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Bella Jewel #4 Desolation Série Jokers’Wrath MC

Desolation Copyright © 2015Bella Jewel ~2~


SINOPSE Pippa. A menina que todos sabem que está danificada. Quieta. Quebrada. Ela não se encaixa. Nada em seu mundo parece certo. Ela está presa em uma espiral de escuridão que parece estar consumindo o seu dia a dia, até que ela não vê nada, além de um buraco negro e vazio. Seu mundo é um lugar quebrado que ela não pode escapar. Ela tem pessoas ao seu redor que se importam. Que a amam. Mas não é o suficiente. Não o suficiente para tirá-la do desespero amargo em que ela vive. ATÉ TYKE. Ele conhece a dor. Ele conhece a escuridão. Ele é doce. Mas acima de tudo... Ele entende ela. Combinar seus demônios não parece ser o melhor plano. Todo mundo está contra eles. Ele merece mais. Ela merece mais. Eles nunca vão funcionar. Eles são muito quebrados. Muito danificados. É uma combinação destrutiva que só vai acabar em desgosto. Ele é um motoqueiro. Ela é um anjo quebrado. Mas em suas desolações, eles vão encontrar a paz. UM NO OUTRO.

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A SÉRIE Série Jokers’Wrath MC – Bella Jewel

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Prólogo PASSADO PIPPA Uma mão quente acaricia a minha pele, me despertando do meu sono. Meus olhos se abrem e eu espero ver minha irmã, Santana, se inclinando sobre mim e sorrindo, me deixando saber que tudo está bem e que nós vamos encontrar uma casa onde podemos nos sentir seguras mais uma vez. Em vez disso, eu vejo Kennedy. Ele está olhando para mim, com os olhos tristes e sua boca em uma linha dura. — Pippa, — diz ele em voz baixa, ainda que sua voz seja áspera como uma lixa. — Onde está Tana? — eu chio, rolando a partir de minha cama macia e me sentando. — Ela está...bem, Pippa, eu tenho que te levar em um lugar. Você precisa confiar em mim, ok? Medo incha no meu peito, eu olho para o homem que levou a minha irmã e eu das ruas. Ele sempre gostou de Santana mais do que de mim, mas eu sei que é porque ela é muito bonita. Ele provavelmente só pensa que eu sou uma criança. Talvez eu seja. Eu não me importo de ser eu mesma quando ele está dando atenção a ela, porque qualquer coisa é melhor do que estar nas ruas frias. — Eu não quero ir a lugar nenhum, — digo a Kennedy. — Eu só quero esperar por Tana. — Santana está... ocupada agora. Você precisa confiar e vir comigo. — Kennedy... — eu balancei minha cabeça. — Eu não quero. Ele olha para o lado, sua mandíbula apertada. —Eu sinto muito pelo que eu tenho que fazer agora, Pippa. Me perdoe. ~5~


As postas se abrem bruscamente e três homens entram. Eles são grandes, tão terrivelmente grandes. Eu recuo para trás na minha cama, segurando meus lençóis para cobrir meu corpo minúsculo. Então, um, homem assustador, deu um passo à frente com um sorriso no rosto. Seus olhos são aterrorizantes, seu cabelo é escuro, ele é alto e magro. Ele me aterroriza. Há um ar sobre ele que me faz querer me enrolar e me esconder. — Olá, — diz ele, dando um passo a frente. — Você deve ser Pippa. Quem é ele? Por que ele está aqui? Ele é um homem mau? Ele é um dos que foram maus com Kennedy? Meu coração bate com medo. Por que Kennedy deixa estes homens entrarem em sua casa? Onde está a Santana? O que ele fez com ela? — Por favor, — eu chio. — Me deixe em paz. Ele sorri novamente. — Eu não vou te machucar, querida. Se você vir comigo, isso vai ser muito mais fácil. — Eu não quero ir com você! — eu choro. — Eu quero Santana! — Infelizmente, — diz o homem, levantando a mão e sacudindo o dedo, — você não tem uma escolha. Kennedy me deve, você, minha cara, é o pagamento. Meus olhos pressionam levemente para Kennedy, e ele abaixa a cabeça com vergonha, não olhando para mim. — Kennedy! — eu choro. Ele não olha para cima. Os outros dois homens dão um passo a frente e eu vou para trás até que minhas costas batem na parede.Os dois homens se inclinam para frente sobre a cama, meu coração está correndo enquanto eu tento desesperadamente encontrar uma saída. Eu não quero que eles me levem – não sem Tana. Minhas mãos tremem de medo quando eu coloco elas na minha frente. — Por favor, — eu sussurro. — Vai ficar tudo bem, querida. Em seguida, os dois homens chegam até mim, enrolando seus dedos ao redor dos meus pequenos braços finos. Eu grito e me viro, chutando para fora e tentando detê-los, mas eles são muito fortes. Eu chamo mais e mais por Kennedy, mas ele não ajuda. Um se inclina para frente com algo na mão, um pedaço de material é colocado sobre o meu rosto. Um cheiro terrível enche meu nariz e meus olhos rolam para trás em minha cabeça quando o meu mundo gira. ~6~


EntĂŁo, tudo desaparece na escuridĂŁo.

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Capítulo Um PRESENTE

PIPPA Eu posso ver Tyke do meu lugar no bar. Ele está rindo, seu belo rosto se ilumina. Eu não consigo tirar os olhos dele. Estou no complexo, passando tempo com Santana e sua filha, Molly. Eu adoro passar o tempo com a minha linda sobrinha, que estava destinada a ser um sobrinho. Você pode imaginar o choque que Santana e Maddox tiveram quando ela saiu, assim, uma ela. Eu não me importo, no entanto. Adoro ter mais família ao redor, não importa o sexo. Na verdade, eu adoro todo mundo aqui do Joker‘s Wrath MC. Quando eu conheci o pessoal, Santana os chamou de família, eu fiquei apavorada. Eles não eram o tipo de pessoas que eu teria pensado que poderiam me fazer sentir segura, ainda que durante meus anos de adaptação, eles fizeram exatamente isso. Eles estão aqui para mim, todos eles. Especialmente Tyke. Ele é meu melhor amigo. O belo motoqueiro, ligeiramente quebrado chamou minha atenção no momento em que cheguei ao complexo após Santana e Maddox terem me salvado de Artreau. Tyke tem uma borda quente sobre ele; ele não é tão emburrado e irritado como os outros membros do clube. Nós desencadeamos uma amizade, isso só foi se desenvolvendo desde então. Especialmente desenvolvido por mim, porque eu estou em algo muito mais profundo por Tyke do que gostaria de admitir. Nossa amizade é nova, verdadeira e bela, mas há algo mais no meu coração por este homem. Algo intenso que eu não consigo entender. O problema é que eu sou a única pessoa que o sente. Tyke nunca indicou que ele quer mais, eu não vou correr o risco de perder o único amigo que eu já tive. E amava.

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Ele está aqui para mim nos bons e maus momentos. Me ajustar não tem sido fácil para mim, mesmo agora acho que é difícil me aventurar no mundo por conta própria. Eu trabalho, o que me ajudou a interagir com as pessoas, mas para além disso, a família Joker‘s são as únicas pessoas que eu confio, mesmo assim eu acho difícil me encontrar. Estou sozinha. Eu sou a única que eles se esforçam para entender. A pessoa que amam, mas não sabem o que fazer. Eu não os culpo; eu não sou fácil de entender. Eu não posso esperar que eles me entendam quando nem eu me conheço o suficiente para dar a eles algo para segurar. Eles lidam, eles sorriem, eles me incluem... mas eu tenho estado e sempre estarei, estranha. — Terra para Pippa? Eu pulo ao som da voz de Santana, me viro para vê-la em pé com Molly dobrada em seu lado. Molly tem três anos agora, é a menina mais linda que eu já conheci. Ela tem as características escuras de sua mãe, mas ela tem os olhos de seu pai. Molly é um pouco de uma beleza exótica. Seu cabelo escuro é levemente ondulado em cachos pequenos perfeitos e seus olhos são azuis como o céu. Me ajoelho, — Olá, Molly menina. — Tia Pippa, — diz ela em sua bonita vozinha de menina. — Você está sendo uma boa menina hoje? Ela balança a cabeça, os olhos brilhantes. — Isso é bom, porque se você continuar sendo boa, mamãe vai deixar você dormir todo este fim de semana comigo. — A é? — Santana pergunta. Eu me levanto e sorrio para ela. — Sim, você vai. Eu não estou trabalhando, eu adoraria ficar com ela. Santana sorri, isso somente acentua sua beleza exótica. Nós somos tão diferentes, Santana e eu, mas ela é a garota mais bonita que eu já conheci. Ela diz o mesmo sobre mim, declarando que eu sou a garota mais bonita que ela já conheceu. Nós concordamos em discordar. Acho que nos só nos amamos tanto que não vemos nada, além de beleza uma na outra.

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— Maddox iria gostar. — ela sorri. — Molly tem sido uma mão de obra. — Nunca, — eu digo baixinho, olhando para minha sobrinha. — Espere pra ver, Pippa. — ela sorri, então seus olhos vão para Tyke e o assunto muda rapidamente. — Eu realmente não gosto dela. Ela é a garota errada para ele. Eu bufo um suspiro e viro, olhando para a mulher loura bonita que Tyke esteve namorando nos últimos dois meses. O nome dela é Andi, ela não é meu tipo de pessoa. Ela é arrogante e rude somente comigo, é claro. Ela não gosta da amizade que Tyke e eu temos e ela me faz saber disso a cada oportunidade que ela tem. Para todos os outros, ela é o retrato do comportamento angelical. — E a garota certa é? — eu questiono, ainda observando Tyke. — Você, boba, — diz Santana. Minhas bochechas coram e eu sussurro, — Pare com isso, Tana. Você sabe que Tyke e eu somos apenas amigos. Ela bufa. — Claro, Pippi, amigos. — Tem sido anos desde que fui salva, ele nunca sequer tentou fazer um movimento em mim. Nós somos amigos, Tana. — Uh-huh, — diz ela, balançando a cabeça, virando os olhos para Andi. Eu sigo o seu olhar de novo, deixo meus olhos pararem em Tyke. Ele tira o meu fôlego cada vez que eu olho para ele. Ele é um dos homens mais impressionantes que eu já conheci. Claro, Maddox, Krypt e Mack são todos lindos, mas eles são bem parecidos no tipo robusto, que grunhe. Tyke é diferente. Ele é doce, mas igualmente áspero em sua aparência. Seu cabelo cor castanho-avermelhado tem crescido um pouco nos últimos meses, e agora está pendurado sobre a testa. Ele tem esse olhar perfeitamente bagunçado que faz parecer que ele apenas rolou para fora da cama. Seus olhos são a combinação mais surpreendente das coresmarrom escuro com manchas de chocolate leves. Sua mandíbula é dura, quadrada e inteiramente masculina. Seu corpo é grande, duro e bonito. Tão bonito quanto ele. ~ 10 ~


Como se ele sentisse os olhares de Santana e eu, ele se vira. Ele sorri, um grande, enorme, lindo sorriso, meu coração palpita. Santana da a ele um aceno e eu sorrio timidamente. Tyke é uma das poucas pessoas que eu confio tanto quanto a minha irmã. Isso é apenas algo que temos desenvolvido ao longo dos anos. Ele me faz sentir segura. Ele se parece com um lar. Ele está lentamente se recuperando de sua lesão na perna, está realmente fazendo os exercícios que foi entregue a ele fazer para recuperar a força. Ele esteve em um grave acidente alguns anos antes de eu ser salva, e suas pernas foram esmagadas. Durante anos, ele viveu com pouco ou nenhum sentido dos joelhos para baixo, mas nos dias de hoje ele está começando a recuperar um pouco disso de volta, embora ele ainda precise passar algum tempo em sua cadeira, porque ele sente bastante dor se ele fica em pé por muito tempo. Eu vejo quando Andi olha para nós, também, ela dá um doentio doce sorriso falso. — Eu queria cortar essa merda falsa direto de seu rosto, — grunhe Santana. —Ela acha que eu não consigo ver através dela, mas eu totalmente posso. — Tana, não é da nossa conta, — eu digo sob a minha respiração. — Ela não é boa para ele. Eu suspiro. — Não, mas isso não é da nossa escolha. Ela não diz mais nada, porque Tyke e Andi estão se aproximando, ele está se inclinando sobre ela para um pouco de equilíbrio. Quando chegam a nós, Tyke solta a mão de Andi e se inclina para baixo, curvando seus dedos ao redor da parte de trás do meu pescoço como ele sempre faz, e beija minha testa. Seus lábios se prolongam por um bom tempo, e eu suspiro no quão incrível é ter contato com ele. — Como está, pequena? Ele me chama de ‗pequena‘ há mais de um ano. Ele disse que é porque eu sou a menor mulher que ele já conheceu. Eu sei do porque disso - é porque desde pequena, eu estive carente de comida decente, primeiro quando Santana e eu fomos expulsas para as ruas, e então quando eu fui vendida para Artreau. Por causa disso, meu corpo não cresceu como a maioria das mulheres fazem. Tenho pouco mais de um e cinquenta de altura, e não importa o quanto eu como, eu não consigo engordar. Eu não sou tão magra como eu era quando Santana me salvou, mas eu não tenho todas as curvas e ~ 11 ~


eu não gosto disso. Eu tentei todos os tipos de produtos para ganho de peso, e eles funcionaram, mas eu vim a aceitar que a parte curvilínea nunca vai acontecer. Eu inclino minha cabeça para trás e olho para Tyke. — Ei Tyke. — Eu não vi você por aqui por algumas semanas. Eu liguei ontem à noite, você não respondeu. Eu coro. — Eu estava dormindo. Eu trabalhei até tarde. Ele balança a cabeça e me dá um lindo meio sorriso. A covinha sai em sua bochecha esquerda. — Estou livre hoje à noite. Eu apareço lá. Eu adoro quando ele aparece. Eu adoro isso, a forma como ele me faz sentir. Quando estamos juntos assim, nada no mundo me assusta. Ele é a única empresa que eu tenho, além de Santana e Molly, eu adoro isso. O mundo lá fora ainda é um lugar assustador para mim, então eu passo a maior parte do meu tempo em casa, ou aqui. Quando Tyke está comigo, embora, eu sinto que posso fazer muito mais. — Isso seria ótimo. — Mas Tyke, — Andi diz em sua voz falsa, — você e eu iríamos sair, lembra? — Merda, — murmura Tyke, me dando um olhar de simpatia. — Ela está certa. Desculpe, pequena. Eu dou de ombros, mesmo que meu coração esteja despencando. Esta é a quarta vez que ele me disse que vai fazer alguma coisa, mas Andi coloca um fim a isso. Eu entendo, realmente. Posso não gostar dela, mas ela é a namorada dele e eu não queria que isso acontecesse se ele fosse meu namorado. — Não importa, — eu sussurro. — Estou cansada de qualquer maneira. Santana está observando essa troca com os olhos tristes. Antes que ela tenha a chance de dizer qualquer coisa, Maddox, Krypt e Mack entram na sala. Molly grita com prazer e corre na direção de Maddox. Ele sorri, lindo como sempre, se inclina para baixo, pegando sua menina em seus braços. Ele beija seu rosto e ela paira sobre ele, rindo. Eles parecem perfeitos juntos: a menina e seu protetor motoqueiro. O próprio pensamento disso me faz sentir falta do meu ~ 12 ~


próprio pai. Eu empurro isso para baixo e mantenho um sorriso falso estampado em meu rosto quando os três homens se aproximam. — Como vai, Pip? Isto vem de Krypt. Dou a ele um sorriso tímido. — Bem, Krypt. Obrigada. Ele sorri, e seus olhos cintilam em Santana. — Onde está Ash? — Ela teve que fazer uma corrida até a loja. Phoenix derramou tinta no chão. Suas sobrancelhas se atiram para cima. — Tinta? Ela suspira. — Sim. — Como está o novo emprego, Pippa?— Mack pergunta. Me viro e o observo. Mack é nativo americano e, possivelmente, um dos homens mais bonitos que eu já conheci, além de Tyke. Ele é impecável, robusto, sem ter uma única tatuagem em seu corpo. Ele não parece como se ele se encaixasse no clube, mas ele certamente faz. — Está indo bem, Mack. Obrigada. — Você trabalha com algumas pessoas boas? Concordo com a cabeça. — Até onde eu sei. Eu fico mais na minha e eu estou bem com isso. Eu comecei um trabalho em um enorme hotel cerca de três meses atrás. Eu sirvo todos os quartos e limpo. Não é o melhor emprego do mundo, mas eu estou estudando para fazer o meu ensino básico, e então eu quero progredir para ser uma enfermeira, é claro que eu preciso sair da minha concha um monte para isso acontecer, por isso agora é apenas um sonho, talvez até mesmo um objetivo. Eu fui tomada em uma idade jovem, então minha educação era limitada. Eu não tenho nenhuma experiência de trabalho e minhas habilidades de leitura e escrita são pobres, então eu tenho sorte de ter conseguido um emprego em tudo. — Isso é bom, garota. — Bem, — eu digo, deslizando da minha cadeira, — Eu só queria passar por aqui e dizer olá. — Não seja uma estranha, — diz Maddox, me cutucando com o ombro. — Você sabe que nós gostamos de ter você por perto. ~ 13 ~


— Sim, — eu digo, meus olhos correndo para Tyke, que está me estudando. — Eu vou te levar para fora, — diz ele, desalojando a mão de Andi, que estava apertando ela com posse feroz. — Ok, vejo vocês depois. Eu recebo um monte de despedidas, e então eu pego a mão de Tyke quando ele oferece. Andi olha para nós, mas ele não parece notar. Ele me leva para fora do complexo e para o meu carro, que todos juntaram e compraram para mim quando eu comecei a trabalhar. Quando chegamos lá, eu inclino minhas costas nele e Tyke se aproxima na minha frente, seus intensos olhos castanhos estudando meu rosto. — Senti sua falta, querida. Ele não me chama de querida muitas vezes, mas quando ele faz, meu coração derrete. — Eu também, Tyke, — eu digo, sorrindo para ele. Ele estende a mão, colocando a mão sobre o carro ao lado da minha cabeça, efetivamente me prendendo. — Nós vamos ficar juntos. Eu vou fazer isso acontecer. — Está tudo bem, você está ocupado com Andi eEle se inclina para baixo, cortando minhas palavras. — Eu disse que vou fazer isso, Pip, e eu vou. — Tudo bem, — eu digo baixinho. Eu não sou boa com confrontos, eu me esforço para não entrar em discussões. Provavelmente me faz meio frouxa, mas eu sou tímida na personalidade e isso é por causa da minha criação, pelo menos, essa é a conclusão a que cheguei. É provavelmente por isso que Tyke não é atraído por mim; ele parece gostar de suas mulheres mais no.lado feroz. — Senti falta desse seu rosto bonito nas festas. Se ele soubesse o quanto eu tenho saudades dele, também. —Eu deveria vir mais. Eu só... realmente não sinto a necessidade de estar aqui. Eu não sou parte do clube. — Ei, — diz ele, seus olhos se estreitando. —Você é e sempre será parte deste clube. Basta perguntar a qualquer um desses membros. ~ 14 ~


Você é uma das poucas mulheres que eles arriscariam suas vidas, e você nem mesmo é uma old lady. Eu enrugo meu nariz e ele sorri. A coisa toda de ‗old lady‘ ainda é estranha para mim, mesmo que eu entendo a um ponto. Santana parece feliz com o título, por isso não deve ser muito ruim. — Eu meio que estou feliz por não ser uma old lady, — eu digo com uma risada baixa. Seus olhos brilham. —Eu também, porque eu não estaria feliz com isso. — Você não estaria?— eu chio. — Não, — ele resmunga. — Eu não. Ele não continua. O que suas palavras querem dizer? Confusão incha no meu peito. — Bem, — eu digo, me mexendo. —Eu deveria ir. Ele se aproxima e pega minha mandíbula, empurrando minha cabeça para trás. — Não seja uma estranha para mim, pequena. Você me ouviu? — Te ouvi, Tyke. Ele me abre um sorriso e, em seguida beija a cabeça de novo antes de recuar. — Me ligue, sim? — Ok. Subo para o meu carro, sorrindo. Eu posso não ter Tyke da maneira que eu quero, mas tê-lo na minha vida é o presente mais precioso que já me foi dado.

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— Pippa! Vacilo ao som de meu chefe, a voz de George. Me viro lentamente, deixando meus dedos desenrolarem do meu carrinho de limpeza. Eu estava prestes a entrar no quarto 204 para limpar antes dos próximos hóspedes chegarem amanhã, quando ele me chamou. ~ 15 ~


Não vejo muito George, principalmente porque eu trabalho à noite quando tudo está tranquilo, mas esta noite ele entrou para fazer a sua verificação semanal habitual. Eu mantenho minha cabeça parcialmente abaixada enquanto ele caminha mais perto. George tem cerca de 30 anos de idade, e é um homem muito bonito. Ele tem cabelo vermelho escuro, pele pálida e olhos azuis claros. Isso funciona nele, ele tem esse olhar escocês. Ele tem um leve sotaque, também, o que me diz que ele provavelmente não esteve aqui toda a sua vida. — Ah, boa noite, George, — eu digo timidamente. Eu ainda não levanto a cabeça para olhá-lo nos olhos. Isso é algo que incomoda muita gente, mas eu me esforço para fazer. Minha personalidade submissa tem meu rosto virado para baixo mais do que virada para cima. Tyke muitas vezes toma conta de meu queixo e obriga os nossos olhos a se encontrarem. — Você não fez o que eu pedi, Pippa, — ele late. Eu mencionei que George é também um chefe horrível? Ele é. Parto do princípio que uma boa dose de chefes são assim, ou assim eu ouço as pessoas ao redor me falar, então eu não questiono, eu só guardo para mim. — Ah... — minha voz treme. — Eu pensei— Você pensou? — ele late. — Você pensou o quê? Eu disse que é para você limpar todos os banheiros de visitantes antes de iniciar as suas funções. — Sim mas— Sem mas, — ele ruge, se aproximando. — Se você não pode fazer o seu trabalho, então você pode encontrar outro. Meus lábio inferior treme e meu peito aperta. Sofie, a outra menina com que eu estou fazendo turno esta noite, me disse que iria fazer os banheiros se eu pegasse os quartos. Nós mudamos frequentemente de função. Eu não sei para onde ela foi, mas ela obviamente não fez ou George não estaria aqui gritando para mim. — Sinto muito, — eu sussurro, olhando para o tapete. — Você é maluca ou algo assim?

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Vacilo, mas não levanto os olhos. Eu também não respondo. — Olhe para mim, Pippa. Eu levanto os meus olhos, mesmo que eu não quero. Ele está olhando para mim com as mãos nos quadris. — Bem? — ele late. — Você é maluca? Maluca? Tenho certeza do que essa palavra significa. — Eu, ah, não, — eu digo. — Então pare de agir como se eu estivesse indo te açoitar cada vez que eu falo. Jesus, é como se você fosse um cachorro ferido com medo. Quando alguém fala com você, Pippa, olhe nos olhos. Você está agindo como você tivesse metade de um cérebro! Agora, faça o que eu disso. Se eu tiver que mandar de novo, eu vou te demitir. Com isso, ele gira e sai. Me viro para enfrentar o meu carrinho com as pernas trêmulas. Ninguém falou tão duramente comigo desde... desde Artreau. Me sinto estúpida e patética. Eu sinto como se ele estivesse apenas provando a mim, e ao resto do mundo, o quanto eu não me encaixo. Eu engulo o caroço se formando na minha garganta e empurro meu carrinho para o primeiro conjunto de sanitários. Assim quando eu abro a porta, Sofie vem correndo. — Eu sinto muito, Pippa! — diz ela, o rosto corado. — Eu estava doente. Meu rosto se torce e eu fico preocupada. Pobre Sofie. Isso explica o seu atraso. — Você está bem? — eu digo, minha voz cheia de preocupação. Ela balança a cabeça. — Eu acho que eu comi alguma coisa ruim. Ouvi George gritando com você; eu sinto muito. Vou dizer a ele o que aconteceu. — Não, — eu digo rapidamente. — Está tudo bem. Deixe assim. Ela me dá um olhar simpático. Sofie é uma garota muito legal. Cada vez que eu falo com ela, ela é simpática e acolhedora. Ela é muito parecida comigo em um sentido. Ela é uma pequena menina loira, só que os olhos são uma avelã brilhante, em vez de marrons como os meus.

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Meu cabelo é de um loiro-branco, onde o dela é de sol loiro, mas fora isso, nós somos de uma altura e peso similar. É bom saber que eu não sou a única anã no mundo. Muitas vezes me perguntei se eu iria sempre parecer diferente para todas as outras mulheres que eu encontrava. Sofie mudou esse processo de pensamento para mim. — Me deixe te ajudar com estes; só vai me levar um pouco mais de tempo para terminar os quartos. Eu não quero que você entre em mais problemas. Ele realmente foi um idiota com você. Concordo com a cabeça, sentindo a vergonha subir no meu peito novamente. A maneira como ele falou comigo – isso agitou emoções que consegui viver sem nos últimos anos. Ele me encheu de vergonha e me fez sentir como se eu não valesse nada. Eu não gosto desse sentimento. Eu não gosto nada disso. Eu trabalho em silêncio, apesar de Sofie conversar a distância. No final da noite, o meu telefone me alerta para o fato de que eu tenho uma mensagem de texto. Eu realmente não respondo textos porque a coisa toda me confunde, mas ultimamente eu estou começando a descobrir isso. Santana insiste em eu aprender, porque é o ‗caminho do mundo‘ mas eu tenho muito mais paz sem ele. Eu puxo o telefone de qualquer maneira, e olho para a tela. É uma mensagem de Tyke. Tyke: Pequena, eu achei que você não ia sair hoje à noite? Oh. Ele pensou que eu não estava no trabalho. Tento me lembrar se eu disse a eles os meus turnos, mas não me lembro de dizer a ele que eu não estava trabalhando. Talvez ele esteja confuso. Eu olho para Sofie, que está limpando um banheiro, e eu respondo rapidamente. Pippa: Desculpe. Pensei que você soubesse. Ele responde logo depois. Tyke: A que horas você termina? Eu engulo, não sei se eu quero ver alguém esta noite. Meu coração ainda está... dolorido. Pippa: Provavelmente meia-noite. Tyke: Bom, eu vou passar por aí.

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Deus. Uma grande parte de mim quer dizer que sim, mas outra parte, a parte mais frágil, não quer que ele me veja assim. Ele provavelmente vai achar que eu sou patética assim que me ver neste estado. Eu respondo, esperando que a minha mensagem não soe rude. Pippa: eu não quero visita hoje à noite, mas obrigada. Então eu fecho o meu telefone e volto ao trabalho.

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Capítulo dois PASSADO

PIPPA Eu não sei onde estou. Tudo que eu sei é que eu estou em um lugar estranho, com pessoas estrangeiras, e ninguém para me dizer o que está acontecendo. Estou com muito frio e eu estou tão sedenta que minha língua parece como um grosso pedaço de lixa na minha boca. Meu corpo está doendo de muitas horas de viagem e pouco tempo de alongamento. Estou sozinha. Santana não está aqui. Kennedy não está aqui. Ninguém que eu conheço está aqui. O terror que roda no meu peito não tem passado nas últimas 48 horas. Agora temos sido jogados em uma enorme casa assustadora, isso ficou ainda pior. O lugar em que estamos não é América. Isso eu sei. Eu não tenho nenhuma ideia de onde estamos, tudo o que eu sei é que eu estou a um longo, longo caminho de casa. A pior parte? Eu não tenho ideia do por que. Minha mente tenta passar por cima de cada coisa que aconteceu quando eu estava sob os cuidados de Kennedy. Claro, havia coisas que estavam fora, especialmente as drogas, mas as coisas pareciam relativamente normais considerando. Santana tinha começado a cair, e eu sabia que ele estava dando a ela essas pílulas horríveis, mas ela ainda cuidava de mim. Parecia que as coisas estavam se movendo em um ritmo constante. Então, meu mundo foi virado sobre seu eixo, e aqui estou eu. Eu não tenho ideia porque estamos aqui, mas eu peguei alguns trechos de conversas e conseguimos ter um bom palpite. Quem quer que seja essas pessoas, eles compram pessoas. Escravos, para ser mais exata. Que tipo de escravos eu não sei, mas parece que é o mais próximo que eu vou chegar a uma explicação. Na minha mente, eu não consigo descobrir por que alguém iria ser vendido como escravo. Será que Kennedy fez alguma coisa errada? Será que ele tem uma dívida e é assim que paga? Ele fez isso de ~ 20 ~


propósito para ganhar dinheiro? Eu não sei por que alguém iria me querer. Eu sou pequena, fraca e frágil. Eu não sou boa para essas pessoas. Alguém tosse e eu sou trazida de volta para o aqui e agora. Há oito de nós neste pequeno quarto com apenas uma pequena janela para a luz. Não há um padrão definido na raça, idade ou sexo. Há branco, preto, indiano, asiático e até mesmo um sul-africano entre o grupo. Não parece haver nenhum limite de idade, considerando que eu estou sob a idade de quinze anos. O mais velho do grupo poderia ter sessenta. O quarto em que estamos é longo, mas estreito. Há camas alinhadas e um banheiro minúsculo com um velho lavatório e um vaso sanitário enferrujado. O chuveiro está quebrado e há azulejos partidos que o revestem e há pouca ou nenhuma pressão da água. As camas são duras e desconfortáveis, com buraco no meio. Nós fomos despojados de nossas roupas no momento em que chegamos, colocamos uniformes feios. Talvez seja por isso que estamos aqui,para ... trabalhar. Nós mal falamos, mas algumas palavras foram compartilhadas. Nomes, principalmente. Todo mundo parece tão assustado quanto eu. Eu não acho que elas entendem por que eles estão aqui, também. Alguns parecem como se eles tivessem tido uma vida mais difícil do que outros, e alguns podem possivelmente ser drogados e alcoólatras. Uma menina, que tem cerca de dezoito anos, se parece com uma mulher velha, ela está tão danificada pelo abuso de substâncias. Eu vivi nas ruas tempo suficiente para descobrir como as pessoas que abusam de drogas se parecem. A porta range e minha cabeça gira lentamente em direção a ela. O homem que me capturou entra, vestido em um terno e gravata. Seu cabelo está penteado para trás e ele tem um sorriso frio no rosto. Ele dá um passo para dentro do quarto, com as mãos colocadas ordenadamente atrás das costas. Ele parece tão formal. Eu sei que ele é um monstro, no entanto. Eu posso ver isso em seus olhos impiedosos. — Olá, escravos. Meu nome é Artreau, mas isso vai ser de nenhuma relevância para vocês. Estou aqui para dizer porque vocês estão sob meus cuidados. Eu possuo vocês agora. Vocês foram vendidos para mim para pagar uma dívida, estou certo de que todos sabem exatamente quem te colocou nessa posição. O meu coração aperta. Kennedy. Ele me colocou aqui. Ele me vendeu a este monstro. Eu só não entendo o por que. Eu pensei que ele ~ 21 ~


se preocupava com Santana e eu? Claro, ele cuidou dela mais do que eu, mas ele tinha cuidado de nós duas. Por que ele faria isso? E se ele fez isso comigo, o que ele fez a Santana? O pensamento faz meu coração apertar no meu peito. — Eu possuo campos de tabaco, — Artreau continua. —Uma boa parte deles. Eu trabalho neles e vendo a colheita para ganhar a vida. Eu não quero que as pessoas peguem o meu dinheiro suado para fazer o trabalho de colhê-los, de modo que é aí que vocês entram. Vocês vão trabalhar nesses campos, você vão plantar, e vocês terão que proteger minha plantação. Esse é o trabalho de vocês, é como vocês vão sobreviver aqui. Se vocês não fizerem isso, vocês vão morrer de fome e morrer. Considerem isso a forma de que vocês serão alimentadas. Vômito sobe na minha garganta. É um sonho, um sonho ruim. Vou acordar logo. — Há segurança total na minha terra, por isso não pensem em fugir. Vocês vão ser acorrentados a um parceiro, para que a ação resulte na punição da pessoa com você. Considere isso antes de tentar escapar de mim. Vocês vão ser alimentados uma vez por dia, e só se vocês tiverem concluído o seu trabalho do dia inteiro. Este é o alojamento de vocês. — ele acena a mão ao redor do quarto. — Vocês vão tomar banho aqui, e uma vez por semana as suas roupas e roupas de cama serão lavadas e devolvidas. Isto é um pesadelo. Tem que ser. — Agora, não se preocupem em argumentar porque não há nenhuma maneira de sair. Vocês só serão libertados quando vocês pagarem a dívida devida a mim. Isso pode levar anos, até décadas. Esta é a vida de vocês agora. Com isso, ele se vira e vai para fora. Um homem mais velho do fundo do quarto salta e corre em direção a porta, mas ela já foi batida e travada. Ele esmurra seus punhos contra a madeira, gritando mais e mais, mas não há nenhum ponto. Não há nenhuma maneira de sair. Uma lágrima silenciosa desliza pelo meu rosto quando uma realidade horrível se instala. Eu nunca vou ser livre. Meu coração dói. Santana. Deus, me ajude, por favor.

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PRESENTE

PIPPA Meus pés cansados me arrastam para a minha porta da frente depois de uma longa noite de trabalho. Eu coloco minha chave na fechadura, mas salto quando uma voz vem das sombras. — Eu não quero visitas hoje à noite, mas obrigada. Tyke. Me viro e o vejo emergir lentamente do meu pátio, com os braços cruzados sobre o peito grande. Ele está mancando um pouco e eu sei que é porque suas pernas estão doloridas, mas ele insiste constantemente em ficar de pé ao invés de estar em sua cadeira. — Ah, Tyke, o que você está fazendo aqui? — eu sussurro. — Que tipo de mensagem era essa, Pip? Droga. Eu o ofendi com a minha mensagem. — Eu só estava— Eu não quero visita hoje à noite, mas, obrigada, — ele repete, se aproximando. Eu olho para longe, minhas bochechas coram. — Sinto muito. Eu estava cansada. — Isso é uma mentira. Vacilo e ele percebe, porque ele toma meu queixo e vira o rosto para o dele. Seus olhos castanhos procuram meu rosto. — O que aconteceu, pequena? — Nada, Tyke. Sinceramente estou cansada. — Desde quando você começou a me contar mentiras? Eu engulo, e eu não posso evitar pensar nos acontecimentos da noite e começo a chorar lágrimas de raiva, derramando pelo meu rosto. Os olhos de Tyke as seguem, e seu rosto fica duro. — O que aconteceu? — Não é nada, eu só~ 23 ~


— Querida, — diz ele gentilmente. — O que aconteceu? Eu não posso dizer a ele o que aconteceu. Eu vi como o clube reage quando uma de suas meninas é chateada ou magoada por alguém. Se eu disser a Tyke sobre o meu chefe, ele vai atacar lá e provavelmente deixa-lo em uma polpa. É o primeiro e único trabalho que eu já tive; eu não posso me dar ao luxo de perdê-lo. Então... Eu minto. Eu odeio mentira, mas eu não quero as coisas saindo de controle. — Tyke, — eu digo, tão silenciosamente que a minha voz está mal lá. — O que é louca1? Ele recua e sua mandíbula fica tão apertada que eu posso ver o músculo abaulando na sua bochecha. — O que você disse? — Eu... — Alguém te chamou assim? Eu olho para longe. — Quem? — ele exige, sua voz como o aço. — Quem te chamou assim, Pip? — Era um cliente... Odeio mentir. Eu odeio isso. Eu odeio isso. — Por que qualquer cliente te chamaria disso? — ele questiona. Olho hesitante em seu rosto, e ainda está duro. — Eu deixei cair a bandeja de servir. Ele ficou irritado e me chamou de louca. Tyke cai meu queixo. — Ele ainda está lá? — pergunta ele, puxando o seu telefone. Pânico incha no meu peito. — Não, Tyke! — Ninguém chama você de louca e ninguém faz você chorar. Ele. Ainda. Está Lá? Ele está me assustando. — N...ele fez check-out. Tyke, por favor.

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O patrão dela chamou de Daft, que é louca, maluca, doida. ~ 24 ~


Seus olhos piscam e ele olha para mim de novo. — Que tipo de pedaço de merda chama uma garota disso? Especialmente uma garota como você. Lágrimas queimam mais uma vez. — Provavelmente porque eu sou, — eu sussurro. Tyke recua e seus olhos se inundam com a dor. — Pippa, — diz ele, com a voz grossa. — Você nunca diga algo fodido assim de novo. Eu largo os meus olhos para o chão, e sua mão retorna ao meu queixo, inclinando de volta. — Olhe para mim, querida. Eu olho para ele. — Nunca deixe ninguém fazer você se sentir assim. Você não é louca, você não é estúpida - você é incrível e bela e tão malditamente especial que qualquer um seria sortudo de ter você. Você me entende? Ele acha que eu sou bonita? Deus. Ele acha que eu sou bonita. Concordo com a cabeça, incapaz de fazer qualquer outra coisa. — Bom baby. Agora vamos para dentro, porque minhas pernas são me matando. Baby. Ele me chamou de baby. E bonita. Eu estou presa ao solo por um longo momento, tanto que ele tem que chamar o meu nome para ganhar a minha atenção mais uma vez. Eu tropeço para frente e abro a porta, então eu puxo e entro. Eu tenho um apartamento de dois quartos decente apenas uma rua da casa de Maddox. Os caras todos fizeram vaquinha e compraram para mim para que eu pudesse ter meu próprio espaço. Eu vivi tanto tempo com Santana e Maddox. Eu não queria que eles se sentissem como se eles tivessem que me manter na casa deles. Eles precisavam de seu espaço também. Embora eles nunca dissessem isso. Eu ligo a luz da cozinha e Tyke vem atrás de mim. Ele está mancando e sei que suas pernas estão doendo, então eu aponto de imediato para o pequeno sofá que foi doado por Mack e Jaylah. —Sentese, Tyke. Suas pernas parecem que estão doendo. ~ 25 ~


Ele me dá uma expressão de dor e se senta no sofá, suspirando de alívio. — Sim, você poderia dizer isso. Eu abro a geladeira e pego uma cerveja – eu mantenho sempre para ele, e então eu pego um refrigerante para mim. Eu me aproximo e me sento ao lado dele, entregando a ele a garrafa. Eu estou acostumada a passar o tempo com Tyke depois do meu turno, embora a maioria não termine até quase meia-noite. Ele não parece se incomodar, e por isso não me incomoda, tampouco. — Como você está indo com todos os exercícios de recuperação? Ele resmunga, tomando um gole de sua cerveja. Quando ele engole, ele se vira para mim. — Esses são o que está causando tanta aflição. Eles machucam mais do que ajudam, eu tenho certeza disso. Eu estreito meus olhos. — Isso é provavelmente apenas uma parte da recuperação. — Sim, — ele diz, encolhendo os ombros. — Provavelmente. — Você quer um pouco, ah, de gelo ou algo assim? Ele me dá um impressionante meio-sorriso. — Não, querida, eu estou bem. Concordo com a cabeça, olhando para o meu colo. —Eu deveria tomar banho. Está muito tarde. Quando ele não r esponde, eu olho para trás e seus olhos estão estudando meu rosto. —Como realmente as coisas estão indo, Pip? — Tudo bem, — eu digo rapidamente. Muito rapidamente. Eu honestamente não sei como as coisas estão para mim. Eu tenho pessoas ao meu redor que me amam, um emprego, uma casa, comida na minha barriga, mas eu estou lutando para sentir como se eu pertencesse ao mundo. Eu me sinto diferente, estranha até. Gostaria de saber se eu um dia vou me encaixar. — Você está me contando mentiras, — diz ele, se aproximando e pegando meu queixo. — O que está acontecendo, Pip? — Nada, Tyke, — eu digo, puxando meu queixo de seu alcance. Eu estou mentindo. Há tanta coisa acontecendo.

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Estou desesperada para mudar, mas eu não sei por onde começar. Quero amigos, eu quero uma vida, eu quero alguém que me ame... Eu quero que esse alguém seja Tyke, mais do que qualquer coisa neste mundo. No entanto, isso nunca vai acontecer. Ele nunca vai me ver como algo mais do que a irmã que ele nunca teve. A menina quebrada que ele precisa consertar. A amiga desesperada que ele não se afasta com medo dela quebrar. Nós realmente não nos divertimos, ele está apenas sempre comigo, porque ele sente pena de mim. Ele é meu amigo, mas ele nunca me leva para fazer qualquer coisa. Ele está com vergonha de mim? Eu não o culpo. — Quero uma vida, Tyke, — eu sussurro, olhando para as minhas mãos. — Eu quero amigos... Eu quero sair e aprender a me divertir. Eu não quero ser tão triste o tempo todo. Eu queria... Eu olho para longe. — O que, pequena? — Eu quero me apaixonar. Eu quero me casar. Eu quero ter filhos e ser feliz... A mandíbula de Tyke aperta quando ele olha para mim. — Eu não sabia que você queria essas coisas... Eu pensei... Ele olha para longe. — Eu sou uma pessoa, Tyke, —eu digo, tão baixinho que nem sei se ele me ouve. — Claro que eu quero essas coisas. Ele balança a cabeça e olha de volta para mim. — Então, faça isso, Pippa. — Eu não posso. — Por que não? Eu engulo e lágrimas patéticas piscam nos meus olhos. — Porque eu sou diferente. Ninguém quer o diferente, Tyke. — Isso não é verdade, querida. — É verdade, — eu choro, olhando para ele. — Ei, — diz ele, pegando suavemente meu rosto. —Eu gosto do diferente, baby. Você me ouve? Eu gosto do diferente. ~ 27 ~


Ele gosta. Oh Deus, ele gosta? — V... V... V... você gosta? — Porra, sim. Uma lágrima escorre pelo meu rosto e ele enxuga suavemente. — Agora, vá e tome um banho. Então venha e se sente comigo um tempo; senti falta da sua companhia. Concordo com a cabeça. — Ok. Me levanto e corro para o chuveiro, sentindo meu coração cheio de algo desconhecido. Eu nunca tinha experimentado nada parecido com isso, mas é um sentimento que eu gosto muito. Parece muito como esperança, e eu oro, Deus eu oro, que seja isso. Tomo banho rapidamente, então eu coloco um par de calças de pijama e uma regata azul, e corro de volta para onde Tyke está apoiado em meu sofá, assistindo a minha televisão minúscula. Quando eu sento ao lado dele, ele se vira e seus olhos incendeiam com algo que eu estou familiarizada. Ele desvia o olhar rapidamente, e murmura, — Nada de bom passando. — Tyke, — eu digo, hesitante. Ele olha para mim. — Sim? — Você vai ler para mim? Eu não sei ler muito bem. Eu aprendi o básico, mas não é o suficiente para eu ler romances ou poemas, os quais eu amo. Tana passou noites lendo romances para mim quando eu voltei. Eu sinto falta disso. Tyke escreve poemas, embora afirme que não são poemas, que são apenas palavras. Eu adoro ouvir ele lê-los para mim, eles acalmam minha alma. Eles me fazem sentir como se eu estivesse me conectando com ele em um nível totalmente novo. Tyke me olha. — Qual é, Pip, você sabe que eu odeio ler essas coisas. — Mas por quê? — eu pergunto, enrugando o meu nariz. — Você escreveu. Como você poderia ter vergonha deles? — São apenas palavras. — São mais do que isso para mim. ~ 28 ~


Ele me estuda, então suspira, acariciando seu colo. Me permito dar um sorriso tímido, então, com o coração batendo forte, eu me abaixo, assim minha cabeça está descansando em seu colo. Seus dedos se movem na minha testa e pastam suavemente através dela antes dele pentear os dedos pelo meu cabelo. Ele faz isso por um tempo, e meus olhos começam a pesar. Em seguida, ele se desloca e começa a ler em uma voz rouca e suave. Não há mais razão para lutar, não há mais necessidade de respirar, Se ela não pode me ver, então eu já não posso ser. Seu cabelo, seu sorriso, ela faz a vida valer a pena. Através da escuridão, através da luz, sua alma se inflama. Quando você vai me ver, anjo quebrado? Quando você vai brilhar o seu amor? Quando você vai tomar minhas mãos, e facilitar a respiração? Quando você vai entender que eu sou incompleto sem você? Anjo quebrado, oh anjo quebrado, me deixe corrigir a sua beleza, Me deixe fortalecer sua alma; me deixe ser a razão pela qual você nunca se dissolve. Meus olhos fecham quando a vibração da voz suave de Tyke assume meus sentidos. Seus dedos pastam no meu cabelo, o calor irradia de sua perna para o meu rosto, seu cheiro inebriante - tudo isso me embrulha em um cobertor mais quente do que qualquer coisa que o dinheiro poderia comprar. Meu corpo afunda mais e mais, até que uma escuridão pacífica assume. Retoma antes que eu possa fazer plenamente as últimas palavras que ele respira, mas nos meus sonhos, essas palavras são claras. — Durma, meu lindo anjo quebrado. Eu sou seu anjo quebrado. Eu só posso sonhar.

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Capítulo três PASSADO

PIPPA Eu não estou com fome. Eu fui além da fome. A torção com raiva na minha barriga desapareceu quando o meu corpo começou a tirar o que sobrou de meus ossos. Meus olhos estão afundando, meu cabelo está maçante, e os ossos do meu quadril e costela começaram a sobressair da minha pele como lembretes feios da vida que eu tenho levado. Meu corpo está dormente; minha mente se fechou. Estou vivendo cada dia na esperança pura de que um dia eu vou ver a minha irmã de novo. Ela é a única razão pela qual eu estou lutando. — Pare de se mover para frente! Eu empurro e viro a cabeça para ver Rainer atrás de mim. Ele é outro escravo, e ele está com raiva. Estou sempre emparelhada com ele, e está se tornando cada vez mais difícil de lidar. Ele tem cerca de vinte e quatro anos, talvez mais, e mesmo que ele parece amargo, ele é um homem bonito. Ele tem cabelo escuro, confuso e os olhos mais negros que eu já vi. Seu corpo é grande, musculoso e bronzeado. Ele parece como se ele tivesse malhado em sua vida. Ficando impaciente com a minha falta de direção, ele me empurra para frente e eu tropeço, incapaz de dar um passo, caio de cara no chão. A terra arranha e desliza como lâminas de barbear nos minúsculos de minhas mãos e rosto, eu grito de dor. Meus pés, que estão ligados por correntes e unidos ao de Rainer, se recusam a me ajudar de volta. Eu me esforço para levantar, tiro o pó seco enchendo meus pulmões. Eu me viro para deslizar de joelhos e fico com as pernas bambas. Meu rosto está sangrando-assim são os meus joelhos e mãos. Meu coração dói e me viro para olhar para Rainer, que tem ignorado a minha queda e está colhendo às culturas do tabaco.

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Ele não se importa. E por que deveria? Eu não sou ninguém para ele. Eu sou apenas uma escrava, não é diferente para o resto. Não mais especial. Se eu sentisse vontade de chorar, eu o faria, mas o choro é algo que eu não costumo fazer. Isso me leva a lugar nenhum e isso desperdiça energia boa e sólida. Eu lambo meus lábios secos e volto ao trabalho, apesar da minha pele quebrada. Dói, mas eu não reclamo. Reclamar só garante que eu não vá ser alimentada, eu não posso me dar a esse luxo. — Eu não aguento mais! A gritaria vem da minha esquerda, onde uma jovem, que só chegou há duas semanas, está arrastando seu parceiro através do gramado, tropeçando, enquanto eles chegam mais perto de casa. Ela está acenando com as mãos, que são as únicas coisas que são livres, e gritando a plenos pulmões. Artreau aparece na varanda da enorme casa e olha para ela. Ela não para. Ela leva seu parceiro, que agora está rastejando desesperadamente atrás dela, as pernas unidas. Ela joga as mãos para cima e grita: — Você não pode fazer isso; é bárbaro. Eu prefiro morrer do que passar o resto da minha vida como sua escrava. Seu rosto torce e ele desce para o pátio, chegando em sua jaqueta. Ele pega uma arma e todo mundo para, cada corpo, sem dúvida, fazendo o mesmo que o meu – parado como pedra fria. Ele espreita em sua direção, apontando a arma para a cabeça dela. Ela não para, me pergunto se ela quer que ele a mate. — Volte para o trabalho. Você não receberá outro aviso, — ele ruge para ela. — Eu não quero outro aviso, — ela grita: — porque eu não vou voltar a trabalhar. Você não pode me obrigar a fazer isso. Estou morrendo de fome, sede, eu perdi tanto peso que eu posso ver meus malditos ossos. Eu não vou fazer isso. Você não pode ser autorizado a ir longe com isso. Artreau sorri e meu coração para de bater por um segundo quando ele empurra a arma em sua testa. — Eu posso, eu vou. Em seguida, ele puxa o gatilho. Eu abro minha boca para gritar, mas a mão de Rainer fecha em volta do meu rosto, me parando. Essas lágrimas que eu jurei que não tinha, trilham pelas minhas bochechas. Sangue jorra e o pobre menino ~ 31 ~


lutando no chão atrás dela começa a chorar. Artreau aponta a arma para a cabeça dele. — Vocês todos viram o que acontece com aqueles que me desafiam?— ele ruge. — Eu disse uma vez, eu só vou repetir isso uma vez. Vocês estão aqui até que suas dívidas sejam pagas. A ação de um é a ação do outro. Neste caso, as ações desta menina vão ser as ações de seu parceiro. Ele puxa o gatilho e atira no menino que ela era conectada. Meus joelhos se dobram, mas Rainer me prende. Eu não sei por que ele está me segurando - provavelmente para não fazer algo estúpido e morrer também. Artreau enfia sua arma a distância, e seus olhos digitalizam sobre todos nós. Eles caem em mim, e o medo se apodera no meu peito. Será que ele vai me matar por chorar? Ele não faz, ao invés disso ele sorri e diz então. — Agora, vocês dois, — ele aponta para mim e depois para Rainer, e então ele chuta um dos corpos mortos na frente dele. — Limpem isso. No minuto em que ele alcança a casa, eu me inclino e vomito.

