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DORPER A tendência da raça no Brasil

9 771414 62000 9

02

ANO III No 03 R$ 19,50

ABC ORGÃO OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO

&

DORPER B

R

A

S

I

ASSOC1IAÇÃO

L

BRASILEIRA DOS CRIADORES DE DORPER


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C

M

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CM

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CMY

K


ABC &

DORPER B

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A

S

I

L

ASSOCIAÇÃO

Ano III | Número 3 | nov/2013

Presidente: Paulo Augusto Franzine

Sumário Diretor: Leonardo A. Vidal

Palavra do Presidente................................................................................8 Paulo Augusto Franzine Mensagem aos criadores Dorper...................................................10 Senadora Kátia Abreu ARCO quer ações para impulsionar o crescimento do rebanho ovino brasileiro..............................................................14 Paulo Afonso Schwab Dorper e White Dorper no Brasil – A evolução do padrão racial.............................................................................................................................18 Daan Bosman Regina Valle Ovinocultura de corte...........................................................................22 Luciano Piovesan Leme Caprino e ovinocultura, fotalecendo-se na crise.................28 Rafael Sene Melhoramento Genético, o caminho da produção

Coordenação Bárbara Garcia Site www.abcdorper.org.br e-mail secretaria@abcdorper.org.br Telefones para contato 11-3816 0186 / 11-7003-0191 Endereço ABCdorper Sede: SQS Quadra 06 conj.A Bl. E Edifício Brasil XXI - Brasilia/DF CEP 70322-915 Escritório Administrativo: Av. Professor Frederico Herman Junior, 296 Alto de Pinheiros - São Paulo/SP CEP 05459-010

eficiente..........................................................................................................36

Departamento Comercial:

Edson Siqueira Filho

11-3816-0186 / 11-7003-0191

Sistemas integrados e a produção de ovinos de corte........40

secretaria@abcdorper.org.br

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Fernando Alvarenga Reis

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Tel.: (11) 2947-9700

Mamada controlada em ovinos, benefícios para as

É uma publicação editada pela ArtPrinter

ovelhas e para os cordeiros.........................................................56 Custódio A. Carvalho Junior Ovinocultura brasileira:.........................................................................58 Raquel Maria Cury Rodrigues Produção Ovinos x Bovinos...............................................................62 Custódio A. Carvalho Junior Os padrões de excelência da raça Dorper................................64

A revista Dorper News

Rua Rafael Ficondo, 590 Vila Brasilina - São Paulo - SP CEP 04163-050 Fone/Fax: (11) 2947-9700 Os artigos e depoimentos assinados são de responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Revista Dorper News. Proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo sem prévia autorização.


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Fazenda Portão Vermelho Castrolanda - Castro - PR contato@portaovermelho.com.br

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João Carlos Gerente de Rebanho e Vendas | (42) 9973-0304 Elton Miguel Administrativo e Vendas | (42) 9914-0908

O VER

L E M


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Palavra do Presidente Presidente: Paulo Augusto Franzine

Ao longo dos últimos anos, temos presenciado com muito entusiasmo a incrível recuperação da ovinocultura nacional. Um verdadeiro “boom” explodiu sobre toda a cadeia de valor, com impactos importantes no desenvolvimento dos trabalhos de genética, produção de carne de qualidade e até mesmo da certificação.

Programas foram d e s e nvo l v i d o s por todo o país e podemos observar o início da estruturação da cadeia produtiva desse importante setor pecuário. Em praticamente todas as raças, os investimentos nas áreas de genética, produção de carne e marketing junto ao consumidor realizado apenas nos últimos 10 anos já superaram o montante investido ao longo de toda a história da ovinocultura nacional. São evidentes os sinais de que nossa atividade não é uma moda 10

como muitos ainda acreditam. As demandas por nossos produtos são crescentes e nossa competência em produzir alimento de excelente qualidade vai garantir a evolução desse magnífico mercado. As análises endossam o vigoroso crescimento, mas o caminho é longo, principalmente quando comparado ao de países onde a atividade já é consolidada, caso da Nova Zelândia, Europa, Austrália e Emirados Árabes, entre outros países. Novas tecnologias, modelos de produção, know-how em manejos sustentáveis, capacitação de mão de obra e, especialmente, a disseminação da cultura do consumo da carne de cordeiro foram alguns dos principais itens que receberam grandes somas de dinheiro público e privado. O resultado desse movimento foi um vasto


aquecimento da demanda e, consequentemente, na produção e na oferta de produtos relacionados, assim como na especialização do produtor.

parcela do mercado. Tornou-se comum vermos redes de restaurantes, fast-food e churrascarias incluírem o produto em seus cardápios. E o produto é nobre.

O volume de importações de carnes de cordeiro diminuiu, as perdas de divisas foram menores e o produtor nacional viu-se motivado a aumentar sua produção, pautado nos ótimos preços e condições de comercialização encontradas nos últimos dez anos.

Assim como em todo mundo, o consumo de carne de cordeiro no Brasil é elitizado e, mesmo engatinhando, a criação de ovinos de corte já remunera melhor que atividades tradicionais. Vale lembrar que a ovinocultura não pretende tomar o posto do boi, mas um consórcio entre as duas espécies seria uma ótima opção para diversificar renda. Boi come a parte de cima do pasto, carneiro a de baixo.

Atualmente, temos uma produção de qualidade e com excelentes perspectivas. Não somente nos tradicionais estados produtores, mas em praticamente todas as federações, transformando a ovinocultura em um negócio de grande interesse econômico e participação nacional. Mesmo sem propaganda, o consumo é exponencial. E não faz mais sentido deixar que produtos estrangeiros frequentem a mesa dos consumidores brasileiros. Qualidade nossa carne já tem, basta apenas escala.

E as potencialidades estão além de nossas fronteiras. A população mundial cresce vertiginosamente e junto com ela a demanda por proteína animal. Pensem apenas na China e seus bilhões de bocas. Se cada um aumentasse o consumo em apenas 100 gramas, seriam capazes de acabar com a carne de cordeiro do Brasil e de muitos outros países.

Hoje, tudo o que é produzido e importado atende apenas uma

Por isso, mãos à obra galgar novos desafios, vamos criar cordeiros! 11


Mensagem aos criadores Dorper Senadora Kátia Abreu Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Escrevo esta mensagem às vésperas de embarcar para a China, liderando uma missão empresarial de abertura de mercado para os produtos agropecuários do país.

mercados internacionais mais exigentes. No entanto, quando pensamos em mercado mundial, não devemos nos ater apenas a quantidades. Temos que ter marca

A viagem coincidiu com a 7ª. Exposição

própria para agregar valor ao produto. Mais

Nacional Dorper e o I Congresso Nacional

qualidade, mais inteligência de mercado.

de Cordeiros de Cortes, impedindo a minha

Marketing! E, naturalmente, um suporte

presença nestes eventos e a de um número

maior do governo para abrir portas via

maior de empresários da ovinocultura

promoção comercial e acordos bilaterais.

no Seminário Agroinvest Brasil 2013, que estaremos

Acredito

realizando

investimentos são duas

dia 12 de novembro.

importantes estratégias

Felizmente para todos teremos

qua-

lidade e atração de

em Xangai, no próximo

nós,

que

para o crescimento da

outros

ovinocultura.

eventos comerciais na Ásia, em que podere-

Qualidade em vez de

mos estar juntos.

quantidade, pois se os chineses aumentassem

Na última vez em que

em 100 gramas o con-

estive na China, uma

sumo per capita, pre-

das grandes demandas apresentadas

cisariam importar mais

pelos

50 milhões de cabeças

empresários e autoridades foi justamente em relação à carne ovina. Os chineses querem comprar e o Brasil tem tudo para se tornar um dos grandes fornecedores mundiais. Nós temos terra e clima. Temos expressividade qualitativa nos rebanhos, adaptados a cada região do país. E o mercado está cres-

por ano. Nosso rebanho atual, de cerca de 17 milhões de cabeças, teria que ser triplicado apenas para atender a China. Multiplicar a produção demanda tecnologia, capital e parcerias. É precisamente a atração de investimentos que leva a CNA, mais uma vez, à Ásia.

cendo, tanto no Brasil quanto no mundo.

A China já sinalizou claramente que aposta

Ainda precisamos combater a informalidade

no nosso país como um grande parceiro

do abate e investir em sistemas organizados

de negócios. E os chineses estão dispos-

de produção, para ganhar escala e garantir

tos a montar projetos de ovinocultura no

o fornecimento ao mercado interno e a

Brasil. Que sejam bem vindos!

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ARCO quer ações para impulsionar o crescimento do rebanho ovino brasileiro Diretoria está focada em buscar estratégias para este crescimento Paulo Afonso Schwab, presidente da ARCO

Em 1970 o rebanho ovino era de 17,64

comemora o momento da ovinocultura

milhões de cabeças e, segundo o IBGE, em

nacional e aponta a importância das ações

2011 este número é praticamente o mesmo,

pioneiras do Governo do RS, que teve iní-

17,66 milhões.

cio há pouco mais de um ano com o Mais Ovinos no Campo e,

A atual diretoria da ARCO, foca o trabalho, agora, no aumento

que vêm ao encontro

do rebanho e, a partir

dos objetivos traçados

dos programas imple-

pela associação nos

mentados em parceria

próximos dois anos. A

com a Secretaria de

ARCO, junto com seu

Agricultura do RS, o

corpo de técnicos e

aumento no número

apoio de entidades

de ovelhas virá aliado

públicas de pesquisa,

ao

há pelo menos 40 anos

no

peles, leite e derivados.

trabalho

“Hoje, para suprir ape-

melhoramento

genético

das

da

oferta de lã, carne,

tem desenvolvido um excelente

crescimento

nas o mercado interno,

raças

com um consumo de

ovinas o que hoje se

cerca de 2,5 kg per

pode ver nas exposições nacionais, “temos, em todas as raças, os melhores produtos já vistos, material genético de ponta e que é referência mundial”, diz

capita de carne ovina, precisaríamos de um rebanho de 50 milhões de cabeças”, ressalta Schwab.

Schwab. O contraponto à qualidade está na

Aliados aos programas de fomento e qualifi-

quantidade, os anos de desenvolvimento e

cação, Schwab acredita que virão a formação

qualificação genética deixaram uma lacuna

de técnicos e mão-de-obra especializada,

no número do rebanho nacional, que nestes

programas de extensão, maior participação

anos mantém-se, praticamente, o mesmo.

de órgãos de pesquisa e universidades, além

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de programas de certificação e de origem da lã, da carne, do leite e seus derivados, completando, assim, toda a cadeia produtiva da ovinocultura.

A partir de 2014, os repasses serão feitos no mês de junho ao invés de outubro

Os repasses para as Associações Promocionais de Raça

Segundo o presidente da ARCO, Paulo Afonso Schwab, “a ini-

Outra medida de extrema importância, adotada este ano pela

um investimento justo que nossa entidade fará a cada uma delas”.

ciativa vai auxiliar as promocionais no seu profícuo trabalho de divulgação das potencialidades e qualidades de cada raça e será

ARCO, com apoio da diretoria, foi a do repasse financeiro às Associações Promocionais de Raças. A iniciativa tem como cri-

É importante cercearmos toda a cadeia produtiva de todas

tério base o estudo feito pelo Setor de Registro Genealógico

as ações e estratégias possíveis com vistas ao crescimento

da Entidade, levando em conta o faturamento em serviços e

da ovinocultura no nosso país. Pequenas ações se tornam

manutenção do arquivo zootécnico de cada raça no ano de

de grande valor se forem focadas na eficiência e eficácia dos

2012, do total de 100 mil reais, cada uma receberá suas cotas

resultados. A ovinocultura nacional passa por um dos mais

proporcionais de acordo com os registros realizados em 2012

marcantes momentos no cenário da produção nacional e a

e só será feito àquelas que estiverem com documentação

entidade “mãe das ovelhas” tem obrigação de estar ciente da

regulamentar dentro da ARCO.

importância deste.

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Dorper e White Dorper no Brasil – A evolução do padrão racial

Daan Bosman Diretor jurado e técnico independente da Associação Sul mAfricana de Criadores de Dorper.

Desde os primeiros animais Dorper

durante a 4ª Feira Internacional de Caprinos

registrados oficialmente no Brasil já se pas-

e Ovinos – FEINCO na cidade de São Paulo,

saram 13 anos, anos estes de mais acertos

onde contamos com a presença de 40 cria-

que erros. Durante este período muitos

dores de diferentes regiões do Brasil e cerca

criadores e técnicos visitaram os principais

de 600 animais entre Dorper e White Dorper

criatórios de Dorper e White Dorper na

em exposição. Nessa primeira edição da

África do Sul, Namíbia e Austrália e trouxe-

Nacional o julgamento foi realizado por um

ram embriões, e até mesmo reprodutores e

trio de jurados composto pelos brasileiros

matrizes, produtos de acasalamentos entre

Domingos Ribeiro do Carmo e Giancarlo

os principais reprodutores e matrizes desses países, muitos destes grandes campeões nas exposições nacionais das raças em seus países de origem. Regina Valle Zootecnista e Corrdenadora Técnica da ABCDorper

Antoni e pelo sul africano Tony Cahi (criador e jurado credenciado pela Associação Sul Africana de Criadores de Dorper). Desde então jurados internacionais estão sempre presentes na Exposição Nacional e outras

A 1ª Exposição Nacional das raças Dorper e

exposições em que o Dorper e White Dorper

White Dorper foi realizada no ano de 2007,

são destaques e o número de expositores e

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animais só cresce. Já recebemos como jurados importantes

que qualidades buscar nos acasalamentos dentro do seu

criadores da África do Sul como Tony Cahi, Tien Jordan, Ron

rebanho e assim evoluir dentro da raça.

Van der Merwe e seu filho Rikus Van der Merwe, da Namíbia como Phillip Strauss, Freddie Dreyer e Pieter Van Schalkwyk e da Austrália como Adrian Veich. Nos últimos três anos recebemos uma grande contribuição com diversas visitas ao Brasil, seja para atuar como jurado bem como consultor, do principal consultor da África do Sul: Daan Bosman.

Desde a 1ª Exposição Nacional tive a oportunidade de acompanhar os jurados internacionais e conversar sobre sua visão da evolução do Dorper e White Dorper no Brasil. Todos que aqui estiveram sempre comentaram sobre as potencialidades e dedicação de nossos criadores e de como estamos evoluindo rápido na qualidade dos animais apresentados nas

Nos anos que seguiram a primeira Exposição Nacional

exposições. Na Exposição Nacional realizada em Uberaba no

sempre que possível a ABCDorper realizava cursos com os

ano de 2010 o julgamento foi realizado por um trio de jura-

jurados internacionais para os técnicos interessados em apri-

dos vindo de três países diferentes: Adrian Veich (Austrália),

morar seus conhecimentos sobre o padrão racial do Dorper

Freddie Dreyer (Namíbia) e Raymond Read (África do Sul).

e White Dorper e até mesmo julgar estes animais. No ano de

Entre muitas conversas durante as refeições os jurados confi-

2012 realizamos um workshop com Daan Bosman aberto a

denciaram estar impressionados com a qualidade de alguns

todos interessados em conhecer mais sobre padrão racial do

animais e de como nosso rebanho de Dorper e White Dorper

Dorper e White Dorper.

estava evoluindo rapidamente, estando muito próximo dos

Quem já teve a oportunidade de acompanhar um julga-

animais criados na Austrália.

mento de ovinos na África do Sul sabe que os jurados não

Há quase três anos temos recebido a visita de Daan Bosman,

comentam os resultados de campeonatos logo após o anún-

principal consultor da África do Sul que também atende cria-

cio do mesmo como é feito aqui no Brasil. No inicio encon-

dores de outros países como Namíbia e Austrália, seja para

trávamos uma resistência muito grande vinda dos jurados

atuar como jurado, como consultor ou instrutor nos cursos

estrangeiros para fazer comentários sobre os resultados, mas

oferecidos pela ABCDorper. Sua última visita ao Brasil foi

com o tempo eles entenderam que com seus comentários

quando atuou como jurado na FEINCO Preview 2013 e então

poderiam contribuir para que o criador brasileiro soubesse

pedimos que comentasse sobre suas impressões sobre a

21


evolução do Dorper e White Dorper neste período que esteve nos visitando. Seguem as suas palavras:

quartelas. Estes problemas precisam ser corrigidos. Há uma forte demanda por novas linhagens (genética) no Brasil,

“Meu comentário sobre os campeões da Exposição Nacional do

pois o “pool” genético utilizado é pequeno e a raça precisa evoluir,

ano passado é que estes poderiam estar competindo em julga-

e este é o caminho para progredir. Aconselho os criadores brasi-

mentos em qualquer parte do mundo. Com relação aos cam-

leiros que utilizem os conhecimentos de pessoas que conheçam

peões da FEINCO Preview 2013 digo o mesmo, principalmente

a fundo o padrão racial do Dorper e White Dorper e as demandas

a respeito das fêmeas campeãs. Fiquei impressionado com a

para corrigir os problemas encontrados nos rebanhos brasileiros.

qualidade dos machos das primeiras categorias, tanto Dorper

Na minha opinião, no último ano alguns criadores brasileiros

como White Dorper, e na minha opinião o Grande Campeão seria um animal jovem. É muito bom para a raça quando os animais jovens superam os animais mais velhos. Uma observação positiva foi a apresentação de animais competitivos de propriedade de criadores novos e/ou criadores que

adquiriram um bom material genético que poderá contribuir para o progresso das raças. O ano de 2014 será um bom ano para as raças Dorper e White Dorper no Brasil!”

ainda não tinham participado de exposições. Isto é bom para

Os comentários do Daan Bosman confirmam o que ouvi no

as raças demonstrando que não há a predominância de um ou

ano passado dos jurados internacionais que estiveram aqui

dois criatórios nas competições. Parabéns em especial para estes

no Brasil: a qualidade dos animais brasileiros já era superior

criadores por manter a pressão sobre os criadores tradicionais.

aos animais criados na Austrália e que em poucos anos

Algo que me deixou desapontado foi o número de animais apre-

estaríamos no mesmo nível que os melhores criatórios da

sentados que não estavam dentro do padrão para participar de

África do Sul.

uma competição. Este fato deixa clara a importância da reali-

Isto demonstra que a ABCDorper tem caminhado na dire-

zação de palestras e workshops sobre o padrão racial do Dorper

ção correta realizando os cursos e palestras com os jura-

e White Dorper Brasil a fora. É muito importante que o criador conheça o padrão racial ao selecionar os animais que irão participar de uma competição. Encontramos muitos problemas de conformação, especialmente no quarto dianteiro, nos animais

dos internacionais e que os criadores e técnicos brasileiros tem colocado em prática os conhecimentos transmitidos pelos mesmos.

apresentados: muitos tinham o peito muito “aberto” (distância

Para a Exposição Nacional deste ano esperamos surpreender

entre as pernas dianteiras), problemas nas paletas (“popeyes”) e

ainda mais os jurados! 22


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Ovinocultura de corte desafios do presente e do futuro

Luciano Piovesan Leme Zootecnista, ovinocultor em Barbacena (MG) e Presidente do Núcleo dos Criadores e Caprinos e Ovinos da Zona da Mata e Campos das Vertentes - NUCCORTE.

O mundo atual passa por profundas trans-

O fornecimento de água em quantidade

formações sociais, culturais, econômicas e

e qualidade e a produção de alimentos de

ambientais, onde em curto espaço de tempo

origem animal e vegetal para 9,2 bilhões de

esta grande nave chamada “planeta Terra”

habitantes, com toda a sua complexidade,

estará passando dos atuais 07 bilhões de

exigirá muito mais que planos econômicos,

“passageiros” para 9,2 bilhões de “passageiros”

PAC’s e promessas eleitoreiras, exigirá ação,

até o ano de 2050, com nosso Brasil podendo

planejamento, pesquisa agropecuária e

chegar a 235 milhões de habitantes e Minas

inovação tecnológica para garantir acesso

Gerais com cerca de 22 milhões de habitantes

à toda população de água e alimentos em

(fonte: ONU). Parece distante, mas são apenas

quantidade e qualidade.

37 anos para atingirmos esta marca, tempo este que passa de forma impressionante-

E qual será nosso papel neste cenário

mente rápido e nossos maiores desafios são

enquanto produtores rurais, senão realizar

e serão geração de emprego, renda, educa-

o que sabemos fazer com competência e

ção, saúde, habitação, segurança pública,

firmeza: produzir alimentos com susten-

transportes, mas principalmente dois gran-

tabilidade. Basta verificar o crescimento

des desafios: disponibilidade de água (em

contínuo das safras agrícolas nacionais:

quantidade e qualidade) e alimentos.

141,3 milhões de toneladas em 2010; 149,4

24


milhões de toneladas em 2011; 166,1 milhões de toneladas em 2012 e previsão de 184 milhões de toneladas em 2013 (fonte: CONAB), isto tudo sem ampliar de forma significativa a área cultivada. Os produtores rurais brasileiros têm competência, sabem lidar a terra, mas necessitarão de ma ior eficiência com adoção de inovações tecnológicas, acesso a recursos e financiamentos oficiais com juros e taxas condizentes com a realidade agrícola, garantia de renda, seguro agropecuário, assistência técnica de qualidade, transferência de tecnologia, sendo estes “insumos” minimamente necessários para garantir produção de alimentos com sustentabilidade. Neste cenário de demanda cada vez maior por produção de alimentos, estamos nós pecuaristas no limiar do desafio de produzir cada vez mais proteína animal com equilíbrio ambiental e os setores de ovinos e caprinos têm papel fundamental neste propósito, pois no caso da ovinocultura garantem maior produção de

fundiária, onde as pequenas e médias propriedades passam

quilos carne por hectare em menor espaço de tempo, utili-

a ter ainda mais fundamental importância na produção de

zando de forma harmônica e eficiente os recursos naturais e

alimentos. Na caprinocultura e mesmo na ovinocultura

encaixando-se perfeitamente no atual quadro de distribuição

leiteira, a produção de leite e derivados caminha na mesma

25


direção, em espaços físicos diminutos, de forma igualmente

com meta de atingir até o ano de 2016 um rebanho superior

harmônica e eficiente no uso de recursos naturais, garante

a 20.000 matrizes.

abastecimento e produção de alimentos essenciais, principalmente à nutrição de crianças e idosos.

