabei passando a noite no estúdio, fui dormir com a imagem da Jéssica em minha cabeça, a lembrança da primeira vez em que realmente prestei atenção nela como mulher, a garota baixinha no meio da pista de dança despreocupada com o que os outros pudessem pensar ou com os olhares que recebia, tão diferente da assistente intrometida que me atormentava o dia todo no estúdio. Passamos por tantas coisas para chegarmos até aqui, que eu não queria estragar tudo por causa de uma única decisão ruim. Eu não era um homem de cometer erros... Mas dessa vez sabia que tinha colocado em risco a felicidade da pessoa mais importante na minha vida.


— Foi apenas um beijo, Matheus — Caroline disse tentando me acalmar, mas se fosse o contrário eu não perdoaria. Pensei seriamente em contar a Jéssica, abrir logo o jogo e dizer toda a verdade. Mas isso teria que esperar, pois eu não podia me afastar dela agora, não em um momento tão delicado. Seu aniversário estava chegando, assim como o julgamento do Aaron, e eu nunca a deixaria passar por isso sozinha. Então, nesse momento, eu sabia que a melhor decisão era manter para mim toda essa história.

***

Jéssica

Conforme os dias passavam, eu ficava cada vez mais ansiosa. Minhas noites de sono, mesmo com o Matheus, estavam sendo mais turbulentas. Eu me odiava por estar deixando ele tão preocupado, mas não conseguia afastar os pensamentos que sempre iam diretamente para o julgamento do Aaron. Nem mesmo o fato de estar prestes a completar 23 anos me distraía, claro que eu vinha tentando esconder ao máximo essa tortura porque não queria ser obrigada a ir novamente a um psicólogo, mas não estava sendo nada fácil. Eu não sei exatamente o que me deixava mais preocupada, o fato de ter que vê-lo novamente, por mais que Matheus tenha me prometido que faria possível para que isso não acontecesse, ou o fato de ter que encarar toda a sua família. Meus pais e os dele estavam afastados desde o ocorrido, Anny interferiu tanto que eles acabaram ficando do lado do filho em vez de acreditarem em mim. Nossas famílias não tinham dinheiro para arcar com os custos dos advogados, e pelo que entendi eles estavam se desdobrando para conseguir um para o Aaron. Isso tudo só me deixava me sentindo ainda mais culpada. Eu tinha o Math para cuidar de tudo, mas e eles? Essa manhã eu teria a minha segunda reunião com os advogados e foi quase impossível convencer Matheus de que eu poderia fazer isso sozinha, eu me sentia constrangida em ter que explicar tudo na frente dele, não queria que ele escutasse nada... e muito menos soubesse a forma como eu me sentia. — Nós não temos uma boa notícia, Jéssica. Claro que já imaginávamos que o advogado do acusado o aconselharia a negar o abuso baseado no fato de que vocês foram namorados por um longo tempo e no de que vocês moravam juntos. O que agrava essa situação é que ele arrumou alguém para depor a seu favor. — Essas palavras foram como um balde de água fria em cima de mim e logo me dei conta de quem poderia fazer isso. O que a Anny tinha na cabeça, pelo amor de Deus? Ela não via que estava dificultando tudo? — Eles vão alegar que você o provocou, que você nunca disse realmente um “não” e que se o seu namorado não tivesse interferido o fato teria se consumado com o seu consentimento. — Devo ter congelado ao ouvir o que ele dizia e fiquei aliviada por Matheus não estar aqui ouvindo essas merdas, eu teria ficado mortificada de vergonha. — Mas isso não é verdade, ele me machucou e os policiais estão de prova... — disse, mas me toquei de que não era eles quem tinham que acreditar em mim e sim o júri. Eu tinha a primeira e a segunda denúncia a meu favor, foram tiradas fotos da mordida que ele me deu, das marcas roxas que suas mãos deixaram em meu corpo. Isso tinha que ser o suficiente para que ele permanecesse preso, não é? — Ele não vai ser solto porque nós vamos trabalhar para que isso não aconteça, o que precisamos é


que você se sinta segura, eles vão perguntar sobre o namoro de vocês, eles vão fazer perguntas que vão te deixar confusa e, se não ficar bastante claro, esse caso pode se estender além do esperado. — Exausta, saí do escritório e fui direto para o estúdio, eu tinha avisado ao Josh que só iria à revista na parte da tarde e teria tempo para comprar algo para que eu e Matheus pudéssemos almoçar. Encontrei a recepção vazia, provavelmente Michelle estava na hora do seu almoço também, fui direto para a sua sala e percebi que nada tinha mudado, tudo continuava exatamente como antes. A porta estava entreaberta e, assim que me viu, ele me deu o maior sorriso do mundo. Matheus tirou as sacolas com nosso almoço da minha mão e me puxou para um beijo carinhoso. — Você é tudo que eu preciso hoje — ele falou com a voz abafada um tanto quanto cansado e encostou sua testa na minha, senti seu hálito quente, seu olhar em cima do meu e decidi deixar de lado todas as minhas chateações. — Teve um dia ruim? — perguntei preocupada. — Quase isso, mas são assuntos do estúdio. Não quero te preocupar. Como foi com os advogados? — Contei a ele superficialmente o que tinha acontecido, não mostrei o quanto eu estava assustada, porque isso só tornaria seu dia pior e nesse instante eu só queria que ele estivesse bem. Matheus era o meu tudo. Se ele fraquejasse, quem cuidaria de mim? — Então, você está bem? — ele perguntou analisando minha reação. — Hum-hum... — Acenei com a cabeça tentando parecer melhor do que eu estava realmente. — Recebi um convite de alguns amigos que ainda não aceitei porque queria saber como foi a reunião com os advogados. Se você estiver animada podemos ir até a Zinco e nos encontrar com eles mais tarde, o que acha? — Demorei um pouco a responder, mas até que podia ser bom sair. — O Leo e a Katie vão? — Eu posso chamar, se você quiser. — Pedi que fizesse isso e acabou que quase não tivemos tempo para almoçar. Na sala do Matheus tinha um pequeno banheiro que já tínhamos usado em muitas outras ocasiões, fizemos amor lá dentro, apertadinhos e foi muito gostoso. Me lembrou o tempo em que trabalhávamos juntos e ficávamos sempre nos agarrando as escondidas. — Eu sinto falta de você aqui comigo — Matheus murmurou ao pé do meu ouvido enquanto me mantinha em seus braços, eu estava apoiada na pia com o seu corpo ainda entre as minhas pernas. Passei a mão pelo seu cabelo desalinhado e o puxei para um beijo. Eu não ia negar, mas tinha dias que eu também sentia falta de trabalhar ao seu lado.

Algumas horas mais tarde eu e a Katie descíamos as escadas da boate saindo da área VIP indo em direção à pista de dança. Achei que Matheus não fosse me deixar dançar com ela, principalmente porque antes de sairmos de casa ele tinha implicado com o meu decote, só que era tão raro eu usar alguma roupa provocativa que não troquei. Ele não voltou a falar nada, mas não tirou os olhos de mim lá em cima. Quando vi que seus amigos tinham chegado e que ele estava mais relaxado, puxei a Katie e descemos. — O que aconteceu? — perguntei curiosa mesmo que o som da música estivesse alto. Katie tinha me mandado uma mensagem mais cedo dizendo que precisava conversar comigo. — A ex-mulher do Leo... — Não entendi. — Ela decidiu aparecer e agora ele está todo estranho. —


Eu não conhecia a ex dele, Matheus também nunca tinha me contado nada a respeito desse assunto. — Não sei como ele aceitou vir aqui essa noite, nós meio que estamos... — Ela deu de ombros e eu disse para que não se preocupasse, porque estava na cara que ele era apaixonado pela Katie. Minha amiga não estava muito contente com essa situação e percebi que eu não era a única a ter problemas no mundo. Pela primeira vez eu não tive vontade de desabar ou pedir colo a ela e ao Matheus, dessa vez eu só queria saber se era forte o suficiente para ser o apoio deles. Dançamos, pegamos umas bebidas e dançamos mais um pouco. Sabia que Matheus vinha a esses lugares apenas para jogar conversa fora e curtir a música, ele dificilmente dançava, então ele não ligava que eu me divertisse sozinha ou com a Katie. Quando ficamos cansadas, subimos e vi a apreensão dela, esperei que Leo fosse estar irritado ou algo assim, mas assim que chegamos à mesa ele a puxou para o seu colo, lugar onde ela permaneceu até que fôssemos embora. Matheus fez o mesmo, até porque a mesa já estava lotada. Éramos as únicas mulheres e conversamos enquanto os rapazes discutiam sobre a última partida dos Jets. Senti a mão do Matheus percorrer minha perna várias vezes, mas evitei me deixar afetar até que ele sussurrou: — Essa noite você vai dançar para mim completamente nua e quando terminar eu vou ter esse corpo gostoso à minha disposição para eu fazer o que eu quiser com ele, entendeu? — ele murmurou para que ninguém o escutasse e voltou a conversar com os seus amigos como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse acabado de me deixar toda quente e excitada em seu colo. Pressionei minhas coxas uma contra a outra na tentativa de aliviar o desconforto, mas estava sendo quase impossível relaxar e sorrir enquanto minha cabeça dava voltas e mais voltas pensando no que faríamos mais tarde. Katie riu da minha expressão e deve ter se tocado de alguma coisa e eu comecei a ficar desconfortável. — Se você continuar se mexendo desse jeito, a gente vai embora agora, minha safada, é isso o que você quer? — Que pergunta era essa? Claro que era o que eu queria. Fiz que não com a cabeça sendo que o meu corpo queria dizer sim, o calor entre as minhas pernas era prova suficiente do quanto eu o desejava.

***

Matheus

Acordei agitado no dia seguinte e não consegui voltar a dormir, Jess estava tão tranquila ao meu lado que em vez de acordá-la eu desci para dar um mergulho. Nadar um pouco me ajudaria a descarregar um pouco de energia, o que me impediria de voltar até o quarto e fazer amor com ela, nós tínhamos ficado até a madrugada acordados como de costume e eu queria que ela descansasse um pouco mais essa manhã. Concentrado, devo ter nadado por cerca de uma hora e antes de terminar a última volta encontrei Jéssica sentada na beirada na piscina com um copo de suco me observando. Engoli em seco ao ver que ela estava de biquíni na parte de baixo e apenas uma regata sem nada por baixo, provocadora! — Quer um pouco? — Ela me ofereceu quando me aproximei e puxei sua perna pelo tornozelo para que pudesse ficar entre elas. Tomei um gole do suco e tive vontade de puxá-la completamente para que caísse na água, mas sabia que ela iria me matar se o fizesse.


— Acho que o nosso dia hoje começou bem — falei e, enquanto ela terminava de beber, eu depositei pequenos beijos em sua perna a molhando um pouco. — Você acha? — ela perguntou e continuou a sugar o suco pelo canudo... Porra de canudo e porra de boca gostosa... Jéssica se afastou, se levantando e pensei que fosse apenas para me deixar com ainda mais água na boca, observei quando pôs o copo na mesa e voltou a se aproximar da beirada da piscina puxando sua regata e mostrando aqueles seios perfeitos. Tão diferentes dos da Caroline, que eram tão agressivos quanto ela. Os da Jess não, eles eram delicados, cheios na medida certa e redondinhos. Pensei que essa seria a sua única provocação, mas ela desamarrou o laço de um lado do biquíni e me olhou, depois desamarrou o outro e mordeu a pontinha do lábio me deixando em expectativa, duro e ansioso para tomar o seu corpo. Jéssica deu um pulo e caiu na piscina. Como ela podia ter atitudes tão controversas? Agia como uma mulher e no minuto seguinte como um menina... Quando voltou à superfície, nadei até ela e tive que controlar a vontade de lamber as gotas que desciam pelo seu pescoço e colo até os seus seios. — Eu vou guardar a forma como você se despiu hoje no meu TOP cinco — falei e ela riu. — Sério que você tem um TOP cinco? Ah, eu tinha. Em se tratando dela eu tinha vários: as melhores transas, os melhores boquetes... gemidos... E eu mantinha tudo bem guardado em minha mente para me lembrar sempre que quisesse. — Todo homem tem. — Vocês são asquerosos — ela falou sorrindo e me jogou água. Segurei seu braço e a puxei, quando sentiu minha ereção cutucar seu abdômen ela passou as mãos em minha nuca e envolveu suas pernas em meu quadril. — Por que nós nunca transamos aqui? — ela perguntou me pegando completamente de surpresa. — Boa pergunta, minha safada, mas podemos resolver esse problema agora mesmo... — A beijei com desejo e senti o gosto doce do suco em seus lábios me atiçando ainda mais... — Você quer isso? — Encaixei nossos corpos a provocando. — Eu quero... — ela falou ávida e voltou a me beijar.


CAPÍTULO 29

Jéssica Ansiosa, olhei o relógio em meu pulso pela milésima vez, essa reunião tinha se estendido além do esperado e eu estava começando a me desesperar. Josh não parava de falar e nem mesmo quando o foco passou para o meu último trabalho eu consegui relaxar, em parte porque a equipe dele ainda estava reticente comigo, poucos pareciam dar valor ao que eu fazia e os olhares que recebia de alguns não eram nada agradáveis. Ainda por cima, tinha o fato de que Josh e eu estávamos travando uma guerra silenciosa, eu não suportava ficar perto dele desde o dia em que conversamos na minha sala depois do expediente e ele também não parecia muito disposto a melhorar o clima entre a gente. Sua grosseria tinha chegado ao nível máster e ontem ele chegou ao extremo de dizer que não estava aguentando ouvir nem a minha voz. Que chefe diz algo assim? Essas suas mudanças de humor e comportamento, só me levavam a crer que, ou ele era bipolar, ou era completamente louco... Trinta minutos se passaram e fui obrigada a esperar até que ele tivesse separado a pauta das próximas edições, passar algumas informações e avisar sobre a festa de premiação que a editora da revista promovia todos os anos. Eu poderia ter ficado animada e tudo mais, mas nesse momento eu realmente tinha que estar em outro lugar... Bom ele deve ter percebido minha impaciência porque sua expressão fechou e eu comecei a rezar para que ele não tivesse coragem suficiente para chamar a minha atenção ou fizesse algo para me deixar constrangida na frente de todos. Quando terminou, os funcionários começaram a se levantar e eu me enfiei no meio de um deles para que pudesse escapulir sem muitos problemas. Passei na minha sala antes, retoquei minha maquiagem e saí do prédio. A noite estava fria, sem muito movimento na rua e rapidinho consegui chegar no shopping onde tinha marcado com a Katie. Minha amiga já me esperava na fila da pipoca e nossa sessão não demorou a começar, assim que o filme terminasse nós iriamos comer alguma coisa fora e conversar um pouco. Pelo que ela tinha me contado mais cedo, a situação com o Leo havia piorado e eu estava preocupada, Katie tinha entrado de cabeça nessa relação, não queria nem imaginar como ela ficaria se não desse certo. Assistimos a uma comédia boba, nada muito sério e pelo menos nos fez rir um pouco. Antes de irmos jantar, mandei uma mensagem ao Matheus avisando que talvez fosse demorar um pouco mais do que o combinado, tudo dependeria do quão ruim estariam as coisas. Fomos até um dos nossos restaurantes preferidos, um pouco fora do caminho já que ficava no Brooklyn, mas que sempre valia a pena. Nada como uns bons nachos, burritos e algumas boas doses de margarita para melhorar o seu astral. O fato de ela nunca ter se importado com os lugares que eu fazia


questão de levá-la fazia com que eu a admirasse ainda mais. — Então, o que aconteceu? — perguntei assim que terminamos de fazer nossos pedidos. — É tão complicado, amiga. Desde aquele dia na boate, nós não nos falamos, ele estava ficando cada vez mais distante. Sempre que sua ex-esposa ligava ele se afastava, nem o nosso sexo estava sendo bom, sabe? — ela falou e tomou um gole do seu drink. — Eu não sei, talvez ele esteja querendo terminar tudo e voltar para ela. — “Impossível”, pensei. — Ele te adora, Katie. — Esse é o problema, eu não quero ser adorada, eu quero ser amada, Jéssica. O que existe entre a gente é só sexo. — Eu não vejo assim, vocês são perfeitos juntos. Ele idolatra você, amiga. — Mas não me ama. — Senti a dor das suas palavras, talvez eu fosse cega mesmo, porque eu realmente achava que ele gostava dela. Os dois sempre se deram bem, estiveram juntos por todo esse tempo, então, como não haveria amor? — Não me olha assim, você tem um coração mole e enxerga apenas aquilo que quer ver, mas o próprio Leo afirmou que o que nós temos não passa disso. — Me doí por ela. Que insensível! — Ele é um idiota! — falei decepcionada, talvez eu quisesse acreditar que ele fosse igual ao Matheus. — Total. — Deixei que ela bebesse algumas margaritas e desabafasse, como eu estava dirigindo tive que me controlar e bebi apenas uma. Katie acabou se divertindo no final, listamos todos os pontos negativos do Leo e ela quase se convenceu de que ele não podia ser o cara certo. Claro que tudo na brincadeira, minha amiga estava terrivelmente apaixonada e eu começando a achar que muito em breve ela também estaria com o coração partido. No final da noite, me convidei para dormir em seu apartamento. Eu preferia estar com ela em um momento como esse em vez de deixá-la sozinha para lidar com tudo, mas Katie era orgulhosa demais para aceitar, eu podia contar nos dedos as vezes em que a vi chorar por algum homem. — Você sabe que eu ia adorar ficar, não é? — falei já em frente ao seu prédio. — Eu sei, mas não quero. Ficar sozinha vai me ajudar a colocar as ideias no lugar. — Até parece que iria, não depois de tudo que ela tinha bebido essa noite. — Me promete que você não vai ligar para ele hoje? — pedi. — Prometo — ela falou, me deu um abraço e desceu do carro, esperei até que entrasse e peguei a estrada em direção ao condomínio do Matheus.

***

Matheus


O carro da Jéssica nem tinha estacionado e Ozzy já tinha corrido para a escada, ficava difícil saber quem era mais dependente dela aqui nessa casa. Continuei a assistir o último jogo da temporada e quando ela entrou na sala veio direto para o meu colo. — Eu estou tão cansada — Jess falou e apoiou suas costas em meu peito se virando para assistir o jogo também. — Estamos perdendo? — Ela se desfez das sapatilhas e colocou os pés no sofá. — Estamos. — Acariciei suas pernas sem tirar os olhos da TV, faltavam meia hora e qualquer lance poderia ser decisivo. — Isso não é bom. — Não — respondi e quase xinguei com o lance que o atacante perdeu. — Comeu direito, Jéssica? — Sim. — Com toda essa agitação, comer era a última coisa com que ela se preocupava e eu tinha começado a reparar que suas crises pioravam ainda mais quando ela bebia ou comia muita porcaria. — Merda! — gritei irritado. Que jogo ridículo era esse? Ela se assustou, mas logo puxei seu corpo de volta. — Como a Katie está? — Me lembrei da conversa que tive mais cedo com o Leo e fiquei tenso. Se tudo acontecesse como ele imaginava, em breve os dois não estariam mais juntos. — Está indo — falou incerta e não a culpei, eu preferia nem saber porque isso só iria criar mais atritos entre a gente. Apesar de não concordar com a forma como ele estava lidando com essa situação, eu não iria ficar contra o meu melhor amigo. — E você? — Tirei seu cabelo do rosto e beijei sua bochecha, o corpo da Jess estava tão quente que... — — Você bebeu? — Só uma margarita — ela falou, eu não iria entrar nesses detalhes a essa hora da noite, mas Jéssica sabia que eu não gostava que ela bebesse longe de mim. — Que jogador idiota, Math, não posso acreditar que ele perdeu esse passe. — Fui obrigado a rir, ela nem estava prestando atenção, tudo que queria era me distrair para que eu não chamasse sua atenção. Não que ela precisasse, Jess era uma distração até calada. Olhei aqueles pés pequenos com as unhas pintadas de rosa, sua pele lisa e macia implorando para que eu a tocasse... Por alguns instantes perdi a concentração e foi o suficiente para que meu corpo reagisse. — Tivemos uma reunião hoje... — ela falou de repente. — e o meu trabalho foi elogiado. O jornalista que vai fazer a matéria sobre Nova Iorque ficou muito empolgado. — Jéssica já tinha me contado que o ambiente lá não era dos melhores, que todos pareciam considerá-la jovem demais para estar ali, só que para mim o que os perturbava eram o talento dela e só. — Você é incrível, Jess — falei realmente feliz, eu não queria as coisas fossem difíceis para ela. — É por isso que você me ama? — perguntou curiosa. — Não, eu te amo porque você mudou a minha vida — falei ainda concentrado no jogo, Jess passou as mãos pela minha nuca e me deu um beijo no rosto. — E também por causa dessa sua cara de sapeca. — Ela riu e voltou a sua atenção para a TV. Continuamos a assistir, ela ficou quieta provavelmente por causa do cansaço e eu estava louco para poder terminar o jogo e subir para o nosso quarto. Fiquei ali brincando com o seu cabelo até que a vi fechar os olhos, incrível como ela podia ter toda essa energia e ao mesmo tempo ser tão dorminhoca, não


tinha tempo ruim com ela, qualquer lugar era lugar. Quando o jogo terminou, nós subimos e Jess logo se jogou na cama. Irritado porque os Jets tinham perdido, eu demorei a pegar no sono.

***

Jéssica

— Me devolve, Ozzy. — Desci as escadas correndo sem acreditar que ele tinha pegado a minha bota e estava com ela exatamente entre os dentes. Passei pela cozinha apressada e o segui até a piscina. — Eu juro Oz que se você fizer isso eu nunca mais deixo você dormir comigo. — Que merda que ele fez! Em questão de segundos minha bota boiava na piscina, encharcada e mordida. Esse era o segundo par em menos de uma semana que ele estragava. — Isso não se faz, sabe? — falei o encarando, mas ele parecia estar achando tudo muito engraçado. — Outro par? — Matheus perguntou assim que entrei enquanto preparava seu café. — Sim, ele deve ter algum fetiche pelos meus sapatos. Por que não faz isso com os seus? — perguntei enquanto pegava meu cereal no armário, Ozzy já estava me rodeando e me olhando com aquela cara de quem não tinha feito nada de errado, mas eu ainda estava muito chateada para achar graça. — Ele é louco por você, amor. Claro que vai preferir os seus sapatos — Math respondeu e quando me sentei deixou um beijo carinhoso em minha testa. Esperei ele se afastar e fitei seu corpo, nós tínhamos feito amor essa manhã, mas olhá-lo assim, apenas com uma bermuda e cabelo molhado me fazia ficar quente de novo. — Eram os meus preferidos — falei depois que consegui alinhar minhas ideias novamente. — Tem algum ensaio importante hoje? — perguntei, já que meu dia seria um pouco cheio. Helena e Katie me levariam até um estilista que ambas conheciam para que eu tivesse alguma ideia de como ficaria o meu vestido. Os preparativos estavam caminhando bem até agora, a lista de convidados já estava pronta e os convites começariam a ser distribuídos dentro de dois ou três meses. — Tenho, meu dia vai ser complicado e provavelmente eu vou ter que viajar na semana que vem. — Arqueei a sobrancelha. Viajar? E o meu aniversário? — Mas não se preocupe que devo ir na segunda e voltar na quarta, vai ser coisa rápida. — Acenei com a cabeça ainda surpresa. — Se quiser, chame a Katie para dormir aqui, ou você pode ir para o apartamento dela — ele falou ao se lembrar que eu não era muito fã de dormir sozinha. — Quarta é o meu aniversário... — disse só para o caso de ele ter se esquecido. Até agora ele não tinha comentado nada a respeito disso. — Eu sei, amor, e prometo que vou estar aqui a tempo. — Ele segurou minha mão e tentei não me importar tanto desde que ele estivesse comigo até o final do dia. Sabia que Math estava trabalhando para um amigo e que os prazos eram curtos. Como Matheus só iria para o estúdio mais tarde, terminei o meu café e fui me arrumar. Passei a manhã tentando adiantar algumas coisas na revista para que pudesse pegar duas horas de almoço e ir ver


o meu vestido. As horas passaram rapidamente e depois de um lanche rápido fomos até o atelier do tal estilista. Fiquei de boca aberta assim que entrei, vários manequins com os vestidos mais incríveis que eu já tinha visto decoravam o ambiente e depois das apresentações fomos levadas até uma sala reservada onde alguns vestidos da nova coleção já tinham sido separados. Enquanto as meninas eram servidas de champanhe, sucos e bombons franceses, eu me vi perdida entre tantas opções. Separei três modelos exclusivos e fui experimentar, o primeiro me fez sentir como uma princesa, mas me senti sufocada, fora que não tinha nada a ver com o que imaginei. O segundo era um pouco vulgar, decote exagerado e essa não era a minha intenção. Deixei o terceiro por último, porque sabia que assim que o vestisse eu iria me apaixonar perdidamente e nem chegaria a dar uma chance aos outros. Me olhei no espelho e sorri ao imaginar a reação que Matheus teria ao me ver. Emocionada, comecei a entender o porquê das noivas ficarem tão nervosas nesses momentos. Esse não era um simples vestido, era o vestido da minha vida, o que eu usaria para me casar com o homem que eu amava e ele tinha que ser absolutamente perfeito. Impacientes, Katie e Helena puxaram as cortinas do vestiário a fim de conferir o último modelo e ambas ficaram sem palavras assim que me viram. — Amiga... — Katie tentou falar. — Ah, Jéssica, esse ficou perfeito. Você vai ser a noiva mais linda desse mundo — Helena falou e soltou o meu cabelo do coque que eu usava. — O Louis está tão feliz por vocês dois... — Meu Deus, éramos três mulheres bobas e choronas, eu tinha deixado a Katie até agora sem reação e isso nunca acontecia. — Nem acredito que a minha amiga logo, logo estará casada com o seu príncipe. — Só assim mesmo para a ficha cair. Pensar em tudo que ainda tinha que arrumar me deixava com um frio na barriga, mas na medida do possível Helena estava me ajudando muito. Antes de chegarmos no atelier ela tinha me mostrado fotos de um hotel incrível para que realizássemos a cerimônia, ele ficava em Miami com uma praia privativa que era muito usada para eventos. Fiquei surpresa com a sua dedicação em me ajudar, principalmente porque sabia que ela vivia ocupada com o marido, as crianças, a carreira e o Louis. Como ela conseguia, pelo amor Deus? Combinei com as duas que assim que Matheus aprovasse o hotel, nós passaríamos um ou dois dias por lá para acertar os últimos detalhes com os organizadores do casamento. Seria quase como um final de semana apenas para mulheres, Helena pareceu animada e acho que ela realmente precisava de uma folga dessa correria. Eu juro que ainda olhava para ela e tentava achar algum defeitinho que fosse, uma falha de caráter, alguma chatice, mas a garota era perfeita. — Você está nervosa? — Katie perguntou e eu acenei com a cabeça, eu estava muito, muito nervosa. Mas não era um nervosismo ruim, era uma ansiedade boa, uma vontade de que chegasse logo o dia e que eu pudesse finalmente dizer que o Matheus era só meu. Saímos do atelier com uma outra prova de vestido marcada para daqui a um mês, alguns ajustes como o de comprimento, claro, teriam que ser feitos e ele pediu que não deixasse meu peso variar tanto, o ideal seria permanecer exatamente com o corpo que eu estava. Os dias se passaram e a tal viagem do Matheus se aproximava, ainda não estava completamente feliz


com esse ”imprevisto”, mas sendo a trabalho eu era a última pessoa que poderia reclamar de alguma coisa. O que me deixava chateada era que esse seria o meu primeiro aniversário ao lado dele, me fazendo lembrar que logo depois nós faríamos um ano juntos, quer dizer quase, né, porque quatro desses foram separados. Nunca pensei que em tão pouco tempo, tanta coisa podia mudar. Eu estava apaixonada e iria me casar, tinha o emprego dos meus sonhos e era feliz... O que mais eu podia pedir? Até mesmo a minha mãe parecia animada e chegou a me convidar para passar o próximo final de semana em casa, não sei se Matheus iria querer ir comigo, mas eu faria um grande esforço para conseguir estar lá. Eu sentia saudades deles, sentia saudades da minha avó que tinha séculos que não visitava e seria bom me afastar um pouco antes do julgamento. Voltei minha atenção ao livro que estava lendo antes que começasse a pensar nisso, Matheus estava no andar de cima terminando de preparar sua mala e eu preferi me concentrar em qualquer outra coisa sem muito sucesso. Desisti e apoiei minha cabeça no sofá completamente desanimada até que escutei o telefone dele tocar em algum lugar da sala. Encontrei o celular em cima da mesinha de centro e me senti estranha ao ver de quem se tratava... Olhei para a escada para ver se Matheus por acaso tinha escutado e por um impulso atendi a ligação. Essa anoréxica precisava saber qual era o lugar dela de uma vez por todas... — Querido, você prometeu que ligaria. — Como? — Você é muito cara de pau mesmo, quando você vai perceber que ele não te quer? — Quando ela ia responder, Matheus se aproximou por trás, de repente, e tirou o telefone da minha mão. — Fique aqui. — ele pediu e a última coisa que escutei era ela me chamando de sonsa. Pensei que ele fosse mandar ela parar de ligar ou coisa parecida, mas em vez disso ele foi para a o seu escritório e trancou a porta. Irritada, fui atrás e tudo bem que o que eu estava fazendo era errado, mas a culpa era toda dele por permitir que ela continuasse se intrometendo em nossas vidas. Fiquei perto o suficiente da porta para que conseguisse escutar a conversa. "Merda Caroline, só fique longe dela!" "Eu tenho sido muito paciente até agora." Andei de um lado para o outro, esperando ele terminar, eu já não conseguia escutar, pelo visto ele tinha parado de gritar. Quando a porta se abriu eu vi o seu rosto tenso, mas não fiquei intimidada. — O que ela queria? — O mesmo de sempre, Jéssica. Me fazer perder a paciência. — Por que você prometeu que ligaria para ela? Você sabe que eu não a suporto, Matheus. Eu pensei que vocês nem se falassem mais — disse nervosa. — Fora que ela teve a cara de pau de usar aquela voz de safada. — Voz de safada? — Não era para ele estar achando graça. — Eu estou falando sério. — Cruzei os braços na minha frente e esperei. Matheus se aproximou e percebi que ele não estava nem um pouco contente com essa situação.


— Eu viajo amanhã, Jess. Não quero brigar por causa de uma besteira. Caroline pode falar e fazer o que quiser que eu não me importo, isso não vai mudar o que existe entre a gente — ele assegurou. — Eu só queria que ela se afastasse, não gosto de saber que ela está sempre te rondando, é como se a qualquer momento ela fosse dar o bote. — A sensação de que ela pudesse fazer isso fazia meu estômago revirar. — Esquece isso, amor, por favor. — Ele afastou meu cabelo do rosto e me deu um beijo carinhoso. — Caroline é a última pessoa com que você precisa se preocupar nesse momento. — Concordei e não impedi que ele me imprensasse contra a parede cheio de outras intenções. No final, tentei não ficar tão chateada ou encanada com a ligação, Matheus nunca tinha me dado nenhum motivo para que eu desconfiasse dele e eu não ia me deixar ser envenenada logo agora...


CAPÍTULO 30

Matheus Duas semanas eram tudo que eu precisava, assim que passasse o julgamento e eu tivesse certeza absoluta de que a Jéssica estava bem eu contaria a respeito do jantar e esperava realmente que ela me entendesse. Tudo bem que eu tinha sido um babaca ao deixá-la passando mal e me enfiado logo na casa da Caroline deixando a situação chegar a tal ponto que até ela pensasse que poderia acontecer alguma coisa novamente... Tudo naquela noite havia sido um erro. Sabia que esse seria um momento complicado e o pior é que eu não tinha a menor ideia de qual seria a reação da minha baixinha, mas eu não estava em uma posição de poder adiar. Não depois da ameaça velada que Carol tinha me feito. — Eu odiaria estar em seu lugar, querido. — foi o que ela tinha dito antes que eu pedisse para que não voltasse a me ligar. Por causa dela eu quase desisti dessa viagem, e sabia que até pôr os pés em casa e um olho na Jéssica, eu não iria me acalmar. Meu alívio, era que amanhã a essa hora eu estaria com a Jéssica comemorando o seu aniversário e matando a sua curiosidade finalmente, ela não conseguia esconder o quão ansiosa estava pela minha surpresa... — Então, você foi fisgado? — Enrico falou, nós dois éramos amigos de longa data e eu só tinha aceitado viajar tão em cima da hora por consideração a ele. — Fui e não me arrependo. — A maioria dos meus amigos solteiros não entendiam essa mudança, como eu tinha passado de um homem avesso a compromisso para um que iria se casar, isso meio que os preocupava. — Sempre tive uma teoria quanto ao casamento Matheus, um homem precisa ser valente para dar um passo como esse. Você está ultrapassando a linha que o separa de todos os outros predadores do mundo e, bem, isso exige coragem, concorda? — Em parte ele tinha razão, principalmente em se tratando da Jéssica, eu sabia que ela estava colocando a sua vida e felicidade em minhas mãos. E por mais que fosse uma responsabilidade grande eu gostava de saber que essa era a minha função, Jess tinha uma personalidade forte, mas seu lado emocional era fraco. Ela fazia com que as pessoas tivessem vontade de cuidar dela e eu já tinha percebido que não era o único a ser afetado por isso. — Estou curioso para conhecer a mulher que fez isso com você, amigo. Só, por favor, não me diga que é alguma dessas modelos interesseiras, existe uma grande diferença entre mulheres boas para se levar para a cama e as que podem gerar bons filhos, mas acho que você entende isso, não é? — Enrico era filho de um aristocrata, completamente mimado e com um péssimo hábito de dividir mulheres por categoria, só que eu não o culpava por agir assim. Estudamos na mesma instituição quase a vida inteira e eu tive o prazer de ver a seleção de beldades que acompanhava seu pai por várias ocasiões. Jogamos conversa fora até depois da meia-noite, ele me contou um pouco mais a respeito da sua


vida, das mudanças que estava fazendo nas empresas do seu pai e quando o bar estava prestes a fechar voltei para o hotel e ele se dirigiu para o seu apartamento. Meu voo seria logo cedo e, mesmo que fosse apenas algumas horas de sono, tenho certeza de que iria precisar delas assim que chegasse.

***

Jéssica

— Amiga, acordaaaa. — Merda, Katie se jogou em cima de mim e minha cabeça girou. Eu acho que nós duas tínhamos bebido mais do que o aceitável na noite anterior. Como Matheus não gostava que eu bebesse sem ele por perto, decidimos fazer nossa própria festa aqui em casa mesmo. — Feliz aniversário, sua chata. — Ela me abraçou quase me esmagando e deixou um monte de beijos na minha bochecha. — Para Katie, tudo dói — falei e ela riu. — E eu não sei? Estou zonza até agora. — O pior é que nós duas tínhamos que trabalhar ainda hoje, como isso iria acontecer eu não sabia. — A culpa é sua. 'Não Katie só mais uma, eu aguento. — ela imitou a minha voz e eu me lembrei da noite anterior, bom, pelo menos eu tinha me divertido. — Como eu vou aguentar passar o dia? Eu não sei nem se vou conseguir me levantar, Katie. — Sem dramas, olha como eu estou ótima? — Ah, estava... — Liga para o Matheus e fala que eu preciso dele para cuidar de mim. — Afundei minha cabeça no travesseiro, eu estava morrendo de saudades e louca de curiosidade para saber o que eu iria ganhar. Ele não deixou escapar nada, não me deu nenhuma pista e isso estava acabando comigo. — Para de drama e abre o meu presente. — Ela me entregou uma caixa média e quase surtei quando vi o que tinha dentro. Já tinha alguns meses que eu vinha juntando dinheiro para comprar uma câmera nova e ela tinha simplesmente me dado uma Canon EOS 7D que era mil vezes melhor do que a minha. — Você é louca? — Só diz se gostou ou não. — O que você acha? Eu amei, amiga. — As pessoas podiam pensar que, pelo fato de morar com o Matheus eu tinha tudo o que queria, mas não era bem assim. Eu já não pagava o aluguel e não tinha nenhuma despesa com a casa porque ele não deixava, fora que ele ainda arcava com os custos dos advogados e do casamento, eu nunca teria coragem de pedir que ele bancasse meus caprichos. Uma parte do que eu ganhava ia para a minha família e outra eu gastava com as minhas coisas ou guardava... Retribuí o abraço de urso e ela gritou: — Não, para. Você tem razão. Isso dói — Tomamos nosso café e ela me deixou na Travel, já que eu não iria usar o jipe hoje porque Matheus tinha combinado de me pegar no horário do almoço. Cheguei na recepção e fui recebida por um abraço carinhoso da secretária do Josh e me perguntei se ele também me desejaria um feliz aniversário. Do jeito que as coisas andavam entre a gente, eu acho que nem olhar para


mim ele olharia. A manhã passou tranquila e assim que o voo do Math aterrissou em Nova Iorque ele me ligou e disse que teria que resolver algumas pendências rápidas e que dentro de uma hora passaria aqui para me buscar.

