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COLABORADORES 26.02.2010

E se Dilma fosse eleita? MARIO GUERREIRO *

Pesquisa feita pelo Ibope e pelo Diário do Comércio (SP) entre os dias 6 e 9 de fevereiro, em que foram entrevistadas 2.002 pessoas, mostraram que Serra continua na ponta liderando todos os cenários na maratona para Presidente. No cenário principal, ele tem 36% e Dilma 25%. Comparados esses dados com os de dezembro do ano passado, pode-se dizer que Serra permaneceu estável, apesar de ter perdido 2 pontos, pois esta é a margem de erro da pesquisa. Mas Dilma teve um considerável crescimento, uma vez que cresceu 8 pontos! Com o fermento Lulla, até chuchu na Sibéria cresce exuberantemente. No entanto, num cenário em que Ciro I, rei dos persas e imperador de Sobral, está fora de cena, Serra abre 13 pontos de diferença em relação a Dilma. É mole ou quer mais?! Segundo Márcia Cavallari, diretora-executiva de atendimento e planejamento do Ibope, "os cenários estimulados pela pesquisa mostram que, com a saída de Ciro da disputa, aumenta a probabilidade de a eleição acabar no primeiro turno". E com uma vitória de José Serra, acrescentamos nós. De acordo com os resultados dessa pesquisa, pode-se inferir também outra coisa – em nosso ver mais relevante: a eleição plebiscitária, tão desejada e buscada por Lulla, está correndo o sério risco de ir para o brejo, caso Ciro insista em ser candidato a Presidente e não a governador de São Paulo, como lhe pediu tão insistentemente Lulla. É ruim, hein? Em lagoa que tem sapo, mosquito não dá vôo rasante, e disto sabe muito bem Ciro. Mas ainda tem muita água para rolar debaixo da ponte e é possível que esse quadro seja modificado quando começar efetivamente a campanha eleitoral e Dilma arrebatar as multidões nos programas eleitorais na TV com sua empolgante verve e com sua figura extremamente carismática, coisas que eclipsarão a figura de Serra, que já não é lá das mais atraentes e sensuais.


E por isso mesmo que acho que tem sentido, apesar dos dados altamente desfavoráveis da mais recente pesquisa do Ibope, colocar a questão: E se Dilma fosse eleita? Seria diferente de perguntar: E se Dilma fosse a eleita? Sim, porque a eleita ela já é, não aos olhos do Altíssimo, que tudo vêem, porém aos do Baixíssimo que nada vêem. Faremos nossa especulação futurológica sem levar em consideração o passado da preferida de Lula, que empana sua ficha como candidata a Presidente do Brasil. Faremos de conta que nunca existiu a guerrilheira urbana do Var-Palmares de codinome Estella, que costumava praticar assaltos a bancos e trocar tiros com a polícia, porém tendo como nobre finalidade última e única arrecadar fundos para a revolução do proletariado explorado pelos vis e mesquinhos capitalistas. Mesmo assim, há que considerar que os fins justificam os meios: a companheira Estella - como foi mostrado num filme passado na recente convenção do PT - lutava contra a ditadura militar e a favor da democracia como a então vigente - e hoje ainda firme e sólida sob o comando dos irmãos Castro - em Cubacan, misterioso país del amor. Tudo isso e mais alguns detalhes são coisas do passado devendo ser deletadas, não delatadas. O ser humano é capaz de se arrepender, mesmo dos mais monstruosos crimes e pecados, passar uma esponja no passado e viver uma nova vida. Assim, tudo o que importa é a nova Dilma, um Fênix que ressurgiu das cinzas e alçou seu vôo às alturas. Sua vida privada - assim como a de qualquer homem público - não tem a menor importância: tudo que é relevante, para a ciência política, é sua figura de mulher pública. Como pensa ela? Que idéias políticas tem ela? Como pretende nos governar? Pouco se sabe, porque até agora pouco falou sobre o assunto. Tudo o que se diz dela é que é mandona, rabugenta e de pavio curto, muito parecida com as piores sogras. Mas ela já disse que seu governo será uma continuidade do governo de Lulla, o que não é nada surpreendente saindo da boca de uma candidata da situação e de um governo com 84% de parvos simpatizantes .Mais do que isto: como disse o próprio Lulla, elegê-la como sua sucessora é a coisa mais importante da sua vida, depois de dona Marisa e seus filhos, é claro. Disse ela que quer um Estado mais forte. Bem, podemos entender várias coisas; (1) um Estado policialesco como o do Gauleiter Hugorila Chávez, (2) um Estado com um governante forte e com a californication exterminada pelos músculos do exterminador


