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Paróquia São Luis Gonzaga Brusque, maio de 2014 - Número 37

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Deus confiou à mulher a

profundidade da maternidade

“Gosto de pensar também que a Igreja não é o Igreja, mas a Igreja. A Igreja é mulher, é mãe, e isto é bonito. Deveis pensar e aprofundar isto”

É a mulher que concebe, que traz no seu seio e que dá à luz os filhos dos homens. E este não é simplesmente um dado biológico, mas encerra em si uma riqueza de implicações quer para a própria mulher, em virtude do seu modo de ser, quer para as suas relações, em função da sua maneira de se colocar em relação à vida humana e à vida em geral. Chamando a mulher à maternidade, Deus confiou-lhe o ser humano de forma inteiramente especial. No entanto, aqui existem dois perigos sempre presentes, dois extremos opostos que mortificam a mulher e a sua vocação. O primeiro consiste em reduzir a maternidade a um papel social, a uma tarefa, por mais nobre que seja, mas com efeito põe de lado a mulher com as suas potencialidades e não a valoriza plenamente na construção da comunidade. Isto tanto no âmbito

civil, como no contexto eclesial. E, como reação a este há outro perigo, em sentido oposto, que consiste em promover uma espécie de emancipação que, para ocupar os espaços tirados ao masculino, chega a abandonar o feminino, com os traços inestimáveis que o caracterizam. E aqui, eu gostaria de ressaltar que a mulher tem uma sensibilidade particular pelas coisas de Deus, sobretudo para nos ajudar a compreender a misericórdia, a ternura e o amor que Deus tem por nós. Gosto de pensar também que a Igreja não é o Igreja, mas a Igreja. A Igreja é mulher, é mãe, e isto é bonito. Deveis pensar e aprofundar isto. Trecho do discurso aos participantes do Seminário sobre Mulieris Dignitatem, de João Paulo II, no dia no dia 12 de outubro de 2013

Editorial

Faces da

maternidade O mês de maio pode ser traduzido como o mês do Amor. Afinal, o amor de mãe muito se assemelha ao Amor de Deus por nós, um amor incondicional. Nesta edição A Palavra procurou mostrar que da mesma forma como o Amor de Deus se manifesta de diversas maneiras, a maternidade é também uma graça divina para todas as mulheres, independente do estado de vida. Além disso, a vocação materna, seja biológica ou espiritual, se concentra em Maria. Àquela

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que em sua castidade gerou Jesus. Iniciamos também nesta edição uma série de reportagens sobre a Igreja Católica motivada pelas dúvidas que as pessoas possuem sobre a doutrina da Igreja. Fomos às ruas perguntar as pessoas e ficamos surpreendidos! Confira na página 05 os assuntos que serão abordados nas próximas edições e nos mande também a sua dúvida. Feliz dia das mães a todas as mulheres que exercem esse dom, seja de forma biológica e espiritual! Boa leitura!

A Palavra - Opinião

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Edição

37 ESPECIAL | 10 a 12

Capa Ed. 36

Dom do amor materno!

05 | A Igreja que você não

conhece!

13 | São Filipe Neri – coração

abrasado pelo amor de Deus

ENTREVISTA | 08 e 09 A fecundidade da maternidade espiritual

14 | Maria, mãe e discípula de

Cristo

17 | Festa de Santa Rita de

Cássia e Nossa Senhora de Fátima

18 | Colorindo: Nossa

Senhora!

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A Palavra - Mural

CARISMA | 06

Artigo: O Carisma Dehoniano

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A Igreja que você não conhece!

A Revista A Palavra colocou os pés na rua, no centro de Brusque e de Florianópolis, para perguntar as pessoas: O que você gostaria de saber sobre a Igreja Católica? Há algo que você não entende sobre a Doutrina ou tem curiosidade de saber mais? Pensávamos que seríamos bombardeados por perguntas, críticas e opiniões sobre a Igreja. Ficamos surpresos! Com mais de 20 pessoas abordadas entre as duas cidades as respostas que mais ouvimos foram: “Não tenho dúvida alguma”; “Pra mim tá tudo certo”. A surpresa se deu porque a doutrina Católica geralmente é alvo de discussões e é questionada pela mídia,

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o que muitas vezes provoca nas pessoas – sejam fiéis ou não – dúvidas sobre o “porquê a Igreja pensa assim”.

QUEREMOS RESPONDER!

