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Publicação do Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes | Santo André - SP

Ed. 72 - Abr/Mai/Jun - 2014

Vigilância e Oração Vigilância, segundo o dicionário é o ato ou efeito de quem está vigilante. Já vigiar, signica observar atentamente, espiar, espreitar, guardar, estar atento, acordado. Para nós, espíritas, todavia, a palavra tem signicado bem mais profundo. Senão, vejamos quando Kardec, por ocasião da codicação da doutrina, perguntou aos Instrutores espirituais se os espíritos inuem em nossos pensamentos e em nossos atos, deles obtendo a seguinte resposta: “Muito mais do que imaginais. Inuem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem”. (Questão 459 de O Livro dos Espíritos). A armativa dos Espíritos a Allan Kardec demonstra que, na maioria das vezes, estamos todos nós encarnados, agindo sob a inuência de entidades espirituais, que se anam com o nosso modo de pensar e de ser, e em cujas faixas vibratórias respiramos. Isso, porém, não nos deve causar admiração, pois, se analisarmos a questão sob o aspecto puramente terrestre, chegaremos à conclusão de que vivemos em sintonia com as pessoas que nos rodeiam, familiares ou não, das quais recebemos inuenciações através das ideias que exteriorizam e dos exemplos que nos são dados, e que também nós os inuenciamos com a nossa personalidade e pontos de vista. Quando acontece de não conseguirmos exercer inuência sobre alguém do nosso convívio e que desejamos aja sob o nosso prisma pessoal, via de regra, tentamos, por todos os meios, convencê-los com argumentos persuasivos de diferentes intensidades, a m de lograrmos o nosso intento. Natural, portanto, ocorra o mesmo com os habitantes do mundo espiritual, já que são eles, os seres humanos

|Foto: Divulgação

desencarnados, não tendo, pelos simples fato de ter deixado a carne, mudado a sua maneira de pensar e as características de sua personalidade. Assim, vamos encontrar, desde a atuação benéca dos benfeitores e amigos espirituais que buscam encaminhar-nos para a conduta correta, bem como de familiares que, vencendo o túmulo, desejam prosseguir, gerindo o seu clã familial, seja com bons ou maus intentos, assim também aqueles outros a quem prejudicamos com atos de menos ou mais gravidade, nesta ou em anteriores encarnações, cobrando-nos, certos que são nossos credores, ou vítimas da nossa maldade. É o que nos diz Suely Caldas Schubert, no seu livro Obsessão e Desobsessão, cuja leitura recomendamos. Isto explica a razão de

encontramos em profusão a palavra vigilância nos escritos e obras espíritas. Quando Jesus, o Exemplo Sublime, esteve entre nós também se preocupou com o assunto, conforme registrado em Marcos, 14:38: “Vigiai e orai, para não entrardes em tentação”. Portanto, lembramos que vigiar não quer dizer apenas guardar, signica também precatar-se e ter cuidado. E quem diz cuidar arma também trabalhar e defender. Orar, a seu turno, não exprime somente adorar e aquietarse, mas, acima de tudo, comungar com o Poder Divino, que é crescimento incessante para a Luz, com o Divino Amor, que é serviço infatigável no bem. Por Jaime Batista da Silva Texto publicado no informativo “A Nova Era” de Franca (SP) em jan/2014


Editorial

Racismo - Visão Espírita Se fôssemos realmente cristãos (hoje mais de dois bilhões) nem se falaria em racismo ou qualquer outro tipo de preconceito. Consultando O Livros dos Espíritos, questões 52 a 54, lemos o seguinte: 52) De onde vêm as diferenças físicas e morais que distinguem as variedades de raças humanas na Terra? Do clima da vida e dos hábitos. Dá-se o mesmo que se dá com duas crianças da mesma mãe, que educadas uma longe da outra e de maneira diferente, não se assemelhassem em nada quanto à moral. 53) O homem apareceu em muitos pontos do globo? Sim e em diversas épocas, e é essa uma das causas da diversidade das raças. Depois, o homem se dispersou pelos diferentes climas, e aliando-se os de uma raça aos de outras, formaram-se novos tipos. a) Essas diferenças representam espécies distintas? Certamente não, pois todos pertencem à mesma família. As variedades do mesmo fruto acaso não pertencem à mesma espécie? 54) Se a espécie humana não procede de um só tronco, não devem os homens deixar de considerar-se irmãos? Todos os homens são irmãos em Deus porque são animados pelo espírito e tendem para o mesmo alvo. Quereis sempre tomar as palavras ao pé da letra. Isto posto, ca mais que claro que somos uma família na Terra.

