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Bella Jewel #2 Drifter Série MC Sinners Next Generation

Drifter Copyright © 2016 Bella Jewel ~2~


SINOPSE Dizem que os opostos se atraem. No meu mundo, isso não é algo bom. Eu fiz tudo que podia para escapar das garras do clube em que fui criada assim que fiz vinte e um anos. Não se tratava de medo ou traição, ou até mesmo falta de amor. Eu só precisava da minha própria vida. Eu tinha que saber como era me virar sozinha sem toda aquela proteção. Então eu encontrei Diesel. Misterioso, escuro, com olhos que gritavam para ser compreendido. No segundo que o conheci, sabia que precisava fazer parte da sua vida. Há apenas um problema – ele é membro de outro clube de motoqueiros. Duas coisas que jamais poderiam combinar. E ainda assim, eu não consigo ficar longe. Não importa o quanto ele me empurre. Eu posso ver além da sua máscara. Eu preciso saber quem ele é e vou passar por qualquer obstáculo para estar na sua vida. Uma amizade nasceu, seguida por um amor épico. Nossa relação é proibida. Mas eu vou fazer qualquer coisa para estar na sua vida. Qualquer coisa.

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A SÉRIE Série MC Sinners Next Generation Bella Jewel

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Prólogo Torcendo meu corpo para o lado, eu me mexi através da multidão, que estava maior essa noite do que nas últimas vezes que vim a esse bar. Nós ganhamos ingressos VIP em um sorteio para vir ver uma banda local, Wrath. Eu já tinha ouvido falar deles e, desesperada por uma noite fora, decidi entrar na competição para ter uma chance de ganhar. Dois ingressos depois, Pru – minha melhor amiga – e eu fomos até o Eskimos, o bar quente local, para ver eles tocarem. Achando um lugar no meio da multidão para poder ver o palco, pressionei minhas costas contra a parede e espere, Pru balançando ansiosamente ao meu lado. Nós iríamos para a faculdade em Denver em alguns dias, então essa era nossa última chance de sair antes que a vida no mundo real começasse. Eu tinha feito vinte e um anos recentemente, e vamos dizer que eu venho curtindo a minha nova liberdade. Ser filha de um motoqueiro superprotetor pode ser um pouco intimidante às vezes. Que mentira. É intimidante o tempo todo. — Você já consegue ver eles? — Pru chora no meu ouvido, pulando feliz de um pé para o outro. Eu sorrio para a minha melhor amiga, que não tem mais que 1,50 m. Ela é toda curvilínea e frequentemente está mais para gordinha, mas a maioria das pessoas acha que ela é perfeita. Pelo menos, a maioria dos homens pensa assim. Eles estão sempre olhando para as suas curvas lindas e seu longo cabelo escuro e exótico. Para não mencionar seus olhos. Ela é deslumbrante, e está ainda mais essa noite, com um vestido justo vermelho que deixa pouco para a imaginação. Meu pai nunca permitiria que eu deixasse nossa casa usando isso – inferno, ele nunca sequer deixaria isso entrar no meu armário. — Não, — eu grito de volta. — Mas eles já vão começar. ~5~


— Eu ouvi que eles são gostosos! Eu reviro meus olhos. — Você acha que qualquer um com um pênis é gostoso. Ela me dá um tapinha. — Não! Eu rio e foco novamente na multidão, então puxo para baixo meu vestido preto. Ele não é apertado, mas é justo o bastante para que eu me sinta um pouco desconfortável. A parte de cima do vestido tinha babados e descia o bastante para mostrar um pouco do decote. Meu pai não estava em casa quando saí, e essa é a única razão pela qual consegui sair usando isso. Pru me emprestou. O resto do vestido e justo, terminando logo abaixo dos joelhos. É bonito. Eu deixo meu longo cabelo loiro solto para cobrir um pouco da pele que aparece nas costas. — Eles estão ali! — ela grita. Eu me mexo, tentando ver o palco quando as pessoas começam a se levantar e se mexer para tentar ver também. Três caras entram; um está segurando uma guitarra e caminha até a frente do palco, e os outros dois se separam, um vai o teclado e o outro se acomoda atrás da bateria. As luzes diminuem e eu me empurro o mais alto que posso em meus saltos altos para ver melhor, mas é impossível. Me concentro no vocalista segurando a guitarra e ofego quando ele caminha para a luz, curvando sua mão grande ao redor do microfone. Santo inferno. Ele é gostoso. Percebo imediatamente que ele tem ascendência de índios americanos. Ele tem esses deslumbrantes olhos amendoados. Eu apostaria que eles são castanho-escuros ou talvez até pretos. Seu cabelo é comprido o bastante para alcançar a gola da camiseta, se curvando um pouco para fora nas pontas. Parece ser grosso. Realmente muito grosso. Sua mandíbula é esculpida e seus lábios são cheios. Ele parece não ter se barbeado por alguns dias de propósito, deixando a barba no seu rosto um pouco áspera, e isso é masculino o bastante para me fazer corar. Meus olhos correm pelo seu corpo, assim como eu tenho certeza que todas as mulheres aqui fazem. Ele está usando uma camiseta preta justa que mostra perfeitamente seu peito e abdômen definidos. Ele é magro, mas bem construído. Alto. Escuro. Maravilhoso. Sua calça jeans está desbotada, as botas desamarradas, os cordões arrastando pelo ~6~


palco. Ele se mexe e meus olhos voam para o seu rosto quando ele se inclina para o microfone. — Ei, — ele diz, sua voz grossa e forte. Santa rouquidão. — Eu sou Diesel e essa é a minha banda, Wrath. As meninas gritam felizes, e eu continuo em transe quando ele abre a boca e começa a cantar. Eu juro que todo o lugar para, todos os sons desaparecendo, exceto a baixa melodia da sua voz. Ele tem uma voz escura, áspera e profunda, com uma borda de perigo. Ele canta com os olhos fechados, seus dedos curvados ao redor do microfone enquanto seu corpo balança levemente de um lado para o outro. Puta. Merda. — Oh, meu Deus! — Pru grita, jogando as mãos no ar. — Eu acabei de me apaixonar. Eu também. Puta merda, eu também.

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— A banda está aqui. Pru aperta meu braço, seus dedos cavando na minha carne enquanto um segurança no leva até a porta. Nós finalmente estamos desfrutando nosso privilégio dos ingressos VIP – conhecer a banda. Mal posso esperar. Estou praticamente zumbindo para estar perto de Diesel. Eu quero ver o seu rosto, a cor dos seus olhos, colocar ele na minha memória junto com a voz que eu já fui apresentada. Nos movemos para uma sala pequena, definitivamente não é algo para pessoas famosas. A porta se abre e entramos, imediatamente vendo dois membros da banda sentados em bancos ao lado da mesa de sinuca, cervejas na mão, rindo. Eles param quando nós entramos e a sala fica em silêncio. Eu me contorço, desconfortável. Além do meu terrível primeiro beijo, tive poucas interações com homens de fora do clube. Eu não sei o que fazer. — Oi! — Pru diz, levantando a mão para um aceno entusiasmado que fazer seus peitos balançarem.

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Dois pares de olhos masculinos caem para os seus seios. Suspiro. — Oi, — o cara que estava tocando teclado diz. — E aí, — o baterista acena. O cara que nos trouxe até aqui olha para os membros da banda e murmura, — As duas ganharam ingressos VIP. Sejam legais. Então ele vai embora. Pru não perde tempo em seguir em frente. — Oi, eu sou Pru. Eu sei, nome horrível, mas eu juro que vocês vão esquecer isso logo. Reviro meus olhos e começo a andar, estudando os dois homens. Eles são gostosos – não do mesmo jeito misterioso que Diesel, mas de uma maneira mais áspera, mais bad boy. O baterista tem um cabelo loiro bagunçado que cai sobre a testa. Ele tem olhos azuis e um sorriso lindo, o perfeito modelo de garoto americano. O tecladista tem o cabelo escuro e curto. Seus olhos são de um tom oliva, e ele com certeza tem uma borda mais escura que seu amigo ao seu lado. — Meu nome é Bates, — o tecladista diz. — E eu sou Spencer. Pru acena e se vira, me puxando para perto. — Essa é minha amiga Mercedes. Bates e Spencer olham para mim, os olhos correndo pelo meu corpo e me analisando. Eu me contorço e então digo, — Então, onde está o outro membro? Bates acena para uma porta, de onde um som suave está vindo. Eu não notado isso até agora, assumindo que era apenas uma música de fundo, mas quanto mais escuto, mais percebo que não. — Vá lá. Tenho certeza que ele vai amar ter companhia, — Spencer sorri, mas parece malvado. — Certo. Eu só quero dizer a ele que gostei das músicas. Não vou demorar. — Eu vou ficar aqui, — Pru diz, se sentando na borda da mesa de sinuca. Eu suspiro e me viro, caminhando na direção do som. ~8~


Isso vai ser interessante.

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Diesel está de costas para mim. Eu observo sua figura alta e forte, a maneira como a sua cabeça abaixa enquanto ele toca sua guitarra. Dando um passo mais perto, esfrego os braços nervosa. Eu não quero interromper, mas, ao mesmo tempo, realmente quero ver seu rosto e falar com ele. Estou ansiosa por isso, o que é incomum. Limpo a garganta suavemente e ele para de tocar, suas costas se endireitando. Ele se vira e eu paro de respirar. Sim, seus olhos são do marrom mais escuro e contornados pelos cílios mais grossos que eu já vi. Junto com suas maçãs do rosto levemente pronunciadas e seus traços deslumbrantes de nativo americano, ele é possivelmente o homem mais bonito que eu já conheci. Esfrego meus braços com mais força enquanto ele me olha, seu olhar caindo para minha boca antes de viajar pelo resto do meu corpo. Então ele gira sua cadeira e fica de costas para mim outra vez. Huh? — Hm, — eu digo com cuidado. — Desculpe por interromper, mas eu ganhei um passe para o backstage e queria dizer a você que eu realmente... — Não estou interessado, — ele me interrompe, começando a suave melodia novamente. — Me desculpe? — Não. Estou. Interessado, — um grunhido, isso mal podendo ser classificado como palavras. — Interessado em quê? Ele para de tocar e com um bufo irritado, se vira, olhando para mim. — Eu não estou interessando nessa coisa de... — ele me olha de cima a baixo — bunda. Eu estou nessa porque amo cantar. Então, seja lá o que você que vai conseguir de mim, não estou interessado. Meu temperamento, que foi herdado do meu pai muito furioso, muito irritado, vem à vida. Jogo minhas mãos no ar e avanço para ele. ~9~


Ele pula para trás, provavelmente em choque, mas eu não lhe dou uma chance de falar. — Quem diabos você pensa que é? Eu ganhei dois ingressos, precisava de uma noite fora e estava animada para conhecer uma banda que eu acabei de ouvir pela primeira vez. Vim aqui te dizer que amei a sua música, que eu a senti – que foi a melhor coisa que eu ouvi em um bom tempo. Ele me olha sem aparentar nenhuma expressão. Isso me deixa mais irritada. — Então eu conheci você. Um babaca metido e arrogante que acha que estou aqui para conseguir alguma coisa. Não se ache tanto. Seja lá o que te faz pensar que você é o super gostoso e que eu só quero tirar minha calcinha e subir em você, repense. Você é um porco chauvinista. Espero que a sua viagem no palco e... Não consigo terminar minha frase porque ele pula da cadeira e, antes que eu possa protestar, ele me tem em seus braços e seus lábios estão esmagando contra os meus. Todo meu corpo fica duro e eu caio inerte em seus braços quando os lábios mais macios e cheios se movem sobre os meus. Ele tem um cheiro tão bom, de cerveja e colônia, e eu não consigo me impedir de responder. Abro os lábios e o beijo de volta. Sua língua encontra a minha e ele faz um som suave na garganta, tomando a minha boca dura e profundamente, e então ele me empurra para longe. Antes que eu sequer possa recuperar o fôlego. Ele se foi.

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Capítulo Um — Pai, sério, — eu gemo, me atirando no sofá e observando meu pai irromper no meu apartamento. — Essa merda não é segura. Estou falando sério, eu poderia abrir essa fechadura dormindo. Eu reviro os olhos e cruzo os braços, observando ele ir das janelas para as portas, checando as fechaduras e a segurança. Meu pai é um motoqueiro e ele é um homem muito, muito passional. Ao ponto de ele ser tão arrogante e cheio de si que você quer estrangulá-lo. Eu honestamente não sei como a minha mãe aguenta, mas ela consegue e ama isso. — Eu tenho sorte de quer conseguido um quarto nesse apartamento. Foi o único que sobrou. — Talvez você devesse ter ficado no campus, — ele grunhe, virando na minha direção e me prendendo com os mesmos olhos castanhos que eu vejo quando me olho no espelho. Meu pai tem uma reputação. Ele é grande. Ele é mal-humorado e ele é assustador. Seu apelido no clube é Spike, e embora eu já tenha ouvido histórias de como ele conseguiu esse nome, eu nunca, jamais quero penas nelas outra vez. Meu velho esconde bem a idade, provavelmente porque, devido ao seu cabelo loiro cor de areia, as mechas acinzentadas são menos visíveis. Pelo menos é isso que ele diz para a minha mãe. Ele é bonito de um jeito meio assustador, um jeito que parece atrais um bom número de mulheres. Sim, eu as vejo olhando para ele quando nós caminhamos pela rua. Mas nenhuma poderia se comparar com a minha mãe, no entanto. Ela é a única mulher que ele vê. Ela me contou que ele uma vez foi casado com a irmã dela, mas um trágico acidente a levou, e os dois, já tendo uma história, se apaixonaram, e é desse jeito que eu sempre soube que era. Eles brigavam com a mesma intensidade que se ~ 11 ~


amavam, mas nunca havia falta de respeito. Meu pai daria a vida pela minha mãe. Meu irmão, Danny, é uma réplica júnior do meu pai. A única diferença é que ele tem os incríveis olhos amarelos da minha mãe e o seu coração mole. Ele é grande e metido a machão, e gosta de pensar que ninguém vê além disso, mas todo mundo vê. Danny é um cara legal, e tanto quando um tipo motoqueiro como ele se permite, ele está sempre pronto para ajudar os outros. Ele tem grandes planos de assumir o clube um dia, e eu não tenho dúvidas de que é isso que ele vai fazer. — Pai, — eu digo, focando de novo no aqui e agora. — Eu não vou viver no campus. É muito... ugh. Esse lugar é parte da faculdade; ele é alugado apenas por estudantes que vão para a mesma universidade. É seguro. — Ugh não é uma explicação, — ele grunhe, cruzando os braços sobre o peito largo. — Não estou confortável com você nesse lugar que vai estar cheio de festas, drogas e rapazes... Eu reviro os olhos. — Não revire os olhos para mim. — Pai, sério. Praticamente todo mundo que vai para a faculdade vive aqui. Sim, tem festas, mas eu tenho meu próprio lugar, meu espaço, e eu posso trancar a porta... — No campus você estaria protegida. Qualquer filho da puta pode arrombar essas fechaduras. — Então troque elas se você se incomoda tanto, mas eu não vou me mudar. Ele olha para mim, mas eu seguro seu olhar e levanto as sobrancelhas, o desafiando a discutir. Nós dois somos esquentados um com o outro, e eu vou lutar até o fim se for preciso. — Porra, — ele rosna. — Eu vou comprar algumas fechaduras. Eu sorrio. Ele caminha e se inclina na minha frente, me olhando nos olhos. — Tire esse sorriso do rosto, preciosa. Eu sorrio ainda mais.

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Ele desiste e sorri também.

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— Porra, é chato estar aqui sem você. Eu sorrio e me inclino para trás no sofá, meu telefone pressionado na orelha. Estou falando com o meu melhor amigo, Max. Ele ficou com o clube para trabalhar quando terminasse o colégio, e ficou devastado quando eu fiz a escolha de ir para a faculdade em Denver. Nós somos melhores amigos desde que eu era pequena, e eu vou admitir que foi difícil escolher me afastar dele. Além de Pru, eu não conheço ninguém de fora do clube, e me mudar para um novo lugar sempre vai ser um desafio. — Você pode vir me visitar. Não é tão longe assim. Ele bufa. — Ok, talvez seja um pouco, mas você ainda pode vir me visitar, Max. Ele suspira. — Eu vou, acredite. Eu estou ficando louco com o tédio daqui. — Saia com Danny. — Eu saio, mas ele está metido com os negócios do clube e sempre ocupado. — Então entre nos negócios do clube. Outro suspiro. — Não é a carreira que eu planejei para mim, Ratinha. Eu sorrio com o apelido que minha mãe escolheu para mim quando eu ainda era bebê. Ele pegou e praticamente todo mundo o usa. — Então vá encontrar a sua carreira. Todos nós acabamos a escola, Max. Não há mais nada te segurando. — Eu sou o filho de um motoqueiro; conseguir um emprego está se provando ser mais difícil do que eu pensava. — Fale com o seu pai. Ele vai te ajudar. ~ 13 ~


— Talvez. Enfim, o que aconteceu desde que você se mudou? Eu cruzo as pernas. — Nada demais. A noite passada foi interessante, porque foi a primeira. Meu colega de quarto é legal – bem, eu acho que ele é, porque só o vi uma vez. — Ele? Eu rio. — Max, ele é um nerd e eu prometo que ele não está olhando para mim. — Todo mundo olha para você, Ratinha. Eu bufo. — Acredite em mim, não é assim. — O seu pai sabe que o seu colega de quarto é um cara? — Não, e ele não precisa saber. — Merc... — Max, por favor, — eu digo, o interrompendo. — Eu tenho vinte e um anos agora. Não é da conta dele o que eu faço. — O seu pai é o Spike. Sério... Eu gemo. — Sim, bem, eu me mudei daí por alguma razão. Max murmura alguma coisa, então diz, — Eu tenho que ir. Ligo para você depois. — Até mais, Max. — Até mais, Ratinha. Eu desligo o telefone e olho ao redor do meu apartamento. Ele é pequeno, quase não dá para duas pessoas, mas é nosso. Meu colega de quarto, Taj, diz que ele fica muito tempo fora porque ele faz parte de um monte de clubes de estudos. Isso é legal, mas eu não me importaria se ele ficasse por aqui. Meu quarto é na outra ponta do apartamento, então estamos longe o bastante um do outro para termos nosso próprio espaço. A cozinha, área de estar e lavanderia estão localizadas no meio da casa, e nós temos um banheiro compartilhado. Isso provavelmente vai ser meio estranho às vezes. Eu não estou reclamando, no entanto. Taj anunciou que estava procurando um colega de quarto, assim como eu estava querendo achar um lugar fora do campus. Liguei para ele, ele gostou de mim e deu tudo certo. Os pais de Taj possuem esse prédio, que eles alugam para os ~ 14 ~


alunos, então ele pôde escolher seu próprio colega de quarto. Eu geralmente não escolheria dividir apartamento com um homem, mas assim que o vi, soube que Taj não era uma ameaça. Ele abertamente admitiu ser gay, e tem aquela aura geek que a maioria deles têm. Ele é fofo, do tipo melhor amigo da vida. Ele parece engraçado e doce. Eu acho que nós vamos nos dar bem. Eu consegui um trabalho em uma cafeteria logo abaixo na rua. Ele paga o bastante para cobrir meu aluguel e necessidades, mas não me deixa com uma grande sobra. Acho que vou precisar considerar arrumar um segundo trabalho no futuro, mas por agora isso já serve e me permite ter um gostinho de liberdade. Eu só trabalho quatro dias/noites por semana, o que me dá os dias de folga para ir às aulas. Eu ainda não sei o caminho de profissão que quero seguir, mas lentamente estou definindo algumas ideias. Eu me levanto do sofá e vou até a cozinha, abrindo a geladeira e pegando meu jantar congelado. Taj disse que seus pais lhe dão dinheiro toda semana e ele enche a geladeira de congelado, então eu não posso evitar. Eu tiro o plástico que cobre a embalagem de macarrão com queijo e a coloco no micro-ondas. Contemplo o apartamento enquanto a comida fica pronta. Seria bem legal se eu pudesse decorar um pouco. Todo o prédio é velho, mas bem conservado. Os pais de Taj o mantiveram bem ajeitado. Há três blocos com cinco apartamentos, três no térreo e dois no segundo andar. Os dois de cima são um pouco maiores e mais caros. Taj e eu vivemos em um desses. Cada conjunto de apartamentos foi construído com tijolos vermelhos antigo e têm uma escadaria externa dourada antiquada que leva ao andar de cima. Todos eles se abrem para um pátio em comum que possui um gazebo, um jardim e algumas grades. Os interiores dos apartamentos são limpos e arrumados. O meu e de Taj possui um chão com tábuas de madeira desgastadas e uma velha cozinha azul escuro com balcões brancos. O banheiro também é azul, e vai levar um tempo até que eu me acostume com isso, meus olhos queimam cada vez que eu o vejo. Ele tem uma banheira, um box e uma pia velha. O vaso é separado. Mais um adicional. Os quartos têm um tamanho decente, e cada um deles têm o seu closet e uma janela com vista para o pátio interno. Os apartamentos são mobiliados com o básico. Nós temos um velho sofá-cama, uma televisão de estilo caixa, uma cama de casal para cada e um antigo conjunto de jantar. Taj disse que trouxe algumas coisas dele próprio, como algumas prateleiras, cortinas e a mesa no ~ 15 ~


canto mais distante da sala de estar que tem um computador em cima. Esse computador é a única coisa legal em todo o apartamento. Eu não me importo. Eu amo esse lugar. — Ei! Eu pulo e me viro para ver Taj entrando com dois caras atrás dele. Deus, eu nem o ouvi entrar. Eu estava na minha terra dos sonhos. Levanto minha mão e aceno. — Oi, Taj. — Caras, essa é Mercedes, minha nova colega de quarto, — Taj diz, sorrindo para mim. — Mercedes, esses são Tim e Grant, meus melhores amigos. — Prazer em conhecer vocês, — eu sorrio para os dois amigos igualmente nerds. Eles são doces. Tim é alto e magro, com cabelo preto bagunçado e olhos verdes. Ele é fofo. Grant é baixo, gordinho e tem cabelo loiro e olhos verdes. Ele parece o mais amigável dos dois, considerando que ainda está sorrindo para mim. Taj sem dúvida é o mais bonito dos três. Ele tem traços escuros; eu suponho que ele tenha alguma ascendência asiática. Seus olhos são levemente inclinados e sua pele é macia e tem um tom bronzeado. Ele tem o cabelo preto bagunçado e uma pequena e discreta franja. Ele usa óculos. — Vejo que você encontrou os épicos jantares congelados, — Taj sorri, entrando na cozinha e largando a comida que ele claramente tinha acabado de comprar. — Sim, espero que você não se importe. Eu ia sair para comer, mas não sei onde é bom. Ele acena uma mão. — O que é meu é seu. Se precisar de ajuda, me avise. Nós vamos te levar para um tour. — Sério? — eu pergunto. — Isso seria ótimo! — Você começa suas aulas amanhã, certo? Eu aceno. — Sim. — Nervosa? — Não. ~ 16 ~


Ele ri. — Nós vamos para o meu quarto. Diga ao seu pai que eu agradeço as novas fechaduras. Taj não conheceu o meu pai, mas eu disse a ele quem era o responsável por trocar as fechaduras. Meu colega de apartamento provavelmente ia se cagar de medo se conhecesse o meu pai. — Eu vou. Aproveitem a noite. Quando ele se foram, eu tiro meu jantar do micro-ondas e vou para o meu quarto. Sim, isso vai ser muito maravilhoso.

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Capítulo Dois Eu pisco. E então pisco de novo. Sim, eu definitivamente estou vendo direito. De jeito nenhum eu esqueceria esse rosto. Eu mexo os livros nos meus braços para achar uma posição mais confortável e encaro o homem vindo na minha direção, seus amigos o seguindo, garotas dando risadinhas quando ele passa ao lado delas. Diesel. Ele está no campus, o que ele deve significar que ele estuda aqui. Diesel, o cara que me beijou e desapareceu, o cara que tem assombrado meus pensamentos pelas últimas semanas, está aqui... na minha faculdade. Minhas bochechas queimam com a realização de que eu estou prestes a ficar cara a cara com ele de novo. Meus nervos tiram o melhor de mim e eu olho para baixo quando ele se aproxima. E se ele disser alguma coisa? E se ele rir de mim? Deus, e se ele pensar que eu estou o perseguindo? Eu levanto o olhar bem quando ele passa. Seus olhos encontram os meus, mas rapidamente já se afastam. Tudo dentro de mim parece que foi espancado. Ele não mostrou ter me reconhecido nem por um segundo. Ele apenas olhou para mim como se eu fosse uma estranha e foi embora. Deus, o homem me beijou e ele nem ao menos se lembra. Eu abaixo a cabeça e corro para a aula, horrorizada porque achei que ele lembraria. — Ei, Mercedes! E aí? Eu paro e me viro para ver Taj correndo na minha direção, sua mochila voando e balançando atrás dele. Ele me alcança e eu forço um sorriso. — Qual é a sua primeira aula? — ele pergunta, ofegando. ~ 18 ~


Eu mostro a ele minha grade de horários. — Maravilha. Eu te levo. Graças a Deus, porque eu tenho certeza que iria me perder. Eu sigo Taj pelo longo caminho repleto de estudantes, passamos pelos jardins e entramos no prédio mais distante. Entramos e caminhamos por alguns corredores até chegarmos à nossa sala. Quando entramos, eu olho ao redor. É uma enorme sala de aula, com uma fileira de assentos começando no nível do chão e subindo até um conjunto de janelas na parte de trás. Há um grande quadro branco na frente da sala, assim como uma mesa. — Aqui estamos nós. Você pode se sentar comigo. Eu caminho, segurando meus livros perto. Olho ao redor e paro de repente quando vejo Diesel sentado na fileira de trás, com duas meninas ao seu lado. Uma é loira, deslumbrante e parece que é a dona do campus, a julgar pela sua atitude. A outra é morena e bonita, mas não chega aos pés da sua amiga. Estou olhando tão fixamente para ele que não percebo que chegamos ao primeiro degrau. Eu bato o pé e tropeço. Meus livros voam dos meus braços e eu caio para frente, as mãos batendo no chão. Risadas explodem por toda a sala, e minhas bochechas queimam quando eu levanto a cabeça e vejo Diesel olhando para mim, seu rosto sem expressão. As garotas ao seu lado estão rindo. Porco. Eu me levanto e Taj me entrega meus livros. — Você está bem? — Estou bem, — eu sussurro. — Vamos, vamos nos sentar. Nós achamos um lugar e sentamos, e eu não me viro para olhar, mas posso jurar que sinto olhos queimando na parte de trás da minha cabeça. Eu quero me curvar e desaparecer. Ótimo jeito de começar meu primeiro dia.

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O primeiro período parece durar para sempre. Eu mal consegui me concentrar com os sons das risadinhas atrás de mim. Virei para trás uma vez durante a aula para encontrar Diesel olhando para frente da sala, aparentemente prestando atenção. A garota loira ao seu lado parece precisar do ar dele para respirar, e a morena parece quase entediada, como se estivesse ali só porque tem que estar. Vela. Deve ser um saco. — Qual a próxima? — Taj pergunta, puxando minha atenção de volta para o aqui e agora. — Biologia, — eu murmuro, me levantando. Eu dou um passo, mas paro quando percebo que Diesel está passando, as garotas ao seu lado. — Ah, oi, — eu digo, então mentalmente me dou um soco porque sou muito estúpida. O que diabos eu estou pensando para cumprimentar ele? A loira me atira punhais com os olhos. — Você talvez queira prestar mais atenção no degrau da próxima vez, — Diesel me diz sem fazer contato visual. As garotas riem. — Isso seria possível se eu não estivesse paralisada encarando um grande babaca, — eu cuspo de volta. Ele para e se vira para mim, seus olhos brilhando de choque. O quê? Ele acha que eu vou deixar ele ser um idiota? Essa garota foi criada para ser mais inteligente do que isso. — O que foi que você disse? — Oh, — eu digo, passando por ele e sua legião. — Você me ouviu, bonito. Então eu pego a mão de Taj e vou embora. — Oh. Meu. Deus, — ele praticamente guincha quando saímos para o corredor. — Isso foi épico. — Pessoas como ele não deveriam sair impunes quando são tão babacas. — Eu concordo, mas droga, garota. Você é a minha nova melhor amiga. Porra, eu tenho certeza que quero ser como você quando eu crescer. ~ 20 ~


Eu rio. — Vamos, vamos para a próxima aula. O resto do dia passa rápido. Eu sento com Taj e seus amigos no almoço, e fico sozinha nas últimas aulas da tarde. Eu sinto muita falta de Pru e Max. Eu daria tudo para ter uma boa amiga de verdade aqui. Acho que com o tempo vou conseguir isso, mas agora me sinto um peixe fora d‘água. Ainda assim, não vou deixar isso me desanimar. Quando as aulas terminam, eu corro para ir embora. Quero passar no mercado a caminho de casa. Vou tentar fazer o jantar essa noite. É a uma curta distância, então caminho pelas ruas cheias de Denver até achar um mercadinho. Assim quando estou prestes a entrar, o rugido baixo de várias Harleys ao longe me faz parar de imediato. Deus, se meu pai está me seguindo... Eu me viro e olho, com os braços cruzados, pronta para dizer umas verdades, mas quando eles se aproximam eu percebo que não são do clube do meu pai. Há um bom número deles, provavelmente quinze ou mais, mas eles são definitivamente motoqueiros. Eu pensava que o clube do meu pai era o único nessa área, então é estranho ver outro grupo por essas ruas. Eles passam e eu me viro, olhando para os seus coletes. Joker’s Wrath MC. Eu nunca ouvi falar deles, mas faço uma nota mental para perguntar ao meu pai quem são. Eles podem estar apenas de passagem, no entanto. Isso acontece, tenho certeza. Quero dizer, tecnicamente eles não devem estar na mesma área, considerando que o complexo dos Hells‘ Knights é apenas a um pouco mais de uma hora daqui. Dando de ombros, eu entro no mercado e pego uma cesta. Ando pelos corredores, pegando coisas que preciso e algumas que não preciso também. Meu pai me deixou um pouco de dinheiro para cobrir as despesas até que eu comece a receber, graças a Deus, ou eu iria comer a comida congelada de Taj por toda a semana. Quando termino de pegar o que eu quero, vou para o caixa. Tenho um vislumbre de um motoqueiro grande, alto e assustadoramente enorme na fila. Meu coração martela. Ele é do grupo que acabou de passar. Eu não tenho medo de motoqueiros, mas esse cara é enorme. Ele é ainda maior que o meu pai, e isso quer dizer alguma coisa. Eu me aproximo e paro atrás dele, mantendo alguma distância para não chamar atenção para mim. Eu estou distraída, porque não noto as risadinhas das garotas atrás de mim até que elas começam a fazer piada comigo. Droga, eu nem ouvi elas entrarem. Minhas bochechas ficam vermelhas enquanto tento ignorar suas provocações. Elas estão ~ 21 ~


paradas atrás de mim na fila, então tudo que elas falam é perfeitamente claro. — Ele não está aqui para você tropeçar agora. Pobre Diesel; você deveria ter visto a sua reação quando você ficou olhando para ele; ele estava todo duro e horrorizado. Você deveria encontrar outra pessoa perseguir; ele mesmo falou isso. Eu as ignoro, mas noto que o motoqueiro na minha frente enrijece. — Ele não brinca com pequenas nerds como você. Eu aperto os dentes. Nerd. Eu não dou uma maldita nerd. — Tenho certeza que Taj ficaria feliz em brincar com você, no entanto. Você parece o tipo dele. Vocês não acham que ela é o tipo dele, garotas? Minhas bochechas queimam e eu mantenho os olhos firmes nas costas do motoqueiro enquanto ele pega suas compras. — Diesel tem um tipo, querida. E você não é desse tipo. Eu sugiro que você mantenha os olhos longe dele, na aula e em qualquer outro lugar. Ou você vai ter que lidar comigo, — a voz se torna atrevida e forte, e eu sei que é a loira falando. Raiva queima dentro de mim, e eu estou prestes a virar e lhe dizer umas verdades quando o motoqueiro se vira. Eu olho para cima, muito para cima, porque ele é alto e enorme. Grande como Hércules. Ele olha para mim e eu ofego. Meu pai tem uns caras realmente bonitos no clube, mas esse homem é fora de série. Olhos claros, pele bronzeada suave e uma barba de alguns dias no rosto. Seu cabelo é grosso e bagunçado, caindo sobre a testa. Meus olhos caem para o seu patch. Ele não é apenas um membro do clube. Ele é o Presidente. Eu olho para ele de novo e vejo que ele está olhando para as garotas, parecendo que quer avançar e arrancar fora as suas cabeças. — Vocês têm algum problema com a minha garota aqui, moças? — ele diz, sua voz um rugido baixo. Todas olham para ele, mas quando ele fala, elas ficam de boca aberta.

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— S-s-s-sua garota? — a morena gagueja. — Sim, minha sobrinha, — ele olha para mim, e minha boca cai aberta, também. — V-v-v-você é tio dela? Ele para ao meu lado e eu me obrigado a tirar os olhos do seu rosto e encarar as garotas, que olham dele para mim, e de volta para ele — Não, nós não temos um problema, — a loira diz, sua voz baixa. — Só estávamos brincando. — Sim, bem, eu não gosto de garotas que brincam. Eu não gosto de garotas que provocam. Eu não gosto — ele dá um passo à frente e abaixa o rosto para ficar perto do delas — de garotas que pensam que a sua merda não fede. O rosto delas fica vermelho. Eu não me mexo. — Então, se vocês têm um problema com a minha sobrinha, vocês têm um problema comigo. — Não... nós não temos um p-p-problema com ela, — a morena gagueja. — Bom, porque se eu ouvir que vocês estão provocando ela assim de novo, ou ela me contar alguma coisa, nós vamos ter uma conversinha. E vocês não vão gostar do resultado. — S-s-s-sim, senhor. — Bom, — seu olhar corre de novo para mim e eu o encontro e seguro. Ele estuda o meu rosto e eu estudo o seu. Ele é mais velho, provavelmente da mesma idade do meu pai. Ele não tem muito cabelo grisalho, mas eu posso dizer pelas linhas de riso que ele tem no rosto. — Você está bem? Eu aceno, completamente sem palavras. Ele sorri, o que o deixa ainda mais bonito, e então se vira e sai. Eu o observo ir, ainda parada que nem uma idiota. Ele acabou de salvar a minha pele. Eu nem o conheço, e ele me defendeu. Eu largo a cesta e corro atrás dele. Quando o alcanço ele já está do lado de fora, uma perna sobre a moto. Todos os motoqueiros estão atrás deles, mas eu não presto muita atenção nisso enquanto corro. — Espere! ~ 23 ~


Ele está prestes a colocar o capacete, mas para quando ouve o meu chamado. Eu paro na frente dele, ofegando. — Eu... eu só... obrigada pelo que você fez lá. — Qual o seu nome, querida? Deus, ele é legal. — Mercedes. Sua boca levanta um pouco nos cantos. — Nome legal. Eu sou Maddox. Maddox. Nome legal. Eu sorrio. — Bem, obrigada, Maddox. Gostei do que você fez. — Da próxima vez que elas vierem com essa merda, se vire e devolva. A vida é muito curta para deixar gente babaca assim sair por cima. Meu sorriso fica ainda maior. — Sim, você está certo, mas ainda assim, obrigada. Eu... essa é a minha primeira semana aqui e isso foi a coisa mais legal que já fizeram por mim. Eu olho para os motoqueiros enfileirados atrás dele. Todos estão me encarando, alguns com uma mistura de choque e confusão. Provavelmente porque a maioria das pessoas não correria na direção de um grupo como eles, especialmente até o Presidente. Eu esqueço às vezes que eles deveriam ser assustadores para o resto do mundo. Para mim, eles são como as outras pessoas. Eles são tudo que eu conheço; — Oi, — eu aceno. Mais olhares confusos e chocados. — Desculpe por, ah, interromper a corrida de vocês. Eu estava, bem, agradecendo ao prez aqui por, ah, me ajudar... — eu estou gaguejando. Droga, eu estou gaguejando. — Prez? Isso vem do homem à esquerda de Maddox. Eu olho para e minha respiração fica presa. Puta merda. Ele é igual a Diesel – os mesmos olhos castanhos, a mesma bonita pele bronzeada, o mesmo cabelo preto, a mesma herança nativo-americana. Quero dizer, é claro que provavelmente não há nenhum parentesco, mas é uma loucura como os dois se parecem. A única diferente é que esse homem é mais magro, seus olhos são levemente mais claros, e ele tem o cabelo preso em uma

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longa trança. Ele está sentado em sua moto de um jeito diferente, inclinado na perna oposta dos demais. É como se ele estivesse ferido. — Me desculpe? — eu finalmente digo, minha voz suave. — Você chamou ele de Prez. Eu pisco e olho para Maddox, que está me observando com curiosidade, e então de volta para o homem que fez a pergunta. — Está aqui escrito no seu colete e... eu sou fã de Sons of Anarchy1, — eu digo rapidamente, e é claro que é uma mentira. Maddox ri, assim como os motoqueiros. — Bem, Mercedes, — Maddox diz, ainda rindo, — você é a melhor coisa que eu vi o dia todo. — Fico feliz em entreter você, — eu murmuro. — Eu deveria ir. — Se lembre do que eu disse, criança, — não há risada na sua voz agora. — Não deixe as pessoas zombarem de você. Eu seguro seu olhar. Então eu sorrio. Ele sorri de volta. Talvez não tenha sido um primeiro dia ruim, no fim das contas.

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É um seriado americano que retrata o mundo MC. ~ 25 ~


Capítulo Três — Como está a faculdade, querida? Eu suspiro e me inclino para trás contra os meus travesseiros, ajustando o telefone contra o meu ouvido enquanto falo com a minha mãe. — Está tudo bem. Estou ansiosa para ir para casa para o churrasco de amanhã. — Nós estamos felizes em ter você de volta. Não é a mesma coisa sem você aqui. — Como estão as coisas com Ava? Recentemente, a filha do presidente do nosso clube, Ava, foi levada por um cara louco que queria se vingar do clube. Eu sei que ela tem lutado com isso, embora nos detalhes não tenham sido revelados, então eu não sei a profundidade da história. Eu amo Ava, então é uma droga não poder estar lá para ajudá-la a passar pelo que seja que ela está lidando. — Ela parece estar bem. Ela vai ficar feliz em te ver. — Eu também. Danny vai estar lá também? — Claro, — ela ri. — Danny pensa que ele já é o presidente do clube. Eu rio. — Sim, com certeza ele pensa. — Me conte mais sobre a faculdade. Você fez muitos amigos? Eu passo a próxima hora contando a ela sobre tudo, meu primeiro dia e Taj. Ela ri e ouve como sempre faz. Eu tenho a melhor mãe do mundo. Ela é tão teimosa quanto eu, meu pai e meu irmão, então nós podemos fazer um time bem explosivo quando queremos. — Seu pai quer falar com você. Nos vemos amanhã, meu bem. — Tchau, mãe. Amo você. ~ 26 ~


— Amo você também, querida. Alguns segundos e sons de movimento depois, meu pai está na linha. — Essas fechaduras continuam fortes? — Pai, eu não passei duas noites aqui. Ele grunhe. — Mas eu senti sua falta, — eu digo suavemente. Eu sei como cutucar o urso, mas também sei como acalmá-lo. — Porra, eu também sinto a sua falta, baby. Não é a mesma coisa sem ter com quem brigar. Eu rio. — Algumas pessoas diriam que nós somos disfuncionais. Ele dá uma risadinha. — Sim. Como foi a faculdade? — Foi tudo bem. Ei, pai, eu vi outro clube dirigindo pelas ruas daqui hoje. Existe algum outro aqui em Denver? — eu não menciono como eu parei para falar com eles – isso pode não acabar bem. — Sim, eles se mudaram para a idade há seis meses. — Eles estão causando problemas? — Não posso dizer, filha, mas você não precisa se preocupar com isso. — Então eles não são perigosos? Ele grunhe. — Baby, todos nós podemos ser perigosos. Não importa se você usa um patch ou não. — Bom ponto. — Eles te incomodaram de alguma forma? Eu me mexo. — Por que você está perguntando isso? — Muitas perguntas. Eu bufo. — Não, pai, eu só estava curiosa. — Hmmm, — ele ressoa. — Você está fazendo seu dever de casa? — Pai... — eu digo, exasperada. — Só estou me certificando de que você não está saindo com garotos em vez de focar no que importa. ~ 27 ~


— Eu juro que estou focada, — eu tento segurar uma risada. — Eu estou aqui há dois dias, não tive tempo para garotos ainda. — Ainda? — ele grunhe. — Pai, — eu digo suavemente. — Eu tenho vinte e um anos. — Não para mim, Ratinha, — ele diz, sua voz ficando suave como mel. — Para mim você sempre vai ser aquele bebê minúsculo e frágil que eu uma vez segurei nos braços. Meu coração se derrete. — Eu te amo, pai. — Eu te amo também, filha. Nós nos despedimos e eu desligo, caindo para trás na cama. Meu pai pode ser intenso, mas eu o amo demais. Se não fosse por ele, eu não seria como sou hoje. Eu apenas não seria eu.

***

— É simples, na verdade, — Caitlyn diz, apontando para os copos alinhados. — Café, milk-shakes, suco, refrigerante e água. Eu pisco para os copos de tamanhos e formas diferentes alinhados, tentando me lembrar de todos. É meu primeiro dia de trabalho na cafeteria perto de casa e, até agora, eu estou surtando. Caitlyn, a garçonete que está me treinando, ri. — Não se preocupe, como café sempre vai na xícara e o milk-shake nesse copo — ela aponta para um copo que é típico de milk-shakes, com a base estreita se alongando até o topo redondo — então você não vai ter problemas. Refrigerante, suco e água podem ir em qualquer um, sério. — Certo, — eu digo, memorizando os copos. — A comida também é fácil; todas as mesas têm um número. Quando Ian termina de cozinhar, ele toca a campainha e diz a você para qual mesa é. Você só tem que levar até eles e perguntar quem pediu o que, servir cada um e sair. Você vai pegar o jeito rápido. — Eu espero, — eu digo, tentando esconder o nervosismo estampado na minha voz. ~ 28 ~


Caitlyn sorri. Ela é tão bonita. Cabelo castanho claro, olhos caramelo, constituição pequena e delicada. — Nós temos um pico no fim do dia, quando as aulas da universidade acabam. Várias pessoas vêm para cá; é nosso horário mais corrido. Geralmente não temos problemas. Se você tiver, vá direto falar com Ian, ou se Richard estiver aqui, então você obviamente vai falar com ele. Richard é o dono e o homem que me aparentemente ele não vem aqui com frequência.

contratou, mas

— Você está pronta? — ela pergunta. — Só há uma maneira de descobrir. Ela sorri e me dá um tapinha no ombro. — Você vai ficar bem. Semana que vem vamos te ensinar como fazer e passar os pedidos e você vai ser uma profissional. Meu sorriso treme um pouco. — Espero que você esteja certa. — Eu estou, — ela sorri. — Agora vá limpar as mesas e mantenha os ouvidos atentos para a campainha. Eu aceno e me apresso para limpar as mesas, sorrindo o tempo todo. Quando Ian toca a campainha, eu caminho até lá. — Mesa oito, — ele diz com um sorriso calorosos. Ele é um homem mais velho, na metade dos cinquenta, com cabelo grisalho e bondosos olhos azuis. Pela aparência da comida, o homem sabe cozinhar. Faço uma nota mental que vou ter que vir aqui em um dia de folga para experimentar o que é servido. — Obrigada, — eu digo rapidamente, pegando os dois pratos. Olho ao redor, acho a mesa oito e caminho até lá. — Hambúrguer com batata frita? — eu pergunto? — É meu, — uma loira bonita sorri. — E esse deve ser seu então, — eu digo para o homem que a acompanha, colocando a comida na frente dele. Eles me agradecem e eu saio. Isso não foi tão difícil. As duas horas seguintes voam, e Caitlyn me avisa que a hora de pico após as aulas está prestes a começar. Ela não está errada. Cerca de vinte estudantes entram logo depois das cinco, e todos eles se ~ 29 ~


sentam. Eu corro ao redor enquanto Caitlyn anota os pedidos, garantindo que eles tenham café e nada de sujeira em suas mesas. Eu sirvo as refeições o mais rápido que posso, tentando não derramar nada. — Ei. Eu estremeço com a voz fria que eu juro que corre pela minha espinha e se instala dentro do meu cérebro. Eu me viro lentamente e vejo Diesel e sua legião sentados na cabine de canto; eu não os vi entrar. Engulo em seco e me endireito. — Posso ajudar vocês? — Sim, você pode anotar nosso pedido. Nós estamos esperando há eras. Aprenda a fazer seu trabalho, tipo ontem, — a loira estala, prendendo sua mão na de Diesel. Meu sangue ferve, mas eu não demonstro. Eu encaro seus olhos castanhos e ele, os meus, igualmente determinados. — Eu não estou anotando os pedidos; é o meu primeiro dia. Vou chamar Caitlyn para vocês. — Caitlyn é inútil pra caralho. Com certeza você consegue escrever algumas coisas no papelzinho? — Diesel finalmente fala. Babaca. Se não fosse o meu trabalho, eu iria abrir a boca e dizer a ele exatamente ao que eu pensava, mas não posso. Em vez disso, aceno afiadamente, me virando e correndo até Caitlyn. Ela está no meio do processo de anotar um pedido, então eu pego o bloco e a caneta e retorno. — O que vocês vão querer? — eu falo através dos meus dentes apertados. Eu anoto os pedidos das pessoas com Diesel. Há outras duas garotas além da loira – a morena balbuciante do mercado, e outra que eu não conheço. Ela parece uma modelo latina. Os outros dois são membros da banda de Diesel. — O que vocês vão querer? — a loira diz, se aconchegando mais perto de Diesel. Ele olha para o menu, lendo as opções, claramente demorando de propósito. Meu peito aperta de raiva. ~ 30 ~


— Eu tenho trabalho para fazer, — eu digo através dos dentes apertados. — Vocês podem se apressar para que eu possa ir atender os outros clientes? Para um grupo que esperou tanto, vocês estão muito indecisos sobre o que querem comer, — eu aperto a boca fechada, horrorizada pelas palavras que acabaram de sair. — Você quer saber? — Diesel diz, se levantando e me olhando nos olhos. — Vamos para outro lugar. O atendimento aqui é uma merda. Minha boca cai aberta com a sua audácia. — Porra cara, eu estou faminto. Ian faz o melhor hambúrguer da região. Eu não vou embora; se você quer ir, vai, — Spencer geme. — Então você pode ficar, mas Maxine e eu estamos indo. A loira, que agora tem um nome, se vira para ele e faz beicinho. — Mas amor, eu quero hambúrguer. Seus olhos correm para ela. — Que pena. Vamos. Ela bufa e se levanta, deslizando para fora do banco. Eu ainda estou ali parada, de boca aberta, chocada que alguém possa ser tão babaca. Diesel olha para mim, seus olhos segurando os meus antes dele dizer, — Talvez você devesse trabalhar suas habilidades de atendimento. Minha boca cai ainda mais aberta, mas eu não posso evitar as palavras que saem em seguida. — Você está brincando comigo? — eu respiro. Ele pula para trás, claramente chocado. — O que você disse? — Eu disse, — eu digo, dando um passo para frente, — você está brincando comigo? Ele recua. — Você veio aqui com essa atitude superior e arrogante, me chamou, me tirou dos meus afazeres depois de me dar um sermão sobre não fazer meu trabalho direito, e então tem a audácia de se levantar, depois de desperdiçar o meu tempo, e ir embora? Eu não sei como você foi criado, amigo, mas claramente ninguém nunca te ensinou boas maneiras, — eu jogo as mãos nos quadris e me inclino perto dele. — Então vá embora. É você que sai perdendo. Eu não sirvo punheteiros que têm mais variações de humor que uma mulher com TPM. ~ 31 ~


Todos ao nosso redor explodem em risadas enquanto Diesel se inclina para frente, os olhos selvagens de raiva. — Cuidado, — ele estala. — Ou o quê? — eu desafio. Ele se endireita e vira, não me dando outro segundo do seu tempo. — Vamos embora, — ele ordena a Maxine, que está enviando adagas na minha direção. — Essa vadia não merece o nosso dinheiro. Então eles se vão — Isso foi épico! Eu me viro para ver Caitlyn parada atrás de mim, com um enorme sorriso no seu rosto bonito. — Me desculpe, — eu digo rapidamente. — Eu sei que isso foi rude e tudo mais, mas... — Não, não se desculpe. Ele merece. Esses idiotas vêm aqui e pensando que a merda deles não fede. Eu nunca vi alguém enfrentar ele assim. Você é a minha nova melhor amiga. Ela olha para mim. Eu olho para ela. Então eu não posso evitar. Eu explodo em risadas.