***

Matheus

Fui buscá-la na revista no horário marcado e quando cheguei ela já me esperava em frente ao prédio, o clima estava quente em Nova Iorque essa manhã e Jess usava um vestido azul de alças que revelava o suficiente e que me fez ter uma vontade absurda de descobrir o que tinha por baixo daquele tecido. — Sentiu minha falta? — ela perguntou enquanto se aproximava com um sorriso lindo no rosto. Eu daria tudo para vê-la sorrindo assim todos os dias. Puxei seu corpo pela cintura e a beijei, só assim ela entenderia o quanto senti sua falta. Foi imediato, meu corpo reagiu ao seu cheiro, à sua boca quente e molhada completamente entregue... — Uau! — ela exclamou assim que a afastei. — Feliz aniversário, meu amor. — Passei a mão pelo seu rosto morrendo de vontade de ficar a sós com ela logo. Nós éramos acostumados a fazer amor todos os dias, então digamos que eu estava um tanto quanto ansioso. — Almoço ou presente primeiro? — perguntei já sabendo que ela trocaria facilmente o almoço pela surpresa. — Você não pode me dar o presente enquanto almoçamos, não? — Neguei com a cabeça porque, bem, o que eu tinha em mente não era tão simples assim. — Infelizmente não, baixinha. — Vou parecer uma mercenária se eu escolher primeiro o presente? — ela falou preocupada e eu ri. Já conheci mulheres interesseiras e Jess definitivamente estava longe de ser uma. — Talvez eu goste de mulheres interesseiras — disse para provocá-la e ela fez uma careta. — Não me importo. — Deu de ombros. — Eu quero ver o meu presente. Alguns minutos depois, eu estacionava em frente ao edifício, em Upper East Side, um bairro nobre que ficava praticamente no centro de Manhattan. Jéssica não perguntou nada e me acompanhou observando cada detalhe do prédio. O porteiro já me conhecia do dia em que estive aqui com o corretor e subimos imediatamente. — O que nós estamos fazendo aqui? — ela perguntou curiosa quando já estávamos dentro do elevador. — Calma — respondi e quando chegamos no andar a levei até a cobertura. — Matheus? — Jess arqueou a sobrancelha e me olhou, o duplex ainda estava vazio e ela demorou a perceber do que se tratava. — Nós vamos... morar aqui? — perguntou com a voz trêmula que eu esperei


que fosse de felicidade. — Essa é a intenção. — Minha baixinha sorriu e correu para os meus braços, me beijando carinhosamente. — Eu amo tanto você e amei tanto o meu presente. — Eu percebi, mesmo que Jéssica tivesse crescido no interior ela definitivamente era uma garota da cidade. — Você acha que nossos filhos vão gostar de viver aqui? — perguntei porque essa foi a primeira coisa que pensei quando visitei o imóvel. Eu queria um lugar onde pudéssemos construir uma família, onde teríamos liberdade para ir e vir e que ficasse perto de tudo. Tinham boas escolas ao redor, nossos trabalhos ficavam nas proximidades, a vista era incrível e teríamos o Central Park praticamente ao nosso lado. Jéssica sabia que eu só vivia no condomínio em Riverdale porque queria estar perto do meu pai, mas agora com a sua saúde já estabilizada e com o nosso relacionamento reestruturado eu queria poder começar meu casamento fazendo uma escolha certa, Ozzy poderia viver aqui tranquilamente e nada precisaria mudar. — Ah, eles vão... — ela falou pensativa olhando cada detalhe, mostrei os cômodos do andar de cima, onde seria o nosso quarto, a sala integrada a varanda... Emocionada, ela passou a mão pela minha nuca e aproximou seu corpo do meu. — Promete que vamos ser felizes? — Essa era uma questão que eu não precisava nem prometer, claro que faria de tudo para que fosse assim. — Prometo — murmurei e chupei seu lábio a provocando. Por mais que tentasse me concentrar em qualquer outra coisa, minha cabeça só conseguia pensar no beijo que demos mais cedo e no que ela estaria vestindo por baixo desse vestido. — Então, eu acho que nós já podemos estrear o nosso novo lar... — ela falou cheia de malícia e desceu as alças do seu vestido deixando exposto o seu sutiã de renda azul. — Eu pensei que você estivesse com fome — falei atordoado com a visão dos seus seios redondos dentro daquele pedaço de pano. — E eu estou. — Ela olhou o relógio. — Mas também estou morrendo de vontade de sentir você dentro de mim, Math. Só de pensar, eu já sinto uma dorzinha, sabe? — Safada! — Você nunca me decepciona, gatinha. — A segurei pela cintura e nossas línguas se chocaram. Comecei a pensar se sentiria a mesma urgência e desespero quando estivesse dentro dela, sabia que nosso tempo era corrido, mas eu duvidava muito que ficaria satisfeito apenas com uma rapidinha. Enquanto mordia meus lábios, Jess começou a desabotoar minha camisa de forma apressada. Aproveitei para puxar de uma vez por todos o seu vestido e fiquei louco ao ver o tamanho da calcinha que a safada usava, isso mal, mal tapava a sua boceta. — Rápido Math, eu quero você rápido. — Ela desafivelou meu cinto e abriu a calça, tirei seu sutiã e seus seios redondos com os bicos salientes me deram boas-vindas. Não tive tempo nem de acariciá-los, porque Jéssica pediu que eu me deitasse no chão e ainda em pé arrancou a calcinha e jogou na minha cara. Porra! Do meu ponto de vista, a visão do seu corpo nu era alucinante, conseguia ver seu clitóris úmido e meu membro latejava impaciente dentro da minha boxer. Respirei fundo quando ela montou em cima de mim roçando sua boceta nua contra a minha cueca e apoiou suas garras em meu peito. Eu estava começando a perceber que não iria sair desse encontro sem marcas...


— Você tem meia hora para me fazer a mulher mais feliz desse mundo, Math — ela falou divertida e colocou meu membro para fora, eu estava mais duro do que o normal, completamente sem paciência para jogos e louco para me enterrar nela. Jess desceu de uma só vez em todo o meu comprimento me fazendo rugir, seu gemido foi tão alto e indecente que perdi a noção, principalmente depois que ela começou a se movimentar e esfregar aqueles seios perfeitos em meu rosto, segurei seu quadril tentando fazer com que ela fosse mais devagar, mas ela estava bem mais ansiosa do que eu. Sem esperar ela pegou minhas mãos e as afastou do seu corpo, tomando o controle de volta, eu gostava de dar prazer a ela, de comandar a situação, mas gostava ainda mais quando ela mostrava esse lado sacana. Quando fazia o que tinha vontade sem se importar. — Porra, minha gostosa. — Ela estava faminta, me sugando e pressionando me fazendo chegar ao limite. Ela continuou no controle, rebolando em cima do meu membro, gemendo e arqueando o corpo. Quando gozou, se jogou em meu peito quente e saciada me levou junto com ela. Senti os jatos fortes a preenchendo e o fato de suas unhas ainda estarem cravadas em meu peito foi um mero detalhe. — Você foi foda, meu amor — murmurei enquanto sentia o coração dela acelerado batendo contra o meu peito. — Eu adorei a nossa casa — ela falou cansada, afastei seu cabelo das suas costas e ficamos uns bons minutos encaixados no chão do que muito em breve seria a nossa sala. — Obrigada, Math.

***

Jéssica

Depois que nos levantamos, tentei me recompor da melhor maneira possível. Matheus deu a ideia de comermos algo no estúdio para que eu pudesse tomar um banho rápido e deixássemos para sair à noite. Fui, porque eu não podia trabalhar desse jeito. Enquanto ele pedia nosso almoço tomei uma ducha e tentei dar um jeito na bagunça que estava meu cabelo. Matheus esperou que eu saísse e foi tomar o dele. Aguardei em sua mesa e aproveitei para mandar uma mensagem para Katie contando qual tinha sido o meu presente, nós tínhamos passado boa parte da noite tentando adivinhar o que eu iria ganhar, mas nenhuma das duas conseguiu chegar nem perto. Sentada, vi a luz da secretária eletrônica piscando e por hábito apertei o botão e escutei uma por uma, sempre fiz isso e não via problema nenhum agora, fui anotando os recados para que ele soubesse o que fazer mais tarde, mas tudo parou quando escutei a mais recente. "Já que me proibiu de ligar para o seu celular e você não retorna meus e-mails fui obrigada a ligar para o seu estúdio, querido. Espero que tenha tido uma boa viagem, só que realmente preciso que encontre um tempo para mim essa semana, invente outra história, você já mentiu uma vez, mentir outra não vai ser problema. Só se assegure de que ela não esteja passando mal dessa vez, tudo bem? Odeio consolar homens que se sentem culpados”.— Quando terminei de escutar eu já estava tremendo, a decepção bateu mais forte do que a raiva. Levei alguns segundos para entender tudo e me lembrei da noite que o Math dormiu fora de casa. — Por favor, por favor... — falei atordoada demais para pensar qualquer coisa que fizesse sentido,


as lágrimas desceram descontroladas pelo meu rosto, meu estômago revirou e tudo o que eu queria era gritar. As palavras vieram novamente à minha mente:"Odeio consolar homens que se sentem culpados...", "Você já mentiu uma vez...". — Amor? — Não tive coragem de olhar para ele, eu me sentia tão idiota, algo dentro de mim tinha quebrado e a culpa era toda dele. — O que aconteceu, Jéssica, responde. — Ele se aproximou e falou preocupado. Para o inferno a preocupação dele. — Você é um mentiroso, filho da puta! — Avancei e comecei a dar socos em seu peito, sei que não iriam doer, a única que sairia machucada seria eu, mas eu precisava colocar isso para fora... Caso contrário... — Eu odeio você! — gritei e ele me segurou com força. — Odeio! — O que aconteceu? — Doía tanto... Como ele pôde mentir assim para mim? Como pôde dizer que me amava e... Com as pernas bambas eu percebi que não conseguiria passar por isso de novo, eu não tinha mais forças para enfrentar outra decepção... — Por favor, Jéssica, fale comigo. — Ele tentou, mais uma vez, mas eu não podia falar nem olhar para ele enquanto a minha vida desmoronava. Nesse momento eu só conseguia pensar em tudo que estava prestes a perder...


CAPÍTULO 31

Jéssica — Você é um idiota! — Eu não conseguia parar de bater nele, eu queria que ele sofresse tanto quanto eu estava sofrendo. Eu queria machucá-lo da mesma forma que ele estava fazendo comigo. — Eu nunca vou conseguir te perdoar! — Matheus segurou meu pulso e pressionou seu corpo contra o meu me deixando sem reação. Pelo amor de Deus, essa era a pior hora para que eu me sentisse assim. — Você entendeu o que eu disse? — Sua voz soou paciente e eu o odiei, porque a última coisa que eu precisava era de compreensão. — Me solta! — Eu não aguentava ouvir mais nada, não depois que ele admitiu ter estado com a Caroline, dali em diante eu me neguei a escutar qualquer coisa. Não me importava se ele tinha ou não transado com aquela puta, se estava ou não arrependido... porque sua traição começou no momento em que ele pisou no apartamento dela. Eu sentia tudo desmoronando ao meu redor e o único pensamento claro em minha cabeça era o de tentar entender como ele pôde fingir tão bem, como conseguiu se deitar todas as noites ao meu lado e me amar enquanto escondia isso de mim. Isso doía como um soco no estômago e essa era uma sensação que eu conhecia muito bem. Se eu tivesse sido só um pouquinho mais inteligente teria apreendido a não confiar em nenhum homem depois do que passei nas mãos do Aaron, as promessas que ele nunca cumpriu, as mentiras que levei anos para descobrir... “Isso não podia estar se repetindo”, pensei tentando engolir a raiva e o choro. — Eu fiz alguma coisa de errado? — perguntei magoada, talvez o problema fosse comigo. — Você está fazendo o mesmo que ele fez, Matheus, Aaron jurou que me amava, que ficaria comigo... — Eu não consegui terminar, era demais para mim. Matheus me abraçou possessivamente e eu, fraca, não o impedi. — Eu não sou o Aaron, Jéssica. — Seu corpo estava rígido quando murmurou e eu comecei a me perder nos detalhes, na verdade eles eram mais parecidos do que eu gostaria de admitir. — Isso já não importa... — Fechei os olhos e por alguns instantes aproveitei a segurança dos seus braços enquanto segurava sua camisa e apoiava meu rosto em seu peito, eu sabia que precisava me afastar, mas meu corpo se recusava a obedecer qualquer comando da minha mente, no fundo eu acho que ele sabia que assim que me soltasse eu não voltaria tão cedo. — Você me traiu com aquela vadia anoréxica! — murmurei. — Me escuta, eu nunca teria coragem de te trair, amor. — Eu duvidava que ele estivesse falando sério, Caroline não era mulher para deixar passar uma oportunidade como esta sem tentar partir para cima dele. A forma abusada com que ela falou na mensagem de voz não deixava dúvidas de que alguma coisa tinha acontecido.


— Então, não houve nada? — Endireitei meu corpo da melhor maneira que pude e olhei em seus olhos, se ele estivesse mentindo eu descobriria. — Me responde, Matheus. — Seu silêncio confirmou tudo. Como ele podia cobrar de mim um comportamento que ele mesmo não era capaz de ter? Eu vinha tentando relevar suas cobranças e desconfianças na esperança de que um dia ele finalmente fosse perceber que eu nunca o decepcionaria de novo, que minhas prioridades tinham mudado e que eu abriria mão de muita coisa hoje em dia para poder ficar com ele, mas pelo visto isso não importava. — Caroline tentou... — Me arrependi de perguntar, talvez o melhor fosse não saber, eu não estava nem um pouco preparada para lidar com a verdade de qualquer maneira. Puxei meu braço e senti seus dedos pressionando meu pulso. — Assim que ela me beijou, eu a afastei Jéssica. — A imagem dos dois juntos me deixou enjoada e, percebendo minha palidez, ele tentou me acariciar só que eu me virei e tomei o máximo de distância que consegui. Eu estava tão confusa que sabia que tinha chegado em um ponto que, ou eu acreditava nele e corria o risco de quebrar a cara como no passado, ou eu me afastava até ter certeza do que fazer definitivamente. — Eu preciso sair daqui... — falei mais para mim do que para ele e me vi sendo arrebatada por uma onda de desespero novamente, eu me achava incapaz de ficar sem ele. Matheus me olhou atordoado e eu vi mais do que arrependimento em seus olhos, pena que era tarde demais. — Caralho, Jéssica! O que mais eu preciso fazer para provar que eu te amo? — O medo de sofrer de novo me impediu de dizer qualquer coisa, procurei pela minha bolsa e saí da sua sala sem olhar para trás. No momento em que pisei fora do estúdio, eu já não sabia se tinha feito a coisa certa ao me afastar e, de repente, era como se o mundo inteiro estivesse entre a gente. ***

Matheus Parado, sem saber ao certo que decisão tomar, eu só conseguia encarar a maldita porta pela qual a Jéssica tinha acabado de sair, claro que ela não iria voltar. Talvez eu estivesse esperando muito ao pensar que ela entenderia tão facilmente, mas Jess foi teimosa, arredia, não quis nem terminar de me escutar e sua reação me preocupava. Nada tinha saído da forma como planejei, eu deixei que Caroline ferrasse com tudo da pior maneira possível. E agora eu tinha que consertar essa confusão antes que as coisas se complicassem ainda mais, procurei pelo telefone da galeria dos pais da Katie. A primeira coisa que eu faria era pedir a sua ajuda, caso a Jéssica decidisse dificultar as coisas, o que eu tinha certeza que faria. — Matheus? — Sua secretária passou a ligação e quando atendeu expliquei tudo o que tinha acabado de acontecer. Claro que Katie foi reticente, ainda mais porque com as merdas que o Leo andava fazendo, ela, provavelmente, pensava que eu também era um idiota. Perdi a cabeça quando Katie me disse que veria o que podia fazer por mim. Será que ela não entendia a gravidade da situação? Jéssica não reagiu bem, tirou suas próprias conclusões e agora eu estava aqui tentando me convencer de que ela seria inteligente o suficiente para não fazer nada que a


machucasse, ou pior. — Só cuida dela para mim, Katie. Do jeito que ela saiu daqui, eu fico preocupado que... — A Jéssica sabe se cuidar, Matheus — ela me cortou de forma seca e eu entendi que tinha tocado em um ponto delicado. — Você acredita nisso de verdade? — Porque eu não acreditava. Jess era petulante quando queria e eu temia que ela fizesse alguma besteira da qual viesse a se arrepender depois. ***

Jéssica Nunca me senti tão perdida em toda a minha vida. De repente, eu já não tinha para onde ir e nem a menor ideia do que fazer. Caminhei por alguns minutos sem rumo, tentando me afastar o máximo que podia, algumas lágrimas teimosas insistiram em cair e eu ignorei as pessoas que passavam por mim e me olhavam. Que mundo era esse que uma pessoa não podia nem chorar em paz? Fui me lembrando de todos os anos que passei esperando pelo Aaron, do mundo cor-de-rosa que eu criei em minha cabeça e no qual acreditei até o último momento, incrível como eu continuava a mesma garota idiota. Ri com sarcasmo ao pensar que hoje deveria ter sido um dia feliz, os momentos dentro da cobertura pareciam ter acontecido faz uma eternidade... Merda, eu não queria pensar em nada do que tínhamos feito mais cedo. Não voltei a revista e quando dei por mim já estava em frente à galeria da Katie, estranhei o seu olhar apreensivo e lembrei que meu rosto deveria estar mais vermelho do que camarão por causa do choro, contei por alto o que tinha acontecido e perguntei se podia me esconder por algumas horas em seu apartamento. Eu não queria ir para casa porque sabia que Matheus iria atrás de mim e também não tinha cabeça para enfrentar Josh hoje. — Você vai ficar bem? — ela perguntou e eu acenei com a cabeça para não preocupá-la. Katie acabou me deixando em frente ao seu prédio já que ficava no caminho. Entrei, peguei uma das camisas enormes que ela usava para dormir e me enfiei dentro, mandei uma mensagem a ela avisando que eu iria desligar meu telefone e me joguei na imensa cama em seu quarto. Fitei o teto por não sei quanto tempo, pensando e martelando mais uma vez todo o meu dia, lembrando do quão feliz eu estava antes de ouvir aquela porcaria de mensagem, fiquei em choque ao perceber que eu daria tudo para não tê-la escutado. Nesse momento eu preferia estar sendo enganada do que sentindo esse vazio monstruoso dentro de mim. Se isso era fraqueza, eu não me importava, ser forte nunca foi garantia de felicidade, não é? Adormeci com esse pensamento e horas mais tarde me vi sendo acordada por uma Katie emburrada e preocupada. — Acorda, Jéssica, não acredito que você dormiu até agora — ela falou e eu olhei o relógio em sua mesinha. 19h? Fiquei assustada, mas a vontade que eu tinha era de voltar a dormir e só acordar daqui a mil anos.


— Eu sei que falei que seriam só algumas horas, mas eu posso passar a noite aqui? — perguntei sem graça e ela me olhou com aquela expressão complacente que tanto me irritava ver nos rostos das pessoas. — Se a gente conversar antes, eu deixo. — Esperei ela falar o que queria tanto conversar e não gostei do alarde que fez. — Você sabe que eu amo você, não é? — falou receosa. — Mas, amiga, o Matheus está desesperado, ele pediu que eu tentasse te convencer a ir para casa e... — Você disse a ele que eu estava aqui? — Eu deveria ter mentido? — ela perguntou, e eu sabia que se tivesse pedido isso ela teria feito, a culpa não era dela. — Não, quer dizer, eu não sei. Eu só não quero ter que enfrentar ele agora Katie, eu estou confusa, meu coração diz que eu tenho que voltar para casa, só que eu estou com medo. Eu pensei em abandonar o meu orgulho e ir atrás dele, mas aí eu me lembro de tudo que passei com o Aaron e não consigo. — Ah Jéssica. — Ela falou entendendo o que eu sentia. — Não deixe o Aaron atrapalhar ainda mais a sua vida, nem você e o Matheus merecem isso. — Mas ele esteve com ela, Katie... — Os soluços do choro recomeçaram. — Ele mentiu para mim. — Eu sei, mas mesmo assim que acho que você precisa escutar o que ele tem a dizer. — Ela se levantou e pegou o seu celular. — Eu prometi ao Matheus que ligaria assim que chegasse em casa, você se importa? — Neguei, mas lá no fundinho me senti incomodada. Katie saiu do quarto e mesmo assim consegui escutar a conversa da cama, não era como se ela tivesse alguma coisa para esconder mesmo. — Ela está bem, Matheus... Não, eu acho que ainda não... Sim, eu vou cuidar dela... Aproveitei para me levantar e ir ver o estado do meu rosto, sabia que iria encontrar uma cara inchada e olhos vermelhos quando me olhasse no espelho. Joguei um pouco de água gelada para ver se o aspecto melhorava, saí e decidi ligar meu celular antes de ir ver o que a Katie estava fazendo. Nenhuma notícia do Matheus, tudo que eu tinha era uma mensagem curta do Josh. "Te espero amanhã na minha sala, às 8h”. — “Ótimo”, pensei. — Aonde você vai? — Katie perguntou no dia seguinte enquanto eu me arrumava para ir trabalhar. Eu poderia estar desmoronando por dentro, mas não iria me deixar ir por esse caminho novamente. Tudo que eu tinha que chorar eu chorei ontem, agora eu só tinha que... Bem, eu ainda não sabia o que tinha que fazer daqui para frente, só sei que não afundaria. Eu amava o Matheus com todas as minhas forças, acreditava de verdade que ele era o homem da minha vida, mas depois do que aconteceu ontem eu precisava de um tempo. Fui dormir na noite passada pensando: “E se não fosse para ser?”. Sei que era estranho, mas talvez... a gente precisasse pensar um pouco mais, porque, merda, eu juro que tentei encontrar alguma justificativa para que ele continuasse com essa amizade com a Caroline. Eu até entendi que no dia em que esteve com ela, ele estava irritado por causa do Josh, só que nada disso o redimia. Matheus não era um garoto ingênuo que não sabia onde estava pisando, ele sabia muito bem que tipo de mulher ela era e mesmo assim se deixou ser convencido.


— Aonde eu vou todas as manhãs, amiga? — O que aconteceu com você? — ela perguntou me analisando, não tinha acontecido nada. Eu continuava me sentindo traída, só não queria ser um mártir para ninguém. Fiz um rabo de cavalo alto, passei um pouco mais de maquiagem do que o habitual para tentar esconder a noite mal dormida e o choro. Katie se o levantou da cama e me observou enquanto eu me maquiava. — Promete do fundo do seu coração que você não vai aprontar nada? — Percebi o quanto ela estava preocupada. — Prometo... — Cruzei os dedos reafirmando a promessa, me apressei e saí, hoje à noite, depois do expediente, eu iria em casa pegar algumas roupas e voltar para o apê da Katie, ela tinha dito que eu poderia ficar o quanto quisesse, que não teria o menor problema. Também queria ver o meu bebê, cortava meu coração deixá-lo naquela casa, mas até tudo se resolver eu não podia carregá-lo comigo. Hum, já eram 7h55. Passei correndo pela recepção e nem mesmo a secretária do Josh tinha chegado, deixei minhas coisas na minha sala e fui para a sua, olhei os ponteiros em meu relógio até dar o horário marcado e entrei. Encontrei Josh parado em frente à parede de vidro da sua sala que na maioria das vezes ficava escondida por persianas compridas, esperei até que ele notasse a minha presença e quando o fez acenou para a cadeira e eu me sentei. — Está se sentindo melhor? — ele perguntou e eu quase me esqueci da mentirinha que tinha contado à sua secretária para justificar a minha falta ontem. — Estou. — Certo. — Josh me passou alguns pequenos trabalhos para fazer nos próximos dias e eu me perguntei se o jornalista com quem eu estava trabalhando diretamente não podia ter feito isso. Ele também me mostrou um trabalho de um dos novos trainees e perguntou a minha opinião. Fiquei genuinamente feliz por saber que ele confiava em mim nesse sentido. — Eu gosto, principalmente da forma como o fotógrafo valoriza as cores, você vê? — Apontei os detalhes da foto para que ele pudesse ver, eu tinha me inclinado um pouco mais em sua direção. — Mas o que eu mais gostei é que você consegue enxergar uma marca, uma personalidade por trás delas, sabe? Não foram feitas por fazer, foram pensadas e... — Parei de falar porque ele não parecia estar prestando atenção no que eu dizia e sim na minha boca. — Qual é o problema? — perguntei sem graça e passei a mão em meus lábios para ver se não tinha alguma coisa errada com eles. Foi uma reação instintiva, mas que o fez rir. — Como foi o seu aniversário? — Ele deixou as fotos em cima da mesa e mudou de assunto. Meu rosto queimou por causa da sua pergunta, não sei se por causa da lembrança do sexo suado no apartamento ou por causa da briga logo depois. — Foi bom — falei simplesmente e desviei o olhar do dele, Matheus dizia que era muito fácil perceber quando eu mentia, será que Josh também era capaz de me ler? ***

Matheus


Tentei dar o tempo que a Jéssica precisava, recuei, não liguei e nem mandei mensagens, tinha três dias que as únicas notícias que eu tinha a respeito dela vinham pela Katie, pensei que assim ela fosse colocar a cabeça no lugar e decidir me escutar, mas percebi que quanto mais a deixasse solta, mais ela se afastaria. Não vou negar e dizer que não foi bom ter algum tempo para pensar e a conclusão que cheguei foi que não adiantava. Jéssica podia ser teimosa e imatura, mas era a mulher que eu amava. Por isso eu me recusava a ficar parado assistindo ela acabar com uma relação porque não tinha coragem de encarar a verdade e enfrentar os problemas de maneira adulta. Tirei os últimos dias também para resolver minha situação com a Caroline, depois das ligações que fiz eu duvidava muito que ela fosse voltar a me perturbar tão cedo, não que eu me orgulhasse do que tive que fazer para conseguir que ela entendesse que eu não ia aceitar ser feito de idiota, mas foi necessário. Se o que importava para ela eram os seus contratos e status, eu a faria perder, esse seria apenas o começo do seu castigo. Estacionei o carro na garagem e fiquei aliviado ao encontrar o jipe da Jéssica ainda em frente à minha casa. Assim que ela digitou o código de segurança para entrar, eu fui avisado em meu celular e decidi vir para cá imediatamente. Entrei e dei de cara com ela descendo as escadas com uma pequena mala. Puta que pariu! Isso não podia continuar assim. — Nem pense em sair daqui com essa mala — falei já irritado, pelo amor Deus, tinham se passado três dias. Será que ela não percebeu que nós não fomos feitos para ficar separados? Jéssica me ignorou e assim que chegou no primeiro degrau apoiou a mala no chão. Ozzy nos interrompeu e passou correndo pela porta, o que era bom, já que ele não era fã de me ver perto dela. — Para de birra, amor. Se você quiser, eu explico até mil vezes o que aconteceu aquela noite até você entender. — Eu não sou burra, Matheus, entendi muito bem da primeira vez — respondeu sem me olhar. Jéssica estava com o cabelo molhado e me perguntei se ela tinha tomado banho aqui em casa. — E isso não é birra. — Ela fez um bico e amaldiçoei pelas reações do meu corpo, eu não tinha vindo aqui com a intenção de levá-la para a cama, eu só queria ela de volta. — Baixinha. — Me aproximei lentamente e, quando ela decidiu me olhar, eu respirei aliviado. Que saudades que eu estava desses olhos sobre mim. — Não faz isso com a gente. — Jess não disse nada e quando eu toquei em seu rosto ela fechou os olhos. — Para, Matheus... — ela falou, mas eu continuei a acariciar seu rosto, eu não estava fazendo nada mais do que tocar a minha mulher. — Volta para casa, amor. — Você não entende. — Deixei que meus dedos envolvessem seu cabelo e puxei seu rosto, Jess entreabriu os lábios surpresa e os fitei cheio de desejo. Meu corpo todo enrijeceu e quando eu estava prestes a tomar a sua boca escutamos a freada brusca de um carro e um latido de dor. Nos afastamos um do outro assustados e eu me dei conta de que a porta da frente estava aberta. — Fique aqui — falei já preocupado com a sua reação. Eu tinha certeza de que Ozzy tinha se machucado e até saber que ele estava bem, eu não a queria por perto.


Teimosa, ela me seguiu sem se importar com o meu pedido, vimos um sedã preto parado em frente a nossa casa e no exato momento o motorista saiu do veículo e se abaixou para ver o que ele tinha atropelado. Merda! — Entra, Jéssica — falei e me aproximei, Ozzy estava deitado praticamente embaixo do carro e eu sabia que a Jess não iria aguentar se alguma coisa acontecesse a ele. Ouvi seu gemido atrás de mim e não a impedi quando passou por mim e foi até onde Oz estava, Jess tentou descobrir se ele estava respirando e quando não conseguiu, se virou para mim desesperada. — O meu bebê, Math... Não deixa ele morrer, por favor...


CAPÍTULO 32

Matheus Jéssica não tinha dito absolutamente nada desde o momento em que o médico levou Ozzy para a sala de emergência, mas eu estava imensamente aliviado por ele estar respirando e pelo fato dela ter conseguido se acalmar um pouco. No caminho para a clínica eu a escutei conversar com o Oz, pedindo que ele fosse forte e dizendo o quanto precisava dele ao seu lado. Eu me senti mal, talvez até mesmo um pouco excluído daquele momento. Me aproximei e seus olhos continuavam encarando o chão, era como se ela tivesse alguma questão realmente séria a perturbando. O veterinário já tinha nos tranquilizado, dizendo que o estado dele era estável, que apesar do impacto as fraturas foram bem superficiais. — Quer que eu pegue um café? — ofereci. — Não, eu... eu estou bem assim — ela respondeu enquanto eu me sentava ao seu lado, apoiei meu cotovelo em minha perna e fitei o pequeno espaço em que estávamos, algumas cadeiras confortáveis para os clientes, quadros com animais babões nas paredes, uma máquina de café e outra com algumas dessas bobagens que a Jéssica tanto gostava de comer. — Você acha que essa demora é normal? — a escutei perguntar preocupada e eu quis dizer que era, mas para falar a verdade eu não fazia a menor ideia, então fiquei calado. Alguns minutos se passaram e ela suspirou entediada, se recostou no assento e me encarou. Seu olhar era uma mistura de raiva e cansaço, só que ela não podia gritar comigo aqui, então, imaginei que deveria estar apenas angustiada. — Sei que esse não é melhor momento, mas você sabe que se quiser cuidar do Ozzy vai ter que voltar para a casa, não é? — falei. — Eu já pensei sobre isso, Matheus. — Jéssica me olhava enquanto dizia. — Vou voltar, só que será pelo Oz porque eu quero me certificar de que ele vai estar bem, mas tenho algumas condições. — Condições? — perguntei sem entender, isso aqui não era um jogo. Ela ainda era a minha noiva e nós íamos nos casar em alguns meses, eu não pensava em desistir só porque ela ainda não tinha me perdoado. — Você dorme no quarto de hóspedes e não vai me tocar. — Eu não sabia se ria ou se perguntava se ela estava louca. Em que mundo Jéssica achava que eu conseguiria ficar sem tocar nela? Mas em vez disso me esforcei e concordei. — Ok. — Dei de ombros escondendo a tensão em que eu estava. — Tem mais — ela continuou: — Eu quero Caroline longe de mim... e, principalmente, de você. —


Isso seria mais fácil, A essa altura Caroline deveria estar cuspindo fogo e se esforçando para não perder seus contratos. — Eu concordo. — Seu olhar não foi de confiança, mas eu estava de verdade pretendendo cumprir as condições, menos, é claro, a que me impedia de tocá-la. Eu não era tão forte assim quando se tratava dela e tinha certeza de que Jess sabia disso muito bem. Se isso fosse algum jogo ou teste, eu com certeza não passaria. Jéssica abriu a boca para poder falar alguma coisa, mas o médico veterinário saiu da área de emergência e nós dois nos levantamos ao mesmo tempo. — Eu posso vê-lo? — ela foi a primeira a perguntar. Por sorte o médico riu e acenou com a cabeça compreendendo sua reação. Segui atrás dos dois sem deixar de reparar o quanto ela parecia contente e à vontade em conversar com outro homem enquanto insistia em me tratar como se eu fosse um estranho. — Ele está sedado no momento e tivemos que imobilizar as duas patas esquerdas, a fratura foi superficial, mesmo assim vai exigir um período de repouso — o veterinário falou diretamente para ela e isso me incomodou. Fiz questão de deixar claro que ela estava comigo e cuidei dos detalhes burocráticos até o momento em que o efeito da medicação do Ozzy passou e nós fomos liberados. O silêncio no carro em um primeiro momento foi cortado apenas por alguns resmungos do Oz no banco de trás. Achei que Jéssica continuaria a me ignorar, mas ela não aguentou ficar quieta por muito tempo. — Você é muito engraçado — disse ironicamente. — Sou? — Você praticamente colocou um adesivo na minha testa dizendo que eu te pertenço. — Mas, merda, ela me pertencia. Isso era fato. — Não percebi — falei calmo, eu estava cansado para discutir. Fora que eu só conseguia pensar no quanto eu a queria ao meu lado na cama essa noite, não fazia questão de sexo só precisava da serenidade que eu tinha sempre que ela estava em meus braços. — Isso não é justo, nada do que você tem feito é justo. — Eu estava disposto a passar por essa noite sem tocar em nenhum assunto delicado, mas, pelo visto, seria impossível. — Você tem razão. — Ela me olhou surpresa. — Não me orgulho das últimas decisões que andei tomando, não me orgulho de ter gritado com você e muito menos da forma como te magoei Jéssica, mas eu não posso voltar atrás. O que eu fiz está feito e a única coisa que eu posso esperar é que em algum momento você me perdoe. — Fui sincero, eu sabia que não tinha feito as melhores escolhas, mas eu não tinha como mudar nada porque, eu juro, que se tivesse algum meio eu mudaria e evitaria todo esse sofrimento que eu estava causando a ela. Jéssica não voltou a me olhar e nem respondeu nada, uma vez ou outra ela conferia como Oz estava e voltava sua atenção para o tráfego e a movimentação das ruas. Quando chegamos em casa, ela pediu que eu levasse Ozzy para o nosso quarto insistindo no fato de que eu deveria ir dormir no quarto ao lado. Coisa que eu fiz sem reclamar, eu já estava aliviado só pelo fato dela ter voltado para casa, mesmo que fosse pelas razões erradas. Acordei cedo no dia seguinte e fui até o nosso quarto verificar os dois, Ozzy estava deitado ao pé da


cama onde era mais seguro e ele não corria o risco de ter alguma queda, enquanto Jéssica se encontrava esparramada na cama. O lençol mal cobria o seu corpo, suas pernas estavam nuas e eu quase pude ver a calcinha que tapava seu bumbum. Fiz um esforço enorme para passar por ela sem parar e fui até o closet, eu teria que lutar diariamente uma batalha entre ceder à vontade de agarrá-la e a de cumprir as suas condições. Quando voltei ao quarto, quase tive um infarto. Jéssica estava de quatro na beirada da cama olhando para baixo onde Oz dormia. Sua calcinha era menor do que eu tinha imaginado e isso me deixou com água na boca, a regata justa que ela usava desenhavam perfeitamente seus seios e eu achei difícil respirar. — Por que ele não acorda? — ela perguntou ainda olhando para o Oz depois de sentir a minha presença. — Ele dormiu a noite toda, já não era para ele estar um pouco mais animado? — Coloquei as roupas que tinha acabado de pegar na poltrona e me abaixei para verificar o Ozzy, aparentemente tudo estava bem. — Ele ainda deve estar sonolento por causa da medicação, Jess — falei e encontrei seu olhar, ela já não estava mais naquela posição perturbadora e agora se apoiava entre suas pernas me dando uma visão privilegiada do que sua roupa escondia. Se a safada percebeu meu olhar, ela não se incomodou. Demorou alguns instantes, mas eu me lembrei do porquê eu não podia tê-la sob o meu corpo nesse exato momento e me levantei, dei uma desculpa qualquer e saí do quarto. ***

Jéssica Aproveitei o silêncio da casa e fui assistir alguns filmes no quarto, Matheus tinha me mandado uma mensagem avisando que só voltaria de tarde e que traria alguns amigos com ele. Não me dei nem ao trabalho de responder e continuei prestando atenção na tela à minha frente. Algumas horas mais tarde, provavelmente depois de te cochilado sem perceber, eu acordei assustada na cama por causa do barulho e sorri ao ver Ozzy tentando ficar de pé. — Meu bebê vai ser quase impossível você fazer isso — falei carinhosamente enquanto afagava a sua cabeça, pensei em alguma forma de como descer com ele e achei melhor ir atrás do Matheus para pedir a sua ajuda. Desci as escadas e escutei vozes vindo da sala onde ele sempre assistia aos jogos de futebol americano e basquete, o som alto da TV, risadas e conversas que me alertou que os tais amigos já estavam aqui. Incrível como os homens podiam passar horas reunidos assistindo a jogos, falando besteiras e bebendo. Entrei na sala e todo mundo ficou em silêncio, procurei pelo Matheus e não entendi o porquê do olhar irritado que ele estava me lançando, pois não era como se eles nunca tivessem me visto. — Eu preciso de ajuda para descer com o Oz, Math — falei e seus amigos continuaram me olhando, alguns disfarçaram, mas outros... Foi aí que eu entendi a reação dele, eu estava vestindo apenas uma das suas camisetas. Não tive chance de falar mais nada, ele veio e praticamente me colocou para fora da sala. Adiantei meu passo e subi a escada na sua frente apressada, mas isso não impediu que quando chegássemos ao quarto ele me puxasse e enfiasse sua mão para ver o que eu usava por baixo da sua


camisa. Seus dedos deixaram um rastro de formigamento pelo meu corpo até que ele chegou no meu quadril e seguiu a linha da minha calcinha até o meu bumbum. Olhei para ele boquiaberta. — Eu só queria confirmar. — Sua voz saiu dura e rouca ao mesmo tempo. Matheus me encarou esperando alguma reação. Eu sabia que tinha que dizer alguma coisa, gritar e pedir para ele me soltar, mas eu só conseguia pensar que, talvez, só talvez eu não quisesse as suas mãos longe de mim. — Está vendo como você é? — falei tentando reassumir o controle, depois que consegui raciocinar. — Se você não quer ser tocada, pare de andar seminua, ainda mais quando eu estiver com a casa cheia de homens — ele falou rude, mas eu sabia que era a vontade de me tocar que o estava deixando assim. — Vai me ajudar a descer com ele ou não? — perguntei ignorando seu comentário. — Coloque uma roupa decente o suficiente que eu te ajudo. — Suspirei irritada e fui para o closet atrás de alguma coisa, eu poderia dizer que já não queria mais descer, mas tanto o Oz quanto eu precisávamos sair um pouco desse quarto. Como estava quente, coloquei um short jeans e uma regata sem sutiã, já que meus seios não eram tão grandes ao ponto de ser obrigada a usá-los o tempo todo. Quando cheguei ao quarto, Matheus já tinha descido com o Ozzy e eu fui atrás. Fui encontrar meu bebê na sala com vários marmanjos babando em cima dele, um ou dois amigos já estavam se despedindo e os que ficaram não pareceram se importar com a minha presença, me sentei entre dois e cruzei as pernas em cima do sofá enquanto conversávamos. Matheus respondia uma coisa ou outra a algum deles, algum jogo passava na tela e eu percebi que sua atenção estava completamente focada em mim, sua boca trincada de raiva. Não demorou muito e todos foram embora, já que ele não fez a menor questão de esconder o clima tenso entre a gente. — Pensei que você fosse sair hoje à noite — falei curiosa, porque eu tinha escutado quando um deles o convidou para esticar a noite e percebi que ele não tinha dito “sim” e nem “não”. Matheus não respondeu ao meu comentário e foi na direção da cozinha. Qual era o problema com ele? Fui atrás e o encontrei com as mãos apoiadas no balcão de mármore. Não me atrevi a me aproximar e ele balançou a cabeça negativamente. — Você fez tudo isso de propósito, não foi? — ele falou. E lá no fundinho, eu sabia que ele tinha ficado puto porque eu conversei com os seus amigos e o ignorei completamente. Não tinha culpa se eles preferiram me dar atenção a conversar com ele. — Eu não fiz nada de mais, sempre conversei com seus amigos, não é porque estamos separados que vou deixar de fazer isso. — Nós não estamos separados, merda! — No seu mundo talvez não, mas no meu...— Dei de ombros e saí da cozinha antes que ele perdesse de vez a paciência. O final de semana passou e a tensão entre a gente só aumentava, nossas conversas eram veladas a sarcasmos e insinuações sexuais que estavam aos poucos me fazendo perder o autocontrole, tanto que na segunda eu acordei dolorida, meu corpo estava reclamando a falta que o Matheus fazia e acabei não resistindo e me toquei. Pensei nele o tempo todo e, quando estava prestes a ter um orgasmo, escutei sons vindos do corredor e parei, arfando embaixo do lençol. Merda!