Minutos de Sabedoria “Não se esqueça de que somos o reflexo daquilo que pensamos. O pensamento plasma nossa vida amanhã. Aproveite, portanto, o momento que passa, a fim de construir um amanhã risonho. Plante em torno de você as sementes de otimismo e bondade, para que possa colher amanhã os frutos do amor e da felicidade. Se somos escravos do ontem, somos donos de nosso amanhã”. 02|Note Bem

Como se pode depreender, o preconceito em si caracteriza indício de inferioridade espiritual. Discriminação não combina com os anseios de paz e fraternidade. E a visão espírita consolida este entendimento quando preconiza o amor como caminho único para alcançar o “Reino dos Céus”, conforme linguagem gurada do Evangelho. A ideia de nobreza, sangue azul, dinastia, realeza, indica falsa visão, do ponto de vista espiritual, já que somos corpos compostos dos mesmos elementos. Se diferença existe entre as criaturas humanas ela é de natureza moral e espiritual (grau de evolução), porque no processo que comanda a evolução do Espírito (a reencarnação), ora tomamos um corpo sadio, ora enfermo, ora dotado de higidez, ora portador de deciência, etc., tudo obedecendo à Lei de Causa e Efeito, em cada caso. Inclusive a questão da cor, do sexo, da riqueza, da pobreza, etc., são fatores inerentes à situação cármica do espírito reencarnante. Portanto, um indivíduo que foi rico, pode renascer pobre. O mesmo ocorre com a cor da pele, do sexo, etc. Diante desse entendimento, não há como se cogitar a discriminação de qualquer natureza. O nobre de hoje pode ser o plebeu de amanhã e vice-versa.

Publicação Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes (Santo André) Presidente: Miguel Sardano 1º Vice-Presidente: Terezinha Sardano 2º Vice-Presidente: Baldir Padilha Rua Bela Vista, 125 – Jd Bela Vista Santo André – SP - CEP: 09041-360 Tel: (11) 4994.9664 www.cebezerra.org.br Revisão: Miguel Sardano e Rosemarie Giudilli Projeto Gráfico e Diagramação: Marco Beller – (11) 4438.8834 Impressão: Lis Gráfica e Editora - Tel.: (11) 3382.0777 Tiragem: 5.000 Copyright Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo deste informativo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da entidade.

Diretora da Federação Espírita Amazonense visita Amélia Rodrigues No dia 18 de junho, a Instituição Assistencial e Educacional Amélia Rodrigues, em Santo André - SP, recebeu a visita de Sandra Faria de Moraes que atua na função de diretora da área de Mediunidade da Federação Espírita Amazonense e também é coordenadora do mesmo departamento na Federação Espírita Brasileira (Região Norte). Por ocasião de férias em São Paulo, Sandra aproveitou para conhecer as ações socioeducativas realizadas na

|Miguel e Sandra - Foto: Alexandre Hanna

Instituição, onde foi recebida pelo casal Terezinha e Miguel Sardano, presidente e vice-presidente da entidade. A diretora também proferiu palestra no Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes, local onde os trabalhos assistenciais da Amélia Rodrigues foram iniciados, há mais de 30 anos.


Aconteceu

|Público pôde conferir mais de 5 mil títulos - Fotos: Marcos Lins

Megafeirão recebe grande público em Santo André Mais de 4.200 pessoas comparecem ao 20º Megafeirão do livro Espírita, Espiritualista e de Autoajuda, realizado nos dias 12 e 13 de abril, na Instituição Assistencial e Educacional Amélia Rodrigues, em Santo André (SP). O evento foi realizado pelo Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes, em conjunto com 135 editoras. Segundo Miguel de Jesus Sardano, presidente do centro espírita, organizador

do megafeirão, esse é o maior evento do gênero em todo o mundo. “Nos dois dias vendemos 38.450 livros. É um fenômeno que se explica graças à presença e colaboração das editoras que concedem descontos especiais nessa ocasião”. Quem compareceu à feira pôde apreciar mais de cinco mil títulos ofertados, onde foi possível encontrar livros com descontos de 20% até 70%, além de