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Capítulo Quatro — Eu ouvi dizer que foi épico! — Taj grita, dançando ao redor da cozinha. — Eu não posso acreditar que você já ficou sabendo, — eu murmuro, enfiando o garfo no meu espaguete de micro-ondas. — Todo o campus já ficou sabendo! Alguém filmou pelo celular enviou para todo mundo. Eu reviro os olhos. — Ótimo. — Foi de ninguém para heroína em dois segundos. Todo mundo vai querer ser seu amigo depois disso – exceto o esquadrão das imbecis, claro. Eu olho para ele. — Esquadrão das imbecis? — Sim, Diesel tem um esquadrão das imbecis. Um grupo de garotas que o segue aonde ele vai, como se ele fosse o capitão do time de futebol ou algo assim. Onde ele está, elas estão. Antes de Maxine, eu tenho certeza que ele escolhia uma diferente a cada noite. — Me deixe adivinhar: ela é a líder do esquadrão das idiotas? — A vadia pensa que ela é a líder da universidade. Eu faço uma careta e olho para o espaguete empapado na minha tigela. Jantares congelados estão começando a enjoar. — Por que tão séria, querida? — Taj pergunta cantarolando. Eu me levo de volta para a noite que Diesel me beijou. Foi tão intenso, tão perfeito, e agora ele está agindo como se eu fosse uma mosca que ele não consegue espantar. Droga, ele nem ao menos se lembra de mim. Ele com certeza não age como se lembrasse. Provavelmente ele beija muitas mulheres, não se lembra quem é quem. — Não estou séria. Eu só acho que Diesel é um cocô. ~ 33 ~


Taj olha para mim, e então começa a gargalhar. Ele bufa algumas vezes, se dobrando e enrolando as mãos em volta da barriga. — O quê? — eu perguntando, lutando com um sorriso. — Você acabou de chamar o cara mais popular da universidade de cocô? — Eu digo o que eu vejo. Ele ri ainda mais, conseguindo se endireitar e caminhar até mim, enrolando os braços ao meu redor e me puxando para um abraço trêmulo enquanto ele tenta se recompor. — Eu escolhi a melhor colega de apartamento da vida. Eu sorri. Ele realmente escolheu.

***

— Oi. — Oi. — E aí? — Como você está? — Oi, garota. Eu pisco para todas as pessoas que passam por mim, sorrindo e me cumprimentando. Eu alcanço o meu armário e o abro, olhando por cima do ombro e recebendo mais ―ois‖. Taj estava certo: eu fui repentinamente notada depois da minha briga com Diesel. Para alguém que é o rei da área, parece que muitas pessoas estão agradecidas por eu ter enfrentado ele. — Mercedes, certo? Eu me viro e vejo uma ruiva bonita atrás de mim, os livros pressionados no seu peito. Ela tem os maiores olhos verdes que eu já vi, e sardas fofinhas sobre o nariz. Ela é um pouco mais alta que eu, e seu corpo é mais curvilíneo que o meu. Ela é como uma Marilyn Monroe.

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— Ah, sim. — Ei, eu sou Shay. Eu só quis vir aqui e dizer oi. — Ah, oi, — eu sorrio. — Escute, nós vamos ter uma festa sexta-feira na casa principal das fraternidades. Se você quiser ir, vai ser mais que bem-vinda. Você pode ir se arrumar comigo, se quiser. Uma amiga. Ela está oferecendo amizade. Meu sorriso se torna mais real e maior. — Sério? — Claro! — Eu adoraria. Eu realmente ainda não conheço nenhuma garota no campus. Ela sorri. — Fantástico. Posso te dar um resumo sobre tudo que você precisa saber. Aqui está o meu número; me envie uma mensagem e eu vou salvar o seu, e nós podemos sair uma hora dessas. — Perfeito, — eu digo, pegando meu celular e anotando o número que ela me dita. — Nós temos aula de inglês juntas, certo? Eu não me lembro de ver o seu rosto, mas eu não sou muito atenta em geral. — Provavelmente. Eu ainda estou tentando lembrar os rostos. Ela acena. — Nós temos. Eu te vejo lá, ok? — Ah, claro. — Até mais! — Tchau. Eu fecho meu armário e observo ela ir embora. Será que eu acabei de fazer uma amiga? Tudo porque eu enfrentei o Coisa Gostosa? Um grande sorriso aparece no meu rosto. Eu acho que vou acabar me ajustando aqui. ~ 35 ~


— Mulher! Eu me viro e vejo Taj correndo na minha direção, um sorriso no seu rosto. — Oi, Taj. — Aquela falando com você era a Shay? Eu aceno. — Sim, você a conhece? — Não, mas me disseram que ela é bastante popular. Bom para você. Eu cutuco seu braço de brincadeira. — Você está dizendo que eu não sou popular o bastante para ser amiga dela? Ele bufa. — Garota, você poderia ser amiga do Presidente depois do que você fez com Diesel. — Falando nisso, você viu todas essas pessoas falando comigo? Eu achei que ele fosse popular. — Venha comigo. Nós caminhamos juntos, um ao lado do outro. — Então, cospe logo. Diesel é popular ou eu estou imaginado coisas? — Diesel é popular, mas eu realmente não acho que é porque ele quer ser. Eu faço uma careta. — Você não está fazendo sentido. — Ele aceita isso porque está lá, porque ajuda a sua banda, mas eu tenho a impressão de que se ele tivesse escolha, as coisas seriam diferentes. — Você acha que ele ficaria mais na dele? — Você já viu como ele pode ser introspectivo? Concordo com a cabeça. — É verdade. Ainda assim, por que alguém iria querer ser amigos desse bando de vadias está além de mim. Taj bufa e então começa a rir alto. — Você só fica cada vez melhor, como um bom vinho.

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— Exceto que eu não te deixo acordar com dor de cabeça, — eu aponto com um sorriso. Taj passa um braço pelo meu ombro. — Não, com certeza não. Meu sorriso continua enorme. Eu realmente vou gostar daqui.

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Capítulo Cinco Bocejando, eu caminho para fora do campus na tarde de sextafeira, uma vez que já tive a última aula da semana. Alguém esteve dando uma grande festa no apartamento abaixo do meu, o que fez com Taj e eu não dormíssemos pelas últimas três noites. Decidi ir comprar tampões de orelha ontem; eles parecem ajudar a diminuir o barulho. Arrasto meus sapatos pelo chão, com preguiça demais até para levantar os pés. Se eu não dormir, vou desmaiar. — Ei, bonita. Eu viro a cabeça para ver Max parado na minha frente, seu cabelo ruivo e os olhos azuis. Eu grito, de repente muito acordada, e me atiro nos seus braços, enrolando minhas pernas ao redor da sua cintura. Ele ri e me abraça apertado. — Surpresa! — Max, eu demônio, — eu grito feliz, deslizando dele e dando um passo para trás. — Eu não tinha ideia que você estava vindo. Ele pisca para mim. — Essa era a ideia. — Quanto tempo você vai ficar aqui? — eu pergunto animada. — Só o final de semana, mas sou seu em tempo integral. Eu engancho meu braço no dele. — Eu senti tanto a sua falta; estou tão feliz que você está aqui. — Você tem planos que eu estou interrompendo? Balanço a cabeça. — Tem uma festa hoje à noite, mas eu posso ligar e cancelar – qualquer coisa para passar mais tempo com você. Ele zomba. — De jeito nenhum; eu amo uma boa festa. Eu vou com você. — Eu deveria ir me arrumar com uma amiga, mas vou dizer a ela que tenho um convidado surpresa. ~ 38 ~


— Convide ela para vir se arrumar com você. Eu sorrio para ele. — Boa ideia. Ele pisca. — Porra, é bom ver você. A vida é meio sem graça sem a sua loucura. Eu rio. — Alguma fofoca para contar? — A mesma merda de sempre. Caminhamos até o meu carro e eu noto Diesel encostado em uma árvore, um pé apoiado contra ela, suas costas contra o tronco. Ele tem os braços cruzados e os olhos em mim. Minha pele esquenta sob o seu olhar e eu tenho que engolir o nó na minha garganta. O jeito que ele está me olhando... Deus... a vontade de me contorcer é quase insuportável. — Você o conhece? — Max pergunta. Eu estremeço e tiro meus olhos de Diesel. — Nah. — Ele está olhando para você como se te conhecesse. Dou de ombros. — Ele é um ninguém, Max. Eu olho para Diesel e algo quase doloroso passa pelo seu rosto. Será que ele me ouviu? E mesmo que tenha, por que ele se importaria?

*** — Eu nunca pensei que diria isso, — Shay sorri, passando uma escova no cabelo. — Mas o seu amigo ruivo é quente! Eu rio. — Ele é surpreendente assim. — Eu já vi muitos caras ruivos – inferno, eu mesma sou ruiva, e é exatamente por isso que eu nunca olho para homens assim, mas ele... puta merda. Eu deixaria ele acender a minha fogueira a qualquer momento. Uma risadinha começa fraca e explode pela minha garganta. Shay sorri para mim pelo espelho e passa uma prancha nos meus cabelos para que eles fiquem mais lisos. — Você tem o melhor cabelo. Eu tenho tanta inveja. ~ 39 ~


Eu levanto as sobrancelhas. — O seu cabelo é maravilhoso. Ela zomba. — É ruivo. — Você acabou de dizer que Max é quente com cabelo ruivo. — Sim, Max é quente. Eu não. — Sim, você é. Ela revira os olhos e termina meu cabelo. — O que você vai usar? Minhas bochechas coram e eu dou de ombros levemente. — Eu não tenho nada realmente legal. Meu pai é... superprotetor. Seus olhos se iluminam. — Então você pegar algo meu emprestado. Vamos lá ver. Ela vai até sua mochila e pega três vestidos. Ela levanta um de cada vez, inclinando a cabeça para o lado e os estudando. Ela se decide por um vermelho. Ela se vira e o joga para mim. — Esse aqui. Eu olho para o vestido. Não há muito dele. — O resto está em algum lugar? Ela começa a rir. — Você é hilária. Vá colocá-lo. Você vai matar os caras com esse aí. Eu me viro hesitante e desapareço no corredor que leva ao banheiro. Rapidamente tiro minhas roupas e coloco o vestido sobre a cabeça. Tenho que dar uns pulinhos, porque ele é muito justo. Eu termino de puxá-lo logo acima dos meus joelhos e me levanto para me ver. Minha boca cai aberta. Meu pai teria um infarto se me visse usando isso. Mas... puta merda, ele é quente! Um enorme sorriso se espalha pelo meu rosto enquanto eu me viro para a esquerda e para a direita em frente ao espelho. O vestido é todo justo pelo meu corpo. Ele tem uma grande abertura na frente que é coroada por uma grande faixa de tecido solto que cai suavemente sobre os meus seios. Isso lhe dá um ar elegante. As costas são baixas, e ele tem alças finas. Sim, meu pai teria um surto se me visse usando isso. Com sorte, Max não vai tirar nenhuma foto para compartilhar essa noite. Eu arrumo um pouco o vestido e me viro para sair. Dou de cara com Max, que está vindo pelo corredor. Ele me estuda e então puxa uma respiração. — Porra. ~ 40 ~


Olho para ele e o vejo me encarando, os olhos arregalados, a boca aberta. — Está ruim? — Puta merda. Eu gostava de você como amiga a cinco minutos atrás. Agora eu quero te jogar sobre o meu ombro e fazer... — Max! — eu grito. Ele olha para mim. — Sério, Mercedes. Quando você ficou tão gostosa? Eu bato no seu ombro. — É só um vestido. Ele passa um braço pelos meus ombros. — Querida, não é só um vestido. É o paraíso. Eu rio. — Meu Deus! — Shay diz quando sai do quarto usando um vestido parecido com o meu, mas preto. — Eu sabia que isso ficaria ótimo em você. Max para de andar e eu o vejo correndo o olhar pelo corpo de Shay. — Você está linda, Shay. Ela cora. — Ah, esse vestido velho. Eu rio baixinho. — Estamos prontos? — Max diz depois de limpar sua garganta desajeitadamente. — Claro que sim — Shay grita. — Nós nascemos prontas. Max se vira na direção da porta. — Vamos lá. Sim, vamos lá.

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Capítulo Seis A festa está acontecendo em uma enorme casa de três andares ao lado de outros prédios de fraternidades. Essa é a casa principal, e ela é gigante. Também está cheia de pessoas bêbadas, loucas e barulhentas. Max move eu e Shay pela multidão na direção do bar. Nós servimos nossas bebidas e achamos um lugar ao lado da piscina, observando as pessoas se jogarem na água. Há alguns casais de beijando e ficando muito atrevidos na área do spa. — Tem certeza que você está pronta para essas festas de faculdade? — Max diz na minha orelha. — Cara, eu cresci com motoqueiros. Isso não é nada. — Ela tem um ponto. Eu bebo minha cerveja e estudo a área, vendo muitos rostos desconhecidos. Paro em um rosto que é tão familiar que dói. Diesel está de pé contra uma rocha ao lado da piscina, as costas pressionadas na pedra, e Maxine está pendurada ao seu lado. Ele está todo vestido de preto, das botas até a camisa preta com as mangas dobradas até os cotovelos. Seu cabelo está bagunçado e completamente desalinhado, mas o rosto está barbeado. Deus. Ele é tão bonito que o meu coração dói só de olhar. — Olhando para ele de novo. Olho para Max, que está observando Diesel. — Longa história, Max. Você não quer ouvir, confie em mim. Seu rosto aperta. — Ele está te incomodando? — Não, claro que não. Ele bufa. — Vou pegar outra cerveja. — Eu vou ficar por aqui, — eu sorrio. ~ 42 ~


Shay vem ao meu lado, seus quadris balançando com a música enquanto ela se move. — Diesel está olhando para você. Eu não olho para ele de novo, embora a vontade seja grande. Eu só dou de ombros. Não preciso que mais ninguém saiba o quanto eu sou idiota quando se trata do super ultra homem gostoso parado ao lado da piscina. — Ah, vamos lá, ele é um babaca, mas é gostoso demais. Você não está nem um pouco interessada? — Não mesmo, — eu digo rápido – provavelmente, rápido demais. — Ele é um imbecil. Eu não gosto de imbecis. Nós caminhamos do lado da piscina, não muito longe da borda. A água azul é convidativa. Parece maravilhosa. A música muda e as pessoas gritam, algumas se levantando e balançando com o novo som. Eu não posso deixar de sorri, elas todas parecem livres e felizes. É exatamente o que eu vim sentir aqui. — Ah, ali estão alguns dos meus amigos. Eu vou chamar eles para conhecer você! — Shay diz, acenando loucamente com a mão esquerda. — Eu vou ficar aqui, — eu sorrio. — Vá lá dizer oi. — Tem certeza? — Max já está voltando, nós vamos até lá quando ele chegar. Ela sorri e sai, e eu continuo caminhando lentamente ao redor da piscina, apenas curtindo o momento. Estou olhando para um casal se beijando na água quando um cotovelo acerta o meio das minhas costas. Eu tropeço para frente, a cerveja voa da minha mão e eu quase caio na água azul gelada. Eu grito quando uma mão empurra minhas costas de novo, tirando todo o meu equilíbrio. Eu choro quando deslizo, caindo dentro da piscina. Quando eu afundo, algo doloroso bate contra a minha têmpora. Abro a boca e grito, somente para ter os pulmões cheios de água. Meu corpo automaticamente tenta expeli-la, e eu começo a tossir. Isso deixa tudo pior. Logo eu estou inalando muita água. Eu me debato, tentando voltar à superfície. Meus pulmões queimam e o pânico se instala enquanto eu tento subir desesperadamente. Um braço forte parece vir de lugar nenhum e se curva ao redor da minha cintura, me puxando para fora da água. No minuto em que o ar gelado da noite bate no meu rosto, eu tusso e cuspo, água se derramando da minha boca. ~ 43 ~


— Você está bem. Coloque para fora. Essa voz. Uma mão grande bate nas minhas costas e eu tusso, tentando libertar meus pulmões quando eles lutam para ter mais ar que fluido dentro deles. — Alguém consegue gelo. Diesel. É Diesel. Minha cabeça lateja quando a tosse diminui e um polegar quente desliza pela minha têmpora. Eu estremeço de dor e tento me virar. — Fique quieta, — ele ordena. Minha visão clareia um pouco e eu vejo Max correndo na direção da piscina, empurrando as pessoas que estão ao redor observando. — Mercedes? — ele grita. — Porra. Tire ela da piscina. Minha mente está um pouco embaçada quando Diesel nada, nos levando até a borda da piscina. Max se abaixa e me pega pelas axilas, me erguendo para fora da água. Eu caio contra o seu peito e tento me virar para ver Diesel, mas não consigo. Max está me segurando apertado. Ele está ofegando e claramente preocupado, e eu só posso imaginar como isso pareceu para ele. — Você está bem? — Eu b-b-b-b-bati a cabeça, — eu gemo. Levanto a mão e passo os dedos pela minha têmpora, estremecendo. — Hospital, — Max diz. — Só para o caso de ter havido uma concussão. Não está sangrando, não é demais ir ao hospital? — Eu n-n-n-não sei. Ele me solta e olha minha têmpora. — Eu não estava perguntando, querida. — Mercedes, — Shay grita, correndo com o gelo. — Deus, você está bem? Ela está frenética quando nos alcança, jogando o gelo para Max, que agradece a ela. Minha atenção está agora em Diesel, que está todo ~ 44 ~


molhado, o cabelo grudado na testa, os olhos em mim. Abro a boca para falar, mas Shay dá um passo na frente dele, bloqueando a minha visão. — Meu Deus, seu olho está inchando. Você está bem? — Ah... — eu digo, tentando olhar além dela. — Nós precisamos levar ela para o hospital para ter certeza, — Max exige, me levando para longe da multidão. Eu tento de novo. — Sim, mas... Shay se apressa para frente, e quando olho além dela, Diesel se foi. Apenas assim. Meu coração cai. Eu nem pude agradecer a ele.

***

— Ah, cara, — eu murmuro para mim quando as portas da sala de espera do hospital se abrem e meu pai, seguido por Jackson, Cade e Muff, aparecem. — Você chamou o meu pai, — eu assobio para Max, que está sentado ao meu lado. Ele me dá um olhar de simpatia. — Eu tinha que chamar. Você sabe disso. — Eu caí em uma piscina, — eu protesto. — Você foi empurrada e tem uma concussão. Se ele descobrisse e eu não tivesse ligado... Deus, ele ia arrancar a minha cabeça. Você sabe que eu não tinha escolha. Eu olho para ele. — Você podia ter dito a ele que eu caí de uma escada. Max, ele vai perder a cabeça se me ver com esse... — Porra, — meu pai diz, me cortando antes que possa falar mais alguma coisa. Seus olhos voam para a minha cabeça. — Baby, o que aconteceu? Eu me viro e encaro meu pai. — Pai, você não precisava vir. Eu só escorreguei... ~ 45 ~


Seus olhos vão para o meu vestido. — O que você está usando? — Pai... — Onde você estava? Eu suspiro. — Pai... — Que porra você estava fazendo? — Pai! — eu grito e ele finalmente presta atenção e força seu olhar do meu vestido para o meu rosto. Ele parece super assustador essa noite, seu cabelo loiro todo bagunçado, os olhos castanhos selvagens. Ele tem uma barba de dois dias, o que é bem incomum. Sua grande jaqueta de couro está sendo exibida orgulhosamente em suas costas, esticada nos ombros e vindo em volta do seu peito. — O que aconteceu, Ratinha? — Bom ver você, pai, — e murmuro, esfregando a cabeça. Ele suaviza um pouco e chega mais perto, parando bem na minha frente e pegando meu queixo. Ele levanta minha cabeça e nossos olhares se prendem. — O que aconteceu, baby? Melhor. O urso não vai mais brigar. — Eu fui a uma festa com Max, e alguém me empurrou na piscina. Eu bati a cabeça. Ele me estuda, sem dúvida para ver se estou dizendo a verdade. Ele acena alguns segundos depois. — Quem? — Perdão? Seus olhos brilham. — Quem te empurrou? Eu olho para Jackson pedindo ajuda, mas ele só mantém os braços cruzados e acena, me encorajando. Malditos motoqueiros. — Eu não faço ideia. Ele me estuda de novo. — Acho que ela está dizendo a verdade, Spike, — Cade diz. Graças a Deus alguém tem fé em mim. — E o vestido? — meu pai empurra.

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Eu desvio o olhar envergonhada. Realmente não gosto da ideia do meu pai me vendo vestida assim. Tento minimizar a questão. — É só um vestido, pai. Peguei emprestado de uma amiga. — Não é um vestido; é praticamente lingerie. Se cubra. Ele tira sua jaqueta e a empurra para mim. Meus olhos crescem. — Eu não vou usar isso. Ele estreita os olhos. — Por que não? — Pai, é a sua jaqueta. Ela chama atenção. Eu não vou usar. Alguém pode ver. Ele parece um pouco magoado com isso. — Você tem vergonha de quem você é? Meu rosto suaviza. — Não, claro que não, mas eu estou tentando fazendo amigos, e não quero que eles fujam com medo! Você é assustador, eles são assustadores, — eu aponto com o dedo para Jackson, Cade e Muff. — Aqui, pegue a minha, — Max diz, tirando seu moletom preto de capuz. — Onde você estava, rapaz? — meu pai rosna para ele. Deus. Aqui vamos nós. — Não é culpa dele, pai. Ele tinha ido pegar uma bebida. Ele não é o meu maldito guarda-costas. Meu pai segura o olhar de Max. Max o devolve, sem estremecer. Garoto corajoso. Meu pai finalmente vira a cabeça para mim outra vez. — Certo. Vamos para casa. Eu suspiro e levanto, oscilando um pouco. Papai pega o meu braço, me equilibrando. — Você tem certeza que pode ir embora? — Pergunte você, se preferir, — eu murmuro. Eu tenho uma dor de cabeça horrível, mas além disso, me sinto bem. — Vamos lá. Eu dou um sorriso fraco para Cade, Jackson e Muff quando meu pai me leva para fora do hospital. Eles todos nos seguem em silêncio. Alcançamos a caminhonete do meu pai e eu suspiro de alívio. Ele não veio de moto. Graças a Deus. Ele abre a porta para mim, e então joga

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uma nota de cinquenta dólares para Cade. — Peguem um táxi. Eu quero falar com a minha filha no caminho até em casa. — Beleza, — Cade diz. — Vamos lá, rapaz, — Muff diz para Max. Max vai com relutância, e eu subo no carro com um suspiro. Meu pai senta no lado do motorista e dá a partida, não dizendo nada por alguns minutos. — Era só uma festa, pai, — eu digo com cuidado, gentilmente até. — A minha garotinha se machucou essa noite, em um lugar onde eu não podia protegê-la. Não houve a porra de um único momento na sua vida em que eu não fui capaz de te proteger, Mercedes. Nem um. Essa noite, você saiu usando esse vestido, conseguiu uma concussão e eu percebi que você não está mais sob a minha asa. Eu não posso estar lá o tempo todo. Isso está me matando, porra. — Pai, — eu sussurro. — Se algo acontecer a você... — Pai... — Eu não sou forte como Jacks. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse a você. Ele está se referindo a Ava. — Pai, nada vai acontecer comigo. O que aconteceu com Ava foram negócios do clube; eu nem sequer sou parte do clube. — Não quer dizer que os problemas não podem te encontrar, baby. — Eu tinha que crescer um dia, você sabe. Eu vou me machucar. Coisas de merda vão acontecer. Eu sempre vou bater de volta. Ele para o carro e se vira para mim. — Não quero ver você ter que bater de volta, mas você está certa. Eu sei que você está crescida, fazendo as suas coisas, vivendo a sua vida, mas porra, garota. Está me matando não estar por perto para proteger você. Eu sorrio e pego a sua mão. Ele tem mãos grandes, o meu pai. Grandes e fortes. Seus dedos são cheios de anéis de caveiras, e eu me lembro que, enquanto para mim ele é o meu pai, para o resto do mundo ~ 48 ~


ele é um motoqueiro. Ainda assim, suas mãos são tão gentis. Elas sempre foram assim comigo. — Eu sempre vou voltar para você e para a mãe. Você sabe disso, não é? Ele me estuda. — Espero que sim. — Eu vou. Essa noite só me fez aprender mais sobre o mundo real. É a vida. Eu vou ter que me acostumar. — Pessoas te empurrando na piscina não é a vida, Mercedes. É bullying. Meu sorriso vacila. — Sim, bem, eu sou uma cria de motoqueiros. Eu vou cuidar disso se for preciso. Ele sorri, transformando seu rosto. — Essa é a minha garota. E eu vou. Certo.

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Capítulo Sete Eu observo os motoqueiros andando ao redor da minha sala de estar e não posso evitar sorrir. Eles parecem tão fora de lugar no meu apartamento minúsculo. Taj não está em casa, graças a Deus. Ele levaria um susto se entrasse aqui e visse todos esses caras. Eu dei a todos eles cervejas do estoque de Taj e estou esperando que eles vão embora logo, então ele não vai chegar e pegar eles espalhados no seu sofá. — Você está bem, princesa? Estou olhando para todos eles, minha mente em todos os lugares, quando ouço a voz de Muff. Eu foco nele e sorrio. — Estou bem, Muff. Você não precisava ter vindo. Ele levanta um ombro. — Não tinha nada para fazer. — Ou você queria ter certeza de que Max fez tudo certo. Ele sorri. — Você me conhece bem. — Ele não fez nada errado, eu prometo. Ele foi incrível. Seus olhos aquecem. Muff ama o seu garoto. — Sei que o meu menino não deixaria nada de ruim te acontecer de propósito. Mas todos nós deixamos passar algumas coisas. — Ele não pode estar em todos os lugares e, além disso, não é seu trabalho cuidar de mim. Seu rosto suaviza ainda mais. — Você é a melhor amiga dele. É trabalho dele sim, princesa. Eu sorrio. — Também é trabalho dele conseguir uma cerveja para a sua melhor amiga, que é o que ele estava fazendo quando eu fui empurrada. Muff sorri. — Bom ponto. Você venceu. ~ 50 ~


Eu pisco para ele. — Como sempre. — Ei, nós estamos indo nessa. Minha garota precisa descansar, — meu pai diz, se levantando e colocando sua garrafa vazia de cerveja no meu balcão. — Te encontro lá fora, Spike, — Cade diz, se levantando. — Até mais, Ratinha. — Até mais, Cade, — eu sorrio. — Até mais, princesa, — Muff diz, beijando a minha testa. — Até mais. —— Eu vou tomar um banho, — Max diz, saindo da sala. Meu pai o observa sair e então se vira para mim. — Esse garoto está dormindo no sofá? Eu bufo. — Pai, ele não é meu namorado. — Você tem certeza? Eu pisco. — Ah, sim. Caso você tenha perdidos os últimos vinte e um anos da minha vida, ele é o meu melhor amigo. Seus olhos se estreitam. — É melhor que eu não descubra que ele é outra coisa. Eu fico na ponta dos pés e beijo a sua bochecha. — É. Poderia ser muito pior. Pense nisso. Meu pai ri e passa um braço pela minha cintura. — Poderia sim. Até mais, baby. Me ligue quando você acordar amanhã. — Eu vou. Ele me solta e caminha até a porta. — Eu te amo, garota. — Eu te amo, meu velho. Eu o observo ir embora e então me viro para o meu apartamento agora calmo. Junto as garrafas e cerveja e as jogo no lixo, depois tomo uns analgésicos antes de ir para o meu quarto. Max ainda está no banheiro, então eu pulo na cama e envio uma mensagem para a minha mãe, prometendo ligar para ela amanhã e que tudo está bem – foi apenas um susto. Demora um pouco para ela se tranquilizar, mas

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finalmente ela deixa ir com a promessa de que vou ligar assim que eu acordar. — Ei. Olho para cima para ver Max na porta, seu cabelo molhado, sua calça e camiseta velhas e puídas. — Pijama legal. Ele sorri. — Roupas velhas são as melhores para dormir. Se mexa. Eu me arrasto para o lado e ele se atira na cama ao meu lado. — Noite agitada. — Nem me fale. Você avisou Shay que está tudo bem? — Sim. Liguei para ela quando você estava vindo para casa com Spike. Eu exalo lentamente. — Ela está bem? — Ela está feliz que você está bem. — Não posso acreditar que alguém me empurrou. Ele grunhe. — Você viu quem foi? — Não, não vi. Só senti alguém me empurrar e então eu estava caindo. — Foi uma coisa muito covarde. Ele está certo. — Pode ser que uma pessoa bêbada tenha tropeçado, Max. — Hmmm. Eu me mexo debaixo das cobertas. — Minha cabeça dói. Você vai dormir aqui ou lá? — O seu pai vai me matar se souber que eu dormi aqui. Eu bocejo e aceno uma mão. — É só dormir, Max, nada mais. Nós fazíamos isso o tempo todo quando eles estavam fora em corridas. — Certo, você me convenceu, — ele diz, empurrando as cobertas e entrando debaixo delas. — Não ronque. Você sabe que eu odeio isso. ~ 52 ~


Eu rio baixinho. — Vou tentar, mas eu estou dopada; é altamente possível que eu ronque. — Mal posso esperar. Eu sorrio. — Boa noite, Max. Obrigada por estar aqui. — Sempre, querida. Eu pego a mão dele. Ele enrosca os dedos nos meu, e nós adormecemos juntos, assim como sempre fizemos. Algo completamente natural para nós dois.

***

— Todo mundo está falando sobre isso! — Shay grita, se apressando pelo corredor ao meu lado na segunda-feira. — Falando sobre eu ter batido a cabeça? — eu murmuro. — Não, sobre Diesel ter pulado na piscina para te salvar! Eu paro e viro para ela. — Ele provavelmente era a única pessoa sóbria o bastante para fazer isso. — De jeito nenhum. Eu vi acontecer! Eu pisco. — Você viu? — eu sussurro. — E por que você não me contou? — Você teve Max durante todo o final de semana. Eu não queria arruinar seu tempo com ele. — Oh, — eu digo, enganchando um braço no dela. — Se isso acontecer de novo, você pode arruinar o meu tempo. Ela ri. — Ok, então, eu estava com os meus amigos e não vi quem te empurrou, mas ouvi a comoção quando você caiu na água. Eu não sabia que era você, na hora. Diesel estava ali perto com Bambi. — Espere, Bambi? — É como eu chamo a sua vadia com olhos de cervo. Ela acha que é a rainha da universidade, mas na verdade ela só parece um pequeno cervo estúpido. Eu adoraria colocar ela para correr. ~ 53 ~


Eu rio tão forte que sai pelo nariz. — Você é má, e eu amo isso. Continue. — Então, ele estava com Bambi. Então de repente ele estava empurrando ela e correndo na direção da piscina. Ele apenas se atirou, sem hesitar. A expressão no rosto dele quando puxou você para a superfície? Ele parecia... bem, ele parecia irritado, mas também preocupado. Como se ele se importasse com o que acontecesse com você. Foi quase fofo. Eu não o vi de novo, mas posso te dizer, foi intenso. Bambi estava tãooo puta que ele a dispensou, ela saiu furiosa e todos riram dela. — Ele só estava ajudando, nada demais, — eu digo, embora meu coração esteja flutuando com a história. — Ele teria feito isso por qualquer um. — Não mesmo. Ele já esteve em muitas festas e as pessoas caem na piscina o tempo todo. Eu nunca o vi mexer um dedo para ajudar. — Talvez ele tenha me visto bater a cabeça. — Ou talvez você o intrigue. Ela balança as sobrancelhas. Será? Eu intrigo ele? — Bem, talvez. Eu tenho que ir para a aula. — Eu vou para a cafeteria tomar um café depois da aula. Você vai estar trabalhando? — Hoje não. Minha primeira semana e eu já tive que tirar um dia de folga por causa da minha cabeça. — Não se preocupe, vai dar tudo certo. Eu sorrio. — Eu espero. — Você quer que eu te traga um café? Eu a abraço. — Eu te amaria para sempre por isso. — Ótimo, baby. Até mais. — Até mais. Ela desaparece pelo corredor e eu corro para o meu armário. Preciso trocar os livros antes da minha próxima aula. Estou ocupada cavando entre eles quando uma voz atrás de mim faz minhas mãos congelarem no meio do movimento. ~ 54 ~


— Não achei que você estaria aqui. A voz dele viaja dos meus dedos dos pés até a cabeça, fazendo minha pele arrepiar. Eu me viro lentamente e vejo Diesel parado atrás de mim, os braços cruzados, uma jaqueta de couro desbotada cobrindo seus ombros musculosos. Seus olhos parecem chocolate ao leite derretido hoje. — Eu estou. Não é tão ruim, na verdade, — eu digo, apontando para a minha cabeça. — Eu queria encontrar você. Queria agradecer pelo que você fez. Ele dá de ombros. — Eu teria pulado por qualquer um. Meu coração afunda. — Bem, obrigada mesmo assim. Seus olhos correm pelo meu rosto antes de se tornarem frios como pedra novamente. — Sim, sem problemas... qual o seu nome mesmo? Deus, isso dói. — Mercedes, — eu murmuro. — Certo. Ele parece entediado. Eu quero lhe dar um soco na cara. Estou tão cansada de tentar descobrir se esse cara lembra de mim. Eu apenas vou perguntar a ele. — Você não se lembra de mim, não é? Ele volta a focar em mim. — Eu deveria? — Você sempre é esse porco ou é só comigo? Sua mandíbula aperta. — Qual é o seu problema? — Eu fui ver a sua banda, lembra? Você foi um idiota comigo, naquela ocasião. E, infelizmente, você também foi o meu primeiro beijo. É bom saber que eu sou uma entre tantas que você nem ao menos lembra do meu rosto. Seu rosto é duro quando ele se inclina mais perto. — Eu lembro dos rostos; acho que o seu apenas não foi bom o bastante para eu fixar. Porra. Isso dói pra caramba. ~ 55 ~


— Você é um porco, — eu estalo. — Se eu fosse grande o suficiente, ia te dar um chute na cara. Suas sobrancelhas levantam, mas seu rosto rapidamente se torna impassível. — Gostaria de te ver tentar, Tigresa. Com isso, ele se vira e vai embora. Deus. Ele é tão frustrante. Shay está errada. Ele não dá a mínima para mim ou para qualquer pessoa. Na verdade, eu nem ao menos acho que ele dá a mínima para si mesmo.

***

Eu olho através do vidro para Diesel, sentado na sala de aula sozinho, escrevendo em seu caderno. Eu disse que estava cansada de ligar para ele, mas não consigo tirar meus olhos do garoto que tem me causado tanta dor de cabeça. Ele está perdido no que está escrevendo. Seu rosto está suave, seu corpo está relaxado. Eu nunca o vi assim. Isso muda tudo sobre ele. Eu preciso chegar cedo na aula para discutir um artigo com o professor, que claramente não está aqui, então não tenho escolha a não ser bater de leve na porta. Diesel levanta rápido a cabeça, e seu rosto instantaneamente endurece quando ele me vê. Com um suspiro, eu abro a porta. — Desculpe. Eu preciso falar com o Sr. Dean antes da aula. — Como você pode ver, ele não está aqui. — Ele vai chegar em alguns minutos. Ele geme e se levanta, fechando seu caderno e empurrando a cadeira para trás. Ele passa com pressa por mim, e nesse momento um pedaço de papel voa do seu livro. Ele não nota e sai, batendo a porta. Eu caminho e pego o papel, olhando para as bonitas palavras escritas à mão. Ele tem uma caligrafia legal, para um homem. Eu leio o que está escrito. Ainda que as águas sejam profundas, ~ 56 ~


É onde nossas partes mais escuras dormem. Na luz do dia, Nós somos muito mais do que dizemos. Eu dobro o papel com cuidado, mas paro no meio do caminho e decido fazer algo meio doido. Sento na cadeira e estudo as palavras, então começo a escrever abaixo das suas linhas. Se nós abrirmos nossas almas para os outros verem, Nossas partes mais escuras talvez possam ser livres. Quando a noite vem, não precisaríamos mais nos esconder, Poderíamos mostrar quem somos, Tudo que existe por dentro. Eu dobro o papel e me levanto rapidamente, correndo até a porta antes que eu me acovarde. Encontro o armário de Diesel e deslizo o papel para dentro, me certificando de que ninguém está olhando antes de voltar para a sala de aula. Espero que eu não tenha acabado de cometer um grande erro.

***

— Festa Zumbi, sábado à noite. Você está dentro? — Taj diz quando vamos embora à noite. — Festa Zumbi? Quantos anos nós temos, cinco? — Zumbis estão na moda. É tão divertido. Você vai? Faço uma careta. — Eu tenho que me fantasiar? — Hm, sim. É uma festa zumbi. Eu suspiro. — Eu não sou muito de me fantasiar. — Não seja uma estraga-festas. Vamos lá. Por favor! — ele junta as mãos e me dá a sua versão de ―olhinhos de cachorro‖. — Aff, certo, mas se eu for empurrada em outra piscina, a culpa vai ser sua. ~ 57 ~


Ele coloca a mão sobre o coração. — Você tem a minha palavra de que não vai ser empurrada em nenhuma piscina. Eu sorrio. — Vou acreditar em você. — Não posso acreditar que ela vai ter coragem de aparecer em outra festa. O som da voz de Maxine faz com que eu e Taj nos viremos. Eu noto um grupo de pessoas parado ao redor da caminhonete de Diesel, e todos claramente ouviram a nossa conversa, pelo jeito como estão nos olhando e rindo. — Só continue andando, — Taj diz. Eu considero fazer isso, mas meu lado teimoso vence. Eu já as ignorei, já tentei seguir em frente e manter a cabeça nos meus próprios negócios, mas uma hora chega. Eu não vou mais ser humilhada por um bando de vadias de nariz empinado. Nós não estamos mais no maldito Ensino Médio, e mesmo que estivéssemos, eu ainda não ia aceitar isso. — Por que eu não iria? — eu digo, parando e me virando na direção delas. — Vamos lá, — Taj pede, puxando meu braço. Maxine dá um passo para frente, colocando as mãos nos quadris. Ela inclina a cabeça para o lado e diz, — Com certeza você já pegou a dica. Ninguém quer você por perto, especialmente o meu homem. — E por que isso? — eu pressiono, andando para frente. — Com medo que eu possa me tornar mais popular que você? Ela ri, e parece uma música fora de ritmo. — Querida, não existe ninguém mais popular que eu. — Você tem certeza disso? — eu sorrio. — Claro que sim, — ela zomba. — Eu não gosto de garotas como você que vêm para cá pensando que podem falar e agir como bem entendem. Eu levanto as sobrancelhas. — Da última vez que eu verifiquei, esse era um país livre. — Essa é a minha universidade, — ela assobia, chegando mais perto. — Fique na sua ou lide comigo.

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Dou um passo mais perto e nós ficamos quase nariz com nariz. — Pode vir. — Você não aprendeu a lição na outra noite. Claramente precisa aprender agora. — Vá em frente, — eu sorrio outra vez. — Me ensine. Ela ataca, mas eu sou mais rápida. Meu pai me ensinou a lutar quando eu tinha cinco anos. Ele disse que ninguém ia jogar sua merda em mim. Eu nunca tive que usar o que aprendi em todos esses anos, mas o aprendizado volta rapidamente. Eu pego Maxine pelo braço e o torço atrás das costas. Ela grita e eu puxo com mais força, a dobrando para frente. Então eu me inclino na sua orelha. — Eu não gosto de ameaças, e eu não gosto de vadias que pensam que eu vou me dobrar à vontade delas. Fique longe de mim. Eu vou ficar longe de você. Entendeu? — Você vai se arrepender por isso, — ela guincha. As outras garotas nem uma vez tentam ajudar ela. Os caras estão rindo, claramente divertidos. — Você. Me. Entendeu? — eu rosno. — Sim! — ela grita. Eu a solta e dou um passo para trás. Meus olhos encontram os de Diesel, e ele não mostra nada – ele apenas se encosta contra o seu carro, me observando. Ele nem sequer tentou ajudá-la, o que, eu devo admitir, meio que me deixou feliz. — Tenham uma boa noite, — eu digo para o grupo de forma geral e me viro, me afastando. — Puta merda! — Taj grita, correndo atrás de mim. — Você acabou de fazer isso? Dou de ombros. — Eu sei me defender. — Você acabou de derrubar a rainha da universidade. Eu olho por cima do ombro para ver ela me encarando. Eu sei que apenas joguei lenha na fogueira, e com certeza deixei as coisas ainda piores. Ótimo. ~ 59 ~


Capítulo Oito — Então tem uma vaca na mistura? — Pru pergunta no telefone aquela noite. — Uma grande vaca, — eu bufo. — Ela pensa que é a dona da faculdade. — Aff, sempre tem uma assim. Se eu estivesse aí, iria te ajudar a dar um jeito nela. Eu rio. — Eu posso lidar com gente como ela. — Tem certeza? — Claro. Como está tudo aí? Ela geme. — Chato pra caramba. Eu sinto sua falta. Não tenho ninguém para ir nas festas. — Venha me visitar um final de semana! — Estou planejando isso. Agora que eu estou trabalhando, realmente preciso de um tempo de folga. Que tipo de merda é essa? Dou uma risadinha. — A vida é uma droga. — É sim. Ouça, eu tenho que ir trabalhar. Me ligue em breve. — Pode deixar. Até mais. — Até mais. Eu desligo e tento relaxar no meu sofá, mas seja lá quem mora embaixo do meu apartamento insiste em ser barulhento e descuidado de novo. Eu tento ignorar isso limpando lendo um livro, mas não consigo me concentrar. Não importa o quanto eu tente me fechar, não consigo deixar isso de lado. Eu só quero uma maldita noite de paz. Irritada e cansada, levanto do meu sofá e saio furiosa do apartamento.

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Corro escada abaixo até alcançar a porta de onde vem a música alta. Bato dela pelo que parecem eras antes que alguém finalmente abra. Ofego quando vejo Diesel parado ali, uma cerveja na mão, olhando para mim. Espere, o quê? Diesel mora aqui também? Eu não sabia disso. Eu nunca o vi andando ao redor. — Que porra você quer? — ele murmura. Abro a boca, então fecho porque nada sai. Os olhos de Diesel correm pela minha roupa, e seus lábios apertam. Estou usando uma velha camiseta dos Red Sox e um minúsculo short de algodão. Ótimo. Super quente. Meu cabelo não está melhor, preso no topo da minha cabeça em um coque bagunçado. — Eu... — eu começo. — Eu não sabia que você morava aqui. — Eu não moro. Spencer, sim. Certo. Spencer. — Bem, você pode dizer a Spencer que alguns de nós precisa dormir? Ele estuda meu rosto antes de seus olhos caírem para os meus lábios. Eu me contorço. — Relaxe. É só música. Eu volto a ficar muito irritada com o seu comentário. — Sério? Eu tenho que estudar e um trabalho para fazer. Nem todos podem fazer só o que querem. Diga ao seu amigo para abaixar a música. Ele se inclina contra a moldura da porta. — Diga você mesma. Eu suspiro e balanço a cabeça. — Não é uma surpresa que você não tenha muitos amigos. Suas sobrancelhas levantam. — Eu sou cheio de amigos. — Mesmo? E quantos deles realmente conhecem você? Eu vou dizer que menos da metade. O resto só fica em volta porque você é popular. Sua mandíbula aperta. — É mais do que você pode dizer de você. ~ 61 ~


Eu dou de ombros. — Eu sou uma pessoa legal. Eu também tenho bons modos. Eu posso ter um quarto dos seus amigos em números, mas todos gostam de mim. — Eu não gosto de você. Eu cruzo os braços. — Você não é meu amigo. — Bom. — Eu poderia ter sido sua amiga, e querido, eu teria sido a porra da melhor amiga que você teria na vida, mas você é um babaca. E eu não sou amiga de babacas. — E o que te faz pensar que eu iria querer ser seu amigo? Eu bufo. — Todos querem ser meus amigos. Eu sou uma ótima amiga. Mas você perdeu esse trem; se foi, passou, descarrilhou... Ele balança a cabeça. — Você é louca. Dou de ombros e sorrio. — Diga a Spencer para baixar a música. — Diga. Você, — ele grunhe antes de se virar e voltar para o apartamento. — De jeito nenhum você vai entrar na minha lista de amigos! — eu grito para a sua forma recuando para trás da porta. Me viro e vou embora, ainda sorrindo. Eu acabei de descobrir outro jeito de lidar com Diesel. Chego no meu apartamento e fecho a porta. Só então percebo que a música baixou consideravelmente. Alguém bate na minha porta alguns minutos depois e eu pulo para frente com um guincho. Leva alguns segundos antes que eu abra a porta. Diesel está ali de pé, os braços cruzados, olhando para mim. — De nada, — ele murmura. Tenho que piscar algumas vezes antes de conseguir falar. — Eu sabia que você queria ser meu amigo. Ele suspira e se vira, indo embora. — Estupidamente, até um pouco desesperadamente, eu grito, — Diesel? Ele para e olha para mim, inexpressivo. — Obrigada. Ele me estuda. — Onde você aprendeu a brigar? ~ 62 ~


Hm. Mudança de assunto aleatória. Dou de ombros. — Com meu pai. Ele acena bruscamente. — Legal saber que alguém por aqui tem bolas para enfrentar ela. Eu pisco. O quê? — Enfrentar ela? — eu digo com a voz pequena. — Maxine. — Ela não é a sua namorada? Seus olhos caem para os meus lábios, e eu me contorço. — Não significa que ela não precise ser colocada no lugar dela de vez em quando. — Certo. — Até mais, Tigresa. Tigresa? Estranho. — Certo, ok, até mais. Isso foi uma conversa quase normal? Droga. O homem não é uma rocha sem emoção, afinal de contas.

***

— Eu estou horrível, — eu gemo, me virando de um lado para o outro na frente do espelho. — Você é um zumbi, — Taj ri. — Você deve parecer horrível. Você come cérebros e tudo mais. — Eu sei, mas… eca. Ele joga um braço pelo meu ombro, e nós dois nos olhamos no espelho. Eu devo admitir, por mais nojento que seja, nós estamos incríveis. Estou vestindo uma regata branca que tem sangue falso espalhado pela frente e um short branco rasgado de cintura alta. Meu cabelo está bagunçado e parece malcuidado, e eu tenho sombras ~ 63 ~


escuras sob os olhos, assim como manchas de sangue aleatórias sobre o meu corpo. Taj está usando exatamente o mesmo que eu, mas ele está vestindo uma calça jeans branca, também rasgada, e tem um antigo moletom de capuz cinza. — Pronta? — ele pergunta. — Acho que sim. — Vamos lá. A festa é em um antigo armazém que foi decorado para o Halloween, embora claramente não seja essa época do ano. Taj me diz que é comum festas temáticas por aqui, só para ter algo diferente. Eu faço meu caminho através de teias de aranha, bonecas zumbi e estátuas para chegar no bar, onde todas as bebidas são vermelhas. Bem legal. Eu pego uma e bebo, sentindo na hora o gosto de vodca. Pego mais uma para quando essa acabar e me viro para Taj, que também tem dois copos nas mãos. — Mentes brilhantes, — ele acena para as minhas bebidas. Eu sorrio. — Sim! Vamos caminhar por aí. Andamos juntos pelo armazém, olhando as fantasias de todo mundo. É difícil dizer quem é quem quando todos estão vestidos como zumbis. Cérebros falsos estão sendo jogados ao redor, fazendo versões hilárias de um lamento zumbi. Eu não posso deixar de rir; é uma ideia muito boa. Bebo meu drink quando achamos uma cadeira coberta de sangue falso do lado de fora. Eu toco, vendo que está seco, e sento. — Então, qual o seu veredito? — Taj pergunta. — Muito incrível! — eu admito. — Eu sabia que você ia gostar. Eu sorrio para ele. — Você quer dançar? — ele pergunta, apontando para a pista de dança no meio de um jardim em frente ao armazém, onde todos estão dançando em câmera lenta. Eu explodo em risadas. — Isso pode ser chamado de dança? ~ 64 ~


— É dança zumbi. Você deveria tentar. — Certo. Estou dentro de qualquer coisa. Terminamos nossas bebidas e nos levantamos, indo para a pista de dança. Passamos as próximas horas rindo e praticando nossos movimentos zumbi enquanto a música assustadora não para de tocar. Eu estou passando um ótimo tempo aqui. Meu telefone toca no bolso, vibrando através do meu short, e eu paro meus movimentos épicos e o pego para ver o número do meu pai na tela. Eu não liguei para ele nos últimos dias, e se eu não atender agora, ele provavelmente vai dirigir até aqui. — Eu tenho que atender. Eu já volto. A música está tocando alto, então não posso atender aqui. Corro para uma área tranquila, mas o barulho da festa parece me seguir. Dou a volta até a parte de trás do edifício, onde encontro um antigo barracão. Isso vai servir. Eu passo pela porta aberta e vejo que o lugar também foi decorado. Não tem ninguém aqui. Atendo a ligação e pressiono o telefone em meu ouvido. — Oi pai, — eu digo. — Não está atendendo minhas ligações? — Estive ocupada estudando. E aí? — Onde você está? — Na casa de uma amiga. — Sua música tem música alta tocando. — Pai, — eu aviso. — Certo. Só estou ligando para ver se você vai vir para o aniversário da sua mãe daqui algumas semanas? — Vou tentar. Ela sabe? — Não quero dizer a ela e lhe dar esperanças, caso você não consiga vir. — Deixe assim por enquanto, se eu conseguir ir, vai ser uma surpresa. — Tente mesmo vir, sim?