— Está acordada? — Fiquei quieta, eu estava tão perto que sabia que se mexesse minhas pernas de alguma forma eu me contorceria toda na frente dele. — Acho que sim — respondi e puxei o lençol parcialmente do meu rosto. — Matheus entrou e pegou algumas coisas no criado-mudo ao lado da cama. Minha calcinha, que nesse momento estava no meio das minhas coxas, era o que me impedia de me levantar, porque ele perceberia o que eu estava fazendo assim que tentasse ajeitá-la. O perfume que ele usava teve um efeito imediato em meu corpo, e a umidade entre as minhas pernas aumentou. Como eu fui chegar nessa situação, pelo amor Deus? Eu estava toda quente e desejosa por um homem que era o meu noivo, mas que eu não queria que me tocasse. Math se levantou e enquanto colocava o relógio no pulso eu o observava na maior cara de pau. Ele vestia uma calça jeans e uma camisa social azul-marinho justa que... Afundei a cabeça em meu travesseiro e fechei os olhos irritada. — A governanta do meu pai vai pedir que alguma das empregadas desça e cuide do Ozzy durante o dia, tudo bem? — Hum-hum... — murmurei e quando voltei a abrir os olhos ele me encarava. Meu rosto deve ter ficado vermelho porque ele sorriu. — Você é uma safada, Jess. Não acredito que estava fazendo isso. — Morri de vergonha ao ouvir suas palavras e voltei a tapar o meu rosto com o lençol, Matheus se sentou na cama ao meu lado e o puxou. — Você sabe que no momento em que quiser eu faço isso para você, não é? Porque uma coisa eu posso garantir, eu estou ficando louco com esse lance de não poder te tocar. — Você é um idiota! — falei e puxei a minha calcinha. Foda-se ele também! Me levantei da cama e Matheus me jogou de volta, prendendo os meus dois braços. Seu olhar desceu pelo meu corpo e quando chegou até a minha calcinha, ele se afastou e encarou. Minha lingerie não era das mais sexies, eu usava uma dessas peças que imitavam um shortinho, só que mais curto com personagens divertidos. Essa definitivamente não era uma calcinha de foda. — Para de me olhar assim, Matheus — pedi tentando esconder o quanto eu estava ofegante, porque se um olhar fosse capaz de fazer uma mulher quase gozar, eu estava recebendo um dos bons. Ele me ignorou e desceu o rosto até o meio das minhas pernas, eu tremia toda, meu coração batia descontrolado e o que ele me fez, me deixou em pânico e completamente em choque. Matheus deu um beijo carinhoso por cima da minha calcinha, bem no ponto onde ficava o meu clitóris e depois se afastou. Abri a boca para protestar, mas não consegui... Eu fiquei tocada com o gesto, diria até que poderia ser considerado romântico se não tivesse sido bem na minha... — Até a noite, meu amor — ele falou e saiu, me deixando atônita e com a cabeça a mil. Isso era jogo sujo, merda!


CAPÍTULO 33

Matheus Estava sendo impossível me concentrar no meu trabalho essa semana, faltavam apenas dois dias para o julgamento do Aaron e minha cabeça estava uma merda. Depois da manhã de ontem, eu pensei que a Jéssica estaria mais suscetível a uma conversa, a ceder e acabar logo com esse jogo e me deixar ficar ao seu lado. Só que não foi isso que ela fez, em vez de melhorar as coisas, aquela cena no meu quarto fez com que ela ficasse ainda mais arisca comigo. Era como se eu não estivesse presente, ela me ignorava e tratava o Ozzy como se ele fosse o único disposto a cuidar dela. Eu estava tentando ser paciente e esperar o seu momento, só que o seu sofrimento e o medo de que algo desse errado no julgamento a estavam perturbando e me deixando aflito, Jéssica não baixava a guarda, não me deixava entrar, ela estava me deixando do lado de fora da sua cabeça e eu não fazia a menor ideia do que fazer com o pouco que sabia. — Já está tudo pronto, Matheus — Michelle avisou, essa semana eu estava trabalhando em uma sessão de fotos para uma campanha dos perfumes Pasir, Leo tinha me passado esse cliente já que ele era o responsável pela conta e eu tive que contratar uma pequena equipe de apoio. Lauren era o rosto da campanha e uma velha amiga, a conheci em uma festa já há algum tempo e foi a última mulher com quem estive antes de me envolver com a Jéssica. Passei a manhã inteira tendo que lidar com seus caprichos, ela sabia que o fato de ter sido escolhida para representar essa campanha seria um marco na sua carreira, mas isso não lhe dava motivos para destratar minha equipe e muito menos fazer pedidos impossíveis. No próximo ano alguém a substituiria, alguém muito mais jovem e bonita e, então, essa arrogância toda não iria levá-la a lugar nenhum. Lauren tentou fazer alguma piada com o intuito de me fazer relaxar, jogou charme, fez caras e bocas e eu me perguntei como pude passar tantos anos desejando mulheres como ela... ***

Jéssica Em dias como o de hoje, eu só queria agradecer por ter o meu trabalho para me fazer esquecer toda a merda dos últimos dias. Matheus quase me dobrou ontem, eu tinha passado o dia inteiro pensando nele e nem mesmo a reunião com os advogados me fez esquecer as sensações que senti ao ser beijada por ele daquela forma, eu queria poder dizer que tudo estava bem, mas esse era um dos nossos problemas, eu sempre era influenciada pelo sexo que fazíamos, sempre me deixava levar pela nossa química e esquecia


todo o resto. Essa semana já seria tensa o suficiente para eu ter que lidar com o nosso problema, então, por mais que eu estivesse morrendo de vontade de me entregar a ele e escutar suas explicações mais uma vez, isso teria que esperar. Com o julgamento se aproximando, tudo o que eu precisava era de um pouquinho de paz. Depois de uma manhã inteira fotografando em alguns bairros do Queens eu estava exausta, Ramirez era o jornalista responsável pelas matérias sobre os pontos turísticos de Nova Iorque e eu tinha ficado encarregada de ser a fotógrafa dele. Quando cheguei ao estúdio encontrei Marta, a secretária do Josh, com um sorriso sem graça no rosto. — Jéssica, sua amiga já está na sua sala. Ela insistiu para te esperar lá dentro... — ela falou desconcertada. Mas que amiga? Olhei a hora e me dei conta de que a Katie estava com o Leo agora, então eu meio que não tinha nenhuma outra amiga. — Eu não combinei com ninguém, Marta — falei e fui direto para o corredor, só o Josh tinha permissão de entrar na minha sala quando eu não estava presente. Acabei ficando preocupada com a Katie, talvez o Leo tivesse aprontado mais alguma coisa e ela quisesse conversar. Só que quando entrei na sala e vi aquela cabelereira loira eu parei imediatamente. Anny se virou e eu engoli em seco, ela era uma das últimas pessoas que eu gostaria de ver na minha frente. — O advogado do seu irmão sabe que você está aqui? — perguntei seca. Anny estava disposta a depor a favor do Aaron, fui avisada de que seu depoimento poderia complicar ainda mais a situação e isso me fez sentir traída novamente. — Não e eu acho ele nem precisa saber, até agora tudo que ele fez foi tirar dinheiro dos meus pais, Jéssica. — Era disso que se tratava? Dinheiro? — Eu sinto muito, mas... — Me calei, eu não tinha que explicar nada, não era obrigada e sabia que quanto menos falasse nesse melhor. — Você deveria se envergonhar, sabe? — Anny me enfrentou. — Quando seus pais te abandonaram para irem viver do outro lado do país foi a minha família que te acolheu, meus pais fizeram de tudo para que você fosse feliz, para que não sentisse falta deles e olha como você retribui tudo isso, sua ingrata! — Recuei um pouco com as suas palavras, pois ela falava como se eu não soubesse disso. Eu sabia que eles não tinham condições financeiras para pagar um bom advogado, e também conhecia o coração dos pais deles, era claro que eles fariam de tudo para que Aaron não continuasse preso. Ele era o orgulho dos dois e eu os estava arrastando por todo esse caminho. — Sai daqui, Anny! — pedi, eu não queria escutar as suas merdas, não queria pensar nas consequências do que eu estava fazendo porque se não iria acabar desistindo. — Sai agora! — Abri a porta para que ela fosse embora, mas ela se negou furiosa. — Meus pais vão perder tudo porque o advogado que eles contrataram é um filho da puta ganancioso, eu tenho certeza de que eles se arrependem do dia que te conheceram, assim como o meu irmão. Nada disso estaria acontecendo se você não tivesse entrado em nossas vidas. Aaron tem razão quando diz que você adora se fazer de vítima, mas nem todo choro do mundo vai adiantar quando ele sair daquele inferno! — Isso não vai acontecer! — disse um pouco mais alto e fiquei rígida. Ela parecia confiante de que


ele ficaria livre. Só que, merda, se isso acontecesse eu nunca teria paz! — Pois eu acho que vai. — Neguei com a cabeça e ela deu um passo à frente. — E quando isso acontecer todo mundo vai perceber a vadiazinha manipuladora que você é. — No instante que as palavras saíram da sua boca minha mão esbofeteou seu rosto. Anny bufou de raiva e minha respiração ficou agitada, eu estava no limite... — Sua louca! — ela rosnou e puxou meu cabelo, a única forma de fazê-la parar foi arranhando seu rosto e tenho certeza de que, se não fosse pelos dois braços fortes me puxando para trás, eu juro que teria batido mais nela. Só que enquanto eu era afastada, a idiota revidou o tapa com ainda mais força. — Sai daqui, Anny, some da minha vida! — eu gritei tentando tirar os braços da minha cintura e quando senti o perfume do homem que me segurava me dei conta de quem se tratava. — Me solta, Josh! — pedi irritada e me senti sendo mais apertada. — Você é uma estúpida maluca, Jéssica. O júri vai adorar saber que você me agrediu. — Anny continuou falando coisas ainda piores na frente dele e eu quis morrer, Josh estava escutando cada mísera palavra. Me surpreendi quando ele deu um basta na conversa fiada dela, Josh me soltou e a arrastou pelo corredor até a recepção. Escutei ele gritando e não sei o que aconteceu ou o que ele falou com ela depois disso, porque, de repente, comecei a me sentir sem ar, minha visão ficou turva e... — Oh meu Deus, Josh, ela está desmaiando! — escutei a voz da Marta ao longe antes que tudo ficasse escuro. Não sei quanto tempo fiquei desacordada, só sei que quando abri os meus olhos, Marta me analisava como se eu tivesse sete cabeças. Ela pareceu feliz ao ver que eu estava recobrando a consciência e acenou para o Josh, que nesse momento estava no fundo da sala em uma ligação. Ele se despediu de quem quer que seja e guardou o telefone, caminhando com uma expressão nada boa na minha direção. — Pegue um copo de suco para ela, Marta — ele ordenou. Coloquei minha mão na cabeça, verificando se nada estava fora do lugar, uma dor chatinha me perturbava e eu sentia minha pele arder no local onde tinha levado o tapa. Depois que ficamos a sós, me dei conta de como estava sentada e ajeitei a minha saia alisando o tecido agora amarrotado. — Onde você acha que está, Jéssica? — A voz do Josh soou irritada e eu não consegui responder, eu tinha acabado de fazer uma merda imensa e que poderia pôr tudo a perder. — Esse é um ambiente de trabalho sério, não vou aceitar que traga seus problemas para dentro da minha revista. — Ele parou de falar assim que franzi a minha testa, eu estava suando frio e quando toquei meu braço percebi que estava gelada como uma pedra. Marta voltou à sala e eu respirei aliviada, bebi o suco de uma só vez e comecei a pensar no que o Matheus falaria quando descobrisse o que eu tinha feito. A secretária do Josh virou o meu rosto devagar e deu uma olhada na área que, provavelmente, estava vermelha. — Ela te machucou — afirmou. — Eu acho que fiz um estrago pior nela — falei arrependida. Marta olhou para o Josh e balançou a cabeça e do nada inventou uma desculpa saindo novamente da sala. Me levantei do sofá disposta a fazer o mesmo, mas ele começou a falar. — O que você fez hoje é inadmissível. — Ah não, pelo amor de Deus. — Expliquei a você desde o começo que não pretendo ter menos do que o melhor na minha equipe. Eu dei um duro danado para


transformar essa revista no que ela é hoje, Jéssica, e não vou deixar que transforme isso em um circo porque ainda não cresceu — ele estava gritando, mas eu não podia culpá-lo. — Você não é especial, você não tem nenhuma preferência aqui dentro e desde que eu me lembre eu não estou levando qualquer vantagem por cobrir suas falhas. — Ele estava dando a entender que... que queria alguma vantagem? Acabei me lembrando da minha primeira entrevista que fiz antes de entrar na Travel e das insinuações ridículas que ele fez. — Você... — Eu estava encarando ele em completo choque. — Eu espero que isso não volte a se repetir, entendeu? — ele me cortou ignorando a tensão e por sorte fomos interrompidos pela Marta que trazia um sanduíche, já que eu ainda não tinha almoçado. O fato de eu ter passado mal não me preocupava, eu estava nervosa e isso era normal, o que me preocupava realmente era não saber o que a Anny faria agora. Marta tentou conversar comigo, perguntou se eu andava me alimentando bem, se eu tinha problemas de pressão baixa e outras coisas que eu não prestei tanta atenção, eu estava distraída pensando nas consequências que teria a merda que eu tinha feito. — Ele se preocupa muito com você, sabe? — Demorei a me dar conta de quem ela estava falando. — Eu acho que ele me odeia — sussurrei e ela riu. Nesse momento Josh olhou em nossa direção e perguntou se a Marta não tinha nenhum trabalho para fazer, achei que ela fosse responder algo, mas ela fez o que todos faziam quando se tratava dele, ficou calada e saiu de fininho. — Eu vou voltar para a minha sala — falei já me levantando, mas eu ainda estava um pouco zonza e ele percebeu. — Você tem certeza de que está bem? — ele perguntou assim que me colocou sentada novamente. Merda, era para eu estar! — Eu estou ótima. — Sua mão ainda segurava meu braço e ele me encarava me deixando desconfortável. — O que você pensa quando me olha assim? — Josh murmurou e eu fiquei confusa. — De que forma eu estou te olhando? — perguntei e ele sorriu com o canto da boca, Josh era um homem que dificilmente saía sorrindo por aí. — Sério que você não sabe? — Neguei com a cabeça, se eu soubesse não estaria perguntando. — É quase como se você estivesse esperando algo de mim, uma iniciativa talvez? — Sério que eu estava ouvindo isso? — Nunca! Eu amo o Matheus — falei nervosa, claro que as vezes eu queria decifrar as atitudes dele, mas não passava disso. Era horrível conviver com alguém sem saber o que a pessoa realmente quer de você. — Eu sei, e admiro sua lealdade a ele. — Josh se levantou e eu não sabia se ele estava sendo irônico ou não, por sorte esse foi o momento em que a secretária dele voltou a entrar. — O Sr. Milles já está aqui, Josh. — O quê? — Peça que ele entre, Marta. — Você ligou para ele? — perguntei nervosa.


— Sim. ***

Matheus — Quem fez isso com o seu rosto? — foi a primeira coisa que perguntei assim que coloquei os olhos nela, Jéssica estava com uma expressão irritada e com a merda de uma marca vermelha contrastando com a sua pele pálida. Quando Josh me ligou há alguns minutos avisando que ela estava passando mal, ele não tinha dito que ela também estava machucada. Agradeci a contragosto o fato de ele ter se preocupado o suficiente a ponto de ter entrado em contato comigo, mas saí de lá antes que perdesse a paciência. Josh escolheu o pior momento para me perguntar se eu sabia como cuidar e tratar de uma mulher e fez questão de fazer isso bem na frente da Jéssica. Porra, eu não podia ficar vigiando tudo que ela fazia durante 24h, Jess sempre seria a minha prioridade, independente das circunstâncias, mas eu não podia controlá-la. Quando chegamos em casa, Jéssica já tinha me contado toda a história e eu entendia o motivo pelo qual ela estava tão assustada, ficou claro que Anny queria apenas irritá-la e fazer com que perdesse a compostura antes do julgamento, mas eu não deixaria nada disso acontecer. Liguei para os advogados e os avisei sobre o que tinha acontecido e mesmo que a Anny tivesse sido a única a procurar a Jess, se ela por acaso decidisse usar a agressão na hora do julgamento nada poderia ser feito contra ela. Evitei deixar a Jess preocupada com esse assunto essa noite, fiz o possível para tranquilizá-la e pedi para que descansasse um pouco. Todo esse estresse deveria estar mexendo com o corpo e as emoções dela de uma maneira mais séria do que eu imaginava. O restante do dia demorou a passar, acabei tendo que adiar a sessão de fotos com a Lauren, mesmo que grande parte do trabalho já tinha sido feita. Passei a tarde inteira em contato com a equipe responsável pela edição das fotos, fazendo uma ou outra alteração para a sessão de amanhã. Me dividi entre o meu trabalho, verifiquei a Jess em alguns momentos e passei a outra parte do tempo apenas pensando em tudo. Eu estava aliviado por ela não ter tentado esconder nada de mim apenas para me irritar, Jéssica foi sincera e eu vi isso como um ponto positivo entre tanta coisa ruim acontecendo ao mesmo tempo. No começo da noite, levei um pouco de sopa para que ela tomasse e fui recebido por uma cara emburrada. — Eu não estou morrendo, Matheus, e eu não gosto de sopa — ela disse contrariada, mas eu preferia não arriscar, pelo menos não até ter certeza de que seu desmaio tinha sido apenas por nervosismo mesmo. — Uma pena, porque é a única coisa que eu vou deixar que você coma hoje. — Jess franziu a testa e olhou para o prato sem muito ânimo. Vendo que eu não sairia do quarto até que tivesse terminado ela não voltou a reclamar e começou a comer. ***


Jéssica Entrei no quarto de hóspedes tentando não fazer nenhum barulho, eu tinha acabado de ter um pesadelo com o Aaron e não queria voltar a dormir sozinha. Matheus não acordou com a minha aproximação e eu me deitei ao seu lado puxando o cobertor dele para me cobrir também. Fiquei de frente e o observei por longos instantes, seu rosto com ângulos fortes, seus cílios grossos, sua meia barba crescendo, seu cabelo despenteado.... Sua boca... — Pare de me olhar e dorme, Jéssica — ele falou com a voz rouca e me puxou, pressionando seu corpo contra o meu e roçando seu queixo por todo o meu rosto me fazendo sentir cosquinhas. Passei minhas mãos pelo seu cabelo aproximando sua boca da minha e o beijei, Math gemeu e o que era para ser um pequeno beijo se tornou em algo intenso de uma hora para outra. Senti meu cabelo sendo puxado e arfei, minha regata foi tirada sem a menor cerimônia e suas maõs foram para dentro do shortinho que eu usava, não me fiz de rogada e o acariciei também, Matheus estava nu, duro e pronto para mim, quando seu dedo tocou no meu clitóris, eu gemi e olhei dentro dos seus olhos procurando algum alívio, não só para o desejo louco que eu sentia como também para a insegurança que tomava conta de mim desde o dia em que escutei aquela mensagem. — Ei... — Math murmurou contra a minha boca quando percebeu que eu estava recuando. — Não pense tanto, amor, você é a unica para mim... — Não foi o bastante e afastei minhas mãos do corpo dele, eu já não sabia se esse era o momento. — Nós não precisamos transar, mas passa a noite comigo, me deixe cuidar de você. — Ele me encarou e eu assenti, seus dedos percorreram o meu corpo de uma forma suave e eu apoiei minha cabeça em seu ombro até sentir o sono voltar. — Eu sinto a sua falta, Jess...


CAPÍTULO 34

Jéssica Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já passou por “aquele dia” em que seria tudo ou nada. Um desses momentos em que você tem total responsabilidade pelo que pode acontecer, mas nenhum controle quanto aos resultados. Bem, o meu dia tinha chegado. Me olhei no espelho por vários minutos me lembrando de todos os aconselhamentos que os advogados tinham me dado: se concentre, fale apenas o necessário, tente não ficar nervosa... Mas a principal observação, a que não eu não conseguia tirar da minha cabeça de jeito nenhum era a de que eu não precisava fazer isso se eu estivesse me sentindo desconfortável. Ninguém me obrigaria a falar perante o juiz até porque eu já havia dado o meu depoimento anteriormente, mas uma coisinha chata dentro de mim dizia que eu tinha que ir até o final e virar essa página de uma vez por todas e, se tudo fosse como o esperado, hoje seria o último dia que eu perderia meu tempo me angustiando pelo meu passado. Me esforcei para não pensar nos pais dele, nem deixar que o sentimento de culpa me controlasse, Matheus já tinha dito que isso só iria me fazer mal e que se fosse o caso de pedir perdão a eles que fosse depois do julgamento, quando todos estivessem mais calmos e a decisão tomada. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto e passei rímel e um batom clarinho para melhorar os efeitos da noite mal dormida. Eu não sabia o que vestir em um momento como esse porque estava desanimada para pensar em alguma coisa, então peguei a roupa mais séria que eu tinha dentro do guardaroupa, que era uma saia evasê azul-marinho que ficava um pouco acima do joelho e uma camisa branca de seda com mangas curtas. Dei uma última olhada apreensiva e fui me despedir do Ozzy, Matheus me esperava lá embaixo e eu estava agradecida por ter alguns instantes sozinha. Desde o dia em que me enfiei na sua cama, nós tínhamos voltado a dormir juntos mesmo que nada tivesse acontecido ainda, quer dizer, na noite passada nós nos beijamos por um longo tempo e eu cheguei a sentir dor de tão sensíveis que meus lábios ficaram, mas, por incrível que pareça, não passamos disso. Eu tinha prometido a mim mesma que só faria sexo com ele depois que esse turbilhão de emoções passasse, porque lá no fundo eu já sabia que o tinha perdoado. Com muito custo percebi que o que o Matheus fez foi muito pouco perto de toda a raiva e decepção que eu já lhe causei, fora que eu não suportava vê-lo sofrer, ele andava com uma carinha pior que o Ozzy quando queria brincar e ninguém lhe dava atenção. Me aproximei do meu bebê e ele ficou animado fazendo um pouco de força para levantar, Math tinha levado ele ao veterinário essa manhã para trocar as ataduras e ele ainda precisava de repouso. — Prometo que não vou demorar, Oz. — Ele lambeu minha mão com carinho como se entendesse o que eu estava dizendo. Matheus sempre implicou por eu conversar com ele, dizia que eu era meio maluca, mas eu tenho certeza de que Oz entendia tudo o que se passava comigo, ele sabia quando eu estava triste ou


feliz, percebia de longe quando eu precisava de mimo e mesmo jogando meus sapatos na piscina ele era o segundo amor da minha vida. Matheus estava no telefone quando eu desci as escadas, e apesar do seu olhar atento sua expressão relaxou ao me ver. Fui na sua direção e passei meus braços pela sua cintura enquanto ele terminava, acho que as barreiras entre a gente aos poucos estavam sendo quebradas. — Não, nós ainda estamos em casa... Só quero que cuide para que nada dessa história vaze... Sim... — ele falava com o advogado no outro lado da linha e eu me dei conta de que ainda não tinha pensado nessa hipótese, não era o Matheus que vivia estampando jornais ou capas de revistas famosas, mas o Sr. Louis sim, aliás esse era um dos motivos para o Math ter passado tanto tempo fora do país nos últimos anos, uma vez ele me contou que odiava a atenção que o sucesso do pai trazia para a vida deles. Não que ele não valorizasse todo o trabalho duro e dedicação que o Louis teve ao longo dos anos, era só que ele não queria ser sugado por nada daquilo. No começo eu entendia o porquê dele querer ficar longe, querer se sentir livre, só que agora vendo a relação que ele tinha com o pai eu percebia o quanto ele estava arrependido por ter ficado fora por tanto tempo e eu acho que se hoje ele pudesse mudar alguma coisa no seu passado, seria isso. ***

Matheus Minha atenção na conversa com o advogado se perdeu completamente assim que coloquei os olhos na Jéssica com aquela roupa, tudo bem que esse era o pior momento possível para que eu pudesse ficar excitado, mas ela não estava facilitando em nada. Para começar, ver sua boca gostosa me lembrou da tortura que tinha sido a noite passada e para foder ainda mais com a minha cabeça, ela estava parecendo uma ninfeta pronta para brincar de professor e aluna... Imagens inoportunas surgiram em minha mente, ela se despindo, sentando em cima do meu pau, me olhando com aquela carinha de safada... — Está tudo bem? — ela perguntou assim que eu terminei a ligação e eu assenti. Estava tudo ótimo... só o meu pau que estava começando a ter vida própria toda vez que ela se aproximava. No caminho para o tribunal, Jéssica conectou o seu iPod no meu carro e eu sorri ao ver que ela cantarolava a letra da música baixinho enquanto prestava atenção ao que acontecia do lado de fora, as avenidas estavam bem movimentadas, o que era comum nesse horário. — Tem certeza de que você quer fazer isso? — perguntei apenas para ter certeza, não iria forçá-la a fazer nada que a fizesse sofrer. Eu queria muito que Jéssica enfrentasse toda essa situação de cabeça erguida, mas sua obrigação já tinha sido cumprida, seu primeiro depoimento foi tomado e o restante do processo podia caminhar sem que ela tivesse que ficar exposta a constrangimentos. — Tenho. — Ela me deu um sorriso tranquilo. Era estranho eu achar que ela estava calma demais? Quando chegamos, ela se dirigiu junto com o advogado à sala de julgamento. Aaron seria o próximo e depois as testemunhas, que no caso seriam apenas eu e a Anny. Jéssica não tinha voltado a tocar no assunto em relação a ela, seu rosto já não estava mais marcado e eu queria entender como, mesmo depois de tudo que aqueles dois bastardos fizeram, ela ainda conseguia se sentir culpada por querer justiça.


Ao mesmo tempo que eu a admirava por ter um coração tão mole, por não ver maldade ou segundas intenções nas atitudes dos outros, eu meio que me preocupava que algum dia ela voltasse a sofrer por confiar tanto assim nas pessoas. ***

Jéssica O juiz fez todas as observações necessárias, apresentou o caso ao júri e foi gentil o suficiente para perguntar se eu estava confortável em participar disso, respondi que sim e repeti o depoimento que já tinha dado anteriormente só que dessa vez para os jurados e para os advogados de defesa e acusação. Fiz basicamente o que os advogados me aconselharam e consegui falar tudo antes de ficar nervosa e travar. Vários minutos depois, eu respirei aliviada por poder sair daquela sala mesmo sabendo que teria umas três ou quatro horas de tortura pela frente. — Você foi ótima, Jéssica. Não tem porquê se preocupar agora. Pelos relatórios que li essa manhã eles vão continuar negando a tentativa de estupro, a testemunha deles não tem como provar as alegações e eu vou contestar absolutamente tudo o que ela falar. — Pelo pouco que eu conhecia dos dois advogados que me representavam, uma coisa eu podia afirmar, eles não gostavam de perder. — Se ela cometer falso testemunho, nós iremos entrar com uma ação... — Não — falei nervosa. — Vocês me garantiram que Aaron vai ser preso independente do que ela disser, então eu não quero entrar com nenhuma ação, eu já me sinto culpada o suficiente, não preciso destruir a vida dos dois. Ele é o único que eu quero que pague... — Os dois se entreolharam e não tentaram me fazer mudar de ideia. — Muito bem, então vamos focar apenas nele, mas, Jéssica, Matheus me deu autoridade para tomar as decisões que eu achar necessárias, caso alguma coisa saia do previsto. Você entende isso? — Entendia, claro que entendia. Se eles tivessem que ferrar com a vida dela para conseguir que Aaron permanecesse preso, eles fariam. Dei as costas aos dois e fui atrás de um pouco de água, eles voltaram para a sala para se preparar para o depoimento do Aaron e eu consegui me arranjar em um cantinho da sala de espera, sentei-me em uma poltrona confortável e peguei uma revista da mesma editora que a da Travel e comecei a folhear, enquanto me perguntava se não fosse o fato do Matheus ter dinheiro, bons advogados e influência, se eu estaria tendo o mesmo tratamento que estava tendo agora. A revista estava desinteressante, várias propagandas, algumas matérias sobre cinema e moda, nada que me chamasse muita atenção, pelo menos não até o momento em que eu vi a imagem da Caroline na sessão de fofocas sobre o mundo das celebridades, ao lado uma pequena notícia confirmando que ela tinha perdido uma campanha milionária sem qualquer razão aparente e que uma jovem atriz que atualmente era a queridinha dos Estados Unidos tinha tomado o seu lugar. Sei que não deveria ficar contente pela desgraça alheia, mas me permiti saborear essa sensação só por alguns instantes, ela já tinha me feito passar muita raiva. Um bom tempo depois, eu estava completamente entediada e morrendo de fome, me lembrei de que eu não tinha tomado um bom café da manhã por causa da ansiedade e me recriminei, vasculhei minha bolsa atrás de alguma barrinha perdida e nada também. Recostei minha cabeça contra a poltrona e


esperei até que Matheus e os advogados entrassem por aquela porta. Depois disso seriam mais uns vinte ou trinta minutos até o júri ter a decisão e aí sim tudo acabaria. ***

Matheus Saí da sala do julgamento com duas certezas: a primeira era de que Aaron seria condenado e a segunda era que os pais dele não mereciam passar por nada do que estavam passando, eles estiveram presentes o tempo todo do meu depoimento e consegui entender o sentimento de culpa da Jéssica. Afinal, foram eles que cuidaram dela nos últimos anos antes da faculdade, nem quando ela entrou em depressão os pais dela foram capazes de se mudar ou levá-la para morar com eles, então eu teria que encontrar alguma maneira de agradecer a eles por terem sido bons com a minha baixinha. Encontrei Jéssica encolhida em uma poltrona no canto da sala, com uma revista e uma garrafa de água ao seu lado, ela pareceu aliviada quando me viu entrar e se levantou imediatamente. — Como foi? — perguntou ansiosa. — Bem, e como você está? — Depois de todo esse tempo, o cansaço no seu rosto era visível. — Cansada — Eu ia puxá-la para os meus braços, mas fomos interrompidos pelos advogados, tanto os dela quanto o que me representava. — O juiz dará a sentença em meia hora, se a decisão do júri for unânime, ele não poderá recorrer e é nisso que eu estou me baseando. Acho impossível que alguém dentro daquela sala ainda tenha dúvidas de que ele não seja culpado. — Observei a reação da Jéssica e ela parecia meio absorta. Como eu tinha dito antes, ela estava calma demais para tudo o que estava acontecendo. ***

Jéssica Os trinta minutos passaram voando e eu apenas escutei o que todos conversavam, não quis participar da conversa e ignorei o olhar insistente do Matheus, era como se ele estivesse esperando que a qualquer momento eu surtasse, ou começasse a chorar e esperneasse feito uma criança. Tudo bem que eu já tinha dado todos os motivos do mundo para que ele esperasse esse tipo de comportamento de mim, e eu não iria brigar com ele por essa besteira até porque nem eu entendia direito o que estava acontecendo comigo. Talvez o choque de ter que estar aqui, e saber que o Aaron poderia estar até mesmo na sala ao lado da minha estivesse me fazendo agir assim. Acompanhei os advogados até a sala do julgamento, sentia meu corpo pesando uma tonelada, quase me obrigando a permanecer onde eu estava, eu sempre amarelava na hora H e dessa vez não foi diferente, queria poder tapar meus ouvidos até que tudo fosse falado e discutido. Só parei realmente de pensar em coisas que não tinham absolutamente nada a ver com esse momento na hora que escutei a palavra culpado


sair da boca do juiz. Levantei o meu olhar e vi os dois homens à minha frente com um sorriso de vitória no rosto. O advogado do Aaron fez um movimento para ir falar com o juiz e em todo o momento a cabeça dele se negava a aceitar qualquer coisa que o outro estivesse tentando lhe dizer até que se afastou. — E se valendo de que o acusado não tem antecedentes criminais, a pena em regime fechado será de 4 anos com acréscimo de 2 anos e meio por uso de violência e constrangimento à vítima em questão. O acusado e o representante do mesmo podem vir a recorrer a sentença em até 5 dias de acordo com o Art. 593... — As palavras saíam e aos poucos eu fui sendo invadida por um alívio tão grande que eu quis chorar. Pedi ao advogado que me tirasse da sala, eu queria contar ao Matheus qual era a sentença e ir para a casa passar o restante do meu dia ao lado dele e do Ozzy, segui atrás dos dois pelo corredor e, para a minha surpresa, avistei os pais do Aaron sentados na primeira fileira, eu não sabia que eles estariam aqui. O pai dele conversava com o advogado e ao me ver a sua mãe desviou o olhar, seu rosto estava coberto por lágrimas e, de repente, eu me senti como se não tivesse o direito de chorar. Algumas horas mais tarde, acordei e a cama estava vazia, me virei e não encontrei nenhum sinal do Matheus no quarto. Eu não me lembrava direito a que horas eu tinha ido dormir, só lembro que jantamos, passamos a noite conversando e eu disse que o perdoava. Lembro das carícias que trocamos, dos beijos... e só. Me apalpei e vi que ainda estava de calcinha, então sexo não tinha rolado o que era um alívio porque eu odiaria esquecer algo assim. Me levantei, vesti um robe curto de seda que encontrei e fui atrás do Math, no relógio ainda marcavam duas da manhã, tinha noites que ele gostava de assistir as reprises dos jogos nesse horário e como imaginei ele estava sentado no sofá assistindo a um jogo qualquer que eu tinha certeza de que não o interessava nem um pouco. — Oi — falei e ele se endireitou, não pude deixar de ver que ele estava só de boxer e fiquei com água na boca. — Eu dormi antes de transarmos, não foi? — perguntei curiosa. — Sim — ele respondeu com um sorriso enorme no rosto. — Foi por isso que você desceu? — Me aproximei pensando o que fazer com o homem à minha frente, eu estava com tanta saudades dele que eu não fazia a menor ideia de por onde começar a brincadeira. — Ou eu descia ou te acordava. — Ele deu de ombros e eu fiquei com peninha, eu me lembrava de ter sentido a ereção dele contra o meu corpo, então como eu pude dormir no meio de um amasso, pelo amor de Deus? — Desfiz o laço do meu robe e o tirei, eu daria o que ele quisesse, deixaria ele tomar todo o meu corpo desde que ele me desse uma overdose de orgasmos essa noite. — Você me quer, Matheus? — perguntei e o robe caiu me deixando apenas de calcinha. Seu olhar percorrendo minuciosamente cada pedacinho meu era tudo o que eu precisava para ficar excitada. Matheus acenou com a cabeça e engoliu em seco, se ele soubesse como eu gostava de deixá-lo à minha mercê. Me aproximei, ficando entre suas pernas e permaneci em pé, suas mãos me seguraram pela cintura e ele deixou um pequeno rastro de beijos molhados por toda a minha barriga. Os pelinhos eriçaram com o calor dos seus lábios, e cada toque era uma marca quente que me fazia ter arrepios internos deliciosos. Impaciente, ele apertou meu bumbum e levou meu corpo em direção a ele fazendo com que eu me sentasse sobre suas pernas.