O associativismo e cooperativismo são extremamente vantajosos para os criadores se todos os participantes entenderem o

Diante deste quadro, precisamos estar cientes que a maneira

propósito das mesmas e principalmente se a participação dos

de atingirmos de forma eficiente, eficaz e economicamente

associados for ativa, assim para nossos associados do NUCCORTE

viável o desafio de produzir alimentos nas pequenas e médias

temos na comercialização coletiva de animais a possibilidade de

propriedades rurais será principalmente através do associati-

aumentar nossa força de negociação, permitir a padronização de

vismo e do cooperativismo.

lotes de animais e formar lotes em número suficiente para aten-

E para dar exemplo de que é possível em Minas Gerais um grupo solidário (não solitário), coeso e ciente de sua capacidade, uniu-se

der a demanda de frigoríficos, bem como para os produtores de leite de cabra organizarem-se e permitir escala de produção para

e criou de forma associativa e cooperativa o Núcleo de Criadores

atender de forma organizada o mercado.

de Caprinos e Ovinos das Regiões dos Campos das Vertentes e

O Núcleo também permite aos associados a compra conjunta

Zona da Mata – NUCCORTE, que de forma competente estão tri-

de animais (matrizes e reprodutores) para melhorar o plantel

lhando o caminho da produção de ovinos e caprinos, tornando realidade este imenso desafio que o mundo tem pela frente.

de cada associado, bem como a compra conjunta de insumos tais como sal mineral, concentrados, produtos veterinários e

O NUCCORTE foi criado e implantado em Barbacena – MG no

outros, com preços e condições extremamente vantajosas

ano de 2009, com posse de sua primeira diretoria em Janeiro

aos criadores. Em síntese, a organização dos criadores em

de 2010 e em Janeiro de 2012 a atual diretoria foi reeleita para

associação e/ou cooperativa criou, no nosso caso, um leque

o mandato 2012/2014.

enorme de benefícios a todos os seus associados, o que seria

Sua criação foi uma iniciativa de um grupo de criadores que

muito difícil e mais lento se fossem feitos de forma isolada.

apostando na atividade de ovinocultura e caprinocultura

A criação de ovinos dos associados do NUCCORTE tem como

vislumbrou no associativismo o fortalecimento do setor nas

foco principal a produção de carnes e couro e a predomi-

regiões dos Campos das Vertentes e Zona da Mata Mineira,

nância nos rebanhos são animais das raças Dorper, White

sendo que hoje o grupo conta com 54 associados reunindo

Dorper, Santa Inês, Ile de France e Texel e seus cruzamentos,

um rebanho de mais de 10.000 matrizes de ovinos e caprinos,

sendo que de forma coletiva os associados do NUCCORTE 26


comercializaram de forma ininterrupta nos últimos 34 meses

Oliveira, Nepomuceno, Santo Antônio do Monte, Passa

consecutivos 54 cargas de 120 cordeiros cada para abate em

Tempo, Machado, Ritápolis e Soledade de Minas.

frigoríficos nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com mais de 6.500 animais de excepcional qualidade, atendendo o que o mercado sempre buscou, ou seja, animais com alto padrão de qualidade, padronização quanto à idade e peso e regularidade de entrega possibilitando atender de forma contínua um mercado cada vez crescente e exigente de consumidores de carne de cordeiros e derivados.

• Pólo Baldim (MG):  Baldim, Sete Lagoas, Funilândia, Dom Joaquim, Esmeraldas, Santa Luzia. • Pólo Viçosa (MG): Viçosa, Paula Cândido, Canaã, São Miguel do Anta e Rio Casca. • Pólo Barbacena (MG): Barbacena, Carandaí, Antônio Carlos, Alfredo Vasconcelos, Lima Duarte, Juiz de Fora,

Mais recentemente temos um grupo de produtores interessa-

Ressaquinha, Desterro do Melo, Santos Dumont, Coronel

dos na introdução de ovinos leiteiros em suas propriedades,

Pacheco.

buscando assim na produção de leite de ovelhas e derivados mais uma oportunidade de geração de renda, desta forma em breve teremos um forte grupo de produção de leite de ovelhas dentro do NUCCORTE.

• Pólo Leopoldina (MG): Leopoldina, Cataguases, Muriaé. • Pólo do Alto Paranaíba: São Gotardo, Patos de Minas. O NUCCORTE organiza ainda para seus associados

A criação de caprinos tem como foco a produção leiteira, com produtores especializados e extremamente profissionalizados na atividade, com produção de leite, queijos e iogurte, atendendo a uma clientela regional e que a cada dia se familiariza com estes produtos produzidos com leite de cabra e associa esta qualidade aos seus benefícios para a saúde. A área de atuação do NUCCORTE está organizada em Pólos de Produção onde estão situadas as propriedades dos associados, assim distribuídos: • Pólo Nazareno (MG): Madre de Deus de Minas, Nazareno, São João Del Rei, Itumirim, Lavras, Carmópolis de Minas, 27

treinamentos e capacitação, com cursos, palestras,


dia-de-campo, seminários e visitas em outros criatórios

as atividades propostas pelo NUCCORTE, bem como a

de diversas regiões do país, bem como promove regu-

criação de políticas públicas de fomento.

larmente compra conjunta de insumos como concentrados, produtos veterinários, sal mineral e equipamentos. Também organiza com freqüência a compra conjunta de matrizes e reprodutores para atender a demanda de seus associados, visando o aumento do efetivo do rebanho em sua área de atuação, sendo que nos últimos meses têm aumentado o número de produtores que buscam informações interessados no ingresso nas atividades de ovinos e caprinos e na participação como membros do NUCCORTE. Desde sua implantação, o NUCCORTE tem atuado em três frentes distintas:

Mas sabemos igualmente que temos inúmeros desafios a vencer, tais como falta de conhecimento técnico do produtor rural em relação à atividade de ovinocaprinocultura, mão-de-obra escassa e ineficiente, assistência técnica ausente e despreparada para atender à demanda, linhas de crédito e financiamento tímidas e ainda burocratizadas, transferência de tecnologia ausente do dia-a-dia do produtor rural e imensa desarticulação dos elos que compõe a cadeia do agronegócio de caprinos e ovinos. Entretanto todos estes problemas podem ser sanados com associativismo e cooperativismos e este é o nosso papel. Saudações Ruralistas.

1) Difusão e divulgação da atividade da ovino-caprinocultura em nossa região tanto para produtores quanto para consumidores, com capacitação e profissionalização dos associados, também com foco na capacitação dos funcionários dos associados; 2) Organização de venda conjunta de animais para abate; compra conjunta de produtos, insumos, compra conjunta de matrizes e reprodutores e ampliação do plantel com animais voltados para a atividade fim dos associados; 3) Atuação junto à órgãos municipais, estaduais e federais, públicos e privados buscando parcerias e apoio em todas 28


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Caprino e ovinocultura, fotalecendo-se na crise A maior seca dos ultimos 60 anos na Bahia e semiarido Nordestino Vivemos em 2012 uma catastrofe para a

Em 1993 e 1994 e 1995 tivemos um período

pecuaria do semiarido brasilero e em espe-

de seca, Eduardo Teixeira,na fazenda jatai

cial da Bahia,que detem a maior area do

nesta epoca, investia e selecionava bovinos

bioma

caatinga

onde a sêca é um

1996, fazendo um

fenômeno ciclico

planejamento estratégico e

e inexoravel para Rafael Sene Ovinocaprinocultor, médico veterinário com especialização em caprinos e ovinos, MBA em Agribusiness FGV

a nossa região e

tomando a decisão correta, um

com perspectivas

caso de sucesso.

sombrias

para

2013.

de corte, com as raças e

Chiannina

Pardo

suíço,

tínhamos matrizes deparamos

400 e

nos com

um destes períodos cíclicos de

Dorper PO em Fevereiro de 2012.

30


desastre ambiental e resumindo em poucas palavras, mortalidade do rebanho,prejuizo,perda de todas as matrizes que foram vendidas a qualquer preço para que não morresse na região,perdemos todo o trabalho de 5 anos de seleção.

Um exemplo de criador de ovinos enfrentando a seca. Um exemplo do que ocorre com a pecuaria baiana,hoje é José Ranulfo que maneja na mesma area, 3000 ovinos mestiços de dorper para corte e 500 bovinos e no auge desta

Ponderamos, avaliamos, e tomamos uma decisão estra-

crise, ele se manifesta muito claramente “as ovelhas não são

tégica, ”vaca em quantidade, nunca mais nesta fazenda”

o problema,são a solução e a sustentação, o gado bovino

começamos um projeto

com Caprino e ovinos, em

sim,vou acabar perdendo todos” esta estiagem,que ja é a

1997,baseado nas experiência de seca vividas por criado-

maior dos ultimos 47 anos e espero que não se torne a maior

res da nossa região. Trouxemos os Caprinos Boer do Canadá em

do seculo pois estamos perto

Dorper & White Dorper” a

pois até os dias de hoje, dezem-

embriões congelados de Dorper e

ferramenta pra trabalhar

previsões apontam para chuva

Boer da Africa do Sul, evoluimos na

e vencer a sêca com uma

1997 e em 1999 trouxemos os

seleção,envolvemos outros criadores na região que unidos criaram

atividade produtiva e lucrativa.

a Accosb e Rede genética, visando

bro

choveu muito pouco e es

somente em Março de 2013. A competição da carne bovina com o centro oeste:

fomentar as duas vertentes,a Carne e a Genética ovina e

Outro ponto a ser abordado é que a logística de venda dos

caprina na nossa região.

grandes frigoríficos do centro oeste tem cada vez mais se PO dorper e receptoras à campo, em maio de 2012- Maior seca dos ultimos 47 anos.

31


Femeas à campo sendo suplementadas .em maio de 2012- Maior seca dos ultimos 47 anos. profissionalizado e outro exemplo é que em qualquer parte

de carcaça. Este processo para voces terem ideia esta acon-

do Brasil, as entregas de cortes bovinos, suínos e frangos

tecendo em plena seca,trazendo lucros para a sua fazenda.

se faz muito rapidamente e com preços competitivos, os quais os produtores de carnes locais as vezes não tem como competir.

Outro exemplo atual da nossa região, que vinha crescendo como bacia leiteira bovina e com esta situação de seca atual,quase todo o trabalho de melhora genética e seleção

Este criador hoje esta se organizando para confinar os borre-

está perdido e principalmente a perda da coragem de

gos apartando aos 60 dias e com a terminação,alcançar mer-

investir novamente em melhorias, sabendo que as secas

cados mais exigentes e consequentemente melhores preços

são inexoráveis, cíclicas e certas no semi árido.

Mestiças de Dorper à campo em maio de 2012- Maior seca dos ultimos 47 anos.

32


Mestiça parida em maio de 2012- Maior seca dos ultimos 47 anos. Faz parte da seleção genética de ovinos, manejar nossas

diferente nesta que foi a grande seca, onde foi um excelente

matrizes a campo, mesmo na seca, testando a rusticidade

momento e laboratório de manejo desta espécie e desta raça.

e adaptabilidade às nossas condições de campo e não foi Palma forrageira com –Ração balanceada -100 g/dia.

Esta seca tem que ser discutida e aprender desta adversidade climatica extrema, experiência e atitudes para desenvolvermos uma pecuaria sustentada para o semiarido baiano, sabendo que vamos conviver com ela, quando não sabemos e portanto temos que estar sempre preparados. O que estamos percebendo e que varios criadores tambem estão: • Os caprinos e o ovinos sobrevivem e enfrentam melhor na seca que o bovino. • Os ovinos manteem-se bem pois pastam rente ao chão e na caatinga com vegetação caducifólias (caem as folhas) é um momento onde eles catam bem as folhagens no chão. • A suplementação destes animais por é mais facil e com menor volume e custo procurando alternativas regionais, como a palma. • O valor agregado da carne é melhor que o bovino a arroba de borregos terminados em confinamento com idade de 5 meses chega entre R$150,00 a R$200,00 a arroba da carcaça inteira. • Em 2/12/2012 o preço do cordeiro ao produtor pago pelos frigoríficos na região de Juazeiro chegou a R$13,00 o kg da carcaça. dando o preço de arroba de R$195,00.

33


Dorper PO no canpo em maio de 2012- Maior seca dos ultimos 47 anos.

• Possibilidade de terminação em confinamento dos

Um fato é que esta seca levou ao abate desenfreado de

produtos nascidos com estrutura muito simples e com

todos os animais que estavam com escore corporeo apto

retorno de investimentos da alimentação.

para o abate e que pudesse dar sustentabilidade aos

• Quando apartamos cordeiros aos 60 a 70 dias no campo para um confinamento as femeas, mesmo na condição de seca recuperam-se nutricionalmente, continuando seu ciclo reprodutivo. • A raça dorper nestas horas mostra o seu potencial de rusticidade e tolerancia a situações extremas . • Conversão

alimentar

satisfatoria

economicamente

quando confinado. • Os capinos são os mais resistentes e adaptados às condições exremas, porem a produção de carne em larga escala é mais dificil e teria que ser mais bem pago,e este custo não é reconhecido pelos frigorificos e o mercado consumidor.

pequenos criadores no semiarido, bovinos com 10 arrobas, matrizes,novilhas, e na ponta deste abate estão os ovinos e caprinos, pois foi este rebanho o que esta sendo mais abatido, estamos pois dizimando o nosso rebanho para dar sustentabilidade às famílias, fazendas e a sobrevida do caatingueiro . Na bacia leiteira de Quiçé, distrito de Senhor do Bonfim,Ba os produtores tiveram que vender as suas matrizes que valiam R$2500,00 ao preço de R$400,00, para não ver morrer, e teriam morrido todas se a SEAGRI, através do seu secretario Eduardo Sales não tivesse bancado um confinamento de matrizes dos pequenos produtores, mantendo um rebanho mínimo regional.

34


Foto: Mestiças paridas em maio de 2012- Maior seca dos ultimos 60anos.

Praticamente 85% do rebanho bovino de Senhor do Bonfim

• Sabemos que a fertilidade das fêmeas bovinas desnu-

morreu ou foi vendido a qualquer preço, nós inclusive entre-

tridas é perto de zero, ex de Ze Ranulfo, já citado que

gamos 60 garrotes para a região de Nova Soure para receber

de 400 vacas tocadas tinhas somente 16 prenhas e

quando o produtor vendesse e agradecemos este negocio

afirmo que se chover hoje, o produtor de bovino só

pois senão teriam morrido e já fazem 8 meses e ainda não

vai ter um garrote pronto para o abate de meados de

puderam ser vendidos pois a seca também castiga Nova

2015 ( se continuar chovendo) e ate lá de que a região

Soure e assim foram feitos negócios os mais bizarros possí-

vai viver?

veis, como, levar o rebanho e para a metade do valor atual depois de 6 meses etc.....

• Trabalho de doutorado da Veterinaria Dra Jaciara em plena seca fizeram US em 1500 matrizes Ovinas mesti-

Temos que acordar que para o semiarido temos que

ças de Dorper e deu perto de 80% prenhas, na mesma

fortalecer,multiplicar, tecnificar, e tornar uma atividade

condição climática e fazenda dos bovinos que deram

profissional

a cadeia produtiva do ovino que pela

quase todas vazias, as mestiças de ovelhas dorper vazias,

natureza destas especies, são mais adaptados, produ-

150 delas foras sincronizadas e inseminadas com semen

tivos na caatinga.

em diluições decrescentes, deu taxas de prenhez de 70%

• Quanto tempo levará a região semi arida para recuperar esta catástrofe? 35

mostrando a fertilidade da raça Dorper e da especie, apesar da adversidade climática


Porque temos que insistir no bovino, se o centro oeste e

2. Podemos e devemos diversificar criando também capri-

a nossa zona da mata atlantica,produz num custo operacional muito mais baixo e hoje com grandes caminhoes frigorificos abastecem com melhores carcaças e mais

nos e ovinos? 3. Temos que especializar o semi árido na criação do caprino e ovino e tornar a Bahia na Nova Zelandia Brasileira?

baratas que as nossas ? • Porque não organizar estes milhares de pequenos criadores

4. Temos condições de competir com a produção de carne bovina no centro oeste?

de ovinos, estruturando terminadores e confinadores que possam captar borregos para dar acabamento de carcaça?

Analise, pondere, e não esqueça da seca quando chover e

• Porque não podemos organizar estes terminadores como

lembre-se, ela é cíclica e certa e enxergue a espécie ovina e

é na Espanha ( Corderex), organizados em cooperativas,

a raça Dorper como uma ferramenta importante de sobrevi-

para orientar,tecnificar, padronizar e principalmente

vência e convivência e como atividade produtiva.

comercializar em conjunto, se contrapondo aos atravessadores e conseguir preços melhores? Todas estas perguntas poderão ser respondidas se fizermos uma analise critica do que passamos neste ano e o que vamos passar até que se regularizem as chuvas e quando

Depois de 2,5 anos, começou a chover na nossa região. Não é atoa que quando fomos buscar genética na africa, encontramos e nosso melhor reprodutor (buriá 783), produto de embrião importado a 100 km do do deserto do

o verde chegar,que na caatinga é muito rapido, não vamos

Kalahari, zona com media de 150 mm /ano de chuva e

esquecer tudo e como sempre achando que nunca mais

com atividade produtiva na ovincultura e esta foi exata-

vamos ter problemas de seca no sertão.

mente a situação que passamos nestes 2 anos na região

Devemos pois fazer perguntas sempre, lembrando de seca: 1. “Vamos criar vacas no semiarido?”

de senhor do bonfim-Ba, com índices de pluviosidade ao redor de 240 mm /ano e a raça dorper fez a diferença para passar esta seca.

36


Venda permanente de reprodutores Fazenda Guarapiranga / Campina do Monte Alegre - SP Fones: (15) 3256-1276 (11) 99971-7613 37


Melhoramento Genético, o caminho da produção eficiente

Edson Siqueira Filho Médico Vterinário

Há tempos se discute dentro da cadeia

e como”. Escolhendo um desses pontos

produtiva de caprinos e ovinos, seus entra-

para discussão falarei sobre a eficiência

ves e desafios para a sua concretização.

produtiva dos rebanhos que é o estopim

Na última década muitas ações e avanços

para o desenvolvimento econômico das

foram conseguidos, embora ainda tenha-

criações produtoras de carne ovina, par-

mos ainda muito que fazer para chegarmos

tindo como base a desmistificação do

a um status de desenvolvimento que per-

termo melhoramento genético, aplicado

mita uma estabilidade de mercado. Muitos

de maneira equivocada pela grande maio-

entraves foram e são apontados: poucas

ria dos técnicos e criadores de caprinos e

unidades industriais, baixa qualidade de

ovinos brasileiros, da mesma forma com

mão de obra, pouco conhecimento, baixa

que é realizada.

eficiência produtiva dos animais, entre outras. E cada um desses itens citados acima rendem, seguramente, discussões longuíssimas sobre os seus “quês, porquês

Salvo raras exceções não se faz melhoramento genético em ovinos e caprinos no Brasil, mas os programas ainda não tem a consistência nem a importância que desejam os que o fazem. Isso ocorre simplesmente por esse trabalho acontecer de forma isolada em uma ou outra fazenda. O melhoramento genético é um trabalho que para ter sentido de evolução tem que possuir dimensões populacionais. Para a realização de um trabalho de melhoramento genético consistente os criadores de uma raça específica tem que estar unidos e comprometidos em torno desse propósito e sobretudo lembrar que um programa com esse tem o objetivo do avanço de toda a raça. Dito isso podemos afirmar: Ainda não se faz melhoramento genético em ovinos e caprinos no país. Sabemos que algumas fazendas fazem avaliação e controle dos dados produtivos dos animais, pesagens, anotações zootécnicas, etc., mas isso é seleção e não

38


podemos chamar de melhoramento genético, pois não é. A

programas de melhoramento genético (PMG) que busquem

seleção zootécnica dos animais é fator importantíssimo para

a melhoria e evolução das características produtivas dos ani-

um rebanho, mas ainda está aquém do potencial de ganho

mais, baseados nos fatores economicamente importantes.

gerado por um programa de melhoramento com suas tão

O objetivo de um programa de melhoramento genético é a

desejadas DEPs.

identificação dos animais produtivos, para cada objetivo de

A valorização da ovinocultura na última década trouxe muitos criadores para a atividade. Atraídos pelos grandes valores práticados na comercialização de animas em feiras e leilões, muitos criadores fizeram grandes investimentos nesta atividade. O que vimos durante esses anos foi uma mudança dos animais chamados de elite ou usualmente chamados, erroneamente, de animais de genética, com uma seleção baseada em características visuais e raciais. Enquanto os rebanhos comerciais, racialmente puros ou não, seguiram estagnados em seus padrões produtivos ineficientes.

produção e consequentemente atingir o encurtamento do ciclo de produção e aumento da rentabilidade dos plantéis. Os PMG analisam o desempenho produtivo dos indivíduos interligando os dados de parentesco (ascendência e descendência), gerando estimativas seguras de produtividade nas próximas gerações. O uso de informações genéticas é uma ferramenta importante para aumentar os índices produtivos de rebanhos ovinos. Essas informações são obtidas pela implantação de programas de avaliação que determinem o potencial genético das características produtivas importantes economicamente

Em geral os rebanhos comerciais brasileiros não são sele-

que possui cada animal. As predições do potencial produtivo

cionados para a produção extensiva em pasto, isso retarda

na determinação do mérito genético dos animais são realiza-

o ciclo produtivo, aumenta os custos, e diminui a eficiência

das pela avaliação do desempenho e pela relação genética

econômica do rebanho. Uma das formas de incrementar

dos animais nas diferentes características e são expressas

a eficiência produtiva dos rebanhos é com a aplicação de

pelas DEPs (Diferença esperada na progênie).