conferir lançamentos. Os visitantes tiveram a oportunidade de conversar com 39 autores presentes na ocasião e sair com livros autografados. Sardano explica ainda que este evento já se tornou tradição consagrada no movimento espírita. “Muitas pessoas cam tão entusiasmadas que pedem para fazermos dois megafeirões por ano”, comentou. “Elas não têm ideia do imenso trabalho que dá para nossa equipe. Três meses antes, já nos mobilizamos com os preparativos”, observou o organizador do evento. “É todo um trabalho de logística para que não haja incidentes e acidentes. Graças a Deus, não temos tido problemas graves em todos esses 20 anos”, salientou Sardano. “Só podemos agradecer a Deus e aos Bons Espíritos pela cobertura espiritual que nos têm dispensado”, concluiu.

|Evento ocorreu na Amélia Rodrigues

Divaldo Franco (pelo Espírito Joanna de Ângelis) O livro No Rumo da Felicidade, psicograa de Divaldo Franco, distingue-se pelo perl de obra de signicativa expressão, no que diz respeito a problemas existenciais. Temas tais quais: ansiedade, avareza, livre-arbítrio, imortalidade, emoção, religiosidade dentre outros, discutidos ao longo de 34 capítulos, guram como um convite à reexão, auxiliando a pessoa realmente interessada na conquista da felicidade, a se desvencilhar dos fatores de sombra e perturbação, de angústia e medos que assaltam os viajores da experiência carnal, no empreendimento enobrecido a que se entregam. De acordo com a Autora Espiritual Joanna de Ângelis, há uma ânsia incontida no ser humano pela aquisição da felicidade, cuja busca é inerente ao Espírito. Desse modo, a felicidade, uma vez sedimentada no amor, na justiça e na caridade e entendida como o resultado de um processo de libertação do indivíduo, enquanto ser holístico, torna-se então, possível.

E

EBM

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Note Bem|03


Por Marcus De Mário

Compaixão É preciso identicar-se com o problema do outro, sentir a sua dor e predispor-se para o auxílio. Na famosa parábola do Bom Samaritano, registrada pelo evangelista Lucas no capítulo 10, versículos 25 a 37 de seu Evangelho, o Mestre Jesus, ao citar a ação do samaritano, faz um destaque muito importante: (...) Mas um samaritano, que ia a seu caminho, chegou perto dele, e quando o viu, foi tocado de compaixão por ele (...). Antes de acudir o viajante que havia sido assaltado e estava ferido à beira da estrada, o samaritano foi tocado pela compaixão que, segundo as denições dos dicionários, signica “sentimento de simpatia e identicação com quem sofre ou tem diculdade”. A compaixão é igualmente identicada com a piedade. Portanto, é preciso ter uma espécie de identicação com o problema que o outro está enfrentando; é preciso sentir a angústia e a dor que invadem o próximo, o que então nos predispõe para o auxílio, para o ato da caridade em benefício do sofredor. Foi o que aconteceu com o bom samaritano. O benfeitor espiritual Emmanuel oferta a nós belíssima página acerca do tema, psicografada pelo médium Chico Xavier, e que se encontra no livro Ceifa de Luz, de onde extraímos para o nosso estudo o seguinte trecho: Se quiserdes que a piedade nos ilumine, é imperioso exercitar a compreensão. E compreensão não vem a nós sem que façamos esforço para isso. Temos aqui duas advertências. Primeiro, que diante de toda a dor, de todo o sofrimento, de toda a miséria, de toda a injustiça, enm precisamos compreender que nada acontece por acaso, que há uma lei divina a tudo regendo, e que somos irmãos, portanto, devemos compreender antes de julgar. Segundo, que a compreensão não cai dos céus; ela é desenvolvida pela própria pessoa, espírito imortal a caminho da evolução, portanto requer esforço íntimo para sua aquisição ao inalienável patrimônio psíquico. Conquista-se a compreensão através de exercícios constantes na convivência. Ao nal do seu texto, Emmanuel 04|Note Bem

