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enquadrados

[DES]enqua’dossier

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jun.2012

“Penso que grande parte do espaço urbano do futuro não se faz com arquitectura dos edifícios mas antes com arquitectura do chão: o projecto do chão, como também chama bernardo Secchi” #.InSistu/paisagens urbanas, PORTAS, nuno

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jun.2012


A cidade liga-se a territórios distantes que “pertencem” a uma mesma rede, enquanto se vai desligando de territórios contíguos e hierarquicamente ou administrativamente superiores aos quais pertence em termos funcionais ou institucionais, sendo que em muitos casos esgotam-se os vínculos das cidades com as suas geografias locais. / Sorkin, 1992


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[DES]enqua’dossier é o dossier de pesquisa relativo ao trabalho universitário em progresso [DES] enquadrados (uma interpretação enquanto à fragmentação de lisboa. Um olhar sobre os subúrbios e os efeitos criados pela malha querbrada em que consiste a urbanização de lisboa quando confrontada com zonas periféricas).

[DES]frame’dossier is a research archive for the university work in progress [DES]framed (an interpretation as the fragmentation of Lisbon. A look at the suburbs and the effects created by the broken mesh in wich consists the urbanization of Lisbon when faced with outlying areas essentualy).

O projecto visa, através da arte, mudar a imagem negativa e estereótipos que as pessoas tem em função de certas zonas e seus moradores e assim sensibilizar para a temática, mas principalmente ajudar a incentivar o aparecimento de uma cidade mais activa e “conectada”.

Junho 2012 Lisbo, Portugal

The project aims, through art, to change the negative image and stereotypes that people have in terms of certain areas and its residents and thus raise awareness of the issue, but mainly to help encourage the emergence of a more active and “connected” city.

June 2012 Lisbon, Portugal


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Conteúdo

CIDADE CAMPO nº2 Movimento Popular e Prática Urbanística em

Lisboa capital do nada Criar, debater, intervir no espaço público

Portugal

CORBUSIER, Le Urbanismo. Martins Fontes

Design Like You Give a Damn Thames & Hudson, ARQ432

Lisboa: arquitectura e urbanismo o moderno revesitado à escala humana

PRTAS, Nuno A Habitação Social

DOMINGUES, Álvaro the americans

RODRIGUES, Luís Manual de Crimes Urbanísticos

Insistu revista de cultura urbana

SOCIEDADE E TERRITÓRIO revista de estuds urbanos e regionais

Jornal Arquitectos publicação especializada da Ordem dos

PIETROMARCHI, bartolomeo

Arquitectos

he [UN] Common Place


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tHe [un] common place : PUBLIC SPACE AS (UN)COMMON PLACE

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art, public space 22 and urban aestHetics 23 in europe 24

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In the contemporary era, the concept of territory has become one of the terms of reference through which to measure the transformation of human identity and attempt to delineate a physical representation of it. Terms like flow, frontiers, networks, mobility and control, applied to readings of our cultural space, contribute to defining not only the field within which to interpret the relationship with one’s surroundings, but also a new conception of its relationship with space and time, and of how heavily these fundamental axes of experience weigh on this very identity.

n this regard, public space can today e defined in terms of a hyperspace hat considers man a machine of desires seful only for determining the impulses f consumers reduced to numbers, ultitudes. Every square centimeter s exploited for some function (almost xclusively economic in nature), and ree space is restricted not only n physical terms but also in terms f denial of self-determination of he individual and of spontaneous ocialization. The FEAR of EMPTY space perates as a horror vacui that we asten to eliminate by applying terms ike danger, abandonment and rejection

+ FRAgMENTOS | INTERLIgAÇÃO


#.Imagem

#.texto

tokyo. StrUtH, thomas Wather Streat, New York. StrUtH, thomas

the [UN] Common Place. PIEtroMarCHI, bartolomeo. Fondazione adriano olivetti, aCtar. 2005

07

i.public space as (un) common place

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S-A-A-L


“Tudo no Urbanismo se faz com o tempo. Nenhuma atitude é só do momento do plano ou dos momentos da gestão, tudo tem uma história. E essa é grande diferença entre Urbanismo e Arquitetura. A Arquitetura é um pudim instantâneo; o Urbanismo é fogo lento, ou de uma forma mais fina: a Arquitetura é inimiga da incerteza; o Urbanismo tem que lidar com a incerteza”.

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OPERAÇÃO SAAL foi um programa de habitação, que surgiu entre 1974 e 1975, no Porto e em Lisboa, em Setúbal e no Algarve. Este programa consistia na construção de casas a baixo custo, para as populações carenciadas. Estas construções eram financiadas a fundo perdido, com apoio no terreno de arquitectos e engenheiros contratados pelo Estado, mas também com a ajuda dos próprios moradores. Este programa visava a erradicação completa das zonas de barracas.