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PRESENTE

PIPPA Eu acordo ofegante. Meus dedos instintivamente saem e agarram o espaço vazio ao meu lado. Ninguém está lá. Ninguém está lá. Uma vez, havia alguém lá. Eu nunca disse a ninguém sobre Rainer, porque ele é uma parte da minha vida que eu não estou disposta a compartilhar. Nós desenvolvemos uma forte ligação. Ele me odiava, no começo, mas depois que suportou o inferno que fizemos, algo mudou entre nós. Eu me levanto, minhas mãos tremendo quando eu passo pelo meu cabelo. Eu olho para o meu relógio é 09h30. Eu passei da minha hora habitual, cada vez que eu faço isso, eu acabo tendo pesadelos. É como se o meu corpo soubesse que eu não deveria estar dormindo, como se ele já tivesse perfurado em minha cabeça que eu preciso levantar na certa hora. Eu esfrego meus braços algumas vezes, e, em seguida, saio da cama.

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Eu quero fazer algo hoje - nada. Eu preciso me aventurar para fora destas paredes, fora da minha zona de conforto. Meu terapeuta, que agora vejo apenas uma vez por quinzena, me encorajou a participar de um grupo para que eu pudesse fazer alguns amigos. Eu quero... Eu só não sei por onde começar. Eu tenho uma ideia, no entanto, decido dar uma chance. Eu chego para meu telefone e encontro o número que Sofie me deu na noite passada antes de eu vir para casa. Engolindo a ansiedade borbulhando no meu peito, eu mando uma mensagem para ela. Pippa: Oi Sofie. Eu sei que é o seu dia de folga, também. Você quer fazer algo? Pippa. Meu rosto está úmido e minhas mãos estão tremendo quando eu coloco o telefone para baixo e apenas olho para ele. Eu faço isso até que ele sibila com uma resposta. Meu coração salta em minha garganta e eu não posso chegar para o meu telefone rápido o suficiente. Sofie: Pippa! Ei! Claro, eu adoraria fazer algo. O que você tem em mente? Eu respiro um suspiro de alívio, e um grande sorriso rasteja no meu rosto. Talvez isso não vá ser tão duro quanto eu pensava. Pippa: Eu sou nova por aqui. O que você acha? Eu não sou nova por aqui, mas eu não saio tem muito tempo, então não tenho absolutamente nenhuma ideia do que há para fazer. Sofie tem vivido aqui toda a sua vida; é mais provável que ela tenha uma ideia melhor. Sofie: Se você estiver bem, eu adoraria ir para a praia. Há um grande café perto da água, podemos almoçar depois que terminarmos? Meu coração salta uma batida. Eu não fui para a praia desde que eu era uma criança pequena. Pippa: Parece ótimo. Devo te encontrar lá? Sofie: Eu posso passar por aí e te pegar. Qual o seu endereço? Dou a ela o meu endereço e marcamos um horário. Então eu tenho a tarefa de encontrar algo apropriado para vestir. Eu nunca estive em um maiô e eu nunca tive uma amiga, por isso estou honestamente sem ideia. Eu abro meu armário e vou até as roupas que Santana e eu compramos quando voltei. ~ 33 ~


Há um vestido de verão amarelo que se une por trás do pescoço e flui para baixo a altura do joelho. Isso parece praiano. Eu agarro para fora e, em seguida, encontro um maiô escuro que nunca foi usado. É um pouco revelador, mas talvez eu possa manter o meu vestido. Decido sobre isso, eu me troco e, em seguida, procuro um chapéu. Eu encontro um grande branco com a aba longa. Eu vou parecer estúpida. Meu telefone apita e olho para ele. Tyke. Tyke: Bom dia pequena. Como você dormiu? Eu tive que te colocar na cama. Eu sorrio. Eu acordei na minha cama, então eu percebi que Tyke me colocou lá na noite passada quando eu adormeci ouvindo sua voz sentimental. Pippa: Eu estou bem, eu dormi muito bem. Eu vou para a praia com Sofie hoje. Tyke: Quem é Sofie? Pippa: Uma menina com quem trabalho. Estou nervosa. Tyke: Não fique; você vai ficar bem. Pippa: Vou te ligar. Eu pressiono o seu número e disco, e ele atende ao primeiro toque. Sua voz rouca é exatamente o que eu preciso ouvir esta manhã. — Ei, Pip. — Bom dia, Tyke. — Então, praia, hein? Eu ri nervosamente. — Sim. Eu não tenho ido desde que eu era pequena. Estou preocupada com o que vestir. Ele ri. — A maioria das pessoas usam trajes de banho. Eu coro. — Eu sei, mas, ah, eu nunca usei um. —Baby. — ele ri. —Você nunca usou um maiô? Minhas bochechas queimam mais quentes. — Bem, talvez quando eu tinha cinco anos. — Você vai fazer muito bem. Basta encontrar um que você esteja confortável dentro. ~ 34 ~


— Isso seria nenhum. Eu tenho um, mas eu coloquei um vestido sobre ele. Meu chapéu é feio. Outra risada. — Nada ficaria feio em você. Certo. É claro que ele diria isso. Eu abro minha boca para responder, mas eu ouço uma voz no fundo. — Baby, eu tenho ligado a manhã toda. Andi. Meu coração aperta quando eu ouço bater um beijo em Tyke. O som viaja através de meu telefone e faz minha alma queimar com ciúme. Tenho pensado muitas vezes sobre o beijo de Tyke, e ela pode fazer isso sempre que ela quer. — Quem está no telefone? Desligue. Eu preciso de você agora, — ela canta com uma voz sexy que indica apenas uma coisa. Oh. Meu. Meu Deus. Eu desligo - eu não penso, eu só faço. O meu telefone vibra um minuto mais tarde, mas eu não posso me fazer atender. Em vez disso, eu coloco no silencioso e enfio na minha bolsa. Eu preciso de você. Eu preciso de você. Eu preciso de você. Eu sei o que ela queria dizer, eu sei que eles fazem isso, mas pensar sobre isso queima meu coração. Rasga direto no âmago de mim. Eu tento empurrar isso para fora da minha mente enquanto eu preparo o meu chapéu flexível e encontro um par de chinelos. As buzinas me alertam para o fato de que Sofie está aqui e eu estou perdendo tempo. Pego minha bolsa e depois corro para fora da porta. Sofie está em um conversível azul de duas portas - a ideia do carro parece ótimo, mas é bastante antigo. Combina com ela embora, e eu animo com a ideia de andar em um conversível. Ela sorri e acena para mim, e eu não posso evitar, mas sorrio de volto. Corro até seu carro. — Pule, — ela diz. Eu abro a porta e entro. Eu olho para ela e vejo que ela está vestindo uma roupa muito semelhante a minha, o que me faz sentir ~ 35 ~


melhor. Seu vestido é azul, mas um estilo muito similar. Parece que ela tem um biquíni por baixo. Ela está usando um chapéu flexível preto que quase combina com o meu branco. — Você parece incrível, — diz ela. —Você é tão bonita. Estou com inveja. Minhas bochechas queimam. Eu não sei por que ela acha que eu sou tão bonita. Ela, obviamente, não tem visto a si mesma. — Você está linda, também, — eu digo em voz baixa. — Você está pronta? Concordo com a cabeça. Ela conversa comigo facilmente todo o caminho para a praia. Quando chegamos, eu saio do carro e olho para o oceano lindo quebrando sobre a areia amarela. Meu coração se agita e eu corro para frente, sem pensar. Eu bato na areia e fecho os olhos, curvando meus dedos do pé mais e mais, deslocando-os sob os meus pés. Uma brisa salgada e quente faz cócegas no meu rosto. Isso combinado em sentir a areia debaixo dos meus pés é suficiente para acalmar os nervos. — É lindo, não é? Me viro para Sofie que parou ao meu lado. Concordo com a cabeça, sorrindo. — Vamos lá, há um bom lugar. Ela aponta para um local parcialmente sombreado perto de uma pequena saliência na parede da rocha. Nós vamos lá e puxamos as nossas toalhas, colocando-as para baixo. Sofie remove seu vestido, revelando que eu estava correta, ela está vestindo um biquíni. Ela tem belas curvas, ao contrário de mim. Estou nervosa. Eu não tenho certeza se eu quero tirar o meu vestido. Sofie não comenta quando eu simplesmente me sento na minha toalha e empurro os dedos dos pés na areia. — Então, Pippa, me fale sobre você. Eu engulo e mantenho os olhos sobre o oceano. —Não há muito a dizer. Meus pais morreram quando eu era mais jovem, e fui criada no sistema de adoção. Ela engasga. — Sinto muito; isso deve ter sido horrível. ~ 36 ~


— Sim. Não foi o melhor, mas eu estou aqui e grata. Eu não vou contar a ela sobre meu inferno de estar com Artreau. — Você tem família além de seus pais? Concordo com a cabeça. — Uma irmã-Santana. —Ela tem um nome bonito, assim como o seu. Eu sorrio. — Ela é tão bonita como o nome dela, também. — Como você, Pippa. Eu coro. — Ela mora aqui? — Sim. Ela é casada e tem uma filha. Sofie sorri. — Adorável. O que ela faz? — Ela é, um, ah... — eu hesitei. — Old lady. Sofie pisca. — Perdão? — Ela é casada com o presidente do Joker‘s Wrath MC. Espero que eu esteja autorizada a dar livremente. De repente, fico nervosa novamente.

essa

informação

Os olhos de Sofie ficam grandes. — Sério? — Sim. — Você conhece os meninos do Joker‘s Wrath? Eu sorrio afetuosamente. — Sim. — Oh meu Deus! Sua sortuda. Eu vi esses caras em torno da cidade e eles são enlouquecedoramente quentes! Minhas bochechas ficam rosa. — Sim, eles são bonitos. — Bonitos?— ela grita. — Eles são o céu. Isso também. — Deus, — ela diz quando eu não respondo. —Eu não posso acreditar que você conhece eles. Você vai me apresentar a eles? Eu pisco. —Para o clube? ~ 37 ~


— Sim, — ela implora. — Por favor? — Eu não tenho certeza de quais são as regras... — Você poderia perguntar a sua irmã? Eu sorrio, mas eu realmente gostaria que ela não fosse se empurrar sobre os caras. Eu decido mudar de assunto. — Eu vou pensar sobre isso, mas eu gostaria de aproveitar o dia primeiro. — Claro.— ela sorri. — E você? — eu pergunto, me apoiando em meus cotovelos. — Eu sou um caso típico de pais ricos os quais eu me rebelei contra, então eles me deserdaram e agora eu sou uma faxineira. — Sinto muito, — eu digo suavemente. Ela acena uma mão. — Eu não. Eles me deixavam louca. Isso é o mais feliz que eu já estive. — Você tem irmãos? — Um irmão, — diz ela. — Mas ele é arrogante, como eles. — Deve ser um saco, não ter qualquer família? Ela encolhe os ombros. — Na verdade, não. Eu tenho amigos. Eu sorrio. — Parece que já deu tudo certo. Ela sorri. — Sim. Agora, vamos ver se não podemos curtir essa pele. Ela dá um tapa em seus braços, sua pele bonita e cremosa. Em seguida, fechamos nossos olhos e desfrutamos do sol. É realmente maravilhoso.

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Capítulo quatro PRESENTE

PIPPA — Boa tarde, meninas. Sofie e eu estamos sentadas no café bebendo água quando um grupo de três homens se aproximam de nossa mesa. Eu os observo quando Sofie abre um sorriso deslumbrante. O primeiro homem tem cabelo escuro, olhos escuros e pele morena. Ele é bonito, mas de um jeito perigoso. O segundo tem cabelos loiros com olhos azuis e tem um olhar surfista sobre ele, e o terceiro tem cabelo vermelho e olhos verdes em chamas. Eles são todos bonitos. — Olá, — diz Sofie. Aquele com o cabelo escuro deu um passo à frente. — Vocês estão se divertindo esta tarde? Sofie acena com a cabeça. — Nós passamos algumas horas na praia e acabamos de ter um incrível almoço, então eu diria que sim. Ele abre um sorriso casual. — Isso é ótimo. Eu sou Michael, e estes são meus amigos Liam e Troy. Todos os caras murmuram um Olá. — Eu sou Sofie, e esta é minha amiga Pippa. Os olhos de Michael piscam para mim, e ele sorri. — Olá, querida. Eu me mexo desconfortavelmente. — Ah, oi. Ele pisca e se vira para Sofie. — Você meninas querem companhia? — Claro, — acrescenta Sofie antes de eu ter a chance de dizer não a eles.

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Os três rapazes puxam cadeiras e de repente o ar se torna grosso na minha garganta. Eu me esforço para respirar. Eu não estou acostumada a esse tipo de companhia. Eu não interajo bem com as pessoas que eu não conheço, e muitos homens ao redor está me deixando desconfortável. Isso parece estranho, considerando que eu fico ao redor de motoqueiros, mas eu os conheço. Eu confio neles. Eu não conheço esses homens. Eu não sei como falar com eles. Eu não quero dizer nada, embora, porque Sofie está sendo tão boa para mim. — Então, Pippa,— Liam pergunta - ele é o único com o cabelo loiro. — Você mora por aqui? Eu me mexo desconfortavelmente e chio para fora, — Ah, sim. — Você vive aqui há muito tempo?— seu sorriso é fácil, então eu faço algumas respirações profundas para me acalmar. — Apenas alguns anos agora. — Isso é legal. — S... s... s... sim, — eu digo. — E você? — Toda a minha vida. Eu converso desajeitadamente com Liam por mais uma hora, e, em seguida, as cervejas começam a chegar. Sofie e eu não tomamos, mas os caras começam a beber. As coisas estão fluindo com bastante facilidade, mas eu ainda estou encontrando dificuldade para me sentir confortável. Eu respondo a quaisquer perguntas dirigidas a mim, mas caso contrário, eu evito. Acho que preciso ir para casa. — Ah, Sofie, você se importaria de me deixar em casa? — pergunto. — Eu tenho uma amiga que vem visitar. É uma mentira, eu me odeio por isso, mas eu preciso ir. — Claro. — Sofie sorri, de pé. — Gente, foi bom falar com todos vocês. — Nós vamos com vocês, — diz Michael, de pé. — Eu vou pegar mais bebidas. Encontro vocês aqui quando estiver pronto, — diz Troy desaparecendo lá dentro. Michael e Sofie andam na frente e eu fiquei para trás deles com Liam. Sofie e Michael parecem estar conversando muito bem, e quando nós caminhamos até a praia, eles ficam mais e mais à frente de nós. ~ 40 ~


— Olha, — diz Liam, capturando meu braço e me parando. Ele aponta para o pôr do sol, e durante alguns minutos, nós ficamos lá assistindo. Quando eu olho, Sofie e Michael estão longe de serem vistos. Pânico sobe no meu peito. — Devemos recuperar o atraso, — eu digo. Liam não soltou meu braço. — Não, se sente comigo. Eles querem privacidade. Sofie nunca mencionou nada sobre o desejo de privacidade. Isto me faz tão desconfortável que eu me mexo, tento puxar meu braço para fora do aperto de Liam. — Por que você está tão nervosa? — ele resmunga, sua voz se tornando um pouco mais ameaçadora no tom. Eu estremeço. — Você pode, por favor, me deixar ir? — pergunto baixinho. — Eu não estou machucando você, querida, — ele resmunga. — Apenas se sente comigo, converse. Eu engulo, e tento me afastar novamente. — Não, ah, obrigada. — Sente-se, — ele ordena tão duramente que eu vacilo, e faço o que ele pede. É meu instinto; é como eu sou. Eu aprendi a fazer o que me dizem quando uma voz se levanta. Meus joelhos batem instantaneamente, não me dando nenhuma escolha. Me sento ao lado dele, dura como uma tábua. Minha pele está formigando e meu coração está batendo tão forte que eu posso sentir ele batendo contra minhas costelas. Suor irrompe sobre a minha pele, e eu posso sentir o pânico crescendo. — Não seja tímida, — diz Liam, colocando o braço em volta de mim. — Eu não vou te machucar. Eu estou rígida e minha mente está gritando. Eu não percebo que a mão se move para a minha perna até que ele aperta. Eu abro minha boca para lutar, mas eu não posso gerir quaisquer palavras. Sua mão se move para cima da minha perna e sob o meu vestido. Medo explode no meu peito e eu tento lutar, mas meu corpo está duro

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com terror. Eu tento encontrar a minha voz, mas velhos hábitos são difíceis de morrer e permanecem firmemente bloqueados. — Você é linda, Pippa. Tão bonita. Sua boca está no meu pescoço. Lágrimas derramam pelo meu rosto. Ele passa a mão no meu sexo. Eu faço um som estrangulado e ele recua imediatamente, finalmente virando e olhando para mim. Seus olhos se arregalam. — Que porra é essa? Eu suspiro por ar, mas nada vem. — Jesus, o que diabos está de errado com você? Você é virgem ou algo assim? Eu não posso responder - eu só posso fazer sons estranhos e soluços. — Porra, você é louca. — Ei! Sofie. Graças a Deus. Liam para. — Algo está errada com sua amiga. — O que você fez com ela? — Sofie exige. — Nada. Eu estava sentado com ela e ela se transformou nessa bagunça louca. — Você está mentindo, — diz Sofie, se deixando cair ao meu lado. — Ei, Pippa, o que aconteceu? Não consigo respirar. Eu não posso. — Ela pirou -foi o que aconteceu. Anormal do caralho. Anormal do caralho. Anormal do caralho. Novas lágrimas dos meus olhos explodem e derramam pelo meu rosto. Ele me chamou de aberração. Isso é o que eu sou. É tudo que eu sempre serei. Eu não consegui nem me defender. — Saia daqui, — Sofie grita. — Você sabe a quem ela pertence? ~ 42 ~


— Ao hospício, porra, — Liam bufa. — Joker‘s Wrath MC. Silêncio. — O que você disse? — Michael cospe. — Você me ouviu? O cunhado dela é o presidente, então dê o fora daqui antes de eu chamá-los. Não ouço nada mais. Sofie se inclina e coloca uma mão no meu ombro. — Querida, me diga o que ele fez? — E...e...e... ele, — eu suspiro. — E...e...e... ele... — Respire, querida. Eu fecho meus olhos e tento impedir minhas mãos trêmulas. Eu tomo uma respiração profunda. — Ele me tocou. — Merda, — ela grita. — Merda! Eu não digo nada. Meu estômago revira com raiva e eu sinto que eu poderia vomitar. — Pippa, eu sinto muito. Eu não sabia que você tinha parado e Michael estava ficando pegajoso. Mas aí eu dispensei ele e encontrei você... — Não é... — eu engulo— ...sua culpa. — Quem eu posso chamar? Me diga quem pode ajudar? Eu não penso, eu só falo. — Tyke. — Tyke?— ela pergunta. — No meu tele... tele... tele... telefone. — Tudo bem, querida, apenas se sente. Ela escava na minha bolsa e eu dobro minhas pernas até meu peito, repetindo as palavras mais e mais. Anormal do caralho. Louca.

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Anormal do caralho. Louca. — É Tyke?— eu ouço Sofie perguntar. Silêncio. — Eu sou amiga de Pippa, Sofie. Ouça, nós estamos na praia e alguma coisa aconteceu com esses caras eEu me viro para olhar para ela e vejo seu rosto pálido. — Sim, ela está comigo. Ela pediu por você eTyke, obviamente, está cortando ela, porque seus olhos se estreitam. — Sim, essa é a praia. Ela puxa o telefone do ouvido dela e olha para ele, em seguida, olha para mim. — Ele é um motoqueiro, não é? Concordo com a cabeça, sem dizer nada. — Ele está vindo. Ela se senta ao meu lado, envolvendo o braço em volta do meu ombro. Nós sentamos em silêncio até que o rugido de Harley-Davidsons aparece. Esse barulho, para mim, significa perigo. Nada poderia ser mais assustador do que um grupo de motoqueiros, especialmente quando eles estão com raiva. Luzes piscam sobre nós, e então eu ouço os sons de botas esmagando na areia. — Pippa? Maddox. Não quem eu esperava. Sofie se vira e faz um som de ganido, e quando eu viro, eu vejo o porquê. Há quinze, pelo menos, um deles em pé sobre a areia. Maddox está na frente, ladeado por Mack, Krypt e Tyke. Eu me forço para os meus pés, minhas pernas tremendo. Maddox estende a mão, pegando meu rosto em sua mão enorme. — Eles ainda estão aqui? Abro a boca para falar, mas Tyke dá passo à frente. Andar na areia é uma agonia para ele, e eu posso dizer pelo jeito estranho que ele ~ 44 ~


está de pé. Isso não o impede de empurrar Maddox para fora do caminho e envolver um braço em volta de mim. — O que aconteceu, pequena? Eu começo a chorar de novo, odiando que eu sou tão fraca. Anormal do caralho. Tyke se afasta e olha para Sofie, que ainda está olhando, pasmada o grupo dos homens. — Sofie, não é? Ela se vira para Tyke e seus olhos ficam maiores. — Ah sim. — Você pode me dizer o que aconteceu? Ela balança a cabeça rapidamente. — Bem, nós estávamos conversando com alguns rapazes e eles ofereceram para nos levar de volta para o nosso carro. O rapaz que eu estava, ah, me levou mais à frente e quando me virei para trás, Pippa e Liam não estavam atrás de mim. Eu voltei, e bem... — Bem, o quê?— Tyke ruge, me fazendo estremecer de medo. — Ei,— Maddox rosna, agarrando seu braço e o puxando para trás. — Isto não é sobre você, irmão. Tyke respira fundo e olha para mim. Ele toma o meu rosto em sua mão suave e resistente, e diz em voz baixa, — Baby, me diga o que ele fez. — E... e... e...ele... — Não tenha pressa. Eu fecho meus olhos e sussurro: — Ele me tocou. Tyke recua e sua voz sai como o ácido quando ele pergunta, — Onde? Eu encontro seus olhos e eu não preciso responder para ele saber. Ele sabe. Ele pode ler isso em meus olhos. Seu rosto aperta, seus olhos ardem com algo não dito, e então ele se vira para Sofie. — Onde ele está? — Ele saiu... Eu não acho que ele está aqui. — Qual é o sobrenome? Seus olhos se arregalam. — Eu não, ah, não sei... ~ 45 ~


— E o amigo dele? Ela se mexe desconfortavelmente, Krypt dá passo à frente. Seus olhos pressionam levemente para ele, e ficam enormes novamente. Ele se curva de forma que ele está certo em sua linha de visão. — Não vai voltar em você, querida. Nós só precisamos saber. Ela balança a cabeça e diz, — Michael Sheyland. Ele me deu seu nome e número. Krypt assente. — Passe para mim, sim? Ela faz o que ele pede. — Vamos montar, — Maddox ordena. — Mack, leve Pippa para Santana. Vamos seguir em breve. Minha frequência cardíaca aumenta e eu grito, — Maddox, o que você vai fazer? Maddox me olha, em seguida, se aproxima e me captura pelo pescoço, gentilmente, claro. Ele se inclina para baixo, beija minha testa, e, em seguida, diz, — Vou fazer ele pagar da maneira como ele merece. — Não, — eu coaxo. — Por favor. — Querida, você sabe que você não tem uma escolha no momento. Meus olhos vão suplicante para Tyke, que tem os punhos enrolado em seus lados. — Tyke, — eu sussurro. — Por Favor. Seus olhos travam em mim, e ele pisa para a frente com as pernas trêmulas. — Ele vai pagar por colocar as mãos em você, Pippa. Maddox me deixa ir para deixar Tyke se aproximar. Ele envolve o braço em volta da minha cintura, me puxando para mais perto. Em seguida, ele se inclina e sussurra em meu ouvido, — Ninguém te machuca. Ninguém. Em seguida, ele pressiona um beijo suave na minha bochecha e recua. — Vamos montar. Maddox acena para Mack e ele caminha para frente, me aconchegando ao seu lado. Eu não tenho a chance de gritar, porque, ~ 46 ~


como os demônios que eles podem ser, eles desaparecem na escuridão para causar estragos. E é tudo culpa minha. Anormal do caralho.

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PASSADO

PIPPA Não há água suficiente no mundo para lavar o horror. Nenhuma quantidade de sabão. Nenhuma quantidade de esfregar. Isso não vai sair, não importa o quão duro você tente limpá-lo. Eu limpei. Eu esfreguei até minha pele sangrar. Isso não vai sair. Seu sangue não vai sair. As imagens não vão sair. Isso está encaixado em uma parte da minha alma que eu nunca vou esquecer. Para sempre manchada. — Pippa. Eu não paro de esfregar. Eu tomei banho três vezes, eu me troquei e ainda assim eu ainda estou esfregando. A peça de material áspero na minha mão vai mais e mais meu braço, arrancando a pele seca. A carne crua queima, mas isso não é o suficiente para me parar. — Pippa. Eu não consigo parar de ver – sangue e cérebro espalhados por toda parte. Com as mãos enluvadas, Rainer e eu tivemos que pegá-los. Buscá-los. Como se fosse uma simples. Vomitei tanto que meu estômago começou a sangrar. Eu chorei tanto que meus olhos ardiam. Mas nada, nada vai tirar as imagens. Nada terá a sensação de que eu ainda posso sentir no meu corpo - outra pessoa em minhas palmas. — Jesus, Pippa. A mão para minha lavagem e eu olho para cima através de bochechas coradas de lágrimas ao ver Rainer olhando para mim. Seu rosto está vazio, mas há um entendimento em seus olhos que nunca esteve lá antes. Ele sempre me odiou, ele sempre foi tão amargo, mas lá fora, hoje, algo mudou. Agora sua mão é suave no meu braço. ~ 47 ~


— Pare de esfregar, — ele sussurra. — Por favor. — Isso não vai sair, Rainer, — eu coaxo. — Isso não sai. Por que não vai embora? Eu começo a esfregar novamente e ele remove suavemente a bucha da minha mão. Eu desmorono. Eu caio em mil pedaços minúsculos. Eu não sou tão forte quanto ele. Eu nunca vou ser tão forte quanto ele. O que aconteceu lá fora hoje? Me quebrou. A derrota é tudo o que resta do meu corpo cansado. Eu não quero mais lutar. Eu não quero mais sentir. Eu simplesmente quero morrer. — Jesus, — diz Rainer novamente, e então eu estou no seu colo, seus braços firmemente em torno de meu corpo. Ele é tão forte, tão seguro, que eu nunca quero que ele me deixe ir. Ele prende lá, assim, por horas. Outros escravos entram e saem, rações são jogadas, mas ele não me deixa ir. Ele me deixa derramar minha alma na sua, ele me deixa quebrar, ele apenas me mantém até que as peças estão em torno dele e não há mais nada. Eu sei que daquele dia em diante Rainer é o único homem que vai me entender.

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Capítulo cinco PRESENTE

PIPPA Meus joelhos estão dobrados ao meu queixo, e eu estou sentada com Santana e Maddox no sofá, assistindo o alarido sobre mim. Maddox não disse a Santana todos os detalhes do que aconteceu esta noite, e eu sou grata por isso. Embora eu não tenha nenhuma dúvida que ela tem imaginado, considerando que Maddox tem os dedos machucados. Todos eles. O que quer que eles fizeram com Liam e Michael, doeu. Tyke está em pé no canto da sala, furioso. Ele não chega perto de mim; ele não fala comigo. Seu lábio está sangrando e seus dedos estão divididos, mas ele não permite fazer contato visual. Ele está com raiva de mim, e eu não sei porquê. Eu não sei o que eu fiz de errado. Eu não entendo onde tudo deu tão errado. Tudo que eu sei é que eu não fui feita para este mundo, talvez eu nunca realmente fui. Eu nunca vou encaixar. — Tyke! Eu pisco quando Andi vem correndo para dentro da casa e se joga nos braços de Tyke. Seus braços vão ao seu redor, para pegá-la ou apenas para abraçá-la, eu não sei. Ela esmaga seus lábios contra os dele e eu me afasto, dor rasgando meu coração em dois. Uma mão macia cobre a minha e eu vejo Santana se sentar ao meu lado, com os olhos quebrados em mim. — Por que você não dorme um pouco? Talvez um banho? Eu olho de volta para Tyke, e ele está colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha de Andi. Quem sabia que algo tão simples poderia machucar tanto? Lágrimas queimam sob minhas pálpebras, e algo estranho se torce na minha barriga. Me sinto frustrada, e meu peito está apertado. Eu não entendo isso, e eu não pretendo. Tudo o

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que sei é o desejo de gritar com Tyke e exigir saber por que ele não fala comigo. Eu me levanto e eu estou me movendo em direção a ele antes que possa me parar. Santana chama meu nome, mas eu preciso fazer isso. Eu preciso saber. Quando eu chego até ele e Andi, eu sussurro, — Tyke? Ele se vira e olha para mim, uma mistura de choque e dor em seus belos traços. — Podemos conversar? Seus olhos pressionam levemente para Andi, que está olhando para mim. Ele se inclina e diz a ela alguma coisa, e então ele se vira para mim. — Sim. Eu saio e ele me segue. Quando a porta da frente se fecha atrás dele, eu ligo. — Você está com raiva de mim. Ele olha para longe, a mandíbula apertada. — Tyke... Ele não diz nada. — Se você está com raiva, pelo menos me diga, — eu sussurro. Ele recua e se vira para mim. —Sim, Pippa, estou com raiva de você. Estou com raiva porque eu não poderia te encontrar. Estou com raiva porque você desligou na minha cara e desligou o telefone, e eu estava fora de mim com preocupação. Oh. Eu não percebi. — Sinto muito. — Você sente muito? — ele ri. — Você sente muito? — Sim, Tyke, — eu digo, minha voz um pouco mais forte, mas ainda horrivelmente fraca. — Sinto muito. — Por que você desligou na minha cara? Eu olho para longe.

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— Me responda! — ele grita e eu recuo. — Eu me senti desconfortável. — Eu sabia, — ele murmura. — Então você desliga e não me responde? Porra, Pippa, eu estava tão preocupado quando um dia inteiro se passou e você não entrou em contato comigo. — Eu não sou uma criança, — eu digo com cuidado. Seus olhos se abrem, e sua boca forma uma linha reta. — Não? — ele sussurra, finalmente. — Então por que você age como uma, em vez de entrar em contato comigo? Eu estreito meus olhos, confusa. — Eu não... Eu não sabia que você queria que eu fizesse isso. Eu não entendo por que você está tão zangado comigo por não retornar uma chamada. — Porque ele colocou as mãos em você, porra, — ele ruge tão alto que eu tropeço para trás. Minha boca cai aberta e lágrimas brotam para a vida em meus olhos e despejam pelo meu rosto. — Porque eu não sabia onde você estava, e aquele filho da puta colocou as mãos em você. Puta que pariu! Ele gira ao redor e dirige um punho no pilar atrás dele. Eu suspiro e pressiono a mão na minha garganta, lutando para respirar. Então eu viro e corro para dentro. — Pippa!— ele grita. Mas ele não pode me pegar. Eu corro passando por Santana e Maddox, e vou para o quarto de hóspedes. Eu tranco a porta e me jogo em cima da cama, apertando as mãos sobre os ouvidos enquanto a gritaria viaja até mim. — O que diabos há de errado com você, Tyke? — Maddox late. — Ela está fodida e você vai lá e torna isso pior. Fodida. Fodida. — Eu não... me dê a chave para o seu quarto. Me deixe dizer a ela que eu não quis dizer aquilo.

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— Que inferno, — grita Santana. — Você não entende ela, Tyke? Ela está quebrada, ela está danificada, e você grita com ela por isso? Quebrada Danificada. Eu pressiono um travesseiro sobre a minha cabeça e um soluço angustiado rasga da minha garganta. Anormal do caralho.

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O sono não vem, mesmo quando a casa fica em silêncio, mesmo quando as luzes se apagam. Ele não vem, não importa o quão duro eu tento. Eu quero paz, eu quero liberdade, mas nem mesmo o sono me oferece mais tais confortos. Eu deito na minha cama, meu rosto revestido com lágrimas secas, minha cabeça latejando pelos acontecimentos do dia. A porta chocalha e eu viro meu rosto para ela. Um minuto depois, ela abre e Tyke entra. Ele está mancando muito, mas ele faz o seu caminho para a minha cama em silêncio. Posso vê-lo à luz do luar, e o flash no rosto me mostra o quão chateado ele está. Quando ele chega ao final da cama, ele arranca as botas com um gemido de dor, então ele desfaz a camisa, revelando um peito enorme. Eu vi Tyke sem camisa, e eu sempre amei as tatuagens intrincadas marcando sua pele bonita. Seus músculos são perfeitos, não grandes demais, não muito pequenos, apenas a mistura perfeita de esculpido masculino. Ele puxa os lençóis para trás e eu me mexo, deixando ele saber que eu estou acordada. Ele desliza ao meu lado, e seus grandes braços me puxam para perto. No momento em que sua pele quente toca a minha, eu fecho meus olhos. — Eu sinto muito, baby, — ele diz na escuridão. — Eu estou tão arrependido. Eu engulo e me viro, assim que nós estamos nos enfrentando. Eu me aproximo e toco seu rosto. — Eu sei. — Eu não queria gritar com você. Eu estava com medo, pequena. Tão assustado quando recebi a ligação. ~ 52 ~


Eu mantenho a minha mão em seu rosto. — Sinto muito. — Não sinta. Você não tem nada para se desculpar. Ele me puxa para perto, até que nossas testas estão se tocando. — Eu não disse isso antes, Pip, porque eu não sei como, mas eu preciso que você saiba uma coisa. Eu não digo nada, mas o meu coração começa a correr. — Eu preciso que você saiba que você é a única pessoa neste mundo que eu já quis entender. Eu preciso que você saiba que você é a única pessoa neste mundo que me tem. Mas, principalmente, eu preciso que você saiba que você é uma das coisas mais importantes no mundo para mim. Porra, eu te adoro, eu nunca quero perder você. Há um grande pedaço do meu coração que pertence a você, pequena. Abro a boca, mas apenas um som estrangulado sai. Tyke me puxa para mais perto, me aconchega com tanta força contra ele até que meu rosto está pressionado contra seu peito. Eu não sei o que suas palavras significam para mim. Eu não sei como levá-las. Será que ele quer mais? Será que ele quer dizer que ele me adora como uma irmã? Eu não sei, e tenho muito medo de perguntar, apavorada com o que a resposta pode ser. — Eu sinto o mesmo, — eu sussurro. — Então você vai me perdoar por ser um idiota? Eu sorrio contra seu peito. — Eu irei. Eu sempre irei. — Essa é minha garota. Agora durma. — Tyke? — Hmmm? — Você vai ficar comigo? Ele enrola seus dedos no meu cabelo. — Sempre, pequena. Naquela noite, eu durmo mais profundamente do que eu tenho desde que eu era uma garotinha.

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Capítulo seis PASSADO

PIPPA — Pippa, apenas mantenha sua cabeça para baixo e continue trabalhando, — Rainer diz, colocando as mãos nas minhas costas e me empurrando mais profundo para as culturas. Meu coração está correndo. Isso ocorre porque Artreau está nervoso. Ele está com raiva, e ele está descontando em nós. Eu não sei por que ele está com raiva; ele principalmente nos deixa sozinhos, mas hoje ele está nos fazendo sofrer. Ele está atacando através das culturas, batendo, chutando, socando e recarregando as baterias. Rainer está tentando me manter fora do caminho dele, mas está sendo cada vez mais difícil. — Se ele te fizer uma pergunta, responda educadamente e continue. Não discuta. Eu engulo e assinto, empurrando minhas mãos para as culturas e fazendo o que eu tenho que fazer para parecer como se eu estivesse fazendo o melhor trabalho que eu posso. — Se ele vê que estamos muito próximos, ele vai nos separar. O que quer que eu diga ou jeito que eu agir, saiba que eu não quero dizer isso. Eu olho para ele, e seus olhos negros estudam meu rosto. Eu assinto, e ele me dá um empurrão de sua cabeça para me deixar saber que ele me entende. Em seguida, ambos voltamos ao trabalho. Artreau aparece cerca de dez minutos mais tarde, seu terno coberto de terra. Seus punhos estão sangrando quando ele espreita em nossa direção. Seus olhos piscam para mim, e ele rosna, — Venha aqui. Me viro para ele, e Rainer é forçado a andar atrás de mim. Quando eu paro na frente dele, meu coração está correndo.

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— Você gostou de limpar no outro dia? Como o inferno posso responder a isso educadamente? — Não, senhor. Seu rosto divide em um grande sorriso e ele caminha para frente, curvando seus dedos no meu cabelo. — Não, senhor? Você sempre foi a garota mais extravagante que eu já tomei. Você acha que você é muito boa para o resto de nós. — Não, — eu digo em voz baixa. — Não. Você não é. Você é tão patética quanto o resto desses, — ele acena suas mãos ao redor. — lixos. Eu deveria apenas te matar, mas então eu teria que pagar alguém. No entanto, eu gosto de matar apenas para o bem disso. Gostaria de limpar novamente, Pippa querida? Eu balanço minha cabeça rapidamente. Ele ri. — E o seu parceiro aqui, ele se divertiu? Rainer zomba dele. — Não me incomodou. Meu coração trava quando Artreau se aproxima ao meu redor para encará-lo. — Não? Você é durão,não é? Rainer dá de ombros. — Vamos ver o quão duro. Eu estou no humor para algum entretenimento. Bata nela. Meus olhos estreitam e o olhar de Rainer endurece. —Não. Ela é patética. Eu não vou bater em alguém patético. Se eu vou levantar o punho, vai ser para você, senhor. Rainer. Por favor, pare. Artreau ri. — Mas isso não seria tão divertido para mim. Então, você quer bater nela, ou... — ele acaricia a arma em sua jaqueta. — você terá outra bagunça para limpar. Eu quero vomitar. O medo está subindo no meu peito como uma serpente irritada. Rainer olha para mim, e ele sabe que ele não tem escolha.

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— Três segundos, garoto, ou eu vou fazer você arrastar o corpo dela sem cabeça até que ela apodreça. Rainer endireita e me olha no olho, e então ele levanta o punho e me dá um soco. Eu tropeço para trás com um grito, caindo no chão. Eu grito de dor e o som de risada de Artreau preenche o espaço. Uma dor aguda sobe do meu olho até minha testa e eu tenho que morder meu lábio para abafar os soluços. Minha visão enegrece dentro e fora, e meu olho parece como se fosse três vezes grande demais para minha cabeça. — Bem, eu acho que você está certo. Ela é realmente patética. Então, feliz consigo mesmo, ele sai à tortura de outra pessoa. No momento em que ele se foi, Rainer cai de joelhos, cobrindo meu rosto com as mãos. — Eu sinto muito, Deus, eu sinto muito. — Está tudo bem, — eu coaxo, mesmo que a minha cabeça esteja batendo e sangue esteja correndo pelo meu rosto. — Eu não queria morrer; você me fez um favor. Seu rosto, Deus, seu pobre rosto está quebrado. Ele estuda meus olhos, e eles estão completamente devastados. Eu me estico, enrolando meus dedos em torno de seus pulsos, porque ele ainda está segurando meu rosto. Eu trago nossas testas juntas e sussurro: — Está tudo bem, Rainer. — Um dia, Pippa, eu vou nos tirar daqui e fazer isso por você. Eu juro. Espero que ele esteja certo. Não, eu oro para que ele esteja certo. Todo mundo tem um ponto de ruptura, eu acho que eu estou no meu.

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PRESENTE

PIPPA Eu acordo de manhã envolta em braços rígidos. Meus olhos abrem e eu viro meu rosto para ver Tyke, dormindo com o braço em volta de mim. Um braço está debaixo de mim, o outro está por trás de sua cabeça. Sua boca está ligeiramente aberta e sua respiração é suave ~ 56 ~


e profunda. Eu me aproximo hesitante, e afasto suavemente um pedaço macio de cabelo caindo sobre seu rosto. Ele se mexe e eu largo minha mão. Olhando para ele assim, vendo ele dormir tão pacificamente, me faz perceber o quanto eu me preocupo com Tyke. Eu me importei apenas com outro homem na minha vida, que era Rainer. Minha mente viaja para ele, e eu me pergunto onde ele está agora. Ele passou muito tempo comigo, mas ele desapareceu antes de eu ser salva. Eu não sei nem se ele ainda está vivo. Tremendo com a lembrança daquela horrível noite, eu empurro de volta para Tyke. Ele agita, e então seus olhos abrem. Ele parece ainda mais incrível sonolento. Ele me dá um meio sorriso sonolento e, em seguida, estende a mão, colocando a parte de trás da minha cabeça. — Bom dia querida. — Oi.— eu sorrio. — Como você está? Eu dou de ombros. — Ok. Você? Ele se mexe, e eu vejo um flash de dor em seu rosto. Ele está sofrendo. Eu me aproximo dele e eu percebo. — Você está com dor? Ele balança a cabeça. — Sim. Eu tentei correr ontem à noite... não foi a melhor decisão que eu já fiz. — Você tentou correr? — eu suspiro. — Liam estava correndo. Eu não tive escolha. Meus olhos nevoam e eu sussurro, — Você correu por mim? Ele pega minha bochecha. — Eu faria qualquer coisa por você. —O que posso fazer por você? Existe alguma coisa que ajuda a dor? Ele balança a cabeça. — Analgésicos, um banho quente e uma boa massagem. A maioria dos meus problemas são com a condição muscular pobre. Quando eu tive meu acidente, eu quebrei a porra de um monte de ossos. Eu danifiquei nervos e ligamentos importantes. Eu fiquei em uma cadeira de rodas por um longo tempo, enquanto curava, e porque eu era teimoso e me recusava a fazer tratamento, meus

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músculos se deterioraram, e porque eu não fortaleci eles da maneira que eu deveria, eles continuam fracos. — Como é que você não queria ajudar a si mesmo? — pergunto. Ele dá de ombros. — Orgulho, fúria, vergonha, eu honestamente não sei. Eu estava em um lugar ruim quando o acidente aconteceu e eu não levei isso bem. Passei um tempo em uma cadeira, e eles disseram que havia uma chance de eu nunca andar corretamente novamente. Em vez de lutar, eu aceitei isso e parei de tentar. — E agora? Ele me olha nos olhos. — Acredite ou não, você mudou minha mente. — Eu? — eu suspiro. Ele balança a cabeça. — Quando eu te conheci, quando salvei você, eu era inútil. Eu não podia fazer nada mais do que andar de carro. Quando eu te vi pela primeira vez e a vida que você tinha levado, isso quebrou alguma coisa no meu cérebro. Eu estava sendo egoísta. Eu tive a chance de me corrigir e eu não estava levando isso. Dou a ele um sorriso trêmulo. — Estou feliz que você está mudando; você merece. — Eu quero montar novamente, — diz ele melancolicamente. — Eu preciso subir na minha moto e me sentir como uma parte do meu clube novamente. — Esses caras te adoram. — Sim, — ele murmura. — Mas eu não posso ir para as grandes missões. Maddox não diz isso, mas eu sou um risco para ele. Ele constantemente tem que tomar cuidado comigo. Eu preciso do clube, e é hora de eu voltar para ele. — Estou vendo que você não está gastando tanto tempo em sua cadeira. Está ficando melhor? Ele acena com a cabeça. — Eu acho que sim, mas isso me mata. O doutor me disse que quanto mais eu andar, mais fácil vai ficar. Eu tenho que fortalecer meus músculos. — E natação? Será que isso ajuda? Ele sorri. — Sim, baby, só que eu odeio nadar. ~ 58 ~


Eu franzo a testa. — Por quê? A natação é incrível. — Talvez... ele só... me aborrece. — Bem, — eu digo, deslizando para fora da cama, — se você quiser companhia, eu vou nadar com você. Ele não diz nada, e quando eu olho de volta, ele está sorrindo. Eu sorrio para ele e, em seguida, puxo um roupão. Seu telefone toca e ele rola, pegando da mesa de cabeceira. Eu fico ocupada pegando as botas, seu colete e seus jeans, colocando sobre a cama para ele. Ele responde e eu finjo que não estou ouvindo. — Ei babe, — diz ele. Babe. Ele chama ela de babe, mas ele me chama de babe. Isso significa alguma coisa? Eu não sei. Espero que sim. —Sim, eu estou apenas passando o tempo com Pip hoje. Meu coração incha. Ele está passando o dia comigo. — Ela precisa de mim, Andi. Não me venha com besteira. Eu lanço um rápido olhar para ele e vejo que sua mandíbula está apertada. — Não, — ele resmunga. — E se você for agir assim, talvez eu vá reconsiderar. Ele suspira. — Sim, porra, você sabe que sim. Ele o quê? A ama? Quer estar com ela? Meu coração dói para saber. — Ok, querida, até. Querida. Ele não me chama de querida2. Meu coração cai. Me viro para ele, agindo o mais normal possível. — Maddox e Santana têm uma banheira impressionante... você quer usar? 2

Aqui ele chama a namorada de Honey. ~ 59 ~


Ele balança a cabeça. — Sim, porra sim,mijar na banheira de Maddox. Eu rio baixinho. — Vou ligar. Eu ando para o corredor e bato no peito de Maddox. Suas mãos disparam até meus ombros e me empurram delicadamente para trás. Seus belos olhos digitalizam sobre mim, e eu coro quando eu percebo que ele está apenas em sua cueca. — Ah, desculpe, Maddox. Ele ri. — Não tem problema, querida. Como você está se sentindo? — Eu estou bem. Ele olha para trás, e então se inclina para baixo. — Você está falando sério sobre isso? Porque o que aconteceu ontem à noite foi fodido, e você não tem que se sentir bem sobre isso. Eu engulo e olho para ele. — Não foi agradável, mas Maddox... Eu tive muito pior. Seus olhos incendeiam. — Se algum filho da puta estuprou você, eu vou encontrá-los e degolar os desgraçados. Eu sorrio; eu não posso evitar. Eu amo a sua paixão. Não é de admirar que Maddox dirige o seu clube com tanta facilidade. Ele pode ser doce para as meninas em sua vida, mas eu o vi em ação. Ele pode ser aterrorizante quando ele quer ser. — Não, nada disso. Eu só... Eu tive dor de cabeça. Ele estende a mão e pega minha mandíbula. — Sempre que quiser me dizer sobre isso, você pode. Você sabe disso, certo? Concordo com a cabeça. — Eu sei, Maddox. — Você não tem que sofrer sozinha. Eu não contei a eles sobre o meu tempo com Artreau. Eles sabem o básico-eles sabem que eu era uma escrava, que eu passava fome, e apanhava aqui e ali, mas eles não sabem o horror que vi. Eles perguntaram, é claro, mas eu não quero que Santana viva com essa culpa, e se eu lhe dizer, é o que vai acontecer. Concordo com a cabeça e ele sorri. — Tyke ainda está lá? ~ 60 ~


Eu coro. — Eu ouvi ele roubar a minha maldita chave e se esgueirar até lá. Pensei que se você não queria ele lá dentro, você diria isso. Ele é o único homem que eu ia deixar em seu quarto. Eu sorrio nervosamente. — Sim, ele ainda está lá. Vou encher a banheira para ele. Suas pernas estão doloridas. Maddox franze a testa. — Sim, ele correu como uma porra louca ontem à noite. Nada iria detê-lo. — Bem, ele se machucou, então eu vou ajudá-lo. Maddox balança a cabeça. — Tudo certo. Bem, vá lá para baixo quando você quiser tomar café da manhã. Eu passo por ele com um agradecimento murmurado, e entro para o banheiro. Eu ligo a banheira no quente e vou para buscar Tyke, apenas para vê-lo entrar no banheiro. Ele está vestindo apenas cueca também. Eu nunca vi ele em tão pouco, e eu engulo. Meus olhos se movem para baixo em seu peito largo, sobre os quadris estreitos, e param no pacote evidente em suas calças. Eu recuo e me afasto com as bochechas quentes. Em vez disso, eu me concentro em suas pernas. Eu nunca vi suas pernas, ele sempre esteve de jeans-e agora eu posso ver as cicatrizes que o machucam. — Parece que foi doloroso, — eu sussurro. Ele segue o meu olhar e murmura: — Foi. — Bem, — eu digo rapidamente. — Eu vou sair do banheiro e... Ele dá um passo para frente, me parando. — Pequena, eu sei que eu já disse isso, mas eu quero dizer novamente. Sinto muito sobre ontem à noite. Eu olho em seus olhos. — Eu sei. Ele se inclina para baixo e acho que ele vai beijar minha cabeça, mas ao invés disso, ele escova o mais leve beijo nos meus lábios. Meu corpo inteiro fica rígido e eu paro de respirar enquanto seus lábios macios acariciam os meus antes dele recuar e passar por mim. Saio entorpecida, os dedos na minha boca. Ele acabou de me beijar. Por que ele me beijou? Não estou entendendo. Desço as escadas, ainda atordoada, mas paro quando eu vejo que todo mundo está aqui. Bem, os de costume, de qualquer maneira, Mack ~ 61 ~


e Jaylah, e seus dois filhos, Jack e Diesel, bem como Krypt e Ash, com seus gêmeos Phoenix e Quinton. Eu me contorço quando todos os olhos se viram para mim. É Jaylah que salta para cima e corre para mim, jogando os braços em volta de mim. — Eu acabei de ouvir o que aconteceu. Você está bem? Eu adoro Jaylah; ela é borbulhante, engraçada e bonita. Ela é o tipo de garota que eu amo ter ao redor. Eu recuo e forço um sorriso. — Eu estou bem. Ash se levanta e vem, seus olhos cinzentos digitalizando. Ela estende a mão e leva meus ombros. — Você nos deixou preocupados. Eu sorrio para ela; eu adoro Ash tanto quanto Jaylah. Essas meninas são como minhas irmãs, e os únicos membros do clube que eu me aproximei. Eles tentaram me levar para sair algumas vezes, mas eu não quis. Não porque eu não as amo, mas porque elas são muito mais altas do que eu e eu não quero quebrar seu estilo. — Eu estou muito bem. Eu só desci para pegar alguns analgésicos para Tyke. Seus rostos se quebram em sorrisos largos. — Tyke está no seu quarto? — Santana chama, saltando Molly em seu quadril. — Ah, sim, ele, ah... — eu coro e me viro. — Ele dormiu com você?— Jaylah ri. — Oi, — Mack rosna para sua esposa. — Pare de ser um pé no saco e deixe ela em paz. Jaylah mostra a língua para ele, e Ash envolve um braço em volta do meu ombro. — Então, isso significa que a Handy3Andi foi embora? Eu rio suavemente para o apelido de Andi. Ela chama ela disso, porque Andi acha que sabe tudo. Se há uma lâmpada quebrada, Andi pode concertar; se a cadeira de Tyke quebra, Andi acha que ela sabe mexer. Ela não sabe tudo, é claro, mas isso não a impediu de tentar. Então, ela se conseguiu o nome Handy Andi. — Não, nós somos apenas amigos, — eu digo. Ash faz uma carranca. — Ah há, isso não é engraçado.. 3

No sentindo de útil. ~ 62 ~


— Deixe ela, mulher,— grunhe Krypt da mesa. Ash vira assim quando Phoenix vem rasgando para a sala. Os gêmeos são os mais animados meninos que eu já conheci. Phoenix parece exatamente como seu pai, e Quinn, sua mãe. Phoenix corre para mim e ele bate em minhas pernas, me fazendo dar um passo para trás. — Ei você aí, pequeno. — eu sorrio. — Você está se comportando? Ele simplesmente ri, não tem idade suficiente para formar frases completas, e corre. — Devagar aí, garoto, — Maddox grita com seu sobrinho. — Como estão os meninos? — pergunto Ash. Ela revira os olhos, e então pega seu cabelo. — Você está vendo este cabelo grisalho? Ela não tem nada, é claro. — Você não tem cabelos grisalhos,— eu zombo. — Está vindo; eu posso sentir isso. Com isso, ela corre atrás de seus meninos. Os meninos de Jaylah, Jack e Diesel, estão se jogando aos pés de Mack. São bons garotos, mas isso é porque Mack não os deixa ter qualquer mau comportamento. São os herdeiros dele; ele é um cara bom. — Bem, eu só vim pegar alguns analgésicos.— passo por Jaylah e vou para a cozinha. Eu envolvo um braço em volta da cintura de Santana e a espremo, antes de beijar o rosto de Molly. — Ei Tana, — eu sussurro. Ela se vira e quebra o braço em volta de mim. — Você me preocupou ontem à noite, Pippi. Você tem certeza que está bem? Concordo com a cabeça. — Eu estou bem. — Tudo certo. Bem, você vai me dizer se você quiser falar, certo? Concordo com a cabeça novamente. — É claro. Eu pego alguns analgésicos e torradas, e corro de volta até as escadas. Tyke está sentado na cama quando eu entro, terminou com seu banho. — Como estão as pernas? — eu pergunto, me apressando. Ele está vestindo apenas cueca novamente. ~ 63 ~


— Um pouco melhor. — Aqui.— eu entrego as pílulas, e ele engole os analgésicos. — Eu tenho este creme; é bom para os músculos, — eu digo, hesitante. —Eu posso esfregar em suas pernas... se você quiser. Seus olhos piscam nos meus. — Você quer esfregar minhas pernas? Eu rio inesperadamente e ele sorri. — Tudo bem, pequena, faça isso. Eu me levanto e pego minha bolsa, então eu retiro meu creme muscular. Eu usei em meus próprios músculos antes, porque às vezes eles doem. Eu não sei por que e nem os médicos, mas ajuda. Eu ando de volta e me ajoelho na frente de Tyke, então eu espremo o creme na palma da mão e pressiono em sua pele. Ele recua. — Dói? — eu digo suavemente. Ele balança a cabeça. — Nah. Ele está mentindo, mas eu não paro. Eu esfrego suavemente o creme e lentamente aderindo seus músculos, se movendo sobre eles em círculos lentos e profundos. Tyke grunhe, em dor ou prazer, não sei. Ele se mexe um pouco e eu continuo, esfregando o creme em sua pele, para cima e para baixa, sobre os joelhos e as coxas. Quando eu subo, eu percebo que ele está... oh... oh meu Deus. Minhas bochechas queimam e eu finjo que não percebo, mas eu vi... Eu vi. Ele está duro. Ele está... excitado. Há um aumento sólido em seus boxers e ele está olhando para a esquerda, sua mandíbula tão apertada que ele parece com raiva. Eu removo minhas mãos e tropeço para trás, perdendo o equilíbrio e desembarcando na minha bunda. Tyke se vira e então se move rapidamente, descendo e tomando minha mão, me puxando para cima. Em seguida, ambos perdemos o nosso equilíbrio, e eu caio novamente, só que desta vez ele vem comigo. Ele para seu corpo de esmagar o meu, colocando as mãos para baixo. Eu suspiro e me contorço, mas paro rapidamente quando eu sinto a pressão dura entre minhas coxas. É ele. Oh Deus, isso é ele. Eu paro de respirar, ele para de respirar, e nossos olhos se encontram. — Pippa, — ele geme.

