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ÍNDICE Alô, Galera! – cartas dos leitores.............................................3 Dicas Especial do Mês........................................4 Música........................................................ 5 Cinema........................................................7 Teatro..........................................................8 Literatura....................................................9 Capa – Encontro com Marilyn................................................10 Moda Tendências.................................................15 Passo-a-passo: Maquilagem ...................17 Passo-a-passo: Penteado..........................18 Túnel do Tempo........................................................................19 Seção Vrum Vrum.....................................................................20 Paradise.......................................................................................22 Bossa Nova: Dos jovens para os jovens..................................24 Supimpa! Rádio Novela.............................................26 Conto..........................................................27 Charge........................................................28

VITROLA! Outubro / 1959

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Editorial

Mais um mês chegou, e com ele a nova edição da Vitrola que vem cheia de novidades. Na nossa matéria de capa, trazemos uma entrevista exclusiva com a nova diva do cinema, Marilyn Monroe, que nos conta tudo sobre seu próximo filme. Temos também as dicas de moda, cinema e teatro, além de muitas outras que nossos leitores com certeza vão adorar. Uma matéria sobre uma nova banda inglesa que anda fazendo o maior sucesso? Sim, você vai saber tudo sobre os rapazes do The Quarrymen aqui na Vitrola. Falando em Vitrola, você sabe como foi que criaram a Vitrola (não a revista, viu?)? Pois é, a edição desse mês preparou uma matéria que vai te contar essa história. Enfim, são várias as novidades que estão te aguardando aqui na revista. Então, que tal começar a aproveitar e devorar as matérias desse mês? Não perca a nossa próxima edição, recheada de conteúdos divertidos. E já sabe, se tiver sugestões, é só nos escrever. Um abraço de toda a equipe Vitrola.

Diretoras de arte: Hilda Machado e Miranda Cavalcante Editora: Maíta Carvalho Coordenador da Edição: Luís Fernando Esteves Redatores: Douglas Mota, Guilherme Benevides Meireles, Isabelle Carvalho, Laysa Zanetti, Luís Fernando Esteves e Maíta Carvalho. Revisores: Douglas Mota e Guilherme Benevides Meireles Editora Tijuca S/A Avenida Rio Branco, nº 23, 4º andar CEP 20090-001 Centro, Rio de Janeiro/DF Vitrola é uma publicação mensal da Editora Tijuca S/A. Vitrola não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constarem no expediente não têm qualquer autorização para falar em nome da Vitrola ou para retirar qualquer tipo de matéria se não possuírem em seu poder carta em papel timbrado assinada por qualquer pessoa que conste no expediente. Impressão: Sir Speedy Company Logo Inc. Rua São João Batista, 88. CEP 22270-030 Botafogo, Rio de Janeiro/DF 2

Revista Vitrola

Alô, galera! Olá!Meu nome é Lúcia, tenho 18 anos e sou super fã da revista Vitrola. Gostaria de parabenizar toda a equipe da revista. O conteúdo de música internacional é ótimo e se torna ainda melhor por usar uma linguagem bem jovem e atual. Gosto muito também dos contos da Isabelle Carvalho. Enfim, parabéns a todos e continuem produzindo uma excelente revista para o público jovem.

Olá Lúcia! Todos aqui da Vitrola agradecem pelo seu elogio e ficamos muito contentes de estarmos fazendo uma revista com um conteúdo que agrade a galera. Estamos sempre atentos as novidades do cenário musical lá nos Estados Unidos e na Inglaterra para contarmos a vocês o que tem de melhor tocando nas vitrolas do mundo. De fato os contos da Isabelle são super divertidos. É um sucesso aqui na revista. Ah, nessa edição tem mais matéria legal sobre música internacional, viu? Abraços. Olá! Estou indignado com a peça de teatro “O Buraco”, indicada por vocês na edição de setembro. Vocês se equivocaram ao indica-la para adolescentes e jovens, já que ela faz uso da linguagem infantil. Como se não bastasse, a peça tem um enredo pobre e sem sentido. Gostaria de pedir mais cautela ao darem dicas de teatro. Fernando, Belo Horizonte - MG

Oi Fernando! Lamentamos que a nossa dica não tenha sido tão proveitosa para você. Nós pesquisamos sempre o que têm de mais legal para o nosso público e nem sempre conseguimos agradar a todos, não é mesmo? Pode deixar que ficaremos sempre atentos nas dicas que dermos para nossos leitores. Obrigado pela sugestão e continue sempre atento nas novidades da Vitrola. Um abraço. Olá Revista Vitrola. Estou escrevendo para desejar os parabéns à equipe e dizer que adorei as dicas de Cinema e Teatro da edição de Setembro. Considero incrível a maneira como a revista sempre indica obras de excelente gosto e adequadas ao nível intelectual e aos mesmo tempo descontraído de seus leitores. A p -

enas gostaria de sugerir que a Vitrola desse algum enfoque especial ao interessantíssimo movimento denominado Bossa Nova,seus artistas e as contraculturas. Abraços a toda a equipe Atenciosamente, Judith Mijoranni

Olá Judith, nós é que agradecemos a sua gentileza. A sua dica foi anotada e pode deixar que estaremos sempre trazendo novidades ao nível dos nosso público e de uma maneira sempre jovem. Continue acompanhando a Vitrola nas bancas todo mês, teremos sempre com a revista recheada de matérias muito bem elaboradas e dicas que os nossos leitores vão adorar. Um abraço de toda a equipe Vitrola. Oi, Vitrola! Tenho para dizer que adoro muito a revista e gostaria que vocês falassem do mais novo sucesso da diva Marilyn Monroe , “Some like it hot “ ! É um filme estupendo e já assisti três vezes com meus amigos. Obrigada. Julie Rio de Janeiro-RJ.