Š-A-A-L

#.Portas, nuno. 28.04.06


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“Não é obra perfeita. Mas seria isso o principal?” #.Ja232, SIZa VIEIra, álvaro

#.Imagens

#.texto

Conjunto Habitacional da Bouça, Porto. SIZa VIErIa,,

Bentes Francês (2001) vidas Paralelas. Lisboa: O outro bairro, Lisboa, p 9-10

O estado de arrastamento a que o anterior regime deixara o problema habitacional nas grandes cidades, a quebra de investimentos públicos na área da habitação pós 25 de Abril e a chegada de meio milhão de pessoas, sobretudo de origem europeia, refugiados das ex-colónias portuguesas africanas, provocou uma espécie de caos na capital. 0 desinteresse generalizado a que a administração central e os próprios municípios votaram e o planeamento urbano, a debilidade do debate profissional e a falta de financiamento e de orientações definidas explicam o acumular dos problemas da habitação. Essa apatia crónica, que se arrastou durante muitos anos, conduziu a uma perda de autoridade do Estado e um enfraquecimento da intervenção pública que se traduziu numa espécie de incapacidade para ordenar o território. Esta situação acentuou-se após a revolução de 1974. Com menor intervenção púbica e a entrega das tutelas urbanísticas nas mãos de impreparados executivos municipais com serviços técnicos insuficientes e mal apetrechados, a enorme debilidade económica das autarquias aliada às dificuldades em fazer arrancar programas de construção convencional levaram à criação, através de despacho conjunto dos Ministérios da Administração Interna e do Equipamento Social (Diário do governo nº181, I Série, de 6 de Agosto de 1974), de um corpo técnico especializado, dependente do Fundo de Fomento da Habitação, designado por Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), para apoiar, através das câmaras municipais, as iniciativas das populações mal alojadas no sentido de colaborarem na transformação dos seus próprios bairros. No seu ponto 2 o referido despacho escrevia: “Como princípio geral, devem os trabalhos de infra-estruturas viária e sanitária - que constituem a base essencial das operações - ser custeados peia autarquia local, assim como a disponibilidade de terrenos para a urbanização (a ceder, em princípio, sob forma superficiária), sem prejuízo da obtenção de comparticipação estatal, nestes casos como prioridade justificada”. Cabia, portanto, aos municípios a responsabilidade pela cedência dos terrenos e elaboração dos projectos.

#. “L’architecture d’aujourd’Hui”.BYrNE, gonçalo, nº 185, (Mai.-Jun. 1976), p. 78-81

“Eu penso que o SAAL foi igualmente um instrumento de controle dos movimentos de massas. O SAAL serviu para fixar as populações nos locais e nos bairros onde residiam antes do 25 de Abril: os bairros de lata.”

PANORAMA HABITACIONAL


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9 pontos para a compreensão da importância das Operações SAAL 1. Teoria + planeamento = democracia As correntes marxistas de Henri Lefèbvre e Manuel Castells legitimaram política, científica e academicamente acções em que a arquitectura, o planeamento urbano e o conhecimento técnico se colocaram ao serviço das populações e da sua luta pela transformação das relações sociais, em prol do bem estar colectivo e individual. As Operações SAAL são a expressão de um posicionamento claro de projectistas, decisores políticos e população perante o desenho da sociedade. 2. O papel do Estado na habitação social: que avaliação O Estado promoveu, numa primeira fase do período revolucionário, modos de intervenção urbana urgentes, que envolveram a participação dos cidadãos; criou, nessa altura, determinadas condições de base para uma acção continuada [quadro de valores, legislação, apoio militar]. Posteriormente, as dinâmicas sociais [burocracia, desencontros processuais, desigual envolvimento local, complexo e instável processo político ao nível nacional] foram o retrato de um Estado dividido entre o apoio e o abandono de um assinalável movimento social. 3. MFA: o excepcional da situação Muitos militares participaram em projectos que as suas estruturas assumiram como um imperativo emancipatórios e solidário. Foram regularmente chamados a intervir na arbitragem de situações de conflito, especialmente durante as ocupações de casas devolutas, constituindo uma força de regulação e e amenização do ambiente tenso entre classes e grupos sociais. 4. Projecto urbano: proximidade informada pela multidisciplinaridade Os detentores de formas especializadas do conhecimento e das competências técnicas de habitação e urbanismo [arquitectos, engenheiros, sociólogos, juristas, geógrafos…] foram fundamentais na definição de estratégias necessárias ao cumprimento dos objectivos do movimento, bem como nas alianças que estabeleceram com as comissões de moradores, num processo nem sempre fácil. Foram obrigados a discutir as concepções estéticas e as preferências dos moradores, procurando soluções técnicas de baixo custo, de modo a configurar e personalizar o habitat de acordo com as vivências. 5. Uma personalidade-chave para um momento-chave A acção de Nuno Portas como Secretário de Estado da habitação e urbanismo relevou de uma notável coincidência entre as competências do arquitecto e do político. O seu trabalho é hoje objecto de uma revisitação regular nos domínios da Arquitectura