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Eu abro minha boca para dizer mais, mas uma garganta limpa na porta. Nossas cabeças balançam ao redor e vemos Krypt em pé no espaço, sorrindo. Tyke se empurra para fora de mim e se vira, empurrando seu jeans para cima. Ele se embaralha aos meus pés e olha em qualquer lugar, menos em Krypt, que está, sem dúvida, apreciando a cena apresentada na frente dele. — Vocês dois se divertindo? — ele pergunta. — Eu, ah... — eu engulo e corro para a porta. — Eu tenho que ir para casa. Eu corro para fora antes que ele possa dizer qualquer outra coisa. Corro para baixo nas escadas, e deixo escapar a Maddox, — Você pode me levar para casa? Ele aperta os olhos. — Tudo bem? — Sim, eu estou apenas cansada. Ele me estuda, em seguida, encolhe os ombros e agarra suas chaves. Eu digo um adeus rápido para todos, e assim quando nós estamos caminhando para fora da porta, Tyke e Krypt aparecem. Tyke está totalmente vestido, seu colete confortavelmente em seus ombros. Nossos olhos se encontram e meu rosto queima. Me viro rapidamente e saio correndo. Eu não sei o que aconteceu, mas foi... legal. Maddox me joga um capacete quando chegamos a sua moto, e eu coloco, subindo na moto atrás dele. Eu envolvo meus braços em torno de sua cintura, fecho os olhos e ele sai. Não demoramos muito para chegar ao meu apartamento, e eu rapidamente desço. Estou prestes a correr para dentro, mas há uma pergunta que eu queria fazer a Maddox por um tempo agora. Eu não sei se é apropriado, considerando o que ele e Santana já tem feito por mim, mas uma grande parte de mim precisa saber. — Ei Maddox? — pergunto. Ele se inclina contra a sua moto e cruza os braços. — Sim? — Eu queria perguntar... Quer dizer, eu sei que você já fez o suficiente para mim e— Pippa, cuspa, querida.

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Concordo com a cabeça e engulo. — Havia um cara que estava na, ah, fazenda de tabaco quando eu estava lá. Ele foi levado antes de eu sair, mas... ele era... ele era meu amigo. Eu só queria, ah... — Você quer saber se ele ainda está vivo? Eu olho para ele. — Sim. — Você tem um nome? Eu pisco. — Como? — Um nome? O nome dele. — Oh, o nome dele é Rainer Torrence. Maddox balança a cabeça. — Eu posso procurar por ele, eu tenho um monte de informações sobre os escravos de Artreau. Eu conheço algumas pessoas - eu posso ser capaz de obter as informações. — Eu não quero que você faça nada perigoso, ou... Ele dá um passo para frente. — Pip, está tudo bem. Eu não vou colocar ninguém em perigo. Concordo com a cabeça. — O...o... ok. Ele sorri. — Vá lá para dentro e descanse. Vou mandar Tana para te checar mais tarde. — Ok. Ele pisca para mim e, em seguida, sobe para sua moto e sai. Quando ele se foi, eu ando até a minha casa, meu coração ainda correndo. Estes últimos dias têm sido um desafio em muitas maneiras diferentes. Eu ainda não tenho certeza se são de um jeito bom ou mal.

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Capítulo sete PASSADO

PIPPA Meu estômago torce e pressiono a mão sobre minha boca, tentando não vomitar de novo. Estou doente. Eu estou supondo que é apenas um vírus estomacal, mas quando eu não tenho nada para vomitar, isso suga a minha vida. Eu já estou pele e ossos- vomitar cada refeição não está ajudando. Estou suando frio, enrolada em vaso sanitário. Em um vaso sanitário que todos nós compartilhamos. Se alguém precisa usá-lo, eu me arrasto para fora e depois volto, logo que eles terminam. Eles têm gritado e me dito para parar de gemer, mas eu não posso evitar - meu estômago dói muito. Rainer vem hora após hora, enxugando meu rosto com uma toalha. Ele não quer que eu vá e trabalhe, mas ele não sabe como eu posso sair disso. A luz da manhã diz que um novo dia chegou, e está brilhando através da minha janela. Eu ainda estou no banheiro, ainda vomitando, quando Rainer entra. Ele olha para mim, e ele franze a testa. — Jesus, Pippa, você está doente. Eu preciso descobrir como pará-lo para sair para o sol hoje. — Está tudo bem, — eu coaxo. — Está tudo bem. — Não, não está. Antes que eu possa protestar, ele se vira e sai correndo. Eu rastejo para fora do banheiro e subo na minha cama. Eu deito minha cabeça no travesseiro duro, mas em comparação com o chão é o céu. Eu fecho meus olhos, cansaço e dor assumindo. Vozes enchem minha mente, espalhando dentro e para fora, e, em seguida, uma mão fria toca meu rosto. — Pippa?

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Eu pisco meus olhos abertos e vejo Rainer se inclinando sobre mim. Seu rosto está preocupado. — Sinto muito, — eu coaxo. — Estou indo. — Não, você pode ficar aqui. Essas palavras me acordam mais, e eu sussurro, — O quê? — Está tudo bem. Eu tenho permissão para você ficar aqui até que você esteja melhor. Ninguém descansa na casa de Artreau. Ninguém. Eu estudo o rosto de Rainer. — O que você fez? — Pippa, não é nada que você precisa se preocupar. Apenas descanse, fique melhor. — Rainer... Ele se inclina e beija minha cabeça. — Silêncio, tente dormir. Eu vou trancar a porta para que ninguém te incomode. Eu vou falar com você mais tarde. Antes que eu possa responder, ele desaparece. Eu quero discutir, mas meu corpo está tão fraco que eu caio em um sono profundo antes mesmo de eu ouvir a porta da frente bater.

~*~*~*~

Dois dias eu fico na cama, cansada e desgastada. Quando eu acordo na terceira manhã, vejo que a maior parte dos escravos já estão bem. Eu olho em volta, pânico segurando meu peito. Eu estive fora muito tempo, e eu sei que teria um custo. Eu só não sei qual custo é ainda. Eu saio da cama e tomo banho rapidamente, então consigo comer um pedaço de pão seco que Rainer deixou na minha mesa de cabeceira. Então eu me visto. Meu corpo está dolorido, mas eu não posso ficar outro dia dormindo. Cada dia que eu me for, Rainer sem dúvida sofre. Eu faço meu caminho para as culturas, cada passo se revelando mais difícil do que eu pensava. O sol queima minha pele, o calor afundando profundamente em minha carne quando eu desço as linhas para encontrar Rainer. Ele está ~ 68 ~


de pé no final do prado, olhando para o muro maciço impedindo nossa fuga. Ele está debruçado um pouco mais, e me surpreende que ele não tenha me ouvido se aproximando. Eu me aproximo e coloco delicadamente minha mão em seu ombro. Ele recua e se vira... lentamente. Então, eu imediatamente me torno preocupada. — Rainer, — eu sussurro. — Você está bem? Ele força um sorriso trêmulo e ele sussurra: — Sim, Pip, eu estou bem. Ele está mentindo. Está escrito por todo o rosto. — Você está mentindo, — eu respiro. — O que ele fez com você? Oh, Deus. Será que ele foi ferido por causa de mim? Eu não podia suportar. — Ele não fez nada, — diz ele. — Você está se sentindo melhor? Eu estreito meus olhos. — Estou bem. Rainer, por favor, se você está machucado... Ele me corta com um aceno lento de sua mão. — Eu estou bem, Pippa. Vamos começar este trabalho. Ele não fala muito comigo enquanto nós trabalhamos, e seus movimentos são lentos e dolorosos. Seu rosto está amassado em dor o tempo todo que ele trabalha. Artreau fez algo; eu só não sei o que é. Eu sigo atrás de um guarda – Rainer rapidamente é ligado a mim assim que eu fui avistada desapegada. Quando o sol da tarde cai, e a brisa fresca escorre por entre as árvores, eu ajudo Rainer a voltar para a casa. Os guardas nos empurram para os nossos quartos, e no momento em que entramos, Rainer desaparece no banheiro, latindo para todo mundo se mover. Algo está realmente errado, e no momento que eu ouvi ele vomitar eu decido parar de me segurar. Eu corro em direção ao banheiro e empurro a porta aberta. Rainer está sobre o vaso sanitário, vomitando. Ele grita em agonia cada vez que ele vomita e eu estou lutando para entender. Eu me aproximo mais e tiro a toalha eu usei esta manhã para tomar banho. Eu molho e coloco suavemente contra seu rosto. Ele hesita, mas não se move. Ele simplesmente continua segurando o vaso sanitário. ~ 69 ~


— Rainer? — eu sussurro. Ele não responde. Eu coloco minha mão em suas costas e ele ruge, ruge, literalmente, em dor. Eu empurro minha mão, e é aí que eu vejo que sua camisa está furando estranhamente sua pele. Eu me ajoelho e retiro com cuidado a bainha de sua camisa. Ele tenta se virar, latindo para me parar, mas eu não paro. Eu levanto e suspiro em voz alta. Sua pele, que já foi boa, agora está coberta de cílios irritados. Pedaços de sua carne estão descascadas em volta, ele foi atingido tantas vezes. Um soluço estrangulado é arrancado de enquanto eu gemo, — Is... is.. is...isto foi por mim?

minha

garganta

— Não, — Rainer sussurra. — Eu falei besteira para ele. — Você está mentindo, — eu grito. — Não minta para mim. Seu corpo treme de angústia e ele sussurra: — Vinte chicotadas para cada dia que você esteve doente. — Não, — eu coaxo, caindo para trás. — Rainer, não. Ele se vira, estendendo a mão para mim, mas seu rosto está amassado em dor. — Eu faria tudo de novo. — Não, — eu grito, de pé e rodando. Eu corro em direção à porta. — Pippa! Corro, passando pelos outros escravos que estão ignorando principalmente meu desabafo. Eu alcanço a porta e bato meus punhos mais e mais sobre ele. Eu grito e grito até que um guarda abre a porta e me encara. — Me leve para ele, — eu choro. — Me leve agora! — Pippa não! — grita Rainer do banheiro, mas ele não faz isso a tempo. O guarda me puxa para fora do quarto e bate a porta, trancando. Eu não tenho nenhuma ideia qual meu plano é, mas eu não vou deixar o meu amigo na dor. Não quando ele me salvou.

~ 70 ~


Capítulo oito PRESENTE

PIPPA — Oh Deus, Pippa, — Sofie chora, envolvendo os braços em volta de mim no momento que eu passo para o meu turno no trabalho algumas noites depois da noite com Liam e Michael. Ela esteve tentando me ligar, mas eu só precisava de um tempo sozinha. Eu não estou brava com ela, nem perto disso. Estou com raiva de mim mesma por tentar sair da minha zona de conforto quando eu deveria ter apenas ficado do jeito que eu estou. Eu só estou sobrecarregando a todos com minha constante necessidade de ser protegida. Eu estou cansada disso. — Está tudo bem, — eu digo, batendo nos ombros de Sofie. — Não, não está tudo bem. — Não foi culpa sua, — eu asseguro a ela. — Foi, convidei eles para se sentar. Eu recuo e olho para ela. — Você não sabia que eles eram aqueles tipos de pessoas, por isso não é culpa sua. Ela balança a cabeça, mas seus olhos estão cheios de lágrimas. — Honestamente, Sofie.— eu sorrio. — Eu estou bem. — Ok, — ela sussurra. — Prometa que ainda podemos ser amigas? — Absolutamente. Que ordens nos foi dada hoje à noite? — Você está levando os quartos 345, 349 e 362. Eles acabaram de fazer check-out. — Ok, — eu digo baixinho, pendurando minha bolsa. — É melhor chegar a eles. ~ 71 ~


Quatro horas mais tarde, eu acabo. Eu limpo os banheiros nas últimas horas de meu turno. Quando eu termino, acho Sofie e digo a ela que eu vou ligar para ela no fim de semana para que possamos tentar novamente. Eu não sei se eu vou fazer isso, não porque eu não quero, mas porque eu estou com medo de como isso vai. Eu não tenho nenhuma ideia de como interagir com outras pessoas. Como é que eu vou me juntar quando eu não tenho nenhuma ideia de como? Assim quando eu chego a recepção da frente para adicionar minhas horas, vejo um corpo alto, moreno inclinado sobre a mesa. Percebo um patch do Joker‘s Wrath de imediato e assisto em ligeiro horror e fascinação quando Tyke se vira para mim. Ele sorri, grande e largo, e as recepcionistas todas olham para mim de boca aberta enquanto ele se aproxima e envolve um braço em volta do meu ombro. — Ei, pequena. — Ah, ei Tyke. O que você está fazendo aqui? — Não tinha nada para fazer. Achei que você poderia querer alguma companhia. — Ah, com certeza. — Você terminou? Concordo com a cabeça, andando e dando a recepcionista minhas horas. Ela ainda está olhando para Tyke, mas leva a folha de cima de mim com um aceno de cabeça, não em minha direção. Tyke me leva para fora da porta da frente. — Está tarde. Tem certeza de que quer fazer alguma coisa? Tyke assente. — É apenas dez, Pip. A noite ainda é criança. Eu franzo a testa para ele, e ele ri. — Venha. — Ok, mas meu carro está aqui. — Nós vamos voltar e buscá-lo amanhã. Pule aqui. Ele abre a porta de seu SUV e eu hesito por um segundo antes de subir. Eu não entendo completamente por que ele está aqui, mas eu não estou prestes a deixar passar a chance de sair com ele. Mesmo que nosso último encontro foi... desajeitado. Ele obviamente esqueceu sobre isso, então eu vou também. Subo para o carro e vejo quando ele desliza no banco do passageiro da frente. Me sinto segura com Tyke, quente e à vontade. Ele ~ 72 ~


me pisca um sorriso rápido e, em seguida decola. Nós deslizamos pelas ruas com facilidade. Eu não tenho nenhuma ideia de onde ele vai me levar, por isso me surpreende quando ele me traz a um velho parque abandonado. — Eu costumava vir aqui quando eu era criança, — ele me diz quando ele vira o carro. — É... bonito. E realmente é. É velho e rústico. Os balanços estão enferrujados e o escorregador está gasto, mas parece como lar. Eu saio do carro e caminho em direção a um balanço, me sentando com cuidado. Tyke se junta a mim, sentando no outro. — Então, como está se sentindo hoje? — ele me pergunta. Eu dou de ombros. — Bem. — Pip, — diz ele com um tom de aviso. Eu suspiro. — Estou confusa. Eu só não sei como ser diferente, Tyke. Eu não sei como ser a garota que eles querem que eu seja. Eu quero fazer amigos, eu quero sair e me divertir, mas eu sinceramente não sei como. A própria ideia me assusta. — Merda, querida, eu não tinha ideia, — ele murmura. — Você deveria ter me dito que estava lutando para sair. — E fazer você pensar que eu sou mais fraca do que você já acredita que eu sou? Eu fecho a minha boca rapidamente, porque essas palavras não eram para sair dos meus lábios. Tyke está fora de seu balanço em um segundo. Ele vem e enrola os dedos em torno das correntes, olhando para mim. Seus olhos são intensos e um pouco magoados. — Você acha que eu acredito que você é fraca? — Todos vocês não acham? — eu digo, virando meu rosto. — Eu sei como vocês todos me veem e vocês estão certos, porque é o jeito que eu sou. — Os anos essenciais da sua vida foram tirados de você, Pippa, mas isso não faz de você uma fraca. Você apenas tem que aprender de novo. Se você quisesse aprender, um pouco, por que diabos você não veio para mim? — Você tem Andi. ~ 73 ~


Ele suspira. — Pip... — Eu não quero ser um fardo para ninguém. — Pippa. — Eu não sabia como pedir. Ele se abaixa, capturando meu queixo em sua mão e inclinando a cabeça para trás. — Você vem a mim. Você me ouve? Se você tiver um problema, porra, Pippa, você vem para mim. — Eu estava com medo, — eu sussurro. Ele acaricia o polegar sobre meu rosto. — Não fique. Se você quer aprender, estou aqui para te ensinar. Quando é o seu próximo dia de folga? Eu pisco. — Perdão? Ele sorri. — Me responda, babe. Eu sei que você me ouviu. — Ah, amanhã. — Ótimo. Eu estarei lá às sete. Esteja pronta. — Por quê?— eu chio. Seu olhos piscam. — Para aprender a viver novamente. Não se preocupe, eu vou pegar leve com você. Deus me ajude.

~*~*~*~

PRESENTE Tyke chega na minha casa às sete horas da manhã seguinte, como ele disse que faria. Ele parece perfeito hoje, vestindo uma calça jeans preta desbotada e uma camiseta preta apertada. Seu colete está confortavelmente em seus ombros largos, mostrando seus patches. Seu cabelo está bagunçado e ele está vestindo um sorriso largo. Ele me coloca em seu carro e nós dirigimos. Eu não tenho nenhuma ideia de onde ele está me levando, mas eu incomodo toda a viagem. Mesmo quando ele coloca sua mão sobre a minha para me ~ 74 ~


ajudar a me sentir à vontade. Ele para o carro em um farol velho na beira da praia, umas boas duas horas de distância da minha casa. Existem algumas pessoas ao redor, mas parece tranquilo. — Que lugar é esse? — pergunto em um sussurro. — Este é The Lighthouse. Eu sei,nome apropriado, certo? — ele sorri, saindo do SUV. Ele chega perto e abre a porta para mim, me ajudando. Eu escalo do carro, minha mão na sua, e olho para o belo farol vermelho e branco em um pequeno penhasco, as ondas do oceano se dobrando na base. Tyke se junta a mim e nós andamos juntos. Parece haver um café com vista para o oceano. — Eu queria começar pequeno, — Tyke diz, segurando minha mão. — Este é um bom lugar para começar. — Tudo bem, — eu sussurro. — Não, — diz ele, se virando para mim. — Não sussurre. Você nunca tem que ter medo de falar, Pippa. Use sua voz, e use orgulhoso. — Ok, — eu digo, minha voz trêmula, mas em pleno vigor. Ele sorri. — Essa é minha garota. Sua garota. Isso bate em meu coração da melhor maneira possível. Ele me leva até o farol, mancando ligeiramente. Eu não faço menção de que ele não tem sua cadeira, porque eu acho que isso o incomoda. Eu acho que o faz se sentir menos homem. Se ele soubesse de algo que pudesse tirar isso dele. Chegamos ao enorme farol e subimos alguns degraus, entrando em um café. Eu tinha razão. Tem vista para o oceano, o grande deck de madeira se estendendo. Ele é coberto com mesas e cadeiras, e nelas estão toalhas brancas e vermelhas. Tyke me leva a uma mesa e me sento, e ele se senta ao meu lado. Apenas um momento depois, uma garçonete está na nossa mesa. — Olá, — ela diz, sua voz grossa com um sotaque do sul. Seus olhos verdes e bonitos estão fixados em Tyke. — O que eu posso trazer para vocês? — Nós apenas estamos olhando, — grunhe Tyke. ~ 75 ~


— Oh, é claro. Ela se vira e sai correndo e eu sorrio, incapaz de deter. Tyke olha para mim e sorri. — O que é tão engraçado? — Você grunhiu para ela. Seus olhos piscam com humor. — Ela estava olhando para mim como se ela quisesse que eu a dobrasse na mesma e a fodesse. Isso não é bom quando estou com minha garota. Minhas bochechas queimam e sorriso de Tyke fica maior. — Cale a boca. — eu rio. — Porra, eu amo esse som, — diz ele, olhando para minha boca. Deus. Toda a minha cara está provavelmente vermelho brilhante agora. — De qualquer forma, — diz ele, com um sorriso em sua voz, — Me diga o que você quer? Você que manda. Eu estremeço. — Eu não posso... — Pippa, querida, você pode. Eu balanço minha cabeça, e ele chega em cima da mesa e pega a minha mão. — Você confia em mim, não é, Pip? — Claro, — eu sussurro. — Como? Merda. — Claro, — eu digo mais alto. — Ótimo. Então, sei que não vai fazer qualquer coisa horrível. Você pode fazer todas essas coisas, você só tem que acreditar que você pode. Concordo com a cabeça, engolindo. Ele sorri, fazendo uma covinha aparecer enquanto desliza o menu para mim. — Eles têm uma comida surpreendente. Eu olho para baixo e meu estômago resmunga. É principalmente frutos do mar, o que é ótimo, porque eu adoro frutos do mar. Mas é de manhã, e eu não tomo isso como café da manhã e isso é algo diferente. Eu estou bem com diferente. Eu escolho o ensopado de frutos do mar ~ 76 ~


com pães recém-assados e Tyke decide sobre o mesmo. Quando a garçonete volta por cima, Tyke dá a ela um olhar, e seus olhos se viram para mim. Aqui vai. — Ah, — eu começo. Tyke se estica e aperta minha mão. Deus, por que parece tão difícil de fazer algo tão simples? É só pedir um pouco de comida, nada grave. Eu posso fazer isso. — Eu gostaria de dois ensopados de frutos do mar com o pão, por favor. Meu Deus. Eu fiz isso. Felicidade incha no meu peito e quando eu volto para Tyke, ele está radiante. Ele pisca para mim e eu volto para a garçonete com um sorriso maior do que qualquer sorriso que eu já dei. — Quaisquer bebidas? Eu perco o meu sorriso e pânico enche meu peito. Eu não pensei sobre bebidas. Eu nem sequer olhei para o cardápio de drinques. Me viro para Tyke, pânico nos meus olhos e ele está se aproximando ao meu lado. A garçonete observa com curiosidade, mas eu sei que ela não consegue ouvir quando ele se inclina em minha orelha e sussurra: — Calma, babe. Basta dizer a ela para esperar um momento, enquanto você decide. Concordo com a cabeça freneticamente e viro à garçonete. — Por favor, é só esperar enquanto eu... — minha voz falha. — Enquanto eu...ah... — oh Deus, eu não posso fazer isso. — Enquanto eu... — Nós ainda não decidimos, — Tyke acrescenta. — Peça os alimentos e volte. A garçonete acena com a cabeça, olhando para mim como se eu fosse uma aberração. Anormal do caralho. Meu lábio inferior treme. — Ei,— Tyke diz, agarrando minha mão. — Olhe para mim. — Eu sou uma aberração, — eu sussurro. — Uma f... f... fodida aberração. — O que você acabou de dizer? — Tyke respira. ~ 77 ~


— Isso é o que todos pensam. Isso é o que todos dizem sobre mim. Aberração. Eu sou uma aberração. — Jesus, porra, — ele murmura, e, em seguida, coloca um braço em volta do meu corpo, puxando minha cadeira para mais perto. — Você me ouça, e você ouça direito. Você não é uma aberração. Você é uma menina que tem tido coisas acontecendo que a maioria das pessoas normais não poderiam segurar. Você perdeu o mundo exterior por um longo tempo, e voltar é assustador. As pessoas que pensam isso de você, Pippa, eles são as loucas. — Artreau me chamou assim, porque eu estava com tanto medo dele... e, em seguida, Liam na outra noite... — Aquele pedaço de merda. Eu sabia que deveria ter acabado com ele. Eu empurro e olho para Tyke com os olhos arregalados. — Você não faria isso... você não faria... — Silêncio, — ele murmura, capturando meu rosto em sua mão. — O que eu faço é de nenhuma preocupação para você. O que ele disse, Pippa, estava errado. Ele estava tentando tirar vantagem de uma menina assustada. Me diz honestamente, quem você acha que teve os problemas lá? Você teria reagido da mesma forma que qualquer garota teria. — Não, — eu digo, olhando para baixo em sua garganta. — A maioria das meninas teriam lutado, talvez batido nele. Eu apenas sentei ali, congelada no lugar, apavorada. — Então nós vamos te ensinar a lutar. Eu prometo a você, pouco a pouco, vamos corrigir isso. Tudo. — Vocês estão prontos para pedir as bebidas? Nós dois nos viramos para ver a garçonete parada na nossa mesa novamente. — Você pode fazer isso, babe, — sussurra Tyke em meu ouvido, me fazendo arrepiar. Eu tomo uma respiração profunda e trêmula. Só eu posso mudar a minha vida. Só eu posso mudar a minha vida. Só eu posso mudar a minha vida. — Eu gostaria de dois chás gelados, por favor. ~ 78 ~


Eu fiz isso. Tyke aperta minha mĂŁo e um sorriso enorme irrompe em meu rosto. SĂł eu posso mudar a minha vida.

~ 79 ~


Capítulo nove PASSADO

PIPPA Minhas pernas tremem enquanto o guarda me leva pelo longo corredor até o quarto de Artreau. Vômito sobe e desce na minha garganta, queimando um caminho em minha passagem já crua. Eu tenho que forçar meus pés para se mover passo a passo, rezando para não cair no chão. O guarda me empurra para frente e eu tropeço algumas vezes, encolhendo para dentro de mim com medo. Quando chegamos a porta de Artreau, eu engulo mais e mais para evitar o vômito na minha garganta de explodir em toda a superfície. O guarda bate duas vezes e, em seguida, recua, esperando. Um momento depois, a porta se abre e os olhos de Artreau se ampliam antes de um sorriso lento aparecer em seu rosto. — Eu me perguntava quando eu ia ouvir de você. Vacilo e grito: — O que diabos está errado com você? Como você pôde fazer isso com ele? Que tipo de monstroArtreau me corta, agarrando o meu braço e me puxando para a frente. O guarda me deixa ir. Na verdade, ele parece quase entediado quanto ele murmura, — Me chame quando você quiser que eu a leve de volta. — Oh, eu vou estar ocupado por um bom tempo com ela.— Artreau sorri, batendo a porta fechada. Ele não me deixa ir quando ele me leva em direção ao seu sofá. Eu nunca estive em seu quarto, mas eu sempre imaginei que seria enorme. Eu estava certa. É enorme. Metade está configurado como um escritório, com uma mesa de mogno, grandes tapetes de pelúcia e estantes que revestem a parede. A outra metade é um quarto, com uma enorme cama king e um sofá macio.

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Artreau me empurra para baixo no sofá. Eu estava certa, ele é macio. — Agora, o que você estava dizendo? — ele continua. — Você está falando sério? — eu sussurro. —Como você pôde fazer isso com ele? Artreau dá de ombros. — Ele fez um acordo. Ele fez a escolha de dizer sim. — Ele estava me ajudando! — eu grito. — Mais uma vez, — diz Artreau friamente, — era a escolha dele. — Você é um monstro maldito. Você gostaria que alguém fizesse algo assim... tão... horrível com você? Ele se inclina para baixo, zombando de mim. — Eu não seria tão estúpido a ponto de deixar alguém fazer isso comigo. — Você não pode deixá-lo assim. Ele vai morrer! Ele dá de ombros, parecendo entediado. — Próxima pergunta? Eu quero gritar, esfaqueá-lo e machucá-lo de qualquer maneira que puder possivelmente. — Ele precisa de assistência médica. O que... — eu engulo e fecho os olhos. Eu tenho que fazer isso por Rainer. — O que eu tenho que fazer para conseguir isso para ele? As sobrancelhas de Artreau se atiram apra cima. — Você se preocupa com o menino o suficiente para vir aqui e pedir para que eu ajude ele? Pânico incha no meu peito. Eu não quero que ele saiba que eu me importo sobre Rainer, porque ele vai acabar machucando ele ainda mais. Então, ao invés, eu mantenho meu rosto em branco e digo: — Não. Eu me importo com as pessoas em geral, e quando alguém me ajuda da maneira como ele fez, eu não vou apenas dar tapinhas nas costas dele e dizer obrigada. Artreau sorri. — Bem, você não aprendeu muito de mim, então, não é? Eu cerro os dentes, mas não respondo. — Então você quer que ele tenha assistência médica, — diz ele, coçando o queixo. — Eu me pergunto o que vai te custar. ~ 81 ~


— Seja o que for, — eu digo entre os dentes. — Eu vou fazer isso. Artreau pisca um sorriso para mim. — Bem, se esse é o caso... Sua voz falha e ele olha para os meus seios, e eu sei, eu sei o que ele vai querer. Bile queima minha garganta e minhas mãos começam a tremer, mas eu vou fazer o que for preciso para dar a Rainer a ajuda médica que ele precisa. Se eu não fizer isso, ele vai morrer. Eu nunca poderia viver com isso. Não que eu esteja inteiramente certa que eu possa viver com isso, tampouco. — Apenas diga o que você quer, — eu digo entre dentes cerrados. — Oh, você sabe exatamente o que eu quero. Se você quiser que o seu amigo consiga a ajuda que ele precisa hoje à noite, então você vai aquecer minha cama, minha cara Pippa, e não me refiro apenas em dormir. Eu tenho que forçar minhas pernas para não dobrarem por suas palavras. Em vez disso, eu mantenho minha cabeça erguida e digor: — Se você prometer me dar o que eu preciso para ele, eu vou fazer o que quiser. — Liste o que você precisa, e eu vou te dar. Deus me ajude. — Eu preciso de antibióticos, algo para costurar sua pele, e uma pomada para manter a infecção fora. Eu também preciso de gase para cobrir. Oh, e analgésicos. — Feito, — diz Artreau. Concordo com a cabeça. — Agora, — ele ronrona, aproximando e pegando meu quadril. Seus dedos beliscam em minha pele e eu quero vomitar no local. — Onde vamos começar? — Espere, — eu digo. — Você me dá o que eu preciso e entregue no quarto antes... antes... — Muito bem.— Artreau suspira. Ele se aproxima e pega o telefone. — Sim, leve os seguintes itens para o quarto e entregue ao escravo que nós chicoteamos. Antibióticos, pomada para sua ferida, uma agulha e linha para costura, um curativo e alguns analgésicos. Me ligue quando você tiver feito isso.

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Ele bate o telefone e se vira para mim. — Feliz? — Não até que você receba a ligação de volta, — eu digo com uma voz dura, inflexível. Artreau revira os olhos e se serve de uma bebida enquanto espera. Eu rezo para que algo vá acontecer e eu vou ser capaz de sair dessa, mas eu temo que nunca vá acontecer. Eu só tenho que fechar meus olhos, fingir que estou em outro lugar, e me dizer que isto é para Rainer. É para Rainer, que se sacrificou por mim. O som da chamada voltando me empurra dos meus pensamentos. Artreau atende, acena com a cabeça, e depois desliga. — Foi entregue. Ele dá um passo para frente e eu cerro os olhos fechados quando ele agarra meu quadril novamente. Ele aperta dolorosamente, eu sei, eu só sei que ele não vai levar isso fácil. Ele me empurra para o sofá e minhas pernas tremem de medo. Repulsa inunda meu corpo, eu não quero nada mais do que vomitar em cima dele. Eu bloqueio o máximo que eu posso quando ele me empurra para baixo, posicionando seu magro e nojento corpo sobre o meu. Eu posso sentir sua dureza contra a minha coxa e eu tenho que lutar contra mim mesma, porque tudo que eu quero fazer é segurá-lo e torcê-lo. Você não está aqui, Pippa. Vá em outro lugar. Isto é para Rainer. Isto é para Rainer. Artreau não perde tempo. Seus dedos vão sob minha camisa e meus seios. — Patético. Eu pensei que você iria pelo menos ter algo para agarrar. Vamos esperar o que está entre suas pernas é um pouco mais impressionante. Vergonha e horror passam através do meu corpo quando ele agarra meu shorts, puxando ele para fora, e empurrando a mão para baixo em minha calcinha. Ele pega meu sexo e eu grito, me contorcendo. Não, eu não quero isso. Eu não quero isso. Oh Deus, me ajude. Por favor, alguém me ajude. Eu paro quando seu dedo entra em um lugar que nenhum homem jamais esteve. Eu vou desmaiar. Alguém me ajude. O telefone toca. Em seguida, a porta bate.

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Artreau amaldiçoa e sai de cima de mim, retirando a mão da minha calcinha. Assim que seu peso se foi, eu rolo para o meu lado e choro em voz alta, horrorizada. Eu me sinto tão repugnante, tão suja, eu quero vomitar e morrer de uma vez. Vozes enchem a sala, em seguida, Artreau está ao meu lado, me puxando para cima. — Saia. Tenho negócios para cuidar. Ele está distraído, nem mesmo está aqui mais. Seus olhos estão distantes. Ele me empurra para os braços do guarda e murmura: — Eu vou lidar com você mais tarde. Ele diz isso, mas ele não parece estar pensando em mim em tudo. Seja qual for a notícia, foi apenas compartilhada com ele e o fez me esquecer completamente. Alguém respondeu às minhas orações.

~*~*~*~

O guarda me empurra para o nosso quarto e bate a porta atrás de mim. Eu tropeço para frente e direto ao peito de Rainer. Ele está ali de pé, esperando por mim. Meu rosto pressiona contra os cumes firmes sob sua camisa, ele me segura com tanta força que eu mal posso respirar, mas eu não me importo. Eu não me importo. Eu faria tudo de novo para ele. — O que você fez, Pippa? — ele diz com a voz quebrada. — O que você fez? Deixo escapar um soluço quebrado e ele nos leva para trás para a sua cama que ele empurrou para perto da minha. Ele se senta sobre ela com um silvo de dor, mas se recusa a me deixar ir, me segurando perto. Eu choro tanto que meu corpo treme. A memória dos dedos de Artreau tocando a minha carne mais sensível me faz querer gritar. Internamente, eu faço. Estou quebrando em pedaços. — Eu sinto muito, — ele sussurra. — Sinto muito. Eu recuo e olho em seus olhos, e ele está olhando para mim, com o rosto cheio de horror. Eu me estico e pego seu queixo na minha mão e sussurro, — Eu faria isso de novo, por você.

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Meus olhos cintilam para a pilha de suprimentos médicos sobre a cama. Ele realmente entregou. Inundações de alívio correm por mim. Rainer leva meu rosto em suas mãos e pressiona nossas testas juntas. — Por favor, me diga que ele não fez... que você não fez... É nesse momento que eu percebo que Rainer vai quebrar se eu disser a ele o que eu esperava. Então, eu digo: — Ele nunca foi tão longe. Uma chamada de emergência chegou e ele me empurrou para fora. — Mas ele vai querer isso, — diz ele, aflito. — Ele vai querer isso. Deus, Pippa, você deveria ter deixado para lá. Sua idiota, estúpida, menina bonita. Eu soluço de novo e sussurro: — Eu faria isso de novo, Rainer. Você teria morrido se eu não fizesse... — Não, — ele diz. — Não. Você não me salvou, você está me ouvindo? Você nunca me salvou. — Eu sempre vou te salvar. E eu vou. Porque é o seu trabalho salvar a única pessoa que restou em seu mundo.

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Capítulo dez PRESENTE

PIPPA A mão quente de Tyke está enrolada em torno da minha, enquanto caminhamos lentamente sobre a areia. O nosso almoço juntos foi incrível, eu não acho que eu sorri muito desde que eu estive de volta. Ele me fez rir, ele contou piadas, e ele sorriu para mim e fez meu interior virar líquido. Passar o dia com ele é a melhor escolha que fiz esta semana. — Se importa se eu te fizer uma pergunta, pequena? — diz Tyke. — Ah, com certeza. Ele aperta minha mão. — Eu sei que você não tem falado sobre isso com ninguém, porque, obviamente, você não quer, mas... Como você está se recuperando de tudo o que aconteceu? — Você quer dizer de ser uma escrava por mais de cinco anos? Sua mandíbula aperta e ele balança a cabeça bruscamente. Eu nunca disse a Tyke muito sobre o meu tempo longe. Eu realmente não tenho contado a ninguém. Eu acho que uma grande parte de mim se sente envergonhada, embora eu saiba que não fiz nada de errado. Estou preocupada que se as pessoas souberem o que eu vi, elas vão se sentir culpadas, ou me olhar com ainda mais pena do que elas já fazem. — Eu estou bem, — eu digo. — Eu realmente não penso muito sobre isso. Percebo isso mais em minha personalidade. Eu luto com um monte de coisas, ainda. — Sim, eu aposto que você faz. Não seria fácil. Você sabe que sempre pode falar comigo, não é? Eu aperto a mão. — É claro que eu sei disso.

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— Eu senti uma conexão com você desde a primeira vez que eu coloquei os olhos em você, e eu sei que você sente o mesmo. Eu quero que você saiba que você pode confiar em mim. — Eu confio em você, — eu digo em voz baixa. — Eu só não gosto de falar sobre o que aconteceu lá. Mudou alguma coisa dentro de mim e quando eu penso sobre isso, eu fico angustiada. Ele nos para e se vira para mim. — Então vamos falar de outra coisa. Como está se sentindo após o almoço? Eu coro. — Tão orgulhosa de mim mesma. Eu nunca fiz nada assim antes. Me sinto incrível. — Você é incrível, Pip, — diz ele, os olhos quentes. — Obrigada, — eu digo, corando. — Por me ajudar assim. Eu sei que é muito tempo fora de seu dia e... — Não, — diz ele, com a voz rouca. — Não faria isso se eu não quisesse. Não, acho que não. Estou aprendendo isso. — Agora, é hora do nosso próximo desafio. — ele sorri e pega a minha mão, me levando para uma enseada tranquila. — O que nós vamos fazer? — Gritar. — Gritar? — eu digo, os olhos arregalados. — Sim, Pip, gritar. Você é de fala mansa, mas é bom ter uma palavra a dizer. Não há problema em defender o que você acredita. Não há problema em ficar com raiva e desabafar. Essas são todas as coisas normais que você não deve se envergonhar. Você não está mais nas mãos daquele monstro - você está autorizada a sentir. Meu coração começa a bater mais rápido e eu atrapalho meus dedos nervosamente. Tyke percebe e pega a minha mão, me puxando para mais perto. — Ninguém está aqui para nos ouvir. Não tenha medo. — Eu não... Eu não sei, Tyke, — eu digo, hesitante. — Só tem eu aqui, pequena. Eu nunca vou te julgar. Vamos lá: vamos fazer juntos. Ele dá um passo para trás e levanta a cabeça no ar. — Woo hoo! ~ 87 ~


Ele grita isso em voz alta, e eu não posso parar o riso que escapa dos meus lábios. Ele parece se divertir. Ele se vira para mim com um sorriso enorme. — Vamos lá, duas palavras. Dê uma chance. Eu engulo e inclino a cabeça para trás. — Hoo Woo. Isso foi patético. Foi fraco e coxo. Eu franzo a testa e me mexo nervosamente. — Tente novamente. Abra sua voz e só grite, Pip. Eu respiro fundo, fecho meus olhos e solto, — Woo hoo! — Sim. — Tyke ri, batendo palmas. — É isso garota. Agora faça isso novamente. Nós dois apontamos nossas cabeças para trás e gritamos as duas palavras mais e mais, até que caímos para trás rindo. Tyke, vestindo um grande sorriso, se vira para mim e diz, — Agora vamos ficar com raiva. Eu encolho instantaneamente. Rir é uma coisa, mas raiva... não. — Eu não posso assim, Tyke, — eu digo. — Você pode; é fácil e é natural. Você não tem que deixar as pessoas te empurrar ao redor para sempre, pequena. Você é o mestre de seu próprio destino. Eu bufo e digo: — Isso é ridículo. Ele pisca para mim. — Lamente, mas é verdade. Vamos, fingir... — ele olha em volta e percebe uma rocha. — Finja que a pedra é alguém que você está realmente irritada. Diga a eles o que você pensa deles. — Não posso fazer isso. Ele para de sorrir e se aproxima de mim, se inclinando para baixo. — Por que não? — Eu não... — Não, — ele diz com firmeza. — Sem desculpas. Me diga porque você tem medo de fazer assim. Eu engulo. — A raiva só te coloca em apuros. Você diz algo que não deveria, e isso machuca as pessoas.

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— Sim, isso pode ser verdade, mas só se você não controlar. Não, se você pensar sobre o que você está dizendo antes de você dizer isso. — As pessoas ficam com raiva de você, se você falar a verdade, — eu vou em frente. — Eu não gosto quando as pessoas estão com raiva de mim. — Jesus, Pip, esse poderia ser o caso, mas você não pode passar o resto de sua vida se preocupando que alguém vá ficar bravo se você se expressar. Se eles te amam, eles vão entender que você tem emoção, assim como o resto do mundo. Meu lábio inferior treme. — Eu tenho medo, Tyke. Ele toma o meu rosto em suas mãos. — Isso é o que nós estamos aqui para mudar. Você está autorizada a ser você mesma, Pippa. Pense de novo, antes de você soltar. O que você gosta? Eu fecho meus olhos e volto a um tempo antes de Santana e eu perdemos nossos pais e nossos mundos se desintegrarem. Eu nunca fui uma menina de sair, como a minha irmã, mas eu era alegre e gostava de rir. — Eu era borbulhante, — eu digo com um sorriso triste. — Meu pai costumava me dizer que eu poderia iluminar seu dia, porque quando eu o cumprimentavaa cada noite era com tanto entusiasmo e alegria que ele não poderia deixar de ser feliz. — Isso é bom, querida, — Tyke diz suavemente. — Isso é uma coisa boa para guardar. Agora pense, realmente pense - essa Pippa iria apenas deixar que as pessoas pisasse em cima dela? Eu sorrio para uma memória que pisca em minha mente. É que eu tinha esquecido até agora. Nós estávamos brincando na minha nova casinha e o garoto ao lado veio. Nós brincamos com ele muitas vezes, mas neste dia particular, ele decidiu provocar Santana. Ele a fez chorar e quando ela entrou na casa, dei a ele um esporro que o fez chorar também. — Não, — eu digo em voz baixa. — Eu poderia ter sido tímida, mas eu sabia o que eu queria. — Essa menina está aí dentro. Ela não se foi; ela pode ter mudado, mas ela não foi a lugar nenhum. Encontre ela e a traga para fora e puxe de volta.