É com o intuito de responder a questionamentos apontados nas ruas que A Palavra inicia neste mês a série de reportagens: A Igreja que você não conhece. Das ruas traremos os primeiros temas para as reportagens que você acompanhará nas próximas edições. Dentre os assuntos abordados

estão o que a Igreja pensa e diz sobre a morte, homossexualidade e crescimento do mal no mundo. As pessoas também questionaram o motivo a qual se OFERTA o dízimo, a justificativa das festas comunitárias com o consumo de bebidas alcoólicas, o posicionamento do Papa Francisco sobre alguns temas, a veneração a santos e o uso de orações. Se você quiser contribuir com esta série de reportagens ou até mesmo tem algo que quer muito saber e entender sobre a Igreja Católica entre em contato conosco através do e-mail: pauta@dominuscomunicacao.com, com o assunto: “Pergunta para a Revista A Palavra”.

A Palavra - Igreja

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O CARISMA

DEHONIANO Por P. Magnos Caneppele

Por carisma entende-se um “dom especial” do Espírito Santo que uma pessoa recebe para perceber uma característica da vida de Deus. O carisma se liga a uma experiência de fé que a pessoa faz de Deus, movido pelo Espírito Santo. O carisma revelado a uma pessoa é sempre dado para toda a Igreja. Portanto, pode ser participado por todas as pessoas que se sentirem atraídas ou chamadas a viver o mesmo carisma. É importante que os seguidores de um carisma sejam fiéis à sua inspiração inicial. Contudo, todo o carisma é dinâmico, podendo e devendo adaptar-se às exigências de tempo, lugares e realidade do povo. No Coração de Cristo aberto na cruz, Padre Dehon contemplou o infinito amor de Deus que se doa até o fim. O Coração transpassado é a expressão mais evoca esse amor. Ao olhar, também, a sociedade do seu tempo, Padre Dehon percebeu que a origem de todos os males estava na recusa ao amor de Cristo. Foi contemplando o amor de Deus e vendo os males da sociedade que Padre Dehon recebeu o carisma, a inspiração, a força, o dom de ser Profeta do Amor e Ministro da Reconciliação. O desdobramento do Carisma de Padre Dehon era completar na sua carne o que falta às tribulações de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja (Cl 1,24). Padre Dehon fala em Amor e Reparação: “Eis o que nos pede o Nosso Senhor através de nossas obras. Amar ao Pai que tanto nos ama. Amar ao Filho que, em prova de seu Amor para conosco, cumpriu a vontade do Pai, por nós morrendo na cruz. Amor ao Espírito Santo que vela sobre nossas obras, nossos atos de amor. A reparação é entendida como um oferecimento de toda a nossa vida, nossas obras e agir, para reparar,

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A Palavra - Carisma

para compensar os corações que ainda não amam ao Coração de Jesus”. O Dehoniano é um Oblato. É aquele que se oferece sem reservas a Deus, buscando fazer sempre sua vontade. É aquele que abre mão da própria vontade, para fazer a vontade de Deus. Deve ser reconhecido por atitudes que nascem de sua união à oblação de Cristo e que marcam todo o seu ser: disponibilidade, amor à Eucaristia, obediência, espírito de comunhão, coragem de arriscar a vida pelo Evangelho em favor dos irmãos, solidariedade e gratuidade. Deve ter um coração grande, capaz de acolher, amar e servir. Assim o Dehoniano é chamado a ser e a viver. O Dehoniano é um reparador (Reparação). Isso significa: acolhimento do Espírito (cf.1Ts 4,8), uma resposta ao amor de Cristo, comunhão ao seu amor pelo Pai e colaboração com sua obra redentora no mundo. O Dehoniano faz reparação quando acolhe o Espírito que renova os corações. Na Igreja, os Dehonianos são chamados a ser servidores da reconciliação (cf. 2Cor 5,17-18). Por isso, são chamados a ser “Profetas do amor e ministros da reconciliação” (Constituições, n. 7). A “missão reparadora” sugere algumas opções apostólicas: Eucaristia como princípio e centro da vida e adoração eucarística diária como um autêntico serviço à Igreja; atenção em especial para com os mais desamparados; especial atenção ao apostolado social; empenho em responder às necessidades pastorais de nosso tempo; promoção das vocações; atividade missionária; apostolado no meio da juventude e nos colégios, paróquias. Tudo isto se concretiza num estilo de vida pessoal, caracterizado pela união com Cristo e pelo atento e cordial acolhimento das pessoas. www.paroquiasaoluisgonzaga.com


O caminho vocacional Dehoniano Postulantado Por P. José Napoleão Lauriano dos Santos - Mestre do Postulantado