e do Planeamento, sobretudo pela forma como assegurou condições para o estabalecimento de estruturas como o SAAL ou, posteriormente, os GAT [Gabinetes de Apoio Técnico]. 6. O poder das pessoas Associados aos SAAL, ocorreram fenómenos de participação popular colectiva, com destaque para a importância das cooperativas de habitação que agruparam os moradores dos bairros degradados, das ‘ilhas’ e os residentes de prédios sub-alugados, por vezes em processos que passaram pelas ocupações de casas devolutas. A época assistiu a um alteração no papel social das mulheres, que passaram a ter outra importância no domínio público. 7. Direito à habitação // Direito à qualidade de vida Com a dinâmica empreendida pelas operações SAAL, as populações tiveram a oportunidade de discutir a importância da qualidade do espaço residencial e das infraestruturas fundamentais, reivindicando equipamentos urbanos e sociais instalados no local de modo a que se criassem raízes para desenvolver formas de sociabilidade ancoradas na apropriação do espaço público. Transportes públicos adequados, espaços de lazer para crianças, escolas, creches, espaços verdes, centros de dia para idosos, centros de saúde, espaços desportivos e de lazer eram preocupações integradas numa ideia de «direito ao lugar». 8. Reconhecimento internacional O reconhecimento internacional das operações SAAL, consubstanciado em conferências e publicações especializadas, deu a arquitectos como Vítor Figueiredo, Siza Vieira, Alexandre Alves Costa, Manuel Vicente, Souto Moura, Manuel Tainha, Gonçalo Byrne ou Nuno Portas, entre muitos, notável visibilidade internacional, nomeadamente em Itália e Espanha. Esse foi impulso crucial, senão para o desenvolvimento da Arquitectura moderna portuguesa, para um conjunto de carreiras individuais. 9. Vida urbana: os bairros e a sua evolução Os Bairros criados e respectivas tipologias habitacionais sofreram uma evolução vivencial de acordo com os diferentes processos de concepção, edificação e gestão. Cada qual evoluiu no tempo, segundo os mais diversos ritmos e contextos económicos, geográficos, políticos e sociais. Numa Acção que abrangeu todo o País, a arquitectura e o planeamento resultantes constituem, hoje, um acervo de modelos habitacionais que importa reavaliar.

#.Samuel Roda Fernandes, Extra]muros[


É absolutamente É absolutamente necessário romper o necessário romper o isolamento fisico e isolamento fisico e social. social. É preciso promover, É preciso promover, decididamente, uma forte decididamente, uma forte “ancoragem” urbana e “ancoragem” urbana e social. social.


#.Texto Políticas Urbanas – tendências, estratégias e oportunidades, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. INTERVIR NA CIDADE: COMPLEXIDADE, VISÃO, RUMO, por, Ferrão, joão #.Imagens Fotografias via satelite, google maps. Bairro 6 de Maio


#. A família e as condições de habitação: Juventude Operária 1965. / TEOTÓNEO PEREIRA, nuno (1969)

...

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O aumento incessante do número de alojamentos sem ser em prédio na cidade do Lisboa e à sua volta tem constituído um indicador eloquente da situação habitacional na maior concentração urbana do País. Indicador eloquente mas não exactamente quantificado, pois nâo se pode dispor de indicações rigorosas quanto ao número total de barracas existentes num dado momento, nem quanto ao seu ritmo de crescimento; indicador não tão eloquente que retrate com suficiente aproximação a verdadeira situação habitacional, pois a maior chaga de que esta sofre não são os bairros lata (5% do total de famílias de Lisboa), mas o regime multo mais generalizado de co-habltação forçada (38% do total de famílias vivendo em sublocação na cidade), tudo segundo dados, certamente já ultrapassados referentes a 1960. Porque, se em 1960 os serviços municipais tinham detectado 10 900 barracas na área da cidade (e mais do que Isso já havia na cintura suburbana), hoje esse número está substancialmente acrescido, embora não se conheça com exac¬tidão,

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Falou-se recentemente, numa sessão camarária, em 14 000. As afirmações do novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, acerca deste problema, logo depois da tomada de posse, mostram que o mesmo continua a preocupar as autoridades, mas interessa ver se existe ou não uma evolução nessa preocupação. Efectivamente, o Eng. Santos e Castra anunciou «uma cam¬panha sistemática de construção e realojamento... por forma a fazer desaparecer da nossa cidade essa nódoa...». Nas declarações publicadas na Imprensa e pelo teor do despacho que confere ao Gabinete Técnico de Habitação a missão de resolver o problema, algo de novo se pode detectar, mas também algo se repete. Já o Decreto-Lel n”42 454, promulgado no ano seguinte ao das eleições presidenciais de 1958, prometera «a substituição progressiva dos chamados bairros de lata que teimam em existir na área da cidade». É verdade que se construíram de então para cá alguns milhares de fogos desti¬nados aos habitantes de barracas;


...

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a atrás referida expressão «apresentar em condições de dignidade». Porque não é certamente por acaso que se fala em nódoa e não á por acaso que se fala na apresentação em condições de dignidade de uma zona da cidade e não na melhoria da condição dos habitantes ou até na sua dignidade. Assim, é de esperar, no contexto político do momento, alguma inovação num arranque de actividades. Mas Lisboa continuará a ser uma cidade onde os pobres só são notados quando causam incómodo ã vista. ...