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Abro os olhos e olho para os seus. Ficamos assim por um longo tempo. — Ok. — Tudo bem? — ele sorri. — Ok. Ele toma meus ombros e me vira para a grande rocha. — Finja que não estou aqui. Converse com a pedra, diga a ela o que você quis dizer a alguém. Ela não tem que ser alguém de seu passado; ela pode ser alguém que você acabou de conhecer. Qualquer um. Você decide. Eu tomo uma respiração profunda. — Eu não sou estúpida, — eu digo em voz baixa. — Mais alto baby, — Tyke incentiva. — Fique louca. — Eu não sou estúpida, — eu digo novamente, um pouco mais dura. — Eu não sou idiota. Eu sou boa no meu trabalho, e você não tem direito de falar assim comigo. — Mais, mais alto, mais forte, — Tyke sussurra em meu ouvido e eu tremo. — Eu posso trabalhar para você, — eu digo, sentindo uma emoção estranha reprimir firmemente em meu peito, — mas isso não significa que você pode me tratar como, como... — eu gaguejo e fecho os olhos, dando um suspiro,— ...como um cachorro. — É isso aí menina, tire isso. — E eu vou limpar os banheiros, — eu grito, me chocando. — Quando eu estou bem e pronta, porra! — Sim! — diz Tyke, apertando minha cintura. — Continue. — Você acha que eu posso apenas fazer um milhão de coisas de uma vez? — eu descasco, sentindo minhas mãos tremerem de raiva e vergonha suprimida. — Eu gostaria de ver voce fazer tudo isso, você está com raiva, seu homem horrível. — Você está indo muito bem, babe. Grite com ele, mais alto. — Você provavelmente nunca trabalhou um dia em sua vida, — eu grito tão duro que a minha voz treme. — Você provavelmente não sabe como é viver uma vida difícil. Seu... seu... idiota! ~ 90 ~


— Sim querida. — Tyke ri. — Diga a ele. — E... — eu guincho. — E quanto a você, você... Mulher desagradável. Você não merece ele. Você nunca vai merecer ele. Ele é muito melhor do que você, e você nunca vai ver isso, porque você não pode desgrudar os olhos de suas unhas falsas e seios de plástico. Você deve estar de joelhos agradecendo a Deus todos os malditos dias por ter ganhado ele! Eu nunca quis dizer isso - apenas veio derramando. Minha boca se fecha e meus olhos se arregalam. Tyke estava calmo e quieto atrás de mim, e de repente eu me pergunto se eu apenas fiz o maior erro que eu poderia ter feito. Me viro lentamente, — Tyke, me desculpe, euEu não entendo uma palavra, porque a sua boca choca em meus lábios. Meus joelhos oscilam e sua mão se extende e vai ao redor da minha cintura, pressionando meu corpo contra o dele. Eu desmorono contra ele com um gemido, abrindo minha boca e deixando ele entrar. Eu fui beijada uma vez na minha vida antes, e foi por Rainer. Foi há muito tempo, e foi incrível. Este, embora? Este é fogos de artifício. As mãos de Tyke me puxa para perto, esmagando meu corpo contra o dele. Sua língua enrola com a minha e é tão macia. Seu rosto é áspero contra o meu, sinto meus lábios inchados e alerta com cada parte dele. Ele faz um som gutural e então de repente ele recua, passando as mãos pelos cabelos, parecendo frenético. — Porra, — ele murmura. Eu não digo nada. — Porra! — ele fala. Ele se arrependeu disso. Eu posso ver isso em seu rosto. Meu coração se quebra. Claro que ele se arrependeu. Ele tem uma namorada. Ele acabou de traí-la por causa de mim. Lágrimas queimam sob minhas pálpebras e eu gaguejo, — Eu... Eu... Sinto muito, Tyke. — Nunca deveria ter feito isso, — ele murmura para si mesmo. — Porra. Deus. Nada poderia doer mais do que essas palavras. Eu penduro minha cabeça. Nunca o suficiente. Nunca, nunca o suficiente.

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~*~*~*~

Tyke não diz uma palavra para mim quando eu viro e vou embora. Ele me segue, mas o silêncio é pesado entre nós. Eu não deveria ter dito aquelas coisas, e eu não deveria tê-lo beijado de volta. Foi um momento de fraqueza de ambos, mas foi o suficiente para causar tensão como nenhum outro. Ele provavelmente nunca vai querer falar comigo, agora. Eu cometi um erro. Subo em seu carro e ele entra no outro lado. Eu dobro meus joelhos até meu peito e olho pela janela enquanto ele sobe. Ele se vira para mim e sussurra: — Pip? Eu não posso responder. Eu não sei como. O que eu devo dizer? Sinto muito? Eu não estou arrependida? Devo estar zangada com ele por me beijar e, em seguida, me fazer me sentir mal com isso? Eu honestamente não sei. Ele suspira, e liga o carro. Nós sentamos em silêncio todo o caminho de casa, e quando ele estaciona em minha casa, eu saio sem dizer uma palavra. Ele sai atrás de mim, e quando eu chego à porta, ele pega meu braço em sua mão e me vira. Seus olhos estão aflitos quando ele olha para mim. — Sinto muito pequena. Eu não tive a intenção de fazer isso. Ele não queria fazer isso. Me bater doeria menos. Concordo com a cabeça rigidamente, e em seguida, puxo o meu braço dele e entro na casa, batendo a porta antes que ele possa chegar a ela. Eu tranco e, em seguida, deslizo para baixo, deixando cair a cabeça em minhas mãos. Um soluço rasga da minha garganta e meu corpo treme com dor e vergonha. Principalmente vergonha. Eu nunca estive tão horrorizada em toda a minha vida. Eu não sei quanto tempo eu sento assim, soluçando contra a porta, mas sou perturbada quando uma batida soa lá fora. Minha cabeça empurra para cima e me pergunto se Tyke voltou, mas quando ouço Maddox chamar eu levanto rapidamente. Abro a porta sem hesitação, e seus olhos se arregalam no momento em que ele me vê. — Merda, Pippa, que o inferno? — Não é nada, — eu digo exitante, acenando com a mão. — Apenas um dia de trabalho ruim. ~ 92 ~


Espero que Maddox não saiba que eu não trabalho hoje, ou eu estou em apuros. Ele aperta os olhos e diz cuidadosamente, — Qualquer coisa que eu possa ajudar? — Não. Por que você está aqui? Santana está ok? Molly? Ele sorri. — Elas estão bem, querida. Eu vim falar com você sobre o seu amigo, Rainer. Meu coração pára de bater. Oh Deus, se esta é uma má notícia, eu honestamente não sei se eu posso lidar com isso. Eu engulo e assinto, recuando e acenando meu braço para ele entrar. Ele faz, chutando suas botas na porta. Ele caminha ao meu sofá e se senta, seu corpo grande ocupando o lugar. Me sento ao longo dele, olhando com os olhos arregalados. — Então, eu procurei por ele, e acabou que esse nome não foi difícil de encontrar. Meu coração está batendo tão forte que eu me sinto mal. — Maddox, por favor, — eu sussurro. Ele aperta os olhos. — O que esse cara significa para você? Eu pisco. — Ele era um amigo meu, o único que eu tive. Por favor... me diga que ele está... ele está... — Ele está vivo, Pip. Meus corpo treme e uma silenciosa lágrima desliza do meu olho e escorre pelo meu rosto. Ele está vivo. Oh Deus, ele está vivo. Todo esse tempo eu quis saber o que lhe aconteceu, e sabendo que ele está vivo tira muito da minha dor. — Onde ele está? — eu sussurro. Maddox sorri. — Essa é a parte boa. Ele mora aqui, Pippa. Eu pisco. — Como? — Ele mora aqui; ele tem morado aqui nos últimos dois anos. Eu não sei a história dele, mas sei que ele estava em Nova York por alguns anos antes de arrumar as malas e se mudar para cá. Ele é dono de um bar no centro. Eu fui verificar. Ele parece ser um cara decente. — Você... verificou ele? — eu chio.

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— Claro que eu fiz, — ele resmunga. — Não ia te dar informações sobre um cara que poderia ser... perigoso. — Rainer nunca iria me machucar, Maddox. Ele aperta os olhos. — Não quero saber como você está tão certa disso. De qualquer forma, eu falei com ele, mas não disse a ele sobre você. Agora é com você. Eu tenho o endereço dele aqui. Se você quiser ir lá, você pode. Se não, isso é com você também. Ele chega em sua calça jeans e tira um pedaço de papel. Eu aceito com os dedos trêmulos. Rainer vive aqui. Aqui. Todo esse tempo, ele tem estado tão perto. Será que ele ainda se lembra de mim? Deus, e se eu sou uma má memória do seu passado que ele não quer ver de novo? Minhas palmas ficam úmidas e eu aperto. Maddox se estica e dá um tapinha na minha mão. — Você decide o que você tem que fazer,menina. Eu tenho que correr, tenho merda para lidar. Você viu Tyke hoje? Eu recuo e olho para cima. — Ah, sim, eu o vi há pouco tempo. — Bom, queria saber onde ele esteve. Ele tem merda para lidar também. Até mais tarde. Ele pisca para mim e se levanta, desaparecendo. Me sento no sofá e olho para o papel na minha mão. Isso parece bom demais para ser verdade. Rainer está aqui, e ele está tão perto. Eu queria vê-lo novamente, saber que ele está bem, agora a própria ideia me aterroriza. Talvez eu possa ligar? Talvez se eu ouvir a sua voz, não vai ser tão aterrorizante. Usando o meu telefone, eu digito o número do bar e aperto o botão de chamada. Minhas mãos estão tremendo enquanto eu conto os toques. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. — Olá? A voz que enche a linha é do sexo feminino, eu respiro um suspiro de alívio estranho. Minha voz estava entupida na minha garganta, e eu honestamente não sei como eu teria reagido se Rainer tivesse atendido. — Ah, olá, — eu chio. — Eu estava pensando, ah, se Rainer trabalha aí ainda? — Sim. Você gostaria que eu passasse para ele? — Sim, quero dizer~ 94 ~


Ela se foi antes de eu terminar a minha frase. De repente, eu não posso respirar. Eu começo a ofegar. Eu não sei se eu posso fazer isso. Eu honestamente não sei se eu posso ouvir a sua voz depois de todo esse tempo e não quebrar. — Sim? Oh. Socorro. — Olá? Sua voz é a mesma, mas de modo diferente. É masculino, viril, tão malditamente crescido. Lágrimas irromperam e eu não posso falar, eu tento, mas não sai nada. — Tem alguém aí? Rainer. Oh, Deus. O beep beep da linha desconectada enche meus ouvidos e eu largo o telefone. Preciso vê-lo. Eu preciso ver seu rosto novamente. Eu preciso lhe dizer que eu nunca vou esquecer cada coisa linda que ele fez por mim. Eu abaixo com os dedos trêmulos e levanto o meu telefone, discando para Santana. — Ei Pippi, — ela responde. — Tana, — eu coaxo. — Pip? O que está errado? — Eu preciso de sua ajuda, esta noite. Você pode deixar Molly com alguém? É importante. — Absolutamente. Eu estarei aí em breve. Eu vou vê-lo novamente. Meu melhor amigo. A única pessoa que já tinha me entendido. Rainer.

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Capítulo onze PASSADO

PIPPA — Parabéns a você, — canta suavemente Rainer quando nós nos sentamos entre as culturas. — Feliz aniversário, querida Pippa, feliz aniversário para você. Tenho dezessete anos. Estive aqui há quase três anos. Não ficou mais fácil, mas não ficou mais difícil, também. Artreau encontrou novas vítimas e ele nunca mais voltou para o favor que lhe devia. Ele teve interesse em uma nova escrava. Desde então, Rainer e eu passamos o nosso tempo apenas trabalhando e rezando para que cada dia seja o nosso último aqui. — Obrigada, — eu sussurro, sorrindo com os lábios trêmulos. Eu me pergunto se Santana ainda está viva? Gostaria de saber se ela está pensando em mim agora do jeito que eu estou pensando sobre ela. Ela está com cerca de dezenove anos agora. Eu me pergunto se ela procurou por mim? Talvez ela se casou? Lágrimas queimam em meus olhos quando eu me pergunto sobre a irmã que eu perdi. Artreau me disse que qualquer família que me resta foi morta e é por isso que eu fui vendida, mas eu simplesmente não acredito nisso. Eu sinto que se Santana estivesse morta, eu realmente não acreditaria nisso. Talvez eu só não queira perder essa esperança. Rainer se estica e pega a minha mão, apertando. — Um dia, Pip, eu vou te dar a melhor festa que você já teve. — Você vai? — eu sussurro, com um sorriso. Ele se vira, minhas costas pressionadas contra seu peito. Ele envolve seus braços em volta da minha cintura e nós olhamos fixamente para as culturas. — Sim, eu vou. — Haverá bolo? — pergunto melancolicamente.

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— Tanta merda de bolo que você não será capaz de comer tudo. — Chocolate? — Qualquer que seja o sabor que você quiser. Ele me aperta, e eu sorrio. — E sobre velas? — Muitas delas, também. — E balões? Ele ri. — Tudo que você pode imaginar. — Minha irmã, — eu sussurro, olhando para baixo. Rainer coloca a cabeça no meu ombro e vira o rosto em meu pescoço. — Sua irmã. — E você? O que você quer? — eu digo, virando meu rosto no seu e pressionando minha bochecha contra a dele. — Só você, Pippa. — Tem que haver mais algo que você queira? Ele balança a cabeça e beija minha bochecha. — Nunca haverá nada mais do que eu poderia querer. Você é minha melhor amiga, Pippa, e eu não quero nunca deixar você ir. Eu acho que eu adoro Rainer. Não, eu sei que sim.

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PRESENTE

PIPPA — Então esse cara... ele era um escravo também? — Santana pergunta quando nos aproximamos do clube. Concordo com a cabeça, mordendo meu lábio inferior quando o sinal de néon azul brilhante vem à vista. Eu realmente não tenho certeza se posso fazer isso. Me vesti e fiz Santana me trazer, contando a ~ 97 ~


história mais ou menos no caminho para cá. Ela ficou surpresa, mas tão animada que eu estaria encontrando alguém que eu conheço. Eu não tenho tanta certeza se Rainer vai querer me ver. E se ele não quiser essa lembrança de seu passado? — Pi, você está bem? Eu assinto, mas minhas mãos estão tremendo. — Pippa. Santana me para, me virando e olhando nos meus olhos. — Você não tem que fazer isso. — Ele era o único amigo que eu já tive, Tana. Eu tenho que fazer. Ela balança a cabeça. — Bem, eu vou estar aqui com você. Concordo com a cabeça novamente, e quando nós alcançamos as portas para o clube, minhas mãos começam a suar. Eu engulo o caroço se formando na minha garganta e tento diminuir a enxurrada de borboletas levantando uma tempestade no meu estômago. Eu fecho meus olhos, respiro instável e, depois, empurro para dentro. O bar é muito bom em um tipo de bar típico. Há um balcão de madeira maciça onde bartenders estão servindo. Há mesas de bilhar e mesas e cadeiras estão espalhadas por todo o lado. Há até mesmo uma pista de dança e um palco para uma banda. Eu ando em direção ao bar, imaginando que é o melhor lugar para começar. Eu tenho uma memória de Rainer na minha cabeça, mas foi anos atrás que eu o vi. Ele seria um homem agora. Talvez ele parecesse o mesmo, talvez não. Tento imaginá-lo, mas é tão difícil quando nervos estão me engolindo. Santana agarra meu braço e sussurra: — Você quer que eu procure com você ou quer que eu apenas espere? Por mais que eu queira a minha irmã comigo, eu preciso falar com Rainer sozinha. Esta reunião poderia sair mal, e eu não quero que ela testemunhe o coração partido que isso vai me causar. — Encontre uma mesa. Eu irei quando eu estiver pronta. Ela balança a cabeça, apertando meu ombro. — Eu vou ficar bem ali, se precisar de mim, Pippi. Eu a abraço suavemente, e depois vou em direção ao bar. Há uma jovem mulher servindo, quando eu chego ao balcão, ela para e olha para mim. Ela é loira, peituda e muito bonita. Ela também é arrogante. ~ 98 ~


Seu rosto é impaciente quando ela olha pra mim. — Posso pegar algo, ou você vai olhar o dia todo? — Ah, eu estou aqui para ver Rainer. Ela estreita os olhos. — E quem é você? Eu engulo. — Um amiga. — Que tipo de amiga? Honestamente, eu não tenho paciência para pessoas como ela. Eu já estou me sentindo como se eu fosse perder o meu almoço. Eu preciso acabar com isso, ela só está adiando isso. — Uma velha amiga da família. Eu vim para vê-lo. Você pode, por favor, ir e dizer a ele que ele tem um visitante? — Você tem um nome? — ela solta. — Não. Apenas chame ele. Ela pisca para mim, se vira e sai. Estou surpresa com a minha arrogância, mas eu estou tão nervosa que as palavras simplesmente fluíram para fora. Eu aperto a borda do bar e olho para a porta que ela foi. Então eu o vejo. Quando ela se abre e sai seguida por um homem, meu estômago dá uma guinada. Oh. Doce. Céu. É ele. Eu tinha razão. Ele não é mais um homem jovem, mas um homem em pleno vigor. Seu corpo, que sempre foi enorme, é agora maior e mais musculoso. Ele tem tatuagens que serpenteiam para cima e para baixo em seus braços, e até mesmo sobre os nós dos dedos. Seu peito é amplo, e ele está vestindo uma camiseta preta apertada. Seu cabelo, ainda escuro, é algumas polegadas mais longo do que me lembro e bagunçado. Seu rosto está agora masculino, a mandíbula forte e seu nariz levemente dobrado. Ele é um tipo perigoso de bonito. A menina olha para mim, mas Rainer para e fala com um homem que agarra o braço dele. Eu acho que vou vomitar. Eu não sei se eu posso fazer isso. Ele parece mais assustador. E se ele gritar para que eu vá? Eu nunca vou ser capaz de lidar com isso. Eu fecho minhas mãos para tentar deter a minha agitação. Então ele se vira. ~ 99 ~


Seus olhos passam por mim e para a barman. — Quem está aqui para me ver? Sua voz é mais grossa, mais rouca, ainda melhor do que era no telefone. — Aquela lá. — a barman enfia um dedo para mim, e Rainer se vira. É como se o mundo de repente estivesse em câmera lenta. Seus olhos me encontram e sondam meu rosto. Por um segundo, por um agonizante segundo, eu acho que ele pode não saber quem eu sou. Mas eu reconheço o momento em que ele percebe. Sua cara cai e algo passa em suas feições - um tipo de dor escura que eu só vi em meus olhos. E de repente eu não posso fazer isso. Não consigo respirar. Eu não posso pensar. Meu mundo fica dormente. Me viro e eu corro, corro o mais rápido que eu posso para fora do bar. Santana chama meu nome, mas eu não paro. Eu passo pelas pessoas que vêm através da porta e no momento em que bato na brisa fresca, eu tropeço. Eu caio para frente, mas um conjunto rígido de braços envolve em torno de minha cintura, me puxando para cima. Eu faço um som agudo afiado e lágrimas explodem dos meus olhos. — Pippa? É ele. É ele. — Fodido Jesus, é realmente você? — Rainer, — eu coaxo. Ele me gira ao redor e, em seguida, meu rosto é esmagado contra seu peito. Seu controle é apertado e eu mal posso respirar através dele, mas eu não me importo. Ele poderia me esmagar contra a parede até que não houvesse ar sobrando no meu corpo, eu não me importo. Meus braços minúsculos saem e fecham em torno de sua cintura. É duro; ele é tão musculoso como ele era uma vez. Seu corpo treme da mesma maneira que o meu faz, e nós estamos lá na rua, tremendo de emoção. Ele é o primeiro a recuar, quando ele olha para mim, eu vejo que ele tem os mesmos olhos negros que ele sempre teve. Eles são vidrados ~ 100 ~


quando ele se abaixa e pega meu queixo em sua mão grande. Ele olha para mim, como se ele nunca pensasse que ele iria me ver novamente. Talvez ele pensasse que eu estivesse morta. — Eu nunca pensei que eu iria ver seu rosto novamente, Pippa. Vejo todas as noites nos meus sonhos, mas eu pensei que seria tudo que eu teria. Porra, princesa, é realmente você? — Sou eu, — eu sussurro. — Eu... Eu pensei... — Porra, querida, — ele diz, me puxando de volta. Nós prendemos um ao outro novamente, e desta vez eu recuo primeiro. Eu me estico e arrasto meus dedos sobre sua barba. Ele vira o rosto em minha palma. Tenho certeza que para os espectadores isso parece bastante interessante. Um homem enorme, e uma mulher pequena, ele tem o rosto com a palma da mão como se ele fosse o único frágil. Ele não é, no entanto. Eu sei o quão forte é Rainer. — Há quanto tempo você esteve... fora? — diz ele, olhando nos meus olhos. — Três anos. Seus olhos se fecham e ele rosna, — Graças a porra. — O que aconteceu com você? — eu sussurro. — Eu vou te dizer, mas não agora... Eu só preciso olhar para você. Uma garganta limpa, e nos viramos para ver Santana nos observando com um pequeno sorriso em seu rosto. — Oh, — eu digo, recuando. — Rainer, esta é a minha irmã, Santana. As sobrancelhas de Rainer atiram para cima e ele lhe dá um verdadeiro e impressionante meio-sorriso. — Ouvi falar muito sobre você. Prazer em te conhecer. Ele estende a mão para fora e Santana aceita, sorrindo. — Ouvi dizer que você e Pippa eram próximos. Fico feliz que ela tenha encontrado alguém que a entende. — Melhor coisa que eu já tive, — diz Rainer, olhando para mim.

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Eu coro. Eu nunca tinha percebido até agora quão belo Rainer realmente é. Ele sempre teve boa aparência, mas agora ele é impressionante, excitante e perigoso. — Estou feliz que ela encontrou você, então, — Santana diz recuando. — Pippa, você quer que eu fique ou você está bem? Eu olho para ela. — Eu estou bem, obrigada Tana. Eu a abraço e ela pisca para Rainer e dá outro sorriso antes dela desaparecer. — Você encontrou sua irmã, — diz ele, observando ela ir. — Sim, ela e seu marido, Maddox, me salvaram. — Maddox? — diz Rainer, estreitando os olhos. — Sim, ele te encontrou para mim. Suas sobrancelhas quase batem com a testa. — Maddox... Presidente do Joker‘s Wrath, Maddox? Concordo com a cabeça. — Esse é ele. — Você é... você está com os meninos? — Eu não sou, ah, estou com eles. Eles são como a minha família. Ele sorri. — Boa família para ter. — Eu estou começando a pensar que você pode estar certo. Ele sorri e estende a mão, colocando uma mecha de cabelo perdido atrás da minha orelha. — Você cresceu, garota, — ele murmura. — Sim, — eu digo timidamente. — Eu fiz. — Está bonita. — Assim como você, — eu digo, e, em seguida, meu rosto queima. — Quero dizer, não bonito, mas... Rainer ri. — Você tem tempo? Me deixe te pagar uma bebida para que você possa me contar tudo. Concordo com a cabeça. — Eu tenho a noite toda.

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Ele me enfia no seu lado e me leva de volta para o bar. Ele me senta em um banquinho de bar e pede a moça uma bebida para mim. Eu peço uma cerveja, porque parece ser o mais fácil. Ela entrega com um grunhido e Rainer se inclina por cima do bar, colocando os cotovelos para baixo e olhando diretamente nos meus olhos. — Eles salvaram você, hein? — Sim. Digo a ele toda a história, e como Maddox e os caras me salvaram. E como Artreau pegou Maddox, depois foi morto. Rainer escuta toda a coisa com um olhar vazio em seu rosto. Quando eu termino, ele balança a cabeça. — Eu não estou triste ao saber que filho da puta está morto. — Eu pensei que você estivesse morto, — eu digo baixinho, encontrando seus olhos. — Não, ele me mandou embora e eu saí. — Ele te mandou embora? — eu sussurro. — Eu não sei o que aconteceu. Um minuto você estava lá e de repente você não estava. Eu pensei... que ele tinha matado você. Quando eu não consegui te encontrar, perguntei a ele, mas ele desconsiderou isso. — Não. Fui até ele e o confrontei. Eu o ouvi, Pippa. Naquele dia, ele decidiu pegar você depois de todos esses anos te deixando em paz. Eu ouvi ele. Eu me lembro daquela noite. Artreau me deixou em paz durante anos, mas quando eu tinha dezoito anos, ele decidiu que queria tentar novamente. Não sei por que. Ele veio ao nosso quarto quando eu estava sozinha, e tentou me tocar de novo. Eu estava no meu período, o que eu achei que foi uma pequena graça salvadora, porque foi o suficiente para parar ele. Mas ele me disse que iria usar seus dedos dentro de mim. Foi um dos momentos mais repugnantes da minha vida. Quando ele se foi, eu quebrei e chorei. Eu não sei como Rainer ouviu isso. — Como você soube disso? — eu sussurro. — Eu estava no banheiro. Eu tinha voltado para pegar os sapatos novos. Os meus quebraram. Você não estava lá; pelo menos, eu não vi você quando eu entrei. Eu estava me lavando quando eu ouvi você voltar. Eu então ouvi a voz dele, então eu fiquei dentro do banheiro. Eu ~ 103 ~


estava pronto para rebentar para fora quando você disse a ele que você estava no seu período. Eu estava tremendo quando ele terminou a frase. Quando ele disse, quando ele disse que iria... — ele bufa e olha para o lado, o queixo duro. — Quando eu ouvi você chorar, eu sabia que tinha que fazer algo sobre isso. — Então você foi para ele? — eu sussurro. — E bati nele com tudo o que eu tinha, — diz ele, o queixo duro. — Você... — me lembro de ter visto o rosto de Artreau machucado, mas eu nunca somei dois e dois. Eu estava muito devastada que Rainer tinha ido embora. — Você fez isso com ele? — Sim. Eu ia matá-lo para ter certeza que ele nunca colocasse as mãos em você novamente. Em vez de me matar, ele decidiu que ia me vender a um homem que ele sabia que usavam como escravos sexuais. Ele achou engraçado. Seus guardas me colocaram em um carro e me drogaram, só que eles devem ter fodido a dose porque eu acordei cedo. Eu não estava amarrado; eu acho que eles pensaram que as drogas eram o suficiente. Geralmente são. Abri a porta e me joguei para fora do carro. — Você escapou, — eu respiro. — Eu tive que correr, eu rasguei meus pés e meu corpo, mas eu consegui fugir. Levei dois meses, mas finalmente voltei para os Estados Unidos com a ajuda de algumas pessoas. Eu procurei por você, Pippa. Tentei descobrir onde você estava sendo mantida, mas eu só cheguei a becos sem saída. Seja lá onde Artreau estava fazendo isso, era bem escondido. Eu nem sequer sabia qual era seu nome real. Eu não sabia. — Você desistiu? Seus rosto torce com agonia, e eu percebo que as minhas palavras soaram como uma acusação. — Não, — eu digo rapidamente. — Eu não quis dizer... — Eu nunca iria desistir de você, Pippa, — ele diz. — Eu procurei até que eu não poderia procurar mais. Eu me envolvi com drogas para aliviar a culpa e a dor que eu estava vivendo, e me tornei ruim. Eu era uma bagunça. Eu fui colocado em reabilitação e eles me disseram que eu tinha que deixar ir, que eu não podia te salvar. Sinceramente, não acho que eles acreditaram em mim. Acabei desligando isso. Eu estava em um mau caminho. — Você foi para a reabilitação? — eu digo, minha voz trêmula. ~ 104 ~


— Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Eu estava fodido, Pip. Eu ainda estou. — Não, — eu digo, me aproximando e pegando sua mão. — Você não é. — Eu estou. Eu me esforço para confiar, eu tenho pesadelos, eu bebo mais do que devia, eu não posso manter um relacionamento se eu tentar. Eu não sei se algum dia vou ser o mesmo. — Eu conheço o sentimento, — eu digo. Seus olhos estudam meu rosto. — Mas, por favor, não ache que eu desisti porque eu não queria te salvar, — diz ele, e há um verdadeiro desgosto em sua voz. — Porque eu teria ido até os confins da terra para te encontrar. Eu simplesmente não tive os meios. — Não, — eu digo, apertando sua mão. — Você não pode odiar a si mesmo por algo que você não tinha controle. Nós dois estamos aqui, agora, isso é tudo que importa. — Você mora aqui? — ele pergunta. Concordo com a cabeça. — Todo esse tempo. Eu mordo meu lábio inferior para conter as lágrimas. — Sim, — eu sussurro. — Eu odeio fazer isso, mas eu tenho que voltar ao trabalho. Me diga que você vai se encontrar comigo, tomar uma bebida, almoço, algo para que possamos conversar. Eu não posso te perder de novo, Pip. Concordo com a cabeça e ele estende a mão, acariciando meu cabelo para trás. — Tenho certeza que você sabe, mas esta tem sido a melhor noite da minha vida. Ele sorri. — A minha também. Você tem um celular? Trocamos números e com o coração pesado, eu deixo o bar. Ele tem que trabalhar e eu acho que nós dois precisamos de tempo para processar nossas emoções. Afinal, revivendo nossos passados um no outro não é uma coisa fácil de fazer.

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Capítulo doze PASSADO

PIPPA Hoje é um dia particularmente quente. O sol está queimando sobre nós, e nossos chapéus de palha frágeis não são suficientes para mantê-lo afastado. Meu corpo frágil está desmoronando sob a pressão. Rainer tenta nos posicionar perto de árvores ou grandes culturas, mas então o sol muda e nos encontramos de volta em sua linha de fogo. Para quem Artreau trabalha apertou ele muito mais nos dias de hoje. Ele mal nos observa, deixando todo o trabalho para seus guardas. Ele usualmente encontra prazer em nos insultar, mas agora ele simplesmente se mantém afastado. Isso é bom, quanto mais ele fica longe de mim, mais segura eu me sinto. Ele não reclamou o meu débito, mas não tenho dúvida de que um dia vai tentar. Eu só espero que eu seja forte o suficiente para lutar. Um som alto faz minha cabeça levantar. Eu vejo um conjunto de escravos, um jovem rapaz em torno de dezesseis anos, e uma menina que poderia ter mais do que talvez dezoito anos, correndo em direção a enorme cerca que circunda a propriedade. Meus olhos se arregalaram e eu viro para ver os guardas que estão conversando sob a sombra das árvores que se alinham na frente da casa. Alarme enche meu corpo. — Eles estão tentando fugir, — eu sussurro para Rainer. Ele para de trabalhar e sua cabeça sobe para ver o casal que está correndo em uma velocidade grande, considerando que eles estão acorrentados. Eles estão se movendo em direção à cerca, puxando as correntes, seus corpos palpitantes. O medo me agarra e eu pego a mão de Rainer. Nenhum de nós vai interferir porque sabemos, só sabemos, que não há nenhuma maneira que eles possam escapar.

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Quando eles atingem a base do muro, eles se manobram para que eles dois estejam pulando ao mesmo tempo. É a única maneira, uma vez que as correntes conectam seus pés. Eles conseguem por os seus dedos por cima da cerca, mas chegam a um problema quando eles precisam de suas pernas. A menina grita em frustração e eles usam seus corpos para tentar subir. Eles conseguem por seus corpos para cima, e colocar os pés no topo do muro de pedra. Tudo que eles teriam que fazer agora é rolar para o outro lado e eles estarão livres. Meu coração corre enquanto eu observo, sacudindo os meus olhos para os guardas, de volta para eles. Assim quando eu acho que eles estão prestes a conseguir, um tiro soa. Minha boca abre em um grito silencioso e os braços de Rainer vão em torno de mim quando meus joelhos se dobram. A cabeça da menina não está mais em seus ombros. Seu corpo despenca para o lado da cerca que não podemos ver. O menino, com os olhos arregalados de medo, empurra quando o corpo dela cai. Em vez de ir com ela, seu corpo cai de volta sobre este lado. O problema é,as pernas deles estão ainda unidas. Eu ouço os sons de suas canelas quebrando enquanto seu corpo empurra para baixo. Então, ele está apenas pendurado lá, agitando os braços, gritos ecoando pelo ar. Tendo me aproximar, mas Rainer me empurra para trás. — Não, — ele rosna em meu ouvido. — Você não vai até lá. — Ele está... ele está... Rainer é muito maior do que eu; não há jeito de eu nos mover. Um soluço é rasgado da minha garganta e, em seguida, através do silêncio, vem outro tiro. Este vem dos guardas correndo em direção a eles. A bala atinge o menino na cabeça e sua luta cessa e seu corpo só fica lá. Minha boca se abre e Rainer me torce rapidamente, pressionando meu rosto em seu peito. — Não olhe, Pippa, — ele murmura no meu cabelo. — Eu tenho você. Há o som de gritos e então a voz de Artreau perfura o ar. — Há qualquer um de vocês neste pequeno plano? — ele late. Ninguém responde. — Me respondam! — ele fole tão alto que abala. Rainer me prende mais apertado. ~ 107 ~


— Não, — um dos homens mais velhos diz. — Eles simplesmente fugiram. Se estivéssemos nisso, estaríamos com eles. Não somos tão estúpidos. Há um silêncio por um momento, então Artreau fala, — Só para ter certeza, eu vou estar colocando correntes permanentes no chão. Ninguém vai se mover livremente. Vocês vão estar presos em uma determinada área até que os guardas os movam. Não. Deus não. Este pouquinho de movimento que temos aqui é a única liberdade que temos. — E eu vou deixar eles lá para que cada vez que vocês pensem em sair daqui, vocês sejam lembrados do que acontece quando vocês me atravessam. Eu engasgo e Rainer aperta meu corpo. Ele vai deixar eles lá. Acabei de perder outro pedaço do meu coração.

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PRESENTE

PIPPA Música flui através do clube, se misturando com os sons de risos. Estou sentada no bar, assistindo Tyke com Andi. Ele não olhou para mim nenhuma vez. Obviamente, ele ainda está com raiva sobre o beijo. Isso dói, mas eu não deixo isso transparecer. Hoje à noite é o aniversário de Krypt, e assim o clube fez um churrasco enorme para ele. Nunca perco os churrascos, eu gosto deles. Os negócios do clube tendem a ficar de fora. Eu estou sentada com todas as meninas, e elas estão conversando sobre bebês, crianças, maridos e casas. Eu escuto, sorrindo e balançando a cabeça, me juntando onde eu posso. Santana está ao meu lado, e de vez em quando ~ 108 ~


ela se estica e aperta minha mão. Eu acho que ela se sente culpada que eu sou uma das poucas mulheres que não têm ideia do que estão falando. — Como está o trabalho, Pip? — Ash pergunta, sorrindo para mim. — Está bom. — Você está encontrando algumas pessoas incríveis? Eu sorrio. — Nada tão impressionante como você. Ela me pisca um sorriso e Santana se vira para mim quando a conversa flui novamente. — Como foi a outra noite com Rainer? Meu sorriso se torna maior. — Foi incrível, Tana. Eu pensei que ele não gostaria de me ver, mas ele gostou. — Como ele está? Você sabe, agora que ele está livre como você? Eu dou de ombros. — O mesmo que eu, eu acho. Ele disse que teve um grande problema com drogas e teve que ir para a reabilitação. Os olhos de Santana piscam. Ela entende isso melhor do que ninguém. — Pobre rapaz. Eu sei como isso é difícil. Eu aperto a mão dela. — Você vai se encontrar com ele outra vez? Concordo com a cabeça. — Sim, eu me senti confortável com ele. Isso é um sentimento bom de ter. — E Tyke? — ela questiona. Meu olhos pressionam levemente para Tyke, eu o pego olhando para mim. Ele se vira e quando ele faz, algo passa em seus olhos que me dói - parece um lote inteiro de arrependimento. Eu gostaria que ele falasse comigo, expressasse como ele está se sentindo. Ele me beijou, mas agora ele está agindo como se ele lamentasse cada segundo disso. Isso não faz sentido para mim. — Posso dizer uma coisa? — eu digo, me virando para ela. Ela balança a cabeça, e se vira para perto de mim para que ninguém mais possa ouvir. — É claro. — Ele me beijou. ~ 109 ~


Seus olhos se arregalam. — Ele fez? — Sim, mas então ele ficou completamente frio. Ela estreita os olhos. — Isso é estranho. — Eu sei, — eu concordo. — Foi incrível, Tana. Então, ele agiu como se fosse a pior coisa que ele já fez na sua vida. — Ele explicou por que ele fez isso? — Não. Ele só me deixou em casa e eu não tenho notícias dele desde então. Ela balança a cabeça, mordendo o lábio inferior e olhando por cima para Tyke. — Você deveria falar com ele, se você puder. Uma coisa que eu aprendi com os motoqueiros é que você tem que dar o braço a torcer. Apenas a título definitivo em perguntar a ele qual é o problema. Ela provavelmente está certa, mas eu não vou ter a chance de perguntar a ele qualquer coisa com Andi o rondando. Ela já está atirando punhais em minha direção, talvez ele lhe contou sobre o beijo. Diabos, ele provavelmente fez soar como se fosse minha culpa. Talvez fosse. — Eu vou usar o banheiro, mas eu vou estar de volta. — eu sorrio. Santana me deixa ir e eu desapareço pelos corredores. O banheiro interior está ocupado, então eu vou em direção aos galpões. É escuro, então eu ando diretamente em direção aos galpões. Eu bato em um corpo maciço quando estou na metade do caminho. Um guincho é arrancado de minha garganta e eu pulo para trás, incapaz de ver a pessoa que eu encontrei. — Cuidado aí, querida, — ele murmura. Essa voz. É uma voz que eu nunca tinha ouvido antes. Ligeiramente acentuada, com o que eu não sei. — Ah, — eu sussurro. — Desculpe. — Talvez você possa me ajudar. Estou à procura de Maddox. É estranho para um estranho apenas caminhar no complexo. Eu não posso nem vê-lo para ver se ele é um cara ruim ou não. Como se estivesse lendo minha mente, ele pega uma lanterna e o espaço entre ~ 110 ~


nós de repente acende. Eu olho para cima e para cima, e para cima. Esse cara é grande. Tipo um Hercules de tão grande. Minha boca cai aberta quando eu olho na cara dele. Eu não vi um homem tão perigosamente bom desde, bem, talvez a primeira vez que encontrei Maddox. Esse cara tem a mesma construção. Ele é alto, largo, e ainda maior do que Maddox através dos ombros. Seus olhos, eles são a cor mais estranho de âmbar, seu cabelo é uma bagunça escura em cima de sua cabeça. Ele tem uma pequena cicatriz na bochecha e seu nariz é torto, mas ele é bonito, tão bonito que levo um minuto para encontrar a minha voz. — Eu sou, ah, sim, ele está lá dentro, — eu sussurro. O estranho sorri, e meu coração corre. — Qual é seu nome? — pergunta ele, me estudando. — Ah, Pippa. Eu não vi você por aqui antes. — Não, eu só estou aqui para obter alguma ajuda de Maddox. Meu nome é Raide Knox. Raide. Que nome legal. — Bem, Raide Knox, — eu sussurro. — Eu vou buscar Maddox. Ele sorri preguiçosamente, e assente. Me viro e corro de volta para o clube. Acho Maddox de pé com Krypt e Mack. Eu me aproximo e toco seu braço. Ele olha para mim e seus olhos suavizam com carinho. — O que há, Pip? — Tem um cara lá fora querendo falar com você. Ele diz que seu nome é Raide Knox. Maddox encara Mack e Krypt, como se para ver se eles conhecem o nome. Ambos dão de ombros, Maddox se inclina, dizendo alguma coisa para eles. Então, ele se vira e se toca para se certificar de sua arma ainda está escondida em sua calça jeans antes de caminhar para fora. Ele engancha a mão quente ao redor de meu braço e me viro para ver Jaylah de pé ao meu lado. — O que foi aquilo? — Tem um cara lá fora querendo ver Maddox. — eu dou de ombros. — Agora eu tenho que usar o banheiro. ~ 111 ~


Eu corro pelo corredor para o banheiro interior em outra tentativa. Desta vez ele está vazio. Eu uso e quando eu estou saindo, eu me deparo com Tyke. Ele está saindo do escritório de Maddox, Andi seguindo de perto. Seus olhos caem sobre mim e seu corpo se endireita. É agora ou nunca. — Podemos conversar? — pergunto a ele. Andi enrola seus dedos possessivamente em torno de seu braço. — Ocupado, desculpe, — murmura Tyke, passando por mim como se eu não existisse. Dor se irradia através do meu coração e eu estou cansada disso. Cansada de agir como se nós não nos importássemos um com o outro. Cansada de fingir que eu não quero mais dele. Cansada de ser tão insanamente ciumenta com Andi que eu não posso respirar. Eu só quero que ele queira decidir se ele me quer ou me deixe ir. Eu não sei se Tyke e eu só podemos ser mais amigos. Eu estou no fundo. Eu me viro e saio depois de mais alguns minutos, não querendo mostrar a algum deles a dor no meu rosto. O misterioso Raide está de pé na sede do clube agora, conversando com Maddox e Krypt. Ele é ainda mais dominante de perto. Seus olhos se viram para mim quando eu entro e ele me dá um meio sorriso preguiçoso que é digno de desmaiar. — Quem é esse cara e por que ele acabou de sorrir para você? — diz Ash, tomando meu braço e me puxando para o seu lado. — Eu conheci ele lá fora, — eu digo, minha voz baixa. — Ele é tão gostoso, — sussurra Jaylah, chegando ao meu outro lado. — Deus, você viu os olhos dele? Eles são difíceis de perder. — Parem de verificar a carne nova, garotas. — Santana ri. — Vocês são terríveis. Vocês viram os seus próprios maridos ultimamente? Jaylah zomba. — Mack é divino, mas isso não quer dizer que o cara não é um colírio para os olhos. Você deve ir e perguntar se ele é solteiro, Pip. — Por que eu? — eu coaxo. — Porque você é única. — ela ri. — Não, eu não acho que ele é o meu tipo. Ele é tão... ~ 112 ~


— Enorme, — Ash suspira. — Imagine o quão grande ele— Ash! — Santana repreende e todas elas riem. Minhas bochechas queimam. Os homens se viram e nos estudam e nós rapidamente nos viramos. Após cerca de dez minutos, Maddox caminha até o grupo de nós. — Meninas, encontrem seus homens para eles te esclarecerem algumas coisas. Nós vamos montar, não tenho certeza por quanto tempo. Negócios. Santana faz uma carranca e Maddox se aproxima dela, envolvendo os braços ao redor de seu corpo. Eu observo eles por um momento, observando Santana me estudando com uma cara séria, então eu viro, vendo Ash e Jaylah encontrando seus respectivos homens. Eu fui deixada sozinha, assistindo Tyke olhar para mim com uma cara apertada. Dor se irradia através do meu coração novamente quando Andi vai até lá e toma conta dele. A dor queima meu coração. — Então você não foi reivindicada. Eu pulo e me viro para ver Raide olhando para mim. Meu coração começa a correr e eu gaguejo, — A... um... um... ah, não. Santana é minha irmã. Suas sobrancelhas sobem. — Santana? — A esposa de Maddox. Raide sorri. — Que isso? Você é bonita demais para não ter alguém. Eu coro. — Hum, obrigada. — Então, se você não está com ninguém, quem é que vai para te informar sobre os acontecimentos? — Clube negócio não é realmente da minha conta, — eu digo, encolhendo os ombros. — Você não quer saber? Eu dou de ombros novamente. — Acho que quero, mas ninguém vai me dizer. — Eu vou te dizer. — Mas, — eu me contorço. — Eu nem te conheço. ~ 113 ~


— O que você quer saber? Ele dá um passo mais perto e meu coração corre. — Ah, eu não sei. Por que você está aqui? Calma, Pippa. — Eu preciso da ajuda de Maddox para algo que eu não posso te dizer, mas eu acho que você poderia dizer que estou na corrida. Meus olhos se arregalaram. — Você está fugindo? De quem? Ele sorri. — Da lei. — O que você fez? Ele dá de ombros. — Saltei a fiança. Se eu estou preso, eu vou para a prisão. — Por que você saltou a fiança? — eu suspiro. Ele sorri novamente. — Eu tenho negócios para cuidar antes da merda descer. — O que você fez para ser preso? Seus olhos piscam e vejo uma profunda dor por trás dos seus olhos. — Isso não importa agora, mas seria bom se eu dissesse que fiz isso por alguém que eu amava, que foi morta? Meu coração se parte. — Sim, — eu sussurro. Ele olha para mim. — Você tem olhos danificados aí, menina bonita. Eu estou supondo que você entende o meu tipo de dor. Concordo com a cabeça. Ele sorri, desta vez calorosamente. — Bem, eu espero que você possa encontrar uma maneira de obter a sua paz. Todos nós merecemos isso. — Merecemos , — eu concordo. — Raide, — diz Maddox, dando um passo ao meu lado e colocando a mão no meu ombro. — Nós estamos prontos pra ir. Vamos nos encontrar às oito amanhã de manhã e vazar. Você tem uma moto ou algum tipo de transporte? ~ 114 ~


Ele balança a cabeça. — Caminhão. Eu vou seguir. Maddox empurra o queixo e, em seguida, olha para mim. — Tyke está vindo, Pip. Sua primeira viagem em anos. Ele só precisa de você para dar a ele uma conversa de vitalidade. Meu coração trava. Ele não quer nada de mim, mas eu não digo isso para Maddox. Me concentro sobre a notícia que ele acabou de me dizer. Tyke está indo com eles. Montando pela primeira vez. Isso faz meu peito tão pesado que se parece como se estivesse acabado de cair um tijolo nele. — Ele está pronto, Maddox? — Montar é um calmante, agora ele está tendo um pouco mais de força nas pernas. Uma vez que ele for, ele não terá qualquer pressão sobre isso. É importante para ele, Pip. Concordo com a cabeça, mas há um nódulo duro formando na minha garganta. E se ele tiver outro acidente? E se ele se machucar de novo? Eu me afasto de Raide e Maddox e digo meu adeus para as meninas. Eu preciso de espaço; preciso pensar. Corro para o meu carro, respirando o ar fresco tanto quanto possível até que eu consigo. Eu entro e vou para casa em silêncio, ponderando tudo o que aconteceu. Uma parte de mim quer gritar por Tyke se recusar a falar comigo, mas isso não iria resolver nada. Eu honestamente não sei como lidar com Tyke mais. Ele está me perturbando e eu estou com raiva dele, uma raiva irracional que está construindo e construindo o mais perto que eu chego a minha casa. Meu telefone toca quando eu chego em casa, e eu olho para baixo para ver o número de Santana na tela. Eu atendo. — Olá? — Ei Pip, você saiu. — Sim, desculpe. Estou cansada. — Há mais do que isso, — ela sussurra. — É Tyke, não é? Com isso, eu só desabo. Eu não posso segurar mais. — Sim, — eu soluço baixinho. — Ele não quer falar comigo, Tana. Eu não sei o que eu fiz de errado. Ele quer ser meu amigo, mas depois ele me beija e fica irritado com isso. Ele está me quebrando. Eu não posso ser apenas ser amiga dele mais. Quero mais. Eu preciso de mais. — Venha aqui, querida, vamos conversar sobre isso. ~ 115 ~


— Está tudo bem, — eu digo em voz baixa. — Eu vou para a cama. — Querida, — diz ela. — Eu estou preocupada. Eu coloco a minha melhor voz falsa. — Eu vou ficar bem, honestamente. Boa noite, Tana. Te amo. Eu desligo antes que ela possa responder. Eu não sei o que fazer com o meu coração agora. É uma bagunça, assim como seu dono.