Marcada pela presença de seminários onde se preparam os futuros religiosos e sacerdotes, sendo que em cada qual é oferecido ao candidato um conteúdo específico para esta ou aquela etapa formativa. Quando o jovem já concluiu o

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curso de Filosofia, a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ) propõe a ele, neste período de aproximadamente um ano, conteúdos que o ajudem na melhor preparação para o ano de noviciado. É um momento atípico, do até então vivido, pois o acento principal consiste em convidar o candidato a um encontro consigo mesmo, sua história de vida, para perceberse e desejar tomar a atitude que direcione seu amanhã. Desta forma existe um conteúdo básico que dá rosto a esta etapa: a) Considerando a necessidade de que o candidato progrida na resposta livre e responsável proporcionamos a ele condições para o amadurecimento humano-afetivo através de conteúdos e acompanhamento com profissional especifico; b) O seguimento a Cristo requer o cultivo e aprofundamento na vida espiritual numa atitude orante e reflexiva para crescer na generosidade ao convite que o Mestre faz ao jovem; c) A vida consagrada conta com um

elemento que a distingue, que é a vida comunitária; para tal o rapaz é estimulado a treinar e desejar como algo seu este estilo de vida fraterna em comunidade; e) O Fundador P. Dehon espera que, como continuadores da obra por ele começada, sejamos apóstolos em nosso tempo, o que requer uma sólida formação intelectual que responda aos desafios de nosso tempo; f) O consagrado para ser enviado precisa ter gosto e preparação para o apostolado e nesta etapa é integrado a um tempo de encontro consigo mesmo; g) Somos religiosos dehonianos logo é indispensável contemplar e assimilar a mística do SCJ ao modo como descobriu e viveu P. Dehon, para traduzi-la neste hoje de Deus. Estes conteúdos são propostos ao jovem vocacionado para que sejam esclarecidos, acolhidos e assimilados como seus. Isto lhes servirá como fundamento ao estilo de vida que desejam assumir. Em suma, é tempo de graça e o rapaz é convidado a estar vigilante, pois o Cristo continua a passar.

A Palavra - Dehonianos

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A fecundidade da maternidade

Espiritual

Amor de mãe é incondicional de qualquer maneira. É o que nos revela nesta entrevista a celibatária Ana de Fátima Monteiro Athias, 59 anos. Médica por profissão e responsável pela missão do Movimento dos Focolares em Santa Catarina, ela sonhava em ser mãe e ter uma família. Hoje ela se sente plenamente realizada em ser mãe espiritual de muitos filhos que Deus lhe confiou.

A Palavra - Como foi sua escolha vocacional pelo celibato? Chegou a pensar sobre ser mãe? Ana de Fátima - Eu descobri a espiritualidade da Comunidade com 14 anos. Portanto eu era uma jovenzinha que tinha como todo mundo o sonho de casar e de formar uma família. Quando eu tive contato com o Movimento dos Focolares foi um encontro com Deus. Me lembro daquilo que foi o pródomo – sinal anunciador - da minha vocação, tínhamos um encontro com 120 meninas para falar de Deus para essas meninas de 13 a 14 anos. Foi um dia todo pleno de doação para as meninas. Estávamos organizando e transmitindo uma experiência de vida da Palavra, do amor e do encontro com Jesus. Então ali, lembro que quando terminou o encontro, conversando só entre nós e estava presente uma focolarina, eu disse: “meu Deus eu senti que estava gerando Jesus no coração dessas pessoas”. Ali eu senti assim o primeiro pródomo dessa maternidade espiritual. Aquela de gerar Jesus no coração das pessoas. E me lembro que ali as meninas brincaram de eu ser uma focolarina e eu nem queria pensar nisso porque realmente sempre pensei em formar uma família. Mais tarde entrei na universidade, me transferi de Belém para o Rio de Janeiro. Eu fiquei seis meses sem estudar porque não consegui transferir a universidade. Aí eu fui para uma Mariapólis Ginetta (SP), fiquei quatro meses e senti fortemente que Deus me chamava. Quando eu terminei o curso, que difícil que foi entrar no Focolare. Foram poucos minutos que eu