#.A família e as condições de habitação: Juventude Operária 1965. Teotóneo Pereira, nuno (1996)

habitação

/ TEOTÓNEO PEREIRA, nuno (1969)

mas o parque destas continuou a aumentar, até engrossado por construções de iniciativa oficial, como as casotas de tijolo da Musgueira; é verdade que murtas barracas foram sacudidas de certas zonas, em operações chamadas de realojamento, mas que têm consistido sobretudo em transferir para mais longe as mesmas construções, agravando as condições de vida dos respectivos moradores. E se já em 1959 se falava em realojamento, continuou a faiar-se em realojamento em 1966, num decreto-lei especial visando «o saneamento social e urbanístico do vale de Alcântara, por forma a apresentar em condições de dignidade a zona da cidade onde terminará a ponte sobre o Tejo». Se se volta agora a Mar em realojamento, que se poderá esperar depois dos antecedentes sumariamente descritos? É verdade que se fala peia 1ª vez em utilizar todos os terrenos de propriedade municipal existentes, e isto abre novas perspectivas. Mas não se pode deixar de relacionar a palavra nódoa, agora mais uma vez Invocada a propósito, com


“A diferença profunda com que o designer do espaço público hoje se defronta decorre da sua transformação de espaço contido e tendencialmente contínuo em espaço implodido e tendencialmente ou

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#.Imagens

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Fotografias via satelite, google maps. Diversos Lisboa

Um revivalismo modernista para quĂŞ?, PortaS, nuno.


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Urbanismo, Le Corbusier, Martins Fontes #.Imagens La vive radieuse, Le Cobusier

#.Texto

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“Le Corbusier defende na Carta de atenas um moelo interessante que retoma de algum modo a cidade linear, fisicamente descontínua por considerar as novas velocidades - é a rede de cidades, como hoje dizemos, e a periferia tende a ser uma rede de cidades, com várias centralidades...”

- PORTAS, nuno #. InSistu / paisagens

urbanas


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A necessidade de uma cidade moderna que suprisse os anseios de seus habitantes e fosse adaptada ao acelerado crescimento populacional existente na época, fez com que na primeira metade do sec XIX, começassem a surgir as primeiras propostas revolucionárias de criação e organização das cidades. A proposta apresentada pelo mestre moderno Le Corbusier ficou conhecida como “Plan Voisin” e assim como os outros que surgiram, tinha como meta uma cidade que representasse o “espírito da época”, que respondesse aos anseios do homem da nova era que se iniciava.

Urbanismo, Le Corbusier, Martins Fontes #.Imagens Plano Voisin, Le Corbusier

#.Texto

Plan Voisin

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Para o autor, na cidade moderna deveria existir separação entre os usos, grandes áreas livres, unidades de vizinhança, separação entre veículos e pedestres, etc. E nessa perspectiva, ele propõe a construção de um centro comercial com torres isoladas. Essas torres seriam dispostas em um plano ortogonal ocupando uma importante área do centro da capital francesa, a margem direita do Rio Sena. Esse plano possuiria apenas 2 artérias de circulação que possibilitaria o transito de automóveis. E as demais áreas do centro, seriam de circulação exclusiva para pedestres. Além da organização do centro administrativo, o plano também previa habitações com áreas verdes e distinção de classes.


“É altura de percebermos que o “pósmoderno” em arquitectura não é uma moda superficial em que se copiam, grosseira e simplificadamente, frontões e colunas, se pintam de cor-de-rosa e azul e se aplicam a forrar “mais um“ qualquer edificício canhestramente compartimentado. É uma atitude muito mais criativa que isso, e de recusa principalmente.”

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“É altura de percebermos que o “pósmoderno” em arquitectura não é uma moda superficial em que se copiam, grosseira e simplificadamente, frontões e colunas, se pintam de cor-de-rosa e azul e se aplicam a forrar “mais um“ qualquer edificício canhestramente compartimentado. É uma atitude muito mais criativa que isso, e de recusa principalmente.”

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Lisboa capital do nada 2001 « Lisboa Capital do Nada foi um evento cultural transdisciplinar que decorreu em Lisboa, entre 1 e 30 de Outubro de 2001. Trinta dias de eventos diários incluiram Projectos :Estruturantes, Arte, Fotografia, Edição e Debate, Intersecções e Outras Actividades, coordenadas por uma equipa responsável por mais de quarenta colaboradores. Houve pessoas que entenderam o evento como um “festival”, outras olharam-no como uma oportunidade para :empreender um “workshop” colectivo, que para além disso revelou ainda características de “arte urbana”. Todas estas formas adquiridas fo:ram no fundo maneiras de exercitar um campo de conhecimento na área do desenho urbano, que se poderia descrever como um “auscultar” do corpo citadino através de um conjunto :alargado de ferramentas, umas estritamente académicas, outras culturais.