Olá Julie! Que tal a capa da Vitrola desse mês? Você e seus amigos gostaram? Preparamos uma matéria super especial para deixarmos todos por dentro do sucesso da nova diva do cinema. Espero que gostem bastante, principalmente da entrevista que fizemos com a Marilyn. Qualquer sugestão é só nos escrever, viu? Um abraço de toda a galera da Vitrola! Meu nome é Maria Luiza ,tenho 21 anos .Gostaria de sugerir uma matéria para a próxima edição da Revista Vitrola . Eu sou fã do rei Elvis Presley e creio que ele está fazendo um grande sucesso entre o público jovem. Penso que seria uma interessante ideia publicar uma matéria sobre ele. Sou uma ávida leitora da revista e queria congratulálos pelo êxito em sua repercussão durante esses anos. Obrigada pela oportunidade, um grande abraço, Maria Luiza. Oi Maria Luiza. Sugestão anotada. Ficamos muito contentes com leitores que estão sempre acompanhando a nossa revista. Saiba que nós a fazemos com muita

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dedicação para vocês. Muito obrigado pelo carinho, Abraços! Caros redatores, sou leitor assíduo da Vitrola e apreciador fanático de boa música. Ultimamente tenho notado que as matérias musicais têm sido baseadas em artistas brasileiros, na maior parte das edições, tratando de estilos como o rock nacional e bolero. Temo que isso possa estar diminuindo o espaço de artistas e bandas estrangeiras na revista,o que pode acarretar uma queda na popularidade e nas vendas da publicação. Espero que meu conselho seja de bom proveito. Pietro Salazar.

Olá Pietro. Em nome de toda a equipe da Vitrola gostaria de dizer que não há motivos para ter medo. As matérias que dedicamos a artistas nacionais são feitas para sugerirmos novos artistas e estilos musicais. Caso não goste, a pessoa tem todo o direito de não comprar os discos do artista e não ir aos seus shows. Todo conteúdo publicado na Revista Vitrola é pesquisado para se ter uma ideia de se encaixa-se no perfil do nosso público,que são os jovens. Ser jovem é também estar aberto a novas ideias, mas se notarmos que as matérias da revista não estão agradando os nossos leitores, garanto que vamos mudar. Obrigado pela sugestão , Abraço.

Para falar com a gente, é só mandar seu postal para: Revista Vitrola Endereço X, nº T sala 435 cep 21685-858 Rio de Janeiro/RJ-BR

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Afinal, quem são esses meninos de Foram duas semanas aqui na Inglaterra e ninguém parecia falar de outra coisa que não fosse eles. As rádios tocavam os sucessos desses rapazes o todo tempo, e nas paradas de sucesso só dava eles. É, galerinha, estou falando dos "The Quarrymen". Sim, a banda já teve diversos nomes, como por exemplo: "Johnny and The Moondogs" e também "Long John and The Beatles". O nome atual é em homenagem à escola em que os rapazes da banda estudavam. Bom, vamos deixar toda essa história agora e falar do que a gente realmente gosta nos The Quarrymen, não é? The Quarrymen está com tudo Se você é garota, com certeza já deve ter ouvido falar do Paul MacCartney , ou apenas Paul, como é chamado pelas fãs. Dos quatro membros da banda inglesa, ele é o que faz mais sucesso com as moças. Caso seja você seja um rapaz, com certeza vai gostar de saber que o penteado dos garotos do The Quarrymen tem tudo para ser o mais novo sucesso com as mulheres. A

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Liverpool?

franja e o cabelo bem penteado já é uma das marcas dos jovens cantores de Liverpool. Mas nem só de moda e rostinhos bonitos se faz uma super banda, não é mesmo? Com um som que tem agradado não só ao público, mas também aos especialistas do mundo da música, o quarteto já emplacou diversos sucessos nas paradas da Inglaterra. Tendo um estilo que alguns definem como sendo Rock ‘N’ Roll, as batidas de suas músicas são dançantes e as letras tratam de temas bem jovens. Essa fórmula tem tudo para fazer com que os The Quarrymen sejam em breve um sucesso também no Brasil. O lugar onde eles começaram a se apresentar, e que já é um ponto de encontro para quem quer assistir os shows da banda, é um Pub inglês chamado Cavern Club. Lá é que acontece a maior parte das apresentações do quarteto e onde eles apresentam a maioria de suas músicas, antes

Revista Vitrola

mesmo de gravarem em um disco. Mesmo se apresentando para um público menor, se comparado a outros artistas, o que parece é que esses garotos tem tudo para crescer. As trocas de integrantes e de nomes para a banda (como noticiamos rapidamente em edições anteriores) ainda é algo que os tem impedido de se estabilizarem e alcançarem outros mercados, como o público norteamericano. O quarteto formado pelo queridinho das meninas, Paul McCartney, o descolado vocalista e compositor John Lennon, o talentosíssimo baterista Colin Hanton e o excêntrico George Harisson demorou para chegar na combinação perfeita que é a atual. A formação da banda faz com que seja aproveitado o que cada um tem de melhor, fazendo com que as músicas se tornem ótimas e que os pedidos por novos discos não parem de surgir. Como o mundo artístico sempre nos reserva surpresas, o importante agora é esperar e ver se os The Quarrymen tem um bom futuro pela frente, por que qualidade e talento eles já tem de sobra. Vamos ficar na torcida para ver se em breve os novos sucessos desse conjunto da cidade de Liverpool possam estar tocando nas rádios aqui do Brasil.

Ms cis ú i Música M aci ú s cMúsica ac s i a a i c c

Nossa primeira dica de música do mês é: Apresentando Baden Powell e seu violão. O primeiro disco do violonista e compositor brasileiro Baden Powell traz doze faixas. Esse LP instrumental é influenciado pelo som pesado e orquestrado das bandas atuais. O disco tem uma forte pegada do jazz, como podemos notar na canção Stella by Starlight. Vale a pena conferir!