Segurei seu rosto enquanto roçava minha pélvis em seu membro, os olhos do Matheus me fuzilavam como se eu fosse culpada por alguma coisa e, ah Deus, eu poderia facilmente gozar assim. Percebendo o meu desejo, Math me puxou pela nuca e tomou a minha boca, e queimou, tudo dentro de mim queimou, eu estava prestes a pegar fogo. Nossos dentes se tocaram, foi um beijo tão afoito, tão necessitado que eu não fazia nem questão de tomar fôlego para não perder o contato das nossas bocas. Meu cabelo foi puxado, Matheus rosnou e eu gemi, rocei ainda mais minha boceta contra ele o torturando e buscando meu próprio prazer. Math me puxou pelo quadril aumentando o nosso encaixe, se ele apenas afastasse a minha calcinha eu poderia ser preenchida pelo seu membro que nesse momento já pulava para fora da cueca. Pena que eu tinha outros planos para nós. — Fode a minha boca, amor — pedi baixinho e o encarei esperando pela sua reação, para a minha surpresa ele negou. — Não, porra, eu quero a sua boceta — ele falou com voz rouca, seus dedos apertavam meu bumbum e eu iria adorar ver as marcas que teria pela manhã. Loucura, eu sei, mas o Matheus sabia o quanto eu gostava das provas do nosso sexo que ele deixava em minha pele. — Eu estou com saudades — sussurrei ao seu ouvido, ele estremeceu com o que eu disse e eu estremeci com o seu olhar. Fui colocada no chão, Matheus rapidamente pressionou minha cabeça no assento do sofá para que pudesse controlar a profundidade, ele abaixou sua boxer e deu leves tapinhas na minha boca roçando a cabeça do seu pau nos meus lábios enquanto mantinha minha cabeça curvada. Eu queria chupar ele à minha maneira, sentir o seu gosto, mas ele fez tudo no seu ritmo. Começou lento, lambi a cabeça, ele entrava e saía, brincando comigo, indo cada vez mais fundo. Ah meu Deus! Ele foi ainda mais fundo e tirou, aumentou o ritmo e eu quase não consegui respirar. — Você é a minha perdição... — ele murmurou com o pau enterrado na minha boca, lágrimas sempre saíam dos meus olhos quando ele fazia isso, Matheus não teve dó e continuou, entrando e saindo, metendo forte e depois lento, e quando chegava ao ponto de quase engasgar ele saía só para enfiar logo depois, não resisti e comecei a me tocar, eu era impaciente quando se tratava de sexo. Fiquei chocada com o estado em que minhas pernas estavam úmidas, acariciei o meu clitóris enquanto era fodida da maneira mais sacana que eu conhecia, vendo o estado em que eu estava Matheus riu e fechou minhas coxas mantendo-as juntas com suas próprias pernas e continuando a socar dentro da minha boca até que os espasmos começaram e ele gozou no fundo da minha garganta me fazendo engolir cada gota. No mesmo momento fui colocada de quatro com os seios pressionados contra o sofá, com meu bumbum empinado e exposto enquanto eu tremia feito vara verde sob o seu olhar. Porque mesmo não vendo, eu sabia que estava sendo observada minimamente. — Gostosa! — Ele afastou a popa do meu bumbum e eu gemi quando sua língua me lambeu fora a fora, ele fez isso uma e outra vez e quando senti ele lambuzando os dedos e depois forçando e acariciando a entrada do meu ânus eu me assustei, mesmo experimentando a sensação mais gostosa desse mundo. Quando voltou a ficar duro, Matheus deslizou para dentro de mim e eu me contraí toda contra ele enquanto o sentia se empurrar completamente. — Sinto muito, meu amor, mas eu não vou conseguir ir devagar. — Ohhh eu percebi, suas estocadas


estavam rápidas e profundas, doía e eu já não tinha controle nenhum sobre o meu corpo, eu era dele para ele fazer o que quisesse. — Eu preciso foder essa boceta gostosa... — Não demorou e o meu primeiro orgasmo veio, desde o momento em que me rocei contra ele eu estava buscando por isso. — Ohhhhh... — Ele mordeu meu pescoço, o que intensificou o meu prazer, eu devo ter tido orgasmos múltiplos porque juro que durou uma vida inteira, e o melhor é que em momento algum Matheus deixou de socar dentro de mim, quanto mais eu me contorcia, mais forte seus dedos seguravam a minha cintura e mais forte ele metia. Quando gozou, eu já não tinha forças nem para sair da posição em que estava, o gozo do Math escorria pelas minhas pernas e não reclamei quando ele me pegou no colo, muito pelo contrário, porque eu seria capaz de me enrolar em algum cantinho do sofá e dormir ali mesmo. Chegamos ao banheiro e o Matheus abriu os jatos quentes da banheira. Por incrível que pareça, nós quase nunca a usávamos. Fiquei sentada na borda enquanto ele me limpava; Math foi fofo e eu não estava com forças para fazer por mim mesma e deixei. Quando a banheira estava cheia o suficiente, ele entrou e me puxou para que eu ficasse por cima dele, porém, de costas. Fechei os olhos e senti sua mão percorrendo todo o meu corpo enquanto ele me ensaboava, naquele momento eu sabia que era uma filha da mãe sortuda por ser amada por um homem como o Matheus...


CAPÍTULO 35

Matheus Várias semanas haviam se passado desde o julgamento do Aaron e, por incrível que pareça, foram bem mais tranquilas do que imaginei, Ozzy tinha se recuperado do acidente e eu finalmente pude colocálo para fora do nosso quarto sem me sentir culpado, Jéssica foi meio reticente no começo, mas se dependesse dela ele provavelmente dormiria entre nós dois. Por isso achei melhor cortar o mal pela raiz antes que eu acabasse sendo expulso da minha própria cama. A saúde do meu pai permaneceu estável e quase que diariamente minha baixinha o visitava para deixá-lo a par dos preparativos do nosso casamento, Louis não fazia ideia do quanto eu apreciava a maneira carinhosa com que ele vinha tratando a Jess, era como se ele quisesse compensá-la pelo fato dos seus pais não estarem participando em nada de um dos momentos mais importantes da vida dela. Tudo bem que ele exagerava um pouco e fazia todas as suas vontades, só que eu não o culpava, só Deus sabia o quanto era difícil dizer não para a Jéssica depois de algum tempo, tentei lhe avisar isso, mas meu pai resmungou e disse que estava velho demais para não fazer feliz aqueles que amava. Sabendo que já estava atrasado, saí do banho e entrei no quarto, Jéssica tinha um lençol em volta do quadril e estava deitada de bruços, o que foi o suficiente para que eu visse as marcas roxas em suas costas, me recriminei por ter deixado as coisas irem tão longe na noite passada, mas não podia me controlar quando ela me provocava. Sentei-me na cama ao seu lado e passei os dedos por cada marca de mordida, senti meu membro ficar rijo, mas esse não era o momento porque eu estava mais do que atrasado para algumas entrevistas que faria essa manhã. Com muito custo eu decidi aumentar a minha equipe e expandir o estúdio, para isso eu vinha trabalhando arduamente para que pudesse estar com tudo nos eixos antes mesmo do casamento, Jéssica tinha sido de grande ajuda e passamos as últimas semanas trabalhando na estrutura do novo local e analisando alguns currículos. Por várias vezes desejei que, por conta própria, ela decidisse voltar a trabalhar comigo nessa nova fase, Jess sempre cuidou melhor dos assuntos burocráticos do que eu de qualquer maneira, mas ela ainda não parecia disposta a desistir do seu sonho, nem mesmo agora com o O’Ryan a pressionando mais do que o habitual. Constantemente Jéssica chegava em casa irritada por causa do mau humor dele e das suas cobranças, nós quase nunca conversávamos sobre isso porque eu ficava puto por ela aceitar e ela ficava puta por eu não entender o quão importante isso era, então, quando eu percebia que ela tinha tido um dia ruim, eu sempre dava um jeito de fazê-la esquecer de todos os seus problemas... E quase sempre terminávamos na cama. Jéssica se mexeu com o meu toque expondo uma parte do seu bumbum e desviei o meu olhar porque


sabia que as marcas ali eram mais fortes, ela adorava quando eu perdia o controle assim e me provocava exatamente para isso, eu só não gostava da ideia de que a qualquer hora eu pudesse passar dos limites e machucá-la sem querer. — Hummm, eu adoro acordar assim... — ela ronronou baixinho e eu quis ter um pouco mais de tempo para poder cuidar dela. — Eu acho que exagerei na noite passada, amor — disse enquanto dava um beijo carinhoso em cada área arroxeada. — Nãooo... Você sabe que foi perfeito- Matheus. — Cheguei ao seu bumbum e afastei o lençol. Porra, ela só podia estar de brincadeira comigo, não tinha nenhuma maneira de que isso não pudesse estar dolorido. — Tem certeza de que eu não te machuquei? — perguntei ao mesmo tempo que a acariciava, eu podia lidar com os arranhões nas minhas costas e peito, ela tinha caprichado na tortura, mas não queria que ela sentisse dor com o que nós fazíamos. — Não estou machucada e eu gosto, Matheus, você sabe que eu gosto — ela murmurou contra o travesseiro ainda com os olhos fechados. Tapei seu bumbum com o lençol novamente e afastei o cabelo do seu rosto para que pudesse lhe dar um beijo rápido na boca. Me levantei contrariado e fui me vestir tentando afastar da cabeça todas as coisas sacanas que eu estava desejando fazer com ela essa manhã... ***

Jéssica Enquanto me enxugava em frente ao espelho do closet dei uma boa olhada nas minhas costas, minha pele realmente estava marcada e ao contrário do Matheus, eu não estava nem um pouco desconfortável com isso, só de imaginar ele beijando novamente cada uma delas eu já ficava excitada e quente. Sorri ao lembrar do quão gostoso foi o nosso sexo na noite passada ao mesmo tempo que me apressava para terminar de me arrumar, se eu fosse rápida conseguiria encontrar Math tomando seu café e talvez ele me deixasse roubar alguns beijinhos antes de ir trabalhar. Hoje eu tinha escolhido um jeans desfiado, meu par de tênis Vans vermelho e uma camiseta preta do Coldplay com um trecho de Paradise que eu simplesmente amava, foi por causa dessa música que eu tinha rabiscado o peito do Math aquela vez em que viajamos para comemorar o aniversário do Leo. Peguei a primeira sandália alta que encontrei e joguei na minha bolsa, já que essa noite Katie, Helena e eu teríamos um momento só de garotas, sempre que todas conseguiam se livrar dos respectivos namorados e maridos nós marcávamos de nos encontrar e jogar conversa fora, quase sempre em algum restaurante inusitado e quando não tinhamos outra opção íamos no pub que ficava próximo à galeria em que a Katie trabalhava. Matheus dizia que não era para eu corromper a Helena, mas eu já estava apegada a ela, eu gostava do tempo que passávamos juntas, principalmente quando esse tempo envolvia ter os três sapecas dela fazendo bagunça ao meu redor. Louis quase sempre estava presente nesses momentos e lá no fundinho eu morria de vontade de dar a ele a felicidade de ser avô logo, eu sabia que no dia em que isso acontecesse


ele seria o homem mais feliz desse mundo. Encontrei a mesa posta e Matheus terminando o seu café, o lembrei que chegaria tarde e logo depois fui para a Travel, no caminho eu me dei conta de que estava ficando ainda mais difícil ir trabalhar sabendo que o Josh estaria pronto para atirar sete pedras em mim a qualquer momento, eu me sentia consumida pelo seu comportamento ambíguo, às vezes ele agia como se realmente se importasse comigo, era atencioso e se preocupava com o que acontecia, eu quase gostava dele quando me tratava assim. Mas tinha dias em que ele era um completo estúpido e fazia questão de me deixar desconfortável na sua presença, cheguei a pensar que poderia ser falta de sexo, sei lá, mas a namorada dele não me parecia o tipo que negava fogo... Tudo isso, juntando o fato de que o Matheus vinha precisando cada vez mais do meu apoio no estúdio estava me fazendo repensar a minha carreira, eu amava o que eu fazia na Travel e isso era indiscutível, mas também sempre gostei do meu trabalho ao lado do Math, mesmo sabendo que se optasse por ficar eu não estaria na área que sempre desejei. E é aí que estava o meu problema. Quantas coisas eu tinha planejado que não tinham dado certo? Sei que o Matheus iria adorar me ter por perto, ele nunca gostou de cuidar da parte burocrática e dos pequenos detalhes e precisava de alguém de confiança para fazer isso, fora que ele sempre me deu autonomia para pegar os trabalhos que eu quisesse... Talvez, só talvez, eu tivesse que tomar alguma decisão muito em breve quanto ao meu futuro na revista. Quando meu expediente terminou fui direto para o restaurante em que a Katie e a Helena já me esperavam, as vezes eu me sentia tão diferente das duas e mesmo que tivesse colocado meus saltos e refeito a minha maquiagem, eu ainda me sentia uma garota perto delas. Katie tinha um estilo descolado, mas era um mulherão assim como Helena, só que ao contrário de nós duas ela era muito mais sofisticada. Fizemos logo o nosso pedido, já que para variar eu estava faminta, e Katie nos contou os detalhes para a sua viagem. Suas férias estavam chegando e ela iria passar alguns dias em Milão para descansar e estar preparada para o meu casamento, eu sabia que tudo que ela queria era se afastar um pouco de tudo, e quando eu dizia “tudo”, eu queria dizer mais especificamente que ela queria se afastar era do Leo. O assuntou mudou, Helena nos contou um pouco sobre as travessuras da sua caçula e nós morremos de rir, e só no momento da sobremesa é que começamos a verificar os últimos detalhes para o casamento. — Então, vamos recapitular: vestido, hotel, buffet e decoração estão ok... — Helena tomava conta em uma lista em seu celular. — E os convites? — ela perguntou. — Ainda faltam alguns... — As duas me olharam curiosas, um dos que faltavam era o dos pais do Aaron, os outros eram de alguns conhecidos do Matheus que ele não sabia se iria convidar ou não. — Então cuide disso logo, Jéssica, algumas pessoas podem considerar essa demora como falta de educação — ela falou sem jeito e eu sabia que era apenas um toque. Eu ainda não tinha comentado com o Math o meu desejo de convidá-los, eu não sabia se ele se oporia e eu tinha medo que pudesse interferir e piorar ainda mais as coisas.


CAPÍTULO 36

Leonardo Nua... Serena estava completamente nua na minha frente e o único acessório que usava era uma exagerada joia que ela exibia em seu pescoço, três finas correntes acompanhando uma esmeralda localizada propositalmente entre os seus seios. Engoli em seco ao pensar que essa merda poderia ser uma das muitas joias que ela ganhava daquele bastardo. Será que ela era tão descarada a ponto de usar o presente de outro homem enquanto estava prestes a se deitar na minha cama? Percebendo a raiva estampada em meu rosto, Serena se aproximou e o som dos seus saltos contra o piso frio do meu quarto fez com que o sangue em minhas veias fluísse mais rapidamente, meu corpo endureceu e não foi de uma maneira boa. A ereção em minha calça era o menor dos meus problemas e Serena sabia disso, o que nós estávamos prestes a fazer poderia mudar tudo e eu só queira entender porque raios ela achava que podia voltar para a minha vida assim de uma hora para a outra. Desviei o olhar do corpo bem definido e bronzeado à minha frente e capturei o seu rosto. Serena era uma mulher confiante e nunca escondeu isso de ninguém, ela sabia o quanto era sexy e sempre soube como me manipular. Por muito tempo alimentei a esperança de que ela pudesse vir a mudar, eu a amava e acreditava em cada mísera palavra que me dizia. Não preciso nem dizer que a decepção foi grande e que eu praticamente fui destruído pelo caminho, perdi tudo quando ela me largou para ir viver com o seu amante. Um amante que mais tarde eu descobri ser um dos meus melhores amigos, meu único sócio e que me deixava trabalhar duro, dia e noite, enquanto trepava com a minha mulher. — Agora é tarde para se arrepender, Leonardo. — Fechei os olhos me sentindo um idiota, até da forma como ela falava e da sua voz rouca eu sentia saudades. Eu vinha tentando inutilmente me controlar desde a sua volta para não ceder ao clima de luxúria que nos envolvia sempre que estávamos próximos. E o que mais me inquietava era que mesmo depois de anos longe um do outro, eu ainda sabia decifrar cada atitude dela, quando ela estava com medo, excitada, quando queria apenas brigar, jogar e, principalmente, quando estava me escondendo alguma coisa. E Serena definitivamente estava, eu só precisava descobrir o que era antes que eu me perdesse novamente. — Eu não te convidei Serena, não pedi para que ficasse nua e muito menos para que se rebaixasse tanto a ponto de implorar. — Não pedi nada disso, mas estava gostando de vê-la se humilhar. — Você não entende... — O tom macio em sua voz não iria me enganar. — Qual é o seu jogo, afinal? — perguntei enquanto me levantava, seus saltos a deixavam com a mesma estatura que a minha, se eu me inclinasse só um pouco poderia até sentir a maciez da sua boca. — Me diz, Serena, já se cansou de foder com ele? — Ela recuou quando falei sobre o babaca que agora a


sustentava. Eu queria vê-la no fundo do poço da mesma forma como fiquei quando ela me deixou, e essa ideia vinha me tirando o sono, Serena estava colocando essa oportunidade nas minhas mãos e eu não estava disposto a deixar ela sair ilesa dessa vez, eu a faria sentir na pele toda a raiva que me fez passar... nem que para isso eu tivesse que terminar tudo com a Katie. — Eu cometi um erro, Leo, e não suporto mais viver ao lado dele — ela murmurou sem nenhuma emoção em sua voz. — E o que você espera que eu faça, porra? Que te aceite de volta até o quê? Até você se cansar e ir atrás de outro amigo meu? — gritei e ela permaneceu impassível, tudo estaria perfeitamente bem se ela não estivesse nua e seu corpo não estivesse arrepiado. Devorei seus seios com o meu olhar e sentia o tremor do seu corpo a cada palavra que eu dizia. Posso dizer que, pela forma como estávamos próximos um do outro, ela com certeza sentia o quão duro eu estava. — Você não vale nada, Serena, é uma traidora desgraçada... — murmurei e ela entreabriu a boca como se fosse se explicar, senti o calor da sua respiração e o seu hálito fresco... A mentirosa estava ofegante sem que eu nem tivesse lhe tocado ainda. — Eu voltei para ficar, Leonardo, e nada... — Sua mão desceu até a braguilha da minha calça. — nem ninguém vai me fazer desistir de ter você de volta. — Sua segurança me irritou, mas Serena me conhecia e sabia que eu era um fodido louco por ela, nem mesmo todo esse tempo que passei com a Katie fez com que eu a tirasse da minha cabeça, e por mais que tentasse meus pensamentos sempre voltavam para a merda que aqueles dois fizeram pelas minhas costas. — Você vai cair, Serena, e quando isso acontecer... — Atrevida ela passou por cima da minha ameaça e se enroscou em meu corpo, me descontrolei e segurei seu rosto com uma pressão exagerada, sabendo que iria machucá-la e a beijei, se é que podíamos chamar isso de beijo. Serena tinha um talento com essa maldita boca e eu dificilmente consideraria suas carícias como inocentes. O homem que eu jurei nunca mais me tornar veio à tona e eu deixei que meu desejo por ela me dominasse, mais uma vez. E mesmo sendo afetado pelo cheiro da sua excitação eu busquei a prova do seu desejo com meus próprios dedos e a toquei sem o menor carinho, Serena estava melada e úmida em suas coxas o que me deixou completamente transtornado porque eu estava começando a esquecer dos motivos pelo qual eu deveria me afastar e em vez de pedir que se vestisse e fosse embora, eu só conseguia pensar em transar com ela até tirá-la completamente do meu sistema. A empurrei até a cama, não estava preocupado em ser gentil, não queria ser porque ela também não merecia. Serena me olhava como se realmente tivesse sentido a minha falta, como se agora estivesse ansiosa por isso. Desabotoei minha calça de qualquer maneira e me deitei sobre ela, não fiz questão de tirar o restante da minha roupa, eu seria rápido, só queria deixar queimar todo esse desejo e raiva que eu sentia e colocá-la na rua em seguida. Serena gemeu de forma quase exagerada e se eu não soubesse a puta manipuladora que ela podia chegar a ser eu apostaria que fazia algum tempo desde a última vez que alguém a fodia, a forma como ela se agarrava a mim e me beijava não se parecia em nada com a mulher que eu conhecia. — Leo... Hummm... — Seu corpo tremia embaixo do meu, suas pernas envolviam o meu quadril para que eu não saísse de dentro dela e com uma incrível sintonia ela desabou ao mesmo tempo que gozei... E foi aí que me dei conta da burrice que tinha acabado de fazer, não bastava ter traído a Katie e transado com essa maluca, nós não tínhamos usado nenhuma proteção. Serena tentou me impedir de sair dentro dela, mas eu não queria ficar nem um segundo em contato com o seu corpo. — Você é nojenta, Serena. Se ainda resta um pouco de orgulho, esse é o momento para usá-lo e dar


o fora da minha casa. — Olhar para ela me dava repulsa, mas eu sabia que também tinha culpa. Respirei fundo, enquanto fechava a minha calça e lhe dava as costas. — Eu terminei tudo com ele, Leo. Ele sabe que eu vim atrás de você, ele sabe que eu te amo. — Ri sarcasticamente quando ela falou isso. Que merda ela tinha na cabeça? — Você não pode me jogar fora como se eu fosse um lixo. — Eu posso, porque lá no fundo é isso o que você é, não é? Pegue suas coisas e volte para aquele bastardo, Serena. Desapareça da minha vida, porra! — rosnei e bati a porta. Eu estava sentindo todo o desespero novamente, não queria ter que vê-la ir embora, mas eu também nunca seria capaz de pedir para que ela ficasse. ***

Jéssica No final de semana depois de muito pensar na conversa que tive com a Helena a respeito dos convites que ainda faltavam ser entregues eu decidi que, apesar de tudo, eu queria que os pais do Aaron estivessem presentes no dia do meu casamento. Eles sempre seriam parte da minha vida, e eram minha segunda família antes mesmo que meus pais se mudassem para o outro lado do país, e eu preferia arriscar e ser mal recebida do que me arrepender depois. Combinei com a Katie e pedi que ela me cobrisse, a cidade que eles moravam ficava a mais ou menos duas horas de Manhattan e se eu saísse cedo conseguiria voltar até o final do dia. Eu não pretendia esconder essa viagem rápida do Matheus e assim que chegasse em casa eu contaria, eu só não queria que ele me impedisse de ir e essa era uma coisa que eu precisava fazer sozinha. Tinha consciência de que estava sendo teimosa, mas não queria ter que desistir deles também... Improvisei uma pequena mala e liguei para a Katie para verificar como estava, Leo tinha pedido um tempo a ela há dois dias e viajado na manhã seguinte a deixando sem nenhuma outra explicação e eu estava furiosa por ele fazer isso faltando tão pouco para o meu casamento, os dois seriam os meus padrinhos e eu odiaria que ele estragasse tudo. Peguei a estrada e ainda não era nem oito horas, liguei o som bem alto para me distrair da insegurança que sentia, fiz uma rápida parada para comprar algumas besteiras para comer e depois de umas duas horas e meia eu tinha o carro estacionado em frente à casa deles, fiquei parada por alguns instantes observando o lugar onde tinha passado os meus últimos anos antes de ir para a faculdade, deixando que as boas lembranças tomassem conta da minha mente. Me dei conta de que eu não me importava com o que tinha acontecido nos últimos meses, eu fui feliz aqui até quando pude... O resto era resto e desde o momento em que escutei a sentença do juiz há alguns meses eu decidi deixar tudo isso no passado. O motivo para eu estar aqui não tinha nada a ver com o Aaron ou com a Anny, e eu preferia acreditar que os pais deles se sentiam da mesma forma que eu. Saí do carro e caminhei até a porta e não demorou para que a Vera, a mãe do Aaron atendesse. Segurei o convite firme em minhas mãos para esconder o meu nervosismo e quando ela me convidou para entrar era como se eu tivesse voltado a ter 17 anos, tudo aqui parecia o mesmo, entramos na sala e me vi


rodeada por fotos minhas junto da família, sorri triste ao me ver ali... Eu parecia realmente feliz nos braços do Aaron... — Sei que não é desculpa, Jéssica, mas ele te amava — Vera falou atrás de mim. — Ele ficou transtornado... — Eu sinto muito, tia, mas eu não quero falar sobre isso. — Sempre os chamei de tia e tio. — Você quer beber alguma coisa? — ela perguntou calma, até agora tudo estava indo melhor do que imaginei, eu pensei que nem chegar a ser convidada para entrar eu seria. Dei de ombros à sua pergunta e ela disse que buscaria um suco para nós duas. Me sentei no sofá e continuei olhando ao meu redor lembrando de todas as vezes em que eu fugia da minha casa quando era criança para poder vir para cá. — Não sei o que me deu, mas essa manhã eu acordei com vontade de tomar suco de manga, esse sempre foi o seu preferido, não é? — Acenei com a cabeça desconfortável, eu não podia mais simplesmente chorar na frente dela. — Eu vim porque eu queria que a senhora e o tio fossem ao meu casamento. — Era a única coisa que eu tinha para dizer. Ela não pareceu surpresa e sorriu pela primeira vez desde que eu apareci na sua porta. — Seu noivo é um bom homem, Jéssica. — Estranhei seu comentário e ela percebeu minha reação. — Ele não contou, não é? —perguntou. — Contou o quê? — Nós tivemos que hipotecar a casa para arcar com os custos do advogado, Jéssica. Eu queria que você soubesse que em momento algum nós concordamos com o que o Aaron fez, só que como mãe eu não podia simplesmente dar as costas a ele, entende? Eu lutaria até o final se soubesse que existia alguma possibilidade de ele ser solto e foi isso que nós fizemos. Estávamos cheios de dívidas, nossos amigos nos viraram as costas, Anny estava perdendo a cabeça, foi tudo tão confuso e doloroso... e, mesmo enquanto eu tentava manter a minha família de pé, eu não deixava de pensar um só segundo em você. — Eu escutei tudo calada, essa era a parte mais difícil porque, claro, que os filhos dela viriam sempre em primeiro lugar. — Se eu pudesse ter evitado... — falei. — Matheus cuidou de tudo, querida. Ele pagou a hipoteca e o advogado. Eu não pude fazer nada porque ele insistiu, disse que estava feito e que não tinha como voltar atrás, então, nós meio que temos uma dívida com ele agora. — Balancei a cabeça e dessa vez não consegui me conter, eles não tinham dívida nenhuma com o Matheus, eu era a única que devia a ele por tudo o que vinha fazendo desde o momento em que entrou na minha vida. Consegui sorrir entre algumas lágrimas, se hoje ele me perguntasse qual o melhor presente que eu gostaria de receber esse seria, com certeza, o primeiro item da lista. — Eu não sabia. — Eu imaginei, caso contrário ele teria vindo até aqui com você. — Quando foi isso? — Alguns dias depois do julgamento. — Nós tínhamos acabado de nos reconciliar e Ozzy ainda


estava se recuperando nessa época. — Ele foi tão educado, Jéssica, conversou com o seu tio e disse que estava fazendo isso por você. Eu sou muito grata por ele ter nos ajudado, nós estávamos tão desesperados sem saber o que fazer... — Vera também deixou algumas lágrimas caírem e eu fui até ela. — Eu também sou muito grata pela senhora e pelo tio por terem cuidado de mim. — Ela retribuiu o carinho e limpou o meu rosto. Almoçamos juntas e depois passamos a tarde no deque atrás da casa conversando sobre tudo, contei a ela sobre o Matheus, o meu trabalho e até mesmo sobre o Ozzy. — Eu estou feliz por ter vindo aqui hoje, tia. — Sorri contente para ela e senti como se aos poucos a minha vida estivesse entrando nos eixos novamente.


CAPÍTULO 37

Matheus Duas semanas haviam se passado e por causa de tudo que eu ainda precisava organizar para expansão do estúdio, eu quase nunca conseguia chegar em casa antes das 21h. Para não me deixar sobrecarregado, Jéssica saía da revista em algumas noites e vinha direto para cá me ajudar no que podia, porém nos últimos dias preferi liberá-la para que pudesse terminar e arrumar o nosso apartamento. Hoje, por exemplo, enquanto eu trabalhava ela tinha decidido ir desempacotar algumas caixas e colocar tudo em seu devido lugar. Como grande parte da nossa mobília já tinha sido entregue, restou pouco para que pudéssemos guardar e Jess me garantiu que podia fazer isso sem ajuda, ela estava empolgada em deixar a nossa casa com cara de lar, como ela insistia sempre em dizer. Fiz uma última ligação e fui me encontrar com ela no apartamento, parei no caminho em um restaurante onde jantávamos de vez em quando e peguei dois combos de comida japonesa para que pudéssemos comer mais tarde. Passei pela portaria, peguei as correspondências e subi, nossa sala já estava praticamente pronta e, sem dúvida, Jéssica tinha deixado a sua marca, principalmente ao decorar o corredor que levava até o meu escritório e a sala de cinema com algumas das fotos que tiramos nas viagens que fizemos juntos. Fui encontrá-la no escritório em cima de uma banqueta se esticando para guardar alguns dos meus livros nas últimas prateleiras da estante. — O que eu falei sobre lugares altos, Jéssica? — ela não me respondeu e fez uma careta ao perceber que eu iria tirá-la dali de cima, achei melhor fazer isso e a peguei no colo antes que algum desastre acontecesse. — Ah não, isso não é justo, me deixe terminar. — Ela esperneou um pouco em meus braços. — Além disso, você demorou e faltavam poucos livros — disse contrariada e apontou para a mesa quase vazia. — Eu sei, mas nós já conversamos sobre isso, não foi? Já imaginou se você cai e quebra alguma coisa? — Você só pensa no pior, nossa! — ela respondeu, ignorei sua birra e a puxei pela cintura, afastei os poucos fios rebeldes que tinham se soltado do rabo de cavalo que ela usava e desci meu rosto ao encontro do seu. Dei-lhe um beijo lento e suave apenas para matar a saudade. Jess estava corada, talvez pelo esforço que estava fazendo e eu aproveitei para dar uma conferida geral nela, seu short jeans e a camisa curta que deixava a maior parte da sua barriga exposta tiraram completamente a minha concentração.


— Se eu não pensar no pior, quem vai fazer isso? — Me afastei por segurança e coloquei os últimos dois livros na estante. — Eu passei no Nobu e peguei dois combos, Jess. Está com fome? — Morrendo. — ”Novidade”, pensei. Jéssica era uma das poucas mulheres que eu conhecia que podia comer sem se preocupar em engordar e você dificilmente a encontrava sem fome. — Vou tomar um banho antes e já desço, tudo bem? — Ela acenou e eu subi, tomei uma ducha rápida e coloquei uma calça que costumava usar para malhar, quando desci Jéssica já tinha arrumado tudo em cima da mesa de centro na sala de estar. — Podemos comer aqui? — ela perguntou já sentada no tapete felpudo que cobria boa parte do cômodo. Uma garrafa de vinho branco estava aberta e nossas taças cheias, depois de tanto tempo ao meu lado ela tinha aprendido a escolher o vinho certo para cada tipo de refeição, não que isso fosse algo importante. Concordei com a cabeça e me sentei ao seu lado, Jéssica me passou a taça e bebeu um pouco da dela, eu tinha comprado uma porção de sunomono, que era basicamente salada japonesa e uma variedade de sushi que eu sabia que ela gostava. — Você entrevistou os estagiários, Matheus? — ela perguntou receosa, por vezes eu a sentia preocupada com os novos funcionários que eu estava contratando. — Os que você selecionou sim, fiquei com três e pretendo decidir quem fica até segunda. — Quer ajuda? — Sorri por causa da sua insegurança, e imaginei que medo ela poderia ter ainda. Faltam menos de 15 dias para o nosso casamento e eu já tinha provado a ela de todas as formas possíveis o quanto a amava. — Quero, nós podemos trabalhar nisso no final de semana. — Ela sorriu. — Essa noite eu só preciso ter um bom jantar e curtir a noite ao seu lado. — Isso incluía muito tempo fazendo amor com ela, eu podia ver que por baixo daquela camisa curta não tinha nenhuma lingerie, Jess me encarou ao perceber que eu a olhava minuciosamente e nós dois trocamos um sorriso cúmplice. ***

Jéssica No domingo à noite, depois de passar o final de semana inteiro me dividindo entre ajudar o Matheus e organizar o nosso apartamento, eu tinha conseguido chegar a uma decisão em relação à minha permanência na Travel. Eu passei tanto tempo me preocupando em alcançar meus objetivos e em atender às expectativas do Josh que me esqueci do quão divertido e leve poderia ser trabalhar. Comecei a me imaginar daqui a dois ou três anos, e me perguntei se eu conseguiria conciliar os meus planos e os do Matheus com as cobranças que eu sei que viriam e foi nesse instante que eu tive a resposta que precisava. — Tem alguma coisa te perturbando? — Matheus perguntou logo atrás de mim, eu e o Ozzy estávamos sentados na beirada da piscina. A noite estava agradável e o clima ameno, em dias assim eu gostava de ficar ao ar livre. — Se tiver, você vai resolver? — perguntei o provocando. Math era o meu príncipe encantado, daqueles que toda garota sonha quando é mais nova, e mesmo sem o cavalo branco e o castelo eu estava mais do que feliz em fazer parte da sua vida.


Ele se sentou ao meu lado e também colocou as pernas dentro da água. — Porra, isso está gelado! — reclamou. — Não exagera. — Ri um pouco. — Meu pai achou você distante hoje, amor... — Nós tínhamos jantado na casa do Louis e, já que Matheus ficou ocupado em uma ligação com o Leo, quando chegamos eu tinha vindo para cá para pensar um pouco. — Acho que é só um pouco de ansiedade, Math. Sei que nós já vivemos como marido e mulher, mas é como se tudo fosse mudar, sabe? — E vai mudar Jess, só que para melhor — ele falou decidido, quase como uma promessa. — Eu sei... mas isso não me impede de ficar nervosa. Passamos o restante da noite, ali um ao lado do outro conversando. Matheus me contou que Leo tinha perguntado pela Katie e eu desconversei, não queria que ele soubesse o paradeiro dela. Leo tinha sido um canalha ao terminar as coisas da forma como fez depois de tanto tempo e eu só não o impedia de ser meu padrinho e obrigar minha amiga a estar ao seu lado porque sabia o quanto Matheus e ele eram amigos. No dia seguinte, quando eu me levantei, Matheus já não estava mais na cama. Não estranhei o fato de ele não ter me acordado para transarmos porque fizemos isso na madrugada, eu ainda estava meio sonolenta e ele foi tão doce e carinhoso... Depois que me arrumei fui atrás dele, eu precisava conversar sobre a minha demissão antes de ir trabalhar. — Bom diaaa... — Ele estava em seu escritório separando alguns documentos, essa expansão estava sendo mais complicada do que imaginávamos. — Me ajude aqui, Jéssica. — Ele me passou alguns contratos do novo aluguel e eu vi a soma exorbitante que seria para fazer essa mudança. Olhei estupefata para ele que nem percebeu o quanto eu estava chocada. Matheus guardou os outros documentos e tirou os que eu segurava da minha mão me puxando logo em seguida. — Bom dia para você também. — Ele beijou a pontinha do meu nariz e eu senti cosquinha. — Nós podemos conversar? — perguntei antes que ele me beijasse para valer. Sei que esse era o pior momento para deixar essa dúvida surgir, mas será que todos os casais era assim? Se eu tivesse chegado a ficar noiva do... será que teríamos uma relação tão intensa como essa? — Claro — ele murmurou contra a minha boca. — É importante. — Matheus me afastou um pouco e esperou que eu dissesse. — Eu... eu estou pensando em pedir demissão, Math. — Sua expressão foi indecifrável, não consegui saber se ele estava feliz ou irritado. — Por quê? — Ele franziu a testa. — Porque eu quero que a gente seja feliz, e estou cansada da pressão que o Josh faz em cima de mim. — Mas esse é o seu sonho... — Por que ele não podia ficar contente com a notícia?