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— Eu vou. Tenho que ir. Falo com você depois. — Certo, baby. — Até mais, pai. Eu desligo e dou um passo para fora do barracão, mas tropeço e caio para frente. O telefone voa da minha mão e cai na escuridão. Ótimo. Eu tateio pelo chão por alguns minutos, mas não consigo ver direito. Deixando escapar um suspiro frustrado, me viro e entro no barracão outra vez, procurando por uma luz. Estou em busca quando o som da porta batendo me faz saltar. Um segundo depois, as luzes somes e eu sou envolvida pela escuridão. Eu viro rapidamente, correndo para a única entrada. Está trancada. Risinhos femininos podem ser ouvidos do lado de fora e algo se aperta em meu peito. — Olá? — eu chamo, forçando a porta. Ninguém responde. A música do lado de fora para. — Ei, pessoal, nós só queremos informar que vocês não podem ir na parte de trás do armazém. Está fora dos limites; isso é uma ordem. Qualquer um que for visto lá vai ter que se reportar ao dono. Ele tem coisas frágeis que não quer que ninguém toque. Nós estamos fechando essa parte da festa agora. Aquela vadia. Aquela vadia suja. — Não, — eu grito. — Não. Eu estou aqui. Socorro! A música volta a tocar antes que eu possa terminar de gritar. Frustrada, corro pelo barracão, tentando achar uma maneira de sair. Não há janelas; é apenas um pequeno barracão de jardim. Eu fico de quatro e procuro por algo que faça barulho. Encontro alguns pedaços de madeira e bato contra as paredes, mas a música é muito mais alta que eu. — Socorro! — eu grito, ficando de pé e batendo meus punhos na porta. — Olá? O pânico sobe pelo meu peito. Esse lugar é longe da cidade; quando todos forem embora, eu posso demorar dias para ser ~ 66 ~


encontrada. Taj não iria para casa sem mim, tenho certeza disso, mas se Maxine fizer alguém dizer a ele que eu já fui para casa... ele provavelmente vai acreditar. Meu coração acelera enquanto bato meus punhos uma e outra vez contra a porta, até que eles estão machucados. Ela vai pagar por isso. — Olá? — eu grito. Exausta, eu caio sentada em um banco do lado esquerdo. Deixo a cabeça cair em minhas mãos. Está ficando quente aqui, tanto que é difícil respirar. Eu tento me acalmar, mas quanto mais tempo passo sentada, mais frenética eu fico. Elas provavelmente pegaram o meu telefone. Está bloqueado, mas não quer dizer que elas não podem dar um jeito de abri-lo. Uma lágrima escorre pelo meu rosto, seguida por outra e mais outra. Eu deveria ter continuado a ignorá-la. Acordei o dragão quando a ataquei e agora ela quer vingança. Tomo uma respiração profunda e me levanto, chutando a porta dessa vez. Talvez ela acabe cedendo. Eu chuto e bato e grito e berro pelo que parecem horas. Quanto maior meu pânico, mais altos são meus gritos. Bato na porta com tanta força que meus dedos sangram, mas eu não paro. Se eu for deixada aqui, poderia demorar muito até eu ser encontrada. Quando o sol da manhã vier, não vou ter nada para me proteger dele. Com certeza Maxine não me deixaria aqui todo esse tempo? É apenas uma brincadeira. Certo? — Alguém em ajude! — eu grito, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — Por favor! Eu sacudo a porta sem parar, chorando e gritando. Então eu sou jogada para frente quando a porta se abre. Tropeço algumas vezes antes de ser pega por um par de braços fortes. — Está tudo bem. Diesel. Eu agarro a sua camiseta, tremendo. — Ei, você está segura agora. — Oh meu Deus, o que aconteceu?

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Levanto a cabeça do peito de Diesel para ver Maxine de pé a alguns passos dele, tendo a ousadia de parecer chocada. — Sua vadia! — eu grito, me lançando dos seus braços na direção dela. Ele me pega e me puxa de volta. — Se acalme, Tigresa. — Ela me trancou num maldito barracão! — eu grito, tentando me soltar dos braços dele. — Eu disse, se acalme, — ele ordena. Tomo uma respiração afiada e paro de lutar, meus olhos não deixando Maxine nem por um momento. — Você vai pagar por isso, — eu estalo. — Eu não fiz nada, — ela sorri, mas no segundo que Diesel olha para ela, a vadia coloca novamente sua máscara de preocupação. — Você fez isso? — ele rosna. — Claro que não, — ela chora, colocando uma mão sobre o coração. — Eu nem sabia que ela estava aqui. Eu estava com Sandy o tempo todo. A morena, que agora sei que se freneticamente. — Sim, ela estava comigo.

chama

Sandy,

acena

— Você me trancou aqui dentro e anunciou no microfone que ninguém poderia vir aqui atrás, sua vaca mentirosa! — eu guincho. — O proprietário deve ter te trancado acidentalmente, — Maxine diz, sua voz toda doce e falsa. — Ele me disse para fazer o anúncio antes de ir embora. Mentirosa. Mentirosa do caralho. — Se eu descobrir que você fez isso, eu não vou ficar feliz, — Diesel avisa ela antes de se virar para me encarar. Ele pega minhas mãos e as levanta. — Porra, você está sangrando. Vamos lá. Vou te levar para casa. — Diesel, você não pode levar ela para casa! — Maxine protesta. — E eu?

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Ele olha para ela. — Vá com Sandy. Taj foi embora procurando por ela uma hora atrás, então ela não tem mais ninguém aqui. — Qualquer um na festa poderia levar ela. Diesel me solta e dá um passo para ela, se inclinando e assobiando. — Eu vou levar ela. Maxine franze o cenho quando Diesel se vira e volta para mim, pegando meu braço. Eu olho para ela quando começamos a caminhar e ela está me olhando de volta. — Parece que o tiro saiu pela culatra, — eu murmuro quando passamos. — Parece de cutucar a onça, — Diesel grunhe enquanto passamos pela multidão. — Ela me trancou em um barracão. Ele não diz nada, apenas me leva até a sua caminhonete e abre a porta para mim. Eu subo e espero ele fazer o mesmo. Olho para minhas mãos, elas estão piores do que eu pensei. A pele está aberta; outras partes estão inchadas e vermelhas. — Você pode ter quebrado alguma coisa, — ele diz e eu vacilo. — Acho que não quebrei. — Você precisa dar uma olhada nisso. Vou te levar na casa dos meus pais; é perto. Eles vão dar um jeito e então eu te levo para casa. Demorou mais de meia hora para Taj e eu chegarmos no armazém, então estamos a uma boa distância da cidade. — Eu posso esperar, — eu digo, sem saber se é uma boa ideia ir até a casa dos pais dele. — Você precisa colocar gelo o mais rápido possível ou não vai ser capaz de escrever por causa do inchaço na segunda-feira. Meus pais vivem a cinco minutos daqui; você, a trinta. Sua escolha. — Ok, — eu digo suavemente, muito cansada para discutir. — Foi o que eu pensei. Ele liga o motor e parte. — Você bebeu? — eu pergunto. — Não. Eu não bebo. ~ 69 ~


— Ah. Nós ficamos em silêncio enquanto ele dirige, e ele está certo. Cinco minutos depois, paramos na entrada de uma deslumbrante casa branca de dois andares, cercada por lindos jardins. É absolutamente impressionante. — É uma casa linda. Diesel resmunga alguma coisa e sai. Eu abro minha porta e saio antes que ele possa dar a volta no carro. Ele faz uma careta para mim, mas não diz nada. Eu ando ao seu lado quando ele caminha até a casa. — Os seus pais vão estar, hm, acordados? — Provavelmente. Não se preocupe – eles não vão se importar. Eu de repente estou nervosa, o que não faz sentido, porque não é como se nós estivéssemos saindo. Ele só está me ajudando. Tomo uma respiração profunda quando Diesel abre a porta da frente e entra. Os sons de risada e música vêm do jardim de trás, e eu paro. — Eles estão dando uma festa? — eu sussurro. Diesel dá de ombros. — Provavelmente. Nos movemos pela casa na direção do som. O lugar é incrível. Sério, de tirar o fôlego. O chão é de madeira polida e as paredes, de um tom branco creme. A cozinha tem balcões pretos brilhantes e os móveis são caseiros, mas ainda assim modernos. Diesel caminha pela cozinha e pega um saco de gelo na geladeira, o entregando para mim. Eu o pressiono contra meus dedos, suspirando de alívio. — Você quer conhecer eles? — ele pergunta, acenando na direção da porta. — Seria muita falta de educação usar seu pacote de gelo e não dizer oi. Seus lábios apertam. Deus, ele deve ser lindo quando sorri. Ele caminha até a porta e eu tomo uma respiração profunda, o seguindo para fora. Paro de repente no segundo que vejo todas as pessoas sentadas na varanda dos fundos. Puta. Merda. Minha boca cai aberta e o saco de gelo desliza das minhas mãos quando eu vejo um grupo de... motoqueiros. Meus olhos voam para o seu patch, e eu vejo que é do mesmo clube que vi na rua quando cheguei aqui. ~ 70 ~


Jokers’s Wrath MC. Deus. Puta que pariu. Talvez a família de Diesel seja apenas amiga deles. Certo. Certo? — Diesel, não estava esperando você! — uma mulher linda grita, pulando da sua cadeira e correndo até nós. Ela atira os braços ao redor do seu pescoço, e ele lhe dá um abraço. — Eu só parei para pegar gelo para Mercedes. A casa de vocês era a mais próxima, — ele diz. Ele disse o meu nome. Meu coração acelera inesperadamente. A mulher solta Diesel e olha para mim. Deus, ela é linda e tem um ar meio selvagem. Seu cabelo preto tem mechas roxas, e ela é pequena, mas tem um corpo de morrer. Seu rosto é deslumbrante, seus olhos são incríveis. — Olá. Uau, Diesel nunca trouxe ninguém para casa. Eu sou Jaylah, a mãe dele. A mãe dele? Merda. Aí está porque ele é tão bonito. — Ah, ele não trouxe? Uau. Bem, ah, merda, eu estou gaguejando, — puta merda, eu disse isso em voz alta. Jaylah começa a rir se aproxima, jogando um braço sobre os meus ombros. — Ah, eu gosto de você. Eu mordo meu lábio e olhos para todos os motoqueiros me estudando. Noto Maddox sentado no fim da mesa, uma mulher linda ao seu lado. Ela parece a Pocahontas. Deus. Ela é bonita. De onde essas mulheres vêm? — Ah, oi Maddox. A cabeça de Jaylah voa na direção dele. — Como você a conheceu antes de mim?

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Maddox sorri para Jaylah. — Conheci ela na loja. Algumas garotas estavam lhe causando problemas. Eu a ajudei. Não sabia que ela estava vendo o garoto. — Eu não estou vendo ele, — eu disse, sorrindo. — Ele não está nem na minha lista de amigos ainda. Diesel está me estudando, sua expressão curiosa. — Ele nunca traz ninguém aqui, mas você que sabe, — Jaylah ri. — Venha conhecer o meu marido, Mack. Ela corre até o homem que eu aquele dia na rua. Oh meu Deus. Ele é realmente o pai de Diesel. Tenho que obrigar minha boca a permanecer fechada. Ele é absolutamente bonito, como o seu filho. Seu cabelo é comprido e está preso em uma trança que cai sobre um ombro, assim como Jackson usa o seu. Sua pele é suave, morena, e ele é alto e bem constituído, mas são os olhos que prenderam a minha atenção antes, e prendem minha atenção agora. Castanho claro, levemente inclinados – maravilhosos. Genes nativo americanos são os melhores. — Oi, — eu digo nervosamente. — Oi, — ele devolve. — Bom te ver de novo. — De novo? — Diesel pergunta. — A sua família me ajudou a saída da loja outro dia. Quando Maxine estava se comportando como sempre faz. Eu não sabia que ele era o seu pai, no entanto. — Certo, — Diesel murmura. Eu me viro para olhar para o pai de Diesel, Mack. Meus olhos correm para baixo e vejo que uma das suas pernas está esticada para frente. Um leve brilho prata vem logo acima do seu sapato. Uma perna falsa. Isso explica porque ele estava segurando a moto de um jeito diferente. — Você consegue dirigir uma moto com isso? É realmente impressionante, — eu digo antes que meu cérebro funcione. Jogo uma mão sobre a boca imediatamente. Merda. Que grossa. — Oh meu Deus, me desculpe, eu não... Mack olha para mim, então ri. — Sim, estou com a minha esposa. Eu gosto de você. ~ 72 ~


Eu rio nervosamente. — Você pode muito bem conhecer todos eles agora, — Diesel murmura. — Esses são Krypt e sua esposa, Ash. Eu olho para um homem assustadoramente bonito, que está sorrindo para mim, e sua linda esposa que, como as outras, é tão incrível que dói olhar. — E esses são Pippa e Tyke. Olho para o próximo casal. Tyke também é bonito – definitivamente um motoqueiro, mas não assustador como os outros. Pippa, no entanto, é pequena, loira e parece que vai quebrar se você simplesmente respirar perto dela. Ela é doce pra caramba. — Você conhece Maddox. A esposa dele é Santana. O nome combina com a beleza de cabelos escuros. — Olá, pessoal. — eu digo, acenando a mão. — Eu sou Mercedes. — É um nome matador, — Santana sorri. — Foi o que eu disse, — Maddox adiciona. — O que aconteceu com a sua mão, garota? — Krypt pergunta. — A vadia da namorada dele me trancou em um barracão, — eu rosno. Ash ri alto e Krypt dá a ela um olhar. — O quê? — ela ri. — Eu gosto dessa garota. — Você tem uma namorada? — Jaylah pergunta. — E eu não sabia? Diesel... por quê? — ela coloca a mão no peito em horror fingido e eu rio. Ela é tão legal. Diesel está olhando para mim de novo. — Diesel! — Jaylah chora de novo. — Por quê? E o que há de errado com essa vadia para ela trancar as pessoas em barracões? Diesel olha para ela. — Nós tempos que dar um jeito nas mãos dela. — Vamos fazer isso aqui, garoto, — Mack diz. — Nós queremos falar com ela. Vá pegar o kit de primeiros-socorros.

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Diesel exala alto, mas acena e puxa uma cadeira para mim antes de desaparecer dentro da casa para pegar o kit de primeiros-socorros. — Você bateu nas portas? — Maddox me pergunta. — Ela é o tipo de garota que teria me deixado lá, então sim, — eu digo estremecendo com a dor que sobe pela minha mão. — Venha sentar ao meu lado. Quero ter certeza que seus dedos não estão quebrados, — Mack diz. Eu me levanto e caminho para sentar ao seu lado. Estendo a mão e ele a pega. Seus dedos são macios e longos, como os de Diesel. Olho para ele enquanto ele flexiona cada um dos meus dedos. Sim, ele é bonito como o filho. — Isso dói? — ele perguntando, dobrando o meu indicador. Eu estremeço. — Merda, sim. Jaylah ri de novo. Eu olho para ela e sorrio. — Você não está com medo da gente, — Mack diz, flexionado os outros dedos. Eu encontro seus olhos e tento evitar parecer culpada, porque talvez eu esteja sendo um pouco óbvia demais. Ainda assim, nem todo mundo ficaria com medo de um clube, certo? — Por que eu estaria? Ele parece chocado por um segundo. — Nós somos motoqueiros. A maioria das jovens corre para o outro lado quando nos vê. — Não acredito nisso, — eu digo, focando nas suas mãos trabalhando nas minhas. — Eu vi Sons of Anarchy. Vocês são quentes; acho que vocês têm um bando de fãs correndo atrás. Mack bufa, Krypt ri e Tyke grunhe. — Confie em mim, nós não temos. — Elas que estão perdendo, — eu digo com os dentes apertados quando Mack pressiona meus dedos. — Não são muitas garotas que iriam correr para um monte de motoqueiros na rua e agradecer a eles do jeito que você fez no outro dia. É impressionante, — ele continua. Eu olho para Maddox, que está me estudando. — Ele me ajudou; isso se chama bons modos. ~ 74 ~


— Eu definitivamente gosto dessa garota, — Santana diz. — Posso ficar com ela? Eu coro e olho de novo para as minhas mãos. — Você é colega de faculdade de Diesel? — Mack pergunta, pegando a outra mão. — Sim. — Gosta? — Sim, tirando a parte ―ser presa em um barracão‖. — Aqui, — Diesel diz quando volta para o jardim e me entrega um pano molhado. — A sua maquiagem está toda borrada. É só então que eu percebo que ele não está fantasiado. — Você não se fantasiou? — eu pergunto, pegando o pano macio e passando no rosto. — Não é a minha praia. Estreito meus olhos. — Por que não? Você é legal demais para isso? Mack late uma risada. Diesel olha para mim. — O quê? — eu digo. — É uma pergunta válida. — Não, eu só não gosto dessa merda. — Você precisa relaxar. Tire uma folga, faça uma massagem ou algo assim... — eu aponto. Jaylah ri. — E a história se repete, — ela diz para Mack, e ele pisca para ela um sorriso assassino. Será que Diesel parece com ele quando sorri? — Se fantasiar de zumbi é coisa de criança, — ele rosna para mim. — Nós realmente não podemos ser amigos se você continuar a ser assim, — eu adiciono. — Eu já te disse que tenho muitos amigos. — Nenhum é tão legal quanto eu, querido. Nenhum é tão legal quanto eu. ~ 75 ~


— Ah, sim, — Ash ri. — A história definitivamente se repete. Do que elas estão falando? — Sem querer interromper, mas você tem um inchaço muito feio aí. Coloque o gelo de novo. Diesel, limpe as mãos dela e garanta que não infeccione, — Mack diz, soltando a minha mão. — Obrigada, — eu digo, me levantando. — Sem problemas. — Vamos lá. Vamos fazer isso lá dentro e deixar que eles cuidem de tudo, — Diesel diz. — Sim, chefe, — Eu me viro para acenar para todos. — Prazer conhecer vocês. — Volte para nos ver de novo! — Jaylah disse. Eu sorrio, sabendo que isso nunca vai acontecer, e caminho para dentro atrás de Diesel. Ele me leva até o sofá e nos sentamos. Sem aviso, ele pega minha mão. Deus, eu estava errada – suas mãos são ainda melhores que as de Mack. São levemente ásperas nas pontas e macias no meio. Meio como ele, eu acho. Meu coração flutua. Eu não sei o que está acontecendo, mas acho que talvez eu goste de Diesel um pouco mais do que estou disposta a admitir. E isso me assusta pra caramba.

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Capítulo Nove — Você bateu com força naquelas portas, — Diesel diz, pressionando suavemente a parte dos meus dedos que agora está inchada e tem a carne exposta. — Sim, bem, eu não queria ser deixada lá quando todos fossem para casa. — Essa foi uma brincadeira muito doente. Eu olho para longe. — Eu chamaria de fraqueza. — Tenha cuidado, Tigresa, — ele diz, sua voz mais suave do que eu já ouvi. — Cutucar o fogo pode deixar tudo pior. — Você acha que eu deveria fugir com o rabo entre as pernas? Ele olha para mim. — Não, mas eu acho que às vezes você tem que saber quando calar a boca. — Ou talvez a sua namorada precise aprender que ela não faz as regras e não pode fazer bullying com as pessoas desse jeito. Essa merda não funciona comigo. Seus lábios apertam de novo. Deus, as coisas que eu faria para ver ele sorrir. — Maxine é uma princesa mimada que tem os pais ao seu lado. Para eles, ela não pode fazer nada errado. Ela manda na universidade porque ela pode, porque ela tem poder atrás dela para isso. Ela também é cruel e leva as coisas longe demais. — Então por que você está com ela? Ele olha para as minhas de novo. — Isso me dá algo para fazer. Eu pisco. — Sério? Ele dá de ombros e solta minhas mãos. — Você está pronta. — Não, sério, você está brincando? ~ 77 ~


Ele me olha com mau-humor. — Ela é boa para a minha imagem. Você faz merdas assim quando está tentando mudar de vida. Mudar de vida? O que isso significa? Ele pensa que ela é boa para sua carreira de astro do rock. Eu me pergunto se, lá no fundo, algo dentro de Diesel acredita que ele não merece algo melhor que ela, e isso me deixa triste. — Ela não é boa para a sua imagem, Diesel. Ela é uma vaca. Seus olhos dançam com a risada, somente por um segundo, mas está lá. — Você sabe como sorrir? — eu pergunto. — Não tenho razão para isso. Meu coração se parte. — Isso é uma vergonha. Nós ficamos em silêncio por alguns minutos, sem olhar um para o outro. — Por que você quer mudar de vida tão desesperadamente? — eu finalmente pergunto. — Você tem uma boa família, frequenta uma boa universidade... o que poderia ser tão ruim nisso tudo que faz você querer procurar outro caminho o tempo todo? — Maddox não teve filhos homens, e como eu sou o garoto mais velho da família, e sobrinho de Maddox, eles querem que eu assuma o clube. Oh. Isso é grande, mas não o bastante para ele se sentir assim. Eu não vou cavar mais fundo por enquanto. — Você não tem escolha? — eu pergunto, continuando o assunto. Ele olha para longe. — A pressão está ali, e é forte. Eu não tenho que fazer isso, mas eles não vão apoiar outra pessoa para assumir o clube. Eles estão fazendo com que seja difícil para mim fazer qualquer coisa que não seja me tornar presidente quando Maddox se aposentar. — Eu não percebi que Maddox e Mack eram irmãos. — Eles são irmãos adotivos, mas irmãos ainda assim, me fazendo o próximo na linha de sucessão. — E Krypt? Eu vi ele com o patch de vice-presidente. Ele tem filhos? ~ 78 ~


— Sim, gêmeos, mas eles já me escolheram. Eles são jovens, irresponsáveis e não são bons para assumir o papel. — Eu sinto muito. É uma droga quando você sente que não pode fazer suas próprias escolhas. Ele se vira e me estuda. — Você não é como a maioria das garotas, não é? Eu rio baixinho. — Não, certamente eu não sou. Nos encaramos por um momento, tanto que eu me contorço. Eu pulo de pé rapidamente. — Eu deveria ir embora. — Sim, — Diesel murmura. — Eu posso chamar um táxi se você preferir, ou... — Eu vou te levar em casa. — Certo, — eu digo suavemente. — Eu vou me despedir. Eu passo apressada por ele e vou até a porta dos fundos, abrindo e saindo para o jardim. Todos param de falar e olham para mim. — Estou indo embora, mas queria agradecer de novo por vocês serem tão legais comigo. — Não suma, garota, — Mack diz. Eu forço um sorriso. — Eu gostaria de dizer que não vou, mas... eu e o seu filho não somos muito próximos, na verdade. Jaylah se levanta e vem até mim, me dando um abraço. — Não se preocupe com o meu filho; ele é mais suave por dentro, eu juro. Eu rio e me afasto. — Eu vou acreditar na sua palavra. — Bom ver você de novo, Mercedes, — Maddox diz, piscando para mim. — Me chame de Marcy, e sim, bom ver você também, Maddox. — Até mais, querida, — Santana diz, seu sorriso caloroso. — Sim, até mais, bonita, — Ash sorri. — Tchau, Mercy! — Pippa diz. — Até mais, — Tyke estala. ~ 79 ~


— Fique bem, — Krypt adiciona. Eu rio quando todos terminam e aceno de novo. — Até mais. Ainda estou sorrindo quando entro. Diesel vê isso e seus olhos estreitam. — Pronto? — eu pergunta, minha voz baixa. — Sim. Penso que estou afundando mais e mais quando se trata de Diesel. Porque, droga, eu realmente quero ver a sua família de novo. E ele. Principalmente ele.

***

— Então você tem irmãos? — eu pergunto para Diesel enquanto ele dirige. — Sim, um irmão. Ele não é muito mais novo que eu. Seu nome é Jack. — Ele é um idiota como você? Ele me atira um olhar antes de voltar para a estrada. — Pare de ser uma cadela. Eu zombo. — Você traz o pior de mim. — Como você sabe disso? — Você está sempre mal-humorado e sério, especialmente comigo. Me diga, o que exatamente eu fiz para fazer você me odiar tanto? Ele não diz nada. Isso meio que machuca, e eu não tenho nem uma resposta atrevida para dar.

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Eu me viro e olho pela janela, tentando não mostrar em meu rosto a minha decepção. Ele para na frente do meu apartamento e eu solto o cinto de segurança, machucada e envergonhada. Ele não respondeu a minha pergunta. Por quê? É porque ele me odeia e está tentando evitar me dizer isso? O que eu fiz para que ele tenha tanta antipatia por mim? Sim, eu disse o que eu pensava dele, mas não achei que isso fosse fazer ele me odiar tanto. — Obrigada por me ajudar essa noite, — eu murmuro na porta, pegando a maçaneta e a abrindo. — Mercedes, — ele diz, sua voz rouca e baixa, diferente de tudo que eu já ouvi. — Até mais, — eu sussurro, descendo do carro. Não estou nem na metade da descida quando seu abro vem ao redor da minha cintura e me puxa de novo para dentro da caminhonete. Ele vira o meu corpo e bate contra o dele, minhas mãos subindo para se apoiar no seu peito. Abro a boca para protestar, mas ele vem e esmaga a boca na minha, duro e suave ao mesmo tempo. Eu ofego, e ele aproveita a chance para deslizar a língua dentro da minha boca. Eu não posso evitar. Eu nem acho que quero. Eu o beijo de volta. É melhor do que o nosso primeiro beijo, muito melhor. Sua boca é quente e dura, o beijo é profundo e cheio de paixão. Nossos lábios se batem. Um dos seus braços está em volta da minha cintura, a outra no meu cabelo e nossas línguas estão dançando. É o sentimento mais incrível do mundo, e acaba rápido demais quando ele se afasta, seus olhos castanhos parecendo quase pretos quando encontram os meus. — Eu não odeio você. Eu não conseguiria odiar você. Eu me lembro do nosso encontro; eu me lembro do nosso beijo. Isso realmente me choca. Mas, mais do isso, me confunde. — Então por que diabos você está agindo desse jeito? — eu sussurro. — Garotas como você nunca vão funcionar com caras como eu. Eu sou escuro; está na minha alma. Você é luz; eu vi isso da primeira vez que te encontrei. Você é o tipo de luz que pode consertar a minha escuridão, mas não posso deixar isso acontecer. Não posso correr o risco de te arruinar. A única forma que eu tinha de te manter longe de ~ 81 ~


mim era sendo um idiota, e estava dando certo. Se você me odiasse, eu nunca teria que pensar sobre como seria isso que estamos fazendo agora. — Diesel... — Você acha que tem o que é preciso para lidar com alguém como eu, com a vida que eu vivo, mas você não faz ideia. Você comparou a minha família a um maldito programa de televisão. Você vê o que quer ver. Você acredita no que quer acreditar. A realidade é muito diferente do que você está imaginando. — Você não tem ideia do que eu sei, — eu estalo. — Você age como se fosse durona, mas lá no fundo, você não é, Mercedes. Você é linda e pura e inocente. — Diesel, sério, se você soubesse... Ele se vira. — Você precisa ir. — Diesel, me ouça... — Mercedes, confia em mim quando eu digo que isso nunca vai funcionar. Vá embora. — Mas... — Porra, — ele rosna, se inclina e bate seus lábios contra os meus de novo. O beijo é duro e rápido, mas faz meu coração acelerar. — Apenas vá embora. Eu engulo, segurando seu olhar. Ele quer dizer cada palavra com tudo que há dentro dele. Posso ver no seu rosto, nos seus olhos. Ele realmente quer que eu vá. Ele não me quer na sua vida. Eu me viro e saio do carro. Meu coração quebra a cada passo que dou.

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Capítulo Dez — Oh meu Deus, você está bem? Eu estava tão preocupado. Ouvi o que aconteceu; eu não conseguia falar com você! — Taj grita no segundo em que entro pela porta da frente. — Eu estou bem, Taj. Diesel me ajudou. — Diesel? — ele pergunta, cético. — Ele era única pessoa sóbria por lá, — é mentira, considerando que eu não tenho ideia de quantas pessoas sóbrias havia lá. — Você está bem? Dou de ombros. — Eu vou sobreviver. — Mercedes... — Estou cansada, ok? Foi uma noite longa. Eu só quero ir para a cama. Podemos conversar depois? Ele hesita, mas suspira e diz, — Sim, ok. Eu vou para o meu quarto e jogo minha bolsa no chão, lutando contra as minhas lágrimas de raiva que ameaçam escorrer dos meus olhos. Eu estou entre a cruz e a espada. Diesel pensa que eu não sei nada sobre a sua vida e então está tentando me proteger. Eu posso contar a ele que sei tudo sobre essa vida, mas isso abriria as portas para um monte de outros problemas. Nós somos de dois clubes diferentes, e enquanto seu clube é tão leal e amoroso quanto o meu, o fato é que eles ainda são diferentes. Se ele não está falando que o seu clube é a razão pela qual não podemos estar juntos, então não sei ao que ele estava se referindo, e isso me incomoda ainda mais. Diesel é problemático; está escrito por todo o seu rosto. Tudo nele é escuro e retorcido, e a bondade em mim quer desesperadamente ajudá-lo, mas se ele não vai me deixar entrar,

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não sei como vou fazer isso. Eu não posso me colocar na sua vida se ele não me quer lá. Uma lágrima escorre pela minha bochecha quando eu caio na cama, pegando meu telefone. Preciso falar com alguém, qualquer pessoa. Alguém que estava nas proximidades achou meu celular e devolveu, graças a Deus. Eu odiava pensar em Maxine colocando seus dedos nojentos nele. Eu desprezo essa garota mais do que já desprezei qualquer pessoa na vida. Eu sou uma pessoa geralmente divertida, feliz e amigável, mas ela traz o pior de mim, e eu não gosto disso. — Ei, garota. Ao som da voz de Ava, a minha se quebra e eu coaxo. — Ava. — Merc, o que há de errado? — Eu, Deus, eu não sei nem por onde começar. — Fale comigo, — ela pede, sua voz suave. — O que está acontecendo? — É Diesel. — O que aconteceu? — As coisas estão difíceis desde que eu vim para cá. Eu o vi, falei com ele e ele agiu como um idiota. Então a sua namorada se meteu e começou a me perseguir. Eu não estava preocupada com isso, mas então fui empurrada na piscina e hoje à noite... — O aconteceu hoje à noite? — Ela me trancou em um barracão. — Como é? — sua voz irritada. Se os papeis estivessem trocados, eu estaria puta. — Ela me trancou em um barracão, e eu fiquei lá por um tempo. Eu tentei sair, machuquei minhas mãos... e Diesel finalmente me soltou. — Diesel precisa de uma bala, — ela arranha. — Não, a namorada dele precisa. — Você tem razão. — Ava, tem mais. ~ 84 ~


— Estou ouvindo. — Diesel me ajudou. Eu sei, — eu digo antes que ela possa me cortar de novo. — Eu sei o que você vai dizer, mas ele não é uma má pessoa. Eu sei que não parece que estou dizendo a verdade, considerando o que eu acabei de contar, mas ele não é, Ava. Ele é um cara legal – bastante problemático, mas lega. Ele me ajudou de maneiras que não posso explicar. — Ainda não estou convencida, mas você é uma garota inteligente, então vou acreditar na sua palavra. — Enfim, quando ele me largou em casa, nós nos beijamos de novo. Foi incrível. Deus, Ava, foi tão real. Então ele me disse que está agindo como um idiota porque ele sabe que não é bom par mim. Que ele tem muita escuridão. Ele estava falando sério, eu vi nos seus olhos. Ele disse que agir assim foi a única maneira que ele encontrou de me manter afastada. Eu acredito nisso, também. Foi quando ele disse que uma garota como eu nunca iria entender a sua vida que as coisas ficaram terrivelmente reais. — Sua vida? — ela pergunta. — O que isso quer dizer? — Ava, se eu te contar, você jura que nunca vai dizer a ninguém? — Mercedes, você está me assustando. — Por favor? — eu imploro. — Claro. Eu sempre vou guardar seus segredos. — Ele é membro de um clube de motoqueiros. Ela fica em silêncio por tanto tempo que eu chamo seu nome. — Como é? — ela sussurra. — Ele é filho de um membro. Eu... eu conheci a sua família. — Mercedes, — ela avisa. — Isso não é bom. Você disse alguma coisa a eles? — Claro que não. Eles foram tão legais, Ava. Assim como a nossa família. Eles foram ótimos cuidando de mim. Eu só... eu seu contasse a ele... se eles descobrissem... isso nunca iria dar certo, não é? Ela suspira. — Querida, eu provavelmente não vou ser aquela que vai te dizer que relacionamentos estranhos não podem dar certo. Lucas é um policial e nós funcionamos, só que isso é diferente. Se trata de ~ 85 ~


outro clube. Clubes não se misturam. Eu não posso te dizer honestamente como isso vai terminar. Eu acho que você precisa ser cuidadosa. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas. — Nunca vai chegar a esse ponto, de qualquer maneira. Ele não quer nada comigo. Ele acha que eu sou muito doce, muito inocente. Ele não tem ideia, Ava. Nenhuma. Eu o entendo mais do que qualquer outra pessoa. — A única maneira dele saber é se você contar a ele. — Sim, — eu soluço. — E se eu contar a ele, isso também poderia terminar antes de começar. — Você se importa com ele, não é? — Sim, — eu coaxo. — E eu nem sei porquê. Ele passou a maior parte do tempo sendo um completo imbecil comigo. Mas eu vejo isso. Ava. Eu vejo o que ele pensa que eu não vejo. Ele está ferido, quebrado, sozinho... — Eu não posso dizer como você deve lidar com isso, porque não importa qual caminho você escolha, é provável que você acabe machucada no futuro, mas se você se importa tanto com ele, talvez você precise conhecer ele melhor, ver o que acontece. — Ele não vai deixar isso acontecer. — Mercedes, você é a pessoa mais bonita e vibrante que eu conheço. A sua personalidade é tão viciante e real. Eu não acho que ele vai lutar por muito tempo. Seja quem você é, dê a ele tudo que você é – deixe o resto se ajeitar como deve. — E se por algum milagre inacreditável isso for adiante? E então? — Então você decide como vai lidar com isso. Não é que vocês não possam funcionar, mas é complicado, e às vezes o complicado não vale a pena. Você precisa conhecer ele e decidir se complicado é um risco que você está disposta a correr. — Você faria tudo por Lucas de novo? — Em um piscar de olhos. Eu suspiro. — Por que eu não posso apenas conhecer um cara legal?

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Ela ri. — Por um lado, um cara legal provavelmente correria para bem longe no momento em que conhecesse o seu pai. Pelo menos Diesel tem uma chance. Eu dou uma risadinha fraca. — Isso é verdade. Obrigada por conversar comigo. Eu realmente sinto falta de vocês. — Nós sentimos sua falta também. Não é o mesmo sem você. Venha nos visitar logo, ok? — Certo. Tchau, Ava. Amo você. — Também te amo, garota. Eu desligo e deixo o telefone escorregar das minhas mãos enquanto olho para meu ventilador girando sem parar. Será que Diesel vale a pena toda a confusão? Deus. Sim. Com certeza sim.

***

— Como foi a festa zumbi? — Shay pergunta, me alcançando enquanto corro a caminho da aula de inglês. — Boa, — eu minto. — Não é a mesma coisa sem você. — Claro, — ela ri. — Nada é. Eu sorrio e nós entramos atrasadas na sala de aula. Nossa professora. Sra. Ross, se vira e faz uma careta. — Vocês tinham coisa melhor para fazer, senhoritas? — Não senhora, — Shay sorri. — Se sentem, — ela ordena. Olho ao redor da sala. Não há lugares juntos porque estamos atrasadas e aula está lotada. Shay suspira e se senta na frente, e eu dou uma olhada nos poucos lugares vazios restantes, mas meus olhos param quando vejo Diesel no fundo, olhando para o seu telefone. Tem um lugar vazio do lado dele. Será que eu sento ali? Será que eu me

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arrisco? Decidindo que sim, que devo fazer isso, inspiro profundamente e subo as escadas, sentando bem ao lado dele. Alguns ofegos e cochichos podem ser ouvidos por toda a sala. Diesel olha para cima e seus olhos brilham um segundo antes dele assobiar, — O que você está fazendo? Eu me viro e olho para a frente da sala. — Aprendendo inglês. E você? Eu praticamente posso sentir a sua carranca queimando um buraco no lado da minha cabeça, mas me obrigo a manter os olhos na frente da sala. Sra. Ross começa a sua aula, e eu tomo notas, embora mal esteja ouvindo. — Mercedes, — Diesel diz. Eu olho para ele. — Sim? — O que você está fazendo? Encontro seus olhos. — Você nunca disse que não podíamos ser amigos. — Mas eu também nunca disse que podíamos. — Você tem algum problema em ser meu amigo? Ele estuda meu rosto. — Que jogo você está jogando? Eu mordo a ponta da caneta e olho para a frente de novo, dando de ombros. — Eu sou amigável. Eu gosto de você. — Você ouviu o que eu disse ontem à noite? — Eu ouvi. Eu não estou me jogando no seu colo e arrancando as suas roupas. Diesel. Estou apenas sendo sua amiga. Você sabe que quer isso também. Ele grunhe. Eu olho para ele de novo, um leve sorriso em meus lábios. — Admita; eu sou viciante. — Você é uma dor na minha bunda, isso sim. — Então, você vai ser meu amigo? Com certeza nós podemos ter uma conversa sem você ser um babaca.

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Ele bufa, algo que fica perto de uma gargalhada. — Você já está me deixando louco. — Desde que seja de um jeito bom, — eu sorrio para ele. — Eu tenho uma garota; ela não gosta de você. Como isso vai funcionar? — Você não me parece o tipo de homem que deixa uma mulher escolher com quem você fala Seus olhos brilham. — Não, você tem razão. Eu não sou. — Então isso é realmente um problema? — Nós nos beijamos, Mercedes. — Sim nos beijamos. Foi bem legal. Você deixou as suas intenções claras. Disse que não podemos fazer isso de novo. Mas você nunca disse que não podemos nos dar bem ou talvez sair às vezes. Ele suspira. — Que seja, Tigresa. — Isso é um sim? Ele dá de ombros. Eu sorrio. — Você não vai se arrepender. Ele pega a caneta da minha mão e começa a escrever em um pedaço de papel. Meu sorriso fica ainda maior.

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Capítulo Onze Olho para mim no espelho enquanto lavo as mãos depois do almoço. Vejo o meu pai quando olho para o meu reflexo, e isso não é uma coisa ruim. Meu cabelo loiro é grosso e um pouco ondulado; isso eu herdei da minha mãe. O resto é tudo do meu pai. Procuro na minha bolsa e pego o rímel, colocando nos cílios. Meu rosto parece resplandecente, até mesmo feliz. Estou feliz que Diesel e eu somos amigos. Isso é um passo na direção certa. Eu ainda não descobri o que é isso, mas é um bom passo mesmo assim. A porta se abre e eu termino de passar o rímel quando Maxine entra, seguida pela sua legião. Meu peito aperta e eu fecho as mãos em punhos. — Escuta aqui, vadia, — ela rosna, avançando para mim. — Diesel é meu; ele é meu, porra. Você precisa colocar isso nessa cabeça feia e seguir em frente. Eu olho para ela pelo espelho. — Para alguém que tem tanta certeza que ele é seu, você parece muito preocupada que eu tenha o poder de pegar ele para mim. — Você não tem poder nenhum! — ela grita. — Você é uma idiota patética e desesperada com uma queda por alguém que não pode ter. Você é bonita, eu vou admitir isso, mas você não é nada para ele, e está no meu caminho. Você não aprendeu nada quando ficou trancada naquele barracão? — ela dá um passo mais perto. — Eu posso fazer coisas muito piores. — Se ele está tão na sua, por que se preocupar comigo? — eu cuspo, me virando. — Porque você é a porra de um espinho no meu pé. Ele nem ao menos gosta de você... Deus, você não consegue ver? Ele acha que você é toda certinha e mal-educada.

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Minha raiva explode, e eu digo as próximas palavras sem pensar. — Engraçado, ele não achou isso quando me beijou. Duas vezes. No segundo em que percebo o que fiz, aperto minha boca fechada. — Você está mentindo. Não digo nada. Eu já cavei a minha cova. — Você está mentindo! — ela grita. Ando para o lado e passo correndo pelas suas amigas, que estão com as bocas abertas. Eu tenho que sair daqui. Estou fazendo uma confusão ainda maior cada vez que eu respiro. Eu sou um idiota por ter dito o que disse. Eu acabei de conseguir a sua amizade, e arruinei isso antes de ter ao menos uma chance.

***

Eu não vou para a faculdade nem para o trabalho nos próximos dois dias, incapaz de encarar a raiva que, não tenho dúvidas, está esperando por mim, Sei que Maxine deve ter ido atrás de Diesel, e sei que ele deve ter reagido. Eu me pergunto se ele disse a ela a verdade, ou se ele deixou as coisas ainda piores dizendo que eu menti. Deus, eu acabei de convencer ele a ser meu amigo e então empurrei isso na sua cara, contando para a sua namorada que nós nos beijamos. Eu sou uma amiga de merda. Uma batida na minha porta me tira dos meus pensamentos e eu me levanto, preocupada que Diesel talvez tenha cansado de esperar por mim e resolveu aparecer. Eu cuidadosamente coaxo. — Quem é? — Abra, garota. Eu pisco. Danny. Abro a porta e vejo meu irmão, Max, Skye e Ava parados na porta, pizza e cerveja na mão. Eu grito de felicidade e me atiro nos braços de Danny, o apertando o mais forte que consigo. Ele é grande, tanto quanto o meu pai, então ele me levanta como se eu não pesasse nada. — Bom te ver, irmãzinha. ~ 91 ~


— Senti saudades, — eu digo quando meus pés tocam o chão outra vez. Eu viro e abraço Ava, que é a próxima. — Ah, é tão bom ver você! — ela diz, me apertando com força. Eu passo para Skye, e ela ri quando nós fazemos uma dancinha da felicidade em um círculo enquanto abraçamos umas às outras. Então eu vou para Max, que faz o de sempre. Ele me levanta em seus braços e me balança de um lado para o outro. — Bom te ver de novo, Ratinha. — Não acredito que vocês todos estão aqui. Entrem! Eu os deixo entrar no meu apartamento e fecho a porta antes de me virar. — Querida, o que você está usando? — Ava pergunta. Olho para as minhas calças largas de moletom e camiseta. — Ah, eu tinha o dia de folga e não estava com disposição de fazer nada, — eu minto. — Bem, se vista. Nós vamos comer isso e vamos sair! — Skye anuncia. — Estou tão feliz por sair daquele vilarejo e vir para a cidade! — Sair? — eu guincho. — É noite de sexta-feira! — ela chora. — Você está na faculdade. Eu quero conhecer todos esses caras gostosos. Então sim, sair. Danny faz uma careta com as suas palavras, e eu não posso deixar de sorrir. — Ok, esperem eu me trocar. — Nós vamos junto, — Ava diz, enganchando um braço no de Skye e me seguindo pelo corredor. Alcançamos meu quarto e entramos. — Então, o que aconteceu com as suas mãos? — Skye pergunta. — Ah, longa história, — eu murmuro. — Diga. Olho para Ava, que dá de ombros e finge estar fascinada com algo do lado de fora da janela. Eu suspiro e conto para Skye tudo que contei para Ava, exceto a parte sobre Diesel ser parte de um clube.

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— Oh meu Deus! Você está falando sério? — ela grita. — Mas que porra é essa? Espero que a gente encontre essa garota hoje à noite, para eu poder dar uma lição a ela. Eu rio e balanço a cabeça. — Vou ter certeza que você não a encontre, então. — E Diesel, — ela continua. — Esse cara precisa tirar a cabeça de dentro da bunda. — Provavelmente. O que eu vou vestir? Eu passo a próxima hora rindo com as garotas e comendo pizza enquanto nos arrumamos. Ava faz cachos no meu cabelo e Skye escolhe um vestido. Quando estamos prontas, encontramos os meninos e vamos para um bar local para beber alguma coisa. — Eu tenho tanta inveja de você, — Skye diz, suspirando enquanto atravessamos a sua na direção do bar. — Eu daria tudo para viver aqui. — Por que você não vem? — eu pergunto. Seu olhar corre para Danny. Ele está olhando para ela, intensamente. — Eu não sei. Faculdade não é o que eu realmente queria fazer. — O que você quer fazer? Ela dá de ombros. — Honestamente, eu não sei agora. Minha cabeça está uma bagunça. — Você tem tempo para pensar. — Sim, eu tenho. Enfim, vamos beber. Nós pegamos ritmo e chegamos no bar. A música não está ridiculamente alta, o que é bom. Eu quero ter a chance de conversar com todos eles. Danny vem para o meu lado e joga um braço sobre o meu ombro enquanto caminhamos em fila até o bar. — O que aconteceu com as suas mãos? — ele pergunta. — Nada, D. — Mercedes, — ele avisa, me impedindo de chegar no bar. — Isso não é nada. O que aconteceu? Eu suspiro e olho para ele. — Eu tive problemas com algumas garotas da faculdade. Está tudo bem. ~ 93 ~


— Problemas como ser empurrada em uma piscina e abrir a cabeça? Eu gemo. — Danny, vamos lá. Nós viemos aqui para nos divertirmos. Eu estou bem. Estou lidando com isso. — Você sofreu bullying? Eu balanço a cabeça. — Não, claro que não. — Nosso pai sabe que isso aconteceu? Eu endireito os ombros. — Não, e não vai saber. Eu estou vivendo por minha conta, me sustentando e indo para a faculdade. Isso não é mais da conta dele. — Nós dois sabemos que tudo é da conta dele. — Você é tão parecido com ele. Nós podemos ir beber agora? Ele faz uma careta mas concorda, e pedimos bebidas para todos antes de irmos para a mesa que os outros já tinham escolhido. — Ei, tem uma banda tocando! — Skye grita. — Eu amo bandas. Eu me viro e olho para o palco, e a minha pele formiga quando vejo a marca atrás do palco que diz Wrath. Meu Deus. Isso não é bom. — Essa é a banda dele? — Ava se inclina, sussurrando no meu ouvido. Eu concordo com a cabeça. — Oh-ou, — ela diz. Isso é dizer o mínimo.

