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Uma breve consideração sobre o Calvinismo Eu tenho ouvido que o Calvinismo é uma "doutrina perigosa". Não sei quem terá a audácia de fazer esta afirmação quando considerar que os mais santos dentre os homens foram Calvinistas. Pergunto ao homem que se atreve a dizer que o Calvinismo é uma "doutrina perigosa", o que ele pensa do caráter de todos os nomes que foram citados aqui, que em sucessivas eras foram grandes expoentes do Calvinismo; ou o que diria dos Puritanos, cujas obras são Calvinistas; ou dos primeiros missionários batistas que chegaram ao Brasil, também Calvinistas?


O sistema de doutrina que carrega o nome de João Calvino de forma alguma foi originado por ele (o próprio Calvino repudiava contundentemente este apelido). Calvinismo é meramente um apelido pelo qual os teólogos referem-se ao dogma ensinado por toda a Sagrada Escritura, inclusive na doutrina apostólica, cujo termo correto é Monergismo. Calvino foi quem elaborou, pela primeira vez, estes princípios doutrinários em um sistema formal, porém estes princípios doutrinários não se originaram com João Calvino, mas sim das Escrituras Sagradas. Monergismo (regeneração monergística) é uma benção redentora adquirida por Cristo para aqueles que o Pai lhe deu (1 Pedro 1:3; João 6:37-39). Ela comunica aquele poder na alma caída pela qual a pessoa que deve ser salva é eficazmente capacitada a responder ao chamado do evangelho (João 1:13). Ela é aquele poder sobrenatural de Deus somente pelo qual nos é concedida a capacidade espiritual para cumprir as condições do pacto da graça; isto é, para apreender o Redentor por uma fé viva, para se achegar aos termos da salvação, se arrepender dos ídolos e amar a Deus e o Mediador supremamente. O Espírito Santo, ao vivificar a alma, misericordiosamente capacita e inclina o eleito de Deus ao exercício espiritual da fé em Jesus Cristo. Este processo é o meio pelo qual o Espírito nos traz à viva união com Ele. Historicamente a Igreja Cristã tem sido predominantemente Calvinista. O segundo e terceiro século não produziram um tratado de teologia sistemática per se (por si só), mas os escritos do período Patrístico (teólogos a partir do final do século I, logo que o Novo Testamento foi concluído) revelam o Calvinismo. As doutrinas destes primeiros anos foram desenvolvidas adicionalmente durante o tempo de Agostinho de Hipona (354-430 d.C), uma das maiores mentes teológicas que Deus já deu à sua igreja. Agostinho foi tão fortemente Calvinista, que João Calvino referia a si mesmo como um teólogo Agostiniano. A teologia

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de Agostinho dominou a igreja por um milênio. Durante este período da Idade Média (400-1500 d.C), vários Calvinistas (e.g., John Wycliffe [traduziu a Bíblia para o Inglês] e John Hus [precursor da reforma e mártir, sendo queimado vivo por não negar a Cristo]) adornaram o cenário teológico. Com a chegada dos séculos 16 e 17, temos homens tais como Martinho Lutero (figura central da Reforma Protestante), João Calvino (teólogo francês), John Knox (grande nome da reforma escocesa) e uma multidão de outros, sustentaram as doutrinas básicas Calvinistas. Os Puritanos ingleses foram fortemente Calvinistas. Homens tais como John Owen (considerado um dos três maiores teólogos de todos os tempos) e John Bunyan (pregador Batista e autor do segundo livro mais vendido no mundo depois da Bíblia: O Peregrino) e todos os outros eram Calvinistas. Os grandes credos da Igreja foram formulados durante este tempo. A Confissão Escocesa (1560), Confissão Belga (1561), Catecismo de Heidelberg (1563), Segunda Confissão Helvética (1566), Trinta e nove Artigos da Igreja da Inglaterra (1562, 1571), Cânones do Sínodo de Dort (1619), Confissão de Fé de Westminster (1647), Declaração de Savoy (1658), a Formula Consensus Helveticus (1675) e a Confissão de Fé Batista de Londres (1689) são todos eles credos Calvinistas. Os séculos 17 e 18 viram Calvinistas tais como John Gill (o primeiro grande escritor teólogo Batista), George Whitefield (conhecido como o príncipe dos pregadores ao ar livre), Jonathan Edwards (pregador, teólogo e missionário aos índios americanos, autor do sermão pecadores nas Mãos de um Deus Irado), David Brainerd (deu sua vida por missões aos índios americanos, morreu com 29 anos, deixando um diário contando suas experiências com DEUS, o qual influenciou a muitos a darem sua vida no campo missionário), Adoniram Judson (missionário batista na Birmânia, onde