39


O PMG propicia aos criadores informações que permite iden-

do mérito genético, sendo diretamente comparável entre

tificar, selecionar e multiplicar reprodutores cujos valores das

todos os animais presentes na avaliação genética de carnei-

DEPs sejam superiores a média da população, objetivando

ros, matrizes e produtos.

alcançar o melhoramento das características produtivas e aumento da lucratividade dos rebanhos de acordo com o seu objetivo produtivo. Com a utilização do PMG é possível aumentar a precisão da seleção dentro e entre os rebanhos para características fortemente herdáveis e economicamente importantes, tais como peso ao nascer, desmama, etc.

As informações geradas pela avaliação genética não são somente números, serão ferramentas de auxílio no desenvolvimento da produtividade dos rebanhos. As análises das diferentes características permitirão aos participantes do programa identificar onde devem atuar para a melhoria de determinada característica específica. Assim, as características deficientes do rebanho

Essas analises são realizadas por meio da metodologia matemática especificas geradas pelos dados coletados nas fazendas. Os animais são comparados para as diferentes características a serem utilizadas como critérios de seleção, dentro de rebanho e dentro de raça. A relação genética (parentesco) entre os animais entre rebanhos determinados pelo uso de carneiros em comum, por meio de inseminação artificial (IA) e compra de reprodutores que permitem a comparação direta dos animais de diferentes rebanhos. A DEP

podem ser melhoradas. Por meio dos relatórios individuais para cada fazenda podem ser identificados os animais geneticamente superiores e deslocar favoravelmente a média das características economicamente importantes para o patamar desejado.

Algumas vantagens de participar de um PMG. • Avaliação genética de todo o rebanho (reprodutores, matrizes e animais jovens).

- Diferença Esperada na Progênie é a forma de apresentação 40


• Avaliação do desempenho produtivo e reprodutivo do

consistente em ovinos é o LambPlan, da Austrália,

rebanho, pela análise de características economicamente

que engloba uma grande base de dados de animais

importantes.

de diversas raças e de varias regiões daquele país. Os

• Disponibilização das DEPs das diferentes características que permitirão identificar e selecionar os animais de melhores méritos genéticos, para alcançar os objetivos de seleção da propriedade.

produtores que aderiram ao programa observam a cada ano a produtividade e a lucratividade de seus rebanhos aumentar. As raças Dorper e White Dorper possuem um potencial

• Possibilitar o acasalamento de animais de acordo com suas características genotípicas, restringindo a consangüinidade e ampliando o progresso genético.

produtivo altíssimo, é evidente que elas tem um papel crucial no incremento da eficiência produtiva da ovinocultura nacional. A seleção de nossos animais para a realidade que eles encontrarão no campo, produzindo

• Agregar valor aos plantéis e principalmente aos reprodutores avaliados

carne, é importante para o cumprimento dessa vocação natural das raças. Com a aplicação das metodologias de avaliação genética e o estabelecimento de

• E outras...

critérios seletivos para potencializar sua capacidade

Em países tradicionais em produção de ovinos, os

de produção, daremos as raças uma ferramenta de

programas de seleção genética já são uma realidade

crescimento eficiente que dará ao criador a segurança

há muitos anos e os produtores reconhecem a sua

de fazer o investimento certo com o Dorper e com o

importância. Um dos programas de seleção mais

White Dorper.

41


Sistemas integrados e a produção de ovinos de corte

Fernando Alvarenga Reis pesquisador - sistemas de produção Núcleo Regional Centro-Oeste/ Embrapa Caprinos e Ovinos Embrapa Gado de Corte - Campo Grande/MS

Sistemas integrados de produção vêm

recente. Normalmente, os animais são usa-

se tornando uma realidade. Evolução da

dos no manejo de explorações comerciais de

capacidade gerencial, consciência ambiental

espécies frutíferas atuando como “roçadeiras”

e possibilidade de diversificação da renda,

das vegetações indesejáveis que competem

aliados ao incentivo por parte do Governo

com as lavouras principais. Em geral são

Federal, são atributos e estímulos para a ado-

forrageiras, gramíneas e leguminosas, que

ção desses novos modelos.

ao serem consumidas pelos ovinos, diluem

A solução para um projeto de diversificação pode estar mais acessível ao produtor buscando aproveitar a mesma área da pro-

as despesas de manutenção dos pomares com a aplicação de herbicidas ou roçadas manuais ou mecânicas.

priedade para integrar atividades diferentes.

Exemplos do uso de carneiros e ovelhas

Experiências realizadas com rebanhos de

em pastejo nas entrelinhas de plantios de

ovinos mostram que o consórcio com outras

café, cítricos, coco, manga, uva, entre outras

espécies animais ou culturas agrícolas pode

lavouras permanentes, são vários e possibi-

gerar bons resultados.

lita a utilização de vegetação muitas vezes

A utilização de ovelhas junto a cultivos de vegetais de interesse econômico não é

não aproveitada, favorecendo a manutenção das lavouras, principalmente em áreas de topografia acidentada. No caso de tal integração, cuidado deve ser observado com a aplicação de produtos químicos e das caldas bordalesas, utilizadas na pulverização dos frutos, que normalmente possuem elevadas concentrações de cobre, elemento altamente tóxico para os ovinos. (Silva Sobrinho, 2007). Mas, nos últimos anos, os preços alcançados pela carne de cordeiro permite que o produtor vislumbre uma renda extra com a atividade e não apenas a diluição de custos. Os valores pagos pelos cordeiros vêm sendo regularmente divulgados na mídia (Aspaco, 2013; Farmpoint, 2013) e, comparativamente

Consórcio com o gado ajuda a reduzir os índices de verminose entre os ovinos 42

aos bovinos, a arroba da carne de cordeiro


Conforto térmico dos animais na iLPF pode atingir o dobro do valor, superando os R$ 180,00 (cento

implantação e manutenção de espécies forrageiras de ele-

e oitenta reais).

vado potencial de produção e qualidade.

A oferta de linhas de crédito para implantação de práticas

Os benefícios podem ser observados pela adequação

mais sustentáveis no campo é outra iniciativa que orienta

natural dos ciclos de produção dos componentes lavoura

para sistemas de produção integrados. Lançado em 2010,

e pecuária ovina ao longo do ano agrícola. O período de

o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças

monta numa criação a pasto que não faz uso da indução

Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa

hormonal nas matrizes ocorre nos meses de janeiro, feve-

Emissão de Carbono na Agricultura - Plano ABC, tem por fina-

reiro e março. Os nascimentos ocorrem em junho, julho e

lidade disponibilizar recursos para a adoção das tecnologias

agosto. Os cordeiros ficam prontos para o abate em outubro,

de produção sustentáveis, envolvendo recuperação de pas-

novembro e dezembro.

tagens degradadas, a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs) e ações voltadas para a

Na região sul é comum o plantio da pastagem de azevém,

adaptação às mudanças climáticas. A iniciativa passa a rece-

uma cobertura de inverno que ajuda no preparo e recupe-

ber maior adesão dos produtores sendo que, do montante

ração do solo entre a colheita e o novo plantio das lavouras

ofertado em 2013, de quatro bilhões e quinhentos milhões

de verão. Nessa época do ano, os animais ocupam algo em

de reais, 80% foram contratados, de acordo com o Ministério

torno de 30% da área da propriedade onde se faz agricultura.

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2013).

Recomendações técnicas têm sido estabelecidas para sis-

A integração lavoura-pecuária tem garantido a sustenta-

temas produtivos organizados em forma de cooperativas

bilidade de sistemas de produção pecuária em algumas

(Cordeiro Castrolanda, 2013). No inverno, os ovinos da

propriedades devido ao aumento da fertilidade do solo pela

propriedade pastam na área de azevém, onde depois serão

adubação da lavoura, que cria condições apropriadas para a

plantados o milho e a soja. No verão, o pastejo ocorre em

43


oito hectares de capim-tifton, divididos em 16 piquetes e

oferta de forragens no período seco do ano. Resultados

reservados o ano todo para a criação desses animais. No tipo

favoráveis têm sido alcançados em pesquisas que estão

de manejo que alterna o pastejo entre o verão e o inverno

sendo desenvolvidas no Núcleo Centro-Oeste da Embrapa

ocorre a redução de casos de verminose, uma das principais

Caprinos e Ovinos, instalado em Campo Grande-MS, nas

doenças na criação de ovinos.

dependências da Embrapa Gado de Corte. A terminação de

Nas condições agrícolas dos cerrados brasileiros, a farta disponibilidade de grãos, aliada à dificuldade de escoamento do excedente dessas commodities para outras regiões consumidoras ou para exportação, propicia um potencial atrativo para a transformação destes produtos em carne de cordeiro, de alto valor agregado. As tecnologias atualmente disponíveis para sistemas integrados lavoura-pecuária permitem tanto a formação de pastos de qualidade, beneficiados pela fertilização residual após o plantio de grãos,

cordeiros desmamados no início do segundo semestre do ano e suplementados a pasto com concentrado, ofertado na proporção de 2 % do peso vivo, tem possibilitado ganhos médios diários da ordem de 200 g/dia. A pastagem, formada juntamente com o plantio de milho ou sorgo e utilizada logo após a colheita dos grãos, pode ser considerada isenta de parasitas gastrointestinais, conforme resultados de OPG (contagem de ovos por grama de fezes) mantido abaixo de 400, avaliado por dois anos consecutivos.

quanto para abundante disponibilidade de forragens para

Benefícios semelhantes podem ser obtidos por criações que

pastejo animal até a posterior dessecação para o plantio

se encontram em processo de expansão, onde a recria de

direto na palha. O maior benefício destes modelos é a maior

borregas para posterior incorporação no rebanho de matrizes

Sistema silvipastoril em implantação 44


Ambiente ideal para matrizes

é feita em pastagens formadas em sucessão às lavouras até

pelos segmentos consumidores que buscam produtos

que atinjam a idade reprodutiva, de maneira mais precoce,

certificados e ambientalmente corretos. Essa tendência

reduzindo sensivelmente a necessidade de suplementação

de mercado para produtos ambientalmente adequa-

alimentar durante este período.

dos cria oportunidades para a produção em pastagem

Os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), ou agrossilvipastoris, são sistemas que envolvem a interação dos componentes florestal, agrícola e pecuário. No Brasil, entre os anos de 1970 a 2006, houve um crescimento relativo nas áreas utilizadas com lavouras, florestas e pastagens, da ordem de 126%, 73% e 12%, respectivamente. Os benefícios advindos do uso de árvores em pastagens podem incluir desde a melhoria do conforto térmico dos animais e a recuperação de pastagens degradadas até a produção comercial de madeira, criando fontes alternativas para a produção sustentável (Porfírio-da-Silva & Silva, 2009).

arborizada, contribuindo para a captura e fixação de carbono atmosférico e menor emissão de óxido nitroso, além de mitigar a emissão de metano pelos ruminantes, favorecendo a inserção da pecuária em um contexto de preservação ambiental. O efeito da disponibilidade de sombra para os animais de produção baseia-se na melhoria de suas condições fisiológicas, no comportamento animal e no desempenho produtivo, sendo que essas variáveis são evidenciadas em animais menos tolerantes às elevadas temperaturas. Nos trópicos, a reprodução animal é limitada principalmente pelo estresse

A pecuária vive hoje um cenário de grandes pressões

térmico e agrava-se pelo fato de que as raças selecionadas

por seu marketing ambiental negativo, principalmente

para maior produção, em geral, são provenientes de países

45


Exploração integrada de eucalipto e ovinos de clima temperado, impossibilitando a máxima expressão

danos provocados por ovinos em árvores de eucalipto em

de seu potencial produtivo.

diferentes idades e o comportamento ingestivo de ovelhas em

Avaliações de desempenho animal e de pastagem em sub-bosque de eucalipto realizadas em sistemas silvipastoris evidenciam o grande potencial de produção destes sistemas, observando-se melhoria da qualidade da pastagem sombre-

Sistemas Silvipastoris são pesquisas conduzidas pela Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Itapetininga, ligada ao Polo Regional do Sudoeste Paulista/APTA-Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Barbosa, 2011).

ada e o ganho de peso dos animais. A presença do compo-

Outra possibilidade é da exploração de ovelhas junto à cul-

nente arbóreo em sistemas silvipastoris contribui para reduzir

tura da seringueira (Hevea brasiliensis), que ocupa grandes

os danos provocados por geadas na pastagem e nos animais,

áreas devido aos espaçamentos exigidos, sendo alterna-

que se protegem da chegada repentina de fortes frentes frias

tiva de sucesso na integração, principalmente devido ao

(Porfírio-da-Silva & Silva, 2009).

fato de seu cultivo ter poucos tratos culturais e controles

Sistemas silvipastoris com ovinos em áreas de eucaliptos recém-

propiciado pela seringueira ameniza os efeitos depressivos

-plantadas buscam uma antecipação de receita com a entrada

do estresse térmico, reduz a disponibilidade de forragem,

dos animais antes da primeira capina, propiciando redução

sendo necessária redução da carga animal, porém os ovi-

no custo de manutenção da cultura. O desenvolvimento e a

nos deslanados apresentam desempenho produtivo em

avaliação econômico-financeira de um modelo de Sistema

sistema silvipastoril com seringueira (Porfírio-da-Silva &

Silvipastoril com eucalipto e ovinos, a avaliação de possíveis

Silva, 2009). Hoje, o Estado de São Paulo é o maior produtor

químicos. Nas condições amazônicas, o sombreamento

46


Pastagem formada na integração lavoura-pecuária (capim-piatã) nacional de borracha natural, apontam as estatísticas. De

uma pastagem explorando diferenças de comportamento

acordo com os dados publicados pelo IAC, em 2012, para

em pastejo de cada espécie, semelhante ao que ocorre em

uma produção brasileira de 171.500 toneladas de borracha,

ambientes selvagens. Diferentes nichos da pastagem são

São Paulo contribuiu com 92.993 toneladas, ou seja, 54,2%,

ocupados pelos animais, determinando um melhor aprovei-

seguido dos Estados de Mato Grosso, com 42.492 t, 24,8%,

tamento da forragem oferecida. Além disso, frequentemente

Bahia, com 22.812 t, 13,3%, Espírito Santo, com 5.580 t, 0,5%,

ocorre um maior desempenho das espécies animais envolvi-

e os demais com 12.645 t, 7,4% (IAC, 2013). Portanto, há um

das, seja pela melhoria da forragem disponível ou pelo maior

vasto potencial de exploração silvipastoril aliando produção

benefício nos aspectos sanitários. A magnitude do resultado

de borracha e carne de cordeiro.

satisfatório obtido com a exploração mista depende do tipo de pastagem e de quais espécies animais participam na inte-

A integração de ovinos com outros animais (bovinos, caprinos, equinos e áreas ao redor de tanques de peixes) carece de estudos científicos mais aprofundados, embora se saiba que as espécies envolvidas normalmente são beneficiadas pela integração, principalmente na redução das infecções parasitárias e melhor aproveitamento dos estratos da vegetação.

gração (CARVALHO et al., 2005). No Centro-Oeste, onde os campos são ocupados tradicionalmente pelo gado, os estudos vêm provando que plantéis de ovinos e de bovinos podem conviver pacificamente. Bastante comum também nos pastos do Rio Grande do Sul, essa interação tem como um de seus principais atributos a

Também denominada “Integração Pecuária-Pecuária”, a

diminuição nos índices de verminose entre os ovinos, o que

criação de ovinos e bovinos busca a otimização do uso de

fica provado pelos exames de OPG (contagem de ovos por

47


grama de fezes) e a consequente diminuição na aplicação de vermífugos ao longo do ano.

Bibliografia Consultada ASPACO. Associação Paulista de Criadores de Ovinos –

A integração é considerada viável para diferentes perfis de

Preço do cordeiro. Disponível em: <http://www.aspaco.

propriedade, inclusive as de menor porte. O consórcio de

org.br/>. Acesso em: 14 out. 2013

ovinos com a pecuária de leite também pode ser explorado. No período de recria em que a novilha ainda não está apta a reproduzir, existe a possibilidade de o produtor conseguir duas crias de uma ovelha durante este tempo, aproveitando a mesma pastagem.

BARBOSA, C.M.P. Definição de ambientes sustentáveis à produção de cordeiros de alta qualidade no sudoeste paulista. Pesquisa & Tecnologia, vol. 8, n. 134, dezembro de 2011. Disponível em: <http:// www.aptaregional.sp.gov.br/artigos>. Acesso em: 29 nov. 2012. CARVALHO, P.C.F.; SANTOS, D.T.; BARBOSA, C.M.P.; LUBISCO,

Entre os cuidados que devem ser adotados num sistema

D.S.; LANG, C.R. Otimizando o uso da pastagem pela inte-

desse tipo estão a instalação apropriada de cercas perifé-

gração de ovinos e bovinos. In: ZOOTEC – CONGRESSO

ricas e internas nos piquetes e a separação do sal mineral

NACIONAL DE ZOOTECNIA, 10. 2005. Anais... Campo

que será administrado. É importante lembrar que o sal dos

Grande- MS:ZOOTEC. 2005. p.1-30. CD-ROM

bovinos tem um nível de cobre mais elevado, o que pode intoxicar os ovinos. Nesse caso, o produtor pode providenciar um cocho mais alto, para os bois, e outro mais baixo, para os ovinos. Nos bebedouros também é preciso avaliar a necessidade da instalação de um degrau para que os ovinos possam acessar a água. No manejo do pasto, é necessário considerar que os ovinos são mais seletivos. O inadequado número de animais na área pode comprometer não só o desempenho das ovelhas, mas também a produção vegetal na iLPF, por danos que poderão ser causados às árvores. A lotação, definida em UA (unidade animal) por hectare, considera uma UA = 450 quilos de peso vivo (PV). Não se deve fazer uma correspondência direta em peso considerando

CORDEIRO CASTROLANDA. A oportunidade de transformar pastagens em carne é bem vista pelos produtores. Disponível em: <http://cordeiro.castrolanda.coop.br/ovinocultura>. Acesso em: 10 set. 2013 FARMPOINT. Cotação do preço do cordeiro: qual é o preço do kg/carcaça ou arroba na sua região? Disponível em:

<http://www.farmpoint.com.br/cadeia-produtiva/

cotacao-do-cordeiro/cotacao-do-preco-do-cordeiro-qual-e-o-preco-do-kgcarcaca-ou-arroba-na-sua-regiao-85758n. aspx>. Acesso em: 8 out. 2013 IAC. Instituto Agronômico: Programa Seringueira. Disponível em: <http://www.iac.sp.gov.br/areasdepesquisa/seringueira/ importancia.php>. Acesso em: 14 ago. 2013 Ministério

da

Agricultura,

Pecuária

e

que 450 kg de PV de um bovino serão o mesmo que nove

MAPA.

ovinos pesando 50 kg cada. Proporcionalmente, o consumo

Abastecimento – Plano ABC. Disponível em: <http://www.

alimentar de uma ovelha é superior ao de um boi e deve-se

agricultura.gov.br/comunicacao/noticias/2013/10/mapa-e-

atentar para que sejam colocadas, no máximo, seis ovelhas

-mda-instituem-o-plano-abc-nacional>. Acesso em: 8 out. 2013

de 50 Kg/PV numa área de pastagem que tem capacidade de

PORFÍRIO-DA-SILVA, V.; SILVA, M. G. B. Integração Pecuária-Floresta:

suportar uma UA bovina.

perspectivas na produção de ovinos e caprinos. In: XIV SIMPÓSIO

A integração de árvores, lavoura e pastagens com ovinos apresenta potencial para o desenvolvimento de sistemas sustentáveis e uso de boas práticas agropecuárias, que deve-

PARANAENSE DE OVINOCULTURA; II SIMPÓSIO PARANAENSE DE CAPRINOCULTURA; II SIMPÓSIO SUL BRASILEIRO DE OVINOS E CAPRINOS. 2009. Anais... Curitiba-PR:LAPOC. 2009. CD-ROM

rão ser fruto de ampla discussão quanto ao custo/benefício

SILVA SOBRINHO, A. G. Integração de ovinos com outras espécies

para os produtores rurais e a rentabilidade na gestão das

animais e vegetais: SIMPÓSIO DE OVINOCULTURA DE CORTE DE

explorações consorciadas.

MARÍLIA. Anais... Marília-SP:Unimar. 2007. 17 p. CD-ROM 48


FarmPoint – O ponto de encontro da cadeia de ovinos e caprinos O FarmPoint é um portal dedicado a produção, industrialização e mercado de ovinos e caprinos no Brasil e no mundo. O portal contém análises de mercado, notícias nacionais e internacionais, cursos online, Fórum Técnico, artigos na área de Nutrição, Reprodução, Sanidade, Sistemas de Produção, Qualidade, Culinária, Conservação de Forragens e Pastagens. Além disso, o portal possui informações técnicas atuais, relevantes e de alta aplicabilidade para quem trabalha com ovinos e caprinos. Tudo isso com acesso gratuito. Além disso, desde 2012, o FarmPoint realiza um simpósio semestral com foco na ovinocultura brasileira e que tem como objetivo enriquecer as discussões entre os produtores, pesquisadores e universidade.

Fique por dentro do mundo da ovinocaprinocultura!

Acesse agora: www.farmpoint.com.br 49


Gerenciamento e Custos na Produção de Ovinos

Camila Raineri Zootecnista e criadora de ovinos

Em qualquer atividade econômica, o

produto competitivo, atingindo menores

segmento produtivo é o mais vulnerável da

custos de produção. O seu resultado eco-

cadeia agroindustrial. Com a Ovinocultura

nômico em mercados de commodities

não é diferente. Por não conseguir controlar

depende do gerenciamento dos custos de

totalmente o preço do produto que vende

produção e dos ganhos de escala.

