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Bella Jewel #3 Manacle Série MC Sinners Next Generation

Tradução, Revisão e Leitura Final: Ju Silveira Data: 11/2016

Manacle Copyright © 2016 Bella Jewel

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SINOPSE Eu sou apaixonada por Danny desde que tinha cinco anos. Ele me ama há mais tempo. Parecia que estávamos destinados a ficar juntos, parecia que as estrelas estavam alinhadas. Então nós crescemos e a vida interferiu. Ele estava caminhando para se tornar o Presidente do clube MC em que nós fomos criados. E eu não quero fazer parte disso. Eu quero ser livre, viajar o mundo e experimentar uma vida sem violência. Ele não está disposto a abrir mão do clube. Eu não estou disposta a ser uma old lady. Mas abrir mão dele é como perder uma parte de mim mesma. Amar não é fácil. A vida com certeza nunca é. As algemas que ele prendeu em mim vão me segurar junto a ele. Não importa o quanto eu tente correr.

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A SÉRIE Série MC Sinners Next Generation Bella Jewel

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Prólogo Algumas pessoas acreditam que existe somente um amor na vida. Outros acreditam que nós podemos nos apaixonar por várias pessoas e sermos verdadeiramente felizes. Alguns acreditam em amor à primeira vida, e outros acreditam que isso é uma bobagem. Eu estou em algum lugar no meio disso. Eu acredito que todos nós temos três amores. Há o nosso primeiro amor, que pode ser um garoto do colégio ou uma relação casual que se transforma em algo mais. Esse tipo de amor nunca dura muito mais que um ano. É o que eu gosto de chamar de amor de estimação. É o que abre seus olhos para as possibilidades que os futuros relacionamentos podem ter. É o que nos dá algo para alcançar. O segundo amor é a pessoa que tem a habilidade de conquistar uma boa parte do seu coração e, geralmente, conquistam, mas você rapidamente percebe que o amor que você sente é uma afeição misturada com proteção e paixão, mas não é o amor com o qual você sonhou – ele não é o único. Essas pessoas têm a habilidade de partir corações; elas são especiais. Elas vão ficar com você mesmo depois que forem embora. Às vezes esse amor é o único que uma pessoa vai encontrar – e elas vão estar totalmente ok com isso. O terceiro é aquele com o qual nós sonhamos. É o que você vê nos filmes. É o retrato de um casal, duas pessoas que estão juntas há sessenta anos. É o momento em que você encontra a sua alma gêmea, a pessoa com a qual você se conecta e você sabe, apenas sabe, ela é a pessoa para você. Não importa quantos relacionamentos e namorados você teve antes – eles têm a capacidade de apagar tudo com um simples sorriso. Alguns de nós têm a sorte de encontrar esse amor logo de cara. Eu sou uma dessas pessoas. Eu encontrei minha alma gêmea no dia em que nasci, quando ele veio e segurou a minha pequena mão. Eu o encontrei quando ele protegia minhas costas na escola. Eu o encontrei quando ele me levou

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ao baile de formatura e brigou com os outros caras. Eu o encontrei quando ele me segurou enquanto eu chorava. Eu o encontrei quando ele tirou a minha virgindade. Eu o encontrei depois de cada briga. Eu o encontrei em cada lugar e esquina da minha vida, me invadindo, se tornando parte de mim. Eu encontrei Danny e eu queria ficar com ele. Eu realmente queria. Mas a vida ficou no caminho, e existe essa coisa sobre a vida. Ela ĂŠ uma vadia.

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Capítulo um SKYE PASSADO Meus pés seguem suavemente pelo corredor, na direção do som de soluços devastadores. Eu o alcanço, curvando meus dedos na parede e espiando do outro lado. Ava está sentada no sofá, seus joelhos puxados contra o peito, seu corpo tremendo. Eu engulo em seco e foco nas pessoas com ela. Jackson, meu avô, mas pai dela – e sua mãe, Serenity. Eles não me disseram muito sobre como ela está indo desde que foi levada por um inimigo do clube alguns meses atrás, mas ela está agindo como se estivesse bem. Eu sei o que aconteceu com ela, eu sei que ela teve que suportar algo terrível, mas ela tem Lucas agora e parece estar seguindo em frente. Ela parece animada e feliz a maioria dos dias. Então por que parece preferir estar em uma cova fria agora do que viva? — Tudo vai ficar bem, — meu avô diz, esfregando suas costas. — Você sabe que nós estamos aqui por você, baby. Não vamos deixar que nada mais te aconteça. — O seu pai está certo, querida. Tudo vai ficar bem, — Serenity adiciona, dando ao meu avô um olhar preocupado. — Não vai ficar tudo bem, — Ava soluça, apertando sua cintura. — Não vai. Eu não consigo dormir com os pesadelos. Eu mal consigo respirar. Alguns dias... alguns dias eu preferiria estar morta do que vivendo assim. Se não fosse por Lucas, eu provavelmente teria encontrado um jeito de acabar com isso, porque parece muito fácil do que sofrer com a dor. Meu coração martela com as suas palavras. Não Ava. Ela sempre parece bem. Tão forte. Como nós não notamos o seu sofrimento? — Não diga isso, — meu avô rosna. — Nunca...

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— É a verdade, — Ava grita. — É a maldita verdade. Eu queria que isso nunca tivesse acontecido. Eu queria que eu não... Sua voz falha e olha desvia o olhar, ofegando de raiva. — Queria o quê? — meu pai sussurra. — Eu queria nunca ter feito parte do clube. Eu queria apenas ser uma garota normal. Eu queria nunca ter nascido nesse mundo perigoso e cruel. Se não fosse por esse clube, eu não me sentiria assim. Eu não estaria sofrendo. Ele é perigoso e mortal, e eu estou tão feliz de ter me afastado disso. Eu nunca sonharia em ter um filho crescendo nessa vida. Eu nunca o deixaria ver os horrores que eu testemunhei. Qualquer pessoa em sã consciência se afastaria. Meu avô parece que levou um tapa. Serenity ofega. — Ava, porra... — ele coaxa. Então ele se levanta e sai da sala, os ombros caídos, seu grande corpo machucado. Pobre vovô. Eu não posso imaginar quão difícil isso é para ele, como Presidente do clube. Ele ainda carrega a culpa pelo que aconteceu com Ava. — Querida, — Serenity diz, segurando o rosto de Ava. — Você não quer dizer isso. — Eu quero, — Ava diz, sua voz afiada. — Eu quis dizer isso com cada parte de mim. Esse clube é perigoso. Ele arruinou a minha vida. Eu poderia ter morrido. — Mas não morreu. — Não, — Ava murmura, olhando sem expressão para a parede. — Mas na maioria dos dias, eu gostaria que tivesse. Suas palavras afundam na minha alma. O olhar no seu rosto fica gravado na minha memória. Mas, mais que isso, a realidade do perigo associado ao clube se torna extremamente claro. Eu não vivo mais em um mundo seguro. E eu jamais quero estar nessa posição em que Ava está afora.

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SKYE PRESENTE — Uma escolha, Skye. Eu olho nos olhos do meu amigo de infância, meu protetor, meu primeiro amor e aquele que agora está se provando ser meu primeiro coração partido. Ele se levanta no escuro, um feixe de luz da rua iluminando seu rosto, que está metade nas sombras. Eu saí correndo da festa de Halloween que nós estávamos quando vi uma garota flertando com ele, e ele me seguiu. Ele sempre me segue. Ele quer algo que eu não posso lhe dar, e ainda assim, a simples ideia de dizer as palavras que estão na ponta da minha língua me assustam tanto que eu não sei nem se tenho força para pronunciá-las. Como você diz para a pessoa que você ama que está escolhendo uma vida longe dela? Na maioria dos casos, você simplesmente não faz isso. No meu caso, eu não tenho escolha. Nós queremos duas coisas diferentes, e nenhum dos dois está disposto a desistir do que amamos. Há um grande problema nisso – levando isso em frente, vamos perder um ao outro, e esse pensamento quebra o meu coração em milhares de pedacinhos. Eu lutei por anos para evitar essa conversa; tentei manter distância, tentei nos manter na zona da amizade, fingir que não importava quando ele estava com outra mulher. Mas importava. Ainda importa. — Skye. Eu pisco e foco em Danny, que é tão bonito que eu acho difícil respirar na sua presença. Ele está me olhando, seus olhos quase me implorando para dizer o que ele quer ouvir. Eu estudo seu rosto, sabendo que estou prestes a quebrar o seu coração, mas também o meu, e eu odeio isso. Odeio. — Eu... — eu digo, minha voz baixa e trêmula. — Danny... — Eu não posso continuar fazendo isso, correndo em círculos, evitando o que está realmente acontecendo. Eu não consigo lidar com ~9~


os ciúmes, e me recuso a continuar com os encontros secretos. Eu não posso. Não vou. Eu cansei. Você precisa escolher. Lágrimas queimam minhas pálpebras enquanto eu memorizo o seu rosto. Quero que isso seja a única coisa que eu vejo quando acordo e a primeira que aparece quando fecho os olhos. É uma fantasia que eu nunca vou realizar. Não posso suportar isso. Ele me estuda com esses incríveis olhos amarelos, que ele herdou da sua mãe. Eles são do tipo que você só vê uma vez na vida, se tiver sorte. São do tipo que assombram você. Danny e eu somos amigos por tanto tempo quanto eu me lembro. Nós crescemos juntos; nossos pais são melhores amigos e ambos fazem parte de um clube de motoqueiros, então era virtualmente impossível que não nos déssemos bem. Nós fazíamos parte de um grupo de cresceu junto, mas Danny e eu tínhamos algo mais – uma conexão que ninguém podia entender. As coisas começaram a ficar complicadas para nós quando eu fiz dezoito anos e nossa amizade se transformou em algo mais, algo que nós dois tentamos negar. Quando eu era mais nova, tinha um ciúme louco das suas namoradas, e quando comecei a sair com outros garotos, o sentimento foi recíproco. Mas, como era típico em nós, apenas dançamos em torno do assunto. Sempre fingindo que não estava lá. Danny está pronto para assumir o papel de presidente do clube quando o atual, meu avô Jackson, se aposentar. Ele quer isso. Ele respira isso. Ele é perfeito para isso. Desde muito novo Danny era todo pelo clube, e todos sabiam que ele iria assumir esse papel quando a hora chegasse. Por um tempo, eu queria estar ao seu lado quando isso acontecesse. Mas a realidade bateu. As coisas mudaram. Pessoas começaram a se machucar, o clube ficou um caos e de repente o lugar que eu amava tanto se tornou meu pior pesadelo. Eu vi pessoas que eu amava sofrendo uma e outra vez, e fiquei aterrorizada. De repente, ser uma old lady era a última coisa na minha mente. Eu fiz a escolha de me aventurar, de começar uma nova vida, uma mais segura em algum lugar que prometia que eu não me machucaria. Danny se recusou a ir comigo. Então aqui estamos nós.

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— Eu não sei como escolher, — eu sussurro, minha voz apertada. Ele se aproxima, e eu tento manter os olhos longe do seu peito nu. Ele está tão bonito essa noite, seu cabelo loiro areia bagunçado e selvagem, uma barba de dois dias cobrindo o maxilar, e seus olhos brilhantes. Ele se vestiu em estilo gótico, calça jeans preta e faixas com spikes nos tornozelos e uma ao redor do pescoço. Ele está usando até mesmo delineador. Ele parece tão lindo – está me matando ter essa conversa agora. — Você precisa, Skye. Não podemos continuar vivendo assim. Não podemos fingir que não sentimos o que nós sentimos. — Nós queremos coisas diferentes, você sabe disso. — Não quer dizer que não podemos funcionar. Eu encontro seus olhos, e Deus, dói olhar para eles, ver a dor atrás deles. — Danny, — eu começo, minha voz trêmula. — Você já está no processo de se tornar presidente do clube. Eu estou pronta para ir embora. Como você acha que isso pode funcionar? — Você fica aqui, faz faculdade aqui, vive comigo... Eu vacilo. — Eu não quero ficar aqui, você sabe. — Nós podemos viajar daqui alguns anos, Skye. Só me deixe estar onde eu preciso agora e então nós podemos viajar. Eu rio com amargura. — Quando foi a última vez que meu avô tirou uma folga, Danny? Ele que vacila agora. — Eu posso fazer isso acontecer. — Não é apenas uma folga que eu quero, — eu choro. — É muito mais. Eu quero um começo limpo. Uma... vida segura que me faça feliz. Eu não quero ser uma old lady. Eu não posso ser. Meu comentário o machuca, posso ver isso em seus olhos. — Então isso só deixa uma saída. Deus, o jeito que a sua voz quebra. Dói pra caralho. — Danny, — eu sussurro.

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— Eu não posso mais te ver, Skye. Não posso te ver no clube. Não posso te ver saindo com a minha irmã. Eu não posso te ver. Enquanto você está se preparando para ir embora, precisa ter certeza de que não vai ser perto de mim. — Danny, — eu coaxo e as lágrimas caem pelas minhas bochechas. — Eu teria dado tudo de mim, mas você não está disposta a me dar isso de volta. — Jesus, — eu choro, a frustração e a dor se misturando e explodindo em meu peito. — Você está me pedindo para desistir de tudo, embora você não esteja disposto a desistir de uma única coisa. — Não estou? — ele diz, amargo. — Nesse momento eu tenho certeza que estou prestes a desistir de você. Isso machuca. — Danny, não. Não me faça odiar você. Ele bufa. — Eu desperdicei anos da minha vida com os seus joguinhos, Skye. Você nunca quis dar o próximo passo, sempre nos deixou na zona da amizade. Eu cansei. Agora eu estou com raiva. — Joguinhos? — eu grito. — Foi um jogo quando o seu pau estava dentro de mim três noites atrás enquanto você me fodia contra a sua moto? Bem, isso era a porra de um jogo? Eu te deixei na zona da amizade nesse momento? Jesus, Danny. Eu te dei cada pedaço da minha alma. Cada pedacinho. Eu não fui a única a me segurar e você sabe disso. — Eu me segurei por respeito ao seu pai. — Ah, então comer a sua filha por diversão seria classificado como respeitoso? Ele aperta os punhos. — Não, Skye. Você sabe que eu nunca transei com você por diversão. Eu teria te dado mais se você se abrisse e me deixasse entrar, mas você nunca quis. Você sempre me deixou de lado, tendo certeza de que eu soubesse o meu lugar. — Porque eu estava com medo! — eu grito. — De quê? — ele berra. — De me apaixonar por você! Desse exato momento em que eu sabia que ir embora iria rasgar meu coração em pedaços, e que eu nunca poderia arrumar isso. Eu nunca vou reparar o dano que foi feito. ~ 12 ~


Ele se inclina mais perto de mim. — Sim, bem, você deveria ter pensado nisso. — Por favor, Danny, — eu sussurro. — Eu cansei. Nós acabamos. Boa sorte na sua nova aventura. Fique longe de mim enquanto você está fora tão desesperadamente procurando o que está bem debaixo do seu maldito nariz, — ele se vira e desaparece na escuridão. — Danny! Não! — eu grito, as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. Eu estava errada. Isso dói mais do que eu jamais imaginei.

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— Você ainda não falou com ele, falou? — Mercedes pergunta, me ajudando a desempacotar a última das minhas caixas. Eu balanço a cabeça e pego um sapato debaixo da cama, o colo dentro do armário e o fecho lá dentro. — Ele não atende minhas ligações, não responde minhas mensagens e se recusa a falar comigo de qualquer maneira. Ela traz alguns sapatos e me ajuda a guardá-los. — Por que você não contou para ninguém quão longe as coisas tinham ido? Eu dou de ombros. — Porque se eu contasse para alguém, isso teria se tornado real, e eu pensei que se eu conseguisse evitar que se tornasse real, isso seria o bastante para que não machucasse quando eu partisse. — Isso nunca ia acontecer. Eu olho para ela. — Eu sei disso agora, mas não muda como eu sinto, Merc. Eu não posso ser uma old lady; certa vez eu pensei que podia e acho que por isso que eu fiquei, mas os últimos anos me mudaram e eu não quero mais essa vida. Talvez eu tenha sido egoísta. Eu não podia lidar com como seria perder ele se eu me deixasse admitir a profundidade dos meus sentimentos.

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— Mas isso dói, não é? Todo esse fingimento não mudou as coisas como são. — Não, — eu digo suavemente. — Não mudou. — Eu sinto muito, Skye. Eu dou de ombros e me viro. — Eu realmente não quero mais falar disso. Você vai me levar para sair e conhecer a cidade ou o quê? Ela sorri. — Com certeza eu vou. — E Diesel, ele vem? Seu sorriso se torna genuíno e lindo. — Nah, ele está tocando essa noite, mas nós podemos passar lá e ver ele se você estiver no clima. — Eu amo o som da banda dele, então estou totalmente dentro! — Ótimo. Eu vou para casa me trocar antes de irmos. Eu a abraço e observo ela ir até a porta. Ela olha para trás quando está prestes a sair. — Ei, Skye? — Hmmmm? — Bem-vinda a Denver, querida. Bem-vinda, de fato.

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Capítulo dois — Você entendeu tudo? — o chef pergunta, acenando para as minhas mãos ocupadas com quatro grandes pratos prontos para serem servidos. — Ah, sim, acho que sim. — Não deixe cair. As pessoas pagam caro para estar aqui, Skye. Você não quer derrubar a comida neles. Eu aceno nervosa e me viro, lentamente fazendo meu caminho até a sala de jantar. Estou trabalhando há uma semana no Seraphina, um restaurante chique da cidade, e não sei como eu consegui esse emprego, mas eles gostaram de mim e decidiram me dar uma chance para ver como eu me saía. Ele paga o bastante para cobrir o meu aluguel e comida, o que é bom. Eu não tenho muito mais além disso, mas pagar as contas e me manter alimentada com um teto sobre a cabeça é tudo que eu preciso até conseguir descobrir o que eu quero para o futuro. Mercedes ama a faculdade, mas eu ainda não tenho certeza de que isso é para mim. Às vezes eu acho que vai ser mais fácil guardar dinheiro e apenas desaparecer, mas sem nenhuma experiência, conseguir emprego em outro lugar vai ser difícil. Então agora esse é o meu objetivo. Conseguir bastante experiência para poder viajar e trabalhar sem nada me segurando. Eu posso aprender a amar estar aqui em Denver e economizar o suficiente para ter um monte de folgas. De qualquer forma, dinheiro é a chave. — O bife malpassado? — eu pergunto, parando junto à mesa em que os homens e mulheres são tão sofisticados que eu tenho certeza que ele vão ver diretamente através de mim. Eles mal me notam. — Aqui, — um homem de terno diz, acenando com a mão.

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Idiota. Eu coloco o prato na sua frente e continuo servindo os outros, então volto para a cozinha para pegar mais pratos. A próxima mesa é um grupo de pessoas mais novas, provavelmente da minha idade, um pouquinho mais velhos. Eles são do lado rico da cidade – isso é caro, pelo fato de estarem jantando aqui e pela maneira como se vestem. Me aproximo da mesa e um deles chama minha atenção. Ele é lindo, da idade de Danny, com cabelo castanho claro e lindos olhos cor de avelã. Ele sorri para mim, o que me faz sentir instantaneamente mais calma. — Olá, — eu digo antes de entregar os pedidos. Eu os entrego todos, dou a volta na mesa para servir o último e meu pé fica preso na cadeira. Tropeço um pouco, mas o cara lindo segura o meu braço. — Cuidado aí, — ele diz, sua voz sedosa e sofisticada. — Me desculpe, — eu digo, colocando seu prato na mesa. — É a minha primeira semana. — Não se desculpe; nós todos temos que aprender. Eu sou Preston. Ele estende a mão e seguro. Seus dedos são longos e magros e se curvam ao redor dos meus com facilidade. Uma visão das mãos grandes e corpulentas de Danny passa pela minha mente, e eu rapidamente a afasto. Estou me afastando do mundo dos motoqueiros por uma razão. Tenho que deixar Danny ir. — Eu sou Skye. Ele me estuda. — E essa é a versão curta para quê? Eu pisco. — Esse é o nome todo. — Certo, — ele diz, claramente confuso, antes de sorrir de novo. — É um prazer conhecer você, Skye. — Você também, Preston. Me avise se você precisar de algo. Ele acena e eu desapareço na cozinha para voltar a servir. A noite é longa e agitada, mas cada vez que olho para a mesa de Preston, ele está me estudando, um sorriso nos lábios. Eu coro e olho para longe, mas é legal ser notada. Sempre foram apenas os olhos de Danny me checando, e é estranho ter uma pessoa desconhecida me observando, me admirando. É uma sensação vertiginosa, e eu gosto.

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Assim que meu turno acaba, arrumo minhas coisas e saio, precisando de ar fresco e um bom café. Tenho o péssimo hábito de beber café à noite, e é algo que está se provando difícil de eu me livrar. Estou andando na direção da cafeteria no final da quadra quando ouço meu nome ser chamado. Eu me viro. Preston se aproxima, as mãos dentro dos bolsos, parecendo tão bonito e arrumado que dói. Eu sorrio e lhe dou um aceno fraco. É o melhor que eu consigo depois de um longo dia. — Pensei que era você. Terminou o seu turno? Eu sorrio e esfrego os braços. Está frio e é claro que eu saí de casa sem casaco. — Sim, e foi um turno longo. Eu estava procurando uma cafeteria. — Você é nova na área? — ele perguntando, tirando o casaco. Eu aceno. — Estou aqui há apenas algumas semanas. Ele sorri. — Então me deixe te mostrar o melhor café que Demver tem a oferecer. Aqui, pegue o meu casaco. Seus lábios já estão azuis. Eu rio nervosamente, mas pego seu casaco, passando os braços pelas mangas. — Não estava esperando que estivesse frio. — Foi uma mudança de temperatura repentina. Eu também não estava esperando. Eu sorrio de novo e ele acena com a mão na direção da movimentada rua principal. — Vamos? Eu aceno e começo a andar ao lado dele. — Então, o que te traz a Denver? — ele pergunta. — Eu só queria começar em outro lugar, decidir o que eu quero para a minha vida, e eu sempre gostei daqui. Além disso, minha família não mora muito longe, então eu posso ir visitar eles com frequência. Eu também quero viajar. — Viajar? — Sim. Eu sempre quis ver o mundo. Provavelmente é um sonho distante, mas é algo pelo que eu estou lutando. — Não é distante, — ele diz, pegando minha mão e me levando para o outro lado da rua. Minha pele formiga com o contato, mas é uma

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sensação boa. — Todos deveriam ter um sonho, e você está dando duro para que o seu se torne realidade. Bom para você. — E você, Preston? Quais são os seus sonhos? Ele ri. — Estou vivendo o meu sonho. Hoje eu fui promovido a diretor assistente na empresa do meu pai. Um dia eu espero assumir o lugar dele. — Uau, isso é grande. É uma empresa de quê? — Nós compramos e vendemos ações, coisas assim, Impressionante. — Você é bem-sucedido para a sua idade; bom para você. Ele dá de ombros. — Eu trabalhei duro. — Eu imagino. Nós lentamente paramos debaixo de um pequeno toldo dourado. — Vamos, essa é a melhor cafeteria por aqui. Vamos achar um lugar. Eu estudo o lugar imaculado, cheio de pessoas fora do meu alcance. Eu hesito e olho para os meus sapatos gastos. Eu provavelmente vou ser chutada para fora daqui, a julgar pelas joias e roupas caras que algumas das pessoas às mesas estão usando. Eu me mexo desconfortável. — Eu realmente não estou vestida para um lugar como esse. — Besteira. Confie em mim. Ele me puxa para dentro e uma garçonete instantaneamente o reconhece. — Preston, nós não estamos acostumados a ver você aqui tão tarde. Ele dá um sorriso matador. — Eu encontrei uma dama adorável essa noite, e ela queria experimentar o melhor café da região. A garçonete olha para mim rapidamente, e seu rosto muda em uma mistura de choque e respeito. — Bem, então vamos conseguir uma mesa. Nós passamos pelas mesas e eu recebo uma boa dose de olhares que me fazem sentir incomodada, mas eu não deixo que eles me abalem. O cheiro de café daqui é incrível. Preston puxa a cadeira para mim e sentamos em uma mesa longe das demais, permitindo que nós conversemos livremente. ~ 18 ~


— Esse lugar é demais, — eu admiro. — Espere até experimentar o café. Ele está sorrindo para mim, e Deus, ele é realmente bonito. Não de um jeito áspero como Danny, mas de um jeito que faz parecer que ele pode tomar o mundo com um simples sorriso. Nós fazemos nossos pedidos e conversamos sobre a vida em geral enquanto esperamos o café chegar. Quando isso acontece, eu olho para o meu, chocada e ansiosa para bebê-lo ao mesmo tempo. A aparência é incrível, servido em um copo transparente alto e com um trabalho sobre a espuma que faria artistas chorarem. — Uau, — eu digo, levantando o copo. — É um café impressionante. — Eles contratam alguém só para fazer a arte na espuma. Eu pisco e olho para ele. — Sério? Ele acena. Jesus. Eu tomo um gole e no segundo que o café toca na minha língua, eu gemo. No momento em que percebo que eu gemi, bato a mão sobre a boca. Preston ri. — Tudo bem. Todos temos essa reação na primeira vez. — É maravilhoso, — eu ofego. — Mesmo. — É a maneira como ele é feito. Estou tentando descobrir o segredo do método deles há anos. — Há um toque apimentado, — eu digo, bebendo de novo. — E é tão cremoso, mas forte o bastante para ser marcante ao mesmo tempo. — Mágico, — ele sorri. Eu sorrio de volta. Isso é muito legal.

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— Você teve um encontro? ~ 19 ~


Eu cruzo as pernas na minha cama nova e rio. — Sim, pai. Um encontro de verdade que não foi acompanhado por motoqueiros. Ele grunhe. — Eu sabia, eu tinha que ter garantido que você não fosse embora tão fácil. Eu rio. — Eu sou uma garota crescida e, além disso, foi legal. Ele grunhe de novo. — Você sabe que eu não gosto que você tenha encontros antes que eu conheça ele. — Bem, isso meio que acabou de acontecer, então não houve nenhum aviso, e depois há aquela coisa de eu ser uma mulher... Ele ri. — Sinto sua falta aqui, princesa. Eu reviro os olhos. — Tenho certeza que você e a mãe estão aproveitando bem o tempo. — Nós estamos! — minha mãe grita do fundo. — Pai, eu estou no viva-voz de novo? — É mais fácil do que segurar o telefone na orelha. — Oi, mãe! — eu grito. — Assim que o seu pai sair do telefone, nós vamos falar sobre esse encontro. — Com essa deixa, — eu rio. — Eu tenho que ir para cama. — Você não vai escapar assim tão fácil, mocinha. Como é esse cara? Eu suspiro. — Ele é legal, pai. Muito legal. — Ele tem tatuagens? Eu bufo. — Não. — Não posso confiar nele. Eu rio. — Pai... — Verdade, baby. — Alguns caras que têm tatuagem são maus – com certeza você sabe disso. Ele grunhe. — Isso também é verdade.

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— Ei, pai? — eu pergunto, mudando de assunto. — Hmmm? — Você tem visto Danny? — Sim, todos os dias, por quê? Você não tem falado com ele? — Não, — eu minto. — Eu não consegui falar com ele porque estive muito ocupada. Você vai dizer a ele que perguntei por ele? — Está tudo bem? — Claro, — eu digo rápido – provavelmente, rápido demais. — Eu apenas sinto falta dele. Meu pai faz um som gutural, então diz, — Ava está esperando aqui do lado. Ela quer falar com você. Eu rio. — Passe para ela. — Eu te amo, anjo. — Também te amo, pai. Há um som de movimento, e então Ava rapidamente pega o telefone. — Você não me ligou. O que eu te disse sobre me ignorar? Não me obrigue a usar minha autoridade de tia com você. Eu bufo. — Por favor, não. Você vai se envergonhar. — O que está acontecendo, e não diga que nada! Eu ouvi seu pai dizer que você teve um encontro. Um encontro! Eu rio. — Se acalme, garota. Não foi exatamente um encontro, apenas um café. Foi legal. — Me conte sobre esse cara. — Eu vou, eu juro, mas eu tenho que ir dormir um pouco ou nunca vou acordar para ir trabalhar. Ela assobia. — Certo, mas eu não estou feliz sem saber nada. Eu sorrio. — Você vai saber tudo logo. Ei, Ava? — Hmmm? — Você tem falado com Danny? Ela suspira. — Querida...

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— Então você sabe o que acontece antes de eu ir embora? — Ele me contou tudo – tipo, literalmente do início ao fim. Por que você não me disse que vocês tinham toda uma história? Quero dizer, nós todos sabíamos que ele se importava com voe, mas ele sempre agiu como se você não correspondesse. Sempre pensamos que ele nunca tinha feito um movimento. — Ele não tinha, na verdade. Nós fomos amigos pela maior parte do tempo. Isso só começou a ficar sério quando você e Lucas ficaram juntos. Foi a primeira vez que nós... bem... — Não é surpresa porque as coisas ficaram estranhas entre vocês depois disso. — Sim, e eu tentei ligar algumas vezes, mas ele não atende. Eu preciso falar com ele, Ava. Você é a única pessoa que pode fazer isso acontecer. Ela fica em silêncio por um tempo. — Ele precisa de tempo, querida, — ela diz gentilmente. — Ele está machucado. Meu peito aperta e lágrimas queimam minhas pálpebras. — Eu nunca quis machucar ele, eu juro. Eu só não podia prometer o que ele queria. Eu não posso ser uma old lady. Você sabe disso. Não quer dizer que isso não está me matando... — Eu entendo o seu lado, porra, lá no fundo eu acho que ele entende também, mas ele ainda precisa de tempo. — Eu preciso falar com ele, — eu digo, minha voz parecendo mais desesperada do que eu gostaria. — Eu não posso ficar no meio disso; você sabe que eu não posso. Ele é o meu melhor amigo. — Ele é meu melhor amigo também, — eu sussurro. — Oh, querida. — Eu tenho que ir. Nos falamos depois, — eu desligo e deixo que as lágrimas escorram pela minha bochecha. Danny não vai falar comigo, e eu não posso deixar as coisas do jeito que estão. Há somente uma coisa a fazer, e eu odeio ter que fazê-la.

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Capítulo três Eu hesito, olhando para o meu telefone e com o dedo pairando sobre o botão de enviar. Eu não deveria fazer isso, porque sei como vai ser para ele, mas eu estive ligando e enviando mensagens – ele não fala comigo. Eu sei que ele está machucado – Deus, eu sei – mas eu preciso esclarecer as coisas. Antes de todos esses sentimentos tomarem conta, ele era o meu melhor amigo, e eu daria qualquer coisa para ter isso de volta. Então aperto em enviar. S – Estou com problemas, Danny. Preciso da sua ajuda. Por favor. No segundo que a mensagem vai, eu estremeço e desejo poder pegar ela de volta. Eu não quero assustá-lo, mas é a única maneira de talvez ter uma chance de falar com ele. Ele vai ficar puto como o diabo, mas ele já está furioso comigo, então qual a diferença? Esfrego meus braços e espero, olhando para o telefone, rezando para que ele morda a isca. É pouco mais de cinco horas aqui, e eu terminei meu turno dez minutos atrás. Ele poderia estar aqui em menos de duas horas, se decidir responder. Meu telefone vibra. D – Qual o problema? Meu coração flutua. Um mês inteiro se passou e ele não respondeu uma única mensagem. A flutuação rapidamente se transforma em uma queimação quando eu percebo que ele claramente leu toda as mensagens que eu mandei, porque respondeu essa. O que significa que ele realmente não quer falar comigo. Lágrimas queimam outra vez, mas eu as empurro para dentro, reafirmando para mim mesma que essa é a única maneira. S – Eu me meti em problemas depois do trabalho. Estou assustada. Não tenho mais ninguém para chamar.

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D – Estou a caminho. Onde você está? Eu envio por mensagem os detalhes que levam até o meu trabalho e digo a ele que estou no beco que fica atrás, então rezo para que ele não exploda e vá embora antes que eu tenha a chance de dizer o que preciso. Danny tem um temperamento difícil, assim como Spike, e às vezes ele não à pessoa a chance de falar. Preciso planejar o que vou dizer se quero que ele escute algumas palavras antes de ir embora. Encontro um ponto contra um muro de tijolos e me sento, apenas esperando, repassando meu discurso na cabeça. Quero que ele saiba que eu o amo, que eu sinto muito, que está me matando ficar longe dele. Eu também quero que ele entenda porque eu estou fazendo isso. Se eu pudesse estar com Danny, eu estaria, mas a vida que ele escolheu e a vida que eu quero para mim mesma estão distantes uma da outra que eu não sei como isso poderia funcionar. Estou sendo egoísta em desistir do homem que eu amo e tentar seguir em frente com a minha própria vida? Estou perdida em meus pensamentos quando o rugido de uma Harley-Davidson prende a minha atenção. Meu coração acelera e eu me levanto. Nem notei que o tempo passou – eu estava em outro mundo – mas se foram duas horas. Eu fico de pé e olho para a entrada do beco, meu coração latejando, minha pele formigando. Quando ele dobra a esquina, prendo a respiração. Ele está todo vestido com o uniforme oficial do clube, com a sua jaqueta de couro sobre uma camiseta presta. Ele está usando jeans pretos e botas pesadas pretas, com correntes presas nas laterais. Ele tem anéis nos dedos e correntes grossas de prata ao redor dos pulsos e uma ao redor do pescoço. Seu cabelo está bagunçado, selvagem e quente como o inferno. Seus olhos encontram os meus, e eu quero derreter neles. Ferozes olhos amarelos que, agora, parecem mais confusos que qualquer coisa. — O que está acontecendo? — ele pergunta, se aproximando. — Eu... — Em que tipo de problemas você se meteu? Seus olhos estudam o beco e eu dou um passo mais perto, pegando um pouco do seu cheiro masculino. Droga. Isso vai ser muito mais difícil do que eu pensei.

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— Danny, eu... eu estive tentando falar com você por um mês e você se recusou a falar comigo. Eu não tive outra escolha. Seus olhos queimam e ele dá um passo para trás. — Porra, você está me dizendo que mentiu para que eu viesse até aqui? — Você esteve me evitando. Eu senti que não tinha opção, — eu digo pateticamente. Ele perde a cabeça. Como eu sabia que aconteceria. Eu me preparo. — Porra, isso é sério? — ele troveja. — Eu dirigi até aqui, preocupado pra caralho que você estivesse ferida ou que algo tivesse acontecido, só para descobrir que você mentiu porque não estava conseguindo o que queria? Que merda mais típica de você, Skye. Eu vacilo. — Você se recusou a falar comigo. Eu não tinha escolha! — eu grito. — Será que você já pensou que eu não estava falando com você porque eu não quero? — ele late, se inclinando para ficar cara a cara comigo. Meu lábio treme, mas eu seguro as lágrimas. — Nós somos amigos, Danny. Fomos amigos a vida toda. Você está realmente disposto a desistir disso porque não podemos ficar juntos? — Porra, pode apostar que sim. Isso dói. As lágrimas que eu estava segurando desesperadamente explodem e escorrem pelas minhas bochechas. Seus olhos se movem para elas e seu rosto suaviza um pouco. Eu dou um passo à frente e empurro seu peito. Ele não se move. Ele é como uma rocha maldita. Isso só me deixa mais furiosa. Eu faço isso uma e outra vez até que ele agarra meus pulsos e me gira, batendo as minhas costas contra o muro de tijolos. — Que porra está errada com você? — eu grito na sua cara. — Como você pode me odiar por querer uma vida, ainda que eu não tenha permissão de odiar você por querer a sua vida? Você está tão irritado por eu não te escolher, mas porra, Danny, você não me escolheu também. Você escolheu o clube. Então não venha me fazer sofrer porque isso dói. Entendeu? Isso dói também, seu desgraçado arrogante e estúp...

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Ele me corta batendo seus lábios contra os meus. Eu quero ficar puta com ele. Eu quero empurrá-lo para longe. Eu quero dizer a ele para não me beijar, mas eu senti tanto a sua falta. Tanta que dói. Sua língua invade a minha boca e eu deixo. Eu inalo seu cheiro enquanto o provo, minha língua dançando com a sua, o beijando com uma força que eu nunca mostrei. Eu preciso dele. Não vou esperar mais nem um segundo. Eu me abaixo e agarro seu jeans, abrindo o cinto antes de puxar o botão. Deslizo a mão para baixo e o encontro pronto e duro como pedra. Curvo os dedos ao redor dele e nós dois gememos. O pau de Danny é o paraíso. Ele é duro, grosso e longo. É a quantidade perfeita de tudo, e ele sabe como usar isso. Ele me provou isso uma e outra vez. — Porra, — ele rosna, encontrando a barra da minha saia e puxando para cima. Suas mãos grandes pegam a minha calcinha e a rasgam com um puxão forte. — Danny, — eu ofego, o libertando do seu jeans. Ele usa a mão livre para empurrá-las para baixo o suficiente para seu pau se ver livre da coisa. Ele segura uma das minhas pernas e a prende ao redor do seu quadril, e então empurra dentro de mim. Sem aviso. Nada gentil. Apenas uma foda dura e selvagem. Isso é exatamente o que eu quero – o que nós dois queremos. Meus dedos se enterram no seu couro cabeludo enquanto eu os arrasto pelo seu cabelo, puxando enquanto ele me fode com uma ferocidade que eu nunca vi antes. Meus gemidos são distorcidos e trêmulos porque meu corpo está batendo contra o muro. É incrível pra caralho. — Porra, me fode mais forte, — eu assobio no seu ouvido. — Estou te fodendo o mais duro que eu posso sem te machucar, — ele rosna no meu. — Me machuque, Danny. Nós dois sabemos que você quer. — Não, — ele grunhe. — Eu posso te odiar agora, mas nunca vou te machucar.

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Mas essas palavras me batem de um jeito que ele nunca vai entender. Eu puxo meu punho para trás e acerto seu ombro, gritando. — Porra, eu te odeio por dizer isso, seu imbecil. — Ah é? Estocada. — Bem, eu te odeio por me fazer te amar tanto que é difícil respirar sem você. Estocada. — Vai se foder, Danny. Estocada. — Você vai fazer isso pelo resto da minha vida. Vai me foder. Mas não do jeito que eu quero. Estocada. Eu gemo e me agarro a ele. — Você acha que eu não te amo? — eu ofego, arqueando contra ele. — Eu amo, seu porco arrogante. Eu te amo. Estocada. — Não o bastante, baby. Porra, ele está cuspindo todas as coisas ofensivas hoje. Eu vou para trás e olho em seus olhos quando o orgasmo me rasga. Minha boca se abre e eu choramingo o seu nome, estremecendo quando seu pau leva tudo de mim. Então eu sussurro, — Mais do você jamais vai saber. Ele salta e sua mandíbula aperta quando ele encontra a sua libertação dentro de mim, seus olhos nunca deixando os meus. Nós ficamos assim, nos encarando em silêncio e desafiando um ao outro enquanto todo o prazer vai lentamente saindo de nossos corpos e somos deixados com nada mais que a fria realidade de que nunca iríamos dar certo. Uma lágrima escorre pela minha bochecha. Soltando as minhas pernas, eu o empurro para trás e rapidamente coloco a saia no lugar. Eu me viro, incapaz de olhar em seus olhos por mais um segundo sequer.

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— Você acha que eu estou sendo um cuzão, — ele diz, mesmo que eu esteja de costas para ele. — Mas é exatamente por isso que eu cortei o contato. Não é saudável para a gente se encontrar assim e fazer essa merda, e nós vamos fazer, Skye. Não temos a força para dizer não, e eu não posso ser apenas uma foda. Nem você. Eu me viro para ele. — E então? Vamos abrir mão de décadas de amizade por isso dói? Ele não responde, apenas me encara. — Droga, Danny! O clube é realmente tão importante para você? — Se você me conhecesse mesmo, então saberia a resposta. — Você diz que me ama, — eu coaxo, — mas não está disposto a desistir de absolutamente nada por mim. — Eu desistiria da minha vida por você, Skye, mas você está me pedindo para mudar quem eu sou. Esse sou eu. Sou um motoqueiro. Eu vou comandar o clube. Você soube disso a vida toda. Não sou eu que está pedindo por mudanças – é você. Isso é o que eu sou e sempre fui. Você escolheu aceitar isso e entrar na minha vida como minha amante. Você deixou isso chegar até aqui... A raiva sobe no meu peito outra vez. — E essa sou eu! — eu grito. — Eu não quero ser uma old lady, e não porque eu não respeito o maldito clube, porque você sabe que eu respeito, mas essa não é a vida que eu quero. Eu quero viajar, me apaixonar, quer um romance, ter um casamento lindo e viver em uma bela casa. Eu quero filhos. Eu não quero que eles cresçam no clube, mas em um lugar sem tanto drama e perigo. Essa sou, e você também não consegue lidar com isso. — Não, eu não consigo porque essa não é você. Você disse a si mesma tantas malditas vezes que isso é o que você é, que realmente começou a acreditar, mas você esquece que eu te conheço, Skye. Eu sei o que te faz feliz e o que não. Você ama esse clube. Você amou crescer junto ao clube e você é uma parte disso, mesmo que não queira admitir. — Você está errado! — eu grito. — Não, baby, — ele diz, calmamente. — Você está. Mas eu não vou estar por perto para te dizer que eu avisei quando você se der conta disso.

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— Nós acabamos aqui! — eu guincho, jogando as mãos no ar. — Cansei. Nós acabamos. Você tem razão; precisamos ficar longe um do outro. — Você não vai dizer quando nós acabamos, — ele rosna, cruzando os braços. — Sim, eu vou! — Não, Skye, não vai. Eu vou fazer isso. Eu tenho que fazer porque você nunca quis começar essa merda, então com toda certeza do caralho você não vai me dizer quando termina. Eu estremeço. Ele se vira e vai embora, me deixando sozinha com o coração partido mais uma vez. Ele está errado. Ele está. Certo?

***

— Ei, Preston, — eu sorrio, colocando um café em frente a uma senhora, e me viro para ele. — Que boa surpresa. Ele sorri e puxa um buquê de flores das suas costas. Meu coração flutua, e um sorriso enorme aparece em meu rosto. — Para você. Eu tive um ótimo momento na outra noite e queria que você soubesse que gostaria de te ver de novo. Meus pensamentos vão para Danny e nossos último encontro, o que faz meu coração doer. Eu tenho que seguir em frente, não apenas pelo bem dele, mas pelo meu também. Ele está errado sobre mim – eu quero essa vida. Eu quero romance e aventura. Eu quero um homem que me coloque em seu carro, me leve para um encontro legal e me deixe em casa com um suave beijo nos lábios. Eu desejo essas coisas. Não uma foda rápida contra um muro seguida por palavras de ódio.

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Algo em minha mente puxa quando penso nisso, mas empurro para longe. Não é isso que eu quero. Eu não quero ser uma old lady, e não quer ser a mulher do presidente, sempre com medo pelo meu marido, que meus filhos estejam apavorados que ele não volte para casa. Ou pior, ter um dos meus filhos levados e ferido como Ava foi. Esse simples pensamento faz meu peito apertar, e eu rapidamente o empurro para trás. Estou fazendo a escolha certa aqui. — Eu adoraria ver você outra vez, — eu sorrio para Preston, cujo rosto se ilumina com as minhas palavras. — Quando é a sua próxima noite de folga? — Hoje, na verdade. Essa é a mais próxima, e depois na sextafeira. — Hoje está perfeito. Posso te pegar às oito. Eu sorrio e trago as rosas ao meu nariz, inalando o cheiro doce. — Parece ótimo. O que eu devo usar? Ele se inclina e beija minha bochecha. — Você ficaria linda usando qualquer coisa. Meu coração dá um pequeno salto, e minhas bochechas queimam quando ele sorri para mim antes de se virar e sair. Isso é o que eu quero. É isso.