LE #1

LE #2

LE #3

LE #4

LE #5

:

[E] VaZÃo ESta ProPoSta traNSFIGUroU o SÍtIo oNDE rESIStEM DUaS PaLMEIraS ISoLaDaS, atraVÉS DE UMa MatrIZ QUE, No :tErrENo, SE oFErECEU CoMo PotENCIaLIDaDE Para a HUMaNIZaÇÃo. DUraNtE oUtUBro, MEMBroS DE EXtra]MUroS[, CoM o aPoIo Da CÂMara MUNICIPaL E DE UMa EMPrESa DE CoNStrUÇÃo LoCaL :PLaNtaraM UM CarVaLHo, SUBStItUINDo UM DoS PoStES QUE FISICaMENtE DEFINIaM a oPortUNIDaDE DE UMa CIDaDaNIa IMEDIata.

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LE #9

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“LE CHEMIN des ECoLIErS” preâmbulo Lê-se na memória descritiva do Plano de Urbanização de Chelas (1966): “... em lugar de uma distribuição pontual dos pólos de vivicação urbana (como nos olivais), um distribuição linear e contínua que penetra em todas as áreas da nova expansão... ... reabilitar a rua de peões como acompanhamento edificado da vida urbana (espaço comunitário de convívio dentro da tradição mediterrânea do habitat), servida claramente pelas vis de trânsito motorizado mas sem nunca se fundirem...” Cabia ao jovem arquitecto camarário ir ao Liceu D. Diniz explicar aos alunos da cadeira de Geografia o planeamento do espaço da cidade onde viviam ou estudavam. tarefa que muito lhe agradava. Embora visse com desgosto que os alunos corressem pelas ruas que ele e os colegas tinham destinado aos automóveis e não pelas alamedas de peões que tinham idealizado – arborizadas, com belos pavimentos, com comércio, seguras e cómodas. E porque o complexo de demiurgo ataca forte e especialmente os jovens arquitectos, este ousou lamentar perante os alunos que eles não fossem mais ‘disciplinados’. Diz um aluno: “Nós agora vamos sempre pelo caminho dos peões...”

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Diz outro, de alcunha o Ketchup “acontecimento urbano” tal como foi (ruivo, sardento, reguila): apresentado à opinião pública. “Porque há lá uma fábrica de bolos – É a partir destas vertentes e situbons e baratos...” ações de expressão territorial que moral da história Lisboa Capital do Nada se estrututo get on a story. No Semtoo fábricas de bolos não há planearou. Perante uma realidade não demento capaz. toda a razão para Kevin mocrática dos espaços do quotidiaLynch, Jane Jacobs e também Cesário no, com problemas de acessibilidade, Verde ou alexandre o’Neill. identidade, matter how bleak thing seem, they can always get autovalorização, ; proTeresa Alves: “Entre as diversas pôs- se durante um mês um reforço do formas de organização do espaço que querer do espaço público. Levar as emergem dos novos contextos globais, pessoas a olhar. A ouvir. Ou ainda a salientam-se formas territoriais criar, a intervir, a debater... go for thepelo vazio, pelo center, . que se caracterizam Nos folhetos distribuídos localmennada, mais material do que simbólite, todas estas ideias eram sintetico, mas que podem encerrar potenzadas da seguinte forma: cialidades e oportunidades únicas como a criação de um sentimento de Porquê Capital do Nada? in trim, FleetMarvila Street style. comunidade através da mobilização – Porque é uma zona da cidade quase das populações de forma a que estas sempre esquecida e mal amada. reivindiquem o espaço público como – Porque é um conjunto de bairros um bem colectivo de promoção de quacom muita história mas também muito ’re only as as your last scrape. lidade de vida.” futuro. Se Marvila é este descontínuo entre– Porque é um território rico e vameado de presentes incertos e furiado, onde há pessoas e colectivituros expectantes, o imediato é um dades de grande dinamismo. lugar de fortes traços multicultued is . rais, onde o futuro poderia oferecer Para quê um evento assim? espaço para construção – Para dar a conhecer a importância da metrópole que Lisboa – por tide bairros que, com os seus problemidez ou falta de ousadia – ainda mas e potencialidades, são dos mais imize your não é. Marvila tem esta dimensão de with thede Lisboa. office. interessantes potência, e esta é uma possibilidade – Para, através da arte e de interfísica, como em poucas grandes cidavenções várias, mudar a imagem nedes contemporâneas. gativa que as pessoas em geral têm da Freguesia e dos seus moradores. , and some more Por tudo isto, o lugar ofereceu-se– Para ajudar a construir uma cidade -nos como espaço ideal para levar mais activa, na qual os habitantes à prática, nem que apenas por um possam participar. mês, uma utopia transdisciplinar, um

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YOU ARE HERE DE PERDRO RUIvO, CONSISTIU NA APRESENTAÇÃO DE UM LIvRO COM FOTOgRAFIAS, EM EXEMPLAR ÚNICO, qUE CIRCULOU POR vÁRIOS LOCAIS - CENTRO DE SAÚDE DE MARvILHA , IgREJA DE SANTA CLARA, BIBLIOTECA SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - SEMPRE DURANTE UMA SEMANA, POSSINILITANDO UM MOMENTO SOLITÁRIO DE LEITURA E OBSERvAÇÃO, EM CONTEXTOS EXTREMAMENTE DIvERSIFICADOS. e]m[