(seja carne, matrizes ou reprodutores), o pro-

A apresentação “Gerenciamento e custos

dutor necessita administrar as variáveis que

na produção de ovinos” terá como objetivo

estão sob o seu controle, dentro da porteira.

apresentar o controle dos custos de produ-

Trata-se de uma estratégia para tornar seu

ção como uma ferramenta prática de gestão

50


da produção de cordeiros, e demonstrar como implementar tal controle em uma criação. Serão abordados itens que devem ser controlados no dia a dia da propriedade para permitir o acompanhamento dos índices zootécnicos mais importantes. Será apresentada também uma análise prática sobre a forma com que esses indicadores técnicos (taxas de mortalidade, prenhez, prolificidade, ganho de peso, entre outros) e os preços dos insumos utilizados na criação (mão de obra, alimentos, instalações, reprodutores, terra, entre outros) influenciam nos custos de produção. Duas ferramentas para gerenciamento de custos serão também apresentadas e disponibilizadas aos participantes: a planilha para cálculo de custos e verificação de rentabilidade da criação e o Indicador de Custos de Produção do Cordeiro Paulista (ICPC), ambos desenvolvidos em pesquisas na USP de Pirassununga. O ICPC passou a ser divulgado mensalmente em setembro de 2013, com a análise dos custos de produção de cordeiros do mês de agosto deste ano. São abordadas até o momento cinco regiões do estado de São Paulo, com planos de se expandir o estudo para todas as regiões paulistas. A planilha de cálculo de custos pode ser solicitada através do e-mail lae@usp.br, e o cadastramento para receber mensalmente o boletim do ICPC pode

51


ser realizado pelo e-mail icpc.usp@gmail.com. Ambas as

as taxas de prenhez, prolificidade, mortalidade, ganhos de

ferramentas são gratuitas.

peso e afins. Além disso, é essencial um controle fiel das

Os custos são gerados durante a produção dos cordeiros, e são consequência de basicamente dois fatores: da caracterização do sistema de produção (quais insumos são utilizados,

quantidades dos insumos utilizados, como concentrados, volumosos, áreas das pastagens e instalações, horas de funcionários, entre outros.

e de forma são utilizados) e dos preços dos insumos. Destes

Com os preços dos insumos e estes dados em mãos é pos-

dois fatores, a eficiência do sistema produtivo apresenta um

sível calcular o custo de produção de um quilo de cordeiro

impacto muito maior sobre os custos de produção que os

produzido (sem as informações do rebanho é impossível).

preços dos insumos empregados (como será demonstrado

Sugere-se que este cálculo seja feito utilizando a plani-

na apresentação). Assim, o gerenciamento para baixar custos unitários e aumentar a lucratividade deve necessariamente se iniciar focando o aperfeiçoamento das características técnicas da criação. A base para este processo é CONHECER

lha de cálculo de custos de cordeiros desenvolvida pelo LAE - Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal da USP.

a própria criação: a escrituração zootécnica deve ser levada

O cálculo dos custos de produção deve incluir itens que

a sério, bem como a correta identificação dos animais.

muitas vezes são deixados de fora da conta pelos cria-

Somente assim é possível levantar de forma confiável indi-

dores. A remuneração do proprietário, as depreciações

cadores como a quantidade de animais em cada categoria,

de instalações, equipamentos e reprodutores, o custo de

52


oportunidade da terra, os juros sobre os capitais de giro e

corporal. Também as borregas merecem atenção especial,

imobilizado são alguns exemplos. Isso é importante para

podendo valer quando comercializadas para reprodução

que não ocorra a tão comum descapitalização do produtor,

mais que os próprios cordeiros vendidos para abate. É

bem como para evitar surpresas desagradáveis em relação à

possível também agregar valor ao cordeiro através da

real rentabilidade da atividade.

melhoria da carcaça, especialmente do rendimento. Ou

A respeito da rentabilidade, é importante se fazer duas colocações. A primeira é sobre a necessidade de se pesquisar preços antes de adquirir os insumos para a criação:

seja, investimentos no processo produtivo que possam valorizar os animais a serem vendidos merecem certamente ser estudados com atenção pelo criador.

as diferenças entre fornecedores numa mesma região,

A ovinocultura enfrenta muitos gargalos, entre eles o elevado

ou até numa mesma cidade podem ser muito grandes.

custo de produção. Em sua maior parte, tais dificuldades são

A segunda colocação é sobre a necessidade de se tomar

de cunho técnico, e muitas delas podem ser contornadas por

providências que assegurem vendas bem sucedidas. O

meio de medidas simples. A arma mais poderosa do ovino-

cordeiro não é o único bem resultante do sistema de

cultor é a informação: através do conhecimento profundo dos

produção, e não pode ser o único a arcar com todos os

índices zootécnicos e composição dos custos da sua criação é

custos. Fêmeas de descarte representam uma parcela

possível identificar com clareza os obstáculos a serem enfren-

significativa das receitas da criação, muitas vezes supe-

tados, possibilitando a tomada de decisões conscientes. Isto é

rior a 10%, especialmente se vendidas em boa condição

um dos fundamentos do gerenciamento.

53


Parasitoses gastrintestinais em pequenos ruminantes

Andréia Buzatti Maria Angela Machado Fernandes2 Marcelo Beltrão Molento3 1

Na produção de pequenos ruminantes, as

Dentre os endoparasitas de pequenos rumi-

parasitoses são uma das maiores causas de

nantes, Haemonchus contortus destaca-se

prejuízo econômico, os quais vão desde altos

como um dos principais, apresentando

gastos com produtos anti-helmínticos, redu-

elevada prevalência e patogenicidade

ção dos índices produtivos até a mortalidade

tanto para animais jovens como para adul-

dos animais. O impacto negativo sobre a

tos. Esse parasita localiza-se no abomaso

produtividade, tanto individual quanto do

(Figura 1), é hematófago e cada adulto suga

rebanho, pode ser muito representativo na

em média 0,05ml de sangue por dia. Nesse

lucratividade geral do sistema. No entanto,

caso, um animal parasitado com 5.000

esse fato é pouco avaliado por técnicos e

adultos pode perder cerca de 250 ml de

produtores, principalmente quanto evolve

sangue/dia, podendo causar severa anemia

sinais clínicos leves ou redução em índices

e hipoproteinemia. Ocorrendo, como prin-

produtivos não avaliados. Na Austrália e

cipais sinais clínicos, edema submandibular

África do Sul, esses prejuízos chegam a até

(Figura 2) e palidez das mucosas (Figura

US$200 milhões de dólares/ano.

3), a qual pode ser observada na mucosa

Figura 1. Haemonchus contortus parasitando abomaso de ovino. 1 2 3

Médica Veterinária, Mestranda em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Paraná. Médica Veterinária, Doutoranda em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Paraná. Médico Veterinário, Professor Doutor, Laboratório de Doenças Parasitárias, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil. Autores para correspondência: Universidade Federal do Paraná, Laboratório de Doenças Parasitárias, Curitiba, PR, Brasil. E-mail: deiabuzatti@ gmail.com 1, molento@ufpr.br 2

54


ocular. Em casos de infecções maciças, geralmente ocorre morte súbita dos animais. O controle dessas parasitoses é feito com o uso de medicamentos anti-helmínticos, sendo uma prática amplamente utilizada e usada como única forma de controle. Entretanto, atualmente se observa um processo crescente de seleção genética dos parasitos contra a maioria dos princípios químicos utilizados para seu controle – e que chamamos de resistência parasitária. Alguns fatores são responsáveis por acelerar esse processo, como por exemplo: 1. Uso indiscriminado dos produtos, muitas vezes de forma supressiva; 2. Dosagem elevada; 3. Curto intervalo entre aplicações; 4. Rápida rotação Edema submandibular (papeira) em ovinoovino.

entre produtos. O custo estimado somente para a resistência é de 10% do valor individual dos animais.

quando inseridos ao manejo sanitário voltado para o con-

A fim de controlar a resistência parasitária e assim, prolongar

trole das parasitoses gastrintestinais em ovinos.

a vida útil dos anti-helmínticos deve-se mudar o conceito de

Técnicos e produtores devem ter em mente que não existe

que o uso desses produtos é a única forma de controle para-

uma fórmula perfeita para o controle parasitário. Desta

sitário. Nesse sentido, a implantação do método FAMACHA

forma, sugerimos que o programa sanitário tenha como

(tratamento individual seletivo) dentro de um sistema de

base o conhecimento do problema, o uso de formas de

controle integrado, com adoção de técnicas de manejo na

diagnóstico (OPG) e a preocupação com a boa nutrição

propriedade, podem demonstrar excelentes resultados,

dos animais.

Palidez da mucosa ocular de ovino.

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56


57


Mamada controlada em ovinos, benefícios para as ovelhas e para os cordeiros A ovinocultura brasileira vem sofrendo

do nosso rebanho destes números de uma

uma grande pressão para suprir o mercado

forma viável?

consumidor deste produto que vem crescendo ano a ano. No entanto o público que demanda a carne do cordeiro possui um perfil muito exigente quanto a qualidade do produto. Custódio A. Carvalho Junior Médico Veterinário

Dente outras variáveis, precisamos de cordeiros que aos 60 dias de vida apresentem peso médio acima dos 16 a 18 kg (média no rebanho) e fazendo que as mães destes cordeiros fiquem prenhes no menor espaço de

Com isto o produtor se depara com alguns

tempo possível após o parto. Assim teremos

desafios. Dentre eles produzir um cordeiro

cordeiros que ficarão menos dias em con-

com a qualidade que o mercado exige a

finamento e ovelhas com menor intervalo

um custo que cubra seus investimentos

entre os partos.

na produção. Sendo assim o produtor tem que atingir o máximo de produção do seu rebanho com o menor capital possível, resumindo tendo um rebanho produtivo.

Uma das alternativas para atingir estes índices é o uso da mamada controlada ou manejo de mamada. Este técnica se resume em separar os cordeiros após os 10 dias do

Sabemos que a ovelha tem a capacidade

nascimento da mãe e uma vez ao dia este

de produzir um cordeiro a cada oito meses,

cordeiro é amamentado. Em rebanhos que

e que este cordeiro tem a capacidade de

dormem a pasto, estas ovelhas são levadas

chegar ao peso de abate, em torno de 35 kg

para junto dos cordeiros em um determi-

de peso vivo, antes dos 5 meses de idade.

nado horário, ficam por 2 ou 3 horas com

Mas como conseguimos aproximar a média

as crias e são separadas novamente. Nos

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rebanhos que dormem fechados a mamada ocorre durante a

estão em mamada controlada pode ser o fator que justifica

noite, período que as ovelhas ficam com seus cordeiros.

este aumento do peso a desmama.

E qual o benefício deste manejo para as ovelhas? Embora as

Neste contesto podemos ver que a mamada controlada além

ondas foliculares se iniciem logo após o parto estes folículos

de reduzir os custos com a alimentação das ovelhas pelo fato

dominantes não chegam a fase final de maturação devido a

de poder liberar estes animais a pasto sem a necessidade

ausência de pulsos de LH (hormônio luteinizante) suficientes para

de alimenta-los no cocho, reduz o intervalo entre partos,

a finalização do processo. Sabemos que os estímulos causados

possibilitando uma maior quantidade de crias na vida útil

pela sucção durante a mamada do cordeiro inibem a liberação

da ovelha com um maior peso a desmama dos cordeiros e

do LH, hormônio este necessário para que a ovulação ocorra.

consequente menor tempo de confinamento destes animais

Sendo assim com a utilização do manejo de mamada as

para atingir o peso ao abate.

ovelhas voltam ao cio mais cedo e com um score corporal

Todas estas variáveis somadas resultam em uma maior pro-

superior as que estão em mamada continua. Aumentando a

dutividade do rebanho e um maior retorno financeiro para

probabilidade de emprenharem em um menor tempo após

o produtor no momento em que este produto for colocado

o parto, reduzindo assim o intervalo entre partos.

no mercado.

Alguns trabalhos mostram que as ovelhas em mamada con-

Referência bibliográfica.

tinua apresenta retorno ao cio após os 45 dias pós-parto, em contra partida as ovelhas em manejo de mamada apresen-

Assis, R. M., Pérez, J. R. O., Souza, J. C., et al. Influência do

tam o retorno ao cio aos 36 dias pós-parto. Confirmando a efi-

manejo de mamada no retorno ao estro de ovelhas no pós-

ciência do manejo na diminuição dos intervalos entre partos.

-parto. Ciênc. agrotec., Lavras, v. 35, n. 5, p. 1009 -1016, set./

Para os cordeiros este manejo não causa prejuízo algum, pelo

out., 2011.

contrario, diminui o stress da desmama abrupta que ocorre

Romano, R. M., Porto, P. P., Blachi; W. Efeito da mamada contro-

nos casos da mamada continua. O peso aos 60 dias tem sem

lada sobre o desenvolvimento de cordeiros, escore de condi-

mostrado em média 2 kg superior nos cordeiros que passam

ção corporal e peso em ovelhas da raça santa inês. Anais do

pelo manejo de mamada em relação aos que permanecem

XIX EAIC –2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.

em mamada continua.

Santana, A.F., Maritins filho, R. Fatores que influenciam no

Vale salientar que os cordeiros em manejo de mamada devem

desenvolvimento ponderal de ovinos jovens deslanados.

ter livre acesso a ração balanceada para sua faixa etária. E o

Arquivos da Escola de Medicina Veterinária –UFBA, Salvador,

aumento do consumo de ração por parte dos cordeiros que

v.18, n.1, p.41-60. 1995-1996.

59


Ovinocultura brasileira: como os encontros e eventos contribuem com a atividade?

Raquel Maria Cury Rodrigues Zootecnista pela Unesp de Botucatu e Coordenadora do FarmPoint – site especializado na cadeia de ovinos e caprinos

A ovinocultura no Brasil por si só possui

A mão de obra especializada é outro item

várias nuances. Devido à extensão territorial

agravante, não apenas para a ovinocultura,

do país, cada região possui peculiaridades

mas sim para outras atividades agrope-

próprias relacionadas ao tipo de pasto, oferta

cuárias. Cada dia que passa o número de

e variedade de alimentos fornecidos aos ani-

pessoas dispostas a trabalhar no campo

mais, problemas sanitários, etc. Mas, de uma

diminui e isso sem dúvidas prejudica as

forma geral, há alguns desafios enfrentados

cadeias como um todo. Quando fala-se em

por todos os produtores, pois a cadeia pro-

ovinocultura esse problema é agravado pelo

dutiva ainda carece de estruturação para ser

fato de o Brasil não possuir uma cultura forte

competitiva no mercado.

para essa produção. Isso dificulta o encontro

Além disso, a carne de cordeiro ainda não se consolidou como um item habitual e popular na culinária do país. Ela ainda é muito associada

de pessoas que conheçam as peculiaridades e detalhes desses animais, o que prejudica a produção de uma forma geral. 

a datas festivas e os consumidores não encon-

Os funcionários que já trabalham no campo

tram com frequência nos supermercados ou

devem ser incentivados a ficar no mesmo. O

lojas de carne cortes fáceis e padronizados

proprietário deve conhecê-los bem e saber

para preparar, fato que não vai ao encontro

como estimulá-los a permanecer em sua

com a tendência de praticidade no preparo de

propriedade e treinamentos devem acon-

alimentos do dia a dia da população brasileira.

tecer para o aperfeiçoamento daquilo que

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já existe. Uma sugestão é a união dos produtores que possuem propriedades em localidades próximas para reuniões, treinamentos dos funcionários em grupo e participação em eventos, abrangendo um número maior de pessoas e reduzindo os custos.  Por outro lado, o Brasil possui vantagens como espírito pecuarista, clima, disponibilidade de terra e o mais importante: disposição e vontade dos ovinocultores que particularmente, sempre me chamaram a atenção. Em junho de 2012 e abril de 2013, o FarmPoint realizou 2 simpósios e nesses eventos, a maioria do público mostrou interesse em participar de mais encontros, dias de campo e mesas redondas. Os produtores querem difundir suas experiências, mostrar o que deu certo, compartilhar os erros e contar suas histórias. Isso inspira os novos e lapida os antigos na atividade. Não tem nada mais gostoso do que escutar as vitórias e conquistas ao longo da caminhada. Recebo também com muita frequência emails de inúmeras pessoas (até de fora do Brasil) com dúvidas e ideias. Isso é muito motivador.  61


A discussão que envolveu os eventos fez amadurecer várias

Fora da porteira, o êxito da ovinocultura depende do sucesso

ideias importantes para o setor. O ovinocultor precisa identi-

da cadeia de suprimentos até o consumidor final e a segmen-

ficar um sistema de produção apropriado para sua ocasião.

tação e diversificação de mercado parecem ser algumas das

Não existe um modelo padrão ou uma receita de bolo: a

estratégias a serem seguidas. É importante que as indústrias

melhor raça, o melhor pasto, a melhor ração. É um processo

estejam atentas àquilo que o mercado anseia e centrados

que exige insistência, paciência e muitos testes.

nisso, necessitamos produzir visando também a qualidade.

A gestão dos custos de produção e os indicadores zootéc-

Sem as discussões desenvolvidas nesses eventos, não con-

nicos, por exemplo, são considerados hoje “obrigatórios” em

seguiríamos chegar a essas conclusões apontadas acima. Os

qualquer atividade que tem como foco principal a obtenção

encontros são importantes justamente para motivar as pes-

de sucesso e lucro. Necessitamos dessas ferramentas para

soas envolvidas na atividade e mais do que isso, incentivar a

que a ovinocultura tenha um futuro promissor, pois caso

troca de ideias, a interação entre os produtores, a união dos

contrário, é dar passos para trás, é ser amador. Para isso, pre-

participantes, o contato com a realidade e os desafios nela

cisamos criar o hábito de anotar, registrar, rabiscar o caderno,

embutidos enfrentados por todos. Aproveite essa oportu-

projetar, desenhar e apagar, pois as informações são o que

nidade quando ela surgir e com certeza você colherá bons

nós temos de mais precioso e não podemos desperdiçá-las. 

frutos e amadurecerá conceitos.

62


63


Produção Ovinos x Bovinos

Para ter uma base no comparativo da

produção de alimentos que existe hoje já não

produção de ovinos e bovinos, realiza-

supre a demanda. Segundo outro estudo de

mos uma abordagem econômica e outra

um pesquisador chamado Green e de seus

socio-ambiental.

colaboradores feito em 2005, a população

Do ponto de vista econômico se dividirmos os dados de produção de carne por hectare no período de 51 meses como apresentado Custódio A. Carvalho Junior Médico Veterinário

na tabela a baixo por 2 (50% de rendimento

mundial em 2050 passara das atuais 7 bilhões para 9 bilhos de pessoas. Se a oferta já não supre a demanda de hoje com o aumento da população este senário tende a se agravar.

de carcaça para ambos) e multiplicarmos

Se somarmos a isto os paises emergentes

por R$ 92 o valor da arroba do boi e R$ 180

como o Brasil e China, onde a renda da popu-

(RS 12,00 o kg da carcaça do cordeiro).

lação tem aumentado, e quando a renda

Assim temos uma produção de 13,5@ de boi na

de consumo que aumenta a demanda é a

mesma área com faturamento de R$ 1228,5 em

proteina animal e dentre elas a carne.

da polulação aumenta o primeiro intem

51 meses, no cordeiro teremos uma produção de 54@ e um faturamento bruto de R$ 9720,00. Diferença de R$ 8491,5 a mais de renda bruta na área em 51 meses com o cordeiro.

AAssim para alimentarmos a crescente população mundial teremos que ser mais eficientes na produção de proteína animal por área ocupada ou teremos que desma-

Com uma visão social, um estudo da FAO feito

tar mais florestas para alimentar a crescente

em 2008 diz que no mundo 1 bilhão de pes-

população mundial. Os dados de produção

soas passam fome no mundo, sendo assim a

por área estão na tabela a baixo.

Item Animais ha/ano Idade ao 1o parto intervalo entre partos idade ao abate produção ha/51 meses

Bovino 1 36 meses 15 meses 15 meses 360 a 450 kg

Fonte: adaptado CNPq (2001) 64

Ovino 10 13 e 15 meses 8 a 9 meses 8 a 9 meses 1.200 a 1.500 kg


cabanha monte olimpo

Genética Sul africana formando campeõeS dorper / W.dorper

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65


Padrões

Os padrões de excelência da raça Dorper Sistema de pontuação Objetivo:

D5 Boa distribuição da gordura por todo o corpo – sem nenhuma gordura localizada - registro (RE)

Distinguir o grau de excelência através da: 1 Descrição e escore por pontos 2 Aparência visual e desempenho 3 Verdadeira reflexão das qualidades de excelência e dos defeitos Como é que nós fazemos isto? Nós fazemos isto através de um sistema de pontuação para comparar diferentes animais.

D4 Boa distribuição da gordura por todo o corpo uma ligeira indicação de localização de gordura – registro (RE)

Muito bom/excelente

5

Acima da média

4

Média

3

Pobre ou abaixo da média

2

Muito deficiente com defeitos eliminatórios

1

D3 Quantidades razoáveis de gordura localizada ou seco demais - seleção (S1) D2 Gordura localizada – ou animal muito seco – segunda seleção (S2) D1 Excesso de gordura localizada ou animal extremamente seco– para eliminar (E) Penalise mais a acumulação de gordura nos animais jovens do que nos adultos quando os julgar.