A Vitrola traz mais uma novidade até você! O primeiro disco de Celly Campello. O álbum Estúpido Cupido tem grande influência do rock. A canção que dá nome ao disco, Estúpido Cupido, foi composta por Neil Sedaka e Howard Greenfield, lançada por Cannie Francis, no ano passado, e já faz grande sucesso na voz da cantora. O disco conta ainda com o conjunto de Mário Gennari Filho no acompanhamento. Confira já!

Não poderíamos deixar de fora das nossas dicas este disco de Elvis Presley. Elvis’ Golden Records Volume 2 reúne dez canções. Grandes sucessos do cantor “refazem” a cabeça de seus admiradores, entre eles: One Night, Doncha Think It's Time, I Beg Of You e I Need Your Love. Nós da Vitrola aprovamos. E você?

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M ú s i c a

>>Cinema

Outro disco que não poderia faltar nas dicas do mês é: Os grandes sucessos de Maysa, o mais novo LP da cantora. Essa coletânea reúne grandes canções dos seus quatro primeiros álbuns de estúdio, entre elas: Ouça, Por causa de você, Franqueza, Adeus, Se todos fossem iguais a você e Felicidade Infeliz. Vale a pena relembrar esses sucessos.

Nossa última dica do mês, porém não menos importante, é o álbum Kind of Blue do cantor americano Miles Davis. O disco, genuinamente gravado no ritmo do jazz, tem feito muito sucesso entre os admiradores do estilo. A coletânea contém as seguintes canções: So What, Freddie Freeloader, Blue in Green, All Blues e Flamenco Sketches. Deixese embalar pelo ritmo do jazz!

O disco Time Out, do grupo The Dave Brubeck Quartet, é um LP experimental. Ao contrário dos outros discos indicados aqui, esse não tem sido muito bem recebido pela crítica. Você pode se perguntar – Por que a Revista Vitrola indica esse disco? Esse álbum apresenta o jazz de forma inusitada, com compassos musicais ainda não utilizados no ritmo. Nós da Vitrola, com um faro musical afiado, indicamos essa coletânea, tendo certeza de seu sucesso.

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Revista Vitrola

M ú s i c a

Inspirado na mitologia grega, na história de Orfeu e Eurídice, e adaptado a partir da peça teatral de Vinicius de Moraes, Orfeu da Conceição, o filme dirigido pelo diretor francês Marcel Camuse e gravado em 1954, tem causado grande impacto no cenário do cinema nacional e internacional. Ele traz elementos novos à história do casal formado por Orfeu (Breno Mello) e Eurídice (Marpessa Dawn). Favela e carnaval cariocas, além de atores negros, fazem parte do cenário deste longa metragem, produzido por profissionais brasileiros, italianos e franceses. Por inovar tanto, o filme tem gerado grandes repercussões na Europa e em países da América.

O filme narra a história da nordestina Eurídice que, fugida do sertão, vai morar em uma favela carioca com sua prima Serafina (Léa Garcia). Um homem a persegue, sem que ela entenda o porquê. Ao chegar ao Rio, Eurídice conhece o carnaval carioca ao lado de Orfeu, por quem se apaixona. Esse é noivo de Mira (Lourdes de Oliveira), que por ciúmes começa a perseguir Eurídice. Não bastassem as perseguições de Mira, o homem que atormentava Eurídice continua importunando-a. No último dia de carnaval, temendo ser achada por seu perseguidor, ela entra em um beco escuro, onde é encontrada por ele. A partir daí, Outubro / 1959

acidentes trágicos começam a tomar conta da trama que, aos moldes das tragédias shakespearianas, surpreendem com um final impactante. Indicado a prêmios como Palma de Ouro – Festival de Cannes, Oscar – melhor filme em língua estrangeira e Globo de Ouro – melhor filme estrangeiro, o longa tem ajudado a disseminar a cultura brasileira no exterior. Com músicas de autoria de Tom Jobim e Luís Bonfá e atuação do jogador de futebol Breno Mello, o filme é grande sucesso de bilheteria. A obra pode ser vista já em boa parte do país. Então, não espere mais e confira logo o mais novo sucesso do cinema nacional! 7


>>Teatro

O MAMBEBE Com a saída do diretor Gianni Ratto e dos atores Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sergio Britto e Ítalo Rossi do Teatro Brasileiro de Comédia, surge um grande espetáculo produzido pelo Teatro dos Sete, a nova Companhia fundada por esses artistas. “O Mambembe”, escrito por Artur Azevedo, já é sucesso de bilheteria no Rio de Janeiro. O primeiro espetáculo do grupo conta a história de uma companhia teatral que enfrenta inúmeras dificuldades para realizar seus espetáculos e atrair o público, ao viajar pelo interior do Rio de Janeiro. A comédia é centrada nos personagens Laudelina (Fernanda Montenegro), mocinha que deseja ser atriz, e Frazão (Ítalo Rossi), empresário do Grupo Mambembe. Com paródias de melodramas, críticas aos governantes que tratam com descaso a arte dramática, sátira dos costumes interioranos, personagens cômicos e belíssimos números musicais, O Mambembe tem sido bem aceito pelos críticos e pelo público. O espetáculo pode ser assistido às sextas e sábados, às 20 horas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

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Gabriela Cravo e Canela

>>Literatura

Revista Vitrola

“Gabriela, Cravo e Canela” é um grande sucesso da literatura nacional. Jorge Amado traz em sua obra conflitos sociais, políticos e culturais que chamam a atenção do público leitor. Recebido pelos críticos com entusiasmo, o novo livro do autor ganha, a cada dia, mais espaço na literatura mundial. A história se passa nos anos 20, em Ilhéus, onde ocorre uma grande luta pela modernização material e cul-

tural da cidade que se desenvolve a todo vapor, graças à exportação do cacau. Esse é o cenário onde é vivido o romance de Nacib e Gabriela. A relação delicada entre as transformações materiais e as ideias morais ocorridas na época, também faz parte da trama. Gabriela é uma cozinheira sensual e inocente que conquista o coração de Nacib e de vários outros homens da cidade, o que coloca em xeque a rigorosa lei local, que im-

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punha castigos cruéis à desonra do adultério feminino. A obra tem feito muito sucesso no Brasil e no exterior e foi indicada a prêmios importantes. No final do ano, concorrerá na categoria “Romance” do “Prêmio Jabuti de Literatura”, que realizará sua primeira edição. Você não pode deixar de ter o mais novo sucesso do escritor Jorge Amado.

