Note Bem 103 - Até quando? !

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Publicação do Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes | Santo André - SP - Ed. 103 - Jan/Fev/Mar - 2022

Até quando?!... Ficamos perplexos ante a triste realidade que assola mentes e corações prepotentes, dispostos ao enfrentamento belicoso, em pleno Século XXI. A sede de poder e domínio, com demonstração violenta de forças inibidoras da liberdade, parece não ter m… No alvorecer do tão esperado mundo de regeneração, a transição pungente, carregada de intrincadas provas, denota a percepção ilusória de que não há mais solução para o planeta que abriga os seres da criação. O ser humano permite, lamentavelmente, que as sombras o dominem e o induzam a equivocadas decisões que exigirão oportunamente dolorosas expiações. Em tempos de discórdia e desalento, quando observamos o avanço tresloucado do egoísmo, somos convocados pelas falanges do bem a nos municiar com os sentimentos mais elevados de amor e de esperança. Quando observamos as a ições promovidas pelo orgulho desatinado, em busca de poder e conquista, somos conclamados a nos integrar à equipe do Mestre Jesus, testemunhando o Seu Evangelho de justiça, amor e caridade. O jovem Paulo, con ante em sua percepção de justiça e conhecimento sobre as leis vigentes, abasteceu-se de belicosidade “de modo a consolidar posição para impor-se no futuro da raça”. Em acerbas discussões, pelo poder da eloquente argumentação, venceu doutores da Lei. Multiplicou adversários por toda parte e perseguiu aqueles que interpretava por inimigos da ordem estabelecida. “Feriu, atormentou, complicou situações de amigos respeitáveis, sentenciou pessoas respeitáveis a inquietações inomináveis, guerreou contra

pecadores e santos, justos e injustos…” Porém, no momento em que Jesus lhe surge, à estrada de Damasco, Paulo reconhece a convocatória para o novo combate. O con ito passaria a ser de foro íntimo, contra as suas próprias más inclinações. O braço que outrora se erguia para empunhar a espada, agora se estendia ao serviço redentor. A oratória declamada em eloquência para proferir o julgamento, agora se prestava à divulgação da Boa-Nova. O encontro renovador com o Mestre Jesus chegará inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde. Todos nós, inclusive os irmãos endurecidos, seremos convocados para o enfrentamento íntimo e perceberemos que o maior de todos os inimigos reside em nós mesmos. Àqueles que já se reconhecem como aprendizes do Evangelho, nestes tempos desa adores, é chegado o momento do testemunho. Que as mãos valorosas dos trabalhadores do bem se dobrem em preces de alento e esperança, con ando na amorosa Justiça de Deus. Que cada instante de desânimo, quando formos invadidos por sentimentos de a ição, possa ser convertido em oração a fortalecer os propósitos da Espiritualidade Superior a favor do bem comum. Unamo-nos em pensamentos e vibrações em favor da fraternidade universal, única ordem mundial a nós destinada. Somente o amor nos conduzirá à conquista dos mais altos patamares de reconhecimento perante o governador planetário. Que a nossa maior ambição seja, tão somente, a de implantar o Reino de Deus no orbe terrestre, a iniciar-se

com a instalação do bem na intimidade de cada um de nós. Aí, poderemos responder, convictamente, à incômoda questão: até quando? Até breve, pois o mundo não mais suporta o desamor e reclama caridade; não mais aceita a violência e proclama o amor; não mais tolera o mal e convoca ao bem. Os tempos de paz chegaram! E, para nossa felicidade, é indispensável apresentar, nas ações diárias, que nos encontramos preparados para empreender a inadiável travessia rumo à era nova do espírito imortal. 1

XAVIER, Francisco Cândido. “Pão nosso”. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília: FEB, 2014. Cap. 178, p. 369-370 Por Camila Louise e Geraldo Campetti Sobrinho Fonte: febnet.org.br/portal


Editorial Mas as causas estão dentro de nós. Nosso livre-arbítrio, mal empregado, é o responsável pela origem de tudo. Vale a leitura. Conheça mais, lendo a sinopse:

O livro Liberta-te do Mal vem na hora aziaga da situação do Planeta. Fica bem clara que a Divindade tem feito muito para amenizar nossa dor física e moral.