Padrão de cor – Símbolo “P” A cor será discutida mais detalhadamente mais adiante para o Dorper e o Dorper branco. Para a definição do padrão de cor a divisão entre acima e abaixo da linha é a seguinte: a O jarrete b O ponto mais baixo do joelho c Nos reprodutores até à parte traseira na junção (base) do scrotum d Nas matrizes vai até aos órgãos reprodutivos (úber e vulva) P5, P4 E P3 qualificam-se para registro (RE) P2 qualificam-se para primeira e segunda seleção (S1,S2) P1 para eliminar (E)

Depois disto, nós dividimos o animal em diferentes partes e avaliamos cada uma destas diferentes partes

Conformação – Símbolo “B” B5 Muito boas qualidades para registro (RE) B4 Boa qualidade para registro (RE) B3 qualidade mediana para primeira seleção (S1) B2 pobre qualidade for segunda seleção (S2) B1 muito deficiente com defeitos eliminatórios (E)

Tamanho ou taxa de crescimento – Símbolo “G” G5 Ovino grande, qualidade para registro (RE) G4 Ovino mediano qualidade para registro (RE) G3 Ovino abaixo da média, qualidade para primeira seleção (S1) G2 Ovino pequeno, qualidade para segunda seleção (S2) G1 Ovino extremamente grande ou pequeno – para eliminar (E)

Pelagem ou Cobertura – Símbolo “H” H5, H4 e H3 qualificam-se para registro (RE) H2 qualificam-se para primeira e segunda seleção (S1, S2) H1 para eliminar (E) A pelagem ou cobertura será também ilustrada com esboços

Distribuição da gordura – Símbolo “D” 30 66


Conformação

Tamanho

B 4 ou 5 3 2

G 4 ou 5 3 2

Distribuição da gordura D 4 ou 5 3 2

Padrão de cor P 3,4 ou 5 2 2

Tipo – Símbolo “T” T5 e T4 são para registro (RE) T3 primeira seleção (S1) T2 segunda seleção (S2) T1 para eliminar (E) NB: B4 pode ser T5, mas B5 nunca pode ser T4 Rebanho comercial = primeira e segunda seleção Um ponto a menos do que o mínimo requerido para registro em qualquer parâmetro = S1 (primeira seleção). Dois pontos a menos do que o mínimo requerido para registro em qualquer dos parâmetros B, G, D ou T = S2 (segunda seleção) O escore mais baixo em qualquer dos parâmetros (B, G, D, P, H e T) determina a seleção. Para S1 e S2, o escore (pontuação) para T não pode ser mais elevado do que o escore para B, G ou D. Se o escore para qualquer parâmetro for 1 em qualquer categoria o resultado será um T1 e o animal deverá ser eliminado (E).

Tipo: A aparência geral e a harmonia entre todas as partes do animal e o modo como elas se complementam umas às outras, a proporcionalidade ou o modo como o animal é balanceado, o apuramento do animal assim como o grau de cumprimento dos padrões de excelência da raça determinam o tipo (T). O retrato ou silhueta do animal que você vê ao longe deve ser capaz de o(a) inspirar e enchê-lo (a)de alegria e amor pela raça.

Em resumo Se nós olharmos para a primeira linha da tabela anterior, nós podemos observar os aspectos mais importantes que podem qualificar um Dorper para registro. Lembre-se destes valores, pois se um dos seus animais conseguirem um ponto a menos em qualquer parâmetro, ele será classificado como sendo de primeira seleção ou (T3) e não se pode registrar. Se o seu animal obtiver um escore dois pontos a menos nas categorias B, G ou D será classificado como 67 31

Cobertura (pelagem) H 3,4 ou 5 2 2

Tipo

Seleção

T 4 ou 5 3 2

ST/S1/S2 ST S1 S2

Alguns exemplos de escores e tipo de seleção daí resultante: B

G

5 4 4 5

5 5 5 5

B

G

4 4 4 4

5 5 4 5

B

G

4 4 4 4

5 5 4 5

B 3 4 5 5 B 2 2 4 4 B 1 4 3

D P H T SELEÇÃO Alguns exemplos do tipo 5 5 5 5 5 Registro 5 4 4 5 Registro 5 3 5 5 Registro 4 5 5 5 Registro D P H T SELEÇÃO Alguns exemplos do tipo 4 5 5 5 4 Registro 4 3 3 4 Registro 5 4 5 4 Registro 4 5 5 4 Registro

D P H T SELEÇÃO Alguns exemplos do tipo 4 5 5 5 4 Registro 4 3 3 4 Registro 5 4 5 4 Registro 4 5 5 4 Registro

G D P H T SELEÇÃO Alguns exemplos do tipo 3 (1ªseleção) 5 5 2 2 3 S1 5 5 2 5 3 S1 5 5 2 5 3 S1 5 5 3 2 3 S1 G D P H T SELEÇÃO Alguns exemplos do tipo 2 (2ªseleção) 3 5 2 5 2 S2 5 5 5 5 2 S2 2 5 5 5 2 S2 5 2 4 4 2 S2 G D P H T SELEÇÃO Alguns exemplos do tipo 1 (A Eliminar) 5 5 5 5 1 Eliminar 5 5 1 5 1 Eliminar 1 5 4 4 1 Eliminar


sendo um animal de uma segunda seleção ou T2 (para uso comercial e não será registrado). Um escore ainda mais baixo em qualquer parâmetro determina o tipo de seleção ou a categoria do animal, isto é, registro, primeira seleção, segunda seleção ou eliminação. Lembre-se que você pode ter uma conformação B4 com um tipo 5 mas nunca um B5 com um tipo 4. Por outras palavras se a conformação for B5 você diz que este é um animal perfeito e por isso o tipo deve ser T5. Porém pode haver um pequeno defeito, por exemplo ossos finos, que o faça.

Cabeça ideal, o conceito triângulo

Definições comuns usadas nos padrões de excelência: Descriminar de acordo com o grau: isto significa que quanto maior for a divergência, menor será o escore atribuído ao animal (por exemplo, se observarmos alguma cor (não negra) a volta dos olhos, o animal só pode ser no máximo um P3 se o animal tiver um pouco mais de cor, é um P2 e exagerada coloração, será um P1. Indesejável: se um animal tiver qualquer característica indesejável em qualquer parâmetro (tipo, cor, etc), ele só pode receber um escore “2” e se for demasiado ele é um “1” é um animal a eliminar. Defeito ou falha: Aqui é onde a eficiência funcional joga um papel importante na conformação (qualquer defeito que prejudique a eficiência funcional é um defeito eliminatório) e apenas os extremos em todos os outros parâmetros dos padrões da raça deverão ser eliminatórios.

Valor comercial que as tripas (víceras), eu posso assegurá-lo que muito sobre o animal pode ser visto através da sua cabeça. Você deve recordar-se que no começo nós dissemos que devemos ver este exercício inteiro como uma fábrica? Eu posso confirmar que se esta parte da fábrica não for observada com cuidado, a fábrica não funcionará satisfatoriamente. Um dos melhores instrutores/inspetores da raça Dorper na África do Sul diz que a cabeça é tão importante que se você conhecer profundamente a raça Dorper e tiver bastante experiência, você

Conformação (Símbolo B) Cabeça A cabeça é avaliada sob o parâmetro conformação (símbolo B) e embora muitos digam que a após o abate a cabeça é retirada da carcaça e tem o mesmo

A definição: cabeça forte e longa com grandes olhos, bem distanciados e bem protegidos. Nariz forte, boca forte e bem formada com as maxilas profundas e perfeitamente colocadas é o ideal. Para se qualificar para T5 (tipo 5) registro e comercial, as mandíbulas deverão encaixar perfeitamente o que significa que a face cortante dos dentes incisivos tem que tocar na almofada da gengiva. Para se qualificar para “registro” ou para animal de registro, uma das mandíbulas poderá ser até 3 mm mais curta em animais jovens e 2 mm nos adultos. Quando os dentes permanentes estiverem a nascer e a gengiva estiver inchada, os dentes de leite adjacentes deverão ser usados para julgar o encaixe das mandíbulas (assentar dos dentes na almofada da mandíbula superior). A testa não deve ser encovada (côncava). O tamanho das orelhas deverá ser proporcional ao da cabeça. Chifres grandes e peados são indesejáveis e devem ser descriminados de acordo com o grau. Chifres pequenos ou apenas desenvolvidos na sua base são os ideais.

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Cabeças apuradas

Cabeças femininas

Cabeças de tipo pode selecionar os melhores animais, apenas observando a cabeça. Você verificará também à medida que ganhar experiência com a raça Dorper, que sem um animal sem uma boa cabeça, não pode ser do tipo desejável. Para o benefício dos iniciantes na raça, eu apresento abaixo algumas cabeças diferentes e um exemplo ideal de uma cabeça apurada.

Vamos então avaliar os diferentes aspectos da cabeça de 1 a 17 1. Papo: isto vem da matriz persa e é geralmente uma indicação de localização da gordura. Não é desejável e estraga a forma da cabeça ideal. A forma ideal da cabeça é a triangular. Pode você ver que um papo na garganta não se encaixa bem na forma triangular ideal da cabeça não é verdade? 2. Cabeça curta: se você puser uma cabeça curta num corpo ideal você facilmente perceberá que a combinação não serve ao tipo do animal. A definição diz “cabeça forte e longa”. 3. Chifres pesados: os chifres pesados vêm do reprodutor Dorset. A definição diz claramente que os chifres pesados são indesejáveis e devem ser descriminados ou penalizados de acordo com o grau. Há certos criadores que gostam de chifres nos reprodutores. Alguns dizem também de 69 33

que eles são um sinal de masculinidade e de boa fertilidade. Nós devemos no entretanto respeitar o definido nos padrões da raça e entendermos que eles podem também ferir outros animais quando lutam ou ficarem presos em cercas ou galhos de arbustos. 4. Cabeça longa: a definição diz longa e forte mas atenção não demasiadamente longa como no cavalo, pois não se encaixa num tipo aceitável. 5. Nariz liso: isto é algo que eu já vi algumas vezes e posso assegurá-lo que tem um aspecto horrível, parece que o animal esbarrou contra uma parede. 6. Coroa lisa: uma coroa lisa ou a cabeça lisa que é mais comum em ovelhas não é desejável no reprodutor e estraga o tipo. Nós gostamos de ver uma coroa na cabeça do reprodutor. Dá-lhe um aspecto mais masculino. Uma cabeça lisa é desejável para a ovelha. Você pode ver mais cabeças na galeria de treinamento. 7. Cabeça lisa: se esta for a cabeça de um reprodutor, ele deverá ser eliminado. Tenha cuidado para não confundir cabeça lisa com uma cabeça jovem. 8. Testa encovada: tenha cuidado para evitar confundir esta condição com a de um reprodutor com um nariz


romano (côncavo) bem desenvolvido e uma coroa a testa encovada como esta. Uma cabeça encovada tem claramente uma cova na testa acima dos olhos e você reconhece logo que a vê. 9. Cabeça jovem: aqui você pode ver uma cabeça de um animal jovem, com caráter mas sem nenhum desenvolvimento secundário. Uma alimentação correta promove o desenvolvimento de características sexuais secundárias (pregas ou rugas) nos reprodutores. As rugas fazem parte da cabeça apurada tal como vistas na cabeça ideal, e são desejáveis. 10. Mandíbula longa demais (braquignácia): isto também é chamado de boca de peixe e é um defeito eliminatório indicativo de alto grau de consangüinidade. Os dentes devem tocar na almofada da gengiva superior. Quando os dentes incisivos da frente estiverem nascendo, os dentes adjacentes podem ser usados para o exame. Tenha cuidado para não discriminar animais quando dos dentes estão nascendo, pois a gengiva inferior fica geralmente inchada, dando a impressão d ser demasiado longa. Sob circunstâncias de manejo intensivo uma mandíbula demasiado saída pode criar problemas quando os dentes crescem e ficam longos demais e mais tarde cortam a membrana entre o lábio e a maxila superior. 11. Maxila curta demais (prognatismo): isto também é chamado de boca de papagaio. Uma diferença de até 3mm nos jovens e 2mm nos adultos (com mandíbula mais curta do que a maxila) é permitida. A razão é que neste caso, os dentes ainda fazem contato com a gengiva e não afeta a preensão e o corte dos alimentos. O objetivo é selecionar para um ajuste perfeito. 12. Mandíbula fraca ou leve:

lembre-se que a boca é a porta de entrada da fábrica, que deve fornecer este animal durante alguns anos com alimentos para a produção e esta maxila terá que trabalhar bastante. Por outro lado, tenha cuidado para evitar mandíbulas pesadas demais. Olhe o ideal é você ter um balanço correto entre maxila e mandíbula. Uma vez que a sua vista estiver ajustada ao ideal você observará que pequenos defeitos como este afetam o tipo. 13. Nariz forte: vamos para o ideal e olhar para o nariz de frente e de perfil. Um nariz romano (convexo) forte com um bom desenvolvimento secundário (rugas), largo, como o da ilustração seguinte é o ideal. A mancha escura abaixo à frente dos olhos é chamada de olho de velho. Este nariz faz parte do sistema respiratório é o ideal para encher os pulmões com o ar fresco e permitir que o animal faça o seu trabalho como esperado. Os animais também usam o nariz como um sistema de arrefecimento do seu sangue e o padrão ideal do nariz também favorece esta função importante. 14. Olhos grandes, afastados e bem protegidos: soa estranho que nós nos concentramos também neste aspecto, mas isto é importante para a robustez do animal. Ele deve ser capaz de por a sua cabeça num arbusto com espinhos para pastar e daí a razão da palavra protegidos. Você aprenderá também com a experiência que vistos de frente, os olhos podem às vezes estar demasiado juntos, como no babuíno (macaco cão) ou estarem demasiadamente salientes, estragando o tipo. Repare bem no nariz largo e bom. 15. Tamanho das orelhas: as orelhas devem ter um bom tamanho, em harmonia com o tamanho da cabeça e do corpo. Nós acreditamos também que uma orelha de bom tamanho é um sinal de um bom temperamento, o que é essencial para o tipo. 16. Pêlos curtos e baços ou pêlos brancos: nós não queremos nem uma cabeça lânada, nem uma cabeça brilhante. A cabeça deve parecer limpa e bem definida o que você apenas pode encontrar numa cabeça com uma cobertura ideal. Uma cabeça brilhante tende para o tipo Persa e uma lânada tende para o tipo Dorset. 34 70


17. Cabeça seca sem nenhuma localização de gordura: nós não queremos papos de gordura na nuca, nem papos na garganta, pois isto estraga a forma bem definida da cabeça apurada que faz parte importante do tipo. 18. Vamos então resumir isto e dizer que a cabeça é uma região importante onde diferentes aspectos se devem complementar para obter um bom tipo, de cabeça. Não é nada mau para esta “parte das tripas” – 17 dos 100 aspectos mais importantes a observar pelo juiz na inspeção do animal encontram-se na cabeça! Você encontrará alguns exemplos de cabeças na nossa galeria de treinamento. Veja se você é capaz de identificar na prática estes aspectos nos seus carneiros.

Pescoço e quarto anterior (dianteiro) Nós estamos entrando na área carregada de carne e embora esta área, tenha carne de qualidade inferior, há aspectos muito importantes, que se forem negligenciados, poderão arruinar economicamente a sua fábrica. Vamos então examinar o que isto significa: Pescoço de comprimento mediano, bem largo, bem coberto de carnes e bem encaixado. Nós estamos voltando atrás para repetir o que nós já dissemos antes sobre a necessidade de tudo estar em proporção ou bem balanceado. Nós queremos um pescoço forte que flua suavemente no corpo. No reprodutor, que assegurará boas carnes, nós queremo-lo mais amplo e de comprimento mediano. Nós não queremos um encaixe em “U”, pois não somente parece feio

mas porque é um tipo de pescoço fino encaixado nuns ombros soltos. Lembre-se que você quer uma aparência mais feminina na matriz.um pescoço ligeiramente mais fino e mais longo é desejável na matriz. A cabeça do animal deve estar ligeiramente adiantada em vez de elevada. O animal que tem a cabeça elevada geralmente tem falta de temperamento. Consequentemente o pescoço deve ser de comprimento mediano, bem largo, bem coberto de carnes e bem encaixado no quarto anterior. Os ombros devem ser firmes, largos e fortes. Uma vez que Dorper foi criado em primeiro lugar exclusivamente para condições de criação extensivas, nós somos muito rigorosos na habilidade de caminhar. Não nenhum osso ou músculo acoplado aos ombros, apenas uma membrana ou ligamento. Tenha cuidado para não negligenciar ombros, frouxos ou soltos. Este defeito não melhorará com o exercício ou com idade mas só poderá piorar. Uns ombros soltos são detectados quando a lâmina da paleta se proteja acima da coluna ou espinha. Quando o animal está caminhando, se aproximando de si, ou está virando, este defeito torna-se mais evidente. Nos casos mais severos a lâmina do ombro afasta-se tanto do tronco que até parece que você poderia passar sés dedos entre este tronco e a lâmina da paleta. Quando nós dizemos que os ombros devem ser largos, isto não significa que os ombros devem estar caídos na direção do corpo mas que devem fluir no corpo. Ombros fortes significa que devem ser bem musculados. A musculatura pode ser vista nos ombros e no antebraço.

A definição: O pescoço deve ser de comprimento mediano, bem largo, bem coberto de carnes e bem encaixado no quarto anterior. Os ombros deverão ser firmes largos e fortes. Um peito moderadamente largo, profundo e moderadamente proeminente em relação aos ombros é o ideal. Os membros anteriores (apêndices toráxicos) deverão ser robustos, ter bons aprumos e estar bem posicionados, com fortes articulações da quartela e cascos (dedos) não excessivamente separados. Articulações da quartela fracas e pernas em X (cambaio) deverão ser penalizadas de acordo com o grau de anormalidade. Os ombros (paletas) que aparentem estarem soltos um peito que se inclina para cima acentuadamente e não seja proeminente para além dos ombros, pernas tortas e pobre habilidade de caminhar são defeitos graves. 71 35


Um peito moderadamente largo, profundo e moderadamente proeminente em relação aos ombros é o ideal. Esta parte do quarto anterior é muito importante porque envolve dois aspectos muito importantes. A saliência do peito, vista de perfil, faz parte do encaixe ou colocação da perna, o que está diretamente relacionado à habilidade de caminhar do animal. Um peito achatado, pode ser um sinal que a colocação das patas é demasiado adiantada e rapidamente demonstrará uma pobre habilidade para caminhar. Antes um peito ligeiramente proeminente do que nenhum peito. Um peito moderado é acompanhado não só de uma boa habilidade para caminhar mas também com um nascimento fácil nas crias. A experiência dir-lhe-á uma vez que a cabeça e os ombros estejam fora da ovelha quando uma ovelha está a parir, que o resto se segue sem grande esforço. Nós não queremos puxar os cordeiros durante o parto ou ter ovelhas e/ou cordeiros mortos porque não podem parir. Por outro lado nós devemos lembrar-nos que o quarto dianteiro abriga os pulmões, o coração e etc e nós queremos capacidade respiratória. Mantenha o quarto anterior com um tamanho realístico que deixe sue fábrica produzir sem problemas. Os membros anteriores (apêndices toráxicos) deverão ser robustos, ter bons aprumos e estarem bem posicionados, com fortes articulações da quartela e cascos (dedos) não excessivamente separados. Os membros anteriores (apêndices toráxicos) deverão ser robustos, ter umas articulações da quartela fortes e os cascos (dedos) não excessivamente separados. Este animal foi criado para caminhar e prosperar sob

condições de criação extensivas. Você verá animais caminhando com os casos sobrepostos, torcidos e cocheando devido a pernas abertas, fechadas, de cambaio ou de zambro e deitados à sombra ficando para trás do rebanho, etc. não culpe os animais se estes não prosperam pois isto é responsabilidade do criador se estes animais não tiverem sido eliminados. Antes um ligeiro cambaio do que um zambro ou um animal de pernas arqueadas. Às vezes você encontrará animais com as pernas completamente dobradas é preferível eliminar o animal. Umas quartelas fortes são essenciais pois o peso do corpo inteiro é suportado por elas e o peso aumentará com a idade e a gravidez na ovelha. Veja também a diferença entre quartelas curtas e compridas no quarto posterior (apêndice pélvico). Os cascos ou dedos não devem estar demasiadamente afastados, pois em terrenos arenosos onde não há nenhuma superfície dura os cascos cederão e se afastarão ainda mais, danificando o tecido interdigital. Isto afetará a habilidade de caminhar. Deixe-nos portanto resumir tudo isso e dizer que quartelas fracas pernas em X (cambaio) e dedos afastados deverão ser discriminados de encontro com o grau do defeito. Ombros que parecem frouxos um peito que se inclina demasiado para cima, sem nenhuma projeção, pés curvados pernas tortas em X ou arqueadas um peito demasiado largo, pobre habilidade para caminhar são defeitos graves. Deve haver uma boa profundidade no quarto anterior. Isto se mede do ombro à ponta do peito. Tenha cuidado para não permitir que o eito se pendure completamente entre as pernas dianteiras. Isto é facilmente reconhecido se olhar-mos para o animal de frente. Um peito demasiado proeminente vem da ovelha persa e pode ser uma indicação de localização da gordura. Veja a galeria de treinamento para exemplos. Há outros dezoito pontos a considerar ao julgar.

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A definição diz: O ideal é um barril ou tronco longo profundo e largo, costelas bem arqueadas e um lombo largo e bem cheio. Os animais devem ter uma linha superior (dorso e lombo) longo e reto e não deve ser apanhado por detrás dos ombros (paletas). Uma ligeira depressão por detrás dos ombros é permissível.

