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Alan Bordallo

Talento for

export

Eles são brasileiros, talentosos, com traços únicos e disputados no universo das histórias em quadrinho. Conheça esse seleto time de desenhistas que conquistaram os Estados Unidos.

U

m grupo de profissionais deseja se infiltrar em um cobiçado mercado internacional de negócios, que ainda mantém certas restrições para aceitar estrangeiros. O caminho até lá é acidentado e recheado de percalços, tais como a dificuldade de comunicação, por exemplo, já que as tratativas acontecem no idioma nativo, quase desconhecido para a maioria do grupo. A estratégia para a invasão é a de se misturar com os locais, utilizando codinomes híbridos (que dificultem o reconhecimento como forasteiros), além de demonstrar conhecimento sobre a cultura local – ou melhor, a estrangeira. Uma vez dentro, a missão é mostrar o talento para que a resistência acabe e a porta permaneça aberta para novas gerações. Metáforas e analogias à parte, para desbravar o mercado americano,o caminho dos desenhistas brasileiros de histórias em quadrinhos (HQs) de ação e aventura tem nuances do heroísmo que eles próprios passaram a colocar nas páginas de empresas como Marvel e DC. Hoje, embora brasileiros façam parte da nata do mercado, ainda sonham com o crescimento desse nicho de mercado no Brasil. As portas do mercado americano,por exemplo, foram abertas para o mineiro Marcelo Campos, hoje radicado em São Paulo, que, na infância, estava longe de saber

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a importância e influência que teria quando começou a desenhar HQs em casa, sem qualquer pretensão profissional. O hobby, porém, começou a mudar de status depois que seu irmão (como co-roteirista) enviou uma história que haviam feito juntos, no estilo do quadrinho “Heavy Metal”, para um concurso de talentos da extinta editora Maciota, em 1984. A partir dali, Marcelo começou a ter trabalhos publicados e viu seu hobby render uns trocados. Junto a isso, Marcelo começou a conhecer profissionais do ramo. Recebeu convites para desenhar personagens variados: dos clássicos a personalidades da TV, como Xuxa, Sérgio Mallandro e Faustão. Quando se deu conta, Marcelo já era um desenhista profissional com portas abertas no cenário nacional de quadrinhos. Foi quando topou o desafio de desenhar para empresas americanas, mesmo ciente de que seria um “tiro no escuro”, já que não conhecia o funcionamento do mercado - e a recíproca era verdadeira. “Tinha de provar que era bom profissional: ter boa qualidade e entregar no prazo. Além disso, os artistas americanos, muitos deles, não gostaram nem um pouco da ‘invasão brasileira’”, diz. Paralelamente, Marcelo tinha que lidar com um panorama diametralmente oposto no Brasil: apesar de garantir que não via, naquela época, nada como uma barreira, incomodava o fato de ser acusado de ‘traidor do quadrinho »»»

arquivo pessoal

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Revista Leal Moreira nº 35  

Nelson Motta, O crítico musical mais influente do Brasil fala sobre o cenário nacional e o bom momento paraense. Mais Letícia Isnard, Ferran...

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