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Leila Loureiro

Fera

liberta

Eriberto Leão não rejeita o título de galã e, a partir de sua sólida formação no teatro, se permite viver várias personagens, ao mesmo tempo em que se considera único.

E

riberto Leão poderia ser um verbo, algo entre o “erigir” (erguer, levantar, fincar, criar) e o “libertar” (tornar-se liberto, livrar-se). Melhor, ‘eribertar’. Um neologismo seria o verbo que expressaria a capacidade de se erguer a partir de sua própria libertação. Um verbo certamente conjugado em todos os tempos e espaços, que ecoaria horas depois de ser pronunciado. Eriberto de Castro Leão Monteiro, paulista de São José dos Campos (SP), ator com 16 anos de carreira, é um homem frágil, como só os fortes costumam ser. Determinado, estudioso, concentrado, curioso e “pai do João”, como ele mesmo se descreve no microblog twitter, que “alimenta” pessoalmente (nos poucos minutos que lhe sobram, entre milhões de compromissos). “Eriberto está em Nova Iorque gravando um novo filme. Eriberto está em Las Vegas, fazendo laboratório para compor sua próxima personagem de novela. Eriberto está em São Paulo, em cartaz com sua peça” – alguns dos obstáculos ultrapassados, para que, enfim, esta conversa fosse possível. O local: o café de uma livraria. Aliás, nada mais providencial, já que Eriberto é um leitor voraz, que navega entre Victor Hugo e Nietzsche ao longo da entrevista para a Revista Leal Moreira. Aos 40 anos, Eriberto faz questão de fincar o alicerce de sua existência em um terreno bem seguro, sendo a espinha dorsal do seu entorno. Às vésperas da estreia de sua décima primeira novela, o ator, que contabiliza ainda oito peças teatrais e sete filmes, tem buscado ouvir mais o silêncio. E é nesse cenário que iremos conjugá-lo,

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em todos os tempos verbais, do passado a um inovador futuro mais-que-perfeito. O Brasil inteiro conhece o Eriberto Leão, galã de novelas. Porém, poucos tiveram acesso à sua formação mais profunda, como ator de teatro e cinema. Como foi esse processo de amadurecimento profissional? Desde que me apaixonei pelas artes dramáticas, percebi a importância do estudo na construção de um ator de verdade, um ator pleno. Lembro que o Tony Ramos me disse certa vez que ‘a vocação é mais importante que o talento’. A partir disso, reconhecendo a minha vocação, procurei aprimorar o meu talento, lapidar ao máximo. Em 1990, cursei Artes Dramáticas na USP. É um curso muito concorrido e ali eu defini que precisaria chegar perto dos melhores e seguir com os estudosm buscando uma pós-graduação em Arte. Foi quando decidi ir para Nova Iorque. Estudar em Nova Iorque trouxe que tipo de diferencial à sua carreira? Admiro a típica cultura do vencedor nos EUA: a disciplina, a batalha árdua, bem distinta da cultura empregada no Brasil, na base do ‘você não vai conseguir’ ou ‘desista’. Quando mudei para Nova Iorque, acreditei muito nessa disciplina e dedicação para chegar aonde eu queria. Entre 1993 e 1994, estudei na escola de atores do Lee Strasberg (renomado ator, diretor e professor de artes dramáticas norte-americano), que criou um »»»

Daryan Dornelles

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Revista Leal Moreira nº 35  

Nelson Motta, O crítico musical mais influente do Brasil fala sobre o cenário nacional e o bom momento paraense. Mais Letícia Isnard, Ferran...

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