|Foto: Divulgação

enfatiza: Compaixão é a porta que se nos abre no sentimento para a luz do verdadeiro amor, entretanto, notemos: ninguém adquire a piedade sem construí-la. Ele volta a lembrar da necessidade de adquirirmos a compaixão, ou piedade, com o próprio esforço, acenando que essa conquista, através de paciente trabalho íntimo, é que nos faz descortinar e sentir o verdadeiro amor ao próximo; é a porta que abre o sentir, ou seja, o sentimento, tirando-nos do egoísmo e da indiferença. A benfeitora espiritual Joanna de Ângelis também nos brinda com belo texto a respeito da compaixão, encontrado no livro Responsabilidade, psicograa do médium Divaldo Franco. Ela nos informa que: (A compaixão) é o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal. Decerto, o bom samaritano sentiu paz e bem-estar ao realizar todos os esforços para socorrer aquele irmão vitimado por um infortúnio, dando de si tudo o que podia, preocupando-se, de coração, com o viajante necessitado de auxílio. Quem age de coração não mede esforços, nem cogita recompensas, apenas realiza a caridade como um dever de solidariedade. A benfeitora espiritual ainda alerta: Desenvolve esse sentimento de compaixão para o teu próximo, o mundo, e, compadecendo-te das suas limitações e deciências, cresce em ação no rumo do Grande Poder. É preciso nos ligarmos a Deus, nosso Pai e Criador, que nos criou iguais, simples e ignorantes e com o mesmo potencial. A caminhada evolutiva é feita por cada um, utilizando o livre-arbítrio e, se somos frágeis, cheios de limitações e

de deciências, necessitados de auxílio divino e de nossos irmãos que estão na mesma caminhada, os outros também possuem essa mesma necessidade. Com essa compreensão seremos capazes de, mais e mais, exercitarmos a compaixão. Por m, convidamos o leitor amigo a conhecer a saborosa, instrutiva e meditativa história narrada pelo espírito Irmão X, com o título “O Ferreiro Intransigente ”, que se encontra no livro Contos Desta e de Doutra Vida, na psicograa de Chico Xavier. É um conto que nos faz pensar, e do qual transcrevemos as palavras nais, como um convite à compaixão: Somente a compaixão pode salvar-nos, soerguer-nos, do abismo de nossas próprias faltas. (...) Os laços que armamos contra o próximo serão inevitável agelo para nós mesmos. Texto publicado na Revista Internacional de Espiritísmo (Matão, junho 2014)

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Por Adilton Pugliese

|Foto: Divulgação

Vencendo Desaos Recordando Paulo e Kardec Após a fascinante experiência que viveu durante o episódio da Estrada de Damasco, o futuro apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso, como sabemos – sobretudo pela narrativa do Espírito Emmanuel, ditadas ao médium Francico Cândido Xavier, e exaradas na soberba obra da literatura espírita Paulo e Estevão –, recolheu-se ao deserto no oásis de Dã e, durante três longos anos, 1 dedicou-se à meditação e à reexão, sobretudo a respeito do seu futuro e “só queria saber que Deus havia mudado de resolução a seu respeito” e que “ser2 lhe-ia el até o m”. Durante o recesso compulsório e prudente, enquanto exercia o labor de tecelão, confeccionando tapetes de lã, lia emocionado textos sobre os ensinamentos de Jesus, nas cópias das anotações dispersas feitas por Ananias. Mais tarde, receberia das mãos de Gamaliel uma cópia das primeiras notas realiza3 das diretamente por Mateus (Levi). Ao deixar o retiro de solidão, e retornar aos sítios domésticos, decepciona-se e aige-se com a aversão da qual é alvo por parte de amigos e até do seu velho 4 pai, Isaque. É um momento difícil e dramático para o futuro bandeirante do Cristianismo nascente. Em Jerusalém, 1

para onde retorna, é vã a sua tentativa de ser acolhido por Pedro e seus companheiros da Casa do Caminho, 5 que dele, Saulo, ainda desconam. Consideravam todos que a mudança ocorrida com o antigo rabino era por demais surpreendente, quase inacreditável. “Retira-te de Jerusalém, porque os antigos companheiros não aceitarão, por enquanto, o testemunho!”, percebe dizer-lhe, com ternura, um vulto luminoso. Era Estevão, em assistência espi6 tual invisível. Saulo, então, vê-se, de repente, como o homem mais solitário da Terra e, reetindo sobre a situação, considera que tudo aquilo não era o m. Jesus não teria vindo ao seu encontro nas areias do deserto para destruí-lo e, sim, a m de que ele iniciasse, a partir daí, a maior de todas as batalhas: a luta consigo mesmo, para que “o homem do mundo 7 deixasse de existir”. Na sua nova compreensão, ele se despia “do velho homem com os seus feitos” e “se vestia do novo, que se renova para o conheci8 mento”. Certamente, as guerras têm conduzido muitos homens aos campos de batalha, às pugnas por questões políticas, econômicas e religiosas, a exemplo das