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A Palavra - Entrevista

tinha para decidir se ia ou não, e ali diante de Jesus Eucaristia eu tive uma conversa profunda com Ele, onde Ele me fez entender através da passagem do Evangelho do jovem rico que eu estava rica. Rica da minha vida, rica da medicina. Lembrando dessa passagem do Evangelho eu dizia: “mas Jesus o que é que eu faço pra te seguir realmente, é isso que tu queres de mim?”, aí me lembrei de uma certa palavrinha do texto: “E o jovem tristemente se afastou”; essa palavrinha tristemente, fez eu dizer: “meu Deus eu não quero viver triste por toda a minha vida”. Aí foi um salto. A Palavra - O que é maternidade espiritual para você? Ana de Fátima - No nosso estatuto diz que a Obra de Maria (os Focolares) quer ser a continuação de Maria aqui na Terra. Maria é a palavra encarnada, nosso modelo e a imitamos naquilo que ela fez de extraordinário que foi gerar Jesus ao mundo. Então para nós, Maria tem essa finalidade: gerar Jesus ao mundo. Essa maternidade espiritual é gerar Jesus no coração das pessoas. Maternidade espiritual para mim é isso: poder gerar - através do amor - Jesus entre nós. Às vezes a gente se sente impotente diante das situações que as pessoas confiam a nós. Pessoas que nos conhecem, participam da obra e em seguida se sentem livres para expressar situações de sofrimento, de dor, de tristeza e de solidão. Muitas vezes eu fico calada, porque a gente se sente tão impotente diante do

sofrimento humano, principalmente de tristeza e de solidão. A Palavra- Esse ouvir o outro é o exercício da maternidade espiritual? Ana de Fátima - Com certeza. Porque você tem que estar totalmente desprendida de ti mesmo, para poder acolher ao outro. Joga também quando você não tá bem, não quer nem escutar, mas é ali naquele momento onde eu acho que brota, que flui esse desejo de amar o outro. Então aí tu gera, quantas vezes eu fiz essa experiência de situações dolorosas, tu vai, tu escuta, tu ama, tu vai atrás. Ama, acolhe. A Palavra – O Papa Francisco falou para as religiosas de uma vida celibatária fecunda no sentindo maternal. O que é para você uma maternidade espiritual fecunda? Ana de Fátima - Eu acho que é fecunda quando você vê crescer a mudança de vida nas pessoas. Você vê as pessoas num caminho de vida errado, mas está junto com ela e aí a pessoa muda de comportamento. Para mim é isso a fecundidade: quando eu me encontro com uma pessoa que se encontrou com Jesus. Que não são frutos pessoais de alegria, consolação, podem ser também, mas a fecundidade maior é quando você consegue gerar e essa pessoa possa realmente se encontrar com Jesus e se realizar plenamente no seu desígnio de Deus. A Palavra – Como ficou o desejo de ter filhos? Ele se realizou? www.paroquiasaoluisgonzaga.com


Ana de Fátima - Ele se realiza plenamente. Eu não contei um episódio, porque não é que foi assim uma passada imediata de não querer formar a minha família, foram alguns meses, anos talvez. Eu fazia experiência de namoro, mas foi tão interessante que quando eu começava um relacionamento, com jovens, um pouco mais profundo, me sentia presa, me sentia prisioneira, aí não dava. Eu acho que isso também era uma outra característica de que Deus me chamava. A Palavra – Como é essa experiência de ser mãe espiritual? Isso te realiza de forma corporal/humana? Ana de Fátima - Olha, eu sinto essa plena realização. Não sei se é pela resposta que eu encontro nas pessoas que eu acompanho. Mas tenho mais filhos que minha própria irmã que teve só dois filhos. Pelo carinho, pelo amor que também existe um retorno por parte das pessoas, principalmente por aquelas que se sentem profundamente agradecidas por terem podido, através da convivência pessoal de acompanhamento, ter encontrado Jesus. Então isso aqui é impressionante, eu olho assim as pessoas que me comunicam diariamente situações e penso: “mas meu Deus porque que ela me comunica isso? Não teria motivo”. Mas é porque sentiram talvez um acolhimento materno.

“Maternidade espiritual para mim é isso: poder gerar - através do amor - Jesus entre nós”

A Palavra - O amor da mãe espiritual é incondicional também? Ana de Fátima - Totalmente. Porque chega naquele momento que às vezes tu diz: “não quero ver ninguém hoje”. Mas aí vem e te dizem: “mas é fulana”. Aí tu te lembra do que ela traz, aí tu diz: “então deixa que eu falo, deixa que eu vou”. Então é aquilo da mãe que cuida do filhinho que ta doente e não mede esforços, na vida espiritual também existe isso diante de Jesus que está ali para você poder amar, gerar. www.paroquiasaoluisgonzaga.com

A Palavra - Entrevista

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Dom do amor materno! A maternidade é um amor sem padrões e graça de Deus concedida a todas as mulheres. Nesta edição A Palavra traz três realidades da manifestação deste amor