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Capítulo quatro — Eu tive um ótimo momento, — eu digo, prendendo uma mecha de cabelo atrás da orelha e olhando para Preston, que parece lindo com a sua camisa de botões e jeans azul. O brilho das luzes da rua do lado de fora do meu apartamento iluminam seus olhos incríveis, e meu coração dá uma estúpida volta. — Eu também. Eu realmente gosto de passar o tempo com você, Skye. Espero que nós possamos nos ver mais. Eu sorrio. — Eu gostaria disso. — Nós vamos ter uma reunião de trabalho na casa da minha família na terça-feira à noite, e eu adoraria que você fosse para ver o que nós fazemos. Você estaria interessada? — Eu adoraria. Ele sorri. — Então eu te pego na terça às cinco. — Eu vou precisar de um vestido? Ele se abaixa, pega a minha mãe e escova os lábios nos meus. Meu coração flutua. — Deixe isso comigo. Vejo você em breve. Ele solta minha mão e dá um passo para trás, desaparecendo nos degraus da frente. Eu o observo ir embora, ouvindo o ronronar do motor do seu caro carro esportivo enquanto ele se afasta pela estrada. Eu tive um ótimo dia com ele. Nós conversamos, nós rimos – ele me levou ao parque e nós tomamos sorvete. Foi perfeito. Então por que diabos meu coração está tão vazio? Eu me viro e abro a porta da frente. — Outro encontro? Eu grito e salto para trás, minha mão no peito. Meu pai está sentado no sofá, ao lado de Spike. Meu coração explode com alegria e eu me atiro nele, me jogando em seus braços. Ele me pega e abraça ~ 31 ~


apertado, como sempre. Eu sinto falta dele; sinto falta de todos. Estar longe de casa é mais difícil do que eu pensei que seria. Meu pai me coloca para baixo e eu olho para ele, meu coração inchando com amor. Ele é lindo, meu pai. Seus olhos são como os meus, e seu cabelo escuro está ficando um pouco grisalho. Ele é forte e coberto de tatuagens, mas é a pessoa mais amorosa que eu conheço. Pelo menos, para mim. — Você me assustou, — eu o repreendo, então me viro para Spike, que está sorrindo para mim. Danny parece tanto com ele. Isso queima. Mantenho o sorriso e caminho até ele, jogando meus braços ao redor do seu pescoço. Ele é maior que o meu pai, e muito mais temperamental, mas eu o adoro. Danny e eu somos como uma nova versão de Cade e Spike. Meu pai e Spike são melhores amigos desde antes de onde eu consigo lembrar. — Como você está, preciosa? — Spike pergunta, me soltando. — Agora estou bem, — eu sorrio, me virando para o meu pai. — O que vocês estão fazendo aqui? — Viemos ver você, — meu pai diz, caminhando e me puxando para um segundo abraço. Ele é afetuoso, o meu velho. Se ele pode tocar em você, ele vai aproveitar a chance. — Senti sua falta, garotinha. Pressiono minha bochecha em seu peito e o respiro outra vez. — Senti sua falta também, pai. A mãe está aqui? Ele me solta. — Nah, nós tínhamos negócios para cuidar. Não íamos embora sem ver você. — Estou feliz que vocês vieram. — Eu também, — Spike diz, se jogando de novo no sofá. — Eu quero ouvir tudo sobre esse garoto que acabou de beijar a minha sobrinha na varanda. — Eu não sou sua sobrinha, — eu aponto. Ele sorri para mim. — É quase. — Ele é Preston. Eu estive... vendo ele. Meu pai bufa e eu olho para ele. — O quê? — ele protesta. — Eu não gosto desse nome.

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— Pai, — eu digo pacientemente. — Você sai com um cara chamado Spike, que ganhou esse apelido porque... — Nós entendemos, — ele grunhe. Spike ri. — Então, quando vamos conhecer o filho da puta? Eu olho para Spike. — Você tem que ser... tão... espinhento1? Ele joga a cabeça para trás e ri. Eu reviro os olhos. — Ele está certo, — meu pai diz, se jogando no sofá ao lado de Spike. — Quando vamos conhecer ele? — Não nem ao menos estamos namorando oficialmente; apenas saímos algumas vezes. A coisa não está nesse nível. — Você está dormindo com ele? — Spike pergunta. Meu pai se vira e atira adagas para ele. — O quê? É uma pergunta válida. Você quer que a sua garota fique grávida porque você está em negação? — Vai se foder, Spike. Eu vou bater em você, — meu pai grunhe para ele. Ah, cara. — Pode vir, seu velho. Eu ainda posso te dar uma surra. — Você quer que eu vá falar com Mercedes como estar as coisas entre ela e Diesel na cama? Spike se arrepia. — Exatamente, — meu pai grunhe, se virando de novo para mim. — Não responsa essa pergunta. Eu cruzo os braços. — Eu não estou dormindo com ele, pai. Jesus. Eu não sou uma vadia, — Não, eu apenas fodi com Danny alguns dias atrás contra uma parede de tijolos. — Eu nunca quis dizer isso, querida, — meu pai diz, sua voz suave. — Eu sei. — Você tem cerveja? — Spike pergunta, mudando de assunto. 1

Ela o chama de ―spike‖, que quer dizer espinho, algo pontiagudo. ~ 33 ~


Motoqueiros. O que eu faria sem eles?

***

Espere, então você está realmente vendo alguém? — Mercedes pergunta enquanto andamos por uma rua movimentada de Denver, procurando por um lugar que venda sapatos bonitos de verdade. Eu não posso usar meus sapatos de merda no meu encontro com Preston essa noite. — Sim, — eu admito. — Tipo isso. Ainda não é oficial, mas eu gosto dele. — E Danny? Faço uma careta para ela. Ela joga as mãos para cima. — Eu tinha que perguntar. — Danny e eu não podemos ficar juntos, você sabe disso. — Eu sei disso, mas não necessariamente concordo. Eu bufo. — Eu não posso apenas ficar empolgada com um encontro sem ser lembrada do seu irmão? Ela sorri. — Desculpe, amiga. Sim, vamos achar um sapato. — Como está Diesel? — eu pergunto quando entramos na primeira loja. As bochechas de Mercedes ficam vermelhas e eu não posso evitar o sorriso que atravessa meus lábios. — Ele está bem. Ele vai tocar esse final de semana; você deveria vir. — Sim, estou dentro. Eu preciso sair. Ela bate as mãos. — Ótimo. Oh, aqui, olhe! Ela pega um par de sandálias de tiras prateadas. Elas são incríveis. — Uau, — eu ofego. — São lindas.

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— Elas são superquentes. A etiqueta diz que elas são o último par e elas são exatamente do seu tamanho. Você tem que ficar com elas. Eu viro a etiqueta de preço e gemo. — Elas custam duzentos dólares. Isso poderia me alimentar por um mês. Ela ri e pega as sandálias da minha mão, então olha para a vendedora, que está ajudando alguém. Ela se abaixo e faz algo com o seu sapato, se levanta e passa um pouco de lama no brilhante sapato de salto. Eu ofego e ela levanta uma sobrancelha para mim. — O que você está fazendo? — Deixando elas mais baratas. — Mercedes! — eu assobio. — Isso é basicamente roubar. Ela ri. — Nós somos crias de motoqueiros; é como fomos criadas. Minha boca cai aberta. — Spike ia chutar a sua bunda se ele descobrisse. Ela sorri. — Ele iria era me parabenizar, isso sim. Onde você acha que eu aprendi isso? Olhe e aprenda. Ela caminha até a vendedora e eu a digo, minhas bochechas queimando. — Com licença? — ela chama. A loira bonita se vira, um grande sorriso no rosto. — Sim, como eu posso ajudar? — Eu estou realmente interessante nessas sandálias lindas, mas percebi essa marca horrível nelas. Você poderia, por favor, me explicar o que é isso? A vendedora pega a sandália e faz uma careta. — Nossa, alguém que as experimentou deve ter deixado a marca. Vou ver se eu consigo limpar. — Na verdade, — Mercedes diz, — eu não quero sapatos sujos. Eu compro novo, eu quero novo. Eu vi o mesmo sapato na loja do outro lado da rua pela metade do preço; vou voltar lá. Só queria avisar você. Ela pega minha mão e nós caminhamos na direção da porta.

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— O que você está fazendo? — eu assobio. — Espere... — Moça, espere! Nós nos viramos e a vendedora vem correndo. — Como é o último par, vou vender ele para vocês por cem dólares. Mercedes parece cética, a pirralha conivente. — Eu me preocupo que a mancha não saia totalmente, sabe, — ela coloca as mãos nos quadris e revira os olhos, como se estivesse pensando se o desconto vale a pena. — Noventa dólares, — a vendedora diz. — Bem, acho que não há erro com isso. Obrigada, você é muito atenciosa. A vendedora replica. — Claro. Não gostaria que você pensasse que não valorizamos os nossos clientes. Nós pagamos a sandália e no segundo em que saímos da loja, eu me viro para ela. — Isso foi cruel! Ela provavelmente vai perder o emprego. — Ela não vai. O preço sobre ele é enorme; ela provavelmente ainda conseguiu algum lucro. Além disso, se eu for a outra loja e me queixar, a reputação daquela loja chique de sapatos iria para o espaço. — Nós basicamente roubamos esse sapato. Ela sorri. — Você só vive uma vez, Skye. — Quando você se tornou tão rebelde? Ela dá de ombros. — Eu nasci assim. Eu começo a gargalhar e passo meu braço sobre os seus ombros. Eu acho que gosto do seu lado rebelde.

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Capítulo cinco Eu me levanto sem jeito, sorrindo e mexendo no meu lindo e caro vestido que eu nunca poderia pagar. Preston não estava mentindo quando disse que tinha isso resolvido. Hoje pela manhã eu fiquei surpresa quando um entregador trouxe o mais requintado vestido de baile que eu já tive o prazer de colocar os olhos. Então ele me trouxe para a casa dos seus pais. Não. Casa não chega nem perto de descrever esse lugar gigante. Mansão é mais preciso. Eu nunca vi nada tão grande na minha vida e isso me assusta pra caramba. Eu cresci em uma casa de um tamanho bom, mas isso? Não tenho dúvidas de que isso deixa todo mundo em Denver nervoso. Eu não poderia nem começar a contar o número de quartos desse lugar, muito menos as piscinas, áreas de jogos, cozinhas, banheiros e quadras de tênis. E não esqueçamos dos jardins. Preston disse que a sua família era muito rica. Ele não estava mentindo. — Você está bem? — Preston pergunta, se inclinando e pegando meu braço gentilmente. — Só um pouco sobrecarregada, — eu admito. — Isso é demais, cedo demais? — ele pergunta e eu pego uma pitada de arrogância na sua voz. Acho que se isso tudo fosse meu, eu iria fazer o mesmo. — Não, claro que não. Eu apenas nunca tinha visto uma casa tão bonita. Ela é incrível. — Meus pais trabalharam duro para conseguir isso. O jeito que ele diz isso soa como se estivesse insinuando que o resto do mundo não trabalha duro o suficiente, mas que se fizessem,

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poderiam ter as mesmas coisas. Isso me irrita, mas eu poderia ter interpretado mal, porque estou muito desconfortável por estar em sua casa há pouco tempo. — Eu não duvido, — eu digo. — Preciso de um pouco de ar; você se importa? — Claro que não. Vou te levar para o jardim, — ele engancha um braço no meu e nós saímos da casa gigantesca passando por um bonito par de portas francesas na varanda principal. Eu me sinto como se fosse da realeza, todos os olhos em mim. Me mexo desconfortável e mantenho os olhos fixos à frente. Se eu não fizer contato visual, talvez eles não tentem falar comigo, apenas para descobrir que eu sou só uma pobre garota do interior que não se encaixa aqui. Os jardins são tão esplêndidos quanto a casa, com arbustos gigantes esculpidos e fontes d’água. Preston me leva para um gazebo deslumbrante com luzes fantásticas que fariam qualquer noiva ficar de joelhos e implorar pela chance de ter as fotos do seu casamento tiradas aqui. Nos sentamos no banco de pedra e eu me viro para ele. Preston está sorrindo para mim, genuinamente feliz. Preston poderia ser o que eu quero. Ele poderia me mostrar o mundo. Então por que eu me sinto tão desconfortável? Provavelmente estou sendo infantil porque não estou acostumada com isso, então forço meu sorriso e pego sua mão. — Obrigada por me incluir essa noite. — Sem problemas; estou feliz que você veio. Me fale mais sobre você, Skye. Eu olho para as nossas mãos. — Você provavelmente não iria me querer aqui se soubesse mais sobre mim. Minha vida é muito, muito diferente da sua. — Estou fascinado por saber. Eu o estudo e ele parece sincero. Bem, se ele está tão afim de mim como diz, então vai descobrir isso eventualmente, e eu estou ok com isso. Agora é um bom momento quanto qualquer outro para explorar o terreno. — Eu cresci com motoqueiros.

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Seu rosto não muda por um segundo, e então ele pisca. Posso ver ele lutando para manter a compostura, mas lentamente um olhar de puro horror cruza seu rosto, antes que ele volte ao normal. — Motoqueiros? — sua voz é muito menos confiante do que foi um segundo atrás. — Eu disse que você não ia gostar. — Não, não é isso, — ele diz rapidamente. — É só que... eu nunca conheci alguém que foi criada por motoqueiros. Me conte sobre isso. — Não é tão assustador e animado como você pensa. Eu tenho uma mãe, um pai e um monte de tios assustadores, — dou um sorriso fraco, tentando fazer uma piada. Ele sorri de volta, tão fraco quanto eu. — Nós somos apenas uma família. Isso é tudo, — isso é uma grande mentira. — Nada diferente da sua, — bem, exceto por todas as coisas caras. — E a sua família, ela não vive aqui, certo? Balanço a cabeça. — Não, não vivem. Eu me mudei porque queria uma vida diferente. Eu amo eles, não me entenda mal, mas quero viajar o mundo, me apaixonar e fazer grandes coisas. Eu não poderia fazer nada disso lá. — Foi uma decisão corajosa. Eu olho para ele e meu coração se derrete. — Você é a primeira pessoa a não me criticar por isso. Ele pega minha mão outra vez, esfregando gentilmente o polegar sobre os meus dedos. — Acho que é preciso ser uma grande pessoa para saber o que se quer, mas é preciso ser ainda maior para ir atrás disso. Se as pessoas te fazem sentir como se estivesse fazendo a coisa errada, elas não valem o seu tempo. — Não, — eu digo suavemente, meu coração partindo. — Elas não valem. — Você tem algum lugar de para onde gostaria de viajar? Eu suspiro feliz. — Qualquer lugar, para ser honesta. — Eu viajo muito a trabalho. Talvez um dia eu leve você comigo. Eu sorrio. — Sério? ~ 39 ~


Ele pisca para mim. — Sim, sério. Eu gosto de você, Skye. — Eu gosto de você também. Ele se inclina para frente e pega meu rosto entre as mãos, me trazendo para perto. — Eu posso te beijar? Eu coração flutua. — Sim, claro. Seus lábios tocam os meus e é bom. Suave. Gentil. Sofisticado. Uma memória dos lábios agressivos de Danny se movendo sobre os meus pula na minha cabeça e meu coração afunda um pouco mais. Claro que beijar Preston não vai ser como beijar Danny; eles são duas pessoas diferentes. Eu fiz uma escolha. Escolhi deixar ele ir. Eu tenho que deixar ele ir. Fecho meus olhos e foco em Preston, movendo meus lábios sobre os seus até que o beijo fica mais intenso. Alguém limpa a garganta. Nos viramos para um casal chocado de pé na entrada do gazebo. É um casal mais velho, e eles esbanjam elegância absoluta. É claro que eles são muito ricos. Preston se levanta rapidamente e eu também, percebendo a sua urgência. — Mãe, pai, — ele diz, limpando a garganta. Mãe? Pai? Droga. Eu sorrio timidamente enquanto Preston pega minha mão e nos aproximamos do casal maravilhoso. — Preston, — a mãe dele diz, sua voz suave como seda. Ela parece um manequim com seu corpo perfeito, cabelo loiro e olhos azuis brilhantes. — Quem é a sua amiga? Ela não parece feliz. Perfeito. — Essa é Skye. Skye, essa é minha mãe, Ann. — Olá, Ann, — eu digo, dando um passo à frente e estendendo a mão. — É um prazer conhecer você. Ela olha para a minha mão por um segundo, então a segura para um fraco aperto de mãos. — Você também, querida.

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Querida. Ugh. — Esse é o meu pai, Johnson. Olho para o homem que é bastante impressionante com seu cabelo escuro com uma pitada de cinza. Ele tem olhos verdes e a pele bronzeada. Eu não tenho dúvidas de que houve dias em que ele teve muita atenção feminina. Meu palpite é que ele é um pouco mais novo que Ann. — Olá, Johnson, — eu sorrio, estendendo a mão para ele. — Olá, Skye, — ele sorri de volta, mostrando duas covinhas perfeitas. — Bem-vinda à minha casa. Você parece adorável. — Obrigada. — Skye e eu temos saindo juntos, — Preston diz. — Ótimo, — Johnson diz, seus olhos correndo para Preston e então de volta para mim. — O que você faz, Sye? — Atualmente estou trabalhando para juntar algum dinheiro, mas ultimamente eu gostaria de viajar. — Você não vai para a faculdade? — Ann pergunta. — Acho que já tomei essa decisão, mas ainda é uma opção. — Viajar vale os gastos, — Johnson completa, dando um olhar para sua esposa. — E a sua família? — Ann pergunta. — Esse é um vestido lindo; não deve ter sido barato. Onde ela está tentando chegar? — A família dela é muito bem de vida, — Preston diz antes que eu possa abrir a boca. — Ah, sério? Você vai ter que me contar mais sobre isso depois, querida, — Ann diz, parecendo feliz. — Nós vamos indo; há muitos convidados para falar. Vemos vocês lá dentro. Eles desaparecem, e eu me viro para Preston. — Por que você fez isso? Ele abre a boca, então fecha.

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— Eu sou quem eu sou, Preston. Eu não tento ser algo diferente. Se você não gosta disso, estamos perdendo nosso tempo aqui. — Não é que eu não goste, — ele diz, mas eu já agarrei a minha bolsa e estou correndo para a saída. — Skye! Desapareço pela lateral da casa e corro até a frente, acenando para um táxi. Ele passa por mim, já cheio de gente. Frustrada, começo a andar pela rua. Preston chama meu nome de algum lugar ao longe, mas eu não paro para que ele possa se explicar. Eu posso não querer ser uma old lady, mas minha família é minha família e isso nunca vai mudar. Eu não vou me desculpar por isso, jamais. Eu ando três quadras e tudo está quieto. Ando para minha esquerda, entro em um beco e saio em uma rua silenciosa que já está escura, apenas algumas casas com luzes acesas. Preston dificilmente me seguiria até aqui. Eu me abaixo, tiro meus sapados e os chuto para fora dos pés, então os pego e começo a andar. Eu só estou a umas dez quadras do centro da cidade; posso pegar um táxi lá. Preciso clarear minha cabeça.

***

— Vamos lá, querida, — um homem jovem diz, me seguindo pela rua. — Isso vai ser divertido. Eu continuo andando, a cabeça baixa, tentando ignorar os cinco caras que saíram de uma casa que estava claramente tendo uma festa enorme. Eu só posso assumir que eles me notaram nesse vestido chique e decidiram que seria uma provocação divertida. — Não, obrigada, — eu murmuro. — Eu estou atrasada. — Você está caminhando aqui sozinha, não está atrasada para nada. Vamos lá, nós estamos tendi uma festa. Vai ser incrível. — Eu estou bem, sério. Um deles agarra o meu braço e eu paro, olhando para eles. Todos estão me dando expressões sérias agora e meu coração para. Lutar não

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vai funcionar, então eu tento de novo, dizendo cuidadosamente, — Eu realmente tenho um lugar para ir, então obrigada pela oferta. — Uma cerveja. Tudo vai ficar bem. Eu balanço a cabeça, e o homem que está me segurando aperta ainda mais os dedos em volta do meu braço, me dando um aviso. Eu nunca vou conseguir escapar desses homens, de jeito nenhum, e se eu lutar, só vou deixá-los mais irritados. Eu sou mais esperta que isso, então forço um sorriso, embora meu coração esteja disparado e vômito suba pela minha garganta ao realizar que isso pode acabar muito mal se eu não conseguir escapar. — Você quer saber? — eu digo. — Eu tive uma noite de merda; uma cerveja seria uma boa. Todos eles sorriem e meu estômago cai. O homem me segurando sorri e me puxa na direção da casa de onde a música está saindo. Uso minha mão livre para alcançar meu celular e o deslizo o suficiente para fora da bolsa para ver a tela. Meus dedos automaticamente começam a procurar por Danny. Eu acho seu número e chamo, rezando que ele me atenda, porque se isso não acontecer, estou ferrada. Deixo meu telefone cair de volta dentro da bolsa, esperando que ele escute caso atenda. — Eu só posso ficar para tomar uma, — eu digo, um pouco mais alto que o normal. — Você pode ficar para mais, linda. — Não, sério. Eu tenho que ir para casa. — Eu disse, — o homem rosna, — que você vai ficar para tomar quantas eu quiser que você tome. Deus. Isso não é bom. Olho para o número na caixa do correio. Felizmente, notei a placa com o nome da rua quando passei. Digo o endereço realmente alto, e o homem me empurrando para. — O quê? — Seu endereço, acho que já estive aqui antes, — eu minto. — Confie em mim, você não esteve, mas prometo que você não vai esquecer daqui.

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Eu estremeço quando sou arrastada para as escadas da frente e para dentro da casa. Tento não ligar para o fato de que as únicas pessoas aqui são homens. Coloco a mão sobre o telefone e vejo que tela está negra. Danny pode atendido ou não. Eu realmente não sei. — Você não vai precisar disso, — o homem diz, arrancando o telefone da minha mão. — Eu vou precisar depois para chamar um táxi, — eu digo, me esticando para pegar o telefone, tentando ficar calma e não surtar. Ele sorri e eu o estudo. Ele é lindo, o que é alarmante, considerando que há um mal que irradia dos seus olhos. Ele tem o cabelo escuro e os olhos castanho claros. Ele é alto, magro e bronzeado. — Você não vai precisar de um táxi, Minha pele arrepia, mas tenho que manter a calma. Se ele achar que eu estou surtando, só Deus sabe o que ele vai fazer. — Você tem um banheiro? — eu pergunto. — Sente, pegue uma cerveja. — Preciso mijar. — Eu disse para sentar, — ele estala, agarrando meu braço e me empurrando para o sofá. Meu estômago dá uma volta e eu quero vomitar. Não tenho um telefone; se Danny não atendeu aquela ligação, eu estou ferrada. Mesmo que ele tenha atendido, tenho que esperar pelo menos uma hora, e até lá pode ser tarde demais. Tenho que distrair esse cara por tempo o bastante para que alguém venha me ajudar. — Qual o seu nome? — eu perguntando, tentando soar sedutora, mas falhando. — Meu nome não importa. Qual o seu? — Jasmine, — eu minto. — Bem, Jazzy, — ele respira, se inclinando muito perto de mim. — Eu posso ser quem você quiser que seja mais tarde, quando você estiver gritando o meu nome. Eu quero vomitar. — Então você não tem namorada? — eu guincho.

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— Eu não preciso de uma namorada. Eu consigo o que eu quero quando eu quero. Deus, ele faz isso o tempo todo – posso ler na sua expressão. Alguém aparece e entrega a ele uma cerveja, eles dois sorriem um para o outro, e então me alcança o copo de plástico vermelho. — Beba. Está batizado. Eu não sou idiota; eu cresci com motoqueiros. — Eu não estou com sede agora. — Beba, — ele assobia. Se eu beber isso... Ele agarra o meu cabelo e puxa minha cabeça para trás com tanta força que eu grito. Ninguém na sala se mexe. — Eu disse para beber, — ele late, empurrando a cerveja contra os meus lábios e virando. O líquido escorre pela minha garganta e eu engasgo, cuspindo e arranhando, tentando tirar suas mãos de mim. A porta da frente se abre e eu ouço uma voz familiar. — Deixe ela ir, porra, ou eu vou estourar a sua maldita cabeça. O homem me solta e eu me viro, lágrimas escorrem pelas minhas bochechas, e vejo Danny parado na porta, a arma em sua mão apontada diretamente para o homem me segurando. Todos na sala estão prestando atenção agora. — Ei, cara, — o homem diz enquanto se senta casualmente ao meu lado. — Eu não conheço você; eu apenas estou me divertindo. — Essa garota não quer se divertir. Você claramente sabia disso, porque a estava forçando a beber. Se levante. — Ouça, eu... — Se levante! — Danny ruge. Eu estremeço, não porque estou com medo, mas porque Danny é incrivelmente assustador quando está assim. Seus olhos encontram os meus e ele diz, — Venha aqui, querida. Eu me levanto com as pernas vacilantes e vou até ele. No segundo que estou ao seu lado, seu braço me agarra pela cintura e ele me puxa para perto. Conforme me invade e eu luto para permanecer de pé. Meus joelhos tremem e meu corpo está dormente de alívio. Ele devia estar na cidade. Ele atendeu a minha ligação. Graças a Deus. ~ 45 ~


— Eu não sabia que ela era sua! — o cara grita. — Não importava se ela era minha ou de outra pessoa. Você anda por aí drogando e estuprando mulheres por diversão, isso faz de você um homem morto. — Por favor, — ele guincha. — Eu não... Danny nos vira. — Eu vou voltar para você e vou te encontrar. Então ele junta a minha bolsa e telefone do chão e nos leva até a porta. Meus joelhos estão tremendo, e quando alcançamos a escadaria da frente, eu caio. Danny me segura, como ele sempre faz, e me puxa de volta para cima. — Cuidado, baby, você está drogada. É isso que eu estou sentindo? Tudo em meu corpo está leve e minha cabeça está tão clara que é assustador. Eu não pareço ter controle dos meus membros. Danny guarda a arma e me levanta em seus braços, meu corpo pesado não o ajuda nem um pouco quando ele me leva até a sua moto. — Você não vai conseguir se segurar. Vou chamar o seu pai. — Danny, não! — eu grito. — Por favor, não. Ele estuda o meu rosto. Seus olhos amarelos parecem realmente espetaculares essa noite. — Me dê cinco minutos então. Ele pega o seu telefone e liga para alguém. Eu mal escuto a conversa, porque minha cabeça está caindo para o lado enquanto eu luto para me impedir de desmaiar. Eu agarro a sua jaqueta e sussurro seu nome. Eu não gosto dessa sensação se espalhando pelo meu corpo – é horrível. Eu não tenho controle algum, e estou tão perto de apagar que me dá medo. — Danny, — eu sussurro de novo. — Eu não posso... — Eu tenho você, Skye. Sempre estou com você. Não vou deixar nada te machucar. Essas são as últimas palavras que escuto antes de desmaiar.

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Capítulo seis A realidade vem como um choque no meu sistema gasto e cansado. Eu acordo na minha cama, as cobertas cuidadosamente colocadas ao meu redor, meu corpo posicionado de lado. Eu pisco rapidamente algumas vezes, tentando clarear a visão. Leva alguns momentos, mas eu logo percebo que não estou sozinha. Danny está sentado como um estranho alto e escuro na cadeira no canto do quarto, seus cotovelos apoiados nos joelhos, seus olhos em mim. Eu me pergunto há quanto tempo ele está sentado assim. — Q-q-q-quanto tempo eu estive fora? — eu coaxo. — Dez horas, mais ou menos. Dez horas? Meu Deus. — Como você está se sentindo? — ele pergunta. Eu empurro meu corpo para sentar, e minha cabeça lateja em protesto. — Ok, — eu falo. — Estou com uma dor de cabeça de matar. — Isso vai durar até as drogas saírem do seu sistema. Eu percebo um balde no chão e toalhas jogadas por tudo. — O quê? — eu respiro, confusa. — Você esteve fora por dez horas, mas surtou e vomitou por duas horas antes de desmaiar. Eu estremeço. — Eu... surtei? — Sim, você surtou. As drogas não te fizeram bem e você perdeu a cabeça, pensando que alguém estava na sua casa, e lutando comigo cada vez que eu me aproximava. Você vai ficar com alguns hematomas, eu tive que segurar com força. — Eu te machuquei? — eu perguntei, encontrando seus olhos.

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Ele dá de ombros. — Alguns arranhões, nada demais. — Danny, eu sinto muito... — O que você estava fazendo lá, Skye? Eu olho ao redor e esfrego meus braços, estremecendo quando me lembro da noite passada. — Eu estava em uma festa com um amigo e nós brigamos, então eu fui pegar um táxi para ir embora. Aqueles caras me viram e basicamente não me deram escolha a não ser ir com eles. Eu tentei ficar calma, mas a coisas saíram de controle. Eu não sabia se você ia atender minha ligação, então enquanto estava lá... — minha voz quebra, e eu estremeço quando me lembro do medo que senti quando pensei que Danny não ia atender o telefone. Ele se levanta da cadeira e se aproxima, parando na minha frente e me encarando. — Nós podemos ter nossos problemas, Skye, mas você não me ligou em uma semana, então eu sabia que havia uma boa razão para você pegar o telefone e decidir me chamar... Eu aceno e encaro suas botas, porque não posso olhar nos seus olhos. Apenas não posso. — Desculpe por você ter que ir me resgatar. Eu sei que nós não deveríamos nos ver, mas... foi automático, sabe? Eu te chamei sem pensar duas vezes. — Olhe para mim, Skye. Eu levanto o olhar para ele. Ver a intensidade nas profundezas amarelas faz meu coração doer ainda mais. — Eu sempre vou estar lá se você estiver com problemas, independentemente de qualquer coisa. Por sangue, você é parte do clube que eu vou comandar – esse é o meu trabalho. Não se desculpe por me pedir para fazer isso. Seu trabalho. É o seu trabalho. Droga, isso dói. — Bem, eu estou bem, agora você pode ir, — eu digo e posso ouvir a amargura em minha própria voz. — Skye... Eu levanto, tropeçando. Ele me alcança e me segura pelos braços, me equilibrando.

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— Me solte, Danny, por favor, — eu sussurro, olhando para o seu peito, evitando aqueles olhos penetrantes. — Nós dois concordamos que é assim que as coisas devem ser. Eu vou estar lá para você como futuro presidente, mas não posso estar lá como amigo. Foi uma decisão que você me ajudou a tomar. Eu cansei de brigar com você. Se não podemos viver com essas escolhas... — Você tem razão, eu entendo. Você pode me soltar agora. Meu coração está martelando e todo meu corpo dói, mas principalmente minha alma está quebrada pelo homem à minha frente, porque eu amo tanto que estou começando a esquecer as razões para não estar com ele. — Skye, — ele avisa. Eu me afasto dos seus braços. — Eu sinto sua falta, Danny. Eu sinto tanto a sua falta que dói – e eu odeio isso. Eu sei as escolhas que fiz, mas isso não muda o fato que está me matando ficar longe de você. O simples fato de que não importa o que eu faça, não posso estar com você, é o bastante para me enviar sobre a borda. Eu te amo com cada parte de mim, e deixar você ir embora não é fácil, mesmo que tenha sido uma escolha. Você não entende isso? — Eu entendo, — ele diz, sua mandíbula apertada. — Mas eu não deixei você ir embora por escolha, Skye, então imagine como essa merda é para mim, considerando que você foi a única a tomar essa decisão. Aqui vamos nós outra vez. — Eu não vou discutir com você sobre isso. Cansei de brigar. Nós podemos ir de um lado para o outro, mas o final nunca muda. Eu sei que tomei a decisão de deixar você e a vida que você queria, e vou viver com isso. Eu nunca disse que ia ser fácil. Ele afasta o olhar. — Você deveria ir, — eu digo, olhando para os meus pés. — Nós apenas vamos acabar brigando. Obrigada pelo que você fez por mim na noite passada. Eu realmente agradeço. Ele olha para mim outra vez, e posso ver a dor crua por trás dos seus olhos. Isso dói. Dói demais. — Por que você não consegue ver o que está bem na sua frente? — ele diz, sua voz um rugido baixo.

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— Deus, Danny, se isso fosse apenas sobre você, não seria tão difícil, mas não é. Eu vivi com o clube toda a minha vida e sei que você não entende porque esse é o único lugar que você quer estar, mas para mim não é assim. Eu quero fazer tantas coisas e o pensamento de ser uma old lady... eu não posso... apenas não posso. Ele caminha até mim e coloca a mão na minha nuca, me trazendo perto o bastante para pressionar seus lábios na minha testa. Ele me segura ali por um longo tempo e eu deixo, apenas o respirando. — Esse não é o único lugar que eu quero estar, Skye. Se você abrisse seus malditos lindos olhos, veria isso, porra. Com ele, ele se vira e sai pela porta, a fechando atrás de si. Eu caio na minha cama e deixo as lágrimas escorrerem. Que diabos estou fazendo?

***

— Me desculpe, Skye. Eu nunca quis te ofender com as minhas palavras; eu só não queria que você fosse bombardeada pela minha mãe. Ela pode ser terrível e eu não achava que você merecia isso. Eu disse a ela quem você é; eu não escondi. Eu não tenho vergonha de você. O que eu preciso fazer para provar isso? Eu olho para Preston, que está parado na minha frente uma semana depois, as mãos juntas, parecendo desesperado. Ele esteve tentando me ligar desde a noite que eu saí da mansão, mas eu o ignorei. Eu precisava pôr a cabeça no lugar, faz escolhas. Depois da visita de Danny, eu fiquei confusa e não podia dizer o que era esquerda ou direita. Eu sei agora o que tenho que fazer, então finalmente aceitei a ligação de Preston e ele veio até aqui. — Eu sei que você não quis dizer aquilo, — eu digo, sorrindo tranquilizadoramente. — Eu só estou um pouco sensível agora. — Eu não quero parar de ver você, Skye. Eu gosto de você. Acho que podemos funcionar bem juntos. — Duvido que seus pais achem isso também, e há algumas coisas que eu quero falar com você antes da gente continuar...

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Ele assente e estuda meu rosto. — Está tudo bem? — Eu estive vendo um membro do clube por um tempo antes de me mudar para cá. Ele significa muito para mim, mas isso nunca vai dar certo e nós dois sabemos disso. Eu só quero que você saiba, e eu entendo se você acha que não pode lidar com isso. — Você ainda tem sentimentos por ele, — ele diz, mas não é uma pergunta. — É algo que eu não posso explicar, mas sim, eu acho que sempre vou ter, só que preciso seguir em frente – eu quero seguir em frente. Nós queremos coisas diferentes e essas coisas nunca vão achar um jeito de combinar. — Você quer continuar me vendo? Eu assinto. — Eu quero continuar vendo você. Eu só queria ser honesta. — Eu entendo o que você está dizendo. Como nenhum traiu o outro, eu não tenho problemas que você leve o seu tempo para seguir em frente. Eu sorrio de alívio. Foi a escolha mais difícil da minha vida deixar Danny ir. Não importa quantas vezes nós conversamos sobre isso, apenas acabamos andando em círculos. Ele tem o direito de seguir o caminho que ele quer para sua vida, mas eu também. Eu não posso desistir dos meus sonhos para ser uma old lady, e ele não pode desistir de ser presidente para me seguir ao redor do mundo. Eu sei que ele esperaria por mim se eu pedisse, mas eu nunca faria isso. Ele merece ser amado, ser feliz, ter uma old lady leal ao seu lado. Eu não posso ser essa pessoa. A vida no clube é tudo que eu conheço, mas é tudo que eu não quero para mim. — Então nós estamos bem? Ele acena, me puxando para os seus braços. Preston é legal. Ele é educado e quer as mesmas coisas que eu. Ele quer viajar e ver o mundo. Eu não sei se nós vamos ficar sérios o bastante para chegar a esse ponto, mas pelo menos estamos na mesma página. Eu quero ver

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aonde isso vai, mas principalmente, eu preciso achar um jeito de me afastar de Danny. — Eu sei que a minha família pode ser assustadora para você, mas se isso ficar sério, você sabe que vai ter que conhecer eles, certo? Ele olha para mim. — Eu não sou tão mole quanto pareço. Eu adoraria conhecer a sua família. Eu sorri. — Obrigada. Isso significa muito. — Agora aonde eu devo levar você? Não terminamos nosso último encontro muito bem. Eu rio suavemente e ele aperta seus braços ao meu redor. Tudo vai ficar bem. Vai ficar.

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Capítulo sete DUAS SEMANAS DEPOIS — Você tem certeza disso? — eu pergunto a Preston, tamborilando os dedos nervosamente no assento do passageiro do seu carro enquanto atravessamos a autoestrada. — Nós estamos namorando há um mês, Skye. Acho que está na hora de conhecer a sua família; é a coisa certa a fazer. — Eu sei, mas eles são motoqueiros e... — Vai ficar tudo bem, — ele me assegura, segurando e apertando minha mão. — Eu não tenho problemas com isso. — Eles podem ser cansativos, e inconvenientes e loucos... Ele ri. — Eu não sou fraco; eu vou ficar bem. Eles podem fazer o que quiserem para ver que eu sou bom para você. Eu aceno e olho para fora da janela, meu coração disparado. É aniversário do meu pai nesse final de semana, e então Peterson e eu decidimos que era hora de ir para casa encontrar eles. Eu disse à minha família que ia levar meu namorado, e meu pai deixou escapar algumas ameaças sutis sobre como ele ia chegar se ele era bom o bastante, e se não fosse, ia mandá-lo embora. Oh, Deus. Minha mãe assegurou que ela não ia deixar meu pai ser um imbecil, as isso nunca o impediu antes. Isso para não mencionar que Danny vai estar presente, e eu não ouvi falar desde que ele se afastou. Eu não sei como ele vai reagir, e pior, eu não quero que ele se magoe pelo fato de eu ter trazido Preston para casa. Isso não vai fazer eu me sentir bem, e eu estive trabalhando duro para me sentir bem. As coisas estão bem com Preston. Ele faz todas as coisas mais incríveis. Ele me leva para encontros, para o cinema, me compra flores ~ 53 ~


e chocolates, e basicamente, me faz flutuar nas nuvens. Ele é carinhoso e amoroso, e às vezes um pouco certinho, mas até agora isso não foi um problema. Eu deixo para lá porque me considero apenas um pouco mais durona, o que me faz notar mais. Ele está viajando para Paris no próximo mês e quer que eu vá junto. Paris. Levaria anos para eu economizar o suficiente para ir a Paris, e isso me faz sentir culpada, como se tivesse alguém no fundo da minha mente me dizendo que estou com Preston porque ele pode me dar essas coisas. Eu não sou esse tipo de pessoa, mas eu disse sim rápido demais quando ele me pediu para acompanhá-lo na sua viagem de negócios. Eu mal sei quem sou nesses dias, tendo me perdido em algum lugar ao longo do caminho. Eu realmente estou tentando entender tudo isso. — Pronta? Eu estremeço e olho ela janela para o complexo. Não estive em casa desde que parti, e meu coração dói de felicidade. As motos estão alinhadas do lado de dentro da cerca e eu sei que todos estão aqui. Claro que eles estão – ninguém ia perder a chance de dar uma checada no homem que eu trouxe para casa. Eu me viro e olho para Preston, que estuda o lugar, parecendo extremamente nervoso. Eu olho para as suas roupas. Sim, eles vão ter um dia cheio com ele. Ele está vestido do que gosta de chamar de casual, mas em nosso mundo, isso é algo muito elegante. Ele está vestindo calças pretas de alfaiataria e um suéter cinza de gola V. Se ele ao menos estivesse usando jeans, não seria tão ruim. Mas eu não quero que ele mude pela minha família. Esse é o homem que eu estou namorando, e eu tenho esperanças de que eles irão gostar dele tanto quanto eu gosto. Sim, certo. Quem eu estou enganando? Eles vão comer ele vivo. — Você tem certeza de que quer fazer isso? — eu pergunto de novo, rezando para que ele diga ―De jeito nenhum, vamos dar o fora daqui‖. — Claro, — ele diz, abrindo a porta e saindo do carro. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus.

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Eu saio do carro depois dele e arrumo meu top, então passo as mãos pela minha calça jeans antes de ir até ele. Eu o levo através dos portões da frente em direção ao velho prédio de tijolos. Meu coração está na garganta o tempo todo, e meu estômago dá voltas. Preston pega minha mão e aperta. — Vai ficar tudo bem. Ele não conhece a minha família. Nós passamos pelos degraus da entrada e a porta da frente se abre antes de nós chegarmos até ela. Max avança e me levanta em seus braços, me girando em um círculo completo. — Você está aqui! Eu não posso evitar; começo a rir e envolvo meus braços ao redor do seu pescoço, o abraçando apertado. — Max, é tão bom ver você! Ele me solta e coloca as mãos em cada lado do meu rosto, me dando um beijo na testa. — Estou tão feliz de te ver, Skye. — Eu também. Max, esse é o meu namorado, Preston. Max olha para Preston, faz uma rápida inspeção e então sorri com malícia. Max é a pessoa mais legal que Preston vai conhecer nesse clube. — Como você está? — Max pergunta, estendendo a mão. — Bem. Prazer em te conhecer. Eles apertam as mãos e estudam um ao outro, então o momento é interrompido quando Ava chega balançando a porta. Ela se atira em mim e nós tropeçamos alguns passos para trás antes de conseguirmos nos equilibrar. — Minha pequena sobrinha fofinha está em casa! — ela chora. — Ava, — eu bufo, a abraçando apertado. — Me chame assim de novo e eu vou bater em você. Ela se afasta e sorri. — É bom te ver, garota. Você está linda. Seus olhos correm para Preston e ela sorri. — E você! Você não é lindo? — Ava! — eu assobio. Preston ri e estende a mão. — Prazer em te conhecer. — Você também. Eu sou Ava. A tia dela. Preston levanta as sobrancelhas.

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Ava ri do olhar em seu rosto. — Longa história. Vamos lá. Tomo uma respiração profunda e pego a mão de Preston, depois entro no clube. Nós estamos na área de estar principal, onde cada um dos motoqueiros do clube está esperando. Eu quero gemer alto quando todos os olhos correm para Preston, e a sua mão fica um pouco frouxa na minha. Eu estaria com medo também. — Ah, — eu guincho. — Olá, pessoal. Meu pai é a primeira pessoa a dar um passo à frente, seus olhos em Preston. Eu faço uma fraca tentativa de distração me jogando em seus braços. — Pai. — Oi, bonita, — ele diz, me abraçando forte, mas mantendo os olhos no meu pobre namorado, que parece aterrorizado. — Meu bebê! Eu me viro para a minha mãe e sorrio com vontade quando ela joga os braços ao meu redor. Passo os próximos cinco minutos abraçando todos antes de voltar para perto de Preston. É quando eu percebo que Danny não está aqui, e tento ignorar a maneira como meu coração cai. — Pessoal, esse é o meu namorado, Preston. Preston, ah, esse é o pessoal. Preston levanta a mão. — Oi, — ele diz, sua voz aparentando nervosismo. — E o mais importante, — eu continuo, — esses são os meus pais, Addison e Cade. Preston dá um passo à frente e estende a mão para o meu pai. Meu pai, que ainda está lhe encarando, estende a mão e segura a dele, claramente apertando forte demais, porque o rosto de Preston fica vermelho. Oh, Deus. — Cade, — minha mãe estala, o empurrando para fora do caminho. — Olá, Preston. Não se incomode com o meu marido; ele tem problemas de protecionismo. Prazer em te conhecer. Preston olha para a minha mãe e sorri. — Prazer em conhecer você também, Addison. — Me chame de Addi.

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Uma porta no corredor bate ao fechar e alguns segundos depois Danny aparece, seguido por uma das vadias do clube, Kendra. Meu coração para na garganta e meu estômago cai. Ele está fechando a calça jeans, e não é necessário ser um gênio para saber o que ele estava fazendo. Claro que ele estava. Ele não tem motivos para não fazer. Mas isso dói, mais do que eu jamais imaginei. Seus olhos encontram os meus e arregalam um pouco, então eles correm para Preston e endurecem. — Ah, Danny, — minha mãe diz. — Skye trouxe seu novo namorado, Preston, para nós conhecermos. Danny termina o que estava fazendo com sua calça jeans e caminha, parando na frente de Preston. Ele parece muito maior do que o meu namorado, e eu quero gemer quando ele estende a mão. — Prazer em te conhecer, Pres. — Preston, — Preston o corrige, e eu quero me curvar e morrer. — Eu não tenho apelido, e é um prazer te conhecer também. Danny, certo? Danny grunhe e solta a mão de Preston. — Eu conheci um cachorro chamado Preston uma vez. Um fodido bastardo aquela coisinha era. Ah, ele não fez isso. Preston se endireita. — Bem, eu conheci um cachorro chamado Danny uma vez. Acho que é um mundo pequeno. Danny sorri para ele, assustadoramente. — Calças legais. Você mesmo que fez? Preston se eriça, mas não responde. Danny continua. — Skye não te contou que ela odeia homens certinhos? Não, ela provavelmente não contou. Ela está fazendo um showzinho para você. — Danny! — Ava assobia. — Pare. Ele olha para ela, então para mim e sorri. Sorri! — Oi, baby, — ele pisca. Ele. Não. Fez. Isso. Eu não digo nada; apenas olho para ele.

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— Enfim, — minha mãe, olhando entre Danny e eu, e então pegando a mão de Preston, — vamos mostrar o lugar para Preston? Eu não digo nada, apenas os sigo e ouço quando ela sussurra no seu ouvido sobre o clube e sobre mim. Ele fala livremente com ela, o que é legal. Minha mãe é alguém super fácil de amar. Chegamos à porta da frente e eu olho de novo para o salão para ver Danny sentado no bar, me encarando. Eu me viro, sem lhe dar nada. — Acho que vou mostrar melhor o lugar para Preston da próxima vez. Nós deveríamos voltar para o hotel, — eu digo para minha mãe. — Mas eu talvez volte mais tarde para dar oi antes do churrasco de amanhã. — Isso seria ótimo; não nos vemos faz tempo. Eu sorrio, mas é fraco. — Ótimo, te vejo mais tarde então. Ela me abraça apertado e vira, sussurrando, — Não deixe eles fazerem isso com você, querida. Eles só estão sendo protetores. Eu aceno e me afasto. — Eu te amo. — Eu te amo também. Eu pego a mão de Preston e nós saímos. E uma parte de mim não quer mais voltar.

***

— Imagino que Danny é o homem com quem você estava saindo, — Preston diz quando chegamos ao hotel. Nós não dissemos praticamente nada no carro. Bem, nós tentamos conversar, mas eu me fechei, horrorizada pela maneira como Danny o tratou. — Como você adivinhou? — eu murmuro, empurrando a mala para debaixo da cama. — Não é preciso ser um gênio.