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mais facilmente. Eu já sabia a maneira como ele desejava que certas cenas ficassem, e ele também já entendia minhas peculiaridades, e conseguimos tirar dessa nossa relação uma construção bastante saudável para o filme. Além disso, o Billy é uma pessoa incrível, e pra mim foi um pre-

realmente receosa de encontrar o Billy. Ele sempre foi um profissional bem conceituado, respeitado no meio cinematográfico, e o único pensamento que cruzava minha cabeça é “Oh, meu Deus, não sei lidar com isso, ele vai me odiar!”, mas aí com o tempo nós fomos entendo um ao

Ela é uma garota simples, cheia de sonhos e muito romântica

Marilyn Encotro com

Numa entrevista exclusiva à Vitrola, a maior diva do cinema mundial fala sobre sua vida pessoal e profissional, incluindo seu filme mais recente “Quanto Mais Quente Melhor”

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Era uma manhã quente de quarta-feira na California e eu tomava um café enquanto esperava por ela no salão reservado do hotel. O dia estava bonito e sem nuvens, e então eu a vi descendo as escadas para me encontrar, usando óculos escuros e um vestido justo. Nascida Norma Jeane Mortensen Baker, Marilyn Monroe é a estrela de mais uma produção de Hollywood. A comédia Quanto Mais Quente Melhor, é dirigida

por Billy Wilder (O Pecado Mora ao Lado e Crepúsculo dos Deuses), e tem no elenco Tony Curtis e Jack Lemmon. A produção, já tendo arrecadado milhões em bilheteria ao redor do mundo, é uma das promessas para o Globo de Ouro, cujos indicados virão a público no próximo mês. O longa se passa em 1929, e conta a história de Joe (Curtis) e Jerry (Lemmon), dois músicos que, durante a crise, se viam sem dinheiro e acabaram se transformando Revista Vitrola

em testemunhas do Massacre do Dia de São Valentim. Para saírem de sua então situação financeira e fugirem dos gângsters que queriam vê-los mortos, Joe e Jerry entram em uma banda que está indo para a California. Entretanto, a banda só aceita mulheres e, por isso, eles precisam de se disfarçar para não serem descobertos. Interpretando a corista Sugar, Marilyn mais uma vez se destaca e encanta com beleza e delicadeza. Sentada à minha frente antes do iní-

sente ter a oportunidade de trabalhar com um diretor tão talentoso como ele mais uma vez. Ele é realmente um visionário, e trabalhar com ele é muito prazeroso. V: Em O Pecado Mora ao Lado, a relação entre atriz e diretor foi diferente? MM: Ah, sim. Na nossa primeira reunião de elenco e diretor nas gravações de “O Pecado Mora Ao Lado”, eu fiquei

cio da entrevista, ela toma um suco enquanto se ajeita e conversamos casualmente. Ao início a percebo um tanto insegura, trocando os objetos que estão sobre a mesa de lugar incessantemente e com um sorriso um pouco incerto no rosto, enquanto evita me encarar. Aos poucos, porém, ela vai ganhando confiança e de repente parece determinada e forte mais uma vez. Vitrola: Como foi a sua experiência de ser dirigida por Billy Wilder novamente? Marilyn Monroe: Foi ótimo. Por já nos conhecermos, nossos interesses fluíram muito Outubro / 1959

outro e conseguimos fazer um trabalho muito bom. Mas não vou dizer que no início foi fácil, porque estaria mentindo. Eu tinha medo mesmo de levar bronca dele, de fazer coisas erradas e ele pensar que eu era incapaz. V: Quais os filmes em que você mais gostou de atuar? MM: É difícil escolher. Acho que Quanto Mais Quente Melhor definitiva-

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mente está na lista, mas existem outros também que me proporcionaram experiências incríveis. O Príncipe Encantado foi interessante, apesar de alguns contratempos. Não sei... O diferencial de cada produção é que conhecemos pessoas diferentes e conhecer pessoas é uma das coisas mais legais de qualquer gravação. “Os Homens Preferem As Loiras” também me rendeu uma amizade muito produtiva com Jane (Russell), e dizem que esse é um dos melhores filmes da minha carreira, então... mas mesmo assim, não consigo escolher um! (risos) V: Conte-nos um pouco sobre seu papel no filme. Quem é Sugar? MM: Sugar é a corista de uma banda. Ela é uma garota

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simples, cheia de sonhos e muito romântica. Na verdade ela é bastante comum, quer se casar, ter uma vida confortável e ser feliz ao lado do marido e dos filhos. Acho que por ser tão frágil e até um pouco iludida, ela acaba se deixando influenciar e é levada por aquilo que as outras pessoas a fazem acreditar, mas isso não faz dela uma pessoa ruim, só um pouco inocente demais. V: Nesses seus anos de carreira, percebe-se que sempre foi bem estimada para interpretar personagens de filmes de Comédia, geralmente com um estereótipo que não foge ao padrão deste gênero. Você já teve vontade de fazer Drama? MM: Sim, e ainda tenho. No início da minha carreira eu tinha bastante receio, acha-

va que não estava preparada para encarar algum papel mais sério, com uma responsabilidade e um peso maiores no enredo. Mas agora eu sinto que estou pronta, e até mesmo ansiosa para enfrentar um desafio maior. Só falta o convite! (risos) V: Você não acha que havia uma preocupação excessiva com o físico no início da sua carreira, e quando ela deslanchou não era o caso de se aperfeiçoar como atriz, ou mesmo cantora? MM: Bem, talvez eu tivesse muito mais tendência para representar do que para cantar. Acredito que teria sido importante frequentar um curso de atores na época, mas eu atuava usando mais a intuição, e se você tem uma boa intuição