“A obra, cuja base é a abordagem de questões relacionadas às problemáticas sociais e existenciais, apresenta, por meio de capítulos sucintos, oportunidade ímpar de re exão acerca do comportamento do indivíduo enquanto ser social e espiritual em constante transformação. Em Liberta-te do Mal a autora espiritual Joanna de Ângelis, baseada nas vigorosas lições de Jesus, nas sábias diretrizes do Espiritismo, discorre a respeito de um tema relevante: as causas justas das a ições, essas advindas da prática irre etida do mal. Considerando-se que não existe o Mal em si, sendo este apenas a ausência do Bem, e nem tampouco tenha sido criado por Deus, a sua presença na vida do indivíduo deve-se tão somente à infração às leis de Deus. A obra ainda aborda outros aspectos de interesse geral: a comprovação da nossa imortalidade, a

Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes

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terapia do perdão, a lei da reencarnação, dentre outros, salientando a importância do despertar do espírito rumo ao caminho da libertação dos fatores que medram o sofrimento. E, certamente, Jesus estará esperando no m dessa trilha percorrida por aqueles que tiverem a coragem de completá-la. Para tanto, Joanna de Ângelis ressalta o poder curador do Amor, entendido como o instrumental inaugural e essencial a capacitar o ser ao triunfo, à conquista de si próprio, pela erradicação do egoísmo e do orgulho e pela promoção humana, sintetizada na prática constante da amizade, da compreensão, da ajuda mútua e do respeito que deve reverenciar a incessante obra da Criação.” Liberta-te do Mal – Divaldo Pereira Franco – Psicogra a de Joanna de Ângelis, editora: EBM

Miguel Sardano: 2º Vice-Presidente

Publicação do Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes | Santo André - SP

Publicação Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes (Santo André) Presidente: Terezinha Sardano

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1º Vice-Presidente: Baldir Padilha 2º Vice-Presidente: Miguel Sardano Rua Bela Vista, 125 – Jd Bela Vista Santo André – SP - CEP: 09041-360 Tel: (11) 4994.9664 - www.cebezerra.org.br Revisão: Miguel Sardano e Rosemarie Giudilli Jornalista Voluntária: Suzete Botasso Projeto Gráfico e Diagramação: Marco Beller – (11) 4438.8834

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Impressão: Lis Gráfica e Editora - (11) 3382.0777 Tiragem Gratuita: 500 exemplares Copyright Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo deste informativo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da entidade.


A corrupção dos outros Quando avaliamos a situação geral do nosso país, ou talvez poderíamos a rmar, do mundo, existe uma variação de opiniões entre as pessoas, uns dizem que o grande problema é a educação, outros a saúde, uns a rmam ser a violência e outros ainda que é a falta de emprego... Porém, dentro de uma análise mais ampla e sem que cada um veja suas necessidades pessoais, na base de todos esses pontos de con itos e misérias, estaria a corrupção, a nal é ela que consome os recursos da saúde, da educação, da violência, da segurança e por aí vai. No entanto, ca fácil identi car a corrupção nos outros, principalmente na classe política, a nal, quanto mais poder, maior a capacidade de fazer o bem ou o mal.

Assim, entendemos que a corrupção é um antigo desafeto da verdade e da paz, o que deve nos alertar para o fato de que devemos combatê-la, com muito mais ênfase e determinação.

Mas, se a corrupção é tão sistêmica e instalada em nossa cultura, chegando ao ponto de nos orgulharmos de “ser espertos”, não deve estar a corrupção, apenas num determinado grupo ou partido.

Mas a questão capital é: antes de a combater nos outros, devemos eliminá-la em nós. Sem essa regra sendo respeitada, não existirá o m para a corrupção, apenas cada um vai esconder a sua, para evidenciar a dos outros. Quando o Evangelho fala sobre os “Falsos Profetas”, o que são eles, senão corruptores da moral e da fé? Sempre a corrupção.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, em Bem-aventurados os que são Brandos e Pací cos, no capítulo “Obediência e Resignação”, lemos um registro que evidencia a idade desse problema moral, dizendo que: “Ele (Jesus) veio no momento em que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção.”

