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Colaboradores 06.01.06

Operação Tapa-Buracos ___ Rodrigo Constantino* O presidente Lulla tem feito certo estardalhaço com a questão das estradas esburacadas, tentando angariar votos com os pífios e tardios investimentos para melhorar a situação delas, que é caótica. Em ano eleitoral, vale tudo! Até mesmo jogar milhões pelo ralo, fingindo que está atacando, de verdade, este grave problema. A maioria dos trechos rodoviários brasileiros sequer é pavimentada, enquanto o governo arrecada verdadeira fortuna com o IPVA. A CIDE, imposto arrecadado através dos combustíveis, também deveria ter destino certo, para a infra-estrutura de transportes. Mas como o dinheiro não tem carimbo, sabe-se lá onde foi parar tanta grana. Talvez nos programas populistas de esmola, que garantem votos dos desesperados, ou mesmo no “mensalão”. Mas, voltando à questão das estradas, o ponto é que dinheiro não falta! Entretanto, temos um verdadeiro queijo suíço, tomado por enormes crateras causadoras de acidentes fatais e perda de competitividade das empresas nacionais. Diante de tal quadro periclitante, até mesmo o governo Lulla, patologicamente avesso a privatizações, irá leiloar concessões de novos trechos rodoviários para o setor privado. De fato, uma medida necessária e desejável, ainda que muito pouco, muito tarde. Basta observar a qualidade dos trechos já em mãos privadas. Somente a CCR, empresa privada dona de algumas poucas concessões, investiu em 2005 quase o mesmo montante que o governo federal está disponibilizando agora na sua operação “tapa-buracos”, claramente de caráter eleitoreiro. O montante liberado pelo governo permite, no máximo, fechar alguns buracos. Algo totalmente paliativo, que apenas posterga a real solução do problema. Esta seria acelerar a privatização de trechos, evidentemente com uma concomitante redução dos pesados impostos via IPVA. Não faz sentido o consumidor pagar dobrado! Mas para fazer justiça ao nosso presidente, não é apenas ele que se utiliza dos buracos nas estradas para buscar votos. Em 2005, Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, esteve em San Jose para, pessoalmente, tapar alguns buracos na cidade.


Lógico, havia câmeras de televisão espalhadas, e o povo da pequena cidade ficou estupefato com o espetáculo. Afinal, Schwarzenegger, além de governador do mais exótico estado americano, é um famoso ator de Hollywood também. Vejo, portanto, mais similaridades entre ambos, Lulla e Arnold, fora a operação “tapa-buracos e caça-votos”. Os dois são atores, sendo que credito melhor qualidade ao nosso presidente, sem dúvida. E tem mais uma ainda: ambos são “exterminadores do futuro”, um na ficção e o outro na vida real. * Economista, autor do livro "Estrela Cadente: as contradições e trapalhadas do PT".

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