— Sonhos mudam? — indaguei. Eu gostava era de fotografar e isso eu percebi que podia fazer em qualquer lugar, eu só não achava que a vida que o Josh queria que eu levasse fosse compatível com a vida que eu gostaria de ter com o Matheus. — Você tem certeza? Não quero que tome nenhuma decisão precipitada, amor, eu pretendo arrumar alguém para me ajudar a administrar tudo, você não vai precisar se sacrificar por minha causa. — Não estou me sacrificando, eu estou tomando uma decisão que eu acho que seja a melhor. Não só para mim, Matheus, mas para o nosso casamento. — Math me lançou um olhar predador que arrepiou todos os pelinhos do meu corpo. — Você falou como uma mulher agora. — Eu sou uma mulher! — Não... até alguns instantes atrás você era uma garota, agora sim você é uma mulher — sussurrou com a voz rouca e eu gritei quando ele me pegou no colo e colocou em cima da mesa abrindo as minhas pernas com o corpo dele. — De novo, amor? — Ele não me respondeu, sua boca já estava devorando a minha e suas mãos puxando a minha calcinha pelas pernas. Ah meu Deus, esse homem era insaciável.... Esperei a manhã inteira pelo Josh e me decepcionei quando fiquei sabendo que ele só iria aparecer na revista no final da tarde. Cansada de ficar enfurnada em minha sala, fui até a recepção perguntar se a Marta precisava de alguma ajuda, eu estava entediada por não ter nada para fazer já que só precisaria sair para fotografar amanhã. — Ele vai demorar, Marta? — Não sei, menina, você mandou uma mensagem para ele? — Sim, só que não tive nenhuma resposta. — Fiquei por mais algum tempo conversando com ela, Marta me garantiu que eu não a estava atrapalhando, então, não me importei. Meia hora depois, um Josh apressado passou pela gente e eu segui atrás dele sem ser convidada. — Josh... — Na minha sala, Jéssica. — Ele rodeou a mesa e pegou seu celular do bolso me ignorando completamente. — Se você quiser podemos conversar depois... — Ele se tocou do que estava fazendo e o colocou sobre a mesa, cruzando as mãos e me dando total atenção. — Pode falar, estou curioso para saber o que te fez encher o meu saco o dia inteiro com mensagens e ligações descabidas. — Estúpido como sempre, senti alívio por saber que isso iria finalmente acabar. — Eu queria agradecer a oportunidade que você me deu Josh, trabalhar aqui foi... incrível. — Em parte tinha sido. — Mas... — parei de falar quando ele sorriu sarcasticamente. — Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você desistiria — falou rudemente. — Não estou desistindo, eu só... — Chame do que quiser, mas você me fez perder um maldito de um tempo investindo na sua


carreira. — Ele se levantou e seu tom de voz aumentou também. — Eu sabia que não deveria ter colocado uma oportunidade como essa em suas mãos. — Você quer saber o verdadeiro motivo para eu estar me demitindo? Eu odeio a forma como você me trata e como acha que pode me intimidar com suas grosserias, você não tem profissionalismo nenhum — falei alterada. — Não seja cínica, porque você foi a única aqui a se meter na cama do próprio chefe, não me venha agora falar de profissionalismo... — Isso não te dá o direito de me tratar assim. — Enquanto eu for o diretor-chefe e dono dessa revista eu tenho todo o direito do mundo de dizer e fazer o que eu bem entender. — Ele me olhou de forma dura. — E se você quer desperdiçar o seu talento e fazer o papel de esposa abnegada para agradar aquele velho e ao Matheus, não serei eu a te impedir de cometer esse erro. — Meu casamento não é um erro! — gritei. — Discordo. — Você discorda porque sente inveja, aposto que adoraria estar no lugar do Matheus... — falei motivada pela raiva, ele não precisava agir assim só porque eu estava me demitindo, se ele me queria trabalhando ao seu lado deveria ter me valorizado como pessoa antes, ter me respeitado e sido gentil. Mas não, tudo que tive dele foram grosserias e mais grosserias e todas injustificáveis. — Vou falar uma vez só e espero que você entenda, Jéssica, se eu realmente quisesse ter tido você, nada me impediria, nem casamento, nem o amor que você diz sentir pelo Matheus. — O tom da sua voz mudou. — Você com certeza estaria na minha cama agora e posso apostar que muito bem disposta.... — Até parece, nunca senti a menor curiosidade ou vontade de estar com outro homem que não o Math e Josh definitivamente não fazia o meu tipo, ele era velho e arrogante demais, além de estúpido o suficiente para me manter longe. Só de me imaginar nua com ele, eu já sentia meu estômago embrulhar. — Você é um idiota... — falei me sentindo completamente incomodada com o que tinha acabado de escutar. — Era só isso que tinha para me dizer? — Confirmei com a cabeça, ainda surpresa com o que tinha acabado de escutar. — Dê o fora da minha sala, então, eu tenho trabalho demais para perder tempo com suas besteiras. “Foda-se ele”, pensei. Pelas minhas contas, eu teria que ficar aqui apenas mais alguns dias até cumprir o aviso-prévio e depois eu estaria livre...


CAPÍTULO 38

Jéssica Não fique nervosa, não fique nervosa... Eu repetia incansavelmente na esperança de que o frio na barriga passasse, ou pelo menos desse uma trégua por tempo suficiente para que eu não surtasse. Inspirei o ar várias vezes e soltei, mas nada parecia fazer efeito e com os minutos passando eu me sentia sendo consumida por um buraco negro de ansiedade prestes a me comer viva. Fechei os olhos enquanto um funcionário da equipe terminava de soltar as ondas do meu cabelo em absoluto silêncio, eu acho que ele estava com medo de que a qualquer momento eu me levantasse da poltrona e dissesse que não iria mais haver casamento algum. Isso me fez rir porque eu teria que ter ficado maluca para fazer algo assim a essa altura, meu nervosismo não era de dúvida, ou de medo... era de antecipação, pois me tornar a mulher do Matheus era o que eu mais desejava em todo o mundo e o que viria depois de hoje... Bem, eu estava ansiosa por tudo que viria. — Por favor, Katie, eu não aguento mais ouvir esses pássaros cantando... — Olhei para ela desesperada, não tinha a menor ideia de quem a convenceu que isso relaxava, mas escutar ondas do mar e passarinhos piando não faziam parte dos meus planos para o dia de hoje. — Pensei que isso fosse te deixar calma — ela disse tranquila e se apressou em desligar o iPhone, enquanto isso minha mãe e a Vera conversavam no fundo da sala e a Helena me olhava tentando esconder uma risada, Katie tinha perdido algum parafuso em Milão só pode. — Chocolate me deixaria calma, café me deixaria calma... sexo me deixaria calma... — sussurrei a última parte para que só ela e o cabeleireiro escutassem. — Agora pássaros cantando? — Minha amiga deu de ombros. Katie estava tão linda, nós duas rodamos Manhattan inteira atrás do vestido perfeito para que ela usasse hoje e eu não fazia nem mais questão de vê-la com o Leo novamente, mas eu queria que ele se tocasse e se arrependesse do que tinha perdido. A situação estava tão estranha entre os dois que ele só tinha aparecido aqui em Miami ontem à tarde um pouco antes da despedida de solteiro do Matheus. Notícia que só fiquei sabendo essa manhã através de uma mensagem já que eu estava proibida pela minha madrinha de ver e dormir com o meu próprio noivo. Segundo ela, esse choque faria maravilhas para a minha lua de mel, o que eu não duvidava nem um pouco levando em conta as últimas mensagens que troquei com o meu futuro marido. — Mas a massagem relaxou, não foi? — ela perguntou dando leves batidinhas no meu ombro, me fazendo corar miseravelmente, olhei para a Helena e ela também tinha o rosto vermelho, não sei se de vergonha do que fizemos ontem ou porque se sentiu desconfortável com o olhar que o cabeleireiro nos lançou.


Eu não fazia a menor ideia do que armaram para a despedida do Matheus, mas se chegou perto do que a Katie armou para mim, eu esganaria os seus amigos. Ontem, no fim da tarde, ela nos levou para tomar alguns drinks no bar do hotel e depois de duas ou três doses nos fez ir com ela até uma casa de massagem onde fomos recebidas por um homem alto, musculoso e com um sorriso de matar. Ficamos as três de boca aberta e eu quase caí para trás quando descobri que ele seria o nosso massagista, perguntei se ela tinha ficado louca e Katie disse que não podia me deixar casar sem que eu fosse "tocada" por outro homem, o homem loiro riu ao escutar a brincadeira, mas em nenhum momento nos faltou com respeito. Ele mostrou ser realmente um ótimo massagista e nós rimos muito depois de sair de lá, cada uma com o corpo levinho e sem nenhuma tensão. — Pronto — o cabeleireiro falou depois de encaixar a tiara de flores entrelaçadas com fios de ouro por cima dos cachos soltos, minha maquiagem estava leve, meu rosto corado, usava um gloss rosa nos lábios e os olhos bem marcados. Como a cerimômia seria realizada à tarde, um pouco antes do pôr do sol, não havia necessidade de exageros. Katie, por exemplo, usava um vestido curto rosa pálido e o cabelo trançado na lateral enquanto a Helena vestia um na cor azul com o cabelo solto. Me levantei e as quatro mulheres fizeram "Ownnn" assim que me viram completamente arrumada e vestida, minha mãe e a Vera pareciam emocionadas, Helena exibia um sorriso de orgulho e só de olhar para a Katie eu sabia o quanto ela estava feliz por mim. — Não me olhem assim porque eu fico ainda mais nervosa — disse e me virei para o espelho para ver como estava, meu vestido tinha uma saia esvoaçante com fendas que só ficavam expostas ao andar, o corpete era rendado e bordado com pedrarias, eu usava dois braceletes finos, também de ouro, que havia ganhado do Matheus antes de viajarmos. — Por favor, não chorem. Se vocês começarem, eu também vou e aí vai ser um desastre — falei. Continuei sendo paparicada até que o cerimonialista nos apressou e disse estar tudo pronto, meu atraso estava dentro do "programado" e o noivo nervoso. Descemos, e o friozinho na barriga me atacou novamente quando Katie, minha mãe e a Vera foram para os seus respectivos lugares, enquanto Helena se afastou para buscar as suas filhas — que seriam as minhas daminhas —, que vieram orgulhosas na minha direção: Alice, a mais velha, arrastava a irmãzinha e ambas seguravam as cestas com as flores. Cecília pediu colo ao me ver, mas Helena conversou com ela baixinho e explicou que primeiro ela tinha que fazer o que foi ensaiado. Ela acenou com a cabeça para a mãe e me deu um sorriso enorme me fazendo sorrir de volta. Se uma pessoinha como ela não estava nervosa por enfrentar todas aquelas pessoas, por que eu deveria? ***

Matheus Nada do que me disseram ou que cheguei a imaginar me preparou para o momento em que a Jéssica entrou no meu campo de visão, eu tinha passado dois malditos e longos dias longe, sem a certeza se ela estaria bem ou não. Katie sorriu quando passou por mim e logo depois Alice e Cecília entraram exibindo sorrisos de alegria aos convidados enquanto espalhavam as flores pelo caminho.


Quando chegaram no final do caminho, as duas correram para o lado dos pais e do irmão e a mudança no ritmo da música me fez levantar o olhar e ver a garota mais incrível desse mundo, Jess era perfeita, mas hoje ela tinha conseguido me deixar sem palavras. Meu coração falhou com o sorriso sapeca e o olhar ansioso que ela me lançou e, de repente, era como se só existisse apenas nós dois entre todos os convidados. Eu parei de prestar atenção aos murmúrios, a música no fundo e qualquer outro som e esqueci a tensão que estava sentindo até poucos segundos atrás. Uma onda de orgulho me invadiu e eu pensei que se em algum lugar do universo realmente existissem anjos eles se pareceriam com ela, eles teriam a beleza e inocência que ela tinha, eles sorririam como ela e amariam como ela. Meu pai tinha razão em dizer o quão sortudo eu era por tê-la na minha vida... Jess se aproximou e estendeu a mão para que eu a segurasse, o que fiz de bom grado, então era isso... Minha baixinha, enfim, se tornaria a minha mulher... Entrelacei nossos dedos, ela tremia e eu a segurei firme fazendo o possível para tranquilizá-la. O juiz de paz fez um pequeno discurso, lembrando a todos sobre a importância do respeito, da sinceridade e do amor em um casamento. Suas palavras eram exatamente o que Jéssica e eu gostaríamos de escutar e compartilhar com os convidados. — Jéssica, é por livre e espontânea vontade que recebe Matheus como seu esposo? — Ela acenou com a cabeça e respondeu enquanto eu fiz o mesmo logo em seguida. Ao ouvir do juiz a confirmação de que agora éramos marido e mulher a puxei lentamente e a beijei. Um ou duas lágrimas caíram e eu as limpei do seu rosto, Jéssica me olhava como se eu fosse o único homem da face da terra, ou pelo menos o único que importava e isso fez com que eu ficasse atordoado, era inexplicável todas as emoções que eu sentia nesse momento. Assim que a cerimônia terminou e os convidados começaram a se dissipar indo em direção à área reservada para a festa, Jess me deixou por alguns instantes para ir atrás do meu pai e lhe deu um abraço, que me deixou emocionado. Os dois vieram até onde eu estava e só de ver a alegria estampada no rosto do Louis, eu sabia que ele estava realizado, fiquei feliz por ele poder fazer parte desse momento da minha vida, acho que nunca me perdoaria se na época em que ele foi hospitalizado eu estivesse em alguma das minhas viagens impensadas que fiz ao longo dos anos. Cumprimentamos alguns convidados e quando chegou o momento da nossa primeira dança eu meio que me surpreendi com a escolha da música, eu sabia o quanto ela significava para nós dois, mas ela sempre esteve ligada a lembranças distintas, a primeira foi de quando ela finalmente disse que me amava e a segunda foi quando ela abandonou tudo e saiu do país. I won't give up on us God knows I'm tough he nows We got a lot to learn God knows we're worthy I won't give up on us [8]

Enquanto a música tocava e eu a conduzia pelo salão improvisado sussurrei em seu ouvido minhas próprias promessas: — Eu serei fiel e a respeitarei, vou cuidar e proteger você até ficarmos velhinhos, meu amor, vou torná-la a mãe dos meus filhos e a mulher mais amada desse mundo. — Seu corpo reagiu em meus braços


e seu olhar cruzou com o meu. — Eu... eu juro que vou fazer de tudo para ser a esposa e mulher que você merece, Math. — Será que ela não percebia que ela já era tudo? — Você já é, Jess. — Fiz com que me olhasse. — E eu não me casei esperando que você mude algum dia, eu me casei por que eu amo a pessoa que você é hoje, não posso prometer um casamento sem brigas ou desentendimentos, mas posso te garantir que nada do que acontecer vai fazer o meu amor morrer. Você entende isso? — Ela acenou com a cabeça. — E a única coisa que espero de você é que tenha paciência e empenho nos dias difíceis e muita paixão nos dias felizes... — E honestidade... — ela concluiu. — Sim, principalmente honestidade. — Jess voltou a apoiar sua cabeça em meu peito enquanto dançávamos e sussurrou: — Hoje é o dia mais feliz da minha vida, Matheus. — O meu também, baixinha, o meu também. Deixei que Jéssica aproveitasse mais um pouco o restante da festa antes de pedir para que se despedisse dos convidados e dos seus pais, fiz planos para a nossa lua de mel e de acordo com o piloto do meu pai, para conseguirmos chegar no horário programado com o aeroporto dos Emirados teríamos que sair daqui até no máximo 21h e faltavam agora menos de uma hora. Jess não fazia a menor ideia de onde passaríamos nossa lua de mel, a única coisa que contei foi que pretendia passar mais ou menos uns 15 dias viajando, eu dividiria nosso tempo em Dubai e nas Ilhas Maldivas. Já tinha um tempo que eu tinha vontade de fazer essa viagem com ela, Dubai era incrível e os Emirados Árabes tinha sido um dos poucos países que ela não teve oportunidade de conhecer no tempo em que passou viajando e eu queria ser o único a apresentar a cidade a ela. ***

Jéssica — Promete que vão cuidar bem do Ozzy? — perguntei ao Louis e a sua governanta, que tinha sido convidada por ele a comparecer ao meu casamento. — Você sabe que sim, menina, Ozzy adora o Sr. Hudson. — Isso era verdade, mas eu não gostava de deixá-lo sozinho por tanto tempo, tinha medo que ele pensasse que eu o estava abandonando de novo. — Eu cuido do Ozzy e você cuida do meu filho, Jéssica, acho que é um pedido justo, não? — Se era, mas Matheus e Ozzy, por mais que se desentendessem, às vezes, eram muito parecidos em questão de personalidade. Ambos eram ciumentos, protetores, carinhosos e me amavam. Me despedi dos dois, depois dos meus pais, da Vera e do meu tio. Eu disse que eles podiam ficar por mais algum tempo no hotel, Matheus tinha cuidado para que suas hospedagens e passagens fossem prolongadas e adiadas se fosse o caso, mas todos recusaram. Meus pais por quererem voltar logo para a casa e meus tios porque sentiam como se estivessem abusando da boa vontade do meu marido.


Infelizmente não consegui encontrar a Katie para que eu pudesse me despedir, e mesmo irritada tive que agradecer ao Leo e a sua ex-mulher, que em momento algum saiu do lado dele. Matheus me pediu que fosse compreensiva e eu tentei, juro que tentei, mas ele tinha sido um filho da puta por aparecer aqui com essa víbora com cara de jararaca e magoar a minha amiga. Nunca pensei que ele pudesse ser tão insensível assim. — Jéxica — Cecília correu na minha direção e eu a peguei no colo enchendo seu rostinho de beijos, ela e a Alice tinham sido de uma fofura tão grande que não dava para resistir. — Para, Jéxica — ela falou e tapou as bochechas para que não fosse mais beijada. Helena e David se aproximaram, junto com o Edu, e Matheus garantiu que, assim que chegássemos de viagem, faríamos um jantar em nosso novo apartamento para comemorar e fazia questão da presença dos dois. — Eu tamém? — Cecília olhou para mim e depois para ele esperando ser incluída na conversa, o que fez com que todos achássemos graça. — Você também, princesa — Matheus respondeu carinhoso e arrancou um sorriso banguela dela. Chegamos ao aeroporto minutos depois, eu tinha tido tempo para trocar meu vestido de noiva por algo mais confortável, optei por um jeans escuro, blazer curto acinturado e sapatilhas. Matheus também estava casual e nada em sua roupa dava alguma pista de onde passaríamos a lua de mel, pelas malas eu sabia que seria um lugar quente e ele me garantiu que passaríamos boa parte do tempo caminhando e conhecendo a cidade e que era para eu levar sapatos confortáveis. Sorte que a sua ideia de diversão se assemelhava à minha, porque eu nunca conseguiria viver como a Helena vivia, sempre em festas formais e elegantes, restaurantes luxuosos e acompanhando seu marido em eventos e jantares a trabalho. Viver com o Matheus era relativamente fácil olhando por esse lado... Uma aeromoça nos acompanhou até o jato do Sr. Louis, a pequena tripulação se apresentou a mando do Matheus e eu fiquei impressionada de como tudo isso era surreal, no corredor eu vi grandes e confortáveis poltronas separadas apenas por uma mesa que se parecia como a de uma reunião, afinal esse jato era usado constantemente para as viagens a trabalho do Louis, uma pequena suíte, cozinha e sala para a tripulação. Era incrível! — Quanto tempo até o nosso destino? — perguntei, pensando em tudo o que poderíamos fazer até lá. — Algo em torno de 15 horas, com uma parada rápida. — Assenti com a cabeça fazendo as contas dos lugares que poderíamos ir e que fosse levar mais ou menos esse tempo. — Sem trapaças, Jess. — Ele percebeu que eu estava tentando descobrir para onde iríamos e me envolveu em seus braços. Animada, tomei a iniciativa e o beijei. Tremi um pouquinho com a força com que ele retribuiu e encaixou seu corpo no meu. Sua perna estava no meio das minhas, uma mão envolveu meu seio por cima da regata de seda que usava e a outra apertava meu bumbum com força. — Desculpe, Sr. Milles... — fomos interrompidos pela aeromoça que, pelo tom de voz, não parecia nem um pouco envergonhada, Matheus me cobriu com os braços e impediu que eu me virasse. Ela perguntou se gostaríamos de uma bebida ou algo para comer, mas ele logo a dispensou e disse que se precisássemos de algo, ele avisaria. Ou seja, sem mais interrupções...


— Podemos continuar? — perguntei excitada e me desfiz do blazer... Meus seios estavam pressionando o leve tecido da blusa e os olhos do Math se perderam por eles por alguns instantes. — Eu nunca transei em um avião — ele falou e se aproximou com um olhar que prometia sexo suado e intenso. — Eu... eu também não — falei sem conseguir raciocinar direito. Ele me deu um sorriso de canto e me avaliou com o olhar, estranhei o fato de não ter sido atacada novamente e em vez de fazer o que eu esperava, Math se afastou até que pudesse me observar. — Fique nua para mim, Jéssica... — Eu fiz o que ele pediu ciente do seu olhar me devorando aos poucos. — Venha aqui! — Ah eu gostava desse jogo, eu já estava com as pernas bambas com o tom autoritário em sua voz. — Parei em frente a ele e fui colocada em cima da mesa abruptamente, minhas pernas foram abertas, exibindo a pequena calcinha vermelha que eu ainda usava. Matheus fez o mesmo e tirou seu jeans e camisa polo ficando apenas com a boxer preta. Sua ereção estava gigante, dura e ele sabia o efeito que tinha em mim quando se exibia assim. Reprimi um gemido alto quando ele começou a beijar meu tornozelo, coxas, virilha, barriga... seios e nuca. Ele fez esse caminho pelo menos duas vezes e quando parou entre as minhas duas pernas eu sabia que seria chupada. Matheus afastou o tecido fino da calcinha e deu um lambida, sugou meu clitóris e voltou a lamber, a intensidade foi aumentando aos poucos e chegou um momento em que eu já era capaz de sentir até mesmo os seus dentes roçando a delicada pele, o safado não estava só me chupando, ele estava literalmente me comendo com a boca. — Isso não vale — murmurei já sentindo o clímax se aproximando. — Eu não quero gozar assim, Math, não me deixe gozar assim... Por favor! — pedia desesperada, desde que a Katie achou que seria uma boa ideia não ter sexo alguns dias antes do casamento, eu estava ansiosa por esse momento. — Pare de gritar, Jéssica. — Ele se levantou e puxou meu quadril com força em direção à sua virilha. Dessa vez foi impossível reprimir um gemido e Maheus tapou minha boca com sua mão e encaixou seu corpo no meu me fazendo arquear em sua direção. Minhas pernas estavam presas, meu corpo tomado e eu não podia gritar e gemer nem metade do prazer que eu estava sentindo. — A menos que você queira que a tripulação saiba que eu estou te fodendo aqui, eu acho melhor você se controlar. Mordi meus lábios para não implorar e nem perder o controle, meu corpo já não aguentava as investidas e toda vez que eu estava prestes a gozar ele parava, não sei como ele estava conseguindo manter a razão porque o seu pau latejava dentro de mim buscando alívio. Seus dentes marcaram meu pescoço e eu fui levantada, Math seguiu até o quarto sem afastar nossos corpos, parecia que a cada passo ele ia mais fundo e eu comecei a tremer encolhida em seus braços. Gozei um pouco antes de ser jogada na cama e o senti mexer novamente... Pelo visto essa seria uma longa viagem... Ficamos por um tempo na cama esperando que nossa respiração voltasse ao normal, o cansaço era grande e tudo o que eu conseguia sentir era o toque da sua mão em meu cabelo despenteado. — Math... — Hum... — Nós vamos para Dubai, não é?


CAPÍTULO 39

Leonardo Desde o momento em que Serena apareceu na porta da minha casa há alguns dias eu não sabia o que era ter paz, fui ingênuo ao pensar que depois daquela noite em que a levei para a cama eu não precisaria voltar a ver a desgraçada tão cedo, mas descobri que ela era definitivamente o meu carma... — Ele cancelou meus cartões, Leo, pegou todas as minhas joias, eu... Eu não tenho dinheiro e nem lugar para ficar — ela falou engolindo o orgulho, Serena não era uma mulher burra e eu duvidava que ela não tivesse nenhuma reserva de dinheiro escondida em alguma conta. — Acho isso impossível — falei a mantendo do lado de fora, eu não costumava ser um filho da puta assim normalmente, mas Serena tinha o poder de despertar o pior em mim. — Ligue para ele, se não acredita. Otávio nos mandou à merda, Leonardo, e não deixou que eu pegasse nada do que era meu. Quando cheguei em casa, ele me jogou para fora com apenas duas malas. — Isso não era problema meu, ela era quem deveria ter pensado nas consequências que teria ao dormir comigo. Serena dependia financeiramente dele, assim como dependeu de mim e mesmo tendo se formado em marketing nunca precisou trabalhar, para ser mais correto eu acho que ela nunca se viu como uma assalariada. Deve ter percebido cedo que se usasse sua beleza e inteligência a seu favor conseguiria um marido ou alguém que lhe sustentasse sem muito esforço. Naquele dia eu pedi que ela fosse embora, peguei algumas notas dentro da carteira, algo que desse para ela dormir uma ou duas noites em algum hotel decente e se alimentasse pelo mesmo tempo. Sabia que eu estava passando dos limites com meu comportamento, mas comparado ao que ela fez comigo eu ainda achava pouco esse sofrimento fingido dela, cheguei até a chamar um táxi só que Serena começou a implorar e chorar... — Eu posso estar carregando um filho seu, Leonardo, você não tem sentimentos? — Porra, sentimento era o que eu mais tinha quando se tratava dela, mas foi ela quem estragou tudo agindo como uma qualquer. Engoli em seco ao pensar na possibilidade de que algo assim poderia ter acontecido, eu não desejava ter filhos, muito menos com uma mulher tão miserável quanto Serena. — Por favor, Leo, eu preciso de você... Nesse momento eu apostava que sim, eu era o único que poderia arcar com seus custos e se o que ela dizia fosse verdade o melhor seria mantê-la bem perto até descobrir o que fazer com uma possível gravidez e uma coisa era certa, se ficasse comprovado que o filho era meu eu não a deixaria cuidar dele, ela não tinha moral alguma para isso, eu tornaria sua vida um inferno porque, além de perder a criança, ela ficaria na miséria.


Voltei ao presente e senti meu braço ser apertado com força, Serena vinha se sentindo mal e esse tinha sido o único motivo para que eu a trouxesse ao casamento do Matheus, fui estúpido e não cheguei a pensar no que a presença dela faria com a Katie, foi só quando o olhar dela confrontou com o meu que eu vi que isso seria demais para que ela aguentasse. Katie agiu friamente e ter o seu desprezo era algo do qual eu não estava acostumado, ela sempre irradiou calor, era divertida, uma mulher independente e forte, que apesar de rica nunca fez o tipo mimada ou fútil. Eu definitivamente a admirava e respeitava, mas nada disso mudava o incontestável. Depois que levei minha ex-mulher para cama, eu desisti de tentar manter a minha relação com ela, terminei tudo com Katie antes que a magoasse e sem ao menos conseguir lhe dar uma boa explicação. Abalado com o que tinha acontecido fiquei fora da cidade por alguns dias e quando voltei ela já tinha ido para Milão passar as suas férias. — Coitada... — Serena sussurrou desdenhosa ao meu lado. — Coitada por que, Serena? Ela tem uma família que a ama, não precisa de um homem para sustentá-la, não é amargurada e muito menos mesquinha... — Tenho certeza de que ela me odiou nesse momento. — Se não fosse pela possibilidade de você estar esperando um filho meu, eu juro que teria te deixado na rua aquela noite — murmurei e seu corpo endureceu, pelo menos isso a manteria calada por algum tempo. A cerimônia permaneceu tranquila, Katie não voltou a me olhar e não me dirigiu a palavra em nenhum momento, tentei manter a fachada e me foquei no meu papel de padrinho. Eu estava feliz pelo meu amigo e, apesar da certeza de que a sua vida seria um tanto quanto agitada ao lado da Jéssica, eu realmente achava que eles tinham sido feitos um para o outro. Algum tempo depois, com todos já no salão de festa ao ar livre, vi Katie se afastar em direção ao hotel e deixei Serena sentada insatisfeita em nossa mesa. Apressei o passo e a encontrei entrando no toalete, esperei por alguns minutos até que saísse, coisa que demorou a acontecer e no momento em que duas senhoras passaram por mim eu aproveitei para entrar. Katie estava de frente para o espelho, com seus olhos vermelhos a encarando de volta como se estivesse tomando coragem. Ela percebeu minha presença, mas não se mexeu. — Como você pôde? — perguntou. Seu rosto duro e sua voz fria não me impediu de me aproximar, colei meu corpo ao dela como fiz tantas vezes e a senti se encolher enquanto nos olhávamos através do espelho. — Eu sinto muito. — Eu duvido que você sinta qualquer coisa, Leo... — Ela se virou e me empurrou. — Perdi a conta de quantas vezes eu te escutei a ofendendo e você tem o disparate de trazê-la no casamento da minha melhor amiga? Em algum momento, você pensou em como isso acabaria comigo? — Nunca quis te fazer sofrer, mas eu não te prometi nada, Katie. Isso que nós tínhamos nunca foi amor e você sabe disso. — Minhas palavras a atingiram e eu sabia que a tinha machucado, mas era a verdade. Mulheres sempre queriam sinceridade, sendo que quase nunca conseguiam aceitar quando a tinham. — Não posso acreditar que isso está acontecendo, se eu soubesse que essa separação entre vocês era algo de momento eu nunca teria perdido meu tempo... — Merda! — Eu fui uma idiota por pensar que


você não queria amar de uma maneira geral, que não queria ser envolvido em nada assim novamente, mas a questão toda é que você não podia sentir isso por ninguém porque você ainda a ama, não é? — Você nunca entenderia... Eu teria dado a minha vida por aquela mulher lá fora. — Eu não quero escutar, cala a boca, por favor — ela pediu dolorosamente. — Eu não consigo entender como alguém pode insistir em uma relação que não deu certo no passado, ela já não te quebrou o suficiente, Leo? — Quebrou, mas agora era a minha vez de dar o troco. — Nada disso importa... — Você acha que ela mudou? — Balancei a cabeça negativamente. — Do fundo do seu coração, você seria capaz de se deitar e acordar com uma mulher que não confia? — Esse não era um assunto que eu queria discutir com ela, minhas decisões, meus problemas. Percebendo que eu ficaria calado, Katie passou por mim e foi em direção à saída. — Ainda não — falei sem pensar, Katie se virou me olhando interrogativamente e eu me aproximei. Ela ficou surpresa, mas não impediu que eu a tocasse e a beijasse. Eu não sabia porque estava fazendo isso, merda, só senti que precisava. Acariciei seu rosto enquanto sentia a maciez dela, sua boca tinha gosto de vinho, doce e intenso, pressionei meu corpo suavemente contra o seu, não querendo assustá-la porque sabia que no momento em que se lembrasse da nossa conversa, da Serena e todo o resto, ela fugiria. Perdemos a noção do tempo, nossos beijos foram ficando mais profundos, seu corpo reagindo às minhas carícias, mas parei tudo ao perceber onde isso nos levaria. — Isso foi um erro — falei, ela não retrucou e me olhou como se não me reconhecesse mais. — Não vai voltar a acontecer e eu sinto de verdade. — Sim, eu imaginei. — Seu olhar foi indecifrável e ela simplesmente se virou e saiu. Esperei que minha ereção desaparecesse e voltei à festa, Serena permanecia sentada no mesmo lugar em que eu a tinha deixado e se eu não me engano com mais uma taça cheia de champanhe, não que eu já não tivesse tentado impedi-la de colocar álcool em seu organismo até sabermos se ela poderia estar ou não grávida, mas ela não ia perder a oportunidade de me irritar e havia bebido pelo menos umas quatro taças da bebida. — Quer dançar? Quem sabe comer alguma coisa para que as pessoas não pensem que você vive de álcool? — perguntei irritado. — Foi atrás da sua namoradinha, não é? — disse definitivamente alterada. — Isso não é da sua conta. — Pode não ser agora, mas quando o seu filho nascer pode apostar que será. — Ela se levantou e falou para que grande parte dos convidados ao nosso redor escutassem, inclusive a Katie. Puta que pariu! Minha vontade era de esganar essa mulher, olhei furioso e a fiz se sentar novamente tirando a taça da sua mão sem deixar de prestar atenção no quanto a Katie parecia devastada com o que tinha acabado de escutar. Ignorei o fato que ela nos encarava chocada e, principalmente, quando se virou e sumiu entre os convidados. “Talvez fosse melhor assim”, pensei. “Eu tinha um grande carinho pela Katie, mas nunca seria


amor...�.


CAPÍTULO 40

Josh A bebida forte desceu queimando pela minha garganta enquanto encarava o estrago que a Camille estava fazendo com o seu mais novo brinquedinho, a garota já não sabia mais como implorar para que ela a deixasse gozar. Por um momento o olhar dela cruzou com o meu, quase como uma súplica para que eu fizesse Cam parar de torturá-la. A ignorei completamente, meu prazer sempre esteve mais ligado em assistir Camille se deliciando com elas do que em lhes dar algum prazer, claro que eu o fazia, mas em dias como o de hoje observar era quase o suficiente. Eu estava fascinado pela sintonia das duas, era como se as mãos de Cam conhecessem todos os caminhos e mistérios do corpo da sua amante, não pude deixar de admirar as tatuagens vívidas da garota, a boca exageradamente carnuda e o corpo voluptuoso. Ela era, sem dúvida alguma, o tipo de mulher que faria Camille perder a cabeça. Incomodado com o calor repentino, arranquei minha gravata e desabotoei a camisa que ainda vestia, não pretendia participar de nada por ora, tinha outras coisas na cabeça bem mais importantes e Camille sabia disso. — Ohhh, por favor, Camille... — a vadiazinha gemeu e eu ri, Cam estava furiosa comigo e eu duvidava muito que ela faria o papel de amante generosa essa noite. Virei mais uma dose para que pegasse fogo e me fizesse esquecer tudo... Apoiei meu cotovelo em minhas pernas e me inclinei para frente, de onde eu estava sentado eu podia ver sua língua a provocando, a ferocidade com que ela a chupava era apenas mais um sinal da sua raiva. A garota arqueou o ventre em direção à sua boca pedindo por mais, se é que era possível. Meu corpo contraiu em resposta à visão das duas e eu me levantei rodeando a cama. Um grito estridente saiu de sua boca e eu vi que Cam a tinha sugado com força de propósito. Percebendo que quase a tinha machucado, Camille me surpreendeu ao olhar carinhosamente para a garota como se pedisse desculpas e logo depois me encarou irritada. Foda-se ela e seus jogos mentais, Camille tinha mais do que o suficiente de mim, nós tínhamos um acordo, tudo o que me pertencia era dela, dinheiro, tempo e, principalmente, o meu desejo, mas eu não a deixaria controlar meus pensamentos. Nossa relação podia ser estranha aos olhos de muitas pessoas, não éramos um casal terrivelmente apaixonado, mas iríamos longe. Ela se tornaria a minha esposa muito em breve e quando o pai dela sucumbisse à doença que o abatia, eu não pouparia esforços para dar a ela tudo que desejasse e eu... bem, eu me contentaria com as ações do velho arrogante que me dariam direito a mais da metade da editora que controlava a minha revista. — Camille... — a garota lhe chamou e nós dois a olhamos. Cam montou em seu quadril e a beijou de forma apaixonada; me aproximei, envolvi seu cabelo em minhas mãos e a puxei para que me beijasse


também. Mantive meus olhos abertos enquanto ela se entregava como se nossa discussão há algumas horas não tivesse acontecido, como se ela não soubesse o quanto eu estava afetado por saber que Jéssica estaria se casando hoje. No começo eu assumi que todo esse meu interesse era apenas porque não podia tê-la, Matheus a protegia como se ela fosse o seu mundo e seria um completo desperdício acabar com toda aquela ingenuidade, uma garota que não enxergava malícia nas atitudes das pessoas ao seu redor nunca pertenceria à minha cama. Fiquei transtornado quando ela pediu demissão, em parte porque Jéssica tinha um maldito talento, era boa no que fazia e eu tinha grandes planos para o seu futuro, mas o que mais me deixou furioso foi perceber que ela amava o Matheus o suficiente para abrir mão do seu sonho. Que mulher faz isso nos dias de hoje? Se ela tivesse continuado a trabalhar para mim, dinheiro teria sido a última coisa com que ela precisaria se preocupar porque eu tinha tudo para torná-la a melhor. E mesmo que eu tentasse me convencer de que esses eram os únicos motivos para o meu mau humor dos últimos dias, uma irritação insistente me dizia que eu estava errado, que era mais... que podia chegar a ser mais. Se eu tivesse disposto a torná-la mais do que uma amante, as coisas poderiam ter acontecido de forma diferente, porque, admitindo ou não, ela tinha sido a única mulher até hoje que eu sabia que não conseguiria dividir e isso era o que mais atormentava Camille. Cam se afastou e me encarou sabendo exatamente onde minha cabeça estava, irritada ela se levantou da cama e saiu pela porta do nosso quarto de forma dramática, a menina deitada me olhou assustada e, antes de mandá-la embora, dei uma boa olhada em seu corpo. Ela tinha seios grandes que pareciam ser reais, quadris largos e um bumbum redondo o suficiente para me satisfazer... — Pegue suas coisas e vá embora — falei depois de deixá-la sem graça. — Mas eu... — Camille te prometeu algum dinheiro? — perguntei, não fazia ideia de quem era essa garota, as duas tinham simplesmente aparecido no meu apartamento e vindo direto para o meu quarto. — Eu não sou uma prostituta! — disse indignada, poderia até não ser, mas era uma vadia, sem dúvida. — Então, se levante e saia, agradeceria se fosse rápido. — Saí do quarto e fui atrás do furacão Camille. — Nunca mais, Josh, nunca mais me beije pensando em qualquer outra mulher, ou eu juro que você vai se arrepender — ela me ameaçou, irritado a peguei pelo braço e a encarei. — Foder essas garotas que você enfia dentro da minha casa eu posso, mas pensar em outra mulher não? — É diferente! — gritou. — Você nem ao menos sabe o nome da maioria delas... Você apenas... — Camille parou de falar assim que seu brinquedinho entrou na sala, a garota foi até ela e Cam me olhou ainda mais furiosa. — Eu não pedi para você ir embora. — Ele pediu... — Garota idiota! — E achei que você não me quisesse mais, então...