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Eu olho para ele. — Me desculpe, Preston. Eu gostaria de dizer que eu esperava que eles se comportassem melhor, mas não. As coisas que ele disse, elas não são verdade. Ele só estava tentando incomodar. Ele dá de ombros. — Foi muito melhor do que eu esperava. Eles não foram tão maus. Eles são protetores; está tudo bem ser assim. — Foi algo muito corajoso entrar lá e encarar todos eles daquela maneira. Ele passa um braço ao redor da minha cintura. — Eu faria isso de novo por você. Seus lábios encontram os meus e eu deixo ele me beijar. Eu preciso de uma distração. Eu preciso tirar da minha cabeça a imagem de Danny saindo do quarto fechando a sua calça. Preciso acalmar a dor irracional no meu coração. Então eu deixo Preston entrar. Eu deixo ele tirar a minha roupa. Eu deixo ele nos deitar na cama. Eu deixo ele me beijar em todos os lugares. Eu deixo ele fazer amor comigo, lento, doce e gentil. Eu deixo ele fazer com que eu acredite por um pequeno segundo que sou capaz de superar Danny e que o que nós estamos fazendo é certo. Enquanto que, lá no fundo, fazer amor com qualquer um que não seja Danny parece malditamente errado.

***

— Onde está Danny? — eu pergunto a Ava naquela mesma noite. Preston me deixou voltar ao clube sozinha para conversar com a minha família. Ele tinha trabalho para fazer e estava mais do que feliz em me deixar ter um tempo com eles. Na verdade, eu queria voltar e dizer a Danny que o que ele fez foi inaceitável. Eu estou tão furiosa com ele. Eu sei como deve ter sido me ver com Preston, mas ser um babaca e agir como um – isso não é justo. — No quarto dele, mas querida, você tem certeza que quer entrar lá? Eu paro no meio do caminho. — Ele não está sozinho?

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— Não, não é isso. É que vocês dois são como dois rojões e estão bravos um com o outro. Ele está magoado. Você imagina como deve ter sido ver você com Preston hoje? Não seja dura demais com ele. — Ele não tem problemas em transar com outras mulheres, Ava. Problema nenhum. Ainda assim, eu não tenho permissão para seguir em frente? Não, ele não pode agir assim. — Skye... Eu avanço pelo corredor direto para o quarto de Danny. Eu não bato; apenas abro a porta e entro. Danny está no banco de exercícios, levantando pesos, seminu. Suor escorre pela sua pele, e seu corpo é grande e musculoso. Minha respiração fica presa na garganta e meus joelhos ficam fracos. Droga. Eu queria que meu corpo parasse de me trair cada vez que estou em um quarto com ele. — Estava me perguntando quando você viria aqui me dar uma palestra, — ele diz, sem olhar para mim. — Por que você fez aquilo? — eu pergunto. Ele abaixa os pesos e se senta, pegando uma toalha de uma cadeira próxima e secando seu corpo. Seus músculos estão pulsando do esforço físico e estão ainda maiores do que costumam ser. Eu tenho que afastar o olhar, porque se ficar olhando para ele por mais um segundo, vou arrancar minhas roupas e me atirar nele. — Fiz o quê? Incomodei o garoto bonito? — Jesus, Danny, pare! — eu exclamo. — Pare com isso. Ele olha para mim, segurando meu olhar. — Parar o quê? Eu não gosto dele, não importa quem o trouxe aqui. Ele é um maricas. Eu estremeço. — Ele não é um maricas. Ele é carinho e bom para mim. — Ele também é rico. Me diga, Skye, quando ele vai te levar para a sua adorada viagem pelo mundo? Eu estremeço de novo. — Pare, — eu sussurro. — Será que acertei um nervo? Nós dois sabemos que esse homem não está nem perto de ser o que você quer, então há somente uma razão para você estar com ele, e é conseguir o que você quer. — Por que você está sendo assim? — eu estalo.

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Ele se levanta, e seu short cai baixo na sua cintura. Meu pulso acelera. — Eu não estou sendo nada, apenas honesto. Você é a única surtando porque não pode lidar com o fato de eu estar certo. — Você não está certo. Eu gosto dele. Danny bufa e joga a toalha longe antes de cruzar os braços. — É mesmo? — Sim, é mesmo. Pare de ser um idiota com ele, Danny. Estou tentando seguir em frente com a minha vida. — Ele te fode tão forte que você arranca sangue quando arranha suas costas? Eu pulo. — Pare. — Ele come a sua buceta tão bem que você grita o seu nome não uma, mas dez vezes? — Danny, pare. — Ele te monta tão gostoso que você desmorona na cama quando ele termina, choramingando e arqueando por mais? — Pare! — eu rosno. Danny sorri. — Não, baby, ele não faz nada disso. Ele provavelmente te fode bem lento, bem especial, mas isso não é bom, não é? Isso não faz o seu coração acelerar, não faz sua pele formigar e não faz o seu corpo doer de prazer. Você quer saber porquê? — Danny, — eu peço. Ele se aproxima e se inclina até que sua boca está bem perto do meu ouvido. Sua respiração bate na pele ali, e isso me faz arrepiar. — É porque ele não é eu, Skye. Ele nunca vai te foder do jeito que eu te fodo, e ele nunca, jamais, vai te amar do jeito que eu te amo. Ele dá um passo para trás e eu empurro seu peito. — Eu te odeio, — eu choro, as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. — Eu te odeio. Eu te odeio tanto. — Não, baby, você não me odeia. Se você me odiasse, não se importaria com o que eu penso do seu namorado mauricinho. — Você estava aqui fodendo vadias, mas tem a coragem de parar na minha frente e fazer parecer como se eu fosse a única com problemas? ~ 61 ~


Ele sorri para mim e eu quero lhe dar um tapa. — Você que me dispensou. Então você perdeu o direito de se importar com quem eu fodo. Eu guincho em frustração e lanço a mão na direção do seu rosto, mas ele a pega antes que eu sequer chegue perto, puxando meu corpo contra o seu. Sua pele está quente e seu corpo, duro, lindamente duro. — Você fez a sua escolha – viva com ele, — ele rosna. — Se você não pode lidar com o que eu penso do seu namoradinho, então não o traga aqui. Ele me solta e eu tropeço para trás antes de retomar o equilíbrio. — Eu não sei porque eu me incomodei em vir aqui, — eu sussurro. — Não, — ele diz, se virando de costas. — Eu também não. Feche a porta ao sair, ok? Meu coração se parte em um milhão de pedacinhos. Eu saio e fecho a maldita porta atrás de mim. É o fim definitivo de Danny e Skye.

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Capítulo oito — Então você dirige um carro rápido? — meu pai pergunta, os braços cruzados, encostado na sua moto. — Sim, — Preston responde com um sorriso. — Eu gosto de coisas rápidas, do poder por trás delas. — Mas você não conseguiria lidar com a rapidez de uma moto, — meu pai diz. Ele sorri. Eu gemo. Minha mãe olha para o céu. Preston encara o meu pai. Ele pode não ser áspero como esses motoqueiros, mas ele claramente sabe o que meu pai está fazendo e ele não quer ser feito de idiota na frente de todos. — Não pode ser tão difícil. Eu gosto de coisas rápidas. Não deixe que a minha aparência te engane, Cade. Eu não sou um maricas. O sorriso do meu pai fica ainda maior. — Se você me provar isso, eu talvez possa pensar que você é bom o bastante para a minha garotinha, porque, nesse momento, eu realmente não acho isso. — Pai, — eu gemo. Preston olha para mim. — Está tudo bem, Skye. Eu posso fazer isso. — É perigoso, — eu digo, segurando seu olhar. — Se ele é homem mesmo, — meu pai diz, — ele vai provar isso. Preston estremece. Eu olho para o meu pai. — Eu tenho um dos carros mais rápidos do Estado, — Preston grunhe. — Velocidade não me assusta, assim como as motos. Meu. Deus. — Eu vou rir de felicidade quando você bater, porque carros e motos são coisas diferentes.

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A voz de Danny atrás de mim faz minha espinha se endireitar. Eu não me viro para olhar para ele. Eu não ao menos quero. Apenas ver seu rosto agora vai me deixar irritada. Ou triste. Provavelmente triste. Preston olha sobre o meu ombro para ele. — E eu vou rir de felicidade quando provar que você está errado – velocidade é velocidade. Isso não vai acabar bem. Eu dou um passo à frente e seguro o bíceps de Preston. — Talvez você não devesse fazer isso. Você não precisa provar nada para eles. — Eu tenho, — ele diz, passando um braço ao redor da minha cintura. — Preciso provar que sou bom o bastante para você. Danny bufa atrás de mim. Eu o ignoro, e isso não é fácil. — Por favor, — eu sussurro. — Eu não quero que isso acabe mal. — Não vai. Confie em mim, ok? Eu sei que vai, mas não tenho como impedi-lo. Está escrito no seu rosto. Eu só posso lhe dar apoio e rezar para que tudo dê certo. — Ok, — eu digo, me afastando dele e finalmente olhando para Danny, que me observa, uma expressão de dor no seu rosto. Isso dura um segundo antes que a sua máscara dura volte, mas eu vi, e meu coração instantaneamente aperta. Eu estou magoando ele. Eu odeio isso. Droga, eu odeio isso. — Certo, garoto, — meu pai diz, e nós dois viramos para ver ele empurrando uma velha moto na nossa direção. Isso não é bom. Preston olha para a moto e dá um passo para trás, estendendo a mão para o capacete que Spike empurra nele, batendo no seu peito. — Você tem que ser tão duro? — Preston estala. E a coisa só piora. — Endureça, filho, — Spike grunhe. Alguém me mate. Preston olha para Spike e então coloca o capacete e se vira, pegando a moto do meu pai. Ele joga uma perna por cima e liga o motor. Talvez ele não vai ir tão mal afinal. Ele balança para frente no

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primeiro solavanco, mas consegue se estabilizar. Ele faz isso mais algumas vezes antes de finalmente conseguir tirar o pé do chão. Meu pai começa a rir quando a moto oscila. Spike gargalha quando a moto avança e para, avança e para. Danny sorri quando a moto arranca para frente, e os gritos de Preston podem ser ouvidos a milhas de distância. Ele vai se machucar. Começo a correr na direção da moto que agora voa na direção de uma cerca. Preston está gritando e se segurando, suas pernas se debatendo, suas mãos no guidão. — Skye! — Danny late. — Puxe o freio, — eu grito para Preston. — Puxe o freio. Ele puxa o freio com muita força, a moto faz uma parada brusca e seu corpo é arremessado para frente. Ele cai na terra com um baque eu estou correndo na direção dele agora, gritando seu nome. Ele se empurra do lugar que caiu e se levanta, arrancando o capacete da cabeça. — Jesus Cristo! — ele grita para o céus. Sangue escorre do seu cotovelo. — Você está bem? — eu digo, parando na frente dele, ofegante. — Preston? — Essa moto foi adulterada? — Preston exige na direção do meu pai, que está parado ao meu lado agora. — A moto não foi adulterada, — meu pai rosna. — Você apenas não sabe como montar, e o seu orgulho tirou o melhor de você. — Mentira, — Preston grita. — Você armou para eu falhar. Vocês todos. Eu poderia ter morrido. — Filho, se acalme, — Spike avisa. — Eu não quero ter que te obrigar a isso. — Nem pense em me tocar, — Preston late. Ah, cara. A merda está prestes a ficar feia. — Preston, — eu digo com cuidado, — a gente deveria ir embora.

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— Com certeza eu vou embora! — ele estala, se virando e indo furioso na direção dos portões de entrada. Seu carro acelera no lote e ele acelera cantando pneu. Eu me viro para o meu pai no segundo em que ele se vai. — Você está orgulhoso? — eu estalo. Ele cruza os braços. — Ele não é bom o bastante para você, Skye. — Essa não é uma escolha sua! — eu grito tão alto que ele recua. — Eu estou cansada desse clube e das suas tentativas de controlar a minha vida. E todos vocês se perguntam porque eu não estou mais aqui. Eu espero que vocês estejam envergonhados de si mesmos. — Skye, querida, — minha mãe diz com cuidado. — Preston trouxe isso para si mesmo. Eu me viro para ela, lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. — Para provar que ele é bom o bastante, mas ele não tinha que fazer isso. Ele não deveria ter que fazer isso. Ele poderia ter morrido porque você — eu giro e aponto para o meu pai — sabia muito bem que ele não ia conseguir dirigir uma moto. — Pare com isso, Skye, — meu pai diz, sua voz dura. — Não, — eu falo, as lágrimas ainda mais fortes. — Pare você com isso, pai. Isso foi injusto e você sabe. Eu esperava vir aqui e que todos vocês provassem que eu estava errada, que vocês dessem uma chance a ele, mas não. Vocês agiram exatamente como o mundo espera – como motoqueiros. Eu já deveria saber. — Skye, — Danny diz, e eu me viro e empurro um dedo no seu peito. — Não fale comigo. — Vamos lá, garota, — Spike diz cautelosamente. — Eu cansei. Eu vou para casa. Não me liguem. Pegando minhas coisas, eu me viro e corro para os portões de entrada, ignorando os seus chamados. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas enquanto eu corro pela estrada. Eu estou ferida. Por várias razões. Eu me sentia tão culpada por ter me afastado do clube, mas eles acabaram de provar o motivo exato de eu ter feito isso. Não importa o que eu faça da vida; eles sempre vão ser assim. Eu sei que é quem eles são, mas o que eles fizeram hoje foi errado.

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E foi injusto. Eu começo a correr, meus sapatos batendo na terra ao lado da estrada. Carros passam em alta velocidade, mas eu não paro. Eu preciso chamar um táxi e ver se Preston está bem. O rugido de uma Harley atrás de mim faz minha pele formigar, mas eu não paro. Eu continuo correndo, suor escorrendo pelo meu rosto, se misturando com as minhas lágrimas. A moto diminui de velocidade ao meu lado, os canos fazendo um zumbindo com o qual estou muito familiarizada. Danny. — Suba na moto, Skye. Eu continuo correndo. — Skye, eu vou te colocar na moto. Você sabe que eu vou. Eu continuo correndo. — Porra. A moto para, então suas botas estão batendo atrás de mim. Eu corro mais depressa. Mais rápido. Dou tudo que eu tenho. Eu me viro e atravesso a estrada para o lado onde mais carros passam. — Skye! — Danny late, sendo parado pelos carros. — Pare, pelo amor de Deus. Eu não quero ouvir o que ele tem a dizer. Eu não quero ouvir o que nenhum deles tem a dizer. Eu já cansei de ouvir. Eu preciso ter certeza que Preston está bem. Eu sei que o aconteceu hoje foi em parte culpa dele, mas eles sabiam muito bem que ele não podia dirigir uma moto. Se ele se matasse, isso teria sido culpa deles. Isso foi estúpido e irresponsável. Um táxi vem pela estrada na minha direção, e eu levanto a mão para ele parar. Danny me alcança bem quando ele começa a diminuir a velocidade. Sua mão grande se curva no meu braço e eu giro, batendo contra ele. Eu me empurro para trás e evito olhar no seu rosto. Eu não posso mais fazer isso. Nada disso. — Skye, — ele avisa. — Olhe para mim. — Eu vou ver se Preston está bem. Você precisa me deixar fazer isso. — Ele não é bom o bastante para você.

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Eu finalmente encontro seus olhos. — Isso não é uma decisão sua! — Nós nos importamos com você. — Eu sei disso, — eu digo, minha voz um pouco mesmo dura, — eu sei disso, Danny, mas vocês não podem sair por aí colocando a vida das pessoas em risco para provar o seu ponto. — Ele subiu na moto sozinho. — Sim, e meu pai sabia antes disso que Preston não podia dirigir. Se ele tivesse morrido, meu pai seria o culpado. O rosto de Danny endurece. — Quando você vai acordar e ver que essa vida que você está buscando não é para você? — Você não sabe de nada, — eu suspiro com raiva. — Ei, moça, — o taxista me chama. — Você vem? Eu me viro e aceno. — Skye, — Danny late. — Nós não terminamos. Eu me viro e olho para ele, segurando seu olhar. — Terminamos sim, Danny. Ele estremece. — Me dê mais uma noite, me dê mais uma conversa. Se você quiser ir depois disso, eu vou deixar, porra, eu juro que vou dar o fora da sua vida e vou dar um jeito do clube fazer o mesmo. Eu seguro o seu olhar e posso ver que ele está falando muito sério. — Não há nada para falar que nós já não... — Tem sim. Uma noite, Skye. É tudo que eu peço. — Danny... — Esse homem significa algo para você? Não. Não como você. — Sim. — Então me dê uma noite. Eu juro que se você quiser ir, eu vou cobrir as suas cotas, mas não se você não me der isso. Eu suspiro.

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Ter ele me apoiando nisso seria bom. Viver minha vida livre das amarras do clube seria ainda melhor. — Você vai me deixar ir e manter o clube longe dos meus negócios? Ele acena. — Eu juro. — Uma noite, — eu concordo, me virando e entrando no táxi. Eu não olho para ele quando vou embora porque, honestamente, eu não sei se tenho força para aguentar o que ele vai dizer. Eu não sei se realmente posso deixar ele ir.

***

— Preston! — eu chamo, batendo na porta do hotel. — Eu não tenho a chave. Por favor, abra. — Vá embora, Skye. — Por favor, — eu imploro. — Eu só quero falar com você, ver se você está bem. — Não finja que você se importa comigo, — ele late. Eu tomo uma respiração profunda e calmante. — Eu me importo com você. Eu não estaria aqui do contrário. Eu não tenho realmente certeza se estou dizendo a verdade, e isso me assusta. Um segundo depois a porta se abre e Preston aparece. Ele parece bem, e agradecidamente não se machucou muito. — Você está bem? — eu pergunto suavemente. Ele dá de ombros. — Vou sobreviver. — Eu sinto muito pelo que eles fizeram, Preston. Ele estuda meu rosto, e eu estou envergonhada por ter permitido que essa merda acontecesse. Ele é um cara legal. Ele pode não ser um deles, mas ele é um homem bom com um bom coração, e estava fazendo tudo que podia para mostrar a eles que ele é o bastante para mim.

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— Eu sinto muito por ter agido assim, — ele diz, dando um passo para o lado para me deixar entrar. — Você não precisa se desculpar. Eles não deveriam ter feito isso com você, e eu não deveria ter deixado que eles fizessem. Ele fecha a porta e se vira para mim, segurando meu rosto com as mãos. — Não era sua obrigação impedir eles. — Eu tentei te avisar... — eu rio com um sorriso fraco. — Eles são difíceis. — O que aconteceu hoje não vai me fazer parar de lutar por você, Skye. Meu coração flutua, porque isso é bom. É ótimo ter alguém disposto a fazer tanto por mim. — Eu não quero que você se machuque. — Eu não vou, mas não posso deixar isso me assustar, também. Isso foi um teste; eu tenho certeza. Eu vou levantar a cabeça e nós vamos voltar lá amanhã, porque eu não vou desistir assim. Eu abro um grande sorriso e fico na ponta dos pés, lhe dando um beijo suave nos lábios. — Obrigada. — Pelo quê? Eu me acomodo no seu lado. — Por ser você. Eu espero que seja o bastante. Tem que ser o bastante.

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Capítulo nove Bang bang bang. Eu gemo e me viro, jogando um braço por cima dos olhos quando a luz do sol atravessa a janela e vem diretamente para o meu rosto. Preston se mexe na cama, fazendo um som gutural e murmurando. — Mas o quê? A batida incessante recomeça. Uma e outra vez. — Estou indo! — eu grito, minha voz ainda rouca do sono. Me sento, escapando do sol. Levanto da cama e caminho até a porta do quarto do hotel, espiando pelo olho mágico. É o meu pai. Eu suspiro e verifico se minha camisola está no lugar, sem revelar nada comprometedor, antes de abrir a porta. Os olhos do meu pai correm por mim instantaneamente, então atrás de mim, na direção da cama onde Preston está sentado. Sua mandíbula aperta. — Antes que você sequer pense em dizer alguma coisa, não. Eu não estou no clima. Seu olhar volta para mim. — Eu não ia dizer. Sua voz está apertada. Seu corpo está apertado. Ele ia dizer. — Então por que você está aqui? — eu pergunto, minha voz um pouco mais normal agora. — Eu queria ver se você e — seus olhos voltam para Preston — ele querem ir tomar café da manhã. Ele está fazendo as pazes. A maioria das pessoas provavelmente iria fechar a porta na sua cara e dizer que ainda não estão prontas para perdoá-lo, mas essa é a única chance que meu pai vai dar. Eu sei que agora é o momento de aceitar.

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— Claro, — eu digo. — Nos encontrem lá embaixo quando estiverem prontos, — ele vira de costas para mim. — Pai? — eu chamo. Ele olha para mim. — Obrigada. Ele acena, mas posso ver que ele ainda está um pouco irritado comigo. É justo? Eu ainda estou um pouco irritada com ele, mas aqui estamos nós trabalhando para superar isso. É um bom começo. Quando ele se vai, eu me viro para Preston, que já está se vestindo, um sorriso no seu rosto. — É um bom sinal? Olho de volta para o lugar onde meu pai estava. Poderia ser um bom sinal se ele escolheu fazer isso, mas se a minha mãe o obrigou, então não... poderia tornar as coisas muito piores. Só estou rezando para que ele tenha escolhido isso e nós possamos voltar a nos dar bem. Quero que eles deem uma chance a Preston, porque para ser honesta, se eles não fizerem isso, eu não tenho certeza do quanto vou lutar por ele, e isso me assusta. Afasto esse pensamento rapidamente. — Sim, — eu digo suavemente, finalmente respondendo. — Espero que sim. Ele anda e coloca um braço ao redor da minha cintura, beijando a minha têmpora. — Vai ficar tudo bem. Eu exalo audivelmente. — Eu honestamente não sei o que está bem ou não agora, mas se você está disposto a tentar, eu também. Ele me solta e se move pelo quarto em direção à sua mala. — Estou mais do que disposto a tentar. O que eu devo vestir? Ele puxa uma camiseta de gola V e eu estremeço por dentro. Ele não deveria ter vergonha de quem ele é, mas de qualquer forma, eu sei exatamente como ele irá ser tratado se usar uma camiseta de gola V idiota no café da manhã. — Você confia em mim? — eu pergunto, me movendo para parar ao lado dele. — Claro. ~ 72 ~


— Então use isso, — eu procuro na sua mala e pego uma camiseta preta lisa. — Eu durmo com isso, — ele franze o cenho. Deus. — Sim, mas é casual e não é arrumado demais. Eu não quero mais drama em cima de você, Preston, — ou para mim mesma. — Ok, eu confio em você. Ele tira a camisa hesitantemente e me olha como se eu fosse uma cobra que vai saltar e atacá-lo. Dou a ele um sorriso confiante quando ele olha para mim e então desaparece no banheiro para se arrumar. Ele volta dez minutos depois, parecendo realmente... normal. Ele está usando calça jeans combinando com sua camiseta preta simples, o que o faz parecer um homem casual, não um poderoso. — Você está muito bem assim, — eu digo, andando e colocando minhas mãos em cada lado do seu torso firme. — Você acha? Eu aceno. — Com certeza. — Bem então, você está pronta para isso? Eu olho para o vestido que coloquei, simples, calmo, não revelador, e então de volta para o homem me encarando. — Eu sempre vou estar. Essa é uma grande mentira, mas é uma que eu guardo para mim mesma.

***

— Então, Preston, o que você faz? — minha mãe pergunta, trazendo a xícara de café até os lábios e balançando as sobrancelhas para mim. Minha mãe é louca, vibrante e um pouco exagerada, mas eu a amo por isso. — Ei, — meu pai agarra meu braço quando Preston começa a contar para minha mãe o que ele faz nos mínimos detalhes.

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— O quê? — eu sussurro. — Você falou com Danny? Eu estremeço. — Não, — eu ofego. — Por quê? Ele me estuda. — Por nada. Ele se vira, mas eu pego seu braço. — Pai, por quê? — Negócios do clube, Skye. Eu só achei que você tivesse falado com ele. — Sobre o quê? Seu olhar fica duro. — Negócios do clube. Eu suspiro. Dane-se os negócios do clube. Eu quero saber do que ele está falando. — Ele está com problemas? Meu pai dá de ombros e olha de novo para o cardápio. Eu aperto os dentes. Eu sei que Danny está assumindo um papel que ele pensa que é tudo para ele, mas eu não se é um papel seguro, e isso só reafirma minhas razões para não querer ser uma old lady. Nesse momento, nesse dia e lugar, parece que o clube lida com mais problemas do que vale a pena. Isso foi ficando lentamente pior a cada ano, e eu não posso evitar me perguntar como vai ser daqui a dez anos. Perigoso. Mortal. Não é o que eu quero. Como se ele soubesse que estamos falando dele, o telefone do meu pai toca e eu vejo o nome de Danny piscando na tela. Ele olha para o visor, pega o telefone e se levanta da mesa, se afastando de nós. Minha mãe e Preston estão focados na sua conversa, então eu peço licença para ir ao banheiro e sigo meu pai. Ele está de pé do lado de fora, cigarro em uma mão, o telefone na orelha. Ele não fuma muito, mas quando está estressado ele tenta aliviar com o cigarro, o que só me deixa mais desconfiada. — Você entende o que eu preciso? — a sua linguagem corporal é tensa, apertada, como se ele carregasse o mundo nos ombros. — Sim, eu ouvi, garoto. É um grande risco do caralho ir até lá, — a mandíbula do meu pai aperta e eu dou um passo mais perto.

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— Danny, você está correndo um grande risco e eu tenho certeza que Jacks te deu carta branca para ir em frente, mas a verdade é que você pode se machucar. Eu estremeço. Danny pode se machucar. Meu coração revira com o medo. — Não posso te fazer mudar de ideia, mas você deve saber que eu não concordo com isso. Me mantenha atualizado. Meu pai desliga e eu avanço antes que ele sequer tenha a chance de ser virar. — O que ele está fazendo, pai? Vacilando, ele se vira e olha para mim. — Você estava ouvindo a minha conversa, Skye? — Me diga o que de tão perigoso ele está fazendo. Meu pai passa por mim. — Pai! — eu grito, medo e frustração crescendo no meu peito. Ele para e olha para mim. — Os negócios do clube nunca foram da sua conta, baby. Você sabe disso. Eu não posso te dizer o que ele está fazendo; eu só posso dizer que vou fazer tudo para garantir que ele fique bem. Meu coração para quando ele desaparece dentro do restaurante. Eu cavo dentro da minha bolsa e puxo o telefone, procurando o número de Danny. Ligo para ele. — O quê? — ele responde com a voz tensa. — Seja lá o que você vai fazer, não faça, Danny. Ele grunhe. — Não sei o que você ouviu, mas isso não é da sua conta, Skye. — É da minha conta! — eu grito, o medo apertando minha garganta. — Eu ouvi meu pai dizer que é algo perigoso. — Negócios do clube. — Pare de dizer isso! — eu grito, fechando os punhos. — Escute, Skye, você se afastou porque não quer ser parte disso, então porque você está me ligando e se metendo nisso não faz sentido

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para mim. Volte para o seu namoradinho e deixe eu e o meu clube cuidarmos das nossas coisas. — Seu clube? — eu bufo. — Você está falando sério? Eles são minha família também, Danny. — Engraçado, você não pensou assim quando decidiu que essa vida não era boa o bastante para você. — Droga, pare de usar isso contra mim. Eu ainda me importo com você e com eles, e não quero ver ninguém ferido. — Eu tenho que ir. — Danny, por favor, — eu imploro, minha voz baixa e desesperada. Ele faz um som no fundo da garganta, e então com uma voz mais suave, ele sussurra, — Te ligo depois. — Danny... Ele desliga. Algo horrível se aperta no meu peito, curvando os dedos ao redor do meu coração e se recusando a aliviar a pressão. Se algo acontecer com ele... eu não sei se vou sobreviver.

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Capítulo dez Eu corro na direção do clube, o suor escorrendo da minha testa. Faz mais de vinte e quatro horas que falei com Danny, e ainda não ouvi falar dele. Meu pai se recusa a falar comigo, Spike também, e nem mesmo minha mãe vai me deixar saber que diabos está acontecendo. Eu estou aqui para descobrir sozinha. Preston voltou para Denver hoje e eu vou partir amanhã, mas não posso ir antes de saber se Danny está bem depois da estupidez em que ele se meteu. Eu passo os portões de entrada e vou direto para a casa principal, subindo as escadas da frente e avançando pela porta de entrada. Entro no meio do caos. Danny está na cara de Spike, e ele está sangrando. Há tanto sangue sobre ele. Na sua camiseta. Na sua calça. Nas suas mãos e no seu rosto. Seu cabelo é uma bagunça, e ele parece selvagem. Spike parece mais selvagem, as mãos torcidas na camiseta do filho, o sacudindo. As mãos de Danny estão ao seu lado, fechadas em punhos, como se ele estivesse tentando se impedir de levantá-las e brigar com o seu pai. — Que merda há de errado com você, garoto? Nós tínhamos um maldito plano! — Spike ruge. — O plano mudou, e eu fiz o que tinha que fazer. — Seu idiota estúpido. O plano era para o caso dele estar sozinho. Ele não estava sozinho; você deveria ter caído fora de lá. — Sim, bem, eu não sou um maldito maricas. Eu vi três contra um e aceitei o desafio. — Você poderia ter morrido, seu filho da puta irresponsável... — Danny? — eu digo com a voz trêmula.

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Eles param de gritar, duas cabeças giram na minha direção. Spike solta Danny imediatamente e meu pai sai do meio da multidão ao redor deles, seus olhos estreitados na minha direção. — Skye, você não deveria estar aqui, — meu pai diz, sua voz dura. — O que aconteceu? — eu sussurro, meu peito apertando com o medo. Danny parece... ele parece... Parece que matou alguém. Meu pai para ao meu lado. — Não é da sua conta. Meu olhar segura o de Danny e ele está me encarando, ofegando de raiva, seus punhos ainda fechados. — Você... O que você fez? — eu coaxo. — Não é da sua conta, — ele diz, sua voz apertada. — Você não deveria estar aqui. — O que você fez? — eu grito, fazendo ele vacilar. — Saia daqui, — meu avô ordena. — Agora. — Danny, — eu grito quando meu pai segura meu braço e me puxa na direção da porta. — O que você fez? Lágrimas queimam sob minhas pálpebras e escorrem pelas bochechas. Eu empurro meu pai e ele me solta, parecendo um pouco magoado. — Skye, está na hora de ir. — Ele matou alguém, não é? Eu sei o que o clube pode fazer. Eu sei que eles todos já mataram. Mas Danny... Danny... ele sempre foi a minha pessoa, meu lugar, meu porto seguro. E agora ele está coberto do sangue de outra pessoa. Esse pensamento me deixa em um estado frenético que me faz sair correndo da casa. Todo meu corpo treme quando a realidade chega fazendo barulho mais uma vez. É exatamente por isso que eu não posso estar aqui. Lágrimas borram minha visão quando eu alcanço o carro que estava dirigindo e me sento, saído de lá antes que qualquer um tivesse a chance de me parar. Acelero rápido pela estrada que leva a um lago onde costumávamos nadar quando éramos crianças. Freio bruscamente e saio, correndo até a beira e caindo de joelhos, a água batendo em minhas mãos e respingando no meu rosto.

~ 78 ~


A imagem dele coberto de sangue não vai sumir. O sangue de outra pessoa. Ele matou alguém tão brutalmente que ficou coberto de sangue. O rugido baixo de uma moto vem pela estrada e para atrás de mim, mas eu não me viro para olhar. Eu não posso. — Skye. Danny. Sempre Danny. Eu não posso olhar para ele. — Olhe para mim. Não. — Droga, você não deveria ter vindo. Eu me levanto e mantenho a cabeça abaixada quando tento passar por ele. Sua mão vem para segurar meu braço, me puxando para perto dele. Eu tenho um vislumbre dos seus dedos ensanguentados e começo a lutar. — Me solte. Não me toque... não me t-t-t-toque. — Se acalme. Eu levanto o olhar e ele me solta quando vê o horror dentro dele. Seu rosto está coberto de sangue, e lágrimas escorrem pelas minhas bochechas quando vejo isso. — Me acalmar? — eu sussurro, minha voz muito trêmula. — Me acalmar? Você está coberto de sangue, tanto sangue que eu não preciso de uma imaginação fértil para adivinhar o que aconteceu para você aparecer assim. Você é... — Diga? — ele raspa. — Você é um assassino. Ele vacila e se vira, caminhando em direção ao lago e entrando. A água ganha um tom feio de vermelho lamacento quando o sangue é lavado das suas roupas e pele. Quando ele reaparece, posso ver seu rosto de novo. Ele tem um olho inchado e um lábio partido, e seus dedos estão vermelhos e feridos, mas fora isso ele não está machucado. Eu quero me virar e correr para o meu carro, mas meus pés estão grudados no chão, meu coração doendo para ir até ele. Ele parece estar em agonia, seu rosto retorcido com dor e culpa. Eu não posso me virar,

~ 79 ~


não importa o quanto eu queira isso. Um passo após o outro, eu me aproximo dele até que me encontro retirando o meu vestido e entrando na água. Eu emerjo longe de onde ele acabou de se lavar e, com os olhos agoniados, ele nada para perto de mim, deixando a sujeira para trás. — O homem que machucou a minha irmã estava envolvido no ataque à minha melhor amiga. Ele mereceu tudo que recebeu. — Você foi atrás do cara que machucou Mercy? Ele acena. — Não era para ser tão ruim. Nós tínhamos uma dica confiável de que ele iria estar sozinho e fomos até lá. Era para ser uma morte limpa. Ele não estava sozinho, eles me viram, a merda estourou. Eu não matei todos eles, Skye. Eu não vou entrar em detalhes, mas um tiro na região certa produz um monte de sangue. — Mas você matou alguém, — eu sussurro, meu peito tão apertado que eu mal posso respirar. — Sim, eu matei. Eu olho para baixo, minhas lágrimas escorrendo pelas bochechas e caindo na água. — Era eles ou eu. — Não, Danny, não era. Você foi até lá sabendo que ia matar, sabendo que isso ia acabar hoje. Você fez uma escolha; isso apenas não foi como você planejou. — Skye, todos que você ama já mataram. Por que comigo é diferente? Eu não respondo. Não posso responde. Não faria nenhum sentido. — Eu deveria ir, — eu sussurro. — Não, — ele pede, e o som quebrado e desesperado da sua voz faz o meu coração dor. — Eu não quero ficar sozinho, porque independentemente do que você ache... isso fodeu com a minha cabeça. Ele está machucado. Eu cubro um lado do seu rosto com a mão. Ele se vira um pouco, fechando os olhos. — Essa é a vida que você escolheu, Danny. — Não significa que eu me sinta bem.

~ 80 ~


Abaixo a mão e suspiro alto. — Eu vou para casa amanhã.

Seus olhos brilhando e ele parece tão magoado que eu tenho que desviar o olhar. — Você prometeu que nós iríamos conversar antes de você ir. — Eu prometi. — Então, está na hora. Eu olho nos seus olhos e sussurro, — Está na hora. Nós sentamos por um bom tempo na água, sem dizer nada, mas Danny finalmente quebra o silêncio, sua voz baixa e ferida. — Eu odeio isso. Eu sei que você acha que não, mas eu odeio, porra. Eu odeio não falar com você. Odeio não sair com você. Odeio não ouvir a sua risada. Meu peito aperta. Eu não digo nada. — Eu sei que você não quer ouvir o que eu tenho a dizer, mas Skye, você vai me ouvir. — Eu ouvi, Danny, — eu sussurro. — Nós brigamos tanto por causa disso; como eu poderia não ter ouvido? — Não, baby, você não me ouviu. Me deixe falar o que eu quero. O desfecho provavelmente ainda vai ser o mesmo, mas se nós não fizermos isso do jeito certo, nunca vamos nos falar de novo, e eu não posso viver com isso. — Nem eu, — eu admito. Eu não confio em mim mesma aqui com Danny. Não aqui. Não no lugar onde tantas coisas aconteceram entre nós no passado. Onde nós nos apaixonamos e nos separamos. Onde tudo sobre nós se formou e se quebrou. Um lugar que é tudo para nós. Tudo que nós somos. Eu só não sei se estou pronta para isso. Eu não sei se algum dia vou estar. — Eu não sei por onde começar, então vou começar com a verdade. Você pode não gostar, mas vou te falar a real e acho que você precisa ouvir isso. Em primeiro lugar, aquele homem não é bom o bastante para você. Eu não digo isso porque te ver com ele quebra a porra do meu coração, mas porque é verdade. Ele é muito perfeito e ele te faz pensar que é assim que você deve ser. ~ 81 ~


Meu peito aperta, mas eu fico em silêncio. — Em segundo lugar, eu sei que eu não concordei com a sua vontade de ir embora daqui e viajar o mundo, mas é porque eu não acredito que é isso que você quer. Eu sei que você pensa que é, mas porra Skye, a garota que eu conhecia amava a sua família e o seu clube. Você era tão feliz aqui; o último lugar onde você queria estar era Denver. — Eu sempre quis viajar, Danny, — eu aponto. — Sim, — ele diz, olhando para mim. — Mas baby, você sempre quis voltar para casa. Você está fugindo, e eu acho que sei o porquê. Eu estreito os olhos e o encaro. — É pelo que aconteceu com Ava, e depois com Mercedes. Você está com medo porque viu um lado do clube que seu pai escondeu de você por tempo demais. Você viu o horror e viu isso quase quebrar alguém que você ama. Na sua cabeça, você não pode viver essa vida, nem criar uma família nela. Eu estremeço e um frio terrível passa pelo meu corpo. Ele está errado. Eu queria ir embora antes disso. Eu queria. Hoje apenas confirmou isso. Eu empurro para longe a lembrança de Ava totalmente quebrada. Não. Não foi isso que me fez sentir assim. Isso é o que eu quero. — Não, — eu gaguejo. — Não é... — Você sempre foi um espírito livre, Skye. Você se segurou comigo porque uma parte sua sabia que um dia você iria querer ver o mundo, mas você sempre teria voltado para mim. Você sabia disso e eu sabia disso; por isso nós continuamos mesmo quando parecia sem sentido. Então Ava foi levava e essa merda te mudou. De repente, você não queria mais voltar. Você só queria ir. Eu balanço a cabeça. — Você está errado, Danny. Eu me segurei com você porque eu nunca quis ser uma old lady. Seus olhos endurecem um pouco. — Isso é besteira e você sabe. — Não é besteira, é verdade. Eu sempre quis ser algo diferente. — Nós dois sabemos que você pode ser uma old lady e ainda ter cada maldita coisa que você queira na vida, Skye. É mais do que isso.

~ 82 ~


Ele está errado. Errado. Errado. Não está? Deixo minha cabeça cair nas minhas mãos. Estou tão confusa. Isso dói. Eu odeio isso. — Por que você sempre me faz questionar tudo que eu sou? — eu sussurro em minhas mãos. — Porque eu te amo. Você sabe que eu amo. Porra. Droga. — Danny, — eu soluço. — Pare, por favor. — Não posso parar. Eu não posso ver você direcionar sua vida para o lado errado porque está com medo. Ele está errado. Não é essa a vida que eu quero. Não é. Olhe para o que aconteceu hoje – isso só prova como esse mundo é perigoso e cruel. Eu não quero que meus filhos algum dia o vejam como eu vi mais cedo. Eu escapo dele por baixo da água, não querendo ouvir mais nada. O frio acerta meu corpo com força e eu fecho os olhos, permanecendo submersa, deixando que a água leve isso embora. Braços cercam a minha cintura, me puxando para fora da água. Olhos amarelos. Malditos olhos amarelos. — Você sabe que eu estou certo, — ele diz, sua voz áspera, tão bonito. — Danny, — eu sussurro, olhando para os seus lábios, observando as últimas gotas de água escorrendo por eles e descendo pelo seu queixo. — Por favor. — Me diga que estou errado, para valer, e eu te deixo ir. Até lá, não vou deixar você arruinar tanto amor por medo. — Eu não estou com medo, — eu digo, ofegante. — Não estou. — Baby, você está.

~ 83 ~


— Não estou. — Nós pertencemos um ao outro; você sabe disso, porra. Eu posso te dar tudo, Skye. Eu posso te dar tudo que você quer. Eu posso te levar para conhecer o mundo. Eu posso te dar filhos. Eu posso te dar uma maldita casa linda com cerca branca. Eu balanço a cabeça e as lágrimas escorrem pelo meu rosto. — Me dê um bom motivo, com exceção do que eu disse, para você não querer ser uma old lady. Eu não posso. Não posso dar a ele um motivo porque ele disse a minha exata razão. Eu estou com medo. Não quero essa vida por que ela me assusta pra caralho. — Você não pode, — ele diz, puxando meu corpo mais perto do dele. — Danny, por favor, pare de fazer isso. Olhe para o que aconteceu hoje. Você matou alguém. Eu não posso... eu não quero isso. — Isso não muda quem eu sou. — E se fosse o nosso filho que entrasse lá e te visse daquele jeito, coberto de sangue... você acha que estaria tudo bem? — eu atiro. Ele vacila. — Eu nunca deixaria a minha família chegar tão perto. — Eu cheguei perto, — eu grito. — Eu cheguei perto, Danny e isso me assustou pra caralho. Eu não posso viver assim, com medo que você nunca volte para casa, que você ou minha família se machuquem. — Porra, eu poderia te proteger se você deixasse, Skye. As coisas não vão ser sempre assim; esse clube não vai estar sempre em guerra. Inferno, essa é a primeira vez que você viu uma na vida, e provavelmente vai ser a última. — Você não pode prometer isso. — Eu posso prometer que vou cuidar de você. Deus, a voz dele. As suas palavras. Não.

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— Danny, pare, — eu peço. — Você quer que eu pare? Diga, — ele rosna, pressionado meu corpo ao ponto de eu sentir sua ereção dura contra a minha barriga. Meu corpo inflama. — Não posso, — eu sussurro. — Não posso dizer isso com sinceridade; mas não quer dizer que eu não sei que isso é o certo para mim. — Não é o certo para você. — É. — Baby, não é. Empurro seu peito. Ele não se move. Em vez disso, ele se inclina e aproxima a boca da minha. Ele me beija como sempre, com uma paixão que coloca meu corpo em chamas. Minhas pernas passam ao redor dos seus quadris e eu o beijo de volta. Com um amor que eu me recuso a admitir que é tudo para mim. Com uma alma que queima por ele. Com um desejo que me consome. Como sempre, não nos importamos em tirar a roupa de baixo, ou tocar o corpo do outro ou ter o nosso tempo com preliminares. Nós queremos o que nós queremos. Ele quer estar dentro de mim e eu quero ele lá. Ele pega minha calcinha e a empurra para o lado, então puxa sua cueca boxer para baixo e posiciona o seu pau antes de empurrar para dentro. É bom, bom demais. Melhor do que qualquer coisa que eu já tive. Fazer amor com Preston nunca vai ser assim. Nunca vai me fazer lembrar de porque eu respiro. Danny dá sentido a cada parte de mim e negar isso não vai mudar os fatos. Ele é tudo para mim. — Danny, — eu ofego, acomodando os quadris e permitindo que ele vá mais fundo. Seus dedos estão nos meus quadris e ele os usa para fazer meu corpo subir e descer no seu pau, me enchendo, me esticando, me fazendo queimar. Eu agarro seus ombros, meus dedos rasgando sua pele, meu corpo vindo à vida por ele. Ele estoca, eu gemo e nós dois estamos gozando ao mesmo tempo, como já fizemos muitas vezes antes. — Porra, — ele respira, pressionado a testa na minha.

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— Temos que parar de fazer isso, — eu sussurro, passando o polegar pelo seu lábio inferior. — Eu não acho que posso parar. É isso o que me assusta.

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Capítulo onze Nós ficamos sentados na beira do lado até que a noite vem. Danny pega um cobertor do carro e o envolve ao redor do meu corpo, me segurando perto. Nós dois sabemos que acabou. Esse é o fim. Tem que ser. Não importa o quanto eu queria passar cada segundo nos braços de Danny desse jeito, tenho que encarar os fatos. Eu não posso fazer isso. Não posso me sentir do jeito que me senti hoje quando o vi coberto de sangue. Não posso construir uma família nesse mundo. Eu apenas não posso ser o que ele precisa que eu seja. — Você vai para casa, não é? — ele diz no escuro. — Sim. — Eu ouvi que você talvez viaje com aquele babaca. — Sim, — meu coração se torce em agonia. — Eu vou te perder, não vou? Essas palavras fazem um soluço escapar da minha garganta e ecoar na noite calma e silenciosa. — Sim. Ele me abraça mais forte, mas não diz mais nada por um longo, longo tempo. — Eu teria feito tudo por você, Skye. Você sabe disso. — Eu sei, Danny, — eu sussurro através dos meus soluços. — Mas essa vida realmente te assusta pra caralho, não é? — Ela me assusta. Eu não posso arriscar. Eu não posso arriscar um dia ter filhos e alguém os machucar para atingir o clube. Eu amo a minha família, eu amo o clube, mas essa não é a vida que eu quero. Nunca vai ser. A menos que haja uma promessa de não violência, então eu nunca vou mudar de ideia.