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A Palavra - Especial

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Em maio se comemora o mês das noivas, das mães e também o mês mariano. Com um olhar um pouco mais aguçado percebemos a relação destas comemorações para um único mês do ano. Já dizia São João Paulo II em sua Carta Apostólica “Mulieris dignitatem” que a maternidade é fruto do amor recíproco entre um homem e uma mulher na união matrimonial. Mas é também em Maria que Deus revela o dom da maternidade para todas as mulheres. Ou seja, Maria mesmo virgem ao mesmo tempo se tornou mãe. “A virgindade e a maternidade coexistem nela: não se excluem, nem se limitam reciprocamente. Antes, a pessoa da Mãe de Deus ajuda todos — especialmente todas as mulheres — a perceberem de que modo estas duas dimensões e estes dois caminhos da vocação da mulher, como pessoa, se desdobram e se completam reciprocamente”, diz a Carta. Desta forma a maternidade não se dá apenas de forma física, mas também de forma espiritual, mas sempre através de um enlace matrimonial, seja com um homem ou com Deus.

AMOR ADOTIVO

O desejo por uma menina na família Rodrigues era tão grande que até o irmão, na época com quatro anos de idade, já dizia: “Quero uma Daniela!”. E foi esse o nome que a mãe Ida Rodrigues deu a filha adotiva Daniela Rodrigues. “Era para ser ela, quando nasceu havia quatro pessoas na nossa frente, mas estavam viajando e aí nos chamaram”, lembra Ida, que após sofrer um acidente ainda na gestação do primeiro filho foi orientada a não ficar grávida novamente e, por isso, decidiu adotar. Para ela o amor entre o filho biológico de maneira alguma é diferente do que sente pela filha adotiva. “Nem lembro que é adotiva, é como se tivesse saído de mim também. Saí da maternidade com a mesma emoção de como tivesse gerado www.paroquiasaoluisgonzaga.com

ela”, conta. A filha Daniela afirma que também sente que o amor entre ela e Ida fosse sido gerado fisicamente também. “É algo gigantesco, é como se eu estivesse sido gerada em seu ventre. Emocionome sempre ao lembrar da minha história, mas sei que tenho um porto seguro sempre de braços abertos para me acolher e me ajudar”, reflete. Hoje, Daniela já tem 27 anos e é professora, para Ida Deus deixou a “Dani” para ser a companhia presente de uma filha, já que o filho mais velho mora longe.

“Ser mãe é a melhor coisa do mundo, se eu não tivesse essas filhas eu acho que não era uma pessoa completa” - Inês Dandolini Matos -

A maternidade espiritual se preocupa com a alma, com o espírito e o corpo das pessoas, principalmente as que sofrem

AMOR ESPIRITUAL É ao visitar diariamente os doentes no Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux que a irmã Theresinha Pereira da Silva exerce sua maternidade espiritual. Ainda em sua carta apostólica, São João Paulo II reflete que o celibato no sentido evangélico comporta a renúncia ao matrimônio e, por consequência, também à maternidade física. No entanto, a renúncia a este tipo de maternidade abre para a experiência de uma maternidade de sentido diverso: “a maternidade segundo o espírito”. “É uma maternidade integral, nos preocupamos com a alma, espírito e o corpo das pessoas, principalmente as que sofrem”, partilha Theresinha, que é A Palavra - Especial

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Inês não se arrepende de ter tido três filhas, se fosse hoje ela garante que teria três ou mais

consagrada da Congregação Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. É na dor da doença que ela procura ser consolo para os filhos pacientes. “É um amor desinteressado, sublimado”, define. São João Paulo II afirmou que a maternidade espiritual reveste-se de múltiplas formas. Na vida das mulheres consagradas ela poderá acontecer assim como é a vida de Theresinha: em solicitude pelos homens, especialmente pelos mais necessitados como os doentes, os deficientes físicos, os abandonados, os órfãos, os idosos, as crianças, a juventude, os encarcerados, e, em geral, os marginalizados.

AMOR TRIPLO O sonho eram quatro filhos, dois casais. Mas quando chegou a terceira menina a dona de casa Inês Dandolini e o marido decidiram parar por aí. Inês decidiu que sua profissão seria mãe