O caminho a seguir é o da eliminação total da corrupção em nós, não admitirmos o troco que veio a mais, não aceitar vantagens ou favores que não sejam legais, nem meios para conseguir nossos objetivos que não sejam morais. Combater a corrupção é não vender ou trocar nosso voto, é não fazer algo ilegal, justi cando que todos fazem, é não vender

um produto e entregar outro ou adulterar as leis de trânsito ou de convivência. Mesmo que nossas leis também sejam equivocadas, devemos utilizar dos meios possíveis para buscar a regularização, adequação ou moralização delas – a isso se chama progresso. Ainda em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão, lemos no item III: “Enquanto o nosso corpo e a alma se achar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade.” Enquanto que a corrupção é mantida pela ideia de que podemos fazer errado, porque todo mundo faz, a moral do Cristo nos ensina a fazer o que é certo, mesmo se ninguém zer. Por Roosevelt Tiago Fonte: http://rooseveltat.blogspot.com/

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A Guerra segundo o espiritismo Desde os primórdios da sociedade o homem vive em guerra. Desde que as primeiras tribos passaram a lutar pela soberania de algum recurso natural, ou pela soberania de seu povo, os povos se dividiram em estados, países, regiões. Tal fato segregou homens em classes sociais, etnias, grupos religiosos e até povos com diferentes ideologias econômicas. Para todos os casos a guerra sempre foi uma solução imediatista com graves consequências, mas como a espiritualidade vê as guerras? Seriam permitidas por Deus? E as inúmeras mortes? E o soldado que mata na guerra está cometendo assassinato? Devemos, inicialmente, entender que a guerra é sobretudo a predominância do nosso instinto animal de superioridade pela força. Devido a nossa ainda fraqueza moral acreditamos que somente seremos entendidos e respeitados se “gritarmos mais alto”, ou seja, se através da imposição zermos valer nossos argumentos. Isso se deve ao fato de ainda estarmos nos estágios iniciais de evolução fazendo com que geralmente nós, seres humanos, ajamos desta maneira. Em sua sabedoria divina, Deus, todo poderoso, permite ao homem que desbrave com seu livre-arbítrio todas as possibilidades de ação dentro da lei de Deus. Sendo a Lei de destruição uma de suas leis que futuramente estudaremos em mais detalhes, sabemos que as guerras são ainda um caminho escolhido pelos homens para agir em suas diferenças. Não podemos confundir, pois a guerra nunca será o caminho preferido pela espiritualidade amiga que inclusive busca, incessantemente, dissuadir os poderosos de uma ideia de con ito bélico. A guerra é somente a preferência do homem pela força à razão. Vejam as perguntas abaixo, contidas em O Livro dos Espíritos.

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742. O que leva o homem à guerra? “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e saciedade das paixões. No estado de barbárie, os povos só conhecem o direito do mais forte; é por isso que a guerra constitui para eles um estado normal. À medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque ele lhe evita as causas; e quando ela é necessária, ele sabe fazê-la com humanidade.” Se Deus permite a guerra é porque dela o homem pode tirar lições valiosas através do seu livre-arbítrio. Por meio dos acontecimentos tristes das guerras tivemos avanços sociais necessários. As primeiras guerras que buscavam a liberdade de povos oprimidos e até mesmo as guerras mais recentes que zeram boa parte da humanidade repensar suas atitudes e o tipo de sociedade que desejam se tornar. A guerra é permitida por Deus para que possamos através de nossos erros compreender suas leis de forma mais clara, analítica e criteriosa. A providência divina permite que sejamos atacados pelo mal que escolhemos fazer, de modo a aprendermos na prática que aquela atitude deve ser extinta da sociedade cristã. Percebemos que de alguns con itos foram criadas boas iniciativas como a declaração universal dos direitos humanos, bem como leis de guerra a m de evitar que os povos se destruam. 744. Qual foi o objetivo da Providência, tornando a guerra necessária? “A liberdade e o progresso. Se a guerra deve ter por efeito alcançar a liberdade, como é que, frequentemente, ela tem por objetivo e resultado a escravidão? “Escravidão momentânea para cansar os povos, a m de fazê-los progredir mais rápido.” 739. Os agelos destruidores têm uma utilidade, do ponto de vista físico, apesar dos males que ocasionam?