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— Eu queria poder te prometer isso, mas não posso dizer algo que não posso cumprir só para manter você aqui. Pressiono minha bochecha no seu peito e o respiro, sabendo muito bem que vai ser pela última vez. — Nós apenas não éramos para ser. Ele suspira. — Ou talvez sim, mas o universo decidiu se divertir com a gente. Eu rio, mas é fraco. — Talvez. — Você deveria ir, — ele diz, e eu não perco o leve tremor na sua voz. — Será que um dia vamos conseguir sermos amigos de novo? Ele se levanta, me soltando, me afastando do seu calor. — Eu acho que não, porque eu não penso que vai haver um único segundo da minha vida em que eu não vou amar você, Skye. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas de novo, implacáveis, sem parar. — Eu queria que não tivesse que ser assim. Eu faria tudo para não ter que desistir de você, — eu choro. Ele se abaixa e pega o meu rosto, inclinando minha cabeça para trás e escovando os lábios nos meus. — Mas isso não é verdade, é, baby? — ele sussurra, sua voz baixa. — Você não faria tudo, porque se fosse assim, você deixaria que eu me provasse para você. Você acreditaria que eu sou o bastante para não deixar que nada, jamais, te machucaria. — Isso é injusto, Danny, — eu sussurro contra a sua boca. — Você sabe disso. — A vida é injusta. Isso é tudo que eu sei, — ele pressiona os lábios nos meus e levanta. — Adeus, Skye. São tantas lágrimas fluindo que eu não consigo ver ele desaparecer na escuridão. Tudo dentro de mim grita para levantar e ir atrás dele, mas dar um jeito de viver a vida que ele escolheu, mas eu não posso. Eu sei que não seria justo com nenhum de nós deixar que ele acredite que eu posso ser algo que simplesmente sei que não posso. — Adeus, Danny, — eu sussurro na escuridão. Eu não o escuto ir embora por cima do meu choro de agonia.

~ 88 ~


***

Estar em casa e saber que as coisas entre eu e Danny realmente acabaram é o inferno. Não. É pior que o inferno. Eu não sei o que fazer comigo; eu não sei o que sentir. Eu só sei que uma grande parte minha parece que foi arrancada e jogada fora. Eu realmente não sei se algum dia vou tê-la de volta. Faz uma semana e não está ficando mais fácil. Eu consigo ir trabalhar com um sorriso, mas sei que ele não alcança os meus olhos. É tão vazio quanto eu estou. — Ei, garota! Acabei de sair do meu turno da tarde no trabalho quando vejo Mercedes e Diesel na calçada, acenando para mim. Mantenho meu sorriso falos e me aproximo da garota que se parece tanto com Danny que faz meu coração doer. — Ei, Merc! — eu me aproximo para lhe dar um abraço. É bom ver alguém da família. — Como você está? — ela pergunta quando eu me afasto, seus olhos bonitos me estudando. — Estou bem, — eu olho para Diesel. — Oi. Ele sorri. — Oi, bom ver você de novo. — Você também. O que vocês estão fazendo aqui? — A gente queria ver se você não quer jantar conosco? Eu levanto as sobrancelhas. — Por alguma razão? — Claro. Eu estou grávida e nós vamos fugir. Eu pisco. Mercedes explode em risos e joga um braço por cima dos meus ombros. — Eu disse a você que ela ia cair. Skye sempre cai, sempre. — Não faça mais isso, — eu rio. — Isso foi cruel! — Eu sei, mas totalmente valeu a pena, — ela sorri para mim. — Então, jantar? — Não posso. Vou encontrar Preston hoje à noite. ~ 89 ~


Ela faz uma careta, então seus olhos se iluminam. — Mas você tem tempo para um café antes? Eu tenho. E eu realmente quero falar com ela. — Claro. — Eu vou deixar vocês duas, — Diesel diz, pressionando os lábios na têmpora de Mercedes. Deus, ele é gostoso. Garota de sorte. — Me ligue quando você estiver pronta; vou te levar para jantar. — Tem certeza? — Mercedes pergunta, olhando para ele. — Claro, baby. Vá se divertir. Ela sorri para ele. Ele sorri para ela. Fofos. — Até mais, Skye, — ele diz, depois de lhe dar um beijo suave. — Até mais, Diesel. Quando ele vai, Mercy se vira para mim e fica séria. — Certo, agora você pode me dizer o que realmente está acontecendo. Droga. Ela me conhece bem demais.

***

— Então você e Danny finalmente terminaram? — ela pergunta, seu rosto um pouco triste para o meu gosto. Eu bebo meu café, tentando evitar ter que entrar em maiores detalhes. — Skye… — ela me avisa. — Eu vou ligar para ele. Eu estremeço. — Sim, nós decidimos terminar. Eu não posso viver essa vida, Merc. Eu só… não posso. — Eu sei que você que viajar, querida, eu sei disso, mas você sempre amou o clube. Você sempre foi a que mais adorou o clube. O que mudou? Eu olho para longe. — Skye... — Ava, você... tudo... ~ 90 ~


Sua voz fica mais suave quando ela responde, — Querida, coisas ruins acontecem. É uma droga, mas é a vida. — Não é, Mercy, — eu sussurro, meus olhos queimando com lágrimas não derramadas. — Essas coisas não são normais e eu não acho que posso viver assim, preocupada com os meus filhos... preocupada se eles vão se ferir. — Você já foi ferida? — Não, mas você foi, e Ava também. — Eu sei, mas isso não significa que vai acontecer de novo. Eu encontro seus olhos. — Também não significa que não vai. E não é só isso... eu o vi outro dia... coberto de sangue, — eu olho para minhas mãos. — O quê? — Ele matou alguém, Mercy. Seus olhos crescem. — O quê? — ela sussurra de novo. — O homem que te machucou. Ele foi atrás dele e o matou. As coisas ficaram complicadas e saíram de controle. Eu entrei no clube; ele estava coberto de sangue... da cabeça aos pés... eu só... eu não posso fazer isso. Não posso imaginar trazer uma criança para esse mundo, deixar que o nosso filho o veja assim. — Ah, querida, — ela sussurra, e sua voz é tão tensa quanto a minha agora. — Eu entendo, sério. Eu só odeio te ver assim. Vocês dois foram feitos um para o outro. — Não mais, — eu coaxo. — Eu preciso seguir em frente. — É isso o que você realmente quer? Porque você pode ter todas as coisas do mundo, viajar para os lugares mais incríveis, mas isso não vai significar nada se você não estiver feliz. Eu pego a mão dela. — Eu vou ser feliz. Eu vou. Eu sou uma mentirosa. Uma mentirosa emocional e desesperada.

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Capítulo doze UM MÊS DEPOIS Eu estou em Paris. Eu nunca pensei que iria dizer isso, mas aqui estou, sentada em um restaurante com Preston, esperando alguns amigos dele de trabalho chegarem para aproveitarmos a noite na cidade. Eu olho para todas as luzes e observo as pessoas ao redor. Eu estou viajando, como sempre quis. Estou em um país diferente, com pessoas diferentes, mas ainda dentro de mim ainda se sente incrivelmente vazio. Eu tentei colocar isso de lado, mas é como uma ferida aberta, que fica pior a cada segundo. Eu nunca contei a Preston o que aconteceu entre mim e Danny aquela noite, porque eu sabia que nunca ia acontecer outra vez. Não foi um erro e não foi algo que eu me arrependi; foi uma despedida que deixou um buraco em meu peito que eu não consigo explicar. Não falei mais com Danny desde então, e cada dia é pior o outro. Eu sei que leva tempo para curar, mas parece que o tempo só tem aumentado a minha agonia. Eu vim com Preston para Paris, mas não ia. Quando eu voltei, disse a ele que queria levar as coisas mais devagar. Eu fui honesta e contei que eu não sentia que tinha superado Danny completamente, e que não seria justo se ele acabasse machucado. Ele insistiu que entendia e me deixou levar as coisas no meu ritmo, somente me levando para encontros durante um mês, indo ao cinema, enquanto nos conhecíamos melhor. Mas ele ainda insistiu para que eu viesse para cá com ele. Foi Mercedes quem me disse que eu deveria vir, depois do dia na cafeteria, quando eu contei a ela o que estava sentindo. Ela ama o seu irmão, mas também me lembrou que eu só ia seguir em frente se me permitisse fazer isso, e se eu realmente queria superar Danny, tinha

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que deixá-lo ir embora. Acho que dizer isso quase a machucou tanto quando me machucou ouvir, mas ela é minha amiga e cobre as minhas costas. Sempre. Então eu vim. Nós dormimos os primeiros dois dias por causa do jetlag 2, e hoje passei o dia percorrendo as ruas e comprando presentes para a minha família enquanto conhecia mais dessa cidade magnífica. Preston tinha negócios para tratar, então eu pude ver tudo que quis, fazer tudo que quis. Essa noite ele me pediu para ir com ele em um encontro de colegas, e eu aceitei. Está na hora de conhecer novas pessoas. Criar novas histórias. Eu estive sofrendo com enjoos desde que cheguei. Preston me disse que é a água, e que passa em alguns dias. Eu espero, porque isso fez uma visita desconfortável. A comida também é muito diferente da que estou acostumada, então não ajuda. Estou me sentindo bem essa noite; não cem por cento, mas bem o bastante para colocar um rosto feliz e conhecer pessoas novas. — Como você está se sentindo? — Preston pergunta, jogando um braço sobre os meus ombros. Eu sorrio para ele. — Bem. Ansiosa para conhecer os seus amigos. Ele parece feliz com a minha resposta. — Eles vão amar você. Eu tenho certeza. Meu coração flutua nervosamente, mas eu mantenho o sorriso. — Tenho certeza. — Preston! Viramos para ver um homem alto e lindo de terno se aproximando, com uma moça ao seu lado. Eles são seguidos por outros dois casais, todos sorrindo para nós. Preston me solta e aperta as mãos dos homens, dá abraços nas mulheres e então se vira para mim. Eu me levanto, sorrindo, ainda que me sinta tão fora de lugar. Eles estão todos muito melhor vestidos do que eu. Eu me sinto deslocada com meu vestido casual curto enquanto elas estão usando longos elegantes e lindas joias. Estranhamento que o corpo sente quando fazemos uma viagem para um lugar com o fuso horário muito diferente do qual estamos acostumados; a pessoa fica um tempo sob o efeito do ―jetleg‖. 2

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— Essa é a minha adorável namorada, Skye, — Preston diz, colocando um braço ao redor do meu ombro. — Skye, esses são Regan e John, Kate e Sam e Kerry e Bill. Eu aceno para os três casais, que me cumprimentam com sorrisos e apertos de mãos, antes de me sentar de novo. Meu estômago se vira furiosamente quando faço isso, então tomo um gole de água, tentando me acalmar. Eu realmente não quero ficar mal na frente de todas essas pessoas. Queria que isso que está me deixando enjoada passasse logo para eu poder aproveitar a viagem. — Então, Skye, — Regan diz, jogando seu perfeito cabelo loiro por cima do ombro. Ela é uma modelo linda, os olhos azuis e o corpo magro. — O que você está achando de Paris? — Estou adorando até agora, — eu elogio. — Não tive tempo de conhecer muito ainda, mas o que eu já vi é espetacular. Estamos planejando fazer um tour amanhã. — Oh, você vai amar. É um lugar maravilhoso. Preston aqui conhece todos os bons lugares, — ela pisca para ele e me dá um longo sorriso sedutor, que me faz arrepiar. Preston ri. Isso me irrita ainda mais, mas eu guardo para mim. — O que você faz da vida, Skye? — John pergunta. Ele é o menos aterrorizante do grupo, com seus olhos castanhos gentis e sorriso fácil. — Eu sou garçonete no momento, mas estou decidindo que carreira vou perseguir. Talvez eu vá estudar. Juro que as moças apertam o nariz de desgosto. — E a sua família? — John sorri. — O que eles fazem? — A família dela tem a sua própria franquia de oficinas. Pessoas muito adoráveis, — Preston mente, e eu atiro um olhar para ele. Ele não quer que seus preciosos amigos saibam que eu sou uma cria de motoqueiros. Algo dentro do meu peito explode, e eu tomo outro gole de água para me impedir de gritar com ele. Como ele se atreve a tentar evitar quem eu realmente sou, apenas para parecer bem para os seus amigos? Ele mentiu descaradamente; ele não poderia ter ido mais longe da verdade nem se tentasse. Ele tenta pegar a minha mão e eu puxo, sorrindo para o grupo e me recusando a fazer contato visual com ele.

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— Isso é interessante, — Kate diz, e eu olhos para ele. — Linda, cabelo ruivo, perfeita... claro. — Nós podemos não ter muito dinheiro, mas eu tenho uma família ótima e uma vida excelente. Não tenho nada do que reclamar, — eu digo através dos dentes apertados. John sorri. — Isso é ótimo. — Eu não poderia fazer isso, — Regan diz. — Meu café custa quase dez dólares três vezes por dia, e essa é a coisa menos cara que eu consumo. Quero dizer, esses sapatos devem custar mais do que a minha casa. Ela ri, assim como todos os outros. Até mesmo Preston. Eu não. Eu olho para esse grupo de estranhos e percebo que estou tão distante de quem eu sou que é errado. Eles não são pessoas; são ricos esnobes que olham de cima para o resto do mundo. — Bem, — eu digo, — eu não poderia pagar por um café de dólares. — Ah, não importa. Você tem Preston para fazer de você uma Cinderella agora, — Regan sorri com malícia. — Acredite em mim, eu faço muito isso, — Preston brinca. E é isso. Jogo meu guardanapo na mesa e olho para o grupo. — Aqui está algo para vocês. Eu não quero ser Cinderella, nem uma vadia riquinha que pensa que o mundo deve algo a ela. Eu fui criada com motoqueiros, algo que Preston está com vergonha de contar a vocês. Eles são a minha família, e posso dizer a vocês agora, — eu me levanto e minha cadeira arranha o chão. — Eles são um milhão de vezes melhores do que muitos de vocês. Eu me viro e corro para fora do restaurante, meu estômago revirando a cada passo. — Skye! — Preston grita, correndo atrás de mim. Ele me alcança antes que eu chegue à rua, agarrando meu braço e me virando. — Que diabos foi isso? — ele late.

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— A sua amiga me insultou e você achou divertido, para não mencionar que você se recusa a falar quem eu realmente sou, para isso não manchar a sua imagenzinha. — Eu só estava tentando te proteger! Eu rio amargamente. — Não me insulte, Preston. Você não quer que ninguém saiba quem eu sou, e você está disposto a fazer qualquer coisa para me mudar. Eu sou uma cria de motoqueiros; motoqueiros são a minha família. Eu não sou rica e mimada, e não quero ser. Ele olha para mim. — Você agiu como uma verdadeira garota mimada aqui. Maldito seja. — Você quer saber? Isso não vai funcionar. Nós acabamos aqui. Eu vou voltar para o hotel para pegar minhas coisas e voltar para casa no próximo voo disponível. — Isso é burrice, Skye. Você não tem como pagar um voo para casa; é melhor você esperar comigo. — Não, — eu digo, balançando a cabeça. — Vir até aqui pensando que essa era a vida que eu queria foi a verdadeira burrice. — Se você sair, eu vou cancelar a sua passagem. Você pode se virar sozinha para chegar em casa. Eu olho para ele, tão machucada e chocada que me minha voz sai quebrada quando digo, — Você está falando sério? — Eu paguei para que você viesse para Paris comigo e você apenas me envergonhou na frente de alguns dos meus melhores clientes, então você continuou, me dizendo que estamos acabamos. Se é esse o caso, se vire para ir para casa. Você pode pegar suas coisas no hotel, mas não quero ver você lá quando eu voltar. — Eu pensei que você se importasse comigo, — eu coaxo. Ele bufa. — Eu me importava, mas está claro que a sua falta de educação e respeito não vão fazer a gente funcionar. Boa sorte, — com isso, ele se vira e desaparece na multidão. Eu pego o táxi mais próximo. Meu estômago se aperta com força durante toda a viagem, e assim que chego no hotel, corro para vomitar no banheiro. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas e eu tomo um banho para limpar o suor frio que molhou o meu corpo. Eu me sinto estúpida por pensar que essa era a vida que eu queria. Viajar é demais,

~ 96 ~


mas apenas se for com alguém que você adora. Assim como Mercedes disse. Estou tão perdida. Incrivelmente perdida.

***

U$ 678,00. Isso é quanto custa um voo para minha casa. É um dinheiro que eu não tenho. Tenho apenas o suficiente para pagar um novo quarto de hotel, o que custou quinhentos dólares para duas noites, e agora tenho apenas algumas centenas comigo. Não é o bastante para ir para casa. Mais lágrimas escorrem pelas minhas bochechas enquanto eu pego o telefone. Eu vou ter que ligar para os meus pais e contar o que aconteceu, esperando que eles venham me salvar. Eles não atendem. Eu ligo oito vezes. Sem resposta. Eu ligo para Spike, Ciara, meu avó, Sereniy... nada. Ótimo. Minha próxima opção é Ava, que talvez saiba onde está a minha família. — Skye, olá, querida, — ela responde no segundo toque. — Ava, — eu coaxo, e mais soluços fecham a minha garganta. — Eu… eu preciso de ajuda. — Ei, se acalme, o que está acontecendo? Eu conto tudo a ela. — Oh, querida, eu sinto muito. Eu vou dar um jeito e vamos te trazer para casa. Os seus pais não estão aqui agora; eles todos saíram em uma corrida, provavelmente por isso ninguém está atendendo.

~ 97 ~


Danny está de responsável pelo complexo enquanto eles estão fora. Você tentou falar com ele? — Não, — eu digo rapidamente. — Eu só preciso ir para casa. Eu vou te pagar de volta; ele não precisa saber. — Certo, — ela diz cuidadosamente. — Ouça, eu vou comprar uma passagem. Apenas aguente aí, eu ligo de volta, ok? — Muito, muito obrigada. — Capaz. É para isso que eu estou aqui. Eu te amo. Agora descanse, eu vou te trazer para casa. — Eu te amo também, — eu sussurro. Ela desliga e eu me curvo na cama, chorando tanto que meu corpo dói. Eu me afundo em um sono quebrado, mas meu corpo quebrado precisa de todo o descanso que ele puder ter. Eu só quero ir para casa.

***

Ava consegue comprar uma passagem para mim para o dia seguinte. Eu consigo dormir um pouco enquanto espero a hora de ir para o aeroporto. Preston tentou me ligar. Eu não atendi. Ele escolheu me deixar sozinha em uma cidade desconhecida para achar um jeito de volta para casa – ele podia estar com raiva, mas isso foi baixo. Eu não preciso de um homem desses na minha vida. Só lamento que demorei tanto para perceber isso. Eu sinto que estou morrendo essa manhã, mas também estou determinada a ir para casa. Não quero estar aqui nem um segundo além do necessário. Só quero deitar na minha cama, longe de tudo. Quando passo pelo painel de segurança, meu estômago começa a revirar. Eu só tenho que passar disso aqui e então vou estar no meu caminho. Estou quase lá. Assim que passo pelo scanner, meu estômago retorce e a levo a mão à boca. — Moça? — o atendente pergunta, seus olhos preocupados.

~ 98 ~


— Eu vou vomitar, — eu choramingo, procurando freneticamente por algo para usar como vaso sanitário. O homem se move rápido, agarra uma sacola plástica vazia e joga para mim. Eu mal consigo abri-la antes do conteúdo do meu estômago caírem ali dentro. Constrangimento sobe pelas minhas bochechas, as deixando vermelhas enquanto as pessoas passam atrás com cara de nojo. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas enquanto eu continuo vomitando até não sobrar nada. — Senhora, precisamos que você venha conosco, — um oficial diz com um pesado acento francês e um sorriso tranquilizador. — Está tudo bem. Foi apenas algo que eu comi. — Precisamos ter certeza disso. Me desculpe, por favor, venha por aqui. Eu sinto ainda mais vergonha quando agarro minha bolsa e o sigo, carregando a sacola plástica cheia de vômito até uma sala privativa. Ele chama alguém da limpeza, que prontamente leva a sacola embora. Suor frio escorre das minhas sobrancelhas e o homem coloca uma máscara. Ótimo, ele acha que eu tenho uma maldita doença contagiosa. — Vamos ter que checar você antes de permitir a sua partida, eu receio. Droga. — Foi apenas a comida, — eu protesto, o desespero crescendo em meu peito. — Talvez, mas você entende que não podemos correr o risco de que você á para outro país a bordo de um avião caso não seja. As lágrimas continham vindo. — Eu só quero ir para casa, — eu soluço. — Eu sinto muito, moça. Vamos fazer tudo o mais rápido possível, mas precisamos de testes completos para poder liberar você para voar. Discutir não vai mudar os fatos. Eles ainda vão me manter aqui. — E a minha passagem? — Vamos tentar remarcar, mas não posso garantir.

~ 99 ~


— Eu não posso pagar por outra, — eu soluço. — Vamos dar o nosso melhor, mas por agora precisamos ter certeza de que você está bem. Se você precisar ficar aqui alguns dias, provavelmente vamos te ajudar com as acomodações. Mais patéticas lágrimas quebradas. — Eu tenho que ir ver um médico? Ele assente. — Vamos te levar a um hospital onde vão fazer testes completos em você, procurando doenças infecciosas. Se tudo estiver bem, então você está liberada para voar. Os resultados podem levar alguns dias, então você talvez queira voltar ao hotel e descansar, mas não vamos permitir que você saia se estiver doente. — Eu não deveria ser colocada em quarentena ou algo assim? — eu estalo pateticamente. — Nós só precisamos te liberar para voar. Você está livre para ir ao hotel, mas não pode sair do país até termos os resultados dos exames. Não fique nervosa, tenho certeza que é só um vírus que vai passar logo. Eu balanço a cabeça, totalmente perdida. — Posso ligar para a minha família? — É claro. Vou lhe dar privacidade. Ele sai da sala e eu puxo meu telefone, ligando para Ava. — Oi, querida. Você não deveria estar no avião? — Eu estou doente, — eu soluço. — Eu vomitei bem na frente dos seguranças e eles não vão me deixar ir até que eu esteja bem. — Você está doente? — É só a água e a comida. — Ah, querida. Eu sinto muito. Eles vão pagar pela passagem? — Eu não sei. Que grande confusão. Eu só quero ir para casa. Estou tão sozinha, com tanto medo... oh, Deus, Ava. Eu não tenho ninguém, — eu soluço e tremo enquanto falo. — Eu vou dar um jeito nisso, eu prometo. Eu queria estar aí, mas você vai ficar bem. Vou garantir isso. Nós vamos te trazer para casa.

~ 100 ~


— Eu não quero mais ficar s-s-s-sozinha. Estou com medo. — Há alguém com quem eu possa falar que tenha uma ideia do que está acontecendo? Eu encontro o oficial no comando que está esperando do lado de fora por mim, e entrego o telefone a ele. Ele passa quinze minutos no telefone com Ava antes de me devolver o aparelho. — Ok, querida, ele explicou o que está acontecendo. Assim que seus testes acabarem, eu disse a ele para conseguir um táxi que vai te levar ao hotel e será pago por mim. Vá para lá, durma, relaxe e espere para ver o que acontece. Eu disse a eles que quero relatórios completos. Não vou deixar nada acontecer com você, ok? — Ok, — eu sussurro, minha voz vazia. — Você vai ficar bem, eu prometo. — Eu só quero ir para casa. — Eu sei, querida. Eu sei. Eu vou conseguir um quarto de hotel. Ligo para você em breve, ok? Eu desligo e me viro para o oficial. — Podemos ir logo e acabar com isso? Eu quero ir para casa. Eu preciso da minha família.

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Capítulo treze Passei as duas horas seguintes fazendo exames de sangue e urina. Quando tudo acabou, fui levada para um hotel que Ava conseguiu, onde vou ficar descansando até os médicos me liberarem. O quanto que ela reservou é legal, com uma cama grande e uma enorme banheira. Exausta, eu vou direto para a cama e me atiro sobre as cobertas, me enfiando embaixo delas. Meu enjoo melhorou porque os médicos me deram remédio, então pela primeira vez em muito tempo eu tenho um bom momento de sono. Acordo com uma batida na porta. Eu pisco rapidamente e olho para o meu relógio. Pisco. Então pisco de novo. Eu dormi por quase quinze horas. Como diabos isso aconteceu? Eu sabia que estava exausta, mas não percebi que precisava dormir tanto. Eu me sento, todo meu corpo duro e dolorido, e esfrego os olhos. A noite estava começando quando eu caí no sono; estamos no meio da manhã agora, e o sol brilha forte através da janela. Tenho quase certeza que nunca dormi tanto na vida. Eu me levanto e caminho até a porta. Seja quem está do outro lá continua batendo sem parar. Eu a destranco e abro, então paro em choque. De pé na minha frente está Danny, alto, perigoso e uma visão tão bem-vinda que meus joelhos cedem e eu caio sobre ele. Seus braços grandes vão ao meu redor e eu pressiono meu rosto eu sei peito, soluçando quando o alívio me invade. Eu não estou mais sozinha. — Ava me ligou quando você estava no aeroporto. Eu tive sorte de conseguir um voo em uma hora, — ele murmura no meu cabelo. — Por que você não me ligou, garota? — Eu... eu não sei, — eu murmuro em seu peito. — Eu... estou tão feliz que você está aqui. Eu me afasto e olho para ele. Ele estuda meu rosto e o seu endurece. — Você não parece nada bem. O que está acontecendo?

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— Eu não sei. Eles fizeram alguns exames. — Você está doente há muito tempo? — Quatro ou cinco dias. Ele entra e fecha a porta, largando uma pequena mala no chão. — E Preston? Onde ele está? — Ele... ele me deixou. Ele estuda o meu rosto. — Eu sei disso, mas onde diabos ele está? Eu endureço. — Danny... — Ele deixou você para se virar sozinha em um país estrangeiro, e ainda por cima doente. Eu vou encontrar e matar ele, porra. Meu lábio treme. Ainda assim, é tão bom ver ele. Tão bom ouvir a sua voz. Eu senti tanto a sua falta. — Eu estava com tanto medo... estou tão perdida. Ele dá um passo à frente e me puxa em seus braços de novo, me segurando tão apertado que eu esqueço do mundo por um momento. — Eu estou aqui agora, ok? Nós estamos levando você para casa, sã e salva. — Por que você veio? Ele não me solta. — Eu sempre vou vir por você, Skye. Você deveria saber disso. Eu soluço e ele dá um passo para trás, pegando o meu queixo em suas mãos e inclinando a minha cabeça. — Você precisa comer, beber e descansar mais um pouco. Você parece um inferno. — Eu acabei de dormir quinze horas. — E precisa dormir mais. Assim como eu. Vamos pedir comida e cuidar disso. — Você viajou onze horas para me salvar. Ele sorri. — Eu viajaria muito mais. Eu sei.

~ 103 ~


Ele acha o cardápio do hotel e pede torrada e café, e também algumas frutas. Então ele se vira para mim e aponta para o banheiro. — Vá tomar um banho. Eu faço o que ele pediu sem reclamar, meu corpo dolorido desesperado por água quente. Tomo meu tempo lavando o cabelo e o corpo, mas quando termino, a náusea é forte outra vez. Dor corre pelo meu corpo, seguida rapidamente pela frustração. Estou tão cansada de me sentir assim. Saio do banho e me visto, mas logo já estou ajoelhada em frente ao vaso mais uma vez, vomitando a pequena quantidade de água que bebi. Não há nada mais aqui, mas a ânsia continua vindo. — Ei, Skye, você está bem? — Danny chama do quarto ao lado. Eu dou descarga e me levanto, suor escorrendo ao lado da minha sobrancelha. Abro a porta e assim que me vê, Danny mostra uma expressão preocupada. — Você não parece muito renovada. Precisa que eu te leve para um hospital? Balanço a cabeça. — Isso vai passar; só preciso descansar. — Você pode estar desidratada. Eu me sento na cama, minha cabeça latejando. — Acho que estou bem agora. Uma batida na porta o distrai rapidamente, e ele se vira hesitante para atender. Uma moça entra com os nossos pedidos em um carrinho, coloca tudo sobre a mesa e nos agradece antes de sair. Danny divide a comida em dois pratos e me entrega um pedaço de torrada sem manteiga. — Tente comer isso por mim, ok? Eu olho para a torrada, mas sei que ele não vai desistir a menos que eu tente, então eu pego e mordisco a pontinha. — Isso também. Ele me alcança um copo de água. Eu suspiro e pego. — Alguma ideia do que está acontecendo? — ele pergunta, se sentando ao meu lado na cama. — Não. Eu só sei que isso começou quando cheguei aqui. Acho que é a água ou algo assim. — Não deveria durar tantos dias.

~ 104 ~


Dou de ombros. — Acho que vamos descobrir. — Sim. Até lá, no entanto, você vai descansar. Eu olho para ele, ainda mordiscando a minha torrada. — Danny? — Hmmm? — Obrigada por vir. Eu sei... eu sei que as coisas têm sido difíceis desde a última vez que nos falamos. Ele me estuda. — Eu não ia deixar você aqui sozinha, Skye. Meu coração dói porque ele não está me deixando entrar. Ele está aqui me ajudando, mas está mantendo distância. Ele está bloqueando seus sentimentos e garantindo que eu não veja além das paredes que ele levantou. Ele está me tratando como trata Mercedes e isso dói. — Eu sei, — eu sussurro, olhando para a minha torrada. — Preciso fazer uma ligação. Não vai demorar. Eu assinto e o observo sair do quarto. Eu nunca me senti tão distante dele, e isso me assusta pra caramba. O que foi que eu fiz?

***

Danny e eu dormimos outras oito horas, ele no sofá, eu na cama. Ele sempre dormiu ao meu lado sem hesitar, mas agora ele está hesitando, sem me tocar, com exceção do abraço que me deu assim que chegou. Ele passa muito tempo no telefone. Eu liguei para a minha família e contei a eles o que estava acontecendo, mas além disso não toquei no meu celular. Eu acordo antes de Danny e levanto da cama. É noite agora, e as luzes da cidade podem ser vistas através da leve cortina da nossa janela. Eu ando até lá e olho entre as cortinas. Deveria estar aproveitando esse lugar magnifico, não parada aqui me perguntando o que diabos está acontecendo com o meu corpo. A náusea é constante em meu estômago enquanto eu ando ao redor, mas pelo menos o vômito não está ameaçando fazer uma aparição.

~ 105 ~


Uma luz me distrai enquanto eu tento andar pelo quarto em silêncio, e vejo que é o telefone de Danny. Eu ando até lá e olho para a tela. O que eu vejo faz meu coração se partir em mim milhares de pequenos pedaços. Agora eu entendo – agora eu sei o quanto eu estar com Preston deve ter machucado ele. Nunca, até esse momento, eu tinha percebido quanta dor fiz ele sentir. Eu sei, porque estou sentindo exatamente a mesma dor quando leio a mensagem na tela. Macy – Estou com saudades, neném. Espero que você volte logo, não é a mesma coisa sem você aqui. XXX3. Danny seguiu em frente. Danny está vendo alguém. Meu coração se torce, e eu me viro, pego meu telefone e rapidamente coloco um vestido de algodão antes de sair correndo do quarto. Me apresso pelo corredor, lutando com as lágrimas, e explodo na no ar frio da noite. As pessoas batem em mim ao passar, mas eu ando até um banco próximo a uma fonte e me sento. Danny tem uma namorada. Claro que sim. Ele merece seguir em frente, achar alguém que o ame. Não seria justo eu esperar qualquer coisa menos que isso. Eu nunca pensei em como iria me sentir quando Danny seguisse em frente; eu nem sequer pensei que ele iria. Eu fui incrivelmente egoísta. Eu o fiz correr ao redor e o brinquei com o seu coração, e ainda assim nunca esperei que ele fosse encontrar outra pessoa. Esfrego meus braços e pego meu telefone, tentando afastar a dor no meu coração. Ele toca em minhas mãos. Eu atendo rapidamente, o levando até a orelha. — Alô? — É Skye? — Sim, é ela. — Olá, eu sou o Dr. Kain. Estou ligando para falar dos resultados dos seus exames. Meu estômago revira. Isso é ruim? O problema vai além de água e comida diferentes? E se for uma doença, ou pior? — O-ok, — eu sussurro. 3

É um jeito informal e carinhoso de mandar beijos. ~ 106 ~


— Nós testamos seu sangue e urina, e está tudo bem com o seu corpo. Eu exalo aliviada. — Então por que eu estou tão mal? — Bem, — ele diz, e eu posso jurar que ele está sorrindo, — você está grávida. Meu mundo para de girar e o telefone ameaça escorregar pelos meus dedos. Grávida. Ele acabou de dizer que eu estou grávida? — C-co-como é que é? — Esta foi a única coisa que concluímos dos seus exames, e explicaria o enjoo. Você está com cerca de cinco semanas, provavelmente seis, dependendo de quando foi a sua última menstruação. Você está no começo da fase de enjoos matinais. Algumas mulheres sofrem muito com isso. Eu não posso respirar. Não posso sequer pensar. — Skye, você está aí? — Eu estou grávida? — eu pergunto, minha voz tremendo. — Tenho a sensação que você não esperava isso? — Não. — Bem, se você quiser conversar mais sobre isso, apareça aqui. Do contrário, eu estou feliz em enviar uma notificação à companhia aérea informando que você está liberada para ir para casa. — Você tem certeza? Quero dizer... isso pode ser um engano? — Certeza absoluta. — O-o-ok. Obrigada. Eu quebro e choro. Bem aqui no banco de um parque em Paris. Minha vida se desfaz diante dos meus olhos.

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Capítulo catorze Grávida. Grávida. Essa pequena palavra se repete uma e outra vez em minha cabeça enquanto ando lentamente de volta ao quarto de hotel, tentando processar o que acabou de acontecer. Eu estava tomando pílula; não sei o que deu errado. Será que eu esqueci um dia? Eu não sei. Tudo que eu sei é que estou grávida, e é de Danny. Tem que ser dele. Eu não estive com Preston desde Danny, então essa opção é impossível. Passei o último ano lutando contra essa vida, evitando Danny para nunca acabarmos em uma situação assim. A razão pela qual eu fugi, pela qual não estou com ele, sendo amada e feliz, é porque não quero a vida que ele quer, e não quero crianças envolvidas com essa cultura. O que me deixa uma decisão extremamente dolorosa e difícil para tomar. Que diabos eu vou fazer? Estou dormente. Eu mal sinto alguma coisa. O choque me pegou. Eu não sei nem como contar a ele, mas sei que preciso. Não posso fazer essa escolha sem ele, mas ele está vendo alguém agora. Entre o nosso relacionamento e as obrigações com o clube, ele vai querer que eu volte para casa, e não posso fazer isso. Não posso... Deus, o que diabos eu vou fazer? Parece que alguém está sentado em cima do meu peito, empurrando o ar para fora dos meus pulmões. Eu me movo lentamente, não em um ritmo normal de caminhada, tentando evitar o que tenho que encarar. Não tenho que evitar muito. Ele está parado em frente ao quarto do hotel, um cigarro entre os dedos, falando ao telefone. Ele não me nota; ele não precisa. Eu vejo algo em seu rosto que me faz decidir antes mesmo que eu perceba. Isso também agarra o meu coração e o

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corta em muitos pedacinhos, porque a verdade é que estou prestes a fazer a coisa mais difícil da minha vida... sozinha. Eu sei que ele está falando com ela... a sua namorada. Mas não é isso que me faz decidir. Ele está sorrindo. Sorrindo de verdade. Covinhas aparecem nas suas bochechas perfeitas, seus olhos vivos de felicidade. Seja lá quem for essa garota, ela está trazendo isso a ele, um sorriso que eu não vi por tanto tempo, um sorriso que eu roubei e esmaguei. Ele passou por muita coisa, e ela está o fazendo sorrir assim. E eu sei, nesse momento, parada aqui, que não posso tirar esse sorriso dele. Eu já tirei demais. Danny merece ser feliz. Ele merece uma garota que faça parecer feliz assim, que o faça sorrir com tanta frequência que a gente esqueça como ele se parece quando não está fazendo isso. Ele merece uma old lady leal que estará ao seu lado, orgulhosa de quem ele é – orgulhosa de quem ele se tornou. Dor como nunca outra senti em minha vida explode em meu peito. Eu estou sozinha. Eu estou grávida. E estou prestes a deixar o amor da minha vida ir embora para sempre. Danny me nota parada no corredor e encerra sua conversa, guardando o celular no bolsa da calça, e caminha na minha direção, preocupação marcando suas feições. — Ei, — ele diz quando para na minha frente. — Você está bem? Eu acordei e você tinha saído. O seu telefone caía direto na caixa postar. Me assustou pra caralho. Eu olho para ele, realmente olho. E vejo que se foi. A dor que ele tinha por mim, o amor que ele tinha por mim, isso tudo está lentamente desaparecendo na escuridão. Ele está permitindo que desapareça; ele está permitindo que essa nova garota crie um novo amor. Quem sou eu para tirar isso dele depois de tudo que o fiz passar? Eu amo Danny demais para isso. Eu sei que a minha decisão é a única certa. Eu só não sei como vou viver sem ele. — Eu estou bem, — eu coaxo. — Boas notícias. Não há nada errado comigo e podemos ir para casa.

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Ele estuda o meu rosto. — Você tem certeza? Eu assinto e forço um sorriso. — Absoluta. — Então por que você está com tanto enjoo? Eu olho para o lado, encarando a linda cidade na qual estou, ainda que não esteja realmente vendo. — O médico disse que pode ter sido a comida ou a água. Acontece às vezes. — Então é melhor nós voltarmos para casa o mais rápido possível, assim você se cura logo. Casa. Eu nem sei mais onde isso fica. — Sim, — eu sussurro. — Você tem certeza que está bem? Eu olho para ele. — Eu estou. Vamos. O que diabos eu vou fazer?

***

— Ótimo, — eu murmuro quando saio do avião com Danny ao meu lado e vejo meu avô, Spike e meu pai parados com suas respectivas esposas, esperando por nós. — Eles só estão preocupados, — Danny diz, olhando para mim com o canto do olho. — Eu sei, mas estou exausta e só quero descansar. — Eles não vão te impedir de fazer isso. — Oh, meu Deus! — minha mãe grita, correndo para frente e jogando os braços ao meu redor. — Jamais faça isso outra vez. Eu estava realmente contemplando maneiras de sequestrar você de um país estrangeiro, se eles não te liberassem para vir para casa. Ia ser uma grande confusão. Apesar de tudo em minha mente, eu não posso deixar de sorrir. — Eu senti a sua falta, — eu digo, a abraçando apertado.

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— Nunca mais fique doente em um lugar onde a sua mamãe não pode ir até você, entendeu? — Entendi. — Vá para o lado, mulher. Me deixe falar com o meu bebê. Eu reviro os olhos e solto a minha mãe, indo para o meu pai, que me estuda com os olhos preocupados. — Você não parece muito bem, garota. — Eu vou ficar, agora que estou em casa. — Eu espero, — Danny diz. — Ela vomitou a maior parte do caminho para casa. Eu estava ficando preocupado. Ela precisa de muita água e descanso. Meu pai me puxa em seus braços e estende uma mão para Danny. — Obrigado, garoto, por trazer ela para casa. — Meu trabalho, — Danny murmura, apertando a mão dele e olhando para mim. Essas palavras machucam. Seu trabalho. Eu era o seu trabalho. Desvio o olhar. — Eu deveria ir para casa. Estou exausta. — Só depois que você me contar quando aquele filho da putinha vai voltar para casa, assim vou poder lhe fazer uma visita, — Spike rosna, cruzando os braços. — Eu já tentei isso, coroa. Ela não fala, — Danny murmura. — Eu preferiria que nenhum de vocês cometesse assassinato, muito obrigada, — eu murmuro contra o peito do meu pai. — Eu vou encontrar ele, baby, e guarde isso. Ninguém deixa a minha filha sozinha e sem dinheiro em um país diferente. — Falando em dinheiro, — eu digo, mudando de assunto. — Eu estou devendo para Ava. — Já resolvido, — minha mãe diz. — Mãe... — eu a aviso. — Eu que devo devolver esse dinheiro. Ela balança a mão. — Bobagem. Você é minha filha e ela é minha irmã. Nós entramos em um acordo. ~ 111 ~


Eu reviro os olhos. Ela sorri. É bom estar em casa.

~ 112 ~


Capítulo quinze — Garota, não é normal vomitar tanto assim, — meu pai diz, colocando um copo de água sobre o sofá. Ele está me dando um olhar desconfiado e eu gaguejo em minha resposta. — B-b-bem, a comida obviamente não me sentou bem e está demorando para o meu sistema fazer a digestão. Eu rio nervosa. Ele estreita os olhos. — Você tem certeza que é só isso? — O que mais seria? — eu murmuro, deixando meus olhos correrem para o outro lado. Ele se ajoelha na minha frente. — Eu estou com você há uma semana, e isso sempre vem pela manhã e à tarde. Você mal come e está exausta. Você acha que eu não percebi como a sua mãe ficou quando estava grávida de você? Toda a cor some do meu rosto. É resposta suficiente para ele. Ele se levanta e grita. — Eu vou matar aquele filho da puta maldito. — Pai, — eu choro, me mexendo no sofá. — Papai... — Como ele se atreve a engravidar a minha garota e então a deixa sozinha em Paris? Oh, Deus. Isso não é bom. Isso. Não. É. Bom. — Pai! — eu chamo, me levantando. Oscilo em meus pés por me mexer rápido demais e perco o equilíbrio para trás. Meu pai consegue me pegar antes que eu caia. — Merda, você está bem?

~ 113 ~


— Apenas tonta, — eu murmuro, minha cabeça girando. — Vou te levar para o hospital; você não deveria estar tão enjoada. Eles vão te dar algo para te ajudar com isso. — Pai, — eu tento de novo. — Então eu vou caçar aquele infeliz e cortar ele ao meio. — Eu não quero que ele saiba! — eu cuspo. Oh, Deus. O que eu estou fazendo? Meu pai olha para mim, confusão tomando seu rosto bonito. — O que você quer dizer? Aquele pedaço de merda precisa vir aqui e assumir a responsabilidade pelo que fez. — Eu não amo ele, pai, — eu digo rapidamente. — Mas, mais do que isso, ele não era bom para mim. Não quero esse tipo de homem na minha vida ou... Seus olhos suavizam. — Ou na do seu filho. Oh, Deus. Eu não estou pronta para isso. A queimação de lágrimas não derramadas enche o meu nariz e ele pinica, me deixando saber que estou prestes a perder a cabeça. — Baby, — ele diz suavemente, sentando nós dois no sofá. — Você vai ficar bem. — Como? — eu choro, finalmente deixando a cachoeira de lágrimas escorrer pelas minhas bochechas. — Como eu vou ficar bem? Eu não quero um bebê, eu nem sei como isso aconteceu. Eu... estava protegida. — Merdas acontecem. — Eu sou muito nova. Não estou pronta. — A sua mãe tinha a sua idade, e você está pronta. Você realmente não pode fazer nada além disso. — Eu não quero que ele saiba, — eu sussurro. — Eu sei que parece errado, mas ele me deixou em outro país, sozinha, sem nada. Ele é mimado e arrogante, e eu não o quero na minha... na vida dessa criança. Meu pai me puxa para perto. — Você que sabe, querida.

~ 114 ~


— Eu não sei se posso fazer isso sozinha, — eu soluço. — Você não precisa. Você tem a gente. — Essa não é a vida que eu quero para nós. Eu... não fui feita para isso. — Quando você chegou a essa conclusão? — ele pergunta, soando levemente ferido. No dia em que Ava foi ferida. — É uma vida perigosa. — Errado, querida. Só é perigosa nas mãos erradas. — Ava se feriu, pau. Você está dizendo que o vovô permitiu isso porque o clube está em mãos erradas? — O seu avô se envolveu com a pessoa errada, e isso foi erro dele. Ele sabe disso; nós todos aprendemos com essa situação. — E Mercy? Qual foi o erro com ela? — Querida, você esteve no clube a sua vida toda. Você alguma vez foi ferida? — Não é isso que eu quero, — eu choro, me levantando lentamente e caminhando até a cozinha. — E essa é a vida que você quer? — ele joga para mim. — Sozinha em seu apartamento, parecendo que carrega o mundo sobre os ombros? — Eu quero viajar, — eu digo pateticamente. — Como isso funcionou para você? Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas. — Eu odiei, — eu sussurro. — Exatamente, querida. Você odiou porque não é isso que te faz realmente feliz. Vamos lá, Skye, esse clube era a sua vida. Você o comandava com força, assim como Danny, marchando por aí e dando ordens. Você amava isso. Sempre pensei que você ia achar um homem no clube e se tornaria uma old lady. Você nasceu para isso. O que mudou? — Eu fiquei com medo, — finalmente dizer isso em voz alta faz algo explodir em meu peito. Aperto a lateral do balcão e mais lágrimas

~ 115 ~


escorrem pelas minhas bochechas. — Fiquei com medo que as mesmas coisas acontecessem comigo – que eu tivesse filhos e que eles sofressem assim como Ava e Mercy. Eu fiquei com medo de ver meu marido como vi Danny aquele dia, coberto de sangue. Que meus filhos vissem isso. Eles nunca mais veriam o pai deles da mesma maneira. — Você alguma vez já me viu assim? Eu estremeço. — Baby, já viu? Balanço a cabeça. — Você já foi ferida? — Ava... — Você já foi ferida? — ele pergunta, se aproximando de mim. — Não, mas.... — Você sentiu falta de alguma coisa? E a sua mãe? — É uma vida perigosa, pai, — eu choramingo, meu protesto patético. — Sim, ela pode ser. É como ter um trabalho de alto risco. Algo como ser um paramédico ou um policial. Você acha que os filhos de um policial não têm medo que ele não volte para casa porque levou um tiro? A vida é imprevisível e perigosa, querida. Você sabe disso melhor do que ninguém. Você também sabe que, ao crescer com o clube, esteve mais protegida que a maioria das crianças por aí. Você sempre teve pessoas protegendo as suas costas. Esteve segura. Mais do que isso, você sempre foi amada. Eu soluço com tanta força que meu corpo treme. Ele me puxa para os seus braços. Eu agarro a sua jaqueta e respiro nele, um cheiro que costuma me trazer conforto. — Não posso dizer que clube não vai se meter em problemas de novo, mas nós estamos mudando as coisas, ficando longe do perigo e protegendo os nossos. A vida faz promessas, Skye. Você apenas tem que fazer o que te deixa feliz e esperar ter sorte. Eu tremo ainda mais forte, me agarrando a ele, com medo de deixá-lo ir. Eu vou cair se fizer isso, eu sei.