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Capítulo Doze — Meu Deus, — Skye grita. — Esse cara é bom! Minhas bochechas queimam quando olho para Diesel no palco, suas mãos em volta do suporte do microfone. Ele está cantando e derretendo todas as calcinhas no recinto. Ava puxa meu braço e eu me aproximo. — Puta merda, querida, ele é bom. — Esse cara é um maldito filho de motoqueiro, — Danny murmura, estudando Diesel. — Quê? — eu guincho. Ele olha para mim. — Filho de Miakoda, o irmão adotivo do presidente do Joker‘s Wrath, Maddox. Meu. Deus. — E como você sabe disso? — eu digo. Ele levanta as sobrancelhas. — Eu conheço cada um dos membros do Joker‘s Wrath MC. Se você tem um clube tão perto do seu, é sua missão saber o que eles estão fazendo. Meu coração afunda. — Certo, — eu digo para as minhas mãos. Ava se inclina e aperta o meu joelho. — Está tudo bem. Respire. Eu tomo algumas respirações estáveis, mas preciso de ar. Não posso fazer isso. Eu não posso estar aqui. Eu me levanto e consigo dizer em poucas palavras que vou ao banheiro, então corro para a multidão. Percebo que a música para quando saio pela porta dos fundos, mas não olho para trás. Meus ombros batem na parede de tijolos e eu pressiono as mãos no rosto, tentando me recompor. Meu irmão sabe quem Diesel é. Diesel está aqui e provavelmente pronto para me matar. Minha vida é uma droga. ~ 95 ~


— Estava procurando você. Ao som da voz de Diesel, eu olho para cima e começo a gaguejar antes que ele possa dizer qualquer outra coisa. — Eu estava me escondendo, — eu coloco para fora. — Eu sou uma amiga de merda. Eu não quis fazer isso, eu juro. — Mercedes... — É que ela estava na minha cara, e ela não me deixava em paz. Saiu antes que eu soubesse o que estava fazendo. — Mercedes... — Eu não acredito que fiz essa merda. Nosso primeiro dia em paz e eu arruinei tudo. — Tigresa... — Eu realmente sinto muito, Diesel. Deus, eu entendo se você quiser me chutar agora. Eu entendo se você não quiser mais... Ele me corta colocando a mão sobre a minha boca. Eu paro de falar e pisco. Ele não tira a mão. — Eu não estou zangado com você. Maxine perdeu a cabeça, mas ela não tinha esse direito. Nós não somos exclusivos. Ela beija outras pessoas sempre que tem vontade. Ela me mantém por perto só pelo status, e eu faço o mesmo. Não dou a mínima se ela sabe. Eu pisco de novo. Ele tira a mão. — Você não se importa se ela sabe? Ele dá de ombros. — Ela só ficou chocada porque eu nunca tinha beijado ninguém enquanto estava com ela, e em algum lugar na sua mente retorcida ela achou que estava tudo bem ela fazer isso, mas eu não. — Você me beijou antes de eu vir para cá, — eu aponto. — Sim, mas eu não estava com ela naquela época. — Vocês têm relação muito estranha. Não é normal. Você sabe disso, não é? — É o bastante. ~ 96 ~


Eu balanço a cabeça. — Então você é de trair? — Se eu estiver com uma garota que eu gosto, não. — Então você não gosta dela? — Porra, não. — Você só transa com ela e mantém ela por perto... porque... — Não tenho uma resposta direta para isso, mas ela funciona para mim. Ele ainda não está me dizendo toda a verdade, mas eu deixo assim. — Você, meu amigo, tem sérios problemas. Ele dá de ombros. — Nunca neguei isso. — Então... — eu hesito. — Nós ainda somos amigos? — Você vai me perseguir se eu disser não? Eu finjo pensar nisso por um segundo. — Com toda certeza. Ele balança a cabeça, seu rosto levemente divertido. — Então sim. — Iupiii! Ele grunhe. — Me dê o seu telefone. — Para quê? — Para eu colocar o meu número, assim da próxima vez que você sumir por dias depois de fazer alguma merda estúpida, eu posso te achar. — Awn — eu digo, pegando meu telefone e atirando nele. — Você se preocupa comigo. Outro grunhido enquanto ele digita o número. — Isso quer dizer que eu posso tentar te enviar mensagens? Ele olha para mim. — Não. — Significa que eu posso te enviar mensagens, — eu sorrio. — Tigresa, não. — Você vai amar. ~ 97 ~


— Não. — Você realmente vai. Ele suspira. — Você ainda vai tocar? Ele acena. — Sim. — Eu vou assistir. — Imaginei. Eu rio, e ele desaparece do lado de dentro. Graças a Deus tudo acabou bem. Eu não tenho certeza se teria gostado de perder Diesel. Ele definitivamente não gostaria de me perder, mesmo que ele não admita.

***

— Você é amiga desse cara? — Danny pergunta no segundo em que me sento de novo à mesa. — Sim. E daí? Ele me atira adagas com o olhar. — Você está brincando comigo, certo? — Não, D. Não estou. Nós somos amigos. Somos colegas de faculdade. Não é nem ao menos uma amizade séria. — Ele é de outro clube. Eu olho para ele. — Esse clube tem algum problema com o de Jack? — Não. — Então por que isso importa? Ele parece horrorizado. — Importa; você sabe que sim. Ele sabe de onde você é?

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— Não. — Você sabe que ele é o próximo na linha para ser o presidente dos Joker‘s? — Eu não sei, eu mal falo com ele, — eu minto. — Você precisa parar, Merc. — Danny, sério, pare com isso. Eu sou sua colega de faculdade, nós somos amigáveis quando nos vemos; não é nada demais. Danny grunhe. Eu dou um olhar para Ava e Skye; as duas sorriem. — Vamos dançar! — eu chamo eles. Nós passamos a próxima hora dançando as músicas da banda, e quando eles terminam a sua apresentação, eu estou suando e exausta. — Vamos achar algo para comer! — Ava grita sobre a música que agora está tocando nas caixas de som. — Estou faminta. — Você comeu antes! — eu grito em resposta. Ela dá de ombros. — Preciso de mais. Nós encontramos os meninos e saímos. Olho ao redor para achar Diesel e me despedir, mas não o vejo até que chego à porta. Ele está junto de Maxine, que tem o braço possessivamente preso ao dele. Meu coração afunda, e eu olho para longe antes que ele me note. Amigos. Eu disse amigos. Pego meu telefone quando chegamos à rua e mando uma mensagem para ele. M – Não consegui achar você para me despedir! Mas vocês arrasaram essa noite! Coloco o celular no bolso e alcanço os outros. — Então, — Ava diz, enquanto Danny e Max caminham na nossa frente, — o que aconteceu lá? — Diesel e eu apenas conversamos, — eu dou de ombros. — Sobre? ~ 99 ~


— Sobre ser amigos. — Então vocês são amigos agora? — ela pergunta. — Aparentemente. Meu telefone vibra, e meu coração acelera quando eu olho para a tela. D – Pare de me mandar mensagens. Eu sorrio e respondo. M – Você vai amar isso, provavelmente vai precisar das minhas mensagens para sobreviver. D – Não, eu não vou. M – Você é um amigo tão bom. Fico feliz que tivemos aquela conversa. D – Você é uma dor na minha bunda. M – Eu também adoro você. D – Vá para casa, Tigresa. M – Boa noite, D. — Você precisa parar de sorrir assim, — Skye ri. Eu não posso evitar. Eu estou feliz.

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Capítulo Treze — Então, o que vai rolar esse final de semana? — Shay pergunta quando eu entrego a ela um café durante o meu turno. — Trabalhar e relaxar. — Nós temos que sair domingo ou fazer alguma coisa. Eu sorrio. — Parece um plano muito bom. — Perfeito! Bem, eu tenho que estudar. Te ligo depois. Ela desaparece pela porta e eu pequeno sino acima dela toca. Eu volto a servir cafés. Estou ocupada servindo uma xícara para um senhor quando uma voz vem de trás de mim. — Ei. Eu me levanto com um sorriso enorme e me viro para ver Diesel, as mãos nos bolsos. — Ei você. — Que horas você sai do trabalho? — Você está me chamando para um encontro? — eu provoco. — Responda a pergunta, Tigresa. Eu bufo. — Saio em uma hora. — Você gosta de motos? — Tipo... motocicletas? — Sim, motocicletas. — Hm, claro. Por quê? — Você gosta de corridas?

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— Você está me dando várias dicas. Quer me dizer do que você está falando? Seus olhos meio que dançam um pouco, mas ele rapidamente esconde isso. — Meu pai vai correr essa noite. — Correr na moto dele? — eu pergunto, impressionada. — Sim, eles correm uma vez por mês na pista. Eles me disseram para levar você. Eu me viro e caminho até o balcão. — Assim você me magoa. — Você quer vir ou não? — Não até que você me pergunte direito. — Mercedes, — ele avisa. — Você praticamente está me convidando porque os seus pais querem. Nós deveríamos ser amigos. Se você quer que eu vá, então me convide direito. — Você é sempre essa porra chata? — O seu tempo está passando, — eu digo, enchendo o meu bule de café. — Porra. Você quer ir comigo na corrida essa noite? Eu me viro. — Você quer que eu vá? Ele faz uma careta. — Pare de fazer careta. Isso leva embora a sua beleza viril. — Mercedes, eu vou te atirar em cima da mesa mais próxima e bater na sua bunda se você se referir a mim outra vez como ‗beleza viril‘. Eu rio. Seu rosto suaviza. — Quero que você vá comigo. Que horas você sai? — Aw, ele pode ser amigável. Eu saio em uma hora. — Eu vou estar lá fora. Com isso, ele se vira e sai. ~ 102 ~


Eu não posso tirar o sorriso do rosto.

***

— Você veio! — Jaylah grita, jogando seus braços ao meu redor no segundo em que nós entramos na tenda sob a qual eles todos estão sentados. Tem uma ótima vista da pista. — Diesel implorou. Eu não podia dizer não. Diesel grunhe enquanto caminha até o cooler, onde ele pega duas cervejas. — Venha. Eu quero que você conheça meu outro filho e o resto da gangue. Eu sorrio e a sigo até o grupo de pessoas sentadas. É como o nosso próprio grupo reunido – Danny, Skye, Ava, Max e eu. Meu coração aquece. Eles não são diferentes de nós – nada mesmo. São todos os clubes iguais? Será que todos os ressentimentos e guerras acontecem apenas por causa de orgulho teimoso e a vontade de ser o melhor? Lá no fundo, eles são todos assim? Apenas uma família fazendo a sua coisa, amando um ao outro e sendo quem são sem arrependimentos? — Gente, quero que vocês conheçam Mercedes, a amiga de Diesel. Eles param de falar e olham para mim. Deus, eles são tão atraentes quanto seus pais. — Esse é o meu outro filho, Jack, — Jaylah diz apontando para um rapaz lindo, com a idade próxima à de Diesel, sentando com os pés na grama, suas pernas sobradas. Ele parece mais com Jaylah que com Mack. Seu cabelo é escuro, mas não tanto quanto o de Diesel. Seus olhos são claros, provavelmente verdes. É difícil dizer daqui. Sua pele é mais clara, mas ainda tem um brilho bronzeado suave. Ele é mais magro que o irmão, mas tão lindo quanto. Ele sorri para mim. — Oi, garota. — Oi, você, — eu sorrio. — Esses dois rebeldes são Phoenix e Quinn, os filhos de Ash e Krypt. ~ 103 ~


Eu olho para os gêmeos e os meus olhos se abre. Sim, eles são extremamente bonitos. Eles são idênticos, e a única diferente é que um tem o cabelo curto, e o outro deixou o seu crescer até o ombro. Eles se parecem muito com Krypt, com os olhos verde-claros, cabelo castanho e constituição grande e musculosa. Eles ainda têm os rostos bastante juvenis, o que contradiz seus tamanhos e me faz pensar que eles estão apenas no começo dos vinte. Provavelmente têm a minha idade. — Oi, — os dois dizem em uníssono. — Oi, — eu aceno. — Essas moças lindas são Molly e Matilda, as filhas de Maddox e Santana. Eu olho para as duas e minha respiração fica presa. A mais velha, que eu assumo que seja Molly, uma vez que Jaylah apontou para ela quando disse o nome, é deslumbrante. Ela é uma maravilhosa mistura dos seus pais – olhos azuis, cabelo preto espesso e pele bronzeada. Ela é magra, alta e de tirar o fôlego. — Oi, Mercedes, prazer em conhecer você, — ela sorri. — Você também, — eu sorrio de volta. Eu olho para Matilda, que é uma cópia de Santana. Cabelo escuro, olhos escuros, pele escura. Ela é uma mini Pocahontas. — Oi! — ela diz animada, acenando. — Oi! — eu digo de volta. — E esse pequeno anjinho é Kaylee, a garotinha de Tyke e Pippa. Eu olho para a linda garotinha sentada perto de Jack. Pela sua aparência ela provavelmente tem a mesma idade de Matilda, talvez tenha um pouco menos de vinte, e possui o mesmo cabelo castanho avermelhado que seu pai, mas tem os mesmos grandes e lindos olhos da sua mãe. Ela é quieta por natureza; está escrito no seu rosto quando ela me dá um pequeno sorriso e acena. — Oi, — eu sorrio gentilmente. Ela sorri de volta, mas não diz muito. — Esses são todos. Sente, agora que você já conhece eles, — Jaylah pede, me encorajando a ir em frente.

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— Você pode sentar aqui, — Matilda diz, batendo na grama ao seu lado. Eu vou e caio ao seu lado. — Você já viu alguma corrida de motos? — Molly pergunta. — Nah, mas eu estou muito empolgada para ver essa. — Você vai amar. — Aqui, — Diesel diz, chegando e se sentando ao meu lado. — Oi, D, — Molly sorri. — Não te vejo faz tempo. — Oi, Mol, como estão as coisas? Meu coração flutua. Ela o chama de D. Assim como eu chamo Danny. Eles são tão parecidos com a gente, é assustador. Isso me faz sentir saudade da minha própria família, e uma grande parte de mim gostaria de poder contar a eles, mas eu não posso. Eu não sei ainda quais são os riscos e, até lá, não posso falar nada. — Bem, — Molly diz. — Como está a vadia do ano? Eu olho para ela, que murmura Maxine. Eu engasto e ela sorri. — Não seja uma vaca, — Diesel diz a ela, mas ele está olhando para mim. — O quê? — eu digo. — Ela só está sendo sincera. Ele balança a cabeça e olha para Jack. — Como está o trabalho? Jack dá de ombros. — Uma merda, você sabe como é. Como está a faculdade? — Uma merda, — Diesel diz. — Você sabe como é. Jack sorri para ele. Awn. — Então, vocês são colegas de faculdade? — Phoenix pergunta. — Sim, — eu digo. — Embora Diesel não fosse um grande fã meu até que eu o convencesse do contrário. — Estou surpresa, — Matilda ri. — Geralmente ninguém consegue atravessar essa cabeça dura. ~ 105 ~


— Ele não teve escolha, — eu sorrio, batendo no ombro de Diesel com o meu. — O que você teve que fazer? — Jack pergunta. — Drogar ele? — Meu charme e inteligência o conquistaram. Diesel bufa, e todos riem. — Por que você não pode namorar alguém como ela? — Quinn resmunga. — Ela tem uma personalidade de verdade. Eu rio. — Ele gosta delas fáceis e oferecidas, — eu provoco. — Ela não cala a boca, — Diesel murmura. — Ela enche os meus ouvidos o dia todo. Eu bato nele de novo. — Você ama isso, admita. — Nunca. Todos eles riem outra vez. — Oi, querida. Eu olho para cima para ver Mack olhando para mim. — Oi, Mack. — Vejo que você o convenceu a deixar você nos ver de novo? — Não foi fácil. Foram necessárias muitas armas. Mack ri. — Oi, garoto. Diesel olha para ele. — Oi. — Você está bem? — Estou bem, pai. — Venha tomar uma cerveja comigo, traga a sua garota. Diesel olha para mim, então se levanta. — Vamos lá. Eu me levanto e aceno para os outros enquanto o sigo para o lugar onde os motoqueiros estão sentados. — Oi, garota! — Santana grita. — Bom ver você de novo. — Você também, — eu sorrio. ~ 106 ~


— Vejo que você conheceu os outros, — Ash complementa. — Como foi? — Eles são realmente legais e bonitos. Ela ri. — Tenho certeza que eles estão lá falando a mesma coisa sobre você. — Eu queria ser bonita como eles. — Você é linda pra caralho. Isso vem de Diesel. Eu olho para ele, meus olhos arregalados, a boca aberta e o coração flutuando Ele sorri, e meus joelhos provavelmente tremem. É totalmente de tirar o fôlego, a coisa mais linda que eu já vi na vida. Eu posso jurar que tudo no meu mundo para e a única coisa que eu posso ver, a única coisa que eu posso sentir é ele. — Eu finalmente achei um jeito de fazer você calar a boca. Eu estremeço. Então sorrio para cobrir meu choque. — Isso significa que você não quis dizer isso? Ele balança a cabeça. — Pelo menos durou um segundo. — Você disse que eu sou linda. Acho que nós somos melhores amigos agora. Ele olha para o céu, claramente pedindo paciência. — Eu acho que você é lindo também, Diesel. Mesmo que você às vezes seja um idiota e metido. Ash começa a gargalhar e joga os braços ao meu redor. — Krypt, sério, eu posso ficar com ela? Krypt está sorrindo para nós. — Sim, por que não, porra? — Eu acabei de ser adotada pela sua família? Porque eu estou totalmente bem com isso! Ash me abraça mais forte e se inclina, sussurrando, — Continue lutando por ele, bonita. Eu não o vi tão perto de sorrir assim em anos. Meu coração se quebra e flutua ao mesmo tempo. Eu a aperto, deixando ela saber que eu entendo.

~ 107 ~


Cara, eu entendo.

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Capítulo Catorze — Isso foi incrível! — eu grito quando Diesel nos leva para casa. — Sim, foi incrível. — O seu pai é o meu herói, sério. Como ele consegue dirigir daquele jeito com aquela perna... épico. — Vou contar a ele que você disse isso. Eu olho para ele e meu coração derrete. Ele parece tão bonito inclinado para trás no seu banco, uma mão firme no volante, a mandíbula esculpida iluminada pelo lugar que passa pela janela. — O que aconteceu com ele? Ele não olha para mim, mas todo seu corpo endurece um pouco. — O clube foi atacado. As coisas ficaram feias pra caralho. Ele teve sorte de não morrer. Foi há muito tempo atrás. Eu estremeço, porque entendo isso. Sei como os negócios dos clubes funcionam, e às vezes isso leva a danos em diferentes níveis. — Eu sinto muito. Ele dá de ombros. — Parte da razão pela qual eu não quero assumir isso. Eu quero empurrar mais, estive esperando muito tempo. Essa noite parece o momento certo, então eu falo cuidadosamente. — Qual a outra parte? Ele exala. — Não sou eu. Isso não faz sentido para a maioria das pessoas, mas apenas não sou eu. Eu não quero essa vida, mas é mais que isso. Eu não quero essa vida para mim. É egoísta, já me disseram centenas de vezes, mas é como eu me sinto. É um sentimento compreensível. — Eu acho que me sinto igual. ~ 109 ~


Ele olha para mim rapidamente antes de focar de novo na estrada. — Não são muitas pessoas que entendem. — Bem, — eu digo, olhando para a estrada à nossa frente. — Eu entendo. Nós ficamos em silêncio por alguns minutos. — Posso perguntar uma coisa? Sua boca se contrai. — Você vai perguntar de qualquer maneira, Mercedes. Deus, o jeito que ele diz meu nome faz minha pele formigar. Eu me mexo e mantenho os olhos na estrada. — Qual o motivo real porque você está com Maxine? — Eu te disse, ela funciona para mim. — Isso é a coisa que me faz acreditar que você está mentindo, ela não funciona para você. Ela é má e uma vadia, e tão malditamente superficial. Você é muito mais que isso, Diesel. Você é trinta vezes a pessoa que ela é. — Isso é exatamente o que te faz ingênua, Mercedes. Eu não sou trinta vezes a pessoa que ela é. Eu sou tudo que ela é e mais. É por isso que ela funciona para mim. — Você acha que não é bom o bastante para ter algo melhor. Não é uma pergunta, então ele não responde. Frustração queima no meu peito, mas eu não continuo empurrando. Eu não quero arruinar nossa noite maravilhosa, a noite que finalmente nos aproximou. Eu respiro fundo e acalmo minha voz. — Enfim, — eu digo suavemente. — Eu queria dizer obrigada por me levar essa noite. Foi divertido. Ele olha para mim um segundo, como se estivesse verificando se o que eu estou dizendo é sincero ou não, antes de olhar de novo para a estrada. — Sem problemas. Eu sorrio. — Eu gosto da sua família. — Eles gostam de você – tanto que eles querem que você venha para o churrasco do fim de semana.

~ 110 ~


Meu coração incha. — Sério? Ele olha rápido para mim, então de novo para a estrada. — Porra, eu vou me arrepender disso, não vou? Toda a frustração remanescente Provavelmente, mas eu vou ir.

se

vai

e

eu

sorrio.

Ele grunhe. — Admita que você meio que gosta de me ter como amiga. Ele não diz nada, e por um momento eu acho que ele não vai, mas finalmente ele murmura, — Sim, Tigresa, eu meio que gosto. Meu coração incha. — Awn, nós definitivamente nos tornamos melhores amigos. — Mercedes? — Sim? — Cale a boca. Eu calo. Mas faço isso sorrindo.

***

— Você vai a um churrasco de motoqueiros? — Taj sussurra, me observando vestir meu jeans e top pretos antes de Diesel vir me buscar daqui uma hora. — Sim, — eu digo, ajustando meu top para que o decote não fique fora desse mundo. — Sério? Eu rio. Taj não sabe que eu tenho uma família de motoqueiros; eu acho que ele iria surtar. Não, eu sei que ele iria. Ele sabe que meu pai é assustado, mas não sabe que ele é parte de um clube. Eu vou contar a ele um dia, mas quanto menos pessoas souberem disso agora, melhor. Uma pontada de culpa se agarra ao meu peito com esse pensamento.

~ 111 ~


Eu não tenho vergonha de quem eu sou, e não tenho vergonha da minha família. — Sim, sério, — eu finalmente respondo para Taj, arrumando meu cabelo. — Você não está com medo? Eu rio. — Não. Por que eu estaria? Ele se inclina mais perto. — Mercy, eles são motoqueiros. — Eles também são seres humanos. Seus olhos ficam maiores. — Você está me assustado. Eu rio. — Não tenha medo. Eu vou ficar bem. — Você é minúscula. Se um deles te jogar por cima do ombro e te levar um quarto e... — Taj, querido, você está surtando por nada. Diesel vai estar lá comigo. Está tudo bem. Ele cruza os braços. — É melhor você me ligar a cada hora. Eu reviro os olhos e termino de arrumar o cabelo. Eu o deixei cair em ondas suaves. Ele é longo e espesso, então levou um tempo, mas o resultado final totalmente valeu a pena. Eu ajusto minhas roupas outra vez, e então acho meu par favorito de botas de motoqueiro no fundo o meu armário e as calço. Eu estou muito linda nesse momento. Definitivamente um bebê de motoqueiros. Estou mais que familiarizada com essa vestimenta. — Você parece assustadoramente em casa com essas roupas, — Taj aponta. — Talvez eu esteja, — eu murmuro para mim mesma. — Vamos lá. Pelo menos vamos garantir que você tenha tudo que precisa antes de ir. — Taj, — eu protesto enquanto ele me leva para fora do quarto, na direção da cozinha. Então nós começamos a verificar se meu telefone tem bateria, minha bolsa está cheia e se eu tenho spray de pimenta. Isso foi ideia dele. Eu nem saberia como usar essa porcaria.

~ 112 ~


Diesel chega vinte minutos depois. Taj o deixa entrar e eles têm uma conversa estranha. Eu não presto atenção. Meus olhos estão em Diesel. Minha respiração está presa nos pulmões. Ele parece... incrível. Ele está usando jeans preto e um suéter cinza escuro. Ele está usando coturnos, como eu, mas além disso, ele parece um deus finamente esculpido, e não um filho de motoqueiro. Combina com ele. O faz parecer sofisticado e totalmente perigoso. O suéter define seus músculos e eu posso ver as suas linhas por debaixo dele. A gola é um V suave, mostrando a pele do seu peito. Meu coração flutua. Ele está olhando para mim do mesmo jeito que estou olhando para ele. Esse olhar me assusta e me excita ao mesmo tempo. — Oi, — ele finalmente diz. — Oi, — eu sorrio, forçando meus olhos para longe da sua perfeição. — Pronta? — Acho que sim. Eu me viro para Taj e sorrio. Ele me dá um aceno nervoso, e eu não posso evitar sorrir quando sigo Diesel para o lado de fora. Pelo menos eu sei que se um motoqueiro grande e assustador me sequestrar essa noite, Taj vai me achar. Esse pensamento faz o meu sorriso ainda maior, porque é legal ter amigos. Muito legal. — Você está nervosa sobre essa noite? — Diesel pergunta, abrindo a porta da sua caminhonete para mim. Eu bufo. — Por que eu estaria? Suas sobrancelhas sobem. — Você está indo para um clube de motoqueiros. — E? Ele balança a cabeça. — Você não tem medo? Eu sorrio. — Eu sei dar uma ótima voadora.

~ 113 ~


Ele bufa, quase uma semi-risada, e fecha a porta. Ele dá a volta, entra pelo lado do motorista e nós seguimos caminho até o complexo dos Joker‘s. — Como Maxine reagiu ao fato de você trazer sua melhor amiga aqui essa noite? Ele revira os olhos. — Tigresa, você não é a minha melhor amiga. Eu ainda nem tenho cem por cento de certeza se gosto de você. — Você gosta de mim. Ele olha para mim. — Algo diminui o seu atrevimento? Você em algum momento baixa a guarda e demonstra sentir medo, tristeza, alguma coisa? — Se eu me lembro bem, — eu aponto, — foi na sua camisa que eu assoei o nariz depois que a sua namorada me trancou em um barracão. Seus lábios se contraem. — Bom ponto. Eu tive que jogar aquela camisa no lixo. Eu sorrio para ele. — Não minta. Ela está debaixo do seu travesseiro. Seus lábios se contraem de novo. Eu decidi nesse momento que vai ser a minha missão fazer ele sorrir. Um sorriso bonito e real, que chegue aos olhos. — Eu fico triste. Eu choro todas as vezes que assisto Spirit – O Corcel Indomável. — Spirit? Meus olhos se arregalam. — Você sabe, o desenho infantil. Deus, não podemos mais ser amigos se você não assistiu esse filme. — Mulher, eu sou um homem adulto. Eu bufo. — Nunca se é velho demais para Spirit. Ele suspira. — Ok, eu morro de medo de tempestades. Ele olha para mim de novo para ver se estou falando sério. Ele vê que eu estou. — De quanto medo estamos falando? ~ 114 ~


— Muito, — eu digo. — Tipo, muito medo mesmo. — Por quê? Dou de ombros. — Quando eu era mais nova, tive um problema nos ouvidos e não conseguia ouvir bem, até que precisei me operar quando tinha cinco anos. Depois disso, meus pais disseram que tudo se tornou muito alto para mim, e a primeira coisa que eu ouvi em todo o seu esplendor foi uma tempestade. Raios, trovões – toda essa merda assustadora. — E você ainda não superou isso? — Superei, mas ainda me escondo debaixo de vários cobertores quando uma tempestade começa. — Anotado. — Você vai conseguir cobertores para mim? Ele grunhe. — De jeito nenhum. Sem os cobertores, pode ser que eu tenha o único momento em que você vai ficar de boca fechada. Eu sorrio. — Nós estamos nos dando tão bem. Seus lábios contraem de novo. — Posso fazer uma pergunta? — ele pergunta. Eu me viro para ele, sorrindo. — Manda. — Por que você colocou aquele poema no meu armário? Eu pisco. — Quê? Eu não coloquei nada. Suas sobrancelhas levantam. — Mercedes, você é uma péssima mentirosa. Eu bufo. — Certo. Eu estava tentando ser sua amiga. — Não era ruim. Eu pisco de novo. — Não era? — Nah. Você gosta de poesia? Dou de ombros. — Gosto, mas não sei absolutamente nada sobre isso. — Você quer? — Quero o quê? ~ 115 ~


— Saber mais sobre isso? Meu coração flutua. Qualquer chance que eu tenha de passar mais tempo com Diesel, eu vou aceitar. — Sim, eu acho que sim. — Leitura, amanhã à noite. Vamos? — Uma leitura de poesia? Ele acena com a cabeça. — Você está me chamando para um encontro? Ele revira os olhos. Eu sorrio. — Vamos. — Te pego às seis. — Para alguém que não gosta de mim, você se certifica de passar um bom tempo comigo. Ele faz um som aborrecido no fundo da garganta. — Não faça eu me arrepender de ter te convidado. Eu tenho uma mordaça, se precisar. — Por que você tem uma mordaça? Seus olhos correm para os meus. — Você realmente quer saber? Meu coração aperta, mas eu mantenho o atrevimento. — Eca, você amordaça a cara de buceta? Ele bufa de novo, como se estivesse escondendo uma risada. — Não chame ela assim e sim, é a única maneira de fazer ela calar a boca. — Enquanto vocês estão... Seus olhos correm para os meus de novo e, puta merda, ele parece gostoso quando está pensando em sexo. — Você é um animal, — eu guincho. — Talvez não possamos ser amigos. Sua boca se move em um meio sorriso. — Eu não achei que Maxine fosse do tipo que gosta de brincadeiras. — Ela não é. Ela fica parada como um peixe morto não importa o que você faça. ~ 116 ~


Eu bufo e então rio. O sorriso dele fica um pouco maior. — Espere, então você basicamente está transando com uma boneca inflável? Ele bufa. — De onde você tira essa merda, porra? Eu rio ainda mais até que isso se torna uma gargalhada. — Meu Deus, Diese. Você vive uma vida colorida. Ele balança a cabeça. — A parte assustadora é que você parece gostar disso. — Da mordaça? — Não, da vida colorida. Você gosta da mordaça? Eu penso sobre isso, então dou de ombros. — Eu acho que poderia experimentar. — Jesus, mulher, alguma coisa incomoda você? — Sim, Diesel, — eu aponto. — Se você estava ouvindo, eu já te contei. Ele suspira. Eu sorrio. Isso está funcionado perfeitamente bem.

~ 117 ~


Capítulo Quinze — Então, se um trem elétrico está indo para o norte, para que lado vai a fumaça? Eu olho para Jack. Ele olha para mim. — Você está tentando me enganar, Jack. Não vai funcionar. Ele sorri. Eu sorrio. — Então responda à pergunta. — Dã, cara. É um elétrico. Não tem fumaça. Ele joga a cabeça para trás e geme. — Droga, eu não consigo pegar ela! Todos começam a rir e eu levanto a minha cerveja. — Eu sou uma campeã. Meu irmão tentou todas essas comigo quando éramos mais novos. — Eu ainda vou te pegar! — ele jura. Eu coloco minha cerveja entre as coxas e levanto as mãos como se estivesse dizendo ―pode vir‖. Jack balança a cabeça e sorri, se levantando. — Mais cervejas? Todos dizem que sim. — Nos conte sobre a sua família, Mercedes, — Matilda diz, chegando mais perto de mim. Meu coração flutua quando olho para todos os motoqueiros e crianças espalhados em volta da fogueira. Não posso contar a eles sobre a minha família, e quanto mais eu penso nisso, pior me sinto. Eu não deveria ter que esconder quem sou, ou quem são os meus pais, mas lá no fundo eu sei que não posso contar. Isso não iria acabar bem. — Não tenho muito para contar. Uma mãe, um pai e um irmão. ~ 118 ~


— O que eles fazem? — Maddox pergunta enquanto acende um cigarro. — Isso ainda vai te matar, — eu aponto. Ele sorri e dá uma longa tragada. — Alguma coisa vai. Deus, meu pai diz exatamente a mesma coisa. Meu coração dói e a culpa fica mais intensa. Eles estão sendo tão abertos e honestos comigo, mostrando tudo que são, e eu não posso retribuir o favor. Quanto mais tempo dura a minha mentira, pior eu me sinto e mais difícil é contar a verdade. — Meus pais têm seu próprio negócio de carros, — eu minto. — Meu irmão trabalha lá. — Você foi a única a ir embora? — ele pergunta. Dou de ombros. — Sim. Eu queria ir para a faculdade. — E quais são os seus planos? — Mack pergunta. — Eu ainda não decidi, mas estou inclinada a ser professora. Diesel olha para mim. — Eu não sabia que você queria ser professora. — Eu sempre quis, mas não estou totalmente decidida ainda. Seus olhos suavizam, e eu tenho que desviar o olhar para não corar. Jack volta e entrega para todos nós outra cerveja, então sai para buscar as que faltaram. — O que está achando do nosso churrasco? — Mack continua. Eu sorrio para ele. — É muito legal. Ele sorri. Eu coro e olho de novo para Diesel, que está me observando com a mesma expressão de alguns minutos atrás. Ele está distraído quando seu telefone toca, ele o pega e olha para tela, fazendo uma careta antes de atender. — Eu disse que estava ocupado essa noite. Ele escura. — O quê?

~ 119 ~


Ele se levanta e se vira para os portões da frente. Nós olhamos naquela direção e vemos um par de faróis de carros brilhando à esquerda. Alguém está aqui. — Por que você veio aqui? Você nunca veio aqui. Eu me lembro bem de você me dizendo que não é a sua praia e que você não podia arruinar a sua reputação aparecendo aqui. Seu rosto aperta. — Você tem que estar de brincadeira. Ele desliga o telefone e olha para mim. — Quem é? — eu pergunto. — Maxine. Eu endireito as costas. — O que essa vadia pensa que está fazendo aqui? — Mack grunhe. — Nós nem a conhecemos e ela tem a coragem de dar as caras por aqui. — Ela está aqui porque Mercedes está aqui, — Diesel murmura e caminha na direção do portão. Eu olho para Mack. — Desculpe, Mack. Eu vou embora e... — Primeiro, não se desculpe, — ele diz, seus olhos segurando os meus. — Segundo, você não vai chegar em nenhum lugar perto dela. Eu pisco. — Não vou? — Não. Ela te trancou em um barracão, e Diesel me contou o tipo de vadia que ela é com você. Não vou arriscar que ela faça mais nada. — Eu posso lutar muito bem. Ele sorri. — Eu não duvido, querida, mas você não vai fazer isso, — ele usa sua voz de pai. Não vou discutir com isso. — Diesel vai resolver isso, meu bem, — Jaylah sorri. — Não se preocupe. — Eu digo para deixar ela dar uma surra na vadia, — Ash murmura. Krypt a cutuca, e ela dá de ombros. — Quê? Ela merece. — Concordo com ela, — Molly se pronuncia. — Eu vou ajudar.

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— Vai porra nenhuma, — Maddox murmura. Ela olha para o seu pai. — Ahh, vamos lá, pai. Vai ser divertido. — Não vai ser divertido. Mantenha a bunda nessa cadeira. Ela bufa, mas eu sorrio para ela, e ela retribui. Sim, ela ia cobrir as minhas costas. — Onde ela está? Eu me viro para ver Maxine avançando, seguida por quatro amigas. Diesel late alguma coisa, mas ela não para. Ela parece não notar todos os motoqueiros ao redor. Deus, eu tenho que dar isso a ela; ela tem coragem. Eu levanto e Mack chama o meu nome, mas eu não vou deixar ela vir aqui e fazer uma cena por minha causa. — Aí está você! — ela cospe, parando na minha frente. — O que foi que eu disse sobre você e o meu namorado? Eu cruzo os braços. — Eu não sei. Não estava prestando atenção. Suas bochechas ficam vermelhas de raiva. — Ele é meu! Você me ouviu? Eu dou de ombros. — Ouvi, mas eu não ligo. Ela dá um passo à frente; eu fico no mesmo lugar. Pessoas param atrás de mim, mas, surpreendentemente, não interferem. Eu não tenho dúvidas de que eles vão intervir se eu precisar, mas por enquanto eles estão me deixando vencer essa. — Como é que é? — ela assobia. — Maxine, — Diesel late, parando perto de nós. — Vá embora. Ela o ignora. — Você me ouviu, — eu estalo, me inclinando mais perto. — Eu não ligo. Diesel não pertence a você; ele não pertence a ninguém. Você é só uma vadia mimada, falsa e cruel que pensa que pode fazer o que quiser. E sim, ―quem‖ é uma palavra, caso você não tenha entendido2. Ela fica vermelha de raiva de novo. — Você sabe do que eu sou capaz, — ela grunhe. Em inglês existe uma distinção técnica entre whomever e whoever: ambos querem dizer ―quem‖, mas as pessoas em geral não sabem usar ―whomever‖ porque isso deve acontecer quando ele é objeto de um verbo ou preposição. Enfim, é uma palavra que pessoas com melhor vocabulário e conhecimento da língua sabem usar. 22

~ 121 ~


— Ah sim, eu sei. Mas você ainda tem que ver do que eu sou capaz, então, por favor, continue para que eu possa mostrar a você. — Ele é meu. Ele nem ao menos gosta de você, porra! — Engraçado, — eu sorrio. — Porque sou eu que estou aqui, não você. Ela me ataca, seu corpo batendo no meu. Eu solto meus braços e os prendo em volta dela para me impedir de cair de costas no fogo. A mão de alguém bate nas minhas costas e me alavanca para cima, e eu aproveito a chance e empurro Maxine. Ela tropeça para trás, e eu vou pra baixo. Cansei dessa vagabunda. Eu me atiro nela e nós batemos com força no chão. Ela tenta me bater. Ela erra. Eu a acerto direto no nariz, e ela grita em agonia quando o estalo alto enche o ar. — Nós duas terminamos, você me entendeu? — eu cuspo, pressionando as mãos nos seus ombros e a empurrando para baixo no chão quando ela tenta me afastar. — Sua vadia estúpida maldita! — ela grita. — Ouça o meu aviso, Maxine. Já chega. Um braço passa ao redor da minha cintura e me levanta. É Maddox. Ele é forte. Eu me sinto como uma boneca de pano em seus braços. — Se levante, — ela berra para Maxine. — E dê o fora do meu clube antes que eu faça isso por você. Ela olha para ele e parece que finalmente ela se dá conta de onde está. Seus olhos correm ao redor, e suas amigas correm para ajudá-la. Só agora elas se mexem para fazer isso, até esse momento elas estavam paradas como um bando de cervos assustados. — E se você não ouviu o aviso dela, vai ouvir a porra do meu, — ele continua. — Toque nela outra vez, e eu vou te achar. Ela arregala os olhos, então olha para Diesel. Ela tem sangue escorrendo do nariz, tenho certeza que eu quebrei ele, ou cheguei perto. — Diesel, — ela guincha. ~ 122 ~


Ele olha para ela. — Dê o fora daqui. Nós acabamos. — Diesel! — Agora! — ele ruge, tão alto que eu estremeço. Ela explode em lágrimas e se vira correndo, com as suas amigas a seguindo de perto. Quando elas ligam o carro e vão embora, Maddox me solta. Eu me viro envergonhada e olho para ele. — Desculpe. Ele me estuda e então sorri. — Porra, garota. Você é pequena, mas é selvagem pra caralho. Jaylah avança na minha direção. — Puta merda, eu acho que eu te amo. — Isso foi épico! — Molly exclama. — Porra, sim! — Quinn e Phoenix dizem entre risadas. Diesel está olhando para mim sem dizer nada. Então ele se vira e caminha na direção da enorme cabana entre os galpões. Meus ombros caem. — Ele está bravo comigo, — eu digo suavemente. — Não, — Mack diz. — Ele está bravo consigo mesmo. Você está ferida? Eu olho para onde Diesel desapareceu. — Não. Eu posso ir lá com ele? Mack me estuda, então acena. — Sim, vá lá. Eu corro na direção da casa. Quando entro, está tudo em silêncio. Todos estão lá fora, então não é difícil encontrar Diesel. Ele está sentado na varanda dos fundos, em uma velha cadeira de balanço. Eu ando até lá e sento ao lado dele, olhando para as árvores atrás da cabana. — Me desculpe, Diesel, — eu começo. — Eu não deveria ter... — Não, — ele me interrompe. — Sou eu quem deve se desculpar. Eu deveria ter me livrado dessa vadia quando ela começou a fazer toda aquela merda com você. — Isso não é sua culpa.

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Ele olha para mim. — Ela esteve te infernizando e eu fiquei com ele, basicamente dizendo que isso é ok, mas não é. Isso não é ok, porra. Eu encontro seus olhos. — Está tudo bem. Sua mandíbula aperta. — Sim, bem, eu não estou bem com isso, e eu terminei com ela. — Você deveria ter terminado com ela há muito tempo, não por minha causa, mas porque ela é uma psicopata louca que não merece alguém como você. Seu rosto escurece. — Você não merece isso, — ele diz em voz baixa, seus olhos encontrando os meus enquanto ele chega mais perto. Seus olhos estudam meu rosto e corpo, verificando se está tudo bem. — Sim, bem, garotas como ela vivem para agir daquele jeito. Um dia ela vai achar alguém maior, mais assustador e mais cruel que ela, então ela vai entender como é ser a vítima. Eu posso te dizer, ela não vai gostar. — Não, — ele diz, se levantando. — Ela não vai. Vamos lá, vou te levar para casa. — Se você não se importa, — eu digo, ficando de pé. — Eu gostaria de ficar. Ele olha para mim, estudando meu rosto, ele mesmo com uma mistura de choque e calor no seu. — Sim, — ele diz com a voz suave. — Ok. Eu pego a sua mão. Ele não se afasta. — Ok. Nós voltamos para o churrasco. De mãos dadas.

***

— Ele não vai gostar disso! — Taj diz, me perseguindo no corredor segunda-feira. — Ele vai! — eu protesto. — Todo mundo gosta de muffins. — Ele é tipo o rei da faculdade. Ele não vai gostar. ~ 124 ~


— Ele vai. Eu puxo o papel pardo que contém um muffin de chocolate mais para mais perto do meu peito, como se protegendo essa pequena bondade saborosa fosse fazê-lo gostar dessa. Eu acabei de sair do meu turno matinal do trabalho e tenho duas aulas à tarde. Enviei uma mensagem para Diesel essa manhã; ele tinha a agenda cheia e me disse que não ia conseguir almoçar. Bons amigos alimentam uns aos outros em tempos de necessidade. Taj não concorda. Que pena. — Tenho certeza que ele nunca mais vai falar com você se você arruinar a sua reputação. — Ele não tem escolha; ele tem que falar comigo. Eu sou como uma mosca que não vai embora. Taj bufa. — Ele te disse isso? — Sim, ele me disse. Nós rimos enquanto eu vou em direção à mesa onde Diesel e seus amigos geralmente sentam. Quando me aproximo, percebo que Maxine não está ali. Isso é um começo; ela geralmente está sempre do lado dele. É estranho ver o seu grupo sem ela. Bem, é isso que acontece quando você é uma vadia. Eu paro na ponta da mesa, atrás de Diesel. Seus amigos param de falar quando me notam e ele se vira, levantando o olhar para me ver ali parada com o saco na mão, sorrindo para ele. — Oi, amigo. Ele não parece irritado por eu ter me aproximado dele publicamente. Quero dizer, ele nunca me disse que eu não podia fazer isso, mas eu sempre estou com Taj e só falo com ele nas aulas. Acho que parte de mim talvez tenha pensado que ele ficaria irritado se eu decidisse me juntar ao seu grupinho. Além disse, Maxine sempre foi parte dele, e eu não queria causar problemas. — Oi, Tigresa, — ele murmura, seus olhos caindo para as minhas mãos. — Eu te trouxe um muffin. Toda a mesa fica em silêncio.

~ 125 ~


— Me desculpe? — ele diz. Eu sacudo a sacola. — Um muffin. Você disse que não ia comer. Bons amigos alimentam uns aos outros. Eu estou sendo uma boa amiga. Ele pisca. — Não é nada demais, — eu continuo. — Não é nada extravagante. Apenas chocolate, que eu tenho certeza que você gosta, porque todo mundo gosta de chocolate. Seus olhos se abrem um pouco. — Eu não o fiz, mas eu totalmente faria se você quisesse, — eu digo rapidamente. — Eu prometo que vai valer a pena. Como ter um orgasmo pela boca. Nós podemos dividir, se você quiser, ou você pode jogar isso em mim e me dizer para cair fora. De qualquer jeito está bom. Ele ainda está olhando para mim. Deus, ele está bravo. — Ok, você está começando a me assustar. Se você vai ficar puto e jogar o muffin em mim, vamos logo com isso... Seus amigos começam a cochichar e eu tenho certeza que Taj tem razão; eu estou prestes a ser chutada. Mas então a coisa mais estranha acontece. É tão inesperada que toda a mesa fica em silencia, todos de boca aberta. Isso porque Diesel joga a cabeça para trás e começa a rir alto. É o som mais gutural, masculino e incrível que eu já ouvi, e todo meu corpo se arrepia com isso. Luz praticamente se derrama para fora dele quando ele ri, uma beleza que ele mantém tão bem escondida. Seus amigos, que estão agindo como se nunca tivessem visto ele rir, estão apenas lhe encarando como se tivessem visto um fantasma. Diesel se levanta, se vira e segura meu rosto com as suas mãos, um lindo e grande sorrio estampado em seu rosto. Ele se inclina e esmaga os lábios contra os meus em um beijo duro e rápido. — Nunca mude, Tigresa, — ele diz, pegando o saco das minhas mãos e saindo da cafeteria. Eu estou congelada no mesmo lugar, piscando e tentando entender o que diabos acabou de acontecer. Eu estudo todos ao redor e vejo que não são apenas os amigos de Diesel que têm expressões de ~ 126 ~


choque no rosto – toda a cafeteria está assim. Todas as pessoas estão me encarando, obviamente tendo presenciado toda a cena. Bem, isso certamente não foi como eu esperava. — Ele, — Taj começa, então olha para o espaço vazio que Diesel acabou de deixar. — Ele acabou de... rir? — Eu... sim, — digo suavemente. — Eu nunca ouvi ele rir. — Parece que toda a cafeteria está pensando o mesmo. Taj olha ao redor, então pega a minha mão e nós saímos. — Você acha que ele está ficando louco? — Taj pergunta. Eu bufo. — Não. Por quê? — Ele riu. — As pessoas riem o tempo todo. Taj balança a cabeça. — Não Diesel. Isso não soou estranho para você? — Estranho como? — Você sabe, como uma hiena histérica rindo. Eu dou uma risadinha. — Ele não está ficando louco, Taj. — Você tem certeza? Engancho meu braço no dele. — Tenho certeza. Esse acabou de se tornar o melhor dia da minha vida.