Barril (tronco) Nós estamos agora entrando na área da carne mais cara. Este é o centro da nossa fábrica. A entrada principal (boca) recebe a matéria prima o quarto anterior (dianteiro) mantém a fábrica trabalhando (pulmões, coração, etc) e agora o barril deve converter este material (por vezes pobre) em carne de excelente qualidade saborosa macia e suculenta. Uma parte do corpo extremamente importante eu diria mas vejamos porque é importante. Esta é uma definição curta para uma área tão grande, mas diz bastante. Consulte os nossos esboços. Tronco ou corpo profundo e largo. O comprimento é medido desde atrás da paleta (palpe-a) até à frente da anca (cabeça do fêmur). Eu estou seguro que você poderá compreender o valor açougueiro desta região. As belíssimas e saborosas costeletas do lombo, do dorso e do ombro são cortadas desta área. Sim, o segredo da produção de carne de churrasco está naturalmente no comprimento porque se você criar animais mais

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compridos, você não põe mais costelas neles mas sim mais carne. Tenha cuidado para não alongar demasiado, os animais. Por outro lado, tenha em mente que o comprimento do corpo é o fator que mais contribui para o peso do animal. O que se traduz em dinheiro ao fim de contas ! Isto entretanto não é tudo porque nós queremos longos e profundos. Largos, de modo a que o músculo do lombo possa crescer e para que tenha capacidade suficiente para os alimentos e mais para trás espa��o suficiente para o desenvolvimento do útero e de cordeiros gêmeos. Imagine as boas costeletas das costelas e do lombo que você pode cortar do animal com o barril ideal. Nós também queremos que a profundidade do animal seja medida como está indicado na ilustração. Isto vai junto com umas costelas bem arqueadas e com o tipo. Uma forma cilíndrica não é a ideal e nós penalizamos isto nos animais especialmente no que diz respeito ao tipo. Vamos ter uma linha ventral que mostre uma boa profundidade. Nós podemos ainda observar uma linha superior (dorsal) longa e reta (boa linha superior) e depois um animal apanhado por detrás dos ombros. Você poderá verificar que uma ligeira depressão atrás dos ombros é permitida, sobretudo nos animais com um bom comprimento do corpo. Tenha cuidado para não confundir isto com a condição de estar apanhado por de trás que é acompanhado de ombros frouxos. Se você observar uma depressão proeminente atrás dos ombros e as paletas tão móveis que você pode por o seu dedo nesse espaço aí o animal deve ser eliminado. Você pode ainda encontrar animais com aquilo a que chamamos um bom músculo do olho. Este é o músculo redondo entre os processos espinhosos e transversos das vértebras lombares. Este músculo dá uma boa indicação da musculatura do animal que ajuda a manter as diferentes partes do animal juntas assegura uma melhor cobertura de carnes nas costeletas. Tome nota que músculo significa carne. Ao observar o animal de cima, você deverá observar um lombo longo e largo que flui para o quarto posterior ou traseiro. Um aspecto que é muito importante e frequentemente negligenciado é a feminilidade e a masculinidade dos animais. A


perna logo acima do jarrete. Esta é a razão pela qual nós penalizamos uma garupa que cai demasiado ou uma que seja curta e redonda. Você pode imaginar quanta carne se perde numa garupa que cai abruptamente ou numa curta e redonda? As pernas traseiras devem ser fortes imagine só qual é a carga de peso nas pernas traseiras de um reprodutor de 110 kg quando está montando uma ovelha. Lembre-se que quando um reprodutor está ejaculando após ter penetrado na ovelha ele tem que saltar com suas pernas traseiras e os seus cascos devem estar bem escorados no solo para poder fazer bem o seu trabalho. Além disto, com as pernas bem colocadas deverá haver um espaço amplo para uns testículos saudáveis e bem desenvolvidos estarem pendurados. A posição das pernas (cascos) deve estar também em linha com a ponta dos ísquios isto será transmitida a sua descendência. No caso da matriz isto irá contribuir para um parto mais fácil. Veja os detalhes na ilustração do esqueleto. O mesmo é válido para a matriz pois ela deve ter pernas fortes para suportar o peso do reprodutor durante o acasalamento. Uma vez que já discutimos a habilidade para caminhar nós podemos apenas acrescentar que as pernas traseiras devem ser observadas com um olho crítico. As pernas traseiras devem ser fortes e jarretes de zambro ou de cambaio são indesejáveis e deverão ser personalidades de acordo com a gravidade e jarretes fracos (que cedem ao caminhar) e pernas de poste são defeitos eliminatórios. Os jarretes fracos notam-se naqueles animais que colocam as pernas traseiras demasiado para frente e tem dificuldades em caminhar. Perna de poste e quartelas fracas vão juntos.

fertilidade é proporcionalmente direta a esta característica e se nós olharmos para estes esboços nós quer uma forma geral de fêmea na Mariz (ovelha) e masculina no reprodutor. Lembre-se que nos não dizemos que um reprodutor ou uma ovelha são inférteis se não tiverem a forma ideal mas nós devemos tentar manter a raça tal como se observa na natureza. Há outros dez pontos a considerar no julgamento doas animais. Mais exemplos podem ser vistos na galeria de treinamento.

Quarto traseiro (posterior) Se nós olharmos para estes retratos nós pouco teremos que dizer. Nós chegamos a parte do animal que faz dinheiro e isto é o que esta fábrica deve produzir. Quanto mais carne nós pudermos produzir sem negligenciar outros aspectos importantes no animal mais dinheiro entrará em nossos bolsos. O quarto traseiro contém somente carne valiosa e cara. Vamos então apreciar melhor o que pode ser conseguido como se pode ver nos retratos. Uma garupa longa e larga: isto determina o tamanho do pernil do borrego ou da ovelha. Cerca de 1/3 do valor da carcaça pode estar num quarto traseiro com boas qualidades de carne. A coxa interna e a coxa externa tal como indicadas nas ilustrações são locais de deposição de músculo ou carne. O músculo vai até bem abaixo quase até ao jarrete tal como indicado na ilustração. Nós dizemos que a parte final da coxa não deve ser magra ou que o “ponto de agarrar” (espaço entre o jarrete e o fim do músculo da coxa) deve ser curto. Esta é a parte da

A definição diz: uma garupa longa e larga é a ideal. As curvaturas (interior e exterior) devem ser cheias e profundas (o mais próximo possível do jarrete). As pernas traseiras devem ser fortes e bem colocadas com os cascos e as articulações da quartela bem robustas. Defeitos nas articulações da quartela deverão ser penalizados de acordo com a sua gravidade. Os jarretes deverão ser fortes e sem tendência para girar (rotar) nem para dentro nem para fora. Pernas arqueadas, jarretes perpendiculares (perna de poste) são defeitos eliminatórios. 38 74


Observe os esboços e você verá que as quartelas longas são mais suscetíveis do que as curtas a mostrarem defeitos graves. O animal assenta melhor nos seus cascos quando as quartelas são curtas. Nós julgamos as quartelas fracas de acordo com os eu grau de gravidade, mas esteja seguro de que se as sobre unhas estiverem tocando no solo, o animal será eliminado. Há outros doze pontos a considerar no julgamento do animal.

Os órgãos reprodutivos Esta fábrica que nós estamos investigando não pode produzir se o processo produtivo não for iniciado em algum lugar. Os órgãos reprodutivos são pequenos, mas este é o lugar onde o processo inteiro começa. Eu nunca vi uma área do animal tão negligenciada mesmo sendo tão importante. Eu já vi úberes bem desenvolvidos que não eram capazes de produzir leite. Em borregas novas você não tem muitas alternativas, para além de cobri-las e ver como produzem. Faça questão de observar o estado de desenvolvimento e de saúde do úbere de cada ovelha após o primeiro cordeiro, antes de cobri-la novamente. Não cubra as matrizes que não são capazes de criar os seus cordeiros até o desmame. Gaste o seu tempo nas coisas que são realmente importantes. Lembre-se que o crescimento

do cordeiro nos primeiros dois meses é determinado pela produção leiteira da ovelha e pelo comportamento ou capacidade maternal. Identifique os animais e tome nota destes aspectos (pese os cordeiros) e melhore a eficiência produtiva do seu rebanho. A relação aos órgãos reprodutivos bem desenvolvidos (ovelhas) é verdade que as matrizes com os órgãos reprodutivos mais desenvolvidos tendem a parir mais regularmente e a dar partos mais fáceis. Isto não significa que uma ovelha com órgãos reprodutivos menos desenvolvidos não tenha crias. Pigmentos ou sinais de pigmentação nas tetas é uma boa característica que indica uma pele mais forte. Pigmentação nos órgãos genitais da ovelha ou uma indicação de pigmentação no Dorper branco é essencial pois a radiação solar pode realmente queimá-los. Se a vulva estiver queimada do sol, a ovelha tende a afastar-se do reprodutor quando este a tenta cobrir. Não comprometa a capacidade reprodutiva ao ignorar a falta de pigmentação. O escroto do reprodutor não deve ser muito longo, para não se arranhar ou prender nos espinhos dos arbustos e não se machucar quando estiver caminhando ou correndo. Isto é algo que raramente acontece mas tenha cuidado. O testículo deve ser de tamanho igual (simétrico) e ter uma boa circunstância. Você perguntará em seguida o que é demasiado pequeno? Um cordeiro reprodutor aos 10 meses deve ter uma circunferência testicular de pelo menos 30cm. Com 2-dentes 32cm, 4- dentes 33cm, com-dentes ou mais deve ter no mínimo 34cm. Esta medida deve ser tirada com o reprodutor sentado.

A definição diz: O úbere e os órgãos sexuais da matriz deverão ser bem desenvolvidos. O escroto do reprodutor não deve ser demasiado longo e os testículos devem ser de igual tamanho e não demasiado pequenos. Qualquer defeito nos testículos é um defeito eliminatório. Uma fenda (escroto de bode) até 1,5cm é aceitável. Circunferências escrotais mínimas. Cordeiro com 10 meses 30cm Reprodutor com 2 dentes incisivos 32cm Reprodutor com 4 dentes incisivos 33cm 75 39


Uns testículos de bom tamanho que não se pendurem muito mais para baixo do que o jarrete são os ideais. O procedimento correto entretanto deve ser o exame dos testículos e do sêmen para uma contagem e avaliação dos espermatozóides. Não ajudaria ter tudo em ordem em termos de forma e colocação e um reprodutor infértil ou com uma baixa contagem de espermatozóides. É importante referir que o sêmen é muito sensível ao calor. Muitas condições podem influenciar a temperatura do corpo do reprodutor. A temperatura dos testículos é controlada com o baixar (afastar) ou levantar (aproximar) os testículos em relação ao corpo do animal. Consequentemente se a forma e a elasticidade do escroto não forem corretas o animal pode apresentar uma baixa contagem de espermatozóides normais no sêmen. Inspecione também o prepúcio e o pênis do reprodutor para detectar sinais de inflamação antes de iniciar a estação de monta. Este é um exame muito simples. Com o reprodutor numa posição sentada empurre o seu pênis para frente através do prepúcio e exponha a glande do pênis. Qualquer sinal de infecção é simples de detectar. Se você produzir reprodutores vacine-os contra a brucelose muito cedo quando jovens. Isto é muito importante e quanto mais cedo o fizer melhor será a resistência que eles irão formar contra a doença. Testículos assimétricos poderá ser resultado de uma infecção e devem receber a máxima atenção e tratados por um veterinário se não for tarde demais. Uma outra ocorrência pouco comum é o escroto (e testículos) torcido até 45°. Veja na galeria de treinamento. Uma separação dos testículos (sobretudo ao nível da cauda do epidídimo- testículos de bode)como mostrado na ilustração é indesejável e somente uma separação até 1,5cm de profundidade é permitida, embora nós selecionemos para total ausência da separação. Uma boa pigmentação no prepúcio é o ideal. A foto dos testículos pequenos e grandes foi tirada durante uma inspeção de reprodutores jovens com a mesma idade embora os testículos menores estejam justamente no limite mínimo aceitável o que demonstra bem a diferença que pode ocorrer para a mesma idade. Por fim, dê uma olhada nas duas matrizes da página anterior com uma diferença evidente no desenvolvimento da vulva. Os arcos entre as pernas são essenciais para o desenvolvimento do úbere e

a boa separação entre as pontas dos ísquios para um parto fácil. Veja as fotos na galeria de treinamento para mais pormenores. Recorde-se que a reprodução é essencial para permanecer financeiramente feliz. Há ainda outros dez pontos a considerar no julgamento/ inspeção doa animais. Nós chegamos agora ao ultimo aspecto da conformação.

Aparência geral: Eu não posso pensar num exemplo melhor do que este bonito reprodutor e uma cordeira sua filha para fins de treinamento. Eu incluí na galeria de treinamento uma foto deste reprodutor (de nome Chips) quando era ainda um cordeiro. Repare bem no seu pescoço e no desenvolvimento dos ombros. Você mal apode acreditar que este é o mesmo reprodutor. Consequentemente se você não tiver bastante experiência em selecionar animais, tenha bastante cuidado para não descriminar um animal até que ele tenha atingido o seu pleno potencial por volta dos 18 meses de idade. O que nós queremos realçar na aparência geral é observar como as diferentes partes do animal se encaixam umas nas outras. Quando você examina um animal deve falar para si mesmo e ter a imagem em sua mente. Isto é o que nós queremos: estes animais estão muito próximos do ideal em termos Fenotípicos. O Dorper deu-se muito bem com o uso deste sistema de inspeção e julgamento para seleção e melhoramento animal na direção do ideal conforme preconizado nos padrões de excelência da raça. Se nós pudermos acomodar o sistema nacional de registro de pedigree (livro nobre) e os teste de desempenho a este sistema maravilhoso nós só poderemos estar caminhando rumo ao sucesso. Veja a galeria de treinamento para ver algumas fotos de campeões com sucesso.

A definição diz: Os ovinos devem ser simétricos e as diferentes partes do corpo devem estar balanceadas e em proporção umas em relação às outras. Um temperamento calmo e uma aparência vigorosa é o ideal. 40 76


A definição diz: Um ovino co um BM peso para a sua idade é o ideal. Animais extremamente grandes ou pequenos devem ser penalizados e discriminados. desviar-se deste conceito tiveram que recuar devido à experiência ganha e aos erros caros que cometerem. Se nós supusermos que as três matrizes apresentadas têm todas um ano de idade então os pontos serão mais provavelmente assim: Matriz 1 = G5; Matriz 2 = G4 e Matriz 3 = G3 ou G4. Se as mesmas ovelhas tiverem por exemplo oito meses de idade então a pontuação deverá ser: Matriz 1 = G1; Matriz 2 = G5 e Matriz 3 = G4 ou G5. O ideal para a produção de cordeiros de corte ou abate deve ser um animal com uma distribuição de gordura ideal e com cerca de 40kg de peso vivo, entre os 4 e os 5 meses de idade. Isto depende da alimentação e sob condições favoráveis este peso pode ser conseguido entre os 3 e os 4 meses de idade. Venda-os e livre-se deles para fazer espaço para a seguinte geração e ter mais pasto para as matrizes da produção.

Distribuição da gordura (Símbolo D)

Tamanho (Símbolo G) A seguir é o tamanho ou a taxa de crescimento (símbolo G). Este é um aspecto bastante polêmico pois muitos pensam que se nós estamos vendendo carcaças de carne, quanto maior, mais dinheiro. A definição vai contra esta linha de pensamento pois através de experiência prática nós verificamos que nem o animal extremamente, nem o extremamente pequeno são os animais mais viáveis do ponto de vista econômico. O que nós queremos é exatamente o que a definição diz e aqueles que tentaram

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A distribuição da gordura no Dorper é tão perfeita que pouco tem que ser feito neste aspecto. O problema levanta-se quando os criadores ignoram e desrespeitam os mais de 50 anos de experiência que foram investidos nesta raça e colocam novamente reprodutores Persas, van Rooy, etc em seus Dorpers puros para os “melhorarem”. Sim, eles podem obter um maior crescimento do animal cruzado (vigor híbrido), mas com cordeiros que são de qualidade inferior e com gordura localizada em varias regiões do corpo. Por outro lado, ales se esquecem que a prole resultante não pode ser usada de ovo no rebanho pois a cor, cobertura e as características corporais são fora de tipo. Agora, se você necessitar


A definição diz: Demasiada localização de gordura em qualquer parte do corpo é desejável e deve ser descriminada de acordo com o grau. Uma fina camada de gordura distribuída homogeneamente sobre a carcaça e entre as fibras musculares é o ideal. O animal deve ser firme e musculoso quando manejado. esboços. A linha limite da cor negra é a mesma para ambos o Dorper e para o Dorper branco. Linha limite da cor negra: observe as listras /// no animal. a No jarrete você encontrará um pequeno osso na parte externa e abaixo deste já é considerado estar abaixo da linha limite de cor – linha ventral . Forma uma linha imaginária à volta do jarrete. b Abaixo do joelho: nós tomamos a parte de baixo móvel do joelho como estando abaixo da linha limite, tal como no jarrete. c Agora nós tomamos a parte ventral do corpo e a linha imaginária tal como a pode ver dos dois lados do corpo. Quando você observa um animal esta linha fica bem clara e corre na direção frontal até a parte traseira das patas dianteiras. Para trás vai até a parte frontal da inserção/base do escroto. Se o escroto for negro ou a sua pele pigmentada de negro isto é permitido pois o escroto não faz parte da região ventral. d Nas ovelhas esta linha ventral vai até aos órgãos reprodutivos da ovelha.

de cordeiros mais gordos ou mais magros, use o tipo correto de reprodutor Dorper ou Dorper Branco. Você ficará surpreendido com os resultados e, o seu rebanho permanece puro. Tendo dito isto e olhando para as ilustrações você pode ver como tão pouca gordura localizada o Dorper apresenta. Por favor não estrague a raça. Lembre-se que a conformação o tamanho e a distribuição de gordura são aspectos preliminares e que só se aceitam animais com pontuação 4 ou 5 para efeitos de registro.

O padrão de cor do Dorper (Símbolo P) Este é o único aspecto em que os padrões para Dorper e para o Dorper branco são diferentes. Nós vamos primeiro falar sobre o Dorper (cabeça negra) e mais tarde então do Dorper branco. Para ajudar compreender a cor, há uma linha limite para a cor negra, que corta o animal em duas seções. As razões para estabelecer esta linha limite foram aspectos de beleza ou cosméticos e questões de consangüinidade. Faça da questão da cor um desafio que coloca o Dorper numa classe muito especial. Mas é mais importante concentrar-se mais nos aspectos de maior importância econômica B, G e D. a cor e a cobertura serão corrigidas pois os criadores líderes da raça já estarão se concentrando neles. Para melhor explicar o padrão nós nos referiremos frequentemente a várias ilustrações ou

Vamos então olhar para o padrão de cor (símbolo P) P5: esta é a cor que ideal que nós queremos. a Um ovino branco com uma cabeça negra ou a cabeça e o pescoço negros, mas não além do pescoço na direção do ombro ou do peito. b Completa pigmentação no anus ou nos órgãos reprodutivos e nos cascos. 42 78


P4: um pouco mais de cor é permitida a Ovinos brancos com a cor negra limitada à cabeça e ao pescoço com pintas negras no pescoço não tocando nos ombros ou no peito. b Também uma mancha negra, mancha branca ou uma separação da cor negra na nuca mas não se estendendo para alem da base dos chifres. c Uma quantidade limitada de pintas na região ventral. Pintas significam alguns pêlos juntos que não desagradam à vista. d Uma mancha de 100mm mais ou menos da área da palma da mão no prepúcio do reprodutor. e Uma mancha de 100mm nos órgãos reprodutivos da matriz ou reto do reprodutor. f Manchas negras soltas em contato com o peito ou ombros e paletas acima do joelho caem sob P3. Isto é também verdadeiro para pintas na região ventral.

P3: uma vez que esta é a última categoria a permitir o registro doa animais. Há um aumento substancial na quantidade de cor negra permitida. Observe bem enquanto você estuda a descrição na ilustração que o quarto dianteiro inteiro pode ser negro desde que 79 43

não se estenda para alem da parte traseira do ombro, para o tronco ou da linha imaginária apresentada na figura. Note também que o negro não se pode estender no peito para alem da parte traseira dos ombros. No caso da cor se projetar para alem deste limite, na parte traseira do ombro ou paleta, apenas uma mancha de 10cm de diâmetro é permitida mas então nenhuma outra mancha tal como descrita na alínea “G” da figura. Uma mancha grande é frequentemente observada nos órgãos reprodutivos da matriz mas note que a forma da mancha é alongada e não pode ser mais longa do que 100mm. Tome nota da explicação em “D” a respeito da necessidade de haver uma ruptura na cor, no joelho se a para dianteira for negra. Observe a explicação “H” e você verá que uma mancha branca que se estenda para além da base dos chifres para a parte dianteira. Assim, se a cabeça for negra com uma mancha branca que se estenda para alem da base dos chifres, sem nenhuma outra mancha negra em outro lugar qualquer, a classificação será P3. uma mancha branca contínua que divida uma cabeça negra em dois ou que tenha branco em redor dos olhos degrada a classificação para o P2. a cor negra nas duas orelhas juntas (área total das duas orelhas) deve ser maior do que 50 % para qualificar o animal como P3. Observe também as exigências para exposição ou concurso e as diferenças de pigmentação para as matrizes e para os reprodutores.

P2: uma vez que você domina completamente o P3, esta classificação é mais fácil – especialmente se tiver alguma experiência de trabalho prático com os ovinos Dorper.


P1: isto fala por si só basta olhar. Se você inspecionar este animal para registro como Dorper cabeça negra ou estiver a julgar Dorpers de vir ovinos totalmente brancos, mesmo que eles se qualifiquem como Dorpers brancos segundo os padrões da raça Dorper eles deverão ser eliminados devido à sua cor.

P5: a Um ovino branco sem pêlo ou lã de qualquer outra cor na sua pelagem. b Pálpebras completamente pigmentadas de negro ou marrom (veja a ilustração). c Deverá ter uma indicação de pigmentação por baixo da cauda e em redor dos órgãos sexuais. d Pestanas, marrom ou vermelhas são permitidas. e Os cascos poderão apresentar cor.

Os padrões de cor do Dorper branco Se você seguir as ilustrações sobre o Dorper branco, você achará tudo muito fácil. Nota: o marrom é considerado como pigmentação e deve ser procurado nas pálpebras, que são geralmente cor de rosa se nenhuma pigmentação for evidente. O animal da foto abaixo e à esquerda é considerado como tendo pigmentação completa. O mesmo é válido para a pigmentação nos órgãos reprodutivos e no anus do reprodutor. A pigmentação é muito importante para impedir as queimaduras solares. As mucosas e os tecidos moles e as orelhas expostas ao sol, podem sofrer de câncer se não tiverem nenhuma evidência de pigmentação. O pigmento marrom na foto abaixo (ao centro) é considerado também como completa. Somente uma indicação de pigmento nos órgãos reprodutivos é exigido – apenas uma das várias manchas do corpo como as da foto abaixo (da direita) bastariam.