Cruzadas, contudo, o maior campo de batalha ainda é o coração do próprio homem, ao permitir que o ódio, o rancor, a mágoa, o rigor, o ponto de vista implacável, movimentem os seus pensamentos e dominem as nascentes dos seus sentimentos, desequilibrando as suas emoções. Saulo transitaria do homem violento, rígido e arbitrário, dominado pelo farisaísmo fanático, para o de homem pacíco e pacicador, graças à sua escolha ao eleger Jesus como paradigma da paz, marcando essa atitude de forma incontestável e indelével, ao dizer: “Estou crucicado com Cristo, e já não vivo, mas 9 Cristo vive em mim”. A Terra, lamentavelmente, ainda é morada dos conitos e dos seres belicosos e guerreiros. Constantemente estaremos sendo desaados para a luta, para a discórdia, a contrariedade. Nesses instantes, recordemo-nos também de Allan Kardec, que superou instantes desaadores seguindo as orientações recebidas do Espírito de Verdade, em 12 de junho de 1856, o qual recomendavalhe, em face da magnitude da missão que o futuro Codicador do Espiritismo iria assumir, em caráter prioritário humildade, modéstia e desinteresse. Diz-lhe, ainda, o Benfeitor Espiritual, ser indispensáveis coragem, perseverança, inabalável rmeza, prudência e tato. Exigiria o empreendimento espiritual, ainda, devotamento, abnegação e disposição a todos os sacrifícios. Seriam condições que dependeriam, exclusivamente, do missionário. As vicissitudes vividas por Allan Kardec foram superlativas. Ele, contudo, excelente pedagogo e mestre do autoconhecimento, elaborou técnica especial para superar as diculdades. É dele o depoimento: “Quando me sobrevinha uma decepção, uma contrariedade qualquer, eu me elevava pelo pensamento acima da Humanidade e me colocava antecipadamente na região dos Espíritos e desse ponto culminante, donde divisava o da minha chegada, as misérias da vida deslizavam por sobre mim sem me atingirem. Tão habitual se me tornara esse modo de proceder, que os gritos 10 dos maus jamais me perturbaram”. 2

3

Xavier, Francisco Cândido ( Pelo Espírito Emmanuel). Paulo e Estevão, 1.ed. FEB, 2012, p.205, 211 e 232. - IDEM, Ibidem, p.183. - IDEM, 4 5 6 7 8 Ibidem, p.197 e 219. - IDEM, Ibidem, p.266. - IDEM, Ibidem, p.247,248 e 255. - IDEM, Ibidem, p.260. - IDEM, Ibidem, p.268. - PAULO, 9 10 Colossenses 3:9. - PAULO, Gálatas, 2:20. Allan. - KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 32ª, FEB, tradução de Guillon Ribeiro, p. 283 e 284. Note Bem|05


Por Andressa Mian

Candomblé e Umbanda: preconceito religioso chega ao Judiciário A expressão “Antes tarde do que nunca” se encaixa perfeitamente na atitude do juiz da 17º Vara de Fazenda do Rio de Janeiro, Eugênio Rosa de Araújo, que voltou atrás em sua declaração sobre Candomblé e Umbanda e divulgou nota admitindo erro ao declarar que as duas práticas não se caracterizavam como religião (em 20 de maio de 2014). O fato da mudança de atitude do Juiz não minimiza a questão do preconceito e da falta de informação da maior parte da população brasileira em relação às crenças de seu próprio povo, chegando inclusive à esfera de um dos Poderes no qual deveria existir isenção de julgamentos. Existe ainda a necessidade de o brasileiro conhecer as leis do país e as práticas religiosas que acontecem no Brasil. No artigo 5, inciso VI, da Lei n° 12.644 da Constituição Brasileira está garantido que: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, em forma de lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”. A polêmica declaração de Araújo se deve ao fato de o Ministério Público Federal (MPF) ter entrado com uma ação para a retirada no YouTube de uma série de vídeos com ofensas à Umbanda e ao Candomblé em que pastores evangélicos associam as práticas a uma legião de demônios.