— Volte para o quarto — disse carinhosamente mudando o tom de voz, fiquei incomodado com a cumplicidade que as duas compartilhavam e me dei conta de que essa não era a primeira vez que as duas ficavam juntas. Ah Cam... de novo não! — Mentindo para mim novamente? — Percebendo do que eu falava, ela ficou ainda mais branca, se é que isso era possível. — Quando você vai aprender que não pode amá-las, Camille? Que se tomar decisões pelas minhas costas, as coisas darão errado? — Você prestou atenção no que acabou de me dizer, Josh? Porque eu não sou a única que ultrapassou os limites — disse irônica. — Mas eu não fodi com ninguém pelas suas costas. — Porque a sonsa por quem você se apaixonou te despreza, só por isso! — gritou, e eu jurei que se eu não fosse um homem controlado poderia tê-la machucado naquele momento, mas decidi ir pelo caminho mais racional. — Mudei de ideia, Cam — falei com a voz suave e a soltei pensando em como seria interessante lhe ensinar uma lição. — Vai ser um prazer me divertir com o seu brinquedo essa noite...


CAPÍTULO 41

Jéssica Eu não conseguia parar de olhar para o Matheus enquanto ele passava a esponja delicadamente pelo meu corpo sem deixar de devorar meus seios, depois de um dia inteiro em Abu Dhabi visitando a Mesquita de Sheikh Zayed, nós dois tínhamos chegado exaustos e para relaxar um pouco acabei pedindo para que entrasse no banho comigo. — Eu... eu gosto da forma como você me olha, Math — falei com a respiração abafada, a esponja macia acariciava meu seio esquerdo deixando um rastro de espuma por ele fazendo a pele se arrepiar. — Como eu te olho, minha safada? — A esponja acariciou o outro e contraí meu corpo involuntariamente. — Me diz. — Você me olha como se nunca tivesse me visto nua, como se não pudesse esperar para... me foder — falei com a voz tremida, porque eu estava com as pernas completamente bambas. O rosto dele subiu e seu olhar encontrou o meu, ele tinha um brilho sacana nos olhos que só me deixou ainda mais excitada... Seu corpo empurrou o meu contra o boxe e ele sorriu como se estivesse pensando em coisas muito sacanas para fazer comigo. — Amor — ele murmurou e me deu um beijo quente e rápido. — Eu sempre quero te foder, essa é uma vontade que nunca passa, eu poderia gozar agora mesmo nessa sua bocetinha e estaria querendo fazer tudo de novo no minuto seguinte. — Ele me deu outro beijo, só que esse era um pouco mais intenso e profundo. — Eu sou um homem perdido quando se trata de você. — Vai ser sempre assim? — perguntei, eu acho que nunca sentiria todo esse desejo novamente e muito menos essa vontade de pertencer a alguém como eu sentia com o Matheus, eu estava um pouco, ou muito abalada com a conversa que tive mais cedo com a Katie, e isso me deixou insegura. — Nós faremos com que seja. — Arqueei contra ele e a esponja macia desceu estrategicamente para o meio das minhas pernas, o toque foi tão suave e diferente que afastei uma coxa da outra para facilitar a carícia. Gemi baixinho conforme os arrepios aumentavam, e mesmo que a sensação da esponja em minha parte mais íntima fosse gostosa eu queria o toque dos seus dedos em mim, queria senti-los dentro do meu corpo. Apoiei minha cabeça no boxe e mordi meu lábio, Math subiu uma das minhas pernas para encaixar a cabeça do seu membro, mas não me penetrou. Ele voltou a me beijar, mordiscando os cantinhos da minha boca, puxando-os entre os dentes. — Você é o meu primeiro pensamento ao acordar e o último ao dormir, não sei se algum dia vai conseguir entender o quão forte é o meu amor por você, Jéssica, então não brigue comigo ou se chateie quando eu tentar te proteger do mundo, porque essa é a única forma que eu sei amar... — Eu não tinha


nada contra ser mimada e cuidada, o que me incomodava era quando ele decidia ser superprotetor e me impedia de tomar as minhas próprias decisões, isso sim me irritava. — Só não quero me sentir sufocada, tem coisas que eu só vou aprender se você me deixar quebrar a cara, Math... — murmurei contra a pele do seu pescoço, enquanto ele mordiscava o meu ombro. Matheus me pegou no colo e o senti entrar só mais um pouquinho, se eu fizesse qualquer movimento ele se perderia dentro de mim rapidamente. — Eu nunca vou te sufocar. — Eu sei que não. — O apertei em volta da sua nuca e impulsionei para que pudesse me mexer e deslizar em sua ereção o fazendo ranger os dentes. Naquele momento eu vi que não teria conversa, mais nada precisava ser dito e tudo que queríamos era um ao outro. Ele poderia dizer um milhão de vezes o quanto me amava, e eu adoraria todas elas, mas a melhor forma de demonstrar a verdade era quando estávamos assim, grudados como se fôssemos apenas um. — Eu te amo tanto, Math... — gemi emocionada e me contraí reagindo às estocadas lentas e gostosas que recebia... ***

Matheus — Descanse um pouco, baixinha... — disse mais tarde. Depois que fizemos amor, eu abri uma garrafa de vinho e fomos para a sacada do nosso quarto, nos aconchegamos no imenso pufe e observamos as luzes e o movimento da cidade. Dubai era, sem dúvida, uma cidade noturna, a maioria dos bares ficavam localizados nos terraços e coberturas dos hotéis. Eu sabia que Jéssica iria adorar cada canto desse lugar e desde o dia que chegamos ela não sossegou um só minuto até conhecer todos os pontos turísticos, fomos, pelo menos, uma das vezes até Abu Dhabi visitar a Mesquita Sheikh Zayed, participamos de uma pequena excursão no deserto e fizemos rally pelas dunas de areias, frequentamos diversos restaurantes e me dei conta de que a curiosidade dela se estendia principalmente a culinária, ela adorava experimentar qualquer tipo de comida típica sempre que viajávamos e não fazia cara feia para nada. Nosso voo para as Ilhas Maldivas estava marcado para amanhã bem cedo e depois de hoje eu cheguei a pensar que ela fosse desistir da segunda parte da nossa lua de mel por causa da ligação da amiga. Jéssica ficou bem chateada com o telefonema e, pelo que entendi, Katie só estava nos esperando voltar para viajar novamente para Milão. O problema dessa vez era que ela iria para ficar. Cheguei a perguntar a Jéssica o que ela queria fazer, se estava bem em continuar e ela me garantiu que sim, as duas até podiam não entender isso agora, mas Katie não poderia ter tomado decisão melhor nesse momento. Leonardo estava cego, agindo irracionalmente e eu estava cansado de tentar lhe fazer enxergar a verdade, as motivações dele eram guiadas pela raiva que sentia da ex-mulher e, quando tudo começasse a ruir, porque isso aconteceria, Jéssica não iria querer ver sua amiga envolvida nessa confusão. — Não quero ir embora. — ela falou com a voz cheia de sono. — Por que não deixamos tudo para


trás e nos mudamos para cá? — Se eu fosse pela sua cabeça, nós já teríamos nos mudado um milhão de vezes, Jéssica, todo lugar para o qual viajamos você diz que quer ficar — falei divertido e ela se aconchegou mais perto. — Não tenho culpa por me apaixonar por todos esses lugares. — O que ela realmente fazia e eu meio que entendi todos aqueles seus sonhos. — Eu amo tudo isso, Math, as luzes das cidades, a noite, o desconhecido... As pessoas tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes da gente... São nesses momentos que eu percebo o quanto somos pequenos diante de todo o resto, sabe? O mundo não gira em torno de Nova Iorque... — Ele gira em torno do quê, então? — perguntei admirado pela forma como ela se sentia. — Como eu vou saber? — Riu de uma forma fofa. — Sou uma fotógrafa, Matheus, não uma filósofa. — Acho que a amei um pouco mais nesse instante... — Você é incrível, garota. — A puxei para os meus braços carinhosamente e a beijei relembrando a primeira vez que eu tinha sentido o seu gosto. — E eu também não sei em torno do quê o mundo gira, meu amor, mas só sei que o meu mundo... gira em torno de você...


CAPÍTULO 42

Jéssica Dois anos depois... Quatro minutos e 20 segundos... foi o tempo que o médico levou para sair da sala, pegar meu exame, voltar e me contar que eu estava grávida. Quatro minutos que mudariam a minha vida para sempre. — Seu peso está normal e não há nenhum histórico de problema de saúde na família, não vejo motivos para nos preocuparmos nesse primeiro momento. — Um bebê... Meu Deus, eu teria um filho do Matheus. — Algumas mulheres encaram a gravidez como uma doença e se privam de ter uma vida normal o que é totalmente desnecessário... — Acenei concordando com o que é que ele estivesse dizendo e acariciei minha barriga ainda plana por cima da camiseta que vestia como se assim pudesse sentir a pessoinha dentro de mim, tive uma vontade absurda de chorar naquele momento e uma felicidade muito, muito maior. Até alguns dias atrás a ideia de me tornar mãe nem passava pela minha cabeça, Matheus e eu ainda não tínhamos feito planos para um bebê até porque nosso ritmo de vida era bem agitado. Quando não estávamos trabalhando ou viajando, nos dividíamos entre nossos amigos, o pai dele, o Ozzy, a minha família e, claro, todo o sexo do mundo que conseguíssemos fazer. — Na próxima consulta já será possível escutar os batimentos cardíacos e se o bebê ajudar descobriremos até mesmo o seu sexo. — Limpei o cantinho do meu olho disfarçadamente enquanto o doutor me olhava compreensivo. — Você tem tudo para ter uma gravidez tranquila, Jéssica, poucos enjoos e nada de tontura em três meses, daqui para frente é que a mágica acontece. Saí do consultório desejando que Matheus estivesse em casa essa noite, ele estava fora da cidade desde o começo da semana e só voltaria amanhã à tarde. Eu morreria de ansiedade até lá porque ele era a única pessoa para quem eu queria correr e contar a novidade. E foi naquele instante, sentada no meu carro, que eu percebi que estive enganada por todo esse tempo... Eu pensei que ser amada pelo Matheus fosse a melhor coisa que ele poderia fazer por mim, mas descobrir que por sua causa eu tinha um bebezinho crescendo aqui dentro era uma das sensações mais indescritíveis de toda a minha vida. Antes de dar a partida no carro, peguei meu telefone e liguei para ele. Não pretendia dar uma notícia como essa dessa forma, mas precisava escutar a sua voz até que conseguir me acalmar. — Baixinha... — falou com uma voz gostosa de sono. — Está ocupado? — Acordei agora. — Dez horas da manhã e ele ainda estava dormindo?


— Seu preguiçoso, eu estou acordada desde as oito... — Em parte porque eu tinha algumas coisas para resolver no estúdio antes que ele voltasse, e também porque o Leo tinha me pedido para ficar com o Liam essa tarde no final do expediente. — Trabalhei até tarde ontem, amor, eu sabia que deveria ter enviado o Alex no meu lugar, não tenho mais paciência para essas viagens em cima da hora. — Alex era um dos fotógrafos contratados depois da expansão e era um especialista em editoriais assim como o Matheus. — Eu poderia ter ido, Math. — Porque esse era o combinado, mas ele me viu passando mal e achou que eu estava tendo uma das minhas crises de gastrite nervosa e foi no meu lugar. — Melhorou? — Hum-hum, nada com que você precise se preocupar. — “Não muito, pelo menos por ora, mas eu apenas acabo de descobrir que estamos esperando um filho e que você, provavelmente, não vai querer me deixar fazer nada pelos próximos seis meses”, pensei. Terminei a ligação e voltei para o estúdio, tentei não me deixar levar pela emoção da novidade e trabalhei o restante da tarde, só parei quando Leo entrou na sala com um Liam todo sujo de bala e sorvete no colo. — Meu Deus, Leo, que furacão passou por cima desse garoto? — falei divertida e fui buscar um lenço úmido para limpar as bochechas gordinhas dele. Eu sempre aproveitava as viagens do Matheus para poder mimar o pequeno e não me importava de tomar conta dele quando eu tinha tempo e o Leo precisava. — Quando você tiver o seu filho vai entender que é impossível dizer não a eles — Leo falou rendido e me passou o seu filho. Sentei-me no sofá do escritório e coloquei Liam no meu colo correndo o risco de acabar sujinha como ele. — Seu garotinho sapeca. — Fiz cosquinhas em sua barriga e ele começou a rir me deixando desesperada ao abrir as mãozinhas cobertas pelo doce. — Tem falado com a Katie? — Olhei para o Leo e fiquei séria, desde que Katie voltou de Milão há mais ou menos uns quatro meses, os dois viviam nesse clima tenso um com o outro. Minha amiga era dura na queda e não admitia, mas ela era completamente apaixonada pelo Liam, ele era o único que conseguia arrancar um sorriso bobo dela e eu nunca vi nenhum ressentimento da sua parte por ele ser filho da Serena, muito pelo contrário. Quanto ao Leo... Bem, com ele as coisas eram mais complicadas. — Estive com ela ontem à noite — falei e segurei a mãozinha gorda que foi direto para o meu cabelo. — Dê um tempo a ela, Leo, você não acha que a está pressionando demais, não? — Katie não era má com o Leo, as vezes eu achava que ela era até muito educada com ele, minha amiga simplesmente agia como se nada tivesse acontecido. Ela era neutra, sorria e conversava, mas qualquer um podia ver que era tudo fingimento, Katie não me deixava falar a respeito do passado e lá no fundo, mesmo sabendo que ela chegou a se envolver com outros homens, eu sabia que ela ainda sentia algo pelo Leo. — É complicado, Jéssica. — Eu concordava totalmente e mesmo explicando a Katie os motivos que levaram Leo a ficar com Serena por quase um ano, eu não sabia se algum dia ela o perdoaria. Logo depois que Liam nasceu e ficou comprovado a paternidade, ele meio que conseguiu convencer Serena a abrir mão da guarda do filho em troca de dinheiro, nunca entendi como ela foi capaz de aceitar algo assim, mas, pelo menos hoje, Liam tinha apenas pessoas que o amavam ao seu redor.


— Eu sei que é. — Terminei de limpá-lo e me levantei com ele ainda em meus braços. Em questão de minutos eu estava em casa, preparando algo para ele comer e esperando Katie chegar para passar a noite com a gente. Eu teria que ser muito forte para não contar a novidade a ela... Meu telefone tocou no momento em que terminava o jantar e atendi depois de ver que era uma ligação do Louis. Primeiro eu não entendi o que a governanta dele falava, e depois quando consegui entender o motivo do seu desespero quem perdeu o controle fui eu. Me levantei nervosa sob o olhar assustado do Liam e fui atrás da minha chave e bolsa. Louis tinha sido internado há poucos minutos por causa de um início de um mini-AVC e agora precisava ficar em observação. Desliguei o telefone enquanto pegava o Liam, liguei para a Katie e pedi que ela me encontrasse no hospital e o levasse para a sua casa, pelo menos até o tempo da reunião do Leo terminar e ele poder ir buscar o filho. Apressei o passo quando cheguei na sala de espera do hospital onde a governanta do Louis me esperava e senti uma pontada de enjoo me incomodando. — Meu Deus, Jéssica, eu não quis fazer com que você passasse mal também — ela falou e pegou Liam do meu colo que nesse momento me olhou como se eu o estivesse abandonando nos braços de uma estranha. Matheus e Leo diziam que eu o estragava com meus mimos, mas eu não suportava a ideia de que ele cresceria sem uma mãe, no final os dois me deixaram em paz e eu fiquei livre para fazer de tudo pelo pequeno. — Como ele está? — perguntei aflita. — Ninguém quis me informar nada, eu só sei que ele chegou aqui desorientado e com uma dor forte na cabeça, Jéssica, seu peito também doía e... — Fiquei ainda mais preocupada ao escutá-la, um plantonista se aproximou e perguntou se alguém da família havia chegado e eu me apresentei. Eu estava morrendo de medo de que algo acontecesse antes que Matheus pudesse estar aqui e não sei se suportaria receber uma notícia ruim hoje. — O Sr. Hudson ainda está confuso, ele foi medicado e agora está em observação. — Respirei fundo porque, apesar da calma a expressão do médico não era nem um pouco tranquila. — Porém, nós estamos acostumados a quadro clínicos como o dele, seu histórico de saúde pede um pouco mais de atenção e ele vem chamando muito pelo filho... — Doeu ao ouvir isso, eu não sabia onde Matheus estava, ele ainda não tinha respondido a minha mensagem e eu não queria encher seu telefone com minhas preocupações. — O filho dele está fora da cidade — falei angustiada. — Mas... eu posso ficar com ele por enquanto? — O médico me avaliou. — O Louis é como se fosse um pai para mim. — E era assim que eu sentia, Louis era um dos homens mais admiráveis que eu já tive o prazer de conhecer, ele permaneceu fiel à lembrança da sua esposa até o final. Acolheu e protegeu a Helena quando ela mais precisou, amava os seus filhos como se fossem da sua família. Fora tudo o que ele fazia para me ver feliz... Isso não podia estar acontecendo. — Não posso abrir exceções, mas, acima de médico, eu sou humano e não me perdoaria se algo acontecesse e eu a impedisse de se despedir dele. — O olhei chocada não querendo acreditar em suas palavras. — Ele está tão mal assim? — perguntei com a voz baixa. — Só saberemos o dano com o resultado dos exames — respondeu imparcial, segui atrás dele até o quarto onde o Louis descansava. Eu não sabia o que esperar e senti meu estômago retorcer ao ver seu


olhar assustado, olhei para o médico que se aproximou e conferiu sua medicação. Louis deu um breve sorriso na medida que conseguiu e eu peguei em sua mão. — Eu estou aqui... — Ele assentiu e eu tentei não deixar transparecer meu medo e muito menos podia chorar na sua frente. — Matheus não vai demorar Louis. Logo, logo ele vai estar aqui e eu não vou sair do seu lado até você ficar bom. Ele não respondeu, apenas apertou um pouco mais a minha mão. Não era justo que alguma coisa acontecesse com ele logo nesse momento, só eu sei quantas vezes o escutei me pedir para lhe dar um neto e agora que eu podia realizar o seu sonho, ele corria o risco de... Não, eu me recusei a pensar no pior, pensamentos negativos atraíam coisas ruins. Decidida a fazer algo por ele, coloquei sua mão em minha barriga e sorri. — Nós vamos ter um bebê, Louis. — Mesmo debilitado ele pareceu surpreso. — Eu descobri hoje, sabe? Nunca pensei que pudesse sentir algo assim, não tem nem um dia e eu já sinto que seria capaz de dar a minha vida por essa pessoinha aqui dentro — falei emocionada. — Menina, eu... — ele tentou falar com a voz fraca e isso me quebrou. — Fique bem logo, Louis, por favor... Você não pode fazer isso com a gente, o Matheus te ama tanto, ele... — Fiquei assustada quando ele fechou os olhos cansado, e me senti completamente incapaz quando algumas lágrimas desceram pelo seu rosto. — Um homem como ele não deveria sofrer e nada do que eu pudesse fazer tiraria sua dor. — Acho melhor deixarmos ele descansar — o médico falou logo atrás de mim. — Me deixe ficar... — pedi. — Não posso, fiz mais do que o permitido. Os exames devem sair a qualquer momento, se ele tiver que passar por alguma cirurgia vai precisar estar descansado. — Como os médicos conseguiam ser tão frios em situações como essas? Eu estava desmoronando por dentro e ele permanecia duro como uma rocha. Voltei a olhar para o senhor Louis e tentei não encarar isso como uma despedida. — Louis... — o chamei e ele me olhou. — Eu vou estar lá fora, o médico quer que você descanse um pouco, mas não se preocupe que eu não vou sair desse hospital até que o Matheus tenha chegado. — Beijei seu rosto carinhosamente e me afastei a contragosto, eu queria ficar aqui ao seu lado, queria dar toda a segurança que pudesse a ele e mesmo assim eu sabia que seria pouco para retribuir todo o carinho que ele sentia por mim. Só consegui respirar novamente quando saí do seu quarto, o médico permaneceu calado ao meu lado e me acompanhou pelo corredor da UTI. Eu acho que nunca conseguiria tirar da minha cabeça a imagem do Louis chorando e quis muito que a notícia do bebê o fizesse ter forças para lutar pela sua vida. Ainda no andar da UTI, duas enfermeiras vieram apressadas pelo corredor e avisaram ao médico que o paciente do quarto 302 estava tendo uma parada cardíaca, olhei assustada para eles que me pediram para que ficasse onde eu estava só que não consegui. — Não... — Segui atrás deles com as pernas bambas e o coração acelerado. A porta estava semiaberta e eu vi a tentativa que fizeram para reanimá-lo, vi o desfibrilador em seu peito e vi quando desistiram...


Não sei quem ou quando me tiraram dali, se falaram ou não alguma coisa da qual eu deveria ter prestado atenção. Eu não conseguia ver um palmo à minha frente e só pensava em como isso tudo faria o Matheus sofrer. Meu Deus, ele se odiaria por não ter estado aqui. Fechei meus olhos tentando apagar as imagens da minha cabeça, tudo parecia tão surreal que quando Helena apareceu eu ainda estava em choque. — Eu vou esperar Matheus chegar, Jéssica, você não está bem — Helena murmurou ao meu lado, ela estava tão arrasada quanto eu. — Ele chorou Helena, ele não queria ir... Isso não é justo! — Fui abraçada por ela, mas nada tirou a sensação ruim do meu peito. Envolvi meus braços contra o meu abdômen como se pudesse proteger meu bebê de tudo isso, eu não queria que o meu sofrimento o afetasse. Quase uma hora depois e com a ajuda da Helena eu assinei os últimos papéis autorizando o hospital a tomar as devidas providências e voltei à sala de espera, senti um frio na barriga ao ver Matheus de costas conversando com o médico e quando ele se virou eu corri para os seus braços, não como uma garotinha que precisava de colo, mas como uma mulher que queria protegê-lo. — Amor... — Ele me abraçou — Eu sinto muito, Matheus — tentei murmurar entre seu abraço apertado. O rosto dele se perdeu em meu cabelo e quando se afastou seus olhos estavam marejados. Matheus nunca havia chorado na minha frente antes e vê-lo assim prestes a fazer isso só tornava a coisa mais real, contei a ele que tudo estava resolvido, que os procedimentos para o velório já estavam acertados e ele pareceu aliviado por não ter que lidar com nada nesse momento. Horas mais tarde, já em casa, entrei no escritório do nosso apartamento e o observei, Matheus tinha as mãos apoiadas em sua cabeça e os olhos fechados, assim que chegamos ele me pediu um tempo sozinho e eu respeitei, mas agora já passava da meia-noite e ele ainda não tinha comido qualquer coisa ou ido para a cama. Aproximei-me de onde ele estava e fui para o seu colo. — Como você está? — perguntei baixinho. — Eu ainda não acredito, sabe... — Sua mão tocou minha cintura. — Eu estive com ele, Jéssica, almoçamos juntos antes da minha viagem, não imaginei que fosse voltar e não ter mais o meu pai entre a gente — ele falou angustiado. — Essa é a primeira vez que eu perco uma pessoa que eu amo dessa maneira, Matheus, e sei que a sua dor deve ser infinitamente maior que a minha, mas eu estou aqui para te ajudar a superar, então não me deixe de fora da sua dor e nem do que te faz mal, amor. — Não precisava ser poupada nem protegida mais, no decorrer desses dois anos eu acho que demonstrei ser forte o suficiente para lidar com a vida. — Eu deveria ter feito mais por ele, Jéssica, meu pai morreu e eu sinto que nunca fiz nada para deixá-lo realmente feliz, ignorei seus esforços para tornar a Minerallis o que é hoje e passei metade da minha vida afastado... Hoje eu olho para trás e não consigo entender porque eu não fiquei, porque não me dediquei mais a ele depois da morte da minha mãe. — Eu sabia que ele se sentiria culpado, a relação dos dois sempre foi um tanto quanto delicada, mas eu nunca tive dúvidas do amor que os dois sentiam um pelo outro. — O Louis te amava, Math, era visível a admiração que tinha por você. Não acho que esse seja o momento para se arrepender até porque seu pai era um homem muito bom para guardar qualquer tipo de


ressentimento. — Passei a mão pelo seu cabelo um pouco mais curto que antigamente. — Você esteve com ele, não é? — perguntou preocupado e eu engoli em seco. — Sim. — Obrigado por não tê-lo deixado sozinho — disse com a voz embargada e eu o abracei um pouco mais forte. — Eu o amava... — falei emocionada. — Eu sei, baixinha, meu pai também te amava muito. — Continuei aninhada em seu colo e o único som no escritório era o da nossa respiração. Eu não conseguia parar de pensar se contava ou não a ele sobre o nosso bebê, entendia que o momento de luto era importante, mas essa notícia o confortaria, lhe daria um pouco de alegria depois de tudo o que aconteceu hoje. Distraída, demorei a perceber que agora quem me acariciava era ele, seus dedos percorreram meus ombros, braços e rosto, quase como se estivesse verificando se estava tudo ok comigo. Lembrei das inúmeras vezes em que ele me fez prometer nunca mentir ou esconder nada dele e me senti mal. Sem perceber ele virou meu rosto e me encarou por alguns segundos, seu olhar demonstrava a dor que sentia e quando ele buscou a minha boca eu não recuei. Ele me beijou com tanta suavidade que as emoções que vinha guardando até agora despencaram e eu chorei, chorei por tudo o que tinha acontecido hoje, pela morte do Louis e pela vida que eu carregava dentro de mim. Chorei por querer que as circunstâncias fossem diferentes e que o Louis pudesse estar aqui para ver o meu filho crescer e amar essa pessoinha tanto quanto eu já amava. — Não chora, meu amor, por favor... — ele pediu. — Acaba comigo ver você assim, Jess. — Foi muita coisa em um dia só, Matheus... — falei enquanto enxugava minhas lágrimas. — E... eu descobri que estou grávida — falei nervosa. — O quê? — Teremos. Um. Bebê. — falei devagar, respirei fundo e senti um alívio enorme quando ele puxou meu rosto e me beijou novamente. E dessa vez foi ele quem chorou...


CAPÍTULO 43

Leonardo Diminuí a velocidade do carro e estacionei na primeira vaga que encontrei em frente ao prédio da Katie. Nada na elegante fachada do edifício parecia ter mudado nesses dois últimos anos. Em compensação nós dois tínhamos nos tornado completos estranhos um para o outro. Foram muitas as vezes desde a sua volta que tive que vê-la sorrir alegremente e agir daquela maneira independente e segura ao meu redor e fingir que eu não me sentia enciumado pelo fato de ela ter seguido em frente. Mas não vou dizer que percebi de imediato a besteira que fiz ao afastá-la porque estaria mentindo. As primeiras semanas após aquele incidente no casamento do Matheus foram confusas e agitadas. A gravidez da Serena foi confirmada e mesmo sem saber se era ou não o pai como ela jurava que eu era, preferi mantê-la sob os meus cuidados até o nascimento do bebê. Foram longos meses sendo obrigado a ver a forma insensata como ela agia, na falta de cuidado e carinho que sentia pelo próprio filho. Serena bebia, se comportava como se um bebê dentro dela fosse um estorvo e não uma bênção e isso fez com que eu começasse a ter uma ideia de como as coisas poderiam vir a ser no futuro. Ela nunca mudaria, sempre seria aquela mulher egoísta e manipuladora e eu não aguentaria ver um filho meu sendo usado para que ela conseguisse ter seus caprichos atendidos. Uma coisa era eu aguentar seus defeitos porque era louco por ela, outra bem diferente era expor uma criança ao tipo de situações que ela armava. Foi por isso que, quando descobri que Liam era realmente meu, eu não achei ser possível continuar ao lado dela, fiz o possível e o impossível para conseguir a guarda dele e prometi a mim mesmo que o criaria em um ambiente seguro e familiar. Mesmo que eu tivesse que lhe proporcionar isso tudo sozinho. Serena aceitou a quantia em dinheiro que eu lhe ofereci, ela sabia que se tentasse entrar em uma luta para garantir a guarda perderia, então desistiu de qualquer batalha que pudesse nos arrastar por anos no tribunal e o pior que não fosse proporcionar nenhum lucro a ela. Tudo que ela dizia sentir por mim foi facilmente comprado. Quando ela abriu mão do nosso filho, ela conseguiu acabar de uma vez por todas com a merda de amor que eu sentia. No final eu tive que aprender como ser pai às pressas, meus dias eram corridos, divididos entre o Liam e a agência. Passei a trabalhar em casa a maior parte do tempo, deixei que Jéssica fizesse parte da vida dele e me surpreendi ao encontrar nela um apoio, em momento algum ela me questionou ou me culpou pelo fato de Katie ter abandonado tudo e ido para Milão e também nunca tocou no nome dela comigo, o que sempre me deixou encasquetado, porque de certa forma eu percebi que ainda me preocupava com ela. E agora, quase um ano e meio depois do nascimento do Liam, eu meio que estava caminhando na direção certa, estava conseguindo lidar com as mudanças que a chegada dele me trouxe. Não levava mais


mulheres para minha casa, para falar a verdade quase não tinha tempo para elas e não estava nem um pouco disposto a entrar de cabeça em outra relação vazia. A única mulher em quem eu conseguia pensar e desejar era a Katie e ela estava decidida a se manter afastada mesmo que tivéssemos que frequentar praticamente os mesmos lugares. Passei a odiar seus sorrisos, risadas e olhares... porque eles dificilmente eram dirigidos a mim. Não queria aceitar o fato de que ela agia de maneira tão natural e amorosa com o Liam e era tão fingida comigo. Me tratava como se fôssemos amigos distantes sem nada em comum, só que quanto mais eu a observava, mais eu percebia que tínhamos que ficar juntos. Eu a desejava, a respeitava e sabia que ela seria alguém com quem o Liam poderia contar sempre. Já no corredor do seu apartamento, esperei impaciente até que ela abrisse a porta, eu estava atordoado com a notícia de que o Louis havia falecido e preocupado com o meu amigo. Mas a responsabilidade falou mais alto e não achei certo deixar Katie presa aos cuidados do Liam até tão tarde. Sabia como ele podia ser teimoso e birrento quando queria, me angustiava ver não só os traços marcantes da Serena nele como também a personalidade. Katie apareceu na porta e me deu o sorriso mais sem graça do mundo, me convidou para entrar e eu balancei a cabeça atrás dela tentando ignorar o fato de que até usando um pijama de algodão ela era incrivelmente sexy. Ela era uma contradição ambulante, sempre admirei a forma como se portava e comandava a galeria dos seus pais, por vezes ela usava roupas um pouco mais conservadoras, como terninhos e vestidos acinturados até a altura dos joelhos, isso mexia com a minha imaginação porque no dia a dia ela era totalmente diferente, suas roupas não eram nada inocentes e ela gostava de se divertir como uma louca quando saíamos. Desviei meu olhar do seu bumbum dentro do short curto que usava e me dei conta de que eu estava com saudades dessa leveza dela... Sempre foi tão fácil conviver e estar ao seu lado que eu acho que não dei o devido valor ao que tínhamos. — Ele não quis dormir, então nós dois estávamos assistindo os Minions — ela falou e sorriu ao ver os olhos curiosos do Liam, sua cabeça era a única coisa para fora do cobertor e assim que ele me viu, se levantou e correu na minha direção. — Eu sinto pelo trabalho que ele deve ter dado, assim que recebi sua mensagem fiz o possível para sair cedo da reunião, mas foi complicado. — Esse novo cliente seria importante para a agência, um jantar seguido de uma reunião não fazia parte dos meus planos, mas eu não podia dizer não quando tinha que conseguir essa conta. — Liam não deu trabalho nenhum, Leo, muito pelo contrário, nos divertimos muito, não foi? — ela perguntou e bagunçou o cabelo comprido dele. Acho que essa era a primeira vez que ficávamos tão perto um do outro, e eu lamentava o fato do Liam estar acordado, eu queria conversar com ela, perguntar como estava, escutar sua voz falando amenidades e suas risadas gostosas. Fiquei um pouco sem reação enquanto a observava e quando percebeu Katie se afastou instintivamente. — Tem alguma notícia do Matheus e da Jéssica? — perguntei tentando encontrar algum assunto para que eu não tivesse que ir embora. — Jéssica me ligou há uns vinte minutos, eles já estão em casa. — Como ela está?