P4: a Um ovino branco com um número limitado de pintas negras 44 80


castanhas ou de outra cor, restritas às orelhas e abaixo da linha limite (ver critérios de definição da linha limite). b Pelo menos 50% das pálpebras de ambos os olhos devem ser pigmentados nos reprodutores e matrizes com pelo menos uma indicação de pigmento em casa pálpebra nos cordeiros. c Pestanas, marrom ou vermelhas são permitidas. A ilustração mostra várias pintas abaixo da linha limite das orelhas que são importantes de notar. As pálpebras também só apresentam 50% de pigmentação. P2: a Um ovino branco com pintas negras, marrons ou de outra cor, maiores do que as descritas em P3, limitadas à cabeça, pescoço e fora da linha limite. b Uma clara indicação de pigmento em qualquer das pálpebras é essencial.

P3: a Um ovino branco com um limitado número de pintas negras, castanhas ou de outra cor na pelagem confinadas à cabeça e abaixo da linha ventral. b Manchas na cabeça e abaixo da linha ventral, que no seu conjunto não excedem os 10cm de diâmetro. c Pelo menos 25% das pálpebras nas matrizes e reprodutores devem estar pigmentadas em um ou em ambos os olhos. d Pestanas, marrom ou vermelhas são permitidas. De novo é fácil de lembrar a partir das ilustrações: mais cor é permitida (10cm de diâmetro no total). Pintas e pequenas manchas espalhadas na cabeça e abaixo (dentro da área limite) e/ou uma mancha até 10cm de diâmetro no pescoço ou no quarto dianteiro é permissível. Apenas 25% da área pigmentada nas pálpebras de ambos os olhos. Em resumo, para P5. 100% pigmentação, P4, 50% e P3 é exigida. Nenhuma cor pra lá da linha é permitida ao P5 algumas pintas abaixo e dentro da linha limite e orelhas no P4 e não mais do que 10cm de diâmetro acima da linha limite (fora) no P3. Agora vamos falar na coloração dos animais para uso comercial e uma vez conhecendo os requisitos para registro torna-se mais fácil entender as restantes categorias. 81 45

P1: a Um ovino branco sem pigmentação nas pálpebras e/ ou com manchas marrons ou vermelhadas ou pintas de outra cor na pelagem do corpo. b Ovinos com um ou ambos os olhos azuis.


Definição H5: Uma cobertura curta e solta, leve mistura de pêlo e lá (kemp) com uma região ventral de kemp naturalmente limpa. A cabeça também deve ter uma cobertura de pêlo fino e curto (sem lã). Você pode ver que também se usa a região ventral? Observe também nesta foto que o ombro de um H5 está limpo. Kemp é uma cobertura muito curta. Nota: Nos cordeiros (reprodutores) com menos de 60kg e nas matrizes com menos de 50kg apenas uma indicação de pigmentação nas pálpebras é requerida. No Dorper, olhos azuis são eliminados.

Cobertura: (Símbolo H)

Se nós olharmos para as pessoas, facilmente podemos ver com a roupa que trazem vestidas pode mudar seu visual, o mesmo acontece com o Dorper. Nós queremos um animal bonito, limpo, que nos seja bastante atrativo à vista. A cobertura ideal, H5 é a que mais agrada à vista. Se você investir neste tipo de cobertura, você irá ter animais muito atrativos e que facilmente perdem a cobertura grosseira do inverno naturalmente. Não admira que tenhamos uma definição de padrão de cobertura ideal tão suave e bonita.

como H3. Do ponto de vista prático, um H3 agrada à vista quando a cobertura do animal é tosquiada muito curta – você pode entretanto ficar decepcionado quando a cobertura crescer de novo e uma aparência desarranjada é o resultado! Este aspecto é negligenciado frequentemente quando os animais vendidos em leilão estão tosquiados.

H4: esta cobertura também é muito atraente, ligeiramente ais lã do que o H5 na parte dianteira, mas ainda uma cobertura curta na região ventral. Veja a foto. H3: está é a última cobertura permissível para animais registrados. Examine bem esta cobertura. Aqui pode notarse que a perda natural desta cobertura mais grosseira de inverno (derramamento) será menor e a aparência pode começar a sofrer. O H3 pode realmente ser subdividido em dois tipos: o tipo mais lãnado e o tipo mais peludo. Veja as fotos. A presença de um avental qualifica um animal Definição H4: uma cobertura curta e solta, leve mistura de pêlo e lã (kemp) com a lã predominantemente no quarto anterior e com uma região ventral de kemp naturalmente limpa. Cobertura de lã aceitável até a coroa (face limpa).

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Definição H3: uma cobertura curta e solta, predominantemente lá ou pêlo fino, com kemp perceptível na parte lateral das coxas. A palavra leve foi retirada da definição e a região ventral não é limpa. E tem predominantemente mais lã do que pêlos. Uma juba ou um avental suave são permitidos. A lã é permitida na face.

H2: esta avaliação não é apenas para animais de registro, mas para animais de rebanho e pela definição você pode ver que tende a ser uma cobertura mais desagradável. Definição H2: a Quase exclusivamente pêlo grosseiro com avental. b Quase exclusivamente lã e muito densa. H1: isto fala por si só e não tem bom aspecto. (lembrese que isto parece um H2, mas agora não há nenhuma mistura de lã e pêlo. Um H1 é ou todo lãnado ou todo peludo).

c Cobertura demasiadamente escassa. Quando a cobertura é demasiado escassa, sob condições severas de sol do deserto, a pele do dorso do animal chamuscará e a cobertura não crescerá de novo nessa área. Nota: tenha cuidado na avaliação dos cordeiros: a sua cobertura “real” surge somente após sua primeira troca de cobertura ou do primeiro derramamento de cobertura grosseira de inverno como adulto. Isto acontece por volta dos 12 meses de idade.

Tipo

Nós já avaliamos o animal todo da cabeça à cauda e agora temos que tomar uma importante decisão. Nós falamos frequentemente acerca do tipo de pessoa e agora nós queremos estabelecer o tipo de animal. Não é sempre fácil determinar o tipo, especialmente se você estiver muito perto, praticamente em cima do animal. Para determinar o tipo é aconselhável posicionar-se a alguns metros afastado do animal e olhar para a foto à sua frente. Lembrese que você possivelmente já observou e anotou alguns defeitos do animal. Por exemplo, o animal pode apresentar a maxila inferior curta mas um tipo bonito. Não deixe que um bom tipo se sobreponha a um defeito grave e eliminatório, mas seja consistente e preciso no tipo.

Com todos os tipos de cobertura nós preferimos uma pele grossa. Uma pele fina tende a ser rosada e pode ser sentida no flanco. Penalize os seguintes aspectos na cobertura: a Cobertura demasiadamente densa ou longa. b Cobertura longa na região ventral em ovinos adultos. Definição H1: b Exclusivamente pêlo grosseiro. c Exclusivamente lã (longa e densa). d Uma juba grosseira. 83 47

A definição diz: o tipo é determinado após ter considerado todos os aspectos dos padrões de excelência da raça. A aparência e a impressão geral devem ser a de ovinos Dorper verdadeiramente apurados, com masculinidade no reprodutor e feminilidade na matriz. Para fins de inspeção ou avaliação dos animais, os seguintes valores das diferentes características a avaliar:


Conformação

=3

importante estar correto

Tamanho

=1

fácil estar correto

Distribuição da gordura

=1

requer pouca habilidade para determinar

Cor

=2

pouco valor econômico (aparência)

Cobertura*

=2

valor econômico (qualidade da pele)

Tipo

=3

importante estar correto

Tipo de seleção

=3

importante estar correto

Total

= 15 points

(esteja certo que você conhece os aspectos mais importantes) O ângulo das fibras de couro do Dorper é liso – uma característica que reforça mais o couro. (Informação fornecida pela diretoria Sul Africana da carne) HD01 Cabeça fora de tipo Que exemplo tão bom de uma cabeça fora do Tipo. Esta cabeça é demasiadamente curta, papo proeminente na garganta, sem nenhum caráter, sem base dos cornos desenvolvida e sem forma triangular. Em geral um tipo mortiço ou apagado, um animal para eliminar! HD02 Testa encovada Um bom exemplo de testa encovada. Cuidado para não confundir com um exagerado nariz romano (convexo). Um aspecto positivo ou desejável neste animal é a boa proteção dos olhos e uma base dos cornos bem desenvolvida. HD03 Nariz liso Isto desfigura totalmente a forma ideal da cabeça e dificulta uma boa respiração. HD04 Nariz largo Um bom exemplo de nariz largo, com os olhos bem afastados e amplo desenvolvimento secundário. Os cientistas dizem que o nariz joga um papel importante no sistema de arrefecimento do sangue em ovinos. HD05 Boca forte Veja o posicionamento da divisão entre a maxila e a mandíbula. Nós não a queremos

* A cobertura é um aspecto que pode ser muito mais importante do que aparenta, uma vez que o derramamento ou a perda da cobertura grosseira de inverno na primavera é muito importante para manter os custos de mão de obra baixos. A aparência é o aspecto mais importante para os potenciais compradores dos seus ovinos. Apenas em rebanhos comerciais para produção de carne é que este aspecto tem menor importância. Uma boa pele e uma cobertura faz um excelente couro “Glover” (marca comercial registrada para couro Dorper) – usado na manufatura de luvas e peças de vestuário em couro de alta qualidade. Você vai ver que uma pele com uma cobertura ideal será uma parte importante da sua receita! Com os couros de animais de tipo H5 e H4 de cobertura você pode estar certo da elevada demanda para o couro dos seus Dorpers.

As peles ou couros do Dorper As peles ou couros do Dorper são considerados entre as melhores no mundo. Não tem nenhum enrugamento e apresentam uma textura lisa e macia. O couro do Dorper é usado na manufatura de vestuário e luvas em couro de qualidade muito apreciada. Estas peles são procuradas como produto de exportação e por esta razão poucas peles de Dorper são usadas localmente na África do Sul na indústria de couro. A maior parte das peles curtidas de Dorper é exportada a bom preço. A textura ou impressão no couro representa cerca de metade da espessura total da pele. As glândulas não são bem desenvolvidas na zona de textura que consiste numa rede de fibras fortes de colágeno. Esta rede de fibras de colágeno faz o couro excepcionalmente forte. O colágeno é o material que dá forma ao couro. Uma pele de carneiro com muito pêlo assemelha-se a uma pele de cabrito. As fibras de uma pele de um Dorper são delicadas, mas a estrutura da pele é muito mais firme e mais densa do que as de cabrito ou de ovinos lãnados. 48 84


ao meio, o que tornaria a mandíbula demasiado pesada. Tenha cuidado para evitar animais com a mandíbula demasiado rasa. HD06 Nariz romano (convexo) Um forte nariz romano, com boa proteção dos olhos, belíssimo desenvolvimento secundário boa base dos cornos e orelhas de bom tamanho. HD07 Cabeça lisa Uma cabeça demasiadamente lisa, sem caráter e demasiado branco à volta dos olhos. Também se pode observar uma coloração marrom na cabeça. HD08 Cabeça apurada Um bom exemplo de uma cabeça apurada, com bom caráter. Orelhas desejáveis boca forte ou bem desenvolvida, nariz romano, e esta cabeça se encaixa perfeitamente no nosso triângulo. HD09 Chanfro apurado A mesma cabeça vista de frente. O nariz está bem balanceado com os olhos para manter a feminilidade. HD10 Quatro dentes incisivos Se não estiver seguro a cerca da idade de um ovino, então pode utilizar os dentes incisivos permanentes para estimar a idade. 2 dentes = 12-14 meses // 4-dentes = 18-20 meses// 6 dentes = 26-30 meses e 8 dentes (boca cheia) = 36 meses ou mais. O desgaste dos dentes depende do tempo de pastejo. O pequeno dente ao canto anda é um dente de leite e não conta como dente incisivo permanente. HD11 Branco em torno dos olhos Se a coloração branca à volta dos olhos for demasiado 85 49

evidente, nós temos que descriminá-la e o animal não pode ser registrado. HD12 Nariz largo O nariz deste reprodutor é demasiado largo e estraga o tipo do animal, nós descriminamos isto e não registramos este animal. HD13 Cabeça feminina Veja a aparência suave desta ovelha com boas orelhas a encaixá-la no tipo desejável. HD14 Cabeça fora de tipo Compare esta cabeça com a anterior e você se aperceberá que com esta cabeça o animal será desqualificado para efeitos de registro. Tome cuidado para não deixar que um animal destes seja selecionado pelo moço que limpa os currais. Não aceite uma cabeça destas. HD15 Cabeça feminina Um bom exemplo de uma cabeça apurada, com orelhas de bom tamanho. HD16 Cabeça feminina A mesma cabeça vista de lado. Cabeça bem comprida e forte, com uma mancha branca que ultrapassa a base dos cornos, o que faz desta orelha um P3. HD17 Desenvolvimento secundário Um reprodutor com uma cabeça bem masculina. O buraco à frente dos olhos entre as rugas chama-se de “olho de velho”. Este buraco faz parte do sistema respiratório e é uma característica positiva do animal.


HD18 Fora de tipo Este reprodutor foi eliminado de um leilão, devido a este tipo de cabeça Persa. Usualmente este tipo de cabeça tem uma cobertura brilhante. HD19 Mandíbula rasa Este reprodutor tem uma mandíbula rasa. Os padrões de excelência da raça estipulam, que as mandíbulas devem ser profundas e bem colocadas. Isto não é um defeito que desqualifica o animal, mas que o penaliza. Mas nós sabemos que a queríamos ligeiramente mais desenvolvida. HD20 Mandíbula curta (prognatismo) Alguns chamam-lhe de bico de papagaio. Nós aceitamos uma mandíbula inferior no máximo até 3mm nestes casos. Este é um defeito grave originado pela consangüinidade doa animais e deve ser firmemente descriminada. O plano a longo prazo dever ser a seleção para um perfeito encaixe das mandíbulas. HD21 Mandíbula inferior curta (prognatismo) Aqui você pode ver uma diferença maior do que 3mm entre as mandíbulas. Até 3mm é o máximo aceitável. Para animais jovens e até 2mm para animais adultos. Veja HD24 para um assentamento correto. HD22 Cabeça torta É muito raro mas pode ocorrer – um defeito eliminatório.

HD24 Assentamento Assentamento correto das mandíbulas. FQ01 Cambaio – pernas em X Este reprodutor apresenta um quarto posterior forte, mas tem as pernas igualmente em “X”. Se as pernas forem demasiadamente em X (cambaio) e o animal for pesado, as quartelas tem de a dobrar-se para fora, afetando a habilidade de caminhar com o tempo. FQ02 Fechado em pernas – quarto anterior estreito Aqui nós temos um exemplo de um animal fechado em pernas. Isto afeta a habilidade do animal em caminhar. Note bem: esse não é um exemplo de pernas em X – cambaio. FQ03 Ombros largos demais Exatamente oposto ao exemplo anterior. Os ombros estão soltos geralmente as espáduas também estão soltas (nota-se mais quando o animal caminha). O animal tem uma pobre habilidade para caminhar. No caso dos reprodutores, tendem a ter crias com o mesmo defeito e originam partos difíceis. Este tipo de conformação é indesejável e deve-se eliminar. FQ04 Ombros largos demais O mesmo animal viso de trás. Os ombros soltos podem ser facilmente observados. FQ05 Ombros largos demais Com ombros assim tão largos, transferidos para a prole, só podemos imaginar muitos problemas no parto. Lembre-se que uma vez que a cabeça e os ombros passem a traves do canal do parto, o resto do corpo apenas desliza e passa facilmente

HD23 Coroa lisa Este animal não apresenta nenhum desenvolvimento na base dos cornos.

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pelo canal do parto, deixando-se apenas cair sem esforço da mãe. FQ06 Ombros estreitos demais O caso completamente oposto ao anterior. Com os ombros tão estreitos, há muito pouco espaço para o coração e os pulmões funcionarem normalmente. Isto sem falar no tamanho insuficiente dos quartos anteriores (pouca carne – perda de valor econômico). FQ07 Pernas arqueadas Pode ser o resultado da alimentação, mais geralmente é um defeito genético – animal a eliminar. FQ08 Cambaio – pernas em “X” A carne do peito está completamente pendurada, uma característica indesejável. Esse animal apresentava grandes dificuldades de locomoção e apresentava pouca habilidade para caminhar. Observe como os ombros não se encaixam harmoniosamente no resto do corpo. O pé dianteiro esquerdo está virado para fora. Seja rigoroso com a habilidade para caminhar, pois esta raça foi desenvolvida para prosperar e se reproduzir sob condições muito agrestes. FQ09 Cambaio – pernas em “X” com as quartelas dobradas Embora essas pernas em X ainda sejam aceitáveis, você pode ver que as quartelas cederam para fora. A torção das quartelas nem sempre está associada às pernas em X (cambaio) e pode ser um defeito por si só. O deficiente aparo dos cascos também pode causar isto. BR01 Corpo curto ou barril curto (parte média – curta) Nós falamos de um corpo longo ou curto. Se nós observarmos esta pequena 87 51

ovelha nós podemos ver que lhe falta comprimento no corpo. Esta falha é agravada por causa de sua longa garupa. O comprimento do corpo é medido desde a anca até a ponta da espádua (atrás do ombro). BR02 Corpo longo Este cordeiro tem uma garupa longa e um comprimento do corpo é excepcional comparado com a de acima. BR03 Lombo forte (bem desenvolvido) O reprodutor da frente mostra um lombo bem forte (também chamado de “músculo do olho”) comparando com o reprodutor atrás dele. BR04 Lombo forte (bem desenvolvido) Esta matriz tem um lombo muito forte, tão forte que até apresenta ter uma depressão trás dos ombros, o que não é verdade. Tenha cuidado ao usar a palavra demasiado, pois pode estragar o tipo. Demasiado pode ser confundido com exagerado. BR05 Costelas bem arqueadas Um reprodutor com as costelas bem arqueadas é uma garupa boa e larga. BR06 Costeleta do lombo Observe a forma oval do músculo do lombo. Esta forma pode ser associada com um lombo bem desenvolvido. Nós encontraremos uma forma mais arredondada num lombo menos desenvolvido (menos cheio). BR07 Quatro costeletas diferentes Costeletas do ombro, costeletas das costelas e do lombo. Observe a quantidade de


gordura que foi cortada da costeleta da direita em casa caso. Abata e venda os seus animais de acordo com a sua condição corporal ou estada de carnes. Não é economicamente viável sobre-alimentar os seus animais, uma vez que isto apensa acrescenta gordura. BR08 Lombo fraco (ou pobre de carnes) Quando o músculo do lombo é fraco ou pobre de carnes, o animal geralmente parece estar dividido em três partes distintas que não se encaixam suavemente umas nas outras. O animal parece estar a cair aos pedaços. SH01 Conformação ou forma A característica mais proeminente nesta borrega é a belíssima forma feminina de matriz, com uma boa profundidade do corpo, um lombo e uma garupa forte e excelentes qualidades de carne. SH02 Conformação ou forma A mesma borrega uma boa cobertura H4, com um bom quarto traseiro e um bom tamanho dos ossos faz desta borrega um excelente exemplo de uma matriz do tipo T5. SH03 Conformação ou forma Se nós compararmos essa borrega com cobertura mais pesada e3 grosseira com a anterior, você concordará que este animal não é da mesma categoria, embora também mereça o registro. Esta borrega apresenta uma forma menos feminina, ossos mais pesados (pernas traseiras), uma ligeira depressão na linha superior e uma cobertura que faz dela menos atrativa. SH04 Conformação ou forma Ainda a mesma borrega vista de frente, para mostrar o forte

quarto anterior e a ossatura ligeiramente pesada demais para uma matriz (mais masculina). Tenha cuidado para não deixar que os ossos de suas matrizes se tornem demasiadamente pesadas para manter a feminilidade. SH05 Conformação ou forma De novo a mesma borrega, para mostrar claramente a espessura das pernas (ossos pesados). Tenha cuidado, mantenha feminilidade das suas matrizes, para garantir que elas reproduzam mais e melhor. HQ01 Aberto de trás Isto pode ser o resultado de uma falta no programa de alimentação, principalmente de cálcio. No entanto, isso também pode ser o resultado da genética ou de consangüinidade. A conseqüência mais importante dessa condição é que a habilidade de caminhar deste animal fica fortemente afetada. HQ02 Arqueado de frente (quarto anterior) Isto também pode ser o resultado de uma falha no programa de alimentação principalmente de cálcio, mas também o resultado da genética ou de consangüinidade. A conseqüência mais importante dessa condição é uma pobre habilidade de caminhar. HQ03 Cambaio Esta condição para alem de afetar a habilidade de caminhar do animal, não agrada ao olho. O espaço entre as pernas onde o desenvolvimento do úbero ou dos testículos deve ocorrer fica reduzido, limitando assim o normal desenvolvimento desses órgãos importantes para a reprodução. Esta condição também torna mais difícil o acesso dos cordeiros às tetas (e ao leite). HQ04 Região tibial longa (“ponto de pegar lombo” ou chambão do pé lombo) 52 88