pode valer muito mais do que milhares de cursos. E como eu estava na mídia, é importante que se cuide do físico. É nosso ganha-pão. Quem contrataria uma atriz ou ator desleixados fisicamente? V: Então, agora, como apagar o rótulo de "lourinha engraçadinha e patetinha"? MM: É difícil! Eu tenho muita vontade de sair desse estereótipo, apesar de que a Sugar ainda me deixa presa a ele. É lógico que trabalhar com Curtis e Lemmon foi incrível, eles são monstros do cinema, mas agora estou pretendendo ir para Nova York estudar na Escola de Atores de Lee StrasRevista Vitrola

berg. Quero me aperfeiçoar ainda mais e ser capaz de mostrar que não preciso ficar presa a papéis tão unilaterais. V: O que você acha que levou o seu caminho a esse papel social tão exclusivo? MM: Acho que tudo acontece por uma razão, e a razão disso talvez seja minha aparência física, de fato. Então, acabei me tornando esse símbolo sexual, e sendo vista como uma “coisa”. De certa forma, isso é lisonjeiro. Todos gostam de ser bem vistos e elogiados, não é? Eu também gosto, mas eu odeio ser encarada como uma coisa. V: Nós conhecemos a MariOutubro / 1959

lyn Monroe. Mas, e a Norma Jeane? Quem é ela? MM: A Norma é uma pessoa normal. As pessoas me enxergam como se eu fosse diferente de todo mundo, como se eu não pecasse, se eu não acordasse de mau humor de vez em quando, mas essa não sou eu. O público quer uma Marilyn perfeita, mas eu sou a Norma. Não estou querendo dizer que sou uma garota revoltada que procura fazer tudo errado pra se destacar, mas também não sou esse anjo que alguns enxergam. Sou só uma pequena garota nesse grande mundo tentando encontrar amor. V: E falando em amor, como você lida com seus relacionamentos? O que é o amor para você? MM: Acho que quanto a isso, sou bem intensa. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não me contento com a metade. Não serei sua meio amiga e nem te darei meu quase amor. Detesto coisas mais ou menos, não sei amar mais ou menos, não me alimento de ‘quases’. É tudo ou nada. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre. V: Para finalizar, Marilyn, você pode deixar um recado para os seus fãs leitores da Vitrola? MM: Não sou muito boa com essas coisas de recado, mas se for deixar algum, diria para as pessoas não cumprirem tantas regras. Se eu tivesse cumprido todas as regras, não teria chegado a qualquer lugar. 13


Tá na moda! Dê uma olhada na coleção que separamos esse mês pra você e vista-se!

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DESPERTE A DIVA EM VOCÊ! 1. O segredo do delineador:

OLHE E FAÇA VOCÊ MESMA !

>>Passo-a-passo

a)Para olhos marcantes e destacados é recomendado que se passe

ao menos três camadas de rímel, já que a tendência é realçar o olhar.

b)Força na hora do traço do delineador. Ele deve ser usado sem medo, já que substitui a tradicional sombra. A vez agora é dele! Deve ser feito em traço mais grosso e puxado para cima. Bem no estilo gatinho!

c) Para realçar mais ainda o olhar use o lápis preto somente na

parte inferior dos olhos. Marque o risco mais fino no canto interno engrossando nas laterais de fora. 2. Rouge na medida certa: Nas maças do rosto use um rouge em uma cor bem natural,

suavemente rosado. A intenção é somente dar um ar de saúde ao rosto. 3. Lábios de Diva! Para obter o efeito glamoroso das Divas do cinema, é recomendado passar primeiro um lápis para contornar os lábios. Depois é fácil, espalhe o batom vermelho e tire o excesso com o papel. Para durar mais, repita essa última sub-etapa duas ou três vezes. Assim, 16

a maquilagem vai ficar bonita por mais tempo. Revista Vitrola

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Por que

>>Passo-a-passo

VITROLA? Saiba porque o aparelho que dá nome à nossa revista é tão importante para a história da música

CABELOS LINDOS E LEVES em seis passos práticos e faceis pra você ficar como uma diva! 1. Separar mechas de cabelo no centro da cabeça 2. Despenteie para dar um pouco de volume e textura 3. Pegue um pedaço de tecido e dobre até ficar em uma espessura de 1 a 2 cm 4. Enrola o pedaço de tecido nas mechas separadas, para dar o volume necessário do penteado 5. Continue enrolando o cabelo até chegar ao couro cabeludo e fixe com grampos 6. Adicione tranças aleatórias para dar um charme ao penteado Acessório: Acrescente um laço bonito atrás para complementar o visual Dica: Utilize Laquê em Spray para fixar o penteado e durar o tempo que você quiser. 18

Revista Vitrola

Também chamada de tocadiscos, a vitrola, como conhecemos hoje, foi inventada em 1927 e desde então revolucionou a indústria fonográfica e nossa forma de ouvir música. Até porque, é difícil imaginar, mas antes dela não era possível ouvir música em casa. Numa época em que a música é tão difundida e faz parte do nosso cotidiano como nunca antes, nada mais justo que conhecermos mais sobre sua história. Tudo começa quando o famoso inventor Thomas Edison pesquisa o telégrafo e o telefone, com o intuito de fabricar um aparelho que pudesse gravar as ondas sonoras. Primeiramente, inspirado no modelo do telégrafo, ele tentou usar o papel, sem sucesso. Em outra tentativa, forrou um cilindro com uma folha de metal, assim, em 1877, estava criado o mais remoto ancestral da vitrola: o fonógrafo. Dez anos depois, o alemão Hanôver Emile Burliner inventou um aparelho que seguia os mesmos princípios do fonógrafo, acrescentando algumas melhorias. Entre elas, a leitura. Agora, ao invés de lidar com a profundi-