Schwarzenegger, (3) um Estado equipado com mais cabidões de empregos do que o Estado de Lulla [funcionalismo público no Brasil é que nem cama de despudorada galinha: sempre tem lugar para mais um] (4) um Estado fortemente intervencionista regulamentando até o modo de se vender bananas, se a peso ou à dúzia, ou de outro modo qualquer. Disse ela que manterá as variadíssimas bolsas do governo Lulla, como a bolsa família, que “ou cobre de vergonha ou vicia o cidadão”, na expressiva linguagem de Patativa do Assaré; o auxílio reclusão, uma merrequinha de atá R$ 752,12, por filho, para o detento sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso. E nem trabalharia, caso solto estivesse... Isto para não falar na mais recente bolsa: a bolsa ou a vida! Disse aprovar totalmente o PNDH3, que não é nenhuma fórmula química secreta, mas sim Plano Nacional dos Direitos Humanos 3. Se for assim, todo o Poder aos soviets! Ela aprova que sejam formados soviets de camponeses e sindicalistas como árbitros em questões de invasões de terras, antes mesmo de seus proprietários recorreram à Justiça com pedidos de reintegração de posse. Se é assim, ela aprova que sejam constituídos soviets destinados a censurar a mídia quando esta disser ou mostrar qualquer coisa que desagrade ao Big Boss da Bruzundanga: como, aliás, já afirmou Lulla que a função da imprensa é informar, não investigar. E tinha toda a razão, pois a imprensa deve noticiar boletins sobre o tempo, viagens e discursos do Presidente pelo mundo a fora, colunas sociais, culinárias, esportivas, etc. e parar de ficar metendo o nariz onde não é chamada, porque, se ficar investigando muito, pode descobrir coisas assaz desagradáveis, tais como dólares escondidos nas cuecas, obras superfaturadas do PAC (Plano para Alavancar a Companheira), entre outras irregularidades apontadas pelo TCU e prontamente arquivadas pelo Congresso. Surpreendentemente, porém, ela disse que manterá o câmbio livre tal como Palocci no primeiro governo Lulla e Meireles no segundo. Ah! que medida típica de execráveis neoliberais contra a qual não se cansavam de tecer imprecações Lulla e o PT quando estavam na oposição! Ah! na oposição, a teoria é outra.


Mas parece que, ao menos continuaremos tendo o câmbio livre, o amor livre, passe livre para idosos e pessoas com dificuldades especiais neste país de intervencionistas e admiradores do xiita Ahmadinejad e do Gauleiter Hugorila Chávez. Vade retro!

APÊNDICE I: Uma piadinha para amenizar a atual canícula senegalesca El Papagayo Cubano En Cuba, un niño regresa de la escuela a su casa, cansado y hambriento, y le pregunta a su mamá: - Mamá, que hay de comer? - Nada, mi hijo. El niño mira hacia el papagayo que tienen y pregunta: - Mamá, por qué no papagayo con arroz? - No hay arroz. - Y papagayo al horno? - No hay gas. - Y papagayo en la parrilla eléctrica? - No tenemos parilla ni hay electricidad. - Y papagayo frito? - No hay aceite. Oyendo esto, el papagayo contentísimo gritó. VIVA FIDEL!!! VIVA LA REVOLUCIÓN!!! * Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da UniverCidade.

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