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A Palavra - Especial

“Jesus confirma o sentido da maternidade relativa ao corpo; ao mesmo tempo, porém, indica-lhe um sentido ainda mais profundo, ligado à ordem do espírito: a maternidade é sinal da Aliança com Deus que é espírito (Jo 4, 24).” - Carta apostólica Mulieris Dignitatem -

na maior parte de sua vida. Lecionou apenas dois anos e no restante cuidou das três filhas em tempo integral. Hoje, já avó de quatro netos, vê que sua dedicação e amor tiveram influência no modo como suas filhas lidam com a maternidade. “Sempre digo que se a mãe puder ficar perto dos filhos que fique, porque o filho sente a necessidade da mãe por perto”, considera. Três filhas lhe renderam um trabalho triplo, mas também um amor triplo. Se fosse hoje, ela garante que teria novamente as três filhas ou até mais. “Mesmo com todo o trabalho, vejo que é muito bom ter três filhos ou ter mais. Filho pra mim é sagrado, uma coisa de Deus, completa o ser humano, principalmente a mulher”, afirma. Três realidades que mostram o amor materno como dom de Deus para todas as mulheres. Além de um amor incondicional - que faz com que muitas mães não encontrem palavras para defini-lo – a maternidade é, conforme ilustra a Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, sinal de Aliança com Deus.

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São Filipe Neri: Coração abrasado pelo amor de Deus “A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (I Cor – 3,19). Por optar em fazer a vontade de Deus São Filipe Neri muitas vezes foi considerado louco, mas para ele isso pouco importava. Filipe nasceu em 1515 na cidade italiana de Florença, ainda criança perdeu a mãe, mas a sua madrasta o amou como filho. Por causa da sua bondade ele ficou conhecido como “o bom Filipinho”. No início da sua juventude, decepcionado com os lucros que hoje se conquista e amanhã se perde, ele se interessou mais pelos tesouros do céu. Abandonou, então, os negócios e partiu para Roma e se tornou um peregrino. Nessa época ele já vivia a pão e água uma vez por dia, dormia apenas algumas horas no chão duro, e passava parte da noite em oração. À noite Filipe também costumava visitar as sete principais igrejas de Roma, retirandose depois para a catacumba de São Sebastião. Muitos se sentiram atraídos pelo seu exemplo e se juntaram a ele. O bom humor era a sua marca registrada e as pessoas sentiam uma grande satisfação em sua presença. Filipe também cuidava dos doentes, percorria ruas e praças evangelizando e sentia um chamado especial para cuidar da juventude. Filipe Neri teve relações com grandes santos que viviam em Roma, entre eles Santo Inácio de Loyola. O fundador dos Jesuítas o convidou várias vezes para ingressar na Companhia de Jesus, mas ele preferiu continuar como peregrino. Admirado pelas pessoas que abraçavam a vida consagrada por causa das palavras de Filipe, Santo Inácio o chamava de “o Sino”, dando a seguinte explicação: “Assim como um sino de uma paróquia, que chama www.paroquiasaoluisgonzaga.com

todo mundo para a igreja e permanece no seu lugar, este homem apostólico faz outros entrarem na vida religiosa e permanece de fora”. O santo que tanto resistiu ao sacerdócio só foi convencido, ou melhor, quase que forçado a se tornar padre pelo seu confessor. Aos 36 anos foi ordenado sacerdote. A intimidade de Filipe com as coisas celestes era tão grande que em um dia de Pentecostes, quando suplicava ao Espírito Santo que enviasse seus dons, viu de repente uma bola de fogo que lhe entrou pela boca, descendo até o coração. Tal foi à intensidade de amor que ele sentiu que julgou que iria morrer. Caiu no chão, gritando: “Basta, Senhor, basta! Não resito mais!”. Após esse acontecimento o seu coração ficou maior do que o normal chegando a romper duas costelas. O que foi constatado depois da sua morte pela autópsia. Como diretor espiritual Filipe Neri dirigia as pessoas com profundo sentido sobrenatural além de senso de humor. A um homem rico que se propunha fazer grandes penitências após a confissão, indicou-lhe que, em vez disso, desse muitas esmolas; a uma moça deprimida, mandou-a procurar um bom marido; a outra que se acusou repetidas vezes de maledicência, deu-lhe como penitência que fosse depenando uma galinha pela estrada e que depois voltasse recolhendo as penas, isso para que ela entendesse que é isso o que acontece quando se calunia alguém, a falsidade espalha-se e é difícil devolver a boa fama. A vida de São Filipe Neri é repleta de grandes acontecimentos, além destes já relatados existem outros que você pode encontrar em sites católicos e livros. Sugerimos também o filme: “São Filipe Neri: Prefiro o Paraíso”. A Palavra - Discípulos

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Maria de Nazaré: Mãe, Discípula e Missionária Por P. Adilson José Colombi scj, vigário paroquial