dade do sulco, era feita lateralmente, em ziguezague. A maior evolução, no entanto, estava na substituição dos cilindros pelos discos, aumentando a qualidade da gravação, do volume e, principalmente, aumentando a praticidade. Por ser dono da Deutsche Grammophon Geseuschaft (aliás, a primeira fábrica de discos do mundo), seu invento ficou conhecido como Grammophone. Até 1927, o funcionamento do grammophone era totalmente mecânico. A partir dessa data, foi incorporado a ele um sistema elétrico, tornando-o ainda mais prático. Contudo, foi a invenção do disco de vinil, por Peter Golmark, que possibilitou o formato atual da vitrola (na verdade, o nome vitrola era originalmente uma marca da empresa RCA Victor). A principal qualidade do disco de vinil é sua durabilidade, muito maior comparada aos meios anteriores. Atualmente, a vitrola é a segunda maior responsável pelo entretenimento musical doméstico, perdendo apenas para o rádio, além de ser símbolo dos amantes da música e, por isso, nome da nossa revista! Outubro / 1959

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>>VrumVrum

Diretamente das montadoras

lançamentos que esbanjam charme, potência e recursos

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Vitrola foi aos Estados Unidos descobrir quais as novidades do mercado automobilístico para o resto do ano e para a virada da década. Falamos diretamente com os fabricantes, conferimos os modelos e podemos confirmar que vem coisa boa por aí. Os brasileiros não podem marcar touca, pois logo eles chegarão ao país. A fabricação do DeSoto Firesweep começou há algum tempo e o modelo já está disponível no Brasil. Seis pessoas podem se sentar dentro de qualquer versão do modelo: sedan com quatro portas e coupé ou conversível com duas portas cada. O comprador pode escolher entre a transmissão manual padrão de três velocidades e a nova transmissão automática Torqueflite da Chrysler. Sua

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principal novidade estética é o novo desenho do farol, que tem pálpebras fortemente cromadas, além do desenho ousado típico dos carros da DeSoto, o que só é realçado ainda mais com o acabamento em dois tons. Essa belezinha também tem direção hidráulica, freios power, relógio, rádio e pneus de banda branca. A alma do carro parece ter sido feita para charlar pelos bailes com os amigos, os brotos adoram! Há apenas dois meses o BMW 700 começou a ser fabricado. Um carro pequeno, porém bem desenhado e mecanicamente eficiente. O teto inclinado e o estilo coupé diminuem o espaço interno, por isso, é recomendado para viagens mais particulares, perfeito para passear com a namorada. Por enquanto, ainda não há muitas novidades em relação ao modelo anterior, 600.

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Dependendo do número de vendas, a BMW pode incluir mais recursos no automóvel. Nunca se viu tantas motonetas passando pelas ruas, as Lambrettas são realmente um sucesso no Brasil. Isso se deve aos detalhes do veículo, que o tornam único: o baixo custo de manutenção, a resistência às mudanças climáticas, a boa estabilidade na corrida e a refrigeração do motor, proporcionada por uma ventoinha. Os modelos em circulação no Brasil são LD (Luxo) e D (Strander), correspondentes à série 1 italiana. Ainda neste mês, na Itália, a fabricante Innocenti lançará a série 2 cheia de inovações, entre elas: uma marcha a mais, completando 4; substituição do eixo cardan por corrente; e pneus aro 10” ao invés de 8”. A chegada da nova Lambretta ao país está prevista para o próximo ano. 21


AS PRAIAS DA CAPITAL ESTÃO ESPERA 22

Revista Vitrola

NDO POR VOCÊ! VENHA JA PARA O RIO DE JANEIRO~ Outubro / 1959

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Bossa Nova: Dos jovens para os jovens Novo estilo musical mescla influências americanas e brasileiras e supre o desejo dos jovens por algo novo

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Quantas vezes você passou por um disk-jockey e ouviu um som diferente, um novo ritmo musical que ativou sua curiosidade? Talvez o mesmo tenha ocorrido com a Bossa Nova. Porém, algo revolucionário aparece nesse estilo: a originalidade e a convergência de outros ritmos. Podemos considerar a Bossa-Nova uma evolução do popular sambacanção com influência direta do jazz norte-americano. Sem falar, é claro, na autenticidade brasileira notada através das novas sonoridades da voz e maneiras de tocar os instrumentos. A cena musical do país tem vivido um momento de efervescência desde o início da década. Entretanto, a produção mais ativa era a de estilos mais populares, como o samba e o samba-canção, que não são lá muito bem produzidos. Cabia ao público buscar em artistas estrangeiros, como Nat “King” Cole, Frank Sinatra, Johnny Mathis, Elvis Presley, Neil Sedaka, Paul Anka e Brenda Lee, hits para tocar nos bailes e no rádio. Mais recentemente houve uma explosão do rock ‘n’ roll nacional, mas que não se difere muito da vertente estadunidense. A grande ideia surgiu da juventude carioca, mais precisamente da Zona Sul. Um produto brasileiro, moderno e que se

destaque dos outros estilos: todos estavam ávidos por algo desse tipo, até que Carlos Lyra, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, João Gilberto, Luiz Carlos Vinhas, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli, Chico Feitosa, os irmãos Mário, Oscar, Iko e Léo Castro Neves e outros mais, dispostos a criar tal façanha e providos de habilidades musicais, trabalharam no que seria conhecido mais tarde por Bossa Nova. Uma das origens desse novo som foi, sem dúvida, a canção “Copacabana”, de Dick Farney, gravada há treze anos. Na época foi considerada uma afronta ao gosto popular, pois ousava de arranjos intimistas. Outro artista brasileiro que influenciou bastante o movimento foi Lúcio Alves, um Revista Vitrola

dos primeiros a gravar uma canção composta por Jobim. Neste ano, Alaíde Costa lançou seu primeiro LP “Gosto de Você”, com composições de João Gilberto, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Dolores Duran, entre outros. Ela faz parte de um grupo recémemergido que geralmente toca em universidades, e que também inclui Claudete Soares, o grupo Bossa 3, Durval Ferreira, Milton Banana, Dom Um Romão e Eumir Deodato. Boa parte desses intérpretes e compositores se apresentaram no I Festival de Samba Session, realizado no anfiteatro da Faculdade Nacional de Arquitetura, na Praia Vermelha, e no Festival de Bossa Nova, no Liceu Franco Brasileiro, ambos no Rio de Janeiro.