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Capítulo treze PRESENTE

PIPPA Estou enfiada no meu sofá, perguntando se eu deveria enviar uma mensagem para Tyke quando a campainha toca. Eu olho para a porta, perguntando se Santana veio me ver. Eu me levanto e caminho até a entrada, abrindo a porta. Tyke está na entrada, parecendo assustador e bonito tudo junto. Seus olhos são duros e sua mandíbula está apertada. — Você tem um minuto? — ele pergunta rispidamente. — Olha, Tyke, — eu começo, mas ele passa por mim, dando um passo para dentro. Oh cara, ele está com raiva. Eu fecho a porta e viro para ele. Ele está sentado no sofá, olhando para a televisão. Eu vou até ele, parando em frente de suas pernas e olhando para ele. — Por que você está aqui? — Não vou a esta viagem até conversarmos, — diz ele, finalmente olhando para mim. — Conversar sobre o que, Tyke? Você me ignorou e agora você quer me ouvir? Isso é injusto. — Olha, Pip— Não, — eu digo, tão alto que estou chocada, assim como Tyke. — Pippa, — ele diz. — Não, — eu sussurro. — Eu não mereço isso. Você é meu amigo, Tyke. Eu confio em você. Você é uma das únicas pessoas que se preocupam comigo desde que eu fui para casa, mas então você fica quente e frio comigo. Nós somos amigos tempo o suficiente agora. Você quer, ou você não quer. ~ 117 ~


— Pippa, — diz ele, com a voz grossa e de dor. — Se fosse assim tão fácil... — Por favor, vai embora — eu digo de me virar. — Pip... — Sai! Cutuco seu peito e seus olhos piscam com dor. Enfio novamente e ele agarra minhas mãos. Nós estamos lutando um com o outro, e então, de repente, sem aviso, ele me puxa para frente. Minhas mãos plantam em seu peito e seus lábios quebram nos meus. Então ele me beija. Esse beijo é diferente, é profundo, é necessitado. Eu choramingo contra sua boca e minha luta pequena e patética deixa meu corpo quando eu afundo nele. Seu braço vai ao redor da minha cintura e ele me puxa para mais perto, me beijando tão profundamente que nossas línguas dançam juntas. Ele tem um gosto incrível de cerveja e Tyke e todas as coisas maravilhosas que um homem deve saborear. Algo entre as minhas pernas cresce cada vez mais duro e um prazer que eu nunca tinha experimentado antes corre através do meu núcleo. Um suspiro deixa minha garganta, quando a dureza abaixo de jeans de Tyke pressiona em um ponto macio e sensível entre as minhas pernas. O braço de Tyke aperta em torno de mim e eu posso sentir seus músculos flexionando contra minhas costas enquanto ele estranhamente começa a me balançar para trás e para frente, esfregando meu ponto fraco contra sua dureza em jeans. Meus olhos se arregalam quando um parafuso de prazer tão intenso faz minhas costas arquearem e inunda meu corpo. — Tyke, — eu suspiro, sem saber. — Porra, — ele resmunga. — Tão fodidamente doce. Vá com isso, babe. Vá comigo. Ele mantém suas mãos sobre mim, continuando a rodar o meu corpo ao longo de seu comprimento duro, um prazer que eu nunca poderia ter imaginado me bate. Isso começa como pequenos pulsos de êxtase, e, eventualmente, chega ao ponto em que meu corpo está apertado, minha boca está aberta e os meus olhos rolam para trás. Tyke está rígido abaixo de mim, e seus grunhidos estão se tornando mais frequentes. O que quer que esteja acontecendo, é incrível. Melhor do que qualquer coisa que eu já senti na minha vida. ~ 118 ~


— Goze, baby,—grunhe Tyke. — Ou eu vou. Gozar? Eu suspiro quando ele me empurra para trás ligeiramente e sua mão vai entre nós. Eu sinto os dedos deslizam suavemente para cima em minha camisola e ele encontra minha calcinha. Chamas de calor cobrem meu rosto enquanto ele aperta contra o meu núcleo e começa a esfregar duro. Prazer ao contrário de qualquer coisa que eu poderia ter sonhado arrebenta através do meu corpo, começando pelo meu sexo e montando profundamente em meu ventre. Eu grito e agarro os ombros de Tyke, enquanto seus dedos suavizam. Sua mandíbula está tão apertada que parece que ele está com dor, e a espessura entre nós parece estar pulsando. Ofegante, eu olho para baixo e vejo uma longa e grossa ereção sob seu jeans. Ele aperta a mão nele e geme, esfregando algumas vezes. — Porra, porra, porra, — ele rosna. — Não vou gozar em minhas calças. Ele aperta o comprimento grosso e fecha os olhos, inclinando a cabeça para trás. É como se ele estivesse tentando impedir que algo acontecesse. Ele fica assim por muito tempo e eu me pergunto se ele está com dor. Meu corpo desceu da sensação mais incrível, eu estou apenas sentada em seu colo, confusa. Eu não tenho nenhuma ideia do que diabos aconteceu entre nós. Eu não sou estúpida o suficiente para que eu não soubesse que era sexual, mas o nível de sexual eu não sei. Tyke finalmente levanta a cabeça e retira a mão, eu vejo que o vulto se foi. Então, é o calor em seu rosto. Ele olha para mim, a mandíbula tão apertada que o músculo salta. Ele vai fazer isso novamente. Ele vai me fazer me sentir mal por algo que claramente ambos queríamos. Ele está me fazendo sentir... patética. Ele pega suavemente meus quadris e me tira dele, me colocando para baixo no sofá ao lado dele. Então ele se levanta, passando a mão pelo cabelo. — Eu ten — Ele para e limpa a garganta. — Eu tenho que ir em um passeio amanhã; não tenho certeza quanto tempo eu vou fica fora. Nós provavelmente... precisamos de tempo. Lágrimas queimam sob minhas pálpebras e eu me levanto.

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— Você vai fazer isso de novo? — eu sussurro, minha voz trêmula demais para usar. — Me fazer me sentir mal por algo que eu não fiz? Seus punhos estão apertados por seus lados, mas ele não diz nada. — É Andi? Ele recua. — Tyke, me diga. Me diga o que diabos está acontecendo porque eu não entendo isso. Ele se vira e olha para mim, então ele diz num tom estridente, — Pippa, você e eu... não podemos funcionar. Não porque eu não quero, porque porra, eu quero. Eu quis você desde o momento em que te conheci. É porque... Ele olha para longe. — Por causa do que? — eu grito, odiando a raiva em meu peito subindo mais uma vez. — Me diga. — Porque você é muito boa para mim. Eu tusso e claro: — Você está falando sério? Você já percebeu como minha vida tem ido? — É exatamente por isso. Você merece o melhor, Pippa. Você não precisa ser a old lady de alguém; você não precisa viver esta vida áspera. Você precisa de um homem que é bom, limpo e que vai se casar com você, te dar bebês e uma boa casa em um bairro bom. Você precisa de algo seguro. Eu não sou seguro. Eu pisco. Cansei. Cansei das pessoas me tratando como uma bonequinha frágil. Sou quieta, sou medrosa, mas eu não sou patética. — Apenas admita, — eu digo, tão baixo que ele aperta os olhos. — Admitir o que? — Isso, que eu não sou boa o suficiente para você. Estou muito quebrada. Muito danificada. Muito patética e fraca. Vá em frente, Tyke, admita! Ele pisca para mim. — Que porra é essa? Isso não tem nada a ver com isso. ~ 120 ~


— Não tem?— eu grito. Minhas mãos tremem e eu não posso controlar a raiva. Ela está borbulhando como um animal furioso em meu peito. Cansada de ser bloqueada, e nada que eu possa fazer vai segurar de volta. — Então você não tem vergonha de mim? Você não está cansado do fato de que eu sou tão tímida e assustada o tempo todo? Você não me vê como patética? Tão fraca? Como a pequena boneca de porcelana frágil que você não pode tocar? Seus olhos são estreitados com a confusão e dor. — Pippa... — Não, — eu grito, me aproximando e agarrando o meu cabelo. — Esta vida que você vive, não é nada da vida que eu vivi. Eu vi mais do que você pode imaginar. Você tem alguma ideia? Qualquer ideia? Eu peguei cérebro de uma mulher com minhas próprias mãos! Minhas próprias mãos, porra. Meus joelhos começam a tremer e calor inunda minhas veias. — Porra, Pippa... — Não, — eu guincho, dando um passo para trás e puxando meus próprios cabelos dourados. — Não tenha pena de mim. Eu estou tão malditamente cansada de piedade. Você sabe o quê? Suas desculpas são apenas isso, Tyke. Desculpas. É uma maneira fraca, patética de dizer que você está com muito medo de me segurar. Bem, você sabe o quê? Se é isso que você quer, então que assim seja. Eu rezei para que você visse mais do que apenas um pequeno anjo quebrado, mas você não vai. Ninguém irá. Eu sempre vou ser a peça frágil chinesa que todos vocês andam na ponta dos pés ao redor. — eu respiro tremor profundo e reúno toda a minha coragem. — Eu queria você desde o momento em que te conheci, Tyke. Obviamente você não sente o mesmo; você esteve usando qualquer desculpa que pode para ter certeza que eu saiba disso. Então vá em seu passeio, e me deixe em paz. Me viro e me afasto. — Pippa! — ele chama. — Saia da minha casa, — eu digo em voz tão escura e tão danificada que até mesmo eu recuo. — Eu não quero te ver novamente.

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PASSADO

PIPPA Estou tentando respirar pela boca, tanto quanto eu posso, tentando não sentir o cheiro dos corpos em decomposição ainda pendurados em cima do muro. Estou tentando ignorar os pássaros e animais selvagens picando a carne deles, como se eles não fossem mais do que carne de sucata. Eu estou tentando não olhar, porque se eu olhar, isso vai me destruir. Algo dentro de meu corpo está sendo desligado. Dia após dia, eu estou encolhendo para dentro de mim. Dia após dia, nós trabalhamos. Noite após noite, nós caímos em exaustão. Eu estou magra, tão magra que os trapos que estou usando não se seguram. Eu tive que encontrar um velho pedaço de corda para amarrar, então eu não tenho que andar nua. Meu cabelo está maltrapilho e confuso, e eu sei como me pareço horrível. Rainer perdeu muito de seu peso e tônus muscular e está se deteriorando, assim como eu. Quando o nosso dia de trabalho está feito e nós somos capazes de mover nossos corpos dos mortos, Rainer e eu caminhamos lado a lado, enquanto somos levados de volta para os nossos quartos. Esta semana, Artreau moveu alguns dos escravos, agora há apenas quatro de nós neste quarto. Isso se torna mais tempo chuveiro e um pouco mais de descanso. Alguns dos escravos têm pesadelos, gritando e se debatendo durante a noite. Isso torna mais difícil para dormir. Rainer e eu nos revezamos para tomar banho, depois silenciosamente comemos o pão e água parada que deslizaram para o nosso quarto. Eu rastejo na cama depois que eu terminei e enfrento a parede. Não há palavras ditas entre nós hoje. Nós dois estamos em choque com os últimos acontecimentos, e os corpos ainda pendurados sem vida na cerca. Minha cama mergulha cerca de quinze minutos em meu repouso, e eu me mexo, mas relaxo quando Rainer sussurra em meu ouvido: — Não se feche pra mim, Pip. Nós somos tudo o que resta para o outro neste lugar. Se você desligar de mim, eu não vou sobreviver. — ele enfia o braço em volta da minha cintura e me puxa para trás em seu peito. — Junte-se a mim, ok? Um dia isso tudo vai acabar. Eu aconchego de volta para ele. — Como você chegou aqui, Rainer? — pergunto em voz rouca.

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Ele suspira. — Fui para um negócio de droga errada. — Você usa drogas?— eu suspiro. — Nah, eu estava vendendo. Me chame de um homem difícil. Eu me envolvi com as pessoas erradas quando eu era jovem, usava drogas, medicamentos, entrei em dívida. Me virei contra um traficante maior e comecei a vender no exterior. Eu decidi que queria parar, decidi que estava farto, mas eu tinha uma dívida que era devida. O comerciante queria o dinheiro. Então, ele me vendeu. — Ele não apenas te matou? Ele ri baixinho. — Não, ele era esperto. Se ele me matasse, ele não iria receber o seu dinheiro. Então, ele me vendeu a alguém que pagaria a ele por mim. Ele tem o seu dinheiro e eu acabei aqui. — Como eles conseguiram vender um grande homem como você? — Eles me drogaram.— ele dá de ombros, me colocando mais perto. — Você já se perguntou sobre alguém aqui? Ele assente para mim, e seu queixo bate a parte de trás da minha cabeça. — Sim, especialmente os rapazes mais velhos. Eu me pergunto o que eles fizeram para chegarem aqui. E os mais jovens, isto é interessante. — Eu não era muito velha quando eu cheguei aqui. — Não, você não era. Por que você veio parar aqui? Eu engulo. — Eu não tenho certeza, para ser honesta. Minha irmã e eu, perdemos nossos pais quando éramos jovens. Nós fomos enviadas para uma família adotiva que não era tão boa. Tana me levou para longe do nosso pai adotivo e nós vivemos nas ruas por um tempo, e, em seguida, um homem chamado Kennedy nos levou. Ele não era um homem mau, mas ele não era bom. Minha irmã começou a agir estranha, usando drogas com ele. Então, uma noite, ela foi em algum lugar e não voltou. De repente, eu estava sendo levada por Artreau e seus homens. E aqui estou eu. — Isso é péssimo, Pip, — ele murmura. — Sim. Eu estava apavorada.

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— Eu posso imaginar. Foi duro o suficiente para mim, mas você... tão jovem... — Você acha que vai sair daqui, Rainer? Ele me aperta novamente. — Eu juro para você, Pippa... um dia, seremos livres. Espero que sim.

~ 124 ~


Capítulo catorze PRESENTE

PIPPA Eu tomo outra bedida, vodka que eu encontrei em um armário de vinho. Santana colocou aqui porque ela disse que é muito tentador. Eu não sei quantos anos isso tem, e eu não me importo. Eu nunca tive álcool na minha vida, bem, nunca mais do que um simples gole. Agora, com meu peito queimando do jeito que está, eu preciso de mais do que apenas um bom choro. Todos tomam álcool quando estão para baixo, então por que eu não deveria? Ele estava funcionando, mas agora não. Minha mente está confusa, mas isso está me fazendo chorar mais. Estou sentada contra a minha porta da frente, como se isso fosse impedir alguém de entrar. Eu não sei se eu me arrependo de gritar com Tyke, ou se eu estou me sentindo mal por culpa. Eu não queria machucá-lo, eu certamente não quero perdê-lo. Eu o amo; eu sempre amei ele. Mas eu não vou ser um caso de pena por mais tempo. Eu estou tentando ser normal, viver uma vida normal, para isso eu tenho que parar de deixar as pessoas me tratarem como se eu estivesse prestes a quebrar. Meu telefone, na mesa de café ao lado da porta, vibra. Me viro e olho para ele. Então, com uma mão vacilante, eu me aproximo e vejo. Eu tenho quatro mensagens de texto, duas chamadas não atendidas e um correio de voz. Estava no silencioso, eu obviamente não notei tocar. Eu abro as mensagens de texto primeiro. Um de Tyke, dois de Rainer e um de Santana. Santana: Tyke me ligou. Querida, nós estamos indo. Não. Eu não quero que eles venham aqui. ~ 125 ~


Rainer: Ei Pip. Apenas verificando. Como você está? Rainer: Eu estou livre esta noite, se você quiser recuperar o atraso? Tyke: Eu fodi. Não há palavras, Pip. Eu não posso falar com você, e eu entendo que você quer tempo. Eu não vou dizer o que precisa ser dito por telefone, mas eu vou pedir uma coisa... espere por mim, pequena. Me dê uma chance de dizer o que precisa ser dito. Se você pode me dar uma última coisa, me dê isso. Eu fico olhando para a mensagem de Tyke, meu coração dói. Eu quero responder, eu quero gritar que eu vou esperar por ele, mas há uma amargura estranha no meu peito que não consigo me livrar. Eu não gosto desta pessoa. A pessoa segurando uma garrafa de vodka, lentamente quebrando em pedaços. Eu não quero ser a doce inocente Pippa mais, mas isto é realmente quem eu quero ser? Não. Eu não sei o que eu quero ser. Eu não sei quem eu sou. Eu apago a mensagem de Tyke, porque eu honestamente não sei como responder. Eu não quero responder com raiva, nem quero ter esperança onde ela não está. Em vez disso,eu respondo a mensagem de Rainer. De todas as pessoas que poderiam me ajudar agora, é ele. Pippa: Eu estou em casa hoje à noite, se você quiser vir. Eu poderia usar de um amigo. Rainer: Me dê seu endereço, eu estou indo. Eu mando a ele o meu endereço e ele me diz que ele tem algumas coisas para fazer, mas vai passar aqui em poucas horas. Antes de eu ter a oportunidade de responder a mais alguma, uma batida soa na minha porta. — Pippa! — Santana grita. Com um suspiro, eu me forço a meus pés, sabendo que não posso segurá-la de volta. Eu destravo e abro a porta, não só é Santana de pé na minha porta, mas tambem Jaylah e Ash. Elas dão uma olhada para mim e se agitam. Ash toma a garrafa de vodka, Jaylah corre para a cozinha resmungando algo sobre, — É noite das meninas. — e Santana faz o que ela sabe que eu preciso. Ela me envolve em seus braços. ~ 126 ~


Ficamos assim até Ash voltar, colocando a mão nas minhas costas. Eu recuo e forço um sorriso vacilante. Jaylah vem correndo com uma bebida vermelha em um copo de vidro estranho. Eu nem sabia que eu tinha eles. — Você vai se sentar e nos contar tudo, Pippa, — diz ela, me entregando. — Sem segurar isso pra você. Todas nós sentamos no sofá e eu olho para todas elas. Minhas amigas. Minha família. Minhas irmãs. Eu sei, mais do que qualquer coisa que eu posso confiar nessas meninas. Então, decido que eu sou farta de segurar e eu começo a falar. Eu começo com Tyke e o que vem acontecendo entre nós, então eu digo a elas o que aconteceu esta noite. — Oh Pippa, — diz Santana. — Eu não posso acreditar que ele acabou de sair. Concordo com a cabeça, sorvendo a bebida que Jaylah me entregou. É muito gostoso. — Ele disse que não poderia me dar a vida que eu queria, que eu precisava de alguém seguro. — Ele está sendo um idiota, mas eu entendo sua mente, ele pensa que ele está protegendo você, — diz Ash. — Talvez, — eu digo. — Mas ele me beija como se ele não pudesse respirar sem mim, então de repente eu preciso de alguém melhor. Ele nem sequer está me dando uma chance. — Tyke é realmente o que você quer? — Jaylah pergunta, dobrando as pernas debaixo dela. — Ou ele é apenas conforto? Eu estremeço com suas palavras. — Eu não estou dizendo que você não se preocupa com ele, — ela acrescenta rapidamente. — Mas talvez ele tenha um ponto de que talvez ele não é certo para você. Eu não estou dizendo que você não pode lidar com um homem como ele, mas você é mais suave, Pippa. Você é frágil, ele está provavelmente com medo que ele vai te destruir. Tyke é doce, mas ele também é duro. — Eu estou tão cansada de ser vista assim, — eu grito de repente, e todos elas piscam para mim. — Eu não quero ser essa garota para sempre. Não é quem eu sou, ela é quem eu estava sendo moldada. Eu sou forte, eu sou mais forte do que qualquer uma de vocês sequer percebem. Eu sou sensível, sim, mas isso não é porque eu sou fraca. — Pippi... — Santana sussurra. ~ 127 ~


— Não, Tana, — eu digo, olhando para ela. — Você é forte, ninguém questiona isso, porque você teve um fogo que eu não tenho, mas eu não sou fraca. Fui forçada por causa dos eventos que aconteceram comigo, mas eu não posso ser assim para sempre. Eu não quero continuar vivendo assim. Obviamente ouvindo a frustração em minha voz, Santana diz: — Você nunca expressou que você estava lutando. — Porque eu não queria incomodar ninguém. Vocês todos já fizeram tanto por mim. Eu estava com medo até de sair de casa - eu ainda estou. Eu não sei como ser normal, eu não sei como controlar minhas emoções, mas não significa que eu não quero. — Por que você não nos disse? — diz Ash, me estudando. — Porque vocês têm as suas próprias vidas. — Você sabe que nós teríamos ajudado se você tivesse perguntado, — diz Jaylah. — Eu sei, — eu suspiro. — Mas eu não sabia nem por onde começar. — Você só precisava expressar que você queria ajuda para mudar e nós teríamos ajudado, — diz Tana. — Eu sempre estarei aqui para ajudar. — Vocês todas andam na ponta dos pés em torno de mim, — eu digo, encontrando os olhos, — Aterrorizadas que vocês vão dizer a coisa errada. O que passei foi difícil, sim, eu vi coisas que ninguém nunca deve ver em suas vidas, mas eu estou aqui agora, eu preciso continuar lutando pela vida que eu quero, não a vida que eu tinha. — Você vai nos dizer o que aconteceu? — Ash se atreve a perguntar. Eu olho para ela. — Você quer saber o que aconteceu? Elas todas acenam com a cabeça. E assim eu lhes digo. Pela próxima uma hora e meia, eu digo a elas tudo. No final, elas estão todas chorando. Pela primeira vez desde sempre... Eu não estou.

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Rainer está em minha porta da frente, se deslocando desconfortavelmente quando todas as meninas olham para ele. Ele tenta sorrir, mas elas estão tornando difícil para ele, considerando que elas estão olhando para ele como se fosse uma estátua de Hércules e elas querem lambê-lo. É Santana que caminha para frente, menos atordoada porque ela já o conheceu antes. — É bom ver você de novo, Rainer. Um dia desses eu vou te conhecer, mas hoje temos maridos para estar e a minha irmã está animada sobre a sua compania. Rainer sorri para Santana. — Sim, vamos fazer isso. — Ah, — Ash diz um passo à frente. — Eu sou Ash. Prazer em te conhecer. Ela estende a mão para fora e Rainer aceita, sacudindo. — E eu sou Jaylah. Rainer pisca um sorriso premiado para elas e depois se vira para mim. Ele está vestindo uma calça jeans preta, uma camiseta preta e botas. Ele parece como se ele pudesse se encaixar bem com os caras do clube. Ele tem essa borda escura perigosa. — Bem, — Santana diz, — vamos dar aos nossos homens uns afagos antes da viagem deles amanhã. Até mais tarde, Pippi. Todas elas me abraçam, eu espremo todas e cada uma delas apertado. Nas últimas duas horas e meia, nós conversamos sem restrição. Elas não me trataram como uma boneca-em vez disso, elas abertamente fizeram perguntas e discutiram coisas comigo. Nós até rimos. Temos a promessa de organizar um dia das meninas nos próximos meses. Eu não posso esperar. Um peso foi tirado do meu peito. No momento em que a porta da frente fecha, eu me volto para Rainer e sorrio. — Estou feliz que você veio. Ele sorri para mim. — Eu também. Você parece ter boas amigas aí. — Eu tenho, — eu concordo. — Você quer uma bebida?

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Ele pede uma cerveja e eu busco uma, então nós dois relaxamos no sofá. Não parece estranho ficar aqui com Rainer; ele sempre foi familiar para mim. Ele cruza os pés calçados com botas e olha para mim. — Parece que você já teve uma noite difícil, Pip. Concordo com a cabeça. — Eu tive. Ele se aproxima, tocando minha bochecha. — Eu ainda não posso acreditar que você está aqui na minha frente. Isso nunca vai parecer real. Eu sorrio e me aproximo, cobrindo sua mão com a minha. — Não, não parece. — Então me diga, — diz ele, movendo a mão, mas tomando conta da minha e trazendo ambas para a perna para descansar. É bom ter seus dedos ao redor dos meus. — O que fez o seu dia tão difícil? Hesito. Eu não sei se eu deveria dizer a Rainer sobre Tyke; eu não sei como ele pode se sentir sobre isso. Ele vê a minha hesitação e diz em voz baixa: — É um homem, não é? — É tão óbvio assim? Ele balança a cabeça. Eu suspiro. — Você não precisa ter medo de falar comigo, Pip. Nenhum julgamento aqui. Eu olho para ele. — Isso não te incomoda? Ele franze a testa. — Não. Por que isso? Eu realmente não posso responder a isso, então eu não sei. — Ele é um irmão do clube. Ele tem sido meu amigo desde que eu cheguei aqui, ele tem sido incrível, Rainer. É apenas... ele nunca parece querer passar da linha de amigo. Ele disse que acha que eu mereço melhor, por causa da vida que eu vivi. — Você acha que ele está apenas tentando fazer a coisa certa? — Rainer pergunta. — Sim, parte de mim entende por que ele está fazendo isso, mas outra parte apenas deseja que ele fosse me ver do jeito que eu vejo ele. — Você já disse a ele como você se sente? ~ 130 ~


Eu me afasto e coro. — Não... exatamente. — Pip, você e eu sabemos o quanto é importante expressar sentimentos. Você nunca sabe quando você não terá tempo de sobra. Você precisa dizer a ele como se sente. — Eu não sei se eu posso agora, Rainer. Hoje à noite mudou as coisas para nós; eu estou tão brava com ele ainda. — Deixe sua raiva se acalmar, em seguida, dê a ele outra chance. — Você é muito mais inteligente do que eu, isso iria aparecer. Ele ri. — Eu não tenho tanta certeza sobre isso. Agora, me diga tudo o que aconteceu. Pelas próximas duas horas, Rainer e eu conversamos sobre o que aconteceu depois que eu fui salva. Ele me diz sobre seu tempo na reabilitação, como ele acabou comprando o bar porque o mantém ligado à terra. Ele disse que só teve um relacionamento, mas a menina se esforçava para ser capaz de lidar com seus hábitos estranhos e alterações de humor, então ele decidiu ficar só porque era mais fácil. No momento em que ele terminou de falar, nós dois estávamos exaustos. Rainer me beija suavemente na cabeça antes de me dizer que vai me ver de novo em breve, então ele se foi. Eu nem sequer me preocupei em me mover do sofá, meu corpo fraco demais para se preocupar. Em vez disso, eu pego o meu telefone e seguro ele para o meu peito enquanto eu enrolo contra as almofadas macias. Eu penso sobre Tyke, me pergunto o que ele está fazendo agora. Eu me pergunto se eu deveria mandar mensagem, mas decido que não quero arriscar alguma coisa acontecendo com ele se ele está em uma situação perigosa. Então, eu só dobro o meu telefone para o meu lado e fecho os olhos, caindo em um sono profundo, perguntando o que diabos a próxima semana vai trazer para mim. Será que vou perdoar Tyke? Será que ele vai finalmente se abrir para mim? Existe alguma esperança para nós?

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Capítulo quinze PRESENTE

PIPPA A noite seguinte no trabalho parece se arrastar. Eu não sei se é o pânico constante no meu peito porque eu não ouvi Tyke novamente, ou se é apenas ansiedade, porque as coisas estão finalmente avançamdo na minha vida e eu não tenho certeza se eu posso processar tudo. De qualquer maneira, parece que eu não posso fazer mais do que arrastar as minhas pernas enquanto eu limpo cada quarto. Sofie está iniciando uma nova menina esta noite, elas devem acabar a qualquer momento. Estou feliz que estamos recebendo uma nova garota, porque as coisas têm sido agitadas por aqui ultimamente. Eu pego uma vassoura do armário na suíte de dois quartos que eu estou limpando e começo arrastar ela sobre o chão em um movimento de vaivém. Uma batida soa, eu giro ao redor para ver Sofie de pé com uma mulher nova e linda. — Ei Pippa, — Sofie diz entrando no quarto. — Esta é Anabelleela é a garota. Eu ia levar ela sob a minha asa, mas George me deu um montão de coisas pra fazer. Ela pode trabalhar com você? Concordo com a cabeça, sorrindo. — Ei Anabelle. — Me chame de Belle.— ela sorri, dando um passo a frente. Belle é linda. Seriamente impressionante. Ela tem um tom estranho de cabelos loiros. Não é laranja, não é loiro - é um pouco loiro avermelhado, o que, combinado com seus olhos azuis e pele de porcelana, faz dela bastante linda. Ela não é muito mais alta do que eu, e é construída de forma muito semelhante, também. — É muito bom conhecer você, Belle. Sofie acena e traz Belle para dentro do quarto. Ela olha ao redor e então seus olhos se contentam em mim. — Este lugar é impressionante. ~ 132 ~


— É. Você é nova na cidade? — Mais ou memos, — diz ela, com os olhos piscando com uma escuridão que eu não vi em muito tempo. — Eu costumava viver aqui. Eu nunca planejei voltar... mas... minha mãe está doente e meu pai morreu um ano atrás. Ela não tem ninguém. — Eu sinto muito em ouvir isso, — eu digo em voz baixa. Ela encolhe os ombros. — Não é possível controlar a vida, eu acho. — Você morava aqui quando era mais jovem, então? — eu pergunto a ela. Ela balança a cabeça. — Sim, eu só fui embora há cinco anos. Eu era, bem, eu sou casada, mas as coisas correram mal. Eu não vi o meu marido em cinco anos, eu realmente não quero vê-lo novamente. Só que eu não sei como vou escapar disso quando estamos na mesma cidade agora. — O seu marido e você não eram próximos, então? Mais dor e escuridão enchem seus olhos, mas ela os limpa com um sorriso. — Não. Ele não é um homem bom. Bem, ele costumava ser um homem bom. Então algo aconteceu. Eu nem sei o quê. Ele mudou e começou a lutar. Então ele iniciou um ringue de luta ilegal. Eu não sei se ele ainda faz isso. Eu não quero saber. Eu só estou aqui para ajudar a minha mãe. Pobre garota. Soa como se o que aconteceu com seu marido e ela fosse mais do que doloroso. — Sinto muito. Esperamos que você possa encontrar uma maneira de evitá-lo. Ela suspira. — Eu preciso de um lugar para viver, também. Minha mãe mora em um pequeno lugar de um quarto. Minha irmã é casada e sua casa é pequena também. Não é grande o suficiente para minha filha e eu. — Você tem uma filha? — eu suspiro. Ela sorri com carinho. — Sim, eu tenho. Imogen. Ela tem quatro. — Isso é maravilhoso.— sorrio.

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— Você não conhece nenhum lugar para eu ir, não é? — ela pergunta esperançosa. Sim. Minha casa. Eu tenho uma casa de dois quartos, e eu poderia oferecer a Belle e sua filha um quarto sem qualquer hesitação. Eu considero isso. Seria bom para mim, considerando que eu estou tentando sair de lá e viver melhor. Pode ser bom ter alguém por perto para conversar, ela parece ser uma boa garota. E eu amo crianças. — Eu tenho um quarto, se quiser, — eu digo. — É apenas um quarto, mas é grande o suficiente para você e sua filha. Seus lindos olhos azuis se ampliam. — Mas você não me conhece. Eu rio baixinho. — Nem eu saio oferecendo a qualquer outra pessoa um quarto na minha casa. Ela ri. — Isso é verdade. Existe alguma coisa que você quer me perguntar? — Você não usa drogas, não é? Ela bufa. — Não. — Não é uma alcoólatra? Ela sorri para mim, me mostrando duas covinhas perfeitas em suas bochechas. Ela realmente se parece com uma boneca. — Não. Eu sou um pouco fraca quando se trata disso, mas eu normalmente só bebo em ocasiões especiais, especialmente agora que eu tenho Immy. — Tudo bem. — eu sorrio. — Isso não é um problema para mim. Eu sei que você tem um marido que você não quer ver, mas de outra forma, não há mais nada que vai causar grandes problemas? Ela balança a cabeça. — Não. Eu não tenho namorado, sem amigos loucos, eu realmente não conheço ninguém mais aqui. E os que eu conheço, bem, eles não são fãs meus. — Como assim? — eu pergunto, usando o meu esfregão para limpar uma sujeira. — Bem, vamos apenas dizer que todos os meus amigos e família do meu marido o apoiou durante o término. Provavelmente algo a ver comigo desaparecendo no meio da noite sem aviso prévio.

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Eu suspiro e meu coração dói. — Eu sinto muito que você teve que suportar algo parecido. Ela sorri fracamente. — Eles não procuraram por mim, pelo menos, eu não acho que eles fizeram, porque eles nunca me encontraram. Mamãe sabia sobre Imogen, mas também sabia o que Max fez comigo e então ela manteve isso em segredo, alegando que ela não tinha ideia de onde eu estava. — Max é seu marido? Tanta dor pisca atrás de seus olhos. — Sim, é. — Você está se divorciando? Ela encolhe os ombros. — Me divorciar significa que tenho que vêlo novamente, dizer a ele sobre Immy. Eu não sei se eu posso fazer isso. — Ele é realmente tão ruim assim? Ela desvia o olhar. — Ele não foi sempre... como eu disse, algo aconteceu e ele mudou. Ele se tornou tão frio. Ele desgostou de mim, eu acho. Eu não sei. Fosse o que fosse, eu já não era tudo o que ele respirava e nosso casamento era ruim. Eu não podia continuar, então eu fuji. Eu não estou dizendo que eu nunca quero que Immy conheça seu pai, mas agora eu não tenho certeza se eu confio no mundo em que ele vive. — Justo o suficiente , — eu digo, encontrando seus olhos. — Sim, — ela sussurra, em seguida, força um sorriso e bate palmas. — Bem, é melhor parar de falar ou eu não vou segurar meu trabalho mais do que meia hora. Eu rio, e ambas voltamos ao trabalho. Eu acho que nós vamos conviver muito bem.

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Belle e Immy se mudam para meu apartamento na manhã seguinte. Ela tinha todas as suas coisas guardadas na casa de sua mãe, e ela vive ao virar da esquina, então o movimento foi bastante fácil. Nós descompactamos as coisas dela e de Immy juntas, arrumando suas camas e organizando seu quarto. Eu mostrei a ela onde tudo está e ~ 135 ~


estamos de acordo sobre uma quantidade semanal de aluguel. Então, quando estamos quase feitas, sua irmã aparece com sua filha. Ela estava cuidando dela enquanto ela trazia as coisas. Imogen é impressionante. Nada como sua mãe na aparência, no entanto. Seu cabelo é escuro como a noite e flui ao redor de seus ombros em pequenos cachos. Seus olhos, azuis como o céu, são espumantes e doces. Ela tem pele cremosa como sua mãe, e o mesmo sorriso feliz. Ela é uma criança linda, ela vai crescer e se tornar uma mulher linda. — Mamãe! — ela grita, correndo e se jogando nos braços de Belle. — Você foi uma boa menina para tia Tina? Eu olho sobre a Tina, que se parece muito com Belle, exceto que seu cabelo é loiro. Ela sorri para mim, e acena com sua mão. — Você deve ser Pippa. Eu sou Tina. — Prazer em te conhecer, Tina. — eu sorrio. — Immy, — Belle diz, se ajoelhando. — Esta é Pippa. Ela vai estar vivendo aqui, também. Imogen se vira para mim e eu me ajoelho. — Ei Immy. Estou feliz que você vai estar vivendo aqui. Você gosta de cozinhar? Seu belo rosto se ilumina. — Sim! Mamãe e eu assamos biscoitos. Você pode assar biscoitos, Pippa? — Eu posso tentar. Ela abre um sorriso bonito e se vira para a mãe dela. — Onde está o meu quarto, mamãe? A próxima hora é gasta mostrando a Imogen e Tina o apartamento. Eu faço café e sirvo biscoitos e Immy aconchega no sofá para assistir televisão enquanto falamos. Eu não me senti tão à vontade desde que os meus pais estavam vivos. Devagar, pouco a pouco, eu estou começando a me sentir como uma pessoa normal novamente. Eu não poderia estar mais feliz.

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PASSADO

PIPPA Rainer e eu estamos deitados na minha cama, encolhidos perto por causa do frio exterior rastejando para dentro. Está começando a esfriar e as noites estão se tornando cada vez mais difíceis de lidar. Não temos cobertores e não temos casacos, por isso estamos contando com o calor do corpo nos manter aquecidos. Nós descobrimos isso anos atrás e agora subimos automaticamente juntos na cama quando as noites se tornam frias. Estamos face a face, a respiração fresca de Rainer está fazendo cócegas no meu rosto enquanto ele respira profundamente dentro e fora. Seu braço está jogado sobre minha cintura e as pernas estão entrelaçadas. Nós temos uma espécie de paz entre nós agora, um nível de conforto que funciona para nós dois. Nós nos aproximamos, tanto que eu comecei a me perguntar se Rainer cuida de mim mais do que ele está transparecendo. Eu amo Rainer, mas eu não estou apaixonada por ele. Ele é o meu conforto. Meu amigo. A única pessoa que eu confio. — Pip? — ele murmura e eu posso sentir sua respiração quente fazendo cócegas na minha bochecha. — Sim?— eu chio. — Alguma vez você já beijou? Meu rosto cora na escuridão e eu me contorço, incapaz de responder sem coaxar. Ele ri. — Isso é um não, então? — Não, — eu coaxo. — Eu não fiz. Eu acho que eu realmente não tenho tido tempo. — Você quer ser beijada? — pergunta ele, sua voz abaixando. — Bem, com certeza, quero dizer— Pippa, — ele sussurra, me cortando. — Se eu te beijar, isso vai mudar algo entre nós? Minha voz fica presa em minha garganta e eu pisco para a umidade se construindo nos meus olhos. Rainer quer me beijar. Eu não fui beijada, eu sempre quis saber como seria a sensação. Acho que ~ 137 ~


sempre pensei que seria com um homem que eu queria estar por um longo tempo, talvez o meu marido, mas as chances de isso acontecer para mim são escassas. Rainer só poderia ser o único homem que eu vou ser capaz de beijar. Então, com uma voz calma, eu sussurro: — Não, isso não vai mudar. Ele suga a respiração e, em seguida, ele está se movendo para mais perto. Ele não vai direto para os meus lábios. Em vez disso, sua boca encontra a esquina da minha e delicadamente toca lá. Eu tremo e ele esfrega as mãos para cima e para baixo em meus braços enquanto ele move a boca para meu rosto, em seguida, para o meu nariz. Eu estou segurando minha respiração pelo tempo que ele se move em meus lábios. O primeiro toque é macio, como penas contra a minha pele. Eu suspiro, Rainer faz um som semelhante, antes de enroscar delicadamente a mão no meu cabelo e me puxar para mais perto. Seus lábios se esmagam contra os meus agora e o beijo se torna mais profundo, mas ainda igualmente tão macio. Ele não toca a língua na minha, mas passa os lábios contra a minha carne e é o suficiente. É uma sensação maravilhosa. — Você tem um gosto tão bom, — ele sussurra, se afastando. — Obrigada, — eu coaxo na escuridão. — Pelo que? — Por me dar o único beijo que eu provavelmente vou ter. Ele pressiona a testa na minha e beija o meu nariz. — Eu vou te beijar mil vezes, Pippa. Eu nunca vou deixar que seja a única coisa que você já teve. Talvez eu esteja errada. Talvez eu esteja apaixonada por Rainer. Deus sabe que eu deveria estar.

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Capítulo dezesseis PRESENTE

PIPPA Meu telefone toca, me mexendo do meu sono. Eu cai no sofá depois de Belle foi trabalhar e deixou Imogen com sua irmã para a noite. Estou exausta; os últimos dias tem tomado cada gota de energia sobrando no meu corpo. Eu estive pensando sobre Tyke por quase cada segundo de cada dia, perguntando se ele está bem. Santana me disse que Maddox ligou para ela na noite passada e disse que eles estão todos bem, que Tyke está mal-humorado e com raiva, então o que eu fiz antes dele sair deve ter sido bom. Ela também disse que eles estavam voltando para casa nos próximos dias, dependendo de como as coisas aconteceriam. Estou nervosa com a ideia de ver Tyke novamente depois de nosso último encontro. Eu chego até a mesa de café, que segura o telefone que ainda está tocando. Eu olho para a tela e vejo que é Santana. Por que ela iria ligar tão tarde? Eu o levanto e pressiono atender, pressionando ele para o meu ouvido. — Olá? — Pip, oh graças a Deus que você está em casa. Ela soa frenética. — Tana, o que há de errado? O que é? — Os meninos chegaram em casa cerca de uma hora atrás. Maddox está fora de si, ele disse que algo aconteceu com Tyke. Ele disse... — Ela engasga um soluço e meu coração gela. — Tana, o quê? — Ele disse que tiveram um problema com um grupo de criminosos que não queriam ver. Ele disse que esses caras emboscaram eles em seu caminho para fora da cidade, muito sangue foi derramado. Três dos J.W. foram baleados. Ninguém foi morto do nosso lado. Mas... ele disse que Tyke desapareceu e eles não conseguiram encontrá-lo. — ~ 139 ~


ela toma uma respiração instável e eu quero gritar com ela para continuar. Ela finalmente faz. — Quando eles finalmente conseguiram uma pista sobre sua localização, eles descobriram que ele tinha sido levado pelo líder desta organização criminosa. Ele não vai me dizer quem eles são, mas quando eles entraram para tirá-lo, Tyke já havia matado o líder e um grupo de seus melhores homens. Ele disse que Tyke está em perigo, muito mesmo, assim como o clube. Ele quer que todos nós entremos em bloqueio. Não. — Não, — eu digo. — Tyke está machucado? — Eu não sei. Ele disse que assim que chegaram na cidade, Tyke desapareceu. Ele acha que ele vai chegar até você. Oh, Deus. — Quão ruim é isso, Tana? — Eu nunca os vi tão frenéticos em minha vida, e isso não é uma mentira. Quem quer que eles se esbarraram os deixou preocupado com retaliação séria. Maddox diz que logo que Tyke chegar aí, você precisa chegar ao complexo. Estamos subindo para uma cabana nas montanhas que eles usam quando as coisas são perigosas como esta. — Eu... Eu tenho um trabalho, — eu sussurro. — Eu tenho uma mulher e uma criança vivendo comigo agora. Eu não posso simplesmente sair, Tana. Não sou nem mesmo parte do clube. — Não, — ela diz baixinho. — Mas você é a garota de Tyke. — Eu não sou, — eu sussurro. — Olha, só fique aí, ok? Veja se Tyke aparece; se não, me deixe saber e nós vamos te buscar. Podemos discutir isso depois. — Ok. Nós nos despedimos e desligamos, assim quando eu ouço o bramido de uma Harley-Davidson do lado de fora da minha casa. Ela estava certa; Tyke veio para mim. Isso faz com que o meu coração aperte e inche, tudo ao mesmo tempo. Eu fico no lugar e observo a porta, incapaz de processar qualquer coisa.

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Um momento depois, ela se abre e Tyke entra. Ele está mancando de uma forma ruim, toda a perna parece como se cada toque fosse agonia. Ele está vestido todo de preto, com seu colete abraçando seus ombros e correntes penduradas em seus jeans. Ele parece perigoso. Mais perigoso do que eu já vi. Seu rosto está desarrumado, com hematomas em sua testa, bochecha e queixo. Seu lábio está ferido. Um olho está fechado pelo inchaço. Seus dedos estão vermelhos. Seu cabelo é uma bagunça, seus olhos são selvagens quando eles caem em mim. Algo em meu corpo explode e um calor corre entre as minhas pernas. É tão inesperado que eu suspiro, meus lábios suavemente abrindo. Os olhos de Tyke caem para meus lábios e, em seguida, em um tom baixo e rouco, ele rosna, — Porra. Foda-se tudo isso. Estou pegando o que é meu, o que tem sido sempre meu. Então ele caminha - mais mancando do que outra coisa - em minha direção. Seu braço vai ao redor da minha cintura, me pegando fora de equilíbrio, eu caio nele. Eu suspiro e tento me equilibrar, mas ele está me apoiando para o balcão da cozinha, frenesi tendo claramente tomado conta de seu corpo. Quando minhas costas atinge a madeira, os seus lábios caem nos meus. Não há nenhum aviso. Nada suave. E alguma coisa dentro da minha barriga está inflamando como um fogo que foi extinto por muito tempo. Os lábios de Tyke estão machucados, eu não me importo que eles estejam doloridos. Eu o beijo de volta com uma força que eu não sabia que eu tinha. Minhas mãos sobem e enrolam em seu cabelo bagunçado e quando ele chega para baixo, enrolando a mão em volta da minha bunda, eu deixo ele me levantar para que meus pés sejam envolvidos em torno de seus quadris. Ele me beija assim, com meu corpo pressionado no balcão, até que nós dois estamos ofegantes. Então ele nos vira, ainda me segurando, e leva os poucos passos para o sofá. Ele desce e eu saio de seu grande corpo. Ele parece como pedra contra mim, quente, queimando. Seus lábios encontram o meu pescoço e ele gentilmente suga minha pele. — Eu fui um idiota, — ele murmura. — Queria você desde o minuto em que coloquei os olhos em você. Fui estúpido para ver que você me queria também. Não vou esperar um segundo a mais para te tomar. Me deixe te foder, Pippa. Vou fazer devagar, mas baby, me deixe te foder. Deus, sua voz. Suas palavras, tão rouca e baixa, fazem a minha barriga apertar. Eu quero ele. Eu sempre quis ele. Se eu confio em ~ 141 ~


alguém para tomar o que eu consegui manter seguro todos estes anos, seria Tyke. — Sim, — eu sussurro. — Sim. Ele geme, e seus lábios se movem sobre a minha pele, ainda frenético. Ele suavemente se apossa de minha camisola e a levanta, removendo ela de meu corpo. Eu só tenho um par de calcinhas por baixo, e quando seus olhos encontram os meus seios, eu coro. Minhas mãos vão para cobri-los, parecendo desconfortável e insegura, mas ele envolve seus dedos em torno de meus pulsos e me puxa de volta. — Não, — ele rosna. — Me deixe ver cada polegada, querida. Eu deixo ele puxar minhas mãos e assisto seu rosto torcer com algo incrível quando ele leva em meus seios nus. Seus olhos encontram os meus e eu vejo a valorização neles. Eu sempre acreditei que os meus eram minúsculos e pouco atraentes ao olhar do sexo masculino, mas a forma como Tyke está olhando para eles me faz acreditar que eu poderia ter estado apenas errada todo esse tempo. Ele se inclina para trás, ainda segurando meus olhos, e encolhe os ombros para fora de sua jaqueta. Ele cai ao chão antes de tomar sua camisa e o puxa sobre sua cabeça. Meus olhos caem para seu corpo musculoso e minha barriga aperta com a necessidade. Ele é lindo. Tão malditamente bonito. Ele pega sua calça jeans e eu me afasto, as bochechas aquecendo mais uma vez. Eu ouço o zíper descer, e, em seguida, as botas batem no chão. Então ele está de volta em cima de mim. Nu. Abençoadamente nu. Sua pele é quente contra a minha, seu corpo duro e dominador. Sua dureza é pressionada entre minhas pernas, sondando, esperando. Eu choramingo quando ele chega para minha calcinha. Isso está acontecendo rápido, mas não é frio. Eu conheço Tyke. Eu adoro Tyke. Confio em Tyke. Ele é a única pessoa que eu amei com todo meu coração. Eu quero que ele tenha isso tanto quanto eu quero isso para mim. Ele abaixa a calcinha e quando ele me vê pela primeira vez, minha carne exposta a ele, ele sibila e amaldiçoa. Em seguida, ele joga minha calcinha. — Porra, Pippa, — ele rosna. — Você é linda. Tão linda. — Eu sou... — eu engulo, deslocando nervosamente. — Tyke, estou com medo. ~ 142 ~


Ele olha para mim e traz seu corpo para baixo sobre o meu novamente. Desta vez, sua dureza é pressionada ali. Isso parece proibido, ainda que totalmente belo. Ele acaricia um dedo no meu rosto e nossos olhos ficam trancados em silêncio por um longo momento. — Eu não vou te machucar, — ele finalmente sussurra. — Nunca te machucarei, Pip. — Eu sei, — eu digo, minha voz ofegante. — Eu não posso fazer todas as coisas que eu gostaria de fazer para tornar isso melhor para você, baby, porque meu lábio está machucado, mas eu vou fazer tudo que posso para fazer isso menos... doloroso. Ele não pode fazer tudo o que ele gostaria. O que ele gosta? Ele deve ver a questão no meu rosto, porque seu lábio se abre. — Eu ia te lamber até que você gritasse meu nome, — ele murmura e os meus olhos se estreitam. — Mas eu não posso fazer isso com a minha boca do jeito que está. Então, eu vou ter que tornar isso melhor para você de outras maneiras. Quantas maneiras existem? Ele me mostra. Primeiro, colocando a boca em meus seios e delicadamente chupando. Ele passa rapidamente as pontas dos meus mamilos com a língua, enviando uma sensação através de meu corpo que é tão incrível que eu grito seu nome, agarrando os ombros e arqueando para ele. Eu nunca senti algo tão incrível. Eu estou tão distraída que eu não percebo os seus dedos contra meu sexo até que ele desliza um em minhas dobras e sobre o meu clitóris. Eu suspiro e os meus olhos encontram os dele enquanto ele olha para mim. Ele sorri preguiçosamente, e gentilmente mergulha o dedo menor. — Molhada, babe. Exatamente como eu quero você. — então, ele traz seu dedo de volta e começa a massagear o fecho doendo de nervos que não pareceu estar aliviando, mas em vez disso, construindo mais e mais quente. Sua boca encontra meu mamilo novamente, seus dedos massageando meu sexo, e antes que eu saiba, o prazer intenso que eu senti com ele da última vez que estivemos juntos está crescendo novamente. Eu choramingo, arqueando até que minhas costas doem, sentindo a intensidade ir mais e mais alto até que eu estou gritando seu ~ 143 ~


nome e meu corpo está se desfazendo. Minha pele se arrepia, meu núcleo aperta, eu estremeço violentamente quando prazer assume. — É isso aí, — ele murmura. — Boa garota. Ele me libera lentamente quando meu tremor desaparece, e se arrasta de volta até o meu corpo até que ele está posicionado em cima de mim novamente. Ele aperta os lábios na minha testa quando ele se inclina, tirando um preservativo do jeans no chão. Ele se levanta, e eu dou minha primeira olhada nele, inteiramente nu. Meus olhos caem para o V profundo em sua virilha que leva à sua masculinidade. Meus olhos se arregalam quando avisto o comprimento duro, grosso, pulsante. É grande, longo e terrível. Eu engulo quando os meus olhos se movem sobre ele, tomando na pele macia logo abaixo, com duas protuberâncias distintas. Tyke toma conta dele, acariciando-o de cima a baixo, então ele desliza um preservativo com aparência de borracha amarela sobre ele, cobrindo-o de ponta a base. Eu olho para ele. — Tyke, — eu sussurro. — Vai ficar bem, querida. Você diz que não, eu vou parar. Você ouviu? Eu assinto, quando seu corpo abrange o meu novamente, pânico sobe mais alto e mais alto. Eu tento tomar respirações profundas, firmes, mas eu não sei o que está prestes a acontecer. Eu não faço ideia. Nenhuma. Meus olhos piscam para Tyke, e a sua sobrancelha aperta. — Merda, babe, você parece como se fosse vomitar. — Você pode me falar disso? Eu não... Eu não tenho nenhuma ideia do que vai acontecer. Seus olhos amolecem e ele se inclina para baixo, pressionando nossas testas juntas. — Primeiro, você tem que relaxar. Quanto mais você apertar, mais vai doer. Eu vou mais lento quanto eu puder sobre você, Pip, mas você tem que confiar em mim. Concordo com a cabeça, engolindo. — Respire, babe. Eu tomo uma respiração profunda e trêmula. — Outra. Eu faço isso de novo e de novo, até que meu corpo está menos tenso. ~ 144 ~


— Concentre-se em mim, — diz Tyke, beijando a palma da minha orelha. — Apenas se concentre em mim. Eu faço. Me concentro no caminho de sua boca se movendo para baixo do meu pescoço, ao longo da minha clavícula e voltando. Eu me concentro na maneira suave que ele amassa meus seios, enviando pequenas emoções através do meu corpo. Me concentro em seu duro e musculoso corpo quente, me protegendo. Eu fecho meus olhos e deixo entrar, absorvendo cada sensação única inchando no meu peito. Ele chega para baixo entre nós e, em seguida, ele está bem ali, pressionando contra a minha entrada. — Vou empurrar um pouco. Me diga quando você quiser que eu pare e eu vou parar. Nós vamos nos ajustar e, então, seguir em frente. Eu assinto e sussurro, — Me beije, por favor. Ele se inclina e me beija suavemente a princípio, provocando a minha boca com a sua. Em seguida, ele se torna mais profundo e sua língua começa a dançar com a minha. Ele aperta contra mim, empurrando para o meu sexo até que uma queimadura distinta irradia através do meu núcleo. Eu vacilo e ele para imediatamente. — Eu nunca fiz isso antes, Pip. Você é vai ter que me dizer quando é demais. — Você nunca teve relações sexuais? — eu suspiro. Ele sorri, como um belo diabo. — Não, querida, eu nunca estive com uma virgem. — Oh. Ele acaricia meu rosto. — Isso ajuda se eu disser que você é a única mulher com quem eu estive que eu adoro? Isso ajuda. Eu sorrio um pouco. Ele me beija novamente. Ele empurra mais, mais distante, e a dor fica mais intensa. Deus, isso dói. Não é agradável. Será que é assim toda vez? — Tyke, — eu suspiro. — Isso dói. Isso dói.