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Capítulo Dezesseis — Como está indo a faculdade? — meu pai pergunta ao telefone dois dias depois. Eu dou de ombros, embora é claro que ele não pode ver. — Bem. — As coisas melhoraram desde o último incidente? — Sim, pai. Está tudo bem agora. Como está a mamãe? — Bem, filha. — E você? Ele ri. — Bem. Tenho certeza que nós temos coisas melhores para falar. Logo vamos começar a falar do tempo. Eu bufo. — Não, obrigada. — Então me conte algo bom. — Eu estou chegando perto da quantia necessária para comprar o meu carro. Ele grunhe. — Nada de moto então? — Pai... Ele ri. — Um homem tem que tentar. — Eu não dirigiria uma coisa dessas nem se você me pagasse. Eu bato nas paredes em um dia normal – você imagina o que eu posso fazer com uma moto? — Bom ponto, fique com o carro. Você vai me deixar te ajudar a escolher? — Nem pensar. — Por quê? ~ 128 ~


— Porque eu estive dirigindo a sua carroça de merda por anos. Eu quero algo legal e rápido. — Que tal grande e lento? — Não. — Tem que ser seguro, baby. Eu sorrio. — Não, meu velho. Ele suspira. — Você vai ser a minha morte. — Ei, tenho boas notícias. Eu vou para casa no aniversário da mãe. Vou ter folga. Não conte a ela. — Fico feliz. Ela vai gostar. Tem choramingado como um cachorrinho triste desde que você se foi. Eu faço uma careta. — Pobre mãe. Talvez você devesse levar ela para um encontro ou algo assim. — Baby, eu não preciso levar ela para um encontro. Tudo que ela precisa é uma boa... — Não termine essa frase ou eu vou realmente te renegar. Ele ri. — Tenho que ir, garota. Jack está aqui. — Diga oi por mim. Eu te amo. — Eu também, Ratinha. Eu desligo e sorrio. Deus, eu sinto tanta falta deles. A porta do meu quarto se abre e eu me viro para ver Diesel entrar, dois cafés na mão. São seis horas da tarde, então a razão pela qual ele tem café e entrou apressado no meu quarto está além de mim. — Ah, oi, — eu digo. — Eu esqueci alguma coisa? Ele me alcança um café. — Se levante. Nós vamos sair. Eu olho para o meu pijama, que eu já estou vestindo porque planejei ter uma noite tranquila. Com várias toneladas de sorvete. Claramente, isso não está mais nos planos. — Para onde? — eu gemo, colocando o café na mesa de cabeceira. — Eu ia ver filmes e comer sorvete. — Agora você vai se levantar e sair comigo. ~ 129 ~


— Por quê? — eu bufo, cruzando os braços. — Por que você não pode ver filmes e comer sorvete comigo? Ele faz uma careta. — Eu gosto mais quando você está sorrindo. Além disso, eu tenho algumas perguntas sobre isso. Elas incluem a sua saúde mental. — Me pergunte depois. Se arrume ou eu vou te jogar sobre o meu ombro e te levar como você está Eu olho para o meu pijama de novo. — Isso é realmente necessário? Ele dá um passo mais perto. Eu levanto. — Está bem! Aff, você é mandão. Onde estamos indo? — Apenas se vista bonita, mas casual. — Diesel, — eu aviso, pegando uma calça jeans e uma camiseta de gola alta. — Mercedes, — ele retruca, cruzando os braços. — Você sempre invade o quarto das mulheres e exige que elas se vistam para sair com você? — Se eu estou no quarto de uma mulher, Tigresa, eu estou transando com elas. Pense que você é sortuda. Eu enrugo o nariz para esconder meu constrangimento. — Isso é grosseiro. Você está dizendo que eu não sou boa o bastante para você transar comigo? Seus olhos caem para os meus seios quando eu tiro a camisa e jogo longe. Estou vestindo sutiã, graças a Deus, porque ele parece prestes a entrar em combustão. Quando tiro meus shorts, sua mandíbula aperta e ele se vira. — Viu? — eu protesto. — Você não consegue nem olhar para mim. Apenas diga que eu não sou atraente e que é por isso que só podemos ser amigos. — Nós somos amigos porque você é uma dor na minha bunda que não vai embora. — Como é, amigão? Você que veio até o meu quarto, lembra? Ele grunhe. ~ 130 ~


— Você não respondeu minha pergunta. — E eu não vou, — ele diz. — Por quê? Você acha que eu não posso lidar com a verdade? Ele se vira e olha para mim. Eu estou totalmente vestida agora, e ele parece aliviado com isso. — Você pode lidar com isso; eu é que não posso. Agora se apresse. Eu me pergunto o que isso significa. Não tenho tempo de achar uma resposta por eu ele pega o meu braço e me arrasta para fora do quarto. Bem, eu acho que nós temos que estar em algum lugar logo. Parece divertido.

***

Até que eu seja livre, vou estar preso no mar Como um navio, eu flutuo infinitamente Sem começo e sem fim Escuridão, minha única amiga. Eu sento com os joelhos apertados contra o peito, sobre um cobertor quente e em frente à uma enorme fogueira. Há umas dez pessoas, incluindo eu e Diesel, criando um semicírculo em volta da cadeira principal onde um homem está sentado, lendo o seu poema. É bonito, cativante e inspirador. Pela última hora, nós sentamos e ouvimos as pessoas exporem suas almas com palavras. Cada poema é como ver além da máscara que eles carregam todos os dias. É como ver a pessoa que eles têm medo de ser. O homem termina de ler e Diesel se mexe ao meu lado, se levantando. Eu pisco e olho para cima para ver ele caminhando na direção da cadeira. Eu pensei que nós tínhamos vindo aqui apenas para ouvir poesia e aproveitar o queijo e o vinho, mas está claro para mim agora que ele me trouxe aqui para ver o seu trabalho. Meu coração flutua e eu me inclino para a frente, pressionando o queixo nos joelhos e observando quando ele se senta. Ele não olha para ninguém, ele ~ 131 ~


apenas começa a ler em uma voz áspera e baixa que faz a minha pele arrepiar. As correntes em volta do meu coração ficam mais apertadas a cada dia A restrição é tão forte, ela nunca vai embora Eu gostaria que eles entendessem a pessoa que há por dentro Estou cansado de sonhar e de um sonho que já está morto As mentiras consomem a minha alma até que não há mais nada No que eu vou me tornar se for obrigado a perder minha profundidade? Eu o escuto falar, presa pelas suas palavras. Ele fala sobre mentiras e desconhecimento; ele expressão seu desespero em ser algo diferente. Meu coração dói por ele porque posso ouvir a paixão por trás de cada palavra. Posso ouvir ele gritando para ser livre, para entender quem ele é para que ele está aqui. Lágrimas queimam minhas pálpebras quando ele termina, mas eu luto contra elas, mesmo quando ele agradece a todos e volta para o meu lado. Ele se senta quando a próxima pessoa se levanta, e eu não posso me parar de pegar a sua mão. Ele deixa que eu faça isso, apertando de leve. Eu quero que ele saiba que eu entendo, e ele sabe. Ele sabe.

***

— Isso foi muito incrível, — eu digo quando andamos em direção à estrada principal mais tarde naquela noite, sorvetes nas nossas mãos. — Sim, eu gosto de ler aqui. Eu lambo meu sorvete de chocolate. — Você faz muito isso? Ele encolhe os ombros. — Quando eu posso. Esse é o único lugar que eu posso falar livremente o que eu penso, sem julgamentos. — Fico triste que você sinta que esse é o único lugar em que tem isso. ~ 132 ~


— Bem, — ele diz, pegando a minha mão e atravessando a rua, então estamos no parque. — Esse não é mais o único lugar. Ele aperta a minha mão e eu entendo o significado. Eu. Eu sou o outro lugar. Ele confia em mim. Ele provou isso esta noite, ao me trazer aqui. Meu coração incha com o conhecimento de que ele está me dando tanto de si mesmo. — Sobre o que é o seu poema? Você falou tanto sobre mentiras. Nós encontramos alguns balanços e cada um de nós senta em um. Eles estalam quando os forçamos a se mover lentamente. — Minha mãe. — Jaylah? — eu pergunto. Ele balança a cabeça. — Jaylah não é minha mãe biológica. Eu fico imóvel e viro para ele. — O quê? — eu respiro. Ele não olha para mim; apenas encara a escuridão. — Meu pai teve um amor antes de Jaylah – minha mãe, Ingrid. Mas a relação deles teve grandes problemas. O irmão verdadeiro do meu pai foi o primeiro marido dela, e eles basicamente tiveram um caso enquanto os dois ainda estavam casados. Ei ofego. — Mack teve um caso com a mulher do irmão dele. Diesel acena. — Eu não sei muito bem os detalhes, mas pelo que eu sei minha mãe não quis ir embora, então meu pai se cansou e terminou tudo. Ela descobriu que estava grávida de mim, mas não contou a ele. Eu nasci, e uma noite ela teve um acidente de carro e morreu. Minha tia Tracy, que eu não vejo desde que era bebê, me pegou, mas ela não podia ficar comigo, então ela localizou Mack. Jaylah se tornou a minha babá, e foi assim que eles se conheceram. Ela me adotou quando os dois se casaram. — Diesel, — eu digo, minha voz sinceramente agoniada. — Eu sinto muito. — Ele se recusa a falar muito sobre ela. Jaylah foi a única que me contou a maioria das histórias, ao longo dos anos. Eu amo ela como minha mãe de verdade; ela é basicamente tudo que uma mãe tem que ser. Ela só não me deu à luz. Mas é que... — a voz dele some. ~ 133 ~


— Você quer saber mais sobre a sua mãe. Seus olhos encontram os meus, e ele acena. — Você já procurou a família dela? Algo escuro passa pelo seu rosto. — Eu procurei pela tia Tracy. Eu tenho pistas, mas... eu parei. Meu pai me contou que Jaylah atirou no irmão dele quando ele veio atrás dela para atingir o meu pai, então ele está morto. — Jaylah atirou no irmão de Mack? — eu ofego. — Sim, mais uma vez eu não tenho os detalhes do que aconteceu, mas meu pai ficou agradecido por ela ter feito isso. Ele a sequestrou e, até onde eu sei, não foi bonito. — Pobre Jaylah. — Sim. — Então você perguntou ao seu pai mais sobre a sua mãe, ou sobre como descobrir mais? — Sim, e eu fodi as coisas cavando nisso. Eu estreito os olhos. — O que você quer dizer? Ele volta a olhar para a escuridão. — Eu rastreei alguns dos primos da minha mãe alguns anos atrás. Eles estavam metidos em coisas ruins. Eu estava tão malditamente desesperado para descobrir alguma coisa que me permiti ser arrastado para as merdas deles. Eu... — O quê? Ele toma uma respiração profunda e, se não estou enganada, irregular. — Eu fiz um membro do clube ser morto. Eu seguro meu fôlego, porque sei como alguém que cresceu em um clube se sentiria com isso. Eu sei. — Diesel, — eu digo suavemente, deixando ele saber que eu entendo. — Eles estavam envolvidos com drogas, armas, coisas assim. Me prometeram que iriam me dar todas as informações que eles tinham se eu os ajudasse. Eu fiz isso, e a merda ficou intensa. Meu pai descobriu, ele sabia que alguma coisa estava errada, e eles me seguiram. O acordo ~ 134 ~


em que eu me meti aquela noite acabou mal e se virou contra os primos para quem eu estava trabalhando para ter muito crédito para cobrar. Se o clube não estivesse lá eu estaria morto, porém um dos membros foi baleado por minha causa. É por isso que ele não sorri há tanto tempo. É por isso que ele pensa que não é bom o bastante. É por isso que ele está tentando se afastar do clube. Tudo de repente faz sentido. — Você acha que não é bom o bastante para presidir o clube. Não é uma pergunta. — Eu os decepcionei, — ele diz, sua voz dura. — Eles me perdoaram, eu sei que sim, mas eu nunca me perdoei. Ele tinha filhos... ele tinha uma família... Sua voz some e meu coração se parte por ele. — Você era jovem e queria respostas, eu teria feito o mesmo. Ele olha para mim. — Não, baby, você não teria. Meu coração flutua e nós olhamos um para o outro, tanta coisa passando entre nós. — Você não é uma má pessoa, Diesel. Coisas ruins acontecem, mas você só pode aprender com elas. — Eu não sou bom o bastante para aquele clube, Mercedes. Eu não posso ser bom o bastante. Eu quero coisas diferentes. Eles precisam entender isso. — Sim, — eu digo suavemente — Eu acho que eles precisam, mas não porque você não é bom o bastante, e sim porque você é muito mais. O seu talento não deve ser desperdiçado. O seu coração deveria ser livre para voar. Você deveria ser capaz de se perdoar. Seu rosto suaviza. — Vamos lá, — ele diz baixinho, jogando seu sorvete intocado na lixeira. — Vamos para casa. Está tarde. Eu não empurro mais porque ele já se abriu muito, e eu sou grata por isso. Eu me levanto e o sigo até o carro. Ele me leva para casa em

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silêncio, e quando nós chegamos eu me viro para ele. — Obrigada. Essa foi uma das coisas mais incríveis que eu já fiz. Ele olha para mim. — Sem problemas. Eu engulo em seco porque, nesse momento, não tem nada que eu gostaria mais de beijar ele. Diesel olha para os meus lábios e seu rosto aperta, como se ele estivesse tendo o mesmo pensamento. — Mercedes, — ele diz, sua voz rouca e apertada. — Boa noite. Eu olho em seus olhos e vejo que ele não quer fazer isso – pelo menos, ele não quer admitir. Eu me aproximei dele mais do que qualquer outra pessoa antes de mim – isso é muito claro. Eu não vou arruinar isso. De jeito nenhum. Não agora. — Boa noite, Diesel, — eu digo suavemente, descendo do carro. Ele espera até eu entrar antes de desaparecer na noite. Eu o observo ir com uma dor no coração. Eu acho que estou me apaixonando por ele.

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Capítulo Dezessete — Pedido pronto! Eu vou até o balcão para pegar a refeição que está pronta para ser servida. Eu a entrego na mesa antes de correr ao redor para anotar mais pedidos. Eu já terminei meu turno, mas estamos tão cheios que decidi fazer algumas horas extras. Eu não preciso fazer isso e posso ir embora assim que quiser, mas não vou deixar a cafeteria com metade do pessoal quando estamos lotados. — Você pode ir para casa, querida, — Caitlyn diz, se movendo na minha direção com uma bandeja cheia de café. — Bethany vai estar aqui às cinco. Dou de ombros. — Vou esperar ela chegar antes de ir. — Você é boa demais para mim, — ela sorri antes de voltar rápido ao trabalho. Estou ocupada e tão concentrada nas minhas tarefas que não noto que o sino acima da porta tocou até que ouço uma voz alta e familiar. — Você vem aqui dar um abraço no seu velho, ou eu vou ter que ir até aí? Eu acabei de colocar a bandeja no balcão depois de servir meu último cliente, então me virar é fácil. E eu viro. Vejo meu pai e Jackson me estudando perto da porta, parecendo tão grandes, assustadores e familiares que meu coração dói. Eu derrubo meu avental e corro, a todo ritmo, na direção do meu pai. Eu me atiro nos braços dele, que me pega com seus braços grandes, me segurando perto. Pressiono o rosto na sua jaqueta de couro e o respiro. Eu estive com uma saudade absurda de casa na última semana, sentindo falta da minha família como uma louca. — Pai, — eu coaxo no seu pescoço, tentando parar as lágrimas.

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— Porra, você está mais alta e ainda mais bonita desde a última vez que te vi, — ele diz quando me coloca no chão e me estuda. — É tudo culpa da água de Denver, — eu brinco, então me viro para Jackson. — Oi, Jacks. Ele se aproxima e praticamente me esmaga em seus braços, me abraçando apertado. Eu rio e o abraço de volta. — Oi, garota bonita, não nos vemos faz tempo. Você tem que ir mais vezes para casa. Ele me larga e eu olhos para os dois, mas principalmente para o meu pai. Ele parece o mesmo de sempre – um grande urso musculoso com olhos castanhos e um cabelo loiro que é uma completa bagunça. Ele tem uma barba de três dias no rosto, e isso só o deixa ainda mais assustador. Foda-se isso. Eu me jogo contra ele de novo, precisando do seu abraço mais uma vez. — Precisando de mais amor hoje? — ele murmura no meu cabelo. — Está tudo bem? — Eu só senti a sua falta, é tudo. — Eu também, baby. Eu me afasto. — Certo. Vocês querem um café? Meu pai bufa. Eu rio. — Ok, motoqueiros são bons demais para cafeterias. — Eu nunca disse isso, — ele sorri. — Mas uma cerveja seria melhor. — Eu já terminei o meu turno, — eu digo sugestivamente. — Então vai ser cerveja, — Jackson diz. — Pegue suas coisas e vamos lá. — Estão só vocês dois aqui? — Sim, nós viemos para a cidade a negócios, — papai diz. — Certo, — eu aceno. — Vou pegar minhas coisas. Eu corro até os fundos para pegar minha mochila antes de ir para a parte da frente de novo. Caitlyn pega o meu braço quando eu passo ao lado do balcão. — Aquele é o seu pai? — ela respira. Eu olho para o meu pai, que está conversando com Jacks. — Sim. ~ 138 ~


Seus olhos crescem. — Eu não... puta merda. Você é... — Sim. — Cara, isso é intenso, e puta merda, seu pai é gostoso. Eu faço uma careta para ela, que ri. — Desculpe, mas é verdade. Eu sorrio. — Você é um animal. Vou sair agora. Nos vemos depois! — Até mais, — ela diz, me abanando com entusiasmo. — Quem é aquela? — meu pai pergunta quando o alcanço. — Caitlyn, uma amiga. Ela acha que você é gostoso. Ele se vira e olha para ela, então mostra um inferno de um sorriso malicioso. Os olhos dela se arregalam e suas bochechas ficam vermelhas quando ela entende o significado disso. Ele faz um movimento com a cabeça e ela acena nervosamente. — Você é um idiota, — eu digo quando nós saímos. Ele sorri para mim. — É legal saber que eu ainda tenho esse efeito. — Pervertido. Os dois explodem em gargalhadas. Deus, como é bom ouvir esse som.

***

— Então, você e Diesel, hm? — Shay pergunta, correndo ao meu lado enquanto nos apressamos para chegar à aula no dia seguinte. Eu estou exausta. Passei quatro horas com o meu pai e Jackson, bebendo cervejas demais, e quando eles se foram eu estava acabada. Mas valeu a pena. Ver eles era exatamente o que eu precisava. — Nós somos apenas amigos.

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— Não é isso que Maxine está dizendo. Ela está espalhando por aí que você roubou Diesel dela na maior cara de pau. — Não posso roubar algo que não quer ser roubado, — eu aponto. Ela ri. — Você tem um ponto válido. — Maxine entrou no complexo e fez uma cena. Nós brigamos. Diesel viu quem ela é de verdade e lhe deu um pé na bunda. — Então ele terminou o namoro por você? Eu olho para ela. — Amigos, sei, — ela ri. — Você não é engraçada, Shay! Ela passa um braço pelo meu ombro, me dando um rápido aperto antes de desaparecer na sua sala de aula. Eu corro para a minha e chego lá bem a tempo. Passo a aula toda distraída, pensando em mim e Diesel. Estou tentando negar que meus sentimentos cresceram, mas não há como negar isso. Eu me importo com ele, e nada parece mudar isso. Preciso aceitar que provavelmente nunca vai mudar e apenas ser grata por ele estar na minha vida de alguma maneira. Quando a aula termina, vou até a lanchonete para um almoço rápido antes de começar o turno da tarde no trabalho. Assim que eu entro na fila, um papel é colocado na frente do meu rosto. Me leva um momento para focar e ver que é o flyer de um baile de máscaras que vai acontecer em algumas semanas. Vejo os dedos familiares segurando o papel e sei que é Diesel que está atrás de mim. — Você está me chamando para um encontro? Porque é um jeito muito deselegante de fazer isso. Uma lufada de ar quente bate na minha nuca quando ele bufa. — Você quer ir? Eu estremeço, de jeito nenhum eu vou perder isso. — Você precisar trabalhar no seu charme. Ele puxa o flyer e para ao meu lado. Ele cheira bem. Sua colônia é levemente almiscarada, e se mistura com o cheiro dele. Essa merda deveria ser engarrafada e vendida com o nome de Derrete Calcinhas. Eu estremeço e me afasto um pouco para não ficarmos tão perto. Se eu ~ 140 ~


continuar sentindo esse cheiro, provavelmente vou perder a cabeça, derrubar ele no chão e subir sobre o seu corpo enquanto arranco suas roupas. Deus. Cérebro. Que diabos há de errado comigo? Tire isso da cabeça. — Então, você quer ir? — Eu vou estar fora de quinta até segunda essa semana, então eu vou com você quando voltar só porque você vai sentir tanto a minha falta que vamos precisar desse tipo de encontro. Ele grunhe. — Pouco provável. — Você vai admitir isso um dia. Por que exatamente estamos indo a um baile de máscaras? Não parece ser a sua praia. — É por uma boa causa e... eu vou tocar. Eu viro para ele. — Você vai tocar? — eu guincho. Sua boca contrai, então ele ri. — Minha primeira apresentação paga. Eu me atiro nele, que fira duro por alguns segundos antes de retribuir o abraço. — Estou tão animada, — eu grito feliz quando ele me solta. — Você está feliz? Ele acena. — Porra, sim. Eu estive esperando por uma chance dessas. — Você vai ser incrível! Eu vou estar lá torcendo por você. Eu tenho um grito de torcida ótimo. Você quer ver? Ele me cutuca com o ombro. — Por favor, não. Eu rio. — Vou guardar para o dia da apresentação. — Mais uma vez, — ele diz, me surpreendendo ao passar um braço sobre o meu ombro, — não, por favor. — Você vai se fantasiar? — Sim, eu preciso. Faz parte do acordo. — Eu ia dizer que não acho isso engraçado, mas é muito engraçado. — Se você diz. ~ 141 ~


Eu pego um pouco de comida e nós saímos da fila. Achamos uma mesa, mas passamos por Maxine e seus amigos no caminho. Ela nota o braço de Diesel sobre os meus ombros, e todo seu rosto fica vermelho de raiva. — Diesel, — ela diz, se levantando. — Será que podemos ter uma palavra? A vadia está tentando falar como se fosse inteligente. Eu bufo. — Não, — Diesel diz sem olhar para ela. — Diesel! — ela estala. — Eu estou tentando aqui. Ele continua a ignorá-la. — Você não pode apenas me ignorar! Seu grito ecoa pela lanchonete e todos param de falar para olhar ela fazendo outra cena. Diesel finalmente para e se vira, olhando para ela. — Porra, não grite comigo, Maxine. Nós acabamos. Terminamos. É muito difícil colocar isso na sua cabeça? Ela dá um passo mais perto, suas bochechas vermelhas agora que percebeu que todos estão olhando para ela. — Por favor, você sabe que eu te amo, Diesel. Não faça isso com a gente. Oh, ela não acabou de usar a palavra com A para tentar ganhar ele de volta. — Em primeiro lugar, não insulte a palavra amor a usando para descrever o que nós tínhamos. Em segundo lugar, você não pode humilhar uma pessoa e depois aparecer na minha casa, atacar ela e esperar que eu continue com você. — Eu... eu só estava chateada. As coisas estavam difíceis e... — Não é desculpa. Agora, vou dizer mais uma vez porque é óbvio que você não entendeu. Nós acabamos. Pare de me ligar. Para de me enviar mensagens. Ela começa um choro falso, cheio de lágrimas falsas, e eu reviro os olhos. — Você nem gosta dela, — ela chora histericamente. — Você me disse isso. Você disse que ela é um pé no saco que não te deixa em paz. Algumas risadinhas passam pela lanchonete e minhas bochechas queimam. ~ 142 ~


— Ah é? — Diesel diz. — Parece para você que eu realmente não gosto dela? Ele me gira antes que eu tenha a chance de pensar e esmaga seus lábios contra os meus. Eu fico em choque por alguns segundos, meu corpo pressionado contra o dele, sua boca se movendo sobre a minha. Mas não posso parar minha reação por muito tempo. Eu alcanço, curvando meus dedos no seu cabelo, e o beijo de volta com tudo que eu tenho. É um beijo explosivo, daqueles que nos tira da lanchonete e nos leva para um mundo só nosso. É incrível. Diesel se afasta e não olha de novo para Maxine quando se vira e me puxa para fora da lanchonete. Eu largo minha bandeja em uma mesa quando saímos, e esse é o único som que pode ser escutado. Nenhum de nós diz nada quando saímos do campus e vamos em direção ao estacionamento. Alcançamos o carro de Diesel e ele finalmente se vira para mim. — Me desculpe, — ele murmura. — Eu não estava tentando cruzar nenhuma linha, só queria provar um ponto. Não leve isso a sério. Um ponto? Ele estava provando um ponto? Isso dói. Eu sei que é uma dor irracional e injustificável, mas está lá e é forte, tão forte que a única reação que eu tenho é a de virar e ir embora. — Mercedes! — Diesel grita. Eu não me viro. Eu apresso o passo e atravesso a rua antes que ele tenha a chance de me seguir. Eu mantenho um ritmo de corrida até chegar ao trabalho e então empurro a porta da frente e entro, tomando fôlego. Eu olho atrás de mim – nada de Diesel. Graças a Deus. Eu não sei como iria reagir se ele tivesse me seguido. Meu telefone vibra na bolsa, e eu o pego enquanto caminho na direção do balcão. D – Você sabe que eu não quis dizer daquele jeito. M – Está tudo bem. Eu entendi. Tenho que trabalhar. Até mais. Desligo meu telefone e o jogo na bolsa, lutando com a emoção borbulhando no meu peito. Eu preciso focar no meu trabalho, então eu me concentro e levanto a cabeça, colocando um sorriso feliz no rosto ~ 143 ~


antes de começar meu turno. Estou com Bethany essa noite, e nós não nos damos muito bem, mas trabalhamos bem juntas porque não queremos ficar no caminho da outra. Tenho a impressão de que ela é amiga ou conhece Maxine. Ela está sempre fazendo caretas para mim, como se eu tivesse feito algo para ofendê-la. Não vou arriscar meu trabalho perguntando e descobrindo o que é. Meu turno hoje vai até às nove e meia, e quando ele acaba, eu estou exausta. Pego minhas coisas e saio quando o lugar está sendo fechado. Estou a meio caminho de casa quando Diesel aparece do meu lado. Eu vacilo e ofego, mas assim que percebo que é ele, minha raiva volta e eu murmuro, — Perseguir as pessoas é crime. — Você me entendeu errado. Eu continuo caminhando, sem olhar para ele. — Você me usou para provar um ponto, então muito gentilmente jogou isso na minha cara e me diz para não entender errado. Eu posso lidar com as merdas dela, Diesel, mas não esperava isso de você. — Eu não estava te usando para provar um ponto. Eu paro e me viro para ele. — Sério? Porque eu tenho certeza absoluta que foram exatamente essas palavras que você usou. Sua mandíbula aperta. — Você não pode negar isso porque sabe que é verdade. Agora eu estou cansada. Preciso descansar e estou indo para casa. Não me siga. — Mercedes, — ele chama. Eu o ignoro e atravesso a rua. Corro para o meu prédio e meu apartamento, trancando a porta assim que entro. Taj e seus amigos estão no sofá, discutindo sobre o jogo que estão jogando. Eles param quando eu chego, todos sorrindo para mim. Eu dou a eles um aceno fraco. — Oi, rapazes. Eu estou indo para a cama. — Espere! — Taj me chama, abandonando o seu posto e me seguindo pelo corredor. — O que foi? — eu pergunto, tentando soar casual. — Você parece chateada. — Estou bem. — Mercedes... ~ 144 ~


Eu me viro para ele. — Eu tive uma noite de merda no trabalho, é só isso, — eu o alcanço para um abraço rápido. — Só estou cansada. Boa noite! Entro no meu quarto e fecho a porta antes que ele possa responder. Lágrimas queimam minhas pálpebras, mas eu as forço de volta, não querendo ceder à dor apertando meu coração. Eu tomo um banho, lavo o cabelo e visto meu pijama antes de cair na cama. Eu já sei que não vou conseguir dormir, então decido dar uma olhada nas minhas mídias sociais para ver o que está acontecendo. Eu raramente mexo nelas hoje em dia; são tantas novas que surgem a cada dia que é difícil de acompanhar. Se foram os dias em que o Facebook era a única coisa por perto. Eu clico no meu perfil e faço uma careta quando vejo um monte de mensagens na minha caixa. Abro o app de mensagens e clico para ver uma foto de Diesel e eu – só que ela obviamente foi adulterada no Photoshop. A foto foi tirada hoje na lanchonete, bem quando eu estava me afastando do beijo, e em vez do meu rosto, eles colocaram o de um porco horroroso. O rosto de Diesel foi cortado e substituído pelo de um cara que parece enojado, seu rosto formando uma careta de repulsa. É uma montagem muito malfeita, mas a mensagem é clara. Maxine postou isso na sua página, mas não foi idiota o bastante para me marcar. Graças a Deus. Se o meu irmão visse isso... — É isso o que acontece quando uma porca tenta beijar um príncipe. Pobre Diesel. Meu lábio inferior treme quando leio os comentários da foto. — Ugh, ela é tão nojenta. Pobre rapaz, parece que queria vomitar. — Eu acho que ela tem algo conta ele. É claro que ela tem, porque, eca... — Eu acho que é provável que ele está lavando a sua boca nesse momento. Eu saio da conta e jogo meu telefone longe, explodindo em lágrimas. Não posso mais controlá-las. Eu sabia que Maxine era horrível, mas os lugares até onde ela está disposta a ir estão começando a me incomodar de verdade. Eu não sei porque ela não consegue pegar a dica, mas é claro que as palavras de Diesel e as minhas reações não adiantaram para nada. Ela é figura, essa garota. Uma figura. — Mercedes? ~ 145 ~


Taj está na minha porta, batendo suavemente. Eu suspiro e caminho, abrindo a porta e tentando esconder meu rosto, mas é inútil. Ele pode ver que eu estive chorando no segundo em que olha para mim. — Você viu, não é? — A foto? — eu coaxo. — Sim. Eu aceno. — Você quer que eu entre? Eu aceno de novo. Eu recuo e ele me segue para dentro, os dois indo sentar na minha cama. — Você sabe que ela é apenas uma vadia, certo? Ela não sabe o que esta esperando por ela. — Estou tentando me encaixar na faculdade, e parece que tudo que estou fazendo é ser empurrada mais para fora. Deus, ela está agindo como se tivesse quinze anos. Nós deveríamos já ter superado toda essa baboseira infantil. — Você não pode deixar ela vencer. Você sabe disso, não é? Eu olho para ele. — Minha amizade com Diesel não me trouxe nada além de problemas. Vim aqui para construir um futuro, para colocar minha vida em ordem e ser alguém... — E você pode ser, — Taj diz, pegando minha mão. — Ela vai seguir em frente em algum momento. Ela vai se cansar e achar um brinquedinho novo para se divertir. — Eu sei, mas talvez, até que isso aconteça, eu devesse parar de falar com Diesel. — Não posso decidir isso por você. Eu não conheço o cara, mas parece que os problemas o seguem aonde quer que ele vá. — Ele não é uma má pessoa, Taj. Mas infelizmente ele vem com uma bagagem que não é muito minha fã. Eu preciso estudar. Preciso me encaixar. Eu não posso continuar indo para a faculdade e ligando com essa porcaria. — Você já pensou em contar a alguém? — ele sugere. ~ 146 ~


— Quem? — Talvez um professor, ou... — Nós não estamos mais na escola. Isso é faculdade. Ela ser uma babaca é problema meu. Ele bufa. — Você precisa manter distância até que isso se acalme. — E Diesel? Ele aperta a minha mão. — Eu não posso tomar essa decisão. Não. Ele não pode. É uma decisão que eu devo tomar, e eu realmente não quero. Perder Dieseel me assusta. Me assusta pra caramba. Porque eu estou apaixonada por ele.

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Capítulo Dezoito A porta do meu quarto se abre justo quando estou me acomodando na cama. Taj grita algo do corredor, mas eu não escuto. Estou focada no homem grande e furioso parado na entrada do meu quarto. Diesel parece puto, e o meu palpite é que ele também viu a foto. Ele entra, batendo a porta com força. — Diesel... — eu começo, mas ele me interrompe. — Você viu isso? — ele late. — Sim, eu vi. — Eu vou acabar com essa merda, Mercedes. Eu prometo isso a você. Eu o estudo, e posso ver o quando isso está lhe incomodando. Eu não gosto disso, por ele e por mim. Eu sei o que tenho que fazer, mas não vai ser fácil. Eu vou para casa esse final de semana e acho que agora é a hora, não importa o quanto doa. — Diesel, — eu digo, minha voz patética e pequena. — Eu acho que nós precisamos parar de nos ver. Ele congela, seus olhos correndo para mim. — O quê? Deus, a voz dele. Posso ouvir a dor por trás das suas palavras. — Maxine nunca vai parar com isso enquanto nós formos amigos. Ela nunca vai me deixar em paz e eu não posso... — Então você vai deixar ela ganhar? — ele explode, jogando as mãos no ar. — Você vai deixar aquela vadia estúpida ganhar? — Eu não aguento mais, — eu grito, saindo da cama. — Eu não aguento mais ser o alvo dos seus jogos cruéis. Eu vim aqui para ter uma vida, para ser alguém novo, e tudo que eu tive foram as merdas dessa garota. Enquanto nós formos amigos, ela vai continuar agindo assim. ~ 148 ~


— Você realmente está fazendo isso? — ele soa verdadeiramente magoado. — Sério? — eu grito. — Você passou dias me dizendo que eu sou basicamente uma pedra no seu sapato da qual você não consegue se livrar e que essa amizade não significa nada para você, e agora você está na minha frente parecendo magoado porque eu quero me afastar? Ele se aproxima. — Essa amizade significa tudo para mim, porra, mas claramente não significa merda nenhuma para você. Você quer acabar com tudo? Que assim seja Ele vira e avança na direção da porta. Eu me atiro contra ele, batendo as mãos nas suas costas e fazendo com que ele tropece um pouco. — Você não pode fazer isso. Você não pode dizer uma coisa dessas e sair correndo. — Sim, — ele grunhe, agarrando a maçaneta. — Eu posso. — Não, — eu puxo seu braço, o obrigando a se virar. — Não pode! — Me solte. — Você nunca demonstrou valorizar essa amizade, então por que agora? — Eu achei que você sabia! — ele ruge. — Eu não sou uma maldita leitora de pensamentos! — Porra, Mercedes. Quantas pessoas você me vê levando aos lugares aonde eu te levei? Você é cega, porra/ Eu dou um passo para trás. — Ações, — ele diz, se inclinando mais perto, — falam mais que palavras. Achei que você fosse inteligente o bastante para entender isso. — Ela está me torturando, Diesel, — eu digo, minha voz suave. — Isso está me atingindo. — Então me deixe cuidar disso. — Você tentou, — eu digo, minha voz levantando outra vez. — E você como isso acabou hoje. — Eu posso lidar com Maxine. Eu só estava esperando que ela parasse por conta própria, assim não seria necessário ir mais longe com isso, mas eu posso fazer ela parar. ~ 149 ~


— Então por que você já não fez isso? — eu digo, uma lágrima escorrendo pela minha bochecha. — Porque eu sou um maldito idiota. Eu afasto o olhar. — Você deveria ir. — Eu realmente pensei que essa amizade significasse mais para você, — ele diz, sua voz mais baixa do que eu já ouvi antes. — Ela significa o mundo para mim, — eu digo, dando outro passo para trás. — Mas se significa tanto para você, você nunca deveria ter deixado ela me machucar do jeito que ela faz. No segundo que as palavras deixam os meus lábios, eu sei que fodi tudo. Elas não são nem próximas da verdade e são mais do que injustas. Pela sua expressão, parece que eu bati nele. Eu quero tomar minhas palavras de volta, mas não posso. Não posso nem me mover. Ele se vira e desaparece porta afora sem olhar para mim outra vez. Quando ele se foi, eu caio de joelhos e choro. Eu choro por ele. Eu choro por mim. Eu choro pela amizade que foi condenada desde quando começou. Eu apenas choro.

***

— Mercedes? — minha mãe grita quando eu entro no complexo, bem no meio do churrasco. Eu estive me preparando para esse momento desde que Diesel deixou o meu apartamento, algumas noites atrás. É importante para os meus pais que eu venha aqui, ainda mais que é uma surpresa para ela. Eu não posso deixar que ela veja a dor por trás dos meus olhos. Tenho que colocar uma máscara e fazer esse final de semana especial, porque ela merece isso. — Surpresa! — eu grito, correndo para ela. — Oh meu Deus! Eu a alcanço e jogo meus braços ao redor do seu pescoço, a abraçando com tanta força que tenho certeza que machuca. — Oh, o meu bebê está em casa. Melhor surpresa de todas. ~ 150 ~


— Deus, eu senti sua falta! — eu digo no seu pescoço. — Eu também, querida. Eu também. Eu me afasto e olho para ela. Ela é a mais bonita mulher que eu já conheci. Ela tem o mesmo grosso cabelo loiro que eu. Sua pele é mais clara que a minha, e ela tem esses incríveis olhos amarelos. Eu nunca vi nada como eles em toda a minha vida. — Ohhhhhh! Me viro e sorrio quando vejo Addison correndo na minha direção. Quando ela me alcança, me puxa em seus braços. — A monstrinha caçula está em casa. Eu rio. — Estou. — Venha, se sente, nos conte tudo que está acontecendo. Estou com inveja que você está morando em Denver enquanto nós estamos presos aqui. — Não tenho muito para contar. — Sempre existe alguma coisa. Ela engancha um braço no meu e minha mãe faz o mesmo no outro. Fazemos nosso caminho para dentro do complexo e recebo vários abraços e cumprimentos. Eu conheço oficialmente Lucas, a outra metade de Ava, e gosto dele logo de cara. Danny e Skye estão fora essa noite, mas eu planejo ver eles amanhã. — Aí está a minha garotinha. Eu sorrio ao som da voz do meu pai e viro, correndo para ele enquanto ele caminha até mim, cerveja na mão, parecendo lindo como sempre. Eu me jogo nos seus braços. — Pai! — Estou tão feliz que você veio, Ratinha. Eu me afasto, sorrindo para ele. — Eu também. — Você ficou ainda mais bonita nesses últimos dias? Eu bufo. — Pai, você disse isso há uma semana, quando foi me visitar. — Sério, eu sabia que você era bonita, baby... agora... agora você é linda.

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— Aw, — eu zombo. — Pare. Eu vou precisar começar uma briga só para as coisas voltarem ao normal. — Spike, — Cade chama. — Pare de abraçar ela e compartilhe. Meu pai me solta e eu dou um abraço em todos os demais, então pego uma cerveja e me junto a eles perto da fogueira. — Como está a faculdade, Merc? — Serenity pergunta, se acomodando no lado de Jackson. Eu mantenho o sorriso, ainda que ele ameace escorregar. — Incrível. — E Denver? — Addison suspira dramaticamente. Cade sorri para ela? — Realmente demais, — eu continuo. — Há tanta coisa para fazer, — mesmo que mal tenha tido a chance de fazer qualquer coisa. — Você fez bons amigos? — minha mãe pergunta. Isso aumenta a dor no meu coração. — Sim, uma garota chamada Shay e o meu colega de apartamento, Taj. Eu não conto a eles sobre Diesel, por razões óbvias. — Eu já passei uma semana lá! — Ava suspira. — Foi tão divertido. Lucas a puxa para o seu lado. — Nós podemos viajar até lá, criança. É só você pedir. — Own, vocês são muito fofos! — eu digo. Ava ri e Lucas pisca para mim. Sim, ela escolheu bem. — Então, e vocês? — eu pergunto, mudando de assunto. — Como estão as coisas por aqui? — A mesma merda, só mudam os dias, — meu pai diz, acendendo um cigarro. — Ainda torturando seus pulmões, pai? Ele pisca para mim. — Mãe, faça ele parar. Eu não quero que ele pareça uma velha ameixa seca murcha quando tiver setenta anos porque não há mais oxigênio na sua pele. ~ 152 ~


Jackson bufa uma risada e Addison o cutuca, tentando esconder o seu sorriso. — Eu já tentei, querida, — minha mãe ri. — Ele insiste em fazer isso pela sua imagem. — Cuidado, Tomcat, — meu pai diz, sorrindo para ela. — Eu tenho maneiras de fazer você engolir as suas palavras. — Eca, — eu murmuro. Todos riem de novo. Deus, é bom estar em casa. Eu acho que é justo o que eu precisava.

***

— É bom estar no meu quarto, — eu digo naquela noite, me atirando na cama que tenho na casa dos meus pais. — É bom ver você aqui, — minha mãe sorri. — Você parece estar bem, querida. Eu mantenho o sorriso, embora esteja gritando por dentro. — Estou. As coisas estão indo muito bem. — Eu estava preocupada que você estivesse passando por dificuldades, mas tudo parece ter se ajeitado. Eu odeio mentir. Eu odeio. Mas ela está tão feliz e não merece se preocupar por nada. — É sim. — Estou tão feliz que você veio, — ela diz, se aproximando e me abraçando de novo. — É uma droga não ter ninguém para ir fazer comprar comigo. — Venha para Denver. Nós podemos parar em várias lojas como nos velhos tempos. — Pretendo fazer isso. Seu pai e eu precisamos de um tempo fora. — Está tudo bem? — eu pergunto, preocupada pela preocupação nos olhos dela.

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— As coisas ainda estão um pouco... tensas, depois do que aconteceu com Ava. — Ainda há perigo? Seus olhos brilham e eu sei que ela está mentindo antes mesmo de falar as palavras. — Não, claro que não. Faço um som de deboche no fundo da garganta. — Certo. Ela parece culpada, mas muda de assunto, assim como foi ensinada a fazer. — Você precisa dormir. Vamos conversar no café da manhã amanhã. — Ok. Te amo. Ela me abraça de novo. — Eu também. Quando ela sai e fecha a porta, eu pego meu telefone e não vejo mensagens de Diesel, mas algumas de Taj e Shay. Meu coração dói pelo homem do qual eu estava me aproximando. Me sinto culpada pelas minhas palavras aquele dia, e a cada segundo isso fica pior. Eu lutei tanto pela nossa amizade, e então abri mão dela quando as coisas ficaram difíceis. Não é nenhuma surpresa ele não estar falando comigo. Eu sei que preciso acertar as coisas, mas não sei como. Será que ele vai falar comigo outra vez? Eu me encontro digitando antes mesmo que perceba o que está acontecendo. M – Sinto a sua falta. Eu sei que fodi tudo. Nunca quis que você pensasse que não é tudo para mim, porque você é, assim como a nossa amizade. Me desculpe, Diesel. Eu envio e largo meu telefone, esfregando os braços. Eu não deveria ter feito isso assim, mas sinceramente não posso encontrar palavras para explicar o quanto eu sinto muito. Meu telefone toca ao meu lado alguns minutos depois, e eu olho para ver surpresa o nome de Diesel brilhando na tela. Eu o pego hesitantemente e atendo. — Achei que nunca mais ia falar com você, — eu digo. — Eu sinto muito, Diesel. Ele suspira do outro lado. — Eu também, Tigresa. Não te liguei porque não sabia como me desculpar por agir como um babaca. Ele não esta mais bravo comigo?

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Meu coração incha de alívio. — Eu não deveria ter te empurrado daquele jeito, mas sinceramente, parecia o único jeito de escapar disso naquela hora. Eu estava tão chateada e confusa. — Eu entendo; acredite em mim, eu entendo. Você está certa. Essa vadia nunca deveria ter sido capaz de te infernizar. — Você não é responsável por lutar as minhas batalhas. — É o que amigos fazem, não é? Eu sorrio levemente. — Eu quis dizer o que escrevi. Estou com saudades. Ele fica em silêncio por um tempo, e então diz suavemente, — Sinto saudades suas também. Eu ofego sarcasticamente. — Você pode dizer isso de novo para eu poder gravar? Ele ri de leve. — Viu? Não demorou muito para essa briga chegar ao fim. — Nós tivemos nossa primeira briga, — eu sorrio, sentindo um peso sair dos meus ombros. — Qual nota você daria, em uma escala de um a dez? — Definitivamente um nove para mim e um quatro para você. — E como você decidiu isso? — eu rio. — Eu fio mais cruel que você. — Eu tentei acabar a nossa amizade; eu ganho pontos. Ele grunhe. — Isso é verdade. — O que você está fazendo? — Escrevendo músicas. Você? — Apenas com a minha família. É bom estar em casa. — Você vai voltar? Eu bufo. — Você não vai se livrar de mim tão fácil. — Valeu a tentativa. ~ 155 ~


— Agora que eu sei que você não quer dizer essas coisas horríveis, você nunca vai escapar de mim. Ele grunhe. — Não estava planejando escapar de você. Nunca pensei que me ouviria dizer isso, mas as coisas estão muito tranquilas por aqui. — Own, você realmente está com saudade de mim. — Não empurre. Tenho que ir estudar. Me ligue amanhã, ok? — Ok. Boa noite, amigo. Ele ri de novo. — Boa noite, Tigresa. — Ei, Diesel? — Hmmmm? — Estou feliz que nós somos amigos de novo. Ele não diz nada, mas eu juro que posso sentir o sorriso irradiando do outro lado da linha quando ele desliga o telefone. Meu coração está mais uma vez iluminado.

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Capítulo Dezenove — Você é um trapaceiro! — eu grito, jogando o taco de sinuca no meu pai, que começa a rir. — Eu apenas sou bom, garota. Você precisa aperfeiçoar as suas habilidades. Você costumava me derrubar sempre. — Trapaceiro, — eu canto, levantando minha cerveja e bebendo. — Segunda rodada? — De jeito nenhum. Ele sorri e eu balanço a cabeça, me virando e me juntando aos outros que estão na mesa. — Você costumava dar uma surra no pai na sinuca, — Danny diz quando eu me sento. — Perdeu a mão? — Eu deixei ele ganhar. — Claro, — ele ri. Eu o bato no ombro e levanto a mão, pedindo mais cervejas. Nós estamos no bar que o clube geralmente frequenta. É legal poder me juntar a eles e sentir que realmente faço parte de algo. Sendo a última a ter feito vinte e um anos, sempre senti que eu era a única a ficar em casa enquanto eles todos saíam para se divertir3. É legar ser incluída dessa vez. — Então, onde você e Skye foram? — eu pergunto a Danny, bebendo minha cerveja. — Cinema. — Você beijou ela? Nos EUA a maioridade é alcançada aos vinte e um anos, e a maioria dos bares e boates não permite nem a entrada de menores em seus estabelecimentos, porque a venda de bebidas alcoólicas lá é muito mais rígida. 3

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Ele olha para mim. — É complicado, e também não é da sua conta. — Ah, vamos lá, D. Não é. Você gosta dela. Ela gosta de você. — Ela quer viajar e ver o mundo, garota. Eu vou assumir o clube. Minhas sobrancelhas sobem. — Ela vai embora? — Se ela conseguir um emprego, sim. — Isso é uma droga. Ela não vai considerar ficar? — Skye ama essa vida, mas ela não quer viver isso. Ela quer viajar o mundo, ir para países estrangeiros, se apaixonar, viver livre. Eu não posso dar a ela nada disso. — Você pode, — eu aponto. — Esse clube é a minha vida desde que eu era grande o bastante para entender isso. É isso que eu quero, Merc. Eu o estudo. Danny sempre foi o próximo na linha de sucessão para assumir o clube quando Jacks se aposentasse, e ele sempre quis isso. Ele é perfeito para o cargo porque é forte e determinado, mas principalmente porque é inteligente pra caramba. Eu penso nele e Diesel, e em como os dois estão na mesma posição, mas querem coisas totalmente diferentes. — Então você desistiria dela para comandar o clube? Seus olhos brilham. — Não... — Você tem certeza que é isso que quer? Ele se levanta. — Essa conversa acabou. — Danny! — eu chamo, mas ele desaparece na multidão. Merda. Eu estraguei tudo. Eu me levanto e vou atrás dele, mas não consigo encontrá-lo. Eu verifico os corredores e as salas dos fundos. Nada. Vou para fora e olho ao redor. Está silencioso aqui, exceto pela música saindo pelas janelas abertas. Danny é conhecido por fumar, então eu sigo em frente. Estou prestes a virar quando uma mão ver por trás de mim, tapando minha boca. Eu me contorço e luto, tentando afastar quem está atrás de mim.