Os três pilares da Bossa Nova Os principais nomes por trás deste movimento musicaljá se tornaram conhecidos do grande público: João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O primeiro, baiano, começou sua carreira há dez anos, sendo que desde a infância tem contato com a música. No Rio de Janeiro, fez parte do conjunto vocal Garotos da Lua, em 1950, e, dois anos depois, lançou seu primeiro disco solo, que não rendeu muito sucesso. Ainda participou do Quintandinha Serenaders e do Anjos do Inferno. Depois de alguns anos longe da vida artística, voltou a se apresentar nas noites cariocas, inclusive na boate Plaza. No ano passado ele participou da gravação do LP da digníssima Elizeth Cardoso “Canção do Amor Demais”, tocando violão em duas faixas. Foi o criador de uma batida sincopada no violão, o que chamou a atenção da crítica especializada, e isso o ajudou a lançar um disco próprio, isto é, lançar a Bossa Nova em si. Antônio Carlos Jobim, ou simplesmente Tom, já é conhecido pelas boates do Rio há algum tempo, onde costumava tocar piano. Trabalhou fazendo arranjos para alguns nomes bastante famosos, como Dóris Monteiro, Dalva de Oliveira e Nora Ney, e compondo junto com Dick Farney, Lúcio Alves, Billy Blanco, e muitos outros da gravadora Continental. Foi responsável por musicar a peça teatral “Orfeu da Conceição”, a convite de Vinicius de Moraes. Aliás, a dupla compôs um álbum inteiro para

Elizeth Cardoso, “Canção do Amor Demais” obteve grande repercussão crítica no último ano e foi chamado de “marco zero da Bossa Nova”. Até para o cinema Tom escreveu músicas! Toda a trilha sonora do filme “Pista de Grama”, de Haroldo Costa, foi feita por ele, chegando, inclusive, a atuar numa pequena cena do filme, onde aparece tocando piano ao lado de João Gilberto, que toca violão, e Elizeth Cardoso, interpretando “Eu Não Existo Sem Você”. Neste ano, Tom escreveu nove canções para o álbum “Amor de Gente Moça”, de Sylvia Telles e, junto com Vinicius, compôs todo o LP “Por Toda A Minha Vida”, de Lenita Bruno. Vinicius de Moraes, o mais experiente de todos, é poeta, compositor, teatrólogo, jornalista e diplomata. Durante as duas últimas décadas publicou diversos livros de poesia e compôs para grandes cantores nacionais. Morou 5 anos em Los Angeles, onde era vicecônsul, e quando retornou ao Brasil, trabalhou no Ministério das Relações Exteriores e, paralelamente, escreveu para o jornal Última Hora. Nos últimos dois anos, artistas como Agnaldo Rayol e Elizeth Cardoso, gravaram canções compostas por Moraes. Apesar do LP requintado e sofisticado de Elizeth ter os arranjos produzidos por Tom Jobim, não vendeu muito por causa de sua erudição incomum. O fracasso nas vendas não representou uma queda na qualidade do trabalho de Tom e Vinícius, ambos ainda são considerados os melhores compositores do Brasil. Lueli Figueiró graOutubro / 1959

vou duas composições deles, “O Nosso Amor” e “A Felicidade”, para a trilha sonora do filme “Orfeu Negro”, baseado na peça de Vinícius “Orfeu da Conceição”. A Bossa Nova consegue se destacar dentro da multiplicidade de ritmos vigentes nas rádios e casas noturnas brasileiras. Numa época em que o país cresce e ganha relevância perante o mundo, nossa cultura também se aprimora e evolui, recebendo influências estrangeiras e nacionais, misturadas de uma maneira bem original. Assim como outros personagens compatriotas ganharam as atenções lá fora, esperamos que logo o mesmo ocorra com os poetas da Zona Sul.

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Ela mudou!

tantas chateações. Demasiadas surpresas aguardam para serem reveladas esta semana. Lili decide questionar Carlos e exigir explicações acerca de suas tantas promessas. Carlos, apesar de seu óbvio encanto pela menina, é incapaz de se separar de Luiza e se enrola em desculpas para com Lili. Muitas lágrimas, gritos, brigas se desencadearão nesta semana, porém, uma reviravolta está próxima no horizonte. A menina abandona sua ingenuidade costumeira e desiste de seu grande amor, Carlos, para investir em sua própria felicidade. A Vitrola conseguiu uma entrevista exclusiva com Maria Clara, que se mostra ansiosa com o desenrolar da telenovela nesta semana. Veja abaixo uma parte da entrevista: Vitrola: Maria Clara, contenos um pouco sobre a vida de sua personagem nesta semana. Maria Clara: A Lili finalmente enxergou que não merece ser feita de boba. É hora de mudar! (Risos) Ela enfrenta o Carlos, briga com Luiza, começa a desconfiar da Carolina. Será incrível essa semana! Estou ansiosa. Vitrola: E você já tem uma noção de quem estará na posição de “grande amor” da Lili no final da trama? Maria Clara: Sei de umas poucas conjecturas do autor, mas lamento não poder comentar. Asseguro que será um maravilhoso e inesquecível final. Todos irão gostar. Eu prometo! (Risos) De acordo com a própria Maria Clara Guimarães, sua personagem Lili entrará em