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ajudou na organização da língua birmanesa e na tradução da Bíblia para o birmanês), Luther Rice (o primeiro missionário batista a por os pés em terras brasileiras) e João Ferreira de Almeida (sim, o tradutor da Bíblia que você usa) serem usados poderosamente por Deus. Os séculos 19 e 20 produziram outros Calvinistas notáveis. Charles Spurgeon (pastor batista considerado o príncipe dos pregadores, chegando a pregar para uma multidão de exatamente 23.654 pessoas e 14.692 pessoas foram batizadas sob seu pastoreado), Charles Hodge (grande exegeta [arte de interpretar a Bíblia] de sua época), William Carey (pastor batista conhecido como o pai das missões modernas e um dos fundadores da Sociedade Batista Missionária nos Estados Unidos, foi missionário na colônia dinamarquesa, Serampore, Índia, evangelizou e fundou escolas, traduziu a Bíblia para o bengali, sânscrito e inúmeras outras línguas e dialetos), George Müller (o príncipe entre os intercessores, deixou um diário com cerca de 50.000 de suas orações respondidas, costumava ler toda a Bíblia quatro vezes por ano, missionário entre os órfãos cuidou de 10.024 órfãos em sua vida, sendo conhecido por fornecer uma ótima educação para as crianças sob seus cuidados, estabeleceu 117 escolas que ofereciam educação cristã para mais de 120.000 crianças órfãs e em 20 anos construiu cinco grandes orfanatos na Inglaterra, sem pedir um centavo para ninguém, apenas orando e crendo na providência Divina), David Livingstone (missionário escocês na áfrica), Hudson Taylor (missionário inglês que dedicou 51 anos de sua vida na China, fundando a Missão no Interior da China, responsável pelo envio de mais de 800 missionários ao país que começaram 125 escolas e diretamente resultou na conversão de 18.000 pessoas, também como no estabelecimento de mais de 300 estações de trabalho com mais de 500 colaboradores locais em todas as dezoito províncias chinesas), John Newton (extraficante de escravo que após a conversão lutou pela abolição da escravatura nos Estados Unidos é o compositor do

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belo e mundialmente conhecido hino Amazing Grace), William Teophilus Brantley Jr. (enviado ao Brasil para examinar a possibilidade de enviar missionários) e milhares de outros. Eu poderia continuar citando aqui nomes e trechos de biografias de grandes Batistas, homens fiéis a DEUS, que eram calvinistas comprometidos, bem como firmes na evangelização, pois o Calvinismo tem caracterizado os batistas autênticos em sua história. O Calvinismo é a única doutrina sobre a qual podemos afirmar que é endêmico (exclusivamente ligada, inseparável, própria) à história, ao ensino e à herança dos batistas. Nós podemos correr uma linha dourada até o próprio Jesus Cristo, através de uma santa sucessão de vigorosos servos de DEUS, todos os quais defenderam estas gloriosas verdades; e podemos perguntar a seu respeito: Onde você encontraria homens melhores e mais consagrados no mundo?. Eu tenho ouvido que o Calvinismo é uma "doutrina perigosa". Não sei quem terá a audácia de fazer esta afirmação quando considerar que os mais santos dentre os homens foram Calvinistas. Pergunto ao homem que se atreve a dizer que o Calvinismo é uma "doutrina perigosa", o que ele pensa do caráter de todos os nomes que foram citados aqui, que em sucessivas eras foram grandes expoentes do Calvinismo; ou o que diria dos Puritanos, cujas obras são Calvinistas; ou dos primeiros missionários batistas que chegaram ao Brasil, também Calvinistas? Portanto, aqueles que têm chamado o Calvinismo de "doutrina perigosa" infelizmente não sabem nada a seu respeito. Doni Augusto (compilado)

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Uma breve consideração sobre o Calvinismo