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que Marcelo Campos estava fazendo a Liga da Justiça, pediu para seu agente conseguir um trabalho com a DC Comics. “Soube que o desenhista da ‘Mulher Maravilha’ havia saído. Era uma personagem que eu nunca admirei e estava vendendo mal. Como ninguém queria, eu peguei. Fiz duas amostras coloridas, com aerógrafo e balões. Quando o editor viu, me contratou na hora. Multiplicamos as vendagens e, em um ano, tinha briga pela Mulher Maravilha”, explica Deodato, que revitalizou a franquia ao promover mais ação nos quadrinhos da heroína. “Fiz flashpages, páginas com uma cena só, de ação. Via a Mulher Maravilha como algo clássico, parado, sem graça. Mostrei o oposto disso: qualquer briguinha eu transformava em uma carnificina. Além de transformá-la em uma mulher poderosa, sexy”. Novos caminhos à frente Com Marcelo Campos e Mike Deodato colhendo o reconhecimento pelo trabalho, uma nova geração de desenhistas aproveitou o ‘vácuo’ para tentar se lançar no mesmo mercado. Dessa “nova safra”, faz parte o mineiro Vilmar Conrado, ou Will Conrad, como foi rebatizado quando teve seu primeiro trabalho aprovado por uma editora americana. Mas a nova alcunha poderia nunca ter acontecido. Era fim da década de 90, a internet ainda engatinhava - era discada e, para mandar trabalhos para o exterior, muitos desenhistas esperavam dar meia-noite para pagar o pulso único telefônico - e a divulgação da produção era difícil de ser feita, o que tornava difícil a entrada no mercado. Para tentar abrir o leque de opções, Will (ainda Vilmar) conseguiu uma entrevista com uma agência de artistas em São Paulo. Com a passagem de ônibus comprada, foi à rodoviária, acompanhado pela noiva e por uma chuva torrencial. Acomodou as bagagens e voltou ao saguão de embarque para se despedir. Quando retornou ao ônibus, encontrou uma moça no seu assento - que ficava próximo ao do motorista. A garota pediu para ficar porque não tinha conseguido garantir um assento ao lado do namorado, que viajaria junto a Vilmar. Ele gentilmente aceitou a troca. “Quando cheguei ao lugar dela, vi que tinha uma goteira. Meu plano era descansar durante a viagem e chegar bem para a entrevista”, disse ele, que manteve o portfólio sempre debaixo do braço. A goteira que perturbava ajudou: quando estava para pegar no sono, Vilmar sentiu uma »»»

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Revista Leal Moreira nº 35  

Nelson Motta, O crítico musical mais influente do Brasil fala sobre o cenário nacional e o bom momento paraense. Mais Letícia Isnard, Ferran...

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