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— Não se mova ou eu vou explodir os seus miolos, — uma voz rouca fala no meu ouvido. Eu paro de me mexer, o medo correndo pelas minhas veias. A pessoa atrás me empurra para frente, e meu coração está martelando quanto eu tento me manter de pé, obrigando meus pés a se moverem. Ele me leva na direção da parede de tijolos e me empurra contra ela, pressionando minha bochecha na superfície dura e fria. Dor lancinante irradia pela minha cabeça quando minha pele bate na superfície áspera. — Pegue seu telefone. Envie uma mensagem para o seu pai. Diga a ele para trazer Jackson e Cade aqui. Só eles. Ele traz mais gente? Você morre. Eu engulo em seco e lágrimas escorrem pelas minhas bochechas quando ele me libera o suficiente para que eu possa pegar o telefone da bolsa. Através da visão embaçada, envio uma mensagem para o meu pai. M – Pai. Alguém me pegou aqui fora. Ele disse para você vir aqui com Jackson e Cade. Mais ninguém. Rápido, por favor. Eu aperto em ―enviar‖ e o homem empurra meu rosto contra a parede de novo, meu telefone caindo no chão. Minha bochecha queima quando as bordas ásperas mordem minha pele. As lágrimas vêm com mais força, e eu tento ficar o mais imóvel possível. Um objeto frio é pressionado na minha têmpora e quando eu percebo que é uma arma, me contorço para tentar me libertar. — Eu vou atirar em você, vadia. Fique quieta e talvez você não morra. Aterrorizada, eu paro de me mover e fecho os olhos, tentando controlar os soluços histéricos que escapam da minha garganta. Foi assim que Ava se sentiu? Deus, isso é provavelmente uma pequena porcentagem do que ela passou. Eu começo a entender de uma maneira que nunca consegui antes. — Solte. Ela. Eu ouço a voz do meu pai e a mão deixa a minha boca. Eu grito pelo meu pai quando o estranho agarra o meu cabelo e pressiona meu rosto com ainda mais força contra a parede de tijolos. — Porra, se você machucar ela, eu vou estourar a sua cabeça. ~ 159 ~


Eu nunca ouvi a voz do meu pai assim, furiosa, mas tão frenética ao mesmo tempo. — Eu vim aqui para dar um aviso, — o homem diz. — Fique fora dos malditos negócios de Raz, ou ele vai vir atrás da sua família, e vai acabar com um por um. — Eu não estou nos negócios de Raz! — meu pai late. — Agora, deixe ela ir. — Ele é um homem muito paciente, mas você está mexendo com a sua operação, e ele não gosta disso. A menos que você queira uma repetição do que Ricky fez com Ava, eu sugiro que você se afaste. Você não vai ter uma segunda chance. Estou chorando com força agora, tão forte que meu corpo treme. — Nã nã, — ele grita quando meu pai tenta pegar a sua arma. — Armas para baixo, rapazes. Você atira em mim, eu atiro nela. — Solte ela, — meu pai exige. — Deixe ela ir e nós conversamos, — Jackson diz, sua voz calma. — Eu não preciso conversar; eu preciso que vocês escutem. Fiquem fora dos negócios dele, ou alguém que vocês amam vai morrer. — Nós não temos nada a ver com isso! — Cade grunhe. — Vocês estão avisados, — o homem me vira rapidamente e me atira para o meu pai, o distraindo por um segundo enquanto ele desaparece pelo lado da parede de tijolos. — Porra, — Jackson grita. — Vão atrás dele. Cade sai correndo, mas meu pai não se move. Ele me pega em seus braços, me puxando contra o seu peito. — Baby, porra, — ele diz, me esmagando com o seu abraço. — Eu sinto muito. Ele se afasta um pouco e segura meu queixo. — Leve ela para casa, Jacks. Eu preciso saber que ela está segura. — Vá com ela. Nós cuidamos disso. Meu pai se abaixa e me prende nos seus braços. Eu agarro a sua jaqueta. — Pai...

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— Está tudo bem, querida. Mas não está. Eu sei que não está.

***

— Você tem certeza que está bem? — minha mãe pergunta, passando a mão no meu cabelo. — Estou bem, mãe, — eu coaxo. — Só estou com dor de cabeça. — Se eu estivesse lá, eu teria matado... — Ciara, — meu pai diz. — Já chega. — Ele machucou o meu bebê! — ela chora. — Spike, ele... — Já chega, querida, — ele diz, sua voz suave, mas firme. — Preciso falar com ela, ok? Você pode voltar depois. — Me chame se você precisar de alguma coisa, — minha mãe diz, me abraçando com força. — Você tem remédio para dor? — Sim, — eu sussurro. — Eu sinto muito, querida. — Não foi sua culpa. — Eu te amo. Vou voltar logo. — Eu te amo também. Ela sai do meu quarto e meu pai se aproxima, sentando na cama, seus ombros grandes tensos. — Ninguém vai tocar em você de novo, Mercedes. Eu prometo. — Jackson disse o mesmo sobre Ava, mas esses caras, pai... eles não estão de brincadeira. Ele segura meu queixo. Seus olhos estão firmes. — Ninguém vai tocar em você de novo. Isso não vai ser uma repetição do que houve com Ava. — E Skye e Ava? Elas ainda estão aqui e... ~ 161 ~


— Skye é mais protegida do que qualquer pessoa, com Danny e Cade atrás dela. Ava tem Lucas. Está tudo bem. Nós estamos cuidando de tudo. Você precisa acreditar em mim. Eu aceno e olho para as minhas mãos. — Ei, — meu pai diz. — Olhe para mim, filha. Eu olho para ele. — Você está segura. Meu lábio inferior treme. — Eu tenho medo por você e o clube... isso é feio. Ele acaricia minha bochecha. — Você está segura. Eu aceno e sussurro. — Eu vou tentar dormir. Ele me puxa nos seus braços. — Eu nunca tive tanto medo como essa noite, Mercedes. Nunca tive tanto medo, porra. — Eu estou bem. Ele não diz nada; apenas me segura por um longo momento. Ele finalmente me solta e beija a minha testa. — Boa noite, baby. Grite se precisar de mim. — Eu vou. Ele se levanta e hesita, mas então vai embora. Eu me afundo na cama, minha cabeça latejando. Olho pela janela, tentando lutar com as lágrimas. Meu telefone toca ao meu lado, e eu rolo para ver que Diesel está ligando. Eu não atendo. Eu não quero falar com ninguém. Um minuto depois, uma mensagem chega. D – Não ouvi falar de você o dia todo. Achei que nós éramos amigos de novo? M – Eu realmente não estou com vontade de falar. Vejo você na faculdade. D – O que está acontecendo? Eu não respondo. Apenas enfio o telefone debaixo do travesseiro. Ele vibra oito vezes antes que eu finalmente o pegue e desligue. Então, de alguma forma, eu caio em um sono exausto e aterrorizado. ~ 162 ~


***

— Oi! Eu me viro para ver Shay correndo na minha direção quando estou de volta ao campus na segunda-feira. Ela está acenando e sorrindo, mas nem isso é o bastante para trazer um sorriso ao meus lábios. Ela para na minha frente, seu cabelo ruivo esvoaçante, os olhos verdes brilhantes. No momento em que ela estuda o meu rosto, sua expressão se torna preocupada. — Ei, você está bem? O que aconteceu com o seu rosto, você caiu? Eu dou de ombros. Meu rosto ainda está um pouco vermelho e inchado por ter sido pressionado contra os tijolos. Não está ruim, mas está bastante sensível. — Eu saí com uns amigos e fiquei um pouco bêbada... Ela junta as sobrancelhas. — Isso foi um acidente alcóolico? Meu sorriso é fraco, e ela nota. — Você tem certeza que está bem? — Sim, — consigo dizer. — Ouça, eu tenho que ir entregar uma tarefa. Vejo você na aula. — Está bem, ok. Eu me viro e me afasto com pressa. Minhas mãos estão suando no momento em que chego ao meu armário. Eu não posso encarar isso hoje; vou para casa vomitar. Eu preciso de alguns dias para processar o que aconteceu. Tudo parece demais do que aconteceu. Meu pai queria que eu viesse para casa com uma escolta, mas eu insisti que estava bem. Ele deveria estar ainda mais preocupado com Ava, Skye e Danny, que ainda moram lá. Ele finalmente me deixou ir com a promessa de que entrar em contato constantemente e avisá-lo se algo estranho acontecesse. — Mercedes. O som da voz de Diesel atrás de mim faz com que todo meu corpo congele. Ele esteve tentando falar comigo desde aquela noite, mas eu não fui capaz de encará-lo. Eu não sei o que vou dizer – inferno, eu nem ~ 163 ~


sei o que estou sentindo agora. Eu nunca pensei que estaria nessa posição, mas ainda assim, estou. Isso me assusta, mais do que estou disposta a admitir. Nunca tive uma arma pressionada na minha cabeça antes. Eu nunca mais quero sentir esse horror. — Mercedes, — ele me chama de novo, colocando uma mão no meu armário e o fechando. Eu olho para os meus sapatos. Ele para ao meu lado, e eu ouço seu grunhido chocado quando ele vê meu rosto machucado. — O que aconteceu? — ele pergunta, sua voz baixa. — Nada. Ouça, eu vou para casa. Não estou me sentindo bem, — eu não olho para ele quando me viro e começo a andar rápido. Ele me pega antes que eu tenha dado cinco passos. — O que aconteceu? — Diesel, — eu digo, finalmente olhando para ele. — Eu preciso ir. — Você está machucada. Você foi ferida. O que aconteceu quando você foi para casa? Alguém fez isso? — Me deixe ir, — eu sussurro. — Mercedes, — ele diz, sua voz suave. — Você pode confiar em mim. — Eu posso? — eu grito, algo dentro de mim quebrando. — Eu posso confiar em você? Porque dificilmente você provou isso até agora. Isso é irracional e cruel, mas eu não posso parar minhas palavras. Uma lágrima escorre pela minha bochecha e ele a seca com o polegar. — Ela fez isso com você? Eu dou um passo para trás. — Não, ela não teve nada a ver com isso, essa é a verdade. Eu estava fazendo um ponto. Eu tenho que ir. — Alguém te machucou, — ele diz nas minhas costas. — Porra, Mercy. Eu paro ao som do meu apelido e mais lágrimas escorrem.

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Eu não me viro – apenas saio correndo antes que ele tenha a chance de dizer mais alguma coisa.

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Capítulo Vinte — Outro, — eu digo, deslizando meu copo vazio pelo balcão do bar até a bonita bartender que está trabalhando. Ela não faz perguntar; apenas me serve mais vodca. Eu viro e engulo, amando a maneira como queima. Eu não bebo com frequência, mas quando cheguei em casa hoje, Taj estava lá, fazendo perguntas. Todos estão fazendo perguntas, e eu não estou pronta para dar as respostas, então fui para algum lugar onde poderia ficar sozinha com os meus pensamentos. Eu só tomei três doses, mas o calor viajando pelo meu corpo é bom. Ele faz com que eu me sinta bem. Eu só preciso de cinco minutos para mim mesma. Desliguei meu celular no segundo em que saí do campus, e não planejo ligar ele de novo essa noite. — Estive procurando por você toda a tarde. Eu estremeço e me viro para ver Diesel de pé atrás de mim, seus olhos na minha vodca. — Por que você está me seguindo? — eu murmuro. — Eu não quero companhia, Diesel. — Eu sou seu amigo, certo? Eu bufo. — É o que amigos fazem. — Você não quis ser meu amigo alguns dias atrás, então não tente ser agora. Deus, eu sou uma idiota. — Porra. O que aconteceu com você? Eu olho para o meu copo.

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— Mercedes? — Nada. Ele grunhe um xingamento. — Você não deveria estar aqui bebendo, isso não vai ajudar. Me deixe levar você para casa. Ele pega a minha mão, mas eu a puxo. — Eu disse que estou bem. — Você não está me dando outra opção a não ser resolver o problema na base da força, e eu não quero fazer isso. — O que você vai fazer? — eu gemo. — Me jogar no seu ombro e me arrastar para fora? — Se for preciso. Eu me viro e olho para ele, mas seu rosto está impassível. Ele vai fazer isso. Está escrito por ele todo. Jesus. Eu me levando e deslizo algumas notas no balcão antes de me virar e correr para a porta da frente. Diesel me segue. — Eu estou bem. Você pode ir embora agora, — eu grito, atravessando a rua na direção do parque do outro lado. — Isso não vai acontecer até que eu tenha certeza que você está segura em casa. — Eu não quero ir para casa! — eu protesto, seguindo pelo caminho que passa entre as árvores grandes e frondosas. É silencioso aqui. Talvez eu devesse ter vindo para cá primeiro. — Mercedes! — ele grita. Eu me viro, jogando as mãos no ar. — Eu não quero ir para a porra da minha casa, Diesel. Eu quero ficar sozinha! Droga, é demais pedir isso? — minha voz quebra no final, e isso só me deixa mais irritada. — Eu estou tentando ajudar. — Por quê? — eu rio amargamente. — Porque nós somos amigos.

~ 167 ~


Ele cruza os braços e eu perco a cabeça, jogando toda a frustração dos últimos dias nele. Eu avanço na sua direção e empurro seus braços, fazendo com que ele dê alguns passos para trás. — Nós não somos amigos! — eu grito. — Nós somos uma maldita colisão de trens! Ele se inclina mais perto. — Eu me importo, Mercedes. — Você não se importa, — eu guincho, puxando as mãos para trás para ganhar força e empurrar seu peito dessa vez. Suas costas batem em uma árvore, mas ele não tenta me parar. — Se você se sente melhor jogando todo o inferno que aconteceu em mim, vá em frente; eu não vou embora. — O que há de errado com você? — eu choro pateticamente, batendo no seu peito uma e outra vez. — Nada. — Tem sim, realmente tem. Pare de agir como se você se importasse. — Eu me importo. — Você não se importa. Ele agarra meus pulsos e me puxa para perto. — Eu. Me. Importo. — Não, — eu sussurro, deixando minha cabeça cair no seu peito. — Você não se importa. Ele solta meus pulsos e então cobre o meu rosto, inclinando minha cabeça para cima. — Eu me importo, porra. Ele se inclina e escova os lábios nos meus, e eu cansei de jogar. Cansei disso tudo. Eu quero que ele faça isso ir embora, que ele pegue esse sentimento vazio e patético no meu peito e o esmague no chão. Eu prendo meus dedos nas mexas espessas do seu cabelo e o beijo. Eu o beijo duro, com a língua e os lábios, e toda a paixão da minha alma. Ele prende um braço em volta da minha cintura e me vira, pressionando as minhas costas contra a árvore. Ele esmaga seu corpo no meu, e eu posso sentir cada centímetro duro dele. Cada. Centímetro. Eu ofego quando ele desliza os lábios pelo meu pescoço e mordisca até alcançar a base, então se move para cima outra vez.

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— Eu não posso mais ficar longe de você, — ele murmura contra a minha pele. — Eu tentei. Eu agarro a sua camisa e o puxo para mim, o beijando com tudo que tenho para dar. Ele me beijar de volta, duro, suas mãos massageando meu quadril enquanto ele me pressiona mais contra a árvore. Eu quero mais. Eu preciso de mais. Eu só... eu só preciso dele. Eu agarro seu cinto, o puxando até que ele abre. — Mercedes, — ele avisa. — Não aja como se você não quisesse isso, — eu murmuro, passando os lábios pelo seu pescoço. — Merc... Eu alcanço seu jeans e descubro que ele está duro e pronto, ele está mais do que pronto para entrar no jogo. Enrolo meus dedos em volta dele, e ele geme. — Aqui não, — ele grunhe, e é como doesse ele dizer isso. — Por que não? — Você está magoado. Você passou por coisas difíceis... essa não é a melhor ideia. Dói, dói muito, e eu o solto e dou um passo para trás. — Certo, — eu digo, vergonha subindo e queimando as minhas bochechas. — Você sabe que eu não quis dizer isso, — ele diz, me alcançando. Eu dou um passo para trás. — Mercedes, — ele rosna, dando um passo para frente e me segurando. — Você pode me odiar agora, mas vai me agradecer mais tarde. Eu não vou te comer contra uma árvore. Isso é sujo e barato, e você não é nenhuma dessas coisas. — Apenas admita... — Não, — ele rosna, me cortando. — Eu não vou admitir nada. Quando eu te foder, e eu vou te foder, não vai ser contra uma maldita árvore. — Eu sempre achei que você o tipo bad boy espontâneo, — eu murmuro, minha vergonha diminuindo. — Quando nós estivermos transando a algum tempo, então sim, eu vou te comer em algum lugar assim. A primeira vez? Não. ~ 169 ~


Constrangimento corre por mim. — Quem te contou? — eu sussurro. — Me contou o quê? — Que eu sou virgem. Quem te contou? Ele congela. — O que você disse? Merda. Porra. Ele não queria dizer a minha primeira vez; ele estava falando da nossa primeira vez. Eu aperto a boca fechada. — Mercedes, o quê? — Eu... nada. — Você ia deixar que eu te fodesse contra uma árvore na sua primeira vez? Agora eu me sinto uma idiota. — Eu... — eu digo, minha voz pequena. — Eu só quero me sentir melhor. — Porra. Há muitas maneiras de se sentir melhor, e essa não é uma delas. Eu olho para longe e ele segura o meu queixo, me obrigando a olhar para ele outra vez. — Teria me matado se isso tivesse acontecido e eu só descobrisse depois. Teria me matado, baby. Baby. — Me desculpe, — eu sussurro. — Eu só... — Não se preocupe, — ele me interrompe. — Me deixe levar você para casa, sim? — Sim. Ele me prende ao seu lado e nós caminhamos para longe das árvores, eu totalmente envergonhada, mas ele... não... ele está me mostrando um lado que eu nunca soube que existia. E eu quero mais dele.

***

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— Aí está você! — Taj grita quando eu passo pela porta. Seus olhos correm para Diesel e se arregalam. — Desculpe. Eu estava com Diesel, — eu murmuro, entrando no apartamento. — Ah, — Taj hesita. — Certo. Eu caminho até ele e aperto seu ombro. — Eu estou bem. Obrigada por se preocupar. Eu vou para a cama. — Eu vou me certificar de que você está bem e depois vou embora, — Diesel diz, olhando para Taj enquanto entra. Taj apenas fica ali de pé, olhando, sua boca ligeiramente aberta. Eu dou a ele o sorriso mais tranquilizador que consigo, e levo Diesel pelo corredor até o meu quarto. Quando fecho a porta atrás de nós, jogo minha bolsa na cama. — Eu vou tomar um banho. Você pode ir se quiser, ou... Eu olho para ele, e ele está me olhando. Deus, aqueles olhos castanhos. Eles são a porta da sua alma; você pode ler tudo que ele está pensando através deles quando ele quer que você veja isso. Nesse momento eu vejo compaixão, preocupação e, possivelmente, desejo. — Não vou embora, — ele diz, antes que eu possa terminar minha frase. — Tome um banho. Eu vou pegar algo para você beber. E então nós vamos conversar. — Diesel... — Não é uma opção, Mercedes. Vá tomar banho. Eu o estudo e estão suspiro. Eu pego minhas coisas e desapareço no chuveiro, tomando meu tempo, precisando do calor e do conforto que isso traz. Eu tento não pensar muito sobre Diesel estar no meu quarto e no fato de que eu tinha seu pau na minha mão a menos de uma hora atrás. Esse simples pensamento tem a vergonha subindo pelas minhas bochechas, fazendo elas queimarem. Eu me visto, escovo os dentes e o cabelo e então volto para o meu quarto. Diesel está sentado na minha cama quando eu entro, e eu vejo dois refrigerantes na mesa de cabeceira. Ele levanta o olhar quando eu entro, e seus olhos suavizam um pouco. Eu caminho, jogando a toalha no encosto de uma cadeira antes de me sentar perto dele. Ele estuda o ~ 171 ~


meu perfil por alguns minutos antes de dizer, — Você vai me dizer quem fez isso? — Eu não sei, — eu sussurro. Eu odeio mentir. Eu odeio. Mas eu ainda não estou pronta para contar a ele sobre a minha família. — O que aconteceu? — ele pergunta. — Eu tinha saído com alguns velhos amigos. Nós estávamos na rua e... alguém me atacou. Ele me empurrou contra uma parede e eu bati a cabeça. Nada mais aconteceu porque Danny, meu irmão, apareceu e impediu. Diesel ficou em silêncio por um segundo antes de dizer, — Alguém tentou... te estuprar? — Não, — eu digo rapidamente. — Eu não acho que era isso. Eu não sei o que foi. Acabou rápido, mas me assustou. Me assustou de verdade. — Você viu a pessoa? — ele pergunta. Eu balanço a cabeça. — Por que você não me contou? — Porque eu estava assustada e, honestamente, não sabia se deveria te contar. — Você encheu a minha paciência contra essa história de ―amigos‖, mas não veio falar comigo sobre isso? Eu suspiro. — Eu sei. Sinto muito. — Você sente mesmo? Eu aceno rapidamente, provavelmente rápido demais, mas Diesel não questiona isso. — Você quer descansar? Eu olho para ele. — Por que agora, Diesel? Por que você está considerando um ―nós‖ agora? Ele levanta a mão e prende os dedos na minha nuca. — Você sabe porquê. — Não sei, — eu sussurro.

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— Você estava sob a minha pele, mas mais do que isso – você vê algo em mim que ninguém mais vê, e eu estou cansado pra caramba de negar o que está bem na minha frente. Eu sorrio, mas é vacilante. — O que é preciso parar ter você de volta, Tigresa? Eu pisco. — Eu estou bem aqui. — Você sabe o que eu quero dizer. Quero ter a minha garota engraçada e pé no saco de volta. Isso me deixaria feliz demais, baby. — Bem, — eu digo, me inclinando e escovando meus lábios contra os dele, — Você está no caminho certo para fazer isso acontecer. Ele me puxa e me beija duro. Minha pele formiga. O beijo dura um tempo, até que ele finalmente se afasta e murmura, — Porra, você tem um gosto bom. Eu rio fracamente, então digo, — Diesel? O que exatamente nós somos agora? Ele dá de ombros, mas não me solta. — Não sei, mas quero que isso continue. — Eu também, — eu admito. — Então é o que nós vamos fazer. — Você não tem mais medo de me arruinar? Seus olhos ficam sérios, e ele passa um polegar meu rosto. — Eu sempre vou ter medo disso, mas não posso mais ficar longe de você. Eu estudo seu rosto. Deus, ele tem um rosto lindo. Mas são seus olhos que me prendem. Eles são sinceros e perfeitos. Reais. O tipo de realidade que eu penso que preciso.

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Capítulo Vinte e Um — Vocês estão dispensados, — o professor Ross fala no fim da aula, dois dias depois. Eu me levanto e jogo a mochila sobre o ombro antes de sair correndo da sala de aula. Chego ao corredor e olho ao redor, procurando por Taj. Nós deveríamos estudar juntos essa tarde, antes que eu comece meu turno. Vou na direção do seu armário, mas não o encontro lá. Gemendo, vou para a frente do campus. Talvez ele já esteja me esperando do lado de fora. Vou até o estacionamento e vejo o que parece uma luta em andamento. Estudantes estão por todos os lados, gritando e vibrando. Puxo a mochila com mais força contra o meu braço e corro na direção do caos. Eu alcanço a multidão e empurro as pessoas para fora do caminho para ver Taj no chão com Maxine sentada sobre as suas costas, esfregando seu rosto na sujeira. — E você vai dizer a ela que se essa mensagem não foi clara, a próxima vai ser. Jogo minha mochila no chão, a fúria crescendo no meu peito. Então eu vou na direção dela, levanto a perna e a chuto bem no traseiro, fazendo que ela caia por cima da cabeça de Taj e dê de cara na sujeira ela mesma. Ela grita quando isso acontece, mas eu não paro para ver se ela está machucada. Eu me abaixo e seguro Taj, o ajudando a sentar. — Você está bem? — eu pergunto freneticamente. — Taj? Ele grunhe e esfrega o rosto. Não há sangue, mas ele está coberto de sujeira. — Nada que eu já não tenha passado antes, — ele murmura. — Eu sinto muito. É tudo minha culpa. Vamos, me deixe te ajudar. — Sua vadia! — Maxine grita. Eu me viro e olho para ela. — Se você encostar um desses dedos sujos nele outra vez, eu vou fazer muito pior. Saia da minha frente!

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— Diesel é meu! — ela berra. — Você não pode aparecer e pegar o que é meu. Eu rosno mas não tenho a chance de responder porque Diesel aparece do meio da multidão, os braços cruzados sobre o peito e o rosto com uma expressão furiosa. — Mas que porra é essa? — Diesel! — Maxine chora. — Não foi minha culpa; eles me atacaram. Diesel balança a cabeça, quase como se tivesse pena dela. — Você esquece que eu te conheço, Maxine, e sei que tipo de vadia você é. Fique longe deles ou você vai se ver comigo. Ele avança e se abaixa, me puxando para cima antes de puxar Taj, também. Eu dou batidinhas nas roupas de Taj, tentando limpá-lo, mas ele segura minhas mãos e me para. — Está tudo bem, Merc, — ele diz, sua voz calma. — Aquela estúpida... — eu choro. — Ei, — ele continua. — Eu estou bem. — É minha culpa, Taj. — Não diga isso. Nós dois somos vítimas dela; ela vai trocar de alvo em breve, e não vai importar o que ele faça. Ela é uma vaca, e ela é cruel. Ele continua dizendo isso, mas eu não tenho certeza se acredito. Os olhos de Diesel correm para mim. — Você está bem? Eu aceno. — Sim. — Você? — ele pergunta para Taj. — Sim. Ele se vira para Maxine, que está chorando falsamente e olhando para ele com os olhos de um cervo assustado. — Última chance, Maxine. Se você tocar em qualquer um deles de novo, eu vou fazer questão que eles deem queixa. — Você deveria se importar comigo! — ela chora. — Eu terminei com você, obviamente porque eu não me importava com você. Se você fosse a metade de um ser humano

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decente, eu talvez me importasse com você, mas está claro que você não é. — Eu posso mudar! — ela grita, correndo para ele. Ele levanta a mão, a impedindo de continuar. — Não me importa se você pode ou não pode. Nós acabamos. Siga em frente. — Diesel! — ela grita quando ele nos puxa para fora da multidão. — Nós não terminamos. Ele olha para ela. — Você esquece que eu sei cada maldita coisa que há para saber sobre você, Maxine. Se você quer que todo o campus saiba como você é atrás das portas fechadas, sobre a triste e patética mulher que aparece quando não há ninguém por perto, vá em frente. Seu rosto fica vermelho e, seja lá o que ele sabe sobre ela, ele faz o seu ponto. Ele se vira e leva Taj e eu para fora do estacionamento. Nós paramos no carro de Taj primeiro, e ele se vira para mim. — Mercy, — Taj diz, enquanto Diesel está caminhando para o lado do motorista. — Está tudo bem. Mas não está. Parece que não importa o que eu faça, alguém fica em apuros. Estava tudo bem quando era apenas eu, mas agora Taj foi envolvido também, e eu não posso lidar com isso. — Não está. Taj beija a minha cabeça. — Está sim. Eu te vejo em casa. Por favor, não deixe que isso te atinja. Ela é uma vadia. Ele entra no carro, e quando ele se vai, Diesel me leva até a sua caminhonete e nós entramos. — Mercedes, — Diesel diz. — Eu sei o que você está pensando... não. — O que eu estou pensando? — eu sussurro para a janela. — Que estar comigo causa muita dor para você e para os seus amigos. Eu olho para ele. — E não é?

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— Pessoas como Maxine vão achar um jeito de torturar os outros se elas acharem que vale a pena. Ela decidiu que você vale a pena; não importa se eu estou nesse quadro ou não. — Nós dois sabemos que a única razão pela qual ela me escolheu é você, então importa se você está nesse quadro ou não. Ele pega a minha mão. — Nós não vamos por aí de novo, não vamos ter a mesma discussão. — Ela está machucando as pessoas que eu gosto! — eu grito, puxando a minha mão da dele e baixando a cabeça. — Eu não posso ficar bem com isso. — Ela não vai continuar a fazer isso; você tem que confiar em mim. Eu não digo nada. — Mercedes, olhe para mim. Eu não olho. — Olhe para mim. Eu lhe dou um fraco e patético olhar. — Não desista de mim de novo; eu estou te pedindo isso. Deus, eu vejo tanta dor nos seus olhos. — Eu odeio isso, — eu digo, minha voz suave. — Você confia em mim? Eu pisco. — Sim. — Então não desista de mim ainda. Eu sei que eu te decepcionei antes, mas prometo que isso não vai mais acontecer. Eu suspiro porque ele está olhando para mim desse jeito, e quando ele fala comigo assim, eu não posso dizer não. Inferno, eu nem ao menos quero dizer não. Porque eu confio nele, e eu acredito nele. — Ok, Diesel, — eu digo baixinho. — Ok, baby. Ele se abaixa e me beija, e eu deixo. Porque eu quero deixar. ~ 177 ~


Porque eu não posso dizer não.

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— Espere, então aquela vadia ainda está te dando trabalho? — Ava diz quando falo com ela pelo telefone naquela noite. — Sim, ela está, — eu admito. — Mas Diesel está cuidando das coisas. — Me parece que ela precisa de algo mais assustador que Diesel. Eu me mexo na cama e me acomodo contra meu travesseiro. — Está tudo bem, Ava. Sério. — Garotas como ela podem ser perigosas, Mercedes. Eu sei que você está pensando que ela é apenas uma vadia, mas ela já provou que não tem problemas em machucar as pessoas. — Eu posso cuidar disso. — Merc... — Sério, — eu estalo. — Eu estou bem. Ela fica em silêncio. — Eu estou preocupada com você. — Não fique. Escute, Taj chegou em casa e eu tenho que ir ver ele. Tchau. Eu desligo antes que ela tenha a chance de dizer mais alguma coisa. Eu odeio ter que cortá-la assim, mas não quero mais falar disso. Eu acredito que Diesel que vai resolver as coisas e espero que isso aconteça; eu só tenho que ficar na minha e deixar que ele faça o que for preciso. Ele sabe melhor do que ninguém como lidar com Maxine, então vou deixar que ele faça o que for preciso e espero que ele esteja certo, porque não sei quanto mais eu aguento dela. — Oi. Eu levanto a cabeça e vejo Taj parado na porta, duas xícaras de chá nas mãos. — Oi, — eu coaxo. — Você está bem? ~ 178 ~


— Não é para mim que você deveria estar perguntando. Ele entra e coloca uma xícara na minha mesa de cabeceira e se senta na cama ao meu lado. — Eu estou bem. Deus, se você soubesse quantas vezes eu já passei por isso. Isso faz meu coração doer como nunca doeu antes. — Você não deveria ter que passar por isso, Taj. É cruel. Ele dá de ombros. — Eu sou diferente. Quando você é diferente, vira um alvo. — Então o que eu sou? Ele me estuda. — Você é bonita, Mercedes. Você ameaça tudo que Maxine criou, não só pela sua aparência, mas pela sua personalidade. Você poderia ganhar do seu pequeno pelotão, se quisesse, e ela sabe disso. Você já tomou a coisa que ela mais precisava para a sua reputação. — Eu não tomei Diesel, — eu aponto. — Não, mas ele está com você ainda assim. — Então, em outras palavras, isso não acabou. Ele suspira. — Você é melhor do que ela e sabe disso. Não deixe ela fazer isso com você. — Além de dar uma surra nela, o que mais eu poderia fazer para pará-la? — Não fique sozinha com ela. Ignore-a e continue sendo você. Eu bufo. — Se ao menos fosse tão fácil. — Sim, — ele suspira. — Se fosse. — Taj? — Sim? — Eu realmente sinto muito. — Mercedes? — Sim? — Se você disser isso de novo, sou em quem vai bater em você. Eu rio e pego a sua mão. Espero que Diesel dê um jeito em tudo. ~ 179 ~


Capítulo Vinte e Dois — Como você dormiu essa noite? — Diesel perguntou, curvando minha mão pequena na dele enquanto sentamos em uma pedra grande na frente da faculdade, esperando a aula começar. — Eu dormi bem, na verdade. — Hoje vai ser um dia melhor. Eu prometo, baby. Eu sorrio fracamente. — Espero que sim. Eu gostaria de ter alguns dias legais, sem Maxine me torturando. — Ela vai parar; eu apostaria nisso. Eu aperto a sua mão. — Eu confio em você. O que você quis dizer quando falou que iria contar para todo mundo o que você sabia? — Atrás das portas, Maxine é um cachorrinho fraco. Ela fode como uma rata e age da mesma forma. Ela tem muitos segredos, alguns que ela me disse quando estava bêbada, e ela sabe que eu vou contar. — Como o quê? — Coisas que ela fez para as pessoas, coisas que fizeram com ela. Se ela continuar, vou usar isso contra ela. Eu não sou esse tipo de pessoas, mas já cansei de ver ela mexendo com o que é meu. O que é dele. Isso é legal. Eu sorrio, e seus olhos caem nos meus lábios. Estou me inclinando para beijá-lo quando o som de vários Harleys me faz pular para trás. Tanto eu quanto Diesel viramos para ver cerca de fez motos parando no estacionamento do campus. Meu coração praticamente vai parar na garganta. Está muito longe para ver quem é. Por que os Joker‘s Wrath viriam aqui? Eles com certeza não iriam envergonhar Diesel dessa forma. ~ 180 ~


— Que porra eles estão fazendo aqui? — Diesel murmura, se levantando. — Quem? — eu digo, meu coração querendo pular do peito. — Os malditos Knights. Knights. Knights? Hell‘s Knights. Eu viro a cabeça na direção do motoqueiro e vejo que é o meu pai que está se aproximando. Ah, não. Isso não está acontecendo. Preciso dar o fora daqui. Se Diesel o ver, Deus, se ele ver Diesel... droga. — Eu tenho que ir! — eu choro, soltando a mão de Diesel. — Mercedes! — meu pai grita, e eu paro imediatamente, meus pés presos no chão mesmo que meu cérebro grite corra, corra! — Você os conhece? — Diesel pergunta, sua voz baixa. Meu pai chega do meu lado e todo meu corpo fica dormente. — O que diabos você está fazendo perto da minha filha? Oh, Deus. Por que isso está acontecendo comigo? — Filha? — Diesel estala, seus olhos voando para mim. Eu me viro lentamente para encarar o meu pai, que está bem do meu lado. — Pai, — eu coaxo. — Eu disse, — meu pai diz, dando um passo para Diesel, — que diabos você está fazendo perto da minha filha? — Pai, — eu grito. — Será que nós podemos não fazer isso aqui? Os olhos castanhos selvagens do meu pai correm para mim. — Ouvi que a minha garota tem sido constantemente incomodada e não me disse. Foi para casa. Agiu normal. E todo esse tempo ela esteve aguentando merda. Ava. Maldita Ava. — Eu estou bem. Podemos ir? — eu protesto. ~ 181 ~


— O que você está fazendo com esse garoto? — meu pai estala. Eu olho além dele para ver Jackson, Cade, Muff e três outros membros parados ali, os braços cruzados. Sério? Todo o corpo de estudantes parou para olhar, e eu vejo Maxine parada um pouco mais atrás, seus olhos arregalados, seu corpo meio escondido atrás das amigas. — Nós. Podemos. Não. Fazer. Isso. Aqui? — eu assobio. — Eu fiz uma pergunta, Mercedes! — Eu estou namorando ele! — eu grito. Como se fosse em câmera lenta, vejo o rosto do meu pai passar de duro para completamente chocado. Então, igualmente devagar, ele vai para raiva selvagem. — Você está namorando ele? — ele explode. — Você sabe quem ele é? — Sim, eu sei quem ele é, e não, eu não me importo. Pai, você pode, por favor, ir embora? Ele parece desapontado comigo. Eu odeio isso. Eu odeio pra caralho. — Que diabos você está fazendo perto da minha filha? — meu pai late para Diesel. — Ele não sabia, — eu o interrompo, dando um passo na sua frente antes que Diesel possa responder. — Como ele não sabia, porra? — meu pai ruge. — Spike, — Cade diz. — O garoto não sabia. Olha a cara dele. Eu não quero olhar para a cara dele, mas quando meu pai olha, eu também faço. Diesel está olhando para mim, e há tanto traição e dor por trás dos seus olhos que eu quero gritar e correr até ele, implorar para que ele entenda, mas eu sei que ele não vai. Eu menti para ele. Eu menti para a sua família. Eu fiz algo que nunca deveria ter feito. — Diesel, — eu sussurro. — Você é filha de um membro de um MC, — ele respira. — Diesel, eu sei que isso é ruim, mas...

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— Você mentiu para mim. — Diesel! — eu choro. Ele se vira e vai embora. Eu vou atrás dele, mas meu pai me pega pelo pulso e me puxa de volta. — Você vem para casa. Agora. — Pai! — eu protesto, tentando me soltar dos seus grandes braços ao meu redor. — Não é uma opção, Mercedes. Se mexa ou eu vou fazer uma cena que você não vai gostar. Vejo Diesel desaparecer na multidão, e olho ao redor para ver todas as pessoas nos olhando. Eu não quero uma cena maior do que a que já foi feita. Eu relaxo meu corpo, empurrando os braços do meu pai e me virando, correndo na direção das motos com a cabeça abaixada. Vou direto para a moto de Cade e sento na parte de trás dela. Eu não perco a fúria e a dor nos olhos do meu pai, mas ele não discute. Ele me deixa ir com Cade. Ele também me deixa observar Diesel desaparecer, sem nenhuma maneira de chegar até ele. Eu sinto muito, Diesel. Eu sinto muito mesmo, porra.

***

— Que porra você estava pensando? — meu pai berra naquela noite, quando estou sentada à mesa de jantar com ele e minha mãe. Eu não digo nada; apenas olho para as minhas mãos. — Ele é filho de um motoqueiro de outro clube. Você sabe... porra, Mercedes, você sabe como isso é ruim. — Você disse que não tinha problemas com eles, — eu murmuro. — Mesmo que eu tivesse, não ia dizer a você, porra! — ele late. Eu levanto a cabeça e olho para ele. — Eu gosto dele. Ele gosta de mim. Eu não me importo com o clube; eu não me importo com nada disso. Eu estou cansada de viver sob as regras desse maldito clube. ~ 183 ~


Meu pai se aproxima, mas minha mão segura seu braço, sussurrando. — Spike, se acalme. — Esse clube é a sua família. Eu me levanto, empurrando minha cadeira para trás. — Talvez seja, mas talvez eu esteja cansada disso. Por causa desse clube, coisas ruins aconteceram. Por causa desse clube, eu não posso ter os amigos que eu quero. Por causa desse clube, eu não posso ser quem eu sou ou amar quem eu quero. — Besteira! — meu pai ruge. — Não é besteira, — eu choro, as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. — Eu não posso nem ter um desentendimento normal na faculdade sem que você apareça, seguido pelo seu bando de valentões para me constranger na frente de todos os alunos. Você sequer parou para pensar o que isso iria significar para mim? Que talvez isso deixasse tudo pior? Eu não posso namorar, não posso ter amigos – eu não posso fazer nada — eu grito tão alto que minha voz se quebra — sem você respirar no meu pescoço! Meu pai me olha como se eu tivesse lhe dado um tapa, e minha mãe se levanta rapidamente, parando entre nós dois. — Mercedes, já chega. — Não chega, mãe, — eu grito. — Não chega. Eu só quero uma vida normal. — Namorar um garoto que é membro de outro MC não é normal, querida. — Ele nem ao mesmo quer estar lá! — Esse não é o ponto! — meu pai ruge. — Ele não é uma pessoa ruim; eles não são pessoas ruins. Eles não são diferentes de nós. O rosto do meu pai se transforma em puro gelo. — Você conheceu eles? Oh, Deus. Eu não devia ter dito isso. — Sim, — eu digo, minha voz pequena. — Você conheceu outro clube! — ele troveja. — Sim, pai, e eles foram muito legais comigo. ~ 184 ~


— Eles têm merda acontecendo por todos os lugares. Eles têm pessoas ruins atrás deles. Eles são perigosos pra caralho e você foi até lá sem proteção? — Tudo isso também vale para você, sabe, — eu digo, as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. — Você não é perfeito. Se eu me lembro, foi o nosso clube que fez Ava ser sequestrada e ferida. Então houve o que aconteceu comigo... Agora ele parece como se eu tivesse acabado de lhe dar um soco. Eu me arrependo das palavras na hora. Meu peito aperta e eu sussurro, — Pai, eu não... — Sai da minha frente, — ele raspa. Eu me viro e subo correndo as escadas, lágrimas caindo pelas minhas bochechas. Meu pai e eu sempre brigamos, mas nunca, jamais, foi assim. Eu tenho que sair daqui. Eu apenas não posso mais fazer isso.

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Capítulo Vinte e Três Eu ligo para Diesel. Ele não atende. Finalmente, seu telefone vai direto para a caixa postal e não toca mais. Ele o desligou. Tenho que ir falar diretamente com ele. Preciso que ele saiba que eu não menti para lhe machucar – eu menti porque estava com medo e não queria que ele me olhasse um de jeito diferente. Porque ele teria me olhado de um jeito diferente. Como todo mundo, ele teria acreditado que nós dois não poderíamos funcionar, e nós podemos. Nós podemos dar certo. Eu tenho que acreditar nisso. Por causa da minha determinação e crença provavelmente infantis, me encontro escalando a janela para fora do meu quarto e descendo pelo lado da casa pela parede coberta de flores. Meus pés tocam o chão e eu não olho para trás. Contorno a casa pelo lado e vou para os fundos, uma vez que na frente com certeza há motos esperando, e então pulo a cerca dos vizinhos. E aí eu estou fora. Sei que meu pai não merece subir e descobrir que eu fugi depois do jeito que falei com ele, mas eu só posso consertar um problema de cada vez. Meu pai não está pronto para me perdoar, então essa noite eu vou arriscar e ir falar com Diesel. Eu preciso falar com ele. O desespero em meu corpo está quase estalando quando corro pela rua e aceno para um táxi. Eu não vou conseguir dormir e com certeza não vou conseguir ficar em casa até me explicar. Tenho dois corações para cuidar essa noite e, infelizmente, um deles vai se quebrar ainda mais antes que eu arrume as coisas. Não gosto da ideia do meu pai descobrindo que eu saí, mas eu tenho que ver Diesel primeiro. Deus, eu sou uma pessoa horrível. Explico ao motorista que preciso ir a Denver e ele me passa um valor muito caro, mas eu digo a ele que estou mais que disposta a lhe ~ 186 ~


dar uma gorjeta se ele me levar aonde eu preciso. Ele concorda com um aceno e eu suspiro de alívio. Alguns taxistas se recusam a levar alguém a algum lugar que os tire por uma hora ou mais do seu caminho; esse aqui está feliz que eu estou lhe dando gorjeta, então ele não vai reclamar. Fazemos todo o caminho em silêncio, e eu desligo meu telefone, com medo do que vou ver. Meu pai provavelmente vai demorar algumas horas até descobrir que deixei meu quarto, mas minha mãe não. Ela vai querer consertar as coisas, fazer isso melhor. Ela odeia quando eu e meu pai brigamos, e isso acontece o tempo todo. Nós somos tão parecidos que sempre batemos de frente. Eu o amo mais do que digo a ele, e eu deveria dizer a ele. Eu só espero que o estrago que eu fiz dessa vez não tenha cortado tão fundo a ponto de não ter reparação. — Aqui estamos. Eu olho para a janela do apartamento de Diesel. As luzes estão apagadas, o que me faz pensar que ele não está aqui, mas peço ao taxista para esperar um minuto enquanto eu verifico. Corro até a porta da frente e bato, mas não o chamo porque não quero correr o risco de ele não atender se suspeitar que sou eu. Está escuro lá dentro. Volto rápido para o táxi e dou a ele o novo endereço. Um endereço que me apavora. A casa dos pais dele. O motorista me leva onde eu preciso e meus nervos estalam mais e mais conforme nos aproximamos. Eu pago assim que chegamos e saio, minhas palmas suando quando ele desaparece na noite. Deus, e se eles me chutarem para fora? Pior – e se eles pensarem que eu vim espionar? Eu não quero que eles pensem tão pouco de mim. Eu gosto tanto deles. Envolvo meus braços ao redor do meu corpo e me aproximo da porta de entrada, rezando para que Diesel esteja aqui. Talvez ele não tenha contado a eles. Levanto a mão e bato, suave primeiro, parte de mim não tendo a coragem para bater mais forte. Finalmente, quando ninguém atende, eu faço. Há motos estacionadas na frente, o que me deixa saber que tem gente lá dentro, e não é só a família de Diesel. Alguns minutos depois, Jaylah abre a porta. Seus olhos se arregalam um pouco quando ela me vê, e então diz suavemente, — Eu estava me perguntando se eu ia ouvir algo sobre você. ~ 187 ~


Eles sabem. Claro que eles sabem. — Eu posso entrar? — eu coaxo. — Você tem certeza que quer fazer isso? — Tudo que eu mostrei a vocês foi real, Jaylah, — eu sussurro. — Nunca houve segundas intenções; eu não planejei gostar de Diesel, e não sabia que ele era parte de um clube até a noite em que ele me trouxe aqui. Por favor, acredito nisso. Ela estuda meu rosto, então suspira. — Eu já estive onde você está. Vamos, eu cubro você. Eu engulo e entro, esperando ela fechar a porta atrás de mim antes se segui-la até a sala de estar. A conversa para imediatamente quando eu entro, e meus olhos voam pelas pessoas que estão ali. Maddox, Krypt, Tyke e Mack, mais as suas esposas. Nada de Diesel. Vergonha sobe pelas minhas bochechas quando todos me encaram, alguns com raiva. Eu não posso culpá-los. Eu sei disso. — Você é a filha de Spike, — Maddox diz, sua voz calma, mas fria. — Você não se importou em compartilhar esse fato com a gente? — Seja lá o que está pensando, — eu digo suavemente, olhando para os meus pés, — você está enganado. Isso não foi um plano para conseguir informações ou derrubar o seu clube. Eu... eu realmente me importo com Diesel, e eu não sabia nada sobre vocês até que ele me trouxe aqui aquela noite. Eu sei que vocês não têm motivos para acreditar em mim, mas... — Você está certa, — Mack diz, sua voz desapontada. — Nós não temos motivos para acreditar em você. Você é filha de um membro de outro clube, um clube com quem não temos problemas, mas já tivemos no passado. — Eu entendo, — eu digo, minha voz tremendo. — Mas não estou aqui para causar problemas. — Você ser quem é já é um problema, — Mack estala. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas. — Você acha que eu não sei isso? Você acha que eu queria conhecer alguém com quem eu me importo só para descobrir que é impossível ficarmos juntos?

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Acredite ou não, eu gosto do seu filho e quando descobri quem ele era, isso me aterrorizou. — Você devia ter acabado com isso então, — Mack grunhe. — Talvez, mas caso você não tenha notado em todos esses anos de vida, Diesel é incrível, e ele tira o meu fôlego sempre que está na sala. Eu não queria desistir disso, então isso me faz uma egoísta eu entendo, mas... eu... amo ele. Todos me olham, alguns chocados, alguns suavizam, alguns ainda com raiva. Eu me sinto levemente aliviada por finalmente dizer as palavras. — Mack, — Jaylah diz suavemente. — Pegue leve com ela. — Ela é filha de Spike, — Mack diz, sua voz um pouco menos dura. — Sim, ela é, mas ela ainda é só uma garota. — Ela é membro de outro clube, — Krypt diz, sem nem um pingo de emoção na voz. — Diesel é membro desse aqui. Isso nunca vai dar certo. — Por que não? — eu choro, frustrada. — Por quê? Por que o que temos precisar ter alguma coisa a ver com os clubes? — Querida, — Tyke diz. — Sem ofensa, mas você quer casar, ter filhos? Isso tem tudo a ver com os clubes. Minhas lágrimas se transformam em frustração, e eu deixo cair a cabeça. — Isso é exatamente porque eu nunca quis fazer parte disso. Eu queria... — Você não quer dizer isso, — Maddox diz. — Eu não sei muito sobre o seu clube, mas conheço o seu pai, e sei que ele daria a vida por você. As crianças dos Knights são adoradas e protegidas, assim como as nossas. Você tem uma família que vai além da família normal, e pessoas que morreriam por você. — E o que eu quero? — eu soluço entre lágrimas. — E eu? Eu quero fazer amigos, me apaixonar, ter uma vida normal, e não posso. Eu não posso... — Você pode, só que não com Diesel, — Mack diz.

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Eu olho para ele, que está borrado pelas minhas lágrimas. — Certo, — eu sussurro. — Certo... Eu me viro e caminho para a porta, meu corpo gritando em agonia, meu coração doendo ao se quebrar em mil pedaços. Eles estão certos. Eu sei que sim. Diesel e eu nunca vamos dar certo. Nós não podemos funcionar. — Não vá embora, — Jaylah diz, correndo até mim. — Jay! — Mack protesta. — Não, é quase meia-noite e ela não deveria estar aí fora sozinha. Além disso, Spike vai saber exatamente aonde ele veio; se você não quer ter problemas, deixe ele saber que ela está sã e salva em um lugar seguro. Mack olha para ela. Jaylah segura o seu olhar. — Deixe ela ficar. Eu recuo ao som da voz de Diesel, e me viro para ver ele de pé no fim da escada, os braços cruzados, me estudando. — Você sabe que esse é um território perigoso, garoto, — Mack murmura. Diesel olha para ele. — Depende de com quem você fala. Por que isso deveria ser um problema? Nós não temos nada a ver com os negócios do clube, e nem isso deveria ter. — Diesel, — Mack começa. — Não, pai. Não. Eu já cansei disso, porra. Eu não sou quem você quer que eu seja, e nunca vou ser. Eu fodi as coisas, sei disso, mas isso não muda o fato que eu não quero comandar esse clube, e não quero ser parte de nada que tenha a ver com ele. Eu posso namorar quem eu quero, assim como ela – são vocês que estão fazendo muito barulho por nada. — Nada? — Mack late, se levantando. — Isso não é nada, porra! — Mack, se acalme, — Maddox diz. — Deixe eles irem essa noite; vamos lidar com isso amanhã. Jay está certa. Spike vai adivinhar onde ela está e vir atrás dela. A melhor coisa a fazer é garantir a sua segurança e entregá-la quando ele chegar. Você sabe disso. Então se acalme.