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— Desculpe, babe, — diz ele. — Isso vai doer desta vez, e provavelmente mais algumas vezes. Vai ficar melhor depois, no entanto. Eu juro. Concordo com a cabeça e ele acaricia meu cabelo para trás quando ele empurra mais profundo. — Estamos quase lá, — diz ele, com a voz tão apertada que eu me pergunto se isso está machucando ele também. — Porra, — ele resmunga. Eu prendo a respiração, fecho os olhos e suporto a dor quando ele desliza cada vez mais longe. Então, com um empurrão final, ele está totalmente dentro de mim. Eu suspiro, ele rosna, e então nós dois paramos. Eu me sinto tão cheia, eu posso senti-lo dentro do meu corpo, dentro de mim. Tyke está fazendo amor comigo. — Eu vou me mover, — diz ele com uma voz firme. — Se doer, me diga para parar. Concordo com a cabeça e agarro seus braços enquanto ele começa a balançar. Ele puxa um pouco, então empurra para trás. Então ele faz isso de novo, tirando um pouco mais a cada vez. Dói e é desconfortável, mas a própria ideia de ter Tyke dentro de mim é a coisa mais linda que eu já tive acontecendo comigo. Toda a dor do mundo não poderia tirar a beleza na minha alma agora. — Oh babe, — Tyke geme. — Isso é muito bom. É? Meu coração incha e vibra. Eu olho em seus olhos, sentindo a dor ficar cada vez menor. Não é bom, exatamente, mas não dói tanto mais. Tyke está balançando os quadris, seus olhos estão segurando os meus, e nós estamos ligados de uma maneira que nunca tinha estado. Seus dedos encontram o meu queixo e ele geme, — Me assista gozar dentro de você, querida. Assista o quão bom você me faz sentir. Ele empurra mais algumas vezes e, em seguida, seus olhos quase rolam e um rosnado áspero é arrancado de sua garganta e seus corpo treme sobre o meu. Seus dedos apertam em torno do meu queixo, é a coisa mais linda que eu já vi. Eu o observo, saboreando a sensação de seu corpo tremendo sobre o meu, e sei que eu fiz isso com ele. Eu.

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Apenas eu. Ele abaixa, enterrando a cabeça no meu ombro, e nós ficamos assim por um longo, longo tempo. O zumbido de seu telefone da pilha de roupas no chão traz a realidade de volta. Nós estamos em perigo, e Tyke não era para estar aqui. Éramos para estar com Maddox. Tyke desloca e chega para baixo, agarrando seu telefone. — Tenho que levar isso, linda, — ele murmura, puxando suavemente para fora de mim. Ele se senta e me puxa para cima, então eu estou escondida em seus braços. Eu pressiono minha bochecha contra seu peito e ouço. — O que, cara? — ele responde. Eu ouço alguém do outro lado do telefone, gritando. — Sim, eu estou vendo minha mulher. Você pode esperar, porra. Mais gritaria. — Eu sei que essa porra é séria, Maddox. Eu também não vou me curvar e deixar eles tirarem a minha vida das minhas mãos enquanto eles me fodem no cu. Minhas sobrancelhas sobem. Eu nunca ouvi Tyke falar assim antes. — Sim, bem, vá se foder, cara. Em seguida, ele desliga. Me viro para ele e vejo que ele está olhando para a frente, a mandíbula apertada. Eu me estico e estudo a contusão em sua bochecha. — Você está ferido, Tyke. Ele se vira e olha para mim. — Não se preocupe comigo. Vamos limpar você. — Mas... Tana disse que pegaram você. Será que eles te machucaram mais do que o que eu vejo? Ele balança a cabeça. — Não, eu vou te contar tudo sobre isso em outra ocasião, mas não estrague este momento para nós. Estou machucado, mas eu estou bem. Confie em mim, ok?

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Concordo com a cabeça. Ele se levanta e eu não perco o silvo doloroso que deixa os lábios enquanto ele manca pelo corredor. Ele volta um momento depois com um pano quente. — Deite-se. Eu pisco para ele. — Como? Ele sorri. — Deite-se. Eu não vou te deixar dolorida e imunda. Me deixe te lavar. Me lavar? Lá? Minha pele queima com vergonha. — Não, está tudo bem. — Pippa, babe, se deite. Eu faço o que ele pede, me deito. Ele toma conta de mim e espalha suavemente minhas pernas. Eu lanço meu braço sobre o meu rosto com vergonha quando ele gentilmente me limpa, então ele se foi novamente. Me sento e puxo minha calcinha e minha camisola. Ele volta um segundo mais tarde, ainda nu. Meus olhos caem para suas partes agora, eu vejo que isso parece muito diferente apenas caído entre as pernas dele, não mais excitado. — Você vai me deixar complexado se você continuar olhando fixamente meu pau assim, pequena. Eu empurro e olho para longe, as bochechas queimando. Tyke se ajeita quando eu olho de volta, ele tem seus jeans de volta e nada mais. Ele se vira para mim, procurando o meu rosto. — Você está machucada? Eu dou de ombros. — Um pouco. Na verdade, não. Ele se estica e pega minha mandíbula. — Eu fodi tudo, Pippa. Eu impus desculpas porque eu estava com medo. Não mais. Eu quero você mais do que a minha próxima respiração. Me deixe ter isso. Eu me inclino para frente, pressionando meus lábios nos dele. — Você sempre teve, Tyke. Mesmo se você não percebeu até agora. Ele me beija suavemente e, em seguida, recua, o rosto contorcido de dor. — Você tem analgésicos? Minhas sobrancelhas sulcam. — Suas pernas? ~ 148 ~


Ele balança a cabeça. — Foi por montar? Ele balança a cabeça, passando as mãos pelos cabelos. — Não, não foi só isso. Contribuiu, porque eu passei a maior parte do meu tempo com as pernas para cima. Nós paramos um monte. Foi quando a briga começou. Adrenalina assumiu e eu esqueci a dor até que eu parei. — Tyke, você não deve montar para casa. Você provavelmente já fez estragos. — Não duvido, — diz ele, esticando as pernas para fora com uma careta. — Parece que todos os meus ossos estão quebrados. — Você quer tomar banho? Quer que eu esfregue seus músculos? Ele olha para mim, seus olhos suaves. — Você quer fazer isso por mim, depois que eu fui um idiota com você? Eu sorrio e aceno de cabeça suavemente. — Sim. — Porra, — ele murmura. — O que eu fiz para merecer você? — Isso é uma resposta simples, Tyke. — Ah, é? — Sim, — eu sussurro. — Você é você. Isso é toda a razão que você precisa. Ele sorri. Meu coração cai ainda mais apaixonado por ele.

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Capítulo dezessete PASSADO

PIPPA Estou com cólica. Eu tenho isso quando meu período vem, mas hoje está pior. Eu já usei toda a proteção escassa que nos é oferecido, então eu saio do quarto e vou para o corredor pedir ao guarda um pouco mais. Eu me deparo com Artreau lá. Estou surpresa de vê-lo; ele desaparece com mais frequência do que não. Eu endureço quando ele vira em minha direção e reconsidero se eu realmente preciso de proteção. Papel higiênico vai funcionar, não vai? — O que você está fazendo aqui e não trabalhando? — Artreau cospe. — Eu estou, ah, eu precisava ir ao banheiro. Seu rosto se torce e ele caminha em minha direção. Eu dou um passo para trás, todo o caminho pelo corredor, sem parar até que eu estou de volta no quarto. Artreau chuta a porta fechada e vem em minha direção. Eu caio e rolo para a cama, ofegando quando ele para com um sorriso no rosto. — Medo de mim, preciosa? — Não, — eu sussurro. Ele ri. — Não? Você esqueceu que você me deve por salvar essa desculpa patética de vida de um homem? — Não, mas— Você acha que eu não viria, só porque isso tem sido um longo tempo? Eu perdi a última garota que me satisfez apenas ontem. Estou entediado. Você me deve. Faz todo o sentido. Não se preocupe, ele vai se sentir muito legal. ~ 150 ~


Eu quero vomitar, e medo encontra seu caminho em meu peito. Por que eu não fiquei lá embaixo? Por que eu voltei aqui em cima? Artreau dá um passo para frente, e eu grito, — Eu estou no meu período. Ele para e seu rosto torce. — Desculpa feminina. Eu não preciso saber esses tipos de coisas. — Você não pode... me tomar enquanto eu tenho o meu período. Ele aperta os olhos. — Você está mentindo. — Verifique, — eu digo com ousadia. Ele bufa. — Se esta é uma maneira de ficar longe de mim, não vai funcionar. Essas coisas duram apenas alguns dias. Eu vou voltar para você, Pippa. Você me deve. — ele se inclina para baixo, colocando as mãos na cama em cada lado do meu corpo. — E eu vou te tomar. Da próxima vez vai ser mais do que meus dedos mergulhando dentro de você. Eu espero que você esteja ansiosa tanto quanto eu estou. Com isso, ele se vira e vai para fora. Eu dou um suspiro de alívio. Há um medo ainda apertando firmemente no meu coração, no entanto. Artreau estará de volta; eu sei que ele virá. Ele consegue o que quer. Eu não sei como eu vou passar por isso quando chegar a hora, mas eu tenho Rainer, e se eu tiver que ficar ao seu lado a cada segundo de cada dia, eu vou. Eu me levanto e volto para o corredor, grata por mais um dia que eu ainda posso proteger a única coisa que ninguém foi capaz de tirar de mim.

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PRESENTE

PIPPA Minha porta da frente abre e metade dos meninos do Joker‘s Wrath entram correndo. Bem, quando eu digo metade, quero dizer Maddox, Krypt, Mack e suas mulheres. Todos eles param quando veem Tyke e eu sentados no sofá. Tyke ainda está seminu, eu não tenho nenhuma dúvida de que o meu cabelo está uma bagunça. Atualmente ~ 151 ~


estou deitada sobre o peito nu de Tyke depois de esfregar as pernas e dar a ele alguns remédios para dor. Maddox dá um passo a frente, quando eu me levanto, vacilante. — O que diabos está acontecendo? — ele exige. — Nada da sua conta, — diz Tyke, se sentando e gemendo quando ele faz. — Não é da minha conta? Ela é minha cunhada e você está aqui seminu com ela depois que eu te dei ordens diretas para ficar longe dela, porra. Ele o quê? Me viro para ele e seus olhos piscam nos meus. — Maddox, — eu sussurro. — Você disse a ele para ficar longe de mim? — Naturalmente eu fiz, Pippa. Ele não é bom para você. — Você não acha que essa é a minha escolha a fazer? — eu digo, encontrando a minha voz. — Não, eu não acho. Eu os conheço melhor do que vocês jamais saberão. Você é muito boa para esta vida dura. — E a minha irmã, não é? Ele recua e seus olhos se esfriam. — Ela não viveu a vida que você viveu. Aqui. Vamos. Nós.De. Novo. Eu estou tão cansada disso. Eu sinto Tyke vir atrás de mim, mas eu não paro. Eu dou um passo em frente e olho para Maddox, olhando em seus olhos. — Por causa da minha vida, você está dizendo que eu não tenho uma palavra a dizer sobre com quem eu quero estar? — Sim, isso é o que eu estou dizendo, porra. Nós te salvamos. Tiramos você de seja lá a merda que você estava. Você não merece ser enfiada em mais merda. Sua irmã pode lidar com isso. Você não. — E por que isso? — eu grito, fazendo seus olhos estreitarem com choque. — Porque eu sou tão frágil? Porque eu sou apenas a pequena quebrada Pippa? É isso, Maddox? Você acha que eu não posso cuidar de mim mesma? Você acha que eu vou deixar alguém me empurrar e ser alguém... alguém... influenciável? ~ 152 ~


— Pippa, — sussurra Santana, os olhos arregalados. — Não, Tana, — eu digo, me virando para ela. — Estou cansada disso. Eu entendi, ok? Eu sou frágil, eu sou quieta, mas eu sou capaz de viver. Se eu quiser Tyke, eu vou ter Tyke. Esta vida não me assusta, não depois do que eu resisti. Você não pode escolher por mim. Eu não sou uma criança. Lágrimas estouran dos seus olhos e ela sussurra: — Eu nunca disse que você era. — Não, mas você está de pé como o resto deles, — eu digo, acenando com a mão ao redor da sala. — E está deixando eles me dizerem o que fazer, porque você não acredita honestamente que eu vá ser normal de novo. E talvez eu não vá ser, mas ainda é a minha vida. Ainda é a minha escolha. Ela me estuda e seus olhos parecem tristes. Isso me mata, mas antes que eu possa dizer mais, Tyke dá um passo para a frente, ficando no rosto de Maddox. — Você não pode vir aqui e falar com ela como se ela tivesse cinco anos, Maddox. — Se afaste, — Maddox rosna. — Não. Ela é minha mulher e eu não vou me afastar tão cedo. — Você já fez o suficiente para me irritar nos últimos dias, Tyke. Não adicione a isso. Tyke bufa. — Eu fiz nada que você não tenha feito você mesmo. A mandíbula de Maddox aperta e Krypt se aproxima, colocando a mão em seu braço. — Não agora. Eu fico olhando para os dois, e sei que tenho que entrar em cena ou uma briga vai acontecer. Dou um passo hesitante entre eles e olho para Maddox. Ele rasga os olhos do Tyke e olha para mim. Eu coloco a mão em seu peito enorme e sua mandíbula aperta. — Eu sei que você se importa comigo. — eu olho ao redor da sala. — Eu sei que todos vocês se preocupam comigo. Mas eu preciso levar minha própria vida sozinha agora, eu preciso criar o meu próprio caminho. Vocês não podem escolher quem eu amo, ou com quem eu quero me casar, ou onde eu moro, ou o que eu faço. Eu amo todos vocês, mas vocês precisam dar um passo para trás.

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Maddox olha para mim por um longo momento, então ele olha para Tyke. — Se ela não tivesse um ponto válido, eu chutaria sua bunda. Você a machuca, Tyke, eu vou estripar você. Me viro para Tyke a tempo de vê-lo assentir. Eu recuo e olho para Santana que está chorando. Eu me aproximo e envolvo meus braços em torno dela. — Você sempre será minha irmã, você sempre vai lutar por mim, mas Tana, você tem que me deixar ir. — Oh Pippi, — diz ela, envolvendo os braços em volta de mim. — Isso nunca vai ser fácil, te deixar ir. — Não, mas você merece a liberdade, tanto quanto eu. Ela me aperta e nós ficamos assim por um longo momento. Então eu ouço uma voz suave através do silêncio. — Ah, desculpe interromper. Todo mundo se vira para ver Belle de pé na porta, segurando a mão de Immy. Ela olha para os motoqueiros com olhos arregalados, e quando ela me percebe, ela me dá um olhar que está perguntando se ela precisa chamar a polícia. Eu sorrio. — Ei, Belle. Eu não queria que você os conhecesse assim, mas eu quero que você conheça minha família. O Joker‘s Wrath MC. Os olhos de Belle se ampliam quando ela observa os homens. — Pessoal, — eu continuo, — esta é a minha nova companheira de casa, Belle, e sua filha, Immy. Há um coro de saudações, e Belle acena para todos antes de caminhar até mim. Immy passa por Maddox, sem medo, e olha para ele. — É a sua moto a vermelha? Ele sorri e se ajoelha diante dela. — Não, a azul. Você gosta de motos? Ela balança a cabeça. — Você já esteve em uma? — Não, — ela diz. — Eu não tenho um pai para me levar. Eu olho para cima para ver o rosto de Belle cair. Ela desvia o olhar e meu coração se parte por ela. — Vamos, Immy, — diz ela. — Vamos dar um banho em você. ~ 154 ~


Immy sorri para Maddox, antes de correr em direção a sua mãe. Belle olha para mim e eu me aproximo, tocando seu braço. — Você está bem? Ela balança a cabeça. — Sim, estou ótima. Eu não vou entrar em seu caminho, enquanto a sua, ah, a família está aqui. — Escute, eu devo ficar fora alguns dias, mas você é mais que bem-vinda para entrar e sair quando quiser. — Onde você vai? — ela pergunta. — Vou sair com todos eles. Ela balança a cabeça, sem olhar para todo mundo. — Ok, bem, se certifique de me atualizar sobre as coisas antes de ir. — ela sorri. Eu a abraço e quando ela se foi, eu ando rapidamente para Maddox. — Ela está a salvo aqui? Ele balança a cabeça, observando ela ir. — Ninguém sabe que você é parte do clube, pelo menos, eu não acho que eles sabem. Se souberem, eles sabem como você é. Eles não vão confundir ela com você. Eu duvido que as pessoas terão problemas em saber onde você mora ou mesmo que você significa algo para Tyke. Ela está segura, mas eu vou colocar alguém observando a casa de qualquer maneira, só para ter certeza. — Pensei que estávamos todos indo para o bloqueio? Maddox sorri. — Alguém para vigiar não é necessariamente um motoqueiro, querida. — Oh. Tyke vem atrás de mim, curvando o braço em volta do meu ombro. — Tudo isso é necessário? Pippa tem um emprego. Ela não pode perdê-lo. Concordo com a cabeça e Maddox olha para Tyke. — Eu vou cobrir ela com o chefe dela; ela vai ter um emprego quando ela voltar. Em outras palavras, ele vai ameaçar meu chefe. As coisas estão prestes a ficar interessantes.

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Capítulo dezoito PASSADO

PIPPA Ele se foi. Ele não estava no campo quando eu voltei e eu fui rapidamente amarrada antes que eu tivesse a chance de procurar. Eu trabalhei o dia todo, e quando terminei, ele não estava no quarto também. Me sentei, esperando e esperando, mas ele não voltou. Rainer, meu único amigo, a única pessoa que eu já confiei, se foi. Há um desespero em meu coração que eu não posso remover. Eu perguntei, eu freneticamente empurrei os outros escravos por informação. Ninguém sabe. Ninguém realmente se importa. Ele não significava nada para eles. Nada. Para mim, ele era o mundo. Eu me pergunto se os guardas o trancaram. Talvez Artreau o levou para fora em outro lugar. Quando eu perguntei a eles, eles não me disseram. Eles simplesmente olham para mim como se eu estivesse perdendo minha cabeça. Eu grito, eu imploro, eu esperneio e bato os punhos na porta, mas eles me ignoram como se eu não fosse mais do que uma mosca zumbindo em torno de suas orelhas. Eu não desisto. Eu grito até que, finalmente, eles chamam Artreau. Ele chega a porta, abrindo ela e olhando para mim como se eu fosse uma criança lamentável. — Por que você está gritando? Você está enchendo o saco de todo mundo. Pare, ou eu vou te fazer parar. — Onde ele está? — eu choro. — O que você fez com ele, seu monstro? É só agora que eu observo que o rosto de Artreau está machucado e surrado. Deus, algo terrível aconteceu? Oh, Deus. — Quem? — pergunta Artreau. — Rainer! Onde ele está? O que você fez? ~ 156 ~


Artreau dá de ombros. — Eu não tenho ideia do que aconteceu com o pequeno tolo insolente. Tanto quanto eu estou preocupado, ele era um desperdício do meu espaço. Agora, pare com sua gritaria ou eu vou te dar algo para gritar. Com isso, ele bate a porta. Eu bato meus punhos machucados contra ela mais e mais até eu caio de exaustão. Então eu choro por meu amigo. Eu não sei o que aconteceu com ele, mas eu quero saber, ele não está mais aqui e isso não pode ser uma coisa boa. Meu corpo treme e eu me enrolo em uma pequena bola, lamentando, incapaz de conter a agonia. Eu deito no chão por dois dias. Ninguém pode me mover. Os guardas me deixam lá. Eu espero por ele. Eu espero e espero, mas ele não vem. Ele não vai voltar, com cada hora que passa eu sei disso. Meu Rainer está desaparecido e sem ele, eu estou quebrada. Eu não tenho a força para continuar lutando. Eu não tenho a força para me cuidar. Sem ele, eu não sou nada. Eu perdi a única coisa que vale a pena lutar. Eu perdi o último pedaço do meu coração naquele dia e todos os dias depois eu afundei mais e mais em mim mesma até que não havia nada mais do que uma concha vazia restando. Os últimos vestígios de Pippa já não existem mais.

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PRESENTE

PIPPA — Que lugar é esse? — pergunto a Santana quando nós puxamos em um complexo rodeado por uma cerca de arame farpado. Há uma cabana e alguns grandes galpões bem no meio das montanhas. Se você não conhece aqui, você não seria capaz de encontrar. — Este é o lugar onde eles se escondem quando eles não estão seguros no clube. Muitas pessoas não sabem sobre aqui; é isolado. Foi ~ 157 ~


danificado um pouco, mas ao longo dos últimos anos Maddox consertou e está zerado. — E nós temos que ficar aqui com todo o clube? Santana sorri. — Na maior parte, eles se revezam. Alguns vão e voltam do complexo e mantém um olho ao redor, mas sim, a maioria deles vão estar aqui. Ótimo. Simplesmente ótimo. A última das motos faz barulho atrás de nós, e, em seguida, Maddox abre o cadeado do portão enorme. Preso como prisioneiros. Esse pensamento faz meu coração apertar. Eu não gosto de não ter uma escolha. Eu não gosto de não ser livre quando eu preciso ser. Eu empurro esse sentindo para baixo quando um corpo duro vem atrás de mim, envolvendo os braços em volta da minha cintura. Tyke. — Esta é a sua casa pela próxima semana ou assim. O que você acha? — Se eu estou com você eu vou ficar bem, — eu sussurro. — Precisamos de álcool, — grunhe Krypt, passando por mim. — Como vamos trazer isso até aqui discretamente? — Eu poderia saber como, — eu digo antes de pensar sobre isso. Todo mundo se vira para mim e eu percebo que estou prestes a dizer a eles sobre Rainer, só que eu não contei a Tyke sobre Rainer. — Ah... — eu engoli. — Eu tenho um amigo. Ele estava comigo quando eu era escrava. Acontece que ele vive aqui. Encontrei ele na semana passada. Ele é dono de um bar. Ele é confiável e vai nos trazer suprimentos, se eu pedir. — Oh, — Santana bate palmas. — Eu esqueci sobre Rainer! — Rainer? — Tyke diz com firmeza atrás de mim. Me viro, olhando para ele. — Eu tenho muito que contar. Seus olhos digitalizam o meu rosto. — Parece que você tem.

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— Ligue para o seu amigo, — ordena Krypt, subindo os degraus da frente. — Diga a ele que eu vou pagar o dobro se ele se apressar. Há apenas adultos aqui. Todo mundo já entregou as suas crianças para membros da família para a segurança. Se houver um ataque, a última coisa que eles querem é as crianças envolvidas. Eu entendo isso. Isso parece vazio, sem os filhos, e eu acho que todo mundo está sentindo isso. Todos nós entramos e Tyke segura a minha mão com força. — Vamos dormir aqui, — diz ele, me puxando para o hall. Nós entramos em um quarto à direita no final do corredor, fechando a porta atrás de nós. Há uma cama de casal no meio, e um velho sofá, mas é somente isso. Me viro para Tyke e ele está olhando para mim, seus olhos estudando meu rosto. — Me conte sobre esse cara. — Ele era um escravo também, — eu digo, caminhando e me sentando na cama. — Ele era meu amigo, a única pessoa que eu tinha. Eu o adorava. Ele foi embora um pouco antes de mim e eu não sabia o que tinha acontecido com ele. Pedi a Maddox para procurá-lo e acontece que ele vive aqui. — Maddox ajudou você? — Tyke diz firmemente. Eu estudo seu rosto. — Não fique bravo com ele, Tyke. Não era culpa dele. Ele estava me ajudando porque eu pedi. — E você não pensou em vir para mim? Sua voz é dura e eu percebo que eu irei machucá-lo. — Eu já te chateei. Sinto muito, — eu digo, olhando para o meu colo. Ele suspira e se senta ao meu lado. — Você quer que eu entenda você, um pouco, mas eu não sei nada sobre o seu passado. Como é que eu vou seguir em frente a partir da imagem que você criou, quando você não vai me explicar? Me viro para ele. — Estou pensando em te contar, Tyke. Basta perguntar o que você quer saber. Ele me puxa para seus braços e caímos na cama. — Basta começar desde o início, querida. Nós temos a noite toda.

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E assim eu digo a Tyke minha história. Do início ao fim.

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Capítulo dezenove PASSADO

PIPPA Os próximos dez meses passam lentamente, mas eu não tiro a memória de Rainer da minha mente. Eu penso sobre ele a cada segundo, perguntando se ele está vivo, me perguntando o que aconteceu com ele. Eu fui amarrada com um velho homem que não fala. Os dias se arrastam e eu já não me comunico com ninguém. Eu faço o meu trabalho, eu durmo, eu como e então eu começo tudo de novo. Não há nada mais para mim. Se não houvesse a ligeira esperança de que Santana ainda poderia estar viva, eu provavelmente acabaria com isso. Hoje está esta muito calor, e o sol está descendo no horizonte, ameaçando cair mais cedo, embora eu saiba que ele não vai. Minhas pernas estão doendo de um árduo dia de trabalho, e hoje eu estou acorrentada com três outras pessoas. Eu não sei porque, eu não me importo. Tudo o que posso pensar é como eu vou sobreviver o resto da minha vida neste buraco. Meu peito não aperta com o pensamento. Eu desliguei isso. Não há emoções sobrando na minha alma. Os sons de um tiro e gritaria me alertam do fato de que algo está acontecendo. Eu ergo minha cabeça e percebo que estamos muito longe de casa e neste ângulo, eu não posso ver através da linha das árvores. Mais gritaria e mais alguns tiros. Eu não sei o que está acontecendo, mas coisas como esta já aconteceram antes por aqui. Artreau é sempre o problema de alguém. Me concentro de volta no meu trabalho, e os gritos e tiros se tornam mais intensos. O homem mais velho ao lado de mim para de novo e murmura: — O que está acontecendo? — é a primeira vez que eu ouvi ele falar, então eu me ergo novamente e olho de volta para fora. Há um grande campo à minha esquerda e eu posso ver duas pessoas passando por ele. Um deles é um homem, a outra é uma mulher. Eu não posso ver eles claramente a partir daqui, mas eles não são ~ 161 ~


escravos. Ou talvez eles sejam novos escravos e estão tentando escapar. Boa sorte para eles. O homem, que parece um pouco como um nativo americano, vira e atira com a arma algumas vezes na direção da casa. Eu observo com curiosidade quando a menina, que também tem o cabelo escuro, se vira e olha em nossa direção. Então, de repente ela está correndo em minha direção. O pânico toma meu peito e eu tento dar um passo atrás, mas não há nenhum lugar para ir. Eu não quero que ela me meta em encrencas; se ela está tentando escapar, ela precisa fazer isso sozinha. Quando ela fica mais perto, o rosto se torna mais claro. Meu coração começa a correr, eu tenho certeza que devo estar vendo coisas, porque essa menina parece bastante como Santana. Eu sei que não é ela, no entanto. Ela não seria capaz de me encontrar. Ela provavelmente nem está viva. Eu fico olhando de qualquer maneira, vendo quando ela fica cada vez mais perto. Seus olhos encontram os meus e eu sei, eu sei antes que ela grite meu nome que é realmente ela. Santana. Minha irmã. — T-T-T-T-Tana? Meus joelhos começam a tremer quando ela bate em mim, envolvendo os braços em volta do meu corpo minúsculo. — Pippi, oh meu Deus, minha Pippi. Eu estou sonhando. É um sonho. Eu começo a chorar alto e soluçar. Eu olho em estado de choque, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto quando o homem aparece ao seu lado, ainda atirando atrás dele. Ele rosna algo para ela e ela freneticamente lhe diz quem eu sou. Ele aponta a arma para os meus pés e atiram nas correntes que me ligam aos outros escravos. Santana me leva e começa a me puxar novamente. O resto dos escravos começam a mendigar, querendo ser liberados. O homem nativo americano não dá a ela uma escolha, de repente eu sou pega em seus braços e nós estamos correndo. O medo se apodera em meu peito e eu grito para minha irmã. — Está tudo bem, — ela acalma. — Ele não vai te machucar. Isso é um sonho. É tudo um sonho. ~ 162 ~


Santana não está realmente aqui, ela não está. Eu começo a tremer. Chegamos à cerca e eu grito quando o homem me segurando me joga de novo. Eu bato na terra dura do outro lado, mas isso não o impede. Ele salta e, em seguida, eu estou de volta em seus braços e nós estamos correndo novamente. Santana está falando freneticamente e eu me esforço para me manter. Nós alcançamos um grande carro e antes que eu saiba o que está acontecendo, eu paro. Há um homem no banco da frente, quando ele se vira para olhar para mim, eu paro de respirar. Ele tem os mais belos olhos castanhos que eu já vi. Ele sorri um pouco, antes de Santana e outro homem saltar. — Vá!— o homem ruge. E então o carro está guinchando a distância. Me viro para a minha irmã, que está chorando tanto que há lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ela pega a minha mão e eu me permito acreditar que isso poderia ser real. — Você está realmente aqui? — Eu estou realmente aqui, — ela soluça. — Você está segura. Você está livre. Eu estou livre. Estou segura. Oh Deus, eu fui salva.

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PRESENTE

PIPPA — Pip! Meus olhos se abrem e o corpo duro ao lado se mexe. Tyke e eu caímos no sono depois de eu contei a ele a minha história, agora parece ser o início da noite porque o quarto está escuro. Eu me mexo, Tyke não

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se move; ele ainda está morto para o mundo. Me sento lentamente, esfregando os olhos. — Pippa! Parece Mack. Eu deslizo para fora da cama e vou na ponta dos pés até a porta, destrancando e abrindo. — O que há de errado? — eu pergunto, vendo Mack na minha porta, prestes a bater novamente. — Oh, desculpe te acordar, — diz ele, baixando a mão. — Seu amigo está aqui. — O meu amigo? — Rainer? Meus olhos devem acendem, porque Mack ri. Corro por ele e saio para a área principal, onde todos estão bebendo e conversando. Rainer está em pé com Maddox, falando com ele. Ele está rindo, o rosto iluminado de alegria. Quando ele me vê vindo em sua direção, seu sorriso se torna maior. Eu me lanço em seus braços e ele me segura firmemente. — Ei você aí, menina bonita. — Eu estou tão contente de te ver novamente. — sorrio quando ele me abaixa. Eu olho para ele. Ele ainda parece incrível. — Eu também. Como você está? — Ótima. Melhor agora que você está aqui. Você vai ficar um pouco? Ele olha para Maddox, que está sorrindo carinhosamente para mim. Ele dá de ombros, como se dizendo que ele não se importa, e Rainer assente. — Tudo certo. Eu não estou ocupado esta noite, então eu sou todo seu. — Você tem que conhecer todos. Eu arrasto Rainer ao redor para apresentar ele a todos, pelo tempo que eu acabo, Tyke sai do quarto, parecendo sonolento e bonito. Seus olhos são apenas parcialmente acordados, ainda pesados e semicerrados, ele está vestindo apenas um par de jeans desbotados. Ele passa as mãos pelo seu cabelo e olha em volta, até que seus olhos caem sobre os meus.

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— E aí Tyke, — grita Grimm. — Você teve um bom cochilo, princesa? Tyke vira a ele o dedo do meio e todos riem. Eu engulo quando seus olhos se movem para Rainer e ele endurece. Ele estuda ele e eu, as nossas mãos entrelaçadas. Puxo a mão de Rainer e o levo até lá. Quando paramos na frente de Tyke, os dois homens se observam. — Tyke, este é Rainer. Meu amigo que te falei. Rainer, este é Tyke. Rainer estende a mão para fora, Tyke hesita por um momento antes de apertar sua mão e a sacudir, rudemente. — Ouvi falar muito sobre você, — ele resmunga. Eu quero rir de sua demonstração de virilidade robusta. Eu amo que ele está sentindo ciúmes, que ele é protetor sobre mim. É assim que eu quero que ele se sinta. — Você também, — diz Rainer, então se vira para mim. — Você quer uma bebida, Pip? — Sim, por favor. Ele desaparece e me viro para Tyke, dando um passo a frente. Minhas mãos vão até a sua cintura e eu pressiono o meu rosto para seu peito. Ele suspira e envolve um braço em volta de mim. — Porra, estou com ciúmes. Eu rio em seu peito. — Que bom que você acha que é engraçado. Eu olho para ele. — Você é o único homem que eu vejo, Tyke. Seus olhos incendeiam com luxúria e ele se inclina para baixo, capturando a minha boca em um beijo. É suave e gentil, mas curto. Ele se afasta e me deixa ir. — Eu preciso de uma cerveja. — Você vai, ah, se vestir primeiro? Ele sorri. — Não baby. Em seguida, ele passa por mim, e eu não posso evitar o sorriso que se estende por meus lábios.

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Capítulo vinte PRESENTE

PIPPA — Ei, olha! — diz Ash, rindo sobre sua cerveja. — Esse cara, Raide, está aqui. Todos nós viramos e vemos Raide de pé na porta, conversando intimamente com Maddox. Meu Deus, ele ainda é lindo - o tempo não muda isso. Eu o observo, fascinada, imaginando qual é a sua história. — Ele é tão quente, — diz Jaylah, se inclinando para perto. — Deveria ser ilegal. — Não é? — Santana suspira. Me viro de volta para elas, bebendo a minha primeira cerveja ainda. Eu não sou de beber muito. — Ele é um cara legal, também. Parece. Ash revira os olhos. — Legal. Eu ri. — Legal é bom, Ash. — Não, — ela zomba. — Bad boy é bom. — Você poderia dizer isso quando você está casada com o definitivamente bad boy. Ela sorri e olha para Krypt com amor em seus olhos. — Definitivamente ele é. — Ugh, — Santana geme. — Mantenha ele no quarto. Nós todas rimos e elAs viram os olhos para mim. — Então. — Tana sorri. — Você e Tyke. Eu dou de ombros, tomando minha cerveja.

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— Você vai nos dar todos os detalhes suculentos ou temos que adivinhar? — Jaylah pergunta. Eu me mexo e minhas bochechas coram. — Não há detalhes suculentos. Todos elas me dão um olhar de ‗até parece‘. — Nós entramos, ele seminu, que foi bom de olhar, e você com cabelo de sexo, — Ash aponta. — Eu não tinha cabelo de sexo! — eu protesto. Todos elas riem. Ok, talvez eu tinha. — Vamos, Pippi, — Tana implora. — Me deixe ser uma irmã impressionante e me diga sobre isso. Eu olho para a minha cerveja. — Foi a minha primeira vez. — Ah, — Ash canta. — Oh, isso é tão doce. Mack foi o meu primeiro oral. Foi incrível, — diz Jaylah, e todas nós começamos a rir dela. — O quê? — ela chora. — É verdade. — Ok, — Ash ri, balançando a cabeça. — Voltando para Pippa. Como foi? Murmuro, — Doloroso. — Aw, Pip! — Jaylah sussurra, segurando minha mão. — Eu esqueci o quão doloroso era. — Fica esperançosos.

melhor,

depois?

Eu

pergunto,

meus

olhos

Eu adorava estar com Tyke. Eu amei tudo sobre ele. Mas eu estou rezando que fica melhor. Eu não quero sentir dor cada vez que estamos juntos. — Sim, meu Deus, sim, — diz Ash. — Mas você tem que experimentar. — Experimentar? — pergunto.

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— Sim, você sabe. Tocar por aí. Usar sua boca. Suas mãos. Explorar. Encontre o que te faz se sentir bem. Minha boca? Oh cara. — Boca? — eu chio. Jaylah ri. — Oh menina, temos muito que te ensinar. Elas passam a próxima hora me contando sobre como dar a Tyke prazer com a minha boca, receber prazer de sua boca e todas as coisas no meio. Minhas bochechas estão em brasa no momento em que terminam, mas a minha curiosidade é fortificada e meus olhos vão instantaneamente para Tyke que está sentado ao lado dos homens, pés em cima de uma mesa, rindo. Lindo. Meu. Nossos olhos se encontram, ele vê isso. Eu vejo isso. Nós dois queremos.

~*~*~*~

Eu dou um passeio para fora quando a festa começa a animar lá dentro. Eu saio, desesperada para ver as árvores. Há algumas aglomeradas no canto mais distante do lote. Eu teço através delas, respirando elas, desfrutando de como elas se sentem contra meus dedos. Eu faço isso pelo o que parece horas, e então finalmente eu volto. Eu estou na metade do caminho até lá quando eu colido com um corpo rígido. Eu chio e salto para trás. — Esta é a segunda vez que acontece isso. Qualquer um pensaria que você está me seguindo. Raide. Eu esfrego uma mão sobre meu rosto e rio baixinho. — Desculpe, eu não tenho uma grande visão noturna. Ele ri no escuro, um som profundo, sexy. — Não. Engraçado isso. ~ 168 ~


Eu sorrio para o meu estúpido comentário. — O que você está fazendo aqui no escuro? — Só caminhando por entre as árvores. Ele bufa. — No escuro? — Você não tem que vê-las para sentir e apreciá-las. Ele ri. — Não, acho que não. Você é uma mulher fascinante, Pippa. — Assim como você. — Uma mulher fascinante? Eu descasco uma risada. — Desculpe, não um homem. O que você está fazendo aqui, afinal? Eu não achei que você estava associado com o clube. — Maddox ainda está recebendo as minhas informações. Eu estava lá quando eles foram emboscados, também. Foi feio. — Eu ouvi, — eu digo suavemente. — Eu vou ir embora em breve, mas por agora é bom estar em algum lugar que eu não tenho que me esconder. — Você está realmente correndo da polícia? — Sim, — ele murmura. — Eles vão enviar um maldito caçador de recompensas atrás de mim em breve, assim, eu estou correndo contra o tempo. — Um caçador de recompensas? — eu pergunto, um pouco confusa. — Você sabe, quando você pula fiança ou não aparece para um teste, eles enviam alguém atrás de você. É geralmente um homem grande e irritado que te aborda no chão e te arrasta pelas pernas de volta. Eu rio baixinho. — Certamente não é tão ruim assim. Ele bufa. — Não, provavelmente não. Mas eu não tenho muito tempo. Eu já estou sendo procurado. — É realmente tão ruim que você tem que ignorar a polícia para buscar a justiça? ~ 169 ~


— Você já teve alguém que amava mais do que a vida, Pippa? — Absolutamente. — Imagine se eles fossem levados embora, e você foi deixado com ninguém. Tudo o que resta é uma raiva amarga, no fundo do seu peito. Você quer fazer a pessoa que tomou essa pessoa de você pagar. — Eu entendo isso. — Eu imagino. Maddox deixou escapar sobre a sua vida antes disso. — Sim, — eu sussurro. — De qualquer forma, é melhor sairmos do escuro. Ele se vira e caminha de volta para a escuridão. — Ei, Raide? Ele se vira e olha de volta para mim. — Sim? — Eu espero que você encontre o que você está procurando. Ele me pisca um sorriso, em seguida, desaparece de volta para dentro. Eu acho que eu gosto de Raide Knox, e sua história tem certamente despertado meu interesse.

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Capítulo vinte Um PRESENTE

PIPPA — Tem sido quase dois dias, — eu sussurro contra a boca de Tyke. — Babe, — ele murmura, apertando minha cintura. — Você está me matando. — Você não me quer, Tyke? Ele geme. — Você não tem ideia do quanto. — Então, faça amor comigo de novo, por favor? Estamos de pé na beirada da cama. É início da manhã e Tyke acaba de sair de um chuveiro. Ele tem uma toalha enrolada na cintura e sua pele é quente. Ele olha para mim, os olhos cheios de luxúria e necessidade. Ele quer isso tanto quanto eu. Nós esperamos quase dois dias desde a primeira rodada. Nós dois queremos mais. — Não quero te machucar novamente, querida, — ele murmura, olhando para a minha boca. —Você não vai. As meninas me deram dicas. Suas sobrancelhas sobem, os seus lábios se abrem. — Dicas? — Mmhmm, dicas. — Você quer me informar que tipo de dicas foram? Eu sorrio para ele. — Me leva para a cama e nós vamos descobrir. Ele olha ao redor do quarto, então diz: — Tudo bem, o que você fez com Pippa? Onde ela foi? Porque essa menina na minha frente não é ela. Ele olha de volta para mim, seus olhos são suaves e brincalhões. — Naturalmente eu adoro isso, não é apenas algo que eu pensei que eu iria ouvir vindo de seus lábios.

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Eu me inclino na ponta dos pés e o beijo. — Bem, eu estou tentando ser diferente. Ele sorri e me puxa para mais perto com um braço em volta da minha cintura. Seus lábios encontram os meus e eu deixo ele me beijar suavemente por um tempo, antes de aprofundar o beijo até que haja línguas, gemidos, e mãos. Ele me vira e me empurra para baixo sobre a cama. — Você quer eu dê isso a você? Eu vou dar para você, babe. Você está pronta? — Sempre, — eu respiro quando seu corpo vem sobre o meu. Ele se inclina e escova os lábios sobre o meu queixo antes de passar para o meu pescoço. Ele toma a barra da minha camisa e rapidamente descarta, antes de fazer o trabalho com o resto das minhas roupas. Em seguida, ele beija meus seios, arrastando lentamente a boca sobre a carne macia, antes de cobrir meus mamilos com a boca. Ele suga delicadamente no início, lentamente os puxa cada vez mais fundo em sua boca. — Tyke, — eu suspiro, me arqueando. Ele toma meus quadris, os empurrando de volta para baixo quando ele continua sua tortura em meus seios. Quando ele está satisfeito, ele se move lentamente abaixo deles, lambe e chupa a minha carne quando ele se move pelo meu corpo. Ele atinge o meu umbigo e mergulha sua língua dentro da pequena ranhura. Eu choramingo e tremo com a sensação estranha. Isso dispara prazer direto ao meu sexo. A boca quente de Tyke se move mais para baixo, encontrando meus quadris. Ele os beija e então se move para as minhas coxas. Eu clamo desesperadamente quando um latejar começa em meu núcleo, e começa a irradiar para fora. É como se o meu corpo soubesse que ele está lá e ele quer mais. Rogo a ele quando ele beija minha coxa, eu posso sentir sua risada suave contra a minha carne. — Tyke, por favor, — eu imploro. — Não me faça esperar mais. — Então você não vai esperar mais, princesa. Ele move a boca para cima, sugando suavemente os lábios internos de meu sexo em sua boca. A sensação é fora deste mundo e o meu pescoço se inclina para trás, empurrando minha cabeça no travesseiro quando um estranho prazer começa a encher minhas veias. Aperto os travesseiros ao lado de mim quando seu hálito quente se

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move sobre o meu clitóris, e para o outro lado. Ele repete esse processo, me torturando lentamente. — Tyke, — eu imploro. — Por favor. Ele paira sobre o meu clitóris, sua boca tão perto que eu posso senti-lo. Então, lentamente, ele abaixa a cabeça e fecha os lábios direto sobre o nó dolorido. Eu empurro instantaneamente e choro seu nome quando a sensação mais incrível toma conta do meu corpo. Isso parece como o céu entre as minhas pernas. Eu suspiro o nome do Tyke mais e mais quando sua língua se move para fora e esfrega mais e mais, fazendo com que o fogo entre em erupção no meu corpo. — Oh, Deus, Tyke, — eu suspiro. Ele suga e lambe até que eu estou resistindo na cama, com as mãos firmemente plantadas nas minhas pernas para me segurar. Então, a sensação mais incrível estoura à vida. É como se toda a felicidade do mundo combinada em uma explosão pequena. Eu grito o nome de Tyke quando parafuso após parafuso de prazer atravessa meu núcleo direto para meu corpo. — Tyke,— eu ofego. — Tyke. Ele coloca um beijo suave na minha carne dolorida e lentamente se arrasta até o meu corpo, beijando uma trilha enquanto ele sobe. Quando ele chega à minha boca, ele esmaga os lábios de volta para baixo sobre os meus e eu posso provar a mim mesma, um sabor estranho que tem as minhas bochechas queimando. Tyke me beija até que tudo o que eu sinto é dele, então ele recua, olhando para mim com mais necessidade em seus olhos que eu já vi antes. — Você está protegida, Pip? — Protegida? — eu sussurro. — No controle de natalidade? Concordo com a cabeça. — Estou tomando a pílula, por causa de períodos graves. — Você está tomando há muito tempo? — Desde que eu cheguei em casa. — Obrigado a foda – tudo bem eu ir sem nada? — Sem nada? — eu estou confusa. ~ 173 ~


— Sem camisinha. Oh. Oh. — Eu quero gozar dentro de você. Oh meu. — Ah, eu não sei. Eu não... — Estou limpo, Pippa. Eu nunca comi ninguém sem um preservativo. Muita informação. — Ok, Tyke. Seus olhos brilham e ele toma conta de mim, se sentando e nos virando, de modo que ele está sentado de costas contra a cabeceira da cama. Ele me coloca sobre seu colo e eu mordo meu lábio, confusa. Eu não tenho certeza o que eu deveria fazer. Eu posso sentir sua ereção pressionando contra o meu núcleo, mas eu não sei como ele quer que eu trabalhe isso. — Basta deslizar para baixo, babe, — ele diz com uma voz grossa. — Então balance. Eu engulo e encontro seus olhos, ainda sem certeza. Ele toma meus quadris e gentilmente me orienta para baixo em seu comprimento. Eu suspiro quando ele começa a me encher lentamente. Ainda é muito doloroso, mas desta vez estou mais excitada e eu ajusto mais fácil. Quando ele está me enchendo e nós estamos carne com carne, ele balança suavemente meus quadris. A sensação que me enche é bastante agradável, e no fundo do meu corpo, um feixe de nervos empurra para a vida. — Rebole do jeito que parece bom para você, — diz ele com os dentes cerrados. — Apenas me monte bom e lento, babe. Eu faço o que ele pede, e mexo levemente meus quadris, deslizando para cima e para baixo, inclinando até eu encontrar o ponto ideal que parece estar inflamando com cada curso. Eu fecho meus olhos, deixo minha cabeça cair para trás, e me concentro em obter esse ponto uma e outra vez. Tyke burburinha algo sexy, e, em seguida, o dedo dele está entre as minhas pernas, esfregando. Fogo queima em

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meu sexo e eu suspiro mais e mais quando o meu corpo enrijece, se preparando para algo ainda mais brilhante do que as outras vezes. — Jesus, babe, você é tão apertada, — grunhe Tyke. — Porra. — Tyke, — eu gemo. — Oh, Deus. — Goze para mim, menina bonita. Dê tudo para mim. Me deixe saber que meu pau faz isso para você. Essa palavra. Oh, essa palavra. Tremo. — D... d... diga isso de novo, — eu exijo, me chocando. — Meu pau, babe. Ele te ama pra caralho. Sua buceta é bom pra caralho em torno de mim. Oh. Deus. Sim. Eu balanço mais duramente. Seu dedo trabalha rápido. — Mais, — eu suspiro. — Mais. — Eu não posso esperar até que tenha sua boca enrolada no meu pau, chupando, esses doces lábios me fazendo gozar. Isso me excita ainda mais. A explosão mais incrível irrompe em meu corpo. Eu grito alto, meu corpo estremece com o prazer mais sensacional que eu já senti antes em minha vida. Aperto os ombros de Tyke, empurrando e vacilo quando cada onda de prazer rola pelo meu corpo. Eu fracamente ouço seu grunhido, então uma maldição, e, em seguida, ele explode dentro de mim, também. Eu me deixo cair para frente, pressionando a minha cabeça em seu ombro penteado de suor. Ele envolve um braço em volta de mim, e nós ficamos assim por um longo tempo. Quando nossa respiração se acalma, eu levanto a cabeça e olho em seus olhos. — Essa foi a coisa mais incrível que eu já senti na minha vida. Ele se aproxima, acariciando meu rosto. — Eu também, pequena. — Será que isso é sempre tão bom? Ele ri. — Espero que sim. Oh, eu também

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Tyke corre a esponja sobre mim, a água quente caindo sobre nós. Nós estamos no chuveiro depois de mais uma sessão de tomada de amor incrível, e eu estou completamente exausta. Tyke está me lavando, passando os dedos sobre minha pele, e, ocasionalmente, pressionando os lábios contra meu ombro. Eu fecho meus olhos e vejo tudo, cada milímetro dele. — Tyke? — eu sussurro enquanto ele lava entre as minhas pernas, meu núcleo queima à vida mais uma vez. — Mmmmm? — Isto entre... nós... é permanente? Ele para de lavar e me vira para encará-lo. — Você acha que nós não somos permanentes? Eu dou de ombros. — Eu não tinha certeza exatamente o que está acontecendo. Você meio que só veio e me reivindicou. Ele estuda o meu rosto. — Você é minha, Pippa. Você tem sido minha desde o primeiro momento em que coloquei os olhos em você. Eu não planejo desistir de você. — Não? — eu sorrio, amando como meu coração incha. — Porra, não, babe. Você já colocou a si mesma aqui. — ele coloca um punho em seu peito largo. Eu me aproximo, pressionando meus lábios nos dele. Ele me beija duro e rápido antes de me girar em torno de sua cintura. — Você gosta de Rainer? — pergunto. — Eu não o conheço, — diz ele com firmeza. — Ele é importante para mim, Tyke. Ele suspira. — Eu sei disso, eu não estou prestes a te dizer que ele não pode estar em sua vida. Eu só acho que ele quer de você mais do que você sabe. — Eu sei, Tyke. Eu sempre soube. Ele faz uma pausa por trás de mim. — Você sabe?