~ 116 ~


— Se a vida no clube não é o que você quer, querida, não precisa aceitá-la, mas correr assim, fazendo você miserável procurando por algo que não está lá... isso não vai te fazer feliz. — Eu não estou feliz, — eu agarro seus braços. — Eu estou tão sozinha, tão perdida. — Então venha para casa, descubra o que você realmente quer. Leve a vida que mais atrai você. Ir para casa significa encarar Danny. Significa encarar a sua namorada. Significa fingir que estou grávida de outro homem. Significa voltar a viver perto do clube. Significa família. Amor. — Eu quero ir para casa, — eu digo, e uma pressão é instantaneamente aliviada do meu peito. É a primeira vez que eu falo isso e realmente quis dizer casa palavra. Eu quero ir para casa.

***

— Você está me deixando? — Mercy faz uma careta, jogando alguns dos meus sapatos em uma caixa. — Eu preciso estar em casa agora. — Bem, eu sei disso, eu sempre soube, mas sou egoísta porque totalmente quero você aqui do meu lado. Eu sorrio para ela. — Você vai me visitar o tempo todo. Ela faz um beicinho. — O que eu devo fazer sem ninguém por perto? — Aproveitar o seu namorado? Ela sorri. — Esse é um lado bom. — Espero que eu esteja pronta para isso, — eu digo, sentando no lado da cama e exalando alto. — Voltar para lá...

~ 117 ~


— É onde você pertence, querida. Deus, você e Danny praticamente cresceram comandando aquele clube. Você amava aquilo. Em cada churrasco você estava lá, a cada corrida, você implorava para ir junto. É onde você deveria estar. — Só que Danny seguiu em frente. Seus olhos ficam mais suaves. — Talvez ele tenha, mas isso não deveria ser o bastante para te impedir de estar no lugar que você ama. Esse negócio de cidade grande não é para você; você sempre amou estar em casa, perto da sua família. — É verdade, — eu admito. — Além disso, Ava e Lucas estão lá, e Max estão tão sozinho que está me deixando louca. Eu rio. — Eu sinto tanta falta deles. — Danny vai ficar secretamente feliz por você voltar. Eu bufo. Duvido. — Ele está feliz. Fico feliz com isso. — É mesmo? — ela pergunta, sentando ao meu lado na cama. — Sim, mesmo. Eu errei com ele, Mercy. Ele merece ter alguém que o faz feliz. — Se você abrisse esse coração obstinado, perceberia que estaria feliz em estar ao lado dele, também. Mostro a língua para ela. Eu não contei a ninguém sobre o bebê ainda. Fiz meu pai prometer que vai guardar isso para si até que eu chegue em casa e possa fazer isso no meu tempo. Ele ficou feliz em me apoiar, e mais feliz ainda em apoiar minha decisão de não contar a Preston, embora o bebê não seja dele. Se ele continuar pensando assim, talvez eu consiga criar o bebê sem nunca ter que interromper a vida de Danny. Ele merece felicidade. Eu estou determinada a deixar que ele tenha isso. — Eu realmente vou sentir sua falta, — Mercedes suspira, jogando um braço sobre os meus ombros. — Eu também, Merc. Eu também.

~ 118 ~


E eu vou. Mas a ideia de ir para casa... me traz um calor do qual senti falta por meses. E ele ĂŠ bom. Bom demais.

~ 119 ~


Capítulo dezesseis Eu decidi não voltar para a casa dos meus pais. Preciso da minha própria vida e do meu próprio espaço para criar o bebê. Meu pai conseguiu para mim um trabalho no bar local na estrada a caminho do clube, e eles ficavam felizes em me contratar, com ou sem bebê – embora meu pai tenha ameaçado estripar todos eles se sequer mencionassem a gravidez. Eu praticamente cresci com os donos do bar, então eles estavam mais do que felizes por eu oferecer meus serviços, e além disso eles me adoravam. Eu encontrei um apartamento na cidade. É um pequeno lugar de dois quartos. Ele não é luxuoso, mas é espaçoso e barato. Meu pai veio antes mesmo que eu chegasse e consertou todas as janelas e portas, garantindo que o lugar estivesse seguro. Minha mãe o atacou, perguntando porque de repente ele estava tão paranoico quando ele aparentemente colocava uma capa em um alarme de segurança. Deus. Ele vai me deixar louca. Eu sei disso. Eu fio ao médico antes de sair de Denver e ele me receitou umas pastilhas para o enjoo matinal. Elas ajudaram, e eu tenho conseguido manter a comida no estômago por tempo suficiente para ganhar alguns nutrientes. Hoje eu até consegui comer um pedaço de torrada sem colocar nada para fora. Comecei a tomar todas as vitaminas necessárias, mas a verdade é que a ficha ainda não caiu. Eu ainda me sinto em um sonho ruim. Todo o tempo eu penso em contar a Danny sobre a gravidez, mas acaso desistindo. É uma pobre tentativa de ignorar o problema. Talvez se eu for embora posso fingir que não está aqui. A culpa corre pelo meu peito todas as horas de todos os dias, porque eu sei que Danny tem o direito de saber, mas a ideia de aborrecê-lo depois de tudo que eu já fiz não parece justa. Eu não quero arruinar a sua felicidade outra vez. Deixar que ele acredite que o bebê é de Preston é o melhor a se fazer. Certo?

~ 120 ~


— Seja bem-vinda! Eu pulo com o som da voz de Max e me viro, dando um grande sorriso quando o vejo passando pela porta de entrada, seu cabelo vermelho balançando na brisa. Deus, eu senti saudades da minha família. Me atiro em seus braços e ele me pega sem esforço, me girando ao redor. Eu rio e o seguro com força, malditamente feliz por ter ele por perto. — Deus, senti saudades, — eu digo quando ele me coloca no chão. — Você está mais alto ou... ? Ele bufa. — Não, você que ficou mais baixinha. Eu sorrio. — Espero que não. Eu vou ter 1,50 m e nada, se for o caso. — Então você voltou. Como se sente? Eu olho para o meu novo apartamento. — Aliviada. Assustada. Esperançosa. — Danny sabe que você voltou? Dou de ombros. — Eu não sei, mas não é por isso que eu estou aqui. — Eu conheci a namorada dele. Eu vacilo, mas mantenho o sorriso. — Que bom. — Ela é legal. Dor explode no meu peito. — Fico feliz por ele. — Deus, você é uma péssima mentirosa! — ele brinca, jogando um braço por cima dos meus ombros. — Ele merece ser feliz, Max. — Sim, e essa felicidade deveria vir de você. Ele te ama, Skye. Vocês estão destinados a ficarem juntos. Porque vocês estão lutando contra isso? Porque eu já o fiz sofrer o bastante. Porque eu não estava lá quando ele precisava de mim. Porque eu disse a ele que essa não era a vida que eu queria.

~ 121 ~


Porque ele sorriu, e parecia feliz. Porque ele merece muito mais do que eu. — Porque sim, — eu murmuro. — Agora você quer ver o meu apartamento ou nós vamos ficar falando de Danny o resto da tarde? Seu rosto cai rapidamente antes dele se recuperar com um pequeno sorriso. — Me mostre o lugar! E é o que eu faço.

***

— Você tem que conta para sua mãe, Skye. Eu faço uma careta para o meu pai, então empurro meu sofá, movendo a coisa pela nonagésima vez hoje. — Eu vou contar. Eu vou. — Não deixe isso se arrastar de mais, ouviu? Ela precisa saber. Nós vamos te ajudar, e a única maneira disso acontece é você sendo honesta com ela. — Ok, cidadão perfeito, — eu murmuro. — Ei, — ele rosna e eu olho para ele, minhas bochechas queimando de vergonha por causa do comentário maldoso. — Não preciso dessa merda. — Eu sei, desculpe. Eu só... eu estou envergonhada. Ele dá a volta no sofá e coloca as mãos nos meus ombros. — Não fique. Isso acontece – eu sei do que estou falando. Você tem a sua família aqui, nós vamos te apoiar e você vai encontrar o homem certo que vai amar você e o seu bebê. Por agora você está segura, saudável e nós estamos aqui. Conte para a sua mãe. Eu suspiro. — Vou ir ao complexo essa noite, contar as novidades. Ele assente. — Certo. Como você está se sentindo, aliás? — Como uma merda, mas as pastilhas estão ajudando.

~ 122 ~


Meu pai sorri, e droga, ele parece tão orgulhoso. Ele não deveria estar orgulhoso; ele deveria estar bravo e envergonhado, mas eu sou a sua garotinha e a ideia de ser avô claramente não o incomoda nem um pouco. Não que eu achei que fosse; ele ainda é um pai muito atencioso e amoroso. Ele fez todas as coisas que a maioria dos pais evita. Ele era o único de pé aplaudindo durante as apresentações de balé, de jaqueta de couro e tudo. Ele nunca teve vergonha de me deixar fazer o que eu precisava; ele sempre esteve ao meu lado. Assim como ele está agora. — Como você não está bravo comigo? Ele balança os grandes ombros. — Você é minha filha, mas mais do que isso, você é uma pessoa, e todos nós cometemos erros, garota. Todos nós. Não importa o seu lugar no mundo. Você ficou grávida. Não posso dizer que gosto da ideia do meu bebê fazendo coisas assim com... pessoas como Preston, mas você é adulta agora e você é uma garota esperta e bonita. Eu balanço a cabeça. — Você está muito mole. Ele sorri. — Somente você e a sua mãe veem esse meu lado. Eu me atiro no sofá e estudo minhas mãos. — Estou com medo, pai. Com medo de fazer isso sozinha; com medo de não ser o suficiente; com medo que eu vá fazer as coisas erradas... Ele senta ao meu lado. — Com ou sem um homem ao seu lado, Skye, essas coisas ainda estariam na sua cabeça. Porra, eu me caguei todo quando a sua mãe ficou grávida de você – e foi pior quando você nasceu. Eu não tinha porra de ideia nenhuma do que fazer, mas aprendi. Você cresce com o seu filho, e dá o melhor que você tem. — Eu não quero ficar sozinha, — minha voz fica presa e uma lágrima escorre pela minha bochecha. — Você não está sozinha. Você tem a gente. Mas eu estou. Eu estou malditamente sozinha.

~ 123 ~


Capítulo dezessete — Mãe? — eu chamo, andando através do complexo e seguindo as risadas femininas que, não importa quanto minha mãe e suas amigas envelheçam, nunca para. Acho minha mãe na cozinha com Ciara e Serenity, todas elas rindo de algo que aparece no celular de Serenity. Elas param quando me veem e minha mãe sai correndo para me abraçar. — Aí está você! Eu fui até a sua casa essa manhã, mas você não estava lá. — Provavelmente estava no mercado, eu digo, acenando para as outras duas. — Como você está se adaptando? — Ciara pergunta. Deus, Danny é tão parecido com elas. Esses olhos. — Bem. — Feliz de estar em casa? — Serenity pergunta, me estudando com um sorriso gentil. — Sim, muito. Ouçam, eu preciso falar com a minha mãe sobre uma coisa... — minha voz falha e eu olho para as mulheres, que cedo ou tarde vão saber o que está acontecendo, então eu adiciono, — Esqueçam. Vocês todas vão saber em algum momento. — O que está acontecendo? — minha mãe pergunta, preocupação marcando seus traços. — Vocês sabem que eu e Preston estivemos juntos por um tempo, e então terminamos. Bem, eu Paris, quando eu estava enjoada... não era apenas a comida. — Querida? — minha mãe diz com a voz preocupada. Eu suspiro e digo. — Eu estou grávida, mãe. — Oh, meu Deus! — Ciara grita tão alto que eu estremeço.

~ 124 ~


— O quê? — minha mãe chora, a mão voando para a boca. — Eu sei, — eu digo rapidamente, — eu sei que sou jovem e... eu não planejei isso... e... Deus... eu só... queria que você soubesse. Eu estou lidando com isso, as coisas estão difíceis e... — Eu vou ser vovó? — minha mãe grita, me pegando com a guarda baixa. — Ah, sim, eu acho, — eu murmuro, confusa pela sua reação. — Eu vou vovó! — ela canta feliz, jogando os braços ao meu redor. — Ah, querida, parabéns. Não era bem o que eu esperava. — Mãe, — eu digo, dando um passo para trás. — Eu sou muito jovem e... estou sozinha. Ela pisca. — Preston não sabe? Eu odeio mentir. Odeio. — Não, e não vai. Eu sei que isso não parece ser a coisa ser certa a se fazer, mas ele me tratou muito mal e me deixou em um lugar onde muitas coisas poderiam ter dado errado. Eu não o quero nem na minha vida, nem na da criança. — Querida... Eu levanto a mão com firmeza. — Não, mãe, essa é minha escolha e eu tenho o direito de fazê-la. O pai concorda comigo. — O quê? — ela guincha. — O seu pai soube antes de mim? Ah, merda. — Ele descobriu e... — Cade! — ela berra, se virando e marchando para fora da cozinha. Merda. — Mãe! — eu grito. — Tarde demais, querida, — Serenity diz, apertando meu ombro quando passa. — A leoa foi à caça. Eu coloco o rosto nas mãos. — Deus, não era para ser assim. Ela ri. — Tudo vai ficar bem. Vamos lá, vamos ver se conseguimos para a besta selvagem antes que ela enfie as garras no seu pai.

~ 125 ~


Cara pega minha mãe e Serenity corre na frente, nós vamos para a área de estar principal, onde todos os motoqueiros estão bebendo. Incluindo Danny. Ele está sentado no bar, uma cerveja na mão, os olhos fixos em minha mãe, que avança na direção do meu pai, as mãos balançando no ar. Isso não é bom. Eu não quero que Danny saiba o meu segredo. Ainda não. Eu não tenho a chance de dizer nada. — Você sabia que a minha filha estava grávida e não me disse! — minha mãe grita, dando um soco no braço do meu pai. Todo o cômodo fica em silêncio. Ela acabou de anunciar para todo o clube que eu estou grávida. Meu pai grunhe e levanta a mão. — Se acalme, mulher. Não era minha história para contar, e esse não é o lugar para isso. — Meu bebê vai ter um bebê! Você sabia! Você não me contou! Eu sou a mãe dela, você devia ter me dito. — A história é dela, — ele repete. — Agora para com isso, querida. Você está fazendo uma cena. Meus olhos encontram os de Danny, que está me encarando, sua boca levemente aberta, dor marcando seu rosto. Ele acha que é dele. Deus. É dele. O que... eu estou fazendo? O que diabos estou fazendo? Ele parece... triste, e feliz e furioso. Merda. Ele parece furioso. Seu rosto se contorce de fúria. Ele se levanta, seu banco caindo para trás, seus olhos arregalados de raiva. Ele avança na minha direção e minha boca se abre para pará-lo antes que ele fale, mas nada sai. — Quando você ia me contar? — ele late. — Ou você planejou que eu descobrisse junto com o resto do mundo? Eu tento falar, mas nada acontece. Isso não é bom. — Quando? — ele berra. Eu estremeço. — Danny, — Ciara diz, sua voz dura. — Que diabos há de errado com você? Isso não é da sua conta! — Não é da minha conta? — ele bufa, se virando para ela. — Ela está grávida do meu filho e você acha que não é da minha conta, porra?

~ 126 ~


— O quê? — meu pai ruge, seu banco também caindo para trás. Ah, não. Não. Não. — Pai! — eu grito, mas ele já está se lançando em Danny. Danny, como se tivesse acabado de perceber o que disse, para de gritar comigo e se vira para o meu pai. — Cade... — Você esteve fodendo com a minha filha? — ele ruge. — Cade... — Pai! — eu imploro. Os olhos do meu pai correm para mim. — Você me disse que era o filho de Preston. Você mentiu para mim, Skye? Deus. Merda. Não era assim que eu queria que as coisas acabassem. — Pai... — De quem é esse bebê, porra? — ele ruge tão alto que eu dou um passo para trás, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — É... de Danny. Ele perde a cabeça. Ele gira, um punho voa e ele acerta Danny na boca, o empurrando para trás. Danny dá um gemido de dor e Spike salta da sua cadeira, mas não interfere. Ele parece puto, também, e um pouco magoado. Ninguém no clube se mete. Como se eles pensassem que Danny merece isso. Ele não merece. Isso é minha culpa. — Como você se atreve a tocar na minha garota, porra? — meu pai grita. — Cade, eu não vou lutar com você, — Danny ofega, os punhos fechados ao seu lado. — Há quanto tempo? — meu pai arranha. — Pai, — eu imploro. Alguém aperta o meu braço. Eu não sei quem. — Quanto tempo? — ele grita.

~ 127 ~


— Anos, Cade. Outro soco, e esse o acerta no olho. Danny vai para trás com um grunhido, e Spike finalmente avança, as mãos levantadas, vibrando de raiva. Eu não sei se ele está bufando para Danny ou para o meu pai. — Chega, Cade. Isso não vai ajudar em nada. — Minha filha está grávida... do seu garoto. Eles estiveram fodendo por anos. — Eu sei, mas bater nele assim não vai consertar nada. — O caralho que não. Esse filho da puta... — Cade! — minha mãe grita, sua voz frenética. — Chega. Já basta. Os ombros do meu pai caem, e seus olhos caem em mim. O desapontamento ali quebra o meu coração. Ele é rasgado ao meio e cai no chão, se espalhando em uma bagunça sangrenta. Eu nunca, em toda minha vida, ganhei esse olhar do meu pai. Eu não aguento. — Você mentiu para mim, — ele raspa. — Me desculpe, pai, — eu coaxo. — Nós nunca mentimos um para o outro, mas você... você mentiu para mim, porra. — Eu não queria... — eu levanto as mãos e aceno ao redor, — isso. Meu pai balança a cabeça, e isso dói. Dói muito ver ele tão triste comigo. Eu dou um passo hesitante para o lado e minha mãe corre até mim. — Querida... — Eu preciso ir, — eu sussurro. Olho para Spike, Ciara e então para Danny. — Eu sinto muito. Então me viro e corro. Ninguém me impede.

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Capítulo dezoito Eu vou para o único lugar onde posso achar paz. O lago. Sento lá sozinha pelo que parecem ser horas. Meu telefone está no carro; eu não podia ver as mensagens e ligações que eu sei que não param de chegar através dele. Eu não queria que isso acontecesse, não assim. Eu queria que Danny fosse feliz, que estivesse livre de mim e das minhas confusões, mas ele não pode – não agora. O rugido de uma Harley-Davidson atrás de mim me diz que não estou mais sozinha, mas não me viro. Só há uma pessoa que sabe onde me encontrar aqui, e é justamente a pessoa que eu não acho que posso encarar agora. Encará-lo significa ter que me explicar, e eu não sei como fazer isso. Eu não sei o que posso dizer a ele que não vai quebrar ainda mais seu coração partido. — Você ia me contar? — sua voz é áspera e ferida. — Não, — eu sussurro. Ele explode. Ele tem esse direito. — Sério? — ele grita, dando a volta para parar na minha frente. Seu rosto está horrível, todo ferido pela surra do meu pai. Seus punhos estão fechados e ele está ofegando, completamente furioso. Eu fiz isso com ele. Eu. — Você achou que eu não tinha o direito de saber? Eu dou de ombros. — Droga, Skye, — ele troveja tão alto que eu salto. — Que porra há de errado com você? Você realmente pensou que esse era um maldito plano bom? Quando você soube? — Paris, — eu digo com a voz fraca. — Como se nós não tivéssemos passado por coisas o bastante, você vai lá e coloca a cereja em cima do topo de mentiras do caralho que já contou.

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Eu olho para ele. — É exatamente por isso que eu não ia contar a você. Ele ri amargamente. — Que desculpa patética você tem para dar dessa vez? Vamos lá, jogue para mim. Como todas as outras besteiras que você já me fez ouvir. Vamos lá, Skye, me conte a sua maldita desculpa. Eu me levanto e o encaro, a raiva crescendo pelo meu corpo. — Eu vi você sorrir! — eu grito. Ele pisca. — O quê? — Ao telefone... você estava sorrindo. Essa nova garota... você sorriu quando falou com ela. Um sorriso real, que chegava aos seus olhos, e eu não podia... não podia tomar isso de você depois de tudo que fiz. Você acha que eu não sei o que te fiz passar? Deus, eu sei. É exatamente por isso que eu não queria dizer nada. Ele me encara por tanto tempo que eu me pergunto se ele ouviu alguma coisa. — Esse é o meu filho, — sua voz está magoada. Quebrada. — Eu sei, Danny. — Eu tenho o direito de ter uma maldita escolha sobre isso. — Esse é o problema – você não teria uma escolha. Você sabe, eu te conheço, esqueceu? Você largaria tudo para estar ao meu lado, porque é isso que você faz. Você é leal e maravilhoso, e você me daria tudo. Eu não quero isso. Eu não quero que você desista de tudo por mim quando você já abriu mão de tantas coisas. — Isso não é decisão sua! — ele ruge. — É minha decisão sim. É o meu corpo. É o meu bebê. — Não é o seu bebê, é o nosso bebê! — ele grita tão alto que meus ouvidos começam a tocar. Isso é uma confusão. É pouco saudável e feio. Tudo que eu faço causa dor, para a minha família, para ele... para mim mesma. — Pare, — eu choramingo, dando um passo para trás. — Por favor, pare. — O que você quer de mim? — ele diz, e sua voz quebra. Deus. Ela quebra. — Que porra você quer de mim? ~ 130 ~


Eu olho nos seus olhos e vejo quando uma única lágrima desliza pelo seu rosto. — Eu te dei tudo, Skye. Te dei o meu mundo, meu coração, a porra da minha alma, e você jogou tudo de volta para mim porque eu não era bom o bastante. Essa vida não era boa o bastante. Nenhum de nós é bom o bastante para você. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas agora. — Você está errado, — eu sussurro. — Você é bom demais para mim, Danny. Essa vida é boa demais para mim. É tudo bom demais para mim. Eu não mereço nada disso. Eu certamente nunca mereci você. Tudo que você disse estava certo. Eu corri porque estava com medo. Nessa fuga, eu me perdi – Deus, eu nem sei mais quem eu sou. Tudo que eu sei é que não posso mais suportar ver essa mágoa no seu rosto. Ele balança a cabeça, os olhos úmidos. — Eu não posso mais fazer isso, Skye, — sua voz é um sussurro ferido. — Não posso ser o seu saco de pancadas. Ela me faz feliz; ela me ama por quem eu sou; ela me dá o que eu sei vou precisar, e então você vem e joga essa bomba... abalando todo o meu mundo. — Eu não quero abalar o seu mundo, — eu protesto, tentando empurrar a dor das suas palavras para uma parte escura da minha alma. — É exatamente esse o ponto. — Tarde demais, — ele murmura. — Agora eu tenho que viver com isso... com você... — ele diz com tanto ódio que eu estremeço. — Não, você não tem, — eu digo, me virando e indo para o carro. — Aí vai você, correndo de mim outra vez. Por um momento em sua vida, Skye, você vai ter que colocar uma outra maldita pessoa em primeiro lugar. Lágrimas embaçam a minha visão quando eu subo no carro e dou a partida. — Droga! — ele ruge. — Sua egoísta... Eu não escuto o resto. Eu não olho para trás. Eu só dirijo para longe, mas quebrada do que quando cheguei aqui. Sem absolutamente nada resolvido.

~ 131 ~


***

Isso é o melhor para todos. Repito isso uma e outra vez na minha cabeça enquanto minhas roupas na mala, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, nada capaz de fazê-las parar. Eu machuquei todas as pessoas que amo. Estou causando um desentendimento no clube. A tensão entre Danny, Spike e o meu pai é palpável. Eu estou levando embora a felicidade de Danny. A única coisa que posso fazer é ir embora e me virar sozinha. Eu não posso ser boa para ninguém se não ajudar a mim mesma. Tenho algum dinheiro que meu pai me deu para comprar coisas para o bebê. Vou usar isso para fazer uma viagem de poucas semanas, colocar a cabeça no lugar, para dar a Danny o tempo que ele precisa, também. Estou causando muito sofrimento. Eu realmente preciso saber quem diabos eu sou. Eu me perdi em algum lugar no meio do caminho, desesperadamente me dizendo que eu quero ser algo, ainda que nunca tenha parecido certo. Nada parece certo. Eu vejo minha passagem no celular. Estou indo para Fiji. Uma pequena ilha, a menor que pude encontrar na costa de Nadi. Vou ficar em um resort que tem apenas oito quartos. Um lugar todo para mim, para ficar sozinha com os meus pensamentos. Não contei a ninguém para onde estou indo, mas vou mandar uma mensagem para eles do avião, onde sei que eles não podem me parar. Assim vai ser melhor. Fecho a mala e tranco meu apartamento parcialmente mobiliado, então saio e entro em um táxi. Não vou dirigindo o carro porque isso significaria pagar estacionamento por três semanas... seria um gasto desnecessário. Chegando ao aeroporto, pago o motorista e passo as duas próximas horas entre a alfândega e a segurança. Mal consigo chegar a tempo aos portões de embarque. Acho o meu lugar e pego meu telefone. Aí vai. Envio uma mensagem para todos que precisam ouvir isso – Danny, meus pais, Ciara e Spike, assim como Ava e Mercy.

~ 132 ~


Skye: eu não sei o que dizer além de desculpas. Eu machuquei vocês todos e essa nunca foi a minha intenção. Em algum lugar no meio do caminho eu me perdi, e preciso me encontrar outra vez para ser a pessoa que vocês conhecem. Eu decepcionei todos vocês; eu queria tomar isso de volta, mas não posso. Eu estou indo viajar, não por muito tempo, mas prometo que vou ficar bem. Amo vocês. Espero voltar uma pessoa melhor e mais forte. Espero poder me tornar a garota que todos vocês amaram uma vez. Skye, x Lágrimas escorrem pelo meu rosto quando eu aperto em enviar. Uma senhora ao meu lado coloca uma mão no meu braço. — Você está bem, querida? Eu assinto, secando as lágrimas das minhas bochechas. — Eu vou ficar. — Eu sou uma boa ouvindo, se você quiser falar. Eu a estudo. Ela deve ter uns sessenta anos, talvez um pouco mais, cabelo cinza grosso e linhas de risada no rosto. Seus olhos são azuis como o céu, muito gentis. Eles são olhos ouvintes – eu já posso dizer. Estou falando antes que possa me parar. Conta a ela tudo de uma vez só, em uma mistura de lágrimas e soluços. Ela segura minha mão o tempo todo. Essa senhora, desconhecida e adorável, que não me conhece, senta ao meu lado e me ajuda a passar por algo que eu não entendo. — Oh, querida, que situação difícil, — ela diz suavemente quando eu acabo. — Eu decepcionei todo mundo. Ela sorri, balançando a cabeça. — Você não foi a primeira, nem vai ser a última, a se perder na vida. Eu me lembro de passar por algo bem parecido quando tinha a sua idade, assustada com o desconhecido. — Essa é uma vida perigosa, — eu sussurro. — Ela me assusta, embora nenhum outro lugar pareça com casa para mim. — Me deixe dizer uma coisa. Eu vivi a vida perfeita; eu tinha um marido, dois filhos, uma linda casa e uma ótima família. Eu viajei, tirei muitas fotos, amei com tudo que tinha. Você quer saber o que aconteceu com isso tudo?

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Eu a encaro, lhe encorajando com os olhos. — Perdi meu marido e meus dois filhos em um acidente de carro. Eu ofego e dor explode no meu peito. Eu pego a sua mão, meu lábio inferior tremendo. — Veja, criança, a vida perfeita pode acabar dos jeitos mais horríveis. Eu tinha tudo, e tudo isso foi tirado de mim com uma terrível reviravolta do destino. Sim, a vida na qual você foi criada pode ser perigosa, mas querida, assim é a vida real. O perigo se esconde atrás de casa porta; você não pode ter medo disso. Você tem que viver fazendo o que te deixa feliz. Eu soluço incontrolavelmente. — Como você sobreviveu? Ela sorri, dando tapinhas na minha mão. — Eu não tinha escolha, querida. Sobreviver era a única opção. Tão forte. Tão corajosa. — Obrigada, — eu sussurro através da minha visão borrada. — Obrigada por tudo. — Se você ama esse rapaz, vá até a casa dele e diga isso. Você não vai ter outra chance se desistir agora. Eu não vou ter outra chance? Oh, Deus. — Ele está vendo outra pessoa, — eu protesto. — Se o que você me diz é verdade, o coração dele pertence a você. Vá, esteja ao lado dele – deixe que ele te mostre o tipo de amor que você merece. Viva cada segundo com ele e aproveite, porque isso pode ser tirado em um segundo. Deus. Ela está certa. Tão certa. Danny precisa saber o quanto significa para mim, mas, principalmente, o quanto eu lamento por tê-lo machucado tanto. Eu salto do meu assento e sorrio para a senhora, que me dá um olhar de orgulho. — Obrigada. Seu sorriso fica maior. — Vá atrás do seu rapaz, querida. Boa sorte. Eu saio da fileira de banco, pego a minha mala e corro para a saída. As pessoas estão tentando chegar aos seus lugares, mas eu não paro para deixá-las passar. Eu murmuro um milhão de desculpar ~ 134 ~


enquanto faço meu caminho até a frente do avião, e a comissária levanta a mão. — Senhora, onde você está indo? — Eu tenho que sair desse avião. Eu não deixo ela falar mais nada. Passo por ela e corro as escadas até o aeródromo, e então de volta para o aeroporto, onde encontro um balcão de informações. Uma mulher está sentada, e ela levanta o olhar e sorri quando eu me aproximo. — Eu não vou mais poder viajar para Nadi. Houve uma emergência. Você pode conseguir a minha mala? — Me deixe telefonar e ver se consigo ela de volta para você. Qual o seu nome? Eu dou o meu nome e espero, batendo o pé de ansiedade e antecipação. Cinco minutos depois, ela me diz que minha mala vai ser trazida de volta ao aeroporto, mas como desmarquei muito em cima da hora, não vou ser reembolsada pela passagem. Eu não me importo e aceito isso feliz. No segundo em que me entregam minha mala, eu a agarro e saio porta afora, correndo o máximo que posso parar conseguir um táxi. Ligo para o resort enquanto estou a caminho de casa e invento uma grande história que envolve uma emergência. Eles me dão 75% do valor de volta, o que é mais do que eu podia pedir. Eu sei que preciso começar a economizar, mas a única coisa em minha mente agora é Danny. O resto vai se ajeitar quando eu resolver isso. Demora muito para chegar ao complexo, que é onde eu sei que Danny vai estar. Ele praticamente mora lá agora. Ele nunca está em casa. Pago o taxista e corro, derrubando minha mala nos degraus da frente e entrando na casa. Alguns dos caras murmuram olás e alguém chama o meu nome, mas eu estou correndo pelo corredor antes que alguém possa me parar. Eu alcanço a porta do quarto de Danny e bato, uma e outra vez. Ele abre alguns minutos depois, sem camisa. Isso apenas me lembra o quanto eu o amo. Deus, como eu pude ser tão estúpida todo esse tempo? Ele estava aqui, bem na minha frente, disposto a me dar absolutamente tudo que eu precisava e eu o deixei escapar por medo. Seu rosto é de choque quando ele me vê. — Skye? Que diabos você está fazendo aqui? — Eu tenho algo para dizer a você, — eu digo, minha voz saindo rápido demais, mas não me importo. Eu preciso colocar isso para fora.

~ 135 ~


— Eu te amo, Danny. Eu sei que você sabe disso, mas preciso que você entenda o quanto. Eu sei o que eu fiz, sei que eu te decepcionei e brinquei com você, e fugi quando eu devia ter ficado, mas é porque eu estava com tanto medo. Eu paro para respirar. Ele abre a boca para falar. Eu não deixo. — O que aconteceu com Ava me apavorou. Ver você aquela noite me apavorou. Eu estava tão determinada a ter uma vida fora do clube, porque pensei que isso era o que eu queria, mas eu estava errada. Cada segundo longe de você foi um inferno. Eu não espero que você apenas me perdoe, mas eu não podia passar mais nem um segundo sem que você soubesse que eu te amo tanto que nem consigo respirar na maioria dos dias. — Skye... — Eu deveria ter te contado sobre o bebê; eu sinto muito por não ter feito isso. Eu te vi tão feliz, e eu não podia tirar isso de você. Eu só... eu só precisava que você soubesse o quanto eu estou arrependida. Eu precisava que você soubesse que eu nunca mais vou fugir de você porque não posso suportar viver mais nem um minuto sem você do meu lado. — Danny? Eu estremeço com o som da voz feminina que vem de dentro do quarto. Um segundo depois, a mulher mais bonita que eu já vi aparece ao lado de Danny. Ela é loira de olhos azuis, e tem pernas que não acabam mais. Ela está usando uma das suas camisetas e nada mais. Isso me bate. Me bate como uma marreta no peito. Ele estava dormindo com ela. Eu vim aqui e expus toda a minha alma, mas é tarde demais. É tarde demais. Eu o perdi. Eu me viro e corro, porque não posso mais suportar mais nem um segundo. Danny grita o meu nome, mas eu não quero ver mais nada, ouvir mais nada, ser mais nada. Eu bato em um peito duro quando viro a esquina e olho para cima para ver Spike, seus braços nos meus ombros, me encarando. — Calma aí, Skye. — M-m-m-me solte, — eu gaguejo. — Spike, me solte. Ele olha por cima da minha cabeça e sua mandíbula aperta. — Merda.

~ 136 ~


— Me solte. — Calma, preciosa. Você não está em condições de sair daqui assim novamente. O seu pai já perdeu a cabeça. — Me solte! — eu grito. — Skye... Eu o empurro e corro até a porta. — Skye, porra, espere! — Danny grita. Eu não paro. Eu tropeço pelo complexo e corro até os portões da frente. Eu não tenho carro, mas meus pés batem na lateral da estrada enquanto eu acelero o mais rápido que posso. O som de uma moto se aproximando atrás de mim faz com que eu esconda na floresta ao lado da estrada. Encontro a maior árvore possível e me espremo ali atrás, pressionando as costas no tronco áspero e largo, e desço até meu traseiro encostar no chão. A moto passa. Eu não preciso olhar para ver quem é. Eu choro histericamente. Isso é minha culpa. Eu fiz essas escolhas. Eu o deixei ir. Ele está feliz, seguiu em frente, está com uma mulher que o respeita e o ama. Que trata ele do jeito certo. Que dá o que ele precisa. Eu não tenho o direito de arruinar isso. Direito algum. Eu o perdi. Meu coração se parte em um milhão de pedacinhos, mas eu sei que não o mereço. Eu sento ali e choro até que minhas lágrimas secam e uma hora se passou. Eu não ouço a moto outra vez, então me levanto, limpo a minha roupa e caminho de volta para a estrada. Caminho até chegar perto da cidade, então aceno para um táxi. Eu digo para ele me levar para o meu novo apartamento, mas quando chegamos lá, vejo uma moto estacionada na frente. — Continue dirigindo, — eu digo rapidamente. — Para onde então? — ele grunhe, claramente frustrado com a minha repentina mudança. Eu dou a ele o endereço de Ava. Ela é a única com quem eu posso falar sobre isso. Ela é a única que vai entender.

~ 137 ~


Eu espero.

~ 138 ~


Capítulo dezenove Lucas me entrega uma xícara de chá e eu sorrio para ele, agradecida. — Você está bem? — ele pergunta, sentando em um sofá à minha frente. Ava não está aqui, mas ele ligou para ela quando eu cheguei e ela está a caminho. Eu gosto de Lucas, então não é desconfortável estar sozinha com ele. Felizmente ele se sente da mesma forma sobre mim, porque eu não estou indo embora. — Eu... não, — eu sussurro, olhando para o líquido cremoso e pálido na xícara em minhas mãos. — Quer me dizer o que está acontecendo? — Ava não te disse? — Ela disse, mas eu estou perguntando a você. Eu encontro seus olhos. Eu sei porque Ava o ama tanto. Ele é provavelmente um dos melhores homens que eu já conheci, e ele ainda por cima é lindo. Nada pode ser muito melhor que isso. Danny. Danny é melhor que isso. Balanço a cabeça para limpar esse pensamento doloroso e respondo a pergunta de Lucas. — Eu fodi as coisas de várias maneiras. Eu sabia que Danny me amava, mas nós ficamos dançando em volta disso por tempo demais. Bem, eu fiz isso, pelo menos. Eu nunca me comprometi. Depois do que aconteceu com Ava... eu fiquei com medo. Eu estava tão certa de que não queria essa vida, de que queria algo novo. Machuquei muitas pessoas para descobrir que estava errada o tempo todo. — Você não está errada, — ele diz, sua voz gentil. — Jesus, Skye, você está muito longe de estar errada. Não é sua culpa estar confusa.

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As emoções fazem isso com as pessoas. Você viu alguém que amava sofrer muito. Não é de se assustar que você tenha fugido. — Eu o machuquei. — Eu não estou julgando a situação, uma vez que não sei os detalhes, mas você não é a única errada aqui. Eu lhe dou um olhar que lhe diz que eu não acredito nele. — Sério, — ele murmura, passando a mão pelo cabelo. — Você fugiu porque estava com medo, mas ele deixou você ir. — Ele não me deixou ir. Ele ia ser o responsável por assumir o clube desde... sempre. Eu sabia disso. Fui eu que escolhi ir. — E ele deixou. A frustração cresce no meu peito. — Ele não podia me impedir. — Skye, eu não quero ser um babaca, mas ele ainda não está comandando o clube. Ele sabia que você estava sofrendo e deixou você ir. Ele não foi atrás de você. se ele estava tão certo de tudo, por que deixou você ir embora? — Porque eu o confundi, — eu estalo. — Porque ele me deu um milhão de chances e eu não quis um compromisso sério. Você iria atrás de alguém que nunca te deu um motivo para isso? Ele estuda o meu rosto. — Acho que sim, — ele não está convencido, mas posso ver que ele não vai empurrar mais. Felizmente ele não precisa, porque Ava explode pela porta. — Skye, — ela diz, sua voz suave e preocupada. Ela corre e atira seus braços em mim, de alguma forma acomodando seu corpo ao lado do meu no sofá. — Você está bem? — Não, — eu sussurro no seu pescoço. — Vou deixar vocês, — Lucas diz, se levantando e beijando Ava na testa antes de desaparecer em um quarto. — Fale comigo, — Ava pede, se afastando. — Eu quis fugir, Ava, — eu admito. — Eu estava no avião a caminho de Nadi para limpar minha cabeça por algumas semanas, e então comecei a falar com essa senhora. Ela me fez perceber o quanto estar aqui me faz feliz, o quanto Danny me faz feliz, então eu voltei correndo e contei tudo a ele. ~ 140 ~


— E? — E ele estava com... ela. Eu fui lá e despejei tudo, e ela estava no quarto com ele. Eu saí correndo. — Ah, querida, — ela sussurra. — Sinto muito. — E eu nem consigo ficar brava com ele, — eu coaxo, — porque é tudo minha culpa. Eu empurrei e empurrei e ele fez o que achou que fosse o melhor. Eu não posso odiá-lo por seguir em frente; ele tem esse direito. — Querida, me diga porque você o empurrou tanto. Eu sei que você disse que foi por causa do que aconteceu comigo e com Mercy, mas você parecia tão resolvida, tão determinada. O que aconteceu? Eu engulo em seco e olho para ela. — Eu ouvi você naquela noite. Admitir isso faz meu peito apertar. Talvez se eu tivesse aceitado que suas palavras me afetaram tanto, nada disso teria acontecido. — Que noite? — ela pergunta. — Você estava na casa do vô, e estava chorando. Você disse que desejava nunca ter feito parte do clube, e que era culpa deles você ter acabado se machucando. Que você estava muito feliz de estar fora e que nunca iria querer colocar uma criança nisso. Você usou as palavras perigoso e mortal. Ela fica em silêncio por alguns minutos. — Oh, Skye. Eu estava machucada. Confusa. Ainda lutando. Eu não queria dizer aquilo. Você tem que entender isso. — Mas você disse. Eu vi o seu rosto, — eu protesto. — Claro, naquela época eu queria dizer, mas não durou muito. Você caiu fora por causa disso? Sua voz é suave, dolorida. — Sim, mas foi mais do que isso. Foi tudo. Tudo me assustou. Eu percebo agora que estava errada, mas naquele tempo eu estava realmente com medo. Eu não via nada além de dor e sofrimento quando pensava no clube. Agora é tudo uma grande bagunça. — Venha aqui, — ela sussurra, me puxando para perto. — Tudo vai ficar bem. As coisas vão se ajeitar.

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— Eu estou grávida do filho de Danny, — eu soluço. — E eu não sei o que fazer, não sei como as coisas vão ficar bem outra vez. — Nesse momento você precisa focar em si mesma e descobrir qual a melhor coisa a fazer. O seu bebê não vai estar aqui por um tempo; nós precisamos trabalhar como as coisas vão funcionar por agora. Ela está certa, eu sei disso, mas a ideia de criar uma criança sozinha me assusta. — Você acha que ele vai querer ter alguma coisa a ver com o bebê? Ele me abraça apertado. — Eu conheço Danny e sei que ele não permitiria que uma criança fosse criada sem pai sem um bom motivo. Pode levar um tempo, mas ele vai voltar quando vocês dois estiverem menos... sensíveis... e você vai achar um jeito de fazer o melhor pelo seu filho. — Eu não sei se posso suportar ver ele com outra mulher, — eu choro, colocando a xícara na mesa de café e colocando o rosto entre as mãos. — É por isso que agora precisamos que você resolva as coisas. Você vai ter que ver ele, querida, mesmo que doa. Precisamos achar um jeito de fazer isso. — Eu honestamente não acredito que consiga. Ela coloca uma mão na minha barriga ainda lisa. — Você precisa. Eu choro mais forte e ela apenas se senta ali e me deixa fazer isso. Quando minhas lágrimas secam, ela se levanta e diz que vai fazer algo para eu comer e que eu posso passar a noite. Eu não saio do meu lugar no sofá, nem mesmo quando ela me traz um prato com espaguete. Eu o pego. Ela e Lucas me olham com preocupação. Uma batida na porta me faz pular dos meus pensamentos, e eu me viro para observar Ava se levantar e ir atender. — Ela está aí? Danny. Eu estremeço. Os olhos de Lucas endurecem. — Sim, ela está, mas não está bem. Eu não acho que é a melhor hora para isso, D.

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— É sim. — Danny... — Porra, Ava. Me deixe passar ou vou achar um jeito de entrar. — Já chega disso, — Lucas o aviso, se levantando e indo até a porta. — Você não vai chegar aqui e forçar a barra. Se Skye não quer ver você, ela não precisa. — Foda-se, — Danny rosna. — Skye! Eu coloco a cabeça nas mãos. — Danny, pare! — Ava grunhe. — Estou falando sério. — Nós precisamos conversar, — Danny late para ela. — Droga, ela está carregando o meu bebê. Nós temos que resolver isso. — Vocês vão ter muito tempo para falar. Respeite que ela está magoada agora e precisa de tempo. Há um minuto ou dois de silêncio. Eu posso ver Ava se preparando, puta determinação em seu rosto. — Porra, certo, Formiguinha, mas eu vou te dizer, eu vou falar com ela. — E você vai, mas não agora. Eu me levanto e desapareço pelo corredor até o quarto de hóspedes. Fecho a porta suavemente atrás de mim, e tenho certeza que se ainda havia lágrimas para chorar, elas estavam escorrendo agora pelo meu rosto. Eu apenas não sei se posso encarar ele. Onde diabos isso me deixa?