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de Droit Lefevre. LEFEvRE:

i . O urbanismo dos promotores, orientado para o mercado e para o lucro; um urbanismo mercadoria, poder-se-ia dizer, no qual a publicidade que lhe é feita apresenta o habital como uma ocasião e um lugar priveligiados, um espaço de bem-estar num quotiidano “miracolosa e maravilhosamente transformado” (Lefebvre 1992 [1968]: 435). i i . O urbanismo dos administradores do sector público que reivindicaram tecnicidade e cientificidade; fundado em técnicas de circulação ou de comunicação, este tipo de urbanismo tende a procurar optimizar informações e comunicações; um urbanismo tecnocrático, protanto. i i i . O urbanismo “des hommes de bonne volonté” cujos projectos apresentam um fundamento filosófico geralmente situado no que o autor designa como “l’ancien humanisme classic et liberal” (Lefebvre, 1992 [1968]: 434)


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Multículturahdade e Fragmentação Sócio-Urbanística

As fracturas sócio-urbanísticas na RLvT - em particular na Área Metropolitana de Lisboa - devido às dinâmicas de exclusão que representam, podem tornar-se numa ameaça real, se não forem compensadas por mecanismos de inclusão mais poderosos. Existem debilidades sócio-urbarasticas que, nao sendo directamente provocadas pelo território, nele se verificam. São exemplos destas situações, o desemprego, a debilidade das estruturas e dinâmicas de educação e formação profissional, o enfraquecimento dos laços farriliares, etc... Outras, bem mais especificamente territoriais, como sejam a desintegração do tecido urbano e consequentes dificuldades nas acessibilidades, as “bolsas de pobreza” e

degradação do parque habitacional ou a degradação do património cultural, fazem com que resultem manchas de habitação precária, áreas de con-strução tradicional degradadas, zonas de origem clandestina ou áreas centrais em desertificação. Em larga medida, essas debilidades são tributárias da “não modernização e da desadequação crescente das infra-estruturas de suporte à vida urbana” e, muito especialmente, da inexistência de equipamentos descentralizados de desporto, lazer, cultura e participação cívica, Essa “não modernização” é ainda reforçada pela “insuficiência das formas de participação e usufruto da cidade - ao serviço dos cidadãos - e pela exclusão de


um número crescente de habitantes dos benefícios do desenvolvimento - salientando-se aqui, além dos jovens, os idosos e as populações rurais isoladas. Estes factores, porque se reforçam mutuamente, induzem “formas sócto-urbanísticas problemáticas” especialmente fortes e perigosas enquanto causadoras de degradação dos espaços urbanos, do desemprego, das carências e degradação da habitação, do insucesso escolar, do baixo nível de habitações da população residente e da marginalização juvenil. Se a globalização económica e a universalidade mediática provocam a homo-geneização cultural, a construção de uma identidade local necessita, pela sua diversidade, de

espaços de expressão, de confronto, de negociação e de contrato. 0 deserto cultural” das zonas mais afastadas do centra da metrópole E O êxito de culturas menos menos ajustadas, algumas mesmo fortemente destruidoras de consciência social positiva, são fruto da ausência de alternativas socialmente integradoras. Por outro lado a emergência de estruturas sociais e culturais cada vez mais fragmentadas e baseadas em estatutos diferentes – como as de imigrantes ou grupos étnicos pobres – se podem estimular defensivas dos grupos sociais mais vulneráveis, exigem uma maior responsabilização na criação de equipamentos e estruturas de efeito polarizador para as comunidades e identidades locais.

#.Lisboa e vale do Tejo. Mudança e Desenvolvimento. FONSECA FERREIRA, antónio (2007)


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O PLANEAMENTO URBANO NO CONTEXTO DE MARVILA E NA ZONA RIBEIRINHA ORIENTAL

Existe um longo historial de propostas para a reconfiguração da zona de Marvila. Quando, em 1948, o Plano de Étienne Groer procurou equilibrar os usos do território manteve algumas indefinições. O PUC (Plano de Urbanização de Chelas), dos anos 50, pretendia uma reconversão desse espaço urbano que procurava dar às pessoas uma nova forma de viver a cidade com foco no espaço público. Contudo os ideais desse plano perderam-se ao longo do tempo por falta de uma vontade firme na sua prossecução e pela pressão imobiliária e industrial que se foram adaptando às características do terreno com uma ocupação mais ou menos anárquica. De espaço rural, onde existiam muitas quintas, Marvila tornou-se em espaço urbano periférico onde foram descurados os equipamentos básicos necessários a uma verdadeira vida citadina. As vias de circulação, de que faz parte a via férrea, isolaram o território transformando-o num lugar sem expectativas e marginal ao resto da cidade. Depois, embora procurando cumprir os princípios de zoneamento funcional da Carta de Atenas, o Plano Director da Urbanização de Lisboa, de 1959, dividiu o território de Marvila em duas grandes zonas, uma industrial a nascente e uma residencial a poente. Em todas essas propostas era evidente a preocupação de romper o isolamento da freguesia com a criação de novas redes viárias. O plano Director de 1976 manteve o esquema dos planos anteriores. A construção de bairros sociais, dando preferência a zonas habitacionais, sem os devidos acabamentos dos espaços circundantes, com vias de circulação desconexas, só vieram acentuar essa característica de marginalidade. A necessidade de acabar com os “bairros de lata” onde existia uma configuração socialmente desadequada, levou à construção desses bairros sociais incaracterísticos