“Sim, algumas vezes, eles mudam as condições de uma região; mas o bem que deles resulta, frequentemente, só as gerações futuras o sentem.” Portanto, compreendemos com isso que Deus permite a guerra para que possamos evoluir enquanto sociedade, durante o tempo que nos for necessário este tipo de agelo acontecer. Mas, e quanto às pessoas que fomentam as guerras, que se comprazem com isso, também estariam praticando a lei de Deus? Não! Deus não encoraja a guerra, ela é mera consequência da nossa natureza enrijecida no mal. Para toda situação a providência divina tem uma solução perfeita que independe de atitudes que levem ao mal. Nós que em nossa imperfeição e teimosia que buscamos forçar as situações a acontecerem à nossa maneira. Essa nossa ansiedade para


O Livro dos Espíritos em sua pergunta 749 evidencia esta situação em termos gerais, como no trecho destacado abaixo: 749. O homem é culpado pelos assassínios que comete durante a guerra? “Não, quando ele é constrangido pela força; mas é culpado pelas crueldades que cometa, e ser-lhe-á levado em conta o sentimento de humanidade.” Lendo a resposta trazida pelos espíritos concluímos que o assassinato em si não é o problema numa situação de guerra, mas sim qual a intenção por trás daquele ato. Se foi praticado com crueldade e prazer ou se foi praticado pela simples necessidade de sobrevivência do indivíduo. 747. O assassínio sempre tem o mesmo grau de culpabilidade? “Já o dissemos: Deus é justo; ele julga mais a intenção do que o fato.” Se a guerra é algo consequente ao nosso grau de adiantamento, é certo de que ela irá um dia desaparecer de nossa vivência conforme formos evoluindo como sociedade. Tal fato é expresso pelos espíritos na pergunta 743 de O Livro dos Espíritos.

estarmos certos e nosso orgulho em admitir nossos erros criam situações que levam a guerras, principalmente em esferas políticas e de poder. Essas pessoas transgridem a lei de Deus em benefício próprio, mas como diz o evangelho de Matheus “Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.” 745. Que se deve pensar daquele que provoca a guerra em seu proveito? “Esse é o verdadeiro culpado e muitas existências lhe serão necessárias, para expiar todos os assassínios de que tenha sido a causa, pois responderá por todo homem cuja morte tiver causado, para satisfazer sua ambição.” Estudando tal assunto outra dúvida mostrada na introdução é: se a guerra é um “mal ocorrido do nosso livre-arbítrio” seria condenado o soldado que, estando

em uma guerra, mata o seu semelhante? Esta questão é muito importante, pois entramos no assunto seguinte de O Livro dos Espíritos que é o assassínio. No tópico abordado entende-se que causar a morte de um semelhante é sempre um crime na lei de Deus, salvo em caso de força maior em que o seu instinto de conservação compele o ser a agir de forma a preservar sua própria existência. Durante uma guerra o soldado está sob o comando de algum responsável e encontra-se numa situação delicada. Se mata, estaria transgredindo a lei? Mas se morre por não se defender não estaria praticando suicídio indireto? Percebemos como é uma situação complexa e que uma simples resposta não tem como abranger toda a gama de variantes de cada caso?

743. A guerra desaparecerá, algum dia, da face da Terra? “Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então, todos os povos serão irmãos.” Portanto, precisamos entender que a guerra é a consequência de nosso uso predominantemente irracional da força e a fuga da razão diante da emoção. Tal situação é devido ao fato de estarmos ainda em um degrau de evolução, cuja razão ainda é muito material e pouco depurada. Conforme formos evoluindo e nos vendo feito irmãos em Cristo passaremos a negar tais atitudes que ferem a lei de Deus. Até lá, a espiritualidade nos auxiliará a tirar o melhor proveito de cada situação vivida durante nossa jornada rumo à perfeição moral! Fé e coragem, meus irmãos, que Jesus nos abençoe! Fonte: espiritismodaalma.wordpress.com

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Duas consequências inevitáveis Devemos tudo à Vida abundante que desfrutamos. Deus, o Criador, dotounos de vida e possibilitou-nos intenso e contínuo aprendizado. Para que pudéssemos evoluir, aprender, e, portanto, adquirir méritos do esforço colocado a serviço da conquista da felicidade, cercou-nos de inúmeros recursos. Entre eles estão as maravilhas produzidas pela natureza. Desde o espetáculo do nascer do sol – que soa como amável e silencioso convite ao trabalho –, às frutas ou perfume das ores, à condição de seres sociais que se relacionam para o mútuo crescimento e mesmo a uma in nidade de tesouros que nem percebemos. Sempre estão a nossa volta, e o espaço desta página seria insu ciente para relacionar. Colocou-nos num planeta rico de possibilidades e perspectivas. Dotou o planeta de água, fauna e ora abundantes; deu-nos os animais, pássaros e outros seres como companheiros de viagem e