***

Minha janela estala e eu pulo sentada na cama, minha cabeça virando na direção do barulho. Ela estala de novo, então guincha. Alguém está tentando entrar. Eu deslizo para fora da cama e pego a primeira coisa que acho. Um livro pesado. Eu caminho até a janela e puxo a cortina para o lado, levantando minha arma improvisada. ~ 143 ~


— Porra, Skye, sou eu. Eu baixo meus braços ao ver Danny atravessado na janela, seu grande corpo lutando para passar. — Mas que diabos, Danny? — eu estalo. — Decidi que não queria esperar para falar com você. Preciso que isso aconteça agora. Eu abro a boca para falar, mas ele desliza para dentro e fica de pé, fazendo que minhas palavras fiquem presas na garganta. Seus olhos estão feridos, mas ainda deslumbrantes como sempre. Por que ele tem que ser tão lindo? — Eu não quero fazer isso agora. — Você está esperando o meu filho. Você não tem escolha. — Danny... Ele me dá um olhar afiado. — Sem escolha, Skye. Frustração ferve no meu peito, mas eu não discuto mais, apenas vou até a cabeceira da minha cama e me acendo uma luminária. Hoje é noite de lua cheia, então posso ver bem mesmo sem a luz, mas sentar no escuro me deixa inquieta. Danny para na minha frente, cerca de dois metros de distância, os braços cruzados. — Bem, você invadiu aqui para falar, então fale, — eu digo. — Por que essa mudança repentina? Eu não encontro seus olhos. — Não foi uma mudança repentina, mas eu percebi que estava cometendo um erro. — Eu estava em um bom lugar. Eu encontro seus olhos agora. — Eu sei disso, então me desculpe. — Eu estava em um bom lugar e você chegou e fodeu tudo. Eu estremeço. — Não era isso que eu estava tentando fazer... — Não era? — ele estala. — Não, não era. Eu só queria que você soubesse. Eu precisava que você soubesse. Sinto muito por escolher o momento errado para fazer isso, me desculpe por falar naquela hora, mas eu tinha que dizer.

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Não estou pedindo que você mude a sua vida, mas estou dizendo a você como eu me sinto. Ele me estuda, então se vira, as mãos no cabelo, e ele grita, — Porra! Ele caminha pelo quarto e eu o observo por alguns minutos antes de dizer suavemente, — Estou feliz que você está feliz. Isso me mata, mas você merece mais do que as palavras podem dizer. Ele para de andar e se vira, vindo na minha direção. O instinto me faz andar para trás até que minhas costas batem na parede. Ele paira sobre mim, aterrorizante e de tirar o fôlego. Seus olhos amarelos brilham com uma mistura de raiva, frustração e o que eu acho que é um pouco de desejo. — Eu teria te dado tudo em um piscar de olhos, — ele respira. — Eu sei, — eu sussurro. — Eu teria te amado, te dado filhos, te dado tudo de mim. — Eu sei. — Mas você não quis. Uma lágrima escorre pela minha bochecha. — Eu sei, mas eu estava errada. — Agora você quer isso e... é tarde demais. Ela é boa para mim, Skye. Ela quer tudo que você não queria. — Eu não estou discutindo isso, — eu digo, embora cada uma das suas palavras pareça uma facada no meu coração. — Se ela faz você feliz, então estou contente porque você finalmente achou isso. — Pare de fazer isso mais difícil, — ele rosna. — Eu não estou tentando fazer isso. Eu não mereço você, essa é a maldita verdade. Eu espero que ela consiga te dar tudo que eu não dei. Sua mandíbula aperta. Ele se inclina mais perto, tão perto que por um segundo eu penso que ele vai me beijar. Em vez disso, ele levanta a mão da parede e a bate com força, me fazendo saltar. — Porra, Skye, — ele raspa. — Porra. Ele se vira e avança para a janela. — Danny? — eu chamo.

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Mas ele desaparece antes que eu tenha a chance de dizer mais alguma coisa. Eu nĂŁo sei se as coisas acabaram de melhorar ou piorar.

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Capítulo vinte Eu entro no complexo, a cabeça baixa, aterrorizada, porque o que estou prestes a fazer poderia sair pela culatra e tornar tudo pior para todos, mas preciso fazer. Eu estraguei tudo. Eu menti para o meu pai e deixei as coisas tensas entre ele e Danny. Provavelmente entre ele e Spike também. Essa nunca foi a minha intenção, e eu preciso consertar isso. Meu pai não tem atendido as minhas ligações, então esse é o único jeito. — Ei, Skye, — meu avô diz quando passo pela área principal. — Como você está? Eu dou a ele um sorriso fraco e me aproximo para um abraço. Ele me dá um, colocando um beijo suave em minha testa. — Oi, vovô. Meu pai está aqui? — Lá nos fundos com Danny e Muff. Ótimo. — Obrigada. Ele não me para quando adentro o complexo em direção aos fundos. Alcanço a porta e hesito, minha mão pairando sobre a maçaneta. Tomo uma respiração profunda e trêmula, e abro a porta. Meu pai é a primeira pessoa que vem à vista, e ele para de falar imediatamente quando me nota. — Estamos ocupados, Skye. Meus olhos correm para Danny, que olha para mim e então para o outro lado. Muff não diz nada; ele só me dá um sorriso fraco. — Preciso falar com você, pai. — Eu disse que estou ocupado. — Se você não vai me ouvir, eu vou falar aqui mesmo. Eu preferia fazer isso em privado, mas... ~ 147 ~


— Skye, — ele rosna, e eu odeio o desapontamento em seu rosto. — Eu estou ocupado. — Certo, se é o que você quer. Eu sinto muito, ok? Sinto muito por mentir para você, sinto muito ter escondido o meu relacionamento com Danny, mas, principalmente, sinto muito que você esteja desapontado com ele, porque ele não merece. Eu sei que você não acredita quando eu digo isso, mas eu não menti porque estava com vergonha. Eu menti porque ele estava feliz, e eu não podia tirar isso dele depois de tudo que fiz. — Skye, — meu pai diz, sua voz menos tensa. — Não, pai. Eu tenho que fazer isso. Eu vou ter um bebê. Ele é o pai; nós nunca vamos ficar juntos, eu entendo isso. Eu estou lidando com isso, mas não posso aguentar se você continuar bravo comigo e com ele, porque isso dói, e eu não quero mais ninguém ferido. Eu preciso de você. Não posso fazer isso sozinha. Eu estou com medo, e não quero mais que você me odeie. — Porra, — ele diz. — Eu não odeio você, Skye. Uma lágrima escorre pela minha bochecha. — Eu sei disso, mas não quero que você fique irritado comigo, também. — Você mentiu para mim. Você me decepcionou... — Eu sei, — eu engasgo. — Eu sei disso, mas nunca foi sobre você. Eu lamento que isso soe horrível, mas o que Danny e eu tínhamos, o que nós estávamos fazendo, isso era apenas nosso, e não para o resto do mundo saber. — Ele vai assumir esse clube. Era nosso direito saber. — Não, pai, não era, mas eu sinto muito por ter machucado você e todos aqueles que pus na linha de fogo. Por favor, saiba isso. Eu vou embora agora. — Skye, — ele chama quando eu me viro para a porta. Eu olho para ele. — Eu amo você, ouviu? Eu sorrio fracamente e assinto, então meus olhos vão para Danny de novo. Ele está me observando, seu olhar intenso. Eu afasto o olhar e saio da sala, porque já fiz tudo que podia e agora só posso esperar que

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seja o bastante. Eu tenho que consertar o máximo de pontes possível, não pelo meu bem, mas pelo do meu bebê. A próxima conversa vai ser uma das que eu mais temo. Spike e Ciara.

***

— Oi, querida, — Ciara diz quando abre a porta, o choque registrado em seu rosto. — Eu não estava te esperando. — Eu sei. Eu só queria falar com você. Acho... eu sei que eu preciso. Você tem cinco minutos? Seus olhos suavizam. — Sempre. Entre. Ela dá um passo para o lado e eu entro na casa. Spike está de pé na cozinha, uma cerveja na mão, sem camisa. Minhas bochechas ficam vermelhas. — Ah, eu não percebi que estava interrompendo. Ele sorri. — Não está interrompendo, querida. Entre. Ah, cara. Estranho. Ciara fecha a porta e nós vamos para a área de estar. Eu me mexo na cadeira, então decido levantar. Não me sinto bem sentada. É como se eu estivesse na sala do diretor. — Olhe, eu sei que o que aconteceu no clube outro dia foi um choque para todos, e eu machuquei muita gente. Eu afetei a relação de Danny com o meu pai e deixei vocês todos em uma situação complicada. Essa nunca foi a minha intenção. Eu estou aqui para dizer a vocês que sinto muito por isso. Spike fala primeiro. — Não foi uma coisa boa de ver. Certamente não foi algo bom de se ouvir pela primeira vez em uma sala cheia de pessoa. Não apenas a parte em que você esteve saindo com o meu filho, mas também o fato de você estar grávida. Fica a dica, Skye: isso não é algo que deveria ser anunciado daquele jeito. Meu lábio inferior treme, mas eu mantenho a compostura. — Eu nunca planejei que fosse daquele jeito, acredite em mim. Eu não esperava que a minha chegasse e largasse a bomba. ~ 149 ~


— De qualquer maneira, era muita coisa para absorver. Não apenas que você esteve vendo o meu filho pelas nossas costas, mas que vocês eram íntimos o bastante para ele te engravidar. — Eu sei, — eu sussurro. — Nós não estamos bravos com você, querida, — Ciara diz, com um olhar para Spike. — Estamos apenas chocados. Honestamente, ninguém viu isso chegando. Todos sabíamos que vocês eram amigos, mas não percebemos como as coisas eram muito mais profundas. — Eu sempre o mantive longe, essa é a razão porque nunca contamos para ninguém. Para ser honesta, ele teria espalhado a novidade todos feliz, mas eu estava com medo de como as coisas iriam funcionar e continuei apenas mexendo com a sua cabeça. Eu me arrependo disso, acreditem. Ele não merecia e ainda não merece isso. Eu não agi do jeito certo com ele, e estou com vergonha disso. Eu quero que vocês saibam que ele agiu muito certo comigo, no entanto. Ele foi bom comigo, e sei que vai continuar assim. Orgulho aparece no rosto de Spike antes que ele coloque sua máscara novamente. — Bom saber que o meu filho fez o que era certo. Ainda assim, isso não muda o fato de que as coisas estão confusas e as pessoas estão machucadas. A melhor coisa que podemos fazer é pensar em uma maneira de resolver isso. — Eu não quero a ajuda de ninguém, embora eu saiba que vou ter, independentemente. Eu só que vocês todos saibam que eu sinto muito. Ciara cruza os braços. — Mas é claro que você vai ter ajuda. É o meu netinho aí, e eu certamente vou fazer a minha parte. Não posso evitar; suas palavras me fazem chorar. Eu me amaldiçoo e jogo as mãos sobre o rosto, horrorizada pelo meu descontrole. — Ah, venha aqui, — Ciara diz, chegando perto e colocando os braços ao meu redor. — Não é tão ruim assim. — É ruim sim. Eu poderia ter tudo, mas eu sendo eu, arruinei tudo e agora não posso ter de volta. — Você puxou a sua mãe nesse sentido. Spike bufa.

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— Tudo vai melhorar, eu prometo, — ela me assegura. — Agora as pessoas estão confusas, magoadas e um pouco irritadas. Tudo vai se ajeitar e você vai ter tudo que precisa bem aqui. — Exceto ele, — eu sussurro tão baixinho que quase não posso me ouvir. — Ah, querida, — ela esfrega as minhas costas. — Eu sinto muito. — Eu o amo, essa é a mais sincera verdade. Eu sempre soube disso, mas fui teimosa e determinada demais para deixar que ele entrasse. Agora eu e o perdi e isso dói. Demais. — O amor pode ser uma verdadeira dor na bunda. Spike bufa de novo. — Dê algum tempo ao meu garoto, — ele diz, sua voz áspera. — Ele sabe o que é melhor, ele só tem que se dar conta. — Não tenho certeza de que eu sou o melhor, no entanto, — eu admito. — Ele merece ser feliz. Eu não quero tirar isso dele. — Eu vi a raiva no rosto dele quando descobriu; eu vi a mágoa, também. Ele te ama tanto quando você o amam, mas agora ele não acredita nisso e está assustado. Dê um tempo a ele. Eu quero me agarrar às palavras de Spike e acreditar que elas são reais, mas uma parte de mim não consegue. Eu conheço Danny e eu sei que arruinei o que nós tínhamos; eu o machuquei demais. Spike e Ciara são dois expectadores olhando de fora – eles não estavam lá desde o começo. Eles não viram o que eu fiz. — Obrigada, — eu sorrio para os dois. — Eu deveria ir andando. — Continue nos mantendo atualizados, Skye. Nós somos a sua família, independentemente de tudo. Você sabe disso, certo? — Spike diz, seus olhos suaves. — Eu sei. — Eu te amo, querida, — Ciara diz. — Eu amo vocês, também. Com isso, consertei mais uma ponte. Lentamente, as coisas estão melhorando.

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Capítulo vinte e um Eu largo a última caixa e a empurro para o lado, então olho para o meu apartamento. Parece bom. Na maior parte. Ainda tenho algumas coisas para desempacotar, mas entre o clube aparecendo para me conseguir alguma mobília de segunda mão e meus amigos ajudando a tirar as coisas das caixas, as coisas parecem decentes o bastante para mim e para o bebê. Eu coloco uma mão sobre o estômago e vou até a cozinha. Eu estive pensando muito no meu bebê ultimamente. Como eu vou sustentar ele ou ela. Como as coisas vão ser. Quanto envolvimento Danny vai querer ter e como vamos fazer isso funcionar. Quem vai estar comigo na hora do parto. Todas essas coisinhas incômodas parecem maiores a cada vez que penso nelas. Fiz um check-up ontem, e o médico me deixou ouvir os batimentos cardíacos. Foi incrível. Fez tudo muito real. — Toc, toc! Eu me viro e vejo Ava entrando, Max logo atrás dela. — Ei, — eu sorrio. — O que vocês estão fazendo aqui? — Estamos levando você para sair. Você esteve presa aqui, desempacotando coisas a semana toda, mas nós precisamos de uma das nossas reuniões. Faço uma careta. — Não parece uma das nossas reuniões sem os outros. — Bem, nós achamos que você não gostaria que Danny e Macy viessem. Macy. Esse nome me faz recuar. — Não, — eu murmuro. — Mas nem Mercy está aqui. — Nós não somos bons o bastante? — Max sorri, piscando para mim.

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Eu rio. — Claro que são. Mas eu estou grávida agora, você sabe. — Não vamos sair para uma bebedeira; apenas vamos ao bar escutar algumas músicas e conversar. Você pode beber limonada. — Yupeee, — eu murmuro. Max ri. — Vamos lá, coisinha triste. Vai ser bom. Eu não tive muitas chances de sair com você desde que você voltou. É apenas justo. Ele tem um bom ponto. — Certo. Eu volto em um minuto. Apenas deixe eu me trocar. — Woohoo! — Ava grita, balançando o punho fechado no ar. Eu reviro os olhos e desapareço em meu quarto, onde visto calças jeans confortáveis e uma regata. Deixo meu cabelo solto, passo uma escova nele e então o arrepio com os dedos antes de colocar um pouco de maquiagem leve e calçar minhas botas. Eu me junto aos outros na sala de estar e pego minha bolsa antes de virar para ele. — Certo, vamos fazer isso. Ava engancha seu braço no meu e nós vamos para a caminhonete de Max. Ele nos leva para o barzinho local, onde alguns dos motoqueiros do clube costumam sair, e assim que entramos somos cumprimentados por todos os lados por pessoas que conhecemos desde crianças. Encontramos nossa cabine nos fundos de sempre, onde a música não é tão alta, e sentamos. — Bebida? — Max pergunta. — Vodca para mim, limonada para ela. Eu mostro a língua para Ava, que sorri para mim. Max desaparece para conseguir nossas bebidas, e ela se vira para mim, uma expressão suave em seu rosto. — Eu vi Danny hoje. Eu congelo. — Ele não está muito bem. Ele está tentando ficar longe de você, mas ele quer saber mais sobre o bebê. Vocês já se falaram? Eu escolho não contar a ela sobre a noite que ele escalou a sua janela porque isso vai deixá-la irritada, e Ava irritada pode ser muito assustadora. — Não. Eu não tive a chance, mas estou feliz que vocês dois estão se falando depois que ele apareceu na sua casa aquela noite. ~ 153 ~


— Eu sabia que ele não queria fazer nenhum mal, mas era um momento ruim para você. Acho que vocês precisam conversar logo, no entanto. Não quero ver você sofrendo mais do que precisa. Eu forço um sorriso. — Enfim, chega de falar de mim. Me conte sobre você e Lucas? Ela sorri e passa os próximos dez minutos falando sobre como as coisas estão bem entre eles. Max volta com as nossas bebidas e nós caímos em uma conversa leve e fácil. Ele conta sobre o trabalho e a garota que ele começou a ver, mas nos garante que não é nada sério. — Ei. A voz vem da minha esquerda, e eu estremeço quando a reconheço. Eu me viro lentamente para ver Danny parado com Macy, sua mão na dele. Meu coração explode, mas eu tento manter a expressão neutra. — Ah, ei, — eu murmuro. — O que vocês estão fazendo aqui? — Ava pergunta, seus olhos correndo para mim e de volta para Danny, — Nós apenas viemos beber. Não percebi que todos vocês estavam aqui. — Não importa, cara, — Max sorri. — Sente, tome alguma coisa com a gente. Eu quero gritar um alto ―vá se foder‖ para Max. — Nah, nós... — Nós podemos ficar, — Macy sorri. — Vamos lá, eu mal passei algum tempo com os seus amigos. Os olhos de Danny encontram os meus e eu me viro, olhando diretamente para o meu copo. Ela ficou sabendo sobre o bebê na noite em que eu confessei o que sentia para Danny, mas ainda assim está agindo como se não soubesse. Talvez ela seja realmente uma boa pessoa e não se importe, ou talvez ela esteja fingindo para isso não virar uma cena. De qualquer maneira, isso é tudo muito desconfortável. — Certo, — Danny grunhe. — Eu vou pegar algumas bebidas. Ele desaparece eu mantenho os olhos fixos no copo à minha frente.

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— Então, como está sendo voltar para cá, Skye? Acho que não fomos oficialmente apresentadas, mas ouvi muito sobre você, — Macy diz, e eu levanto o olhar. Ela está sorrindo, é linda e, droga, parece ser uma boa pessoa de verdade. — Está sendo bom, — eu digo, forçando minha voz para soar normal. — E é um prazer conhecer você. — Danny fala de você o tempo todo. É legal que ele tenha mais amigos de volta. Ela está agindo como se eu fosse apenas outra Ava. Ela não parece estar com ciúmes ou desconfortável, o que me diz que ele nem ninguém do clube contou nada para ela, além do que ela ouviu por cima. — Sim, é bom, — eu digo, tentando esconder a confusão na minha voz. Por que ele não contaria a ela sobre nós? Sobre o bebê? Danny retorna para nossa mesa e coloca uma bebida na frente de Macy, então desliza em um banco. Meu coração dói, dói tanto que eu quero colocar a mão no peito e arrancar ele fora. Eu quero ir embora. Eu não posso suportar ver eles juntos, machuca muito. — Vou pegar mais bebida, Ava diz, se levantando. — Outra limonada, Skye? — Eles fizeram você ser a motorista da rodada? — Macy pergunta. Meus olhos encontram os de Danny e eles são tão intensos que eu sou obrigada a olhar para o outro lado. — Sim, fizeram, — eu sorrio, as posso jurar que meu lábio treme. — Desgraçados, — ela ri. — Eles fizeram isso comigo uma vez. Por que ela tem que ser tão legal? Eu não posso aguentar. — Preciso fazer xixi, — eu murmuro, me levantando. Eu corro através do salão cheio de gente, em direção às portas dos fundos, quando alguém chama o meu nome. Não é uma voz que eu pensei que ouviria novamente, mas paro de imediato. Me viro lentamente e vejo Preston empurrando a multidão, usando roupas que

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gritam que ele não pertence a esse lugar. Calça social e um suéter. Bom Deus. — Preston? — eu engasgo, chocada. — Que diabos? — Estive procurando você em todos os lugares, — ele diz, quando para na minha frente. — A sua mãe me disse que você talvez estivesse aqui, se não estivesse em casa. Eu passei na sua casa, você não estava lá, então aqui estou. Minha mãe? Oh, ela deveria levar um grande chute por isso. Somente ela o enviaria a um lugar onde ela sabia que ele levaria uma surra por ter me deixado sozinha em Paris. Ela deve ter sido muito simpática com ele, no entanto. Mulher cruel. — Por que você está aqui? — eu estalo. — Eu estive ligando e ligando; você não me atende. Eu queria me desculpar pelo que aconteceu em Paris. Eu bufo. — Você está falando sério? Você quer se desculpar por me deixar sozinha, sem dinheiro, em um país estrangeiro, só porque eu não deixei que os seus amigos arrogantes me insultassem? Ele vacila. — Você está sendo dramática. Não foi tão ruim assim. Eu só precisava de tempo para me acalmar, e quando voltei você tinha partido. — Geralmente é o que as pessoas fazem quando você manda elas irem embora. — Eu só estava irritado, Skye. — Sério? Porque parecia que você queria dizer cada palavra. — Apenas volte comigo para Denver e me dê... — Que porra está acontecendo aqui? — a voz de Danny vem de trás de mim, e eu salto, mas não me viro. Meu corpo endurece porque eu sei que isso não vai acabar bem. — Sério? — Preston diz, sua voz magoada. — Você realmente está aqui com ele? — Eu não estou aqui com ele, — eu começo, mas Danny me corta ao parar do meu lado. — Você tem muita coragem de mostrar a cara por aqui depois do que fez para ela, — ele rosna. ~ 156 ~


— Sem ofensa, Danny, mas isso não é da sua conta. — É da porra da minha conta porque eu que fui resgatar ela, depois que você a deixou sozinha, doente e assustada. O rosto de Preston fica vermelho. — Fique fora disso. Você apenas não consegue deixar ela seguir em frente, não é? — Não tenho nenhuma intenção de fazer isso, uma vez que ela está carregando o meu bebê; A conversa ao nosso redor para rapidamente, e eu olho para o teto, procurando me acalmar. — O quê? — Preston grita. — Ele está falando sério? Você me traiu? — Oh, pelo amor de Deus, pare com isso, — eu estalo. — Nós acabamos; pare de agir como se não. — Você sequer me ouviu, — Preston cospe, dando um passo à frente. — Você apenas vai ficar do lado dele, mais uma vez. Você nunca vai conseguir deixa ele ir, não é Skye? Sempre foi ele. Eu sabia que estava perdendo meu tempo procurando por você. Existe apenas um homem que você quer, e eu vou dizer, você merece esse otário sujo e vulgar. Danny não hesita. Seu punho acerta em cheio o nariz de Preston. Um estalo alto é seguido por um grito, antes que o corpo de Preston desapareça no chão. Danny se abaixa e o puxa pela camisa. — Você tem cinco minutos para dar o fora daqui antes que eu te foda de jeitos que você não pode imaginar. — Eu vou prestar queixa contra você, — Preston ameaça, sangue se derramando do seu nariz. — Tente, eu te desafio. Você acha que isso foi ruim? Você não viu nada. Ele empurra Preston, que tropeça em seus pés algumas vezes antes de se virar e sair correndo do bar. Droga. Danny se vira para mim, seus olhos indo de irritados a preocupados. — Você está bem? — Ela está mesmo grávida? — a voz é pequena e magoada, e eu odeio sentir pena dela. Danny e eu nos viramos para ver Macy ali de pé, seus olhos selvagens, a expressão quebrada. — Baby, — Danny começa. ~ 157 ~


— Você disse que ela era uma amiga. Que eu não tinha que me preocupar. — Sim, bem, ele mentiu, — eu murmuro, esfregando minha barriga, que está com contrações devido, eu acredito, ao stress da situação. — Eu estou indo embora. — Skye, — Max diz, parando ao meu lado. — Você está bem? — Só uma contração, — eu digo, esfregando a região onde a dor está aumentando. — Tem certeza? Não quer ir ao médico verificar? — O que está errado? — Danny pergunta, empurrando Max fora do caminho. — É o bebê? — Eu não sei, é uma sensação estranha. — Pode ser stress, — Ava diz, aparecendo do nada. — É o que acontece quando você faz uma cena na frente de uma mulher grávida. Nós deveríamos ir ver um médico. — Danny, — Macy diz outra vez. — Vá, — eu digo a ele, meus olhos duros, mas minha voz machucada. — Eu me viro. — Você não está bem. — Eu vou ficar bem. — Nós estamos com ela, D, — Ava diz, dando a ele um olhar desapontado. — É o meu bebê aqui, — ele argumenta. — Você devia ter pensado nisso antes de agir como agiu. — Ava, — ele diz em tom de aviso. — Não use esse tom comigo, Danny. Você não me assusta. Vá lidar com a sua namorada; nós estamos cuidando de Skye. Outra contração faz eu me dobrar, e o pânico cresce em meu peito. — Ava, — eu choramingo. — Algo está errado. — Tudo bem, querida. Nós vamos te levar ao médico. — Porra, eu vou junto, — Danny diz.

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— Danny! — Macy chora. — Você está falando sério? — Eu me importo com você, Mace, você sabe que sim, mas ela está grávida do meu filho. Eu não posso deixar ela lidar com isso sozinha. Eu vou passar na sua casa mais tarde, nós vamos conversar. Me desculpe. — Sério? — ela chora mais uma vez, então se vira e sai correndo. — Você deveria ir atrás dela, — eu sussurro entre as ondas de dor que vêm e vão. Seus olhos seguram os meus, firmes. — Não até saber que o nosso bebê está bem. Nosso bebê. Meu coração derrete. Não dura muito, no entanto; outra pontada de dor espeta meu baixo ventre. Por favor, que o bebê esteja bem.

***

Gel frio é derramado sobre o meu estômago e eu olho firmemente para o monitor em branco. Danny está sentado ao meu lado, seus olhos estão colados na tela também, nós dois precisamos saber o que está acontecendo. A médica coloca o pequeno instrumento contra a minha barriga e começa a arrastar ele sobre a região. — Cólicas são normais no começo da gravidez, e podem ser causadas por situações muito estressantes, também. Vamos ver se conseguimos achar os batimentos cardíacos do seu bebê. Eu assinto, muito apavorada para dizer alguma coisa. Ela movimenta o instrumento pela minha barriga, pressionando e inclinando, até que um minúsculo feijãozinho aparece no grande saco preto que já é a tela. — Aí está o seu bebê, — ela diz, inclinando o instrumento mais uma vez. Nós ouvindo um barulho alto e constante, e ela sorri. — E aí estão os batimentos. Lágrimas explodem e escorrem pelas minhas bochechas. — O bebê está bem? — eu coaxo.

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— Estou apenas checando algumas coisas, mas até agora tudo parece bem. Você teve algum sangramento com as contrações? — Não, eu conferi quando cheguei aqui, — eu digo, minha voz trêmula. — Isso é bom. Ela anda um pouco ao redor antes de apontar para o coração do nosso bebê, que já é quase maior que ele ou ela. — Um batimento muito forte, — ela sorri. — É um ótimo sinal. Vamos esperar até os resultados do seu exame de sangue chegar para ter uma resposta definitiva, mas até agora parece que você apenas teve contrações normais. — Eu estava muito emocional quando aconteceu, — eu admito. Ela acena. — Stress pode ser um grande problema. Você precisa tentar ficar longe de qualquer situação assim enquanto estiver carregando o seu bebê; é o melhor a se fazer. — Eu vou, obrigada. Ela remove o instrumento e seca a minha barriga. — Eu vou apressar o resultado dos exames, não deve demorar muito. Vou deixar vocês aqui. Gostariam de uma foto? — Sim, — Danny diz antes que eu possa. Eu olho para ele e seus olhos estão úmidos e vermelhos, mas seu rosto está inexpressivo. Ele está magoado. A médica sorri para ele e vai até uma pequena impressora no canto do quarto. Ela pressiona alguns botões e em poucos minutos uma pequena foto sai. Ela a entrega para ele, e então nos deixa a sós. — Você está bem? — eu pergunto, minha voz suave. — Eu estive lutando com essa gravidez, me perguntando se eu quero isso, me perguntando se isso vai foder tudo, mas então eu ouvi os batimentos e... — sua voz falha ao final e ele desvia o olhar. — E você se apaixonou, — eu termino por ele. Ele assente, seu maxilar aperta. — Eu sei. Estava com medo também, aterrorizada por não estar pronta, que eu não pudesse fazer isso, mas no segundo em que ouvi os batimentos do coração, senti a mesma coisa.

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— Eu sempre quis ser pai, mas nunca soube o quanto até esse momento. Eu sorrio fracamente. — Eu sei que você está numa posição ruim agora, Danny, mas eu não poderia pedir uma pessoa melhor para dividir isso comigo. Ele olha para mim. Seus olhos são tão intensos que eu engulo em seco. — Estou perdido pra caralho, Skye. A voz dele. Deus, a voz ele. Ele está ferido. — Eu sei, — eu sussurro. — Eu sinto muito. — Parte de mim quer deixar o passado para trás e tomar você em meus braços e te amar do jeito que eu sempre amei, porra, mas outra parte não confia em você e está furiosa. Ela me diz que o melhor é deixar como está, seguir em frente com outra pessoa que eu sei que vai dar tudo de si para mim. Eu engulo o nó em minha garganta e assinto. — Eu entendo isso, também. — Isso não está ajudando. — Eu sinto muito. Queria poder fazer isso tudo ir embora e deixar você ser feliz, mas eu vou ter um bebê – nós vamos ter um bebê. Isso não vai mudar. Ele olha para a foto na sua mão. — Nós vamos ter um bebê. — Sim, — eu digo suavemente. — Porra. — Sim. Seus olhos aquecem, mais do que eu vi em meses. Um calor sobe pelas minhas bochechas. — Eu realmente sinto muito, Danny. Eu sei o que fiz com você, e sei o que eu disse isso um milhão de vezes, mas eu tomaria todas as palavras de volta, se pudesse. Essa vida, você, esse clube – eu não percebi como tinha sorte até que as minhas escolhas foram tiradas. — Eu sei, — ele diz, sua voz magoada. Ele se balança um pouco e então acena a foto. — Eu deveria ir andando. Eu assinto. — Ok.

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— Eu vou mandar Ava entrar. Me deixe saber quando você chegar em casa e me mantenha atualizado. — Eu vou. Ele se inclina e escova seus lábios sobre a minha testa, então se vai. Eu não sei se me sinto melhor ou pior. Parece que dói muito mais o fato de não estarmos brigando.

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Capítulo vinte e dois — Mas você está bem? Eu sorrio para o meu pai, que está parado na minha frente enquanto eu deito no sofá, meus braços cruzados. — Eu estou bem, foi só um susto. — Ouvi o que Danny fez ontem no bar. Ele que causou isso? — Não foi culpa dele, pai. Eu prometo. Tudo está bem, eu só preciso descansar. Ele me olha desconfiado, mas assente. — Você precisa de algo antes que eu vá embora? — Eu já fiz tudo, — minha mãe diz, correndo cheia de roupas em seus braços. — Só preciso dobrar mais essas. — Mãe, — eu gemo. — Você não precisa cuidar das minhas roupas. — O meu bebê não está bem, e o bebê dela precisa que ela esteja bem, então eu vou cuidar das suas roupas. — Não discuta com um tigre, baby, — meu pai sorri. — Ela vai te morder. — Eu ouvi isso, — minha mãe diz, batendo nele com uma toalha ao passar. — Eu falei sério, — ele joga de volta. — Jesus, vocês parecem dois adolescentes, — eu gemo, jogado uma mão sobre os olhos e caindo de volta no sofá. — Sim, porque esse pequeno movimento dramático não foi nada adolescente, — meu pai murmura. Eu levanto a ele e lhe mostro o dedo do meio.

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— Eu vi isso, — minha mãe grita. — Mocinha, vou te colocar de castigo. Eu rio, não posso evitar. Esses dois sem me animam, mesmo quando eu estou passando por um momento difícil. — Ele deixa. Meu pai pisca para mim. — Eu não, — ela murmura, dobrando pilhas de roupas sobre a minha mesa da cozinha. — Chega com isso, mulher. É hora de ir. Minha mãe lhe mostra o dedo do meio. Eu rio alto. — E ela se pergunta de onde você herdou isso, — meu pai balança a cabeça. — Mãe, eu termino o resto. Vai. Vocês têm um monte de coisas para fazer. — Mais uma toalha, — ela diz, levantando um pedaço de algodão branco e o dobrando. — Onde você quer que eu coloque isso aqui? — Mãe. — Addi, — meu pai e eu dizemos ao mesmo tempo. Ela joga as mãos no ar e se vira. — Ok, mandões. Vocês dois são muito maus quando se unem contra mim. Eu olho para o meu pai e reviro os olhos. Ele pisca para mim. — Eu vou te compensar mais tarde, — meu pai diz, a pegando pela cintura, Ela ri. Eu engasgo. — Hora de ir, — eu digo a eles, me levantando e os empurrando até a porta. — Nos ligue pela manhã, — minha mãe grita enquanto meu pai a arrasta pelos degraus da frente. — Eu vou. Amo vocês! Eu entro e fecho a porta antes de voltar para o meu lugar no sofá. As cólicas melhoraram e meus resultados do exame de sangue

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mostraram uma grande quantidade de hormônios que não diminuíram desde os meus últimos testes, então estava tudo bem. Os médicos disseram que o bebê parece bem, e que eu não deveria me preocupar com nada. Eu não estive desacompanhada por um segundo desde que saí do hospital. Nem pude contar a Danny as boas novas. Pego meu telefone e acho o seu número, então lhe envio uma mensagem. Skye: Tudo bem com o bebê, os exames de sangue foram bons. Obrigada por estar comigo. Danny: Você está em casa? Eu pisco, confusa. Skye: Ah, sim. Danny: Deixe a porta aberta. Estou indo aí. Largo meu telefone e levanto, caminhando até a porta para destrancá-la. O que diabos Danny vem fazer aqui? Será que ele mudou de ideia? Será que ele decidiu que não quer mais ser pai? Calma, cérebro grávido. Ele provavelmente apenas quer ver como eu estou cara a cara. Eu arrumo minhas roupas e permaneço quieta no sofá. Dez minutos depois o rugido da sua moto me alerta da sua presença e eu me sento, esperando tensamente ele entrar pela porta. No segundo que isso acontece, eu tenho certeza de uma coisa. Ele está irritado. Furioso. Suas mãos estão fechadas em punhos e ele bate a porta com tanta força que eu pulo. Stress não é bom para o bebê – será que ele perdeu a memória? — Ah, você está bem? — eu pergunto cuidadosamente. — Ela me deu um fora, — ele grita, avançando até mim e então parando. — Ela me deu um fora, porra. Aparentemente uma criança não está em sua lista de prioridades, e eu cito, especialmente se não é a criança dela. Eu pisco. Eu não tenho palavras. — Ela parecia tão boa, mas todas vocês parecem, não é? — ele late para ninguém em especial. — Sinto muito, — eu finalmente digo.

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— Não, não sente. Eu me levanto, dura. — Eu realmente sinto. Acredite ou não, eu queria que você fosse feliz. — Mentira, — ele berra, girando na minha direção. — Apenas admita que isso te faz feliz; você não quer me ver com mais ninguém. — Danny... — Admita, porra! — Ok, — eu grito. — Eu não quero você com mais ninguém. Eu sou egoísta. Eu quero você todo para mim. Eu não mereço você, mas ainda te quero. Ele avança para mim. Eu me afasto rapidamente. — Danny, — eu digo com cuidado. — Você mexe com a minha cabeça, — ele se aproxima. — Danny, — eu coaxo, minhas costas batendo na parede. — Você mexe com o meu coração. — Eu sei, e eu sinto muito. Ele está a apenas um metro de distância agora, e meu coração acelera. — Você mexe com todo o meu mundo. — Por favor, — eu imploro. — Eu sei, eu sinto muito. Eu não quero brigar. — E ainda assim eu não posso ficar longe de você. Eu te quero mais do que qualquer coisa no mundo, e você sabia disso – você sabia disso, caralho. Espere. O quê? Balançando a cabeça em confusão, eu pergunto, — Como? — Não finja que não me ouviu, Skye. Eu quero você. Não suporto mais ficar longe. Eu estou tão apaixonado por você, eu só quero te pegar nos meus braços e nunca deixar você ir, mas eu ainda estou tão irritado que quero te dobrar sobre esse sofá e te foder até que você mude esse mau comportamento.

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Um calor sobe pelas minhas bochechas. Ele coloca as mãos ao lado da minha cabeça e traz a boca perto da minha. Ele cheia bem, bem demais. — Eu não posso fazer isso essa noite. Não vou colocar o meu bebê em risco. Eu engulo. — Mas você pode fazer algo para mim. Meus olhos se estreitam, confusos. — De joelhos, — ele exige. Eu pisco. — Como é? — Você me ouviu, baby, não finja que não. É hora de você tornar as coisas melhores. Eu quero rir histericamente do seu pedido, mas estou tão excitada com isso que apenas paro ali, meu corpo em chamas, meus olhos segurando os dele. — Eu não sei se você merece isso, — eu sussurro, lambendo meu lábio inferior. Ele sorri. — Ah, eu mereço. Se eu pudesse bater na sua bunda, eu faria, mas considerando que eu não posso, vou ter que me contentar com seus lábios ao redor do meu pau. Agora, não vou pedir de novo: de joelhos. Eu faço o que ele pede. Eu fico de joelhos. Alcanço o seu cinto, meu coração correndo, meu pulso tão rápido que posso senti-lo saltando no meu pescoço. A excitação em meu interior é esmagadora, mas principalmente, eu estou tão feliz de estar de joelhos na frente de Danny, porque isso significa que nós talvez tenhamos uma chance. Eu solto seu cinto e já posso ver o comprimento grosso crescendo em seu jeans. Minha buceta aperta. Abro o botão da calça e a puxo para baixo, apenas o suficiente para libertar seu pau. Ele está pronto. Lambo os lábios e olho em seus olhos. Ele está me observando, seu queixo apertado, os olhos com desejo. — Não brinque com isso, baby, — ele rosna. — Coloque na boca. Eu obedeço. ~ 167 ~


Separo os lábios e deslizo seu pau para dentro da minha boca mais do que faminta. Ele geme ao primeiro contato, assim como eu. É tão bom ter ele sem nenhuma culpa, sem restrições, apenas eu e ele, do jeito que costumávamos ser. Meu coração acelera e eu curvo os dedos na base do seu pau, bombeando levemente enquanto chupo. Faço isso devagar, circulando minha língua ao redor da cabeça antes de levar mais fundo. — Porra, baby, — ele geme. — Esqueci como isso é bom. Encorajada, chupo mais forte, balançando a cabeça, cobrindo seu pau com a minha saliva, o provando, precisando dele. Seus punhos agarram meu cabelo e ele geme, empurrando a pélvis, se colocando mais para dentro. Eu estou tão molhada que posso sentir o líquido escorrendo, desesperada por algum tipo de alívio. Deslizo a mão dentro das minhas calças de moletom e acaricio meu clitóris. Estou latejando e tão perto da libertação que só são necessários alguns golpes mais fortes antes que eu esteja estremecendo com o meu orgasmo. — Você acabou de se fazer gozar? — ele ofega. — Garota má. Eu gemo ao redor dele e chupo mais forte, mais rápido. — Me dê os seus dedos. Levanto a mão e ele pega meu pulso, baixando a cabeça para poder chupar o meu gozo. Eu gemo e o fogo cresce dentro de mim outra vez. Ele grita meu nome e com mais um empurrão dos seus quadris, ele goza dentro da minha boca. Eu tomo tudo, engolindo cada gota, e então o deixo deslizar entre os meus lábios com um estalo baixinho. — Porra, — ele murmura, se abaixando para me pegar debaixo dos braços, me trazendo de pé. — Ninguém jamais vai poder fazer isso como você. Eu olho para ele, meus lábios inchados, minha boca formigando. — O que nós estamos fazendo? — Eu não sei. Tudo que eu sei é que tentei ficar longe, mas não posso. Eu quero você. — Mas você não confia que eu não vou fugir, — eu ofereço. — Não, não confio, mas fingir que isso não é o que é... não está ajudando. Não posso ficar longe de você. Você vai ter o meu filho – é aí onde nós estamos. Eu só posso esperar que você esteja me dizendo a verdade.

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Eu cubro seu rosto com as mãos. — Eu estou aqui, Danny. Não vou deixar você. Seus olhos ficam mais suaves. — Você precisa descansar. — Ah, — eu rio. — Agora eu preciso descansar, depois que você pegou o que queria. Ele sorri, então se abaixa e me pega nos braços. — Você me devia isso baby, e você sabe. — Eu sei. Ele me leva para o meu quarto, e eu me sinto leve pela primeira vez em meses. Eu sinto esperança.

***

Eu caio no sono rapidamente. Estou exausta. Acordo tarde. O quarto está iluminado, então assumo que dormimos direto até de manhã. Danny está ao meu lado, ainda usando sua jaqueta de couro, dormindo em cima das cobertas. Seu braço está acomodado debaixo da cabeça e ele parece em paz. Como minha bexiga está prestes a estourar, eu levanto da cama e vou na ponta dos pés até o banheiro, me limpo e escovo os dentes antes de voltar para o quarto. Danny está sentando quando eu volto, seu cabelo bagunçado, seus olhos sonolentos. — Oi, — eu digo com cuidado, sem saber como estamos hoje. Ele pode ter se arrependido do que aconteceu na noite passada e me dizer que foi tudo um erro. Eu não tenho como saber. — Bom dia, — ele murmura. — Você está bem? Ele passa uma mão pelo cabelo. — Você quer dizer depois de terminar com Macy? Eu aceno, caminhando até sentar na cama.

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— Se eu for sincero comigo mesmo, sabia que isso não ia durar. Estava apenas segurando a esperança porque isso era uma justificativa para não estar com você. — Ainda assim, você gostava dela. Não deve ser fácil. Ele dá de ombros. — É difícil lamentar por alguém quando eu sei o que é estar de coração partido de verdade. Ele encontra meus olhos e então pego a sua mão. — Eu vou me desculpar até o dia em que eu morrer, mas nunca vai ser o bastante. Ele se inclina para a frente e me dá um beijo rápido nos lábios. — Sempre vai ser o bastante. Vou tomar um banho, então você vai preparar o meu café da manhã. Eu bufo e me inclino para trás. — Então é isso? Ele sorri. — É isso. Ele rola para fora da cama e vai para o banheiro. Eu não posso tirar o sorriso do meu rosto enquanto desço as escadas. Paro de imediato quando vejo meu pai e Spike parados na sala de estar. — Você quer me dizer o que a moto de Danny está fazendo aqui? Deus. Aí vamos nós. — Acho que ela fala por si só, — eu digo, dando de ombros. — Nós estamos nos acertando. Spike parece feliz. Meu pai parece puto. — Você não pode resolver toda essa merda em uma noite, Skye. Onde ele está? Tentei falar com ele a noite toda. Temos assuntos para trás. Claro que eles têm. — Ele está no banho. O rosto do meu pai escurece. — Pai, — eu digo com cuidado. — Eu sei que as coisas estão confusas, acredite em mim. Não vamos apressar nada, mas eu o amo. Eu não posso mudar isso. Se eu posso ter ele na minha vida, na vida do meu bebê, então é assim que vai ser. Ele suspira. — Você sabe o que significa estar com ele, Skye.

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— Sim, — eu digo sorrindo. — Significa que eu vou ser como mamãe, Ciara, Serenity e Janine... significa que eu tenho que ser forte e carinhosa e criar meus filhos assim como fui criada – com amor, felicidade e força. Ele sorri. — Porra, venha aqui. Eu corro para frente e me atiro em seus braços. — Estou orgulhoso de você, querida. — Eu te amo, pai. — Certo, Cade, — Spike diz, me puxando dos braços do meu pai. — Compartilhe. Eu também vou ser avô do bebê. — Mas puta que pariu, — meu pai geme. — Deus ajude esse coitadinho. — Você não precisa me dizer, — nós todos viramos para ver Danny entrando na sala. — Pai, Cade, o que foi? — Ouvi que você está de novo com a minha filha, — meu pai diz cruzando os braços. Spike mantém um braço sobre os meus ombros. Homem esperto. — Sim, e salve a sua besteira superprotetora, Cade. Você sabe que eu tenho o que é preciso para amar ela mais do que qualquer outro, e eu te asseguro que é isso mesmo que vou fazer. Agora, por que vocês estão aqui? Eu sorrio. Spike ri. Meu pai e Danny se encaram por alguns minutos, então ele murmura uma maldição e diz, — Temos negócios do clube para discutir. Você precisa vir. Danny acena. — Urgente? — Bastante. — Sem tempo para tomar café da manhã com Skye? A boca do meu pai treme. Ele gosta disso. Eu gosto disso. — Sim. Enquanto vocês fazem isso, preparem para nós também.

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Ele anda e se atira no sofá, e Spike o segue. Eu sorrio para Danny, que balança a cabeça e murmura um xingamento. Ele vai até a cozinha e abre a geladeira, analisando os ingredientes. — Jesus, Skye. Que porra é essa? Eu paro atrás dele, colocando uma mão no seu quadril e me inclinando por trás para ver a geladeira. — O médico disse que é bom para o bebê. — É tudo verde. Eu rio. — As coisas boas geralmente são. — Me diga que tem bacon aqui. — Tem, mas não tem ovos. Eu tenho farinha; podemos fazer panquecas com bacon. — Então é isso. Ele pega o que precisa, murmurando mais coisas incompreensíveis sobre coisas verdes. Enquanto ele prepara as panquecas, eu converso com meu pai e Spike. Quando está pronto, nós comemos. Eu já sabia que Danny era um bom cozinheiro, mas parece que ele melhorou muito desde a última vez que comi algo preparado por ele. — Me lembre de abastecer minha geladeira com todas essas coisas. Eu amo que você sabe cozinhar, — eu digo, esfregando meu estômago quando acabo. — Desde que não seja nada verde, nós temos um acordo, — ele se levanta e lava a louça, então se vira para nós. — Prontos para ir? Meu pai e Spike se levantam. — Sim, estamos. Esperamos lá fora. Meu pai vem e me dá um beijo na testa antes de sair. Danny se vira para mim e seus olhos aquecem. — Como você está se sentindo? — Como em um sonho. Isso é um sonho? Ele pressiona os lábios contra a minha cabeça. — Não, não é um sonho. Isso é bom pra caralho. Fico na ponta dos pés e beijo seus lábios, de leve primeiro, mas lentamente vai ficando mais duro até que a minha língua invade a sua boca e nós estamos nos beijando com paixão.