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onde as pessoas, quebrada a estrutura anterior, se sentiram desenraizadas e incapazes de se reorganizarem socialmente. O isolamento físico desses territórios levou ao surgimento de redes internas de distribuição divorciando, ainda mais, as populações do resto da cidade. O Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental com o Plano Estratégico de Lisboa de 1992 preconizava para esta zona: + Reserva da zona Industrial/portuária oriental para uma reconversão em plataforma logística; + Valorização do ensino e investigação. + Diversificação da oferta habitacional + Recuperação da área histórico-monumental de Santos-O- Novo/Marvila. O Plano de Estrutura da Zona Oriental de 1992 preconizava: + Dotar a Zona Oriental de transportes públicos pesados: + Incentivar a acessibilidade de uma forma geral; + Estabelecer ligações entre a cidade e o rio Tejo; + Renovar e requalificar as áreas urbanas degradadas; + Reconversão e reestruturação das zonas industrial e portuária; + Nas áreas a renovar poderão existir áreas destinadas a escritórios e serviços; + Preservar e requalificar o património edificado; + Criação de zonas turísticas fundamentais, nomeadamente na área histórico-monumental (SantosO-Novo/Marvila). O PDM de 1994 procurou articular a regeneração da área oriental com os planos anteriores, com vista à Parque Expo e pretendeu incentivar a reconversão de áreas industriais para indústria e serviços assim como para distribuição de merca-


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dorias. Nas áreas industriais o PDM prescreve: + 70% para uso industrial; + 10% para habitação; + 20% para uso terciário. Continuou-se a desenvolver a rede viária, a que se acrescentou o prolongamento do Metro. Todas essas transformações na rede viária acabaram por ser uma mais valia a zona, contudo não conseguiram resolver os problemas de circulação interna onde existe uma grande fragmentação entre as diversas zonas. Foi prolongada a Av. Estados Unidos da América, com ligação à Av. Infante D, Henrique, e prolongou-se a linha do metropolitano. Essas obras quebraram de algum modo o isolamento da área mas não modificaram, de forma consistente, o espaço urbano vivencial das populações. As alterações referidas tiveram como principal resultado a distribuição viária automóvel, com ―esquecimento‖ da mobilidade pedonal, conservando o interior da malha urbana da freguesia isolada da vida da cidade. Marvila continua um território desestruturado sem conexão articulada com o resto da cidade. Marvila é uma das freguesias mais extensas e povoadas de Lisboa. É uma das mais densas, à frente do Lumiar e Benfica. É das mais fragmentadas com as funções residenciais e industriais mal articuladas. As linhas de caminho de ferro acentuaram e configuraram esse isolamento. Dos dados obtidos no 1o Congresso da Junta de Freguesia de Marvila (Novembro de 2006), em termos de competitividade e desenvolvimento económico, Marvila ocupa os índices médios da cidade de Lisboa. Assim, em termos de emprego, ocupa o índice 10 e, no número de estabelecimentos, o índice 9. Na variação do emprego tem -08% do total de Lisboa (Comparar com Carnide que tem 152%) e a variação de estabelecimentos foi de 0,4 dados colhidos entre 1991 e 2000. Em 2000

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esta zona tinha um índice inferior a 75 de trabalhadores com ensino superior, quando em outras zonas da cidade o índice chega a ser superior 150, o mesmo acontecendo no item das qualificações. É uma zona com pouca oferta de emprego e quase nula mobilidade entre empregos. Como pontos fracos / ameaças podemos considerar os seguintes: + População pouco qualificada quer academicamente quer profissionalmente. + Focos de exclusão social, marginalidade e toxicodependência. + Deficiente rede de transportes públicos. + Degradação do parque habitacional. + Declínio industrial. + Fraca expressão de alguns serviços nomeadamente financeiros. Como pontos fortes / oportunidades podemos indicar os seguintes: + População relativamente jovem. + ―Multiculturidade‖ e diversidade social. + Melhoria das acessibilidades. + Disponibilidade de espaço. + Estrutura urbana (avenidas largas). + Tradição industrial. + Especialização na média e média-alta tecnologia. (infra-estruturas tecnológica e multimédia). + Localização de 3 estabelecimentos de ensino superior. + Previsão de investimento público para esta zona. Marvila é, portanto, um território bem caracterizado para o qual existem propostas de desenvolvimento. No actual constam variadas proposições que pretendem tornar a cidade numa urbe de excelência no contexto das cidades europeias. O presente trabalho, restringido à zona oriental, insere-se nessa perspectiva.