A personagem Lili, interpretada por Maria Clara Guimarães, terá sua vida extremamente transformada. Fãs da trama não hesitam em afirmar: “Lili já sofreu demais!”. A menina, que passou por desgastantes e desagradáveis situações no decorrer da telenovela, encontra-se farta de 26

Revista Vitrola

uma briga com a personagem Luiza, interpretada por Carla Martins. A intriga estará relacionada com os ciúmes de Luiza com Lili. Luiza decide pedir explicações para sua prima, mas esta não está mais disposta a nenhum desaforo e se mostra boa de briga. Uma outra revelação feita por Maria Clara é a de que Carolina, interpretada por Larissa Vianna, começará a levantar suspeitas sobre sua personalidade sempre muito doce e educada. Carolina, a vilã durante todo o percurso da telenovela, já aprontou poucas e boas com todos os outros personagens da trama, que são incapazes de enxergar quem ela realmente é. Entretanto, nesta semana, a máscara começará a cair. Carolina, ao ver que Lili não deseja mais nenhuma relação com Carlos, prepara um plano para conquistar o galã. Detalhes desse plano serão descobertos por um dos personagens da telenovela na festa de noivado de José Roberto e Alexandra. O personagem que ouvirá sobre o plano de Carolina ainda é um mistério e os fãs só descobrirão assistindo aos capítulos desta semana. Larissa Vianna nos deu uma dica sobre o que irá acontecer: “Alguém irá descobrir sobre o plano dela e irá contar para alguns dos outros personagens, mas Carolina é muito esperta. Ela saberá contornar toda a situação. Mas muita coisa ainda está por vir. Assistam essa semana!” Diante de todas essas surpresas, os fãs podem aguardar ansiosos pelos próximos dias, pois “Lili” baterá mais um recorde de audiência. Não percam!

A

A Escritora de Cartas

na, ou Aninha como era conhecida por todos em sua pequena cidade, mantinha os olhos baixos pousados em suas mãos trêmulas e pequenas. Era um costume da menina quando sua mente estava inquieta. Somente um fato, ou melhor, uma pessoa, poderia estar a ziguezaguear por seus neurônios àquela hora da tarde. A menina já preparara o jantar, já arrumara a casa e fizera suas orações. Todavia, algo aconteceria naquele dia que mudaria sua rotina. Todas as terças-feiras eram assim: seus pensamentos voavam, suas mãos suavam e seu coração palpitava, pois terça era o dia dele. E ele ainda era exatamente o mesmo homem elegante de olhos cor feijão de cabelo vestido de brilhantina que conhecera um ano atrás em um domingo na missa. Desde então, seu ofício como escritora de cartas transformara-se em arte, filosofia, felicidade a partir do momento em que ele entrara em sua casa naquela primeira terçafeira chuvosa lhe pedindo que escrevesse uma carta. Não foi necessária muita inteligência para perceber que as cartas que ele sempre lhe ditava era o que gostaria de dizer a Aninha. Sorte da menina que os pais jamais permaneciam na sala onde ela tecia as palavras no papel. As cartas do homem eram o contato mais

íntimo que tiveram. Eram como um abraço, um carinho, um beijo. E quando se observavam, mesmo de longe, era como ser dominado por uma avassaladora paz de espírito. Era como sentir a presença de anjos na Terra. Aninha, então, repousava ali em sua poltrona usual enquanto aguardava a chegada pontual de seu amante indireto, incerto, longínquo. Ela recordava de suas tantas palavras que pareciam ser infinitas. Poemas espontâneos nascidos de um coração que amava. As tantas vezes que ele afirmara estar irrevogavelmente apaixonado por ela. Promessas de que, se um dia fosse preciso, ele morreria por ela. Como poderia existir um amor tão puro e inocente entre duas pessoas que nunca tiveram uma prosa direta? Entretanto, eles conheciam a verdade. Amavam-se por olhares, sorriso, pequenos gestos que significavam o mundo. Interrompida de seus devaneios, Aninha ouve a porta bater e se priva de correr para seu abraço. Ao invés de se render ao impulso, abre calmamente a porta e sorri. Ele entra e se senta no sofá de frente para a menina. Havia algo de diferente em seu olhar dessa vez. Uma tristeza ardente, uma angústia lírica, uma dor profunda. Ele começa a ditar em um ritmo um tanto rápido palavras sombrias, fantasmagóricas. Ele estava de partida. Outubro / 1959

>>Conto

Não dizia para onde nem por quê. Apenas afirmava que tinha de ir e implorava que sua amada não o esquecesse, pois ele voltaria na esperança de que seu amor por ele não se extinguisse. Ele pedia um beijo, como força para aguentar seus dias, duas terças-feiras sem a presença doce e afável da menina das cartas. Deixou no ar uma promessa de coragem. Coragem que ele adquiriria para voltar e fazer o que já deveria ter feito: pedir-lhe a mão em casamento. Recitou que a amava como o Sol amava a Lua e como o mar amava as estrelas. Aninha se aproximou do homem, ignorando a presença de seus pais e irmãos em outros cômodos, e o beijou. Um beijo rápido, discreto, mas grande. Para eles, era uma bomba, um raio, um trovão que os atingiu em tamanho grau que era irreparável. Não mudaria, seria eterno sendo selado com aquele ínfimo beijo com gosto de despedida. Ele a fitou com olhos de saudade e todo seu físico gritava por ela. Ao fechar da porta, Aninha esconde suas fraquezas, suas emoções, luta para se recompor e se prepara para o próximo cliente que vem lhe trazer mais algumas palavras. Mas ela jamais se esqueceria daquele homem e o esperaria por semanas, meses, anos, milhões de cartas para viver aquele amor. 27


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Revista Vitrola

Revista Vitrola (1959) - conteúdo  

Trabalho final da disciplina Linguagem Gráfica, do 1º período do curso Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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