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nacional’. “Os caras me chamavam de ‘vendido’ e tudo mais. Mas estava muito ocupado, trabalhando, para pensar em barreiras”, diz, mostrando que o prestígio veio no esteio do talento. De Xuxa e Faustão, passou a desenhar e a arte-finalizar a Liga da Justiça, da DC Comics, entre outros tantos super-herois. Pouco tempo depois, outro brasileiro pensou em se aventurar no mercado estrangeiro. Filho do criador da primeira revista em quadrinhos do Nordeste (“As Aventuras do Flama”, inspirada em programas radiofônicos), Deodato Taumaturgo Borges Filho teve, como primeiro herói, o próprio pai, de quem herdou o nome. Tendo um pai colecionador de quadrinhos, a paixão foi quase uma herança genética. Assim que ‘seu’ Deodato viu no filho o tino para o desenho, incentivou a paixão de todas as formas: ensinou técnicas, patrocinou as primeiras criações e até apoiou a delicada decisão do filho de largar a faculdade de Jornalismo para se dedicar aos quadrinhos. Porém, nem todo o apoio amenizou as dificuldades que Deodato encontrou quando decidiu tentar viver dos quadrinhos. “Quando resolvi viver disso, é que percebi como era difícil. Na verdade, achei impossível: pagavam pouco, quase nada. Com muito suor, consegui publicar na Alemanha e Portugal, mas, no mercado americano,era difícil por não falar inglês”, lembra. À medida que suas publicações ganhavam notoriedade, crescia a expectativa de Deodato por um convite dos Estados Unidos. E ele veio em forma de teste. “Deram-me uma revista de 30 páginas, para eu entregar tudo em 30 dias: o desenho e a arte-final”, diz. Mesmo trabalhando em dois empregos - entre os quais como diagramador de jornal - o paraibano entregou o produto: ‘Santa Claws’. No Brasil, ficou conhecido como Noite Mortal, da editora Malibu. Trabalhar em casa sem ter chefe (aparentemente) era o sonho de Deodato, que dali em diante passou a ser conhecido como Mike Deodato, por sugestão de agentes, para facilitar a aceitação do público americano - em alguns trabalhos, ele assina como Mike Deodato Jr, como forma de homenagear o pai. “Nunca fui tão feliz como fui naquela época. A primeira oportunidade que tive para largar o trabalho e viver dos quadrinhos, eu agarrei. Aquele comecinho foi inesquecível”, recorda. Assim como havia feito no Brasil, Mike foi galgando degraus: da Malibu, editora de pequeno porte, foi subindo e ganhando prestígio. Quando ficou sabendo »»»

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Revista Leal Moreira nº 35  

Nelson Motta, O crítico musical mais influente do Brasil fala sobre o cenário nacional e o bom momento paraense. Mais Letícia Isnard, Ferran...

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