VALE

DE

CHELAS

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DORIA,

DIOGO


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A FATALiDADE de CHELAS ser uma iLHA iSoLADA dentro da CiDADE, sem continuidadeurbana e exclusivamente dependente do automóvel e transportes públicos , é extensível às suas partes; por definição do modelo urbano aplicado e devido à implementação do plano. A simples capacidade de viver em cidade, com a capacidade de circular e ter acesso ao trabalho, a abastecimento, ao lazer e a equipamentos a pé, dentro da própria área urbana ou em áreas adjacentes mas contínuas, é uma miragem para estas populações. No espaço rural, as azinhagas eram formas de continuidade; o que falta nos novos espaços ur[Brandão, 2000] banos...

#.texto

Lisboa capital do nada, 2001

#.Imagens Chelas, DORIA, diogo


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hor(t)aS - Valverde, gonçalo Hortas urbanas: espaços de resistência - Salema, Rosário, Lisboa apital do nada, ARQ 371 #.Imagens Chelas, DORIA, diogo

#.Textos

[ . . . ] O desenvolvimento das ciades focaliza-se cada vez mais no protagonismo da ecologia, da cultura e da solidariedsade, em detrimento de uma economia urbana baseada quase exclusivamente na produtividade. O futuro procura assim diminuir os desequilíbrios e as tensões entre urbano e rural e isso significa, sem dúvida, permeabilizar e atenuar as fronteiras e os contrastes. Os espaços urbanos sempre albergaram resíduos dispersos na paisagem rural. [ . . . ] A gestão destes espaços (hortas urbanas), revela um engenho admirável dos recursos naturais. A implantação da horta através da armação do terreno em socalcos, a organização de várias parcelas dispersas,a captação da água da chuva, a construção de um poço, a rega por gravidade, gota-a-gota, mangueira ou balde, a construção das sebes e das cercas de delimitação do espaço, a rotação das culturas, a ameaça das pragas e da falta de água, obrigam a um dedicação extrema e subvertem a aparente intemporalidade do espaço urbano, recuperando o tempo da natureza.

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Mais que um local de cultivo, as Hortas Urbanas do vale de chelas são um local de passagem e de paragem, de estar e sentir. Passagem de transportes, passagem de estações, passagem de pessoas e de horas. Muitos passam diáriamente do outro lado do vidro do comboio sem sequer olharem para este paradoxo de uma horta na cidade, paradoxo que cada vez mais se multiplica. Outros ao passarem observam o paradoxo entre a mascote do fast food num local paradigmático do slow food, ou o regresso ao cúltivo tradicional mas não desconfiam do microcosmos que aqui se alberga, muito mais rico que a sua visão permite vislumbrar. Mas quem se aproxima e quebra a barreira do desconhecido descobre mais que o cultivo de vegetais. Descobre o convivio e a simpatia, descobre a pão a ser cozido de maneira tradicional num forno de lhena, o cultivo da cana de açucar em plena capital europeia, o cruzamento de culturas africanas e do interior português. Descobre acima de tudo a passagem das horas como que numa fuga a uma urbanidade que já nada tem para dar a muitos dos que aqui ocupam o seu tempo.

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s-e-D

enquadrados UM FILOMRNA

ESPAÇO

TORNADO

ESTRANHO SILVANO

Escolhemos viver em cidades porque elas fazem de nós seres humanos mais complexos. É uma ideia clássica, recentemente defendida por Richard Sennett, e partilhada por todos aqueles que se relacionam positivamente com a heterogenidade da cidade. De uma forma ou outra, essas pessoas perceberam que nas cidades somos livres, mesmo que, como Simmel (1997, 1ª edição 1903) comentou, não sejamos necessáriamente mais felizes.


MURTAS/PiCADEiRo As cidades são algo mais do que conjuntos de edifícios ladeando ruas e praças são organismos vivos. Os edifícios, as ruas e as praças formam, com as pessoas que ali as habitam, transitem, trabalham e passeiam, unidades coerentes e características. A relação entre as construções e quem nelas vive ou viveu é complexa, mas efectiva e constante. Complexa como a própria, mas tão real como ela. E a prova disso - de que são organismos vivos - é que as cidades morrem, mesmo sem terem sido destruídas. Basta quebrarem-se os elos que ligam num todo harmonioso os edifícios e as pessoas; basta que o modo de vida deixe de corresponder à feição e ao carácter das habitações. #Francisco Amaral (1969) Lisboa uma cidade em transformação / Publicações Europa América: Colecção Estudos e Documentos.


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[DES]enquadrados - Uma interpretação enquanto

A hist―ria das cidades1 est― intimamente relacionada com a hist―ria da cultura e do pensamento. Percebendo isso, os per―odos de crise e revolu――o da cultura s―o, obviamente não no per―odo imediato, reflectidos nas cidades e na forma como n―s as entendemos no seu passado, presente e futuro.


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