A tíbia é o osso acima do jarrete, algumas pessoas chamam a esta região do chambão do pé ponto de pegar. Esta é uma boa indicação de demasiado pobres características de carne. HQ05 Pernil curto Geralmente você encontrará isto no pernil bem definido e é muito atrativo ao olho. Se comparar este pernil com o anterior, também pode observar uma tíbia mais curta no quarto traseiro que define melhores características de carne. HQ06 Pernil reto ou vazio A forma deste pernil fala por si só e é um sinal de qualidade de carne inferior. Es observe como o músculo do pernil é reto e vazio, acompanha o osso sem nenhuma curvatura. Esta conformação tem um aspecto terrível e deve ser eliminada. HQ07 Perna de poste Este defeito elimina o animal é geralmente acompanhado de quartelas fracas. Tenha cuidado para não se deixar iludir pela condição do animal quando o examinar. Matrizes em avançado estado de gestação por vezes tendem a apresentar pernas mais retas quando estão no comedouro ou no bebedouro. Consequentemente julgue os animais em relação às pernas em condições mais naturais. No entanto tenha cuidado pois esse defeito pode ser indicativo de um alto grau de consangüinidade. HQ08 Cascos afastados ou dedos abertos Nós discriminamos contra os dedos abertos ou cascos afastadosmente. Esse casco traseiro e esquerdo mostra os dedos demasiadamente afastados. Em condições severas com o piso duro e pedrejoso, este casco estará mais sujeito a danos e o resultado: 89 53

infecção. HQ09 Quartelas fracas (baixo de quartela) Um bom exemplo de quartelas fracas. Observe como os a sobre unha toca no solo. Este é um defeito grave geralmente causado por consangüinidade e deve ser severamente discriminado. HQ10 Colocação das pernas e cintura pélvica Observe os aprumos posteriores regulares. Há bastante espaço entre as pernas para um bom desenvolvimento do úbere. Esta forma é também importante para colocação da cintura pélvica que neste caso é ampla para permitir um nascimento mais fácil dos cordeiros. Veja a tabela dos ossos para entender melhor, caso tenha dúvidas. HQ11 Forma do quarto traseiro (pernil) Nesta foto, temos uma conformação pobre do quarto traseiro (pernil) quase um pernil reto ou vazio. Este tipo de conformação não é a ideal para a habilidade de parir facilmente. Veja a sessão na tabela dos ossos de ovinos e observe qual deve ser a conformação correta dos ossos da cintura pélvica (anca, ponta do ísquio e ponta do ílio) da matriz para ilustrar a possível redução do canal do parto neste tipo de quarto traseiro. HQ12 Jarrete forte Aqui nós temos um jarrete bem forte, que permite uma boa habilidade de caminhar e garante um bom equilíbrio e controle na altura da monta. Repare na linha de aprumo entre o jarrete e a ponta da nádega. HQ13 Amputando a cauda (I) Esta simples operação pode ser realizada com mínimo esforço. Aqui, um alicate especial é


usado para colocar uma borracha circular anel em torno da cauda no lugar correto (o suficiente para o pedaço restante cobrir o reto). HQ14 Amputando a cauda (II) Nesse exemplo, uma tesoura do tipo guilhotina é usada para amputar a cauda. Neste caso é recomendado um uso de spray com anti-séptico ou antibiótico até a ferida secar. HQ15 Amputando a cauda (III) O resultado visto de lado mostra que a cauda foi amputada em linha com a nádega. Uma imagem que agrada ao olho! HQ16 Garupa ideal Excelente comprimento e forma da garupa. A prega do joelho poderia ser mais abaixo. (BR08 é um bom exemplo). RP01 Testículos fendidos ou bolsa escrotal com fenda (também chamado de testículos de bode) Nós eliminamos animais com uma fenda na bolsa escrotal com mais de 1,5cm de profundidade. O objetivo a longo prazo é não ter nenhuma fenda. RP02 Escroto longo ou escroto descaído Quando o escroto é demasiado longo, está sujeito a lesões nos arbustos espinhosos pode facilmente sofrer contusões e traumas que resultam em inflamação que afeta a termo regulação dos testículos e problemas no sêmen. Não existe uma linha limite, mas o bom senso deve prevalecer. RP03 Testículos desiguais

(vulva e úber) Os testículos desiguais são indesejáveis e podem ser uma indicação de alguns problemas (consangüinidade). Isso deve ser visto com um olho crítico e com a ajuda de um veterinário. RP04 Órgãos reprodutivos Se nós olharmos para os órgãos reprodutivos destas duas ovelhas da mesma idade nós observamos algumas diferenças. A ovelha da direita apresenta órgãos reprodutivos subdesenvolvidos e é muito mais alta que a ovelha da esquerda. A ovelha à esquerda é mais normal e apresenta um úbere desenvolvido o que o deve fazer pensar... RP05 Forma e tamanho ideal dos testículos Veja como esses testículos são bem desenvolvidos e simétricos, com um “PESCOÇO” fino. RP06 Tamanho dos órgãos reprodutivos Um outro exemplo de órgãos reprodutivos subdesenvolvidos na ovelha à esquerda. RP07 Tamanho dos órgãos reprodutivos Os órgãos do reprodutor à esquerda são demasiado pequenos (mínimo de 30cm de diâmetro aos 10 meses) e dever ser verificados. Lembrese que também é importante fazer teste de fertilidade do sêmen e contagens de espermatozóides totais, normais e anormais no sêmen dos reprodutores. RP08 Testículos torcidos ou desviados A foto à esquerda é uma ocorrência muito rara. Só pode ser vista às vezes 54 90


quando o reprodutor está relaxado. Quando reprodutor está caminhado ou sendo perseguido, ele retrai os testículos (puxa-os para cima) e parece ser normal. RP09 Doença do pênis (balanopostites) Essa doença não é detectada facilmente, a menos que os reprodutores sejam inspecionados especificamente para detectá-la. Ela pode ser espalhada entre os reprodutores, pois a doença também infecta as ovelhas e é de transmissão sexual. Neste caso a prevenção é definitivamente melhor do que a cura. Uma vez que seu rebanho esteja infetado é extremamente difícil controlar essa doença. PG01 Pigmentação Boa pigmentação nas tetas desta matriz Dorper. O úbere desta ovelha jovem é bem desenvolvido. PG02 Pigmentação Essa pigmentação é boa numa matriz Dorper branca, visto que 50% é requerido no Dorper. PG03 Pigmentação do olho Boa pigmentação nesta pálpebra de um Dorper branco. Note que a cor marrom é considerada pigmentação e neste caso a pigmentação é consequentemente 100%. PG04 Pigmentação do olho Uma pigmentação 100% negra nesta pálpebra.

PG05 Pigmentação das tetas Observe a bonita pigmentação neste úbere e tetas. Uma indicação de pigmentação é 91 55

requerida para fins de registro. PG06 Pigmentação do olho Uma pálpebra cor de rosa é uma condição predisponente para o desenvolvimento de câncer sob condições áridas e com o sol dos trópicos. PG07 Olho azul A cor azul em um ou ambos os olhos é um defeito a eliminar. Nesta foto você pode ver que somente uma parte deste olho é azul contudo se considera um animal a eliminar. PG08 Cor em redor dos olhos (branca ou castanha) O ideal é a cor negra, mas alguns animais apresentam alguma coloração branca ou castanha. Se isto for exagerado o animal não pode ser registrado. P2. PG09 Cor em redor dos olhos (branca ou castanha) Esse é um exemplo de coloração exagerada que se estende pela face que elimina o animal para efeitos de registro. P1. TP01 Proporção ou balanço Esta ovelha está completamente fora de proporção ou balanço. As pernas são demasiadamente compridas e finas e o corpo (barril) demasiadamente curto e desproporcional em relação às pernas. Não apresenta a forma em cunha feminina e apresenta pobres qualidades de carne. TP02 Boa capacidade Se nós compararmos esta ovelha com a anterior, nós podemos observar completamente o rosto com um bom


balanço e tipo nesta ovelha.

registrado, foi classificado como sendo do tipo 5 por um inspetor. Esse reprodutor apresenta um bom balanço e uma boa cobertura. No entanto se nós o quisermos criticar, podemos argumentar que o animal é algo fino nos ossos, mas lembre-se que é ainda um borrego. TP08 Tipo O mesmo borrego reprodutor visto de trás, apresentando boas qualidades de carnes e jarretes. O comprimento do corpo é proeminente embora alguns dizem que ele é demasiadamente curto nas pernas, devemos ter em conta que ele é ainda um cordeiro e deverá crescer um pouco mais. TP09 Tipo Boa largura do quarto traseiro com um arco bonito entre as pernas, que também é importante para os testículos e um bom desenvolvimento do úbere. A colocação da cintura pélvica deste reprodutor é perfeita para transferir para sua prole e matrizes, para uma abertura ideal do canal do parto e fácil nascimento das crias. Observe também os testículos bem desenvolvidos neste borrego e a boa pigmentação. TP10 Tipo Aqui nós podemos ver ainda melhor as excelentes qualidades de carne com um bom arqueamento das costelas e uma boa inserção do pescoço ao tronco. CP01 P2 em padrão de cor Quando a cor negra vai para além da linha entre os ombros e o cotovelo (barril), o animal torna-se P2, é eliminado para efeitos de registros. CP02 P2 em padrão de cor Se considerássemos que a cor negra não tivesse passado para o barril (para alem dos

TP03 Tipo Uma matriz de tipo indesejável. Observe o pequeno quarto traseiro, comparado com o resto do corpo. Esta matriz se qualifica somente como do tipo 2 (T2) para o uso comercial. Reprodutora de animais de corte e não de registro. TP04 Tipo Persa Embora a raça persa tenha sido usada para desenvolver a raça por vezes alguns Dorpers fora de tipo se parecem demais aos persas com características indesejáveis e são por isso animais a eliminar. TP05 Tipo Observe a feminilidade a boa conformação (forma) o bom tipo e as boas qualidades de carne desta matriz. TP06 Tipo Um reprodutor com um bom balanço e musculatura. O reprodutor a usar para acrescentar comprimento de corpo, melhorar os ossos e a cobertura dos cordeiros de matrizes com uma cobertura grosseira, corpo curto, ossos finos e pobres qualidades de carne (compensar as matrizes). Tenha cuidado com a elevação acima das paletas, pode indicar que as patas dianteiras estão colocadas demasiadamente à frente, o que pode criar problemas no caminhar. TP07 Tipo O tipo é uma característica algo discutível. Nós como seres humanos gostamos de diferentes tipos de mulheres ou de homens e do mesmo modo gostamos de diferentes tipos de animais. Este borrego reprodutor 56 92


ombros) neste reprodutor, quer dizer a respeito da cor negra para além do joelho? Quando a cor negra vai para alem do joelho, uma mancha contínua, o animal classifica-se como um P2 para coloração. Se ele tivesse uma separação nítida até o joelho, nós tolerávamos uma mancha de até 10cm de diâmetro abaixo desta linha ventral CP03 Cor negra no Dorper branco Uma mancha até 10cm de diâmetro é permitida na cabeça do Dorper branco, para ainda ser registrado, mas não mais manchas ou manchas coletivas serão permitidas na cabeça ou abaixo da linha ventral. CP04 Chanfro separado Uma mancha que separa completamente a cor negra na cabeça do animal em duas partes, FA2 deste um P2 e não pode ser registrado. CP05 Mancha na vulva Uma mancha de 10cm por 20cm em redor da vulva é permitida nas ovelhas. Note que não pode ser mais larga do que 10cm. CP06 Pintas Pintas são mais comuns em ovelhas do que em reprodutores. Um pequeno número de pintas são toleradas em matrizes mais velhas, use sua descrição, mas quando estas estragam a aparência o animal perde o registro. Tal como certas pessoas ficam com o cabelo acinzentado quando envelhecem, os ovinos tornam-se pintalgados com a idade. CP07 Mancha no prepúcio Uma mancha de 10cm por 20cm é permissível no prepúcio, mas nenhuma outra coloração (mancha negra) é permitida abaixo da linha ventral.

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CP08 Mancha no ombro (espádua) Uma mancha como esta que não passa para o barril (atrás da espádua) e não vai para alem do joelho no quarto anterior faz deste animal um P3. CP09 Quarto anterior negro Uma cabeça negra, pescoço e peito como estes fazem deste Dorper um P3 e qualifica-o para efeitos de registro. CP10 Cabeça e pescoço negros Uma cabeça e um pescoço negros e umas pintas negras no peito ou ombros penalizam este Dorper para um P3. Lembre-se que outra mancha adicional até 10cm de diâmetro abaixo da linha ventral é permitida e o animal continua sendo um P3. CP11 Mancha negra no traseiro Essa mancha negra é maior do que os 10cm por 20cm permitidos e por esta razão desqualificam o animal para P2. CP12 Cabeça feminina A mesma cabeça vista de perfil. Longa e forte com uma mancha que vai para alem da base dos cornos, o que faz desta ovelha uma P3. CP13 Cor sobre a cabeça A linha limite para manchas ou descoloração na cabeça são os cornos ou no caso de um “moxo” a base dos cornos. Nesta cabeça nós podemos ver claramente que a mancha branca se estende desde o pescoço, para lá da base dos cornos, que faz deste Dorper um P3. Se esta mancha não ultrapassasse a base dos cornos seria um P4.


CP14 Cor na cabeça Aqui podemos ver uma mancha branca numa cabeça que se não a tivesse seria totalmente negra. Temos

CV05 Cobertura H4 A cobertura deste reprodutor é menos densa, com pêlo curto abaixo da linha ventral. Ele apresenta lã nos ombros e na espádua o que faz dele um H4 em vez de um H5. CV06 Cobertura H5 Aqui nós podemos ver a facilmente a cobertura ideal H5. Repare na cobertura curta e limpa abaixo da linha ventral, os ombros e a espádua também estão bem limpos. CV07 H5 – trocando a cobertura Um outro tipo de H5, evidenciando a queda natural da cobertura, um pouco grosseira do inverno que acabou. CV08 Juba Esta ovelha tem uma juba a cobrir os ombros e o pescoço. A juba é uma característica masculina determinada por hormonas masculinas. Devemos ter o cuidado de não a transferir para as ovelhas, pois a masculinidade nas ovelhas trás resultados desastrosos para a reprodução. CV09 Cobertura H4 Aqui nós podemos ver que uma cobertura H4 de inverno está a cair naturalmente o que é desejável. CV10 Avental O avental é uma característica masculina para ser encontrado apenas nos reprodutores. Isso qualifica esse animal H3 e pode ser registrado.

um P3. CP15 Cor na cabeça Aqui podemos ver uma mancha branca numa cabeça que se não a tivesse seria totalmente negra. Como ultrapassa a base dos cornos, temos um P3. CV01 Tipo peludo ou cabeludo Esta ovelha classifica-se como uma H2 em termos de cobertura, pois tem uma cobertura muito densa de pêlo. CV02 Cobertura H3 Esta ovelha, embora parecendo limpa na espádua, tem uma cobertura muito longa abaixo da linha ventral e consequentemente será degradada para um H3. CV03 H3 – de dois tipos Em H3 nós podemos ter dois tipos de cobertura. O tipo lãnado e o tipo cabeludo. Lembre-se que deve haver uma mistura de lá e de pêlo nos dois tipos e não muito densa para qualificar uma H3. CV04 H3 – lãnado Esse animal apresenta lã abaixo da linha ventral, mas um bom “kemp” na anca o que dá a indicação de uma boa mistura de pêlo e lã.

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CV11 Cobertura H5 Um Dorper branco com uma cobertura H5, que deixará cair a cobertura mais grosseira de inverno, e deverá ficar na perfeição. CV12 Boa cobertura Um exemplo muito agradável de uma ovelha com uma cobertura H5. Aqui nós podemos ver claramente o ombro e a espádua limpos com uma mistura de lá no quarto anterior e naturalmente limpa abaixo da linha ventral. Este tipo de cobertura cairá definitivamente e terá sempre o aspecto agradável que tanto adoramos! CV13 Boa cobertura Essa belíssima cobertura H5 que pode também observada no traseiro da ovelha. A vantagem desta cobertura que não se observa em todos os H5, é que a ovelha está sempre limpa ao redor dos seus órgãos reprodutivos externos. Durante o parto não há possibilidade do sangue se acumular na lã, o que atrai moscas e etc. Se eu pudesse ter todas as minhas matrizes assim, teria uma enorme satisfação. Defina para si mesmo o objetivo de selecionar as suas matrizes de modo a tê-las assim. CV14 Boa cobertura Aqui podemos observar uma agradável cobertura ideal vista de frente. Este tipo de cobertura impede a contaminação com sementes da grama do tipo do “vélcro” que se colam à lã. Como a parte dianteira do animal penetra sempre nos arbustos e está sempre em contato com o capim, esta cobertura impedirá a irritação desnecessária da pele. Colocação ou encaixe perfeito da pata no peito, boa largura da caixa toráxica, tamanho dos ossos, mas com as patas ligeiramente em X ou cambaio. Esse animal assenta corretamente sobre os cascos. CV15 Mistura de lá e de pêlo (kemp) É um close-up de ilustra bem a mistura desejável de lã e pêlo (kemp). Esta foto foi tirada de um 95 59

Dorper, que à distancia apresentava ter uma cobertura pesada de kemp. Durante o inverno, sob condições bastante frias a natureza providencia mais lã na cobertura, o que pode dar um aspecto mais grosseiro à cobertura. No verão a cobertura muda e fica mais leve.

CV16 Transferência de genes Tal mãe, tal filho. A transferência de genes pode ser claramente observada na cobertura destes animais. UP01 Melhoramento ou apuramento do rebanho Neste projeto, matrizes do tipo 2 (pobre de segunda opção) foram cruzadas com reprodutores registrados para melhorar o rebanho. Progênie nós podemos ver a melhoria que demonstra bem o fato que o reprodutor é metade do rebanho. UP02 Melhoramento ou apuramento do rebanho Outra imagem do grupo de matrizes do tipo 2 com os seus cordeiros. UP03 Melhoramento ou apuramento do rebanho Este tipo de quarto anterior ou dianteiro era comum entre as matrizes do tipo 2 usadas neste projeto de melhoramento do rebanho. UP04 Melhoramento ou apuramento do rebanho Este tipo de reprodutor, balanceado e com um bom comprimento do corpo, bons aprumos e traseiros foi usado neste projeto de melhoramento do rebanho com bons resultados.


UP05 Melhoramento ou apuramento do rebanho Este reprodutor também foi usado no programa de melhoramento do rebanho para cobrição natural e inseminação artificial (IA) extensiva com excelentes resultados. UP06 Melhoramento ou apuramento do rebanho Para melhorar a coloração pobre da matriz à direita, use um reprodutor com boa coloração animal à esquerda. O resultado perfeito é cordeiro do ao meio! GN01 À volta de um comedouro elementar Reprodutores com um bom desenvolvimento testicular. Este comedouro foi feito a partir de um pneu velho (tamanho 22) cortado de forma aformar a base de um tambor de 200lt de capacidade, aberto em ambas as extremidades. GN02 À volta de um comedouro automático “sputinik” Este comedouro é a prova de intempéries e tem uma capacidade para cinco sacos de ração (215kg). A sua altura é ajustável e o fluxo da alimentação pode ser controlado. Pode alimentar 15 carneiros adultos simultaneamente, ou muito mais cordeiros. Os desenhos detalhados para construir este comedouro estão disponíveis nas “tabelas”. GN03 Toldo ou cobertura para sombra (I) Não subestime o valor de uma cobertura para sombra para facilitar o manejo. Coloque um bebedouro e um comedouro para a suplementação perto da sombra e a meio do dia (horas mais quentes) você encontrará todos os seus ovinos à sombra, sempre que necessitar de observá-los.

GN04 Toldo ou cobertura para sombra (II) Essa idéia também ajuda a afastar os ovinos dos locais naturalmente infestados ectoparasitos (carrapatos) debaixo dos arbustos. O resultado é menos problemas com carrapatos, menos despesas com banhos carrapaticidas. GN05 Colocação dos bebedouros e comedouros Planeje a colocação dos bebedouros para água e dos comedouros para suplementos perto de uma árvore decente isto poderá ajudá-lo a manejar melhor o rebanho. GN06 Banco de forragem Se você puder, acumule ou reserve forragem para fazer frente a situações imprevisíveis. É demasiado caro comprar alimentos durante os tempos maus (secas). GN07 Canzil (fixo ou móvel) Esta é uma maneira fácil e prática de imobilizar seus ovinos, se a mão de obra for um problema (esta ovelha é uma H2 em termos de cobertura, pois apresenta uma cobertura densa lãnada). GN08 Detecção de ovelhas em cio Após um programa de inseminação artificial, geralmente se usa um rufião com um dispositivo marcador de tinta para marcar as ovelhas que não emprenharam. Aqui, você pode ver o marcador vermelho usado durante o primeiro ciclo e o marcador azul usado durante o segundo ciclo estral. (neste caso, foi usado um marcador numa trela de peito, mas por vezes também se usa um avental no rufião.

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ABC &

DORPER B

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ASSOCIAÇÃO

Diretor Presidente

Conselho Administrativo

Paulo Augusto Franzine

Alcilio José Boechat Taeke Greidanus

1° Vice Presidente Antônio de Azevedo Castilho Neto

Rogério Tokarski Jamer Mascarenhas Marques

Diretor Vice Presidente Luiz Alberto Vicente Teixeira

Fernando Hilário Fioravante Marcio Afonso Cordeiro

Diretor Vice Presidente Valdomiro Poliselli Junior

Conselho Fiscal Titular Wilfrido Augusto Marques

Diretor Vice Presidente Luiz Roberto Horst

GISELLE PARDELLI

Diretor Financeiro Bolivar Figueiredo

Conselho Fiscal Suplente Bruno de Barros Ribeiro de Oliveira

Élito Carvalho

Carlos Henrique Santos Rodrigues

Diretor de Marketing Leonardo Adão Vidal

Gilberto Jun Katayama Conselho Técnico Regina Celia Margarido Valle

Diretor Administrativo Vilma Barbosa Gomes

Carlos Vilhena Vieira

Diretor de Núcleos Décio Ribeiro dos Santos

Danilo Gerassi Abbondanza

Diretor de Desenvolvimento Ricardo Falcão

Naelson Alves Farias Junior

Giancarlo Antoni Pedro Nacib Jorge Neto

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Dorper magazine - Número 03