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Mack olha para Diesel, que segura o seu olhar. Então ele se vira e sai da sala. Meu coração se quebra ainda mais. Eu não quero causar problemas entre Diesel e o seu pai, ou entre os clubes. Essa não é a minha intenção. — Eu deveria ir. Eu não queria isso, — eu digo. — Não quero que todos vocês briguem, ou causar problemas... — Fique, — Diesel diz, seus olhos voando para mim depois que ele observa seu pai ir embora. — Diesel... — Fique, Mercedes. Não é uma oferta; é uma ordem. Meus ombros caem. — Preciso ligar para o meu pai ou ele vai perder a cabeça... — Então ligue para ele, — ele termina de descer o último degrau da escada e caminha até mim para pegar a minha mão. — Do meu quarto. — Diesel, — Maddox avisa. — Está tudo bem, Maddox. Ela está bem. Eles não protestam mais e ele me puxa escada acima. Eu olho para os seus rostos cheios de julgamento, e desejo que eles saibam o quanto eu sinto por tudo isso. Eu realmente sinto.

***

— Mãe, — eu sussurro. — Por favor, diga a ele que eu estou bem. — Você fugiu, Mercedes. Ele perdeu a cabeça quando descobriu. — Eu estou bem. Eu precisava consertar as coisas com Diesel e... — E o seu pai? — ela pergunta. — Eu errei, mas ele também e você sabe disso. — Fugir só vai colocar lenha na fogueira. ~ 191 ~


— Nós dois precisamos de tempo. — Você está em outro clube, — ela chora, sua voz parecendo desesperada. — Sim, e estou bem. Eu não diria a você se não estivesse. Eles me deixaram ficar porque queriam que o papai soubesse que eu estou segura, e que eles vão me devolver assim que ele chegar. Eles não estão aqui para causar problemas. — Ainda assim, Mercedes, você não deveria estar aí. — Você não tem que se preocupar com isso, porque Diesel e eu decidimos que é melhor para todos se ele me levar para o meu apartamento. Ela fica em silêncio. — Como eu sei que você está me dizendo a verdade? — Ligue para o telefone fixo do meu apartamento em vinte minutos, eu vou atender. Por favor, mãe, eu não quero mais problemas. Diga ao papai para não vir correndo para cá. Nós dois precisamos dessa noite. Diga a ele que eu estou em casa e vou ligar amanhã. — Você está me pedindo para mentir. — Eu vou estar em casa. — Com Diesel. — Sim, é verdade. Se ele precisa saber isso, ok, mas não quero ter que me esconder, mãe. Não essa noite. Por favor. Ela suspira. — Eu vou dizer a ele, mas, Ratinha, ele não está feliz que você saiu, e eu não posso prometer que ele não vai aparecer aí essa noite. — Eu entendo. Vou ligar assim que estiver em casa. — Mercedes, o que você disse essa noite... — Eu sei, mãe. Eu estou com vergonha de mim. — Deveria estar mesmo, — ela diz, e eu odeio a decepção na sua voz. Minha garganta aperta e eu sussurro. — Diga a ele que eu o amo e sinto muito, sim?

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— Vou tentar, querida. Vou te dar até amanhã, e então eu quero você em casa. Me ouviu? — Vou estar aí. — Tchau, Mercedes. — Tchau, mãe, — eu desligo e meu coração dói. — Tudo bem? — Diesel pergunta, chegando atrás de mim. — Ele me odeia, e com todo o direito. Eu fui horrível com ele. — Tudo vai ficar bem, — ele diz, sentando ao meu lado. — Ele vai se acalmar. — Por que você fez isso? — eu pergunto, me virando para ele. — Por que eu fiz o quê? — Se acalmou. Ele estuda meu rosto. — Eu ouvi você falando com a minha família e eu entendi. Eu entendo. Eu sei como é estar preso em algum lugar que força a sua vida na direção de algo que você não quer, e... — E? — E eu ouvi você dizer que me ama. Eu coro e desvio o olhar. — Você me ama? Eu estudo minhas mãos. — Seja o que for que eu sinto por você, Diesel, é muito real. Essa noite, pensando que você estava bravo comigo... doeu mais do que qualquer outra coisa na minha vida. — Para constar, — ele diz, se esticando e cobrindo o meu queixo com a mão, — eu totalmente adoro você, Mercedes. Uma lágrima escorre do meu olho. — Eu fiz uma grande bagunça. — Tudo vai estar melhor pela manhã. Eu prometo. Vamos lá, eu vou te levar para casa. Eu aceno e pego a sua mão. Pelo menos um incêndio foi apagado.

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Capítulo Vinte e Quatro Minha mãe me liga alguns minutos depois que eu passo pela porta da frente. Ela diz que convenceu meu pai a não se envolver essa noite, e que eu estava segura em casa e que estaria no clube logo cedo para falar com ele. Isso parece ser o suficiente por hoje, mas sério, isso provavelmente só aconteceu porque ele está tão furioso que não quer me ver. Taj está fora e Diesel e eu estamos sozinhos. Eu envio uma mensagem para o meu pai enquanto Diesel pede pizza, porque nós dois estamos famintos. M – Eu sei que você está bravo comigo. Eu só queria dizer que sinto muito. Eu não quis dizer aquilo. Ele responde, o que me surpreende, mas quando leio o que ele escreveu, meu coração cai. D – Amanhã, Mercedes. Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas quando eu respondo. M – Eu sinto muito, pai. Ele não me responde mais. Diesel me encontra chorando, agarrada ao meu telefone na cama. Ele vem e me puxa em seus braços, escovando os lábio contra o meu cabelo. — Vai ficar tudo bem, Tigresa. — Ele nunca esteve tão bravo comigo. — Ele vai se acalmar. Eu agarro a camisa de Diesel e choro até que minhas lágrimas diminuem. Levanto a cabeça do seu peito e olho em seus olhos. Ele está aberto para mim, sem esconder nada, e eu posso ver preocupação misturada com confusão em seus olhos. — Isso vai acabar antes de sequer começar? — eu sussurro. ~ 194 ~


Ele cobre meu rosto com as mãos. — Não. — Nós estamos destinados a não dar certo. Ele se inclina, escovando os lábios nos meus. — Acredite em algo, Mercedes, e talvez as coisas possam dar certo. Deus. Eu adoro ele. Eu quero ele. Eu cansei de esperar. Eu trago minha boca mais perto e o beijo com objetivos claros. Ele geme e prende os dedos no meu cabelo, massageando minha cabeça enquanto toma o meu beijo, deixando que minha língua dance com a dele, deixando minha boca dizer tudo que eu não consigo. Ele se afasta depois de alguns minutos intensos e murmura, — Mercedes... — Eu quero isso, Diesel, — eu sussurro, desabotoando a minha camisa. — Eu quero. Ele pega minhas mãos, me parando. — Então vamos fazer isso devagar, e vai ser do meu jeito. Meu coração acelera e eu aceno, engolindo o nervosismo que está ameaçando explodir em meu peito. — Primeiro, — ele diz, sua voz baixa. — Eu vou te beijar um pouco mais. E ele faz, trazendo os lábios sobre os meus e me beijando até que tudo que posso ver, tudo que posso respirar e sentir é ele. Tudo sobre mim. Me cercando. Fazendo tudo em meu corpo se sentir vivo. Então, lentamente, enquanto me beija, ele remove minha camisa, e depois meu sutiã. Minhas bochechas queimam quando ele se afasta e seus olhos caem para os meus seios. — Você é tão bonita, porra. É de tirar o fôlego. Eu engulo e alcanço a sua camisa, puxando-a nervosamente por cima da sua cabeça e revelando o corpo mais bonito que eu já vi. Ele é magro, mas musculoso e bronzeado. Ele não tem pelos no peito e somente uma pequena trilha corre do seu umbigo para dentro das calças. Ele é perfeito, e minha respiração fica presa enquanto me permito observá-lo.

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— Você também é de tirar o fôlego, — eu digo suavemente, levantando as mãos e as correndo pelo seu peito. Ele gentilmente coloca o seu corpo sobre o meu e me faz deitar na cama, se posicionando entre as minhas pernas, e nossos peitos estão esmagados um no outro. Então ele me beija mais um pouco, correndo pelo meu maxilar, pelo pescoço, sobre a minha clavícula, e depois pelos meus seios. Eu ofego quando ele fecha a boca sobre o meu mamilo e chupa. Eu nunca senti algo tão incrível na vida. Sensações diferentes de quaisquer outras que eu já experimentei correm pelo meu corpo, indo direto para o meu núcleo. Ele se move para baixo lentamente, torturando de forma perfeita os meus seios, e beija um caminho suave sobre o meu estômago até que chega aos meus shorts. Ele os desabotoa e os puxa pelos meus quadris, levando a calcinha junto. Eu jogo um braço por cima dos olhos, com medo que ele não goste do que vê, que eu não seja o suficiente. — Tire as mãos dos olhos, — ele diz, colocando as mãos sobre os meus joelhos e separando as minhas pernas. — Nunca tenha vergonha da sua beleza. — Eu não... eu não sei se eu estou fazendo isso direito. — Ser você é fazer isso direito, baby. Meu coração derrete quando ele se abaixo, escovando os lábios no meu osso púbico. Eu estremeço e antecipação incha no meu peito quando ele usa a ponta de um dedo para achar o meu clitóris, girando pequenos círculos lentos até que o prazer mais incrível e intenso explode pelo meu corpo. Então a sua boca subsistiu o dedo, e tudo que eu pensei que sabia sobre sexo sai voando pela janela. Eu nunca imaginei que poderia me sentir assim. Sua boca é perfeita, seus lábios suaves, e sua língua está me provocando. Ele lambe profundamente, chupando meu clitóris e trabalhando em mim de um jeito que eu nem sabia que existia. Eu ofego e arqueio, meus dedos encontrando a sua cabeça e se enroscando no seu cabelo grosso e perfeito. Ele grunhe contra a minha carne, fazendo pequenas vibrações viajarem pela minha barriga. Eu choramingo seu nome quando algo maravilhoso cresce, algo que se agarra com firmeza ao meu núcleo e explode como um milhão de fogos de artifícios. — Oh meu Deus, — eu grito quando tenho o mais incrível dos orgasmos, sacudindo o meu corpo, destruindo os meus sentidos. ~ 196 ~


— Porra, — Diesel diz, movendo seu corpo sobre o meu novamente. — Você é tão bonita. — Eu... eu nunca... — eu sussurro. — Fico feliz de ser o seu primeiro, Tigresa, — ele murmura contra os meus lábios antes de se sentar e puxar seus jeans para baixo. Ele tira as calças e eu desço os olhos para o seu pau. Uau. Não é mesmo como eu imaginei. É muito, muito mais. Ele é longo e reto, grosso, mas não assustador. Ele é pura perfeição aqui embaixo. O desejo de me inclinar e prová-lo é esmagador. Ele alcança o seu bolso e pega um preservativo, e eu observo com fascínio quando ele o coloca antes de se posicionar sobre mim. — Não posso prometer que isso vai ser bom, querida, mas vou fazer todo o possível para diminuir a dor. — Eu não me importo, — eu sussurro. — Eu só quero você dentro de mim, Diesel. Ele tira o cabelo do meu rosto antes de se inclinar e me dar um beijo longo e duro. Me distraindo. Eu amo isso nele. Seu corpo se move enquanto sua boca reivindica a minha, e eu posso sentir seu pau pressionando contra mim, pronto para tomar algo que ninguém mais teve. Seu beijo fica mais intenso, e eu me perco nele. A realidade me puxa de volta quando ele empurra para frente em um único movimento fluido. Meus lábios se separam e um gemido estrangulado escapa deles. — Desculpe, baby, — ele diz, sua voz baixa e preocupada. — É como arrancar um Band-Aid – quanto mais rápido, melhor. Eu o agarro e enterro meu rosto no seu pescoço quando uma estranha queimação envolve o meu sexo. Leva alguns minutos para aliviar, e só quando isso acontece Diesel se move. Ele é lento no começo, tão lento que eu mal consigo sentir, mas então ele vai gradualmente aumentando o ritmo, me deixando saber que ele está aqui, deixando o meu corpo se ajustar. E ele se ajusta, mais rápido do que eu pensei, e logo a dor ardente se tornou em uma plenitude apertada que não é totalmente desagradável. — Diesel, — eu sussurro. — Mais rápido. — Tem certeza? — ele diz, sua voz apertada. — Sim.

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Ele se move mais rápido, seu corpo entrando e saindo do meu. A sensação é incrementada por um aperto no fundo que me faz sentir bem. Muito bem. Eu agarro seus ombros e arqueio para ele, choramingando seu nome. Ele está dentro de mim. Ele está fazendo amor comigo. E eu me sinto bem pra caralho. A expressão no seu rosto é algo que eu vou guardar enquanto eu viver. Seus lábios estão levemente separados, sua mandíbula apertada, seus olhos nos meus. Ele parece incrível. — Isso é bom? — eu ofego. — Sim, porra... — ele grunhe. — Sim. Eu trago nossos corpos juntos, esmagando meus lábios nos dele. Ele me beija com força enquanto seu corpo toma o meu com uma ferocidade que eu nunca vou esquecer. Eu sei o momento em que ele acha a sua liberação, porque todo o seu corpo endurece e ele estremece, soltando uma baforada de ar e um gemido contra a minha bochecha. Essa é a coisa mais linda que eu já senti. Eu não quero que acabe nunca.

***

— Você vai ficar bem, — Diesel diz no dia seguinte, passando um polegar pela minha bochecha. Meu nervosismo não diminui com as suas palavras, mesmo que eu saiba que ele está certo. Vai ficar tudo bem. Enfrentar meu pai hoje está me assustando, porque nós nunca brigamos tão intensamente antes e eu não posso suportar ver o desapontamento no seu rosto. Pior, ouvir cada uma das razões de porque Diesel e eu não deveríamos ficar juntos. Eu olho para o homem lindo na minha frente e apenas não consigo acreditar que há alguma razão para não ficarmos juntos. O universo tinha um plano, e parece que todo mundo está tentando mudá-lo. — Sim, — eu digo, pegando a mão dele. — Eu sei. — Me ligue quando você chegar em casa, certo?

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Eu me aproximo, pressionando meu corpo no dele. Ele se abaixo e nossos lábios se tocam levemente antes que eu tome um segundo para respirar ele, tentando memorizar seu cheiro para aqueles momentos em que as coisas ficarem difíceis. Diesel tem um cheiro que inspira conforto. — Eu vou sentir sua falta, — eu digo, me afastando. Ele segura o meu queixo. — Eu também, baby. Eu sorrio e entro no meu carro, dando a partida. Observo Diesel pelo espelho retrovisor por alguns segundos antes de focar na estrada. Eu vou precisar dessa viagem para descobrir o que diabos vou dizer. A simples ideia de entrar no clube e ver as expressões de decepção é o bastante para me fazer querer virar e sair correndo. A viagem é mais curta do que eu esperava e eu me encontro estacionada na frente do complexo antes da hora do almoço. Olho para o grande complexo de casas de tijolos e coloco uma mão na testa, tomando algumas respirações profundas. Eu só tenho que manter a calma e o controle. Meu pai vai escutar se eu não perder a cabeça, e eu preciso que ele escute. Eu só preciso que ele entenda o quanto Diesel significa para mim. Eu saio do carro e atravesso os portões da frente depois de destrancá-los com a minha chave. Vou para a casa principal e entro pela porta da frente. Não há muitas motos estacionadas, graças a Deus. Caminho pelo corredor, acenando para os caras que eu noto, e eles parecem felizes o bastante para me devolver o cumprimento. Isso é um bom sinal, certo? Eu chego à porta de Jackson e bato com cuidado. — Sim? — ele grita. Eu empurro a porta e olho para dentro. Ele está sentado com Cade e Muff. — Mercedes, — ele murmura. Sim, ele está com raiva também. Eu corro os olhos para Cade, que tem um olhar impassível no rosto, e então para Muff, que me dá um patético sorriso. Então eu irritei o clube todo – que maravilha. — Onde está meu pai? — Lá nos fundos, — Jackson diz, sua voz cortante. — Certo, — eu sussurro, dando um passo para fora da sala. ~ 199 ~


— Mercedes? — Jackson chama. Eu olho para ele. — Tenha cuidado com o que você vai dizer. Ele já está desapontado com você, mas mais que isso, as suas palavras o magoam. Nós estamos do lado dele nessa, não do seu. Cuidado com a sua língua. Ai. Jackson sempre foi como um tio para mim, então ouvir ele falar assim comigo machuca. Nunca houve um tempo na minha vida em que me senti tão pequena e envergonhada. — Ok, — eu digo, minha voz quebrando e meu lábio inferior tremendo. Seu rosto suaviza um pouco, mas ele não faz nada para me parar quando eu saio. Ele está provando um ponto: minhas ações são inaceitáveis. Eu saio do clube, me obrigando a não chorar. Não posso encarar o meu pai toda emotiva – Deus, eu não quero encarar ele de maneira nenhuma. Alcanço o barracão e hesito por uns bons minutos antes de segurar a maçaneta e entrar. Eu não vejo meu pai logo de cara porque ele está sentado junto a uma janela, olhando para fora, e também porque ele está semicoberto pelo carro antigo que está sendo consertado. Ele me escuta chegar porque seu corpo endurece – ele não se vira. — Pai, — eu digo, minha voz fraca e insegura. Ele ainda não se vira. — Estava me perguntando quando você ia aparecer. A voz dele. Deus, a voz dele. Me machuca ouvi-lo tão desprovido de emoção. Ele se fechou. Eu só o vi assim algumas vezes na minha vida e nunca, jamais, foi por minha causa. — Eu... — eu engulo e tomo uma respiração profunda. — Eu sei que o que eu fiz foi errado. Mais que isso, minhas palavras foram cruéis e injustas. Eu nunca quis te machucar. Eu nunca quis machucar ninguém. Meu lábio está tremendo de novo, então eu me obrigado a tomar mais respirações profundas, e depois espero. Leva alguns minutos, mas meu pai finalmente se vira e me encara. Ele parece cansado, mas principalmente irritado. Seus olhos encontram os meus e eu tenho que olhar para longe quando vejo o seu olhar mordaz. ~ 200 ~


— Você me decepcionou, Mercedes. Não só porque você está confraternizando com outro clube, mas... — Eu não estava confraternizando! — Não me interrompa, — ele grunhe e eu fecho a boca. — Como eu estava dizendo, — ele rosna. — Não é só isso, mas também porque você mentiu para mim, e pior, teve a audácia de jogar o que aconteceu com Ava não apenas na minha cara, mas na cara do clube. — Eu disse que não quis dizer aquilo. — Talvez você na quisesse, mas disse, e não pode tomar de volta os danos que você causou. Olho para os meus pés. — Eu sinto muito. Eu passei dos limites. — Com relação a Diesel, você sabia o que estava fazendo no segundo em que começou esse relacionamento. Você não apenas mentiu para si mesma – você mentiu para ele. Ele é membro de outro clube. Em que momento você pensou que estava tudo bem? — Eu... eu não sabia, no começo! — eu digo fracamente. Os olhos do meu pai brilham com algo que eu não posso ler. — Responda à pergunta. — Isso não importa para mim, pai. — Importa para mim, — ele ruge e eu estremeço, dando um passo para trás. — Importa para mim, Mercedes. Você é minha filha. Você é minha responsabilidade, e você esteve andando por aí com um clube que, até onde você sabia, podia ser perigoso. Como diabos eu ia saber se algo de ruim tivesse acontecido? — Eles não são pessoas más! — Você não sabia disso. — Pai, por favor, — eu sussurro. — Você colocou esse clube e risco, e colocou aquele clube em risco. — Como eu pus esse clube em risco? Eu nunca disse a eles quem eu era!

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Ele cruza os braços. — O que te faz pensar que eles não sabiam? Eu sabia quem Diesel era, então o que diabos te fazer pensar que eles não sabiam quem você era? Ele tem um ponto. — Eles não teriam me machucado, — eu tento firmar minha voz, mas ela sai patética e fraca. — Irrelevante, — meu pai estala. — Eu não sei o que você quer de mim, — eu finalmente choro. — Eu sinto muito, ok? Eu estraguei tudo, eu sei disso, mas não é algo que eu posso mudar. Seus olhos encontram os meus, castanho com castanho, determinação contra raiva. — Eu quero que você fique longe daquele garoto e do seu clube. Meu coração estremece, e eu o encaro. Não. Ele não pode fazer isso. Ele não pode me dizer que eu não posso ver Diesel. Por que ele acha que isso está certo? Eu sei que estraguei tudo, e eu sei que Diesel e eu parecemos ser um casal impossível, mas os clubes não estão em guerra. — Eu amo ele, — eu sussurro. Ele estremece, mas seu rosto permanece duro. — Você vai ficar longe dele, Mercedes. Nós acabamos essa conversa. Você me ouviu? Não. Não. Eu acabei, mas não é com Diesel. — Não, — eu digo, minha voz insegura e trêmula. — O que você disse? — Eu disse... não. Eu não vou ficar longe dele. Eu o amo. — Você não vai me desafiar nisso, — ele assobia. — Eu tenho vinte e um anos, pai. Não é você quem decide. — Não sou? — ele grita. Eu pulo e cruzo os braços sobre o peito, esfregando as mãos para cima e para baixo enquanto tento evitar que minhas emoções explodam. ~ 202 ~


— Ele não quer ter nada a ver com aquele clube, e nem eu. Nós não estamos fazendo nada errado. Ele joga a cabeça para trás e ri, mas não é engraçado, é assustador. — Nada errado. Nada errado? — Pai... — Você vai parar isso, — ele diz, me olhando nos olhos. Ele não está brincando. Ele está falando absolutamente sério, e por cima disso, ele está furioso. Mas eu vejo algo em Diesel que aparentemente ninguém mais vê. Eu desafiaria todas as pessoas na minha vida por ele, porque ele precisa de mim, e mais do que isso – eu preciso dele. — Você pararia de ver a mamãe? Ele estremece de novo. — Não. — Bem? — eu grito. — Você teria? Se alguém dissesse que você não poderia mais ver ela, você teria se afastado? — Eu não estava fazendo nada que poderia causar maiores problemas. — Eu o amo. Isso não significa nada para você? — eu grito, deixando que as lágrimas explodam pelas minhas bochechas. Ele não demonstra emoção quando diz em um tom baixo e duro, — Não. Dor explode no meu peito e eu me viro, correndo na direção da porta. — Mercedes, nós ainda não terminamos. Eu não paro; eu abro a porta e saio correndo na direção dos portões. Seus passos de quem usa coturnos pesados podem ser ouvidos atrás de mim. — Pare! — ele late. Não. Não, eu não vou. Eu pego minhas chaves e abro meu carro, abrindo a porta com força e entrando. Eu a fecho rapidamente e ligo o motor. ~ 203 ~


Meu pai me alcança quando eu dou ré com o carro. Sua mão grande acerta o vidro da janela do motorista, não com força, mas o bastante para me avisar para parar. Eu olho para ele, que está bufando de raiva. Eu odeio fazer isso com ele. Eu odeio que nós estamos brigando. Isso está rasgando o meu coração, mas eu não posso... não posso desistir de algo que eu amo tanto. Uma lágrima escorre pela minha bochecha quando eu piso no acelerador, me afastando. Seu grito de raiva pode ser ouvido mesmo através das janelas fechadas, mas eu não paro. Eu não sei que diabos fazer. Estou tão perdida.

~ 204 ~


Capítulo Vinte e Cinco — Você vai ficar aí alguns dias? — Diesel pergunta. — Sim, — eu digo com a voz rouca. — Não posso ir embora agora; ele apenas vai me rastrear. — Você avisou que ainda está na cidade para que eles não venham atrás de mim? — Mandei mensagem para a minha mãe, disse a ela que estou ficando em um hotel. — Bom. Você está bem? A voz dele é suave, o que só faz meu coração doer mais. — Eu sabia que não ia ser uma conversa fácil, mas nós nunca... nunca falamos assim um com o outro antes. Foi horrível. — Vai levar um tempo, baby, — ele me assegura. — Dê tempo ao tempo. — Eu não... — minha garganta aperta. — Eu não quero desistir de você. — Você não precisa, mas você tem que ver o lado dele. Nós somos de outro clube, e você é a sua garotinha. Não seja tão dura com ele. Mais culpa bate no meu peito. — Eu odeio brigar com ele. Isso dói. — Se ele é tão teimoso quanto você, então pode ser que demore um pouco até vocês se acertarem. Eu bufo em uma tentativa de risada, mas não sai direito. — Sim, eu herdei muito dele. — Já ouvi histórias sobre o seu pai. Ele não é um homem fácil de ter por perto.

~ 205 ~


— Não, ele não é. — Assustador pra caralho Eu rio. — Ele é. — Eu não acredito que você é filha dele. Eu suspiro. — Eu sou. — Baby, vocês vão ficar bem, — Eu sinto a sua falta. — Sinto a sua falta também, Tigresa. Eu me mexo na cama desconfortável do hotel. — Eu vou tentar voltar assim que possível. Não vou perder o seu primeiro show pago. Ele grunhe. — Talvez não haja muito para ver. — Pare com isso, você é incrível. Eles vão amar vocês. — Sim, eu espero que sim. Escute, eu preciso ir estudar um pouco agora. Te ligo depois, ok? — Ok, — eu digo, meu coração afundando. Eu queria poder falar com ele a noite toda. — Eu sinto a sua falta pra caralho, ouviu? Eu dou um sorriso fraco. — Ouvi. — Até mais, baby. — Até mais. Eu desligo e olho para o meu telefone. Tantas ligações e mensagens de texto. A única pessoa com quem eu fiz contato foi a minha mãe, e isso porque eu não queria que ela se preocupasse, mas, principalmente, porque eu não queria que o meu pai fosse até Denver atrás da família de Diesel. Eu não quero começar uma guerra, então eu vou ficar aqui até as coisas se acalmarem. Entre as mensagens da minha mãe, havia muitas do meu pai, Jackson e Cade, assim como de Skye, Aria e Danny. Afff. Eu começo a ler minhas mensagens de texto. Ava – Onde você está, querida? ~ 206 ~


Skye – Sério, seu pai está perdendo a cabeça. Onde você está? Danny – Não seja uma garotinha mimada, venha aqui e encare isso. Meu coração afunda, e eu continuo lendo. Mãe – Por favor, ligue para o seu pai. Ele está chateado. Ele está chateado? E eu? Por que eu sou a vilã da história aqui? Mãe – Mercy, onde você está? Pai – Me ligue. Agora. Pai – Mercedes, eu não estou brincando. Ligue. Pai – Eu vou te encontrar. Você pode me ligar ou esperar eu fazer isso. Pai – Nossa conversa não acabou. Fugir não vai resolver as coisas. Quando termino todas as mensagens, estou chorando de novo. As palavras de Diesel voltam à minha cabeça e eu sei que ele está certo, tenho que ver o lado do meu pai também. É que é difícil ver ele tão bravo comigo. Nós batemos de frente de maneiras que não podem ser evitadas, e quando há muita tensão entre nós, tendemos a explodir. Eu vou ir falar com ele, mas agora eu preciso me acalmar. Vou deixar ele saber que eu estou bem, mas é o máximo que estou disposta a dar essa noite. M – Eu estou bem. Ainda na cidade. Não estou pronta para conversar de novo. Cinco minutos depois, ele responde. Pai – Nós vamos conversar. Onde você está? M – Não. Desculpe. Eu não quero ver você nem mais ninguém. Pai – Mercedes, eu não estou brincando. Nem eu, pai. Eu desligo meu telefone. Eu só preciso pensar.

~ 207 ~


***

— Eu acho que você já teve o bastante para uma noite, — Mike, o bartender, diz, me entregando outro drink. — Esse é o último, sim? O seu pai vai me matar. Eu olho para ele e bufo. Eu só tomei seis, mas aparentemente foi mais do que o suficiente. As alegrias de ter um pai motoqueiro. Eu engulo a última dose e me levanto. — Entendi. Obrigada, Mike. — Não se preocupe, garota. Você tem carona para casa. — Eu estou hospedada aqui do lado; não é longe. Ele acena. — Se cuide. — Até mais. Eu saio do bar e começo a caminhar pela rua. Está frio, e o ar é refrescante. Cruzo os braços e os esfrego enquanto ando pela calçada, observando os carros que passam voando enquanto faço meu caminho em direção a um beco que é atalho para o hotel. Eu entro no beco e sigo em frente. Está tranquilo essa noite. Geralmente há mais pessoas passando por aqui. Eu já passei por esse beco muitas vezes com Ava e Skye quando usávamos esse atalho para encontrar nossos pais. Estou acostumada com ele. Então é uma surpresa quando duas figuras escuras viram a esquina no final. Eu paro e esfrego os braços de novo. Provavelmente são só algumas pessoas passando. Dou um passo para o lado e espero que eles passem por mim, mas quando eles começam a diminuir o passo, algo dentro do meu peito grita para eu correr. Eu me viro, mas uma mão me agarra, batendo meu corpo contra a parede. Vejo um rosto familiar e meu peito aperta. Rex. — Seu pai não aceita as minhas mensagens muito bem, não é? — Eu não sei do que você está falando, — eu digo, me contorcendo. — Eu nem vivo mais aqui. — Ele foi avisado, mas não ouviu. Eu disse para ele ficar fora da porra dos meus negócios, mas ele não está escutando.

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— Eu não sei nada sobre isso! — eu protesto, meu coração martelando de medo. — Ah, eu sei disso, mas o ponto é, eu preciso que ele aprenda uma lição. Eu já o avisei uma vez; cansei de jogar. Ele precisa saber que eu estou falando sério. — Por favor, — eu imploro, minhas lágrimas escorrendo pelas bochechas. — Me deixe ir embora. Ele ri e me empurra para frente antes de bater minhas costas contra a parede. Minha cabeça se choca contra ela e um estalo alto ecoa no ar. Eu grito, mas ele aperta a mão sobre a minha boca. — Como você acha que eu deveria mandar a minha mensagem? Você é uma coisinha linda, parecida com ele. Talvez se eu te enviar de volta estuprada e com a garganta aberta ele entenda o recado. Minhas lágrimas caem com mais força e eu tento chutar, mas ele é muito forte. Ele acena para o outro homem, e dá um passo para frente puxando a minha camisa. Não. Por favor, não. Eu consigo trazer um joelho entre as suas pernas e o acerto com força ali, fazendo com que ele me solte por um segundo. Tento correr para longe, mas seu amigo me pega e me dá um soco forte no olho. Eu grito quando a escuridão ameaça me envolver. — Mate essa vadia de merda, — Rex grita. Eu luto de novo quando o homem pega a arma, mas nunca tem a chance de usá-la. Mike, do bar, aparece de lugar nenhum com um taco de beisebol e o acerta na cabeça, fazendo com que ele desmaia depois de apenas um único golpe bem dado. Rex se apressa para pegar sua arma, mas Mike é mais rápido; ele o acerta com força. Eu não espero. Preciso sair daqui. Eu me levanto e corro, o sangue escorrendo na parte de trás da minha cabeça, meu olho latejando enquanto começa a inchar até fechar. — Mercedes! — Mike grita. — Espere! Eu não espero. Eu não posso mais fazer isso. Eu atravesso a rua e começo a fazer o caminho até o hotel. Meu telefone está vibrando sem parar em questão de minutos, e eu sei que Mike ligou para o meu pai. Ele logo vai me encontrar e eu... eu não posso. Corro mais rápido, mais duro, através da minha cabeça latejando e da agonia em meu coração. Escuto o rugido das motos, mas ~ 209 ~


não paro. Eu só corro e corro, medo frenético e desespero me dominando. — Mercedes! Meu pai. Eu ainda não paro. — Pare. Não. Eu não posso. Estou com tanto medo. Eu soluço e choro com mais força, enquanto corro mais e mais rápido pela calçada. Minha mente começa a girar e minha cabeça está latejando ao ponto que o vômito sobe pela minha garganta. A voz do meu pai se torna distante, e eu me pergunto se ela real ou se eu imaginei. Um braço duro se curva ao redor da minha cintura, e eu sou de repente erguida do chão. Eu grito histericamente, arranhando as mãos que me seguram. — Me solte! — eu grito. — Me solte! Eu me viro e bato contra um peito largo e duro. — Sou eu, baby. Sou eu. Pai. Papai. Eu agarro sua jaqueta e desabo, meus joelhos falhando. Ele me pega – ele sempre me pega. Eu soluço quebrada contra ele, a devastação corroendo meu corpo. Ele não se move. Ele só fica ali parado, me segurando, me deixando chorar. — Spike? — a voz de Jackson passa através do meu choro histérico. — Ela está ferida, Jacks. — Muito? — Eu não sei. Envie Cade para o beco; diga para ele pegar os dois desgraçados que Mike está segurando. Eu quero eles, Jacks. Eu quero eles, porra. ~ 210 ~


— Se acalme, Spike. Leve ela para casa. Nós vamos conversar. — Eles são meus. Você me ouviu, porra? Jackson suspira. — Eu ouvi, irmão. Meu pai me carrega na direção da sua moto. — Vou te levar para casa, baby. Você consegue se segurar? Levanto a cabeça da sua jaqueta e olho para ele. Seu rosto endurece, e seu polegar passa sobre a pele do meu olho. — Eu... eu sinto muito, — eu soluço. — Calma. Nós vamos para casa, ok? Ele me coloca na moto e, honestamente, se ele não vivesse tão perto, não acho que eu seria capaz de me segurar. Ele sobe na minha frente e pega minha mão, a puxando ao redor da sua cintura. Ele liga o motor e dá partida, sua mão rapidamente voltando para segurar a minha, como se para ter certeza que eu não vou deslizar para fora. Minha cabeça está latejando e eu me sinto doente. Quando chegamos em casa, eu desço da moto e vomito no chão. — Spike? — a voz frenética da minha mãe vem de algum lugar no pátio. — Venha aqui, Ciara. Ela precisa de você. Minha mãe está ao meu lado em um segundo. — Meu bebê, oh Deus, não de novo. Spike... você disse... — Eu sei o que eu disse, — ele diz, a voz apertada. — Eu fodi as coisas. Eu vou cuidar disso. Você precisa trancar ela aí dentro. — Spike, — ela sussurra. — Ela precisa de você aqui. Ele se ajoelha e eu levanto o olhar, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ele cobre meu rosto com as suas mãos grandes. — Se você precisa de mim aqui, eu vou ficar, você sabe disso. Se não, eu vou lá levar muita dor ao filho da puta que fez isso. Me diga, baby. Me diga, o que você precisa? — Faça isso doer, — eu choro. — Faça ele ir embora, pai. Eu curvo meus dedos em volta do seu pulso e aperto. As correntes que ele usa chacoalham sobre a minha palma e seus olhos encontram os meus. Ele então se inclina para a frente e pressiona um longo beijo na minha testa, antes de se levantar e me puxar junto com ~ 211 ~


dele. Minha mãe me puxa para os seus braços, e eu sei que eles estão se olhando, porque posso ver nos olhos do meu pai que ele está dividido. — Eu tenho que fazer isso, baby, — ele diz para ela. — Eu tenho que fazer e você sabe disso. — Não posso suportar que você se machuque. — Eu não vou me machucar. Ela acena e ele dá um passo à frente, curvando a mão na sua nuca e lhe dando um beijo duro. — Cuide dela. Eu volto logo. — Por favor, tome cuidado, — ela diz quando ele se vira na direção da moto. Quando ele se foi, ela me aperta com mais força. — Minha pobre garota. Vamos entrar. Nós precisamos cuidar de você. Ela me ajuda a entrar, e quando alcançamos a cozinha, ela começa a correr de um lado para o outro. Ela está nervosa e assustada. Eu entendo. Porque eu também estou. Assustada pra caralho.

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Capítulo Vinte e Seis Estou sentada no canto, observando minha mãe, Addison, Serenity e Janine correndo ao redor, conversando e tentando fazer sentido a tudo que está acontecendo. Elas falavam com pressa, mas eu entendi algumas palavras como ―clube rival‖ e ―armadilha‖. Nós ainda não tínhamos ouvido falar nada do meu pai ou dos outros caras, mas assim que eles saíram, toda a gangue foi chamada para cá. Danny, Skye, Ava e Max estavam todos sentados ao meu lado, nenhum de nós falando muito. — Você está bem? — Danny pergunta, se virando para me encarar. Eu dou de ombros. Eu não sei se estou bem. Minha mãe disse que o meu ferimento na cabeça não foi profundo, graças a Deus, então ela o limpou e ele está ok por agora. Meu olho, no entanto, está latejando. Ele está fechado, inchado e eu não consigo ver nada. Levar um soco de um homem... dói muito mais do que eu podia sequer imaginar. — Mercedes, — ele insiste. — Eu não sei, Danny, — eu sussurro. Ele pega a minha mão. Eu deixo, mas não seguro a sua de volta. Meus dedos só ficam ali, caídos sem força. Eu quero Diesel. Mais do que tudo, eu quero ele, mas não posso ter. Todos sabem que é isso que eu quero, e ninguém se atreve a dizer nada depois do que aconteceu essa noite. O ar ao meu redor pode ser cortado com uma faca, de tão tenso. — Por que não vamos lá para cima e vemos um filme ou algo assim? — Skye sugere, olhando para mim. Ela tem um olhar que eu entendo. Ela quer conversar. Ela quer me dar espaço para falar. ~ 213 ~


— Boa ideia, — Ava entra na conversa. — Vamos, Mercy. Vamos lá. Eu aceno e levanto, soltando a mão de Danny. Dou a Max um sorriso fraco quando passo por ele, e ele pega a minha mão e a puxa para baixo. — Eu estou aqui. Entendeu? — Eu sei, Max. Mas de que lado você está? Seus olhos brilham e ele diz suavemente, — Sempre do seu, Mercedes. Lágrimas queimam meus olhos e eu me abaixo, jogando meus braços ao seu redor. Eu sinto tanta falta dele. Ele me abraça apertado, e ficamos assim por um tempo. — Obrigada, — eu sussurro, me levantando e dando um passo para trás. — Eu vou falar com as garotas e depois nós vamos conversar, ok? Ele acena. — Ok. Eu sigo Skye e Ava escada acima e quando vamos para o meu quarto, fecho e tranco a porta antes de me virar para elas. — Obrigada... por me tirarem de lá. — Eu entendo, — Ava diz, se sentando na minha cama. — Acredite em mim. — Você alguma vez acreditou que eles iam aceitar Lucas? — eu digo, caindo na cama ao lado dela. Skye se junta a nós, as três sentadas em um círculo. Eu não quero falar sobre o que aconteceu essa noite, eu só preciso conversar sobre outra coisa. — Para ser honesta, de jeito nenhum. Meu pai estava tão irritado comigo... droga, eles chegaram a trocar socos. Fique feliz que você não teve que passar por isso. — Diesel é muito novo. Meu pai não iria bater nele. — Verdade, — Ava aponta. — Eu só não vejo como isso vai funcionar algum dia, — eu digo suavemente. — E isso me assusta. — É mais difícil porque são dois clubes, — Skye diz gentilmente, cautelosamente até. — É complicado porque é algo que os obriga a se darem bem, e isso nem sempre é possível. Se problemas aparecerem, vocês dois vão estar presos no meio disso.

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— Eu entendo, mesmo, mas... — Você ama ele, — Ava termina por mim. — E amor não faz sentido. — Se eu perder ele... — minha voz some enquanto olho para minhas mãos. Skye pega uma delas e aperta. — Não é impossível, querida. Você sabe disso, certo? — Não é? — eu coaxo. — Porque parece que é. — Você não conhece o perfil dos clubes. Não precisa envolver eles, e se eles mantiverem a paz e criarem algum tipo de trégua, então isso não deve ser um problema. — E se eu tiver bebês e quiser me casar? — Então isso é algo que você vai pensar quando acontecer. Eu suspiro e coloco a cabeça nas mãos. — Isso é muito difícil. Essa foi uma das piores noites da minha vida, e tudo que consigo pensar é que eu quero Diesel. O desespero no meu peito está gritando por ele, e eu não posso ir até lá. — Eu não posso imaginar o que você está sentindo, — Skye diz gentilmente. — Eu posso, e é uma droga. Eu entendo, — Ava adiciona. — De qualquer forma, vamos ver um filme e nos distrair, — eu sugiro. — A sua mãe ainda está com o seu telefone? — Skye pergunta enquanto os arrumamos na cama. — Sim, ela está. Ela não vai ficar com ele; ela só vai fazer isso até ter certeza que todo mundo está bem. Apenas para o caso de alguém ligar e fazer ameaças. — Justo, — Ava diz. — Agora, o que vamos assistir?

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Meus olhos vão se abrindo com o som de vozes perto da porta do quarto. Estou curvada na cama com Ava e Skye ao meu lado. Nós assistimos dois filmes antes de finalmente desmaiar. Skye tem uma perna jogada sobre a minha e está ressonando suavemente. Ava está de costas para mim, mas seu traseiro está pressionado contra o meu quadril porque ela está dobrada. Eu não posso evitar sorrir. Nós fazemos isso desde que éramos crianças, então não é algo novo. Apenas faz muito tempo. É legal ter ela por perto. Olho na direção da minha porta e a vejo aberta, três figuras masculinas de pé no vão, olhando para nós. Leva apenas um segundo para eu ver quem é. Papai, Cade e Jackson. — Quando foi que elas cresceram? — Jackson murmura. — Eu não sei, porra, — meu pai diz. — Eu me lembro delas fazendo exatamente isso quando tinham apenas alguns anos de idade. Agora elas estão nos deixando e seguindo seus próprios caminhos. — E nós não podemos protegê-las, — Cade diz, sua voz apertada. — Nada é pior no mundo do que saber que não podemos mais proteger elas, — Jackson suspira. — Porra. Seria muito mais fácil ter tido meninos. Meu pai grunhe. — Nem me fale. Danny pode se virar, mas Mercy... ela é o meu bebê. Sempre vai ser. Ver ela essa noite... — Sei como você se sente, irmão, — Jackson diz, sua voz baixa. — Não há nada pior no mundo do que saber que elas foram feridas por causa das merdas do clube. — Conseguimos proteger elas por tanto tempo... Eles ficam em silêncio, e eu me sento. Todos os olhos voam para mim, e eu dou um sorriso fraco. — Oi, — eu digo, minha voz suave e sonolenta. — Oi, moça bonita, — Jackson diz. — Como está a sua cabeça? Dou de ombros, embora ela esteja latejando. — Eu estou bem. — Não parece bem, — Cade murmura, estudando meu rosto inchado. — Pai, — eu digo, olhando para ele.

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Ele está me observando, seu rosto sem expressão. — Volte a dormir, baby. Você precisa. — Eu posso... posso falar com você antes? Ele acena e eu levanto da cama com cuidado, tentando não acordar as garotas. Eu deslizo para fora no final e caminho até a porta. — Sua filha é uma grande fá de abraços, — eu digo para Cade. Ele sorri. — Sim, é a melhor coisa sobre ela. — Você está certo com isso. Jackson observa Ava, sua expressão suave, então ele e Cade saem. Quando eles se foram, olho para o meu pai para vê-lo me observando de novo. Ele parece cansado, e estou feliz que ele não está mais irritado. Olho para suas mãos para ver os hematomas se formando nos seus dedos. Eu sei que ele fez isso por mim, mas odeio que ele está ferido. — Eu... — eu começo e então hesito. — Eu nem sei por onde começar, então só vou dizer o que vier primeiro. Eu fodi as coisas, eu sei. As coisas que eu disse a você... o jeito que eu falei com você... eu desrespeitei você e desrespeitei o clube. Eu sei disso. Eu não queria ver o seu lado porque isso significava ter que perder ele, e pai... — Você não quer, — ele termina por mim. — Eu entendo, baby. Porra, eu entendo mais do que você pensa. Eu olho para ele, que está me encarando, sua expressão suave. Graças a Deus. — Eu não queria me apaixonar por ele. Eu sei que é minha culpa. Eu sabia o que eu era e sabia o que ele era, mas ele me ligou... Ele apenas... — Precisava de você. Uma lágrima escorre pela minha bochecha e eu aceno. — Eu nunca quis te tratar daquele jeito, e eu quero que você saiba que eu entendo porque você não gosta que eu esteja perto dele, mas não posso prometer que não vai acontecer. Não porque eu quero te desafiar, mas porque eu simplesmente não tenho em mim forçar para estar longe dele. Ele me faz uma pessoa melhor. Essa noite... a dor no meu coração por ele não poder estar aqui comigo... isso machuca.

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Minha voz falha e meu pai dá um passo para frente, me prendendo em seus braços. — O amor machuca, baby. Machuca pra caralho. Eu entendo isso, também. Perdi uma esposa e um filho antes dele nascer por causa da minha estupidez. Eu entendo. Dou um passo para trás e olho para ele. Eu sabia que ele tinha sido casado com a irmã da minha mãe, Cheyenne, antes de se casar com a minha mãe, e ela tinha sido morta por um clube rival quando estava grávida. Minha mãe me contou essa história a alguns anos atrás. Ele entende isso; eu sei que sim. — Eu não quero brigar com você, pai... mas eu não estou disposta a me afastar dele. Ele solta um suspiro longo e duro. — Eu não sei como lidar com isso. Juro por Deus, eu não sei. Nesse momento, apenas estou feliz que você está bem e aqui comigo. Eu entendo isso, e certamente não vou empurrá-lo quando ele não está aqui na minha frente me dizendo não. Isso só iria cutucar o fogo, e eu não quero arriscar. Se há uma chance, a menor que seja, de que Diesel e eu possamos ficar juntos, eu vou agarrá-la com as duas mãos. — Eu tive medo essa noite, — eu digo, as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. — Muito medo. — Eu sinto muito, Ratinha, — ele diz, cobrindo o meu rosto. — Eu não sei quem está mexendo com a gente, mas eu nunca quis que você ficasse enrolada nos negócios do clube. Não depois que Ava... Eu enrolo meus braços ao redor da sua cintura e pressiono a bochecha no seu peito. — Não é sua culpa. Às vezes coisas ruins acontecem. Nós não podemos controlar isso. — Você vai ficar bem? Me diga que você vai ficar bem, porque se você não vai... — sua voz tem tanta dor que eu choro ainda mais. — Eu vou ficar bem. Ele me segura por longos momentos antes de dar um passo para trás. — Vá dormir, você precisa. Todos nós precisamos. Você está segura aqui. — Eu sei.

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Ele sorri, mas é quebrado. Ele passa o polegar abaixo do meu olho, e eu praticamente ouço seu coração partir. Isso dói. — Você precisa de algo para a dor? Eu balanço a cabeça. Ele não precisa de mais nada para se preocupar. Minha cabeça dói, mas posso lidar com isso. Eu vou lidar com isso. Eu tenho analgésicos no meu quarto. — Boa noite, baby, — ele diz, me soltando. — Boa noite, pai. Ele desaparece no corredor, e eu o observo ir. Meu coração se quebra por ele a cada passo que ele dá.