— Como é que você acha?— Nesse instante Liam tentou sair do meu colo e apontou para a TV onde os Minions cantavam. — Titi — murmurou bravo. — Nós vamos para casa agora, Liam. — Teimoso, ele fez que não com a cabeça e eu sabia que se não o tirasse daqui, muito em breve ele faria birra. — Obrigado pela ajuda, Katie, já passou da hora dele dormir e... — Tudo bem, eu fiz isso pela Jéssica de qualquer maneira. — Franzi o cenho ao escutá-la, então quer dizer que quando não tinha ninguém entre a gente, sem amigos e conhecidos, ela soltava as garras? — Não duvido — respondi irritado e fui em direção à porta, estava cansado demais para isso essa noite. Katie pegou as coisas do Liam e me entregou, mas não me dirigiu o olhar novamente. Saí de lá cuspindo fogo e sob o olhar do Liam, ele deve ter percebido meu mau humor e ficou quieto até chegarmos em casa, não precisei nem passar pela birra costumeira que ele fazia todas as noites antes de dormir e assim que colocou o rosto no travesseiro e segurou meu dedo para que eu não me afastasse, ele adormeceu. ***

Katie No momento em que o vi entrando no restaurante acompanhado de uma ruiva exageradamente sexy, eu me encolhi na cadeira de frente para a Helena e a Jéssica. Tinha dois meses desde que ele esteve no meu apartamento e eu meio que vinha fazendo de tudo para evitar estar nos mesmos lugares que ele e, hoje, quando eu pensei que teria a noite livre de preocupações e sentimentos confusos, Leo me aparece exatamente no mesmo lugar onde eu estava. — Isso é normal, Jéssica — Helena falou e eu juro que queria pular essa parte da conversa, porque, apesar de engraçado, eu não precisava saber que Matheus e ela estavam fazendo sexo por aí como um casal de coelhinhos apaixonados. — David e eu só ficamos juntos na minha segunda gravidez e mesmo que tenha sido apenas no final dela, nós não conseguíamos ficar longe um do outro. Olhei para Jéssica nesse momento e a encontrei mais vermelha que um pimentão, ela tinha acabado de completar cinco meses e eu não conseguia deixar de sorrir admirada toda vez que a via. Minha amiga ainda tinha aquele jeito de menina e nem mesmo o fato de estar grávida fazia com que ela sossegasse por muito tempo, Matheus ficava louco por causa disso, mas era lindo ver o quanto ele se preocupava com as duas mulheres da sua vida. — Qual é o problema, Katie? — Jéssica perguntou. De repente, e eu me dei conta de que estava prestes a chorar bem na frente delas. O que estava acontecendo comigo afinal? — Não sei... Só não estou me sentindo bem essa noite, eu acho — falei e tomei um pouco mais do vinho na minha taça. Eu acho que no fundo eu estava era me sentindo sozinha, as duas mulheres na minha frente tinham uma família linda, eram amadas e felizes e eu... Bem, eu estava me remoendo pelo idiota sentado do outro lado do restaurante prestes a enfiar a língua na boca de outra mulher. — Para falar a


verdade tudo o que eu preciso é de um remédio para enxaqueca e dormir por algumas horas, minha semana foi terrível, não parei um segundo e estou exausta — falei e pedi desculpas, queria sair dali o mais rápido possível e, enquanto me dirigia para fora do restaurante não pude deixar de dar uma última olhada no casal, peguei Leo me encarando com uma expressão séria e assim que a ruiva tocou seu rosto eu desviei meu olhar e apressei o passo. Eu era uma idiota por pensar que todos aqueles meses que fiquei em Milão me fariam esquecer ou diminuir a humilhação que senti ao ser rejeitada por ele. Me forcei a sair com outros homens enquanto estava por lá, tentei dar uma chance ao meu coração, queria provar que o que eu sentia pelo Leo podia ser esquecido e voltei para Manhattan acreditando que mesmo que voltasse a vê-lo eu não sofreria novamente, mas pelo visto eu estava enganada. ***

Leonardo Essa era uma das raras noites em que eu podia me dar ao luxo de sair sem me preocupar com a hora para voltar para casa. Liam passaria o final de semana inteiro com os meus pais fora da cidade e ao mesmo tempo que eu estava aliviado também estava um pouco perdido. Meus dias eram preenchidos quase que totalmente por ele e era estranho ter a casa só para mim. Liguei para saber como ele estava antes de sair e ouvi seus resmungos do outro lado da linha, por mais que fosse complicado conciliar tudo eu nunca voltaria atrás em minhas decisões. Liam era e sempre seria a pessoa mais importante na minha vida. Ignorei o fato de que Katie vinha fugindo de mim e que isso estava me fazendo perder a cabeça e a calma, ignorei a vontade que eu tinha de ir atrás dela e pedir uma segunda chance e achei melhor convidar uma mulher qualquer para passar a noite comigo, não queria dor de cabeça, queria alívio. Eu podia contar nos dedos quantas noites de sexo tive nos últimos meses e isso estava começando a me afetar. Levei Mirela a um dos restaurantes que costumava frequentar, fui gentil, a escutei falar do seu último relacionamento e mesmo entediado com a conversa continuei a aguentar, pelo menos até o momento em que uma mulher com um vestido vinho passou próxima à nossa mesa, o cabelo loiro e o quadril acentuado naquela peça justa e curta, o perfume quente e afrodisíaco do qual eu tanto sentia falta me atingiu e eu me dei conta de que era a Katie. A primeira reação que tive foi raiva por ela estar aqui vestida desse jeito e possivelmente com outro homem, logo depois senti culpa pela forma como ela olhou para a mulher ao meu lado e a minha noite acabou naquele instante. Não consegui mais ser paciente e carinhoso com a Mirela, pensei em alguma maneira de levá-la para casa e voltar para a minha, encher a cara até esquecer todas as merdas que eu já tinha feito e apagar até o dia seguinte. Mas não foi isso o que eu fiz. — Fica mais um pouco — Mirela pediu em frente à sua casa. — Não posso, tenho um trabalho para terminar. — A desculpa era horrível eu sabia, mas queria que ela entendesse logo o recado e não tentasse repetir o desastre do beijo que aconteceu mais cedo. Assim


que entrou dentro de casa, eu peguei o caminho para o apartamento da Katie, eu não sabia quando teria chance de fazer algo assim de novo. Eram raras as vezes em que eu deixava Liam com meus pais ou com alguma babá à noite, então eu tinha que aproveitar. ***

Katie Eu tinha acabado de sair do banho quando vi que tinham duas ligações perdidas no meu celular, imaginei que poderiam ser da Jéssica ou até mesmo dos meus pais, mas nunca do Leonardo. Enquanto olhava o telefone ele começou a tocar novamente e um frio na barriga se instalou em mim. Atendo ou não atendo? — Fala Leonardo. — Estou aqui embaixo, Katie. Peça ao seu porteiro para me liberar. — O quê? — Ficou louco? — Vamos, Katie, não vou sair daqui até falar com você. — Vai embora, Leo, não temos nada para conversar — falei já irritada pela sua falta de consideração. — Engano seu, vai pedir ou eu vou ter que tomar outra providência? — Desisti e o deixei subir, seria bom falar algumas verdades na cara dele de uma vez por todas. Como forma de proteção vesti uma legging preta e uma camiseta comprida por cima, não queria parecer sexy e nem atrair o seu olhar sobre o meu corpo. Leo não conseguia disfarçar seus olhares quando me via e isso sempre me deixava sem graça. Assim que abri a porta, ele entrou como um furacão e me puxou pelo braço, fui de encontro ao seu peito e o encarei assustada sendo pega completamente desprevenida. — Me solta — gritei e tentei me afastar. — Você disse que queria conversar e não... — Não o quê, Katie? — Você sabe. — Eu sinto a sua falta. — Sua mão ainda segurava meu braço quando ele disse isso e eu não pude acreditar no que estava ouvindo. Isso só podia ser brincadeira. O empurrei com a outra mão e me afastei, ficar perto dele me fazia perder a força para qualquer negativa, foi assim no nosso último beijo e seria assim agora. — Já falou, então pode ir embora, se esse for o assunto eu não faço a menor questão de escutar. — Você não acha que isso tudo já não foi longe demais, não? Eu quero você, Katie, quero que faça parte da minha vida novamente... eu e meu filho te adoramos... — Idiota, idiota! — Sai daqui, Leo, sai agora! — Adorar... para a merda essa sua adoração. Eu queria ser amada,


será que era tão difícil assim de entender? — Nunca mais use o Liam para me convencer a fazer qualquer coisa, Leonardo, isso não se faz — falei arrasada. — Agora, por favor, se você ainda tem alguma consideração por mim saia daqui e me deixe sozinha. — Eu quero você Katie, não vou desistir porque sei que se sente da mesma forma. — Tremi ao sentir o toque dos seus dedos em meu rosto, fazia tanto tempo. — Pare de negar a verdade e fique comigo. — Mas até quando? Ele não me amava, acho que não chegava nem perto disso. Sempre disse que sentia um carinho enorme por mim, mas a forma como ele estava me magoando agora mostrava o contrário. — Não posso fazer isso, Leo, não vou me envolver em uma relação sem amor novamente. — O amor é supervalorizado, Katie — falou com o cenho franzido. — Eu te deixei porque amava outra mulher e olha no que deu? — Leo não me deu chances de xingar ele como eu pretendia nem de mandá-lo à merda. Ele sabia que eu estava irritada e mesmo assim me beijou. Lutei contra o seu avanço nos primeiros 30 segundos, mas depois que seus lábios forçaram os meus a se abrirem, eu não consegui pensar em maisnada. Sua língua explorou minha boca ao mesmo tempo que me sentia sendo invadida pelo seu desejo, era como se ele estivesse me lembrando o quão impotente eu podia ser quando se tratava das suas carícias. Sua mão pressionou minha nuca de maneira quase dolorosa para que eu não me afastasse e a outra apertava a minha pele quente por baixo da camiseta. Seus dedos começaram a forçar a calça para baixo e um gemido rouco saiu dos meus lábios... Eu estava prestes a entregar o controle do meu corpo a um homem que nunca me amaria. — Diz que vai ficar comigo, eu preciso escutar isso... — ele murmurou de maneira provocante sem tirar seus olhos dos meus, cortei o contato e me obriguei a afastá-lo mais uma vez. Inspirei profundamente para acalmar as minhas reações a ele e fiz o que tinha que fazer. — O que existia entre a gente acabou há dois anos, Leonardo. Você nunca vai me amar como eu mereço, não sabe o que eu desejo ou quero para a minha vida, me vê apenas como a garota “segura” incapaz de te machucar e decepcionar o seu filho. — Leo pareceu surpreso com o meu desabafo. — Por mais que eu... Por mais que eu ainda te ame, eu me recuso a ser a sua segunda opção. Me recuso a ser o caminho fácil que vai tornar a sua vida calma e tranquila, então eu espero que você seja homem o suficiente para entender o meu não dessa vez e pare de me provocar e me olhar como se eu fosse um pedaço de carne que você não come há algum tempo. Eu não vou fugir de você novamente, mas não vou ficar e aceitar que me falte com o respeito. — Dei as costas a ele, isso tudo era demais para mim. E o mais incrível era que Leo nunca percebia como podia me magoar. — Não vou insistir... — O que ele disse soou como uma ameaça. — Não quero que o faça — falei decidida, insistir seria perda de tempo e não estava disposta a me enganar novamente. Leo me deu as costas e foi em direção à porta sem falar mais nada, esperei que estivesse longe o suficiente, enchi um copo da bebida mais forte que eu tinha e a tomei de uma vez só. Talvez isso anestesiasse o meu corpo por algumas horas e me fizesse esquecer essa maldita noite. ***

Leonardo


Depois de semanas engolindo todas aquelas coisas que Katie jogou na minha cara, eu estava preparado para tudo, menos para vê-la aparecer no pub com um homem ao seu lado. Porra, eu pensei que a noite seria tranquila, que tendo Jéssica e Matheus à nossa volta ela seria obrigada a conversar comigo, mas com esse idiota ao seu lado seria impossível até mesmo chegar perto dela. Eu deveria ter seguido meus instintos e ficado em casa com o Liam essa noite, mas como Matheus fez questão de deixar claro que não aceitaria um não, eu acabei concordando em aparecer. Olhei para frente e peguei a Jéssica me encarando preocupada, ficou claro para mim que ela temia que eu fizesse algo para estragar a noite e eu decidi ignorá-la. Ela podia ser a esposa do meu melhor amigo, ser a segunda pessoa preferida do meu filho, mas não iria discutir minha vida pessoal com ela. Tudo tinha limite. — Quem é ele? — perguntei rapidamente ao ver Katie se aproximar, mas não tive tempo de obter minha resposta. Os dois se sentaram à minha frente, o braço dele foi para o seu ombro brincando uma e outra vez com a alça fina do vestido que ela usava. Eu não estava gostando disso, não queria que ela fosse tocada por outro bem aqui para que todos vissem... — Então, o seu amigo faz o quê? — perguntei depois alguns minutos os observando. — Ele não é amigo. — Eu não sou amigo dela — os dois disseram ao mesmo tempo e a Jéssica riu. Até o final da noite eu descobri que o outro se chamava Ben, era um engenheiro, irritantemente carinhoso com a Katie e que a fazia sorrir sem a menor dificuldade. Descobri também que o motivo para que Matheus e Jéssica nos quisesse aqui essa noite era para nos convidar a ser padrinhos da filha deles. Será que os dois não percebiam que a última coisa que Katie queria era ter qualquer tipo de envolvimento comigo? Por sorte ou obra de destino, não sei ao certo, Ben teve um imprevisto e acabou saindo um pouco antes da gente deixando Katie para trás e completamente livre para que eu pudesse lhe oferecer uma carona. Esperta, Jéssica a incentivou a vir comigo e ela não teve como recusar. — Vai ficar calada? — perguntei um pouco depois de entrarmos no carro. — Não temos nada para falar — ela falou e, como no passado, se inclinou para ligar o som e preencher o vazio. Esperei que ela o fizesse e desliguei logo em seguida a deixando de boca aberta. — O carro é meu e não estou a fim de escutar merda nenhuma de música — falei calmo para a surpresa dela. — Pare o maldito carro, então, e me deixe pegar um táxi. — Não. — Leo... Por que não pode voltar a agir com alguma racionalidade? — Porque eu não tenho mais nada a perder, Katie.


— Você tem o Liam... ***

Katie — Ninguém vai me tirar o Liam, a mãe dele o abandonou por dinheiro. Abriu mão dele por uma boa vida, somos só eu e o meu filho e a única mulher que eu quero na minha vida me despreza, então... — Virei o rosto por um segundo. — Eu não te desprezo. Só não confio em você. — E confia nesse tal de Ben? — Esse tal de Ben não tem nada a ver com essa história. — Tem se ele estiver dormindo com você, não acha? — Disposta a não gastar muito tempo o analisando, eu não respondi nada. Só voltei a falar quando percebi que não estávamos indo para o meu apartamento e sim para... — Nem pense em me levar para a sua casa — falei desesperada e ele me ignorou. — Está me ouvindo, Leo? Eu quero ir para o meu apartamento. — Não tenho tempo para te deixar em casa, já deu a hora da babá do Liam e eu posso apostar que ele deve estar acordado até agora a perturbando. — Que seja, eu chamo um táxi quando chegar lá. ***

Leonardo Assim que chegamos a minha casa, Katie marchou ao meu lado como se estivesse prestes a ir para a forca. Não demorou e, assim que fechei a porta atrás de nós, Liam correu e se agarrou nas pernas dela, o cabelo escuro dele estava um pouco maior do que de costume e ele estava bem mais tagarela do que o normal. — Demolo — Liam falou olhando para mim assim que Katie o pegou no colo. — Quem demorou, Liam? — ela perguntou sorrindo. — Papai. — Esse foi o momento escolhido para que a babá dele entrasse na sala, entreguei o dinheiro a ela e agradeci por ter ficado até mais do que combinamos. Em poucos instantes estávamos sozinhos. — Quer beber alguma coisa?


— Um copo de água seria bom — disse um pouco mais relaxada. Essa era a reação que Liam sempre a fazia ter, se Katie soubesse o quanto eu a admirava pelo fato de nunca ter demonstrado ressentimento e destratado o meu filho por causa da mãe dele e pela forma como as coisas aconteceram... Liam bocejou em seu colo e começou a segurar o seu dedo como costumava fazer comigo antes de dormir. — Posso levar ele para cama? — pediu. — Claro. — Fui até a cozinha, peguei seu copo de água e subi. Fiquei surpreso ao encontrar Katie conversando com ele baixinho e as mãozinhas dele no rosto dela, observei um pouco a interação entre os dois e me senti dividido pela primeira vez. Será que era tão terrível assim querê-la em nossas vidas? Eu sei que podia fazê-la feliz, tudo o que Katie tinha que fazer era ceder um pouco. Após Liam adormecer, descemos e, quando ela falou que iria chamar um táxi, eu a impedi. Não queria passar a noite sozinho, não queria colocar a cabeça no travesseiro e imaginar ela com aquele tal de Ben fazendo o que ela deveria estar fazendo comigo e com ninguém mais. — Eu só quero ir para casa, Leo. — Você pode ir. — Pressionei meu corpo ao dela e a mantive colada a mim. — Mas não hoje, Katie, essa noite você vai ficar comigo. — Não comece — tentou falar e tracei a linha volumosa da sua boca com meus dedos, seus lábios entreabriam e eu engoli em seco só de imaginar o que eles podiam fazer por mim. — Eu não aguento mais, Katie... ***

Katie Eu também não aguentava. O Ben não passava de uma tentativa inútil de mostrar a ele que eu o tinha superado, mas ver o ciúme estampado na sua cara a noite inteira não teve o efeito esperado, muito pelo contrário. Deixei que ele me tocasse, um pouco confusa entre ceder e acabar com tudo isso. Leo lambeu meu pescoço e eu arfei em resposta, sua língua percorreu o caminho até o lóbulo da minha orelha, não desviei meu olhar do dele e pensei que se fosse para acontecer alguma coisa eu queria encarar a verdade desde o início, não queria esquecer que isso não passaria de sexo para ele. Eu ainda não tinha ido para a cama com o Ben, então não podia ver isso como traição, nós só estávamos saindo há alguns dias e se fosse para ficar sério, como parecia que ficaria, era melhor que eu acabasse de uma vez por todas com esse desejo frustrado toda vez que Leo e eu nos encontrávamos. No momento em que me beijou eu fechei meus olhos e me rendi, o que o corpo dele fazia com o meu era tão mágico e explosivo que por vezes eu pensei ser bom demais para ser verdade. Sabe quando começamos a ter medo de que uma coisa muito boa acabe? Com ele sempre foi assim.


Leo me pegou no colo e eu bati contra a parede de forma brusca. Nos beijamos, nos mordemos, lambemos um ao outro... foi perfeito. Minhas coxas já exibiam rastros dos seus arranhões, meu vestido já não tapava meus seios e minha calcinha úmida deixava sua marca contra a camisa que ele vestia. — Respira... — ele falou me provocando e com um sorriso sexy no rosto. — Eu acho que esqueci como se faz isso — respondi confusa. — Você sente o que faz comigo, linda? — O jeans roçou contra a minha calcinha e eu acenei com a cabeça, era impossível não sentir o quão duro ele estava. — Eu desejo você, Katie... Há muito tempo eu só consigo pensar em sentir seu corpo em volta do meu, quero escutar as putarias que você diz quando goza... — Leo... — murmurei morrendo de desejo. — O quê? — Eu preciso de você. — Só hoje, prometi a mim mesma. Eu precisaria dele só hoje, depois disso eu deixaria Ben assumir o papel que quisesse na minha vida. Acordei no meio da noite assustada por estar envolvida por dois braços, demorou alguns segundos até imagens da nossa noite invadir minha cabeça. Levantei-me sem que ele percebesse e fui atrás de algo gelado para beber, até pensei em sair sorrateiramente e ir para casa, mas duvidava que encontraria um táxi confiável a essa hora. Na volta, passei pelo quarto do Liam que, pelo que percebi, sempre ficava com a porta aberta e vi o pequeno se mexendo desconfortável. Ah Katie, você é tão idiota... A testa do Liam estava suada, mas ele não parecia com febre, talvez só com um pouco de calor. Afastei o lençol e o observei até que voltasse a ter um sono tranquilo. O que eu não daria para que as coisas fossem diferentes...


CAPÍTULO 44

Katie Depois de ter verificado o Liam acabei voltando para a cama e passei o restante da madrugada tentando me convencer de que eu poderia ser forte o suficiente para fingir estar bem em todas as vezes que fosse obrigada a estar perto do Leo daqui para frente, as coisas não poderiam ficar ainda mais insuportáveis do que antes, não é? Não sei em que momento voltei a dormir, só sei que quando fechei os olhos já era quase de manhã e que horas mais tarde me vi sendo abraçada por dois bracinhos pequenos que tinham o intuito de me acordar. — Acodá — Liam falou preguiçosamente, virei meu rosto em sua direção e vi o pequeno ainda de pijama com o cabelo despenteado e com o mesmo sorriso do pai. Em pé em frente à cama, Leo segurava uma bandeja com o que parecia ser o nosso café da manhã e eu tive que me esforçar para impedir que as lembranças da noite passada me afetassem. Meus gemidos, minhas súplicas para que ele me tomasse cada vez mais fundo, as sacanagens que sussurrei em seu ouvido que o deixaram louco e, principalmente, o beijo que me deu quando gozou. Foi a minha boca que ele buscou e foi o meu nome que o escutei chamar... Em outros tempos, quando eu ainda não conhecia o lado cruel dele, isso teria sido o suficiente, mas agora tudo que eu conseguia sentir quando pensava na noite que passamos juntos era um vazio claustrofóbico dentro de mim. — Liam e eu preparamos o seu café da manhã, moça bonita. — Ele me olhou daquela forma sexy com a qual eu não estava mais acostumada e quase me senti exposta, se não fosse pela camisa dele que vesti no meio da madrugada esse momento estaria sendo altamente constrangedor. Confesso que minha intenção era a de acordar hoje e sair antes mesmo que Liam se levantasse e o Leonardo tentasse justificar a noite passada de alguma maneira que pudesse me magoar, só que agora, sendo alvo do olhar ansioso do pequeno, eu não conseguiria me safar tão facilmente. Leo estava me manipulando e encurralando e eu não estava gostando nada, nada disso. Acabou que nós três tomamos o café da manhã na cama, Liam fazendo a maior bagunça e observando o tempo todo a minha interação com o seu pai, eu não tinha a menor ideia se essa era ou não a primeira vez que Leo deixava que seu filho o visse agir assim com alguma mulher, mas o rostinho curioso dele me dizia que aquela cabecinha estava tentando entender o que estava acontecendo e porque eu estava na cama do papai dele. Quando terminamos, Leo ligou a TV da sala do andar de baixo e Liam logo foi para o sofá se perdendo nos desenhos que passavam. Engraçado mesmo, foi encontrar a sala cheia de brinquedos jogados, um cobertor de criança e uma infinidade de outras coisas que só poderiam pertencer a uma criança, a vida do Leo tinha virado de cabeça para baixo e eu nunca o escutei reclamar de nada, nunca o


vi impaciente com o filho, nem mesmo quando ele decidia fazer birra e ser teimoso. Esse, sim, era um amor incondicional, pensei enquanto o observava juntar boa parte dos brinquedos e colocar dentro de uma caixa no canto da sala. — Eu tenho que ir, Leonardo — falei, logo depois que ele verificou se estava tudo bem com o filho e me arrastou até a cozinha. — Passe o dia com a gente, ou melhor, passe o final de semana com a gente. Amanhã à noite eu te deixo em casa segura e sem nenhum arranhão. — Levantei a sobrancelha e o encarei, a parte do arranhão não tinha mais jeito, ele se tocou do que disse e sorriu. — Reformulando, moça bonita, segura e com alguns poucos arranhões. — Suas mãos pressionaram a minha cintura e a essa altura eu já estava sendo empurrada contra a bancada. — Não posso. — Coloquei minhas mãos em seu peito para que ele não se aproximasse tanto. — Combinei com o Ben de que o levaria até a casa dos meus pais essa noite, Leo — falei, porque era a verdade. Não sei como eu faria isso, mas... — Você ficou louca? — ele perguntou de repente parecendo nervoso. — Louco ficou você, o que aconteceu noite passada não muda nada. — Katie... — ele me interrompeu. — Isso muda tudo. Não te trouxe aqui na minha casa e deixei que meu filho tomasse café da manhã com a gente apenas porque queria fazer sexo. Eu nunca envolveria o Liam se isso não significasse nada para mim. — Era muito fácil falar isso agora, onde ficou o "Você sabe que isso nunca foi mais do que sexo, Katie?". — Não pretendo discutir os seus motivos, eles não me interessam, Leo. Tudo o que eu quero é ficar longe de você e dessa armadilha que está preparando para mim — falei alterada e ele estava pronto para revidar se não fosse o fato do Liam ter entrado nesse momento na cozinha arrastando o cobertor, os pés descalços no chão e ainda de pijama... Não podia acreditar que agora, além de não resistir ao pai, eu também não conseguiria resistir ao filho. Os olhinhos dele foram do pai para mim, e eu me perguntei se ele conseguia sentir a tensão entre a gente, decidido ele caminhou até onde estávamos e puxou a barra do meu vestido. — Atiti Mion? — Inspirei profundamente tentando encontrar alguma calma dentro de mim. Encarei o Leo, furiosa, porque eu finalmente entendi o que ele queria de mim e isso doeu. — Ótima ideia, filho. — Leonardo se afastou e foi preparar o que parecia ser uma mamadeira para ele. Não querendo voltar a brigar e assustar o pequeno, eu o levei para a sala e o deixei se aconchegar em meu colo até que Leo apareceu e ele correu para o colo do pai. Passamos a manhã inteira assistindo filmes de criança e logo depois do almoço, Liam pegou no sono profundamente. Insisti ao Leo que precisava ir, que precisava de roupas limpas e que tinha muito o que fazer em casa, teimoso ele não me deu opção e disse que eu tinha algumas roupas que ficaram para trás e que ele não me deixaria ir embora. — Me dê só essa chance, Katie. Eu só preciso desse final de semana para te provar que temos que ficar juntos. — Temos? Você consegue me dizer o porquê? — perguntei. — Porque eu errei ao afastar você da minha vida. — Não pude deixar de achar graça em suas


palavras, Leo estava distorcendo as coisas. — Você não me afastou Leo, você me abandonou, me traiu com aquela va... — Ele segurou meu braço e não me deixou continuar. — Eu vou aguentar muitas coisas de você Katie, mas não vou aceitar que ofenda a mãe do meu filho. — O quê? Ele só podia estar brincando comigo. — Independente do que ela fez ou do tipo de mulher que seja, Serena sempre vai ser a mãe dele, não quero que ele tenha que escutar ofensas relacionadas a ela por mais que eu a despreze. — Aquilo era demais para mim. — Não se preocupe porque eu não vou estar aqui para ofender a mãe do seu filho, Leo, não é algo com que você tenha que se preocupar. — Ele me soltou e eu subi as escadas correndo para pegar minha bolsa e sandálias. Dessa vez foi impossível não chorar, era burrice demais para uma pessoa só, pelo amor de Deus. Quando eu iria aprender? Nervosa, comecei a buscar o número de algum táxi na agenda do meu celular e ao me virar topei com o Leo parado na minha frente. Ele tirou o telefone da minha mão e jogou na cama atrás de mim. — Dessa vez ninguém vai fugir. Nós vamos conversar como dois adultos porque eu me recuso a ficar sem você de novo — ele falou decidido, mas eu não respondi. — Pode ficar irritada, brava ou o que for Katie, mas eu quero que ligue para o Ben e para os seus pais e desmarque esse maldito jantar, quero que passe esses dois dias comigo e com o Liam e depois se ainda quiser ser cabeça-dura e se afastar da gente eu prometo que deixo você em paz de uma vez por todas. ***

Leonardo Katie era a mulher mais resistente que eu conheci em toda a minha vida, mas no final ela não se negou a passar o final de semana na minha casa, só que me fez jurar que a deixaria em paz depois que isso acabasse. Não sabia ela que eu só precisava desses dois dias para convencê-la a voltar para o meu lado. A noite passada só provou o que eu já desconfiava, a nossa química continuava a mesma, o seu corpo continuava tão receptivo quanto antes e ela ainda tinha o poder de me enlouquecer na cama. Mas essa não era a única questão, Katie podia se negar a ver, mas ela se encaixava na minha vida perfeitamente, era carinhosa, apaixonada, decidida e totalmente admirável. Seria um bom exemplo para o Liam e com certeza o tipo de mulher que eu escolheria para ser a mãe dos meus próximos filhos. — Se eu te disser que estou aqui apenas por causa do seu filho, você vai brigar comigo? — ela me provocou horas mais tarde, quando se deitou na cama ao meu lado após sair do chuveiro. Seu corpo e cabelo ainda estavam molhados do banho e, pela primeira vez em muito tempo, ela me deu um sorriso verdadeiro. — Talvez... — falei pensando. — Eu poderia te castigar um pouco, quem sabe? — Hummm... eu sempre gostei dos seus castigos — respondeu maliciosa e eu a beijei sem a menor pressa. Passamos a noite toda colados um ao outro e eu tentei ao máximo não pensar no que aconteceria


se amanhã ela me pedisse para deixá-la em paz como prometi. Eu não sabia se conseguiria cumprir minha promessa e o pior eu duvidava que aceitaria que ela voltasse a ficar com o Ben. No domingo, aproveitamos o dia para almoçar fora, Liam não fez birra em nenhum momento e eu podia jurar que ele estava tentando impressionar a Katie... assim como eu também estava. Eu me sentia mal toda vez que via a forma como ele olhava para ela, Liam nunca deu sinal de sentir falta de uma mãe, mas ele também nunca teve uma para saber o que faltava em sua vida. Só que com a Katie ele agia diferente, ele a olhava fascinado, como se ela fosse algo de outro mundo, e isso me afetava um pouco. Não queria vê-lo sofrer quando ela decidisse não ficar com a gente, porque era assim que seria daqui para frente. A mulher que quisesse permanecer na minha vida teria que ser igualmente importante para o meu filho. ***

Katie Debaixo do chuveiro eu estava sofrendo porque não fazia a menor ideia se estava ou não tomando a decisão certa. Passar esse final de semana inteiro com o Leo me fez lembrar como nós costumávamos ser bons juntos antes que Serena aparecesse e estragasse tudo, talvez por esse motivo um alerta insistente dentro da minha cabeça me pedia para ir com calma. Claro que nós teríamos que conversar, acertar como as coisas ficariam e eu queria saber o que ele realmente sentia por mim, o que ele esperava dessa nossa nova tentativa porque eu não queria me enganar, não queria criar expectativas e depois me ver sendo jogada de lado como se eu não significasse nada para ele. Aproveitei que Leo estava colocando o filho para dormir e liguei para a Jéssica porque, além de saber como a minha grávida preferida estava, eu também queria pedir sua opinião, perguntar se ela me achava louca por estar pensando na possibilidade de deixar Leonardo voltar para a minha a vida. — Katie, se você o ama, por que não tentar? — Porque eu tenho medo. — Ela bufou do outro lado da linha. — Eu acho que você tem que arriscar, amiga. Quero que vocês dois sejam felizes e eu acredito que isso só vai acontecer quando se entenderem. — A quem eu estava enganando? Jéssica enxergava o mundo de uma forma totalmente diferente da minha, ela acreditava na redenção das pessoas ao contrário de mim. — Ele não me ama, Jéssica, eu tenho medo de me colocar nas mãos dele e nunca chegar a ser amada. Isso acabaria comigo. — Sim, acabaria, mas você é forte e se reergueria logo depois. Dê mais uma chance e mostre a ele que você merece ser amada. — Eu amo o Liam, amiga, amo aquele garotinho e os dois me têm completamente presa a eles — falei emocionalmente cansada, Leo estava me pressionando muito em vez de tentar deixar as coisas acontecerem devagar. Eu nunca tive medo de correr atrás do que queria, mas dessa vez eu tinha muito o que perder. E se eu me apegasse ainda mais a ele e ao seu filho, e depois os perdesse?


— Então, eu acho que você já tem a resposta que queria, não é? — Jéssica falou me tirando dos meus pensamentos. — Sim, eu acho que sim — falei e me dei conta de que o Leo estava parado no batente da porta me observando. Pela sua expressão, eu podia jurar que ele tinha escutado boa parte da conversa e eu tratei logo de encerrar a ligação. — Ninguém nunca te disse que é feio ouvir a conversa dos outros? — perguntei e terminei de abotoar outra camisa sua em meu corpo, as roupas que eu tinha deixado para trás eram em sua maioria vestidos de festa e algumas roupas íntimas. — Por incrível que pareça, não. — Ele me olhou de esguelha e sorriu me fazendo revirar os olhos pela sua falta de noção. — Nós precisamos conversar, Leo — falei um tanto quanto apreensiva. — Eu sei. — Ele se aproximou e eu tomei a iniciativa para um beijo, queria ter certeza absoluta antes de tomar essa decisão. — Nós temos toda a noite, moça bonita, mas se você começar a me beijar dessa forma, a última coisa que faremos será conversar — murmurou. — Eu gosto quando me chama de moça bonita... — É a verdade, não é? Você é linda, Katie, além de intrigante, divertida e ácida nos momentos certos... — Ácida? — Sim, e você me instiga, sabia? Me faz querer ser melhor. — Leo... — murmurei. Se ele fosse falar coisas assim, eu não conseguiria ter a conversa que precisávamos ter. — Eu preciso saber o real motivo para que você me queira de volta, as vezes parece que o que você procura é uma mãe para o Liam e não uma mulher. — E por que seria diferente? Acho que nunca conseguiria me envolver com alguém que pudesse vir a não amar o Liam, Katie. Antes de pensar em mim, eu tenho que pensar nele. — Esse é o problema, eu tenho medo que você esteja querendo ficar comigo pelas razões erradas. — Quanto a isso você vai ter que confiar em mim, linda, eu poderia encher sua cabeça com promessas, mas tudo o que eu peço é outra chance. — Eu poderia estar com o pé atrás com ele ainda, mas sabia com toda a certeza que o Leo nunca fez o tipo de dizer coisas apenas para agradar os outros. Tanto é que a maior parte da minha mágoa se deu pela sua sinceridade e falta de tato ao ter lidado com o fim da nossa relação. Encarei aqueles olhos verdes e pude sentir o seu nervosismo, tracei a linha do seu rosto com o dedo me perguntando se algum dia eu seria imune ao que Leo provocava em mim. — Eu preciso que você prometa só uma coisa — falei. — Independente do que acontecer, eu quero ser a primeira a saber se a Serena entrar em contato com você, Leo, não quero ser feita de idiota novamente. — Serena não é estúpida ao ponto de voltar a aparecer, dei dinheiro suficiente para que ela se esqueça de que algum dia me conheceu e mais ainda, que não interfira na vida do Liam. Mas se é isso o que quer, eu prometo. — Seu rosto sempre se contraía quando tocava no seu nome, mas diferente de antes


eu via apenas desprezo agora. — Não quero nunca mais falar sobre ela — murmurei baixinho após sentir a mão do Leo acariciar a curva das minhas costas até chegar ao meu bumbum. Eu queria esquecer que algum dia aquela mulher cruzou a minha vida. Jéssica uma vez chegou a me perguntar se eu percebia a semelhança entre o Liam e ela, mas tudo o que eu conseguia ver quando o olhava era o filho do homem que eu amava, nada mais. — Não temos porque falar, Katie. — Ele roçou sua boca em meu queixo até a minha boca suavemente e eu esqueci de todo o resto, eu sabia o que estava em jogo dessa vez, mas eu finalmente estava onde queria estar. ***

Leonardo Cinco meses depois... Deixei Katie no andar de cima paparicando a Jéssica e a filha dela e desci com um Liam irritado ao meu lado, Matheus estava na cozinha e eu acho que nunca o tinha visto tão feliz assim em toda a sua vida, claro que desde o momento em que Jéssica entrou na vida dele as coisas mudaram drasticamente, mas agora era como se ele tivesse finalmente tudo o que um homem poderia querer. Presenciar a felicidade dos dois e mais ainda, presenciar as reações da Katie à pequena Maria Luíza, me fez querer ser capaz de proporcionar isso a ela, eu prometi ter Serena fora de nossas vidas, mas também prometi a mim mesmo que faria o possível e o impossível para fazê-la feliz e por vezes eu tinha medo de que ela percebesse o quão envolvidos eu e Liam estávamos e nos deixasse de uma hora para outra. Tive que me lembrar constantemente que ela não era a minha ex-mulher, que não nos trocaria por dinheiro e que quando dizia que me amava estava sendo sincera. — Qual é o problema, amigo? — Matheus perguntou enquanto preparava o jantar, era muito estranho ver meu melhor amigo agindo como um homem de família. — Papai não me deixou ficar com Kat — Liam respondeu emburrado achando que a pergunta tinha sido dirigida a ele, o que nos fez rir. — Elas estão tendo um momento de garotas, meu filho, sem homens por perto. — Mas a Kat é minha! — Claro que era, me pergunte quem é que o fazia dormir nessas últimas semanas? Ou, então, quem era obrigado a assistir os Minions com ele pela milésima vez? Se bem que essa última parte eu dava graças a Deus por não precisar mais participar. — Ela é sua, mas precisa de um tempo sozinha também, Liam. — Ele me olhou como se não entendesse o que eu tinha dito e sua atenção logo passou para o Ozzy que entrava na cozinha nesse momento. — Esse aí é outro que não entende, para ele sair do lado da Jéssica deve ser colocado para fora do


quarto com toda certeza. Abri uma cerveja que peguei na geladeira e me sentei enquanto observava Matheus fazer sabe-se lá o quê. — Eu sei que você não gosta de falar muito sobre isso, mas o que te fez pedir a Jéssica em casamento na primeira vez, cara? — falei o pegando de surpresa. Matheus odiava lembrar o que tinha acontecido aquela noite, mas eu me lembro de toda a certeza que ele teve antes do pedido frustrado. — Imagine amar uma mulher, Leo, ter ela de todas as formas possíveis, emocionalmente, fisicamente... Imagine que essa mesma mulher o considere o seu mundo, veja em você o único homem que ela realmente quer em sua vida. Eu era e ainda sou louco por aquela garota, cara. É clichê, eu sei, mas a felicidade dela é a minha e tudo o que eu quis quando pensei em pedi-la em casamento era tornar isso tudo oficial, ter a certeza de que mesmo que as coisas se complicassem ela estaria ali ao meu lado. — Sem arrependimentos? — perguntei. — Sério que você está me fazendo essa pergunta? — Ele me olhou estranho. — Só estou confuso, Matheus. Toda vez que eu olho para a Katie, eu quase tenho certeza do que sinto. A merda toda é que em todos os anos que passei com a Serena, eu não cheguei nem perto de sentir o que sinto agora. As duas são como água e óleo, entende? E eu estou preocupado de acabar tomando uma decisão apenas por medo de perdê-la. — Matheus balançou a cabeça e também pegou uma cerveja. — Nada do que você falou é relevante, você sabe disso, não é? A única coisa que importa no final das contas é se você a ama ou não. — Eu não consigo mais ficar sem ela — admiti contrariado, levando em conta as noites em que ela se negava a dormir na minha casa e, principalmente, as noites em que saía com suas amigas e voltava só de madrugada. Era como se ela não quisesse depender unicamente da minha companhia e estivesse se segurando em sua independência para que eu não pudesse machucá-la. ***

Katie — Você não pode fazer isso com ele, Katie — Jéssica falou irritada. Ela era a única pessoa no mundo que eu confiava a ponto de contar o que vinha me atormentando e ela decidia ficar contra mim. — Essa é uma escolha minha. — Eu te daria todo o apoio do mundo se eu soubesse que essa sua escolha não iria prejudicar ninguém, mas ela vai prejudicar. Já não basta a mãe do Liam tê-lo abandonado? — Esse era o problema, eu era apenas a namorada do pai dele, as pessoas não poderiam me crucificar pela minha decisão. Tudo o que eu não queria era ver o Leo sendo obrigado a ficar comigo por causa de... — Como você pode me pedir para ficar com ele, Jéssica, se eu nunca escutei um “Eu te amo”? Não quero que ele descubra nada, porque, a partir do momento que souber, vai querer ficar comigo, se casar e o escambau — falei irritada e Jéssica não me contradisse, pois o choro da Maria Luíza preencheu o


quarto e ela voltou a ninar a filha. — Você vai cometer o pior erro da sua vida se fizer isso e o Leo nunca vai te perdoar — murmurou. — Talvez eu não queira o perdão dele — falei magoada. Nesses últimos cinco meses, Leonardo estava sendo incrível, carinhoso, preocupado, dedicado... Nosso sexo era maravilhoso e as noites que passávamos juntos eram perfeitas. Liam tinha ganhado meu coração em definitivo também, éramos praticamente uma família... Mas eu nunca escutei nenhuma palavra ou indireta de que ele pudesse ser capaz de me amar. Eu era adorada com toda certeza, mas eu era amada? Por isso, quando descobri que estava grávida há dois dias, eu meio que comecei a ver tudo de um ângulo diferente. Estava claro que a primeira coisa que ele faria, seria me pedir em casamento e eu me recusaria a ficar com ele apenas por esse motivo. Eu merecia mais e o meu filho também. No caminho para a casa dele, no final da noite, percebi que ele estava um pouco mais calado que o normal, Liam dormia tranquilamente na cadeirinha no banco de trás e eu pensava e repensava em uma maneira de lidar com toda essa situação sem que ninguém saísse machucado. — Leo, eu... eu preciso conversar com você. — Concordo. — Concorda? — perguntei surpresa. — Sim — ele falou, mas continuou prestando atenção no trânsito. Pelo que eu conhecia dele, alguma coisa o estava preocupando e me perguntei se ele tinha percebido algo. Ele parecia tranquilo no jantar, me olhou o tempo inteiro como se estivesse ansioso para que ficássemos a sós e agora parecia nervoso, não sei. — Vou colocar Liam na cama e já desço Katie. — Me deu um beijo carinhoso nos lábios e subiu. Normalmente eu teria pegado uma taça de vinho ou alguma bebida forte o suficiente para me aquecer à noite por causa do ar frio, mas eu estava proibida de ingerir qualquer tipo de álcool. Então, preparei apenas uma bebida para ele e peguei um copo de suco para mim. Tirei as sandálias altas que usei essa noite e as deixei em um canto da sala bagunçada. Liam estava prestes a fazer dois aninhos e a cada dia que passava ficava mais arteiro e esperto. Ele conversava como gente grande quando queria, suas birras diminuíram, mas sua teimosia, como se isso fosse possível, aumentou ainda mais. Eu ficava preocupada com o fato de ele ter se apegado a mim, todas as manhãs ele me procurava no quarto do pai e nas noites que eu não dormia com o Leo, o pequeno ficava com um péssimo humor. Me sentei no sofá e pensei se conseguiria lidar com um bebê sozinha, lembrei das palavras da Jéssica e percebi que não seria justo privar uma criança do pai apenas porque esse não me amava. Meu maior medo seria contar e que a reação do Leonardo fosse pior do que poderia imaginar, eu sabia que ele era um ótimo pai para o Liam, mas de qualquer maneira seria pouco tempo de diferença entre os dois e... — O que tanto te perturbou essa noite? — Leo se sentou ao meu lado me aproximando ainda mais dele. — Nada — menti e ele me analisou atentamente.