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— Tenho que ir, baby, — ele geme, se afastando. — Mas eu volto mais tarde. — Ok, — eu respiro, lambendo meu lábio inferior. — Pare de fazer isso ou eu vou te levar de volta para a cama, só que dessa vez não vai ser você me chupando, mas eu chupando você. Eu coro. Ele ri. — Sim, pense nisso enquanto eu estou fora. — Eu vou. Não duvide disso. Ele me beija rapidamente. — Você está bem? Fisicamente, eu digo. Eu assinto. — Sem mais cólicas. — Bom. Me ligue se precisar, certo? — Sim, Danny. Ele me dá um sorriso – um de verdade. Um que alcança seus olhos. Finalmente.

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Capítulo vinte e três — Skye? Eu paro no meio do caminho de empurrar meu carrinho pelo mercado e me viro para ver Macy vindo na minha direção. Ótimo. Apenas ótimo. — Oi, Macy, — eu digo hesitante. — Eu estava me perguntando se você tem falado com Danny? Eu engulo em seco. — Ah, por que isso? — Eu liguei para ele hoje de manhã. Ele disse que queria conversar, resolver as coisas. Eu exagerei ontem, não deveria ter acabado com ele. Eu só estava tão magoada. Não percebi que vocês dois tinham alguma coisa e que você vai ter o bebê dele – é uma coisa difícil de engolir. Eu me arrependo, e quero dizer isso a ele. Mas ele não está atendendo o telefone. Eu me sinto enjoada. — Eu sei que isso deve parecer estranho. Você tendo o bebê dele. Mas ele me disse ontem que vocês são uma coisa do passado, e eu acredito. Nós temos algo especial, eu sei que ele sentia isso também. Ele sentia? Deus, nós não estamos apressando as coisas aqui? — Eu ao vi ele, — eu murmuro. — Desculpe. — Bem, se você o vir, por favor, diga que estou procurando por ele. Vou fazer seu jantar favorito essa noite, espero que ele apareça. O vômito sobe na minha garganta. — Espero que você esteja bem comigo na vida dele. Sei que ter um bebê é um grande negócio. — Ah, sim, — eu consigo dizer, minha voz presa em algum lugar atrás do grande nó em minha garganta.

~ 174 ~


— Ok, bem, tenho que ir. Tchau! — Tchau. Quando ela se vai, eu me movo distraidamente pelo mercado e termino de fazer as compras. Será que Danny está considerando voltar com ela? Quero dizer, ele não escolheu realmente terminar com ela. Será que ele teria feito isso, se ela não tivesse? Esse pensamento me assusta. Nós estamos indo muito rápido? Eu sei que nos conhecemos pela vida toda e nos amamos há mais tempo ainda, mas será o bastante para o que temos passado? Afasto esses pensamentos da minha cabeça e vou para o carro, jogando todas as compras no porta-malas antes de ir para o lado do motorista. Um rugido de motos me faz parar, a mão na porta. Eu pensei que o clube estivesse fechado para negócios. Eu me viro, e noto quase imediatamente que não é o clube do meu pai – são os Joker’s Wrath. Eu já os conheço. Eles parecem bem legais, e agora que Mercedes é parte da sua família, eles têm uma espécie de acordo com o nosso clube, então as coisas se acomodaram e estão indo muito bem. Eles geralmente estão por Denver, então os ver por aqui me faz pensar sobre o que está acontecendo. Há muitos deles, provavelmente todo o clube, e eles têm suas old ladies em suas motos. Eu me afasto do carro e levanto a mão para abanar. Eles todos diminuem até parar. Ok, não estava esperando isso. Caminho até o presidente, Maddox. Ele é um homem audacioso e extremamente bonito. Ele desce da sua moto e marcha até mim com determinação. — Skye. Estávamos procurando por você. Eles estavam? — Ah, oi, Maddox. Bom ver você de novo. Ele para na minha frente e eu levanto o olhar. Deus, ele é assustadoramente grande. Do tipo monstro. Seus olhos são azuis como o céu, e penetrantes, como se pudessem ver através da minha alma. Eu engulo em seco. — Você não está atendendo o telefone? Eu pisco, então alcanço minha bolsa e pego o celular. Há muitas chamadas perdidas. Ele está no silencioso; não percebi que tinha deixado assim quando o tirei do carregador essa manhã. — Ah, não, — eu murmuro. — Ele estava no silencioso.

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— Certo, bem, seu pai está procurando por você. Então aqui estamos. Suba na moto, vou te levar para o clube. Eu balanço a cabeça, confusa. — O que está havendo? — Nós estamos em bloqueio, os dois clubes juntos. É mais seguro ficar aqui. Longe história. Vamos lá. Bloqueio. Ótimo. — Eu... eu não vou. — Suba na moto, Skye, — ele diz, sua voz firme. Eu sei que os clubes estão de trégua, mas será que meu pai iria querer que eu subisse na moto desse homem? E se eles mudaram de ideia e isso é uma espécie de armadilha? — Eu gosto de você, Maddox. De verdade. Mas eu fui criada no clube, o que me deixa super desconfiada. Se você não se importa, eu vou ligar para o meu pai e ter certeza, ok? Seus olhos brilham, e então ele sorri. — Garota esperta. Vá em frente. Ufa. Eu rapidamente ligo para o meu pai, e ele atende antes que o primeiro toque se complete. — Skye! Onde diabos está você? — Eu estava no mercado; meu telefone estava no silencioso. Pai, eu estou com Maddox. Ele disse que eu preciso ir com ele. Está certo? — Ele encontrou você, graças a Deus. Sim, suba na moto e venha com ele para cá. — Ok, bem, nós estamos a caminho. — Ande, Skye, — ele diz, sua voz um pouco mais frenética do que eu gostaria. — Ok, pai. Eu desligo e me viro para Maddox. — As compras estão no meu carro. Eu não tenho muito dinheiro, não quero jogar elas fora. — Me dê as chaves. Vou levar elas para o clube, nós provavelmente vamos precisar. Vou te devolver o dinheiro. ~ 176 ~


Eu entrego a ele as chaves. Ele se vira a late ordens para um prospecto, que desce da moto e se aproxima. — Leve esse carro até o complexo dos Knights, então faça algum dos rapazes trazer você de volta para pegar a sua moto. — Sem problemas, Prez. Ele pega as chaves e desaparece. — Agora, — Maddox diz, — suba na moto. Eu assinto e me apresso na direção da sua moto, acenando para Krypt e Mack no caminho. Eles acenam para mim, mas as suas esposas, que estão sentadas nas motos deles, parecem muito felizes em me ver. Eu sorrio e subo na moto de Maddox. — Onde está Santana? — Já está no clube. Certo. Acomodo meu corpo pequeno atrás do gigante dele e tento o agarrar ao redor da cintura. Sim, certo; ele é como um muro de tijolos. Eu faço o melhor que posso para me segurar nos lados da sua jaqueta. Ele acena a mão e nós arrancamos. O rugido atrás de mim fica cada vez maior enquanto aceleramos. Eu não estive em uma corrido em muito tempo. Eu anoto mentalmente para fazer exatamente isso quando tudo acabar. Com Danny. Maddox entra em uma rodovia que leva ao complexo, e então isso vem de lugar nenhum. Os tiros. Como uma metralhadora, eles explodem no ar mais alto que as motos. O medo esfaqueia o meu coração e eu olho freneticamente ao redor, tentando ver de onde isso vem. Não consigo ver nada. Maddox gesticula desesperadamente e nós aceleramos mais. Os tiros continuam. A moto balança fora da estrada quando uma bala atinge o tanque de gasolina, e todo o corpo de Maddox endurece. Krypt dirige ao lado dele. — Está vindo das árvores, chefe. Temos que nos livrar deles ou vamos cair. — Dirija mais rápido. escondermos, — Maddox late.

Não

nenhum

lugar

para

nos

Ele acelera algumas vezes o câmbio de mão e se joga para frente, indo na velocidade mais rápida que eu já vi uma moto fazer na vida. Ele ~ 177 ~


agarra a minha mão e me puxa para perto, então estou esmagada contra ele, minhas mãos apertando sua jaqueta com medo. — Se segure, querida, — ele grita. Mais balas chegam. Mais motoqueiros caem. Nós continuamos acelerando na estrada, desviando dos carros que estão parando ou correndo ainda mais por causa da chuva de tiros. Nós viramos e contornamos, nos movendo o mais rápido possível entre os carros. Chegamos a um ponto livre da estrada, mas as balas continuam vindo, como se isso fosse a cena de um terrível pesadelo. Os atiradores devem estar posicionados ao longo de toda a estrada. Eu estou apavorada. Pressiono meu rosto nas costas de Maddox e fecho os olhos, tentando respirar através do pânico. Um estalo alto ecoa de perto, e então, logo depois, uma dor como nenhuma que senti na vida corre pelo meu ombro. Maddox salta e, por alguns segundos, minha boca se abre, mas não sai som algum. Então eu grito. Eu grito e grito. O sangue se derrama do meu braço, e parece que uma brasa quente atravessou o meu ombro pelas costas. Maddox está me dizendo algo, segurando minha mão como se eu fosse cair a qualquer segundo, mas não consigo ouvir nada através dos meus gritos de agonia. Eu salto e pulo, querendo me afastar. Kryp vem ao nosso lado, sua moto voando, e seus olhos caem no meu ombro. Posso ouvir a sua maldição, mas não posso ver. Nós aceleramos. Maddox me segura, pilotando com uma mão. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas e meu corpo está ficando dormente, minha mente está ficando em branco e eu estou apagando. — Fique comigo, — Krypt grita na minha direção. — Skye, fique comigo. Meus olhos flutuam e eu caio para frente, posso sentir minha camiseta ensopada de sangue. Os sons desaparecem e parecem ir baixando para um fraco zumbindo. Krypt continua gritando comigo, Maddox continua puxando o meu braço, verificando se eu estou acordada, mas a dor é demais. Eu entro e saio de um estado de consciência. Algum tempo depois as motos param, e eu ouço o fraco barulho dos portões. Então a voz do meu pai. — Não, — ele berra. — Não! Pai.

~ 178 ~


Eu tento levantar a cabeça das costas de Maddox, mas não consigo – é pesada demais. Braços duros vão ao meu redor e eu de repente estou longe do conforte quente que é Maddox. — Eles estavam ao longo de toda a estrada. Porra, eu sinto muito, Cade. — Não é sua culpa, — Spike diz. — Não é sua culpa, Maddox. Foi uma emboscada. Porra, Cade, nós temos que levar ela a um hospital. — Não podemos sair. Você sabe que não podemos sair, porra. Skye? Meus olhos batem abertos e eu olho para o meu pai. — Pai? — Eu, baby. Estou com você. Ei, fique comigo, ok? — Precisamos levar ela para dentro agora mesmo, droga, — Spike ordena. — Estão vendo o ferimento? Uma ambulância provavelmente consegue chegar aqui. — Sem ambulâncias, sem policiais. Eu vou achar um jeito de levar ela ao hospital, nem que isso me mate, — meu pai late. Ele se vira, e eu posso sentir cada solavanco a caminho da casa. — Cade! — minha mãe. Histérica. — Oh, Deus, Skye. Não. Não. — Skye? — Ciara. — Spike, o que aconteceu? — Ciara, querida, você precisa se mover para nós cuidarmos disso. Addi, preciosa, venha aqui. Você sabe as regras. Nós estamos com ela. — Meu bebê, — minha mãe chora. Eu tento estender o braço, mas minha mão não se move. Dói demais. — Pai, — eu gemo. — Dói. — Eu sei, baby, eu sei. — Faça ir embora, — eu choramingo. — Eu vou, filha, eu vou.

~ 179 ~


Eu sou colocada em uma cama macia, ou talvez seja um sofá. Eu abro os olhos; há muitas pessoas ao redor. Onde está Danny? Eu quero Danny. — Danny? — eu coaxo, meus olhos correndo ao redor do ambiente. A dor volta com força total e eu tento levantar, gritando quando sinto as chamas lambendo minhas costas. — Ele está vindo, baby, se deite. Nós temos que olhar. — Role ela, Cade, — Spike ordena. — Danny! — eu grito. — Role ela! — alguém late. Mãos grandes forçam meu corpo para o lado e minha camiseta é cortada e jogada no chão. Ela está vermelha. Toda vermelha. Eu choro ainda mais histericamente, empurrando e tentando me afastar da dor que me consume. — Fique parada, — meu pai dele. — Skye, fique parada. — Dói, — eu grito. Alguém está chorando no fundo. Eu queria que isso parasse. Pare. — Eu sei que dói, querida, eu sei. — Ei, — eu pisco através da minha névoa e vejo Muff ajoelhado na minha frente. — Olhe para mim, Skye. Eu seguro seu olhar. Ele é tão bonito. — Continue olhando para mim, fale comigo se ajuda, mas você tem que ficar parada. Entendeu? Eu aceno e lágrimas escorrem pelas minhas bochechas. — Você que me dizer o que aconteceu? — N-n-nós estávamos di-d-dirigindo e... Alguém toca nas minhas costas. Eu grito. — Ei, Skye, ei, — Muff diz, pegando a minha mão. — Continue falando, não foque nisso. ~ 180 ~


— E então veio de lugar n-n-n-nenhum, — eu gemo. — Eles só coco-começaram a atirar. Há pressão no meu ombro, muita pressão. Eu me atiro para frente, meu corpo arqueando, gritando de agonia. — Que diabos é isso? — meu avô. — Skye? — Danny. Ele está aqui. — Porra, Skye? Muff desaparece e Danny está na minha frente, seu rosto frenético, seus olhos assustados. — Danny, — eu choramingo. — Baby, estou aqui. Estou aqui. Eu, você está bem, — ele olha para cima. — Que porra aconteceu? — Ela foi baleada. Eles foram emboscados no caminho, — Spike diz rapidamente. — Mais alguém se feriu? — meu avô late. — Alguns dos meus homens, — Maddox diz. — Você está com eles? — Sim, Krypt está com eles. Todos de volta. Seja lá quem era, se foi. — Nós vivemos aqui; eles deviam saber que vocês estavam a caminho, no entanto. Precisamos fazer uma contagem de cabeças, ter certeza que todos estão no bloqueio, — meu avô ordena. — Você está bem em ficar aqui, Maddox? — Tenho mais alguns chegando, mas sim. — Cade? — meu avô chama. — Qual o tamanho do estrago? — A bala ainda está aqui, mas quase na superfície. Ferida limpa. Eu não acho que não chegou perto de nada vital, parece que ficou presa entre o músculo e a carne, não no osso. Acho que podemos tirar sem um médico. Ainda temos antibióticos no estoque? — Sim, — meu avô diz, sua voz amarrada. — Você quer que eu assuma aqui?

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A voz do meu pai volta, quebrada e ferida. — Eu não posso fazer, Jacks. Não posso machucar ela, — sua voz está presa. Eu começo a chorar. — Ei, — Danny diz, segurando meu rosto entre as mãos. — Você está bem, entendeu? Você vai ficar bem. — Dói, — eu gemo. — Eu sei, baby, eu sei, — ele se aproxima, pressionando meu rosto no seu peito e me abraçando. — Cade, pegue Addison e saia daqui. Nós vamos cuidar disso. — Não posso deixar ela, Jacks, — meu pai argumenta. — É o melhor para você e sua esposa. Ela vai ficar bem. Você sabe que sim. — Ela está acordada... — sua voz amarrada. — Cade, saia. Vamos cuidar para que seja indolor. — Jacks... — Saia! Há uma comoção e a voz histérica da minha mãe, implorando para que meu avô a deixe ficar. O quarto esvazia rapidamente. Danny tem um cheiro tão bom, tão reconfortante. As mãos nos meus ombros parecem desaparece e tudo que eu sinto é ele. Minha mente gira novamente, a dor indo e voltando mais intensa. — Acho que não precisamos nos preocupar que ela lute, — Danny diz, sua voz soando ao longe. — Acho que ela vai apagar. — Assim esperamos, — meu avô murmura. — Spike, consiga o que for preciso para dar um jeito nisso. Muff, pegue toalhas e água. Isso vai ser uma bagunça. Uma bagunça. Eu me balanço. — Não, — eu berro. — Não. — Segure ela firme, Danny, — meu avô ordena. — Não deixe ela sair. — Eu não vou. A pressão no meu ombro me faz gritar em agonia de novo, tão alto que Danny estremece. — Porra, Jacks, pare, você está machucando ela. ~ 182 ~


— Você acha que eu gosto disso, porra? — meu avô grita, sua voz quebrando. — Inferno, isso está me matando. Ela é a minha maldita netinha. Apenas segure ela. Mais pressão. Meus gritos se tornam urros e então a escuridão finalmente me agarra e me puxa para baixo. Alívio.

***

Minhas pálpebras se abrem e eu tento me achar. Há uma dor constante em meu ombro, rapidamente me lembrando de onde estou e o que aconteceu. Eu me mexo e gemo; estou deitada no colo de alguém. Eu pisco algumas vezes e Danny aparece à vista, olhando para mim, sua mão acariciando o meu cabelo. — Oi, bonita, — ele murmura. — Como você está se sentindo? — Danny? — eu coaxo. — Estou aqui. Estamos todos aqui. Você se lembra do que aconteceu? Eu assinto. — Nós tiramos a bala. Costuramos a ferida. Você vai ficar bem. — E o nosso bebê? Seu rosto fica preocupado. — Eu não sei. Eu não sei o quanto isso afetou... Lágrimas enchem meus olhos. Ele segura o meu rosto. — Está tudo bem, baby. Confie nisso, sim? — Eu preciso sentar, — eu sussurro. Ele me ajuda a sentar, e eu percebo que estamos no quarto dele no clube. Estou vestindo uma das suas camisetas e posso sentir camadas de bandagens ao redor do meu ombro. Levei um tiro. Oh, meu

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Deus. Eu levei um tiro. Eu pulo e balanço a cabeça na sua direção. — Quem mais se feriu? — Alguns dos homens de Maddox. Felizmente os atiradores estavam se movendo muito rápido para ter uma boa mira, então todos vão ficar bem. Sem mortes. Eu exalo em alívio. — Você me assustou pra caralho, — ele diz, sua voz tão baixa que eu quase não ouço. Eu me viro para ele. Seus olhos... ah, seus olhos. Eu seguro seu rosto. — Eu sinto muito. — Não é sua culpa, — ele murmura, pressionando os lábios na minha cabeça. — Eu nunca mais quero me sentir assim. Eu nunca entendi isso, Skye. Nunca entendi esse medo. Nunca entendi porque você fugiu, — ele inspira profundamente, e seus olhos ficam nublados por uma escuridão que eu raramente vi neles. — Eu entendo agora. Quando eu entrei ali e você assim, eu senti isso, senti com cada grama do meu ser. Eu nunca estive tão assustado em toda a minha vida. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas. — Já tive que lidar com o sofrimento das pessoas, tive que ver muitas coisas ruins, mas nunca entendi o quão aterrorizante é ver alguém que você ama sangrando por causa das ações do clube. — Danny... — Eu vou me afastar. Eu pisco. — Danny, — eu ofego. — Não. — Eu não posso ver isso de novo, nem por um segundo. Eu não posso suportar nem por um momento o pensamento de que você podia ter morrido. Você estava deitada ali, sangue por tudo, e eu nunca estive com tanto medo na vida. Se eu te perdesse... — Eu apenas estava na hora e no lugar errado, e... — Você podia ter morrido, Skye. Isso vai além do lugar e hora errados. Não é a primeira vez que isso acontece no clube, e a fria e dura realidade é que não vai ser a última. Eu não posso suportar pensar em ver você assim de novo, mas mais do que isso, não posso suportar ver meu filho ali. Eu não quero estar no lugar que Cade esteve hoje, ou no

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lugar do meu pai quando Mercy foi ferida, ou no de Jack quando Ava foi sequestrada. Eu não posso... eu não vou. — O clube é quem você é. É quem você sempre quis ser. — Não, — ele diz, cobrindo o meu rosto. — Você é quem eu sou, Skye. Sem você, nada disso importa porcaria nenhuma. Eu quase te perdi hoje; não vou deixar isso acontecer novamente. — Danny, você está reagindo por medo... — Eu já me retirei. Eu ofego. — Danny, não. — Nada do que você disser vai me fazer mudar de ideia, Skye. Nenhuma porra maldita. — Danny, por favor, pense sobre isso. — Não tenho nada para pensar, — ele murmura, levantando da cama. — Você quer beber algo? — Danny... — Você quer beber algo, baby? Mais lágrimas descem pelas minhas bochechas, mas eu assinto. Ele balança a cabeça e desaparece pela porta. Um segundo depois, meu pai entra. Ele parece exausto, o rosto quebrado, os olhos assustados. E eu vejo. Vejo o que Danny vê – vejo o resultado final desse ato. Não posso argumentar e dizer que não concordo com ele, mas ver ele desistindo de quem é... não me faz sentir bem. Nada mesmo. — Pai, — eu sussurro. — Porra, — ele diz, andando até mim com determinação. — Skye, eu sinto muito. Ele se senta na cama e me puxa cuidadosamente para os seus braços. Eu agarro a sua jaqueta com a minha mão boa e deixo as lágrimas virem, escorrendo pelo meu rosto em uma cachoeira. — Nunca pensei que isso aconteceria com você. Nunca pensei que eu seria aquele olhando para a minha filha sangrando no chão. Eu estremeço. — Eu sinto muito, baby.

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— Não é sua culpa, — eu sussurro. — Não é minha culpa direta, mas é um resultado dos negócios do clube. Ninguém deveria sofrer por isso. Nem um fio de cabelo seu, Ava ou Mercedes deveria ter sido tocado nessa confusão. É o nosso trabalho manter vocês seguras. — Pai... — Eu sinto muito. Eu o abraço mais forte. — Está tudo bem. — Você está se sentindo bem? — ele perguntando, sem puxar o rosto do meu cabelo, e eu sei que é porque ele não quer que eu veja a dor no seu rosto. — Sim. Danny me disse que saiu do clube. Ele exala. — Garoto esperto. — Pai, tudo que ele sempre quis foi ser presidente do clube. Meu pai finalmente se afasta e me olha com os olhos vermelhos e úmidos. — Até que ele encontrou algo melhor. Até que ele viu os horrores que essa vida pode trazer para a família. Ele é inteligente, Skye. Ele pode ser muito mais que isso. — Não fale assim. O clube é tudo. — Já foi. Agora é a porra de um pesadelo do qual nenhum de nós pode escapar. Isso me deixa muito triste. — Ele não vai ser feliz sem isso. Eu o conheço. Meu pai passa um polegar pela minha bochecha. — Você ficaria surpresa com o que se apaixonar e ter uma família faz com você. Deixe ele fazer essa escolha, Skye. — Eu não quero que ele aja por causa do medo ou da dor. Eu quero que ele faça isso porque realmente acha que é o melhor. — Danny é um garoto esperto. Ele vai fazer o que é certo; ele nunca age sem pensar. Ainda assim, a ideia dele perdendo tudo que ama... quebra o meu coração.

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Capítulo vinte e quatro — Eu ouvi sobre Danny, — Ava diz, sentando de pernas cruzadas no sofá ao meu lado. — Eu não acreditei, — Mercedes adiciona, seus olhos arregalados de choque. — Eu acreditei, — Max diz encolhendo os ombros. Estamos todos sentados no sofá na área de estar. Estar em bloqueio é uma merda, mas você não pode sair. Inferno, você não pode nem ir lá fora. Eu começo a ficar louca depois de um dia. Minha mãe está me deixando louca com as suas tentativas obsessivas de cuidar de mim. Eu a amo muito, mas ela está me deixando maluca. Existem apenas algumas pessoas que podem estar no mesmo que espaço que outras sem deixá-las no limite. — Yo! Levanto o olhar para ver Phoenix e Quinn chegando, pizza em mãos. — Como diabos vocês conseguiram isso? — Max pergunta. Phoenix balança as sobrancelhas. — Você quer mesmo saber? — Na verdade, quero sim, — Max grunhe. — Estou cansado de comer a merda que temos aqui. — Não é merda, — eu aponto. — É tudo muito saudável. — É merda, — Phoenix e Quinn dizem em uníssono. — Tenho que concordar, — Diesel murmura, chegando na sala com Molly e Matilda atrás dele. — É uma merda total. — É bom para o bebê, — eu argumento. — Pepperoni também, — Quinn diz, esfregando uma fatia na minha cara.

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Deus, o cheiro é maravilhoso. Eu arranco o pedaço da sua mão e faço uma careta. Ele me dá uma piscadela. — Venha aqui e dê um pouco de amor para a sua mulher, — Mercy diz, chamando Diesel com um dedo. Ele revira os olhos para ela. — Mulher, eu te dou amor duas vezes por dia. — Eca, — Ava murmura. — Como se você pudesse falar, — Mercedes diz a ela. — Eu ouvi você e Lucas no banheiro mais cedo. Ava sorri. — Sério, — eu murmuro. — Estou tentando comer aqui. — Só porque você não tem nada de sexo, — Ava atira um pedaço de pepperoni em mim, — não significa que você tem que odiar o resto de nós. — Eu estou grávida e um pouco quebrada. Acredite em mim, eu estou com mais tesão que um adolescente no baile de formatura. Se eu pudesse saltar e foder com Danny, garanto que eu não estaria aqui comendo pizza com vocês, seu bando de idiotas. Phoenix cospe todo o refrigerante que ele tinha acabado de colocar na boca e Matilda ri histericamente. — Meu Deus, olha a cara dele. — Cara de quem? — Molly pergunta. Ela aponta, e todos nós viramos para ver Danny parado na porta. Meus olhos crescem e eu bato a mão sobre a boca. Ele me olha como se quisesse me comer viva. — Calma, tigrão, — Ava ri. — Conversa interessante essa aqui, — Jack diz, empurrando Danny ao passar em pegando um pedaço de pizza. — Ah... — eu coro, olhando para longe da expressão faminta de Danny. — Skye? — Danny chama. Eu olho para ele timidamente. — Hmmm?

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— Se levante. Eu engulo. — Agora. — Ok, — eu guincho, levantando. — Ohhh, ela vai receber muito amor agora, — Ava ri alto. — Eca, — Mercedes geme, colocando as mãos nos ouvidos. — É vingança pela sua foda barulhenta, — Jack diz para ela. — Cara, essa é a minha irmã. Cale a porra da boca, — Danny estala, então pega a minha mão quando eu me aproximo. — E se vocês não querem ouvir Skye gritar, sugiro que vão todos para os seus malditos quartos. — Oh, Deus, — Mercedes grita. — Eca! — Vão logo fazer isso! — Ava sorri maliciosamente. — Sério, por que eu sou o único que não estou transando nessa casa? — Max rosna, jogando os pés sobre a mesa de café. — Eu transo com você por um preço, — Molly diz com um sorriso. — Ah, cara, — eu murmuro, deixando que me Danny me puxe para o quarto. Ele me puxa pelo corredor com um propósito, direito para o seu quarto. Quando chegamos, ele fecha e tranca a porta antes de ir até uma caixa de som no canto do lugar. Ele pressiona alguns botões e música começa a toca, efetivamente cobrindo qualquer barulho. — Ah... — eu digo quando ele vem até mim. — Eu não posso te foder duro, mas eu posso te foder e estou cansado de esperar. — Hmmm... — O bebê está bem, certo? — Eu não estou tendo sangramento nem cólicas, então acho que sim. — Então você pode me montar devagar. Tire as suas roupas. Eu arregalo os olhos. — Sério? ~ 189 ~


Ele tira a jaqueta e a joga no chão, então tira a camiseta pela cabeça e alcança a calça jeans. A visão do seu corpo duro e forte me faz apressar em tirar as roupas. Bem, o mais rápido possível para alguém com o ombro machucado. Ele tira a calça e seu pau salta livre, duro, grande e pronto, e eu paro no meio do movimento de tirar a minha própria calça para apenas admirar. Deus, ele tem um pau maravilhoso. — Rápido, baby, — ele murmura, subindo na cama e sentando contra a cabeceira. Ele enrola uma mão ao redor da base do pau e começa a acariciar, devagar primeiro, mas vai aumentando o ritmo enquanto retiro minhas roupas e paro na frente dele, totalmente nua. — Porra, — ele respira. — Venha aqui agora. Eu vou para a cama, engatinhando lentamente até ele. Ele me pela cintura e me puxa para o seu colo, e eu me posiciono com as pernas de cada lado dos seus quadris. Seu pau pressiona o meu centro, mas ele me puxa para baixo ainda. Em vez disso, ele estende a mão e começa a acariciar o meu clitóris latejante, formando pequenos círculos, antes de deslizar mais para baixo e alcançar o lugar onde seu pau pressiona a minha entrada. — Me deixe sentir você descer em mim. Porra, você está tão molhada. Eu choramingo e, lentamente, começo a deslizar para baixo, levando a cabeça do seu pau dentro de mim. Ele tem os dedos enrolados na base, e eu posso sentir eles pressionando contra a minha buceta. — Caralho, sim. Você está me deixando louco. Se esticando para mim, para o meu pau e para os meus dedos. Continue, baby. Eu deslizo mais para baixo e ele move a mão para me acomodar. Quando estou no meio do caminho, ele encontra meu clitóris outra vez, esfregando suavemente. Faíscas explodem no meu ventre e eu choramingo, deixando todo meu corpo cair sobre o seu pau. Ele rosna. Eu gemo, então ele empurra para cima, entrando em casa. A queimação do estiramento é uma sensação bem-vinda, e eu uso minha mão boa para agarrar o seu ombro, pressionando meus seios no seu rosto. — Porra. Continue fazendo isso e eu não vou durar muito. — Danny, — eu choramingo. — É tão bom.

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— Me monte devagar, baby. Tome o seu tempo. Eu começo a balançar no seu pau gentilmente, para trás e para frente, girando os quadris, subindo e descendo, até que a sua mandíbula aperta e ele está agarrando o meu quadril com força. — É como uma queimação lenta pra caralho, — ele raspa. — Tortura. — Eu posso ir mais rápido. — Não, continue assim. Porra. Tão bom. Bom demais. Eu me inclino para frente e capturo a sua boca, o beijando lentamente no início, e então aumentando o ritmo até que nossas línguas estão dançando e nossos peitos estão pressionados juntos. Eu me esfrego no seu pau, trabalhando até que o orgasmo se constrói na parte de baixo da minha barriga, espalhando seu calor até explodir. Eu ofego na sua boca, gemendo seu nome, e todo o seu corpo endurece quando ele joga a cabeça para trás e grita, — Skye! Eu derrubo a cabeça em seu ombro, deixando que minha língua viagem pelos músculos dali, provando o suor que vem à superfície. Ele estremece e enrola os braços na minha cintura, me puxando ainda mais perto até que nossos corpos estão esmagados da melhor maneira possível. — Isso foi incrível, — ele murmura no meu cabelo. — Sim, — eu sussurro. — Você está bem? — Ah, sim. Ele se afasta e sorri para mim, as covinhas aparecendo. — Eu te amo, Danny. Seu sorriso aumenta. — Eu te amo também, Skye. Deus, isso é bom. Estamos em meio a tempos sombrios, mas ele me traz tanta luz. Ele sempre faz isso. Eu só não tinha visto até agora.

***

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— Nós vamos ter que montar. Está na hora de acabar isso. Eu olho para Spike, que está olhando para o meu avô. Meu avô suspira. — Não posso permitir que mais alguém se machuque, então você está certo. Está na hora de acabar isso. É pelo bem das nossas famílias. — Não, Jacks, — Serenity sussurra, agarrando seu braço. — Por favor, não. — É preciso, baby. Isso não vai terminar até que acabe. As pessoas vão continuar se machucando. Isso tem que ser feito. — Não posso suportar a ideia de que algo aconteça a você, — ela diz, sua voz suave. Ele segura o seu rosto. — Nós vamos ficar bem. — Então é isso, — Spike diz, puxando Ciara para o seu lado. — Nós montamos. — Nós montamos, — meu pai diz, acenando. Minha mãe olha para o chão, seu rosto duro. Ela odeia quando ele vai. Eu odeio quando ele vai. Olho para Danny, que está de pé ao lado de Spike. Seus olhos encontram os meus, e eu sei que ele pode ver o meu medo. — Tudo vai ficar bem, — ele murmura. O medo se agarra ao meu peito. — Temos que discutir isso com Maddox, pensar em um plano, — meu avô diz, soltando Serenity. — Pai, — eu sussurro. Meu pai olha para mim. — Tudo vai ficar bem, baby. Mas não vai, no entanto. Isso é algo perigoso e eles poderiam se machucar, ou pior... serem mortos. — Vamos lá, — meu avô comanda, e todos os motoqueiros saem pela porta da frente em direção ao barracão nos fundos onde Maddox e seu clube têm dormido. Minha mãe se vira e desaparece no corredor. — Addi! — Ciara chama, correndo atrás dela. ~ 192 ~


— Ei, — Serenity diz, chegando perto e passando um braço sobre o meu ombro. — Eles vão ficar bem. Eles sempre ficam. Eu me obrigo a sorrir. — Como você está se sentindo? Dou de ombros. — Dolorida, com medo, confusa... Ela me aperta mais forte. — Isso é normal, com tudo que aconteceu. Vamos lá pegar algumas coisas para eles. Você vai aprender com o tempo que não há nada que possa fazer para impedi-los, mas pode lhes dar o máximo de casa possível para que fiquem confortáveis. É assim que uma boa old lady trabalha. Eu bufo. Ela ri baixinho. — Vamos. Eu a sigo para a cozinha e começamos a embalar comida. Quando acabamos, vamos para os quartos e começamos a juntar roupa suja para lavar e devolver a eles. Estou perdida em meus pensamentos quando ouço minha mãe gritar. Paro de dobrar uma camiseta e presto atenção. — Eu não posso aguentar, Cade. Eu quase perdi minha filha essa semana. Não posso perder você também. — Tudo vai ficar, Addison. Você sabe as regras. — Fodam-se as regras, — ela grita. — Eu estou cansada. Cansada de tanta violência e morte e dor. Estou cansada desse maldito clube estúpido. Eu estremeço. Eu nunca ouvi minha mãe falar assim antes. — Ninguém disse que isso ia ser fácil. Essa é a nossa vida; às vezes ela fica complicada. — É sempre complicada, ultimamente. Alguém está sempre ferido, e agora vocês estão indo em uma missão suicida, e você talvez não volte para casa. Eu não posso viver assim. — Você não tem escolha. — Vá se foder, Cade. Vá se foder.

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— Se acalme, — ele diz, a voz apertada. — Você acha que eu gosto de deixar você e Skye? Você acha que eu quero arriscar tudo? Não. Você está me ouvindo? — Então não vá, — ela grita. — Diga não. — Não posso fazer isso. Você sabe que não. — Sempre o clube primeiro. Sempre esse maldito clube. — Addison, — ele rosna. — Já chega. — Vá se foder, imbecil, — ela sibila. — Vá se foder. Eu te odeio. Eu te odeio, porra. Um nó se forma na minha garganta, e eu tenho que lutar contra as lágrimas. — Pare com isso, — ele diz, sua voz magoada. — Não, — ela grita. — Baby, pare. Posso ouvir ela batendo contra o seu peito, e então o soluço dolorido da minha mãe logo se torna abafado. Eu sei que ele a está abraçando, porque é isso que ele faz quando ela está triste – ele a puxa em seus braços e a abraça, não a deixando quebrar, não a deixando cair, seus braços fortes lhe puxam para a superfície. Eu aprendi com os anos que não há lugar melhor quando você está triste do que a segurança dos braços de um homem, sua bochecha pressionada contra o seu peito, o batimento cardíaco contra o seu ouvido, seus lábios contra o seu cabelo, seu calor te cercando, te protegendo. Esse é o meu lugar favorito para estar. É o dela, também. — Eles vão ficar bem, — Serenity diz, tocando meu ombro e me fazendo pular. — Está tudo tão confuso agora, — eu digo, deixando a camiseta cair no chão. — Tão confuso. — Tudo vai ficar bem, — ela diz de novo, e eu sei que ela não acredita nisso. Nem eu. E isso me assusta.

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Capítulo vinte e cinco Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas e Danny cobre o meu rosto, pressionando um beijo nos meus lábios salgados. — Eu vou voltar para casa, baby. Eu tenho muitos motivos para estar aqui. — Se algo acontecer com você... Ele me puxa contra ele, exalando e soltando um pouco da energia ansiosa que, com certeza, enche o seu corpo. — Eu vou voltar para casa. — Eu não posso fazer isso sem você. Eu nem ao menos quero tentar. — Ei, — ele diz, dando um passo para trás e pegando meu queixo na mão, inclinando minha cabeça. — Eu vou voltar. Você me ouviu? Eu assinto, mas lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — Eu te amo, Skye. Eu vou te amar até que as estrelas não brilhem mais. Eu soluço. — Eu te amo também. — Eu vou voltar para casa baby. Mantenha a cama quente para mim. Eu engasto e soluço. Ele beija a minha cabeça, passa a mão pela minha barriga e então se vira, seu corpo duro, e caminha até a sua moto. Através da visão embaçada pelas lágrimas, eu observo todas as old ladies se despedirem dos seus maridos, filhos, amigos. Minha mãe para do meu lado e pega a minha mão, então eu a aperto o máximo que consigo. Os motoqueiros ligam os motores e se partem juntos, nos deixando com mais medo do que já sentimos em nossas vidas. — Vamos lá, querida, — minha mãe diz com a voz apertada. — Vamos comer um pouco de sorvete. Eu aceno, engolindo o medo e me virando, desaparecendo dentro de casa com ela. Fomos deixadas com cinco homens para proteger o

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complexo enquanto eles estão fora, mas fora isso, estamos sozinhas. Os únicos homens que não foram, além dos que ficaram de guarda, foram Max, Jack, Diesel, Phoenix e Quinn. E apenas porque eles não são parte do clube, nem querem ser. Lucas não está aqui porque há uma regra tácita de que ele não reporte nenhuma das atividades do clube, então ele acha mais fácil apenas não ficar por perto. Ele vem visitar Ava, mas é só. — Você está bem? — minha mãe pergunta, nos levando até a cozinha e pegando um grande pote de sorvete de chocolate da geladeira. — Eu não sei... — É difícil, não é? Eu assinto, meu lábio inferior tremendo. — Danny fez a coisa certa ao se afastar. Não me entenda mal, eu amo ser uma old lady, mas ultimamente esse mundo está feio demais, é um lugar perigoso, diferente do que costumava ser. O perigo parece espreitar em cada esquina. Eu não quero isso para você. Quero que você seja feliz, livre e viva sem medo. Acredite, quando esse bebê chegar ao mundo, você nunca vai querer que uma única coisa ruim encoste em um fio de cabelo dele ou dela, e não há sensação pior do que ver isso acontecer. Ela me alcança uma colher. Eu pego. — Estou com medo que isso não faça ele feliz. Ele sempre quis estar no clube. — Até ele sentir o medo de quase perder alguém. Isso nos muda muito. Eu aceno, pegando um pouco de sorvete. — Me dê um pouco disso, — Santana diz, chegando na cozinha seguida por Ash, Serenity e Molly. Minha mãe lhe dá uma colher. Ela enfia no pote e coloca uma grande bola na boca. — Motoqueiros idiotas. Eu rio. — Eles são mesmo, — minha mãe concorda. — Parem de monopolizar o pote, — Molly diz, arrancando a colher da boca de Santana.

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— Porca, — Santana murmura. — Deus, vocês são exatamente iguais, — Ash revira os olhos. — O que está acontecendo aqui? — Ciara diz, entrando na cozinha com Janine e Pippa. — Estamos alimentando nossas emoções com sorvete, — eu informo a elas. — Bom plano. Me deem uma colher, — Janine diz. — Rápido, eu preciso disso. Eu jogo uma colher para ela e empurro o pote na sua direção. — Esse bebê gosta muito de sorvete, — eu murmuro, puxando o pote de volta depois que ela se serve. — Seus quadris não vão gostar. E você continua roubando isso, — Ash diz, roubando a minha colher. Eu lhe mostro o dedo do meio. — Assim com a sua mamãe, — minha mãe diz. — Estou tão orgulhosa. Todas nós rimos alto. E como sempre, nos juntamos e conseguimos, de alguma forma, sorrir nos tempos mais escuros.

***

— Ah, vá se foder, — Jack grita, se atirando no sofá e colocando os pés para cima. Eu rio. — Não é engraçado, porra! — ele estala. — Não é nossa culpa se você não consegue se torcer, — eu aponto. Max ri. — E nem consegue tocar os dedos do próprio pé. Jack lhe mostra o dedo do meio.

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— Ele fez tudo certo, — Kaylee diz, um sorriso tímido no rosto. — Pelo menos alguém está do meu lado. — Encare isso, cara, — Molly diz, se levantando. — Você é muito ruim. Minha vez. — Espero que você caia de cara, — ele murmura para ela. Ela sorri para ele e então gira a pequena roleta. Jack faz uma careta quando ela executa seu movimento com facilidade. Mão esquerda na bola vermelha. — Minha vez! — Phoenix diz. Ele faz o mesmo e acaba debaixo de Molly, tentando esticando uma perna ao redor do pequeno corpo dela. — Eu juro, Phoenix, — ela o avisa. — Se alguma parte da sua anatomia encostar em mim, eu vou cortar fora. Eu rio alto. — Você amaria isso, — ele a provoca. — Vocês dois são iguais a Skye e Danny, — Ava diz, rindo. — Com exceção de que eu preferiria lamber o meu olho a tocar nele, — Molly murmura. — Ela é tão mentirosa, — Matilda sorri. — Ela já adorou isso. — Jesus, — Quinn geme. — Informação demais. — Vocês dois são adoráveis, — Mercedes diz do seu lugar no colo de Diesel. — Já fui chamado de muitas coisas no meu auge, — Phoenix grunhe, tentando manter sua posição. — Adorável nunca foi uma delas. — Ela diz apenas o que vê, — Diesel diz. Phoenix levanta a mão para lhe mostrar o dedo do meio e cai, levando Molly junto para baixo. Ela cai sobre ele, seu rosto direto na sua virilha. Todos explodimos em risadas, e ela se afasta com o rosto vermelho. — Ela realmente amou isso, — Phoenix diz, se levantando. — Você é doente. Você fez de propósito, — ela o acusa, suas bochechas tão vermelhas que devem estar queimando.

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— Olhe para o seu rosto, — Phoenix provoca. — Você amou. Ela lhe dá um soco no ombro e ele geme de dor. Eu reviro os olhos. Meu telefone vibra e eu puxo rapidamente. É Danny. Eu dou um enorme sorriso. Danny: Porra, estou com saudades. Skye: Eu também. Estamos jogando Twister agora. Esses caras estão deixando isso interessante. Danny: Eu nem quero saber. Skye: Você está bem? Como estão as coisas? Danny: Bem, baby. Não quero falar sobre isso. Como está vc? Como está o meu bb? O bebê dele. Ai. Skye: Bem, eu acho. Minha mãe agendou médico para eu tirar os pontos amanhã, graças a Deus. Danny: Fico feliz em ouvir isso. Significa que nós vamos foder como eu quero quando eu voltar. Eu coro. Skye: E como é isso? Danny: Duro e forte. Minha buceta aperta. — Meu Deus, vocês estão transando por telefone agora? — Mercedes grita. Eu levanto a cabeça. — O quê? Não. — Estão sim. Meu Deus. Olhe a sua expressão. Me dê esse telefone. Eu o puxo para trás. — Nem sequer pense nisso. — Você está transando pelo telefone com o meu irmão, garota, — ela sorri. Eu lhe mostro o dedo do meio e volto para o telefone.

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Skye: A sua irmã é um pé no saco. Danny: Por quê? Skye: Ela descobriu que estamos fazendo sexo pelo telefone. Danny: Isso não é fazer sexo pelo telefone. Isso sim: eu quero deslizar a minha língua no fundo da sua buceta até que você esteja se contorcendo nos meus braços, então eu quero te colocar no meu pau e te foder até que você esteja gritando o meu nome. Que tal isso? — Oh, meu Deus, ele é um porco, — Ava grita, olhando por cima do meu ombro. Pressiono o telefone no meu peito. — Ava! — Que garoto mais sujo! — O que ele disse? — Molly grita. — Compartilhe! — Não compartilhe, — eu aviso ela. — Apenas coisas aleatórias sobre querer ela em cima do pau dele, — Ava ri. — Jesus, Ava! — eu grito. — O homem sabe como ele gosta, — Jack sorri. — Respeito. — Meu Deus, vocês estão me matando. — La la la la, — Mercedes diz, as mãos sobre os ouvidos. Eu desisto, incapaz de lutar contra o meu sorriso, e caminho até a outra sala. Skye: Desculpe, Ava leu isso por cima do meu ombro. Danny: Diga a ela que ela apenas pode sonhar com algo tão bom. Eu rio. Skye: Pode ter certeza que vou passar a mensagem. Me liga mais tarde? Danny: Sim, baby. Skye: Sinto sua falta. Beijos.