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— É claro. Rainer me amou desde que éramos escravos, eu posso ver nos olhos dele que ele ainda faz. Isso me dói, porque eu nunca posso amá-lo de volta do jeito que ele quer. Eu o amo, mas eu não estou apaixonada por ele. Eu nunca fui. Ele é meu melhor amigo e eu adoro ele, mas eu não posso ser mais do que isso para ele. — Ele sabe disso? — Nós nunca discutimos isso. — Talvez você deveria. Deixo escapar um bufo de ar pelo nariz. — Sim, talvez. Ele se inclina para baixo, beijando meu pescoço. — Ele vai entender, querida. Se ele te ama, ele vai entender. — Ele já entende, — eu digo com tristeza. — Ele sempre entendeu. Ele nunca empurrou nada; ele apenas estava lá para mim quando eu não tinha nada. Eu vou amá-lo para sempre por ser isso. Eu só quero que ele seja feliz. Eu quero que ele ame alguém tanto quanto eu te amo. Eu paro quando eu percebo o que eu acabei de dizer. Nenhum de nós se move. Nós dois ficamos parados, apenas em pé com água caindo sobre nós. — Você me ama? — diz Tyke, sua voz grossa. Me viro e olho para ele. — Mais do que minha própria alma. Ele se encolhe e estende a mão, pegando meu queixo. — Você me ama? — Sim, Tyke, eu te amo. Ele fecha os olhos, os deixando caírem na pia. — Porra, babe. Ele olha para mim de novo, e há um profundo e belo entendimento em seu olhar. — Eles me disseram que você era incapaz de ser corrigida. Todos esses anos eu estive ao seu lado, segurando porque eles me disseram que você não precisava desse tipo de drama, que eu não era bom para você, que meus demônios e seus demônios nunca iriam funcionar. No entanto, o que você sabe? Esses dois demônios se casaram e eles estão fazendo funcionando. Eu rio baixinho. — Dois iguais, talvez, faz um todo. ~ 177 ~


Ele acaricia minha bochecha com o polegar. — Eu também te amo, Pippa. Desde o momento em que coloquei os olhos em você. — É?— eu digo, meu lábio inferior tremendo. — Porra, sim, eu amo. Eu acho que talvez, apenas talvez, este é o melhor momento da minha vida.

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Capítulo vinte e dois PRESENTE

PIPPA — Me conte sobre o seu acidente?— eu digo, me aconchegando no sofá com Tyke mais tarde naquele dia. Ele franze a testa, as sobrancelhas franzidas. Em seguida, ele começa a falar. — Foi apenas isso: um acidente. Eu estava andando de moto; estava molhado e escuro. As pessoas não respeitam as motos, sabe? Eles não olham para elas, eles não se preocupam com elas. Eu tinha meu farol aceso, mas este carro puxou na minha frente, mesmo que ele certo como a merda me ouviu chegando. Eu me choquei contra a porta lateral, bati com tanta força que fui jogado da moto. Eu realmente não sei o que aconteceu depois disso, tudo o que eu sei é que eu acordei e minhas pernas tinham sido esmagadas por uma roda, pela minha moto, pelo carro, eu não sei. Eu não podia andar. — Eu sinto muito, — eu sussurro. Ele pega um pedaço de meu cabelo e brinca com ele distraidamente quando ele continua. — Pelo primeiro mês, eu não conseguia sair da cama. Eu fiz operações, mas eu estava amargo. Eu estava tão irritado e eles me disseram que isso vinha da minha cabeça. Me tornei deprimido, recusando ajuda. Quanto mais ajuda eu recusei, mais tempo eu perdi na recuperação. Meus músculos não se recuperaram corretamente, porque eu me recusei à fisioterapia. Eles enfraqueceram, e os meus ossos não estavam curando corretamente. Então, eles me disseram que se eu não ficasse melhor, eu não podia andar novamente. Meu coração dói, porque eu sei o que teria feito a ele. — Isso teria acabado com você, — eu digo em voz baixa. — Sim, — ele resmunga. — Montar era a minha vida. Você sabe disso. Eu fiquei mais do que furioso, e passei mais tempo sentindo pena de mim mesmo. Depois de alguns anos, eu fui capaz de me levantar e ~ 179 ~


caminhar um pouco, mas principalmente eu confiava naquela cadeira. Sendo um peso para os rapazes, sabendo que eu era sempre o cara que ajudava, me tornei o cara que levava os carros ao invés de se envolver.Isso fodeu com a minha cabeça. Ele começa a acariciar meu ombro agora. — Então eu conheci você. Vi o que você tinha passado, e decidi que eu tinha tido o suficiente de pena de mim. Se eu não ficasse assim, eu poderia ter estado lá para te ajudar quando necessário. Então, voltei ao médico e comecei a fisioterapia. Um pouco tarde, mas isso começou a funcionar, como você sabe. Levou três anos, porque eu comecei a não muito tempo depois de você voltar. Pouco a pouco, meus músculos estão ficando melhor, um dia espero andar sem dor. — Sempre dói? Ele balança a cabeça. — Nah, não mais. Se eu exagero, como eu fiz na semana passada, então sim, porra, isso mata, mas está ficando mais fácil e mais fácil de fazer coisas cotidianas. — Eu nunca vi você fazendo sua terapia física. Ele beija o topo da minha cabeça. — Isso é porque eu faço todos os exercícios em privado. Eu costumava ir três vezes por semana, mas agora eu posso fazer tudo em casa. Eu faço isso toda noite antes de dormir. — Ah é? Ele balança a cabeça. — Sim. — E isso ajuda a andar? — Isso me faz mais forte. Eu tento fingir que a cadeira não existe mais. — Justo. — De qualquer forma, é o suficiente sobre mim, — diz ele. Eu vou responder, mas a porta se abre e Rainer entra, outra caixa de álcool em suas mãos. Ele sorri para mim e eu me levanto apressada. — Ei!— eu digo. Ele entrega o álcool e me puxa para seus braços. — Seus motoqueiros bebem um monte de merda, menina bonita. Eu rio e recuo. — Haram. Eu não sabia que você estava voltando? ~ 180 ~


— Maddox me disse que gostaria disso e precisavam de mais. Por isso estou aqui. — Rainer. Nós dois nos viramos para ver Maddox e Tyke de pé atrás de nós. Tyke acena com a cabeça para Rainer e Maddox lhe dá um sorriso fácil. — Você tem algum problema aqui? Rainer balança a cabeça. — Nah, tenho a certeza que não fui seguido. — Bom homem. — Pippa! Me viro e vejo Santana me chamando do quintal da frente. — Já volto, — eu digo, correndo. Corro para os degraus da frente e paro na frente da minha irmã. — O que está acontecendo? — Nada. — ela sorri, envolvendo um braço em volta de mim. — Eu só queria ver como você está indo. Eu estreito meus olhos. — Não é verdade. Ela ri. — Não, é sério. Realmente. Eu bufo. — Pippa, pare com isso. Eu tenho permissão para ver minha irmã. — Você tem um sorriso estúpido em seu rosto. Ela ri. — Ok, tudo bem, você me pegou. Eu só queria ver como você e Tyke estão? — Por quê? — eu questiono. — Bem, vocês foram, um, um pouco altos antes. Eu paro. — O quê? — eu sussurro. Ela para e se vira para mim. — Não se sinta constrangida. Foi adorável. ~ 181 ~


Eu levanto minhas sobrancelhas. — Adorável? Tyke e eu fazendo amor foi adorável? — Não soava como fazer amor. — ela se inclina mais perto com um sorriso. — Parecia como foda. — Santana! Ela agarra meus ombros. — Ah, vamos lá, Pippi, nós somos irmãs. Você deveria me contar tudo sobre isso . — Eu não estou dizendo a você sobre o nosso... tempo privado, — eu zombo. Ela sorri, eu rolo meus olhos. — E eu estava fazendo amor, muito obrigada. —Então ele não tinha fodido você ainda? Eu pisco para ela. — Há uma diferença? Ela sorri. — Ah sim. Foder é cru e primitivo e, geralmente, bate contra uma parede e sem preliminares, sexo com raiva. Meus olhos se arregalaram. — Isso não soa tão incrível. — Ah, é.— ela suspira. — Maddox faz isso o tempo todo. Eu amo quando ele pega pela porta da frente, chateado sobre o seu dia, e apenas me dobra sobre o balcão. — Santana! — eu choro de novo, cobrindo meus ouvidos. — Não, eca. Ela ri tanto que lágrimas enchem seus olhos. — Não seja tímida. É divertido falar sobre essas coisas. — Você tem andado muito com esses motoqueiros. Ela coloca o braço em volta de mim novamente. — Provavelmente. De qualquer forma, você tem que me dizer tudo sobre Tyke. Ele é tão quente. — Tana, — eu gemo. — Ele é grande? — Jesus. Ela ri e eu não posso deixar de sorrir. ~ 182 ~


É realmente bom ser tratada como uma irmã pela primeira vez na minha vida. Parece que eu estou finalmente sendo encarada como qualquer coisa, menos o anjo quebrado. Finalmente.

~*~*~*~

Santana e eu andamos e conversamos por horas, é tão agradável me sentir aceita. Nós rimos e falamos sobre nossos homens e tudo mais em nossas vidas. Assim quando a tarde cai e nós estamos caminhando de volta para a cabana, ouvimos um tumulto. É suave no início, mas fica cada vez mais alto quando estamos mais perto. Soa como uma briga. — O que é isso? — pergunta Tana. — Soa como uma briga, — eu digo, inclinando a cabeça para o lado para tentar ouvir com mais clareza. — Vamos dar uma olhada. — Santana pega a minha mão e corremos em direção à cabana quando eu ouço alguém latir o que soa como o meu nome. Corremos a subir os degraus da frente e entramos na casa para ver Rainer e Tyke no chão, rolando e dando socos. Meu coração pula na minha garganta e eu derrapo a uma parada. Tyke está no topo de Rainer e dirige um soco em seu rosto, antes de Rainer retornar o favor e fazer o mesmo. Eles dois têm lábios rebentados e sangue escorrendo de sua pele. Meu coração para. — Parem com isso! — eu grito, me apressando para a frente, mas um conjunto de braços rígidos vão ao redor da minha cintura. — Pippa, deixe eles, — diz Krypt em meu ouvido. — Eles têm que resolver isso entre si. — Não, eles não tem não, — eu grito. — Parem! Minha voz é apenas alta o suficiente para superar os gritos e grunhidos dos homens. Meu coração bate e enche de pânico em meu peito enquanto eles continuam batendo um no outro. — Seu pedaço de merda, — Rainer late. — Será que ela sabe?

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— Porra. Você não sabe merda nenhuma, — Tyke sibila. — Saia de cima de mim. — Você não é bom, nenhum pouco! — E você é? — Tyke fole. Eu não aguento mais. Eu respiro fundo e grito: — Parem com isso! Ambos os homens param a meio soco, e olham para mim em estado de choque. Eu nunca gritei tão alto na minha vida. Os olhos de Rainer são os primeiros a amolecer, ele empurra Tyke para baixo, se levantando. Tyke rola em suas costas e se levanta, olhando para Rainer. Eles estão ambos ofegantes e tremendo de raiva, — O que vocês estão fazendo? — eu sussurro, eu sei que meus olhos são de dor. — Você sabia que ele tem uma namorada? — grunhe Rainer. Meu olhos pressionam levemente para Tyke. — Sim, ele tinha. — Não, — Rainer continua. — Ele tem. Ele não terminou com ela. Eu ouvi um dos caras perguntar a ele quando eu estava saindo para te encontrar, ele disse que não falou com ela ainda. Meu coração cai e me viro para Tyke, que tem uma mandíbula apertada e está olhando para a parede. — Tyke? Ele olha para mim. Eu posso ver isso em seus olhos mesmo antes de eu fazer a pergunta. — Você não terminou com Andi? — Porra, Pip, eu não tive tempo. Cheguei em casa e vim direto para você, então nós estivemos aqui e honestamente, eu nem sequer pensei sobre ela desde que ficamos juntos. Minhas mãos começam a tremer. Ele não pensou sobre ela? Ele acabou esquecendo dela enquanto ela está sentada lá, pensando que ele ainda está saindo com ela. — Você veio direto para mim, você levou minha v... v... v... virgindade, você me disse que me amava, mas tecnicamente você ainda estava com outra mulher? — minha voz é um assobio baixo. ~ 184 ~


— Porra, Pip, não, — sussurra Tyke, avançando. — Não... você tirou isso de mim, você gastou dias comigo me fazendo sentir incrível, e foi por trás das costas de outra mulher. Seu rosto aperta. — Eu tinha toda a intenção de ligar para ela, mas porra, eu não parei. Eu não me importo com ela, Pippa. — Ela não sabe disso, — eu grito. — Ela não sabe que você não se importa. Ela não sabe que você está com outra mulher. Ela está lá, ainda pensando que você está com ela. Não importa se você não quer isso, porque ela quer. Eu não gosto dela, mas eu não quero ser essa mulher. — Pippa, — interrompendo ele.

ele

tenta,

mas

eu

balanço

minha

cabeça,

— Não, — eu sussurro, dando um passo para trás. — Não. Você deveria ter terminado com ela antes mesmo de chegar em casa. Isso nunca deveria ter acontecido, Tyke. — Não, — ele diz, com a voz rouca. — Isso não deveria ter, mas eu não estava pensando sobre isso. Tudo o que eu estava pensando era você e tudo o que vem acontecendo. Eu quero que isso seja o suficiente, mas a ideia de que Andi ainda está sentada lá, pensando que ele ainda a quer, me incomoda. Mesmo se eu não gosto dela, não é justo. Eu não conseguia imaginar como seria a sensação de ser a mulher que está sentada, pensando que ela tem um namorado, quando ele está lá fora declarando seu amor para outra mulher. Importando ou não, Tyke ainda a traiu. Comigo. Por minha causa. — Rainer, — eu digo, me virando para ele. — Me leve daqui, por favor. — Pippa! — Tyke rosna. — Você não vai embora. Eu o ignoro, estendendo a mão para a mão de Rainer. — Por favor? Rainer olha para mim, depois para Tyke, em seguida, para Maddox. — Posso levá-la? A mandíbula de Maddox está apertada, ele está olhando para Tyke. Então, ele se vira para Rainer. — Ela não está diretamente ligada ao clube. Se você levá-la para sua casa, ela estará segura. ~ 185 ~


— Não, — Tyke fole, se virando para Maddox. — Você sabe que ela não está segura. — Ela não está com você, irmão. E mesmo que nos últimos dias ela estava aqui ninguém vai saber. Ela está segura. Ela não está relacionada com o clube. — Ela pode ter sido vista com Santana. Você sabe disso, Maddox, — Tyke ruge. — Eu não posso mantê-la aqui contra a vontade dela e você bem sabe disso, porra. Ela não é uma old lady, Tyke. — Ela é minha old lady, — Tyke rosna. — Não, — eu sussurro. — Eu não sou. Tyke se vira para mim, os olhos cheios de tristeza e dor. — Pippa, eu fodi tudo. Eu entendo isso. Mas foi um erro honesto. — Você fez amor comigo, Tyke, você passou dias comigo, e todo o tempo você está me dizendo que Andi não cruzou sua mente uma vez? Ele olha para baixo em suas botas, sua mandíbula apertando. — Foi o que eu pensei, — eu digo, minha voz trêmula. — Você não pode ter pensado sobre ela muito, mas um pensamento é tudo o que teria levado a você saber que era errado. — Ela não é nem mesmo a minha namorada, — diz ele, com a voz grossa. — Então por que você esteve com ela por mais de dois meses? Você e eu sabemos que não é apenas um caso de uma noite. — Jesus, Pippa, não vá embora. — Eu só preciso de alguns dias, eu... eu só preciso de espaço. Os olhos de Tyke piscam para Rainer. — Se você tocar nela... Rainer encara Tyke, e envolve um braço em volta do meu ombro. — Eu tenho isso. Então ele nos vira e saímos pela porta da frente. Santana vem correndo quando chegarmos à caminhonete de Rainer. — Pip, — diz ela, pegando meu braço e me girando. — É realmente o que você quer? ~ 186 ~


— Ele ainda está com outra mulher. Ele nem sequer disse a ela; isso não está certo, Tana. — Não, não é, mas ele te ama. Certamente você pode ver isso. — E eu amo ele, mas ele nunca deveria ter colocado as mãos em mim enquanto ele ainda estava com outra garota. Isso faz coisas comigo, isso me faz doer, porque ela não sabe. Estando com ela ou não, isso não importa. Ela gosta dele, mesmo ela sendo uma cadela. E ela ainda não tem ideia de que ele não está interessado. Isso não é justo. Santana deixa cair a cabeça e suspira. — Não, não é. Olha, Pippa, você está mais segura aqui. — Talvez, mas Rainer vai cuidar de mim. — Eu sei, mas... Estendo a mão e pego sua mandíbula. — Eu vou ficar bem, Tana. Ok? Ela balança a cabeça, engolindo. — Só não fique brava com ele para sempre, ok? Eu a abraço. — Eu o amo, isto nunca poderia acontecer. Mas ele precisa perceber o que ele fez e terminar isso, então eu vou falar com ele. — Eu entendo isso. Me deixe saber quando você estiver segura, por favor? Eu assinto, caminhonete.

em

seguida,

Rainer

e

eu

subimos

em

sua

Quando nós saímos, eu olho para fora e vejo Tyke em pé na porta, seu rosto tão aflito que parte meu coração. Eu quero acabar com a dor no meu coração. Ele não entende o quanto isso significa para mim, mas eu não posso começar algo com um homem que não tenha respeitado a última mulher que ele estava com o suficiente para dar a ela um simples telefonema. Ele precisa fazer isso. E até que ele faça... Eu não posso estar aqui. Não importa o quanto doa.

~ 187 ~


Capítulo vinte e três PRESENTE

PIPPA O caminho até a cidade é lento, e tranquilo. Rainer não diz nada, ele apenas me deixa ter o meu silêncio. À medida que atingimos a base das montanhas, as coisas mudam. Acontece rapidamente, tão rapidamente que eu nem sequer percebo o que está acontecendo até que Rainer fala meu nome e o carro acelera. Então eu ouço. Tiros. A primeira bala atinge a parte de trás da caminhonete, saltando e desaparecendo na luz ambiente. Em seguida, outro vem, quebrando o espelho de trás. Terror agarra meu peito e me viro para Rainer, ofegando. — O que está acontecendo? Rainer? O...o... o... o que está acontecendo? — Alguém está atirando em nós. Se abaixe, Pippa, ligue para Maddox. Quem quer que seja estava à espera na base da montanha. Eu fui obviamente seguido. Outra bala explode no silêncio, batendo no para-brisas e esmagando em mil pedaços minúsculos. Eu grito e Rainer se aproxima, agarrando minha cabeça e empurrando com força para baixo. Me abaixo o quanto posso, busco minha bolsa para encontrar meu telefone. Mais balas soam e Rainer rosna com raiva. — Quem quer que seja não está tentando nos tirar da estrada - eles estão tentando nos matar. Meu Deus. Pânico aperta meu peito e eu procuro furiosamente pelo telefone. Acho e tento discar quando uma outra bala atinge o carro. Eu ligo para Maddox e ele toca e toca. Gritando de frustração, eu ligo para Krypt. — Pippa? — Krypt! — eu guincho. — Krypt, estamos sendo alvos de tiros. ~ 188 ~


— Calma aí, devagar, garota. O que está acontecendo? — Nós chegamos à base da montanha e de repente havia pessoas atrás de nós atirando. — Merda, onde está você agora? — Rainer? — eu ofego. — Onde estamos agora? Ele olha em volta. — Talvez um par de milhas da base. — Um par de milhas da base. — Nós estamos indo; nós não conseguiremos chegar antes de cerca de vinte minutos. Diga para Rainer dar a volta, mas não vá muito longe. Se eles pegarem você, Pip, as coisas vão ficar feias. Você precisa tentar ficar o mais próximo possível para que possamos pegar vocês. — Krypt, — eu sussurro. — Rainer disse que eles estão atirando para matar. — Aguente aí, garota. Nós estamos indo. Mantenha sua cabeça para baixo. Ele desliga e eu olho sobre Rainer. — Ele disse para tentar ficar nesta área, para que eles possam chegar. — Mais fácil falar do que fazer, — grunhe Rainer, os olhos desesperadamente procurando uma maneira de sair de vista. — Esta caminhonete é feita para terra, certo? — eu sussurro. — Sim. — E eles estão apenas em carros normais? — eu não sei se eles estão, porque eu estava com muito medo de voltar e olhar. — Sim, e motos. — Então coloque o 4x4, Rainer. Ele balança a cabeça, sua mandíbula apertada. — Mantenha sua cabeça para baixo, Pippa. Isso pode ficar doloroso. De repente, ele desvia o carro e os pneus guincham enquanto ele desce um barranco e para as árvores. Ele se esquiva, nos empurrando de lado a lado. Eu clamo e cubro minha cabeça enquanto ela bate continuamente contra o painel. Eu ouço o guincho de motos, o que significa que eles tomaram um risco e nos seguiram. ~ 189 ~


— Eles estão determinados, — grunhe, Rainer passando através das árvores da melhor maneira possível. — Não tenho certeza como este matagal espesso fica, mas se ele ficar mais espesso do que isso, estamos em apuros. Oh, Deus. Depressa, Krypt. Depressa.

~*~*~*~

Rainer dirige como um louco, nos levando em círculos enormes, para trás e para a frente, tentando nos manter na área principal. Ele atinge a estrada novamente e, finalmente, se lança sobre ele, esmagando painéis da bonita caminhonete. Há dois sedans alinhados no lado da estrada, e no momento eles nos veem, os pneus derrapam e a perseguição está de volta. Tem sido pelo menos, quinze minutos nesse inferno, e nós dois estamos com medo. Rainer mantém o ritmo quando ele se move rapidamente na estrada. Ele é inteligente, porque ele conseguiu sair do outro lado, nos levando de volta para a base da montanha onde as motos surgem. Como se a tempo, nós os vemos vindo em nossa direção. Um grupo enorme, maior do que o que estava na cabana. Eles pediram reforço. Rainer balança o carro ao redor, tentando não bater, e nós derrapamos em uma vala ao lado da estrada. As motos aceleram, passando por nós tão rapidamente que o som é ensurdecedor. Rainer para o carro, apertando a mão na minha cabeça, verificando se os sedans sumiram. — Eles estão atrás das motos. Basta ficar abaixada, Pip. Eu ergo minha cabeça e olho para fora. Rainer tem sangue em seu rosto. — Rainer,— eu suspiro, me aproximando. — Você está ferido. — Por causa do vidro quebrando, — diz ele. Eu puxo minha mão para trás, assim quando eu ouço o zumbido de motos. Eu estreito meus olhos, me virando para olhar para fora da parte de trás do carro. Três motos param no topo da vala e o medo se apodera do meu peito quando eu percebo que eles não são qualquer um ~ 190 ~


dos meninos de Maddox. Estávamos de olho em sedans, e fazendo isso nós esquecemos sobre as motos que estavam nos perseguindo através das árvores. — Rainer, — eu grito. Ele se vira e cospe uma maldição, tentando alcançar sua chave. Ele não consegue. Um dos rapazes levanta uma arma e puxa o gatilho. Ela passa direto através da costela de Rainer e até mesmo meus gritos podem ser ouvidos sobre o tiro ensurdecedor. Rainer cai para frente, o sangue jorrando de seu peito. — Rainer, — eu grito, lutando para chegar até ele. — Rainer! Seu corpo treme e eu não sei se ele está vivo ou se está morto. Sua cabeça está no volante e eu não posso ver se ele está respirando. Pânico incha no meu peito e me viro bem a tempo de ver um homem na minha porta. Ele abre e se aproxima, me puxando para fora, sem aviso prévio. Ele me joga no chão e eu me apresso para frente, apontando para as árvores. — Dê mais um passo, menina, e eu vou estourar seus miolos para fora. Eu paro de me mover e giro lentamente para ver os três homens de pé, armas destinadas a mim. — Quem é você? Minta e você vai ter uma bala. Abro a boca e guincho. — Pippa. — E você é uma old lady, Pippa? Eu balanço minha cabeça, meu peito inchando. — O que você é para o clube? Oh, Deus. Ah não. — Eu... Eu sou apenas a irmã de uma old lady. Tento fazer isso soar como um aspecto desagradável tanto quanto eu posso, esperando que isso seja suficiente, e então oro para que eles não vão me matar. — Qual?

~ 191 ~


Eu engulo e balanço a cabeça. O homem sacode sua arma. — Eu vou caralho colocar balas em você até você responder. Agora, responda, — ele ruge. — Santana. O homem à esquerda sorri grande. — A old lady de Maddox. — Por favor, — eu sussurro. — Pegue ela. Ela é exatamente o que precisamos. Eu me apresso para trás quando os homens descem, plenamente conscientes de que eles vão me levar. Eu não quero ser levada novamente. Eu não posso. Eu não quero essa vida. Até eu sei que seja lá o que eles planejam fazer comigo seria muito pior do que qualquer coisa que eu suportei com Artreau. O maior dos três homens dá um passo para frente, então de repente um grito alto soa. Minha cabeça gira ao redor e vejo Tyke tropeçar e descer o morro. Eu já posso ver que ele está com dor. Poderia ser por causa do estado frenético que ele está, mas de qualquer forma ele não está funcionando direito. Isso não o detém. Ele atira contra o homem mais próximo, e os dois começam a brigar. Eu grito, apavorada. Estes três homens têm armas. Tyke vai morrer. — Tyke!— eu grito, e um dos homens olha para mim, um sorriso no rosto. Eu acabei de me delatar. — Que bom que o aleijado se juntou a nós. — um dos homens ri, batendo a arma contra sua testa. Tyke e o homem que ele derrubou ainda estão lutando. Tyke fica furioso, o rosto contorcido de raiva. O homem está batendo a arma no rosto de Tyke, mas isso não está parando ele. Ele é como um animal solto, selvagem e louco. Eles lutam e lutam, sangue é derramado, eu não posso parar as lágrimas que caem pelo meu rosto enquanto eu assisto, impotente. — Chega! — alguém grita finalmente. O homem lutando com Tyke aponta sua arma e me engasgo, gritando. — Não, não, por favor. O homem que eu já indexei como o líder deste grupo olha para mim. — Não me diga que o aleijado é de interesse para você? ~ 192 ~


Eu não digo nada, mas ele deve ver isso na minha cara. Ele ri. — Bem, bem, isso está ficando melhor e melhor a cada minuto. — Matar ele, chefe? — pergunta o homem segurando a arma em direção Tyke. — Não, por favor, não, — eu grito, com a voz trêmula. Tyke olha de súbito para mim. — Pippa, não fale. Não dê nada a eles. — Cale a boca!— o líder ruge. Tyke olha pra ele, cuspindo sangue. Ele ainda está no chão, e eu posso ver a dor intermitente através de seus olhos. O líder do grupo olha para mim, então de volta para Tyke, e sorri. — Não, deixe ele aqui. Deixe eles saberem que tipo de jogo estamos jogando. Eu quero que ele sofra um pouco mais sabendo que temos sua mulher. Me viro, sem pensar e corro. Eu corro em direção às árvores, desesperada para fugir. Eu não vou ficar. Eu não vou deixar isso acontecer novamente. De novo não. Eu estou farta de ser escrava de alguém, ou pior, o seu brinquedo sexual. Não. De jeito nenhum. Ouço Tyke gritar e, em seguida, um conjunto rígido de braços enrolam ao redor da minha cintura, me puxando para trás. Eu luto. Eu chuto e grito, torço e viro, até que o homem pressiona a arma na minha cabeça. — Pare, ou eu vou te matar na frente dele. Eu paro imediatamente, caindo para baixo. Eu ergo minha cabeça e olho sobre Tyke, que ainda está no chão, ajoelhado, sangue escorrendo de sua boca. — Leve ela daqui. — Não, — Tyke ruge, se empurrando para a frente. Ele fica de pé, mas suas pernas cedem. Elas finalmente tiveram o suficiente. Ele tomba de volta para baixo e os três homens dão gargalhadas. — Um motoqueiro, sim certo. — o líder ri. — Ele é tão patético que eu não posso nem olhar para ele. ~ 193 ~


— Tyke, — eu grito, me contorcendo novamente. Ele olha para mim e há algo quebrado em seu rosto. Ele não pode me ajudar; suas pernas não vão permitir que ele me ajude. Meu lábio inferior treme quando eu seguro seus olhos, e alguma coisa quebra dentro dele. Eu vejo isso em suas profundidades marrons. — Leve ela para o carro. — Não, — Tyke ruge, puxando seu corpo para frente. — Não, você não vai levá-la. Me leve. Não ela. O líder ri. — Isso não seria tão divertido. Eles começam a me arrastar para longe e eu começo a lutar novamente. — Tyke, — eu grito. — Tyke, por favor. — Pippa, — ele grita, se levantando. Ele dá dois passos antes que ele entra em colapso. Eu presto atenção no horror quando ele começa a puxar a si mesmo ao longo do chão, rasgando sua pele. Há um desespero em seu rosto, eu só vi uma vez antes. Na casa dos escravos. Eu grito por ele mais e mais, e ele grita meu nome, tentando se levantar, mas ele está muito machucado e continua caindo de volta para baixo. Os homens me arrastam para suas motos e eu olho para o homem que eu amo deitado no chão, seus dedos sangrando, enquanto ele tenta se aproximar de mim. E eu sei, apenas sei. Isso vai quebrar ele.

~ 194 ~


Capítulo vinte e quatro PRESENTE

PIPPA Eu não sei onde eles estão me levando. Eles apenas me jogam na parte de trás da moto, amarrando minhas mãos em torno do estômago do líder, e então nós estamos acelerando para longe dos dois homens mais importantes da minha vida. Eu penso sobre Rainer naquele carro, e as lágrimas irrompem. Ele está vivo? Será que ele vai sobreviver se alguém o encontrar? Tyke vai sobreviver? O próprio pensamento envia agonia diretamente através do meu coração, e eu tenho que morder o lábio para não chorar. Eu não posso perder as duas pessoas que significam muito para mim, tudo por causa de uma briga estúpida. Se eu não tivesse ido embora, isso nunca teria acontecido. É tudo culpa minha, se eles morrerem eu nunca vou me perdoar. As motos param cerca de uma hora na estrada, onde duas SUVs enormes estão esperando. O líder me desamarra e, em seguida, me empurra para fora da moto, me empurrando em direção ao carro. Eu mantenho a minha boca fechada, eu aprendi muito no meu tempo como um escrava e uma dessas coisas é que chorar e rastejar não fará nada. Se eles têm você, eles têm você. A melhor coisa que você pode fazer é sentar e esperar. Rezo para que Maddox vá me encontrar, e que os meninos vão chegar até mim. Eu agarro essa esperança quando eu sou algemada e amordaçada na parte de trás da grande SUV preta. Lágrimas picam meus olhos, mas eu os forço de volta, não querendo mostrar qualquer tipo de fraqueza. Eu rolo para o meu lado e enrolo em uma bola quando a porta é batida.

~ 195 ~


Então, nós estamos nos movendo e eu estou sendo levada cada vez mais longe da minha família, e mais perto de todo o horror que me espera. Eu fecho meus olhos o tempo todo que o carro se move, não fazendo nenhum som. Quando se desacelera e depois para, eu abro meus olhos e não vejo nada além de escuridão. Vozes viajam para o espaço tranquilo. O som de homens discutindo. Eles estão discutindo sobre mim? Eles estão decidindo o que fazer comigo? E se eles decidirem que eu não sou um bom plano depois de tudo, e me descartar como se eu fosse mais do que lixo? Meu coração começa a travar quando a porta de trás do carro é aberta e um homem que eu nunca vi antes olha fixamente para mim. — Isso é tudo que você tem? O homem que eu pensei que era o líder desvia o olhar timidamente. — Ela é importante para eles. Realmente importante. O homem que me estuda me lembra Artreau, e isso me assusta. Sua altura e estrutura enxuta pode não assustar a maioria das pessoas, mas isso me aterroriza. Eu encolho em mim mesma quando ele avança e me puxa para fora, me forçando levantar. — É melhor ela ser importante para eles. Ele me empurra em direção a um enorme clube. Eu pisco algumas vezes, confusa. Por que diabos eles iriam me levar a um clube? É uma casa noturna, pelo que parece. Não há ninguém em volta, porque não é totalmente noite ainda, mas é sem dúvida um lugar para dançar e beber. Eu olho para a placa prata piscando que me informa que é chamado de House Of Obsidian. Em outras palavras, House Of Black. Se encaixa. O clube parece bastante moderno quando nos aproximamos mais, e eu vejo as grandes portas de vaivém de prata que se abrem para um grande deck coberto de mesas e cadeiras. Eu sou puxada e vejo um grande clube que é todo equipado com preto e prata. É escuro e perigoso, mesmo que não haja ninguém aqui dentro. As cadeiras estão todas empilhadas sobre as mesas e o bar elegante e preto está vazio. Há cabines pretas nos cantos, grande o suficiente para caber oito pessoas. O piso é de um elegante prata e preto e há um enorme palco. É um clube de classe alta, sem dúvida. Eu me pergunto por que diabos eles me trouxeram aqui. ~ 196 ~


Então eles me levam além do bar e em um recanto tranquilo. Alguém se abaixa até o chão e levanta uma enorme porta. Como um porão, eu suponho. A luz se acende e, em seguida, o homem me segurando me empurra em direção a ela. Ele espera, ele quer que eu vá lá. Eu ando, apavorada. Em um clube é uma coisa, mas debaixo de um clube é outra. — Se mova,menina, ou eu vou fazer você se mover, — o homem assobia no meu ouvido. Ele me empurra para frente, em vez de entrar na enorme escadaria que leva ao subsolo, eu tropeço para baixo dela. Eu bato no primeiro degrau com as mãos algemadas e grito de agonia enquanto meu corpo é jogado para baixo. Eu rolo, viro e bato cada parte de mim, até que eu bato no fundo com um baque. O sangue escorre de meu lábio e mais uma vez eu luto contra as lágrimas nos meus olhos. Então eu levanto minha cabeça e meus olhos se arregalaram em choque com o que vejo. Eu li histórias suficientes, vi filmes suficientes para saber o que é isso. Um ringue de combate está situado no meio do espaço enorme. É azul e branco, e tão grande que eu tenho que piscar algumas vezes para realmente entender. Há um espaço enorme que está ao redor dele, mas fora isso, não há mais nada aqui. — Max não vai ficar feliz com você trazendo esta menina aqui , — diz alguém na escuridão. Alguém se inclina e me levanta e então eu estou sendo arrastada novamente. — Max me deve, — diz o homem alto. — Ele vai entender. Eles me levam para um quarto e abro a porta. É um vestiário. Eu sou arrastada pra lá e, em seguida, puxada para um pequeno espaço à direita na parte de trás que se parece como uma espécie de armário de armazenamento. — Você vai colocar ela na porra do armário? — alguém bufa. — É a única porta que trava na parte externa que eu sei que ela não pode sair. O homem me joga para o espaço e eu desmorono para o chão. Ele olha para mim, me estudando. — Coisa bonita, não é? Nós ainda podemos ter utilidade para você.

~ 197 ~


Em seguida, ele bate a porta, e meu mundo se desvanece novamente na escuridão.

~*~*~*~

Me sento no armário entre luvas, vassouras, sacos de pancada e pesos pelo que parecem horas. Está frio aqui, e eu estou tremendo, apavorada. Eu não posso parar de pensar sobre o lugar em que estou. É um horror, e até mesmo através do meu terror eu posso ver isso. Eu sei que há muita luta ilegal por aí, mas este clube, parece... chique. Eu me mexo até que eu encontro um lugar confortável contra uma pilha de toalhas, eu abro uma sobre mim mesma para me aquecer. Eu não sei o que eles vão fazer comigo; eu nem sei quem são. Tudo o que sei é o que Santana me disse, e é que eles estão no mundo das drogas. O quanto eles são ruins, eu não sei. Eles são membros de um cartel? Ou pior? Eu tento empurrar minha mente para longe disso, quando o armário fica mais e mais escuro. A noite cai e os sons da música batendo vêm do clube acima. Gostaria de saber se todas as pessoas lá sabem que há uma garota sequestrada no subsolo. Eles se importariam se eles soubessem? Meu coração dói só de pensar. Que tipo de pessoas eu estou lidando? Onde isso vai me deixar? Meus pensamentos são agitados de volta para as profundezas de meu cérebro quando eu ouço vozes entrando no andar de baixo da arena. Eu prendo a respiração quando os sons de gritos através das vozes se tornam mais claros. Alguém está gritando, e quem quer que seja, está com raiva. Ele tem uma voz diferente de todas que eu ouvi antes. É grossa, ligeiramente acentuada, e tão rouca que é como se ele estivesse lendo um livro adulto. Antes que eu possa processar mais, a porta do armário se abre e eu estou olhando para o homem mais assustador que eu já conheci na minha vida. Ele faz Maddox parecer com um cachorrinho em comparação. Não é que ele é maior, ou mais amplo, são esses olhos. Preto como o carvão, e tão vazio e aterrorizante. Seu rosto é bonito, mais que isso, embora seja considerável no tipo perigoso. Ele tem cicatrizes em suas maçãs do rosto, e um nariz um pouco torto, claramente de ter lutado em sua vida, em algum momento, talvez ~ 198 ~


recentemente. Cílios grossos enquadram seus olhos e sua boca, embora esteja em uma linha apertada. Sua mandíbula é muscular, assim como o resto de seu corpo. Seu cabelo é cortado curto, perto de sua cabeça, talvez alguns centímetros longo e bagunçado. Faz com que ele pareça ainda mais aterrorizante. Seu corpo é grande e musculoso, especialmente os ombros. Ele tem tatuagens aparecendo pelas mangas da camisa e para baixo em seus braços, torcendo furiosamente até que atingem suas mãos. Aterrorizante. — Você coloca uma menina que parece que tem dez anos na porra do meu armário? — ele ruge tão alto que me faz estremecer. — Você me deve, Maximus. Eu estou fazendo uso desse favor. Ela não estará aqui por muito tempo. — Eu não quero merda com os meninos do Joker‘s Wrath, isso é exatamente o que você está fazendo-trazendo merda. Ele olha para o homem magro tão duramente que ele recua. — Eles nunca vão saber que ela está aqui. Nós estamos apenas deixando ela aqui até que possamos garantir outro local e— Você conhece a porra desse clube? — Max ruge. — Sim mas... — Então você sabe que eles são perigosos, caralho. — Eu vou sumir com ela antes de surgir quaisquer problemas. — O caralho que você vai. Eu posso te dever um favor, Harold, mas você não vem aqui e pega o que quiser. Então, esse é o seu nome. Harold. — Sim, eu entendo você. Eu só estou segurando ela até que eu possa levá-la para Ingro. Ingro? Quem diabos é Ingro? Os olhos de Max piscam. — Você está levando esta menina para o maior traficante deste lado da fronteira? Harold sorri. — Ele tem um problema com o clube Joker‘s Wrath. Eles causaram grandes problemas em sua mais recente visita – mataram o irmão dele. ~ 199 ~


Então, o irmão de Ingro era o líder dessa organização. Pelo menos, é isso que eu entendi do que Maddox disse a Santana, combinado com o que eu estou ouvindo agora. — Não me diga? — Max diz, então seus olhos firmam em mim. — O que você é para que clube? — Nada, — eu sussurro. Ele estuda o meu rosto. Eu olho para longe, e a partir deste ângulo, eu avisto uma tatuagem no seu bíceps superior. Eu estreito meus olhos e suspiro quando eu leio a palavra Anabelle. De repente, isso me bate forte, e eu não posso acreditar que eu não descobri isso antes. Ela me disse que o nome de seu marido é Max. Ela me disse que ele é um lutador, ou dirige um clube de luta, pelo menos. Este homem, este homem terrível, é o homem que quebrou seu coração. — Você é marido de Belle, — eu respiro, e depois recuo quando eu percebo que disse isso em voz alta. Os olhos de Max atiram na minha cara, e algo passa sobre sua expressão que me faz encolher para dentro de mim. — O que você disse? — ele pergunta. — Nada, eu apenas... — Você disse que eu sou o marido de Belle. Como diabos você sabe disso? Oh, Deus. Eu sei que Belle não quer que ele saiba que ela está aqui, e eu sei que ele não sabe sobre Immy. Agora que eu vejo esse homem, eu posso ver porque essa menina fugiu. Eu preciso dizer algo para ajudar na situação. — Eu perguntei como diabos você sabe disso? — ele fole, e eu recuo. — Eu conhecia ela quando ela costumava viver aqui. Ele olha para minha cara, como se pudesse ler a minha mentira. — Engraçado. Eu nunca ouvi falar de você. — Eu não a conhecia bem. Seus olhos se estreitam. — Você conhece ela agora? — N... n... n...não. ~ 200 ~


Sua mandíbula aperta e ele se vira para Harold. Eu quase dou um suspiro de alívio. — Você tem 24 horas para ajeitar esta merda, Harold. Se você não fizer isso, eu vou. Eu não preciso de nenhum problema por aqui. Leve ela para Ingro, apenas tire ela daqui. Não. Não. — Por favor, — eu grito. — Não me leve. Max olha fixamente para mim, sua expressão dura. Então, como se ele não tivesse me ouvido, ele desaparece. Harold entra no espaço e sorri para mim. — Você vai amar o meu patrão. Eu sei que ele vai adorar você. Então, ele bate a porta novamente. E eu finalmente deixo as lágrimas caírem.