06|Note Bem

Além de manter a exibição das imagens, o juiz declarou que: “As manifestações religiosas afro-brasileiras não podem ser classicadas como religião”, voltando atrás nessa declaração. A Umbanda é fruto da mistura dos rituais africanos, praticados pelos escravos trazidos da África para o Brasil pelos portugueses, com a religião católica, que estava sendo difundida em terras brasileiras pelos próprios portugueses. Os escravos viram sua cultura religiosa ser altamente combatida pelos portugueses e acabaram associando suas divindades aos santos católicos, na tentativa de poder expressar sua crença. Já o Candomblé manteve a nomenclatura das divindades e também os rituais mais próximos da origem africana. O procurador geral da Federação Espírita do Brasil, no Espírito Santo, José Levindo Sobrinho, explicou que o preconceito em torno das duas religiões no Brasil se deve ao fato de os escravos, na tentativa de assustar seus donos por causa dos castigos físicos impostos por eles, matavam galinhas e colocavam os pés e as penas das aves nas portas das casas das fazendas. “Era uma forma de assustá-los, e na visão deles, tentar diminuir os castigos recebidos, mas a Umbanda e o Candomblé nada têm a ver com feitiçaria. O lema das duas religiões é fazer o bem e praticar a caridade”, explicou.

Para a presidente da Federação Espírita do Estado do Espírito Santo (Febees), Dalva Silva Souza, as duas religiões são manifestações respeitáveis com direito de expressão. “Não existe motivo para criar atitude de intolerância em relação a nenhuma religião pela falta de tradições hierárquicas ou sacramentos. A religião está ligada à existência de um sentimento interno sobre a existência de Deus”, armou. A Federação Espírita Brasileira (FEB) publicou um manifesto sobre a decisão da Justiça. Em parte do texto, a FEB se mostra solidária e reconhece as duas manifestações como religião. “A FEB vem a público solidarizar-se com as religiões de matrizes africanas, em especial ao Candomblé e à Umbanda, no reconhecimento de suas características religiosas e na necessidade de respeito à diversidade religiosa pelos poderes públicos constituídos, no dever da laicidade do Estado. Em um momento que as diversas expressões religiosas se unem para um diálogo contra a intolerância, imprescindível se faz o repúdio às ações discriminatórias que ofendem os Direitos Humanos gerando preconceito e fanatismo. A lição de amor ao próximo conduz, necessariamente, à formação de uma sociedade que promova o respeito e o diálogo inter-religioso fomentando a fraternidade e a solidariedade entre todos, bem como liberdade de consciência e de crença”. O manifesto foi assinado pelo presidente da Federação Espírita Brasileira, Antonio Cesar Perri de Carvalho. Fonte: www.leiase.com.br

www.redeamigoespirita.com.br


Copa e Comportamento Vive a nacionalidade brasileira um momento de extraordinária signicação: ser conhecido praticamente em todo o mundo, Foto: Divulgação naquilo que tem de melhor, excluindo os tradicionais comentários sobre a “alegria e festas, as mulatas, o samba e o football”. A COPA proporcionou a mais de um bilhão e quinhentos milhões de pessoas que não conhecem o Brasil ou recebem notícias, distorcidas umas, lamentáveis outras, de corrupção, de crime, de desrespeito aos direitos democráticos, fenômeno, aliás, que acontece em

todos os países, em uns mais do que noutros, a ocasião de apresentarmos desde a sua abertura o que temos de melhor, considerando-se sermos a sétima economia do mundo. Há problemas governamentais, escassez de escolas e de hospitais, desemprego e violência, sem dúvida, mas também existem milhões de cidadãos honrados, de jovens dignos que disputam nas universidades e institutos de tecnologia um lugar ao Sol, de idosos veneráveis e de crianças geniais, de estudiosos dos problemas humanos e de lutadores que anelam por uma sociedade feliz. Se houve motivos para que muitos cidadãos não concordassem com a realização da COPA em nosso território, em face de mais urgentes necessidades, aliás, urgentíssimas, não seria através do desrespeito na abertura do Evento à Sra. Presidente, eleita pela

maioria dos cidadãos, especialmente através de agressões covardes e chulas, daqueles mesmo que estando contra, lá se encontravam. Os jornais do mundo, que também gostam do escândalo, falaram sobre a COPA, sim, mas deram destaques às vaias, às badernas nas ruas, demonstrando o primarismo em que muitos brasileiros ainda nos encontramos. Não será por esse processo que se construirá um povo digno, uma sociedade feliz, mas sim, através do voto, que logo mais seremos convocados a exercer como direito soberano de liberdade, elegendo pessoas dignas, que nos não comprem com um par de sandálias japonesas, nem com os cargos oferecidos nas planilhas governamentais. Divaldo Franco Publicado no Jornal A TARDE em 16/06/2014