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ainda escalou experimentados irmãos mais velhos que visitam o planeta periodicamente para ensinar o caminho do acerto e da felicidade. Dentre eles, o maior de todos, Jesus de Nazaré, mensageiro do Evangelho, porta-voz direto do Pai Criador e que vivenciou em si mesmo o que ensinou. Diante das possibilidades abertas, a humanidade vai caminhando, errando, acertando, aprendendo. Descobrimos nossas próprias leis, pesquisamos o que ainda nos intriga e lutamos contra di culdades e obstáculos que são próprios e naturais de nosso atual estágio evolutivo. Sim, porque somos criaturas em caminhada, imperfeitas, inacabadas. O tempo nos levará à perfeição relativa, quando estaremos promovidos à condição de cooperadores da grandiosa obra de Deus. Essas re exões todas convidam-nos a pensar com mais seriedade sobre a vida

no planeta. Não estamos aqui a passeio. Também não estamos no planeta pela primeira nem última vez. Somos todos irmãos, devemo-nos solidariedade recíproca e cumprimos um justo programa de autoaperfeiçoamento, cuja nalidade é o progresso individual e coletivo. E neste coletivo incluímos toda a sociedade do planeta, em todos os sentidos e níveis que se queira analisar. No geral, devemos entender que, como lhos de um Pai Bondoso e Justo, que ama profundamente suas criaturas, ca o dever do autoaprimoramento intelecto-moral, único instrumento real de equilíbrio e felicidade. E consideremos que tudo isto se enquadra até em um dever de gratidão a tudo que recebemos diariamente de Deus, o Pai de todos nós. Por Orson Peter Carrara https://espirito.org.br


Brandos e pací cos “Os brandos e pací cos herdarão a Terra, e serão chamados lhos de Deus.”

fragilidade assim também da fugacidade com que transita no mundo.

Nessa frase monumental – reunimos dois textos em apenas um – encontra-se no Sermão da Montanha, enunciado por Jesus, conforme o Evangelho de São Mateus, 5: 5 e 9.

O sentido ético do viver, as abençoadas escolas de pensamento losó co edi cante, as conquistas da Ciência, apresentando as glórias da vida, utuam rapidamente em suas re exões, e se deixa deslumbrar infeliz e ambicioso pela crueldade e a beligerância.

Jamais foi tão necessária de ser repetida como na atualidade, em que a prepotência e a crueldade constituem fatores de primazia na cultura sociológica da humanidade. O ser humano, que alcançou as estrelas que reluzem ao longe e as estuda com a nco e determinação, assim como as micropartículas, em busca da energia no seu estado mais primitivo, que investe fortunas incalculáveis para a solução de pandemias e moléstias dilaceradoras, que se comove ante um gesto de ternura infantil, genericamente ainda não conseguiu disciplinar os instintos e as paixões asselvajadas que lhe permanecem no imo, devorando-lhe as sublimes aspirações ao bom, ao belo e ao nobre. Com facilidade, entrega-se à alucinação do poder terreno, olvidado da sua

Os séculos e milênios, que varreram as civilizações, desde as mais recuadas até este momento grandioso, não conseguiram depositar nos sentimentos humanos a brandura e a paci cação. Como consequência, vivemos numa sociedade caracterizada por distúrbios de muitos gêneros, apresentando-nos inconstantes, ciumentos, invejosos, derrapando sempre na animosidade e na malquerença. A antipatia e a amizade protocolar, própria para redes sociais em que as fantasias se apresentam como realidade, sob o estímulo de outros indivíduos atormentados que se lhes tornam modelos a serem seguidos, substituem a brandura e a paz que fazem falta em demasia.

prazer sensorial atiram as criaturas na viagem ao mundo exterior, olvidando-se da sua realidade de seres espirituais. Por mais, no entanto, que o ser humano fuja da investigação e vivência dos seus valores morais, do retorno à re exão íntima em torno da sua origem, de quem é e como liberar-se dos males íntimos que o a igem, mais cedo ou tarde será conduzido pelas circunstâncias a enfrentar-se. As modernas doutrinas psicológicas têm procurado despertar as mentes e os corações para a conquista do sentido brando e pací co da existência, mas há relutância forte entre o ego e o Self, mantendo-se os velhos hábitos que geram desequilíbrio. Por essa razão, Jesus a rmou que os brandos e pací cos herdarão a Terra. Por Divaldo Franco, Professor, médium e conferencista espírita Fonte: Jornal A Tarde, coluna Opinião,Bahia, 16 de dezembro de 2021.

As terríveis buscas do sentido da vida no

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