~ 201 ~


Capítulo vinte e cinco PRESENTE

PIPPA Os sons de vozes e o rugido alto de aplausos me empurram do meu sono. Meus olhos se abrem e eu rapidamente me recomponho o suficiente para descobrir que estou pressionada contra as toalhas ainda. O chão treme, como se alguém estivesse batendo seus pés. Eu me esforço em uma posição sentada e me viro para o som aumentando. Deve haver uma luta acontecendo, essa é a única coisa que poderia explicar tal tumulto. Usando minhas mãos amarradas, eu embaralho para a frente e pressiono o ouvido na porta. Aplausos e rugidos, e o som da violência preenchem o espaço. Definitivamente uma luta. Minhas esperanças sobem ligeiramente. Se há uma luta, significa que há pessoas ao redor. Se eu gritar e bater os punhos na porta, talvez alguém vai ouvir e abrir. Meus peito treme e eu me aproximo, batendo meus punhos na porta. Eu grito bem alto, mais e mais. Nada acontece. Eu suponho que provavelmente há alguém vigiando a porta-certamente eles não seriam tão estúpidos a ponto de me deixar sozinha. Quem está lá está, obviamente, me ignora, não querendo chamar atenção. Há uma boa chance de que ninguém vai me ouvir. Eu continuo tentando de qualquer maneira, batendo até meus punhos se ferirem, gritando até que minha garganta esteja crua. Ninguém vem. Eu caio para trás em minhas toalhas, lutando contra um soluço. Eu não quero ser levada deste lugar, se eu fizer isso, há uma chance de que eu nunca vou ver minha família novamente. Eu penso sobre Tyke e Rainer, meu coração aperta com força. E se Maddox não os encontrar? Eu sou a única pessoa que sabe que eles estão lá. Deus, e se Tyke está preso, incapaz de andar naquela vala? Lágrimas queimam meus olhos e eu pisco elas para fora. ~ 202 ~


Então, como se alguém respondesse às minhas orações, a porta do armário se abre. Eu sou confrontada com duas meninas, ambas parecem prostitutas. As saias são tão pequenas que eu nem sei por que elas se preocuparam em usá-las, e suas camisas... elas não são mais do que tiras de material que cobrem seus mamilos e partes de seus seios. Ainda assim, elas são pessoas, e elas não são Harold e seus rapazes. — Que diabos? — a menina loira diz, estreitando os olhos. — Por que há uma garota no armário? — Eu não sei, — a morena lamenta. — Mas eu não acho que este é o lugar onde estamos destinadas a atender PJ. — Não, ele disse um armário. Deve ser coisa dele. Talvez ela seja parte disso. Jesus. — Eu não sou, — eu digo, me levantando rapidamente. — Me desculpe, eu estava no lugar errado. Eu passo por elas, e o lugar é absolutamente lotado. Certamente eles não teriam me deixado em um armário, no subsolo, onde alguém poderia apenas abrir a porta. Eu olho para a minha esquerda e vejo Harold sendo gritado por Max. Ele não está muito longe do armário, a apenas alguns metros, na verdade. Meu palpite é que ele foi chamado para lá uma fração de segundo atrás. Ele se vira e quando me vê, ele se move rapidamente. Eu também. Eu corro por entre a multidão, embora Harold ruge para alguém para me impedir. Meu coração corre quando eu empurro pela multidão suada e embriagada, torcendo pelos dois lutadores no ringue. Eu tropeço, eu fico presa, mas eu consigo me mover mais rápido do que Harold. Quando eu alcanço as escadas, eu corro até elas tão rápido que eu tropeço sobre a parte superior. Eu me apresso para fora, me levantando. — Ei! Eu me viro ao redor para ver os três homens que me capturaram. Eu não espero para ver o que eles estão fazendo. Eu corro para a porta e saio para o clube. Agradeço a minha estrela da sorte que está lotado, porque eu rapidamente escorrego entre as pessoas. Eu sou pequena e as pessoas se movem instantaneamente quando olham para mim. Me ~ 203 ~


direciono para as portas dianteiras. Eu atinjo elas com facilidade e empurro por elas, correndo fora para a noite. Eu olho para a minha esquerda, em seguida, à minha direita. À minha esquerda há uma massa de pessoas fazendo fila para entrar. Centenas delas. À minha direita está um estacionamento enorme, com as luzes dos carros em toda parte. Em frente é a estrada. Eu não sei qual é a minha melhor escolha, mas eu tomo a direita. Eu corro para o estacionamento e até ao canto esquerdo, encontro um carro baixo. Eu descido deslizar por baixo dele quando ouço gritaria da frente do clube. — Se separem. Ela não pode ter ido muito longe. Eu empurro mais longe debaixo do carro, raspando meus joelhos e os cotovelos enquanto eu deslizo o mais longe que eu posso eventualmente ir. Eu prendo a respiração e fecho os olhos, o meu coração batendo tão forte que dói. Eu ouço gritos, vendo lanternas sendo arrastadas ao redor, e depois o som de botas quando elas correm para cima e para baixo do estacionamento. À medida que se aproximam, eu começo a entrar em pânico. Se eles estão verificando sob os carros, eu estou ferrada. — Ela não veio por aqui. — eu ouvi o que soa como Harold gritar. — Ela correu para a porra da estrada. — Você não viu isso, — alguém grita. — Ela poderia estar aqui. — Ela não está! — Ela está provavelmente sob um destes carros. Meu coração gagueja a uma parada abrupta e eu começo a entrar em pânico, imaginando o que eu posso fazer para sair antes que eles me vejam. — Ela não é tão estúpida. Ela não está aqui. Vamos lá. Eu respiro um suspiro de alívio quando eles correm em direção à estrada. Eu ainda estou parada enquanto eu escuto, depois de cerca de meia hora, eu não posso mais ouvir nada. Eu arrisco deslizar de volta para fora, e espreito por cima do carro. Ainda há pessoas que passeiam ao redor da entrada, mas por outro lado parece que já passou. Não posso arriscar apenas andar por aí. Eu olho ao meu redor. Há uma cerca em torno do estacionamento, e do outro lado parece que há árvores. Se eu pudesse pular isso... Eu não posso. ~ 204 ~


Minhas mãos estão amarradas. Não há nenhuma maneira que eu possa subir essa cerca. — Meu carro está lá. O som de uma voz de mulher me empurra de volta à realidade, e me viro para ver duas jovens andando para seus carros. É um risco, mas é um risco que estou disposta a correr. Eu saio e tento não agir apavorada como eu sou. Elas param quando me veem, e os seus olhos vão instantaneamente aos meus punhos. — Oi, — eu digo no melhor voz ocasional que posso encontrar. — Eu sei que isso parece estranho, mas o meu namorado e eu... Nós estávamos... vocês não precisam saber o que estávamos fazendo. De qualquer forma, ele ficou com raiva de mim e me deixou aqui desse jeito. Alguma de vocês tem um telefone que eu poderia usar para ligar para um amigo? — Seu namorado te deixou algemada do lado de fora de um clube? — a garota de cabelos vermelhos pergunta, franzindo o rosto. — Eu nunca disse que ele era um bom namorado. — Não, ele soa como um idiota. Aqui, você pode usar o meu telefone. Ela pega o telefone e dá para mim. Eu deixo meus olhos digitalizarem ao redor do estacionamento antes de digitar o número de Santana, que é o único número que eu sei de cor. — Olá? — ela atende, a voz baixa e quebrada. — Tana, — eu digo, tentando manter minha voz firme. — Sou eu. — Pippa! — ela grita. — Oh Deus, Pippa onde está você? — Escute, eu não posso falar muito, este não é o meu telefone. Estou na House Of Obsidian. Diga a Maddox. Eu não posso dizer muito mais porque as meninas estão me olhando com os olhos apertados. — É perigoso, Pip? — Eu não sei, há um monte de gente aqui. Por favor, venha me pegar. Então eu desligo, não querendo dizer mais nada. Eu entrego o telefone de volta para a menina. — Obrigada. ~ 205 ~


Ela balança a cabeça, e elas desaparecem em seu carro. Quando elas saem, eu encontro um pequeno buraco e me sento ao lado de um carro prata elegante e espero. Espero por Deus que não apenas coloquei todos em uma enorme armadilha. Se isso acontecer, eu estou colocando eles em risco adicional e algo ruim vai acontecer. Estou tão em profundo pensamento que não vejo o casal que aparece da escuridão. Eu ouço uma risadinha, e em seguida, levanto os olhos para ver Max e uma jovem loura. Ela tem as mãos sobre ele e ele está encostado a uma caminhonete negra maciça, os braços cruzados sobre o peito. Eu fujo para trás, rezando para que ele não vá me ver. Não posso me mover ou então ele vai. Em vez disso, eu observo. A menina, que é bastante vadia pela aparência das coisas, está passando as mãos sobre os braços maciços de Max, sorrindo para ele com claro convite. Ele não está tocando nela; ele está apenas olhando para ela. — Por que você me trouxe aqui, Kayla? — Você não me ligou de volta após a outra noite. Ele resmunga. — Não quis. Deus, que idiota. — Mas, — ela geme, seu rosto caindo, — nós nos divertimos. — Nós fodemos, Kayla. Isso não faz disso mais do que diversão. Meu coração se afunda. Max está dormindo com outras mulheres. Quero dizer, é claro que ele está; ele não está com Anabelle mais. Ainda assim, meu coração dói por ela. Ela pode estar zangada com ele, mas ela ainda o ama. — Você não está sendo muito bom. — ela faz beicinho. — Olha, eu estou ocupado. Se você não tem nada para compartilhar, então, saia. Ela se vira com uma bufada e seus olhos caem diretamente sobre mim. — Por que há uma menina sentada ao lado do carro? Os olhos de Max piscam para mim e eu paro de respirar. — Saia, — ele ordena a Kayla. — Mas Max... — Saia, — ele late. ~ 206 ~


Ela franze a testa e vai embora de cabeça erguida. Quando ela se foi, Max caminha em minha direção. Eu não tenho nenhuma maneira de sair. Eu não posso ir para trás por causa da cerca, e eu não posso ir para frente, porque ele está cobrindo a minha saída. — Você está causando uma série de problemas lá. — Eu sei, — eu digo, minha voz trêmula. — Causando problemas no meu clube? Eu não gosto disso. Ele cruza os braços grandes. — Eu não pedi para ser sequestrada, Max. Ele me estuda. — Você deveria ter corrido quando você teve a chance. Sentar aqui não está ajudando o seu caso. — Eu liguei para Maddox. Max se encolhe. — Eu disse que não queria nenhuma merda no meu clube. — Mas você me permite ser trancada em seu armário? Sua mandíbula endurece. — Olha, menina, eu não quero ter nada a ver com você ou eles, ou o que eles estão fazendo. Ligue para o seu clube de volta; diga a eles para voltar. — Eu não posso. Eu não tenho um telefone. — Como você ligou para eles, então? — ele rosna. — Peguei um emprestado. Ele puxa um do seu bolso traseiro. — Ligue para eles. Ele empurra para mim e eu estico, pegando com ambas as mãos. — Não. Eu não vou voltar para lá. Eu não quero essa vida novamente. Eu não vou fazer isso. Prefiro morrer. Suas sobrancelhas sobem. — Você não quer essa vida de novo? Eu olho para longe. — Olha, eu não gosto particularmente de Ingro e seus capangas fodidos, então eu vou fazer um acordo. Vou te levar até Maddox se você me disser o que você sabe sobre a minha esposa. Eu estremeço. — Eu não sei nada sobre ela. ~ 207 ~


— Você está mentindo, — ele resmunga. — Acho que isso significa que você está ficando aqui. Eu suspiro e me levanto. — Tudo bem, se você me levar de volta, eu vou te dizer o que eu sei sobre Belle. Ele balança a cabeça bruscamente, em seguida, aponta um dedo para o telefone. — Vá. — Não, eu vou ligar para eles quando eu chegar e não um segundo antes. Eu sou pequena, Max, mas eu não sou estúpida. Ele rosna e então se vira, sacudindo um dedo para a esquerda. — Meu carro. Entre. Ele soa como um homem das cavernas, grunhindo palavras para mim. Eu não discuto – eu caminho de forma rápida e subo em seu carro. Ele sobe um par de segundos mais tarde e liga o carro. — Se você não quer ser vista, melhor você colocar sua cabeça para baixo. Eu faço o que ele diz e coloco minha cabeça para baixo. Então eu oro.

~*~*~*~

Max mantém a sua palavra e me leva para o complexo. À meio caminho de lá, ele finalmente fala. — Me diga o que você sabe sobre Ana. Ana. Ela se chama Belle agora. Eu me pergunto se ele é a razão disso. Eu considero o que eu posso dizer a ele sobre ela. Eu não quero dizer a ele que ela vive aqui, porque não é para eu dizer, e eu não quero colocar ela ou Immy em perigo. Eu tenho que pensar em uma história, algo que irá funcionar. Eu penso em algo que vai funcionar e satisfazer ele. — O pai dela recentemente morreu. Ela teve que voltar para a cidade para o funeral. Eu a vi. Ele fica em silêncio por um minuto, em seguida, diz em tom triste, — Morreu? — Sim. ~ 208 ~


— Quando? Merda. — Eu realmente não estou certa. Eu te disse que não somos próximas. Eu só conheci ela por um tempo. — Quando ela estava na cidade? — Oh. Na semana passada, — eu digo com cuidado. Ele fica em silêncio novamente. — Ela está... bem? Oh. Deus. Max se preocupa com ela. Ele ainda se preocupa com ela. Eu posso ouvir isso em sua voz. Me viro e estudo seu rosto, e mesmo que ele não tenha expressão em suas belas características, seu corpo está apertado e ele está segurando o volante com força. — Ela está indo bem. — Ela está feliz? Eu dou de ombros. — Eu não tive tempo suficiente com ela, mas ela está lidando, Max. Isso é tudo o que eu poderia te dizer sobre a felicidade dela. — Ela está... — sua voz se transforma em pedra. — Namorando? — Não. Ela não está. Pelo menos, não que eu saiba. Ele balança a cabeça bruscamente. — Isso é tudo que você quer perguntar? — Não, mas as coisas que eu quero saber você não será capaz de responder. Eu engulo e o estudo e então eu digo baixinho, — Por que você a tratou tão mal, se você obviamente se importa com ela? Ele recua. — Nunca finja saber algo sobre mim. Depois disso, ele não diz nada mais e eu não empurro. Não é da minha conta.

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Capítulo vinte e seis PRESENTE

PIPPA No minuto que ele chega ao complexo do Joker‘s, as portas se abrem e motoqueiros vêm acumulando do lado de fora. Max olha para eles, e, em seguida, murmura, — O fodido Ingro não tem ideia do que ele está mexendo. Não, ele não faz. Me viro para Max e olho para ele. — Obrigada por me ajudar. Ele não diz nada; ele apenas olha para frente. Desço do carro e meus olhos digitalizam o lote por Tyke. Ele não está lá. Vejo todos os outros, mas não Tyke. Meu coração trava, mas eu não tenho a chance de dizer mais nada porque Santana se atire em mim, me puxando para seus braços. Eu não posso abraçá-la de volta, mas eu deixo o fluxo de lágrimas enquanto ela sussurra como se ela estivesse com medo. Então eu estou na frente de Maddox, suas grandes mãos sobre os meus ombros enquanto ele me estuda. Eu respiro um suspiro de alívio que eles ainda estão aqui e não prestes a atacar o clube de Max. — Quem você trouxe de volta? Me viro e olho para o carro desaparecendo na escuridão. — Ele não era ninguém. — Porra, Pip, — diz ele, com a voz tensa. — Você não tem ideia de como nós estávamos com medo. — Tyke, Rainer? — eu digo freneticamente. — Me diga que eles estão bem, Maddox. Maddox desvia o olhar e o meu lábio inferior treme. — Maddox? — Tyke está bem fisicamente, mas ele está em choque. Ele está sentado no quarto, olhando fixamente a merda da parede. Rainer está no hospital... ele está em coma induzido. Seus ferimentos eram ruins. ~ 210 ~


— Não, — eu sussurro, e Maddox se abaixa, acariciando uma lágrima do meu rosto. — Isso vai passar, você me ouve? Ele vai ficar bem. Vou te levar para ele assim que eu puder, mas agora Tyke precisa de você. Eu não disse a ele que está tudo bem. Eu não quis dar a ele esperança se algo desse errado. Eu levanto minhas mãos. — Você pode tirar isso? Ele balança a cabeça e estala os dedos, chamando Krypt. — Tragam alguma coisa para tirar isso. Krypt assente, me dando um sorriso caloroso. Em seguida, ele desaparece. Quando ele volta, Maddox remove as algemas de minhas mãos. Santana e Ash estão ao meu lado, me segurando com força. — Vá para Tyke, mas quando você está feito, temos que esclarecer isso e falar com você sobre o que aconteceu, Pip , — diz Maddox. Concordo com a cabeça suavemente, e passo por todos eles e entro na casa. Com as pernas trêmulas, eu passo pelos corredores para o quarto de Tyke. Eu não sei o que eu vou dizer a ele, mas eu sei que ele precisa de mim. Agora mais do que nunca. Eu alcanço a porta e lentamente empurro a alça, então eu entro. Tyke está sentado na beira da cama, olhando para a janela, com o corpo ainda alarmante. — Tyke, — eu sussurro. Ele não se move. Engolindo as lágrimas, eu ando até ele. — Tyke, querido, eu estou aqui. Nada ainda. Ele está em choque mesmo. Ele se quebrou. Suas pernas ainda estão machucadas e os nós dos dedos estão vermelhos. Na verdade, eu iria tão longe como dizer que ele ainda está com as mesmas roupas que ele tinha durante a luta. Estendo a mão para seu ombro, coloco a mão lá. Ele não vacila. Meu coração se parte, e a água de meus olhos explode quando emoção finalmente toma conta de mim. Subo na cama atrás de Tyke e envolvo meus braços ao redor de seus ombros. — Eu estou aqui, — eu digo entre as minhas lágrimas. — Eu estou aqui, Tyke, e eu nunca vou deixar você de novo. Nunca te deixarei. Sinto muito. Eu estou aqui. ~ 211 ~


Eu beijo seu ombro, então seu pescoço, e continuo sussurrando para ele. — Volte para mim, querido. Estou aqui. Eu não vou a lugar nenhum. Eu te amo, Tyke. Eu te amo tanto. Sua mão se movimenta, se levantando e tomando conta do meu pulso. Eu acho que ele vai me puxar para mais perto, mas ao invés disso, ele me empurra e se levanta, caminhando até a janela. Ele aperta as mãos contra o vidro e geme. — Você precisa ir embora. Ir? Não. — Tyke, não. Eu não vou sair, — eu digo, de pé e me aproximando. — Saia, Pippa. — Não, — eu choro. — Você quer me afastar, mas eu não vou deixar você. Ele está surtando. Ele gira ao redor, me fazendo perder o equilíbrio e, em seguida, ele ruge em uma voz tão dura que eu vacilo, — Eu disse saia. Eu não sou bom para você. Não sou bom, caralho. Eu sou um aleijado. Um inválido. Eu não posso te ajudar. Não posso te salvar. Então, só me faça um favor, e saia. Ele ruge a última palavra tão alto que meu coração se divide em dois. Ele está tremendo, ele parece tão quebrado que rasga meu coração. Ele acha que falhou comigo. Ele acha que ele me deixou para baixo. Ele não fez. Ele nunca poderia me deixar para baixo. Ele não me decepcionou, ou me machucou. Ele lutou por mim com tudo o que tinha, mas ele não me decepcionou. Eu percebo que eu tenho uma escolha. Eu posso me impor e tirar tudo o que ele tem, ou eu posso correr chorando de volta para a minha família. É nesse momento que eu decido quem eu sou. Eu não sou mais a Pippa que encolhe para longe de confronto, ou a Pippa que tem medo de tudo. Eu cresci, mudei e me tornei uma mulher forte e digna. É hora de começar a mostrar isso. Então, eu me aproximo e entro no espaço de Tyke. Eu coloco a mão em seu peito e ele recua. — Você pode me afastar tanto quanto você quiser, Tyke, mas eu não vou. Eu não vou entrar nisso porque você é a única pessoa na minha vida que eu pude amar verdadeiramente. Você não fez nada para me deixar para baixo e você não falhou. Mesmo se você tivesse pernas perfeitas funcionando, você ~ 212 ~


acha que você teria sido capaz de me salvar e me levar embora quando esses três homens tinham armas? É preciso coragem para fazer o que você fez, e eu não vou deixar você fazer qualquer coisa menos. Ele recua e seus olhos se movem para os meus. — E se você acha que suas palavras podem me mandar embora depois do que eu passei apenas metade de um dia me preocupando se você ainda estava vivo, então você está muito errado. Eu estou aqui, Tyke. Em bons e maus momentos. Então você pode falar comigo, ou eu só vou sentar aqui e esperar até você falar. Me sento no final da cama e ele só olha para mim. Ele está confuso e um pouco chocado, a julgar pela expressão em seu rosto. — Eu deixei eles te levarem, — diz ele com uma voz rouca. — E? — E eu não pude detê-los. — Jesus, Tyke,— eu grito, jogando minhas mãos para cima. — Você estava sozinho. Você acha que qualquer um daqueles caras lá fora teriam sido capazes de deter três homens com armas? Ele olha para o lado, com o rosto apertado. — Você sabe que estou certa, — eu digo mais suave agora. — Você não está curado agora, mas isso não significa que você nunca será. — Eu não vou, — ele late, passando as mãos pelos cabelos. — Pare com isso, — eu grito. — Pare de sentir pena de si mesmo, Tyke. Você tem pernas ruins – isso é uma merda, mas isso não te torna menos de um homem. Isso não significa que você não vai ser normal de novo. Imagine se você não pudesse andar? Imagine isso. — Eu não conseguia nem andar, — ele grita, tão alto que meu ouvido dói. — Eu não podia correr. Eu não podia lutar. — Mas você montou, você correu, e você lutou. — E você foi levada porque eu falhei! — Não, — eu guincho. — Eu fui levada porque você estava confrontado com uma situação que nenhum homem poderia suportar. Jesus, Tyke. Você está ficando melhor a cada dia, mas você quer apenas estalar os dedos e fazer tudo ir embora. Não funciona assim. ~ 213 ~


— Eu não poderia cuidar da mulher que eu amo. O que acontece se tivermos filhos? O que então? — Você está pensando em alguma coisa que não tem nem mesmo acontecido, — eu choro. — Você está pensando sobre o futuro, e não agora. Suas pernas ainda não estão curadas, Tyke, mas estarão em breve. — Eu nunca vou ser normal. Você entende isso? — ele vomita para mim, puxando seus cabelos ruivos. — Não, eu não, porque eu não quero o normal. — eu me levanto e encontro seu rosto. — Eu nunca quis normal, porra. Eu te quero. Eu quero suas pernas. Eu quero a vida que você pode me dar, seja o que for. Eu quero continuar do jeito que você me faz sentir. Eu quero respirar você em cada dia do caralho. Eu não me importo sobre o que você é. Eu te amo, Tyke. Isso é tudo que eu quero; é tudo que eu sempre vou querer. Agora pare com isso, está me ouvindo? Pare. Ele olha para mim, a boca ligeiramente aberta. Eu nunca tinha xingado, nem perto disso, e eu certamente nunca falei com ele assim antes. — Você vai continuar sentindo pena de si mesmo? — eu sussurro, dando um passo mais perto. — Ou você vai me beijar? Ele pensa sobre isso por apenas um segundo, então ele avança e esmaga seus lábios nos meus. Ele me beija, duro. Ele me faz recuar para a parede mais próxima e me bate contra ele. Lembranças do que Santana me disse passam pela minha mente, e eu me lembro dela dizendo o quão incrível é a sensação de ser fodida contra uma parede. Eu arranco minha boca de Tyke e sussurro: — Me foda contra essa parede, Tyke. Ele olha para mim com olhos luxuriosos. — Qualquer coisa que você quiser, babe. Em seguida, seus lábios estão de volta nos meus e estamos rasgando roupas um do outro com um frenesi intenso. Minha camisa vai primeiro, depois minha bermuda. Tyke sai de calça jeans e rasga minha calcinha, então nós estamos moendo o corpo um do outro. Sua boca é quente contra a minha, sua mão está tateando agressivamente meu peito, e eu posso senti-lo pressionando entre as minhas pernas. Uma de suas mãos encontra o meu quadril e ele me agarra com força, apertando a pele lá.

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Eu suspiro e gemo, enredando os dedos em seus cabelos. Eu corro minhas unhas sobre seu couro cabeludo, coçando até que ele assobia. Com um silvo feroz, ele mergulha dentro de mim sem avisar. Eu grito seu nome e penduro em seus ombros, amando o quão incrível é a sensação de tê-lo deslizando dentro de mim, sem qualquer hesitação. Ele começa a empurrar os quadris, duro e rápido, conduzindo dentro e fora do meu corpo tão duro que nossa pele dá tapas juntos. — Oh, Deus, Tyke, — eu grito. — Porra, sim. Ele deixa cair a cabeça, tendo um dos meus mamilos em sua boca, chupando e lambendo até que nós dois estamos ofegante um contra o outro. Eu gemo seu nome, arqueando para trás até que minha cabeça bate na parede. Eu gozo antes de Tyke, duro e rápido. Ele rosna meu nome e murmura, — Goze outra vez. Vou fazer você gozar outra vez. Aperto seus ombros quando o inchaço entre as minhas pernas chama para mais e mais prazer. Ele me fode duro, profundo e longo, até que eu estou subindo novamente. Eu cavo minhas unhas em seus ombros e grito seu nome quando meu segundo orgasmo rola ao redor. Este é mais explosivo, mais poderoso, e tão real. Tyke me fode cada vez mais duro, batendo os nossos corpos contra a parede. — Goze comigo, — ele late. — Goze. Eu faço, explodindo uma segunda vez em torno dele. Ele deixa escapar uma respiração irregular e então empurra seu corpo dentro do meu. Estou tão excitada que eu posso sentir seu comprimento pulsar dentro do meu sexo. Eu adoro a forma como isso se sente. Eu adoro a forma como isso me faz sentir. Lentamente, Tyke recua e puxa para fora, me abaixando para os meus pés. Ele olha para mim, sua expressão suave. Ele se aproxima, correndo o polegar sobre meu lábio. — Me deixe dar banho em você, babe. Eu preciso de minhas mãos em você um pouco mais. Meu coração amolece, e eu o deixo me levar para o banheiro ligado ao quarto. Ele põe a cabeça primeiro, se certificando de que ninguém mais está usando, então ele me puxa. O chuveiro é pequeno, mas é grande o suficiente para os dois de nós, se colocarmos os nossos ~ 215 ~


braços ao redor um do outro. Tyke se vira, enfiando a mão para ver se está quente, então ele me puxa para dentro. Ele me puxa contra seu peito e me mantém lá enquanto a água quente corre sobre os nossos corpos. Meus joelhos e cotovelos queimam por me arrastar no cascalho, mas eu não reclamo. Eu só seguro isso, precisando sentir ele um pouco mais. — Eles te machucaram, pequena? — ele pergunta. — Não, Tyke. Seus ombros caem um pouco, com o alívio, eu acho. — Como é que você voltou? — Acredite ou não, eles me levavam a este clube e me puseram em um armário. Eles só amarraram minhas mãos. Eles têm esse estranho ringue de luta ilegal, e houve uma briga. Alguém deveria estar me observando, mas o proprietário, Max, o chamou para o lado. Estas duas meninas abriram o armário e eu corri para fora. Eles me perseguiram, é claro, mas eu sou tão pequena que eu teci através da multidão muito mais fácil do que eles. Eu fui até o estacionamento e deslizei debaixo de um carro. Quando eles foram embora, eu saí e Max me viu. Ele concordou em me levar para casa, ele não queria fazer parte disso. — Jesus. Então esse cara, Max, é dono do lugar? Concordo com a cabeça. — Por que ele deixou colocarem você lá, então? — Aparentemente, ele devia um favor a eles. Ele não estava feliz com isso, mas ele deixou. — Merda, — murmura Tyke. — Sim, — eu sussurro. — O que vai acontecer agora? Ele dá de ombros. — Não tenho certeza, eles perseguiram os principais carros e mataram todas as pessoas neles. Nós sabemos quem está assumindo agora, e vamos ter que lidar com isso, mas isso não é nada para você se preocupar. — Você pode se machucar. Claro que eu vou me preocupar, — eu sussurro. — Eu vou ficar bem. ~ 216 ~


Espero que ele esteja certo.

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Eu estou de pé ao lado da cama de Rainer. Tenho vindo aqui e fazendo isso nos últimos cinco dias. Ele acordou esta manhã, mas continua caindo em um sono profundo. Os médicos disseram que isso pode levar algum tempo, e que ele vai ficar sonolento durante algum tempo. Ele sabe que eu estou aqui, por isso estou apenas sentada ao lado dele, esperando. Os meninos do Joker‘s Wrath montaram para ―finalizar‖ as coisas com Ingro e suas drogas há três dias. Nenhum de nós ouvimos nada desde então. Quando eles montam, eles são silenciosos; é provavelmente para o melhor, quando eles precisam de toda a sua concentração. Nós não sabemos o plano, e nos disseram para ficarmos fora disso. Maddox deixou cinco homens para nos proteger, mas não acho que estamos em perigo, agora que Ingro sabe que eles estão vindo. Eu tento não pensar sobre o que poderia acontecer, tento não pensar sobre as possibilidades. Eles poderiam estar caminhando para uma armadilha, eles poderiam ser mortos no local. Qualquer coisa pode dar errado, mas Maddox e Tyke me garantiram que eles têm um plano sólido. Ouvi a palavra explosivos sendo usada e metralhadoras. Isso fez meu estômago torcer no medo. — Pippa? Eu empurro ao som de uma voz, e me viro para ver Belle em pé na porta. Ela sorri para mim e eu ofereço outro, deixando ela saber que está tudo bem entrar. Nós temos falado muito durante os últimos dias, e quando eu disse a ela sobre Max, ela aceitou bem o suficiente, embora eu tenha visto a agonia em seus olhos enquanto eu falava. O que aconteceu entre os dois foi o suficiente para quebrar seu coração em mil pedaços minúsculos. — Ei Belle, — eu digo. Ela tem dois sacos brancos em suas mãos. Ela levanta e sacode eles. — Eu pensei que você gostaria de algo para comer. Concordo com a cabeça fracamente. — Obrigada, gostaria sim.

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Ela caminha e toma uma cadeira, sentando ao meu lado. — Como está Rainer? Eu dou de ombros. — Ele ainda está dormindo. O médico disse que é normal. — Tenho certeza de que o corpo dele precisa apenas descansar, — ela me assegura. Eu retiro o sanduíche de presunto e dou uma pequena mordida. — Como você está? — eu pergunto a ela. Ela encolhe os ombros e olha para longe. — Belle, sei que não tive muita chance de falar sobre o que aconteceu com Max, mas você pode me dizer como você está se sentindo. Estou sempre aqui. Ela olha de volta para mim, com os olhos lacrimejando. — Eu não sei como me sinto, Pippa. Ele te ajudou, eu sou muito grata por isso, mas sabendo que ele está tão perto e o que ele está fazendo, faz meu coração jogar jogos selvagens com a minha cabeça. — Você quer vê-lo? — Eu não sei, — diz ela. — Eu honestamente não sei. — Você não tem que fazer uma escolha agora. Ele está lá, ele não vai a lugar nenhum. Se você quiser vê-lo, você pode. Se você não quiser, então você não terá que fazer. — Como ele parecia quando ele perguntou sobre mim? — Na verdade, — eu digo, olhando em seus olhos, — ele pareceu irritado, triste e confuso ao mesmo tempo. Ele não deu muita distância, mas quando ele perguntou se você estava saindo com alguém, eu vi um flash de arrependimento em seus olhos. — Você acha que ele ainda se preocupa comigo? Eu dou de ombros. — Eu não sei, Belle. Eu acho que ele lamenta tudo o que foi que ele fez, mas ele não me deixou ver muito além disso. Ela balança a cabeça. — É claro. Enfim, eu não vim aqui para roer informações. Eu só queria ver como você está. Você já ouviu de Tyke?

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Eu balancei minha cabeça, de repente perdendo o meu apetite. — Não, e eu estou apavorada. — Ele vai ficar bem, Pippa. Ele é um homem forte. — Pippa? O coaxar faz tanto Belle quanto eu girarmos ao redor. Rainer tem os olhos abertos e está olhando para mim, um sorriso fraco no rosto. Belle aperta meu braço. — Eu vou deixar você para ele. — então ela desaparece pela porta. Eu me levanto e chego para Rainer, pegando a sua grande mão na minha. — Ei, você, — eu sussurro, com lágrimas. — Ei você, — ele diz. — Há quanto tempo você está aqui? — Alguns dias. Suas sobrancelhas se estreitam. — Pip, você deveria estar descansando. Eu me aproximo e acaricio seu rosto. — Não quando você está aqui por minha causa. — Não, — ele sussurra, tomando minhas mãos e as puxando aos lábios. — Eu não estou aqui por causa de ninguém. Acontece, Pip. Não se culpe. — Eu sinto muito, Rainer... — eu olho para longe, enquanto as lágrimas deslizam pelo meu rosto. — Venha aqui, — diz ele, batendo no lado da cama. — Eu não posso, — eu coaxo. — Pippa, venha pra cá. Eu não quero que ele se esforce, então eu o deixo me puxar para a cama. Eu me dobro ao lado dele e ele me segura apertado. — Não se sinta mal por me pedir ajuda. Você precisava sair de lá e eu levei você. Você não poderia ter previsto que esses homens estariam esperando. Eu disse isso anos atrás, e eu vou te dizer novamente. Eu sempre vou te salvar, Pippa. Deus, eu o amo.

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Capítulo vinte e sete PRESENTE

PIPPA A chamada chega no meio da noite. Estou dormindo inquieta e assim, portanto, eu ouço o telefone no momento em que ele toca. Me aproximo e olho para baixo para a tela piscando. É Santana. Meu estômago cai. Isso não pode ser uma boa chamada. Sempre que uma chamada é recebida no meio da noite, nunca é bom. Eu atendo rapidamente e pressiono para o meu ouvido. — Tana? — Oh Pippa, — ela soluça. — Tana o que está acontecendo? — Krypt me chamou. Ele disse... ele disse... — Santana, — eu choro. — Por favor! — Ele disse que houve um acidente. Ele disse que quando eles emboscaram Ingro e seu grupo, as coisas correram mal. Houve uma explosão, não feita por eles, nem para eles. Ingro estava esperando alguns outros inimigos, também, pelo que parece. Os rapazes tinham acabado de se aproximar do complexo quando ele explodiu. Minhas mãos começam a tremer. — Santana... — A...a...a... alguns deles morreram. — Santana! — eu grito. — Tyke está vivo. Ele está ferido. Assim como Maddox, Mack, e cerca de quatro outros caras. Eles estão sendo transportados para o hospital agora. Ninguém sabe quão ruim é. Krypt disse... ele disse que foi horrível.

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— Não, — eu boto pra fora. — Ash e Jaylah estão uma bagunça, mas Ash está mais tranquila porque Krypt está apenas levemente ferido. Ela está vindo para nós para que possamos estar no hospital quando eles chegarem. — Eu estarei esperando. Eu desligo o telefone e sufoco as minhas lágrimas, enquanto eu corro para o meu armário e pego algumas roupas do dia. Então eu corro para o térreo e espero na porta. Eu nunca estive tão aterrorizada em toda a minha vida. O medo correndo em minhas veias é suficiente para trazer um ataque de pânico, mas eu luto contra isso. Quando ouço o som de um carro do lado de fora, eu corro. O momento que eu entro, Santana me puxa para seus braços. Choramos todo o caminho para o hospital; Jaylah se amontoa perto de nós também. Ash dirige, com o rosto sombrio. Quando chegamos, todas nós saímos juntas e corremos para dentro e diretamente para a recepção. — Estamos aqui com os homens que foram trazidos da explosão, — Santana diz desesperadamente. — Já chegaram? A enfermeira acena com a cabeça. — São da família? — Suas esposas, — Ash informa ela. — Por aqui. Nós seguimos a enfermeira por alguns corredores, e, em seguida, em outra ala. Nós não podemos ver qualquer um deles, mas quando nós dobramos a esquina, cerca de cinco motoqueiros estão sentados do lado de fora. Krypt é um deles. Ash grita e corre em direção a ele, se jogando em seus braços. Ele a segura, os olhos fechados, a boca apertada. Ele está sofrendo. Ele parece horrível, também. Sua pele está marcada com listras pretas e suas roupas estão rasgadas. Ele tem sangue em sua bochecha e em suas mãos. Eu não sei se é dele... ou de outra pessoa. Ele se afasta e olha para nós, e seu rosto pausa. Ele parece como se fosse chorar. Vindo de um motoqueiro duro, isso significa apenas uma coisa. É mau. Ele caminha, segurando a mão de Ash com força. Ele verifica todas as três de nós, então seus olhos se fixam em Jaylah. — Mack está ruim, Jay. Ele... Jaylah começa a tremer. — Por favor, Krypt. Me conte. — A perna dele... ficou tão mal, o médico... ele disse que tem que tirar. ~ 221 ~


Meus joelhos começam a oscilar. — Ele tem queimaduras de terceiro grau sobre a outra. É... ruim. Jaylah desaba no chão e Krypt permite Ash ir para que ele possa pegá-la em seus braços. Ela o agarra e chora tanto que não pode lutar para refrear suas lágrimas mais. Eu choro também. O mesmo acontece com Santana. O mesmo acontece com Ash. Nós todos estamos lá chorando. Outro motoqueiro, Grimm, vem e leva Jaylah, a segurando com força. Krypt olha para Tana. — Maddox estava em uma área diferente, e a explosão não bateu tão dura. Ele está ferido; ele teve um pedaço de entulho que bateu no estômago dele. Entrou parcialmente, mas o médico disse que não atingiu órgãos vitais. Ele está com queimaduras no pescoço, mas elas não são de terceiro grau. Ele também quebrou o braço quando ele foi lançado da moto, mas o médico disse que ele está bem. Tana acena com a cabeça, seu lábio inferior tremendo. Aperto a mão, a segurando firmemente quando Krypt se vira para mim. — Tyke estava com Maddox, também, como eu. Ele foi jogado de sua moto com a força da explosão. Ele estalou um dos ossos da perna e cortou seu braço o suficiente para exigir pelo menos vinte pontos. Do contrário, ele está bem. Ele está fazendo uma cirurgia na perna, no entanto. É uma bagunça. Não a perna. Qualquer coisa, mas não a sua perna. Concordo com a cabeça e sussurro: — E você, Krypt? Você está machucado? — Eu estava atrás de Maddox e Tyke, ainda mais para trás, mantendo um olhar atento. Recebi apenas um pouco de força. Mack estava com os outros caras, mais próximo do calor da explosão - é por isso que ele está tão gravemente ferido. Isso matou outros quatro homens que estavam ainda mais perto do que ele. Alguns estavam ainda mais para trás, de modo que todos se feriram. — C... c... c...como é que algo como isso aconteceu? Ele dá de ombros e chega para sua mulher, puxando ela para seu lado. — Não foi plantado por nós, ou para nós. Eles não iriam explodir seu próprio complexo como vingança. Alguém havia posto ali antes de chegarmos lá. Parece que eles têm mais que um inimigo. A boa notícia é ~ 222 ~


que havia um monte deles lá dentro. Isso limpou uma boa parte da operação deles. Concordo com a cabeça e me viro para Jaylah, que ainda está escondida nos braços de Grimm, parecendo completamente quebrada. Eu ando até ela e a puxo para mim. Santana se junta a nós, então Ash, e todos nós nos sentamos, esperando o destino de nossos homens. Rezando que eles passem por isso.

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Não há nada como a dor que é apresentado no fundo do seu peito enquanto você espera pela notícia de um ente querido. Você espera para ouvir se eles estão vivos ou mortos, você espera para ouvir se eles nunca vão voltar a andar, ou se eles nunca vão montar. Você espera para ouvir se o dano que foi feito é tão grave que eles nunca mais serão os mesmos novamente. Isso é o que estamos fazendo. Estamos esperando, orando, esperando. O médico sai cerca de doze horas depois de chegarmos ao hospital. Ele se aproxima de nós e todos nós nos levantamos. Seus olhos digitalizam sobre todos nós e, em seguida, ele pergunta: — Quem é a esposa de Miakoda? Jaylah levanta uma mão fraca. — Eu. O médico concorda. — Operamos seu marido. Infelizmente, nós tivemos que amputar sua perna direita, era uma bagunça. No entanto, ele deve fazer uma recuperação completa, e pode ter uma prótese montada. Vai ser desconfortável e uma longa jornada, mas eu tenho toda a fé que ele irá ficar bem. Sua outra perna foi severamente queimada - nós fizemos o melhor que pudermos, mas, infelizmente, haverá uma boa quantidade de cicatrizes. — Mas ele vai ficar bem? — ela sussurra. O médico concorda. — Sim, ele vai ficar bem. — Posso vê-lo? Ele balança a cabeça e acena para uma enfermeira. — Betty vai te levar.

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Quando Jaylah desaparece, o médico se vira para Santana. — Quem está com você? — Maddox. Ele balança a cabeça. — Maddox acaba de sair da cirurgia. Não houve danos graves a partir do objeto cravado, mas ele vai estar dolorido por algumas semanas. As queimaduras no pescoço não são muito ruins e deve curar bem. Ele tinha alguns cortes profundos que tivemos que costurar, e nós engessamos o braço quebrado, mas ele está bem. Você pode ir vê-lo. Outra enfermeira leva Santana para longe eo médico se vira para mim. — Você deve estar com Tyke? Concordo com a cabeça. — Sim. — Tyke teve uma boa dose de cirurgia em sua perna. O osso foi quebrado muito, mas parece que ele teve os ossos quebrados antes. — Sim, ele teve um acidente anos atrás, que esmagou suas pernas. O médico concorda. — Faz sentido. De qualquer forma, por causa disso vai demorar um pouco mais para reparar, mas quando seu osso curar, ele pode caminhar melhor do que antes porque realinhamos seus ossos danificados com mais firmeza. O corte no braço dele foi costurado e ele não tem nenhuma queimadura. Você pode ir vê-lo. Outra enfermeira chega e me apresso pelo corredor atrás dela, desesperada para ver Tyke. Ela me leva para uma sala e aponta para uma cama. Tyke está nela, seus olhos no teto. Sua perna está em uma tipoia e levantada ligeiramente, e seu braço está enfaixado. Ele tem alguns cortes e arranhões em seu rosto, mas do contrário, ele parece bem. Eu tomo um pequeno momento para agradecer a Deus por isso. Eu me aproximo e quando ele me ouve, ele se vira. — Pequena, — ele grasna. — Olá, — eu sussurro, descendo e pressionando minha testa à dele. — Você me assustou. Ele sorri fracamente. — Me assustou, também. — Você está com dor? Ele balança a cabeça. — Nah, eles me puseram em alguma medicação bastante sólida. ~ 224 ~


— Eu estava com tanto medo, — eu digo, e uma lágrima derrama para fora. — Venha aqui, baby, — ele murmura, me puxando para a cama. — Eu estou bem. — Você quebrou sua perna. — Sim, — ele murmura. — Deve ter sido destinado a ser, hein? — Tyke, não é engraçado. — Eu nunca disse que era, pequena. — Você poderia ter morrido. Ele me aperta. — Mas eu não morri. — Os outros caras estão bem, também. — Mack? — Ele perdeu uma perna, Tyke, — eu coaxo. Tyke fica em silêncio, então ele grita: — Porra! Eu o seguro enquanto ele joga fora sua raiva sobre o fato. — Isso não deveria ter acontecido, Pip. Foi um caso de estar no lugar errado na hora errada. Se tivéssemos ido uma hora mais tarde... nós não teríamos passado por isso. — Eu sinto muito, Tyke. Ele se vira e pressiona os lábios na minha cabeça. — Você não poderia ter feito nada sobre isso. — Não, mas eu ainda sinto muito. — Vai ser um longo caminho para Mack. Concordo com a cabeça. — Mas nós vamos estar lá para ele. Nós estaremos sempre lá para ele, — eu sussurro. Sempre. Porque você sempre salva as pessoas que você ama.

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Capítulo vinte e oito PRESENTE

PIPPA Um mês depois Mack está se sentando no complexo, olhando para todos nós observando ele. Sua perna está se curando bem, foi isso que os médicos disseram, e sua outra tem cicatrizesse se formando como é suposto. Mack não saiu do hospital sentindo pena de si mesmo, ele saiu determinado. Ele é apenas esse tipo de homem. Ele promete que ele vai andar novamente, e eu não tenho dúvida de que ele vai. Maddox se recuperou bem, e foi o primeiroa sair. Tyke ainda tem pinos em sua perna e foi forçado a voltar para a sua cadeira, mas ele está se recuperando, e cada dia que passa ele fica mais determinado para ter certeza que ele vai voltar a caminhar depois disso. Tivemos um funeral para os homens perdidos, e foi um dia triste, sombrio quando os colocamos para descansar. Agora estamos aqui, um mês depois, e todos olhando para Mack. É seu aniversário, e, aparentemente, ele não quer comemorar, mas em vez disso, ele prefere todos nós juntos. Especialmente quando Jaylah colocou um chapéu de festa em sua cabeça. Ele não está fugindo sem celebrar, e por isso bloqueamos sua cadeira e fizemos ele participar. Nós apenas cantamos feliz aniversário para ele, então ele nos disse que era ‗velho demais‘ para receber tal canção. Pobre Mack. Ele não faz bem com carinho do público. Estou sentada no colo do Tyke enquanto ele se senta em sua cadeira. Ele tem um braço firmemente em volta de mim, e eu não tenho nenhuma dúvida de que ele não está pensando em me deixar ir. Eu posso sentir sua ereção cutucando meu traseiro, e eu sei que ele está louco para fazer amor comigo. Eu não fiz nada com ele desde o acidente, e ele não está feliz com isso. — Pare de mexer no meu colo, Pippa, — ele rosna em meu ouvido. ~ 226 ~


— Você é o único me segurando aqui, — eu indico. — E você não está fazendo isso mais fácil. Me viro e olho para ele. — Tudo vai acabar logo. — Até parece, — diz ele, virando a cadeira elétrica e nos conduzindo ao fundo do corredor. — Isso vai ser agora. — Tyke!— eu protesto enquanto risos desaparecem atrás de nós. — Preciso sentir você, Pip. — Mas... — Nenhum mas . — Eu estou no meu período, Tyke. Isso não é uma mentira. Também não o impede. — Estive querendo experimentar essa boca doce por algum tempo agora. Nós vamos dar uma chance, sim? Minhas bochechas cora quando ele me puxa para dentro do quarto e fecha a porta. Eu escalo para fora de seu colo e olho para ele. Seus olhos estão com fome, e de repente o meu núcleo cerra com a necessidade. Eu estou toda dentro para tentar coisas novas, e eu tenho vontade de fazer isso com Tyke por meses agora. — Eu nunca fiz isso antes, — eu sussurro. — De joelhos, babe. Eu vou te guiar. Eu abaixo de joelhos na frente de sua cadeira e ele se desloca para que eu possa ficar entre as pernas. Em seguida, ele pega o seu cinto e abre antes de estalar os botões de cima da calça jeans e descer o zíper. Em seguida, ele alcança e libera seu comprimento grosso, duro. Ele se acaricia algumas vezes, gemendo, antes de olhar para mim. — Apenas chupe como se fosse um grande pirulito, babe. Um pirulito? Jesus. Eu coro e nervos vibram ao redor em minha barriga quando eu me aproximo e enrolo a minha mão em torno do comprimento quente. Então, hesitante eu sigo em frente. Eu coloco minha língua para fora primeiro, tocando a pele macia. É mais sedoso do que eu pensava. Eu ~ 227 ~


lentamente separo meus lábios e deslizo em minha boca. Ele é igualmente tão macio contra meus lábios quanto ele era na minha língua. Tyke geme e eu tremo nervosamente enquanto eu começo a chupar. — Porra, sim, — ele geme. — Sim. Eu faço o que ele pede, o chupando como um pirulito. Então ele pega a minha cabeça suavemente e se move para cima e para baixo ao mesmo tempo. — Assim, — diz ele com os dentes cerrados. Eu sigo suas instruções e chupo enquanto balanço minha cabeça para cima e para baixo. Meus lábios queimam nos cantos quando a minha boca se estende em torno de seu tamanho cada vez maior, mas eu adoro a forma como isso se sente. Eu adoro o gosto dele. Eu amo o som de seu gemido encima de mim. — Vou gozar rápido, — ele sibila. O que devo fazer quando isso acontece? Eu o chupo um pouco mais, me movendo um pouco mais rápido. Seus gemidos se tornam mais profundos e, de repente, ele está puxando o comprimento da minha boca e se acariciando furiosamente. Em seguida, ele explode. Fios brancos se atiram para fora e batem na palma da sua mão, e ele faz um som estrangulado. Mais e mais, ele bombeia a sua libertação para fora, e eu não posso tirar os olhos, fascinada. Quando ele termina, ele chega até a toalha pendurada na parte de trás da porta e a puxa, limpando sua mão. Eu saio dos meus joelhos e observo ele se limpar, então ele olha para mim com um sorriso diabólico no rosto. Ele vem em direção a mim e eu dou um passo atrás. Ele faz isso até que as costas das minhas pernas encontram a cama. Seu sorriso se torna maior e ele rosna, — Sua vez. Oh garoto.

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Epílogo Seis meses mais tarde Tyke e eu estamos no farol onde ele me ensinou a usar minha voz. Estamos sentados, comendo uma refeição que eu pedi. Eu saí da minha concha durante os últimos seis meses, e cada dia fica mais fácil e mais fácil. Tyke e eu moramos juntos agora, e eu passei meu contrato para Belle, assim ela e Immy poderiam ficar na casa. Eu as vejo quase todos os dias, e Belle se tornou uma boa amiga. O resto do clube está se recuperando bem após a explosão. Mack está se locomovendo bem em sua prótese e todas as suas queimaduras estão se curando bem. Tyke tirou os pinos e continuou com sua terapia física, até que ele foi capaz de caminhar confortavelmente novamente. Cada dia ele fica mais forte e mais forte, e sua dor fica cada vez menor. Ele disse que seja lá o que os médicos fizeram em sua perna, certamente ajudou. Todo mundo está feliz. Nós somos todos uma família novamente. Tyke me trouxe aqui hoje, porque ele queria fazer algo agradável. Tem sido uma loucura ultimamente, com o trabalho e morando juntos. Eu agarrei a oportunidade de passar algum tempo com ele. Ele me trouxe aqui, eu pensei que era super doce, considerando que foi onde tudo realmente começou entre nós. — Quer ir para um passeio? — pergunta ele, sorrindo para mim. — Sim, — eu gemo. — Meu estômago está tão cheio. Rindo, ele se levanta e estende a mão para mim. Eu me junto a ele e nós caminhamos até a praia e ao longo da areia. Ele nos pára no ponto onde nós paramos antes, quando eu tão estupidamente o beijei. Ele dá um passo na minha frente, e olha fixamente para baixo, um pequeno sorriso em seu rosto. — Você pode me beijar com segurança agora. ~ 229 ~


Eu bufo. — Você tem certeza disso? Ele ri, acariciando um dedo sobre a minha bochecha. — Com certeza. Eu me estico na ponta dos pés e pressiono meus lábios contra os dele. Ele me beija assim por um longo momento antes de puxar para trás e me virar, então ele está de pé atrás de mim com seus braços em volta da minha cintura, ambos de frente para o pôr do sol. — Você vê como isso é bonito? — ele sussurra em meu ouvido. Concordo com a cabeça. — Sim. — Isso é como você é linda para mim, pequena. Eu engulo e aperto as mãos. — As palavras nunca vão chegar perto de explicar o que você faz para o meu coração, mas eu vou tentar. Você veio para mim como um anjo quebrado, frágil e doce como o inferno. Com o tempo você saiu de seu escudo, e eu me apaixonei ainda mais por você. Agora, você é confiante e bonita, e todas as coisas que eu poderia querer, mas você sabe a melhor parte? Eu balanço minha cabeça, meu peito inchado com suas palavras. — Você ainda é meu anjo quebrado. Você sempre será meu anjo quebrado. Mas isso é bom, porque é o que faz de você tão bonita. Eu não quero que essas partes sejam totalmente concertadas, porque isso significa que você vai desaparecer. Deixo escapar um soluço e ele libera uma de suas mãos, chegando por trás dele. Ele se atrapalha por um segundo e, em seguida, traz a mão para trás, agarrando a minha esquerda. Ele puxa meu dedo anelar e desliza um diamante deslumbrante nele. Eu começo a chorar e tendo me virar, mas ele me segura lá. — Toda vez que você olhar para o pôr do sol, Pippa, eu quero que você pense em mim. Toda vez que você chorar, saiba que o meu ombro é sempre seu. Toda vez que você sentir alegria, espero que seja eu quem deu a você. Toda vez que você tentar juntar as peças, pensando que vai fazer você uma pessoa melhor, lembre o quanto eu amo essa parte quebrada de você. — Tyke, — eu digo com uma voz trêmula.

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— E quando você andar pelo corredor da igreja em minha direção, saiba que eu te amo com cada parte do meu coração, corpo e alma. Eu me viro para ele e ele está olhando para mim, com o rosto cheio de amor. — Case-se comigo, meu lindo anjo quebrado? — Sim, — eu grito, jogando meus braços em volta do pescoço. — Mil vezes sim. Ele envolve um braço em volta de mim e me abraça apertado, ali de pé no por do sol me segurando como se eu fosse a única razão por ele respirar. Suas palavras afundam em uma parte da minha alma que eu venho tentando corrigir por tanto tempo. Eu nunca percebi que eu estava tentando consertar o que havia se tornado uma parte de mim. Eu poderia ser frágil, e um pouco quebrada, e muito sensível, mas eu sempre vou ser a coisa mais incrível do mundo para ele. Seu anjo quebrado.

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Bella jewel jokers mc 04