Roteiro de Palestras e Seminários Espíritas de Divaldo Franco para o Segundo semestre de 2014 DATA

HORÁRIO

LOCAL

CONTATO

03 de Agosto (Domingo)

18h30

“2° Movimento Você e a Paz” Praça Pádua Salles - Amparo – SP

Raquel / Mariana (19) 3808-8096 / 3808-8046

28 Setembro (Domingo)

9h às 19h

Encontro Fraternal - Instituição Amélia Rodrigues Santo André – SP

ebm@ebmeditora.com.br (11) 3186-9766 / 3186-9788

11 Novembro (Terça-Feira)

20h

Palestra - Presidente Prudente - SP

Zita (18) 3223-4768 estherantuneslourenco@hotmail.com

12 Novembro (Quarta-Feira)

20h

Palestra - São José do Rio Preto - SP

Ricardo ou Sônia - soniamariariopreto@terra.com.br (17) 3234-1031 / 3233-2922 / 2139-1200

13 Novembro (Quinta-Feira)

20h

Palestra - Araraquara - SP

Paulo ou Leia - (16) 3397-4706 / 3336-9587 9 9783-5775 / 9 9783-8980 - pmicelli55@gmail.com

14 Novembro (Sexta-Feira)

20h

Palestra - Piracicaba - SP

Luiz Benedito (19) 9 9664-9435 / 3422-6155 dellabio@terra.com.br - Álvaro (19) 9 9657-5353

15 Novembro (Sábado)

15h às 18h

Seminário – Entrada Franca Pirassununga - SP

renatopbinf@hotmail.com (19) 9 9937-7894 / 3565-7339

16 Novembro (Domingo)

9h às 13h

Seminário com Inscrição Prévia Araras - SP

Adriana - (19) 3543-3211 / 3543-3212 diretoria@clinicasayao.com.br

Note Bem|07


A DOENÇA E A LEI DA INÉRCIA

AS LEIS MORAIS NA ATUALIDADE

Américo Marques Canhoto Gênero: Autoajuda

Alírio de Cerqueira Filho Gênero: Espiritismo

Por R$ 15,00

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Editora: EBM

Editora: FEB

Editora: FEB

Editora: LEAL

ÍCARO REDIMIDO

NOSSO LAR

O EVANGELHO POR EMMANUEL

O LEGADO DE PAULO DE TARSO

Gilson Freire / Espírito: Adamastor Gênero: Romance

Espírito: André Luiz

Comentários Segundo Mateus Gênero: Doutrinário

Alírio de Cerqueira Filho Gênero: Psicologia

Gênero: Espiritismo

BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO Espírito: Humberto de Campos / Espiritismo

COMPROMISSOS DE AMOR Divaldo Franco / Espírito: Diversos Gênero: Espiritismo

R$ 48,00

R$ 35,00

R$ 55,00

R$ 37,90

Editora: INEDE

Editora: FEB

Editora: FEB

Editora: Espiritizar (FEB)

PARA ONDE EU VOU?

REENCARNAÇÃO FÁCIL

SEMPRE MELHOR

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR

Jamiro dos Santos Filho Gênero: Autoajuda

Luis Hu Rivas Gênero: Doutrinário

José Carlos De Lucca Gênero: Mensagens

Wilson Frungilo Jr Gênero: Romance

R$ 19,00

R$ 12,90

R$ 9,90

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Editora: EBM

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Tel (11) 3186.9766 - Fax: 3186.9771 ebm@ebmeditora.com.br www.ebmeditora.com.br Rua Silveiras, 23 - Vila Guiomar Santo André - SP

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Profile for C. E. Dr. Bezerra de Menezes

Note Bem 72  

O Informativo Note Bem é uma publicação trimestral do Centro Espírita Doutor Bezerra de Menezes em Santo André - SP. Referente a Abr/ Mai/ J...

Note Bem 72  

O Informativo Note Bem é uma publicação trimestral do Centro Espírita Doutor Bezerra de Menezes em Santo André - SP. Referente a Abr/ Mai/ J...

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