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Capítulo Vinte e Sete Eu desço as escadas pela manhã, meu olho ainda mais inchado e minha cabeça latejando. Eu viro no canto da cozinha e paro de repente quando vejo Diesel e Mack de pé na cozinha dos meus pais. Meu coração explode com emoção, e eu corro para Diesel sem pensar em mais nada. Ele me pega em seus braços e eu me prendo nele, as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. Nós ficamos ali parados no cômodo silencioso, segurando um ao outro pelo que não parece tempo suficiente. — O que você está fazendo aqui? — eu coaxo, dando um passo para trás. Diesel passa um dedo pelo meu olho inchado. — Nós estamos aqui por causa disso. Eu balanço a cabeça, confusa. — Eu não entendo. Eu me viro e olho para Mack, cujo o rosto endurece quando ele vê o meu olho. Então movo meu olhar para o meu pai e Jackson, que estão parados à minha esquerda, os braços cruzados sobre o peito. Eles não estão com raiva, mas claramente estão discutindo algo sério. Os olhos do meu pai estão em mim e Diesel, sua mandíbula apertada, mas ele não tenta nos separar. Eu não questiono isso. — Pai? — eu pergunto. — Molly foi levada para o hospital ontem à noite, — ele explica. — Alguém a atacou. Eu ofego e pressiono a mão na boca. — O quê? — Ela estava saindo de uma boate com os amigos. Alguém a atacou e enviou a mesma mensagem que enviaram por você. Eu balanço a cabeça, confusa. — Eu não entendo. — Alguém está tentando começar uma guerra, — Mack diz. ~ 220 ~


Eu olho para ele. — Com quem? — Com os dois clubes, — Jackson murmura. — Vocês não estão fazendo sentido. — Baby, — Diesel diz, me puxando para o seu lado. — Eles mandaram por você uma mensagem para avisar ao clube do seu pai para ficar de fora dos negócios deles. O clube do seu pai não está metido nos negócios deles, então ele tinha que assumir que eles pegaram o clube errado e estavam falando de outro clube – que seriamos nós. Eles mandaram a mesma mensagem para nós, nos deixando com a mesma conclusão, que era do seu clube que eles estavam falando. Garotas são feridas, clubes revidam... — Então você está dizendo que eles queriam que os dois clubes pensassem que era o outro clube causando problemas, machucando seus entes queridos e fazendo com que eles virassem um contra o outro? — Sim, — meu pai murmura. — Uma jogada inteligente pra caralho. Se não fosse pelo fato de você estar vendo Diesel, nós não teríamos conversado. Nós teríamos levantado as armas, dizendo um ao outro para ficar no seu território, começando uma guerra. Seja lá quem for, sabe que nós faríamos tudo pelos nossos filhos e usaram isso. — Por que eles iriam querer que os clubes entrassem em guerra? — eu pergunto, ainda confusa. Mack dá de ombros. — Ainda não descobrimos isso, mas não é algo para você se preocupar. Justo. — E vocês estão aqui porque... — eu empurro. — Diesel, — Mack diz simplesmente. — Esse garoto esperto descobriu tudo antes de nós. Diesel aperta o meu lado, e eu me viro e olho para ele. — Eu liguei para você depois que Molly foi atacada; você não atendeu. Finalmente a sua mãe atendeu e me contou que você também foi ferida... parecia muito suspeito, então eu fiquei pensando nisso e juntei as coisas. — Molly está bem? — Ela está bem. Alguns arranhões e um rosto machucado. Assim como você. Ela está em casa com Maddox e Santana agora. ~ 221 ~


Eu me viro para o meu pai. — Nós estamos seguros? Ele balança a cabeça. — Eu não sei o que eles querem, filha. Então não. Você precisa de proteção. — Ela quer voltar para a faculdade? — Mack pergunta. — Fico feliz de colocar proteção nela, assim como em Diesel. Eu sei que o seu clube não cobre aquele território. Meu pai olha para Mack. — Você está me pedindo para confiar a você a vida da minha filha? — Eu não sei o que você pensa de mim, e realmente não me importo. Eu não tenho nada contra você, Spike, nem quero ter. Você fica com a sua merda e nós ficamos com a nossa. Vocês chegaram nesse território primeiro; eu respeito isso. Eu conheci a sua filha; eu gosto dela. Eu não quero ver ela ferida, seja ela parte de outro clube ou não. Você decide se confia nos meus rapazes para fazer o trabalho. Eles se encaram e eu me mexo desconfortável. — Deixe ele fazer isso, Spike, — Jackson diz. — Ele tem um ponto. Nós não temos desavenças. Nós não queremos desavenças. Seja lá quem está armando isso para nós, tem uma razão. Comunicação não é opcional, você goste disso ou não. Nós vamos ter que falar com eles. Não precisamos de uma guerra por nada. Eles já têm proteção para o garoto, deixei que eles protejam Mercy também. Papai olha para mim, seus olhos caindo para a mão de Diesel na minha. — Certo, — ele finalmente murmura. — Mas eu quero dois relatórios diários. Você consegue manter isso? Mack acena. — Sim. — Certo. Vá e descubra o que você conseguir. Nós vamos fazer o mesmo, — meu pai continua. — Mercedes vai continuar aqui essa semana. Ele olha para Diesel. — Você quer ver ela? Você vê ela aqui. Você não vai levar ela para sair. Sem discussão. Diesel acena. — Sem problemas. Ele vai deixar Diesel ficar? Meu coração incha de alegria. — Se nós conseguirmos sair dessa sem problemas, eu ficaria feliz, — Jackson diz. — Diga a Maddox que eu vou avisar quando tiver informações. ~ 222 ~


— Nós não somos os vilões, — Mack diz, seu olhar segurando o de Jackson. — Não queremos guerras, e não queremos nenhum problema com o seu clube. Nós vamos deixar para trás essa merda, assim como tenho certeza que vocês vão fazer. Jackson acena. Mack acena. Eles se entendem. — Você vai ficar, garoto? — Mack pergunta. Diesel olha para o meu pai, que balança a cabeça em aceitação. — Certo. Ligo para você depois. — Mack? — eu chamo quando ele se vira para a porta. Ele olha para mim. — Obrigada. Ele acena e olha para o meu pai rapidamente antes de dizer. — Coloque gelo no seu olho, querida. Está inchado. Então ele se foi. Meu coração está aliviado. Por agora.

***

— Porra, eu odeio o fato que você foi atacada e eu não estava por perto, — Diesel diz, me puxando para o seu colo. Nós estamos sentados do lado de fora em uma cadeira velha, eu presa contra o seu corpo, seus braços ao meu redor, me segurando perto. É estranho ter ele aqui, considerando que eu e meu pai tivemos uma briga feia sobre isso ontem, mas eu acho que a situação o obrigou a dar o braço a torcer, e talvez meu pai tenha percebido que me manter longe de Diesel só ia me afastar ainda mais dele. — Eu não estava esperando isso, — eu digo a ele. — Eles vieram do nada. Foi horrível. — Que bom que o seu pai chegou lá primeiro, porque eu teria matado aqueles filhos da puta. Eu me aconchego mais nele. — Eu não quero que você se machuque por minha causa. ~ 223 ~


— Eu morreria por você, Mercedes. Eu olho para ele, e seus olhos brilham. Ele está falando sério. Meu coração derrete, e eu cubro seu rosto, pressionando meus lábios nos seus e o beijando suavemente. O beijo dura alguns longos, bons e maravilhosos minutos, e quando nos afastamos, sei uma coisa com certeza. Eu o quero. Tanto que dói. — Eu quero você, — eu sussurro. — Porra, eu também. Eu olho ao redor e, embora agora não haja pessoas por aqui, há gente por todo o lugar dentro da casa – uma delas poderia vir aqui fora a qualquer segundo. Essa cadeira foi o único lugar onde conseguimos achar privacidade. Meu pai não vai nos deixar ir juntos para o meu quarto, sem dúvida alguma. — Será que vai demorar muito para nós conseguirmos ficar sozinhos de novo? — eu digo, correndo meus lábios pelo seu pescoço. — Não faça isso, baby, ou eu vou te tomar aqui mesmo, e tenho absoluta certeza que o seu pai iria me matar. Eu rio contra a sua pele, e ele estremece. — Você está certo sobre isso, — eu me mexo em seu colo e a protuberância do seu pau pressiona contra o meu núcleo. Nós dois gememos. — Pare, — ele me avisa em voz baixa. — Eu não tenho controle agora. — Eu quero você, — eu sussurro contra a sua orelha, mordiscando o lóbulo. — Você não pode me ter, então você precisa parar de se esfregar contra o meu pau. Deus. — Se você continuar falando assim, só vai deixar as coisas piores. Ele grunhe. — Não acho que posso deixar nada pior. Nesse momento, estou tentado a empurrar seu vestido para o lado e enfiar meu pau fundo dentro de você. Eu estremeço e me mexo no seu colo. — Mercedes, — ele avisa. — Pare com isso, baby.

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— E se eu não parar? — eu respiro, me esfregando um pouco mais contra ele. — Eu vou gozar, e estou bastante seguro que não tenho um jeito de explicar isso para os seus pais. Ele tem um ponto. Eu paro de me esfregar. — Como nós vamos sobreviver aos próximos dias? — Vai ser uma droga, mas você pode ter certeza, assim que estivermos sozinhos, eu vou te foder até que o meu nome seja um elemento permanente nos seus lábios. Eu estremeço. — Minha garota gosta disso. Eu me empurro para trás e o beijo de novo. — Sua garota gosta disso. — Bom. Eu fico sentada mais alguns minutos e, quando ele se acalma, eu levanto do seu colo. — Eu tenho que ir falar com o meu pai, — ele diz, se levantando e se ajustando. — Vou estar de volta hoje à noite, ok? Eu faço uma careta. — Você realmente precisa ir? — Preciso ter certeza que está tudo bem, baby. Eu aceno. — Eu entendo. — Você precisa descansar e colocar mais gelo no olho. — Apenas admita, — eu digo, me empurrando para o seu lado. — A razão porque você não quer me foder é porque eu pareço uma ameixa. Ele ri. — Eu te foderia mesmo que você parecesse uma ameixa seca. Eu rio. — Fico feliz em saber isso. Ele olha para mim, um leve sorriso em seus lábios. — Até mais, baby. — Tchau, querido. ~ 225 ~


Seus olhos se aquecem, e ele escova um beijo suave em meus lábios antes de desaparecer pelo porão. Eu o observo ir embora e me levanto, apenas olhando para o espaço vazio por um tempo. — Onde ele foi? Eu me viro e vejo Max parado na porta, olhado para o espaço vazio também. — Para casa. Ele vem e se para ao meu lado. — Você ama ele de verdade, não é? Eu olho para ele. — Sim, de verdade. — Fico feliz por você, garota. Eu pego a sua mão. — Obrigada, Max. — Não estou feliz que ele é um membro de outro clube, mas feliz que você encontrou alguém que te faz sorrir assim. Eu aperto a sua mão. — Eu sei. — Você quer entrar? Nós pedimos pizza. — Parece bom. Ele me leva para dentro, sua mão ainda na minha. Como eu tenho sorte de ter tantas pessoas que me amam.

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Capítulo Vinte e Oito — Então, Diesel é muito gostoso! — Skye sorri, uma cerveja não mão, depois que todos nós acabamos a pizza. — Não é? — eu sorrio. — E o pai dele... — Ava suspira. Lucas lhe cutuca, e ela sorri para ele. — Desculpa, querido. Mas é verdade. Eu sorrio para eles. — Sim, ele tem algo especial, isso é certo. — São aqueles olhos, — Skye adiciona. — Misteriosos e com um toque nativo americano. Delícia. — Já deu? — Danny murmura para ela. — Você gostaria de descrever o corpo dele agora? — Eu não experimentei isso; você vai ter que perguntar para Mercedes — ela sorri para ele. El olha para ela. Eu rio. — Vocês dois precisam ir e resolver isso, — Ava diz para eles. — Sério. A tensão sexual está queimando meus olhos. Eu dou uma risada pelo nariz e Max sorri. Danny atira um olhar para ela. — Você não é protegida o bastante para eu não te esmagar, Formiguinha. Ela sopra um beijo para ele, e Lucas ri. — Pare de incomodar o garoto, criança. — Você é tão sem graça. Eu sorrio para eles e me levanto. — Vocês querem mais cerveja? — Claro, — todos dizem. ~ 227 ~


Eu não estou bebendo, mas fui escolhida para fazer as idas até a geladeira. Entro na cozinha e vejo meus pais de pé ao lado do balcão, seus braços ao redor dela, fazendo-a parecer tão pequena contra ele. Eu sorrio. Eles sempre foram assim – tão bonitos, tão apaixonados. Eu não consigo imaginar que meu pai já tinha amado mais alguém porque parece que minha mãe tem todo o seu coração. — Vocês dois deviam arrumar um quarto, sabiam? — eu digo brincando. Minha mãe dá um passo para trás e seus olhos encontram os meus. Ela estava chorando. Eu paro e estudo seu rosto. Ela olha para mim como se estivesse prestes a dizer que o meu melhor amigo morreu. Eu olho para o meu pai; ele está me dando o mesmo olhar. Meu coração cai para o estômago e minhas mãos caem para os meus lados. — Mãe? — eu sussurro. — Querida, eu tenho algo para te dizer. — Mãe, — eu digo, mais frenética dessa vez. — É... sobre Diesel. Meus joelhos começam a tremer e eu sinto como se alguém estivesse correndo em círculos dentro da minha cabeça, batendo de um lado para o outro. — Mãe, — eu sussurro, minha voz muito fraca para ser usada. — Quando ele foi embora mais cedo... — sua voz quebra. Não. — Mãe! — eu digo dessa vez mais desesperada. — Ele levou um tiro, baby, — meu pai diz. Meus joelhos tremem e eu curvo os dedos no balcão da cozinha para me impedir de cair. Dor como eu nunca senti antes explode no meu peito e eu não percebo que estou gritando por respostas até que meu pai coloca seus braços ao meu redor. — Ele está em cirurgia. O quadro é ruim. Não sabem se ele vai sobreviver, mas vamos rezar para que sim. Não. Não. ~ 228 ~


Não. Eu giro e corro, me apressando na direção da porta. — Mercedes, não! — minha mãe grita. — Você não pode ir. — Ratinha, pare! Eu me atiro na direção da porta, mas Danny para na frente dela. Eu colido com o seu corpo grande e ele me agarra, tropeçando para trás. — Me solta, — eu grito. — Danny, me deixe ir com ele. Os braços de Danny me apertam mais. Eu não consigo me soltar deles. — Não vou deixar você ir, Mercy. Você quer ir, eu entendo, mas é perigoso. — Ele está ferido, — eu choro. — Por favor, me deixe ir! — Não posso fazer isso. Minha mãe para ao nosso lado e gira a chave na fechadura, literalmente me trancando dentro de casa. Eu me empurro dos braços de Danny e giro para o meu pai. — O que aconteceu? Pai... o que aconteceu? — Eu não sei, baby. Eu só recebi a ligação. Ele saiu do carro na casa do seu pai e alguém atirou nele. — Onde? — eu soluço. — No peito. — Pai, — eu desabo, meus joelhos finalmente não conseguindo mais me sustentar. Ele me pega quando eu caio, mas eu não sei o que acontece depois disso. Tudo fico preto.

***

Acordo com meu rosto pressionado contra uma jaqueta de couro. Eu pisco e me mexo, percebendo que é o meu pai. Minha cabeça lateja e eu me empurro para cima para ver meu pai, minha mãe e Danny me cercando. Meu pai me estabiliza, e eu tenho que piscar algumas vezes

~ 229 ~


para me orientar. Eu estou no sofá, meio sentada, meu corpo caído contra o do meu pai. A realidade me bate como uma marreta no peito quando eu lembro porque estou nessa posição. Diesel. — Não, — eu coaxo. — Vai ficar tudo bem, Ratinha, — meu pai diz com cuidado. — Você tem que acreditar nisso. — Alguém atirou nele. Ele estava aqui... — minha voz quebra. — Eu acredito que ele vai sair dessa. — A-a-alguém ligou? — Jaylah ligou alguns minutos atrás. Ele ainda está em cirurgia. O vômito sobre para a minha garganta, e eu me inclino para frente, curvando os braços em volta da minha cintura e tomando algumas respirações regulares e quebradas. Se Diesel morrer... não. Eu não posso pensar nisso. Não posso. Imaginar uma vida sem ele é algo que não estou disposta a fazer. Ele tem que sobreviver. Eu tenho que acreditar nele. Em nós. Em algo maior do que tudo. — Não há nada que você possa fazer, — meu pai diz cautelosamente. — Mas nós vamos descobrir tudo que pudermos, ok? — Se ele sobreviver, eu posso ir ver ele? Eu olho para ele, lágrimas nos olhos. Ele as seca. — Sim, claro. Ele se levanta e minha mãe se senta ao meu lado. Ela me prende em seus braços e eu deixo, minha mente correndo para Diesel. Quem iria machucá-lo assim? Ele nunca fez nada errado. Ele nunca quis ser parte do clube, e ainda assim alguém facilmente tentou tirar a sua vida. Isso... isso é exatamente porque ele não quer ser parte, e eu estou começando a pensar que estou inteiramente de acordo com ele. — Mãe? — eu pergunto. — Sim, querida? — Como você faz isso? — Isso o quê? ~ 230 ~


— Vive essa vida. Se sente como eu estou me sentindo agora. Como você faz isso? Ela suspira e esfrega meus braços. — Não é fácil, acredite em mim. Leva um bom tempo para se acostumar com o fato de que as coisas podem dar errado a qualquer segundo. De certa forma, é meio como estar casada com um policial. Você nunca se alguém vai ferir eles, ou se eles vão voltar para casa. A única coisa que você tem é casa segundo que lhe foi dado, e aprende a amar cada momento. — Eu não sei se conseguiria ser tão forte como você. — Eu quase perdi o seu pai uma vez, você sabe. Foi o momento mais difícil da minha vida. Eu totalmente entendo como você se sente, mas se você ama alguém, vai achar um jeito de aceitar tudo que ela é. — Essa vida nunca me assustou, até agora. — Há pessoas más no mundo, querida. Você não precisa ser parte de um clube de motoqueiros para passar pelo que está passando agora. Ela está certa. Eu aceno e me levanto, fazendo com que seus braços saiam do abraço que estava me dando. — Eu preciso... eu só preciso ficar um pouco sozinha. — Estamos aqui se você precisar de nós, — ela diz, seus olhos tão cheios de preocupação que dói olhar para eles. — Eu sei. Obrigada. Eu olho para todos que estão me observando, e então me viro para subir as escadas. Cada degrau parece adicionar peso ao meu corpo dolorido e cansado. Eu marco pela escada e tiro as roupas no segundo em que entro no banheiro. Então eu entro debaixo do chuveiro quente. Ali, eu deixo minhas lágrimas caírem, mais lágrimas quebradas e agoniadas pelo homem que eu amo. Então eu rezo. Porque alguém precisa ajudar ele a sair dessa.

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Capítulo Vinte e Nove Eu corro pelo corredor, meus pés batendo nos azulejos enquanto eu avanço na direção da porta que leva ao quarto de Diesel. Nós recebemos uma ligação a vinte minutos atrás dizendo que ele estava fora da cirurgia e tinha acordado. Foi a melhor ligação da minha vida, e eu estive chorando desde então. Minhas bochechas estão molhadas pelas lágrimas quando eu corro pela porta e o vejo na cama, vários tubos ligados ao seu corpo. Ele parece tão fraco, como se qualquer coisa pudesse machucá-lo e não houvesse nada que ele pudesse fazer. Ele se vira e olha para mim, e eu soluço alto. Estive esperando por essa ligação por doze horas. Eles só ligaram depois que a sua família o viu, e ele então estava totalmente acordado e pronto para ver outras pessoas. Jaylah me ligou no segundo em que eles me deram permissão para entrar, e eu não ia esperar mais nem um minuto. Corro na direção da cama e seguro sua mão. Ele está um pouco gelado, sua pele pálida, mas ele está olhando para mim com uma vermelhidão nos olhos que eu entendo. — Pensei que eu tinha te perdido, — eu sussurro, me inclinando e encostando minha testa na dele. — Oh, Diesel, eu achei que você tinha partido. — Eu estou aqui, — ele coaxa. — Eu te amo. Eu não disse isso quando você saiu, mas eu deveria ter dito. Eu deveria ter dito isso no segundo em que soube que era assim que eu me sentia e em cada dia desde então. Por favor, — eu aperto a sua mão. — Não me deixe. Nunca me deixe. — Eu te amo também, Tigresa, — ele sussurra. — Porra, eu te amo tanto. Minhas lágrimas escorrem para o seu rosto e se misturam com as dele, que escorrem pelas suas bochechas. Nós ficamos assim por um longo tempo, longo o bastante para que a porta se abra e alguém limpe ~ 232 ~


a garganta. Eu me endireito e olho ao redor para ver Mack e Jaylah, segurando cafés nas mãos. Jaylah me vê e seu rosto suaviza, um vislumbre de dor cruzando seus traços. Mack me dá uma expressão gentil, uma que eu raramente vejo nele. — Eu sinto muito. Eu sei que vocês provavelmente querem passar um tempo com ele e... — Fique, — Mack diz, se aproximando e me entregando um café. — Ele quer que você fique. Eu olho para Diesel e ele está olhando para mim, sua expressão cheia de amor e dor e admiração. Pelo que, eu não sei. — Você tem certeza? — eu digo suavemente. — Não quero mais você longe da minha vista, baby, — ele murmura — Eu poderia dizer o mesmo, — eu rio fracamente. Puxo uma cadeira ao lado da sua cama e me sento, ainda segurando a sua mão. — Você sabe quem fez isso? — Diesel pergunta a Mack. — Nós temos uma boa ideia e vamos dirigir essa noite para encontrá-los e acabar com isso. Eu pulo e olho para ele. — Vocês estão dirigindo essa noite? Meu pai vai junto? Ele acena. — Nós todos estamos envolvidos. A melhor coisa que podemos fazer é resolver isso juntos. — É seguro? Ele sorri fracamente. — Não vou machucar sua família, querida. — Não é só com eles que eu estou preocupada. Seu rosto suaviza. — Bom saber que você se importa. — Você é cego se já não sabia disso. — Ah, venha aqui e me deixe te abraçar antes que eu exploda, — Jaylah diz, caminhando na minha direção e me puxando em seus braços. — Me desculpe, Jaylah. Eu não posso imaginar como isso foi para você. ~ 233 ~


— Ele está bem; nós todos estamos bem. É tudo que importa. Ela me solta e se vira para Mack. — É melhor você voltar para casa e para mim, ou eu vou... eu vou... — Você vai o quê? — ele diz para ela, provocando. — Vou cortar fora a sua outra perna. Ele ri e a puxa para sentar no seu colo. — Eu vou ficar bem, querida. Nós todos vamos. Deus, eu espero que ele esteja certo.

***

— Eu não posso acreditar que estamos todos presos juntos, — Skye murmura, olhando para os filhos dos Jokers que estão sentados no canto do armazém compartilhado em que nós todos fomos colocados enquanto os homens dirigem para resolver esse problema. Eu não tenho permissão de visitar Diesel até que eles voltem, mas eles colocaram guardas 24h na porta do quarto dele, graças a Deus. — Não me diga, — Jack grunhe. — Eu nem sabia que nós deveríamos gostar uns dos outros. Ava sorri. — Nós não deveríamos gostar uns dos outros. É isso que deixa divertido. — Divertido, — Danny geme. — Eu duvido, porra. — Se você tirasse esse pau da sua bunda, não seria tão ruim, — Phoenix grunhe para ele. — O que foi que você disse? — Danny rosna. — Parem, — eu estalo. — Vocês brigarem não vai ajudar. Eu juro, nós todos vamos ficar aqui sentados e deixar que vocês se matem. Danny encara Phoenix, que devolve. — Por que não tentamos nos dar bem? — Matilda sugere. — Boa ideia, — Kaylee diz em uma voz baixa e suave. — Um jogo, talvez? — Skye diz. ~ 234 ~


— Como o quê? — Ava diz animada. — Verdade maliciosamente.

ou

consequência?

Jack

sugere,

sorrindo

— Jack, você não presta! — Molly lhe dá um tapinha. — Eu acho que é uma boa ideia, — Max diz, dando de ombros. — Que tal apenas Verdade? — eu sugiro. — Considerando que nós não podemos sair. Podemos apenas fazer perguntas e temos que responder ou... — Ou temos que tirar a roupa! — Skye aponta. Danny olha para ela. — Minha irmã está aqui. — Não é para ficarmos pelados, seu tarado, — ela sorri para ele. — Apenas com a roupa de baixo. — Certo. Temos um acordo, — eu digo. — Skye, você primeiro, já que está tão animada. Um dos Sinners pode perguntar para um dos Jokers, e depois o contrário. — Yippee! — ela bate as mãos, olhando para Jack. — Jack, você já beijou um garoto? Ele faz uma careta para ela. — Não seja nojenta. Não, não beijei. — Sua vez, Jack, — eu sorrio. Ele olha para Ava. — Você já transou na cama dos seus pais? Um coro de ―ew‖ se espalha pela sala. — Eca, cara, — Ava bufa. — Não. Ela se vira para Molly. — Você já correu pelada por aí com alguém? Seu rosto fica vermelho. Todos nós fazemos um ―ohhhhh‖ realmente alto. — Foi só uma vez, e eu estava bêbada! — ela protesta. — Ew, Molly, — Matilda geme. — Com quem você correu pelada? Ela olha para Phoenix e Quinn. — Oh, Deus, vocês são praticamente irmãos. ~ 235 ~


— Mas nós não somos, — Molly aponta. — Além disso, nós tínhamos quinze anos e estávamos bêbados. Quinn e Phoenix riem, e meu sorriso fica maior. — Ok, minha vez, — Phoenix diz, se virando para Danny? — Você já comeu o rabo de alguma garota? — Deus cara, que grosseiro! — eu bufo. Danny cruza os braços e não diz nada. — Eu me viro para ele. — Danny, sério, se você tiver feito isso, eu vou te deserdar. Ele não diz nada. — Oh meu Deus, ele fez! — Quinn sorri. — Bate aqui, irmão. Bom pra você. Skye olha para as suas mãos e eu não perco a pontada de dor que passa pelos seus olhos. Eu mudo de assunto rapidamente. — Danny, vá em frente ou você vai perder a sua rodada. Ele olha para Skye, percebe a expressão dela e se levanta. — Que jogo mais estúpido. Preciso de uma bebida. Então ele se vai. Ah, cara. E por falar em tensão.

~ 236 ~


Capítulo Trinta — Eles foram embora há uma semana! — Jaylah diz, caminhando na sala. — Eles vão ficar bem, — Santana garante a ela. — E se eles estão feridos? — Eu falei com Krypt essa manhã, — Ash diz, tocando o braço dela. — Eles estão bem. Estou sentada no sofá com Diesel, que saiu do hospital essa manhã, as observando preocupadas com os homens. Eles partiram há uma semana, e eu sei que a minha família está fazendo a mesma coisa. Surtando. As coisas esquentaram, e todos estamos sob constante proteção. Nós saímos do bloqueio porque, vamos ser sinceros, ninguém pode aguentar essa merda por tanto tempo como nós fizemos. Nós podemos muito bem ficar nos complexos dos clubes e estamos seguros lá. Eu estava aproveitando a chance de ver Diesel todos os dias. Ele está em casa agora, e está indo bem. Ele está menos dolorido e parece estar se recuperando. Graças a Deus. — Vamos para o meu quarto, — Diesel diz, se levantando ao meu lado e pegando minha mão lentamente. — Você tem certeza? — Sim. Não aguento mais ouvir isso. Eu o levo pelo corredor até o seu quarto, trancando a porta. Nós vamos até a cama e deitamos um do lado do outro. Eu rolo na direção dele, olhando para baixo. — Como você está se sentindo? Ele dá de ombros. — Uma merda, mas me sinto melhor a cada dia. ~ 237 ~


— Você levou um tiro; isso leva tempo. Ele se levanta e me puxa para baixo, então nossos lábios estão próximos. — Eu só transei com a minha garota uma vez. Pensei que só ia ter que esperar mais alguns dias, mas então eu fui baleado... Minhas bochechas coram. — Quando tempo vai levar até você poder fazer isso de novo? — Algumas semanas, aparentemente. — Mas... — eu hesito e olho para longe antes de dizer, — você pode fazer outras coisas. — Baby... Eu me sento apoiada nos joelhos e me mexo para baixo na cama. — Mercedes, o que você está fazendo? — Estou fazendo outras coisas. — Baby, sério... — Não me diga que você não quer isso. Eu agarro seu cinto, o nervosismo correndo na minha barriga. Eu não sei que diabos estou fazendo porque nunca fiz isso antes, mas decido que vou dar o meu melhor. Meu núcleo incha e aperta enquanto eu abro seu cinto. Ele está me olhando com os olhos semicerrados, e seu maxilar está apertado com a antecipação. Deus. Sim. Eu puxo seu cinto e abro o botão do seu jeans antes de puxá-lo para baixo lentamente. Ele salta livre imediatamente. Deus. Ele está duro. Sim. Eu curvo meus dedos ao redor e aperto de leve. Seu comprimento duro e grosso pulsa na minha mão. É lindo, assim como ele. Eu me pergunto, qual será o gosto? Eu me abaixo lentamente, tocando meus lábios com muita suavidade contra a parte de baixo do seu eixo. Ele assobia e murmura o meu nome. — Eu não sei como fazer isso, — eu admito. — Você talvez tenha que me guiar.

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— Curve sua mão em volta da base, — ele diz, embora seja entre os dentes cerrados. — Então coloque a cabeça na sua boca e chupe como um pirulito, baby. Eu lambo meus lábios e faço o que ele diz, curvando a mão ao redor da base e baixando a boca, abrindo os lábios e o tomando. Sua pele é macia e ainda assim ele está incrivelmente duro. Meu coração acelera quando eu começo a chupar, lentamente no início, mas quando pego o jeito, meu ritmo aumenta. Deslizo minha cabeça para cima e para baixo e uso minha língua para esfregar a parte de baixo do seu pau, gentilmente trabalhando enquanto uso minha boca para fazer o resto. — Puta merda, — ele grunhe. — Mercedes, baby, não pare. Minha pele formiga e eu chupo com mais força, mais profundo, até que ele está arqueando e grunhindo o meu nome. Eu amo esse som. Deus, eu amo como isso me faz sentir. Seu pau incha na minha boca e ele tenta freneticamente tirar, mas eu não me mexo. Eu quero provar ele. Quero a experiência completa. Um segundo depois, com um gemido de prazer, seu gozo quente bate na minha língua. Eu engulo, meus olhos se fecham enquanto aproveito cada lindo segundo que ele está me dando. Seus gemidos. Sua liberação. Seu corpo. Apenas ele. Eu o solto e me sento, limpando a boca com as costas da mão. — Isso foi muito... legal, — eu digo suavemente. Seus olhos estão cheios de desejo. Deus, parece que ele quer bombear em mim e me comer viva. — Venha aqui, — ele geme, baixo, gutural. — Onde? — Tire sua calcinha e sente no meu rosto. Agora. Minhas bochechas ficam vermelhas. — De jeito nenhum, — eu digo. — Mercedes, agora, ou eu vou me machucar para que você faça isso. Você não quer isso, quer? — Diesel, eu não posso... — Você pode. Você vai. Tire a calcinha. ~ 239 ~


Ele não está me dando escolha. Minhas bochechas queimam quando eu tiro, envergonhadamente, meu short e a calcinha. — Venha aqui. Se ajoelhe ao lado da minha cabeça. — Diesel... Ele começa a se levantar, e eu me apresso para frente. A última coisa que eu quero é que ele se machuque, e ele sabe disso. Maldito seja. Ele cuidadosamente me ajuda a me posicionar de forma que meus joelhos estão de cada lado da sua cabeça. Eu estou queimando de vergonha quando ele passa os braços pelas minhas pernas. Deus, eu estou bem aqui na sua cara. Eu não poderia estar mais exposta. — Você está tão molhada, porra, — ele murmura, tocando meu sexo com a língua. Eu gemo. — Você tem um gosto tão bom. Ele passa a língua pela minha entrada e vai direto para o meu clitóris, me fazendo ofegar. Eu tiro as mãos dos olhos e as pressiono na cabeceira enquanto ele faz a sua mágica. Começa com pequenos círculos ao redor do meu clitóris e aumenta a pressão. Então ele começa a empurrar a língua dentro e fora de mim, como se estivesse me fodendo. Eu seguro meus gemidos, então eles não saem muito altos, mas ele me faz sentir incrível. Incrível pra caralho. — Diesel, — eu choro baixinho. — Oh, Deus. Por favor. Ele desliza a língua nas minhas profundidades e usa os dentes para mordiscar gentilmente o meu clitóris e rodar. Eu explodo no seu rosto, estremecendo e ofegando quando a mais incrível sensação corre pelo meu corpo. Ele me segura, sua língua trabalhando em mim a cada estremecimento. Eu cuidadosamente desço de cima dele e caio ao seu lado. — Uau, — eu sussurro. — Tem muito mais de onde veio esse, — ele diz, me puxando para perto com cuidado. — Você pode sentar na minha cara a qualquer momento. Eu rio. — Eu não se a qualquer momento. Tenho certeza que a sua família não acharia apropriado se eu sentasse na sua cara na mesa de jantar. ~ 240 ~


Ele ri. — Eles não achariam, mas eu estaria muito bem com isso. — Você não presta. Eu me aconchego nele, agradecida por ele estar aqui comigo. Agora eu só preciso que mais uma prece seja atendida. Eu preciso que nossas famílias venham para casa em segurança.

***

O som retumbante das motos me acorda. Leva alguns minutos para clarear a minha cabeça, mas quando isso acontece eu percebo que o som vem do lado de fora. Olho para a mesa de cabeceira. São duas da manhã. Os membros do clube partiram há mais de dias agora, e nós não conseguimos fazer contato com eles pelos últimos quatro. Todos estão absolutamente preocupados. Eu não fui capaz de voltar para a faculdade, nem Diesel. Nós estamos apenas esperando. Preocupados. O som das motos faz meu coração flutuar com esperança. Eu pulo da cama e saio correndo do quarto. Ava e Skye saem correndo também, sem dúvida pensando o mesmo que eu. Nós chegamos aos pés da escadaria e nos apressamos para a porta da frente. Eu a abro e grito de felicidade e alívio quando vejo todos os membros do clube descendo das suas motos. Nossas mães já estão aqui fora, seus braços ao redor dos nossos pais, chorando de felicidade. Então elas saem e é a nossa vez, Skye, Ava e eu correndo na direção dos nossos pais. Skye chega até Cade primeiro e se joga em seus braços. Ele enterra o rosto no seu cabelo e a puxa para perto. Ava colide logo depois, se atirando em Jackson, seus braços ao redor do seu pescoço, lágrimas no seu rosto. Eu sou a última a alcançar meu pai, meus braços voam para a sua cintura e eu enterro meu rosto em seu peito. Estamos todos abraçados, tão agradecidas que eles estão vivos. Ninguém sabia se eles estavam bem e isso foi um inferno. Um verdadeiro inferno. Eu me afasto e sorrio para o meu pai. — Você está bem. Ele sorri para mim. — Eu estou bem. Está tudo acabado.

~ 241 ~


— Está? Ele acena. — Está. — E a família de Diesel? — Todos bem, baby. — Nós estávamos com tanto medo, — minha mãe diz, se aproximando de novo para se juntar ao abraço. Nós estamos todos abraçados, juntos, agradecidos. — Vamos entrar, — minha mãe diz, se afastando. — Vocês provavelmente estão famintos. Meu pai sorri para ela. — Eu estou faminto, mas não é de comida. Eu o solto e me afasto também. — Eca pai. Ele sorri para mim, mas captura minha mãe em seus braços e caminha para dentro com ela. Ew. Me viro para Cade e Jackson e sorrio. Eles sorriem para mim, e alívio incha no meu peito. Eles estão bem. Graças a Deus. Eles estão bem. E nós também. Minhas preces foram ouvidas.

~ 242 ~


Epílogo Eu coloco a máscara sobre o meu rosto e entro no grande salão cheio de gente. Eu olho ao redor, mas não reconheço ninguém porque estão todos mascarados. Eu ando na direção da multidão, meus olhos encontrando o palco, onde um homem absolutamente lindo, todo vestido de preto e usando uma máscara preta já gasta, está de pé ajustando o microfone. Meu coração incha de orgulho quando me aproximo do palco. Eu estive em casa nos últimos dias e, felizmente para nós, o baile de máscaras foi adiado alguns dias por causa de um problema na organização. Isso com certeza foi a sorte de Diesel, porque ele teria perdido a sua chance de tocar. Mas ele não perdeu. E agora eu estou aqui pronta para torcer por ele. Ele me nota usando meu longo vestido vermelho com a máscara preta. Ele me ajudou a escolher. Ele sorri. Eu sorrio. Deus, eu o amo. Eu pego uma taça de champanhe quando um garçom passa com uma bandeja, e ouço o apresentador dar as boas-vindas a todos no baile. Taj para ao meu lado e engancha seu braço no meu. Ele está vestido como Zorro, basicamente, mas é algo que fica bem nele. — O seu homem está muito bem essa noite. Deve haver um monte de garotas com inveja por aí. — Desde que elas não se chamem Maxine, eu estou bem com isso. Ele ri. — Seja lá o que Diesel disse para ela, a vadia sumiu. — Que bom. — Ele está animado?

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Eu sorrio para o palco. — Ele não vai admitir, mas sim. É isso o que ele quer para a sua banda. — Sim, sem dúvida. Você sabe, se eles derem certo, você vai ter que se acostumar a ir visitá-lo em turnês e essa merda. Eu rio. — Uma montanha para escalar de cada vez, ok? Ele sorri. — Justo. O apresentador dá boas-vindas para a Wrath no palco e eu observo, meu coração disparando quando Diesel pega o microfone. — Olá, pessoal. Nós somos a Wrath, e gostaríamos de agradecer a todos por estarem aqui com a gente essa noite. Meu sorriso fica tão grande que meus lábios queimam. — Eu gostaria de dedicar essa música para o amor da minha vida. Essa é para você, Tigresa. Meu coração acelera quando ele começa a cantar If Everyone Cared, do Nickelback. Sua voz suave enche o salão, e eu me perco nela. Esqueço de todos ao meu redor. Esqueço de respirar. Eu apenas assisto e me apaixono ainda mais pelo homem no palco. Ele canta, seus olhos nos meus, e eu sei que pelo resto dos meus dias, não quero passar nem um segundo sem ele. Nem um segundo. Ele canta e canta a noite toda, e meu coração dança com a sua música. Ele faz uma pausa durante a apresentação e desce do palco, vindo na minha direção. As garotas se jogam nele, mas ele tem os olhos fixos em mim. Ele para na minha frente e pega o meu braço. — Vem comigo. — Onde nós estamos indo? — eu pergunto enquanto ele me puxa pela multidão. — Estive no palco cantando por duas horas, vendo você me olhar com esses olhos. Agora eu vou te levar lá atrás e vou te foder até tirar isso do seu sistema. — Tirar o quê? — eu sussurro. — O desejo queimando em você. Eu não discuto. Deixo ele me puxar pelo corredor e para dentro de um quarto vazio nos fundos. Ele fecha e tranca a porta antes de ~ 244 ~


pressionar minhas costas contra ela. Seus lábios esmagam os meus, e eu o beijo com tudo que eu tenho, gemendo enquanto nossas línguas lutam. Não há preliminares. Não há provocações. Ele quer me foder, e eu quero que ele faça isso. — Lembra quando eu te disse que, quando estivéssemos juntos há algum tempo, eu iria te tomar assim, espontaneamente e contra alguma coisa? Eu aceno. — Se segure, baby. Eu estou prestes a sacudir o seu mundo. Eu estremeço e apoio as mãos na parede atrás de mim enquanto ele se abaixa, levantando meu vestido o suficiente para alcançar minha calcinha. Ele não perde tempo em tirá-la. — Diesel, — eu ofego quando ele a coloca dentro do seu bolso. — Nós vamos voltar lá para fora, você vai saber que a sua calcinha está no meu bolso e vai ficar no meio de uma multidão que não tem ideia que o meu gozo está fresco na sua buceta. Eu fico de boca aberta cm as suas palavras. — O que deu em você? Ele sorri para mim. — Você, baby. Levante a perna. Deixe o salto. Ele puxa o cinto e liberta o seu pau. Eu levanto a perna e ele a engancha ao redor da sua cintura, meu salto pressionando contra a parede. Deus, isso é quente. Ele alcança entre nós, correndo os dedos pelo meu sexo antes de posicionar o pau e empurrar dentro de mim. Eu gemo com a intensa sensação de preenchimento que consome o meu corpo. Isso é incrível. — Diesel, — eu ofego. — Oh, Deus. — Se segure. Eu vou te foder duro e rápido. Eu passo um braço pelo seu pescoço, e com o outro agarro a sua camisa, então me seguro enquanto ele me fode. Ele me fode duro. Ele me fode rápido. Ele me fode por completo. Estou gritando o seu nome, não dou a mínima, e ele está assobiando o meu enquanto seu pau se enterra no meu corpo, me enchendo, me consumindo, me fazendo inteira. Eu gozo antes dele em uma corrida perversa. Jogo a cabeça para trás e choro seu nome. Ele encontra a sua liberação segundos depois, gritando alto enquanto me enche.

~ 245 ~


Ele me faz sentir como prometeu. Ele me leva para fora do quarto com seu gozo ainda fresco dentro de mim. E eu amo isso.

***

— Cante! — Ava grita, jogando as mãos no ar. — Vai ser divertido. — Cante você, — eu digo para ela, apontando para o palco. — Vamos, seu bando de bebezonas, — Phoenix ri. — Se levantem e nos mostrem do que vocês são feitas. — Levante você, Phoenix, — Molly diz, inclinando o quadril com atrevimento. — Eu não estou vendo você mostrar a sua coragem. — Venha comigo, Molly querida, e vou te mostrar, — ele desafia. — Por que não vamos todos? — Skye sugere. — Ohhh, boa ideia! — Matilda ri. — De jeito nenhum, — Danny grunhe. — Eu não vou cantar em uma maldita lanchonete barata na frente de um monte de gente velha. Eu jogo uma batata frita nele. — Não insulte a lanchonete. Nem todos aqui têm idade para beber. É um lugar justo para sair. Ele faz uma careta para mim, e eu rio. Pelos últimos dois meses, nos tornamos próximos dos filhos dos Joker‘s Wrath. Acho que ficar em bloqueio por alguns dias faz isso com as pessoas. Eles são loucos e divertidos como nós, e encontramos um terreno neutro. Os dois clubes voltaram a cuidar dos seus negócios, mas não há malícia ou preocupações com a nossa amizade. Os homens chegaram a um acordo de que irão ficar longe do caminho uns dos outros e irão se focar nas suas próprias coisas, e isso deve impedir quaisquer futuros problemas de aparecerem. Eu acho que eles sabiam que não tinham escolha, considerando que nós todos nos demos bem, eles gostem ou não.

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— Vamos lá. Você pode ficar aí sentado e chorar como um bebê grande, — Skye o provoca. — Nós vamos cantar. — Estou dentro, — eu grito, me levantando. — Eu também! — Max diz. Todos menos Danny ficam do nosso lado, e vamos para a máquina de karaokê que fica na parte da frente da lanchonete. Skye escolhe a música, Hips Don’t Lie, da Shakira, e nós todos gememos em protesto, mas ela coloca para tocar antes que tenhamos a chance de discutir com ela. Ela pega o microfone e começa a acompanhar a letra. Com risadas e gritinhos, nos juntamos a ela, cercando o microfone para cantar a música. Todos na lanchonete vibram, e nós jogamos os braços por cima dos ombros uns dos outros, cantando mais alto. Fazemos isso a música toda e, no final, todos na lanchonete se levantam e aplaudem. — Obrigada, obrigada, — Skye diz, se curvando para agradecer. — Estamos aqui cinco dias por semana, — Quinn diz, pegando a mão de Skye e se curvando com ela. O sino sobre a porta roca e eu percebo Diesel entrar na lanchonete. Ele tinha uma aula até mais tarde e por isso só veio agora. Meu sorriso cresce, e eu pulo do pequeno palco e corro na direção dele, me jogando nos seus braços. — Oi, bonita, — ele diz, pressionando os lábios nos meus. — Você acabou de perder uma apresentação épica no karaokê. Ele geme. — Eu pude ouvir isso da rua. Eu rio. Ele sorri. — Você quer ir lá e cantar, astro do rock? — Porra, não. Eu não posso nem tomar cerveja aqui; isso já é tortura o suficiente. Eu rio e passo um braço pela sua cintura, caminhando com ele para dentro. Nos sentamos à mesa com todos os outros. — Olhem para vocês dois, — Molly sorri. — Tão lindos juntos.

~ 247 ~


— Eu sou linda, — eu digo. — Ele só parece lindo por minha causa. Ela ri e Diesel me dá uma pequena cotovelada. — Vocês parecem tão felizes. Estou com inveja, — Skye suspira. — Você vai encontrar muitos desconhecidos lindos quando se mudar daqui! Ela bate as mãos. — Ah, eu estou tão animada. Skye decidiu se mudar para Denver e vai morar comigo e com Taj até decidir para onde ela quer viajar. Demorou um tempo para ela optar por esse plano, mas agora ela está decidida a ir viajar o mundo. — Eu vou pegar outra bebida— Danny grunhe, se levantando e saindo. — Ele ainda está chateado por você estar se mudando? — eu pergunto a ela. Ela o observa ir, seu rosto triste. — Ele não vai admitir, mesmo que esteja. Teimoso como o pai dele. Eu rio. — Mais alguém herdou esse gene horrível, — Diesel diz, e eu empurro o seu ombro. — Você ama a minha teimosia. Ele sorri para mim. — Eu amo quando nós estamos... — Ew, D! — Matilda grita. — Não faça isso. Nós dois rimos. — Vou levar a minha garota para casa agora, — Diesel diz. — Se divirtam aí. — Nós vamos para casa? — eu pergunto. Ele sorri para mim. — Ah, sim. Eu fico vermelha e levanto. — Eu amo vocês, mas estou indo. — Ahhh, sobrancelhas.

vão

fazer

nheco-nheco,

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Skye

balança

as


Eu atiro um beijo para ela e nós saímos da lanchonete de mãos dadas. Entramos na caminhonete de Diesel e ele me leva para a direção oposta da minha casa. — Onde estamos indo? — Quero te mostrar uma coisa. — É uma surpresa? — eu pergunto. — Eu amo surpresas. — É sim. — O que é? Ele revira os olhos. — Não vai ser surpresa se eu te disser. — Ah, me diga! — Você disse que ama surpresas. — Eu menti. O que é? Ele ri. — Espere e verá. Ele me leva por uma avenida principal e então por algumas ruas silenciosas, até que chegamos a uma enorme biblioteca ao leste da cidade. Eu nunca estive aqui, mas já a vi antes. Ele sai e dá a volta para abrir a porta do carro para mim, e eu pulo com ele. — Qual é a surpresa? — Olhe. Eu balanço a cabeça, confusa, e olho para a biblioteca que foi recentemente pintada e coberta de palavras, como a parte interna de um livro. Isso foi muito inteligente. — É lindo. Ele ri e pega a minha mão, me puxando para perto. — Olhe. Começo a estudar as palavras e paro quando vejo. Meu sorrio vacila quando eu percebo que palavras são. Elas são linhas do poema que ele escreveu aquele dia, e que eu terminei e coloquei no seu armário. Ainda que as águas sejam profundas, É onde nossas partes mais escuras dormem. Na luz do dia, ~ 249 ~


Nós somos muito mais do que dizemos. Se nós abrirmos nossas almas para os outros verem, Nossas partes mais escuras talvez possam ser livres. Quando a noite vem, não precisaríamos mais nos esconder, Poderíamos mostrar quem somos, Tudo que existe por dentro. Lágrimas transbordam dos meus olhos e eu o puxo para o meu lado. — É o nosso poema. — É o nosso poema, — ele confirma. Ele se vira para mim e eu pisco para ele através das lágrimas. — Como você conseguiu colocar isso aqui? — Eles estavam pedindo letras e palavras, coisas que fossem diferentes, e eu decidi dar a eles o poema. Ganhei um lugar e ele foi pintado hoje. Não queria te contar até que estivesse pronto. — Você fez isso por mim? Ele se aproxima, curvando a mãos ao redor da minha nuca e me puxando para mais perto. — Eu fiz isso por nós. Essas palavras significam tudo para mim. Elas significam que você me viu quando ninguém mais fez isso. Elas significam que você acreditou, até mesmo quando eu não fiz isso. Elas significam que você me libertou. — Eu libertei? — Porra, sim, você me libertou. Eu nunca pensei que iria sorrir de novo na vida. Eu nunca pensei que as coisas seriam como eu queria. Por sua causa a minha família me libertou do compromisso com o clube e me deixou ser quem eu preciso ser. Eu encontrei conforto na perda da minha mãe, e encontrei uma pessoa tão bonita que eu me pergunto como tive tanta sorte de encontrá-la. Eu sorrio, mas é trêmulo. — Eu te amo, ainda que eu tenha que ter lutado pelo meu lugar na sua vida. Ele sorri. — Eu espero que você lute pelo resto da sua vida, porque eu prefiro ter que ouvir isso todos os dias do que estar sem você. — Mesmo que eu seja um pé no saco?

~ 250 ~


Ele se inclina e me beija. — Especialmente se você for um pé no saco. Deus, sim. A vida é linda.

Fim

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#2 drifter mc sinners bella jewel pg  
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