Maria de Nazaré, jovem judia filha de Ana e Joaquim, certamente como toda jovem da época foi educada e cultivava o desejo de ser a Mãe do Messias prometido. Sua aspiração efetivou-se com a escolha que o Pai, por meio do Anjo Gabriel que lhe trouxe a alegre notícia da parte de Deus. Escolha que não é privilégio, mas missão e serviço que exigem renúncias e sacrifícios contínuos. Com fidelidade e amor, aceita e realiza a maternidade divina, com obediência total a Vontade do Pai (“faça-se em mim, segundo tua vontade”). Tornou-se, desta forma, com seu testemunho maternal, a figura que inspira, até hoje, a acolher e a realizar a maternidade como missão de serviço a Deus e à humanidade. Jamais viu a maternidade como peso, estorvo em sua vida ou privilégio. Ao contrário, como dom, graça, possibilidade de efetivar sua missão de servir a Deus e aos irmãos (ãs).

Tubos Pereira há quase 50 anos produzindo com garantia e qualidade em pavers, tubos, lajotas e demais produtos em artefatos de cimento.

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A Palavra - Discípulos

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Depois de Mãe de Jesus, Maria de Nazaré foi e é sempre percebida e amada como discípula-missionária, cumprindo fielmente ao longo dos tempos sua missão. Por isso, além de seu papel na Maternidade de Jesus, sua presença e importância para os Evangelhos estão no fato de ter acolhido e de ter sido fiel ao Plano de Deus do começo ao fim, em obediência e fidelidade totais.

Maria de Nazaré: discípula

A atitude do discípulo (a) é diferente daquela do aluno (a). Alunos, em sua maioria apenas “aturam” o professor. O discípulo (a) escuta, presta atenção, contempla, procura assemelhar-se e, sobretudo, segue o mestre com alegria e entusiasmo. Procura acompanhar o mestre, conhecendo sempre mais sua pessoa, suas palavras, seus gestos, suas atitudes, suas escolhas para, na medida do possível, incorporá-los em sua trajetória existencial. Maria de Nazaré não foi aluna, mas discípula do Mestre Jesus, seu Filho. Discípula daquele que se revelou como “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6). Como discípula não só aprendeu a apreciar este Caminho, mas o trilhou pessoalmente; não só meditou e contemplou a Verdade, mas a viveu com

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coragem; não apenas viveu a Vida, mas a colocou com total entrega e serviço ao Pai (“Eis aqui a serva do Senhor”) e aos irmãos (ãs). Maria de Nazaré é, então, a discípula e seguidora do Mestre Jesus

“Depois de Mãe de Jesus, Maria de Nazaré foi e é sempre percebida e amada como discípula-missionária, cumprindo fielmente ao longo dos tempos sua missão. Por isso, além de seu papel na Maternidade de Jesus, sua presença e importância para os Evangelhos estão no fato de ter acolhido e de ter sido fiel ao Plano de Deus do começo ao fim, em obediência e fidelidade totais” por excelência. Ninguém a supera neste testemunho! Não foi, evidentemente, só por sua livre e espontânea vontade e esforço que conseguiu alcançar este grau de conformidade com o Mestre Jesus. Foi,

porém, sua fidelidade incondicional à presença e às inspirações do Espírito Santo que sempre foi desejado, acolhido e seguido com inteira confiança e fidelidade. Ela, portanto, é a primeira discípula! Maria de Nazaré, discípula/seguidora do Mestre Jesus, seguindo fielmente as palavras e as atitudes de seu Mestre Jesus, coloca-se, inteiramente, a serviço da Boa Nova do Reino de Deus. Tornase permanentemente missionária. Mistura sua vida com a dos irmãos, principalmente os mais necessitados, seguindo continuamente as pegadas evangelizadoras do Missionário do Pai. Sua vida é contínuo testemunho, do início ao fim, de amor, dedicação, fidelidade à missão recebida do Pai, com as mesmas disposições do Filho, em ser testemunha e trabalhadora incansável no anúncio e na construção da Boa Nova do Reino de Deus. Maria de Nazaré é, portanto, para todos os tempos e lugares, o exemplo mais inspirador de todo discípulo-missionário do Mestre Jesus, na missão de batizado. Maria de Nazaré, Mãe, discípula e missionária do Mestre Jesus, jamais será superada no amor e no testemunho no cumprimento destas missões particulares na construção do Reino de Deus, até o fim dos tempos. Por isso, ela será sempre fonte e apoio a todo fiel que quer também cumprir sua vocação fundamental, como batizado, de seguir o Mestre Jesus, como discípulo-missionário.