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Danny: Porra, eu também, baby. Eu também. Pressiono o telefone no coração e fecho os olhos, enviando a mesma oração que envio desde que ele se foi. Por favor, faça com que eles voltem para casa. Por favor.

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Capítulo vinte e seis — Oh, Deus, — eu sussurro no telefone. — Danny. — Me diga o que você está fazendo? — ele raspa, sua voz tão grossa que envia arrepios pela minha espinha. — Eu estou... oh, Deus... — Me diga, — ele exige. — Eu estou me tocando. — Onde? — Na buceta. — Porra, — ele rosna. — Como é a sensação? — Boa, — eu choramingo, circulando um dedo pelo clitóris. — Deus, Danny, como eu queria que você estivesse aqui. — Se eu estivesse aí, me diga o que você gostaria que eu estivesse fazendo. — Me fodendo, de quatro, suas mãos nos meus quadris, seu pau dentro de mim. — Jesus Cristo, quando você ficou tão má? — Você me fez assim, — eu ofego. — Eu vou gozar logo, — ele rosna. — Continue falando. — Você fala, — eu respiro. — Me diga o que você está fazendo. — Bombeando o meu pau, com força. Porra, com vontade. — Deus. — É bom demais. Estou pensando na sua boca em volta da cabeça do meu pau, chupando, me levando para dentro.

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Eu salto e explodo, meu orgasmo atravessa meu corpo. — Danny, — eu gemo no telefone. — Estou gozando, Skye. Porra. Ele rosna e eu posso imaginar seu pau explodindo na sua mão. Eu estremeço e deslizo minhas mãos sobre o meu short. — Você ainda está aí? — eu sussurro. — Uhmmmm, — ele diz, sua voz grave e pesada. — Isso foi bom. — Porra, foi. Não tão bom quanto estar com você, mas ouvir a sua voz assim... droga... me mata. — De um jeito bom? — Sim, baby. De um jeito bom. Eu bocejo. — Vá dormir, — ele diz. — É tão difícil sem você. — Eu sei, mas tente. Você tem que ficar bem pelo bebê. — Eu sei, — eu sussurro. — Eu te amo. — Eu te amo também. Descanse um pouco. Eu desligo e me curvo sob os lençóis, caindo no sono em questão de segundos. — Skye! Eu pisco acordada e confusa. — Acorde, abra a porta! Esfrego meus olhos e me viro, olhando para o relógio. São três da manhã. Meu coração aperta em meu peito e eu me apoio nos cotovelos. — Skye! Mãe. Eu levanto da cama e corro até a porta, a abrindo. Seu rosto está totalmente pálido e eu sei que ela estava chorando.

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— Mãe, — eu digo, minha voz fraca. — Querida. — O que está acontecendo? — eu choro, pressionando uma mão no coração. — Os clubes foram emboscados essa noite. Meu sangue fica gelado. — Mãe... — Recebemos uma ligação de Jason, um dos prospectos. Ele disse que foi um desastre. — Mãe, por favor, — eu imploro, meu joelhos tremendo. — Nós não sabemos como eles estão. Ele disse... ele disse... — ela envolve os braços ao redor de si mesma e se curva com os soluços que atravessam o seu corpo. — Mãe, — eu grito. — Ele disse que foi um banho de sangue. Meus joelhos cedem e eu caio no chão com um baque, soluçando. Danny. Deus. Danny. Eu me viro e engatinho pelo chão, a dor em meu ombro gritando para parar, mas o desespero em meu coração não permite. Eu alcanço meu telefone e disco seu número. — Nós já tentamos, — minha mãe diz, se aproximando. Eu disco assim mesmo. Ele toca. E toca. E toca. Ele não atende. — Danny, — eu guincho, ligando de novo. — Querida, vamos lá. Se levante. Nós temos que ser fortes até descobrirmos mais. Eu jogo o telefone longe e com um grito frenético. Minha mãe me ajuda a levantar e me abraça tão apertado que não posso respirar, mas está tudo bem porque eu não quero mesmo. — C-c-c-como nós vamos descobrir? ~ 204 ~


— Todos os feridos foram levados para um hospital em Denver. Nós vamos para lá agora. Com sorte vamos conseguir descobrir quem foi... p-perdido, também. — Se eles estivessem bem, teriam ligado.... ele teriam... — Eles estão com a polícia por perto, muitas coisas acontecendo. Você sabe que quando os clubes entram nesse modo, eles não têm tempo para ligar. Isso para não mencionar que eles sempre deixam os telefones para trás. — Você disse que eles foram emboscados. — Tyke me disse que foi uma armação; eles foram direto para lá, então não estavam com os seus telefones. Está tudo bem, vamos descobrir logo. Você tem que ser forte. Eu assinto, mas a dor em meu peito é tão esmagadora que eu quero cair no chão e gritar. — Então vamos lá, — eu sussurro. — Vamos. As próximas duas horas da minha vida são um borrão. Minha mãe liga para Tyke, mas ele não responde. Estamos tentando desesperadamente falar com os nossos entes queridos, mas ninguém atende. As old ladies dos Knights e dos Jokers estão frenéticas, todas lidando com a situação à sua maneira. Algumas estão exaustas e loucas. Outras estão quietas. Algumas estão chorando. Nós chegamos em Denver às quatro da manhã e vamos direto para o hospital, todas apressadas, desesperadas por respostas, rezando para que os nossos amados estejam bem. Se eles não estiverem... não posso pensar nisso. Não posso. Coloco uma mão na barriga e faço uma oração silenciosa enquanto corremos até a estação das enfermeiras. — Posso ajudar? — a mulher pergunta, olhando para nós. — Nos disseram que nossos maridos foram trazidos para cá. Ela nos estuda. — Os motoqueiros? Minha mãe assente. — Sim, onde eles estão? — Vou precisar de todos os seus nomes e quem é o seu esposo para poder fazer a correlação certa. Muitos deles foram trazidos para cá. — Rápido, — Serenity grita. — Por favor! Nós só precisamos saber como eles estão.

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— Houve oito mortos. Quatro estão em cirurgia, correndo sério risco de morte, e pelo menos dez estão sendo tratados para feridas graves, mas que não requerem cirurgia. Oito mortes. O vômito sobe até a minha garganta. — Quem morreu, por favor? — Ash chora, seu rosto pálido. — Por favor. — Se vocês me derem os nomes dos seus maridos ou... — Quem morreu? — Ciara grita. — Senhoras, eu sei que vocês estão assustadas, mas o regulamento exige que eu as identifique corretamente antes de dar qualquer informação particular. — Foda-se isso, — Jaylah chora. — Foda-se você. — Se você não se acalmar, eu vou ter que chamar a segurança. — Eles são nossos maridos, nossos filhos, nossos amigos, — Pippa diz suavemente. — Por favor, moça, entenda o quanto estamos apavoradas. A enfermeira olha para ela. — Ok, olhem, eu vou descobrir para vocês. Ela se levanta e desaparece. Eu olho distraída para o computador, meu corpo fraco. Oito nomes vão ser lidos, e entre eles é bem provável que esteja alguém que nós amamos. Eu não sei se posso suportar. A enfermeira retorna, um papel nas mãos. — Ok, eu tenho os nomes dos que faleceram, os que estão em cirurgia e os que estão menos feridos. Todas nos levantamos, duras, incapazes de falar. Um por um, ela lê os nomes dos que morreram. — Jason Wren. Um dos mais antigos homens do meu pai. — Kyan Toomey. Santana balança a cabeça com um soluço. — Lyle Water.

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Mais um do nosso clube. Minha mãe chora. — Peter Wright. Pippa geme dolorosamente. — Jake Stone. Pippa faz outro som. — Joshua Frank. Josh é um prospecto em nosso clube. Meu coração dói. Ele tem uma namorada. E apenas vinte e dois anos. — Timothy Lake. Ash cobre o rosto. — E Jeremy West. Três são do nosso clube. Cinco são do deles. Nenhum deles são os nossos amados. Isso traz um pequeno conforto, mas há quatro pessoas em cirurgia, entre a vida e a morte. — E-e-e-e o que estão em cirurgia? — Ash pergunta. — Sim, nós temos um Keenan Willis, que foi baleado no peito, — ela olha para nós. Pipa chora. Outro do clube delas. — Um homem sem identidade, que foi identificado como Spike por outro membro do clube. Nós ainda estamos esperando o seu nome completo e... Ciara grita. — O que há de er-er-errado com ele? — minha mãe pergunta, puxando Ciara em seus braços. — Ferida de faca nas costas. Eu não tenho os detalhes. — Ele vai ficar bem? — Ciara implora. — Nesse momento eu estou esperando uma atualização, mas ele foi classificado como em estado crítico quando chegou aqui. As pernas de Ciara cedem e ela e minha mãe caem no chão. Lágrimas escorrem pelo meu rosto. — Também temos um homem chamado Tyke, que levou um tiro no estômago e tem uma hemorragia severa no intestino, — a enfermeira diz, e o rosto de Pippa fica pálido. ~ 207 ~


— Tyke, — ela respira. — Não. Santana a segura, a puxando contra o seu peito. — Continue, — Ash pede. — E nós temos um Cade... Minha mãe grita, a interrompendo. — Não, — ela berra. — Não. — Ele também levou um tiro no peito. Estou esperando atualizações. Minhas pernas tremem. Pai. Não. — Há mais gente chegando. Por enquanto esses são os nomes que temos, mas mais estão indo para a cirurgia, alguns em melhor estado que outros. — Podemos vê-los? — Jaylah pergunta. — Os que estão bem, nós podemos vê-los? A mulher assente. Eu só fico aqui parada, dormente. Pai. O choro da minha mãe se torna histérico, e ela e Ciara vão para fora junto de Pippa e Santana. Ash se aproxima e passa um braço pelo meu ombro. — Vamos lá, querida, eu estou com você. Vamos ver os outros. — Pai, — eu coaxo. — Eu sei, querida. Vamos lá. Nós andamos pelos corredores com passos pesados, seguindo a enfermeira que nos leva através de várias portas, sobe um andar e então chega a uma sala explodindo de gente. Alarmes soam, enfermeiras correm ao redor e os médicos latem ordens. Eu vejo jaquetas de couro por todos os lados, cobrindo homens que estão andando, sentados, gritando. Meus olhos correm por eles, desesperados. Danny. Por favor. Ash dá um gemido de dor e começa a correr na direção de Krypt, que aparece na multidão. Jaylah faz o mesmo quando vê Mack. Meus

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olhos estudam, procuram, desesperados. Meu avô está sentado na borda de uma cadeira, sua cabeça nas mãos. Eu corro até ele. — Vovô? — eu sussurro. Ele salta e levanta a cabeça. — Skye, baby... — Por favor, me diga que ele está bem, — eu imploro. Ele olha do outro lado do quanto e eu o vejo. Danny está parado contra uma parede, coberto de sangue, a cabeça baixa, os olhos no chão. Seus punhos estão fechados e ele parece completamente quebrado, mas está vivo. Ele está vivo. Eu começo a correr, empurrando as pessoas. Danny levanta o olhar e se afasta da parede, mas há muita dor marcando o seu rosto. Eu me jogo em seus braços quando o alcanço. Eles solta um assobio de dor, mas me puxa com força, com tanta vontade que eu não consigo levar ar para os meus pulmões. — Você está bem, — eu sussurro contra ele. — Sim. — Meu pai, — eu coaxo. — Sim, baby. — Spike... — Sim, — ele diz, sua voz trêmula. Suas pernas cedem e nós dois deslizamos para o chão. Assim nós ficamos, enrolados um no outro, até que ouvimos as novidades.

***

Minhas pernas estão dormentes. Meu corpo está dolorido. Danny não se moveu. Não até que um médico apareceu na sala de espera, seus olhos estudando o espalho. — Vocês são a família das vítimas que estão em cirurgia? Minha mãe se levanta, apressada, seguida de perto por Ciara e Pippa. — Sim! ~ 209 ~


— Bem, eu tenho boas novidades. Os quatro saíram da cirurgia, e embora seus quadros ainda sejam críticos, espero que eles se recuperem totalmente. Vou levar um médico para falar especificamente com cada família; eu só imaginei que vocês iriam gostar de saber disso. Lágrimas explodem nos meus olhos doloridos e secos, e os braços de Danny me apertam. — Graças a Deus, — ele murmura. — Porra, graças a Deus. O médico leva todas as mulheres e eu me levanto, todo meu corpo doendo. Eu olho para Danny, ainda no chão, ainda coberto de sangue. — Você não está mesmo ferido? Ele balança a cabeça. — Não. Então esse é o sangue de outras pessoas. Deus. Pobre Danny. — Você precisa de um banho. Vamos lá, não há muito que podemos fazer por aqui. — Só me deixe falar com a minha mãe, sim? Eu assinto. Nós vamos para a segunda sala de espera, e quando nossas mães saem, nós corremos até elas. Danny pega Ciara em seus braços, seu grande corpo cobrindo o dela. Ela se agarra a ele, soluçando. Eu caio nos braços da minha mãe, e nós fazemos o mesmo. — Ele vai ficar bem? Minha mãe assente. — sangramento. Ele vai ficar bem.

Eles tiraram a bala, pararam o

O corpo dela treme. — Mãe, — eu sussurro. — Está tudo bem. Soluços rasgam a sua garganta e Danny move Ciara na nossa direção, puxando minha mãe com o seu outro braço. Ele as segura como se fosse a sua rocha, como se fosse a única coisa as mantendo de pé. Verdade seja dita, ele provavelmente é. Ele fica ali de pé, sem dúvida exausto e cansado, as segurando até que as lágrimas parem, e então se afasta, mantendo as suas mãos nas dele. — Eles estão descansando. Não há muito que vocês podem fazer. Mercedes me disse que Taj falou está tudo bem se quisermos ir tomar um banho lá, então vamos fazer isso.

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— Vamos lá, — eu digo suavemente, pegando a mão da minha mãe. — Nós vamos tomar banho e voltamos, ok? Ela acena em silêncio. Eu posso sentir a exaustão rolando para fora do seu corpo. Danny e eu vamos para o carro e ele decide dirigir. Ninguém diz nada enquanto fazemos o caminho até o apartamento de Mercedes. Quando chegamos, Taj está saindo. Ele dá um olhar para Danny e arregala os olhos, mas ele é muito hospitaleiro. — Eu vou passar a noite fora, mas aqui estão as chaves. Sinta-se livres para usar o banheiro, dormir, comer, fazer o que precisarem. Eu sorrio para ele. — Obrigada, Taj. Ele me dá um apertão no ombro. — Sem problemas. Ele desaparece e nós entramos no apartamento. — Danny, — Ciara diz suavemente. — Você toma banho primeiro, querido. Vou encontrar algo para vestir. Ele assente e desaparece no corredor, seu rosto quebrado. Eu tenho que ir com ele. Olho para minha mãe e Ciara e as duas acenam. Eu corro pelo corredor atrás de Danny. Quando alcanço o banheiro, ele já está nu, entrando no chuveiro. Eu tiro minhas roupas silenciosamente, então deslizo para dentro com ele. Sua testa está pressionada contra a parede, seu grande corpo tremendo. Oh, Danny. Eu paro atrás dele, enrolando meus braços ao seu redor e pressionando a bochecha nas suas costas. Seu tremor fica mais intenso, mas ele não faz um único som. Eu apenas o seguro o mais apertado possível. Eu o deixo saber que estou aqui. Que tudo vai ficar bem. Dez minutos depois, eu o solto e pego um sabonete, uma esponja e gentilmente esfrego suas costas. Faço isso até limpar cada parte dele, então o viro ao redor. Seus olhos estão fechados, mas seu rosto vermelho confirma o que eu já sei. Eu não digo nada. Apenas esfrego a esponja no seu peito, nos seus braços, estômago, pelas suas partes íntimas e pernas. Eu lavo cada traço de sangue do seu corpo bonito. Encho minha palma com xampu e levo até ~ 211 ~


o seu cabelo, lavando as mechas loiras grossas até que toda a parte ruim se foi. Então eu cubro seu rosto. — Ei, — eu digo suavemente. — Olhe para mim. Ele abre os olhos e a dor ali me mata. Ela me mata, porra. — Eu estou com você, — eu sussurro. — Você me entende? Ele assente. — Tudo vai ficar bem. — Foi... — sua voz some, ele toma uma respiração para se controlar. — Foi um banho de sangue, Skye. Eu nunca vi nada assim na minha vida. Eu enrolo os braços ao seu redor e deixo que ele saiba que estou ouvindo. Leva alguns minutos, mas ele continua falando. — Nós conseguimos algumas informações, descobrimos onde eles iam estar. Decidimos ir à noite, preparar uma armadilha, acabar com isso de uma vez por todas. Quando chegamos lá, percebemos na hora que era uma emboscada. Eles armaram tudo, com pessoas nos dando informações falsas para irmos até lá. A única coisa que eles não anteciparam é que iam os dois clubes com todos os seus membros. — Eu achei que eles soubessem que vocês estavam trabalhando juntos? — Eles sabiam, mas nós nos certificamos de viajar separados. Rotas completamente diferentes. Como foi previsto, eles só tinham homens cuidando uma das rotas, e não viram os Jokers chegando. Nós ficamos em locais diferentes, só nos comunicamos por telefone. Fizemos parecer que os Jokers ficaram no complexo por proteção. Funcionou. Foi a única coisa que impediu que todos nós fossemos mortos. Eu estremeço. — Tudo acabou tão rápido quanto começou, mas porra, foi como uma zona de guerra. Então havia policiais por todo o lugar e a merda... porra, Skye. — Eu sei. — Algumas pessoas foram presas depois disso. Eu me afasto. — O quê? ~ 212 ~


— É difícil para eles tocar no clube, sem dúvida, mas eles vão tentar levar alguns para trás das grades. — Danny... — Eu não, baby, mas nós precisamos estar preparados para que alguns dos membros mais importantes sejam levados. — Não, — eu choro. — Ei, — ele diz, passando um polegar na minha bochecha. — Não se preocupe com isso agora. Eu assinto, mas o medo se agarra ao meu coração. Não podemos perder mais ninguém. Não podemos. — E agora... acabou? Ele assente. — Não há mais nenhum deles vivo, Skye, e isso é tudo que você precisa saber. Nós tínhamos três vezes mais homens, e isso foi o que nos salvou. Nós pegamos todas as armas grandes, seus operários e o resto. Eu duvido que vamos ter problemas; tudo que eles criaram caiu essa noite. Engulo em seco. Eu não quero saber mais, e ele não me diria mesmo que eu quisesse. — Você precisa descansar, — eu digo. — Venha. Ele me deixa tirá-lo do chuveiro e eu o seco com uma toalha. Vou até o quarto de Mercedes e acho uma camiseta de Diesel. Danny é maior que Diesel, mas serve. Acho uma cueca e dou isso a ele também, apesar do seu desgosto. — Está limpa, — eu asseguro a ele. — Ainda assim. Eu sorrio, volto ao banho e pego suas roupas ensanguentadas. As levo direto para a máquina de lavar e coloco no modo de lavagem longa e água quente. Minha mãe e Ciara estão sentadas no sofá, cada uma com uma xícara de chá nas mãos, falando baixinho. Quando eu entro, elas olham para mim. — Ele está bem? — Ciara pergunta. Eu assinto. — Acho que ele vai ficar, ele só precisa descansar.

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Ela acena. — Nós vamos tomar um banho e fazer o mesmo. Vamos avisar se o hospital ligar. Eu sorrio fracamente e as abraço antes de voltar para o quarto de Mercedes. Quando chego lá, Danny já está dormindo, deitado sobre as cobertas, suas mãos atrás da cabeça. Eu apago a luz e deito ao lado dele, me curvando contra o seu corpo, e dentro de minutos estou dormindo também. Mas não antes de agradecer a Deus por ouvir as minhas preces.

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Capítulo vinte e sete — Me dê a minha maldita jaqueta, mulher! — Spike grita dentro do quarto do hospital, se dirigindo a Ciara. — Você não vai usar aquilo aqui. Você precisa usar o que as enfermeiras disseram. — O que eu estou usando é um maldito vestido! — ele late. Eu rio. — Não é engraçado, garota, — ele atira para mim. — Na verdade é bem engraçado e fofo. Spike atira um olhar para o meu pai. — A sua filha não acabou de me chamar de fofo. Meu pai sorri. — Ela chamou, e ela está certa. — Vá se foder, Cade. Eu estou em uma cadeira de rodas, mas você ainda está preso na cama. Eu vou te derrubar, porra. Minha mãe dá um olhar de advertência para Spike. — Se você tocar nele, Spike, eu vou abrir um buraco em você que nem essa linda camisola de hospital vai poder esconder. Ele lhe mostra o dedo do meio. Ela sorri para ele. Eu reviro os olhos e vou até o lado do meu pai. Faz uma semana que tudo aconteceu, e meu pai vai para casa em algum momento nos próximos dois dias. Ele ainda está com um pouco de dor e disseram que ele precisa de muito descanso, o que o deixou muito infeliz. Minha mãe, no entanto, adorou. Isso não é uma surpresa: ela provavelmente acha que é muito hilário ter a vantagem por uma vez. Spike está indo para casa hoje, mas ele também tem restrições. Tyke foi para casa ontem, assim como todos os caras dos Jokers. — Vamos lá, — Danny diz. — Vamos deixar essas senhoras adoráveis descansarem.

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— Cuidado, garoto. Eu logo vou estar em forma de novo, — Spike o adverte. — Estou ouvindo, coroa, — Danny sorri. — Onde vocês dois vão, afinal? — Vou levar toda a minha merda para o apartamento de Skye. Todos arregalam os olhos. — Espere, desde quando vocês estão morando juntos? — meu pai exige. Eu seguro a mão de Danny. — Até mais, pessoal. — Skye! — minha mãe chama. — Ah não, você não vai embora. Danny corre comigo até a porta. — Danny, seu merdinha! — Spike berra. Danny e eu nos atiramos no corredor, rindo sem parar. — Porra, isso valeu cada segundo. Eu rio. — Droga, sim. — Você está pronta para ir fazer compras para o bebê? Eu pego a sua mão. — Você está muito mais animado com isso do que eu. — Mas é claro; o meu filho precisa do melhor. Eu bato no seu braço. — É uma menina, e sim, ela precisa. — Baby, é um garoto. Minhas bolas produzem somente os mais fodões. Eu bufo. — Bem, considerando que a maior parte das vezes as meninas são mais fodonas que os meninos, eu diria que você está errado sobre isso. — Vá sonhando. — Que seja, ele ou ela definitivamente vai ser tão bonito quanto eu. Ele revira os olhos. — Se você diz, baby.

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— Vamos lá, fodão. Vamos achar e montar um berço juntos. — Desde que a gente possa transar depois disso, estou totalmente de acordo. Eu pego a sua mão e o puxo pelo corredor, sorrindo o tempo todo. Acho que isso está finalmente se tornando uma vida segura e feliz. E eu não poderia estar mais preparada.

***

QUATRO MESES DEPOIS — Oh, meu Deus, Danny, — eu grito do meu lugar no sofá. — Sério, esse é o melhor sorvete de todos. Danny aparece na porta. — Considerando que esse é o oitavo pote que você come essa semana, não acho que você está pronta para dividir. Faço uma careta para ele. — Não é o oitavo pote. Ele levanta as sobrancelhas. Eu coloco uma mão na barriga. — Que seja. O bebê quer. — Não estou reclamando, baby. Todo esse sorvete está deixando a sua bunda linda e redonda. Eu gosto disso. Eu engasgo. Rapidamente me levanto e olho para o meu traseiro. — Ela não está redonda! — Está redonda. — Não está, — eu me atiro de volta no sofá, escondendo minha bunda. — Baby, está sim. Ele se vira e sai. — Volte aqui, senhor. — Por que você não se levanta e vem atrás de mim? — ele ri da cozinha.

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— Você é um homem horrível, Danny. A sua mãe estaria envergonhada. — Minha mãe me ensinou a ser horrível. Eu rio. — Você tem um ponto válido. — Tenho que ir trabalhar. Não me ligue para pedir panquecas de chocolate de novo hoje. Essa merda não vai acontecer. — Eu só liguei uma vez, — eu digo. — Cinco vezes, e eu tive que sair por aí procurando para achar o que você precisava. Não foi legal. — Você poderia apenas ter feito para mim, — eu digo, acenando com a colher para ele quando ele volta para a sala. — Ou você poderia ter feito para si mesma; você não é uma aleijada. — O gosto é melhor quando outra pessoa faz. — Não me ligue, baby, — ele me avisa brincando. — Mesmo se for para uma rapidinha? Seus olhos correm para o meu traseiro. — Por essa bunda eu viria para casa. — Animal. — Você começou. Ligue para Addi se você precisar de algo, ou para a minha mãe. Elas estarão mais do que felizes em alimentar você com reservas infinitas de açúcar e essas merdas. — A sua filha é quem está exigindo comer isso. — Meu filho não está não; é apenas você. Eu sorrio para ele. Ele pisca para mim. — Até mais, baby. — Até mais, Danny. Ele some pela porta e eu não paro de sorrir. Ele parece tão feliz, tão tranquilo. Meu avô decidiu que queria o clube longe de quaisquer negócios ilegais ou perigosos; todos concordaram que já bastava. Eles optaram por não se envolver mais – era muito arriscado. Eles apenas

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estão deixando o clube seguir seu caminho natural e então, eventualmente, acabar. O que significa que ninguém vai assumir como presidente. Meu avô decidiu comprar uma oficina mecânica e começar seu próprio negócio. Ele também faz pinturas customizadas e constrói automóveis. Ele emprega a maior parte dos membros do clube, incluindo Danny. Os negócios estão indo bem, e nos últimos meses não houve mais violência, perigo ou mortes. Eles ainda comandam o clube – apenas se mantêm longe dos problemas. Eles fazem viagens, têm reuniões, churrascos e festas, e lidam com negócios que não vão acabar com alguém sendo ferido. Todas as old ladies estão mais do que aliviadas. Danny ganha um bom dinheiro e ele ama trabalhar com as mãos. Ele ainda tem um grande papel na vida do clube, o que o faz feliz, mas não há ninguém capaz de convencê-lo a assumir o clube depois do último incidente. Ninguém argumentou isso com ele. A vida está finalmente boa de novo. Eu estou com seis meses de gravidez e mais do que pronta para explodir. Danny é tudo que eu sabia que seria. Ele é forte, leal, carinhoso e sexy. Ele cuida de mim e do bebê. Ele até pintou e decorou o quarto da criança. Para não mencionar que ele comprou o apartamento, então não precisamos mais pagar aluguel, e ele reformou os banheiros, a cozinha e o chão. Bem, com uma ajuda com clube. Ele está feliz. Eu estou feliz. Tudo está como deveria ser e é maravilhoso. Agora só temos que passar pelo nascimento do nosso primeiro filho. Essa merda pode ficar feia.

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Capítulo vinte e oito DOIS MESES E POUCO DEPOIS — Ela precisa de água! — minha mãe chora, correndo pelo meu apartamento. — Hidratação é a chave. — Ela não precisa de porra de água nenhuma, Addison, — Spike late. — Ela precisa de remédios. — Ela vai fazer isso sem remédios, — Ciara diz. — Não se atreva. — Foda-se isso, — meu pai murmura. — Eu já vi isso antes; dê os remédios para ela. — Que tal todos vocês calarem a boca, — Danny rosna, — e me deixarem levar ela para o carro, assim podemos ter esse bebê? Eu agarro seu braço, choramingando de dor. Minha bolsa estourou duas horas atrás, e desde então as contrações ficaram mais fortes e rápidas, o que me faz mancar a cada passo. — Onde está a bolsa do hospital? — minha mãe grita. — Ela não pode ir sem isso. — Jesus, mulher, — meu pai grita. — Apenas vá andando. — Oh, Deus, — eu gemo, meus joelhos enfraquecendo. — Está doendo. — Isso dói, querida. Vamos lá, estamos quase na porta da frente. Dor como eu nunca senti antes se agarra ao meu ventre e a vontade de empurrar é tão intensa que eu paro, agarrando o braço de Danny e gritando em agonia, me dobrando, todo meu corpo palpitando. — Isso não parece normal, — Spike diz, sua voz apertada. — Oh, Deus, — eu grito. — Eu acho que está vindo. — Como? — meu pai grita. — Porra. Alguém chame uma ambulância.

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Eu grito de novo. É como se grandes mãos estivessem enroladas em volta do meu ventre, apertando com toda vontade. Uma dor forte e apertada corre pelo meu abdômen e a palpitação entre as minhas pernas é muito intensa. Eu não posso caminhar. — Eu não posso caminhar, — eu grito. — Danny, acho que o bebê está chegando. — Jesus Cristo, — ele grita. — Que porra nós vamos fazer? — Oh, Deus, — minha mãe diz, sua voz em pânico. — Oh, Deus. — Jesus, — Ciara murmura, empurrando os outros do caminho. — Addison, pegue toalhas, muitas delas. Cade, Spike, consigam um pouco de água quente e bacias, e chamem uma ambulância. Danny, coloque ela deitada. Eu grito quando outra contração esmagadora me atinge. — Eu preciso empurrar! — eu grito. — Preciso empurrar. — Porra. Não posso ver isso, — meu pai diz. — Não com a minha filha. Não com a minha garotinha. — Então saia, — Spike diz. — Eu vou ver. — Não vai não! — minha mãe chora. — Vocês dois podem sair. Deem a ela um pouco de espaço. Os dois homens se movem para o canto oposto ao qual estou prestes a abrir as pernas, e Ciara coloca uma toalha sobre mim quando Danny se abaixa no chão. Meu corpo se curva para a frente e outra contração agonizante vem. Não posso parar de empurrar; esse bebê está vindo, eu queira ou não. — Eu acho, — eu grito. — Oh, Deus. O bebê está vindo. — Tire os shorts dela, Danny, vamos, — minha mãe berra. — Rápido. Danny tira meus shorts e xinga em voz alta. — Eu posso ver a cabeça, porra. Alguém chamou uma ambulância? — Está a caminho, — Spike grita do canto. — Esse bebê vai estar aqui antes deles, — Ciara diz. — Danny, tenha uma toalha em mãos e se prepare. Você está prestes a ter o seu bebê nos braços. — Oh, Deus, — eu vocifero. — Oh... oh, Deus! ~ 221 ~


Outro empurrão vem e eu jogo meu corpo para frente, apertando os dentes e gritando enquanto meu corpo tenta expulsar o bebê, arfando e me agarrando. — Certo, querida, — Ciara diz, parando ao lado de um Danny frenético. — Outro empurrão e acabou. Posso ver a cabeça do bebê. Você está pronto, Danny? — Não, porra, não, — ele diz, sua voz agitada. — Não derrube o bebê! Esse é o meu neto! — Spike grita. — Spike! — minha mãe grita. — Cale a maldita boca. Minha mãe senta ao meu lado, segurando a minha mão. — Isso dói, — eu berro. — Tire, tire. — Mais um empurrão, querida. Dê tudo que você tem, — Ciara pede. Mais uma contração vem e eu puxo uma respiração antes de empurrar com toda a minha força. Dor rasga o meu corpo e então, simples assim, ela se foi. Danny se move, suas mãos vão para entre as minhas pernas, e então o espaço é preenchido com o choro crepitante de um recém-nascido. — É um menino! — Ciara soluça. — É um lindo menino. — Ah, porra, — Danny diz, sua voz presa com a emoção. — Ele é perfeito. — Você precisa checar a boca dele, ter certeza de que não há nada preso ali. Eles mexem nele por alguns segundos, e então Danny se levanta do chão com um bebê minúsculo enrolado em uma toalha. Ele vem para o meu lado e coloca o bebê nos meus braços. Ele tem muito cabelo, bem escuro. Eu olho para o mais precioso rostinho, para as bochechas gordinhas e os lábios rosados. Eu soluço e lágrimas escorrem pelo meu rosto. — Oh, Deus, — minha mãe soluça. — Deus, ele é lindo. — Ele é a minha cara, — meu pai diz, sua voz grossa quando ele se ajoelha ao nosso lado. Spike bufa, mas é cheio de emoção. — Ele pode ter o seu cabelo, Cade, mas o garoto é igual a mim. Olhe para essas mãos fortes.

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Eu rio entre as lágrimas. Posso ver Danny no seu rostinho, mesmo ele sendo ainda tão jovem. — Você acabou de ganhar um bebê, — Ciara diz, pegando a mão de Danny. — Parabéns, querido. — Oi, — eu sussurro para o bebezinho. — Oi, bebê lindo. — Eu vou perder a cabeça, — minha mãe soluça. — E vai ser realmente agora. Eu sorrio para ela. — Você quer segurar ele? — Oh, Deus, — ela geme, gentilmente pegando o bebê dos meus braços. Ela tem que ficar perto porque ainda não cortamos o cordão e ele está todo amarrado, mas a alegria em seu rosto vale tudo. — Olá, menino lindo. A sua vovó vai te mimar tanto. — Eu sou a vovó, — Ciara argumenta, parando ao lado da minha mãe e pegando os dedos do meu filho. — Você pode ser a avó. — Avó me faz parecer velha, — minha mãe protesta. — Você é velha, — Ciara responde. — Ah, pelo amor de Deus, — meu pai murmura. — Começou. — Eu sei, — Spike diz. — Vocês duas podem ser a vovó, quem se importa com essa merda? — Não fale palavrão na frente do meu neto, — minha mãe bufa para ele. Danny pega a minha mão e eu olho para ele. A emoção em seus olhos é a melhor coisa que já vi na minha vida. — Nós temos um filho, — eu digo suavemente. — Sim, baby, nós temos um filho. E ele é perfeito. Assim como nós. Assim como tudo. Finalmente.

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Epílogo SEIS SEMANAS DEPOIS — Eu disse que ele era igual a mim, — Spike diz, ninando Carter, nosso filho, nos braços. — Olhe esses olhos. — Os olhos dele têm uma cor padrão, Spike, — minha mãe diz. — Muitas pessoas têm olhos castanhos. — Você não tem, nem Cade, nem Skye e nem Danny. Não, os olhos castanhos vêm de mim. Eu sorrio e balanço a cabeça, me inclinando contra Danny. — Mas o cabelo é meu, — meu pai adiciona. — Eu tenho os olhos, — Spike diz para ele. — Você pode ficar com o maldito cabelo. Eu reviro os olhos e observo Spike segurar meu filho em seus braços grandes, lhe dando um olhar de orgulho e amor. O último mês foi intenso. Eles agem como um bando de crianças no jardim de infância ao redor de Carter, mas eu não gostaria que fosse diferente. Ele é tão amado que eu sei que ele nunca estará sozinho, nem por um segundo em sua vida. Isso aquece o meu coração. Carter se contorce nos braços de Spike, então abre a sua pequena boquinha e chora. — Hora da comida, — eu digo, me levantando para pegar o meu lindo garotinho dos braços de Spike. — O garoto é esperto. Ele reconhece as coisas boas quando mostram para ele. — Se você está se referindo aos peitos de Skye, pai... não, — Danny o repreende. Spike pisca para ele. ~ 224 ~


Eu rio e vou até a sala de estar para alimentar meu filho com privacidade. Danny chega alguns minutos depois e senta ao meu lado, passando a mão grande no cabelo macio de Carter. — Não importa o quanto eu toque no cabelo dele, é a melhor coisa que eu já senti. — Para mim é o cheiro; não há nada como isso. — Você gosta de cheiro de vômito de bebê, querida? — ele sorri. Eu uso a mão livre para bater nele. Nós dois olhamos Carter comer, o amor inchando no meu peito e, com certeza, no deles também. — Nunca pensei que eu estava pronto para ser pai tão cedo, mas com ele aqui, porra... não sei porque esperei tanto. — Bem, porque a sua garota é uma pessoa confusa que fez você correr atrás dela por muitos anos. Ele sorri. — Não vou discutir com isso, mas você tinha um ponto importante o tempo todo. — Você se arrepende de não ter se tornado presidente do clube? — eu pergunto, acariciando a bochecha macia de Carter enquanto ele come. — Nem por um segundo. Ver você ferida foi o bastante, mas no segundo que ele homenzinho chegou ao mundo, eu sabia que nunca suportaria que algo acontecesse a ele. O clube fez a escolha certa; ele pode durar mais vinte anos com Jacks no comando, mas ele nunca será o que era, e todos estão bem em deixar que ele siga seu curso e acabe quando Jackson se for. — Ugh, não diga isso. — É o clube dele, o orgulho dele e deveria acabar com ele. — Concordo com você nisso. Termino de alimentar Carter e o entrego a Danny, que gentilmente esfrega suas costas. — Onde está o meu sobrinho? Onde está ele? Mercedes entra na sala, Diesel a seguindo logo atrás. Ela vê Carter e faz um zumbido de felicidade com a garganta, correndo com as

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mãos estendidas. Danny balança a cabeça, murmurando um xingamento, mas o entrega. Mercedes pressiona o rosto no seu cabelo e inala. — Eu disse a você que ele tem um cheiro bom, — eu digo para Danny. — Oi, bebê, — ela cantarola. — Olá, menino lindo. — Alguém está empolgada para ter filhos, — eu digo para Diesel, e seus olhos se arregalam. Danny ri alto. — Cale a boca, — Mercedes diz para ele. — Cara de cu. — Não fale palavrão na frente do meu bebê, mana. Ela mostra o dedo do meio para ele. — Palavrão silencioso. Eu rio e me levanto, caminhando até ela. — Sua vez vai chegar logo. — Ou não, — Diesel diz, sua voz grossa e um pouco alarmada. — Eu vou fazer os bebês mais fofos. Você pode imaginar? — ela sorri, provocando Diesel. — Ah, você vai, — eu rio. — Então, nós decidimos que vocês vão ir no churrasco de hoje à noite porque não foram no último. Vai ter gente demais para cuidar desse lindo homenzinho, então está na hora de você e Danny terem um tempo de folga. Isso seria incrível. — Ok, — eu concordo feliz. — Não estou reclamando. — Oh, yay, agora eu vou ter todo esse tempo extra para passar com você, — ela diz para Carter. — Tia Mercy sortuda. Danny revira os olhos. Diesel sorri. Eu apenas sorrio feliz, observando minha família toda reunida.

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— Trégua, seu babaca! — Ava grita, acertando Danny no estômago quando ele a segura em um aperto firme. — Foda-se a trégua. Torturar você é muito mais divertido. — Você está agindo como criança; era para você agir como um pai agora. Ele a segura mais apertado. — Danny, seu porco! Eu rio e me viro para Max, que os observa com um sorriso no rosto. — Como estão as coisas, Max? Ele olha para mim. — Boas pra caralho. E com você? — Essa foi uma resposta bem animada. Há algo que eu deveria saber? Ele está sorrindo como... ah cara, o homem está apaixonado. — Max, fale agora e me conte de onde vem esse sorriso bobo. Espere, melhor dizendo: quem o colocou no seu rosto. — Apenas uma garota. — Esse não é o tipo de sorriso ―apenas uma garota‖; é o tipo que apenas ―a garota‖ traz. Cuspa. — Não é nada demais, Skye. Eu me aproximo e nós ficamos cara a cara. — Eu expeli um bebê pela vagina faz um mês. Eu estive coberta de vômito, cocô e lágrimas. Eu não tenho nada de fofoca para me distrair. Você vai ter que me dizer quem está fazendo você sorrir assim ou eu vou te derrubar. Ele ri. — Eu estou passando um tempo com Kaylee. — Kaylee, a filha de Pippa e Tyke? — eu engasgo. Ele dá de ombros. — Oh meu Deus, Max! — Sim, eu sei, mas depois que Mercedes e Diesel deram um jeito nisso, não acho que seja nada demais.

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— Eu não me importo com os clubes; só quero os detalhes. Ela é tão quieta, tão doce. Eu não achei... — Ela é o tipo de garota que eu quero. Meus olhos aumentam. — Você quer uma garota quieta e doce? Ele sorri. — Oh, Max, Tyke provavelmente vai te matar. Eu vi como ele olha para a sua garotinha. — Ela vale o risco. — Ohhh, — eu digo, jogando um braço sobre os seus ombros. — Meu Maxy está apaixonado. — Diga isso de novo e eu vou te derrubar. Eu rio alto. — Do que vocês dois estão rindo? — Mercy pergunta, parando ao nosso lado. — Max está sendo fofo, — eu sorrio. — Oh, ele me contou sobre Kaylee. — Espere, você sabia e não me contou? Ela levanta as mãos no ar. — Não me machuque! Eu jurei guardar segredo. Max balança a cabeça. — O que está acontecendo? — Ava aparece, se jogando no colo de Max. — O que o Max fez? — Nada, eu não fiz nada, — ele ri, empurrando ela para fora. — Nada pior do que você, — Danny diz, sentando ao meu lado. Ava joga uma latinha de refrigerante vazia nele. — Não me faça te machucar, Danny. — Nós acabamos de provar que você não tem força para me machucar, Formiguinha. Ela atira um olhar para ele. — Se eu tiver que trazer Des e Truição, você vai se arrepender.

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— Des e Truição? — eu pergunto rindo. — Des, — ela bate no braço esquerdo, — e Truição, — ela bate no direito. — Juntos, eles DesTroem. Entenderam? — Oh meu Deus, cale a boca, — Mercedes diz se dobrando de rir. Eu balanço a cabeça, ainda histérica das risadas, e olho para Danny. — Venha comigo. — Ohhh, vocês dois vão ir curtir, — Ava canta. — Ava, — Danny avisa. — Eu vou aí calar a sua boca se você falar mais uma vez. Ela atira um beijo para ele. Eu o levo para a casa, mas não antes de encontrar o meu filho, que está dormindo feliz nos braços de Serenity. Eu aviso que vou estar lá dentro e desapareço com Danny no seu antigo quarto. Quando entramos, eu tranco a porta. — O que está acontecendo? — ele pergunta, a voz áspera. — Ah, você sabe o que está acontecendo, — eu murmuro. — Já se passaram as seis semanas. Cansei de esperar. — Porra. — Sim, porra, — eu digo, me aproximando, agarrando a sua camiseta e então a puxando pela cabeça. Nós trabalhamos rápido com as roupas, como dois adolescentes desesperados. Quando estamos nus, ele pega o meu corpo e me gira ao redor, me batendo contra a parede. — Oh, — eu ofego. — Ele quer isso duro. Seus olhos brilham e ele se abaixa, capturando a minha boca com a sua. Ele me beija com uma fome que eu sinto desde os meus dedos dos pés. Eu puxo o seu cabelo, enrolando as mechas na minha mão. Ele rosna e levanta a minha perna, me trazendo ao redor dos seus quadris. — Isso vai ser duro, rápido e áspero, — ele murmura. — Mas não se preocupe, depois vamos fazer isso suave, calmo e devagar. Eu estremeço. — O que você está esperando? — eu respiro. — Me fode, baby.

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— Porra, — ele rosna. — Você é tão gostosa, caralho. Ele posiciona o pau na minha entrada, então entra em casa. Eu gemo de prazer e alívio quando ele me enche, me esticando, trazendo a queimação deliciosa para o meu núcleo. Mantenho as mãos no seu cabelo e empurro sua cabeça até os meus seios. Ele pega um mamilo entre os lábios e chupa com força enquanto continua a mexer os quadris, me fodendo com vontade. — Danny, — eu grito, inclinando os quadris para ele, querendo que ele vá mais fundo do que já está indo. — Porra, eu não posso aguentar. Você é gostosa demais, — ele raspa contra o meu seio. — Oh, Deus, — eu grito. — Estou gozando, estou... Uma explosão de prazer se rompe dentro de mim e eu estremeço ao seu redor. Ele acha sua liberação no exato tempo da minha e berra meu nome quando explode dentro de mim. Nós dois estamos ofegando e tremendo no tempo em que baixamos a adrenalina. Ele pressiona a testa na minha e exala lentamente. — Maldita espera. Eu preciso te levar para casa e te alimentar com o meu pau até que a gente não consiga mais andar. — Eu não estou com fome, mas obrigada, — eu sorrio com malícia. — Porra, — ele ri. — Você sempre tem um comentário espertinho, mesmo depois de eu te comer assim. — Eu sempre vou ser espertinha com você, querido. Ele desliza de mim e solta minha perna antes de cobrir o meu rosto com as mãos. — Eu vou ser feliz se você for espertinha comigo por todos os dias, pelo resto da vida. — Tenha cuidado com o que você deseja. — Por quê? — ele disse, pressionando um beijo nos meus lábios. — Quando tudo que eu desejei até agora saiu tão perfeito? — Meu Deus, — eu sorrio contra a sua boca. — Eu sou realmente maravilhosa, não é? — Aí está a espertinha de novo. Eu me afasto e sorrio para ele. — Eu te amo, Danny. ~ 230 ~


— Eu te amo também, baby, mesmo que você seja um pé no meu saco. — Eu vou ser o pé no seu saco pelo resto da vida. — Estou totalmente de acordo com isso, assim eu posso acordar e ver o seu rosto todas as manhãs. Meu coração explode. — Ah é? — É sim. — Até mesmo quando eu for velha? — Especialmente quando você for velha. Meu coração explode com amor e alegria, mas principalmente com felicidade. Porque nesse exato momento a minha vida inteira se torna completa. Simplesmente assim.

Fim

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Bella jewel 03 manacle pg  
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