— Eu ainda te faço feliz, Katie? Ou você só está comigo por que sente pena do meu filho e de mim? — Que pergunta era essa, pelo amor Deus? Eu estava com eles porque eu os amava. — Não sinto pena nem de você e nem do Liam, ficou louco? — Mas não me respondeu se eu te faço ou não feliz... — Não respondi porque pensei que fosse óbvio. — Não, não é óbvio. Enquanto estiver comigo, eu quero escutar todos os dias o quanto você é louca por mim e o quanto eu te faço feliz — ele falou tentando parecer divertido. Desconfortável, me desvencilhei dele e me afastei. — É um pedido ou uma ordem? — É uma ordem. — Leo sorriu e avançou sobre mim me pressionando contra o sofá. Minha blusa foi a primeira peça a ser tirada, seus olhos passearam pela minha boca e colo até chegar nos meus seios pressionados pelo sutiã vinho que usava. Seus dedos afastaram a peça os deixando parcialmente expostos e seu polegar começou a brincar delicadamente com eles. Leonardo me conhecia bem demais e sabia que a melhor forma de me fazer implorar era indo devagar, depois de me torturar ele desceu a boca até o meu umbigo e o lambeu, beijou toda a minha barriga de uma forma carinhosa que me deixou emocionada no pior momento possível. Suas duas mãos seguraram a minha cintura um pouco mais forte do que de costume e ele voltou a me olhar nos olhos. — Seu corpo é perfeito Katie, mas eu acho que estou começando a ficar um pouco louco porque toda vez que te vejo, eu começo a imaginar como você vai ficar quando estiver esperando um filho meu. — Fiquei completamente sem palavras. Será que ele descobriu e estava jogando verde para colher maduro? Ou tudo que dizia era sincero? — Eu sei que errei com você, Katie. Sei que tomei as piores decisões e lidei com tudo de uma forma que realmente te magoou. Por isso, eu não me importo que ainda não confie em mim totalmente, ou que sempre fique com um pé atrás, mas eu estou cansado de ter medo de falar ou fazer algo que vai acabar te afastando da minha vida para sempre. — A gravidez estava começando a mexer comigo, porque normalmente eu não chorava. Leo beijou cada lágrima que desceu do meu rosto e isso me abalou, ele não costumava fazer esse tipo de coisa. — Eu não quero mais mentir para você e muito menos para mim, Katie. Todas as manhãs eu acordo e me pergunto se aquele vai ser o dia em que você vai se dar conta do quão idiota eu sou e ir embora, sabe? Não quero mais viver assim, não quero te perder... Eu amo você, moça bonita... — ele murmurou próximo ao meu ouvido. — Você aceita se casar comigo? — Você está falando sério sobre me amar? — perguntei sem conseguir acreditar, não me importava com casamento, não me importava com nada. Tudo o que eu precisava saber era se ele realmente me amava. — Eu nunca brincaria com isso — ele respondeu apreensivo enquanto eu adiava a minha resposta de propósito. — Você vai querer ter filhos comigo? — perguntei assim que me lembrei da pessoinha dentro de mim. — Sim.


— Hummm... — Era divertido vê-lo ficar nervoso, eu não sabia decifrar o que estava sentindo nesse momento, mas era absolutamente incrível e era só olhar para aqueles olhos verdes e ver que ele tinha medo de ser rejeitado. — Quero uma resposta ainda hoje, Katie. — Por que a pressa? — perguntei divertida e ele não gostou, Leo fez como se fosse se levantar de cima de mim e eu o segurei pela camisa. — Calma, eu aceito me casar com você, homem. — Dei-lhe um beijo rápido enquanto disfarçava um sorriso. — Só que antes de você dizer que está “muito” feliz eu preciso que saiba que logo, logo teremos que arranjar uma casa maior para nós quatro morarmos — falei e esperei a explosão que não veio. Eu tomava pílula e desde que voltamos eram raras às vezes em que transávamos sem camisinha, então eu meio que achava que era para ser. — Quatro? — Acenei com a cabeça e o vi ficar surpreso. — Quando você descobriu? — Tem dois dias. — Leo me encarou, depois olhou para a minha barriga de uma forma diferente que me deixou ainda mais emocionada. — Dessa vez eu fiz tudo certo, não fiz? Engravidei a mulher que eu amo e que vai ser uma mãe maravilhosa... O que mais eu poderia querer? — ele falou e voltou a dar beijinhos por toda a minha barriga me fazendo sentir cosquinhas. — Eu te amo, Leo — murmurei enquanto me contorcia por causa das gasturinhas. — Nesse momento eu acho que te amo muito mais, moça bonita. — Leo levantou o olhar e me encarou ao dizer cada palavra, e pela primeira vez em muito tempo eu não me importei com os riscos de entregar todo o meu amor a ele...


EPÍLOGO

Matheus — Ah meu Deus, não para... Por favor... — Jéssica murmurou com a voz abafada contra o meu peito, se controlando para não gritar e fazer com que todos os funcionários que trabalhavam no mesmo andar que a gente nos escutassem. Como sempre, ela tinha suas unhas cravadas em meu ombro de uma forma quase desesperada e totalmente possessiva enquanto eu me enterrava uma e outra vez dentro dela alucinado pela excitação do momento. Segurei-a pelo bumbum com força para que nossos corpos não se afastassem e a pressionei contra a parede do meu escritório sem prever o barulho que o impacto faria, a safada arqueou seu corpo deixando seus seios enrijecidos e úmidos de suor ainda mais expostos... Lambi seu pescoço querendo sentir o gosto que só a sua pele tinha e fechei os olhos tentando recobrar o meu controle enquanto sentia a maciez do seu corpo me apertando tortuosamente. — Calma, minha gostosa... — murmurei tenso, eu não podia me esquecer de onde estávamos e muito menos a Jéssica, porque ela tinha menos de uma hora para se recompor e ir para uma reunião com um novo cliente. Não funcionou muito imaginá-la tentando se concentrar em outra coisa que não fosse em nosso sexo, porém o homem das cavernas dentro de mim gostou de saber que ela estaria o tempo inteiro desejando voltar para os meus braços para que terminássemos o que estávamos apenas começando. Merda! — Math... O telefone... — ela sussurrou com a voz fraca e me encarou com aqueles olhos grandes, sua boca gostosa já estava vermelha e inchada dos nossos beijos e... — Ele tocou mais uma vez, e praguejei desejando que fosse algo realmente importante. A coloquei no chão odiando a intromissão tanto quanto ela e fui até a mesa, apertei o botão do vivavoz e a puxei novamente para os meus braços enquanto escutava a Michelle. — Matheus, a professora da Maria Luíza está na linha um, eu posso transferir a ligação? — A expressão da Jéssica mudou rapidamente, indo de excitada a desconfiada em questões de segundos. — Sim, Michelle, por favor. Não foi surpresa quando a professora da Malu pediu que um de nós dois comparecesse na escola essa tarde, pois, segundo ela, minha filha e um amiguinho haviam discutido e trocados ofensas sérias e ela precisava conversar com os pais dos dois envolvidos. Como Jéssica não poderia adiar a reunião, eu me prontifiquei a ir. — É a terceira vez em dois meses, Matheus — Jess falou assim que a ligação terminou e saiu pela sala à procura do vestido e da sua calcinha.


— Ela só tem quatro anos, meu amor, isso é normal na sua idade... — falei e ela me olhou de esguelha como se perguntasse se eu realmente acreditava no que tinha acabado de dizer. Mas a verdade era que, apesar do rostinho inocente, Malu tinha uma lábia terrível e na maioria das vezes pecava por falar mais do que o necessário. Da última vez em que fomos chamados a escola, por exemplo, descobrimos que ela havia respondido à professora na frente de todos os outros alunos, Maria não gostou quando a professora reclamou que ela não deixava que ninguém mais falasse durante as brincadeiras e conversas e ela respondeu que tinha uma boca para poder falar, que não podia ficar muda. Esperei até que Jess terminasse de se vestir e refizesse o rabo de cavalo com o qual ela estava antes que eu a despenteasse e, mesmo preocupado com a Maria, eu não consegui tirar os olhos daquele bumbum gostoso da Jéssica andando para lá e para cá atrás dos seus sapatos. — Nem pense em se comover com a tristeza dela dessa vez, Matheus. Malu já percebeu que se fizer dengo e lhe sorrir vai conseguir tudo de você — ela me alertou. — Com quem será que ela aprendeu a agir assim, não é? — a provoquei porque Jéssica fazia a mesma coisa. Não bastasse Malu ser idêntica a ela, a mesma cor de cabelo, os mesmos olhos e sorriso, elas também eram muito parecidas na questão da personalidade, com a diferença de que Maria era muito mais atrevida do que a Jess. Não que eu me preocupasse tanto com isso, apesar de minha filha ser voluntariosa e independente, ela sabia o que queria e entendia perfeitamente quando precisávamos chamar sua atenção. Claro que as pessoas tinham que ter um pouco mais de tato ao lidar com ela, coisa que eu percebi que os professores da escola dela não tinham. Por vezes eu achava a forma como eles lidavam com as crianças exagerada, regras radicais demais e restrições sem fundamento, poucas eram realmente necessárias e era um absurdo exigir perfeição de uma criança que ainda estava na pré-escola. Pedi que Michelle transferisse as ligações para o meu celular durante a tarde e separei o material de arte para poder tentar trabalhar um pouco mais em casa, Jéssica se despediu rápido parecendo frustrada pelo sexo interrompido e, principalmente, por não poder ir comigo, mas garanti que mandaria uma mensagem assim que soubesse o que tinha acontecido de verdade com nossa filha. Em questão de minutos eu já estava em frente à escola e me dirigi até a coordenação. — Que bom que chegou, Sr. Milles — a professora falou séria. — A Maria Luíza está brincando com seus amiguinhos no pátio, mas eu acho que o melhor seria ela estar presente enquanto conversamos. — Fui levado até a sua sala e esperei que as duas voltassem. Não demorou muito e minha filha entrou contando os passos em uma tentativa de adiar a bronca e eu não pude deixar de sorrir ao vê-la usando mais um daqueles pares de galochas coloridas das quais ela adorava e a coroa de princesa sobre o cabelo castanho comprido. Jéssica sempre insistia para que ela usasse tiaras em vez de coroas, mas essa era uma das poucas coisas das quais ela não abria mão. — Fique à vontade, Sr. Milles... — disse apontando para a cadeira em frente à sua mesa. Sentei-me e Malu fez o mesmo ao meu lado, cruzando os bracinhos enquanto encarava a professora. — Sua filha tem se mostrado uma criança com um gênio forte, senhor, e fica irredutível quando é contrariada. Um amiguinho dela... — Ele não é meu amiguinho — Maria falou brava e eu lhe lancei um olhar reprovador para que se controlasse. — Tô falando a verdade, papai, ele não é — ela persistiu e a professora deu um sorriso sem graça. — A questão não é essa...— a professora prosseguiu ignorando o que a Maria falava. — Um dos colegas de classe dela fez uma brincadeira que a irritou, Sr. Milles, e ela teve uma reação inaceitável.


Sua filha deveria ter vindo diretamente a mim assim que o ocorrido aconteceu e não revidado a ofensa agravando ainda mais a situação. — Então, minha filha podia ser ofendida, mas se revidava estava errada? — O que aconteceu, filha? — Virei-me na direção dela e esperei para ouvir a sua versão, já que aparentemente ficaríamos andando em círculos aqui. Eu, melhor do que ninguém, sabia o quanto a Malu era voluntariosa, mas ela sempre foi uma criança direta e muito franca. — O Oliver disse que eu não sou uma princesa, papai, e que a minha coroa é boba — falou com os olhos cheios de lágrimas e eu me compadeci dela. Como não poderia? Malu tinha uma imaginação fértil e era ridículo que sua professora estivesse levando esse assunto tão a sério. — Como eu disse, foi apenas um mal-entendido. A Maria Luíza precisa entender que nem todos os seus colegas participam de suas fantasias... — Mas o meu papai sempre diz que eu sou uma princesa — ela desafiou a professora e eu percebi o meu erro. — Eu tenho um monte de coroas e vestidos de princesa— afirmou tentando impressioná-la. — E qual foi o erro que ela cometeu nessa história toda? — perguntei já sem paciência com a mulher insossa à minha frente. — Sua filha o chamou de mentiroso na frente de todos os coleguinhas e causou alvoroço na hora do lanche — respondeu. — Se essa fosse a primeira vez que ela fizesse algo assim, eu não me preocuparia tanto, mas não é. Maria atiça os colegas, toda a turma se envolve na bagunça que ela faz e eu não vejo como as coisas podem continuar dessa forma. — Voltei a olhar a minha pequena que nesse momento balançava as perninhas ignorando as palavras da professora e quando se deu conta de que eu a encarava, me deu um sorriso enorme para que eu não ficasse bravo com ela. Em momentos como esses, eu não me importava se ela falava sem pensar e se tagarelava quase que o tempo inteiro. Minha filha era saudável, esperta e assim como a mãe era a melhor coisa que já poderia ter me acontecido. Eu amava as duas incondicionalmente e não havia nada que eu não fosse capaz de fazer pela felicidade delas. Saí de lá prometendo para a professora que conversaria com ela até porque era a verdade, apesar do motivo da briga Malu ser bobo tinha que entender que não podia falar o que lhe vinha à cabeça, isso acabaria lhe trazendo mais problemas do que benefícios. Assim que chegamos no hall de entrada do apartamento, ela me entregou sua mochila e correu porta afora atrás do Ozzy. Apesar de adorá-la eu podia jurar que nos dias em que ele se enfiava no meu escritório era apenas para poder fugir daquela energia toda da minha pequena. Quando Jéssica chegou, algumas horas depois, me encontrou no escritório terminando de enviar o restante do material de uma campanha para a agência do Leo. Nós vínhamos fazendo algumas parcerias nos últimos anos e quase sempre quem pegava esses trabalhos era a Jéssica, acho que com o tempo ela acabou percebendo que o importante era gostar do que se fazia e não o lugar para o qual trabalhava. Deixei que ela tivesse autonomia para escolher apenas as sessões que a instigavam e no restante do tempo ela cuidava mesmo era da área burocrática e da prospecção de clientes. Ela entrou na sala e assim que viu a nossa pequena dormindo abraçada com o Oz no sofá do escritório sorriu carinhosa. — Então, ela fez caso porque o coleguinha disse que ela não era uma princesa? — perguntou


divertida e se sentou no meu colo. — Tipo isso... — falei e senti o cheiro gostoso da minha mulher. — Você sabe que a culpa é sua, não é? — Sorriu e eu concordei, eu realmente a chamava de minha princesa a todo momento, mas como poderia imaginar que ela levaria isso tão a sério? — Eu conversei com ela, tentei explicar a verdade de uma forma que não a magoasse tanto. — E ela? — Quase chorou ao se dar conta de que o que o colega falou era verdade, mas superou rápido. Perguntou se podia continuar usando as suas coroas mesmo assim e isso já a deixou feliz. — Por mim ela não cresceria nunca, Math — falou enquanto a olhávamos de onde estávamos sentados. — E o tempo parece estar passando tão rápido... — Eu concordava, era incrível vê-la se desenvolver e aprender as coisas diariamente, mas se eu pudesse escolher ela teria para sempre essa idade. — Já pensou no que eu te pedi, amor? — Ela acenou com a cabeça, eu entendia o motivo para que tivesse dúvidas, Malu sozinha já nos dava um trabalhão imagine mais um bebê? Só que eu não queria que os dois tivessem uma diferença de idade tão grande assim. — Estou pensando — respondeu avoada. — Você acha que ela lidaria bem com um irmãozinho? Às vezes ela é tão voluntariosa. — Malu tem um coração de ouro Jess, assim como o seu — a interrompi. — Eu não duvido nem por um segundo de que ela iria adorar essa ideia. — Fui sincero, eu via como nossa pequena se relacionava com os filhos do Leo e ela tinha verdadeira adoração por eles, principalmente pelo Liam. — Então, você quer mesmo outro bebê? — Sim, amor, eu quero. Dias depois, em Fort Lauderlale... — Às vezes, você para pensar na sorte que nós dois tivemos? — Leonardo perguntou ao meu lado e me passou uma cerveja e eu, claro, tive que concordar. Não tinha um dia que eu não olhava Jéssica ao meu lado na cama e me perguntava como a minha vida teria sido se ela nunca tivesse cruzado o meu caminho. Se eu nunca tivesse ido atrás dela naquela boate e me deixado levar por todo aquele desejo. Eu não seria metade do homem que eu era hoje e, provavelmente, estaria perdido mundo afora em mais uma tentativa frustrada de encontrar o que faltava em minha vida, mesmo não sabendo que um dia tudo se resumiria a ela. Hoje eu conseguia entender o amor incondicional do meu pai pela minha mãe, o fato de ele nunca ter voltado a se casar e de ter permanecido fiel a lembrança dela até o final. Essas não eram coisas das quais eu gostava de perder tempo pensando, mas era só eu que entendia... Malu e Jéssica caminharam de volta à casa nesse momento, minha pequena estava coberta de areia e Jéssica com um daqueles biquínis capazes de me tirar literalmente do sério.


— Papai, olha o que eu peguei. — Malu me mostrou um balde cheio de conchas e eu a puxei para o meu colo. — Você sabe que eu te amo, não é, pequena? — falei e ela me deu um daqueles sorrisos banguela dela. — Mais do que o universo? — ela perguntou, porque eu sempre dizia coisas assim, mesmo que ela ainda não tivesse a capacidade de saber exatamente o que era um universo. — Mais do que o universo com toda certeza. — Nesse momento, Liam passou correndo em direção ao interior da casa e ela afastou minhas mãos para poder ir atrás dele como havia feito por todo o final de semana. — Agora é a sua vez... — provoquei Jéssica para que ela viesse para o meu colo também, mas ela enrugou a testa como resposta e Leo riu alto ao meu lado. As últimas a aparecerem foram Katie e a Kim, a caçula dos dois, e não sei como era possível, mas ela estava em um estado pior do que o da Malu, se é que era possível. — Meu Deus, mulher, o que você fez com a nossa filha? — Leo perguntou assim que Kim parou na nossa frente com areia dos pés a cabeça. — Por que não limpou ela lá embaixo? — A área da piscina era separada da praia por um pequeno deque em que os jet skis ficavam quando eram usados e com mais alguns passos já era possível estar na areia que era a parte em que as crianças mais gostavam. — De que iria adiantar limpá-la se até chegar aqui ela arrumaria um jeito de se sujar novamente? — Como você pode ser tão porquinha, Kim? — ele brincou com a filha. Katie se apressou em levála para dentro e Leo foi atrás com a desculpa de que queria ajudar, mas se as coisas entre eles fossem tão boas como era comigo e com a Jess eu podia jurar que ele queria apenas um motivo para ficar mais tempo ao lado da esposa. Desde que eu conheço Leo, seus aniversários eram comemorados aqui no Fort. Era uma tradição que ele mesmo criou e que nunca abriu mão, mas em vez dos convidados e das festas que duravam o dia inteiro, as comemorações agora se restringiam aos momentos que passávamos com nossos filhos e as baladas e barzinhos que frequentávamos à noite quando os pestinhas já estavam na cama. Não que isso incomodasse, grande parte das mudanças que vieram com a chegada da Malu foram muito bem-vindas, era um engano achar que nada mudaria depois da chegada de uma criança porque, sim, elas mudavam. Jéssica já não podia andar nua pela casa, o que não a impedia de andar em nosso quarto com a porta trancada. Não podíamos transar mais em qualquer lugar da casa e nem a qualquer momento, mas sempre aproveitávamos os minutos em que ficávamos a sós e sexo no trabalho tinha se tornado um item obrigatório em nossos dias. O estúdio era meu, a mulher era minha... Passar uma hora fazendo amor com ela no meio do expediente não me tornaria menos rico e nem prejudicaria meu trabalho no final das contas. Horas depois, deixei Jéssica no quarto terminando de se arrumar e desci para verificar se Malu não estava dando muito trabalho para a babá do Liam e da Kim, que essa noite ficou responsável de colocálos na cama. Leo tinha bons amigos por toda a região e havia sido convidado para a inauguração de uma cervejaria. Como Katie e Jéssica tinham outros planos para o final da noite, nós decidimos passar por lá antes e depois emendar em uma das boates da cidade. Estranhei encontrar minha pequena sentada nos primeiros degraus da escada, séria e com as


mãozinhas no queixo. Respirei fundo e me sentei ao seu lado. Pelo visto, ela já estava pronta para ir dormir e deveria ter se perdido do rebanho, seu cabelo molhado e seu pijama comprido não impediram que ela colocasse o raio de uma coroa verde na cabeça, cheia de pedras vermelhas e azuis. Eu me perguntava onde ela e Jéssica conseguiam encontrar essas coisas... — Se perdeu, princesa? — perguntei e ela continuou olhando para frente pensativa. — O que foi dessa vez? — Minha pequena deu um longo suspiro completamente dramático e eu tentei permanecer sério, mas era quase impossível. — Quando eu vou ficar grande, papai? — perguntou me surpreendendo. — Vai demorar um pouco, Malu. Por quê? — Liam não quer mais brincar comigo porque eu sou pequena — falou triste, mas o motivo pelo qual Liam não queria brincar com ela era porque Malu era um grude. O seguia a todo momento e não deixava ele respirar, fora que a última coisa que um garoto de seis anos iria querer é uma garotinha com uma extravagante coroa atrás dele. Os dois costumavam ser unidos, mas parecia que quanto mais ele crescia mais a afastava. Seus interesses agora era futebol, carros e os esportes que praticava com os amigos da mesma idade que ele, não as brincadeiras fantasiosas da minha pequena. — Por que não brinca com a Kim, então? — As duas tinham apenas 10 meses de diferença, deveriam se entender mais do que ela e o Liam. Malu não respondeu, apenas se levantou e desceu os poucos degraus que faltavam, fui atrás dela consciente de que ela não estava nada satisfeita. — Onde você estava, Maria Luíza? — perguntou a babá preocupada assim que passamos pela cozinha. — Com o meu papai — respondeu e foi na direção onde Liam estava sentado terminando de jantar. O prato dela já estava na mesa e Kim era a única que ainda não comia sozinha. Recostei-me no batente da porta e esperei para ver se ela comeria ou não, minha filha encarou por alguns segundos o prato do Liam até que falou: —Eu também gosto de batatinha — disse sorrindo pela descoberta de algo em comum e a tensão entre os dois se dissipou no mesmo instante. Alguns minutos mais tarde, eu estava à espera da Jéssica, as crianças tinham acabado de subir e Katie e Leo já estavam prontos. Eu nunca pensei que fosse ver meu amigo tão feliz assim desde toda aquela confusão com a Serena há alguns anos. Eu o conhecia, sabia o quanto foi doloroso ver a mãe do seu filho trocando o amor dos dois por dinheiro, mas sempre achei que essa foi sem nenhuma dúvida a melhor coisa que poderia ter acontecido, tanto para ele quanto para o Liam. Aquela mulher não valia nada enquanto Katie sempre pareceu gostar dele de verdade, amava seu filho como se fosse dela e isso a tornou ainda mais admirável aos meus olhos. — Um beijo pelos seus pensamentos. — Uma voz suave sussurrou atrás de mim. Virei-me para poder cobrar meu beijo e me dei conta de que os minutos a esperando valeram muito a pena. Jess envolveu os braços em meu pescoço e mesmo com saltos ficou na ponta dos pés. Normalmente eu não gostava que ela usasse vestidos como o dessa noite, quase nunca reclamava porque não era frequente, mas essa noite ela estava implorando para ser... — Esquece, só pela forma como você está me olhando agora eu já sei no que está pensando — disse divertida e eu não consegui desviar meus olhos daquela boca.


Leo nos chamou e o clima foi momentaneamente cortado, a noite acabou transcorrendo tranquila, ficamos algum tempo na cervejaria conversando e bebendo e logo depois fomos para o Kaos Lounge, uma danceteria bem conhecida em Fort, com iluminação flúor, dançarinas da boate seminuas e música eletrônica tocadas por uma DJ em um palco centralizado. Jess e Katie logo se misturaram no meio da multidão e meu amigo e eu subimos para a área de cima onde poderíamos beber e conversar ao mesmo tempo que ficávamos de olho nas duas. Eu já estava com o corpo tenso desde o momento em que tinha visto minha esposa essa noite e quando Katie e ela subiram eu aproveitei para arrastá-la de volta à pista. Agora era a minha vez de aproveitar o corpo delicioso dela rebolando daquele jeito que me deixava louco. Jess não se fez de rogada e me puxou até um canto mais reservado, onde poderíamos dançar sem que ninguém fizesse tanto alvoroço, essa era uma danceteria liberal, vários casais estavam se pegando ao nosso redor e isso me deu um maldito tesão. Enquanto sentia os seios enrijecidos da minha safada roçando na minha camisa enquanto ela se mexia quase tão encaixada em mim como ficávamos quando fazíamos amor, a escutei gemer baixinho, óbvio que ela deveria estar tão afetada quanto eu. A vontade que tinha nesse momento era de pegá-la no colo e levá-la para o fundo da boate e me enterrar dentro dela até... Desci minha mão pela sua cintura e quadril por cima do seu vestido procurando algum sinal da sua calcinha e perdi completamente a razão ao perceber que a safada esteve a noite inteira sem nada tapando sua boceta, que a essa altura deveria estar excitada e... — Porra, Jéssica! — murmurei em um misto de irritação e tesão, respirando pesado e como Leo e eu estávamos em carros separados decidi encerrar a noite antes deles e arrastei minha esposa para fora daquela boate. Meu pau latejava dentro da calça, implorando para que eu desse logo um jeito nesse desejo absurdo. Abri a porta para que ela entrasse ainda não sabendo se brigava por ela ter passado grande parte da noite dançando sozinha e nua por baixo do vestido que não tapava muita coisa ou se simplesmente a agarrava e me perdia dentro dela logo de uma vez. A tensão no carro foi palpável, desejo misturado com... um sentimento forte de posse. Aquela mulher era minha, aquela boceta era minha e ela não tinha o direito de sair por aí assim sem pelo menos me avisar antes. O calor que estávamos sentindo aumentou consideravelmente. — Está realmente com raiva de mim? — ela perguntou se fazendo de inocente, seu pescoço e rosto pareciam estar pegando fogo, vi um brilho de umidade entre o vão dos seus seios... — Antes fosse raiva... — Passei as mãos nas coxas macias dela e a fiz abrir a perna, meus dedos e minha ansiedade logo me fizeram procurar sua entrada e assim que Jess sentiu o quão quente eu estava, ela se abriu ainda mais. Deslizei meus dedos até lambuzá-los quase que totalmente, a safada estava encharcada e pronta. — O que eu faço com você, Jess? — murmurei em seu ouvido e a senti arquear o quadril contra a minha mão. — Meu corpo é seu, Math — sussurrou ofegante. — Você pode fazer o que quiser com ele... E eu fiz... E diferente da primeira vez em que estivemos juntos e eu pensei que se tratava apenas de sexo, dessa vez o que fizemos foi amor. Lento e delicioso, não deixei de beijá-la em um só momento e quando gozamos juntos, a puxei para o meu peito e esperei até que a realidade voltasse. — Eu nunca pensei que amaria tanto alguém como eu amo você, baixinha...


Quatro meses depois... Cheguei em casa um pouco mais tarde do que de costume, essa noite era dia de jogo e eu sempre me reunia com alguns amigos no pub para podermos assistir a partida. Fui direto para o quarto ver se Jéssica ainda estava acordada, ela costumava me esperar chegar nesses dias, mas nas últimas noites andava mais cansada do que o normal por causa da gravidez. Não consegui explicar o sentimento forte que se apossou de mim ao encontrar ela e Malu dormindo abraçadas na nossa cama e, antes de tomar um banho e levar minha pequena para o quarto dela, eu as observei emocionado por um longo tempo, aquela era a minha família. Tomei uma ducha rápida e peguei minha filha no colo, estranhei que nenhum som tivesse feito Jess acordar e imaginei que ela deveria estar exausta da semana. E para a minha surpresa, Malu abriu os olhinhos quando a coloquei na cama do seu quarto. — Papai... eu tenho um segredo, mas mamãe não deixou eu te contar — falou indecisa enquanto eu a cobria com o lençol. — Sério? — perguntei desconfiado. — Sim — respondeu morrendo de vontade de contar o que era, e eu sabia que se insistisse ela iria acabar soltando tudo, mas o que quer que fosse eu preferia saber pela boca da Jéssica. — Eu vou perguntar à sua mamãe o que é, tudo bem? Agora dorme, minha pequena. — Te amo, papai — falou já prestes a cair no sono novamente e eu voltei para o meu quarto. Jéssica continuava na mesma posição e eu a puxei para os meus braços assim que me deitei. — E a Malu? — perguntou ao sentir falta da filha ao seu lado. — A coloquei na cama — falei enquanto minha baixinha se aconchegava um pouco mais contra o meu corpo. O poder que ela tinha sobre mim nunca iria diminuir. Jéssica era e sempre seria a mulher da minha vida, nada havia mudado ao longo desses anos, muito pelo contrário, a cada dia meus sentimentos se fortaleciam. Por isso, olhar para ela agora e não lembrar daquela garota que entrou na minha vida como um furacão era quase impossível, eu sempre amaria aquela garota, mas eu amava muito mais a mulher que ela tinha se tornado. — Matheus... nós teremos outra princesinha — falou suavemente me pegando completamente de surpresa, eu pensei que só descobriríamos o sexo na semana que vem e que eu estaria com ela assim como estive com a Maria Luíza. — Por que não me contou antes, meu amor? — Eu queria te fazer uma surpresa — disse sorridente e nada mais me importou nesse momento. Eu ainda estava um pouco em choque por saber que em breve seriam três mulheres nessa casa. — Será que vamos precisar de mais coroas? — indaguei e ela riu baixinho. — Meu Deus, eu acho que sim...


A beijei como fazia todas as noites antes de dormir e prometi, mais uma vez, que nada nesse mundo me impediria de fazer ela e as nossas filhas felizes. E eu encheria a nossa casa de princesas, se fosse o caso, sรณ para ver esse brilho em seus olhos e escutar a sua risada gostosa todas as noites pelo resto de nossas vidas.

FIM


A autora

JAS SILVA

Capixaba, nasceu em 1988, formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Vila Velha. Possui duas obras lançadas, Aconteceu Você e Sem Limites — o primeiro livro da série Imprudente.


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Time da liga de futebol americano.

Pacha é uma balada em Nova Iorque que tem quatro ambientes diferentes, cada um com suas próprias características e personalidade. São como quatro baladas em uma. [3] I won’t give up on us, compositor e intérprete Jason Mraz. Tradução: Não desistirei de nós / Deus sabe que sou forte, ele sabe / Temos muito a aprender / Deus sabe que somos dignos // Não desistirei de nós / Mesmo que os céus fiquem violentos / Estou lhe dando todo meu amor [4] Burn, composta por Ellie Goulding e Ryan Tedder, e interpretada por Ellie Goulding. Tradução: Nós, não temos de nos preocupar com nada / Porque temos o fogo / E estamos queimando um tanto de alguma coisa / Eles, eles vão nos ver desde o espaço sideral, o espaço sideral / Acenda. [5] We Can’t Stop, composta por Mike L. Williams II, Miley Cyrus, Pierre Ramon Slaughter, Timothy Thomas, Theron Thomas, Douglas Davis e Ricky Walters e interpretada por Miley Cirus. Tradução: A festa é nossa, podemos fazer o que quisermos / A festa é nossa, podemos dizer o que quisermos / A festa é nossa, podemos amar quem quisermos... [6] Diamonds, escrita e produzida por Stargate e Benny Blanco, com o auxílio da australiana Sia Furler na composição, e interpretada por Rihanna. Tradução: Você é uma estrela cadente, eu vejo / Uma visão de êxtase / Quando você me segura, sinto-me viva. [7] Tradução: Somos como diamantes no céu // Eu logo soube que nos tornaríamos um só / Oh, bem no começo / À primeira vista eu senti a energia dos raios do sol / Vi a vida dentro dos seus olhos [8] I won't give up on us, composta por Jason Mraz e Michael Natter, e interpretada por Jason Mraz - Tradução: Eu não desistirei de nós / Deus sabe que eu sou forte, ele sabe / Temos muito a aprender / Deus sabe que somos dignos / Eu não desistirei de nós


Table of Contents PRÓLOGO CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 2 CAPÍTULO 3 CAPÍTULO 4 CAPÍTULO 5 CAPÍTULO 6 CAPÍTULO 7 CAPÍTULO 8 CAPÍTULO 9 CAPÍTULO 10 CAPÍTULO 11 CAPÍTULO 12 CAPÍTULO 13 CAPÍTULO 14 CAPÍTULO 15 CAPÍTULO 16 CAPÍTULO 17 CAPÍTULO 18 CAPÍTULO 19 CAPÍTULO 20 CAPÍTULO 21 CAPÍTULO 22 CAPÍTULO 23 CAPÍTULO 24 CAPÍTULO 25 CAPÍTULO 26 CAPÍTULO 27 CAPÍTULO 28 CAPÍTULO 29 CAPÍTULO 30 CAPÍTULO 31 CAPÍTULO 32 CAPÍTULO 33 CAPÍTULO 34 CAPÍTULO 35 CAPÍTULO 36 CAPÍTULO 37 CAPÍTULO 38 CAPÍTULO 39 CAPÍTULO 40 CAPÍTULO 41 CAPÍTULO 42


CAPÍTULO 43 CAPÍTULO 44 EPÍLOGO [1] [2] [3] [4]

Eu pertenco a voce jas silva  
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