A Palavra - Discípulos

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HORÁRIO DE

MISSAS MATRIZ SÃO LUÍS GONZAGA De segunda-feira a sábado – 19h Domingo – 7h, 9h, 17h e 19h 1ª sexta-feira do mês – 7h 2ª terça-feira do mês – Missa da Saúde – 15h30 Última quinta-feira do mês – Missa com os jovens – 22h30 Adoração ao Santíssimo Sacramento Quintas-feiras – 6h30 às 18h30

Missa de Acolhida dos Atiradores Efetivos do Tiro de Guerra No dia 09 de março foi celebrada, na Paróquia São Luis Gonzaga, a Missa de Acolhida dos Atiradores Efetivos de 2014 do Tiro de Guerra de Brusque. A celebração foi presidida pelo P. Jair contou com a presença do Chefe de Instrução, Iloir José Sá, e dos instrutores Osmar Archanjo Soares Junior e Renegildo Ângelo Marcon.

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A Palavra - Comunidades

COM. NOSSA SENHORA DE FÁTIMA Sexta-feira – 19h Sábado – 18h Domingo – 9h Dia 13 de cada mês – 19h COM. SANTA RITA 1ª sexta-feira do mês – 19h Sábado – 19h Dia 22 de cada mês – 19h COM. CRISTO REI 1ª sexta-feira de cada mês – 19h Domingo – 8h30 COM. NOSSA SENHORA DE LOURDES 1ª sexta-feira de cada mês – 19h Sábado – 19h Dia 11 de cada mês – 19h

COM. NOSSA SENHORA APARECIDA 1ª sexta-feira de cada mês – 19h Sábado – 19h Dia 12 de cada mês – 19h COM. SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 1ª sexta-feira de cada mês – 19h Sábado – 19h 2ª segunda-feira de cada mês – 19h 2ª quarta-feira de cada mês – 19h COM. SÃO JOÃO BATISTA Domingo – 8h COM. SANTO ANTÔNIO Domingo – 8h30 Dia 13 de cada mês – 19h30 1ª sexta-feira do mês – 19h30 COM. SÃO JOSÉ 1ª sexta-feira do mês – 19h Sábado – 17h30 Dia 19 de cada mês – 19h COM. SANTA PAULINA Sábado – 19h 1ª sexta-feira do mês – 19h Dia 09 de cada mês - 19h COM. SÃO FRANCISCO DE ASSIS 2º e 4º domingo do mês – 9h

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Comunidades em Festa

As Comunidades Nossa Senhora de Fátima e Santa Rita de Cássia celebram neste mês as suas padroeiras. A festa na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Jardim Maluche, será de 07 a 11 de maio. O tríduo será entre os dias 07 e 09 com a Santa Missa, às 19h. No dia 09, após a Celebração, acontece a “Noite da Polenta com Galinha”. A Missa dos festeiros será no dia 10, às 18h, seguida de churrasco. Nos dias 09 e 10 terá música ao vivo e também barraquinhas com guloseimas. No domingo, às 09h, será celebrada a Missa em Ação de Graças pelo Dia das Mães e, no dia 13 de maio - Solenidade de Nossa Senhora de Fátima, a Missa será às 19h. A C omunid ade Noss a S en ho-

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ra de Fát ima est á lo c a lizad a na Ru a Va ldir Wa lendowsky, 149, no B air ro Jardim Ma luche. De 15 a 24 de maio será a vez da Comunidade Santa Rita de Cássia celebrar a sua Padroeira. A novena de Santa Rita será entre os dias 15 e 23, às 19h, com a Santa Missa, após as celebrações a comunidade vai vender cachorro quente. Após a novena do dia 23, terá macarronada, churrasco e cachorro quente. No dia 24, último dia da festa, a Santa Missa será às 18h e após churrasco e cachorro quente. Nos dois últimos dias terá a roda da fortuna e a barraca do bolo. A Comunidade Santa Rita de Cássia está localizada na Rua Marechal Floriano, 55, no Bairro Santa Rita.

Café com bingo No dia 17 de maio a Comunidade São Francisco promove o Café com Bingo, a partir das 14 horas, na Associação dos Servidores Públicos de Brusque. Os brindes sorteados serão trazidos pelos participantes e também serão realizadas rifas com doações arrecadadas. Durante os sorteios, será servido o café com comidas típicas. A Associação está localizada na Rua Professora Solange Margo Gomes, no Bairro Cerâmica Reis.

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Neste mês de maio celebramos a aparição de Nossa Senhora de Fátima a três crianças, em Portugal. Vamos colorir este lindo desenho e também rezar todos os dias pedindo a proteção da Mãezinha do Céu!

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A Palavra  

Ed. 37 Maio

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