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Clichês do Socialismo nº 9 30.09.2009

“O homem nasceu para a cooperação, não para a competição” OU

“Os ídolos do mercado devem dar lugar aos da humanidade.” PAUL L. POIROT* O ERRO nesse clichê é sua implicação na incompatibilidade entre competição e cooperação, entre o processo do intercâmbio voluntário e os objetivos dos seres humanos. O que os socialistas chamam de “ídolos do mercado” inclui a negociação competitiva e o controle da propriedade. Estes são os meios através dos quais cada indivíduo pode dedicar-se às suas escolhas e objetivos até o limite de sua própria capacidade – dentro dos limites do respeito pela vida, propriedade e os respectivos direitos inalienáveis de seus semelhantes. Ainda que a economia de mercado ofereça o máximo de oportunidades para cada ser humano lidar com a realização de suas potencialidades, não é isso o que pensam os socialistas. O conceito socialista de humanidade ideal compreende dar a cada pessoa de acordo com suas necessidades, independentemente de seus esforços para ganhar o que quer. De acordo com essa visão, o homem como um todo consiste em sua capacidade de consumir, o que faz compreender a discórdia de que “o homem nasceu para a cooperação, não para a concorrência.” Em outras palavras, o homem nasceu para o conforto e tranqüilidade, não para o trabalho e luta! A “cooperação” a que se refere o socialismo é a de repartir qualquer coisa disponível para o consumo, independentemente de como tenha sido produzida ou poupada, ou de quem possa dela reivindicar propriedade. O homem, como consumidor, deve se servir do que quer que precise – mas à custa dos outros. O duplo problema com este conceito de “cooperação” é sua imoralidade intrínseca, e o fato de que não funciona. A teoria na prática não funciona porque a maioria dos seres humanos não trabalhará – ou poupará – se for sistematicamente roubada por desocupados, ou se for ensinada a também ser desocupada. E, ao mesmo tempo em que a caridade voluntária é considerada uma das mais elevadas formas de ação humana, do ponto de vista moral, parece claro que a inversão do processo, permitindo que o receptor das esmolas


pegue o que quiser de quem mais lhe aprouver, é tão imoral quanto qualquer outra forma de roubo. Pelo fato do consumo poder suceder, mas não, preceder a produção, é importante que a política econômica leve em consideração os produtores e os encoraje. A propriedade privada – o direito aos frutos da própria capacidade e trabalho, ganhados no serviço e não na exploração de outros – proporciona tal encorajamento. O dono da propriedade é livre para negociar com terceiros, se estes quiserem. Ele não pode forçar ninguém a comprar seus bens ou serviços, mas terá que competir para ganhar a preferência do comprador – satisfazer o consumidor – numa concorrência aberta com todos os outros produtores dentro de sua área de mercado. Competição dura? Com certeza. Mas também cooperação do mais alto grau porque envolve absoluto respeito pela vida, propriedade e liberdade – a totalidade dos direitos humanos – de toda pessoa de paz no mundo. A economia de mercado não concede a ninguém o poder de escravizar outra pessoa, ou compeli-la a comprar ou vender coisa nenhuma. Para cooperar de fato, as pessoas têm que ser livres para escolher com quem cooperar e com que propósitos. E a competição proporciona a oportunidade para tal escolha. Se houver apenas um único fabricante de pão, não poderá haver escolha. Portanto, a concorrência é o necessário prelúdio da cooperação. Que organização social poderia ser mais humanitária do que a que permite que cada indivíduo ascenda ao limite máximo de suas potencialidades criativas? A competitiva economia de mercado faz isso e, assim, maximiza as oportunidades para que os mais capazes pratiquem a caridade com relação aos irmãos menos afortunados. Não é uma questão de cooperação ou competição. Cooperação e competição no mercado tornam possível esperar-se o melhor para cada indivíduo e para a humanidade em geral.

*Membro da Foundation for Economic Education – FEE, editor-chefe da publicação The Freeman. TRADUÇÃO: LIGIA FILGUEIRAS


[series il cliches do socialismo] o homem nasceu para a cooperação